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Numero do processo: 10983.906318/2009-80
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson- Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 14 47.084, da 6ª Turma da DRJ/RPO, que considerou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 63 18 /2 00 9- 80 Fl. 71DF CARF MF 2 inconformidade contra o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação feito através da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) 22298.00514.080605.1.3.040566. Transcrevo, a seguir o relatório: Em decisão proferida pela DRF Florianópolis em 22/06/2009 (ciência em 29/06/2009), não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada no presente processo, em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. Em 13/07/2009, irresignado, interpôs o contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega que após confrontar os valores declarados na DCOMP com a DIPJ 2005, percebeu que a DCTF referente ao 1° trim./04 não havia sido retificada, o que ocasionou a não homologação do crédito. Informa que entregou em 30/06/2009 DCTF retificadora corrigindo as informações e solicita o cancelamento do Despacho Decisório e a aceitação da DCTF anexa, que demonstra o crédito utilizado na DCOMP. Cientificada em 31/01/2014 (fl 29), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 25/02/2014 (fl 31). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente apresenta uma preliminar que, na verdade, se confunde com a descrição dos fatos. Neste sentido, afirma que: · a empresa recolheu a maior que o devido a importância de R$378,38; · apresentou DCTF retificadora; · que a DIPJ do ano de 2005 informa corretamente o valor da COFINS do 1° trimestre de 2004; e · que não representou prejuízo para o Erário, posto que recolheu a maior (conforme acima). Como razões de mérito (cita doutrina), aduz: · em função do tempo já decorrido, a não homologação do perd/comp, vai acarretar inclusive a perda integral do crédito recolhido a maior, pois não será possível pleitear a restituição/compensação do mesmo tendo em Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.906318/200980 Acórdão n.º 1001001.179 S1C0T1 Fl. 3 3 vista, que o pagamento a maior ocorreu em 14/05/2004, e já transcorreu mais de 05 anos (artigo 165 CTN); · caso não seja possível a homologação do PERD/COMP, solicitamos a retificação do PERD/COMP, com a mesma data da entrega da DCTF retifícadora (30/06/2009), minimizando assim o prejuízo imposto ao contribuinte. Culmina pedindo que seja acolhido o seu recurso. A DRJ, por sua vez, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo, parcialmente: O contribuinte, em data posterior ao Despacho Decisório (30/06/2009), retificou a DCTF do período, de modo a delinear o crédito pleiteado, portanto, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTF. Malgrado o intento do contribuinte, cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. Por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: ... Nesse prisma, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: ... No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose tãosomente a apresentar a Declaraçãoretificadora (DCTF), na qual se destaca o novo valor declarado Por tais razões, quando o contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Fl. 73DF CARF MF 4 A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse diapasão, o indébito em questão não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E, assim, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. De fato, a alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Entretanto, de acordo com o artigo 170, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10983.906318/200980 Acórdão n.º 1001001.179 S1C0T1 Fl. 4 5 Assim, somente os créditos, considerados líquidos e certos podem ser objeto de compensação. Como a referida retificação ocorreu após o despacho decisório, entendo que, realmente, a recorrente deveria ter apresentado outras provas das razões de tal retificação. Sem isso, fica difícil de aceitála. Nesta linha, foi a conclusão exarada através do Parecer Normativo Cosit 2/2015, conforme a seguir: 13. Ressaltese, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Na mesma linha, vejase o acórdão: COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) Mesmo havendo a clara menção na decisão da DRJ, nem no recurso voluntário foram apresentadas provas adicionais. Transcrevo, com a devida vênia, a parte a que se refere a decisão da DRJ (já acima transcrita): Nesse prisma, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: ... No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, Fl. 75DF CARF MF 6 limitandose tãosomente a apresentar a Declaração retificadora (DCTF), na qual se destaca o novo valor declarado Quanto ao pedido adicional da recorrente: caso não seja possível a homologação do PERD/COMP, solicitamos a retificação do PERD/COMP, com a mesma data da entrega da DCTF retifícadora (30/06/2009), minimizando assim o prejuízo imposto ao contribuinte. O CARF não tem essa competência para procedêlo. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902390/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.902390/201438 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401005.824 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO PIS/COFINS Recorrente BANCO ALVORADA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 90 /2 01 4- 38 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.902390/201438 Acórdão n.º 3401005.824 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10580.902390/201438 Acórdão n.º 3401005.824 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.498. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10580.902390/201438 Acórdão n.º 3401005.824 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10580.902390/201438 Acórdão n.º 3401005.824 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10580.902390/201438 Acórdão n.º 3401005.824 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10580.902390/201438 Acórdão n.º 3401005.824 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.902390/201438 Acórdão n.º 3401005.824 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10580.902390/201438 Acórdão n.º 3401005.824 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.900614/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 02/04/2003
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS.
O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007).
DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO.
Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciá-lo.
Numero da decisão: 2201-004.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro (relator), para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 02/04/2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro (relator), para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 14 /2 00 8- 14 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 16327.900614/200814 Acórdão n.º 2201004.961 S2C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.900498/200825, paradigma deste julgamento. "Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido, a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista que se tratava de entidade de Educação Imune. Por tal razão, não deveria ter feito a retenção do IRRF da instituição que apresentou declaração informando que cumpria os requisitos para fruição da imunidade. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que não poderia apreciar o pedido de compensação, pois se encontrava pendente ação judicial perante o Supremo Tribunal Federal. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário." Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.900498/200825, paradigma deste julgamento. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 16327.900614/200814 Acórdão n.º 2201004.961 S2C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2201004.950 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em tela, verificase que a decisão de primeira instância não entrou no mérito da questão, o que pode ocasionar a malfadada a supressão de instância. Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou que a análise de mérito referente ao direito creditório deve ser feito pela decisão recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS NOS TERMOS DO ART. 5º DA MP n° 2.222/ 2001. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 50 da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. Para que a DRJ analise a regularidade da compensação realizada pela Recorrente, bem como sobre a existência do crédito, com a provas juntadas pelo contribuinte. Sendo assim, e considerando que a decisão de primeiro grau foi proferida levando em consideração a ADIn 18023 e que esta ação já foi julgada, declaro a nulidade da decisão recorrida para que outra seja proferida em seu lugar, analisando se a origem do crédito pleiteado, bem como o direito do contribuinte sobre o crédito pleiteado. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para cancelar a decisão recorrida para que outra seja proferida." Fl. 101DF CARF MF Processo nº 16327.900614/200814 Acórdão n.º 2201004.961 S2C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para cancelar a decisão recorrida para que outra seja proferida. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002622/2001-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOST0 SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
OMISSA0 DE RENDIMENTOS
Omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, com e sem vinculo empregatício
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2101-000.904
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Odmir Fernandes
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score : 1.0
Numero do processo: 11030.000201/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/04/2006, 31/07/2007
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE OMISSÕES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não padece de nulidade a decisão de primeira instância que deixa de se manifestar sobre alegações que não foram trazidas pelo sujeito passivo em sua Impugnação.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/04/2006, 31/07/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INEXISTENTES. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA
Cabível a imposição da multa isolada qualificada em virtude de débitos indevidamente compensados quando comprovada a conduta dolosa, mediante fraude e inserção de informações falsas, por parte da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1302-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/04/2006, 31/07/2007 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE OMISSÕES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não padece de nulidade a decisão de primeira instância que deixa de se manifestar sobre alegações que não foram trazidas pelo sujeito passivo em sua Impugnação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/04/2006, 31/07/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INEXISTENTES. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA Cabível a imposição da multa isolada qualificada em virtude de débitos indevidamente compensados quando comprovada a conduta dolosa, mediante fraude e inserção de informações falsas, por parte da pessoa jurídica.
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APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE OMISSÕES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não padece de nulidade a decisão de primeira instância que deixa de se manifestar sobre alegações que não foram trazidas pelo sujeito passivo em sua Impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/04/2006, 31/07/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INEXISTENTES. INFORMAÇÕES FALSAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA Cabível a imposição da multa isolada qualificada em virtude de débitos indevidamente compensados quando comprovada a conduta dolosa, mediante fraude e inserção de informações falsas, por parte da pessoa jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 02 01 /2 00 9- 12 Fl. 340DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em relação ao Acórdão nº 18 11.032, de 10 de julho de 2009, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS (fls. 162 a 177), que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/04/2006, 31/07/2007 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. LANÇAMENTO DE OFICIO. Considerada não homologada a compensação, cabível a exigência da multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. DCOMP. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO DA PENALIDADE. É cabível a aplicação de penalidade tomando como base de cálculo o valor dos débitos indevidamente compensados, na medida em que a punição imposta pela lei decorre do efeito extintivo das DCOMP, visando coibir seu uso em hipóteses distintas daquelas autorizadas na lei, mormente se vinculada a créditos inexistentes e com inserção de elementos falsos." O presente processo diz respeito a autos de infração lavrados contra a Recorrente (fls. 06 a 15), para a imposição de multa isolada pela realização de compensação indevida, com fulcro no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelas Leis n°s 11.051, de 2004, 11.196, de 2005, e 11.488, de 2007. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 16 a 18, o sujeito passivo realizou, por meio de Declarações de Compensação (DComp), compensações que não foram homologadas, conforme Despachos Decisórios emitidos no âmbito dos processos Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11030.000201/200912 Acórdão n.º 1302003.497 S1C3T2 Fl. 341 3 administrativos nº 11030.001105/200649 e 13804.001085/200714, sujeitandose à imposição da já referida multa isolada, por ter restado caracterizado evidente intuito de fraude, pela utilização de créditos inexistentes de fato. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou a Impugnação de fls. 61 a 93, na qual, essencialmente, sustenta: (i) que os débitos declarados nas DComp em pauta foram extintos por pagamento, com os devidos acréscimos legais; (ii) que o Pedido de Restituição de que trata o processo administrativo nº 13804.001085/200714 foi apresentado por empresa de auditoria por ele contratada, e que somente tomou conhecimento do pleito, quando recebeu Notificação de Restituição/Despacho Decisório, reconhecendolhe o direito creditório e o autorizando a realizar compensações; (iii) que foi com base no referido documento que foi apresentada a DComp nº 32881.31440.240807.1.3.042299, na qual se apontou como origem do crédito o processo administrativo nº 13804.001085/200714; (iv) que os auditores contratados, agindo em seu nome e sem o seu conhecimento, formalizaram o processo administrativo nº 10070.000682/200684, referente a Pedido de Habilitação de Crédito por Decisão Judicial Transitada em Julgado, e apresentaram DComps, por meio das quais compensaram débitos de sua responsabilidade; (v) que somente tomou conhecimento destes últimos fatos relatados, quando foi cientificado do lançamento de ofício ora sob análise; (vi) a ausência de adequada capitulação legal nos autos infração contra ele lavrados, uma vez que não é discriminado o inciso ou parágrafo que teria sido infringido; (vii) que a conduta tida por irregular não se amolda ao elemento subjetivo "dolo", que integra o núcleo do fato típico "fraude", conforme art. 72, da Lei nº 4.506, de 1964; (viii) que a utilização de créditos eventualmente inexistentes não configuraria fraude, de acordo com a definição trazida no citado dispositivo legal; (ix) a dupla incidência de multa isolada sobre débitos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referentes ao período de apuração de março de 2006, que já embasaram lançamento a tal título nos autos do processo administrativo nº 11030.001554/200778 (x) a necessidade de aplicação do art. 112 do CTN. A decisão de primeira instância entendeu que "os atos praticados pela contribuinte não podem ser tratados como meros equívocos, entendendose que para se manter sob o manto da normalidade da compensação declarada na forma eletrônica, a empresa inseriu informações falsas naquelas declarações, o que lhe permitiu a transmissão das mesmas". Considerou, ainda, que o elemento "falsidade", exigido para a constituição da multa em questão dispensa o dolo específico, e que considerando que o sujeito passivo não Fl. 342DF CARF MF 4 procedeu ao imediato recolhimento dos tributos indevidamente compensado, quando teve conhecimento do pretenso golpe que lhe teria sido aplicado, não há como se afastar a sua responsabilidade. Concluiu, então, que "o procedimento da contribuinte, agindo de forma intencional a lesar a Fazenda Nacional, ignorando os atos normativos e legais que impediam a compensação nos termos em que pleiteada, amoldase ao evidente intuito de fraude, visto que a transmissão dos PER/DCOMPS tiveram por escopo obstar a RFB no prosseguimento da cobrança dos valores devidos, donde corretas as multas aplicadas". Em relação à alegação de duplicidade na imposição da multa, registrou que se referem a DComps distintas, sendo igualmente distintos os fatos apenados, de modo que possível a aplicação das duas penalidades. Após a ciência da decisão, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 182 a 226, no qual ataca o Acórdão recorrido, que seria nulo, por não apreciar a ilegalidade ou inconstitucionalidade dos atos fiscais questionados; e repisa as alegações já trazidas na Impugnação, acrescentando, em relação à alegação de "duplicidade de incidência punitiva sobre um só fato gerador", que: (i) a declaração de compensação é instrumento que cumpre obrigação apenas formal, acessória à obrigação principal; (ii) os débitos compensados foram constituídos por meio de DCTF; (iii) as punições visam sancionar atos potencialmente lesivos ao Erário, sendo que, no caso, o débito já foi punido, ou pelo menos constituído, anteriormente. Alega, ainda, em relação ao mesmo ponto, a violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Por fim, sustenta que a sanção foi imposta sobre fatos geradores inexistentes, já que teriam sido cometidos erros no preenchimento de declarações de compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 20 de agosto de 2009 (fl. 181), tendo apresentado Recurso Voluntário em 21 de setembro de 2009, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, uma vez que o último dia do referido prazo coincidiu com um sábado. O Recurso é assinado por Procurador, devidamente constituído à fl. 95. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11030.000201/200912 Acórdão n.º 1302003.497 S1C3T2 Fl. 342 5 Como relatado, porém, o Recorrente traz, na peça recursal, novas alegações não apresentadas por ocasião da Impugnação. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. É patente que a alegação de inconstitucionalidade se inclui dentre tal rol. Ocorre que, nos termos da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Isto posto, a nova matéria não merece ser conhecida. A par disso, as alegações acerca de existência de erros no preenchimento das DComp que embasaram a imposição das multas isoladas é matéria que não se insere dentre as exceções à preclusão consumativa, pelo que não pode, igualmente, ser conhecida. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. O Recorrente não pode, em sede de Recurso Voluntário ao CARF, trazer matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. Fl. 344DF CARF MF 6 A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo, a exemplo das seguintes decisões desta Turma julgadora: "PROCESSUAL PRECLUSÃO CONSUMATIVA INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DAS HIPÓTESES DO ART. 16, § 4º, DO DECRETO 70.235 IMPOSSIBILIDADE. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235, somente se autorizando a inovar dentro das situações expressamente autorizadas pelo art. 16 do mesmo diploma processual administrativo." (Acórdão nº 1302 003.356, de 23 de janeiro de 2019, Rel. Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.O contencioso administrativo instaura se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas." (Acórdão nº 1302003.097, de 18 de setembro de 2018, Rel. Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa) Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, à exceção das matérias excepcionadas. 2. Da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância A Recorrente invoca a nulidade do Acórdão recorrido, uma vez que não teriam sido apreciadas as alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade dos atos fiscais questionados. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11030.000201/200912 Acórdão n.º 1302003.497 S1C3T2 Fl. 343 7 A leitura da Impugnação apresentada, contudo, revela que inexiste, ali, qualquer argumentação expressa a respeito de suposta violação a preceitos constitucionais (o que somente vem surgir no Recurso Voluntário). Deste modo, apesar da ressalva realizada pelo julgador a quo (que guarda consonância com o entendimento deste Conselho, enunciado na Súmula CARF nº 2), tal afirmação é inócua ao julgamento. De outra parte, apesar de enunciar a sua incompetência para a apreciação de alegações de ilegalidade, o que a decisão realizou foi exatamente o exame da legalidade do ato administrativo praticado. Inexiste qualquer omissão ou cerceamento do direito de defesa no Acórdão recorrido. Isto posto, rejeito a preliminar de nulidade. 3. Da multa isolada pela compensação com falsidade, fraude, sonegação ou conluio A multa aplicada nos autos de infração de fl. 6 a 15 tem por base legal, para a maioria dos fatos geradores, o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)" O referido dispositivo ganhou nova redação, por meio da Lei nº 11.488, de 2007, aplicável à compensação realizada em 31/07/2007: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 346DF CARF MF 8 § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" O dispositivo da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, referido na norma acima transcrita, por sua vez, possui o seguinte conteúdo: "Art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Como se percebe, a nova redação conferida pela Lei nº 11.488, de 2007, deixa de cominar a penalidade para as compensações não homologadas nas hipóteses tratadas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, restringindoa à situação de falsidade na declaração. No caso sob análise, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 16 a 18 justifica a imposição da penalidade na caracterização do "evidente intuito de fraude pela utilização de créditos inexistentes de fato". A leitura do Despacho Decisório de fls. 41 a 50, revela que, em relação ao processo administrativo nº 13804.001085/200714, a nãohomologação da compensação declarada na DComp nº 32881.31440.240807.1.3.042299, deuse pelas seguintes razões: "(...) as ações praticadas pela pessoa jurídica denotam o ardil utilizado a fim de simular a ocorrência de fato inexistente ou a dissimulação de suas características. No caso em tela, os atos cometidos visaram a induzir os agentes fazendários em erro mediante a apresentação de informações fáticas irreais, inclusive com utilização de documento falso na tentativa de lastrear o suposto crédito. (...) o sujeito passivo intencionalmente pretendeu extinguir seus débitos tributários valendose de créditos inexistentes de fato." Já, no caso do processo administrativo nº 11030.001105/200649, a não homologação das compensações nele declaradas (fls. 51 a 60) teve a seguinte fundamentação: "Segundo os fatos relatados e a legislação antes colacionada, podese concluir, em última análise, que o contribuinte acabou por burlar a sistemática prevista para a compensação no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ao consignar nas DCOMP's ser possuidor de créditos oriundos de pagamentos indevidos/ressarcimento de IPI, atrelados a um Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11030.000201/200912 Acórdão n.º 1302003.497 S1C3T2 Fl. 344 9 processo administrativo cuja natureza informada (Declaração de Compensação, fls. 03 e 16) não condiz com sua verdadeira essência (Pedido de Habilitação de Crédito, fl. 13), o sujeito passivo fez uso de um artifício que lhe permitiu oferecer suposto crédito frente a Fazenda Pública sem necessitar detalhálo. Isto porque, uma vez assinalado o campo “informado em Processo Administrativo anterior”, o sistema gerador da PER/DCOMP não disponibiliza as fichas para demonstração do crédito, solicitando, apenas, informações básicas para identificálo. Somados a este acontecimento, outras ações praticadas denotam o ardil a fim de simular a ocorrência de fato inexistente ou a dissimulação de suas características. No caso em tela, os atos cometidos visaram a induzir os agentes fazendários em erro mediante a apresentação de informações fáticas irreais e conflitantes." Como se constata, portanto, a inovação legislativa não produz efeitos em relação ao caso sob análise, uma vez que as condutas praticadas pelo Recorrente, conforme a descrição realizada pela autoridade fiscal, enquadramse em ambas as redações do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, acima transcritas. Não se pode concordar com o Recorrente ao afirmar que as suas condutas não se amoldam ao elemento dolo, integrante do núcleo do fato típico "fraude", ou, ainda, que "a utilização de créditos eventualmente inexistentes não materializa a tipicidade 'fraude' ". Conforme a descrição realizada nos Despachos Decisórios que não homologaram as compensações declaradas pelo Recorrente, ele: (i) no caso do processo administrativo nº 13804.001085/200714, apresentou Pedido de Restituição apenas com alegações genéricas de "pagamento indevido ou a maior" (fls. 232/233) para, em seguida, apresentar DComp utilizando os alegados créditos, sabidamente inexistentes; (ii) jamais detalhou os supostos créditos apesar de lhe ter sido oferecida a oportunidade de fazêlo; (iii) justificou sua conduta em documento intitulado "Notificação de Restituição", totalmente alheio aos padrões da Receita Federal do Brasil e emitido por autoridade incompetente para a apreciação de seus pleitos de restituição e compensação; (iv) no que se refere ao processo administrativo nº 11030.001105/200649, apresentou DComp com base no processo administrativo nº 10070.000682/200684, no qual jamais houve qualquer reconhecimento de direito creditório; (v) apesar de este último processo ter como assunto a habilitação de crédito oriundo de ação judicial transitada em julgado, prestou informações nas DComp informando que o crédito compensado não decorre de ação judicial. Como bem pontuado pela decisão recorrida, "os atos praticados pela contribuinte não podem ser tratados como meros equívocos, entendendose que para se manter sob o manto da normalidade da compensação declarada na forma eletrônica, a empresa Fl. 348DF CARF MF 10 inseriu informações falsas naquelas declarações, o que lhe permitiu a transmissão das mesmas". Não procede a alegação do Recorrente de que a multa de 150% somente se aplicaria no caso de compensação considerada não declarada. O teor do §4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, qualquer que seja a redação adotada, permite a cristalina conclusão de que a hipótese da compensação não declarada é apenas uma situação adicional em que ocorre a imposição da multa no percentual qualificado. O §2º do referido dispositivo legal, conforme acima transcrito, já dá ensejo à aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos de compensação nãohomologada em que esteja presente as condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. E é isso justamente o que se extrai dos autos, onde as condutas praticadas pelo Recorrente nas compensações declaradas são tipificadas como fraude, conforme a definição trazida pelo art. 72 da citada Lei. In verbis: "Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Não é verídica a afirmativa do Recorrente de que, para a autoridade fiscal, bastou que o sujeito passivo "tenha se valido de créditos tidos por hipoteticamente 'inexistentes de fato' para adotarem o (presumido) entendimento segundo o qual estaria configurado o 'evidente intuito de fraude' "; ou, ainda, de que a imposição se respaldou exclusivamente no fato de que as compensações declaradas nas DComp foram consideradas nãohomologadas. A fraude por parte do Recorrente restou caracterizada pelas condutas de protocolar processos com supostos créditos jamais comprovados, em Unidade da Receita Federal distinta de seu domicílio fiscal; e valerse dos referidos números de processos administrativos, bem como de documento falsamente atribuído à Administração Tributária, para compensar débitos de sua responsabilidade. Não procede a tentativa do Recorrente de se eximir da responsabilidade por tais atos, transferindoa a terceiros contratados. Em primeiro lugar, o Pedido de Restituição de que trata o processo nº 13804.001085/200714 foi, inegavelmente, apresentado pelo responsável legal pelo Recorrente, conforme se atesta às fls. 232 e 233. Além disso, quando questionada acerca do crédito em questão, a Recorrente se vale de documento sabidamente ilegítimo para reconhecimento do crédito tributário, como se vê no documento de fls. 259 e 260, em que, inclusive, assume a responsabilidade pela transmissão da DComp que utilizou o referido crédito (justificase, apenas, que o valor compensado seria diminuto). Atentese que o contrato de fls. 264 a 266, que a Recorrente invoca para tentar se eximir da responsabilidade em relação a todas as condutas acima apontadas, é datado de 02 de janeiro de 2008, portanto, após a formulação dos processos administrativos utilizados Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11030.000201/200912 Acórdão n.º 1302003.497 S1C3T2 Fl. 345 11 como fundamento das compensações e, mesmo, da transmissão das DComp objeto de não homologação. Há que se concordar, portanto, com a decisão recorrida, quando afirma: "Por isso, é indubitável que a inserção de informações cujas características não estão de acordo com a legalidade que ampararia o direito de compensação de créditos junto ao Fisco, tipifica a conduta do agente que deliberadamente inseriu a informação com o fim de se eximir da obrigação de recolhimento de tributos. (...) Ao que se depreende dos autos, certamente a compensação pretendida pela interessada é indevida, não se podendo cogitar de mero erro ou negligência ao realizar as referidas compensações utilizandose crédito indevido, totalmente imprestável para tal fim. Assim, a presença da intenção dolosa se caracteriza no fato de que não é dado à pessoa jurídica desconhecer a lei, ainda mais quando esta literalmente descreve a natureza dos débitos e créditos passíveis de compensação. Isso porque o art. 74 da Lei 9.430, de 1996, não pode ser mais cristalino ao definir que os débitos e créditos passíveis de compensação são os administrados pela RFB: o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Ora, crédito inexistente não pode ser oferecido para compensar débitos fiscais, como já amplamente analisado pela autoridade administrativa de origem, donde, tais ações da contribuinte buscaram, obviamente, ludibriar a autoridade fiscal, para que a interessada ficasse desobrigada do pagamento dos créditos tributários que relacionou nos PER/DCOMPs. Diante disso, é inegável o vislumbre do resultado, qual seja, de imediato a cobrança dos débitos seriam protelados, e, por fim, decorrido o prazo de 5 anos sem manifestação por parte da autoridade fiscal, ocorreria a homologação tácita da compensação, não obstante sua irregularidade." As alegações e jurisprudência que se referem a mera declaração inexata, para defender a aplicação da multa no percentual de 75%, não socorrem o Recorrente. No caso, como fartamente narrado, as condutas do contribuinte estão muito além disso, merecendo a reprimenda prevista para a hipótese de fraude. Também é, absolutamente inaplicável ao caso, o art. 112 do CTN, que trata de situações em que há presença de dúvidas quanto a elementos do fato gerador ou da penalidade aplicável. Na situação dos autos, não há qualquer dúvida: o sujeito passivo Fl. 350DF CARF MF 12 compensou seus débitos com créditos sabidamente inexistentes, por meio de ardis fraudulentos e inserção de informações inverídicas. Finalmente, quanto à alegação de suposta duplicidade de punição, pois, nos autos do processo administrativo nº 11030.001554/200778, teria sido imposta multa isolada pela compensação de débitos também compensados nas DComp de que tratam este processo, não assiste melhor sorte ao Recorrente. Como bem abordado no Acórdão recorrido: "a) a multa isolada aplicada em relação ao IRPJ e à CSLL tratada no processo n° 1030.001554/200778 (que se encontra junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento de Recurso) se referia à DCOMP n° 16717.39877.270406.1.3.040632, transmitida em 27/04/2006; b) as multas isoladas aplicadas no presente processo têm como fundamento as DCOMPS analisadas nos processos administrativos n°s 11030001105/200649 e 13804.001085/200714 (respectivamente n°s 31010.l5474.080606.1.3.014034 e 32881.31440.240807.1.3.04 2299, transmitidas em 08/06/2006 e 24/08/2007), por meio das quais a contribuinte tentou, novamente, a compensação dos débitos que deram origem aos lançamentos que ora são discutidos." De fato, embora as penalidades possam ter tomado por base compensações relacionadas com o mesmo débito, tratamse de duas DComp distintas, duas condutas, de modo que incidente sobre cada compensação praticada indevidamente pelo sujeito passivo a punição prevista na legislação. Para a imposição da multa não importa qual o débito compensado (apenas o seu montante será utilizado para base de cálculo), mas sim a conduta praticada pelo contribuinte. Não é verídica, ainda, a defesa de que a DComp seria uma mera obrigação acessória. Na verdade, a DComp constitui o crédito tributário (§6º do art. 74 da Lei nº 9.30, de 1996) e o extingue sob condição resolutória da posterior homologação (§2º do mencionado dispositivo legal). Daí a necessidade de se punir a utilização indevida e fraudulenta do mecanismo, uma vez que, decorrido o prazo de cinco anos após a apresentação da DComp, estará definitivamente extinto o crédito tributário. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente as penalidades aplicadas. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902455/2015-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2013, no valor de R$ 217.754,18, determinando que o mesmo seja atualizado pela taxa SELIC a partir de 01/01/2014, e homologando as compensações efetuadas no âmbito deste processo até o limite do valor reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 24 55 /2 01 5- 06 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10680.902455/201506 Acórdão n.º 1401003.200 S1C4T1 Fl. 3 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. Versa o presente processo sobre a controvérsia instaurada, em razão do indeferimento pela Administração Tributária do pleito compensatório apresentado pelo interessado através de PER/DCOMP, alegando que o DARF foi integralmente utilizado para a compensação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Devidamente intimado, o interessado apresentou, manifestação de inconformidade, alegando que: Houve uma antecipação de IRPJ e CSLL que, ao final do exercício, verificouse que foi maior que o tributo devido, uma vez que o contribuinte encerrou o exercício com prejuízo; O pedido foi indeferido sob o argumento de inexistência de crédito. Foi, no entanto, em razão de mudança legislativa acerca do instituto dos pagamentos por estimativa, utilizado o teor do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014 (atualmente Parecer Normativo Cosit nº 02/2016) para afastar o motivo e realizar a análise do mérito, o que ocorreu, entendendo a administração tributária que, efetivamente, no caso dos autos inexistia crédito disponibilizado nas estimativas recolhidas, eis que, foram utilizadas integralmente para compor o saldo negativo, não havendo recolhimentos efetuados de forma indevida ou a maior. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que poderia compensar estimativas pagas a maior ou indevida independentemente do final do período de apuração, fato esse que, antes era pautado na Instruções Normativas vigentes, mas a partir da IN RFB nº 900/2008, tal situação deixou de existir, requerendo, ainda a nulidade do despacho decisório. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório e que analisando os pedidos de pagamento a maior e que os valores devidos de estimativa são idênticos inexiste o crédito pretendido. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10680.902455/201506 Acórdão n.º 1401003.200 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.188, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.902443/201573, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.188): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa em diversos meses do ano de 2013. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Em sua DIPJ apresentou informações de que apurou o IRPJ e CSLL devidos por estimativa com base na receita bruta, e que, no final do exercício, inexistindo lucro a ser tributado, os valores dos pagamentos realizados a título de estimativa transformaram se em crédito em benefício da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pelo lucro real e pela apuração das estimativas no ano de 2013, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ informando a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10680.902455/201506 Acórdão n.º 1401003.200 S1C4T1 Fl. 5 4 3 Ao requer os créditos que entendia fazer jus o fez por meio de PER/DCOMP relativo a pagamento indevido ou a maior em vez de saldo negativo; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de CSLL do anocalendário 2013 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401 003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201002.106, de 16/03/2018) Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10680.902455/201506 Acórdão n.º 1401003.200 S1C4T1 Fl. 6 5 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sim em razão da existência de saldos negativos de CSLL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10680.902455/201506 Acórdão n.º 1401003.200 S1C4T1 Fl. 7 6 despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10680.902455/201506 Acórdão n.º 1401003.200 S1C4T1 Fl. 8 7 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de CSLL do exercício 2014, ano calendário 2013, no montante de R$ 217.754,18 , formados a partir dos recolhimentos das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10680.902455/201506 Acórdão n.º 1401003.200 S1C4T1 Fl. 9 8 Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício 2014, anocalendário 2013, no valor original de R$ 217.754,18; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2014, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de CSLL relativos aos recolhimentos que formaram o saldo acima e que foram requeridos sob a forma de PER/DCOMP de pagamento a maior, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.723018/2015-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
OPERAÇÕES DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS COLIGADAS.
A lei não restringe o campo de incidência do IOF às operações de crédito consequentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas financeiras.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
ALEGAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
Alegação inovadora em sede de recurso voluntário, não veiculada na primeira oportunidade de defesa, merece tratamento consentâneo com o instituto da preclusão, ou seja, não merece ser conhecida.
Numero da decisão: 3302-006.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 OPERAÇÕES DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS COLIGADAS. A lei não restringe o campo de incidência do IOF às operações de crédito consequentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas financeiras. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 ALEGAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. Alegação inovadora em sede de recurso voluntário, não veiculada na primeira oportunidade de defesa, merece tratamento consentâneo com o instituto da preclusão, ou seja, não merece ser conhecida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 OPERAÇÕES DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS COLIGADAS. A lei não restringe o campo de incidência do IOF às operações de crédito consequentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas financeiras. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 ALEGAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. Alegação inovadora em sede de recurso voluntário, não veiculada na primeira oportunidade de defesa, merece tratamento consentâneo com o instituto da preclusão, ou seja, não merece ser conhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 30 18 /2 01 5- 86 Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 16682.723018/201586 Acórdão n.º 3302006.896 S3C3T2 Fl. 1.092 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de Auto de Infração do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros, fls. 762/770, que constituiu o crédito tributário total de R$ 324.085.171,49, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/12/2015. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 715/738, a autoridade autuante, após descrever o procedimento de auditoria, contextualiza da seguinte forma o lançamento: No caso em tela, a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. transferiu recursos financeiros por meio de contratos de mútuo, no período de Janeiro/2011 a Dezembro/2011, destinando o montante às suas subsidiárias integrais: BRASOIL OIL SERVICES COMPANY BRASPETRO, PETROBRAS AMERICA INC PAI e BRASOIL OIL COMPANY BOC, todas com sede nas Ilhas Cayman. Diante das operações de mútuo realizadas entre a fiscalizada e suas empresas ligadas situadas no exterior, constatouse a falta de recolhimento do IOF Crédito e, por consequência, foi constituído de ofício o crédito tributário correspondente. ... A fiscalizada informou em resposta ao TIF0001 que aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 12.996/14 (REFIS) e regulamentado pelas Portarias Conjuntas PGFN/RFB nº 13/2014 e 1.064/2015 e pela Instrução Normativa RFB nº 1.491/2014 (alteradas pelas IN RFB nº 1.513/2014 e 1.576/2015), e que por isso essa fiscalização deveria ser encerrada. Cabe lembrar que, primeiramente, o fato de aderir ao referido parcelamento, não constitui a obrigatoriedade de sua homologação pela RFB, já que devem ser cumpridas diversas formalidades. Finalmente, essa fiscalização foi aberta para verificar os valores de IOF em Contratos de Mútuo com empresas ligadas ao contribuinte no exterior, com foco nos valores referentes ao IOF devido e não pago nestas operações, e que poderiam, ou não, consistir naqueles apresentados pelo contribuinte. Para a devida Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 16682.723018/201586 Acórdão n.º 3302006.896 S3C3T2 Fl. 1.093 3 apuração foi necessária a continuidade dessa ação fiscal. Repita se: até esta data ainda não foi homologado o parcelamento. Como o contribuinte já confessou a dívida relativa ao IOF Crédito através do pedido de Parcelamento, é mais um motivo para que este Auto de Infração prospere. O lançamento ora efetuado tomou por base exclusivamente os dados fornecidos pelo contribuinte em atendimento às intimações, conforme descrito no presente Termo. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, fls. 861/867, alegando, em síntese: De acordo com o relatório fiscal que acompanha o auto de infração, após discorrer sobre os dispositivos legais atinentes ao IOF, o responsável pela fiscalização aponta, ao final, que, não obstante a Impugnante ter informado ter incluído os valores devidos no programa de parcelamento instituído pela Lei 12.966/14, não haveria a obrigatoriedade de a Receita Federal do Brasil já ter homologado o aludido pagamento, em virtude da necessidade de cumprimento de diversas formalidades. Outrossim, como a Impugnante já confessou a dívida relativa ao IOFCrédito através do pedido de parcelamento, este seria, em tese mais um motivo para que o auto de infração prosperasse. No entanto, como será demonstrado a seguir, não há que se falar em qualquer lançamento. ... Neste ponto, insta salientar que, diversamente do que fora entendido pela autoridade fiscalizadora, é descabido o lançamento de ofício de débitos confessados no REFIS. Como efeito, de acordo com o artigo 1ª, § 1º, IV da Lei 11.941/09 (cujo prazo para inscrição seria posteriormente reaberto pela Lei 12.996/14), possibilitou a inscrição dos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por sua vez, o artigo 1º da Instrução Normativa RFB 1.491/14, em sua redação original, ao regulamentar a questão, dispunha que poderia ser objeto de parcelamento os débitos ainda não declarados, vencidos até 31 de dezembro de 2013. Esta era exatamente a situação dos débitos que foram objeto de lançamento pela fiscalização: ainda não haviam sido declarados. Dessa forma, as disposições anteriormente mencionadas se tornaram regra especial em relação à regra geral instituidora do IOF, justamente por possibilitar a inscrição no parcelamento de débitos ainda não declarados. Por esta razão, a simples adesão ao REFIS impede a lavratura de auto de infração para a cobrança dos mesmos débitos. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 16682.723018/201586 Acórdão n.º 3302006.896 S3C3T2 Fl. 1.094 4 ... Com efeito (...), o pedido de parcelamento constitui um procedimento de reconhecimento inequívoco do débito. Assim sendo, não seria necessário que o fisco efetuasse o lançamento, mas tão somente a cobrança do que houvesse sido reconhecido e eventualmente não pago quando do pedido de parcelamento. ... Portanto, seguindo este entendimento, não haveria o que se falar em lançamento de débitos confessados quando da adesão ao REFIS. Na verdade, o que deveria ser objeto de lançamento seria eventual diferença decorrente de uma ‘confissão a menor’. Por fim, cumpre destacar que, quando da adesão ao REFIS, conforme relação anexada, foram declarados, pela Impugnante, débitos de IOF, considerando as reduções de juros e multas previstas na lei instituidora do benefício fiscal. No entanto, após efetuar o aludido recolhimento e em razão do presente auto de infração, confrontando os dois valores, a Impugnante apurou uma diferença a recolher no valor de R$ 82.868.007,91 (...). Por esta razão, a PETROBRAS junta, neste ato, o comprovante do recolhimento (...) pugnando pela realização de diligência para a comprovação do recolhimento integral referente aos fatos geradores declarados no REFIS. De todo o exposto, requer a Impugnante seja reconhecido o pagamento de parte do auto de infração, relativo à diferença apurada entre o valor autuado e aquele efetivamente recolhido quando da adesão ao REFIS, no valor total de R$ 82.868.007,91. Em 21/03/2016, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PARCELAMENTO. CONFISSÃO DE DÍVIDAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É válido o lançamento de oficio formalizado após confissão de dívida ínsita ao parcelamento especial, sobretudo porque este é efetuada após o inicio do procedimento fiscal. ESPONTANEIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO ANTES DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE PARCELAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 16682.723018/201586 Acórdão n.º 3302006.896 S3C3T2 Fl. 1.095 5 A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do agente, impedindo que possa exonerarse da multa de oficio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão em 08/04/2016, consoante Termo de ciência por abertura de mensagem, fl. 949, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 03/05/2016, consoante Termo de solicitação de juntada de documentos, fl. 950, no qual abandona o argumento inicial apresentado na impugnação de impedimento à lavratura de auto de infração para a cobrança dos mesmos débitos confessados em parcelamento e diz que é caso de sobrestamento do feito até o término do procedimento de consolidação de valores, porque o pedido de parcelamento constitui um procedimento de reconhecimento inequívoco do débito. Por fim, requer o reconhecimento do pagamento de parte do auto de infração, relativo à diferença apurada entre o valor autuado e aquele efetivamente recolhido quando da adesão ao REFIS, no valor total de R$ 82.868.007,91. Ato seguido, o expediente é encaminhado à equipe de cobrança (EAC5) da Delegacia especial de maiores contribuintes no Rio de janeiro (Demac/RJO), que emite o Comunicado nº 817/2016 com o seguinte teor: Sr. Contribuinte, Após análise e comparação entre os valores constantes no Auto de Infração do processo em epígrafe e aqueles incluídos no pedido de adesão ao REFIS instituído pela Lei 11.941/09 e alterações nos autos do processo nº 16682722.379/201513, foi elaborada a planilha “Valores Apurados”, em anexo, tomando se como base estritamente as datas de vencimento de cada período de apuração. Na citada planilha, consta a diferença apurada entre tais valores (coluna “Valor a Cobrar”), a qual foi vinculado o pagamento de R$82.868.007,91 efetuado pelo contribuinte. No entanto, foi identificado saldo devedor conforme demonstrativo em Anexo “Sicalc”. Desta feita, fica o contribuinte intimado a pagar o saldo devedor no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência, nos termos da legislação em vigor. Não verificada a providência acima referida, haverá o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. Intimado a pagar (fls. 1026/1029), o contribuinte apresentou Petição de fls. 1077 e seguintes, a qual contrapõese aos cálculos elaborados pela RFB. A petição foi Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 16682.723018/201586 Acórdão n.º 3302006.896 S3C3T2 Fl. 1.096 6 encaminhada para análise pela equipe responsável que, após despachos sucessivos de fls. 1079/1084, decidiram pelo envio dos autos ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Preliminarmente, cumpre observar que a discussão inaugurada com a Petição de fls. 1077 e seguintes, que contrapõese aos cálculos elaborados pela RFB relativamente às parcelas que fazem parte do parcelamento, não diz com a lide ora em apreciação, que cingese à exigência de IOF em virtude de contratos de mútuo entre pessoas jurídicas coligadas, sendo aplicada multa de ofício porque a fiscalizada perdeu a espontaneidade antes de aderir ao parcelamento. Penso que a questão é afeta à execução do acórdão e deve ser tratada diretamente junto à autoridade preparadora, tal como decretou a decisão de primeiro grau, que também teve de enfrentar o requerimento para o reconhecimento do pagamento de parte do auto de infração, relativo à diferença apurada entre o valor autuado e aquele efetivamente recolhido quando da adesão ao REFIS, no valor total de R$ 82.868.007,91: (...) Firmada a correta constituição do crédito, com as penalidades que lhe são próprias, resta tratar dos débitos que, lançados, foram objeto de parcelamento ou de pagamento posterior. Tanto o parcelamento quanto o pagamento estão documentados no processo e devem ser levados em conta quando da liquidação do crédito lançado, na medida de sua suficiência e regularidade. Vale aqui voltar ao Ac. nº 9101001.933 para trazer um trecho do voto condutor que trata do tema: a contribuinte também alega que havia parcelado os débitos, mas este ponto está superado sob a justificativa da DRJ, bem como da 1ª Câmara, de que a conduta se verificou depois do início do procedimento fiscal e, assim, com espontaneidade excluída. A duplicidade que eventualmente poderia ocorrer será evitada pela autoridade administrativa no momento da execução do julgado, caso confirme que os débitos foram, de fato, parcelados e, eventualmente, já pagos parcialmente com acréscimos moratórios. (...) Ainda em sede de preliminar, cumpre dizer que o argumentos trazidos agora pela recorrente (sobrestamento do feito até o término do procedimento de consolidação Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 16682.723018/201586 Acórdão n.º 3302006.896 S3C3T2 Fl. 1.097 7 de valores, porque o pedido de parcelamento constitui um procedimento de reconhecimento inequívoco do débito e suspensão da cobrança por adesão ao parcelamento) para atacar a exigência do auto de infração, não foram esgrimidos no primeiro grau administrativo, sendo pois preclusos, sob pena de supressão de instância. A decisão recorrida assim tratou das alegações trazidas pela recorrente para tentar afastar a imputação da auditoriafiscal: Da forma como composto o litígio no presente processo, a questão controversa limitase à possibilidade de constituição de ofício do crédito tributário diante da opção da contribuinte por parcelar seus débitos, antes de finalizada a auditoria, assim como o pagamento dos débitos não parcelados, após a lavratura do Auto de Infração. Com efeito, não há discussão acerca das matérias que levaram ao lançamento, nem quanto aos valores envolvidos. Os marcos temporais que informam o Processo Administrativo são importantes para o trato das questões aqui envolvidos. Signo da instauração do procedimento de auditoria, o Termo de Início da Ação Fiscal foi lavrado em 15/04/2015. Por seu turno, em 14/08/2015 a contribuinte protocolou o requerimento indicando opção pelo parcelamento instituído pela Lei nº 12.966, de 24 de abril de 2014. Nessa ocasião, a impugnante incluiu os débitos no Anexo II, o qual deveria conter a Relação de débitos que serão apurados por meio de procedimento fiscal. Em 08/09/2015, fls. 635/637, a autuada informou à fiscalização a opção pelo parcelamento. Diz lá a contribuinte: Em relação a esta intimação, sobre IOF – competência de 2011, destacamos que já foi apresentado pela PETROBRÁS, em 14 de agosto de 2015, conforme disposto na IN RFB nº 1.491/2014 (alterada pela IN RFB nº 1.576/2015) no seu art 6A, o ANEXO II – Relação de débitos que serão apurados por meio de procedimento fiscal, sendo devidamente protocolado (...). Nesse estado de coisas, o início da auditoria representa a perda da espontaneidade para que o sujeito passivo confessasse seus débitos à Administração Tributária. Não espontâneo, qualquer ato implementado a partir daí pela contribuinte não seria capaz de afastar a constituição do crédito e a aplicação das penalidades de ofício. Importa notar que a contribuinte, em sua impugnação, diz que o parcelamento teria sido requerido sob o art. 1º da Instrução Normativa RFB 1.491, de 2014. No entanto, em documentos anteriores e nos atos que praticou, fica evidente que a autuada agiu de acordo com o disposto no art. 6A daquela mesma Instrução Normativa, cujos termos são os seguintes: Art. 6ºA O contribuinte que esteja sob procedimento fiscal não finalizado até 14 de agosto de 2015, poderá incluir nas Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 16682.723018/201586 Acórdão n.º 3302006.896 S3C3T2 Fl. 1.098 8 modalidades de que trata o § 1ºdo art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 30 de julho de 2014, os eventuais débitos vencidos até 31 de dezembro de 2013, relativos aos tributos e os períodos abrangidos pelo respectivo procedimento. § 1º Para a inclusão de que trata o caput, o sujeito passivo deverá apurar e informar, mediante requerimento na forma prevista no Anexo II, os valores devidos e que serão constituídos por lançamento de ofício no procedimento fiscal. Sendo assim, a contribuinte, valendose de permissivo legal, requereu o parcelamento de débitos que sabia que seriam constituídos de ofício como resultado do procedimento de auditoria que já estava em curso. Portanto, o próprio dispositivo legal contempla a constituição de crédito em procedimento de ofício já iniciado quando do requerimento do parcelamento. Reparese que a modalidade de parcelamento prevista no artigo em comento representa uma espécie de “parcelamento antecipado” de um crédito constituído de ofício, ou seja, uma antecipação de um parcelamento que seria, necessariamente, requerido em um momento posterior. A jurisprudência é assente no sentido de que, em tal contexto, não há impedimentos à constituição de ofício do crédito. A esse respeito, é importante citar o que decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9101001.933, de 15 de maio de 2014. Diz a ementa do julgado, representativa da uniformização da jurisprudência administrativa: CONFISSÃO DE DÍVIDAS E LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. É válido o lançamento de oficio formalizado após confissão de dívida ínsita ao parcelamento especial (PAES), sobretudo porque este é efetuada após o inicio do procedimento fiscal. ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. ESPONTANEIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO ANTES DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PAES. MULTA DE OFÍCIO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do agente, impedindo que possa exonerarse da multa de oficio. Em sede recursal, nada foi dito sobre as razões de fato e de direito declinadas pela DRJ para a manutenção do lançamento. Apenas foi evocada nova alegação sobrestamento, que merece tratamento consentâneo com o instituto da preclusão, por não ser veiculada na primeira oportunidade da defesa, ou seja, não merece ser conhecida. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 16682.723018/201586 Acórdão n.º 3302006.896 S3C3T2 Fl. 1.099 9 Assim é que data maxima venia da posição da recorrente, merece ser prestigiada a decisão recorrida, que verificou haver razões suficientes para a manutenção do lançamento em desfavor da recorrente. A esse passo, releva admoestar novamente que tanto o parcelamento quanto o pagamento estão documentados no processo e devem ser levados em conta quando da liquidação do crédito lançado, na medida de sua suficiência e regularidade. Posto isso, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário; e na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 1099DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.007885/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.892
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento, relativo a crédito de contribuição não cumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 07 88 5/ 20 09 -9 8 Fl. 767DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 3 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. Não obstante, em janeiro de 2019, a recorrente apresentou a petição em que requisitou o julgamento do processo em epígrafe com outros vários processos do mesmo contribuinte e que deveriam ser aqui reunidos em razão de uma conexão. 8. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.890, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.001078/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.890): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: Fl. 768DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 4 3 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.720182/201173 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 890/893), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões materialmente contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 5 4 como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 6 5 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 7 6 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 772DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização: (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) deverá: (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal: (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 9 8 judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência: (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal: (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 774DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721478/2011-42
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas.
Mantém-se a glosa da dedução de despesas do livro-caixa quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis e idôneos a fim de comprovar a veracidade e natureza das despesas declaradas.
DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E TRANSPORTE. As despesas com locomoção e transporte não são dedutíveis da base de cálculo, exceto no caso de representante comercial autônomo, por expressa disposição legal.
Numero da decisão: 2003-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
Wilderson Botto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. Mantém-se a glosa da dedução de despesas do livro-caixa quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis e idôneos a fim de comprovar a veracidade e natureza das despesas declaradas. DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E TRANSPORTE. As despesas com locomoção e transporte não são dedutíveis da base de cálculo, exceto no caso de representante comercial autônomo, por expressa disposição legal.
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LIVROCAIXA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livrocaixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. Mantémse a glosa da dedução de despesas do livrocaixa quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis e idôneos a fim de comprovar a veracidade e natureza das despesas declaradas. DEDUÇÃO. LIVROCAIXA. DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E TRANSPORTE. As despesas com locomoção e transporte não são dedutíveis da base de cálculo, exceto no caso de representante comercial autônomo, por expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. Wilderson Botto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 14 78 /2 01 1- 42 Fl. 329DF CARF MF 2 Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2008, exercício de 2009, no valor de R$ 27.927,98, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme se depreende auto de infração constante dos autos (fls. 12/21). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 0654.820, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA (fls. 300/305), o qual transcrevo a seguir: Tratase de impugnação (fls. 2/3) à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) nº 2010/161845138615704, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, que apurou crédito tributário no valor de R$ 27.927,98, dos quais R$ 14.278,11 de imposto de renda suplementar, R$ 10.708,58 de multa de ofício e R$ 2.941,29 de juros de mora (calculados até 30/6/2011). A autoridade fiscal considerou indedutível parte da despesa declarada a título de livrocaixa, no valor de R$ 54.898,02, assim consignando na Descrição dos Fatos (fl. 14), que integra a Notificação de Lançamento impugnada: [...] As glosas foram motivadas pela falta de comprovação da despesa ou pela apresentação de recibos nos quais não constava a identificação clara do: a) cliente; b) emitente (CPF/CNPJ); c)serviço prestado para a comprovação da necessidade da despesa para a percepção e manutenção da fonte produtora dos rendimentos; ou d)do endereço do contribuinte. Também não foram aceitas as despesas com locomoção e transporte que só são permitidas aos Representantes Comerciais. Anexamos ao Dossiê as planilhas contendo as justificativas da glosa das despesas declaradas no livro caixa apresentado. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação alegando que: a) anexa todos os documentos devidamente enumerados, para que não restem dúvidas e que sejam aceitos no sentido de serem retificados os lançamentos, para mais nada dever; b) os recibos não estão com os CPFs das pessoas que prestaram serviços, pois estas estavam na categoria de aprendiz e não tinha inscrição no Cadastro de Pessoa Física, conforme autorizado na Constituição Federal no seu artigo 7º, inciso XXXIII. Acórdão de Primeira Instância Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13896.721478/201142 Acórdão n.º 2003000.078 S2C0T3 Fl. 330 3 Ao apreciar a impugnação, a DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, para alterar o imposto suplementar antes apurado para R$ 9.685,61, acrescido de multa de ofício e acréscimos legais. Registrou a DRJ/CTA, que do valor de R$ 54.898,02, inicialmente glosado, foi acatado como dedutível o valor de R$ 16.700,00. Por conseguinte, foram mantidas as glosas das despesas declaradas no valor total de R$ 38.198,02, porquanto não foram apresentados documentos capazes de afastar os pressupostos de fato do lançamento. Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 06/06/2016 (fls. 309), o contribuinte interpôs, em 04/07/2016, recurso voluntário (fls. 311/326) reiterando basicamente as alegações lançadas na impugnação e complementando com outros argumentos, a seguir sintetizados: em sede preliminar Recibos dos Entregadores: que os recibos assinados pelos colaboradores contêm todos os elementos necessários à sua identificação e podem ser facilmente confirmados pelo exame visual dos mesmos; que os recibos apresentados se referem a colaboradores maiores e menores, indistintamente, sem vínculo empregatício, mas amparados pela legislação do IR, ao teor da questão 415 do Manual de Perguntas e Respostas relativo ao IRPF; que quando mencionou que os menores eram aprendizes, não quis dize que eles trabalhavam na distribuição como aprendizes, mas sim, que eram aprendizes porque não tinham ou não apresentaram CPF na época; que o serviço de distribuição de revistas, folhetos e congêneres, é uma atividade basicamente informal, inconstante, sem regularidade, não permitindo ao distribuidor, qualquer movimento no sentido de sair da informalidade. Em razão dessa particularidade, as pessoas que trabalham nesse segmento o fazem de forma esporádica, casual, como um “bico”, sem qualquer vínculo empregatício; que nunca teve quadro fixo de colaboradores. A cada mês ou a cada nova distribuição, em novas pessoas que faziam o trabalho; que era impossível o Recorrente fazer toda a distribuição sozinho, por isso a necessidade de recorrer ao trabalho de colaboradores. Se assim não fosse, não seria possível a percepção dos rendimentos declarados; não havia como o Recorrente firmar “contrato de trabalho” com o seus colaboradores, adultos e menores, pois durante o período que a operação foi feita, trabalhavam cerca de 131 pessoas na distribuição, um número gigantesco, sem qualquer possibilidade financeira e econômica de admissão por parte do Recorrente; Fl. 331DF CARF MF 4 junta aos autos a relação das 85 pessoas (docs. 4,5 e 6) que trabalharam nos anos de 2007 a 2009, com os respectivos CPF, os quais já constam dos recibods anexados na Impugnação, bem como a relação dos 46 menores (docs. 7 e 8), que não tinham ou não apresentaram CPF na ocasião, totalizando 131 pessoas, conforme mencionado acima; Recibos de Elias Bezerra Cavalcante – (...).Elias Bezerra Cavalcante era motoristadistribuidor. Ele levava as revistas e trabalhava na distribuição, junto com os demais entregadores, não se justificando a manutenção da glosa sobre os valores pagos ao mesmo; Recibos da Associação SP2 – todos os recibos glosados têm os dados necessários à identificação do pagamento, exceto carimbo da Associação SP2, providência que não era usual naquele condomínio; Recibos da Telefônica – a conta glosada, de dezembro de 2008, no valor de R$ 221,68, foi paga pela internet e teve o comprovante de pagamento extraviado. A certeza que a conta foi paga são as contas dos meses subsequentes, devidamente quitadas e aceitas pela autoridade fiscal. (...); Recibos do Atacadão de Embalagens – A Nota Fiscal do Atacadão de Embalagens (Manoel dos Santos Embalagens), no valor de R$ 253,88, não foi juntada às demais na Impugnação, por ter sido extraviado, restando apenas o comprovante de pagamento anexado; Recibo de H. Valent Empreend. e Part. Ltda O Recorrente junta, neste ato, xerocópia de recibo assinado, com firma reconhecida, no valor de R$ 702,49, referente ao pagamento do aluguel de outubro de 2008 (doc. 9); Recibos Diversos – (...), se referem a gastos necessários ao funcionamento do escritório, sem o qual não seria possível a manutenção da fonte produtora. no mérito, registra que todos os recibos de colaboradores anexos à impugnação, contêm o valor pago, o nome e o CPF do pagador, o nome e assinatura do recebedor e o tipo de trabalho executado, bem como os demais documentos lançados no livrocaixa, os quais caracterizam despesas de custeio e a manutenção da fonte produtora, ao teor da legislação vigente: Manual de Perguntas e Respostas do IRPF, questão 403; art. 6º, I e III, da Lei nº 8.134/90; art. 75, I e III, do RIR/99; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 09/10/1970; e Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979; Ao final pugna pelo cancelamento do débito fiscal resmanescente mantido pela DRJ/CTA (fls. 316). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13896.721478/201142 Acórdão n.º 2003000.078 S2C0T3 Fl. 331 5 Voto Conselheiro Wilderson Botto Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Preliminares As alegações tidas como preliminares, a bem da verdade se confundem e complementam as razões de mérito, razão pela qual com ele serão apreciadas. Mérito Da dedução das despesas lançadas no livrocaixa Insurgese, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/CTA, que manteve parcialmente a glosa das despesas declaradas a título de livrocaixa, no valor de R$ 38.198,02, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise dos documentos apresentados. Apreciando as alegações recursais, sobretudo no cotejo da prova documental juntada em sede de impugnação, entendo que os aludidos documentos não carecem ser novamente analisados. E, considerando que as alegações recusais apenas complementam e reforçam a impugnação – onde o contribuinte limitouse a escorrer sobre “a ausência de CPF nos recibos dos prestadores de serviços enquadrados na categoria de APRENDIZ” e a juntar os comprovantes que entendeu suficientes para justificar a regularidade de sua conduta fiscal – não trazendo aqui novas alegações hábeis a modificar o julgado de piso, adoto como razão de decidir os fundamentos da decisão recorrida (fls. 301/304), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: Da Dedução de LivroCaixa Assim dispõe os artigos 75 e 76 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/96), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999: Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de Fl. 333DF CARF MF 6 registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, eLei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §1º,e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §1º O excesso de deduções, porventura existente no final do ano calendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). §3º O Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. (sem grifos no original) Já o Manual de Perguntas e Respostas relativo ao IRPF, no que se refere às deduções a título de livrocaixa, assim orienta: 403 — O que se considera e qual é o limite mensal da despesa de custeio passível de dedução no livrocaixa? Considerase despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. O valor das despesas dedutíveis, escrituradas em livrocaixa, está limitado ao valor da receita mensal recebida de pessoa física ou jurídica. No caso de as despesas escrituradas no livrocaixa excederem as receitas recebidas por serviços prestados como autônomo a pessoa física e jurídica em determinado mês, o excesso pode ser somado às despesas dos meses subsequentes até dezembro do ano calendário. O excesso de despesas existente em dezembro não Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.721478/201142 Acórdão n.º 2003000.078 S2C0T3 Fl. 332 7 deve ser informado nesse mês nem transposto para o próximo anocalendário. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 76; Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, art. 104, § 3º) (...) 407 — Podem ser aceitos tíquetes de caixa, recibos não identificados e documentos semelhantes para comprovar despesas no livrocaixa? Não. Para que tais despesas sejam dedutíveis, o documento fiscal deve conter a perfeita identificação do adquirente e das despesas realizadas, sendo que estas devem ser necessárias e indispensáveis à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. 408 — As despesas com transporte, locomoção, combustível, estacionamento e manutenção de veículo próprio são consideradas necessárias à percepção da receita e dedutíveis no livrocaixa? Referidas despesas não são dedutíveis, com exceção das efetuadas por representante comercial autônomo quando correrem por conta deste. (...) 415 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? Sim. O profissional autônomo pode deduzir no livrocaixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º, incisos I e III; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 75, incisos I e III; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 9 de outubro de 1970; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979) (sem grifos no original) Compulsando os autos verificase que às fls. 17 a 21 consta planilha “Valores Glosados”, elaborada pela autoridade fiscal, contendo a lista das despesas consideradas indedutíveis e os respectivos motivos das glosas. O contribuinte se insurge contra as glosas efetuadas e apresenta, junto a sua defesa, os documentos carreados às fls. 29 a 285 dos autos, com o intuito de atender as exigências apontadas na referida planilha. Notese que também foram apresentados Fl. 335DF CARF MF 8 documentos relativos a despesas que já haviam sido aceitas como dedutíveis no curso da ação fiscal. Pois bem, procedendo à análise e ao batimento entre os valores escriturados no livrocaixa, os valores glosados pela fiscalização e os respectivos documentos apresentados na impugnação, concluise que o contribuinte supriu as pendências apontadas pela fiscalização relativamente às seguintes despesas: (...) No tocante às despesas acima nomeadas como “Pagamento a terceiros ref entregas”, no que se refere à alegação da defesa de que os emitentes dos recibos se tratavam de aprendizes não obrigados a possuir CPF por serem menores, importa esclarecer que, conforme informação constante no site do Tribunal Superior do Trabalho, para que menores sejam contratados na condição de aprendizes exigise a observação de diversos requisitos, entre eles que seja firmado contrato de trabalho especial por escrito e por prazo determinado, regulamentado pelo Decreto nº 5.598/2005, no qual o empregador se compromete a assegurar ao aprendiz, inscrito em programa de aprendizagem, formação técnico profissional metódica. Não constam nos autos contratos firmados entre o contribuinte e os emitentes dos recibos, de forma que a relação existente entre eles e a natureza do serviço prestado não restou comprovada, impossibilitando a dedução de tais despesas da base de cálculo. Cabe também destacar, como transcrito na legislação antes colacionada, as despesas incorridas com locomoção e transporte não são passíveis de dedução a título de livrocaixa, sendo que a legislação excepcionou expressamente apenas as despesas dessa natureza suportadas pessoalmente pelo representante comercial autônomo, de forma que as glosas, no caso em análise, serão mantidas. Assim, do valor inicialmente glosado de R$ 45.898,02, acatase como dedutível, em sede de contencioso administrativo, o valor de R$ 16.700,00. Serão mantidas as glosas das demais despesas, não mencionadas na tabela acima, as quais totalizam R$ 38.198,02, conforme planilha de Valores Glosados de fls. 17 a 21, eis que não foram apresentados documentos capazes de afastar os pressupostos de fato do lançamento. Registrase, por oportuno, que em relação ao menor incluso na categoria de APRENDIZ (art. 428 da CLT) é permitido o exercício laboral, com algumas cautelas, sendo certo que o trabalho exercido nas ruas, praças ou logradouros públicos – como é o caso da atividade do Recorrente que promove a distribuição de revistas, folhetos e congêneres – depende de prévia autorização do Juiz da Infância e Juventude. Na mesma esteira, o art. 76, § 2º, do RIR/99 exige que a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em livrocaixa seja comprovada mediante documentação idônea, o que não ocorreu no caso concreto, sobretudo em relação aos titulados aprendizes prestadores de serviço, ante a ausência da prova da autorização judicial a justificar o trabalho Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.721478/201142 Acórdão n.º 2003000.078 S2C0T3 Fl. 333 9 dos aludidos menores, nos exatos termos da legislação de regência, documento este, aliás, não constante dos autos o que, por si só, desabilita a dedução pretendida da despesa. Nada obstante, vale salientar que todas as deduções informadas na DAA estão sujeitas à comprovação ou justificação, por documentação hábil e idônea, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99, cabendo ao contribuinte apresentar em sua defesa todos os documentos necessários à confirmação de suas alegações, ao teor art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Tanto é assim que a impugnação apresentada foi provida parcialmente restando acatada as despesas alusivas aos pagamentos realizados à Ass. São Paulo II (R$ 500,00) e à Adriano Bedeschi (R$ 16.200,00), uma vez que foram supridas as pendências apontadas pela fiscalização sobre tais despesas (fls. 304). Em relação aos demais pontos “Recibos de Entregadores”, “Recibos de Elias Bezerra Cavalcante”, “Recibos da Telefônica”, “Recibos do Atacadão de Embalagens”, “Recibo de H. Valent Empreend. e Part. Ltda.”, e “Recibos Diversos” suscitados na peça recursal, nada a prover porquanto foram objeto de apreciação com consequente manutenção da glosa pela DRJ/CTA (fls. 303), quando procedeu a análise e batimento entre os valores escriturados no livrocaixa, os valores glosados pela fiscalização e os respectivos documentos juntados na impugnação. A propósito, me convencendo do acerto da decisão, mantenho a glosa no particular. Registrese, por fim que, ao decidir, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os argumentos apresentados pela parte, principalmente quando, no voto proferido, há fundamentos suficientes para legitimar a conclusão por ele adotada. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para manter a glosa remanescente das despesas declaradas no valor total de R$ 38.198,02, da base de cálculo do imposto de renda do anocalendário 2008, exercício 2009. É como voto (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720386/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2007, 2008
PIS E COFINS. PROCESSOS REFLEXOS DE IRPJ. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA 1a SEÇÃO DE JULGAMENTO.
Nos termos do art. 2º, inciso IV do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, a 1a Seção deste Tribunal detém competência absoluta para o julgamento de processos de reflexos de IRPJ. Incompetência da 3a Seção reconhecida.
Recurso voluntário não conhecido em razão do declínio de competência para a 1a Seção.
Numero da decisão: 3402-004.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção de Julgamento.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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PROCESSOS REFLEXOS DE IRPJ. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA 1a SEÇÃO DE JULGAMENTO. Nos termos do art. 2º, inciso IV do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, a 1a Seção deste Tribunal detém competência absoluta para o julgamento de processos de reflexos de IRPJ. Incompetência da 3a Seção reconhecida. Recurso voluntário não conhecido em razão do declínio de competência para a 1a Seção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção de Julgamento. Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 86 /2 01 1- 55 Fl. 463DF CARF MF 2 1. Por bem retratar o caso em tela emprego parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Ribeirão Preto e retratado no acórdão n. 1437.537 (fls. 407/415), o que passo a fazer nos seguintes termos: Contra a empresa em tela foram realizados lançamentos da Cofins no valor de R$ 1.265.781,55 e PIS no valor de R$ 257.622,81, em decorrência de omissões de receitas e divergências na escrituração contábil. Assim, a autoridade lançadora reconstituiu os períodos mensais a partir de 01/01/2007 a 31/12/2008. Conforme consta do Relatório Fiscal, foram constatadas as seguintes infrações: 1 omissão de receitas, no anocalendário de 2008, caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada pelo confronto entre a escrituração contábil e fiscal; 2 omissão de receita, no 2º trimestre do anocalendário 2007, caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa; A fiscalização se iniciou com o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08123002010008164 e a contribuinte foi intimada, relativamente aos anoscalendários de 2007 e 2008, a apresentar os livros Diário, Razão, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Apuração do IPI, Registro de Apuração do ISS, Registro de Apuração do Lucro Real, Demonstrativo com valores da vendas para 50 maiores clientes, comprovantes de receitas, custos e despesas, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras e arquivos digitais (contábeis e notas fiscais). Foram apresentados os livros de Registro de Entradas, de Saídas, de Apuração do ICMS e de IPI, os extratos de contas correntes nos Bancos: Unibanco, Bradesco, Safra, Itaú, Sofisa, Banco Indusval Multistock e Bic Banco, Lalur de 2007 e 2008. Conforme intimação de fl. 49, expedida em 27/04/2011, foi dada oportunidade ao contribuinte de esclarecer e se justificar da não existência de saldo credor de caixa. Contudo, nada foi esclarecido ou justificado. Desta feita, o autuante adotou como tributariamente irregulares os saldos credores existentes no final de cada mês. Assim é que os meses de abril e maio do ano calendário 2007 apresentaram saldos credores de R$ 491.963,80 e R$ 1.456.341,50, respectivamente. Analisando a movimentação financeira do anocalendário de 2007, concluiu o autuante que o valor líquido dos créditos (depois de feitas as conciliações e os expurgos) confrontados com os recursos disponíveis oriundos da escrituração contábil e fiscal demonstram a regularidade da contribuinte quanto a essa matéria. Foram intimados os clientes e fornecedores da contribuinte e, verificando as informações prestadas, o autuante concluiu, por meio de amostragem, que também estava regular a contribuinte. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19311.720386/201155 Acórdão n.º 3402004.874 S3C4T2 Fl. 464 3 Quanto ao anocalendário de 2008, relatou o autuante que, ao confrontar a escrituração fiscal com a escrituração contábil, verificou divergências, estando menor a escrituração contábil que se prestou para a apuração do lucro real anual. Foi elaborada uma planilha demonstradora de todos os meses do referido anocalendário. Foram lavrados os autos de infração para a exigência do PIS, Cofins, com aplicação da multa de 75%. A exigência do IRPJ, CSLL e IPI foi feita em outros processos e a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais se deu em razão da insuficiência de recolhimento do IPI lançado. (...) (grifos nosso). 2. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 233/267, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão atacado, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor na conta Caixa caracteriza omissão de receitas. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. OMISSÃO DE RECEITAS. As receitas auferidas, registradas nos livros fiscais, não informadas à RFB na apuração dos tributos, devem ser tributadas como receitas omitidas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor na conta Caixa caracteriza omissão de receitas. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 465DF CARF MF 4 As receitas auferidas, registradas nos livros fiscais, não informadas à RFB na apuração dos tributos, devem ser tributadas como receitas omitidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. DILIGÊNCIA. Incabível a diligência quando presentes nos autos todas as informações necessárias para formação de convicção. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Devidamente intimado acerca do teor da sobredita decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 424/449, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sua impugnação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. Da análise dos autos, é possível perceber que a presente exigência fiscal é reflexa de exigência de IRPJ e CSLL, a qual redundou no processo administrativo autuado sob o n. 19311.720385/201119, até então sob Relatoria do Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier, da 1a Turma da 3a Câmara da 1a Seção de julgamento1, conforme se observa do extrato processual abaixo transcrito: 1 Tendo em vista o ftao do Relator não compor mais os quadros deste Tribunal, o caso encontrase pendente de distribuição neste órgão. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19311.720386/201155 Acórdão n.º 3402004.874 S3C4T2 Fl. 465 5 6. Inclusive, a resolução n. 1301000.072, veiculada no processo de competência da 1a Seção, deixa clara a relação existente entre aquele processo e o aqui tratado. É o que se observa dos seguintes trechos: (...). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa acima citada, foram constatadas as seguintes infrações: 1) omissão de receitas, no anocalendário (AC) de 2008, caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada pelo confronto entre a escrituração contábil e fiscal; 2) omissão de receita, no 2º trimestre do AC de 2007, caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa; 3) falta de pagamento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução, recalculadas em função das omissões de receitas. (...). Foram lavrados os autos de infração para a exigência do IRPJ e CSLL, com aplicação da multa de 75%. A exigência do PIS, Cofins e IPI foi feita em outros processos e a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais se deu em razão da insuficiência de recolhimento do IPI lançado. (...) (g.n.). 7. Assim, em situações como a aqui tratada, este colegiado tem decido pelo declínio da competência para a 1a Seção, nos termos do art. 2º, inciso IV do Anexo II do Fl. 467DF CARF MF 6 Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016); (grifei) (...). 8. Elucidando o tema, assim manifestouse a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, no âmbito das resoluções 3402000.836 e 3402000.837: Registro que a distribuição de competências efetuada pelo RICARF, via ato administrativo infralegal, deve ser observada da mesma forma que as normas cogentes de qualquer outra superior hierarquia legal (Constituição, leis em sentido estrito, etc), como adverte Cássio Scarpinella Bueno2 ao comentar o artigo 44 do NCPC3. Sendo então as competências das Seções do CARF absolutas, inclusive a competência da 1ª Seção para o julgamento de processos de PIS/COFINS reflexos de IRPJ, não são passíveis de modificação, devendo ser conhecida de ofício eventual incompetência, (mesmo que diminutos os ideais de economia e eficiência processual, como ocorre in casu, por ter sido o processo principal já anteriormente julgado). Assim ensinam os Professores Cândido Rangel Dinamarco, Ada Pellegrini Grinover e Antonio Carlos de Araújo Cintra:4 Nos casos de competência determinada segundo o interesse público (competência de jurisdição, hierárquica, de juízo, interna), em princípio o sistema jurídicoprocessual não tolera modificações nos critérios estabelecidos, e muito menos em virtude da vontade das partes. Tratase aí de competência absoluta, isto é, competência que não pode jamais ser modificada. Iniciado o processo perante o juiz incompetente, este pronunciará a incompetência ainda que nada aleguem as partes (CPC, art 113; CPP art. 109), enviando os autos ao juiz competente (...) Destaco que este Colegiado vem decidindo pelo declínio de competência em casos análogos ao presente (PIS/COFINS reflexos de processo de IRPJ já julgado por turma ordinária da 1ª Seção do CARF), como se verifica dos Acórdãos referentes aos Processos 13116.722753/201266 e 19515.722975/201262. 2 Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo: Saraiva, 2016, 2ª ed, p. 88. 3 "Art. 44. Obedecidos os limites estabelecidos pela Constituição Federal, a competência é determinada pelas normas previstas neste Código ou em legislação especial, pelas normas de organização judiciária e, ainda, no que couber, pelas constituições dos Estados." 4 Teoria Geral do Processo. São Paulo: Malheiros, 2007, 23ª ed, p. 257. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 19311.720386/201155 Acórdão n.º 3402004.874 S3C4T2 Fl. 466 7 Afinal, quando o artigo 2º, inciso V do RICARF avoca para a 1ª Seção a competência para o julgamento dos processos reflexos do IRPJ, o faz incondicionalmente, não sendo possível, dessarte, que o intérprete crie condição limitativa (pelo momento processual em que se encontram os processos) dessa competência. Por fim, com relação ao §5º do artigo 6º do RICARF,5 tratase de ordem que tem aplicação em maior escala a processos decorrentes e, no que tange aos processos reflexos, guiando situações em que, por exemplo, o processo reflexo que é de competência da 3ª Seção (PIS/COFINS) depende de solução a ser dada em processo principal pela 2ª Seção (Contribuição Previdenciária), a qual, diferentemente da 1ª Seção, não foi erguida pelo RICARF como competente para o julgamento de processos reflexos daqueles tributos que são da sua competência original. Foi assim decidido por este Colegiado no julgamento do Processo n. 13855.721609/201411. Ademais, vejase que, pretender aplicar o artigo 6º, §5º do RICARF a casos como o presente significaria esvaziar totalmente a avocação de competência da 1ª Seção, posta no artigo 2º, inciso IV de nosso Regimento Interno, pois sempre seria o caso de sobrestamento do julgamento do processo na Câmara aguardando o julgamento do processo principal, e nunca de declínio de competência em favor da 1ª Seção, a qual simplesmente deixaria de existir. Desse modo, voto pelo não conhecimento dos presentes recursos voluntário e de ofício, devendo o processo ser encaminhado à 1ª Seção, competente para o julgamento do Processo principal de n. 10380.729795/201391. (g.n.) 9. Ex positis, ante a incompetência desta Turma para o julgamento do presente processo, proponho seja declinada a competência para a 1ª Seção de Julgamento deste Conselho, a qual também é competente para o julgamento do processo principal n.º 19311.720385/201119. 10. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. 5 "§ 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal." Fl. 469DF CARF MF 8 Fl. 470DF CARF MF
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