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Numero do processo: 13971.905904/2010-78
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 59 04 /2 01 0- 78 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13971.905904/201078 Acórdão n.º 1003000.361 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0739.445, de 17 de março de 2017, da 3ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Por concordar com a descrição inserida no Acórdão da DRJ e por economia processual, transcrevo abaixo o resumo constante na r. decisão: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação – DCOMP nº 32370.53002.260908.1.3.040801, transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal. Na fundamentação do referido despacho, consta que: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Não concordando com a decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual seguiu ao conhecimento desta DRJ. Por meio do Acórdão de fls. 27, esta 3.ª Turma da DRJ Florianópolis/SC considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Inconformada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 4549, requerendo a homologação da citada DCOMP. O despacho de fls. 52 dá conta de que, por força de decisão judicial exarada nos autos da Ação Ordinária nº 5000780 28.2014.404.7205/SC, ajuizada pela contribuinte, considerou indevido o indeferimento das compensações realizadas pela empresa por meio de diversos PER/DCOMP transmitidos (dentre os quais o DCOMP objeto do presente processo), determinando a emissão de novos Despachos Decisórios pela unidade de origem. Em cumprimento à retrocitada decisão judicial, a unidade de origem prolatou o Despacho Decisório de fls. 159165, por meio da qual restaram homologadas as compensações objeto das DCOMPs nº 34141.51549.140607.1.3.045917, 41060.90449. 260908.1.7.044290 e 12835.27313.260908.1.7.044283 e parcialmente homologada a compensação informada na DCOMP n°. 32370.53002.260908.1.3.040801 (objeto do presente processo). Para maior clareza, transcrevo trechos relevantes do retrocitado Despacho Decisório, fls. 163164 (grifado no original): Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13971.905904/201078 Acórdão n.º 1003000.361 S1C0T3 Fl. 4 3 [...] A sentença exarada nos autos da ação ordinária nº 500078028.2014.404.7205/SC declarou indevido o indeferimento da(s) compensação(ões) realizada(s) pela autora por meio da DCOMP aqui analisada, admitindose, por interpretação da legislação e por orientação da própria Receita Federal do Brasil, a compensação de valor pago a maior em determinado mês, por estimativa, devendo, contudo, ser efetuada nova análise pela Receita Federal do Brasil para verificação acerca da existência de créditos. Em análise aos sistemas informatizados da RFB, observase que na DCTF retificadora o valor declarado do débito, (IRPJ cód. 2362 mar/2007), era de R$ 337.433,39. Na DIPJ retificadora nº 1823770, transmitida em 26/09/2008, o débito de IRPJ por estimativa apurado na ficha 11 também corresponde a R$ 337.433,39. O referido valor, ao ser confrontado com o recolhimento confirmado em nossos sistemas corporativos, no valor de R$ 366.430,53, resulta em um indébito de R$ 28.997,14, mesmo valor do crédito demonstrado na DCOMP em tela. Assim, considerando que a DCTF e a DIPJ retromencionadas foram processadas, liberadas e encontram se ativas, bem como que, ao momento da transmissão da DCOMP, o pagamento a maior ou indevido restava caracterizado e disponível para aproveitamento mediante procedimento compensatório, resta nos reconhecer o direito creditório reclamado pela interessada. Em consulta aos sistemas informatizados da RFB, verificouse que as seguintes Declarações de Compensação foram vinculadas ao crédito aqui em análise: Após imputação dos débitos declarados ao crédito apurado, verificouse que o crédito não é suficiente para liquidar todas as compensações informadas nas DCOMP ´s constantes do quadro supra. [...]DECIDO, com base nos fundamentos acima expostos, RECONHECER DIREITO CREDITÓRIO no montante de R$ 28.997,14. Quanto às compensações vinculadas ao referido crédito, DECIDO: a) HOMOLOGAR AS COMPENSAÇÕES declaradas nas DCOMP´s de nº 34141.51549.140607.1.3.045917, 41060.90449.260908.1.7.044290 e 12835.27313.260908.1.7.04 4283. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13971.905904/201078 Acórdão n.º 1003000.361 S1C0T3 Fl. 5 4 b) HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação informada na Declaração de C14890,30ompensação de n°. 32370.53002.260908.1.3.040801, da seguinte forma: Devidamente cientificado do referido despacho em 04/12/2015 (v. fls. 166), a contribuinte interpôs em 18/12/2015 a manifestação de inconformidade de fls. 170171, argumentando, basicamente, que: o crédito informado no PER/DCOMP inicial nº 3859688507.300807.1.3.043072 foi utilizado para compensar os débitos referidos nas DCOMP nº 41060.90449.260908.1.7.04 4290, 12835.27313.260908.1.7.044283 e 32370. 3002.260908.1.3.040801. Conseqüentemente, tais DCOMPs devem ser integralmente homologadas; no que tange à DCOMP nº 34141.51549.140607.1.3.045917, a mesma foi tacitamente homologada, pelo decurso do prazo para sua apreciação, por parte da autoridade fiscal; por fim, ainda que se considere que parte do crédito de R$ 28.997,14 foi aproveitado na compensação de que trata a DCOMP nº 34141.51549.140607.1.3.045917, vemos que o valor nela compensado foi de apenas R$ 8.713,36. Consequentemente, não haveria que se falar em um saldo devedor de R$ 9.881,62 referente à DCOMP nº 32370.53002.260908.1.3.040801, mas de apenas R$ 8.713,36. A DRJ/FNS julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 COMPENSAÇÕES. PAGAMENTOS INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO SUFICIENTE Uma vez comprovada a inexistência de crédito suficiente para a compensação pretendida pela contribuinte, a DCOMP correspondente não pode ser integralmente homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que o Despacho Decisório analisou as PER/DCOMP de nºs. 34141.51549.140607.1.3.045917; 41060.90449.260908.1.7.044290; 12835.27313.260908.1.7.044283 e 32370.53002.260908.1.3.040801 e decidiu por homologar Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13971.905904/201078 Acórdão n.º 1003000.361 S1C0T3 Fl. 6 5 as três primeiras e homologar parcialmente a última, deixando um saldo devedor de R$ 8.881,62; (ii) que o crédito objeto do litpigio foi utilizado integralmente para liquidar os débitos compensados nas 41060.90449.260908.1.7.044290, 12835.27313.260908.1.7.044283 e 32370.53002.260908.1.3.040801, e somente neles teria sido informado o PER/DCOM de nº 38596.88507.300807.1.3.043072; (iii) em relação à PER/DCOMP nº 34141.51549.140607.1.3.045917, essa não menciona a PER/DECOMP original de nº 38596.88507.300807.1.3.043072 e o valor nela compensado foi de R$ 8.713,36. Declara que aquela compensação não teve despacho decisório e foi homologada tacitamente; (iv) que o PER/DCOMP inicial (final 1.3.043072) foi utilizado para liquidar os débitos compensados nas PER/DCOMP finais (1.7.044290; 1.7.044283 e 1.3.040801); (v) que o julgador entendeu que a PER/DCOMP final 1.3.045917 foi homologada tacitamente, aproveitandose do crédito em análise, descontando o vaor comepnsado das declarações seguintes, porém tal argumento não prospera, visto que essa PER/DCOMP foi deferida por decurso de prazo e que, ainda que o crédito de R$ 28.997,14 tivesse sido aproveitado, o valor compensado seria de R$ 8.713,36, não podendo falar em um saldo devedor de R$ 9.881,62 na DECOMP final 1.3.040801, mas sim o montante de R$ 8.713,36. Por fim, requereu a reforma do r. acórdão, determinando à autoridade julgadora o deferimento do pedido e a homologação da integral da DCOMP final 1.3.040801. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A DRJ fundamentou sua decisão destacando que o crédito no valor de R$ 28.997,14 havia sido utilizado parcialmente na PER/DCOMP final 1.3.045917. A Recorrente, por sua vez, declara que essa PER/DCOMP foi homologada em razão de decurso de prazo antes do Despacho Decisório e não mencionava a PER/DCOMP original (final 1.3.043072). Às fls. 62 a 66 do processo eletrônico, foi juntada a PER/DCOMP final nº 1.3.045917. Por esse documento, é possível verificar que, embora o documento não aponte a PER/DCOMP original (final 1.3.043072), o crédito em análise na mesma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$ 8.713,36, oriundo de DARF, código da Receita 2362, vencimento 30/04/2007, no valor principal de R$ 366.430,53. Tratase, pois, do mesmo crédito declarado nas PER/DCOMP retificadora, isto é, um crédito em razão de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, oriundo de DARF, código da Receita 2362, vencimento 30/04/2007, no valor principal de R$ 366.430,53. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13971.905904/201078 Acórdão n.º 1003000.361 S1C0T3 Fl. 7 6 Ora, vêse claramente se tratar do mesmo crédito originado por recolhimento de DARF, mesmo código de receita, mesmo valor e mesmo vencimento, logo não assiste razão a Recorrente em tentar desconstituir não ter a DCOMP final nº 1.3.045917 utilizado o mesmo crédito pelo simples fato de não ter sido apontada nessa a PER/DCOMP original (final 1.3.04 3072). A Recorrente alega também que, ainda que consumido parte do crédito em análise, o valor do saldo devedor na DECOMP final 1.3.040801 seria de R$ 8.713,36 e não de de R$ 9.881,62, conforme r.decisão. Uma vez homologada, ainda que tacitamente, a DCOMP final nº 1.3.04 5917, o crédito em análise no valor de R$ 28.997,14 foi utilizado parcialmente. Em razão do exposto, do crédito de R$ 28.997,14, foi consumido o valor de R$ 8.713,36 (DCOMP final nº 1.3.045917), restando, por conseguinte, a importância de R$ 20.457,14 (atualizada). O Demonstrativo Analítico de Compensação (consulta SAPO), fls. 156 a 158, demonstra a lista de todos os débitos remanescentes para as compensações em análise, as respectivas atualizações e os saldos finais. Não se vislumbra qualquer equívoco por parte do sistema, que aplicou os índices de correções e períodos de atualizações corretos ao crédito e compensações realizadas. A Recorrente, outrossim, não aponta nenhum erro em relação às atualizações realizadas, limitandose a declarar ser o saldo devedor R$ 8.713,36, sem informar onde teria havido o erro no cálculo. Todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como a mesma teria chegado ao valor do saldo devedor R$ 8.713,36 da DCOMP final nº 1.3.040801 ou se existiu algum erro nas atualizações realizadas pela Receita Federal em relação às compensações efetuadas nas declarações de compensações que utilizaram o crédito de R$ 28.997,14. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/FNS. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000473/2005-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
Ementa:ARBITRAMENTO DE LUCRO
O imposto devido no decorrer do ano-calendário será determinado com base
nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à
autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e
fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial.
MULTA QUALIFICADA
Alteração societária que visava apenas esconder do fisco os verdadeiros
sócios da empresa e endereço da mesma, com o fito de encobrir ou não pagar
tributos enseja multa qualificada.
Numero da decisão: 1103-000.806
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento ao recurso, por
unanimidade.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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MULTA QUALIFICADA Alteração societária que visava apenas esconder do fisco os verdadeiros sócios da empresa e endereço da mesma, com o fito de encobrir ou não pagar tributos enseja multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, negar provimento ao recurso, por unanimidade. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 73 /2 00 5- 49 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000473/200549 Acórdão n.º 1103000.806 S1C1T3 Fl. 386 2 Relatório Tem origem o presente processo no auto de infração de fls. 116/119, lavrado em 14.04.2005, pela Defic Rio de Janeiro RJ, contra RED TAB Comércio Ltda, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Juridica —IRPJ no valor de R$ 267.094,61, acrescido da multa proporcional de 150%, prevista no artigo 44, Inciso II, da Lei n° 9.430/96 e de juros de mora. Deu causa ao lançamento, conforme Descrição dos Fatos de fl. 117 e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de 14.04.2005 (fls. 107/115), o arbitramento do lucro, relativo ao anocalendário 2000, tendo em vista que o autuado deixou de apresentar os livros e documentos de sua escrituração. A fiscalização constatou que a empresa autuada não existia no endereço constante de sua alteração contratual de 21.06.2001; Verificou a inconsistência na assinatura e no endereço dos novos sócios, constantes da alteração contratual; Constatou que esses novos sócios eram pessoas sem qualquer relação de fato com a empresa (sócios laranjas"). Verificou que os antigos sócios (Mauricio José Saade e Chalita Saade) continuavam gerindo a empresa após a alteração contratual. Intimou esses antigos sócios a apresentar os livros e documentos fiscais, mas não foi atendida. Diante da impossibilidade de atestar o lucro real declarado, arbitrou o lucro do autuado, com base no art. 530, inciso III, do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000199). Em decorrência dos fatos apurados na autuação do IRPJ, foi lavrado o auto de Infração de fls. 122/126, para exigir Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL no valor de R$ 131.099,76, também acrescida da multa proporcional de 150% e dos juros de mora. Foram cientificados das autuações, em 25.04.2005, o Sr. Mauricio José Saade (exsócio), Sr. Chalita Saade (exsócio) e o Sr. Wahib Youssef Saade (procurador dos ex sócios), conforme lis. 156/159 e 179/181. A empresa autuada, representada pelos exsocios Mauricio Jose Saade e Chalita Saade e pelo procurador Wahib Youssef Saade, apresentou a impugnação de fls. 189/216 e 234, alegando, em síntese, que: a) Os fatos descritos no auto de infração representam uma exacerbada exação do Fisco, diante da inconsistência e da impropriedade dos elementos de prova em que se baseou e de erro na determinação da matéria tributável; b) A atividade do lançamento é vinculada e subordinase à reserva legal, conforme art. 30 e 142 do CTN; Em face desses princípios, o auto de infração que não contenha a descrição dos fatos e a determinação da exigência é nulo; c) Com esses famigerados lançamentos, a fiscalização inverteu o ônus da prova, pois concluiu a ação fiscal sem possuir os devidos fundamentos legais; Fl. 386DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000473/200549 Acórdão n.º 1103000.806 S1C1T3 Fl. 387 3 d) Tratase de imposição fiscal com cerceamento do direito de defesa, impossibilitando o contraditório assegurado pelo art. 5.º, LV, da Constituição; e) A fiscalização omitiu formalidade essencial ao lançamento, qual seja a exata identificação, enquadramento legal e definição da matéria tributável, posto que presumiu a ocorrência de infrações à legislação; A fazenda pública não pode ignorar a verdade dos fatos e basearse em meras ilações; f) A decadência operouse em relação ao fato gerador imputado como ocorrido em 31.03.2000, por força do artigo 150, parágrafo 4.º, do Código tributário nacional — CTN (Lei n° 5.172/66), posto que decorreram mais de cinco anos até a data da ciência do lançamento. g) Os livros e documentos fiscais não foram entregues à fiscalização pelos antigos sócios, por conta da transferência da participação societária; h) O auto de infração deixou de mencionar o enquadramento legai da multa de 150%; Se o arbitramento foi motivado pela falta de apresentação dos livros e documentos fiscais, essa circunstância não pode ensejar, também, o agravamento da multa para 150%; i) A própria fiscalização reconhece a compatibilidade entre a receita declarada na DIPJ/2001 e os valores movimentados nas contas nas instituições financeiras, o que afasta a ocorrência da fraude definida no art. 72 da Lei n° 4.502/64 e, assim, o agravamento da multa para 150%; t) Não existe prova, ou mesmo indício veemente, nos autos, do responsável pela falsidade na alteração contratual; A 7.ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, por meio do acórdão n.º 9.428, decidiu (ementa): “Ementa: REQUISITOS ESSENCIAIS DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MO se configura o cerceamento de defesa nem a nulidade do lançamento, se o auto de infração contém clara descrição dos fatos, correto enquadramento legal e demais requisitos previstos no art. 142 do CTN. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Seja por não haver pagamento, seja pela ocorrência de dolo, o prazo decadencial contase pela regra prevista no art. 173 e não pelo art. 150 do CTN (Lei 5.172/66). Assim sendo, o lançamento formalizouse dentro do prazo legal LUCRO ARBITRADO. TRANSFERÊNCIA SOCIETÁRIA IRREGULAR. SÓCIOS FICTÍCIOS. • Comprovado que, após alteração contratual, os sócios retirantes continuavam gerindo a empresa e suas contas bancárias, e que os sócios ingressantes não possuíam qualquer relação de fato com a empresa ("sócios laranjas"), recai sobre os sócios tidos como retirantes, que são os sócios de fato, a Fl. 387DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000473/200549 Acórdão n.º 1103000.806 S1C1T3 Fl. 388 4 obrigação de manter e exibir ao Fisco os livros e documentos da escrituração da empresa. Se a empresa não se encontra no endereço registrado e os sócios não apresentam os livros e documentos fiscais, é legitimo o arbitramento do lucro. CSLL. DECORRÊNCIA. Uma vez julgada a matéria contida no lançamento principal, igual sorte colhe o auto de infração lavrado por decorrência do mesmo fato que ensejou aquele.” A empresa autuada, representada por Mauricio José Saade, Wahib Youssef Saade, e Chalita Saade, apresentou o seguinte recurso voluntário: Alega que não houvera fundamentação na multa de 150%; Preliminares O acórdão recorrido deixou de anular o auto de infração dando azo a cerceamento ao direito e defesa, pois, o Auditor omitiu formalidade essencial ao lançamento; Decadência Alega decadência para o fato gerador de 31/03/2000, baseado no art. 150 do CTN; Exação fiscal O lançamento teria sido abusivo; O lançamento não teria seguido nem o art. 3 nem o 142 do CTN; Da inversão do ônus da prova A fiscalização teria invertido o ônus da prova ao proceder o lançamento; Do cerceamento ao direito de ampla defesa A imposição fiscal teria dificultado o contraditório e a ampla defesa, pois, o agente do Fisco omitiu formalidade essencial ao lançamento, qual seja a exata identificação, enquadramento legal e definição da matéria tributável, posto que presumiu a ocorrência infrações à legislação de regência, mesmo sem possuir os indispensáveis elementos de prova caracterizadores da infração ou estar autorizado; Mérito Do arbitramento No momento em que foi pedida a documentação não fora possível entrega lá, pois, os documentos estavam com os novos sócios da pessoa jurídica; Erro na determinação da matéria tributável Fl. 388DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000473/200549 Acórdão n.º 1103000.806 S1C1T3 Fl. 389 5 O agente fiscal não teria identificado a fundamentação legal da multa agravada; Ausência de Indicação do Fundamento Legal da Multa agravada Não teria a fundamentação legal sido apontada; Anexa declarações em inquérito policial; Transcrições de um relatório preliminar do delegado de polícia aparentemente atribuído a fraude a outra pessoa; Anexa cópia da ação declaratória de nulidade de alteração contratual, para fim de retornar a empresa aos signatários do recurso. Alega que os signatários do recurso não cometeram nenhum ilícito; Pede a nulidade do lançamento por falta de determinação da matéria tributável; Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Das questões preliminares, observase que os termos foram os mesmos que foram usados no momento da impugnação assim, transcrevo parte do acórdão DRJ que sobre o tema dispôs: “Pela leitura da impugnação, notase que o autuado faz longos arrazoados, com diversas criticas ao auto de infração, relativas a impropriedade de elementos de prova, erro na determinação da matéria tributável, falha na descrição dos fatos, inversão do ônus da prova, cerceamento do direito de defesa, falta de enquadramento legal, desconsideração da verdade dos fatos etc. Contudo, não indica onde estariam as supostas falhas e não explica de forma especifica qual seria o erro que viciaria o auto de infração. Limitase a censurar de forma vaga e genérica, o que até dificulta a apreciação de tais argüições, em virtude de sua falta de objetividade Mesmo assim, ê possível verificar a improcedência das alegações. A descrição das fatos constante do auto de infração (fl. 117) e do Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 107/115) baseiase em a fatos concretos, é bastante clara e não deixa dúvidas quanto à infração imputada ao autuado. O enquadramento legal consta do mesmo Termo de Verificação (fl. 113) e do auto de infração (fl. 117): "artigo 530, inciso III' e Fl. 389DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000473/200549 Acórdão n.º 1103000.806 S1C1T3 Fl. 390 6 "artigo 532' do 'RIR199, Decreto n° 3.000199 (Regulamento do Imposto de Renda). Os demais requisitos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional (Lei n°.5.172/66) e no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 também estão presentes no lançamento. Portanto, a lançamento foi elaborado de forma correta, no que diz respeito aos seus requisitos essenciais, e o autuado teve todas as condições de exercer seu direito de defesa.” Assim sendo, nego as argüições preliminares da defesa, haja vista em sede de recurso tudo o que foi feito foi repetir as alegações já rebatidas pela acórdão da DRJ. Da Decadência O autuado alega que o direito da Fazenda de cobrálo, para os fatos geradores ocorridos até 31.03.2000, já teria decaído quando da ciência do auto de infração, que ocorreu em 25.04.2005, a teor do art. 150, § 4º, do CTN. Novamente transcrevo parte do acórdão atacado: “Vale dizer: se não há pagamento, não pode haver homologação tácita, pois não há homologação de algo que não existiu. Nos termos do caput do art. 150 do CTN, acima reproduzido, a homologação do lançamento exige uma ação prévia do contribuinte, sob pena de não haver o que se homologar, nem expressa, nem tacitamente. No caso em tela, o autuado nada pagou de IRPJ relativo ao anocalendário 2000, como se vê pela declaração DIPJ apresentada (fls. 04/36), nada existindo para ser homologado. ...” Do Mérito do arbitramento A recorrente quando solicitada não apresentou os livros e documentos. Os antigos sócios Mauricio José Saade e Chalita Saade, alegaram que os documentos solicitados se encontravam com os novos sócios da empresa, pois, em 21.06.2001 os sócios da empresa autuada, Mauricio José Saade e Chalita Saade, retiraramse da sociedade, por meio da alteração contratual de fls. 129/133, e transferiram a totalidade de suas cotas para os novos sócios Lucio Mauro Ceciliano e Marlene da Luz Villela. Todavia, os endereços citados na alteração contratual dos dois novos sócios não coincidem com seus reais endereços, constantes das declarações e recibo de conta de luz de fls. 40, 43 e 44. As assinaturas desses dois novos sócios, apostas na alteração contratual, também não coincidem com as assinaturas que constam dos documentos de identidade, termos Fl. 390DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000473/200549 Acórdão n.º 1103000.806 S1C1T3 Fl. 391 7 de declaração, carteira de trabalho, procuração e inquérito policial, de fls. 40, 41, 42, 44, 45, 95 e 97. O novo sócio Lucio Mauro Ceciliano, que deteria 99% das ações da empresa, exerce a profissão de pedreiro e declarou desconhecer e não ter ouvido falar da empresa RED TAB Comércio Ltda, bem corno dos seus dois antigos sócios (fl. 40). A nova sócia Marlene da Luz Villela, que deteria 1% das ações da empresa, também não conhece nem ouviu falar da empresa nem de seus sócios (fl. 44). Na realidade, mesmo após a data da alteração contratual, em 21.06.2001, os antigos sócios da empresa autuada, Maurício José Saade e Chalita Saade, continuaram movimentando as contas bancárias da empresa e nomeando procuradores para representálos nas instituições financeiras, como consta do Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 107/115 e dos documentos constantes dos Anexos I e II dos autos do processo. Também consta do citado Termo de Constatação que os antigos sócios nomearam procurador para gerenciar e administrar a empresa autuada, após a alteração contratual. Conforme Termo de Verificação os dois supostos novos sócios nunca compareceram as instituições financeiras onde a empresa autuada possuía conta, para formalizar a condição de sócios, nem movimentaram as contas ou nomearam procuradores para fazêlo. Ou seja, os dois “novos sócios” Lucio Mauro Ceciliano e Marlene da Luz Villela são apenas “laranjas”. Assim, resta claro que os Maurício José Saade e Chalita Saade ainda são os reais sócios, e simplesmente não entregaram a documentação solicitada, não tendo como se alterar o arbitramento efetuado. Ausência de Indicação do Fundamento Legal da Multa Qualificada Quanto a alegação de ausência do enquadramento legal da multa agravada, consta do auto de infração (fl. 121 e 126) o 'artigo 44, Inciso II, da Lei n° 9.430/96, e do termo de Verificação (fl. 112 e 114) "artigo 72 da Lei n° 4.502/1964" e 'art. 44, inciso II, da Lei n°9.430/1996'. O agravamento da multa para 150% ocorreu pela conduta dolosa utilizada para encobrir os reais sócios de fato da empresa. Do TVF extraio: “As constatações descritas acima deram ensejo ao agravamento da multa de oficio de acordo com o art. 44, inciso ti da Lei n° 9.430/1996, haja vista que tais procedimentos foram praticados pelo menos pelos Srs. Mauricio José Saade (sóciogerente e majoritário) e Chalita Saade (sócio minoritário e representante da fiscalizada perante a Secretaria da Receita Federal) e pelos Srs. Wahib Youssef Saade e Robert John Carilli que da análise das procurações depreendese serem os gerentes do dia a dia nas transações comerciais da Red Tab Comércio Ltda., e assim o fizeram com o intuito doloso de não pagar os tributos e contribuições incidentes sobre as operações realizadas pela fiscalizada.” Fl. 391DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000473/200549 Acórdão n.º 1103000.806 S1C1T3 Fl. 392 8 Ainda do TVF transcrevo: “Primeiramente, há que se registrar que, conforme já relatado neste Termo, a autuada é mais uma daquelas empresas regularmente registradas e depois mediante Alteração Contratual, cujos novos sócios (interpostas pessoas, os chamados laranjas"), e não raro, não reconhecem como suas as assinaturas nela contida (laranjas involuntários"). Essas empresas continuam em operação sob a gerência dos sócios antigos. Toda essa simulação, com o objetivo de ocultar â autoridade administrativa a responsabilidade tributaria dos verdadeiros donos da empresa, fato que enseja a caracterização como pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários os Srs. Mauricio José Saade (sóciogerente), Chalita Saade, com base no inciso III do art. 135 do CTN Código Tributário Nacional, Lei n°5172/1966 e também como pessoalmente responsáveis tributários os Srs. Wahib Youssef Saade e Robert John Carilli, mesmo que não constassem do quadro societário da Red Tab Comercio Ltda.” Ademais, empresa autuada não se encontrava no endereço registrado (Beco do Bragança n° 132, centro — Rio de Janeiro), conforme diligência efetuada no local — fl. 150. Dessa forma, não só resta claro a motivação da qualificação da multa, como que os antigos sócios Mauricio José Saade (sóciogerente), Chalita Saade são os verdadeiros sócios da empresa. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 05 de março de 2013 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 392DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10907.002595/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/01/2004 a 14/01/2005
PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE
A partir da vigência da Medida Provisória n° 135/2003, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei n° 37/1966, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003.
Numero da decisão: 3302-006.334
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 16/01/2004 a 14/01/2005 PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE A partir da vigência da Medida Provisória n° 135/2003, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea e do Decreto-Lei n° 37/1966, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. Recorrente COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/01/2004 a 14/01/2005 PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE A partir da vigência da Medida Provisória n° 135/2003, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’ do DecretoLei n° 37/1966, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 25 95 /2 00 8- 43 Fl. 508DF CARF MF 2 Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação: O presente Auto de Infração, no valor de R$ 535.000,00, foi lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 11/12), a auditoria fiscal fundamentou a autuação no art. 107, inciso IV, alíneas “c” e “e”, do Decretolei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003, bem como nos artigos 37 e 44, da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994. Às fls. 36/37 e 38/47, foram juntadas planilhas, nas quais se verifica 107 viagens/navios cujos dados de embarque foram registrados fora do prazo de sete dias estipulado pela RFB, cujas cargas estão amparadas nas Declarações de Despacho de Exportação DDEs ali constantes. Foram também especificados os nomes dos navios, as datas dos embarques e as datas dos registros das informações, extraídos das consultas ao sistema Siscomex. Intimada da autuação (fl.Ol), a interessada apresentou a impugnação de fls. 403/413, na qual, em breve síntese: Alega que o prazo estabelecido pela IN SRF n° 510, de 2005, não é aplicável aos embarques objeto do lançamento, realizados no ano de 2004. Aduz que não deixou de prestar informação sobre veículo ou cargas neles transportadas. Apenas, em alguns casos, o fez com atraso, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada. E que, não tendo criado embaraços, dificultado ou impedido a fiscalização, nenhuma penalidade lhe deve ser imposta. E que, considerando que os prazos a serem cumpridos teriam por base legal uma norma que ainda não se achava em vigor quando os fatos ocorreram, o lançamento é passível de anulação. Afirma que as informações dos dados dos embarques relacionados às fls. 407/410 foram efetuados dentro do prazo de sete dias, conforme o art. 5° do Decreto n° 70.235/72 e o art. 23 da Lei n° 9.784/99. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 3 3 Além do mais, as informações dos navios e embarques listados (fl. 410/411) foram prestadas dentro do prazo de dez dias, reconhecido como de tolerância pela Alfândega do Porto de Paranaguá, por se tratarem de Despachos Posteriores. E que, caso persistam dúvidas, deve ser determinada diligência para que aquela repartição se manifeste a respeito. Alega que não foram observados os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como o disposto no inciso VI do art. 2° da Lei n° 9.784/99, na imposição da multa elevada de R$ 5.000,00 por informação extemporânea, uma vez a Receita Federal já recebe tais informações por intermédio do SISCOMEX. Argui que não é cabível a aplicação da penalidade, em vista do disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional e no art. 102 do DecretoLei 37/66, porque as informações foram prestadas antes que o procedimento fiscal fosse instaurado. Finaliza resumindo que, em vinte e cinco embarques, as informações foram prestadas dentro do prazo de sete dias e, em outros dezesseis, no prazo de dez dias, como permitido pela repartição fiscal de Paranaguá, isto sem considerar algum evento que estendesse o prazo, tais como greve e feriados locais. Aduz que tais informações não seriam tão imprescindíveis ao fisco, tratandnse de mera formalidade, de vez que a administração demandou mais de quatro anos para promover o lançamento, ainda que dispunha dos meios para fazelo. Arrematando, alega que a penalidade deve se limitar a cada navio e viagem e não por DDE e/ou embarques. Requer o cancelamento das multas aplicadas. Em 3 de fevereiro de 2012, através do Acórdão de Impugnação n° 0727.381, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário exigido no valor de R$ R$ 455.000,00. Entendeu a Turma que: ü A obrigação acessória em tela não é somente a de prestar as informações, no Siscomex, mas de prestálas no prazo fixado pela legislação vigente; ü Não é possível o acatamento da alegação da impugnante acerca da tempestividade das informações dos dados dos embarques relacionados às fls. 407/410. É que o prazo a que se refere a espécie não é prazo processual nem se trata de negócio jurídico, de modo que não é cabível a analogia fundada no Decreto n° 70.235/72 e na Lei n° 9.784/99. O caso dos autos se refere ao prazo para cumprimento de uma obrigação tributária e, assim sendo, há de ser contado, na forma prescrita pelo caput do art. 210 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN); Fl. 510DF CARF MF 4 ü Cabível, por conseguinte, a multa aplicada pela fiscalização, com fulcro na disposição contida na aliena “e” do inciso IV do art. 107 do DL n.° 37, de 1966, que, na redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003; ü É de se salientar que a auditoria já observou a limitação na imposição da penalidade por navio/viagem, eis que foram condensados os dados de todas as DDE que tiveram as informações prestadas intempestivamente (fls. 38/47) na “Relação de Dados de Embarque informados fora do prazo — por Navio”, resultando em 107 infrações; ü Quanto à alegação de que as informações dos 16 navios listados às fls. 410/411 foram prestadas dentro do prazo de dez dias, reconhecido como de tolerância pela Alfândega do Porto de Paranaguá, por se tratarem de despachos posteriores, concluo que tem razão a impugnante quanto ao não cabimento da penalidade imposta; ü Dos extratos juntados às fls. 48/398, somados às consultas ao sistema SiscomexExportação para as demais DDE embarcadas no mesmo navio, claramente se identifica que os despachos em questão foram registrados após os embarques das mercadorias (DDE A POSTERIORI); ü Portanto, dada a especificidade da matéria e o tratamento designado de procedimento especial pela própria orientação normativa, há que se concluir que em tais casos a exigência de registro das informações no prazo de 7 dias da realização do embarque tomase imprópria. Pois a informação relativa ao embarque, no Siscomex, só pode ser levada a efeito, pelo transportador, após o exportador efetuar o registro da respectiva Declaração de Exportação. Considerando que este último tem prazo, devidamente autorizado pela norma de regência, superior a sete dias para a realização do despacho, após o embarque, há que se concluir que, para estes casos, não se pode aplicar o disposto no artigo 37 da IN SRF n° 28/94, haja vista a clara incompatibilidade entre os prazos definidos nos respectivos comandos normativos; ü Isto posto, cabe excluir o valor de R$ 80.000,00 do presente lançamento, relativo a penalidades impostas indevidamente aos embarques antecipados, cujos registros de despachos a posteriori encontram amparo na legislação vigente, como acima esclarecido, de cargas integrantes de 16 navios, conforme relacionado às fls. 410/411, cujas DDE estão relacionadas na planilha às fls. 38/47; ü Por fim, ressalto que não é cabível a alegação da defesa que se encontra fulcrada no art. 138 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). É que o instituto da denúncia espontânea não alcança as penalidades aplicadas em razão do cumprimento intempestivo de obrigações acessórias autônomas; ü Pois a obrigação sob apreço consiste em registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, na forma e no prazo estabelecido pela Receita Federal, conforme o art. 37 e alínea “e”, do inciso IV, do art. 107 do DecretoLei n° 37, de 1966, com redação Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 4 5 dada pela Lei n° 10.833, de 2003. E este prazo veio a ser definido no art. 37, § 2°, da IN SRF n.° 28, de 1994, na redação dada pela IN SRF n.° 510, de 2005; ü Assim, a legislação que prevê a aplicação da multa em decorrência do atraso na prestação das informações sob apreço visa a disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores ou de seus representantes. Logo, o registro dos dados de embarque após o prazo regularmente estabelecido não caracteriza a denúncia espontânea aludida pela defesa, mas sim, precisamente, a conduta infracional cominada pela multa regulamentar em relevo; ü Assim, o fato de o registro dos dados de embarque haver sido efetuado fora do prazo fixado, mesmo que antes de qualquer procedimento de ofício, não é capaz de afastar a imposição da penalidade prevista para a hipótese, uma vez que, como antes abordado, não se tem possibilidade material de reparar o descumprimento praticado; ü Ressalvo que a norma prevista no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, mesmo após a redação dada pela Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, não dá abrigo à denúncia espontânea no caso em espécie. Pois, corroborando o então explicitado, essa denúncia não tem lugar quando a multa é decorrente exatamente da demora no cumprimento da obrigação acessória, cujo prazo é expressamente previsto na legislação de regência. A empresa COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO foi cientificada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 10 de maio de 2012, às folhas 474. A empresa COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO ingressou com Recurso Voluntário, em 29 de maio de 2012, folhas 481. Foi alegado, em resumo: ü Aplicação do princípio da retroatividade benigna; ü Improcedência do lançamento da multa administrativa; ü Aplicação de penalidade. Princípios da razoabilidade e proporcionalidade; ü Denúncia espontânea. Obrigação acessória autônoma. prestação de informação. Intempestividade. CONCLUSÃO Por todo o acima exposto, e ratificando as demais razões de sua peça impugnatória, e também em relação à aplicação do princípio da retroatividade benigna, que remete à desconstituição do lançamento, espera e confia que esse E. Tribunal , Administrativo, Fl. 512DF CARF MF 6 fazendo a necessária justiça, dará provimento ao presente recurso, para determinar o cancelamento do lançamento tributário em questão, eximindo a Recorrente da multa imposta. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 10 de maio de 2012, às folhas 474. A COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO ingressou com Recurso Voluntário, e em 29 de maio de 2012, folhas 481. O Recurso é tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: ü Aplicação do princípio da retroatividade benigna; ü Improcedência do lançamento da multa administrativa; ü Aplicação de penalidade. Princípios da razoabilidade e proporcionalidade; ü Denúncia espontânea. Obrigação acessória autônoma. prestação de informação. Intempestividade. Passase à análise. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA É alegado de folhas 03 e 04 do Recurso Voluntário: Como exposto, a Recorrente foi autuada segundo a informação do autuante, por haver deixado de prestar, no prazo e na forma estabelecidos pela RFB (IN 28/1994), informações relativas aos dados dos embarques realizados em navios por ela operados durante o ano de 2004, conforme demonstrativo anexado aos autos. Todavia, a Instrução Normativa RFB n° 1096 de 14/02/2010 em seu artigo 1° deu nova redação ao art. 41 da IN SRF 28/1994, a saber: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 5 7 Art. 41. O transportador deverá manter uma cópia do Manifesto de Carga e uma via . não negociável de cada um dos respectivos Conhecimentos de Carga em boa guarda e ordem, pelo prazo de 5 (cinco) anos, contados do 1o (primeiro) dia do ano seguinte àquele em que tenha sido efetuado o embarque da mercadoria, devendo ser apresentados à RFB quando solicitados. Por conseguinte a obrigatoriedade de comunicar à RFB dentro do prazo estabelecido pela IN SRF 28/94 deixou de existir, ficando apenas a Recorrente obrigada a manter os documentos em boa guarda e ordem à disposição da fiscalização O artigo 106 e seu inciso II do Código Tributário Nacional deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão desde que o mesmo não tenha sido fraudulento e não tenha implicado na falta de pagamento de tributo, como é o caso em questão. (...) Por conseguinte, tanto as cortes administrativas de primeira instância já vêm observando os dispositivos legais acima transcritos, o que se vê dos acórdãos 0724.494 e 0724.398 da 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Florianópolis, como também esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se verifica nos seguintes acórdãos 140200467 da 4a Câmara e 2a Turma Ordinária; 230200594 da 3a Câmara e 3a Turma Ordinária, 310100554 da 1a Câmara e 1a Turma Ordinária. . A argumentação não procede. Como será visto no tópico seguinte, a tipificação da infração não possui relação com a guarda dos documentos, mas a prestação da informação no prazo previsto, sob pena de prejudicar o exercício dos controles aduaneiros pelos órgãos competentes. DISPOSITIVO LEGAL.TIPICIDADE. A Constituição Federal, em seu art. 237, estabelece: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais ez defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. O caput do art. 33 do DecretoLei n° 37/66 dita que a jurisdição dos serviços aduaneiros se estende por todo o território aduaneiro. O art. 2° do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009 dispõe que o território aduaneiro compreende todo o território nacional. O art. 17 do mesmo Regulamento dispõe: Art. 17. Nas areas de portos, aeroportos, pontos de fronteira e recintos alfandegados, bem como em outras áreas nas quais se autorize carga e descarga de mercadorias, ou embarque e desembarque de viajante, procedentes do exterior ou a ele destinados, a administração aduaneira Fl. 514DF CARF MF 8 tem precedência sobre os demais órgãos que ali exerçam suas atribuições (DecretoLei no 37, de 1966, art. 35). § lo A precedência de que tratao caput implica: (...) II a competência da administracão aduaneira, sem prejuízo das atribuições de outros órgtãos, para disciplinar a entrada , a permanência, a movimentacão e a saída de pessoas, velculos , unidades de carga e mercadorias nos locais referidos no caput, no que interessar a Fazenda Nacional. Sendo assim, incumbe ao Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a fiscalização e o controle da entrada e saída de mercadorias, cargas, unidades de cargas No território aduaneiro. O DecretoLei n° 37/66 estabelece que o controle de veículos, mercadorias, animais e pessoas, na zona primária, será disciplinada em Regulamento (art. 34, inciso Ill), bem como estabelecerá a s normas de disciplina aduaneira a que ficam obrigados os veículos, seus tripulantes e passageiros na zona primária, ou quando sujeitos fiscalização (art. 38). Determina, ainda, que o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado (art. 37, caput, com a redação da Lei n° 10.833/03). Por sua vez, o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/09, prevê que o controle aduaneiro do veiculo será exercido desde o seu ingresso no território aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens de viajantes (art. 26, § 1°). Em seu art. 39, caput, encontrase a determinação de que é livre, no Pais, a entrada e a saída de unidades de carga e seus acessórios e equipamentos, de qualquer nacionalidade, bem como a sua utilização no transporte doméstico (conforme previsão da Lei n° 9.611/98, art. 26). Entretanto, o § 2° do mesmo artigo obsetqe poderá ser exigida a prestação de informações para fins de controle aduaneiro sobre os bens referidos no caput, nos termos estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ocorre que, embora seja livre a entrada e saída de unidades de carga, o mesmo não acontece com o seu conteúdo. Ademais, os contdineres são destinados especificamente para acondicionar mercadorias e podem se prestar a sua ocultação, pois são, em sua maioria, totalmente fechados impedindo a visão de seu interior. Por tal motivo, o Regulamento prevê no caput do art. 42 que o responsável pelo veiculo apresentará à autoridade aduaneira, na forma e no momento estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o manifesto de carga, com cópia dos conhecimentos correspondentes, e a lista de sobressalentes e provisões de bordo, bem como, nos termos do § 1º do mesmo artigo, a relação das unidades de carga vazias existentes a bordo. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por sua vez, editou a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007, a qual dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, a qual estabelece em seu art. 1°: Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 6 9 Art. 1º O controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga em portos alfandegados obedecerá ao disposto nesta Instrução Normativa e será processado mediante o módulo de controle de carga aquavidria do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Nos termos do art. 2°, inciso XII, manifesto eletrônico é definido como o manifesto de carga informado à autoridade aduaneira em forma eletrônica, mediante certificação digital do emitente, contendo inclusive os conteineres vazios. O art. 11 prevê que a informação do manifesto eletrônico compreende a prestação dos dados exigidos pela norma e relacões de conteineres vazios transportados pela embarcacão durante sua viagem pelo território nacional. Nos termos da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, desde 31 de março de 2008, a forma estabelecida pela Receita Federal do Brasil para apresentação de documentos e prestação de informações se dá por meio de transmissão e recepção eletrônicas, autenticadas por via de certificação digital. As informações relativas às operações executadas pelos Transportadores ou Agentes de Carga, submetidas ao controle aduaneiro, tais como as relativas às Escalas, aos dados constantes nos Manifestos Maritrmos e nos Conhecimentos de Carga, devem ser prestadas no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Mercante), sendo gerenciadas pela Receita Federal através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) , denominado Siscomex Carga. Mais especificamente, a prestação das informações referentes à carga darse á pela elaboração no Sistema Mercante do Conhecimento Eletrônico (C.E.Mercante) que, por sua vez, tem como base os dados constantes no B/L. ❉ Da Equiparação a Transportador IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 516DF CARF MF 10 ❉ Do Controle Aduaneiro O artigo 1º da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, assim estabelece: Art. 1º O controle aduaneiro de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades de carga nos portos, bem como de entrega de carga pelo depositário, serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa e serão processados mediante o módulo de controle de carga aquaviária do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Parágrafo único. As informações necessárias aos controles referidos no caput serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pelos intervenientes na forma e prazos estabelecidos nesta Instrução Normativa, mediante o uso de certificação digital: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 I no Sistema de Controle da Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (Sistema Mercante); e http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) II no Siscomex Carga. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Demonstrase assim que toda a saída ou entrada de mercadorias no território aduaneiro, bem como de unidades de carga presumivelmente vazias, sujeitase, necessariamente AO CONTROLE ADUANEIRO, salvo expressa determinação legal em contrário. O controle aduaneiro tem por escopo justamente CONTROLAR O FLUXO INTERNACIONAL DE MERCADORIAS através das fronteiras, portos e aeroportos. Se determinada mercadoria é ou não sujeita à tributação na saída ou na entrada é algo irrelevcante, pois o CONTROLE ADUANEIRO não se limita a questões de tributação, abarcando também outras áreas imprescindíveis ao interesse da sociedade e a própria segurança nacional. Nesse sentido, o controle aduaneiro exercido pelo Estado, por meio de seus agentes, não é faculdade, nem daquele, nem destes, mas poderdever. O gerenciamento de risco constitui a ferramenta que tem permitido a transformação das administrações aduaneiras, possibilitando conjugar, por um lado, maior celeridade no processo de despacho de mercadorias e conseqüentemente redução dos custos incidentes sobre o comércio internacional acarretando maior competitividade dos produtos Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 7 11 fabricados no Pais, no exterior, e por outro lado, mais rigor no controle da aplicação da legislação pertinente. Esta análise deve ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados informados nos sistemas Mercante e Siscomex Carga que nortearão os atos da Receita Federal do Brasil, providenciando os devidos controles fiscais ou administrativos e prevenindo a ocorrência de possíveis ilícitos aduaneiros. Conseqüentemente, a falta da prestação de informação ou sua ocorrência fora dos prazos estabelecidos inviabiliza a análise e o planejamento prévio, causando sério entrave ao exercício do Controle Aduaneiro, facilitando a ocorrência de contrabando e descaminho, tráfico de drogas e armas, além de prejudicar o combate à pirataria. ▣ DAS INFORMAÇÕES A SEREM PRESTADAS O artigo 37 do DecretoLei n° 37/66 estipula que: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 2o Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 3o A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participar da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei no 5.025, de 10 de junho de 1966. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 4o A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no caput. (Renumerado do Parágrafo único com nova pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) O transportador deverá prestar informações à Receita Federal do Brasil sobre o veiculo e as cargas nacional, estrangeira e de passagem nele transportadas, para cada escala da embarcação em porto alfandegado. Essa obrigação consiste em fornecer registros eletrônicos obrigatórios aos sistemas de controle aduaneiro. A Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994 regulamenta o assunto referente a: ü embarque da mercadoria (Art. 37) Fl. 518DF CARF MF 12 A Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007 regulamenta o assunto referente a: ü o veiculo transportador e suas escalas em território nacional (Artigos 7º a 9o) ; ü a carga transportada (Art. 10 a 21). A informação da carga transportada no veiculo, por sua vez, compreende: ü a informação do manifesto eletrônico (Art. 11); ü a vinculação do manifesto eletrônico a escala (Art. 12); ü a informação dos conhecimentos eletrônicos (Art. 13 a 16); ü a informação da desconsolidação da carga (Art. 17 a 19); e ü a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação carga (Art 20 a 21). ▣ OS PRAZOS PARA PRESTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES Embarque da mercadoria Coube à Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994 regulamentar o assunto referente a partida de veículo ao exterior (embarque), em seu artigo 37, que possuia a seguinte redação original: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 Coube à Noticia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, esclarecer que o termo "imediatamente" deveria ser interpretado como em até 24(vinte e quatro) horas. Ocorre que esse procedimento carece de qualquer base normativa. Posteriormente, a Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, alterou o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/1994, estabelecendo o prazo de 02(dois) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005) Uma nova alteração no artigo, agora dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.096, de 13 de dezembro de 2.010, alterou o prazo para 07 (sete) dias para prestação de informações contados da data da realização do embarque. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 8 13 Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?id ArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1096, de 13 de dezembro de 2010) Essa determinação, incorporada na legislação hoje vigente, possui efeito retrotivo dado seu caráter mais benéfico. Art. 39. Entendese por data de embarque da mercadoria: I nas exportações por via marítima, a data da cláusula "shipped on board" ou equivalente, constante do Conhecimento de Carga; II nas exportações por via aérea, a data do vôo; III nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre, a data da transposição de fronteira da mercadoria, que coincide com a data de seu desembaraço ou da conclusão do trânsito registrada no Sistema pela fiscalização aduaneira; IV nas exportações pelas demais vias de transporte, nas destinadas a uso e consumo de bordo e nas transportadas em mãos ou por meios próprios, a data da averbação automática do embarque, pelo Sistema, que coincide com a data do desembaraço aduaneiro; e V nas exportações sob o regime DAC, a data da averbação automática, pelo Sistema, que coincide com a data do desembaraço aduaneiro para o regime. ▣ OS FATOS QUE EMBASAM A PRESENTE AÇÃO FISCAL Fl. 520DF CARF MF 14 Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 9 15 ‘ Fl. 522DF CARF MF 16 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 10 17 Fl. 524DF CARF MF 18 Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 11 19 Fl. 526DF CARF MF 20 Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 12 21 Fl. 528DF CARF MF 22 Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 13 23 Fl. 530DF CARF MF 24 Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10907.002595/200843 Acórdão n.º 3302006.334 S3C3T2 Fl. 14 25 As datas de embarque assinaladas são anteriores à Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, o que implica em ausência de ato normativo para tipificar a conduta infracional. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido DAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 532DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002171/2010-85
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS.
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte.
MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, essenciais a sua proteção e integridade, geram direito a créditos no regime das contribuições não-cumulativas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE.
No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado.
Numero da decisão: 3003-000.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer os créditos relativos a despesas com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da integridade dos produtos.; II) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário no tocante às despesas com frete, vencido o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva que lhe deu total provimento.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, essenciais a sua proteção e integridade, geram direito a créditos no regime das contribuições não-cumulativas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado.
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E EXP. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições nãocumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, essenciais a sua proteção e integridade, geram direito a créditos no regime das contribuições nãocumulativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer os créditos relativos a despesas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 71 /2 01 0- 85 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10925.002171/201085 Acórdão n.º 3003000.056 S3C0T3 Fl. 3 2 com materiais de embalagem utilizados na conservação, armazenagem e preservação da integridade dos produtos.; II) por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário no tocante às despesas com frete, vencido o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva que lhe deu total provimento. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento, por meio de PER/DCOMP, de COFINS, apurado no regime nãocumulativo, relativo ao 4º. trimestre de 2009. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, foram realizadas as seguintes glosas: 1) despesas com embalagens destinadas ao transporte de produtos industrializados e não caracterizados como embalagem de apresentação; 2) despesas com fretes nas operações de vendas dos produtos industrializados, tendo em vista que os referidos gastos não foram comprovados com a apresentação de notas fiscais de venda vinculadas aos respectivos conhecimentos de transporte. Em face de tais glosas, com o consequente não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese, que há previsão legal para o creditamento das despesas com frete, acondicionamento e armazenagem, assim como das despesas com materiais de embalagem necessários para o acondicionamento de produtos e para a garantia de sua integridade até a entrega ao cliente. A 4ª Turma da DRJ em Florianópolis proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo a sua aplicação direta ao produto fabricado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10925.002171/201085 Acórdão n.º 3003000.056 S3C0T3 Fl. 4 3 As embalagens de apresentação geram direito a creditamento relativo às suas aquisições. São consideradas embalagens de apresentação, para fins de direito creditório da nãocumulatividade aquelas que: tem como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final; contêm o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo e apesar de conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 30/12/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, sustentando o seguinte: 1. No tocante à glosa dos créditos atinentes a despesas com embalagens: sustenta a recorrente que as glosas foram realizadas em virtude das embalagens terem sido consideradas embalagens de transporte. Argumenta, porém, que os gastos com materiais de embalagem são necessários para o acondicionamento e integridade do produto. Nesse caso, sustenta a recorrente, que os materiais de embalagem caixas de papelão, etiquetas, pallets, etc. não se destinam meramente ao fim de transporte, mas de materiais necessários para que o produto chegue em ótimas condições no ponto de venda. Aduz, por fim, que as referidas despesas devem ser consideradas como insumo, uma vez que necessárias para a preservação da integridade dos produtos comercializados (frutas); 2. No tocante à glosa dos créditos atinentes a despesas com fretes: a recorrente afirma que a glosa de parte das despesas com frete se deu pela ausência se sua comprovação. A recorrente sustenta, então, que não seria necessária a comprovação das despesas com fretes, uma vez que "se a operação gera direito ao crédito, por conseguinte, seu transporte também". Por fim, a recorrente aduz que a decisão recorrida aplicou o conceito de insumos previsto na legislação do IPI, distanciandose, assim, do entendimento de diversas decisões, inclusive do CARF, que corroboram a sua tese. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10925.002171/201085 Acórdão n.º 3003000.056 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo à análise do mérito. I Do conceito de insumos Inicialmente, importa destacar que, no tocante ao conceito de insumos aplicável às contribuições apuradas no regime da nãocumulatividade, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do amplo conceito de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda. Nesse contexto, afastando as correntes doutrinárias tradicionais, a jurisprudência majoritária do CARF tem assentado, de forma acertada, que o conceito de insumos, no âmbito do PIS/COFINS nãocumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de PIS/COFINS por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso II, ambos da Lei 10.833/03. A jurisprudência majoritária do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular o conceito de insumos à relação de pertinência ou inerência da despesa incorrida com o limite espaçotemporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Na esteira de tal entendimento, os excertos da ementa e do voto vencedor do Acórdão nº 9303002.659, Processo nº 13204.000070/200455, sessão de 14/11/2013, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcritos abaixo, sublinham a necessidade de pertinência entre o gasto ao qual se busca aplicar o conceito de insumos e sua inerência ao processo produtivo (grifei algumas partes): EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10925.002171/201085 Acórdão n.º 3003000.056 S3C0T3 Fl. 6 5 elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. VOTO CONDUTOR (...) Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. (...)Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Pela leitura dos excertos, podese observar que o conceito de insumos exige o consumo de bens ou serviços no contexto do processo produtivo, excluindose, de tal conceito, as despesas que não tenham pertinência com o processo produtivo salvo exceções legais explícitas. Em que pese o conceito de insumo sustentado pela corrente majoritária do CARF, há que se assinalar que tal matéria foi levada ao poder judiciário e, em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentou que o conceito de insumos no âmbito das contribuições nãocumulativas deve se pautar pelos critérios da essencialidade e relevância dos gastos em face à atividade econômica desenvolvida pela empresa. Eis a ementa da decisão: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10925.002171/201085 Acórdão n.º 3003000.056 S3C0T3 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Do julgamento acima, restou decidido que o conceito de insumos, no âmbito do regime nãocumulativo, abarca todos os bens e serviços empregados no processo produtivo ou de prestação de serviços e que sejam essenciais ou relevantes à atividade econômica da empresa, afastandose, desse modo, aquele conceito restritivo de insumos enunciado pelas IN´s nº 247/2002 e 404/2004. Observase, portanto, que o STJ assimilou uma concepção de insumos que é intermediária, distinta daquelas albergadas pela legislação do IPI e do Imposto de Renda. Filiome ao conceito de insumos acima esposado, afastandome, desse modo, daquelas correntes que entendem como aplicável, no âmbito das contribuições não cumulativas, o conceito de insumos restritivo previsto na legislação do IPI ou o conceito de insumos ampliativo do Imposto de Renda. Da posição firmada pelo STJ, em especial da leitura de seu voto condutor, exsurge, de forma clara, a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10925.002171/201085 Acórdão n.º 3003000.056 S3C0T3 Fl. 8 7 Em outras palavras, saber se determinado dispêndio integra o conceito de insumos para fins de direito creditório no regime das contribuições nãocumulativas passa pela análise de sua essencialidade ou relevância em face das particularidades da atividade que determinada empresa desempenha. Nesse contexto, a instrução probatória ganha sensível importância, pois, em cada caso e para cada despesa, deverão ser demonstradas a relevância e a essencialidade dos gastos para atividade empresarial desenvolvida. Em cada caso concreto, a subsunção de um determinado gasto ao conceito de insumos deverá ser pautada pela análise da sua essencialidade e/ou relevância para a atividade produtiva ou de prestação de serviços, levandose em consideração a natureza da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Passo à análise das glosas. II Da glosa dos créditos atinentes a despesas com embalagens No caso concreto, constatase que o colegiado a quo sustentou a glosa de despesas com material de embalagem, pois, segundo seu entendimento, construído a partir da interpretação das IN´s nº 247/2002 e 404/2004, as embalagens para transporte não dão direito a créditos no regime nãocumulativo: a decisão recorrida adota a distinção entre embalagens de transporte e embalagens de representação. No tocante ao creditamento das despesas com embalagens, cabe lembrar que a 3ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu sobre tal matéria recentemente, tendo assumido o conceito de insumos esposado na decisão do STJ acima exposta, exarando o Acórdão nº. 9303006.068, cujos excertos importantes para a presente análise, extraídos do voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, estão a seguir transcritos (grifamos algumas partes): A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10925.002171/201085 Acórdão n.º 3003000.056 S3C0T3 Fl. 9 8 Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS nãocumulativos. (...)Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10925.002171/201085 Acórdão n.º 3003000.056 S3C0T3 Fl. 10 9 Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Adoto os fundamentos e razões de decidir acima expostos, harmônicos com o conceito de insumos consubstanciado na decisão do STJ (Resp n.º 1.221.170 PR), afastando me, dessa maneira, do entendimento assumido na decisão recorrida, o qual está fincado em atos normativos superados. Analisando o caso concreto, e tendo em mente a atividade desenvolvida pela recorrente produção e comercialização de frutas, verificase que os materiais de embalagem utilizados pela recorrente são essenciais para a conservação e integridade de seus produtos. Dos autos, observase que a própria fiscalização reconheceu a essencialidade dos materiais de embalagens à garantia da integridade dos produtos da recorrente (fl. 35). Pois bem. Diante dessas considerações, há que se reconhecer que os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos devem integrar o conceito de insumos, de maneira que deve ser afastada a glosa das respectivas despesas. III Da glosa dos créditos atinentes a despesas com fretes Quanto aos créditos das despesas com fretes, observase que houve glosa de créditos em virtude da ausência de documentos que comprovassem que os respectivos fretes eram decorrentes de operações de venda. Ou seja, no caso dos autos, o afastamento dos supostos créditos das despesas com fretes não se deu por questão de direito, mas pela ausência de provas. A recorrente argumenta que não haveria necessidade de comprovação das referidas despesas, pois "se a operação gera direito ao crédito, por conseguinte, seu transporte também". Neste ponto, não assiste razão à recorrente. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, nas fases de impugnação e de recurso voluntário, documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, sobretudo para confirmar que os supostos fretes realmente se tratavam de fretes nas operações de venda, os quais são passíveis de creditamento. Não basta a alegação de um direito em tese. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. É o que estabelece o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10925.002171/201085 Acórdão n.º 3003000.056 S3C0T3 Fl. 11 10 desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...)§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e os valores concernentes às despesas de fretes glosadas. Para fazer jus ao crédito pleiteado, a recorrente deveria ter apresentado documentos hábeis e idôneos para comprovar a natureza e extensão dos gastos com fretes, demonstrando, em especial, se aqueles dispêndios são realmente atinentes a operações de venda. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos. Vinícius Guimarães Relator Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.901868/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR)
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS
Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-004.598
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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OMISSÃO. Embargante SAMARCO MINERAÇÃO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para sanála. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 68 /2 01 2- 12 Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 10680.901868/201212 Acórdão n.º 3201004.598 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Tratamse de tempestivos Embargos de Declaração opostos por Samarco Mineração S/A, em face do Acórdão nº 3201003.324, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 31/01/2018, cuja Ementa abaixo se transcreve: "ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PRELIMINARES. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pelo ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório, devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 10680.901868/201212 Acórdão n.º 3201004.598 S3C2T1 Fl. 4 3 e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003." Alega a Embargante a ocorrência de omissão parcial pela não apreciação, em sua íntegra, quanto ao item da glosa "BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO", aduzindo ser necessária a análise dos demais produtos atingidos além dos combustíveis. A Embargante anexa aos autos as planilhas da fiscalização relativa a este tópico da glosa (doc. 04) onde está assinalada a listagem completa de produtos envolvidos na glosa fiscal, o que comprova que: a) além dos combustíveis, muitos outros produtos foram atingidos neste tópico e; b) o critério adotado pela fiscalização é, em todos os casos, exatamente o mesmo: produto sem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, deve ter seu crédito inadmitido. Defende a Embargante que tais produtos são absolutamente essenciais ao seu processo produtivo e todo o item deve ser excluído. Um dos itens mais evidentes são os lubrificantes, pois seguem os mesmos fundamentos e, portanto, deve seguir o mesmo caminho dos combustíveis. Prossegue, afirmando que tal fato é admitido pela própria Fiscalização (relatório fiscal), mas de forma contraditória, negou o direito ao crédito dos lubrificantes que não entram em contato direto com o produto. Entende a Embargante que merece ser reestabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência da decisão embargada. Continua a Embargante, asseverando que a fiscalização glosou óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada” na Unidade de Germano. De novo, no âmbito do ICMS já se reconhece tais créditos há muito, inclusive é o entendimento da Receita Federal do Brasil, consubstanciado por meio das Soluções de Consulta 85/12 e 91/12, emitida pela SRRF da 10ª Região, devendo a decisão embargada reconhecer expressamente o direito ao creditamento. Traz a Embargante, alguns exemplos da planilha anexa, para clamar que a decisão recorrida abarque todos os produtos encartados em referido documento. Que devidamente abordou e comprovou a existência de diversos outros produtos glosados sob o tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, os quais infelizmente não podem ser destrinchados itemaitem no recurso, pois tratamse de milhares de produtos glosados. A premissa da fiscalização para o tópico indicado é uma só em quaisquer dos casos a serem analisados: glosar todos os produtos em que não verificado contato direto com o minério sob produção. Requer a Embargante o provimento dos Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada, atribuindo o efeito modificativo necessário, para esclarecer que o mesmo tratamento conferido aos Combustíveis e aos Serviços analisados no acórdão recorrido (afastamento do critério restritivo de IPI e adoção da essencialidade), deverá ser empregado aos Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 10680.901868/201212 Acórdão n.º 3201004.598 S3C2T1 Fl. 5 4 demais bens glosados no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”. Os embargos foram devidamente admitidos pelo Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, conforme a seguir: "A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo." É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.590, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.590): Assiste razão ao pleito da Embargante. Realmente, a decisão embargada deixou de apreciar a íntegra dos produtos constantes no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”, tendo sido induzido ao lapso em razão do contido nas manifestações da Fiscalização e na decisão proferida em 1ª Instância. No caso, deve ser adotado, como defendido pela Embargante, o mesmo critério adotado na decisão embargada para os combustíveis. O anexo juntado pela Embargante, realmente, contém uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada. Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 10680.901868/201212 Acórdão n.º 3201004.598 S3C2T1 Fl. 6 5 Ao caso chamo atenção aos produtos especificamente mencionados pela Embargante, quais sejam, (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada”. Em relação a tais itens, é pacífica a jurisprudência da CARF. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. (...) COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. (...)" (Processo nº 11516.724153/201385; Acórdão nº 3301005.016; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 28/08/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo nº 10768.004787/201041; Acórdão nº 3302 005.927; Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 25/09/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofin Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10680.901868/201212 Acórdão n.º 3201004.598 S3C2T1 Fl. 7 6 desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) NÃO CUMULATIVIDADE. ÓLEO DIESEL, LUBRIFICANTES E GRAXAS UTILIZADOS EM VEÍCULOS E MÁQUINAS NA FASE AGRÍCOLA. PRODUÇÃO DA CANA. DIREITO AO CREDITAMENTO. Dá direito a crédito a aquisição de graxas, lubrificantes e óleo diesel utilizados em maquinários e veículos empregados na fase agrícola da produção do açúcar e álcool." (Processo nº 10880.953116/201361; Acórdão nº 3201004.161; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 28/08/2018) Com relação aos demais produtos elencados no Anexo (doc. 4 Embargos de Declaração) juntado pela Embargante, entendo que lhe assiste razão, devendo a glosa ser revertida. A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por esse Colegiado. Imperioso esclarecer que por ocasião do recente julgamento do RESP nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo a Corte Superior assim se posicionou sobre a matéria: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10680.901868/201212 Acórdão n.º 3201004.598 S3C2T1 Fl. 8 7 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) No caso, tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida proferida pela DRJ foram, de certo modo, genéricas e não adentraram com minúcias ao caso concreto. Aqui importante trazer as ponderações proferidas pelo Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no Acórdão nº 3201004.279, in verbis: "Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins." (nosso destaque) Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos tem se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). A título ilustrativo transcrevo: Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10680.901868/201212 Acórdão n.º 3201004.598 S3C2T1 Fl. 9 8 Dos embargos declaratórios, reproduzo os itens exemplificativos colacionados pela Embargante: Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10680.901868/201212 Acórdão n.º 3201004.598 S3C2T1 Fl. 10 9 Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10680.901868/201212 Acórdão n.º 3201004.598 S3C2T1 Fl. 11 10 Denotase, então, a plena aderência de tais insumos na complexa atividade produtiva desenvolvida pela Embargante. Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração interpostos e voto por acolhêlos, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado conheceu e acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2479DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720157/2015-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2010
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM COMBUSTÍVEIS E MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS DE FROTA PRÓPRIA. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS referente ao insumo hipoclorito de sódio.
PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte.
Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS.
A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR- Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância.
Numero da decisão: 9303-007.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM COMBUSTÍVEIS E MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS DE FROTA PRÓPRIA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS referente ao insumo hipoclorito de sódio. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Nos termos do artigo 62, parágrafo 2º, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 57 /2 01 5- 78 Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.032 2 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NOTA TÉCNICA Nº 63/2018. DISPENSA DE APRESENTAÇÃO DE RECURSOS. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, contra o acórdão nº 3402003.992, proferido pela 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, que deu provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a responsabilidade solidária do sócio e reconhecer o direito aos créditos sobre as despesas com manutenção e combustíveis dos veículos de frota, cuja ementa ficou assim redigida: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.033 3 Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2010 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção), e, conseqüentemente, à obtenção do produto final. CRÉDITOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E MANUTENÇÃO DA FROTA. INSUMO DA ATIVIDADE ATACADISTA. Na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, os gastos com combustíveis e manutenção da frota essencial para a realização da atividade principal da pessoa jurídica (atacadista) propiciam a dedução de crédito como insumo. SÓCIOADMINISTRADOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTENTE. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, III, CTN). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 30/09/2010 PIS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção), e, conseqüentemente, à obtenção do produto final. CRÉDITOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS E MANUTENÇÃO DA FROTA. INSUMO DA ATIVIDADE ATACADISTA. Na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, os gastos com combustíveis e manutenção da frota essencial para a realização da atividade principal da pessoa jurídica (atacadista) propiciam a dedução de crédito como insumo. SÓCIOADMINISTRADOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.034 4 Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, III, CTN). Recurso Voluntário Provido. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, aduz divergência jurisprudencial referente ao direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto a despesas com insumos não aplicados diretamente no processo produtivo. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nº 20312.488 e 3801002.037. Em seguida, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso, conforme depreendese o despacho de admissibilidade, ás fls 1021/1024. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, foram lavrados os autos de infração de fls. 828/857, por meio dos quais se exige o recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, além de multa de ofício e juros de mora. A autuação, cientificada em 02/03/2015 (fl. 915), ocorreu devido à insuficiência de recolhimento do PIS e da Cofins relativamente aos períodos de apuração de 01/2010 a 06/2010 e 09/2010, conforme demonstrativo de apuração de fls. 833/834 e 847/848, demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 835 e 849, descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 831/832 e 846 e Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 810/827. Segundo o TVF, após a análise do Dacon, da DCTF e da Escrituração Fiscal Digital – EFD dos períodos mencionados apurouse a existência de divergências entre os valores informados e, também, a contabilização indevida de créditos decorrentes da não cumulatividade relativamente aos fretes sobre compras e aos gastos com combustíveis utilizados na sua frota de caminhões para entrega de mercadorias revendidas. Sem embargo, a 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, no julgamento do recurso voluntário, deu provimento ao recurso, para admitir o creditamento da Cofins sobre ás Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.035 5 aquisições de combustíveis e despesas com a manutenção de frota própria, por se tratar de insumos essenciais atividade empresária. Decido. A matéria devolvida para esta E. Câmara Superior, cingese a divergência com relação ao conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições não cumulativas do PIS e da COFINS, especialmente sobre aquisições de combustíveis e despesas com a manutenção de frota própria Com efeito, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.036 6 do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.037 7 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.038 8 Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve: “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa". Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Destarte, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Centrandose a divergência dos autos, verifico que a Contribuinte tem como objeto social, a distribuição e revenda de mercadorias alimentícias, que exigem conservação específica no transporte, por exemplo, medicamentos de uso animal, em via de regra necessita obrigatoriamente de um transporte e refrigeração especial, in caso, a manutenção da frota própria para o transporte das mercadorias tornase essencial atividade empresária exercida pela Contribuinte. Analisando a quaestio, como dito em linhas acima, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração Não Cumulativo das Contribuições, de modo que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Com se vê, a despesas incorridas com combustíveis e manutenção de veículos de frota própria utilizados para entrega de mercadorias vendidas, consumido no processo produtivo da Contribuinte, sem os referidos insumos, tornase inviável a atividade empresária da Contribuinte. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância , considerando se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Vejamos fragmentos do Voto: "São "insumos", para efeitos do art. 3º., II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º., II, da Lei 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.039 9 impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Observase, como bem delineado no voto proferido pelo eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, que a conceituação de insumo prevista nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 está atrelada ao critério da essencialidade para a atividade econômica da empresa, de modo que devem ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo produtivo ou que viabilizem o processo produtivo , de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto; é fora de dúvida que não ocorre a ninguém afirmar que os produtos de limpeza são insumos diretos dos pães, das bolachas e dos biscoitos, mas não se poderá negar que as despesas com aqueles produtos de higienização do ambiente de trabalho oneram a produção das padarias. A essencialidade das coisas, como se sabe, opõese à sua acidentalidade e a sua compreensão (da essencialidade) é algo filosófica e metafísica; a maquiagem das mulheres, por exemplo, não é essencial à maioria dos homens, mas algumas mulheres realmente não a podem dispensar – e não a dispensam – ou seja, lhes é realmente essencial e isso não poderia ser negado; em outros contextos, dizse até que certa pessoa é essencial à existência de outra – não há você sem mim e eu não existo sem você, como disse o poeta VINÍCIUS DE MORAES (19131980) – mas isso, como todos sabemos, é claramente um exagero carioca e não serve para elucidar uma questão jurídica de PIS/COFINS e muito menos o problema que envolve a essencialidade das cosias e dos insumos: é apenas uma metáfora do amor demais. A adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final". Nos termos do art. 62, parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ademais, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018, autorizando a dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia, referente a ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN's SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que traduz o conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. In verbis: Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.040 10 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014". Deste modo, o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha o equilíbrio impositivo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.041 11 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Destarte, o conteúdo contido no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS referente a despesas incorridas com combustíveis e manutenção de veículos de frota própria utilizados para entrega de mercadorias vendidas. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 19515.720157/201578 Acórdão n.º 9303007.702 CSRFT3 Fl. 1.042 12 Fl. 1042DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000269/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifeste-se sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifeste-se sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifestese sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 85 .0 00 26 9/ 20 10 -2 1 Fl. 6982DF CARF MF Processo nº 12585.000269/201021 Resolução nº 3401001.552 S3C4T1 Fl. 6.983 2 Relatório Versam os autos sobre análise e acompanhamento de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de créditos de COFINS nãocumulativa, vinculados a receitas de exportação relativas ao 3o trimestre de 2009 e de Declarações de Compensação (DCOMP) onde se pretendem compensar vários débitos com o crédito oriundo do ressarcimento. Após realizar as devidas análises e verificações, a DERAT/SP exarou Despacho Decisório, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações declaradas, vinculadas ao pretenso crédito. Desafiando o referido Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, juntado documentos, e argumentando que: 1) Índice de rateio proporcional relativamente às receitas de exportação e do mercado interno: A fiscalização alterou o índice de rateio proporcional dos créditos da Cofins calculados sobre custos e despesas comuns à receita do mercado, interno e de exportação. Seu entendimento era de que o momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, conforme o art.1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de novembro de 2002. Considerou como receita de exportação os valores constantes no SISCOMEX conforme a data de embarque das mercadorias, extraindo os dados do sistema DWAduaneiro. Contudo, resta totalmente equivocado o entendimento fiscal, quer em razão de que o ADI SRF nº 22/2002 não é aplicável na apuração de créditos de COFINS nãocumulativa, quer por este entendimento não possuir base legal, bem como violar as normas de apuração da contribuição. Ademais, a interpretação fiscal colidiria com o §3º do art.6º, c/c§8º do art.3º da Lei nº 10.833 de 2003, que dispõe que o rateio será proporcional ao auferimento de receitas, sem impor que tenha havido o embarque da mercadoria ao exterior para que as receitas auferidas fossem consideradas exportação. 2) Momento de apuração de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos: no DD foram glosados créditos de COFINS ao fundamento de que a empresa teria reconhecido o crédito fora do período de sua apuração. A Fiscalização sustenta que a data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (...) referentes a bens e serviços utilizados como insumo. No entanto, no momento da emissão de uma NF não há como sustentar que o bem foi adquirido pela empresa, pois esta aquisição somente se dará no momento da efetiva entrega material do bem, quando ocorre a tradição da coisa, sendo manifestamente ilegítimo considerar este momento como sendo a data em que se adquire o bem, notadamente para fins tributários. O procedimento da empresa está correto ao reconhecer o crédito da COFINS no regime da não cumulatividade no momento da entrada em seu estabelecimento do insumo adquirido, quando efetivamente recebe a NF emitida pelo vendedor. É nesse momento que há a efetiva tradição da coisa, podendo ser considerado o bem adquirido. No que tange aos serviços, somente após a efetiva conclusão dos serviços é que o prestador passa a ter o direito à retribuição que é imanente a este tipo de contrato. Apenas com a prestação encerrada é que se pode considerar como adquiridos os serviços. No caso concreto, a empresa reconheceu o crédito de eventuais serviços no momento em que recebeu do prestador a NF demonstrando a conclusão do trabalho. É neste momento que o serviço é adquirido pelo contratante e surge para o prestador o direito de receber a retribuição. Antes do trabalho finalizado somente existe uma expectativa de direito sobre a prestação de serviços, até porque em caso de inadimplência o contratante não poderá exigir do contratado Fl. 6983DF CARF MF Processo nº 12585.000269/201021 Resolução nº 3401001.552 S3C4T1 Fl. 6.984 3 a obrigação de fazer, mas tão somente uma indenização. Desta forma, o procedimento da empresa atendeu de forma precisa a legislação em comento, razão pela qual deve ser acolhida sua manifestação de inconformidade. 3) Aproveitamento do crédito em meses subsequentes Desnecessidade de retificação de DACON e DCTF: o Fisco nega a possibilidade de aproveitamento do crédito em período subsequente, denominando aproveitamento de créditos extemporâneos. Depois diz ser possível esse aproveitamento, condicionandoo, entretanto, à retificação de DACON/DCTF pela empresa. Neste particular o equívoco da autuação é manifesto. As leis da nãocumulatividade em momento algum fixaram período para o contribuinte exercer o direito potestativo de descontar o crédito. Não há obrigação de realização do desconto/aproveitamento no mesmo mês de referência de determinação do crédito. A referência a determinado mês (§ 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003) delimita apenas o valor do crédito apurado naquele mês, mas não limita o aproveitamento do crédito mediante o desconto com o débito àquele mês. A norma legal é expressa ao dizer que o aproveitamento do crédito pode se dar em determinado mês, sendo este o mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo – quando efetivamente surge o direito ao crédito – ou, se não utilizado naquele mês, poderá sêlo nos meses subsequentes. Não há nenhuma regra determinando a escrituração e, consequentemente, o aproveitamento do crédito em determinado mês. Simplesmente não existe norma jurídica neste sentido. Na nãocumulatividade não se pode dizer que há aproveitamento extemporâneo de créditos, visto que inexiste um período definido para o aproveitamento, podendo este se dar no mês em que surgiu o direito ao crédito, no mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo, ou em meses subsequentes, dependendo dos contribuintes. Além disso, o DACON, por ser de natureza declaratória e não constitutiva, não pode restringir o direito da empresa ao crédito, razão pela qual deve ser acolhida a manifestação da empresa. 4) Glosa de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos: a) inaplicabilidade das INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004 (...) b) créditos sobre bens/serviços insumos (...) c) insumos glosados indevidamente: (...) d) crédito sobre a formação de florestas – ativo imobilizado exaustão: (...) e) crédito decorrente de produtos adquiridos de terceiros (...) f) crédito sobre fretes: (...) 5) Créditos vinculados à receita de exportação: (...) 6) Conclusões: a) é inaplicável ao caso o ADI SRF nº 22/2002 para apuração do índice de rateio proporcional no que tange às receitas de exportação e mercado interno, haja vista que referida norma trata de norma isentiva; b) a empresa reconheceu créditos de bens e serviços utilizados como insumo no seu processo produtivo no momento oportuno, ou seja, no momento da entrada em seu estabelecimento, do insumo adquirido, pois operouse a tradição da coisa; c) ainda que assim não fosse, a legislação faculta ao contribuinte a possibilidade de aproveitar os créditos de bens e serviços em meses subsequentes (§ 4º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), o que foi desconsiderado pelo Fisco; d) é inaplicável ao caso as IN SRF nº 247/2002 e 404/2004, pois trazem em seu bojo equivoco conceito de insumo relativo a nãocumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa; e) a empresa tem direito a créditos de PIS/COFINS, seja em razão dos bens e serviços serem parte indispensável do processo produtivo (insumos), seja em razão Fl. 6984DF CARF MF Processo nº 12585.000269/201021 Resolução nº 3401001.552 S3C4T1 Fl. 6.985 4 das reservas florestais, mesmo estando classificadas contabilmente como ativo imobilizado, sujeitos à exaustão, pois quando da sua utilização, serão também insumos; f) também ensejam créditos aqueles bens ou serviços adquiridos de terceiros, inclusive no caso vertente; g) os fretes suportados durante todo o processo de produção ensejam direito ao crédito, inclusive aqueles destinados à aquisição de matériaprima, destinados à transporte dos produtos em fase de produção entre os estabelecimentos da própria empresa, bem como aqueles que foram realizados durante o processo de formação das reservas florestais que compõe o ativo imobilizado, pois esses se constituem custos de produção; h) todos os custos vinculados à receita de exportação, considerando que se trata de empresa exportadora de pasta de celulosa, conferem crédito de PIS/COFINS. 7) Pedidos: a) requer a realização de diligência e perícia, nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Tal diligência/perícia é necessária para a comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquiridos pela empresa, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito ao crédito, bem como buscar a verdade material. Indica peritos e formula quesitos; b) diante da robusta comprovação de que os gastos realizados pela empresa são efetivamente indispensáveis, necessários à produção de seus bens destinados à venda, requer, em preliminar, a nulidade do DD e, por conseguinte, o acolhimento de sua manifestação. Devem ser reconhecidos na integralidade os créditos que foram glosados, seja com fundamento no valor de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumos para a produção da celulosa, seja baseado nos encargos de exaustão, ou no conceito de insumo, analogicamente. E assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/PORTO ALEGRE, sobre o contencioso: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, bem como da não homologação das compensações tencionadas, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. Fl. 6985DF CARF MF Processo nº 12585.000269/201021 Resolução nº 3401001.552 S3C4T1 Fl. 6.986 5 As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de ressarcimento/compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Inconformada com a r. decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 28/05/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, interpôs Recurso Voluntário, em 29/06/2015, no qual reiterou seus argumentos da manifestação de inconformidade, combatendo ponto a ponto a decisão de piso e especificando a essencialidade de cada insumo glosado. Juntou laudo técnico da Escola Superior de Agricultura da USP, que descreve todo o processo produtivo da operação florestal e da fase de indústria da celulose, tratando as duas como interdependentes. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o Fl. 6986DF CARF MF Processo nº 12585.000269/201021 Resolução nº 3401001.552 S3C4T1 Fl. 6.987 6 mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. O Recurso Voluntário reúne os pressupostos legais para interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A matéria a ser enfrentada no presente processo já o foi em outro processo (PAF 12585.000259/201096), onde a Primeira Turma Ordinária da 3ª Câmara deste CARF decidiu, à unanimidade de votos, que fosse o julgamento convertido em diligência (Resolução nº 3301 000.808). Em ambos os processos se tem a empresa Fibria Celulose S/A como Recorrente e a Fazenda Nacional como Recorrida. Também há identidade quanto ao objeto, qual seja Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de créditos de PIS/Cofins nãocumulativa, vinculados a receitas de exportação. Também os argumentos e discussões e documentos trazidos em ambos os processos são os mesmos. Diferem apenas com relação à competência, pois o processo já analisado se refere ao 4º trimestre de 2006. Conforme relatado, diversos foram os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente, as quais são resumidas em 4 (quatro) grandes grupos: (i) Método de Apropriação de Custos – Rateio proporcional; (ii) Momento de apuração dos insumos e serviços como créditos; (iii) Aproveitamento de créditos extemporâneos; e (iv) Insumos da nãocumulatividade. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. Para corroborar seus argumentos sobre a essencialidade à tomada de créditos, a descrição do processo produtivo, desde a sua operação florestal até a entrega da madeira para a indústria, e ainda, a fase industrial da celulose e do papel, a Recorrente juntou, como já se disse, laudo técnico elaborado pela Escola Superior de Agricultura da USP, o que, na assentada da referida Resolução, entendeuse ser um fato novo, demandando a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Comungase da decisão tomada na aludida Resolução, fazendo esta, parte integrante do presente, evitando a repetição dos referidos fundamentos. Pelo exposto, assim como já definido na Resolução 3301000.808, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem: (i) manifestese sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) Fl. 6987DF CARF MF Processo nº 12585.000269/201021 Resolução nº 3401001.552 S3C4T1 Fl. 6.988 7 cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 6988DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13867.000269/2009-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
DASN. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Numero da decisão: 1001-001.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 DASN. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 7. 00 02 69 /2 00 9- 94 Fl. 25DF CARF MF Processo nº 13867.000269/200994 Acórdão n.º 1001001.092 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 21) interposto contra o Acórdão nº 14 32.372, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 16 a 17), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Versa o Presente processo sobre notificação de lançamento (fl. 2), mediante a qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN), relativa ao anocalendário de 2009, no valor de R4 200,00. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fl. 1) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que houve um movimento de greve no Serpro, causando a impossibilidade da transmissão da referida declaração dentro do prazo legal." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário apenas reiterando os mesmos termos da Impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 26DF CARF MF Processo nº 13867.000269/200994 Acórdão n.º 1001001.092 S1C0T1 Fl. 4 3 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) O presente processo trata da cobrança de multa por atraso na entrega da DASN relativa ao anocalendário de 2009. A contribuinte alega que houve um movimento de greve no Serpro, causando a impossibilidade da transmissão da referida declaração dentro do prazo legal A Contribuinte anexou os documentos de fls. 4/7 para comprovar suas alegações. Desses documentos, denotase que eles indicam que a contribuinte teve dificuldade para entragar sua declaração no último dia de prazo para tanto (31/10/2009), mas não comprovam que essa dificuldade se deveu a problemas de greve no Serpro, como afirmado. Apenas o documento de fl. 7 faz menção a greve do Serpro, no entanto indica que ela atrasou a disponibilidade da funcionalidade de agendamento de opção do Simpes Nacional em 03/11/2009. Assim, configurada a situação fática que deu origem ao lançamento, entrega da declaração fora do prazo, não há reparos a se fazer." Assim, com base nos dispostos supra colacionados, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 27DF CARF MF Processo nº 13867.000269/200994 Acórdão n.º 1001001.092 S1C0T1 Fl. 5 4 Fl. 28DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.721712/2013-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a diligência anterior seja efetivamente cumprida.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo.
Relatório
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a diligência anterior seja efetivamente cumprida. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo. Relatório Por bem descrever os fatos reproduzo, o relatório que consta no acórdão da DRJ Recife Nº 11046.959, de 10/07/2014: Tratamse de autos de infração em que se formula a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e da Contribuição para o PIS/Pasep, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 27.234.080,34 (vinte e sete milhões RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 11 .7 21 71 2/ 20 13 -5 4 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 918 2 duzentos e trinta e quatro mil e oitenta reais e trinta e quatro centavos). Segundo descrito no Relatório Fiscal às fls. 145 a 165, a autuada teria recolhido tais contribuições em montante inferior ao devido pois, quando da formulação de suas declarações de importação, apurara incorretamente as respectivas bases de cálculo, deixando de considerar no cômputo do valor aduaneiro das mercadorias, os valores incorridos com descarregamento e manuseio (capatazia) associados ao transporte da carga no local de importação, valores esses que corresponderiam a ajustes expressamente previstos na legislação de regência. Ainda segundo tal relatório, no decorrer de procedimento fiscal regularmente instaurado, a autuada fora intimada a apresentar informações e documentos referentes aos custos dos serviços de descarga e manuseio das mercadorias no local de importação. Informa a autoridadefiscal que, paralelamente, a empresa Vale S/A, prestadora dos serviços, fora intimada a apresentar as notas fiscais referentes à serviços de descarga e manuseio prestados à Usiminas, bem como os contratos de prestação do referido serviço e demais documentos que comprovassem os valores pactuados. Nesse ponto, destaca a autoridade fiscal que o serviço prestado pela Vale S/A no Terminal de Carvão do Porto de Praia Mole seria feito por um sistema integrado de moegas/correias transportadoras, consistindo na descarga do produto por meio de um descarregador automático instalado no píer, que se movimenta sobre trilhos ao longo do cais de atracação do navio, retira o carvão do porão do navio por meio de caçamba e o descarrega na moega alimentadora da correia transportadora, promovendo seu transporte imediato via correias até o pátio de estocagem. Logo, dito serviço englobaria duas operações, a primeira, de descarga, e a segunda, de transporte, até o pátio de estocagem ou até o pátio privativo da Usiminas, a uma distância de 7 km. Observa a autoridade fiscal, após apresentar os dispositivos legais que entendeu pertinentes, que o custo incorrido com a primeira operação, referente à descarga das mercadorias no porto de importação, integra o valor aduaneiro, tendo sido indevidamente omitido pelo importador. Em contraposição, registra que o serviço de transporte realizado após a chegada da carga não deve integrar o valor aduaneiro. Destaca no particular que, a partir de 2011, a Usiminas passou a incluir o custo de manuseio/descarga no valor aduaneiro das mercadorias, transcrevendo trecho de declaração de importação registrada em 2012 pela autuada. A análise conjunta das respostas encaminhadas pela autuada e pela prestadora do serviço teria servido de base para o lançamento. Destaca a autoridade fiscal que as notas fiscais apresentadas pela Vale S/A, assim como as notas apresentadas pela Usiminas, referemse exclusivamente ao serviço de descarga, conforme informação prestada no campo descrição do serviço. Ambas empresas teriam fornecido ainda planilhas que permitiriam vincular ditas notas às respectivas declarações de importação. Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 919 3 Ante tais elementos, procedeu a autoridade fiscal ao ajuste do valor aduaneiro das operações, lançando, por conseguinte, o montante da diferença relativa ao PIS e à Cofins incidentes sobre a importação, ao qual foram acrescidos juros de mora e multa de ofício. Regularmente cientificada, comparece a autuada ao processo apresentando a competente impugnação, onde aduz essencialmente que: a) A empresa auta no ramo siderúrgico e importa diversos insumos, dentre eles a hulha, conhecida como “pedra de carvão”, trazida a granel por transporte marítimo até o Terminal de Carvão do Porto de Praia Mole, operado e administrado pela Vale S/A; b) As atividades de descarga e movimentação do granel, incluindo a estocagem e embarque em vagões ferroviários, para daí seguir até a Usina Intendente Câmara em IpatingaMg, ficariam por conta da referida empresa; c) Em atenção à intimação da RFB, apresentara planilha que trazia a correspondência entre as declarações de importação e as notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela Vale S/A, além de cópia das referidas notas, reafirmando que dito serviço englobaria a descarga, movimentação, armazenagem e embarque nos vagões ferroviários; d) Registra que a Vale S/A, em resposta à intimação da RFB, apresentara igualmente planilha de correspondência entre notas fiscais e operações de importação, acompanhada das respectivas notas e, ainda, de cópia do contrato de prestação de serviços, destacando que o custo do serviço seria calculado por tonelada de mercadoria descarregada; e) Destaca que haveria quatro razões essenciais para que o lançamento em questão seja julgado improcedente, a saber: i. Nos termos da legislação aplicável, os gastos com descarga somente seriam computáveis no valor aduaneiro quando incorridos até o porto ou local de importação e, ainda, se associados ao transporte de mercadorias importadas até o porto. Segundo seu entendimento, portanto, despesas litigiosas teriam sido incorridas após o limite temporal estabelecido; ii. Ainda que se entenda pela inclusão de tais despesas no valor aduaneiro, a Autoridade Fiscal elegra erroneamente a base de cálculo dos tributos, na medida em que considerara, em sua composição, o valor total constante das notas fiscais de serviços prestados pela Vale S/A, os quais englobariam, além das despesas de descarga, despesas de manuseio, estocagem e embarque dos granéis em vagões ferroviários; iii. Constatado o erro na quantificação da base de cálculo, seria vedado à autoridade julgadora retificála na fase litigiosa. Sustenta, adicionalmente, que a autoridade julgadora não possuiria os elementos necessários ao cálculo do tributo devido, tendo em vista que não se sabe, pelos documentos acostados aos autos, qual seria a porcentagem do preço cobrado pela Vale S/A que remuneraria especificamente o serviço de descarga do granel no porto; Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 920 4 iv. Na apuração da diferença das contribuições, a fiscalização teria utilizado a antiga sistemática de cálculo, que incluiria na base de cálculo o valor do ICMS e das próprias contribuições devidas na importação, o que fora julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do Recurso Extraordinário no 559.937; f) Com relação à inclusão das despesas de descarga no valor aduaneiro, sustenta tais despesas ocorreriam após a chegada do granel ao porto, portanto, após o corte temporal previsto no AVA/GATT e na própria legislação brasileira. Acrescenta, na mesma linha, que o ato de descarregar estaria totalmente dissociado do transporte internacional; g) No que se refere ao alegado erro na determinação da base de cálculo, sustenta que a própria fiscalização teria reconhecido em trecho do relatório fiscal que as despesas com transporte do granel no terminal portuário para posterior embarque da mercadoria em vagões ferroviários não integraria o valor aduaneiro. Todavia, alega a impugnante que o valor constante das notas fiscais emitidas pela Vale S/A englobaria o conjunto dos serviços prestados (descarga, manuseio, transporte e embarque), sendo que não constaria dos autos informação que permitisse discriminar o custo de cada serviço isoladamente, de modo a apurarse corretamente as parcelas a serem efetivamente incluídas no valor aduaneiro; h) Na mesma linha, sustenta que, a despeito de as notas fiscais descreverem o serviço prestado como “descarga”, o contrato de prestação de serviços firmado deixa claro que seu objeto engloba a descarga, manuseio, transporte e embarque em vagões ferroviários. Restaria claro, ainda, segundo exemplos apresentados, que, multiplicandose o valor pactuado para tal conjunto de serviços pelo peso da carga manuseada, obterseia exatamente o valor constante das notas fiscais, donde se concluiria que tais notas não diriam respeito apenas ao serviço de descarga. A DRJ Recife julgou improcedente a impugnação mantendo o crédito tributário devido: Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, julgar IMPROCEDENTE a impugnação, MANTENDO INTEGRALMENTE o crédito tributário exigido. Vencido o julgador Zenaldo Loibman, que votou pela exclusão do valor do ICMS e das contribuições da base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme declaração de voto apresentada. Segundo a motivação da DRJ: (a) os valores incorridos com a descarga da mercadoria do veículo internacional no território nacional deverão ser incluídos no valor aduaneiro, o que engloba, evidentemente a movimentação no terminal onde se dará o despacho de importação, consoante a legislação que trata da matéria; (b) com relação ao segundo ponto questionado (de que o lançamento não segregou as parcelas que não deveriam ser incluídas no valor aduaneiro, quais sejam: manuseio, estoque e embarque ferroviário), o colegiado de 1º nível decidiu que os valores Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 921 5 determinados pela autoridade fiscal atenderam o procedimento do lançamento, pois: Não apenas a autuada não apresentou qualquer elemento que comprovasse a existência de ônus financeiro relativo ao embarque ferroviário da carga, e que demonstrasse que tal ônus estaria efetivamente computado no âmbito das notas fiscais apresentadas, as quais teriam descrito de forma imprópria os serviços prestados como mera operação de descarga, como também se furtou a apresentar meios que permitissem quantificar o montante que teria sido incorrido efetivamente com a descarga das mercadorias. Na realidade, pretendeu a autuada beneficiarse de sua própria falta, na medida em que alegou que, por não dispor da informação discriminada dos supostos outros custos suportados pela Usiminas no âmbitos das notas fiscais referentes a serviços de descarga, não poderia a autoridade administrativa adotar qualquer providência para ajustar a base de cálculo dos impostos. Evidentemente, caso desejasse, poderia a autuada requerer à Vale S/A a discriminação dos serviços e rateio proporcional dos respectivos custos, bem assim pleitear a apropriação proporcional do montante referente a cada um deles. (c) Não aceitou a argumentação da contribuinte que o lançamento seria nulo, em razão de erro na apuração da base de cálculo das contribuições. Que no RE 559937/RS, o Supremo Tribunal Federal declarara inconstitucional a expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, constante do inciso I do artigo 7o da Lei 10.865/2004, pois ultrapassou os limites do conceito de valor aduaneiro definido no âmbito do GATT. Os julgadores de 1º piso entenderam que, no âmbito da RFB, a aplicação administrativa de precedente judicial deverá ser levada a efeito nos termos do parágrafo 5° do art. 19 da Lei n° 10.522, de 2002, na redação que lhe foi dada pelo art. 21 da Lei n° 12.844, de 2013. E que por força do § 7° do art. 19 da Lei n° 10.522/02, cabia a autoridade lançadora, aplicar a legislação vigente à época do fato gerador, determinadose a base de cálculo das contribuições nos termos da Lei 10.865/04. E, mesmo que haja posteriormente o reconhecimento, no âmbito do Ministério da Fazenda, de que referida declaração de inconstitucionalidade produziria efeitos extunc, a consequência de tal entendimento seria a promoção de ajuste na base de cálculo das contribuições, excluindose as parcelas inconstitucionais, e não, como pretende a impugnante, a nulidade do lançamento. Também não acolheram o último questionamento, qual seja: de que o lançamento seria nulo, uma vez que a autoridade julgadora não disporia de dados que lhe permitisse aferir o montante exato a ser aditado à base de cálculo e, ainda que chegasse a calcular tal montante, não poderia proceder a qualquer ajuste na base de cálculo das contribuições lançadas. Em sua visão, os ajustes no valores exigidos seriam passíveis de correção e os eventuais erros não Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 922 6 estariam entre as causas de nulidade, e refutaram as razões postas pela contribuinte. A empresa apresentou recurso voluntário que foi submetido a julgamento no CARF, sendo convertido em diligência, Resolução nº 3401000.918, de 24 de fevereiro de 2016, conforme voto vencedor apresentado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan: Incontroversa, assim, a disciplina do custos de transporte por esteiras até o pátio da empresa, excluídos pela própria autuação, devendo recair o presente contencioso somente sobre os gastos efetivamente incorridos com descarga na moega alimentadora da correia transportadora. Diante da alegação da empresa de que o fisco teria computado também os serviços de "manuseio, estocagem e embarque em vagões ferroviários", a DRJ reconhece que no contrato apresentado, que tem por escopo serviços de descarga, manuseio, estocagem e embarque em vagões ferroviários, o valor dos serviços não é discriminado por tipo de operação. Na sequência, com base no Anexo I do mesmo contrato, verifica a gratuidade da estocagem, em geral. E passa a reconhecer a DRJ que, entre os quatro serviços presentes no contrato, deveriam ser incluídos no valor aduaneiro os dois primeiros, "descarga e manuseio" (fl. 699), sendo o terceiro (estocagem) irrelevante para a análise da autuação, e, o quarto (embarque das mercadorias nos vagões ferroviários), que faria parte, presumivelmente de outro contrato. Nas palavras do julgador de piso: "Nesse trilhar, há que se reconhecer, outrossim, que dentre os quatro serviços elencados no contrato, os dois primeiros, descarga e manuseio devem ser incluídos no valor aduaneiro. O terceiro, estocagem, como visto, não seria cobrado, ou seria cobrado em separado, não produzindo qualquer impacto sobre a autuação que se analisa. Assim sendo, poderia restar dúvida apenas quanto ao custo cobrado pelo embarque da mercadoria nos vagões ferroviários da própria Vale. O serviço de transporte propriamente dito faria parte, presumivemente, de outro contrato com a própria empresa." A dúvida do julgador de piso, sobre estarem incluídos (ou não) os quatro serviços citados nos custos de descarga indicados nas notas fiscais da VALE S.A., ainda que a DRJ tenha resolvido a questão por carência probatória a cargo da defesa, foi primordial para que esta turma de julgamento do CARF, diante da mesma dúvida, optasse por solicitar maiores esclarecimentos à unidade preparadora. Como o relatório fiscal anexo à autuação expressamente menciona que "o serviço de transporte do carvão por esteiras até o pátio da empresa ficaria excluído" do valor aduaneiro, e não pode o julgamento de piso ampliar unilateralmente o universo da autuação, é necessário que a unidade local diligencie para verificar, junto à prestadora dos serviços, se o termo "descarga", utilizado nas notas fiscais apresentadas, tem a mesma abrangência que lhe dá o fisco, à fl. 158: "a descarga é realizada por meio de descarregador instalado no píer, que se movimenta sobre trilhos ao logo dos cais de atracação do navio e Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 923 7 retira o carvão do porão do navio por meio de caçamba e o descarrega na moega alimentadora da correia transportadora". Em outras palavras, deve verificar a unidade preparadora se o termo "descarga", nas notas fiscais emitidas pela VALE S.A., abarca ainda as operações de "manuseio, estocagem e embarque em vagões ferroviários". Caso positivo, deve a unidade local, com critérios objetivos, e contando com a colaboração da prestadora de serviços, discernir a parcela referente a cada um dos quatro serviços, em tais notas fiscais. E, para possibilitar a plena visualização dos fatos por parte deste colegiado julgador, diante das já conhecidas diferenças de posicionamento, na turma, em relação à questão de direito envolvida, solicitase, ainda, que as despesas com o transporte nas correias (que a recorrente e a DRJ parecem enquadrar em "manuseio") seja segregada, também com base em critérios objetivos, em duas parcelas: aquelas incorridas dentro da zona primária e aquelas incorridas a partir da transposição para a zona secundária. No intuito de atender a solicitação expressa na diligência determinada pelo CARF, a unidade local intimou a empresa VALE AS, prestadora dos serviços, a prestar informações e apresentar documentos, em 20/06/2016, Termo de Intimação nº N.º 0615100.2016.000570: Em relação a todas as notas fiscais de prestação de serviço relativas à descarga de mercadoria de veículo internacional no território nacional, emitidas no período de 01 de maio de 2008 a 31 de dezembro de 2011 para a empresa USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A USIMINAS, CNPJ 60.894.730/002582: 1) Relacionar as Notas Fiscais às Declarações de Importação registradas pela USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A USIMINAS, CNPJ 60.894.730/002582; 2) Informar se o termo "descarga", em notas fiscais emitidas pela VALE S.A., abarca ainda as operações de "manuseio, estocagem e embarque em vagões ferroviários” nos contratos de prestação do serviço mencionado, vigentes nos períodos indicados, firmados entre a VALE S/A e a USINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A USIMINAS ou outros documentos que comprovem os valores pactuados entre as partes; 3) Em caso de resposta afirmativa ao item anterior, informar as parcelas referentes a cada um dos quatro serviços, em tais notas fiscais; 4) Segregar os valores (despesas) correspondentes com o transporte nas correias em duas parcelas: aquelas incorridas dentro da zona primária e aquelas incorridas a partir da transposição para a zona secundária. E complementando a intimação em 04/09/2016 para: Em relação a pedido de esclarecimento da resposta ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – DILIGÊNCIA nº 0615100.2016.000570, item Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 924 8 4, informo que devem ser incluídos TODOS os terminais portuários em que houve a prestação de serviços mencionadas no referido Termo de Intimação (devendo ser considerado o primeiro em casa operação, caso haja mais de um terminal na mesma operação) no período de 01 de maio de 2008 a 31 de dezembro de 2011 . A empresa VALE SA apresenta em 01/08/2016 resposta a intimação nos seguintes termos, fls. 810 a 812 e 821: 1. Relacionar as Notas Fiscais às Declarações de Importação registrados pela Usiminas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A USIMINAS CNPJ: 60.894.730/002582. Resposta: A Vale S. A esclarece que de acordo o Art. 12 da Portaria 67, de 18 de junho de 2008 da Alfandega da Receita Federal do Brasil do Porto de Vitória ES (ALFA/IT), os documentos apresentados para ao Fiel Depositário retirada das Mercadorias são os transcritos abaixo. "...Art. 12. Para retiraras mercadorias do recinto alfandegado, o importador deverá apresentar ao depositário os seguintes documentos: via original do conhecimento de carga, ou de documento equivalente, como prova de posse ou de propriedade da mercadoria; comprovante do recolhimento do ICMS ou, se for o caso, comprovante de exoneração do pagamento do imposto; III Nota Fiscal de Entrada emitida em seu nome, ou documento equivalente, ressalvados os casos de dispensa previstos na legislação estadual; e, IV documentos de identificação da pessoa responsável pela retirada das mercadorias..." 2. Informar se o termo "descarga" em notas fiscais emitidas pela Vale S.A, abarca ainda as operações de "manuseio, estocagem, e embarque em vagões ferroviários" nos contratos de prestação de serviço mencionado, vigentes nos períodos indicados, firmados entre a Vale S.A, e a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A Usiminas ou outros documentos que comprovem os valores pactuados entre as partes; Resposta: É provável que o termo "descarga" tenha sido adotado na parametrização das notas fiscais emitidas pela Vale por limitação de caracteres. Não obstante, os serviços prestados abarcaram as operações mencionadas na intimação: manuseio, estocagem e embarque em vagões ferroviários. 3. Em caso de resposta afirmativa ao item anterior, informar as parcelas referentes a cada um dos quatro serviços em tais notas fiscais. 4. Segregar os valores (despesas) correspondentes com o transporte nas Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 925 9 correias em duas parcelas: aquelas incorridas dentro da zona primária e aquelas incorridas a partir da transposição para a zona secundária. Resposta: A Vale S.A solicita que seja informado o período bem como o Terminal Portuário do item 4 deste Termo de Intimação Fiscal. 4. Segregar os valores (despesas) correspondentes com o transporte nas correias em duas parcelas: aquelas incorridas dentro da zona primária e aquelas incorridas a partir da transposição para a zona secundária no período de 01 de maio de 2008 a 31 de dezembro de 2011. Resposta: A Vale esclarece que o terminal Praia Mole é uma zona primária e os valores médios das despesas totais(*1) incorridas nas correias transportadoras no período de 01 de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2011 constam abaixo no quadro.1 A empresa USIMINAS foi intimada e cientificada sobre o resultado da diligência, ou seja, resposta da VALE e apresentou informações, fls. 828 a 832: · a autoridade de lançamento havia definido que apenas a despesa de descarga (descarregador mecanizado por caçamba até a esteira) deveria compor a base do valor aduaneiro, e não as despesas com manuseio posteriores (o serviços de transporte por esteira); · a DRJ ampliou esse critério, incluindo as despesas com serviços de transporte por esteira; · "As respostas apresentadas pela VALE S/A demonstram que o i. Auditor Fiscal, de fato, considerou determinadas despesas na composição da base de cálculo do PIS/COFINS Importação que ele próprio já havia excluído em seu Relatório Fiscal. Rememorese que, para o i. Autuante, somente as despesas com a descarga da mercadoria é que devem compor a base de incidência dos tributos em destaque. E essas despesas representam cerca de 30% do valor unitário global cobrado pela VALE S/A da USIMINAS. · "Questão que deve ser enfrentada, nesse momento, é se pode o CARF retificar a base de cálculo do lançamento para dela excluir as despesas que, segundo próprio Fiscal Autuante, não deveriam ter sido incluídas. A resposta, à primeira vista parecer ser positiva, mas não é. Para que isso pudesse ser feito, era imprescindível que, por ocasião do lançamento, o i. Auditor Fiscal tivesse diligenciado junto à VALE S/A para obter as respostas necessárias e os documentos que suportaram a constituição do crédito tributário. Como isso não foi feito, a diligência determinada pela Turma Julgadora não tem força suficiente para reabrir o processo fiscalizatório: vejam os i. Julgadores que a VALE S/A se limitou a informar os percentuais que compõem cada serviço prestado, sem apresentar um único documento que suportasse suas alegações. Sem uma Auditoria Fiscal profunda que deveria ter sido feita a tempo e modo próprios o crédito tributário acabou sendo Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 926 10 constituído e acabará sendo constituído, caso essa Turma Julgadora opte por retificar a base de cálculo sobre valores informados por particular e que não foram submetidos a uma efetiva fiscalização, o que compromete o direito ao contraditório e à ampla defesa da Peticionante. Retornando ao CARF o processo foi novamente convertido em diligência, Resolução nº 3401001.170, de 23 de maio de 2017: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter novamente o julgamento em diligência, para que seja atendido, de fato, o demandado na conversão anterior, por parte da unidade local da RFB, devendo tal unidade efetivamente discernir a parcela referente a cada um dos quatro serviços, em relatório de sua lavra, e não simplesmente repassar informações constantes de respostas a intimações, o que implica a checagem pela RFB da fidedignidade das informações prestadas pela colaboradora e pela recorrente, no que se refere aos percentuais, a serem devidamente justificados, inclusive no que tange a eventual gratuidade de serviços. Em resposta a segunda diligência a unidade local expediu a informação fiscal, fls. 877 a 880, onde relata que abriu procedimento fiscal de diligência junto a prestadora de serviços, intimandoa em 24/10/2017 a: 1) Em relação às informações fornecidas anteriormente por atendimento ao item 3 do Termo de Intimação FiscalDiligência nº 0615100.2016.000570 reproduzidas abaixo, apresentar os subitens a, b, c e d : a) Planilha de composição de custos e formação de preços para os valores cobrados pelo Contrato nº SR 0592/09, celebrado entre Usiminas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A e Vale S/A, para confirmação das informações anteriomente enviadas (acima) ; b) Laudo Técnico, corroborando os percentuais informados e demonstrando os critérios utilizados para definição dos custos e valores cobrados. Referido documento deverá ser apresentado em papel timbrado e assinado pelo representante legal do contribuinte e emitido por profissional responsável, com sua identificação e o número do registro no conselho regional a que pertencer ou por entidade reconhecida pelo respectivo Conselho Regional; c) Demais documentos de controle de custos emitidos que embasaram a determinação do contrato de prestação de serviços mencionado; d) Outras informações que considerar pertinentes para o deslinde da questão.” Após diversos pedidos de postergação de prazo para cumprir a diligência a empresa informa que os documentos foram entregues à época da fiscalização e que não logrou êxito em obter documentos complementares além dos já fornecidos, e que não é mais obrigada a manter a guarda de documentos fiscais e contáveis referentes a operações ocorridas entre Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 927 11 01/05/2008 a 31/12/2011, pois já transcorrido o prazo prescricional, nos ternos dos arts. 173 a 195 do CTN. A unidade local conclui, assinada por três Auditoresfiscais, que de fato a empresa não está mais obrigada a manter a guarda dos documentos, e que a fiscalização foi efetuada em desfavor da USIMINAS e não em desfavor da diligenciada. A Resolução nº 3401001.170 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária solicita apuração de fatos relativos a operações ocorridas entre 01/05/2008 e 31/12/2011. Ora, para o levantamento e aferição solicitados, há necessidade de exame de documentos e informações os quais o diligenciado declarou não ter mais. A ação fiscal aberta para o atendimento da Resolução só poderia ter sido exitosa com a apresentação de tais elementos. Isso porque a fiscalização não pode realizar uma auditoria de custos sem os mesmos e muito menos arbitrar a política de formação de preços de serviços prestados pela VALE para fatos geradores já decaídos. Após intimada sobre o resultado da diligência a empresa USIMINAS apresenta alegações, onde após síntese dos fatos reprova a conduta da empresa VALE e da Auditora Fiscal: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 928 12 Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 929 13 Após a conclusão da diligência o processo retornou ao CARF para prosseguimento do julgamento, e por o Conselheiro Relator original não mais compor o colegiado o processo foi resorteado, sendo designada a atual relatora. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora Preliminarmente é preciso analisar se a diligência foi cumprida a contento, tenho para mim que não foi. Conforme palavras do relator anterior na segunda diligência solicitada A solicitação feita pelo Colegiado na Resolução foi de compreensão meridiana. Não pairam dúvidas da leitura das duas determinações do CARF que a diligência estava a cargo da Unidade Local, e em nenhum momento falouse em restringir o cumprimento da intimação ao prestador de serviços. Entendo que a resposta fornecida pela unidade local na Informação Fiscal não atendeu ao solicitado pelo CARF, e não houve empenho no cumprimento do que foi determinado: A Resolução nº 3401001.170 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária solicita apuração de fatos relativos a operações ocorridas entre 01/05/2008 e 31/12/2011. Ora, para o levantamento e aferição solicitados, há necessidade de exame de documentos e informações os quais o diligenciado declarou não ter mais. A ação fiscal aberta para o atendimento da Resolução só poderia ter sido exitosa com a apresentação de tais elementos. Isso porque a fiscalização não pode realizar uma auditoria de custos sem os mesmos e muito menos arbitrar a política de formação de preços de serviços prestados pela VALE para fatos geradores já decaídos. Tanto é assim que a própria recorrente apresenta alegações demonstrando a falha no cumprimento da diligência, inclusive apresentando sugestões de como essa poderia ser efetuada: Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 930 14 Apesar de ir contra os ditames do processo administrativo, que apregoa o princípio a economia processual, entendo que a diligência deve ser efetuada quantas vezes seja necessária para a busca da verdade material e esclarecimento dos fatos, propiciando meios para a ampla defesa dos contribuintes. Sem me alongar tecendo comentários sobre as competências exclusivas de cada órgão que compõem o Ministério da Fazenda, que constam dos respectivos Regimentos Internos, e para que não ocorram imputações indevidas aos contribuintes, voto pela conversão novamente em diligência para a Unidade Local, cumpra o que foi determinado nas duas diligências anteriores, em especial para: 1 quantificar o custo cobrado pelo embarque da mercadoria nos vagões ferroviários da própria Vale, se esse custo de fato foi cobrado ou se como no caso do serviço de estocagem existe uma gratuidade; 2 apresentar relatório de sua lavra, discernindo a parcela referente a cada um dos quatro serviços, checando a fidedignidade das informações prestadas pelas duas empresas, autuada e prestadora de serviços, e devidamente justificados, inclusive no que tange a eventual gratuidade de serviços; 3 intimar a empresa autuada para apresentar relatório em que constem as informações solicitadas nos itens 1 e 2, e também para apresentar relatório em que demonstre a recomposição dos custos conforme por ela sugerido: Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10611.721712/201354 Resolução nº 3401001.800 S3C4T1 Fl. 931 15 4 intimar a empresa prestadora de serviços para que apresente documentos e informações que permitam o cumprimento dos itens anteriores. Por fim, informo que é facultado, tanto à unidade local, quanto às empresas citadas, a solicitação de audiência ao CARF para que sejam esclarecidos pontos controversos ou obscuros no determinado pela diligência. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 931DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.721260/2017-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão 0741.165 – 3ª Turma da DRJ/FNS, complementandoo ao final: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 21 26 0/ 20 17 -3 6 Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10980.721260/201736 Resolução nº 1302000.693 S1C3T2 Fl. 2.888 2 “Trata o presente processo de exigências mediante autos de infração de IRPJ e CSLL apuradas sob as regras do lucro real anual, referentes aos anoscalendário de 2012 e 2013, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora, e multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, totalizando R$ 2.294.470.681,40 (fls. 1594 a 1653). O lançamento se refere a (I) exclusões indevidas de variações monetárias ativas na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (II) insuficiência de recolhimento pela ausência de comprovação das retenções/antecipações de IRPJ e CSLL; (III) multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada. A autoridade fiscal relata que no curso da ação fiscal a contribuinte foi intimada a apresentar livros e documentos fiscais e a prestar esclarecimentos sobre as exclusões das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL informadas nas DIPJ dos anoscalendário de 2012 e 2013, a apresentar os comprovantes de pagamentos dos valores apurados a título de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, referentes ao mês de março de 2012, e a comprovar o valor declarado como CSLL retida na fonte. Em resposta, a Inepar informou que as exclusões se referem a valores contabilizados como receitas de atualização monetárias de Títulos da Dívida Pública Externa, em discussão judicial, em que se pretende o reconhecimento quanto à validade e utilidade desses títulos na compensação de tributos federais, objeto da ação por ela proposta em face da União e do Estado do Rio de Janeiro (processo n° 18890.55.2010.4.01.3400 21a. Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal). Alega que considerando a resistência da União em reconhecer a validade dos aludidos títulos e também o fato de que as demandas judiciais em que são discutidos vêm sendo julgadas desfavoravelmente aos seus titulares, o que tornaria incerta a existência de qualquer rendimento com os ativos, a empresa mantém o controle contábil de sua correção monetária mas exclui os valores correspondentes da base de apuração do IRPJ e da CSLL. Quanto às estimativas mensais de IRPJ e CSLL, referentes ao mês de março de 2012, esclarece que elas constaram na DIPJ e foram declaradas em DCTF mas que não houve o pagamento, pois não seriam devidas, por terem origem em suposta receita auferida de R$ 608.734.000,00 com a alienação da participação outrora detida na Companhia Brasileira de Diques (CBD), que fora indevidamente considerada na composição dos valores declarados. Advoga que parte significativa dessa receita (R$ 479.836.540,80) nunca existiu, pois estaria vinculada ao recebimento dos Títulos da Dívida Pública. Quanto à parcela residual do preço(R$ 128.897.459,15), esclarece que foi recebida mediante compensação com crédito detido pela Inepar S/A Indústria e Construções com a ora fiscalizada. O auditorfiscal entendeu que "não há previsão legal para excluir da apuração do lucro real o valor de R$ 479.836.540,80 recebidos em títulos da dívida pública federal como quer o contribuinte. Há um contrato de compra e venda das 288.856 ações da Companhia Brasileira de Diques em que o contribuinte as transferem para a Inepar S/A Indústria e Construções mediante o recebimento do valor acertado de R$ 608.734.000,00 (fls. 81 a 84), sendo que no item 1.1 da cláusula primeira diz que a transferência das ações se dá em caráter irrevogavelmente e irretratável. No item Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 10980.721260/201736 Resolução nº 1302000.693 S1C3T2 Fl. 2.889 3 2.4 da cláusula segunda diz que as ações, a partir da data da celebração do contrato, é de propriedade da Inepar S/A Indústria e Construções e os títulos da dívida externa federal é de propriedade do contribuinte, ou seja, houve a efetiva transferência destes títulos para o contribuinte, sendo ela a atual proprietária destes títulos". A autoridade fiscal concluiu não haver previsão legal também para se excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as receitas contabilizadas de variações monetárias ativas, dos anoscalendário de 2012 (R$ 929.253.167,44) e 2013 (R$ 1.319.555.274,44), referentes aos Títulos da Dívida Pública Federal Externa objeto de discussão judicial. Verificouse ainda que a contribuinte deduziu indevidamente na DIPJ, no ajuste anual, as estimativas mensais de IRPJ (R$ 85.643.993,00) e CSLL (R$ 30.833.997,48) referentes ao mês de março de 2012, as quais foram declaradas em DCTF mas não foram pagas/compensadas. Em vista disso, tais valores foram excluídos pela fiscalização na apuração do IRPJ e da CSLL a pagar do anocalendário de 2012. A empresa informou na DIPJ do anocalendário de 2012 a CSLL retida na fonte de R$ 16.740,00, sendo. Que somente uma parte desse montante (R$. 600.00) é de CSLL, pois a diferença (R$ 13.140,00) se refere ao PIS e à Cofins. Em função dos fatos relatados foi realizado o lançamento do IRPJ e da CSLL, acrescidos de juros e multa de oficio de 75%, e multa isolada de 50% pela falta de pagamento das estimativas mensais, referentes aos anoscalendário de 2012 e 2013, compensandose o prejuízo fiscal de R$ 187.228.098,85 e a base de cálculo negativa de CSLL de R$ 241.723.742,64. Inconformada com os lançamentos, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1665 a 1674) alegando que teria ocorrido equívoco da autoridade fiscal, pois ela não excluiu da apuração do lucro real o valor de R$ 479.836.540,80 decorrente da venda das ações da CBD mediante o recebimento em Títulos da Dívida Pública. Informa que declarou o valor devido em decorrência da venda das ações da empresa CBD.") (estimativa mensal de, R$ 85.643.993,00 IRPJ e R$ 30.833.997,48 CSLL), não havendo que se falar em lançamento de ofício do crédito tributário com a multa de 75%. Argumenta que os valores de R$ 929.253.167,44 e R$ 1.319.555.274,44, excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2012 e 2013, são provenientes da atualização monetária de Títulos da Dívida Pública Federal Externa, objeto de ações judiciais, através das quais a impugnante pretendeu a compensação de débitos tributários, mas que não obteve êxito, pois a sentença não reconheceu os valores e a liquidez dos referidos títulos, que estariam prescritos. O não reconhecimento de validade e liquidez dos títulos, bem como o reconhecimento da prescrição dos mesmos, teria sido o fundamento para a exclusão da variação monetária ativa dos títulos da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Alega que "em momento algum foi omitido qualquer valor, não havendo o que justifique a imposição de multa isolada de 50%, por não haver mais previsão legal, nem a multa de lançamento de oficio de 75%, por já ter havido a correspondente declaração, não podendo qualquer dessas multas, no presente caso, ser exigidas". Advoga também a impossibilidade de se acumular a multa de ofício (75%) com a multa isolada (50%) sobre o valor do IRPJ e da CSLL. Cita jurisprudência do CARF. Quando do julgamento do caso em deslinde, a DRJ proferiu decisão nos seguintes termos: Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10980.721260/201736 Resolução nº 1302000.693 S1C3T2 Fl. 2.890 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. TRIBUTAÇÃO. A teor do artigo 375 do RIR/99, as variações monetárias ativas, em função de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, sobre direitos de crédito pactuados pelo contribuinte, devem ser reconhecidas pelo regime de competência. Somente poderão ser excluídos do lucro líquido na apuração do lucro real os valores expressamente previstos na legislação do imposto de renda. Tendo sido comprovado que foram efetuadas exclusões indevidas, deve ser mantida a autuação. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IMPOSTO DE RENDA DECLARADAS E NÃO PAGAS DEDUÇÃO NO AJUSTE ANUAL IMPOSSIBILIDADE. Não podem ser deduzidas na apuração do IRPJ A PAGAR, na apuração anual, as estimativas mensais que não forem pagas/compensadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). MULTA DE OFÍCIO DE 75% FALTA DE PAGAMENTO Nos casos de falta de pagamento, o tributo lançado de ofício será acompanhado, em regra, de multa de 75%, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo não recolhido. MULTA ISOLADA DE 50%. ANOCALENDÁRIO ENCERRADO. A lei determina a imposição de multa isolada de 50% sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL após encerrado o anocalendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, no regime do lucro real anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os principais argumentos lançados pela DRJ para manter em parte a autuação foram os seguintes: Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10980.721260/201736 Resolução nº 1302000.693 S1C3T2 Fl. 2.891 5 Os principais argumentos lançados pela DRJ para manter em parte a autuação foram os seguintes: DAS RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DAS AÇÕES DA CBD PELA INEPAR A autoridade fiscal constatou que as estimativas mensais de IRPJ (R$ 85.643.993,00) e CSLL (R$ 30.833.997,48), referentes ao mês de março de 2012, informadas em DIPJ e DCTF não foram pagas/compensadas. A contribuinte informou à fiscalização que tais estimativas seriam indevidas, por terem origem em suposta receita auferida de R$ 608.734.000,00 com a alienação da participação outrora detida na Companhia Brasileira de Diques (CBD), que fora indevidamente considerada na composição dos valores declarados. Alegou que parte significativa dessa receita (R$ 479.836.540,80) nunca existiu, pois estaria vinculada ao recebimento dos Títulos da Dívida Pública. Quanto à parcela residual do preço (R$ 128.897.459,15), esclareceu que foi recebida mediante compensação com crédito detido pela Inepar S/A Indústria e Construções com a ora fiscalizada. Como se pode verificar, não foi realizado lançamento mediante auto de infração por omissão de receitas/exclusões indevidas das bases de cálculo do IRPJ (e também da CSLL fls. 1632 a 1646) decorrentes da venda das ações da CBD. O que houve foi o lançamento do valor de R$ 85.643.993,00 de IRPJ e R$ 30.833.991,48 de CSLL que foram informados indevidamente como dedução na DIPJ na apuração do IRPJ A PAGAR e da CSLL A PAGAR, no ajuste anual, conforme Fichas a seguir da DIPJ (fls.1335 a 1380), por não haver o pagamento de tais montantes e somente as estimativas efetivamente pagas/compensadas podem ser deduzidas: Nesse contexto, compulsandose os documentos juntados aos autos, constatou se um pagamento com DARF de estimativa mensal de março de 2012 de R$ 13,00 de IRPJ e outro de R$ 17,48 de CSLL, os quais foram declarados na DCTF (fls. 141, 145, 148 e 151). Tais estimativas mensais efetivamente pagas poderão ser deduzidas, portanto, no cálculo do valor devido no ajuste anual na DIPJ. DAS EXCLUSÕES DAS RECEITAS DE VARIACÃO MONETÁRIA ATIVA DAS BASES DE CALCULO DO IRPJ E DA CSLL Conforme relatado, a autoridade fiscal verificou que a pessoa jurídica contabilizou e informou nas DIPJ receitas de variação monetária ativa nos anoscalendário de 2012 (R$ 929.253.167,44) e 2013 (R$ 1.319.555.274,44), mas excluiu indevidamente tais montantes na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sob a alegação de serem decorrentes de Títulos da Dívida Pública Federal Externa, objeto de discussão judicial. A impugnante, por sua vez, argumenta que os valores de R$ 929.253.167,44 e R$ 1.319.555.274,44, excluídos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2012 e 2013, são provenientes da atualização monetária de Títulos da Dívida Pública Federal Externa, objeto de ações judiciais, através das quais se pretendeu a compensação de débitos tributários, mas que não obteve êxito, pois a sentença não reconheceu os valores e a liquidez dos referidos títulos, que estariam prescritos. Alega que a empresa mantém o controle Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10980.721260/201736 Resolução nº 1302000.693 S1C3T2 Fl. 2.892 6 contábil da variação monetária mas exclui os valores correspondentes da base de apuração do IRPJ e da CSLL. A atualização dos créditos ou direitos por ocasião do encerramento do período de apuração do lucro não é uma faculdade do contribuinte. Tratase de obrigação porque o art. 375 do RIR/99 usa a expressão “deverão ser incluídas “na determinação do lucro operacional, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias ativas em função de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual. No caso dos autos, ressaltese que ainda não transitou em julgado a Sentença proferida no processo n° 18890.55.2010.4.01.3400, que acolheu a prejudicial de mérito de prescrição e julgou extinto o processo com resolução de mérito, nos termos do artigo 487, II, do CPC, pela prescrição dos títulos das dívidas públicas emitidos pelo Estado do Rio de Janeiro no ano de 1927. Dessa forma, por expressa previsão legal, temse a obrigatoriedade de adoção do regime de competência para o reconhecimento no lucro tributável das pessoas jurídicas decorrente das variações monetárias ativas, não havendo possibilidade de se excluir do lucro real e da base de cálculo da CSLL da impugnante, apesar da difícil ou duvidosa liquidação do título objeto de ação judicial. DA MULTA DE OFÍCIO DE 75% A Inepar questiona a multa de ofício aplicada de 75%, "por já ter havido a correspondente declaração". Em atenção aos argumentos aduzidos pela impugnante, cumpre apenas dizer que as penalidades exigidas pela autoridade fiscal decorrem de expressa previsão legal e incidiram exatamente sobre as diferenças de IRPJ e CSLL pagas/declaradas a menor em decorrência das infrações anteriormente analisadas. DA MULTA ISOLADA DE 50% PELA FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL Em face da exclusão indevida das receitas de variação monetária ativa das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a autoridade autuante refez a apuração mensal, exigida peia lei na sistemática do lucro real anual, e constatou a falta de recolhimento das estimativas em todos os meses dos anoscalendário de 2012 e 2013. Como visto, a determinação legal de imposição da multa de oficio, aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no anocalendário correspondente. Portanto, inexiste a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, apontada pela impugnante. De modo que, restando claro que as referidas multas não têm a mesma hipótese de incidência, não há nada que impeça a imposição concomitante da multa isolada e da multa de ofício proporcional. Em decisão mais recente, a Câmera Superior de Recursos Fiscais (CSRF) prolatou Acórdão em que admite a cumulação de multa isolada e de oficio em lançamentos contra o contribuinte, para fatos geradores posteriores a 2007, revertendo a posição anterior constante na Súmula n° 105 do CARF. Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10980.721260/201736 Resolução nº 1302000.693 S1C3T2 Fl. 2.893 7 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls.1803 e segs.), alegando, em síntese: (a) não houve exclusão indevida da receita auferida na alienação das ações da COMPANHIA BRASILEIRA DE DIQUES(CBD), tendo em vista que ofereceu à tributação a referida receita; (b) foi correta a exclusão das receitas provenientes de variação monetária ativa, relativas às atualizações de títulos da dívida pública federal externa; (c) não seria possível a exigência de multa isolada e de multa de ofício, uma vez que a contribuinte declarou os tributos devidos em DCTF; e (d) não seria possível aplicar a multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício. Entretanto,não merecem prosperar as alegações da recorrente. A PGFN apresentou contrarrazões, fls. 1823 e segs dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O recurso é tempestivo, posto que a ciência do contribuinte ter ocorrido em 31/01/2018, e o recurso interposto em 02/03/2018. Portanto, dele conheço. Conforme descrito no relatório quando do relato da infração IRPJ e CSLL Compensados Indevidamente como Pagos por Estimativa, a recorrente alienou as ações que detinha na CBD e recebeu, como parte do pagamento, o montante de R$ 479.836.540,90 em títulos da dívida pública federal externa. Ela sustenta que houve erro, por parte da autoridade fiscal, ao analisar os efeitos fiscais desta operação. Isso porque, segundo a contribuinte, a Fiscalização teria entendido que o valor de R$ 479.836.540,90 – correspondente ao pagamento via TDPs – teria sido excluído da apuração do IRPJ e da CSLL. Inicialmente, cumpre lembrar que a infração constatada pela autoridade fiscal diz respeito ao aproveitamento dos valores registrados como estimativas de IRPJ e CSLL, referentes ao mês de março de 2012, para fins de redução do montante de IRPJ e CSLL a pagar apurados na DIPJ 2013. Notadamente, a Fiscalização relata o fato de os créditos fiscais relativos a essas estimativas terem sido reconhecidos em DCTF, mas não haver provas de sua quitação. Aliás, a própria contribuinte confessa que a situação da DCTF se encontra “em aberto”, perante a RFB. Não obstante, a contribuinte utilizou os valores de IRPJ e CSLL declarados em DCTF não quitadas como elementos redutores do IRPJ e da CSLL a pagar, na DIPJ 2013. Percebese, claramente que a acusação fiscal diz respeito à dedução indevida de valores de estimativas de IPRJ e CSLL do valor a pagar dos respectivos tributos, apurados na DIPJ, tendo por fundamento a ausência de comprovação da quitação das referidas estimativas. Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10980.721260/201736 Resolução nº 1302000.693 S1C3T2 Fl. 2.894 8 Basta examinar atentamente o Termo de Verificação Fiscal (fls.1594 e segs) e o Auto de Infração (1615 e segs) para que fique clara a infração imputada à contribuinte, Em sede de recurso voluntário, a recorrente afirma que declarou o valor devido em decorrência da venda das ações da empresa CBD, informando em DCTF as estimativas de IRPJ e CSLL no valor de R$ 85.643.993,00 e R$ 30.833.997,48, respectivamente, não havendo que se falar em lançamento de ofício do crédito tributário, com aplicação de multa no importe de 75%, motivo pelo qual requer o provimento do presente recurso voluntário, a fim de que sejam cancelados os autos de infrações constantes do presente processo administrativo, sendo excluídos os lançamentos de ofício referentes aos valores decorrentes da venda das ações da empresa CBD. Portanto, como neste julgamento não se entende adequado tomar decisões que invistam contra o direito de liberdade e direito de propriedade dos contribuintes à partir de premissas que se apresentam obscuras, mas que podem ser esclarecidas. A quantificação correta dos valores recolhidos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de IRPJ e CSLL, tem efeitos diretos na análise da infração acima enumerada (IRPJ e CSLL Compensados Indevidamente como Pagos por Estimativa). Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Curitiba/Paraná), para que: a) informese, dos totais de IRPJ e CSLL declarados pelo sujeito passivo como pagos a título de estimativa (linhas 20 da Ficha 12A e linha 84 da Ficha 17 da DIPJ relativa ao anocalendário de 2012), quais os montantes que foram objeto de pagamento, Declaração de Compensação (DComp), parcelamento e/ou declarados em DCTF do anocalendário de 2012; b) detalhese, para cada mês do referido anocalendário, o desfecho de cada uma das DComp eventualmente apresentadas, parcelamento eventualmente formalizados, e situação dos valores informados em DCTF (se estão em cobrança na RFB e/ou se encontramse inscritos em dívida ativa) com indicação do número do processo administrativo correspondente; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado para continuação do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1862DF CARF MF
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