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Numero do processo: 13819.723072/2013-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .7 23 07 2/ 20 13 -8 9 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13819.723072/201389 Resolução nº 2301000.589 S2C3T1 Fl. 53 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0253.013, da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, f. 21 25, no qual foi julgada improcedente a impugnação à Notificação de Lançamento n° 2009/875396278360982, fls. 510. A exigência decorre de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), incidente no exercício 2009, com base nos seguintes fundamentos de fato e de direito: 1) omissão de rendimentos de dependente recebidos de pessoa jurídica: Constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica no valor de R$10.193,37 pela dependente de CPF 333.251.35838 de titularidade de Paula Cristina Bento conforme DIRF apresentada pela empresa ORKLI do Brasil Indústria de Controles para Eletrodomésticos. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 20,46. 2) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de Ação da Justiça Federal: Constatouse omissão de rendimentos da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos Sistemas de Secretaria da Receita Federal do Brasil no valor de R$ 260.141,24 conforme DIRF apresentada pela Caixa Econômica Federal. Na apuração do imposto devido foi compensado o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 7.804,24. Esclarece o auditor que houve inclusão de R$ 120.505,24 referente ao valor do levantamento do Depósito Judicial junto a Caixa Econômica Federal conforme DIRF daquela instituição financeira, relativa ao depósito efetuado pelo INSS na Ação Revisional de Benefício Previdenciário, declarado a menor pelo interessado (declarado como tendo recebido do INSS o valor de R$139.636,00, CNPJ 29.979.036/0001 40). 3) Glosa de compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 7.804,24. Esclarece o auditor fiscal que foi excluído o valor de R$ 7.804,24 tendo em vista que consta de DIRF apresentada pela Caixa Econômica Federal e não pelo INSS. O contribuinte impugnou parcialmente o lançamento, solicitando a dedução dos valores de honorários advocatícios pagos conforme documentos juntados ao Termo de Atendimento nº 2009/100000149783. A impugnação foi julgada improcedente, nos termos da ementa a seguir transcrita: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13819.723072/201389 Resolução nº 2301000.589 S2C3T1 Fl. 54 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 AÇÃO JUDICIAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Submetemse ao ajuste anual todos os rendimentos oriundos da ação judicial que não sejam isentos ou de tributação exclusiva, observadas as deduções permitidas em lei. DEDUÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO. O pleito de dedução, em relação aos rendimentos recebidos, do valor de honorários advocatícios e outras despesas com a ação judicial não deve ser acatado, na medida em que não houve comprovação destes pagamentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O crédito tributário não contestado foi transferido para o processo nº 13819.723239/201310, conforme cálculo juntado a fl. 16. O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância em 10/02/2014, fls. 2728, segundafeira, de modo que o prazo para apresentação de recurso teve início em 11/02/2014, encerrandose em 12/03/2014. Em 10/03/2014 houve interposição de recurso, fls. 3034, no qual o contribuinte argumenta que apresentou os recibos de pagamento de honorários advocatícios no valor de R$ 78.042,37, conforme "termo de atendimento nº 2009/100000149783", fls. 34. Requer a retificação do lançamento mediante dedução dos honorários advocatícios da base de cálculo do tributo lançado. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13819.723072/201389 Resolução nº 2301000.589 S2C3T1 Fl. 55 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por constatar que atende os requisitos de admissibilidade. Rendimentos Recebidos Acumuladamente. Período até Anobase 2009. Decisão do Supremo Tribunal Federal com Repercussão Geral Reconhecida. Honorários Advocatícios O STF entendeu ser contrária à Constituição a interpretação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que lhe dê o sentido de se calcular o tributo pelo valor total percebido em atraso, de forma acumulada, no mês do recebimento ou crédito do valor, mediante a aplicação da tabela mensal respectiva (regime de caixa), pois essa interpretação contraria os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Por conseguinte, o STF decidiu que é constitucional a forma de cálculo do tributo mediante utilização das tabelas e alíquotas vigentes à época em que as parcelas reconhecidas na decisão judicial eram devidas, conforme constou da ementa do acórdão. Assim, é possível concluir que se trata de decisão conforme à constituição sem redução do texto ou de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. De acordo com LAMMÊGO BULOS1, a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução do texto: (...) é a técnica decisória que possibilita à Corte Suprema excluir determinadas hipóteses de aplicação de um programa normativo. Sem empreender qualquer alteração gramatical dos textos legais, permite que o Supremo aplique uma lei, num determinado sentido, a fim de preservar a sua constitucionalidade. (p. 361362). Ainda sobre o tema: "A interpretação conforme é uma técnica de eliminação de uma interpretação desconforme" (STF, ADPF 54QO, voto vista do Min. Carlos Britto, em 27/04/2005). A adoção dessa técnica de decisão ficou clara na ementa do acórdão recorrido, confirmado no julgamento do RE em comento. O acórdão recorrido, originário da Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, acolheu em parte a arguição de inconstitucionalidade da regra insculpida no art. 12 da Lei 7.713/88, para afastar o regime de caixa, no caso concreto, declarando a inconstitucionalidade da referida norma sem redução de texto: “ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TRIBUTÁRIO. ART. 12 DA LEI N° 7.713/88. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IMPOSTO DE RENDA. RETENÇÃO NA FONTE. PERCEPÇÃO ACUMULADA. INCIDÊNCIA MENSAL. PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO. 1 LAMMÊGO BULOS, Uadi. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Ed. Saraiva, 2010. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13819.723072/201389 Resolução nº 2301000.589 S2C3T1 Fl. 56 5 1. Argüição de Inconstitucionalidade da regra insculpida no art. 12 da Lei n° 7.713/88 acolhida em parte, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, como na situação vertente, recebidos a menor pelo contribuinte em cada mês competência e cujo recolhimento de alíquota prevista em lei se dê mês a mês ou em menor período. 2. Incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência após somado este com o valor já pago, pena afronta aos princípios da isonomia e capacidade contributiva insculpidos na CF/88 e do critério da proporcionalidade que infirma a apuração do montante devido. Arts. 153, § 2°, I e 145, § 1°, da Carta Magna. 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. Considerada a norma hostilizada sem alteração da estrutura da expressão literal.” (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira).(grifei) A posição do STJ é no mesmo sentido, embora mediante simples interpretação do art. 12 da Lei 7.713/88: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429 SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) É possível afirmar, então, que a inconstitucionalidade declarada pelo STF alcançou somente a exegese que trata do cálculo do tributo pelo regime de caixa, mantendo incólume na ordem jurídica a íntegra do art. 12 da Lei 7.713/882: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem 2 "Sem alterar uma vírgura sequer da carta magna, o intérprete declara a inconstitucionalidade de algumas exegeses possíveis do texto legal, mantendo, assim, a lei ou ato normativo na ordem jurídica." ob.cit., fls. 361. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13819.723072/201389 Resolução nº 2301000.589 S2C3T1 Fl. 57 6 sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Vide Lei nº 8.134, de 1990) (Vide Lei nº 8.383, de 1991) (Vide Lei nº 8.848, de 1994) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) (Revogado pela Medida Provisória nº 670, de 2015) (Revogado pela Lei nº 13.149, de 2015) Em outras palavras, a inconstitucionalidade não alcançou quaisquer dos aspectos materiais da hipótese de incidência. Portanto, no período do lançamento (anobase 2009), estava vigente o art. 12 da Lei 7.713/88, e, por decorrência lógica, não está afastada a incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente com base no referido dispositivo legal, restando hígidos os aspectos material, temporal, subjetivo e quantitativo do fato gerador ali previstos, vale dizer, o aspecto temporal do fato gerador continua sendo o mês do recebimento ou crédito e a base de cálculo é o total dos rendimentos. Todavia, a declaração parcial de inconstitucionalidade atingiu a forma de cálculo do imposto, quando feita de modo global, o que é o caso dos autos. O lançamento em questão observou os aspectos material, temporal, subjetivo e quantitativo da hipótese de incidência, previstos no art. 12 da Lei 7.713/88, não havendo que se falar em nulidade, portanto. No sentido da validade do lançamento efetuado com base no art. 12 da Lei 7.713/88, e da possibilidade da revisão do valor do tributo para adequálo à interpretação do dispositivo pelo STF, menciono decisão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deste CARF, Acórdão nº 9202003.695, sessão de 27 de janeiro de 2016, relator Cons. Gerson Macedo Guerra, redator designado para redigir o voto vencedor, Cons. Heitor de Souza Lima Junior. Eis a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Todavia, não ficou comprovado que o rendimento omitido se refere a anos calendários anteriores ao do recebimento decorrente da ação judicial previdenciária, hipótese em que a forma de tributação do imposto deve ser adequada à interpretação do Supremo Tribunal Federal. Também não ficou comprovado o pagamento ao advogado que atuou no processo judicial, a título de honorários. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13819.723072/201389 Resolução nº 2301000.589 S2C3T1 Fl. 58 7 Conforme mencionado na decisão de primeira instância, o Processo nº 10010.018936/011318, disponível no eprocesso, referese ao Termo de Atendimento nº 2009/10000149783, que, por sua vez, contém os documentos apresentados pelo contribuinte em atendimento à intimação fiscal. O termo de recepção do requerimento nº 2009/10000149783, fls. 3 daqueles autos, indica que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo recepcionou dois documentos identificados como sendo "sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, atualização de cálculos, guia de levantamento, DARF do recolhimento do IRPF e recibos dos honorários advocatícios e/ou perícias". Entretanto, estão anexados àqueles autos, apenas os seguintes documentos: a) procuração outorgada pelo contribuinte a advogados em 02/02/1993, fls. 6; b) contrato de prestação de serviços profissionais celebrado entre o contribuinte e a advogada Maria Fernanda Ferrari Moyses em 15 de janeiro de 2008, tendo por objeto a proposição de ação revisional de benefício previdenciário contra o INSS, fls. 7; c) petições juntadas em ação judicial, Processo nº 2003.61.14.00.94.110, da 2ª Vara da Justiça Federal de São Bernardo do Campo (SP); d) sentença proferida no Processo nº 951/95, da 8ª Vara Civil da Comarca de São Bernardo do Campo, interposta contra o INSS, fls. 1011; e) tela de consulta extraía da internet ao processo nº 2003.61.14.00.94.110, da 2ª Vara da Justiça Federal de São Bernardo do Campo, fls. 13. Em síntese, em favo do Recorrente existe recibo de entrega de documentos essenciais para a solução do caso, mas esses documentos não estão à disposição dessa relatora, para serem apreciados. Diante do impasse, entendo que a melhor solução consiste em devolver os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo (SP) para intimar o contribuinte a apresentar ou reapresentar os seguintes documentos, relativos ao Processo nº nº 2003.61.14.00.94.110, da 2ª Vara da Justiça Federal de São Bernardo do Campo: sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, atualização de cálculos, guia de levantamento do autor da ação e do advogado, se houver, DARF do recolhimento do IRPF e recibos dos honorários advocatícios e/ou perícias. Conclusão Com base no exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 58DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 17883.000335/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/10/2008
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. LEI NOVA QUE CONCEDE ANISTIA À INFRAÇÃO. APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negavam provimento.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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FATOS GERADORES. Recorrente SCHWEITZER MAUDUIT DO BRASIL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/10/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. LEI NOVA QUE CONCEDE ANISTIA À INFRAÇÃO. APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negavam provimento. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 03 35 /2 00 8- 06 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000335/200806 Acórdão n.º 2202003.246 S2C2T2 Fl. 350 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal contempla o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.170.4952, CFL.68, que consiste em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração 07/2000 a 12/2003, conforme Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF, de fls. 42 a 47. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 10/08/2008, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 02. Contudo, verificase claramente que a data ali consignado pelo contribuinte está errada, pois o documento só foi emitido, em 07/10/2008, pelo fisco, assim, não pode ter sido assinado quase dois meses antes de sua emissão. Da análise conjunta dos demais elementos do autos verificase que, as fls. 52, consta o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF e esse está datado, de 08/10/2008, data essa que melhor espelha a realidade dos autos, devendo esta ser considerada para fins de notificação do lançamento. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 07/11/2008, conforme carimbo de recepção, as fls. 136, a defesa está acostada, as fls. 136 a 180, acompanhada dos documentos, de fls. 182 a 252. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 254. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1226.400 14ª Turma da DRJ/RJ1, datado, de 29/09/2009, fls. 258 a 282. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 08/10/2009, AR, fls. 288. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 290, recebida, em 09/11/2009, conforme carimbo de recepção, as fls. 290, com razões recursais, as fls. 292 a 330, acompanhado dos documentos, de fls. 332. As razões recursais não serão sumariadas, o que explicará no voto. O órgão preparador não se manifestou quanto à tempestividade do recurso, mas a indicou no despacho, de fls. 336. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 336. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000335/200806 Acórdão n.º 2202003.246 S2C2T2 Fl. 351 3 O sorteio e distribuição a esse conselheiro ocorreu, em 12/02/2015, Lote 06. É o Relatório. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000335/200806 Acórdão n.º 2202003.246 S2C2T2 Fl. 352 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Mérito. Todavia, antes da apresentação dos autos para julgamento o ordenamento jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigos 48 a 50, na data de publicação da citada lei. Ocorre que o artigo 49 citado e abaixo reproduzido dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32 – A, da Lei 8.212/91. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. O artigo 32 – A citado acima prevê as seguintes infrações, observese o texto legal transcrito. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 353DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000335/200806 Acórdão n.º 2202003.246 S2C2T2 Fl. 353 5 Da leitura do texto legal supramencionado verificase que três são as infrações possíveis: 1. apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas, caput do artigo 32 e parágrafo I; 2. deixar de apresentar GFIP, caput do artigo 32 e parágrafo II; 3. apresentar GFIP fora do prazo, caput do artigo 32 e parágrafo II; No caso vertente a recorrente foi autuada por ter praticado a conduta a seguir descrita: apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Com a entrada em vigor do artigo 32 – A como supramencionado, a infração passou a ter esse descrição: apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas. Observese que a diferença básica está na citação “dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. Ora evidente que se nem todos os dados referentes aos fatos geradores foram declarados é porque houve omissão em relação a alguns deles. Evidenciase, assim, que a infração anterior é idêntica a nova infração, mas apenas com uma outra roupagem e descrição. Desta forma, penso que a multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 – A e várias são as razões que me levam a essa conclusão. A uma, porque o artigo 108, I, da Lei 5.172/66 admite o empregado da analogia em matéria tributária, pois como diz o Supremo Tribunal Federal – STF, no AI 835.442 – RJ, 09/04/2013, R. Ministro Luiz Fux. 2. As transcrições revelam similaridade entre este caso e aquele que está com repercussão geral reconhecida. Aplicação das regras de hermenêutica jurídica segundo as quais: Ubi eadem ratio ibi idem jus (onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo direito) e Ubi eadem legis ratio ibi eadem dispositio Fl. 354DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000335/200806 Acórdão n.º 2202003.246 S2C2T2 Fl. 354 6 (onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir). A duas, porque o contribuinte não se defende do dispositivo legal infringido, mas sim da imputação, que a ele é feita e no caso como demonstrado a imputação é a mesma apenas o dispositivo legal é outro, observese. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO. ANULATÓRIA DE DÉBITO. MULTA. APELAÇÃO CONHECIDA PARCIALMENTE. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF'S. OMISSÃO. LANÇAMENTO DE DÉBITO. REGULARIDADE. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. ARTIGO 115 DO CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. VALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. 1. A apelação da autora merece ser conhecida apenas em parte, pois, veicula, em suas razões, questão dissociada do quanto decidido ao pugnar pela redução do valor da multa, assunto não ventilado no pedido inicial e que refoge aos limites da lide posta. 2. No caso dos autos, a ação foi ajuizada visando a obter a decretação de nulidade da NFLD que aplicou à autora multa pela falta de entrega de DCTF's, em dado período, bem como para determinar a devolução de qualquer valor indevidamente pago a esse título. 3. O CTN admite, no art. 115, que a lei pode estabelecer, no interesse da administração tributária, obrigações acessórias a serem cumpridas pelo contribuinte no sentido de praticar ou não condutas outras, além da obrigação principal, consistente no dever legal de recolher o tributo devido, uma vez ocorrido o fato gerador dessa obrigação. 4. Em face disso, o Decretolei nº 2.065/1983, no art. 11, impôs ao contribuinte a obrigação de informar ao Fisco, por meio de declaração constante de formulário padronizado, no caso, denominado de DCTF, quanto aos seus créditos ou débitos tributários, sob pena de sujeitarse à multa por informação inexata, incompleta ou omitida. 5. Na verdade, referido dever legal já decorria do disposto no Decretolei nº 1.968/1982, tendo, posteriormente, o Decretolei nº 2.124/1984, autorizado o ministro da Fazenda a eliminar ou instituir outras obrigações acessórias relativas a tributos federais. 6. Verifica se, pois, da breve remissão legislativa, que a DCTF não foi instituída por meio da Instrução Normativa nº 73/1994, ou qualquer outra subseqüente, pois, como não poderia deixar de ser, esta apenas baixou normas para esclarecer e orientar os contribuintes quanto ao preenchimento dos formulários com as informações a serem prestadas, inclusive por meio eletrônico. Assim sendo, resta claro que a obrigação de prestar informações ao Fisco, por meio das DCTF's, decorre de lei, não havendo falar em vulneração do princípio da legalidade. 7. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte Regional. 8. No caso dos autos, a notificação de lançamento, emitida em 23.09.1998, não registra vícios, falhas ou irregularidades, posto que a fiscalização foi minuciosa ao elencar as razões de fato e de direito que ensejaram a lavratura, inclusive com o demonstrativo da apuração do crédito tributário, estando suficientemente motivado a fim de possibilitar a defesa da autora, que não teve Fl. 355DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000335/200806 Acórdão n.º 2202003.246 S2C2T2 Fl. 355 7 dificuldade em impugnar a exigência, não havendo falar ofensa aos princípios da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, nem tampouco configurado qualquer prejuízo ao contribuinte. 9. Frisese, por relevante no caso, que a indicação da base legal da multa ainda que inadequada, incompleta ou até errônea, não invalida o lançamento quando os fatos estiverem devidamente narrados, pois o contribuinte se defende dos fatos e não da capitulação constante da autuação. Ademais, sequer exige fundamentação exaustiva quando restar claro, como no caso em tela, que a multa imposta decorreu do descumprimento da obrigação acessória consistente na entrega das declarações, portanto, aplicada dentro dos parâmetros legais. 10. Ademais, a autuação fiscal constituiuse em ato administrativo e este goza da presunção de legalidade e veracidade que somente pode ser afastada mediante prova robusta a cargo do administrado, e, no caso, não logrou este provar as suas alegações. 11. Em suma, a prestação de informações ao fisco por meio de DCTF's é dever legal, constituindose em obrigação acessória que, uma vez descumprida, sujeita os omissos ao pagamento de multa, impondose, pois, a manutenção da sentença que julgou improcedente o pedido. 12. Conheço em parte da apelação e na parte conhecida, negolhe provimento. AC 00022008319994036114 AC APELAÇÃO CÍVEL – 786915 JUIZ CONVOCADO VALDECI DOS SANTOS TRF3 TERCEIRA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:31/08/2012. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ NÃO ABALADA. 1 O fato de não constar os dispositivos legais na NFLD não a invalida, pois que, conforme informado fls. 16, estava acompanhada do relatório fiscal no qual relacionados os dispositivos infringidos. Além disso, os fatos imputados foram devidamente descritos, possibilitando, assim a defesa, o exercício do contraditório na via administrativa. Registrase que no âmbito administrativo houve recurso até a segunda esfera recursal. 2 Como bem anotado na sentença, sobre ser Associação Cultural e Recreativa sem fins lucrativos, referida alegação não passou do campo das meras alegações, vez que não cuidou sequer de juntar a documentação a tal respeito. Aliás, registrese, que ao defender participação de funcionários nos fulcros e mesmo sem resultados ele está justamente contradizendo a sua afirmação de não ter fins lucrativos. 3 No tocante à afirmativa da embargante de que nada deve, é ver que, assim como vislumbrado no parágrafo antecedente, ela não fez prova contraria á presunção de certeza e liquidez da certidão de divida ativa, assim não se desincumbindo de ônus probatório que era seu, conforme artigo 333, I, do CPC. 4 Apelação improvida. AC 864106719984010000 AC APELAÇÃO CIVEL – 864106719984010000. JUIZ FEDERAL GRIGÓRIO CARLOS DOS SANTOS. TRF1. 5ª TURMA SUPLEMENTAR. eDJF1 DATA:05/10/2012 PAGINA:1894 (promovi os realces). Fl. 356DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000335/200806 Acórdão n.º 2202003.246 S2C2T2 Fl. 356 8 A três, porque segundo a doutrina citada abaixo a anistia exclui a infração e não a capitulação legal imposta. “A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao posso que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infrações cometidas anteriormente à vigência da lei, que a decreta.” 1 Aliás, é isso que diz o artigo 180, da Lei 5.172/66, a seguir transcrita. Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando: A quatro, porque além disso temos que observar o que diz o artigo 112, III e IV, da Lei 5.172/66, ou seja, havendo dúvida quanto a imputabilidade e a natureza da penalidade aplicável, por ser a “anistia perdão da falta, da infração, que impede o surgimento do credito tributário correspondente à multa respectiva [Hugo de Brito, 2006: 248], devese decidir a favor do contribuinte. Não há razão jurídica para se aplicar a anistia a uma infração e não a aplicar a outra infração idêntica, apenas porque o dispositivo legal é outro, ou seja, mudou houve alteração na lei, mas manutenção da infração. Lembro, ainda, que em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, artigo 32, IV, §5º, mas sim o artigo 32 – A – I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa e isso vinha sendo aplicado sistemática pelo menos na 3ª TE/3ª Câmara/2ª Seção/CARF. 1 Direito Tributário Brasileiro. 7a edição. Rio de Janeiro. 1975, p. 533. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 17883.000335/200806 Acórdão n.º 2202003.246 S2C2T2 Fl. 357 9 Destarte, ainda, que por ricochete cabe a aplicação da anistia, pois a infração a subsistir seria a do artigo 32 A – I, conforme consagrada jurisprudência dessa casa. Com esses esclarecimentos, entendo aplicável ao caso a anistia concedida em lei. Esse é o motivo pelo qual não sumariei as razões recursais no relatório. CONCLUSÃO: Ante o exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001471/2002-58
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRMUIÇA0 PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2002
EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. PIS DEVIDO.
A partir da vigência da Medida Provisória n2 1.212, de 1995, as
empresas exclusivamente prestadoras de serviços passaram a
pagar o PIS com base no faturamento mensal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80.947
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Walber José Da Silva.
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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL &asila ,0241 / 49 / 20042 .2i CCO2/C01 Fls. 328SLif rtiose Met.: áros 91745 MINISTÉRIO DA FAZENDA-•.. . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES g:4 ,?,g ;n.s.!.' .1 PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10850.001471/2002-58 Recurso n° 133.783 Voluntário de cont",r5r Matéria PIS/Pasep min Conlit (132cit.„ MF Sagu-- no o,s IVit../ •Acórdão n° 201-80.947 de 9109599 .,e- Sessão de 11 de março de 2008 Recorrente DECAERO DE CARLI AEROAGRICOLA LTDA. Recorrida _ DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSUNTO: CONTRMUIÇA0 PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2002 EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. PIS DEVIDO. A partir da vigência da Medida Provisória n2 1.212, de 1995, as empresas exclusivamente prestadoras de serviços passaram a pagar o PIS com base no faturamento mensal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. thiacoLt: SE A M: • IA COELHO MARQUE Presidente ii , , WALBE • i OSÉ DA - VA . Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Kerarnidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Antônio Ricardo Accioly Campos e Gdeno Ciurjão Barreto. ME • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 10850.001471/2002 COrWERE COM O ORIGINAL-58 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.947 SitV117., Fis. 329 SivioSaJ5O1e Mal: Sita 91745 Relatório No dia 27/06/2002 a empresa DECAERO DE CARLI AEROAGRICOLA LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com o pedido de restituição de contribuição para o PIS, relativo a pagamentos efetuados no período de 15/02/1996 a 15/05/2002, alegando o seguinte: "PIS - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO (COD 8109)." No mesmo processo a interessada ingressou com pedidos de compensação. A DRF em São José do Rio Preto - SP indeferiu os pedidos da recorrente, alegando que a requerente está obrigada ao recolhimento do PIS na forma estabelecida na Medida Provisória n2 1.212/95, convertida na Lei n2 9.715/98, e que não há pagamento indevido passível de restituição. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou- com a manifestação de inconformidade de fls. 294/297, cujas alegações estão resumidas no Relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A 41 Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos temos do Acórdão DRJ/POR ri 2 10.474, de 20/01/2006, cuja ementa abaixo transcrevo: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2002 Ementa: PRESTADORES DE SERVIÇOS. PIS REPIQUE. EXTINÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória n o 1.212, de 1995, as empresas exclusivamente prestadoras de serviços passaram a recolher a contribuição ao PIS na modalidade faturamento. Solicitação Indeferida". A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 08/03/2006, conforme AR de fl. 311, e, discordando da mesma, impetrou, no dia 21/03/2006, o recurso voluntário de fls. 312/325, no qual alega: 1 - nulidade da decisão recorrida (alheamento em relação aos fundamentos da defesa); 2 - que o valor devido do PIS é o PIS/Repique e que tem "o direito de voltar a praticar a Lei Complementar n" 7/70"; 3 - que é nula a decisão de "I" instância" porque somente o Delegado poderia proferi-la e quem o fez foi um AFRF de São José do Rio Preto, autoridade incompetente; e 4 - que é liquido e certo o crédito pretendido e que inexiste dispositivo legal estabelecendo a decadência para haver contribuição paga indevidamente. A restituição pretendida não é de tributo e não está sujeita às normas pertinentes de Direito Tributário. • ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCIWERE COMO ORIGINAL Processo e? 10850.001471/2002-58 Brasile!, eal o c Pe CCO2/C0Acórdão n.° 201-80.947 Fls. 330 Seno SereC Mal.: Sispe 91745 Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 20/11/2007, confonne despacho exarado na última folha dos autos - fl. 327. É o Relatório. ap, MF • SEGUNDO CONSELHO CE cctrivationEs Processo n.° 10850.001471/2002-58 CONFERE COMO C L CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.947 efusa. „az, Fls. 331 Um; 51499 91745 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. A recorrente está pleiteando a restituição do que pagou a titulo de PIS/Faturamento, relativo aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1996 e abril de 2002, alegando que a ela se aplica a Lei Complementar n2 7/70, ou seja, deve efetuar o pagamento do PIS na modalidade PIS/Repique. Alega, ainda, a recorrente que as decisões proferidas neste processo são nulas. A decisão da DRJ em São José do Rio Preto - SP porque foi proferida por um AFRF, quando deveria ter sido pelo Delegado. A decisão da DRJ, objeto deste recurso, porque a mesma foi alheia aos fundamentos da defesa. Por último, a recorrente inova seus argumentos, alegando que inexiste prazo para pleitear a restituição do PIS, que não é tributo. Sobre a alegação de nulidade das decisões proferidas neste processo a recorrente está equivocada, como se demonstrará. O Despacho Decisório da DRF em São José do Rio Preto - SP, que indeferiu o pedido da recorrente, foi preferido pelo Delegado daquela unidade da RFB, o AFRF Aparecido Ferreira Pacheco, conforme se constata com a simples olhada naquela peça que está acostada às fls. 281/284 dos autos. Parece que a recorrente não se deu o trabalho de ler a referida decisão. Relativamente à nulidade da decisão recorrida, a recorrente não identificou qual argumento não foi apreciado pela Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP. Ou, como ela mesma diz, que argumento ficou "alheio" ou não foi enfrentado pela decisão recorrida. Lendo o voto condutor do Acórdão recorrido, pode-se constatar que a decisão recorrida enfrentou os argumentos fundamentais da manifestação de inconformidade, não existindo argumento relevante que não tenha sido enfrentado pela Turma de Julgamento da DRJ recorrida. Pelas razões pretéritas, entendo desprovida de qualquer fundamentação legal e fática a alegação de nulidade das decisões proferidas pela DRF em São José do Rio Preto - SP e pela DRJ em Ribeirão Preto - SP. Quanto ao mérito, a recorrente não escreveu uma só linha argumentando porque está sujeita ao PIS/Repique e não ao PIS/Faturamento previsto no art. 2 2 da Medida Provisória n2 1.212/95, e suas reedições, convertida na Lei n 2 9.715/98. A única referência ao seu pleito foi feita no primeiro parágrafo de sua peça de defesa, abaixo reproduzido, onde diz que o PIS devido é o PIS/Repique e tem o direito de "voltar a praticar a LC 07/70": MF - SEGUNCO CONSELHO DE. CONTRUMMS 4 CO1c,== COM O CARIZ.1". Processo n." 10850.001471/2002-58 --1 .- ,2,y/______O -?-9-44—- CCO2/C01Acórdão n.• 201-80.947 Brat -1_, Fls. 332 95.-- Mal . Stt, r, 91745 "A recorrente efetuou pagamento a maior do tributo PIS, com base na edição da Resolução do Senado Federal, onde o PIS não mais poderia ser exigido com base nos D. Leis 2.445/88 e 2.449/88, e, em razão disso, as empresas passariam a recolher consoante dispunha a Lei anterior. Ocorre, porém, que o Governo Federal editou a M.P. n' 1.212/95, convertida na lei n 9.715/98, de 25/11/98, que exige das empresas exclusivamente prestadoras de serviço, a aliquota de 0,65% •sobre o faturamento, quando o devido é o PIS-REPIQUE, calculado sobre o balanço do IRPJ, à aliquota de 5%, possuindo a empresa o direito de voltar a praticar a LC 07/70." (grifei) A decisão recorrida foi clara e enfática nos fundamentos pelos quais a recorrente está sujeita ao pagamento do PIS na forma da Medida Provisória n 2 1.212/95. Não há reparos a fazer. Não tendo sido suscitado na decisão da DRF em São José do Rio Preto - SP e nem na decisão da DRJ em Ribeirão Preto - SP, deixo de apreciar as alegações da recorrente sobre seu suposto direito líquido e certo de haver o crédito pretendido porque inexiste dispositivo legal estabelecendo a decadência para pedir a restituição de tributo cobrado com base em Lei inconstitucional. Sobre esta matéria não há lide e não pode sobre ela este Colegiado se manifestar, sob pena de suprimento de instância. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das essões, em 11 de março de 2008. S 1) ‘ WAL: E • JOSÉ DA 'ILVA bo3L# , Page 1 _0064900.PDF Page 1 _0065100.PDF Page 1 _0065300.PDF Page 1 _0065500.PDF Page 1
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Numero do processo: 16682.721218/2013-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SÁUDE. ATO NÃO COOPERATIVO.
Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007.
CSLL. DECORRÊNCIA.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1402-002.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada, parcialmente em relação ao IRPJ e integralmente em relação à CSLL, nos termos do voto do redator designado. Vencido em primeira votação o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por dar provimento ao recurso. Vencidos em segunda votação os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento integralmente ao recurso. Vencidos em terceira votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a multa isolada. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada . O Conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SÁUDE. ATO NÃO COOPERATIVO. Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. CSLL. DECORRÊNCIA. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada, parcialmente em relação ao IRPJ e integralmente em relação à CSLL, nos termos do voto do redator designado. Vencido em primeira votação o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por dar provimento ao recurso. Vencidos em segunda votação os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento integralmente ao recurso. Vencidos em terceira votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a multa isolada. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada . O Conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2519; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.114 1 1.113 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721218/201332 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.089 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ E CSLL ATO COOPERADO Recorrente UNIMED RIO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO DO RIO DE JANEIRO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA DA VENDA DE PLANOS DE SÁUDE. ATO NÃO COOPERATIVO. Não são considerados atos cooperados aqueles praticados pela cooperativa de serviços médicos que, atuando como operadora de plano de saúde, aufere precipuamente receitas decorrentes de operações com terceiros voltadas à comercialização de produtos e serviços. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. CSLL. DECORRÊNCIA. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a multa isolada, parcialmente em relação ao IRPJ e integralmente em relação à CSLL, nos termos do voto do redator designado. Vencido em primeira votação o Conselheiro Demetrius Nichele Macei que votou por dar provimento ao recurso. Vencidos em segunda votação os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento integralmente ao recurso. Vencidos em terceira votação os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 18 /2 01 3- 32 Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 2 Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a multa isolada. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada . O Conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.115 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração para exigir o IRPJ no valor de R 6.609.240,10 e a CSLL de R$ 2.379.326,44, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75% e, ainda, foram exigidas as multas isoladas nos valores de R$ 3.494.904,14 e R$ 1.162.695,48 , em virtude das seguintes irregularidades: 01 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E APURAÇÃO INCORRETA DE RESULTADOS DA CSLL; 02 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL; 03 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Os respectivos enquadramentos legais e memórias de cálculo encontramse nos Autos de Infração. 1 – Do procedimento fiscal. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 701/726, o procedimento de auditoria iniciouse em 09/10/2012 com a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, por meio do qual foi a contribuinte intimada a apresentar, entre outros documentos, cópia autenticada dos atos constitutivos e alterações nos últimos cinco anos, cópia do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e do Demonstrativo de Apuração da CSLL do anocalendário 2008 e arquivos digitais relativos à sua contabilidade no anocalendário 2008 (SINCO Contábil). Posteriormente, foi a contribuinte intimada (Termo de Intimação n° 2) a apresentar as Demonstrações Financeiras auditadas referentes ao ano fiscalizado e, por meio do Termo de Intimação n° 3, foi intimada a apresentar a cópia do regulamento dos planos de saúde operados por ele em 2008 e apresentar a composição do valor de R$ 25.695.567,87, excluído das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, identificando as contas em que ele foi registrado. Foi solicitado também que apresentasse a composição do valor de R$ 50.042.191,88 que fora excluído das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de 2008 a título de "Outras Exclusões", identificando as contas em que foi registrado. Em atendimento, a contribuinte apresentou uma planilha com a abertura da base imponível à tributação pelo IRPJ, segregada pelas contas contábeis. Esclareceu também que o valor de R$ 25.695.567,87 referese ao valor acumulado dos atos cooperativos (principal e auxiliar) no ano de 2008 somados ao valor duplicado do ato "não cooperativo" de agosto de 2008. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 4 Já em relação ao valor de R$ 50.042.191,88, informado como "Outras Exclusões" na DIPJ 2009 (anocalendário 2008), a contribuinte informou a sua composição, mas não logrou identificar o valor de R$ 741.392,54, não informando sua natureza, motivo da exclusão e tampouco como foi contabilizado. De acordo com a planilha apresentada pelo contribuinte (doc. 1), este valor corresponde a soma das parcelas de R$ 380.487,20 (novembro/2008), R$ 316.913,34 (novembro/2008) e R$ 43.992,00 (dezembro/2008). Foi então lavrado o Termo de Intimação n° 4, pelo qual foi a empresa intimada a informar as receitas que ela considerou como oriundas de atos cooperados e não cooperados e esclarecer se utilizou algum critério de rateio para a apuração dessas receitas, demonstrando, em caso positivo, a metodologia de cálculo. Neste Termo foi também reiterada a solicitação (já feita no Termo de Intimação n° 3) para que ele apresentasse a cópia do regulamento dos planos de saúde operados pela entidade em 2008, visto que a contribuinte havia apresentado apenas a Resolução Normativa n° 136 da ANS em resposta ao Termo de Intimação anterior. Em resposta, o contribuinte apresentou modelos dos contratos dos diversos planos de saúde comercializados no ano de 2008 e esclareceu que as receitas consideradas oriundas de atos cooperados e nãocooperados são as registradas na conta contábil 3.1.1 (contraprestações líquidas). Analisando a mencionada conta, a fiscalização concluiu que nela estão contabilizadas tanto as receitas oriundas de atos cooperados quanto as de atos não cooperados, indiscriminadamente. Em relação ao questionamento sobre critério de rateio, a contribuinte respondeu que a UnimedRio segrega, em suas despesas, o que denomina de "Atos" custo com médicos e prestadores = ato cooperativo; custo com laboratórios, diagnose e terapia, entre outros = ato auxiliar e demais atos = ato não cooperativo. Este percentual (segregação) é aplicado sobre a receita para determinação da base de cálculo imponível à tributação. Esclareceu também que o rateio descrito é feito mensalmente e não pela média de determinado período. Anexou a resposta, foi apresentada planilha com o demonstrativo mensal desse cálculo. Analisando a planilha apresentada, a fiscalização constatou que os percentuais apurados foram também aplicados às demais receitas/despesas consideradas passíveis de rateio, ainda segundo critério da contribuinte, distribuindoas entre o resultado do ato cooperativo (principal e auxiliar) e o resultado do ato não cooperativo. Outras receitas e despesas não submetidas ao rateio foram levadas diretamente ao resultado do ato cooperativo ou nãocooperativo, conforme o caso. Reportando às infrações apuradas, o autor do procedimento fiscal assim descreve: “Importante lembrar que as cooperativas apuram o resultado contábil do exercício da mesma forma que as empresas em geral. No entanto, ao apurar o lucro real, as cooperativas fazem ajuste de modo a expurgar o resultado dos atos cooperativos. Este ajuste se dá por meio de uma adição ou de uma exclusão, conforme o caso. O resultado dos atos cooperativos é a diferença entre as receitas e despesas dos atos cooperativos. Quando as receitas dos atos cooperativos são superiores às despesas de atos cooperativos, este resultado é positivo; neste caso, o ajuste a ser feito é uma exclusão, informada na linha 25 da Ficha 09A, da DIPJ. Quando, ao contrário, as receitas dos atos cooperativos são inferiores às despesas de atos cooperativos, este resultado é negativo; neste caso, o ajuste é uma adição, informada na linha 20 da Ficha 09A, da DIPJ. De todo modo, o efeito matemático do ajuste é o de extrair, do resultado fiscal, as receitas e despesas decorrentes do ato cooperativo. No ano de 2008, a UnimedRio se enquadrou na primeira hipótese (exclusão). Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.116 5 Verificase que, na apuração do lucro real desse ano, a Unimed excluiu resultados positivos com atos cooperativos no valor de R$ 25.695.567,87. Como já relatado, este valor deriva de cálculo por critério de rateio. A partir deste momento dáse início ao questionamento do critério adotado. O problema reside no conceito de ato cooperativo adotado pela entidade, que difere essencialmente do conceito legal. Nos termos da lei 5.764/71, que rege todo o sistema cooperativista, são atos cooperativos apenas aqueles praticados entre a cooperativa e seus membros cooperados, ou entre as cooperativas entre si, no interesse exclusivo dos cooperados. Vejase que a maior parte das receitas auferidas pela fiscalizada, no período examinado, decorre das chamadas contraprestações pecuniárias, vale dizer, do pagamento das mensalidades de planos de saúde. Estes pagamentos uniformes e a preço global, feitos por terceiros não cooperados, na condição de clientes contratantes, em contratos com característica de segurosaúde, não se revestem das condições do ato cooperativo. Somese a isso o fato de que a entidade fez o rateio das receitas e despesas financeiras, atribuindo parte a atos cooperados principais, parte a atos cooperados auxiliares e outra parte a atos nãocooperados. As receitas e despesas financeiras são, por definição, de natureza não cooperativa (vide o PN CST 04/86). Mesmo as receitas nãooperacionais foram rateadas, quando sua natureza é essencialmente nãocooperativa. Como a contabilidade não se presta à correta segregação de receitas e despesas entre o resultado cooperativo e o resultado nãocooperativo, como dita a lei, fica a fiscalizada sujeita à tributação na forma aplicável às pessoas jurídicas em geral. Foram ainda lavrados o Termo de Intimação n° 5, em que se pediram informações referentes ao estorno de algumas provisões, e o Termo de Intimação n° 6, em que se solicitou a composição detalhada da adição no valor de R$ 48.616.988,21 que foi adicionado quando da apuração do Lucro Real.” Em decorrência de todo o exposto nos itens anteriores, foi refeita a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL para o anocalendário de 2008, desconsiderando a exclusão feita a título de resultados não tributados de Sociedades Cooperativas, bem como glosando a exclusão do valor de R$ 741.392,54, conforme descrito no item anterior. O valor glosado de R$ 26.436.960,39 corresponde a exclusão de resultados não tributados de Sociedades Cooperativas de R$ 25.695.567,85 e outras exclusões não justificadas pelo contribuinte no valor de R$ 741.392,54. Diante disso, foram efetuados os lançamentos das diferenças de IRPJ e CSLL apuradas no Ajuste Anual do anocalendário de 2008 em consequência da glosa da exclusão feita na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL a título de resultados não tributados de Sociedades Cooperativas. Foi efetuado, ainda, o lançamento das multas isoladas, calculadas sobre as diferenças de IRPJ e CSLL devidos mensalmente, no anocalendário 2008 e não declarados, conforme discriminado nos Demonstrativos de Apuração da Multa Isolada sobre o IRPJ e a CSLL Mensal por Estimativa (em anexo). 2 Da impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 918/965) alegando, em síntese, que: Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 6 a impugnante é cooperativa formada por médicos e operadora de planos de saúde, estando as atividades que desenvolve regulamentadas pelas Leis 5.764/71 e 9.656/98; quando os serviços médicos são prestados por cooperativados, a Unimed repassa ao profissional o valor correspondente à prestação do serviço. No caso de internações cirurgias , exames laboratoriais e outros , também é a Unimed que quita os custos. Tal intermediação é feita de modo a proporcionar ao cooperado as melhores condições de diagnóstico e tratamento; atos cooperativos são todos aqueles que digam respeito ao exercício do objeto social da entidade, por serem essenciais ou complementares ao trabalho do cooperado. São equivocadas as interpretações restritivas do art 79 da Lei n° 5.764; toda Cooperativa de Trabalho Médico que é também Operadora de Plano de Saúde recebe mensalidades de seus clientes que se destinam a custear atos cooperativos e atos não cooperativos, razão pela qual as receitas auferidas por estas entidades devem ser rateadas proporcionalmente aos custos; os valores recebidos, referentes aos planos de saúde, são previamente ajustados e, por óbvio, não há um conhecimento de quais serviços serão demandados pelos segurados. O único critério prático e cabível dentro dessa realidade é o rateio com base nos custos incorridos, porque neste caso, os eventos são conhecidos e confirmados; a legislação não impõe forma determinada para a segregação das receitas tributáveis de uma cooperativa, de forma que não é ilegal o procedimento adotado. Cada cooperativa deve escolher o método que, conforme sua realidade, melhor retrate seus resultados; dentro desta realidade, se o fisco encontrar irregularidades, os valores devidos devem ser apurados e comprovados, ao invés de se exigir a tributação integral de resultados; não existe impedimento legal ao procedimento adotado pela autuada no que diz respeito à individualização de suas receitas. A Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS) define o plano de contas a ser adotado pelas Operadoras de Planos de Saúde, plano este que não discrimina as receitas conforme sua referência a atos cooperativos ou atos não cooperativos; a própria fiscalização entendeu o critério de classificação das receitas adotado pela interessada, tanto que o expôs com clareza. São mantidos controles fiscais e extracontábeis que indicam os métodos e princípios adotados; ao considerar como tributável todo e qualquer tipo de ingressos financeiros, inclusive aqueles decorrentes dos pagamentos dos serviços dos profissionais médicos, foi desconsiderada a natureza jurídica que a interessada possui e, ainda, a isenção que lhe beneficia; o art 79 da Lei n° 5.764/71 não traduz a real extensão do conceito de ato cooperativo; a qualificação do ato cooperativo lastreiase na análise das partes na relação triangular que se dá entre cooperativa, cooperado e terceiro beneficiado do serviço. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.117 7 Caso em dois pólos, destes três, não conste, ao menos, uma cooperativa e um cooperado (ou outra cooperativa) estarseá diante de ato não cooperativo; quando um médico cooperado efetua uma consulta, pratica ato cooperativo, já que o serviço prestado é justamente o objeto da sociedade. Em conseqüência, a receita oriunda deste ato não pode ser tributada. Da mesma forma, a venda dos produtos , no caso de uma cooperativa agrícola, também é abrangida pela isenção; a presença de terceiro nas relações jurídicas não contamina a essência cooperativista. Ao contrário, se faz necessária ao alcance dos objetivos sociais da entidade. Portanto, tal como considerou a interessada, as receitas referentes a repasses a terceiros (hospitais, laboratórios, etc) e à venda de planos de saúde não são tributáveis; os atos cooperativos meio ou auxiliares são necessários ao alcance do objeto social da cooperativa, sendo, portanto, não tributáveis; a tributação exigida pela fiscalização, a título de IRPJ e CSLL sobre receitas decorrentes de atos cooperativos meio, auxiliares, também chamados de atos não cooperativos intrínsecos, não pode ser admitida, em linha com todo o respaldo doutrinário e jurisprudencial demonstrado nesta peça; a manutenção das exigência fiscais combatidas ofende aos arts. 79, 85 a 88, da Lei n° 5.764/71, bem como aos arts. 109 e 110, do CTN. é incabível a cobrança concomitante de multa isolada em função do não pagamento de estimativas e, ainda, da multa por falta de recolhimento do tributo oriundo da apuração anual. Em síntese, é o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, prolatou o Acórdão 1448.760 considerando o lançamento integralmente procedente, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 SOCIEDADES COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. Se a contabilidade não se presta à correta segregação de receitas e despesas entre o resultado cooperativo e o resultado nãocooperativo, conforme determina a lei, fica a sociedade cooperativa sujeita à tributação na forma aplicável às pessoas jurídicas em geral. MULTA ISOLADA. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá a multa isolada sobre os valores não recolhidos, Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 8 cumulada, quando for o caso, com a multa de ofício sobre o tributo anual pago a menor. (art 16 da IN 93/97) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL). Aplicamse aos processos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do processo matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.118 9 Voto Vencido Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado e, portanto, dele conheço. A principal questão sob exame consiste em definir a natureza da receita decorrente da venda de planos de saúde realizada por instituições como a interessada, operadora de planos de saúde organizada como cooperativa. Preliminarmente, o tema que merece discussão é se, em função das atividades exercidas, caberia definir a interessada como cooperativa. Na verdade, anuindo com a recorrente quando reclama seu reconhecimento como operadora de saúde, penso que as atividades que a identificam como tal estão perfeitamente delineadas ao contrário da realização de atos cooperativos, prática essa não vislumbrada no procedimento fiscal. A fiscalizada entende que se o ato é praticado em benefício da cooperativa só haveria distinção entre atos cooperativos principais e auxiliares. Essa tese parte de uma interpretação extensiva da definição do ato cooperativo prevista no art. 79 da Lei nº5.764/71. Nos termos desse dispositivo, ato cooperativo é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si. Com base nessa definição, o Parecer Normativo CST nº 38/80 exemplificou várias atividades que seriam tipicamente enquadradas como ato cooperativo e outras que estariam excluídas desse campo. Não vislumbrei qualquer irregularidade no Parecer, até porque discordo de qualquer tipo de ampliação do conceito estabelecido no art. 79 da Lei nº 5.764/71. Os dispositivos da Lei em comento regulamentam a atividade cooperativa em sua essência, inclusive estabelecendo mecanismos de incentivo ao cooperativismo tendo como escopo, seja qual for o objeto social da organização, a prestação de serviços diretamente aos associados. Sob esse prisma, a tentativa de ampliação do conceito de ato cooperativo revela a dificuldade encontrada por uma organização do tipo Unimed para enquadrar suas atividades nos termos da Lei do cooperativismo. Isso porque a recorrente, muito mais do que uma cooperativa de trabalho, é uma operadora de planos de saúde atuando num mercado competitivo que a obriga a transacionar com terceiros sob regras absolutamente estranhas ao espírito do cooperativismo. Assim, pleiteia a recorrente que benefícios tributários direcionados às cooperativas sejam aplicados em atividades de natureza mercantil, o que se constituiria em privilégio injusto com as demais empresas que atuam no ramo, absolutamente contrário à isonomia. O Fisco constatou que o faturamento da empresa provém fundamentalmente da comercialização de planos de saúde. Não resta dúvida, portanto, de que a recorrente Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 10 considerou como ato cooperado a atividade tipicamente mercantil exercida como operadora de planos de saúde junto a terceiros. Em função da premissa equivocada por ela assumida, as discussões quanto à regularidade do rateio efetuado tornamse irrelevantes. Caberia à interessada ter especificado na escrituração a parcela correspondente a atos cooperativos e não cooperativos de modo a que ficasse destacado a parte do valor contratado destinado à remuneração dos serviços médicos prestados pelos cooperados. No momento em que essa segregação deixa de ser efetuada ou é executada irregularmente pela premissa equivocada de tratar as receitas de planos de saúde integralmente como derivadas de atos próprios da cooperativa, não há como exigir que esse procedimento seja efetuado pela Fiscalização. Além do que, como já mencionado, não há qualquer indicativo de auferimento de outro tipo de receita em valor digno de menção. Quanto à natureza da atividade de venda de planos de saúde a jurisprudência administrativa caminha na mesma linha do entendimento aqui esposado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007, 2008 IRPJ. CSLL. SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA PROVENIENTE DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE A TERCEIROS (PACIENTES). ATO NÃO COOPERATIVO. Os resultados de atos nãocooperativos, caracterizados pelo fornecimento de serviços a terceiros não cooperados, não estão abrigados pela nãoincidência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Precedentes do E. Superior Tribunal de Justiça, inclusive sob a sistemática do art. 543C do CPC.(Acórdão 1102000.936). COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. COMERCIALIZAÇÃO, EM NOME PRÓPRIO, DE PLANOS DE SAÚDE (SEGURO SAÚDE) PARA TERCEIROS NÃO COOPERADOS. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS QUE GERAM RECEITA E LUCRO. NATUREZA MERCANTIL. NECESSIDADE DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS, CUSTOS, DESPESAS E RESULTADOS DO ATO COOPERATIVO E DO ATO NÃO COOPERADO. [...] No caso, a Unimed, que comercializa planos de saúde, que tem traços de seguro saúde, presta serviços privados de saúde, caracterizandose assim sua natureza mercantil na relação entre seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados.(Acórdão1802001.354) Salientese que o Acórdão 1102000.936, de ementa acima transcrita, refere se à interessada. Se ainda restasse alguma dúvida, o STJ manifestouse no mesmo sentido em relação às Unimeds, como reconheceu a recorrente, eis que a decisão abaixo transcrita foi por ela mencionada na peça de defesa: RECURSO ESPECIAL Nº 237.348 SC (1999/01003660) RELATOR : MINISTRO CASTRO MEIRA Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.119 11 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA E OUTROS RECORRIDO : UNIMED DE FLORIANÓPOLIS COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO LTDA ADVOGADO : LECYAN MENDES SLOVINSKI E OUTROS EMENTA:TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada,assim sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não associados, caracterizase como atos nãocooperativos, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda. 3. Recurso especial provido. Curiosamente, a recorrente ousou afirmar que o Acórdão estaria “equivocado” como se, numa total inversão de valores, tivesse condições de criticar uma decisão do Tribunal Superior fora do âmbito processual. A jurisprudência apresentada pela interessada não lhe socorre, ao contrário, fortalece o entendimento do Fisco. O Acórdão 3403001.916 foi trazido para fortalecer a tese de que a prática de atos cooperativos e não cooperativos não descaracterizariam a cooperativa, Essa circunstância não está em discussão no presente caso pois não houve tal descaracterização. Por outro lado, ao tratar da receita com a venda de planos de saúde o acórdão em questão manifestase na mesma linha da Fiscalização e da decisão recorrida (destaques acrescidos): [...] As entradas de recursos nas cooperativas médicas correspondem, basicamente, aos pagamentos de planos de saúde realizados pelos clientes que contratam os serviços da cooperativa e de seus cooperados. Como as receitas são originadas dos pagamentos que são realizados pelo usuários dos planos de saúde, que não são cooperados, tais atos não configuram ato cooperativo, de modo que a receita originada destas vendas deve ser submetida à incidência de PIS/Cofins.; [...] O acórdão 3403001.884 ao afirmar que as cooperativas podem adotar qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, apenas explicita a previsto na Lei nº 5.764/71. Esse fato também não está em discussão pois o que se aventou não foi eventual proibição, mas sim a inadequação prática da Unimed ao cooperativismo previsto na lei. Da Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 12 mesma forma que o exposto no parágrafo anterior , aqui também o acórdão vai na mesma linha da Fiscalização e da decisão recorrida: [...] Assim, é evidente que a recorrente não age em nome dos associados como mera repassadora de recursos. A recorrente pratica atos jurídicos com não cooperados e figura como contratante dos planos privados de assistência à saúde que comercializa, prestando serviço em caráter oneroso, definido no art. 1º, I, da Lei nº 9.656/98. Portanto, as receitas provenientes da comercialização dos planos de saúde são decorrentes da prestação de serviço (art.1º, I, da Lei nº 9.656/98)a não cooperados, sujeitandose à incidência das contribuições ao PIS e Cofins. [...] Os Acórdãos 180300.187, 910100.339 e 0105.828 tratam da necessidade de segregação das receitas quando demonstrado pela correta segregação contábil que a cooperativa aufere receitas de atos cooperados e não cooperados. No presente caso não foi comprovada a existência de qualquer receita que não aquela decorrente da venda de planos de saúde considerada, como já explicitado nesse voto, atividade com terceiros caracterizando ato não cooperado. O acórdão 1801001.206 e aquele referente ao recurso 237.603 tratam de diferenciação entre atos fim, meio e auxiliares, matéria essa estranha ao presente feito principalmente por não tratarem de organizações como a Unimed muito menos da natureza da receita oriunda da venda de planos de saúde. Por fim, para dirimir qualquer dúvida que ainda possa persistir, transcrevese abaixo trecho do Acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região, por sua vez extraído da transcrição contida no Acórdão proferido na análise do Resp nº 903.699 interposto pela Fazenda Nacional onde, segundo pronunciamento da própria interessada, a Relatora Ministra Eliana Calmon deu ao ato cooperativo sua correta interpretação. O recurso foi negado e o Acórdão foi mantido em sua integralidade. Ressaltese a importante diferenciação em destaque na texto: [...] Não assiste razão ao Il. Representante do Ministério Público Federal. Com efeito, a cooperativa Impetrante tem como objeto a prestação de serviços na área de saúde, e como tal procura colocar à disposição do mercado a utilização desses serviços, promovendo a necessária aproximação dos usuários com os cooperados que os prestam, a quem devem ser repassadas as vantagens advindas da operação. In casu, a Impetrante age em nome dos associados, como simples mandatária, sendo certo que a atividade exercida está compreendida no objeto para a qual foi a mesma idealizada, restando caracterizada como ato cooperativo próprio de suas finalidades a relação jurídica praticada. Diferentemente é a hipótese em que a entidade oferece serviços profissionais médicos mediante adesão a determinado plano de saúde. Neste caso, há nítida finalidade mercantil no ato praticado, posto que a cooperativa paga diretamente o profissional pelo serviço prestado, exercendo em favor dos adquirentes do plano a coordenação e supervisão das atividades desenvolvidas pelos cooperados, mediante retribuição mensal de uma quantia previamente fixada. [...] De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso no que se refere à base tributável apurada pela Fiscalização. Passase a analisar a questão da multa isolada. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.120 13 O pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 14 estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui expostoa, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.121 15 Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 16 inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual voto por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 2 Idem, Idem Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.122 17 Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.488/2007, eis que todas as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. Em resumo do voto, de todo o exposto voto por negar provimento integralmente ao recurso voluntário. Leonardo de Andrade Couto Relator Voto Vencedor Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado Ouso discordar do i.Conselheiro relator tãosomente quanto à aplicação da multa isolada, concomitante com aquela aplicada proporcionalmente ao tributo lançado. Quanto a essa matéria, como bem posto pelo i.Relator, este Conselho possui entendimento firmado, para fatos geradores anteriores à mudança legislativa trazida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com a edição da Súmula CARF nº 101, in verbis. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com efeito, a inteligência da citada súmula é clara quanto à aplicação a fatos geradores anteriores a 2007, nada aclarando, no meu entender, quanto a fatos geradores a partir daquela data. Nesse esteira, quanto a fatos geradores posteriores à citada mudança legislativa, como é o caso dos autos deste processo, este Colegiado possui entendimento sedimentado, embora não unânime, no sentido da inaplicabilidade da multa isolada quando concomitante com a multa de ofício proporcional ao tributo apurado. Nesse sentido, cito, dentre outros, o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa elucida: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. A jurisprudência no e.Superior Tribunal de Justiça também se coaduna com esse entendimento. Vejase, nesse sentido, o REsp 1496354/PR, julgado pela segunda Turma daquela Corte, que, à unanimidade, confirmou o entendimento quanto à impossibilidade da aplicação das duas multas, quando concomitantes. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 18 EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado, com os fundamentos que adoto: "[...] Para fins de esclarecimento da controvérsia, cito as normas que, segundo a parte recorrente, foram violadas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.123 19 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Não prospera a pretensão recursal, na medida em que não reconheço a possibilidade de exigência cumulativa de tais multas. A multa do inciso I é aplicável nos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". A multa do inciso II, entretanto, é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)". Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, 'a' e 'b', em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 20 Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. [...]". Portanto, as multas de oficio isoladas, naquilo em que forem concomitantes com as multas de ofício proporcionais, devem ser exoneradas. Em outras palavras, a multa isolada será cancelada até o montante de base de cálculo menor ou igual à base de cálculo sobre a qual incidiu a multa de ofício proporcional, nos termos abaixo: Ano calendário BC multa de ofício proporcional IRPJ BC multa isolada IRPJ BC multa isolada remanescente Multa isolada remanescente 2008 6.609.240,10 6.989.808,28 380.568,18 190.284,09 Ano calendário BC multa de ofício proporcional CSLL BC multa isolada CSLL BC multa isolada remanescente Multa isolada remanescente 2008 2.379.326,44 2.325.390,96 Assim, há que se considerar devida a multa exigida isoladamente, relativa ao IRPJ, no valor de R$190.284,09. Tendo em vista que para a CSLL a base de cálculo da multa isolada foi inferior à base de cálculo sobre a qual incidiu a multa de ofício proporcional, a concomitância, quanto a esse tributo, atinge a multa isolada por inteiro. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado Declaração de Voto Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI Tratase de Recurso Voluntário em que o sujeito passivo foi autuado pela alegada falta de pagamento de Imposto de Renda – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro líquido – CSLL. Fundamentalmente o Contribuinte, enquanto sociedade cooperativa regida pela Lei Federal 5.764/71, teve desconsiderados os seus registros contábeis em relação às receitas decorrentes da venda de planos de saúde, recebidas por ela e repassados aos médicos cooperados. A alegação da fiscalização é de que, não sendo os clientesadquirentes dos planos de saúde médicos cooperados, tal receita seria de atos “não cooperados”, o que obrigaria à cooperativa a registrar tal receita como renda tributável. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.124 21 Além disso, se discute que o plano vendido pela cooperativa aos terceiros “nãocooperados” destinase a hospitais, clínicas e laboratórios que tão pouco são cooperados, reforçando o argumento da tributação. Sem embargo aos fundamentos da decisão deste E. Conselho, que viu por bem julgar procedente o lançamento, acredito ter havido equivoco no entendimento dado ao caso concreto, pelo que votei contrariamente à turma julgadora e registro aqui minha justificativa para essa postura. Fundamental para compreender a peculiaridade das cooperativas sob o ponto de vista tributário é entender a diferença entre FIM e OBJETO da mesma. O FIM da cooperativa é a prestação de serviços ao associado, para a melhoria do seu status econômico. A melhoria econômica do associado resulta do aumento de seus ingressos ou da redução de suas despesas, mediante a obtenção, através da cooperativa, de créditos ou meios de produção, de oportunidade de elaboração e venda de produtos, bem como a consecução de poupança. OBJETO da cooperativa, por sua vez, coincide com o ramo de atividade empresarial. OBJETO é o meio pelo qual a cooperativa procura alcançar seu FIM, ou seja, a melhoria econômica do cooperado. Dessa característica (FIM X OBJETO) decorre o chamado Princípio da Identidade, segundo o qual, o fim visado pelo empreendimento se identifica com o da clientela associada. Por mais que se procure encontrar a definição técnicojurídica pura, tal conceito é difícil abstrair do fato econômicosocial, ou seja, o concurso desinteressado e na defesa das próprias economias de tantos quantos se associam para formar as cooperativas, que irão melhorar suas próprias condições de trabalho ou de vida. E por que clientela associada? A expressão se justifica na medida em que, se, por um lado, o cooperado se identifica com a cooperativa relativamente aos objetos, por outro lado, a cooperativa lhe presta serviços. Tratase de outra característica importante da cooperativa o chamado Princípio da Dupla Qualidade3, pois é essencial ao próprio conceito de cooperativa que as pessoas, ao se associarem, sejam ao mesmo tempo sócias e clientes (ou usuárias dos serviços). A realização prática importa na abolição da vantagem patrimonial (lucro) auferida em regra pelo intermediário. Ademais, a característica de prestadora de serviços ao associado será fundamental para o estudo dos aspectos tributários dessa sociedade. Assim, o cooperado se relaciona com o mercado por “intermédio” de organização empresarial denominada cooperativa. Esta, na verdade, é seu intermediário. Porém, nesse caso, a figura do intermediário se confunde com a do próprio cooperado. Desse fato decorre a teoria denominada longa manus, querendo significar que a cooperativa é de fato uma extensão do cooperado em seu relacionamento com o mercado. O tertius, afastado pela cooperativa, é o empresário que, na exploração de seu negócio, opera com toda a sorte de interessados, visando à obtenção de lucro. O tertius 3 FRANKE, Walmor. Direito das sociedades cooperativas (Direito Cooperativo). São Paulo: Saraiva & Editora da Universidade de São Paulo, 1973. p. 14. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 22 transparece na figura do comerciante (atacadista ou varejista), do industrial (enquanto comprador de matériaprima), do banqueiro (enquanto captador do crédito), do patrão (empregador de mãodeobra para terceiros), e outros. A conclusão inafastável é a de que as cooperativas se constituem em sociedades sui generis4, pois não se identificam com aquelas classicamente mencionadas na doutrina e frequentemente referidas pela legislação. Por se apresentarem como nova categoria de sociedade, por terem criado novos tipos de relações com seus associados e com terceiros e por operarem de forma diferente das demais sociedades civis e comerciais, com objetivos próprios e característicos, passouse a entender que as regras destinadas a reger as cooperativas não constituem mero apêndice do Direito Civil e Comercial, ensejando, portanto, o surgimento do denominado Direito Cooperativo. Vejamos uma ilustração que – suscintamente – explica o funcionamento de uma cooperativa do ramo de saúde: Ocorre que a cooperativa, como é o caso do recorrente, age em nome do cooperado, eliminado o intermediário do serviço, também chamado de “explorador de mãode obra”. Desta feita, a cooperativa “agencia” serviços para o cooperado, sem fins lucrativos. Portanto, a cooperativa presta serviços ao cooperado, ao realizar tal agenciamento. De outra banda, os cooperados executam pessoalmente os serviços aos tomadores agenciados pela cooperativa. 4 Entendimento compartilhado pela quase totalidade da doutrina cooperativista, entre eles destacamos: FRANKE, Walmor (idem); BULGARELLI, Waldírio. Regime jurídico das sociedades cooperativas. São Paulo: Pioneira, 1965 p. 90; BECHO, Renato Lopes. Elementos de direito cooperativo. São Paulo: Dialética, 2002., p. 40. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16682.721218/201332 Acórdão n.º 1402002.089 S1C4T2 Fl. 1.125 23 Assim, utilizando o exemplo da cooperativa de trabalho médico, ou de saúde, deparamonos com duas relações jurídicas distintas: a relação cooperadocooperativa (agenciamento de clientes) e a relação cooperadotomador (serviço médico). Diante do fato de que a primeira relação não tem fins lucrativos, estamos diante do autêntico “ato cooperativo”. Notese que nas cooperativas de saúde é corrente o agenciamento de trabalho para o cooperado médico por meio de planos de saúde. Sem aprofundarmos o tema “planos de saúde”, é possível dizer que a forma pela qual o agenciamento ocorre pode variar, desde que a essência seja mantida. No caso, se o agenciamento de clientes atende ao objetivo social da cooperativa e favorece diretamente os associados, a decisão tomada pela turma julgadora, data vênia, está equivocada. Uma coisa é a cooperativa prestar serviços de agenciamento a terceiros (médicos não cooperados – sujeita ao IRPJ/CSLL – pois com objetivo de lucro para A COOPERATIVA), outra coisa bem diferente é “prestar serviços de saúde” a terceiros “usuários” (não sujeita ao IRPJ/CSLL – pois sem objetivo de lucro para A COOPERATIVA). Os resultados positivos obtidos pelas cooperativas (sobras) se referem a verdadeiro “erro de cálculo” das despesas da sociedade, a favor dos cooperados. Estes, ao longo do exercício fiscal, tiveram descontados dos valores a eles repassados pela cooperativa, valores para suportar as despesas da cooperativa para a prestação dos serviços aos cooperados. Portanto, se a soma desses valores for excedente a tais despesas, haverá “sobra”, que deverá ser devolvida ao cooperado no final do exercício. Assim, tendo em vista a ausência de fins lucrativos das cooperativas, não há que se falar em renda tributável pelo imposto. Verificamos tal fato não porque haveria suposta “regra de nãoincidência constitucionalmente qualificada” no art. 146 do Texto Maior, nem porque a lei cooperativista diz expressamente que os rendimentos oriundos de atos não cooperativos estão sujeitos à tributação5, mas simplesmente porque, relevadas as características inerentes da cooperativa, não há como chegar a um entendimento diverso. Ressalto que não estou aqui tratando dos chamados negócios auxiliares (realizados com hospitais e laboratórios no sentido de viabilizar o trabalho do médico cooperado). Entendo que também não se sujeitam ao imposto, mas neste caso concreto, prefiro não ingressar nessa discussão devido à polêmica que orbita sobre isso. Contudo, questão bem mais grave para mim, é tratar o ato cooperativo em si como como tributável, como ocorre aqui. Basta observar a relação de fato apontada no quadro ilustrativo para concluir que a sistemática de planos de saúde nada mais é do que a forma de agenciamento utilizada. Mesmo porque não há como saber quando o sujeito vai ficar doente e o plano de saúde possibilita um mínimo planejamento para a cobrança da taxa de administração do cooperado pela cooperativa, lembrando, mais uma vez que: AS SOBRAS DECORRENTES ENTRE A TAXA E O NÃO REPASSE AOS MÉDICOS, É DEVOLVIDA AOS COOPERADOS, OU REINVESTIDAS NA COOPERATIVA PARA A REALIZACAO DE SEUS OBJETIVOS SOCIAIS. 5 Prevê o art. 111 da Lei 5.764/71 que “São considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os arts. 85, 86 e 88 desta lei”. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI 24 Diante do exposto, ilustres conselheiros, considerando que não há nos autos questionamento acerca da natureza jurídica da cooperativa, isto é, não se nega sua constituição e existência como tal, entendo ser ilegal a cobrança de IRPJ/CSLL com base nas receitas de “plano de saúde”, exceto quanto a proporção de valores eventualmente repassados a médicos não cooperados, que não vão gerar sobras mas sim lucro tributável, caracterizando então o chamado ato não cooperado, em relação a estas receitas. É a declaração de voto. (assinado digitalmente) Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Numero do processo: 16327.720974/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO.
Não há fundamento para a alegação de modificação de critério no lançamento de ofício, em virtude de ausência de menção expressa neste sentido na cópia do Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PERDAS COM CESSÃO DE CRÉDITOS.
As perdas apuradas em transações de cessão de direitos de crédito, não tendo restado dúvidas quanto a sua efetividade, nem questionado o valor referente à transação, devem ser consideradas como necessárias, normais e usuais para o tipo de atividade das disposições dos arts. 9° a 12 da Lei n° 9.430, de 1996, que tratam do "perdas presumidas.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível.
Numero da decisão: 1401-001.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Souza, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Não há fundamento para a alegação de modificação de critério no lançamento de ofício, em virtude de ausência de menção expressa neste sentido na cópia do Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PERDAS COM CESSÃO DE CRÉDITOS. As perdas apuradas em transações de cessão de direitos de crédito, não tendo restado dúvidas quanto a sua efetividade, nem questionado o valor referente à transação, devem ser consideradas como necessárias, normais e usuais para o tipo de atividade das disposições dos arts. 9° a 12 da Lei n° 9.430, de 1996, que tratam do "perdas presumidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível.
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MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Não há fundamento para a alegação de modificação de critério no lançamento de ofício, em virtude de ausência de menção expressa neste sentido na cópia do Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PERDAS COM CESSÃO DE CRÉDITOS. As perdas apuradas em transações de cessão de direitos de crédito, não tendo restado dúvidas quanto a sua efetividade, nem questionado o valor referente à transação, devem ser consideradas como necessárias, normais e usuais para o tipo de atividade das disposições dos arts. 9° a 12 da Lei n° 9.430, de 1996, que tratam do "perdas presumidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 74 /2 01 2- 11 Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 68 2 . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Souza, Júlio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1646.121, da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 38) e de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (fls. 914), do anocalendário 2007, com os enquadramentos e valores a seguir discriminados: Demonstrativo do IRPJ Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Imposto Art. 3° da Lei n°9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 340 do RIR/99. 96.037.505,13 Juros de Mora (calculados até 07/2012) Art. 6°, §2° da Lei n° 9.430/96 44.513.383,63 Multa proporcional Art. 44, I da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo Art. 14 da Lei n° 11.488/2007 72.028.128,85 Total 212.579.017,61 Demonstrativo da CSLL Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição Art. 2° da Lei 7.689/88, com as alterações do art. 2° da Lei 8.034/90; Art. 57 da Lei 8.981/95, com as alterações do art. 1° da Lei 9.065/95, Art. 2° e 19 da Lei 9.249/95; Art. 1° da Lei 9.316/96 e art. 28 da Lei 9.430/96; Arts 9° a 12 Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei 10.637/02 24.201.451,85 Juros de Mora (calculados até 07/2012) Art.6°, §2° da Lei n° 9.430/96 11.217.372,93 Multa proporcional Art. 44, I da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo Art. 14 da Lei n° 11.488/2007 18.151.088,89 Total 53.569.913,67 DA AUTUAÇÃO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL N° 4 De acordo com o TVF, o objetivo da ação fiscal concerne à correta aplicação da legislação tributária na dedução de perdas em operações de crédito, ainda que deduzidas sob título diverso "despesas com cessão de crédito", as quais foram contabilizadas e deduzidas pela instituição financeira no ano de 2007. Verificou a autoridade fiscal que, sob o título de "Receita de Recuperação de Crédito", o fiscalizado excluiu do Lucro Líquido, para fins de apuração do Lucro Real do anocalendário 2007, o valor de R$775.782.906,86. O registro fiscal foi realizado na folha n° 09 da Parte A do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR n° 24. O mesmo valor foi excluído na apuração da Base de Cálculo da CSLL, conforme registro na folha n° 08 do Livro de Apuração da Contribuição Social n° 03. Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.2002 de 24/08/2001 Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 70 4 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por SUELI SAKO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por SUELI SAKO, A fiscalização lavrou Termo de Intimação Fiscal para apresentação da relação das contas contábeis e respectivos saldos que compuseram o valor excluído. O contribuinte informou que o valor foi escriturado na rubrica contábil COSIF 7.1.9.20.00.9, denominada "RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO" e apresentou a abertura analítica desta conta, demonstrada abaixo: Subconta Título da subconta Valor 71920 0 0.9454 Recuperação de Créd. Baixados Prejuízo Receb. a vista PJ R$544.311.377,56 71920000.9455 Recuperação de Créd. Baixados Prejuízo Dação Pagamento PJ R$13.979.352,15 71920000.9497 Recuperação de Créd. Baixados Prejuízo Receb. a vista PF R$217.492.177,15 Considerando que na linha 24, da ficha 6B, da DIPJ/2008 (AC2007) intitulada "Recuperação de Crédito Baixado como Prejuízo" a soma informada foi de R$332.794.521,31 e que os balancetes contábeis da instituição apontavam a escrituração do valor de R$660.393.841,76 na rubrica "RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO", foi lavrada nova intimação na qual se requisitou do contribuinte: a) A identificação das linhas da DIPJ/2008 em que foi integralmente alocada a receita de recuperação de crédito contabilizada no ano; b) A justificativa para a divergência constatada entre os valores contabilizados e os informados na resposta apresentada. Quanto ao primeiro item, o contribuinte informou que o saldo contábil registrado no balancete de R$660.393.841,76 foi alocado na linha 30 (Outras Despesas operacionais) da ficha 05B Despesas Operacionais e nas linhas 24 (Recuperação de Créditos Baixados como Prejuízo) e 43 (Reversão dos Saldos de Provisões Operacionais) da Ficha 06BDemonstração do Resultado da DIPJ/2008. E apresentou o quadro abaixo: FICHA 06B L 24 RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO R$75.782.906,86 FICHA 06B L 43 REVERSÃO DOS SALDOS DE PROVISÕES OPERACIONAIS R$332.794.521,31 FICHA 05B L 30 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS R$448.183.586,41 7.1.9.20.000 RECEITA DE RECUPERAÇÃO DE CREDITO R$660.393.841,76 Obs. Na resposta apresentada houve inversão dos valores informados nas linhas 24 e 43 da Ficha 06B Esclareceu que o valor de R$448.183.586,41 (L30Ficha 05B) corresponde "ao prejuízo apurado no Contrato de Cessão e Aquisição e Direitos de Crédito e Outras Avenças" (cópia anexa), com a Cia. Securitizadora de Créditos Rubi, CNPJ n° 01.222.069/000122, como segue: Valor da Venda R $9.321.867,02 Receita de Recuperação de Crédito R$ 457.505.453,43 Prejuízo Apurado na Cessão R$448.183.586,41 O interessado apresentou à fiscalização planilhas analíticas da movimentação da conta contábil de Receita de Recuperação de Crédito, indicando que a parcela de R$448.183.586,41 foi levada a débito desta conta, registrada especificamente na Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 71 5 subconta 7.1.9.20.00.99454 Recuperação de Créditos Baixados como Prejuízo Recebimento à Vista PJ. Características do Contrato Afirma o auditorfiscal que o contrato foi firmado entre as partes em 28 de novembro de 2007 e teve por objeto a cessão de direitos de crédito de titularidade do cedente, contra seus clientes, decorrentes de operações listadas em anexo ao contrato. Pelo que foi estabelecido, o Banco Bradesco permaneceu como agente de cobrança e responsável pela guarda das vias originais dos Documentos Comprobatórios de Crédito, na qualidade de fiel depositário, obrigandose a prestar serviços de guarda, de custódia física, de armazenagem e de organização destes documentos. Por tais serviços, o Banco Bradesco aceitou a remuneração anual de R$3.000,00, nos quais se incluem todos os custos e despesas incorridas para a salvaguarda dos direitos do cessionário. Na cláusula 3.4 do contrato foram acordados percentuais, redutores na remuneração pelos serviços prestados pelo cedente a serem pagos a partir do segundo ano.. O preço de aquisição ajustado pelas partes foi de R$9.321.867,02, pagos mediante débito em conta corrente mantida pelo cessionário junto ao Bradesco. A cessionária é a Cia. Securitizadora de Créditos Rubi, sociedade anônima fechada, que pertence integralmente ao mesmo conglomerado financeiro de controle do Banco Bradesco S.A. e tem por atividade a securitização de créditos CNAE 64.921/00. Relatório de Precificação O fiscalizado apresentou à autoridade fiscal cópia de "Relatório de Precificação", datado de 27 de dezembro de 2007 e elaborado pela empresa KPMG Corporate Finance, em atendimento a proposta de prestação de serviços profissionais celebrada em 21 de dezembro de 2007, do qual o autuante, ao analisar as características da carteira, destacou que 34.534 contratos cedidos foram baixados contabilmente e não estavam ajuizados. O autuante intimou o contribuinte a apresentar a relação individualizada dos direitos creditórios que foram objeto do contrato de cessão, as cópias dos lançamentos contábeis escriturados em decorrência da operação e demonstrar eventuais adições e exclusões procedidas no LALUR, em função do que houve a entrega, em papel e em meio magnético, da relação dos créditos cedidos, a qual apontou o valor contábil da carteira em R$457.505.453,43. No que se refere à contabilização da operação, a instituição financeira reportou à fiscalização que estas foram procedidas de acordo com as normas estabelecidas pelo Banco Central do Brasil e prestou, dentre outros, os seguintes esclarecimentos: "Assim, de acordo com as normas do BACEN, as operações de crédito objeto da cessão não estavam mais registradas contabilmente na conta do ativo." Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 72 6 "O cumprimento da norma exigida pelo Banco Central não afetou os valores escriturados na Parte B do LALUR e LALUC, das operações objeto da cessão cujo saldo em 28/12/2007 era de R$457.505.453,43". "Salientamos que os créditos objeto da cessão no valor total de R$457.505.453,43, não haviam sido considerados dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL, uma vez que os mesmos faziam parte dos saldos em 28/12/2007 das partes B do LALUR e do LALUC." De acordo com o autuante, no momento da cessão da carteira, a instituição financeira realizou dois movimentos contábeis: a) Registrou a crédito como "RECEITA DE RECUPERAÇÕES DE CRÉDITOS BAIXADOS PARA PREJUÍZO" o valor contábil da carteira, na soma de R$457.505.45 4 Este registro contábil não surtiu efeito fiscal, haja vista que o mesmo valor foi excluído do lucro líquido na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. A escrituração efetivouse na subconta 7.1.9.20.009.9454 00000019, denominada " REC.L ERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS REC A VISTA EMPRÉSTIMOS"; b) Em seguida lançou a débito na mesma conta de "RECEITA DE RECUPERAÇÕES DE CRÉDITOS BAIXADOS PARA PREJUÍZO" o valor de R$448.183.586,41, correspondente à diferença entre o saldo contábil das operações cedidas e o valor efetivamente recebido da Cia.Securitizadora Rubi. Neste registro, o Banco Bradesco utilizou a subconta 7.1.9.20.009.94540001100/2, denominada "RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO PREJUÍZO APURADO NA CESSÃO DE CRÉDITO". Este lançamento não sofreu nenhum ajuste na apuração do lucro tributável e compôs o saldo informado na linha 30, da ficha 05B da DIPJ Outras Despesas Operacionais. Ainda sobre o tema, o contribuinte enviou à fiscalização novos esclarecimentos que objetivaram detalhar a forma de controle fiscal e contábil mantido pela instituição em relação à totalidade dos créditos baixados das contas patrimoniais e que passaram a ser controlados em contas de compensação. Segundo o roteiro contábil apresentado à autoridade fiscal, os créditos devidamente provisionados, após decorrido o prazo de inadimplência estabelecido pela norma bancária, foram patrimonialmente baixados, mediante registro a débito da conta de provisão (grupo COSIF1.6.9.00) e a crédito da conta de registro do ativo (grupo COSIF 1.6.0.00). Para fins de controle, estes créditos passaram a integrar os saldos das contas de compensação, levados a débito da rubrica "Créditos Baixados como Prejuízo" COSIF 3.0.9.60 e a crédito de "Baixas de Crédito de Liquidação Duvidosa" COSIF 9.0.9.60. Relata a fiscalização que a instituição discorreu acerca do controle existente nas contas de compensação, nas quais segregou, em subcontas distintas, os valores baixados contabilmente que foram considerados como perda dedutível na forma estabelecida pela lei 9.430/96 e aqueles que ainda não atingiram a dedução. Para este controle foram utilizadas subcontas com os títulos de "Valores baixados para Lucros e Perdas com benefício Lei 9430 (LP3) código 0008888/9" e "Valores baixados para Lucros e Perdas sem benefício Lei 9430 (LP2) código 0009999/6". Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 73 7 Segundo informado pelo contribuinte à fiscalização os valores que compuseram o saldo na subconta "Valores baixados para Lucros e Perdas, com benefício Lei 9430 (LP3) código 0008888/9" foram informados na linha 38, da ficha 09B da DIPJ/2008 () Perdas Dedutíveis em Operações de Crédito, enquanto o montante escriturado na outra rubrica compôs o saldo da Parte B do LALUR de Provisão para Devedores Duvidosos. O Banco Bradesco demonstrou pela movimentação contábil das rubricas que os valores representativos dos contratos de crédito, que foram objeto da cessão realizada, estavam escriturados na subconta LP2 (sem benefício da Lei 9430). Legislação Aplicável Afirma o autuante que o fiscalizado inseriu os fatos ocorridos no conceito de despesa operacional, decorrente de perda patrimonial advinda da operação de cessão de crédito celebrada. Entendeu a fiscalização que o contribuinte equivocouse na interpretação dada ao ocorrido e, considerando que os ativos cedidos tinham valor contábil igual zero, questionou como poderia o Bradesco ter apurado despesa ou perda na cessão realizada e como poderia tal operação influir negativamente no seu Patrimônio Líquido. Destaca que o registro contábil realizado para a reativação dos créditos negociados, escriturado por ocasião da cessão, teve como contrapartida creditada a rubrica de Recuperação de Crédito. Este lançamento foi neutralizado de impacto fiscal, mediante exclusão realizada no LALUR, deduzindo do lucro líquido o mesmo montante que fora lançado como receita tributável.. Afirma o autuante que tal recuperação não se efetivou, pois aqueles créditos que já estavam excluídos do balanço contábil, baixados para as contas de compensação, não tiveram seu valor recuperado. O lançamento contábil escriturado visou apenas o registro e valoração de um ativo, representado pela carteira cedida e a possibilidade da posterior baixa, com o consequente registro do chamado "prejuízo de cessão" este sim, deduzido das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O COSIF (Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional BACEN Circ.1273/87) na seção 6, do Capítulo 1, normatiza as regras básicas contábeis que devem ser adotadas pelas instituições financeiras relativamente às operações de crédito. No que trata da recuperação daqueles créditos baixados como prejuízo, disposto no item 11: 11 Os créditos de curso anormal baixados como prejuízo porventura recuperados registramse pelo exato valor da recuperação, a crédito de RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO, com baixa simultânea dos seus valores das respectivas contas de compensação (destacouse). Não ocorrida a efetiva "RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO" e o consequente "PREJUÍZO NA CESSÃO", foi analisada a correção e os efeitos da exclusão da parcela de R$457.505.453,43, registrada no LALUR e que deduziu os valores do IRPJ e da CSLL devidos no período. Este valor vinha até então sendo controlado na PARTE B do livro fiscal do contribuinte. Com base nos documentos e nas informações apresentadas no curso da ação fiscal, afirma o auditor que o contribuinte, em períodos passados, adicionou temporariamente estes valores, correspondente a perdas em operações de crédito, as Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 74 8 quais não poderiam ser deduzidas do lucro tributável em razão de determinação legal. Nos controles adotados pela instituição financeira, as operações de crédito que originaram a adição estavam registradas na subconta n° 0009999/6 Valores baixados para lucros e Perdas sem benefício fiscal Lei n° 9430/96. As adições realizadas pelo contribuinte objetivaram o atendimento do disposto nos artigos 9° a 14 da Lei 9.430/96, que impõem condições objetivas materiais e de acordo com a fiscalização, esta foi a real natureza da redução patrimonial sofrida pelo Banco Bradesco S.A. A cessão destes créditos a terceiros não tem o condão de modificar o que efetivamente ocorreu, ou seja, a baixa patrimonial decorrente de um empréstimo ou financiamento concedido e não recebido. lei autoriza a dedução das perdas em créditos quando o Poder Judiciário prolatar sentença de insolvência do devedor. A autorização está prevista no inciso primeiro do artigo 9° apartada de outras situações especificadas nos incisos e parágrafos seguintes do mesmo artigo. Tratase do que se convencionou chamar de Perda Efetiva ou Perda Permanente. Enquanto não consumada a Perda Efetiva, a lei autorizou nos incisos II a IV do mesmo artigo 9o, a tomada de deduções temporárias para situações de inadimplência nos créditos operacionais. Estas Deduções Temporárias exigem o atendimento de condições materiais e temporais previstas na norma. Caso o crédito não seja recebido nos cinco anos seguintes ao seu vencimento, a dedução temporária tornase definitiva, conforme regência do artigo 10 da lei. Enfim, a dedutibilidade só se confirma pela permanência das condições impostas pela lei durante cinco anos. Ocorrendo a renúncia de qualquer parcela neste espaço temporal tornase impossível a dedução. Afirma o autuante que, não obstante o contribuinte tenha informado que os créditos não se encontravam nas condições de dedutibilidade impostas pela Lei 9430/96, a análise individualizada destes, com base nas planilhas fornecidas pelo fiscalizado, permitiu concluir que ao menos parte das operações cedidas tiveram seu vencimento ocorrido em prazo superior a 5 anos contados da data da celebração do contrato de cessão, o que faculta ao credor, nos termos do artigo 10 da Lei, a baixa fiscal do crédito não recebido. Para estes contratos a fiscalização entendeu como legítima a exclusão realizada. Quanto aos demais créditos, a celebração do contrato de cessão tornou definitiva a adição do valor baixado, haja vista tratarse de desistência de cobrança com a transferência da titularidade do direito ao cessionário, tendo como contrapartida o recebimento do preço contratado. O valor excluído correspondente a estes créditos foi considerado indevido, motivo pelo qual será adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL apurados no encerramento do ano de 2007. Valores Tributáveis No quadro a seguir a fiscalização demonstrou os valores tributáveis da infração apontada neste TVF, apresentando o comparativo entre o que foi apurado pelo contribuinte e o recalculado de ofício: Apuração do Lucro Líquido Contribuinte Fiscalização Receita de recuperação de crédito R$457.505.453,43 R$0,00 Resultado na cessão realizada R$448.183.586,41 R$9.321.867,02 Valor que impactou o lucro líquido R$9.321.867,02 R$9.321.867,02 Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 75 9 Apuração do Lucro Real e base da CSLL Exclusão LALUR Recuperação de Crédito Baixado como Prejuízo R$457.505.453,43 R$ 0,00 Perdas em Crédito dedutíveis (vencidos a mais de cinco anos) R$0,00 R$73.355.432,93 Valor que impactou o Lucro Real e a base da CSLL R$448.183.586,41 R$64.033.565,91 O resultado na cessão apurado de ofício foi calculado considerandose o custo contábil dos créditos igual a zero, de tal forma que a totalidade do preço recebido (R$9.321.867,02) equivale ao resultado positivo da operação celebrada A parcela correspondente às perdas dedutíveis (R$73.355.432,93) corresponde à soma dos valores contábeis dos contratos cedidos que estavam, no final do mês de novembro de 2007, vencidos a prazo superior a cinco anos e, portanto, em condições de serem fiscalmente baixados. Foram considerados todos os contratos em que a data do atraso da primeira parcela ocorreu até 30/11/2002. A apuração do valor tributável foi assim demonstrada: VALOR TRIBUTÁVEL APURADO DE OFÍCIO Resultado da operação que compôs o Lucro Real e a BC da CSLL apurados pelo R$448.183.586,41 contribuinte Resultado da operação que compôs o Lucro Real e a BC da CSLL apurados pela R$64.033.565,91 fiscalização VALOR TRIBUTÁVEL DA INFRAÇÃO R$384.150.020,50 DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado das autuações em 07/08/2012 (fls.0309) e apresentou em 06/09/2012, a impugnação de fls. 10971137, acompanhada dos documentos de fls. 11381381, cujas alegações se resumem a seguir. Preliminares Salienta o impugnante que sofreu autuações descritas nos Termos de Verificação Fiscal n°1 e n°2, que deram origem ao processo administrativo n° 16327.720654/201252. Naquela defesa sustentou a nulidade do lançamento fiscal então elaborado porque o autuante em vez de proceder a nova apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, olvidou da existência de créditos decorrentes de saldo negativo apurado ao final do exercício que, após as devidas compensações, eram de R$28.437.984,18 de IRPJ e R$7.134.818,18 de CSLL, até hoje não utilizados. Na hipótese de o impugnante obter sucesso naquela defesa, os valores acima apontados deverão ser aqui considerados para reduzir eventual base de cálculo que venha a prevalecer. Alega que o autuante deixou de considerar o incentivo fiscal na esfera do IRPJ Programa de Alimentação do Trabalhador, pois recolhe esse tributo com redução, limitada porém, a um percentual do valor do imposto de renda devido. Assim, o autuante deveria ter recomposto integralmente a apuração do imposto devido, com a dedução proporcional da parcela adicional dos incentivos que então seria dedutível, conforme demonstrativo anexado. Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 76 10 Argumenta a defesa que em fiscalização anterior ocorrida ao longo dos anos de 2008 a 2010, foi analisada operação da mesma natureza, ou seja, operação de securitização de créditos realizada em novembro de 2005 com a empresa Safira. Sustenta que após várias intimações para esclarecimentos sobre os procedimentos adotados para registro dos créditos e da operação de cessão, que culminaram com o Termo de Intimação Fiscal de 30.11.2010, atendido em 13.12.2010, informando a adoção de procedimento idêntico ao presente, foi encerrada a fiscalização sem lavratura de auto de infração. Não poderia a autoridade fiscalizadora em 2012 lavrar o presente auto de infração desconsiderando os critérios aceitos pela fiscalização anterior e de acordo com o quais o impugnante vem agindo desde então, com o aval da fiscalização, porque tal implica em modificação de critério jurídico do lançamento, vedado em relação ao mesmo contribuinte e a fatos geradores anteriores, ou seja, só aplicável a fatos geradores posteriores à sua implementação nos termos do artigo 146 do CTN e 149 do CTN. Alega que houve nítida alteração de critério jurídico, em prejuízo do contribuinte, do primeiro para o segundo lançamento. Essa alteração de critério jurídico não pode fundamentar novo lançamento senão após a sua introdução, conforme os precedentes jurisprudenciais citados, o que impõe o cancelamento dos autos. Mérito O VALOR DA CARTEIRA NÃO É ZERO E O IMPUGNANTE SOMENTE REGISTROU COMO RECUPERAÇÃO O VALOR EFETIVAMENTE RECEBIDO Afirma o impugnante que a baixa patrimonial determinada pelo BACEN, para créditos vencidos há mais de 180 dias, não significa que o valor contábil desse crédito seja igual a zero porque ele continua sendo controlado nas contas de compensação Cosif n.° 3.0.9.60.00.0Créditos Baixados como Prejuízo e 9.0.9.60.00.2Baixa de Crédito de Liquidação Duvidosa. Aduz que manteve também os controles em contas patrimoniais. O valor dos empréstimos concedidos, objeto da Cessão no valor contábil de R$457.505.453,43, foi registrado na Conta Cosif n.° 1.6.1.00.00.4 Empréstimos e Títulos Descontados. Afirma o interessado que de acordo com as Normas do Bacen os empréstimos concedidos foram 100% provisionados (R$457.505.453,43) e registrados contabilmente a crédito da Conta Cosif n° 1.6.9.00.00.8 Provisões para Operações de Crédito. Em atendimento às normas do Bacen, após 180 dias, os valores registrados nas contas acima descritas foram baixados para Lucros e Perdas mediante registros em contas de compensação Ativa e Passiva nas contas Cosif 3.0.9.60.00.0 Créditos Baixados como Prejuízo e 9.0.9.60.00.2 Baixa de Crédito de Liquidação Duvidosa. Para fins de atendimento às normas da legislação tributária, alega o contribuinte que efetuou os seguintes registros contábeis: i. O valor dos empréstimos concedidos objeto da Cessão no valor contábil de R$457.505.453,43, registrado na Conta Cosif n.° 1.6.1.00.00.4 Empréstimos e Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 77 11 Títulos Descontados, foi transferido para a Conta Cosif n.° 1.6.1.00.00.4 Empréstimos e Títulos Descontados, sub conta Renda a Apropriar, conta interna n° 000001/9 Valores Baixados para Prejuízo. ii. O valor da Provisão R$457.505.453,43, registrado a crédito da Conta Cosif n° 1.6.9.00.00.8 Provisões para Operações de Crédito, foi transferido para a Conta Cosif n° 1.6.1.00.00.4 Empréstimos e Títulos Descontados, sub conta Renda a Apropriar, conta interna n° 009999/6 Valores Baixados para L&P sem benefício fiscal Lei 9430. Uma vez adotados estes procedimentos, na operação de Cessão de crédito afirma o contribuinte que procedeu aos seguintes registros contábeis. i. O valor da Provisão de R$457.505.453,43, registrado a crédito da Conta Cosif n° 1.6.1.00.00.4 Empréstimos e Títulos Descontados, sub conta Renda a Apropriar, conta interna n° 009999/6 Valores Baixados para L&P sem beneficio fiscal Lei 9430, foi baixado desta conta mediante registro a crédito da conta de Receita n° 7.1.9.20.00.9 Recuperações de Crédito, sub conta n° 9454 Valores baixados para Prejuízo, conta interna 0000019 Recuperações de créditos baixados como prejuízos. ii. Por outro lado, o valor dos empréstimos concedidos objeto da Cessão no valor contábil de R$457.505.453,43, registrado a débito na Conta Cosif n.° 1.6.1.00.00.4 Empréstimos e Títulos Descontados, sub conta Renda a Apropriar, conta interna n ° 000001/9 Valores Baixados para Prejuízo, foi baixado desta conta mediante registro a debito da conta Caixa R$9.321.867,02 e a debito no valor de R$448.183.586,41, Cosif n° 7.1.9.20.00.9 Recuperações de Crédito, sub conta n° 9454 Valores baixados para Prejuízo, sub conta 0001100/2 Prejuízo na Cessão. Afirma o impugnante que com os lançamentos efetuados na Cessão de Crédito registrou na conta Cosif n° 7.1.9.20.00.9 Recuperações de Crédito, o valor efetivamente recebido de R$9.321.867,02 (R$457.505.453,43 menos R$448.183.586,41, conforme registros descritos acima. Para fins de atendimento às normas estabelecidas na legislação tributária procedeu às seguintes reclassificações, para fins de elaboração da Declaração do Imposto de Renda do ano base de 2007, bem como a escrituração das Partes A e B do LALUR e LACS: i. O valor registrado a crédito da conta de Receita n° 7.1.9.20.00.9 Recuperações de Crédito, sub conta n° 9454 Valores baixados para Prejuízo, sub conta n° 000001/9 Valores Baixados para Prejuízo, no valor contábil de R$457.505.453,43, foi escriturado na DIPJ na Ficha 06 Demonstração de Resultado, Linha 43 Reversão de Saldos de Provisões Operacionais (Provisão para Devedores Duvidosos). ii. O valor registrado a débito da conta de Receita no valor de R$448.183.586,41, Cosif n°7.1.9.20.00.9 Recuperações de Crédito, sub conta n°9454 Valores baixados para Prejuízo, sub conta 0001100/2 Prejuízo na Cessão, foi escriturado na DIPJ na Ficha 05 Despesas Operacionais, Linha 25 Outras Despesas Operacionais Prejuízo na Cessão. A Ficha 09 Demonstração do Lucro Real apresentou a seguinte escrituração: Linha 65 Resultado Líquido antes do IRPJ R$9.321.867,02 (R$457.505.453,43 menos R$448 8,586,41), nas Exclusões Linha 26 () Reversão dos Saldos das Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 78 12 Provisões não Dedutíveis R$457.505.453,43, resultando em escrituração na Linha 46 Lucro Real R$448.183.586,41 (prejuízo). O mesmo procedimento foi efetuado no preenchimento da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ou seja, na linha 44 Base de cálculo da Contribuição Social foi escriturado o valor de R$448.183.586,41 (prejuízo). Aduz o interessado que considerando os procedimentos contábeis e Fiscais na Parte B do Lalur e Lacs, foi registrado na Ficha de Controle da Provisão para Devedores Duvidosos a Constituição da Provisão (adicionada na Apuração do Lucro Real e Base da CSLL) e a sua Reversão por ocasião da cessão do crédito, no valor de R$457.505.453,43. Alega que não há burla às normas do Bacen que estabelecem que as recuperações de crédito devem ser contabilizadas como receita pelo seu valor efetivamente recebido, porque foi isso o que o impugnante fez. Afirma o impugnante que na conta de receita de recuperações de crédito possui duas contas, a primeira registra o valor contábil da dívida e a segunda o valor do prejuízo na cessão, cujo líquido corresponde ao valor efetivamente recebido. O valor da receita de recuperação da primeira conta que registra o valor da dívida para fins de preenchimento da DIPJ foi reclassificado para Receita de Reversão de Provisão para Devedores Duvidosos, sendo esta receita excluída na apuração do lucro real. O valor contabilizado a débito da receita de recuperação da segunda conta (prejuízo na cessão), para fins de preenchimento da DIPJ foi reclassificada para Outras Despesas Operacionais "PREJUÍZO NA CESSÃO", sendo este valor considerado despesa dedutível pela venda do ativo a valor de mercado e operação autorizada e regulamentada pelos órgãos reguladores. Alega o impugnante que sob o aspecto substancial o resultado da operação seria o mesmo caso tivesse feito lançamentos diretos, escriturando contabilmente apenas a receita relativa ao valor recebido na cessão de crédito e efetuando a exclusão no LALUR da diferença relativa à perda definitiva então incorrida, já que quando da baixa contábil, em consonância às normas do BACEN, o valor total tinha sido adicionado. Afirma o contribuinte não restar dúvidas de que o que está pretendendo o autuante é retirar conseqüências fiscais de registros contábeis exigidos pelas normas do BACEN, as quais por estarem voltadas para o mercado investidor são extremamente conservadoras, mas não podem se sobrepor às regras fiscais. A LEI 9.430/96 NÃO SE APLICA ÀS PERDAS NA CESSÃO DE CRÉDITOS Afirma o impugnante que a fiscalização efetuou uma interpretação equivocada dos artigos 9° e 10 da Lei 9.430/96. Alega que os artigos 9° e 10 da Lei 9.430/96, cuidando de perdas possíveis, previram que se e enquanto os créditos vencidos e não pagos estiverem no patrimônio do contribuinte e houver possibilidade de seu recebimento, a sua dedutibilidade será admitida segundo prazos e condições nelas estabelecidos. Prevê, ainda, que passados 5 anos desde o vencimento, tais perdas presumemse definitivas. Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 79 13 Sustenta que a própria Lei 9.430/96 traz em detalhes, no artigo 12 os procedimentos que regem a eventual recuperação desses créditos (perda definitiva presumida). A legislação não veda que o contribuinte busque reduzir seus prejuízos promovendo a renegociação e a cessão dos créditos a empresas securitizadoras, operação disciplinada no MNI n° 020104 do Banco Central do Brasil, em atendimento às Resoluções 2.686/2000 e 2.836/2001. Aduz que as perdas incorridas na cessão de créditos nos moldes disciplinados pelo BACEN, tal como aquelas incorridas na renegociação de créditos, consubstanciam perdas já definitivas e, portanto despesas operacionais das instituições financeiras dedutíveis para efeito de IRPJ e CSLL. Tanto a renegociação de créditos como a cessão de créditos são procedimentos de efeitos equivalentes para o fim de tornar definitiva a perda da instituição financeira no recebimento de dívidas, porque em ambos os casos o credor negocia para estancar suas perdas. Alega que em relação aos abatimentos na renegociação de créditos são várias as decisões administrativas que os consideram despesas dedutíveis especialmente em se tratando de instituições financeiras. É o que ocorreu no caso concreto: a partir do trabalho elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda., que precificou a valor de mercado sua carteira de créditos de liquidação duvidosa em 2007, o impugnante negociou a cessão dessa carteira para empresa de securitização de créditos com deságio, atividade normal das instituições financeiras. A evolução legislativa que conduziu aos artigos 9o e 10 da Lei n° 9.430/96 deuse para permitir ao credor de dívida de recebimento duvidoso deduzir, do modo mais preciso, as suas perdas prováveis. Não é razoável supor que essas mesmas regras possam se prestar para impor limites às perdas definitivas do credor. Considerando que a premissa para a dedutibilidade das perdas, nos termos da Lei n° 9.430/96, é que o credor continue cobrando, administrativamente ou judicialmente, o valor correspondente, sustentar que aquelas condições são aplicáveis a créditos já baixados que não podem mais ser cobrados porque deles se deu quitação ao devedor, implicaria na criação de uma condição impossível de dedutibilidade que resultaria em manifesta ilegalidade/inconstitucionalidade (que inocorre no caso, posto que os dispositivos legais invocados pelo autuante não se aplicam às perdas definitivas como já decidido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Aduz a improcedência das exigências, por contrariar os artigos 153, III e 195, I da Constituição Federal e os artigos 43 e 44 do CTN, que prevêem que a matéria tributável é a renda ou o lucro do período, conceitos que não podem ser alterados pela legislação tributária, nos termos do que dispõe o artigo 110 do CTN, e fere, ainda, o princípio da capacidade contributiva previsto no artigo 145, §1o da CF, porque está havendo tributação de valores que, de fato, o impugnante jamais percebeu. DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA De acordo com o impugnante o artigo 139 do CTN estabelece que "o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta ". Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 80 14 Já o artigo 113 do CTN estatui que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a rig ção acessória "pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária ", nos termos do parágrafo 3 o. Aduz que, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória (de fazer). Somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal podem incidir os juros de mora. O § 1o do art. 161 do CTN só seria aplicável no silêncio da lei, e no caso o legislador, ao editar a Lei n° 9.430/96, expressamente optou por prever a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor dos tributos, contribuições e multas isoladas, e não sobre as multas de ofício exigidas como acessório juntamente com o tributo eventualmente exigido. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo como expresso no art. 3o do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições no prazos legais. Alega que a interpretação do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo está a disciplinar os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. Afirma que o artigo 43 da Lei n° 9.430/96 evidencia que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 prevê a cobrança de juros unicamente sobre o valor dos tributos e contribuições. Os juros não poderiam ser exigidos porque calculados com base na taxa SELIC acumulada mensalmente, a qual além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, manteve os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 AUTUAÇÃO FISCAL. MESMO PERÍODO DE APURAÇÃO. PROCESSO DISTINTO. A lavratura de auto de infração com formalização de outro processo administrativo, relativamente ao mesmo período de apuração, deverá seguir seu rito processual próprio até decisão final administrativa, não havendo como se aproveitar no presente processo, nesta instância julgadora, eventual Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 81 15 resultado favorável ao contribuinte que possa vir a ser obtido naquele outro processo. LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Não há fundamento para a alegação de modificação de critério no lançamento de ofício, em virtude de ausência de menção expressa neste sentido na cópia do Termo de Verificação Fiscal acostado aos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PERDAS COM CESSÃO DE CRÉDITOS. DESCARACTERIZAÇÃO DO TRATAMENTO DE DESPESAS OPERACIONAIS. O disciplinamento estabelecido pela Lei n° 9.430/96 assume um caráter de norma especial em relação às normas gerais de dedução de despesas existentes no Direito Tributário. Às perdas em cessão de créditos, são aplicáveis as normas específicas dos art. 9° a 12, da Lei n° 9.430/96, e não as normas gerais do art. 299, do RIR/99. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e, aduzindo em complemento, em apertada síntese: Preliminares Requer o sobrestamento do presente feito em função de requerimento para aproveitamento do saldo negativo do anocalendário de 2007 efetuado nos autos do processo administrativo n° 16327.720654/201252. Naquela defesa sustentou a nulidade do lançamento fiscal então elaborado porque o autuante em vez de proceder a nova apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, olvidou da existência de créditos decorrentes de saldo negativo apurado ao final do Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 82 16 exercício que, após as devidas compensações, eram de R$28.437.984,18 de IRPJ e R$7.134.818,18 de CSLL, até hoje não utilizados. Na hipótese de a Recorrente obter sucesso naquela defesa, os valores acima apontados deverão ser aqui considerados para reduzir eventual base de cálculo que venha a prevalecer. Acusa como motivo de nulidade a falta de recálculo do Programa de Integração ao Trabalhador (PAT). Tratandose de incentivo fiscal do qual a Recorrente optou por usufruir, conforme indicado em sua DIPJ (doc. 02 da defesa), e autorizando a legislação a dedução de 4% do imposto de renda devido a título de Programa de Integração ao Trabalhador (PAT), a partir do momento em que foi lavrado auto de infração para exigir IRPJ em montante superior ao declarado impõese evidentemente o recalculo do valor daquela dedução, exatamente como se faz com a eventual compensação adicional de prejuízos, o que torna nulo o lançamento em virtude da ausência de liquidez e certeza do suposto crédito tributário exigido, decorrente de levantamento mal elaborado que compromete a legalidade do lançamento em razão do descumprimento do artigo 142 do CTN. Reitera o seu pedido de nulidade do auto de infração em função de entender haver mudança de critério jurídico por parte da fiscalização, nos seguintes termos: Portanto, considerando que em lançamento anterior a Fiscalização analisou as mesmas contas contábeis e operações da mesma natureza, e naquela ocasião entendeu correto o procedimento adotado pelo Recorrente em relação à operação de securitização de créditos realizada em novembro de 2005 com a empresa Safira, da qual resultou uma perda de R$464.153.986,35 (agora foi objeto de fiscalização a operação de securitização de crédito realizada em 2007 com a empresa Cia. Securitizadora de Créditos Rubi, da qual resultou uma perda de R$448.183.586,41), é evidente que esta operação não corresponde a um lançamento de valor individual de pequena monta, mas sim a um dos valores mais significativos que foi de fato analisado na ocasião, sendo certo de qualquer modo que as operações são idênticas. Mérito Faz uma longa e detalhada exposição dos métodos de contabilização empregado, para daí concluir que o valor contábil da carteira não seria zero, como entendeu a fiscalização por ocasião da operação de cessão de créditos e que “...não há burla alguma às normas do Bacen que estabelecem que as Recuperações de crédito devem ser contabilizadas como receita pelo seu valor efetivamente recebido, porque foi isso exatamente o que o Recorrente”. Não veda a legislação que o contribuinte busque reduzir seus prejuízos de outras formas (que não a cobrança administrativa e judicial) dentre elas promovendo a renegociação dos créditos e a cessão dos créditos a empresas securitizadoras, operação disciplinada no MNI n.° 020104 do Banco Central do Brasil, em atendimento às Resoluções 2.686/2000 e 2.836/2001, como ocorreu no caso concreto (doe. 05 da defesa); Adotando uma dessas formas de solução para recuperar ao menos em parte os créditos vencidos e não pagos, as perdas que até então eram apenas possíveis, passam a ser definitivas, de modo que desse momento em diante não mais incidem as regras dos artigos 9o e 10 da Lei 9.430/96. Equivocamse o Fiscal e o v. acórdão recorrido quanto ao âmbito de aplicação da Lei n° 9.430/96, posto que em seus arts. 9º e 10 está ela cuidando apenas dos Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 83 17 limites e condições para a dedutibilidade de perdas possíveis, relativamente a valores que o credor mantém em seu patrimônio porque ainda pretende receber, enquanto as perdas incorridas na cessão de créditos nos moldes disciplinados pelo BACEN, tal como aquelas incorridas na renegociação de créditos, consubstanciam perdas já definitivas, e portanto despesas operacionais das instituições financeiras dedutíveis de imediato para efeito de IRPJ e CSL. Contrarrazões da PFN às fls. 1.475/1.497. É o relatório. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 84 18 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Preliminares Prejudicial Sobrestamento Conforme relatado, requer o sobrestamento do presente feito em função de requerimento para aproveitamento do saldo negativo do anocalendário de 2007 efetuado nos autos do processo administrativo n° 16327.720654/201252. Naquela defesa sustentou a nulidade do lançamento fiscal então elaborado porque o autuante em vez de proceder a nova apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, olvidou da existência de créditos decorrentes de saldo negativo apurado ao final do exercício que, após as devidas compensações, eram de R$28.437.984,18 de IRPJ e R$7.134.818,18 de CSLL, até hoje não utilizados. Na hipótese de a Recorrente obter sucesso naquela defesa, os valores acima apontados deverão ser aqui considerados para reduzir eventual base de cálculo que venha a prevalecer. Alem de não haver previsão legal para esse procedimento, conforme anotou a decisão de piso, não penso que seja necessário o sobrestamento do feito para lidar com essa questão em face do que ficará posto no mérito mais adiante do presente voto. Preliminar de modificação de critério jurídico feito pela fiscalização Em sua defesa, a Recorrente aduz que houve uma fiscalização anterior em que foi analisada operação da mesma natureza, tendo sido encerrada a fiscalização sem lavratura de auto de infração. Nesse caso, segundo ela, não poderia a autoridade fiscalizadora lavrar o presente auto de infração desconsiderando os critérios aceitos pela fiscalização anterior, porque tal implica em modificação de critério jurídico do lançamento, vedado em relação ao mesmo contribuinte e a fatos geradores anteriores, ou seja, só seria aplicável a fatos geradores posteriores à sua implementação, nos termos do artigo 146 do CTN e 149 do CTN. A esse respeito se diga que para haver mudança de critério jurídico tem que existir algum ato infralegal da administração (Instrução Normativa, Solução de Consulta etc) que tenha dado algum tratamento diferente a uma matéria anteriormente regulada de uma outra forma para que se tenha um marco temporal a partir do qual esse novo entendimento passa a prevalecer, do contrário não se estaria utilizandose de mudança de critério jurídico. Ora, no caso concreto não se vê a existência desse ato da administração. O que se tem é uma fiscalização anterior que, segundo a Recorrente, não procedeu com a autuação quando o contribuinte estaria, segundo ela na mesma situação fática da presente autuação. Se vingar esse entendimento da Recorrente, passase um atestado de onisciência para a fiscalização, ou seja, ela é obrigada a encontrar toda irregularidade existente Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 85 19 na empresa, pois senão, nos anos seguintes, mesmo que detectado essa irregularidade o fiscal não poderia mais autuar, sob o fundamento de que estaria mudando o critério jurídico. Como se sabe, a fiscalização trabalha muito por amostragem e que uma omissão dela, não configura um atestado de lisura de todas as operações daquele ano que foi fiscalizado. Outrossim, a esse respeito a DRJ muito bem observou essa circunstância: Observese que o impugnante anexou cópia do Termo de Verificação Fiscal (fls. 12801369) referente à mencionada fiscalização. No entanto, constatase que no item 2 Das irregularidades apuradas e do enquadramento legal deste Termo, a fiscalização fez a seguinte ressalva (fl. 1318): Diante de grande quantidade de lançamentos com relação a maioria das contas constantes de "Outras Despesas Operacionais", e sendo a maioria delas individualmente de pequena monta, efetuamos uma nova seleção mantendo o foco, para os valores mais significativos, além de serem observados outros parâmetros para nova seleção, mormente adotados pelos princípios de auditoria tributária. Desta forma, não se pode concluir que a fiscalização anterior tenha aceito os critérios adotados pelo contribuinte e considerado dedutível tal perda, pois não há menção expressa neste sentido no Termo de Verificação Fiscal apresentado. Assim, afasto a alegação de modificação de critério jurídico no presente lançamento. Mérito A fiscalização constatou que não houve a correta aplicação da legislação tributária na dedução de perdas em operações de crédito, as quais foram deduzidas sob o título de "despesas com cessão de crédito". A autoridade fiscal considerou como valor tributável o montante de R$384.150.020,50, deduzidas das perdas com créditos considerados dedutíveis (vencidos a mais de cinco anos) e considerando o custo contábil dos créditos (Receita de Recuperação de Crédito) igual a zero. Eis abaixo, o comparativo entre o que foi apurado pelo contribuinte e o recalculado de ofício que consta do TVF: Apuração do Lucro Líquido Contribuinte Fiscalização Receita de recuperação de crédito R$457.505.453,43 R$0,00 Resultado na cessão realizada R$448.183.586,41 R$9.321.867,02 Valor que impactou o lucro líquido R$9.321.867,02 R$9.321.867,02 Apuração do Lucro Real e base da CSLL Exclusão LALUR Recuperação de Crédito Baixado como Prejuízo R$457.505.453,43 R$ 0,00 Perdas em Crédito dedutíveis (vencidos a mais de cinco anos) R$0,00 R$73.355.432,93 Valor que impactou o Lucro Real e a base da CSLL R$448.183.586,41 R$64.033.565,91 Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 86 20 O resultado na cessão apurado de ofício foi calculado considerandose o custo contábil dos créditos igual a zero, de tal forma que a totalidade do preço recebido (R$9.321.867,02) equivale ao resultado positivo da operação celebrada A parcela correspondente às perdas dedutíveis (R$73.355.432,93) corresponde à soma dos valores contábeis dos contratos cedidos que estavam, no final do mês de novembro de 2007, vencidos a prazo superior a cinco anos e, portanto, em condições de serem fiscalmente baixados foram considerados pelo Fiscal em favor da Recorrente. O contribuinte, em sua defesa que houve confusão do fiscal não divisando o aspecto contábil do fiscal. Alega que a baixa patrimonial determinada pelo BACEN, para créditos vencidos há mais de 180 dias, não significa que o valor contábil desse crédito seja igual a zero, pois este continuaria sendo controlado nas contas de compensação. Para tanto, apresentou sua defesa detalhamento sobre a contabilização que teria sido realizada para a dedução promovida. Antes de adentrarmos no mérito da questão, vejamos com mais detalhes as ocorrências identificadas pela fiscalização que foram relatadas pela DRJ: (...)Inicialmente, a fiscalização verificou que sob o título "Receita de Recuperação de Crédito", o contribuinte excluiu do Lucro Líquido para fins de apuração do lucro real o valor de R$775.782.906,86, na folha n° 9 da Parte A, do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR n° 24 (fl. 41). O mesmo valor foi excluído na apuração da Base de Cálculo da CSLL, conforme registro na folha n° 8, do Livro de Apuração da Contribuição Social n° 03 (fl. 50). Após a abertura analítica desta conta pelo contribuinte, denominada "Recuperação de Créditos Baixados como Prejuízo", a autoridade lançadora verificou incongruências, obrigandoa a lavrar nova intimação fiscal (fl. 16): Pois bem, considerando que na linha 24, da ficha 6B, da DIPJ/2008 (AC2007) intitulada "Recuperação de Crédito Baixado como Prejuízo" a soma informada foi de R$332.794.521,31 e que os balancetes contábeis da instituição apontavam a escrituração do valor de R$660.393.841,76 na rubrica "RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS COMO PREJUÍZO", foi lavrada nova intimação no qual se exigiu do contribuinte: (...) A seguir, o contribuinte esclareceu que o saldo contábil registrado no balancete de R$660.393.841,76 foi alocado na linha 30 (Outras Despesas operacionais) da ficha 05B Despesas Operacionais, e nas linhas 24 (Recuperação de Créditos Baixados como Prejuízo) e 43 (Reversão dos Saldos de Provisões Operacionais) da Ficha 06B Demonstração do Resultado, da DIPJ/2008 (resposta às fls. 6264). Esclareceu, ainda, que na linha 30 (Outras Despesas Operacionais), da ficha 05B foi informado o valor de R$448.183.586,41 correspondente ao prejuízo que teria sido apurado no Contrato de Cessão com a Cia. Securitizadora de Créditos Rubi, nos seguintes termos: Valor da Venda R$ 9.321.867,0 Receita de Recuperação de Crédito R$ 457.505.453,4 Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 87 21 Prejuízo Apurado na Cessão R$448.183.586,41 O interessado também informou à auditoria fiscal que, no valor de R$775.782.906,86, estava incluída a receita de recuperação de crédito, objeto da cessão efetuada para a Cia. Securitizadora de Créditos Rubi, no valor R$457.505.453,43. O auditorfiscal afirmou que o contribuinte apresentou planilhas analíticas da movimentação da conta contábil de Receita de Recuperação de Crédito, indicando que a parcela de R$448.183.586,41 foi levada a débito desta conta, registrada especificamente na subconta 7.1.9.20.00.99454 Recuperação de Créditos Baixados como Prejuízo Recebimento a Vista PJ. (...) A Fiscalização, por sua vez, deixou bem claro no TVF o motivo pelo qual considerou a despesa indedutível, a partir da conclusão de que os ativos cedidos tinham valor contábil igual a zero, nos seguintes termos: Entende esta fiscalização que o contribuinte equivocouse na interpretação dada ao ocorrido. Para tanto, devese analisar de maneira aprofundada a natureza da despesa registrada, sobretudo quanto aos fatos que verdadeiramente impactaram o resultado do exercício e que provocaram a redução do Patrimônio Líquido da instituição. Considerandose que ativos cedidos tinham valor contábil igual zero, como poderia o Banco Bradesco ter apurado despesa ou perda na cessão realizada? Como poderia tal operação influir negativamente no seu Patrimônio Líquido? Para a resposta da questão devese atentar ao registro contábil realizado para a reativação dos créditos negociados, escriturado por ocasião da cessão e somente em razão desta, que teve como contrapartida creditada a rubrica de Recuperação de Crédito. Este lançamento foi neutralizado de impacto fiscal, mediante a exclusão realizada no LALUR, deduzindo do lucro líquido o mesmo montante que fora lançado como receita tributável. Evidente que tal recuperação não se efetivou. Em momento algum aqueles créditos que já estavam excluídos do balanço contábil, devidamente baixados para as contas de compensação, tiveram seu valor recuperado. O lançamento contábil escriturado visou apenas o registro e valoração de um ativo, representado pela carteira cedida e então a possibilidade da posterior baixa, com o consequente registro do chamado "prejuízo de cessão", este sim deduzido das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Sérgio de ludicibus, na sua obra "Teoria da Contabilidade" descreve como características de um ativo: "precisa estar incluído no ativo, em seu bojo, algum direito específico a benefícios futuros (por exemplo, a proteção à cobertura de sinistro, como direito em contraprestação ao prêmio de seguro pago pela empresa)ou, em sentido mais amplo, o elemento precisa apresentar uma potencialidade de serviços futuros (fluxos de caixas futuros) para a entidade (destacamos)"(Teoria da Contabilidade, p. 125, 10a. Edição, ed. Atlas). (...) Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 88 22 Com base nos documentos e nas informações apresentadas no curso da ação fiscal, podese afirmar que o contribuinte, em períodos passados, adicionou temporariamente estes valores, correspondente a perdas em operações de crédito, as quais não poderiam ser deduzidas do lucro tributável em razão determinação legal. Nos controles adotados pela instituição financeira, as operações de crédito que originaram a adição estavam registradas na subconta n° 0009999/6 Valores baixados para lucros e Perdas sem benefício fiscal Lei n° 9.430/96. As adições realizadas pelo contribuinte objetivaram o atendimento do disposto nos artigos 9° a 14 da Lei 9.430/96, que impõem condições objetivas materiais e temporais para a dedução das perdas decorrentes de operações de crédito próprias. Esta foi a real natureza da redução patrimonial sofrida pelo Banco Bradesco S.A. A cessão destes créditos a terceiros não tem o condão de modificar o que efetivamente ocorreu, ou seja, a baixa patrimonial decorrente de um empréstimo ou financiamento concedido e não recebido. Os valores que outrora foram adicionados ao lucro líquido, ainda que em caráter temporário, somente poderiam ser deste deduzidos quando a lei fiscal que rege a matéria assim permitisse. Como se vê o Fiscal se utiliza de dois fundamentos para manter a autuação. O primeiro fundamento indicando que na cessão de crédito ocorrida o custo dos seus ativos seria zero e que, portanto, não haveria como se efetivar nenhuma perda na cessão dos mesmos. E o segundo fundamento a cessão dos créditos não recebidos no vencimento não afastaria a aplicação das regras dos arts. 9° a 14 da Lei n° 9.430/96, referentes ao reconhecimento das perdas no recebimento de créditos. Por outras palavras, afirmou que a cessão destes créditos a terceiros não teria o condão de modificar o que efetivamente ocorreu, ou seja, a baixa patrimonial decorrente de um empréstimo ou financiamento concedido e não recebido. Dessa forma, os valores que outrora foram adicionados ao lucro líquido, ainda que em caráter temporário, somente poderiam ser deste deduzidos quando a lei fiscal (artigos 9° a 14 da Lei 9.430/96), que impõem condições objetivas materiais e temporais para a dedução das perdas decorrentes de operações de crédito próprias assim o permitisse, o que não teria sido o caso, pois qualquer valor renunciado em acordo, judicial ou extrajudicial, configuraria hipótese de desistência, devendo a ele ser aplicada a conseqüência prevista no § 1° do art. 10, qual seja, estorno ou adição ao lucro líquido da perda eventualmente registrada. Primeiro Fundamento Com razão a Recorrente em sua defesa quando alega que houve confusão do fiscal não divisando o aspecto contábil do aspecto fiscal. Alega que a baixa patrimonial determinada pelo BACEN, para créditos vencidos há mais de 180 dias, não significa que o valor contábil desse crédito seria igual a zero, pois este continuaria sendo controlado nas contas de compensação. Para tanto, apresentou sua defesa detalhamento sobre a contabilização que teria sido realizada para a dedução promovida. No caso, a baixa patrimonial é determinada pelas normas do Bacen sempre que os créditos já estiverem vencidos há mais de 180 dias isso não significando que o valor contábil desse crédito seria igual a zero, porque ele continua sendo controlado nas contas de compensação Cosif n.° 3.0.9.60.00.0 Créditos Baixados como Prejuízo e 9.0.9.60.00.2 Baixa de Crédito de Liquidação Duvidosa. Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 89 23 Por outras palavras, os lançamentos contábeis efetuados pela Recorrente para a constituição da provisão para devedores duvidosos e consequente baixa do saldo da conta do seu ativo visavam apenas atender as normas do BACEN, porém não deixaram de constar do patrimônio da Recorrente. Tal lançamento visou tão somente espelhar a possibilidade de não recebimento dos referidos créditos pelas regras do BACEN que por sua vez devem ser neutras em relação ao seu efeito fiscal, não podendo tais normas se sobrepor à legislação tributária. Portanto, não acolho o primeiro fundamento. 2ºFundamento De fato, aqui também com razão a Recorrente, pois concordo com sua alegação no sentido de que suas perdas incorridas na cessão de créditos disciplinadas pelo BACEN, em sua essência e origem, tratamse de perdas já definitivas e, neste sentido, são dedutíveis do lucro real independentemente do atendimento aos critérios da Lei nº 9.430/1996, posto que despesas operacionais das instituições financeiras. Tais perdas possuiriam natureza equivalente àquelas incorridas nas renegociações de créditos e, portanto, possuem efeitos equivalentes para o fim de tornar definitiva a perda da instituição financeira no recebimento de dívidas, porque em ambos os casos o credor negocia para estancar suas perdas. Como as questões desse último fundamento gravitam em torno da interpretação dos arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430/1996, cabe aqui transcrevêlos: Dedução “Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 90 24 § 2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. § 3º Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. § 4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. § 5º A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Registro Contábil das Perdas Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: I da conta que registra o crédito de que trata a alínea a do inciso II do § 1º do artigo anterior; II de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. § 1º Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto será considerado como postergado desde o período de apuração em que tenha sido reconhecida a perda. § 3º Se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença judicial, o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado, não sendo aplicável o disposto no parágrafo anterior. § 4º Os valores registrados na conta redutora do crédito referida no inciso II do caput poderão ser baixados definitivamente em contrapartida à conta que registre o crédito, a partir do período de apuração em que se completar cinco anos do vencimento do crédito sem que o mesmo tenha sido liquidado pelo devedor. Encargos Financeiros de Créditos Vencidos Art. 11. Após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 91 25 determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido a partir do prazo definido neste artigo. § 1º Ressalvadas as hipóteses das alíneas a e b do inciso II do § 1º do art. 9º, o disposto neste artigo somente se aplica quando a pessoa jurídica houver tomado as providências de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito. § 2º Os valores excluídos deverão ser adicionados no período de apuração em que, para os fins legais, se tornarem disponíveis para a pessoa jurídica credora ou em que reconhecida a respectiva perda. § 3º A partir da citação inicial para o pagamento do débito, a pessoa jurídica devedora deverá adicionar ao lucro líquido, para determinação do lucro real, os encargos incidentes sobre o débito vencido e não pago que tenham sido deduzidos como despesa ou custo, incorridos a partir daquela data. § 4º Os valores adicionados a que se refere o parágrafo anterior poderão ser excluídos do lucro líquido, para determinação do lucro real, no período de apuração em que ocorra a quitação do débito por qualquer forma. Créditos Recuperados Art. 12. Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título, inclusive nos casos de novação da dívida ou do arresto dos bens recebidos em garantia real. Parágrafo único. Os bens recebidos a título de quitação do débito serão escriturados pelo valor do crédito ou avaliados pelo valor definido na decisão judicial que tenha determinado sua incorporação ao patrimônio do credor.” Como já se colocou retro, defendeuse a Recorrente, invocando o preceptivo do art. 299 do RIR/99 e com base nele alegando que suas perdas incorridas na cessão de créditos tratamse, na verdade, de perdas já definitivas e, neste sentido, são dedutíveis do lucro real independentemente do atendimento aos critérios da Lei nº 9.430/96. O fato de a carteira objeto de cessão, tratada individualmente, não preencher os requisitos da Lei n. 9.430/94 nada tem a ver com a celebração do novo contrato de cessão desses créditos que tornou definitiva as perdas. Não se trata de mera liberalidade ou desistência de cobrança, mas sim de uma nova operação com características próprias onde houve transferência da titularidade do direito ao cessionário, sem coobrigação, tendo como contrapartida o recebimento do preço contratado e o custo sendo aquele já adicionado no lucro real anteriormente e controlado na Parte B do Lalur. Nesse sentido discordo do entendimento da fiscalização e da DRJ segundo o qual, qualquer valor renunciado em acordo, judicial ou extrajudicial, configuraria hipótese de desistência, devendo a ele ser aplicada a conseqüência prevista no § 1° do art. 10, qual seja, estorno ou adição ao lucro líquido da perda eventualmente registrada para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência, pois a norma não distingue “perda efetiva” de “perda presumida”. O que a Lei faz é tão somente estabelecer os requisitos e as condições que devem ser observados em cada hipótese legal de dedução de perda. Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 92 26 Outrossim, ainda que haja regra específica que regule as perdas no recebimento de crédito das pessoas jurídicas em geral, de fato, para as instituições financeiras, nada seria mais apropriado do que considerar como despesa dedutível, pelo artigo 299 do RIR/99, as perdas nas cessões de créditos, uma vez que é fato incontroverso nos autos que os valores glosados referemse às perdas verificadas na consecução de suas atividades Portanto, como as perdas são decorrentes das atividades de cessão de créditos, fato este não controverso, não há que se falar em indedutibilidade nos termos do art. (arts. 9º a 12 da Lei nº 9.430/1996), pois estas tratam apenas de disciplinar as perdas presumidas, e não as perdas efetivas, como foi o caso. Em relação aos vários tipos de perdas, tanto a fiscalização quanto a DRJ fazem uma análise a meu ver equivocada dos artigos 9° e 10 da Lei n° 9.430/96. Segundo eles as perdas referidas na Lei são as seguintes: a) efetivo: art.9°, § 1°, inciso I; b) temporário: quando o crédito atende a condições como a existência ou não de garantia, o valor da perda, o prazo em que o débito permanece vencido e não pago, existência de medidas administrativas e judiciais de cobrança do débito, previstas no art. 9°, §§2° e 3°, e c) definitivo: decorridos cinco anos do vencimento do crédito sem que ocorra sua liquidação pelo devedor, mantidos ou não os procedimentos de cobrança, ocorre a transformação da perda temporária em definitiva (art.10, §§ 1° a 4°). Passo agora a desconstruir esse entendimento da fiscalização e da DRJ: Considero que o verdadeiro entendimento do conceito de “perdas no recebimento de créditos” deve ser extraído diretamente dos parágrafos do art. 9º, isso porque o parágrafo é a disposição secundária de um artigo que esclarece a disposição principal. Dessa forma, são nos parágrafos que estão definidas “as regras objetivas” a serem observadas para a dedução das perdas no recebimento de créditos. Por outro torneio, não há uma definição legal absoluta do conceito de" perda efetiva" ou "definitiva', mas como já se disse, condições de dedutibilidade claras e objetivas. A corroborar esse entendimento, o art. 12 dispõe que “deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título” numa clara demonstração da dificuldade de separar esses dois momentos (perdas efetivas das perdas temporárias). ·A situação jurídica prevista no inciso I, do § 1º do art. 9º declaração de insolvência do devedor por sentença do Poder Judiciário, diferentemente do que quer fazer crer a fiscalização e a DRJ não configura impossibilidade jurídica de cobrança. A regra do inciso I estabelece objetivamente, como condição de dedutibilidade da perda, apenas a sentença de declaração de insolvência, não exigindo, como no caso da falência, a adoção dos procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 93 27 ·O § 1º do art. 10 não se aplica às hipóteses das alíneas “a” e “b” do inciso II, porque a lei não estabeleceu como condição de dedutibilidade da perda o início e a manutenção dos procedimentos judiciais para o recebimento do crédito. A despesa com a parcela renunciada em acordo homologado por sentença judicial, anteriormente deduzida nos termos do art. 9º da Lei nº 9.430/1996, não precisa ser estornada, ex vi do disposto no § 3º, do art. 10. Em resumo, considerando que a premissa para a dedutibilidade das perdas, nos termos da Lei n° 9.430/96, é que o credor continue cobrando, administrativamente ou judicialmente, o valor correspondente, sustentar que aquelas condições são aplicáveis a créditos já baixados que não podem mais ser cobrados porque deles se deu quitação ao devedor, de fato como aduziu a Recorrente em sua defesa, implicaria na criação de uma condição absurda de indedutibilidade. Na prática o efeito final decorrente da operação de cessão definitiva dos créditos foi uma exclusão de R$ 448.183.586 na base de cálculo dos tributos, uma vez que esse montante (R$ 448.183.586) decorre do saldo de RS 457.505.453 que se encontrava controlado na Parte B do LALUR e cuja dedutibilidade fiscal não havia sido efetuada até o momento da cessão, tornandose perda definitiva em razão da referida cessão. A Jurisprudência administrativa caminha também nesse sentido, ou seja, de que as perdas incorridas na cessão de créditos não se sujeitam às regras do art. 9° a 14 da Lei n° 9.430/96, representando despesas operacionais dedutíveis e assim, não se tratando de ato de mera liberalidade: CESSÃO DE CRÉDITOS BAIXADOS PARA PREJUÍZO. VALOR RECUPERADO EQUIVALENTE AO PREÇO DA CESSÃO. USUALIDADE, NORMALIDADE E NECESSIDADE DA DESPESA COM O DESÁGIO. Nas operações de cessão de créditos de recuperação duvidosa, o valor a ser computado na apuração de IRPJ e CSLL é igual ao preço da cessão. Os descontos concedidos são usuais, normais e necessários a esse tipo de negócio. (Acórdão n° 1402001.456) IRPJ GLOSA DE DESPESA DEDUTIBILIDADE PERDAS EM CESSÃO DE CREDITO As perdas apuradas em transações de cessão de direitos de crédito, não tendo restado dúvidas quanto a sua efetividade, nem questionado o valor referente à transação, devem ser consideradas como necessárias, normais e usuais para o tipo de atividade desenvolvida pela empresa, e não há como questionar a dedutibilidade correspondente à diferença, em face da legislação de regência. (Acórdão n° 10194.233) PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DISPOSIÇÕES DA LEI N° 9.430, DE 1996. NATUREZA. As disposições dos arts. 9° a 12 da Lei n° 9.430, de 1996, cuidam do que se poderia denominar PERDAS PRESUMIDAS, ou seja, encerram presunções legais de perdas efetivas a partir das hipóteses ali elencadas. Assim, na circunstância em que o contribuinte por meio de acordo com o devedor, lhe concede desconto com o intuito de solucionar a pendência financeira, fica caracterizada, em relação à parte não Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 94 28 alcançada pelo citado acordo, perda efetiva, dedutível nos termos do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99).(Acórdão n° 1301002.011) A DRJ aduz ainda um outro motivo complementar para não dar razão ao contribuinte: Acerca do argumento de que tal operação seria necessária e usual, é necessário observar a disparidade entre o valor cedido e o valor de venda da cessão, pois, de um valor original de R$457.505.453,43, o contribuinte aceitou receber a quantia de R$9.321.867,02, ou seja, a instituição financeira considerou como necessário e usual receber somente 2,04% do valor original. Tal constatação demonstra que é preciso considerar a operação levada a efeito pelo interessado com especial atenção, já que a princípio não é razoável que uma empresa considere usual haver uma perda como a demonstrada no caso concreto, a qual poderia comprometer a própria solvabilidade da instituição financeira. Esclareçase também que o elevado deságio concedido na operação de cessão de crédito constitui perda para a empresa que o concedeu e é uma liberalidade do credor, que está abdicando do direito de exigir o cumprimento total da obrigação pelo devedor, renunciando ao montante cedido. A esse respeito esclareçase que tais questões são de ordem subjetiva que precisariam ser melhor investigadas e aprofundadas pelo fiscal de forma a demonstrar que estariam fora do preço de mercado, o que não foi o caso. O que se tem é que referida operação foi respaldada e detidamente precificada por perito independente da KPMG, operação não infirmada pela fiscalização. A Recorrente negociou a cessão dessa carteira para empresa de securitização de créditos com deságio, atividade normal das instituições financeiras. Aduziu ainda a DRJ que a cessão de créditos representa um perdão da dívida na parte em que houve deságio. Não concordo também com tal conclusão. Não há na cessão de crédito perdão alguma dos créditos, mas sim transferência dos créditos com deságio. A empresa que recebeu a carteira pode até recuperar toda a carteira e essa recuperação será nela tributada, o que denota que não há perdão da dívida. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Por todo o exposto, Rejeito as preliminares e, no mérito, DOU provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720974/201211 Acórdão n.º 1401001.649 S1C4T1 Fl. 95 29 Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 15/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 14337.000315/2008-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/12/2002
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. RELATÓRIO FISCAL. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DAQUILO O QUE DISPOSTO NO ART. 142 DO CTN. NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO MATERIAL. Uma vez que o relatório fiscal não aponta de forma clara e precisa todos os fundamentos de fato e direito ensejadores do lançamento, deixando de apresentar a devida motivação da própria ocorrência dos fatos geradores das contribuições, é imperiosa a necessidade de declaração da nulidade da NFLD combatida visando assegurar os Princípios Constitucionais do Contraditório e Ampla Defesa pela ocorrência de vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ARBITRAMENTO. RELATÓRIO FISCAL. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DAQUILO O QUE DISPOSTO NO ART. 142 DO CTN. NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO MATERIAL. Uma vez que o relatório fiscal não aponta de forma clara e precisa todos os fundamentos de fato e direito ensejadores do lançamento, deixando de apresentar a devida motivação da própria ocorrência dos fatos geradores das contribuições, é imperiosa a necessidade de declaração da nulidade da NFLD combatida visando assegurar os Princípios Constitucionais do Contraditório e Ampla Defesa pela ocorrência de vício material. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 03 15 /2 00 8- 25 Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 14337.000315/200825 Acórdão n.º 2402005.200 S2C4T2 Fl. 137 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por R R SERVIÇOS FLORESTAL LTDA, em face de acórdão que manteve o lançamento constante da NFLD 35.580.7432, referente às contribuições devidas pela mesma à Seguridade Social, parte dos segurados e patronal e não recolhidas em tempo hábil. O presente lançamento teve como fato gerador a remuneração dos segurados, sendo que a constituição do crédito tributário ocorreu pela via da aferição indireta, face a ausência de apresentação dos livros contábeis bem como da inexistência de contabilidade regular necessários à instrução da ação fiscal. Conforme relatório fiscal de fls. , a autoridade fiscal utilizou como base de cálculo dos saláriosdecontribuição apurados, o percentual de 30% (trinta por cento) sobre os valores contidos nas notas fiscais emitidas por mês, observadas as respectivas deduções dos recolhimentos efetuados pela Recorrente, como demonstram o Relatório de Guias de Recolhimentos Registrados — GRR às fls. 20121 e Relatório de Apropriação de GPS — APGPS (fls. 2212). O lançamento compreende as competências de 01/09/2000 a 30/12/2002 tendo sido o contribuinte cientificado em 23.06.03 (fl.48. ) A impugnação interposta foi analisada e sobreveio a decisão notificação que manteve a integralidade do lançamento. Em face de referida DN, de n° 12.401.4/0305/2004 (fls. 62/65), o contribuinte interpôs o competente recurso administrativo (fls. 72/125) dirigido ao Egrégio Conselho de Recursos da Previdência Social, através do qual sustentou, entre outros argumentos, a necessidade reforma da decisão já emitida, com declaração de improcedência da NFLD, sustentando ainda afronta a fundamentos jurídicos constitucionais, discordância quanto depósito recursal, ilegalidade da aferição indireta e a existência de vícios na redação do relatório fiscal, que seria tecnicamente confusa e imprecisa. Antes mesmo do envio do recurso ao CRPS, a própria Secretaria da Receita Previdenciária, ao sanear o feito, achou por bem proferir nova Decisão Notificação nos autos, esta de n. 12.401.4/0050/2005 (fls.508/513), anulando a DN originária, pois verificou, que à época da intimação, o prazo recursal concedido ao contribuinte para apresentação de recurso administrativo foi de 15 dias, ao invés de 30, conforme previsão legal. Essa segunda DN, contudo, não apreciou as questões arguidas no recurso interposto pela Recorrente, tudo na forma estabelecida no art. 26 da Portaria MPS n° 520, de 19/05/2004, que então, de acordo com seu art. 1° regia o contencioso Administrativo Fiscal no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social INSS. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Após devidamente cientificada, a contribuinte apresentou razões aditivas ao recurso, na forma de recurso voluntário, observado o novo prazo de 30 (trinta) dias. Mais uma vez, novamente antes do envio dos autos ao CRPS e já interposto o recurso voluntário, a Secretaria da Receita Previdenciária achou por bem, emitir o Despacho n. 12.401.41055 (fls.538/539), através da qual entendeu pela necessidade da lavratura de um novo relatório fiscal a fundamentar o lançamento, por ofensa ao disposto no art. 37 da Lei 8.212/91, em virtude da ausência de motivação e clareza para o lançamento. A seguir, transcrevo os argumentos adotados a justificar tal conclusão: Destarte, verifico que realmente o Relatório Fiscal emitido pela autoridade notificante, de fls. 37/38 carece de elementos que possibilite à empresa o pleno e amplo exercício de sua defesa, haja vista que: a) o seu subitem 1.1 apresentase obscuro e com incorreções, quando afirma que o período do lançamento, 09/2000 a 13/2002, referese a IR período anterior à implantação da GFIP, o que não é verdade, bem como quando referese no mesmo subitem ao período de 01/1995 a 13/1998, que não fica claro se é ou não pertinente ao AI a que se refere a Auditora notificante no Relatório, que por sua vez, é anterior ao período do lançamento; b) no item 2, fundamenta seu arbitramento, pela aplicação do percentual de 30% (trinta por cento) com base no subitem 17, da Ordem de Serviço INSS/DAF n° 209, de 2010511999, publicada no DOU de 28105111999 mais vigente quando do lançamento. À fl. 541, consta resposta da autoridade fiscal que deveria cumprir o despacho supracitado, informando a impossibilidade de emitir novo relatório sem a abertura de procedimento de fiscalização, cujo teor é o seguinte: “(...)Em cumprimento a determinação de fls. 540, de 0710212006, que remete ao Despacho N° 12.401.4105512005, de fls. 5381539, o qual solicita a realização de diligência para emissão de novo Relatório Fiscal com as devidas correções para sanar as omissões detectadas pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos, informamos a impossibilidade no atendimento do solicitado, e., razão da necessidade de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, para obtenção de algumas informações atinentes ao lançamento em epígrafe.(...)” Diante da impossibilidade do atendimento, os autos foram enviado à DRJ de Belém, para que determinasse as providências que entendesse cabíveis no caso. Ao analisar todo o caminho percorrido por este processo, a DRJ enviou os autos a este Eg. Conselho para análise do recurso voluntário já interposto pela parte interessada, tendo em vista que o despacho n. 12.401.41055 (fls.538/539), que determinou a nulidade do lançamento e a emissão de novo relatório fiscal não teve o seu devido cumprimento, de modo que, por este motivo, restou incólume o Relatório Fiscal originário. A recorrente junta o Aditivo de Recurso Voluntário de fls. 599/621, alegando, em apertada síntese, que os lançamentos referentes ao levantamento N FOLHA PAG! CONTÁBIL, referemse a um período anterior ao da implantação da GFIP, ou seja, em 09/2000 a 13/2002; que discorda da aferição indireta aplicada pela autoridade fiscal, e que não houve a devida compensação do débito que alega ser inexistente. Requer, por fim, o cancelamento da NFLD combatida. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 14337.000315/200825 Acórdão n.º 2402005.200 S2C4T2 Fl. 138 5 Juntou documentação sobre o assunto. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e seu aditivos bem como presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Antes mesmo de adentrar ao mérito das alegações cumpre trazer importantes esclarecimentos que levarão ao deslinde da matéria em debate. Verificase no decorrer de todo o percurso do processo fiscal em tela a ocorrência de vários incidentes processuais que, a meu ver, já possuem força suficiente a demonstrar a impossibilidade de manutenção do crédito tributário objeto da presente NFLD. Explico. Após ser devidamente cientificado da decisão que manteve o crédito tributário, houve a interposição do Recuso Voluntário (fl.), ao CRPS, uma vez que se tratava de autoridade competente à época. A partir de então, antes mesmo da apreciação do Recurso em comento, verificase uma primeira decisão que anulou a DN n........., pois verificouse, à época, que o prazo recursal concedido ao contribuinte para apresentação de recurso foi de 15 dias, ao invés de 30, conforme previsão legal Assim, a Recorrente apresentou tempestivamente o aditivo de recurso voluntário (fl.) . Mais uma vez, sem que houvesse a apreciação do Recurso Voluntário da Recorrente bem como de seu Termo Aditivo, sobreveio um despacho (fls. 538), da Secretaria da Receita Previdenciária que apontou a necessidade da lavratura de novo relatório fiscal, por ofensa ao disposto no art. 37 da Lei 8.212/91, em virtude da ausência de motivação e clareza do relatório fiscal originário a justificar o lançamento. Nessa oportunidade, reconhecendo a nulidade, determinou que fosse lavrado novo relatório fiscal (fls.) o que não fora cumprido em razão da necessidade de emissão de novo Mandado de Procedimento Fiscal. Pois bem, após a ocorrência de tais fatos, a DRJ de Belém, vislumbrando que havia um recurso voluntário interposto, enviou os autos do presente processo a este Conselho para julgamento, de modo que passo a julgálo. E ao analisar os argumentos dele constantes, vejo que todo o encalço processual verificado nos autos deuse em razão de importante constatação feita pela própria Secretaria da Receita Federal, no caso, a imprestabilidade do relatório fiscal diante da falta de clareza e precisão, exigidas por Lei a justificar o lançamento do crédito tributário. A demonstrar tal posição, trago à baila, oportunamente, as conclusões constante no Despacho n° 12.401.4/55,de 31/10/2005, constante de fls.538/539, senão vejamos: Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 14337.000315/200825 Acórdão n.º 2402005.200 S2C4T2 Fl. 139 7 “Ante a análise dos autos, cumpreme tecer as seguintes considerações, frente ao disposto no caput do art. 37, da Lei n° 8.212191, que diz: "Constatado atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento" (grifo nosso): 10. O Relatório Fiscal, peça integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, tem por finalidade: transmitir claramente ao notificado a origem do débito, oportunizandolhe ampla defesa e contraditório, propiciar adequada análise do processo de débito decorrente da NFLD e ensejar atributo de certeza do débito a futura execução fiscal. 11. Destarte, verifico que realmente o Relatório Fiscal emitido pela autoridade notificante, de fls. 37138 carece de elementos que possibilite à empresa o pleno e amplo exercício de sua defesa, haja vista que: a) o seu subitem 1.1 apresentase obscuro e com incorreções, quando afirma que o período do lançamento, 0912000 a 1312002, referese a período anterior à implantação da GFIP, o que não é verdade, bem como quando referese no mesmo subitem ao período de 0111995`a 1311998, que não fica claro se é ou não pertinente ao AI a que se refere a Auditora notificante no Relatório, que por sua vez, é anterior ao período do lançamento; b) no item 2, fundamenta seu arbitramento, pela aplicação do percentual de 30% (trinta por cento) com base no subitem 17, da Ordem de Serviço INSS/DAF n° 209, de 2010511999, publicada no DOU de 28105111999 mais vigente quando do lançamento. 12. Tendo em vista as garantias constitucionais ao devido processo legal, a preservação dos créditos da Previdência Social, 'as, princípios que regem a administração tributária e o processo administrativo fiscal e embasada no art. 11 da Portaria GM/MPS n° 520, de 1910512004, solicito a realização de diligência, a fim de que a Auditora Fiscal de Previdência Social AFRFB notificante emita novo Relatório Fiscal, desta feita, com as devidas correções, o qual será remetido ao contribuinte com reabertura de prazo de defesa, a fim de não caracterizar cerceamento de defesa e do contraditório. (...)” Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 De fato o relatório fiscal é por demais simplório e não possui qualquer clareza, que permita o pleno exercício do direito defesa, situação que caracteriza a inobservância do disposto no art. 142 do CTN a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da análise do relatório fiscal e a forma pelo qual foi elaborado, dele não se depreende a indicação de todos os fundamentos de fato e de direito aptos a justificar a lavratura da NFLD e a imposição fiscal. O documento carece da devida e precisa motivação, o que não proporciona ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais não informadas, devendo ser o lançamento anulado por vício material. Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre exatamente em casos como o presente, quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Guarda relação com o conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente o sujeito passivo, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Aliás, o artigo 37 da Lei nº 8.212/91 (utilizado pela própria SRFB a justificar a necessidade de novo relatório fiscal), com mais especificidade, impõe ao fiscal autuante a discriminação clara e precisa dos fatos geradores do débito constituído, in verbis: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.”’ (grifamos) No mesmo sentido, o artigo 50 da Lei nº 9.784/99 estabelece que os atos administrativos devem conter motivação clara, explícita e congruente, sob pena de nulidade, vejamos: Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 14337.000315/200825 Acórdão n.º 2402005.200 S2C4T2 Fl. 140 9 “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Consoante se infere dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo. A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal por vício material. Outro não é o entendimento do ilustre Dr. Manoel Antônio Gadelha Dias, ex presidente do 1º Conselho de Contribuinte, conforme se extrai do excerto de sua obra “O Vício Formal no Lançamento Tributário”, nos seguintes termos: “[...] O defeito na descrição do fato, por exemplo, não pode caracterizarse mero vício formal, pois a descrição do fato está intimamente ligada à valoração jurídica do fato jurídico, requisito fundamental do lançamento. A descrição do fato defeituosa tanto pode configurar nulidade de direito material como de direito processual. Estaremos diante da primeira situação quando o vício atinge o motivo do ato, ou seja, o seu pressuposto objetivo, que corresponde à ocorrência dos fatos que ensejaram a sua prática.” (Tôrres, Heleno Taveira et al. – coordenação – “Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados – São Paulo : Quartier Latin, 2005, p. 348) Vejamos o que diz a jurisprudência do CARF sobre o assunto: Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/03/2009 AUTO DE INFRAÇÃO NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. SAT/GILRAT. RE ENQUATRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FÁTICA. O reenquadramento de alíquota do SAT/GILRAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 10 ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio, desde que mais favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Número do Processo15889.000300/201006ContribuinteREFORBUS BOTUCATU REFORMA DE ONIBUS LTDA ME Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIOData da Sessão Relator(a)GUSTAVO VETTORATO Nº Acórdão2803002.106 Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10920.900688/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002
DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA.
É de se deferir o pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, quando, na realização de diligência requerida pelo Colegiado, restar comprovada a existência de parte do direito creditório pleiteado pela interessada.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3201-002.145
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO.COMPENSAÇÃO Recorrente MARISOL INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. É de se deferir o pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, quando, na realização de diligência requerida pelo Colegiado, restar comprovada a existência de parte do direito creditório pleiteado pela interessada. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 06 88 /2 00 8- 67 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, com origem no 4° trimestre de 2002, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão anteriormente proferida por este Colegiado Administrativo: Em 24/04/2008, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 63 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 24.005,37 referente ao 4º trimestrecalendário de 2002, nada reconheceu, e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 34873.40684.121203.1.3.019052. Motivos da redução do valor pleiteado: a) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; b) constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor estão disponíveis para consulta no sítio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A requerente, inconformada com a decisão administrativa cientificada por AR em 06/05/2008, conforme comprovante de fl. 102, apresentou, em 05/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 64/84, subscrita pelo patrono devidamente constituído, em que, em síntese, sustenta que há nulidade do Despacho Decisório, nos termos do PAF, art. 59, II, em virtude de erro de capitulação legal, ou até falta de fundamentação legal, que implica cerceamento do direito de defesa; houve um erro no PER/DCOMP nº 01132.53940.150794.1.3.013276 quanto ao primeiro decêndio de dezembro de 2003, tendo sido considerado como débito (estorno de crédito) o valor de R$ 133.840,64 alusivo, na verdade, a estorno de ressarcimento de créditos; a requerente tem direito à compensação conforme previsão legal. Por fim, requer que a manifestação de inconformidade seja recebida e acatada e que a compensação declarada no PER/DCOMP seja deferida, sendo legítima a existência do crédito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. O saldo credor ressarcível de cada trimestrecalendário é apurado mediante o confronto de créditos e débitos de cada período de apuração, sendo passíveis de glosa os créditos Fl. 356DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900688/200867 Acórdão n.º 3201002.145 S3C2T1 Fl. 356 3 ressarcíveis não admitidos e os créditos não ressarcíveis; o estorno do montante do pleito é feito na data da transmissão de PER/DCOMP, estando sujeito à apuração do menor saldo credor. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO PARCIALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DOS PERÍODOS SUBSEQUENTES. MENOR SALDO CREDOR INFERIOR AO VALOR PLEITEADO. Sendo o saldo credor ressarcível do período do ressarcimento parcialmente absorvido por débitos dos trimestres subsequentes (saldo credor não ressarcível em relação aos trimestres subsequentes), o menor saldo credor é inferior ao valor pleiteado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: essas informações a que o julgador cita que a contribuinte consegue no site da Receita Federal do Brasil não é verdadeira, pois nem todas elas estão disponíveis para consulta. Como exemplo, citase a questão do saldo credor do período anterior considerado pelo fisco; a questão debatida nos autos não se refere tão somente as informações complementares da análise do crédito, mas também ao enquadramento legal apontado no despacho decisório e que não foram sequer analisadas pelo julgador de primeira instância; insiste que o erro incorrido foi que, neste PER/DCOMP original, o valor de R$ 133.840,64 (cento e trinta três mil, oitocentos e quarenta reais e sessenta e quatro centavos) foi informado na linha “Estorno de Créditos”, quando na realidade deveria ser na linha abaixo, “ressarcimento de créditos”; ao elaborar o demonstrativo de apuração do saldo credor ressarcível após a apresentação de PER/DCOMP, o Fisco considera o valor de R$ 133.840,64 como débito, conseqüência do lançamento tido como “estorno de crédito”, fato este que resultou na apuração do menor saldo credor se zero fosse; a partir da correção no lançamento do valor de R$ 133.840,64, exsurge o crédito passível de ressarcimento requerido pela Contribuinte, de maneira que se mostra inerente o acatamento do PER/DCOMP em tela. Por fim, requereu que seu recurso você recebido para: acatar as preliminares arguidas, determinado a nulidade do despacho decisório e consequente deferimento do Pedido de Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Ressarcimento/Compensação, por inexistência de dispositivo legal infringido; que fosse reconsiderada a decisão do julgador simples a fim de que seja determinada a homologação das compensações realizadas. Posteriormente, apresentou outra petição denominada “Esclarecimentos ao Recurso Voluntário” em que requer a juntada do Livro de Apuração de IPI para comprovar a legítima existência de crédito originado de ressarcimento de IPI a fazer frente às compensações realizadas. Após esclarecer a apuração de seu saldo credor de IPI, pontua que as cópias do Livro RAIPI comprovam que em setembro de 2003, o saldo credor da contribuinte era de R$ 130.803,40, e não R$ 46.072,40 como apurou a fiscalização. Aduz que do montante de R$ 133.840,64 lançados a débito pelo Fisco, comprovase pelo livro fiscal de IPI de 12/2003 que o valor de R$ 131.191,85 referese a estornos de ressarcimentos de créditos de IPI, não devendo, portanto, fazer parte da apuração realizada pelo fiscal, haja vista que o saldo credor do período anterior já está ajustado pelos ressarcimentos realizados. Reitera que as cópias do Livro RAIPI comprovam que o saldo credor do período anterior, ao invés de R$ 46.072,40, totalizava R$ 130.803,40. Por último requer o recebimento de sua petição com a juntada do Livro de Apuração de IPI. É o relatório. Com fundamento nas razões que expôs, a então 1ª Turma Especial, por meio da Resolução nº 3801000.799, de 19/8/2014, baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade de origem apurasse a legitimidade do ressarcimento pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil e que cientificasse a interessada quanto ao teor dos cálculos a serem realizados. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo consta dos autos, a Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito de IPI, com fundamento na Lei nº 9.779, de 1999, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.900688/200867 Acórdão n.º 3201002.145 S3C2T1 Fl. 357 5 O indeferimento parcial deveuse ao fato de que no Livro Registro de Apuração do IPI no Período de Ressarcimento Saídas, utilizouse indevidamente a linha Estorno de Créditos quando o correto seria a linha Ressarcimento de Créditos. Depois de proferida decisão pela DRJ, os autos chegaram, por interposição de recurso voluntário, a este Colegiado. Em julgamento anterior, a então 1ª Turma Especial, em face dos argumentos delineados na irresignação, baixou os autos em diligência, a fim de que, com base nos documentos colacionados, recalculasse o crédito de IPI que a Recorrente teria direito. No Relatório de Diligência de fls. 343 e ss., a fiscalização promoveu a reapuração do saldo credor de IPI, estimandoo, para o 4º trimestre de 2002, em R$ 22.413,37, valor pouco inferior ao pleiteado pela Recorrente no PER/DCOMP (R$ 24.005,37; fl. 04). Portanto, a controvérsia restou dirimida com a realização da diligência. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 22.413,37 (vinte e dois mil, quatrocentos e treze reais e trinta e sete centavos). É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10480.731156/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
NULIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE EMBARGOS. DESCOMPASSO ENTRE OS MOTIVOS DA DECISÃO E AS RAZÕES DO RECURSO.
É nulo, por preterição do direito de defesa, o despacho que nega conhecimento a embargos com base em fundamentos que não guardam relação com as razões do recurso. COMPETÊNCIA PARA ANULAÇÃO. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade, subsistindo válida a decisão dos Presidentes de Câmara e da CSRF que anula os atos praticados em razão do exame de admissibilidade do recurso especial e o despacho viciado, restituindo os autos à Presidência da Turma Ordinária, que convalidou a suscitada incompetência daquelas autoridades, refazendo o juízo de admissibilidade dos embargos aos quais foi negado conhecimento.
SEGUNDOS EMBARGOS OPOSTOS SOBRE A MESMA DECISÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
É flagrante a preclusão que paira sobre os segundos embargos de declaração opostos, quando se pretende suprir eventuais omissão e contradição decorrentes do acórdão proferido em recurso voluntário e a matéria não foi objeto dos primeiros embargos opostos.
Numero da decisão: 1302-001.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os : 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do despacho anulatório, vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, acompanhado pelos Conselheiros Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado, este votando pelas conclusões, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) por unanimidade de votos, os terceiros embargos foram CONHECIDOS; e 3) por maioria de votos, os terceiros embargos foram ACOLHIDOS sem efeitos infringentes, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Edeli Pereira Bessa que não declaravam a preclusão consumativa dos segundos embargos e prosseguiriam na análise. Farão declaração de voto os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Edeli Pereira Bessa.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Felix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida VALE VERDE EMPREENDIMENTOS AGRÍCOLAS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE EMBARGOS. DESCOMPASSO ENTRE OS MOTIVOS DA DECISÃO E AS RAZÕES DO RECURSO. É nulo, por preterição do direito de defesa, o despacho que nega conhecimento a embargos com base em fundamentos que não guardam relação com as razões do recurso. COMPETÊNCIA PARA ANULAÇÃO. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade, subsistindo válida a decisão dos Presidentes de Câmara e da CSRF que anula os atos praticados em razão do exame de admissibilidade do recurso especial e o despacho viciado, restituindo os autos à Presidência da Turma Ordinária, que convalidou a suscitada incompetência daquelas autoridades, refazendo o juízo de admissibilidade dos embargos aos quais foi negado conhecimento. SEGUNDOS EMBARGOS OPOSTOS SOBRE A MESMA DECISÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. É flagrante a preclusão que paira sobre os segundos embargos de declaração opostos, quando se pretende suprir eventuais omissão e contradição decorrentes do acórdão proferido em recurso voluntário e a matéria não foi objeto dos primeiros embargos opostos. Vistos, relatados e discutidos os : 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do despacho anulatório, vencido o Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, acompanhado pelos Conselheiros Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado, este votando pelas conclusões, sendo designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 2) por unanimidade de votos, os terceiros embargos foram CONHECIDOS; e 3) por maioria de votos, os terceiros embargos foram ACOLHIDOS sem efeitos infringentes, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 11 56 /2 01 1- 03 Fl. 865DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 Barros Fernandes Wipprich e Edeli Pereira Bessa que não declaravam a preclusão consumativa dos segundos embargos e prosseguiriam na análise. Farão declaração de voto os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Edeli Pereira Bessa. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. EDELI PEREIRA BESSA Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Felix. Relatório Versa o presente relatório sobre embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão 1302001.187, cuja ementa e voto assim dispõem: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONSULTA JURÍDICA. NÃO CONHECIMENTO. Os embargos de declaração não são veículo para apresentação de consulta jurídica nem o CARF é órgão consultivo do Ministério da Fazenda. Os embargos de declaração são tempestivos, razão pela qual passo a analisar os outros pressupostos de admissibilidade. Os embargos de declaração são o remédio processual adequado quando a decisão embargada incorre em obscuridade, em contradição entre a sua fundamentação e a sua parte dispositiva; ou em omissão na apreciação de algumas das questões preliminares ou de mérito que compõem o pedido da parte. No presente caso, equivocase rotundamente a embargante, pois, o item 001 do lançamento foi cancelado por insuficiência das provas coligidas aos autos, por entender o acórdão embargado que: “Ora, por esse histórico, uma receita que deveria ter sido reconhecida em 2006, foi equivocadamente lançada em 2007. Então, não se trata de glosa de despesa lançada a maior em 2006. Poderia até ser matéria tributável em 2006, caso não se configurasse em mera postergação, mas a auditoria também foi inconclusa neste ponto. Assim, repito que não poderiam ter sido glosadas despesas de 2006, apenas pela análise de lançamentos contábeis efetuados em 2007 e sem sequer se aprofundar na análise do lastro documental dos lançamentos glosados em 2006. Por tudo isso, concluo que a auditoria fiscal foi inconclusa levando a inconsistentências nos lançamentos efetuados, razão pela qual voto pelo Fl. 866DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 866 3 cancelamento do crédito tributário referente ao item 001 do auto de infração e o seu correlato no auto de infração da CSLL.” Ademais, ainda que a decisão embargada tivesse declarado nulo o lançamento do item 001 do auto de infração em tela, não seria o caso de se conhecer dos presentes embargos, pois este Conselho não é órgão consultivo, razão pela qual só deveria se pronunciar sobre tal questão se e somente se, posteriormente, houvesse a repetição do lançamento anulado com suporte no art. 173, II, do CTN. Como se vê, estamos diante de mais um entre tantos casos de manejo flagrantemente abusivo de embargos de declaração, conduta que muito tem contribuído para o desprestígio desse importante instrumento processual. Em face do exposto, voto por não conhecer dos embargos de declaração.”. Em Despacho a fls. 822, o Presidente da 2ª TO/3ª Câmara/1ª Sejul não conheceu dos embargos de declaração ora em julgamento, pelos seguintes fundamentos: “Com base no § 3º do art. 65 do Anexo II do RICARF, não conheço dos segundos embargos opostos pela Fazenda Nacional, pelos mesmos fundamentos do Acórdão nº 1302001.472, que não conheceu do primeiro embargos de declaração por ela apresentados. Dêse ciência deste despacho à PFN, antes destes autos prosseguirem no seu trâmite normal.”. Cientificada do Despacho a fls. 822, a Fazenda Nacional interpôs o recurso especial a fls. 824, ao qual foi negado seguimento por Despacho da Presidente da 3ª Câmara da 1ª Sejul a fls. 837 e ratificado por Despacho do Presidente da CSRF a fls. 842 e segs.. A fls. 845, a Fazenda Nacional apresentou petição, na qual alega o seguinte: “A União (Fazenda Nacional), por meio desse requerimento, vem solicitar a análise dos seguintes fatos que não foram examinados pelos Despachos de efls. 837 a 843. Em relação ao item 2.1 do recurso, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF entendeu que se tratava de pleito estranho e que deveria ter sido feito em petição própria. É válido destacar que o erro material foi levado ao conhecimento da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF em momento anterior, mas esta rejeitou os Embargos da União, afirmando que estes não eram o meio processual adequado (efls. 814/822). Ao defender que esse pleito é estranho ao recurso especial, a 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF voltase contra seu próprio comportamento, pois não admitiu o documento de efls. 814/820, afirmado que não era a via processual própria. O Superior Tribunal de Justiça decidiu: "o direito moderno não compactua com o venire contra factum proprium, que se traduz como o exercício de uma posição jurídica em contradição com o comportamento assumido anteriormente (MENEZES CORDEIRO, Da Fl. 867DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 Boafé no Direito Civil, 11/742). Havendo real contradição entre dois comportamentos, significando o segundo quebra injustificada da confiança gerada pela prática do primeiro, em prejuízo da contraparte, não é admissível dar eficácia à conduta posterior”. (Resp n. 95539SP Relator Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR) Ademais, convém registrar que ao analisar a formação da divergência em relação aos itens 2.1 e 2.2. do Recurso Especial, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF exigiu como requisito, a transcrição da ementa do Acórdão nº 1302001.472 e dos pontos dos acórdãos paradigmas que divergissem de pontos específicos no acórdão recorrido. É importante registrar que o Regimento Interno do CARF não possui exigência alguma no sentido de que seja realizada a transcrição de “ementa do acórdão recorrido” / “pontos específicos” para a formação da divergência. Diferentemente, do Regimento Interno do STJ, que em seu art. 255, § 2º traz menção expressa à exigência de que “o recorrente deverá transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio”. Portanto, não há respaldo para se fazer um paralelo entre o entendimento do STJ e do CARF neste aspecto. O § 6º do art. 67 do Regimento Interno do CARF dispõe apenas que a divergência “deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”, inexistindo óbice para que tal indicação dos pontos se dê parafraseando o julgado recorrido/paradigma como realizado no presente Recurso Especial. Neste contexto, inexiste regra que permita a exigência de transcrição de “ementa do acórdão recorrido” ou de “pontos específicos”, nos termos que foi defendido nos Despachos, o que enseja o cerceamento de defesa em um processo administrativo que, em tese, deveria ser menos formal do que os processos judiciais. Desse modo, requer a União (Fazenda Nacional) que esses fatos sejam considerados para que possa haver o ajuste dos referidos despachos.”. Em Despacho a fls. 849 e segs., a Presidente da 3ª Câmara da 1º Sejul propõe ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais que seja anulado o Despacho a fls. 822, bem como os atos processuais subsequentes, com a restituição dos autos à 2ª Turma Ordinária da Câmara para exame de admissibilidade dos embargos de fls. 814/820. Em Despacho a fls. 851 e segs., o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais assim se pronuncia: “A Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento propõe a declaração de nulidade do despacho de fl. 822, bem como dos atos posteriores, aí incluídos o reexame de admissibilidade de recurso especial de fls. 842/843. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 867 5 Como bem observado na proposta, não cabe recurso do despacho do Presidente da CSRF que negar ou der seguimento a recurso especial. Todavia, a Administração Pública tem o dever de autotutela, consoante exposto na Lei nº 9.784/99: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. A mesma Lei estabelece que os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando, dentre outras hipóteses, neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses (art. 50, inciso I). Por sua vez, o despacho de fls. 822, de fato, negou conhecimento a embargos de declaração da Fazenda Nacional sem a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Isto porque, possivelmente por não se observar que a embargante questionava fatos distintos daqueles expostos em embargos anteriores, a segunda petição da Fazenda Nacional foi rejeitada pelos mesmos motivos apresentados para rejeição da primeira petição. Acrescentese que o despacho de fls. 822, nestes termos, acarreta preterição do direito de defesa, de forma que a declaração de sua nulidade também se impõe na forma do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. E, considerando o disposto nos §§1º e 2º do mesmo art. 59, cumpre declarar prejudicados os atos posteriores concernentes à interposição de recurso especial e à sua admissibilidade, dado que somente depois de solucionados os embargos será deflagrado o prazo para interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional. Por todo o exposto, declaro NULO o despacho de fls. 822, bem como os atos posteriores relativos à interposição de recurso especial e à sua admissibilidade. Cientifiquese a Procuradoria da Fazenda Nacional deste despacho e do precedente, encaminhandose os autos, na sequência, à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento para exame de admissibilidade dos embargos de fls. 814/820.”. Os autos são remetidos então à Presidente da 2ª TO da 3ª Câmara da 1ª Sejul, a qual possua vez decide conhecer dos segundos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, conforme Despacho a fls. 857 e segs., o qual está assim fundamentado: “O presente processo retorna para exame de admissibilidade dos embargos de fls. 814/820, dada a declaração de nulidade do despacho de fl. 822, nos termos das manifestações de fls. 849/852. Na sessão plenária de 08 de outubro de 2013, a 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho julgou recurso voluntário interposto nestes autos. A decisão foi formalizada no Acórdão nº 1302 001.187, assim ementado: (...) Fl. 869DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos objeto do Acórdão nº 1302001.472, no qual o Colegiado decidiu não conhecêlos por entender abusivo o manejo dos embargos, observando, porém, que, ao contrário do afirmado pela embargante, o item 001 do lançamento não teria sido declarado nulo, mas sim cancelado por insuficiência das provas coligidas aos autos. Acrescentouse, ainda, que mesmo se a decisão embargada tivesse declarado nulo o lançamento do item 001 do auto de infração em tela, não seria o caso de conhecer dos embargos porque o Conselho não é órgão consultivo e só se pronunciaria posteriormente caso houvesse a repetição do lançamento anulado com suporte no art. 173, II, do CTN (fls. 805/812). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou novos embargos, agora contra o Acórdão nº 1302001.472, apontando omissão acerca de erro material noticiado em petição anterior, juntada aos embargos, mas que não estava anexada aos autos digitalizados (fls. 814/819). Na referida petição a embargante buscou retificar o Acórdão nº 1302 001.187, vez que a conclusão do item "d" do seu dispositivo (item 004 do AI de IRPJ) foi desenvolvida com base em premissa equivocada. Esta segunda manifestação também não foi conhecida pelos mesmos fundamentos do Acórdão nº 1302001.472 (fl. 822). Seguiuse, então, recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no qual preliminarmente foi requerida a declaração de parcial nulidade do Acórdão nº 1302001.187, em face do erro material referente à decisão do item 004 do lançamento, consoante noticiado no segundo embargos de declaração, indicando outros julgados administrativos que, em face de erro material, acolheram os embargos com efeitos infringentes. Além disso, afirmouse a existência de decisões divergentes acerca da natureza da nulidade declarada relativamente ao item 001 do lançamento (fls. 824/835). A Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção acolheu a proposta de declarar estranho ao recurso interposto o pedido de nulidade parcial do Acórdão nº 1302001.187, e de negar seguimento ao recurso especial relativamente a este ponto, bem como com referência à declaração de nulidade do item 001 do lançamento, porque não demonstradas analiticamente as divergências (fls. 837/841). A negativa de seguimento do recurso especial foi corroborada em reexame pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 842/843). Cientificada destas decisões, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou a petição de fls. 845/846, na qual observou que a existência de erro material foi levada ao conhecimento da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, mas esta rejeitou os Embargos da União, afirmando que estes não eram o meio processual adequado. Afirmou que ao defender que esse pleito é estranho ao recurso especial, a 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF voltase contra seu próprio comportamento, pois não admitiu o documento de efls. 814/820, afirmando que não era a via processual própria, e questionou, ainda, a exigência de transcrição da ementa do acórdão recorrido ou de pontos específicos para a formação da divergência, defendendo inexistir óbice para que tal indicação dos pontos se dê parafraseando o julgado Fl. 870DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 868 7 recorrido/paradigma como realizado no presente Recurso Especial (fls. 845/846). Embora ressaltando o não cabimento de recurso contra o despacho do Presidente da CSRF, a Presidente da 3ª Câmara constatou que o despacho que negou conhecimento ao pedido de retificação de erro material de fls. 814/820 seria nulo por ter adotado como fundamento as mesmas razões expostas para rejeitar os embargos anteriores, sem observar que outro era o objeto da segunda petição apresentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Submetida a questão ao Presidente da CSRF, este declarou a nulidade do despacho de fl. 822 e dos atos posteriores relativos à interposição de recurso especial e à sua admissibilidade. Depois de cientificada a Procuradoria da Fazenda Nacional (fl. 854), os autos retornaram para exame de admissibilidade das embargos de fls. 814/820. Inicialmente cumpre firmar sua tempestividade vez que, após prolação do Acórdão nº 1302001.472, os autos foram remetidos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 05/09/2014 (fl. 813) e a oposição dos embargos se verificou nesta mesma data (fl. 821). Acrescentese, ainda, que os embargos dizem respeito à não apreciação da petição reproduzida às fls. 815/819, cujo protocolo se verificou em 29/11/2013, conforme fl. 820, sendo certo que, depois da formalização do Acórdão nº 1302001.187, abordado naquela petição, os autos do presente processo forma remetidos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 31/10/2013 (fl. 804) e, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527/2010, os Procuradores da Fazenda Nacional são considerados intimados com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os autos lhes foram entregues. Em primeira linha de análise, portanto, confirmase a omissão alegada nos embargos de fls. 814/820. Todavia, sua apreciação pelo Colegiado exige o prévio exame de admissibilidade da petição apresentada em 29/11/2013, segundo o rito do art. 66 c/c o art. 65, todos do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Ressaltese, por oportuno, que embora o Acórdão nº 1302001.187 já tivesse sido enfrentado por meio de embargos apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 20/11/2013 (fls. 805/807), outro ponto da autuação foi abordado na petição apresentada em 29/11/2013. Aduz a interessada que houve erro material na apreciação do item 004 do lançamento. O denominado Item 004 do AI do IRPJ diz respeito à infração assim descrita: “Valor correspondente à diferença entre o lucro líquido do exercício registrado na contabilidade e o informado nas respectivas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e livro de apuração do lucro real LALUR, conforme Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que é parte integrante deste Auto de Infração, como se aqui transcrito fosse.”. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 Consta do Termo de Encerramento de Ação Fiscal as seguintes divergências apuradas no confronto entre a contabilidade e as informações da DIPJ: Tais divergências resultaram nos ajustes classificados como "Infração 03" no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, assim agregados às demais infrações constatadas: Os Autos de Infração de fls. 2/23 evidenciam que apenas a segunda apuração foi objeto de lançamento. De fato, as infrações indicadas no primeiro quadro acima não foram transpostas para o lançamento porque aumentariam o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa do primeiro período de apuração de 2007 (01/01/2007 a 29/06/2007). Já o segundo grupo de infrações está indicado nos lançamentos de IRPJ e CSLL, e deles resulta, precisamente, a redução do prejuízo fiscal e da base negativa apurados em 31/12/2007, em R$ 34.104.751,77 (R$ 4.661.852,98 + R$ 1.233.396,71 + 28.209.502,08), tendo em conta o valor original, negativo, de R$ 79.943.284,26. A matéria foi apreciada nos seguintes termos do voto condutor do Acórdão nº 1302001.187: Assim, os aututantes concluem que há uma diferença não declarada no resultado em 31/12/2007 no valor de R$ 28.209.502,08, de tal sorte que o Prejuízo Fiscal declarado em DIPJ, R$ 79.943.284,28, após ajustados pelas outras infrações constantes deste auto de infração e pela diferença encontrada, deve ser reduzido para R$ 45.838.532,49. O lançamento, neste item 004 do AI do IRPJ, contém inconsistências, pois se, analisarmos as planilhas no TVF a fls. 36, verificaremos que, se o autuante encontrou uma diferença positiva de R$ 28.209.502,08 no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, por outro lado, ele encontrou uma diferença negativa de R$ 19.685.432,67 no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, de tal sorte que, em princípio, o saldo de prejuízos fiscais a compensar só deveriam ser ajustados pela diferença entre as duas diferenças apuradas, a qual, segundo o próprio autuante, seria de R$ 8.524.069,41, conforme tabela no TVF a fls. 36. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 869 9 É inaceitável que a autoridade fiscal apure e registre nos seus papéis de trabalho que o saldo de PF deva ser reduzido em R$ 8.524.069,41, mas discricionariamente, prefira realizar o lançamento isolado do segundo semestre (após cisão), de tal forma que, desconsidera a parcela favorável ao contribuinte relativa ao primeiro semestre, para reduzir o saldo de PF em R$ 28.209.502,08, conforme auto de infração. Todavia, a situação ainda requeria uma providência, qual seja, verificar qual a proporção do saldo de prejuízo fiscal a compensar existente em 30/06/2007 que continuaria disponível para a recorrente, isso porque ela sofreu uma cisão parcial em 30/06/2007, logo seria aplicável ao caso o disposto no parágrafo único do art. 33 do DL 2.341/87, in verbis: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Assim, não se pode afirmar, como fez o autuante na tabela a fls. 36, que haveria uma diferença negativa para a recorrente de R$ 19.685.342,67 em 30/06/2007, pois tal valor deveria ser adicionado ao saldo de prejuízo fiscal em 30/06/2007 e depois proporcionalizado de acordo com a parcela do patrimônio líquido que remanesceu na recorrente (cindidida parcialmente) e, só assim, saberseia qual o valor que deveria ser adicionado ao saldo de prejuízos a compensar da recorrente. Nada disso foi feito e o lançamento só se ocupou do valor que deveria ser excluído do saldo de prejuízo fiscal a compensar, decorrente da redução do prejuízo fiscal apurado em 31/12/2007. Ademais, os autuantes tomam como certo o valor contabilizado e como incorreto o valor constante da DIPJ e do Lalur sem qualquer justificativa ou investigação mais apurada. Isso demonstra mais uma fragilidade desse lançamento. Logo, diante de todas essas inconsistências, voto por cancelar o item 004 do auto de infração, pois nem mesmo os cálculos realizados no TVF gozam de certeza quanto ao valor que deva ser ajustado o saldo de PF da recorrente. (destacouse) Considerando estas afirmações, a embargante afirma correto o procedimento adotado pelos fiscais autuantes, apontando os seguintes aspectos desconsiderados na decisão embargada: a) Como já é sabido (consta nos autos), no anocalendário de 2007, a autuada apresentou duas Declarações de Informações Econômico Fiscal da Pessoa Jurídica – DIPJ: a primeira para o período de 01/01/2007 a 30/06/2007 (Situação especial Cisão Parcial), e a segunda para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007 (Complementar); b) Assim sendo, para fins do IRPJ, nesse anocalendário de 2007, houve 2 períodos de apuração; e cada período é autônomo, devendose apurar a Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL ajustada pelo fisco para Fl. 873DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 cada período, alocando as infrações nos respectivos períodos de competência (Os resultados estão demonstrados no quadro do TEAF à fl. 36 no parágrafo 46); c) Nesse quadro, verificase que para o período de 01/01/2007 a 30/06/2007 o resultado final foi uma elevação do prejuízo informado pelo contribuinte na sua DIPJ (R$ 38.302.172,00) para o valor de R$ 55.466,817,10. Esse ajuste a favor da empresa foi devidamente relatado pelos auditores no TEAF, com os devidos registros efetuados no sistema SAPLI da RFB (ver DOC. 12 do TEAF). Evidente que para esse período as informações constam exclusivamente no Termo de Enceramento de Ação Fiscal e seus anexos, vez que não geram qualquer diferença a lançar; pelo contrário geram, digase novamente aqui: um AUMENTO DO SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS A COMPENSAR (assim está demonstrado no TEAF). Nesse item, no Auto de Infração ficam evidenciadas apenas as infrações relativas ao período de apuração de 01/07/2007 a 31/12/2007, no qual houve uma redução da base de cálculo negativa do IRPJ (prejuízo fiscal) e da CSLL; [...] g) Assim, no período de apuração de 01/01/2007 a 30/06/2007, foram corrigidos, de ofício, via SAPLI, os valores do prejuízo da fiscalizada para o montante de R$ 55.466.817,10; não cabendo, pois, Auto de Infração para este período e sim um ajuste no sistema SAPLI, repitase, em favor da fiscalizada; e, em relação ao período 01/07/2007 a 31/12/2007, foi lançado, no auto de infração, o valor de R$ 28.209.502,08 (ref. o item 04 do Auto de Infração). h) Portanto, ao contrário do que concluiu o ilustre relator do Acórdão CARF, a fiscalização não adotou “dois pesos e duas medidas”. De tal sorte que o resultado final para o anocalendário de 2007, no tocante a infração 3 do TEAF (Diferença entre os prejuízos societários registrados na contabilidade e o informado nas DIPJ do anocalendário de 2007) foi de exatamente R$ 8.524.069,41, em sintonia (como não haveria de deixar de ser) com o narrado no referido Termo de Encerramento de Ação Fiscal; i) No que se refere ao disposto no parágrafo único do art. 33 do DL 2.341/87; o Relator do acórdão partiu de outra premissa equivocada, quando entendeu que a fiscalização não observou às orientações desse dispositivo legal. j) O dispositivo acima citado, diz que “no caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido” Como se vê, o que ocorre é a perda do direito para compensação do saldo de prejuízos fiscais a compensar (registrado na parte “B” do LALUR da empresa) existente até a data do evento (cisão parcial), proporcionalmente à parcela vertida do patrimônio líquido. Devendo a empresa reduzir o saldo existente na data do evento, aplicando sobre ele o percentual remanescente do patrimônio líquido, valor este passível de utilização para compensação dos períodos seguintes. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 870 11 k) Da mesma forma como deve agir a empresa, o sistema SAPLI da RFB está também assim definido, logo sobre este saldo foi aplicado o percentual remanescente do patrimônio líquido, que no caso foi de 99,08%. Portanto, não devemos confundir prejuízo fiscal apurado em cada período com a perda do direito de parcela do saldo de prejuízos fiscais do que trata o art. 33 do DL 2.341/87, ou seja, essa perda de benefício fiscal para compensação não altera o prejuízo fiscal apurado e registrado na parte “A” do LALUR. l) Eis que, no documento 12, anexo ao TEAF, está demonstrado a aplicação sobre o saldo de Prejuízo Fiscal a Compensar em 30/06/2007 (Valor apurado no período + o saldo existente de períodos anteriores), o percentual remanescente da cisão sofrida pela fiscalizada (de 99,08%), reduzindo este saldo de R$ 55.466.817,10 para R$ 54.956.52,38; m) Em relação à afirmação do relator de que “os autuantes tomam como certo o valor contabilizado e como incorreto o valor constante da DIPJ e do Lalur sem qualquer justificativa ou investigação mais apurada”. Essa afirmação é equivocada, em virtude das seguintes constatações: i. Na própria ementa do acórdão, na parte relativa ao item “ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ELEMENTO DE PROVA”, está dito que: “Os arts. 226 do Código Civil e 378 do Código de Processo Civil, embora bem semelhantes, são complementares, pois, da combinação deles, deduzse que a escrituração sempre inverte o ônus da prova, de tal sorte que caberá sempre ao contribuinte ao qual ela pertence provar que é verdadeira ou então que ela contém imprecisões quanto ao registro de fatos a que se refere.” ii. O lucro líquido é apurado pela empresa com base nos registros contábeis e das demonstrações financeiras registrados nos livros contábeis da empresa, assim diz o art. 248. do RIR/99: [...] iii. O Lucro Real é apurado a partir do lucro líquido contábil e efetuado os ajustes definidos por lei (adições, exclusões e compensações), devendo esses ajustes serem demonstrados e controlados no livro de Apuração do Lucro Real LALUR, assim diz o art. 247. do RIR/99: [...] iv. As informações constantes da Declaração de Informações EconômicoFiscal da Pessoa Jurídica (DIPJ) são transcrições das informações constantes dos livros e demonstrações contábeis e dos livros fiscais. Os livros e demonstrações contábeis são a fonte primária das informações e não o contrário. Isso também vale para o Lalur, no seu ponto de partida para apuração do lucro real, que é o lucro líquido apurado na contabilidade. v. Esses foram os critérios em que se embasaram os auditores para apuração do prejuízo fiscal dos períodos de 01/01/2007 a 30/06/2007 e Fl. 875DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 12 01/07/2007 a 31/12/2007, ou seja, foram levados em consideração os valores do lucro líquido conforme registrados nos livros contábeis da empresa, e os valores dos ajustes (adições, exclusões e compensações) conforme registrados no Lalur. vi. Logo, não existiria outra forma de proceder, se não a adotada pelos auditores. A desconsideração dos valores dos livros e demonstrações contábeis só é admitida excepcionalmente, com a devida comprovação documental dos erros existentes. É importante ressaltar que, em relação ao período de 01/01/2007 a 30/06/2007, o relator foi omisso sobre as infrações e ao ajuste em favor da empresa descritos no TEAF (infração 3), cujo prejuízo fiscal foi aumentado para R$ 55.466.817,10, com as devidas alterações de ofício no sistema SAPLI da RFB (DOC. 12). Tudo que aqui foi narrado também se aplicam à base de cálculo negativa da CSLL. Mantido o cancelamento do item 4 do auto de infração do IRPJ e do item 3 do auto de infração da CSLL teríamos uma situação inusitada: auto de infração em benefício do contribuinte, pois, o saldo do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL do contribuinte, do período de 01/01/2007 a 30/06/2007, foram aumentados pela fiscalização. (destacouse) Como se vê, embora invocando o art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF para apresentação das razões reproduzidas às fls. 815/819, a embargante, em verdade, aponta omissões e contradições, razão pela qual a petição submetese, apenas, ao rito do art. 65 do Anexo II do RICARF. Todavia, como antes observado, a petição, embora apresentada depois dos embargos anteriores que trataram de outro item da autuação (item 0001), foi protocolada tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência ficta da decisão aqui proferida. As alegações da embargante, por sua vez, indicam, em suma: 1) omissão acerca do documento 12 anexo ao Termo de Encerramento da Ação Fiscal, no qual estaria evidenciado o aumento do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL no primeiro período de apuração de 2007, bem como a redução de sua disponibilidade para compensação em razão da cisão parcial; 2) contradição entre a decisão e seus fundamentos, na medida em que reconhecida a prevalência das informações contábeis, salvo se demonstrada sua inveracidade; e 3) omissão acerca dos efeitos das infrações verificadas no período de 01/01/2007 a 30/06/2007 e do ajuste em favor da empresa, do qual resultou o aumento de prejuízo fiscal e base negativa. Assim sendo, e considerando que a embargante demonstra objetivamente omissões e contradição que, neste juízo de cognição sumária, impõem ADMITIR os embargos de fls. 814/820, com fundamento no art. 65, §2o do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, promovese a distribuição dos presentes autos para relatoria pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior.”. É o relatório. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 871 13 Voto Vencido DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO ANULATÓRIO Antes de analisar os pressupostos de admissibilidade dos segundos embargos opostos pela Fazenda Nacional, cabe suscitar questão preliminar, a qual consiste em saber se a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Sejul teria competência legal para propor a nulidade do Despacho a fls. 822, como também, se o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais teria competência legal para declarálo nulo. Ocorre que o juízo de admissibilidade é da competência, exclusiva, do Presidente de Turma, por força do disposto no art. 65 do Anexo II da Portaria MF 343/15 (que aprovou o novo Regimento Interno do CARF – RICARF), se não vejamos como dispõe: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaracã̧o poderão ser interpostos, mediante petiçaõ fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da cien̂cia do acórdão: (...) § 2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradicã̧o ou obscuridade. § 4º Do despacho que não conhecer ou rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. (...)” Cabe lembrar que esse mesmo comando normativo já vigorava quando proferido o Despacho a fls. 822, ou seja, refirome ao art. 65 da Portaria MF 256/09, que assim dispunha: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. (...) § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante.”. Notese que, pelo que dispõe o RICARF, o despacho do Presidente de Turma que não conhece dos embargos de declaração é definitivo, ou seja, em face dele, não cabe qualquer recurso. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 14 Além disso, a petição da Fazenda Nacional a fls. 845 era nos seguintes termos: “A União (Fazenda Nacional), por meio desse requerimento, vem solicitar a análise dos seguintes fatos que não foram examinados pelos Despachos de efls. 837 a 843.” Ou seja, a Fazenda Nacional pedia para que fossem revistos os despachos da Terceira Câmara e da CSRF que negaram seguimento ao recurso especial. Ora, com base nesse pedido, o Presidente da Terceira Câmara anulou o despacho a fls. 822 que não conheceu dos segundos embargos. Notese que o pedido de reconsideração dos despachos de admissibilidade do recurso especial sequer era possível de ser conhecido à luz do disposto no § 2º e § 3º do art. 71 do Anexo II da Portaria MF nº 343/15 (também art. 71, § 2º, da ora revogada Portaria MF 256/09), in verbis: “Art. 71. O despacho que rejeitar, total ou parcialmente, a admissibilidade do recurso especial será submetido à apreciação do Presidente da CSRF. § 1º Na hipótese de o Presidente da CSRF entender presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso especial terá a tramitação prevista nos art. 69 e 70, dependendo do caso. § 2º Será definitivo o despacho do Presidente da CSRF que negar ou der seguimento ao recurso especial. § 3º No caso do § 2º, será dada ciência ao contribuinte do despacho que negar total ou parcialmente seguimento ao seu recurso.”. Ora, se o despacho do Presidente da CSRF ratificou a decisão da Presidente de Câmara que não admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional, a Presidente da Terceira Câmara não tinha mais competência para voltar a se manifestar nos presentes autos, já que a decisão se tornou definitiva, por força do art. 71 acima transcrito, cabendo apenas a remessa dos autos para a ciência do contribuinte, nos termos do § 3º. Da mesma forma, o termo “decisão definitiva” significa que também não há previsão de juízo de retratação a ser feito pelo Presidente da CSRF em relação a sua decisão de negar seguimento ao recurso especial, reforçando assim que não se podia conhecer do pedido de reconsideração da Fazenda Nacional. De qualquer sorte, vejamos se há uma previsão genérica no RICARF, que legitimasse a Presidência da Terceira Câmara a propor a nulidade do despacho do Presidente de Turma que não conheceu dos segundos embargos da Fazenda Nacional. Para tanto, fazse necessário verificar do que dispõe o art. 18 do Anexo II da Portaria MF 343/15, in verbis: “Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: I determinar, de ofício, diligen̂cia para suprir deficiências de instrução de processo; II propor ao Presidente do CARF representar junto à Ordem dos Advogados do Brasil, à AdvocaciaGeral da União e aos órgãos de classe, conforme o caso, para instauração de processo administrativo disciplinar; III admitir ou negar seguimento a recurso especial, em despacho fundamentado; IV promover, quando esgotados os prazos legais e regimentais, a tramitacã̧o imediata dos autos dos processos distribuídos aos conselheiros; V encaminhar ao presidente da Seçaõ proposta, própria ou de conselheiro de sua Câmara, para edição de súmula; Fl. 878DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 872 15 VI fornecer ao presidente da Seção elementos para elaboração do relatório das suas atividades; VII representar ao presidente da Seção sobre irregularidade verificada nos autos; VIII convocar suplente de conselheiro, nas hipóteses de vacan̂cia, impedimento, interrupçaõ de mandato, licença ou ausência de conselheiro; IX determinar a devoluçaõ do processo à repartiçaõ de origem, quando manifestada a desistência do recurso; X autorizar o desentranhamento e a restituicã̧o de documentos; XI apreciar pedido de conselheiro relativo à justificacã̧o de ausen̂cia às sessões, nos casos previstos na Lei no 8.112, de 1990; XII apreciar pedido de conselheiro quanto à prorrogaçaõ de prazo, na hipótese de que trata a alínea “a” do inciso II do §1o do art. 45; XIII dirimir as dúvidas e resolver os casos omissos quanto ao encaminhamento e ao processamento dos recursos de sua competência; XIV encaminhar ao presidente da Seção proposta de concessão de licenca̧ a conselheiro, no caso de doença ou outro motivo relevante que a justifique; XV aferir o desempenho e a qualidade do trabalho realizado pelos conselheiros; XVI propor modificacã̧o do Regimento Interno ao presidente da Seção; e XVII praticar atos inerentes à presidência de turma vinculada à Câmara nas ausências simultâneas do presidente e substituto daquela.”. Os únicos incisos do artigo acima transcrito que podiam ter alguma pertinência com o caso que ora se analisa são os incisos VII e XVII. De plano, afasto o inciso XVII, pois a Presidente da 3ª Câmara não agiu na ausência do Presidente da 2ª TO. Ademais, nem mesmo o Presidente da 2º TO poderia rever seu despacho, já que o RICARF dispõe que ele será definitivo – sobre esse ponto voltaremos mais a frente quando abordarmos o devido processo legal. Quanto ao inciso VII, admitamos que a Presidente da Terceira Câmara pudesse enquadrar como irregularidade processual o despacho do Presidente de Turma que não conheceu dos segundos embargos da Fazenda Nacional. Ora, nesse caso deveria ter representado ao Presidente de Seção, razão pela qual vejamos se este tinha competência regimental para anular o despacho do Presidente de Turma: Art. 19. Aos presidentes das Seções incumbe, ainda: I presidir 1 (uma) das Câmaras vinculada a ̀Secã̧o; II participar da elaboração dos planos e programas anuais e plurianuais de trabalho do III assessorar o Presidente do CARF no processo de elaboração, acompanhamento e avaliacã̧o do planejamento do órgão; IV propor a programação de julgamento da respectiva Secã̧o; Fl. 879DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 16 V dirimir as dúvidas e resolver os casos omissos quanto ao encaminhamento e ao processamento dos recursos de competência da respectiva Seção; VI propor modificação do Regimento Interno ao Presidente do CARF; e VII praticar atos inerentes à presidência de Câmara vinculada a ̀Secã̧o nas ausências simultâneas do presidente da Câmara e de seu substituto. Da simples leitura do art. 19 acima transcrito, resta claro que o Presidente de Seção não tem competência para anular despacho de admissibilidade do Presidente da 2ª TO, logo, por óbvio, também não tem o Presidente de Câmara, mesmo porque entre o juízo sobre irregularidade de autos não inclue a revisão de atos legitimamente praticados pelo Presidente de Turma, dentro das suas estritas competências regimentais. Por outro lado, notese também que não há qualquer previsão regimental que autorize a Presidente de Câmara a propor anulação de atos processuais ao Presidente da CSRF. Não obstante, a Presidente de Câmara propôs ao Presidente da CSRF que anulasse o despacho a fls. 822. Verifiquemos, então, se o Presidente da CSRF tem competência regimental para anular o despacho do Presidente de Turma que não conheceu dos segundos embargos da Fazenda Nacional, razão pela qual transcrevo o art. 20 do Anexo II da Portaria MF nº 343/15, in verbis: “Art. 20. Além de outras atribuições previstas neste Regimento Interno, ao Presidente do CARF incumbe, ainda: I presidir o Pleno e as turmas da CSRF; II convocar o Pleno da CSRF; III convocar os suplentes para substituir os conselheiros das turmas da CSRF, nos casos de ausências previamente justificadas ou comunicadas por escrito; IV editar atos administrativos nos assuntos de competência do CARF; V identificar a ocorrência de vagas de conselheiro e solicitar às respectivas representacõ̧es a indicação, em lista tríplice, de nomes para selecã̧o e designação para as vagas existentes; VI comunicar ao Ministro de Estado da Fazenda, após a manifestacã̧o do Comite ̂de Acompanhamento, Avaliação e Selecã̧o de Conselheiros (CSC), a ocorren̂cia de casos que impliquem perda do mandato ou vacância de funçaõ, e representar ao Secretário da Receita Federal do Brasil, sobre irregularidade verificada nos autos; VII propor ao Ministro de Estado da Fazenda: a) modificação do Regimento Interno; b) criação ou extinção de Câmaras ou turmas; e c) modificação na legislação tributária; VIII definir a especialização por matéria de julgamento das Câmaras e turmas, de uma mesma Seção, mantidas as distribuições de processos já realizadas; IX dirimir conflitos de competência entre as Seções e entre as turmas da CSRF, bem como, controvérsias sobre interpretacã̧o e alcance de normas procedimentais aplicáveis no âmbito do CARF; X rever despacho de presidente de Câmara que rejeitar a admissibilidade do recurso especial, na forma prevista no art. 71; XI aprovar os planos e programas anuais e plurianuais de trabalho do CARF; Fl. 880DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 873 17 XII encaminhar às representações, periodicamente ou quando solicitado, relatório das atividades dos respectivos conselheiros; e XIII editar atos complementares às disposições deste Anexo.”. O único despacho que poderia o Presidente da CSRF rever, conforme inciso X acima, seria o despacho da Presidente de Câmara que não admitiu o recurso especial, sendo que ele o reviu e o ratificou. Assim, regimentalmente, não há previsão para que o Presidente da CSRF anule despacho proferido pelo Presidente de Turma no âmbito de sua exclusiva competência regimental. Ademais, com o despacho do Presidente da CSRF que ratificou o despacho da Presidente de Câmara que negou seguimento ao recurso especial, exariu as competências deste Colegiado para falar nos autos, de tal sorte que, por força do disposto no § 3º acima, a única providência que deveria ter sido tomada era o envio dos autos à Unidade de Origem para que desse ciência ao contribuinte. O CARF só retomaria sua competência processual nesses autos se o contribuinte interpussesse recurso especial ou embargos de declaração, caso contrário, estavam exauridas as suas funções nestes autos. Verificase, assim, que falecia competência regimental para que a Presidente de Câmara propussesse ao Presidente da CSRF que declarasse nulo o despacho a fls. 822, como também não tem amparo regimental o despacho do Presidente da CSRF que declarou nulo o referido despacho do Presidente da 2ª TO. Não obstante, o Presidente da CSRF fundamentou a sua competência no art. 53 da Lei 9.784/99, porém, tal lei é inaplicável ao processo administrativo fiscal, conforme já decidido no REsp nº 1138206/RS , o qual por ter sido julgado pela sistemática do art. 543C, do antigo CPC, deve ser observado por este Colegiado. Vejamos, então, como dispõe a ementa do RESp nº 1138206/RS, in verbis: “Processo: REsp 1138206 RS 2009/00847330 Relator(a): Ministro LUIZ FUX Julgamento: 09/08/2010 Órgão Julgador: S1 PRIMEIRA SEÇÃO Publicação: DJe 01/09/2010 TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." Fl. 881DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 18 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. (...)” Como se sabe, os julgadores do CARF estão, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 343/15, vinculados as decisões definitivas proferidas pelo STJ em recursos representativos de controvérsias, julgados pela sistemática do art. 543C do antigo CPC, o que nos vincula à decisão acima transcrita no que ela possa ser aplicada à situação ora em julgamento. Com efeito, tal questão formal poderia até ser superada, pois afinal o art. 53 da Lei 9.784/99 nada mais é do que a positivação da vetusta Súmula do STF nº 473 (“A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos”). Assim, não se discute que a Administração possa rever seus próprios atos, mas desde que respeitado o devido processo legal. Notese que tal Súmula não se aplica se o processo tramita no seu curso normal, de acordo com as normas de regência do processo administrativo fiscal. Assim, por exemplo, o mérito de um acórdão da DRJ favorável ao contribuinte pode ser tranquilamente reformado pelo CARF, em julgamento de recurso de ofício, a qualquer tempo, já que não há prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Por outro lado, no caso em tela, tratase de despacho da competência exclusiva do Presidente de Turma, sobre o qual o RICARF dispõe expressamente que será definitivo. Somese a isso o fato de que a própria Fazenda Nacional não pediu a declaração de nulidade do despacho do Presidente de Turma a fls. 822, mas foi declarado de ofício pelo Presidente da CSRF, por proposta da Presidente de Câmara, se não vejamos no que consistiu o pedido da Fazenda Nacional a fls. 845 /846, in verbis: “A União (Fazenda Nacional), por meio desse requerimento, vem solicitar a análise dos seguintes fatos que não foram examinados pelos Despachos de efls. 837 a 843. Em relação ao item 2.1 do recurso, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF entendeu que se tratava de pleito estranho e que deveria ter sido feito em petição própria. É válido destacar que o erro material foi levado ao conhecimento da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF em momento anterior, mas esta rejeitou os Embargos da União, afirmando que estes não eram o meio processual adequado (efls. 814/822). Ao defender que esse pleito é estranho ao recurso especial, a 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF voltase contra seu próprio comportamento, pois não admitiu o documento de efls. 814/820, Fl. 882DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 874 19 afirmado que não era a via processual própria. O Superior Tribunal de Justiça decidiu: "o direito moderno não compactua com o venire contra factum proprium, que se traduz como o exercício de uma posição jurídica em contradição com o comportamento assumido anteriormente (MENEZES CORDEIRO, Da Boafé no Direito Civil, 11/742). Havendo real contradição entre dois comportamentos, significando o segundo quebra injustificada da confiança gerada pela prática do primeiro, em prejuízo da contraparte, não é admissível dar eficácia à conduta posterior”. (Resp n. 95539SP Relator Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR) Ademais, convém registrar que ao analisar a formação da divergência em relação aos itens 2.1 e 2.2. do Recurso Especial, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF exigiu como requisito, a transcrição da ementa do Acórdão nº 1302 001.472 e dos pontos dos acórdãos paradigmas que divergissem de pontos específicos no acórdão recorrido. É importante registrar que o Regimento Interno do CARF não possui exigência alguma no sentido de que seja realizada a transcrição de “ementa do acórdão recorrido” / “pontos específicos” para a formação da divergência. Diferentemente, do Regimento Interno do STJ, que em seu art. 255, § 2º traz menção expressa à exigência de que “o recorrente deverá transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio”. Portanto, não há respaldo para se fazer um paralelo entre o entendimento do STJ e do CARF neste aspecto. O § 6º do art. 67 do Regimento Interno do CARF dispõe apenas que a divergência “deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”, inexistindo óbice para que tal indicação dos pontos se dê parafraseando o julgado recorrido/paradigma como realizado no presente Recurso Especial. Neste contexto, inexiste regra que permita a exigência de transcrição de “ementa do acórdão recorrido” ou de “pontos específicos”, nos termos que foi defendido nos Despachos, o que enseja o cerceamento de defesa em um processo administrativo que, em tese, deveria ser menos formal do que os processos judiciais. Desse modo, requer a União (Fazenda Nacional) que esses fatos sejam considerados para que possa haver o ajuste dos referidos despachos. Como se vê, em nenhum momento da petição acima transcrita, a Fazenda Nacional pediu a declaração de nulidade do Despacho a fls. 822 (despacho que negou seguimento aos segundos embargos). Na verdade, ao final, quando requer que haja ajuste dos referidos despachos, está se referindo, por óbvio, aos de Despachos de efls. 837 a 843, pois, no primeiro páragrafo da petição, já tinha dito que o objeto dela era solicitar a análise de fatos que não foram examinados nesses despachos. Os Despachos de efls. 837 a 843 são, respectivamente, o Despacho da Presidente da 3ª Câmara que negou seguimento ao recurso especial e o Despacho de reexame do Presidente da CSRF, que ratificou a decisão da Terceira Câmara. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 20 Ademais, com base na Súmula STF 473, a Fazenda Nacional poderia até solicitar ao Ministro de Estado da Fazenda que declarasse a nulidade do ato praticado pelo Presidente da 2ª TO, logicamente se conseguisse demonstrar que o ato estava eivado de flagrante ilegalidade. Isso porque o Ministro de Estado da Fazenda exerce o poder hierárquico sobre o CARF, logo, pode tanto avocar como anular atos dos órgão que são subordinados a sua autoridade, logicamente também respeitando o devido processo legal. Já o Presidente da CSRF e a Presidente de Câmara não exercem poder hierárquico sobre o Presidente de Turma, pois tanto os conselheiros como os presidentes de Turma ou de Câmara do CARF exercem suas funções dentro das competências que lhe foram atribuídas pelo Ministro de Estado da Fazenda, por meio do RICARF. Se assim não fosse, não seria o CARF um Colegiado, mas apenas um juízo monocrático, ou seja, o juízo do Presidente da CSRF. Isso, por si só, já seria suficiente, para votar pela nulidade dos Despachos da Presidente da 3ª Câmara (a fls. 849 e segs.) e do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (a fls. 851. e segs.) e, consequentmente, determinar que se retornassem os autos a Unidade de Origem, para que se desse ciência ao contribuinte do Acórdão 1302001.187 (a fls. 788), que julgou o recurso voluntário. Não obstante, há outras questões que, aliada a essa falta de competência regimental dos signatários, também macula os referidos despachos a fls. 849 e 851, se não vejamos o que se segue. Em resposta a esses segundos embargos, o Presidente da 2ª TO assim se manifestou no despacho a fls. 822: “Com base no § 3º do art. 65 do Anexo II do RICARF, não conheço do segundo embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, pelos mesmos fundamentos do Acórdão nº 1302001.472, que não conheceu do primeiro embargos de declaração por ela apresentados. Dêse ciência deste despacho à PFN, antes destes autos prosseguirem no seu trâmite normal.” Primeiro, apontese que não há qualquer irregularidade em se fundamentar uma decisão per relationem, se não vejamos o seguinte “EDcl no AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 94.942 MG (2011/02196870) EMENTA ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. ACLARATÓRIOS. AÇAO CAUTELAR DE PRODUÇAO ANTECIPADA DE PROVA. INTERDIÇAO DE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. MOTIVAÇAO PER RELATIONEM . POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. É legítima a adoção da técnica de fundamentação referencial (per relationem), utilizada quando há expressa alusão a decisum anterior ou parecer do Ministério Público, incorporando, formalmente, tais manifestações ao ato jurisdicional. (REsp 1263045/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/02/2012, DJe 05/03/2012) 2. A via dos embargos de declaração não se prestam para promover nova discussão da causa, mormente quando não houver sido suscitado, objetivamente, nenhum vício que, acaso existente, possa inviabilizar a compreensão do julgado embargado. 3. Ademais disso, no caso em concreto, o acórdão recorrido abordou, de forma fundamentada, todos os pontos essenciais para o deslinde da controvérsia, conforme se pode verificar às fls 366/368 dos autos. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 875 21 4. Embargos de declaração rejeitados. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Conheço dos embargos de declaração, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade recursal. Não há como prosperarem as omissões alegadas. Isso porque, em primeiro lugar, a jurisprudência deste Sodalício entende que é legítima a adoção da técnica de fundamentação referencial (per relationem), utilizada quando há expressa alusão a decisum anterior ou parecer do Ministério Público, incorporando, formalmente, tais manifestações ao ato jurisdicional.”. Ademais, o Presidente da 2ª TO não conheceu dos segundos embargos pelos mesmos fundamentos pelos quais não conheceu dos primeiros embargos, fundamentos esses que estão expressamente colocados no voto condutor do Acórdão nº 1302001.472 (decisão referenciada no referido despacho que não conheceu dos segundos embargos), ou seja: “Os embargos de declaração são o remédio processual adequado quando a decisão embargada incorre em obscuridade, em contradição entre a sua fundamentação e a sua parte dispositiva; ou em omissão na apreciação de algumas das questões preliminares ou de mérito que compõem o pedido da parte. (...) Como se vê, estamos diante de mais um entre tantos casos de manejo flagrantemente abusivo de embargos de declaração, conduta que muito tem contribuído para o desprestígio desse importante instrumento processual.”. Notese, assim, que diante dos primeiros embargos de declaração que questionava se a nulidade era formal ou material, o acórdão acima decidiu que, primeiro, não havia sido declarada a nulidade e, segundo, ainda que tivesse sido declarada, o CARF não é órgão consultivo. Nos segundos embargos, a Fazenda Nacional alega questão também voltada a autuação, mas sem demonstrar, ainda que analiticamente, qualquer omissão, contradição ou obscuridade no julgado acima transcrito, razão pela qual o Despacho a fls. 822 decidiu com base nos mesmos fundamentos não conhecer dos segundos embargos, ou seja, por falta de pressupostos de admissibilidade dos embargos de declaração. Caso fosse regimentalmente possível o Presidente da CSRF rever Despacho do Presidente de Turma que não conhece dos embargos de declaração com base no art. 56 da Lei 9.784/99 ou na Súmula STF 473, qual a flagrante ilegalidade que eiva o Despacho a fls. 822? Não há, pois ao se referir ao acórdão que não conheceu dos embargos de declaração, fundamentou o não conhecimento dos embargos de declaração na ausência de pressupostos de admissibilidade dos embargos. Aliás, ilegalidade haveria se o Presidente da 2ª TO tivesse conhecido dos segundos embargos, quando verificada a total ausência dos pressupostos de admissibilidade, mormente quando já havia ocorrido a preclusão consumativa do direito de a Fazenda Nacional embargar o acórdão que julgou o recurso voluntário, conforme a seguir demonstrado. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 22 Assim, seja por falecer competência regimental ao Presidente da CSRF para anular o Despacho a fls. 822, seja porque o referido despacho não está eivado de ilegalidade, voto por declarar a nulidade dos Despachos da Presidente da 3ª Câmara a fls. 849 e segs. e do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais a fls. 851. e segs. e, consequentemente, determinar que se retornem os autos à Unidade de Origem, para que se dê ciência ao contribuinte do Acórdão 1302001.187 (a fls. 788), que julgou o recurso voluntário. DO CONHECIMENTO COMO EMBARGOS INOMINADOS Vencido nessa preliminar, passo a analisar a admissibilidade dos segundos embargos da Fazenda Nacional, tal qual como fundamentado pela embargante. Os segundos embargos da Fazenda Nacional foram opostos com amparo no art. 66 do RICARF, se não vejamos o seguinte excerto: “A União (Fazenda Nacional), com amparo no art. 66 do Regimento Interno do CARF, vem requerer a retificação do Acórdão 1302 001.187, vez que a conclusão do item “d” do seu dispositivo (Item 004 do AI de IRPJ) foi desenvolvida com base em premissa equivocada.” Ora, o art. 66 do RICARF dispõe sobre a viabilidade de embargos inominados em caso de inexatidões materiais, devida a lapso manifesto ou a erro de escrita ou de cálculo existente na decisão. Tais lapsos manifestos ou erros são aqueles constatáveis primo ictu oculi, ou seja, sem necessidade de uma análise profunda da decisão embargada. Assim, como a Fazenda Nacional nem sequer alega a existência de lapso manifesto ou erro de cálculo ou de escrita na decisão embargada, há que se negar, de plano, conhecimento como embargos inominados a fls. 815. DO CONHECIMENTO COMO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A questão do conhecimento dos segundos embargos poderiam se resumir ao acima alegado, no entanto a Presidente da 2ª TO, no despacho a fls. 857, conheceu da peça como Embargos de Declaração, se não vejamos os seguintes excertos do referido despacho: “Como se vê, embora invocando o art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF para apresentação das razões reproduzidas às fls. 815/819, a embargante, em verdade, aponta omissões e contradições, razão pela qual a petição submetese, apenas, ao rito do art. 65 do Anexo II do RICARF. Todavia, como antes observado, a petição, embora apresentada depois dos embargos anteriores que trataram de outro item da autuação (item 0001), foi protocolada tempestivamente, ou seja, dentro do prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência ficta da decisão aqui proferida. (...) Assim sendo, e considerando que a embargante demonstra objetivamente omissões e contradição que, neste juízo de cognição sumária, impõem ADMITIR os embargos de fls. 814/820, com fundamento no art. 65, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, promovese a distribuição dos presentes autos para relatoria pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior.” Fl. 886DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 876 23 Ou seja, a Fazenda Nacional opôs embargos inominados com base no art. 66 do RICARF e o Despacho da Presidente da 2º TO os conheceu como embargos de declaração fundamentados no art. 65 do RICARF, da mesma forma que no Despacho a fls. 822, o então Presidente da 2ª TO o tomou como embargos de declaração. É certo que dúvidas poderiam ser suscitadas acerca da aplicação do princípio da fungibilidade na espécie, pois estamos diante de um erro grosseiro, já que Anexo II da Portaria MF nº 343/15 distingue expressamente, em dispositivos diferentes, as duas espécies de embargos: de declaração no art. 65 e inominado no art. 66. Logo, se inaplicável o princípio da fungibilidade no caso em tela, não deveriam ser conhecidos os embargos inominados pelas razões antes expostas. No entanto, superando essa questão, passemos a analisar o conhecimento dos segundos embargos como se fundamentados tivessem sido no art. 65 do Anexo II da Portaria MF nº 343/15, ou seja, como embargos de declaração. Nos primeiros embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 805), a Fazenda Nacional requeria apenas o seguinte: “Em face da omissão exposta, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Câmara complemente o acórdão de modo que fique expresso o tipo de vício que supostamente maculou o item 001 do lançamento (se material ou formal).” Pelo Acórdão nº 1302001.472, a 2ª TO/3ª Câmara/1ª Sejul não conheceu desses embargos, se não vejamos como foi ementado o referido julgado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONSULTA JURÍDICA. NÃO CONHECIMENTO. Os embargos de declaração não são veículo para apresentação de consulta jurídica nem o CARF é órgão consultivo do Ministério da Fazenda.” Com a apresentação desses embargos de declaração, ocorreu a preclusão consumativa do direito de a Fazenda Nacional opor embargos de declaração em face do acórdão que julgou o recurso voluntário, salvo se fosse por omissão, contradição ou obscuridade do Acórdão (nº 1302001.472) que julgou os embargos. Ou seja, não havia mais como a Fazenda Nacional opor embargos de declaração em face do Acórdão que julgou o recurso voluntário, pois a ninguém é dado repetir ato processual já praticado. Ocorre que, posteriormente, a Fazenda Nacional opõe novos embargos de declaração, não em face do último acórdão que julgou os primeiros embargos de declaração, mas em face do acórdão já embargado anteriormente, assim, quando já ocorrida a preclusão consumativa. Nesse sentido, vale trazer à colação a seguinte jurisprudência: EDcl nos EDcl nos EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº 1.284.814 PR (2013∕01524960) RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PEDIDO DE Fl. 887DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 24 CONDENAÇÃO FORMULADO PELO RÉU, SEM HAVER AJUIZAMENTO DE RECONVENÇÃO. INADMISSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO JUIZ. JULGAMENTO EXTRA PETITA. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 128 E 460 DO CPC. ESPÉCIE RECURSAL ESPECÍFICA PARA IMPUGNAR EXCLUSIVAMENTE DECISÕES JUDICIAIS VICIADAS POR OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE (ART. 535 DO CPC). INOCORRÊNCIA DE ERRO MATERIAL (ART. 463, I DO CPC). PRETENSÃO DE REDISCUTIR MATÉRIA PURAMENTE MERITÓRIA. EFEITOS INFRINGENTES. DETURPAÇÃO DO DIREITO DE RECORRER. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE MATÉRIA NÃO ALEGADA NOS PRIMEIROS ACLARATÓRIOS. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1.Os Embargos de Declaração consubstanciam instrumento processual apto a suprir omissão do julgado ou dele excluir qualquer obscuridade ou contradição. Não se prestam, contudo, a revisar entendimento materializado de forma clara, coerente e congruente, como no caso dos autos. 2.Amiúdase na prática judiciária a interposição de Embargos de Declaração com propósito nitidamente infringente, por isso que se impõe renovar que esse recurso não se presta à finalidade de corrigir eventual incorreção do decisum hostilizado ou de propiciar novo exame da própria questão de fundo, em ordem a viabilizar, em sede processual inadequada, a desconstituição de ato judicial regularmente proferido. 3.De outro lado, a obtenção de efeitos infringentes em Embargos de Declaração somente é juridicamente possível quando reconhecida a existência de um dos defeitos elencados nos incisos do art. 535 do CPC e, da correção do vício, decorrer necessariamente a alteração do julgado; fora dessa hipótese, os Embargos de Declaração assumem deturpação do direito de recorrer. 4.O Julgador não está no dever jurídico de rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, quando aponta fundamentos suficientes à análise e solução da controvérsia; neste caso, o acórdão está fundamentado, explicitando claramente as razões que levaram ao acolhimento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial. 5. Não podem os segundos Embargos de Declaração elencar vícios do julgado que poderiam ter sido apontados na interposição dos primeiros Aclaratórios, diante da ocorrência da preclusão. 6. Embargos de Declaração rejeitados. STF EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NOS EMB.DECL. NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO RE 491968 RJ (STF) Data de publicação: 27/05/2014 Ementa: Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NO JULGAMENTO DOS SEGUNDOS EMBARGOS. TERCEIROS EMBARGOS DECLARATÓRIOS NÃO CONHECIDOS. I Admitese a oposição de novos embargos de Fl. 888DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 877 25 declaração quando suas razões visam sanar vícios de obscuridade, de omissão ou de evidente erro material ocorridos no julgamento dos embargos anteriores, não cabendo atacar aspectos já resolvidos na decisão declaratória precedente e, muito menos, questões do acórdão primitivamente embargado. Precedentes. II- Terceiros embargos declaratórios nos quais se evidencia a pretensão de reexame das causas de pedir e do pedido formalizado no recurso extraordinário não admitido pelo Tribunal de origem. Não cabimento. III Embargos de declaração nos segundos embargos de declaração não conhecidos. TRT5 Embargos de Declaração ED 00417007720045050251 BA 004170077.2004.5.05.0251 (TRT5) Data de publicação: 10/12/2014 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PRECLUSÃO. É flagrante a preclusão que paira sobre os novos embargos de declaração opostos quando se pretende suprir eventuais omissões decorrentes do acórdão proferido em recurso ordinário, quando a matéria não foi objeto dos primeiros embargos opostos. Encontrado em: /A Embargos de Declaração ED 00417007720045050251 BA 004170077.2004.5.05.0251 (TRT5) RENATO MÁRIO BORGES SIMÕES Ora, não é porque esta é uma instância administrativa de julgamento que podemos nos afastar de princípios basilares do Direito, especificamente, da Teoria Geral do Processo. Ademais, a preclusão consumativa estava tão estampada que, nos segundos embargos (doc. a fls. 814), a Fazenda Nacional requer o seguinte: “Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento dos presentes Embargos de Declaração para que seja complementado o acórdão nº 1302001.472, de modo que a e. Turma se manifeste sobre o erro material apontado.”. Como se pode requerer que se complemente acórdão que não conheceu dos primeiros embargos de declaração, para enfrentar uma nova alegação de um suposto erro material no acórdão que julgou o recurso voluntário, o qual foi entendido corretamente pela Presidente da 3ª Câmara como alegação de omissão e contradição. Tratase, assim, de um abuso da Fazenda Nacional no manejo dos aclaratórios, em total afronta ao devido processo legal. Ademais, a preclusão consumativa resta estampada no próprio texto dos segundos embargos opostos, se não vejamos: “Em 29/11/2013, a Fazenda Nacional protocolou no CARF (prova anexa) um requerimento com amparo no art. 66 do Regimento Interno do CARF. Contudo, verificase que esse documento não foi anexado ao e processo. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 26 Portanto, concluise que o Acórdão nº 1302001.472 é omisso, pois não se manifestou sobre o erro material apontado nesse requerimento. Esse documento buscou retificar o Acórdão 1302001.187, vez que a conclusão do item “d” do seu dispositivo (Item 004 do AI de IRPJ) foi desenvolvida com base em premissa equivocada.” Ora, tendo sido opostos os primeiros embargos (a fls. 805) em 20/11/2013, a própria Fazenda Nacional admite que opôs segundos embargos em 29/11/2013, antes mesmo dos primeiros embargos terem sido julgados, pois o Acórdão 1302001.472 ( a fls. 809) que julgou os primeiros embargos data de 26/08/2014. Patente assim a preclusão consumativa na espécie. Por último, há que se ressaltar que, aparentemente, para afastar a preclusão consumativa, a Fazenda Nacional comete erro grosseiro ao fundamentar os segundos embargos no art. 66 do Anexo II da Portaria MF 343/15, quando na verdade não indicou qualquer lapso manifesto nem erro de escrita ou de cálculo na peça. Essa questão foi percebida pela Presidente da 2ª TO, conforme já alertado, ao conhecer dos segundos embargos. Assim, se os segundos embargos, pela fundamentação apresentada, eram embargos de declaração, então, foram opostos quando já ocorrida a preclusão consumativa, logo não devem ser conhecidos esses segundos embargos. Em face do exposto, voto por conhecer e acolher os terceiros embargos e, consequentemente, suprir a omissão nos termos desse voto, sem efeitos infringentes, ou seja, reafirmando o não conhecimento dos segundos embargos. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 890DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 878 27 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A maioria do Colegiado rejeitou a arguição de nulidade do despacho anulatório suscitada pelo I. Relator. Isto porque vislumbrouse vício na edição do despacho de fl. 822, que negou conhecimento aos embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional pelos mesmos fundamentos do Acórdão nº 1302001.472, apesar de tais embargos apresentarem conteúdo distinto da petição que motivou o Acórdão nº 1302001.472. De fato, nos primeiros embargos (fls. 805/807) a Procuradoria da Fazenda Nacional abordou a anulação do item 001 do lançamento de IRPJ/CSLL expressa no Acórdão nº 1302001.187, ao passo que nos embargos que se seguiram ao Acórdão nº 1302001.472 a mesma embargante apontou omissão em relação ao requerimento apresentado em 29/11/2013 com amparo no art. 66 do RICARF (fls. 814/819). Assim, para negar conhecimento a estes embargos pelos mesmos fundamentos do Acórdão nº 1302001.472, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara deveria ter demonstrado a correlação entre os embargos de fls. 805/807 e a petição de 29/11/2013, a qual, em verdade, apesar de antes protocolada, somente foi juntada aos autos por ocasião dos embargos ao Acórdão nº 1302001.472. Por sua vez, o exame desta petição evidencia que ela abordava aspectos distintos daqueles veiculados nos primeiros embargos, referindose, inclusive, a outro item da autuação. A Lei nº 9.784/99, em seu art. 53, determina que a Administração Pública anule seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade. Tal princípio da autotutela, reconhecido pela doutrina e pela jurisprudência, deveria ser aqui observado mesmo se a referida lei não fosse aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. De toda sorte, esclareçase que, no âmbito do Recurso Representativo de Controvérsia nº 1.138.206/RS, o Superior Tribunal de Justiça afastou a aplicação da Lei nº 9.784/99 ao processo administrativo regulado pelo Decreto nº 70.235/72, mas apenas para negar o dever de o agente público decidir pedido de administrados no prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 49 daquela lei, razão pela qual não se vislumbra, ali, manifestação acerca da aplicação subsidiária de outros dispositivos daquela Lei. Para além disso, o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 afirma nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, circunstância presente neste caso, na medida em que a alegação da embargante não foi apreciada, dada a inexistência de correlação entre as razões expostas nos embargos opostos contra os Acórdãos nº 1302001.187 e nº 1302 001.472, como antes exposto. O Decreto nº 70.235/72 também firma, em seu art. 61, que a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Neste sentido, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara certamente poderia declarar a nulidade do despacho em referência, dizendo, na forma do art. 59, §§ 1º e 2º do mesmo Decreto, os atos posteriores alcançados pela declaração de nulidade. O fato de o RICARF firmar como definitivo o despacho de rejeição dos embargos no qual não se demonstra vício a ser saneado somente impede recurso pela parte prejudicada, e não afeta o dever da autoridade competente invalidar o ato, caso venha a constatar sua nulidade. Todavia, o vício somente foi identificado depois de negada admissibilidade ao recurso especial apresentado pela embargante, e isto por meio de ato da Presidente da 3ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento e do Presidente do CARF, ao receber os autos com pedido de reconsideração. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 28 Neste contexto, ainda que as autoridades competentes para se manifestar nos autos em razão do recurso especial interposto contra os Acórdãos nº 1302001.187 e nº 1302 001.472 não fossem competentes para julgar a legitimidade do despacho de fl. 822, o fato é que, frente ao disposto no art. 61 do Decreto nº 70.235/72, mesmo se ausente reprodução específica desta competência no RICARF, o ato anulatório subsistiria perfeito na parte em que invalidou os atos decorrentes do exame de admissibilidade do recurso especial, praticados por aquelas autoridades, e determinou o retorno dos autos à Presidência da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara. Esclareçase que a Presidente da 3ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento e o Presidente do CARF, na forma do art. 61 do Decreto nº 70.235/72, não precisariam ser provocados para anular os atos por ele proferidos, razão pela qual é irrelevante o conteúdo das alegações da embargante no pedido de reconsideração, bem como o fato de não caber recurso contra a negativa de admissibilidade ao recurso especial. A declaração de nulidade do próprio despacho, por sua vez, estaria convalidada pela Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara que, recebendo os autos, proferiu o despacho de fls. 857/864 sem questionar a declaração de nulidade do despacho anterior. Registrese que a doutrina acolhe a convalidação dos atos em tais circunstâncias. Neste sentido, assim se manifesta Celso Antonio Bandeira de Mello, em sua obra Curso de Direito Administrativo (São Paulo, Malheiros, 13a edição, p. 418419), ao tratar do grau de intolerância em relação a categorias de atos inválidos: Ademais, há vícios que pouco ou quase nada afetam o interesse finalístico procurado pelo Direito. É o caso dos defeitos de competência nos atos de conteúdo vinculado. Ao particular é quase indiferente seu autor e ao interesse público importa pouco esta autoria, pois as regras de competência estão postas, neste caso, em razão de objetivos de organização técnicoadministrativa e não em atenção ao bem jurídico a ser atendido. Neste contexto, defende o autor na mesma obra, a possibilidade de convalidação, como forma de recomposição da legalidade ferida, firmando que: Não brigam com o princípio da legalidade, antes atendemlhe ao espírito, as soluções que se inspirem na tranquilização das relações que não comprometem insuprivelmente o interesse público, conquanto tenham sido produzidas de maneira inválida. Relevante, ainda, registrar o conceito de convalidação, uniforme na doutrina, e aqui trazido nas palavras de Maria Sylvia Zanella Di Pietro (in Direito Administrativo, Atlas, São Paulo, 13a edição, p. 227): Convalidação ou saneamento é o ato administrativo pelo qual é suprido o vício existente em um ato legal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado. Ela é feita, em regra, pela Administração, mas eventualmente poderá ser feita pelo administrado, quando a edição do ato dependia da manifestação de sua vontade e a exigência não foi observada. Este pode emitila posteriormente, convalidando o ato. Evidenciase, nestes termos, que o despacho de fl. 822 é nulo por cerceamento do direito de defesa da embargante, e não se verificam vícios que possam invalidar o ato anulatório, razões pelas quais REJEITASE a arguição de sua nulidade. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 892DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 879 29 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Reconhecida a nulidade do despacho de fl. 822, e evidenciada a omissão do Acórdão nº 1302001.472 acerca das alegações veiculadas pela embargante na petição de fl. 820, reproduzida às fls. 815/819, e apresentada antes da edição do Acórdão nº 1302001.472, os embargos devem ser CONHECIDOS. Contudo, a análise para seu acolhimento não pode ser interrompida em razão de preclusão consumativa. Isto porque, apesar de a Procuradoria da Fazenda Nacional já ter apresentado embargos acerca do item 001 da autuação em 20/11/2013, a petição em referência, que pode ser denominada como segundos embargos, foi apresentada em 29/11/2013, dentro do prazo de 5 (cinco) dias previsto no art. 65 do RICARF, considerando que depois da formalização do Acórdão nº 1302001.187, abordado naquela petição, os autos do presente processo foram remetidos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 31/10/2013 (fl. 804) e, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527/2010, os Procuradores da Fazenda Nacional são considerados intimados com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os autos lhes foram entregues. É certo que, como dito pelo I. Relator, a petição em referência foi equivocadamente fundamentada no art. 66 do RICARF, pois, como descrito no despacho de admissibilidade às fls. 857/864, as alegações são de omissão e contradição no julgado, e não de inexatidões materiais. Todavia, o prazo regimental para tais alegações ainda não havia expirado, de modo que nada impedia a interessada de aditar, neste prazo, suas razões iniciais. A petição em referência não constituiu embargos de declaração opostos contra acórdão de embargos de declaração, de modo a veicular alegações antes não consignadas na primeira manifestação da embargante já submetida a julgamento. Se assim fosse, claramente estaria havendo burla ao prazo recursal. O caso, aqui, é de embargos de declaração opostos contra acórdão de recurso voluntário, que não foram oportunamente apreciados, ensejando omissão a ser suprida neste momento. Duas petições foram apresentadas contra o Acórdão nº 1302001.187, antes do Acórdão nº 1302001.472, e aquela a ser apreciada representa mero complemento das alegações da primeira petição, e foi tempestivamente apresentada. Não se vislumbra, no Decreto nº 70.235/72, qualquer disposição que pudesse autorizar a declaração de preclusão consumativa em face de outros recursos administrativos. A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência (at. 15) e o recurso voluntário é possível de forma total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão (art. 33). Significa dizer que qualquer petição apresentada até o termo final do prazo será admitida como recurso. Não é possível declarar a preclusão e negar conhecimento a impugnação ou recurso voluntário complementar apresentado antes de encerrado o prazo de recurso apenas porque o sujeito passivo já se manifestou nos autos. Vejase que além de o processo administrativo fiscal ser regido pelo princípio da informalidade, nem mesmo no âmbito judicial há uniformidade acerca do alcance da preclusão consumativa, consoante exposto por Humberto Theodoro Júnior em artigo publicado na Revista Jurídica nº 273, p. 5, e disponível no sítio http://www.amdjus.com.br/doutrina/ civil/26.htm: Fl. 893DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 30 Exercida uma faculdade processual, com ou sem a visada eficácia, não é dado mais à parte renovar a sua prática, ainda que não extinto o respectivo prazo legal. Nisso consiste a denominada preclusão consumativa, que veda a reiteração do ato já aperfeiçoado. Fenômeno diverso da reiteração do ato consumado é a sua correção, quando tenham ocorrido deficiências na forma ou conteúdo. A preclusão impede a reiteração da prática do mesmo ato, mas não a retificação de erros ou suprimento de falhas. Assim, por exemplo, a petição inicial do processo de conhecimento, nos termos do art. 284, pode ser emendada ou completada, por ordem do juiz, ainda que o prazo decadencial de propositura da ação já tenha se exaurido. Da mesma forma, no processo de execução, o art. 616 permite, expressamente, ao juiz ordenar que o credor corrija a inicial, suprindolhe lacunas e juntando documentos indispensáveis à propositura da execução. Também, com relação à resposta do réu e aos demais atos do processo, o juiz detém o poder de determinar o suprimento de todas as irregularidades ou nulidades sanáveis, poder esse que é exercitado, depois de já consumada a fase postulatória do processo, dentro das "providências preliminares" (art. 327) que antecedem ao "saneamento do processo" (art. 331). A propósito da preclusão consumativa em matéria recursal, dois assuntos têm preocupado a doutrina e a jurisprudência. O primeiro é a protocolização do recurso desacompanhado de suas razões; e o segundo, o aforamento do recurso sem o comprovante do preparo. COSTA E SILVA, por exemplo, entende que cabe ao recorrente a faculdade de completar o seu recurso, oferecendo as razoes posteriormente à interposição, desde que o faça antes do escoamento do prazo legal (Dos recursos em primeiro grau de jurisdição, 2ª ed., Rio de Janeiro, 1980, pp. 116/117). Nesse sentido, também dispõe o RITJSP, art. 790, parágrafo único. Assim entende, igualmente, BARBOSA MOREIRA, em seus Comentários ao Código de Processo Civil, 7ª ed., Rio de Janeiro, Forense, vol. V, p. 423. Já NELSON NERY JÚNIOR ensina ser impossível completar a petição recursal, na espécie, por entender que estaria configurada a preclusão consumativa, "não mais sendo possível ao recorrente exercer aquela faculdade dentro do processo"18. Quanto ao preparo recursal, grassa igual divergência. Enquanto, v.g., CÂNDIDO DINAMARCO defende a possibilidade de o pagamento das custas ocorrer depois do ajuizamento do recurso, mas antes da extinção do respectivo prazo (A Reforma do Código de Processo Civil, São Paulo, Malheiros, 1994, p. 164), CARREIRA ALVIM defende ponto de vista contrário, sob argumento de ocorrência da preclusão consumativa (Código de Processo Civil Reformado, 4ª ed., Belo Horizonte, Del Rey, 1999, p. 216). Ambos os temas foram enfrentados e solucionados pelo 1º TA Civil, em acórdão recente, de que foi Relator o eminente magistrado e acatado processualista Juiz ROBERTO BEDAQUE, com a adoção da tese de que não ocorre deserção se o preparo é "realizado no prazo previsto para interposição do recurso"; e de que não se verifica a inépcia da petição recursal se as razões são juntadas "dentro do prazo recursal" (Ap. nº 842.3929, 12ª Câm., ac. 04.04.2000). Colhemse do voto do Relator os seguintes e excelentes argumentos: "Dúvida não há de que, nos termos do art. 514, inc. II, do Código de Processo Civil, as razões devem acompanhar a petição de interposição do recurso (cf. JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. V, 7ª ed., Forense, 1998, p. 420; ARAKEN DE ASSIS. "Condições de Admissibilidade dos Recursos Cíveis", In Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis de acordo com a Lei nº 9.756/98, RT, p. 43; REsp nº 65.7733/SP, STJ, Rel. Min. Adhemar Maciel, in DJU de 30.10.95, p. 36.816; RTJ 85/722; RT 508/223, RF 255/300). Fl. 894DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10480.731156/201103 Acórdão n.º 1302001.862 S1C3T2 Fl. 880 31 No caso em análise, as razões não vieram junto com a petição, mas foram apresentadas dentro do prazo recursal. A irregularidade foi sanada a tempo, devendo ser desconsiderado o vício. Não se trata, ao contrário do que sustentam alguns, de preclusão consumativa. Ao apresentar a petição de apelação, a parte exerceu seu direito de recorrer. Não pode fazêlo novamente, em razão desse fenômeno processual. Mas, como não atendeu ao disposto no art. 514 do Código de Processo Civil, estaria ausente outro requisito de admissibilidade: a regularidade formal. Com a juntada das razões no prazo, todavia, o vício deixou de existir, mesmo porque o apelado não sofreu qualquer prejuízo, pois foi intimado para responder após a regularização (CPC, arts. 244, 249, § 1º, e 250, parágrafo único). Uma coisa, portanto, é a impossibilidade de nova realização do ato, em razão da preclusão consumativa: 'Não será possível, depois de consumado o ato, praticálo novamente' (ARRUDA ALVIM. Manual de Direito Processual Civil, vol. I, 5ª ed., RT, p. 432; cf. tb. CHIOVENDA. Instituições de Direito Processual Civil, Saraiva, trad. bras., vol. III, p. 156, HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Curso de Direito Processual Civil, vol. I, Forense, 18ª ed., p. 530). Outra, bem diversa, é a regularização de vícios do ato praticado, admissível desde que atendidos os princípios que regem o sistema das nulidades processuais. Preclusão consumativa é, pois, a perda da faculdade de praticar o ato. Consumado seu exercício, não há como repetilo. Fenômeno diverso consiste na possibilidade de corrigir vícios do ato processual. O instituto da preclusão tem a finalidade de "assicurare al processo uno svolgimento spedito e scevro di contraddizioni e di ripiegamenti e di garantire la certezza delle sítuazioni processuali" (LIEBMAN. Manuale di Diritto Processuale Civile, Giuffrè Editore, 5ª ed., p. 225; v. tb. CHIOVENDA, Ob. cit., p. 155). Está intimamente ligado à idéia de celeridade do processo (cfr. MANOEL CAETANO FERREIRA FILHO. A Preclusão no Direito Processual Civil, Juruá Editora, 1991, pp. 15, 28 e ss.). A apresentação em separado das razões, mas antes de vencido o prazo e de intimado o apelado para contraarrazoar, não compromete o desenvolvimento do processo, nem gera incertezas. Tratase de simples correção de vício do ato processual, admissível por não causar prejuízo às partes. Como sempre, BARBOSA MOREIRA deu solução adequada ao problema. A ausência de razões configura defeito da petição recursal, que pode ser suprido antes de encerrado o prazo recursal ( cf. Comentários ao Código de Processo Civil, tomo VII, Forense, 1975, p. 203; ARAKEN DE ASSIS. Ob. cit., p. 42; REsp nº 73.632/PE, STJ, 6ª T., Ministro Vicente Leal, j. 28.11.99, in DJU de 12.02.96, p. 2.459; REsp nº 21.8954/SP, STJ, 4ª T., Rel. Ministro Athos Carneiro, j. 14.09.92, in DJU de 05.10.92, p. 17.108; VI ENTA, concl. 62, aprovada por unanimidade; RT 593/173; 516/106). Tais razões, aliás, também se aplicam à primeira preliminar. Com a realização do preparo no prazo, ficou sanado o vício existente no momento da interposição do recurso. Como não houve prejuízo a qualquer das partes, desconsiderase a irregularidade consistente na falta de juntada da guia de preparo com a petição do recurso." Em termos doutrinários, nada há a acrescentar à tese sufragada pelo colendo Tribunal paulista. Se há decisões judiciais que afastam a preclusão consumativa frente à posterior juntada de razões a recurso anterior delas desacompanhado, não se vislumbra Fl. 895DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 32 qualquer óbice à apresentação tempestiva de dois embargos tratando, cada um deles, de diferentes matérias objeto da decisão embargada. Por tais razões, discordase, aqui, da preclusão consumativa declarada em face da petição de fl. 820, reproduzida às fls. 815/819, e firmase o entendimento de que o Colegiado deveria se prosseguir na análise das omissões e contradição apontadas pela embargante. É como voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 5/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 19985.720820/2013-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS ALUGUÉIS. RENDIMENTO LÍQUIDO.
Nos termos do art. 50 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda - RIR 1999, não entrarão no computo dos rendimentos brutos dos aluguéis os valores relativos as despesas pagas para a cobrança e recebimento dos mesmos; ai incluídos os valores de comissões de administradores.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira..
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RENDIMENTO LÍQUIDO. Nos termos do art. 50 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR 1999, não entrarão no computo dos rendimentos brutos dos aluguéis os valores relativos as despesas pagas para a cobrança e recebimento dos mesmos; ai incluídos os valores de comissões de administradores. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 08 20 /2 01 3- 36 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19985.720820/201336 Acórdão n.º 2201003.148 S2C2T1 Fl. 275 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 74ª Turma da DRJ/BHE(Fls. 257), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2010/330786459144880, em 19/12/2011, acostada às fls. 118/122, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2010, que lhe exige crédito tributário no valor de R$11.506,25, conforme abaixo demonstrado: Tabela 1 – Valor do crédito tributário apurado. Fonte: Notificação de Lançamento nº 2010/330786459144880 Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual (DAA) ND 09/33.813.332, enviada em 30/4/2010, anocalendário 2009 e, de acordo com o relatório denominado “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 119/120), constatouse as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, conforme abaixo discriminado: b) compensação indevida de IRRF: glosa do valor de R$0,01 indevidamente compensado a título de IRRF correspondente à diferença entre o valor declarado (R$987,06) e o valor informado pela fonte pagadora Salão de Beleza Marly ltda, CNPJ 00.934.651/000159, em Dirf (R$987,05). Fl. 276DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19985.720820/201336 Acórdão n.º 2201003.148 S2C2T1 Fl. 276 3 Cientificado do indeferimento de sua Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL, fls. 124) em 15/10/2013 (fls. 125), o contribuinte apresentou impugnação em 14/11/2013 (fls. 2/3) por meio de procurador (fls. 4). Constou da SRL: Rejeitase a Solicitação de Retificação de Lançamento SRL por falta de apresentação dos contratos de locações, comprovação de propriedade e contrato de administração dos imóveis locados. Em sua impugnação, o contribuinte alega, em síntese, que os valores considerados omitidos referemse a despesas dedutíveis da receita de aluguel. E, quanto à compensação indevida, sustenta que o valor declarado consta do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. O contribuinte solicita prioridade na análise de sua impugnação (Estatuto do Idoso). Em 17/1/2014, esta DRJ devolveu este processo à DRF tendo em vista que a digitalização do processo tornou ilegíveis vários documentos (fls. 130). A DRF de origem intimou o contribuinte a apresentar documentos originais, visando sanear o processo (fls. 134/135). Em resposta, o contribuinte apresentou os documentos de fls. 136/176 e os autos retornaram a esta DRJ. Em 31/3/2014, esta DRJ retornou novamente os autos à DRF de origem para que esta intimasse (fls. 179/180): a) a empresa Salão de Beleza Marly Ltda, CNPJ 00.934.651/000159, a informar os valores pagos ao contribuinte referentes à locação do imóvel situado na Avenida Presidente Vargas, nº 1614, Curitiba/PR, bem como o IRRF; b) o contribuinte para apresentar o Contrato de Administração de Imóvel firmado com a Imobiliária Senzala Ltda, CNPJ 76.034.214/000140, referente ao imóvel situado na Avenida Presidente Vargas, nº 1614, Curitiba/PR, vigente no ano calendário 2009. Intimados (Termo de Intimação Fiscalnº 214/2014, fls. 185, Termo de Intimação Fiscalnº 215/2014, fls. 200 e Termo de Intimação Fiscalnº 311/2004, fls. 219), a empresa e o contribuinte se manifestaram, apresentando esclarecimentos e documentação (fls. 186/247 e 249/253). Passo adiante, a 7ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19985.720820/201336 Acórdão n.º 2201003.148 S2C2T1 Fl. 277 4 Comprovada nos autos a retenção de imposto de renda na fonte no mesmo valor considerado pela autoridade lançadora, mantémse a glosa efetuada. ALUGUÉIS DEDUÇÕES. Devem ser excluídas, para fins de determinação dos rendimentos tributáveis percebidos pelas pessoas físicas a titulo de aluguéis de imóveis, as despesas pagas para cobrança ou recebimento dos mesmos, devidamente comprovadas nos autos. VALOR PAGO A TÍTULO DE INTERMEDIAÇÃO DE LOCAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. O valor pago a título de intermediação de locação, conforme cláusula contida em contrato particular, não é dedutível do rendimento bruto no caso de aluguéis de imóveis, pois não se refere a despesa paga para cobrança ou recebimento do rendimento.. Cientificado em 08/08/2014 (Fls. 268), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/08/2014 (fls. 366 a 376), argumentando em síntese: (...) Todas as provas do alegado estão no corpo deste processo, principalmente com a prova . que os contratos de administração de imóveis, anexados, constatam as condições da prestação de serviços. Os valores cobrados como intermediação da locação, são na verdade o que a imobiliária cobra do locador proprietário do imóvel, pois para locar o imóvel existem duas taxas a primeira justamente esta questionada, a segunda um valor percentual (10% do valor mensal da locação). Portanto, ambas possuem a mesma natureza do contido na exclusão do art. 14 da lei 7.739/89 e são valores que não integram a base de calculo para a incidência do IRPF. A decisão recorrida reconhece a aplicação dos dispositivos (art. 14, III, 7.739/89; Dec. 3.000/99, art. 50, III e IN SRF 15/2001 art. 12, III) para as taxas cobradas pela imobiliária, mas não reconhece para esta taxa da primeira locação. São taxas de igual natureza tratadas de forma diferente, só porque o contrato traz duas denominações e são pagas em momentos distintos, uma para quando a imobiliária consegue locar o imóvel, a outra no decorrer do contrato, mas ambas são taxas de administração de imóveis, sem as quais a imobiliária não presta o serviço e são, portanto, rendimento da imobiliária e não do contribuinte. Coisas iguais tratadas de forma diferente pela decisão recorrida. (...) É o Relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19985.720820/201336 Acórdão n.º 2201003.148 S2C2T1 Fl. 278 5 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início verifico que resta em litígio apenas parte da omissão de aluguel recebido de pessoa jurídica, em específico do Salão de Beleza Marly Ltda, no valor de R$5.400,00. Quanto a esta omissão, a DRJ tratou de esclarecer que: "Contrato de Administração de Imóvel firmado entre o contribuinte e a Imobiliária Senzala Ltda, referente ao imóvel situado na Avenida Presidente Getúlio Vargas, 1614, Curitiba(PR), datado de 18/1/2011, juntado às fls. 59/60, estabelece o pagamento de comissão de administração mensal de 10% , além de prever que, em toda nova locação, haverá uma taxa de intermediação imobiliária no valor correspondente a um mês de aluguel (cláusula 9ª). Comprovante Anual de Rendimento de Aluguéis, anocalendário 2009 (fls. 18), e Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) enviada pela Imobiliária Senzala Ltda, anobase 2009 (fls. 256), informam que foi pago à imobiliária, a título de comissão, o montante de R$6.000,00 relativo ao imóvel locado ao Salão de Beleza Marly Ltda." (pág. 261 dos autos) (...) "Com base nos dispositivos acima transcritos, não se admite como dedução do rendimento bruto (aluguel) importância referente a taxa de intermediação em decorrência de nova locação. Admitese, apenas, dedução de despesas pagas para cobrança ou recebimento do aluguel. Ante o acima exposto, do valor omitido apurado pela autoridade lançadora (R$6.000,00), referente ao aluguel pago pelo Salão de Beleza Marly Ltda, acatase dedução com comissão no montante de R$600,00 (10%, comissão da administradora)." (doc. pág 263 dos autos) O Recorrente, por sua vez, sustenta que a comissão de intermediação imobiliária (referente ao primeiro mês de aluguel) possui a mesma natureza da taxa de administração (referente a 10% dos aluguéis), e que, portanto pode ser excluída do computo dos rendimentos. A decisão sobre a dedutibilidade ou não merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador; tudo dentro dos parâmetros do regramento jurídico abaixo: Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19985.720820/201336 Acórdão n.º 2201003.148 S2C2T1 Fl. 279 6 Decreto nº 3.000/1999: Art.50. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto, no caso de aluguéis de imóveis (Lei nº 7.739, de 16 de março de 1989, art. 14): I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; IV as despesas de condomínio. Tenho o entendimento de que a cobrança do primeiro aluguel pela imobiliária, à título de intermediação, possui a mesma natureza da taxa de administração para fins de exclusão do rendimento bruto. É que, como o Recorrente só recebe o aluguel se a imobiliária conseguir alugar o imóvel, e como a imobiliária só aluga com o pagamento da taxa de intermediação, penso que o pagamento da intermediação possuí a natureza de despesa necessária para o recebimento do rendimento. Ante o acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 21/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16682.720679/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Antonio Carlos Atulim.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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(INCORPORADA POR HYPERMARCAS S/A) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto e Antonio Carlos Atulim. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso de ofício contra Acórdão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 26/08/2011, por falta de recolhimento do PIS, no período de 31/10/2006 a 31/05/2009, para a exigência de tributo no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 67 9/ 20 11 -2 6 Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.720679/201126 Resolução nº 3402000.768 S3C4T2 Fl. 1.489 2 valor de R$ 21.624.341,52, multa de ofício de R$ 16.218.256,00 e juros de mora de R$ 7.588.925,99, perfazendo o total de R$ 45.431.523,51. A autuação decorreu do indeferimento do requerimento da contribuinte de habilitação ao regime especial de crédito Presumido para o PIS e a Cofins para pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação de determinados medicamentos, sendo cabível, nos termos do §2º do art. 3º do Decreto nº 3.803/2001, a exigência das contribuições que deixaram de ser pagas desde o início da fruição indevida do benefício. Tendo a contribuinte impugnado o auto de infração, a DRJ Rio de Janeiro II, tendo como premissa "a legitimidade do indeferimento ao pedido de Habilitação ao Regime especial de crédito presumido de que trata o art. 3º da Lei nº 10.147/2000 sem cogitar das alegações da contribuinte acerca de sua efetiva regularidade fiscal, ou de imperfeições nos procedimentos que deram origem ao indeferimento", julgou a impugnação improcedente, mas manteve mantendo parcialmente o crédito tributário, cancelando os juros e a multa de ofício da contribuição para o PIS relativos ao período de 05/2009; tendo em vista, em síntese, que, "no período alvo da autuação, a contribuinte não mais estava inserta no regime especial e considerando que a contribuinte valeuse de créditos presumidos de PIS e de Cofins, foi correta a ação do Fisco em agir no sentido de exigir o tributo não recolhido por uso indevido dos créditos presumidos de PIS e de Cofins". A contribuinte apresentou recurso voluntário, o qual foi provido parcialmente para anular a decisão da DRJ/RJ2, em síntese, pelos seguintes fundamentos: Ainda que, como dito, tendo sua tramitação em esfera diversa desta em que é apreciado o Processo Administrativo Fiscal, a omissão acerca dos “motivos determinantes” para a realização do ato administrativo de lançamento nestes autos versado, é ofensiva ao direito ao contraditório e ampla defesa garantido aos contribuintes no âmbito do PAF (sob pena de cerceando do direito de defesa do mesmo), bem como, macula de vício o devido processo administrativo fiscal, ao qual a legalidade – dos atos administrativos em geral – é condição sine qua non para sua válida existência. (...) toda a matéria de fato restara prejudicada pelo fato de ter o Órgão julgador e piso, se abstido de adentrar na análise efetiva do mérito e na cronologia da tramitação do Processo nº 15374.00083/200821, redundando por certo em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, e quiçá impossibilitando a completa e exauriente análise que seria necessário ser realizada para um justo julgamento que se pretenda realizar no âmbito desta Casa. (...) se dos acontecimentos daquele processo está o substrato de motivação do ato administrativo de lançamento que aqui se avalia, entendese indispensável conhecer todas as suas nuances para que se possa proferir julgamento sobre a legalidade do ato de lançamento tributário, de modo que entendese haver competência para referida análise. (...) muitas têm sido as oportunidades em que se adentra na análise do mérito da concessão ou não de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara tributária, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária que está dentro das atribuições e competências do CARF, no Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.720679/201126 Resolução nº 3402000.768 S3C4T2 Fl. 1.490 3 rito do PAF. Deste modo, a DRJ e esta Casa detém competência para analisar o Regime Especial, para avaliar se os efeitos tributários que dela emanam revestemse dos atributos necessários para sustentar o lançamento tributário praticado pela Administração. Tendo o processo sido encaminhado à DRJ/RJ1, essa converteu o julgamento em diligência, nos seguintes termos: (...) De fato, não foi localizado Ato Declaratório ou processo de habilitação anterior ao processo nº 15374.00083/200821. Assim, não é possível definir se o pedido da interessada no processo 15374.00083/200821 tratase de aditamento ou pedido inicial. Além disso, considerando que foi também autuado o período anterior ao denominado pedido de aditamento, é necessário confirmar se a interessada estava habilitada em 2006. Assim, considerando a disposição contida nas referidas normas, bem como a documentação trazida aos autos na impugnação, com o objetivo de definir se a interessada já estava habilitada ao regime anteriormente ao pedido efetuado no processo nº 15374.00083/2008 21, voto por converter o julgamento em diligência à DERAT/SP para: a) intimar a interessada a apresentar cópia do Ato Declaratório Executivo de concessão de habilitação ao regime especial; b) se inexistente o Ato Declaratório, a interessada deverá comprovar que apresentou requerimento à Câmara de Medicamentos; Caso o contribuinte comprove que apresentou requerimento à Câmara de Medicamentos, a unidade deverá enviar Oficio à Câmara de Medicamentos para confirmar se houve a habilitação pela CMED com posterior remessa a DRF e informar se a RFB emitiu pronunciamento a respeito. (...) Os autos retornaram à DRJ com a cópia do Ato Declaratório Executivo COSAR nº 61, publicado em 28/06/2001, que reconheceu o direito da contribuinte à utilização de regime especial de crédito presumido a partir de 27 de abril de 2001. A Delegacia de Julgamento, mediante o Acórdão nº 1266.725 16ª Turma da DRJ/RJ1, de 09 de julho de 2014, julgou a impugnação da contribuinte procedente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Diante da confirmação do deferimento da utilização do regime especial do credito presumido, a partir de 27/04/2001, é possível concluir que o pedido da interessada no processo 15374.000083/2008 21 tratase de aditamento e não de pedido inicial como entendeu a Delegacia. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.720679/201126 Resolução nº 3402000.768 S3C4T2 Fl. 1.491 4 A interessada apresentou pedido de aditamento ao requerimento inicial de habilitação para concessão de credito presumido à CMED em 18/04/2007 (fl. 666). A CMED encaminhou o pedido à RFB por meio do Ofício 1561 SE/CMED de 09/11/2007 (666/667) que recebeu o pedido em 14/11/2007. Assim quando a CMED encaminhou o pedido à RFB todas as certidões já estavam vencidas. O pedido foi encaminhado à DERAT SP que reencaminhou o pedido à DERAT RIO que o recebeu em 16/01/2008. A interessada foi intimada em 17/04/2008 a regularizar os débitos identificados (fl. 709). De acordo com §2º do art. 63, na ausência de pronunciamento da RFB em 30 dias do recebimento da documentação da CMED o regime especial de crédito presumido será considerado automaticamente deferido, portanto, uma vez que a RFB recebeu pedido em 14/11/2007, concluise que em 15/12/2007 o regime especial de crédito presumido foi automaticamente deferido, em relação aos medicamentos aditados, uma vez que já havia habilitação em relação a outros medicamentos. O pedido foi indeferido (fls. 898/899) sob a alegação de que após consulta à PFN não foi comprovada a regularidade fiscal da interessada e que na nova pesquisa ainda havia débitos em aberto. A interessada foi cientificada em 07/05/2009 (fl 901). Neste caso, considerando que a interessada já havia adquirido automaticamente o direito ao regime especial, o contribuinte deveria ter sido intimado a sanar as irregularidades conforme disposto no §8º inciso I do art. 63 da IN 247/2002 e se não as regularizasse no prazo de 30 dias poderia ter sido suspenso do regime por 30 dias e findo este prazo se não sanadas as pendências a suspensão se converteria em exclusão conforme dispõe o art. 65 da IN 247/2002 (...). A interessada apresentou petição em 09/06/2009 (fls. 919/932). Regularizada a pendência o pedido de habilitação foi deferido (fl.1.260/1.261), considerando a petição de fls. 919/932 apresentada em 09/06/2009 uma renovação do pedido, portanto, o regime especial teria efeitos a partir da renovação nos termos do art. 64 da IN 247/2002. Diante disso, concluise pela inclusão automática da interessada no regime especial de Utilização de Crédito Presumido da Contribuição para o PIS e a COFINS a partir de 18/04/2007, em relação ao aditamento, e em relação ao período anterior já havia habilitação, conforme comprova o ADE COSAR nº 61 de 25/06/2001. Assim sendo, deve ser cancelado o presente auto de infração. Da sua decisão a DRJ recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força do art. 34 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações posteriores, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.720679/201126 Resolução nº 3402000.768 S3C4T2 Fl. 1.492 5 VOTO A exigência tributária cancelada por meio da decisão recorrida supera o limite de alçada previsto na Portaria MF n° 3/2008, e o recurso de ofício deve ser conhecido. Considerandose somente as informações que constam nos presentes autos, sucederamse os seguintes fatos relativamente à habilitação da contribuinte ao regime especial de crédito presumido: Mediante o Ato Declaratório Executivo COSAR nº 61, publicado em 28.6.2001 (fl. 1433), foi reconhecido o direito da empresa "Indústria Química e Farmacêutica Schering Plough", de CNPJ nº 33.060.740/000172, à utilização do regime especial do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, a partir de 27 de abril de 2001, considerando o que constava no processo nº 10168.001814/200100. Em 18/04/2007, a contribuinte protocolizou Aditamento ao Requerimento inicial de habilitação para a concessão de crédito presumido, nos termos do Comunicado nº 09, de 20 de abril de 2006, junto a SecretariaExecutiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos CMED (fls. 668/669 e seguintes). O referido Aditamento foi encaminhado à DeratSP pelo SecretárioExecutivo da CMED, mediante o Ofício nº 1.561 SE/CMED, de 09/11/2007 (fl. 666), a qual o reencaminhou para a DeratRJ, que o recebeu em 29/11/2007 (fl. 676), formalizando o processo administrativo nº 15374.000083/200821 em 17/01/2008. O pedido da contribuinte foi indeferido (fls. 898/899) em 26/12/2008, tendo em vista que os documentos apresentados não comprovavam a sua regularidade fiscal. A contribuinte foi cientificada dessa decisão por via postal em 07/05/2009 (fl. 901). Em 04/06/2009, a contribuinte apresentou petição naquele processo (fls. 919 e seguintes), com esclarecimentos e documentos, requerendo, ao final, a reconsideração do indeferimento e o reconhecimento da sua inclusão no regime especial do crédito presumido. O referido pedido foi considerado pela fiscalização como um novo pedido (fls. 1260/1261). Em 23/03/2010, o pedido de habilitação ao regime especial do crédito presumido da contribuinte foi deferido, com base no seguinte parecer da fl. 585 do processo nº 15374.000083/200821 (cópias nas fls. 1260/1261 do presente processo): Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.720679/201126 Resolução nº 3402000.768 S3C4T2 Fl. 1.493 6 Em 14/04/2010, foi publicado o Ato Declaratório Executivo nº 67, que reconheceu o direito da contribuinte de utilização do regime especial de crédito presumido do PIS/Pasep e Cofins a partir de 23 de março de 2010 (fl. 1263). Em face desses fatos, entendeu o julgador de primeira instância, em síntese, que: a) A contribuinte já estava habilitada mediante o Ato Declaratório Executivo COSAR nº 61, publicado em 28/06/2001. b) Não havendo procedimento específico para o aditamento ao requerimento inicial, o procedimento a ser adotado seria o de habilitação, disposto no art. 63 da IN SRF nº 247/2002, o qual dispõe em seus §§1º e 2º que considerarseá automaticamente deferido o regime especial quando a Unidade da Receita Federal não se pronunciar acerca da documentação encaminhada pela CMED, no prazo de 30 dias, a contar de seu recebimento. Assim, uma vez que a RFB recebeu pedido de aditamento em 14/11/2007, concluise que, em 15/12/2007, o regime especial de crédito presumido foi automaticamente deferido, em relação aos medicamentos aditados, uma vez que já havia habilitação em relação a outros medicamentos. c) Diante disso, concluise pela inclusão automática da interessada no regime especial de Utilização de Crédito Presumido da Contribuição para o PIS e a COFINS a partir de 18/04/2007, em relação ao aditamento, e em relação ao período anterior já havia habilitação, conforme comprova o ADE COSAR nº 61 de 25/06/2001. Assim sendo, deve ser cancelado o presente auto de infração. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 16682.720679/201126 Resolução nº 3402000.768 S3C4T2 Fl. 1.494 7 Segundo entendo, a questão merece um aprofundamento da investigação, mormente quando envolve a alteração de efeitos de atos administrativos definitivos proferidos em outros processos, sem a manifestação dos agentes ou do órgão que os praticaram. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para solicitar à fiscalização da DERAT/RJ, ou quem lhe faça as vezes, as seguintes providências: 1) Juntar ao presente processo, como anexo, cópias integrais dos processos administrativos nºs 10168.001814/200100 e 15374.000083/200821, que trataram dos pedidos da contribuinte acerca da habilitação inicial e do aditamento ao regime especial do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins. 2) Manifestarse quanto à vigência/produção de efeitos para a contribuinte do Ato Declaratório Executivo COSAR nº 61, de 25 de junho de 2001, à época do pedido Aditamento, melhor dizendo, se a contribuinte já estava, efetivamente, neste período, autorizada a utilizar o regime especial de crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins para determinados medicamentos, inclusive, se for necessário, com subsídio em informações de outras autoridades competentes. 3) Em caso afirmativo, tendo em vista o entendimento da decisão recorrida de haveria inclusão automática da interessada no regime especial a partir de 18/04/2007 em relação ao Aditamento, em contradição ao disposto no Ato Declaratório Executivo nº 67/2010 (a partir de 23 de março de 2010), bem como a possibilidade de concomitância de vigência de dois Atos Declaratórios de habilitação ao regime especial à contribuinte, manifestarse sobre a correção do procedimento adotado no processo nº 15374.000083/200821 em relação ao Aditamento ao Requerimento Inicial, promovendo, se for o caso, segundo o seu próprio entendimento ou de quem lhe faça as vezes, as medidas necessárias ao procedimento de revisão de ofício de eventuais atos que entenda ilegítimos. 4) Após a análise dos quesitos acima, caso entenda pela vigência da habilitação ao regime especial para a contribuinte de forma distinta, no período de apuração (31/10/2006 a 31/05/2009), para os medicamentos aos quais se refere o Requerimento Inicial da contribuinte e aqueles outros que integraram o seu Aditamento, proceder à correspondente segregação nas parcelas da contribuição social no auto de infração, para subsidiar eventual futuro julgamento de forma diferenciada para os medicamentos desses dois pedidos. 5) Após, cientificar a contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 6) Por fim, decorrido o prazo de manifestação, devolver os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 11/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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