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Numero do processo: 11080.724372/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Murillo Sarno Martins Villas.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Murillo Sarno Martins Villas. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 8031 em face de decisão de primeira instância administrativa da DRJ/RS de fls. 7994 que decidiu pela improcedência da Impugnação de fls 3332, restando o crédito de Pis e Cofins não cumulativo glosado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 24 37 2/ 20 13 -2 1 Fl. 8181DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.182 2 Como de costume nesta Turma de Julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, para a apreciação dos fatos e trâmite dos autos: "Tratase de impugnação contra Auto de Infração (fls. 3.294 a 3.316) 1 relativo às contribuições do PIS (lançamento de R$ 6.483,231,63) e da Cofins (lançamento de R$ 25.857.115,30) totalizando um crédito tributário de R$ 32.340.346,93. A fiscalização se originou do MPF nº 1010100.2012.00267 relativo ao período de 01/01/2009 a 31/12/2010. Tal verificação fiscal tinha como objetivo analisar a base de cálculo do PIS e da COFINS, assim como os créditos utilizados pela empresa. O início da fiscalização se deu em 12/03/2012 (fl. 4). De acordo com os autos, o impugnante foi intimado pela fiscalização a apresentar vasta documentação contábil e fiscal, a seguir discriminada: notas fiscais de aquisição e de venda de bens e serviços; ficha de apuração dos créditos das contribuições, apresentando demonstrativos de cálculo com a discriminação de diversas contas; relação dos serviços utilizados como insumos; relação dos materiais de manutenção utilizados como insumos; relação dos insumos e serviços na importação; relação dos fretes cujo ônus foi suportado pela empresa (classificandoos em aéreos, diversos, sobre beneficiamento, sobre compras, sobre retorno de embalagens, de transferência, etc.); demonstrativo mensal de bens do ativo imobilizado (assim como os bens depreciados com data de aquisição e valor mensal depreciado); outras deduções constantes nas fichas 15B e 25B do DACON; documentação comprobatória de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na atividades da empresa e pagos a pessoas jurídicas; documentação comprobatória da energia elétrica consumida nos estabelecimentos do contribuinte; documentação comprobatória das despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de vendas, cujo ônus foi suportado pelo vendedor; e contrato social com alterações; entre outros. Com base nessa relação de informações prestadas pelo contribuinte a fiscalização detectou irregularidades com repercussão sob o aspecto tributário, mais precisamente no fato de o contribuinte ter incluído indevidamente na sua apuração créditos a que não teria direito, procedendose, então, a glosa dos mesmos. Tais glosas se encontram discriminadas às fls. 44 a 3.272, e as bases de cálculo das contribuições foram refeitas nas planilhas constantes às fls. 3.273 a 3.286. A Informação Fiscal se encontra às fls. 3.287 a 3.293. A ciência foi dada ao contribuinte em 08/05/2013, conforme fls. 3.296, 3.305 e 3.315. Em que pese a constituição de um processo único para o lançamento de ambas contribuições – PIS e Cofins – o contribuinte apresentou impugnações em separado. Às fls. 3.332 a 3.393 temos a contestação do PIS, e às fls. 3.394 a 3.455 a da Cofins. Além da base de cálculo das duas contribuições seguirem de forma geral o mesmo regramento, as duas peças de defesa são praticamente iguais. Fl. 8182DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.183 3 Dessa forma, passaremos a descrever em síntese os argumentos apresentados pelo contribuinte, e eventualmente, caso seja necessário, fazendo a menção a tópicos distintos das duas peças de defesa: 1) Preliminarmente a) O impugnante concorda com parte da glosa fiscal, referente a parte dos valores relativos a “Serviços Importados”, os quais não estariam relacionados ao seu processo produtivo, já tendo providenciado o recolhimento da contribuição com multa e juros correspondentes. b) Afirma que o saldo de créditos acumulado a que teria direito em dezembro de 2008, adotado pela fiscalização, é o resultado de auditoria promovida por outro Mandado de Procedimento Fiscal (MPF nº 1010100/01253/10), o qual tratou da fiscalização do período de apuração de 01/2006 a 12/2008. Isso redundou num lançamento fiscal que a empresa está contestando, primeiro apresentando impugnação, e posteriormente recurso voluntário ao CARF. Portanto, o resultado daquela discussão administrativa poderá vir a afetar o cálculo do presente processo, caso seja modificado o saldo inicial de créditos a que teria direito. Requer, assim, que venha a ser aqui considerado o resultado da decisão definitiva que sobrevier do Auto de Infração relativo ao MPF 1010100/01253/10. 2) Do direito Discorre, inicialmente, sobre o que entende que deveria ser considerado como conceito de insumo para fins de apuração de créditos de PIS e de Cofins. Afirma que deveria ser feita a correta interpretação do inciso II, do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02, e do inciso II, do art. 15, da Lei nº 10.865/04. Discorre que a fiscalização fundou seu entendimento no conceito advindo da legislação do IPI, defendendo que, no entanto, deveria equivaler a todos os custos de produção e despesas operacionais. Argumenta que mesmo que se entenda que o presente lançamento fiscal não esteja fundado no conceito de insumo do IPI, ainda assim deveria ele ser reformado, pois não há como se admitir a vedação da tomada de créditos relativos a “despesas e custos indiretos” necessários à realização das atividades da empresa. Compreende que o conceito de insumo quando da interpretação das leis de regência do PIS e da Cofins há de ser construído a partir da legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). E mesmo para aqueles que entendam que só se abarcaria os custos de produção e as despesas essenciais à atividade produtiva, ainda assim deve ser desconstituído o lançamento fiscal, visto que o AuditorFiscal limitou sua auditoria aos simples apontamentos das notas fiscais de produtos e de serviços, sem investigar a real natureza dessas. Na seqüência comenta as rubricas que teriam sido glosadas pela fiscalização: a) QUE os créditos de materiais de manutenção são indispensáveis à consecução do objeto da empresa. Arrola uma descrição das despesas Fl. 8183DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.184 4 contidas nesse grupo que entende que lhe dariam direito a crédito: lubrificantes e produtos químicos aplicados na indústria; máquinas e seus componentes (aquisição de peças e equipamentos das máquinas); embalagens e etiquetas industriais (racks metálicos ou de madeira para transportar peças, e etiquetas para identificação e transporte); equipamento de proteção individual – EPI –, e equipamento de proteção coletiva – EPC; ferramentas, mecânica geral e instalação industrial; mangueiras, conexões, vedação e filtros; materiais de movimentação transporte e armazenagem (cita os rodízios, que servem para transporte de peças); materiais elétricos e eletrônicos (cita a iluminação e sinaleiros); medição com calibradores, paquímetros, micrômetros e rugosímetros (usados para verificar medidas das peças, medidas de inclinação e medidas de dimensões lineares e de profundidade); tratamento de efluentes; e outros diversos materiais de manutenção (materiais de limpeza industrial, estrutura metálica para proteção da lagarta; imãs, sistemas de iluminação, dentro outros). b) QUE os créditos com serviços de manutenção eram utilizados direta ou indiretamente na sua produção. Entende ser importante diferenciar os serviços de manutenção dos equipamentos diretamente ligados na fabricação de produtos (conserto de paquímetros e micrômetros, calibradores), daqueles outros que não tratavam efetivamente de manutenção, embora defenda que estivessem relacionados com o seu processo de industrialização (serviços de logística, deslocamento, armazenamento de peças e matériaprima, etc.). Fariam parte dessas glosas: abastecimento; análise dos processos fabris (desenvolvimento de ferramentais e de documentação; projetos de dispositivo; melhorias de processo; acompanhamento de protótipos; dentre outros); análises, teste e ensaios; calibração e medição; consertos, reformas e reparos; consultoria, assessoria e assistência técnica; serviços de engenharia; tratamento de efluentes e resíduos; serviços de inspeção; serviço de inventário; limpeza e lavagem; locação e confecção de equipamentos; remoções e instalações; terceirizações; tratamento de embalagens; serviços diversos. c) QUE os créditos de fretes nacionais, relativos à beneficiamento, transferências, retorno de embalagens e devoluções de vendas lhe dariam direito a crédito. Os fretes sobre beneficiamento seriam oriundos de industrialização por encomenda. Os fretes de transferência seriam relativos ao envio de peças ou produtos semielaborados de uma a outra das unidades fabris do próprio impugnante. Já sobre os fretes sobre a devolução de embalagens, entende que os mesmos compõem o custo do chamado frete de venda das mercadorias prontas. Por fim, dos fretes sobre devoluções de vendas aduz que os mesmos em nada diferem dos relativos ao fretes de aquisições de mercadorias para revenda; d) QUE os créditos de fretes internacionais de importação não podem ser considerados como utilizados em duplicidade como apurou a fiscalização, visto que eles primeiramente decorreram do PISImportação e CofinsImportação com base no art. 15, da Lei nº 10.865/04, e num segundo momento, independentemente dessa operação anterior, também se enquadrariam nos créditos previstos no art. 3º, das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02; e) QUE as importações de bens e serviços também lhe geram créditos, como, por exemplo, no Fl. 8184DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.185 5 caso de calibradores; f) QUE as despesas aduaneiras são indispensáveis ao seu processo produtivo; g) QUE os fretes internacionais de exportação geram crédito, pois a legislação nacional não exige que no que tange as despesas com tais fretes que o transportador tenha domicílio em território nacional, sendo que o fato de o transportador não ser desse país desinteressa na apuração do seu direito creditório. O frete que contrata para exportação é adquirido de agentes de cargas ou marítimos nacionais; h) QUE faz jus aos créditos do drawback isenção visto que a legislação só veio a vedar tal direito com o advento da Medida Provisória nº 451/2008, com efeitos a partir de 2009, e que permaneceria o seu direito aos créditos extemporâneos; i) QUE a depreciação de bens pode ser estendida a outros bens essenciais a consecução e qualidade do seu processo produtivo; j) QUE a locação de caminhões, pickups e tendas são gastos enquadrados nas atividades da empresa; l) QUE sobre a futura aplicação de juros sobre a multa não existe permissivo legal, apontando para a ilegalidade do Parecer MF nº 28, de 02/04/1998. Os créditos tributários exigidos pelas Autoridades Fiscais são acrescidos de multa de ofício, e a partir da lavratura do ato de constituição, essas multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros Selic disposta no mencionado Parecer. Ocorre que o art. 61, da Lei nº 9.430/96, trata tãosomente da incidência de juros sobre créditos tributários decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício. Por fim, requer o impugnante: 1) que seja reformado o lançamento fiscal e assim extintos os correlatos créditos tributários, no todo ou em parte, porquanto os créditos objeto de glosa por parte do AuditorFiscal se encontram amparados nas Leis nº 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04; 2) que na hipótese de que seja mantido em todo ou em parte o lançamento fiscal, o que se admite por apego à argumentação, seja determinado o recálculo dos créditos tributários considerando os efeitos advindos da final decisão acerca da ilegalidade do Auto de Infração relativo ao MPF 1010100/01253/10 (fiscalização anterior a essa), conforme explicitado em preliminar; 3) ad argumentandum tantum, caso seja mantido, em todo ou em parte o lançamento fiscal, requer que seja impedida a aplicação de juros de mora sobre a multa; 4) que se entenderem os julgadores que a prova ofertada junto à impugnação por amostragem em razão da quantidade de glosas promovidos pelo AuditorFiscal responsável pelo lançamento tributário combatido não é suficiente para comprovar o alegado, protesta pela realização de diligência, meio hábil a confirmar a legalidade com que estão registrados os créditos objetos da glosa fiscal aqui promovida." A Ementa deste Acórdão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 8185DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.186 6 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. NOTA FISCAL. FORÇA PROBANTE. As notas fiscais fazem prova das operações comerciais realizadas pelas empresas. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic por expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. NOTA FISCAL. FORÇA PROBANTE. As notas fiscais fazem prova das operações comerciais realizadas pelas empresas. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Fl. 8186DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.187 7 Cobramse juros de mora equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que solicitou a nulidade da decisão de primeira instância por não apreciação das alegações, solicitou a espera do julgamento do Auto de Infração conexo e decorrente do MPF 1010100/01253/10 e, no mérito, reforçou as argumentações da impugnação, os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta se este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Conforme relatado, o contribuinte solicitou a espera do julgamento do Auto de Infração conexo e decorrente do MPF 1010100/01253/10, processo administrativo de n.º 11080.725859/201089. Ao pesquisar este processo no site deste Conselho, é possível verificar que esta Turma de julgamento proferiu o Acórdão de n.º 3201002.507, em 20 de fevereiro deste ano. Com este foi publicada a seguinte Ementa: "Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E SEGURANÇA Fl. 8187DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.188 8 Se a regulamentação que rege a atividade do interessado demanda o uso de equipamentos de proteção individualEPI, bem como outros materiais de segurança, a sua aquisição deve gerar créditos de COFINS como se insumo fosse, pois, sem a observância das normas de regência, o processo produtivo não se desenvolveria regularmente. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ( TRANSFERÊNCIA/ BENEFICIAMENTO/ SOBRE RETORNO DE EMBALAGENS) ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3° das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS/TAMBORES DE FERRO/ TRATAMENTO DE EFLUENTES. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM EMBALAGENS DE TRANSPORTE Dáse crédito às embalagens (de madeira ou racks metálicos), pois são usadas para transportar as peças que servem à montagem do produto final. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM SERVIÇOS DE CALIBRAÇÃO, MEDIÇÃO E SERVIÇO DE METROLOGIA (PAQUÍMETRO, MICRÔMETRO E TORQUÍMETRO) E MANUTENÇÃO DESSES EQUIPAMENTOS. Dáse o crédito, em virtude das características das peças fabricadas pela empresa e necessidade de precisão, ajustes de correção e controle de qualidade das medições realizadas durante o processo produtivo, bem como a manutenção dos equipamentos e aparelhos empregados no controle de qualidade, na aferição. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM ANÁLISE MACROGRÁFICA E METALOGRÁFICA Dáse o crédito aos dispêndios considerados insumos por conta da atividade produtiva da empresa. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM SERVIÇOS DE INSPEÇÃO Dáse o crédito aos dispêndios considerados insumos por conta da atividade produtiva da empresa. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM PRODUTOS QUÍMICOS DESTINADOS A SEREM UTILIZADOS EM TESTES DE Fl. 8188DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.189 9 QUALIDADE EM MATÉRIASPRIMAS E NO PRODUTO FINAL INDUSTRIALIZADO Dáse o crédito aos dispêndios considerados insumos por conta da atividade produtiva da empresa. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM AMOSTRAGEM E SELEÇÃO DE PEÇAS Dáse o crédito aos dispêndios considerados insumos por conta da atividade produtiva da empresa. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO E SEGURANÇA Se a regulamentação que rege a atividade do interessado demanda o uso de equipamentos de proteção individualEPI, bem como outros materiais de segurança, a sua aquisição deve gerar créditos de COFINS como se insumo fosse, pois, sem a observância das normas de regência, o processo produtivo não se desenvolveria regularmente. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ( TRANSFERÊNCIA/ BENEFICIAMENTO/ SOBRE RETORNO DE EMBALAGENS) ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3° das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM REMOÇÃO DE RESÍDUOS/TAMBORES DE FERRO/ TRATAMENTO DE EFLUENTES O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Dáse crédito às embalagens (de madeira ou racks metálicos), pois são usadas para transportar as peças que servem à montagem do produto final. Fl. 8189DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.190 10 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM SERVIÇOS DE CALIBRAÇÃO, MEDIÇÃO E SERVIÇO DE METROLOGIA (PAQUÍMETRO, MICRÔMETRO E TORQUÍMETRO) E MANUTENÇÃO DESSES EQUIPAMENTOS. Dáse o crédito, em virtude das características das peças fabricadas pela empresa e necessidade de precisão, ajustes de correção e controle de qualidade das medições realizadas durante o processo produtivo, bem como a manutenção dos equipamentos e aparelhos empregados no controle de qualidade, na aferição. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM ANÁLISE MACROGRÁFICA E METALOGRÁFICA Dáse o crédito aos dispêndios considerados insumos por conta da atividade produtiva da empresa. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM SERVIÇOS DE INSPEÇÃO Dáse o crédito aos dispêndios considerados insumos por conta da atividade produtiva da empresa. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM PRODUTOS QUÍMICOS DESTINADOS A SEREM UTILIZADOS EM TESTES DE QUALIDADE EM MATÉRIASPRIMAS E NO PRODUTO FINAL INDUSTRIALIZADO Dáse o crédito aos dispêndios considerados insumos por conta da atividade produtiva da empresa. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO COM AMOSTRAGEM E SELEÇÃO DE PEÇAS Dáse o crédito aos dispêndios considerados insumos por conta da atividade produtiva da empresa. Recurso a que se dá provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relatora." Logo, constatase que a matéria e o contribuinte, assim como suas atividades, são as mesmas, só que em períodos diferentes. Este trata do período de apuração de 01/01/2009 a 31/12/2010 e aquele tratou de 01/01/2006 a 31/12/2008. Portanto, não se tratam de processos conexos e principais. Há previsão de sobrestamento no regimento interno deste conselho, mas não se aplica ao caso. Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide envolve a matéria do creditamento na apuração das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, assim como o creditamento sobre os insumos do processo produtivo, matéria recorrente nesta seção de julgamento. Fl. 8190DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.191 11 De forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Dicotomia que retrata a presente lide administrativa. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. Em razão desta premissa é importante informar que, no processo administrativo mencionado, de n.º 11080.725859/201089, antes desta Turma de julgamento proferir o Acórdão de n.º 3201002.507, foi proferida a Resolução de n.º 3201000.383, com o objetivo de identificar justamente em qual momento e fase do processo produtivo os créditos estariam vinculados. Diante do exposto, em observação ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo, votase no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o objetivo de que: o contribuinte apresente laudo conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, para detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência e papel dos dispêndios gerais que serviram de base para tomada de crédito, como os gastos com fretes, serviços, aquisições e todos os itens em que a fiscalização glosou os valores, com o objetivo de que este Conselho possa avaliar a real essencialidade e relação dos produtos e serviços com o processo produtivo e atividades da empresa. Nos pontos que convergem com a mencionada Resolução n.º 3201000.383, o laudo poderá ser o mesmo, devendo ser juntada a cópia do trecho especifico nos autos, somente nos pontos que convergem, para simplificar a análise posterior deste colegiado. Em razão do volume de itens glosados, destacase que o laudo deverá ser conciso e prático, de forma que não fique gravemente complexa a análise que será feita por conselheiro relator deste Conselho no retorno dos autos, sob a possibilidade de ser realizada nova diligência para adequação do laudo/relatório. Se possível, o laudo deve apresentar de forma agrupada e planilhada as análises que são muito semelhantes, como nos caso das maquinas, ferramentas e materiais. Da mesma forma, devem ser evitados termos genéricos no relatório, como serviços gerais e outros. Em adição à diligência, o contribuinte deverá juntar aos autos os comprovantes dos recolhimentos relativos ao crédito tomado sobre os gastos com serviços importados, aqueles que reconheceu ter se creditado de forma equivocada, conforme informado em Impugnação de fls. 3332. A receita deve ser cientificada do laudo apresentado pelo contribuinte para fazer diligência e nomear perito para analisar o laudo, se for o caso. Fl. 8191DF CARF MF Processo nº 11080.724372/201321 Resolução nº 3201001.000 S3C2T1 Fl. 8.192 12 Após cumpridas estas etapas, o contribuinte deve ser novamente cientificado do resultado da manifestação da Receita, assim como, a PGFN deve ser informada do resultado final da diligência demandada, para ambos se manifestarem dentro do prazo de trinta dias. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 8192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14098.720176/2014-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. PEDIDO INDEFERIDO.
Inexiste previsão legal ou regimental que possibilite o sobrestamento de processo administrativo fiscal em face da existência de recurso judicial sob a sistemática do art. 543-B, do Código de Processo Civil.
PRODUÇÃO DE PROVAS E REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRECLUSÃO.
As razões de prova de que dispuser o contribuinte devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em momento processual posterior.
JURISDIÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL.NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É competente para lançamento de tributos federais a autoridade fiscal de outra jurisdição, nos termos do § 2º do art. 9° do Decreto 70.235/1972, não padecendo de nulidade o lançamento que tenha sido efetuado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil que esteja lotado em unidade administrativa diversa daquela em que o sujeito passivo encontre-se jurisdicionado.
FUNDAMENTO LEGAL DO DÉBITO. INDICAÇÃO DAS NORMAS QUE RESPALDARAM A AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se verifica a hipótese de cerceamento do direito de defesa quando encontram-se especificamente indicadas nos documentos que integram os Autos de Infração todas as normas em que se respaldaram as autuações.
RELATÓRIO FISCAL. DESCRIÇÃO SATISFATÓRIA DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando o lançamento revestido de todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária e tendo o Relatório Fiscal, em conjunto com os demais documentos que acompanham os Autos de Infração, demonstrado o não recolhimento do tributo e a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinado a matéria tributável, apresentado o cálculo do montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo, determinado a penalidade aplicável e indicado os fatos e os fundamentos jurídicos que motivaram o lançamento, não há que se falar em descrição insatisfatória dos fatos que fundamentaram a autuação.
FAP. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO CONCLUÍDO PERANTE O DEPARTAMENTO DE POLÍTICAS DE SAÚDE E SEGURANÇA OCUPACIONAL.
Tendo o processo administrativo afeto à contestação do FAP sido julgado improcedente em caráter definitivo pela Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, inexiste empecilho para a conclusão do processo administrativo fiscal a respeito do lançamento do crédito tributário relacionado ao Fator Acidentário de Prevenção.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É pacífico na jurisprudência o entendimento de que o julgador não fica adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado, sendo necessário que ele, para formar sua convicção, também considere os fatos revelados por meio dos elementos de prova carreados aos autos e a legislação que rege a matéria.
ENQUADRAMENTO EQUIVOCADO DOS ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA PARA EFEITOS DA ALÍQUOTA RAT. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Verificada a retificação do crédito tributário pela autoridade autuante, com a exclusão de valores lançados indevidamente por erro no enquadramento de estabelecimento da empresa na CNAE com a indevida majoração da alíquota da GILRAT, afastada está a hipótese de nulidade do Auto de Infração
FAP. INEXIGIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS QUE LHE DÃO SUPORTE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
INEXIGIBILIDADE DA GILRAT. AUSÊNCIA OU IMPRESTABILIDADE DO ESTUDO ESTATÍSTICO EXIGIDO EM LEI. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE DECRETO QUE MAJOROU A ALÍQUOTA DA CONTRIBUIÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Não compete ao CARF afastar a aplicação de decreto presumidamente válido em razão da alegação de sua inconstitucionalidade ou da imprestabilidade dos estudos que deram suporte à elaboração da norma
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. APLICAÇÃO DA PENALIDADE PREVISTA EM LEI.
A vedação ao confisco estabelecida pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Numero da decisão: 2402-005.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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PEDIDO INDEFERIDO. Inexiste previsão legal ou regimental que possibilite o sobrestamento de processo administrativo fiscal em face da existência de recurso judicial sob a sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. PRODUÇÃO DE PROVAS E REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRECLUSÃO. As razões de prova de que dispuser o contribuinte devem ser apresentadas na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em momento processual posterior. JURISDIÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL.NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É competente para lançamento de tributos federais a autoridade fiscal de outra jurisdição, nos termos do § 2º do art. 9° do Decreto 70.235/1972, não padecendo de nulidade o lançamento que tenha sido efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil que esteja lotado em unidade administrativa diversa daquela em que o sujeito passivo encontrese jurisdicionado. FUNDAMENTO LEGAL DO DÉBITO. INDICAÇÃO DAS NORMAS QUE RESPALDARAM A AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se verifica a hipótese de cerceamento do direito de defesa quando encontramse especificamente indicadas nos documentos que integram os Autos de Infração todas as normas em que se respaldaram as autuações. RELATÓRIO FISCAL. DESCRIÇÃO SATISFATÓRIA DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 01 76 /2 01 4- 68 Fl. 428DF CARF MF 2 Estando o lançamento revestido de todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária e tendo o Relatório Fiscal, em conjunto com os demais documentos que acompanham os Autos de Infração, demonstrado o não recolhimento do tributo e a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinado a matéria tributável, apresentado o cálculo do montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo, determinado a penalidade aplicável e indicado os fatos e os fundamentos jurídicos que motivaram o lançamento, não há que se falar em descrição insatisfatória dos fatos que fundamentaram a autuação. FAP. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO CONCLUÍDO PERANTE O DEPARTAMENTO DE POLÍTICAS DE SAÚDE E SEGURANÇA OCUPACIONAL. Tendo o processo administrativo afeto à contestação do FAP sido julgado improcedente em caráter definitivo pela Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, inexiste empecilho para a conclusão do processo administrativo fiscal a respeito do lançamento do crédito tributário relacionado ao Fator Acidentário de Prevenção. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É pacífico na jurisprudência o entendimento de que o julgador não fica adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado, sendo necessário que ele, para formar sua convicção, também considere os fatos revelados por meio dos elementos de prova carreados aos autos e a legislação que rege a matéria. ENQUADRAMENTO EQUIVOCADO DOS ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA PARA EFEITOS DA ALÍQUOTA RAT. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Verificada a retificação do crédito tributário pela autoridade autuante, com a exclusão de valores lançados indevidamente por erro no enquadramento de estabelecimento da empresa na CNAE com a indevida majoração da alíquota da GILRAT, afastada está a hipótese de nulidade do Auto de Infração FAP. INEXIGIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS QUE LHE DÃO SUPORTE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. INEXIGIBILIDADE DA GILRAT. AUSÊNCIA OU IMPRESTABILIDADE DO ESTUDO ESTATÍSTICO EXIGIDO EM LEI. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE DECRETO QUE MAJOROU A ALÍQUOTA DA CONTRIBUIÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Não compete ao CARF afastar a aplicação de decreto presumidamente válido em razão da alegação de sua inconstitucionalidade ou da imprestabilidade dos estudos que deram suporte à elaboração da norma MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. APLICAÇÃO DA PENALIDADE PREVISTA EM LEI. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 3 3 A vedação ao confisco estabelecida pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 430DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – DRJ/CTA (234/252) em face de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, DEBCAD nº 51.052.8821, lançado de diligência solicitada nos autos do Processo nº 14098.720006/201483 do DEBCAD nº 51.043.6021. Nos termos do Relatório de Diligência (Processo nº 14098.720006/201483 – fls. 209/215): Em cumprimento às diligências solicitadas no despacho em referência, foram efetuados os seguintes procedimentos: I Emissão do Auto de Infração Complementar DEBCAD n° 51.052.8821, de 30/10/2014, componente do processo administrativo n° 14098.720176/201468, recebido em 05/11/2014, conforme Aviso de Recebimento AR n° JG 44714985 3 BR, contemplando as seguintes diferenças de alíquotas dos Riscos Ambientais do Trabalho RAT Ajustadas: a) ano de 2010 3,2180%, resultante do produto da alíquota RAT complementar de 2,0% pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP devido de 1,6090; b) ano de 2011 1,6250%, correspondente ao resultado da subtração entre o RAT Ajustado efetivamente devido (3,0% x 1,3125 = 3,9375%) e os RATs Ajustados constantes das GFIP’s (1,0% x 1,0000 = 1,0000%) e Auto de Infração Al DEBCAD n° 51.043.6021 (1,0% x 1,3125 = 1,3125%), ou seja, [3,9375% (1,0000% + 1,3125%)] = 1,6250%; c) exclusivamente para o estabelecimento CNPJ n° 72.600.190/002132 1,6090%, oriunda do excedente entre o RAT Ajustado efetivamente devido (3,0% x 1,6090) e os registrados nas GFIP's (2,0% x 1,6090), ou seja, 1,0% x 1,6090 = 1,6090%. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração Complementar (fls. 9/10): II. DO AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR DEBCAD N° 51.052.8821 Foram Informados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP do ano de 2010, alíquotas de RAT (Riscos Ambientais do Trabalho) não correspondentes aos códigos do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas CNAE, ), já em 2011, além da falha retro apontada, foi também utilizado o índice do FAP (Fator Acidentário de Prevenção) igual a 1,00 ao invés de 1,3125. tato este que motivou a lavratura do AI que ora se complementa, conforme discriminação constante do Anexo I. No entanto, o Auto de infração AI DEBCAD n° 51 043 6021 foi lavrado com Incorreção, não contemplando as diferenças de contribuições do RAT em 2010, e em 2011 com utilização da alíquota única de 1,3125, obtida pela utilização de 1% (um por cento) para o RAT e o FAP correto de 1,3125. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 4 5 Deste modo, serve o presente AI para complementar as contribuições efetivamente devidas ao RAT, contribuições complementares estas, calculadas com exclusão, por razões óbvias, das declaradas em GFIP e das apuradas no AI DEBCAD n° 51.043.6021. conforme Anexo II. Levantamento mantido com a sigla R1. O presente processo foi vinculado e deverá tramitar sempre acompanhado ao processo nº 14098.720006/201483. Por bem retratar as razões trazidas nas impugnações (fls. 98/149), reproduz se os trechos correspondentes do Acórdão nº 0651.534, da 7ª Turma da DRJ/CTA: A empresa apresentou defesa com as seguintes argumentações: Nulidade da Fiscalização Afirma a Impugnante que possui domicílio fiscal em Brasília/DF, eleito na forma do art. 127 do CTN, e que a fiscalização foi efetuada pela RFB de Cuiabá/MT. Alega que o domicílio do sujeito passivo determina a competência da autoridade fiscal para o exercício de suas atividades, devido ao aspecto territorial. Ressalta que apesar da União ter competência funcional em todo o território nacional, uma autoridade tributária pode não ser competente, no aspecto territorial para realizar ação de fiscalização. Cita o art. 985 do Decreto nº 3.000/99 neste sentido. Aponta a Portaria RFB nº 2.466/2010 que estabelece a “jurisdição Fiscal” das Unidades da Receita Federal do Brasil, na qual há delimitação da competência fiscalizatória em razão do domicilio fiscal do sujeito passivo. Entende que como a Impugnante possui domicílio fiscal em Brasília/DF, a fiscalização deveria ter ocorrido pela Unidade da RFB de Brasília/DF, conforme anexo 1. Aduz que não pode ser alegado a aplicação do § 2º, do art. 9º do Decreto nº 70.235/72, pois, para tanto, a autoridade administrativa deveria ser designada em caráter especial ou excepcional para realizar fiscalizações em local diverso de sua jurisdição fiscal. Salienta que seria imprescindível uma designação formal de caráter oficial para tanto, sem a qual os atos realizados pelo Auditor Fiscal da DRF de Cuiabá/MT não podem ser válidos. Informa que tendo sido a fiscalização realizada por autoridade incompetente, impõese a nulidade do procedimento como um todo. Cita doutrina a respeito da competência administrativa. Alega que mesmo que a competência da RFB para fiscalizar seja partilhada entre seus agentes, não é possível que seja extrapolada a jurisdição fiscal, até mesmo porque a competência administrativa decorre sempre de lei, não podendo o próprio órgão estabelecer, por si só, as suas atribuições. Cita doutrina neste sentido. Fl. 432DF CARF MF 6 Afirma que caso a Impugnante na qualidade de sujeito passivo quisesse impetrar mandado de segurança teria de fazer contra a autoridade do seu domicílio fiscal, por ser a autoridade competente. Nulidade do Auto de Infração. Ausência de fundamentação legal. Alega que o anexo FLD é um emaranhado de normas das mais diversas espécies e aplicáveis a várias situações, nada mais representando que uma consolidação de normas, que acompanham toda e qualquer autuação, qualquer que seja a suposta infração. Ressalta que por sua generalidade o auto de infração não possibilita ao “acusado” o exercício pleno ou satisfatório do direito de defesa assegurado pelo inciso LV, do art. 5º da CF. Entende que a falta de indicação clara e precisa dos dispositivos legais tidos como violados acarretaria a nulidade do procedimento, pois o contribuinte tem que tentar descobrir qual o fundamento legal da pretensão. Apresenta jurisprudência de que a falta de menção aos dispositivos legais acarreta prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Salienta que no “anexo padrão” apresentado pela fiscalização o contribuinte tem que tentar adivinhar o que lhe cobram. Apresenta doutrina sobre diversos princípios administrativos que deixam claro que deve constar no auto de infração quais são especificamente os artigos de lei que a fiscalização entende que foram violados. Aduz que é vedado à administração alterar o fundamento do auto de infração o que acarretaria a desigualdade entre as partes, motivo pelo deveria ser esclarecido no lançamento qual o dispositivo que fundamenta a pretensão. Cita doutrina a respeito. Afirma que o inciso LV do art. 5º da CF/88 confere aos acusados o direito de defesa, e sem a indicação precisão do dispositivo infringido é nula a peça inicial. Alega que o formulário padrão apresentado seria o equivalente a peça acusatória no processo penal descrever a suposta infração citando como fundamento legal toda a parte especial do Código Penal. Informa que além de não haver indicação precisa das disposições legais infringidas, também constam dipositivos legais de períodos anteriores ao período apurado. Ressalta que o FLD aponta dispositivos que se referem à aplicação de multa, porém no relatório fiscal de infrações não há menção aos deveres instrumentais que deixaram de ser cumpridos pelo Contribuinte. Apresenta julgado do CARF que o erro na indicação do enquadramento legal implica nulidade do lançamento. Alega que o FLD contêm normas que não se referem aos períodos fiscalizados, bem como não indicam quais os deveres que deixaram de ser cumpridos para a aplicação da multa. Apresenta doutrina do CARF a respeito. Entende que a fundamentação legal dos autos foi defeituosa, o que acarreta a sua nulidade, pois deveria ser apontado de maneira específica quais os dispositivos violados para possibilitar o direito de defesa. Nulidade do Auto de Infração. Ausência de descrição dos fatos, Relatório Fiscal insuficiente. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 5 7 Alega que igual situação ocorre em relação à descrição dos fatos, há ausência de informações necessárias, os autos de infrações não têm motivação suficiente, o que determina nulidade do lançamento, pois não descreve, de maneira clara e precisa, o fato que motivou a lavratura da autuação. Apresenta doutrina e jurisprudência a respeito. Entende que a fundamentação envolve a indicação dos fatos concretos e individualizados que motivam a autuação, e que indicar um fato sem individualizar e apontar concretamente esse fato, atribui ao sujeito passivo muitas vezes a obrigação da produção de prova negativa. Salienta que o Relatório Fiscal é absolutamente insuficiente no que pertine a descrição dos fatos, deveria ser lhe demonstrado de maneira pormenorizada, quais os motivos pelos quais os valores pretendidos seriam devidos, para que a impugnante pudesse se defender pontualmente da imputação. Apresenta julgado do CARF neste sentido. Aponta o art. 37 da lei nº 8.212/91 e art. 50 da Lei nº 9.784/99, que estabelecem que os atos administrativos devem conter motivação clara, explícita e congruente, sob pena de nulidade. Entende que diante destes dispostivos legais deveria a Fiscalização comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, do contrário o auto de infração deve ser nulo. Cita jurisprudência do CARF, na qual seria nulo o auto de infração que não descreve a descrição dos fatos. Solicita a nulidade do auto de infração, por vício material, em observância aos art. 142 do CTN, a Lei nº 9.784/99 e do inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e demais dispositivos da Lei nº 8.212/91. Inexigibilidade do FAP Discorre sobre as leis de instituição do SAT Seguro Acidente de Trabalho e sobre o FAP – Fator Acidentário de Prevenção, bem como ocorreu a evolução histórica. Salienta que com a edição do art. 10 da Lei nº 10.666/2003, ficou consignado expressamente que a aplicação do FAP teria o efeito de reduzir ou aumentar o valor do tributo, pois que aplicado diretamente sobre as alíquotas de 1%, 2% e 3%. Entende que o art. 10 da referida lei é torna inconstitucional, pois ao majorar o tributo, contrariaria os princípios da legalidade estrita e tipicidade tributária, insertos no art. 150, inciso I da CF/88. Afirma que não se admite a instituição ou majoração de tributos sem lei prévia que o estabeleça, sendo certo que a Lei nº 10.666/2003 não fixou as alíquotas aplicáveis, mas apenas estabeleceu patamares mínimo e máximo, delegando inconstitucionalmente a fixação das alíquotas reais ao Poder Executivo. Apresenta jurisprudência no sentido de que a Constituição Federal dispõe expressamente quais são os tributos passíveis de gradação pelo Poder Executivo e, entre elas, não se encontra a contribuição RAT/FAP. Aduz que não há dúvidas que o efeito do FAP é o de majorar o tributo, sendo tal majoração somente possível se acaso as alíquotas efetivas estivessem previstas na lei ordinária. Apresenta doutrina e jurisprudência sobre o princípio da reserva legal. Esclarece que mesmo que ocorra a redução do tributo o FAP é inconstitucional, isso porque o § 6º do art. 150 da CF/88, dispõe que a redução de base de cálculo, anistia ou remissão de contribuições, só poderá ser concedido Fl. 434DF CARF MF 8 mediante lei específica federal ou que regule o correspondente tributo, o que não ocorre com a Lei nº 10.666/2003. Informa que a lei não trata exclusivamente da matéria, pois bastaria observar o seu preâmbulo, além do que não regula o tributo, pois o RAT é regulado pela Lei nº 8.212/91. Ressalta que a oscilação de alíquota provocada pelo FAP decorre do sistema e da metodologia de cálculo estabelecido pelas normas regulamentadoras. Entende que o FAP, também, afronta o mandamento inserto no inciso I do art. 154 da CF/88. Apresenta jurisprudência do STF de que todas as espécies tributárias estão sujeitas às normas gerais de direito tributário. Observase que não pode ser compelida a contribuir novamente sobre a mesma base de cálculo, pois tal pretensão encontra óbice no §4º, art. 195 c/c art. 154, inciso I da Lei Fundamental. Inexigibilidade da Contribuição RAT – Ausência ou Imprestabilidade do Estudo Estatístico Exigido em Lei. Informa que o § 3º do art. 22 da Lei n° 8.212/91, dispõe que o Ministério do Trabalho e Emprego e da Previdência Social podem alterar o enquadramento das empresas para efeitos da contribuição RAT, desde que tal enquadramento se dê à vista de estudos estatísticos de acidentes de trabalho, apurados em inspeção. Esclarece que as Resoluções CNPS nº 1.308 e 1.309/2009 estabelecem como se dará a sistemática de cálculo e a forma de aplicação de índices e critérios acessórios à composição do índice composto do FAP. Alega que o resultado dos estudos desenvolvidos pelo MPS nunca fora integralmente disponibilizados aos interessados, dessa forma, a majoração das alíquotas RAT representa ato arbitrário e em desacordo com a garantia constitucional do devido processo legal assegurada por meio do inciso LV, art. 5º da CF/88. Salienta que somente os resultados do suposto estudo estatístico foram apresentados por meio da Portaria Interministerial dos Ministérios da Fazenda – MF e da Previdência e Assistência Social – MPS. Afirma que tais resultados são absolutamente contraditórios, possuindo diversas incoerências, ingerências e impropriedades, que não está baseado em estatísticas de acidentes do trabalho apuradas em inspeção. Apresenta exemplos das alegadas inconsistências, comparando a sua atividade as enquadradas no CNAE 50220/01. Argumenta que não bastassem os vícios contidos na Portaria Interministerial nº 451/2010 e as impropriedades apontadas pelo Conselho Federal de Estatística quanto à metodologia instituída pelas Resoluções CNPS nº 1.308 e 1.039/2009, a aferição do FAP sofre influência negativa do uso indiscriminado da técnica de nexo técnico epidemiológico por parte da perícia do INSS, o que causa grandes prejuízos aos contribuintes. Apresenta exemplo da atividade econômica de panificação e a falta de correlação com as efermidades elencadas nos anexos do Decreto nº 3.048/99, o que demonstra a completa inexistência de estudo estatístico das causas de afastamentos acidentários e a arbitrariedade perpetrada pelo ato regulamentar. Entende que o multiplicador FAP viola o conceito legal de tributo, insculpido no art. 3º do CTN, pois representa sanção a ato ilícito. Ocorre tal situação quando a base de cálculo leva em consideração a freqüência, gravidade e custo dos Fl. 435DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 6 9 afastamentos acidentários presumidamente ocorridos por ausência de investimentos em prevenção de acidentes. Informa que o Decreto nº 6.957/2009 ao pretender alterar as alíquotas anteriormente previstas no Anexo V do Decreto nº 3.048/99 sem a realização de prévio estudo estatístico que lhe dê sustentação jurídica é ilegal, bem como o FAP por desbordar do conceito constitucional e legal de tributo. Nulidade do Auto de Infração, Inexigibilidade dos Valores em Face da Suspensão Decorrente da Impugnação Administrativa. Afirma que impugnou o FAP que lhe foi atribuído pelo Ministério da Previdência, por meio do processo administrativo nº 101122000575011. Relata que o Auditor Fiscal consignou no Relatório Fiscal que a Fiscalizada contestou o índice e que mesmo com a impugnação deveria o contribuinte continuar obrigado a declarar na GFIP a majoração em razão do FAP que lhe foi atribuído. Informa que consta, ainda, do Relatório Fiscal que o processo administrativo foi julgado improcedente motivo pelo qual gerou a interposição de recurso junto à Secretaria de Políticas de Previdência Social, o qual também foi julgado improcedente, vigorando, o efeito suspensivo no período de 01/01/2011 a 01/06/2012. Entende que ao contrário do entendimento da Fiscalização a impugnante jamais foi intimada da decisão administrativa que, supostamente, indeferiu a impugnação administrativa, motivo pelo qual não foi oportunizada a interposição de recurso administrativo. Salienta que a intimação do contribuinte dos atos processuais, em especial das decisões proferidas pelos órgãos julgadores, é requisito essencial ao pleno exercício do contraditório e ampla defesa, conforme incisos LIV e LV, art. 5º da CF/88 e art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Alega que não houve a regular e definitiva constituição administrativa do crédito reclamado pelo fisco neste Auto de Infração, haja vista a suspensão da exigibilidade do crédito opera até o momento da ciência do contribuinte. Apresenta doutrina a respeito ao direito do duplo grau administrativo, o que não foi respeitado no curso do expediente em questão. Argumenta que não obstante a nulidade do Auto de Infração pelo cerceamento de defesa incorrido, também o é em razão da pendência de decisão definitiva no âmbito administrativo. Cita o art. 151, inciso III do CTN que as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito. Apresenta jurisprudência neste sentido. Esclarece que o art. 14 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que iniciada a fase contenciosa do processo administrativo não pode mais o contribuinte fazer qualquer alteração em relação ao objeto de impugnação sob pena de perda do objeto, dessa forma, não tem por onde prosperar a intenção da autoridade fiscal, por ser incompatível com o rito do Decreto acima citado. Nulidade do Auto de Infração. Enquadramento Equivocado dos Estabelecimentos da Empresa para Efeitos da Alíquota RAT. Afirma que cada um dos estabelecimentos é responsável pelo desempenho de atividades diversas, que atuam em segmento econômico com classificação diferente no CNAE. Fl. 436DF CARF MF 10 Informa que a Fiscalização no Relatório DD considerou no campo “CNAE Fiscal” da GFIP o CNAE da empresa Matriz (01552/01) para todos os estabelecimentos da impugante, entendo se tratar da atividade preponderante da empresa. Ressalta que ao agir desta forma acaba por aumentar indevidamente o valor do crédito tributário reclamado pelo fiscal, pois atribui a alguns estabelecimentos da impugnante, alíquota RAT superior à prevista no Anexo V do Decreto nº 3.048/99. Apresenta jurisprudência do STJ neste sentido. Aduz que a preponderância das atividades deve ser mensurada em cada estabelecimento da empresa para efeitos de aplicação da alíquota RAT, como é o caso da impugnante, o que fere o princípio constitucional da capacidade contributiva, inserto no art. 145, §1º da CF/88. Salienta que a majoração da alíquota RAT para os estabelecimentos da impugnante que desempenham atividades sujeitas a alíquotas menores de RAT não possui qualquer suporte fático que o justifique. Inexigibilidade da Multa Entende que o percentual da multa aplicada no importe de 75% tem efeito confiscatório. Apresenta jurisprudência de multas com efeito confiscatório. Salienta que não restou demonstrado qualquer intenção do sujeito passivo em omitir ou distorcer informações, o que impediria a aplicação da multa de 75%, conforme Súmula 14 do CARF. Apresenta jurisprudência do STF sobre a impossibilidade de se aplicar penalidades excessivas. Requer, caso não se atenda o entendimento acima esposado, que se redução a multa ao patamar de 20%, conforme entendimento do TRF4ª Região. Requerimento a) receber a presente defesa, vez que a apresentada no prazo legal, e determinar seu regular processamento, inclusive para fins de suspensão da exigibilidade do crédito dos valores, na forma artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional, para, ao final; b) reconhecer as nulidades apontadas, para o efeito de anular o procedimento de fiscalização e o auto de infração lavrado e; c) caso não seja este o entendimento, o que se admite apenas por hipótese, desconstituir o crédito tributário, diante da inexigibilidade dos valores, tudo conforme os fundamentos antes expostos ou; d) alternativamente, desqualificar a multa aplicada, com a redução do percentual. A DRJ/CTA considerou a impugnação procedente em parte, conforme se extrai da ementa da decisão fustigada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 7 11 É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. RELATÓRIO DE FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O anexo do Auto de Infração denominado FLD Fundamentos Legais do Débito indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época dos respectivos fatos geradores, possibilitando o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. É vedado a autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação, por inconstitucionalidade de tratado,acordo, tratado internacional, lei decreto ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. FAP. O recurso em processo de contestação do FAP não impede o regular andamento do processo de lançamento das contribuições sociais previstas na legislação previdenciária. CONTESTAÇÃO. FAP. MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. A competência para analisar contestação sobre razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o cálculo do FAP pertence ao Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repisa as razões trazidas na peça impugnatória, faz apontamentos em que demonstra sua irresignação em relação à decisão recorrida e acrescenta, em síntese, que: a) o julgamento deve ser sobrestado em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF; b) em relação à suscitada inexigibilidade do FAP defende que: em momento algum, requereu a declaração de inconstitucionalidade da exação, pois é cediço, ao julgador administrativo falece competência para tanto, em virtude do disposto no art. 62, caput, do Regimento Interno do CARF, sobretudo, porque o sistema jurídico brasileiro elegeu o Poder Judiciário como o único responsável pela dicção da lei; entretanto, cabe ao julgador administrativo envidar interpretação constitucional ao dispositivo impugnado, de forma que a sua aplicação Fl. 438DF CARF MF 12 cumpra com os preceitos estatuídos pela Magna Carta. Cita consideração feita por exConselheiro do CARF em congresso de Direito Tributário nesse sentido; embora o julgador administrativo não tenha competência para afastar texto ou significado de norma, tem o dever de declarar qual a interpretação correta em face dos preceitos constitucionais; destaca afirmação atribuída a exConselheiro do CARF de que “a técnica hermenêutica é a da ‘interpretação conforme’ a Constituição, que delimita o sentido de determinada regra com base no texto constitucional. ‘Por isso, é claro que o CARF pode fazer análise de constitucionalidade’”; não se trata de declarar a inconstitucionalidade das Leis n°s 8.212/91 e 10.666/03; ou mesmo dos Decretos n° 3.048/99, 6.042/07 e 6.957/2009, mas simplesmente de darlhes interpretação conforme as disposições constitucionais, quando, então, restará comprovada a sua inaplicabilidade Reitera argumentos quanto a inexigibilidade do FAP, dentre outros, no sentido de que “o artigo 10 da Lei Federal se torna inconstitucional, pois que tem o condão de majorar o tributo à completa revelia do ordenamento jurídico pátrio, violando frontalmente os princípios da legalidade estrita e tipicidade cerrada tributária, insertos no artigo 150, inciso I da Carta Constitucional”. Cita jurisprudência e doutrina. Por fim, reitera pedidos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 8 13 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Sobrestamento do Julgamento Sobre a alegação de que deve o julgamento ser sobrestado pelo fato de a matéria em análise ser objeto de recurso judicial sob a sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, convém esclarecer que o dispositivo suscitado pela recorrente constava do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2010. Referido dispositivo fora alterado, ainda durante a vigência daquele antigo regimento, pela Portaria MF nº 586/2010, sendo que a regra nele contida (que deixou de existir a partir da edição da Portaria MF nº 586/2010) não voltou a constar do novo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Assim, em razão da ausência de previsão legal ou regimental que possibilite o sobrestamento do julgamento na situação aventada pelo sujeito passivo, indeferese o pedido. Produção de Provas De acordo com o inciso III e o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o litígio, bem assim os pontos de discordância e as razões e provas em favor do contribuinte devem ser mencionados na impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, a menos que se verifique as situações relacionadas no citado § 4º. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos Desse modo, não restando verificadas as circunstâncias arroladas nas alíneas “a” e “b” do § 4º, é precluso o direito da recorrente quanto a apresentação de novas provas. Fl. 440DF CARF MF 14 Pedido indeferido. Nulidade da Fiscalização em Razão de Incompetência Jurisdicional da Autoridade Autante Nos termos do recurso voluntário, os autos de infração seriam nulos, pois o contribuinte tem domicílio fiscal em Brasília/DF e a Fiscalização fora realizada por Auditor Fiscal lotado em Cuiabá/MT, ou seja, por autoridade tida por incompetente. A matéria em questão encontrase há muito pacificada no âmbito deste Conselho, sendo impassível de discussão que, observadas as formalidades legais, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para efetuar o lançamento de crédito tributário mesmo estando lotado em unidade administrativa diversa daquela em que o contribuinte encontrese jurisdicionado. A premissa urdida pelo sujeito passivo de que para a aplicação do § 2º do art. 9º do Decreto nº 70.235/1972 a autoridade administrativa deveria “ser designada em caráter especial ou excepcional para exercer suas atribuições em local diverso do de sua jurisdição fiscal”não encontra amparo na legislação de regência, não o acudindo em suas pretensões. De modo semelhante, a Portaria RFB nº 2.466/2010 em nenhum momento estabelece qualquer limitação quanto a atuação do AuditorFiscal para restringila aos contribuintes jurisdicionados em sua unidade de lotação. Ainda sobre esse assunto, a Súmula CARF nº 27, de observância obrigatória no âmbito deste Conselho, estabelece: Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Sem maiores tergiversações, reafirmase o entendimento esposado na decisão recorrida, afastandose a preliminar. Nulidade do Auto de Infração. Ausência de fundamentação legal. Outra contenda ostentada pela recorrente diz respeito a pretensa nulidade em razão da ausência de fundamentação legal apta a respaldar a autuação. A falta de indicação clara e precisa dos dispositivos legais tidos como violados acarretaria a nulidade do procedimento, pois o contribuinte teria de tentar descobrir qual o fundamento legal da pretensão fiscal, o que não lhe possibilitaria o pleno e satisfatório exercício do direito de defesa assegurado pelo inciso LV, do art. 5º da CF. Analisandose os relatórios denominados “FLD – Fundamento Legal do Débito” verificase que tal documento relaciona todos os dispositivos infringidos indicando, de forma pormenorizada, as normas afetas: à competência para fiscalizar, arrecadar e cobrar os tributos objeto das autuações; à contribuição para o financiamento dos benefícios em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); aos prazos de recolhimento das contribuições; à multa de ofício; e aos acréscimos legais. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 9 15 Vejase que, diferentemente do que quer fazer crê a recorrente, não se trata de um emaranhado de normas que acompanham toda e qualquer autuação. Tratase da indicação individualizada do arcabouço normativo aplicável exclusivamente ao auto de infração a que se refere, propiciando o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, o qual foi exercido de forma plena pelo sujeito passivo. Nesse sentido, a despeito das contestações apresentadas em sede recursal, não merecem reparos a asserções contidas na decisão fustigada as quais se reproduz a seguir: Em conseqüência, contrariamente ao alegado pela Impugnante, o anexo “FLD – Fundamentos Legais do Débito” propicia, sim, o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo. Ademais, os termos da defesa apresentada demonstram que o sujeito passivo tem pleno conhecimento da origem e natureza do crédito previdenciário ora exigido, tendo se defendido contra o mesmo tanto nas preliminares quanto no mérito, destacandose que, no caso, que foram aqui lançadas a título de diferenças na alíquota do RAT e aplicação do FAP. Não houve, no caso, qualquer cerceamento de defesa, tendo sido os dispositivos legais que fundamentam o presente lançamento indicados, com clareza e objetividade no anexo “FLD – Fundamentos Legais do Débito”, e, tendo sido oportunizado ao contribuinte apresentar defesa após a lavratura destes AI, constatase que foram respeitados os princípios do contraditório, da ampla defesa e da tipicidade, não havendo que se falar em nulidade do presente lançamento. Em vista do exposto, afastase a presente preliminar. Nulidade do Auto de Infração. Ausência de descrição dos fatos, Relatório Fiscal insuficiente Com relação aos Relatórios Fiscais (fls. 50/52 do Processo nº 14098.720006/201483 e fls. 9/10 do presente processo), infere a contribuinte que a descrição dos fatos não contém as informações necessárias, não descrevendo de forma clara e precisa o que teria motivado a lavratura do auto de infração, em afronta ao art. art. 37 da Lei nº 8.212/1991 e art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Em razão disso, roga pela nulidade da autuação por virtude de vício material. Da leitura do Relatório Fiscal, constatase que referido documento descreve de forma pormenorizada as circunstâncias em que se deu a lavratura do Auto de Infração, esclarecendo que “foi instaurada para verificação da regularidade nos recolhimentos das seguintes contribuições previdenciárias: a) financiamento dos Riscos Ambientais do Trabalho RAT, período de 01/2010 a 12/2011; b) sobre a comercialização da produção rural, com subrogação, período de 01/2009 a 12/2010, e c) compensações declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, período 02/2009 a 08/2009, 10/2009 e 05/2010”. (Grifei) Ainda nos termos da narrativa empreendida pela autoridade autuante: Fl. 442DF CARF MF 16 “a empresa infringiu ao disposto nos §§ 3º e 4º do Art. 11 da Lei 8.218/91, com a redação dada pela Medida Provisória 2.158, de 24/08/2001”. De acordo com o desempenho da empresa em 2011, dentro da sua Subclasse do CNAE Cadastro Nacional de Atividades Econômicas, foilhe atribuído, pelo Ministério da Previdência Social MPS, o FAP Fator Acidentário de Prevenção de 1,3125. No entanto, a Fiscalizada contestou este índice perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional (DPSSO), da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, originando o Processo Administrativo n° 1011220000575011. Oportuno ressaltar, que mesmo havendo impugnação ao FAP, o contribuinte continua obrigado a declarar na GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, a totalidade da contribuição relativa ao RAT Riscos Ambientais do Trabalho (inciso II, art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991), incluindo a majoração em razão do FAP que lhe foi atribuído. A impugnação foi julgada improcedente, o que motivou a interposição de recurso à Secretaria de Políticas de Previdência Social (SPS), a quem compete julgar em segundo e último grau administrativo (exame em caráter terminativo), as decisões do DPSSO. O recurso foi julgado improcedente, vigorando, pois, o efeito suspensivo do processo administrativo no período de 01/01/2011 a 01/06/2012. Por se tratar de decisão administrativa a multa moratória e os juros moratórios são devidos desde o vencimento da competência, inclusive durante o período em que o crédito ficou suspenso. Desta forma, uma vez que durante todo o ano de 2011, a empresa declarou nas GFIP, de todos os estabelecimentos, o FAP de índice 1,0000, como também não efetuou os recolhimentos suplementares pertinentes dentro do prazo legal [30 (trinta) dias a partir da ciência da decisão definitiva], ficou devedora do débito apurado nos levantamentos identificados pelas siglas R1 (estabelecimentos cujo RAT é 1%) e R3 (estabelecimentos com RAT de alíquota igual a 3%). Mais adiante, o Relatório Fiscal esclarece o que segue: Integram este Auto de Infração AI, além do presente relatório fiscal, outros relatórios e documentos, conforme discriminado abaixo: Discriminativo do Débito DD (Informa ao contribuinte, por estabelecimento, competência e levantamento, os valores autuados, o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); Relatório de Lançamentos RL (Relaciona discriminadamente, por levantamento, por estabelecimento, mês a mês os valores apurados com observações complementares); Fundamentos Legais do Débito FLD (Informa ao contribuinte os fundamentos legais que respaldam a constituição do presente Fl. 443DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 10 17 crédito, abrangendo todos os fatos geradores e acréscimos legais). Por certo, os Relatórios Fiscais não podem ser analisados de forma isolada, cabendo ao sujeito passivo considerar os documentos neles indicados (Discriminativo do Débito – DD, Fundamentos Legais do Débito – FLD e Relatório de Lançamentos – RL). Referidos documentos, reiterese, informam ao recorrente: a) por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as contribuições correspondentes, o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado; e b) os fundamentos legais: relativos à competência legal da autoridade autuante; e que respaldaram a constituição do presente crédito, abrangendo todos os fatos geradores e acréscimos legais. Resta claro, portanto, que não houve qualquer afronta ao art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, tendo em conta que o auto de infração foi lavrado por servidor competente (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil devidamente investido no cargo), contém o local da verificação da falta, e ainda: i) a qualificação do autuado; ii) o local, a data e a hora da lavratura; iii) a correta descrição dos fatos; IV) as disposições legais infringidas e a penalidade aplicável; V) a determinação da exigência e a intimação do autuado para cumprila ou impugnála; e VI) a assinatura do autuante com a indicação de seu cargo e função e seu número de matrícula. Além disso, as asserções extraídas dos Relatórios Fiscais e dos demais demonstrativos que integram os Autos de Infração mostramse suficientes para infirmar as demais alegações apresentadas no recurso voluntário em relação à presente matéria, eis que i) corroboram a inexistência do recolhimento das contribuições abrangidas no lançamento ii) apontam claramente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; iii) espelham a determinação da matéria tributável; iii) apresentam o cálculo do montante do tributo devido; iv) identificam adequadamente o sujeito passivo; v) exteriorizam a penalidade aplicável; e vi) indicam os fatos e os fundamentos jurídicos que motivaram o lançamento. Por tudo isso, não se verifica descumprido nenhum dos requisitos do art. 142 do CTN, da Lei nº 8.212/1991, da Lei nº 9.784/1999 ou do Decreto nº 70.235/1972 tendentes a macular o feito fiscal, sendo completamente descabidos os argumentos fabulados pela recorrente. Preliminar rejeitada. Nulidade do Auto de Infração, Inexigibilidade dos Valores em Face da Suspensão Decorrente da Impugnação Administrativa. No que se refere a esse tópico, o art. 202B do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, estabelece: Art.202B. O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Fl. 444DF CARF MF 18 Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial.(Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) §1o A contestação de que trata o caput deverá versar, exclusivamente, sobre razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o cálculo do FAP.(Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) §2o Da decisão proferida pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional, caberá recurso, no prazo de trinta dias da intimação da decisão, para a Secretaria de Políticas de Previdência Social, que examinará a matéria em caráter terminativo.(Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) §3o O processo administrativo de que trata este artigo tem efeito suspensivo. (Grifei) Da simples leitura do dispositivos do RPS, destacados acima, constatase que: i) a competência para decidir em processo de contestação do FAP atribuído às empresas é do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social; e ii) o processo de contestação do FAP tem efeito suspensivo em relação à exigibilidade do tributo resultante da aplicação do fator acidentário. Contudo, embora o tributo seja inexigível enquanto o recurso do contribuinte esteja pendente de decisão no âmbito do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social (CTN, art. 151, I), não há qualquer impedimento ao lançamento do crédito tributário nesse período. Nesse sentido são o Parecer PGFN/CAT/Nº 331/2011 e o Parecer PGFN/CAT/Nº 1.474/2012, suscitados na decisão recorrida. A despeito disso, o Relatório Fiscal informa que, conquanto a recorrente tenha contestado o FAP perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional, recurso foi julgado improcedente pela Secretaria de Políticas de Previdência Social (SPS), a quem compete julgar em segundo e último grau administrativo (exame em caráter terminativo), antes mesmo da realização do lançamento. Sobre o argumento da recorrente de que não teria sido intimada da decisão administrativa, tomada em caráter definitivo, que indeferiu o recurso relativo à contestação do FAP que lhe fora atribuído, é defeso à Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou mesmo ao CARF, se imiscuir nesse assunto haja vista a matéria, como visto, ser de competência Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional e da Secretaria de Políticas de Previdência Social em primeira e segunda instâncias administrativas. Além do que, não foram carreados aos autos documentos que pudessem comprovar o alegado, como, por exemplo, contestação administrativa interposta perante os órgãos competentes para decidir sobre a matéria, acerca da não intimação da decisão que indeferiu o recurso com relação à contestação do FAP. Isso posto, impõese afastar a preliminar. Nulidade do Auto de Infração. Enquadramento Equivocado dos Estabelecimentos da Empresa para Efeitos da Alíquota RAT. Outra alegação trazida em sede de recurso referese à atribuição de um mesmo CNAE a todos os estabelecimentos da empresa o que teria acabado por aumentar indevidamente o valor do crédito tributário. A preponderância, aduz o sujeito passivo, deve ser Fl. 445DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 11 19 mensurada em cada estabelecimento da empresa para efeito de aplicação da alíquota da contribuição para o financiamento dos benefícios em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), a majoração da alíquota RAT para os estabelecimentos da impugnante que desempenham atividades sujeitas a alíquotas menores de RAT, infere, não possui qualquer suporte fático. Antes da tomada de decisão em relação ao feito fiscal que originou a presente autuação (NFLD Debcad nº 51.043.6021) a instância julgadora a quo remeteu os autos ao órgão preparador (vide expediente de fls. 206/207 do Processo nº 14098.720006/201483), com vistas a adoção, dentre outras, da providência reclamada no recurso voluntário em relação à filial de CNPJ: 72.600.190/002647, único estabelecimento da empresa de alíquota GILRAT inferior a 3%. Vejamos o que consta de referido expediente a esse respeito: Outro ponto que deve ser revisto pela Fiscalização é em relação ao estabelecimento CNPJ: 72.600.190/002647 levantamento R3, pois a Fiscalização considerou que o CNAE preponderante seria 01555/01 e alíquota de 3% a título de RAT, porém analisando a GFIP deste estabelecimento verificase que a CNAE preponderante declarada é 7500100, que tem como alíquota de RAT o percentual de 2%. Assim, ao se rever o cálculo da alíquota do RAT/SAT ajustada deste estabelecimento, devese considerar o seguinte: (RAT 2% x FAP 1,3125) – (os valores já declarados em GFIP a título de RAT). Em vista das retificações solicitadas pela DRJ/CTA foi emitido o Termo de Informação Fiscal e Despacho da DRF Cuibá/MT (documentos constantes do Processo nº 14098.720006/201483 fls. 307/313 e 209/215) por meio dos quais, com relação ao estabelecimento de CNPJ: 72.600.190/002647, promoveuse a exclusão dos valores apurados, consoante informado no decisum fustigado. Desse modo, imperioso esclarecer que as informações insertas no Discriminativo do Débito – DD, objeto de contestação no Recurso Voluntário, foram retificadas pela autoridade autuante em razão dos indigitados documentos (Despacho e Termo de Informação Fiscal) e os valores correspondentes ao único estabelecimento com alíquota GILRAT menor que 3% foram excluídos do Auto de Infração, não prosperando as alegações recursais quanto à manutenção de quantias superiores às devidas no lançamento. A esse respeito, reproduzse trecho do citado Despacho: Em cumprimento às diligências solicitadas no despacho em referência, foram efetuados os seguintes procedimentos: [...] II Exclusão dos valores apurados no estabelecimento de CNPJ n° 72.600.190/002647, uma vez que as informações das GFIP's relativas ao RAT e FAP estão corretas; Afasto, pois, a preliminar. Inexigibilidade do FAP Por consequência da decisão da DRJ/CTA, aduz a suplicante que, em momento algum, requereu a declaração de inconstitucionalidade da exação, pois é cediço que o Fl. 446DF CARF MF 20 julgador administrativo falece competência para tanto, em virtude do disposto no art. 62 do RICARF e porque o sistema jurídico brasileiro elegeu o Poder Judiciário como o único responsável pela dicção da lei. Infere que cabe ao julgador administrativo envidar interpretação constitucional ao dispositivo impugnado, de forma que a sua aplicação cumpra com os preceitos estatuídos pela CF/1988, pois embora o julgador administrativo não tenha competência para afastar texto ou significado de norma, tem o dever de declarar qual a interpretação correta em face dos preceitos constitucionais. No entender do sujeito passivo, não se trata de declarar a inconstitucionalidade das Leis n° 8.212/91 e 10.666/03 ou mesmo dos Decretos n° 3.048/99, 6.042/07 e 6.957/2009, mas simplesmente de darlhes interpretação conforme as disposições constitucionais, quando, então, restará comprovada a sua inaplicabilidade. Em seguida, retoma todas as questões trazidas na impugnação quanto a suposta inconstitucionalidade do art. 10 da Lei nº 10.666/2003, ante o princípio da reserva legal e da tipicidade cerrada tributária que proíbem a criação ou majoração de tributo e a concessão de remissão ou anistia sem a superveniência de lei. Dentre os normativos que tratam da matéria têmse os dispositivos do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, apresentados a seguir: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. [...] § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. (Grifei) Diferentemente do que infere a recorrente, é assente no âmbito do CARF que o art. 10 da Lei nº 10.666/2003 complementa às disposições contidas na Lei nº 8.212/1991 ao estabelecer que: Fl. 447DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 12 21 Art. 10. A alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até cinqüenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento, conforme dispuser o regulamento, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de freqüência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. (Grifei) A regulamentação reclamada pelo art. 10 da Lei 10.666/2003 foi inserida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, a partir da edição do Decreto nº 6.042/2007, com alterações promovidas pelo Decreto nº 6.957/2009. Art.202A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinqüenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP.(Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). § 1o O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota.(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 2o Para fins da redução ou majoração a que se refere o caput, procederseá à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente.(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 4o Os índices de freqüência, gravidade e custo serão calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social, levandose em conta:(Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). I para o índice de freqüência, os registros de acidentes e doenças do trabalho informados ao INSS por meio de Comunicação de Acidente do TrabalhoCAT e de benefícios acidentários estabelecidos por nexos técnicos pela perícia médica do INSS, ainda que sem CAT a eles vinculados;(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) II para o índice de gravidade, todos os casos de auxílio doença, auxílioacidente, aposentadoria por invalidez e pensão por morte, todos de natureza acidentária, aos quais são atribuídos pesos diferentes em razão da gravidade da Fl. 448DF CARF MF 22 ocorrência, como segue:(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) a) pensão por morte: peso de cinquenta por cento;(Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) b) aposentadoria por invalidez: peso de trinta por cento; e (Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) c) auxíliodoença e auxílioacidente: peso de dez por cento para cada um; e (Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) III para o índice de custo, os valores dos benefícios de natureza acidentária pagos ou devidos pela Previdência Social, apurados da seguinte forma: (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) a) nos casos de auxíliodoença, com base no tempo de afastamento do trabalhador, em meses e fração de mês; e (Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) b) nos casos de morte ou de invalidez, parcial ou total, mediante projeção da expectativa de sobrevida do segurado, na data de início do benefício, a partir da tábua de mortalidade construída pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE para toda a população brasileira, considerandose a média nacional única para ambos os sexos.(Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 5o O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades EconômicasCNAE e divulgará na rede mundial de computadores o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de freqüência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua CNAESubclasse. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 6o O FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua divulgação.(Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). § 7o Para o cálculo anual do FAP, serão utilizados os dados de janeiro a dezembro de cada ano, até completar o período de dois anos, a partir do qual os dados do ano inicial serão substituídos pelos novos dados anuais incorporados. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 8o Para a empresa constituída após janeiro de 2007, o FAP será calculado a partir de 1ode janeiro do ano ano seguinte ao que completar dois anos de constituição.(Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 9o Excepcionalmente, no primeiro processamento do FAP serão utilizados os dados de abril de 2007 a dezembro de 2008. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 10. A metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social indicará a sistemática de cálculo e a forma Fl. 449DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 13 23 de aplicação de índices e critérios acessórios à composição do índice composto do FAP. (Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) Os róis dos percentis de freqüência, gravidade e custo, por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE 2.0, relativos ao período do lançamento, foram publicados por meio da Portaria Interministerial MPS/MF Nº 254 de 24.09.2009 e da Portaria Interministerial MPS/MF Nº 451, de 23.09.2010. Referidos atos dão conta que o Fatores Acidentários de Prevenção FAP calculados em 2009 e 2010 e vigente para o ano de 2010 e 2011, juntamente com as respectivas ordens de freqüência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a empresa verificar o respectivo desempenho dentro da sua Subclasse da CNAE, foram disponibilizados pelo Ministério da Previdência Social MPS, podendo ser acessados pelas empresas na rede mundial de computadores nos sítios do MPS e da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. De se notar que sistemática adotada para a aplicação do FAP e a hipótese de alteração da alíquota da contribuição para o financiamento dos benefícios em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT encontram amparo seja no § 3º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 ou no art. 10 da Lei nº 10.666/2003. Do mesmo modo, os Decretos n° 6.042/07 e nº 6.957/2009 foram editados em estrita observância às citadas disposições legais. Por outro lado, a teor do disposto no 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos relacionados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Grifei) No mesmo sentido é o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Fl. 450DF CARF MF 24 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais, mediante afastamento de sua aplicação, mesmo que existam julgados que respaldem a tese esposada na peça recursal quando tais decisões não se enquadrem no inciso I do § 6º acima. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei. In verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem lançamento de crédito tributário sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Sobre a contestação feita em relação à decisão recorrida de que a peça impugnatória, em momento algum, requereu a declaração de inconstitucionalidade da exação, importa esclarecer que a decisão da DRJ/CTA não se referiu à impossibilidade de os órgãos de julgamento administrativo declararem a inconstitucionalidade de norma, mas de que “as alegações de inconstitucionalidade não podem ser oponíveis na esfera administrativa, haja Fl. 451DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 14 25 vista que ao administrador Público não é dado retirar a força jurígena de dispositivo vigorante”. Ademais, toda essa argumentação retórica a que recorreu a contribuinte, no sentido de que ao julgador administrativo compete envidar interpretação constitucional ao dispositivo impugnado, deixa evidente que seu intuito é ver afastada a aplicação das normas que regulam o FAP com base no fundamento de que elas estão em desconformidade com a Carta da República, o que é expressamente vedado ao julgador administrativo de segunda instância não somente pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, mas também pela Súmula CARF nº 2 e por força do RICARF. No que diz respeito à ausência de manifestação da instância a quo sobre suposta ilegalidade do Anexo V do Regulamento da Previdência Social – RPS, na redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009, cumpre esclarecer que é absolutamente pacífico na jurisprudência deste Conselho que o julgador não está adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado, ou seja, não se está diante de violação de quaisquer dos dispositivos da Lei nº 9.784/1999, pois, em vista da impossibilidade legal de se afastar a aplicação de norma regulamentar, entendeu da DRJ/CTA pela desnecessidade de se pronunciar sobre a propalada invalidade do Anexo V do RPS. Assim, entendo por não acolher as razões do recurso quanto à matéria discutida no presente tópico. Inexigibilidade da Contribuição RAT – Ausência ou Imprestabilidade do Estudo Estatístico Exigido em Lei. Considera a apelante que restou descumprido § 3º do art. 22 da Lei n° 8.212/1991, que possibilitou ao Ministério do Trabalho e Previdência Social alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição para o financiamento dos benefícios em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT. No seu entender, as alterações promovidas no Anexo V do RPS pelo Decreto nº 6.957/2009 não lhe seriam imponíveis pela ausência ou imprestabilidade dos estudos desenvolvidos, os quais, embora tenham seus resultados mencionados na Resolução CNPS nº 1.308/2009, nunca foram integralmente disponibilizados aos interessados, o que tornaria a majoração da alíquota GILRAT “ato arbitrário e em desacordo com a garantia constitucional do devido processo legal (contraditório e ampla defesa) assegurada por meio do inciso LV, artigo 5º da Constituição Federal, e dos primados da transparência da Administração Pública, legalidade e publicidade estampados no caput do art 37, da Constituição Federal”. Prossegue afirmando que o estudo estatístico é contraditório, apresenta exemplos do que considera incongruências verificadas nos atos que dão suporte à GILRAT e ao FAP e questiona a conformação do FAP ao conceito legal de tributo insculpido no art. 3º do CTN. Finaliza afirmando ser o Decreto nº 6.957/2009 (no tocante à alteração do Anexo V do RPS) ilegal por prescindir de estudo técnico que lhe dê sustentação válida. Do mesmo modo, o FAP também seria ilegal por desbordar do conceito constitucional e legal de tributo. No tocante ao FAP, a matéria foi abordada de forma exauriente no tópico anterior. Do mesmo modo, restou esclarecido em referido tópico que ao julgador Fl. 452DF CARF MF 26 administrativo é vedado afastar a aplicação de lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, não se mostrando adequada na esfera administrativa a discussão sobre a conformação ou não do Decreto nº 6.957/2009 aos princípios constitucionais que se considera descumpridos. Por outro lado, concorde ou não a recorrente com a metodologia utilizada, o fato é que há inúmeros atos editados no âmbito do Conselho Nacional de Previdência Social – CNPS que dão conta da realização de estudos elaborados com base em indicadores, dentre os quais encontramse as estatísticas de acidentes do trabalho, os quais respaldaram as alterações promovidas no Anexo V do RPS, exemplo disso é a Resolução MPS/CNPS nº 1.269, de 15 de fevereiro de 2006, da qual se transcreve o item 9: 9. Conglomeração de Riscos leve , médio e grave por CNAE Preponderante O primeiro passo para a atribuição de um fator acidentário para a empresa é a revisão do enquadramento da empresa, por código CNAE, para fins da contribuição de 1%, 2% ou 3%, previsto no Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS. Por determinação legal, cada CNAE preponderante constitui um grupo homogêneo de risco que deverá receber as alíquotas de 1%, 2% ou 3%. Partese para conglomeração em três grupos por intermédio da Técnica Multivariada de Análise de Conglomerados, com fixação em 3 nuvens de pontos,clusters. Para a nuvem mais negativa em relativa à origem cartesiana, risco leve; para a mais positiva, risco grave e para a intermediária, grau médio. A adoção dessa técnica preconiza a utilização de software estatístico adequado. Sendo assim, não considero que o Decreto nº 6.957/2009 padeça de qualquer vício de legalidade que imponha a este Colegiado o afastamento de sua aplicação ao caso aqui analisado. Além do que, entendo que não caiba ao CARF afastar a aplicação de regulamento sob o argumento de ilegalidade de ato presumidamente válido. Inexigibilidade da Multa Com relação à multa de ofício de 75%, o sujeito passiva alega basicamente ter essa efeito confiscatório e suscita a Súmula CARF nº 14 segundo a qual a simples omissão de receita não autoriza a qualificação da multa. Sobre esse assunto é preciso informar que não se está diante de omissão de receita, tampouco de multa imposta com qualquer tipo de qualificadora, sendo inaplicável ao caso a Súmula CARF nº 14. Conquanto essas questões tenham restado satisfatoriamente esclarecidas na decisão de piso, ao que tudo indica, será necessário esmiuçála ainda mais para que a recorrente possa finalmente compreender a situação. Nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/1991: Art. 35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 14098.720176/201468 Acórdão n.º 2402005.998 S2C4T2 Fl. 15 27 O art. 44 da Lei nº 9.430/1996, estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. De se esclarecer que a multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), referida no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, incidente sobre a totalidade ou diferença da contribuição não recolhida é aplicável em decorrência de lançamento de ofício, isto é, não se trata, repitase, de multa aplicada com qualquer tipo de qualificadora, mas de multa ordinária, motivada pelo fato de contribuinte ter deixado de cumprir espontaneamente o dever legal de recolher o tributo devido. Repare que a multa qualificada é aquela prevista no § 1º do art. 44 do mesmo diploma legal. Essa, somente seria imponível ao caso ora analisado se a autoridade autuante tivesse se deparado com alguma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 e seu percentual seria não de 75%, mas de 150%. Destarte, desprovida de razão a inquietação trazida em sede recursal no que tange à aplicação de multa qualificada ou de inobservância da Súmula CARF nº 44. Com relação ao argumento do contribuinte de que o percentual da multa aplicada teria efeito confiscatório, compete acentuar que lançamento foi efetuado em conformidade com a legislação que rege a matéria, conferir legitimidade a tal argumento equivaleria a reconhecer a inconstitucionalidade das normas que fundamentaram a imposição da multa de ofício. Não se olvide que o princípio de vedação ao confisco consagrado na Constituição Federal é dirigido ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Cabe aqui reafirmar que aos órgãos de julgamento administrativos é vedado afastar lançamento de crédito tributário sob o fundamento de inconstitucionalidade de lei, cabendo tal análise ao do Poder Judiciário. Por fim, a respeito da redução da multa ao patamar de 20%, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 prescreve: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 454DF CARF MF 28 nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Grifamos) O art. 61 da Lei nº 9.430/1996, estabelece: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (Grifamos) O dispositivos encimados, esclareçase, referemse a juros de mora e são aplicáveis a tributos recolhidos em atraso, mas espontaneamente. In casu, como se está diante de lançamento de ofício, correta a Fiscalização por ter estabelecido o percentual da multa em 75%. Doutrina e Jurisprudência Quanto à doutrina e jurisprudência propagada ao longo do recurso voluntário, além de não vincularem o julgador administrativo, não têm, na sua maior parte, relação com o contexto fático retratado nos autos. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721605/2014-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
É nulo o auto de infração cujo objeto é a classificação de mercadoria quando não indicados pela fiscalização os critérios técnicos utilizados para propor alteração e tampouco foram indicadas as regras de classificação fiscal que fundamentam o enquadramento em código tarifário diverso daquele informado pelo contribuinte.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-003.948
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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NULIDADE. É nulo o auto de infração cujo objeto é a classificação de mercadoria quando não indicados pela fiscalização os critérios técnicos utilizados para propor alteração e tampouco foram indicadas as regras de classificação fiscal que fundamentam o enquadramento em código tarifário diverso daquele informado pelo contribuinte. Recurso de Ofício Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 16 05 /2 01 4- 25 Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 10865.721605/201425 Acórdão n.º 3301003.948 S3C3T1 Fl. 2.985 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Negar Provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 10865.721605/201425 Acórdão n.º 3301003.948 S3C3T1 Fl. 2.986 3 Relatório Por bem descrever os fatos, utilizome essencialmente dos termos do Relatório constante do Acórdão recorrido, até aquele momento. Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, às fls.19/20 e Descrição dos Fatos e Enquadramento legal de fls. 21/30 e Demonstrativos de fls.31/46, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$11.080.551,59, acrescido da multa de ofício proporcional e dos juros de mora, além da Multa do IPI não lançado com cobertura de crédito no valor de R$231.791,23, totalizando o valor de R$21.829.133,39, em razão de ter sido verificada a falta de lançamento do imposto Consta do Relatório Fiscal (fls.10/18), que o contribuinte deu saída a produtos tributados com erro de classificação fiscal e de alíquota do IPI, sem lançamento integral do IPI. A descrição dos produtos foram obtidas no site da empresa: www.orbiquimica.com.br: 3.1 Produto WHITE LUB MULTIUSO – conforme a descrição completa do produto verificase que de janeiro/2010 a dezembro/2012, a empresa adotou a classificação código NCM 2710.19.32, de 01/2013 em diante, NCM 3824.90.41, mas, pela descrição do produto, a classificação correta é no código NCM 3403.19.00; 3.2 Produto WHITE LUB / WHITE LUB AEROSOL E WHITE LUB SUPER SINTÉTICO a descrição completa do produto foi extraída do site da empresa. A empresa adotou a classificação código NCM 15.18.00.00 – Inexistente; NCM 15.18.90.00; NCM 2916.15.20; NCM 3824.90.41; mas, pela descrição do produto a classificação correta é no código NCM 3403.99.00; 3.3 Produto OIL TREATMENT a descrição completa do produto foi extraída do site da empresa. A empresa adotou a classificação código NCM 3824.90.41 –, mas, pela descrição do produto a classificação correta é no código NCM 3811.21.10; 3.4 – Produto ANTICORROSIVO DIESEL –A empresa adotou a classificação no código NCM 3824.90.41; mas, pela descrição do produto a classificação correta é no código NCM 3811.21.50; 3.5 OUTROS PRODUTOS – PARTE A – Identificação: 3.5.1 ADITIVO GASOLINA 3.5.2 ADITIVO ORGÂNICO – 3.5.3 ADITIVO CONCENTRADO PARA RADIADOR 3.5.4 ADITIVO PARA RADIADOR 3.5.5 LIMPA RADIADOR Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 10865.721605/201425 Acórdão n.º 3301003.948 S3C3T1 Fl. 2.987 4 3.5.6 SOLUCÃO ORGÂNICA PARA RADIADOR – 3.5.7 ADITIVO PARA COMBUSTÍVEL – FLEX 3.5.8 ADITIVO PARA COMBUSTÍVEL DIESEL 3.5.9 – LIMPA BICO INJETOR DIESEL 3.6 – OUTROS PRODUTOS – PARTE A Classificação dos produtos citados no item 3.5: 3.6.1 Classificação Adotada pela Empresa, Código NCM 3824.90.41, sendo a correta o Código NCM 3811.90.90; 3.7 – OUTROS PRODUTOS – PARTE B – Identificação e Classificação Aplicada: 3.7.1 DESCARBONIZANTE ORBICAR 2000 (NCM 2710.19.32 ) e DESCAR 2000 (NCM 2903.23.00) 3.7.2 FLUSHING 500 ML (NCM 2710.19.32 – 2903.23.00 3824.90.41) 3.7.3 ORBI LIMPA CONTATOS 300ml (2011, 2012) e ORBISPRAY LIMPA CONTATO 300 ml (2010) Limpa contato elétrico (NCM 2902.11.00) 3.8 OUTROS PRODUTOS – PARTE B – Classificação Correta dos produtos citado no item 3.7: Código NCM 3814.00,90; 3.9 o sujeito passivo realizou vendas de produtos tributados com erro de alíquota do IPI, sem lançamento integral do IPI, conforme “Relação das Notas Fiscais de Saída com erro de Alíquota => Anexo VII”; 3.10 as notas fiscais com erro de classificação fiscal/alíquota: NCM 3403.19.00 => Anexo I; NCM Correto 3403.99.00 => Anexo II; NCM Correto 3811.21.10 => Anexo III; NCM Correto 3811.21.50 => Anexo IV; NCM Correto 3811.90.90 => Anexo V e NCM Correto 3814.00.90 => Anexo VI; 3.11 informa que, como subsídio para as citadas reclassificações foram utilizadas as seguintes referências (em anexo): 3.11.1 – Processo nº 13805.009974/9886 DECISÃO SRRF/8ª RF/DIANA Nº 51 , de 25/06/1999; 3.11.2 – Processo nº 11610.000305/200319 – Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DIANA nº 10, de 20/02/2004; 3.11.3 – Processo nº 10494.002359/200311 – Solução de Consulta SRRF/10ª RF/DIANA nº 254, de 05/12/2003; 3.11.4 – Processo nº 11610.000324/200337 – Solução de Consulta SRRF/8ª RF nº 12, de 22/02/2006; 3.11.5 – Processo nº 11610.001161/200318 – Solução de Consulta SRRF/8ª RF nº 15, de 24/02/2006; 3.12 – Foram incorporadas ao respectivo processo digital as consultas efetuadas junto ao SISCOMEX (Sistema de Comércio Exterior, da Receita Federal do Brasil), relativamente às respectivas alíquotas; Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 10865.721605/201425 Acórdão n.º 3301003.948 S3C3T1 Fl. 2.988 5 lavrou o auto de infração com apuração do imposto no valor de R$11.080.551,59. Em decorrência da existência de Saldo Credor de IPI constante no Livro de Registro de IPI – Período de Apuração 12/2013 (LAIPI_base, em anexo) foi aproveitado o respectivo montante de R$285.054,98, mediante a devida Reconstituição da Escrita Fiscal (em anexo ao citado Auto de Infração, fls.47/55) para abatimento nos valores dos débitos, devendo o contribuinte promover ao estorno do respectivo valor, mediante lançamento no Livro Registro de Apuração do IPI. O Relatório Fiscal informa que o contribuinte foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização em 05/05/2014, fls.6/7, tendo sido considerada a ciência por decurso de prazo, após 15 dias, a contar da disponibilização dos atos de início de fiscalização na Caixa Postal, Módulo eCAC (fls.08/09). A fiscalização encerrou os trabalhos relativos a ação fiscal iniciada em 05/05/2014, amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal, que teve como objeto a apuração dos débitos devidos relativamente às operações de saídas, escriturados pelo sujeito passivo, relativamente ao período de janeiro/2010 a dezembro/2013, com o exame dos ARQUIVOS DIGITAIS, utilizadas as Nfe – Notas Fiscais Eletrônicas transmitidas pelo sujeito passivo através do Sistema SPED Fiscal, sendo que todos os arquivos digitais foram processados através do Sistema ContÁgil, da Receita Federal do Brasil. A fiscalização anexou aos autos: os Anexos constando as relações das notas fiscais estão anexados às fls.60/2062; cópias de decisões de consulta dos produtos industrializados por outras empresas, de mesma classificação, de fls.2063/2082; sistema SISCOMEX Legislação Consulta para confirmação da alíquota do produto, legislação que a ampara e sua vigência (fls.2083/2096); demonstrativo dos saldos credores do IPI constante da Escrituração Fiscal (fl.2097); Cópia do Contrato Social e alteração (fls.2098/2111); Procuração (fls.2112/2113); cópias dos Termos de Intimação Fiscal e de Devolução de documento (fls.2114 e 2115), com datas de ciência em 08/07/2014 e 25/07/2014. Além disso, consta dos autos a declaração da empresa de fl.2116, alegando que o valor de R$ 54.205,80, lançado a título de crédito na apuração do IPI referente a 02/2012, se refere a diferença apurada entre a DCOMP 40462.26261.100112.1.3.013993, original, no valor de R$ 152.640,75, e a DCOMP retificadora 23725.71671.140212.1.7.017013, no valor de R$ 98.434,95 (fls. 2117/2120). O contribuinte foi cientificado da autuação, apresentando sua impugnação ao lançamento em de fls.2128/2158, alegando: o auto de infração ora combatido é composto por 16 produtos industrializados e comercializados pela Impugnante, contudo o auditor fiscal apesar de apontar irregularidades, não solicitou amostras de nenhum dos produtos, não se informou acerca do processo de fabricação de nenhum dos 16 produtos, não solicitou fichas técnicas, não solicitou formulações e jamais visitou a unidade fabril da Impugnante, sequer intimou o contribuinte para dar explicações, esteve na sede da impugnante por minutos apenas para colheita de assinatura; o auto de infração baseouse apenas no website do contribuinte. Inexiste no lançamento um laudo técnico para fundamentar as alegações do agente fiscalizador, fundamental dada a complexidade das formulações, dos processos e fenômenos químicos, por ser a empresa do setor químico; Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 10865.721605/201425 Acórdão n.º 3301003.948 S3C3T1 Fl. 2.989 6 o auto de infração está coberto de incertezas e subjetivismos pois como pode o Auditor Fiscal concluir que as classificações fiscais por ele atribuídas estão corretas, e as classificações fiscais da Impugnante estão erradas se nem sequer analisou as suas formulações?; as informações constantes no site estão revestidas de apelo comercial e dirigidas aos clientes em potenciais da Impugnante, na maioria oficinas mecânicas, autopeças e empresas de construção civil, razão pela qual as informações, palavras e expressões constantes no site foram elaboradas e dispostas de modo a permitir um entendimento dos clientes que porventura vierem a acessálo, clientes estes que nem sempre possuem conhecimentos técnicos; de se ressaltar que as Soluções de Consultas da Receita e DIANA, mencionada no item 3.11 do auto de infração, também são imprestáveis para fundamentação, uma vez que antigas e desatualizadas, sendo a mais recente de 24/02/2006; ademais, as consultas formuladas e suas respectivas respostas aproveitam tão somente à Consulente, não tendo efeito erga omnes; menciona os artigos 283 e 284 do Código de Processo Civil, para discordar do fato de nenhum documento ter sido juntado ao auto, tão somente fundamentado em informações da internet, que isoladamente, não podem fundamentar o lançamento ora guerreado; o auto de infração merece ser cancelado e o processo administrativo extinto, sem análise do mérito, o que se requer preambularmente; o presente auto de infração é frágil e sem fundamentação porque a fiscalização foi “à distância”, como se fosse possível, em uma indústria, mais ainda, em uma indústria química, adivinhar qual a classificação fiscal dos inúmeros produtos que têm, essencialmente, produtos químicos em sua formulação, pois se tal é difícil para laboratórios, quanto mais para um leigo, que sequer solicitou esclarecimentos sobre o processo industrial da empresa e magicamente "classificou" seus produtos. E classificou, lógico, de acordo com os interesses do Fisco; a prova inconteste de que a fiscalização foi à distância, e que não se ateve à realidade, foi o fato de o auditor fiscal sempre no afã de autuar a Impugnante deixar de considerar as mercadorias enviadas à Zona Franca de Manaus, as quais, INDEPENDENTEMENTE DE TEREM ALÍQUOTAS DE 10%, 20% 50% OU ZERO, SEMPRE SERÃO ISENTAS DE IPI (desde que comprovada sua internação, o que é o caso), ressaltando que se trata de aproximadamente 2000 notas fiscais (doc. 10) que não foram consideradas, deixando evidenciado que o auditor fiscal não agiu com a MÍNIMA acuidade necessária que se espera, ainda mais no presente caso onde estamos diante de uma empresa do setor químico; em decorrência das irregularidades apontadas no item 3.1 foi lançado no Auto de Infração o montante original de R$49.323,30, contudo tais valores merecem ser revistos e alterados uma vez que no levantamento das notas fiscais não houve a exclusão das vendas para Zona Franca e de livre comércio, que montam a base de cálculo de R$2.444,62 valor do IPI de R$366,69 (doc.03). Assim, este item deve figurar com R$ 48.956,61; Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 10865.721605/201425 Acórdão n.º 3301003.948 S3C3T1 Fl. 2.990 7 o mesmo se diga para as irregularidades apontadas nos itens subseqüentes, ao invés de lançar o montante original de R$9.665.411,52, deveria ser R$9.619.198,29 (item 3.2); item 3.3, ao invés de R$164,417,83, caberia lançar R$164.247,64; item 3.4, ao invés de R$21.258,85, lançaria R$21.220,11; item 3.5 e 3.6, ao invés de lançar R$390.137,70, lançaria R$387.700,74; itens 3.7 e 3.8, foi lançado o montante original de R$1.036.892,74, quando seria o valor de R$1.032.510,22; item 3.9, ao invés de lançar R$38.164,83, lançaria R$28.006,52; que totalizaria o valor de R$11.301.840,13; não foi dada oportunidade para o oferecimento dos argumentos, ou para defesa, assegurado pela Constituição Federal, art.5º, LV, simplesmente recebeu a autuação. Houve cerceamento do direito de defesa, pois a não solicitação de documentos, a supressão da oportunidade de argumentar, a inexistência de um laudo técnico, que seria essencial para esclarecer o ponto crucial sobre a existência de violação aos artigos de lei supra descrito, impõe derradeira a nulidade do processado, por cerceamento de defesa; o auto de infração é nulo, eivado de nulidades procedimentais, subjetivismos e incertezas, razão pela qual os créditos tributários pleiteados não podem ser mantidos, vez que não podem comportar dúvidas; quanto ao mérito, descreve cada produto individualmente, comparando a classificação fiscal adotada pela fiscalização e a por ele adotada, para concluir ser esta última a mais correta. Além disso, apresentou o laudo de cromatografia que acompanha a impugnação (doc .13) elaborado pelo Laboratório Protheus um renomado e respeitado laboratório situado na cidade de São Carlos SP (carta de apresentação anexa doc. 14); incabível o auto de infração, bem como a multa pleiteada por seu caráter confiscatório; Ao analisar a Impugnação, a 4ª Turma da DRJ/Salvador/BA emitiu o Acórdão 1538.500, de 27 de março de 2015, fls. 2.969 e ss., que, por unanimidade de votos, Julgou improcedente o lançamento, exonerandose o crédito tributário na íntegra, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É nulo o auto de infração cujo objeto é a classificação de mercadoria quando não indicados pela fiscalização os critérios técnicos utilizados para propor alteração e tampouco foram indicadas as regras de classificação fiscal que fundamentam o enquadramento em código tarifário diverso daquele informado pelo contribuinte. Impugnação Procedente Interpôsse Recurso necessário (De Ofício) posto que o sujeito passivo foi exonerado do pagamento de tributo e encargos de multa, em montante superior ao limite de alçada. Na forme regimental, o presente feito foime distribuído para relatar e pautar. Fl. 2990DF CARF MF Processo nº 10865.721605/201425 Acórdão n.º 3301003.948 S3C3T1 Fl. 2.991 8 É o relatório, em sua essência. Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 10865.721605/201425 Acórdão n.º 3301003.948 S3C3T1 Fl. 2.992 9 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O Recurso de Ofício preenche os requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. A Decisão recorrida, em análise preliminar, concluiu pela nulidade do Auto de Infração em razão de a fiscalização reclassificar os produtos industrializados pela recorrente, utilizandose tão somente das informações contidas no site da empresa. Por sua lucidez e coerência, transcrevo parcialmente o voto condutor da Decisão recorrida: [...] O que se vê dos autos é que o lançamento fiscal não teve motivação. Com efeito, para que se possa formar convicção quanto à classificação fiscal de um produto, é indispensável conhecer todas as suas características, para se chegar a sua correta identificação e, em observância às normas pertinentes, laborar paulatinamente a correspondente classificação fiscal. Vejase que não é possível, simplesmente, adotar como padrão, informações contidas no site da empresa, que de fato se destinam a comercialização dos produtos fabricados, e como tal, buscam alcançar os compradores diversos, desde os mais abalizados conhecedores aos mais leigos. Sequer houve a consulta a laudos técnicos ou intimação a empresa para prestar esclarecimentos que viessem embasar o lançamento. [...] A classificação de mercadorias é regida principalmente pela Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, sendo que, fazse necessária a aplicação das Regras Gerais 1 e 6 e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. O art. 142 do CTN deve ser interpretado conjuntamente com o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e sob o enfoque do princípio consagrado no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, o que resultará na conclusão de que a descrição dos fatos e a fundamentação legal do lançamento devem estar claramente explicitados no auto de infração, com vista a assegurar o contraditório e a ampla defesa ao litigante em processo administrativo, [...]. O art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, preceitua que a Administração Pública obedecerá dentre outros, aos princípios da motivação, ampla defesa e contraditório. O art. 50, inciso II e § 1º, do mesmo diploma legal aduz que Fl. 2992DF CARF MF Processo nº 10865.721605/201425 Acórdão n.º 3301003.948 S3C3T1 Fl. 2.993 10 os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando imponham encargos ou sanções, devendo a motivação ser explícita, clara e congruente. Assim, a insuficiência da motivação no lançamento, aliado à ausência da fundamentação legal específica, caracteriza cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, tornando nula, por vício formal, a exigência assim lançada, por não observar os elementos indispensáveis à sua formação, previstos no artigo 10 do Decreto 70.235, de 1972, e de acordo com art. 59, inciso II, do mesmo Decreto. Percebese que o lançamento sem se ater às normas de classificação de mercadorias, simplesmente indica incorreta e equivocada a classificação fiscal adotada pelo autuado, e que no entendimento da autoridade fiscal deveriam ter sido considerados diferentemente. [Destaquei] Os fundamentos utilizados no Acórdão recorrido refletem, com propriedade, os fatos constantes dos autos. De fato, não se identifica, nos autos, o embasamento legal e técnico que fundamentou a reclassificação fiscal, ou seja, quais as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado – RGI, texto de posições, as Notas de Seção ou de Capítulo, ou Regra Geral Complementar, item e subitens que suportaram o entendimento da classificação isolada de cada produto, distinta à classificação adotada pelo autuado, nesta ou naquela NCM. Compulsando os autos, especialmente o Relatório Fiscal (fls. 10/17), têmse que essencialmente o Auditor Fiscal lastreou a autuação em três pilares: 1. Auditoria Fiscal com base em arquivos digitais extraídos do SPED Discal e processados através do Sistema ContÁgil, da Receita Federal do Brasil. 2. Identificação dos produtos por meio da rede mundial de computadores, (internet), no sitio da empresa "www.orbiquimica.com.br". 3. Subsidiariamente, em cinco Soluções de Consultas de interesse de terceiros, identificadas à fl. 16. Notoriamente, classificar uma determinada mercadoria não é procedimento fácil, senão quase sempre de difícil execução, especialmente tratandose de produtos químicos, mormente a complexidade de suas formulações, processos e fenômenos químicos que norteiam os produtos da recorrente. Vêse que a fiscalização não se desincumbiu de seu mister na busca pela correta e necessária identificação dos produtos cuja classificação fiscal buscava aferir sua exatidão. Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 10865.721605/201425 Acórdão n.º 3301003.948 S3C3T1 Fl. 2.994 11 Com as considerações expostas, não vislumbro reparo a ser feito no Acórdão recorrido, pelos seus próprios fundamentos. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 2994DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.720690/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
PROCESSO CONEXO.
Nos termos do art. 6º do Anexo II do RICARF, foi reconhecido a conexão existente entre este processo (de exigência de CSLL) e Processo Administrativo de nº 10660.720689/2014-86 (de exigência de IRPJ), de interesse do mesmo contribuinte, referentes aos mesmos períodos de apuração, em que lhe foram imputadas as mesmas irregularidades, aplica-se aqui o decidido naquele processo.
Numero da decisão: 1301-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Milene de Araújo Macedo que votaram por negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO CONEXO. Nos termos do art. 6º do Anexo II do RICARF, foi reconhecido a conexão existente entre este processo (de exigência de CSLL) e Processo Administrativo de nº 10660.720689/201486 (de exigência de IRPJ), de interesse do mesmo contribuinte, referentes aos mesmos períodos de apuração, em que lhe foram imputadas as mesmas irregularidades, aplicase aqui o decidido naquele processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Milene de Araújo Macedo que votaram por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 06 90 /2 01 4- 19 Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.650 2 Relatório Cuida o presente processo de auto de infração de CSLL relativo aos anos calendário de 2009 a 2012, no valor de R$ 11.751.895,31, incluindo os juros e multa qualificada. As infrações são decorrentes da: (i) compensação indevida base de cálculo negativa de CSLL, nos montantes R$ 8.059.764,67, R$3.161.147,83, R$ 10.508.410,89 e R$ 6.943.340,10, com os resultados apurados nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, respectivamente, (ii) compensação indevida, no ano de 2009, do lucro apurado com saldo inexistente de base de cálculo negativa de CSLL no valor de R$ 3.983.472,26; e (iii) exclusão indevida, no ano de 2012, do montante de R$ 4.875.146,61, a título de depreciação acelerada incentivada. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão prolatado pela 2ª Turma da DRJ/BSB (fls. 1484/1492): I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Informa o agente fiscal, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 22/41, que o contribuinte, em 1994, impetrou mandado de segurança (nº 94.00238258), objetivando aplicar em suas demonstrações financeiras a correção integral do IPC de 1989 e 1990. 1. Da análise do MS nº 94.00238258 Esclarece que, após minuciosa análise da documentação apresentada, verificou divergências de saldo de prejuízos fiscais e da base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, quando confrontados com os dados existentes no Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido SAPLI, da Receita Federal do Brasil, sendo a contribuinte questionada, por várias vezes, pela fiscalização e intimada a apresentar os seus controles relativamente a tais saldos, além de prestar os devidos esclarecimentos sobre tais divergências. Informa a autoridade fiscal que o contribuinte pleiteou a utilização do percentual de 70,28%, referente ao mês de janeiro de 1989, para fins da correção monetária de suas demonstrações financeiras e que anexou, no processo judicial, demonstrativos, por meio do qual pretendeu demonstrar as perdas sofridas com o expurgo inflacionário daquele período. Ressalta, contudo, o agente fiscal: “Anexou aquilo que chamou "demonstrativos", onde pretendeu demonstrar suas "perdas", porém numa verificação mais apurada, tratase de demonstrativos de apuração do Lucro Real onde inclui lançamentos das correções relacionadas às despesas de depreciação/amortização/exaustão/baixas, ignorando todas as demais contas sujeitas à correção (Ativo Permanente e Patrimônio Líquido). Ou seja, a empresa aplicou suas modificações a alguns itens do Ativo Permanente (contas Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.651 3 retificadoras), desrespeitando as normais legais que regem a correção monetária (DOC 40 fls. 40 a 46).” Do referido Termo de Verificação Fiscal, destaco também as seguintes passagens, que bem sintetizam o trabalho fiscal: “(...) a edição da Lei nº 8200/91 pretendeu corrigir o que foi considerado uma injustiça cometida contra os contribuintes, com a supressão de parcela substancial da inflação ocorrida naquele período, permitindo a esses que aplicassem a correção aos itens das demonstrações contábeis a ela sujeitos. Não há que se falar em aplicação a ALGUNS itens. Não bastasse isso a aplicação da correção monetária a contas representativas de despesas acarretaria um saldo CREDOR de correção monetária, o que representaria um ganho a ser oferecido à tributação. (...) Neste ponto, registrese o arrazoado trazido aos autos pela autoridade coatora (DOC 40 Fls.48 a 51) . E o parecer do Procurador Regional da República discorrendo sobre o saldo da correção monetária, inequivocamente traduzindo os efeitos da lei n° 8200/91 , deixando cristalinamente claro que os percentuais por ela definidos deveriam ser aplicados tanto nas contas do Ativo Permanente (inclusive as retificadoras: depreciação, amortização, exaustão) e do Patrimônio Líquido (DOC 40 Fls. 52 a 54) . (...) Esse confronto resultaria num ganho (Resultado da correção monetária credor) ou numa perda (Resultado da correção monetária devedor). Tão descabida e matreira é pretensão da empresa em alegar judicialmente lhe foi deferida a autorização de apenas corrigir alguns itens do Ativo Permanente que sequer foi cogitada em qualquer momento do trâmite do feito (vide DOC 40 Fls. 53). Nesse ponto, a empresa entra com pedido de reconsideração e, novamente seu pedido versa sobre a aplicação integral do percentual de 70,28% e a dedução de 100 % para apurar o resultado do exercício. (DOC 40 Fls. 55 a 63). Em sentença prolatada pela Exma. Juíza Federal, Dra. Nizete Antónia Lobato Rodrigues, também versando sobre a utilização do IPC em lugar do BTNF como indexador da correção monetária em demonstrações financeiras e compensar de uma só vez o indébito apurado (se apurado!), além do direito de utilizar, para efeito de dedução fiscal, o IPC no percentual de 70,28 %, foi, novamente, denegada a segurança, com menção ao reconhecimento do percentual de 42,72% (ao invés dos 70,28% pretendidos) devido ao fato de ser matéria de entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (DOC 40 Fls. 64 a 69). Apresentados os Embargos de Declaração fica claro o pedido da empresa em deduzirem a correção monetária de balanço (DOC 40 Fls. 71 ) e o questionamento quando ao percentual dessa correção, inovando ao incluir o percentual de 10,14% aplicável ao mês de Fevereiro/1989. Mais óbvio ainda que essa dedução ocorreriam se a empresa apurasse um resultado negativo de correção monetária (DOC 40 Fls 70 a 74) . A mesma Juíza reforma seu entendimento ao julgar esses embargos e concede parcialmente a segurança, desconhecendo o percentual de 10,14% e reconhecendo a utilização do percentual de 42,72% para aplicação na correção das demonstrações financeiras (DOC 40 Fls. 75 a 77) . Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.652 4 (...) O trânsito em julgado se deu 11/04/2005, e, questionada pela fiscalização, a empresa informou à fiscalização que teria um saldo negativo no montante de R$ 20.469.480,51 (DOC 24 Fls. 03), tentando a empresa convencer a fiscalização de que já utilizara totalmente tais valores (DOC 38 Fls. 04). Para a CSLL a empresa computou o montante de R$ 20.469.925,93, apresentando sua apuração no DOC 19 explicitado no DOC 24 Fls. 06. Também elaborou e apresentou planilhas com o que chamou de "critérios para utilização dos expurgos de janeiro e fevereiro de 1989", querendo fazer crer à fiscalização que tais planilhas constavam do processo judicial e refletiam o montante a que a empresa faria jus (o que não é verdadeiro, as planilhas constantes do processo (DOC 40 Fls. 41 a 46), já foram anteriormente comentado); acrescentandose que, mesmo essas planilhas, trazem apenas uma espécie de demonstração do lucro real, com acréscimo de valores dito de despesas de depreciação, sem maiores comprovações, tipo: em quais contas foram aplicadas essa depreciação, em que percentuais e quais eram os saldos dessas contas (...). (...) A empresa tentou durante todo o procedimento fazer crer que judicialmente lhe foi concedido o direito de corrigir apenas suas contas retificadoras do Ativo Permanente, que visualizando a planilha é composta pela conta "Depreciações, amortizações, cotas de exaustão" com saldo de Cz$ 4.317.286 (já na moeda cruzados). De forma inovadora, lança as supostas despesas de depreciação em cada subconta, corrigindoas, porém SEM corrigir as patrimoniais. (...) Ainda, se torna necessário registrar que, do período de 1988 a 1990, a empresa não apresentou resultado negativo da correção monetária, pois seu Ativo Permanente corrigível sempre foi maior que o Patrimônio Líquido, menos se deduzindo os saldos das contas retificadoras do Permanente (DOC 45 a 48). (...) Patente a malicia, a máfé e o desrespeito à inteligência alheia, nessa tentativa de fazer crer que a empresa poderia apenas corrigir alguns itens de seu balanço, e de um só lado, sendo judicialmente autorizada a fazêlo. (...) Mas, e apenas para demonstrarse a improcedência das alegações da empresa, ilustrativamente, apresentase o resultado da correção monetária da empresa, no anobase 1988 (Declaração ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica anexada – DOC 42 Fls. 05): (...) Conforme se observa, o Ativo Imobilizado Corrigível (Terrenos; Edifícios e Construções; Equipamentos, Máquinas e Instalações; Veículos, Móveis; Utensílios e Instalações; Outras Imobilizações) apresenta um total devedor de Cr$ 25.123.054.724, e a conta retificadora "Depreciações" que traz um saldo credor de Cr$ 4.317.286.776. Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.653 5 Por outro lado, no Patrimônio Líquido Corrigível (Capital Domiciliados no País; Reservas de Capital; Reservas de Reavaliação; Reservas de Lucros; Lucros Acumulados) o saldo credor é de Cr$ 14.080.148.236. 2. Da compensação indevida de bases de cálculo negativas de CSLL A seguir, o agente fiscal ressalta que somente podem ser compensados prejuízos fiscais se a pessoa jurídica mantiver os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado nessa compensação. Informa que verificou os saldos das contas de Prejuízo Fiscal Acumulado a Compensar e da Base de Cálculo Negativa da CSLL, para efeito de recomposição dos LALUR do periodo 1991 a 2008, e que promoveu o confronto dos valores constantes nas Declarações ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Livros de Apuração do Lucro Real LALUR, com os dados existentes nos sistemas informatizados da RFB. Ao final, o agente fiscal detalha o procedimento adotado quando a este item da autuação (fls. 36/37): “Até o anocalendário 2004, não existiam controles formais relacionados à Base de Cálculo Negativa da CSLL (DOC 59). a) LALUR Período 2005 O controle da CSLL iniciase com um saldo anterior de R$ 15.840.029,81, sem menção à data de sua apuração. Intimada, a empresa alega que está apresentando planilhas relativas a essa composição, porém nada foi apresentado (DOC 52 – Fls.02). Portanto, verificados os documentos apresentados (DOC 19 e DOC 24 Fls. 06), do saldo anterior fox estornado o valor referente ao MS 94.238258 (RS 20.4 69.925,93), registrandose, então, um excedente inicial de utilização de R$ 5.164.118,99, resultante do estorno comentado e mais a compensação de R$ 534.222,87 (base de cálculo da CSLL apurada no período). p) LALUR Período 2006 Novo excedente de utilização. Nesse ano calendário, com a compensação indevida da base de cálculo da CSLL no valor de R$ 5.536.181, 15, o excedente vai a R$ 10.700.300,14. q) LALUR Período 2007 Após a absorção da base de cálculo da CSLL na atividade geral de R$ 14.642,47 pela base de cálculo negativa da CSLL na atividade rural de R$ 3.168.158,13, o excedente de compensação se reduz para R$ 7.546.784,48. r) LALUR Período 2 0 0 8 Nova redução no excedente de utilização, que vai para RS 3.983.472,26, após o cômputo da base negativa da CSLL resultante da atividade rural no período de R$ 3.563.312,22 (R$ 3.654.697, 14 R$ 91.384, 92 base de cálculo da CSLL na atividade geral). Assim, a fiscalização iniciando com um excedente de utilização de R$ 3.983.472,26 a partir do anocalendário 2009 até o anocalendário 2012, foram feitas as recomposições dos Livros de Apuração do Lucro Real, estando os resultados apontados em planilhas elaboradas pela fiscalização (DOC 04, Fls. 02 a 05).” 3. Da compensação indevida, no ano de 2009, do lucro apurado com “saldo inexistente de base de cálculo negativa de CSLL” no montante de R$ 3.983.472,26. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.654 6 Neste item do auto de infração, o agente fiscal apurou, em 31/12/2009, a exigência de CSLL no valor de R$ 358.512,50. Esta exigência tem origem na aludida recomposição dos LALUR do periodo de 2005 a 2008, na qual a Fiscalização apurou excessos de compensação de bases de cálculo negativas de CSLL desde o ano de 2005, resultando em “excedente de utilização de bases negativas de CSLL acumulado até 2008”, no montante de R$ 3.983.472,26. 4. Da exclusão indevida, no ano de 2012, do montante de R$ 4.601.022,72, a título de depreciação acelerada incentivada. Quanto a este item da autuação, informou a autoridade fiscal que, no ano calendário 2012, verificou uma exclusão ao lucro líquido do exercício, na determinação do lucro real, no valor de RS 4.601.022,72, a titulo de “Depreciação/Amortização Acelerada Incentivada Demais Hipóteses” (DOC 69 Ficha 9A Linha 82 da DIPJ 2013, Fls. 17). Assevera que, intimada a prestar os devidos esclarecimentos (DOC 51, Fls.04), a empresa limitouse a entregar planilhas que não se prestariam à comprovação dessa exclusão (DOC 56), razão pela qual promoveu a glosa correspondente. 5. Da qualificação e do agravamento da multa de ofício Segundo o agente fiscal, os fatos narrados pela Fiscalização demonstram o evidente intuito de fraude do contribuinte, no que concerne ao aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, a título de determinação judicial, aplicandose ao caso a qualificação da multa de ofício, consoante o disposto no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1966, c/c os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502. Por outro lado, assevera que o agravamento da multa de ofício também é medida que se impõe, pois, no seu entender, o art. 44, parágrafo 2º, da Lei n° 9.430/96, é claro quando prevê a aplicação da multa no percentual de 225% em face de omissão na obrigação de prestar esclarecimentos à autoridade administrativa, no prazo marcado. Afirma que não basta atendêla. Deve o contribuinte agir no lapso de tempo definido pela fiscalização. No presente caso, demonstrando um certo desprezo à ação que se desenvolvia, a empresa só remetia à Fiscalização o que entendia suficiente, mesmo diversas vezes alertada pela fiscalização (vide termos lavrados DOC 06 fls. 03; DOC 11 Fls. 01; DOC 14 Fls. 02; DOC 16 Fls.01; DOC 22 Fls. 02 e 03; DOC 26 Fls. 02 e 03; DOC 33 Fls 01 e 02; DOC 45 Fls 02 e 03 e DOC 51 Fls. 05). II. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do auto de infração em 31/03/2014, a contribuinte apresentou, em 29/04/2014, a impugnação de fls. 772/825. Em sua peça de defesa, aduz a suplicante, em síntese, as seguintes razões, na ordem em que apresentadas. 1. Quanto às exigências derivadas da decisão judicial no MS nº 94.00238258 Assevera a impugnante que impetrou mandado de segurança requerendo que lhe fosse assegurado o direito de deduzir, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL, as Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.655 7 despesas de depreciação, amortização e baixas correspondentes à diferença de correção monetária do ativo permanente, assim como o direito de atualizar os prejuízos fiscais, computando os efeitos do expurgo inflacionário do Plano Verão (1989). Informa que a Companhia saiu vitoriosa na ação, sendolhe reconhecido, por decisão transitada em julgado, o direito à correção, pelos índices de 42,72% (janeiro de 1989) e 10,14% (fevereiro de 1989), das despesas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente e do saldo de prejuízos fiscais, nos limites do pleito que fez ao Poder Judiciário. Eis o pedido: "Conceder a ordem, julgando totalmente procedente o pedido da impetrante, confirmandose a liminar, para que assegure o direito líquido e certo de deduzir fiscalmente as despesas de 1989, computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 de 70,28%, substituindose a OTN de NCz$ 6,92 pela NCz$ 10,51, a qual espelha a inflação real do período, segundo o IBGE e arts. 5 e 6 do DL 2.283/86, (...), na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro, como se fosse ajuste de exercícios anteriores (art. 186, §. 1°, da Lei n° 6.404/76 e arts. 154 e 171 do RIR/80), com todos os efeitos daí decorrentes, tais como os de depreciação, exaustão, baixas e amortização dos bens do ativo permanente." Informa que a medida liminar foi indeferida em um primeiro momento e a segurança denegada. Em 14 de maio de 1998, protocolou Embargos de Declaração. O referido recurso foi apreciado pelo Juízo de 1a instância em 30 de junho de 1998, que houve por bem o prover para conceder parcialmente a segurança, nos seguintes termos: “(...) declarar o direito das Impetrantes ao cômputo, na dedução fiscal das despesas do exercício de 1989, da variação do IPC de janeiro daquele ano, à base de 42,72%, descontada a correção efetivamente considerada". Após detalhar as fases seguintes da demanda judicial, esclarece que o STJ negou provimento ao Agravo Regimental da Fazenda Nacional, e, portanto, confirmou a decisão que lhe foi imediatamente anterior, tendo o acórdão transitado em julgado em 11 de abril de 2005. Conclui que se encontra amparada por provimento judicial definitivo (sentença complementada pelo acórdão do STJ) que reconheceu o seu direito de proceder à dedução fiscal das despesas de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente existentes em janeiro de 1989, computandose a variação do IPC de janeiro de 1989 (índice de 42,72%) e de fevereiro de 1989 (índice de 10.14%). Ressalta que as normas do Código de Processo Civil determinam que a coisa julgada material referese ao conteúdo normativo da decisão transitada em julgado, considerandose os contornos da lide, como postos na inicial, delimitados pelo pedido e pela causa de pedir. Reitera que a decisão judicial transitada em julgado não impôs dever algum à impugnante, ou seja, não determinou a apuração de saldo credor de correção monetária de balanço a partir da aplicação dos expurgos inflacionários. Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.656 8 Pondera que, nessa hipótese, a impugnante simplesmente não teria interesse de agir, o que causaria a extinção do processo sem julgamento de mérito, assunto que não teria sido alegado pela Fazenda Nacional no curso da lide. Conclui que os efeitos da decisão judicial encontramse limitados ao pedido, portanto os índices reconhecidos como expurgados devem ser aplicados exclusivamente sobre as reversões do ativo permanente e sobre os saldos da parte B do LALUR, como fez a impugnante. A seguir, destaca, em termos didáticos, o que seria o alcance do pedido inicial do mandado de segurança: a) "deduzir fiscalmente(...)" não se trata de lançamentos contábeis, como pretende a fiscalização; b) "(...) as despesas de depreciação, amortização e baixas (...)" limite material da dedução fiscal requerida. Despesas afetadas, reduzidas, pelo expurgo de correção monetária do Plano Verão; c) "(...) na base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social (...)" confirmação de que o direito da Impugnante se limita aos ajustes fiscais decorrentes do Plano Verão, ou seja, às deduções fiscais equivalentes a aplicação dos índices expurgados sobre as depreciações, amortizações e baixas do ativo permanente existente em janeiro de 1989 d) "(...) com todos os efeitos daí decorrentes, (...)" evidência de que a Impugnante limitou seu pedido aos efeitos fiscais do expurgo que lhe eram prejudiciais, a exemplo da falta de correção integral dos créditos existente na parte B do LALUR, entre os quais os prejuízos fiscais já gerados até 1989, e nunca prejuízos futuros, evidentemente. Prossegue a suplicante, agora em outra linha de defesa, para sustentar que, além de ignorar o comando da coisa julgada, a autoridade fiscal também teria se equivocado na aplicação das normas gerais sobre correção monetária de balanço. Em outras palavras, alega a impugnante que mesmo que a autoridade fiscal estivesse correta em sua pretensão quanto à necessidade de se aplicar os índices expurgados sobre as demonstrações financeiras como um todo, e não apenas sobre as contas do ativo permanente, o presente crédito tributário não teria condições de subsistir. Sustenta que “a fiscalização simplesmente ignorou os efeitos que seriam produzidos nos períodos seguintes em função da realização dos encargos de depreciação, amortização e baixas do ativo permanente corrigido, que acabam por anular o efeito da suposta falta de tributação da diferença de saldo credor de CMB pela Impugnante.” A seguir, de forma didática, aponta os seguintes erros que teriam sido cometidos pelo agente fiscal: “a) não aplicação da norma individual decorrente da Ação Ordinária n° 95.00.087464, pois ignorada a coisa julgada material determinante do direito de deduzir, na apuração fiscal, as depreciações, amortizações e baixas expurgadas pelo Plano Verão, além dos efeitos de parte B do LALUR; Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.657 9 Assim, mesmo em se aplicando as normas gerais em detrimento da norma individual COISA JULGADA MATERIAL, os erros de subsunção permanecem os seguintes: b) não aplicação da norma (art. 20 do Decretolei n° 2.341/1987) que determina a tributação do saldo credor de correção monetária de balanço de forma diferida, como lucro inflacionário, com todos os efeitos decorrentes realizações ocorridas, pagamentos realizados e decadência; c) ignorar a norma geral, e não só a individual da coisa julgada material, que admite a dedução dos efeitos de correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente; d) aplicar dispositivos legais que já se encontravam revogados até mesmo em 1989, o que dizer então à época dos períodosbase objeto da autuação: art. 39 do DecretoLei n° 1.598/77.” Prossegue a suplicante, agora para destacar que a Fiscalização analisou seus livros e demais documentos fiscais desde o ano de 2005 (fl.802). Ressalta que, em se tratando de lançamento por homologação, tem incidência a norma do art. 150, parágrafo 4o, do CTN, devendo ser aplicado o prazo qüinqüenal a partir do fato gerador do tributo. Assevera que “desde que a base negativa de CSLL é formada e declarada, o que é informado em suas declarações fiscais, o Fisco já tem condições de analisar a sua pertinência e quantificação.” Pugna pela devida observância do prazo decadencial, de forma que no presente lançamento seja limitado o direito do Fisco analisar os prejuízos fiscais efetivamente apurados no período do lançamento (2009 a 2012), cancelando, portanto, as glosas relacionadas com o estorno de parcelas apuradas anteriormente a 2009. 2. Quanto à exigência derivada da exclusão a título de depreciação acelerada incentivada Assevera a impugnante que esta exclusão foi glosada pela Fiscalização com a justificativa de impossibilidade de verificação dos valores pleiteados. Pugna pelo cancelamento da exigência, pois o agente fiscal não teria indicado os motivos pelos quais a documentação foi desconsiderada. Ressalta que o incentivo fiscal de depreciação acelerada incentivada concedida às atividades rurais é, na realidade, uma diminuição da carga tributária no ano de aquisição do bem que será diferida para os exercícios subseqüentes. Informa que, no caso em concreto, os valores excluídos correspondem às aquisições de imobilizado do ano de 2012 para a atividade rural, conforme composição que apresenta. Assevera que os valores apresentados poderão ser confirmados pelo exame dos razões contábeis disponibilizados pela sociedade, bem como sua respectiva adição no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), referentes ao anocalendário de 2012. Anexa documentos. Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.658 10 Informa que os seus controles indicam que os valores que ultrapassaram o custo de aquisição do bem estão sendo devidamente tributados no ano subseqüente ao da exclusão dos valores oriundos da depreciação acelerada incentivada. Conclui, ad argumentandum tantun, que, ainda que os valores não sejam considerados pela autoridade fiscal, seriam devidos somente multa e juros. 3. Quanto à qualificação e ao agravamento da multa de ofício Sustenta que a qualificação da multa aplicada no caso em tela não possui suporte legal, uma vez que não teria restado configurada a prática de dolo, fraude ou conluio. Alega que a discussão no presente processo se refere ao alcance processual de uma decisão judicial transitada em julgado na apuração da empresa, e ainda a glosas decorrentes da desclassificação arbitrária das informações prestadas sobre temas como prejuízos fiscais e depreciação na produção rural. Assevera que a autoridade fiscal, para impor a multa qualificada, deve apontar e provar os elementos que demonstrem a fraude, o que não teria sido feito no caso em tela. Sustenta que “o máximo que alcançou o Termo de Verificação Fiscal foi demonstrar que há controvérsia sobre a forma como uma decisão judicial deve se inserir na apuração do contribuinte, por desconhecer a lógica do Processo Civil pátrio, e ainda outros temas que envolvem exclusivamente apuração tributária.” Alega que o agravamento da multa de ofício também é descabido, pois a documentação solicitada pelo agente fiscal não é algo fácil e rápido de se localizar, ainda mais por que já se passaram mais de 24 anos, e, somente por este motivo, é que houve pedidos de prorrogação de prazo pela impugnante. Assevera que, dentro de suas possibilidades, visou atender completamente os requerimentos da Fiscalização, tanto que fez juntar aos autos documentos suficientes para que a mesma conseguisse apurar o suposto crédito tributário. Cita precedentes do CARF que não autorizariam o agravamento da multa de ofício em situação como a dos autos. Pede o deferimento da impugnação A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 772/906, julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal, mantendo em parte o crédito tributário constituído. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1487/1535), no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.659 11 O Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele conheço. Igualmente, o Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade, de acordo com a Portaria/MF nº 63/2017, sendo também conhecido. Tratase de auto de infração de CSLL, o qual descreve três irregularidades apontadas pelo agente fiscal, a saber: (i) compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL, nos montantes de R$ 8.059.764,67, R$ 3.161.147,83, R$ 10.508.410,89 e R$ 6.943.340,10, com os resultados apurados nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, respectivamente; (ii) compensação indevida, no ano de 2009, do lucro apurado com “saldo inexistente de base de cálculo negativa de CSLL” no montante de R$ 3.983.472,26; e (iii) exclusão indevida, no ano de 2012, do montante de R$ 4.875.146,61, a título de depreciação acelerada incentivada. Nos termos do art. 6º do Anexo II do RICARF, foi reconhecido a conexão existente entre este processo (de exigência de CSLL) e Processo Administrativo de nº 10660.720689/201486 (de exigência de IRPJ), de interesse do mesmo contribuinte, referentes aos mesmos períodos de apuração, em que lhe foram imputadas as mesmas irregularidades, com reflexos nas compensações de prejuízos fiscais, em despacho exarado à fl. 1625 daquele processo. Assim, para evitar transcrições desnecessárias, adoto, como razões de decidir, os mesmos fundamentos constantes do voto condutor do Processo Administrativo de nº 10660.720689/201486 (de exigência de IRPJ). CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço dos Recursos Voluntário e de Ofício para, no mérito, negar provimento ao Recurso de Ofício e dar total provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, cancelamento integralmente o crédito tributário formalizado. É como voto (assinado digitalmente) Marcos Paulo leme Brisola Caseiro Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 1301002.554 S1C3T1 Fl. 1.660 12 Fl. 1660DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.001695/2006-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
ADMINISTRADORES DE PESSOAS JURÍDICAS. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE.
Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigam-se solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum.
Numero da decisão: 1301-002.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
assinado digitalmente
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 362 1 361 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.001695/200644 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.538 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria Responsabilidade Recorrente WELLINGTON FERREIRA FIGUEIREDO (qualificado como devedor solidário de PERFIL SERVIÇOS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 ADMINISTRADORES DE PESSOAS JURÍDICAS. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE. Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigamse solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 16 95 /2 00 6- 44 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10510.001695/200644 Acórdão n.º 1301002.538 S1C3T1 Fl. 363 2 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10510.001695/200644 Acórdão n.º 1301002.538 S1C3T1 Fl. 364 3 Relatório WELLINGTON FERREIRA FIGUEIREDO (qualificado como devedor solidário de PERFIL SERVIÇOS GERAIS LTDA, já qualificadas nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) DRJ/RPO, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, para manter a imputação de responsabilidade tributária solidária. Do Lançamento Em auto de infração contra o contribuinte PERFIL SERVIÇOS GERAIS LTDA no processo administrativo n° 10510000647200639 em que se apurou crédito tributário relativo a IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, anocalendário 2001, no valor total de R$149.836,57 (Fls. 53) e com base nos arts. 904, 905, 910, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza), foram constatados os seguintes fatos (Fls. 222 a 223): Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 16/27), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: 1 — Sucessivas alterações no quadro societário da empresa Transur Serviços Ltda., hoje alterada para Perfil Serviços Gerais Ltda., a partir da 4a Alteração, em 14/07/2000, quando ocorre a substituição do sócio majoritário Sr. Wellington Ferreira Figueiredo, CPF 412.237.13504 pela Sra. Maria Eliane dos Santos, CPF 032.044.00441 que em seguida (5a Alteração) é substituída pelo Sr. Juvenal Bastos de Oliveira, CPF 171.628.40582, que posteriormente (7a Alteração) transfere suas quotas para a Sra. Maria do Carmo Santos Silva, CPF 843.385.98549, e para o Sr. José Adriano Nunes, CPF 023,653.42540; 2 — Continuidade do Sr. Wellington Ferreira Figueiredo, no comando da empresa Transur Serviços Ltda., atual Perfil Serviços Gerais Ltda., mesmo após o seu afastamento do quadro societário, fato comprovado pela suas assinaturas nos seguintes documentos da empresa: a. Aditivos números 001, de 01/09/2000; 002, de 23/03/2001, n. 3, de 26/07/2001 e n. 04, de 25/08/2001 do Contrato n. 330.2.022.00.6, firmado com Petróleo Brasileiro S.A., em 23/03/2000; b. Aditivo n. 01 de 01/10/2001 e n. 02 de 30/01/2002 do Contrato n. 330.2.007.00.9, firmado com a Petrobrás Transporte S/A; c. Aditivo n. 03, de 04/07/2002, do Contrato n. 4600000388, firmado com a Petrobrás Transporte S/A — Transpetro; e, d. Aditivo n. 3, de 15.09.2000 e n. 4, de 15/04/2001, do Contrato de Prestação de Serviços de Zeladoria e Conservação, firmado com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — Regional Alagoas, em 01 de abril de 1999. 3 A atual responsável pela empresa, Sra. Maria do Carmo Santos Silva, CPF 843.385.985 49, bem como o seu sócio, Sr. José Adriano Nunes, CPF 023.653.42540, e, da mesma forma, seus antecessores na empresa, Srs. Juvenal Bastos de Oliveira, CPF 171.628.40582, Jairo Santana Malafaia, CPF 501.289.06553 e Maria Eliane dos Santos, CPF 032.044.00441, não possuíam condições econômicofinanceiras para adquirirem as quotas de capital da empresa, segundo se infere da simples análise dos dados fiscais disponíveis; Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10510.001695/200644 Acórdão n.º 1301002.538 S1C3T1 Fl. 365 4 4 Analisando a Declaração de Ajuste Anual Simplificada, apresentada à Receita Federal pela Sra. Maria Eliane dos Santos, relativa ao anocalendário de 2000, chegase à conclusão que esta senhora mão dispunha de condições econômicofinanceira para adquirir as quotas de capital da Transur Serviços Ltda. já que os únicos bens informados são as quotas de capital desta empresa e que no ano de 1999 esta senhora não possuía nenhum bem patrimonial declarado e o rendimento auferido no ano de 2000 foi apenas R$ 6.000,00. 5 As demais pessoas que ingressaram na sociedade Transur Serviços Ltda./Perfil Serviços Gerais Ltda. sucedendo a Sra. Maria Eliane dos Santos (vide doc. Intitulado Histórico Sucessório), em anexo, apresentam na maioria dos anoscalendário Declarações de Rendimentos como "isentos", e, quando apresentam Declaração de Ajuste Anual o fazem indicando como únicos bens as quotas de capital desta empresa e com rendimentos zerados ou abaixo do limite de isenção, revelando a ausência de condições econômicofinanceira para aquisição das quotas desta sociedade, constituindo forte indício de irregularidade que nos leva a concluir que a empresa sempre foi administrada de fato pelo Sr. Wellington Ferreira Figueiredo. 6 A empresa, hoje, não existe no endereço informado e os seus atuais sócios, incluindo a administradora não foram localizados nos endereços constantes do cadastro da Receita Federal. 7 — Diante dos fatos acima concluo que, ocorreu o uso de interpostas pessoas, com a finalidade de eximir os verdadeiros responsáveis pela empresa dos tributos devidos 'no ano calendário de 2001, objeto desta fiscalização, cumprindome a adoção de providências para o resguardo dos interesses da Fazenda Nacional, consistentes na lavratura de Termo de Sujeição Solidária Passiva. Da Impugnação O contribuinte foi cientificado dos lançamentos por meio de Edital (Fls. 230), sem impugnação. O interessado WELLINGTON FERREIRA FIGUEIREDO, cientificado em 02/03/2006 (Fls. 228), do Termo de Sujeição Passiva Solidária (Fls. 224 a 227) e das exigências tributárias devidas pela contribuinte PERFIL SERVIÇOS GERAIS LTDA, apresentou impugnação contra o referido Termo em 29/03/2006 (Fls. 2 a 24). Alegou em síntese a inexistência de responsabilidade passiva, sem mencionar o crédito tributário constituído, razão pela qual formalizouse o presente processo com cópias extraídas do processo administrativo n° 10510.000647/200639, prosseguindose neste a cobrança do crédito tributário constituído. Em julgamento realizado em 25 de agosto de 2006, a 2ª Turma da DRJ/SDR, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e do sujeito passivo solidário e prolatou o acórdão 1460.971, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 Ementa: RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10510.001695/200644 Acórdão n.º 1301002.538 S1C3T1 Fl. 366 5 As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão em 13/09/2006 (Fls. 241), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 06/10/2006 (Fls. 242 a 265), sob o argumento de que houve pedido de parcelamento em 130 meses, MP n° 303, de 29 de junho de 2006, com pagamento da primeira parcela, que não restou configurada a impossibilidade de o contribuinte satisfazer o pagamento do principal, conforme o art. 134 do CTN, que não houve infração à lei, estatuto, contrato social ou excesso de poderes, para permitir a responsabilidade pessoal do art. 135 do CTN. Afirma que apenas permaneceu, na medida do possível, auxiliando seus ex associados, que dele adquiriram a sociedade, e que esta continua em funcionamento, gerida pelos sócios consignados no contrato social. Requereu a reforma da decisão recorrida para retirálo da “qualidade de responsável pelos tributos”. Em 16/04/2008, os membros a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, POR MAIORIA conheceram do recurso interposto pelo interessado para declarar a nulidade do ato de imputação de responsabilidade por ser matéria exclusiva de execução fiscal, de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cientificada em 05/12/2008 (Fls. 285), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em 18/12/2008 (Fls. 287 a 295) com base no art. 7°, I , do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. No entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, a E. Câmara a quo contrariou os arts. 121, II, 124 e 135, III, todos do CTN. Admitido o recurso em 19/12/2008 (Fls. 297) e cientificado pelo interessado em 07/07/2009, não houve contrarrazões (Fls. 303 e 304). Subiram os presentes autos à CSRF, que em 14/05/2013 proferiu a seguinte decisão: "dar provimento ao recurso da PGFN para manter o Termo de sujeição passiva solidária lavrado pela autoridade fiscal e retornar os autos à Câmara a quo da Primeira Seção para julgamento do mérito do Recurso Voluntário". Recebi, por sorteio, o presente auto em 18/04/2017. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10510.001695/200644 Acórdão n.º 1301002.538 S1C3T1 Fl. 367 6 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. Diante do retorno dos autos a esta Câmara e manutenção do Termo de Sujeição passiva solidária lavrado pela autoridade fiscal, passo à análise do mérito do Recurso Voluntário do interessado. A contribuinte, intimada desde o início não respondeu, não existe no endereço informado, e foi intimada por edital. Da mesma forma, os atuais sócios. Alega o termo de sujeição passiva que (fls. 222/227) ocorreram sucessivas alterações no quadro societário da empresa Transur Serviços Ltda (antiga denominação de Perfil Serviços Gerais Ltda), e a partir da 4º alteração em 14/07/2000, ocorreu a substituição do sócio majoritário, ora recorrente, pela Sra Maria Eliane dos Santos e posteriormente pelo Sr Juvenal Bastos de Oliveira, que por fim transfere suas cotas para a Sra Maria do Carmo Santos Silva e para o Sr. José Adriano Nunes. O recorrente, mesmo após sua saída do quadro societário continuou no comando da empresa, fato comprovado através de suas assinaturas em diversos documentos da empresa: Alega ainda o termo que os sócios que o sucederam e mesmo os antecessores, Sr Jairo Santana Malafaia e Maria Eliane dos Santos não possuíam condições econômico financeiras para adquirirem as quotas de capital da empresa, de acordo com a simples análise dos dados fiscais daquelas pessoas. Na DIPF da Sra Maria Eliane dos Santos, relativa ao anocalendário de 2000 chegase à conclusão de que ela não dispunha de condições de adquirir as cotas daquela empresa, já que os únicos bens informados são as próprias cotas da empresa e no ano de 1999 não possuía nenhum bem patrimonial declarado, bem como o rendimento auferido no ano de 2000 foi de apenas R$6.000,00. As outras pessoas, de igual forma, apresentaram em sua maioria Declaração de Rendimentos como "isentos", ou quando apresentaram a declaração de Ajuste, indicaram como únicos bens as cotas daquela empresa e com rendimentos zerados ou abaixo do limite de Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10510.001695/200644 Acórdão n.º 1301002.538 S1C3T1 Fl. 368 7 isenção, o que demonstra a falta de condições econômicofinanceiras para aquisição das cotas, e gerando indícios de que a empresa sempre foi administrada pelo ora recorrente. Constatou o fiscal, ainda, que no ano de 1999, o recorrente, juntamente com a Sra Maria Silveira de Souza Gama constituiu nova sociedade denominada Transur Recursos Humanos Ltda, com o mesmo objeto social da primeira empresa, dando continuidade à prestação de serviços contratados com a ECT. Em 2005, a Sra Maria Silveira afastase da sociedade Transur Recursos Humanos, transferindo as cotas para a Sra maria Eliane, da mesma forma que ocorreu com a contribuinte, posteriormente o próprio recorrente se afasta, cedendo para a mesma pessoas suas cotas, repetindo os atos. A empresa não existe no endereço informado e seus atuais sócios não foram localizados. Dessa forma, concluiu o Termo que ocorreu o uso de interpostas pessoas com a finalidade de eximir os verdadeiros responsáveis pela empresa dos tributos devidos no ano calendário de 2001, nos termos do art. 124 do CTN. Assim dispõe este artigo: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Dessa forma, a Fiscalização entendeu que os negócios realizados pela pessoa jurídica, que resultariam em disponibilidade de renda para a pessoa física, que possuía interesse comum, beneficiandose delas. E o fato de se utilizar de interpostas pessoas na condição de sócias da empresa, constituiu infração à lei e à prática de sonegação fiscal, o que levou inclusive à qualificação da multa de ofício aplicada contra a contribuinte, bem como a formalização do processo de representação fiscal para fins penais. Ora em que pese o recorrente formalmente ter se retirado da empresa em 14/07/2000, diversos documentos comprovam que ele continuou à frente dos negócios da empresa, assinando diversos contratos de prestação de serviços como representante da empresa contratada, fatos esses que demonstram o interesse comum das partes. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10510.001695/200644 Acórdão n.º 1301002.538 S1C3T1 Fl. 369 8 Seguem abaixo, dois exemplos de sua participação, inclusive como sócio gerente, em data posterior à sua retirada. O recorrente, a seu turno, alega que transferiu as cotas da empresa aos Srs José Adriano Nunes e Sra. Maria do Carmo Santos Silva, que ao procurála, foi informado que ela havia realizado o parcelamento do débito em 130 (cento e trinta) vezes, já efetuado o pagamento de algumas parcelas. E que diante do parcelamento, não há que se falar em responsabilidade solidária, não restando configurada a impossibilidade de satisfazer a obrigação principal. Sustenta que agiu na qualidade de procurador da empresa, e pelo laço de amizade que mantinha com os novos sócios, já que possuía mais experiência. Da mesma forma, aduz que não haveria a prática do art. 134 e 135 do CTN, já que não praticou nenhum ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Alega também que a empresa continua em pleno funcionamento, no mesmo endereço informado à RFB. Assim, pugnou pela sua retirada da qualidade de responsável pelos tributos. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10510.001695/200644 Acórdão n.º 1301002.538 S1C3T1 Fl. 370 9 Conforme Jurisprudência dos Tribunais, a extinção irregular da empresa autoriza a responsabilização do respectivo representante legal(Ag Reg REsp 2006/01312290): Emb Div REsp 2007/00191716: Não cabe aqui a discussão que já ocorreu acerca da validade do termo de sujeição passiva, já que mantido pela Câmara Superior. No entendimento da Fiscalização e de acordo com o termo de sujeição passiva, o recorrente sempre foi o sócio de fato da empresa, interpondo outros terceiros como sócios de direito, (laranjas). Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10510.001695/200644 Acórdão n.º 1301002.538 S1C3T1 Fl. 371 10 No recurso interposto, o recorrente não trouxe outras justificativas que pudessem se contrapor às provas apresentadas, dessa forma, entendo que realmente o Sr. Wellington era a pessoa que figurou como sócio da empresa, colocando pessoas que não possuíam condições econômico financeiras na posição de sócios, buscando fugir da responsabilidade tributária, para que ela recaísse sobre aquelas pessoas. No que tange ao parcelamento, de fato, nos termos do art. 151, VI, do CTN, ele apenas suspende o crédito tributário, não o extingue. Em razão da verificação das situações previstas nos art. 135, III, do CTN, pela prática de atos com excesso de poderes e em infração de lei e contrato social, mantenho a responsabilidade tributária do Sr. Wellington Ferreira Figueiredo. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. assinado digitalmente Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000110/2002-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/1997 a 01/09/1997
COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA EM DCTF. SUSPOSTOS CRÉDITOS DE FINSOCIAL NÃO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO EM DESFAVOR DA CONTRIBUINTE. CRÉDITOS QUE SERIAM COMPENSADOS COM DÉBITOS DA COFINS, OBJETO DA AUTUAÇÃO. ASSUNTO JÁ ENFRENTADO E ESGOTADO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
Tema discutido e decidido pelo Colegiado, objeto de recurso especial não admitido, impossível de ser rediscutido.
Numero da decisão: 3401-003.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/1997 a 01/09/1997 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA EM DCTF. SUSPOSTOS CRÉDITOS DE FINSOCIAL NÃO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO EM DESFAVOR DA CONTRIBUINTE. CRÉDITOS QUE SERIAM COMPENSADOS COM DÉBITOS DA COFINS, OBJETO DA AUTUAÇÃO. ASSUNTO JÁ ENFRENTADO E ESGOTADO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Tema discutido e decidido pelo Colegiado, objeto de recurso especial não admitido, impossível de ser rediscutido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/1997 a 01/09/1997 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA EM DCTF. SUSPOSTOS CRÉDITOS DE FINSOCIAL NÃO RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO EM DESFAVOR DA CONTRIBUINTE. CRÉDITOS QUE SERIAM COMPENSADOS COM DÉBITOS DA COFINS, OBJETO DA AUTUAÇÃO. ASSUNTO JÁ ENFRENTADO E ESGOTADO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Tema discutido e decidido pelo Colegiado, objeto de recurso especial não admitido, impossível de ser rediscutido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 01 10 /2 00 2- 47 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13986.000110/200247 Acórdão n.º 3401003.869 S3C4T1 Fl. 335 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário, cujo nascedouro se deu por meio de Auto de Infração que exige da contribuinte a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, apurada em procedimento de auditoria eletrônica de DCTF, no qual se constatou que o processo administrativo fiscal indicado pela autuada para justificar a existência do crédito vinculado às compensações efetuadas não existia. Em sua impugnação a Recorrente disse a compensação feita fora de créditos, oriundos dos aumentos indevidos das alíquotas excedentes a 0,5% do FINSOCIAL, com débitos da COFINS, reconhecidos judicialmente (94.70.0000811) e amparada no artigo 66 da Lei 8.383/91 e na IN/SRF 32/97. A DRF de Joaçaba/SC, por meio da "Informação SACAT", disse que a Recorrente não possuía crédito de ação judicial para compensálo com débitos da COFINS, posto que transitada em julgado e julgada improcedente pelo Poder Judiciário, devido a ausência de liquidez e certeza dos créditos apresentados na ação judicial; havendo resposta da Contribuinte, defendendo que a existência de ação judicial é irrelevante, pois a sua autocompensação fora feita com fundamento no artigo 66 da Lei 8.383/91 e no artigo 2o, da IN/SRF 32/97. A DRJ considerou totalmente procedente o lançamento. Houve interposição de recurso voluntário, aduzindo que na sua ação judicial houve a declaração de inconstitucionalidade das majorações das alíquotas do FINSOCIAL, decisão transitada em julgada no STJ em 14/11/1996, o que lhe garantiria o direito de efetuar a compensação. Alegou ainda que, com a edição da IN/SRF 32/97, houve mudança da posicionamento do Fisco em relação à admissibilidade de compensação do FINSOCIAL com a COFINS, o que lhe seria favorável. Por fim, alternativamente, arguiu a nulidade do procedimento fiscal, pois houve uma compensação indevida e não falta de recolhimento da COFINS, ensejando uma descrição equivocada no auto de infração. Às fls. 229232 sobreveio deste Tribunal, o qual, por unanimidade de votos, afastou a prejudicial de nulidade, dando provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reconhecer, de ofício, a decadência do lançamento ao período de apuração de maio de 1997, face do artigo 150, § 4° do CTN e da Súmula Vinculante 8 do STF. Em face desta decisão, a União interpôs recurso especial (fls. 235242), desafiando o acórdão recorrido quanto à contagem do prazo decadencial prevalecendo a Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13986.000110/200247 Acórdão n.º 3401003.869 S3C4T1 Fl. 336 3 contagem com base no artigo 173, I do CTN sobre o artigo 150 § 4° do mesmo Diploma, já que no caso concreto não se tratou de pagamento de tributo. Às fls. 249251 houve despacho de admissibilidade, dandose seguimento ao recurso especial por divergência; apresentando a Contribuinte suas contrarraões (fls. 262265). Às fls. 266270, a Contribuinte interpôs seu recurso especial, o qual não fora admitido (fls. 305307). Por maioria de votos, o Recurso Especial interposto pela União fora provido (fls. 311316), prevalecendo a orientação consolidada no E. STJ de que, nos casos de tributos lançados por homologação e que não haja pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN e não no § 4° do artigo 150 do mesmo Código, dizendo ainda na fl. 316: Como o período de apuração se refere aos fatos geradores ocorridos no período de maio a setembro de 1997, e a ciência do Auto de Infração, pelo contribuinte, se deu em 28 de junho de 2002, não há que se falar em decadência. À fl. 320, houve o seguinte despacho da DRF de Joaçaba/SC: Trata o presente processo de Auto de Infração eletrônico n° 705 relativo a cofins/1997, conforme consta às fls. 12 a 20. O despacho n° 340000541R, da 4 a Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negou provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Assim, proponho o envio do presente processo ARF/VIDEIRA/SC para ciência ao interessado do despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (fls. 252 a 254), do despacho de Reexame de Admissibilidade (fl. 255), e do Acórdão 9303 002.303 (fls. 258 a 263) mediante intimação emitida pelo sistema Sief . Após, os autos devem ser devolvidos a esta Seção para envio ao CARF e continuidade do julgamento referente ao recurso especial interposto pelo procurador. Despacho este corroborado pelo de fl. 331. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13986.000110/200247 Acórdão n.º 3401003.869 S3C4T1 Fl. 337 4 Voto Conselheiro André Henrique Lemos, relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão se restringe a Auto de Infração que exige da contribuinte a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, apurada em procedimento de auditoria eletrônica de DCTF, referente aos fatos geradores de maio a setembro de 1997, cujos créditos para compensarem estes débitos seriam oriundos dos aumentos indevidos das alíquotas excedentes a 0,5% do FINSOCIAL, reconhecidos judicialmente (94.70.0000811) e amparada no artigo 66 da Lei 8.383/91 e na IN/SRF 32/97. Duas matérias foram objeto de enfrentamento do recurso voluntário, quais sejam: a) a primeira, de ofício, referente a decadência que, depois de ascender em recuso especial para a CSRF, prevaleceu o entendimento de ser contada pela pelo art. 173, I e não pelo art. 150, § 4°, ambos do CTN, e portanto, não ocorrida no caso concreto; b) a existência de créditos do FINSOCIAL a possibilitar a compensação com os débitos da COFINS, objeto da autuação. Este assunto, ao meu sentir já restou decidido em sede recurso voluntário, e em desfavor da Contribuinte, pelo que depreende do voto de fl. 232: Compensação sem lastro O lançamento está correto! Ora, primeiro, que a autuada foi flagrada em auditoria eletrônica de sua DCTF na qual não se confirmou a existência do processo administrativo por ela apontado para justificar a compensação que efetuara. Segundo, que omitiu do Fisco a informação de que havia ingressado com ação ordinária visando justamente o reconhecimento de direito ao aproveitamento de crédito de Finsocial recolhido a maior em procedimento de compensação. Terceiro, que restou mais que claro nas conclusões da DRF em Joaçaba/SC que nenhum crédito de Finsocial fora reconhecido em favor da autuada e tampouco poderia se valer ela da regra do artigo 2° da IN SRF n° 32, de 09/04/1997, para justificar a sua compensação de Finsocial com débitos da Cotins como se lastreada estivesse no artigo 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que,de passagem, digase, estabelecia ou permitia a compensação apenas entre tributos da mesma espécie. Também, de passagem, esclareçase que o referido artigo 2° da IN SRF 32, de 1997, serviu para a convalidou de compensações que já haviam sido efetivadas pelos contribuintes, Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13986.000110/200247 Acórdão n.º 3401003.869 S3C4T1 Fl. 338 5 entre Finsocial e Cofins, o que não é o caso da Recorrente, que somente as efetuou após a edição do referido ato infralegal. Assim, correta a decisão da DRJ que, diante de uma decisão judicial com trânsito em julgado desfavorável às pretensões da autuada, não reconheceu como válida a compensação pretendida. A ementa contida à fl. 229, bem retrata este entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORIA ELETRÔNICA EM DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO INDICADO INEXISTENTE. AÇÃO JUDICIAL COM TRANSITO EM JULGADO DESFAVORÁVEL. Correto o lançamento que, baseado em auditoria eletrônica de DCTF, acusou a inexistência de processo administrativo indicado pela autuada para justificar a compensação dos débitos exsurgidos com a glosa do suposto crédito de Finsocial. Como se viu do relatório acima, sobre este assunto, a Contribuinte interpôs recurso especial, o qual não fora admitido, portanto não há mais nada a ser debatido e decidido por este Colegiado, cujo processo, pelo que se denota, fora encaminhado equivocamente, para um novo, porém impossível julgamento. Dispositivo Com essas considerações, voto em manter íncólume a decisão já proferida no recurso voluntário, fazendo com que a DRF de Joaçaba/SC proceda à cobrança do crédito tributário autuado. André Henrique Lemos Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13986.000110/200247 Acórdão n.º 3401003.869 S3C4T1 Fl. 339 6 Fl. 339DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.003319/2009-37
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 PROCEDIMENTO DE REVISÃO INTERNA DE DECLARAÇÃO. DIPJ E DCTF. INTIMAÇÃO FISCAL PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E EXPLICAÇÕES. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A declaração retificadora entregue após o inicio do procedimento de fiscalização não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, no sentido de excluir a responsabilidade do contribuinte por infração tributária, justamente pela anterior perda da espontaneidade. Entretanto, os dados e valores constantes da declaração retificadora, apresentada durante o procedimento fiscal, podem, sim, ser utilizados pelo fisco para lançamento fiscal, pois a declaração retificadora, por ser documento público, em relação ao conteúdo que veicula faz prova contra o contribuinte, contendo dados ou informações que refletem sua escrituração contábil, até prova em contrário.
Numero da decisão: 1802-001.020
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelso Kichel
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DIPJ E DCTF. INTIMAÇÃO FISCAL PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E EXPLICAÇÕES. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PERDA DA ESPONTANEIDADE. A declaração retificadora entregue após o inicio do procedimento de fiscalização não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício, no sentido de excluir a responsabilidade do contribuinte por infração tributária, justamente pela anterior perda da espontaneidade. Entretanto, os dados e valores constantes da declaração retificadora, apresentada durante o procedimento fiscal, podem, sim, ser utilizados pelo fisco para lançamento fiscal, pois a declaração retificadora, por ser documento público, em relação ao conteúdo que veicula faz prova contra o contribuinte, contendo dados ou informações que refletem sua escrituração contábil, até prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Jose de Oliveira Ferraz Correa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 88/91 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 82/83verso) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o auto de infração do IRPJ do anocalendário 2006, decorrente de revisão interna de declaração. Quanto aos fatos: No procedimento de revisão de declaração (auditoria interna), a fiscalização da RFB constatou que a contribuinte: a) entregou a DIPJ 2007, anocalendário 2006, com apuração de débitos do IRPJ e Adicional do Imposto, para os 4 (quatro) trimestres de 2006, com base no Lucro Presumido; b) apresentou, entretanto, as DCTF (1º e 2º semestres) em branco, zeradas, atinentes a esses trimestres de 2006, sem débitos e créditos, respectivamente, em 05/10/2006 e 03/04/2007 (fls. 30/33); c) não efetuou os pagamentos do IRPJ para esses períodos de apuração. A empresa, então, foi intimada a prestar esclarecimentos ao fisco das divergências constatadas, ou seja: “Débitos da DIPJ/Calculados maiores que os declarados em DCTF”, conforme demonstrativo pormenorizado constante do Termo de Intimação (fls. 11/12). A fiscalizada tomou ciência dessa intimação fiscal em 21/08/2009 (fl. 13). Intimada a contribuinte, porém, em vez de prestar os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, simplesmente transmitiu, eletronicamente, declaração retificadora da DIPJ e declarações retificadoras das DCTF dos respectivos trimestres do anocalendário 2006, em 02/09/2009. De modo que os débitos trimestrais informados na DIPJ retificadora passaram a coincidir com os débitos constantes das DCTF retificadoras (fls. 15/29). Além disso, segundo o fisco, a contribuinte cometeu equívoco nas declarações retificadoras, pois deixara de apurar e informar os débitos do Adicional do IRPJ dos 4 (quatro) trimestres do anocalendário 2006. Para a fiscalização da RFB, as declarações retificadoras (DIPJ e DCTF) foram apresentadas durante o procedimento de fiscalização, quando a contribuinte já havia perdido a espontaneidade; que, por conseguinte, tais declarações retificadoras não podem ser obstadas em relação ao fisco pela fiscalizada, para efeito de exclusão da responsabilidade por infração administrativotributária. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003319/200937 Acórdão n.º 1802001.020 S1TE02 Fl. 2 3 Portanto, com base nesses fatos, foram imputadas as seguintes infrações no auto de infração do IRPJ do anocalendário 2006 (fls. 02/10): (...) 001 – ADICIONAL. APURAÇÃO INCORRETA DO IMPOSTO ADICIONAL O sujeito passivo foi intimado em 21/08/2009 para prestar os esclarecimentos necessários quanto às diferenças constatadas de IRPJ, adicional ao IRPJ e CSLL entre os valores declarados em sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ/2007, anocalendário de 2006, e os valores declarados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTFs. Em 02/09/2009, o contribuinte retificou a sua DIPJ/2007 como também as DCTFs do 1° e 2° semestres do anocalendário de 2006, declarando, nesta última, os valores de IRPJ constantes na DIPJ retificadora, sem, contudo, informar os valores do adicional ao IRPJ. Uma vez que o contribuinte havia perdido a espontaneidade, relativa ao IRPJ e à CSLL, quando do recebimento da intimação, a retificação não pode ser acatada, motivo pelo qual está sendo lançado de oficio, neste Auto de Infração, o adicional ao IRPJ. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/03/2006 R$ 53.684,25 75,00 30/06/2006 R$ 57.673,93 75,00 30/09/2006 R$ 38.005,26 75,00 31/12/2006 R$ 24.084,13 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 518, 542 e 543, do RIR/99. 002 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. APURAÇÃO INCORRETA DO IMPOSTO (...) Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/03/2006 R$ 89.526,38 75,00 30/06/2006 R$ 95.510,90 75,00 30/09/2006 R$ 66.007,88 75,00 31/12/2006 R$ 45.126,20 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Arts. 516, §§ 4° e 5°, 541, 841, incisos I e IV, do RIR/99 (...) O crédito tributário, objeto do auto de infração do IRPJ, perfaz o montante de R$ 984.385,89, na data de sua lavratura, e está assim especificado (fls. 02/10): a) imposto R$ 469.618,93; b) juros de mora de R$ 162.552,78; c) multa de oficio de 75% R$ 352.214,18. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento fiscal em 22/09/2009, apresentando impugnação de fls. 42/45, em 22/10/2009, cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) que o feito fiscal não possui respaldo em premissas documentalmente comprovadas; b) que a acusação fiscal decorre de uma suposta contradição entre os valores constantes de uma primeira declaração do IRPJ e os valores constantes da declaração retificadora, posteriormente apresentada; d) que, no caso, o elemento temporal é de alta relevância para apuração e esclarecimento dos fatos: • a apresentação da declaração original do IRPJ; • a notificação da autuada, em 21/08/2009, para prestar os esclarecimentos necessários quanto a diferenças constatadas no IRPJ e adicional do IRPJ; • a apresentação da declaração retificadora em 02/09/2009; e) que o fisco alega perda de espontaneidade: • pelo fato da declaração retificadora ter sido efetuada, transmitida eletronicamente pela internet, em 02/09/2009, isto é, depois da ciência da notificação fiscal ocorrida em 21/08/2009; • declarações retificadoras do IRPJ e da DCTF desprovidas de valor jurídico. f) que as informações que veiculam essas declarações retificadoras, então, também não podem ser levadas em consideração pelo fisco para qualquer outro fim; g) que, entretanto, o fisco utilizou, como premissa de sua conclusão, exatamente os dados constantes dessas declaraçõess retificadoras, que não teriam validade jurídica; g) que, desse modo, a única e exclusiva maneira de se aferir a base de cálculo do IRPJ, para fins de aplicação da metodologia comparativa infligida pelo autuante, é através Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003319/200937 Acórdão n.º 1802001.020 S1TE02 Fl. 3 5 da análise das informações constantes da declaração original do IRPJ, a qual não consta dos autos; h) que a DIPJ original não consta dos autos e a declaração retificadora foi considerada juridicamente inválida; i) que o lançamento fiscal, por conseguinte, deve ser julgado improcedente, pois o fisco não comprovou, nos autos, o fato constitutivo do seu direito (fato gerador). A decisão a quo, não acatando as razões da contribuinte, julgou a impugnação improcedente, mantendo o auto de infração do IRPJ do anocalendário 2006, cuja ementa transcrevo a seguir (fl.82): (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. Em atendimento ao que preceitua o artigo 138 e parágrafo único do CTN, somente poderão ser aceitas as retificações de declarações realizadas antes de qualquer procedimento de fiscalização, podendo o Fisco, entretanto, utilizarse de informações nelas contidas para efetuar o lançamento de oficio decorrente da ação em curso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ainda, diversamente do entendimento da contribuinte de que o lançamento não estaria estribado em prova documental, a fundamentação do voto condutor da decisão recorrida e a própria ementa da decisão recorrida realçam que as declarações retificadoras, quando apresentadas após o início do procedimento de fiscalização, não possuem o condão de afastar a responsabilidade da contribuinte por infração a legislação administrativotributária em face da perda da espontaneidade, porém são válidas juridicamente para os demais efeitos, pois são documentos públicos que provam não só a formação do documento, mas também os fatos declarados, podendo, por conseguinte, ser utilizadas como prova nos autos, a favor ou contra a contribuinte. Ciente desse decisum em 25/05/2010 (fl. 87), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 16/06/2010 de fls. 88/91, repetindo, literalmente, as mesmas razões que apresentara na impugnação, pedindo, por fim, a improcedência do auto de infração. Obs: o auto de infração da CSLL é objeto do processo nº 10510.003320/200961, conforme despacho de fl.54. É o relatório Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o crédito tributário objeto deste litígio referese ao auto de infração do IRPJ do anocalendário 2006, uma vez que a contribuinte – antes da ciência de intimação fiscal em procedimento de revisão interna de declaração – embora tivesse apurado e declarado débitos dessa exação fiscal na DIPJ original, nada pagou, nada recolheu, e nada confessou nas respectivas DCTF (originais), que foram apresentadas ao fisco, em branco, zeradas. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito da contenda deduzida. Primeiro, a DIPJ não é instrumento de confissão de débitos. O instrumento ordinário para confissão de débitos é a DCTF. Antes da ciência da intimação fiscal, em procedimento de revisão interna de declaração (batimento de dados entre DIPJ x DCTF), a contribuinte não havia confessado os débitos do IRPJ declarados na DIPJ. Tendo tomado ciência da intimação fiscal em 21/08/2009 (fl. 13), para apresentação de documentos e esclarecimentos dessas discrepâncias apuradas pela fiscalização no procedimento de revisão interna de declaração do anocalendário 2006 (batimento entre os dados da DIPJ e das DCTF), a contribuinte, simplesmente, transmitiu eletronicamente, via internet, declarações retificadoras, respectivamente, da DIPJ e das DCTF, em 02/09/2009, fazendo coincidir os débitos do IRPJ dos 04 (quatro) trimestres/2006 da DIPJ retificadora com os débitos inseridos nas DCTF retificadoras dos 1º e 2º semestres/2006 (fls. 15/29). Essas declarações retificadoras foram apresentadas durante o procedimento de fiscalização. A contribuinte, por conseguinte, já havia perdido a espontaneidade para fazer ajustes nas suas declarações em poder do fisco, no sentido de elidir responsabilidade fiscal por infração à legislação tributária. O procedimento de fiscalização (revisão interna de declarações) não exige termo de início de fiscalização, pois não se trata de fiscalização externa, mas sim de auditoria interna que a lei, inclusive, dispensa intimação fiscal antes da lavratura do auto de infração, caso a repartição fiscal já tenha todos os elementos de prova da infração apurada. A propósito da auditoria interna, transcrevo o disposto no art. 835 do RIR/99, in verbis: Art.835.As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). §1ºA revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003319/200937 Acórdão n.º 1802001.020 S1TE02 Fl. 4 7 declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. §2ºA revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, §1º). §3ºOs pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19). §4ºO contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que trata o art. 841 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, §3º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, inciso III). Quanto à dispensa de intimação no procedimento de revisão interna de declaração, a matéria, por ser pacífica, está sumulada no CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Não obstante, a fiscalização, antes da lavratura do auto de infração, por zelo ou cautela, preferiu ouvir a contribuinte, dando oportunidade para apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos, no sentido de elidir as discrepâncias apuradas, quanto ao ano calendário 2006. Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar extemporâneamente, ou seja, no curso do procedimento de fiscalização, as declarações reitificadoras desse ano calendário. O art. 7º do Decreto nº 70.235/72 é preciso quanto ao momento que o contribuinte perde a espontaneidade fiscal quanto aos fatos de relevância tributária já praticados, ficando responsável por infração tributária, in verbis: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. (grifei) Como demonstrado, as declarações retificadoras não têm o condão de excluir a responsabilidade por infração tributária, pois foram apresentadas durante o procedimento de fiscalização a que estava submetida a contribuinte, não configurando denúncia espontânea de débito, justamente pela perda da espontaneidade. Nessa questão da perda da espontaneidade fiscal, o Egrégio Conselho de Contribuintes, inclusive, já editou Súmula, que transcrevo a seguir: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Entendase: a declaração retificadora entregue após o início do procedimento fiscal não produz qualquer efeito sobre o lançamento de ofício, em termos de exclusão da responsabilidade do contribuinte em relação à infração imputada e pelo crédito tributário lançado de ofício, quanto a períodos de apuração anteriores à ciência do início do perocedimento de fiscalização. Por outro lado, os dados declarados, informados, na declaração retificadora podem, sim, ser utilizados pelo fisco para embasar o lançamento fiscal, pois as declarações retificadoras, por serem documentos públicos, em relação ao conteúdo que veiculam (dados, informações) fazem prova contra o contribuinte, pois tais dados ou informações refletem sua escrituração contábil, até prova em contrário Em síntese, as declarações retificadoras, quando apresentadas durante o procedimento de ficalização, não produzem efeito contra o fisco, em termos de exclusão de responsabilidade por infração tributária; porém, em relação ao conteúdo que veiculam, vinculam o contribuinte, pois são documentos públicos, com fé pública, com dados extraídos de sua escrituração contábil, até prova em contrário. A recorrente não produziu prova, nos autos, no sentido de comprovar que as receitas informadas na declaração retificadora, eventualmente, não seriam verdadeiras ou que se equivocara na transcrição desses dados ou informações de sua escrituração contábil para a declaração retificadara. Por conseguinte, não procede a irresignação da recorrente alegando que o fisco não poderia utilizar informações constantes das declarações retificadoras para embasar o lançamento fiscal. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.003319/200937 Acórdão n.º 1802001.020 S1TE02 Fl. 5 9 Por tudo que foi exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16682.721415/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009
CONTRATO DE AFRETAMENTO DE SONDA DE PERFURAÇÃO VINCULADO A CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO, PRODUÇÃO E PERFURAÇÃO DE POÇO DE PETRÓLEO. REAL NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE.
1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal contida nos instrumentos contratuais. Segundo os fatos comprovados nos autos, o único contrato existente foi o de prestação de serviços de exploração, produção e perfuração de poços de petróleo, embora, formalmente, tenham sido firmados dois contratos, um de afretamento da sonda de perfuração e outro de prestação de serviços, bipartidos com o único propósito de evitar a incidência da CIDE.
2. Se o fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos necessários, é parte integrante e indissociável do real contrato prestação dos serviços de prospecção e perfuração de poços de petróleo, os valores remetidos ao exterior a título de remuneração dos mencionados serviços sujeitam-se à incidência da CIDE e integram a base de cálculo da referida contribuição.
REMESSA AO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE.
Há incidência da CIDE sobre os valores da remuneração pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, em retribuição pela prestação de serviços técnicos estabelecidos em contrato.
BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. ILEGALIDADE.
A base de cálculo da CIDE é o valor bruto da remuneração, estipulada em contrato, paga, creditada, entregue, empregada ou remetida, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior no exterior, sem acréscimo ou exclusão do IRRF devido sobre a referida remuneração.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
MULTA DE OFÍCIO. ACRÉSCIMO DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE.
É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a qual integra o crédito tributário lançado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
1. A apuração da ocorrência do fato gerador dispensa o exame acerca da validade ou invalidade dos negócios jurídicos celebrados entre as partes. O lançamento não está motivado na invalidade dos contratos celebrados pela recorrente, mas na desconsideração do negócio aparente e na consideração do real negócio jurídico realizado pela autuada.
2. O lançamento prescinde da prévia declaração das causas de nulidade ou anulabilidade do negócio jurídico, porque a autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de ocultar a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária.
3. A exaustiva descrição fática e a adequada fundamentação jurídica constantes do Termo de Verificação Fiscal (TVF) revela que não houve qualquer prejuízo ao direito de defesa da autuada.
DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por contradição a decisão recorrida que, em consonância com os motivos da autuação, entendeu que o lançamento do crédito tributário prescindia da expressa declaração de nulidade dos contratos de afretamento artificialmente engendrados.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade da autuação e da decisão recorrida e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores de IRRF da base de cálculo da CIDE, vencidos os Conselheiros Walker Araújo que dava provimento integral, os Conselheiros Sarah Maria Linhares de A. Paes de Souza e José Renato P. de Deus que davam provimento em maior extensão para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício e Paulo Guilherme Déroulède que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009 CONTRATO DE AFRETAMENTO DE SONDA DE PERFURAÇÃO VINCULADO A CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO, PRODUÇÃO E PERFURAÇÃO DE POÇO DE PETRÓLEO. REAL NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE. 1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal contida nos instrumentos contratuais. Segundo os fatos comprovados nos autos, o único contrato existente foi o de prestação de serviços de exploração, produção e perfuração de poços de petróleo, embora, formalmente, tenham sido firmados dois contratos, um de afretamento da sonda de perfuração e outro de prestação de serviços, bipartidos com o único propósito de evitar a incidência da CIDE. 2. Se o fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos necessários, é parte integrante e indissociável do real contrato prestação dos serviços de prospecção e perfuração de poços de petróleo, os valores remetidos ao exterior a título de remuneração dos mencionados serviços sujeitamse à incidência da CIDE e integram a base de cálculo da referida contribuição. REMESSA AO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE. Há incidência da CIDE sobre os valores da remuneração pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, em retribuição pela prestação de serviços técnicos estabelecidos em contrato. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. ILEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 14 15 /2 01 3- 51 Fl. 4952DF CARF MF 2 A base de cálculo da CIDE é o valor bruto da remuneração, estipulada em contrato, paga, creditada, entregue, empregada ou remetida, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior no exterior, sem acréscimo ou exclusão do IRRF devido sobre a referida remuneração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO. ACRÉSCIMO DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a qual integra o crédito tributário lançado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. 1. A apuração da ocorrência do fato gerador dispensa o exame acerca da validade ou invalidade dos negócios jurídicos celebrados entre as partes. O lançamento não está motivado na invalidade dos contratos celebrados pela recorrente, mas na desconsideração do negócio aparente e na consideração do real negócio jurídico realizado pela autuada. 2. O lançamento prescinde da prévia declaração das causas de nulidade ou anulabilidade do negócio jurídico, porque a autoridade administrativa tem a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de ocultar a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. 3. A exaustiva descrição fática e a adequada fundamentação jurídica constantes do Termo de Verificação Fiscal (TVF) revela que não houve qualquer prejuízo ao direito de defesa da autuada. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por contradição a decisão recorrida que, em consonância com os motivos da autuação, entendeu que o lançamento do crédito tributário prescindia da expressa declaração de nulidade dos contratos de afretamento artificialmente engendrados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade da autuação e da decisão recorrida e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores de IRRF da base de cálculo da CIDE, vencidos os Conselheiros Walker Araújo que dava provimento integral, os Conselheiros Sarah Maria Linhares de A. Paes de Souza e José Renato P. de Deus que davam provimento em maior extensão para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício e Paulo Guilherme Déroulède que negava provimento ao recurso. Fl. 4953DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.940 3 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Trata o processo de auto de infração, fls. 2416/2422, para cobrança da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico CIDE, relativo ao anocalendário de 2009, no valor de R$ 19.852.311,57, com multa de ofício e juros de mora, incidente sobre remessa de valores ao exterior. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 2380/2415, consta: durante a ação fiscal, constataram fatos que configuram descumprimento à legislação que rege o IRRF e a CIDE, incidentes sobre as remessas efetuadas a empresas estrangeiras, haja vista o não cabimento da aplicação da alíquota zero do IRRF, prevista no artigo 2º da IN SRF 252/2002 (artigo 1º da Lei nº 8.481/97). a autuada firmou os seguintes contratos de afretamento de embarcação, que motivaram as remessas: (1) Contrato de Afretamento – Unidade de Perfuração Offshore Sovereign Explorer, firmado em 30/11/2007, com a empresa Transocean UK Limited (TUKL), situada na Escócia, Reino Unido e (2) Contrato de Afretamento – Unidade de Perfuração Offshore Stena Drillmax, firmado em 07/08/2009, com a empresa Stena Drillmax I (Hungary) KTF, com escritório registrado na Hungria, e endereço postal em Luxemburgo. a esses dois contratos estavam vinculados os contratos de prestação de serviços de perfuração, sondagem, exploração de poços de petróleo e serviços correlatos, firmados nas mesmas datas com: (1) Transocean Brasil LTDA, CNPJ. 40.278.681/000179, situada no município de Macaé, Rio de Janeiro, Brasil e (2) Stena Services Brazil LTDA, CNPJ. 03.713.668/000174, situada no município do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. restou acordado que os serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo são prestados mediante a utilização das unidades de perfuração denominadas “Sovereign Fl. 4954DF CARF MF 4 Explorer” e “Stena Drillmax”, fornecidas pelo próprio grupo econômico prestador dos ditos serviços, respectivamente, Transocean e Stena. a maior parte do preço pago em decorrência dos contratos é atribuído ao afretamento (78% para Transocean UK Limited e 95% para Stena Drillmax I), e destinada ao exterior sem retenção do IRRF e sem incidência da CIDE, enquanto a menor parte é atribuída à prestação de serviços. da análise dos contratos, e informações de domínio público coletadas nos sites dos referidos grupos econômicos, concluise que se tratam de contratações em que a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e um de serviços, tendo como contratante a fiscalizada, e como contratadas, as empresas do mesmo grupo econômico, detentor do knowhow da prestação de serviços, que atuam em conjunto, de forma interdependente, em responsabilidade solidária. a realidade dos fatos demonstra que inexiste um afretamento autônomo, o fornecimento da unidade de perfuração e sondagem é apenas parte instrumental, integrante e indissociável dos serviços contratados; tratase de prestação de serviços de que faz parte o fornecimento da unidade de perfuração. a análise minuciosa das cláusulas contratuais, bem como demais documentos acerca dos recursos humanos utilizados, boletins de mensais de medição e dos atestados diários de perfuração, ratifica a conclusão de que a bipartição dos contratos é meramente formal; no desempenho dos contratos o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados. não restam dúvidas que as atividades eram desempenhadas indistintamente tanto por profissionais vinculados às empresas estrangeiras quanto às empresas nacionais, todas do mesmo grupo econômico, prestando os mesmos serviços de forma unida, harmônica e dependente umas das outras, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, evidenciando que não existem duas atividades autônomas – afretamento e serviços – como fazem parecer os contratos. na realidade ambos os contratos são remunerados pelas mesmas operações que no caso se referem exclusivamente às operações de perfuração de poços de petróleo, portanto, inerentes ao objeto constante do contrato de prestação de serviço, o que evidencia que as atividades contratadas de fato se resumem a apenas prestação de serviços. os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras correspondem à remuneração de serviços prestados, sujeitos à incidência do IRRF e CIDE, pois a natureza destes pagamentos, requisito essencial a ser observado para a aplicação da alíquota zero, não é definida apenas pelas cláusulas contratuais de um contrato isolado, mas pela realidade prática produzidas no desempenho dos contratos vinculados e interdependentes. Fl. 4955DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.941 5 com base no Requerimento de Concessão do Regime de Admissão Temporária, no qual consta os valores de mercado dos bens afretados, é possível verificar que o montante pago pelo afretamento da unidade seria mais do que suficiente para a compra ou construção da mesma, o que demonstra inviabilidade do negócio pactuado caso fosse tão somente um afretamento. a desproporção dos valores vem a demonstrar que esses expressivos montantes dispendidos a título de afretamento só se justificam economicamente caso o que estivesse sendo contratado e remunerado fossem efetivamente os serviços de perfuração de poço prestados pelos grupos econômicos através da utilização das referidas unidade de perfuração, haja vista a especificidade e complexidade desse tipo de serviço aliadas ao knowhow e a experiência do grupo contratado. quanto à legislação, não é possível ser aplicada a Lei nº 9.432/97, que regula as atividades de apoio marítimo e portuário, e estabelece que o afretamento de embarcação depende de autorização da ANTAQ. as unidades de perfuração não são as embarcações tratadas na Lei nº 9.432/97, pois as primeiras possuem o fim específico de prestação de serviços de pesquisa, perfuração, exploração de petróleo, e não atividades de apoio marítimo e portuário, tanto que a ANTAQ, em processo de autorização da unidade “Sovereign Explorer”, respondeu não ser sua atribuição autorizar “o afretamento deste tipo de embarcação”. a aplicação da alíquota zero, prevista no artigo 1º da Lei nº 9.481/97 requer que os pagamentos sejam decorrentes de fretes, afretamentos, aluguéis e arrendamentos, e, no caso de afretamento de embarcações, que tenham sido aprovadas pela autoridades competentes. no presente caso, restou comprovado que as remessas correspondiam de fato à remuneração por serviços prestados, e assim como a necessária aprovação pela ANTAQ também não ocorreu. sendo incabível a possibilidade de atribuir às remessas a simples afretamento, uma vez que a verdadeira causa desses pagamentos era a prestação de serviços à fiscalizada, em que o fornecimento da unidade de perfuração e sondagem era apenas parte instrumental, integrante e indissociável dos serviços contratados, concluise pelo lançamento de ofício para exigência de IRRF e CIDE que deixaram de ser espontaneamente recolhidos. BASES DE CÁLCULO E ALÍQUOTAS APLICÁVEIS AO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Considerando a legislação tributária em vigor, os valores das remessas efetuadas pela autuada aos dois beneficiários no exterior no decorrer do anocalendário de 2009, se sujeitam ao IRRF à alíquota de 15% e a CIDE à alíquota de 10%, haja vista Fl. 4956DF CARF MF 6 se tratarem de pagamentos relativos à prestação de serviços técnicos. Para determinação do IRRF, foi observado o disposto no artigo 725 do RIR/99, e no artigo 20 da IN SRF nº 15/2001. Na apuração da CIDE, o valor da base de cálculo corresponde ao valor bruto da remessa (valor líquido da remessa + IRRF), já que o IRRF integra o rendimento auferido pelo beneficiário no exterior, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido seu ônus, e que não existe dispositivo legal que autorize a sua retirada da base de cálculo da CIDE. BASE LEGAL para lançamento da CIDE artigo 2º e parágrafos da Lei nº 10.168/2000; artigo 10, inciso III do Decreto nº 4.195/2002. BASE LEGAL para lançamento do IRRF artigos 682, inciso I, 685, inciso II, alínea “a” e 708 do RIR/99 combinado com o artigo 3º da MP nº 2.15970, de 24/08/2001. Os cálculos dos valores lançados de ofício estão de acordo com as planilhas a seguir: Valor do crédito tributário apurado: Fl. 4957DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.942 7 A ciência foi pessoal e ocorreu em 02/01/2014. Inconformada, a autuada apresentou impugnação em 03/02/2014, fls. 2484/2566, com as seguintes alegações: alega a tempestividade da impugnação. Das preliminares Nulidade preliminar de nulidade, já que não foi estabelecido qual vício levou a ser desconsiderados e requalificados os contratos de afretamento e de prestação de serviços, o que acarreta falta de fundamentação do lançamento, e prejuízo ao direito de defesa. ainda em preliminar, a autoridade fiscal fez constar fundamentação subsidiária – inaplicabilidade da alíquota zero do IRRF prevista no artigo 1º, inciso I da Lei nº 9.481/97, em razão da natureza da embarcação afretada – o que demonstra incerteza acerca das razões que justificariam o auto de infração, fulminando sua validade, sobretudo no caso da CIDE, que sequer estaria respaldada por essa fundamentação subsidiária. Do mérito Validade dos negócios jurídicos. Subsistência dos contratos de afretamento em todos seus efeitos Coligação de Contratos os contratos de afretamento e prestação de serviços são válidos, cabendo ao auditor fiscal demonstrar a existência de vício que maculasse a recepção destes negócios jurídicos pelo ordenamento legal, especialmente os artigos 104 e 107 da Lei nº 10.406/2002 Código Civil. nos termos do artigo 110 do CTN, a autoridade fiscal deveria ter sujeitado as remessas ao exterior a título de afretamento de embarcação ao tratamento que a lei tributária prevê – artigo 1º, inciso I da Lei nº 9.481/97. como não foi contestada a validade dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, ou as manifestações de vontade neles expressadas, a autoridade fiscal não poderia ter ignorado o tratamento tributário próprio previsto pela legislação tributária. são inconsistentes dos indícios apontados pela autoridade fiscal para concluir pela existência de um único contrato de prestação de serviços firmado com pessoa jurídica estrangeira. a coligação entre empresas encontra amparo legal, o que não lhes desautoriza firmarem negócios jurídicos distintos e independentes entre si. Fl. 4958DF CARF MF 8 a mera coligação entre pessoas jurídicas não seria suficiente para desconsiderar e requalificar diferentes negócios jurídicos, ensejando a confusão entre empresas estrangeiras e nacionais para justificar o lançamento. a coligação de negócios jurídicos já foi estudada pela doutrina civilista, a qual ensina que não é ilegal ou irregular, e sequer resulta na perda da individualidade. assim, a união com dependência recíproca voluntária, verificada pela autoridade fiscal a partir da análise dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, não poderia resultar no entendimento de que são contratos mistos de prestação de serviços com fornecimento da unidade de perfuração. os contratos têm execução simultânea para fins de habilitação e concessão dos benefícios do REPETRO, nos termos da IN SRF nº 844/2008, alterada pela IN SRF nº 941/2009. contesta a afirmação da autoridade fiscal de que os valores pagos nos contratos de afretamento seriam superiores aos valores de mercado da unidades afretadas, o que reforçaria o entendimento de que os contratos seriam de prestação de serviços de perfuração de poços prestados pelos grupos econômicos. não há na legislação tributária qualquer método de avaliação e questionamento de preços pactuados entre pessoas jurídicas não vinculadas, sendo que este indício se funda somente no que a autoridade fiscal entenderia como o preço correto para um afretamento de embarcações. inúmeras locações de bens móveis por períodos tão extensos podem alcançar o valor de aquisição, o que não altera a natureza do contrato de locação de bens, e sequer autorizam à autoridade fiscal desconsiderar e requalificar os contratos de afretamento e de prestação de serviços. outro indício que contesta é quanto à atribuição dos encargos de manutenção e reparo das embarcações às empresas estrangeiras. é típico dos contratos de afretamento de embarcações que os custos de manutenção da embarcação sejam arcados pelo seu proprietário, sendo embutido no preço contratado, o que inclui também as análises e procedimentos necessários para que a embarcação possa estar apta a atender sua finalidade principal: a perfuração de poços de petróleo. o STJ já decidiu que presença de serviços de assistência técnica conexos à locação de um bem móvel não altera a natureza daquele contrato, não incidindo o ISS sobre os valores. quanto à diferença dos valores dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, afirma que a autoridade fiscal não tem parâmetro ou knowhow para comparar e refutar os preços, sendo de conhecimento comum que as embarcações da espécie sonda de perfuração offshore possuem valor colossal. Fl. 4959DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.943 9 é impossível desconsiderar os contratos de afretamento e de prestação de serviços com base na simulação e ou no abuso de formas. não restou comprovado qualquer descumprimento das obrigações contratualmente previstas, o que afasta a simulação. não ocorreu abuso de formas, já que a verificação de prestação de serviços conexos ao afretamento de embarcações não leva a um tratamento tributário distinto daquele do afretamento a casco nu, devendo ainda ser aplicada a alíquota zero do IRRF, prevista no artigo 1º, inciso I da Lei nº 9.481/97, sem haver qualquer exigência sob a rubrica da CIDE. ademais, o artigo 116, § único do CTN não foi convertido em Lei, não sendo auto aplicável, o que torna impossível a desconsideração dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Reconhecimento da estrutura contratual adotada pela Receita Federal do Brasil – Regime Aduaneiro Especial do REPETRO a Receita Federal conhece a estrutura contratual adotada contratação segregada e simultânea do afretamento de embarcações da espécie sonda de perfuração offshore e dos seus serviços conexos até estimulandoa ao regulamentar o REPETRO, com as IN SRF nº 844/2008, alterada pela IN SRF nº 941/2009. se o ordenamento jurídico vigente à época dos supostos fatos geradores contemplava normas jurídicas que disciplinavam e estimulavam a adoção da estrutura contratual, penalizar esta contribuinte por fazer uso desta é um contra senso que não deve ser admitido. os contratos já foram objeto de análise pela Receita Federal do Brasil quando da habilitação no REPETRO, sendo reconhecido a natureza dos negócios jurídicos como efetivos contratos de afretamento de embarcações e prestações de serviços, pois, do contrário, não seriam concedidas as devidas habilitações. o entendimento da autoridade fiscal vai de encontro ao resultado das avaliações anteriores, pois entende que os contratos de afretamento e de prestação de serviços seriam um único contrato de prestação de serviços de perfuração com fornecimento da unidade de perfuração, o qual teria sido acordado com aquelas empresas estrangeiras. essa divergência de posturas fere o princípio que consagra a boafé objetiva, de modo a impedir que autoridades administrativas venham a proferir decisões contraditórias, que fulminem a segurança jurídica. Fl. 4960DF CARF MF 10 a impossibilidade de agir de forma contrária ao posicionamento adotado anteriormente está previsto no artigo 146 do CTN, citando ementa de Acórdão do CARF neste sentido. Da diferença entre o afretamento da sonda de perfuração e a prestação de serviços a distinção dos afretamentos de embarcações contratados para uma prestação de serviços é evidente, atraindo para si tratamento tributário distinto. os contratos de afretamento foram firmados pela modalidade de afretamento a casco nu, prevista no artigo 2º, inciso I da Lei nº 9.432/97, que comporta somente a locação das embarcações em si, não compreendendo outras atividades humanas auxiliares, o que se resume na obrigação da dar. a locação de bem móvel não pode ser entendida como um serviço, conclusão ratificada pela Súmula Vinculante nº 31 do STF. quanto ao afretamento a casco nu, o STJ aplica o mesmo entendimento do STF, não havendo incidência do ISS. ao firmar os contratos de afretamento de embarcações da espécie sonda de perfuração offshore a casco nu, a impugnante obteve esses bens, livres e desembaraçados, cabendo ao seu pessoal e demais prestadoras de serviços, executar as atividades própria da exploração e produção de campos de petróleo. entre esses prestadores de serviços encontrase aquele qualificado a operar a sonda de perfuração, cujo corpo técnico fica sob a gestão da equipe da impugnante, pois detém o know how e direito de explorar e produzir os campos de petróleo. foi opção da impugnante o afretamento das embarcações da espécie sonda de perfuração offshore, assim como as prestações de serviços foram contratados por várias pessoas jurídicas, cujo resultado final permite que a impugnante possa conduzir a exploração e produção de petróleo e gás natural. os contratos de afretamento e de prestação de serviços diferenciamse pelo seu objeto – afretamento X prestação de serviços; obrigação de dar X obrigação de fazer, e também pelas empresas contratadas. os contratos de afretamento a casco nu pactuados pela impugnante não comportam a prestação de serviços, o que afasta qualquer entendimento de que as remessas feita ao exterior poderiam sofrer exigência sob a rubrica da CIDE. Contrato de prestação de serviços com empresas nacionais – não incidência da CIDE. a autoridade fiscal desconsiderou e requalificou os contratos firmados, afirmando que estes consistiriam em um único contrato de prestação de serviços com fornecimento da unidade de perfuração, e ainda sugeriu que teriam sido celebrados unicamente com as empresas estrangeiras. Fl. 4961DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.944 11 no entanto, da leitura do TVF não se depreende nenhuma razão para que se entenda que esses hipotéticos contratos de prestação de serviços com fornecimento de unidade de perfuração tenham sido firmados com as empresas estrangeiras, e não com as empresas brasileiras, detentoras do knowhow de uma gama de serviços conexos ao afretamento das embarcações, de forma que não se poderá ignorálas ou descredenciálas, sem qualquer justificativa. caso um contrato de prestação de serviços de perfuração com fornecimento de unidade de perfuração tivesse de ser firmado unicamente com algum dos grupos da empresa – estrangeiras ou nacionais , deverseia entendêlos como estabelecidos com as empresas nacionais, as quais firmaram contratos cuja natureza é de prestação de serviços, fato que geraria um tratamento tributário distinto daquele que aplicou o autoridade fiscal, que maximizou a tributação com cobrança da CIDE e IRRF. ao entender as remessas ao exterior como contraprestações de serviços prestados por empresas nacionais, somente seria possível exigir a retenção do “IRRF” à alíquota de 1,5 % (um e meio por cento), prevista no artigo 647, caput, do Decreto nº 3.000/99 (‘RIR”), não havendo que se falar na exigência de valores sob a rubrica da “CIDE”. Aplicação da Convenção BRASILHUNGRIA às remessas feita em favor da STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KTF – artigo 2º desta convenção e a não incidência da CIDE. a autoridade fiscal deixou de se pronunciar quanto à aplicação da Convenção para Evitar a Dupla tributação firmada entre Brasil e Hungria, promulgada pelo Decreto Executivo nº 53/91, sobretudo no que diz respeito aos efeitos do artigo 2º quanto à exigência da CIDE, inobservando o previsto no artigo 98 do CTN. o artigo 2º da Convenção BrasilHungria prevê a manutenção das suas limitações à tributação mesmo nos casos que os Estados Contratantes criem outros tributos com fatos geradores semelhantes em períodos posteriores à celebração do tratado internacional, como é o caso da CIDE, que tem sua hipótese semelhante ao IRRF. o artigo 8º da Convenção BrasilHungria prevê que a tributação sobre lucros provenientes da exploração de embarcações deverá ser feita pelo Estado onde estiver localizada a direção efetiva da empresa que auferilos, neste caso concreto, na Hungria, o que impede a cobrança da CIDE pelo Brasil; este entendimento é reforçado pelos artigos 9º e 10º da Convenção, ainda que existisse prestação de serviços prestado por pessoal mantido no outro Estado contratante. ainda que não se aplicasse o artigo 8º, caberia aplicação do artigo 7º, que determina que os rendimentos da empresa estrangeira só poderiam ser tributados no pais de residência da beneficiária, ou seja, na Hungria, ainda mais considerando Fl. 4962DF CARF MF 12 tratarse de afretamento a casco nu, onde apenas há a obrigação de disponibilizar o bem. o STJ vem utilizando o artigo 98 do CTN para fazer prevalecer os tratados internacionais quando colocados em confronto com a legislação interna, motivo pelo qual deve ser cancelado o lançamento seja em função do artigo 8º ou do 7º da Convenção BrasilHungria. Da ilegalidade da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. inexiste dispositivo legal que disponha a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, conforme artigo 2º, § único da Lei nº 10.168/2000, que determina a incidência da contribuição sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. a metodologia para o cálculo da CIDE incluindo o valor do IRRF não encontra amparo legal, sendo que o auditor fiscal citou Solução de Divergência nº 17, de 29 de junho de 2011, exarada pela COSIT, o que afronta o artigo 97 do CTN. cita ementa de Acórdãos do CARF que ratificam sua tese. Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre valores exigidos a título de multa de ofício contesta a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 determina a incidência dos juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício. a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou neste sentido. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 4552/4574), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário lançado integralmente mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE PLATAFORMA E CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NATUREZA DO PAGAMENTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS Para fins tributários, é necessário verificar qual a natureza dos pagamentos, tendo em vista a realidade fática, e não a formalidade dos contratos. Dos fatos apontados nos autos, Fl. 4963DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.945 13 restou comprovado tratarse de um único contrato de prestação de serviços, embora formalmente sejam firmados dois acordos, um de afretamento e outro de prestação de serviços. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA e SEMELHANTES INCIDÊNCIA DA CIDE A partir de 1 o de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, não havendo, nestes casos, para a caracterização da hipótese de incidência da contribuição qualquer vinculação com transferência de tecnologia. PAÍSES SIGNATÁRIOS DE TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO INAPLICABILIDADE PARA CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO O acordo para evitar a dupla tributação entre o Brasil e a Hungria Decreto nº 53/91, aprovado por meio do Decreto Legislativo nº 13, de 22 de junho de 1990 , tem aplicação restrita, no caso da República Federativa do Brasil, ao “imposto federal de renda, excluídos o imposto de renda suplementar e o imposto sobre atividades de menor relevância”, não atingindo a CIDE, que possui natureza diversa, tratandose de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO BASE LEGAL A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 19/8/2014, a recorrente foi cientificada da decisão primeira instância (fls. 4577/4579). Inconformada, em 25/6/2014, juntou o recurso voluntário de fls. 4582/4668, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Em aditamento, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeira instância, sob o argumento de que o referido julgado padecia de contradição interna insuperável, na medida em que os contratos de Fl. 4964DF CARF MF 14 afretamento e de prestação de serviço não foram desconsiderados ou requalificados e, ao mesmo tempo, fora mantida a exigência da CIDE lançada. Em 22/10/2014, os autos foram enviados à PGFN, que apresentou contra razões ao recurso voluntário (fls. 4728/4760), a seguir resumidas: 1) Quanto às preliminares de nulidade, alegou que: a) o auto de infração não era nulo por falta de indicação do vício que ensejara requalificação dos contratos nem por existência de “fundamentação subsidiária”, porque o TVF deixara claro que a tributação incidira sobre a operação real e não sobre a operação aparente e a relação entre os argumentos apresentados pela fiscalização era paralela e aditiva, ou, quando muito, a fortiori, mas jamais exclusiva; e b) o acórdão recorrido não era passível de nulidade, por que não havia a alegada contradição interna; 2) Quanto ao mérito, alegou que: a) se os serviços eram prestados por partes relacionadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, a bipartição dos contratos de afretamento e prestação de serviços tinha apenas a finalidade de permitir o deslocamento da base tributável para o exterior no contexto do planejamento fiscal; b) o art. 146 do CTN vedava a revisão do lançamento em virtude de novo critério jurídico, mas no caso em tela não houve revisão de lançamento já efetuado, o que ocorreu foi análise de fatos apurados posteriormente à qualificação no Repetro, ou seja, a fiscalização diligenciou e apurou a circunstância de que a bipartição dos contratos, como declarada pela contribuinte, não correspondia à realidade da prestação dos serviços de prospecção de petróleo; c) a Convenção BrasilHungria contra bitributação da renda, não se aplicava à CIDE, mas tão somente ao imposto sobre a renda; d) no caso de a fonte pagadora assumir o ônus do IR, deverseia considerar o tributo como parte integrante do valor pago ou creditado a terceiros e integrante da base de cálculo, segundo a inteligência dos artigos 344, § 3º, e 725 do RIR/1999, aplicados subsidiariamente à CIDE, nos termos do art. 3º, parágrafo único, da Lei 10168/2001; e e) a tese da impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício já se encontrava superada pela jurisprudência do CARF e do STJ. Em 24/6/2015, por meio da petição de fls. 4798/4801, a recorrente noticiou a juntada aos autos do parecer jurídico de fls. 4829/4936 da lavra do Professor e Advogado Heleno Taveira Torres, em que apresentadas respostas para diversas questões de direito e fáticas suscitadas pela recorrente e objeto da presente lide. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio envolve questões preliminares e de mérito, que serão a seguir analisadas. I Das Questões Preliminares Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade da atuação e do acórdão recorrido, com base em dois argumentos distintos: a) ausência de fundamento e prejuízo ao seu Fl. 4965DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.946 15 direito de defesa, em razão da falta de indicação do vício que teria levado à desconsideração e requalificação dos contratos de afretamento e de prestação de serviços; e b) apresentação de fundamentação jurídica de ordem subsidiária, o que demonstrava incerteza sobre a fundamentação jurídica principal. Da nulidade do auto de infração Em relação à nulidade da autuação, a recorrente alegou que, como a fiscalização não havia indicado o vício que levara a desconsiderar e reclassificar os contratos de afretamento e de prestação de serviços por ela firmados, no seu entendimento, todos os contratos seriam válidos e, portanto, cumpridores dos requisitos exigidos pela legislação sob as mais diversas óticas (cambial, societária etc.). Em decorrência, a recorrente asseverou que essa conduta impingia “de nulidade o Auto de Infração em razão da sua falta de fundamentação e consequente prejuízo ao direito de defesa da RECORRENTE, nos termos dos artigos 10, inciso III, e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72”. Em seguida, recorrente tentou demonstrar que a fiscalização havia misturado os vícios de simulação e abuso de formas, “sem sequer adentrar nos meandros das supostas ilicitudes que ensejariam a desconsideração dos contratos firmados”. Ainda segundo a recorrente, “a tipificação do suposto vício no qual teriam incorrido os contratos de afretamento e de prestação de serviços deveria fazer parte do procedimento administrativo que acarretou no lançamento do crédito tributário ora combatido.” A leitura dos bem elaborados argumentos evidencia a nítida intenção de levar a discussão atinente à legitimidade do lançamento em questão para o campo do mero formalismo, especialmente, dos requisitos de validade dos contratos de afretamento, em detrimento da análise da realidade dos negócio jurídico subjacente aos mencionados contratos de afretamento e de prestação de serviço. No entanto, a análise dos fatos, objetiva e minuciosamente relatados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 2380/2415, especialmente, o breve histórico das fiscalizações e autuações realizadas sobre as pessoas jurídicas atuantes no ramo prestação de serviços de prospecção, perfuração, completação e manutenção (workover) de poços de petróleo e gás, de forma clara e objetiva, revela que as pessoas jurídica prestadoras de serviços e as exploradoras, concessionárias de blocos de exploração ou operadoras de consórcio concessionário contratantes, planejaram e executaram, de forma artificial, um sofisticado modelo de contratação, estruturado com o único propósito de burlar o pagamento de tributos no País, especialmente, o pagamento do IRRF e da CIDE devida sobre os valores das remessas dos recursos financeiros enviados para a pessoa jurídica estrangeira supostamente afretadora e integrante do mesmo grupo econômico da pessoa jurídica brasileira, formalmente contratada para prestação dos serviços de prospecção e perfuração de poços de petróleo. Para melhor compreensão do modus operandi e do modelo contratual engendrado para lhe conferir a roupagem de regularidade, passase a reproduzir o breve e elucidativo relato feito pela fiscalização nos excertos a seguir reproduzidos: Apesar da grande quantidade de contratos examinada, o modelo de contratação não se modificava. Eram firmados dois contratos, um de afretamento de unidade de perfuração e um de prestação de serviços, realizados por duas empresas de um mesmo grupo econômico. Uma empresa nacional, que seria a Fl. 4966DF CARF MF 16 contratada para prestação de serviços, e uma empresa estrangeira, que seria contratada para disponibilizar a unidade de perfuração a ser utilizada na prestação dos serviços, ambas pertencentes a um mesmo grupo econômico e em geral controladas por uma mesma holding desse grupo. A remuneração do contrato firmado com a empresa estrangeira não era submetida à tributação pelo imposto de renda na fonte vez que era tratada como decorrente de afretamento de embarcação amparado pela aplicação da alíquota zero, prevista no art. 1o da Lei 9.481/97. Chamava a atenção o fato da remuneração relativa ao contrato de afretamento corresponder à quase totalidade da contratação efetuada (em torno de 90% do montante contratado) e da parcela que cabia à prestação de serviço (em torno de 10%) não ser suficiente sequer para cobrir os custos decorrentes da atividade, gerando prejuízos contábeis e fiscais sucessivos para as empresas nacionais prestadoras dos serviços. Apesar de atuarem num ramo sabidamente lucrativo, as empresas nacionais prestadoras de serviços sempre apuravam prejuízos. Nos procedimentos fiscais restou constatado que, durante a execução dos contratos e diante da desproporcionalidade dos valores remuneratórios, a receita atribuída à “prestação de serviços” não era suficiente sequer para fazer frente aos custos dos serviços prestados e que por essa razão parte do valor pago à empresa estrangeira retornava ao Brasil na forma de aportes em favor da empresa nacional. As empresas nacionais prestadoras de serviços não se submetiam a qualquer tributação. Por um lado se valiam da dedução de custos/despesas que pertenciam de fato à empresa estrangeira e, por outro, registravam os recursos que retornavam do exterior sob denominações diversas, tais como reembolsos de custos, empréstimos etc, mantidos ao largo da tributação. A autoridade fiscal visualizou então artifício de triangulação, com intuito de mascarar uma única contratação, objetivo real do grupo econômico contratado e das concessionárias exploradoras e produtoras de petróleo e gás, qual seja, a prestação dos serviços de prospecção, perfuração, completação e "workover", de que o fornecimento da unidade de perfuração/sondagem fazia parte. Nos itens seguintes ao relato fiscal transcrito, objetivamente, a fiscalização descreveu com precisão o fato motivador da autuação, tudo em conformidade com disposto no art. 10, III e IV, do Decreto 70.235/1972, que exige da autoridade fiscal a descrição dos fatos (a motivação do lançamento) e a indicação da disposição legal infringida, sem a necessidade de qualificação jurídica dos primeiros. E foi o que ocorreu no caso em tela. A autoridade fiscal descreveu o negócio jurídico real realizado entre a recorrente e as contratadas (a prestação de serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo e serviços correlatos) e afastou o negócio denominado afretamento, este formalizado com o nítido propósito de evitar a cobrança dos tributos incidentes nas operações de remessas de recursos para exterior, declaradas como retribuição pelo afretamento das embarcações, mas que, na realidade, representava a remuneração pela efetiva prestação dos mencionados serviços técnicos. Para demonstrar o artificialismo do suposto afretamento, no item V do citado relatório, autoridade fiscal apresentou o resultado da análise das principais cláusulas Fl. 4967DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.947 17 contratuais contidas nos dois contratos de afretamento e nos dois contratos de prestação de serviços, colacionados aos autos (fls. 300/1107), vinculados e executados simultaneamente, que serviram de substrato formal para dar aparência de regularidade às remessas de recursos para as empresas estrangeiras a título de remuneração pelos supostos afretamentos, conforme se infere dos relevantes trechos que seguem transcritos: Nos citados instrumentos contratuais constam acordadas contratações em que os serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo são prestados mediante a utilização das unidades de perfuração denominadas “Sovereign Explorer” e “Stena Drillmax” fornecidas pelo próprio grupo econômico prestador dos ditos serviços, respectivamente, TRANSOCEAN e STENA. A consequência tributária direta é que a maior parte do preço pago pela fiscalizada em decorrência de tais contratos (mais de 78% do total da contratação TRANSOCEAN/mais de 95% do total da contratação STENA) é atribuída ao chamado "afretamento da unidade" e destinada ao exterior sem a retenção do imposto de renda na fonte e sem a incidência da CIDE, enquanto que a menor parte é atribuída à prestação de serviços, paga no Brasil, e sujeita à tributação na fonte. Da análise mais detida das cláusulas contratuais e dos documentos obtidos no decorrer do procedimento fiscal, o que se verifica é que, em verdade, tratamse de contratações em que a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e um de serviços, tendo de um lado, como contratante, a fiscalizada, e de outro, como contratadas, empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do KnowHow da prestação de serviços de pesquisa e exploração de petróleo e gás, que atuam em conjunto, de forma interdependente, em responsabilidade solidária. (grifos não originais) Dessa forma, sem aterse aos meandros dos aspectos da qualificação jurídica dos fatos, a autoridade fiscal limitouse a descrevêlos, conforme exige o art. 10, III, da Decreto 70.235/1972, o que constitui condição necessária e suficiente para motivação da autuação. E na precisa e objetiva descrição, para fins tributários, a autoridade fiscal afastou o negócio jurídico denominado contratualmente de afretamento de sonda ou naviosonda de perfuração, fora do campo de incidência da CIDE, e considerou somente o real negócio jurídico da prestação de serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo. E ao assim proceder, a recorrente agiu em perfeita consonância com o disposto no art. 118 do CTN, que tem o seguinte teor: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Fl. 4968DF CARF MF 18 Com base nesse preceito legal, para alcançar o fato jurídico tributário, para fins de tributação, a autoridade fiscal não estava obrigada a demonstrar os vícios legalidade existentes nos contratos formalizados para acobertar tais negócios. E uma vez apurado qual era o real negócio jurídico, com respaldo n art. 142 do CTN, procedeu o lançamento dos valores da CIDE devidos, calculados sobre os valores dos recursos financeiros enviados ao exterior a título de remuneração reais serviços prestados. No caso, embora os fatos relatados e as cláusulas contratuais postas nos correspondentes instrumentos contratuais possam ser, juridicamente, qualificados de simulação ou abuso de forma, como corretamente fez a recorrente, a autoridade fiscal, acertadamente, não o fez e não estava obrigada a fazêlo, porque, assim como no processo judicial, no âmbito do processo administrativo fiscal, a qualificação jurídica cabe à autoridade julgadora fazêla e não à autoridade lançadora, cuja obrigação restringese a descrição dos fatos (art. 10, II, do Decreto 70.235/1972). Tratase da aplicação do vetusto brocardo jurídico: “dême os fatos que te darei o direito (da mihi factum, dabo tibi jus).” Ademais, se tivesse qualificado como simulação os fatos apurados, a autoridade fiscal estava obrigada a provar o evidente intuito de fraude da recorrente e sancionála com multa de ofício qualificada e não com a multa de ofício normal, como foi feito. A propósito, cabe consignar que, em situação similar a discutida nestes autos, quando atribuído o evidente intuito de fraude pela fiscalização, este Conselho afastou a qualificadora, com base nas razões explicitadas no voto condutor do acórdão nº 1202001.067, proferido pelos integrantes da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção, de onde extraise os excertos pertinentes e relevantes que seguem transcritos: A autoridade fiscal destacou, no TVF (fls. 469/470), a situação de fato ocorrida, quanto à efetiva representação da DIAMOND no Brasil pela recorrente e a sua verdadeira motivação. Aponta que ocorreu simulação fraudulenta, em suma, pela existência de duas situações fáticas: uma aparente – contratos distintos de afretamento de plataformas de perfuração de poços de petróleo, e outro de prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo; e outra real uma única prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo prestados por duas empresas em conjunto, que pertencem ao mesmo grupo econômico, sendo uma delas estrangeira e a outra brasileira (recorrente), ambas controladas indiretamente pela empresa estrangeira, DIAMOND OFFSHORE DRILLING INC. [...] Segundo a autoridade fiscal,“a simulação apontada se deu na segregação dos contratos, nas cláusulas contratuais, na segregação dos valores dos preços das taxas diárias estabelecidas para a remuneração dos referidos contratos, na transferência dos recursos de conta bancária no exterior e nos prejuízos fiscais apurados pela fiscalizada, e na atuação da Fiscalizada que de fato representou a empresa estrangeira no Pais”. A recorrente sustenta que não houve qualquer planejamento tributário de sua parte, pois apenas se habilitou no processo licitatório, ficando obrigada às regras nele previamente estabelecidas. Fl. 4969DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.948 19 A qualificação da multa de ofício, a teor do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é medida extrema que exige a demonstração do efetivo intuito de fraudar o Fisco. O ônus de provar o evidente intuito doloso é da autoridade fiscal, não competindo ao contribuinte fazer prova contra si mesmo. Do exame dos autos, não restou demonstrada a participação ativa da recorrente na elaboração do contrato firmado com a PETROBRÁS, com o fito de caracterizar situação simulatória, nos termos do art. 167, § 1º, do Código Civil Brasileiro. A atuação de empresas do mesmo grupo econômico (DIAMOND e a recorrente) de forma conjugada e informal, com confusão de bens materiais e humanos, como se viu, descaracterizou a veracidade do conteúdo do contrato, impondo a tributação dos valores omitidos. Todavia, essa constatação não implica necessariamente na configuração de conduta dolosa para fins de responsabilização criminal. Embora a recorrente tenha firmado contrato de prestação de serviços em condições econômicofinanceiras desiguais, isso não configura a alegada simulação, da forma como descrito pela autoridade fiscal. Diante da falta de evidência de conduta dolosa, não se justifica o agravamento da penalidade. De todo modo, não se pode olvidar da importância da qualificação jurídica dos fatos e uma vez realizada pela autoridade lançadora, certamente, em muito facilita a atividade de defesa e de julgamento do litígio, porém, em consonância com o referido preceito legal, no âmbito da atividade de lançamento, a referida qualificação jurídica não representa requisito imprescindível para a validade da autuação. Logo, se não realizada pela autoridade fiscal, tal omissão não macula a higidez da autuação de modo a prejudicar o direito de defesa da autuada, como alegou a recorrente. O segundo argumento de nulidade também não procede. A uma, porque a alegada fundamentação jurídica subsidiária diz respeito apenas aos requisitos atinentes à não cobrança do IRRF, não objeto da presente autuação. A duas, porque não se trata de fundamentação subsidiária, mas complementar, conforme a seguir demonstrado. De fato, ao contrário do alegado pela recorrente, os argumentos apresentados pela autoridade fiscal são de natureza complementar e não subsidiária. No TVF, a autoridade fiscal demonstrou que, no caso em tela, além do requisito material (os pagamentos não foram decorrentes de receita de afretamento) também não houve o cumprimento do requisito formal (autorização da autoridade competente), para que a recorrente fosse beneficiária da alíquota zero do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), prevista no art. 1º, I, da Lei 9.432/1997, que, na data dos fatos, tinha o seguinte teor, in verbis: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves Fl. 4970DF CARF MF 20 estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; [...]. Para espancar qualquer dúvida a respeito, segue transcrito os trechos em que autoridade fiscal apresentou esse argumento adicional para demonstrar que o suposto afretamento fora apenas um artifício utilizado na tentativa de descaracterizar a real natureza jurídica das remessas ao exterior e assim burlar a incidência da CIDE sobre os reais pagamentos remetidos ao exterior a título de remuneração pelos serviços prestados pelas pessoas jurídicas estrangeiras contratadas: Notese ainda que a Lei 9.432/97 estabelece que o afretamento de embarcação estrangeira depende de autorização de órgão competente (art. 9o da Lei), qual seja, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários ANTAQ. No caso sob análise, verificouse que a empresa TRANSOCEAN BRASIL LTDA, prestadora de serviços contratada da fiscalizada, buscou inclusive obter junto à ANTAQ Termo de Autorização e Certificado de Autorização de Afretamento CAA para a unidade de perfuração SOVEREING EXPLORER (objeto do contrato firmado com a fiscalizada). Nessa mesma solicitação afirmou ser a importadora da unidade; que a unidade é uma sonda de perfuração e que a “Unidade prestará serviços de perfuração de poços de petróleo e/ou gás”. Em resposta a ANTAQ, por meio do Ofício 00066/2010SNM, datado de 06 de maio de 2010 (cópia anexada ao processo administrativo fiscal), respondeu não ser sua atribuição autorizar “o afretamento deste tipo de embarcação” e ressaltou que, no caso, tal espécie de autorização caberia somente às embarcações destinadas ao apoio logístico da unidade de perfuração. Essa pronunciamento da ANTAQ deixa patente que a utilização do termo/forma “afretamento” para enquadrar os contratos firmados pela fiscalizada é de fato incabível: a autoridade legal não o reconhece como sendo o afretamento previsto na Lei 9.432/97 para o qual detém a competência para autorizar sua realização; e esclarece que naviosonda não é embarcação de apoio. À luz do disposto na Lei 9.432/97 e dos esclarecimentos trazidos no Ofício 00066/2010SNM/ANTAQ, cabe rememorar neste ponto os requisitos impostos pelo art. 1o da Lei 9.481/97 para a aplicação da alíquota zero do IRRF. Um deles a “natureza dos pagamentos efetuados” necessariamente há que se tratar de receitas de fretes, afretamentos, aluguéis e arrendamentos e outro segundo o qual a alíquota do imposto fica reduzida a zero no caso de receitas de afretamentos que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes. Ora, analisados o disposto na Lei 9.481/97 em confronto com o pronunciamento da ANTAQ, a consequência lógica é a de que se não se trata das hipóteses para as quais é exigida a autorização pela autoridade competente, então não se trata do afretamento para o qual a Lei possibilitou a aplicação da alíquota zero, pois este Fl. 4971DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.949 21 necessariamente tem como requisito a sua aprovação pela autoridade competente. Com efeito, se por um lado o relato dos casos concretos, mediante análise do contratualmente acordado e dos demais documentos apresentados, já trouxe farta comprovação de que os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras contratadas pela fiscalizada correspondiam de fato à remuneração por serviços prestados e daí temse que o requisito legal “natureza dos pagamentos receitas de fretes, afretamentos, aluguéis e arrendamentos” restou não atendido nos casos sob análise , por outro é cabível ainda afirmar que a necessária aprovação pela autoridade competente também não ocorreu.(grifos em negrito e sublinhados não constam do original) Os destaques acima deixa evidenciado que, diferentemente do alegado pela recorrente, em vez de subsidiários, a autoridade fiscal demonstrou que os referidos requisitos eram cumulativos, logo, o descumprimento de qualquer um dos dois implicava na perda do referido benefício fiscal. Em outras palavras, a autoridade fiscal demonstrou que a recorrente não cumpriu nenhum dos dois requisitos, porque (i) os recursos financeiros remetidos às referidas pessoas jurídicas estrangeiras não foram provenientes de receitas de afretamento e, por conseguinte, não se tratava de atividade de afretamento, e (ii) os serviços prestados pelas pessoas jurídicas estrangeiras contratadas pela recorrente não necessitava de aprovação da ANTAQ, o órgão competente para autorizar afretamento de embarcações estrangeiras, nas condições estabelecidas no art. 9º da Lei 9.432/1997, a seguir reproduzido: Art. 9º O afretamento de embarcação estrangeira por viagem ou por tempo, para operar na navegação interior de percurso nacional ou no transporte de mercadorias na navegação de cabotagem ou nas navegações de apoio portuário e marítimo, bem como a casco nu na navegação de apoio portuário, depende de autorização do órgão competente e só poderá ocorrer nos seguintes casos: I quando verificada inexistência ou indisponibilidade de embarcação de bandeira brasileira do tipo e porte adequados para o transporte ou apoio pretendido; II quando verificado interesse público, devidamente justificado; III quando em substituição a embarcações em construção no País, em estaleiro brasileiro, com contrato em eficácia, enquanto durar a construção, por período máximo de trinta e seis meses, até o limite: a) da tonelagem de porte bruto contratada, para embarcações de carga; b) da arqueação bruta contratada, para embarcações destinadas ao apoio. Parágrafo único. A autorização de que trata este artigo também se aplica ao caso de afretamento de embarcação estrangeira para a navegação de longo curso ou interior de percurso Fl. 4972DF CARF MF 22 internacional, quando o mesmo se realizar em virtude da aplicação do art. 5º, § 3º. Assim, como não eram utilizadas nas atividades de transporte ou de apoio portuário ou marítimo, mas na prestação “de serviços de perfuração de poços de petróleo”, conforme informação prestada à ANTAQ pela própria contratada TRANSOCEAN BRASIL LTDA., as sondas ou naviossonda utilizados na perfuração de poços de petróleo, prescindiam de autorização da ANTAQ, conforme expressamente informou o referido órgão à fiscalização da RFB. Com base nessas considerações, fica demonstrado que, na autuação em apreço, não existem dois fundamentos jurídicos distintos, conforme alegado pela recorrente, mas apenas um fundamento jurídico, ou seja, que os valores remetidos às pessoas jurídicas contratadas foram decorrente da retribuição pela prestação de serviços de “perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo”. Por todas essas razões, rejeitase a presente preliminar de nulidade. Da nulidade do acórdão recorrido. A recorrente alegou nulidade da decisão de primeira instância, sob o argumento de que o referido julgado padecia contradição interna insuperável, na medida em que os contratos de afretamento e de prestação de serviços não foram desconsiderados ou requalificados e, ao mesmo tempo, fora mantida a exigência da CIDE lançada. Diferentemente do alegado, entendese que a decisão em questão decidiu a lide de forma coerente e em consonância com o fundamento jurídico da autuação, ou seja, no sentido de que os valores remetidos às pessoas jurídicas estrangeiras contratadas foram decorrentes da retribuição pela atividade de prestação de serviços de “perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo” e não em decorrência da atividade de afretamento, conforme a seguir demonstrado, quando da análise das questões meritórias. No caso em tela, ressaltase novamente, a autoridade lançadora, para fins tributários, não acatou apenas as declarações contratuais, que no entendimento, não representavam o real negócio jurídico celebrado entre a recorrente e as contratadas, mas, preservou as demais declarações, condições e cláusulas contidas nos referidos contratos relacionadas com a atividade de prestação dos referidos serviços de perfuração. Em outras palavras, afastou as declarações não verdadeiras e preservou o conteúdo verídico dos contratos, porque notoriamente válidos na substância e na forma. Embora tenha se expressado de forma diferente, na essência, esse também foi entendimento externado pela recorrente nas razões de defesa meritórias, externadas no excerto extraído no recurso voluntário, que segue transcrito: Com efeito, a autuação ora impugnada se origina do exercício da D. Autoridade Fiscal por desconsiderar e requalificar os negócios jurídicos firmados pela RECORRENTE, os quais foram considerados cada contrato de afretamento e respectivo contrato de prestação de serviços um único contrato de prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo com pessoas jurídicas estrangeiras, sujeitos, dessa forma, à incidência da “CIDE”. (grifos não originais) Assim, ao revelar conhecimento do real motivo da autuação e do fundamento da decisão, a própria recorrente, implicitamente, reconhece que não houve a alegada Fl. 4973DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.950 23 contradição. Em decorrência, inexiste o alegado vício de contradição e qualquer razão para a declaração de nulidade da decisão recorrida. II Das Questões de Mérito No mérito, o cerne da controvérsia cingese à ocorrência do fato gerador da contribuição lançada, especificamente, quanto ao real tipo de atividade econômica contratada pela recorrente das empresas estrangeiras. Segundo a recorrente, ela contratou duas atividades econômicas distintas, sendo uma de afretamento de sondas de perfuração de poços de petróleo e gás contratada com pessoa jurídica estrangeira e o outro de prestação de serviços de perfuração/exploração de petróleo e gás contratado com pessoa jurídica sediada no Brasil. De outra parte, a fiscalização apurou que a real atividade econômica contratada pela recorrente das referidas pessoas jurídicas estrangeiras fora a prestação de serviços de perfuração e exploração de poços de petróleo. Em decorrência dessa constatação, concluiu a autoridade fiscal que os recursos financeiros remetidos às referidas pessoa jurídicas domiciliadas no exterior a título de retribuição pelo suposto afretamento, na verdade, representavam remuneração pelos serviços técnicos de perfuração e exploração de poços de petróleo por elas prestados à recorrente, que estavam sujeitos a incidência da CIDE, nos termos do art. 2º, §§ 2º a 5º, da Lei 10.168/2000, e do art. 10, III, do Decreto 4.195/2002, que regulamentou o disposto no referido diploma legal. Eis redação dos citados dispositivos: LEI 10.168/2000 Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) [...] § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) § 5º O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (Incluído pela Lei nº 10.332, de 2001) Fl. 4974DF CARF MF 24 [...] DECRETO 4.195/2002 Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2oda Lei no10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: [...] III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; [...]. (grifos não originais) Na presente autuação, não há controvérsia sobre a inclusão dos serviços técnicos de perfuração e exploração de poços de petróleo no campo de incidência da CIDE, bem como sobre a cobrança da referida contribuição sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. No recurso em apreço, a autuada reafirmou a sua discordância com autuação e apresentou as razões de defesa a seguir analisadas. Da validade dos negócios jurídicos e subsistência dos contratos de afretamento para todos os efeitos. Inicialmente, cabe esclarecer que, nas razões de mérito, em vez de insistir no argumento de que a autoridade fiscal abstiverase de identificar o vício incorrido nos referidos contratos de afretamento e de prestação de serviços, de forma explícita, a recorrente revelou ter pleno conhecimento do motivo da autuação. Com efeito, logo no início da exposição defensiva meritória, a recorrente expressamente afirmou que a autoridade fiscal havia desconsiderado e requalificado “os negócios jurídicos” (em vez dos contratos, como alegado nas preliminares), para considerar “um único contrato de prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo com pessoas jurídicas estrangeiras, sujeitos, dessa forma, à incidência da ‘CIDE’”. E com essa manifestação a recorrente demonstrou ter entendido o motivo da autuação, ou seja, a desconsideração da atividade de afretamento das referidas unidades de perfuração (sondas ou naviossonda) e a consideração apenas da atividade de prestação de serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo. No entanto, a recorrente insistiu no argumento sobre a necessidade da declaração de invalidade dos referidos contratos, questão que se revelou irrelevante para o deslinde da controvérsia, ante a demonstração de que a declaração de nulidade dos referidos contratos era prescindível, haja vista que, para fins de tributários, segundo dispõe o art. 118, I, do CTN, a definição legal do fato gerador deve ser interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. E foi com base nessa premissa que a autoridade fiscal, após análise da estrutura contratual em cotejo com a real atividade exercida pelas contratadas, chegou a conclusão que os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras correspondiam, de fato, à remuneração por serviços prestados e não por afretamento das referidas unidades de perfuração. A leitura dos excertos que seguem transcritos espanca qualquer dúvida a respeito: Fl. 4975DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.951 25 Examinada a estrutura dos contratos, verificase que a bipartição destes em afretamento e serviços é meramente formal. A verdade material que se impõe, no desempenho dos contratos, é de que não há afretamento puro e simples o fornecimento das unidades é parte integrante e indissociável dos serviços contratados. Os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras correspondem, de fato, à remuneração por serviços prestados, sujeita à incidência do IRRF e da CIDE, pois a natureza destes pagamentos, ou por outra, a verdadeira causa desses pagamentos, requisito essencial a ser observado para a aplicação da alíquota zero, não é definida apenas pelas cláusulas contratuais de um contrato isolado, mas também, e principalmente, pela realidade fática produzida no desempenho dos contratos vinculados e interdependentes. Nesse aspecto, faz mister lembrar a lição posta no art. 118 do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66: [...] Embora o disposto no dispositivo legal transcrito prescinda de qualquer reparo ou ajuste quanto à clareza com que se refere à priorização do fato concreto em detrimento da forma, é salutar enfatizar que ao Direito Tributário, na busca da constatação ou não da ocorrência do fato gerador do tributo, importa a materialização ou não deste e não a forma pela qual é tratado. Nas palavras do ilustre tributarista Marco Aurélio Greco, “os negócios jurídicos podem ser vistos não apenas da perspectiva da vontade individual, mas também da sua inserção contextual e do comportamento das partes. Ou seja, os negócios jurídicos não são aquilo que as partes 'querem', mas o que elas 'fazem'. Disso decorre que a essência do negócio é dada por uma vontade dentro de um contexto, não por uma vontade isolada”1 O relato dos casos concretos, mediante análise do contratualmente acordado, já traz farta comprovação de que as empresas contratadas pela fiscalizada a estrangeira e a nacional representam um só grupo econômico, detentor tanto do equipamento, como do knowhow para os serviços de pesquisa e exploração do petróleo, cujo objetivo é a prestação desses serviços e não o simples aluguel de um bem. Assim, como a autoridade fiscal abstevese da apreciação da validade dos referidos contratos, certamente, os argumentos acerca validade dos atos jurídicos ou dos instrumentos contratuais que lhe deram suporte não têm relevância para o deslinde da controvérsia, porque tratase de questão estranha a autuação, logo, dispensa qualquer comentário a respeito. Em seguida, a recorrente alegou que a fiscalização “deveria ter sujeitado as remessas feitas ao exterior a título de afretamento de embarcação àquele tratamento que a lei tributária prevê”, ou seja, o art. 1º, I, da Lei 9.481/1997, o qual fora devidamente observado 1 Planejamento Tributário, 2ª ed., Dialética, São Paulo, 2008, p. 521. Fl. 4976DF CARF MF 26 pela recorrente. Ainda relacionado com essa questão, a recorrente alegou que não era facultado à autoridade fiscal reduzir o alcance do que se entende pelo instituto do afretamento de embarcações ou se abster de aplicar suas normas correspondentes, nos termos do art. 110 do CTN. Evidentemente, tratase de alegação genérica, fora de contexto e que não reflete o teor do art. 110 do CTN, que limita a atuação do legislador e não da autoridade lançadora. Esta tem o dever de aplicar a norma legal vigente, conforme posta pelo legislador, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, de forma expressa, o referido dispositivo determina que a “lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” E não há notícia de que o conceito ou instituto do afretamento esteja, expressa ou implicitamente, previsto na Constituição Federal de 1988. De outra parte, o conjunto probatório coligido aos autos demonstra que não foi a autoridade fiscal quem alterou o conceito/instituto de direito privado, mas a própria recorrente, ao denominar de “afretamento de embarcação” o que materialmente era prestação de serviços de prospecção e perfuração de poços de petróleo. E com esse artifício visou beneficiarse dos efeitos tributários decorrentes da indevida e impertinente alteração. Na sequência, em vez de apresentar fatos e contraprovas no sentido de infirmar as alegações da fiscalização de que o negócio do afretamento tratavase de mero artifício para fugir da cobrança dos citados tributos, a recorrente insistiu em apresentar alegações genéricas de cunho jurídico sobre questões estranhas à lide ou apenas a ela indiretamente relacionada. Nesse intento, a recorrente alegou que a coligação entre empresas não podia ser repreendida pela fiscalização, pois essa forma de organização societária estava prevista nos arts. 2º, § 3º, 243 e 265 da Lei 6.404/1976. Acontece que a restrição à coligação de empresas não foi abordada em nenhum tópico da descrição dos fatos integrante do auto de infração, sequer de forma implícita, logo, tratase de assunto estranho ao litígio. Dando continuidade ao arsenal de alegações meramente jurídicas e estranhas ao objeto da lide, a recorrente alegou que o art. 127, II, do CTN, assegurava a independência entre estabelecimentos, especialmente, das pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico. No caso, embora a autoridade fiscal tenha demonstrado o vínculo societário entre as pessoas jurídicas contratadas pela recorrente e o artifício por esta engendrado, para a remessa de recursos financeiros ao exterior sem tributação do IRRF e da CIDE, essa abordagem visou apenas demonstrar a atuação conjunta e a interdependente entre as pessoas jurídicas contratadas sediadas no exterior e no País, pertencentes ao mesmo grupo econômico. Para a fiscalização, o fornecimento das unidades de perfuração constituía apenas parte instrumental, integrante e indissociável dos citados serviços contratados. Para mais detalhe, leiase os excertos extraídos do TVF, que seguem transcritos: Nos citados instrumentos contratuais constam acordadas contratações em que os serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo são prestados mediante a utilização das unidades de perfuração denominadas "Sovereign Explorer" e "Stena Drillmax" fornecidas pelo próprio grupo econômico prestador dos ditos serviços, respectivamente, Fl. 4977DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.952 27 TRANSOCEAN e STENA. A consequência tributária direta é que a maior parte do preço pago pela fiscalizada em decorrência de tais contratos (mais de 78% do total da contratação TRANSOCEAN/mais de 95% do total da contratação STENA) é atribuída ao chamado "afretamento da unidade" e destinada ao exterior sem a retenção do imposto de renda na fonte e sem a incidência da CIDE, enquanto que a menor parte é atribuída à prestação de serviços, paga no Brasil, e sujeita à tributação na fonte. Da análise mais detida das cláusulas contratuais e dos documentos obtidos no decorrer do procedimento fiscal, o que se verifica é que, em verdade, tratamse de contratações em que a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e um de serviços, tendo de um lado, como contratante, a fiscalizada, e de outro, como contratadas, empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do KnowHow da prestação de serviços de pesquisa e exploração de petróleo e gás, que atuam em conjunto, de forma interdependente, em responsabilidade solidária. Em relação à empresa prestadora de serviços TRANSOCEAN BRASIL LTDA, CNPJ 40.278.681/000179, conforme consta de seu contrato social, bem como de sua DIPJ relativa ao ano calendário de 2009, a mesma pertencia à época, e ainda pertence, às empresas SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC (99,99% de participação) e TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES (0,01% de participação), ambas do grupo TRANSOCEAN, sendo a primeira resultado da fusão ocorrida em 1999 entre TRANSOCEAN OFFSHORE INC e SEDCO FOREX, quando então passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX INC. Em 2007, TRANSOCEAN e GLOBAL SANTA FÉ se fundem na busca para se tornar um dos maiores perfuradores offshore do mundo. Conforme informações de domínio público obtidas no seu site na internet, ao mesmo grupo TRANSOCEAN também pertence a TRANSOCEAN UK LIMITED, com quem foi firmado o contrato de afretamento. Da mesma forma, a empresa prestadora de serviços STENA SERVICES BRAZIL LTDA, CNPJ 03.713.668/000174. Segundo consta de seu contrato social e de sua DIPJ relativa ao ano calendário de 2009, figuravam como seus sócios à época, e ainda figuram, a empresa STENA INTERNATIONAL S.A.R.L (99,99% de participação), holding internacional do grupo STENA à qual as empresas da atividade de perfuração ("drilling") do grupo estão subordinadas, e a empresa STENA MATIRITIME A.G. (0,01% de participação), também vinculada à STENA INTERNATIONAL SARL. Ao mesmo grupo STENA também pertence a STENA DRILLMAX I KTF escritório na Hungria e endereço postal igual ao de STENA INTERNATIONAL S.A.R.L. , com quem foi firmado o contrato de afretamento. Fl. 4978DF CARF MF 28 Relatórios Anuais e informações de domínio público coletados nos sites dos referidos grupos econômico na internet (www.deepwater.com (transocean) e www.stena.com), nos quais se pode constatar os respectivos organogramas, estruturas legais, atividades e endereços, foram anexados ao respectivo Processo Administrativo Fiscal. No contexto concreto das contratações efetuadas, em que pese a repartição formal em dois contratos, a realidade dos fatos demonstra que inexiste um afretamento autônomo, o fornecimento da unidade de perfuração e sondagem é apenas parte instrumental, integrante e indissociável dos serviços contratados. Tratase de prestação de serviços de que faz parte o fornecimento da unidade de perfuração. [...] (grifos não originais) Esses fatos demonstram o vínculo societário entre as pessoas jurídicas estrangeiras contratadas e as pessoas jurídicas nacionais e que os contratos de afretamento foram celebrados com as primeiras apenas para evitar a incidência tributária sobre a atividade de prestação de serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo, efetivamente prestada pelas pessoas jurídicas estrangeiras. Em vez contraditar tais fatos com argumentos pertinentes, a recorrente limitouse em apresentar alegações meramente jurídicas dissociadas do real motivo da autuação, conforme demonstrado anteriormente. Em relação à coligação (vinculação) e execução simultânea dos contratos de afretamento e prestação de serviços, após citação e transcrição de extenso texto de doutrina civilista sobre o assunto, a recorrente alegou que os mencionados contratos tinham sua execução simultânea visando não apenas atender necessidades comerciais das partes contratantes, mas também atender exigência da própria Receita Federal do Brasil, para fim de habilitação e concessão do regime especial Repetro, determinada no art. 5º, §§ 1º, II, 3º e 8º, e no art. 17, § 9º, da Instrução Normativa RFB 844/2008, com as inclusões das Instruções Normativas RFB nºs 441/2009 e 1.070/2010, a seguir transcritos: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo (a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada Fl. 4979DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.953 29 pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) [...] § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) § 3º Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) [...] § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) [...] Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime (RCR), de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF nº 285, de 2003. [...] § 9º Na hipótese de disponibilização de bem pela concessionária ou autorizada à empresa contratada para a prestação de serviços, será aceito, para fins de concessão do regime de admissão temporária, contrato de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, firmado entre a concessionária ou autorizada e a empresa estrangeira, desde que: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) I esteja vinculado à execução de contrato de prestação de serviços, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) II conste cláusula prevendo a transferência da guarda e da posse do bem. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) [...] (grifos não originais) Fl. 4980DF CARF MF 30 Inicialmente, cabe esclarecer que os denominados contratos afretamento foram celebrados com as pessoas jurídicas estrangeiras Stena Drillmax (Hungary) KTF (fls. 144/299) e Transocean UK Limited (TUKL) (fls. 512/799), respectivamente, em 7/8/2009 e 30/11/2007. Este último foi celebrado quando sequer existia as novas redações destacadas pela recorrente. E os novos preceitos normativos destacados não amparam a pretensão da recorrente, porque, para fins de habilitação ao Repetro, eles exigem, além da vinculação e execução simultânea de contrato de afretamento a casco nu com o contrato de prestação de serviços, relacionado às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural no País, que conste cláusula no contrato de afretamento prevendo a transferência da guarda e da posse do bem. E no caso em tela, não se vislumbra o atendimento de nenhuma das referidas condições, conforme a seguir demonstrado. Entretanto, a análise dessa questão prescinde da caracterização e da definição do contrato de afretamento, que se encontra previsto, genericamente, nos arts. 566 a 574 no Código Comercial (Lei 556/1850) e, subsidiariamente, na Lei 9.432/1997 e na Resolução Normativa 01/2015 da ANTAQ, que dispõem sobre a regulação da navegação comercial de transporte de bens e pessoas. Da caracterização e definição do contrato de afretamento. No direito positivo brasileiro, as características principais do contrato de afretamento de embarcação encontramse estabelecidas no art. 566 do vetusto Código Comercial, a seguir transcrito: Art. 566 O contrato de fretamento de qualquer embarcação, quer seja na sua totalidade ou em parte, para uma ou mais viagens, quer seja à carga, colheita ou prancha. O que tem lugar quando o capitão recebe carga de quanto se apresentam, deve provarse por escrito. No primeiro caso o instrumento, que se chama cartapartida ou carta de fretamento, deve ser assinado pelo fretador e afretador, e por quaisquer outras pessoas que intervenham no contrato, do qual se dará a cada uma das partes um exemplar; e no segundo, o instrumento chamase conhecimento, e basta ser assinado pelo capitão e o carregador. Entendese por fretador o que dá, e por afretador o que toma a embarcação a frete. E contrato de afretamento, denominado de Carta Partida ou Charter Party (CP) é um contrato típico, com lançamento obrigatório no órgão de registro de comércio, consoante estabelecido nos arts. 567 e 568 do citado diploma legal, a seguir reproduzidos: Art. 567 A cartapartida deve enunciar: 1 o nome do capitão e o do navio, o porte deste, a nação a que pertence, e o porto do seu registro (artigo nº. 460); 2 o nome do fretador e o do afretador, e seus respectivos domicílios; se o fretamento for por conta de terceiro deverá também declararse o seu nome e domicílio; 3 a designação da viagem, se é redonda ou ao mês, para uma ou mais viagens, e se estas são de ida e volta ou somente para ida ou volta, e finalmente se a embarcação se freta no todo ou em parte; Fl. 4981DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.954 31 4 o gênero e quantidade da carga que o navio deve receber, designada por toneladas, nºs, peso ou volume, e por conta de quem a mesma será conduzida para bordo, e deste para terra; 5 o tempo da carga e descarga, portos de escala quando a haja, as estadias e sobre estadias ou demoras, e a forma por que estas se hão de vencer e contar; 6 o preço do frete, quanto há de pagarse de primagem ou gratificação, e de estadias e sobre estadias, e a forma, tempo e lugar do pagamento; 7 se há lugares reservados no navio, além dos necessários para uso e acomodação do pessoal e material do serviço da embarcação; 8 todas as mais estipulações em que as partes se acordarem. Art. 568 As cartas de fretamento devem ser lançadas no Registro do Comércio, dentro de 15 (quinze) dias a contar da saída da embarcação nos lugares da residência dos Tribunais do Comércio, e nos outros, dentro do prazo que estes designarem (artigo nº. 31). Segundo o Direito Marítimo, o contrato de afretamento é o instrumento por meio do qual o fretador (proprietário da embarcação ou o armador proprietário) disponibiliza sua embarcação ou apenas o serviço da embarcação para o afretador (disponente da embarcação ou armador disponente ou beneficiário), que utilizará a embarcação na navegação marítima e fluvial para o transporte de mercadorias e/ou de pessoas. Em retribuição, o afretador remunera o fretador com a taxa de afretamento. No mesmo sentido, a definição veiculada no art. 2º, I, do Anexo Único da Resolução Normativa 01/2015 da ANTAQ, a seguir transcrito: Art. 2º Para os fins desta Norma consideramse: I afretamento: contrato por meio do qual o fretador cede ao afretador, por certo período, direito total ou parcial sobre o emprego da embarcação, mediante taxa de afretamento, podendo transferir ou não a sua posse; [...] (grifo não original) De acordo com essas definições, o contrato de afretamento apresenta dois elementos essenciais: o elemento estrutural, representado pelo objeto regulado (a embarcação), e o elemento funcional, consistente na cessão do direito de uso da embarcação na prestação dos serviços por meio dela executáveis (transportes de pessoas ou cargas, levantamento de dados sísmicos, exploração/perfuração de poços etc.). Segundo a forma como a embarcação é disponibilizada ao afretador, a doutrina especializada classifica o contrato de afretamento nas seguintes três principais modalidades: a) afretamento por viagem (voyage charter party); b) afretamento por tempo (time charter party); e c) afretamento a casco nu (bareboat charter party/by demise charter). Cada um desses tipos de contratos possui características próprias que os diferenciam. O contrato de afretamento por viagem é aquele em que o fretador disponibiliza a totalidade ou parte do espaço da embarcação ao afretador por uma viagem ou mais. Enquanto Fl. 4982DF CARF MF 32 que o contrato de afretamento por tempo é aquele em que o fretador disponibiliza a própria embarcação, armada, tripulada e em condições de navegabilidade, por tempo determinado. Enfim, o contrato de afretamento a casco nu é aquele em que o fretador disponibiliza para o afretador a embarcação completamente desarmada, ou seja, não tripulada e não equipada. Nesta modalidade contratual, a embarcação é tomada em afretamento desprovida do comandante, da tripulação e dos demais itens inerentes e necessários à navegação. Essa modalidade contratual assemelhase ao contrato de arredamento ou locação. As referidas classificação e definição também foram adotadas pelo legislador na redação do art. 2º da Lei 9.432/1997, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens; [...] (grifos não originais) O tipo de afretamento também define responsabilidade pela gestão da embarcação, que se divide em: gestão náutica e a gestão comercial. A primeira compreende as atividades de navegação, estabilidade e manobra da embarcação, ao passo que a segunda envolve atividades relacionadas diretamente com os serviços prestados por meio da embarcação, tais como o transporte da carga, que inclui o recebimento, transporte e entrega das cargas, além do acondicionamento e estivagem a bordo etc. A responsabilidade pela gestão da embarcação varia conforme o tipo de contrato de afretamento. No contrato de afretamento por viagem a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial é toda concentrada na pessoa do fretador. No contrato de afretamento por tempo a gestão da embarcação é dividida entre o fretador e afretador. A este cabe a gestão comercial e àquele a gestão náutica. Por fim, no contrato de afretamento a casco nu a responsabilidade pela gestão integral da embarcação cabe ao afretador, que concentra as gestões náutica e comercial da embarcação. A tabela a seguir resume os responsáveis pela gestão da embarcação: Tipo de Contrato de Afretamento Objeto Responsável Pela Gestão Náutica Responsável Pela Gestão Comercial Por viagem Prestação de serviço Fretador Fretador Por tempo Disponibilização/Prestação de serviço Fretador Afretador A casco nu Posse da embarcação Afretador Afretador Fl. 4983DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.955 33 Com base nessas definições, passase analisar a real natureza dos mencionados contratos de afretamento e quem, de fato, assumiu e realizou a gestão náutica e comercial da embarcação. A propósito, cabe consignar que, com base nas cláusulas dos referidos contratos e nas informações colhidas pela fiscalização com base nas folhas de pagamento, na escrituração contábil da própria autuada e nas informações prestadas pelas contratadas, em relação aos contratos de afretamento a fiscalização apurou o seguinte: Acaso se tratassem de contratações independentes de serviços e de afretamento, não seria admissível, portanto, que existissem profissionais como estes, ligados às atividades do afretamento, nos quadros das prestadoras de serviços. Mas no caso concreto é justamente o que se verifica. Nas relações dos trabalhadores que, segundo essas prestadoras de serviços, estavam vinculados aos contratos de serviços por elas firmados com a fiscalizada e prestavam serviços em decorrência destes contratos encontram se profissionais como mestres de cabotagem, mestres da embarcação, operadores de lastro, operadores de posicionamento dinâmico da embarcação, marinheiros de convés e marinheiro de máquinas os chamados profissionais de náutica, responsáveis pelas atividades de condução, navegação e posicionamento da embarcação que deveriam estar afetos aos contrato de afretamento, se de fato existisse um afretamento autônomo. Mas não é caso. [...] Por outro lado, verificase ainda nas informações trazidas pelas prestadoras de serviços que os cargoschave e de maior hierarquia na atividade de perfuração, quais sejam os de Gerente de Instalação Offshore (Offshore Installation Manager OlM), toolpusher (encarregado da sonda, responsável por toda a operação de perfuração), superintendente de perfuração e encarregado de planejamento e performance da sonda, eram ocupados por profissionais contratados e remunerados pelas empresas estrangeiras do grupo e não pela empresa nacional prestadora de serviços. [...] Os documentos apresentados pelas prestadoras de serviços nacionais não deixam dúvidas de que as atividades contratadas são desempenhadas indistintamente tanto por profissionais vinculados às empresas estrangeiras do grupo econômico como por profissionais por elas contratados (estes os diretamente contratados pelas empresas nacionais em sua totalidade contratados para funções de execução e apoio, cuja escolaridade máxima exigida é a de 2° grau ou ensino médio), ou melhor dizendo, deixam claro que elas estrangeiras e nacionais prestam os mesmos serviços de forma unida, harmônica e dependente umas das outras, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, evidenciando que não existem duas atividades autônomas afretamento e serviços como fazem parecer os contratos; evidenciando que, nos casos analisados, inexiste afretamento separado de prestação de serviços. (grifos não originais) Fl. 4984DF CARF MF 34 Assim, embora denominados de afretamento, o objeto real dos referidos contratos foi a prestação de serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo. Portanto, de fato, os únicos contratos existentes foram os de prestação de serviços, conforme concluiu a autoridade fiscal. Em decorrência desses fatos, chegase a conclusão que a recorrente, na suposta condição de afretadora, não assumiu nenhum dos referidos tipos de gestão, haja vista que as atividades de gestão náutica, consistente na navegação e posicionamento da unidade de perfuração, foram realizadas pelas empresas contratadas nacionais, enquanto que as atividades de gestão comercial, consistentes na prestação dos serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo foram realizadas pelas empresas estrangeiras. Com essas considerações, resta demonstrado que, de fato, não existiu a atividade afretamento descrita nos respectivos contratos. E com mais razão, também não existiu o alegado contrato de afretamento a casco nu, em que o afretador assume a responsabilidade tanto pela gestão náutica quanto pela gestão comercial, o que, efetivamente, não ocorreu no caso em tela. Da desproporção de valores dos contratos de afretamento em relação aos contratos de prestação de serviços. A recorrente tentou justificar desproporção entre os valores dos contratos de afretamento e dos contratos de prestação de serviços com base na comparação entre os valores totais dos primeiros contratos durante todo o período de vigência e os valores dos equipamentos supostamente afretados e destes com o valor do aluguel de veículo nacional. Porém, além de não ter provado os preços atribuído aos referidos equipamentos, a recorrente não informou qualquer parâmetro ou critério que demonstrasse a vinculação ou a relação direta entre o preço de mercado dos citados equipamentos e os correspondentes valores dos denominados contratos de afretamento, logo tais dados, não constitui elemento seguro para avaliação da razoabilidade dos valores os referidos contratos de afretamento. Da mesma forma, embora tenha apresentado provas, por se tratar de atividade e bem distintos dos que foram supostamente afretados, o preço de aluguel de veículos de passageiro nacional também não serve de referência adequada, para fim de avaliação da razoabilidade dos valores dos citados contratos de afretamento. O preço de aquisição de bens destinados a prestação de serviços, sabidamente, serve de base para o cálculo do valor do encargo de depreciação apropriáveis, mensal ou anualmente, aos custos dos serviços prestados. Quanto a sua utilização como parâmetro ou critério de fixação do valor de contrato de afretamento não há qualquer evidência nos autos. Diferentemente do alegado, há provas nos autos de que o critério de apuração da remuneração para as duas modalidades de contratos foi o mesmo e baseado nos indicadores de desempenho e produtividade (tais como a colocação e retirada do tubo de perfuração nos poços, manobrar o riser, puxar o riser, revestimento de tubos etc.), relativos à atividade de prestação de serviços de perfuração. A alegação da recorrente teria algum alguma consistência se ela tivesse demonstrado que o critério de fixação da remuneração para os contratos de afretamento tivesse sido diferente do critério de fixação da remuneração para os contratos de prestação de serviços, isto é, com base no prazo de execução do contrato, ou durante o período em que os equipamentos tivessem ficado a disposição da recorrente, o que, de fato, não ocorreu. Fl. 4985DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.956 35 Dessa forma, além de incongruente, o critério defendido pela recorrente contraria a forma de determinação da remuneração, efetivamente, utilizada nos denominados contratos de afretamento em apreço. No que tange à atribuição dos encargos de manutenção dos referidos equipamentos, a recorrente alegou que era praxe do contrato de afretamento de embarcações, que os custos de manutenção fossem arcados pelo seu proprietário, o qual, a seu turno, embutiria, no preço contratado, “os valores que entende suficientes para cobrir tal custo, até mesmo diante do elevado nível de tecnologia e das demais especificidades relacionadas às embarcações da espécie sonda de perfuração offshore.” Tratase de alegação genérica, em tese, aplicável somente aos contratos de afretamento por tempo (em que o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, para operála por tempo determinado), ou por viagem (no qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte de carga em uma ou mais viagens) que, evidentemente, não se amolda ao caso em tela, em que a prestação de serviços foi a atividade principal e não a acessória. Pela mesma razão, também não se aplica ao caso em tela o entendimento esposado pelo STJ no julgamento do REsp 1.194.999/RJ, em que decidido que: 4. A existência de prestação de serviço de assistência técnica, em caráter acessório ao contrato de locação de bem móvel, não justifica a incidência do ISS sobre o valor total da operação, sob pena de ofensa à Súmula Vinculante 31/STF. No referido julgado, a atividade de prestação de serviço de assistência técnica era acessória da atividade principal de locação de bem móvel, situação que não se vislumbra no caso em tela, pelas razões anteriormente explanadas. A propósito da distribuição de valores entre o contrato de afretamento e do contrato de prestação de serviços, cabe informar que, a partir de 1º de janeiro de 2015, entrou em vigor o art. 106 da Lei 13.043/2014, que renumerou o parágrafo único para § 1º e incluiu os §§ 2º a 8º, ao art. 1º da Lei 9.481/1997, que reduziu a zero a alíquota de IRRF incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, dentre os quais os decorrentes de receitas de afretamento. A novel redação ficou assim explicitada: Art. 106. O art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 2oa 8o, renumerando se o atual parágrafo único para § 1o:(Vigência) “Art. 1o ....................................... § 1o .............................................. § 2º No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: Fl. 4986DF CARF MF 36 I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS); II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. § 3º Para cálculo dos percentuais previstos no § 2o, o contrato celebrado em moeda estrangeira deverá ser convertido para Real à taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data da apresentação da proposta pelo fornecedor, que é parte integrante do contrato. § 4º Em caso de repactuação ou reajuste dos valores de quaisquer dos contratos, as novas condições deverão ser consideradas para fins de verificação do enquadramento do contrato de afretamento nos limites previstos no § 2o. § 5º Para fins de verificação do enquadramento das remessas de afretamento nos limites previstos no § 2o, deverá ser desconsiderado o efeito da variação cambial. § 6º A parcela do contrato de afretamento que exceder os limites estabelecidos no § 2º sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), quando a remessa for destinada a país ou dependência com tributação favorecida, ou quando o arrendante ou locador for beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 7º Para efeitos do disposto no § 2o, será considerada vinculada a pessoa jurídica proprietária da embarcação marítima sediada no exterior e a pessoa jurídica prestadora do serviço quando forem sócias, direta ou indiretamente, em sociedade proprietária dos ativos arrendados ou locados. § 8º O Ministro da Fazenda poderá elevar ou reduzir em até 10 (dez) pontos percentuais os limites de que trata o § 2o.” (NR) No caso, ainda que os denominados contratos de afretamento em apreço enquadrassem na novel regulamentação, por se tratar de norma posterior, obviamente, ela não se aplica aos fatos geradores anteriores a sua vigência. Além disso, ainda que vigente, a referida norma não se aplicaria a situação vertente, haja vista que restou demonstrado que não houve o contrato de afretamento, muito menos sob a modalidade de afretamento a casco nu, porque, a recorrente, na condição de suposta afretadora, no curso da vigência do contrato, não assumiu a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial. As provas coligidas aos autos comprovam que a gestão náutica da embarcação foi exercida pela empresa nacional e a gestão comercial pela empresa estrangeira, integrantes do mesmo grupo econômico. Fl. 4987DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.957 37 Da impossibilidade de desconsideração dos contratos de afretamento e de prestação de serviços com base na simulação ou no abuso de formas A recorrente alegou que no TVF não fora demonstrado “qualquer descumprimento daquelas obrigações contratualmente previstas. Por conseguinte, não há que se falar na desvirtuação das vontades constantes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços firmados pela RECORRENTE, isto é, de uma simulação.” No que diz respeito ao abuso de formas, a recorrente alegou que a desconsideração de contratos com base nessa figura jurídica também estaria prejudicada, porque, “ainda que se verificasse a prestação de serviços no bojo dos contratos de afretamento, tal fato não redundaria na requalificação dos contratos de afretamento para fins de submetêlos a outro tratamento tributário.” Esses dois pontos foram analisados em sede de preliminar, assim, para evitar repetição desnecessária, remetese ao que fora exposto no referido tópico e ao longo deste voto sobre o assunto. Do reconhecimento da estrutura contratual adotada pela RFB no âmbito do Repetro. A recorrente alegou que, quanto à natureza, os contratos ora questionados já haviam sido analisados e chancelados pelas autoridades fiscais da RFB no Repetro, logo a presente autuação representação mudança de critério jurídico. Em relação a primeira alegação, a recorrente limitouse a transcrever a mesma legislação anteriormente comentada e a apresentar os mesmos argumentos anteriormente analisados. Assim, para não repetir o que já fora apresentado, deixase de fazer qualquer comentário a respeito. A alegação de que houve alteração de critério jurídico não tem procedência. A uma, porque o art. 146 do CTN trata de vedação de revisão de lançamento contra o mesmo sujeito passivo e quanto a fatos geradores ocorridos posteriormente a introdução do novo critério jurídico. Essa situação não ocorreu no caso em tela, pois, não há notícia de que a recorrente tenha sido autuada anteriormente com base em outro critério jurídico. A duas, porque, no caso em tela, o que ocorreu foi a apuração de novos fatos não apreciados por ocasião da habilitação do Repetro, ou seja, a fiscalização diligenciou e apurou que a bipartição formal dos contratos fora feita de forma artificial, uma vez que, de fato, houve contração apenas da prestação dos serviços de perfuração, sondagem e exploração de poço de petróleo. A três, porque uma vez comprovado que os recursos remetidos ao exterior representava remuneração pela prestação de serviços técnicos sujeita a cobrança da CIDE, nos termos do art. 142 do CTN, era devida a autuação, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade fiscal. Da diferença entre o afretamento da sonda de perfuração e a prestação de serviços Fl. 4988DF CARF MF 38 A autuada alegou que os denominados contratos de afretamento foram firmados sob a modalidade de afretamento a casco nu, prevista no art. 2º, I, da Lei 9.432/1997, que não comportava prestação de serviços, mas tão somente a locação das embarcações em si, o que consistia, “essencialmente, em uma obrigação de dar, não comportando obrigações de fazer acessórias, de forma que sua natureza se equipara à locação de bem móvel”, o que atrairia a aplicação da Súmula Vinculante nº 31 do STF, que reconheceu a inconstitucionalidade da incidência do ISS sobre a locação de bem móvel e o STJ, no julgamento do REsp nº 792.444/RJ, decidiu que os contratos de afrentamento de navios a cascu nu assemelhavamse aos contratos de locação de bens móveis, logo, também não estavam sujeitos ao ISS, e, pela mesma razão, não havia incidência da CIDE sobre os pagamentos decorrentes dos referidos tipos de contratos de afretamento. Tratase de alegação de natureza jurídica, cuja pertinência pressupõe a prévia comprovação de que os contratos celebrados pela recorrente com as mencionadas empresas estrangeiras foram de afretamento e do tipo afretamento a casco nu. No entanto, conforme anteriormente demonstrado, embora denominado de afretamento, o objeto real dos referidos contratos era a prestação de serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo. Entretanto, ainda que existentes os referidos contratos de afretamento, o que se admite apenas para argumentar, inequivocamente, tais contratos, inequivocamente, não foram do tipo afretamento a casco nu, porque não foi a afretadora quem assumiu a responsabilidade pelas gestões náutica e comercial da embarcação, mas próprias contratadas. De fato, segundo apurou a fiscalização, quem assumiu a gestão náutica foram as empresas nacionais e a gestão comercial foram as empresas estrangeiras, ambas pertencentes ao mesmo grupo econômico detentor dos conhecimento e toda expertise suficiente para prestação dos referidos tipos de serviços. Da não incidência da CIDE sobre os contrato de prestação de serviços com empresas nacionais. A recorrente alegou que, mantido o lançamento, eventual remuneração do hipotético contrato único de prestação de serviços com fornecimento da unidade de perfuração deveria ser atribuída às empresas nacionais, uma vez que foram essas as contratadas para efetivamente prestar os serviços, de modo que caberia a aplicação da alíquota de 1,5% sobre os valores, na forma do artigo 647 do RIR/1999, não havendo que se falar na exigência da CIDE. Não procede a alegação. O presente lançamento limitouse à cobrança da CIDE calculada sobre os valores remetidos às empresas estrangeiras, formalmente declarados a título de retribuição pela remuneração do alegado afretamento, mas que, na realidade, a fiscalização comprovou tratarse de retribuição pela remuneração da prestação dos serviços técnicos de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo. E a referida remessa caracteriza ocorrência do fato gerador da referida contribuição, nos termos do art. 2º, § 2º, da Lei 10.168/2000. Também não procede a alegação de que a fiscalização não apresentou nenhuma razão para atribuir às empresas estrangeiras e não às empresas nacionais a responsabilidade pelos contratos de prestação de serviços com fornecimento de unidade de perfuração, pois, diferentemente do alegado pela recorrente, a fiscalização apresentou sim os motivos para a tal atribuição. A primeira foi a evidente intenção da recorrente de não submeter as referidas remessas de recursos à incidência do IRRF e da CIDE. A segunda foram os fatos apurados no curso do procedimento fiscal, corroborados por documentação adequada, que Fl. 4989DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.958 39 demonstraram, cabalmente, qual fora a real atividade exercida pelas empresas estrangeiras e a natureza da remuneração paga pela recorrente às empresas estrangeiras. Eis os principais fatos, não infirmados pela recorrente, que confirmam a conclusão da fiscalização: a) as empresas contratadas, a estrangeira e a nacional, integravam o mesmo grupo econômico, que era proprietário das unidades de perfuração e do knowhow para prestação dos serviços de pesquisa e exploração do petróleo. O fornecimento das unidades de perfuração era previsto nos próprios contratos de prestação de serviços, inclusive com cláusulas idênticas aos contratos de afretamento; b) as informações anexadas aos autos, extraídas dos sites oficiais das empresas estrangeiras na internet www.deepwater.com (Transocean) e www.stena.com (Stena) revelam que as referidas empresas estrangeiras são empreiteiras de perfuração ("contractors drilling"), especializadas em perfuração de poços de petróleo e gás em setores do negócio global de perfuração offshore tecnicamente exigentes, particularmente águas profundas e ambiente agressivos, e não fretadoras de embarcações, como alegado pela recorrente; c) os documentos apresentados pela própria autuada à fiscalização demonstram que as empresas do grupo das contratadas prestavam serviços de forma única e unida, trabalhavam em conjunto para atingir o objetivo do grupo econômico, qual seja, a prestação de serviços de perfuração de poços. Uma completava a outra, a estrangeira se encarregava da execução das principais atividades de perfuração e a nacional se encarregava de complementar a mão de obra necessária para os serviços contratados; d) os cargoschave e de maior hierarquia na atividade de perfuração eram contratados e remunerados pelas empresas estrangeiras; e e) os demais indícios relatados pela fiscalização somamse ao irrefutável quadro probatório precedente relatado e, de forma congruente, reforça a convicção de que, efetivamente, não houve a alegada atividade de afretamento, mas atividade de prestação de serviços com a utilização de “unidades de perfuração”. Eis o principais fatos indiciários: e.1) rescisão, suspensão ou força maior no contrato de prestação de serviços acarretavam os mesmos efeitos no contrato de afretamento; e.2) a apuração dos valores devidos a título de afretamento estava completamente condicionada à produtividade; e.3) as mesmas hipóteses que levavam à redução da remuneração no contrato de prestação de serviços conduziam à redução da remuneração no contrato de afretamento; e e.4) as empresas estrangeiras estavam obrigadas a arcar com custos decorrentes do desgaste normal das unidades de perfuração. Da não incidência da CIDE sobre as remessas em favor da empresa estrangeira STENA em razão da Convenção BrasilHungria A autuada alegou que, sem embargo dos argumentos antes aduzidos, era importante destacar que a fiscalização deixou de se pronunciar quanto à aplicação da Convenção para Evitar a Dupla Tributação firmada entre Brasil e Hungria (“Convenção Brasil Hungria”), promulgada pelo Decreto Executivo 53/91, sobretudo no que diz respeito aos efeitos do artigo 2º quanto à exigência da CIDE. Para a autuada, o trabalho fiscal jamais poderia ter se omitido quanto à aplicação dessa Convenção, inclusive, deveria ter indicado qual “artigo abarcaria as remessas ao exterior realizadas pela RECORRENTE em favor da STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KTF, e, nessa linha, autorizaria a tributação dessas remessas pela ‘CIDE’.”, tendo em consideração, principalmente, o disposto no art. 98 do CTN, que determina a prevalência dos tratados internacionais em face da legislação interna superveniente. Fl. 4990DF CARF MF 40 O fato de a fiscalização não ter mencionado no auto de infração o artigo II da referida Convenção tratase de questão sem importância para o deslinde da controvérsia. Para esse fim, o relevante consiste em saber se o mencionado artigo amparam ou não a incidência da CIDE sobre as remessas de recursos ao exterior para a referida empresa. Para facilitar a análise, segue transcrito o referido preceito convencional: ARTIGO II – Impostos visados 1. Os impostos aos quais se aplica a presente Convenção são: a) no caso do Brasil: o imposto federal sobre a renda, com exclusão do imposto suplementar de renda e do imposto sobre atividades de menor importância; (doravante referido como "imposto brasileiro"); b) no caso da República Popular da Hungria: i) os impostos sobre a renda; ii) os impostos sobre o lucro; iii) o imposto especial de sociedades; iv) a contribuição para o desenvolvimento comunal da população cobrada com base nos impostos sobre a renda; v) a contribuição da cidade e da comunidade; vi) o imposto sobre distribuição de dividendos e lucros de sociedades comerciais. (doravante referidos como "imposto húngaro"). 2.. A Convenção aplicase também a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem introduzidos após a data da sua assinatura, seja em adição aos impostos acima mencionados, seja em sua substituição. As autoridades competentes dos Estados notificarseão mutuamente de quaisquer modificações significativas que tenham ocorrido em suas respectivas legislações tributárias. (grifos não originais)/[[~; Dada a clareza do texto preceito convencional transcrito, a definição do alcance do seu conteúdo dispensa qualquer esforço interpretativo. Uma simples leitura revela que, em relação ao Brasil, o único imposto a que se aplica a referida Convenção é imposto sobre a renda, inclusive, excluído o adicional. E o disposto nos artigos VII e VIII da citada Convenção confirma o asseverado, pois, diferentemente do alegado pela recorrente, eles tratam, exclusivamente, da forma de tributação dos lucros, incluindo, os lucros provenientes da exploração da atividade econômica relacionada com o tráfego internacional. E os lucros, sabidamente, integram a base tributável apenas do IR e da CSLL. De outro modo, a base tributável da CIDE são os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º do art. 2º da Lei Fl. 4991DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.959 41 10.168/2000, ou seja, a remuneração devida: a) “pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior”; ou b) “pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.” Em outras palavras, a base tributável da CIDE é a remuneração que, sabidamente, não se confunde com lucro ou resultado econômico, a base tributável do IR. Assim, uma vez demonstrado que a previsão de não incidência tributária, para evitar bitributação, instituída na referida Convenção, não se aplica à CIDE e, por conseguinte, o disposto no art. 98 do CTN também não se aplica ao caso em tela, bem com o entendimento esposado pelo STJ, no julgamento do REsp nº 1.161.467/RS, que trata de cobrança do IRRF sobre o rendimento pago como contrapartida de serviços prestados por pessoa jurídica sediada na Alemanha, outro país signatário da citada Convenção, induvidosamente, matéria estranha aos presentes autos. Da ilegalidade da inclusão do IRRF na base cálculo da CIDE A recorrente alegou que não havia previsão legal para a inclusão do valor do IRRF na base de cálculo da CIDE, uma vez que se tratava de imposto retido, destinado ao Erário e não remetido às empresas estrangeiras. Para a recorrente, a fixação da base de cálculo de qualquer tributo dependia de lei em sentido estrito, conforme determinava o art. 97, III, do CTN. O reajustamento da base de cálculo da CIDE, para inclusão do IRRF, é questão que tem gerado forte dissenso no âmbito deste Conselho. Há vários julgados que admite a inclusão e outros tantos que não admite. Num primeiro momento, este Relator admitiu a inclusão, porém, após melhor reflexão, passou a adotar a tese contrária, com base no argumento de que, por se tratar de base cálculo, a referida inclusão precisava de suporte legal, que, embora expressamente prevista para o IRRF, no que tange à CIDE não existe o devido suporte legal. E na falta de previsão legal que assegure a referida inclusão, a base de cálculo da referida contribuição limitase ao valor da remuneração paga, creditada, entregue, empregada ou remetida, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, conforme estabelecido no art. 2º, § 3º, da Lei 10.168/2000, a seguir transcrito: Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. [...] § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou Fl. 4992DF CARF MF 42 domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) [...] (grifo não original) Especificamente em relação aos serviços técnicos, o art. 10, III, do Decreto 4.195/2002, expressamente, dispõe que CIDE incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título remuneração fixada no respectivo contrato, conforme pode ser lido a seguir: Art. 10. A contribuição de que trata oart. 2oda Lei no10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: [...] III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; [...] Por essas razões, a base de cálculo da contribuição corresponde ao valor bruto da remuneração, sem o acréscimo ou dedução do IRRF devido sobre a respectiva operação de remessa dos recursos às empresas estrangeiras. Da não incidência de juros de mora sobre multa de ofício A recorrente alegou que, na remota hipótese ser mantida a decisão recorrida, não seria possível exigir juros de mora sobre os valores da multa de ofício aplicada. Segundo a recorrente, por força do disposto no art. 61 da Lei 9.430/1996, o acréscimo de juros moratórios só era permitido sobre os valores dos débitos decorrentes de tributos e contribuições. Não assiste razão à recorrente. Com efeito, a cobrança da juros moratórios, com base na variação da taxa Selic, alcança apenas os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, conforme determina o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...). § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (destacouse) O débito atinente à multa de ofício decorre da aplicação da penalidade pecuniária, que, sabidamente, não tem a mesma natureza do tributo. Diferentemente da multa, Fl. 4993DF CARF MF Processo nº 16682.721415/201351 Acórdão n.º 3302004.754 S3C3T2 Fl. 4.960 43 o tributo não constitui sanção de ato ilícito, conforme estabelecido no art. 3º do CTN. Em outras palavras, o valor da multa aplicada não tem natureza tributária, mas sancionatória, posto que decorre do descumprimento do dever legal de apurálo ou pagálo. No entanto, há previsão legal expressa para cobrança de juros moratórios, calculado com base na variação da taxa Selic, mas tal cobrança restringese apenas às multas aplicadas isoladamente, nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir reproduzido: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É pertinentes ressaltar que os transcritos preceitos legais pertencem ao mesmo diploma legal, o que evidencia que o legislador, deliberada e intencionalmente, conferiu tratamento distinto para ambas as situações, mas com o objetivo de conferir tratamento isonômico para as duas situações. E a razão desse tratamento diferente é óbvia, pois, se a multa de ofício incide sobre o valor do tributo devido, acrescido dos juros moratórios, logo, na data do pagamento, tal gravame, automaticamente, também integrará o valor da multa de ofício proporcional. Em outras palavras, não são os juros que incidem sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário acrescido de juros moratórios. Logo, por força dessa característica, o valor dos juros moratórios sempre comporá o valor da multa proporcional ou de ofício, calculada sobre a “totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento”, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. As Turmas da CSRF tem manifestado o entendimento que juros moratórios incidem sobre crédito tributário lançado, que inclui o tributo e multa de ofício lançado, conforme explicitado nos enunciados das ementas dos julgados das 1ª e 3ª Turmas da CSRF, que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Fl. 4994DF CARF MF 44 As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº 9101001657. Relator designado Valmir Sandri) Esse também é o entendimento das Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, conforme explicitado no julgamento do AgRg no REsp 1335688/PR, cujo enunciado da ementa segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (grifos não originais) Por todas essas razões, fica demonstrado que os juros moratórios incidem diretamente sobre o valor da multa isolada e indiretamente sobre o valor da multa de ofício, calculada proporcionalmente ao valor do tributo lançado. Portanto, em qualquer das hipóteses os juros moratórios são devidos. III Da Conclusão. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para afastar a inclusão IRRF na base de cálculo da CIDE. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 4995DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.900487/2009-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 9303-005.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 04 87 /2 00 9- 78 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10650.900487/200978 Acórdão n.º 9303005.205 CSRFT3 Fl. 477 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte ALTA GENETICS DO BRASIL LTDA. (fls. 410 a 446) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 380303.314 (fls. 394 a 399) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 19/07/2012, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10650.900487/200978 Acórdão n.º 9303005.205 CSRFT3 Fl. 478 3 O presente processo tem origem em Declaração de Compensação (Per/Dcomp) de créditos de COFINS, resultantes de pagamento indevido ou a maior, com débitos de IRPJ, transmitido pela Contribuinte em 21/07/2006 (fls. 17 a 22), o qual restou não homologado nos termos do despacho decisório proferido no processo administrativo de crédito nº 10650900.487/200978 (fl. 05), por ter a DRF/Uberaba MG constatado que o DARF discriminado na declaração de compensação foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos, não restando saldo disponível para compensação. Não resignada, apresentou manifestação de inconformidade e documentos DCTF original e retificadora, DACON original e PER/DCOMP (fls. 02 a 305), em cujo julgamento foi mantida a não homologação do pedido de compensação, conforme fundamentos lançados no Acórdão nº 0934.234 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 306 a 309), sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DÉBITO INFORMADO EM DOCUMENTOS FISCAIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de documentos fiscais (DCTF e DACON), para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar despacho decisório, cuja ciência pelo interessado deuse antes da transmissão dos documentos retificadores. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 313 a 322), ao qual foi negado provimento nos termos do Acórdão nº 380303.314 (fls. 394 a 399) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, ora recorrido, por ter entendido o Colegiado, em síntese, pela impossibilidade de apresentação de provas e argumentos na fase recursal, sem que tenha sido comprovada uma das circunstâncias previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, configurandose a ocorrência da preclusão. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 410 a 446), alegando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de apreciação, em grau de recurso voluntário, de provas e argumentos apresentados posteriormente à impugnação. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10650.900487/200978 Acórdão n.º 9303005.205 CSRFT3 Fl. 479 4 Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 3201 000.967. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) o Colegiado a quo deu interpretação extremamente formalista ao art. 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como que a não apreciação das provas apresentadas em qualquer momento processual acarreta apego demasiado à forma em detrimento da busca pela verdade material; (b) discorre sobre os princípios do processo administrativo que autorizam ser estendida a produção de provas para qualquer fase do processo a fim de resguardálo, sendo possível, inclusive, dispensar determinado formalismo sempre que não haja prejuízo a terceiros nem comprometa o interesse público; (c) ao contrário do entendimento consignado no acórdão recorrido, as provas anexadas ao recurso voluntário, consubstanciadas em documentos contábeis e fiscais da empresa, são hábeis para atestar a liquidez e certeza do crédito tributário pretendido compensar; (d) ao final, requer o provimento do recurso especial com a homologação da compensação e extinção da cobrança. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 29 de julho de 2015 (fls. 462 a 464), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação "à possibilidade de apreciação, em grau de recurso voluntário, de provas e argumentos apresentados posteriormente à impugnação". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 466 a 474) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10650.900487/200978 Acórdão n.º 9303005.205 CSRFT3 Fl. 480 5 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. O mérito da demanda consiste na possibilidade de serem apreciados argumentos e provas trazidos na fase recursal, posteriormente ao julgamento de primeira instância. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º do art. 771 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012, que reproduzem os termos dos §§ 4º e 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/2008. No âmbito do processo administrativo fiscal, portanto, da mesma forma que a impugnação, a manifestação de inconformidade, instaura a sua fase litigiosa (art. 14, do Decreto nº 70.235/72) e constituise em meio de suspensão da exigibilidade do débito pela Fazenda Nacional, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando o contribuinte omitese em combater algum item da exigência fiscal na impugnação ou deixa de juntar os documentos que comprovem o seu direito, caracterizarseá a sua concordância com aquela parte, considerandose como não impugnada, razão pela qual poderá a Autoridade Administrativa providenciar, em autos apartados, a cobrança da parcela não contestada. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode discutir no processo administrativo aquilo que o contribuinte se absteve de questionar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: 1 Art. 77 . É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido ou a não homologação da compensação. [...] § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10650.900487/200978 Acórdão n.º 9303005.205 CSRFT3 Fl. 481 6 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por conseguinte, a não impugnação da matéria trará, efetivamente, a presunção de verdade das alegações, impedindo o julgador de adentrar nas discussões a ela pertinentes. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em aduzir na manifestação de inconformidade os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10650.900487/200978 Acórdão n.º 9303005.205 CSRFT3 Fl. 482 7 juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretentido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Sobre a preclusão, lecionam os ilustres doutrinadores Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "A preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Consiste em um fato impeditivo a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o recuo às fases anteriores do procedimento. Por força deste princípio, anulase uma faculdade ou o exercício de algum poder ou direito processual. Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestá la no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. Tal qual no processo civil, o administrativo fiscal, pelas regras do Decreto nº 70.235/72, prevê a concentração dos atos processuais em momentos processuais preestabelecidos conforme se depreende do exame do seu artigo 16, a saber: "Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis; II omissis; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir." Nessa mesma linha, o artigo 17 do PAF considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo este dispositivo não é lícito inovar na produção recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Apenas os fatos ainda não ocorridos na fase impugnatória ou os de que o contribuinte não tinha conhecimento é que podem ser suscitados no recurso ou durante o seu processamento." Diferentemente seria a situação de apresentação de razões e documentos complementares à impugnação/manifestação de inconformidade, em momento anterior ao julgamento de primeira instância, na qual se admitiria a possibilidade de o julgador proceder à análise dos argumentos suscitados pelo sujeito passivo naquele momento processual em atenção aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Esse não é o caso dos presentes autos, em que o arrazoado quanto à certeza e liquidez do crédito tributário e juntada de documentos fiscais e contábeis deuse tão somente no recurso voluntário, caracterizandose a preclusão. Também com relação à produção de provas no âmbito do processo administrativo fiscal, admitese a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10650.900487/200978 Acórdão n.º 9303005.205 CSRFT3 Fl. 483 8 aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando alteram substancialmente a prova do fato constitutivo. A flexibilização está no próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao prever hipóteses de juntada de provas em momento posterior à impugnação. Pertinente nesse aspecto, para que o posicionamento aqui defendido o seja de forma clara, transcrever uma vez mais lição dos ilustres Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "Este tratamento, contudo, não tem sido levado às últimas consequências pela Fazenda nos casos de inovação de prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática. Nessa hipótese, por força do princípio da verdade material, impõese o exame dos fatos. Sobretudo, se os documentos alteram, substancialmente, a prova do fato constitutivo. [...] O direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca de sua utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. [...] O artigo 38 da Lei nº 9.784/99 flexibiliza o rigor do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e permite que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão administrativa. Nesse mesmo sentido, é o permissivo contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 que admite a revisão pela Administração do ato ilegal mesmo não tendo sido conhecido o recurso desde que não operada a preclusão administrativa. Ainda nesta linha, o artigo 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99 prescreve que poderão ser revistos, a qualquer tempo, os processos administrativos de que resultem sanções quando surgirem fatos novos ou circunstância relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada." Não é o que ocorre no caso dos autos. Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10650.900487/200978 Acórdão n.º 9303005.205 CSRFT3 Fl. 484 9 complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900302/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.726
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 03 02 /2 01 3- 93 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900302/201393 Acórdão n.º 3301003.726 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.760, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900302/201393 Acórdão n.º 3301003.726 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900302/201393 Acórdão n.º 3301003.726 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900302/201393 Acórdão n.º 3301003.726 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900302/201393 Acórdão n.º 3301003.726 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900302/201393 Acórdão n.º 3301003.726 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900302/201393 Acórdão n.º 3301003.726 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900302/201393 Acórdão n.º 3301003.726 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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