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Numero do processo: 11817.000430/2005-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo.
DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL.
A decadência em matéria aduaneira é regida pelo artigo 139 do Decreto-lei n. 37/66, cujo mandamento dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração, que no caso é o registro da declaração de importação.
PRAZO DE DECADÊNCIA COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. REsp 973733/SC.
Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação (IPI) e havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 150, §4º do CTN.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. A decadência em matéria aduaneira é regida pelo artigo 139 do Decreto-lei n. 37/66, cujo mandamento dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração, que no caso é o registro da declaração de importação. PRAZO DE DECADÊNCIA COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. REsp 973733/SC. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação (IPI) e havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 150, §4º do CTN. Recurso voluntário negado.
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NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. A decadência em matéria aduaneira é regida pelo artigo 139 do Decretolei n. 37/66, cujo mandamento dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração, que no caso é o registro da declaração de importação. PRAZO DE DECADÊNCIA COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. REsp 973733/SC. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação (IPI) e havendo pagamento antecipado, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 150, §4º do CTN. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 04 30 /2 00 5- 66 Fl. 171DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de São Paulo, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de crédito referente à diferenças de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), multas e juros, bem como multa decorrente de classificação incorreta de mercadoria na NCM/SH (Nomenclatura Comum do Mercosul Sistema Harmonizado), consubstanciada no auto de infração em questão. Sobre o histórico do processo, destaco abaixo o relatório do Acórdão recorrido, que bem resume a sintética questão aqui tratada: O Auto de Infração Nos termos da autuação fiscal e dos documentos que instruem o processo, expõe a Autoridade Aduaneira, em síntese, que: 1. O contribuinte importou, por meio das Declarações de Importações listadas no Relatório de Auditoria (à fl. 18 do e processo), mil quatrocentos e quarenta unidades da mercadoria descrita como “PNEU GT SUPER 88N DIMENSÕES 7.5016 12PR”, adotando, para o produto, o código 4011.20.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. 2. Que a citada posição desdobrase em sete subposições sendo que a escolhida pelo importador foi, conforme já relatado, a subposição 4011.20 — Dos tipos utilizados em ônibus e caminhões. Que, porém, os pneumáticos GT Super 88N, conforme Relatório de Pesquisa Fiscal realizado pelo Setor de Seleção e Pesquisa Aduaneira (DPFA N° 06/2005), são próprios para equipar rodas de veículos do tipo “Vans” e não de ônibus e caminhões como preceitua o texto da subposição 4011.20. 3. Que, de acordo com as informações prestadas pelo fabricante do pneu, as características inerentes ao veículo comercialmente conhecido como “Van” (seja do tipo furgão com capacidade maior de transporte de carga ou aquele primordialmente concebido para o transporte de passageiros), dentre as subposições que compõem a posição 40.11, resta, como única classificação correta para os produtos, o código NCM 4011.10.00. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11817.000430/200566 Acórdão n.º 3402004.672 S3C4T2 Fl. 334 3 4. Que o efeito previsto na legislação para esse caso concreto, tendo em vista o erro de classificação, é o disposto no Art 84, inciso I, da MP n° 2.158, de 24 de agosto de 2001 — multa por erro de classificação de mercadoria; e que, além disso, se as mercadorias tivessem sido importadas sob o código correto da NCM (4011.10.00), terseia uma alíquota para o imposto sobre produtos industrializados (IPI), na período de 01/01/2002 a 31/10/2002, de 20% (o importador utilizou uma alíquota de 3% para o IPI) e, no período de 01/11/2002 a 11/05/2005, de 15% (o importador utilizou uma alíquota de 2% para o IPI) o que resulta em uma diferença de imposto a ser recolhido além de multa e juros de mora. Com base nos fatos narrados, foram lavrados os autos de infração aqui julgados, do qual o impugnante tomou ciência em 26/10/2005 (v. AR à fl. 91 do eprocesso); e apresentou impugnação tempestiva em 24/11/2005 (fls. 95 e 96; e anexados documentos). A Impugnação Acerca do mérito da autuação fiscal, o impugnante alega, em apertada síntese, que: 1. “Mesmo que o fabricante da mercadoria indique em seu site que este pneu é próprio para ser utilizado em vans comerciais, não há citação de que a sua utilização em pequenos ônibus ou caminhões seja imprópria, como de fato, é utilizado no Brasil.”. 2. Que “no ato do registro das Declarações de Importação mencionadas no Relatório de Auditoria, observamos rigorosamente a tipificação dos produtos nos quadros de Nomenclatura de Valor Aduaneiro, Tabela de Atributos, Classificação Banda/Aro, do Subitem do NCM 4011.20.90 (Pneumáticos novos de borracha para ônibus e caminhões) conforme telas do SISCOMEX anexas”. 3. Que “acreditamos que a inclusão da medida de pneu 7.5016 12 PR na Tabela de Atributos do NCM 4011.20.90, no Sistema de Comércio Exterior Siscomex, foi baseada em pesquisas a respeito da utilização do produto nos veículos nacionais. Para confirmar essa tese, anexamos um folder da Linha de Caminhões Volkswagen 7 Toneladas que sai de fábrica utilizando o pneu 7.5016 12 PR e uma descrição, obtida via internet, onde constam informações que evidenciam que a montadora de veículos MercedesBenz também utiliza a medida de pneu 7.50 16 12 PR nos modelos de caminhões leves 710/37 e 710/42,5. Podemos ressaltar ainda que, no Brasil, esta medida de pneu não é utilizada em nenhum modelo de van ou caminhonete”. 4. Que “... a classificação utilizada por nós para a mercadoria 7.5016 12 PR não foi uma escolha nossa, mas sim uma observação rigorosa das normas de classificação das mercadorias que já encontravamse determinadas no Siscomex”. E, nessa linha, alega que “...não teve intuito de beneficiarse de uma alíquota menor ou obter qualquer vantagem, e estando mais Fl. 173DF CARF MF 4 que demonstrados os motivos pelos quais adotamos esta classificação, que entendemos ser a correta, vimos, por meio deste, requerer a improcedência do Auto de Infração...”. Sobreveio então o Acórdão 1657.300, da 11ª Turma da DRJ/SPO, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. A mercadoria, comercialmente denominada "PNEU GT SUPER 88N DIMENSÕES 7.5016 12PR", não pode ser classificada no código NCM 4011.20.90, posto que o próprio fabricante do produto e isto restou incontroverso nos autos certifica que sua utilização se destina a veículos do tipo "van". Mantida a classificação efetuada pela autuação (código NCM 4011.10.00). Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls 128/132) a este Conselho, em que não contesta o mérito da decisão da DRJ, porém traz para julgamento questão de decadência dos valores cobrados no presente processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivamente, conforme o informação de fls 158. Outrossim, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme o Decreto 70.235/72, de modo que dele tomo conhecimento. Como destacado acima, a Recorrente não recorreu sobre o julgamento de mérito proferido pelo Acórdão a quo. Assim, aquiesce com a fiscalização que classificou as mercadorias importadas no código NCM 4011.10.00. Tratase, portanto, de questão preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que não deve ser conhecida por este Colegiado. No mais, embora não tenha apresentado qualquer questão relativa à decadência em sua impugnação, a Recorrente apresenta tal ponto em seu recurso voluntário. Uma vez que a decadência constitui matéria de ordem pública, conhecível a qualquer tempo do processo, é de se admitir a sua análise. Afinal, é preciso lembrar que o processo administrativo fiscal deve ser regido pelo princípio da eficiência e da informalidade moderada, o que também leva à conclusão pela necessidade de análise da decadência, conforme tranquila jurisprudência desse Conselho e do Poder Judiciário. Entretanto, de pronto constatase a inexistência de decadência in casu. Afinal, a notificação do lançamento ocorreu em 20/10/2005 (fls 89), e as DIs foram registradas nos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005, dando origem ao lançamento tanto da diferença de IPI quanto da multa por erro na classificação das mercadorias importadas. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11817.000430/200566 Acórdão n.º 3402004.672 S3C4T2 Fl. 335 5 Assim, seja quanto à diferença de imposto cobrado, cuja decadência é regida pelo artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional já que houve pagamento parcial do imposto (cf. REsp 973733/SC), com contagem a partir do fato gerador do IPI (desembaraço aduaneiro dos produtos industrializados, conforme o Decreto n. 7.212/2010); seja quanto à multa de 1% por classificação fiscal incorreta de mercadorias (art. 84 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001), regida pela regra de decadência em matéria aduaneira do artigo 139 do Decretolei n. 37/66, a qual dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração (registro das declarações de importação), concluise que não há crédito decaído no presente processo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721450/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA DA ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Quando regularmente intimado, cabe ao contribuinte colaborar com a fiscalização e indicar a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, pois é ônus seu elidir a imputação tributária que lhe está sendo apresentada, por força do art. 42 da Lei 9430/96, o que ocorreu no caso dos autos.
Numero da decisão: 2301-005.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para, colmatando a omissão apontada, dar provimento ao recurso voluntário por considerar presentes nos autos as provas da origem dos depósitos bancários.
Fez sustentação oral o Dr. Luiz Carlos de Andrade Júnior, OAB/SP 258.521.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA DA ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Quando regularmente intimado, cabe ao contribuinte colaborar com a fiscalização e indicar a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, pois é ônus seu elidir a imputação tributária que lhe está sendo apresentada, por força do art. 42 da Lei 9430/96, o que ocorreu no caso dos autos.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a sanálas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA DA ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Quando regularmente intimado, cabe ao contribuinte colaborar com a fiscalização e indicar a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, pois é ônus seu elidir a imputação tributária que lhe está sendo apresentada, por força do art. 42 da Lei 9430/96, o que ocorreu no caso dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para, colmatando a omissão apontada, dar provimento ao recurso voluntário por considerar presentes nos autos as provas da origem dos depósitos bancários. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Carlos de Andrade Júnior, OAB/SP 258.521. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 50 /2 01 1- 29 Fl. 493DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela União, representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), respeitantes ao acórdão 2101002.667, de 20 de janeiro de 2015. Os embargos restaram admitidos em face de omissão no acórdão embargado, pelo qual restou provido o recurso voluntário, por maioria de votos, vencidos e relator e a conselheira Maria Cleci Coti Martins; como o conselheiroredator para o acórdão, Eduardo de Souza Leão, renunciou ao seu mandato antes de proceder a formalização do voto vencedor, foi designada como redatora ad hoc, a conselheira Maria Cleci Coti Martins (que restara vencida na votação). Transcrevo seu voto: O Conselheiro Eduardo de Souza Leão renunciou ao Mandato antes de proceder a formalização do voto vencedor. Observo, que esta Conselheira (agora designada responsável pela redação do voto vencedor, conforme Despacho de 27/05/2015) acompanhou o voto do relator, negando provimento ao recurso voluntário; e foram improfícuas as tentativas de obtenção das razões de decidir adotadas pelo voto condutor e encampadas pela maioria do Colegiado. Assim, na presente formalização, fico restrita a reproduzir o decisum constante em ata. Considero, todavia, que o voto vencedor, adotado pela maioria do colegiado, decorreu da percepção de que os elementos probatórios apresentados pelo recorrente seriam suficientemente hábeis e idôneos para justificar os valores dos depósitos bancários lançados neste processo. (Grifouse.) Os embargos restaram admitidos com base nas seguintes razões: A segunda colocação é a de que, em que pese a referência ao fato de que a consideração de que os documentos apresentados seriam suficientemente hábeis e idôneos para justificar os valores dos depósitos bancários lançados, essa referência é realmente insuficiente para esclarecer os critérios jurídicos de análise dos documentos e as razões de decidir pelas quais a maioria do colegiado teria rechaçado as razões apontadas pelo relator e acompanhadas pela minoria. (Grifouse.) Nesses termos, verifico haver omissão na decisão, razão pela qual admitido os embargos opostos pela Fazenda Nacional. (Grifos no original.) É o relatório. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 19515.721450/201129 Acórdão n.º 2301005.145 S2C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior Os embargos são tempestivos e foram regularmente admitidos pelo Presidente da 3º Câmara desta 2ª Seção do CARF. Portanto, dele tomo conhecimento. Por primeiro consigno a impossibilidade fática desta 1ª Turma da 3ª Câmara – da qual nenhum conselheiro participou do julgamento do acórdão embargado – “esclarecer os critérios jurídicos de análise dos documentos e as razões de decidir pelas quais a maioria do colegiado teria rechaçado as razões apontadas pelo relator e acompanhadas pela minoria”. O máximo que podemos fazer é consignar elementos probatórios compatíveis com o dispositivo do acórdão (recurso voluntário provido). Registro, entretanto, que analisando os elementos probatórios não me convenci das justificativas acerca da comprovação da origem dos depósitos bancários. Porém, não há dúvidas que “no caso dos autos, a maioria do colegiado entendeu que a documentação apresentada pelo recorrente é idônea e hábil o suficiente para justificar os valores relativos a depósitos bancários lançados” (ementa do acórdão, em consonância com o dispositivo e o voto da redatora para o acórdão). Assim, me resta supor que os elementos probatórios que convenceram a votação no acórdão embargado seriam: a) a Declaração do Imposto sobre a Renda Pessoa Física do recorrente (efls. 59 e 119 a 136) e do Sr. Isaac Michaan (efls. 219 a 240) para o anocalendário de 2008, os quais dão suporte à existência do alegado saldo devedor no final de 2008, pois consta o montante registrado a título de empréstimo ao Sr. Avraham Meir Michaan, no valor de R$35.349.300,00 (efl. 237), sendo a diferença entre o valor de R$35.493.300,00 e o montante tributado (R$ 39.740.462,01) devido à devolução de R$4.427.162,01 efetuada no ano, na forma de quadro das efls. 198 a 200, anteriormente já apresentado às efls. 112 a 114; tais documentos são corroborados por extratos da conta do recorrente (efls. 241 a 320) e pelo saldo do empréstimo existente em 31/12/2007, de R$180.000,00; b) existência de documentação suporte de transações com a SV Holding Ltda. e Bonor Botões do Nordeste S/A, efls. 321 a 338 e 421 a 428; c) os extratos e documentos bancários do recorrente, que mostram movimentações vinculadas a seu genitor, Sr. Isaac Michaan, a Sra. Rosalyn Nehama Michaan e ao Sr. Shlomo Nehemia Michaan (efls. 09 a 58, 60 a 61, 80 a 101, 116/117, 241 a 320, 397 a 420 e 429 a 451); d) o recibo e o contrato das efls. 321 a 338, através dos quais foi justificada a origem do valor de R$ 91.947,56, recebido em agosto de 2008. Fl. 495DF CARF MF 4 Considero que as provas acima elencadas são suficientes para justificar o provimento do recurso voluntário pela turma que julgou o 2101002.667. Voto, portanto, por ACOLHER os embargos para, colmatando a omissão apontada, dar provimento ao recurso voluntário por considerar presentes nos autos as provas da origem dos depósitos bancário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 496DF CARF MF
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Numero do processo: 19558.720210/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2011
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO DA MERCADORIA. MULTA SUBSTITUTIVA.
Conjunto probatório colhido de forma direita e indiciária demonstra a prática de atos que à luz da legislação aduaneira configuram infrações consideradas dano ao erário, sancionadas com a multa substitutiva da pena de perdimento, com fundamento nos arts. 105, VI do DL 37/66 e 23, §§ 1º e 3º do DL 1455/76.
FALSIDADE DOCUMENTAL. PROVA INDICIÁRIA.
Não demonstrada a regularidade dos preços declarados, a veracidade da documentação apresentada frente à análise merceológica do produto e à ausência de documentos (conhecimento de carga) instrutivos do despacho aduaneiro, e diante de provas irrefutáveis obtidas no curso do procedimento fiscal, legítima a acusação de falsificação material e ideológica das faturas comerciais e das declarações de importação.
SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO
Legítimo o procedimento de arbitramento dos preços das mercadorias importadas, realizado com fundamento no art. 88 da MP 2.158-35/01, após a constatação do subfaturamento, lastreado na utilização de faturas ideologicamente falsas na instrução do despacho.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTS. 124 E 135, II CTN. PRÁTICA ILICITUDE. BENEFÍCIOS AUFERIDOS.
Atribui-se a responsabilidade tributária, nos termos do art. 124 e 135, II do CTN, à pessoa física detentora de instrumento público que lhe confere amplos e ilimitados poderes de gestão de empresa estabelecida em sua própria residência, conquanto não figura no quadro societário, mas que comanda operações ilícitas de comércio exterior.
DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE MANUTENÇÃO DOS DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO. MULTA.
O descumprimento da obrigação de manter em boa ordem e guarda os documentos instrutivos do despacho enseja a aplicação de multa de 5% do valor da transação. Tendo o autuado, regularmente intimado, descumprido a obrigação de apresentar os conhecimentos marítimos (BLs) referentes a operações de importação fiscalizadas, cabe a aplicação da sanção.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3201-003.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (Relator), que dava parcial provimento. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
(assinatura digital)
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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PERDIMENTO DA MERCADORIA. MULTA SUBSTITUTIVA. Conjunto probatório colhido de forma direita e indiciária demonstra a prática de atos que à luz da legislação aduaneira configuram infrações consideradas dano ao erário, sancionadas com a multa substitutiva da pena de perdimento, com fundamento nos arts. 105, VI do DL 37/66 e 23, §§ 1º e 3º do DL 1455/76. FALSIDADE DOCUMENTAL. PROVA INDICIÁRIA. Não demonstrada a regularidade dos preços declarados, a veracidade da documentação apresentada frente à análise merceológica do produto e à ausência de documentos (conhecimento de carga) instrutivos do despacho aduaneiro, e diante de provas irrefutáveis obtidas no curso do procedimento fiscal, legítima a acusação de falsificação material e ideológica das faturas comerciais e das declarações de importação. SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO Legítimo o procedimento de arbitramento dos preços das mercadorias importadas, realizado com fundamento no art. 88 da MP 2.15835/01, após a constatação do subfaturamento, lastreado na utilização de faturas ideologicamente falsas na instrução do despacho. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTS. 124 E 135, II CTN. PRÁTICA ILICITUDE. BENEFÍCIOS AUFERIDOS. Atribuise a responsabilidade tributária, nos termos do art. 124 e 135, II do CTN, à pessoa física detentora de instrumento público que lhe confere amplos e ilimitados poderes de gestão de empresa estabelecida em sua própria residência, conquanto não figura no quadro societário, mas que comanda operações ilícitas de comércio exterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 55 8. 72 02 10 /2 01 2- 91 Fl. 382DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 383 2 DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE MANUTENÇÃO DOS DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO. MULTA. O descumprimento da obrigação de manter em boa ordem e guarda os documentos instrutivos do despacho enseja a aplicação de multa de 5% do valor da transação. Tendo o autuado, regularmente intimado, descumprido a obrigação de apresentar os conhecimentos marítimos (BLs) referentes a operações de importação fiscalizadas, cabe a aplicação da sanção. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (Relator), que dava parcial provimento. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. (assinatura digital) PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 307 em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/PE de fls. 276 que negou provimento para a impugnação de fls. 198, mantendo o Auto de Infração de fls 3, por falta de recolhimento de imposto de importação, mercadoria sujeita a perdimento e descumprimento de manter em boa guarda os documentos fiscais. Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: “Contra BRAZEX COMERCIAL EXPORTADORA LTDA., foi lavrado auto de infração no qual é formalizada exigência fiscal no montante de R$ 264.818,91 (duzentos e sessenta e quatro mil Fl. 383DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 384 3 oitocentos e dezoito reais e noventa e um centavos), decorrente do lançamento da diferença de impostos relativos transações de comércio exterior, acrescida de multa agravada de 150%, aplicação de pena de perdimento de mercadorias importadas (convertida em multa de 100% do valor aduaneiro), além de multa pelo descumprimento da obrigação de manter em boa guarda documentos fiscais. Conforme Termo de Sujeição Passiva de fl. 192 (numeração eletrônica), responderia solidariamente pelo crédito tributário o Sr. Jean Louis Huber, CPF 426.581.10359. I. Da Autuação Nos termos do Relatório Fiscal, a ação fiscal teria tido início com a seleção, para procedimento especial de fiscalização (canal cinza), de um contêiner de alho refrigerado importado da China pelo contribuinte, em razão de suspeição quanto ao valor declarado das mercadorias. Posteriormente, a ação fiscal teria sido estendida a outras três operações envolvendo a importação de alho do mesmo fornecedor, a empresa Ideal Food. Registrou, por seu turno a autoridade fiscal que, ainda na fase de execução do procedimento especial de fiscalização, o importador insurgirase contra o procedimento, impetrando Mandado de Segurança com pedido de liminar à Justiça Federal do Ceará e que, após denegação da primeira instância, obtivera decisão favorável à liberação das mercadorias, sem óbice, contudo, à continuidade do procedimento fiscal. Esclarece inicialmente a autoridade fiscal que a China seria o maior produtor de alho do mundo, sendo responsável por cerca de 80% do comércio do produto. Acrescenta que o preço da mercadoria seria sazonal, diretamente influenciado pela exportação da safra chinesa, cuja colheita tem início em maio. Registram as autoridades que observase tendência de queda no preço do produto a partir de junho (início das exportações chinesas) até de meados do segundo semestre, quando os estoques chineses voltam a baixar e, finalmente, verificase um viés de recuperação no início do ano seguinte. No intuito de demonstrar as razões de sua suspeição em relação ao valor declarado pelo contribuinte, a autoridade fiscal apresenta ampla análise estatística, conforme tabelas às fls. 56 e seguintes (numeração eletrônica), onde se detalham as importações de alho originário da China e valores declarados. Com base no histórico de transações registradas no Siscomex, a autoridade fiscal argumenta que o valor declarado pelo impugnante seria inverossímil, posto que representaria apenas 35% do valor médio das importações de alho chinês no curso daquele ano (US$ 250 contra US$ 708,58) ou, levandose em conta apenas as transações ocorridas no mesmo mês da operação sob suspeição, 40% do valor médio declarado (US$ 617,44). Fl. 384DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 385 4 Aprofundando a análise estatística sobre as operações de importação efetuadas no âmbito da 3a. RF, destaca a autoridade fiscal que apenas três empresas responderiam por 90% das importações (conforme tabelas apresentadas às fls. 56 e seguintes). Verificase, novamente, que o preço médio praticado pela Brazex seria inverossímil, representando cerca de 31% do preço médio regional. Destaca a autoridade fiscal que a Brasex não seria o maior importador da região, e que este (identificado como empresa C), praticara valores sempre superiores aos da Brazex. Por outro lado, observa que os preços anomalamente baixos teriam sido observados também em importações da Brasex junto a outros fornecedores chineses. Registra ainda a autoridade fiscal que a empresa funcionaria na residência de seu administrador, em bairro de classe média alta, sem depósito próprio. Em seguida, a autoridade fiscal procurou historiar as operações de importação de alho pela autuada, tendo localizado 29 transações entre 29/05/08 a 30/12/2011, destacando que o preço médio praticado seria de US$ 311/TNL com desvio padrão de US$ 24, tendo sido a única empresa a jamais experimentar qualquer variação sazonal no preço do produto, não obstante as profundas oscilações de preço verificadas no período. A título meramente ilustrativo, a autoridade fiscal destaca transações realizadas no segundo semestre de 2010, período em que teriam sido praticados preços excepcionalmente altos no mercado internacional, em razão de quebra de safra na China. A despeito do contexto altamente desfavorável, a Brazex registrou transações envolvendo três fornecedores distintos, com valores declarados de US$ 325/TNL, o que equivalia a menos de 15% do preço FOB médio do período. Para que se tenha uma melhor dimensão da discrepância observada, o menor valor FOB declarado por outros importadores do fornecedor Ideal Food nesse período foi de US$ 2.200/TNL. Acrescenta a autoridade fiscal que o Certificado de Classificação do alho, emitido sob a égide normativa do Ministério da Agricultura Pecuária e do Abastecimento (MAPA), classificouo como EXTRA, tipo ROXO, subgrupo Nobre, 100% CLASSE 7, ou seja, tratarseia de alho de qualidade superior. Desse modo, seria razoável supor que, possuindo qualidade superior, o preço praticado deveria se situar na faixa superior do intervalo de variação, tendendo ao valor “média + desviopadrão”. Observou ainda que em exame físico constatouse que a mercadoria estava customizada em caixas de papelão de 10 kg, de cor verde, onde se lia “HORTIMPORT PREMIUM ALHO SELECIONADO”, além de número de celular da região metropolitana de Fortaleza, sem qualquer citação ao exportador. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 386 5 Aprofundando a análise histórica das importações de alho, a partir do rol de importações oriundas do mesmo fornecedor das transações sob análise (Ideal Food), destacou a autoridade fiscal a existência de quatro importadores, identificados, para efeito de preservação do sigilo fiscal, pelas cores azul, preto e verde na tabela de fl. 58 (numeração eletrônica). Após aplicações de filtros que buscaram compatibilizar o período de transações, reconhecendose a já destacada sazonalidade do produto, concluiu a autoridade fiscal que o importador “Verde” seria aquele cujas transações registradas, considerandose as datas e volumes importados, melhor se aproximariam daquelas sob suspeição, para efeito de comparação dos valores declarados. Destaca, nesse diapasão, quatro operações com alho exportado pela Ideal Food, que diriam respeito dois pares de faturas seqüenciadas, e com datas de embarque próximas, sendo, em cada par, uma fatura referente a uma transação da Brazex e outra referente a uma transação da empresa “Verde”, verificandose acentuada diferença de preços. Nesse contexto, foram solicitados ao impugnante documentos comprobatórios da regularidade das operações e, no caso de documentos expedidos na China, que fossem apresentadas cópias devidamente consularizadas e traduzidas por tradutor juramentado. Em paralelo, foram solicitadas cópias dos documentos instrutivos do despacho à autuada e ao despachande aduaneiro interveniente nas operações e, finalmente, foram requeridas à empresa “Verde”, cópias dos documentos relativos às operações destacadas para fins de comparação com aquelas sob suspeição. A autoridade fiscal observa que, no primeiro caso, embora as faturas tenham sido emitidas seqüencialmente e na mesma data (15/06/2011), o valor declarado pelo impugnante (US$ 300) seria metade do declarado pela empresa “Verde” (US$ 600). Na mesma linha, a análise das outras duas transações aponta novamente faturas emitidas seqüencialmente e na mesma data (07/07/2011), sendo o valor declarado pela Brazex (US$ 300) muito inferior ao da empresa “Verde” (US$ 1085). O cotejo das faturas apresentadas pela Brazex e pela empresa “Verde” permitiu verificar uma série de discrepâncias, conforme destacado pela autoridade fiscal: a) Embora as faturas tenham sido emitidas na mesma data e em sequência numérica, os layouts seria radicalmente distintos, sendo que as faturas da Brazex, diferentemente das da empresa “Verde”, utilizam o logotipo da empresa “IDEAL FOOD OUR MILE YOUR SMILE”; b) As faturas apresentadas pela Brazex seriam abundantes em informações, algumas mais afetas ao BL, como porto de embarque e de destino, além da NCM (nomenclatura utilizada exclusivamente no âmbito do Mercosul); Fl. 386DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 387 6 c) Registra que as linhas horizontais das faturas da Brazex apresentariam leve inclinação para cima (em descompasso com o cabeçalho), sugerindo indício de reprodução mal feita; d) Foram observados erros de grafia no endereço do exportador nas faturas da Brazex (Zhon Shan Road (N), zuzhou, quando da realidade seria ZHONGSHAN (palavra única, sem separação) e Xuzhou (nome da cidade chinesa); a) No caso específico das faturas emitidas em 07/07/2011, haveria diferença no padrão das datas. Enquanto a da empresa “Verde” registra a data segundo o padrão de emissão adotado pela China (anomêsdia), a da Brazex segue o padrão adotado pelo Brasil (diamêsano). e) Haveria ainda diferenças nas assinaturas identificadas como de Ying/Li). No que tange às transações ocorridas em junho, a autoridade fiscal destaca que, considerandose o período de 19 a 23 de junho de 2011, ou seja dos dois dias que antecederam o embarque até os dois dias seguintes, foram localizadas no Siscomex 54 exportações de alho para o Brasil com embarque no mesmo porto de Qingdao. O valor médio do alho embarcado seria de US$ 900/TNL, com desvio padrão de US$ 204/TNL, sendo o valor declarado pela Brazex o menor em todos os embarques. Na mesma linha, considerandose as transações realizadas em julho, destaca a autoridade fiscal que no período de 11 a 15 de julho de 2011 (considerandose os dois dias que antecederam ao embarque da mercadoria e os dois dias seguintes), foram localizadas 94 operações de exportação de alho para o Brasil, a um preço médio de US$ 661, com desvio padrão de US$225. Destacase que o valor informado pela Brazex pareceu imune à sazonalidade do produto (diferentemente do que se observou nas transações dos demais importadores), e novamente foi o menor valor observado no Siscomex. Reitera a autoridade fiscal que as faturas objeto de comparação teriam sido emitidas na mesma data, pelo mesmo exportador, relativas ao mesmo produto (normal white garlic 6cm up), transacionado na mesma quantidade, com diferença de preço de 100% e 260%, respectivamente. No particular, observou ainda a autoridade fiscal que o valor discrepante declarado pela Brazex (US$ 300) foi observado em outras transações da empresa, realizadas no mesmo período de 11 a 15 de julho de 2011, e junto a outro fornecedor (JINXIANG). Ou seja, a Brazex teria sido a única empresa a obter tal preço de compra e junto a dois fornecedores distintos. No que tange à fatura XY111001, da Brazex, informou a autoridade fiscal que foi realizada prospecção de preço junto à própria Ideal Food, por intermédio de pessoa identificada como Yoyo, apontada nas faturas da empresa “Verde” como contato para dúvidas, e que se identifica como Gerente de Vendas e Relacionamento com Clientes. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 388 7 Teria sido então informado que o preço do alho, na data de 09/01/2012, seria de US$ 620/TNL, acrescentando que o tipo de mercadoria e embalagem seria o mesmo transacionado pela Brazex. Informouse ainda que a condição de pagamento seria 20% em adiantamento e o restante após 25 dias de emissão do BL ou na entrega dos documentos originais (DP – Documents against Payment). A gerente comercial aponta que possuiria cinco clientes no Brasil que poderiam atestar a qualidade de seu produto. Nesse ponto observou a autoridade fiscal que a Brazex informara pagamento integral antecipado, prática pouco comum em transações de comércio internacional, face aos riscos envolvidos, porém prática comum em casos de subvaloração, onde o dito pagamento integral corresponde, na realidade, ao percentual de adiantamento e o restante do dinheiro é enviado “por fora”. Concluiu a autoridade fiscal que o preço informado pela Ideal Food (US$ 620) seria compatível com o preço médio verificado no último quadrimestre de 2011 (US$ 656/TNL), próximo ao preço médio do mês de dezembro de 2011 (US$ 617,44). Acrescentou a autoridade fiscal que pesquisa no site http://chnagarlic.biz/chinesegarlicprice, que forneceria cotações de 90% das regiões produtoras de alho da China, informaria que em 19/10/2011 o preço do alho (normal white garlic 6cm UP) seria de US$ 700/TNL. Nos outros dias de outubro o preço do alho teria variado entre US$ 655/TNL e US$ 735/TNL. Nesse ponto, a autoridade fiscal somou ao quadro indiciário configurado nova análise das importações promovidas no período, segundo registros do Siscomex, destacando que, na mesma data de embarque da Brazex, grande rede de supermercados do Nordeste embarcara o produto a US$ 905,96/TNL, sendo o valor médio praticado no período (excluída a Brazex) de US$ 657,09/TNL, com desviopadrão de US$ 118,80. Observase ainda que o menor valor declarado (excluída a Brazex) seria de US$ 481,35/TNL, ou seja, quase o dobro do declarado pelo impugnante. No que tange aos indícios de falsidade material da fatura XY111001, aponta a autoridade fiscal: a) A numeração XY111001 estaria em desacordo com as demais faturas analisadas, e quebraria a seqüência numérica (há faturas emitidas em datas anteriores com numeração mais alta que esta). b) O número do CEP que consta no campo “Importer” é 60181570, o mesmo CEP do administrador da empresa. No entanto, o CEP que consta do campo Consignee do BL (cujos dados são informados pelo exportador) e do campo “Importer Adrees” do packing list (emitido pelo exportador) seria Fl. 388DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 389 8 60177200, o mesmo do endereço da empresa nas bases da RFB. Não há razão aparente para que a Ideal Food tenha emitido invoice e packing list na mesma data e obtido dados do endereço do importador de fontes diferentes. Assim, a autoridade entende haver indícios de que o documento com informação divergente de CEP (embora coerente com os CEPs adotados no Brasil e, curiosamente, coincidindo com o CEP do administrador da empresa) tenha sido adulterado no Brasil; c) Novamente verificamse divergências de layout na fatura, com desalinhamento das linhas de informação relativamente ao cabeçalho e margens, sugerindo montagem; d) Novamente observa a autoridade fiscal discrepâncias na assinatura de Ying/Li. Adiante, no relatório, informou a autoridade fiscal haver procedido ao cotejamento dos documentos apresentados como originais pela Brazex (faturas com assinatura supostamente consularizada) e cópias das faturas que instruíram os despachos de importação, obtidas junto ao despachante aduaneiro. Dito cotejamento resultou na identificação de novas divergências, que reforçam a convicção de manipulação dos documentos: a) Nas faturas ditas originais, o CEP informado no endereço do importador é diferente do constante dos packing lists (e da base da RFB), embora os documentos tenham sido emitidos na mesma data e supostamente assinados pela mesma pessoa; b) Verificamse divergências de layout entre as invoices ditas originais e as cópias apresentadas pelo despachante (por exemplo, o cabeçalho consta o título “Commercial Invoice”, enquanto nas cópias constaria apenas “Invoice”); c) Verificamse diferenças nas assinaturas apostas nos documentos “consularizados” em relação às cópias das faturas que instruíram os respectivos despachos. Nesse caso, observa a autoridade fiscal que as assinaturas que mais se assemelham às tidas como originais (aquelas apostas nos documentos encaminhados pela empresa “Verde”, cujos valores são compatíveis com os praticados no mercado) são as apostas nas cópias apresentadas pelo despachante, e não as dos documentos “consularizados” (cuja verificação de assinatura teria sido procedida por semelhança); d) Embora a DI no 12/00344997 sequer faça parte do procedimento fiscal que resultou no lançamento guerreado, o fato de o importador e o exportador haverem incluídona no rol de documentos enviados levou ao cotejamento de suas informações e à identificação de novas discrepâncias, como diferença no padrão das datas informadas, divergência no padrão numérico (adoção de ponto e de vírgula como separadores de milhar e decimais ou viceversa), diferenças no CEP do importador e divergência nas assinaturas. Por outro lado, no que tange às solicitações de esclarecimentos e envio de documentos pela Brazex, a autoridade fiscal destaca o seguinte: Fl. 389DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 390 9 a) Não foi atendida a solicitação de envio de cópias das declarações de exportação do fornecedor chinês; b) Não foram apresentados os originais dos BL, mas foram obtidas cópias dos referidos documentos diretamente do despachante; c) O reconhecimento da assinatura de YING/LI não teria sido feito diretamente pela ViceCônsul do Brasil, mas por funcionária do Consulado e, ainda assim, por semelhança; d) Foi apresentada declaração da Ideal Food, supostamente firmada em 05/01/2011 (antes das exportações), justificando os preços supostamente praticados, basicamente confirmando as alegações da autuada. Registra, ainda, a autoridade fiscal haver tentado, junto ao exportador Ideal Food, obter informações sobre as transações realizadas com a Brazex, embora considerasse que tal procedimento seria improfícuo, dada a convergência de interesses entre importador e exportador no sentido da manutenção da parceria comercial. Em sua resposta o exportador basicamente confirmara as alegações acerca das negociações com a Brazex. Quanto ao questionamento sobre a fatura comercial cuja numeração feriria a sequência numérica adotada pela empresa, a Ideal Food inicialmente informou que a data daquele documento seria outra (30 de setembro, ao invés de 18 de outubro). Posteriormente, novas cópias do documento foram encaminhadas pela empresa ostentando esta última data, levantando novos indícios de falsidade material quanto ao documento apresentado no despacho. Alegouse ainda que a numeração não seria automática ou seqüencial, mas determinada pelo funcionário da empresa, alegação considerada absurda. Por outro lado, no que tange à solicitação de cópias das faturas e packing lists, houve discrepância que foi interpretada pela fiscalização como evidência de que o exportador agira de forma orquestrada pelo importador: embora a fiscalização tivesse solicitado apenas três faturas, a empresa enviara cinco, incluindo sem razão aparente, duas a mais, exatamente o mesmo conjunto de faturas que o importador enviaria à fiscalização. Concluiu a autoridade fiscal, à vista dos elementos colacionados, que as faturas comerciais que instruíram o despacho das quatro operações sob análise seriam ideologicamente falsas (por apresentarem preços subfaturados), além de contarem com farto conjunto de indícios de falsidade material, configurando fraude, nos termos art. 72 da Lei 4.502/641. Neste ponto, cabe registrar que todos os esclarecimentos prestados pela autuada, no curso do procedimento fiscal, com vistas a demonstrar a regularidade dos preços declarados e a higidez da documentação apresentada foram rechaçados pela autoridade fiscal no Relatório Fiscal. Assim sendo, entendeu a autoridade fiscal que, demonstrada a falsidade dos documentos instrutivos do despacho, restara caracterizado dano ao Erário, nos termos do art. 105, VI, do DL Fl. 390DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 391 10 no 37/662, cabendo, por conseguinte, a aplicação da pena de perdimento da mercadoria, nos termos do art. 23 do DL 1.455/763, convertida, dada a impossibilidade de localização das mercadorias, em multa correspondente a 100% do valor aduaneiro correspondente. Por seu turno, considerandose que a falsidade ideológica das faturas teria sido caracterizada justamente a partir da demonstração da inverosimilhança dos valores declarados, defendeu a autoridade fiscal que seria o caso de arbitramento do valor, nos termos do art. 88 da MP 2.158354. Por outro lado, entendeu a autoridade fiscal ser devida a cobrança da diferença de tributos que deixara de ser recolhida em razão de subfaturamento por ocasião do despacho de importação, a teor das disposições do art. 1o, § 4o, inc. III, do DL no 37/665, aplicandose, por haver sido caracterizada fraude, a multa de ofício de 150%, nos termos do art. 44, inc. i e § 1 da Lei 9.430/966. Destaca, por outro lado, que responderiam solidariamente com a empresa pelo crédito tributário constituído, em razão da caracterização de fraude, seus sócios e o Sr. Jean Louis Huber, cidadão suíço, CPF 426.581.10359, em razão de, à época dos fatos, dispor de procuração conferindolhe plenos poderes para administrar a Brazex. Por fim, acusa ainda a autoridade fiscal que a Brazex descumprira a obrigação de manter em boa guarda, pelo prazo decadencial, os documentos fiscais (originais dos conhecimentos de carga que instruíram as declarações de importação), fato que resultou na imposição da multa equivalente a 5% do valor aduaneiro das mercadorias, prevista no art. 70, II, alínea b, da Lei 10.833/03. II. Da Impugnação Devidamente cientificado, comparece o sujeito passivo ao processo para impugnar o lançamento, arguindo, inicialmente, que o auto de infração basearase em suposições e inverdades, apresentando ainda as razões de defesa a seguir resumidas. II.I Sujeição Passiva No que tange à sujeição passiva do Sr. Jean Louis Huber, alega que este somente teria vindo a ocupar a condição de administrador da sociedade em 14/02/2012, sendo que, na data dos fatos, seria mero procurador da empresa, não podendo ser responsabilizado pelos atos então praticados. II.II Nulidade e Vícios Formais Alega que três das quatro operações de importação sob análise teriam sido objeto de outro auto de infração, identificado pelo número 0317800/00002/12, cuja defesa administrativa teria deixado de ser acolhida em razão da existência de procedimento judicial com mesmo objeto. Acrescenta que as DIs tiveram licença de importação não automática e teriam sido liberadas pela RFB sem restrições. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 392 11 Alega, sem esclarecer as razões que o levaram a tal conclusão, que a pena de perdimento não poderia ser aplicada ao caso em tela. Sustenta, por outro lado, que caberia ao Decex examinar o preço praticado antes de deferir as respectivas licenças de importação não automáticas. Discorda do entendimento de que o controle do Decex não se confunde com a análise de valor aduaneiro pela RFB. Menciona o art. 26 da Portaria Decex 10/2004 e conclui que, como parte da Administração Fazendária (sic), o Decex teria competência para negar a LI caso detectasse indício de fraude nos preços praticados. II.III Inexigibilidade dos documentos instrutivos do despacho Por outro lado, argumenta que, em razão de parte das DIs haver sido supostamente objeto de outro auto de infração, o procedimento guerreado seria ilegal e, desse modo, não seria o caso de entregar os BLs requeridos pela autoridade fiscal. Ademais, argumenta que o fato de o despachante haver entregado ditos documentos supriria a necessidade manifestada pela fiscalização. Acrescenta que, no caso das três DIs mencionadas, houve apresentação da documentação no curso do despacho, para fins das análises relativas aos canais de conferência amarelo e vermelho. Sustenta, outrossim, que a legislação somente exigiria a guarda dos documentos nos casos em que sua apresentação houvesse sido dispensada no despacho. II.IV Condições Favoráveis de Negociação No que se refere ao preço e qualidade do alho importado, sustenta que o fato de haver negociado diretamente com o produtor, em visita à China, teria redundado em melhores condições para a empresa. Em relação à observação do auditorfiscal de que, embora a impugnante procurasse sustentar que obtivera preços favoráveis em razão de negociação em condições específicas junto àquele fornecedor, verificouse que os preços declarados em operações de outros fornecedores seriam idênticos, alega que utiliza a mesma estratégia de compra com todos os seus fornecedores. Sustenta que seus preços decorrem de negociação pessoal e comercial, e não podem ser obtidos mediante cotação em bolsas de valores, sítios na internet etc. Aduz, outrossim, que no caso dos fornecedores JINXIANG e JINING (empresas do mesmo grupo), teriam sido negociados, ainda em 2008, contrato de compra de 60 contêineres, ao preço de US$ 320/TN (com variação de 10% para mais ou para menos), com prazo de embarque de 24 meses. Teria sido igualmente negociado, nas mesmas condições, contrato para fornecimento de dois contêineres, junto à empresa SHANDONG, que teria interesse em iniciar cooperação com a Brazex. Sustenta que tais contratos teriam protegido a Brazex da suposta especulação comercial ocorrida em 2010. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 393 12 Defende que simplesmente os demais importadores da Ideal Food não teriam sido sagazes o suficiente para obter bons preços junto àquele fornecedor, tendo pago mais caro por “ingenuidade”. Aponta discrepância entre preços declarados pelas empresas “A” e “C” na tabela de fl. 54, para sugerir que uma empresa teria simplesmente sido mais competente que outra para negociar o produto. Ademais, alega ser possível demonstrar que as operações da defendente estariam sendo comparadas com fornecedores intermediários, ao contrário das operações da Brazex, que teriam sido realizadas diretamente com produtores (fornecedores diretos), como no caso da Ideal Food. Sugere ainda que a obtenção de medidas judiciais afastando a imposição de direitos antidumping permitiria eventual supervalorização do produto importado por alguns importadores. Por outro lado, acrescenta que o produto final seria enviado sem restrições de qualidade, conforme disponibilidade à época do embarque, ressalvando, porém, que haveria de ser respeitado o padrão mínimo exigido pelo MAPA. Assim, embora admita que o produto efetivamente importado fosse de boa qualidade, sustenta que, nos termos negociados, tal condição não seria garantida. Noutro giro, aduz que não se pode avaliar uma operação comercial apenas com base em estatísticas, especialmente no caso do agronegócio. Argumenta que a autoridade fiscal não poderia basearse na data do embarque das mercadorias para fins de comparação de preços, posto que determinado lote poderia ter sido negociado com meses de antecedência. Sustenta que a tabela à fl. 53 não traria o código NCM do produto e que, mesmo que confirmado tratarse do mesmo produto, a utilização de média aritmética sobre períodos e não sobre operações ocultaria os valores das diversas importações não revelando os extremos. Sustenta que não seria possível comparar suas operações com as da empresa “Verde”, pois os embarques seriam negociados com ampla antecedência e os detalhes das transações daquela empresa seriam desconhecidos. Aponta que comparandose duas operações da empresa “Verde”, com embarques em 20/06/11 e 24/06/11, verificase que os preços teriam despencado de US$ 1085/TN para US$ 750/TN, demonstrando que haveria margem elástica para negociação do produto. Aponta que na relação dos 54 embarques ocorridos entre os dias 19 e 23 de junho de 2011 do porto de Qingdao (China), se identificaria variação entre o maior preço verificado (US$ 1223/TN) e o menor (US$ 503/TN, excetuandose os da Brasex), Fl. 393DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 394 13 verificase variação de 143%. Igualmente, conforme relação dos embarques daquele porto ocorridos no período de 19 a 23 de junho, a discrepância entre o maior e menor preço praticado (excetuandose a Brazex), seria de 165% (US$ 1225/TN e US$ 465/TN). Aduz que o mercado seria altamente volátil e que os fornecedores disporiam de ampla margem de negociação. No caso da significativa diferença de preço (88%) observada em dois embarques ocorridos na mesma data, sendo um deles para grande rede varejista do Nordeste, o auditor teria deixado de mencionar que um deles teria sido adquirido de empresa sediada na Noruega (embora o produto fosse originário da China e embarcado naquele país). Enfatiza que o fato de tratarse de intermediário/atravessador justificaria a enorme diferença de preço observada. Por outro lado, sustenta que os documentos da empresa verde não poderiam ser aceitos como idôneos, na medida em que não teriam sido sujeitos às mesmas exigências de consularização impostas à documentação apresentada pela Brazex. Ataca a alegação da autoridade fiscal de que os altos preços praticados em 2010 deveramse a fatores climáticos, aduzindo que teriam decorrido, na realidade, de especulação dos fornecedores, posto que, naquele momento, a colheita já teria sido encerrada. Admite que foi requerida a personalização das embalagens de modo a não revelar os fornecedores do produto importado aos concorrentes. Reforça, todavia, que não houve acréscimo de custos pelo fato de ter requerido o uso de embalagem customizada, como fora atestado pelo próprio produtor. Critica o relatório fiscal, que transcreveria trechos do documento em que apresentara esclarecimentos a respeito da estratégia de negociação do alho junto aos fornecedores chineses e outras ponderações no intuito de justificar as diferenças de preços observadas, afirmando que a omissão de parte dos argumentos apresentadas teria sido intencional e provocara distorções em sua linha de argumentação. Argumenta que a declaração de condições e preços pactuados entre exportador e importador seria documento gerado por iniciativa do exportador, não cabendo imputarse, ainda que em tese, falsidade ideológica por parte do importador. II.V Indícios de Falsidade Material A respeito das diferenças de layout verificadas nas faturas, alega que impusera um padrão de layout a ser adotado pela empresa chinesa visando a cumprir com os requisitos do art. 557 do Dec. no 6.759 e que seria possível que, eventualmente, nas revisões préembarque das faturas, o modelo fornecido estivesse com sinais ocidentais (formato da data), assim como confusão com os CEPs e alguns erros ortográficos. Da mesma forma, sustenta que a quebra na Fl. 394DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 395 14 ordem seqüencial da numeração das faturas restara esclarecida pelo exportador (que afirmara que a numeração era simplesmente decidida pelo funcionário da empresa). Afirma ainda que a autoridade fiscal nomeou como representante da empresa o Sr (a). Yoyo, a despeito de os representantes serem os Srs. Freeman e Li Ying. Acrescenta ainda que as informações fornecidas pelo Sr (a). Yoyo provavelmente diriam respeito a compradores genéricos, sem histórico de transações junto a fornecedores chineses, reiterando que todas as suas transações teriam sido realizadas com o Sr (a). Li YING. No que tange às divergências verificadas nas assinaturas, sustenta que o auditor atribuiu veradicidade às faturas da empresa “Verde”, embora estas não tenham sido consularizadas, e não teria comentado o caso da fatura XY111001 que, segundo seu entendimento, teria assinaturas idênticas nas duas versões apresentadas (a consularizada e cópia do despachante). Infere que o auditor chamaria atenção somente aos fatos que conviriam à sua tese, ignorando outros elementos. Sustenta, outrossim, que não se poderia atribuir falsidade ideológica às faturas comerciais apenas com base em estatísticas e divergências de números e datas. Noutro giro, acrescenta que o auditor teria ignorado pesquisa de preços da CEAGESP, que atestaria que os preços praticados no mercado interno seriam compatíveis com as operações de importação registradas. Por fim, pede que sejam acolhidas as razões de defesa apresentadas, cancelandose a exigência fiscal. É o relatório." Essa decisão de primeira instância, proferida pela DRJ/PE, foi publicada com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 FALSIDADE DOCUMENTAL. PROVA INDICIÁRIA. O quadro indiciário minuciosamente traçado pela fiscalização, no qual se somam fortes indícios de falsidade ideológica, uma vez que, sem justificativa plausível, os preços praticados fogem da realidade do mercado e da prática do próprio fornecedor internacional, a significativos indícios de falsidade material, como erros de grafia no endereço estrangeiro, adoção de padrão numérico e de data divergente do empregado pelo fornecedor estrangeiro e, até mesmo, quebra na sequência numérica das faturas internacionais, revelase suficiente para a caracterização da falsidade das faturas instrutivas do despacho. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 396 15 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento em razão se suposta duplicidade, uma vez que restou caracterizado que o objeto de ação judicial anterior não era a formalização de crédito tributário, mas a instauração de procedimento fiscal tendente a sua apuração e a libera~c”ao de mercadorias retidas no curso do despacho. Igualmente, não há que se falar em incompetência da autoridade fiscal, uma vez que a apuração do valor aduaneiro inserese no conjunto de inerentes ao despacho aduaneiro. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2011 DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE MANUTENÇÃO DOS DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO. MULTA. O descumprimento da obrigação de manter em boa ordem e guarda os documentos instrutivos do despacho enseja a aplicação de multa de 5% do valor da transação. Tendo o autuado, regularmente intimado, descumprido a obrigação de apresentar os conhecimentos marítimos (BLs) referentes a operações de importação fiscalizadas, cabe a aplicação da sanção. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." O Recurso Voluntário reforçou as argumentações da impugnação, que, em resumo, foram as seguintes: que toda as importações foram realizadas com a aprovação da Decex, que pagou todos os impostos, que teve as mercadorias retidas e por isso ingressou com medida judicial, solicitaram a exclusão do Sr. Jean Louis porque este não era sócio da empresa na data dos fatos, que 3 das DIs já haviam sido objeto de outro Auto de Infração (n.º 0317800/00002/12), que as importações foram amparadas por LI não automática, que se a descrição do lançamento trata de subfaturamento a capitulação legal deveria corresponder à tal acusação, que negociaram pessoalmente na China e por isso, ao cortarem empresas intermediárias conseguiram obter um preço competitivo, que negociaram com antecedência e evitaram as especulações de mercado, que fiscalização omitiu o valor FOB com as oscilações, que as comparações com outras operações para arbitramento do valor aduaneiro foram feitas com empresas que negociam por intermediários e portanto obtiveram produto mais caro, que todos os documentos foram juramentados e chancelados no consulado do Brasil em Xangai, que a Sra. Yoyo da Ideal Food (exportador) confirmou as negociações e inclusive os preços competitivos, que a empresa West Norway não é chinesa e por isso não poderia ser utilizada como comparação para arbitramento do valor aduaneiro, que a importação pelo exportador Jinig Jiulong foi sem cobertura cambial porque foi troca de mercadoria que estragou e que todas as compras são compatíveis com as vendas. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 397 16 O processo digitalizado foi distribuído, encaminhado a este Conselheiro e pautado em acordo com o regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O contribuinte alegou a nulidade do lançamento em razão de ter constatado que a fiscalização aplicou a pena de perdimento da mercadoria pela simples constatação de divergência de preço na operação ao invés de aplicar a multa específica de 100% da diferença prevista no Art 169 do DL 37/661, mas conforme previsto no Art. 59 do Decreto 70.235/72, a nulidade não precisa ser reconhecida se não prejudicar o andamento do julgamento e neste caso, não prejudica, visto que e possível tratar da matéria sem que a nulidade seja reconhecida. Conforme relatório, verificase que o contribuinte possui boas alegações, indícios e provas como a confirmação da Sra. Yoyo da exportadora Ideal Food (exposta no próprio relatório fiscal em fls. 52), dos valores e negociações. Assim, não há dúvida de que as negociações foram realizadas de forma direta com o exportador. Além disto, verificase que o contribuinte se utilizou de medida judicial (MS de n. 008.000/290/2012 e processo n.º 000097221.2012.4.05.8100) e também alegou que os fatos de 3 das DIs já foram objeto de lançamento de ofício, por meio do AI n.º 0317800/00002/12. Assim, com respeito ao devido processo legal, ficou clara a necessidade de instrução dos autos, tanto para evitar o descumprimento de decisão judicial e para analisar possível concomitância, quanto para analisar se ocorreu os bis in idem com mais de um lançamento de oficio sobre os mesmos fatos. Ademais, a decisão de primeira instância expôs que mesmo que o contribuinte tivesse negociado direto com o exportador Ideal Food, o preço realizado jamais seria atingido, o que reforçaria a tese de subfaturamento. Diante do exposto, para buscar a melhor solução para esta lide administrativa, foi sugerida a conversão do julgamento em diligência para que: 1 Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) II subfaturar ou superfaturar o preço ou valor da mercadoria: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 100% (cem por cento) da diferença. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 398 17 tanto a autoridade de origem quanto o contribuinte junte aos autos laudo econômico realizado por instituição de ensino ou instituição com experiência em comércio exterior, que esgote, mas exponha de forma simples, se a negociação direta com o exportador seria realmente suficiente, ou não, para atingir os preços realizados e, se fossem considerados nos cálculos do arbitramento do valor aduaneiro os valores FOB com as oscilações, a conclusão poderia ser a de que houve subfaturamento nas importações do alho da china; que o contribuinte junte aos autos as principais peças, andamentos e decisões judiciais relacionadas aos fatos, em especial as citadas medidas (MS de n. 008.000/29 0/2012 e processo n.º 000097221.2012.4.05.8100), tudo em ordem cronológica e de forma separada; que o contribuinte junte aos autos cópia do mencionado AI n.º 0317800/00002/12. que o consulado do Brasil seja intimado para informar se os documentos chancelados em fls. 46 a 187 podem ser considerados originais ou não. Rejeitada a diligência por esta nobre Turma de julgamento e considerando que o ônus da prova é da fiscalização conforme regra normativa fixada no Art. 142 do Código Tributário Nacional, restaram não comprovadas algumas das alegações principais da fiscalização, como a impossibilidade econômica de se atingir o preço das importações e a inidoneidade dos documentos chancelados pelo consulado, de fls. 46 a 187. Por ter prova forte e expressa de ter obtido o preço em negociação direta, com a declaração da Sra. Yoyo, o contribuinte merece interpretação favorável, em observação ao disposto no Art. 112 do Código Tributário Nacional. Os documentos chancelados pelo consulado e faturas aparentam ser verdadeiros e não há prova de que foram falsificados. Além disso, os invoices são de formatação livre, sob a proteção da máxima do pacta sunt servanda, da consagrada autonomia da vontade no direito civil (prevista nas CF/88 e na junção de artigos do Código Civil a partir do Art. 421), de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. Com relação a multa por guarda dos documentos, com previsão legal e expressa, o próprio contribuinte confessa não ter alguns dos originais. Portanto, deve ser mantida esta multa. Com relação ao sujeito passivo, apesar de este ter procuração pública para operar em nome da empresa, este não era sequer sócio na época dos fatos e, portanto, a fiscalização deveria ter demonstrado a participação do Sr. Louis nos fatos, assim como deve ser feito mesmo nos caso de sócios autuados em conjunto com a empresa, mas assim não fez. Este entendimento, com relação aos sócios, é obrigatório aos conselheiros visto que o Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho determina que sejam aplicadas as decisões proferidas pelo STJ em sede de recurso repetitivo, que é exatamente o caso do RESP 1101728/SP, publicado no site do STJ com a seguinte tese: Fl. 398DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 399 18 "A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa." Logo, com relação à pessoa física que não é sócia da empresa e não há comprovação de ter agido com excesso perante à procuração que recebeu para atuar em nome da empresa, o mesmo entendimento deve ser aplicado. Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado. Discordo do relator no tocante ao provimento ao recurso voluntário na parte que cancelou a aplicação da pena de perdimento de mercadoria importada por cometimento de infração considerada dano ao erário; exonerou o contribuinte do pagamento da diferença do imposto de importação em razão do subfaturamento; e excluiu do polo passivo na condição de responsável solidário o sr. Jean Louis Huber. Acompanho o relator tãosomente na manutenção da exigência de multa aplicada em decorrência da ausência de guarda dos documentos pelo período exigido pela legislação. O recurso voluntário insurgese em relação às acusações fiscais, suportadas na análise merceológica do produto importado, documentos colhidos e demais constatações que permitiram conclusões assentadas no relatório fiscal acerca da sujeição passiva de Jean Louis Huber (fl. 318/320); a falta de recolhimento do imposto de importação (fls. 320/321); e a aplicação da pena de perdimento (fls. 321/327). Fraude Falsidade da fatura comercial Subfaturamento O cerne da questão é a apreciação do conjunto probatório, colhido de forma direta e indireta (indiciária), demonstrado pelas autoridades fiscais para comprovar a prática de atos que à luz da legislação configura a infração considerada dano ao erário e ao subfaturamento dos preços na importação de alho chinês pela recorrente. Antes de se discorrer propriamente às provas das infrações, uma breve síntese da natureza e características da operações fazse necessária para conduzir e apontar aos elementos probatórios relevantes a serem valorados. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 400 19 (i) a recorrente importou alho de orgiem chinesa no ano de 2011, com qualidade superior atestada por órgão do MAPA; (ii) O fornecedor Ideal Foods vendeu o produto no mesmo período para a recorrente e outras importadores, algumas delas com volumes de importação bem superiores em relação à recorrente; (iii) Os valores do alho declarados pela Brazex foram sempre muitos inferiores ao recorrentes; (iv) O alho é comodity no mercado internacional, que sofre expressiva variação de preço em razão da sazonalidade; assim, quando diante de produção inferior por quebra de safra, por exemplo os preços sobem substancialmente. O conjunto probatório levantado pela fiscalização referese à operações comerciais de alho no mercado mundial, no país, e entre a recorrente e seu fornecedor; ao potencial comercial da recorrente e seu procurador; aos concorrentes; aos preços do alho chinês; e aos documentos, colhidos no despacho aduaneiro e outros obtidos (importadores). Seguem os elementos apresentados pela fiscalização que se constituem o suporte fático de suas conclusões que constam do presente processo, que entendo consistentes a amparar os ilícitos desnudados: 1. O valor declarado pelo impugnante, em torno de usd 250,00, representa apenas 35% do valor médio das importações brasileiras de alho chinês no de 2011: usd 708,58 (média anual das importações); 2. As transações ocorridas no mesmo mês da operação sob suspeição, teve valor declarado 40% do valor médio declarado no mês usd 617.44: 3. Três empresas responderam por 90% das importações, conforme tabelas apresentadas às fls. 56 e seguintes; 4. O peço médio praticado pela Brazex representa cerca de 31% do preço médio regional. 5. A Brasex não é o maior importador regional, este identificado como empresa "C" na tabela comparativa nas importações regionais por quantidade; 6. Os preços baixos declarados pela Brazex teriam sido observados também em suas importações junto a outros fornecedores chineses; 7. A empresa funciona na residência de seu administrador, em bairro de classe média alta na cidade de Fortaleza/CE, e não possui depósito próprio para armazenagem de estoques; 8. Das 29 transações da Brazex, entre 29/05/08 a 30/12/2011, o preço médio praticado foi de usd 311/ton, com desvio padrão de usd 24, tendo sido a única empresa a jamais experimentar qualquer variação sazonal no preço do produto, não obstante as profundas oscilações de preço verificadas no período; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 401 20 9. No segundo semestre de 2010, período em que teriam sido praticados preços excepcionalmente altos no mercado internacional, em razão de quebra de safra na China, a Brazex registrou transações envolvendo três fornecedores distintos, com valores declarados de usd 325/ton, o que equivalia a menos de 15% do preço FOB médio do período. O menor valor FOB declarado por outros importadores do fornecedor Ideal Food nesse período foi de usd 2.200/ton; 10. O Certificado de Classificação do alho, emitido sob a égide normativa do Ministério da Agricultura Pecuária e do Abastecimento (MAPA), classificou o produto como EXTRA, tipo ROXO, subgrupo Nobre, 100% CLASSE 7, ou seja, tratavase de alho de qualidade superior; 11. Nas folhas 270/280 demonstramse substanciais diferenças na forma e no conteúdo das invoices emitidas pelo mesmo exportador para Brazex e a empresa "Verde", sendo relevante quanto ao padrão de impressão gráfica, à identificação da Ideal Food, aos valores praticados, à assinatura, ao formato de data adotado; 12. Em curto período de tempo 19 a 23 de junho de 2011 ou seja dos dois dias que antecederam o embarque até os dois dias seguintes, foram localizadas no Siscomex 54 exportações de alho para o Brasil com embarque no mesmo porto de Qingdao. O valor médio do alho embarcado seria de usd 900 ton. com desvio padrão de usd 204 ton. sendo o valor declarado pela Brazex o menor em todos os embarques: 13. No período de 11 a 15 de julho de 2011 (considerandose os dois dias que antecederam ao embarque da mercadoria e os dois dias seguintes), foram localizadas 94 operações de exportação de alho para o Brasil, ao preço médio de usd 661/ton, com desvio padrão de usd 225/ton. Destacase que o valor informado pela Brazex pareceu imune à sazonalidade do produto (diferentemente do que se observou nas transações dos demais importadores), e novamente, foi o menor valor observado nos registros do Siscomex; 14. As faturas objeto de comparação teriam sido emitidas na mesma data, pelo mesmo exportador, relativas ao mesmo produto (normal white garlic 6cm up), transacionado na mesma quantidade, com diferença de preço de 100% e 260 %, respectivamente; 15. Pessoa representante da Ideal Food Yoyo informou à empresa "Verde" que o preço do alho, na data de 09/01/2012, seria de usd 620/ton, acrescentando que o tipo de mercadoria e embalagem seria o mesmo transacionado pela Brazex. Informou ainda que a condição de pagamento seria 20% adiantados e o restante após 25 dias da data de emissão do BL, ou na entrega dos documentos originais (DP – Documents against Payment). Yoyo apontou que possuiria cinco clientes no Brasil que poderiam atestar a qualidade de seu produto; 16. A Brazex por sua vez informa que o pagamento fora integral antecipado, prática pouco comum em transações de comércio internacional, face aos riscos envolvidos; 17. As duas informações são contraditórias, ao menos uma delas é inverídica, colocando sob suspeita tanto Brazex como Yoyo/Ideal Food; 18. O preço informado pela Ideal Food (usd 620) seria compatível com o preço médio verificado no último quadrimestre de 20111 (usd 656/ton), próximo ao preço médio do mês de dezembro de 2011 (usd 617,44/ton); Fl. 401DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 402 21 19. Acrescentou a autoridade fiscal que em pesquisa na internet, o site http: chnagarhc.biz chinesegarlicprice., forneceria cotações de 90% das regiões produtoras de alho da China, e na data de 19/10/2011 o preço do alho (normal white garlic 6cm UP) seria de USS 700/ton. Nos outros dias de outubro o preço do alho teria variado entre usd 655 tnl e Usd 735/ton; 20. Na mesma data de embarque da Brazex, grande rede de supermercados do Nordeste embarcara o produto usd 905,96/ton, sendo o valor médio praticado no período (excluída a Brazex) de usd 657,09/ton, com desvio padrão de usd 118,80. Observase ainda que o menor valor declarado (excluída a Brazex) seria de usd 481,35/ton, ou seja, quase o dobro do declarado pela autuada; 21. No cotejamento das faturas apresentadas pela Brazex e aquelas fornecidas no momento do despacho aduaneiro, que deveriam ser as mesmas, há divergência quanto ao layout, preenchimentos e assinaturas. A comparação entre as faturas da empresa "Verde" também revelam diferenças; 22. Intimada a apresentar cópias das declarações de exportação do fornecedor, originais dos BLs a Brazex, não o fez; 23. O reconhecimento da assinatura do exportador foi por semelhança e por pessoa diversa da autorizada – Consul ou vicecônsul; 24. A declaração produzida pelo exportador afirma a veracidade dos preços, sem a comprovação com os documentos solicitados e em contradição da realidade dos preços praticados pela exportadora com outros importadores brasileiros; Cabe registrar que todos os esclarecimentos prestados pela autuada, no curso do procedimento fiscal, com vistas a demonstrar a regularidade dos preços declarados e a higidez da documentação apresentada foram rechaçados pela autoridade fiscal no Relatório Fiscal. Dos elementos apontados acima, podese concluir que não merecem fé as declarações prestadas pela Brazex e seu fornecedor Ideal Food (Yoyo), pois todas as constatações apresentadas e indícios levantados pela fiscalização refutam o preço praticado. O importador não demonstrou capacidade operacional e negocial para obter preços vantajosos com as reduções substanciais, vez que restou comprovado não possuir estrutura operacional, bem como não realizou compras expressivas em relação a outros importadores. Sua sede está localizada em um prédio de apartamento cujo morador é pessoa com amplos poderes para exercer a representação e sequer era sócio no período das importações auditadas. O conjunto de provas diretas e indiciárias não deixam dúvidas da falsidade material das faturas comerciais e do subfaturamento de preço, configurando fraude, nos termos do art. 72 da lei nº 4.502/64. Refutase a afirmação de que a autuação baseouse em mera estatísticas ou média de preços. Asssentado nas fortes e irrefutáveis provas, legítima a acusação de falsificação material das faturas comerciais e do documento formal de importação a DI, ilícito Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 403 22 caracterizado dano ao erário nos termos do art. 105, VI do DecretoLei nº 37/66 e sancionado com a pena de perdimento, nos termos do art. 23, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Dessa forma, não procede a acusação de que o fundamento legal do perdimento seja a ocultação, que é capitulado no mesmo artigo, porém, no inciso V, do art. 23 do DL 1455/76. Constituemse infrações distintas que implicam a mesma sanção. Arbitramento Hígido também o procedimento de arbitramento dos preços após a constatação do subfaturamento lastreado na utilização de faturas ideologicamente falsas na instrução do despacho aduaneiro e em farto conjunto indiciário de falsidade material, caracterizandose fraude fiscal. Destarte, com supedâneo no art. art. 88 da MP nº 2.15835, a fraude é fundamento para o arbitramento do preço, que se realiza segundo as regras dos seus incisos, para fins de cobrança das diferenças dos tributos incidentes na importação. Uma vez comprovada que as importações realizadas estavam subfaturadas inarredável estavam as autoridades fiscais ao dever de proceder à valoração das mercadorias. Toda mercadoria importada está sujeita ao controle do valor aduaneiro, conforme previsto no art. 76º do Decreto nº. 2.498 de 16/02/1998: Art. 76. Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira. O Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT, promulgado pelo Decreto nº. 1.355/1994, comumente denominado de Acordo de Valoração Aduaneira (AVA/GATT), estabelece que o valor aduaneiro da mercadoria importada deve ser determinado mediante a aplicação de um dos seis métodos de valoração.; contudo, trata tão somente das operações legítimas e leais de comércio, abordando aspectos relacionados à correta aplicação das regras nele estabelecidas. Portanto, em matéria de valoração, a prática de fraude de valor (subvaloração ou supervaloração), não é tratada pelo AVA, deixando para o ordenamento jurídico pátrio as regras de valoração aplicáveis neste caso, conforme se vê no artigo 17 do AVA, nas Opiniões Consultiva 10.1, 17.1, 18.1 e 19.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, introduzidas na legislação nacional através da IN SRF nº 17 de 16/02/1998 e no artigo 148 do CTN. O art. 88 da MP nº. 2.15835/2001 estabeleceu procedimentos especiais para controle e determinação do valor aduaneiro na ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, que, repisese, tratase de hipótese não disciplinada pelo AVA/GATT: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 404 23 I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. (...) O primeiro critério de arbitramento no caso de fraude é a adoção do preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar. Se a fiscalização tiver objetivamente tais informações esta será a regra obrigatoriamente utilizada por força da imposição da ordem sequencial dos critérios. É exatamente o que demonstrou a fiscalização no procedimento de arbitramento. No relatório fiscal (fls. 42/ ) destacouse o cumprimento dos requisitos: as mercadorias são idênticas ("NORMAL WHITE GARLIC 6 CM UP); provenientes do mesmo produtorexportador (Ideal Food), com invoices emitidas em datas próximas, por vezes com numeração sequencial; os volumes negociados com a empresa "parâmetro" são compatíveis, iguais em algumas invoices. Constatase que todos os critérios previstos no inciso I do art. 88 da MP nº 2.15835/2001 forma âmbito do AVA foram rigorosamente observados; legítimo procedimento do arbitramento à luz da legislação e acertada a decisão recorrida em mantêlo. Sujeição passiva do sr Jean Louis Huber. Quanto à responsabilidade tributária atribuída a Jean Louis Huber, restou evidente que este comandava as operações da Brazex pois utilizavase de sua residência para gerir a empresa aliado ao fato de deter instrumento público de procuração com amplos e ilimitados poderes de gestão (fls. 116/117) não tendo como afastar a conclusão de que era a pessoal que de fato realizava as operações de comerciais da recorrente, praticando os atos ilícitos. Evidente que auferiu os benefícios financeiros da práticas ilícitas que trouxeram prejuízos aos cofres públicos com a subtração do imposto de importação e demais danos. Assim, tal pessoa não logrou êxito em afastar sua responsabilidade solidária nos termos dos arts. 124 e 135, II do CTN. "Processo" 0317800/00002/12 A recorrente fora lacônica quanto às alegações de duplicidade de atuação, a do presente processo e a de número 0317800/00002/12. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201003.086 S3C2T1 Fl. 405 24 Isto porque não indica quais declarações de importações estariam abrangidas em autuações fiscais formalizadas em ambos processos; tampouco apresenta qualquer documento probatório de seu argumento. Sua irresignação resumese na expressão, transcrita a seguir, que em razão da pontuação utilizada (os dois pontos após a frase) sugere que iria discorrer algo sobre o alegado; todavia, nada mais acrescenta. A citação (fl. 354): O número indicado não se coaduna com qualquer padrão de identificação de processo administrativo no âmbito da Receita Federal. Vêse que tal afirmação foi apresentada em sede de impugnação, oportunidade que também não se dignou comprovar as alegações. Assim, diante de ausência de qualquer elemento de prova que ampara a pretensa duplicidade de autuação não há de prosperar o fato alegado. Conclusão Diante de tudo exposto, entendo acertada a decisão recorrida que manteve integralmente o crédito tributário lançado e a responsabilidade solidária de Jean Louis Huber e voto para negar provimento ao recurso voluntário Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000308/2010-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. O conselheiro Gerson Macedo Guerra acompanhou o relator pelas conclusões. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes Moura - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2.190 1 2.189 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16643.000308/201018 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.835 – 1ª Turma Sessão de 12 de maio de 2017 Matéria IRPJ ILEGALIDADE DA IN SRF Nº 243/2002 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida ELI LILLY DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. O conselheiro Gerson Macedo Guerra acompanhou o relator pelas conclusões. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 08 /2 01 0- 18 Fl. 2190DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.191 2 (assinado digitalmente) André Mendes Moura Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida a ELI LILLY DO BRASIL LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), em face do Acórdão nº 1101000.864 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária da 1a Câmara (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a legalidade da fórmula estabelecida pela IN 243/2002 para o cálculo do Método do Preço de Revenda menos Lucro com a margem de lucro de 60% (doravante “PRL60”), utilizado para o controle dos preços de transferência, sob a regência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. No caso, a autuação lavrada em face do contribuinte se refere ao exercício de 2006, fundado em suposta insuficiência dos ajustes à base de cálculo do IRPJ que seriam determinados pela legislação de preços de transferência. Após ter a sua impugnação administrativa julgada improcedente pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, o qual também não foi provido pela Turma a quo, em decisão assim ementada (efls. 2034 e seg): NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. A PFN interpôs recurso especial (efls. 2118 e seg.), o qual foi integralmente admitido quanto ao tema da legalidade da fórmula estabelecida pela IN 243/2002 para o cálculo do PRL60 (efls. 2139 e seg.). Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.192 3 Em apertada síntese, sustenta o PFN em seu recurso especial que a metodologia de cálculo exposta na IN SRF nº 243/2002 simplesmente regulamenta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, em estrita conformidade à intenção do legislador: evitar a transferência indireta de lucros para o exterior nas operações praticadas entre partes vinculadas, através do controle dos preços dos bens importados. Sustenta que a metodologia defendida pela contribuinte (PRL60) não é adequada para a apuração do custo dedutível do insumo importado, na medida em que estabelece o cálculo da margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda do bem produzido, o que enseja a majoração indevida do preço parâmetro, e que esse cálculo diverge da previsão do artigo 18 da Lei 9.430/96, uma vez que o legislador não teria estabelecido a incidência da margem de lucro de 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda do bem produzido, diminuído do valor agregado no país, mas, sim, uma margem mínima sobre o valor de revenda do bem importado, de modo que seria impossível fazer isso sem considerar a fração do produto final que corresponde ao bem importado, que foi nele incorporado. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 2160 e seg.), arguindo, em síntese, que a IN nº 243/2001, em seu art. 12, parágrafo 11, inciso II, teria distorcido o disposto na Lei nº 9.430/96, ao definir de forma inovadora, que a margem de lucro de 60% deve ser calculada sobre a participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido (e não sobre o preço líquido de revenda do próprio bem produzido), resultando na diminuição do preçoparâmetro dos bens importados e o consequente aumento da tributação. Concluise, com isso, o relatório Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. 1. A evolução legislativa do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço que seria praticado por partes independentes (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. Assim, por exemplo, se em uma operação de importação entre partes vinculadas o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL, de forma a se adicionar a parcela excedente ($15,00) e, assim, acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de Fl. 2192DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.193 4 relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Em sua redação original, o art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, previa apenas a margem de lucro de 20% para o cálculo do preço parâmetro conforme o método PRL (doravante “PRL20”): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; Em 1999, por meio da Medida Provisória nº 2.0134, convertida na Lei n. 9.959/2000, foi introduzida alteração na alínea “d” desse dispositivo, que passou a dispor quanto à possibilidade da adoção da margem de lucro de 60% para o cálculo do método PRL dos preços de transferência (PRL60), com especial destaque à parte em negrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Na sequência, foi editada pela Secretaria da Receita Federal (doravante “SRF”) a IN 113/2000, que dispunha “sobre as hipóteses de utilização do Método do Preço de Revenda menos Lucro”. Em 2001, foi editada a IN 32, que incorporou os enunciados da IN Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.194 5 113/2000 ao indicar a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do PRL 60, com especial destaque à parte em negrito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, Pis/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação de pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere o inciso IV, alínea "a" do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens , serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. Fl. 2194DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.195 6 § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Em 2002, embora não tenha sido realizada nenhuma reforma por meio de Lei, a IN 243 tornou público que a SRF conduziria uma ampla mudança na metodologia de cálculo do PRL60, com o abandono das fórmulas anteriormente adotadas na IN 113/2000 e na IN 32/2001. Esse é o cerne do recurso especial em análise. Os enunciados da IN 243/2002 relativos à matéria seguem transcritos, com destaque à parte em negrito: MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.196 7 II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Em 2012, por sua vez, por meio da Medida Provisória nº 563, convertida na Lei n. 12.715/2012, foram introduzidas amplas alterações na Lei n. 9.430/96, contemplando todo o inciso II desse dispositivo e tornandoo mais apto a fundar a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações Fl. 2196DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.197 8 efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (…) É evidente a distinção dos textos adotados, de um lado, pela IN 243/2002, e de outro lado, pela IN 32/2001 e especialmente pela Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. O quadro a seguir compara os dispositivos mais dessas três fontes do Direito mais relevantes à solução do presente caso concreto: FONTE PRIMÁRIA: Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000 FONTE SECUNDÁRIA: IN 32/2001 FONTE SECUNDÁRIA: IN 243/2002 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: (...) Fl. 2197DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.198 9 revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. As diferenças textuais em questão são relevantes para a solução do recurso especial em análise, conforme tópicos abaixo. 2. As fórmulas adotadas em cada etapa dessa evolução legislativa para o cálculo do PRL 60. O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Considerando o conhecido valor líquido da operação de revenda (PR) e a margem de lucro (L) apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP), que será o valor limite para que o correspondente bem, serviço ou direito importado de parte vinculada seja dedutível da base de cálculo do IRPJ ou da CSL. Notese que cada um desses fatores possui uma função determinante na fórmula prescrita no art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, o que evidencia a decisão consciente do legislador ordinário ao enunciar a Lei n. 9.959/2000, sendo relevante destacar que: quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do Fl. 2198DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.199 10 preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (relacionada) sem o controle da administração tributária dos preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcelas dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passam a ser indedutíveis. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal na IN 113/2000 e na IN 32/2001, (vide tópico “1”, acima) e encontrou justificativas por diferentes perspectivas, a saber: Equilíbrio. A adoção de uma margem de lucro de elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil dessa base; Indução positiva. O legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento e de incentivo à produção nacional, de forma que: quanto maior for a agregação de valor no Brasil, maior será o preçoparâmetro e, consequentemente, menor será o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela da Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Como se evidenciou no tópico “1”, acima, o legislador ordinário apenas realizou uma reforma legal para incorporar essa “melhoria” em 2012, com a edição da Lei n. 12.715. Por sua vez, em 2002, a IN 243 indicou a necessidade da adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia a correta decorrência da Lei n. 9.959/2000. Analiticamente, o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”, abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: Fl. 2199DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.200 11 PP =VDBI * 100% * PR – L60% * VDBI * 100% * PR) VDBI + VA VDBI + VA Em que: VDBI à valor declarado do bem importado PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Como se pode observar, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula, diversa daquela que até então seria de aceitação geral: PP = PR − L − VA L = 60% PR A fórmula da IN 243/2002, conforme alegado, expressaria com maior clareza e, ainda, imprimiria melhorias a essa segunda fórmula que supostamente seria possível abstrair do texto do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Conforme a fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente fundamentaria a IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% deveria incidir apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. Fl. 2200DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.201 12 O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60 ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Analítico da fórmula para o cálculo da “margem de lucro” 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no Brasil. 60% apenas da parcela do preço líquido de venda do produto proporcional à participação dos bens, serviços ou direitos importados. Analítico da fórmula para o cálculo do “preço parâmetro” Totalidade do valor líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR = 100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60: ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Aplicação das fórmulas ao exemplo proposto: L = 60% (100,00 – 50,00) PP = 100,00 – 30,00 L = 60% * 100,00 PP = 100,00 – 60,00 – 50,00 RESULTADO 70,00 10,00 A função de tais fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, de forma as operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”, enquanto que, para a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “ R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. Fl. 2201DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.202 13 A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI1, em obra de referência sobre o tema dos preços de transferência: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador.” Do mesmo modo, as evidentes distinções em relação a essas fórmulas foram bem sintetizadas por LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD2, in verbis: “(i) enquanto a Lei n. 9.959/00 estabelece o cálculo da margem de lucro de 60% sobre o valor do preço líquido de venda, diminuindose o valor agregado, a IN 243/02 determinou a incidência da margem de 60% sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem importado; e (ii) enquanto a Lei determina que o preçoparâmetro corresponde à diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de 60%, a IN 243/02 estabeleceu que corresponde à diferença entre o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido e a margem de lucro de 60%. Assim, o preço parâmetro calculado sob a sistemática da IN 243/02 será menor, resultando em maior risco de ajustes nos lucros tributáveis da empresa brasileira, tendo em vista o provável excesso de preço pago no exterior”. Restando evidenciado que a IN 243/02 veicula fórmula diversa, supostamente vocacionada a “melhor” tratar do problema da proporcionalidade do insumo utilizado na produção do produto nacional, surge a questão crucial do presente recurso especial: a referida 1 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. 2 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 241. Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.203 14 Instrução Normativa possui legitimidade para tanto e agiu nos lindes de sua competência regulamentar? É o que será analisado no tópico seguinte do deste voto. 3. As fontes formais do Direito tributário e o extravasamento das funções da IN 243/2002. O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. Sob uma perspectiva formalística3, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias4 e fontes secundárias5 do Direito tributário. A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. Notese que nenhuma das partes discorda da função limitada e secundária das Instruções Normativas: essa é uma questão de direito incontroversa nesse processo administrativo. A questão que realmente desafia antagônicas posições neste processo administrativo é saber se a IN 243/02 extravasou os limites da Lei n. 9.430/96, descumprindo a sua função e restando despida de validade. De um lado, a administração fiscal atualmente argumenta que do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, seria possível abstrair ao mesmo tempo duas diferentes fórmulas, ainda que estas possam conduzir a resultados muito diferentes: a primeira fórmula seria aquela admitida pela IN 32/2001 e, a segunda, que supostamente daria fundamento à IN 243/2002. De outro lado, o contribuinte argumenta que apenas a fórmula indicada pela IN 32/2001 seria compatível com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. Assim, nenhuma das partes discorda que as normas prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, comportam a fórmula indicada pela IN 32/2001 para o cálculo do preço parâmetro apurado pelo método PRL60. A discordância se dá apenas em relação à fórmula prevista pela IN 243/2002, que é diferente. A discordância em questão exige o enfrentamento das seguintes questões: 3 As fontes do Direito tributário podem também ser observada por uma perspectiva material, a qual não contribui imediatamente para o tema em análise. 4 Em especial: Constituição Federal, Lei Complementar, Lei Ordinária, Medida Provisória, Tratados Internacionais, Decreto legislativo, Decreto (casos especiais), Convênio, Resolução. 5 Em especial: Decreto regulamentar; Instruções Normativas; Portarias; Normas complementares. Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.204 15 O legislador ordinário poderia outorgar à administração fiscal a escolha de uma entre diversas fórmulas para o cumprimento do método PRL60 de controle de preços de transferência? Se a resposta à questão precedente for positiva, o legislador ordinário efetivamente conferiu à administração fiscal tal outorga na vigência da Lei n. 9.430/96 com as alterações que lhe foram introduzidas com a Lei n. 9.959/2000? Se a resposta à questão precedente for positiva, a IN 243/2001 teria ou não adotado uma das possíveis fórmulas matemáticas comportadas pelos enunciados prescritivos do 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00? 3.1. A (im)possibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. O princípio da legalidade em matéria tributária não requer que todos e quaisquer elementos necessários à operacionalização de uma norma tributária estejam expressa e exaustivamente previstos em lei ordinária. A adoção de cláusulas gerais ou conceitos indeterminados não representa uma ofensa a priori a esse princípio, pois não se pode exigir do legislador ordinário o fechamento da totalidade dos conceitos6. Também não se pode afastar, a priori, a possibilidade de o legislador ordinário outorgar à administração fiscal dispor sobre elementos que favoreçam a aplicação da norma tributária, com procedimentos que lhe tornem mais operacionais, palatáveis e socialmente mais eficazes. No entanto, não pode o Poder Legislativo delegar ao Poder Executivo a competência para a seleção dos elementos componentes da hipótese de incidência ou do consequente normativo (obrigação tributária). A indelegabilidade da competência tributária, norma constitucional tão bem delineada na obra de ROQUE ANTONIO CARRAZZA7, impede que o legislador ordinário transfira à administração fiscal a eleição dos critérios componentes da base de cálculo do tributo ou de outros elementos atinentes à ocorrência do fato gerador do tributo, à sua quantificação ou à identificação do sujeito passivo. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá tutelar o controle dos preços de transferência e influenciar na composição do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSL, apenas a lei ordinária é competente para prescrever os seus termos. Aceita essa premissa, qualquer divergência de uma instrução normativa em relação à lei deverá ser resolvida com a vitória da lei, pois o legislador ordinário possui a competência privativa e indelegável de decidir sobre o matéria. Logo, diante de uma divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, esta última deveria ser aplicada sem questionamentos. 6 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 290 e seg. 7 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional. São Paulo : Ed. Malheiros, 2003, p. 425. “As competências tributárias são indelegáveis. Cada pessoa política recebeu da Constituição a sua, mas não a pode renunciar, nem delegar a terceiros. É livre, até, para deixar de exercitala; não lhe é dado, porém, permitir, mesmo que por meio de lei, que terceira pessoa a encampe.” Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.205 16 Uma observação é necessária por dever de ofício: ainda que a assertiva do parágrafo anterior possa ser inconteste, caso o legislador ordinário descumpra o seu dever e delegue a sua competência à administração fiscal para a eleição dos elementos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em tese, os julgadores do CARF, por força regimental, poderiam vir a ser constrangidos ao acatamento dessa lei ordinária e ao cumprimento da norma infralegal, editada diretamente pelo fisco. Ocorre que o RICARF8 reserva ao Poder Judiciário reconhecer inconstitucionalidades. Ao aceitarse tal situação em tese, tornase imediatamente relevante ao julgador administrativo a análise do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para verificar se, no caso concreto, há em seus enunciados a decisão clara do legislador ordinário de outorgar à administração fiscal a escolha da fórmula inerente ao método PRL60. No entanto, não há outorga expressa do legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, para que a administração fiscal compusesse uma fórmula que “melhor” se prestasse ao controle dos preços de transferência. Pelo contrário, a referida fórmula foi expressamente prescrita pelo legislador ordinário no aludido dispositivo. Conforme evidenciado no tópico “2”, acima, o legislador ordinário conscientemente elegeu a função de cada um dos fatores componente da fórmula para o cálculo do PRL60, não deixando espaço de discricionariedade para a administração fiscal. As normas da Lei n. 9.430/96 que prescrevem a fórmula para o cálculo do PRL60 são autoaplicáveis, não tendo a sua eficácia condicionada a instruções normativas ou outros atos infralegais. Por consequência, a administração fiscal tem o dever observar a fórmula compreendida imediatamente da Lei n. 9.430/96 para o cálculo do PRL60. 3.1.1. A tese da pluralidade semântica da Lei 9.430/96 e do papel integrativo da IN 243/2002. Se não houve outorga expressa do legislador ordinário à SRF, o intérprete persistente poderia cogitar da adoção, pelo legislador ordinário, de termos dotados de indeterminação semântica que implicitamente conferiria à administração fiscal a prerrogativa de arquitetar uma nova forma de cálculo do PLR60. Naturalmente tal expediente poderia ser questionado mesmo no âmbito do CARF, pois coerentes argumentos poderiam colocar em dúvida uma delegação implícita de tal nível. Ainda assim, não me furto de expor essa investigação, pois o seu resultado corrobora com a conclusão do presente voto: os enunciados prescritivos da Lei n. 9.430/96 seriam eivados de dubiedade suficiente para comportar pluralidade de fórmulas matemáticas capazes de conduzir a resultados muito diferentes o método PRL60? Um único elemento de dúvida parece surgir dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. Ocorre que o legislador ordinário acresceu ao artigo “o” a preposição “de”, no seguinte trecho abaixo sublinhado: “d) da margem de lucro de: 8 RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.206 17 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Ao que tudo indica, tal fator não altera a conclusão de que a fórmula que decorre imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, é aquela indicada pela IN 32/01. Tratase de mero erro de grafia do legislador, que não enseja pluralidade de sentidos quanto aos enunciados em questão. No entanto, a administração fiscal passou a suscitar que a preposição “de” teria o mérito de assegurar que a parcela do valor agregado fosse deduzida do próprio preço de venda e não da base de cálculo da margem de lucro. O passo seguinte a essa assunção seria a reestruturação do enunciado prescritivo, para “melhorálo” e tornálo compatível com a fórmula adotada pela IN 243/2002. Notese que o acatamento desse argumento, para a legitimação da IN 243/2001, demanda que o intérprete reordene a forma como as alíneas foram dispostas pelo legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9430/96, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. A referida tese não esconde a sua complexidade. Concluída essa reestruturação do texto da art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, ainda não chegaria à fórmula da IN 243/2002, pois novas concessões ainda deveriam ser feitas para acomodar as inovações na fórmula indicada pela SRF. A IN 243/2002 não assumiria apenas a função que originalmente lhe seria rotineira, de imprimir maior operacionalidade, tornar palatável a sua compreensão aos agentes fiscais. Essa instrução normativa teria função mais sofisticada, de traduzir uma linguagem do legislador ordinário que a todos se apresenta como inteligível, de forma a expressar, de forma escorreita, a verdadeira mensagem que, embora de dificílima compreensão para a sociedade em geral, não teria passado desapercebida aos olhos da SRF. Tal como um oráculo, a IN 243/2002, então, conduz um rearranjo do art. 18, II, da Lei n. 9430/96, com a reconstrução estrutural do texto legal, uma série de novos fatores nas fórmulas “traduzidas” pela IN 243/2002. Em uma espiada muito brusca, o referido exercício pode aparentar tratarse de “interpretação” ou mesmo assumir o propósito de “integração”. Em teoria, no caso, o expediente da integração, tutelado pelo art. 108 do CTN, “pressupõe uma lacuna a ser preenchida, i.e., a falta de decisão do legislador acerca de determinada situação”9. Com isso, uma análise mais acurada evidencia que a IN 243/02 NÃO leva a cabo qualquer expediente de integração, mas realmente inova em matéria inserida no âmbito de competência privativa do legislador ordinário. Não há verdadeira lacuna no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60. A IN 243/02, em verdade, veicula uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. Notese que um mero fator textual (acréscimo da preposição “de” ao objeto “o”), não é suficiente para se cogitar que esteja presente uma atribuição do legislador à SRF 9 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 675 e seg. Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.207 18 para que arquitetasse uma fórmula “melhor” ou de qualquer outra forma “diversa” daquela que se pode construir imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É relevante repetir que a referida construção argumentativa, que supostamente daria suporte à IN 243/2002, conduz a uma fórmula muito distinta, com resultados extremamente dispares. Merece destaque o seguinte trecho, do acima referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430? É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático.” Na doutrina nacional, uma série de autores se opõe a essa (re)construção. Nesse sentido, LUÍS EDUARDO SCHOUERI10 leciona, in verbis: “7.8.3.5.1. De imediato, devese notar que tal entendimento contrariaria a própria literalidade do método. Afinal, o legislador da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/00, não acrescentou um quarto método àqueles aceitos para a apuração dos preços de transferência. Ou seja: o artigo 18 da referida Lei continuou contemplando, em seus três incisos, apenas três métodos. Nesse sentido, o que se teve foi, apenas, um desdobramento de um mesmo método: o método denominado, pelo próprio legislador, ‘Preço de Revenda menos Lucro’. Assim, pressupõese, pela literalidade do método, que se apure o preço parâmetro pela fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro’. Tivesse o legislador a intenção de modificar a fórmula, para passar a ser fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro menos valor agregado’, então no mínimo deveria ele, por coerência, deixar de chamar o método de ‘Preço de Revenda menos Lucro’.” Assim, ainda que se considere possível abstrair mais do que uma fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, as seguintes constatações são suficientes para a desconsideração da fórmula indicada pela IN 243/2002: não há decisão expressa ou mesmo implícita do legislador ordinário para que a SRF procurasse arquitetar uma fórmula “melhor” do aquela que se compreende imediatamente do texto legal; 10 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.208 19 a interpretação sustentada, que daria suporte à IN 243/2002, parte de uma construção argumentativa complexa, que por si só coloca em dúvida a sua correção; os limites da IN 243/2002 estão adstritos à regulamentação administrativa da aplicação do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para tornálo mais operacional, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais, esclarecer à sociedade interpretações específicas e, assim, dotar a norma legal de maior eficácia social. Qualquer previsão presente na IN 243/2002 que conduza ao incremento de ônus tributário, que não decorra da precedente decisão do legislador ordinário, devem ser desconsideradas. No subtópico seguinte, será analisada sob uma série de perspectivas a (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. 3.2. A (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. A fórmula indicada pela IN 243/2002, para o cálculo do método PRL60, é considerada por alguns como uma “melhoria” ao texto veiculado pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96: supostamente, terseia uma fórmula “melhor” para regular a aplicação da legislação de preços de transferência. Tais “melhorias”, no caso, converteriam os “preços de revenda menos lucro” (“PRL”) em “PRLVA” (preço de revenda menos lucro menos valor agregado). Ainda que se considere, por hipótese, que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, comporta mais do que uma fórmula matemática, seria preciso verificar se a IN 243/2002 teria adotado alguma destas (como sustenta a PFN) ou se teria extravasado os limites a que estaria adstrita (como sustenta o contribuinte). Os subtópicos seguintes apresentam fundamentos que conduzem à conclusão de que a fórmula indicada pela IN 243/96 para o cálculo dos preços de transferência é incompatível com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 3.2.1. Incompatibilidades formais e a ofensa ao princípio da legalidade aferida por critérios objetivos. Não vem ao caso, nesse subtópico, saber se o comparativo de superioridade que adjetiva a fórmula indicada pela IN 243/02 seria “melhor” ou “pior”. Interessa, aqui, constatar que ambos os adjetivos comparativos pressupõem que a fórmula indicada pela IN 243/02 seja de algum modo ou grau diferente daquela estabelecida no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É por si só relevante ou mesmo decisivo ao julgador aferir que a fórmula indicada pela IN 243/2002 é “diferente” daquela veiculada no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.209 20 Ocorre que a Instrução Normativa deveria assumir tão somente a função de tornar mais operacional a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais e dotar a norma legal de maior eficácia social. Diante do monopólio reservado ao legislador ordinário para a decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60, os pontos de distinção da IN 243/02 em relação à Lei 9.430/96 têm a validade fulminada de plano, reclamando desconsideração pelos aplicadores do Direito. Como se pôde observar no tópio “1”, acima, a Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, NÃO autoriza uma série de elementos constantes na IN 243/2001, em especial: a exclusão do valor agregado no Brasil no cálculo do preço parâmetro. Conforme decisão do legislador ordinário, o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para o cálculo da margem de lucro; atribuirse relevância ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Não obstante, por meio da IN 243/2002, a SRF não só tomou a decisão de eleger como fator determinante o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido na composição da fórmula de cálculo do PRL60, como também estipulou qual seria esse percentual de participação. Merece destaque o seguinte trecho, do já referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96; é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática, esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é diferente da da Lei 9.430/96; de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel, do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”. Como o tema em análise envolve fórmulas matemáticas, é contundente o parecer do referido Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel e Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Se os matemáticos derivam uma determinada fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, mas uma outra fórmula da IN 243/2002, bem como afirmam que, sob o ponto de vista matemático, “nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”, há evidência eloquente de que a Instrução Normativa divergiu da Lei, extravasando o seu âmbito de competência e infringindo a reserva legal. Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.210 21 A IN 243/2001, como fonte secundária, teria a função de apenas atribuir maior operacionalidade, clareza e, assim, executar com fidelidade a fonte primária, que é a Lei 9.430/96. No entanto, a IN 243/2002 claramente nega eficácia à decisão do legislador ordinário, que supostamente não teria sido técnico o suficiente e dado ensejo a desequilíbrios. Correta ou não, cabe ao Poder Legislativo o monopólio da decisão sobre como será o controle dos preços de transferência no Direito tributário brasileiro. Antes de 1996, precisamente por decisão do legislador ordinário, sequer havia, no Brasil, qualquer controle sobre os preços de transferência. A ele, legislador ordinário, cabe tratar privativamente sobre a tema em discussão. Dessa forma, por obstaculizar que os agentes fiscais executem adequadamente a decisão do legislador ordinário, veiculada pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, a IN 243/2001 merece imediata repulsa. Como julgador administrativo, não afastar a aplicação da IN 243/2001 redundaria igualmente em negar eficácia à decisão enunciada pelo único agente competente para prescrever a fórmula de cálculo do PRL60, que é o legislador ordinário. Recusome a isso. Não se trata de saber qual das fórmulas é “melhor”: tratase de respeitar o monopólio da decisão detido pelo legislador ordinário. Esse entendimento encontra fundamento na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como se observa desse trecho do conhecido voto do Min. ALIOMAR BALEEIRO, no RE 69784, in verbis: “A justiça é uma idéiaforça, no sentido de FOUILLÉ, mas varia no tempo e no espaço, senão de indivíduo. Fixao o legislador e o juiz há de aceitála como um autômato. Inúmeros Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, declaram que lhe não é lícito corrigir a justiça intrínseca na lei, substituindose as escolhas do legislador.” A IN 243/2002 realmente violou o princípio da legalidade. Ao adotar fórmula diversa daquela prevista pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e extravasar a sua função secundária e meramente regulamentar, a IN 243/2002 majorou tributos com o cerceamento da dedutibilidade do custo de bens, direitos e serviços importados de partes relacionadas e aplicados à produção em território brasileiro. Como a função precípua da CSRF é uniformizar entendimentos divergentes adotados pelas Turmas Ordinárias do CARF, insta observar que há uma série de decisões deste Tribunal que também concluíram ser ilegal a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do método PLR60, como se observa das seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.211 22 nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. (CARF, Acórdão 1202000.835, sessão de 07.08.2012) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (CARF, Acórdão 1101000.864, sessão de 07.03.2013) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (CARF, Acórdão 1201000.803, sessão de 07.05.2013) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÕES PROCEDENTES. Não é digna de reparo a decisão que, amparada por diligência fiscal efetuada pela própria autoridade autuante, acolhe argumento da contribuinte acerca da ocorrência de erro de fato no fornecimento de dados utilizados na determinação da matéria tributável, e, por meio de controles internos, apura que parte das exigências formalizadas já são objeto de outro feito administrativo, caracterizando, assim, duplicidade de lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preçoparâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento. Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.212 23 (CARF, Acórdão 1301001.235, sessão de 13.06.2013) Nesse mesmo sentido, há substancial consenso doutrinário quanto ao extravasamento da IN 243/2001 na regulamentação do PLR60. Citese, por exemplo, LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD11, que suscitam, in verbis: “As disposições trazidas pela IN 243/02 têm implicações significativas, provocando um aumento substancial no valor dos ajustes tributáveis (...). Uma alteração na sistemática de cálculo do PRL implica mudança na determinação da base de cálculo do tributo e, consequentemente, do próprio montante tributável. A nosso ver, uma alteração de tal natureza só poderia ser implementada por lei, e não por meio de instrução normativa, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. As instruções normativas são normas secundárias cuja única função é esclarecer as disposições contidas em lei, não podendo nunca inoválas ou contrariálas. A IN 243/02 não poderia validamente alterar o critério legal de apuração do PRL ou contrariar as disposições da Lei n. 9.959/00, mas assim o fez” No mesmo seguir, assim se posiciona GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR.12, in verbis: “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. Por todos esses fundamentos já expostos, parece certo que a fórmula de cálculo do PRL60 indicada pela IN 243/2002 deve ser desconsiderada. 3.2.2. Incompatibilidades formais e o princípio da anterioridade em matéria tributária. Com o reforma de 2012, empreendida pela Lei n. 12.715 (dez anos após a edição da IN 243/2002), o legislador ordinário finalmente adotou enunciados que claramente prescrevem a adoção de uma fórmula diversa daquela adotada com a Lei n. 9.959/2000, mais apta a lidar com a proporção do insumo importado aplicado na produção nacional. Desse modo, somente após 10 anos da publicação da IN 243/2002 é possível identificar maior respaldo à fórmula então indicada pela SRF. Conforme dispõe a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, alterações legislativas: Como regra, devem respeitar o princípio da irretroatividade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “a”); Como regra, devem respeitar o princípio da anterioridade sempre que houver 11 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 237. 12 MOREIRA JR., Gilberto de Castro. Método do preço de revenda menos lucro no caso de agregação de valor no país. Confronto entre a Lei n. 9.430/1996 e a Instrução Normativa n. 243/2002, in Tributos e Preços de Transferência – 3o Volume. São Paulo : Dialética, 2009, p. 105. Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.213 24 agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “b”); Excepcionalmente, podem ter eficácia retroativa “quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados” ou, ainda, quando forem benéficas ao contribuinte (CTN, art. 106). A Lei n. 12.715/2012 inaugurou uma nova sistemática de cálculo do método PLR, com a decisão consciente do legislador de inovar o regime até então vigente e com o assumido potencial de aumento da carga tributária. Diante desse cenário, a fórmula para o cálculo do PRL que se obtém da norma enunciada pelo legislador ordinário na Lei n. 12.715/2012 deverá se submeter a dois corolários básicos do princípio da segurança jurídica: os princípios da anterioridade e da irretroatividade. O art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a vigência da novel fórmula de cálculo do PLR para o dia 01.01.2013, fazendo referência específica à alteração que introduzira por meio seu art. 48 ao art. 18 da Lei n. 9.430/1996. É o que se observa textualmente na Lei n. 12.715/2012: Art. 48. Os arts. 12, 18, 19 e 22 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (…) Art. 78. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (…) § 1. Os arts. 48 e 50 entram em vigor em 1 de janeiro de 2013. Caso a Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse a norma introduzida pela Lei n. 9.959/2000, ratificando os método PLR60 até então vigente sem qualquer incrementar a obrigação tributária, então não seria necessário observar o princípio da anterioridade. Além disso, referida norma poderia ser considerada interpretativa, com efeitos retroativos. Mas não é o caso: por tratarse de decisão consciente do legislador ordinário em alterar a metodologia do PLR com potencial de aumentar o ônus tributário imposto à sociedade, a referida deve respeitar a anterioridade e não pode ser aplicada retroatividade. A exposição de motivos da MP n. 563/2012, que foi convertida na aludida Lei n. 12.715/12, demonstra com nitidez a decisão do legislador em alterar a norma até então vigente para o cálculo do PLR e adotar vacatio legis em respeito ao princípio da anterioridade, de aplicação obrigatória na hipótese de majoração do ônus de IRPJ e CSL: “56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edição da norma, atualizandoa para o ambiente jurídico e de negócios atual. Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.214 25 (...) 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. (...) 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” Assim, se a Lei n. 12.715/2012 apresenta alguma eficácia interpretativa, seria a de esclarecer que a fórmula adotada pela IN 243/2002 não encontravam fundamento de validade na vigência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, devendo ser mantida a incontroversa fórmula indicada pela IN 32/2001. No caso concreto sob julgamento, em face do período de apuração relevante, não são aplicáveis as normas da Lei n. 12.715/2012, o que atentaria contra o princípio da irretroatividade da lei tributária. Para o período relevante, é preciso reconhecer que a IN 243/2002 extravasou os limites a que estaria adstrita. É necessário aplicar diretamente a norma prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, tal como interpretada pela IN 32/2001, que restou incontroversa. 3.2.3. Incompatibilidades materiais e a ofensa ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva. Embora evidências matemáticas e demais constatações expostos nos subtópicos anteriores sejam suficientes para o afastamento da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60, há ainda outras evidências jurídicas que justificam a desconsideração do ato infralegal. Tais evidências defluem de seu conteúdo, representando incompatibilidades materiais da IN 243/02 em face da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. A administração fiscal deve agir nos estritos limites normativos atinentes à matéria dos preços de transferência, respeitando os princípios e regras consagrados pelo legislador ordinário. E há, no caso da legislação dos preços de transferência, princípios e regras que não podem ser ignorados, especialmente pertinente à igualdade tributária e à capacidade contributiva. Nesse ponto, é importante fazer referência à seguinte passagem do estudo de LUÍS EDUARDO SCHOUERI13, que bem sintetiza alguns dos elementos essenciais para a solução do recurso especial em análise, in verbis 13 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 1415. Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.215 26 “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” (negrito acrescido ao original) É fundamental para a matéria em análise, então, compreender que a legislação brasileira dos preços de transferência busca precisamente neutralizar a desigualdade nas operações entre partes vinculadas. Nos casos em que o método PLR60 seriam aplicáveis, a aludida norma se voltaria exclusivamente às operações de importação realizadas por empresas vinculadas e que, por meio de ajuste de preços de venda de bens, serviços ou direitos, apresentassem a potencialidade de transferir resultados ao exterior sem a correspondente tributação. Se era esse o objetivo do legislador ordinário, é de difícil aceitação que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 teria prescrito critérios de eliminação de desigualdades tão voláteis e indeterminados que possibilitassem à administração fiscal exigir ajustes a partir preços parâmetros compreendidos em um intervalo de “ R$10,00” a “R$ 70,00”. Ocorre que o princípio da igualdade vivificado pelo padrão arm’s length, pressupõe a eleição consciente, pelo legislador ordinário, de critérios de distinção aptos a tratar semelhantes de forma equivalente, com os ajustes que se façam necessários na base de cálculo do IRPJ e CSL para a corrigir diferenciações injustificadas. A tese de que, dos enunciados do Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.216 27 art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, seria possível abstrair duas fórmulas capazes de conduzir a preços parâmetros tão dispares (“10,00” ou “70,00”, por exemplo), conflita por si só com o princípio da igualdade, pois torna insustentável a sua concretização. Na verdade, o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, efetivamente elegeu expressamente os critérios de distinção que, conforme a sua decisão, seriam aptos para vivificar o princípio da igualdade e da capacidade contributiva. A “segunda fórmula” indicada pela IN 243/2002, então, enfraquece arbitrariamente o princípio da igualdade, pois nega eficácia jurídica ao critérios de distinção eleitos pelo legislador ordinário (art. 18, II, da Lei n. 9.430/96), a quem compete o monopólio da decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60. Nesse seguir, ao advogar que a Lei n. 9.430/96 teria concedido tamanha discricionariedade à administração, a PFN pode estar suscitando a ocorrência de delegação de competência tributária, o que é vedado pela Constituição Federal (art. 150) e pelo CTN (art. 97). Se a lei tivesse permitido a adoção de fórmulas que tão dispares, possivelmente a constitucionalidade de tal lei poderia inclusive vir a ser questionada perante o Poder Judiciário. 3.2.4. Incompatibilidades materiais e a falácia dos “fins” que justificariam os “meios”. O julgamento do presente recurso especial pode dar ensejo a um deslize no processo de concretização do Estado de Direito: relativizar o princípio da legalidade (meio), para que o Brasil conte com uma norma de preço de transferência supostamente “melhor” e vocacionada a aferir adequadamente os preços de mercado, inclusive com a consideração proporcional dos insumos importados de partes vinculadas (fins). Como já se constatou acima, esse argumento de que “os fins justificam os meios” esbarra no princípio da estrita legalidade em matéria tributária. No entanto, tendo em vista a importância do tema, não se pode deixar de investigar se os referidos “fins” apregoados para a legitimação da IN 243/2002 realmente teriam potencial de concretização. Sob a perspectiva matemática, o estudo desenvolvido pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, acima citado, apresentou as seguintes conclusões: “2. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a fórmula da IN 243 corrige defeitos da Lei 9.430. Essa afirmação é correta do ponto de vista da matemática? Não. Essa manobra é parecida com os argumentos desvendados no quesito anterior, mas ela precisa ser tratada separadamente pois a derivação de sua conclusão é mais complexa. Na essência do método, mostrase que a fórmula da Lei 9.430 apresenta falhas as quais são corrigidas na fórmula da IN 243. A inadequação deste método como argumento em prol da eficácia da IN 243 está na omissão do fato de que a fórmula definida por esse normativo possui falhas semelhantes às da fórmula da Lei 9.430.” Também merece destaque o seguinte trecho, colhido da citada “Constatação 5” do mesmo estudo, in verbis: “(i) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP menor que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for de 60%; (ii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP igual ao valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for menor que 60%; Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.217 28 (iii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP maior que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for maior que 60%;” Notese, ainda, a conclusão do mesmo matemático em relação a esse outro quesito que lhe foi apresentado, in verbis: “1. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a aplicação da IN 243 pode ser benéfica aos contribuintes. Essa afirmação tem sustentação matemática? A alegação da Fazenda Nacional de que ‘... a metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador’ (...) está errada pois sabemos, conforme provado em minha Constatação 5, que a fórmula da IN 243 acarreta ajuste tributário e, consequentemente, tributação, toda vez que a lucratividade da produção for inferior a 60%. (...)” Conclui o matemático que “a fórmula da IN 243 falha em apurar o valor justo do Preço Parâmetro a partir de valores de produtos corretamente declarados pelo contribuinte quando a margem de lucro efetiva sobre o PLV for menor que 60%”. A evidência matemática, então, aclara que a fórmula indicada pela IN 243/2002 não soluciona problemas presentes na fórmula legal, imediatamente construída a partir do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Além disso, como evidenciou o matemático, a fórmula da IN 243/2002 tem o potencial de agravar o ônus fiscal sobre o contribuinte. Assim, se a IN 243/02 apresenta outros vícios, inclusive formais, que justificam a sua desconsideração para a apuração do PRL60, também é possível observar vícios materiais que a tornam imprópria para o controle dos preços de transferência. 4. Conclusões Por todo o exposto, há evidências mais do que suficientes para se afirmar que a fórmula indicada pela IN 243/2002 descumpre com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Se há uma “segunda fórmula” alternativa àquela da IN 32/2001, que se adeque à moldura prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, não se trata da fórmula indicada pela IN 243/2002. Voto, assim, para que seja NEGADO PROVIMENTO ao recurso especial da PFN. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.218 29 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Redator Designado. Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre relator, peço vênia para divergir no mérito. Sobre a legalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 14. No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. 14 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.219 30 E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 15, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 16 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. 15 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 16 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.220 31 (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 17 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela 17 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.221 32 IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 18. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da 18 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.222 33 manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total19. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) 19 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.223 34 O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CII Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.224 35 CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 20, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: 20 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.225 36 UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.226 37 o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.227 38 Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.228 39 consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 16643.000308/201018 Acórdão n.º 9101002.835 CSRFT1 Fl. 2.229 40 Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Enfim, cabe o retorno dos autos para a turma a quo, vez que, como foi dado provimento ao recurso na decisão recorrida, não foram enfrentadas demais matérias do recurso voluntário, conforme aduzido pela Contribuinte em contrarrazões: O v. acórdão recorrido, ao dar provimento ao recurso voluntário da Recorrida e julgar improcedente pelo mérito o lançamento fiscal, não analisou porque prejudicados os demais argumentos constantes do recurso (item I (e subitens), subitens II.2 e II.3, itens III e IV (constou por equívoco VI)) (...) Portanto, diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, e determinar o retorno dos autos para a turma a quo apreciar as matérias não enfrentadas no recurso voluntário nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 2229DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.937200/2012-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE. POSSIBILIDADE.
É ilegítima a negativa, para fins de apuração de saldo negativo de IRPJ, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrar o contribuinte em duplicidade.
Numero da decisão: 1201-001.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Eva Maria Los e José Carlos Guimarães, que votaram por sobrestar o feito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los- Relatora.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS ANTERIORMENTE. POSSIBILIDADE. É ilegítima a negativa, para fins de apuração de saldo negativo de IRPJ, do direito ao cômputo de estimativas liquidadas por compensações, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação, sob pena de cobrar o contribuinte em duplicidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Eva Maria Los e José Carlos Guimarães, que votaram por sobrestar o feito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 72 00 /2 01 2- 57 Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 1201001.819 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo das Declarações de Compensação PER/DComp nº 19861.16627.220909.1.7.027501, retificadora da nº 39107.09297.150709.1.3.021016, de 15/07/2009, págs. 2/9; 8504.82462.220909.1.7.026169, 24869.73450.220909.1.3.025621, 42299.48590.151009.1.3.020273, 09960.32281.061109.1.3.024112, 22376.31568.091209.1.3.021889, 31351.10883.21209.1.3.025304, 34216.90833.301209.1.3.025010, 30772.78496.210110.1.3.020928, 37578.48388.100210.1.3.025205, 02064.07768.080310.1.3.023734, 01787.94512.190410.1.3.020775, 9198.87765.170510.1.3.027244, 06074.98096.180610.1.3.026600, 22912.16351.200710.1.3.022015, em que o contribuinte requer o crédito de R$32.705.804,33 de Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica SN IRPJ do período de apuração encerrado em 31/12/2008, para compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório págs. 10/15, reconheceu o crédito de SN IRPJ de R$30.079.068,84 e homologou as compensações de todas PER/Dcomp, exceto a de nº 22912.16351.200710.1.3.022015, homologada em parte; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de págs. 17/25, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA DRJ/BEL emitiu o Acórdão nº 0126.926, de 22 de agosto de 2013, págs. 78/83, considerando improcedente a manifestação, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 SALDO NEGATIVO IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NAO HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO NO AJUSTE ANUAL. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO QUESTIONADO. Tendo sido parcialmente homologadas as estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores e julgada improcedente a manifestação de inconformidade, o crédito questionado revelase inexistente haja vista a impossibilidade de seu aproveitamento no ajuste anual. 3. Cientificado em 03/09/2013, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 27/09/2013, o recurso voluntário de págs. 87/103. 4. Sobre o valor de R$2.626.735,49 não confirmado de estimativas mensais compensadas, tratase da PER/Dcomp nº 16331.11178.181208.1.3.020943, utilizada pela Recorrente para extinção/quitação da estimativas de imposto de renda do anocalendário de 2008, a qual foi confirmada parcialmente, e que se encontra em discussão em processo administrativo nº 10880.666384/201184 e certo é que o desfecho do presente processo está diretamente atrelado ao julgamento final deste. 5. Contudo, a citada Declaração de Compensação não possui uma decisão definitiva, isto é, encontramse em discussão administrativa, razão pela qual tal justificativa trazida no Acórdão ora recorrido de "falta de liquidez e certeza em relação ao direito creditório" não pode ser aceita, dado que essa parcela do crédito se encontra com a exigibilidade suspensa. Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 1201001.819 S1C2T1 Fl. 4 3 6. Relata, em relação à PER/Dcomp da estimativas não homologada, que apresentou Manifestação de Inconformidade à DRJ, nos autos do Processo Administrativo n° 10880.666384/201184. 7. E mais que isso, o que se verifica no presente caso é que o resultado do julgamento final a ser proferido no mencionado processo administrativo não trará qualquer reflexo prático para o presente caso que não seja a homologação da compensação e extinção do crédito tributário, haja vista que: (i) havendo decisão favorável à esta Recorrente, as estimativas restarão definitivamente extintas via compensação e, portanto, aptas a dar suporte ao direito creditório ora em discussão (saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2008); ou (ii) havendo decisão desfavorável, a Recorrente será obrigada a realizar o pagamento dos débitos lá indicados para compensação e não compensados (estimativa de IRPJ relativa ao mês novembro de 2008), com o que continuará a existir o lastro para o direito creditório objeto do presente processo. 8. Outrossim, como afirmado logo acima, caso a ora Recorrente saia derrotada naquelas discussões administrativas e efetue o pagamento dos tributos lá compensados, o que se admite para mera argumentação nesses autos, é certo que restará mantido o lastro para o direito creditório em questão, ou seja, a cobrança pretendida no presente caso se tratará de uma verdadeira cobrança em duplicidade de um mesmo crédito tributário. 9. Referenciase à Solução de Consulta Interna nº 18, de 2006, a acórdãos que a aplicam. 10. Discorda que falta liquidez e certeza a este crédito, apontando a regra do § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e cita decisões judiciais. 11. Aponta e descreve a conexão deste processo com o de nº 10880.666384/201184, e descreve os créditos de Saldos Negativos de anos precedentes e respectivos processos e as Dcomps que os compõem, assim como as manifestações de inconformidade que apresentou. 12. Requer a homologação da PER/Dcomp deste processo e, subsidiariamente, caso se conclua que não deve ser acatado o argumento e, assim, não se adentre ao mérito das compensações anteriores desconsideradas pela Delegacia de Julgamento, requer o reconhecimento, ao menos, que o resultado do presente processo depende do julgamento a ser proferido no processo nº 10880.10880.66384/201184, motivo pelo qual se espera: (i) seja determinada a suspensão do presente caso até o julgamento definitivo dos processos anteriormente referidos; ou (ii) a reunião de todos os aludidos processos administrativos, como forma de evitar a prolação de decisões contraditórias. Voto Vencido Conselheira Eva Maria Los 13. A parcela do crédito requerido não reconhecida foi R$2.626.735,49 de estimativa mensal de 11/2008, cuja compensação não foi homologada. Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 1201001.819 S1C2T1 Fl. 5 4 1 Estimativa mensal de 11/2008, cuja compensação não foi homologada: Período de apuração PER/Dcomp Valor da Est compensada PER/DCOMP Valor confirmado Valor não confirmado processo administrativo Nov/2008 16331.11178.181208.1.3.02 0943 12.844.332,35 10.217.596,86 2.626.735,49 10880.666384/201184 14. O processo administrativo nº 10880.666384/201184, por sua vez, depende do processo nº 10880.902441/201102. 15. O processo 10880.902441/201102 encontrase, no momento deste voto, na DCIR EADICDIORTDERAT SPOSP, tendo sido proferido Acórdão pela DRJ/SPI (anexado pág. 928/931) que considerou a manifestação de inconformidade improcedente, cientificado à recorrente em 15/02/2013 (anexado pág. 932); esta apresentou Recurso Voluntário em 15/03/2013, objeto da Resolução 1302000.321 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF, convertendo o julgamento em diligência (anexado pág. 933/937); este, por sua vez, depende dos processos 10880.903035/200691, 10880.946029/200971 e 10880.935981/201083. 16. O tratamento a ser dado às estimativas mensais, que foram objetos de Declaração de Compensação, que, no momento da decisão sobre o valor do Saldo Negativo na apuração anual, não tiveram suas compensações homologadas, foi objeto de posicionamentos divergentes. 17. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional já se pronunciou a respeito, Parecer PGFN/CAT/Nº 193/2013: Ano: 2013 Tipo Pareceres PGFN Título:PGFN/CAT nº 193/2013 e Nota Técnica Cosit nº 034/2012 Assunto: IRPJ.CSLL. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em DCOMP não homologada pelo fisco. Impossibilidade de inscrição das estimativas em Dívida Ativada União. Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líqüido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Impossibilidade de inscrição das estimativas em Dívida Ativa da União. Inexistência de crédito tributário. Ausência de certeza e liquidez. 18. Porém, em 23 de janeiro de 2014, em resposta a consulta formulada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a PFN emitiu o Parecer PGFN/CAT/nº 88 , de 23 de janeiro de 2014, que orienta para a possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste. 19. Discordo do argumento de que sendo a PER/DCOMP instrumento de confissão de dívida, os débitos das estimativa mensais de 2007, cuja compensação porventura não venha a ser homologada, serão cobrados. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 1201001.819 S1C2T1 Fl. 6 5 20. O contribuinte não tem razão, dado que estimativas mensais, que se constituem em antecipações do valor devido na apuração ao final do anocalendário, não podem ser objetos de lançamento fiscal ou cobrança, mas apenas pode ser cobrado o valor do imposto da apuração anual. Conseqüentemente, estimativas mensais não recolhidas ou cuja compensação não foi homologada, não podem compor Saldo Negativo de IRPJ como direito creditório hábil a compensar débitos; e só podem ser consideradas na confirmação de SN pleiteado, as estimativas mensais cuja compensação tenha sido confirmada. 21. Por isso, cabe considerar como deduções na apuração, apenas as estimativas cuja compensação tenha sido homologadas. 2 Sobrestamento do processo 22. Requer, caso não atendido o pleito de reconhecimento das estimativas não compensadas, o sobrestamento do processo, até o deslinde dois processos dos quais depende a homologação ou não da estimativa que o contribuinte declarou como compensada. 23. Encontramse nesta Câmara e Turma, os seguintes processos, dentre os quais se inclui o presente, que dependem de outros: 1) 10880.666384/201184, requer crédito SN IRPJ 31/12/2007, e depende de: 10880.902441/201102 10880.937060/201136 2) 10880.937200/201257, requer crédito de SN IRPJ 31/12/2008, e depende de: 10880.666384/201184, que depende de: 10880.902441/201102 10880.937060/201136 3) 10880.666383/201130, requer crédito SN CSLL 31/12/2007, e depende de: 10880.902441/201102 4) 10880.902442/201149, requer crédito de SN CSLL 31/12/2008, e depende de: 10880.666383/201130, que depende de: 10880902441/201102 10880.666384/201184 Em síntese, todos dependem dos processos 10880.902441/201102 e/ou 10880.937060/2011 36. a. O processo 10880.937060/201136, encontrase, no momento deste despacho, na CEGEPDRJRPOSPGEST02, tendo sido proferido Despacho Decisório que não homologou as compensações ali declaradas, cientificado à recorrente Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 1201001.819 S1C2T1 Fl. 7 6 que apresentou manifestação de inconformidade em 17/08/2011; este processo se encontra na DRJRPO, pendente de julgamento (e depende de outros ainda, não listados aqui); b. O processo 10880.902441/201102 encontrase, no momento deste despacho, na DCIREADICDIORTDERAT SPOSP, objeto da Resolução 1302000.321 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, convertendo o julgamento em diligência (e depende de outros ainda, não listados aqui). 24. De acordo com o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343 de 9 de julho de 2015: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (...) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. 25. À vista do exposto, proponho encaminhar o processo à Unidade Preparadora, Derat SP (DCIREADICDIORTDERAT SPOSP), para que aguarde decisões definitivas nos processos 10880.902441/201102 e 10880.937060/201136; e anexe tais decisões aos mesmos, respectivamente, e se tais decisões implicaram na homologação de débitos estimativas mensais de CSLL e IRPJ confessados nas PERDCOMP constantes destes processos, na totalidade ou em parte, informar os valores extintos e os não extintos. 3 Conclusão. Voto por encaminhar o processo à Unidade Preparadora, DeratSP (DCIREADIC DIORTDERAT SPOSP), para que aguarde decisões definitivas nos processos 10880.902441/201102 e 10880.937060/201136; e anexe tais decisões aos mesmos, respectivamente, e se tais decisões implicaram na homologação de débitos estimativas mensais de CSLL e IRPJ confessados nas PERDCOMP constantes destes processos, na totalidade ou em parte, informar os valores extintos e os não extintos, e devolver a este Conselho, para decisão. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 1201001.819 S1C2T1 Fl. 8 7 Voto Vencedor A controvérsia se instaurou em face da glosa das estimativas mensais, cuja compensação é objeto de discussão em outros processos administrativos, individualmente indicados no relatório. A fiscalização (acatada pela DRJ) glosou o montante de estimativas do total do referido crédito, uma vez que sua forma de extinção – compensação – não teria sido homologada em processos específicos. Nesse contexto, em que pese as mencionadas compensações de estimativas não terem sido homologadas, fato é que inexiste evidências de que existem decisões definitivas sobre o assunto, considerando todas as instâncias e vias para a discussão. Não é difícil notar, aliás, que, caso eventualmente um recurso voluntário ou especial, e até mesmo uma ação judicial ajuizada pelo contribuinte sejam julgados procedentes, a estimativa compensada deverá ser normalmente computada para fins de apuração do crédito de saldo negativo pleiteado. E caso sobrevenha decisão definitiva desfavorável ao contribuinte, ainda assim o débito de estimativa será objeto de cobrança em procedimento específico e poderá ser normalmente executado, não impedindo sua inclusão para efeitos de saldo negativo. A negativa do cômputo das estimativas no saldo negativo apurado no ano causa, ainda, o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois ao mesmo tempo em que o fisco exige o seu pagamento nos autos dos processos de compensação, também ora impede a sua utilização. O que se tem no caso, pois, é uma glosa indevida, que deve ser afastada sob pena de onerar o contribuinte diante de cobrança formulada em duplicidade. O CARF, aliás, vem se posicionando sobre a necessidade de inclusão de estimativa compensada, ainda que esta não tenha sido homologada, no cálculo do saldo negativo, justamente para evitar a dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Vejase, a título exemplificativo, as ementas dos julgados abaixo: “COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10880.937200/201257 Acórdão n.º 1201001.819 S1C2T1 Fl. 9 8 da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem”. (Acórdão 1201001.054 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Relator Luis Fabiano Alves Penteado, Sessão de 30/07/2014). “DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS COM CRÉDITOS DE PERÍODOS ANTERIORES. DUPLA COBRANÇA. A compensação regularmente declarada extingue o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive a composição do saldo negativo. Glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Mesmo que haja decisão administrativa não homologando a compensação de um débito de estimativa essa parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo”. (Acórdão nº 1803002.353 – 3ª Turma Especial, Relator Arthur Jose Andre Neto, Sessão de 23/09/2014). Em julgado mais recente, a CSRF adotou semelhante posição, conforme atesta o julgado abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). (Acórdão n. 9101 002.489. Dj 06/12/2016). Nesse sentido, entendo que inexiste justificativa para a manutenção da glosa das estimativas de IRPJ, devendo os montantes correspondentes serem computados no crédito pleiteado pela Recorrente. Dessa forma, voto por CONHECER do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1010DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.000295/2004-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.321
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 02 95 /2 00 4- 18 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11065.000295/200418 Acórdão n.º 9303005.321 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.604, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11065.000295/200418 Acórdão n.º 9303005.321 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11065.000295/200418 Acórdão n.º 9303005.321 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 413DF CARF MF Processo nº 11065.000295/200418 Acórdão n.º 9303005.321 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 414DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.000380/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 21/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63/17. SUMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 3401-003.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Mchado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63/17. SUMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Mchado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 80 /2 00 7- 67 Fl. 2081DF CARF MF 2 Cuidase de Recurso Voluntário (fls.264 e seguintes) contra decisão da DRJ/RPO, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração lavrado em razão falta de recolhimento do PASEP, para todos os meses compreendidos no período de julho de 1997 a janeiro de 2007. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 606 e seguintes) de R$ 4.066.821,84 (quatro milhões, sessenta e seis mil, oitocentos e vinte e um reais e oitenta e quatro centavos) e mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$ 8.107.964,76 (oito milhões, cento e sete mil, novecentos e sessenta e quatro reais e setenta e seis centavos). Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram os seguintes. Conforme descrito no "Termo de Constatação Fiscal n° 1 (fls. 270272), o Contribuinte, em resposta a intimação, apresentou planilhas de demonstração da base de cálculo da contribuição para o PASEP que coincidem com os montantes informados nos Balancetes de Receitas Arrecadadas. Nas citadas planilhas, não constam transferências a outras entidades públicas passíveis de dedução da base de cálculo da contribuição ao PASEP, nos termos do art. 7° da Lei 9.715/98. Os valores das deduções da base de cálculo do PASEP constantes das planilhas apresentadas pelo contribuinte também coincidem com os valores informados nos Balancetes de Receitas Arrecadadas. Intimado a esclarecer o fundamento de tais deduções, o contribuinte informou que correspondem a valores destinados ao FUNDEF e FUNDEB, originados de retenções pela Unido de 15% sobre as receitas (FPM, ICMS, Desoneração do ICMS e IPI Exportação). Conforme esclarece a autoridade autuante, a Portaria STN n° 328/2001 determina que as receitas devem ser registradas pelos seus valores brutos, devendo os quinze por cento retidos automaticamente das transferências serem registrados na conta contábil retificadora da receita orçamentária, com o primeiro digito substituído pelo número 9, e os valores repassados desse Fundo (FUNDEF) aos Municípios deverão ser registrados no código de receita 1724.01.00 — Transferência do FUNDEF (conta sintética: 17000.00.00 — Transferências Correntes). A partir desses fatos, concluiu a autoridade autuante que os débitos do PASEP para os meses de julho de 1997 a janeiro de 2007 são superiores aos valores pagos e/ou declarados, razão pela qual as diferenças foram lançadas por meio do auto de infração lavrado. Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 26.07.2007 (fl. 624), e interpôs impugnação, em 24.08.2009 (fls. 628 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: Houve prescrição dos créditos tributários lançados para os meses de julho de 1997 a julho de 2002, já que o art. 1° do Decreto 20.910/1932 determina que o prazo de prescrição dos créditos ou ações contra os municípios é de cinco anos. Ademais, o STJ já decidiu, no Resp 61348, que são inconstitucionais os incisos I e II do art. 45 da Lei 8.212/91, Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 16004.000380/200767 Acórdão n.º 3401003.903 S3C4T1 Fl. 2.802 3 devendo a constituição dos créditos tributários relativos As contribuições sociais seguir o prazo estipulado no CTN, que é de cinco anos. No período de janeiro de 1998 a dezembro de 2001, a autoridade autuante não descontou da receita utilizada para a base de cálculo o valor relativo a contribuição para a formação do FUNDEF, previsto no art. 60, § 2°, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Antes da edição da Portaria STN n° 328/2001, os valores das receitas provenientes do FPM, ICMS, Desoneração do ICMS e IPI exportação foram registrados por seus valores brutos e as respectivas deduções dos 15% para a formação do FUNDEF foram contabilizadas como despesas. Os valores retidos ao FUNDEF retornam ao município por meio de repasses, que são contabilizados na receita orçamentária, compondo esta a base de cálculo do PASEP. Nos termos do art. 7° da Lei 9.715/98, devem ser deduzidas da base de cálculo do PASEP as transferências efetuadas a outras entidades públicas, de modo que a autoridade autuante não respeitou a lei ao não deduzir o valor das transferências feitas ao FUNDEF da base de cálculo do PASEP. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1423.091 (fls 2035 e seguintes), através do qual a Impugnação foi considerada parcialmente improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 30/11/1999;31/12/1999, 31/01/2000, 28/02/2000, 31/03/2000, 31/05/2000;3'0/06/2000, 3'1/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004, 28/02/2005, 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/10/1997, 30/04/1998, 31/10/1998, 30/04/1999, 31/10/1999, 30/04/2000, 31/10/2000, 30/04/2001, 31/10/2001, 30/04/2002, 31/10/2002, 31/07/2003, 31/01/2004, 31/07/2004, 31/01/2005, 31/07/2005, 31/01/2006, 31/07/2006, 31/01/2007 DECADÊNCIA Diante do enunciado da Súmula Vinculante n° 8, está a Administração Tributária impedida de praticar qualquer ato com base nos arts. 45 e Fl. 2083DF CARF MF 4 46 da Lei n° 8.212/1991. A decadência do PASEP deve ter seus prazos regulados pelo CTN, que fixa em cinco anos o lapso temporal para o lançamento, contado da data da ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que houve recolhimento antecipado. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da la Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, exonerandose, pela decadência, os valores lançados para os fatos geradores dos meses de julho de 1997 a junho de 2002 e mantendose os lançamentos relativos aos demais fatos geradores. Dessa decisão, importante destacar os seguintes excertos: Tendo em vista que a ciência do auto de infração ocorreu apenas em 26/07/2007, houve a decadência para os fatos geradores ocorridos antes de 25/07/2002. Assim, exonerase, pela decadência, os valores lançados para os fatos geradores dos meses de julho de 1997 a junho de 2002. Para o mês de julho de 2002 não ocorreu a decadência, já que o fato gerador ocorre no último dia do mês, de modo que ocorreu em 31/07/2002. Assim, mantémse os valores lançados para os fatos geradores de julho de 2002 a janeiro de 2007. As objeções opostas pelo contribuinte quanto à dedução dos valores repassados ao FUNDEF alcançam apenas os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro de 1998 a dezembro de 2001, lançamentos estes que foram exonerados em razão da decadência. Em face do exposto, VOTO pela procedência em parte do lançamento, exonerando, pela decadência, os valores lançados para os fatos geradores dos meses de julho de 1997 a junho de 2002. Intimada de tal decisão, a Contribuinte não interpôs Recurso Voluntário, e ainda informou sua vontade de aderir ao programa de parcelamento promovido pela Lei Federal 11.941/2009, de modo que restaram incontroversos os lançamentos não abrangidos pela decadência que fora reconhecida em primeiro grau. Com relação aos lançamentos exonerados, os autos foram encaminhados (fls. 2.071) a esse Egrégio Conselho em razão de tal exoneração ultrapassar o limite de alçada à época, e houve a separação da parte incontroversa para posterior cobrança: A lª Turma da DRJ/RPO, no acórdão 1423.091 de fls. 1016 a 1021, por unanimidade de votos, decidiu considerar em parte o lançamento, exonerandose, pela decadência, os períodos de julho de 1997 a junho de 2002. E em razão do crédito tributário exonerado superar o limite de R$ 1.000.000,00 previsto na Portaria MF n° 3/2008, recorreuse de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tendo em vista o acórdão, proponho a abertura de um novo processo, transferindose o crédito não abrangido pela decadência, para um melhor controle da cobrança e o envio do processo principal ao Conselho. Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 16004.000380/200767 Acórdão n.º 3401003.903 S3C4T1 Fl. 2.803 5 É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado O Recurso de Ofício foi encaminhado a esse Conselho em 10.11.2009 (fls. 2079), quando o limite de alçada ainda era de R$1.000.000,00 (um milhão de reais). Todavia, a Súmula CARF 103 dispõe que “para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.” Dito isso, e considerando que desde fevereiro de 20017, quando da entrada em vigor da Portaria MF 63/2017, o limite foi aumentado para R$2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), devese negar, de plano, conhecimento ao recurso de ofício. Tiago Guerra Machado Relator Fl. 2085DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.721768/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
PRELIMINAR. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO ACATADO
Quando os autos proveem os julgadores de todas as informações necessárias para formar juízo acerca da matéria, é dispensável a realização de perícias ou diligências, não havendo que se falar em preterição dos direitos à ampla defesa e ao contraditório, em razão de ter sido negada sua realização.
LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA
Os cálculos do crédito tributário foram efetuados com base nas notas fiscais e demais informações fornecidas pelo próprio contribuinte, em resposta à intimação. Ademais, o contribuinte não apresentou elementos que comprovassem sua impropriedade. Portanto, os critérios de cálculo adotados pela fiscalização estão adequados.
CADEIRAS E BANQUETAS VENDIDAS SEPARADAMENTE OU EM CONJUNTO COM MESAS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL
De acordo com a RGI - 1, a classificação fiscal é determinada pelos textos das posições e Notas de Seção e Capítulo. Desta forma, as cadeiras e banquetas de metal e sem estofamento devem ser classificadas sob o n° 94.01.79.00, específica para assentos e suas partes, e não sob o n° 94.03.02.00 EX 01, aplicável às mesas.
BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA
Não se verifica o fenômeno bis in idem, quando a fiscalização aplicou multa de ofício uma única vez sobre cada uma das bases tributáveis identificadas no trabalho de auditoria fiscal.
DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS INGRESSADOS PARA TROCA. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Face à não-apresentação de provas documentais, não deve ser acatada a alegação de que saídas sobre as quais a fiscalização calculou IPI não eram tributáveis, pois tratava-se de saídas por devolução de produtos ingressados no estabelecimento para troca.
IPI NÃO LANÇADO NOS LIVROS FISCAIS
Correta a cobrança do imposto destacado nas notas fiscais, porém não registrado nos livros fiscais e, por conseguinte, não computado no saldo devedor a pagar.
Alegações de que as notas fiscais teriam sido canceladas ou mesmo corretamente escrituradas, sem a devida comprovação, não devem ser providas.
VENDA DE MP. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. BONIFICAÇÕES. IPI NÃO LANÇADO NOS LIVROS FISCAIS.
De acordo com o § 4° do art. 9 ° do RIPI/02, o estabelecimento industrial que vender matéria-prima para comercialização está sujeito ao pagamento do IPI.
De acordo com o art. 38 e § 3° do art. 131 do RIPI/02, as bonificações estão sujeitas à incidência do IPI.
Não devem ser acatadas alegações, sem comprovação, de que tratava-se de remessas para industrialização.
CÁLCULO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CÔMPUTO DE PAGAMENTO EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE EXPLICAÇÕES E PLANILHAS DE CÁLCULO SOBRE O ESTORNO DE CRÉDITOS EXIGIDOS NO AUTO DE INFRAÇÃO
Devem ser mantidos os créditos tributários lançados, pois, na fl. 14, verifica-se que foi computado nos cálculos do crédito tributário o pagamento que o contribuinte alega não ter sido considerado pela fiscalização, e, nas fls. 24 e 36, constam os motivos pelos quais foi exigido o estorno de créditos e os correspondentes cálculos.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE
A multa de ofício aplica-se a infrações à legislação do IPI, nos termos do art. 80 da Lei n° 4.502/64.
Quanto à discussão sobre constitucionalidade, a Súmula CARF n° 2 dispõe que este colegiado não tem competência para apreciar alegações desta natureza.
JUROS DE MORA SOBRE IPI E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE
Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre o IPI não destacado e pago e sobre a multa de ofício que não for recolhida no prazo estabelecido no auto de infração. Neste sentido, encontra-se a Súmula CARF n° 4.
Quanto à discussão sobre constitucionalidade, a Súmula CARF n° 2 dispõe que este colegiado não tem competência para apreciar alegações desta natureza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Maria Eduarda divergiu sobre a incidência de juros sobre multa de ofício.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 PRELIMINAR. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO ACATADO Quando os autos proveem os julgadores de todas as informações necessárias para formar juízo acerca da matéria, é dispensável a realização de perícias ou diligências, não havendo que se falar em preterição dos direitos à ampla defesa e ao contraditório, em razão de ter sido negada sua realização. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA Os cálculos do crédito tributário foram efetuados com base nas notas fiscais e demais informações fornecidas pelo próprio contribuinte, em resposta à intimação. Ademais, o contribuinte não apresentou elementos que comprovassem sua impropriedade. Portanto, os critérios de cálculo adotados pela fiscalização estão adequados. CADEIRAS E BANQUETAS VENDIDAS SEPARADAMENTE OU EM CONJUNTO COM MESAS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL De acordo com a RGI - 1, a classificação fiscal é determinada pelos textos das posições e Notas de Seção e Capítulo. Desta forma, as cadeiras e banquetas de metal e sem estofamento devem ser classificadas sob o n° 94.01.79.00, específica para assentos e suas partes, e não sob o n° 94.03.02.00 EX 01, aplicável às mesas. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA Não se verifica o fenômeno bis in idem, quando a fiscalização aplicou multa de ofício uma única vez sobre cada uma das bases tributáveis identificadas no trabalho de auditoria fiscal. DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS INGRESSADOS PARA TROCA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Face à não-apresentação de provas documentais, não deve ser acatada a alegação de que saídas sobre as quais a fiscalização calculou IPI não eram tributáveis, pois tratava-se de saídas por devolução de produtos ingressados no estabelecimento para troca. IPI NÃO LANÇADO NOS LIVROS FISCAIS Correta a cobrança do imposto destacado nas notas fiscais, porém não registrado nos livros fiscais e, por conseguinte, não computado no saldo devedor a pagar. Alegações de que as notas fiscais teriam sido canceladas ou mesmo corretamente escrituradas, sem a devida comprovação, não devem ser providas. VENDA DE MP. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. BONIFICAÇÕES. IPI NÃO LANÇADO NOS LIVROS FISCAIS. De acordo com o § 4° do art. 9 ° do RIPI/02, o estabelecimento industrial que vender matéria-prima para comercialização está sujeito ao pagamento do IPI. De acordo com o art. 38 e § 3° do art. 131 do RIPI/02, as bonificações estão sujeitas à incidência do IPI. Não devem ser acatadas alegações, sem comprovação, de que tratava-se de remessas para industrialização. CÁLCULO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CÔMPUTO DE PAGAMENTO EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE EXPLICAÇÕES E PLANILHAS DE CÁLCULO SOBRE O ESTORNO DE CRÉDITOS EXIGIDOS NO AUTO DE INFRAÇÃO Devem ser mantidos os créditos tributários lançados, pois, na fl. 14, verifica-se que foi computado nos cálculos do crédito tributário o pagamento que o contribuinte alega não ter sido considerado pela fiscalização, e, nas fls. 24 e 36, constam os motivos pelos quais foi exigido o estorno de créditos e os correspondentes cálculos. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE A multa de ofício aplica-se a infrações à legislação do IPI, nos termos do art. 80 da Lei n° 4.502/64. Quanto à discussão sobre constitucionalidade, a Súmula CARF n° 2 dispõe que este colegiado não tem competência para apreciar alegações desta natureza. JUROS DE MORA SOBRE IPI E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre o IPI não destacado e pago e sobre a multa de ofício que não for recolhida no prazo estabelecido no auto de infração. Neste sentido, encontra-se a Súmula CARF n° 4. Quanto à discussão sobre constitucionalidade, a Súmula CARF n° 2 dispõe que este colegiado não tem competência para apreciar alegações desta natureza. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Maria Eduarda divergiu sobre a incidência de juros sobre multa de ofício. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva
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EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO ACATADO Quando os autos proveem os julgadores de todas as informações necessárias para formar juízo acerca da matéria, é dispensável a realização de perícias ou diligências, não havendo que se falar em preterição dos direitos à ampla defesa e ao contraditório, em razão de ter sido negada sua realização. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA Os cálculos do crédito tributário foram efetuados com base nas notas fiscais e demais informações fornecidas pelo próprio contribuinte, em resposta à intimação. Ademais, o contribuinte não apresentou elementos que comprovassem sua impropriedade. Portanto, os critérios de cálculo adotados pela fiscalização estão adequados. CADEIRAS E BANQUETAS VENDIDAS SEPARADAMENTE OU EM CONJUNTO COM MESAS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL De acordo com a RGI 1, a classificação fiscal é determinada pelos textos das posições e Notas de Seção e Capítulo. Desta forma, as cadeiras e banquetas de metal e sem estofamento devem ser classificadas sob o n° 94.01.79.00, específica para assentos e suas partes, e não sob o n° 94.03.02.00 EX 01, aplicável às mesas. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA Não se verifica o fenômeno bis in idem, quando a fiscalização aplicou multa de ofício uma única vez sobre cada uma das bases tributáveis identificadas no trabalho de auditoria fiscal. DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS INGRESSADOS PARA TROCA. FALTA DE COMPROVAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 17 68 /2 01 2- 15 Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.233 2 Face à nãoapresentação de provas documentais, não deve ser acatada a alegação de que saídas sobre as quais a fiscalização calculou IPI não eram tributáveis, pois tratavase de saídas por devolução de produtos ingressados no estabelecimento para troca. IPI NÃO LANÇADO NOS LIVROS FISCAIS Correta a cobrança do imposto destacado nas notas fiscais, porém não registrado nos livros fiscais e, por conseguinte, não computado no saldo devedor a pagar. Alegações de que as notas fiscais teriam sido canceladas ou mesmo corretamente escrituradas, sem a devida comprovação, não devem ser providas. VENDA DE MP. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. BONIFICAÇÕES. IPI NÃO LANÇADO NOS LIVROS FISCAIS. De acordo com o § 4° do art. 9 ° do RIPI/02, o estabelecimento industrial que vender matériaprima para comercialização está sujeito ao pagamento do IPI. De acordo com o art. 38 e § 3° do art. 131 do RIPI/02, as bonificações estão sujeitas à incidência do IPI. Não devem ser acatadas alegações, sem comprovação, de que tratavase de remessas para industrialização. CÁLCULO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CÔMPUTO DE PAGAMENTO EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE EXPLICAÇÕES E PLANILHAS DE CÁLCULO SOBRE O ESTORNO DE CRÉDITOS EXIGIDOS NO AUTO DE INFRAÇÃO Devem ser mantidos os créditos tributários lançados, pois, na fl. 14, verifica se que foi computado nos cálculos do crédito tributário o pagamento que o contribuinte alega não ter sido considerado pela fiscalização, e, nas fls. 24 e 36, constam os motivos pelos quais foi exigido o estorno de créditos e os correspondentes cálculos. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE A multa de ofício aplicase a infrações à legislação do IPI, nos termos do art. 80 da Lei n° 4.502/64. Quanto à discussão sobre constitucionalidade, a Súmula CARF n° 2 dispõe que este colegiado não tem competência para apreciar alegações desta natureza. JUROS DE MORA SOBRE IPI E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre o IPI não destacado e pago e sobre a multa de ofício que não for recolhida no prazo estabelecido no auto de infração. Neste sentido, encontra se a Súmula CARF n° 4. Quanto à discussão sobre constitucionalidade, a Súmula CARF n° 2 dispõe que este colegiado não tem competência para apreciar alegações desta natureza. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.234 3 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Maria Eduarda divergiu sobre a incidência de juros sobre multa de ofício. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semiramis de Oliveira Duro, Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.235 4 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de lançamento de oficio, fls. 03 a 11, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor total de R$ 1.185.941,27, incluídos multa proporcional, multa com cobertura de crédito e juros de mora, calculados até 30/04/2012. Na Descrição dos Fatos, fls. 05/10, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias constatou as seguintes infrações: (i) falta de lançamento de imposto nas saídas de produtos tributados do estabelecimento por não considerar sua atividade como de industrialização; (ii) falta de lançamento de imposto nas saídas de produtos tributados do estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial; (iii) falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido a saída de produtos tributados com falta ou insuficiência de lançamento de imposto por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota; (iv) o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial efetuou o recolhimento a menor do imposto, nos prazos estabelecidos pela legislação; e (v) o estabelecimento industrial ou equipara a industrial não efetuou a escrituração do IPI destacado nas notas fiscais. Consta do termo de verificação fiscal, fls. 30 a 37, as seguintes irregularidades: 1. Operação com erro de classificação fiscal e/ou alíquota: · A UNIARTE fabrica assentos (cadeiras e banquetas) que são classificadas na posição 9401.7900 e outros móveis de metal (mesas, fruteiras) classificados na posição 9403.2000 da TIPI; · A alíquota do IPI para os assentos no período sob análise é de 10%. Os outros móveis de metal (CF 9403.2000) foram tributados pelo IPI à alíquota de 10% até 31/03/2010, quando o Decreto 7.125/2010 passou a alíquota para 5%. No entanto, o Decreto 6.225/2007 criou o "EX.01 — Do tipo utilizado em cozinhas", com alíquota de 5%, em vigor a partir de 05/10/2007. Em atendimento ao item 2 do Termo de Intimação 767/2011, a empresa apresentou a relação dos produtos industrializados e comercializados indicando que os mesmos são utilizados em cozinhas; · Na análise das notas fiscais de saída emitidas a partir de outubro de 2007 verificase que em um primeiro momento a empresa tributa à alíquota de 10% os produtos que ela nomeia como conjunto (composto das bases de mesas e cadeiras). Posteriormente estes mesmos produtos passam a ser tributados a 5%, precisamente a partir da nota fiscal 1247, de 31/10/2007. No entanto, a alíquota do IPI para cadeiras e mesas (CF 9401.7900) era 10% no período sob análise (outubro de 2007 a dezembro de 2008); Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.236 5 · A alteração de alíquota para 5% ocorreu somente para os produtos classificados na posição 9403, quando destinados a cozinhas, conforme mencionado anteriormente. Verificase então que a empresa tributou os denominados conjuntos (mesas e cadeiras) à 5% , quando o correto seria tributar as mesas a 5% e as cadeiras a 10%. Verificouse também que quando as mesas eram tributadas a 10% e a empresa discriminava na nota fiscal o valor das cadeiras e o valor das bases das mesas, era utilizada a classificação fiscal correta para as cadeiras. No entanto, quando a empresa passou a tributar as mesas a 5%, a classificação fiscal das cadeiras indicada nas notas passou a ser a mesma das mesas e a alíquota de IPI utilizada também, ou seja, 5%; · A empresa discrimina em diversas notas os valores das bases das mesas e as tributa a 5% e o valor das cadeiras e banquetas tributandoas também a 5%. No entanto, a alíquota a ser aplicada na saída de banquetas e cadeiras é 10%; · Foi então elaborada a tabela 03 na qual encontramse relacionadas estas notas fiscais e apurado o IPI a lançar decorrente entre o IPI devido e o destacado. Cabe notar que na tabela 03 na coluna "observação" encontrase em algumas notas a referência a tabela 05. Isto ocorre nos casos em que a empresa destaca o IPI para cadeiras e/ou banquetas a 5%, porém não escritura o IPI destacado no Livro de Registro de Saída, conforme se verá a seguir. Então na tabela 03 calculase a diferença entre o IPI devido (10%) e que o foi destacado pela empresa (5%) e na tabela 05 é apurado o IPI a lançar decorrente da não escrituração do IPI destacado. Na tabela 6 encontrase o somatório do IPI a lançar apurado nas tabelas 01 e 03. 2. IPI não lançado – caracterização de industrialização: · Analisando as notas fiscais de entradas, apuramos que nas aquisições dos tampos de mesa, em geral da posição 6802 da TIPI, houve aproveitamento dos créditos de IPI que foram registrados no CFOP 2.102, para revenda. Neste caso, o estabelecimento se torna equiparado a industrial, devendo ser destacado o imposto nas saídas. Deste modo, tanto compondo a base de cálculo da mesa, quanto vendido separadamente, o tampo de mesa deve sofrer tributação; · Então, considerandose a declaração da empresa de que os produtos fabricados por elas são utilizados em cozinha, os tampos das mesas foram tributados a 5% a partir da nota fiscal 1247, ou seja, à mesma alíquota utilizada pela empresa para as bases das mesas conforme tabela 02 anexa. 3. IPI lançado – falta de escrituração: · Nas notas fiscais de saída relacionadas na tabela 05 a empresa destacou o IPI, mas não o registrou no Livro de Registro de Saídas, conforme art. 381, § 5º, inciso IV, b, do RIPI/2002, que resultou na apuração de saldos do imposto no Livro de Registro de Apuração do IPI incorretos. Observese que estas notas em geral se referem à venda de produtos que são matéria prima no processo produtivo da UNIARTE. 4. IPI não lançado (equiparação à industrial): · A UNIARTE vendeu produtos que são matériaprima no seu processo produtivo, tornandoa equiparada à industrial nos termos do artigo 9º, § 4º, Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.237 6 do RIPI/2002, vigente no período sob análise. Caberia então à empresa o destaque do IPI nas notas fiscais de saída. Foi calculado o IPI devido na saída destes produtos através das notas fiscais relacionadas na tabela 04 anexa. 5. Recolhimento a menor do IPI apurado: · Em janeiro de 2008 a empresa recolheu o IPI menor que o apurado e registrado no Livro de Registro de Apuração do IPI. Foi apurado saldo devedor de R$ 9.444,32 e pagos R$ 6.586,66, conforme tela do Sistema Sinal da Receita Federal, onde se encontram os pagamentos do IPI feitos pela empresa, sendo então a diferença de R$ 2.857,66 lançada através do presente Auto de Infração. Após a reconstituição da escrita verificouse que parte dos débitos não será cobrada em virtude dos saldos credores apresentados na escrita reconstituída, devendo a empresa então estornar da sua escrita fiscal o valor de R$ 65.571,62 no período de apuração relativo à data de ciência do auto de infração, conforme intimação contida no mesmo. Cientificada da exigência fiscal em 10/05/2012, a autuada apresentou impugnação às fls. 1041 a 1068, alegando em síntese que: Da improcedência da ação fiscal: · Vende, conforme catálogos em anexo, conjunto de mesas e cadeiras tabulares, do tipo utilizado em cozinhas. Tendo como principais clientes, empresas como a Ricardo Eletro, Lojas Mobile, Lojas Edmil, dentre outros. Estes clientes revendem estes conjuntos de mesas e cadeiras que são amplamente divulgados na mídia, escrita e televisiva. · Cada conjunto de mesas e cadeiras tem um nome, como, conjunto Buritis, composto por uma mesa, com um tampo em granito e oito, ou seis ou (ainda) quatro cadeiras (dependendo do tamanho da mesa). Há ainda outros conjuntos mesa e cadeiras denominados Diamantina, com seis ou quatro cadeiras. Dito de outra forma, há várias outras denominações para os conjuntos de mesas e cadeiras, cujas variações são de material utilizado, cor do tampo em granito, estofado das cadeiras e acabamento. · O contribuinte não vende cadeiras, mesas ou tampo em separado. Tudo é vendido de acordo com os conjuntos, cujos catálogos seguem em anexo, sendo tais conjuntos residenciais para cozinha. · Para produzir tais produtos, o contribuinte adquire chapas em aço e de ferro que ele corta, separa, perfila para formar tubos, os quais posteriormente são soldados com outras peças tabulares, a fim de se fazer as cadeiras e mesas tabulares. A impugnante também adquire peças retangulares em granito em várias cores para servirem de tampos para as mesas. 1 DO LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA · De início, cumpre observar que os trabalhos desenvolvidos pela autoridade fiscal foram realizados por aferição indireta do crédito tributário exigido pelo auto de infração. · Na apuração do IPI incidente na saída dos conjuntos (TABELA 1mesas e cadeiras), a base de cálculo do imposto foi apurada em percentuais, ou seja, embora fosse perfeitamente possível à fiscalização obter o número exato de Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.238 7 cadeiras vendidas pela empresa nas saídas dos conjuntos, a autoridade fiscal utilizou da aferição indireta para obter a base de cálculo, critério manifestamente ilegal além de prejudicial ao contribuinte. · Aliás, pela detida análise do auto de infração e de seus demais documentos integrantes, tais como o relatório fiscal e planilhas, a autoridade fiscal em momento algum justifica ou expõe o motivo pelo qual houve por bem utilizar a aferição indireta. Sob tal aspecto, reiterese que no presente caso era perfeitamente possível à auditora fiscal apurar o valor exato da base de cálculo através das notas fiscais solicitadas e entregues pelo contribuinte. · A aferição indireta foi utilizada sem qualquer motivação, revelandose como um ato manifestamente ilegal e arbitrário, impondose o provimento da presente impugnação para reconhecer a nulidade da autuação. 2 DAS IMPUTAÇÕES Subitem 2.1 Operação com erro de classificação fiscal e/ou alíquota · Segundo o relatório fiscal, a empresa tributou à alíquota de 5% os produtos discriminados nos documentos fiscais como “conjunto” (composto por bases de mesas e cadeiras) sob o código NCM nº 9403.2000; · Entende a fiscalização que o correto seria tributar somente as mesas a 5%. Já a alíquota das cadeiras seria de 10%, pois a alteração da alíquota para 5% ocorreu somente para os produtos classificados na posição 9403, quando destinados à cozinha, nos termos do Dec. nº 6.225/2007, cuja vigência teve início em 05/01/2007; · A legislação não exige que o conjunto de mesas e cadeiras tubulares sejam exclusivamente destinado à cozinha. Na verdade o item 9403.20.00.01 descreve produtos (conjunto de mesas e cadeiras tubulares), DO TIPO UTILIZADO EM COZINHAS. Notese que este conjunto de mesa e cadeiras é anunciado como conjuntos do tipo utilizado em cozinhas. Basta verificar na televisão as propagandas da Ricardo Eletro, Magazine Luiza, Lojas Mobile, etc. Em suma, os produtos vendidos pelo contribuinte, são do tipo utilizado em cozinhas; · Esta é a razão pela qual a partir de outubro de 2007, precisamente com a nota fiscal n.° 1.247, de 31.10.2007 passouse a lançar o IPI, nas notas fiscais, a alíquota de 5% e não 10%, como outrora. Contudo, neste particular, não merece prevalecer a infração imputada à impugnante, eis que a alíquota do IPI para as cadeiras corresponde à 5% , tal como lançado nas notas fiscais emitidas no período sob análise; · Registrese que os produtos são classificados na posição 9403, tal como se infere dos códigos NCM consignados nas notas fiscais, veja as notas fiscais em anexo; · Além disso, são produtos, do tipo utilizados em cozinhas para os efeitos do Anexo II do Decreto n°. 6.225/2007, que estabeleceu a alíquota de 5% para os produtos classificados na posição 9403, o que é facilmente comprovado pelos documentos em anexo (catálogo de produtos, anúncios dos estabelecimentos destinatários dos produtos); Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.239 8 · De outro giro, notese que a fiscalização autuou ainda o contribuinte sobre este mesmo fato, à razão de não ter registrado no livro de registro de saída a diferença de IPI que não é reconhecida pelo contribuinte. Isto é dupla penalidade sobre o mesmo fato. É bis in idem; · A fiscalização entende que a alíquota do IPI é de 10% (dez por cento). O contribuinte entende que a alíquota é de 5% (cinco por cento), então lança o IPI nas notas fiscais e no livro de registro de saída. Contudo a fiscalização, além de cobrar a diferença, ainda autua o contribuinte por não ter escriturado no livro de saída aquela diferença de IPI que existe apenas no imaginário da fiscalização; · Diante disso, a fiscalização neste item faz duas tabelas, uma (tabela 01), com a diferença de IPI que ela considera devida, e outra (tabela 03), com as penalidades pela não escrituração deste IPI controverso; · O pior de tudo é que esta tabela 01 é feita por aferição indireta. Ou seja, o IPI e as penalidades da tabela 03 também tem sua origem numa aferição indireta; · Tratase de dupla, tripla ou quádrupla penalidade para o mesmo fato; · Observese que os conjuntos (bases e cadeiras) não são comercializados separadamente e são produzidos e vendidos do tipo utilizados em cozinhas, ou seja, para serem utilizados em cozinhas, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal. Tanto que as propagandas na televisão dos revendedores são para cozinha; · Afirma a fiscalização que a empresa às vezes emitia notas fiscais discriminando separadamente o valor das cadeiras e às vezes emitia notas fiscais com a denominação de conjuntos (mesas e cadeiras); · É que alguns clientes exigiam que a emissão das notas, fiscais fosse realizada com os produtos separadamente e outros exigiam que fosse colocado o nome de conjunto; · Grande parte das notas fiscais em que as cadeiras foram discriminadas exclusiva e separadamente, a operação comercial realizada pela impugnante era de remessa de mercadoria devolvida com a finalidade de troca em virtude de algum defeito de fabricação, ou seja, o adquirente devolvia a cadeira para a impugnante, que por sua vez, realizava a troca e posteriormente remetia a cadeira ao mesmo adquirente; · Inobstante o CFOP estampado nestas notas fiscais ser o mesmo das notas de venda dos conjuntos, a operação realizada não era de venda, mas sim de troca e posterior remessa da mercadoria; · Contudo, inexiste um Código CFOP específico para essa operação na parte 2 do Anexo V do RICMS/2002, razão pela qual a fiscalização na apuração do crédito tributário não deveria ter considerado a incidência do IPI nessas operações, sob pena de dupla incidência do referido imposto. Subitem 2.2 IPI não lançado – caracterização de industrialização · A fiscalização afirma que a empresa comercializa na mesma nota fiscal bases de mesa e tampos (granito, mármore, vidro, etc.) lançando o CFOP Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.240 9 5.101/6.101 para a base de mesa, tributando o IPI, bem como lança o CFOP 5.102/6.102 para o tampo de mesa, sem destaque do imposto; · Assevera que o tampo de mesa é um insumo que é utilizado na fabricação da mesa, devendo integrar a base de cálculo do IPI, bem como houve aproveitamento dos créditos de IPI, o que tornou o estabelecimento equiparado a industrial, devendo ser destacado o imposto nas saídas; · Posteriormente, especificamente até a emissão da nota fiscal n.° 1.246, de 31.10.2007, a fiscalização apurou o IPI incidente sobre o tampo à alíquota de 10%. Como o contribuinte lançou e recolheu 5%, a fiscalização, então, autuou em outros 5%, conforme tabela 02; · Ocorre que o contribuinte recolheu o IPI sobre tal produto indevidamente. Não deveria ter recolhido sequer os 5%. É que o tampo de granito (NCM 6802.93) é produto não tributado desde janeiro de 2007, conforme a TIPI aprovada pelo Decreto n° 6.006 de 28.12.2006. Subitem 2.3 IPI lançado – falta de escrituração · Afirma a fiscalização que a impugnante "destacou" o IPI, mas não registrou no Livro de Registro de Saídas, conforme art. 381, § 5º, inciso IV, b do RIPI/2002, resultando em saldo incorretos no livro RIPI; · Ocorre que, das poucas notas fiscais que tratam este item (notas fiscais relacionadas na Tabela 05) ou foram canceladas e novas notas fiscais emitidas com a mesma numeração, fato esse admitido pela fiscalização em suas preliminares do termo de verificação fiscal. Ou, estão efetivamente escrituradas nos livros. 2.4 IPI não lançado (equiparação à industrial) · A fiscalização afirma que a impugnante vendeu produtos que são matéria prima no seu processo produtivo, tornandoa equiparada à industrial nos termos do art. 9º, §4º do RIPI/2002, devendo, por esse motivo, ter destacado o IPI nas notas fiscais de saída; · Registrese que as notas fiscais aqui tratadas são notas fiscais de bonificação, sobre as quais não incide o IPI, veja o exemplo da nota fiscal n.° 1418, de 04.12.2007. Ou são notas fiscais de remessa para industrialização, como é o caso da nota fiscal n.° 1578, de 28/12/2007, em que há suspensão do IPI. Ainda que fosse devido, sobre os produtos de granito não há incidência do IPI, eis que não são tributados; · Há ainda, aqueles cuja presente imputação é mera repetição daquela discriminada no item 2.2 (IPI não lançado – caracterização de industrialização), registrese que a matériaprima referida pela fiscalização neste item se refere aos tampos já noticiados no item 2.2, em que afirma a fiscalização que tal infração implicou na tributação à alíquota de 5% por ser destinado a cozinhas; · Desse modo, o crédito tributário apurado pela fiscalização não merece prevalecer, porquanto ao que tudo indica houve lançamento em duplicidade do IPI incidente sobre os tampos de mesa. 2.5 – Recolhimento a menor do IPI apurado Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.241 10 · Inobstante tenha a autoridade fiscal reconhecido a existência do efetivo pagamento no valor de R$ 6.586,66, cujo comprovante de pagamento acompanha a presente impugnação, o lançamento do crédito tributário no auto de infração foi de R$ 9.444,32; · Ou seja, na apuração do crédito tributário não foi considerado o pagamento realizado pela impugnante, sendo tal irregularidade de fácil constatação. Assim, requer seja descontado do valor apurado a importância de R$ 6.586,66; · Como se não bastasse, fora excluído o direito do contribuinte ao crédito de IPI de sua escrita fiscal no valor de R$ 65.571,62 sem qualquer explicação plausível, ou composição de valores através de demonstração clara desta determinação de estornar crédito. Nenhuma planilha foi apresentada, para suporta o estorno deste valor; · Também não foram discriminados quais os débitos que não serão cobrados após a reconstituição da escrita. 3 – DA IMPROCEDÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO · A imposição de multa no percentual de 75% é confiscatória e não atende aos preceitos legais. Temos que a multa posta nestes patamares é deveras ilegal e inconstitucional e merece ser reduzida; · Além disso, foram imputadas duas multas para o mesmo fato. Uma multa de ofício e uma multa de IPI não lançado com cobertura de crédito.; · Com efeito, a alegada falta de recolhimento só admitiria a imposição de multa de caráter moratório; · Ora, a exigência da multa questionada, esbarra pois, sem sombra de dúvida, no disposto no art. 150, IV, da Constituição vigente. Esse, também, é o entendimento perfilhado pelo Poder Judiciário, sedimentado e cristalizado através de vários arrestos, inclusive e principalmente do Egrégio Supremo Tribunal Federal (RE 81.550MG, RTJ 74/31920; RE 55.906; RE 60.413). 3.1 Da Improcedência dos Juros pela Taxa Selic; · A taxa SELIC utilizada como juros de mora, a partir de julho de 1.995, por meio da Lei n.° 9.065, de 20.06.95, sobre tributos e contribuições federais, com acumulação mensal, acrescida 1% (um por cento) no mês do recolhimento é indevida por ferir a princípios esculpidos na Magna Carta e no Código Tributário Nacional; · É que a forma de capitalização e apuração da taxa aludida atenta contra o princípio da legalidade (CF/88 art. 150, I), da anterioridade (art. 150, II, 'b', da CF/88), da indelegabilidade de competência tributária (art. 48, I e 150, I, da CF/88) e da segurança jurídica. 3.2 Do Princípio da Legalidade · Em virtude do modo de capitalização e apuração da taxa Selic, pelo sistema especial de liquidação e custódia, temse que a dita taxa assume cumulativamente caráter de juros de mora, juros remuneratórios, além de acumular a responsabilidade, de índice de correção monetária. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.242 11 · Ocorre, porém que, é vetusto em nosso ordenamento jurídico que (i) juros de mora e correção monetária devem ser instituídos por lei e (ii) é impossível a colocação de juros remuneratórios em tributos, eis que criaríamos a idéia de tributo rentável. · Todavia, a taxa Selic possui, categórica e flagrantemente, natureza remuneratória, e, frisese, remuneratória de títulos. · É que a fixação de seu quantum está a cargo do BACEN e, por vezes, do próprio presidente do Banco Central do Brasil, no regular exercício de sua atividade econômica e financeira. 3.3 Do Princípio da Anterioridade · Ademais, a taxa Selic é fixada depois do fato gerador e por ato unilateral do Executivo, em matéria de atribuição exclusiva do Legislativo, e por estimativas. Tal procedimento além de ferir o principio da indelegabilidade, também atinge o da anterioridade; · É que a fixação de alíquota (matéria reservada à lei, art. 97 CTN, art.150, I CF/88), segue mensuração para o futuro, e de maneira mensal, por ato normativo do BACEN, órgão de destaque financeiro e não tributário; · Em virtude disso, não tendo sido criado e apurado seu percentual por lei, resta demonstrado o violento atentado ao princípio da anterioridade, que está sendo aplicada e apurada sem obediência a este princípio. 3.4 – Do Princípio da Indelegabilidade da Competência Tributária · Jamais poderia, à luz do ordenamento jurídico pátrio, uma lei tributária valerse de circulares ou resoluções que alteram as regras sobre a correção monetária e juros; · Pois é exatamente assim que funciona com a taxa do sistema especial de liquidação e custódia (SELIC). 3.5 Da Segurança Jurídica · Quando qualquer tentativa de delegação da competência tributária é feita do Congresso ao Executivo, mormente no caso sub oculis fica vulnerado o princípio da segurança tributária. 3.6 Da hierarquia das leis; · Como se não bastasse, a cobrança da taxa atacada agride frontalmente o princípio da hierarquia das leis. Basta verificar que o artigo 193 (sic), §3º, da Constituição de 1988, ordena que a imposição de juros moratórios não podem ser superiores a 12% ao ano, regra esta excepcionada para as instituições financeiras; · Além do que, o Código Tributário Nacional fixa os valores máximos a serem utilizados no artigo 161, § 1º. A lei ordinária somente pode dispor para menos, nunca para mais. 4 – DA PERÍCIA; Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.243 12 · Requer o deferimento de perícia para comprovar, através da análise técnico contábil, a incorreção do montante apurado pela fiscalização; · O nome sugerido do perito é o Sr. Alperino José Riberio Filho, brasileiro, casado, contador, inscrito no CRC 45.129/MG, com endereço na Av. Dom José Gaspar, 301, apto.: 201, bairro Coração Eucarístico, CEP 35.535610, Belo Horizonte, Minas Gerais. Os quesitos cuja análise é pretendida pelo contribuinte são os seguintes: 1. Se, através das notas fiscais de saída, era possível à autoridade fiscal obter o valor da base de cálculo do IPI incidente sobre as cadeiras (PLANILHA 1); 2. Se na apuração do lançamento referente à suposta infração imputada no item 2.5 do Termo de Verificação Fiscal (004 do Auto de infração), foi considerado o pagamento efetuado pela empresa no valor de R$ 6.586,66; 3. Se foram cobrados juros de mora sobre o valor da multa de oficio; 4. Se parte dos lançamentos do auto de infração teve como base notas fiscais de remessa para industrialização, revenda para consumido final, bonificações, notas fiscais canceladas; 5. Em caso positivo, quanto representa de redução do auto de infração; 5 – DOS PEDIDOS Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado e protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos." A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ em Salvador (BA) e o Acórdão n° 1532.469 foi assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ALÍQUOTA. Cadeiras e banquetas utilizadas em salas, cozinhas ou ambientes semelhantes, com estrutura de metal, comercializadas separadamente ou em conjunto com mesas ou outros móveis, classificamse na posição NCM 9401.79.00, com alíquota de 10%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008 INCIDÊNCIA DE IPI. Ocorre fato gerador do IPI na saída de produto do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, independentemente da finalidade a que se destine o produto. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.244 13 O estabelecimento que dá saída a matériaprima para estabelecimento industrial ou comercial equiparase a industrial, constituindose tal saída em fato gerador do IPI. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da multa de ofício e dos juros de mora exigidos com amparo em lei vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na impugnação e adiciona os seguintes: a) "Da violação da garantia constitucional ao contraditório e ampla defesa": desrespeito aos citados preceitos constitucionais, em razão de a DRJ ter negado a realização de perícia. b) Impossibilidade de cobrar juros pela taxa Selic sobre multa de ofício. É o relatório. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.245 14 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira TEMPESTIVIDADE O presente processo foi trazido ao plenário na sessão anterior, tendo sido objeto de debates tão somente a questão em epígrafe. Este relator consignara voto no sentido de considerar o recurso intempestivo e, por conseguinte, dele não tomar conhecimento. Contudo, foi instado a fazer nova reflexão, o que levouo a mudar de opinião. O contribuinte postou o recurso voluntário em Agência dos Correios (AC) localizada em Belo Horizonte/MG, no dia 02/09/2013 (fl. 1.198). Entende que o fez de forma tempestiva, considerando que a ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 02/08/2013, data que consta no AR (fl. 1.186). Na fl. 1.225, consta despacho da DRF em Betim/MG, cidade onde se localiza a sede do contribuinte (fl. 1.066, 6° Alteração Contratual), abaixo reproduzido: "Ao contribuinte acima qualificado foi postada, em 20/06/2013, a Intimação nº 110/2013, dandolhe ciência do Acórdão nº 1532.469, proferido pela DRJ Salvador /BA. Consta no AR nº RQ697587490BR carimbo da ECT UD Esmeraldas/MG a data 02/07/2013 como recebimento. Tendo o recebedor da intimação escrito no AR a data 02/08/2013 (fl. 1.186), consultouse o site da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) – Rastreamento / Histórico do Objeto (fl. 1.195), anexa, onde consta que a intimação fora entregue em 28/06/2013. Diante desta divergência, considerouse 02/07/2013 (data mais favorável ao contribuinte) como a da efetiva ciência por este do resultado do julgamento da impugnação (o carimbo da AC em Esmeraldas/MG indica a data de 02/07/2013). Decorridos 30 (trinta) dias dessa ciência e não tendo o contribuinte quitado ou parcelado os débitos e nem apresentado Recurso Voluntário, lavrouse, em 19/08/2013, o Termo de Perempção (fl. 1.187) e emitiuse a Carta Cobrança nº 082/2013 (fl. 1.188), postada em 21/08/2013 e recebida em 27/08/2013), conforme AR nº RA718322274BR e Tela ECT Rastreamento / Histórico do Objeto (fl. 1.201 e 1.197), anexos. Em 02/09/2013, data da postagem (carimbo ECT), o contribuinte apresenta Recurso Voluntário alegando ser “próprio e tempestivo o presente recurso, eis que os recorrentes tomaram ciência do acórdão supra no dia 02.08.2013 (sextafeira), iniciandose a contagem do prazo legal no dia 05.08.2013 (segundafeira), findando se no dia 03.09.2013 (terçafeira), data do protocolo. Assim sendo, após anexar as telas “palavraschave” do eProcesso, comprovando que o AR (fl. 1.191) nº RQ697587490BR (referente à intimação para ciência do resultado do julgamento da impugnação) foi anexado aos autos em Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.246 15 09/07/2013, às 15:35:01 e autenticado no dia 10/07/2013 (fls. 1.123 e 1.124), portanto em datas anteriores à que o contribuinte alega ter tomado ciência, proponho o encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para apreciação." (inserções nossas) A DRF reuniu evidências (carimbo aposto no AR, pela AC de Esmeraldas/MG, indicando 02/07/2013 como data de recebimento, e Rastreamento/Histórico extraído do sítio virtual da ECT, em que consta como data de entrega a de 28/06/2013) que podem conduzir à conclusão de que a ciência da decisão de primeira instância não se deu em 02/08/2013, data consignada pelo contribuinte no AR, porém em 02/07/2013, indicada pela AC em Esmeraldas/MG. Contudo, indubitavelmente, paira uma dúvida: qual seria a data correta? A indicada pela AC em Esmeralda/MG, 02/07/2013, ou a pelo contribuinte, 02/08/2013? Dada a ausência de qualquer evidência de que qualquer uma das datas não expresse a verdade, a fim de não correr o risco de cometer uma injustiça e negar ao contribuinte o direito de se defender das acusações fiscais consignadas no auto de infração, voto por conhecer do recurso voluntário, uma vez que o mesmo também apresenta os demais requisitos legais. PRELIMINARES "Da violação da garantia constitucional do contraditório e ampla defesa" Na impugnação, a Recorrente pleiteou a realização de perícia contábil, com o objetivo de produzir provas técnicas de que a fiscalização cometera "inúmeras irregularidades", nos moldes do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. A DRJ em Salvador (BA) negou o pedido, por considerar que todos os elementos necessários à formação do juízo acerca da contenda encontravamse nos autos, além do fato de a recorrente não ter apresentado qualquer motivo concreto que a justificasse. Na peça recursal, consigna que tal negativa violou o constitucional direito à ampla defesa e contraditório e renova o pedido. Os autos são ricos em informações sobre a atividade do contribuinte e documentos fiscais, dando pleno suporte ao trabalho realizado pela auditora e à decisão proferida pelo colegiado de primeira instância. E, mais uma vez, a Recorrente não indica sequer um motivo palpável para que se determine a realização de perícia ou diligência. Portanto, nego provimento à alegação de preterição do direito de defesa pela DRJ, o que fulminaria a decisão por ela proferida por nulidade, bem como ao pedido de perícia contábil. "Do lançamento por aferição indireta" Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.247 16 A Recorrente alega que o lançamento é nulo, pois o crédito tributário teria sido calculado por "aferição indireta". De acordo com a "Tabela 1 mesas e cadeiras" (fls 38 a 355), a base de cálculo do IPI teria sido "(. . .) apurada em percentuais, ou seja, embora fosse perfeitamente possível à fiscalização obter o número exato de cadeiras vendidas pela empresa nas saídas dos conjuntos (. . .)". Cita decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que considerou nula parte do crédito tributário desta forma calculado, dispondo que a "aferição indireta" somente se justifica em casos de "recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente ou se a contabilidade da empresa não registra reais valores (. . .)". A DRJ examinou tal argumento e o julgou improcedente, pelos mesmos motivos que agora o farei. Contudo, primeiramente, cabe discorrer brevemente o método de cálculo adotado pela fiscalização, o qual será objeto de exame detalhado no tópico seguinte, e indicar a fonte de onde foram extraídas as informações necessárias para a construção da citada "Tabela 1" (fls 38 a 355). A fiscalização concluiu que houve erro na classificação fiscal de cadeiras e banquetas, quando vendidas separadamente ou em conjunto com mesas, no período de outubro de 2007 a dezembro de 2008. Como consequência, o contribuinte fez incidir IPI sobre cadeiras e banquetas à alíquota de 5% ao invés de 10%. Com isto, quando vendidas em conjunto, para chegar à base tributável de cadeiras e banquetas, a fiscalização atribuiu uma parte do preço do conjunto às cadeiras e banquetas e outra às mesas. Para tanto, lavrou o Termo de Intimação n° 786/2011 (fls. 575 e 576), explicou o cálculo que pretendia elaborar e solicitou que a Recorrente o provesse das informações necessárias para executálo. A Recorrente respondeu à intimação (fls. 577 a 760). Encaminhou planilhas, contendo os dados solicitados pela fiscalização, em que indicou os percentuais que deveriam ser aplicados sobre os valores totais das notas fiscais, para que fossem encontrados os preços das cadeiras e banquetas e mesas, discriminadamente. Selecionei amostra, sem rigor estatístico, e comparei as planilhas do Fisco com as do contribuinte. Constatei que o Fisco adotou exatamente os critérios e, por conseguinte, valores indicados nas planilhas fornecidas pela Recorrente. Temos, então, o seguinte: a) O Fisco lavra o Termo de Intimação n° 786/2011 (fls. 575 a 576), solicitando informações e para que fins seriam utilizados. b) O contribuinte responde à intimação (fls 577 a 760) e fornece os elementos requeridos pela agente fiscal. c) A agente fiscal prepara os cálculos, rigorosamente com base nas informações prestadas pelo contribuinte, e lavra o auto de infração, com lançamento de ofício de IPI. d) Instaurado o litígio, a Recorrente contesta as informações que ele mesmo preparou, alegando serem incorretas e existirem outras, estas sim corretas. Contudo, não traz Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.248 17 aos autos sequer amostra daqueles que seriam os números corretos e a correspondente documentação suporte. Em razão de o crédito tributário ter sido lançado com base nas informações contidas na resposta ao Termo de Intimação n° 786/2011 e o contribuinte não ter carreado aos autos qualquer elemento concreto que pudesse levantar sequer uma mínima suspeita de que os cálculos do Fisco estão incorretos, voto por negar provimento aos argumentos contidos neste tópico. "DAS IMPUTAÇÕES" "Operação com erro de classificação fiscal e/ou alíquota" Reproduzo trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl 32), com descrição detalhada da infração: Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.249 18 Em síntese, a partir de 31/10/2007, a Recorrente passou a adotar classificação fiscal incorreta para as cadeiras e banquetas, tanto nos casos em que foi vendida em conjunto com mesas quanto nas hipóteses em que vendida separadamente. Com isto, passou de uma tributação pelo IPI de 10% para 5%, o que motivou o lançamento de ofício. Destaquese ainda que a fiscalização aplicou penalidade adicional para alguns casos em que o IPI calculado à alíquota de 5% sobre cadeiras e banquetas, apesar de destacado na nota fiscal, não foi lançado no Livro de Saídas. A Recorrente defendese, alegando que: a) A legislação não exige que o conjunto de meses e cadeiras sejam exclusivamente destinados a cozinhas. b) O item 9403.20.00.01, que reduziu a alíquota de 10% para 5%, descreve produtos "do tipo utilizado em cozinhas". E os conjuntos de mesa e cadeiras vendidos eram anunciados em propagandas na televisão como conjuntos do tipo utilizado em cozinhas. Anexou ao recurso voluntário catálogo de produtos e anúncios dos estabelecimentos destinatários dos produtos. Além de contestar a classificação fiscal adotada pela fiscalização, aponta ainda a ocorrência de bis in idem, pois o Fisco aplicou multa de ofício sobre a diferença de IPI supostamente não recolhida e outra por não a ter lançado no livro fiscal. Por fim, consigna que a fiscalização teria calculado diferenças de IPI em operações de saída, cuja a natureza não era de venda. Tratavase de remessa para clientes de mercadorias, em razão de trocas de produtos vendidos com defeito de fabricação. Teria sido utilizado o Código Fiscal de Operações (CFOP) destinado a vendas, pois a legislação do ICMS não conteria outro específico para tal tipo de transação. O trabalho da fiscalização afiguraseme correto. A controvérsia diz respeito à classificação fiscal de cadeiras e banquetas de metal sem estofamento, utilizadas em cozinhas. No período de outubro de 2007 a dezembro de 2008, assim apresentavase o Capítulo 94, Posições 94.01 e 94.03, da TIPI (Decreto n° 6.006/06), nas partes que interessam à presente contenda: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUO TA (%) 94.01 Assentos (exceto os da posição 94.02), mesmo transformáveis em camas, e suas partes. 9401.10 Assentos dos tipos utilizados em veículos aéreos 9401.10.10 Ejetáveis 10 9401.10.90 Outros 10 9401.20.00 Assentos dos tipos utilizados em veículos automóveis 15 Ex 01 De ônibus 4 Ex 02 De caminhões 4 Ex 03 De tratores agrícolas ou de colheitadeiras 4 Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.250 19 NCM DESCRIÇÃO ALÍQUO TA (%) Ex 04 De ferro ou aço, dos tipos usados em colheitadeiras 4 9401.30 Assentos giratórios, de altura ajustável 9401.30.10 De madeira 10 9401.30.90 Outros 10 9401.40 Assentos transformáveis em camas, exceto material de acampamento ou de jardim 9401.40.10 De madeira 10 9401.40.90 Outros 10 9401.5 Assentos de ratã, vime, bambu ou matérias semelhantes: 9401.51.00 De bambu ou ratã 10 9401.59.00 Outros 10 9401.6 Outros assentos, com armação de madeira: 9401.61.00 Estofados 10 9401.69.00 Outros 10 9401.7 Outros assentos, com armação de metal: 9401.71.00 Estofados 10 9401.79.00 Outros 10 9401.80.00 Outros assentos 10 9401.90 Partes 9401.90.10 De madeira 10 9401.90.90 Outros 10 94.02 Mobiliário para medicina, cirurgia, odontologia ou veterinária (por exemplo, mesas de operação, mesas de exames, camas dotadas de mecanismos para usos clínicos, cadeiras de dentista); cadeiras para salões de cabeleireiro e cadeiras semelhantes, com dispositivos de orientação e de elevação; suas partes. 9402.10.00 Cadeiras de dentista, cadeiras para salões de cabeleireiro e cadeiras semelhantes, e suas partes 5 Ex 01 Cadeiras para salões de cabeleireiro 15 9402.90 Outros 9402.90.10 Mesas de operação 5 9402.90.20 Camas dotadas de mecanismos para usos clínicos 5 9402.90.90 Outros 5 94.03 Outros móveis e suas partes. 9403.10.00 Móveis de metal, do tipo utilizado em escritórios 10 9403.20.00 Outros móveis de metal 10 9403.30.00 Móveis de madeira, do tipo utilizado em escritórios 5 9403.40.00 Móveis de madeira, do tipo utilizado em cozinhas 5 9403.50.00 Móveis de madeira, do tipo utilizado em quartos de dormir 5 9403.60.00 Outros móveis de madeira 5 9403.70.00 Móveis de plásticos 10 9403.8 Móveis de outras matérias, incluídos o ratã, vime, bambu ou Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.251 20 NCM DESCRIÇÃO ALÍQUO TA (%) matérias semelhantes 9403.81.00 De bambu ou ratã 10 9403.89.00 Outros 10 9403.90 Partes 9403.90.10 De madeira 5 9403.90.90 Outras 10 Com vigência a partir de 05/10/2007, foi promovida a seguinte alteração na posição 94.03 pelo Decreto n° 6.225/07: 9403.20.00 01 Do tipo utilizado em cozinhas 5 O enquadramento de produtos na TIPI, baseada no Sistema Harmonizado (TEC/NCM/SH), obedece a regras específicas de classificação. São seis Regras Gerais de Interpretação (RGI) e uma Regra Geral Complementar (RGC), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, bem como, utilizamse subsidiariamente as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), de forma que a cada mercadoria sempre corresponderá um único código correto para enquadramento na tabela de classificação, correspondendo a um indicativo da posição, subposição de 1º nível, subposição de 2º nível, item e subitem (08 dígitos). Dispõe a RGI 1: "1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: (. . .) 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário." Os textos das posições encontramse na tabela acima reproduzida e os das notas de seção e capítulo são os seguintes: "Capítulo 94 Móveis; mobiliário médicocirúrgico; colchões, almofadas e semelhantes; aparelhos de iluminação não especificados nem compreendidos em outros Capítulos; anúncios, cartazes ou tabuletas e placas indicadoras, luminosos e artigos semelhantes; construções préfabricadas Notas: (. . .) 2. Os artefatos (exceto as partes) compreendidos nas posições 94.01 a 94.03 devem ser concebidos para assentarem no solo. Permanecem, todavia, compreendidos Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.252 21 naquelas posições, ainda que concebidos para serem suspensos, fixados a paredes ou colocados uns sobre os outros: a) os armários, as estantes, as “étagères” e os móveis em módulos (por elementos); b) os assentos e camas. 3. A) Não se consideram partes dos artefatos das posições 94.01 a 94.03, quando isoladas, as chapas ou placas, de vidro (incluídos os espelhos), mármore ou outras pedras, ou de quaisquer outras matérias incluídas nos Capítulos 68 ou 69, mesmo em forma própria, mas não combinadas com outros elementos. (. . .)" Em obediências às RGI n° 1 e 6, acima reproduzidas, devem ser seguidos os textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. E elas conduzem à ratificação da classificação fiscal adotada pela fiscalização, a saber: a) As cadeiras e banquetas são espécies do gênero assentos e, assim, classificamse na posição 94.01 "Assentos (exceto os da posição 94.02), mesmo transformáveis em camas, e suas partes." b) São de metal, o que as coloca na subposição de 1° nível 94.01.7 "Outros assentos, com armação de metal." c) Não contêm estofado e, portanto, estão na subposição de 2° nível 94.01.79 e no item 94.01.79.00 "Outros". Assim, tal qual a agente fiscal, concluo que a classificação fiscal mais adequada é a de n° 94.01.79.00. Não se me parece adequada a classificação pretendida pela Recorrente, sob o n° "94.03.02.00 Outros móveis de metal, EX.01 Do tipo utilizado em cozinhas". Há uma classificação fiscal mais específica para cadeiras e banquetas de metal e sem estofamento, que atende plenamente aos textos das posições, subposições e notas do Capítulo 94 (RG 1), qual seja, a acima analisada posição "94.01.79.00", com tributação pelo IPI à alíquota de 10%, quer sejam vendidas separadamente ou em conjunto com mesas. Sobre a ocorrência de bis in idem, também não procedem os argumentos. A Recorrente alega que a fiscalização fez incidir duas vezes a multa de ofício sobre as diferenças de IPI apuradas: i) uma vez, por não terem sido recolhidas; e ii) outra, por não terem sido escrituradas nos livros de saída. Nas tabelas 1 (fls. 38 a 355), a fiscalização apura as diferenças do IPI incidente sobre cadeiras e banquetas (da alíquota de 5% para a de 10%), quando vendidas em conjunto com mesas. Na tabela 3 (fls. 358 a 451), quando vendidas separadamente. E, na tabela 5, foi lançado o IPI incorretamente destacado na nota fiscal à alíquota de 5%, pois este não havia sido lançado no livro de saída e, por conseguinte, não computado no saldo devedor a pagar no respectivo período. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.253 22 Em suma, nas tabelas 1 e 3, indicou o IPI não destacado nas notas fiscais, derivado de erro na classificação fiscal, que resultou na aplicação de alíquota de 5% ao invés de 10%. E, na tabela 5, o IPI `a 5%, destacado incorretamente pelo contribuinte, porém não lançado nos livros fiscais e não computado no saldo devedor a pagar. Resta claro, portanto, que não houve bis in idem. Por fim, o contribuinte aduz que algumas notas fiscais de saída, com base nas quais foram apuradas diferenças de IPI, na verdade, constituíam saídas de produtos que haviam sido devolvidos por clientes, por defeito de fabricação. Teria adotado o Código Fiscal de Operações (CFOP) aplicável a vendas, em razão de inexistir um específico para o caso, na legislação do ICMS. O Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02) determina que sejam utilizados os CFOP 5.916/6.916, nos casos de remessa de produto que tenha entrado para conserto ou reparo. E os CFOP 5.949/6.949, no caso de saídas para as quais não haja código específico. Assim, o argumento da Recorrente de que teria adotado CFOP de vendas em razão de não haver outra alternativa não procede. Contudo, o fato que determina que não sejam acatadas as alegações é o de que Recorrente não indicou as notas fiscais de entrada dos produtos devolvidos para troca e tampouco as correspondentes notas fiscais de saída com a devolução ao cliente. De todo o exposto nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. "IPI não lançado caracterização de industrialização" A Recorrente adquiriu tampos de mesa de granito, registrando as entrada sob o CFOP 2.102, próprio para compras para revenda, e créditos de IPI. Quando vendidos, em conjunto com as estruturas de mesa, eram informados nas notas fiscais sob o CFOP 5.102/6.102, destinados às revendas. Até 31/10/07, sofreram tributação pelo IPI, à alíquota de 5% e, daquela data em diante, não foi destacado o imposto. A fiscalização inquiriu o contribuinte (Termo de Intimação n° 767/2011) e apurou que os tampos eram aplicados na fabricação de mesas. E eram vendidos em conjunto com estruturas de mesas. Apesar de apresentados em separado nas notas fiscais, as quantidades de um eram as mesmas do outro. Assim, concluiu que o produto final era mesa e, assim, deveria ser classificado na TIPI e tributado pelo IPI: até 31/10/07, sob o n° 94.03.02.00 e IPI à 10%; e, a partir, de 31/10/07, n° 94.03.02.00/EX.01 Do tipo utilizado em cozinhas" à 5%. A base legal foi o Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02), com as alterações promovidas a partir de 31/10/07 pelo Decreto n° 6.225/07. A Recorrente alega que o tampo de mesa deve ser classificado sob o n° 68.02.93 e, desde janeiro de 2007, não é tributável. De acordo com a Regra Geral de Interpretação (RGI) n° 1 "(. . .) a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo (. . Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.254 23 .).". A Nota 3A dispõe que "Não se consideram parte dos artefatos das posições 94.01 a 94.03, quando isoladas, as chapas ou placas, de (. . .), mármore ou outras pedras (. . .) incluídas nos Capítulos 68 ou 69, mesmo em forma própria, mas não combinadas com outros elementos." Depreendese que o tampo de mesa somente poderá ser classificado no Capítulo 68, caso seja vendido isoladamente. No caso em tela, entretanto, foi vendido juntamente com a mesa. E, assim, deve ser classificada e tributada tal qual a mesa, isto é, até 31/10/07, sob o n° 94.03.02.00 e IPI à 10%; e, a partir, de 31/10/07, n° 94.03.02.00/EX.01 Do tipo utilizado em cozinhas" à 5%. Irrepreensível a conduta fiscal, pelo que voto por negar provimento às alegações da Recorrente. "IPI não lançado falta de escrituração" A fiscalização identificou notas fiscais, cujo IPI não foi lançado no Livro de Registro de Saídas e, por conseguinte, não foi computado no saldo devedor a pagar. Tal fato motivou lançamentos de IPI, com multa de ofício e juros Selic. A Recorrente afirma que a agente fiscal equivocouse, pois as notas fiscais, cujo IPI não teria sido escriturado, ou foram canceladas ou, ao contrário do alegado, efetivamente escrituradas. Nego provimento às alegações da Recorrente, pois desprovidas de prova documental. "IPI não lançado equiparação a industrial" A fiscalização identificou vendas de matériasprimas, sem destaque do IPI. Neste tipo de operação, o estabelecimento equiparase a industrial e deve destacar o IPI, nos termos do § 4° do 9° do RIPI/02. A Recorrente afirma que tratase de saídas não tributadas, pois referemse a saídas a título de bonificação, remessa para industrialização e vendas de granito, cuja alíquota seria zero. Como exemplos de bonificação e remessa para industrialização, indicou as notas fiscais n° 1.418 e 1.578. Mais uma vez, a Recorrente traz alegações sem respaldo na legislação ou mesmo comprovação. E faço dos contraargumentos da DRJ minha razão de decidir: "Notese que a contribuinte contesta genericamente a irregularidade apurada pela fiscalização, sem, no entanto, indicar especificamente a natureza da operação das notas relacionadas na tabela 4, fls. 452 a 457. Especifica a natureza da operação de apenas duas notas fiscais, relacionadas como bonificação e remessa para industrialização. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.255 24 Quanto à não incidência do IPI nas saídas de matériaprima a título de bonificação, o art. 34, inciso II, do RIPI/2002, dispõe que ocorre o fato gerador na saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Deste modo, nas saídas de produto a título de bonificação, ocorre o fato gerador. Assim estabelece o art. 38 do RIPI/2002: 'Art. 38 – O imposto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor.' Já o § 3º, do art. 131 do RIPI/2002 determina que “não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente.” Portanto, é irrelevante para a incidência do IPI, se a saída do produto é resultante de venda ou de bonificação, sendo devido o imposto. Em relação a alegada nota fiscal de remessa para industrialização, nº 1578, de 28/12/2007, verificamos em consulta ao sistema da Receita Federal que a mencionada nota fiscal foi destinada à pessoa jurídica “CONDOMÍNIO DO EDÍFICIO SERENA MALL”, CNPJ 08.078.317/000152, que possui a natureza jurídica de Condomínio Edilício. Ademais, caso o destinatário fosse realmente um estabelecimento industrial, caberia à contribuinte comprovar o retorno do produto industrializado. Assim, considero procedente o lançamento fiscal referente a este item." Por fim, não merece apreciação a alegação de que parte das saídas sobre as quais a fiscalização fez incidir IPI seriam de granito, produto não tributado pelo imposto, pois a Recorrente não carreou aos autos as notas fiscais que comprovassem o que alegou. Isto posto, nego provimento às alegações contidas neste tópico. "Recolhimento a menor do IPI apurado" A fiscalização apurou que o IPI do mês de janeiro de 2008 foi recolhido a menor em R$ 2.857,66, sendo que o saldo devedor era de R$ 9.444,32 e somente R$ 6.586,66 teriam sido pagos. Ademais, como resultado das infrações identificadas, parte dos saldos credores escriturados tiveram de ser utilizados para abater IPI devido, porém não escriturado. Com isto, determinaram que créditos no montante de R$ 65.571,62 fossem estornados. A Recorrente alega que o valor efetivamente pago (R$ 6.586,66) não foi computado no cálculo do crédito tributário a ser lançado de ofício. Contesta a glosa de créditos, alegando que não foram apresentadas explicações e planilhas de cálculo. E afirma que não há indicação dos débitos que não foram cobrados, após a reconstituição da escrita. Na fl. 14, há prova incontestável de que o valor pago pelo contribuinte (R$ 6.586,66) foi considerado. Na fl. 36, consta o motivo pelo qual foi exigido o estorno de créditos e na fl. 24 os créditos abatidos dos débitos apurados pela agente fiscal (R$ 32.743,38 + R$ 32.828,24 = R$ 65.571,62). Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.256 25 Portanto, não procedem os argumentos da Recorrente, pelo que voto por negarlhes provimento. "Da improcedência da multa de ofício" A Recorrente contesta a aplicação da multa de ofício de 75% pelos seguintes motivos: a) A multa de ofício no percentual de 75% é confiscatória e, portanto, inconstitucional (inc. IV do art. 150 da Constituição Federal). Cita decisões do STF (RE 81.550MG, RTJ 74/31920, RE 55.906 e RE 60.413). Admitirseia tão somente a cobrança de multa moratória. b) "Foram imputadas duas multas para o mesmo fato. Uma multa de ofício e uma multa de IPI não lançado com cobertura de crédito." c) Cita doutrina, no sentido de que a multa, para ter caráter de ressarcimento de prejuízos, não poderia ser acompanhada de juros moratórios, posto que estes também têm caráter indenizatório. d) Decisão do Tribunal de Alçada de Minas Gerais (TAMG, AC 260.8088) que reduziu a multa de mora de 60% para 2%. Em caso de lançamento de ofício, decorrente de infrações à legislação do IPI, é legítima a cobrança do imposto, acrescido da multa de ofício de 75%, conforme o previsto no art. 80 da Lei n° 4.502/64. Portanto, refuto os argumentos contidos nas letras "c" e "d". Sobre eventual caráter confiscatório e, por conseguinte, ofensa ao inciso IV do art. 150 da Constituição Federal (letra "a"), dispõe a Súmula CARF nº 2, à qual as decisões deste colegiado estão vinculadas: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Por fim, quanto ao argumento contido na letra "b", da leitura das fls. 22 e 24 (auto de infração), constatase que não houve cobrança de duas multas de ofício sobre uma mesma base de cálculo. A fiscalização lançou valores de IPI não destacados e escriturados, relativos aos meses de novembro e dezembro de 2008, no montante total de R$ 65.571,62. Contudo, não incluiu o valor no montante total do crédito tributário a pagar, porque havia créditos de IPI com os quais podiam ser liquidados. Também não incluiu os valores que compõem os R$ 65.571,62 no cálculo da multa de ofício proporcional de 75%. Contudo, com base no art. 80 da Lei n° 4.502/64, lançou multa de 75% sobre os valores de IPI não destacados nas respectivas notas fiscais, porém compensados de ofício com saldos credores às épocas existentes. Portanto, de fato, não foram lançadas duas multas de ofício de 75% sobre as mesmas bases de cálculo. Concluo o tópico, negando provimento aos argumentos da Recorrente. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.257 26 "Da improcedência dos juros pela taxa Selic" Por fim, a Recorrente contesta a cobrança do IPI, acrescido de juros calculados com base na taxa Selic. Alega, em síntese, o seguinte: a) Fere o princípio da legalidade, pois assume, cumulativamente, caráter de juros de mora e de juros remuneratórios, além de ser índice de correção monetária. Deveria ser instituídos por lei e não pelo Banco Central do Brasil (BACEN). b) Têm caráter remuneratório, não podendo, portanto, incidir sobre tributos. c) A forma de cálculo da taxa não está prevista em lei. d) Atenta contra o princípio da anterioridade, pois é fixada após a ocorrência do fato gerador e por estimativas. e) Afronta os princípios da indelegabilidade da competência tributária e da segurança jurídica, uma vez que os percentuais são fixados por atos do BACEN e não por lei. Cita ementa de decisão do STJ. f) Não observa o princípio da hierarquia das leis, pois excede o limite constitucional de 12% ao ano previsto na Constituição Federal e no art. 161 do CTN. g) É ilícito cobrar juros de mora sobre multa de ofício. Rechaço os argumentos contidos nas letras "a" a "f" com as Súmulas CARF n° 2 e 4, à qual as decisões deste colegiado estão vinculadas: "Súmula 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." "Súmula 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Também não vejo óbice à incidência de juros Selic sobre multa de ofício. Dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não podemos deixar de aplicálo. Assim, no caso em tela, a obrigação tributária abrange o IPI e a multa de ofício. Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.258 27 Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) Portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentouse o entendimento do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso) Com base no acima exposto, nego provimento às alegações que tinham como objetivo afastar a incidência de juros Selic sobre o IPI e a multa de ofício. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 13603.721768/201215 Acórdão n.º 3301003.666 S3C3T1 Fl. 1.259 28 Fl. 1259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001493/2010-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/03/2010
AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
Numero da decisão: 3301-004.002
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do DecretoLei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 14 93 /2 01 0- 65 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11128.001493/201065 Acórdão n.º 3301004.002 S3C3T1 Fl. 197 2 José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 44/54): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada deixou de atender ao prazo legal para prestar informações sobre carga transportada, sujeitandose assim à multa prescrita na legislação que disciplina a matéria. 2) Essas informações estão dispostas na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, que regulamentou o art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, estabelecendo as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali definidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11128.001493/201065 Acórdão n.º 3301004.002 S3C3T1 Fl. 198 3 5) A autuada protocolou pedido de desbloqueio de manifestos eletrônicos, pois houve a vinculação deles fora do prazo estabelecido, o que gerou o bloqueio automático no sistema. Consultandose o Siscomex Carga verificouse que consta como transportador responsável nesses manifestos a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. 6) A obrigação da autuada de prestar as informações fornecidas a destempo está disposta nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Portanto, ela responde pelo descumprimento desse dever legal. 7) A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato infracionário, consoante dispõe o artigo 136 do Código Tributário Nacional. 8) Ao deixar de prestar a informação dentro do prazo estabelecido, o transportador omitiu informações necessárias ao controle aduaneiro, comprometendo a prévia análise de risco quanto a carga transportada, a logística, em fim, a operação como um todo. Tal conduta materializou claramente a hipótese infracional descrita no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, consoante dispõe o art. 45 da IN RFB nº 800/2007. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 4/4/2011 e apresentou impugnação (fls. 2427) em 29/3/2010, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A vinculação tardia do manifesto deveuse à necessidade urgente de descarregar contêiner refrigerado para fins de reparo, devido à impossibilidade de consertálo à bordo, fato que ensejou a criação de novo manifesto de baldeação, para possibilitar a descarga e posterior reembarque desse contêiner. b) A impugnante não deixou de prestar as informações exigidas, nem causou nenhum embaraço ou impedimento à fiscalização. Portanto sua conduta não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. c) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11128.001493/201065 Acórdão n.º 3301004.002 S3C3T1 Fl. 199 4 d) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.786 7ª Turma da da DRJ/FOR, julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/03/2010 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/03/2010 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas transportadas configura atraso no cumprimento dessa obrigação, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação tempestiva de informação sobre carga transportada é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada pela legislação no caso de prévia atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 62/71), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.275– 1ª Turma Especial (fls.102/110), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/03/2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11128.001493/201065 Acórdão n.º 3301004.002 S3C3T1 Fl. 200 5 INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 112/121), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100431– 1ª Câmara (fls. 120/121), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 128/136). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.616– 3ª Turma (fls. 176/184) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/03/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 184) Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11128.001493/201065 Acórdão n.º 3301004.002 S3C3T1 Fl. 201 6 Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 62/71) o Recorrente alegou em síntese os seguintes itens: I DA TEMPESTIVIDADE II. DO LANÇAMENTO III. DA DECISÃO RECORRIDA IV. DA ANÁLISE DOS FATOS V. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Sobre o item I, já houve manifestação admitindo e conhecimento o Recurso. No item II, o Recorrente faz referência à infração e à respectiva penalidade constantes do Auto de Infração. No item III, há menção à decisão recorrida e é transcrita a sua ementa. O item IV, apesar de também fazer referência à responsabilidade solidária, valendose da Súmula 192 do extinto TRF, concentrase nos argumentos no sentido de teria ocorrido denúncia espontânea; a questão da denúncia espontânea já resta decidida nesta Corte, cabendo neste momento analisar somente as demais questões, pendentes. Por sua vez, no item V, o Recorrente apresenta seus argumentos relativos à ilegitimidade de sua autuação como responsável, transcrevemos: 21. De início, cabe esclarecer que, o e. relator do acórdão ora recorrido pretende impor ao agente marítimo responsabilidade tributária pela retificação de ofício de informações relativas ao Conhecimento Eletrônico já referido. 22. Para uma melhor análise da matéria e para evitar dispositivos legais que possam ser utilizados para tentar transferir a responsabilidade do transportador, do agente de carga e do operador portuário para o agente marítimo, convém transcrever a seguir dispositivos legais do Decretolei no 37/66, a fim de que se afastar qualquer possibilidade de assunção de responsabildiade com base nos artigos, 32, 37, § 1o, do referido diploma legal: "Art. 32 É responsável solidário pelo imposto:" 23. Com efeito, a responsabilidade tributária solidária está prevista expressamente em lei para o imposto de importação e Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11128.001493/201065 Acórdão n.º 3301004.002 S3C3T1 Fl. 202 7 não para multa isolada que a fiscalização pretende impor à Recorrente. Não há como a fiscalização pretender, por analogia, exigir da Recorrente a multa isolada ora em discussão. 24. O art. 37, § 1o, do DecretoLei no 37/66, dispõe: "Art. 37 O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas." 25. Como se observa em nenhum momento o dispositivo legal acima transcrito menciona a responsabilidade à agência marítima,deixando claro que essa responsabilidade é do transportador (caput), do agente de carga e do operador portuário. 26. O Código Tributário Nacional determina em seu artigo 121, II, que a responsabilidade tributária deve ser expressamente prevista em lei, já que o responsável tributário não ostenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal. 27. Assim, sem previsão legal não pode a multa prevista na alínea "e", do Inciso IV, do art. 107 do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03, ser aplicada à Recorrente. 28. Com efeito, representação também não se confunde com responsabilidade solidária para fins tributários, daí porque às agências marítimas, como no caso da Recorrente, não pode ser imputada a multa prevista no art. art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. 29. E, nesse sentido, decidiu pela ilegitimidade passiva das agências marítimas, no Recurso Voluntário no 506.150, processo no 10711.003636/200644, a 2a Turma Ordinária, 1a Câmara, da 3a Seção, do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 30. A lei e a jurisprudência não dispõem responsabilidade à agência de navegação no que tange à assunção de ônus pertinente à multa estabelecida pelo art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo Art. 77 da Lei no 10.833/03, sendo esta única e exclusivamente de responsabilidade da empresa transportadora ou do agente de carga. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11128.001493/201065 Acórdão n.º 3301004.002 S3C3T1 Fl. 203 8 31. Consequentemente, qualquer equiparação de uma agência de navegação à uma empresa de transporte internacional para efeito de cominação da penalidade pretendida pela fiscalização, caracteriza, para todos os efeitos legais, extrapolação do poder de regulamentar da autoridade administrativa. 32. Ademais, exige a legislação de regência a identificação do sujeito passivo, art. 142 do CTN, no caso, a pessoa do transportador, o que não se acha devidamente esclarecido na peça fiscal. De se dizer que o auto de infração, por si só, não traz qualquer informação capas de ao menos, contribuir para a identificação do transportador. 33. Ainda há que se considerar, conforme se depreende da parte final do caput do art. 9o do Decreto no. 70.235/72, que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à compração do ilícito. 34. Portanto, as ações da fiscalização devem estar devidamente consubstanciadas por provas que sustentem o fato acusado, o que no caso do presente auto de fato não aconteceu. 35. Dessa forma, ao se pesquisar sobre a pessoa que atuou na condição de transportador para fins de aplicação da norma disposta, respectivamente nos art. 37 e 32, ambos do DecretoLei no 37/66, ficase diante dos autos que integram o presente processo, sem a devida resposta, uma vez que dito os autos nada informaram a respeito no que tange à agência marítima. 36. Apenas para esclarecer que as pessoas citadas no parágrafo 1o, do art. 37 do DecretoLei no 37/66, agente de carga e operador portuário também devem prestar informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, bem como o transportador mencionado no "caput" do referido comando legal. Contudo, essas pessoas mencionadas pelo texto legal não se confundem com a agência marítima que tem personalidade e atividades próprias, por isto é, de atender as necessidades do navio no porto de destino. 37. Assim, não procede o ato administrativo do lançamento que imputa sujeição passiva sem carrear aos autos prova dessa condições. Inúmeras decisões nesse sentido há estão sendo proferidas pela 1a Turma de Julgamento da DRJ/FNS. Necessário se volver à análise da lei e da legislação concernente à responsabilidade da Recorrente pela infração. O DecretoLei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11128.001493/201065 Acórdão n.º 3301004.002 S3C3T1 Fl. 204 9 § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (...) (grifouse) O art. 107 do DecretoLei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e No exercício da competência estabelecida pelo art. 107, IV, "e", do Decreto Lei nº 37/66, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que nos seus arts. 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em pauta, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o Recorrente concorreu para a prática da infração em questão, necessariamente, ele responde pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 95 Respondem pela infração: Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11128.001493/201065 Acórdão n.º 3301004.002 S3C3T1 Fl. 205 10 I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). O art. 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decretolei n° 37/66 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pela Recorrente, perfilhase a conclusão adotada no Acórdão no 0826.786 7ª Turma da DRJ/FOR (fl. 49/50), de que o entendimento constante dessa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, "há muito se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do DecretoLei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do DecretoLei nº 37/1966, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação." Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei nº 10.833/2003, o que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex . Ao descumprir esse dever, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, e, com supedâneo também no do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Transcrevese Ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, Acórdão n° 3401003.884: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decretolei nº 37/66. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CLAREZA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Descritas com clareza as razões de fato e de direito em que se fundamenta o lançamento, atende o auto de infração o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, permitindo ao contribuinte que exerça o seu direito de defesa em plenitude, não havendo motivo para declaração de nulidade do ato administrativo assim lavrado. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que presta informações fora do prazo sobre o embarque de mercadorias para exportação incide na infração tipificada no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11128.001493/201065 Acórdão n.º 3301004.002 S3C3T1 Fl. 206 11 Recurso voluntário negado. Consignase, por fim, que esse entendimento é amplamente adotado na jurisprudência recente deste Conselho, conforme se depreende das seguintes Acórdãos: no 3401003.883; no 3401003.882 ; no 3401003.881; no 3401002.443; no 3401002.442; no 3401002.441, no 3401002.440; no 3102001.988; no 3401002.357; e no 3401002.379. Dessa forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 206DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.906238/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2006
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.998
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 62 38 /2 01 2- 62 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.906238/201262 Acórdão n.º 3201002.998 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S/A transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição (Cofins/PIS). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou que efetuara o pagamento em valor maior que o devido e que retificara a DCTF, tendo sido observados todos os trâmites administrativos próprios à compensação, não havendo motivo para a negativa do seu pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora e Dacon retificador. Nos termos do Acórdão nº 14052.346, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que, por ser a DCTF instrumento de confissão de dívida, qualquer alegação de erro no seu preenchimento devia vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas. Destacou, ainda, que apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de decisão judicial em mandado de segurança assegurando lhe o direito à não incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre medicamentos, cuja tributação se dá na forma prevista na Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. Junta cópias de decisões judiciais. Em resumo, solicita: 1. “que se determine à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores.”; 2. que seja provido o Recurso Voluntário; 3. que se declare o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00”; 4. que se cumpra a decisão e sentença judicial. É o relatório. Voto Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10580.906238/201262 Acórdão n.º 3201002.998 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.987, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 10580.900671/201294, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.987): Juízo de Conhecimento A questão da incidência com alíquota zero ou não incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos está submetida ao Poder Judiciário, ensejando a aplicação da Súmula Carf nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescento que a recorrente não trouxe prova de estar representada na demanda judicial, impetrada por “Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimento e Serviços”. De qualquer modo, a solução da presente lide independe desse processo judicial, pois aqui não controverte quanto à incidência ou não de Pis e Cofins sobre medicamentos. A controvérsia que se instalou no presente processo é quanto à prova do pagamento indevido do Darf em foco. Ora, não há, nos autos, quaisquer elementos de prova que vinculem esse pagamento à questão discutida na Justiça. Sem esses elementos, a questão a ser tratada aqui somente se refere à possibilidade de se deferir compensação com base em DCTF e Dacon retificadora. Tal questão se tratará no mérito. Desse modo, rejeito os pedidos 1, 3, e 4, por impertinentes à presente lide. Mérito O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.906238/201262 Acórdão n.º 3201002.998 S3C2T1 Fl. 5 4 e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I2 do CPC). Ressaltese que a DCTF e a Dacon que foram apresentadas na Manifestação de Inconformidade foram retificadas depois da cientificação do Despacho Decisório. Ora, a retificação após ciência de procedimento fiscal não é abrangida pelo espontaneidade, cf. art. 138, § único3 do CTN. Não há, também, qualquer prova de que esse pretendido crédito se vincule à questão judicial discutida no Mandado de Segurança 2009.34.00.0314472, conforme já mencionado. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1704 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria de fato quanto à incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos, e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço da matéria de fato quanto à incidência de PIS e Cofins sobre medicamentos, e nego provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10580.906238/201262 Acórdão n.º 3201002.998 S3C2T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 380DF CARF MF
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