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Numero do processo: 13116.902034/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório integrante do acórdão recorrido, que segue transcrito: Tratase de Declaração de Compensação, transmitida pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, nº 20244.30001.150508.1.3.041452, em 15/05/2008, de crédito relativo a pagamento a maior de Cofins referente ao F.G. 01/01/1980 (parcelamento ordinário), no montante de R$ 13.147,78, visando compensar débitos tributários de CSLL referentes ao primeiro trimestre de 2008. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 16 .9 02 03 4/ 20 09 -2 1 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13116.902034/200921 Resolução nº 3302000.728 S3C3T2 Fl. 227 2 No Despacho Decisório emitido em 07/10/2009, a autoridade tributária não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o pagamento por meio de DARF de Cofins no montante principal de R$20.390,56, F.G. 01/01/1980, do qual informou a contribuinte ser a origem do crédito no valor principal de R$13.147,78, já teria sido integralmente utilizado para extinguir débito de Cofins confessado em parcelamento formalizado no processo administrativo nº 13116.001134/200513. Cientificada da decisão proferida, em 22/10/2009, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/08, em 06/11/2009 (carimbo de recepção à fl. 02), no qual discorre que o DARF utilizado como origem do crédito referese a pagamento de parcelamento formalizado no processo administrativo nº 13116.001134/200513, ocasião em que foram extintos débitos de PIS e Cofins. Informa ainda que o parcelamento foi integralmente pago. Contudo, posteriormente, a contribuinte, por meio do processo administrativo de consulta fiscal nº 13116.000906/200591, constatou que poderia ter se aproveitado, na apuração do PIS e da Cofins, de créditos presumidos, conforme teor das ementas: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: Incidência nãocumulativa. No caso de indústria farmacêutica que apure imposto de renda com base no lucro real, as receitas auferidas decorrentes da venda dos produtos farmacêuticos de que tratam a Lei n. 10.147, de 2002, foram incluídas na sistemática nãocumulativa da Cofins em 01082004. A partir desta data, tais pessoas jurídicas puderam usufruir de regime especial de utilização de credito presumido, previsto na norma legal citada, sem prejuízo do creditamento contemplado no artigo 3 da Lei n.10.833, de 2003. Dispositivos legais: Lei n. 10.147, de 2000, com as alterações posteriores; Lei n. 10833, de 2003. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: Incidência não cumulativa. No caso de indústria farmacêutica que apure imposto de renda com base no lucro real, as receitas auferidas decorrentes da venda dos produtos farmacêuticos de que tratam a Lei n. 10.147, de 2002, foram incluídas na sistemática nãocumulativa da Cofins em 01082004. A partir desta data, tais pessoas jurídicas puderam usufruir de regime especial de utilização de credito presumido, previsto na norma legal citada, sem prejuízo do creditamento contemplado no artigo 3 da Lei n. 10.833, de 2003. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13116.902034/200921 Resolução nº 3302000.728 S3C3T2 Fl. 228 3 Dispositivos legais: Lei n. 10.147, de 2000, com as alterações posteriores; Lei n. 10637, de 2002. Portanto, uma vez formalizada a resposta da solução de consulta, constatou a contribuinte que tinha a possibilidade de aproveitamento de créditos. Assim, ao fazer nova apuração do PIS e da Cofins devidos, levando em consideração os créditos da nãocumulatividade, verificou que tinha apurado PIS e Cofins a maior, e, por consequência, foram pagos, a título de parcelamento, valores majorados. Registra a contribuinte que aguardou, até a resposta final da solução de consulta encaminhada para a Receita Federal, para utilizarse dos créditos nãocumulativos do PIS e da Cofins e realizar nova apuração dos valores devidos das contribuições sociais. Pelo exposto, conclui a interessada que o débito objeto do parcelamento seria inexistente, e o crédito, válido. Enfim, encaminha o pedido nos seguintes termos: Requer assim, seja julgado totalmente procedente a presente impugnação, declarando extinto o débito cobrado tendo em vista a existência do crédito compensado. Não entendendo pela procedência, requer seja cancelada a decisão que não homologou a compensação efetuada, sendo o presente processo administrativo apensado ao processo n. 13116.001134/200513, até que seja julgado o PEDIDO DE REVISÃO E RECONHECIMENTO DE CREDITO protocolado. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/01/1980 SOLUÇÃO DE CONSULTA FISCAL. APLICAÇÃO DA LEI. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO DE DÉBITO. COMPARAÇÃO COM DÉBITO PARCELADO. DIFERENÇA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. I Solução de consulta fiscal, ao autorizar o aproveitamento do crédito presumido, por si só, não é suficiente para conferir liquidez e certeza a crédito tributário. II Há que haver a apuração do crédito presumido, deduzir o crédito presumido do débito apurado, para se encontrar o tributo a pagar. Por sua vez, caso o tributo a pagar seja inferior ao valor já extinto, seja por meio de pagamento, compensação ou parcelamento, surge o crédito tributário, com os atributos de liquidez e certeza, apto a ser utilizado para fins de compensação tributária. III Apuração efetuada pela contribuinte deve ser ratificada pela administração fazendária. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13116.902034/200921 Resolução nº 3302000.728 S3C3T2 Fl. 229 4 PROCESSO DE PARCELAMENTO. PETIÇÃO. NOVA APURAÇÃO DE DÉBITOS. RECEBIMENTO. O fato de o processo de parcelamento estar arquivado, em razão do pagamento integral do montante acordado, não retira do contribuinte o direito de peticionar pela revisão dos débitos tributários anteriormente parcelados, razão pela qual a unidade de origem deve apreciar a nova apuração efetuada pela interessada, que leva em consideração o aproveitamento dos créditos presumidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 31/7/2013, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformada, em 16/8/2013, apresentou recurso voluntário de fls. 212/220, em que reafirmou os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No caso concreto, a recorrente alegou que era indevido o pagamento, no valor total de R$ 20.390,56, realizado no dia 29/6/2007 por meio de Darf, cujo comprovante encontrase colacionado aos autos (fl. 21). E o referido pagamento referiase a uma das parcelas do parcelamento dos débitos da Cofins dos meses de janeiro de 2005 a agosto de 2005, consoante demonstrativo de fl. 20. Ainda segundo a recorrente, o débito parcelado teria sido apurado incorretamente, sem levar em consideração os créditos presumidos, previstos no art. 3º da Lei 10.147/2002, a que passou a fazer jus a partir de 1/8/2004, quando fora incluída na sistemática não cumulativa de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Entretanto, somente após ter o conhecimento do resultado da consulta fiscal, formalizada no âmbito do processo nº 13116.000906/200591, que lhe reconhecera o direito de deduzir os referidos créditos presumidos, procedera nova apuração das contribuições, em que apurada a inexistência de débitos a pagar. Em decorrência, os pagamentos realizados no âmbito do referido parcelamento eram indevidos, inclusive, o pagamento realizado no dia 29/6/2007, utilizado no procedimento compensatório em apreço. Para comprovar o alegado, a recorrente trouxe à colação dos autos o “PEDIDO DE REVISÃO DE DÉBITO OBJETO DE PARCELAMENTO COMBINADO COM RECONHECIMENTO DE CRÉDITO” (fls. 195/198), protocolado perante o processo parcelamento (processo nº 13116.001134/200513) no dia 30/10/2009, portanto, após 7/10/2009, dada da emissão do despacho decisório de fls. 16/18, que não reconheceu a existência do crédito informado e não homologou a compensação do débito declarada, por meio da DComp de fls. 23/26, entregue em 15/5/2008. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13116.902034/200921 Resolução nº 3302000.728 S3C3T2 Fl. 230 5 Há ainda nos autos (fls. 30/192), as cópias dos Dacon e das DCTF retificadores dos períodos, que foram apresentadas, respectivamente, nos dias 3/9/2007 e 2/7/2009, em que informada a inexistência de débitos a pagar da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos meses janeiro a agosto de 2005, objeto do referido parcelamento. De outra parte, não há nos autos prova do resultado da análise do referido pedido de revisão de débitos e tampouco demonstrativo, respaldado por documentos idôneos, que confirmem os novos valores informados nos Dacon e DCTF retificadores. Assim, na ausência de provas adequadas e consistentes que confirmem os valores informados nos citados documentos retificadores, chegase a inevitável conclusão que não há nos autos elementos seguros para formação de convicção sobre a correta apuração dos novos valores dos débitos das contribuições, informados nos referidos documentos retificadores. Em suma, os autos ainda não se encontram prontos para o julgamento da lide. Diante dessa circunstância, votase pela conversão do julgamento em diligência, perante a unidade de origem da RFB, para que seja juntado aos autos (i) o resultado da análise do referido pedido de revisão de débitos, formalizados no âmbito do processo do parcelamento (processo nº 13116.001134/200513), e (ii) informação fundamentada sobre a situação dos débitos objeto do citado parcelamento, ou seja, se eles eram indevidos ou não. Em seguida, cientificar a recorrente do resultado da diligência, para que, se desejar, manifestese a respeito do resultado da diligência no prazo de 30 dias. Após, com ou sem manifestação da recorrente, os autos devem retornar a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003740/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO DECLARAR EM GFIP TODOS OS FATOS GERADORES. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL.
A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo, devendo ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental.
PREVIDENCIÁRIO. AUDITORIA FISCAL. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO.
À época do julgamento de primeira instância, a competência originária para julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário era do Auditor Fiscal da Previdência Social, nos termos do art. 8º da Lei 10.593/2002.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
É vedado ao contribuinte inovar na postulação recursal para incluir alegações que não foram suscitadas na Impugnação, tendo em vista a ocorrência de preclusão processual.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES.
Estando os fatos perfeitamente descritos e identificada irregularidade imputada, com indicação do dispositivo legal infringido não há cerceamento do direito de defesa, o que se confirma pelas alegações postas na peça impugnatória.
GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE EM DUPLICIDADE. INOCORRÊNCIA.
A obrigação de informar os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias na GFIP, prevista no art. 32, IVº, da Lei nº 8.212/91, é obrigação acessória diversa da obrigação principal. Portanto, a multa por seu descumprimento não consiste em imposição de penalidade em duplicidade ou de mera consequência da obrigação principal.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009.
Numero da decisão: 2401-009.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo da multa em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico ao sujeito passivo.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lopes Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo
Nome do relator: RODRIGO LOPES ARAUJO
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO DECLARAR EM GFIP TODOS OS FATOS GERADORES. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo, devendo ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental. PREVIDENCIÁRIO. AUDITORIA FISCAL. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. À época do julgamento de primeira instância, a competência originária para julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário era do Auditor Fiscal da Previdência Social, nos termos do art. 8º da Lei 10.593/2002. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. É vedado ao contribuinte inovar na postulação recursal para incluir alegações que não foram suscitadas na Impugnação, tendo em vista a ocorrência de preclusão processual. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES. Estando os fatos perfeitamente descritos e identificada irregularidade imputada, com indicação do dispositivo legal infringido não há cerceamento do direito de defesa, o que se confirma pelas alegações postas na peça impugnatória. GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE EM DUPLICIDADE. INOCORRÊNCIA. A obrigação de informar os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias na GFIP, prevista no art. 32, IVº, da Lei nº 8.212/91, é obrigação acessória diversa da obrigação principal. Portanto, a multa por seu descumprimento não consiste em imposição de penalidade em duplicidade ou de mera consequência da obrigação principal. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009.
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NÃO DECLARAR EM GFIP TODOS OS FATOS GERADORES. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo, devendo ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental. PREVIDENCIÁRIO. AUDITORIA FISCAL. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. À época do julgamento de primeira instância, a competência originária para julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário era do Auditor Fiscal da Previdência Social, nos termos do art. 8º da Lei 10.593/2002. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. É vedado ao contribuinte inovar na postulação recursal para incluir alegações que não foram suscitadas na Impugnação, tendo em vista a ocorrência de preclusão processual. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES. Estando os fatos perfeitamente descritos e identificada irregularidade imputada, com indicação do dispositivo legal infringido não há cerceamento do direito de defesa, o que se confirma pelas alegações postas na peça impugnatória. GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE EM DUPLICIDADE. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 37 40 /2 00 7- 66 Fl. 277DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.795 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003740/2007-66 A obrigação de informar os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias na GFIP, prevista no art. 32, IVº, da Lei nº 8.212/91, é obrigação acessória diversa da obrigação principal. Portanto, a multa por seu descumprimento não consiste em imposição de penalidade em duplicidade ou de mera consequência da obrigação principal. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo da multa em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico ao sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo Relatório Trata-se, na origem, de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. A infração constatada foi descrita como “Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212. de 24.07.91, art. 32, inciso IV e paragrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528. de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91. art. 32, IV e paragrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528. de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e paragrafo Fl. 278DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.795 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003740/2007-66 4., do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048. de 06.05.99. (Fundamento Legal 68)” De acordo com o relatório fiscal: constatou-se que o mesmo deixou de informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de serviço e Informações a Previdência Social - GFIP, dados correspondentes aos fatos geradores de contribuição previdenciária e informações de interesse do INSS, no período de 01/2000 a 05/2004. A comprovação dos .pagamentos efetuados aos segurados que lhe prestaram serviços, foi constatada através do arquivo digital Defin. 27/11/03 Mov. Bancário, do qual foi extraído a escrituração do “Caixa 2", de 01/2000 a 04/2004, tendo sido impresso e anexado cópia na NFLD n° 35.646.428-8, constando de 103 folhas, constituindo inclusive uma contra prova da Receita Federal. Foram constatados ainda pela flscalização pagamentos efetuados a segurados que lhe prestaram serviços no período de 10/2002 a 05/2004, documentados através de uma relação de pagamentos manuscrita, em folha de "agenda", contendo nome dos beneficiário, valor da remuneração e a indicação de "pg". Após confrontar os nomes descritos com os nomes dos funcionários da empresa, ficou evidenciado tratar-se de pagamentos efetuados a empregados “por fora", cujos valores encontram-se escriturados no “Caixa 2" citado anteriormente. Ciência da autuação em 13/07/2004, conforme recibo. Impugnação na qual a autuada alega que: Apresentou regularmente as informações exigidas; Não é possível a equiparação efetivada entre os saques de conta bancária e pagamentos de pro labore; Os pagamentos efetuados a pessoas físicas foram indevidamente incluídos em pagamentos empregados sem vínculo empregatícios; Não há prova de que a empresa tem empregados não registrados; Não é possível a cominação de multa de mora e multa de ofício; Não há indicação dos fatos tributados, o que impede o exercício do direito de defesa; Não há previsão para punição de omissão parcial na prestação de informações; Há pagamentos em que o real beneficiário é pessoa jurídica; A decadência atingiu as competências 01/1994 a 06/1999; A qualificação dos fatos vinculados ao denominado “Caixa2” deve ser uniforme e não pode ter a qualificação de omissão de receita e de retirada de pro labore; O lançamento foi feito com base em indícios (folhas de pagamento manuscrita); Fl. 279DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.795 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003740/2007-66 As retiradas não são mensais nem fixas, não correspondendo à prestação de serviços; Pagamentos identificados como despesas diversas não têm natureza de remuneração; Saque bancário não é fato gerador de contribuição; Houve cobrança em duplicidade, pois a contribuição foi calculada sobre o salário bruto antes da dedução do adiantamento Lançamento julgado procedente. Decisão-notificação com a seguinte ementa: LEGISLAÇAO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Ciência da decisão em 14/01/2005 (sexta-feira), por via postal. Recurso Voluntário apresentado em 14/02/2005 ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CPRS), no qual a recorrente alega que: A autoridade julgadora era incompetente; Não foi intimada a se manifestar sobre o crédito oriundo dos documentos apresentados; Não foi intimada a cumprir a obrigação; Houve duplicidade na autuação para a mesma infração; Não houve omissão na entrega de GFIP; A multa é confiscatória; Contrarrazões ao recurso apresentadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária em Campinas/SP. Ao julgar o recurso voluntário, a CPRS verificou que a notificação 35.646.428-8, relativa ao lançamento das obrigações principais, foi anulada por vício formal. Tendo em vista que a verificação do descumprimento da obrigação acessórias decorre da caracterização do vínculo dos segurados, o julgamento foi convertido em diligência, para aguardo da notificação substitutiva. Nos termos da decisão: Da análise dos autos do processo, constata-se que a presente autuação decorre da falta de informações ao INSS das remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, aferidas indiretamente em conta bancária da contribuinte, a partir da desconsideração de sua contabilidade, por não representar a real movimentação dos salários, na forma devidamente explicitada na respectiva notificação sob n° 35.646.428- 8. Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.795 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003740/2007-66 Ocorre que, submetida à análise deste Colegiado, nesta mesma oportunidade, a egrégia 4a Caj, por unanimidade de votos, acolhendo as razões decidir do Conselheiro Relator, achou por bem anular referida NFLD, por conter vícios formais, o fazendo sob a égide dos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO CONTABILIDADE DA EMPRESA. ARBITRAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PRO_YA. ARTIGO 33 §§ 3° E 6°, DA LEI 8.212/91. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇAO LEGAL NO ANEXO FLD. IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE CORREÇA O. VICIO INSANA VEL. NULIDADE. Entrementes, a colenda 4a Câmara ao declarar a nulidade da respectiva NFLD não adentrou ao mérito, não deixando de existir, assim, os fatos geradores que deveriam ser informados ao INSS, consignados naquele lançamento fiscal anulado. Nestes casos, a autoridade competente, após confirmação da nulidade da notificação, determina a emissão de NFLD substitutiva com as devidas correções dos vícios formais apontados anteriormente. Dessa forma, tendo em vista a possível emissão de NFLD substitutiva, esta por guardar íntima relação de causa e efeito com a presente autuação, deverá ser julgada primeiramente, para que, somente assim, reste corroborado o entendimento da fiscalização constante deste lançamento. Observe-se, que somente após o julgamento da correspondente NFLD, onde foram lançadas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, é que se poderá inferir com segurança que a contribuinte deixou de informar ao INSS aqueles fatos geradores, devendo ser sobrestado o julgamento desta autuação. O processo foi instruído com os seguintes documentos: Documento e-fl. Relatório fiscal 3 Recibo de ciência da autuação 2 Impugnação 152 Decisão-notificação de 1ª instância 177 Aviso de recebimento (AR) da decisão de 1ª instância 188 Recurso Voluntário 192 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Lopes Araújo, Relator. Análise de admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de forma que deve ser conhecido. Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.795 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003740/2007-66 Nulidade – Competência da autoridade julgadora Em relação à decisão recorrida, a recorrente alega que a autoridade julgadora era incompetente e que o ato administrativo deveria ser precedido de fonte legal de sua atribuição, nos termos do art. 14 da Lei 9.784/1999. Entretanto, à época competia aos Auditores Fiscais da Previdência Social julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário, nos termos do art. 8º, I, “d”, da Lei 10.593/2002. Portanto, a impugnação foi julgada por quem detinha, por força de lei, a competência originária para tanto. Lançamento das obrigações principais – Resultado de julgamento Verifica-se que, no âmbito do mesmo procedimento fiscal que deu origem à autuação sob exame, a fiscalização efetuou lançamento de contribuições sociais previdenciárias que se deu, em síntese, após a constatação de que a contribuinte havia efetuado, com recursos à margem da contabilidade, pagamentos a segurados que lhe prestaram serviços no período de 01/1994 a 05/2004. Cumpre então notar que o crédito das contribuições previdenciárias foi formalizado no processo 13840.000427/2007-42, originalmente sob o nº Debcad 35.646.426-8. Como a NFLD original foi anulada pela 4ª Câmara de Julgamento do CPRS (Acórdão 1.549/2006), por vício formal, foi emitida notificação substitutiva sob o nº Debcad 37.072.381-3. Compulsando os autos do processo 13840.000427/2007-42 constata-se que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) afastou somente a parte do crédito alcançada pela decadência, por aplicação da regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (competências 01/1994 a 11/1998). O CARF, por sua vez, manteve a decisão da DRJ, como se extrai da ementa e da parte dispositiva do correspondente Acórdão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/05/2004 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. LANÇAMENTO ORIGINAL COM VÍCIO FORMAL. É lícito o lançamento substitutivo quando foi reconhecida a nulidade do lançamento original por vício formal. REMUNERAÇÃO DE SÓCIO ADMINISTRADOR. PRO LABORE. ÔNUS DA PROVA. Para que as conclusões da autoridade fazendária sejam afastadas, cabe ao sujeito passivo comprovar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do lançamento. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência de remuneração e a natureza jurídica da relação entre a pessoa jurídica e a pessoa física, inclusive para configurar contribuinte autônomo ou empregado. Apresentadas provas suficientes, cabe à Contribuinte demonstrar com elementos probatórios a inadequação do lançamento. DECADÊNCIA. FRAUDE. Constatada a ocorrência de fraude tributária, não é possível aplicar a regra do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser aplicada a regra geral do art. 173, I, do mesmo diploma legal. Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-009.795 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003740/2007-66 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), que lhe deu provimento parcial, para afastar a tributação em relação aos pagamentos efetuados a contribuinte individual empresário. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo, devendo ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental. Preclusão Em sede recursal a contribuinte trouxe alegações relativas à ausência de motivação por falta de intimação prévia ao lançamento para se manifestar e caráter confiscatório da multa. Todavia, deve ser reconhecido que tais matérias foram atingidas pelo instituto da preclusão, por força do art. 17 do Decreto 70.235/1972: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nulidade – Identificação da infração A recorrente argumenta que é necessária a descrição do fato gerador da exigência tributária, para possibilitar a ampla defesa e o contraditório. Assevera que houve dificuldade para identificar o ato disciplinador da obrigação, vez que não vislumbra a capitulação da infração cometida. Afirma ainda que não há indicação individual dos fatos tributados. No entanto, observa-se que o relatório fiscal de e-fls. 3 a 79 apresenta detalhadamente a descrição da infração, indicando o fundamento legal para exigência da obrigação acessória e cada uma das bases de cálculo não declaradas em GFIP, por competência e por levantamento. Ademais, a autuada apresentou sua defesa questionando especificamente a penalidade aplicada, demonstrando conhecer as razões da autuação. Duplicidade da penalidade Alega a recorrente que houve lançamento do crédito das contribuições, razão pela qual não haveria sentido em aplicar penalidade por ausência da GFIP. Não lhe assiste razão. A obrigação de informar os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias na GFIP, prevista no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91 e no art. 225, inc. IV, do Regulamento da Previdência Social, é obrigação acessória diversa da obrigação principal. Quando do seu descumprimento, cabível a aplicação da penalidade específica, à época prevista no art. 32, §5º, da Lei 8.212/1991, sem prejuízo do lançamento das contribuições sociais previdenciárias com os respectivos acréscimos legais. Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-009.795 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003740/2007-66 Atipicidade da conduta A recorrente alega que sempre prestou as informações exigidas pelo Regulamento da Previdência Social, não havendo previsão para punição de omissão parcial na prestação das informações. Afirma que a punição não está corretamente determinada, pois a indicação de fatos vinculados a empregados sem vínculo na realidade correspondem a pagamentos a autônomos e equiparação de saques bancários a pagamento de pro labore. Todavia, o art. 225, IV, do Decreto 3.048/1.999 prevê expressamente a obrigatoriedade de declarar todos os fatos geradores das contribuições: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Considerando que, como já exposto, ficou comprovada a ocorrência dos respectivos fatos geradores, como decidido no julgamento relativo às obrigações principais, resta constatar que a recorrente simplesmente reconhece que esses fatos realmente não foram declarados em GFIP, em descumprimento ao dispositivo acima transcrito. Retroatividade benigna Cumpre observar que, antes da MP 449/08, a Lei 8.212/91 previa, no seu art. 35, II, para casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previdenciárias, uma penalidade denominada multa de mora – eis que dependente do tempo entre a notificação e o pagamento. Em seu art. 32, §§4º e 5º, essa lei trazia também, para a falta de declaração ou declaração incorreta em GFIP dos fatos geradores, penalidade distinta, independentemente do recolhimento da contribuição. A MP 449/08 – posteriormente convertida na Lei 11.941/2009 -, por meio da inclusão do art. 35-A na Lei 8.212/91, substituiu essas duas penalidades por uma só: a do art. 44 da Lei 9.430/96. Assim, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional é necessário verificar, a partir das infrações previstas, a penalidade menos gravosa. Essa comparação, consoante entendimento consolidado desse Conselho, deve se dar na sistemática da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Pelo exposto, voto por: Fl. 284DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-009.795 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003740/2007-66 CONHECER do Recurso Voluntário; Rejeitar as preliminares de nulidade; e No mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para determinar o recálculo da multa conforme a sistemática da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico ao sujeito passivo, (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo Fl. 285DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.940123/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.471
Decisão: Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
JOSÉ HENRIQUE MAURI - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) JOSÉ HENRIQUE MAURI - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente SADIVE S/A DISTRIBUIDORA DE VEICULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) JOSÉ HENRIQUE MAURI Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório emitido pela Derat São Paulo, que indeferiu o Pedido de Restituição vinculado a pagamento indevido ou a maior pleiteado por meio de Per/Dcomp, uma vez que o Darf não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando haver cometido equívoco ao confeccionar seu pedido de restituição, uma vez que no campo relativo ao DARF informou a soma de dois e/ou três pagamentos realizados em vez de um único pagamento, por se referirem a um mesmo tributo e um mesmo período de apuração. Ressalta, todavia, que esse erro em nada prejudica seu direito creditório pleiteado. Na seqüência, após citar a legislação atinente à matéria e jurisprudências, salienta o entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal de que a base de cálculo das RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 40 12 3/ 20 11 -3 1 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.940123/201131 Resolução nº 3301000.471 S3C3T1 Fl. 3 2 contribuições ao PIS e à Cofins somente devem incluir os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão 06046.816. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, através do qual pleiteou a reforma da decisão recorrida. Alegou, resumidamente, que a lei excetua a impossibilidade de afastamento da aplicação de lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, como é o caso do afastamento da aplicação do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 (RE 390.840). É o relatório. Voto Conselheiro Jose Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.464, de 29 de agosto de 2017, proferida no julgamento do processo 10880.940112/201151, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.464): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Esclarecimentos fáticos De início, é importante que sejam feitos alguns esclarecimentos fáticos relativos ao caso vertente. Consoante se constata do despacho decisório, a motivação para o indeferimento do pedido de restituição decorreu da não localização do pagamento informado como indevido ou a maior que o devido nos sistemas da Receita Federal. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte esclareceu que cometeu equívoco no preenchimento do seu pedido, tendo informado o total do pagamento de COFINS no período ao invés dos pagamentos individualmente efetuados. Nesta oportunidade, anexou aos autos cópias dos DARFs que comprovam a alegada falha, a qual restou confirmada pela DRJ (vide fl. 41). Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.940123/201131 Resolução nº 3301000.471 S3C3T1 Fl. 4 3 Ocorre que, apesar da comprovação atinente à falha no preenchimento do pedido de restituição, entendeu a DRJ que não poderia acolher o pleito do contribuinte. É o que se extrai da passagem a seguir colacionada, extraída do voto que compõe a decisão recorrida: Entretanto, apesar da comprovação dos recolhimentos assim efetuados, o pedido de restituição não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente a esses recolhimentos. Em sua manifestação, a contribuinte argumenta tão somente a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal em relação à inclusão no faturamento das pessoas jurídicas de outras receitas que não a de vendas de mercadorias e de serviços. Ora, para a análise do direito creditório alegado, devese verificar a base de cálculo da contribuição e o valor que teria sido recolhido a maior. E, para isso, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem que o pagamento foi efetuado considerando receitas não operacionais e/ou receitas financeiras, que não correspondam à atividade operacional da empresa. E essa comprovação deve ser feita, a princípio, com base na escrituração fiscal e contábil da empresa e/ou em documentos fiscais que reflitam tratarse de receitas que escapem à incidência da contribuição, situação não demonstrada. É de se observar, por precaução, que os recolhimentos foram realizados em nome da empresa incorporada Sadive Automóveis Ltda., CNPJ nº 02.992.628/000146, cabendo a apresentação da escrituração fiscal, se porventura houvesse feito, em nome desta. Vejase que a legislação é clara no sentido de que a restituição/compensação de débitos tributários somente pode ser deferida mediante a existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública (art. 170 do CTN). No caso, como dito, nada foi apresentado para comprovar essa liquidez e certeza e, como se sabe, segundo o art. 333 do CPC, o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Seguiu dispondo a decisão recorrida que, nos termos do parágrafo 11 do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, cumulado com o parágrafo 4º do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, a prova deveria ter sido apresentada pelo contribuinte juntamente com a sua impugnação, razão pela qual teria precluído o seu direito de fazêlo em outro momento processual. Sendo assim, concluiu pela manutenção do indeferimento da restituição pleiteada, face à inexistência de prova hábil que demonstrasse o pagamento indevido do tributo. Face a tal decisão, o contribuinte interpôs Recursos Voluntário, através da qual apresentou os argumentos que serão devidamente enfrentados a seguir. 2. Preliminar de nulidade da decisão recorrida Preliminarmente, alegou o contribuinte em seu recurso a nulidade da decisão recorrida, pois a DRJ teria inovado no feito, tendo adotado argumento diverso do inserto no despacho decisório para indeferir o pleito da recorrente. Ressalta que o despacho decisório indeferiu o pedido de ressarcimento sob a alegação de inexistência do recolhimento declarado como indevido pela Recorrente (não localização do DARF), o que levou à comprovação realizada pelo contribuinte em sua Manifestação de inconformidade (DARFs apresentados). Segue dispondo que "qualquer autuação, para que seja juridicamente válida, deve conter em si todos os elementos de fato e de direito que justificam a respectiva exigência fiscal, não podendo sofrer modificação ao longo do processo, sob pena de se Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.940123/201131 Resolução nº 3301000.471 S3C3T1 Fl. 5 4 desvirtuar a ordem regular do processo e se prejudicar o direito à ampla defesa e ao contraditório". Discordo do contribuinte neste ponto. O despacho decisório concluiu que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado". E esta mesma conclusão foi a que constou da decisão recorrida. Não há que se falar, portanto, em inovação no feito. Até porque, ainda que os fundamentos em um e outro caso tenham sido diversos, tal fato não levaria à nulidade da decisão recorrida, pois embora o equívoco relativo aos DARFs tenha sido esclarecido pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, é inconteste que a DRJ não poderia ter deferido pedido de restituição sem que o caráter de certeza e liquidez do crédito pleiteado tivesse sido confirmado. A análise da certeza e liquidez do crédito pleiteado é simplesmente imprescindível ao deferimento de pleito compensatório. Destaquese, inclusive, que, em razão do ônus probatório que lhe persegue no presente caso, o contribuinte deveria ter trazido aos autos os elementos comprobatórios desta certeza e liquidez na primeira oportunidade em que teve para se manifestar nos autos. Não o tendo feito, não possui razões para discordar da decisão da DRJ que concluiu pela impossibilidade de homologação da compensação realizada, face à ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Há de ser afastada, portanto, a alegação de nulidade da decisão recorrida. 3. Mérito Consoante acima narrado, o crédito objeto do pedido de restituição referese a suposto "pagamento indevido ou a maior" realizado pelo contribuinte, tendo em vista que teriam sido incluídas receitas estranhas ao conceito de faturamento. Destaca a recorrente que esta discussão já se encontra superada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no RE 390.840/MG. Ou seja, a questão de mérito posta em discussão cingese à análise do direito da recorrente à COFINS pago com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.718/1998, dispositivo este que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por negar provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que "a concessão de restituição vinculada a pagamento indevido ou a maior do que o devido está condicionada à demonstração inequívoca da base de cálculo da contribuição e do pagamento dito indevido, que deve ser realizada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea e da escrituração contábil/fiscal da empresa". No caso concreto, portanto, entendeu que o contribuinte não havia trazido aos autos dita comprovação. Ou seja, restringiuse aquela instância de julgamento a negar o direito à restituição em razão da ausência de comprovação quanto à certeza e liquidez do montante apontado, nada tendo disposto acerca do mérito da contenda. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.940123/201131 Resolução nº 3301000.471 S3C3T1 Fl. 6 5 Quanto ao mérito, é cediço que tal dispositivo legal (parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998), além de já ter sido declarado inconstitucional em decisões sem efeito erga omnes (RE 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG), também já o foi em processo com repercussão geral reconhecida (RE 585.235, cuja decisão foi publicada no Diário da Justiça nº 227 do dia 28 de novembro de 2008). Como se não bastasse, destaquese que a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, em consonância com o que decidira o STF, revogou expressamente o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. De outro norte, mencionese ainda que, nos termos do art. 62, inciso II, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343 de 2015, os Conselheiros têm que reproduzir tanto as decisões definitivas proferidas pelo Plenário do STF que tenha declarado inconstitucional determinado dispositivo legal, quanto decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. É o que se extrai dos incisos I e II, b, do referido art. 62, a seguir transcritos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Quanto ao direito pleiteado, portanto, é pacífico o entendimento favoravelmente aos interesses do contribuinte. 4. Necessidade de diligência Embora a matéria de direito já se encontre pacificada, tendo em vista que a presente demanda versa sobre pedido de restituição, é essencial que se perquira, ainda, se o montante apontado pelo contribuinte se reveste de certeza e liquidez. Ou seja, há de se verificar se os valores indicados a título de crédito correspondem, de fato, ao alargamento da base de cálculo disposta no parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, declarado inconstitucional. Ocorre que tal análise não chegou a ser realizada nos presentes autos, visto que a documentação tendente a comprovar o direito alegado apenas foi anexada aos autos juntamente com o Recurso Voluntário interposto. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.940123/201131 Resolução nº 3301000.471 S3C3T1 Fl. 7 6 Defende o contribuinte em seu recurso que não teria precluído o seu direito à comprovação do valor que pretende ter restituído. Neste particular, entendo que assiste razão ao contribuinte. Embora haja respaldo legal para a não admissão da juntada posterior de documentos, nos moldes enunciados pela decisão recorrida (parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72), é cediço que este Conselho, em atenção ao princípio da verdade material, tem admitido, em determinadas situações, a juntada de documentos a posteriori pelo sujeito passivo, desde que a documentação apresentada seja relevante à solução da lide. No caso específico aqui analisado, entendo que o contribuinte não se manteve inerte no intuito de comprovar o seu direito. Em princípio, ao ter denegado o seu pleito sob o fundamento de não localização do DARF indicado, apresentou manifestação de inconformidade através da qual apontou a falha identificada, tendo juntado naquela oportunidade cópia dos DARFs cuja soma corresponde ao valor apontado em seu pedido de restituição. Em um segundo momento, quando teve indeferido o seu pleito pela DRJ em razão da ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito apontado, anexou aos autos através do seu Recurso Voluntário, no intuito de comprovar o alegado, planilha com a indicação dos valores que teriam sido incluídos indevidamente na base de cálculo do PIS e da COFINS, visto que correspondiam a receitas financeiras da empresa (fl. 70 dos autos), bem como cópia do seu livro razão. Verificase que tais documentos não foram até o momento analisados pela fiscalização. Entendo, portanto, que a sua análise pela fiscalização se apresenta imprescindível à correta solução desta lide. Nesse contexto, há de se concluir que a presente demanda não se encontra satisfatoriamente instruída para fins de julgamento, fazendose necessária a realização de diligência para que se analise a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. A necessidade de diligência para fins de apuração do crédito do contribuinte, inclusive, já foi reconhecida em outros julgados deste Conselho, a exemplo da decisão a seguir colacionada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2001 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.940123/201131 Resolução nº 3301000.471 S3C3T1 Fl. 8 7 PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 3402004.261 de 27/06/2017). Sendo assim, em observância aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, entendo que a presente demanda deverá ser convertida em diligência, para que a autoridade fiscal competente analise os documentos anexados aos autos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, pronunciandose expressamente sobre a aptidão de tais documentos a comprovar o pagamento a maior objeto do pedido de restituição apresentado, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.718/1998, bem como indicando os valores a serem admitidos. É importante que se diga que não se está aqui invertendo o ônus da prova. Este ônus, conforme já anteriormente mencionado, é do contribuinte. Pretendese, em verdade, em atenção ao princípio da verdade material, identificar se o recolhimento realizado pelo contribuinte fora de fato indevido, ainda que a documentação correspondente a tal comprovação apenas tenha sido realizada quando da interposição de Recurso Voluntário. Até porque, negarse o direito à restituição quando haja tal comprovação nos autos seria admitir conscientemente verdadeiro enriquecimento indevido por parte da União, o que não se deve admitir. Até porque, como é cediço, a matéria de direito já se encontra pacificada tanto no Judiciário quanto neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante analisado no tópico imediatamente anterior. 5. Conclusão Voto, portanto, no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente em seu pedido de restituição correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado. Em seguida, o contribuinte deverá ser cientificado quanto ao teor do relatório de diligência para, desejando, manifestarse no prazo legal. Após, os autos deverão retornar ao CARF, para fins de julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.940123/201131 Resolução nº 3301000.471 S3C3T1 Fl. 9 8 a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente em seu pedido de restituição correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado. Em seguida, o contribuinte deverá ser cientificado quanto ao teor do relatório de diligência para, desejando, manifestarse no prazo legal. Após, os autos deverão retornar ao CARF, para fins de julgamento. assinado digitalmente Jose Henrique Mauri Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.917696/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.850
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão nº 08031.414, prolatado pela DRJ Fortaleza/CE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade em que se pleiteou a reforma do despacho decisório da repartição de origem que não homologara a Declaração de Compensação de crédito da Cofins com débito da titularidade do mesmo sujeito passivo. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação, alegando que (i) o débito de fato era menor que o informado na DCTF, conforme planilha anexada aos autos, (ii) a vinculação do DARF na DCTF não era causa suficiente para a negativa do pedido de restituição e que (iii) seu direito creditório se originara RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 69 6/ 20 11 -5 7 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10830.917696/201157 Resolução nº 3201000.850 S3C2T1 Fl. 138 2 do alargamento indevido da base de cálculo promovido pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A decisão da DRJ Fortaleza/CE, denegatória do direito pleiteado, fundamentou se na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse comprovar o alegado erro cometido no preenchimento da DCTF, dada a ausência de retificação tempestiva dessa declaração. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.848, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 10830.917695/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.848): O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. (...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS pelo regime não cumulativo (alargamento da base de cálculo declarada inconstitucional pelo STF). De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento a maior de COFINS realizado por meio do recolhimento de DARF. Consoante Despacho Decisório proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, justificando exatamente que o recolhimento a maior decorre da revisão da base de cálculo da COFINS diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e apresentando respectivo demonstrativo da base de cálculo apurada. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10830.917696/201157 Resolução nº 3201000.850 S3C2T1 Fl. 139 3 Embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado, entendendo ter precluído o direito de fazêlo posteriormente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, apresenta (i) nova cópia do demonstrativo de apuração da COFINS; e (ii) Balancete mensal da COFINS, extraído do seu Livro Diário devidamente registrado. Com base nisso, postula pela aplicação do Princípio da Verdade Material e requer a realização de diligência para que demais documentos julgados necessários pela Fiscalização possam ser apresentados pelo contribuinte. Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, em prol do princípio da verdade material, e considerando que o contribuinte trouxe aos autos diversos documentos comprobatórios do seu direito, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandolhe, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10830.917696/201157 Resolução nº 3201000.850 S3C2T1 Fl. 140 4 Da mesma forma que no processo do paradigma, nestes autos, o contribuinte apresentou, em sede de recurso voluntário, novos documentos comprobatórios com vistas a demonstrar o alegado direito creditório (balancete e demonstrativo). Desta forma, os elementos que justificaram a conversão em diligência do paradigma, também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandoo, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001576/2010-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sun Sep 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E O PARADIGMA. NÃO CONHECIMENTO.
A ausência de similitude fática entre os acórdãos paradigma e recorrido impede a caracterização da alegada divergência jurisprudencial, ensejando o não conhecimento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-005.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Andrea Duek Simantob Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E O “PARADIGMA”. NÃO CONHECIMENTO. A ausência de similitude fática entre os acórdãos paradigma e recorrido impede a caracterização da alegada divergência jurisprudencial, ensejando o não conhecimento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata-se de recurso especial (fls. 592/610) interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1401-004.549 (fls. 534/558), que negou provimento ao recurso voluntário por unanimidade de votos. Transcreve-se a seguir a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 15 76 /2 01 0- 01 Fl. 723DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.681 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001576/2010-01 Ano-calendário: 2005 DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência fulmina o direito do Fisco constituir o crédito tributário, em nenhuma hipótese atinge a possibilidade de verificar-se o saldo de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, pois ambos não se constituem fato gerador de imposto de renda, nem de contribuição social sobre o lucro líquido. A decadência ocorre após o transcurso de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN, ou a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado, ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, nos termos do art. 173 do CTN. A compensação de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL pode ser revista pelo fisco, a partir da sua utilização, dentro do prazo não atingido pela decadência. Em resumo, o presente processo é decorrente de Autos de Infração (fls. 158/169) que exigem IRPJ e CSLL, referentes ao ano-calendário de 2005, em razão da glosa de prejuízos fiscais e bases negativas compensados indevidamente. Mais precisamente, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 153/157): 1. DESCRIÇÃO DOS FATOS (...) No Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI), consta como prejuízo fiscal compensável a partir de 1991 da atividade rural o valor de R$ 13.081.201,00, e no Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI) consta como saldo da base de cálculo negativa de períodos anteriores da atividade rural o valor de R$ 13.264.226,96. Através do Termo de Intimação nº 002, de 03/03/2010, foi solicitado ao contribuinte apresentar planilha demonstrativa de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL da Atividade Rural, desde o inicio, bem como a documentação fiscal/contábil dos controles dos prejuízos da Atividade Rural. O contribuinte, em resposta datada de 23/03/2010, apresentou planilhas demonstrativas e cópias da parte B do LALUR n° 6, informando os saldos de prejuízos fiscais do IRPJ a partir do ano-calendário de 2001, no valor total de R$ 25.687.693,17, até o ano- calendário de 2004; e os saldos da base de cálculo negativa da CSLL a partir do ano- calendário de 2001, no valor total de R$ 21.836.282,00, até o ano-calendário de 2004. Através do Termo de Intimação n° 003, de 25/03/2010, o contribuinte foi novamente intimado, a fim de dirimir qualquer divergência entre o SAPLI e os valores informados pelo contribuinte na resposta ao Termo de Intimação n° 002, a apresentar planilhas demonstrativas dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL da Atividade Rural, desde o inicio dos prejuízos, apresentando a documentação fiscal/contábil comprovando as compensações efetuadas e os saldos negativos. O contribuinte, em resposta datada de 15/04/2010, informou que "já realizou a entrega das planilhas", e "que as informações já foram devidamente prestadas de acordo com o lustro decadencial, não havendo amparo legal, S.M.J., para proceder a entrega de documentos de operações realizadas e convalidadas pelo instituo da decadência". Diante da resposta acima, foi encaminhado ao contribuinte o Termo de Intimação n° 004, de 19/04/2010, acompanhado de cópias do Sistema SAPLI, para justificar, através de documentação fiscal/contábil, o porquê da diferença entre os valores informados nas planilhas encaminhadas em resposta ao Termo de Intimação n° 002 e os valores constantes no Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — Atividade Rural (SAPLI) e no Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — Atividade Rural (SAPLI) do ano-calendário de 2005. Fl. 724DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.681 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001576/2010-01 O contribuinte, em resposta datada de 18/05/2010, informou que "para apresentar a justificativa de forma clara e precisa consubstanciada em documentos, em resposta ao Termo de Intimação n° 004, se faz necessária a indicação por esta digna autoridade fiscal das datas e valores que entende existir suposta diferença", e que "eventual diferença, poderá ter ser originado em período cuja decadência tenha se operado, sendo inócua a apresentação de justificativa a esta fiscalização". Os dados constantes no Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — Atividade Rural (SAPLI) e no Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — Atividade Rural (SAPLI) são extraídos das informações contidas nas Declarações de Informações Econômico-Fiscal (DIPJ) entregues pelo contribuinte à Receita Federal do Brasil. Diante do exposto, cabe à fiscalização efetuar o presente lançamento de oficio utilizando como valores tributáveis (excesso de compensação) para o ano-calendário de 2005 os valores constantes no Sistema SAPLI e os informados na DIPJ, conforme abaixo demonstrado: 2. LANÇAMENTO 2.1 COMPENSAÇÃO A MAIOR DE PREJUÍZO FISCAL NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL A empresa apresentou sua Declaração de Informações Econômico-Fiscal (DIPJ) do ano- calendário de 2005 (Situação Normal), optando pelo regime de tributação pelo Lucro Real. Na referida DIPJ, o contribuinte informou na Linha 47 — Compensação de Prejuízos Fiscais de Períodos de Apuração Anteriores — Atividade Rural — Períodos de Apuração de 1991 a 2005, da Ficha 09A — Demonstração do Lucro Real — Com Atividade Rural - PJ em Geral, o valor de R$ 23.712.105,84. Ocorre que o contribuinte só poderia compensar o valor de R$ 13.081.201,00, que corresponde ao valor constante no Sistema SAPLI. Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI), sistema da RFB que gerencia esta conta, informa que o contribuinte possuía este saldo para efetuar tal compensação. Pelo exposto, fica caracterizado o excesso de compensação de prejuízo fiscal na apuração do Lucro Real, no ano-calendário de 2005, no valor de R$ 10.630.904,84. (...) 2.2 COMPENSAÇÃO A MAIOR DA BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS-BASE ANTERIORES NA APURAÇÃO DA CSLL A empresa apresentou sua Declaração de Informações Econômico-Fiscal (DIPJ) do ano- calendário de 2005 (Situação Normal), optando pelo regime de tributação pelo Lucro Real. Na referida DIPJ, o contribuinte informou na Linha 38 — Base de Cálculo Negativa da CSLL de Períodos Anteriores — Atividade Rural, da Ficha 17 — Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido — Com Atividade Rural, o valor de R$ 21.856.482,00. Ocorre que o contribuinte só poderia compensar o valor de R$ 13.264.226,96, 4110 que corresponde ao valor constante no Sistema SAPLI. 0 Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI), sistema da RFB que Fl. 725DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.681 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001576/2010-01 gerencia esta conta, informa que o contribuinte possuía este saldo para efetuar tal compensação. Pelo exposto, fica caracterizado o excesso de compensação de base de cálculo negativa na apuração da CSLL, no ano-calendário de 2005, no valor de R$ 8.592.255,04. (...) A contribuinte apresentou impugnação (fls. 333/361), alegando, preliminarmente, que a cobrança já teria sido atingida pela decadência. Nesse ponto, sustenta que, uma vez apurado prejuízos e bases negativas, o Fisco teria cinco anos para verificar a validade dessa apuração. Passado este prazo, teria a empresa o direito à manutenção dos valores informados. Nesses termos, considerando que na data da ciência da autuação (14/06/2010) já havia ultrapassado este prazo (os saldos se referem ao período de 1994 a 2004), decaído estaria o direito da autoridade fiscal glosar os valores de prejuízo fiscal e base negativa compensados em 31/12/2005. No mérito, afirma que o SAPLI não poderia ser utilizado como meio de prova para manutenção da glosa e veracidade dos valores de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, ainda mais considerando que a RFB efetuou alterações de ofício em seu sistema, sem notificar a empresa, decompondo os saldos acumulados até 1999. Argumenta, ainda, que a multa de ofício e os juros Selic não poderiam ser exigidos. Ao apreciar a defesa, a 5ª Turma da DRJ/RJ1 a julgou integralmente improcedente, conforme acórdão de fls. 489/508. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 518/524), recurso este que, nos termos do referido Acórdão nº 1402-004.549 (fls. 534/558), foi julgado improcedente. Ato contínuo, a empresa interpôs o recurso especial (fls. 592/610), que foi assim admitido (fls. 705/711): Identificação da matéria de divergência e correspondentes paradigmas O texto recursal propõe como matéria de dissídio a “decadência do direito de o Fisco proceder com a reapuração do IRPJ e da CSLL de período superior a 5 anos, glosando os créditos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL”. Indicados como paradigmas os acórdãos nº 1201-002.362 (processo nº 19647.010151/2007-83, sessão de 16/08/2018) e nº 1101-001.037 (processo nº 10805.721977/2012-02, sessão de 13/02/2014). Os paradigmas foram prolatados por Colegiados distintos do que proferiu o acórdão ora recorrido, não foram reformados até a data de interposição do Recurso Especial e não contrariam Súmula do CARF ou decisão definitiva vinculante. Embora a Recorrente descreva e junte ao recurso outras decisões administrativas, há de se observar o limite regimental de dois acórdãos paradigmáticos por matéria suscitada. Portanto, serão considerados para efeito do presente exame apenas os acórdãos nº 1201- 002.362 e nº 1101-001.037, e descartados os demais nos termos do art. 67, §§ 6º e 7º do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 343, de 09 de junho de 2015. A ementa do acórdão recorrido, acima transcrita, já evidencia que a matéria foi apreciada pelo Colegiado a quo, de modo que cumprido o requisito regimental de prequestionamento. Análise da divergência suscitada Fl. 726DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.681 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001576/2010-01 (...) A Recorrente propõe a divergência nos seguintes termos: “No que concerne à matéria em discussão no presente processo (decadência do direito de o Fisco proceder com a reapuração do IRPJ e da CSLL de período superior a 5 anos, glosando os créditos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL), o v. acórdão recorrido diverge claramente do entendimento já manifestado por esse Eg. CARF em caso idênticos, quando da prolação dos seguintes acórdãos paradigmas: - Acórdão nº 1201-002.362 (processo nº 19647.010151/2007-83), proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento do CARF (Doc. 01) Ementa: DECADÊNCIA. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. Se o sujeito passivo informa ao Fisco, por meio de DIPJ, a apuração de prejuízo fiscal e base negativa, na medida em que a lei autoriza a formalização de auto de infração, mesmo que sem exigência de crédito tributário, para constituição da infração à legislação tributária cometida pela contribuinte, este ato administrativo deve ser promovido antes do decurso do prazo decadencial. - Acórdão nº 1101-001.037 (processo nº 10805.721977/2012-02), proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento do CARF (Doc. 02) Ementa: DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO GLOSA NO APROVEITAMENTO. A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. E ainda de outros acórdãos mais, como por exemplo: (...) No tocante ao prazo decadencial, entende o v. acórdão recorrido que por ser o saldo de débitos tributários o objeto do Auto de Infração, e não os créditos glosados de períodos anteriores, o Fisco pode proceder ao exame destes créditos, seja em que período for, ainda que já tenha sido ultrapassado o prazo legal de 5 anos para que seja procedida a fiscalização. Nesse sentido, veja-se trecho do v. acórdão recorrido: (...) Nos acórdãos paradigmas, por outro lado, o lançamento fiscal foi considerado improcedente em razão da decadência do direito do Fisco de revisitar fatos anteriores ao período lançado. I.e., os v. acórdãos paradigmas entenderam que a decadência atinge todo o conjunto de informações prestadas ao Fisco, tendo em vista que ao glosar o saldo de prejuízo fiscal acaba-se por proceder com a reapuração dos tributos envolvidos (no caso, IRPJ e CSLL) relativos a períodos não mais passíveis de alteração: (...) Além disso, o v. acórdão recorrido apresenta entendimento no sentido de que a regra do artigo 150, § 4º do CTN (e mesmo do artigo 173 do CTN) diz respeito à extinção do direito da Fazenda de lançar e não de glosar. (...) Veja-se, que os dois acórdãos comparados atribuem interpretação divergente ao artigo 150, do CTN. Enquanto o v. acórdão recorrido confere uma interpretação restritiva (decadência apenas para o lançamento), os acórdãos paradigmas são mais abrangentes (decadência abrange a alteração de escrituração fiscal de períodos anteriores). No entanto, apesar das divergências de entendimento verificadas nos acórdãos recorrido e paradigmas, a matéria em discussão é a mesma: questiona-se a possibilidade de alterar um lançamento realizado pelo contribuinte em período já fulminado pela decadência (que gerou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL indicados para compensação) e, portanto, já homologado tacitamente. Nos três casos, discute-se crédito de IRPJ e CSLL compensados com prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, bem como a abrangência da decadência, isto é, se engloba Fl. 727DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.681 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001576/2010-01 apenas o direito de lançar (entendimento manifestado pelo v. acórdão recorrido), ou se abrange todo o conjunto de informações que compuseram a atividade do lançamento efetuado em determinado período e que consta nos livros e documentos que integram a escrituração fiscal da empresa. (...) Em resumo: (...) (...) na visão dos i. Julgadores a quo, como o objeto do Auto de Infração é o débito indicado para compensação, a fiscalização pode analisar o crédito decorrente da apuração do IRPJ e da CSLL de períodos anteriores, regularmente apropriado, independentemente de prazo. No presente caso, para realizar o lançamento do IRPJ e da CSLL relativos aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2005, o AFRFB necessária e obrigatoriamente teve que examinar e proceder glosas de prejuízo fiscal e base negativa de períodos que já se encontravam fora do prazo legal de 05 anos para revisão fiscal (anos-calendário de 1994 a 2004). Em outras palavras, a alegada insuficiência de crédito tributário decorrente da apuração do IRPJ e da CSLL com base no regime do Lucro Real que indica saldo a pagar de IRPJ e CSLL no período autuado tem origem em glosas procedidas nos períodos de 1994 a 2004 já abarcados pela decadência (eis que o lançamento ocorreu apenas em 2010), nunca questionados pelo fisco federal, ou seja, tacitamente homologados. (...) Ou seja, ao contrário do afirmado no v. acórdão recorrido, o que está sendo questionado é o valor do prejuízo fiscal/base negativa e não o débito verificado no ano-calendário de 2005. Tanto é assim que o próprio auto de infração foi lavrado para, além de não homologar as compensações declaradas, glosar o prejuízo fiscal. Como se vê da justificativa da autuação (abaixo transcrita), não poderia ser mais claro que se discute no presente caso, lançado em 2010, a apuração dos anos-calendário de 1994 a 2004, tendo o AFRFB responsável pretendido a glosa do prejuízo/base negativa formados nesse período: GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE – SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES- COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES Todavia, entenderam os i. julgadores que em se tratando de direito creditório, de modo a preservar os requisitos de liquidez e certeza, cabe ao fisco federal proceder ao seu exame, seja em que período for, desde que respeitado o prazo de 5 anos contados da utilização desse crédito para compensação, ainda que o mesmo, frise-se, decorra da apuração do tributo de período de mais 10 anos antes do lançamento. (...) O entendimento exarado nos v. acórdãos acima [acórdãos paradigmáticos] se amoldam perfeitamente ao presente caso, onde se teve legalmente reconhecido que a decadência torna imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo mais ser alterados, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que, ratifique-se, não seria aplicável no caso.” Confrontadas as decisões resulta confirmada a divergência invocada, uma vez que ambos paradigmas, diante de situações fático-jurídicas semelhantes à dos presentes autos - glosa da compensação de prejuízos fiscais/bases negativas de períodos anteriores, por inexistência de saldo - pronunciaram-se no sentido de que a revisão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa informados em DIPJ pretérita sujeita-se ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados da entrega daquela declaração. O acórdão recorrido exprime entendimento diverso, situando o início do prazo decadencial na data de utilização do prejuízo fiscal/base negativa para compensação de tributos e contribuições. Demonstrada a divergência jurisprudencial entre acordão recorrido e paradigmas, justifica-se o reexame da matéria pela via especial. Fl. 728DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.681 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001576/2010-01 Conclusão Pelo exposto, propomos que SEJA DADO SEGUIMENTO ao Recurso Especial do sujeito passivo, com base em ambos paradigmas. (...) Chamada a se manifestar, a PGFN ofereceu contrarrazões (fls. 713/720). Não questiona o conhecimento, pugnando apenas pela manutenção do acórdão ora recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Conhecimento O recurso especial é tempestivo. Passa-se a análise do cumprimento ou não dos demais requisitos para conhecimento, os quais estão previstos no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), in verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (...) Como se percebe, é imprescindível, sob pena de não conhecimento do recurso especial, que a parte recorrente demonstre, de forma analítica, que a decisão recorrida diverge de outra decisão proferida no âmbito do CARF. Consolidou-se, nesse contexto, que a comprovação do dissídio jurisprudencial está condicionada à existência de similitude fática das questões enfrentadas pelos arestos indicados e a dissonância nas soluções jurídicas encontradas pelos acórdão confrontados. Como já restou assentado pelo Pleno da CSRF 1 , “a divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identifiquem ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles”. E de acordo com as palavras do Ministro Dias Toffolli 2 , “a similitude fática entre os acórdãos paradigma e paragonado é essencial, posto que, inocorrente, estar-se-ia a 1 CSRF. Pleno. Acórdão n. 9900-00.149. Sessão de 08/12/2009. 2 EMB. DIV. NOS BEM. DECL. NO AG. REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 915.341/DF. Sessão de 04/05/2018. Fl. 729DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.681 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001576/2010-01 pretender a uniformização de situações fático-jurídicas distintas, finalidade à qual, obviamente, não se presta esta modalidade recursal”. Trazendo essas considerações ao caso concreto, e não obstante a PGFN não questionar o conhecimento recursal, do confronto entre as decisões recorrida e os paradigmas, vislumbro inexistir a necessária similitude fático-jurídica entre os acórdãos comparados. Senão, vejamos: De uma análise mais atenta do primeiro paradigma (Acórdão nº 1201-002.362 – fls. 612/626), verifica-se que aquele Colegiado reconheceu, na verdade, a decadência do direito do fisco de glosar determinada despesa (amortização de ágio considerada indedutível), e não o prejuízo fiscal apurado no período. Aqui, diferentemente, a glosa foi feita em relação ao próprio prejuízo fiscal/base negativa, sob a justificativa de insuficiência de saldos no SAPLI. Essa dessemelhança fática, aliás, impossibilita constatar que o alegado primeiro paradigma de fato reformaria a presente decisão, o que definitivamente compromete a evidenciação do dissenso. Quanto ao segundo paradigma (Acórdão nº 1101-001.037 – fls. 628/641), o “entendimento divergente”, na verdade, baseou-se em circunstâncias fáticas, determinantes para apreciação e julgamento da matéria, diversas daquelas que esses autos revelam. Do relatório do Acórdão nº 1101-001.037 – segundo paradigma, extrai-se que: (...) Em sequência ao trabalho fiscalizatório, a Autoridade Fiscal apurou, conforme o Termo de Verificação Fiscal: Prosseguindo na análise da DIPJ 2010 da fiscalizada, verificamos, na apuração do Lucro Real do período, que a mesma efetuou compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores, no valor de R$ 17.146.399,34. O mesmo valor foi também compensado na apuração da base de cálculo da CSLL, como base de cálculo negativa de períodos anteriores. Dando prosseguimento, verificamos que os valores do prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, referentes ao ano-calendário de 2000 foram alterados no Sistema de Acompanhamento dos Saldos de prejuízos Fiscais Compensáveis e das Bases de Cálculos Negativas da CSLL (SAPLI). Tais alterações se deram por força do atendimento à demanda da DRJ/Campinas, contida no processo n° 10805.900681/2006-08, o qual trata de compensação de base de cálculo negativa de CSLL com estimativas do A/C 2001. Há despacho decisório nesse processo, cuja decisão foi desfavorável à contribuinte, e em razão da decisão, foram recalculados os supostos prejuízo e a base de cálculo negativa da CSLL. Recompôs-se, então, o saldo de prejuízo compensável e da base de cálculo negativa da CSLL, a partir do ano-calendário de 2000, restando demonstrado, conforme apurado nos autos do processo n° 10805.900681/2006-08, o total esgotamento dos respectivos saldos compensáveis, da CSLL, já no ano-calendário de 2004, e do prejuízo, no ano-calendário de 2006. (...) Note-se, assim, que o segundo paradigma envolve situação na qual a Receita Federal, antes do lançamento, reduziu, de ofício, os saldos acumulados de prejuízo fiscal/base negativa constantes do SAPLI. Ou seja, naquele caso a fiscalização não permitiu a utilização integral de saldos de prejuízo fiscal informados em DIPJ, tendo em vista o seu “consumo” ou “alocação” de ofício em Fl. 730DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.681 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.001576/2010-01 outro procedimento fiscal. Dito de outros modos, a insuficiência de saldo de prejuízo fiscal decorreu de ato de ofício da própria Administração Pública. Nesse caso, porém, a autuação se baseou na própria insuficiência dos valores de prejuízos fiscais/bases negativas que haviam sido informados pelo contribuinte em suas DIPJ’s, fato este que compromete a comparação dos julgados para o fim pretendido pela Recorrente. Diante, então, das dessemelhanças fático-jurídica dos acórdãos ora comparados, a demonstração da alegada divergência restou prejudicada. Pelo exposto, NÃO CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 731DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10935.901783/2016-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
GASTOS COM O TRANSPORTE DE FRANGOS PARA ABATE CRIADOS NO SISTEMA DE PARCERIA. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Ainda que exista uma corrente exegética no sentido de que fretes sobre bens que não foram objeto de tributação sejam aptos a gerar créditos, qual seja a teoria da autonomia entre os fretes e os bens transportados ela é expressamente refutada por parte deste Colegiado, e o direito aos créditos sobre os fretes dos frangos terminados é indevido por um motivo prévio, qual seja o de que tais aves nunca saíram da esfera de propriedade da Cooperativa, razão pela qual não poderiam ser por ela comprados, operação que também não se subsume ao conceito de entrega, entendimento este consolidado na Câmara Superior de Recursos Fiscais.
PRECLUSÃO DO DIREITO DE ESTABELECER TESES E TRAZER PROVAS. IMPUGNAÇÃO OU MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DESACOMPANHADA ARGUMENTOS E DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS. MOMENTO PROCESSUAL.
O exercício do direito de pleitear créditos tributários está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito e no processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a elaboração de argumentos e juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado, como no caso de despachos eletrônicos, todavia o último momento a se fazer é quando da apresentação do Recurso Voluntário, sob pena de preclusão. As diligências tem como função tirar dúvidas sobre as provas apresentadas e não para suprir a omissão do contribuinte em produzi-las e traze-las aos autos, especialmente no caso dos pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3302-011.353
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso em face da preclusão consumativa. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto condutor. Votaram pelas conclusões os conselheiros Vinicius Guimarães, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard e Gilson Macedo Rosenburg Filho que não entenderam pela autonomia dos fretes em relação aos bens transportados. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.349, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10935.901771/2016-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que exista uma corrente exegética no sentido de que fretes sobre bens que não foram objeto de tributação sejam aptos a gerar créditos, qual seja a “teoria da autonomia entre os fretes e os bens transportados” ela é expressamente refutada por parte deste Colegiado, e o direito aos créditos sobre os fretes dos “frangos terminados” é indevido por um motivo prévio, qual seja o de que tais aves nunca saíram da esfera de propriedade da Cooperativa, razão pela qual não poderiam ser por ela comprados, operação que também não se subsume ao conceito de “entrega”, entendimento este consolidado na Câmara Superior de Recursos Fiscais. PRECLUSÃO DO DIREITO DE ESTABELECER TESES E TRAZER PROVAS. IMPUGNAÇÃO OU MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DESACOMPANHADA ARGUMENTOS E DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS. MOMENTO PROCESSUAL. O exercício do direito de pleitear créditos tributários está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito e no processo administrativo fiscal o momento legalmente previsto para a elaboração de argumentos e juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado, como no caso de despachos eletrônicos, todavia o último momento a se fazer é quando da apresentação do Recurso Voluntário, sob pena de preclusão. As diligências tem como função tirar dúvidas sobre as provas apresentadas e não para suprir a omissão do contribuinte em produzi-las e traze- las aos autos, especialmente no caso dos pedidos de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso em face da preclusão consumativa. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto condutor. Votaram pelas conclusões os conselheiros Vinicius Guimarães, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard e Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 17 83 /2 01 6- 29 Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.353 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901783/2016-29 Rosenburg Filho que não entenderam pela autonomia dos fretes em relação aos “bens” transportados. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.349, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10935.901771/2016-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de processo administrativo fiscal no bojo do qual discute-se o direito a créditos pretendidos pela Recorrente, Cooperativa agroindustrial. Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do deferimento parcial de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não cumulativas proveniente de operações no mercado interno. Na manifestação apresentada, a contribuinte discorre sobre a origem dos créditos e sobre o conceito de insumo. Aduz que o referido conceito foi ampliado pelo CARF e que de acordo com as leis que regulam o PIS e a Cofins não cumulativos, os contribuintes têm “direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.” Como resultado da análise do processo pela DRJ restou entendido que: Conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n.° 5, de 2018, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. O critério da essencialidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n.° 5, de 2018, requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; já o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. É descabida a apuração de créditos da não cumulatividade sobre os valores correspondentes à aquisição de bens que não se sujeitaram ao pagamento da contribuição. Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.353 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901783/2016-29 O frete contratado e suportado pela Cooperativa para o transporte de frangos para abate criados no sistema de parceria, entre os estabelecimentos do cooperado e da Cooperativa, não gera direito a crédito da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Correta a reclassificação do CST pela fiscalização quando restar comprovado que a vinculação entre os gastos com fretes e os mercados que foram informados pela contribuinte está em desacordo com a vinculação que foi apurada durante o procedimento. Cumpre relatar que a parte do crédito reconhecido inferior ao limite de alçada do Recurso de Ofício. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual submete a questão a este Colegiado. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, ressalvando que acompanhei pelas conclusões a decisão consagrada no colegiado, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. 1. Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e a matéria é de competência deste Colegiado, razão pela qual deve ser conhecido. 2. Mérito. Não havendo preliminares é de se adentrar no mérito recursal. 2.1. Glosa de créditos relativos à compra de insumos com isenção por empresas que informaram o código de situação tributária de operação com suspensão. “Farelo de Canola” e “Casca de Soja” A Recorrente pleiteia o direito a créditos de PIS e COFINS vinculados a operações não tributadas (operação com suspensão de tributos) de bens utilizados como insumos, invocando, para tanto, o artigo 17 da Lei 11.033/2004, combinado com o artigo 16 da Lei n. 11.116/20005, segundo os quais entende que gerariam créditos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (...) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.353 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901783/2016-29 I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. A fiscalização glosou a compra de insumos com suspensão de PIS e COFINS alegando que os bens adquiridos com suspensão da contribuição não geram créditos das referidas contribuições, eis que não houve pagamento, ou seja, que é descabida a apuração de créditos da não cumulatividade sobre os valores correspondentes à aquisição de bens que não se sujeitaram às contribuições. No caso concreto a glosa ocorreu tão somente em relação à ‘casca de soja’ A Recorrente insurge-se contra a glosa do crédito de PIS e COFINS sobre a aquisição de insumos sob a alegação de que apenas a comercialização de casca de soja ou farelo de canola destinada à produção de bens destinados a alimentação de animais das posições 01.03 e 01.05 da TIPI estavam sujeitas à suspensão das contribuições para o PIS e para a COFINS, verbis: A DRJ, por sua vez, entende que as aquisições de bens que não foram sujeitos ao pagamento das contribuições não dão direito a crédito na forma do artigo 3º, §2º, II das leis 10.637/02 e 10.833/03. Sem adentrar na controvérsia acerca da dissociação do frete à mercadoria transportada, ou seja, se os bens que não foram tributados poderiam ou não gerar fretes, a questão ora submetida é prévia. Em relação a esta exegese jurídica, este Colegiado possui entendimento no sentido de que o artigo 17 da Lei 11.033/2004, combinado com o artigo 16 da Lei n. 11.116/20005,tem como objetivo resguardar a manutenção de créditos de PIS/COFINS mesmo que estejam relacionados a operações de vendas desoneradas. Em outras palavras a mencionada norma se volta a assegurar a manutenção de créditos que já seriam aproveitados na dedução do valor da contribuição devida nas operações de vendas tributadas. Assim restou decidido no processo 10925.904195/2013-13, de Relatoria do Conselheiro Vinícius Guimarães. Assim, o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não traz uma regra geral aplicável a todas as vedações de creditamento de PIS/COFINS anteriores. Ao contrário do que entende a recorrente, a referida norma apenas assegura que a exoneração de PIS/COFINS nas operações de venda não impossibilite o aproveitamento de créditos nas aquisições de produtos que seriam já passíveis de creditamento se aplicados em vendas oneradas pelas referidas contribuições. Tal dispositivo se volta, portanto, ao afastamento de impedimentos ao creditamento de PIS/COFINS que estejam relacionados às operações de vendas, afirmando a possibilidade de manutenção de créditos nas compras, ainda que as vendas sejam desoneradas.. Desse modo, a norma do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 em nada alterou a vedação expressa de reconhecimento de créditos nas aquisições de bens para revenda não sujeitos à incidência das contribuições sociais ou com alíquota zero. Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.353 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901783/2016-29 Registre-se, por oportuno, que a própria decisão do STJ, citada pela recorrente, no julgamento do REsp nº 1.267.003 - RS (2011/0168905-3), Relator Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe: 04/10/2013, apresenta o mesmo entendimento acima consignado, conforme claramente se observa na leitura da ementa e excertos do voto condutor daquela decisão: Ementa RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS. CREDITAMENTO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004, C/C ART. 16, DA LEI N. 11.116/2005. INCIDÊNCIA QUE NÃO SE RESTRINGE AO REPORTO. NECESSIDADE DE REVISÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO PONTO. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS. REGIME ESPECIAL EM RELAÇÃO AO REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVO. APLICAÇÃO DO ART. 2º, §1º, III, IV E V; E ART. 3º, I, "B" DA LEI N. 10.637/2002 E DA LEI N. 10.833/2003. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO SALVO DETERMINAÇÃO LEGAL EXPRESSA QUE SOMENTE PASSOU A EXISTIR EM 24.6.2008 COM A PUBLICAÇÃO DO ART. 24, DA LEI N. 11.727/2008. 1. O art. 17, da Lei 11.033/2004, e o art. 16, da Lei n. 11.116/2005, não são de aplicação exclusiva ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária - REPORTO. Necessidade de revisão da jurisprudência do STJ, pois equivocados quanto ao ponto os precedentes:AgRg no REsp. n. 1.226.371 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03.05.2011; REsp. n. 1.217.828 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.04.2011; REsp. n. 1.218.561 / SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 07.04.2011; AgRg no REsp. n. 1.224.392 / RS, Primeira Turma, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, julgado em 22.02.2011; AgRg no REsp. n. 1.219.450 / SC, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17.02.2011; REsp. n. 1.140.723 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 02.09.2010. 2. As receitas provenientes das atividades de venda e revenda de veículos automotores, máquinas, pneus, câmaras de ar, autopeças e demais acessórios, por estarem sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica, com alíquota concentrada na atividade de venda, na forma dos artigos 1º, caput; 3º, caput; e 5º, caput, da Lei n. 10.485/2002, e alíquota zero na atividade de revenda, conforme os artigos 2º, §2º, II; 3º, §2º, I e II; e 5º, parágrafo único, da mesma lei, não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência Não-Cumulativo, a teor dos artigos 2º, §1º, III, IV e V; e 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. Desse modo, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei n. 11.033/2004, e 16, da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime Não- Cumulativo, salvo determinação legal expressa que somente passou a existir em 24.6.2008 com a publicação do art. 24, da Lei n. 11.727/2008, para os casos ali previstos. 3. Recurso especial não provido com o alerta para a necessidade de revisão da jurisprudência desta Casa, conforme item "1". Excertos do voto condutor No entanto, em que pese o tipo de receita se submeter à sistemática monofásica, o contribuinte almeja creditar-se dos valores pagos a título de Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.353 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901783/2016-29 PIS/COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda para si efetuada pelas pessoas jurídicas fabricantes e importadoras (pessoas que lhe antecederam na cadeia) por compreender que o advento do art. 17, da Lei n. 11.033/2004, estaria a lhe permitir esse direito já que garantiu o direito para todas as vendas efetuadas com alíquota zero. In verbis: Lei n. 11.033/2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero)ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Nada mais equivocado. Efetivamente, é de ver que o artigo de lei invocado somente assegura a manutenção dos créditos. Isto é, o artigo de lei permite que aquelas pessoas que efetivamente adquiriram créditos dentro da sistemática da não-cumulatividade não sejam obrigadas e estorná-los em razão de efetuarem vendas submetidas à suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Nessa toada, a incidência do art. 17, da Lei n. 11.033/2004, pressupõe o creditamento e o creditamento pressupõe que a atividade esteja inserida dentro da sistemática da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Não basta, portanto, praticar venda submetida à alíquota zero, é preciso que a venda esteja dentro da sistemática da não- cumulatividade, sendo que essa inserção deve ser buscada na legislação pertinente, qual seja a Lei n. 10.637/2002 e a Lei n. 10.833/2003, respectivamente, que regem o PIS/PASEP e a COFINS não-cumulativos. (...) Desse modo, estando a venda de máquinas, veículos, autopeças, pneus e câmaras de ar fora da sistemática da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, as receitas ali auferidas são tributadas à parte e de forma monofásica, não podendo gerar créditos para o contribuinte que adquire tais mercadorias para revenda, salvo determinação legal expressa que somente passou a existir em 24.6.2008 com a publicação da Lei n. 11.727/2008, e, ainda assim, nos seguintes termos: Lei n. 11.727/2008 Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no §1 do art. 2º da Lei n. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1o Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação.§ 2oNão se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Como se vê, diversamente do que defende a recorrente, as aquisições – das quais decorre créditos da não-cumulatividade - devem estar sujeitas à sistemática da não-cumulatividade, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os créditos glosados são decorrentes de aquisições de bens com alíquota zero ou sem incidência do PIS/COFINS. (...) Fl. 242DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-011.353 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901783/2016-29 Saliente-se, ademais, que qualquer interpretação do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 que leve ao esvaziamento do conteúdo de regras legais válidas e vigentes, não afastadas por qualquer ato normativo emanado por órgão ou autoridade competente, como são as vedações enunciadas nos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, representaria, ao meu ver, violação às proibições acima transcritas: não cabe a este Colegiado afastar a aplicação de normas válidas, seja por entender que violaria princípios diversos, seja por adotar qualquer linha hermenêutica que, em última análise, venha esvaziar seu conteúdo. Há ainda uma discussão fática relativa a este capítulo recursal. No Recurso Voluntário a Recorrente alega que nas notas fiscais emitidas pelo fornecedor COAMO não há menção de que a venda foi efetuada com suspensão de tributos, especialmente para a filial inscrita no CPF sob o n. 79.863.569/0011-02. Todavia este argumento não foi trazido na Manifestação de Inconformidade, na qual ela adotou tese diversa, especificamente a de faria jus ao crédito independente da suspensão, e que a referida filial não produziu ração para aves e suínos. Não tendo sido suscitada na Manifestação de Inconformidade esta matéria (de que nas notas fiscais emitidas pela COAMO não há menção à suspensão de tributos) encontra-se PRECLUSA na forma do artigo 16 do Dec. 70.235/72. Esta preclusão é de observância obrigatória por este Colegiado tão somente pelo fato de ser prevista no ordenamento jurídico, portanto inafastável pelo CARF. Também é de se salientar que esta exigência não é um mero capricho do legislador, eis que o fato do Contribuinte deixar de suscitar uma tese quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade impede que ela seja apreciada pela DRJ quando de sua decisão, que por sua vez é o fato contra o qual insurge-se o Recurso Voluntário apreciado pelo CARF. Então, permitir que a matéria seja suscitada neste momento recursal implicaria em retornar o processo para a DRJ, que por sua vez pode determinar o seu retorno à Unidade de Origem, para então prolatar outra decisão que seria atacado por outra Manifestação de Inconformidade, objeto de outro Acórdão pela DRJ, novo Recurso Voluntário, infinitas vezes, pois a cada Recurso Voluntário a Recorrente poderia apresentar um novo argumento que não havia sido suscitado, como no mito de Sisifo, cujo castigo era empurrar uma pedra morro acima e quando ela quase chegava no cume, rolava novamente para o vale. Firme neste convencimento, voto no sentido de não conhecer deste argumento por precluso. 2.2. Fretes sobre “compras” de frangos vivos denominados “frangos terminados”. Neste momento é importante destacar que o Acórdão sob exame já foi lavrado levando- se em consideração a novel interpretação acerca da definição do conceito de insumos, bem como do Parecer Cosit/RFB n. 05. A Recorrente insurge-se contra o Acórdão recorrido que manteve a glosa dos créditos sobre os custos com serviços utilizados como insumos. O Acórdão em questão entendeu que os “frangos preparados” e transportados dos “parceiros” para a Recorrente na verdade não foram adquiridos, pois nunca saíram da esfera jurídica da Cooperativa, que simplesmente os entregou para que os cooperados, seguindo estritas ordens técnicas e utilizando rações e remédios fornecidos pela Recorrente, os engordasse. Segundo esta teoria não haveria compra e venda, mas tão Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-011.353 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901783/2016-29 somente “movimentação de insumos”, que a DRJ entendeu não ser vinculado diretamente a mercadorias adquiridas ou operação de venda. A questão relativa aos fretes sobre as “compras” foi adequadamente analisada no Relatório de fls. 83/97, constante do processo administrativo nº 10935.722238/2017-59. A legislação não prevê o aproveitamento de créditos de PIS e de Cofins sobre fretes (mesmo que tributados) vinculados à aquisição de mercadorias, contudo, a RFB, por meio de sua Coordenação Geral de Tributação, manifestou entendimento de que tal crédito é possível quando esses fretes estão agregados ao custo de aquisição de mercadorias passíveis de creditamento. O que está sob análise, no entanto, é o custo de frete sobre as operações registradas pela contribuinte como sendo relativas à aquisição de aves para abate (frangos vivos). O que ficou claro na análise fiscal, contudo, é que não houve aquisição de frangos vivos, pois, conforme contratos de parceria celebrados entre a cooperativa e os seus cooperados (pessoas físicas), esses frangos sempre foram de propriedade da cooperativa. Em outras palavras: a compra desses frangos, pela cooperativa, não seria possível, afinal, conforme contratos firmados com seus cooperados, esses frangos já lhe pertenciam. E mesmo que tais aves não lhe pertencessem, o crédito a ser lançado não seria o básico, como considerado pela contribuinte, mas o presumido pois, nessa condição, tais aves teriam sido adquiridas de pessoas físicas. Em suma, a operação realizada denota uma simples movimentação de insumos e mercadorias entre a cooperativa e seus cooperados e não uma operação de compra e venda e o fato de tais movimentações terem gerado despesas com fretes, mesmo que tributados, não autoriza a utilização dos valores correspondentes para a geração de créditos de PIS e de Cofins no regime da não cumulatividade. A contribuinte cita o inc. II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e lembra que os créditos relativos a serviços utilizados também podem ser descontados, contudo, não se considera que tais serviços de fretes foram utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, já que não estão vinculados diretamente nem a mercadorias adquiridas nem a operações de venda. Correto, portanto, o procedimento fiscal. Para o deslinde da controvérsia inicialmente é necessário investigar a natureza jurídica da relação existente entre a Cooperativa Recorrente e os Cooperados. Esta questão já se encontra pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais para quem tanto suínos como os “frangos preparados” do caso concreto “RECEBIDOS” pela Cooperativa Recorrente dos seus “PARCEIROS” nunca deixaram de ser da cooperativa, tendo sido entregues a terceiros para engorda, como uma prestação de serviços, verbis CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO CABE DIREITO. A simples engorda de animais, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não concede o direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial, uma vez que não se constitui em aquisição de bens, conforme exigido pela legislação, mas, sim, em prestação de serviço. (Acórdão unânime n. 9303-008.069 proferido em 20.02.2019.) Partindo-se desta premissa é de se concordar com o Acórdão atacado no sentido de que não há frete na aquisição de mercadorias eis que não se pode adquirir o que é seu, no caso da Cooperativa Recorrente, que foi confiado a terceiros para que prestassem um serviço. Não sendo frete de aquisição, por ser bem próprio enviado para prestação de serviços, trata-se de uma movimentação de produtos semi elaborados para uma etapa do processo produtivo, como também apontou a decisão atacada e já transcrita. A citada decisão negou a concessão de créditos sobre o frete como “movimentação de insumos” sob o argumento de que “não se considera que tais serviços de fretes foram Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-011.353 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901783/2016-29 utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, já que não estão vinculados diretamente nem a mercadorias adquiridas nem a operações de venda. Correto, portanto, o procedimento fiscal.” Neste momento cumpre destacar que em se tratando de processo administrativo por meio do qual a contribuinte busca o exercício de um direito, a ele cumpre trazer aos autos todos os elementos necessários à comprovação da liquidez e certeza deste direito pleiteado, sob risco de indeferimento. No caso concreto a Recorrente teceu sues argumentos e alegações no sentido de que o seu crédito decorreria do frete de aquisições de matérias primas, no caso frangos terminados, o que factualmente não se comprovou, pelas razões já expostas. Também não se comprovou que a despesa com o transporte dos “frangos terminados” trata-se de movimentação de produtos semi-elaborados. Sintetica e conclusivamente, a Recorrente pleiteia a apuração de créditos sobre o valor pago a título de fretes pelo transporte dos frangos engordados pelos cooperados, sob o entendimento de que os frangos seriam “matérias primas” para a sua produção. Ainda que exista uma corrente exegética no sentido de que fretes sobre bens que não foram objeto de tributação sejam aptos a gerar créditos, qual seja a “teoria da autonomia entre os fretes e os bens transportados” ela é expressamente refutada por parte deste Colegiado, e o direito aos créditos sobre os fretes dos “frangos terminados” é indevido por um motivo prévio, qual seja o de que tais aves nunca saíram da esfera de propriedade da Cooperativa, razão pela qual não poderiam ser por ela comprados, operação que também não se subsume ao conceito de “entrega”, entendimento este consolidado na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por todo o exposto, é de se conhecer parcialmente o Recurso Voluntário e no mérito, negar-lhe provimento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do recurso em face da preclusão consumativa, e na parte conhecida em negar provimento. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-011.353 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901783/2016-29 Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721639/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 63 9/ 20 13 -1 1 Fl. 198844DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.845 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 273 a 337) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (fl. 240 a 263) que manteve as Autuações de IRPJ e CSLL sofridas pela ora Recorrente. As exações em tela têm origem na suposta ausência de contabilização no lucro líquido do anocalendário 2008 de receitas referentes a encargos financeiros incorridos sobre crédito vencido e não pago, especificamente de faturas vencidas, com atraso entre 1 e 60 dias, no desenvolvimento da atividade de administração de cartões de crédito, com fundamento no comando do art. 373 do RIR/99. Ainda, teria constatado a D. Fiscalização na análise das contas contábeis da Recorrente, em confronto com o declarado na DIPJ de 2009, um excesso de dedução de despesas, referente à perda de créditos, nos termos da alínea "a" do inciso II do §1º do art. 9 da Lei nº 9.430/96 (perdas até R$ 5.000,00, por operação, vencidos há mais de seis meses e sem garantia). Doravante, reproduzo o preciso e completo relatório elaborado pela DRJ, em razão do julgamento da Impugnação apresentada: 1. Trata o presente processo auto de infração de IRPJ e CSLL, apurados pelo Lucro Real, referentes ao anocalendário 2008, no qual se verificou o seguinte: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Imposto 4.919.616,18 Juros de Mora 2.221.698,67 Multa 3.689.712,14 Valor do Crédito Apurado 10.831.026,99 Contribuição Social s/Lucro Líquido Imposto 2.951.769,71 Juros de Mora 1.333.019,20 Fl. 198845DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.846 3 Multa 2.213.827,28 Valor do Crédito Apurado 6.498.616,19 Crédito tributário do processo em R$ 17.329.643,18 2. O Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal (fls 022 a 028) e outros documentos constantes dos autos nos dão conta de que “No ano calendário de 2008 a Sorocred desenvolvia atividades de administração de cartões de crédito, e os titulares de cartão de crédito fornecidos pela Sorocred podiam adquirir produtos junto a uma loja afiliada ou credenciada pela Sorocred”. 3. Intimada, a empresa apresentou os seguintes documentos sobre suas operações: fichas cadastrais, contratos de adesão, contratos de prestação de garantia, contrato de mandato de titular e faturas mensais. Tais documentos foram verificados pela fiscalização que constatou que em todos eles consta uma cláusula a respeito de “atraso de pagamento e multas”, conforme destaque abaixo: 4. Especificamente, as faturas mensais demonstram as seguintes informações direcionadas ao titular do cartão Sorocred: 5. De posse desses dados, a autoridade fiscal concluiu que: • “... após o vencimento da fatura mensal a instituição credora, no caso a Sorocred sofre uma mutação patrimonial positiva de seu ativo circulante – títulos de crédito, pois a partir do vencimento, em função (da) cláusula de contrato firmado com o Titular do Cartão de Crédito, a Sorocred faz juz a: juros de mora de 15¨% am e multa de mora de 2%, conforme pode ser comprovado pelas faturas mensais do contribuinte e também na clausula contratual dos contratos firmados pelo Titular do cartão de crédito com a Sorocred...”. • “Esta mutação patrimonial positiva deve ser reconhecida como Receita “Pro Rata Temporis”, a partir do 1º dia de atraso e deve ser incluída no Lucro Líquido para fim de Apuração do Lucro Real”. 6. Nesse sentido, a fiscalização transcreve os art. 177 da Lei nº 6.404/76 e os arts. 274, 275 e 373 do RIR/99, assim como acórdão do antigo Conselho de Contribuintes. Fl. 198846DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.847 4 7. A autoridade fiscal ressalta que “Opcionalmente, a partir do terceiro mês de vencimento, estes encargos poderão ser excluídos do lucro real e serem controlados na parte B do LALUR para posterior adição ao lucro real”, conforme prevê o art. 11 da Lei nº 9.430/1997. 8. Analisando a escrituração contábil da empresa, a fiscalização apurou que a “... contribuinte não segue os ditames da lei comercial e tampouco da legislação fiscal, pois não apropria os encargos financeiros auferidos, (a) partir do primeiro dia de vencimento do crédito em conta de resultado, e por conseguinte não oferece ao lucro real”. 9. Dessa forma, “Para apuração correta dos encargos financeiros, incidentes sobre o crédito vencido e não pago, nos primeiros sessenta dias do seu vencimento, utilizamos o arquivo denominado “Titulares a Receber” dos meses de dezembro de 2007 até dezembro de 2009, entregues pelo contribuinte, a esta fiscalização, em 14/11/2013, conforme carta datada de 12/11/2013, contendo a relação de todos os créditos que compõem a conta COSIF 1.8.8.80.20.034, no período. Para o cálculo dos encargos financeiros foram utilizadas as informações constantes das faturas mensais que são: juros de mora de 15% am, aplicados sobre o valor principal a partir do primeiro dia do vencimento e até 60(sessenta) dias do vencimento nos termos da legislação fiscal”. 10. Com isso, a autoridade fiscal apurou em 31/12/2008 o montante de R$ 19.112.217,00, o qual deveria ter sido adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. 11. Assim, no entender da fiscalização ficou caracterizada a omissão de receita pela falta de contabilização no lucro líquido do exercício, do anocalendário 2008, de receita referente a encargos financeiros incorridos sobre crédito vencido e não pago conforme dispõe o art. 373 do RIR/99. 12. Além disso, a autoridade fiscal constatou que a empresa contabilizou, indevidamente, perdas com operações de crédito, a quais a empresa considerou como sem garantia e com valor igual ou inferior a R$ 5.000,00. 13. Nesse sentido, “A legislação fiscal admite como dedutível na apuração do Lucro Real somente as perdas efetivas em operações de crédito que se enquadrem nos ditames do art. 9º, da Lei nº 9.430/96...”, quais sejam, créditos sem garantia e com valor de até R$ 5.000,00. Tais critérios se enquadram perfeitamente às operações da empresa com titulares de cartão de crédito. 14. Desse modo, “No curso do ano calendário de 2008 o contribuinte apurou as seguintes perdas em operações de crédito, que foram transferidas para o Resultado Líquido do Exercício e foram lançadas em Despesas Operacionais na DIPJ 2009:” R$ 46.118.873,82. 15. Entretanto, ao analisar a conta correspondente (COSIF 1.8.8.88.20.034), a fiscalização separou “todos os créditos que atingiram seis meses de vencimento, em cada um dos meses do ano calendário 2008, e que por conseguinte tornaramse dedutíveis pela Lei 9430/96”, e apurou o montante de R$ 45.552.626,09. Fl. 198847DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.848 5 16. Dessa forma, “Comparandose o valor considerado dedutível pelo contribuinte em sua DIPJ 2009, com o valor apurado por esta fiscalização com base nos arquivos magnéticos fornecido(s) pelo próprio contribuinte – ‘Titulares à Receber’, chegase à conclusão que o contribuinte considerou uma dedução, na apuração do IRPJ no ano calendário de 2008, superior a permitida em lei no valor de R$ 566.247,73...”. 17. Com essa constatação, a autoridade fiscal glosou o excesso de despesa, referente à perda de créditos, lançados na DIPJ/2009 e constituiu crédito tributário no presente auto de infração. 18. Tendo finalizado parcialmente a ação fiscal, a empresa foi cientificada dos autos de infração, pessoalmente, em 23/12/2013. Da Impugnação 19. Em 21/01/2014, a interessada apresentou impugnação, conforme documento juntado às folhas 055 a 077, na qual, após fazer uma síntese do auto de infração, em resumo apresenta os argumentos relatados a seguir. Da Omissão de Receitas 20. Com relação à omissão de receitas, a empresa alega inicialmente a existência de três premissas, a saber: • “1ª Premissa – Incontroverso, conforme expressa e textualmente afirmado pelo Sr. Auditor Fiscal, no capítulo 2 do Termo de Verificação Fiscal, que as operações de crédito da Sorocred com os Titulares de Cartão de Crédito enquadramse todas na alínea a, do inc.I, do art.9, da Lei 9.430/96, acima, pois todas as operações da empresa com os titulares de cartão tem valor inferior a R$ 5.000,00 e são créditos sem garantia.” Portanto, o efeito da variação patrimonial positiva se dá somente mediante o recebimento do valor das transações de cartão de crédito. Por essa razão, a valorização do valor das transações é reconhecida como receita, porém, com 180 (cento e oitenta) dias ele se torna uma despesa (baixa para prejuízo), tornadose nula essa variação patrimonial”. • “2ª Premissa – O auto de infração considerou toda a carteira de Titulares de Cartões de Crédito a Receber para o cálculo da(os) encargos financeiros vencidos até 60 (sessenta) dias, como se toda a Carteira estivesse vencida. Não é o caso, como se depreende dos valores demonstrados neste auto, apenas uma parte da carteira estava vencida – a grande maioria dos titulares de cartão de crédito efetuaram o pagamento na data do vencimento. O auto igualmente não considerou os pagamentos realizados logo depois do vencimento e com a significativa antecedência aos 60 (sessenta) dias contados do vencimento. Com efeito, somente há que se falar em encargos financeiros depois do vencimento e se houver inadimplemento do titular do cartão de crédito”. • “3ª Premissa – Sendo incontroverso que se aplica à Sorocred o previsto no artigo 9º, inciso I, alínea ‘a’ da Lei 9.430/96, conforme consta no auto de infração, bem como igualmente demonstrado que apenas parcela da carteira estava com vencimento de até 60 (sessenta) dias de atraso, conforme demonstrado abaixo, o auto de infração não Fl. 198848DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.849 6 considerou que esses atrasos são baixados como prejuízo depois do decurso de 06 (seis) meses, na forma do indigitado artigo 9º da Lei 9.430/96”. 21. Assim, a interessada argumenta que essas premissas evidenciam o equívoco cometido pela autoridade fiscal, qual seja, o de considerar “... o valor integral da Carteira de Titulares de Cartão de Crédito para o cálculo dos encargos financeiros, como se todos os titulares de cartão de crédito fossem inadimplentes e não tivessem, nenhum deles sequer, efetuado o pagamento no vencimento”. 22. Assevera ainda que: • “O auto foi lavrado com erros na manipulação nos dados que lhe foram disponibilizados: com o vencimento, deveria apenas considerar os créditos inadimplidos e vencidos até 60 (sessenta) dias, para aplicar o seu entendimento de que a Sorocred sofreu uma mutação positiva em seu ativo circulante. Essa mutação se dá por apenas 180 (cento e oitenta) dias; após essa data, seria mutação negativa pela baixa em prejuízo, ou seja, sem efeito no exercício”. • “Somente depois do vencimento e, enfatizese, do inadimplemento, é que a Sorocred faria jus, além da multa de 2% (dois por cento) sobre o valor inadimplido, a juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, ao reverso dos indigitados 15 (quinze por cento) de juros remuneratórios mencionados no auto. Eis, aliás, outro equívoco: multa somente haveria na hipótese de inadimplemento, sendo indevida nas hipóteses de parcelamento ou crédito rotativo”. • “E o pior: rotulou essa questão como sendo o caso de ‘omissão de receitas’, desconsiderando que todas as transações da Sorocred tinham valor inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), sem garantia, como o próprio auto afirmou, sendo suscetíveis de lançamento em prejuízo depois de decorrido o prazo de 180 (cento e oitenta) dias conforme previsto no artigo 9º da Lei 9.430/96”. 23. Sobre esse tema, a interessada finaliza afirmando que “ainda que não tenha valorizado a carteira com a incidência de juros de 01 (um) a 60 (sessenta) dias, posteriormente esses juros são lançados em prejuízo, sem incidência tributária de IRPJ –Imposto de Renda Pessoa Jurídica e CSLL – Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido ou, na hipótese de pagamento, reconhecidos como receita em seu valor integral, com o subseqüente oferecimento à tributação, em estrita conformidade com a Lei 9.430/96”. Da Nulidade do Auto de Infração 24. A empresa argumenta que houve erro na qualificação do auto de infração em relação à “omissão de receita”, tendo em vista que, no entendimento da interessada, toda a receita estava registrada na contabilidade e foi oferecida à tributação. 25. Assevera que as hipóteses de omissão de receitas são taxativas e não se coadunam com o presente caso, pois “A Sorocred não dispõe ou dispunha de saldo credor de caixa e jamais houve falta de escrituração de pagamento, manutenção no passivo de obrigações pagas, ausência Fl. 198849DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.850 7 comprovação do passivo, falta de emissão de nota fiscal ou investimentos sem comprovação da origem dos recursos”. 26. Afirma também que o crédito tributário resulta de uma lógica incoerente e que lhe prejudica o direito de defesa, “por lhe impor o ônus de demonstrar fatos nunca configurados, notadamente demonstrar que nunca deixou de reconhecer contabilmente as receitas que afirmou terem sido omitidas”, imputando à Sorocred uma infração que ela não cometeu. 27. Desse modo, a interessada considera que “Há grave erro de qualificação da suposta infração e, conseqüentemente, de seu enquadramento legal e da base de cálculo dos tributos cobrados, sendo imperativo se declarar a nulidade do ato administrativo de lançamento objeto desta impugnação”. 28. Nesse sentido, entende que: • “Não há fato gerador subsumível à hipótese de incidência tributária, suficiente e necessária para ocorrência do crédito tributário, na forma do artigo 114 do Código Tributário Nacional. As informações prestadas pela Sorocred não foram corretamente identificadas conquanto às hipóteses de incidência. O auto de infração lavrado revela, portanto, a ausência de fundamentação adequada e critério lógico quanto à intitulada omissão de receita”. • “Não há discriminação clara e precisa dos fatos que levaram a autuação promovida. Ao invés de descrever correta e detalhadamente os fatos e circunstâncias que realmente estariam caracterizando a infração, se é que existem, a autoridade fiscal simplesmente limitouse a mencionar, de modo genérico e impreciso, uma capitulação grave e inexistente”. • “Restou claro que deixou de explicar como chegou ao referido valor, em descumprimento ao artigo 9º, do Decreto nº 70.235...”. • “Ao fazer menção a atos e diligências não documentados, como se o processo estivesse devidamente instruído e os fatos capitulados demonstrados, prejudicou a defesa da Sorocred, em dissonância ao princípio constitucional da ampla defesa...”. 29. Após transcrever entendimentos de doutrinadores, que a seu ver corroboram com seu posicionamento, a empresa “requer que seja reconhecida a nulidade dos Autos de Infração lavrados, com o seu subsequente cancelamento”. Fundamentação de Fato e Direito 30. A empresa inicia esse tema fazendo alguns esclarecimentos: • “A utilização do cartão de crédito extrai três relações jurídicas distintas: (i) a primeira estabelecese entre o cliente ou titular do cartão de crédito e a Sorocred, emissora do cartão de crédito; (ii) A segunda relação é firmada entre a loja ou estabelecimento comercial e a Sorocred; (iii) A terceira relação jurídica que decorre do cartão de crédito é aquela entre o cliente e a loja, por ocasião da aquisição dos Fl. 198850DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.851 8 bens ou serviços. Havendo atraso no pagamento, concessão de crédito rotativo ou parcelamento, haverá uma quarta relação, que é proveniente de uma instituição financiadora, que fornecerá o crédito necessário – enfatizese que os pagamentos na data do vencimento não ensejam a tomada de recursos financeiros, tampouco ao recebimento de juros ou multa, e, conseqüentemente, não há que falar em mutação patrimonial positiva de encargos financeiros”. 31. Após citar alguns doutrinadores e fazer considerações sobre a apuração do imposto de renda com base no lucro real, a interessada argumenta que “O lucro real também é a base de cálculo do imposto de renda, partindo do resultado apresentado, com os devidos ajustes. As exclusões são os valores deduzidos do lucro contábil, sendo permitido baixar como perda dedutível da base de cálculo do imposto de renda as transações sem garantia de valor de até R$5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de 180 (cento e oitenta) dias, na forma do artigo 9º da Lei 9.430/96...”. 32. A fiscalizada alega também que: • “No auto de infração, foi reproduzida cláusula contratual bastante clara em fixar a multa de mora em 2% (dois por cento) – devida apenas na hipótese de inadimplemento, não sendo devida nas hipóteses de parcelamento ou crédito rotativo e os juros de mora em 1% (um por cento) ao mês para os débitos de carteira vencida ou em parcelamento – repitase, juros de mora de 1% (um por cento)”. • “Assim, o percentual mencionado como de 15% (quinze por cento) ao mês, no termo de verificação e extraído do campo esquerdo dos boletos e faturas analisadas pela fiscalização, compreende os juros de mora de 1% (um por cento) e os juros remuneratórios devidos para a instituição financeira que concedeu o crédito ao titular que optou pelo parcelamento ou crédito rotativo”. • “Como se verifica e já se disse, tratase de um grave equívoco, insuscetível de revalidação, uma vez que a fiscalização se utilizou de toda a carteira de titulares de cartões de crédito para calcular a mutação patrimonial positiva de encargos financeiros pelo vencimento de até (60) sessenta dias, desconsiderando, na própria carteira, a significativa parcela dos titulares que pagaram em dia, na data do vencimento”. • “Os juros de mora provêm do atraso do pagamento e, portanto, diferem dos juros compensatórios ou remuneratórios. Os juros de mora têm limitação legal e foram fixados contratualmente em 1% (um por cento) ao mês, na forma dos artigos 406 do Código Civil e 161, § 1º, do Código Tributário Nacional”. • “Já a multa moratória, quando cobrada, decorre apenas do atraso do pagamento na data do vencimento e está fixada em de 2% enfatizese que não é devida nas hipóteses de parcelamento ou concessão de crédito rotativo, na forma do artigo 52, parágrafo 1º, da Lei 8.078/90 (CDC), na redação que lhe foi dada pela lei nº 9.298/96”. • “Não houve, à época, mutação patrimonial positiva ou acréscimo mediante contabilização de juros. Isso porque os juros foram reconhecidos quando do efetivo pagamento da fatura e, ademais disso, Fl. 198851DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.852 9 depois de decorrido o prazo de 180 (cento e oitenta) dias, inexistindo pagamento, o valor do crédito é baixado para prejuízo, na forma do artigo 9º da Lei 9.430/96”. • “... a contabilização realizada pela Sorocred está correta, não havendo omissão de receitas, nem, por consequencia, obrigação tributária principal não cumprida...”. • “O máximo que se poderia alegar, em termos de não recolhimento dos tributos acima mencionados, seria apenas e tão somente os valores decorrentes do efeito tributário da postergação do registro da receita, já que, nesta premissa (adotada apenas para fins de argumentação) teria havido recolhimento dos tributos em período posterior – e isso, repita se, caso se desconsidere o lançamento em prejuízo, depois de decorrido o prazo de 180 (cento e oitenta) dias”. • “De qualquer forma, no caso concreto, ressaltese que só haveria que se falar em postergação quando o momento temporal da data de reconhecimento pela fiscalização e aquele adotado pela Sorocred não estiverem compreendidos dentro do mesmo anocalendário de 2008, pois, como já mencionado, à época o regime de tributação adotado para fins de IRPJ e de CSLL era o anual. Com efeito, se ambas as datas se referirem ao mesmo ano, nem mesmo postergação haveria que ser aplicada para fins de IRPJ e CSLL”. 33. Assim, a empresa finaliza seus argumentos sobre o tema da seguinte forma: • “Entretanto, ainda que se entenda ser possível corrigir o lançamento na presente fase procedimental, o que também se diz apenas para argumentar, seria imprescindível que fosse determinada a baixa dos presentes autos para diligência, de forma a, afastada a omissão de receitas, a autoridade administrativa identificar em que situações seria aplicável a suposta postergação de tributos, mensurandoa nos casos pertinentes e possibilitando à Sorocred o direito ao contraditório e à ampla defesa...”. • “Por tais motivos, os Autos de Infração devem ser cancelados”. Do Pedido de Perícia Contábil 34. A empresa invoca o disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, e requer a produção de perícia contábil a fim de comprovar a ausência de omissão de receitas e o correto recolhimento dos tributos. 35. Para tanto, indica quesitos a serem respondidos e seu assistente técnico (fl. 077). Dos Requerimentos 36. Por fim a empresa requer que: • “Seja reconhecida a nulidade do Autos (sic) de Infração lavrado, com o seu subseqüente cancelamento, uma vez que não houve menção da atividade geradora do tributo, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a disposição que disciplina a penalidade aplicada”. Fl. 198852DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.853 10 • “Seja declarada a nulidade de qualquer lançamento e a cobrança de crédito tributário, seja pela inexistência do fato gerador ou, ainda, pela ausência da descrição clara e precisa da origem e a natureza do crédito tributário, na forma do artigo 203, do CTN”. Da Primeira Diligência 37. Após uma análise inicial do processo, este julgador o encaminhou para a unidade origem a fim de fosse elaborada informação fiscal contendo esclarecimentos e documentos adicionais aos até aqui juntados, conforme Despacho de nº 015 (fls 119 e 120). 38. Atendendo ao referido despacho, a autoridade fiscal elaborou o Relatório de Informação Fiscal, de fls 124 a 127, no qual informa que foram anexados diversos arquivos compactados que serviram de base para a apuração dos créditos tributários guerreados e também responde às questões formuladas por este julgador a fim de esclarecer alguns pontos do processo. Tal documento foi enviado à empresa, tendo sido dada ciência em 29/05/2014 (fl. 147). 39. Em 24/06/2014, a impugnante apresentou manifestação a respeito do relatório fiscal mencionado (fls 139 a 144), sendo que, em relação à memória de cálculo dos juros sobre os créditos vencidos e não pagos, a empresa argumentou o seguinte: • “A manipulação dos dados apresentou graves equívocos. Utilizou como critério a seguinte fórmula para a apropriação dos juros: Juros apropriados = Valor do Principal do Título x 0,15/30 x dias em atraso. Contudo, de início, no mês de fevereiro, na coluna “dias_aprop_juros”, se identificou que foram apropriados 28 (vinte e oito) dias, olvidando se de que o ano de 2008 foi bissexto e, portanto, deveriam ter sido contados 29 (vinte e nove) dias de apropriação”. • “Também houve casos de que o sexagésimo dia de apropriação coincidiu com o último dia do mês de referência, cuja apropriação acabou sendo duplicada no mês seguinte...”. • “A Fiscalização utilizou o arquivo de janeiro de 2008, se utilizando todas as faturas em atraso e não se atentando que meses seguintes muitas dessas faturas foram liquidadas e, portanto, a receita foi oferecida à tributação”. • “Igualmente não considerou que parcela dos créditos de titulares foram liquidados nas semanas seguintes, antes de 60 (sessenta) dias e devidamente oferecidos à tributação; outra parcela de crédito foi liquidada depois de 60 (sessenta) dias e igualmente oferecida à tributação; finalmente, muitos desses créditos permanecem sem liquidação ou incobráveis até a presente data, tendo sido lançados como prejuízo, conforme dedutibilidade prevista no artigo 9º da Lei 9.430/96”. 40. Na seqüência a contribuinte toma uma fatura como exemplo, verifica os cálculos efetuados pela fiscalização, e conclui que há um equívoco pois a mesma fatura que foi considerada no cálculo dos juros dos créditos vencidos até 60 dias também está no arquivo referente às perdas com créditos vencidos a mais de 180 dias. Fl. 198853DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.854 11 41. Assim, a empresa entende que “... se de um lado a Sorocred não apurou os juros de R$ 40,97 (quarenta reais e noventa e sete centavos) para oferecelos à tributação, conforme consta no auto da fiscalização, por outro lado também não os considerou ao lançar o prejuízo depois de decorrido o prazo de 180 (cento e oitenta) dias de vencimento, inexistindo qualquer ganho para a Sorocred, prejuízo para o erário e, principalmente, tampouco havendo ‘omissão de receita’”. 42. Já em relação à memória de cálculo do valor glosado de R$ 566.247,73, a empresa afirma que o arquivo utilizado pela fiscalização, encaminhado como anexo ao termo de diligência, não comprova o valor autuado, pois existem valores com dias de atraso iguais ou inferiores a 180 dias, sendo correto o valor lançado na contabilidade. 43. Sobre o percentual de 15% referente a juros remuneratórios, a interessada traz a mesma argumentação já relatada no tópico “Fundamentação de Fato e Direito”. 44. Posteriormente a autoridade fiscal elaborou Relatório Final de Informação Fiscal (fls 134 a 138), com ciência dada à empresa em 05/09/2014, conforme documento de folha 130, tendo sido dado o prazo de trinta dias para que a mesma se manifestasse sobre o mesmo. 45. Em tal documento, a fiscalização afirma que, levando em consideração a manifestação da contribuinte, retificou alguns cálculos em relação aos juros não apropriados sobre créditos vencidos em até 60 dias. Assim, o valor tributável passou para R$ 19.002.529,18. 46. Da mesma forma, relativamente à glosa de créditos com vencimento superior a 180 dias, foram revistos os cálculos de modo que a referida glosa foi modificada para R$ 171.026,53. 47. Desse modo, em 22/09/2014, a empresa apresentou o documento de folhas 124 a 127, no qual traz suas considerações em relação à mencionada Informação Fiscal. 48. Em seu entendimento, o relatório de informação fiscal “... (i) reconheceu o equívoco no cômputo dos juros de 31 dias de janeiro e 31 dias de fevereiro, atendendo parcialmente à reivindicação do contribuinte Sorocred, bem como (ii) o equívoco em considerar créditos com vencimento inferior 180 (cento e oitenta) dias, apurando a dedutibilidade de um valor superior ao inicialmente encontrado e parcialmente glosado”. 49. Entretanto a fiscalização “... persistiu em erros de conceito ao utilizar como critério a seguinte formula para a apropriação dos juros: Juros apropriados = Valor do Principal do Título x 0,15/30 x dias em atraso. Com efeito, houve casos de que o sexagésimo dia de apropriação coincidiu com o último dia do mês de referência, cuja apropriação acabou sendo duplicada no mês seguinte – verificase, portanto, da fatura F007576271, conforme arquivos apresentados pela própria Fiscalização – APROP_12_2007.csv, APROP_01_2008.csv e APROP_02_2008.csv, cujo o vencimento ocorreu no dia 02.12.2007 e foram apropriados 29 (vinte e nove) dias do mês de dezembro de 2007 e 31 dias do mês de janeiro de 2008 e, novamente, mais 31 (trinta e um) dias em fevereiro, que somente teve 29 (vinte e nove) dias.” Fl. 198854DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.855 12 50. Nesse sentido, a contribuinte argumenta que a autoridade fiscal: • “... utilizou o arquivo de janeiro de 2008, se utilizando todas as faturas em atraso e não se atentando que meses seguintes muitas dessas faturas foram liquidadas e, portanto, a receita foi oferecida à tributação”. • “Ao pretender a cobrança dos juros apropriados de um débito já liquidado, a Fiscalização, claramente, incorreu em bitributação dos mesmos valores, por pretender receber a apropriação de um débito já liquidado e tributado subsequentemente ao vencimento”. • “... não considerou que parcela dos créditos de titulares foram liquidados nas semanas seguintes, antes de 60 (sessenta) dias e devidamente oferecidos à tributação; outra parcela de crédito foi liquidada depois de 60 (sessenta) dias e igualmente oferecida à tributação; finalmente, muitos desses créditos permanecem sem liquidação ou incobráveis até a presente data, tendo sido lançados como prejuízo, conforme dedutibilidade prevista no artigo 9º da Lei 9.430/96”. 51. Em sua análise, a interessada toma como exemplo algumas faturas a fim de corroborar o seu entendimento e conclui da seguinte forma: • “Destarte, a suposta “omissão de receita” dos juros ou encargos financeiros dos créditos vencidos até 60 dias estaria no fato de que a Sorocred não teria registrado em sua contabilidade as receitas decorrentes da “recuperação de encargos financeiros” supostamente cobrados do cliente titular do cartão nos casos de renegociação de dívidas que, assim, não teriam sido oferecidos à tributação do IRPJ e da CSLL”. • “Todavia, a contabilização realizada pela Sorocred está correta, não havendo omissão de receitas, nem, por consequência, obrigação tributária principal não cumprida, ou seja, não há que se falar em falta de recolhimento de IRPJ e do tributo que também é influenciado pelo registro contábil da receita (CSLL), já que ela é reconhecida por ocasião do pagamento”. Da Segunda Diligência 52. Apesar de já ter sido objeto de diligência, conforme o tópico anterior, remanesceram algumas dúvidas sobre os documentos juntados ao presente processo naquela oportunidade. 53. Assim, os autos foram novamente encaminhados à DEINF/São Paulo para que fossem juntados ao mesmo o seguinte: 1. Esclarecimentos sobre a divergência entre os valores referentes à apuração dos juros: R$ 19.112.217,00 (auto de infração) versus R$ 19.060.033,47 (planilha juntada ao processo); 2. Planilhas que resultaram na apuração do valor de R$ 45.947.846,89 referente aos créditos vencidos a mais de 180 dias. 54. Em resposta, a autoridade fiscal juntou ao processo o Relatório de Informação Fiscal de folhas 234 a 236, o qual traz algumas Fl. 198855DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.856 13 informações sobre o questionamento do item 1 e informa que foi juntado aos autos as planilhas mencionadas no item 2. A DRJ de Curitiba exarou o v. Acórdão, ora recorrido, dando provimento apenas parcial à Impugnação oferecida, exclusivamente para reparar os cálculos do lançamento referentes à adição dos encargos financeiros, na forma como constado em Relatório de segunda Diligência realizada, assim como em relação aos débitos de glosa das perdas no recebimento de créditos, retificandose os cálculos na forma apresenta da pela Unidade Local, após diligência (fl. 240 a 263). Após o recálculo, apresentase da seguinte forma os valores controversos deste processo: Fl. 198856DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.857 14 Com exceção da alteração dos cálculos, as nulidades arguidas foram afastadas e, no mérito, a atuação foi mantida, restando ementado da seguinte forma o v. Acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PRELIMINARES. PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE. Quando as informações e documentos contidos nos autos são suficientes para a formação do juízo de convicção do julgador sobre o fato ensejador do lançamento fiscal, eventuais perícias requeridas tornamse prescindíveis. NULIDADE. OFENSA AO DIREITO À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste ofensa ao direito de defesa quando o lançamento contém descrição detalhada dos fatos, em tópicos individualizados para cada infração, com informações e fundamentação legal que permitem ao contribuinte ter compreensão exata das infrações a ele imputadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ENCARGOS FINANCEIROS DE CRÉDITOS, DECORRENTES DE MORA. NATUREZA DE INDENIZAÇÃO. NÃO TRIBUTAÇÃO. DESCABIMENTO. As normas que disciplinam o tratamento tributário dos juros, ao determinarem que os juros ganhos devem ser incluídos no lucro operacional, não fazem distinção quanto à natureza remuneratória ou indenizatória desses encargos. DESPESAS DE PERDAS COM OPERAÇÕES DE CRÉDITO. EXCESSO DE DEDUÇÃO. CABIMENTO DE GLOSA. Rejeitase o questionamento da glosa do excesso na dedução das perdas, quando o contribuinte não produz prova cabal, mediante informações e documentos hábeis e idôneos, demonstrando o eventual equívoco na apuração do referido excesso. AUTUAÇÃO REFLEXA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 198857DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.858 15 Em face de tal revés parcial, foi interposto o Recurso Voluntário (fls. 273 a 337), ora sob apreço, basicamente repisando os argumentos de nulidade e meritórios de sua Impugnação, protestando pela juntada posterior de estudo dos Auditores da KPMG Tax Advisor Ltda., supostamente encomendado após a publicação do v. Acórdão, que atestaria a lisura da postura contábil e fiscal da empresa, bem como alega não ter sido exaurida a análise de todas as provas na Instância a quo, demandando uma verificação mais profunda. Em seguida, antes do processamento do feito, a Recorrente, como anunciado e requerido nas razões do apelo, juntou o Termo de Constatação, elaborada por aqueles Auditores que, em conjunto com seus anexos, contempla mais de 198.000 (cento e noventa e oito mil folhas), no qual teriam concluído os técnicos pela insubsistência do lançamento combatido. Ato contínuo, o presente feito foi distribuído ao I. Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, desta mesma C. 2ª Turma, declarandose impedido para julgar, o que provocou a redistribuição do processo. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o Relatório. Fl. 198858DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.859 16 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recursos Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Como visto, após a prolatação do v. Acórdão recorrido, instantaneamente após a interposição das razões de Recurso Voluntário, o Contribuinte juntou extenso estudo, elaborado por notória companhia de Auditoria. Quanto à sua aceitação e conhecimento, entende este Conselheiro que, uma vez satisfeito o prazo recursal, com o protocolo das razões e presentes os demais requisitos formais de admissibilidade (inclusive procedendo a parte ao prenúncio dessa anexação futura), a juntada posterior de um documento, que indica possuir real e forte carga probante, principalmente antes de qualquer movimentação do feito, deve ser acatada. O Princípio da Busca Pela Verdade Material, informador do Contencioso Administrativo brasileiro, reza que não poderia haver o desprestígio de provas pertinentes, que tragam consigo potenciais elementos de desfecho da lide, em razão de simplória homenagem à formalidade instrumental do processo. Como adiantado, em não havendo a preclusão recursal e, principalmente, por não ter sido praticado qualquer outro ato, mesmo a simples movimentação do processo entre a oposição do apelo e a juntada do estudo contábil (o que ocorreu anteriormente à distribuição ao Julgador, logo também antes de ter se iniciado a análise do processo para o seu convencimento), o documento deve ser conhecido. Frisese que as conclusões alcançadas pelos Auditores Independentes exprimem posicionamento contrário à tese fazendária e ao entendimento adotado no v. Acórdão recorrido, abrangendo toda a lide, de maneira que, se comprovadamente procedente, pode implicar no cancelamento do lançamento. Não se trata de prova pontual ou estudo doutrinário opinativo, mas de vasto estudo técnicocontábil, que explicaria a legalidade e regularidade da postura do Contribuinte, esvaziando as acuações fiscais. Fl. 198859DF CARF MF Processo nº 16327.721639/201311 Resolução nº 1402000.407 S1C4T2 Fl. 198.860 17 Contudo, diante da tamanha extensão da documentação anexa que embasa o Termo de Constatação acostado, o qual, ainda que possua peça de conclusões escritas em breve resumo, carrega quase duas centenas de milhar de documentos, que ainda não foram devidamente processados ou analisados em nenhuma Instância ou em qualquer decisão, mostrase razoável e prudente o envio dos autos à Unidade Local, para o processamento de tais informações e provas, antes da derradeira apreciação das razões recursais. Desse modo, o conteúdo técnico, probatório, por trás das constatações obtidas e expressadas no Termo acostado, as quais cingemse em respostas e afirmações em face de perguntas formuladas pelo Contribuinte, seria submetidas ao crivo analítico técnico da mesma Unidade Fiscal que procedeu ao lançamento. Diante de todo o exposto, resolvese por converter o julgamento em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para que, confrontando o Termo de Constatação e todos seus anexos, juntados aos autos pela Recorrente, com os elementos apurados e utilizados na lavratura das Autuações sob julgamento, verifiquese a existência de qualquer prova ou justificativa técnica, contábil ou jurídica, que implique na redução ou improcedência do crédito tributário (incluindo a hipótese de postergação do pagamento), agora sobre exigência (conforme reduções já promovidas pelo v. Acórdão, em face dos Relatórios de Diligência anteriores). Tal análise deve ser feita considerando o método de amostragem, procedido pelos Auditores Fiscais, como aplicável para todos os fatos envolvidos na Atuação. Deve ser incluído no Relatório a ser formulado as razões e justificativas legais, com a devida remissão às provas e previsões normativas, inclusive contábeis, de procedência ou improcedência do Termo de Constatação para a manutenção, exoneração ou redução dos débitos lançados. Após a formulação e juntada o Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 198860DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000600/2005-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos.
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE PESSOAS E PRODUTOS ACABADOS.
Geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados no transporte de trabalhadores e de produtos acabados.
No caso concreto, faz jus o contribuinte aos créditos da PIS/PASEP não-cumulativa sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos, após a industrialização para seus compradores e portos onde serão exportados, por serem tais serviços de transporte essenciais para a produção e atividade do sujeito passivo - industrialização e exportação.
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. TERRA. PESSOA JURÍDICA. PRODUÇÃO. MATÉRIA-PRIMA. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com arrendamento rural/agrícola de terras, de pessoas jurídicas, para produção da matéria-prima destinada à produção/fabricação dos produtos objetos da atividade econômica explorada pelo contribuinte, geram créditos das contribuições.
PIS/PASEP. BENS E SERVIÇOS. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA.
É vedada a apropriação de créditos sobre aquisições de bens e de serviços efetuadas de pessoas físicas.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 3201-009.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas. No mérito, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa em relação gastos incorridos, nos seguintes termos: I. Por unanimidade de votos, em relação a (1) transportes vinculados às suas atividades produtivas e de produtos para exportação; e (2) despesas com arrendamento agrícola. II. Por maioria de votos, em relação a transportes de mão-de-obra nas áreas agrícolas e despesas portuárias de armazenagem e de acondicionamento de mercadorias, inclusive vinculadas a exportação. Vencida a conselheira Mara Cristina Sifuentes que negou provimento.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocado(a)), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Lara Moura Franco Eduardo.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE PESSOAS E PRODUTOS ACABADOS. Geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados no transporte de trabalhadores e de produtos acabados. No caso concreto, faz jus o contribuinte aos créditos da PIS/PASEP não- cumulativa sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos, após a industrialização para seus compradores e portos onde serão exportados, por serem tais serviços de transporte essenciais para a produção e atividade do sujeito passivo - industrialização e exportação. PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. TERRA. PESSOA JURÍDICA. PRODUÇÃO. MATÉRIA- PRIMA. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com arrendamento rural/agrícola de terras, de pessoas jurídicas, para produção da matéria-prima destinada à produção/fabricação dos produtos objetos da atividade econômica explorada pelo contribuinte, geram créditos das contribuições. PIS/PASEP. BENS E SERVIÇOS. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. É vedada a apropriação de créditos sobre aquisições de bens e de serviços efetuadas de pessoas físicas. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 06 00 /2 00 5- 02 Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas. No mérito, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa em relação gastos incorridos, nos seguintes termos: I. Por unanimidade de votos, em relação a (1) transportes vinculados às suas atividades produtivas e de produtos para exportação; e (2) despesas com arrendamento agrícola. II. Por maioria de votos, em relação a transportes de mão-de-obra nas áreas agrícolas e despesas portuárias de armazenagem e de acondicionamento de mercadorias, inclusive vinculadas a exportação. Vencida a conselheira Mara Cristina Sifuentes que negou provimento. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocado(a)), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Lara Moura Franco Eduardo. Relatório Replico o relatório utilizado pela DRJ para retratar os fatos. Trata o presente processo de Declaração de Compensação no valor de RS 78.955,92 utilizando créditos da contribuição para o PIS não-cumulativo do mês 05/2004, apurados sobre custos, despesas, e encargos vinculados às operações de exportação, nos termos dos arts. 3º e 5º, § 1º, da Lei n° 10.637, de 2002. Termo de Verificação Fiscal – TIF – fl. 26 Verificação fiscal junto ao interessado apurou irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, pelo que transcrevo a parte da TIF, referente a analise efetuada: 5. Na composição da linha 2 do DACON (Bens Utilizados como Insumos, inicialmente foram excluídos os centros de custos, a seguir identificados, não diretamente relacionados à produção e que, portanto, contêm: valores contabilizados que não se:enquadram no conceito de; insumo, ou seja, de bens utilizados na fabricação ou produção de produtos destinados à venda, como matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, ou de outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado (cf. art. 8, §4°, I, "a", da 'IN SRF 404/04). Assim, despesas Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 indiretas (como as.de oficinas mecânicas) ou com:o produto já pronto (como as de armazenagem), não podem ser consideradas insumos. Setor Industrial: Manutenção e Conservação Civil; Manut. Elétrica/Mec./Instr./Ref;. Oficina Caldeiraria; Oficina Mec/Manut. Automotiva, Oficinas Elétrica/Instrumenta e Tonéis de Álcool. 5.1. Ainda na composição da linha 2, também foram excluídos: os bens contabilizados em contas de despesas, a. seguir identificadas, que não se enquadram no conceito de insumo: Setor Industrial: Ferramentas Operacionais; Materiais e Utensílios e Materiais Elétricos (para manutenção de imóveis). Setor Agrícola: Consumo de Água (não se refere à irrigação); Ferramentas. Operacionais e Materiais elétricos (para manutenção de imóveis). 5:2: As despesas com combustíveis de veículos do setor industrial foram excluídas porque não se referem a veículos que transportam insumos. 5.3. As despesas com combustíveis e lubrificantes pertencentes ao grupo contábil de despesas comerciais com vendas (6101) foram excluídas porque não se enquadram no conceito de bens utilizados como insumo. 6. Na composição da linha 3 (Serviços Utilizados como Insumos),foram excluídos os centros de custo não diretamente relacionados à produção e que, portanto, contêm valores de serviços contabilizados que não se enquadram no conceito de insumo, ou seja, de serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produto destinado à venda (cf. art. 8, § 4°,'I; "b" da IN SRF.404/04). Assim, somente os serviços prestados diretamente na produção ou fabricação do produto, até a sua embalagem, podem ser considerados insumos: Setor Industrial: Brigada de Combate a Incêndio; Contencioso Trabalhista Ind.; Controle e Garantia de Qualidade; Manutenção e Conservação Civil; Oficina Mec/Manut./Automotiya; Oficina Calderaria e Oficina Elétricas/Instrumenta. 6.1. Quanto às Despesas de.Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda, (incluídas na linha 3), a empresa, intimada, apresentou os espelhos das notas fiscais ou recibos de pagamentos que compunham a conta 6101242421 - Despesas Portuárias (ver fls.-29 - item-2). E foram considerados apenas os gastos discriminados nos documentos como de armazenagem ou frete (art. 8o, II, "e" da IN SRF 404/04), sendo excluídos os demais: serviços de operação portuárias, serviços prestados para embarque, serviço de embarque açúcar navio, entrada 31 container vazio, serviços prestados de retirada, retirada de container vazio e despesas incorridas no embarque açúcar (composto de mão-de-obra e tarifas portuárias) Ao final das planilhas do 2º trimestre encontram-se discriminadas as exclusões efetuadas, limitada, em 05/2004, ao valor declarado pelo contribuinte. 6.2. Tampouco podem ser consideradas como despesas com frete ou de armazenagem as despesas de estadia, que foram também excluídas. Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 6.3. Também foram excluídas da linha 3 as despesas escrituradas na conta Serviços Prestados - PJ (6101141407), que não se enquadram no conceito de serviços utilizados como insumos, pois se referem a despesas comerciais com vendas, tais como: serviços de demonstradoras, serviços de repositoras, serviços de intermediação, supervisão de embarque na exportação e pesquisa de mercado (fls. 29 – item 1). 6.4 As despesas escrituradas nas contas Mão-de-Obra Contratada (6101141401), Mão-de- Obra de Manutenção – PJ (6101141405) e Serviços Prestados – PJ (6101141413) e Mão-de-Obra Manutenção PJ (6101141414) também não podem compor a base de cálculo dos créditos, porque são despesas comerciais com vendas (como carga e descarga de produto já pronto e serviços de publicidade e promoção), e portanto, não são serviços aplicados ou consumidos na fase de fabricação ou produção do produto destinado á venda. 7. Na composição da linha. 6 (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica), foram excluídas as despesas escrituradas na conta 6103212118 - Aluguel Projeto Social, pois somente as despesas vinculadas às atividades da empresa podem compor a base de cálculo do crédito (cf. art. 66, II; "b".da IN SRF 247/02).Também foram excluídas as despesas com Aluguéis de Veículos (6103212112), pois somente o aluguel de prédios, máquinas e equipamentos dão direito a crédito. 8. Na composição da linha, 8 (Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil) foram excluídas as despesas escrituradas na conta contábil Arrendamento Agrícola - PJ (4301212101), pois refere-se a aluguel.de propriedade rural, e somente as contraprestações de arrendamento mercantil {leasing) geram direito a crédito (cf. art. 66, II, "d" da IN SRF 247/02). Frise- se que os aluguéis de propriedades rurais não geram direito a crédito, mas somente os de prédios, máquinas e equipamentos, como disposto no art. 66, II, "b" da IN SRF 247/02. 9. Na composição da Linha 18 (Crédito Presumido – Atividades Agroindustriais) foram excluídas as despesas escrituradas na conta Desp. Descarga/Estadia – PF (6101202017) e Serviços Prestados –PF (6101141406) do grupo contábil despesas comerciais com vendas pois não se referem a serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem (cf. art. 68 da IN SRF 247/02, na redação da IN SRF 358/03). Neste mesmo sentido foram excluídas as despesas alocados no centro de custo Administração/Planejamento IND. pois referem-se a despesas indiretas. 10. Encerrada a análise, a Fiscalização marcou todas as exclusões efetuadas nas planilhas apresentadas (04/2004 fls. 32/37, 05/2004 fls. 39/44 e 06/2004 fls.46/50) e consolidou nas tabelas a seguir os novos valores de créditos aceitos: ... CONCLUSÃO: 11 Assim, visto que somente os créditos apurados sobre os custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 mercadorias para o exterior podem ser utilizados para a compensação de outros débitos da empresa ou para ressarcimento, após a dedução da contribuição ao PIS/Pasep do regime não-cumulativo devida no mês, temos o valor do crédito disponível para compensação ou ressarcimento no mês 04/2004 é de R$ 0,00, em 05/2004 de R$ 70.493,25 e em 06/2004 de R$ 258.678,72. DESPACHO DECISÓRIO – fl. 35 A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Piracicaba, através do Despacho Decisório (DD), acatou-se as conclusões do TIF e, para o mês de 06/2004, reconheceu o direito creditório do interessado ao valor de R$ 70.493,25, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE – fl. 56. Em sua manifestação de inconformidade, o interessado inicialmente apresenta a tese da não equiparação do conceito de não-cumulatividade do PIS e da COFINS, originada em legislação infraconstitucional, com a não-cumulatividade constitucional do ICMS e do IPI. Com base nessa premissa, alega que o conceito de “insumos” utilizado na legislação do IPI não pode ser equiparado para fins de PIS e COFINS, uma vez que as Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, não definiram o conceito de insumos e, assim, o legislador quis utilizar o senso comum deste vocábulo. Que a limitação do conceito de “insumos”, utilizada pela SRF nas Instruções Normativas nº 247, de 2002 e nº 404, de 2004 é ilegal, pois inovou na ordem jurídica, ampliando ou reduzindo o sentido e conteúdo das leis. Após essa introdução, combate as glosas efetuadas, a saber: BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Alega que os bens utilizados tratam-se se ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizada na mecanização industrial, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão pela qual devem ser admitidos como insumos. Para as contas do setor industrial - Manutenção e Conservação Civil; Manut. Elétrica/Mec./Instr./Ref;. Oficina Caldeiraria; Oficina Mec/Manut. Automotiva, Oficinas Elétrica/Instrumenta e Tonéis de Álcool.- alega que a produção industrial, no período de safra gera grande desgaste nas peças e equipamentos, que precisam de reparos e substituições. Para as contas do setor Agrícola - Consumo de Água (não se refere à irrigação); Ferramentas. Operacionais e Materiais elétricos (para manutenção de imóveis) – alega que a água é utilizada na lavagem da cana-de-açúcar e no fornecimento para os funcionários e, no que tange as Ferramentas Operacionais e Materiais Elétricos, segue o mesmo entendimento esposado nas contas do setor industrial. Quanto as Despesas com combustível (veículos do setor industrial) e despesas com combustíveis e lubrificantes (despesas comerciais com vendas) alega que fazem parte do processo produtivo, pois sem tais produtos dezenas de máquinas e equipamentos ficariam parados comprometendo todo o processo produtivo da empresa. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Quanto a glosa das despesas referentes às contas do Setor Industrial - Brigada de Combate a Incêndio; Contencioso Trabalhista Ind.; Controle e Garantia de Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 Qualidade; Manutenção e Conservação Civil; Oficina Mec/Manut./Automotiya; Oficina Calderaria e Oficina Elétricas/Instrumenta – alega que devem ser considerados como insumos, pois a brigada de combate a incêndio controla a queima da cana; o controle e garantia de qualidade é para deixar a empresa em situação confortável com a matéria-prima utilizada; a oficina calderaria é de onde vem toda a energia para a produção dos produtos. Que, “Quanto às despesas portuárias glosadas pelo fisco, não tem qualquer sentido”, e que não se resigna com a glosa alusiva as despesas com exportação decorrentes da desconsideração das operações de serviços portuários como o recebimento, armazenagem e embarque e cujas notas fiscais foram consideradas como não se referissem a custo de frete e armazenagem. O mesmo se diga ao transporte rodoviário para os terminais portuários cujo propósito é o transporte para exportação. Continua, alegando que as despesas de serviços portuários encontram amparo no art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002, e que o mesmo se aplica às despesas com estadia, custo adicional ao frete e como despesa de estocagem de materiais até a comercialização do produto. Igualmente, não se conforme com a glosa alusiva as despesas de exportação excluídas por proporcionalidade, porque tal exclusão vulnera a não-cumulatividade do PIS e da Cofins, conforme elucidado na parte inicial da manifestação de inconformidade. Alega que todos os serviços glosados estão diretamente ligados ao processo produtivo, tais como a mão-de-obra de pessoa jurídica para a manutenção da mecanização industrial, transporte de resíduos industriais (vinhaça), utilizado na lavoura como fertilizante. Que não se conforma com a glosa dos custos relacionados á armazenagem de álcool e açúcar, bem como o transporte das referidas mercadorias para fins de exportação, pois são despesas ligadas diretamente ao processo produtivo e sem as quais a exportação jamais poderia ser concretizada e, por conta disso, é absolutamente ilegal e injusta a limitação temporal pretendida pela fiscalização. DESPESAS DE ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Que, quando ao alugueis de projeto social e de veículos, indevida a glosa, pois vai ao desencontro ao disposto no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/03. DESPESAS DE ARRENDAMENTO AGRÍCOLA Que o art. 3º, IV, da Lei nº 10.637, de 2002, contempla o direito a compensação de créditos decorrentes de aluguel de prédios utilizados nas atividades da empresa e, assim, o arrendamento de terras para cultivo de cana se enquadra nesse conceito, uma vez que o conceito jurídico do termo “prédio” não corresponde ao limitado conceito popular que define uma construção de vulto. De acordo com o Estatuto da Terra – Lei nº 4.504, de 1964, alterada pela Lei nº 8.629, de 1993, define o imóvel rural como “o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa destinar á exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agro-industrial”. Assim, o termo “prédio” serve tanto para o rústico (ou rural) como para o urbano e como a Lei nº 10.637, de 2002, não fez qualquer distinção entre os tipos, não há que se excluir os arrendamentos agrícolas. Destaca o disposto no art. 110, do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas do direito privado, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 Quanto às Desp. Descarga/Estadia, Serviços Prestados PF e Administração/Planejamento IND. alega que são despesas adicionais ao frete pela demora de recebimento da mercadoria pelo terminal portuário, e que as despesas de administração e planejamento IND são ligados à produção do bem. Do pedido Requer a reforma da decisão recorrida a fim de lhe reconhecer o direito de compensação da contribuição, nos termos acima articulados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e a decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não-cumulativo, entende-se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento do PIS - Não Cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA DO PRODUTO FINAL. As despesas com frete na venda do produto final e armazenagem só dão direito a crédito da contribuição nas operações de venda, desde que o ônus tenha recaído sobre o vendedor, inexistindo previsão legal para a inclusão de outras despesas, mesmo que complementares a essas operações. Em seu apelo ao CARF (fls. 105/148), a recorrente replica em síntese, os argumentos da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. PRELIMINAR Nulidade Inicialmente alega o recorrente nulidade do acórdão recorrido visto que no seu entender o julgamento foi genérico com fundamentação insuficiente quanto aos item analisados. Ocorre que o Recurso Voluntário inovou nesse ponto, pois não houve alegação nesse sentido na Manifestação de Inconformidade, ocorrendo, assim, a preclusão. Nesse mesmo sentido foi o julgado n.º 3201-006.370, vejamos: - Preliminar - Da ausência de fundamentação para a glosa de créditos com base em relatórios de Centro de Custos Trata-se de inovação recursal. A Recorrente não trouxe tal alegação em sede de Manifestação de Inconformidade. A pretensão da Recorrente é reabrir matéria preclusa, o que é rejeitado pelo ordenamento processual civil em vigor, e rechaçado pelo Código de Processo Administrativo Fiscal de que trata o Decreto 70.235 de 1972, cujos arts. 16 e 17 assim prescrevem, verbis. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Significa dizer que as matérias objeto do despacho decisório que não foram contestadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade são consideradas como não impugnadas pelo acórdão recorrido e, em virtude da preclusão consumativa, tornaram- se definitivas na esfera do processo administrativo fiscal tributário. Assim, voto por rejeitar a preliminar suscitada. Diligência Ademais, a recorrente requer que seja realizada diligência e/ou perícia, ocorre que no caso dos autos, tal medida mostra-se desnecessária e ainda intempestiva, visto que na fase em que o processo se encontra, caso carecesse de parecer técnico, este deveria ter sido requerido no momento que apresentou a impugnação. Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 Dispõe o caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Resta claro, portanto, que o requerimento deveria ter sido direcionado ao julgador de primeira instância. Contudo, cabe ainda acrescentar que em processos como o presente, este tem sido o entendimento adotado por esta Turma de Julgamento, conforme decisão a seguir ementada: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.” (Processo nº 10880.653302/2016-46; Acórdão nº 3201-004.221; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 25/09/2018) Aliás, decisão semelhante foi adotada também no acórdão acima citado de nº. 3201-006.370. Nesse sentido, rejeito a preliminar de nulidade e o pedido de diligência, pelos motivos acima expostos. MÉRITO I - Do conceito de insumos Inicialmente, importa destacar que, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do conceito mais amplo de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda, posto que o judiciário também tem entendido que cabe a relativização do conceito de insumos analisando caso a caso, conforme veremos. Nesse sentido o conceito de insumos, no âmbito do PIS/PASEP e COFINS, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e Fl. 209DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de PIS/PASEP e da COFINS por inequívoca previsão normativa: das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o tema é importante destacar os ensinamentos de Marco Aurélio Greco com o seguinte posicionamento: "Por outro lado, nas contribuições, o §11 do artigo 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da não cumulatividade o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o crédito ao montante cobrado anteriormente. Vale dizer, a não cumulatividade regulada pelas Leis não tem o mesmo perfil da pertinente ao IPI, pois a integração exigida é mais funcional do que apenas física. Assim, por exemplo, no âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante do que poderá, ou não, ser considerado "insumo". Por outro lado, no âmbito de PIS/COFINS a referência explícita é a "produção ou fabricação", vale dizer às ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a partir deste referencial deverá ser identificado o universo de bens e serviços reputados seus respectivos insumos. Por isso, é indispensável ter em mente que, no âmbito tributário, o termo "insumo" não tem um sentido único; a sua amplitude e seu significado são definidos pelo contexto em que o termo é utilizado, pelas balizas jurídico normativas a aplicar no âmbito de determinado imposto ou contribuição, e as conclusões pertinentes a um, não são automaticamente transplantáveis para outro. (...) No caso, estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a receita ou o faturamento, portanto, sua não cumulatividade deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função deles (receita/faturamento). Enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos a ele relativos, o processo formativo da receita ou do faturamento aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, por mais de urna razão, o universo de elementos captáveis pela não-cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo que o do IPI." 1 A jurisprudência majoritária do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular o conceito de insumos à relação de pertinência ou inerência da despesa incorrida com o limite espaço- temporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Tal matéria foi levada ao poder judiciário e, em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), vejamos a decisão: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de Insumo à luz da legislação de PIS/COI1NS. Revista I Fórum de Direito Tributário, v. 34, jul./ago. 2008. Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Conforme se verifica, o STJ relativizou o conceito, atribuindo a análise do caso concreto a responsabilidade por decidir a essencialidade e a relevância, afastando, desse modo, aquele conceito restritivo de insumos enunciado pelas IN´s nº 247/2002 e 404/2004. Assim, o STJ assimilou uma concepção de insumos que é intermediária, distinta daquelas albergadas pela legislação do IPI e do Imposto de Renda. O conceito formulado pelo STJ, baseado na essencialidade e relevância é de grande abrangência e não esta vinculado a conceitos contábeis (custos, despesas, imobilizado, intangíveis e etc), de forma que a modalidade de creditamento sobre a aquisição de insumos deve ser vista como regra geral de apuração de créditos para as atividades de produção de bens e de prestação de serviços, sem prejuízo das demais hipóteses previstas em lei. Entendo que andou bem o STJ, em especial da leitura de seu voto condutor, que de forma clara determina a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Sendo de relevante importância a fase instrutória do processo administrativo. Feitas tais ponderações e esclarecido o posicionamento desta relatoria, passamos a analisar o caso concreto posto em julgamento, que já foi submetido a análise minuciosa do Ilustre Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, em Sessão realizada em 18/12/2019, em processo análogo, havendo eventuais divergências apenas na numeração de itens e ordem, contudo, na essência a matéria é a mesma do acórdão n.º 3201-006.369, que adoto como razões de decidir, vejamos: Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 Em breve síntese a decisão recorrida, em relação aos bens e serviços utilizados como insumos aplicou o entendimento restritivo contido no art. 8º, §4º da IN 404/2004 e no §5º do art. 66 da IN 247/2002. Segue a decisão, no que se refere a glosa das despesas incorridas com arrendamento agrícola e de máquinas e equipamentos, não há previsão na legislação que ampare o pleito da contribuinte o direito à apuração de créditos do PIS/Cofins – Não cumulativo só alcança as despesas de aluguéis de prédios (obviamente, utilizados nas atividades da empresa), no sentido estrito da palavra. (...) Tecidas tais considerações, passa-se à análise individualizada das glosas efetivadas, conforme tópicos da peça recursal. - Despesas com frete e armazenagem No tema, tem razão a Recorrente. As despesas incorridas com combustíveis não geram direito ao crédito somente quando digam respeito ao transporte de insumos, conforme decisão recorrida. Os dispêndios com combustíveis e lubrificantes abrangem outras situações aptas e gerar crédito de PIS e COFINS. Defende a Recorrente que é responsável por todo o processo produtivo, que inclui desde as preparações para o plantio, passando pelos processos de cultivo e colheita da cana, para somente então transportar a colheita até seu parque industrial. Afirma, que no caso do transporte de mão-de-obra, é manifesta a sua essencialidade em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização, além de ser necessária a fiscalização in locu com diligências diárias aos fundos agrícolas. Que nestes transportes são consumidos gasolina, álcool ou óleo diesel. Com relação aos custos incorridos com combustíveis empregados na lavoura canavieira e utilizados no processo produtivo, entendo que conferem o direito de crédito à Recorrente. Neste sentido, comungo com o precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a seguir reproduzido: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 31/03/2005 CUSTOS/DESPESAS. LAVOURA CANAVIEIRA. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com a lavoura canavieira incorridos com as oficinas, tais como: combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas de serviços de limpeza operativa, de serviços auxiliares, de serviços elétricos, de caldeiraria e de serviços mecânicos e automotivos para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da cana-de-açúcar; materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. (...)” (Processo nº 13888.001244/2005-36; Acórdão nº 9303-008.304; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 20/03/2019) Fl. 212DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 De igual modo, considerando a peculiaridade das atividades da empresa, há direito ao crédito em relação ao gastos com combustíveis para o transporte de trabalhadores (mão- de-obra) e para fiscalização dos fundos agrícolas, por serem atividades necessárias e indispensáveis ao processo produtivo da Recorrente. Este é o entendimento que vem sendo adotado pelo CARF: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Exercício: 2010 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR) (...) CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE PESSOAS. Geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados no transporte de trabalhadores e de produtos acabados.” (Processo nº 10880.723861/2013-88; Acórdão nº 3302-006.737; Relator Conselheiro Raphael Madeira Abad; sessão de 27/03/2019) Ainda, do decidido no processo nº 10880.733462/2011-63 (Acórdão nº 3302-005.844, sessão de 25/09/2018) tem-se que fora reconhecido o direito ao crédito sobre “Combustíveis e lubrificantes utilizados em transporte de insumos, máquinas, transporte de trabalhadores dentro da unidade fabril.” Em relação ao transporte da produção para a exportação diz a Recorrente que não há diferença entre o transporte na aquisição de insumos, na colocação do produto acabado no estabelecimento vendedor ou na remessa para exportação, pois são gastos inerentes a produção e que o ciclo de produção somente se encerra quando o produto é colocado efetivamente para venda no estabelecimento vendedor da empresa, o que abrange o transporte do produto para exportação. Procede o argumento recursal. Para tanto, transcrevo o entendimento firmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. DIREITO AO CRÉDITO. Para fins de constituição de crédito da COFINS pela sistemática não cumulativa, deve-se analisar se determinado bem ou serviço prestado caracteriza-se como insumo. Para tanto, torna-se imperativo verificar a sua pertinência e essencialidade ao processo produtivo e atividade do sujeito passivo. O que, por conseguinte, no caso vertente, resta concluir pela possibilidade de o sujeito passivo constituir créditos da Cofins não cumulativa sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos da empresa no transporte de matéria prima dos frigoríficos para a indústria e desta, após a Fl. 213DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 industrialização para seus compradores e portos onde serão exportados, por serem tais serviços de transporte essenciais para a produção e atividade do sujeito passivo - industrialização e exportação.” (Processo nº 16366.000604/2006-41; Acórdão nº 9303-004.623; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 26/01/2017) Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso no tópico para reverter as glosas sobre combustíveis no transporte de trabalhadores (mão-de-obra) dentro das lavouras e da unidade fabril e os incorridos na fase comercial. Com relação aos gastos logísticos deve-se trazer como referência, o contido no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002 o qual apresenta a seguinte redação: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Compreendo que tais despesas podem ser enquadradas como despesas de logística e mesmo na venda geram direito ao crédito. Neste sentido fundamento com decisão desta Turma, em composição distinta da atual, proferida por maioria de votos e ementada nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) DESPESAS PORTUÁRIAS. FRETES. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Os gastos logísticos na aquisição de insumos geram direito ao crédito, como componentes do custo de aquisição. Tendo em vista o Resp 1.221.170/PR, os gastos logísticos essenciais e/ou relevantes à produção dão direito ao crédito. Incluem-se no contexto da produção os dispêndios logísticos na movimentação interna ou entre estabelecimento da mesma empresa. Os gastos logísticos na operação de venda também geram o direito de crédito, conforme inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002.” (Processo nº 10880.953117/2013-14; Acórdão nº 3201-004.164; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Redator designado Marcelo Giovani Vieira; sessão de 28/08/2018) Do voto transcrevo: “No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo Fl. 214DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos, tais como que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. Em complemento, novamente, sirvo-me do recente entendimento firmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9303-008.304: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 31/03/2005 CUSTOS/DESPESAS. LAVOURA CANAVIEIRA. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. (...) DESPESAS. OPERAÇÕES PORTUÁRIAS E DE ESTADIA. EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas portuárias e de estadia, nas operações de exportação de produtos para o exterior, constituem despesas na operação de venda e, portanto, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. (...)” (Processo nº 13888.001244/2005-36; Acórdão nº 9303-008.304; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 20/03/2019) Desta Turma de Julgamento, em recente julgado, em processo relatado pelo Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo decidiu em reverter as glosas aqui em debate, conforme consignado no resultado do julgamento, in verbis: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter a glosa sobre os gastos com: a) Pallets; b) Repaletização, c) Materiais e Serviços de Limpeza, d) Outros insumos e serviços, e) Serviços Realizados por "Operador Logístico", f) Indumentária e Itens de Uso Obrigatório, g) lnsumos-Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos, e h) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda. E, finalmente, reconhecer a aplicação do percentual de 60%, para determinar o valor do crédito presumido, considerada a natureza do produto resultante da atividade agroindustrial e não a natureza dos insumos empregados, vedado, porém, o ressarcimento.” (Processo nº 10983.911359/2011-11; Acórdão nº 3201-005.563; sessão de 21/08/2019) Desse modo, voto no sentido de que as glosas em relação aos dispêndios de transporte vinculado às suas atividades produtivas, seja mediante o transporte de mão-de-obra nas áreas agrícolas, seja mediante o transporte de produtos para exportação, assim como as despesas portuárias de armazenagem e acondicionamento de mercadorias sejam revertidas. - Bens e serviços adquiridos de pessoas físicas Defende a Recorrente que não merece subsistir a glosa realizada com relação aos créditos de COFINS aproveitados sobre custos relacionados a insumos e serviços adquiridos de pessoas físicas, pois não há como se diferenciar os insumos adquiridos de pessoas físicas dos adquiridos das pessoas jurídicas. Improcede o pleito recursal. Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 O inc. I, do § 3º, do art. 3º da Lei nº 10.833/03 somente autoriza a tomada do crédito em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, in verbis: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 3o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;” A questão é pacífica no CARF, conforme precedentes a seguir colacionados: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Exercício: 2009 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) COMBUSTÍVEL. LENHA. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. É vedada a apropriação de créditos sobre aquisições de combustível (lenha) efetuadas de pessoas físicas. (...)” (Processo nº 18088.720021/2014-00; Acórdão nº 3402-006.680; Relatora Conselheira Cynthia Elena de Campos; sessão de 17/06/2019) “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMO. ALCANCE. (...) INSUMOS. COMBUSTÍVEIS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de lenha/bagaço para emprego como combustíveis, na condição de insumo, quando efetuadas de pessoas físicas não garantem o direito de crédito (art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833/03), porquanto não sujeitas tais vendas à incidência das contribuições não cumulativas. (Processo nº 10880.941561/2012- 06; Acórdão nº 3401-004.400; Relator Conselheiro Robson José Bayerl; sessão de 28/02/2018) Desta Turma de Julgamento, processo de relatoria do Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/11/2011 a 31/12/2013PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA FÍSICA. VEDAÇÃO A CRÉDITO. A alegação de que as pessoas físicas prestadoras de serviços são titulares de micro empresas optantes pela sistemática de tributação simplificada não afasta a glosa do correspondente crédito, sobretudo se não apresentada documentação comprobatória como nota fiscal emitida por pessoa jurídica relativa aos dispêndios questionados e se não demonstrado tratar-se de serviços passíveis de se caracterizarem como insumos previstos nas Leis 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003.” (Processo nº 10865.722883/2016-61; Acórdão nº 3201-004.270; Relator Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo; sessão de 27/09/2018) Assim, é de se negar provimento ao recurso na matéria. - Despesas agrícolas e arrendamento agrícola Em relação ao tema, a decisão recorrida valeu-se de uma interpretação restritiva, conforme a seguir consignado: “Novamente, em que pesem os argumentos apresentados no recurso, tenho que a espécie não comporta a amplitude de interpretação pretendida pela recorrente. É que, como é de ampla sabença, as normas que criam direitos em matéria tributária devem ser interpretadas de forma restritiva. Isto porque tais direitos implicam, em última análise, em renúncia fiscal a favor de uns em detrimento do interesse público da arrecadação de tributos. Nesse sentido, penso que ao intérprete/aplicador destas normas não é dado o direito de ampliar o alcance dos benefícios criados pelo legislador ordinário, sob pena de estendê-los a quem ele não quis alcançar, mormente quando se trata de autoridade administrativa. Assim, o direito à apuração de créditos do PIS/Cofins – Não cumulativo só alcança as despesas de aluguéis de prédios (obviamente, utilizados nas atividades da empresa), no sentido estrito da palavra.” Esta Turma de Julgamento, já decidiu que o arrendamento rural, dá direito ao crédito, quando o arrendador for pessoa jurídica, conforme decisão a seguir reproduzida: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. (...)” (Processo nº 10880.953117/2013-14; Acórdão nº 3201-004.164; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 28/08/2018) Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, colaciono os seguintes precedentes: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 COFINS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E PERTINÊNCIA AO PROCESSO PRODUTIVO. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não-cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. No caso, deve ser mantido o acórdão recorrido no reconhecimento dos créditos de COFINS sobre as despesas com: cultivo da cana de açúcar; armazenagem; e com manutenção. Além disso, também deve ser reconhecido o direito ao crédito com as despesas incorridas com o arrendamento rural, com base no inc. IV do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003. (...)” (Processo nº 13888.001431/2005-10; Acórdão nº 9303-009.286; Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; sessão de 13/08/2019) (grifo nosso) “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 31/03/2005 (...) DESPESAS/CUSTOS. ARRENDAMENTO. TERRA. PESSOA JURÍDICA. PRODUÇÃO. MATÉRIA-PRIMA. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com arrendamento rural de terras, de pessoas jurídicas, para produção da matéria-prima destinada à produção/fabricação dos produtos, objetos da atividade econômica explorada pelo contribuinte, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor.” (Processo nº 13888.001244/2005-36; Acórdão nº 9303-008.304; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 20/03/2019) Pelo teor da decisão recorrida, o direito não foi negado pelo fato de o arrendador não ser pessoa jurídica, nem pelo fato de o imóvel não ter sido utilizado na atividade da empresa, mas sim pela adoção de uma interpretação restritiva, conforme já mencionado. Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 Assim, é de se dar provimento ao tópico recursal. - Despesas de empresa comercial exportadora No que se refere a tal tópico, consta da decisão recorrida: “O interessado contestou a glosa relativa às despesas de exportação suportadas na condição de comercial exportadora, alegando que o art. 6º, § 4º da Lei nº 10.833/2003 veda apenas a apuração de créditos vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação, e que hipótese distinta decorre das despesas e encargos da operação de exportação suportados pela empresa comercial exportadora, em atenção ao princípio da não cumulatividade da Cofins, e que geram direito à crédito. Dispõe o referido dispositivo: Art. 6º... § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. A leitura do dispositivo mostra que a vedação expressa, é referente à apuração de créditos vinculados à receita de exportação e não tão somente à aquisição de mercadorias, como alegado. Portanto, não prospera a alegação do interessado.” Por sua vez, a Recorrente defende que deveria ter sido mantido o crédito apropriado em relação às despesas incorridas na exportação e efetivamente por ela suportadas, na qualidade de empresa comercial exportadora. No tópico, a decisão recorrida deve ser reformada. A legislação de modo expresso veda para a empresa comercial exportadora a apuração de créditos vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação. Preceitua o texto legal: “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (....) III - nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Tem-se, portanto, que a legislação veda a tomada de créditos quando a empresa comercial exportadora tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação e não as despesas, como, por exemplo, de armazenagem ou frete. Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-009.167 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.000600/2005-02 Pelas considerações já postas nos tópicos anteriores, as despesas incorridas com a exportação garantem o direito ao crédito à Recorrente. Assim, voto por dar provimento ao recurso no tópico. A recorrente inclui ainda em seu recurso um tópico sobre a Improcedência do processo de cobrança correlato em razão da inexistência de débito a ser exigido do contribuinte e da Ilegítima incidência dos juros e multa de mora sobre débitos de estimativa de IRPJ. Ocorre que essas matérias são estranhas aos autos e sequer arguidas em sede de Manifestação de Inconformidade e por essa razão deixo de apreciá-las. Diante do exposto, rejeito as preliminares e voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para reverter a glosa em relação aos gastos incorridos com (i) transporte vinculado às suas atividades produtivas, seja mediante o transporte de mão-de-obra nas áreas agrícolas, seja mediante o transporte de produtos para exportação, assim como as despesas portuárias de armazenagem e acondicionamento de mercadorias, inclusive vinculadas a exportação, e (ii) despesas com arrendamento agrícola. É o meu entendimento. (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13807.728002/2017-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2018
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. PENDÊNCIA FISCAL. DÉBITO EM ABERTO CUJA EXIGIBILIDADE NÃO SE ENCONTRA SUSPENSA. ADE. NECESSIDADE DE PROVA DA REGULARIZAÇÃO NO PRAZO.
Não comprovado nos autos a regularização dos débitos constantes do Ato Declaratório Executivo de exclusão, nem tampouco que estes se encontrariam com a sua exigibilidade suspensa, é imperioso a exclusão do contribuinte do regime simplificado.
Numero da decisão: 1301-005.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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EXCLUSÃO DE OFÍCIO. PENDÊNCIA FISCAL. DÉBITO EM ABERTO CUJA EXIGIBILIDADE NÃO SE ENCONTRA SUSPENSA. ADE. NECESSIDADE DE PROVA DA REGULARIZAÇÃO NO PRAZO. Não comprovado nos autos a regularização dos débitos constantes do Ato Declaratório Executivo de exclusão, nem tampouco que estes se encontrariam com a sua exigibilidade suspensa, é imperioso a exclusão do contribuinte do regime simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 72 80 02 /2 01 7- 80 Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.639 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13807.728002/2017-80 Relatório Por bem sintetizar os fatos, reproduz-se em um primeiro momento o relatório constante do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (“DRJ/RJO”): Trata-se de Ato Declaratório Executivo-ADE, de exclusão do Simples Nacional a partir de 01.01.2018: 2 O ADE relaciona os débitos que deram causa à exclusão: Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.639 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13807.728002/2017-80 3 O interessado tomou ciência do ADE em 09.10.2017: 4 Em petição protocolada em 08.11.2017 (e-fls.2/7), com a qual vieram os documentos de e-fls.8/26, o interessado diz que o débito se deu em face da crise que acomete o país, mas que, hoje, contudo, há a possibilidade da exclusão dos débitos, através da compensação: Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.639 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13807.728002/2017-80 5 Encerra pedindo seja deferida a compensação, com o subsequente cancelamento dos débitos fiscais: 6 A Equipe Regional de Inclusão e Exclusão do Simples Nacional da 8ª RF proferiu despacho às e-fls.24, concluindo que o interessado não regularizou os débitos até 08.11.2017: 7 Nesta Turma, foram juntadas as consultas às e-fls.35/40. Relatados. Em sessão de 28/02/2019, a DRJ/RJO julgou improcedente a defesa do contribuinte. Nos fundamentos do acórdão recorrido (fls. 54/55 do e-processo): 12 O interessado tomou ciência do ADE em 09.10.2017 (nosso item 3). Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-005.639 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13807.728002/2017-80 13 Desse modo, para permanecer no Simples Nacional, o interessado deveria ter regularizado os débitos que deram causa ao ADE até 08.11.2017. 14 A consulta-Sivex informa que todos os débitos motivadores do ADE não foram regularizados (e-fls.38) [...] [...] 15 Tal está conforme o despacho da DRF (nosso item 6), no qual se lê que todos os débitos que deram causa ao ADE não foram regularizados, dentro do sobredito prazo legal. 16 O interessado não alega que regularizou os débitos. Limita-se a pedir que seja deferida compensação. 17 No entanto, a compensação é procedimento que obedece a rito próprio, mediante utilização do programa gerador de Declaração de Compensação – Dcomp (PGDPER/ DCOMP). Além disso, esta DRJ não detém competência sobre a matéria, que é atribuição a cargo da DRF. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual requer inicialmente que as intimações sejam realizadas em nome de seu patrono. No mérito, pleiteia que lhe seja conferida a oportunidade de regularizar suas pendências por meio da compensação. Em suas próprias palavras (fls. 57/59 do e-processo): [...] como podemos falar da existência de débito e falta de seu regularização até a data de 08.11.2017 sendo que foi protocolizado a impugnação tempestiva e oferecido como forma de Compensação aos Créditos Tributários. 09 – O presente ADE em seu artigo 05ª, Parágrafo Único é clara quanto à apresentação de impugnação tempestiva, a exclusão só terá efeito quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, ou seja, como pode se imputar a exclusão da referida empresa se a r. sentença ainda não transitou em julgado. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator. Tempestividade Como se denota dos autos, o contribuinte tomou ciência acórdão recorrido em 15/07/2019 (fls. 81 do e-processo), apresentando o recurso voluntário, ora analisado, no dia 26/07/2019 (fls. 53 do e-processo), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-005.639 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13807.728002/2017-80 Portanto, é tempestiva a defesa apresentada e, por isso, deve ser analisada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Mérito Como visto pelo breve relato do caso, o contribuinte foi excluído do Simples Nacional por meio do ADE nº 2.990.961/2017, cuja ciência aconteceu na data de 09/10/2017, em razão da identificação dos seguintes débitos em aberto (fls. 29 do e-processo): A DRJ/RJO ao analisar a situação, confirmou a ausência de regularização dos débitos no prazo estipulado pela legislação, mantendo assim o ato de exclusão. O contribuinte insiste em seu recurso voluntário que teria solicitado ainda em sua primeira manifestação nos autos, em 08/11/2017, a quitação e extinção dos débitos por meio da compensação, consoante previsão do artigo 156 do Código Tributário Nacional. Afirma ainda o contribuinte que o próprio ADE em seu artigo 5º adverte para o fato de que a apresentação de impugnação tempestiva suspende a exclusão até decisão definitiva desfavorável. Com efeito, o contribuinte tem razão ao concluir que a apresentação da impugnação tempestiva suspende a exclusão do Simples Nacional até o seu julgamento administrativo definitivo. Todavia, não é isso que se encontra em discussão no presente, posto que o cerne da questão é se a hipótese de exclusão ainda persiste. Em outras palavras, se o contribuinte regularizou seus débitos no prazo estipulado pela legislação. Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-005.639 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13807.728002/2017-80 Por este aspecto, convém esclarecer que ao contrário do que alegado pelo contribuinte em sua defesa, o prazo para regularização e consequentemente para manutenção da permanência no regime é de trinta contados da ciência do ADE. A Lei Complementar nº 123/2006 é clara ao estipular em seu artigo 31, §2º que o contribuinte poderá permanecer no regime caso regularize suas pendências no referido prazo, veja-se: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: IV - na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do ano-calendário subsequente ao da ciência da comunicação da exclusão;(...) § 2º Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Na hipótese de o contribuinte apresentar impugnação ao ato de exclusão, inexiste dispositivo legal prevendo a extensão desse prazo de regularização. Quer dizer, a impugnação não tem o condão de conferir mais prazo ao contribuinte que pretende regularizar o seu débito, devendo ser apresenta tão somente na hipótese em que o contribuinte não concorda com o motivo da exclusão, como na hipótese de os débitos serem inexistentes, por exemplo. Assim, tendo em vista que o contribuinte não regularizou suas pendências no prazo estipulado, há de ser mantida a sua exclusão. Por fim, no que se refere ao pedido de intimação do patrono dos atos processuais, convém esclarecer que nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, as intimações no âmbito do processo administrativo fiscal são efetuadas pessoalmente ao contribuinte interessado, e não ao patrono da parte. Trata-se de matéria inclusive sumulada, como se nota pela redação da Súmula CARF nº 110, cujo os efeitos inclusive são vinculantes, veja-se: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-005.639 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13807.728002/2017-80 Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15374.966013/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.456
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas:
a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil;
b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido da contribuição do período de apuração deste processo;
c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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DIREITOS AUTORAIS. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente UNIVERSAL MUSIC PUBLISHING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas: a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil; b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido da contribuição do período de apuração deste processo; c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de tributo por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito para compensar débito de outro tributo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 66 01 3/ 20 09 -1 9 Fl. 530DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 3 2 A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico, no qual a Delegacia de origem, após constatar a improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, não reconheceu o valor do crédito pretendido e decidiu NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada. Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando que: '(...) se dedica, dentre outros, à edição de obras líteromusicais, literárias ou técnicas, a subedição e a representação de produção musicais, literárias ou técnicas estrangeiras, a produção, a comercialização, a importação e a exportação de fonogramas, produção e direção, montagem e promoção de espetáculos de arte o "management de artistas, serviços e fabricação de discos, fitas, jinglês, trilhas, filmes publicitários, a prestação de serviços de na área musical, com locação de equipamentos, estúdio de gravação e outros serviços inerentes previstos nos objetivos da sociedade, além de poder participar de outras empresas, podendo também dedicar se a atividades congêneres necessárias ou úteis ao desenvolvimento de seu objetivo. (...) Consoante autorizado pela Lei n° 9.430/96 e pela Instrução Normativa RFB n° 900/2008, a Impugnante se utiliza do procedimento de compensação para quitar alguns dos seus débitos fiscais, tal como feito através da presente PER/DCOMP anexada (doe. 02). A despeito da correção com a qual esse procedimento é implementado, a Impugnante foi surpreendida com o recebimento de Despacho Decisório que não homologou a declaração de compensação em referência (...) (...) quando da entrega das suas declarações referentes ao período de apuração vinculado ao mencionado DARF, a Impugnante, efetivamente, acreditava que o seu respectivo débito tributário equivalia àquele montante pago (Doc. 4 DCTF Original). No entanto, em momento posterior, a Impugnante observou que, quando da apuração do seu débito fiscal, não havia se aproveitado, nos termos do artigo 3º , inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, dos créditos decorrentes das despesas: (/) com o pagamento de royalties decorrentes da cessão de direitos autorais e (//) com o custo de gravação; despesas estas enquadradas no rol de "insumos", no que tange a indústria fonográfica (Doc. 5 Planilha com Resumo dos Créditos) (...) procedeu à revisão da sua escrita fiscal e, tendo apurado um valor devido menor que o então recolhido, se utilizou do crédito daí resultante para fins de proceder com a presente compensação (Doc. 6 — DCTF do período de apuração do crédito exigido). Para melhor ilustrar as alegações de direito a crédito de PIS e COFINS, vejamos a tabela abaixo com o resumo dos créditos utilizados pela Impugnante. Note se que no valor devido já foram considerados os créditos decorrentes do pagamento de direitos autorais e custo de gravação (Doc. 05). (...) Suas declarações, inclusive, já foram retificadas, para melhor demonstrar com exatidão a situação acima (Doc. 7 DCTF Retificadora). Com efeito, conforme se pode observar da DACON original e retificadora, nota se que a primeira indicava um saldo a pagar maior que na segunda. A diferença entre ambas corresponde ao valor que foi utilizado como crédito declarado na presente PER/DCOMP (Docs. 8 e 9 DACON original e retifícadora). Aliás, é importante ressaltar que o crédito apurado pela Impugnante em sua DACON é ainda maior que aquele que foi utilizado nesta compensação. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 4 3 O mesmo se pode observar a partir das anexas DCTFs originais e retificadoras já mencionadas. Frisese somente que o sistema da Receita Federal do Brasil não aceitou a transmissão de algumas declarações retificadoras feitas pela Impugnante (a maioria do ano de 2004/2005). Desta forma, a Impugnante salvouas em arquivo digital e desde já requer que sejam aceitas e consideradas transmitidas as declarações retificadoras da Impugnante anexadas à presente Manifestação de Inconformidade através de arquivo digital (Doc. 10) Não obstante as declarações da Impugnante já serem suficientes para evidenciar a existência de crédito tributário suficiente para extinguir o débito em debate, a seguir, passase a demonstrar a legitimidade dos créditos escriturais aproveitados, bem como as razões de direito que justificam a total improcedência deste lançamento. III DOS CRÉDITOS ESCRITURAIS APROVEITADOS (...) Desta forma, tornase claro o entendimento de que todo e qualquer pagamento a título de direitos autorais pagos pela indústria fonográfica, tanto no âmbito nacional como àqueles efetuados para o exterior, desde que sujeito à incidência do PIS/COFINS, gerará direito ao crédito das referidas contribuições. IV DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL (...) Em se tratando de matéria de fato, é mister que a mesma seja dirimida através de prova pericial, a qual possui sua previsão legal no artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72,(...) Independentemente da análise dos quesitos formulados acima, a Impugnante, novamente, esclarece que na presente data está apresentando 25 Manifestações de Inconformidades, as quais se referem a compensações efetuadas entre o ano de 2006 e 2009. Destarte, para fins de se conseguir levantar e organizar toda a documentação que, possivelmente, esse i. Órgão possa entender como necessária à análise do seu direito creditório, a Impugnante teria que fazêlo em menos de 30 dias contados da sua intimação, na medida em que, como se sabe, é preciso tempo hábil também para se elaborar o cabível recurso. Acresçase a essa observação o fato de que os Despachos Decisórios em comento foram gerados eletronicamente, de modo que, ao contrário do que ocorre em uma fiscalização pessoal, a Impugnante sequer poderia esperar ser pega tão de surpresa. Evidentemente, estamos diante da hipótese excepcional constante no artigo 16,§ 4o , "a", do Decreto n° 70.235/72,(...) Apesar de acreditar que os documentos ora anexados sejam suficientes para demonstrar a procedência do seu direito, a Impugnante não quer correr o risco de ter prejudicado a análise dos seus argumentos de defesa com base em uma possível alegação de deficiência probatória. Assim, também com base nos princípios da verdade material, moralidade, eficiência, devido processo legal e ampla defesa administrativa, desde já, requer a Impugnante o deferimento da posterior juntada de cópia do seu Livro Diário, bem como dos documentos que deram origem aos seus respectivos lançamentos. Uma vez juntados aos autos essa documentação, em complementação aos quesitos acima, fazse necessário os seguintes esclarecimentos (...) Fl. 532DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 5 4 (...) Em conformidade com o exposto, respeitosamente, requer a Impugnante o conhecimento e provimento da presente Manifestação de Inconformidade, para o fim de reformar o r. despacho decisório em debate, reconhecendose a existência de crédito suficiente para quitar o débito declarado na PER/DCOMP em comento, extinguindoo completamente, como de direito. A Impugnante requer, ainda, respeitosamente, o deferimento da prova pericial pleiteada, a fim de restarem respondidos todos os quesitos regularmente formulados, bem como o deferimento da posterior juntada de seu Livro Diário e demais documentos que legitimam a sua correta escrituração. Também requer que sejam aceitas e consideradas transmitidas as declarações retificadoras da Impugnante anexadas à presente Manifestação de Inconformidade através de arquivo digital (Doc. 10). Não obstante, a Impugnante também protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, bem como pela posterior formulação de quesitos suplementares. Por derradeiro, requer que todas as intimações relacionadas ao presente feito sejam realizadas em nome dos seus patronos Márcio Calvet Neves (OAB/RJ n° 96.601) e Fernanda Berendt (OAB/RJ n° 118.709), ambos com escritório na Avenida Presidente Wilson, n° 231, 23°, andar, Centro, Rio de Janeiro RJ.' " A DRJ em Juiz de Fora julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09052.525. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que trouxe, além dos argumentos constantes da manifestação de inconformidade, o de que, nos termos do art. 3° da Lei n° 9.610/98 "os direitos autorais reputamse, para fins legais, bens móveis". E, uma vez equiparado à locação de bem móvel, haveria direito ao creditamento de que trata as legislações do PIS e da COFINS inciso IV do art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, que admite o cálculo dos créditos sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". E adicionou documentos, até então não apresentados, tais como: razão contábil, comprovantes de pagamento, demonstrativos de cálculo e declarações originais e retificadoras. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.440, de 25 de julho de 2017, proferida no julgamento do processo 15374.965994/200987, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.440): "O recurso preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 6 5 DOS FATOS Tratase da DCOMP eletrônica nº 03155.41847.200208.1.3.047893, transmitida com objetivo de liquidar débitos tributários federais com crédito de COFINS do período de apuração de agosto de 2004, no montante de R$ 47.881,77, proveniente de pagamento indevido ou a maior. A DCOMP não foi homologada. No Despacho Decisório Eletrônico (fl. 49), consta que o DARF apontado na DCOMP já teria sido utilizado para quitar outro débito tributário. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, o contribuinte assim se apresenta: Prossegue, informando ter se equivocado na apuração do valor da COFINS a pagar, pois se esquecera de calcular créditos sobre i) royalties pagos pela cessão de direitos autorais e ii) custos com gravação, sendo ambos insumos necessário à obtenção dos produtos que comercializa. Ao tratar da matéria de direito, o contribuinte sustentou que a RFB já havia admitido que geram créditos os pagamentos direitos autorais a pessoas jurídicas estrangeiras ou nacionais, desde que tenham sido submetidos às incidências das contribuições (Solução de Consulta n° 33/05). O fundamento deste posicionamento estaria no inciso II do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10;833/03 (dispositivo que admite os créditos sobre insumos aplicados na produção de bens ou serviços). E na Lei n° 10.865/04, que trata do PIS/COFINS Importação e que, especificamente no § 6° do art. 15, permite o registro de créditos relativos a direitos autorais pagos a pessoas jurídicas não residentes no País. No recurso voluntário, além do exposto nos parágrafos anteriores, aduziu que o art. 3° da Lei n° 9.610/98 dispõe que "os direitos autorais reputamse, para fins legais, bens móveis". Isto posto, a cessão onerosa dos direitos autorais equipararseia à locação de bens móveis. Neste sentido, cita decisão proferida pela 8° Turma do TRF 1° Região (AC 200138000064868), em 14/05/2010. E, uma vez equiparado à locação de bem móvel, haveria direito ao creditamento de que trata as legislações do PIS e da COFINS inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que admitem o cálculo dos créditos sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". Neste sentido, cita a sentença proferida nos autos do processo n° 002167950.2012.4.03.6100, de 26/03/2013. Com a manifestação de inconformidade, além de outros documentos, a recorrente trouxe aos autos DCTF e PER/DCOMP Retificadores, não aceitas pelo sistema da RFB, DACON Retificador e lista de pagamentos de direitos autorais e custos com gravação. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 7 6 No recurso voluntário, carreou cópias de comprovantes de pagamentos de direitos autorais e de lançamentos no razão contábil e apresentou exemplo da correspondência entre estes elementos. Por outro lado, não foram apresentados comprovantes e registros contábeis concernentes aos gastos com gravação. Importante mencionar que, nas duas peças de defesa, a recorrente pleiteou a realização de perícia ou diligência, para exame dos documentos que comprovariam a legitimidade de seus créditos. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em razão da falta de comprovação da liquidez e certeza dos créditos (art. 170 do CTN). Citou a impossibilidade de reconhecer a legitimidade de declarações retificadoras não formalmente recepcionadas. E fulminou a peça de defesa com a seguinte conclusão: "Não constam do processo provas de que os supostos créditos: 1) decorrem de importações sujeitas aos pagamentos de PIS/Cofins – importação; 2) nem de que se reportam a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; 3) e nem de que são provenientes de direitos autorais pagos pela indústria fonográfica sujeitos ao pagamento do PIS/Cofins – importação. Reforcese que não foi apresentado pela manifestante uma única nota fiscal ou qualquer livro ou documento que suportasse suas alegações." Ademais, negou o pedido de perícia, pois, em primeiro lugar, julgou finda a fase de produção de provas (art. 16 do Decreto n° 70.235/72) e, em segundo, porque não havia "demanda técnica" para tanto, uma vez que não haviam sido apresentados comprovantes de pagamento e os correspondentes registros contábeis. A derradeira e importante informação é a de que, sobre os mesmos temas, outra turma do CARF proferiu cinquenta decisões desfavoráveis à recorrente, publicadas em fevereiro de 2015 (Acórdãos n° 3801003.611 e 3801003.592 a 640). Referiamse a diversos períodos de apuração dos anos de 2003 a 2006. Reproduzo a ementa e o dispositivo do Acórdão n° 3801003.611: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de Fl. 535DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 8 7 serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a, simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. Vencidos os Conselheiros, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Após vista de mesa, o julgamento foi realizado no dia 24 de julho no período matutino. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345." (g.n.) Das citadas decisões, cumpre destacar que: a) Pelo voto de qualidade, negaram direito a créditos sobre direitos autorais, com base na Solução de Divergência COSIT n° 14/11, que alterou o entendimento manifestado na SC n° 33/05, utilizada como argumento pelo contribuinte, e pacificou o entendimento no âmbito da RFB. Os conselheiros vencidos queriam a conversão em diligência, para apuração dos créditos. b) Admitiram gastos com a produção de obras fonográficas, cujos comprovantes haviam sido acostados ao processo. DO MÉRITO Trago proposta de conversão do julgamento em diligência, pelos motivos a seguir expostos. Não obstante, julgo imperioso aprofundarme na discussão do mérito, com o objetivo de demonstrar que há robustas razões de direito militando em favor da Fl. 536DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 9 8 recorrente, além do fato de ter trazido novos documentos aos autos, nesta etapa processual. Com efeito, cumpre mencionar que admito os documentos apresentados, em princípio, a destempo, em prestígio ao "Princípio da Verdade Material", que deriva "Princípio Constitucional da Legalidade". Além disto, há o fato, muito relevante, de outra turma ter negado a realização de diligência para validação dos créditos, justamente por não terem encontrado razões de mérito para tanto. De pronto consigno que não abordarei a questão relacionada à possibilidade de o contribuinte calcular créditos sobre gastos com gravação, pois, conforme acima informado, nenhuma comprovação ou explicação detalhada sobre sua natureza foi trazida aos autos. Assim, passo à análise dos pagamentos de royalties pela cessão de direitos autorais, iniciando por colacionar legislação, doutrina e decisões administrativas e judiciais os em que se fundamentam os argumentos favoráveis e desfavoráveis à tese sustentada pela recorrente. Legislação, doutrina e decisões administrativas e judiciais A Lei n° 9.610/98 rege os direitos autorais e dela devemos atentar para os seguintes dispositivos: Lei n° 9.610/98 "Art. 3º Os direitos autorais reputamse, para os efeitos legais, bens móveis. (. . .) Dos Direitos do Autor Capítulo I Disposições Preliminares Art. 22. Pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou. (. . .) Dos Direitos Patrimoniais do Autor e de sua Duração Art. 28. Cabe ao autor o direito exclusivo de utilizar, fruir e dispor da obra literária, artística ou científica. Art. 29. Depende de autorização prévia e expressa do autor a utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como: I a reprodução parcial ou integral; II a edição; III a adaptação, o arranjo musical e quaisquer outras transformações; IV a tradução para qualquer idioma; Fl. 537DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 10 9 V a inclusão em fonograma ou produção audiovisual; VI a distribuição, quando não intrínseca ao contrato firmado pelo autor com terceiros para uso ou exploração da obra; VII a distribuição para oferta de obras ou produções mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para percebêla em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, e nos casos em que o acesso às obras ou produções se faça por qualquer sistema que importe em pagamento pelo usuário; VIII a utilização, direta ou indireta, da obra literária, artística ou científica, mediante: a) representação, recitação ou declamação; b) execução musical; c) emprego de altofalante ou de sistemas análogos; d) radiodifusão sonora ou televisiva; e) captação de transmissão de radiodifusão em locais de freqüência coletiva; f) sonorização ambiental; g) a exibição audiovisual, cinematográfica ou por processo assemelhado; h) emprego de satélites artificiais; i) emprego de sistemas óticos, fios telefônicos ou não, cabos de qualquer tipo e meios de comunicação similares que venham a ser adotados; j) exposição de obras de artes plásticas e figurativas; IX a inclusão em base de dados, o armazenamento em computador, a microfilmagem e as demais formas de arquivamento do gênero; X quaisquer outras modalidades de utilização existentes ou que venham a ser inventadas. (. . .) Da Transferência dos Direitos de Autor Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: (. . .) Fl. 538DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 11 10 Art. 50. A cessão total ou parcial dos direitos de autor, que se fará sempre por escrito, presumese onerosa." (g.n.) Maria Helena Diniz, em sua obra "Dicionário Jurídico" (2° Ed. São Paulo: Saraiva, 2005), traz o seguinte conceito: "DIREITO AUTORAL. Direito Civil. Conjunto de prerrogativas de ordem não patrimonial (moral) e pecuniária que a lei reconhece a todo o criador de obras literárias, artísticas e científicas de alguma originalidade, no que diz respeito à sua paternidade e ulterior aproveitamento, por qualquer meio, durante toda a sua vida, ou aos seus sucessores, ou pelo prazo que ela fixar (Antônio Chaves)." No tocante ao cálculo de créditos de PIS e COFINS: a) os incisos II (insumos para produção industrial) e IV (locação de bens móveis) do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03; Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .)" b) inciso II e § 6° do art. 15 da Lei n° 10.865/04, que autoriza o registro de créditos de PIS/COFINS Importação incidentes sobre direitos autorais pagos a pessoas jurídicas não residentes no País; Lei n° 10.685/04 (PIS/COFINS Importação) "Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (. . .) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Fl. 539DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 12 11 (. . .) § 6o O disposto no inciso II do caput deste artigo alcança os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica desde que esses direitos tenham se sujeitado ao pagamento das contribuições de que trata esta Lei. (. . .)" (g.n.) c) a Solução de Divergência COSIT n° 14/11, na qual baseouse a turma do CARF que proferiu as citadas decisões desfavoráveis à recorrente no mesmo sentido, foi editada a Solução de Consulta n° 8 de 12 de abril de 2013; "SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 14 de 28 de Abril de 2011 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CRÉDITO. INSUMOS APLICADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DIREITOS AUTORAIS. IMPOSSIBILIDADE. Consideramse insumos, para fins de apuração de créditos da Cofins não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso de bens, para que estes possam ser considerados insumos, é necessário que sejam consumidos ou sofram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado ou sobre o bem ou produto que está sendo fabricado, o que não ocorre no caso dos direitos autorais. Por absoluta falta de amparo legal, os valores pagos em decorrência de contratos de cessão de direitos autorais, ainda que necessários para a edição e produção de livros, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins porque não se enquadram na definição de insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda" (g.n.) d) trecho da decisão judicial que equiparou a cessão onerosa de direitos autorais à locação de bens móveis (AC 200138000064868, proferido pela 8° Turma do TRF 1° Região, em 14/05/2010); e) trecho da sentença proferida nos autos do processo n° 0021679 50.2012.4.03.6100 (25° Vara Federal de São Paulo), em 26/03/13, que reconheceu o direito a créditos de PIS e COFINS sobre direitos autorais (foi reformada em segunda instância e objeto de interposição de recurso, o qual foi sobrestado até o trânsito em julgado de decisão no REsp 1.221.170/PR); "(. . .) A sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis nº 10.637/2002 (art. 3º) e 10.833/2003 (art. 10), confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido.O rol de Fl. 540DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 13 12 referidas leis estabelece, in verbis:"Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .)I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do 3o do art. 1o desta Lei (. . .); e b) nos 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (. . .); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (. . .); IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;..." Assim, tendo em vista que, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.610/98, "os direitos autorais reputamse, para os efeitos legais, bens móveis", os contratos de permissão de uso de direitos autorais firmado entre a autora e os autores das obras literárias que publica devem ser considerados locação de bem móvel e, portanto, poderão ser descontados por ocasião do cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, na forma do inciso IV acima transcrito." (g.n.) f) trecho do voto condutor do Acórdão CARF n° 3302003.342, de 24/08/16, que admitiu o registro de créditos de COFINS sobre direitos autorais, por considerálos como insumos e, por conseguinte, amparados pelo inciso II do art. 3° das Lei n° 10.637/02 e 10.833/03, reproduzido a letra "a", acima. "(. . .) No caso concreto, a produção dos bens pela Recorrente depende de autorização dos detentores dos direitos autorais, jamais poderia ela fabricar “CD” e “DVDs musicais, utilizar os encartes correlatos, sob licenciamento das detentoras dos direito autorais de tais obras. Tanto é assim, para exploração econômica em processo de reprodução (industrialização) e submetida a regime de controle de numero de exemplares, por essa razão a outorga do direito de uso configura matéria prima e essencial a atividade da Recorrente, sem a qual estaria fadada sucumbir, porque, a final se não adquirir, mesmo temporário, o bem, aqui o direito de uso, é certo que teria e terá a sua continuidade prejudicada por não ter como levar adiante o seu processo de produção. Também inexiste espaço para dizer que o direito autoral não é bem passível de alienação, e, de cessão onerosa e gratuita. Constatada cessão contratual de direitos autorais a título oneroso, fazem jus à contribuinte tomada de crédito gerado sobre os pagamentos ocorridos, descontado os créditos da Contribuição devida para o PIS/PASEP e a COFINS. (. . .)" Legitimidade dos créditos calculados sobre direitos autorais Conforme consta no relatório da decisão de primeira instância, a recorrente dedicase "à edição de obras líteromusicais, literárias ou técnicas, a subedição e a representação de produção musicais, literárias ou técnicas estrangeiras, a produção, a comercialização, a importação e a exportação de fonogramas, produção e direção, montagem e promoção de espetáculos de arte, o 'management de artistas, serviços e fabricação de discos, fitas, jinglês, trilhas, filmes Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 14 13 publicitários, a prestação de serviços de na área musical, com locação de equipamentos, estúdio de gravação e outros serviços inerentes'". De acordo com os acima reproduzidos dispositivos da Lei n° 9.610/98, o direito autoral é bem móvel, pertence ao autor e somente pode ser explorado por terceiros, por meio de autorização prévia e expressa do detentor. Desde já, resta claro que o pagamento efetuado pela recorrente a pessoas jurídicas detentoras de direitos de autor, para que tenha autorização legal para produzir e comercializar obras artísticas, é imprescindível ao desenvolvimento de sua atividade empresarial. Dada à natureza jurídica do direito autoral, verificase que tão somente poderia ser incluído nas bases de cálculo de créditos de PIS e COFINS do cessionário, caso possa ser considerado como abrangido pelos incisos II ou IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, que novamente transcrevo: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .)" Inicio pelo exame do inciso IV, consignando que discordo do teor da sentença proferida nos autos do processo n° 002167950.2012.4.03.6100 (25° Vara Federal de São Paulo). Concluiu que a cessão de direito autoral equiparase à locação de bem móvel e que, como tal, a tomada do crédito encontraria abrigo no inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. A meu ver, as hipóteses de creditamento foram indicadas no art. 3° de forma taxativa, não cabendo ao intérprete ampliálas, circunstancialmente. Assim, entendo que o inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 compreende tão somente locação de edificações, máquinas e equipamentos e, portanto, não dá suporte à tomada de créditos de PIS/COFINS sobre pagamentos pela cessão de direitos autorais. Contudo, tal conclusão não afasta por completo a possibilidade do registro de créditos de PIS/COFINS calculados sobre direitos autorais. Irrefutável que, sob o ponto de vista jurídico, a cessão onerosa de direito autoral, qualificado pela Lei n° 9.610/98 como bem móvel, equiparase à locação de bem móvel. Contudo, sua participação no processo produtivo não se assemelha às de "edificações, máquinas e equipamentos". Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 15 14 Com o inciso IV do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, a meu ver, quis o legislador, sob uma visão global dos bens tangíveis formadores de um estabelecimento industrial, listar aqueles cuja locação poderia ser computada nas bases de cálculo dos créditos, por imprescindível que são. Entretanto, não obstante a identidade jurídica existente, os direitos autorais cumprem um outro papel no processo produtivo. Os pagamento pelos direitos de autor viabilizam a inserção daquilo que é o cerne da obra artística, a matériaprima principal para o desenvolvimento do processo produtivo. Não deve, portanto, ser classificado em outro gênero qualquer que não no dos "insumos". E sobre o conceito de insumos, não há que se estender demais a discussão, pois esta turma, ou melhor dizendo, o CARF, já o tem de forma quase consolidada. Não é o da legislação do IPI (IN n° 404/04) e tampouco o de dedutibilidade de despesas da legislação do IRPJ (art. 299 do Decreto n° 3.000/99 RIR). Foi moldado a partir de opiniões de ilustres doutrinadores e importante decisão Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.246.317/MG, publicado em 29/06/2015). Em voto recente que proferi sobre o tema (Acórdão n° 3301002.999), assim sintetizei o conceito de insumos que passei desde então a adotar: "Em suma, repisando as palavras do Conselheiro Rodrigo C. Miranda (Acórdão n° 9303003.079) e trecho da citada decisão do STJ, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, considero como insumo '(. . .) todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo (. . .)' e '(. . .) cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.'" Conforme destaquei em negrito, a classificação de um bem como insumo depende "das especificidades de cada processo produtivo" e "cuja subtração importa na impossibilidade" da realização do processo industrial. O direito autoral não é um bem tangível, como as usuais MP, PI e ME. Porém, viabiliza, sob os pontos de vista material e legal, a inserção do conteúdo artístico em determinado meio físico (ex: CD, DVD etc.), para a conclusão do produto final a ser comercializado. Enfim, tratase de insumo e deve ser admitido nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Por fim, reputo como imprescindível, e talvez definitivo, mencionar que o § 6° c/c com o inciso II do art. 15 da Lei n° 10.865/04, de forma expressa e incontestável, consignou que os direitos autorais incluemse no conceito de insumos na produção de bens destinados à venda. E, como consequência, admitiu o desconto de créditos referentes ao PIS e COFINS Importação pagos, por ocasião das correspondentes remessas internacionais: Lei n° 10.685/04 (PIS/COFINS Importação) "Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 16 15 contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (. . .) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (. . .) § 6o O disposto no inciso II do caput deste artigo alcança os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica desde que esses direitos tenham se sujeitado ao pagamento das contribuições de que trata esta Lei. (. . .)" (g.n.) Assim, com base no acima exposto, com a devida vênia, discordo das outras decisões proferidas pelo CARF em desfavor da recorrente e, por conseguinte, da Solução de Consulta COSIT n° 14/11, na qual se basearam, e também da Solução de Consulta n° 8 de 12 de abril de 2013. Por outro lado, alinhome ao Acórdão n° 3302003.342, do qual extraí trecho e acima reproduzi, que igualmente concluiu, por unanimidade, que direito autoral é insumo de processo de produção de obras artísticas e deve servir de base para cálculo de créditos de PIS e COFINS. CONCLUSÃO Tive de ingressar no mérito da contenda, para justificar minha proposta de conversão do julgamento em diligência. Pretendi demonstrar que estamos diante de um assunto controverso, cuja análise por este colegiado, todavia, somente se justifica, caso a totalidade do crédito pleiteado encontre suporte documental nos elementos carreados aos autos pela recorrente. Foi trazido aos autos extenso volume de documentos junto com o recurso voluntário razão contábil, comprovantes de pagamento, demonstrativos de cálculo e declarações originais e retificadoras. Por amostragem, conciliou valores do razão contábil com comprovantes de pagamentos e cálculos dos créditos. Isto é, além de contestar a glosa de créditos de COFINS, no plano conceitual, apresentou evidências documentais de que de fato incorreu nos gastos que alega ter tido. Diante disto, entendo ser imprescindível que convertamos o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas: a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil. b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido de COFINS do mês de agosto de 2004. c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 15374.966013/200919 Resolução nº 3301000.456 S3C3T1 Fl. 17 16 A unidade de origem deverá revisar o trabalho efetuado pelo contribuinte e emitir relatório conclusivo. Então, abrir prazo para manifestação, findo o qual encaminhar os autos para o CARF para prosseguimento do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem intime o contribuinte a executar as seguintes tarefas: a) Conciliar a totalidade dos comprovantes de pagamento de direitos autorais com os correspondentes lançamentos realizados no razão contábil. b) Conciliar os valores pagos e lançados no razão contábil com os indicados no DACON Retificador, onde figuram as apurações da base de cálculo, dos créditos e do valor devido da contribuição do período de apuração deste processo. c) Demonstrar a apuração do crédito pleiteado, por meio de confronto entre DACON e DCTF originais e retificadores e DARF pagos. A unidade de origem deverá revisar o trabalho efetuado pelo contribuinte e emitir relatório conclusivo. Então, abrir prazo para manifestação, findo o qual encaminhar os autos para o CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 545DF CARF MF
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