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Numero do processo: 10980.934225/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ.
A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 DIREITO AO CRÉDITO. PROVA DAS CERTEZA E LIQUIDEZ. A recorrente deveria de ter trazido aos autos demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Uma vez ausentes estes elementos, deve ser negado o direito aos créditos, pois suas certeza e liquidez não foram comprovadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada (DCOMP), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 42 25 /2 00 9- 75 Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10980.934225/200975 Acórdão n.º 3301005.471 S3C3T1 Fl. 3 2 pelo fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório “por erro na capitulação legal e dispositivo legal infringido” e, no mérito, arguiu que o crédito era decorrente de pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins), relativamente a receitas de vendas para o exterior que foram equivocadamente contabilizadas como vendas no mercado interno e submetidas indevidamente à tributação, dado que as receitas de exportação não sofrem a incidência das contribuições. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06039.294, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado por insuficiência de provas. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e, novamente, traz demonstrativos de cálculo da contribuição, bem como cópias do que informa ser o livro Razão. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.457, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10980.932407/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.457): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A recorrente alega que incluiu indevidamente na base de cálculo da COFINS de junho de 2007 receitas de exportação de mercadorias (inciso I do art. 6° da Lei n° 10.883/03). E, assim, teria um crédito (pagamento a maior da contribuição), o qual utilizou para liquidar débitos tributários federais vincendos. A fiscalização não homologou a compensação, porque o respectivo DARF estava vinculado a débito declarado em DCTF. A recorrente alegou que não teria sido considerada pela autoridade fiscal DCTF retificadora do débito original da COFINS, transmitida em data anterior (21/10/09) à do despacho decisório (26/10/09). Com efeito, em relação à última data, no AR (fl. 152) relativo à notificação do despacho decisório, consta carimbo com data de 19/10/09. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10980.934225/200975 Acórdão n.º 3301005.471 S3C3T1 Fl. 4 3 Porém, a data consignada "à mão", aparentemente também 19/10/09, realmente foi rasurada, tal qual informou a recorrente em seu recurso. Juntou aos autos cópias de demonstrativos das bases de cálculo antes e depois da exclusão da receita de exportação, com a apuração do crédito compensado. E cópias do razão da "conta 51000 produto das vendas no Brasil". Com a manifestação de inconformidade, carreou cópias de notas fiscais de venda, "telas" do SISCOMEX de operações de exportação e cópias dos DACON original e retificador.. Reputo não relevante para a solução da lide a controvérsia acerca da data da notificação do despacho decisório. Este colegiado admite DCTF entregue a destempo, desde que seja comprovada a legitimidade do crédito. Entretanto, nesta última e mais importante tarefa, falhou a recorrente. Deveria de ter trazido demonstrativos das bases de cálculo e DACON, originais e retificadores, devidamente conciliados com cópias dos livros contábeis, notas fiscais e guias de recolhimento. Diante disto, proporia uma diligência, para que a unidade de origem validasse as cópias apresentadas e a apuração do crédito. Contudo, em razão da ausência de tais conciliações, nego provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 317DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.721878/2012-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 18 78 /2 01 2- 96 Fl. 44DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS Todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos ou declarações, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada MATÉRIA NÃO IMPUGNADA DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. Passagens do voto do acórdão de impugnação relataram e sustentaram o seguinte: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 8.320,00. Motivo da glosa: Foram glosadas as seguintes despesas médicas, pois o contribuinte intimado não comprovou a efetividade dos pagamentos feitos aos profissionais Alexandre M Villela (R$ 3.300,00) e a Marcos de Paula Silva Bastos (R$ 5.000,00), por meio de cheques nominativos coincidentes em datas e valores aos recibos apresentados ou prova da disponibilidade financeira vinculada aos pagamentos na data da realização dos mesmos, não permitindo a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os pagamentos efetuados. O sujeito passivo em sua impugnação anexa fotografias de sua boca e documento emitido pelo HSBC, onde informa que sua conta corrente, recebe pagamentos provenientes do INSS e de PRVIDEXXON. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10840.721878/201296 Acórdão n.º 2001000.881 S2C0T1 Fl. 3 3 das deduções. O art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para a impugnante a obrigação de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, sofre as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Fundamentado o lançamento na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas na declaração, para ter direito às respectivas deduções, não basta à contribuinte apresentar simples recibos e/ou declarações dos profissionais, ou fotos de sua arcada dentária, cabendo sim, quando questionado pela autoridade administrativa, comprovar, de forma objetiva, a vinculação da prestação do serviço médico com o pagamento (desembolso) efetivamente realizado. Cabe, portanto, ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores constantes nos comprovantes, bem assim a época em que os serviços foram prestados, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. O trechos do recurso voluntário sustentaram o seguinte: Fl. 46DF CARF MF 4 . Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de glosa do valor de R$ 8.320,00, referente a despesas médicas. No caso, não foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10840.721878/201296 Acórdão n.º 2001000.881 S2C0T1 Fl. 4 5 As alegações de recusa se prenderam a falta de comprovação do pagamento. Foram apresentados os documentos usuais de comprovação, documentos que indicam prestação de serviços médicos e pagamento. Na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] Fl. 48DF CARF MF 6 E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10840.721878/201296 Acórdão n.º 2001000.881 S2C0T1 Fl. 5 7 VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.722236/2011-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006
ATIVIDADE MISTA. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE ARTIGOS IMPRESSOS PERSONALIZADOS CUMULADA COM A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GRÁFICOS. INCIDÊNCIA DO IPI SOBRE A SAÍDA DOS ARTIGOS E DO ISS SOBRE OS SERVIÇOS PRESTADOS. POSSIBILIDADE.
A incidência do ISS sobre a prestação de serviços gráficos personalizados não exclui a incidência do IPI sobre a saída dos artigos impressos produzidos pelo estabelecimento, mediante operações de industrialização de transformação ou beneficiamento. A legislação aplicável à interpretação do caso concreto é aquela já vigente à época dos fatos geradores e não fazia qualquer exceção à incidência do IPI.
Numero da decisão: 9303-007.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 ATIVIDADE MISTA. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE ARTIGOS IMPRESSOS PERSONALIZADOS CUMULADA COM A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GRÁFICOS. INCIDÊNCIA DO IPI SOBRE A SAÍDA DOS ARTIGOS E DO ISS SOBRE OS SERVIÇOS PRESTADOS. POSSIBILIDADE. A incidência do ISS sobre a prestação de serviços gráficos personalizados não exclui a incidência do IPI sobre a saída dos artigos impressos produzidos pelo estabelecimento, mediante operações de industrialização de transformação ou beneficiamento. A legislação aplicável à interpretação do caso concreto é aquela já vigente à época dos fatos geradores e não fazia qualquer exceção à incidência do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 22 36 /2 01 1- 76 Fl. 1139DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo originado do auto de infração de efls. 766 a 775, cientificado à contribuinte em 10/10/2011 (fl. 767), para exigência dos créditos tributários de IPI não lançados pela empresa em notas fiscais, por erro de classificação e/ou erro de alíquota, referentes aos períodos de apuração de abril de a dezembro de 2006, no montante de R$ 2.706.082,07 de imposto, R$ 1.449.868,88 de juros de mora, R$ 2.029.561,56 de multa de ofício proporcional e R$ 1.474.788,48 de multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, montando a R$ 7.660.300,99, calculado até 09/2011. O Enquadramento Legal está descrito às efls.: 768 (tributo), 773 (multa com cobertura) e 775 (juros). A fiscalização constatou a utilização pelo sujeito passivo de notas fiscais de saída com classificações fiscais e/ou alíquotas incorretas, que resultaram na falta de lançamento do IPI devido, segundo informações constante no Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal às efls. 607 a 626. A contribuinte apresentou impugnação às efls. 790 a 802, em 09/11/2011. A 2ª Turma da DRJ/RPO, no acórdão nº 1439.756, prolatado em 09/01/2013, às efls. 831 a 836, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Intimada (efl. 837) do acórdão da DRJ em 07/02/2013 (efl. 843), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 08/03/2013, às efls. 846 a 865. Apresentou, resumidamente, os seguintes argumentos: a) a classificação fiscal adotada pela recorrente é a de serviços gráficos personalizados, feitos sob encomenda para consumidor final individualizado, sujeitos à tributação pelo ISS e não pelo IPI, estando tal entendimento inclusive expresso em Súmulas do antigo TFR e do atual STJ; e b) a incidência de ISS sobre a atividade da empresa, reconhecida pelos tribunais judiciais, afastaria a incidência do IPI. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 27/01/2016, resultando no acórdão nº 3402003.028, às efls. 1036 a 1046, que tem as seguintes ementas: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARTIGOS IMPRESSOS E CARTÕES MAGNÉTICOS PERSONALIZADOS. ENQUADRAMENTO NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). APLICAÇÃO DAS REGRAS DE CLASSIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. O enquadramento na NCM de artigos impressos e cartões magnéticos produzidos por estabelecimento gráfico sob encomenda, ainda que personalizados, é determinado pelas seis Regras Gerais Interpretativas do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e pelas duas Regras Gerais Complementares da NCM Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 13896.722236/201176 Acórdão n.º 9303007.920 CSRFT3 Fl. 1.140 3 (RGC/NCM), complementadas com os esclarecimento das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2006 ATIVIDADE MISTA. ATIVIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE ARTIGOS IMPRESSOS PERSONALIZADOS CUMULADA COM A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GRÁFICOS. INCIDÊNCIA DO IPI SOBRE A SAÍDA DOS ARTIGOS E DO ISS SOBRE OS SERVIÇOS PRESTADOS. POSSIBILIDADE. A incidência do ISS sobre a prestação de serviços gráficos não exclui a incidência do IPI sobre a saída dos artigos impressos produzidos pelo estabelecimento, mediante operações de industrialização de transformação ou beneficiamento. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL GRÁFICO. ARTIGOS IMPRESSOS E CARTÕES MAGNÉTICOS PERSONALIZADOS. DESTINAÇÃO DO PRODUTO PARA USO PRÓPRIO. INCIDÊNCIA DO IPI. POSSIBILIDADE. É legítima a incidência do IPI na saída estabelecimento industrial gráfico de artigos impressos personalizados, incluindo cartões de PVC, com ou sem tarja magnética, dotados ou não de circuito eletrônico integrado (“microchip”), independentemente da destinação ser para uso próprio ou utilização na atividade operacional do encomendante, uma vez que a destinação final do produto é irrelevante para a definição da incidência do tributo em questão. Ademais, o fato de o produto não ser recolocado em circulação comercial ou produtiva não conduz à conclusão de que o IPI, nesta hipótese, seja indevido, pois tal conclusão equivaleria a conceder isenção de tributo, ao arrepio de lei específica, o que é expressamente vedado pelo art. 150, § 7º, da CF/1988. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral o Dr. Daniel Tristman OAB 159.676 RJ. Recurso especial de divergência da contribuinte Intimada (efl. 1048) do acórdão nº 3402003.028 em 26/02/2016 (efl. 1054), a contribuinte apresentou recurso especial em 14/03/2016, às efls. 1056 a 1075. A contribuinte levanta divergência quanto ao entendimento do acórdão recorrido, com base nos acórdãos paradigmas nº 20215.596 e nº 0203.490, afirmando este que a atividade de confecção dos cartões magnéticos vendidos a clientes finais não se Fl. 1141DF CARF MF 4 enquadraria na hipótese de incidência do IPI, e aquele, que estando a atividade incluída na lista de serviços anexas ao Decretolei nº 406/88 dela se afastaria a incidência do IPI. O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 25/05/2016, no despacho de e fls. 1125 a 1127, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento relativamente à incidência concomitante de IPI e ISS sobre atividades gráficas sob encomenda. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade de efls. 1125 a 1127, em 15/08/2016 (efl. 1128), e apresentou contrarrazões em 19/07/2017, às efls. 1129 a 1136. A Procuradora afirma, com base no art. 2º da Lei nº 4.502/1964, que para uma operação estar sujeita à incidência do IPI, basta que o estabelecimento industrialize um produto e a ele dê saída, não importando a que título jurídico decorra a saída do estabelecimento produtor. Além disso, a interpretação de que, para os serviços indicados na lista definidora da tributação pelo ISS, não há incidência do ICMS ou do IPI, extraída do art. 8º do Decretolei nº 406/1968, deixou de ser válida a partir da vigência da Lei Complementar nº 116/2003, que, no seu art. 1º, § 2º, afasta expressamente apenas o ICMS para os serviços da citada lista. Pelas razões apresentadas, a Fazenda Nacional pugna pela negativa do provimento do recurso especial do sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Entendo que bem andou a Procuradora em suas contrarrazões, ao pleitear que se negue provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. Há que se observar, para o caso concreto, que não há na legislação impedimento algum para exigência de IPI sobre mercadorias que estejam sujeitos à incidência do ISS. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, nos artigos 150 a 151, ao tratar das limitações do poder de tributar, não contém qualquer impeditivo à tributação pelo IPI dos serviços que envolvam a saída de produtos industrializados personalizados. Aliás, no art. 150, § 5º apenas se pode observar: § 5º A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13896.722236/201176 Acórdão n.º 9303007.920 CSRFT3 Fl. 1.141 5 O CTN define o fato gerador do IPI em seu artigo 46, com a seguinte redação: Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (Negritei.) A situação em discussão se prende ao inciso II acima e o artigo 51 e seu parágrafo único nela referidos tem o seguinte texto: Art. 51. Contribuinte do imposto é: (...) Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Ou seja, apesar da alentada discussão doutrinária sobre obrigações de fazer, vinculadas ao ISS, e de dar, vinculadas ao IPI e ao ICMS, a citada personalização das mercadorias que saem do estabelecimento da contribuinte não tem o condão de excluílas do campo de incidência do IPI. No Termo de Verificação Fiscal, à efl. 609, está relatado: O sujeito passivo utilizou a classificação fiscal 4911.9900 Outros Impressos nas notas fiscais de saída de comercialização de uma ampla variedade de produtos de sua fabricação. A referida classificação fiscal foi utilizada na venda de Agendas, Blocos de Rascunho e do Anotações. Bobinas de Papel para Terminais Eletrônicos de Auto Atendimento, Calendários, Capas de Processo, Cartões Magnéticos, Envelopes, Formulários em Blocos tipo "manifold", Formulários Contínuos e Listagens. Formulários Diversos para Escritório, Livros do Registro o de Contabilidade, Pastas para Documentos, Papel Timbrado e Recibos, entre outros. (Negritei.) Fl. 1143DF CARF MF 6 Logo, mesmo a contribuinte não deixou de tratar as mercadorias como sujeitas à incidência do IPI, sendo referido pela fiscalização erro de classificação ou de alíquotas, que implicou em reclassificação fiscal. No mesmo sentido, o voto do aresto combatido estava suficientemente claro ao tratar da questão, como se observa nos excertos a seguir: Em relação a essa reclassificação fiscal, a recorrente se limitou a alegar que o enquadramento de todos os produtos no único código NCM 4911.99.00 foi realizado para meros fins de cumprimento de obrigação acessória, posto que a sua atividade se sujeitava apenas a cobrança do ISS. Segundo a recorrente, a atividade por ela exercida consistia, majoritariamente, na realização de serviços gráficos, sob encomenda de seus clientes, para o que ela adquiria diversos materiais, tais como papéis, cadernos, blocos e cartões, e os personalizava, em consonância com as encomendas de seus clientes. Sem razão a recorrente. De acordo com as informações por ela prestadas a fiscalização (fls. 392/588), verificase que a recorrente é uma indústria gráfica de grande porte, que produz artigos impressos diversificados e cartões de PVC, com ou sem tarja magnética, dotados ou não de circuito eletrônico integrado (“microchip”), mediante processamento de diversos tipos de matériaprima. Logo, dadas essas características, a recorrente realizava típica atividade industrial de transformação e beneficiamento, conforme definidas no art. 4º1, I e II, do Decreto 4.544/2002 (Regulamento do IPI – RIPI/2002), vigente na época dos fatos. Portanto, diferentemente do alegado, atividade exercida pela recorrente não é de mera prestação de serviços, mas de industrialização. E o fato dela emitir nota fiscal de venda/saída dos produtos industrializados e comercializados, em vez de nota fiscal de serviços, ratifica o asseverado. (Negritei.) Assim, o CTN não estabelece a limitação tributação pelo IPI e o que se encontra é jurisprudência que levou à elaboração de Súmulas, todas exaradas para fatos geradores havidos na vigência do art. 8º do Decretolei nº 406/1968, o qual tinha a seguinte redação: Art 8º O impôsto, de competência dos Municípios, sôbre serviços de qualquer natureza, tem como fato gerador a prestação, por emprêsa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço constante da lista anexa.(Revogado pela Lei Complementar nº 116, de 2003) § 1º Os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao impôsto previsto neste artigo, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadoria.(Revogado pela Lei Complementar nº 116, de 2003) § 2º O fornecimento de mercadoria com prestação de serviços não especificados na lista fica sujeito ao impôsto sôbre circulação de mercadorias.(Redação dada pelo DecretoLei nº Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13896.722236/201176 Acórdão n.º 9303007.920 CSRFT3 Fl. 1.142 7 834, de 1969) (Revogado pela Lei Complementar nº 116, de 2003) (Negritei.) No meu entender, o próprio Decretolei nº 406/1968 não afasta o IPI expressamente, pois, em sua ementa, já orientava prestarse ao estabelecimento de normas aplicáveis ao ISS e ICMS, e não continha vedação à incidência do IPI quando do fornecimento de produtos industrializados. Entretanto, os tribunais elaboraram a exegese de que o § 1º do art. 8º contivesse tal vedação, quando afirmava que apenas o ISS se aplicaria aos tributos da lista de serviços lá disposta. Essa interpretação predominante levou à edição das súmulas invocadas pela contribuinte em sua defesa. Apesar de substanciosa doutrina afirmar que a natureza da obrigação de fazer, sujeitas ao ISS, impossibilitaria a tributação por fatos pelo IPI, que denotam a obrigação de dar, não consigo ver o impedimento normativo para tanto, pois não encontro qualquer referência a isso seja em âmbito constitucional ou infra constitucional, à época dos fatos geradores em discussão. Pois bem, mesmo acatando a jurisprudência então estabelecida, a partir de 1º/08/2003, a Lei Complementar nº 116/2003, que também dispunha sobre ISS, revogou o art. 8º anteriormente citado. Além disso, no seu art. 1º, a lei mais recente estabelece: Art. 1o O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. § 1o O imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior do País. § 2o Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. § 3o O imposto de que trata esta Lei Complementar incide ainda sobre os serviços prestados mediante a utilização de bens e serviços públicos explorados economicamente mediante autorização, permissão ou concessão, com o pagamento de tarifa, preço ou pedágio pelo usuário final do serviço. § 4o A incidência do imposto não depende da denominação dada ao serviço prestado. (Negritei.) Ou seja, ao menos desde 1º de agosto de 2003, não vejo como excepcionar a incidência do IPI em saídas de mercadorias a ele sujeitas, ainda que estas possam ser incluídas na Lista de Serviços estabelecidas naquela Lei Complementar. Fl. 1145DF CARF MF 8 Nesse sentido salientamse as seguintes considerações da Procuradora da Fazenda nas contrarrazões, à efl. 1132: Portanto, para que uma operação esteja sujeita à incidência do IPI, basta que o estabelecimento industrialize um produto e a ele dê saída, não importando a que título jurídico decorra a saída do estabelecimento produtor (art. 2º, §2º, da Lei 4.502/64). Por industrialização se compreende qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo as exceções legalmente previstas (art. 3º, parágrafo único da Lei 4.502/64). Como se vê, das normas que determinam os campos de incidência do ISS e do IPI, não se deduz nenhum empecilho à eventual incidência de ambos sobre um mesmo fato econômico (o que não implica identidade de fato gerador, asseverese). Com efeito, viuse que existem serviços cuja prestação envolve o fornecimento de mercadorias e sobre esta saída de mercadorias não pode incidir o ICMS. Viuse também que o fato gerador do IPI é a saída, do estabelecimento, de produto por ele industrializado, não importando a que título se dê esta saída. A Lei não exige que seja uma venda. Assim, caso o serviço envolva o fornecimento de produto industrializado pelo prestador de serviço, e que esteja relacionado na TIPI, terseá consumado o fato gerador do IPI, mesmo em se tratando da prestação de um serviço, como no caso dos autos. Vejase que, para o IPI, não existe a vedação expressa que existe para o ICMS na LC 116/03. Assim, verificada a ocorrência do fato gerador, tem plena incidência o tributo federal. (negritos do original) Assim, havendo a saída de mercadorias industrializadas do estabelecimento da contribuinte, restou a discussão sobre a exclusão da tributação pelo IPI, em face de personalização desses produtos, que foi enfrentada já no aresto recorrido, e no qual me fulcro em parte da argumentação, às efls. 1045 e 1046: A propósito do conflito de competência envolvendo o ISS e ICMS, já na vigência da referida Lei Complementar, o Supremo Tribunal Federal, no Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4389, ao interpretar o art. 1º, caput e § 2º, da Lei Complementar 116/2003 e o subitem 13.05 da lista de serviços anexa a referida Lei, reconheceu que o ISS não incidia sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens, destinadas à integração ou utilização direta em processo subsequente de industrialização ou de circulação de mercadoria, mas apenas o ICMS. Para melhor clareza, veja redação do enunciado da ementa do referido julgado, in verbis: EMENTA : CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONFLITO ENTRE IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA E IMPOSTO SOBRE OPERAÇÃO DE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS DE Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13896.722236/201176 Acórdão n.º 9303007.920 CSRFT3 Fl. 1.143 9 COMUNICAÇÃO E DE TRANSPORTE INTERMUNICIPAL E INTERESTADUAL. PRODUÇÃO DE EMBALAGENS SOB ENCOMENDA PARA POSTERIOR INDUSTRIALIZAÇÃO (SERVIÇOS GRÁFICOS). AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE AJUIZADA PARA DAR INTERPRETAÇÃO CONFORME AO O ART. 1º, CAPUT E § 2º, DA LEI COMPLEMENTAR 116/2003 E O SUBITEM 13.05 DA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA. FIXAÇÃO DA INCIDÊNCIA DO ICMS E NÃO DO ISS. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. Até o julgamento final e com eficácia apenas para o futuro (ex nunc), concedese medida cautelar para interpretar o art. 1º, caput e § 2º, da Lei Complementar 116/2003 e o subitem 13.05 da lista de serviços anexa, para reconhecer que o ISS não incide sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens, destinadas à integração ou utilização direta em processo subseqüente de industrialização ou de circulação de mercadoria. Presentes os requisitos constitucionais e legais, incidirá o ICMS. 61 Tampouco o disposto no art. 9º, VI, do Decretolei 2.471/1988 ampara a pretensão da recorrente de que os artigos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráfica, pois, sabidamente, a concessão de remissão ou anistia não tem o condão de excluir determinados produtos do campo de incidência do IPI. Ainda alegou a recorrente que era pacífica a jurisprudência dos Tribunais Superiores a respeito da não incidência do IPI sobre as atividades gráficas personalizadas, realizadas sob encomenda, tal qual as desenvolvidas pela autuada e objeto da presente autuação, a exemplo dos REsp nºs 437.324 e 966.184/RJ do STJ, em que a autuada figurou como parte. Sem razão a recorrente. Os referidos julgados tratam da aplicação do citado art. 8o, § 1º, do Decretolei 406/1968, revogado na data dos fatos geradores do IPI lançados na presente autuação, do entendimento exarado no verbete da Súmula 156 do STJ, também superada, porque editada com base nos precedentes que aplicaram o disposto no referido preceito legal revogado, conforme já demonstrado. Enfim, a recorrente alegou que, em recente julgamento do AREsp 103409/RS, processo em que a recorrente também figurava como parte, o STJ entendeu que não era devido o ICMS sobre os serviços de composição gráfica por ela prestados, tal qual a incidia o ICMS, por consequência lógica, também não incidia o IPI. Mais uma vez, sem razão a recorrente. Com efeito, se em relação ao ISS e ao ICMS, a CF/88, no seu art. 156, III, e a Lei Complementar 116/2003, no seu art. 1°, § 2º, manteve a 1 6 BRASIL. STF. Tribunal Pleno. ADI 4389 MC, ReL. Min. JOAQUIM BARBOSA, j. Em 13/04/2011, DJe098 DIVULG 24052011 PUBLIC 25052011 RDDT n. 191, 2011, p. 196206 RT v. 100, n. 912, 2011, p. 488505) Fl. 1147DF CARF MF 10 proibição de dupla incidência dos referidos impostos, o mesmo não pode ser aplicado em relação ao IPI e ao ISS, porque não há na CF/88 nem na legislação infraconstitucional qualquer a vedação a cobrança concomitante do IPI e do ISS. Logo, se a situação fática se subsumir às hipóteses de incidência definidas para ambos os impostos, certamente, os dois deverão incidir e serem cobrados concomitantemente. Dessa forma, fica demonstrado que não se aplica ao caso em tela, os fundamentos jurídicos exarados no AREsp 103409/RS e no REsp 1.092.206/SP, sujeito ao rito dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, porque ambos os julgados abordaram, exclusivamente, a delimitação da competência tributária entre os Estados e os Municípios, relativamente à incidência do ICMS e do ISS. (negritos do original) Dessarte, ao menos desde 1º/08/2003, havendo fato gerador do IPI, sem exclusão legal específica, não há como afastar sua exigência, mesmo envolvendo mercadoria personalizada, fornecida com prestação de serviços. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto pelo não provimento desse recurso para manter o acórdão recorrido pelos seus próprios fundamentos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos do processo, peço vênia ao ilustre conselheiro relator para expor meu entendimento acerca da matéria. Tal matéria não é nova no Colegiado – que após apreciar a mesma questão, já manifestou de forma favorável ao contribuinte através dos Acórdãos 9303005.430, 9303 005.427, 9303005.428, 9303004.394 e 9303005.429. Cabe destacar que o mesmo contribuinte desse processo já obteve decisão favorável em nossa turma, vez que havia sido considerada jurisprudência pacificada do STJ – em favor dele mesmo. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide, qual seja, se haveria a incidência de IPI no caso em comento, considerando a atividade prestada pelo sujeito passivo. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 13896.722236/201176 Acórdão n.º 9303007.920 CSRFT3 Fl. 1.144 11 Cabe, então, trazer a priori que o sujeito passivo tem por objeto a prestação de serviços gráficos “personalizados” “sob encomenda” dos seus clientes, com destaque para as atividades de confecção de impressos de segurança com tarja magnética como crachás e cartões plásticos. O sujeito passivo oferece, além da emissão, a migração de tecnologias customizadas, com o intuito de atender diferentes demandas. Considerando se tratar por óbvio de prestação de serviço gráfico customizado e personalizado, para fins de atendimento da demanda de clientes específicos, para melhor elucidar os pontos aqui desenvolvidos, cabe trazer que que tais serviços, em síntese, são assim considerados por serem, quando de sua prestação, definidas estratégias para o desenvolvimento do produto demandado pelo cliente. Tais serviços são vistos pelos clientes como diferencial nas empresas de serviços, vez que podem proporcionar para o funcionamento de seu negócio a personalização de que necessitam. Ademais, cabe trazer que os serviços prestados pelo sujeito passivo não se confundem com a mera circulação de mercadorias/produtos, vez que tais serviços possuem como características a intangibilidade, perecibilidade, heterogeneidade e simultaneidade. Ora: · Perecibilidade, pois tais serviços não podem ser “armazenados/estocados” para a venda; · Intangibilidade, pois não podem ser vistos, provados ou sentidos; · Heterogeneidade, pois tais serviços sofrem variação para cada cliente, considerando a customização dedicada; · Simultaneidade, pois envolve a dinamicidade entre a produção e o consumo. O serviço customizado prestado pelo sujeito passivo abrange essas características, vez que: · Reflete um planejamento anterior para a busca do objeto alcançado, em observância a demanda específica exposta em contrato firmado entre o cliente e o prestador; · Não se trata de venda de produtos de prateleira padronizáveis; · Se diferenciam, de acordo com a demanda de cada cliente – considerados efetivamente, de per si, como pontuais e especiais. É de se considerar, ainda, que os serviços customizados envolve interação direta com o cliente uma vez que a personalização do produto é alcançada de forma colaborativa entre a parte contratante e o contratado. Fl. 1149DF CARF MF 12 Ademais, após breve elucidação e antes de se adentrar na discussão acerca da incidência do IPI, discorrendo sobre eventual conflito de competência. O que se torna impossível se ignorar esse tema, cabe trazer ainda que a atividade personalizada, que envolve sua customização para atendimento da necessidade de eventual cliente, inquestionável, que tal serviço seria passível de tributação pelo ISS. Por conseguinte, por se tratar de bem oriundo de serviço personalizado/customizado, inegável que tal bem não seria considerado como sendo de prateleira, disponível em sua padronização aos clientes potenciais. O que confere o entendimento dos tribunais de se afastar a tributação pelo ICMS. Não se coaduna, assim, tais serviços com o conceito de mercadoria. Tanto é assim, que os Tribunais empregam tais conceitos – produtos feitos por encomenda, personalizados e customizados – para afastar a incidência do ICMS e/ou IPI em operações que envolvam o fornecimento de bens oriundos desses serviços especializados e personalizados. Tanto é assim, que, no que tange às essas discussões envolvendo o ISS e o ICMS, é de se recordar que os Tribunais têm manifestado, em síntese, em relação aos serviços gráficos, que: · Se a atividade gráfica fosse exercida com certas limitações – acrescentando apenas utilidades a esse meio, com o intuito de se disponibilizar o produto indiscriminadamente a todos os clientes potenciais, sem viabilidade de personalização por cliente, configurar seia como produção em série – sendo evidente, nesse caso, que se trata de disponibilização de mercadorias, motivando assim a incidência de ICMS e de IPI, vez, que, em relação à esse último tributo, caracterizada estaria a industrialização dessa mercadoria (produzida padronizadamente em série); · Por sua vez, se fosse desenvolvida por encomenda de cliente, para atender suas necessidades específicas, visando o atendimento de sua demanda em particular estarseia diante de serviço alcançável pelo ISS. É de se expor que as mercadorias oriundas desses serviços não são disponibilizadas a terceiros. Para tal entendimento, é de se recordar o art. 1º, § 2º, da LC 116/03, in verbis (Grifos meus): Art. 1º. O Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderantemente do prestador. [...] § 2º Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 13896.722236/201176 Acórdão n.º 9303007.920 CSRFT3 Fl. 1.145 13 [...] Com tal dispositivo, resta claro que os serviços constantes da lista de serviço da LC 116/03 não ficam sujeitos ao ICMS, apenas ao ISS. Continuando, no que concerne à discussão acerca da incidência cumulativa envolvendo o ISS e o IPI, importante mencionar que o TRF já editou Súmula 143/83 (Grifos meus): Súmula 143 – Os serviços de composição gráfica e impressão gráficas personalizadas previstos no artigo 8º, § 1º, do Decreto lei n. 406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo Decreto lei n. 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça, editou a Súmula 156: Súmula 156 do STJ – A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva o fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. Frisese tal entendimento o disposto no 9º do DecretoLei 2471/88 que, por sua vez, estabelece que ficam cancelados os processos administrativos que trate da cobrança do IPI no fornecimento de produtos personalizados de serviços de composição gráfica e impressão gráfica: Art. 9º. Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: [...] VI – do Imposto sobre Produtos Industrializados relativamente ao fornecimento de produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráficas; e [...] Sendo assim, resta claro que os serviços gráficos personalizados e customizados com o intuito de atender determinada necessidade de cliente não seriam passíveis de tributação pelo IPI. Quanto à discussão sobre a impossibilidade da incidência concomitante do ISS e IPI sobre a mesma atividade, a instituição de tributos é extensivamente definida na Constituição, mediante a atribuição de competência – o que ressurjo o art. 146, inciso I, da CF/88: Art. 146. Cabe à lei complementar: I dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; Fl. 1151DF CARF MF 14 [...] Com tal enunciado, verificase que a Lei Complementar deve dispor sobre conflitos de competência em matéria tributária entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. O que, por conseguinte, expresse, temse que se a LC 116/03 dispôs que as atividades gráficas discutidas no presente processo são fatos geradores do ISS, inconteste não haver que se falar em tributação pelo ICMS e IPI sobre tais serviços. Tanto é assim que, nesse sentido, notase que fluíram várias decisões favoráveis, afastando a tributação pelo IPI. A própria American Bank Note Company Gráfica e Serviços Ltda – adquirida pela Valid Soluções, à época, havia impetrado mandado de segurança preventivo contra a Fazenda Nacional para ter o reconhecimento de seu direito líquido e certo de não recolher o IPI sobre os serviços gráficos de confecção de cartões magnéticos. No julgamento do RESP 437.324 – RS envolvendo a American Bank Note Company Gráfica e Serviços Ltda, vêse que o STJ, através do ilustre Ministro Franciulli Netto, emitiu acórdão concedendo integramente a segurança pleiteada declarando que as referidas atividades envolvem típica prestação de serviço ao ISS, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA PRELIMINAR DE PERDA DE OBJETO DA IMPETRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE OFÍCIO DA QUESTÃO CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA SUJEITO UNICAMENTE AO ISS VIOLAÇÃO AO DISPOSTO NO § 1º DO ARTIGO 8º DO DECRETOLEI N. 406/68 SÚMULA N. 156 DO STJ. Cumpre a este Sodalício examinar eventual afronta a dispositivos de lei federal, nos termos da letra "a" do permissivo constitucional, ou, pela letra "c", sanar possível dissenso pretoriano acerca de determinada questão. Assim, não prevalece o entendimento sustentado pela recorrente no sentido de que deve o Superior Tribunal de Justiça reconhecer de ofício a extinção do mandado de segurança preventivo. Embora prequestionada a questão da perda de objeto da impetração, que entendeu a Corte de origem não existir, pretendeu a recorrente, quanto a esse ponto, configurar o dissenso pretoriano com julgados deste Sodalício sem, contudo, realizar o indispensável cotejo analítico, vindo em desacordo com o estabelecido nos arts. 541, do CPC e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao Decreto lei n. 406/68. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 13896.722236/201176 Acórdão n.º 9303007.920 CSRFT3 Fl. 1.146 15 Há, portanto, nítida violação ao disposto no § 1º do artigo 8º do DecretoLei n. 406/68, uma vez que a hipótese dos autos configura prestação de serviços de composição gráfica personalizados, sujeitos apenas à incidência do ISS (Súmulas ns. 156/STJ e 143 do extinto TFR). Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI. Cabe trazer que essa decisão transitou em julgado em 3.11.03. Outro precedente igualmente importante é o veiculado no julgamento do REsp 966.184RJ decorrente de ação ordinária ajuizada pela American Bank Note Company Gráfica e Serviços Ltda também com o objetivo de que fosse declarada a não incidência do IPI sobre os cartões de crédito com tarja magnética confeccionados no período de junho/88 a junho/89, por se tratar de prestação de serviços personalizados sob encomenda. Tal REsp, após apreciação pelo STJ – relator Ministro Herman Benjamin, foi emitido acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido. Cabe trazer que essa decisão também transitou em julgado. Em outro julgamento no STJ, onde consta como parte a American Banknote S/A – adquirida pelo sujeito passivo, especificamente quando da apreciação do Resp 103409/RS ficou decidido que não é devido o ICMS sobre os serviços de composição gráfica prestados por ela, tal qual a impressão de cartões magnéticos personalizados e sob encomenda, conforme consignado em ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS PERSONALIZADOS E SOB ENCOMENDA. NÃO INCIDÊNCIA DE ICMS. NÃO APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO STF NA MEDIDA CAUTELAR NA ADI 4389. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. ANÁLISE DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO STF. Fl. 1153DF CARF MF 16 1. Nos termos do art. 535 do CPC, os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão, o que não aconteceu no caso dos autos. 2. No julgamento da medida cautelar na ADI 4389, o STF reconheceu a não incidência do ISS sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens destinadas à integração ou utilização direta em processo subsequente de industrialização ou de circulação de mercadoria. 3. A incidência do ICMS só ocorrerá nos casos em que a produção de embalagens, etiquetas sob encomenda (personalizada) seja destinada a subsequente utilização em processo de industrialização ou posterior circulação de mercadoria, o que não é o caso dos autos. 4. In casu, tratase de produção de cartões magnéticos sob encomenda para uso próprio da empresa. No caso, a embargada atua como consumidora final, ou seja, tais cartões não irão fazer parte de futuro processo de industrialização ou comercialização. Incide, portanto, o ISS nos termos do que restou determinado pela Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.092.206/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao rito dos recursos respetivos, nos termos do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. 5. Não cabe ao STJ analisar suposta violação de dispositivos constitucionais, mesmo a título de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do STF. Embargos de declaração rejeitados. Em vista de todo o exposto, vêse acertado o entendimento de que nessa atividade não há que se falar em tributação pelo IPI – eis que para o deslinde do conflito de competência, para se apurar a tributação sobre o consumo desses bens, nas hipótese híbridas, em que há serviço agregado a um suporte físico, no caso, um produto industrializado, devese verificar qual prevalecerá, para efeitos de atrair a competência tributária. O que, por conseguinte, as disposições da LC 116/2003 § 2°, do art. 1°, traz que salvo exceções nela expressamente previstas, os serviços incluídos na lista ficam sujeitos apenas ao ISS, "ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias” em cumprimento ao desígnio determinado pelo art. 146, I da Constituição Federal, que prescreve que cabe à lei complementar dispor sobre conflitos de competência. Ademais, não há como se ignorar os precedentes favoráveis dos Tribunais, inclusive aqueles emanados de Recursos interpostos por empresas que foram adquiridas pelo sujeito passivo. Em tempos atuais, inclusive, o novo Código de Processo Civil – Lei 13.105/15 traz explicitamente o respeito à “eficácia vinculante dos precedentes” em seus arts. 926 e 927, in verbis (Grifos meus): Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 13896.722236/201176 Acórdão n.º 9303007.920 CSRFT3 Fl. 1.147 17 § 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. § 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o, quando decidirem com fundamento neste artigo. § 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. § 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. § 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizandoos por questão jurídica decidida e divulgandoos, preferencialmente, na rede mundial de computadores. Devese, assim, em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes” – exposta “explicitamente” pelo Novo Código de Processo Civil NCPC, observar o entendimento emanado pelos tribunais. Nesse caso, o entendimento de que para os serviços gráficos personalizados devese afastar a incidência do IPI. Fl. 1155DF CARF MF 18 Dizse Princípio, pois deve ser considerado, assim como os outros balizadores primordiais trazidos pelo nosso ordenamento, para se nortear/direcionar o julgador/juiz quando da apreciação da matéria em debate à solução jurídica mais equânime com as diretrizes emanadas pela Carta Magna e pela legislação vigente, garantindo o conforto e a segurança jurídica de que tanto busca a Administração Fazendária e o sujeito passivo. Não é demais lembrar que no processo administrativo há que se considerar e respeitar tais precedentes, conforme versa o art. 15 do NCPC Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. A cultura de valorização de precedentes, que torna a jurisprudência no Brasil fonte direta da estrutura jurídica adotada pelo Brasil traz irrefutavelmente segurança jurídica ao buscar o respeito à unicidade da interpretação quando as decisões possuem potencial para tanto. Não seria algo impositivo, mas recomendável – em respeito à segurança jurídica e à eficiência. Veja as lições dadas pelo nobre Ministro Herman Benjamin – na revista Conjur (Destaques meus): [...] Recémempossado diretor da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), o ministro do Superior Tribunal de Justiça Herman Benjamin coloca o ensino judicial como o principal meio de incutir nos juízes a cultura de precedentes. A aproximação do sistema brasileiro, do civil law, com o common law se intensificou com a entrada em vigor do Código de Processo Civil de 2015, e as mudanças começam a pegar. “Mesmo nos tribunais mais rebeldes, hoje entendem que há um dever que vem com o múnus público de ser juiz, de cumprir as decisões das instâncias superiores. As escolas [da magistratura] têm feito um belo trabalho de mudar a cultura, de passar para o juiz que não se trata de imposição de natureza casuística ou autoritária. É um norte seguro para a nossa carreira”, diz o ministro, em entrevista ao Anuário da Justiça Brasil 2019, que tem lançamento previsto para maio.[...] Nessa linha, também havia se manifestado anteriormente a Ministra Regina Helena Costa no Seminário do CARF. As decisões emanadas pelo STJ consideraram a mesma atividade do sujeito passivo e, nesse caso, o mesmo contribuinte (eis que incorporou a pessoa jurídica parte à época), não restando dúvida quanto à necessidade da aplicação dos fundamentos determinantes do precedente ao caso concreto – até mesmo por economia processual. Vêse que aquele tribunal conseguiu diferenciar o que seria serviço e industrialização para que não haja conflitos de competência entre os tributos (ISS x IPI e ICMS). Nessa linha, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 13896.722236/201176 Acórdão n.º 9303007.920 CSRFT3 Fl. 1.148 19 É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1157DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.900890/2008-97
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CRÉDITÓRIO PLEITEADO.
Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza (requisitos previstos no art. 170 do Código Tributário Nacional) sejam comprovadas pelo contribuinte, caso contrário, não há se falar na existência de qualquer direito creditório em seu favor.
Numero da decisão: 1003-000.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CRÉDITÓRIO PLEITEADO. Somente são compensáveis os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública cujas liquidez e certeza (requisitos previstos no art. 170 do Código Tributário Nacional) sejam comprovadas pelo contribuinte, caso contrário, não há se falar na existência de qualquer direito creditório em seu favor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 08 90 /2 00 8- 97 Fl. 89DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão de nº 1523.294, de 17 de abril de 2010, proferido pela 1ª Turma da DRJ/SDR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PESSOA DE RENDA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para que se considere possuidor de crédito junto a Fazenda Pública Nacional deverá o contribuinte comprovar que os recolhimentos por ele efetuados são efetivamente superiores àqueles por ele confessados como débitos seus em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Vale ressaltar que a compensação declarada não fora homologada, pois, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em questão.. E, apesar das alegações da Recorrente em sua manifestação de inconformidade de que houve pagamento a maior, de acordo com o acórdão a quo, não houve a devida retificação da DCTF original, onde a Recorrente confessava ser devedora dos valores de R$ 2.677, 50, R$ 3.037,84 e R$ 2.120,32, respectivamente para os 1°, 2º e 3º trimestre de 2003. Por isso, seu direito suposto direito creditório não fora reconhecido. Inconformada com tal decisão, a Recorrente, às fls. 49/51, apresentou Recurso Voluntário, destacando, em síntese, que: "Quando no Programa Gerador da DCTF se indica que a declaração é retificadora, abrese uma janela com a seguinte mensagem: "A apresentação de declaração retificadora substituirá tidas as informações prestadas na Declaração Original ou Declaração Retificadora entregue anteriormente. Portanto, todas as informações do período, inclusive as não alteradas, (o grifo é nosso) deverão constar da nova Declaração Retificadora. No caso presente as informações não alteradas estão representadas pelo DARF, cujo valor foi pago a maior e que não Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10580.900890/200897 Acórdão n.º 1003000.413 S1C0T3 Fl. 84 3 pode ser alterado, mas o valor devido sim. É nesse ponto, que o programa gerador rejeita a informação relativa ao pagamento sob mensagem de erro, porque na Declaração Retificadora o valor realmente é menor que o valor do pagamento com DARF conforme exemplo a seguir com a DCTF do primeiro trimestre de 2003, código do tributo 2372: (...) E nessa hipótese, com o valor devido retificador que, ao se verificar pendências o Programa Gerador emite a mensagem: ERRO Soma dos créditos vinculados (valores pagos) excede o valor do débito declarado. Se por outro lado, a Declaração Retificadora não registrar o crédito, esta será validada, porém, com a mensagem de que o débito será enviado à Dívida Ativa para cobrança. Procedimento este, que vem expor a recorrente à condição de devedora, sem evidenciar a variação que lhe assegura o crédito. Portanto, diante das limitações impostas pelo Programa Gerador a recorrente conclui, salvo melhor entendimento, que a DCTF Retificadora não é o instrumento adequado a dar solução à presente demanda. O fato verdadeiro é que o crédito a favor da Recorrente existe. Isso foi didaticamente demonstrado em sua manifestação de inconformidade, inclusive com respaldo em sua DIPJ do respectivo AnoCalendário; daí não poder recuar dessa posição. A recorrente esclarece que a matéria julgada versou sobre IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ, o que não está correto. Deve ser feita a devida correção para CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL". É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão º 1523.294, de 17 de abril de 2010, proferido pela 1ª Turma da DRJ/SDR, (fls 49/50), em 25/08/2010 (fls. 50) e apresentou o recurso competente em 17/09/2010, (fls. 51/24). O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. A Recorrente, basicamente, reproduz os argumentos veiculados na Manifestação de Inconformidade no tocante à tentativa de comprovação de seu suposto direito créditório. Fl. 91DF CARF MF 4 Ocorre que razão não assiste à Recorrente, pois como bem ressaltou a DRJ, no acórdão recorrido, cujo trecho segue transcrito: "Em que pese tenha a Impugnante concluído que efetuou pagamento indevido ou a maior, não tratou a mesma de proceder tal informação junto a RFB, com retificação da DCTF original, onde confessava ser devedora dos valores R$ 2.677,50, R$ 3.037, 84 e R$ 2.120,32 respectivamente para os 1º, 2º e 3º trimestre de 2003. Dessa maneira, no momento da análise da liquidez do crédito, não foi encontrado qualquer indébito em seu favor e efetivamente não o há, desde quanto foram pagos os exatos valores confessados como devidos". Portanto, entendo que, independente das dificuldades, expostas pela Recorrente, em relação ao sistema para retificação da DCTF original, em que houve a confissão de débitos de valores de R$ 2.677, 50, R$ 3.037,84 e R$ 2.120,32, gerando novos débitos, não houve, por parte da Recorrente, a comprovação de que fosse líquido e certo o crédito pleiteado para a compensação. Logo, apenas a entrega da DCTF retificadora não esclareceria a questão. Ora, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Ademais, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), concluise que não deve Secretaria da Receita Federal homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Em suma, o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo naquele momento, fato que não se deu no presente caso, pois, de acordo com os documentos que instruem os autos, não é possível a comprovação de crédito nem mesmo em relação ao menor valor confessado, qual seja, R$2.472,30. Logo, fica claro que apenas a DCTF retificadora não seria instrumento hábil e suficiente para resolver a demanda, posto não ter sido comprovado qualquer direito creditório. Impossível se demonstra, destarte, prosperar o pedido da Recorrente quanto à homologação da declaração de compensação efetuada ante a inexistência do crédito vindicado. Por fim, ainda que se tratasse de erro de fato, aquele erro, por exemplo, que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos, é certo que 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10580.900890/200897 Acórdão n.º 1003000.413 S1C0T3 Fl. 85 5 cabe à Recorrente o ônus de sua prova (art. 147 do CTN2), o que não ocorreu todo o tempo de trâmite dessa discussão administrativa. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça 2 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000379/2007-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2005
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE.
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado, bem assim as despesas com transporte para escoamento desta produção, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições.
Numero da decisão: 3001-000.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2005 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado, bem assim as despesas com transporte para escoamento desta produção, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Recorrente BONDIO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2005 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado, bem assim as despesas com transporte para escoamento desta produção, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 03 79 /2 00 7- 64 Fl. 614DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Transcrevo o suscinto relatório da decisão recorrida, que resume suficientemente a demanda em litígio (fls. 601/602), a saber. Trata o presente processo de “Pedido de Ressarcimento” de créditos de Cofins, relativo ao segundo trimestre de 2005, no valor de R$ 173.144,77, pelo qual a interessada acima identificada foi intimada a proceder às demonstrações relativas ao seu direito creditório. Segundo a autoridade fiscal, na análise feita na documentação apresentada pela contribuinte, algumas correções se fizeram necessárias para o perfeito enquadramento do valor requerido de acordo com a legislação reguladora, O objeto das glosas, os respectivos valores, e a fundamentação encontramse demonstrados na listagem apresentada ` pela fiscalização (fls. 498/519). Conforme os itens do Dacon, foram glosados, em síntese: 1 Linha 02 como“Bens Utilizados como Insumos”: a) Produtos adquiridos para embalagens que se destinam apenas ao transporte dos produtos elaborados; b) Produtos que não se enquadram no conceito de insumos, nos termos da alínea “a”, inciso I, §4°., an, 8°. da Instrução Normativa SRF n°. 404/2004; 2 Linha 03 como “Serviços Utilizados como Insumos”: a) Serviços de fretes, cujo fundamento para as glosas foi a falta de preenchimento de vários campos dos documentos relativos a estas operações, tornando impossível a análise do cabimento do crédito tributário em relação a esses Conhecimentos de Transporte; 3 Linha 07 como Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda, pelo fato de um “Conhecimento de Transporte” não dizer respeito a frete sobre operação de venda, mas sim ao pagamento de diárias, Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10925.000379/200764 Acórdão n.º 3001000.687 S3C0T1 Fl. 3 3 Em razão da análise da autoridade fiscalizadora, foi emitido o Despacho Decisório DRF/JOA n°. 57/2008, o qual reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 289.069,30, a titulo de mercado externo. A contribuinte apresenta a manifestação de inconfomiidade (fls. 570/573), onde alega que as mercadorias e suas respectivas notas fiscais que não foram aceitas pelo fisco, referemse, principalmente, a aquisições de embalagens para o acondicionamento das mercadorias produzidas pela recorrente, e a contratação de serviços de fretes para a entrega dos produtos industrializados ou para o transporte dos insumos da recorrente. Remete ao inciso Il do art, 3°, da Lei n°. 10.833/03 para alegar que, no que se refere aos materiais de embalagens adquiridos para o acondicionamento dos produtos industrializados, estas mercadorias integram o conceito de matériaprima, tal como ocorre com a matériaprima direta e indireta. No que se refere aos fretes, que tais serviços representam custo 'de produção, ou simplesmente insumos (na forma de serviços), pois se referem a prestações de serviços contratadas para o transporte de insumos como pintos, frangos vivos, mercadorias industrializadas, e insumos outros, todos utilizados estritamente na industrialização dos produtos fabricados pela recorrente, de acordo com o seu objeto social. Por fim, requer a reformas da decisão para o efeito de deferir o crédito da contribuição ao Cofms descontada sobre as notas fiscais de aquisição de embalagens para o acondicionamento dos produtos industrializados. assim como sobre os serviços de fretes, contratados para o transporte dos insumos utilizados pela recorrente. A pretensão impugnatória foi negada através do Acórdão 20.582 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 601/606), resumidamente pelos seguintes fundamentos. 1 Dois são os tipos de embalagens embalagem de apresentação e embalagem de transporte, e somente as embalagens de apresentação geram os créditos pretendidos pelo contribuinte; as embalagens de transporte, ao contrário, não geram crédito. 2 Portanto, como acima se viu, os produtos cujos custos foram glosados se enquadram na condição de embalagens para transporte. Como apenas as embalagens de apresentação e' que geram o direito ao crédito, temse como correta, portanto, a glosa promovida pela DRF/Joaçaba/SC, 3 A contribuinte apenas apenas expõe que os serviços de frete representam custo de produção, ou simplesmente insumos (na forma de serviços), pois são serviços contratados para o transporte de seus insumos. Fl. 616DF CARF MF 4 4 Ocorre que, conforme o parecer fiscal, o motivo para as glosas não está no fato de que os serviços em questão não representem custo de produção ou que sejam simplesmente insumos, mas sim de que não houve a comprovação da ocorrência dos efetivos serviços, de acordo com os documentos apresentados. 5 Assim, encontramse relacionados, às fls 515/519, os detalhes quanto aos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, tais como os emitentes dos conhecimentos de transporte, o objeto, o valor e a fundamentação para as glosas. 6 Verificase que a autoridade fiscalizadora não teve a oportunidade de analisar o cabimento ou não do desconto de créditos relativamente a esses conhecimentos de transporte, visto que os documentos apresentados não possibilitaram a leitura das operações a que dizem respeito. A interessada, por seu tumo, nada traz aos autos que se contraponha ao que foi relatado pela fiscalização, corroborado por vários dos CTRC trazidos aos autos pela autoridade fiscalizadora. 7 E arremata: Uma vez que os conhecimentos de transportes deixaram de espelhar a operação que a contribuinte pretendia comprovar, a análise do pedido de ressarcimento pela autoridade fiscalizadora restou comprometida. Não obstante o relatório fiscal, com a descrição precisa de todas as irregularidades, não tratou a interessada de providenciar nada mais do que já constava nos autos. Assim, as glosas das despesas de transporte na aquisiçao devem ser mantidas. Regularmente intimada dos termos do Acórdão recorrido em 10.08.2010 (fls. 607), ingressou a empresa com Recurso Voluntário em 06.09.2010 (fls. 608/614), insurgindo se contra o v. Acórdão guerreado por entender que a lei não distingui as embalagens de apresentação das embalagens de transportes; bem assim, que a conclusão do fisco sobre a glosa dos gastos com transporte também estão em desacordo com as normas legais de regência. Para melhor esclarecer suas alegações, releva transcrever alguns trechos do apelo da empresa, verbis. Portanto, no que se refere aos materiais de embalagens adquiridos para o acondicionamento dos produtos pela recorrente, temse que estas mercadorias integram o conceito de matériaprima, tal como ocorre com a matériaprima direta e indireta, razão pela qual, já nesta primeira parte, a decisão recorrida deve ser reformada, para o efeito de deferir os ressarcimentos dos créditos acumulados de COFINS Exportação, descontados sobre as embalagens indicadas no relatório do parecer fiscal. ... (omissis) ... No segundo ponto, no que se refere aos fretes igualmente glosados pelo fisco, vale observar que assim como ocorre com as embalagens, tais serviços representam custo de produção, ou simplesmente insumos (na forma de serviços), pois se referem a prestações de serviços contratadas para o transporte de insumos, como pintos, frangos vivos, mercadorias industrializadas, e insumos outros, todos utilizados estritamente na industrialização dos produtos fabricados pela recorrente, de acordo com o seu objeto social. Esses fretes também servem para o transporte das mercadorias industrializadas pela recorrente, até o estabelecimento dos seus clientes. ... (omissis) .... Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10925.000379/200764 Acórdão n.º 3001000.687 S3C0T1 Fl. 4 5 Por todo o exposto, a recorrente requer a reforma da decisão constante do Acórdão n. 0720.582, para o efeito de deferir o crédito cumulado de COFINS descontado sobre as notas fiscais de aquisição de embalagens para o acondicionamento dos produtos industrializados pela recorrente, assim como sobre os serviços de fretes contratados para o transporte dos insumos utilizados pela recorrente, tal como já esclarecido anteriormente. É o relatorio. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 10 de agosto de 2010 (fls. 607) e em 06 de setembro seguinte ingressou com seu Recurso Voluntário (fls. 608/614), dentro do prazo legal de 30 dias, pelo que dele tomo conhecimento. Como se verifica do relatório, o contribuinte formulou pedido de ressarcimento de COFINSExportação, com fundamento na Lei 9.430/1996 (na redação dada pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), no valor de R$ 345.701,49 "referentes aos créditos acumulados de COFINSExportação no segundo trimestre de 2005", deferidos parcialmente, através do Despacho Decisório nº 57/2008DRF/JOA, em 22.01.2008, pelo valor ressarcível de R$ 289.069,30, resultando numa diferença de R$ 56.632,19 (345.701,49 289.069,30). As mercadorias e suas respectivas notas fiscais que não foram aceitas pelo fisco, referemse, principalmente, a aquisições de embalagens, para o acondicionamento das mercadorias produzidas pela recorrente, e a contratação de serviços de fretes, para a entrega dos produtos industrializados ou para o transporte dos insumos da recorrente. Entretanto, a recorrente entende ser equivocado o procedimento de glosa das aquisições de embalagens e da contratação dos serviços de frete para o transporte dos insumos e dos produtos industrializados pela recorrente, uma vez que as referidas embalagens são utilizadas para transportar os insumos e os produtos industrializados pela recorrente, quando não para entregar os produtos industrializados aos clientes da recorrente, sem as quais (embalagens) não seria possível o desenvolvimento das suas atividades. O inconformismo da recorrente, pois, reside no fato de que, a seu sentir, a lei não faz distinção nos tipos de embalagem (sejam elas de apresentação ou para transporte), e as Instruções Normativas baixadas pela Receita Federal, podem interpretar e até regulamentar o modo de operação disciplinado pela lei, mas não têm competência para ir além da matriz legal. Assim, não havendo distinção na lei sobre as embalagens, ilegal e incorreta a interpretação da autoridade recorrida fundamentada somente em Instrução Normativa, mas contrariando a disciplina da Lei. Quanto aos fretes igualmente glosados pelo fisco, ressalta a recorrente que "assim como ocorre com as embalagens, tais serviços representam custo de produção, ou simplesmente insumos (na forma de serviços), pois se referem a prestações de serviços contratadas para o transporte de insumos, como pintos, frangos vivos, mercadorias Fl. 618DF CARF MF 6 industrializadas, e insumos outros, todos utilizados estritamente na industrialização dos produtos fabricados pela recorrente, de acordo com o seu objeto social", principalmente tendo em vista o art. 67 do Anexo II do RICMS/SC, que trata da dispensa de conhecimento no transporte vinculado a contrato naquele Estado, segundo o qual as empresas catarinenses de emitir um conhecimento de frete para cada carga de frango ou para cada carga de pintos de um dia, "já que o cliente pagador é sempre o mesmo (a recorrente)", ressaltando que "este regime especial, concedido pelo Estado de Santa Catarina, ocorre com todos os frigoríficos de aves e suínos sediados no nosso Estado" (fls. 612). Em sessão de 19 de junho de 2018, foi proferido o Acórdão nº 3302005/548 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, da lavra do ilustre Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Presidente da Turma), e assim ementado, verbis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. Ressaltou o Relator do Acórdão acima, em seu extenso voto, que existem três correntes sobre o tema: uma primeira, defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979; a segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99; e, finalmente, uma terceira corrente, defendendo, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10925.000379/200764 Acórdão n.º 3001000.687 S3C0T1 Fl. 5 7 Dizendose filiado à terceira corrente, o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède destacou em seu voto que esta corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos, em maior ou menor agrangência, cujas ementas transcrevemos aqui, a saber. Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no Fl. 620DF CARF MF 8 processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Após as transcrições acima, prosseguiu o ilustre Relator em seu brilhante voto, quanto segue. Venho fazendo distinção entre embalagens destinadas meramente ao transporte daquelas destinadas não só ao transporte, mas também à manutenção da qualidade do produto Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10925.000379/200764 Acórdão n.º 3001000.687 S3C0T1 Fl. 6 9 a ser vendido. Porém, curvome ao entendimento deste colegiado, que, reiteradamente, vem adotando a posição majoritária de conceder créditos sobre materiais de embalagem destinados também a transporte, bem como outras turmas julgadoras deste conselho e a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3302004.890, CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. Acórdão 3201003.454: EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos, estão elencados dentre as despesas que dão direito ao aproveitamento de créditos da Cofins. Acórdão nº 3402004.880: CRÉDITO. PALLETS DE MADEIRA PARA TRANSPORTE. AQUISIÇÃO E REPAROS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda, de modo que é indispensável e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está relacionado à atividade da Recorrente, dando direito ao crédito como insumo do processo produtivo. Acórdão nº 9303006.068: COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Fl. 622DF CARF MF 10 Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Em conclusão ao seu novo entendimento, curvandose aos reiterados pronunciamentos da sua e de outras Turmas, e também da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, concluiu o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, na verdade, "a distinção entre embalagens de apresentação e embalagens de transporte é própria do IPI e importa na caracterização da ocorrência ou não da operação de industrialização e definição da incidência do IPI quando condicionada à forma de embalagem (artigo 3º da Lei nº 4.502/1964), ou seja, situações que em nada se assemelham à tratada nas legislações do PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos. Salientase que a legislação do PIS/Pasep e Cofins quando quis utilizar definições do IPI o fez expressamente, como no § 3º do artigo 10 da Lei nº 11.051/2004: Art. 10. Na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pela pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, aplicamse, conforme o caso, as alíquotas previstas: (Vigência) [...] § 3o Para os efeitos deste artigo, aplicamse os conceitos de industrialização por encomenda do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Diante do exposto, considerando que o motivo central da decisão recorrida ter negado guarida a pretensão do contribuinte foi o fato de entender (a) que as embalagens de apresentação e de transporte são diferenciadas na lei e, portanto, somente as primeiras geram o benefício pretendido; e, (b) que os gastos com transportes foram glosados por não ter a empresa exibido notas fiscais específicas vinculando o transporte com cada produto adquirido; considerando que, como demonstrado acima, a jurisprudência do CARF e da própria CSRF entende que, em se tratando de PIS/PASEP e COFINS, não se aplicam as regras específicas do IPI e nem a do IRPJ, mas uma terceira, mitigada, conjugandose os dois entendimentos, tal como consubstanciado Acórdão nº 3302005.548 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido em 19 de junho de 2018, e nas diversas outras decisões e ementas reproduzidas por este Acórdão; considerando que art. 67 do Anexo II do RICMS/SC (que trata da dispensa de conhecimento no transporte vinculado a contrato naquele Estado), dispensa as empresas catarinenses emitirem um conhecimento de frete para cada carga de frango ou para cada carga de pintos de um dia, "já que o cliente pagador é sempre o mesmo (a recorrente)", VOTO no sentido de tomar conhecimento para dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10925.000379/200764 Acórdão n.º 3001000.687 S3C0T1 Fl. 7 11 Fl. 624DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903383/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON.
Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal.
Numero da decisão: 3401-005.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON. Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF RETIFICADORA. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ E DACON. Para que ocorra a comprovação do crédito pleiteado é necessário que ocorra a devida retificação da DCTF e do DACON e o equívoco que gerou a retificação deve ser restar comprovado. A DIPJ possui natureza meramente informativa. O DACON não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 83 /2 00 8- 19 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10882.903383/200819 Acórdão n.º 3401005.524 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Versa o presente sobre o DCOMP indicando como crédito pagamento indevido ou a maior de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) embora tenha recolhido DARF de COFINS e tenha declarado esse mesmo valor em DCTF, o valor a pagar no período era ZERO (conforme declarado em DIPJ e DACON); (b) após a entrega da DCTF identificou que possuía diversos créditos não aproveitados em razão do então recém instituído regime não cumulativo; e (c) deve a fiscalização tomar em conta todas as declarações da empresa. Requereu ainda provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado), e por não se revestirem a DIPJ e o DACON de instrumentos de confissão de dívida. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.488, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.903377/200853, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.488): "A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 30 dias, de acordo com a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, a qual é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele tomase conhecimento. Segundo o Despacho Decisório, ao comparar o pagamento indicado na DCOMP com a informação de débito Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10882.903383/200819 Acórdão n.º 3401005.524 S3C4T1 Fl. 0 3 constante da DCTF ativa à época, constatase que o valor recolhido via DARF, informado na DCOMP, estava integralmente utilizado para quitação do débito declarado em DCTF, não restando créditos passíveis de compensação. Sustenta a recorrente que, depois de ter apresentado a DCTF, apurou créditos do regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, motivo pelo qual refez a apuração do PIS e COFINS e que, por conseguinte, concluiuse que o valor devido naquele período, janeiro de 2004, era zero e não R$ 26.785,48, como havia consignado em DCTF. Diante de tal fato, procedeu à correta declaração em DIPJ e DACON, fato que, segundo a recorrente, gerou crédito de R$ 26.785,48, o qual pretende compensar. Pois bem. Inicialmente é de bom grado ressaltar que cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, art. 373, I, do CPC, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. Assim, para que seja possível a homologação da DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Registrese que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84, e Instruções da RFB que dispõem sobre a DCTF). Para comprovar que o débito declarado em DCTF e recolhido via DARF era indevido, a recorrente teria que provar que o que havia declarado, confessado e recolhido não era condizente com a realidade, e mais, que outro valor traduziria o realmente devido, ante a legislação tributária aplicável. Denotase que a recorrente se limitou às declarações (DACON e DIPJ), as quais são instrumentos onde o contribuinte fornece à Administração Tributária informações referentes a apuração de impostos e contribuições federais. Indubitavelmente, para que seja constada a veracidade das informações consignadas nas declarações é preciso que estas estejam acompanhadas, no mínimo, dos documentos/registros contábeis e fiscais da declarante. In casu, a recorrente trouxe aos autos, com o viés de comprovar o seu crédito, a DACON e da DIPJ com informações diferentes da DCTF originária e, por conseguinte, arguiu incoerência entre as declarações prestadas. Ou seja, não há Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10882.903383/200819 Acórdão n.º 3401005.524 S3C4T1 Fl. 0 4 prova nos autos; apenas declarações e argumentos, que não têm força de comprovar que o alegado reflete a verdade dos fatos. Oportuno citar o disposto no art. 147, § 1º do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifei) Ressaltase que este Egrégio CARF possui entendimento pacífico no que tange ao objeto da presente controvérsia. Veja se: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Se a razão do pagamento indevido ou a maior foi o equívoco em relação ao regime de apuração da contribuição (cumulativo ou nãocumulativo), tal fato deve restar comprovado. Além disso, é indispensável a retificação da DCTF e do DACON para a devida comprovação do crédito pleiteado. (CARF – Acórdão 3401005.333, de 25/09/2018 – grifei) [...] VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferilo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2004 DIPJ E DACON. NATUREZA JURÍDICA. A DIPJ possui natureza meramente informativa. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10882.903383/200819 Acórdão n.º 3401005.524 S3C4T1 Fl. 0 5 O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. (CARF – Acórdão 3001000.544 de 17/10/2018 – grifei) Por fim, reiterase o disposto no acórdão recorrido, no sentido de que a recorrente devia possuir consigo as provas necessárias para a comprovação de seu crédito, uma vez que toda documentação de respaldo à escrituração contábil deve ser mantida em boa ordem e conservada sob a responsabilidade do sujeito passivo para que possa ser colocada à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil enquanto não ocorrida a decadência ou a prescrição dos créditos tributários vinculados aos fatos a que se refiram (art. 195, § único do CTN e art. 264, caput e § 3º, do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999). Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.723284/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.676
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 23 28 4/ 20 13 -8 1 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10850.723284/201381 Resolução nº 3401001.676 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10850.723284/201381 Resolução nº 3401001.676 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901600/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/08/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.590
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/08/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 00 /2 01 3- 74 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.901600/201374 Acórdão n.º 3401005.590 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.247. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.901600/201374 Acórdão n.º 3401005.590 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.901600/201374 Acórdão n.º 3401005.590 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.901600/201374 Acórdão n.º 3401005.590 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.901600/201374 Acórdão n.º 3401005.590 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.901600/201374 Acórdão n.º 3401005.590 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 329DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.910841/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para a análise de mérito do direito creditório pleiteado, por maioria de votos. Vencidos os conselheiros Sergio Abelson, Breno do Carmo Moreira Vieira e Neudson Cavalcante Albuquerque.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Sérgio Abelson (Suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para a análise de mérito do direito creditório pleiteado, por maioria de votos. Vencidos os conselheiros Sergio Abelson, Breno do Carmo Moreira Vieira e Neudson Cavalcante Albuquerque. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 08 41 /2 00 8- 50 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.910841/200850 Acórdão n.º 1201002.711 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Sérgio Abelson (Suplente convocado), Rafael Gasparello Lima, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente em exercício). Relatório 1. Tratase de processo administrativo instaurado a partir da apresentação de Manifestação de Inconformidade (fls. 23/24) contra o Despacho Decisório nº 783766349 (fls. 2/6), emitido em 26/08/2008, relativo ao PER/DCOMP nº 12214.90940.080408.1.7.02 8710. 2. O PER/DCOMP é referente a pedido de compensação de débitos de IRPJ (R$ 38.461,35) e de CSLL (R$ 15.722,39), dos anoscalendário de 2003 e 2004 (totalizavam R$ 54.183,74), com saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 41.831,04 (total do crédito original utilizado na DCOMP, sendo que o crédito original na data de transmissão remontava R$ 42.080,25, com atualização somava R$ 54.506,55), anocalendário de 2002. 3. O Despacho Decisório aponta que não foi possível confirmar a apuração do crédito em razão do valor informado na DIPJ a título de saldo negativo (R$ 42.080,25) não corresponder ao valor constante do PER/DCOMP (R$ 69.869,24). A compensação não foi homologada e se exigiu do contribuinte o pagamento dos débitos indevidamente compensados no montante de R$ 41.084,01, acrescido de multa (R$ 8.216,74) e juros (R$ 28.337,78). 4. A contribuinte, devidamente intimada do despacho, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 23/24) onde requer a anulação do despacho decisório, o cancelamento da exigência e a anulação do PER/DCOMP retificador de nº 12214.90940.080408.1.7.028710. 5. Em sessão de 16 de dezembro de 2010, a 1ª Turma da DRJ/CTA, por maioria de votos, julgou pela não homologação da compensação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0629.695 (fls. 34/41). Restou vencido o Julgador Ney Kazuo Kusakariba, que votou pela análise do direito creditório. 6. A ementa do Acórdão nº 0119.814 recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E/OU DE CSLL. DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1°. Portanto, em cumprimento ao Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.910841/200850 Acórdão n.º 1201002.711 S1C2T1 Fl. 4 3 disposto no art. 170 do CTN, ao §14 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, e à Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ. Tendo o contribuinte sido intimado a regularizar a divergência, e quedandose inerte, a divergência impede que o Fisco proceda à análise do direito creditório informado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. 7. Cientificada da decisão (AR de 21/01/2011, fls. 45), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 49/57) em 21/02/2011 e complementou sua defesa com os seguintes pontos: (i) a Recorrente interpretou de forma equivocada o teor da intimação da RFB para corrigir irregularidade no preenchimento do PER/DCOMP; (ii) a DRJ, ciente do erro cometido pela Recorrente, decidiu pela improcedência sem se manifestar quanto ao direito creditório, ferindo o princípio da verdade material; e (iii) o direito creditório existe e mero erro no preenchimento não pode ser impeditivo à homologação da compensação. Por fim, requer seja: anulada a PER/DCOMP retificadora sob o nº 12214.90940.080408.1.7.028710, reconhecido o direito creditório e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 8. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual 9. Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. 10. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. 11. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.910841/200850 Acórdão n.º 1201002.711 S1C2T1 Fl. 5 4 diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte trouxe aos autos fortes indícios de erro no preenchimento ora da DIPJ ora da PER/DCOMP, por não compreender o teor da intimação da autoridade fiscal. 12. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 13. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). 14. Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. 15. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. 16. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 17. Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.910841/200850 Acórdão n.º 1201002.711 S1C2T1 Fl. 6 5 do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. 18. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. 19. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado 20. No presente caso, a douta autoridade fiscal considerou que o saldo negativo de IRPJ registrado pelo contribuinte no PER/DCOMP não correspondia ao valor declarado na DIPJ/2003 e, portanto, não seria possível homologar a compensação. 21. Por sua vez, a Recorrente reconhece que interpretou de forma equivocada a intimação recebida para regularizar o pedido de compensação e cometeu erro ao preencher a PER/DCOMP, indicando a soma das estimativas recolhidas no lugar do saldo negativo do período. 22. Em seu Recurso Voluntário, o sujeito passivo detalha a cronologia de seu pedido de compensação, considerando o PER/DCOMP original e os retificadores, e relata o erro cometido, conforme transcrito abaixo: “1. 29/06/2004 — Envio do Per/Dcomp original n°. 40907.58170.290604.1.3.020747: na declaração de compensação original, a Recorrente informou como saldo negativo o valor de R$ 55.983,66; o qual estava divergente do valor apurado na DIPJ/2003, de sorte que deliberadamente procedeu à retificação do crédito, informando no Per/Dcomp retificador de n°. 36785.19530.080704.1.7.027010 o valor de R$ 42.080,25; 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.910841/200850 Acórdão n.º 1201002.711 S1C2T1 Fl. 7 6 2. 29/08/2007 — Recebimento do Termo de Intimação n°. 697522128: a Recorrente foi intimada a apresentar Per/Dcomp retificador detalhando corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo requerido, tendo em vista que na composição do crédito no Per/Dcomp houve apenas a informação das estimativas que davam suporte ao crédito pleiteado, ou seja, R$ 42.080,25 e na DIPJ/2003 o demonstrativo das parcelas do saldo negativo totalizavam R$ 69.869,24; 3. ao se manifestar quanto ao termo de intimação, a Recorrente apresentou o Per/Dcomp retificador n°. 14001.80546.280907.1.7.026746 mantendo o valor do saldo negativo apurado na DIPJ/2003, no importe de R$ 42.080,25; posto ser este, segundo seu entendimento, o efetivamente correto e que tal retificação supria a demanda da intimação; 4. na sequência, por rever seus atos, a Recorrente entendeu que a intimação apenas seria respondida de forma efetiva se houvesse retificação do valor saldo negativo de R$ 42.080,25 para R$ 69.869,24; enviando o novo Per/Dcomp retificador n°. 12214.90940.080408.1.7.028710 alterando o valor do crédito para R$ 69.869,24. A Requerente apresentou nova Dcomp Retificadora por entender que a intimação pedialhe que o saldo negativo fosse retificado para R$ 69.869,24; quando este, de fato, era o valor das estimativas pagas e não o valor do crédito buscado.” (grifos nossos). 23. Com base no trecho acima, depreendese que o montante de R$ 69.869,24 se trata da soma das estimativas recolhidas a título de IRPJ em 2002 e não do saldo negativo do período. Tal afirmação é corroborada pela soma dos valores indicados como “Pagamentos: Por Estimativa” nas fls. 9/10 do PER/DCOMP nº 12214.90940.080408.1.7.028710 (fls. 2/22): Período de Apuração do Pagamento por Estimativa Valor 31/01/2002 R$ 13.885,58 28/02/2002 R$ 8.351,36 28/03/2002 R$ 15.650,78 30/04/2002 R$ 14.701,01 28/06/2002 R$ 8.663,46 30/06/2002 R$ 8.614,05 TOTAL R$ 69.866,24 24. Para comprovar suas alegações a Recorrente apresenta, ainda que apenas a "folha de rosto", os seguintes documentos: PER/DCOMP retificadora sob nº 36785.19530.080704.1.7.027010 (fls. 29); PER/DCOMP retificadora sob nº 14001.80546.280907.1.7.026746 (fls. 28); e DIPJ/2003 (anocalendário 2002). 25. Constato que o erro formal e as provas apresentadas pela contribuinte em sede de Recurso Voluntário, apesar de não serem suficientes para comprovar seu direito creditório, demonstram fortes indícios de que o saldo negativo passível de compensação existe. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.910841/200850 Acórdão n.º 1201002.711 S1C2T1 Fl. 8 7 26. Dado do histórico de sucessivas retificações, entendo que a ausência de coincidência de valores lançados a título de saldo negativo, na DIPJ e no PER/DCOMP, por si só não deve obstar a efetiva análise por parte das autoridades fiscal e julgadoras acerca da legitimidade direito creditório, tanto com fundamento no princípio da verdade material como no da eficiência. Vejam que, um dos próprios julgadores da DRJ votou em favor da apreciação do direito creditório. 27. Em que pese a contribuinte não apresente a íntegra dos documentos, bem como a respectiva documentação fiscal e contábil capazes de comprovar cabalmente a origem do direito creditório, as autoridades administrativas, por sua vez, também não se aprofundaram na análise do crédito, mesmo possuindo meios para tanto. 28. Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 9 a 14 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. 29. Logo, como a existência e quantificação (suficiência) do crédito não foram objetos de análise, entendo que cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório, abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. 30. No mais, é fundamental que se verifique, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, se a contribuinte utilizou o mesmo montante aqui pleiteado em outros pedidos de compensação. Conclusão 31. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.690054/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
Numero da decisão: 3401-005.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(sucessora de LABORATÓRIO AMERICANO DE FARMACOTERAPIA S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDERÇO DE ADVOGADO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO CABIMENTO. SÙMULA CARF 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, conforme Súmula CARF no 110. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 00 54 /2 00 9- 95 Fl. 866DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 8 a 121, transmitido em 25/01/2007, invocando crédito de COFINS, referente a setembro de 2006, indeferido por meio do Despacho Decisório Eletrônico (DDE) de fl. 3, datado de 23/10/2009, por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade de fls. 14 a 21, em 10/12/2009, alega a empresa COSMED INDÚSTRIA DE COSMÉTICOS E MEDICAMENTOS S.A. (sucessora de LABORATÓRIO AMERICANO DE FARMACOTERAPIA S.A.) que: (a) o montante demandado resulta de pagamento a maior, mas, por lapso, não foi retificada a correspondente DCTF; (b) em razão de ser do ramo de farmacêuticos e cosméticos, está sujeita tanto ao regime não cumulativo, quanto àquele previsto no art. 1o da Lei no 10.147/2000 (que prevê alíquotas diferenciadas e crédito presumido para remédios de tarja preta e vermelha); (c) apesar de declarar em DACON o valor devido correto, com deduções, efetuou pagamento pelo valor total, apresentando DCTF retificadora, alocando parte do pagamento indevido ao PER/DCOMP constante no presente processo; e (d) privilegiar aspectos formais em detrimento do efetivo direito de crédito, além de contrapor decisões administrativas, enseja enriquecimento sem causa da União. Junta à manifestação a seguinte documentação pertinente: DACON, planilha de apuração de PIS/COFINS e DCTF. Requer, por fim, sejam as intimações feitas no endereço dos advogados, sob pena de nulidade absoluta. A decisão de primeira instância, proferida em 27/06/2014 (fls. 571 a 576) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) sendo a DCTF retificadora apresentada após a ciência do contribuinte do despacho decisório de não homologação, para que se atribua eficácia às informações nela contidas é necessário que esteja lastreada com documentos hábeis e idôneos, comprovando o equívoco cometido; e (b) caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10880.690054/200995 Acórdão n.º 3401005.460 S3C4T1 Fl. 867 3 Após ciência da decisão da DRJ, em 19/05/2015 (termo à fl. 583), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 585 a 595, em 18/06/2015, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, desconsiderando o documento apresentado (DACON), afrontou a verdade material, e que “...protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário”, reiterando que devem as intimações ser remetidas ao escritório de advocacia, sob pena de nulidade absoluta. Em 02/07/2015, o recurso apresentado é encaminhado ao CARF (fl. 599), sendo distribuído a este relator, por sorteio, em junho de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Sobre a demanda por intimação no endereço do advogado, “sob pena de nulidade absoluta”, destaquese que a intimação, nos processos tributários, como o presente, é regida pelo disposto no Decreto no 70.235/1972, que não contempla a intimação no endereço de advogado do contribuinte, tema que é assentado neste tribunal administrativo a ponto de recentemente ensejar a edição de súmula: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Expurgada essa discussão inicial do contencioso, resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação Fl. 868DF CARF MF 4 jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito existe, e deriva do art. 1o da Lei no 10.147/2000 (que prevê alíquotas diferenciadas e crédito presumido para remédios de tarja preta e vermelha). Para provar o alegado, junta tabelaresumo de receitas auferidas, DACON de setembro/2006, DARF de pagamento, planilha de apuração da base de cálculo, e DCTF retificadora referente a setembro/2006 datada de 09/12/2009. Por certo que tal documentação é insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, o que fez com que a instância de piso, diante da carência probatória, indeferisse o direito, chegando a sugerir o que deveria ter a demandante carreado aos autos: “Portanto, no presente caso, caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10880.690054/200995 Acórdão n.º 3401005.460 S3C4T1 Fl. 868 5 O Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon (...), por si só não pode ser considerado como elemento de prova. Tanto a DCTF original quanto o Dacon foram apresentados tempestivamente, assim permanece a dúvida: em qual dos dois documentos foram informados os valores corretos? Daí porque, entendo que, no presente caso, o contribuinte deveria ter apresentado cópia de documentos da escrituração (livro Razão, por exemplo), para efetivamente demonstrar o erro supostamente cometido. Destarte, diante da ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP, não há como acolher a pretensão da defesa, mantendose, pois, o despacho decisório da autoridade local que originou o presente litígio.” (grifo nosso) Até entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. No entanto, mesmo depois de ter seu pleito rechaçado na instância de piso, com a expressa revelação dos motivos pelos quais se entendeu haver carência probatória, com indicação exemplificativa da documentação que poderia provar o alegado, decidiu a recorrente manter postura inerte, de simplesmente endossar que possui o crédito, reproduzindo a manifestação de inconformidade, sem apresentar novos documentos, e acrescentando tópico no qual sustenta que o simples indeferimento, pela DRJ, desconsiderando o documento apresentado (DACON), afrontou a verdade material, e que “...protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário”. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 E faltou com seu dever de colaboração duplamente a recorrente: primeiro, pelo pedido de crédito alçado em documentação que, por lapso, não corrigiu, nem comprovou, ao apresentar sua manifestação de inconformidade; e, segundo, por insistir em sua peça recursal na não comprovação, mesmo tendo a instância de piso indicado expressamente as razões do indeferimento e que documentos, exemplificativamente, deveria a postulante ter carreado aos autos. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 870DF CARF MF 6 A demanda derradeira para “...provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de novos documentos e realização de perícia, caso se entenda necessário” opera como um desejo de, na segunda instância do contencioso administrativo, permitirse à empresa a apresentação de provas que ela própria tinha o dever de apresentar desde o início da contenda, sob pena de indeferimento do crédito, como aqui exposto, e opõese ao que reza o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972, visto que não se está mais, no caso, diante de nenhuma das situações previstas em suas alíneas. Concluise, então, que a empresa postulante ao crédito efetivamente não se desincumbe de seu dever de comproválo, cabendo a este colegiado, consequentemente, a manutenção da decisão de piso, com a negativa do direito de crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 871DF CARF MF
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