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Numero do processo: 15586.000325/2006-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2004, 2005
Não merecem prosperam as multas isoladas sobre estimativas se as importâncias já antecipadas, no curso do ano-calendário fiscalizado, superam o montante definitivo do tributo calculado em 31 de dezembro, gerando direito creditório à recorrente, pois as diferenças que servem de base de cálculo às mencionadas sanções, se recolhidas espontaneamente, antes do procedimento fiscal, aumentariam o crédito do autuado em face da União.
Assim, é evidente que, em tais circunstâncias, as multas aplicadas, após o término do período anual de apuração, refletem-se como punição incidente sobre a parcela que seria acrescida ao direito creditório, o que revela a irrazoabilidade da medida punitiva.
Numero da decisão: 1401-001.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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Assim, é evidente que, em tais circunstâncias, as multas aplicadas, após o término do período anual de apuração, refletemse como punição incidente sobre a parcela que seria acrescida ao direito creditório, o que revela a irrazoabilidade da medida punitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 03 25 /2 00 6- 20 Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000325/200620 Acórdão n.º 1401001.353 S1C4T1 Fl. 3 2 Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de recurso interposto pela contribuinte contra acórdão que julgou procedente em parte o lançamento. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Trata o presente processo de Autos de Infração, lavrados pela DRFNitória, referente aos anoscalendário de 2001, 2003 e 2004, com ciência em 23/11/2006, por meio dos quais foram exigidos da interessada a multa isolada quanto ao IRPJ, no valor de R$ 219.325,85 (fl. 1361/1363) e multa isolada quanto à CSLL, no valor de R$ 114.008,62 (fl. 1367/1369), PIS, no valor de R$ 3.780,84 (fl. 1370/1374) e COFINS, no valor de R$ 17.450,06 (fl. 1375/1379), ambos com multa de 75 %, no total de R$ 382.732,93 crédito tributário (fl. 03/06 e 1355). 2. A fiscalização, após as providências do Termo de Início de Fiscalização (fl. 07/08) e Termos de Intimação (fl. 225/256, 428/434, 483, 484/491 632/634, 1121/1122, 1137, 1139, 1141/1159 e 1231/1232), autuou a interessada, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 13271357), no qual, em síntese, relatou toda a ação fiscal, na qual foram examinados documentos e livros, as importações (fl. 1328), devido a diferenças entre valore informados nas DIPJ e registrados no SISCOMEX, feito cotejo com as DCTF. 3. Em relação à autuação, a fiscalização intimou a interessada (fl. 632/634) a se manifestar quanto a diferenças entre valores na DIPJ e LALUR e a apresentar comprovantes de recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL, apurados com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, justificando, com documentação, em caso de não recolhimento, conforme demonstrativo (fl. 1340). 4. A interessada apresentou resposta (fl. 635/643), alegando, em síntese, que algumas estimativas foram quitadas pelo ajuste anual; que em alguns meses Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000325/200620 Acórdão n.º 1401001.353 S1C4T1 Fl. 4 3 teve prejuízo fiscal e que se tivesse efetuado recolhimentos haveria saldo negativo de IRPJ e de CSLL no final dos anoscalendário; que havia valores a compensar, quanto a janeiro de 2004 estando PERD/COMP pendente de retificação; que, entre fevereiro e julho de 2004, recolheu IRPJ a maior que as estimativas apuradas, optando por recolher somente a diferença em julho de 2004; que houve parcelamentos e recolhimentos, nada sendo devido. 5. A fiscalização considerou que houve falta de recolhimento das estimativas para o IRPJ e CSLL, conforme a seguir, autuando com aplicação de multa isolada, nos termos do Art. 44, IV, parágrafo 1 ° da Lei n ° 9.430, de 1996: A) Anocalendário de 2001: Os valores de R$ 2.911,34 e R$ 1.746,81, respectivamente, de IRPJ e CSLL, foram escriturados (fl. 672/673) e informados pela interessada em planilha (fl. 666), porém não recolhidos nem declarados em DCTF e em DIPJ (fl. 1280/1286), no mês de dezembro de 2001. Só houve informação na ficha de apuração anual. Os recolhimentos efetuados para este mês se referiam a saldo de IRPJ e CSLL, apurados no ajuste anual (fl. 1343). B) Anocalendário de 2003: A interessada não declarou, em DCTF, os valores mensais devidos de IRPJ e CSLL (fl1346); nem efetuou recolhimentos mensais (11348),_para setembro a novembro para IRPJ e para agosto a novembro para CSLL. A interessada era obrigada aos recolhimentos mensais, segundo a fiscalização, ainda em caso de prejuízo fiscal ou apuração de base de cálculo negativa para a CSLL. C) Anocalendário de 2004: A interessada não declarou, em DCTF, os valores mensais devidos de IRPJ e CSLL (fl. 1349), nem efetuou recolhimentos mensais (fl. 1348). A interessada era obrigada aos recolhimentos mensais, segundo a fiscalização, ainda em caso de prejuízo fiscal ou apuração de base de cálculo negativa para a CSLL. Foram apuradas divergências entre os registros do LALUR (fl. 1091/1115) e informados na DIPJ (fl. 1299/1311). A interessada foi intimada a se manifestar (fl. 1350/1351), com a apresentação dos balancetes de suspensão ou redução, com resposta (fl. 1124/1137), que foi considerada com apuração dos valores demonstrados (fl. 1353). 6. A interessada, ainda, foi autuada quanto a receitas operacionais decorrentes de operações próprias contabilizadas indevidamente por conta de terceiros (fl. 1354), com valores sujeitos à incidência de PIS e COFINS, no anocalendário de 2003, nos valores, respectivamente, de R$ 3.780,84 e R$ 17.450,06 (fl. 1355), ambos com multa de 75 % e encargos legais cabíveis. 7. Em sua impugnação (fl. 1382/1385), interposta em 19 de dezembro de 2006, a interessada alegou, em síntese, discordar da exigência da multa isolada, por entender haver esclarecido, quando de sua resosta ao Termo de Intimação n ° 6 (fl. 635/643), que as estimativas não recolhidas teriam base no resultado do ano, pois se houvesse recolhido mensalmente, teria acumulado crédito fiscal no encerramento do ano, fato que traria indubitável prejuízo ao erário; que à exceção de dezembro de 2001, os demais períodos geraram prejuízo fiscal. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000325/200620 Acórdão n.º 1401001.353 S1C4T1 Fl. 5 4 8. Alegou que a pretensão do fisco era equivocada, ilegal e inconstitucional, tratandose de confisco. Citou julgados (fl. 1383/1384) e requereu o cancelamento das multas aplicadas. 9. Juntei pesquisa ao Sistema da RFB (fl. 1390/1402). É o relatório. Em face destes argumentos, 5ª Turma da DRJ/RJOI, proferiu acórdão, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2004, 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUTUAÇÃO RELATIVA A PIS E COFINS. Considerase não impugnada matéria não expressamente contestada. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DERECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA. Por expressa disposição legal, a falta injustificada de recolhimento de parcela da estimativa enseja, ainda que tenha sido apurados prejuízo fiscal e bases de cálculo negativas da CSLL, a cominação de multa isolada sobre a diferença não recolhida. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO. Reduzse o percentual da multa isolada de 75 % para 50% em virtude de alteração na legislação, aplicando: se o princípio da retroatividade benigna, previsto no ordenamento jurídico. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, a PMG VITÓRIA EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA (atual denominação da MULTIGRAN VITÓRIA EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA) interpôs Recurso Voluntário. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro O presente Recurso Voluntário é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço nos termos da lei. Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração para referente aos anoscalendário de 2001, 2003 e 2004, com ciência em 23/11/2006, por meio dos quais foram exigidos da interessada a multa isolada quanto ao IRPJ, no valor de R$ 219.325,85 (fl. 1361/1363) e multa isolada quanto à CSLL, no valor de R$ 114.008,62 (fl. 1367/1369), Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000325/200620 Acórdão n.º 1401001.353 S1C4T1 Fl. 6 5 PIS, no valor de R$ 3.780,84 (fl. 1370/1374) e COFINS, no valor de R$ 17.450,06 (fl.1375/1379), ambos com multa de 75 %, no total de R$ 382.732,93 crédito tributário (fl. 03/06 e 1355). No que tange aos valores de PIS e COFINS os mesmos não foram impugnados, e já foram devidamente pagos; com relação à redução da multa de ofício pela retroatividade benigna também já restou devidamente julgado pela decisão de primeira instância. Assim, o objeto do Recurso Voluntario sob questão versa somente quanto a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. No compulsar dos autos a Recorrente apresentou resposta (fl. 635/643), alegando, em síntese, que algumas estimativas foram quitadas pelo ajuste anual; que em alguns meses teve prejuízo fiscal e que se tivesse efetuado recolhimentos haveria saldo negativo de IRPJ e de CSLL no final dos anoscalendário. Bem, entendo que o argumento prestado pela contribuinte merece procedência. Vejamos a legislação sob regência. O dispositivo legal referido no auto de infração, artigo 44, inciso I e § 1º, inciso IV, da Lei nº. 9.430/96, tem a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O artigo 2º da Lei nº. 9.430/96, acima referido, dispõe: "Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º. e 2º. do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995." O artigo 35 e seus §§ 1º e 2º, da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com a nova redação dada ao § 2º, pelo artigo 1º, da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995, tem a seguinte dicção: Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000325/200620 Acórdão n.º 1401001.353 S1C4T1 Fl. 7 6 "Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através dos balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º. Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário; § 2º. estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que através do balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano calendário." Interessa, ainda, à compreensão dos fatos, as disposições do artigo 37 da Lei nº. 8.981/95: "Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data da extinção." Da exegese dos dispositivos legais acima referidos dessumese que a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidas mensalmente, somente faria sentido se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultasse prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o anocalendário, de imposto devido maior do que o recolhido por estimativa. Se a contribuinte, sujeita à tributação com base no lucro presumido, opta pelo pagamento mensal do imposto em bases estimadas, uma vez inadimplente após o vencimento do prazo para recolhimento o fisco já pode exigilo cumulado com os consectários legais, já a partir do primeiro dia do mês seguinte, dentro do próprio anocalendário. Ora, o recolhimento mensal por estimativa se reveste, na hipótese, de uma característica de provisoriedade, onde encerrado o anocalendário é calculado o montante do tributo efetivamente devido, podendo resultar, na declaração de ajuste, recolhimento a maior, por estimativa, no curso do anocalendário, caso em que a contribuinte tem direito à restituição ou compensação, ou ainda uma diferença de tributo a ser recolhido ou, ainda, o empate das contas. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000325/200620 Acórdão n.º 1401001.353 S1C4T1 Fl. 8 7 O certo é que, no presente caso, a contribuinte, embora não tivesse recolhido parte das estimativas, uma vez concluído o período anual de incidência do imposto e entregue a Declaração de Rendimentos, restando, portanto, encerrado o ciclo provisório, mediante a definição das bases de cálculo declaradas pela contribuinte. Esses fatos evidenciam que o regime de recolhimento mensal por estimativa tem na sua gênese um entendimento de previsibilidade de que o montante do tributo devido no curso do anocalendário, quando a contribuinte opta pela apuração anual do lucro real, ao final do anocalendário deveria corresponder ao montante do tributo devido no período, em tese, ou em valor bastante aproximado ao efetivamente devido que viesse a ser apurado, pouco mais, pouco menos, tendo em vista ser quantificado a partir da aplicação de determinado percentual sobre a receita bruta mensal, porém não contempla os efeitos de fatores adversos não previstos ou previstos inadequadamente, excetuada a possibilidade dos balanços ou balancetes de suspensão, ainda assim, sujeitandose o resultado do exercício às imprevisibilidades possíveis de ocorrer no curso do anocalendário, a evidenciar a necessidade de um "ajuste fino" no referido regime de recolhimento mensal. Destarte, encerrado o período de apuração do imposto, resulta que a contribuinte, no curso do anocalendário, cometeu apenas irregularidade formal, consubstanciada no descumprimento de obrigação acessória, ao deixar de elaborar e de escriturar no livro Diário os referidos balanços ou balancetes de suspensão, exigência de natureza fiscal, que haveria de ser punida com multa específica ou, se inexistente, penalidade genérica ao descumprimento de obrigação acessória, não a exasperadora vultosa que lhe foi cominada, calculada com base em valores que supostamente devidos no curso do ano calendário (estimados), confirmouse indevidos quando do encerramento do anocalendário e da apresentação da respectiva declaração de rendimentos, ou seja: a multa isolada, ora discutida, lançada após a entrega da declaração de rendimentos, tomou por base valor de "imposto devido", que o fisco já tinha conhecimento e certeza de não ser devido e, portanto, de imposto não se tratava. A multa proporcional tributária exigida após o encerramento do período há de ser fundada ou ter a sua incidência em tributo definitivamente devido. Ainda que seja regulada por norma de efeito concreto, porém em face de o cálculo do quanto efetivamente devido só se perfazer após o período de apuração, há que se considerar, nessa data, perfeitamente exaurido o comando encerrado na referida legislação regente da matéria. Por outro lado, o efeito produzido pela norma não tem o condão de se alongar no tempo: contrário senso, materializa se de maneira plena e eficaz na apuração do montante definitivamente devido segundo o regime de tributação (lucro real) do período em questão. O entendimento não de poucos , que visa emprestar à penalidade ora sob discussão o caráter sancionatário à transgressão de norma de condutal, em sendo, por decorrência, desprezível a formação de sua base de cálculo, desfecha uma enganosa, frágil e simplista inferência acerca da natureza penitencial. Como norma de conduta tipificase, basicamente, qualquer inobservância às normas legais pelos seus destinatários não só essa. É consabido, ao reverso, que qualquer punição à norma de conduta há de se calcar em proporcionalidade pilar de justiça material, obediente aos princípios constitucionais da razoabilidade e da igualdade. A sua base de cálculo não poderá ser formada por algo Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000325/200620 Acórdão n.º 1401001.353 S1C4T1 Fl. 9 8 provisório ou inconsistente, pois refugiria a qualquer exercício lógico a imprestabilidade de uma sem que a que dela decorra não o seja. No presente caso, percebese que ao final da apuração anual dos anos calendários, a Recorrente obteve prejuízo fiscal e a cobrança e imposição da multa isolada se deu em exercícios posteriores. Nesse sentido, vejamos o enunciado da Súmula nº 82 deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. De igual forma, essa já era o entendimento do Antigo 1º Conselho de de Contribuintes do Ministério da Fazenda – 1º CC – MF que assim já se manifestava: MULTA ISOLADA. ANTECIPAÇÕES SUPERIORES AO MONTANTE DEFINITIVO APURADO EM 31 DE DEZEMBRO. Não podem prosperar as multas isoladas sobre diferenças de estimativas, se as importâncias já antecipadas, no curso do anocalendário fiscalizado, superam o montante definitivo do tributo, calculado em 31 de dezembro, gerando direito creditório à recorrente, pois as diferenças que servem de base de cálculo às mencionadas sanções, se recolhidas espontaneamente, antes do procedimento fiscal, aumentariam o crédito do autuado em face da União. Assim, é evidente que, em tais circunstâncias, as multas aplicadas, após o término do período anual de apuração, refletemse como punição incidente sobre a parcela que seria acrescida ao direito creditório, o que revela a irrazoabilidade da medida punitiva. (Acórdão 10322.470, 3ª Câmara do 1º CC,Relator Flávio Franco Correa, ) Publicado no D.O.U. nº 128 de 06/07/06. IRPJ CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA De acordo com o CTN, somente é possível estabelecer duas hipóteses de obrigação de dar, uma ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios (juros e a multa) e a outra relativamente à penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória, constituindo esta a única hipótese de se exigir multa isolada. Não fosse assim, encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, revelandose improcedente e cominação de multa sobre parcelas não recolhidas. (Acórdão 10321.492, 3ª Câmara do 1º CC, Relator Alexandre Barbosa Jaguaribe, Sessão 29/01/2004) Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000325/200620 Acórdão n.º 1401001.353 S1C4T1 Fl. 10 9 Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntario da contribuinte para cancelar a exigência de multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas. É como voto. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 05/03/201 5 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 16327.002244/2003-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/01/1998, 28/02/1998
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8.
Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Se configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador.
Se inexistir a antecipação do pagamento e a declaração de débito, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN, contando- se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Existindo a declaração de débito, ainda que sem o pagamento antecipado, aplica-se a regra do art. 150, § 4º, do CTN, operando-se a decadência em cinco anos, contados da data do fato gerador. O que ocorreu no caso vertente.
Precedente do STJ RESP 973.733.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3202-001.605
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA- Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Aplicação do disposto na Súmula Vinculante nº 08: “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Se configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operandose em cinco anos, contados da data do fato gerador. Se inexistir a antecipação do pagamento e a declaração de débito, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contando se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Existindo a declaração de débito, ainda que sem o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN, operandose a decadência em cinco anos, contados da data do fato gerador. O que ocorreu no caso vertente. Precedente do STJ RESP 973.733. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 22 44 /2 00 3- 35 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16327.002244/200335 Acórdão n.º 3202001.605 S3C2T2 Fl. 173 2 Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Patente Participações S/A contra Acórdão nº 1612.432, proferido pela 8ª Turma da DRJ/SPOI, que, por unanimidade, considerou procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Em consequência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 04/07/2003, contra a instituição financeira contribuinte acima identificada, o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS para formalização do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 326.549,42 (trezentos e vinte e seis mil, quinhentos e quarenta e nove reais e quarenta e dois centavos), incluindo os juros de mora, referente aos fatos geradores ocorridos em 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/01/1998, 28/02/1998 (fls. 02/03). 2. De acordo com o disposto no Termo de Verificação Fiscal (TVF fl. 08) e na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 03), o crédito tributário refere Fl. 172DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16327.002244/200335 Acórdão n.º 3202001.605 S3C2T2 Fl. 174 3 se à FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS (FINANCEIRAS E EQUIPARADAS), e foi lavrado com exigibilidade suspensa em decorrência de liminar concedida nos autos do processo n° 9700563707. 2.1. Consta no Termo de Verificação Fiscal (TVF fl. 08) que a contribuinte que anteriormente possuía objetivo social de Banco de Investimento, declarou, em sua DIRPJ/99, PIS com exigibilidade suspensa relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 1998. Regularmente intimada, a interessada, informou que os valores não pagos referemse à ação judicial 9700563707, com pedido para recolher o PIS com base na LC 7/70, no período de O7/1997 a 02/1998, com liminar e sentenças favoráveis à contribuinte e recurso da União ainda não apreciado pelo TRF. 2.2. Registra também o autuante que a base de cálculo relativa ao ano calendário de 1997 foi informada pela contribuinte (tabela à fl. 08). 2.3. A autuação está fundamentada nos arts. 1°, 2° e 4° da Medida Provisória n° 1.485/96 e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.701/1998; arts. 1°, 2° e 4° da Medida Provisória n° 1.67456/96 e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.701/1998; art. 3°, §§ 2° e 3°, da Lei Complementar n° 07/70, alterado pelo art. 72, inciso V, dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 17/1997. A contribuinte tomou ciência da autuação em 21/07/2003, conforme Aviso de Recebimento à fl. 29. 3. Irresignada com o lançamento a instituição financeira interessada, por intermédio de seu advogado e procurador (vide docs. de fl. 45/46), apresentou, em 19/08/2003, a impugnação de fls. 30 a 40, acompanhada dos documentos de fls. 41 a 113. 3.1. Na referida peça de defesa, após relato da autuação, a impugnante argúi, em apertada síntese, que: 3.1.1. Sendo a contribuição ao PIS um tributo cujo lançamento se dá por homologação, ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores de julho/ 1997 a fevereiro/ 1998, porquanto ultrapassado o prazo de cinco anos previsto no § 4°, do art. 150, do CTN; 3.1.2. Consoante prevê o art. 146, III, b, da CF/88, a matéria relativa a prescrição e decadência cabe somente à lei complementar; sendo assim, não se aplica o prazo de dez anos previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, por se tratar de lei ordinária; 3.1.3. Ademais, embora o art. 150, § 4°, do CTN, estabeleça o prazo de cinco anos “se a lei não fixar prazo à homologação”, não há como se pretender utilizar o Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16327.002244/200335 Acórdão n.º 3202001.605 S3C2T2 Fl. 175 4 prazo de 10 anos previsto na Lei n° 8.212/91, pois o prazo de 5 anos previsto no CTN seria um limite máximo a que 0 legislador ordinário está submetido; 3.1.4. Os valores relativos ao mês de setembro/97 estão incorretos, uma vez que a autoridade fiscal não considerou todos os recolhimentos no valor de R$ 3.669,58 pertinente àquele mês de competência, reportandose aos DARFS cujas cópias encontramse às fls. 109/110. 3.1.5. Os juros moratórios se devidos fossem, jamais poderiam ser cobrados na dimensão consignada pelo auto de infração, por terem sido calculados com base na taxa SELIC, índice inadequado para tanto.” A DRJ por unanimidade, considerou procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário exigido em acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/01/1998, 28/02/1998 PIS. DECADÊNCIA. O direito da Administração de constituir o crédito tributário relativamente às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme determina a legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Lançamento Procedente.” Cabe também trazer que consta do referido Acórdão que, por ocasião da cobrança do crédito tributário, deverá ser certificada e imputada a parcela dos recolhimentos efetuados em 31.12.1997 e 07.11.1997 (pertinentes ao PA ocorrido em setembro de 1997), no valor de R$ 1.834,79, que não foi considerada no lançamento. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16327.002244/200335 Acórdão n.º 3202001.605 S3C2T2 Fl. 176 5 Cientificado do referido acórdão em 24 de julho de 2007, a Patente Participações S/A apresentou recurso voluntário em 22 de agosto de 2007, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 24 de julho de 2007, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 22 de agosto de 2007. Depreendendose da análise do recurso voluntário, vêse que o cerne da lide envolve a lavratura de Auto de Infração com a exigência de PIS/Pasep decorrente de diferença, segundo a autoridade fazendária, recolhida a menor relativa aos meses de competência de julho a novembro de 1997, janeiro a fevereiro de 1998, acrescida de juros de mora. A priori, importante clarificar que, relativamente à observação constante do acórdão da DRJ: “[...]por ocasião da cobrança do crédito tributário, deverá ser certificada e imputada a parcela dos recolhimentos efetuados em 31.12.1997 e 07.11.1997 (pertinentes ao PA ocorrido em setembro de 1997), no valor de R$ 1.834,79, que não foi considerada no lançamento.” Esta já foi sanada, considerando o descrito na folha 143 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário – DICAT: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16327.002244/200335 Acórdão n.º 3202001.605 S3C2T2 Fl. 177 6 “Tendo em vista a duplicidade de controle do PIS para os Períodos de Apuração 0107/1997 e 0109/1997, foi efetuada a extinção do AIDCTF n.° 0036988, impugnado através do processo de n° 11610.014903/200286 (vide extrato do processo às fls. 137 e 138). Os pagamentos apresentados pelo interessado às fls. 109 e 110 encontramse disponíveis conforme extrato do contribuinte emitido pelo Sief às fls. 134 a 136. Diante do exposto, proponho o retomo do presente processo à DERATSPO EQCOB. [...]” Sendo assim, passo as questões suscitadas pela recorrente. Em síntese, traz a recorrente que: · Constou do auto de infração lavrado que: “O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força da Medida Liminar concedida nos autos do processo n° 97.00563 707 (art. 151, inc. Il e 1V do CTN)” · A autuação teve como único e exclusivo objetivo a constituição de crédito tributário relativo a suposta diferença, de modo forrarse dos efeitos de eventual decadência, sendo expressamente reconhecida a suspensão da exigibilidade por força da medida liminar concedida no MS n° 9700563707; · No entanto, a decadência já se consumou, posto que passados mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, restando, assim, impedida a Fazenda Nacional de efetuar o lançamento dos supostos créditos tributários a título de PIS, por força do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; · Demonstrou ainda que, mesmo que não houvesse ocorrido a decadência, de qualquer modo os juros moratórios, se devidos fossem, jamais poderiam ser cobrados na dimensão consignada pelo auto de infração, por terem sido calculados com base na taxa SELIC, índice inadequado para tanto. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16327.002244/200335 Acórdão n.º 3202001.605 S3C2T2 Fl. 178 7 Sendo assim, quanto à decadência, insurge a recorrente que: · Tratandose de exigência de valores relativos ao PIS, tributo cujo lançamento se dá por homologação, aplicase ao caso a regra do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional do seguinte teor: “Art. 150 – § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. " · No caso concreto, à evidência inexiste dolo, fraude ou simulação, visto que o próprio Fisco não cogita de tais ocorrências; · Nessas condições, o Fisco tinha o prazo de 5 anos para constituir o crédito tributário, de modo que tendo efetuado o lançamento de valores referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de julho a novembro de 1997, janeiro e fevereiro de 1998, somente em 22/07/2003 já decaiu de seu direito relativamente aos créditos lançados. · Dúvida não remanesce assim, “data maxima venia”, quanto ao fato de que eventual obrigação tributária relativa ao PIS incidente no período de julho a novembro de 1997 e em janeiro e fevereiro de 1998 já estaria extinta em razão da decadência que se operou · Verificase assim claramente que as contribuições sociais de que trata a Lei n° 8.212/91 são de fato apenas aquelas exigidas com base no art. 195, I da Constituição Federal, sendo este o motivo pelo qual a C. 2” Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já reconheceu que o prazo previsto no seu art. 45 não se aplica à contribuição ao PIS. · Por outro lado, ainda que venha a se entender que o artigo 45 da Lei 8.212/91 estabeleceu prazo de decadência com relação ao PIS, o que se admite apenas para argumentar, mesmo assim o prazo estabelecido por aquele artigo não poderá prevalecer face às disposições do Código Tributário Nacional sobre a matéria. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16327.002244/200335 Acórdão n.º 3202001.605 S3C2T2 Fl. 179 8 · De fato, consoante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) foi recepcionado pela Constituição Federal de 1967, em sua quase totalidade, como Lei Complementar (art. 19, § 1° da CF/67), por estabelecer normas gerais de direito tributário, regulando inclusive as limitações constitucionais do poder de tributar. · Sustenta a r. decisão recorrida que o reconhecimento da decadência da contribuição ao PIS com base no artigo 150, § 4° do CTN “implicaria concluir pela inconstitucionalidade do dispositivo contido na Lei nº 8.212/91 " e que para tanto a “instância administrativa” não seria competente (fls. 124). · Ocorre que, diversamente do que sustentou a decisão recorrida, a matéria de fundo comporta solução em sede infraconstitucional, seja pela antinomia das normas legais instituidoras do prazo decadencial em causa (art. 45 da Lei n° 8.212/91) com as normas de lei complementar previstas no CTN, seja pela inaplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212/91 ao PIS, conforme amplamente demonstrado no tópico anterior. Continuando, quanto à alegação da recorrente da imprestabilidade da Taxa Selic como índice para efeitos de computo dos juros de mora, traz que os juros de mora, se devidos fossem, jamais poderiam ser exigidos na dimensão pretendida, porque estão sendo calculados com base em percentual equivalente à taxa SELIC acumulada mensalmente, a qual além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN, como reiteradamente reconhecido pelo C. Superior Tribunal de Justiça. Passadas tais questões postas pela recorrente, tenho que, quanto à decadência, no tocante a ao prazo decadencial ser de 5 ou 10 anos para a Fazenda Nacional apurar e constituir o crédito tributário de PIS, notadamente em face do disposto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já dirimiu definitivamente a controvérsia, inclusive através da edição da Súmula Vinculante nº 08, cujo teor é o seguinte: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16327.002244/200335 Acórdão n.º 3202001.605 S3C2T2 Fl. 180 9 “SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.” E, quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, encontrase tal matéria pacificada pela recente jurisprudência deste CARF que acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não pode mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62A do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. Destarte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, importante trazer que a recorrente declarou os valores de PIS com exigibilidade suspensa da DIRPJ, conforme consta Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16327.002244/200335 Acórdão n.º 3202001.605 S3C2T2 Fl. 181 10 do Termo de Verificação Fiscal de folha 11. Ou seja, o contribuinte informou que os valores não pagos se referem a ação judicial 97.00563707, com pedido para recolher o PIS com base na LC 7/70, no período de 07/1997 a 02/1998, com liminar e sentenças favoráveis ao contribuinte e recurso da União ainda não apreciado pelo TRF. Sendo assim, resta claro que houve declaração de débito com exigibilidade suspensa pelo contribuinte. O que, por conseguinte, é de se concluir que, no presente caso, o termo inicial para a contagem da decadência, considerando o período mais recente último fato gerador contestado, é fevereiro de 1998 (data do fato gerador). Acolho, portanto, a preliminar de decadência. Eis que o prazo findo para que a autoridade fazendária constituísse o crédito tributário seria fevereiro de 2003. É de se lembrar que a autoridade somente lançou o crédito posteriormente em 21.7.2003. Sendo inerte a autoridade fazendária, é de se acolher a decadência pretendida pelo contribuinte. Quanto às alegações de inconstitucionalidade trazidas pela recorrente no transcorrer do recurso voluntário, não é demais lembrar que, nos termos da Súmula nº 2 deste Conselho, não cabe a este Conselho o pronunciamento sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como vemos pela sua redação: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em relação às demais questões suscitadas, considerando o acolhimento da decadência, ficam prejudicadas a apreciação. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo a pretendida decadência aos fatos geradores relativos ao período de julho a novembro de 1997 e ao período de janeiro a fevereiro de 1998. Assinado digitalmente Fl. 180DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16327.002244/200335 Acórdão n.º 3202001.605 S3C2T2 Fl. 182 11 Tatiana Midori Migiyama Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 31/03/2 015 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10660.003592/2008-67
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
AÇÃO ORDINÁRIA ANTERIOR QUE POSSUI O MESMO OBJETO DA DISCUSSÃO DE MÉRITO NO AUTO DE INFRAÇÃO. CONCOMITÂNCIA.
A discussão administrativa é afetada por Ação Ordinária ajuizada pela Recorrente anteriormente a lavratura do Auto de Infração, cujo pedido abrange o objeto do presente processo administrativo, motivo pelo qual o Recurso Voluntário não pode ser conhecida (Súmula 1 do CARF).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 AÇÃO ORDINÁRIA ANTERIOR QUE POSSUI O MESMO OBJETO DA DISCUSSÃO DE MÉRITO NO AUTO DE INFRAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. A discussão administrativa é afetada por Ação Ordinária ajuizada pela Recorrente anteriormente a lavratura do Auto de Infração, cujo pedido abrange o objeto do presente processo administrativo, motivo pelo qual o Recurso Voluntário não pode ser conhecida (Súmula 1 do CARF). Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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CONCOMITÂNCIA. A discussão administrativa é afetada por Ação Ordinária ajuizada pela Recorrente anteriormente a lavratura do Auto de Infração, cujo pedido abrange o objeto do presente processo administrativo, motivo pelo qual o Recurso Voluntário não pode ser conhecida (Súmula 1 do CARF). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 35 92 /2 00 8- 67 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Contra a Recorrente foi lavrado auto de infração de Cofins em função das irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 e seguintes, pois a Autoridade Fazendária entendeu que a Recorrente, uma instituição educacional, não atendeu requisitos para ser considerada entidade beneficente de assistência social, previstos no artigo 14 do CTN, no então vigente artigo 55 da Lei 8.212/91 e no Decreto n° 2.536/98, quais sejam, não remuneração de diretores ou administradores, não distribuição de qualquer parcela de seu património ou de suas rendas, a qualquer título, aplicação integral, no País, dos seus recursos na manutenção dos objetivos institucionais e a não aplicação de pelo menos 20% da receita em gratuidade. A Recorrente apresentou Impugnação, em que alegou: a) PRELIMINARMENTE — NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — INEXISTÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO DA SUSPENSÃO DA IMUNIDADE'; b) "lei nenhuma exigia, no anocalendário objeto do AI ora impugnado, que, para ser considerada entidade beneficente de assistência social, tivesse a Impugnante obrigação de comprovar a aplicação de 20% de suas receitas brutas em gratuidades"; c) a Impugnante solicitou, através dos processos n°s 71010.001101/200388 e 71010.002791/200635 (doe. 11), sucessivas renovações do mesmo Certificado, tendo referidos processos sido colhidos, ainda sem decisão por parte do Plenário do CNAS, pela Medida Provisória n° 446/2008. Vale dizer: a Medida Provisória, editada com força de lei, deferiu ex lege os pedidos de renovação feitos tempestivamente pela Impugnante, de sorte que plenamente satisfeito o requisito que consta do inc. II do art. 55, da Lei no 8.212/91; d) "no entender do Impugnante, nenhuma irregularidade existe, a priori, na remuneração de ocupantes de cargos administrativos em estabelecimentos de ensino mantidos por entidade beneficente de assistência social. Todavia, o levantamento efetuado pelo .AFRFB demonstrou que os anteriores Presidente e VicePresidente da FCTE abusaram do exercício de seus cargos, determinando, de forma irregular e sem autorização dos Conselhos Diretor e Curador, que lhes fossem pagas verbas remuneratórias incompativeis com os valores de mercado. Tal constatação motivou a instauração de uma Sindicância, no âmbito da FCTE, que culminou core a demissão dos Srs. Luiz Edmundo Baldim e Adair Ribeiro, dos cargos de professor (que voltaram a ocupar após o término de seus mandatos como Presidente e Vice Presidente da FCTE), gerando, ainda, ações de indenização tanto em relação aos exdirigentes, Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10660.003592/200867 Acórdão n.º 3403003.430 S3C4T3 Fl. 7 3 quanto em relação ao anterior Chefe do Departamento de Pessoal, responsável por cumprir as determinações de pagamentos ilegais"; d) "por outro lado, equivocouse o Sr. AFRFB ao fundamentar a infração ao inc. I do art. 14 do CTN, com base nos mesmos fatos elencados para fundamentar a infração ao art. 55 da Lei n° 8.212/91. Evidentemente que remuneração de dirigentes é diferente de distribuição, a qualquer título, de qualquer parcela do património ou das rendas das entidades imunes"; e) "o suposto descumprimento do inc. V do art. 55 da Lei n° 8.212/91, não baseouse em provas colhidas pela fiscalização, mas tão somente m razão da impossibilidade de atendimento do TIF n° 05/2009"; f) os artigos 13 e 14 da MP 2.15835/2001, não foram observados pelo AFRFB quando do lançamento. A DRJ afastou o argumento preliminar de nulidade, sob o fundamento de que o artigo 32 e parágrafos da Lei 9.430/96 não se aplicaria ao PIS e COFINS, objetos do lançamento atacado. Segundo a DRJ, o § 1° dispõe unicamente sobre "entidade beneficiária de imunidade de tributos federais" e a citada "alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal" trata da limitação da União instituir impostos. Assim, entendo que a expedição de ato declaratório suspensivo do beneficio, previsto no § 3° do artigo supra, so é exigível quando a fiscalização versar sobre imposto de renda, sendo desnecessária para as contribuições sociais previstas no artigo 195 da Carta Magna. Relativamente ao Certificado do CEBAS, a DRJ observou que consta do Termo de Verificação Fiscal, que a instituição havia ingre s o com dois pedidos de renovação do CEBAS (processos n° 71010.001101/200388 e 71010.002791/200635), que não haviam sido julgados na data da publicação da citada Medida Provisória. Considerando que ela foi rejeitada pelo Congresso Nacional e que não foi editado o decreto legislativo previsto no § 3° do artigo 62 da Constituição Federal, aplicase a determinação do § 11 do mesmo artigo que estabelece que "não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3° até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas". Assim, os CEBASs deferidos nos termos do artigo 37 da MP n° 446/2008, no período de sua vigência, inclusive o da impugnante, são válidos e produziram os efeitos legais. No tocante à remuneração de dirigentes/administradores apurada pela autoridade fiscal, a impugnante alega que "que os anteriores Presidente e VicePresidente da FCTE abusaram do exercício de seus cargos, determinando, de forma irregular e sem autorização dos Conselhos Diretor e Curador, que lhes fossem pagas verbas remuneratórias incompatíveis com os valores de mercado". E a DRJ decidiu que a afirmação de que a remuneração dos dirigentes anteriores foi feita a revelia dos Conselhos Diretor e Curador, não socorre a autuada tendo em vista que conforme o artigo 15 de seu estatuto, "ao Conselho Curador, além das funções de gestão e de administração econômicofinanceira da Fundação, compete referendar os atos do Presidente não previstos neste Estatuto" e o artigo 21 estabelece que ao Conselho Curador compete, entre outras coisas, "examinar os livros contábeis, balancetes, balanços, inventários e papeis de escrituração da Fundação, o estado do caixa e os valores em depósito, devendo os Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 definais administradores fornecer as informações que forem solicitadas" e " apresentar ao Conselho Diretor parecer sobre as atividades econômicas e financeiras da Fundação no exercício em que servir. Ainda, segundo a DRJ, resta demonstrado nos autos, que a Fundação não cumpriu a determinação expressa do inciso VI, do artigo 3° do Decreto n° 2.536/98, vigente à época dos fatos, que exigia que para fazer jus aos benefícios legais inerentes a uma entidade beneficente de assistência social entidade, ela deveria "aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeira, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída. De acordo com a DRJ, a alegação de que "cquivocouse o Sr. AFRFB ao fundamentar a infração ao inc. I do art. 14 do CTN, com base nos mesmos fatos elencados para fundamentar a infração ao art. 55 da Lei n° 8.212/91 ", não faz sentido, pois, se houve pagamento indevido a diretores, fica claro que parcela da renda da entidade foi distribuída. e também que ela não aplicou integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais,como preconiza o CTN. E no que se refere a alegada não observação dos artigos 13 e 14 da MP 2.158 35/2001, há que se destacar que para fazer jus àqueles benefícios, a entidade tem que atender os requisitos do artigo 12, da Lei 9.532/97, requisitos esses que já se mostrou que não foram cumpridos pela impugnante. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que repete, basicamente, as alegações constantes em sua Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O Auto de Infração data de 17 de dezembro de 2008. Analisando o Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 e seguintes, a Autoridade Fazendária descreve que a Recorrente se intitula imune do PIS e da COFINS e que ajuizou diversas Ações sobre o tema. Considerando que o sujeito passivo se autointitula imune do PIS e da COFINS, em facedo disposto no § 70 do art. 195 da Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10660.003592/200867 Acórdão n.º 3403003.430 S3C4T3 Fl. 8 5 Constituição Federal, a fiscalização instaurada tinha o fito de verificar o atendimento aos requisitos estabelecidos na legislação de regência, em especial, no art. 55 da Lei no 8.212/91, e, subsidiariamente, no art. 14 da Lei no 5.172/66, para o gozo da imunidade/isenção das contribuições referidas. Ratifica a informação retrocitada de auto intitulação por parte do sujeito passivo fiscalizado de imune/isenção ao PIS e a COFINS o fato de que: • a partir do período de apuração de dezembro de 2004 deixou de declarar e recolher o PIS, até então os recolhimentos efetuados pelo fiscalizado a título de PIS se davam na modalidade Folha de Salários; • a partir do período de apuração de novembro de 2001 deixou de declarar e recolher a COFINS. Outrossim, o fiscalizado ajuizou diversas ações judiciais, que serão oportunamente abordadas, buscando tutela jurisdicional que lhe reconheça a imunidade/isenção em tela, bem como que lhe seja repetido os valores recolhidos a título de PIS e da COFINS Mais especificamente, observo que a Recorrente ajuizou, conforme relatado no TVF, a Ação Ordinária n° 2006.38.09.0020088 (processo de origem n° 2005.38.00.0212450), em 18 de abril de 2005, requerendo o reconhecimento expressamente, conforme fls. 42: "declarada a inexistência de relação jurídicotributária entré á Autora e os Réus, relativamente às contribuições para financiamento da seguridade social, enquanto perdurarem as condições que lhe asseguraram o direito à isenção;" Ora, a Recorrente não especifica o período a que se refere o seu pedido, que, em verdade, em razão do próprio instrumento processual utilizado, possui natureza declaratória de um direito que persegue. Ora, ao tomar tal providência, a Recorrente decidiu concentrar no Poder Judiciário a discussão do mérito de sua isenção, posteriormente propugnada como imunidade, discussão esta que, em meu entendimento, abarca totalmente a discussão constante no presente processo administrativo. Isso porque, qualquer que seja a decisão final na Ação intentada pela Recorrente, ela irá produzir resultado concreto neste processo administrativo, de tal forma que o Recurso da Recorrente não pode ser conhecido em razão da patente concomitância de discussões na esfera administrativa e judicial. Incide, pois, a Súmula n 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário em razão da concomitância entre a esfera judicial e administrativa, em decorrência da renúncia pela Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001004/00-03
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO.
O incentivo denominado crédito presumido de IPI somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ANTONIO PRAGA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 10 04 /0 0- 03 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.001004/0003 Acórdão n.º 9303000.769 CSRFT3 Fl. 516 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI a que se refere a Lei nº 9.363/1996. Uma é a matéria devolvida a este Colegiado: industrialização por encomenda. O julgamento deste recurso tem como paradigmas o do Recurso nºs 231.539 (industrialização por encomenda), julgado na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicada as mesmas teses daqueles julgados, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos regimentais de admissibilidade. Este voto segue as disposições do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, adoto as teses do julgamento do Recurso nº 231.539 (industrialização por encomenda). Industrialização por encomenda A Fazenda Nacional assevera que o aresto recorrido desobedeceu o art. 1º da Lei nº 9.363/96, ao permitir a utilização do valor dos serviços prestados correspondentes à industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sobre esse tema, percuciente é a lição do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, que peço vênia para transcrever e utilizar como fundamento de meu voto: A Lei n.º 9.363, de 1996, que introduziu o benefício em tela, previu, em seu art. 1º, que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes “sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo” (g.n.). Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastarse das seguintes premissas: por primeiro, que os insumos utilizados no cômputo do benefício devam ser adquiridos, ou seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil, não de serviços, como é o caso em comento; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no Fl. 516DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.001004/0003 Acórdão n.º 9303000.769 CSRFT3 Fl. 517 3 estabelecimento adquirente; terceiro, como se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Em relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matériaprima, vez que já pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matériaprima se deu, portanto, em momento anterior à remessa para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado como “Gastos Gerais de Fabricação”, não como incremento do valor da matériaprima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do benefício, mesmo porque a operação de envio e retorno se dá com suspensão do IPI, conforme sublinhado na Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.º 312, de 3 de agosto de 1998. Aliás, não há razão para que os custos dos insumos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem não sejam agregados quando utilizados pelo encomendante, quando a operação de industrialização se dá em seu próprio estabelecimento, mas, ao contrário, sejam agregados quando a industrialização se dê por encomenda. Ora, “Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito”, diz o brocardo romano. Com efeito, tratarseia de situação no mínimo incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõem o arcabouço normativo do IPI. No tocante à última das premissas inicialmente delineadas, pois que, quanto à segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência à construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente econômica, tão costumeiramente encontráveis no diaadia do julgador. Em que pese o brilhantismo como tais teses são construídas, é preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que positivada, pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. Aliás, ainda com relação à terceira premissa, costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre Hermenêutica Jurídica a afirmação de que “a lei não contém palavras inúteis”, a qual, segundo se diz, vem a ser princípio basilar da disciplina. É dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao menos, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262). Fl. 517DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11065.001004/0003 Acórdão n.º 9303000.769 CSRFT3 Fl. 518 4 Querse evidenciar com isso que, caso se concebesse o contrário, não haveria razão para que o legislador expressamente previsse o cômputo do valor relativo à prestação de serviços na hipótese de industrialização por encomenda. Veja como dispôs ao estruturar o art. 1º da Lei n.º 10.276, de 2001, in verbis: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto” (g.n.). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.º 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente com o custo de outros insumos (energia elétrica e combustíveis). Notese, por importante, que a aplicação do novel regramento, conforme disciplinado na Lei n.º 10.267, de 2001, se dá alternativamente ao estabelecido na Lei n.º 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. Assim sendo, é de se concluir que a hipótese introduzida no inciso II naquele diploma legal não se encontrava incluída neste último. Pelos fundamentos jurídicos e legais expostos, nego o aproveitamento dos custos com beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da sociedade para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Nos termos do voto paradigma transcrito linhas acima, dáse provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 518DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10882.900907/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-005.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 07 /2 00 8- 10 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900907/200810 Acórdão n.º 3801005.002 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13028.000005/2003-27
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Somente os insumos que se submeteram à incidência da contribuição na operação de aquisição pelo produtor-exportador compõem a base de cálculo do incentivo, situação essa em que não se incluem as aquisições junto a pessoas físicas.
Numero da decisão: 2101-000.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange aos insumos adquiridos de pessoa física. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Designado o conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho e Antônio Carlos Atulim.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente os insumos que se submeteram à incidência da contribuição na operação de aquisição pelo produtorexportador compõem a base de cálculo do incentivo, situação essa em que não se incluem as aquisições junto a pessoas físicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange aos insumos adquiridos de pessoa física. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar (Relator), Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Designado o conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho e Antônio Carlos Atulim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 8. 00 00 05 /2 00 3- 27 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000005/200327 Acórdão n.º 2101000.091 S2C1T1 Fl. 160 2 Relatório Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Porto Alegre/RS, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Tratase de ressarcimento de crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n° 9.363, de 13/12/1996, em parte negado por despacho decisório da DRF de origem por tratarse de aquisições efetuadas a pessoas físicas. Na manifestação de inconformidade, a interessada esclarece que adquire pedras semipreciosas a garimpeiros e alega que só poderiam ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido "as compras de matériaprima de pessoas físicas, se houvesse previsão legal, o que não há" e que o beneficio foi instituído para compensar os exportadores do PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre toda a cadeia e não apenas sobre a última operação. A DRJ Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Tãosomente as aquisições de insumos que sofrerem a incidência do PIS/Pasep e da Cofins geram direito ao crédito presumido do IPI instituído para ressarcimento dessas contribuições. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomase conhecimento. Considerando o teor da decisão constante da ata de julgamento, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido do voto exarado no acórdão nº Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000005/200327 Acórdão n.º 2101000.091 S2C1T1 Fl. 161 3 20219.239, de 6 de agosto de 2008, pelo mesmo redator designado neste processo, que versou sobre a mesma matéria controvertida nos presentes autos: Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Cuido neste voto apenas da possibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, para ressarcimento da Contribuição para o PIS e da Cofins, dos insumos adquiridos de nãocontribuintes (pessoas físicas ou cooperativas). O crédito presumido de IPI foi instituído pela Medida Provisória nº 948, de 23/03/95, convertida na Lei nº 9.363/96, com a finalidade de estimular o crescimento das exportações do país, desonerando os produtos exportados dos impostos internos incidentes sobre suas matériasprimas e visando permitir maior competitividade destes no mercado internacional. O art. 12 da Lei nº 9.363/96 dispõe que o crédito presumido tem natureza de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo, verbis: "Art. 12 A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." (negritei) O Crédito Presumido é um beneficio fiscal, e sendo assim, a sua lei instituidora deve ser interpretada restritivamente, a teor do disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional CTN, para que não se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes. Com efeito, tratandose de normas nas quais o Estado abre mão de determinada receita tributária, a interpretação não admite alargamentos do texto legal. Nesse sentido, Carlos Maximiliano, discorrendo sobre a hermenêutica das leis fiscais, ensina: "402 — III O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência da concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou, melhor, presumese não haver o Estado aberto mão de sua autoridade para exigir tributos." Destarte, a empresa paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a quantia Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000005/200327 Acórdão n.º 2101000.091 S2C1T1 Fl. 162 4 desembolsada sob a forma de crédito presumido compensável com o IPI e, na impossibilidade de compensação, na forma de ressarcimento em espécie. O art. 1º, retrotranscrito, restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições [...] incidentes nas respectivas aquisições", referindose o legislador ao PIS e à Cofins incidentes sobre as operações de vendas faturadas pelo fornecedor para a empresa produtora e exportadora, ou seja, nesse caso, se as vendas de insumos efetuadas pelo fornecedor não sofreram a incidência das contribuições, não há como enquadrálas no dispositivo legal. Há quem sustente que o percentual de cálculo do incentivo (5,37%) é superior ao empregado no cálculo das contribuições que visa ressarcir e que, por isso, o incentivo alcançaria todas as aquisições, inclusive aquelas que não sofreram a incidência das referidas contribuições. Entretanto, o fato de o crédito presumido visar a desoneração de mais de uma etapa da cadeia produtiva não autoriza que se interprete extensivamente a norma, concedendo o incentivo a todas as aquisições efetuadas pelo contribuinte. Alfredo Augusto Becker, ao se referir à interpretação extensiva, assim se manifestou: "... na extensão não há interpretação, mas criação de regra jurídica nova. Com efeito, o intérprete constata que o fato por ele focalizado não realiza a hipótese de incidência da regra jurídica; entretanto, em virtude de certa analogia, o intérprete estende ou alarga a hipótese de incidência da regra jurídica de modo a abranger o fato por ele focalizado. Ora, isto é criar regra jurídica nova, cuja hipótese de incidência passa a ser alargada pelo intérprete e que não era a hipótese de incidência da regra jurídica velha." (negritei) Ora, se a interpretação extensiva cria regra jurídica nova, é claro que sua aplicação é vedada pelo art. 111 do CTN, quando se trata de incentivo fiscal. Assim, não há como ampliar o disposto no art. 1º da Lei nº 9.363/96, que limita expressamente o incentivo fiscal ao ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições do produtorexportador, não o estendendo a todas as aquisições da cadeia comercial do produto. Desta forma, se em alguma etapa anterior da cadeia produtiva do insumo houve o pagamento de PIS e de Cofins, o ressarcimento tal como foi concebido não alcança esse pagamento específico. Se fosse assim não haveria necessidade de a norma especificar que se trata de ressarcimento das contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, ou, o que dá no mesmo, incidentes sobre as aquisições do produtor exportador. Reforça tal entendimento o fato de o art. 52 da Lei nº 9.363/96 prever o imediato estorno da parcela do incentivo a que faz jus o produtorexportador quando houver restituição ou compensação da contribuição para o PIS e da Cofins pagas pelo fornecedor de matériasprimas na etapa anterior, ou seja, o estorno da parcela Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000005/200327 Acórdão n.º 2101000.091 S2C1T1 Fl. 163 5 de incentivo que corresponda às aquisições de fornecedor que obteve a restituição ou compensação dos referidos tributos. Ora, se há imposição legal para estornar a correspondente parcela de incentivo na hipótese em que a contribuição paga pelo fornecedor foilhe, posteriormente, restituída, não se pode utilizar, no cálculo do incentivo, as aquisições em que este mesmo fornecedor não arca COM o tributo na venda do insumo. Pensar de outra forma levaria à conclusão absurda de que o legislador considera, no cálculo do incentivo, o valor dos insumos adquiridos de fornecedor nãocontribuinte, que não pagou a contribuição, e nega esse direito quando há o pagamento com posterior restituição. As duas situações são em tudo semelhantes, mas na primeira haveria direito ao incentivo sem que houvesse o ônus do pagamento da contribuição e na segunda não. Ressaltese, ainda, que a norma incentivadora também prevê, em seu art. 3º, que a apuração da Receita Bruta, da Receita de Exportação e do valor das aquisições de insumos será efetuada nos termos das normas que regem a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtorexportador. A vinculação legal da apuração do montante das aquisições às normas de regência das contribuições e ao valor da nota fiscal do fornecedor confirma o entendimento de que devem ser consideradas, no cálculo do incentivo, somente as aquisições de insumos que sofreram a incidência direta das contribuições. A negação dessa premissa tornaria supérflua a disposição do art. 3º da Lei nº 9.363/96, contrariando o principio elementar do direito que prega que a lei não contém palavras vãs. Portanto, o que se vê é que o legislador foi judicioso ao elaborar a norma que deu origem ao incentivo, definindo sua natureza jurídica, os beneficiários, a forma de cálculo, os percentuais e a base de cálculo, não havendo razão para o intérprete supor que a lei disse menos do que deveria e crie, em conseqüência, exceções à regra geral, alargando o incentivo fiscal para hipóteses não previstas. Ademais, o Poder Judiciário já se manifestou contrariamente à inclusão das aquisições de nãocontribuintes no cálculo do crédito presumido de 1P1, conforme se depreende do Acórdão AGTR 32877CE, julgado em 28/11/2000, pela Quarta Turma do TRF da 5ª Região, sendo relator o Desembargador Federal Napoleão Maia Filho, cuja ementa tem o seguinte teor: "TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A TÍTULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI JURES AO CREDITAMENTO. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000005/200327 Acórdão n.º 2101000.091 S2C1T1 Fl. 164 6 I. Tratandose de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art. 1º da Lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 1. Sendo as exações PIS/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas físicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito de seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência ..." O mesmo entendimento foi esposado pelo Desembargador Federal do TRF da 5ª Região, no AGTR 33341PE, Processo nº 2000.05.00.0560937, que, à certa altura do seu despacho, asseverou: 'A pretensão ao crédito presumido do IPI, previsto no art. 1º da Lei 9.363, de 13.12.96, pressupõe, nos termos da nota referida, o ressarcimento das contribuições de que tratam as leis complementares nº 07, de 07 de setembro de 1970; 08, de 03 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem' utilizados no processo produtivo do pretendente. ºOra, na conformidade do que dispõem as leis complementares a que a Lei n 9.363/96 faz remição, somente as pessoas jurídicas estão obrigadas ao recolhimento das contribuições conhecidas por PIS, PASEP, e COFINS, instituídas por aqueles diplomas, sendo intuitivo que apenas sobre o valor dos produtos a estas adquiridos pelo contribuinte do IPI possa ele se ressarcir do valor daquelas contribuições a fim de se compensar com o crédito presumido do imposto em referência. Não recolhendo os fornecedores, quando pessoas físicas, aquelas contribuições, segue não ser dado ao produtor industrial adquirente de seus produtos, compensarse de valores de contribuições inexistentes nas operações mercantis de aquisição, pois o crédito presumido do IPI autorizado pela Lei n°9.363/96 tem por fundamento o ressarcimento daquelas contribuições, que são recolhidas pelas pessoas jurídicas ...." Essas decisões judiciais evidenciam o acerto do entendimento aqui exposto, no sentido de que não há incidência da norma jurídica instituidora do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, quando estas contribuições não forem exigíveis nas operações de aquisição, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo da empresa produtora e exportadora. Ante o exposto, nego provimento ao recurso quanto aos insumos adquiridos de nãocontribuintes, por entender que estes custos Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13028.000005/200327 Acórdão n.º 2101000.091 S2C1T1 Fl. 165 7 não devem integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Diante do exposto, o voto é encaminhado no sentido de negar provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/08/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10680.015926/2008-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRRF. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO DO IMPOSTO.
A compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte na DIRPF, pressupõe a prova da sua retenção com documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-002.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez.
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COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO DO IMPOSTO. A compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte na DIRPF, pressupõe a prova da sua retenção com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 59 26 /2 00 8- 15 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Na sessão de julgamento, a Conselheira Relatora, Julianna Bandeira Toscano, apresentou o seguinte relatório: "Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício 2005, anocalendário 2004, decorrente da compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$4.395,98, a qual gerou a retificação do valor do IRPF a restituir ao sujeito passivo. Nos termos da descrição dos fatos e enquadramento legal que fundamentaram a autuação, a autoridade fiscal justifica que houve a dedução incorreta do IRRF decorrente da ação trabalhista nº 0068120001350300 movida contra CETIBRAS LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA. O contribuinte apresentou impugnação requerendo a improcedência do lançamento, sustentando que os cálculos tomados com base para a autuação tinham como data base 31/07/2001 e que os mesmos deveriam se atualizados, pelo menos até a data do acordo realizado. A Delegacia de Julgamento manteve integralmente o lançamento, por entender que não há nos autos quaisquer elementos que comprovem a existência de outro valor a título de IRRF incidente sobre o montante recebido em virtude da ação trabalhista. Em sua peça recursal o contribuinte requer a reforma da decisão, sustentando, em síntese, que: a DIRPF/2005 Retificadora, entregue em 22 de maio de 2008 comprova o montante e a data dos valores recebidos; em 29/09/2008 a Juíza do Trabalho da 35ª Vara de Belo Horizonte, através do oficio n° 01902/08, informou ao Sr. Delegado da Receita Federal que o montante devido a título de IRRF era de R$ 67.841,06; o valor do IRRF devido, em 24/06/2011 era de R$83.366,43, o qual teria sido objeto de parcelamento pela Cetibras Locadora de Veículos Ltda.; esclarece os termos do acordo firmado no âmbito da Justiça do Trabalho. É o relatório". Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Reproduzo abaixo o voto apresentado pela Conselheira Relatora na sessão de julgamento: "O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O litígio trata do direito a compensar IRRF referente a valores recebidos decorrentes de ação trabalhista. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10680.015926/200815 Acórdão n.º 2802002.643 S2TE02 Fl. 83 3 A manutenção da glosa fundamentouse na ausência de elementos de prova que confirmassem a retenção de IRRF declarado pelo sujeito passivo na DIRPF/2005, sendo possível, apenas, pela documentação constante dos autos, confirmar o valor retido acatado na notificação de lançamento. Apesar do esforço do recorrente em sustentar que o IRRF retido sobre os rendimentos pagos em decorrência da ação trabalhista que moveu em face de Cetibras Locadora de Veículos Ltda. seria maior que aquele reconhecido na notificação de lançamento, o mesmo não logrou comprovar que valor a compensar na DIPRF/2005 seria de R$39.074,42 e não de R$34.678,44. Com efeito, do conjunto probatório que consta nos autos é possível concluir que o recorrente firmou sucessivos acordos trabalhistas com a Cetibras Locadora de Veículos Ltda.. Não há, contudo, prova do valor exato recebido pelo recorrente no exercício de 2005, tampouco de que o IRRF retido naquele período seria de R$ R$39.074,42. Ao contrário, o único documento que comprova retenção de IRRF relativa aos rendimentos recebidos, em 2004, pelo recorrente, em razão do acordo firmado na ação trabalhista nº 0068120001350300, que consta dos presentes autos é o recibo de parcelamento de fls. 11, firmado pela Cetibras junto à Receita Federal do Brasil. Do referido documento, extraise que o valor da receita de IRRF, código de apuração 0561, relativo ao período de 01/04/2004, é de R$34.678,44, que, acrescidos dos encargos legais devidos, totaliza o saldo devedor de R$63.756,00. Não havendo outros elementos a comprovar a compensação de IRRF no montante declarado pelo sujeito passivo, é certo que o mesmo não se desincumbiu de do ônus que lhe cabia, estando correta a decisão recorrida. Diante do exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e a ele negar provimento. Julianna Bandeira Toscano Relatora" (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, na qualidade de redator ad hoc Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721906/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/10/1999
LANÇAMENTO FISCAL. RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS. É válida a instauração de Processo Administrativo Fiscal formalizado com o objetivo de reconstituir créditos previdenciários anteriormente anulados, em face de vício formal. Auto de Infração Substitutivo lavrado em face da subsistência da exigibilidade da obrigação tributária derivada do lançamento anulado.
DECADÊNCIA. O lançamento em testilha foi realizado em 20/04/2011 em substituição ao lançamento fiscal anulado em virtude de vício formal, e apesar das contribuições lançadas se referirem a fato gerador ocorrido no período de 07/1998, os mesmos não estão decadentes, já que o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extingue-se após cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional. A data em que se tornou definitiva a decisão que anulou o crédito tributário foi a data registrada no Aviso de Recebimento - AR, que a empresa foi cientificada de tal decisão, ocorrida em 01/03/2010.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ÓRGÃO PÚBLICO. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2302-003.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acatando o Parecer da Advocacia Geral da União AC 55/2006, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
EDITADO EM: 09/09/2015
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi, Graziela Parisotto, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/10/1999 LANÇAMENTO FISCAL. RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS. É válida a instauração de Processo Administrativo Fiscal formalizado com o objetivo de reconstituir créditos previdenciários anteriormente anulados, em face de vício formal. Auto de Infração Substitutivo lavrado em face da subsistência da exigibilidade da obrigação tributária derivada do lançamento anulado. DECADÊNCIA. O lançamento em testilha foi realizado em 20/04/2011 em substituição ao lançamento fiscal anulado em virtude de vício formal, e apesar das contribuições lançadas se referirem a fato gerador ocorrido no período de 07/1998, os mesmos não estão decadentes, já que o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extingue-se após cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional. A data em que se tornou definitiva a decisão que anulou o crédito tributário foi a data registrada no Aviso de Recebimento - AR, que a empresa foi cientificada de tal decisão, ocorrida em 01/03/2010. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ÓRGÃO PÚBLICO. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido.
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RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS. É válida a instauração de Processo Administrativo Fiscal formalizado com o objetivo de reconstituir créditos previdenciários anteriormente anulados, em face de vício formal. Auto de Infração Substitutivo lavrado em face da subsistência da exigibilidade da obrigação tributária derivada do lançamento anulado. DECADÊNCIA. O lançamento em testilha foi realizado em 20/04/2011 em substituição ao lançamento fiscal anulado em virtude de vício formal, e apesar das contribuições lançadas se referirem a fato gerador ocorrido no período de 07/1998, os mesmos não estão decadentes, já que o direito da Fazenda Pública constituir seus créditos tributários extinguese após cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II do Código Tributário Nacional. A data em que se tornou definitiva a decisão que anulou o crédito tributário foi a data registrada no Aviso de Recebimento AR, que a empresa foi cientificada de tal decisão, ocorrida em 01/03/2010. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ÓRGÃO PÚBLICO. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 19 06 /2 01 1- 74 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, acatando o Parecer da Advocacia Geral da União AC – 55/2006, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora EDITADO EM: 09/09/2015 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi, Graziela Parisotto, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.721906/201174 Acórdão n.º 2302003.673 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 05/1995 a 10/1999 Período do Débito: 07/1998 Data de lavratura do Auto de Infração: 16/04/2011. Data de ciência do Auto de Infração: 20/04/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio, especificamente em relação a este Processo Administrativo Fiscal, incluídos nos seguintes Autos de Infração: AI DEBECAD n° 37.315.2426 – Obrigação Principal contribuição da empresa, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, destinadas à Seguridade Social – Valor Total: R$ 18.256,81; AI DEBECAD n° 37.330.2924 – Obrigação Principal contribuições devidas pelos segurados empregados. – Valor Total: R$ 6.798,49 Registrese que os autos de infração por descumprimento de obrigações principais integram um único processo, neste caso, identificado pelo COMPROT de n° 10680721.906/201174, por possuírem os mesmos elementos de prova, conforme preceitua o art. 9º do Decreto nº 70.235/72 e alterações, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 17/28. Impende ainda salientar que a execução do procedimento fiscal em comento, tem como escopo o lançamento em substituição de créditos julgados nulos, conforme decisão exarada no Acórdão n° 04/1310/2005 de 22/06/2005, objetivando restabelecer a exigência anulada por vício de forma no processo NFLD Debcad de n° 35.138.5576, lavrado em 11/05/2000, cadastrado no COMPROT sob o nº 37172.001886/200489. Ocorre que, somente em 01/03/2010 se tornou definitiva a decisão anulatória do lançamento, de acordo com o art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e que, conforme disposto no art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, razão pela qual a secretaria de Receita Federal do Brasil formalizou o presente Processo Administrativo Fiscal, para reconstituição dos referidos créditos. Tendo sido constatado que persistiu a exigibilidade da obrigação tributária constante no lançamento anulado, na reconstituição dos créditos, o Levantamento “RS – Responsabilidade Solidária”, foi desmembrado, por prestador de serviço ou cedente de mão de mão de obra, para atribuição da responsabilidade tributária, de forma individualizada, sendo que os créditos relacionados com o Levantamento “RET – Retenção de 11 em Nota Fiscal” foram incluídos em um único processo (COMPROT específico). Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Assim, nos presentes autos, o crédito previdenciário constituído em face da CODEMIG – Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, foi lançado em razão da RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA em relação às contribuições previdenciárias não recolhidas pelos empreiteiros/subempreiteiros de construção civil e cedentes de mão de obra, como no caso da empresa contratada – PBJ CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. – no período 05/1995 a 01/1999, para a competência 07/1998 bem como das contribuições devidas em virtude da obrigatoriedade de retenção do percentual de 11% dos valores da mão de obra contida nas notas fiscais de serviços emitidas pelas subempreiteiras de construção civil e pelas prestadoras de serviços executado mediante cessão de mão de obra, no período de fevereiro a dezembro de 2009. Nesse descortino, face à caracterização da solidariedade atribuída pela Autoridade Fiscal, foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária – (Fls. 88/89), por intermédio do qual a PBJ CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. foi cientificada da presente exigência tributária, na data de 16/06/2011, conforme se verifica da publicação do Edital DRF/BHE/SEFIS nº 039/2011, na data de 27/05/2011 (Fls. 94), entretanto a responsável solidária quedouse inerte, não apresentando qualquer manifestação. Inconformada com o supracitado lançamento tributário, a CODEMIG apresentou Impugnação a fls. 96/113, acompanhada dos documentos juntados às Fls. 114/129. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0246.110 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 131/142, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Recorrente foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 11/11/2013, conforme Aviso de Recebimento às Fls. 160/161. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário a fls. 162/190, ratificando parte de suas alegações anteriormente expendidas e respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir expostos: Em sede de preliminar alega que houve decadência do débito levantado tendo em vista que o crédito cobrado no presente processo não é o mesmo cobrado na NFLD anulada, já que esta foi transformada em vários DEBCADs e vários AIs, o que por si só, e conforme reconhecido no acórdão recorrido demonstram que a cobrança não é a mesma; que a diferença se impõe pela alteração da forma do lançamento e de serem de diferentes competências cobradas; na NFLD anulada foi cobrada a competência 09/1995, 09/1998 e 12/1998 e aqui o lançamento diz respeito à competência de 04/1997 e 05/1997, ou seja, não é o mesmo lançamento; tendo em vista se tratar de um novo lançamento e diverso do integrante da NFLD anulada e com outro fundamento legal para a autuação, é de fácil constatação que o prazo foi inobservado, já que se tratam de lançamentos de competência de 04/1997 e 05/1997 e o lançamento datar 20/04/2011, passados mais de DOZE ANOS; que tanto o prazo prescricional como prazo decadencial, em matéria previdenciária, é de 5 (cinco) anos, de acordo com o estabelecido no CTN, devendo o prazo decadencial ser reconhecido de ofício já que atinge a própria obrigação tributária principal, o próprio direito; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.721906/201174 Acórdão n.º 2302003.673 S2C3T2 Fl. 4 5 que o fato gerador das contribuições previdenciárias devidas pelas empresas é a folha de salários, e não faturas comerciais correspondentes aos serviços que prestam; Que não pode prevalecer o entendimento da Fazenda Pública em relação a aplicação do artigo 173, inciso II do CTN, até porque existem correntes doutrinárias com entendimento diverso, que entendem que a contagem do novo prazo de decadência, de 5 (cinco) anos, dáse após a decisão administrativa ou judicial que houver anulado o lançamento primitivo, e que, assim procedendo estatuem uma regra no sentido de que, no período que precedeu a nulidade do lançamento, houve a interrupção da decadência; a rigor o art. 173, II do CTN estatui um novo prazo, desta feita para que a Fazenda pública procede ao mesmo lançamento tributário, sem incorrer no vício informal que ensejou a anulação de seu procedimento anterior; ou seja, o lançamento será outro apenas formalmente, mas há que representar os mesmos elementos substanciais que se encontravam no anterior, e aqui nada disso se apresenta; o procedimento anulado por erro formal, no presente caso, foi severa e radicalmente alterado na presente autuação; Assim requer o reconhecimento de ofício da decadência tributária do presente Auto de Infração. No mérito alega que a CODEMIG está isenta de quaisquer vínculos e responsabilidades para com os empregados de seus Contratados, por força de disposição legal, já que a própria Lei nº 8.666/93, em seu artigo 71, regula a exceção da alegação em apreço; Tece considerações a respeito de sua natureza jurídica (sociedade de economia mista à época dos fatos que originaram o lançamento) e atualmente entidade da Administração Indireta do Governo do Estado de Minas Gerais, sujeita assim a regime jurídico especial e normas de controle e licitação; Alega que Administração Pública não pode responder por solidariedade inserta no inciso VI do artigo 30 da Lei 8.212/91, à falta de previsão legal; somente após regular lançamento é que o INSS pode voltarse para o devedor solidário e exigirlhe pagamento das contribuições previdenciárias porventura não recolhidas. Não antes; que o débito previdenciário do contratado já se encontra quitado, conforme demonstrado em ação fiscal (procedimento fiscal anulado), em que pese não restarem consignados em GRPS vinculada, e que a responsabilização da CODEMIG significaria bitributação; que a contratada se encontrava em situação regular perante a previdência social, conforme restou provado com cópia de CND emitidas pelo próprio INSS e de franco acesso a quem possa interessar; que no objeto da presente contratação a DN nº 11.401.4/0345/2002 referente ao procedimento administrativo anulado, na oportunidade retificou o crédito para excluir o lançamento referente a empresas que prestaram serviços de atividades específicas como restauração de móveis e obras de arte, empresas que venderam equipamentos com colocação de valores pagos a órgãos públicos mediante convênios; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 que é o presente caso, porquanto o contrato firmado com a PBJ CONSULTORIA E PROJETOS LTDA., teve por objeto a venda de instalação de um sistema de controle ambiental na saída dos gases do forno de calcinação da Unidade Industrial da COMIG em Arcos/MG; Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requer o acatamento do recurso de modo a alterar a decisão recorrida, objeto do Acórdão 02 46.110, para fins de declaração da insubsistência da autuação com sua total improcedência. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.721906/201174 Acórdão n.º 2302003.673 S2C3T2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 11/11/2013, conforme AR juntado às fls. 160/161, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 10/12/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Para se analisar a alegação de decadência, inicialmente fazse necessário esclarecer que o lançamento em debate não se refere a um “novo lançamento” como aduz o Recorrente em suas razões recursais. Referida questão já foi enfrentada na instância a quo, entretanto, é de bom alvitre repisar os fundamentos em que se baseou o presente lançamento. Conforme amplamente informado nos presentes autos, a execução do procedimento fiscal teve como escopo o lançamento em substituição de créditos julgados nulos, conforme decisão exarada no Acórdão n° 04/1310/2005 de 22/06/2005, objetivando restabelecer a exigência anulada por vício de forma, no processo NFLD DEBECAD n° 35.138.5576, lavrada em 11/05/2000, cadastrado no COMPROT sob o nº 37172.001886/200489. O presente crédito previdenciário foi constituído em face da Recorrente, na qualidade de responsável tributária – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA pelas contribuições previdenciárias não recolhidas pelos empreiteiros/subempreiteiros de construção civil e cedentes de mão de obra, no período 05/1995 a 01/1999, bem como das contribuições devidas em virtude da obrigatoriedade de retenção do percentual de 11% (onze por cento) dos valores da mão de obra contida nas notas fiscais de serviços emitidas pelas subempreiteiras de construção civil e pelas prestadoras de serviços executados mediante cessão de mão de obra, no período de fevereiro a dezembro de 1999. Fazse necessário retroceder nos fatos e informar que a apreciação do recurso, efetuada pela 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, culminou na decisão de anulação de todo o crédito constituído, ao argumento de que a autoridade fiscal deixou de informar, no anexo de “Fundamentos Legais do Débito” a fundamentação legal de validade para a execução do lançamento por arbitramento, ou seja, o § 3º do art. 33 da Lei n° 8.212/91, bem como o art. 31 que conferiu a qualidade de substituto solidário ao tomador de serviços prestados mediante cessão de mão obra (Acórdão n° 04/1310/2005). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Ato contínuo o INSS protocola Pedido de Revisão e em 28/11/2006, nova decisão foi proferida pela 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, no sentido de não conhecer do recurso de pedido de revisão apresentado, conforme Acórdão n° 04/2064/2006. Desta feita, a 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, ao ser instada a prestar esclarecimentos sobre o Acordão acima proferido (n° 04/206 4/2006), profere o DESPACHO N° 2400050/2009, de 02 de abril de 2009, onde consta que manteve as decisões proferidas nos dois Acórdãos supramencionados, indeferindo o pedido de uniformização de jurisprudência requerido pelo INSS e determinando à Secretaria daquela 4ª Câmara, que encaminhasse o referido processo à unidade da SRFB encarregada da execução da decisão, a fim de que cientificasse a interessada do inteiro teor deste despacho e adotasse as demais providências cabíveis. É nesse momento que a Recorrente, conforme data registrada no Aviso de Recebimento – AR (fls. 86), é regularmente cientificada do DESPACHO N° 2400050/2009 da 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, do qual, juntamente com a intimação de ciência, recebeu uma cópia, em 01/03/2010. Assim, em 01/03/2010 se torna definitiva a decisão anulatória do lançamento em referência, momento à partir do qual, em face ao que dispõe o art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e em conformidade com a disposição constante no art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 CTN, se inicia o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, já que esse direito se extingue após 5 (cinco) anos, contados dessa data, em que se tornou definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Foi a partir da ciência desse fato que a Secretaria da Receita Federal do Brasil pôde legitimamente se movimentar e verificar que persistiu a exigibilidade da obrigação tributária constante no lançamento anulado, razão pela qual promoveu a reconstituição dos créditos, até porque se adotasse esse procedimento antes da ciência do Contribuinte da decisão oriunda da 4ª CAJ/CRPS, novamente incorreria em nulidade. Nessa reconstituição, o levantamento correspondente à “RS – Responsabilidade Solidária” foi desmembrado por prestador de serviço ou cedente de mão de mão de obra, para atribuição da responsabilidade tributária de forma individualizada, sendo que os créditos relacionados com o Levantamento “RET – Retenção de 11 em Nota Fiscal” foram incluídos em um único processo com COMPROT específico, conforme minudencioso Relatório Fiscal (Fls. 17/28). Desta feita, como informado acima, o lançamento anterior (o que foi anulado) foi desmembrado, para atribuição da responsabilidade tributária de forma individualizada, por prestador de serviço (cedente de mão de obra), bem como para a cobrança individualizada dos créditos relacionados à retenção de 11%, logo, o valor exigido neste processo não será o mesmo do anterior, entretanto esse fato não é capaz, per si, de caracterizar um “novo lançamento” como pretende o Recorrente. Ainda devese ressaltar que todas as análises de mérito feitas pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos da Gerência Executiva de Belo Horizonte, quanto a contratos celebrados com prestadores de serviços, notas fiscais faturas, guias de recolhimentos apresentadas, bem como todas as alegações de recursos interpostos pela empresa, consolidadas na “REFORMA DE DECISÃONOTIFICAÇÃO Nº 11.401.4/0885/2003, de 20/10/2003”, foram levadas em conta na definição das bases de cálculo consideradas neste processo Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.721906/201174 Acórdão n.º 2302003.673 S2C3T2 Fl. 6 9 administrativo. Ou seja, não há nada que tenha sido incluído lá que não esteja contemplado neste procedimento fiscal; e neste procedimento fiscal não foi acrescentado nada que já não estivesse contemplado naquele feito. Por fim, em solução de continuidade pelo saneamento do presente feito, no que se refere a omissão dos dispositivos legais, apontada pela 4ª CAJ/CRPS, motivando a anulação dos créditos tributários incluídos na NFLD DEBECAD n° 35.138.5576, é importante esclarecer que este vício foi prontamente sanado, conforme se verifica do anexo “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, que é parte integrante do Relatório Fiscal (Fls. 17/28). Logo absolutamente improcedentes as alegações do Recorrente de que operouse a decadência tendo em vista se tratar de um novo lançamento e diverso do integrante da NFLD anulada e com outro fundamento legal para a autuação. O que se observa é que todos os lançamentos realizados nesta ação fiscal, em substituição à que foi anulada, mesmo que formalizados em processos individualizados, referemse aos mesmos fatos geradores e contribuições lançadas na NFLD nº 35.138.5576. Nessa perspectiva, o presente lançamento observou o prazo decadencial estabelecido no Código Tributário Nacional em seu artigo 173, inciso II, apesar das contribuições lançadas se referirem a fato gerador ocorrido na competência 07/98. Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: [...] II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Em reforço a esse entendimento, ensina o inciso II do artigo 42 do Decreto nº 70.235/1972 que as decisões de segunda instância administrativa tornamse definitivas quando não caiba mais recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição. Cumpre focalizar que em face da decisão da 4ª Câmara de Julgamento CAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS que considerou nula a NFLD nº 35.138.5576 (Acórdão n° 04/1310/2005), cabia, à época, “Pedido de revisão de Acórdão” e “Pedido de uniformização de jurisprudência”, com base, respectivamente, nos artigos 60 e 63 do Regimento Interno do CRPS, aprovado pela Portaria MPS/GM nº 88/2004. E tais recursos foram tempestivamente interpostos. No caso vertente, a comentada decisão de nulidade somente se tornou definitiva e veio a produzir efeitos com o Despacho nº 2400050/2009 da 4ª CAJ do CRPS, de 2/4/2009, que, após o não conhecimento do recurso de revisão (Acórdão nº 04/2064/2006 da 4ª CAJ, de 28/11/2006) indeferiu o pedido de uniformização de jurisprudência. Conforme data registrada no Aviso de Recebimento – AR, a empresa foi cientificada de tal decisão em 1/3/2010. Assim delimitadas as nuances do caso concreto, como o presente lançamento ocorreu em 20/4/2011 (data na qual o contribuinte teve ciência do AI), ou seja, dentro do prazo de cinco anos contados da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou a NFLD n° Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 35.138.5576, também não há que se falar em decadência, como pretende o Recorrente, arguindo a tese de que o prazo de decadência, de 5 (cinco) anos, começar a fluir a partir da decisão administrativa ou judicial que houver anulado o lançamento primitivo. Por tais razões, rejeito a preliminar de decadência e passo diretamente ao exame do mérito. Incialmente é importante registrar que os fatos e/ou as matérias que não foram contestados expressamente, tanto em sede de Impugnação como em fase de Recurso Voluntário, são considerados verdadeiros, restando preclusa eventual arguição em sede de sustentação oral, nos termos da legislação que rege a matéria, razão pela qual não serão objeto de apreciação por este Colegiado. Impendese ainda ratificar que qualquer questão de fato ou de direito, estranhas ao presente lançamento, ou não oferecidas à apreciação perante o Órgão Julgador de 1ª Instância, não serão objeto de apreciação por esta Corte de Julgamento Administrativa, em face ao que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Para melhor contextualizar o caso sub examine fazse necessário observar a natureza jurídica da Recorrente, tanto à época da atuação fiscal sociedade de economia mista à época dos fatos que originaram o lançamento como atualmente entidade da Administração Indireta do Governo do Estado de Minas Gerais . Dessa forma resta claro que essa está sujeita a regime jurídico especial e normas de controle e licitação específicas. Senão vejamos, dispõe o art. 71, §1º da Lei nº 8.666/93 que a Administração Pública só responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, ou seja, quando a execução do contrato ocorrer mediante cessão de mãodeobra: "Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995)" Sendo a Lei nº 8.666/93 específica, pelo Princípio da Especialidade, sobrepõese à Lei nº 8.212/91. Desse modo, o sujeito passivo integrante do quadro da administração pública indireta não pode ser responsabilizado solidariamente pelas contribuições previdenciárias a cargo da empresa prestadora de serviço tal como previsto no art. 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10680.721906/201174 Acórdão n.º 2302003.673 S2C3T2 Fl. 7 11 Nessa mesma esteira de entendimento destacase o Parecer AC nº 55/2006 da AGU, com aprovação Presidencial, o qual isentou a Administração Pública de responder solidariamente por créditos previdenciários devidos por empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil prevista no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/91, assim transcrito: "PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãodeobra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31)" Com efeito, ciente que nos termos do art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93 os pareceres do Advogado Geral submetidos à aprovação pelo Presidente da República vincula a Administração Federal, outra direção não se deve seguir senão reconhecer a improcedência da obrigação imposta à CODEMIG neste lançamento. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 "Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento." É bom ressaltar que esta matéria também já foi objeto de julgamento na 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária desse E. Conselho, de relatoria da Ilustre Conselheira Carolina Landim, no Acórdão 2401003.202, de 17.09.2013, que assim ementou: "ÓRGÃO PÚBLICO. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O artigo 71, §2º da Lei 8.666/93 estabelece que a responsabilidade solidária da Administração Pública é restrita à cessão de mão de obra prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91." Dessa forma, e pelos fatos e fundamentos acima elencados, reputase inválido o lançamento lavrado em face da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais CODEMIG. Noutro giro, é importante destacar que face à caracterização da solidariedade atribuída pela Autoridade Fiscal, foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária – (Fls. 88/89), por intermédio do qual a PBJ CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. foi cientificada da presente exigência tributária, na data de 16/06/2011, conforme se verifica da publicação do Edital DRF/BHE/SEFIS nº 039/2011, na data de 27/05/2011 (Fls. 94), entretanto a responsável solidária quedouse inerte, não apresentando qualquer manifestação, ocorrendo assim a preclusão consumativa da matéria de fato e de direito ora discutida, e, por conseguinte, impossibilitando a análise e julgamento sobre a questão em relação à referida empresa. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, excluindo todo o crédito previdenciário em relação à CODEMIG ante a força vinculante do Parecer AGU 55/2006, aprovado pelo Presidente da República, mantendo a cobrança somente em relação à empresa PBJ CONSULTORIA E PROJETOS LTDA. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 10/09/20 15 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 12466.003142/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3102-000.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Rubens Pellicciari OAB 21968.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Rubens Pellicciari OAB 21968. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 18/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
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Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Rubens Pellicciari – OAB 21968. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 01 a 88 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: R$2.344.342,04 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescidos de multa de oficio e juros de mora; R$755.705,39 de multa do controle administrativo por falta de Licenciamento de Importação; R$ 800.656,12 de multa por classificação incorreta. Conforme se verifica nas Descrições dos Fatos e Enquadramentos Legais, nas importações realizadas pela autuada através das DI's relacionadas às fls. 07/11, constavam produtos do tipo que já haviam sido submetidos à analise laboratorial em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 03 14 2/ 20 07 -1 5 Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003142/200715 Resolução nº 3102000.331 S3C1T2 Fl. 3 2 outras importações, conforme comprovam as DI's e os laudos obtidos a partir daquelas importações (fls. 142/465). Os produtos são diversos perfumes de diferentes marcas. Aplicando o permissivo contido no art. 30 do Decreto ri° 70.235/192, ou seja, atribuindo eficácia para o presente processo do laudo elaborado em outro, em que o produto em questão é originário do mesmo fabricante com igual marca e especificação, a fiscalização entendeu que as mercadorias em questão não eram água de colônia ou água perfumada, mas sim perfume. A classificação fiscal, segundo a autoridade fiscal, deveria ter sido feita no código NCM 3303.00.10, cuja alíquota do IPI era de 40% (quarenta por cento). A importadora declarou nas DI's o código NCM 3303.00.20 com alíquota do IPI = 10% (dez por cento). Da alteração do código NCM decorreu não somente a exigência da diferença do IPI, mas todas as outras exigências deste processo. Lavrados os autos de infração em tela e intimada a autuada em 22/10/2007, em 19/11/2007 ela ingressou com a impugnação de fls. 1492/1520 por meio da qual discorre sobre os motivos dos lançamentos e alega em síntese: Preliminarmente: Da imprecisão dos laudos laboratoriais: nos laudos não foi feita a correta medição do teor de composição aromática, já que o mesmo foi apurado por diferença, ou seja, não houve medição precisa da composição aromática e sim apuração aritmética de um percentual obtido após a exclusão da água e do álcool. Esta imprecisão foi apontada pela DINOM por meio da informação nº 421/2006 (transcreve às fls. 1498/1499). Da necessidade de o Laboratório de Análises indicar as fontes bibliográficas citadas. Da duplicidade na cobrança do IPI na importação: a impugnante alega que algumas DI's já foram objeto de autuação anterior. São os seguintes processos: 12466.003878/200360 (DI's n.`'s 03/07613466 e 03/07706944) e 12466.001156/200371 (DI n.° 03/01640089). Da iliquidez do lançamento: demonstra através dos demonstrativos de fls.1740/1804 a divergência nos cálculos. Da utilização de laudo que não corresponde ao produto importado: o laudo n° 3023.03 referese ao produto Champs Elysees — Eau de Parfum, no entanto o produto importado é um Eau de Toilette, com concentração odorífera menor que aquele, não podendo ser usado como prova emprestada para estas importações. No mérito: A ANVISA é órgão competente para classificar os produtos em questão. E ela classificou água perfumada como água de colônia e não como perfume como pretende a fiscalização. Todos estes produtos foram classificados pela ANVISA como água de colônia. Cita acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes que trata da matéria. Deve ser considerada no exame do produto a variação de temperatura no ambiente pois isto acarreta uma majoração na concentração da composição aromática. Outro aspecto é o fato de que a apuração deste percentual de concentração foi feita por diferença, sem critérios precisos. Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003142/200715 Resolução nº 3102000.331 S3C1T2 Fl. 4 3 Nos laudos foi identificada a presença de água o que implica que os produtos não podem ser classificados como perfumes, pois estes não podem conter água, somente óleo e álcool. Traz uma consulta formulada à ANVISA que trata sobre a classificação de extrato e perfume. Discorre sobre este assunto, afirmando que por isso os produtos, que não sejam, extratos ou essências, devem ser classificados como água de colônia. Tendo em vista o acerto da classificação fiscal efetuada pela impugnante as exigências do IPI e das multas não podem prosperar. Alega que as autuações atentam contra a segurança jurídica e ainda ofende ao principio da moralidade administrativa. Requer ao final que sejam acolhidas as solicitações quanto à realização de nova análise dos produtos, esclarecimento quanto à bibliografia, exclusão das DI's que já fazem parte de outras autuações, revisão das planilhas de cálculo. Assim, após a fase pericial e retificação das autuações, sejam julgadas insubsistentes as exigências. Tendo em vista as alegações acompanhadas de demonstrativos de que haveria divergência nos cálculos da autuação, o processo foi encaminhado à origem para que a fiscalização analisasse as planilhas apresentadas pela impugnante, ratificando ou retificando os dados dos demonstrativos que acompanharam o auto de infração em pareço (fls. 3265). A fiscalização, então, atendendo a diligência, juntou planilhas com os valores obtidos a partir do Siscomex e que serviram de base para os cálculos. Demonstrou, também, a rateio de frete e seguro entre as mercadorias importadas considerando cada adição e dentro delas, cada item. Com a informação de fls. 3289/3290, foi ratificado os valores do lançamento, dando ciência à autuada do despacho. Novamente a interessada aditou sua impugnação alegando que os cálculos da fiscalização possuem equívocos aritméticos e conceituais, apresentando a DI n.° 03/00023116 como amostra de suas alegações. Esta importação referese aos produtos Givenchi e Guerlan, nas quais não possuem contratação de seguro, por isso o preço CIF e composto unicamente do preço FOB. Elabora os cálculos para esta DI, apresentando uma planilha (fls. 3312/3313), demonstrando ainda a divergência nos valores. Ressalta que esta demonstração foi feita por amostragem. Requer que o lançamento seja revisto à luz das planilhas novamente anexadas ao presente processo, canelandose o lançamento por sua total iliquidez, ou alternativamente que o lançamento seja retificado para constar o IPI exigido aquele demonstrado na nova planilha. Repisa também a duplicidade de lançamentos para mesmas DI' s. Com estas informações o processo foi devolvido a esta Delegacia para julgamento. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração . 02/01/2003 a 04/11/2003 DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Mantémse a desclassificação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, na classificação fiscal determinada pela autoridade lançadora. Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003142/200715 Resolução nº 3102000.331 S3C1T2 Fl. 5 4 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. PERFUMES. Produtos de perfumaria que possuem concentração de substâncias odoríferas entre 10% c 30% são considerados "Perfumes (extratos)", classificandose no código NCM 3303.00.10. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/01/2003 a 04/11/2003 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DO ADN COSIT n.° 12/1997. Estando as mercadorias descritas com todos os elementos necessários à sua identificação de tal forma que permitisse a utilização da prova emprestada, há que se aplicar o ADN COSIT n.° 12/1997, não se aplicando a multa por falta de licenciamento de importação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os mesmo argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Tal como consta à folha 142 e seguintes, os produtos a seguir relacionados foram objeto de coleta de amostra e análise laboratorial. No que diz respeito ao teor das substância odoríferas, chegouse aos resultados indicados ao lado de cada item, conforme tabela que segue. PRODUTO Teor de substâncias odoríferas Ralph Lauren Glamourous Eau de Parfum 13,70% +/ 0,20%; Eden Cacharel Eau de Parfum 11,50% +/ 0,20%; Sensi Giorgio Armani Eau de Parfum 13,60% +/ 0,20%; Ralph Ralph Lauren Eau de Toilette 11,30% +/ 0,20%; Ralph Lauren Romance Eau de Parfum 13,30% +/ 0,20%; Poême Lancôme Eau de Parfum 13,30% +/ 0,20%; Trésor Lancôme Eau de Parfum 13,50% +/ 0,20%; Trésor Lancôme Paris 13,30% +/ 0,20%; Sensi Giorgio Armani Eau de Parfum 14,80% +/ 0,20%; Extravagance D'Amarige Givenchy 16,40% +/ 0,20%; Sensi Giorgio Armani Eau de Parfum 13,00% +/ 0,20%; Organza Indécence Givenchy Eau de Parfum 11,40% +/ 0,20%; Amarige Givenchy Eau de Toilette 17,30% +/ 0,20%; Amarige Givenchy Eau de Toilette 17,80% +/ 0,20%; Amarige Givenchy Eau de Toilette 17,60% +/ 0,20%; Organza Givenchy Eau de Parfum 16,30% +/ 0,20%; Organza Givenchy Eau de Parfum 16,00% +/ 0,20%; Organza Givenchy Eau de Parfum 16,40% +/ 0,20%; Fl. 3605DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003142/200715 Resolução nº 3102000.331 S3C1T2 Fl. 6 5 Extravagance D'Amarige Givenchy Eau de Toilette 15,00% +/ 0,20%; ChampsElysées Guerlain Eau de Parfum 20,60% +/ 0,20%; ChampsElysées Guerlain Eau de Toilette 15,80% +/ 0,20%; ChampsElysées Guerlain Eau de Toilette 16,20% +/ 0,20%; Amarige D'amour Givenchy Eau de Toilette 13,70% +/ 0,20%; Amarige D'amour Givenchy Eau de Toilette 13,10% +/ 0,20%; My Couture Givenchy 13,20% +/ 0,20%; Emporio Armani White For Him Eau de Toilette 14,00% +/ 1,30%; Emporio Armani White For Her Eau de Toilette 12,70% +/ 1,30%; Emporio Armani White For Her Eau de Toilette 12,20% +/ 1,30%; Emporio Armani White For Him Eau de Toilette 13,10% +/ 1,30%; Paloma Picasso Eau de Parfum 12,00% +/ 1,30%; Nemo Eau de Toilette Cacharel 11,40% +/ 1,30%; Liminarmente, necessário dizer que alguns dos itens submetidos à perícia estão acima do percentual de 15% fixado na controvertida Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253, da Coordenação de Assuntos Tarifários e Comerciais da Secretaria da Receita Federal, vigente de 1º de agosto de 2002 a 13 de dezembro de 2006. Por esse motivo, não vejo como adotar a mesma solução proposta nos autos do Processo nº 12466.000343/200507, Acórdão 3102 001.502, de 23 de maio de 2012, de minha relatoria, pois, naquele, nenhum dos produtos periciados apresentava percentual superior a 15%. Isto posto, necessário adentrar a questão dos laudos técnicos apresentados pela Fiscalização Federal para respaldar a identificação e classificação das mercadorias. Encontro ás folhas 1.669 e seguintes (numeração digital) informação que considero de grande importância. Intentando elucidar determinadas dúvidas sobre o mesmo assunto de que aqui nos ocupamos, o Relator do Processo 12466.001082/200453, em decisão proferida no âmbito deste Conselho, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora solicitasse à Coordenação Geral de Administração Aduaneira Coana informações que o Colegiado julgava importantes para decidir sobre a correta classificação das mercadorias. Como é de praxe, de acordo com a lei, abriuse prazo para manifestação do contribuinte, que teve oportunidade de apresentar, ele próprio, as dúvidas que desejava ver respondidas. Foram dois os quesitos apresentados pela empresa. A seguir, o segundo deles e a resposta dada pela Coordenação. 2 É adequado, para os objetivos que se propõem os Laudos, apurar o "teor de substancias odoríferas", por diferença, excluindo tão somente o teor de água e o teor de álcool tal como procedeu o Laboratório ao emitir os Laudos deste processo, considerandose o fato que na diferença incluemse elementos não aromáticos, tais como: emolientes, ésteres graxas, estabilizantes, antioxidantes, corantes, diluentes, protetores de radiação solar, fixadores, etc, que representam, no seu conjunto, percentual expressivo na parcela da citada diferença? Resposta dada pela Dinom na Informação nº 2006/0421. No que tange ao segundo questionamento da Interessada, esclarecemos que na elaboração dos laudos técnicos os laboratórios devem utilizar métodos que permitam identificar com clareza o percentual de constituintes aromáticos, não devendo ser considerados neste percentual emoliente; ésteres graxos, estabilizantes, antioxidantes, corantes, diluentes, protetores de radiação solar, fixadores e demais elementos não aromáticos. Fl. 3606DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003142/200715 Resolução nº 3102000.331 S3C1T2 Fl. 7 6 Observese. O contribuinte fez uma pergunta bastante objetiva. Questionou se seria adequado, para efeito de classificação das mercadorias (para os objetivos que se propõem os Laudos), fazer a apuração do teor de substancias odoríferas, excluindo apenas água e álcool, como foi feito (por diferença), na medida em que outros elementos não aromáticos (emolientes, ésteres graxas, estabilizantes, antioxidantes, corantes, diluentes, protetores de radiação solar, fixadores) poderiam representar, em conjunto, um percentual expressivo. A resposta da AuditoraFiscal signatária da Informação Coana/Cotac/Dinom 2006/0421 deixa muito claro que o método utilizado pelo Laboratório não foi adequado. Com efeito, ao afirmar que, na elaboração dos laudos técnicos os laboratórios devem utilizar métodos que permitam identificar com clareza o percentual de constituintes aromáticos, não devendo ser considerados neste percentual emoliente; ésteres graxos, estabilizantes, antioxidantes, corantes, diluentes, protetores de radiação solar, fixadores e demais elementos não aromáticos, salvo melhor juízo, deixou claro o entendimento de que, se isso não foi feito (e parece incontroverso que não foi), os Laudos não foram elaborados como deveriam ter sido. Tratase de uma questão técnica que exige esclarecimento. VOTO pela conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade Preparadora determine a complementação dos Laudos periciais nos quais baseouse a autuação. O Laboratório deverá indicar com precisão qual o teor de substâncias odoríferas das mercadorias acima relacionadas, levando em consideração não somente a água e o álcool, mas também todos os outros elementos não aromáticos presentes no líquido. Abrase prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte. Após, retorne para decisão final. Sala de Sessões, 11 de dezembro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 3607DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13896.002873/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
Omissão de Receitas. Relatórios Gerenciais. Comprovada, em relatórios gerenciais, as receitas auferidas mensalmente na atividade da empresa, procedente configura-se a imputação de omissão de receitas se apurada divergências com as receitas escrituradas e declaradas ao Fisco.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Provado que cerca de metade das receitas auferidas na atividade eram, reiterada e sistematicamente, omitidas na escrituração comercial e nas declarações apresentadas ao Fisco, configurado está o evidente intuito de fraude, na medida em que, mediante tal procedimento, a contribuinte visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores ocorridos ao longo do ano-calendário, de modo a evitar o pagamento dos tributos devidos.
DECADÊNCIA.DOLO.FRAUDE.SIMULAÇÃO.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA . SÓCIOS ADMINISTRADORES.
Não existe na legislação tributária hipótese de atribuição direta de responsabilidade solidária aos sócios administradores das pessoas jurídicas.
Nos termos da legislação em vigor, tanto nos casos do art. 124, como dos arts. 135 e 137, todos do CTN, há necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributaria.
No caso do art. 124 do CTN, é necessária a identificação da hipótese normativa aplicável ao caso concreto: (i) o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal as pessoas que tenham; ou (ii) a expressa previsão na legislação ordinária.
Verificada a ocorrência de interesse comum, para fundamentar a atribuição de responsabilidade solidária aos administradores, deve a fiscalização constituir tal fato jurídico no lançamento, mediante a competente descrição dos fatos, corroborada pelas provas cabíveis.
ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício.exigida por falta de pagamento dos tributos devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período.
LANÇAMENTO DE OFICIO - MULTA AGRAVADA - JUSTIFICATIVA - O agravamento da multa de oficio só é cabível quando reste comprovado nos autos que o contribuinte deixou de atender a intimações para prestar esclarecimentos, o que se caracteriza pelo silêncio do Contribuinte diante da intimação. Quando se verifica que durante a ação fiscal o Contribuinte respondeu às intimações, tentando comprovar a inexistência de infrações, resta afastada a hipótese de agravamento da multa de oficio,
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção parcial das exigências lançadas por via reflexa.
Numero da decisão: 1401-000.435
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, preliminarmente, no mérito, considerar válidas as provas da omissão de receitas. Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, quanto à integridade do lançamento, vencidos o relator que reconhecia a redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante dos custos referentes à importação subfaturada, assim como do PIS e COFINS lançados, e os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias, que reconheciam a nulidade do auto de infração pela caracterização de hipótese de arbitramento. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto à multa qualificada e dar provimento ao recurso quanto à multa agravada. Pelo voto de qualidade, no tocante à multa isolada, negar provimento ao recurso, vencidos o relator e a conselheira Karem Jureidini Dias, que afastavam a multa até o limite do tributo devido e o conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, que a exonerava totalmente. Designado o conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a glosa dos pagamentos a beneficiários identificados demonstrados no anexo VII do Termo de Verificação Fiscal. Por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos dos responsáveis solidários para afastar a responsabilidade solidária. Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor.
Assinado digitalmente
Viviane Vidal Wagner - Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Assinado digitalmente
Antônio Bezerra Neto Redator designado.
Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 Omissão de Receitas. Relatórios Gerenciais. Comprovada, em relatórios gerenciais, as receitas auferidas mensalmente na atividade da empresa, procedente configura-se a imputação de omissão de receitas se apurada divergências com as receitas escrituradas e declaradas ao Fisco. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Provado que cerca de metade das receitas auferidas na atividade eram, reiterada e sistematicamente, omitidas na escrituração comercial e nas declarações apresentadas ao Fisco, configurado está o evidente intuito de fraude, na medida em que, mediante tal procedimento, a contribuinte visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores ocorridos ao longo do ano-calendário, de modo a evitar o pagamento dos tributos devidos. DECADÊNCIA.DOLO.FRAUDE.SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA . SÓCIOS ADMINISTRADORES. Não existe na legislação tributária hipótese de atribuição direta de responsabilidade solidária aos sócios administradores das pessoas jurídicas. Nos termos da legislação em vigor, tanto nos casos do art. 124, como dos arts. 135 e 137, todos do CTN, há necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributaria. No caso do art. 124 do CTN, é necessária a identificação da hipótese normativa aplicável ao caso concreto: (i) o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal as pessoas que tenham; ou (ii) a expressa previsão na legislação ordinária. Verificada a ocorrência de interesse comum, para fundamentar a atribuição de responsabilidade solidária aos administradores, deve a fiscalização constituir tal fato jurídico no lançamento, mediante a competente descrição dos fatos, corroborada pelas provas cabíveis. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício.exigida por falta de pagamento dos tributos devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. LANÇAMENTO DE OFICIO - MULTA AGRAVADA - JUSTIFICATIVA - O agravamento da multa de oficio só é cabível quando reste comprovado nos autos que o contribuinte deixou de atender a intimações para prestar esclarecimentos, o que se caracteriza pelo silêncio do Contribuinte diante da intimação. Quando se verifica que durante a ação fiscal o Contribuinte respondeu às intimações, tentando comprovar a inexistência de infrações, resta afastada a hipótese de agravamento da multa de oficio, LANÇAMENTOS REFLEXOS. Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção parcial das exigências lançadas por via reflexa.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, preliminarmente, no mérito, considerar válidas as provas da omissão de receitas. Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, quanto à integridade do lançamento, vencidos o relator que reconhecia a redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante dos custos referentes à importação subfaturada, assim como do PIS e COFINS lançados, e os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias, que reconheciam a nulidade do auto de infração pela caracterização de hipótese de arbitramento. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto à multa qualificada e dar provimento ao recurso quanto à multa agravada. Pelo voto de qualidade, no tocante à multa isolada, negar provimento ao recurso, vencidos o relator e a conselheira Karem Jureidini Dias, que afastavam a multa até o limite do tributo devido e o conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, que a exonerava totalmente. Designado o conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a glosa dos pagamentos a beneficiários identificados demonstrados no anexo VII do Termo de Verificação Fiscal. Por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos dos responsáveis solidários para afastar a responsabilidade solidária. Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner - Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Assinado digitalmente Antônio Bezerra Neto Redator designado. Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
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Relatórios Gerenciais. Comprovada, em relatórios gerenciais, as receitas auferidas mensalmente na atividade da empresa, procedente configurase a imputação de omissão de receitas se apurada divergências com as receitas escrituradas e declaradas ao Fisco. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Provado que cerca de metade das receitas auferidas na atividade eram, reiterada e sistematicamente, omitidas na escrituração comercial e nas declarações apresentadas ao Fisco, configurado está o evidente intuito de fraude, na medida em que, mediante tal procedimento, a contribuinte visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário, de modo a evitar o pagamento dos tributos devidos. DECADÊNCIA.DOLO.FRAUDE.SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA . SÓCIOS ADMINISTRADORES. Não existe na legislação tributária hipótese de atribuição direta de responsabilidade solidária aos sócios administradores das pessoas jurídicas. Nos termos da legislação em vigor, tanto nos casos do art. 124, como dos arts. 135 e 137, todos do CTN, há necessidade de comprovação de fato jurídico tributário, distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos sócios e/ou administradores no pólo passivo da relação jurídica tributaria. No caso do art. 124 do CTN, é necessária a identificação da hipótese normativa aplicável ao caso concreto: (i) o interesse comum na situação que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 28 73 /2 00 8- 27 Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.627 2 constitua o fato gerador da obrigação principal as pessoas que tenham; ou (ii) a expressa previsão na legislação ordinária. Verificada a ocorrência de interesse comum, para fundamentar a atribuição de responsabilidade solidária aos administradores, deve a fiscalização constituir tal fato jurídico no lançamento, mediante a competente descrição dos fatos, corroborada pelas provas cabíveis. ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA A falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, decorrente do cometimento de infração tributária, implica na multa de 50%, aplicada isoladamente, sobre o valor que deixou de ser recolhido a título de estimativa. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício.exigida por falta de pagamento dos tributos devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. LANÇAMENTO DE OFICIO MULTA AGRAVADA JUSTIFICATIVA O agravamento da multa de oficio só é cabível quando reste comprovado nos autos que o contribuinte deixou de atender a intimações para prestar esclarecimentos, o que se caracteriza pelo silêncio do Contribuinte diante da intimação. Quando se verifica que durante a ação fiscal o Contribuinte respondeu às intimações, tentando comprovar a inexistência de infrações, resta afastada a hipótese de a•gravamento da multa de oficio, LANÇAMENTOS REFLEXOS. Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção parcial das exigências lançadas por via reflexa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência e, preliminarmente, no mérito, considerar válidas as provas da omissão de receitas. Pelo voto de qualidade, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, quanto à integridade do lançamento, vencidos o relator que reconhecia a redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante dos custos referentes à importação subfaturada, assim como do PIS e COFINS lançados, e os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias, que reconheciam a nulidade do auto de infração pela caracterização de hipótese de arbitramento. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto à multa qualificada e dar provimento ao recurso quanto à multa agravada. Pelo voto de qualidade, no tocante à multa isolada, negar provimento ao recurso, vencidos o relator e a conselheira Karem Jureidini Dias, que afastavam a multa até o limite do tributo devido e o conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, que a exonerava totalmente. Designado o conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a glosa dos pagamentos a beneficiários identificados demonstrados no anexo VII do Termo de Verificação Fiscal. Por unanimidade de votos, dar Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.628 3 provimento aos recursos dos responsáveis solidários para afastar a responsabilidade solidária. Designado o Conselheiro Antônio Bezerra Neto para redigir o voto vencedor. Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Assinado digitalmente Antônio Bezerra Neto – Redator designado. Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Trata de recurso voluntário que julgou procedente o auto de infração e de recurso de ofício em razão do afastamento da imputação de responsabilidade solidária aos sócios administradores. Por economia processual transcrevo o relatório elaborado pelo órgão julgador a quo. “Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas —IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL e das Contribuições para o Programa de Integração Social — PIS e o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, que constituíram o crédito tributário no montante de R$256.021.963,00, incluídos o principal, a multa de ofício qualificada e a multa de ofício agravada, os juros de mora e as multas e juros isolados, devidos até a data da lavratura, tendo em conta a apuração nos anos calendário de 2003 e 2004, das irregularidades assim descritas no Termo de Constatação de fls. 771/784, parte integrante da peça acusatória: 2 DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL A ação fiscal teve início em 14/06/07, quando o sujeito passivo tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.13.002007002459 e do Termo de Início da Ação Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.629 4 Fiscal. Através do citado Termo, intimamos o sujeito passivo a fornecer, no prazo de 20 (vinte) dias contados da ciência, informações visando a análise do IRPJ relativo aos anoscalendário 2002 a 2004 e ao IRRF relativo aos anoscalendário 2003 e 2004. Entre outros documentos foram solicitados: a) Livros Diário e Razão do período 2002 a 2004, b) arquivos magnéticos do referido período contendo os lançamentos contábeis e de saldos mensais, nos moldes da IN SRF n° 86/01 e Ato Declaratório Executivo Cofis n°15/01 e c) cópia do Contrato Social vigente em 01/01/02 e alterações contratuais posteriores, assim como declaração informando a totalidade das ações judiciais, que porventura o sujeito passivo tivesse impetrado, relativamente a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Em correspondência datada de 10/07/07, recebida em 11/07/07, o sujeito passivo forneceu apenas cópia do contrato social consolidado em 12/08/02, alterações contratuais até a data de 08/02/07 e atas de reunião dos sócios quotistas nas datas de 02/02/04, 06/04/05, 15/03/06 e 18/09/06. Relativamente aos demais itens solicitados o sujeito passivo requereu prazo adicional de 60 (sessenta) dias para sua apresentação, uma vez que 'muitos foram apreendidos por ocasião da operação Narciso, sendo que parte deles está em poder da própria Receita Federal'. Em 12/07/07 lavramos o Termo de Intimação Fiscal n° 01, cuja ciência pelo sujeito passivo ocorreu na mesma data, indeferindo a extensão de 60 (sessenta) dias no prazo para atendimento dos itens solicitados no Termo de Início da Ação Fiscal, reintimando o sujeito passivo a apresentar os itens faltantes no prazo de 10 (dez) dias e intimandoo a apresentar cópia das demonstrações financeiras analíticas relativas aos exercícios encerrados em 31/12/02, 31/12/03 e 31/12/04. Em correspondência datada de 02/08/07, recebida na mesma data, o sujeito passivo informou que 'não possui ações intentadas contra a Fazenda Nacional União Federal, questionando tributos e/ou contribuições'. No mesmo documento informou que 'os livros solicitados foram apreendidos pela operação Narciso, conforme comprova documento anexo Ofício n° 000333/06 GAB/IRF/SPO'. Referido ofício, datado de 24/03/06, dirigido à Dra. Maria Isabel do Prado, juíza da 2º Vara Federal em Guarulhos, SP, pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, solicita sejam fornecidas àquele órgão da RFB cópias de diversos documentos apreendidos, entre os quais os Livros Diário dos anos 2002 a 2004 e o Livro Razão do ano 2004. O sujeito passivo forneceu, ainda, CD contendo os arquivos magnéticos correspondentes aos Livros Diário e Razão do período 2002 a 2004, assim como cópia impressa das demonstrações financeiras dos mencionados períodos. Em 28/08/07 lavramos o Termo de Intimação Fiscal n° 02, cuja ciência pelo sujeito passivo ocorreu em 31/08/07, para, entre outros itens, registrar que embora os arquivos magnéticos fornecidos não correspondessem às especificações da IN SRF n° 86/01 e Anexo único ao Ato Declaratório Executivo COVIS n° 15/01, atendiam às necessidades iniciais da fiscalização, no que dizia respeito ao acesso aos dados da escrita contábil do fiscalizado, uma vez que continham os dados do Livro Razão, Livro Diário, Plano de Contas e Balanceies do período 2002 a 2004. No item 11 do Termo de Intimação em referência solicitamos ao sujeito passivo apresentar justificativa, em bases mensais, acompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea, das diferenças constatadas pela fiscalização entre os valores de vendas líquidas declaradas pelo sujeito passivo à RFI3, nas DIRIs entregues, e os valores de vendas mensais líquidas de descontos da Dada, marca comercial do sujeito passivo, contidos no relatório apreendido durante a Operação Narciso, com o título Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004. Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.630 5 Referido relatório contém, entre outros dados, os valores de vendas mensais do período de Janeiro de 2000 a Maio de 2004 e vendas mensais orçadas para o período Julho a Dezembro de 2004. Em 04/09/07 o sujeito passivo protocolizou correspondência solicitando prazo adicional de 15 (quinze) dias para atendimento do Termo de Intimação Fiscal n° 02. Na correspondência datada de 27/09/07, recebida em 28/09/07, o sujeito passivo informou, relativamente ao solicitado no item 11 do mencionado temo, que 'Desconhecemos a origem de tal documento, bem como os números e valores nele constantes, sendo que as receitas auferidas pela fiscalizada nos períodos examinados, são aquelas efetivamente constantes da DIPJ já entregue e constante da escrita fiscal'. Em 08/11/07, o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 04, no qual a fiscalização faz menção ao arquivo magnético intitulado "Acumulado2004.xls", o qual se encontrava em um dos discos rígidos apreendidos durante a Operação Narciso, para constatar que referido arquivo magnético consiste em diversas planilhas contendo o detalhamento de parte das vendas informadas no relatório com o Mulo Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004. Referidas planilhas contêm as vendas realizadas pelas diversas unidades de negócio ou divisões comerciais da Daslu, em bases diárias e totalizadores mensais, do período de Janeiro de 2003 a Dezembro de 2004. No item 2 do Termo de Intimação Fiscal n° 04 solicitamos ao sujeito passivo justificar, em bases mensais, acompanhado de documentação hábil e idônea, as diferenças constatadas pela fiscalização entre os valores de vendas líquidas declaradas pelo sujeito passivo à RFB, na DIPJ do anocalendário 2004, e os valores de vendas mensais do período de Junho a Dezembro de 2004, contidos nas referidas planilhas. No mesmo Termo de Intimação solicitamos a apresentação do último Balancete Patrimonial analítico apurado pelo sujeito passivo assim como da descrição e valor contábil dos bens integrantes do ativo permanente desse demonstrativo, em especial dos dados pertinentes aos imóveis e veículos. Em correspondência datada de 26/11/07, recebida em 27/11/07, o sujeito passivo respondeu ao intimado no item 2 do Termo de Intimação Fiscal n° 04 para informar que 'A Fiscalizada desconhece a origem de tais documentos, bem como os números e valores neles constantes, sendo que as receitas auferidas por ela nos períodos examinados são aquelas efetivamente constantes da DIPJ já entregue e constante da escrita fiscal'. Em 29/11/07 demos ciência ao sujeito passivo do Mandado de Fiscalização Complementar n° 08.1.13.0020070024591, o qual incluiu a fiscalização da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativa aos anoscalendário 2002 a 2004. Em 05/12/07 o sujeito passivo tomou ciência, por via postal, do Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal e dos Autos de Infração do IRPJ e CSLL, e tributação reflexa do IRPJ, relativos às infrações apuradas pertinentes ao anocalendário 2002, objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 10882.003318/200701. Em 27/03/08 o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal n°01. Em 20/05/08 o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal n°02. Em 20/06/08 o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 08 solicitando a apresentação de arquivos magnéticos contendo a escrituração contábil do período de Novembro de 2006 a Maio de 2008, assim como o fornecimento de planilha informando os valores de tributos e contribuições a pagar contabilmente escriturados no referido período. Em correspondência datada de 15/07/08, recebida em 18/07/08, o sujeito passivo atendeu ao solicitado no Termo de Intimação Fiscal n° 08. Em 18/07/08 o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal n°03. Em 29/07/08 o sujeito passivo tomou ciência de Termo de Informação comunicando a alteração da numeração do MPF de 08.1.13.002007 002459 para 08.1.28.002008004270, a inclusão do período correspondente a Janeiro de Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.631 6 2005 na fiscalização do IRRF e a alteração da unidade da RFB responsável peia fiscalização de DRF de Osasco para DRF de Barueri. Na mesma data o sujeito passivo protocolizou correspondência datada de 23/07/08 encaminhando cópia de DCTF retificadora e de DARFs. Esclarecemos que os Termos e documentos citados neste item são apenas aqueles que guardam relação direta e imediata com a verificação ora relatada. Outros Termos, não expressamente referidos, foram lavrados no curso dos trabalhos de fiscalização e se relacionam diretamente com a auditoria do IRRF. 3 INFRAÇÕES APURADAS 3.1 Considerações Iniciais 3.1.1 Operação Narciso A denominada Operação Narciso consistiu na gama de ações desenvolvidas em conjunto pela Receita Federal, Policia Federal e Ministério Público Federal, a partir de indícios da prática de infrações tributárias e crimes contra a ordem tributária apurados pela CoordenaçãoGeral de Pesquisas e Investigações COPEI da RFB. As investigações desenvolvidas pela COPEI culminaram com a execução, em 13/07/05, de Mandados de Busca e Apreensão, expedidos pela 21ª Vara da Justiça Federal em Guarulhos, em 32 locais nos Estados do Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Referidos mandados determinavam a 'BUSCA E APREENSÃO de computadores e/ou dados deles constantes e de documentos (de natureza fiscal, contábil ou diversa) que digam respeito à importação e exportação de mercadorias relacionadas à empresa LOMMEL EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS S/A., CNPJ 07.205.428/000110, tambem conhecida como 'DASLU', ainda que de forma indireta, ou aos seus sócios ANTONIO CARLOS PIVA DE ALBUQUERQUE, CPF 886.676.69849, e ELIANA MARIA PIVA DE ALBUQUERQUE TRANCHESI, CPF 135.211.17804, destinados à prova de crime de descaminho e/ou crime contra a ordem tributaria' Conto resultado da execução dos mandados judiciais, foi apreendida farta documentação, arquivos magnéticos e discos rígidos de computadores. 11.2 Lommel Empreendimentos Comerciais SIA A empresa Lornmel, constituída em 31/01/05, com o objeto social inicial de comércio atacadista de artigos do vestuário e acessórios, exceto profissionais e de segurança, passou a explorar a marca comercial 'DASLU' anteriormente detida pelo sujeito passivo. De acordo com os contratos sociais do sujeito passivo e consultas à Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP (Anexo 1), à época da execução dos mandados de busca e apreensão os responsáveis pela administração da Lommel e do sujeito passivo eram Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi, com o cargo de Diretora Presidente, e Antonio Carlos Piva de Albuquerque, com o cargo de Diretor. Nessa data, de acordo com esses documentos, Eliana Tranchesi detinha 40% (quarenta por cento) do capital social do sujeito passivo e, indiretamente, 39,96% (trinta e nove virgula noventa e seis por cento) do capital social da Lommel. Antonio Carlos Piva de Albuquerque detinha 20% (vinte por cento) do capital social do sujeito passivo e, indiretamente, 20% (vinte por cento) do capital social da Lommel. 3.1.3 Relatório de Vendas Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.632 7 Nas operações de busca e apreensão executadas nas dependências da Lommel, situadas na Av. Chedid Jafet, n° 131, na cidade de São Paulo, SP, foi apreendida grande quantidade de documentos relativos à atividade dessa empresa, da Boutique Dasla, denominação anterior do sujeito passivo, e outros com a referência simplesmente à Das& Em particular, no 4° andar do edificio, onde se situava a Diretoria Geral, foi apreendido um relatório com o título "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004" e subtítulos "Mês: Maio 2004" e 'Diretoria Geral; com 115 folhas impressas ao qual passamos a nos referir doravante como "Relatório de Vendas'. Apesar do sujeito passivo, na resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 02, no qual nos referimos ao Relatório de Vendas, alegar que 'Desconhecemos a origem de tal documento, bem como os números e valores nele constantes', registramos que a apreensão desse documento, juntamente com outros, foi efetuada na presença de testemunhas, relacionado como item 31 do Auto de Apresentação e Apreensão lavrado por escrivães da Polícia Federal, lacrado com o lacre n° 241805. Referido lacre foi rompido em 09/08/05, conforme Termo de Abertura de Lacre lavrado por Auditor da RFB, seu conteúdo foi devidamente relacionado, na presença de Andrea Menezes Macedo de Souza Aranha, CPF n° 134.561.04839, procuradora do sujeito passivo, como item 1 do anexo ao termo de abertura do lacre. Resta provado, desta forma, que o alegado desconhecimento da origem do Relatório de Vendas pelo sujeito passivo carece de sustentação Mica, como demonstram os documentos aqui referidos. Quanto ao conteúdo do Relatório de Vendas, constatamos que se trata de pormenorizado demonstrativo gerencial para acompanhamento da evolução das vendas mensais liquidas de descontos do sujeito passivo e da evolução mensal da margem bruta, por unidade de negócio ou divisão comercial. Contém os dados históricos (vendas realizadas) do período de Janeiro de 2000 a Maio de 2004, data base do Relatório de Vendas, conforme mencionado na folha que o capeia e os valores de vendas líquidas e margem bruta orçadas para o período Junho a Dezembro de 2004, assim como as quantidades orçadas e realizadas, de peças mensalmente vendidas. O Relatório de Vendas também faz comparações entre os valores nominais de vendas líquidas corrigidas pela IPCA acumulado do período de Janeiro de 2000 a Abril de 2004 e, relativamente à venda de artigos importados, também compara valores em reais convertidos em dólar pelo dólar médio comercial de venda, como informa a folha do Relatório de Vendas com o titulo "Notas". Além dos quadros comparativos de valores de vendas em moeda e em quantidade de peças, o Relatório de Vendas abriga cerca de 60 (sessenta) folhas contendo gráficos comparativos de vendas. Registramos que os valores das vendas são expressos em milhares de reais, ou dólares, conforme o caso, com uma casa decimal, e as quantidades de peças vendidas são expressas em unidades. Nas operações de busca e apreensão executadas nas dependências da Lornmel, situadas na Av. Chedid Jafet, n° 131, na cidade de São Paulo, SP, foram apreendidos diversos discos rígidos de computador (11D). Em particular, foi retirado do computador da secretária do 4° andar, um HD marca Seagate Model ST3200, número de série 5JZDD0143, conforme item 10 do Auto deApresentação e Apreensão lavrado por escrivães da Polícia Federal, o qual recebeu o lacre individual de número 0055062, sendo posteriormente lacrado, juntamente com outros discos Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.633 8 rígidas e alguns documentos, com o lacre de número 245068. O lacre de número 245068 foi rompido em 11/08105, conforme Termo de Abertura de Lacre lavrado por Auditor da RFB. Seu conteúdo foi devidamente relacionado na presença de Andrea Menezes Macedo de Souza Aranha, CPF n° 134.561.04839, procuradora do sujeito passivo, como item 6 do anexo ao termo de abertura do lacre. Naquela ocasião o lacre individual do HD permaneceu intacto, conforme observa citado anexo. Conforme Termo de Cópia de Arquivos em Meio Magnético lavrado em 23109/05 por auditor da RFB, nessa data foi rompido o lacre do HD e realizada cópia dos arquivos magnéticos que se encontravam no disco rígido. Após efetuar a cópia o HD foi novamente lacrado, com o lacre número 0465930,permanecendo apreendido para servir de contra prova, se necessário. O procedimento ora descrito foi acompanhado pelo preposto da Lomrnel, Vagner Rodrigues, Cargo: Suporte de Hardware, CPF n° 253781.78851, conforme ciência no referido tema entre os arquivos gravados no referido disco rígido encontravase aquele denominado "Acumulado2004.xls". Esse arquivo consiste em diversas planilhas do aplicativo Excel, cujas cópias fornecemos ao sujeito passivo conforme o Anexo H ao Termo de Intimação Fiscal n°04. Doravante passamos a nos referir ds citados planilhas como "Planilhas de Vendas Diárias". Quanto ao conteúdo das Manilhas de Vendas Diárias, constatamos que se trata de demonstrativos gerenciais contendo o valor diário de vendas e totais mensais, das principais unidades de negócio ou divisões comerciais do sujeito passivo, assim como das quantidades de peças vendidas, do período de Janeiro de 2003 a Dezembro de 2004. As Planilhas de Vendas Diárias também registram, em base diária, a quantidade de vendas efetuadas por divisão comercial, a quantidade de peças vendidas por venda, a média do valor vendido por peça e a média do valor de cada venda. As Planilhas de Vendas Diárias relativas ao ano de 2003 contêm, ainda, o valor de venda diário nominal e corrigido com base na variação acumulada do 1PCA daquele ano. As Planilhas de Vendas Diárias relativas ao ano de 2004 contêm uma coluna demonstrando, em base diária, a variação percentual entre a quantidade de peças vendidas em 2004, comparativamente a 2003, assim como da variação percentual no valor das vendas. Informam, ainda, relativamente a 2004, o valor da meta de vendas do mês expresso em Reais, e o percentual de realização dessa meta. A partir do mês de Maio de 2004 o valor total das vendas é informado na linha denominada "Total Daslu". Registramos que o valor dasvendas diárias está expresso em Reais, com precisão de centavos de Reais. 3.1.5 Comparativo entre o Relatório de Vendas e as Planilhas de Vendas Diárias Constatamos que as Planilhas de Vendas Diárias contêm o detalhamento diário dos valores de vendas mensais, das principais unidades de negócio do sujeito passivo, informados no Relatório de Vendas. As planilhas comparativas anexas (Anexo 11), relativas ao período de Janeiro de 2003 a Maio de2004, demonstram que as Planilhas de Vendas Diárias contêm os dados analíticos diários das vendas das unidades de negócio/divisões comerciais denominadas no Relatório de Vendas como Feminino, Masculino, Teen, Casa e Terceiros, subdivisão Consignações. As Planilhas de Vendas Diárias não reportam os dados de vendas das unidades de negócio denominadas no Relatório de Vendas como Daslu Export, Eventos e Promoções, Out Lei/Bazar e Terceiros, subdivisão Locações 1 Outras Receitas. Da mesma forma o Relatório de Vendas não contém a Unidade de Negócio denominada de Marketing nas Planilhas de Vendas Diárias. Os valores de vendas reportados nessa unidade, como pode ser observado nas planilhas comparativas, são geralmente em pequeno montante, e por vezes os valores são negativos. Os valores mensais da unidade de Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.634 9 negócios Marketing oscilam entre () R$ 18,2 Mil a R$ 13,8 Mil,com exceção do valor relativo ao mês de Dezembro de 2003, quando totalizou o valor de R$ 175,7 Mil. Constatamos que existem pequenas diferenças entre os valores totais mensais de vendas, relativas às mesmas unidades de negócio, informados no Relatório de Vendas e nas Planilhas de Vendas Diárias. Todavia, com exceção dos meses de Junho, Agosto e Setembro de 2003, e Abril de 2004, quando a diferença percentual superou 1% (um por cento), nos demais períodos a diferença percentual observada oscilou entre ( )0,72% ( menos zero vírgula setenta e dois por cento) a 0,40% (zero vírgula quarenta por cento), como sumarizamos abaixo. Ressaltamos também que, como pode ser observado nas planilhas comparativas, na maioria dos períodos não existem diferenças entre os valores de vendas das unidades de negócio, individualmente consideradas, informados no Relatório de Vendas e nas Planilhas de Vendas Diárias. Conclusão Constatamos que o Relatório de Vendas e as Planilhas de Vendas Diárias são instrumentos gerenciais utilizados pelo sujeito passivo para minucioso e pormenorizado acompanhamento do desempenho de suas vendas reais, conforme demonstramos na análise desses documentos. As Planilhas de Vendas Diárias respaldam e reiteram essa constatação, pois utilizam a mesma nomenclatura das unidades de negócios acompanhadas no Relatório de Vendas, embora não contenham as vendas diárias de todas as unidades de negócios do Relatório de Vendas. Adicionalmente, como demonstramos nas planilhas comparativas, os valores de vendas mensais relatadas nesses documentos são amplamente coincidentes, ressalvandose as discrepâncias que apontamos. Enquanto que o Relatório de Vendas demonstra a totalidade das vendas realizadas pelo sujeito passivo no período de Janeiro de 2000 a Maio de 2004, as Planilhas de Vendas Diárias contêm grande pane das vendas realizadas no período de Janeiro de 2003 a Dezembro de 2004. Pelo que observamos, de Janeiro de 2003 a Maio de 2004, período em os dados das vendas reais são acompanhados simultaneamente pelos dois documentos, as Planilhas de Vendas Diárias acompanham as vendas das unidades de negócios que representam, em nzédia, 94,8% (noventa e quatro vírgula oito por cento) das vendas totais do sujeito passivo. 3.2 Despesas Indedutiveis na Apuração do Lucro Real O Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal, lavrado nesta data, relata a ação fiscal desenvolvida no sujeito passivo visando a auditoria do IRRF no período de Janeiro de 2003 a Janeiro de 2005, também objeto do MPF n° 08128002008 004270. Constatamos que os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo a seus funcionários e a terceiros, por intermédio da empresa Incentive House S.A., CNPJ tz° 00.416.126/000141, foram contabilizados pelo sujeito passivo como despesas operacionais. Referidos pagamentos foram contabilizados como Serviços Prestados IV, a débito da conta contábil n° 26.5.03.0013, sendo que o Plano de Contas da Empresa identifica o grupo 2.6 como Contas de Resultado, o grupo 2.6.5 como Despesas Operacionais e o grupo 2.6.5.03 como Despesas Gerais. Os lançamentos a crédito correspondentes foram escriturados na conta contábil 2.14.01.2283, identificada como Fornecedores Incentive House S/A. Parte dessas Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.635 10 despesas foram consideradas pela fiscalização como indedutIveis na apuração do Lucro Real, como demonstrado no subitem 3.3.4 abaixo. 3.3 — Infrações 3.3.1 Omissão de Receitas Constatamos que o sujeito passivo declarou nas DIPJs dos anoscalendário 2003 e 2004 valores de receitas inferiores aos valores de vendas reportados no Relatório de Vendas, no período de Janeiro de 2003 a Maio de 2004, e nas Planilhas de Vendas Diárias no período de Junho a Dezembro de 2004. Multa Isolada pela Falta de Recolhimento do IRPJ sobre a Base de Cálculo Estimada O sujeito passivo optou pela apuração anual do IRPJ, com pagamento mensal antecipado do tributo, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. Recalculamos os montantes das estimativas de IRPJ a pagar em função dos valores de omissão de receitas apurados. O não recolhimento das estimativas de IRPJ a pagar sujeitase à multa isolada correspondente a 50% (cinqüenta por cento) do valor não recolhido. A planilha anexa (Anexo Hl) demonstra o cálculo dos valores da multa isolada aplicável, relativa aos anos calendário 2003 e 2004. Multa Isolada pela Falta de Recolhimento da CSLL sobre a Base de Cálculo Estimada O sujeito passivo optou pela apuração anual da CSLL com pagamento mensal antecipado do tributo, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução. Recalculamos os montantes das estimativas de CSLL a pagar em função dos valores de omissão de receitas apurados. O não recolhimento das estimativas de CSLL a pagar sujeitase à multa isolada correspondente a 50% (cinqüenta por cento) do valor não recolhido. A planilha anexa (Anexo IV) demonstra os valores da multa isolada aplicável, relativa aos anoscalendário 2003 e 2004. Utilização de Despesas 1ndedutiveis na Apuração do Lucro Real As despesas abaixo são indedutíveis na apuração do Lucro Real e não foram adicionadas ao lucro liquido dos respectivos períodos de apuração, como se constata na ficha 09A Demonstração do Lucro Real das DIF. Is dos anoscalendário 2003 e 2004. Pagamentos a Beneficiárias Não Identificados O sujeito passivo efetuou pagamentos a beneficiários que não foram identificados, apesar de intimado a fazêlo em repetidas oportunidades. A Incentive House S/A, que atuou como agente prestadora de serviços para operacionalizar referidos pagamentos também não identificou os beneficiários. Tratase de pagamentos efetuados mediante a distribuição de um bônudenominado "TOP PREMIUM". Desta forma constatamos infração ao art. 304 do RIR/99 que assim dispõe: Art. 304. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante de pagamento não Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.636 11 individualizar o beneficiário do rendimento (Lei n° 3.470, de 1958, art. 2°). O Anexo V contém os valores pagos, consolidados por mês. 3.3.4.2 Pagamentos Sem Comprovação de Causa O sujeito passivo efetuou pagamentos a beneficiários que não identificou, apesar de intimado a fazêlo em diversas oportunidades. A identidade dos mesmos foi obtida em decorrência de diligência efetuada na Incentive House S/A. Constatamos, mediante cruzamento com os dados da folha de pagamentos do sujeito passivo, que os beneficiários não integravam seu quadro de funcionários. Intimado a esclarecer a natureza e finalidade dospagamentos, realizados mediante créditos nos cartões eletrônicos denominados FLEXCARD e PREMIUM CARD, o sujeito passivo não se manifestou. Constatamos infração ao art. 304 do RIR/99, já reproduzido acima. O Anexo VI relaciona os pagamentos efetuados, consolidados por mês. 3.3.4.3 Remuneração Indireta a Beneficiário Não Identificado O sujeito passivo efetuou pagamentos a beneficiários que não identificou, apesar de intimado a fazêlo em diversas oportunidades. A identidade dos mesmos foi obtida em decorrência de diligência efetuada na Incentive House S/A. Constatamos, mediante cruzamento com os dados da folha de pagamentos do sujeito passivo, que os beneficiários integravam seu quadro de funcionários e ocupavam os cargos/funções de diretores, gerentes e seus assessores. O pagamento das premiações a Diretores, Gerentes e seus assessores caracteriza se como remuneração indireta. Constatamos a ocorrência do previsto no inciso II do § 30 do art. 358 do RIR/99, urna vez que a remuneração indireta foi paga a beneficiários não identificados peio sujeito passivo. O Anexo VII relaciona as remunerações indiretas pagas, consolidadas por mês. 4 OUTRAS CONSIDERAÇÕES 4.1 Muitimport Importação Exportação Comércio e Indústria Ltda A Multánport, denominação anterior da Vitoriana Empreendimentos Imobiliários Lida, CNPJ n° 31.743.248/000176, também objeto de mandados de Busca e Apreensão durante a Operação Narciso, foi fiscalizada pela RFB que lavrou contra a mesma Autos de Infração relativos ao Imposto de Importação e o IPI, controlados no processo administrativofiscal n° 10314012101/200647. Em decorrência dos trabalhos de fiscalização na Multimport foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o sujeito passivo, em virtude de ter sido caracterizado que a Multimport, agindo em conluio com o sujeito passivo, cometeu irregularidades que acarretaram redução na base de cálculo do II e do IPI. O sujeito passivo tomou ciência do referido termo em 08/11/06, tendo recebido cópia dos Autos de Infração mencionados e do Relatório de Fiscalização em 14/11/06, conforme Termo de Entrega de Cópias. O Relatório de Fiscalização elaborado pela RFB, em decorrência da análise de operações de importação realizadas no período de Janeiro de 2001 a Dezembro de 2005 pela Multirnport, aponta textualmente que 'Ao final dos trabalhos ficou constatado que a empresa MULTIMPORT, em conluio com a BOUTIQUE DASLU, nome fantasia da empresa NSCA IND. COM . EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO LTDA, CNPI 61.035.267/000109, utilizouse de esquema fraudulento de importações visando à redução, mediante subfaturamento, da base de cálculo do imposto de importação (1D, do imposto sobreprodutos industrializados vinculados a importação (IPI vinculado). Além do Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.637 12 subfaturamento, o esquema se materializava com a ocultação do real adquirente (DASLU), através da interposição da MULTIMPORT na operação comercial'. O Relatório de Fiscalização caracteriza de forma cabal que as negociações das importações efetuadas pela Multiimport, destinadas ao sujeito passivo, eram determinadas por esse último, no que diz respeito às decisões de natureza comercial e financeira. O "quanturn a de subfaturameruo nas importações era definido, em última instância, pelo sujeito passivo. A conexão mais relevante que se pode estabelecer entre subfaturamento de importações constatado pela RFB nos Autos de Infração contra a Multimport, a qual atuava como departamento de importações do sujeito passivo, e a omissão de receitas pelo sujeito passivo que denwnstramos neste termo, é a de que parte do numerário auferido com a omissão de receitas viabiliza o pagamento do real preço das mercadorias importadas porintermédio da Multimport. Ou seja, recursos obtidos à margem da escrita fiscal financiam o pagamento de valores adicionai aos remetidos oficialmente para quitação das importações. 4.2 Autos de Infração e Imposição de Multa pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo Baseandose na documentação apreendida durante a Operação Narciso, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo lavrou diversos Autos de Infração e Imposição de Multa AIIM contra o sujeito passivo, aos quais tivemos acesso através do Convênio de Cooperação Mútua celebrado entre a RFB e aquele órgão. Em particular, o AIIM n° 31059.6919, lavrado em 02/10/06, apurou a infração relativa a documentos fiscais e impressos fiscais, tendo constatado que o sujeito passivo 'deixou de emitir, no período de Outubro de 2001 a Dezembro de 2003, Notas Fiscais Modelo IA no valor total de R$ 232.609.718,95, (...), e, conseqüentemente não pagou o ICMS no valor total de R$ 41.869.749,41, (•..), apurado no confronto entre as vendas consignadas no relatório interno do contribuinte intitulado 'Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004', apreendido pela Receita Federal e Policia Federal em 13/07/2005, quando da "Operação Narciso TM , em cumprimento aos Mandados de Busca e Apreensão Autos n°2005.61.19.0044092 e 2005.6L19.0086130, expedidos pela 2° Vara Federal de Guarulhos, e as vendas declaradas nas CIAs Guias de Informação e Apuração do ICMS, conforme detalhado nos demonstrativos, resumo anual das GIAs e cópias reprográficas dos seguintes documentos: ofícios, relatório intitulado 'Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004', GIM, documentos fornecidos pela Receita Federal, inclusive termo de cópia de arquivos em meio magnético, documentos fornecidos pela 2' Vara Federal de Guarulhos, planilhas relativas à comparação de vendas 200312004 intitulada'Acumulado2004.xls i : Mídia eletrônica (CD Compact Disc etiquetado com o n° 002755) contendo o arquivo original apreendido e que originou as retrocitadas planilhas, juntados Queremos consignar que a autoridade fazendária estadual, utilizando os mesmos elementos principais de provas por nós considerados, quais sejam, o "Relatório de Vendas" e as "Planilhas de Vendas Diárias", apurou, no confronto com as GIM, a mesma magnitude de omissão de receitas constatada nesta fiscalização, quando cotejados com as receitas declaradas pelo sujeito passivo na DIPJ, relativamente aos anoscalendário 2003 e 2004, tendo lavrado AllMs para constituir o crédito tributcfrio do ICMS. 5 CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS Os créditos tributários apurados foram constituídos conforme demonstrativos integrantes dos Autos de Infração objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 13896002873/200827. As multas de lançamento de ofício, relativas às receitas omitidas, foram qualificadas nos termos do Art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, face às ações e omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, oconhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.638 13 Como demonstramos no subitem 3.2.1, o sujeito passivo omitiu, de forma sistemática, receitas com vendas durante todos os períodos de apuração dos anoscalendário 2003 e 2004. As receitas omitidas são em quantia expressiva e vultosa, representando, em média, cerca de 39 % (trinta e nove por cento) das receitas efetivamente auferidas. O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores de tributos menores que os devidos, agiu de modo a impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que o mesmo incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, inciso 1, da Lei n°4.502/64. A prática sistemática e reiterada de omissão de receitas, e nos montantes constatados, comprova de modo efetivo o evidente intuito de fraude. A existência do dolo ficou caracterizada pela vontade do sujeito passivo proceder de forma proposital e 11, consciente em conduta de reflexos lesivos ao Erário, como demonstra a análise dos documentos a que nos referimos nos subitens 3.1.3 a 3.7.5 deste, corroborada pelas considerações apontadas no subitem 4.1. 6 ENQUADRAMENTO LEGAL A exigência tributária está embasada na legislação expressamente mencionada neste Termo e nos Autos de Infração. 7ANEXOS Descrição dos anexos ao termo: • Anexo I Consultas Cadastrais JUCESP, composto por capa e 05 (cinco) folhas; • Anexo II Planilhas Comparativas Relatório de Vendas e Planilhas de Vendas Diárias, composto por capa e 17 (dezessete) folhas; 01) • Anexo III Demonstrativo de Cálculo da Multa Isolada – IRPJ Estimativa, composto por capa e 02 (duas) folhas; • Anexo IV Demonstrativo de Cálculo da Multa Isolada C.SLL Estimativa, composto por capa e 02 (duas) folhas; • Anexo V Pagamentos a Beneficiários Não Identificados, composto por capa e 01 (uma) folha; • Anexo VI Pagamentos Sem Comprovação de Causa, composto por capa e 02 (duas) folhas; • Anexo VII Remuneração Indireta a Beneficiários Não Identificados, composto por capa e 26 (vinte e seis) folhas. Em 29/07/2008 foi providenciada, ainda, a lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidaria, de fls. 765/766 e 767/768, respectivamente, contra os administradores da sociedade, Sra. nana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi (CPF n° 135.211.17804) e Sr. Antônio Carlos Piva de Albuquerque (CPF n° 886.676.69849) — conforme previsto nas Cláusula 9° do Contrato Social e Alterações (fls. 366/450) e na Ficha Cadastral da Iucesp (fls. Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.639 14 515/539), por ter restado caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos do art. 135, III, da Lei n°5 172 de 1966 (Código Tributário Nacional). A empresa NSCA Ind. Com. e Importação Ltda., cientificada dos lançamentos, por via postal (AR de fls. 906), em 05/08/2008, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (Instrumento de Mandato de fls. 956), protocolizou a impugnação de fls. 919/955, em 03/09/2008. Por sua vez, os administradores da empresa, aos quais foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário, teriam sido cientificados dos lançamentos e dos termos de sujeição passiva solidária, em 05/08/2008, conforme AR de fls. 907/908, tendo protocolizado, em 03/09/2008, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (Instrumentos de Mandato de fls. 1346 e 1361), as impugnações de fls. 1335/1345 e 1350/1360. As razões de impugnação da pessoa jurídica e dos devedores solidários serão abaixo expostas: Razões de Impugnação da Pessoa Jurídica Autuada Da Imputação de Omissão de Receitas Nas preliminares, argúi a decadência dos fatos geradores de PIS e Cofins ocorridos de janeiro a julho de 2003, na medida em que somente foi intimada dos lançamento em agosto de 2008, nos termos do art. 150, §4° do CTN. Contesta a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Questiona a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei n°8.212, de 1991, que teria sido declarado inconstitucional pelo STF, fato que teria motivado a edição da Súmula Vinculante n° 8, de observância obrigatória pelo Poder Executivo. Ressalta ainda que em todos os meses do anocalendário de 2003 teria havido pagamentos de PIS e de Cofins. No mérito, afirma que a imputação de omissão de receitas estaria fundada numa presunção simples, não prevista em Lei, num único e ilegítimo indício, documento intitulado"Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004", apreendido durante a denominada "Operação Narciso", na Lommel Empreendimentos Comerciais S.A. Durante o procedimento fiscal, intimada a se manifestar sobre o documento e sobre os dados ali mencionados a título de receitas auferidas, a Irnpugnante teria informado desconhecer a origem do documento, e afirmado que o total das receitas auferidas nos anos calendário 2003 e 2004 teria sido regularmente declarado nas DIPJ apresentadas. Na ausência de contestação por parte do Fisco, e de outras intimações, teria entendido terem sido dirimidas as dúvidas com relação à regularidade de seu procedimento. Todavia, após alguns meses "ignorando a resposta da Impugnante, no sentido de que desconhecia tal impresso e sem nada mais investigar" o Fisco "simplesmente desconsiderou acontabilidade da fiscalizada e assumiu, sem qualquer base adicional, que os valores descritos no "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004", seriam receitas de propriedade da Impugnante nos meses de jan/2003 a maio/2004 e as adicionou ao resultado tributável pelo III/CSUPIS/Cofins". Todavia, a fiscalização teria exigido também os tributos devidos nos meses de junho a dezembro de 2004, com base em outro arquivo denominado "Acumulado2004", obtido Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.640 15 a partir de HD apreendido durante a Operação Narciso nas dependências da Lommel Empreendimentos Comerciais S.A., intitulado pela fiscalização de 'Planilhas de Vendas Diárias". Afirma que indício não é a prova direta relacionada ao fato que se deseja provar, mas representa outro fato que, por intermédio de um raciocínio amparado no que acontece na maior parte dos casos, indica a ocorrência do fato que se deseja provar. Distingue as duas espécies de presunção: as presunções legais e as presunções simples, para defender que, esta Ultima, dependeria da reunião de vários indícios que obedecessem aos requisitos de gravidade, precisão e concordância. Transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes, para concluir, em suas palavras: "No caso concreto, há um único elemento que fundamenta o raciocínio e conclusão da Fiscalização pela existência de omissão de receitas mediante presunção. (...) Como se vê, não há sequer um conjunto de indícios, o que 'por si só já é suficiente para concluir pela improcedência da ilação que fundamenta os AIS". Diz que o documento em questão não teria timbre, assinatura ou sinais característicos a permitir a identificação de autoria, finalidade e destinação, não sendo por isso dotado de gravidade e precisão necessário para ser considerado como indício de que a empresa manteria recursos à margem da escrituração. Sugere que tal documento poderia ser explicado por razões diferentes da imputação em questão, tais como: (i) um estudo do que teria ocorrido se certas medidas fossem adotadas: (ii) a previsão de cenários possíveis em diferentes contextos; (iii) uma análise do potencial das atividades da empresa.Assevera que seria necessário um aprofundamento do trabalho fiscal para que o documento pudesse ser utilizado como indicativo de omissão de receitas, procedendo, por exemplo, à verificação do registro de estoques, o volume de compras, a movimentação bancária ou outros elementos. Defende que a fiscalização possuía diversos meios à sua disposição para demonstrar, por meio de outras provas, mesmo que indiciarias, a ocorrência da omissão de receitas pela concordância dos indícios, não podendo se limitar à utilização de documentação apócrifa. Com base no art. 142 do CTN e no princípio da verdade material, afirma que o ônus da prova da omissão de receitas é do Fisco. Transcreve ementas de julgados do Conselho de Contribuintes para corroborar a improcedência das exigências fundadas em presunções simples de omissão de receitas, com fundamento em um único elemento probatório. Conclui que, na ausência de outros elementos de prova, não teriam sido atendidos os requisitos de concordância e precisão, sem os quais, não se sustentaria também a gravidade da presunção construída pela fiscalização, não gerando convencimento acerca da imputação. Argúi a imprestabilidade das denominadas "Planilhas de Vendas Diárias", obtidas, pela fiscalização, em 11D de computador apreendido nas dependências da Lommel Empreendimentos Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.641 16 Comerciais S.A., que, no entender do Fisco, refletiriam o valor das vendas das principais unidades da empresa no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, na medida em que haveria semelhança com os valores das vendas mensais informados no documento intitulado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004". A imprestabilidade seria decorrente do fato de não haver coincidência entre os segmentos de negócios indicados nas "Planilhas de Vendas Diárias" e no impresso "Vendas c Margem Bruta 2000 a 2004". Segundo a contribuinte, na medida em que os critérios e as realidades mensuradas são diferentes, a comparação dos resultados seria imprestável. Questiona, ainda, no item do Termo de Verificação denominado "Outras Considerações", a menção das seguintes informações, que não teriam sido citadas como elementos que motivaram os lançamentos: (i) de que as receitas auferidas e não tributadas pela Impugnante teriam sido utilizadas para o pagamento das importações subfaturadas de mercadorias pela Multimport Importação, Exportação, Comércio e Indústria Ltda., sendo os tributos aduaneiros decorrentes do ilícito objeto de lançamento no processo administrativo ri° • 10314.012101/200647; (ii) de que, com base nos mesmos fatos e nos mesmos elementos de prova, teria sido lavrado auto de infração de ICMS. Aponta a irrelevância de tais fatos para as exigências ora em discussão, na medida em que não integrariam a motivação dos lançamentos. Ademais, tais afirmações do Fisco — de que as receitas omitidas teriam sido destinadas aos pagamentos das importações subfaturadas — não estariam corroboradas por provas hábeis. Reputa tratarse de meras suposições, dissociadas de qualquer fundamento, pelo que não poderiam ser levadas em consideração. Assevera, ainda, que a Impugnante não teria qualquer relação com a conduta adotada pela Multimport e com o crédito tributário objeto do lançamento formalizado no processo 10314.012101/200647, cuja procedência se encontra atualmente sob apreciação do Terceiro Conselho de Contribuintes. Na seqüência de seu raciocínio, aduz que se fosse verdadeira a afirmação de destinação dos recursos omitidos ao pagamento das importações subfaturadas, deveria ser ajustada a base de cálculo do IR e da CSL para que refletissem o que, no entender da fiscalização, seria o custo real da mercadoria. Em suas palavras: "De fato, se, como houve omissão de receitas auferidas com a venda de mercadorias e parte desses recursos foi utilizada para adquirir tais mercadorias, o IXPJ e a CSL somente poderiam incidir sobre a diferença, que corresponderia ao acréscimo patrimonial supostamente havido". Acrescenta ainda a defesa que parte do crédito tributário lançado pelo Fisco Estadual teria sido cancelado, Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.642 17 conforme extrato de andamento de processo juntado aos presentes autos (doc. 03). Questiona a utilização de prova emprestada. Contesta a aplicação da multa qualificada, na medida em que a prova da omissão de receitas fezse por presunção, não tendo sido provada a conduta dolosa ou fraudulenta. Defende ser inaplicável a multa qualificada aos casos de mera inadimplência ou em que haja divergência de interpretação da legislação. É necessária a prova da utilização de meios fraudulentos, contrários ao ordenamento jurídico. Segundo a defesa, não teria sido constatada a ausência de tributação de recursos que teriam se agregado ao patrimônio da empresa, seja a partir de verificação de montantes, em espécie, em seu poder, ou da manutenção de valores disponíveis em instituições financeiras. Desta feita, conclui não haver prova direta da omissão de receitas, mas apenas presunção. Afirma que o fato omissão de receitas não seria conhecido, rnas apenas os demonstrativos das vendas e margem bruta 2000 a 2004, cuja autenticidade seria questionada pela 1mpugnante. Conclui que, na imputação de omissão de receitas, por presunção, seria inaplicável a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude. Colaciona jurisprudência 11) administrativa e Súmula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes de seguinte teor:"A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo".Questionando a configuração da sonegação prevista no art. 71, I, da Lei n° 4.502, de 1964, afirma haver atendido a todos os pedidos formulados pela fiscalização e ter apresentado todas as informações e documentos dc que dispunha. Em suas palavras, o fato de desconhecer o impresso denominado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004" não autorizaria a conclusão de que teria ocultado ou omitido qualquer informação inerente ao procedimento fiscal. Não teria utilizado qualquer artificio ou ardil contrário ao direito como forma de ludibriar a fiscalização. Requer a dedutibilidade da base dc cálculo do 1RPJ e da CSLL dos créditos tributários lançados exofficio de PIS e Cofins. Faz remissão aos arts. 344, 247 e 273 do RIR/99 para reafirmar a dedutibilidade dos tributos e contribuições segundo o regime de competência. Destaca que, após o julgamento, se as exigências forem julgadas procedentes, restabelecida estará a sua exigibilidade, justificandose a sua dedução. Da regularidade das despesas objeto de glosa. Contesta as imputações fiscais, afirmando que a totalidade dos pagamentos glosada teve como destinatária a prestadora de serviços, Incentive House S.A., e a causa estaria identificada no contrato e nas notas fiscais que lhes dariam suporte. Quanto à imputação de pagamentos a beneficiários não identificados, diz que os documentos apresentados demonstrariam que a totalidade dos recursos, Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.643 18 saídos das contas de titularidade da empresa, teriam sido destinados à Incentive House. Apresenta novamente os boletos bancários, nos quais a Incentive House seria identificada cedente e a NSCA figuraria como cessionária. Contesta assim a imputação de pagamento a beneficiário não identificado,tendo em conta que todos os pagamentos teriam sido comprovadamente efetuados â. Incentive House. No que toca à imputação de pagamentos sem causa, reafirma que todos os pagamentos teriam sido efetuados pela NSCA à Incentive House, em face do compromisso assumido em contrato, no qual a Incentive House teria se obrigado a "prestar serviços de planejamento, desenvolvimento e gerenciamento de programas de marketing de relacionamento, motivação, incentivo e fidelidade". A NSCA, por sua vez, transferia os recursos necessários, para que a empresa pudesse executar os serviços, por meio de sistema de premiação, e para remunerála, em razão de seus serviços. Diz que tal sistema seria assemelhado à contratação de mãodeobra temporária, caso em que os valores pagos aos cedentes da mãodeobra seriam integralmente dedutiveis, por estarem identificados os beneficiários e a causa dos pagamentos. Diante disso, a causa de todos os pagamentos efetuados à Incentive House estaria vinculada ao contrato e às notas fiscais de prestação de serviços apresentadas. Ademais, os pagamentos objeto de glosa pela fiscalização teriam sido efetuados pela Incentive House e não pela NSCA. No que se refere à remuneração indireta a beneficiário não identificado, repete a argumentação já acima referida de não ter efetuado pagamentos a terceiros, mas apenas à Incentive House, e acrescenta ser incabível a imputação, tendo em conta que a fiscalização teria identificado os beneficiários e o volume dos recursos por eles recebidos, obstando assim a aplicação do art. 358, §3 0 do RIR/99. Insurgese contra o agravamento da penalidade (112,5%) sobre as glosas das despesas, com fundamento no art. 44, §2° da Lei n°9.430, de 1996, segundo a fiscalização, por ter sido intimada, em mais de uma oportunidade, para identificar os beneficiários das remunerações pagas, e ter se negado a atender à intimação. No caso, não se teria configurado a omissão proposital, ou que a contribuinte teria deixado de fornecer as informações para dificultar o procedimento fiscal. Ao contrário, a Impugnante teria atendido a todas as intimações. No que se refere aos pagamentos efetuados à Incentive Ilouse, a NSCA teria fornecido cópia do contrato, das notas fiscais, das duplicatas e dos boletos de cobrança, assim como, relação dos pagamentos efetuados. Por fim, teria informado que, como não teria efetuado o pagamento das remunerações listadas pela fiscalização, não detinha a lista por beneficiários e volume das remunerações disponibilizadas, e nem seria responsável pela retenção do imposto. Diz assim ter prestado todos os esclarecimentos e apresentado todos os documentos de que Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.644 19 dispunha, não havendo qualqueromissão que lhe pudesse ser imputada para fundamentar a aplicação da multa agravada. Emais: o fato de a fiscalização não ter concordado com as explicações e informações fornecidas não configuraria a falta de atendimento às intimações para prestar esclarecimentos. Contesta a exigência cumulada da multa isolada, por falta de recolhimento das estimativas, juntamente com a multa de ofício, sobre a mesma infração e a mesma base de cálculo, qual seja, as receitas omitidas. Na interpretação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, defende tratarse da mesma multa aplicada juntamente com a exigência do tributo devido ou,alternativamente, de maneira isolada, quando não houver tributo a ser exigido. Assim, o contribuinte não poderia ser penalizado mais de uma vez pela prática do mesmo e único ilícito, e a imposição de penalidades deveria ter uma finalidade repressiva e educativa, e não arrecadatória. Transcreve ementas de julgados do Conselho de Contribuintes. Requer o cancelamento das autuações. Razões de Impugnação dos Responsáveis Solidários Contra a imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário devido pela NSCA Indústria, Comércio, Exportação e Importação Ltda., o Sr. Antônio Carlos Piva de 41) Albuquerque, as lis. 1335/1345, e a Sra. Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi, às lis. 1350/1360 alegam a nulidade de pleno direito, por falta de motivação, a inviabilizar o regular exercício do direito de defesa. Aduzem que a validade de todo ato administrativo, inclusive o de atribuição de responsabilidade solidária pelo crédito tributário aos administradores, dependeria da correta indicação dos pressupostos de direito e de fato, sob pena de nulidade. Em suas palavras: "Na medida em que os motivos legal e fático se apresentam como requisitos essenciais para a própria validade do ato administrativo, ambos devem coexistir no momento em que o ato é editado. Se um dos dois não existir, carecerá o ato cuiministrarivo de motivo e, por consequência, será ilegal (...)" Para caracterizar a ausência da motivação, transcrevem trecho do Termo de Sujeição Passiva Solidária, para concluir que a mera indicação de que a pessoa jurídica teria cometido a infração à legislação tributária e a constatação de que os Impugnantes eram administradores, não seriam suficientes para caracterizar a responsabilidade solidaria pelo crédito tributário. Nas palavras da defesa, "para que tal imputação possa ser realizada, fazse necessário demonstrar que o administrador praticou a conduta que deu causa ao no recolhimento do tributo. A mera alegação de que houve a prática de ato doloso para deixar de recolher tributos não faz qualquer prova de quem tenha sido o responsável pela suposta infração à Lei". Entende que seria necessário provar a máfé do administrador, o que se compatibilizaria com o tipo de responsabilidade: pessoal. Remetese à jurisprudência do STJ no sentido de que, para que se atribua responsabilidade aos administradores, com base no art. 135 do CTN, e necessário detectar e individualizar a conduta do agente, sendo insuficiente a constatação de falta de recolhimento de tributo. Questionam a legalidade da imputação de solidariedade pelo crédito tributário devido pela pessoa jurídica, baseada na mera condição de administradores dos Impugnantes, Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.645 20 na medida em que não teria havido a demonstração de qualquer ato, por eles praticado, capaz de atrair a aplicação do art. 135, III, do CTN. Transcreve acórdãos desta Turma de Julgamento, prolatados em outros processos (10882.002377/200672 e 10882.003318/2007 01), nos quaisteria sido afastada a responsabilidade solidária dos administradores, por não ter sido comprovado fato jurídico tributário distinto da ocorrência do fato gerador, capaz de permitir a inclusão dos administradores no pólo passivo da relação jurídicotributária. Asseguram que os sócios administradores seriam terceiros em relação à pessoa jurídica e teriam agido como órgãos da sociedade, não sendo possível a caracterização da pluralidade de sujeitos necessária a justificar a solidariedade por interesse comum. A eventual imputação de responsabilidade aos administradores somente teria lugar em situações excepcionais, quando exercerem cargos de direção e desde que atuem de forma contrária aos interesses da sociedade, buscando satisfazer interesse exclusivamente pessoal. Conclui assim que somente haveria espaço para a responsabilização dos administradores, se estes praticarem o ato deflagrador da obrigação tributária em seu próprio e único interesse. Defende ainda que o procedimento adotado pela fiscalização seria contraditório na medida em que a responsabilidade tributária solidária estaria prevista no art. 124 do CTN e a imputação de responsabilidade prevista no art. 135 do CTN é pessoal, por substituição. Questiona ainda a diferença de tratamento, nas autuações, efetuadas com base nas mesmas provas, no anocalendário de 2002 (processo n° 10882.003318/200701), e nos anos calendário de 2003 e 2004. Naqueles autos, a fiscalização teria imputado responsabilidade solidaria aos administradores, com base no art. 124 do CTN; nos presentes autos, a fiscalização estaria imputando responsabilidade solidária aos administradores, com base no art. 135 do CTN. Em suas palavras "Ora, se os fatos alegados nos dois processos comparados são os mesmos, não há razão para responsabilizar o Impugnante ora com fundamento no art. 124 do C7N, ora com fundamento no art. I35 do mesmo diploma legal. Tal constatação só demonstra a pretensão da Fiscalização que procura, a qualquer custo, sem base em qualquer disposição legal, tentar de toda a maneira impor a responsabilidade pelo crédito a pessoa diversa daquela a quem a legislação impõe a obrigatoriedade pelo recolhimento". Concluem daí que somente a pessoa jurídica poderia ter sido indicada no polo passivo do lançamento, devendo os administradores, Sr. Antônio Carlos Piva de Albuquerque ea Sra. Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi, ser excluídos do pólo passivo, por serem partes ilegítimas para responder pela exigência fiscal. Requerem o reconhecimento da decadência dos tributos sujeitos a lançamento por homologação (art. 150, §4° do CTN), cujos fatos geradores teriam ocorrido de janeiro a julho de 2003, tendo em conta que o lançamento somente foi cientificado a pessoa jurídica em agosto de 2008. Contestam a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, is contribuições para a seguridade social, com fundamento na Súmula Vinculante n° 8 do STF.” Analisando a questão, entendeu o órgão julgador a quo, por julgar procedente o auto de infração, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA • JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.646 21 Omissão de Receitas. Relatórios Gerenciais. Comprovada em relatórios gerenciais, as receitas auferidas mensalmente na atividade da empresa, procedente configurase a imputação de omissão de receitas se apurada divergências com as receitas escrituradas e declaradas ao Fisco. Glosa de Despesas. Pagamentos Sem Causa ou a Beneficiário Não Identificado. Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de prêmios, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. Glosa de Des resas. Benefícios Indiretos Pagos a Gerentes e Diretores. Integram a remuneração dos beneficiários as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagas diretamente ou através da contratação de terceiros. A empresa deve identificar os beneficiários das despesas c adicionar aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. Inobservadas as prescrições legais, tais despesas são indedutíveis na apuração do lucro real Multa de Ofício e Multa Isolada. Duplicidade de Exigencias. Configurada a existência de ilícitos distintos e inconfundíveis, não se pode caracterizar a identidade das multas aplicadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 Multa Qualificada. Fraude. Provado que quarenta por cento das receitas auferidas na atividade eram, reiterada e sistematicamente, omitidas na escrituração comercial e nas declarações apresentadas ao Fisco, configurado está o evidente intuito de fraude, na medida em que, mediante tal procedimento, a contribuinte visava justamente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário, de modo a evitar o pagamento dos tributos devidos. Decadência. Dolo. Fraude. Simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Responsabilidade Tributária. Sócios Administradoras. Comprovada a reiterada e sistemática omissão de receitas, mediante relatórios gerenciais, elaborados para que os recursos desviados da escrituração e, conseqüentemente, da Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.647 22 tributação, não fossem também desviados do patrimônio dos sócios do empreendimento, cumpre prestigiar a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário aos administradores, que sabiam atuar com excesso de poderes, com infração de Lei e do contrato social. Quando, no exercício dos cargos de direção, os administradores atuam de forma contrária aos interesses da sociedade, desviando expressivos recursos, reiteradamente, não apenas da tributação, mas também do patrimônio da empresa, na medida em que tais recursos não se encontram contabilizados, cumpre responsabilizálos pelo crédito tributário decorrente de tais atos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 Tributação Reflexa. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Lançamento Procedente Em face desse julgamento interpôs o Recorrente o recurso ora analisado, reiterando os argumentos apresentados anteriormente. É o relatório. Voto Vencido Preliminares Decadência No que tange à contagem do prazo decadencial, cumpre fazer remissão às disposições do CTN: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio ~me da autoridade administrativa operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa §4°. Se a Lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.648 23 fato gerador: expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprova.da a ocorrência .de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Conforme expressamente consignado nos dispositivos acima transcritos, a regra de contagem do prazo decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN não deve ser aplicada aos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesse contexto, a apreciação da decadência do crédito tributário não se faz sem uma análise acerca do mérito da imputação de fraude ou simulação aos atos praticados pela contribuinte. Mérito Inicialmente, é necessário analisar o argumento da Recorrente acerca da alegação de que a autuação estaria fundada em presunção simples de omissão de receitas. Isso porque, sustenta a Recorrente que a planilha identificada pela Receita Federal não seria capaz de sustentar a autuação ora em análise. Todavia, quando se verifica que a documentação coligida pela fiscalização faz prova das receitas auferidas pela empresa nos anoscalendário de 2003 e 2004, as quais, em contraposição aos valores das receitas que foram escriturados e informados à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, permitiram concluir pela prática da omissão de receitas. Mediante o demonstrativo "Relatório de Vendas — Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 — Diretoria Geral" (fls. 145/262), apreendido, em 13/07/2005, durante a denominada "Operação Narciso" da Polícia Federal, nos escritórios da empresa Lommel Empreendim entos Comerciais S.A., comprovamse as vendas realizadas e a margem bruta da DASLU, de janeiro de 2000 a maio de 2004, mensalmente epor departamentos, assim identificados "Feminino", "Homem", "Teens", "Daslu Casa" e "Outras (Dex / Promocional / Outlet / Terceiros / DKNY)". Observese que há ainda demonstrativo das "Vendas Consolidadas". Contrariamente ao invocado pela defesa, não se trata de imputação por presunção, porque não foi provado qualquer fato indiciário, mas a própria omissão de receitas no simples confronto entre os relatórios gerenciais acima referidos, a escrituração comercial e as declarações prestadas à RFB. Na verdade, o fato de a contribuinte negar a autenticidade do documento não tem o condão de comprometer a sua validade, na medida em que outros fatos apurados estão a corroborar a prática da omissão de receitas. Apesar dos protestos da contribuinte, a planilha contida no arquivo magnético intitulado `Acumulado2004.xls', extraído de um dos discos rígidos apreendidos durante a Operação Narciso (11D Seagate n° de série 5IDDK3 item 10 do termo de apreensão de fls. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.649 24 135/137 e termo de cópia de arquivo em meio magnético de fls. 38), contém informações que corroboram os valores das receitas auferidas contidas no " Relatório de Vendas Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 Diretoria Geral", conforme Quadro Comparativo de Valores de Vendas (Em R$ Milhares) elaborado pela fiscalização. Apesar de a Recorrente negar a autenticidade do documento, não há dúvida que os Relatórios gerenciais denominados "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 — Mês: Maio 2004" (fls. 145/262), referemse às operações de venda realizadas pela empresa autuada de 2000 a 2004, com finalidade gerencial. Conforme documentação que instrui os autos do processo n° 10882.0023771200672 (fls. 210), os originais e cópias autenticadas do relatório encadernado denominado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 — Mês: Maio 2004" (composto de capa plástica, capa com título e mais 115 páginas), foram encaminhadas pela Seção de Fiscalização da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo/SP para a DRF Osasco/SP, em 14/1112006. Do Auto de Apresentação e Apreensão de fls. 286/288 (item 31), consta que aos 13/07/2005, no endereço da empresa Lommel Empreendimentos Comerciais S.A. (empresa dedicada à mesma atividade e constituída pelos administradores da Daslu, em 31/01/2005), foi apreendido "um (01) relatório de Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 — Mês: Maio 2004, que estava na Diretoria Geral" Em face do contexto da apreensão da documentação, devidamente circunstanciado, concordo com o órgão julgador a quo no sentido de que não subsiste qualquer dúvida de que a documentação foi apreendida dentro de estabelecimento ligado às atividades da Daslu. Ademais, no tocante às operações de venda ali registradas, observese que da capa do relatório, consta a indicação de "Diretoria Geral", a destinatária ou a responsável pela elaboração do relatório (fls. 167). No índice (fls. 168), encontramse consignadas as matérias tratadas: (i) Resumo das Vendas Líquidas de Descontos; (ii) Vendas e Margem Bruta Valores Atualizados; (iii) Vendas e Margem Bruta Valores Históricos; (iv) Vendas e Margem Bruta Marcas Importadas em Dólar; (v) Gráficos; (vi) Evolução Daslu — Eventos; (vii) Indicadores — IPCA e Dólar Comercial de Venda Médio. Partindo dos valores totais mensais das receitas no anocalendário de 2002 apontados no demonstrativo de fls. 149, denominado "Vendas e Margem Bruta 2000 a 2004 Valores Históricos R$Mil", a fiscalização determinou a omissão de receitas, deduzindo os valores declarados na DIPJ. Verificase que, praticamente, metade das receitas auferidas na atividade da Daslu era mantida à margem da escrituração e à margem da tributação, não tendo integrado a apuração dos tributos informada na DIN 2003 (anocalendário 2002). Os relatórios gerenciais evidenciam o total das receitas auferidas, mensal e anualmente, no anocalendário de 2002, sendo suficiente o simples confronto com os registros da escrituração, mantida em arquivos magnéticos, e com as informações prestadas à RFB na DIN,sendo certo que, no presente caso, os levantamentos requeridos pela Recorrente (tais como, uma auditoria nos estoques ou a verificação da compatibilidade entre a movimentação Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.650 25 financeira e as receitas declaradas), seriam necessários se não houvesse a prova direta da omissão de receitas. Por outro lado, sustentou a Recorrente que não teria qualquer relação com a conduta adotada pela Multimport e com o crédito tributário objeto do lançamento formalizado no processo 10314.012101/200647. Todavia, conforme se restou comprovado no referido processo, a real importadora e beneficiária de todo o esquema fraudulento era a própria NSCA (Daslu); e de outro, porque a NSCA (Daslu) foi consignada como responsável solidária pelo crédito tributário constituído nos lançamentos efetuados contra a Multimport. Segundo elementos constantes dos autos do processo acima referido, a fraude no subfaturamento das importações estaria comprovada, entre outros elementos, nas próprias faturas emitidas pelas empresas exportadoras no exterior, nas quais, além de constar o valor real das operações de importação, a NSCA (Daslu) constava como a real importadora das mercadorias. Foi também mencionada naquela decisão a existência de comprovação de que era a NSCA (Daslu), e não a Multimport, quem efetuava os pagamentos aos exportadores no exterior, necessariamente que com recursos extracontábeis, tendo em conta que as aquisições das mercadorias importadas da Multimport era efetuada por valores subfaturados. Desta feita, tem razão a fiscalização ao presumir, que o "caixa dois" ou caixa extracontábil constituído a partir das omissões de receitas ora apuradas, no anocalendário de 2002 deve ter sido utilizado para o pagamento, não contabilizado, das importações subfaturadas aos exportadores no exterior. Na verdade, somente quis dizer a fiscalização que os ilícitos apurados de subfaturamento das importações e de omissão de receitas não são contraditórios, mas se confirmam mutuamente. No que se refere ao pleito de reajustamento das exigências de IR/CSLL a decisão de 1° grau afirma que ele não poderia ser aceito, já que os custos não estavam registrados na escrita contábil da Recorrente, única hipótese em que seria admitida a sua consideração (fls. 39). Todavia, entendo que nesse aspecto a decisão recorrida merece reforma. Isso porque, as receitas omitidas e destinadas ao pagamento de mercadorias importadas não foram registradas como custo porque a Recorrente sustentou o argumento de que tais valores não existem. Como a Recorrente considera que não omitiu receitas e tampouco as destinou para o pagamento de importações, ela não tinha o que agregar ao custo das mercadorias adquiridas de seus fornecedores, tal como a Multimport. Todavia, entendo que a Recorrente tem razão ao afirmar que, a partir da lavratura dos autos de infração, competia a Fiscalização calcular corretamente o IRPJ e a CSLL, seguindo aquilo que afirma ser o verdadeiro o resultado tributável. Isso porque a tributação se dá em virtude da ocorrência do fato gerador e na dimensão que tiver, não em função de registros contábeis. Dessa forma, considerando que a fiscalização entendeu que havia receitas omitidas e que as mesmas foram destinadas ao pagamento de mercadorias adquiridas, ela Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.651 26 obrigatoriamente teria que ter considerado o montante como custo, no cálculo das bases de IRPJ/CSL. De igual modo, tem a razão a Recorrente quando sustenta que exações fiscais teriam que ser recalculadas, com a conseqüente redução dos valores devidos a título de IRPJ/CSLL, dado que os créditos tributários de PIS/COFINS constituídos são despesas dedutíveis na apuração do resultado tributável pelo IRPJ/CSLL, nos termos do art. 344 do RIR/99 c/c arts. 247 e 273 do RIR/99. Nesse sentido, já se manifestou o antigo Conselho de Contribuintes reconhecendo a obrigatoriedade de dedução das exigências de PIS/COFINS lançadas de oficio sobre receitas omitidas, quando os agentes fiscais forem determinar os valores de IRPJ/CSLL a serem cobrados, entendimento aplicável ainda que os lançamentos de PIS/COFINS sejam objeto impugnação administrativa, como na hipótese em exame: "IRPJ — BASE DE CÁLCULO — LANÇAMENTO DE PIS E COFINS — DEDUÇÃO Por força do disposto no art._41 da Lei 8981/95, os valores lançados a título de PIS e COFINS como decorrência do lançamento principal do IRPJ (omissão de receitas) devem ser deduzidos da base de cálculo deste e da CSL"(ac. 10809.349, Cons. rel. José Henrique Longo, j. em 25.05.07) . "IRPJ APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO – EXERCÍCIOS DE 1997 E 1998 DEDUTIBILIDADE, ,PELO REGIME DA .COMPETÊNCIA, DOS VALORES LANÇADOS DE OFICIO CONCERNENTES A COFINS E A CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. POSSIBILIDADE VEDAÇAO, LEGAL DA DEDUÇAO DA CSLL – O art. 344 do RIR 99 (art 41 da Lei 'te 8.981/95) admite a dedução, na determinação do lucro real, do valor devido a titulo de tributos, apurados pelo regime de competência. Não _existem ressalvas em relação _ao lançamento de possibilitando a dedução da COFINS e da contribuição para o PIS (ac.103 21.255, Cons. rel. João Bellini Junior j em 11.06.03). Dessa forma, entendo que nesse aspecto merece reforma a decisão recorrida, devendo ser reduzido do resultado tributável pelo IRPJ/CSLL os custos suportados com as compras dás mercadorias pelo valor real de aquisição, que a Fiscalização afirma ser superior ao registrado na contabilidade da Recorrente, e pela despesa com os valores de P1S/COFINS constantes dos AIs. ARBITRAMENTO Com relação a esse aspecto, filiome aos argumentos expostos pelo Conselheiro Antonio Bezerra Neto, nos debates ocorridos na análise do presente caso: Como o valor omitido seria na visão da Recorrente muito superior ao declarado, tal situação ensejaria de pronto o arbitramento do lucro e não sua tributação direta. O regime de tributação adotado pela recorrente no período da atuação foi o Lucro Real. Não é o caso de presunção legal do Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.652 27 art. 42 da Lei nº 9.430/96, nem muito menos de situação com custo zerado. O fiscal apurou omissão de receitas de forma direta e calculou o lucro real tributável. Nada a reparar no procedimento. O arbitramento é medida extrema, quando a contabilidade apresenta erros e vícios insanáveis. Não é o caso dos autos. No bojo de processos que versam sobre presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96, situação mais restritiva que a ora em cotejo, tenho me pautado que tal preceptivo legal existe dentro de um determinado contexto jurídico que não pode ser desprezado em situações extremas como a empresa apresentar custo zerado. Por outras palavras, tenho pautado os meus votos rejeitando sempre a tese de que vultuosas omissões comparativamente a receitas declaradas necessariamente obrigariam o autuante a proceder com o arbitramento do lucro, no caso do regime de tributação do lucro real. Eis que nesse caso, teríamos que proceder como legislador positivo para estabelecer um quantum limite, uma proporção entre receitas omitidas e receitas declaradas. Não se pode fazer tal análise numérica sem incorrermos em extrema subjetividade. Dado essa vaguidade e aliado a isso o fato de que arbitramento é uma medida extrema cujas hipóteses estão dispostas na lei de “forma fechada” e objetiva, não caberia assim a tese do arbitramento na situação aventada. A tese ligada à necessidade de arbitramento adviria do fato de que os custos correlacionados àquela vultuosa omissão de receitas necessariamente estariam também omitidos. Ora, mas se de alguma forma os custos lá existem, presumese que são os custos corretos. Esse é mais um grande risco da sonegação. Pelo exposto, afasto também essa alegação. Da multa qualificada No presente caso, cumpre reconhecer a fraude, que justifica a aplicação da multa de 150% na medida em que a Recorrente pretendeu impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas na sua atividade operacional, e que teriam servido de base à elaboração dos relatórios gerenciais, apreendidos em operação de investigação da Polícia Federal. Isso porque, a Recorrente teria omitido, reiterada e sistematicamente, cerca de metade receitas auferidas, não apenas na escrituração comercial, mas também na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. Conseqüentemente, dada à falsa declaração acerca das bases de cálculo, os tributos também foram informados, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, em valores menores do que os efetivamente devidos em relação a todos os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.653 28 Desta forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas na escrituração comercial, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, sendo devida a multa qualificada. Multa Isolada Concomitante Com A Multa De Ofício Verificase dos Autos de Infração que, além da multa de ofício qualificada (aplicada em função do recolhimento insatisfatório dos tributos, em razão das supostas omissões de receitas apuradas em procedimento de fiscalização), a Autoridade Fiscal aplicou a multa isolada por insuficiência no recolhimento das antecipações de IRPJ e CSLL. Em síntese, as omissões de receitas resultaram no aumento do lucro real do anocalendário e, via de conseqüência, as antecipações ao longo do ano passaram a ser insuficientes, já que houve o aumento da base tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Da mesma forma, a multa de ofício que é devida e calculada sobre a diferença do tributo que deixou de ser constituído pela contribuinte, também oriunda das mesmas omissões de receitas. Há, portanto, a cumulação das duas penalidades. A cumulação entre a multa de oficio isolada aplicada pelo não recolhimento das estimativas mensais no lucro real de apuração anual não é estranho ao conhecimento desta Corte Administrativa. De fato, é entendimento assente na Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas somente é aplicável quando o lançamento se der antes do fechamento do anocalendário, sendo certo que, após este encerramento, a aplicação da multa de oficio, tomando por base o tributo que deixou de ser recolhido no anocalendário e a multa isolada, tomando por base o valor das estimativas que deixaram de ser recolhidas no mesmo período, configura dupla penalização do mesmo fato gerador tributário. Ora, o recolhimento do imposto de renda mensal por estimativa configura antecipação do tributo que será apurado no encerramento do anocalendário, tanto que o montante eventualmente recolhido a maior no curso do ano deve ser restituído caso o fato gerador tributário, após efetivamente ocorrido ao final do período, alcance tributação inferior àquela recolhida por antecipação. Assim, encerrado o exercício fiscal, fazse o imposto recolhido no ano calendário consolidarse face a imposto apurado no exercício em tomo de urna única realidade, qual seja, a ocorrência do fato gerador do imposto de renda ocorrido em 31 de dezembro de cada ano. Assim, não entendo seja possível penalizar o contribuinte (i) pelo não recolhimento das estimativas e (ii) pelo não recolhimento do imposto anual, posto que a primeira nada mais é do que antecipação do segundo. Os Conselheiros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do acórdão n° 910100.526, em sessão de 26/01/2010, invocaram os princípios da consunção da condutameio pela conduta fim e da não repetição da sanção tributária, para afirmar que “encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual, e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada”. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.654 29 Também no acórdão n° 0105.843 a Câmara Superior de Recursos Fiscais sustenta ser “incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é o meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao cumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo.” Neste sentido, seguem outros precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, valendo ressaltar os seguintes excertos: Ementa:APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no dever de recolher o tributo.Recurso especial negado. CSRF/0105.844 Ementa:Assunto, Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica 1RPJExercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003EmentaMULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei n°9430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.Recurso especial negado. CSRF/0105 .875 Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.655 30 Pelo exposto, afasto a cumulação da multa isolada. Da multa agravada A Fiscalização alega que a Recorrente teria sido intimada mais de uma oportunidade para identificar os beneficiários das remunerações pagas, porém, teria se negado a atender ao pedido razão pela qual aplicou a multa agravada,com fundamento no art. 44, § 2°, da Lei 9.430/96. Todavia, a Recorrente demonstrou que atendeu todas as solicitações feitas pela Fiscalização, afastando qualquer omissão com o propósito de dificultar os trabalhos desenvolvidos no curso do procedimento fiscalizatório, tanto que a Fiscalização não relata problemas dessa ordem. Assim, que se tem no caso concreto é mera discordância quanto entre a Fiscalização e a Recorrente às informações prestadas. Ocorre que, o fato de a Fiscalização não concordar com as explicações e informações fornecidas não pode ser confundido com a ausência de apresentação das mesmas, como se pretende fazer crer no caso concreto. Até porque, se tal raciocínio • fosse verdadeiro, toda e qualquer fiscalização que resultasse cm autuação teria que ser acompanha de multa de oficio majorada em 50%. Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência: "MULTA AGRAVADA — NÃO APLICABILIDADE. Não deve prosperar o lançamento da multa agravada pela falta de resposta a intimações fiscais, guando o contribuinte responde, mesmo p que insatisfatoriamente à autoridade fiscal. O que dá azo à aplicação da multa e a ausência de resposta à intimação. Respondida a intimação, mesmo que o:conteúdo da resposta mio seja satis{atorio, não se fará presente a motivação para o agravamento dma ulta (ac. 10196.462, Cons. rel. • Caio Marcos Cândido, j. em 05.12.07 destacamos) "LANÇAMENTO DE OFICIO MULTA AGRAVADA JUSTIFICATIVA – O agravamento da multa de oficio só é cabível quando reste comprovado nos autos que o contribuinte deixou de atender a intimações para prestar esclarecimentos, o que se caracteriza pelo silêncio do Contribuinte diante da intimação. Quando se verifica que durante a ação fiscal o Contribuinte respondeu às intimações, tentando comprovar a inexistência de infrações, resta afastada a hipótese de a•gravamento da multa de oficio" (ac. 10421.900, Cons. rel. Pedro Paulo Pereira Barbosa, j. em 21.09.06 destacamos). Ante o exposto, afasto a aplicação da multa agravada. Da decadência Em face da subsistência da imputação de dolo e fraude, é inaplicável ao caso o prazo decadencial previsto no art. 150, §4° do CTN devendo ser observada a regra prevista no art. 173, I, do CTN, tanto para o IRPJ quanto para as contribuições sociais. Como a ciência dos lançamentos foi efetivada em 04/12/2007, não se reconhece a decadência em relação aos tributos constituídos exofficio e relativo ao fato Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.656 31 gerador ocorrido no anocalendário de 2002, haja vista que o lançamento correspondente somente poderia ter sido efetuado a partir de 01/01/2003, iniciandose a contagem do prazo decadencial, em 01/01/2004, tendo por termo final o dia 31/12/2008. Pagamentos a beneficiários não identificados Os documentos apresentados no curso do procedimento fiscalizatório demonstram que a totalidade dos recursos que saíram das contas de titularidade da Recorrente teve como destino a Incentive House. Para que não subsistissem dúvidas, a Recorrente reapresentou com a impugnação a documentação que fundamenta e individualiza o receptor dos valores (doc. 04A: documentos relativos aos pagamentos efetuados no ano de 2003; e doc. 04B: documentos relativos aos pagamentos efetuados no ano de 2004). Dessa forma, reconheço que assiste parcial razão a recorrente razão pela qual afasto a glosa dos pagamentos a beneficiários identificados demonstrados no anexo VII do Termo de Verificação Fiscal. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção parcial das exigências lançadas por via reflexa. Dispositivo Ante todo o exposto, afastando a preliminar de decadência suscitada, dou parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) reconhecer a redução do resultado tributável pelo IRPJ/CSLL dos custos suportados com as compras das mercadorias pelo valor real de aquisição e pela despesa com os valores de PIS/COFINS constantes dos Ais, (ii) reconhecer a aplicação da multa isolada somente ao tributo apurado e devido pela Recorrente, (iii) cancelar a multa agravada, (iv) afastar a glosa dos pagamentos a beneficiários identificados demonstrados no anexo VII do Termo de Verificação Fiscal e (v) afastar a responsabilidade solidária dos sócios. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.657 32 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redator designado. Divirjo da posição abraçada pelo relator nos seguintes pontos: a redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante dos custos referentes à importação subfaturada; a dedução do PIS e COFINS lançados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL também lançados de ofício; cancelamento das multas isoladas sobre estimativas não pagas. Redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL no montante dos custos referentes à importação subfaturada No presente processo a fiscalização teceu considerações acerca da conduta fraudulenta adotada pela empresa, na interposição de pessoa e no subfaturamento das importações, objeto de tributação no processo administrativo n° 10314.012101/200647. nesta data, mantido pela primeira instância e ainda pendente de julgamento no CARF. A Recorrente afasta qualquer relação com a conduta adotada pela Multimport e com o crédito tributário objeto do lançamento formalizado no processo 10314.012101/2006=47 no qual foi considerada como a real importadora e beneficiária de todo o esquema fraudulento e também nele ficou consignado como responsável solidária pelo crédito tributário constituído nos lançamentos efetuados contra a Multimport. Sem pretender entrar no mérito do referido processo, pois não vem ao caso, o a fiscalização apenas como argumento subsidiário e para dar mais coerência aos fatos narrados, valeuse da presunção de que o "caixa dois" ou caixa extracontábil constituído a partir das omissões de receitas ora apuradas, nos anocalendário de 2003 e 2004, deve ter sido utilizado para o pagamento, não contabilizado, das importações subfaturadas aos exportadores. Por outras palavras, a fiscalização apenas pretendeu afirmar que os ilícitos de subfaturamento das importações e de omissão de receitas são convergentes. A Recorrente, por um lado se defende afirmando que nada tem a ver com aquela operação, mas por outro, contraditoriamente, a partir desse "gancho" dado pelo fiscal pretende cancelar parte do lançamento, pois se esse fosse o caso, deveria, segundo ela, ser ajustada a base de cálculo do IRPJ e da CSLL para que refletissem o que, no entender da fiscalização, seria o custo real da mercadoria. Tratase de argumento contrafactual que não pode ser acolhido pelos seguintes motivos: Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.658 33 1) Em primeiro lugar aquela lide em tese não se interliga com o presente feito justamente porque lá a Recorrente afirma justamente o contrário, contesta o referido subfaturamento nas importações. Então seria uma contradição pleitear duas coisas completamente antagônicas. Se acaso houve a omissão de custos, a empresa deveria ter renunciado à defesa do processo. e trazido às provas para o presente feito juntamente com suas alegações de defesa para serem aqui analisadas. Como não o fez, só lhe resta arcar com a consequência de seu ato de omitir custos. Esse é mais um grande risco da sonegação 2) Por último, como bem colocado pela decisão de piso, despesas e custos não regularmente contabilizados não são passíveis de dedução fiscal: No entendimento desta Turma de Julgamento não deve ser admitida a dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de despesas e custos não regularmente contabilizados. Conforme brilhantes lições de Ricardo Mariz de Oliveira (In Guia 10B de IRPJ), uma das regras gerais básicas de dedutibilidade dos custos e despesas teria sido inobservada, qual seja, a de estarem devidamente escrituradas. Transcrevemse, por oportunas, as orientações contidas no referido Manual: "A Lei exige que as despesas sejam registradas em escrita com forma contábil, sendo elas devidamente identificadas: quer pelos aspectos formais (faturas, notas fiscais, recibos, etc); quer pelos aspectos intrínsecos (identificação da operação, quantidades, valores, partes envolvidas, etc). Esta regra surge da combinação de vários dispositivos, notadamente dos arts. 251 e 300 do RIR/99 (antes, arts. 197 e 243 do RIR/94). Por outro lado, ainda em decorrência da regra acima, no tocante à necessidade de escrituração da despesa, a jurisprudência administrativa várias vezes manifestou a impossibilidade de deduções extracontábeis. Isto é, se a despesa deixou de ser lançada na contabilidade da empresa, não pode ser excluída do lucro real na declaração de rendimentos ou no Lalur. Na declaração ou no Lalur, o que se exclui é o valor de receitas não tributáveis ou de incentivos fiscais. A despesa, contudo, para ser admitida fiscalmente deve constar a débito de resultado." Pelo exposto, nego provimento a este argumento. Do PIS, da COFINS na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSSL lançados Discordo também do relator em relação ao acatamento do pleito de revisão das bases de cálculo utilizadas para o IRPJ e CSLL, sob o entendimento de não terem sido deduzidas as parcelas do PIS e Cofins também exigidas por meio de auto de infração sobre a receita omitida. Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.659 34 Apesar de a Lei n° 8.981/1995 estabelecer o regime da dedutibilidade dos . estabelecer o regime da dedutibilidade dos tributos e contribuições pelo regime de competência, os Auto de Infrações do PIS e da COFINS encontramse com a exigibilidade suspensa., o que é vedado por esse mesmo diploma legal: "Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial." Portanto, a legislação não admite a exclusão de tributos e contribuições que estejam com sua exigibilidade suspensa por reclamação ou recurso (art. 151, inciso III do CTN). Outrossim, o direito a dedução dos tributos para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ, só pode ser exercido em relação aos valores constantes da escrituração contábil e devidamente declarados pela contribuinte, não se enquadrando, pois, às situações de lançamento decorrente de ação fiscal, cuja cobrança se encontra suspensa dada a instauração de litígio com a impugnação tempestivamente interposta. Cabe frisar que mesmo que se entenda que a determinação prevista no § 1°, artigo 41 da Lei 8.981/95 não alcançaria a contribuição social, ainda cabe um argumento derradeiro que inclusive foi a base para a confecção do referido art. 41. A meu ver, data máxima venia, nem mesmo tal dispositivo seria necessário. Se de fato o único texto normativo a ser interpretado fosse o § 1°, artigo 41 da Lei 8.981/95, com razão estaria a Recorrente. Entretanto, fazse mister enfrentar o dispositivo que estabelece a proibição de provisionar valores não autorizados por lei. Ora, os tributos com exigibilidade suspensa não são uma obrigação, mas sim uma provisão. O fato de a obrigação ser imposto por lei não é critério para se aferir a distinção entre obrigação e provisão, como muitos afirmam, afinal toda obrigação mesmo aquela contratual, decorre de lei em seu sentido mais lato. Obrigações são passivos que possuam o atributo da certeza sobre sua própria exigibilidade, sobre seu valor (liquidez) e sobre sua data de liquidação. Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos (in Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010, p.335) assim conceituaram as provisões: (...) As provisões podem ser distinguidas de outros passivos quando há incertezas sobre os prazos e valores que serão desembolsados ou exigidos para sua liquidação. (... ) Assim, uma provisão somente deve ser reconhecida quando atender, cumulativamente, as seguintes condições: (a) a entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como consequência de um evento passado; (b) é provável a saída de recursos para liquidar a obrigação; e (c) pode ser feita estimativa confiável do montante da obrigação. Estabelecidas essas premissas, podese constatar cristalinamente que os tributos, cuja exigibilidade está suspensa por medida judicial ou por recurso administrativo como é o caso, classificamse como provisões e não como obrigações. Afinal, não se pode Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.660 35 saber com precisão se ao final da lide (administrativa ou judicial), se os tributos serão efetivamente devidos; qual a base de cálculo devida e muito menos a data de sua liquidação. Firmado o fundamento de que tais contribuições no contexto aqui descrito possuem natureza de provisões, não são dedutíveis: Lei n° 7.689, de 15/12/98 Art. 2° A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1° Para efeito do disposto neste artigo: (...) c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n° 8.034, de 1990) (...) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n° 8.034, de 1990) Lei n° 9.249, de 26/12/95 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (destaquei) Em síntese, é incabível a retificação da base de cálculo do IRPJ è da CSLL de maneira a considerar a dedutibilidade das contribuições lançadas de ofício: a uma, porque pelo fato de tais rubricas não estarem escrituradas ou declaradas; a duas, no caso do IRPJ, seja por que a exigibilidade está suspensa sendo passível de alteração no contencioso administrativo e, por fim, mas não menos importante, para o caso da CSLL ou IRPJ, porque se constituem em verdadeiras provisões não sendo permitidas a sua dedução por lei. Nessa mesma esteira se posicionou recentemente a CSRF: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.661 36 Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica (Acórdão CSRF n° 910100.592, de 18 de maio de 2010). Portanto, nego provimento a este item do recurso. MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS NÃO PAGAS A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%. Cabe de início esclarecer que não se confunde a existência de duas infrações distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação uma incidindo isoladamente, sobre as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o anocalendário e outra cobrada juntamente com o imposto devido (declaração inexata). A lei em sua redação original, coincidentemente, tinha adotado o mesmo percentual de 75% para ambos os casos. Mas, esse dispositivo foi alterado pela lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas haviam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Assim, em virtude da legislação referida, ao optar pela apuração dos lucros com base no real anual a contribuinte ficou obrigada a antecipar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social, recolhendoos mensalmente, por estimativa. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, apenas porque o contribuinte deixou de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. A multa aplicase ainda que, no final do período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal. Se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração 2(duas) ilações estão aí pressupostas que precisam ser desveladas: a) a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim pelo falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; b) descabido é também o argumento de que a multa isolada só se aplica para período não encerrado. Portanto, importa verificar que a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mêscalendário. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13896.002873/200827 Acórdão n.º 1401000.435 S1C4T1 Fl. 2.662 37 Também não se pode conceber que a aplicação da multa seja de caráter condicional. Explico melhor. O descumprimento da norma enseja a aplicação da penalidade, não tendo lógica a lei determinar que se proceda de certa maneira e se venha a ter procedimento em sentido oposto. É, pois, inadmissível que paralelamente com o deverser do comportamento, coexista o pretenso direito ao livre arbítrio de agir, vulnerandose o conteúdo das determinações legais. Em relação a tese da consunção, em primeiro lugar há que se ter cautela na importação de institutos de outros quadrantes do Direito (Penal) cujos bens protegidos são outros: liberdade do ser humano. O princípio da consunção no Direito Penal possui como característica básica, o englobamento de uma conduta típica menos gravosa por outra de maior relevância, estas possuem um nexo, sendo considerada a primeira conduta como um mero ato preparatório da última. O problema é que esse princípio se amolda ao Direito Penal de forma a contribuir para o caráter de justiça na retributividade da pena. Ora, o Direito Tributário não é lastreado apenas no princípio da retributividade e da prevenção, mas se reveste do seu caráter patrimonial, afinal o Direito tributário, em apertada síntese, é o direito que define como serão cobrados os tributos dos cidadãos para gerar receitas para o estado fazer face às suas despesas e custeio e tem como contraparte, entre outros, o Direito Financeiro, que é o conjunto de normas jurídicas destinadas à regulamentação do financiamento geral das atividades do Estado. O contexto então muda totalmente e se torna impeditiva para tais "importações". Mantenho, portanto, as multas isoladas nos exatos termos prescritos na autuação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – DECLARAÇÃO DE VOTO Ressalto que votei pela exclusão da responsabilidade neste processo pelos mesmos motivos que me levaram a proceder desta forma no processo n.10882.00331812007 01, relativos aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2002, justamente por ter sido relatado a mesma falta de fundamentação dos fatos que teriam ensejado a atribuição de responsabilidade tributária a terceiros pelo art. 135 do CTN. Por todo o exposto, afasto a decadência suscitada e, no mérito, dou provimento parcial apenas em relação ao afastamento da glosa dos pagamentos a beneficiários não identificados, bem assim em relação à atribuição de responsabilidade tributária aos arrolados solidários. Assinado digitalmente Antonio Bezerra Neto Redator designado Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 26/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 31/03/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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