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Numero do processo: 13888.002215/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
CRÉDITO PRESUMIDO. CONCEITO DE MATÉRIAS-PRIMAS OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS
Os conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na fase de cultivo da matéria prima por não estar em contato direto com o produto acabado.
Súmula CARF nº 183
O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica e combustíveis, empregados em atividades anteriores à fase industrial do processo produtivo, não deve ser incluído na base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que tratam as Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01.
DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS.
SÚMULA CARF Nº19
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 3201-009.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocado(a)), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Lara Moura Franco Eduardo.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. CRÉDITO PRESUMIDO. CONCEITO DE MATÉRIAS-PRIMAS OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS Os conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na fase de cultivo da matéria prima por não estar em contato direto com o produto acabado. Súmula CARF nº 183 O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica e combustíveis, empregados em atividades anteriores à fase industrial do processo produtivo, não deve ser incluído na base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que tratam as Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. SÚMULA CARF Nº19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocado(a)), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Lara Moura Franco Eduardo.
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Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. CRÉDITO PRESUMIDO. CONCEITO DE MATÉRIAS-PRIMAS OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS Os conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na fase de cultivo da matéria prima por não estar em contato direto com o produto acabado. Súmula CARF nº 183 O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica e combustíveis, empregados em atividades anteriores à fase industrial do processo produtivo, não deve ser incluído na base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que tratam as Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. SÚMULA CARF Nº19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 22 15 /2 00 8- 34 Fl. 539DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 Márcio Robson Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocado(a)), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Lara Moura Franco Eduardo. Relatório Replico o relatório utilizado pela DRJ para retratar os fatos. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela empresa epigrafada, em contrariedade à decisão que não homologou de modo integral as compensações declaradas que utilizaram o crédito presumido de IPI apurado no ano- calendário de 2003, no montante de R$ 1.347.307,40 (um milhão, trezentos e quarenta e sete mil, trezentos e sete reais, e quarenta centavos). Do crédito pleiteado foram reconhecidos apenas R$ 176.328.69 (cento e setenta e seis mil, trezentos e vinte e oito reais, sessenta e nove centavos), insuficientes a permitir a homologação de todas as compensações. O crédito pleiteado foi solicitado e demonstrado no PER/DCOMP nº 02026.92300.190808.1.5.01-5432, ao qual foram vinculadas as declarações de compensação (DCOMP) abaixo discriminadas: A título de esclarecimento, cumpre consignar que tais informações foram extraídas das próprias DCOMP (e-fls. 181/204), dos cálculos de imputação (e-fls. 205/208) e do extrato do processo (e-fl. 218). A autoridade administrativa, em sua decisão (e-fls. 209/213), apoiou-se na Informação Fiscal (e-fls. 146/155) lavrada em conclusão ao procedimento fiscal levado a efeito junto à empresa. Este procedimento foi instaurado em face dos pedidos de ressarcimento referentes aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2003 e ao 1º trimestre de 2004. Todavia, os pedidos referentes aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2003 foram objetos de pedidos de cancelamento pela interessada, sendo, por conseguinte, excluídos da análise deste processo. Quanto ao 1º trimestre de 2004, a respectiva análise foi transferida para o processo nº 15892.000004/2010-48, consoante explicita o despacho decisório (e-fl. 210). Assim, o presente processo e o despacho decisório limitaram-se ao crédito apurado no 4º trimestre de 2003. A Informação Fiscal relata que a empresa efetuou a utilização de produtos que não poderiam ser considerados na base de cálculo da apuração do crédito presumido. Em síntese, apontou as seguintes constatações: 1- Aquisições de Pessoas Físicas Com base nos artigos 1º, 2º e 3º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, no art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, e no Parecer PGFN/CAT nº 3092/2002, de 27 de setembro de 2002, aprovado pelo Sr. Ministro da Fl. 540DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 Fazenda, entendeu a Fiscalização que a cana-de-açúcar adquirida de pessoas físicas, por não serem estes contribuintes do PIS e da COFINS e por não ter havido a incidência dessas contribuições em referidas aquisições, não pode ser incluída no cálculo do crédito presumido do IPI como ressarcimento de tais contribuições. Por este motivo, os correspondentes custos devem ser excluídos da apuração do crédito presumido. Discriminados na conta contábil nº 4.1.01.17.1701 (Matéria Prima Cana – PF), o total das mencionadas aquisições totalizaram R$ 58.147.686,89 no ano de 2003. 2- Produtos não Compreendidos nos Conceitos de MP, PI e ME Com base no art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, no art. 147, I, do RIPI/1998, no art. 3º, § 16, da Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, e no Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, entendeu a Fiscalização que as aquisições de adubos, fertilizantes, defensivos e demais insumos da atividade agrícola, utilizados no cultivo da cana-de-açúcar, não podem ser incluídas no cálculo do crédito presumido do IPI, porque não compreendidas nos conceitos de matéria-prima (MP), produto intermediário (PI) ou material de embalagem (ME). De mesma forma, partes e peças de máquinas, equipamentos e veículos, bem como materiais de manutenção e combustíveis, devem ser desconsiderados. Indicados nas Planilhas V (e-fl. 138) e VI (e- fl. 139), esses materiais totalizaram, respectivamente, R$ 46.952.366,18 e R$ 9.667.921,28 durante o ano de 2003. Considerando o acima exposto, a Fiscalização recalculou o crédito presumido, obtendo o valor de R$ 176.328.69 para o ano de 2003 (e-fls. 141/144). Cientificada da decisão em 01/03/2010, a interessada manifestou a sua inconformidade em 31/03/2010 (e-fls. 242/261). Aduziu, em suma, as seguintes razões de defesa: 1- Aquisições de Pessoas Físicas O crédito presumido do IPI deve ser calculado conforme determina o art. 2º da Lei nº 9.363, de 1996, com base no valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não se fazendo a distinção invocada pelo Fisco. Na verdade, essa distinção passou a ser feita por meio de instruções normativas editadas posteriormente e que, a pretexto de disciplinar a aplicação da lei, inovaram na ordem jurídica, reduzindo o alcance do benefício e do próprio desiderato governamental de fomentar exportações e o ingresso de divisas no país. Para apoiar seus argumentos, a manifestante traz à colação jurisprudência administrativa e judicial. 2- Produtos não Compreendidos nos Conceitos de MP, PI e ME Conforme descrição detalhada de cada insumo industrial, não há dúvidas de que todos estão diretamente ligados ao processo produtivo, nele se consumindo. Por sua vez, a energia elétrica é o insumo determinante na movimentação das esteiras que transportam todo o contingente de matérias-primas e das pesadas moendas que esmagam a cana-de-açúcar e dela extraem o caldo, que se transforma no açúcar. Além disso, a atividade agroindustrial integrada demanda grandes espaços e, por isso mesmo, uma movimentação muito grande de máquinas e veículos, exigindo o consumo de quantidades de óleo diesel como combustível. Nesse contexto, evidente que tais insumos devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI, nos termos da Lei nº 9.363, de 1996. Sem tais produtos, sequer viável economicamente seria a atividade. A sobredita Lei não delimitou o direito de crédito apenas ao consumo direto. No mesmo sentido, a Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, dispôs que na determinação do valor do crédito presumido do IPI, será observada a totalidade da aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Fl. 541DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 A teor do art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363, de 1996, para a delimitação dos conceitos de MP, PI e ME, aplica-se a legislação do IPI. O Regulamento do IPI é claro ao estabelecer que estão abrangidos dentro deste conceito os produtos que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Por força do art. 153, § 3º, II, CF, é sempre assegurado o direito de abatimento do imposto pago nas operações antecedentes. A não-cumulatividade é princípio que a Constituição instituiu em favor do contribuinte, reservando a este o direito de abatimento do imposto pago em todas as operações que concorreram à confecção de determinado bem. A Constituição Federal vigente não estabelece qualquer restrição quanto à origem das mercadorias para o aproveitamento do crédito, diferentemente do que ocorria sob a égide da Constituição anterior. Qualquer restrição que se estabeleça a esse direito se mostra atentatório contra a Constituição e ao princípio da não- cumulatividade do IPI. É o relatório do essencial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade e a decisão foi assim ementada (fls. 300 a 308): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. Em julgamento de recurso especial pela sistemática do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça entendeu ser ilegal a IN SRF nº 23, de 1997, por ter ela extrapolado os limites da Lei nº 9.363, de 1996, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos oriundos de atividade rural, de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Comunicada do resultado do julgamento pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deve adotar a orientação emanada daquele órgão por meio de Nota Explicativa. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS PRODUTOS NÃO ABRANGIDOS PELOS CONCEITOS DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. A base de cálculo do crédito presumido do IPI corresponde ao valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados nos produtos industrializados exportados. Os conceitos de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem devem ser aqueles estabelecidos na legislação do IPI, consoante determina o art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363, de 1996. Produtos que não se enquadrem nesses conceitos devem ser desconsiderados da base de cálculo do crédito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A referida decisão foi proferida com o seguinte dispositivo: Por todo o exposto, voto por considerar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito de a interessada incluir as aquisições de cana-de-açúcar de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido do IPI. O crédito assim calculado é de R$ 767.848,83 (setecentos e sessenta e sete mil, oitocentos e quarenta e oito reais, oitenta e três centavos), ficando homologadas as compensações de acordo com o quadro abaixo: Fl. 542DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 Em seu apelo ao CARF (fls. 454/484), a recorrente alega preliminarmente nulidade por cerceamento de defesa com o indeferimento da diligência/perícia; direito ao crédito presumido de IPI sobre insumos agrícolas; dos créditos básicos de IPI – materiais intermediários e do crédito presumido de IPI relativo à energia elétrica e combustível em geral. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. PRELIMINAR Nulidade por cerceamento de defesa Inicialmente alega a recorrente nulidade do acórdão recorrido visto que no seu entender houve cerceamento de defesa devido ao indeferimento do pedido de diligência/perícia. Ocorre que no caso dos autos, tal medida mostra-se desnecessária e ainda intempestiva, visto que na fase em que o processo se encontra, caso carecesse de parecer técnico ele deveria ter sido requerido no momento que apresentou a Manifestação de inconformidade o que não ocorreu. Dispõe o caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Resta claro, portanto, que o requerimento deveria ter sido direcionado ao julgador de primeira instância. Contudo, cabe ainda acrescentar que em processos como o presente, este tem sido o entendimento adotado por esta Turma de Julgamento, conforme decisão a seguir ementada: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de Fl. 543DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.” (Processo nº 10880.653302/2016-46; Acórdão nº 3201-004.221; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 25/09/2018) (Grifei) Nesse sentido, rejeito a preliminar de nulidade e o pedido de diligência, pelos motivos acima expostos. MÉRITO Conforme consta no relatório acima reproduzido, trata-se de pedidos de compensação, de créditos de crédito presumido de IPI apurado no ano-calendário de 2003, restando para esse processo a análise apenas do 4º trimestre de 2003. O julgador de piso reconheceu o crédito relativo a aquisição de cana-de-açúcar de pessoa física e manteve as glosas relacionadas aos insumos agrícolas, combustíveis e energia elétrica, que a seguir passo a julgar. Do direito ao crédito presumido de IPI sobre insumos agrícolas. Sobre o tema, ao analisar a manifestação de inconformidade, a Delegacia Regional de Julgamento se posicionou da seguinte maneira: DRJ: Ao refazer a apuração do crédito presumido do IPI, a autoridade fiscal excluiu da sua base de cálculo as aquisições daqueles produtos que não se enquadrariam nos conceitos nos MP, PI ou ME, indicando-os nas Planilhas V (e-fl. 138) e VI (e-fl. 139), anexas à Informação Fiscal. Essencialmente, o fundamento foi o art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363, de 1996, in verbis: (...) A fim de caracterizar os conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, determinados pelo art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363, de 1996, a autoridade fiscal citou o art. 147, I, do RIPI/1998, o art. 3º, § 16, da Portaria MF nº 38, de 1997, o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, e o Parecer Normativo CST nº 181, de 1974. (...) Contudo, engana-se a manifestante ao afirmar que a Lei não delimitou o direito de crédito apenas aos produtos consumidos diretamente no processo produtivo. Embora não tenha utilizado esta referência de modo explícito, ao vincular o conceito de insumos à legislação do IPI, não fez outra coisa senão limitar o alcance de sua aplicação. A recorrente apresentou no seu Recurso Voluntário as seguintes argumentações: Fl. 544DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 RV: Todavia, há que se sopesar que o processo produtivo do açúcar e do álcool em uma empresa agroindustrial, tal qual a Recorrente, é verticalizado, englobando não apenas a produção do açúcar e do álcool em etapa final de industrialização, mas também da principal matéria-prima destes produtos, qual seja, a cana de açúcar. Afinal, consoante se verifica do seu objeto social, a Recorrente exerce ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e álcool, sendo imprescindível, para o exercício de sua atividade, a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange o plantio da cana de açúcar, o corte, o carregamento, o transporte, a pesagem e amostragem, a produção do açúcar e álcool, a distribuição e a venda destes produtos. (...) Pois bem. O açúcar e o álcool, in casu, constituem apenas o resultado final (produto) do processo produtivo realizado pela Recorrente no qual a produção da cana de açúcar encontra-se inserida, e que tem início com a análise e obtenção da terra (própria ou de terceiros), planejamento (mediante levantamento topográfico, etc.), preparo, plantio e colheita da cana de açúcar. (...) Nesse passo, inarredável que a utilização de adubos, fertilizantes, e defensivos agrícolas, por exemplo, mostra-se essencial para a consecução da etapa atinente o trato da cultura de cana, pois sem eles, a produção minguaria ou, ainda, estaria sujeita ao ataque de pragas capazes de aniquilar a lavoura e inviabilizar, por completo, a e tpa industrial que compreende a produção do açúcar e álcool. (...) Desta feita, patente que tais insumos amoldam-se, com perfeição, ao conceito de produto intermediário, hábil a ensejar o crédito presumido de IPI ora em debate. Diante das alegações, cabe relatar sobre a verificação da existência ou inexistência do direito à apuração do crédito presumido em relação à fase agrícola do processo produtivo do açúcar e do álcool que deve ser buscado na legislação sobre o assunto. As glosas estão relacionadas nos quadros abaixo: Fl. 545DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 A recorrente alega ter direito de apurar o crédito presumido sobre todos os insumos aplicados na fase agrícola porque o art. 2º da Lei nº 9.363/96 não estabelece nenhuma limitação, referindo-se ao "total das aquisições". O referido dispositivo legal estabelece o seguinte: Art.2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...)" Já o art. 3º da referida Lei estabelece que: Art.3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizar-se-á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Conforme se pode verificar, ao mesmo tempo em que o art. 2º se refere ao "total das aquisições", o art. 3º, parágrafo único, estabelece que o conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem deve ser fixado com base no que estabelece a legislação do IPI. Do Decreto 4.544 de 2002, (RAIPI 2002) infere-se que o conceito de produção aplicável no âmbito do IPI se identifica com uma “operação”, ou seja: para o art. 4º do RIPI/2002, industrialização é qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou que o aperfeiçoe para consumo (como a transformação, o beneficiamento, a montagem, o acondicionamento e o recondicionamento); para o art. 3º do RIPI/2002, produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida como industrialização, ainda que incompleta, parcial ou intermediária. Sob essa ótica embora a recorrente tenha alegado que seu processo produtivo é integrado, ou seja, que possui uma fase agrícola na qual produz sua própria matéria prima, e uma fase industrial propriamente dita, é salutar afirmar que o processo de cultivo da cana-de-açúcar é de natureza rural e agrícola, que vem antes mesmo da industrialização que só deve ocorrer após a existência da matéria prima. Fl. 546DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 Não se tratando o cultivo da cana-de-açúcar de uma operação de industrialização e sim agrícola, não há direito de aproveitar o crédito presumido em relação aos custos incorridos nesta fase, que ao meu ver é considerada pré-industrial, uma vez que esta inserida no cultivo do que ainda virá a ser considerado matéria prima, estando corretas as glosas efetuadas pela fiscalização. Esse é o entendimento da Súmula CARF nº 183 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O valor das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica e combustíveis, empregados em atividades anteriores à fase industrial do processo produtivo, não deve ser incluído na base de cálculo do crédito presumido do IPI, de que tratam as Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01. Nesse sentido, nego provimento ao recurso e mantenho a glosa. Do crédito presumido de IPI relativo à energia elétrica e combustível em geral. Acerca do tema o julgador de piso fez as seguintes considerações: DRJ: No que se refere à energia elétrica e combustíveis, se estes não foram utilizados como MP, PI ou ME, não podem ser aproveitados no cálculo do crédito presumido. A Lei nº 10.276, de 2001, permitiu o seu aproveitamento no caso de a empresa optar pela forma alternativa de apuração por ela autorizada. Se a interessada optou em apurar o crédito presumido pela sistemática da Lei nº 9.363, de 1996, não está permitida a incluir os gastos com energia elétrica e combustíveis na base de cálculo. Não bastasse a improcedência da reclamação, é importante também esclarecer que, em razão dos princípios da hierarquia e da presunção da legalidade e constitucionalidade dos atos administrativos, não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar comandos normativos emanados de instâncias superiores, sem que eles tenham sido cancelados pela própria autoridade, ou hierarquicamente superior, que a expediu, ou afastados pela autoridade judicial em rito processual adequado, o que não são o caso. (...) E a Recorrente defendeu o seu direito ao crédito fundamentando o seu recurso nas seguintes conclusões: RV: No entanto, a Recorrente, embora não discorde da premissa de que, para o enquadramento destes insumos (energia elétrica e outros combustíveis) como produtos intermediários, é necessário que se integrem ao produto ou sejam consumidos no processo de industrialização em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto ou por este diretamente sofrida, discorda radicalmente da conclusão de que, em seu processo produtivo, tais insumos não preencham esse requisito para a legitimação do crédito. Afinal, os produtos glosados, incluindo a energia elétrica e demais combustíveis, são insumos que se configuram efetivamente indispensáveis/essenciais no âmbito de seu processo produtivo, nos termos da legislação tributária federal já acima analisada, bem como também no que tange à legislação específica do creditamento presumido de IPI para ressarcimento de PIS/COFINS (Lei no 9.363/96). (...) Assim, os valores dos insumos utilizados no cômputo da base de cálculo do creditamento referente ao ressarcimento de PIS/COFINS, incluindo a energia elétrica e os combustíveis em geral, são legítimos, posto que tais produtos são utilizados e Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 consumidos integralmente pela Recorrente em seu processo produtivo; portanto, são produtos intermediários nos termos da legislação federal. Entendo que assiste razão o julgador de piso, diante do que já vem sido tratado pela jurisprudência dominante do CARF que já se manifestou sobre o assunto. Inicialmente cabe destaque ao acórdão n.º 3201-004.670, de relatoria da ilustre Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, proferido na sessão de julgamento de 13 de dezembro de 2018, vejamos: (...) Nesse ponto, não se socorre a Recorrente de igual sorte. É pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, em se tratando de benefício fiscal, o crédito presumido do IPI não pode ser calculado sobre bens que não se agreguem ao produto final. Veja-se: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CAUSA EM QUE SE DISCUTE O CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI, COMO RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP E COFINS, DE QUE TRATA A LEI 9.363/96. EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA DE SUCO DE LARANJA CONCENTRADO E CONGELADO. VALORES DOS COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NAS CALDEIRAS E DOS REAGENTES QUÍMICOS DE LIMPEZA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL FIRMADA POR ESTA CORTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. (...) III. A Primeira Turma desta Corte, ao julgar o REsp 529.577/RS, deixou assentado que "o art. 1º da Lei 9.363/96 disciplina o reconhecimento do direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI somente em relação às mercadorias agregadas em processo produtivo a produto final destinado à exportação. A desoneração da carga tributária, como benefício fiscal, e em exceção à regra geral que é a incidência dos tributos que gerarão o crédito presumido, deve ser interpretada nos exatos termos da previsão legal, sem ampliação ou redução de seu alcance" (STJ, REsp 529.577/RS, Rel.Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, DJU de 14/03/2005). IV. No mesmo sentido a Segunda Turma do STJ, a partir do julgamento do REsp 1.049.305/PR (Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 31/03/2011), firmou o entendimento de que "a energia elétrica, o gás natural, os lubrificantes e o óleo diesel (combustíveis em geral) consumidos no processo produtivo, por não sofrerem ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito de 'matérias primas' ou 'produtos intermediários' para efeito da legislação do IPI e, por conseguinte, para efeito da obtenção do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, na forma do art. 1º da Lei 9.363/96". No mesmo sentido: STJ, AgRg no REsp 1.222.847/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 01/04/2011; REsp 816.496/AL, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe de 19/06/2012; REsp 1.331.033/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/04/2013; AgRg no AREsp 843.844/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 27/05/2016; AgRg no REsp 1.493.176/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/02/2016. V. Nos presentes autos, consta da sentença que, "considerando que somente há o direito de creditamento do IPI pago anteriormente quando se tratar de insumos que se incorporam ao produto final ou que são consumidos no curso do processo de industrialização, de forma imediata e integral, não há que se falar em crédito no caso em Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 exame. In casu, os combustíveis utilizados nas caldeiras e os reagentes químicos de limpeza não se enquadram em tal definição, posto não se agregarem, direta ou indiretamente, ao produto final". No acórdão recorrido, ao confirmar a sentença, o Tribunal de origem deixou consignado que, "in casu, tanto os combustíveis como os reagentes químicos não são adquiridos com a exclusiva finalidade de elaborar o produto final, não sendo considerados, portanto, matéria prima ou produto intermediário submetido à transformação". VI. Portanto, ao decidir pela impossibilidade de inclusão dos valores relativos aos combustíveis utilizados nas caldeiras e aos reagentes químicos de limpeza, dentre os insumos que integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, o acórdão do Tribunal de origem alinhou-se à jurisprudência do STJ sobre o tema, pelo que incide, na espécie, a Súmula 83/STJ. Impende salientar que a orientação firmada nos supracitados precedentes do STJ, no sentido da impossibilidade de creditamento dos valores relativos aos combustíveis, aplica-se, pelas mesmas razões, aos reagentes químicos de limpeza. VII. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 908.161/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2016, DJe 04/11/2016) Indo além, aplica-se ao caso a súmula CARF nº 19, de observância obrigatória a este Conselho: Súmula CARF nº 19 - Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Diante dessas considerações a medida que se impõe é negar provimento ao recurso e manter as glosas das despesas incorridas com combustível e energia elétrica. Cabe ainda mencionar que da mesma maneira, em outro processo da mesma empresa recorrente, foi julgado o acórdão n.º 3402002.863 de relatoria do conselheiro Antônio Carlos Atulin com a seguinte ementa, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da cana-de-açúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória. Parecer Normativo CST nº 65/79. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Por força do que restou decidido no RESP nº 993.164, decidido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC, reverte-se a glosa em relação às aquisições de pessoas físicas. CRÉDITO PRESUMIDO ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-009.171 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.002215/2008-34 contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Súmula CARF nº 19. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Recurso Provido em Parte. Assim concluo que o meu entendimento esta calcado no que já vem sendo decido, por assim respeitar a legislação vigente e aplicável a matéria posta em debate. O contribuinte alega ainda direito ao crédito básico de IPI sobre materiais intermediários. Observo que a matéria é estranha aos autos, visto que o pedido de ressarcimento esta calcado no Crédito Presumido de IPI, conforme lei 9.363/96. Ademais, não houve glosa por parte da fiscalização a esse tipo de crédito, não havendo assim qualquer justificativa para o recurso, tanto o é que a Manifestação de Inconformidade não traz em suas alegações questionamentos acerca do crédito básico de IPI, logo, além de ser clara a inovação recursal em sede de Recurso Voluntário, não há qualquer cabimento a sua análise, pelo que já foi dito e repito, não houve glosa nesse sentido. Diante do exposto voto por rejeitar a preliminar e no mérito nego provimento ao Recurso Voluntário. É o meu entendimento. (documento assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Fl. 550DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10830.917719/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.872
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão nº 08031.703, prolatado pela DRJ Fortaleza/CE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade em que se pleiteou a reforma do despacho decisório da repartição de origem que não homologara a Declaração de Compensação de crédito da Cofins com débito da titularidade do mesmo sujeito passivo. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação, alegando que (i) o débito de fato era menor que o informado na DCTF, conforme planilha anexada aos autos, (ii) a vinculação do DARF na DCTF não era causa suficiente para a negativa do pedido de restituição e que (iii) seu direito creditório se originara RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 71 9/ 20 11 -2 3 Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 10830.917719/201123 Resolução nº 3201000.872 S3C2T1 Fl. 3.342 2 do alargamento indevido da base de cálculo promovido pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A decisão da DRJ Fortaleza/CE, denegatória do direito pleiteado, fundamentou se na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse comprovar o alegado erro cometido no preenchimento da DCTF, dada a ausência de retificação tempestiva dessa declaração. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.848, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 10830.917695/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.848): O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. (...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS pelo regime não cumulativo (alargamento da base de cálculo declarada inconstitucional pelo STF). De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento a maior de COFINS realizado por meio do recolhimento de DARF. Consoante Despacho Decisório proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, justificando exatamente que o recolhimento a maior decorre da revisão da base de cálculo da COFINS diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e apresentando respectivo demonstrativo da base de cálculo apurada. Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 10830.917719/201123 Resolução nº 3201000.872 S3C2T1 Fl. 3.343 3 Embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado, entendendo ter precluído o direito de fazêlo posteriormente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, apresenta (i) nova cópia do demonstrativo de apuração da COFINS; e (ii) Balancete mensal da COFINS, extraído do seu Livro Diário devidamente registrado. Com base nisso, postula pela aplicação do Princípio da Verdade Material e requer a realização de diligência para que demais documentos julgados necessários pela Fiscalização possam ser apresentados pelo contribuinte. Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, em prol do princípio da verdade material, e considerando que o contribuinte trouxe aos autos diversos documentos comprobatórios do seu direito, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandolhe, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 10830.917719/201123 Resolução nº 3201000.872 S3C2T1 Fl. 3.344 4 Da mesma forma que no processo do paradigma, nestes autos, o contribuinte apresentou, em sede de recurso voluntário, novos documentos comprobatórios com vistas a demonstrar o alegado direito creditório (balancete e demonstrativo). Desta forma, os elementos que justificaram a conversão em diligência do paradigma, também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandoo, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 3344DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.727082/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN.
Conforme art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF N.º 2.
Nos termos da Súmula CARF n.º 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE MORA.
É devida a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência.
Numero da decisão: 2202-008.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Sonia de Queiroz Accioly.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. 170-A DO CTN. Conforme art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF N.º 2. Nos termos da Súmula CARF n.º 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE MORA. É devida a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Sonia de Queiroz Accioly. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 70 82 /2 01 2- 72 Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.463 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.727082/2012-72 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 10120.727082/2012-72, em face do acórdão nº 14-48.205, julgado pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 23 de janeiro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata-se de crédito tributário constituído pela fiscalização e materializado por meio dos seguintes Autos de Infração (AI) contra o sujeito passivo acima identificado, consolidados em 27/06/2012, verificados no estabelecimento de CNPJ nº 11.809.185/0001-04 desse contribuinte, lançados em 27/06/2012 e com a ciência postal ao contribuinte em 29/06/2013 (fl. 004): Constituíram fatos geradores das contribuições lançadas a glosa de compensação indevida declarada em GFIP, na competência de 06/2011, em face da inexistência de trânsito em julgado da ação judicial nº 729-39.2011.4.01.3504 da Justiça Federal - Seção Judiciária do Estado de Goiás – Subseção Judiciária de Aparecida de Goiânia, por meio da qual o contribuinte obteve antecipação da tutela para suspender a incidência de contribuição previdenciária sobre parcelas da folha de pagamento. O contribuinte apresentou impugnação, em 30/07/2012, às fls. 031/054, com as considerações a seguir descritas. 1. Alega que a origem das compensações efetuadas em 06/2011 e 07/2011 foram o crédito decorrente da apuração das contribuições previdenciárias referentes aos últimos cinco anos que, no seu entendimento e conforme liminar obtida no processo nº 729- 39.2011.4.01.3504, não podem incidir sobre verbas indenizatórias e em situações nas quais não há remuneração por serviços prestados, que são os casos das férias gozadas ou indenizadas, do abono de férias, do 1/3 de férias, dos primeiros 15 dias de afastamento anteriores ao auxílio-doença e ao auxílio-acidente, das horas-extras, do aviso prévio indenizado, da licença-prêmio indenizada e do salário-maternidade, fundamentando-se no disposto no art. 195, inciso I, da Constituição Federal, e no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. Argumenta que o tema é pacífico na jurisprudência. 2. Apresenta breve histórico da normatização e da evolução da jurisprudência referente à compensação de tributos, mencionando o art. 66, da Lei nº 8.383/1991, a Instrução Normativa DRF nº 67, de 26/05/1992, a Lei Complementar nº 104/2001 e o art. 170-A, do CTN. 3. Qualifica a determinação legal de que os valores recebidos indevidamente permaneçam nos cofres públicos até a manifestação definitiva do Judiciário de enriquecimento sem causa, de empréstimo compulsório e de falta de compromisso da Administração com a Justiça, pois violaria os princípios constitucionais da justiça fiscal, da estrita legalidade, do direito de propriedade, da moralidade e da responsabilidade objetiva do Estado, considerando que, pelo princípio da máxima efetividade das normas constitucionais, a lei complementar restringir de tal forma o exercício da via ressarcitória de um indébito tributário. Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.463 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.727082/2012-72 4. Busca demonstrar que a forma de compensação regulada pelo art. 66, da Lei nº 8.383/1991, e a de que trata o CTN, art. 170, tratam de procedimentos rigorosamente distintos, pois o primeiro corresponderia à sistemática por homologação, na qual o contribuinte é quem reconhece o direito à compensação condicionada à posterior homologação da autoridade competente, enquanto que o segundo exige a prévia liquidez e certeza do crédito. Traz doutrina e jurisprudência. 5. Sustenta que não se pode interpretar o art. 170-A, do CTN, como dispositivo revogador do art. 66, da Lei nº 8.383/1991, porque tal dependeria de disposição expressa nesse sentido, nos termos do art. 9º, da Lei Complementar nº 95/1998. Em reforço, também não caberia entender que aquele dispositivo teria revogado disposições do Código de Processo Civil, ao dar efeito suspensivo aos recursos ao STJ e STF, ao contrário da previsão do código de efeito meramente devolutivo para esses recursos. 6. Contesta a vedação à compensação antes do trânsito em julgado postulando que se trataria de retorno da cláusula “solve et repete”, não admitida pela doutrina e pela jurisprudência. 7. Insurge-se contra a multa aplicada qualificando-a de confiscatória e inconstitucional em face de seu alto valor, superior ao montante que, no entender do Fisco, teria deixado de recolher, mencionando os eventuais prejuízos do pagamento da multa aos munícipes. Traz jurisprudência. Encerra pedindo a nulidade total da autuação, ou, caso não atendido tal pedido, a revisão da multa isolada para fixá-la em 20% do valor supostamente compensado de forma indevida. É o relatório.” Transcreve-se abaixo a ementa do referido acórdão, o qual consta às fls. 69/76 dos autos: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. MULTA DE MORA. É devida a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência. Impugnação Improcedente. Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.463 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.727082/2012-72 Crédito Tributário Mantido.” A parte dispositiva do voto do relator do acórdão recorrido possui o seguinte teor: “CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário exigido.” Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 84/108, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Glosa de compensação indevida. Conforme relatado, constituíram fatos geradores das contribuições lançadas a glosa de compensação indevida declarada em GFIP, na competência de 06/2011, em face da inexistência de trânsito em julgado da ação judicial nº 729-39.2011.4.01.3504 da Justiça Federal – Seção Judiciária do Estado de Goiás – Subseção Judiciária de Aparecida de Goiânia, por meio da qual o contribuinte obteve antecipação da tutela para suspender a incidência de contribuição previdenciária sobre parcelas da folha de pagamento. A DRJ de origem assim referiu a respeito da descrição do lançamento e de seus fundamentos: “A situação que ensejou o presente lançamento foi a identificação pela fiscalização de compensações indevidas objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. O contribuinte informa que ajuizou a ação ordinária nº 729-39.2011.4.01.3504, distribuída para a Vara Federal em Aparecida de Goiânia - GO, tendo obtido liminar favorável, a partir da qual apurou seu crédito e efetuou a compensação cuja glosa é objeto do presente processo. A fiscalização verificou que a antecipação de tutela concedida não faz referência ao direito de compensar as verbas provisoriamente reconhecidas e identificou não ter sido demonstrado o trânsito em julgado da decisão judicial, condição obrigatória estabelecida no art. 170-A, da Lei nº 5.172/1966, Código Tributário Nacional – CTN: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001). (grifou-se) Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.463 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.727082/2012-72 Em consequência, a fiscalização considerou que a compensação efetuada na GFIP de 06/2011 foi indevida e efetuou o lançamento de ofício da glosa, acrescida de multa de mora de 20%. Ao longo da análise do presente processo foi realizada consulta ao sítio da Justiça Federal em Goiás, em 25/11/2013, por meio da qual constatou-se que, de fato, o trânsito em julgado da decisão não ocorreu, considerando que a última movimentação processual foi exatamente a remessa dos autos ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em 30/10/2012, em virtude de recurso das partes. Nessa mesma consulta, obteve-se o dispositivo da decisão que concedeu a antecipação de tutela, a seguir transcrito, por meio do qual observa-se que a decisão não trata da compensação: “defiro parcialmente o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, para determinar a imediata suspensão da incidência de contribuição previdenciária sobre as folhas de salários pagas pela Prefeitura de Aparecida de Goiânia, em que a base de cálculo compreenda as férias gozadas, o terço constitucional de férias, os primeiros 15 dias de remuneração antes do afastamento para o gozo de auxílio-doença e auxílio-acidente, o aviso prévio indenizado e a licença-prêmio indenizada, bem como a vedação de qualquer restrição na extração de certidão positiva de débitos com efeitos de negativa (art. 206 do CTN) por razão exclusiva da falta de recolhimento das exações em referencia. Intimem-se as partes dessa decisão e a parte autora para, em dez dias, apresentar réplica.” O contribuinte sustenta a improcedência do lançamento e insurge-se contra a multa aplicada. Suas considerações são analisadas a seguir.” Verifica-se que a contribuinte procedeu à compensação antes do trânsito em julgado das decisões judiciais, prática vedada pelo art. 170-A do Código Tributário Nacional. Assim, o direito da contribuinte escudado pelas ações judiciais ainda não teria sido definitivamente julgado pelo Judiciário, sendo, portanto, indevida a compensação declarada em GFIP nas competências referidas. A compensação de valores discutidos judicialmente deve obedecer o que determina o CTN, no artigo 170-A: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifou-se) Observa-se que na época da realização das compensações o referido processo ainda não havia sido definitivamente julgado. Dessa feita, em que pese o fato de haver discussão judicial acerca da incidência de contribuições previdenciárias sobre algumas verbas pagas a empregados, tem-se que não há nos autos nenhuma decisão judicial que, contrariando a legislação tributária de regência, autorizasse o contribuinte a compensar valores decorrentes de discussão judicial ainda não transitada em julgado com contribuições apuradas, conforme realizou. A DRJ de origem bem apreciou a questão, cujos fundamentos também adoto como razões de decidir: Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.463 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.727082/2012-72 “O fundamento da glosa da compensação foi a inexistência de trânsito em julgado da decisão judicial que suspendeu a incidência da contribuição previdenciária sobre determinadas parcelas da remuneração paga pelo contribuinte a segurados e ele vinculados. Portanto, não se discute aqui o direito ao crédito, mas tão-somente o direito à compensação desse crédito antes do trânsito em julgado. Nesse sentido, cabe observar que a interpretação da impugnante de que as compensações previstas na Lei nº 8.383/1991 e no CTN são distintas é equivocada. O CTN tem status de lei complementar e dispõe acerca de normas gerais de Direito Tributário, portanto o instituto da compensação tributária tem ali estabelecidos seus contornos gerais, a serem seguidos por qualquer modalidade de compensação a ser estabelecida no âmbito tributário. O que o art. 66, da Lei nº 8.383/1991, determina é uma forma específica de compensação permitida para o caso de pagamento indevido ou a maior de tributos, mas sempre sujeito às normas gerais do CTN. Em nenhum momento a norma geral do art. 170 limita-se às situações nas quais a compensação é realizada diretamente pelos agentes fiscais, tampouco a compensação do art. 66 deixa de promover a extinção do crédito tributário. A liquidez e a certeza do crédito são elementos necessários a qualquer compensação, ao contrário do que pretende o contribuinte. Caso não existisse o processo judicial, a verificação da liquidez e certeza do crédito estaria sujeita ao procedimento fiscal e um juízo de improcedência do crédito pela fiscalização ensejaria a glosa da compensação. Ao tomar a iniciativa da ação judicial tendo por objeto o crédito, o contribuinte excluiu do âmbito administrativo a possibilidade de apreciação da liquidez e certeza desse crédito, que passou a ser da competência exclusiva do Poder Judiciário. No entanto, no exato momento em que a União é cientificada e apresenta sua contestação, o crédito passa a ser controvertido, perdendo seu atributo de certeza, o qual somente será retomado em sua plenitude caso a decisão judicial seja favorável ao contribuinte e no momento em que a mesma transitar em julgado. É essa a disposição do art. 170-A, do CTN. Portanto, não cabe argumentar que os artigos 170 e 170-A, do CTN, somente se aplicam a procedimento de compensação distinto do que efetuou o impugnante, pois eles se aplicam a qualquer procedimento de compensação, tampouco refutar uma eventual revogação do art. 66, da Lei nº 8.383/1991, pois não há qualquer necessidade de referida revogação para a glosa realizada pela fiscalização, que decorre imediatamente da perda do atributo de certeza do crédito compensado em virtude da ação judicial. Também não se aplica o argumento de que se estaria retornando ao “solve et repete”, pois significaria estabelecer um obstáculo econômico ao reconhecimento do crédito, ao obrigar ao pagamento prévio do tributo para que o questionamento de sua procedência seja apreciado, o que não é o caso, pois aqui se trata de crédito e débito associados a fatos geradores distintos. O crédito teria surgido de contribuições referentes a competências anteriores pagas a maior no entender do contribuinte, enquanto que o débito consiste em contribuições decorrentes dos fatos geradores ocorridos na competência da compensação. Assim, caso o contribuinte quisesse requerer a restituição do que sustenta ter pago a maior, bastaria requerer tal restituição, da mesma forma como não foi impedido a priori de compensar o crédito pleiteado na competência em que aplicou a compensação. No entanto, não está imune à posterior apreciação do Fisco acerca da certeza do crédito, e foi o que ocorreu. Em consequência, procede a glosa efetuada pela fiscalização.” Portanto, em conformidade com o art. 170-A do CTN e em respeito à decisão judicial referida pela recorrente, as compensações, objeto de glosa por meio da autuação tratada Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.463 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10120.727082/2012-72 no presente processo, foram efetuadas sem que, na oportunidade de sua realização, existissem créditos que lhes amparassem, devendo tais glosas serem mantidas. Multa. O contribuinte se insurge contra a multa aplicada no percentual de 150%, qualificando-a de confiscatória e inconstitucional em face de seu alto valor, superior ao montante que, no entender do Fisco, teria deixado de recolher, mencionando os eventuais prejuízos do pagamento da multa aos munícipes, e requer a sua redução para 20%. No entanto, a multa aplicada foi a multa de mora, no percentual de 20%, exatamente o percentual pleiteado pelo contribuinte em sua impugnação, o que impossibilita qualquer análise da contestação apresentada acerca da matéria, dado que referente a matéria fática inexistente. Apenas para referência, também não foi identificado em nenhum dos demais autos de infração lavrados no mesmo procedimento fiscal a aplicação de multa de 150%, tornando tal alegação absolutamente sem qualquer fundamento. Por fim, importa referir que descabe a análise por este Conselho de alegações de inconstitucionalidade pois, conforme Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tal razão, deixa-se de analisar a alegação de confisco em relação a multa aplicada. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13153.000188/2001-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o interessado da INFORMAÇÃO FISCAL/SEORT/DRF-CUIABÁ Nº 0152/2015 (fls. 205/206), sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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score : 1.0
Numero do processo: 12268.000542/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2006
DOS JUROS DE MORA (TAXA SELIC)
Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigi-lo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Por expressa previsão legal, os juros de mora equivalem à Taxa SELIC.
Súmula CARF nº 4 - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
CONCOMITÂNCIA PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. APLICAÇÃO SUMULA CARF. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial
Numero da decisão: 2301-009.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria concomitante com ação judicial e das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, negar-lhe provimento
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Virgílio Cansino Gil, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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Por expressa previsão legal, os juros de mora equivalem à Taxa SELIC. Súmula CARF nº 4 - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. CONCOMITÂNCIA PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. APLICAÇÃO SUMULA CARF. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria concomitante com ação judicial e das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, negar-lhe provimento (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Virgílio Cansino Gil, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 05 42 /2 00 8- 96 Fl. 449DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de crédito lançado e constituído pela fiscalização contra a empresa HSBC BANK BRASIL S.A. - BANCO MÚLTIPLO, acima identificada, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 155/164, no montante de R$ 13.488.408,68 (treze milhões, quatrocentos e oitenta e oito mil, quatrocentos e oito reais e sessenta e oito centavos), consolidado em 31/10/2008. O Auto de Infração (DEBCAD n° 37.202.233-2) teve como finalidade apurar e constituir o crédito relativo a contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil A RFB - e destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - RAT -, não recolhidas, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, correspondentes ao período de 01/10/2003 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/05/2004 a 30/09/2004, 01/12/2006 a 31/12/2006. O fato gerador do crédito apurado consiste no exercício de atividades remuneradas pelos segurados, cujas remunerações foram pagas na rubrica 1016 (ABONO CONVENÇÃO), constante dos contracheques e das folhas de pagamento, em decorrência da cláusula 46” da Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004, no valor de RS 1.500,00 por funcionário. Na contabilidade, os lançamentos foram registrados na conta n° 25.54.47-0 (Abono Convenção), pertencente ao grupo n° 25.54.00-3 (Despesas de Pessoal - Proventos). Consta do Relatório Fiscal, fls. 156, que a Contribuinte possui a ação judicial n° 2003.34.00.036495-1, ora em trâmite no Tribunal Regional Federal da 1° Região, objetivando a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o “abono único”. A ação encontra-se em fase de recursos de apelação e remessa oficial perante o Tribunal, sendo abrangidos por decisão provisória com efeitos suspensivo e devolutivo. Por ser relacionada com o crédito objeto do Auto de Infração, foi efetuado o lançamento com o intuito de evitar a decadência, a qual não se interrompe nem se suspende. Os valores das remunerações lançadas foram coletados das folhas de pagamento, dos contracheques, da contabilidade e, também, de informações prestadas pela Contribuinte em planilhas eletrônicas. A fundamentação legal do lançamento, inclusive dos acréscimos legais, encontra-se no relatório Fundamentos Legais do Débito - FLD -, com os respectivos períodos de vigência, fls. 17/18. Como as contribuições envolvem remunerações que não foram declaradas em Guias de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo e Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP -, e essa omissão configura, em tese, o ilícito tipificado no inciso III do art. 337-A, acrescentado pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000, no Decreto-Lei n° 2.848, de 7/12/1940, será lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, em relatório à parte, para proposição de eventual ação penal. Fl. 450DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 A Impugnante foi notificada pessoalmente em 31/10/2008, fls. 1, e protocolizou impugnação em 1°/ 12/2008, fls. 273/291, alegando, em síntese, que: a) deve ser cancelado o lançamento pela inadequação do meio utilizado para constituição do crédito, pois deveria ser por notificação de lançamento e não por auto de infração, o qual só se justifica quando são aplicadas penalidades às infrações cometidas pelo contribuinte, o que não ocorreu, não ficando ao livre critério e oportunidade do Agente Fiscalizador, nos termos definidos pelos artigos 9° e 11 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972; o próprio Auditor-Fiscal reconheceu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, constituindo o crédito com o intuito de evitar a decadência; b) a análise da alínea “a” do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, c/c o § 11 do seu art. 201 e o inciso I do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, apresenta a premissa de que qualquer pagamento somente integrará a base de cálculo das contribuições se, e unicamente se, (i) retribuir (contraprestação) os serviços prestados (retributividade), ou (ii) for paga com habitualidade (para os casos em que não se prestar à retribuição do trabalho), o que vai ao encontro do inciso I do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991, que define a base de cálculo das contribuições previdenciárias; assim, qualquer verba que não possua uma das premissas não se adequará ao fato jurídico tributário que dá ensejo à configuração da hipótese de incidência das contribuições previdenciárias, que é o que ocorre com os abonos pagos em decorrência da Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004, que não se enquadram às duas hipóteses descritas, “como demonstrado, exaustivamente, na ação ordinária n° 2003.34.00.036495-1”, motivo pelo qual a cobrança é indevida e deve ser cancelado o Auto de Infração; c) conforme Relatório de Representantes Legais (REPLEG), a Fiscalização pretende, arbitrária e ilegalmente, imputar responsabilidade solidária aos representantes legais da Impugnante, haja vista que não são sujeitos passivos de qualquer obrigação tributária; as únicas hipóteses em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias (principal ou acessória) estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional - CTN -, hipóteses que não ocorreram no presente caso, sem qualquer justificativa caracterizadora no caso concreto, não se podendo presumir tal responsabilidade solidária, sob pena de ilegalidade e inconstitucionalidade. De acordo com o art. 13, parágrafo único, da Lei n° 8.620, de 1993, a responsabilidade solidária dos diretores ocorre com o inadimplemento das obrigações por dolo ou culpa, o que também não restou configurado no caso; nem se alegue que tal relação serviria tão-somente para eventual ajuizamento de execução fiscal para cobrança judicial, isso porque, independentemente do meio processual utilizado, a cobrança de qualquer valor está condicionada à ocorrência das hipóteses expressamente previstas na legislação em vigor, o que não se verifica; assim, por qualquer ângulo que se analise, apenas ao Impugnante deveria ser imputada, se devida, a responsabilidade pelo pagamento do crédito, pelo que os representantes legais devem ser expressamente excluídos do pólo passivo da obrigação tributária; d) a notória ausência de infração (ilícito), por parte da Impugnante, afasta a possibilidade de prosseguimento da Representação Fiscal para Fins Penais, instaurada por meio do processo administrativo n° 12268.000581/2008-93; tendo em vista a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários pela tutela antecipada e, portanto, a ausência de recolhimento não representou infração por parte da Impugnante, e' certo que não houve supressão ou redução passível de configurar crime de sonegação de contribuição previdenciária Fl. 451DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 (art. 337-A do Código Penal), a justificar a Representação; urna vez instaurado o processo administrativo, por meio da impugnação, deverá ser aguardada a decisão final na esfera administrativa para que se dê seguimento, se for o caso, à Representação, como decidiu o Supremo Tribunal Federal; nem se alegue que a Fiscalização agiu em conformidade com a Portaria RFB n° 665/08, que determina o encaminhamento da Representação ao Ministério Público no prazo de dez dias, uma vez que deve ser observado o artigo 1° do Decreto n° 2.346, de 1997, segundo o qual “as decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta ou indireta”, pelo que deve ser sobrestada a Representação até que seja proferida a decisão final administrativa e na ação ordinária; e) a multa e os juros de mora deverão ser cancelados, uma vez que os valores supostamente devidos encontram-se com antecipação de tutela, o que implica a suspensão da exigibilidade, nos termos do artigo 151, inciso V, do CTN, além de que não houve nenhuma infração por parte da Impugnante, a justificar a aplicação de penalidade, não podendo ser punida por recorrer ao Poder Judiciário, sob pena de nada valer a garantia constitucional prevista no artigo 5°, incisos XXXIV e XXXV, da Constituição Federal, o que, na realidade, até exclui a mora e não caracteriza inadimplemento; o mesmo raciocínio vale para os juros de mora, devendo ser excluídos os montantes referentes à multa e aos juros de mora; f) não pode prosperar a cobrança da multa de acordo com 0 artigo ¡;3 da Lei n° 8.212, de 1991, pois a progressão do percentual da multa lastreada em fatores diversos da gravidade da ilicitude faz com que a multa assuma a fruição compensatória que é própria e exclusiva dos juros de mora, o que configura o “bis in idem”, não existindo justificativa legal a fundamentar a onerosidade do percentual da multa, já que tais expedientes se prestam a configurar nova infração ou a modificar a infração, tomando-a mais lesiva; nem se alegue que a aplicação do referido dispositivo se justifica por se tratar de ato vinculado, pois a aplicação do princípio da legalidade deve ser ponderado em relação à aplicação de outros princípios como, por exemplo, o da razoabilidade e, principalmente, o da proporcionalidade, o que autoriza o cancelamento dos valores exigidos a título de multa de mora; g) caso venham a ser cobrados juros de mora, não poderão ser calculados mediante a utilização da taxa SELIC, eis que não foi criada por meio de lei, a ofender o princípio da legalidade, sendo instituída como uma taxa de juros remuneratórios, que visa a premiar o capital investido pelo aplicado em titulos da dívida pública federal, não podendo ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento de uma obrigação; o artigo 161, § 1°, do CTN estabelece que “se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (...)”, como não existe lei ordinária que tenha criado a taxa SELIC, os juros devem ser limitados a 1% ao mês; assim, considerando-se a natureza remuneratória da taxa SELIC, a sua inconstitucionalidade e ilegalidade, nao há que se admitir a sua utilizaçao com a natureza de juros de mora; h) requer seja o presente Auto de Infração julgado em conjunto com os processos administrativos n° 12268000545/2008-20, 12268000544/2008-85 e 12268000543/2008-31, já que se referem ao mesmo suposto fato gerador, e seja julgada procedente a impugnação, com o cancelamento integral do Auto de Infração e, independentemente do acolhimento dos pedidos acima, que os representantes legais da lmpugnante sejam excluídos do pólo passivo. Fl. 452DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 A Impugnante junta cópias não autenticadas da Guia de Depósito Judicial, fls. 344, e da Decisão Judicial proferida nos autos do Agravo de Instrumento n° 2003.01.00.0035l54- 0/DF (Processo na origem n° 2003.34.00.036495-1), fls. 345/347. Foi cientificada a empresa do grupo econômico, Losango Promotora de Eventos Ltda., CNPJ n° 42.103.531/0001-50, por meio de edital, fls. 347, afixado em 10/02/2009 e desafixado em 25/02/2009, mas não apresentou impugnação no prazo regulamentar. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento, resumidamente, no sentido de que: => quanto a constituição do crédito tributário, a despeito da alegação da Impugnante que o lançamento deve ser cancelado, o lançamento lavrado por Auditor-Fiscal deve ser realizado por meio de Auto de Infração, já a Notificação de Lançamento será lavrada e expedida pelo órgão que administra o tributo, prescindindo de assinatura. Dessa forma, é equivocada a relação com a existência ou não de penalidades e o ato a ser formalizado, como aduz a Impugnante. Cabe destacar que a Notificação-Fiscal, prevista no art. ll do Decreto 70.235, de 1972, além de ser emitida pelo órgão que administra o tributo, e não pelo Auditor-Fiscal, é empregada em algumas situações específicas, como, por exemplo, no caso de revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (DIRPF) e do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), que poderá resultar em notificação de lançamento quando se constatarem inexatidões materiais devidas a lapso manifesto ou erros de cálculos cometidos pelo sujeito passivo ou infração à legislação tributária, em conformidade com o disposto na Instrução Normativa SRF n° 579, de 08 de dezembro de 2005. Portanto, resta afastada tal alegação eis que o presente Auto de Infração foi lavrado na forma prevista na legislação de regência. => quanto à renúncia ao contencioso administrativo de matéria discutida judicialmente, cabe observar que o presente lançamento refere-se exclusivamente a contribuições previdenciárias, incidentes sobre as verbas pagas a título de ABONO UNICO e, conforme consta do Relatório Fiscal, a matéria está sendo discutida judicialmente, por intermédio da Ação Ordinária n° 2003.34.00.036495-1, pendente de julgamento da apelação no Tribunal Regional Federal da 1”. Região, sendo lavrado o lançamento a fim de prevenir a decadência. Em consulta ao endereço eletrônico do Tribunal Regional Federal, fls. 352/354, constata-se que a referida ação ainda não transitou em julgado. Em que pese o direito de a empresa recorrer à via judicial, cabe observar que a fiscalização não fica impedida de proceder ao lançamento. Ao teor do parágrafo único do art. 142 do CTN, o lançamento é atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa que, tendo conhecimento da ocorrência do fato gerador do tributo, não 0 constituir em tempo hábil. Esse entendimento não se constitui em ofensa ao Poder Judiciário ou às suas decisões, mas cumprimento de ato vinculado, legalmente previsto. As hipóteses elencadas no artigo 151 do CTN se referem à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Assim, o que se impede é que sejam executados, pelo sujeito Fl. 453DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 ativo, os atos executórios (de cobrança) do crédito, enquanto sua exigibilidade encontra-se suspensa, mas não está impedido de proceder ao lançamento. Pondere-se que, como o lançamento visa a resguardar o crédito tributário, se não for efetuado no curso do prazo decadencial, não poderá mais ser lavrado, ainda que o Fisco obtenha decisão judicial definitiva favorável, visto que o crédito estará fulminado pela decadência, forma de extinção do crédito tributário, prevista no artigo 156, inciso V, do CTN, cujo prazo não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial. Somente não será efetuado o lançamento se o sujeito passivo estiver amparado por medida judicial impedindo o início do procedimento fiscal ou o próprio lançamento, situação em que a fiscalização deverá se abster de lançar até que seja cassada ou revogada a medida. Não há nos autos qualquer decisão com esse teor, aliás, nem poderia, em face do princípio constitucional da separação dos poderes. A Impugnante sustenta a não incidência de contribuições sobre o referido abono único, em face da ausência de hipótese de incidência das contribuições previdenciárias, cujo fundamento para o seu entendimento declara que foi “demonstrado, exaustivamente, na ação ordinária n° 2003.34.00.036495-1.” A conclusão que se impõe é que a propositura de ação judicial, com o mesmo objeto, implica renúncia à instância administrativa. Logo, a autoridade administrativa julgadora fica impedida de apreciar a mesma matéria. => quanto à necessidade do REPLEG para fins de execução fiscal, esclarece a DRJ que o Auto de Infração não foi lavrado contra as pessoas físicas representantes legais do sujeito passivo constantes do REPLEG, mas contra a pessoa jurídica HSBC Bank Brasil S.A. - Banco Múltiplo. Como asseverado no Relatório Fiscal e no próprio REPLEG, o relatório tão- somente “lista todas as pessoas fisicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação”. A finalidade é atender às disposições da Lei n° 6.830, de 1980 (Lei de Execuções Fiscais), não interferindo na constituição do crédito pelo lançamento, o qual foi realizado contra o sujeito passivo da obrigação tributaria. Não há, no momento, cobrança administrativa dos representantes legais. A inclusão dos representantes legais no REPLEG não implica em inclusão imediata no polo passivo do débito. Apenas servirá como subsidio à Procuradoria para o caso de haver, futuramente, a constatação de motivos que tomem necessário (e juridicamente possível) o redirecionamento de eventual execução judicial do crédito, nos termo do § 3° do art. 4° da Lei n°. 6.830, de 1980. Assim, a responsabilização dos administradores, se ocorrer, será feita em sede de execução fiscal, quando poderão os executados discutir amplamente a sua exclusão do polo passivo da relação processual. Diante de todo o exposto, no momento não se pode falar em corresponsabilidade das pessoas físicas representantes legais da empresa pelo crédito constituído, inexistindo arbitrariedade ou ilegalidade e, por conseguinte, resta prejudicado o pedido de exclusão dos representantes legais do pólo passivo da presente autuação fiscal. => quanto ao cabimento de Representação Fiscal para Fins Penais, em que pese o desconforto da Impugnante, a RFFP - não representa uma mera discricionariedade da autoridade Fl. 454DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 fiscal, mas uma obrigação prevista na legislação tributaria. Não se trata de crimes contra a ordem tributária previstos no art. 1° da Lei n° 8.137, de 1990, a atrair a mencionada decisão do Supremo Tribunal Federal, como aduz a Impugnante, mas de crime previsto na Lei n°. 9.983, de 2000, que inseriu o ilícito tipificado no inciso III do art. 337-A no Código Penal. Dessa forma, considerando que a obrigação de efetuar a RFFP se encontra prevista na legislação, tem-se por correto o procedimento adotado pela fiscalização. Esclareça-se que se houve ou não crime, em face da suspensão de exigibilidade, como alegado pela Impugnante, não compete a este órgão administrativo determinar. A autoridade lançadora não concluiu pela ocorrência inequívoca do crime, apenas sustentou a configuração, em tese, justificando a formalização da RFFP ao Ministério Público Federal. Logo, compete ao Ministério Público Federal, diante da RFFP e da eventual investigação criminal, provocar o Poder Judiciário, oferecendo a denúncia, para que na persecução penal seja proferida a devida decisão sobre a ocorrência ou não do crime, oportunidade em que a Impugnante poderá exercer o contraditório e ampla defesa em relação à matéria penal. Assim que o contencioso administrativo fica adstrito ao julgamento do Auto de Infração lavrado para constituição do crédito tributário, sendo foro incompetente para tratar de matéria penal, não podendo também sobrestar o encaminhamento da RFFP ao Ministério Público, em conformidade com a legislação. => quanto à legalidade da multa pelo decurso do tempo e da taxa SELIC, lastreiam-se especialmente no artigo 13 da Lei n° 9.065, de 1995 e artigo 34 da Lei n° 8.212, de 1991. A fundamentação consta do item “Acréscimos Legais - Juros” do relatório Fundamentos Legais do Débito, sendo explicitado que a taxa de juros aplicada é a “Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC. A luz das normas legais, é perfeitamente legitima a aplicação dó juros com base na taxa SELIC sobre os créditos previdenciários no período da autuação sob análise, pois o comando da norma ostenta redação singela e objetiva quanto ao seu alcance e finalidade. Do mesmo modo, a multa de mora pelo recolhimento em atraso de contribuições decorre de imposição legal, especificamente do artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991 (na redação dada pelas Leis n°5. 9.528, de 1997 e 9.876, de 1999). O relatório Fundamentos Legais do Débito - FLD -, em especial no item “Acréscimos Legais - Multa”, indica expressamente o percentual da multa de mora aplicável, conforme a fase em que se encontra o débito. A multa de mora decorre do prejuízo suportado pelo sujeito ativo, em virtude do atraso do pagamento daquilo que era devido, incidindo de forma proporcional ao atraso no recolhimento, o que é um critério razoável. Logo, a multa contra a qual se insurge foi estabelecida em disposição legal, que expressamente prevê que será proporcional ao atraso no recolhimento das contribuições. Frise-se que os artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 1991 determinam o caráter dos juros e da multa de mora, respectivamente, ou seja, há imposição legal de ordem pública para a aplicação dos juros e da multa de mora. Portanto, como são fixados por lei ordinária, a qual expressamente declara o caráter inegociável, não pode a fiscalização se furtar de sua obrigação de aplicar a lei, já que tal ato da Administração é plenamente vinculado à norma, não havendo como dispensa-los ou reduzi-los sem permissivo legal para tanto. Fl. 455DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 Sobre as bases de cálculo incidiram as alíquotas para apuração das contribuições devidas, como consta do Relatório Discriminativo Analítico de Débito - DAD -, as quais foram devidamente acrescidas de juros e multa de mora pelo atraso no recolhimento, cujos valores estão demonstrados, por competência, no Relatório Discriminativo Sintético de Débito - DSD. Como demonstrado, a incidência dos juros e multa têm supedâneo legal, não merecendo reparos. => quanto à inclusão de juros e multa de mora no lançamento com exigibilidade suspensa, foram aplicados em conformidade com a legislação especifica constante do relatório de Fundamentos Legais do Débito - FLD -, vigente à época. Contudo, a Impugnante também questiona a sua inexigibilidade, diante da suspensão da exigibilidade pela concessão de tutela antecipada e do depósito judicial, fls. 344/347. Registre-se que a Guia de Depósito Judicial juntada aos autos, fls. 344, é impertinente, eis que se refere ao processo n° 2005.34.00.032145-6. Tratando-se, na espécie, de lançamento destinado a resguardar o crédito dos efeitos da decadência, justifica-se acautelar com o registro dos juros e multa de mora no Auto de Infração, ainda que haja depósito judicial ou liminar, visto que é indisponível o interesse público subjacente à controvérsia. Pondere-se que toda discussão em tomo da incidência de acréscimos legais perde 0 seu objeto se o provimento judicial final for favorável ao contribuinte, pois, uma vez inexigível a obrigação principal, prejudicada estará a cobrança das parcelas acessórias. Impende esclarecer que não se está a exigir o imediato recolhimento das contribuições apuradas e tampouco os acréscimos de juros e multa de mora. Como bem demonstrado no Relatório Fiscal, o crédito em questão foi lançado para se evitar a decadência, uma vez que esperar o trânsito em julgado da ação judicial poderia acarretar ao Fisco a perda do direito de lançar o crédito tributário. De qualquer modo, enquanto suspensa a exigibilidade do crédito por qualquer das modalidades, não se praticará, contra o sujeito passivo, atos de natureza constritiva, expropriatória ou assemelhados, ainda que esgotada a fase administrativa. Enfim, correto está o lançamento fiscal com a aplicação da multa e dos juros moratórios, eis que estes decorrem de previsão expressa dos artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação vigente à época do lançamento, e não serão exigidos enquanto o crédito tributário estiver com a exigibilidade suspensa. Com relação às alterações introduzidas na multa pela Medida Provisória n° 449, de 2008, a qual prevê a multa de oficio, cumpre perquirir sobre a aplicação de penalidade mais benéfica, nos tennos do art. 106, inciso II, alínea “c", do CTN. Na sistemática anterior à Medida Provisória n° 449, de 2008, o descumprimento da obrigação principal implicava a multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, cuja definição do percentual aplicável vinculava-se ao momento do pagamento. Por outro lado, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, sofre reduções, conforme o momento da quitação. Portanto, a fixação do efetivo valor devido a título de multa por descumprimento da obrigação principal, seja antes ou depois da vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, depende de ato do contribuinte (pagamento). Fl. 456DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 Dessa forma, tem-se que a verificação de qual sistemática de aplicação da penalidade é mais benéfica ao sujeito passivo só poderá ser efetuada pela autoridade perante quem efetivamente a quitação do crédito venha a ser postulada (autoridade que emite a guia de pagamento, com código de pagamento específico e vinculado ao DEBCAD). => quanto à apreciaçao de ilegalidade e inconstitucionalidade no âmbito administrativo, incumbe exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão de questões referentes à constitucionalidade de lei ou ato normativo. Uma vez demonstrado que o lançamento está fundamentado na legislação aplicável e em plena vigência, ao agente público, por estar atrelado ao princípio da legalidade, resta o dever de seguir e aplicar os mandamentos impostos pela lei (entendida em seu sentido lato) quando estiverem em plena vigência, não podendo dela se afastar, sob pena de ser responsabilizado por esse ato. Infere-se que é expressamente vedado afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de lei, decreto ou ato normativo no presente julgamento administrativo. Isso posto, voto por julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito exigido. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que deve ser cancelado o lançamento fiscal pelos motivos já explicitados. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Concomitância processo administrativo e judicial Conforme documentos acostados aos autos, verifica-se a existência de ação judicial na qual a Recorrente discute a incidência de contribuições previdenciárias sobre o abono único aprovado em Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004. O Ato Declaratório nº 16/2011, com fundamento no Parecer PGFN nº 2.114/2011, declarou a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. Fl. 457DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 Vê-se, portanto, que o caso sob análise, enquadra-se perfeitamente nas condições elencadas pelo Ato Declaratório PGFN nº 16/2011. Seria o caso, pois, de dar provimento ao Recurso neste ponto. No entanto, devido ao fato de ter discutido o mesmo mérito judicialmente, é imperioso observar e aplicar a Sumula CARF n1, a qual estabelece que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sendo assim, não conheço da matéria. Estendo o não conhecimento das matérias relativas a arguições de inconstitucionalidade de acordo com a Súmula CARF nº 2, a qual estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dos juros e da multa de mora No que se refere a aplicação da multa e Selic, vale frisar logo de início que aos tributos federais, a partir de 1º de janeiro de 1996, a taxa SELIC passou a ser o índice de juros e correção monetária a ser aplicado desde o pagamento indevido, por força do art. 39, § 4º, da Lei9.250/95. Vale dizer, para os tributos federais deve ser aplicada a taxa Selic (instituída pela Lei nº 9.250/95) e não mais o regramento previsto no Código Tributário Nacional, haja vista que ele próprio abre espaço para que cada ente da federação legisle de forma distinta quanto aos seus tributos. O termo inicial da fluência tanto da correção monetária quanto dos juros de mora, nos tributos federais, após 1º de janeiro de 1996, será a data do recolhimento indevido. A Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Vejamos: Súmula nº 4 - CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. No que tange à multa, em que pese não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Fl. 458DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 Apenas a título de ratificação, o STJ já se manifestou diversas vezes no sentido de que é legal o arbitramento realizado pelo Fisco, quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis a afastar a infração. A multa de oficio de 75% não se confunde com a multa de mora. Esta decorre do não pagamento no prazo do tributo. A multa de oficio é aplicada quando, em decorrência de fiscalização, é lavrado auto de infração, apurado o quantum devido e efetuado o lançamento de oficio. Inteligência do art. 44 , da Lei nº 9.430 /96. Ademais, conforme determinado no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, de 27/12/96, nos lançamentos de oficio serão aplicadas as multas de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, quando das ocorrências de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, no que tange à multa de 75%, em face do lançamento de oficio, a respectiva penalidade não pode ser reduzida nem dispensada, pois foi expressamente determinada pela legislação de regência. Vale trazer a baila a súmula CARF n.º 108, in verbis: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Neste ponto, pois, nego provimento ao Recurso e entendo que não há discussão sobre a aplicabilidade dos juros e multa. Assim, voto por não conhecer do Recurso no que se refere às arguições de inconstitucionalidade, bem como a questão de mérito do abono único, tendo em vista a concomitância de ação judicial e administrativa. Na parte conhecida, nego provimento ao Recurso voluntario para manter o juros e a multa, por dever à aplicação da Sumula Carf n 4. Merece salientar que esta relatora destaca que, quando da aplicação desta decisão, é fulcral que se rememore que a parcela lançada pela fiscalização, Abono Único, não está mais na composição da base de calculo da contribuição previdenciária segundo entendimento da própria PGFN conforme acima mencionado. Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso no que se refere às arguições de inconstitucionalidade, bem como a questão de mérito do abono único, tendo em vista a concomitância de ação judicial e administrativa. Na parte conhecida, nego provimento ao Recurso voluntario para manter o juros e a multa, por dever à aplicação da Sumula Carf n 4. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria concomitante com ação judicial e das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, negar-lhe provimento (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 459DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-009.426 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12268.000542/2008-96 Fl. 460DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11060.900764/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.429
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a DRF de origem possa aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PARA REVENDA. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente DONA FRANCISCA ENERGÉTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a DRF de origem possa aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .9 00 76 4/ 20 13 -3 1 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11060.900764/201331 Resolução nº 3301000.429 S3C3T1 Fl. 3 2 Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei nº 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei nº 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, a empresa apurou PIS e COFINS sem o abatimento dos créditos referentes à aquisição de energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiram PIS e COFINS passíveis de creditamento. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11060.900764/201331 Resolução nº 3301000.429 S3C3T1 Fl. 4 3 · Após a reapuração, os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 07037.023. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e de direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.402, de 28 de junho de 2017, proferida no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.402): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11060.900764/201331 Resolução nº 3301000.429 S3C3T1 Fl. 5 4 No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois os outros 33 processos listados são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, dos art. 3º, I das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, isso porque a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria. Por outro lado, a Receita Federal do Brasil manifestouse sobre a possibilidade de crédito da energia elétrica posteriormente distribuída aos consumidores finais, tratandoa como insumo, nos termos do art. 3º, II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Observese o teor da Solução de Consulta Interna nº 3 da COSIT, datada de 23/03/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. PERDAS DE ENERGIA ELÉTRICA. ESTORNO DO CRÉDITO. As distribuidoras de energia elétrica, no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, podem apurar créditos calculados sobre o valor da energia elétrica adquirida no mês para distribuição a seus clientes. A energia elétrica correspondente às perdas técnicas, assim entendidas as perdas de energia elétrica inerentes ao transporte de energia na rede, mantém a característica de insumo aplicado no serviço de distribuição de energia elétrica. Portanto, as distribuidoras não precisam estornar do crédito a parcela correspondente aos valores das perdas técnicas de energia elétrica, desde que essas perdas estejam regularmente discriminadas e dentro do limite de razoabilidade. Entretanto, as distribuidoras de energia elétrica devem estornar dos créditos a parcela relativa às perdas de energia elétrica que excederem as perdas técnicas (perdas não técnicas), independentemente do motivo que tenha causado essas perdas (furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, etc.). Dispositivos Legais: art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002; art. 3º, § 13, c/c art. 15, II, da Lei nº 10.833, de 2003; § 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002; § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11060.900764/201331 Resolução nº 3301000.429 S3C3T1 Fl. 6 5 (...) 2. De acordo com a consulente, e seguindo entendimento expresso na Solução de Consulta Cosit nº 27, de 9 de setembro de 2008, “a atividade de distribuição de energia elétrica pode ser entendida como prestação de serviços”. Desse modo, no regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as distribuidoras de energia elétrica podem apurar créditos em relação à energia elétrica adquirida para distribuição aos seus clientes, por força do a art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que garante a apuração de créditos calculados em relação aos bens utilizados como insumo na prestação de serviços. (...) 12. Dessa forma, a energia elétrica adquirida para revenda aos consumidores finais é considerada insumo do serviço prestado pelas distribuidoras e enseja o direito de crédito da pessoa jurídica na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS e COFINS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Ressaltese que sobre a possibilidade e legitimidade do crédito da Recorrente, a DRJ deveria ter se manifestado e não o fez. Ônus da prova – recolhimento indevido A restituição ou compensação demanda suporte documental mínimo comprobatório dos direitos creditórios requeridos, para atestar a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte, nos termos do art. 170 do CTN. Dessa forma, o contribuinte deve comprovar a efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais foram realizados os recolhimentos a maior. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito (art. 373, CPC/2015), dessa forma, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao ressarcimento. Este caso tratase de pedido de iniciativa do próprio contribuinte (ressarcimento), para o qual, necessariamente, o mesmo deve possuir e apresentar as provas correspondentes. Assim, o momento oportuno para apresentação de provas é a impugnação. A prova a favor do contribuinte perante o Fisco, quanto à existência de direito pretendido, deve estar calcada em documentos fiscais hábeis e idôneos. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11060.900764/201331 Resolução nº 3301000.429 S3C3T1 Fl. 7 6 Na manifestação de inconformidade entregue, a empresa interessada apontou o suporte do direito creditório oponível ao Fisco. Então, cabe ao Fisco fazer a confrontação dos dados/elementos apresentados. A liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através do DARF, da comprovação das bases de cálculo sobre as quais incidiram o tributo e, através de outros documentos. Nestes autos, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado. Importante apontar que a contribuinte anexou à sua impugnação os seguintes documentos: Estatuto Social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, pelo qual revendeu energia adquirida por meio de Nota Fiscal acostada, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS e COFINS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexa: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 O Relatório CEEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e, 3 As notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da Nota Fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a energia adquirida através da Nota Fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Diante disso, restou demonstrado que a interessada não se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do PAF. Entretanto, não foi analisada a legitimidade de seu crédito. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11060.900764/201331 Resolução nº 3301000.429 S3C3T1 Fl. 8 7 Fundamentação do acórdão da DRJ A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Confirase os argumentos do voto condutor: 1 – Da DCTF não retificada antes da transmissão da Dcomp: (...) Em análise aos autos, podese dizer que não se pode acatar o pleito da interessada. Explicase. Com efeito, do ponto de vista estrito das regras que disciplinam a compensação tributária, temse que a apresentação da Dcomp produz um efeito principal: extingue o crédito tributário, mesmo que sob a condição resolutória de eventual homologação expressa posterior por parte da Fazenda Nacional. Assim, ou à época da apresentação da Dcomp o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pelo sujeito passivo tem existência devidamente evidenciada nos termos da legislação tributária, ou não há como homologála. No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da Dcomp (em 30 de janeiro de 2013), não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF foi correta. Ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF (em 05 de setembro de 2013), esta não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp pois, como se viu, a existência do indébito só se aperfeiçoou bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da Dcomp serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. Em vista disso, não houve análise meritória sobre o crédito da revenda de energia elétrica: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei. Assim, a retificação efetuada pode produzir efeitos em relação a Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11060.900764/201331 Resolução nº 3301000.429 S3C3T1 Fl. 9 8 Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. De se dizer que débitos anteriores, não adimplidos no prazo legal, podem ser incluídos em Dcomp, mas neste caso, por óbvio, tais débitos deverão ser declarados com a devida adição da multa e dos juros de mora legalmente previstos (aliás, está aqui mais uma razão para a impossibilidade de validação retroativa da compensação: como só posteriormente à data de vencimento do tributo e à data de prolação do Despacho Decisório é que houvesse retificação da DCTF, estarseia permitindo, com a validação retroativa, o adimplemento a destempo da obrigação tributária, sem o acréscimo da penalidade e encargos legais previstos). Notese, além do exposto, que somente após a ciência, por edital, do Despacho Decisório é que a contribuinte retificou a DCTF. (...) Mas isto, à evidência, não se aplica à presente situação, pois nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar a compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da Dcomp, retifica regularmente a DCTF. Não há, portanto, como acatar as razões da contribuinte, devendo a não homologação da compensação ser mantida, nos termos do Despacho Decisório. Entendo que assiste razão à Recorrente quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. O indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Logo, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove documentalmente o seu crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Precedente. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11060.900764/201331 Resolução nº 3301000.429 S3C3T1 Fl. 10 9 Recurso provido. 3802003.956, 2ª Turma Especial: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO DEVIDAMENTE EFETUADA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, sempre que apresentada prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Direito de crédito comprovado. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11060.900764/201331 Resolução nº 3301000.429 S3C3T1 Fl. 11 10 PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Por conseguinte, considerando que o acórdão recorrido manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp, entendo que é direito do contribuinte ter seu direito creditório analisado, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado. Conclusão Por todo o exposto, é necessária a realização de diligência para que a autoridade fiscal proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Assim, solicitase à unidade de origem: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11060.900764/201331 Resolução nº 3301000.429 S3C3T1 Fl. 12 11 a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Esclarecer se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dar vista à empresa recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência à unidade de origem para: a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Esclarecer se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dar vista à empresa recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 246DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.721768/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra os contribuintes José William Gonçalves e outro (João Gonçalves, CPF: 036.593.30825) foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, para o exercício de 2004, sobre o imóvel denominado Fazenda Majuvi I, localizado no Município de São José do Rio Claro/MT, com cadastro na RFB nº 6.749.5621. Está em exigência o valor de R$ 217.124,17, acrescido de multa proporcional de 75% e juros de mora, com base na taxa Selic. Na descrição dos fatos, narra a Autoridade Fiscal competente que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .7 21 76 8/ 20 09 -1 0 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.721768/200910 Resolução nº 2202000.709 S2C2T2 Fl. 110 2 1 A DITR/2004 que foi revisada de ofício fora entregue em nome de ARMANDO SANTOS DE ALMEIDA que, intimado pela fiscalização, alegou que o domínio útil e a posse do imóvel haviam sido passados, em 1992, a JOÃO GONÇALVES e JOSÉ WILLIAN GONÇALVES. Apresentou declaração firmada pelos dois (fl. 20). Esclareceu ainda ARMANDO que a propriedade do imóvel fora transferida às filhas de JOÃO GONÇALVES por escritura pública lavrada em 03/05/2006 (fl. 22); 2 Argumentou o Auditor Fiscal que a propriedade só se transfere com o registro do título translativo no Cartório competente. Entretanto, considerando que JOÃO GONÇALVES e JOSÉ WILLIAN GONÇALVES firmaram declaração afirmando ter a posse e o domínio útil desde 1992, ambos são contribuintes do ITR. 3 Intimados os contribuintes assim identificados a comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado, e não apresentando qualquer documento, o valor foi arbitrado com base no sistema SIPT (sistema de preços de terras da Receita Federal), cuja tela informativa encontrase acostada aos autos (fl. 07) e contém as informações por aptidão agrícola para tipos diferentes de terra, com base em dados oriundos da Prefeitura Municipal de São José do Rio Claro/MT. Os enquadramentos legais, cálculos e valores estão indicados na Notificação. Apenas o contribuinte JOSÉ WILLIAM GONÇALVES manifestouse, em impugnação, alegando em suma que desde 1993 havia transferido a posse e o domínio de sua parte do imóvel a seu irmão, JOÃO GONÇALVES (declaração na fl. 45). Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ em Campo Grande/MS entendeu, em resumo, pela existência de um "condomínio" entre os dois irmãos, e que o lançamento estava correto, podendo ser exigido o imposto de qualquer um deles, pelo princípio da solidariedade. Disse que a intimação de um dos condôminos alcança os demais. Disse ainda que o arbitramento do VTN fora matéria não impugnada. Decidiuse manter o lançamento efetuado. Intimado dessa decisão em 24/02/2012 (AR na folha 69), o contribuinte JOSÉ WILLIAM GONÇALVES apresentou recurso voluntário em 16/03/2012, com protocolo na folha 71. Em sede de recurso, questiona mais uma vez a legitimidade passiva. Diz que nos autos constam duas declarações, uma de interesse de ARMANDO, onde JOSÉ WILLIAM e JOÃO GONÇALVES dizem que adquiriram a posse e o domínio útil do imóvel em 1992 e que foi aceita pela Autoridade Fiscal; outra de interesse dele, JOSÉ WILLIAM, onde seu irmão, JOÃO GONÇALVES disse que adquiriu sua parte em 1993, passando a ser o único senhor do imóvel. Questiona por que a primeira foi considerada e a segunda não, para fins de definir o sujeito passivo da obrigação tributária. Destaca ainda que o fato de as filhas de JOÃO GONÇALVES terem sido outorgadas como proprietárias por escritura pública, em 2006, comprova que aquele era o real detentor do domínio desde 1993. PEDE que seja provido seu recurso para que seja excluído da relação tributária. Posteriormente, com base no estatuto do idoso, pediu prioridade na tramitação de seu recurso. É o Relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.721768/200910 Resolução nº 2202000.709 S2C2T2 Fl. 111 3 Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). PRELIMINAR PRELIMINAR DE MÉRITO. DECADÊNCIA. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, este CARF tem se posicionado na esteira do Recurso Especial nº 973.733/SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC revogado e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.721768/200910 Resolução nº 2202000.709 S2C2T2 Fl. 112 4 de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).(sublinhei) Não desconheço que haja na doutrina e mesmo na jurisprudência seguinte discussão: o que o Fisco homologa é o pagamento ou a atividade de apuração realizada pelo contribuinte? Hugo de Brito Machado, dentre outros, defende que seja o procedimento de apuração do tributo devido. (MACHADO, Hugo de Brito, citado em PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1064). Contudo, a tese do Recurso Especial repetitivo, do STJ, é expressa em sua ementa, acima transcrita, em abraçar que a homologação do Fisco é sobre o "pagamento antecipado" da exação, pelo contribuinte, citando Eurico de Santi. Chegase à seguinte fórmula: o prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I, do CTN), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, inexistindo declaração prévia do débito, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em conclusão, para se aplicar a tese do recurso especial repetitivo em comento, conforme expresso em sua ementa, é necessário que se verifique se efetivamente o contribuinte realizou o pagamento do tributo declarado como devido, no prazo determinado, ou seja, "antecipadamente". As teses dos recursos especiais repetitivos do STJ são de reprodução obrigatória nestes julgamentos administrativos, por força de disposição regimental, conforme artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Observo que a DITR relativa ao exercício de 2004, cuja cópia consta da folha 08 e seguintes foi entregue em 15 de dezembro de 2005 (fl. 13 retificadora), apurando um imposto a pagar de R$ 10,00. Se o contribuinte efetivamente efetuou o recolhimento dos R$ 10,00, ou seja, antecipou o pagamento do imposto apurado, na sistemática do lançamento por homologação, o prazo decadencial contase de acordo com o § 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, que para o ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano. Para o exercício de 2004, ocorrido o fato gerador em 1º de janeiro, o prazo decadencial expirouse em 1º de janeiro de 2009 e este lançamento, efetuado em 30/11/2009 (fl. 02) estaria fulminado. Entretanto, se não houve antecipação do pagamento (não localizo a informação nos presentes autos) o prazo decadencial deve ser contado na forma do artigo 173, I, do CTN, começando a fluir em 1º de janeiro de 2005, no caso, e o lançamento na data supracitada estaria correto. Assim, VOTO, primeiramente, pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade preparadora informe se houve o regular pagamento antecipado ou não. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.721768/200910 Resolução nº 2202000.709 S2C2T2 Fl. 113 5 MÉRITO Caso superada a questão da decadência, necessário resolver sobre a sujeição passiva, uma vez que não existe nestes autos, como já destacou a DRJ, discussão sobre o VTN arbitrado (artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). O imóvel, até 03 maio de 2006, permanecia registrado publicamente em nome de Armando Santos de Almeida. Somente nessa data é que se providenciou a Escritura Pública de Compra e Venda, onde Armando outorgouo diretamente às quatro filhas de João Gonçalves, conforme documento de folha 22 e informações que constam destes autos. Assim, a DITR de 2004, imposto cujo fato gerador ocorre em 1º de janeiro de cada ano, fora entregue em nome de Armando Santos de Almeida (cópia na folha 08 e seguintes). Ao iniciar o procedimento de ofício de revisão da declaração, o Auditor Fiscal intimou Armando Santos de Almeida, que respondeu ter passado a posse e o domínio a José William e João Gonçalves desde 1992, apresentando a declaração de folha 20, assinada por ambos em 26 de maio de 2009, com registro em Cartório, na mesma data. O Auditor acatou essa declaração e redirecionou o procedimento fiscal para os dois declarantes, intimandoos. O Termo encaminhado a João Gonçalves, datado de 01/06/2009, consta da folha 26. Entretanto, a "consulta postagem" na folha 28 informa que o documento foi devolvido ao remetente em 15/06/2009. Não verifico que João Gonçalves tenha sido intimado deste procedimento fiscal. O Termo encaminhado a José William, lavrado em 24/08/2009, consta da folha 29 e existe a informação de recebimento em 27/08/2009 na "consulta postagem" da folha 31. Assim sendo, apenas José William foi regularmente intimado da exigência de comprovação do valor da terra nua declarado e da necessidade de confirmálo com a apresentação de laudo técnico de avaliação. Também, pelo que verifico nestes autos, somente José William foi intimado da Notificação de Lançamento, em 08/12/2009, conforme informação na folha 33. Na intimação, é fato, consta seu nome "e outros", mas a mesma não foi encaminhada também para o endereço do "outro", em caso. Dessa feita, somente José William veio aos autos para impugnar e recorrer, apresentando em seu favor, basicamente, a declaração de folha 45, que contém as mesmas informações daquela anteriormente mencionada, apresentada por Armando Santos de Almeida, como se pode observar. Tal declaração foi firmada em 25 de maio de 2009 e registrada em cartório em 09 de dezembro de 2009, ou seja, após José William ser intimado da Notificação de Lançamento. A DRJ tratou dessa aparente "estranheza da ordem cronológica dos fatos", e entendeu que "ficou confirmado o condomínio quanto á utilidade e posse do imóvel" (fl. 61). Mas entendo que assiste razão ao contribuinte recorrente quando questiona por que uma declaração, em favor de Armando Santos de Almeida fora aceita para "caracterizar o Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.721768/200910 Resolução nº 2202000.709 S2C2T2 Fl. 114 6 condomínio" e outra, em favor de José William, com o mesmo teor, não foi aceita para excluí lo do pólo passivo, mantendo apenas seu irmão João Gonçalves. No direito tributário toda dívida será solidária desde que alcance interesse comum; presumese a solidariedade, caso a lei silencie. Interesse comum, entretanto, é quando há mais de uma pessoa ocupando o mesmo pólo de uma relação jurídica. É o que ocorre na co propriedade: quando houver mais de um proprietário, haverá interesse comum. Não constituem "interesse comum", de outro lado, as posições antagônicas em um contrato, por exemplo, entre vendedor e comprador ou alienante e adquirente. Aqui, a declaração de folha 45, que entendo possuir as mesmas características daquela de folha 20, não pode ser desconsiderada, afirma que João Gonçalves adquiriu de José Gonçalves a integralidade do domínio útil e posse dos imóveis rurais que descreve, que são o objeto desta lide, desde 1993. Ora, se o primeiro adquiriu do segundo o domínio útil e a posse em 1993, pelos mesmos motivos declinados pela Autoridade Fiscal na Notificação de Lançamento, não seria contribuinte do ITR em 2004. Observo que, de fato, ao ser escriturada a transferência da propriedade, somente em 2006, foi feito diretamente de Armando Santos de Almeida às filhas de João Gonçalves, em nada, aparentemente, beneficiandose José William Gonçalves (fl. 17). Ressalto que o lançamento foi efetuado sobre José William Gonçalves e outro, e que o artigo 124 do CTN, ao tratar de solidariedade, diz que nesse caso não existe benefício de ordem e que o Fisco pode exigir a obrigação in totum de qualquer um dos coobrigados. Destaco, de outro lado, que a existência dessa declaração entre os irmãos não era de conhecimento da Autoridade Fiscal ao efetuar a Notificação de Lançamento, sendo a mesma apresentada somente por ocasião da Impugnação. Enfim, não se pode afirmar que existe um "vício" no lançamento, mas que informações trazidas pelo sujeito passivo, após a formalização do mesmo, indicam pelo redirecionamento da exigência para pessoa diversa. Tal sujeito passivo, entretanto, não foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal, muito menos da Notificação de Lançamento. Assim, VOTO pela conversão do julgamento em diligência a fim de que: a) a Unidade preparadora verifique se houve a antecipação do tributo devido, conforme declarado, para o exercício de 2004, a fim de se estabelecer a contagem do prazo decadencial, nos termos aqui especificados; b) Seja intimado o sujeito passivo João Gonçalves, CPF: 036.593.30825 sobre a declaração de folha 45 (enviar cópia) para, querendo, manifestarse sobre os termos da mesma. c) A Unidade preparadora se manifeste em relação ao resultado da diligência, elaborando relatório conclusivo. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.721768/200910 Resolução nº 2202000.709 S2C2T2 Fl. 115 7 d) Seja intimado o contribuinte José William Gonçalves, CPF: 036.593.48872, dos termos desta Resolução e do resultado da diligência para, querendo, manifestarse no prazo legal. Após, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10073.721093/2015-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 73 .7 21 09 3/ 20 15 -0 2 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.721093/201502 Resolução nº 2202000.712 S2C2T2 Fl. 80 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de fl. 03 na qual é cobrado, relativamente ao anocalendário de 2012, exercício 2013, imposto de renda suplementar acrescidos de multa e juros no valor total de R$ 30.278,01. Segundo a descrição dos fatos e o enquadramento legal (fl. 04), o lançamento de ofício decorre das seguintes infrações: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, no valor de R$ 35.014,17 e omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarante com 65 anos ou mais no valor de R$ 21.211,93. O Contribuinte apresentou impugnação alegando, em resumo, que parte dos rendimentos é relativa à isenção dos proventos de aposentadoria recebidos por maiores de 65 anos e, além disso, é portador de moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2013 ISENÇÃO. VALORES RECEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. São isentos de tributação apenas os rendimentos relativos à aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. ISENÇÃO PARA PENSÃO DE MAIORES DE 65 ANOS. São isentos os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor R$ 1.637,11, para o anocalendário de 2012, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto. A conclusão da DRJ foi no seguinte sentido: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.721093/201502 Resolução nº 2202000.712 S2C2T2 Fl. 81 3 No presente caso, repito, como podemos constatar que as três fontes pagadoras informaram a parcela de isenção para maiores de 65 anos de idade em suas DIRFs e que o impugnante informou essas parcelas em sua Declaração de Anual de Ajuste o que só poderia fazer uma única vez, conforme legislação já citada anteriormente. Também não foi anexado ao processo laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios comprovando que a partir do anocalendário de 2012 o impugnante era portador de doença grave, tendo assim a isenção total dos rendimentos obtidos a partir do anocalendário de 2012. Não restou comprovado os argumentos de sua impugnação. Cientificado dessa decisão em 20/10/2015, por via postal (A.R. de fl. 90), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 04/11/2015 (fls. 74 a 76), na qual anexa cópia de um laudo pericial (fl. 76). É o relatório. VOTO Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10073.721093/201502 Resolução nº 2202000.712 S2C2T2 Fl. 82 4 doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Por ocasião do seu Recurso Voluntário (fls. 74 a 76), o Contribuinte apresentou cópia de um laudo pericial (fl. 76), o qual se encontra ilegível, não permitindo que se chegue a uma conclusão sobre a moléstia acometida pelo paciente nem a data em que foi contraída. Dessa forma, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de o julgamento ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1) anexe aos autos cópia legível e autenticada do laudo apresentado pelo Contribuinte à fl. 76, podendo intimálo caso seja necessário; 2) dê vista ao Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar sobre a diligência. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinatura digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 12448.738647/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3401-002.352
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Luís Felipe de Barros Reche, que negavam provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.341, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 12448.724179/2012-66, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: RAFAELLA DUTRA MARTINS
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Luís Felipe de Barros Reche, que negavam provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.341, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 12448.724179/2012-66, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
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Vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Luís Felipe de Barros Reche, que negavam provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3401-002.341, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 12448.724179/2012-66, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Restituição apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de PIS/Cofins retido na fonte. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 38 64 7/ 20 11 -0 7 Fl. 2434DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.352 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.738647/2011-07 - autoridade fiscal concluiu não haver qualquer valor residual de Pis ou de Cofins retido na fonte, que não tenha sido aproveitado como dedução no período de apuração, tendo em vista não haver consistência nas informações apresentadas pelo contribuinte e, consequentemente, certeza e liquidez do crédito pleiteado para a restituição, conforme exposto no relatório deste acórdão. - só é passível de aferição o crédito em relação ao qual o contribuinte define, com clareza, a natureza da operação que o originou; - em se tratando de pedido de ressarcimento/compensação/restituição formulado pela contribuinte, cabe a ela conservar os documentos necessários à comprovação do direito pleiteado; - embora o contribuinte tenha mencionado que iria apresentar provas, as mesmas não acompanharam a manifestação. Sendo que a manifestação de inconformidade é o momento para apresentação das provas, conforme se constata da leitura do Decreto nº 70.235, de 1972, a respeito do assunto; - para provar o direito creditório que julga ter, o contribuinte protesta pela realização de diligências e/ou perícia em seus documentos fiscais. Ocorre, entretanto, que não é este o caso que aqui se tem, pois não há dúvidas em relação aos fatos colocados no Despacho Decisório, fatos que foram apurados a partir dos elementos presentes nos autos. Outrossim, como já mencionado, intimado o contribuinte não apresentou provas e, também, não o fez com a manifestação. Cientificado do acórdão recorrido, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo a integral restituição/homologação da compensação, aduzindo os seguintes argumentos, em síntese: Preliminarmente, a nulidade do acórdão de 1ª instância, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, em razão do indeferimento do pedido de diligência ou da produção de prova pericial, em violação ao princípio da verdade material. No mérito, esclarece que cometeu 2 (dois) equívocos que influenciaram diretamente no não reconhecimento do seu direito creditório: O primeiro refere-se à resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº. 808/2015, na qual a Recorrente foi intimada a esclarecer como chegou aos valores declarados na linha 10 da ficha 06A (créditos de aquisição de bens para ativo imobilizado) do DACON do período. Naquela ocasião, embora o DACON ativo no sistema da RFB contivesse os valores nessa linha, a Recorrente, por equívoco, informou o seguinte: “a linha 10 da ficha 06A da Dacon, nos meses em questão, estão zeradas pois não adquirimos créditos sobre bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição”. Assim, levando-se em conta a ausência de valor na linha 10 da ficha 06A do DACON, a RFB refez a apuração do PIS e da COFINS da Recorrente e concluiu pela inexistência do direito creditório. Além disso, a Recorrente também acabou não incluindo no DACON enviado ao Fisco os valores referentes à aquisição de insumos, os quais também geram créditos que deveriam ser levados em consideração no momento da apuração do PIS e da COFINS a pagar. Fl. 2435DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.352 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.738647/2011-07 Entretanto, não se pode admitir que simples erros no preenchimento de obrigações acessórias, no caso o DACON, sejam suficientes e determinantes para o indeferimento do pedido de restituição, especialmente pelo fato de ser possível confirmar a existência do crédito pleiteado por meio da análise da contabilidade da Recorrente. Ao fim, pugna pela nulidade da decisão da DRJ pelos motivos apresentados e, acaso não acolhida, pela conversão do julgamento em diligência para, mediante análise dos documentos fiscais da Recorrente, seja reconhecida a existência do direito creditório pleiteado e, consequentemente, deferido o Pedido de Restituição. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Preliminarmente, a Recorrente aponta que a decisão de 1ª instância conteria vício insanável por cerceamento a seu direito de defesa em função de aquele colegiado ter violado o princípio da verdade material ao indeferir o seu pedido de diligências ou de produção de prova pericial. Para tanto, invoca o art. 76 da IN RFB nº 1.300/2012 a fim de afirmar que é dever e não faculdade da Administração Pública solicitar as diligências necessárias à formação de seu entendimento, e formar seu convencimento com base na realidade fática e nos documentos comprobatórios existentes em favor do contribuinte. Esclarece também que o simples erro no preenchimento do DACON ou na prestação de informações à RFB não pode prevalecer sobre o direito ao crédito que, uma vez comprovado, deve ser devidamente reconhecido. Não acolho tal pretensão. Primeiro porque não considero configurado o cerceamento ao direito de defesa na medida em que a Recorrente tudo alega, mas nada traz aos autos, quer na oportunidade em que faz sua defesa perante o colegiado de piso, quer agora, na interposição do recurso voluntário, conduta essa última que considero ainda mais grave diante das razões de decidir do acórdão de 1ª instância, em que expressamente foi asseverado que a manutenção do indeferimento do direito vindicado deu-se por deficiência probatória. É bom lembrar que compete à Recorrente – e não ao órgão julgador - instruir as suas peças recursais com os documentos que as fundamentam, nos termos do que preconizam os art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Normas dessa natureza estão difundidas em diferentes diplomas e, em verdade, apenas dão corpo ao instituto do ônus da prova, conforme previsto no art. 373 do CPC/2015. Com efeito, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a legislação tributária consagra o princípio da busca da verdade material, facultando à autoridade julgadora determinar, de ofício ou a requerimento do contribuinte, a realização de diligências e perícias, quando as entender necessárias para o deslinde da matéria. A adoção do procedimento acima mencionado objetiva, única e exclusivamente, dirimir dúvidas com relação às provas anteriormente carreadas ao processo, não se prestando, portanto, a suprimir o encargo que cabe aos sujeitos ativo e passivo da relação tributária processual, quanto à demonstração probatória que a cada um compete. Nesse sentido é a lição de Paulo Celso B. Bonilha: Fl. 2436DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3401-002.352 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.738647/2011-07 “(...) o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos, mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” ( Da Prova no Direito Administrativo Tributário , 2ª Ed., São Paulo, Dialética, 1997, p. 77 e 78) Nesse contexto, o indeferimento do pedido de diligência e de perícia foi devidamente justificado na decisão recorrida, em cujo acórdão se fez constar que referidos mecanismos não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos, além de dirimir questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, o que não teria se verificado nos autos, diante da ausência de qualquer elemento de prova a ser apreciada. Assim, presentes as razões que deram amparo à decisão, as quais, a meu ver, situam-se no campo do livre convencimento do julgador, a teor do que preconiza o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, não vejo configurada a preterição ao direito de defesa, traduzindo-se a nulidade apontada em verdadeiro inconformismo por parte da Recorrente em relação à decisão recorrida. No mérito, todavia, a situação retratada particularmente me suscitou dúvidas. Isso porque, diante do esclarecimento de lapso cometido por parte da Recorrente na resposta ao TIF nº 808/2015, em que informou que “a linha 10 da ficha 06A da Dacon, nos meses em questão, estão zeradas pois não adquirimos créditos sobre bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição”, e, considerando as informações prestadas no último Dacon transmitido para o mês de 07/2007 (ND 0000100200703874863), no qual consta para a referida rubrica o valor de base de cálculo de créditos de R$ 6.236.585,00 (fl. 235), não me convenci de que materialmente não há créditos apurados pela empresa a esse título. Em que pese, como já afirmado, competisse à Recorrente carrear aos autos o conjunto probatório que desse amparo ao equívoco alegado, considero suficientemente relevantes as informações disponibilizadas no Dacon ND 0000100200703874863 referentes aos créditos informados na linha 10 da ficha 06A, a ponto de restar justificado o pedido de diligência para elucidar a questão, a teor do que dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972. A situação das aquisições de insumos é diferente, dado que os valores informados na Linha 02 da Ficha 06A do Dacon não foram desconsiderados pela autoridade fiscal, traduzindo-se a mera alegação da Recorrente de que os valores constantes no aludido demonstrativo estão errados (desacompanhada de qualquer elemento de prova) em verdadeira tentativa de reapuração do crédito com base em informações de que a Administração nunca dispôs. Em vista de todo o exposto, deve o presente julgamento ser convertido em diligência à unidade local para que: 1 - Verifique a existência e a disponibilidade dos créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado com base no valor do custo de aquisição no período (Linha 10 – Ficha 06A do Dacon). 2 - Caso positivo, realize nova apuração do valor disponível para restituição considerando esses valores e elabore relatório circunstanciado informando, de forma conclusiva, se existe saldo de crédito a ser restituído. Fl. 2437DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3401-002.352 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.738647/2011-07 3- Após, dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, abrindo-lhe prazo para aditamento de novas razões de defesa exclusivamente sobre essas conclusões. É o voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência nos termos do voto. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente Redator Fl. 2438DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10850.722722/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Trata o presente processo de exigência de multa de 50% por pedido de ressarcimento indevido que originalmente estava apensado ao Processo Administrativo nº 12585.000282/201081. Consultando os autos, verificouse que os processos foram objeto de impugnação e manifestação de inconformidade, sendo julgados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que negou provimento em ambos os processos. O contribuinte irresignado com as decisões da primeira instância, interpôs recursos voluntários em cada um dos processos, que posteriormente foram apensados pela Unidade de origem antes do envio ao CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 22 72 2/ 20 13 -9 4 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10850.722722/201394 Resolução nº 3201001.045 S3C2T1 Fl. 3 2 Os processos possuem decisões da DRJ e recursos voluntários individualizados e pendentes de julgamento. Assim, para que fossem realizadas a apreciação individualizada dos processos foi necessária a desapensação do processo referente a multa por pedido de ressarcimento indevido. Ao apreciar os processos a turma de julgamento resolveu converter o processo referente ao ressarcimento em diligência e o processo referente a multa de 50% foi retirado de pauta por pedido de vista. Após as conclusões da diligência o julgamento do processo principal que controla o pedido de compensação foi novamente submetido a diligência para ciência do relatório de diligência. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A teor do relatado, a multa controlada no presente processo referese ao pedido de ressarcimento constante do Processo Administrativo nº 12585.000282/201081, que encontrase em diligência para cumprimento de resolução deste conselho Em que pese a posição anterior de fazer o julgamento da multa de forma separada do julgamento do pedido de ressarcimento. O novo Regimento Interno do CARF determinou de forma expressa, que existindo conexão, os processo deverão ser vinculados para que o julgamento ocorra em conjunto. A determinação consta do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10850.722722/201394 Resolução nº 3201001.045 S3C2T1 Fl. 4 3 § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º , se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º , se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (grifo nosso) Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que o processo seja sobrestado na Secretária desta Segunda Câmara até o retorno da diligência do processo que controla o pedido de compensação para prosseguimento do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 220DF CARF MF
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