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Numero do processo: 10932.000900/2007-74
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2301-000.159
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Caio Taniguchi OAB: 242279/SP. Fez sustentação oral: BOMBRIL S A
Nome do relator: Adriano Gonzales Silvério
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1270; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 194 1 193 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000900/200774 Recurso nº 999.999 Resolução nº 2301000.159 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Data 26 de outubro de 2011. Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BOMBRIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Caio Taniguchi OAB: 242279/SP. Fez sustentação oral: BOMBRIL S A Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração nº 37.143.9108, o qual exige multa em razão de não ter a empresa declarado todos os fatos geradores em GFIP. De acordo com o relatório fiscal foram efetuados confrontos entre GFIPs, Folhas de Pagamento e lançamentos contábeis, a fim de verificar divergências na apuração da contribuição previdenciária relativas a segurados empregados e contribuintes individuais. Em relação a estes últimos, registra ainda que fezse o confronto entre GFIPs e DIRFs, o que originou o “Relatório 4 (discriminativo de contribuintes individuais)”. O mencionado relatório aponta que a “fiscalização identificou fatos geradores de contribuições previdenciárias no exame dos registros contábeis confrontados com folhas de pagamentos, recibos, contratos, notas fiscais e outros elementos que resultaram em levantamentos de créditos tributários. Tais levantamentos geraram contribuições previdenciárias que não foram declaradas pela Empresa em GFIP.” Segundo o Fisco valores relativos a assistência médica e previdência privada não lançados em GFIP uma vez que não foram computados na base de cálculo das contribuições previdenciárias, o que gerou a lavratura das NFLDs n. 37.108.7376 e 37.108.7368. Verificouse, outrossim, diferenças no SAT, em razão da forma pela qual empreendeu o sujeito passivo o seu auto enquadramento, o que resultou também na lavratura da NFLD 37.708.7384; diferenças relativas a programas de premiação, o que resultou na lavratura da NFLD 37.108.7341, 37.108.7350, 37.108.7392 e 37.143.9124. Em sede de impugnação sustenta a impugnante que a lavratura do presente AI é decorrente das seguintes NFLDs: NFLD n.° 37.108.7376: exigese contribuição social sobre pagamento de assistência médica oferecida a funcionários, por meio de plano de saúde contratado com as empresas Notredame Seguradora S.A., Omint Serviços de Saúde e Unibanco AIG Saúde Seguradoras S.A.; NFLD n.° 37.108.7368: exigese contribuição social sobre pagamento de previdência complementar a funcionários, por meio do plano contratado com as empresas Prever S.A. Seguro e Previdência e AIG Seguros e Previdência; NFLD n.° 37.708.7384: exigemse diferenças de contribuição social ao Seguro de Acidente do Trabalho ("SAT"), tendo em vista a utilização de aliquotas de 1% ou 2% em alguns estabelecimentos da Impugnante, quando o correto, na visão da d. fiscalização federal, seria 3% para todos os estabelecimentos; NFLD n.° 37.108.7341; exigese contribuição social sobre valores pagos em forma de premiação a funcionários, contratados com a empresa Incentive House S.A.; NFLD n.° 37.108.7350: exigese contribuição social sobre valores pagos em forma de premiação a funcionários, contratados com a empresa Incentive House S.A.; NFLD n.° 37.108.7392: exigese contribuição social sobre valores pagos em forma de premio a funcionários, contratados com a empresa Salles, Adam & Associados Marketing de Incentivos Ltda; e Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10932.000900/200774 Resolução n.º 2301000.159 S2C4T2 Fl. 195 3 NFLD n.° 37.143.9124: exigese contribuição social sobre valores pagos em forma de premiação com veículos a funcionários. Alega na peça impugnatória a decadência qüinqüenal do direito do Fisco de efetuar o lançamento, bem como que não houve intuito de omitir fatos geradores em GFIP e que no caso concreto deve ser verificada a proporcionalidade e a razoabilidade. A DRJ de Campinas acatou parcialmente a impugnação para reconhecer a decadência nos termos do artigo 173, inciso I do CTN, de modo a excluir do lançamento as competências de janeiro de 1999 a novembro de 2001, razão pela qual interpôs recurso de ofício. A recorrente apresentou recurso voluntário repisando seus argumentos iniciais, bem como pleiteou a retroatividade benigna das novas multas instituídas pela Lei 11.941/09, de forma a incidir a multa do novel artigo 32A. É o Relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Como se depura do processo o presente Auto de Infração é decorrente da não declaração em GFIP de valores que a Fiscalização entendeu constituírem base de cálculo das contribuições previdenciárias nas NFLDs nºs 37.108.7376, 37.108.7368, 37.708.7384, 37.108.7341, 37.108.7350, 37.108.7392 e 37.143.9124. Verifiquei pelo sitio do comprot haver vários processos administrativos decorrentes dessa ação fiscal em situação de parcelamento ou mesmo arquivados, exceto aquele relativo à NFLD 37.708.7384, a qual foi a mim distribuída para relatar. A fim de evitar decisões conflitantes e mesmo para conhecer o destino dado aos lançamentos que provocaram a lavratura do presente Auto de Infração (excetuandose a NFLD 37.708.7384), isto é, saber se foram proferidas decisões administrativas naqueles autos ou mesmo o reconhecimento do contribuinte mediante parcelamento, de forma a contribuir com o julgamento desse processo, entendo como necessária a realização de diligência. Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade fiscal de jurisdição do contribuinte anexe aos presentes autos as decisões administrativas (primeira e segunda instâncias) proferidas nas NFLDs 37.108.7376, 37.108.7368, 37.108.7341, 37.108.7350, 37.108.7392 e 37.143.9124 e eventual certidão de trânsito em julgado na esfera administrativa, bem como requerimentos de parcelamentos, se houver, e a seus estágios atuais. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002228/87-19
Data da sessão: Thu Oct 12 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRPJ - 1. Glosa de Correção monetária a
maior que a devida sobre a conta Capital.
Corrige-se tão-somente o capital
efetivamente integralizado. Lançamento
procedente. - 2. Omissão de Receita. Confirmada a presunção legal, pela não comprovação da origem e efetiva entrega
dos recursos utilizados pelos sócios no
aumento do capital social.
Lançamento procedente.
- Rejeitadas as preliminares.
- Negado provimento ao Recurso.
Numero da decisão: 103-09.660
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, nevar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Dicler de Assunção
Nome do relator: Braz Januário Pinto
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ementa_s : IRPJ - 1. Glosa de Correção monetária a maior que a devida sobre a conta Capital. Corrige-se tão-somente o capital efetivamente integralizado. Lançamento procedente. - 2. Omissão de Receita. Confirmada a presunção legal, pela não comprovação da origem e efetiva entrega dos recursos utilizados pelos sócios no aumento do capital social. Lançamento procedente. - Rejeitadas as preliminares. - Negado provimento ao Recurso.
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T•on r ;.:X=gt:It> MINISTÉRIO DA FAZENDA AMS Soma. d. 12 de outubrg (1.19 89 ACORDA() .. 103-709.,60 Recurso n.• 95.109 - IRPJ EX: DE 1985 e 1986 Recorrente ALVORADA ENGENHARIA E IMÓVEIS LTDA. Recorrid DRF em GOIÂNIA (GO). IRPJ - 1. Glosa de Correção monetária a maior que a devida sobre a conta Capi- tal. Corrige-se tão-somente o capital efetivamente integralizado. Lançamento procedente. - 2. Omissão de Receita. Con firmada a presunção legal, pela nao comprovação da origem e efetiva entrega dos recursos utilizados pelos sócios no aumento do capital social. Lançamento procedente. - Rejeitadas as preliminares. - Negado provimento ao Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por ALVORADA ENGENHARIA E IMÓVEIS LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por maioria de votos, em rejeitar as prelimina- res e, no mérito, nevar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Dicler de Assunção. S. a das Sess6- em 12 de outubro de 1989 ..00 • 10111 • , I0 DA SILV CABRAL •: DENTE eis= - RELATOR VISTO EMLUI‘191aL .• ,• • BEZE P - PROCURADOR DA "" trn DE: DA NACIONAL ONOV1989 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: AYRES DE OLIVEIRA, LORGIO RIBEIRO, FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMARÃES e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Ausente por motivo justifica- do o Conselheiro ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA. _ - . . . . si:~~~ PROCESSO N9 10120/002.228/87-19 RECURSO N9 95.109 ACÓRDÃO N9 103-09.660 RECORRENTE: ALVORADA ENGENHARIA E IMÓVEIS LTDA. RELATÓRIO O Contribuinte, Alvorada Engenharia e Imóveis Ltda., com. domicilio fiscal em Goiânia (GO), interpOs tempestivo Re- curso (fls. 95/97) a este Conselho, em 31/7/89, contra a R. Deci- são (f is. 83/90) do Sr. Delegado da Receita Federal naquela Capi- tal, que, em 2/6/89 julgava procedente o lançamento constituído pelo Auto de Infração (f is. 8), de 28/12/87, tempestivamente im- pugnado em 9/2/88, ãs fls. 59/62. A R. Decisão anterior de la.Ins tância (f is. 59/62) foi declarada nula pelo Acórdão 103-08.945, de 13/3/89, ãs fls. 76. 2. Discute-se no Recurso a tributação da correção mone tária a maior apurada pelo Fisco sobre o capital inicial integra- lizado parceladamente nos anos-base de 1984 e 1985, bem como da omissão de receita caracterizada pelo aumento de capital no ano- -base de 1985, com utilização de recursos, cuja origem e efetiva entrega não foram comprovadas. A primeira infração teve seu enqua dramento legal no art. 347, do RIR/80, e a segunda, nos arts. 181 e 387, do mesmo Regulamento. 3. Em sua primeira defesa, o Contribuinte alegou, em síntese: a) que os seus sócios, todos graduados em engenha- ria integralizaram o capital em dinheiro ou cheques de terceiros, sem guardar, por falta de orientação, qualquer documento coinci- dente em datas e valores com esses recursos, cuja recomposição após 3 a 4 anos, tornou-se difícil, mesmo com a prorrogação de prazo concedida; b) que o direito brasileiro assegura que todos mei= • legais são hábeis para que se faça prova documental do fato, ra- zão pela qual pretende com rovar o aumento de capital em dinheiro, /- .. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10120/002.228/87-19 2. Acórdão n9 103-09.660 como quer o Fisco, com datas e valores coincidentes, pelo documen to de Alteração Contratual registrado na Junta, cuja fé pública, de conformidade com o disposto no art. 36, da Lei 4.726/65, e no art. 99, III, da Constituição Federal, a União na pode recusar; c) que, tendo o cidadão brasileiro o direito de dis por de seus bens da maneira que lhe convier, é ilegal a exigência de um documento, no caso cheque, para provar-se o ingresso do di- nheiro; d) que solicitamos ao Banco Comind o estrato de con ta corrente para fazer prova do ingresso do recurso de Cr$ 23.879.355, em 31/12/85, conforme registro postal n9 805 598; e) que estando o Banco Comindscb intervenção o aten dimento tornou-se difícil e a Fiscalização, desconhecendo tal si- )1( tuação encerrou seu trabalho, sem aguardar o fornecimento do ex- trato bancário, cerceou seu direito de defesa; f) que, á vista da intervenção e de conformidade can g. o( o disposto no Decreto-lei 1718/79, tinha o Fisco o dever de soli- citar ao Banco as informações necessárias; g) que a correção monetãris tributada não pode sub- sistir, porquanto afastada está da realidade; h) que a manutenção da elevada exigência, importa em quebra da pequena sociedade; i) que, ã vista do exposto, requer o ,cancelamento do Auto de Infração, fundado em presunção e falta de documentos cuja apresentação a autuada não pode fazer por motivos alheios á sua vontade. 4. Na Informação Fiscal, o Sr. Autuante lembra a exi- gência legal e observa que Contribuinte deixou de escriturar no Diário o movimento bancário, restando ao liso° considerar os in-1K gressos dos recursos no caixa. Diz ter aceito as coincidências /das datas previstas nos contratos om as contabilizadas, caracte- • . . SERVh;OPUBLICOFEDEm Processo n9 10120/002.228/87-19 3. Acórdão n9 103-09.660 rizando como omissão de receita somente os recursos cuja origem e efetiva entrega ficaram sem comprovação. Ressalta que, relati- vamente ao capital inicial não houve caracterização de omissão de receita, tendo sido recalculada a correção monetária somente sobre as quantias efetivamente integralizadas. Propõe, no final, a manutenção da exigência. 5. A Autoridade julgadora de 19 grau, sobre o lança - mento em litígio reconhece a sua procedência com a fundamentação que expõe às fls. 61 e 62, lidas em plenário. 6. No Recurso, o Contribuinte, levanta preliminares e ataca o mérito, como expõe, in litteris: "ALVORADA ENGENHARIA E IMÓVEIS LTDA, esta belecida ã Rua 3 n9 351, conj. 8, Edifício Rural, Centro, nesta cidade, inscrita no CGC sob n9 00 761 866/0001-15, representada neste ato por seu diretor abaixo assinado, ciente da Decisão n9 305/88 proferida pelo DD. Delegado da Receita Fede ral em Goiânia no Processo n9 10120/002.228/87-19, vem interpor recurso ao mesmo pelas razões que pas sa a expor. Esse Colendo Conselho já pronunciou no sentido de que "deve ser declarada nula a decisão proferida pela autoridade julgadora monoórática, quando não se 41anisfestar sobre questões prelimina res ou não analisar todos os argumentos expendidos na impugnação" (Acórdão 103-08.119 - D.O.U. de 18/01/88, pag 1.068). O julgador singular absteve-se de pronun ciar sobre o artigo 36 da Lei 4.726/65 e o artigo 99 da Constituição Federal, tema central invocado pela recorrente, cujos textos convêm sejam trans - critos: LEI 4.726 DE 13/07/65 Artigo 36 - É público o registro do co- mércio, a cargo das Juntas Comerciais/no Distrito Federal, nos Estados e nos Ter- ritórios. CONSTITUIÇÃO DA REPOBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Artigo 99 - A União, aos Estados, ao Dis trito Federal, aos Territórios e aos Mu': nicípios é vedado:2 sumoNsmonom. Processo n9 10120/002.228/87-19 4. Acórdão n9 103-09.660 .... I - II - III- recusar fé aos documentos públicos. Ora, se o Contrato Social (cópia anexa) a subscrição de quotas de capital e suas integraliza ções foram feitas em dinheiro, como consta do ins- trumento levado a registro na Junta Comercial do Estado de Goiás, assim como parte do capital subs- crito na primeira alteração contratual (cópia ane- xa), ã DRF de Goiania é defeso exigir documento se cundário, recusando fé aos referidos instrumentos: Prevalecendo a exigência fiscal, em des- respeito ao dispositivo constitucional, tornar-se- -ia impeditiva a integralização de capital como"di nheiro de contado" ou em cheques emitidos por ter- ceiros. A constatação fiscal é renitente em exi- gir prova secundária (inconstitucional) do efetivo ingresso de dinheiro representando capital da so- ciedade. Quanto ã correção monetária do capital pra ticada pelo autuante está em desacordo com os méto- dos estabelecidos eor lei expecifica para ã corre- ção das demonstraçoes financeiras, eis que adotou critérios subjetivos, considerando os valores dis- pendidos em cada mês por mera suposição. Em raio do exposto, vem mui respeitosa - mente, requerer a V. Exas., doutos membros dessa ai ta corte de julgamento do contencioso administrati- vo do Ministério da Fazenda, conhecer do presente recurso e dar-lhe provimento, eis que a peça básica, fundamenta-se em critérios subjetivos do autuante, o qual nega fé a documento "Público, ao arrepio de preceitos constitucionais. Termos em que PEDE JUSTIÇA." o relatório. • semtafteuconouw. Processo n9 10120/002.228/87-19 5. Acórdão n9 103-09.660 VOTO Conselheiro BRAZ JANUÁRIO PINTO, Relator: Tomou conhecimento do Recurso, pela sua tempestivi dade e interposição na forma da lei: 2. A diferença a maior apurada e tributada pelo Fisco, no ano-base de 184 e 1985 decorre de erro do Contribuinte que corrigiu a conta Capital (v. fls. 29) como se tivesse sido total mente integralizado, em 1984 nos próprios termos do Contrato So- cial (fls. 03/06) que estabeleceu uma integralização parcelada, não observada pelos sócios. A efetiva integralização se realizou em prazo superior ao previsto, conforme apurado pela Fiscaliza - ção, estendendo-se até julho de 1985. Os cálculos da fiscaliza - ção estão corretos e se fizeram nos termos do RIR/80, arts. 347 e seguintes. A omissão de receita, na quantia de Cr$60.000.000,00, no exercício de 1986, ano-base de 1985, configurou-se como tal, pela falta de comprovação da origem e efetiva entrega a empresa, do numerário de igual valor, como integralização do aumento de capital, contratualmente assumido pelos sócios. No caso, o Fisco não nega a validade jurídica da Alteração Contratual, registrada legalmente na Junta, isto é, o aumento de capital 4-efetivamente ocorreu, ã vista desse documento arquivado na Junta Comercial. Ao contrário do que pensa o Contribuinte, a Fiscalização, dentro de suas atribuições legais e em observância do preceituado nos arts. 181 e 387, II, do RIR/80, intimou-o a comprovar não o au- mento de capital, mas a origem e efetiva entrega dos recursos uti lizados pelos sócios na sua integralização. 3. As preliminares argüidas pelo Contribuinte, primei ro, de nulidade da R. Decisão a suo, que teria sido prolatada sem autorização expressa deste Conselho e, segundo, da ilegalida de da exigência, ã vista do que dispõe fo art. 36, da Lei 4726/65, , . sEnviço Poeuco FEOGUL Processo n9 10120/002 . 228/87-19 6. Acordão n9 103-09.660 e o art. 99, da Constituição Federal, constiturda por falta de apresentação de prova secundéria e constitucionalmente inexigí - vel, devem ser ambas rejeitadas. A primeira, pelo fato do novo julgamento decorrer necessariamente da nulidade declarada por es ta Câmara, sem depender de qualquer autorização, cuja inexistên- cia não poderia contrariar a lei, suprimindo a primeira . instân_ cia. A nulidade veio exatamente para corrigir uma falha processu al da Decisão recorrida,devendo obviamente ser substituída por outra sem falhas. Caso a nulidade não resultasse a nova Decisão, sua declaração por esta Câmara seria despida de qualquer finali- dade ou motivação. A segunda preliminar também deve ser rejeita- da, uma vez que a argüida ilegalidade da exigência inexiste. Na anâlise do mérito acima, ficou bem claro que a constituição da exigência não implicou em negar fé a documento sob registro pú- blico. Isto posto e Considerando tudo o mais que dos Autos consta, Voto pela rejeição das preliminares e no mérito, nego provimento ao Recurso. Brasília-DF., em 12 de outubro de 1989. ti-- AdrWt1satráb PIN O( - RELATOR AMS. Page 1 _0062800.PDF Page 1 _0062900.PDF Page 1 _0063100.PDF Page 1 _0063300.PDF Page 1 _0063500.PDF Page 1 _0063700.PDF Page 1 _0063900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10140.003417/2003-34
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
A omissão de ponto sobre o qual a turma de origem deveria ter se manifestado rende ensejo aos embargos de declaração.
TEMPESTIVIDADE DO RECURSO PROVADA NOS AUTOS E DECIDIDA EM SENTENÇA MANDAMENTAL QUE DETERMINOU O CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O CARF não pode ignorar decisão judicial na qual ficou decidido que o recurso do contribuinte era tempestivo para proferir novo acórdão declarando a intempestividade.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RELATOR ORIGINÁRIO QUE NÃO MAIS INTEGRA O COLEGIADO. INEXISTÊNCIA DE CONSELHEIRO NA TURMA DE ORIGEM QUE TENHA PARTICIPADO DO JULGAMENTO DO ACÓRDÃO EMBARGADO.
A inexistência, na turma de origem, de conselheiro que tenha participado do julgamento do acórdão embargado obsta a aplicação do art. 49, § 7º do RICARF e determina o sorteio do processo a novo relator, uma vez que a designação de ad hoc, neste caso, implicaria o direcionamento do processo a determinado conselheiro, sem amparo naquele dispositivo regimental.
NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA.
Não acarreta nulidade do acórdão de primeira instância o indeferimento motivado na desnecessidade do pedido de perícia, mormente quando se constata que a perícia é realmente desnecessária, em razão da resposta aos quesitos formulados tratarem de matéria que se encontra no âmbito da competência funcional dos auditores-fiscais da Receita Federal, não requerendo para seu deslinde o conhecimento de um expert.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INDICAÇÃO DE INCISO INEXISTENTE EM DISPOSITIVO LEGAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO INCISO DO ART. 149 DO CTN QUE FUNDAMENTA A REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO.
Os lapsos manifestos cometidos na indicação de dispositivos legais não eivam de nulidade o lançamento de ofício, pois é pacífico o entendimento jurisprudencial no sentido de que o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não do enquadramento legal.
REDARF. ERRO MATERIAL COMETIDO NO PREENCHIMENTO DOS CÓDIGOS DE ARRECADAÇÃO. OPÇÃO PELA TRIBUTAÇÃO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO REAL. DARF PREENCHIDO COM CÓDIGO DE ARRECADAÇÃO DO IRPJ LUCRO PRESUMIDO.
Compete exclusivamente à autoridade administrativa do domicílio do contribuinte o juízo quanto à existência de erro cometido no preenchimento dos DARF por meio dos quais foi exercida a opção pelo regime de tributação do IRPJ. O CARF não tem competência nem para apreciar o pedido de retificação de DARF, nem para reformar o indeferimento da retificação negada pela Administração e muito menos para ordenar que a autoridade administrativa efetue a retificação à vista de documento juntados a este processo.
CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECLARAÇÃO PAES. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A confissão irretratável do débito de PIS apurado de ofício, configura renúncia tácita ao recurso voluntário a teor do art. 78 do RICARF. Entretanto, existência de períodos de apuração em que o débito apurado de ofício excedeu o valor confessado na declaração PAES, obriga o colegiado a analisar todos os argumentos de defesa.
CONFISSÃO DE DÍVIDA NO PAES NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTAS. REDUÇÃO.
A confissão do tributo apurado de ofício após o termo de início de ação fiscal, mas antes da ciência do auto de infração, não impede e nem afasta o lançamento de ofício. Também não exclui e nem permite a redução da multa de ofício com base no art. 1º, § 7º, da Lei nº 10.684/2003, uma vez que os débitos não estavam constituídos na data da opção e a multa não foi consolidada no processo de parcelamento.
Embargos da autoridade administrativa acolhidos para conhecer do recurso voluntário e no mérito negar-lhe provimento.
Numero da decisão: 3403-003.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração da autoridade administrativa, com efeito modificativo, para anular os Acórdãos 204-01.239 e 3402-001.060 a fim de tomar conhecimento do recurso voluntário, reconhecendo sua tempestividade, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. A omissão de ponto sobre o qual a turma de origem deveria ter se manifestado rende ensejo aos embargos de declaração. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO PROVADA NOS AUTOS E DECIDIDA EM SENTENÇA MANDAMENTAL QUE DETERMINOU O CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O CARF não pode ignorar decisão judicial na qual ficou decidido que o recurso do contribuinte era tempestivo para proferir novo acórdão declarando a intempestividade. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RELATOR ORIGINÁRIO QUE NÃO MAIS INTEGRA O COLEGIADO. INEXISTÊNCIA DE CONSELHEIRO NA TURMA DE ORIGEM QUE TENHA PARTICIPADO DO JULGAMENTO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. A inexistência, na turma de origem, de conselheiro que tenha participado do julgamento do acórdão embargado obsta a aplicação do art. 49, § 7º do RICARF e determina o sorteio do processo a novo relator, uma vez que a designação de ad hoc, neste caso, implicaria o direcionamento do processo a determinado conselheiro, sem amparo naquele dispositivo regimental. NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. Não acarreta nulidade do acórdão de primeira instância o indeferimento motivado na desnecessidade do pedido de perícia, mormente quando se constata que a perícia é realmente desnecessária, em razão da resposta aos quesitos formulados tratarem de matéria que se encontra no âmbito da competência funcional dos auditores-fiscais da Receita Federal, não requerendo para seu deslinde o conhecimento de um expert. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INDICAÇÃO DE INCISO INEXISTENTE EM DISPOSITIVO LEGAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO INCISO DO ART. 149 DO CTN QUE FUNDAMENTA A REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. Os lapsos manifestos cometidos na indicação de dispositivos legais não eivam de nulidade o lançamento de ofício, pois é pacífico o entendimento jurisprudencial no sentido de que o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não do enquadramento legal. REDARF. ERRO MATERIAL COMETIDO NO PREENCHIMENTO DOS CÓDIGOS DE ARRECADAÇÃO. OPÇÃO PELA TRIBUTAÇÃO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO REAL. DARF PREENCHIDO COM CÓDIGO DE ARRECADAÇÃO DO IRPJ LUCRO PRESUMIDO. Compete exclusivamente à autoridade administrativa do domicílio do contribuinte o juízo quanto à existência de erro cometido no preenchimento dos DARF por meio dos quais foi exercida a opção pelo regime de tributação do IRPJ. O CARF não tem competência nem para apreciar o pedido de retificação de DARF, nem para reformar o indeferimento da retificação negada pela Administração e muito menos para ordenar que a autoridade administrativa efetue a retificação à vista de documento juntados a este processo. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECLARAÇÃO PAES. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO VOLUNTÁRIO. A confissão irretratável do débito de PIS apurado de ofício, configura renúncia tácita ao recurso voluntário a teor do art. 78 do RICARF. Entretanto, existência de períodos de apuração em que o débito apurado de ofício excedeu o valor confessado na declaração PAES, obriga o colegiado a analisar todos os argumentos de defesa. CONFISSÃO DE DÍVIDA NO PAES NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTAS. REDUÇÃO. A confissão do tributo apurado de ofício após o termo de início de ação fiscal, mas antes da ciência do auto de infração, não impede e nem afasta o lançamento de ofício. Também não exclui e nem permite a redução da multa de ofício com base no art. 1º, § 7º, da Lei nº 10.684/2003, uma vez que os débitos não estavam constituídos na data da opção e a multa não foi consolidada no processo de parcelamento. Embargos da autoridade administrativa acolhidos para conhecer do recurso voluntário e no mérito negar-lhe provimento.
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ADMISSIBILIDADE. A omissão de ponto sobre o qual a turma de origem deveria ter se manifestado rende ensejo aos embargos de declaração. TEMPESTIVIDADE DO RECURSO PROVADA NOS AUTOS E DECIDIDA EM SENTENÇA MANDAMENTAL QUE DETERMINOU O CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O CARF não pode ignorar decisão judicial na qual ficou decidido que o recurso do contribuinte era tempestivo para proferir novo acórdão declarando a intempestividade. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RELATOR ORIGINÁRIO QUE NÃO MAIS INTEGRA O COLEGIADO. INEXISTÊNCIA DE CONSELHEIRO NA TURMA DE ORIGEM QUE TENHA PARTICIPADO DO JULGAMENTO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. A inexistência, na turma de origem, de conselheiro que tenha participado do julgamento do acórdão embargado obsta a aplicação do art. 49, § 7º do RICARF e determina o sorteio do processo a novo relator, uma vez que a designação de ad hoc, neste caso, implicaria o direcionamento do processo a determinado conselheiro, sem amparo naquele dispositivo regimental. NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. Não acarreta nulidade do acórdão de primeira instância o indeferimento motivado na desnecessidade do pedido de perícia, mormente quando se constata que a perícia é realmente desnecessária, em razão da resposta aos quesitos formulados tratarem de matéria que se encontra no âmbito da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 34 17 /2 00 3- 34 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 competência funcional dos auditoresfiscais da Receita Federal, não requerendo para seu deslinde o conhecimento de um expert. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INDICAÇÃO DE INCISO INEXISTENTE EM DISPOSITIVO LEGAL. FALTA DE INDICAÇÃO DO INCISO DO ART. 149 DO CTN QUE FUNDAMENTA A REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. Os lapsos manifestos cometidos na indicação de dispositivos legais não eivam de nulidade o lançamento de ofício, pois é pacífico o entendimento jurisprudencial no sentido de que o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não do enquadramento legal. REDARF. ERRO MATERIAL COMETIDO NO PREENCHIMENTO DOS CÓDIGOS DE ARRECADAÇÃO. OPÇÃO PELA TRIBUTAÇÃO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO REAL. DARF PREENCHIDO COM CÓDIGO DE ARRECADAÇÃO DO IRPJ LUCRO PRESUMIDO. Compete exclusivamente à autoridade administrativa do domicílio do contribuinte o juízo quanto à existência de erro cometido no preenchimento dos DARF por meio dos quais foi exercida a opção pelo regime de tributação do IRPJ. O CARF não tem competência nem para apreciar o pedido de retificação de DARF, nem para reformar o indeferimento da retificação negada pela Administração e muito menos para ordenar que a autoridade administrativa efetue a retificação à vista de documento juntados a este processo. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DECLARAÇÃO PAES. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO VOLUNTÁRIO. A confissão irretratável do débito de PIS apurado de ofício, configura renúncia tácita ao recurso voluntário a teor do art. 78 do RICARF. Entretanto, existência de períodos de apuração em que o débito apurado de ofício excedeu o valor confessado na declaração PAES, obriga o colegiado a analisar todos os argumentos de defesa. CONFISSÃO DE DÍVIDA NO PAES NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTAS. REDUÇÃO. A confissão do tributo apurado de ofício após o termo de início de ação fiscal, mas antes da ciência do auto de infração, não impede e nem afasta o lançamento de ofício. Também não exclui e nem permite a redução da multa de ofício com base no art. 1º, § 7º, da Lei nº 10.684/2003, uma vez que os débitos não estavam constituídos na data da opção e a multa não foi consolidada no processo de parcelamento. Embargos da autoridade administrativa acolhidos para conhecer do recurso voluntário e no mérito negarlhe provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração da autoridade administrativa, com efeito modificativo, para anular os Acórdãos 20401.239 e 3402001.060 a fim de tomar conhecimento do recurso voluntário, reconhecendo sua tempestividade, para, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10140.003417/200334 Acórdão n.º 3403003.541 S3C4T3 Fl. 6 3 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 09/12/2003 (fl. 183), lavrado para exigir o crédito tributário relativo ao PIS, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento da contribuição nos períodos de apuração compreendidos entre dezembro de 1998 e junho de 2003, em razão de diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: 1) Nulidade do auto de infração, em virtude de erro no enquadramento legal. Foi indicado artigo de dispositivo legal com inciso inexistente (art. 77, III, do DL nº 5.844/43) e não ficou claro em qual dos incisos do art. 149 do CTN enquadrase o caso específico. Houve violação do art. 10, IV do PAF; 2) No mérito, alegou que optou por recolher o imposto de renda a partir do anocalendário 2000 tendo como base o Lucro Real, nos termos do art. 247 do RIR/99. Cumpriu as determinações do art. 251 e 260 do RIR/99. Entretanto, por equívoco, preencheu os DARF de recolhimento do IR e da CSL com o código 2372 (CSL Lucro Presumido) e 2089 (IRPJ Lucro Presumido). Tão logo constatou o erro, solicitou pedido de REDARF, tendo sido indeferido sob o argumento de que contrariava o Regulamento do IR, bem como norma específica de Redarf, rendendo ensejo a este auto de infração; 3) Não há como aceitar as razões do referido indeferimento, pois não houve infringência do disposto no art. 8°, inciso V, da IN SRF nº 284/2003. O que ocorreu foi um erro material e não mudança de opção. O Conselho de Contribuintes vem acatando retificações dessa natureza (transcreve trecho do Acórdão nº 1087577, de 4 de novembro de 2003). O erro material acabou por gerar uma receita que a impugnante efetivamente não teve, o que deu ensejo a um faturamento irreal; 4) O optou pelo PAES, incluindo os débitos constantes no Auto de Infração nesse programa de parcelamento especial. As declarações PAES foram entregues no dia 28/11/2003 (doc. 5), estando em dia com as parcelas. O parcelamento é hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, portanto, não poderia ser lavrado o Auto de Infração relativamente a esses débitos; 5) Não sendo caso de exclusão da multa, por conta da opção pelo PAES, esta deve ser reduzida para os débitos dos períodos 1998 e 1999, haja vista o disposto no art. 1°, § Fl. 790DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 7°, da Lei nº 10.684/2003. Requereu o provimento da sua impugnação e o deferimento de perícia e a produção de todas as provas em direito admitidas. A 2ª Turma da DRJ Campo Grande, por meio do Acórdão nº 3.645, de 23 de abril de 2004, manteve o lançamento. Regularmente notificado daquele Acórdão em 13/05/2004 (fl. 586), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 598 e ss. em 18/06/2004, alegando, em preliminar, nulidade da decisão recorrida, em razão do indeferimento do pedido de perícia. No mérito, reprisou as alegações de impugnação. Por meio do Acórdão 20401.239 o antigo Segundo Conselho de Contribuintes não tomou conhecimento do recurso voluntário, por ter sido considerado intempestivo (fls. 644/646). Regularmente notificado daquele julgado em 28/07/2006 (fl. 651), o contribuinte apresentou, na mesma data, embargos de declaração de fls. 661 e ss., alegando que o recurso voluntário foi postado nos Correios no dia 14/06/2004, dentro do prazo de 30 dias, e que o carimbo de protocolo da repartição foi colocado no documento no dia 18/06/2004. Para comprovar o alegado juntou cópia do Aviso de Recebimento relativo à postagem do recurso voluntário às fls. 665/666. Por meio do despacho de fls. 670 os embargos foram rejeitados, sob argumento de que não havia nenhum vício no acórdão a ser sanado porque a decisão fora tomada com base nos documentos constantes do processo, uma vez que o AR de fl. 665 não constava dos autos. Regularmente notificado desse despacho, o contribuinte impetrou mandado de segurança questionando a validade do Acórdão 20401.239, conforme fl. 698/719. Na fl. 719 consta o dispositivo da sentença que concedeu o writ para que a autoridade impetrada tomasse o recurso voluntário como tempestivo. Os autos retornaram ao CARF tendo sido proferido o Acórdão 3402001.060, no qual, por maioria de votos, os embargos de declaração foram mais uma vez rejeitados, mantendose a decisão administrativa quanto à intempestividade do recurso voluntário. Desta feita, a relatora originária do processo, Conselheira Nayra Bastos Manatta, reconheceu a tempestividade do recurso, em face do aviso de recebimento de fls. 665/666, mas foi vencida na votação, tendo sido designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. O processo retornou à origem e foi devolvido ao CARF com a informação fiscal de fls. 783, na qual a autoridade administrativa incumbida da execução do julgado informou que a tempestividade do recurso não poderia mais ser objeto de apreciação na via administrativa, em virtude da decisão judicial que mandou a Administração considerar o recurso voluntário tempestivo. Tendo em vista que todos os Conselheiros arrolados na fl. 771 não mais integram a turma que proferiu o Acórdão 3402001.060, o processo entrou em novo lote de sorteio, tendo sido contemplado este relator. É o relatório. Voto Fl. 791DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10140.003417/200334 Acórdão n.º 3403003.541 S3C4T3 Fl. 7 5 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. A inclusão desses embargos em novo lote para sorteio foi correta, pois embora o art. 49, § 7º do RICARF estabeleça que os embargos de declaração devam ser apreciados pela turma de origem, no caso concreto não existe mais "turma de origem", pois nenhum dos conselheiros que participaram do julgamento que culminou no Acórdão 3402 001.060, integram a Segunda Turma Ordinária desta Câmara. Aqueles que não saíram do CARF passaram a integrar outros colegiados, sendo inviável a designação de relator ad hoc. A designação de relator ad hoc neste caso significaria direcionar o julgamento do recurso voluntário a um determinado conselheiro por livre escolha do presidente daquele colegiado, fato que além de não ter amparo regimental, contraria os princípios da impessoalidade e da moralidade. O sorteio deste processo, sem dúvida, foi a melhor solução, uma vez que nenhum dos atuais integrantes da Segunda Turma Ordinária desta Câmara participou do julgamento do Acórdão 3402001.060. Conforme deixa evidente a leitura do Acórdão 3402001.060, tanto a relatora originária, quanto o relator designado não fizeram nenhuma menção ao mandado de segurança e à sentença que determinou que a Administração tomasse o recurso voluntário como tempestivo. Tal omissão rende ensejo aos embargos de declaração, a teor do art. 65 do RICARF, em razão da omissão de ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma de julgamento. É inequívoco que o Acórdão 3402001.060 foi proferido pelo colegiado com omissão de ponto sobre o qual a turma deveria ter se manifestado, pois existia ordem judicial que impedia o colegiado de se manifestar sobre a tempestividade do recurso voluntário. Sendo assim, tomo conhecimento dos embargos de declaração opostos pela autoridade administrativa e passo ao julgamento do recurso voluntário do contribuinte, não só em virtude da ordem judicial, mas também porque o contribuinte conseguiu comprovar nas fls. 665/666 que seu recurso é realmente tempestivo. No recurso foram alegadas as seguintes questões: a) a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, em face do indeferimento da perícia; b) a nulidade do auto de infração, em virtude de vício no enquadramento legal; c) o erro material cometido no preenchimento dos DARF, não corrigido em face do indeferimento do REDARF, culminando no não reconhecimento da opção do contribuinte pelo lucro real por parte da Administração; d) adesão ao PAES e a consequente impossibilidade de lavratura do auto de infração. A multa deveria ser excluída e, caso esse pedido não possa ser atendido, ela deveria sofrer a redução de 50%. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 A adesão do contribuinte ao PAES é um fato jurídico de extrema relevância para este processo, pois a inclusão dos débitos em processo de parcelamento, configura confissão de dívida irretratável e irrevogável, a teor do art. 15, II, da Lei nº 10.864/2003 (PAES), in verbis: Art.15. A opção pelo regime especial de parcelamento referido no art. 13 sujeita a pessoa jurídica optante: I à confissão irrevogável e irretratável dos débitos referidos no art. 14; (...) E o art. 78 do Regimento Interno do CARF estabelece o seguinte: "Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse." Cotejandose o demonstrativo de apuração da fiscalização (fls. 188/191) com a declaração PAES apresentada pelo contribuinte junto com a impugnação (fls. 505/513), verificase que a inclusão dos débitos lançados de ofício no PAES não incluiu a multa de ofício, mesmo porque o contribuinte aderiu ao PAES em 28/11/2003 (fl. 501), após o início da ação fiscal (ocorrida em 11/06/2003, fls. 09/10), mas antes da ciência do auto de infração (ocorrida em 09/12/2003, fl. 183). Além disso, a comparação acima efetuada revelou que, ao contrário do alegado pela defesa, a declaração ao PAES não abrangeu a totalidade do PIS lançado de ofício. Isto porque em vários meses a confissão de dívida no PAES foi efetuada em valores inferiores aos apurados pela fiscalização. A título de exemplo, foram constatadas as seguintes diferenças nos cinco períodos de apuração a seguir elencados: a) março de 2000 auto de infração R$ 8.092,53, declaração PAES R$ 8.078,80; b) maio de 2000 auto de infração R$ 7.158,63, declaração PAES R$ 6.399,72; c) agosto de 2000 auto de infração R$ 7.915,08, declaração PAES R$ 7.636,02; Fl. 793DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10140.003417/200334 Acórdão n.º 3403003.541 S3C4T3 Fl. 8 7 d) outubro de 2000 auto de infração R$ 7.555,84 declaração PAES R$ 3.926,68; e) novembro de 2000 auto de infração R$ 7.899,24, declaração PAES R$ 4.258,20. Sendo assim, forçoso concluir que não houve confissão irrevogável e irretratável em relação à totalidade dos débitos lançados no auto de infração, decorrendo daí a impossibilidade deste colegiado aplicar o art. 78 do RICARF (desistência tácita do recurso) à totalidade dos débitos lançados de ofício. Assim, todas as alegações contidas no recurso voluntário devem ser conhecidas e analisadas por este colegiado, pois elas são comuns tanto à parcela do lançamento incluída no PAES, quanto à parcela do auto de infração que excede a declaração PAES. Nesse passo, a defesa alegou em preliminar a nulidade da decisão da DRJ por ter indeferido o pedido de perícia. Não tem razão o contribuinte. Isto porque a DRJ motivou o indeferimento da perícia na sua desnecessidade, tanto que o contribuinte apresentou argumentação em sede recursal procurando demonstrar que a perícia era necessária. Há que se concordar com a turma de julgamento de primeira instância. A perícia requerida é totalmente desnecessária, pois além dos documentos juntados ao processo permitirem a formação da livre convicção do julgador, a resposta aos quesitos apresentados é matéria que se encontra no âmbito da competência dos auditoresfiscais da Receita Federal, não requerendo para seu deslinde o conhecimento de um expert. Assim, rejeitase a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ Campo Grande, com base no disposto dos arts. 18 e 28, parte final, do Decreto nº 70.235/72. Outra nulidade alegada foi o vício no enquadramento legal, pois segundo a recorrente, o art. 77 do DecretoLei nº 5.844/43 não possui nenhum inciso III, conforme citado pela fiscalização. Além disso, não foi citado o inciso do art. 149 do CTN no qual se enquadraria o caso concreto. Mais uma vez não tem razão a defesa, pois é pacífico o entendimento jurisprudencial no sentido de que o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não do enquadramento legal. Da descrição dos fatos depreendese que o lançamento por homologação (art. 150 do CTN) foi revisto de ofício com base no art. 149, V do CTN. No entender da fiscalização o lançamento por homologação foi feito de forma inexata pelo contribuinte, pois as DCTF apresentadas continham valores inferiores aos apurados na escrituração. No mesmo sentido, é evidente que a fiscalização ao mencionar o art. 77 do Decreto nº 5.844/43 estava se referindo à alínea "c" em vez do citado inciso III. No entender da fiscalização, tendo o contribuinte optado pelo lucro presumido, as declarações apresentadas com base no lucro real foram inexatas. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Sendo assim, o lapso manifesto em indicar inciso inexistente no art. 77 do DecretoLei nº 5.844/43 ou mesmo a ausência do inciso do art. 149 do CTN, que autoriza a revisão de ofício do lançamento, não acarretaram cerceamento de defesa, uma vez que o ilustre advogado representante do contribuinte apresentou impugnação e recurso voluntário com argumentação robusta, atacando o cerne das irregularidades que lhe foram imputadas. Esse entendimento está consolidado nesta instância de julgamento, a teor dos seguintes julgados: RECURSO “EX OFFICIO” – IRPJ – PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO – Não inquina de nulidade o auto de infração eventual impropriedade na indicação do enquadramento legal, ou mesmo a inclusão de artigo do Regulamento do Imposto de Renda que não tem pertinência direta com a matéria, quando a descrição dos fatos das infrações nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. Recurso ex officio a que se dá provimento. (Ac. 10195.079, Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez, unânime) NULIDADE. A alegação de que o incorreto enquadramento legal acarreta nulidade da Peça Infracional não há de prosperar quando os fatos estão corretamente descritos de forma a permitir a compreensão e defesa ampla da recorrente das acusações que lhe são impostas e, mais ainda, quando correto o enquadramento legal efetuado pelo Fisco. Preliminar rejeitada. (...) (Ac. 20401.145, Rel. Cons. Nayra Bastos Manatta, unânime.) (...) NULIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL. Não ocorre nulidade do auto de infração por deficiência de enquadramento legal, quando descritos com precisão os fatos referentes ao lançamento, não havendo prejuízo à defesa, uma vez que a interessada deve se defender dos fatos que lhe foram imputados. Tal falha pode ser saneada pela autoridade julgadora, não constituindo agravamento ou aperfeiçoamento do lançamento. (...) (Ac. 20179.611, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, unânime) Com esses fundamentos, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração. No mérito, o contribuinte alegou nas entrelinhas que parte dos débitos apurados pela fiscalização surgiram em razão da Administração não ter considerado sua opção pela tributação do imposto de renda com base no lucro real, que determinaria a tributação da contribuição ao PIS no regime nãocumulativo possibilitando, assim, o desconto de créditos. No termo de constatação fiscal de fls. 31/32, a fiscalização fundamentou o lançamento do PIS com base no regime cumulativo ao argumento de que, embora o Fl. 795DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10140.003417/200334 Acórdão n.º 3403003.541 S3C4T3 Fl. 9 9 contribuinte tenha apresentado as DIPJ com base no lucro real nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002; efetuou os recolhimentos do imposto com o código de arrecadação 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO). Tais recolhimentos, implicam opção definitiva pelo lucro presumido para todo o anocalendário correspondente, a teor do art. 516 e seus parágrafos do RIR/99. Os comandos dos §§ 1º e 4º do art. 516 são de clareza vítrea: Art.516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº9.718, de 1998, art. 13). §1ºA opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §1º). (...) §4ºA opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, §1º). (...) Por seu turno, nas fls. 40/41 se pode constatar que a autoridade administrativa indeferiu os pedidos de retificação de DARF, sob a alegação de que o contribuinte não comprovou o erro e que o pedido contraria o art. 516, do RIR/99 (ou seja, se a opção é definitiva, não há que se retificar o DARF para mudar uma opção que a lei diz que é definitiva). Em sua impugnação, o contribuinte alegou que o pedido não poderia ter sido indeferido e que não contraria o art. 516 do RIR/99, juntando cópias das declarações do IRPJ e cópias do livro de apuração do lucro real, no intuito de demonstrar o erro que teria cometido no preenchimento dos códigos de arrecadação, esperando, com isso, que este colegiado reconheça o erro cometido ou que determine que a autoridade administrativa efetue a retificação dos DARF. Contudo, o CARF não tem competência nem para apreciar o pedido de retificação de DARF, nem para reformar o indeferimento da retificação negada pela Administração e muito menos para ordenar que a autoridade administrativa efetue a retificação à vista das declarações de IRPJ e do livro LALUR juntados ao processo. Isto porque compete exclusivamente à Delegacia da Receita Federal o juízo quanto à existência ou a inexistência do erro alegado pelo contribuinte e tal decisão não está sujeita a contestação por meio dos recursos disponíveis no Decreto nº 70.235/72. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 A IN SRF nº 672/2006 estabelece um procedimento sumário para a retificação de DARF. Ou o contribuinte comprova o erro e os DARF são retificados, ou não comprova o erro e tudo fica como está. O ato normativo não prevê nenhum recurso. Quando muito, o indeferimento do pedido de retificação estaria sujeito ao recurso hierárquico, previsto no art. 56, § 1º da Lei nº 9.784/99. Sendo incontroverso nos autos que os DARF não foram retificados pela autoridade administrativa, em razão da falta da apresentação de documentos hábeis a comprovação do erro alegado, a opção do contribuinte pelo lucro presumido ocorreu nos exatos termos do art. 516 do RIR/99, sendo definitiva para aqueles anoscalendários. Isso significa que o contribuinte estava sujeito ao recolhimento do PIS no regime cumulativo, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.637/2002, e que foi correta a lavratura do auto de infração com base nas LC nº 7/70 e 17/73 e na Lei nº 9.715/98. Outra alegação da defesa, foi no sentido de que o auto de infração não poderia ter sido lavrado, ou que a multa de ofício deveria ser excluída porque houve confissão de dívida por meio da declaração PAES. Em primeiro lugar e como já foi dito alhures a declaração PAES foi apresentada após o recebimento do termo de início de fiscalização e antes da ciência do auto de infração. A apresentação da declaração PAES no curso da ação fiscal é um fato jurídico relevante. Entretanto, não é um fato apto a afastar o lançamento de ofício porque os débitos confessados pelo contribuinte não estavam confessados em nenhuma outra declaração apresentada antes do início do procedimento fiscal. Portanto, inexistindo confissão de dívida prévia ao início da ação fiscal, cabível a constituição por meio do lançamento de ofício. Quanto à penalidade infligida, a apresentação da declaração PAES no curso do procedimento fiscal impede não só a exclusão pura e simples da multa de ofício, mas também a redução de 50% prevista no art. no art. 1°, § 7°, da Lei nº 10.684/2003. Vejamos. Tendo apresentado a declaração PAES no curso da ação fiscal, o contribuinte praticou o ato de confissão de dívida ao desamparo da espontaneidade, pois a teor do art. 7º, § 1º do Decreto nº 70.235/72, o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte. Assim, a multa de ofício não pode ser simplesmente excluída neste caso concreto porque o contribuinte já tinha perdido a espontaneidade quando apresentou a declaração PAES. Por outro lado, também é incabível a redução da multa em 50% com base no no art. 1°, § 7°, da Lei nº 10.684/2003, pois o débito ainda não estava constituído e a multa não foi consolidada no processo de parcelamento. Eis a dicção legal: Art. 1º Os débitos junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, poderão ser parcelados em até cento e oitenta prestações mensais e sucessivas. § 1º O disposto neste artigo aplicase aos débitos constituídos ou não, inscritos ou não como Dívida Ativa, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de Fl. 797DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10140.003417/200334 Acórdão n.º 3403003.541 S3C4T3 Fl. 10 11 parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento. § 2º Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados, de forma irretratável e irrevogável. § 3º O débito objeto do parcelamento será consolidado no mês do pedido e será dividido pelo número de prestações, sendo que o montante de cada parcela mensal não poderá ser inferior a: (...) omissis... § 7º Para os fins da consolidação referida no § 3º, os valores correspondentes à multa, de mora ou de ofício, serão reduzidos em cinqüenta por cento. (...) omissis.... (Destaquei) A leitura do dispositivo legal invocado pela defesa não deixa nenhuma dúvida: só é passível da redução de 50% a multa de ofício incidente sobre débitos constituídos na data da opção pelo parcelamento e desde que a multa seja consolidada no parcelamento. No caso concreto não ocorreu nenhuma coisa e nem outra. O débito de PIS confessado pelo contribuinte no PAES não estava constituído, pois se foi incluído na declaração PAES é porque não se encontrava em nenhuma outra declaração apresentada espontaneamente pelo contribuinte. Esse débito também não se encontrava constituído de ofício, pois a declaração PAES ocorreu antes da ciência do auto de infração. Assim, é inequívoco que a multa de ofício não foi consolidada no parcelamento, quer pelo fato de que o débito não estava constituído de ofício na data da declaração, quer pelo fato do contribuinte ter confessado apenas o valor do principal. Se a multa não foi consolidada no processo de parcelamento, descabe a redução de 50% prevista no 1°, § 7°, da Lei nº 10.684/2003, que expressamente exige tal consolidação. A redução é para multas consolidadas no parcelamento e não para multas lançadas de ofício que não tenham sido incluídas pelo contribuinte no parcelamento. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração da autoridade administrativa com efeito modificativo para anular os Acórdãos 204 01.239 e 3402001.060, reconhecendo a tempestividade do recurso voluntário, para, no mérito, desprovêlo. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 798DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Fl. 799DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10680.725070/2010-04
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DECISÃO CITRA PETITA. NULIDADE.
É inválida a decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2301-004.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que seja proferida nova decisão, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte de Moura, OAB/MG 97.692.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECISÃO CITRA PETITA. NULIDADE. É inválida a decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões. Decisão Recorrida Nula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que seja proferida nova decisão, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte de Moura, OAB/MG 97.692. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 459 1 458 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.725070/201004 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.397 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: GFIP. INCORREÇÕES OU OMISSÕES (CFL 78). Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS (CEMIG) E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECISÃO CITRA PETITA. NULIDADE. É inválida a decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação das decisões. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que seja proferida nova decisão, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Tadeu Negromonte de Moura, OAB/MG 97.692. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 70 /2 01 0- 04 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS (CEMIG) em face do Acórdão n.º 0251.334 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), fl. 424429, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad no 37.312.2349. De acordo com o relatório fiscal de fls. 714, tratase de exigência de penalidade em razão de a COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS (CEMIG) ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nas competências 01/2006 a 13/2006, contendo as incorreções e omissões descritas no item 3 do relatório fiscal, abaixo transcrito: 1. Omitidos diversos segurados contribuintes individuais autônomos categoria 13 e respectivas remunerações entre as competências 01 a 12/2006 (anexo 01). Esses pagamentos encontramse registrados na contabilidade na conta do passivo 2113140071 e foi apresentado a fiscalização em forma de planilha excel, junto a outros arquivos solicitados (recibo anexo datado em 14/09/2010), onde se encontram discriminadas as datas, beneficiários e respectivas remunerações; 2. Omitidos diversos segurados transportadores rodoviários autônomos categoria 15 e respectivas remunerações efetuadas nas competências 01 a 12/2006 (anexo 01). Esses pagamentos encontramse registrados na contabilidade na conta do passivo 2113140071 e foi apresentado a fiscalização em forma de planilha excel, junto a outros arquivos solicitados (recibo anexo datado em 14/09/2010), onde se encontram discriminadas as datas, beneficiários e respectivas remunerações; 3. Omitidos os valores correspondentes ao montante das retenções efetuadas de seus prestadores de serviço sujeitos à retenção sobre o valor bruto das notas fiscais e faturas emitidas no decorrer do mês (anexo 02); No relatório fiscal também ficou consignado que as contribuições previdenciárias referentes a estes fatos geradores foram recolhidas antes do início do procedimento fiscal; que, embora intimada, a autuada deixou de apresentar GFIP retificadora e de prestar esclarecimentos; que foi aplicada, retroativamente, a multa prevista no § 2º do art. 32A da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11.941/2009, por ser mais benéfica. Foi emitido termo de sujeição passiva solidária, fls. 8085, atribuindo responsabilidade pelo adimplemento do crédito tributário, à CEMIG Geração e Transmissão S/A, CNPJ 06.981.176/000158 e à CEMIG Distribuição S/A, CNPJ 06.981.180/000116, na condição de responsáveis solidárias integrantes do grupo econômico, com base no art. 30, IX, da Lei 8.212/91 e art. 124, I do CTN. Os sujeitos passivos apresentaram impugnação única, fls. 96107, reconhecendo a infração na parte correspondente às omissões ou incorreções de dados relacionados às retenções sobre notas fiscais de serviços e aos segurados contribuintes Fl. 461DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725070/201004 Acórdão n.º 2301004.397 S2C3T1 Fl. 460 3 individuais enquadrados na categoria 13, pedindo o cancelamento da multa em relação aos transportadores autônomos, contribuinte individuais enquadrados na categoria 15, e a exclusão dos responsáveis tributários, alegando o seguinte: a) sustenta que é indevida a inclusão, em GFIP, dos transportadores autônomos relacionados no auto de infração, taxistas que prestaram serviços aos empregados da autuada, sendo que esses últimos efetuaram os pagamentos diretamente aos taxistas e depois tiveram o valor reembolsado pela empresa, conforme comprovantes em anexo; b) informa que recolheu a multa decorrente de omissão de segurados contribuintes individuais e omissão de valores retidos em razão da prestação de serviços por pessoa jurídica; c) questiona a atribuição de responsabilidade solidária. A DRJ converteu o julgamento em diligência. A autoridade lançadora, em resposta, manifestouse: a) pela improcedência da multa nas competências 03/2006 e 12/2006, por haver duplicidade, uma vez que, indevidamente, está sendo exigida multa pela mesma infração no AIOP nº 37.312.2330, CFL 68, Comprot nº 10680.725069/201071, e, b) pela extinção do crédito tributário decorrente da multa reconhecida como devida, e paga pela autuada. Após, a DRJ julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário lançado: a) excluiu as multas aplicadas nas competências 03/2006 e 12/2006, por haver duplicidade, b) afastou a responsabilidade solidária, por entender que não se aplica em relação às multas por descumprimento de obrigação acessória. O acórdão recorrido rejeitou as demais alegações com base no fundamento de que o motorista de táxi é enquadrado no Regime Geral de Previdência Social como transportador rodoviário autônomo, os quais prestaram serviços à empresa, conforme comprova a sua contabilidade. Por fim, determinou que fosse apropriado o pagamento da multa, efetuado após a autuação. Os sujeitos passivos foram intimados da decisão de primeira instância em 20/01/2014, nos termos do AR de fls. 434439. Em 19/02/2014, COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS (CEMIG) interpôs recurso voluntário, fl. 440446, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são: Os valores identificadas no Anexo 01 do auto de infração como pagamentos a transportadores autônomos, categoria 15, referemse a reembolso de despesas de táxi de empregados da Recorrente, incorridas por necessidade do serviço, tanto que os beneficiários dos pagamentos, conforme registrado na contabilidade, são os empregados da Recorrente que tomaram esses serviços e foram reembolsados, conforme demonstram os formulários de solicitação de reembolso e recibos de despesas com táxi, juntados com a impugnação. Requer o cancelamento da multa correspondente aos transportadores autônomos taxistas e o reconhecimento da extinção do crédito tributário correspondente aos valores recolhidos por meio de GPS. É o relatório. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Invalidade do Acórdão Recorrido Há questões processuais que devem ser analisadas em primeiro plano para que seja assegurada a validade do processo. Os sujeitos passivos apresentaram impugnação tempestiva, apresentando, dentre outros argumentos, a alegação de que os trabalhadores relacionados no Anexo 01 do relatório fiscal, fls. 1520, enquadrados pela fiscalização na categoria de segurados contribuintes individuais transportadores autônomos (categoria 15 taxistas), são, na verdade, empregados da autuada Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), e os valores que a fiscalização considerou como pagamentos a taxistas, são, na verdade, valores pagos àqueles empregados a título de reembolso de despesas com táxi. A fim de demonstrar a veracidade do alegado, as interessadas apresentaram, com a impugnação, formulários de pedidos de ressarcimento de despesas com táxi, acompanhados dos comprovantes de pagamento de serviços de táxi, fls. 196368, e a relação de funcionários que utilizaram o cartão corporativo em 2006, fls. 370376. Entretanto, o acórdão recorrido deixou de se pronunciar especificamente sobre essas alegações e sobre os documentos juntados na impugnação, que também não foram analisados pela autoridade lançadora quando instada a se manifestar em sede de diligência fiscal. A decisão que deixa de enfrentar e decidir causa de pedir ou alegação suscitada pela defesa, e que seja indispensável a sua solução, está contaminada por defeito que compromete a sua validade por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório, ao duplo grau de jurisdição, bem como à exigência de motivação das decisões (art. 93, IX, da CF/88). O Decreto 70.235/72, em seu art. 59, inciso II, confere nulidade às decisões proferidas com preterição do direito de defesa. O Superior Tribunal de Justiça tem decidido que o vício gerado por decisão citra petita leva à anulação da decisão para que outra seja proferida em seu lugar, inclusive apontando para a natureza de nulidade absoluta do vício, com a consequente possibilidade de reconhecimento de ofício pelo órgão julgador1. 1 REsp 686.961/RJ, 2a Turma, rel Min. Eliana Calmon, j. 04.04.2006, DJ 16.05.2006; REsp 756844/SC, 5a Turma, rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, j. 15.09.2005, DJ 17.10.2005. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10680.725070/201004 Acórdão n.º 2301004.397 S2C3T1 Fl. 461 5 Conclusão Com base no exposto, voto por ANULAR o Acórdão n.º 0251.334 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte, cabendo, ao órgão julgador de primeira instância, proferir nova decisão suprindo as omissões apontadas. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 464DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000170/2009-83
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE.
A acepção da expressão serviços hospitalares, inscrita na alínea a, inciso III, §1º, do artigo 15 da Lei nº 9.249/95, em sua redação anterior à Lei nº 11.727/2008, foi delineada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RESP 1.11.399/BA. Interpretação que deve ser observada pelos julgadores do CARF, por força do artigo 62-A do Regimento. Improcedência da exigência de estrutura para internação e de outros requisitos postos em atos infralegais que excedam a exegese firmada no recurso representativo de controvérsia.
Numero da decisão: 1801-002.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Maria de Lourdes Ramirez (Relatora) e Ana de Barros Fernandes que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A acepção da expressão serviços hospitalares, inscrita na alínea a, inciso III, §1º, do artigo 15 da Lei nº 9.249/95, em sua redação anterior à Lei nº 11.727/2008, foi delineada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RESP 1.11.399/BA. Interpretação que deve ser observada pelos julgadores do CARF, por força do artigo 62-A do Regimento. Improcedência da exigência de estrutura para internação e de outros requisitos postos em atos infralegais que excedam a exegese firmada no recurso representativo de controvérsia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Maria de Lourdes Ramirez (Relatora) e Ana de Barros Fernandes que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A acepção da expressão “serviços hospitalares”, inscrita na alínea a, inciso III, §1º, do artigo 15 da Lei nº 9.249/95, em sua redação anterior à Lei nº 11.727/2008, foi delineada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RESP 1.11.399/BA. Interpretação que deve ser observada pelos julgadores do CARF, por força do artigo 62A do Regimento. Improcedência da exigência de estrutura para internação e de outros requisitos postos em atos infralegais que excedam a exegese firmada no recurso representativo de controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Maria de Lourdes Ramirez (Relatora) e Ana de Barros Fernandes que negavam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 01 70 /2 00 9- 83 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Leonardo Mendonça Marques – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Instituto Radiológico São Carlos S/S recorre a este Conselho de acórdão proferido pela 3a. Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra os lançamentos de IRPJ e CSLL consubstanciados nos autos. Contra a empresa foram lavrados autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL, com crédito tributário total constituído no valor de R$ 395.288,35, incluídos os valores principais, multa de ofício e juros de mora, pela constatação de irregularidades apuradas no anocalendário 2005, e que se referem à aplicação de índice de presunção do lucro em alíquota diversa daquela determinada para a atividade. Como consta do relato da autoridade fiscal a recorrente teria se utilizado da alíquota de presunção de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, determinada exclusivamente para as atividades de prestação de serviços hospitalares e que são considerados hospitalares aqueles serviços de assistência à saúde prestados em ambientes que possuam estrutura física, pessoal e equipamentos condizentes com um complexo hospitalar, tal como definiria a IN SRF 480/2004, art. 27, com a redação dada pela IN 539/2005. Do Termo de Verificação Fiscal, constou: a) conforme consta do contrato social não são oferecidos tratamentos que requeiram internação, assistência em período integral ou atendimento em regime de urgência. Aduziu que a o Instituto Radiológico de São Carlos não funciona à noite, aos sábados, aos domingos e aos feriados, o que é incompatível com a demanda de uma unidade hospitalar que mantenha internados; b) a folha de pagamentos registra funcionários ligados apenas às atividades de diagnósticos por meio de imagens. Inexistem enfermeiros ou auxiliares de enfermagem, cozinheiros, serviços de lavanderia ou de destinação de lixo hospitalar; c) o alvará de funcionamento do Instituto Radiológico de São Carlos não menciona outros serviços que não sejam os relacionados à atividade de radiologia, o que afasta a possibilidade de desenvolvimento de serviços hospitalares; d) a licença de funcionamento expedida pelo Centro de Vigilância Sanitária permite apenas a "atividade médica ambulatorial restrita a consulta" o que é restritivo e impossibilita o oferecimento de serviços hospitalares; e) dentre os equipamentos componentes de seu ativo constam apenas aqueles relacionados a diagnóstico por imagem, inexistindo aqueles indispensáveis aos serviços de uma unidade hospitalar, como leitos em número suficiente, equipamentos de tratamento intensivo, etc; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 18088.000170/200983 Acórdão n.º 1801002.026 S1TE01 Fl. 277 3 f) além de inexistirem equipamentos, não há instalações necessárias à manutenção de atividades hospitalares; g) o corpo clínico restringese aos sócios e eventualmente são contratadas outras empresas para prestar serviços inerentes à atividade da impugnante. Não foram identificados outros prestadores de serviços médicos como cirurgiões, clínicos ou de outra especialidade; h) os contratos de prestação de serviços em que a contribuinte figura como contratada restringemse aos serviços de radiologia e diagnóstico. Em impugnação tempestivamente apresentada argüiu, a empresa, em síntese (como extraído do relatório da DRJ em Ribeirão Preto/SP): inexiste qualquer exigência de natureza legal para que seja consignado no contrato social o horário de funcionamento ou estrutura de internação e que exerce atendimento fora do horário comercial, inclusive sábados, domingos e feriados, em regime de plantão, em que os profissionais responsáveis pela prestação dos serviços são acionados por meio de telefone celular; inexiste dispositivo legal que determine quais especialidades de profissionais um hospital deva empregar, ou que determine a existência em suas dependências de cozinha, lavanderia ou equipamento específico; tampouco que deva constar dos alvarás e licenças de funcionamento a expressão "serviço hospitalar”; improcede a afirmação da autoridade fiscal de que a limitação do corpo clínico apenas aos sócios descaracteriza a natureza hospitalar do estabelecimento; a análise dos motivos que fundamentaram a autuação conduz à conclusão de que apenas seriam estabelecimentos hospitalares aqueles que dispusessem de ampla estrutura física e de pessoas para atendimento das mais diversas especialidades médicas, o que abrangeria um reduzido número de estabelecimentos; o ADI SRF 18/2003 define que se consideram serviços hospitalares aqueles prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias; atendeu aos requisitos para que os serviços prestados sejam enquadrados como serviço hospitalar, previstos na IN 539/2005, a saber, a) serviços hospitalares ligados à atenção à saúde, nos termos da RDC Anvisa 50/2002, b) prestados por empresário ou sociedade empresária, e, c) em instalações que atendam o item 3, parte II da RDC Anvisa 50/2002, comprovado mediante licença expedida pela vigilância sanitária; para exercer as atividades de imagenologia e radioterapia necessita estrutura de atendimento e, eventualmente, de internação, conforme descrito na RDC 50/2002, da Anvisa; além das instalações físicas de que dispõe, também desenvolve atividades nas instalações da Santa Casa de São Carlos, que apresenta estrutura hospitalar; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 4 existem diversas decisões da administração tributária, proferidas em processos de solução de consulta, que reconhecem a apuração reduzida da base de cálculo dos tributos; o advento da Lei n º 11.727/2008 reconheceu a tributação benéfica para as atividades que realiza; a multa imposta é punitiva, abusiva e confiscatória. A Turma Julgadora de 1a. Instância, ao apreciar o litígio, afastou as preliminares que pugnaram por solicitar posterior juntada de documentos, prova pericial e sustentação oral. Também foram afastadas as razões relacionadas à decadência, cerceamento do direito de defesa e ausência de requisitos formais no lançamento. No mérito, depois de historiar e reproduzir a legislação de regência que se sucedeu na matéria, assinalou que os atos normativos vigentes delimitaram a definição do conceito de serviços hospitalares àqueles prestados por empresário ou sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da IN 360/2003; àqueles que atendam ao requisito do artigo 27 da IN SRF n.° 480, de 2004; e, posteriormente, aos que atendam aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada pela IN SRF n.° 539, de 2005. Observou que não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, mesmo que envolvam o concurso de auxiliares ou colaboradores sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo. Consignou que eventual direito à aplicação da alíquota de 8% introduzida pela Lei n º 11.727/2008, apenas poderia ser reconhecido depois que citada alteração legal passou a viger, o que não seria o caso dos autos. Afastou as razões de defesa deduzidas contra a imposição da multa de ofício e julgou improcedente a impugnação. Cientificada da decisão, em 11/04/2011, apresentou a interessada, em 09/05/2011, recurso voluntário. Reproduz as razões de defesa de mérito deduzidas na impugnação, acrescentando que o Superior Tribunal de Justiça teria pacificado o entendimento, inclusive em sede da sistemática de recursos repetitivos, no sentido de importar para a redução da base de cálculo presumida a essência do serviço e não quem o presta, consagrando assim o critério objetivo como determinante para a redução da base se cálculo, em detrimento do entendimento do Fisco que defende como determinante o critério subjetivo. Transcreve ementa do acórdão proferido no REsp 951.251/PR e REsp 1116399/BA. Qualifica a multa imposta de abusiva e pugna, ao final: 1) pelo provimento total do recurso; 2) alternativamente, redução da penalidade a percentuais consentâneos com sua finalidade punitiva; 3) apreciação de todas as razões de defesa, sob pena de nulidade; 4) sustentação oral no julgamento do CARF. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 18088.000170/200983 Acórdão n.º 1801002.026 S1TE01 Fl. 278 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Não há questões preliminares a serem apreciadas, o que leva ao exame imediato do mérito. Com efeito, não são todas as empresas que prestam serviços à saúde que podem ser consideradas como prestadoras de atividades hospitalares para fins de aplicação do percentual mais reduzido de presunção do lucro. A questão foi abordada pela então Secretaria da Receita Federal, SRF, primeiramente, na IN SRF nº 306, de 2003 (artigo 23), posteriormente revogada pela IN SRF nº 480, de 2004, que foi alterada, por sua vez, pela IN SRF nº 539, de 2005, que em seu artigo 27 incluiu mais algumas exigências para a caracterização dos chamados “serviços hospitalares”. A administração tributária ao redigir os referidos preceitos infralegais deixou claro que a pessoa jurídica para ser considerada prestadora de serviços hospitalares deve necessariamente possuir estrutura física condizente com as atividades prestadas por um hospital. Assim dispõe a íntegra do artigo 27 da IN SRF n º 539, de 2005: "Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n º 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); Fl. 280DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 6 b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). § 1º A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. § 2º São também considerados serviços hospitalares, para fins do disposto nesta Instrução Normativa, os seguintes serviços prestados por empresário ou sociedade empresária: I préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); II de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida."(NR) (grifos não pertencem ao original) Assim, a norma interpretativa dá o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico, dispondo de mais de um profissional médico, se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir. Mas as instruções normativas não servem para legislar. Somente elucidam a norma tributária e constituem fonte secundária do Direito Tributário. Frisese, são atos interpretativos que não podem ir além ou modificar aquilo que foi determinado na lei tributária.. Posto isto, há que se ater à norma contida no artigo 15, da Lei nº 9.249/95, que dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Fl. 281DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 18088.000170/200983 Acórdão n.º 1801002.026 S1TE01 Fl. 279 7 [...] Nesse contexto verifico que a defesa pretende estender o conceito de atividade hospitalar, como esclarecido ate aqui, à sua atividade de prestação de serviços de exames de imagem, afirmando, por exemplo, que prestaria serviços emergenciais fora do horário comercial – sábados, domingos e feriados – “sob o regime de plantão, ou seja, os profissionais responsáveis pela prestação de serviços são acionados através de telefone celular e imediatamente realizam o atendimento de urgência”. Pertinente, então, a seguinte indagação: Que tipo de situação emergencial pode aguardar até que um profissional de saúde seja acionado, via telefone celular, no lugar em que se encontre para que compareça ao estabelecimento a fim de prestar o imediato socorro que uma situação emergencial demanda? Te toda a forma a recorrente não provou que exerce atividade hospitalar. Na verdade a recorrente presta serviços de exames de imagem – imagenologia e radiologia. Sua atividade não se insere no conceito de atividade hospitalar. A norma tributária, vigente à época, não determinou que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. E quando a norma não prevê, não cabe ao intérprete o fazer, especialmente em se tratando de normas tributárias, cuja tipicidade é cerrada. Aliás, esse tema foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça, como bem lembrou a defesa. A jurisprudência da Corte Superior foi pacificada no mesmo sentido que ora é sustentado. A exemplo, citese o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95.O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 30.10.06). No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção.3. Recurso especial provido. Colaciono, ainda, trecho de outro voto proferido pelo Exmo Ministro Castro Meira, no julgamento do Edcl nos Edcl no REsp n º 951.251, que muito bem ilustra o posicionamento daquela corte: Destarte, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", assim "em rega, mas não necessariamente, são Fl. 282DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 8 prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". (*) destaquei Em 2008, com vigência a partir de 01/01/2009, foi editada a Lei n º 11.727, que estendeu o benefício da alíquota de presunção reduzida a outras atividades relacionadas à saúde, além dos serviços hospitalares: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Artigo 15. (...) § 1º (...) (...) III (...) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; Importante frisar que apesar de ter estendido o benefício a outras atividades relacionadas à saúde, a Lei manteve a determinação de que a organização da empresa se dê na forma de sociedade empresária Contudo, os fatos se reportam ao ano de 2005, quando ainda não existia a Lei n º 11.727, de 2009. Como a referida Lei não tem natureza interpretativa, seus efeitos não podem alcançar fatos jurídicos anteriores à sua vigência. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Redator Designado A lide em tela envolve a apreensão da mais adequada leitura do artigo 15, § 1º, alínea a, da Lei nº. 9.249/95, naquilo em que afastou os serviços hospitalares do percentual de 32% para a apuração do lucro presumido alocado para os prestadores de serviços em geral. Segue a redação da norma legal: Fl. 283DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 18088.000170/200983 Acórdão n.º 1801002.026 S1TE01 Fl. 280 9 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Diante da suposta imprecisão da expressão “serviços hospitalares”, a Receita Federal tratou de emitir a sua interpretação, em diversos atos administrativos, dentre os quais figuraram a Instrução Normativa SRF 480/2004, e IN 539/2005, inspiradores da autuação ora analisada. Dizia o ente tributante (com oscilações) que o relevante seria: estrutura para internação, atendimento de urgências médicas, composição não apenas de corpo clínico de médicos, e outros. Mas, o requisito sine qua non, na exegese fiscal, seria a estrutura condizente com hospital, que estaria delineada na capacidade de internação. Nessa linha interpretativa seguiu também o voto da i. Conselheira Relatora, Maria de Lourdes Ramirez, que ressaltou tratarse, nestes autos, de contexto fático anterior à redação do artigo supra transcrito, na forma alterada pela Lei nº 11.727/2008. Com a devida vênia, divergi de tal posicionamento, não apenas diante do entendimento pessoal firmado acerca dos equívocos interpretativos das IN’s já referidas, como também perante a definição do Superior Tribunal de Justiça acerca do tema (enfocando a redação original do artigo 15 da Lei nº 9.249/95), adotada na sistemática do artigo 543C, do CPC. O processo julgado pela 1ª Seção do STJ, alçado à condição de representativo de controvérsia, foi o RESP 1.116.399/BA, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 10 VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249∕95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429∕95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249∕95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249∕95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727∕08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249∕95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249∕95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 18088.000170/200983 Acórdão n.º 1801002.026 S1TE01 Fl. 281 11 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ. Cabe destacar que a definição jurisprudencial firmada no julgado acima, que vincula os julgadores deste e. Colegiado Administrativo (art. 62A do Regimento), indubitavelmente versou a controvérsia firmada sob a vigência da redação original do artigo 15 da Lei nº 9.249. Além da expressa ressalva no item 4 da ementa supra, lêse no voto do d. Ministro Relator: Quanto ao mais, nos termos relatados, a controvérsia dos autos reside na discussão a respeito da forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429∕95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL, preconizada pelo artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", com redação anterior à vigência da Lei 11.727∕2008, combinado com o artigo 20 da mesma lei. Assim, o acórdão que definiu a matéria de recursos repetitivos versou o mesmo plexo de normas tratado nos presentes autos, anterior à alteração promovida pela Lei nº 11.727/08. Eis o entendimento do Superior Tribunal de Justiça acerca da exigência suscitada pela Receita Federal, para a caracterização de “serviço hospitalar” pela estruturação apta à internação de pacientes (trecho do item 2 da ementa): “2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249∕95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 12 obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249∕95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares." Em verdade, o julgamento que definiu tal orientação na 1ª Seção foi do RESP 951.251/PR, citado no acórdão do RESP 1.116.399/BA. Foram três pedidos de vista, com a conclusão no mesmo sentido. A ementa é um pouco mais precisa que a do “recuso repetitivo”, nos termos abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, "A", E 20 DA LEI Nº 9.249∕95. SERVIÇO HOSPITALAR. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249∕95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. Observação de que o Acórdão recorrido é anterior ao advento da Lei nº 11.727∕2008. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 18088.000170/200983 Acórdão n.º 1801002.026 S1TE01 Fl. 282 13 contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. Nesse mesmo julgado há citação de diversos precedentes do Conselho de Contribuintes, apontando a mesma direção cognitiva, sobre a improcedência dos requisitos alinhavados pela Receita Federal em seus atos infralegais. Enfocando especificamente o caso dos presentes autos, estáse a apreciar a tributação de clínica radiológica, que desenvolve a atividade de diagnóstico por imagem. É evidente que a recorrente suporta “custos diferenciados do simples atendimento médico”, já que os equipamentos para tanto tem valor elevado, consomem insumos para seu funcionamento, devem contar com pessoal especializado para sua operação e utilizam energia elétrica em patamares muito superiores àqueles gastos pelo médico em mera consulta ambulatorial. A clínica radiológica enquadrase no escopo dos contribuintes vislumbrados pelo STJ, pois sua atuação, além de mais dispendiosa, relacionase com a assistência à saúde, em apoio aos hospitais (dentro ou fora deles) no diagnóstico e tratamento de patologias menos simples, tais como fraturas e pneumonias. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu sobre o tema, no AgRg nos ERESP 883.537 (Relator, Ministro Luis Fux), tratando de clínica radiológica, e aplicando a definição anteriormente fixada no RESP 1.116.399/BA, nos seguintes termos: “In casu, o Tribunal a quo, com ampla cognição fáticoprobatória, assentou que a empresa recorrida presta serviços de diagnóstico por imagem, compreendendo a radiologia em geral, ultrasonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, densitometria óssea e mamografia, os quais, consoante fundamentação expendida, enquadramse no conceito legal de serviços médicohospitalares, estabelecido pela Lei 9.249∕95.” Entendo que a fundamentação da decisão da d. DRJ, e os elementos que pretenderam dar lastro ao lançamento, ambos apoiados e inspirados nas IN’s da Receita Federal que restringiram o comando legal benéfico ao contribuinte, não procedem. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 14 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 20/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
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Numero do processo: 13864.000287/2008-15
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
TRIBUTÁRIO. CSLL. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO.
As empresas optantes pela tributação relativa à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo das referidas exações os valores recebidos pelas empresas prestadoras dos serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções
Numero da decisão: 1803-002.573
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Ausente, temporariamente, a Conselheira CRISTIANE SILVA COSTA.
(Assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Arthur José André Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK, CRISTIANE SILVA COSTA e RICARDO DIEFENTHAELER.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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IRPJ. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo das referidas exações os valores recebidos pelas empresas prestadoras dos serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 TRIBUTÁRIO. CSLL. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. As empresas optantes pela tributação relativa à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo das referidas exações os valores recebidos pelas empresas prestadoras dos serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 87 /2 00 8- 15 Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 29/05/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. Ausente, temporariamente, a Conselheira CRISTIANE SILVA COSTA. (Assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK, CRISTIANE SILVA COSTA e RICARDO DIEFENTHAELER. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa RESOLVE SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito. 2. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (ff. 1184/1189), o contribuinte foi autuado por divergências entre os valores de pagamentos declarados em DIRF a favor da recorrente por diversas empresas e o que foi por ela inserido na DIPJ, referente ao ano calendário de 2004, revelando possível omissão de receitas. A seguir, síntese dos fatos apresentados pela fiscalização: “1. Tratase esta de ação fiscal iniciada por parte desta Delegacia de São José dos Campos, objetivando a verificação de divergência existente entre os valores de pagamentos declarados em DIRF para a fiscalizada, por diversas empresas, e os valores constantes na DIPJ da mesma, em relação ao ano calendário de 2004. Este fato demonstra possível omissão de receitas, com falta de recolhimento de tributos referente a receitas de prestação de serviços de locação de mão de obra ( fls. 41 a 45 ). 2. Em vista disto, foi iniciada ação fiscal na empresa, através do MPF acima identificado, pelo qual foi intimada a empresa, através do Termo de Inicio de Ação Fiscal de 28/09/2007, a apresentar seus livros contábeis e fiscais, e demais informações (f. 47). 3. A empresa apresentou, em 19/10/07, os elementos solicitados. Entre eles consta uma certidão da Justiça Federal, referente ao processo n. 2002.61.03.0039615, pelo qual a Fiscalizada obteve a segurança reconhecendo a inexigibilidade das contribuições denominadas COFINS e PIS, bem como do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, exigidas da Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 29/05/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13864.000287/200815 Acórdão n.º 1803002.573 S1TE03 Fl. 3 3 impetrante, empresa de trabalho temporário, cuja incidência tenha como base de cálculo "verbas de puro repasse", ficando a impetrante desobrigada do respectivo recolhimento (f. 51). 4. Como podemos observar, não existe nenhuma referência em relação ao recolhimento do IRPJ e da CSLL. 5. Tendo em vista então a análise da DIPJ da empresa, das DIRF apresentada pelos clientes da mesma, e em comparação com o seu livro RAZÃO, em especial as contas contábeis 107.7457 h 115.7467 (fls. 1166 a 1175), concluise que a fiscalizada vem reconhecendo como receita e oferecendo à tributação apenas um percentual dos valores totais constantes nas notas fiscais de prestação de serviços. 6. Assim, em 20/12/2007, procedeuse à circularização dos principais clientes da Fiscalizada, com o objetivo de arrecadarse as cópias das notas fiscais de prestação de serviços emitidas, objetivando comprovar a já citada tributação a menor. Foram circularizadas inúmeras empresas, entre as quais obtivemos retorno em relação às seguintes empresas: Metallince Ind. e Com. Ltda fls. 59 a 109; Radicifibras Ind. ,e Com. Ltda fls. 113 a 154; Wow Ind. E Com. Ltda fls. 158 a 239; Logoplaste do Brasil Ltda fls. 242 a 266; Vicari Ind. e Com. de Madeiras fls. 270 a 444; Directnet Prestação de Serviços Ltda fls. 448 a 482; Tecsys do Brasil Ind. Ltda fls. 486 a 517; Loghis Logística e Serviços Ltda fls. 521 a 548; Kodak Bras. Com . de Prod. Imagem e Serv. Ltdafls.551 a 690; TI Brasil Ind. E Com. Ltda fls. 694 a 937; Rio Negro Com. e Ind. De Ago S/A fls. 941 a 1017; Fundação João Paulo II fls. 1021 a 1045; Biemme do Brasil Ltda fls 1049 a 1076; 7. Isto feito, foi confeccionada a planilha às fls. 1084 e 1085, pela qual se apurou o que segue, em relação ao ano de 2004: Valores declarados em DIP) Soma das DIRF de seus clientes Diferença a menor R$ 446.498,00 R$ 2.521.772,53 R$ 2.075.274,53 8. Apurada esta diferença foi a Fiscalizada intimada, através do TIF de 11/06/2008, com cópia da planilha cima citada, a justificar esta diferença (f. 1082). 9. Em 07/07/2008, o representante da Fiscalizada apresentou resposta ao TIF do item anterior (fls. 1087 a 1096), objetivando esclarecer os fatos. Assim resumese sua argumentação: Que a Declarante é pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços de agenciamento e locação de mãodeobra temporária, nos termos da Lei 6.019/74; Que a Declarante seria mera intermediária entre o trabalhador temporário e a empresa tomadora de serviços; Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 29/05/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 Que a base de cálculo para os impostos e contribuições deveria ser calculados apenas sobre o prep ajustado do serviço (taxa dos serviços, taxa de administração); Que seria um confisco Tributário a cobrança dos tributos sobe o valor total das notas; Apresentou ainda a Fiscalizada uma planilha (f. 1104), na qual demonstra qual seria a taxa de serviço (prego dos serviços, taxa administração), e quais seriam os valores pela qual a mesma atuaria como simples intermediária de recursos entre a empresa tomadora dos serviços e os trabalhadores temporários; Ainda, na sequência, encontramse inúmeras cópias de notas fiscais por ela emitidas, onde se pode verificar, em destaque, os valores dos pregos dos serviços por ela cobrados (fls. 1105 a 1124), que podem variar de 12% até 25%. 10. Em 28/07/08, através do Termo de Intimação Fiscal de 17/07/2008, a Fiscalizada foi intimada a apresentar a cópia da petição inicial e da última decisão do processo judicial rig 2002.61.03.0039615 (f. 1125). 11. Estes elementos foram apresentados em 01/08/2008, e constam às fls. 1128 a 1164). Por eles se pode comprovar a existência da ação judicial, porém somente referente ao PIS, à COFINS e ao IRRF.” 3. Após devidamente intimado do lançamento o contribuinte apresentou impugnação tempestiva. No entanto, a Delegacia da Receita manteve o lançamento. A ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Lucro Presumido. Empresas de Locação de Trabalho Temporário. Receita Tributável. Na sistemática do Lucro Presumido, a receita bruta das empresas que tenham por objetivo a prestação do serviço de locação de mão de obra, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ, é representada pela totalidade dos valores cobrados de seus clientes, sendo inadmissível, por falta de previsão legal, a pretensão de tributar apenas a parcela relativa à chamada “taxa de administração”. Igualmente, é vedado excluir quaisquer parcelas da receita bruta como, por exemplo, as relativas ao pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores, que nada mais são do que custos da empresa prestadora do serviço. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 Lucro Presumido. Empresas de Locação de Trabalho Temporário. Receita Tributável. Na sistemática do Lucro Presumido, a receita bruta das empresas que tenham por objetivo a prestação do serviço de locação de mão de obra, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, é representada pela totalidade dos valores cobrados de seus clientes, sendo inadmissível, por falta de previsão legal, a pretensão de tributar apenas a parcela relativa à chamada “taxa de administração”. Igualmente, é vedado excluir quaisquer parcelas da receita bruta como, por exemplo, as relativas ao pagamento de salários e encargos Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 29/05/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13864.000287/200815 Acórdão n.º 1803002.573 S1TE03 Fl. 4 5 sociais dos trabalhadores, que nada mais são do que custos da empresa prestadora do serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. (f. 2527 Pdf) 4. Em sede recursal, o contribuinte apresentou recurso voluntário (ff. 2553/2578) alegando, em síntese: a) inicialmente traz o conceito de “trabalho temporário”, ressaltando que embora o trabalhador temporário desempenhe seus serviços na empresa tomadora, inexiste relação trabalhista entre ambos, tal vinculação será sempre entre o trabalhador temporário e a empresa de trabalho temporário que assume a responsabilidade legal de remunerar aquele e assegurarlhe os mesmos direitos assegurados aos empregados regulares; b) que as empresas de trabalho temporário são meras “intermediárias” entre o trabalhador temporário e a empresa tomadora de seus serviços; c) sustenta que apenas a taxa de administração é que deve servir de base de cálculo dos impostos e das contribuições devidas à União, por ser essa a que constitui a receita bruta da recorrente; d) quanto às verbas referentes aos salários e encargos do trabalhador temporário, a empresa de serviço temporário é mera depositária, porque deve repassálas integralmente àquele trabalhador temporário. Tais verbas (de puro repasse), não se constituem em “receita bruta”, nem mesmo “receita” da recorrente, porque não incorporam o patrimônio econômicofinanceiro da contribuinte, assim, não deve servir como base de cálculo para o recolhimento de imposto; cita julgados; e) ressalta que o regime de tributação, se lucro real ou lucro presumido, ao contrário do entendimento do fisco, não tem nenhum reflexo sobre a questão, que valores de terceiros, não podem ser considerados para fins de incidência tributária; f) para que se possa aplicar o artigo 518 do RIR/99, que dispõe sobre a base de cálculo do imposto de renda e adicional, em relação às pessoas jurídicas que apuram seu lucro na forma de tributação pelo lucro presumido, é necessário partir da premissa, de que as verbas de “puro repasse” recebidas pela impugnante sejam consideradas como “receita bruta”, o que é contabilmente ou juridicamente impossível; g) alega que não é porque a impugnante optou pelo regime de tributação pelo lucro presumido, que isso significa que ela tenha que fazer incluir na sua “receita bruta” as verbas de “puro repasse”, que não fazem parte de sua receita, seja bruta ou líquida; h) defende que o mesmo raciocínio aplicado pelo Poder Judiciário para reconhecer a inexigibilidade das contribuições do PIS, da COFINS, e do imposto de renda retido na fonte, exigidos da recorrente, cuja incidência tributária tenha como base de cálculo as “verbas de puro repasse”, Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 29/05/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 desobrigando a recorrente do respectivo recolhimento, aplicase igualmente à CSLL e ao IRPJ, visto que a base de cálculo de tais tributos, contrariamente à da COFINS e do PIS, relacionase com a receita líquida e com lucro, grandezas muito menores do que faturamento; i) por fim, requer provimento ao presente recurso voluntário, determinando se o imediato cancelamento do aludido auto de infração. 5. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Arthur José André Neto DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. DA BASE DE CALCULO DO IRPJ E DA CSLL DAS EMPRESAS DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. Inicialmente é importante destacar que os lançamentos aqui apreciados dizem respeito ao IRPJ e CSLL, assim, inexiste relação entre o assunto dos autos do Processo Judicial nº 2002.61.03.00339615, que tramita na Justiça Federal, em que se discute PIS e à COFINS. Dessa forma, passo a análise dos autos. A controvérsia dos autos cingese ao fato de o contribuinte em seu recurso voluntário alegar que apenas a “taxa de administração” é que deve servir de base de cálculo dos impostos e das contribuições devidas à União, por ser essa a que constitui a receita bruta da recorrente. Sustenta ainda que o regime de tributação, se lucro real ou lucro presumido, ao contrário do entendimento do fisco, não tem nenhum reflexo sobre a questão, que valores de terceiros, não podem ser considerados para fins de incidência tributária; E a despeito do bom arrazoado trazido pelo contribuinte, a meu ver, o auto não merece reparo. Isto porque, a legislação é clara no sentido que as empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. No caso concreto, a atividade desenvolvida pelo contribuinte é prestação de serviços de locação de mão de obra temporária, conforme previsão da Lei nº 6.019/1974. De Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 29/05/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13864.000287/200815 Acórdão n.º 1803002.573 S1TE03 Fl. 5 7 acordo com o Termo de Verificação Fiscal apresentado pela autoridade administrativa, o contribuinte utilizou como receita própria apenas parte dos valores constantes nas notas ficais as receitas de serviços, em desacordo com o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A legislação determina que o faturamento e, ou, receita é a soma de todos os valores recebidos pela empresa locadora de mão de obra, inclusive taxa de administração e os demais encargos recebidos pela contratante, no caso em tela, o faturamento do contribuinte é o valor o qual foi contratada a prestação de serviço e a locação de mão de obra. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico quanto a base de cálculo em se tratando do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lucro presumido, conforme abaixo: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS, COFINS. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. BASE DE CÁLCULO. SALÁRIOS E ENCARGOS SOCIAIS. INCIDÊNCIA. PRECEDENTE EM RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IRPJ E CSLL. OPÇÃO PELO REGIME DO LUCRO DF CARF MF Fl. 1846 Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL PARA USO DO SISTEMA CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/ 11/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 20 PRESUMIDO. DEDUÇÃO DE SALÁRIOS E ENCARGOS SOCIAIS. DESCABIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE MISCIGENAÇÃO ENTRE REGIMES DE APURAÇÃO DISTINTOS. [...]. 2. Esta Corte consolidou o entendimento de que os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. 3. Precedente: REsp 1141065/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1.2.2010, julgado pela sistemática do art. 543C do CPC e da Res. STJ n. 8/08. 4. As empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo das referidas exações os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra temporária, a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários, tendo em vista que não há previsão legal dessas deduções. Entender de modo contrário seria miscigenar dois regimes distintos (lucro real e lucro presumido), ao arrepio da lei. 5. Precedentes: AgRg nos EDcl no AgRg no Ag nº 1.105.816/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2.12.2010; REsp 971.066/SC, Rel. Min. Denise Arruda, Rel. p/ Acórdão Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, Dje 18.8.2010; REsp 1179448/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 6.5.2010; REsp 1088802/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 7.12.2009. 6. Recurso especial da Fazenda Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 29/05/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 Nacional provido e recurso especial do Sindicato das Empresas Contábeis Assessoramento Perícias Informações e Pesquisas de Londrina não provido. (REsp 963196/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2010, Dje 08/02/2011).” Este Conselho também vem decidindo no mesmo sentido, no julgamento ocorrido em 06/03/2013, acórdão 1402001.325, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, o qual cito parte da ementa: “[...] as empresas optantes pela tributação relativa ao IRPJ e à CSLL pelo regime do lucro presumido não podem excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários”. Portanto, os dispositivos mencionados e os argumentos apresentados pela recorrente não são hábeis para desconstituir o lançamento fiscal, dessa forma, mantenho a decisão de primeira instância, eis que proferida em consonância com a legislação previdenciária e tributária de regência da matéria. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos acima alinhavados. É como voto. (Assinado digitalmente) Arthur José André Neto Relator Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 29/05/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 12466.003632/2004-79
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 02/07/1999 a 09/08/1999
MULTA. DUPLICIDADE.
Não existe ilegalidade na aplicação concomitante da multa por falta ou insificiência de pagamanto (Lei 9.430/96) e da multa administrativa prevista no art. 526, III do RA/85.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.315
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto)
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/07/1999 a 09/08/1999 MULTA. DUPLICIDADE. Não existe ilegalidade na aplicação concomitante da multa por falta ou insificiência de pagamanto (Lei 9.430/96) e da multa administrativa prevista no art. 526, III do RA/85. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que negava provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto) (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 36 32 /2 00 4- 79 Fl. 3738DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/10/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial contra a parte da decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a multa administrativa, mediante o Acórdão n° 30334.941, cuja ementa transcrevo em parte: Relator: Zenaldo Loibman Acórdão: 30334.941 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/07/1999 a 09/08/1999 (...) AFASTADA A MULTA DO ART.526, III, RA/85. A interpretação mais adequada distingue que o subfaturamento na importação é entendido, nesta hipótese, para o intuito de pagar menos imposto, infração de caráter nitidamente tributário. No caso, não cabe punir com duas penalidades o mesmo fato do subfaturamento na importação, infraçãomeio em relação à finalidade de recolher menor valor de tributos na importação. No caso já foram lançadas as multas de ofício agravadas com relação às diferenças de imposto de importação e de IPI vinculado, conforme previstas na Lei nº 9.430/96, devendo ser afastada a penalidade do art.526, III, do RA/85. (...) A PGFN e o contribuinte interpuseram Recursos Especiais e contrarrazões. Somente o recurso da Fazenda foi admitido. Assim, somente será deliberado por este colegiado a aplicação concomitante da multa pela falta de pagamento do tributo, prevista na lei 9.430/96 e a multa administrativa prevista no art. 526, III do RA/85. As outras questões contoversas nas instâncias anteriores j´s tiveram solução definitiva no âmbito administrativo. Basta esse breve relato para a solução do presente contencioso, já que o ponto fulcral a ser debatido está aqui contido. É o Relatório. Fl. 3739DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/10/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 12466.003632/200479 Acórdão n.º 9303002.315 CSRFT3 Fl. 3.739 3 Voto O recurso interposto pela PGFN é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Somente foi admito o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Assim, sómente fará parte da presente votalçao a aplicação da multa prevista no art. 526, III do RA/85. Como se depreende da ementa transcrita acima, foi excluída a multa administrativa sob a alegação de se estar punindo com duas pelalidades o mesmo fato do subfaturamento na importação. Aplicouse a multa pela falta de pagamento do tributo, prevista na lei 9.430/96 e a multa administrativa prevista no art. 526, III do RA/85. Portantoo objeto da presente lide será somente a possibilidade da aplicação concomitantes das penalidades pela falta de pagamento do tributo, prevista na lei 9.430/96 e a multa administrativa prevista no art. 526, III do RA/85. A PGFN recorreu alegando, basicamente que,no presente caso constatouse a fraude, consubstanciada no subfaturamento evidenciado por meio da análise de DIs paradigmas explicitadas nestes autos, onde se identificam importações dc mercadorias efetivamente similares, cm quantidades compatíveis, em épocas comparáveis, porém com indicação dc valor de transação significativamente superior. E uma vez constatada a fraude, a fiscalização aplicou a multa agravada de lançamento de ofício de IPI, do artigo 45 c/c o artigo 46 da Lei ° 9.430/96, c ainda a multa do artigo 526, III do RA/85, por infração ao controle administrativo das importações. Portanto, ao contrário do que diz o acórdão recorrido, é perfeitamente cabível a aplicação cumulativa das multas de ofício e do controle administrativo, pois uma c configurada pelo simples fato de subfaturar o preço das mercadorias e a outra incidirá se nesse sub faturamento houver o intuito de fraudar a lei. Como visto, as penalidades aplicadas possuem fundamentos diversos e nada obsta a sua aplicação concomitante quando verificados os pressupostos para sua incidência. Nos autos, claramente configurouse o subfaturamento com o intuito de fraudar a legislação tributária. Assiste razão à procuradora, já que a recorrida cometeu duas infrações diferentes. Uma de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço declarado e o preço arbitrado, e outra por não ter declarado nem recolhido as diferenças do imposto devido apurado depois dos acertos nos valores declarados. Não se discutirá mais a ocorrência do fato típico que ensejou a aplicação da multa eis que transitou em julgado administramente tanto a prátiva do ato quanto as penalidades aplicadas, exceto a multa ora discutica. Houve o subfaturamento que ensejou a aplicação da multa prevista no art. 523, III do RA. Também houve falta de pagamento que, por sua vez, obriga a aplicação da multa prevista na Lei 9.430/96. Existe uma regramatriz de incidência distinta para cada conduta, logo é perfeitamente prevista em nossa legislação a penalização concomitante por cada uma das ações infracionais. Fl. 3740DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/10/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 Os dispositivos legais citados e transcritos determinam aplicação de penalidades para ambas as infrações cometidas pela recorrente. Para o caso do cometimento de mais de uma infração na mesma operação, inexiste amparo legal para dispensa de uma delas. As penalidades tem natureza e regimes jurídicos distintos. Houve o ilícito, que consiste na conduta humana divergente daquela prescrita no comando das normas tributárias impositiva. Isso é fato já provado nos autos. Essa conduta se materializou em dois comportamentos distintos. O primeiro foi o descumprimento de um dever instrumental , exido pela lei aduaneira, que se funda no controle em prol das aitividades de arrecadação e fiscalização. É a chamada infração formal. A segunda conduta infracional foi o não pagamento do tributo devido ou menor que o devido, o que consiste na infração material. Como se pode depreender, são condutas distintas tanto na natureza quanto nos regimes jurídicos e que resultam na aplicação de penalidades distintas. Tanto a multa no lançamento de ofício como a multa regulamentar têm como objetivo punir o sujeito passivo pela prática de infrações tributárias, a primeira pela falta de declaração/pagamento das parcelas lançadas e exigidas e a segunda pela falta de lançamento (destaque) do valor do imposto nas respectivas notas fiscais. Temos dois fatos geradores diferente e que não se comunicam, o que gera uma duplicidade de penalização prevista em lei. Nada há de ilegalidade na aplicação de ambas as multas. Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela PGFN. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 3741DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 02/10/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 14751.000098/2006-11
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO. SUCATAS E APARAS. CAMPO DE INCIDÊNCIA. AQUISIÇÃO A COMERCIANTE ATACADISTA NÃO-CONTRIBUINTE DO IPI. INEXISTÊNCIA DE IMPOSTO DEVIDO NAS ETAPAS ANTERIORES. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. INDUSTRIALIZAÇÃO.
Não existe o direito ao crédito de que trata o art. 165 do RIPI/2002 na hipótese de produto adquirido por contribuinte do IPI a estabelecimento comercial atacadista não-contribuinte quando não houve IPI cobrado na entrada do produto neste estabelecimento. O princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior. Não havendo exação de IPI na etapa anterior, não há valor algum a ser creditado. .
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feirstauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO. SUCATAS E APARAS. CAMPO DE INCIDÊNCIA. AQUISIÇÃO A COMERCIANTE ATACADISTA NÃO-CONTRIBUINTE DO IPI. INEXISTÊNCIA DE IMPOSTO DEVIDO NAS ETAPAS ANTERIORES. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. INDUSTRIALIZAÇÃO. Não existe o direito ao crédito de que trata o art. 165 do RIPI/2002 na hipótese de produto adquirido por contribuinte do IPI a estabelecimento comercial atacadista não-contribuinte quando não houve IPI cobrado na entrada do produto neste estabelecimento. O princípio da não-cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior. Não havendo exação de IPI na etapa anterior, não há valor algum a ser creditado. . Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feirstauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.000098/200611 Recurso nº Acórdão nº 3801002.069 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2013 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente REPET NORDESTE RECICLAGEM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO. SUCATAS E APARAS. CAMPO DE INCIDÊNCIA. AQUISIÇÃO A COMERCIANTE ATACADISTA NÃOCONTRIBUINTE DO IPI. INEXISTÊNCIA DE IMPOSTO DEVIDO NAS ETAPAS ANTERIORES. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. INDUSTRIALIZAÇÃO. Não existe o direito ao crédito de que trata o art. 165 do RIPI/2002 na hipótese de produto adquirido por contribuinte do IPI a estabelecimento comercial atacadista nãocontribuinte quando não houve IPI cobrado na entrada do produto neste estabelecimento. O princípio da nãocumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior. Não havendo exação de IPI na etapa anterior, não há valor algum a ser creditado. . Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 00 98 /2 00 6- 11 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feirstauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 2 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1123.865, de 23 de setembro de 2008, da 5ª. Turma da DRJ de Recife (DRJ/RCE), referente ao processo administrativo n° 13976.001070/200270, em que foi negado provimento a manifestação de inconformidade apresentada. Assim, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: Tratase de pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, formulado por meio eletrônico, no valor de R$ 45.619,15, referente ao 3° trimestre de 2003, com fundamento na Lei n.° 9.779/99, cumulado com Declaração de Compensação DCOMP. 2. Na Informação Fiscal de fls. 150/154, a autoridade diligenciadora opinou pelo deferimento parcial do pleito (conferido apenas R$ 211,40), ao fimdamento de que, da análise das notas fiscais referentes às aquisições, constatouse que se trata de sucata de garrafas PET, aparas plásticas PET, sucata de plástico, bem como refugo tipo cascão, adquiridos de pessoas fisicas e jurídicas, inclusive empresas de reciclagem (refugos e aparas), sem o destaque do IPI. Pretende o contribuinte creditarse do imposto relativo à matériaprima (no caso, sucatas e aparas), adquirida de comerciante atacadista nãocontribuinte do IPI, calculado mediante a aplicação da alíquota aplicável ao produto, sobre 50% (cinqüenta por cento) do valor constante da nota fiscal, conforme disposto no art. 6° do Decretolei n.° 400/68. 3. Afirma que, tratandose de aquisição de sucatas e aparas, não há cogitar de crédito de IPI por parte do adquirente, simplesmente porque não houve o pagamento do tributo em operações anteriores. Não se deve confundir com o processo relativo aos produtos originários, que geraram tais sucatas e aparas. Sobre eles houve a incidência do imposto nas operações anteriores, que foi utilizado como crédito nas respectivas etapas de produção e suportado pelo consumidor final do produto (cita ementa de acórdão do 2° Conselho de Contribuintes, afastando o crédito de IPI sobre a aquisição de sucatas e aparas). 4. Às fls. 155/156, encontrase acostado o Parecer DRF/JPA/Saort n.° 769/2006 aprovado pela autoridade a afio (fls. 157), no qual se discorre sobre a legislação 3 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 aplicável à matéria e propõe, com base na aludida Informação Fiscal, o deferimento parcial do pedido d ressarcimento, a homologação da PER/DCOMP no valor conferido e a cobrança dos débitos vinculados. 5. Irresignado, o contribuinte apresentou, no prazo legal, alentada manifestação de inconformidade (fls. 162/184), na qual sustenta, depois de elencar os fatos e consignar que a mesma autoridade administrativa lavrou auto de infração contra a empresa, protocolizado sob o n.° 14751.000380/200606, cuja intimação e apresentação se deram antes do conhecimento da decisão ora vergastada, no qual a matéria tratada coincide, em parte, com o objeto da presente irresignação, razão pela qual, se não acolhida a tese aqui sustentada, haveria bis in idem, o que impõe o sobrestamento do presente processo até o julgamento definitivo daquele. No mérito, aduz, em apertada síntese, depois de afirmar que renova as mesmas razões de defesa já expostas no processo n.° 14751.000380/200606 (reproduz a partir do item 11 até o 33 da presente manifestação de inconformidade): 5.1. Os produtos adquiridos pela empresa são isentos de tributação pelo IPI ou tributados à alíquota zero apenas quanto à fase imediatamente anterior ao seu aproveitamento no novo processo de industrialização, para ser transformado em .flake, grão e, depois, fio de PET. Tal produto sofreu verdadeira tributação antes de se tornar lixo. O Acórdão do 2° Conselho de Contribuintes mencionado não se aplica ao caso, posto que a empresa lá referida é notoriamente comercial atacadista, e não industrial, que coleta grande quantidade de sucatas de papel. Ademais, referese que muitas das aquisições foram feitas de pessoa física, negando mesmo a "questão" do empresário individual, que foi reconhecido pelo Regulamento do Imposto de Renda — RIR; 5.2. O Regulamento do IPI — RIPI não veda que as pessoas físicas ou empresários individuais possam praticar o comércio atacadista. O crédito do IN, no caso de aquisição de sucatas, não fica condicionado sequer ao destaque em nota fiscal, gozando o adquirente industrial do direito, conforme entendimento do Tribunal Regional Federal – TRF da P Região (Acórdão n.° 9601069134); 5.3. O comerciante atacadista não é necessariamente pessoa jurídica, podendo ser pessoa física. O RIP1 prevê que a emissão da nota fiscal de entrada se dá nos casos em que o fornecedor não é obrigado a emitila, como é a situação da pessoa física, que atua como comerciante atacadista; 4 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 5.4. Em todas as operações de fabricação do PET, desde quando a PETROBRÁS retira petróleo dos reservatórios naturais, há o recolhimento do IPI. O acórdão do 2° Conselho de Contribuintes referido está ultrapassado, inclusive pela tendência que vem demonstrando o Supremo Tribunal Federal – STF sobre a matéria, que é de natureza constitucional e não pode ser contrariado pelo Conselho (passa a reproduzir entendimentos doutrinários abordando a suposta confusão que se faz ao interpretar o direito ao crédito do IPI, na situação em que os insumos empregados no processo de industrialização sejam isentos, tributados à alíquota zero, imunes ou não tributados, pois costumam analisar a questão, segundo se afirma, considerando a natureza de cada instituto, sem levar em conta a essência do princípio constitucional da nãocumulatividade); 5.5. Não caberia ao legislador infraconstitucional nem ao intérprete alterarem ou excluírem o que está previsto no art. 153, §3°, II, da Constituição Federal. No caso de insumos adquiridos com alíquota zero, imunes, isentos ou não tributados, teria o contribuinte do IN direito ao crédito escriturai, ainda que não exista pagamento anterior (cita ementas de decisões proferidas pelo STF, nas quais se sustenta o direito ao crédito quando o insumo é adquirido sob o regime de isenção); 5.6. O princípio constitucional da nãocumulatividade está previsto na legislação ordinária no art. 163 do Decreto n.° 4.544/2002 RIPI12002, o art. 165 do mesmo diploma regulamenta o art. 6° do Decretolei n.° 400/68; 5.7. O legislador "arrumou" uma forma de compensar a interrupção da cadeia contributiva do IN do mesmo insumo, não deixando de conceder ao contribuinte a possibilidade de compensar o que foi efetivamente recolhido nas fases anteriores à atividade comercial. 6. Ao final, requer a reforma da decisão, para que se homologue as DCOMPs apresentadas, com o crédito de IPI a ser ressarcido. Cumpre consignar que, na peça de defesa, o contribuinte requer seja cientificado na pessoa do causídico, nomeado através do instrumento procuratório de fl. 244. A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo por unanimidade de votos negado provimento a mesma, a fim de manter a decisão hostilizada, por entender que em nenhuma das operações que a contribuinte efetuou houve pagamento de IPI na etapa anterior à entrada do estabelecimento das empresas comerciais atacadistas, as quais, adquiriram sucatas e aparas, em boa parte das vezes, a pessoas físicas, que nenhum valor 5 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 recolhem a titulo de IPI, salvo quando, evidentemente, figuram como importadores de produtos industrializados. Deste modo, a DRJ de origem destacou que somente quando o estabelecimento comercial atacadista nãocontribuinte do IPI houver adquirido o produto em operação na qual tenha havido a incidência do imposto, restaria indiscutível o direito ao crédito de que trata o art. 165 do RIPI/2002 pelo estabelecimento industrial que o adquirir daquele. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em suas razões a preliminar, que “deve ocorrer o sobrestamento do presente processo até o julgamento final, com o transito em julgado administrativo, do processo 14751.000380/200606, em razão de trataremse de mesma matéria, só que esse outro processo sendo de período de apuração do crédito de IPI mais abrangente do que o presente.” Em razões de mérito, postula a reforma da decisão, aduzindo os mesmos argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. 6 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Deste modo, antes de adentrarmos ao mérito da matéria ventilada nos autos, impõese a apreciação de questão preliminar levantada pela contribuinte. Analisando a preliminar suscitada pela contribuinte, de que necessário o sobrestamento dos processos, verificase que esta não procede, eis que não há elemento de conexão necessário que implique na conexão obrigatória dos processos. O simples fato dos processos tratarem da mesma matéria, não acarreta a necessidade de apensamento dos mesmos ou sobrestamento. Portanto, rejeitase a preliminar. Quanto ao mérito do presente Recurso Voluntário, verificase que os argumentos trazidos pela contribuinte não demonstram necessidade de reforma da decisão. Razão pela qual o acórdão da DRJ de origem deve ser confirmado pelos seus próprios fundamentos. Está correto o entendimento de que somente haverá direito ao crédito quando o estabelecimento comercial atacadista nãocontribuinte do IPI houver adquirido o produto em operação na qual tenha havido a incidência do imposto. Somente assim restaria indiscutível o direito ao crédito de que trata o art. 165 do RIPI/2002 pelo estabelecimento industrial que o adquirir daquele. O que não ocorre no caso dos autos, ou ao menos, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar que houve o recolhimento do IPI na etapa anterior. Em igual sentido, pronunciouse este Conselho, sendo lavrado o acórdão n° 3302001.954 na sessão de julgamento de 26 de fevereiro de 2013, sendo o processo de Relatoria do Conselheiro Walber Jose Da Silva, da 2ª Turma da Terceira Câmara: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/05/2002 a 30/09/2004 CRÉDITOS RELATIVOS A INSUMOS ISENTOS. O Princípio da não cumulatividade do IPI é implementado pelo sistema de compensação do débito ocorrido na saída de produtos do estabelecimento do contribuinte com o crédito relativo ao imposto que fora cobrado na operação anterior referente à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não 7 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 havendo exação de IPI nas aquisições desses insumos, em razão dos mesmos serem isentos, não há valor algum a ser creditado. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. OUTROS INSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento, material de consumo e de limpeza. CRÉDITO PRESUMIDO. CUSTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. INCLUSÃO NO CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluído em sua base de cálculo, prevista na Lei nº 9.363/96, o valor do dos combustíveis e da energia elétrica. REFRATÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. O material refratário contido em revestimento de fornos desgastase de forma direta na produção, gerando direito ao crédito do imposto. Precedentes do Supremo Tribunal Federal. PERFIS DE AÇO LAMINADOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os perfis de aço brutos, simplesmente laminados, não perfurados, ajustados ou reunidos por meio de rebites ou de pernos ou pinos, ou por soldadura autógena ou elétrica, ou seja, não trabalhados devem ser classificados na posição 72.16. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Negado (grifouse) Deste modo, compartilhase da inteligência de que não havendo exação de IPI na etapa anterior, não há valor a ser creditado. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, bem como por desacolher igualmente a preliminar suscitada pela contribuinte. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. 8 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 9 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10875.001272/2001-81
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1996, 1997
IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS POR HORAS EXTRAS TRABALHADAS - TRIBUTAÇÃO.
O valor pago pela PETROBRÁS a título de "Indenização de Horas
Trabalhadas - IHT" tem natureza indenizatória que não se constitui em renda ou acréscimo patrimonial, mas sim reparações em pecúnia, por perda de direitos.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.899
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Júnior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1996, 1997 IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS POR HORAS EXTRAS TRABALHADAS - TRIBUTAÇÃO. O valor pago pela PETROBRÁS a título de "Indenização de Horas Trabalhadas - IHT" tem natureza indenizatória que não se constitui em renda ou acréscimo patrimonial, mas sim reparações em pecúnia, por perda de direitos. Recurso especial provido.
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O valor pago pela PETR.OBRÁS a título de "Indenização de Horas Trabalhadas - IHT" tem natureza indenizatória que não se constitui em renda ou acréscimo patrimonial, mas sim reparações em pecúnia, por perda de direitos. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do coleg,iado, por i abria de votos, em dar provimento ao recurso.. Vencido o Conselheiro Moises Giacomelli Nu -s da Silva, CARLOS ALBERT* ' AS BARRETO - Presidente NOE 'RUDA CO -1 0 JUNIOR — Rela r EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Anuda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (Suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório Trata-se de ,Recurso Especial da Fazenda Nacional [fis111-119] interposto, em face do v. acórdão proferido pela então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte, Ao adentrar a analise do mérito, o conselheiro, Moises Giacornelles Da Silva [relator (a)], não deu parecer quanto a decadência, por concluir, que quando da análise do recurso do contribuinte, ficou reconhecido que por virtude de necessidade do serviço ou por não ter o empregador implantando regime de 6 horas, gera ao empregado direito a indenização por essas horas a mais. [Acórdão da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes] Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria dos votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura. A Fazenda Nacional, irresignada com a decisão supra mencionada, impetrou o presente recurso com fulcro no artigo 7, incisos II, do regimento interno à época Alega à mesma, que a matéria já esta mais do que pacificada pela jurisprudência, citando até, uma decisão do STJ, na qual a corte superior, entende que o pagamento a titulo de horas extraordinárias, ainda que efetuado por força de acordo coletivo, configura acréscimo patrimonial, entrando assim, no que dispõem os artigos 2° e 3° da Lei n. 7313/88. [REsp 666288 / RN, Teori Albino Zavascki),STJ] TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PETROBRÁS. HORAS- EXTRAS. INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS. NATUREZA. REGIME TRIBUTÁRIO DAS INDENIZAÇÕES. PRECEDENTES. 2 Processo n 10875 001272/2001-81 CSRF-T2 Acórdão o ° 9202-00.899 Fi 2 1. O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador, nos termos do art. 43 e seus parágrafos do CTN, os "acréscimos patrimoniais", assim entendidos os acréscimos ao patrimônio material do contribuinte. 2. A Primeira Seção, no julgamento do recurso dos Embargos de Divergência 695499/RJ (Min. Herman Benjamin, DJ de 24.09.07), assentou o entendimento de que o pagamento a titulo de horas extraordinárias, ainda que efetuado por força de acordo coletivo, configura acréscimo patrimonial e, portanto, é fato gerador de imposto de renda, 3. Embargos de divergência conhecidos e desprovidos. [Artigos 2° e 3 0 da Lei n,°7.713/88:1 "Art. 2° - O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3° (...) 5 / 0 - Constitui rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, 4° A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou 3 proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma ou título Ciente do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte protocolizou, tempestivamente, contra-razão [fis.130 — 139] que pugna pela manutenção da decisão ora recorrida. o Relatório. Voto CONSELHEIRO MANOEL ARRUDA COELHO JUNIOR, Relator Sendo tempestiva a interposição e demonstrada a divergência jurisprudencial [Acórdão 104-20700] pela Fazenda Nacional, deve o Especial ser conhecido.. Perpassado o exame de admissibilidade, passo à apreciação do mérito. A controvérsia gira em torno da natureza tributária dos rendimentos percebidos da PETROBRÁS a título de diferença de horas trabalhadas que excederam a jornada normal de trabalho. Esclareça que esse rendimento foi percebido em decorrência de efetiva contraprestação de jornada diária de trabalho, tanto assim o foi, que a fonte pagadora em atendimento a legislação em vigor, efetuou a retenção na fonte, apesar da denominação ali posta Os entendimentos conflitantes a respeito do tema surgiram em razão da dúvida quanto à natureza de tais verbas. A corrente que entende que as mesmas sejam tributáveis, atribui a elas o caráter de mero pagamento de horas-extras. Já a corrente que entende pela sua não-tributabilidade, lhes atribui caráter indenizatório. Não obstante o posicionamento colacionado no deciswn recorrido, entendo, com espeque na jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, que a referida "indenização de horas trabalhadas (IHT)" tem caráter remuneratória Deveras, a verba intitulada "Indenização por Horas Trabalhadas" - IHT, paga aos funcionários da Petrobrás, ainda que fundada em acordo coletivo, tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, o que enseja a incidência do Imposto de Renda, consoante restou assente pela Primeira Seção do STJ: "TRIBUTÁRIO. IHT. PETROBRk CARÁTER REMUNERATORIO IMPOSTO DE RENDA INCIDÊNCIA - Está pacificado no âmbito da Primeira Seção do STJ, desde o julgamento do EREsp 695.499/RJ, da relataria do Min HER14TAN BENJAMIN, publicado no DJU de 24 092007, o entendimento de que o pagamento de horas e.xtraordínárias, ainda que em virtude de acordo coletivo, tem natureza remuneratória a caracterizar acréscimo patrimonial sujeito à incidência de imposto de renda, nos termos do art 43 do CM" Precedentes . EREsp 666 288/RN, Rel. Min TEORI ALBINO 4 Processo n 10875 001272/2001-81 CSRF-12 Acórdão n ° 9202-00.,899 Fl 3 Z-1 VASCA'', PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28.05.2008, Die de 09 06.2008; AgRg no REsp 933 117/RN, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28.05,2008, DJe de 16.06.2008; REsp 904 057/RN Rel. Min. TEORI ALBINO ZAV4SCK1, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06.05 2008, DJe de 15.05.2008. II - Embargos de divergência improvidos." (EREsp 939.974/RN, Rel. Ministro Francisco Falcão, julgado em 21102008, DJe 10.11.2008) "TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA INDENIZAÇÃO POR HORAS EXTRAS TRABALHADAS - IHT. PETROBRÁS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS I Os valores recebidos a titulo de verba indenizatória sobre horas extras trabalhadas - "Indenização por Horas Trabalhadas - IHT" - pagos a funcionário da Petróleo Brasileiro S.A - Petrobrás possuem natureza remunera tória, devendo sofrer a incidência do imposto de renda 2 Não é o 770711e17 juris, mas a natureza jurídica da verba que definirá a incidência tributária ou não O .fato gerador de incidência tributária sobre renda e proventos, conforme dispõe o art. 43 do CTN, é tudo que tipificar acréscimo ao patrimônio material do contribuinte. 3 O caso em questão não se amolda às possíveis isenções de imposto de renda previstas no art. 6 0, E da Lei 7 713/88, bem como no art. 14 da Lei 9.468/97 4 Precedentes da Primeira Seção deste Tribunal EREsp 695 499/.RJ,Rel Mui. Herman Benjamim, em 09/05/2007; EREsp 670514 / RN, Primeira Seção, Rel.. Min. José Delgado, DJ de 16 06 2008, p. 1. 5. Embargos de divergência providos." (EREsp 979.765/SE, Rei. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 13.08.2008, DIe 01.09.2008) "TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PETROBRÁS HORAS-EXTRAS. INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS NATUREZA. REGIME TRIBUTÁRIO DAS INDENIZAÇÕES PRECEDENTES 1 O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador; nos termos do ar! 43 e seus parágrafos do CTN, o.s "acréscimos patrimoniais', assim entendidos os acréscimos ao patrimônio material do contribuinte .2. A Primeira Seção, no julgamento do recurso dos Embargos de Divergência 695 499/RJ (Min Herman Benjamin, DJ de 24 09.07), assentou o entendimento de que o pagamento a título de horas extraO rdinárias, ainda que efetuado por força de acordo coletivo, configura acréscimo patrimonial e, portanto, é fato gerador de imposto de renda. 3 Embargos de divergência conhecidos e desprovidos" (EREsp 666.288/1N, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 28.05.2008. Ene 09 06..2008) 5 "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO AGRAVO REGIMENTAL MUI IA AUSÊNCIA DE PREOUESTIONAMENTO. VERBAS INDEN1ZATÓRIAS PETROBIUS HORAS-EXTRAS TRABALHADAS (IHT). IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES 1 Agravo regimental contra decisão que negou seguimento a recurso especial. 2 O acórdão a quo entendeu pela não-incidência do imposto de renda em horas-extras pagas em decorrência de ruptura de contrato de trabalho que ocasionou a redução da jornada de trabalho para os empregados em regime de turnos ininterruptos, em face da natureza salarial. 3 A questão da multa constante do an 44, I, da Lei n°9 430/96 não foi debatida em momento algum no acórdão recorrido, assim como não foi trazida pela recorrente na sua apelação, ressentindo-se, assim, do necessário prequestionamento 4 O imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou juridica da renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza (art. 43 do C7?9. 5 Apesar da denominação "Indenização por Horas Trabalhadas - IHT", é a natureza jurídica da verba que definirá a incidência tributária ou não. O fato gerador de incidência tributária, conforme dispõe o art. 43 do CTN, sobre renda e proventos, é tudo que tipificar acréscimo ao património material do contribuinte, e ai estão inseridos os pagamentos efetuados por horas-extras trabalhadas, porquanto sua natureza é reinuneratória, e não indenizatória. 6 O caso em questão não se amolda às possíveis isenções de imposto de renda previstas no art 6°, E da Lei 7 713/88, bem como no art. 14 da Lei 9.468/97. 7 A Primeira Seção deste Tribunal, no julgamento dos EREsp 695 499/RJ, Rei Min Herman Benjamim, em 09/05/2007, pacificou a tese de que as verbas pagas a título de indenização por horas rabalhadas possuem caráter remuneratório e configuram acréscimo patrimonial, e ense)am, nos termos do art. 43 do CTN, a incidência de imposto de renda. 8. Precedentes desta Cone REsp 939974/RN, Rei Mm. Castro AgRgREsp 666288/RN, Rei Min João Otávio de Noronha,' AgRgREsp 9781 78/RN, Rel. Min Humberto Martins; EREsp 695499/RJ, Rel. Min. Hennan Benjamin 9 Agravo regimental provido." (AgRg no REsp 933.117/RN, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 28..05.2008, Me 16,06,2008) "TRIBUTÁRIO "INDENIZAÇÃO POR HORAS TRABALHADAS". FUNCIONÁRIOS DA PE'TROBRÁS NATUREZA DA VERBA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL IMPOSTO DE RENDA INCIDÊNCIA. 1 Com o julgamento dos EREsp 695.499/R1, Rei Min. Herman Benjamin, a Primeira Seção firmou o entendimento de que "o pagamento, por força de acordo coletivo, de verba devida em razão de horas extraordinárias tem caráter remuneratório e configura acréscimo patrimonial, incidindo, pois, o Imposto de Renda. 6 Processo n' / 0875 001272/2001-81 CSR1-T2 Acórdão n 9202-00.899 Fi 4 2 Para fins de incidência de Imposto de Renda, é irrelevante o 170171C17 iuris que empregado e empregador atribuam a pagamento que este . faz àquele, importando, isto sim, a real natureza jurídica da verba em questão 3. O pagamento, por força de acordo coletivo, de quantia devida em razão de quitação de divida salarial de .sobrefornada tem caráter renzuneratório e configura acréscimo patrimonial, em que incide o Imposto de Renda. 4. Embargos de Divergência providos " (EREsp 952.196/SE, Rei Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, .julgado em 28 05..2008, DJe 19 112008) Nesse sentido, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o voto, ( oe uda CLeAlio ior lat r 7
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Numero do processo: 35415.000029/2006-06
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1997
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2403-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
CARLOS ALBERTO MEESS STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1997 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso de Ofício Negado.
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DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. CARLOS ALBERTO MEESS STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 5. 00 00 29 /2 00 6- 06 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000029/200606 Acórdão n.º 2403002.296 S2C4T3 Fl. 308 3 Relatório Nos termos do Relatório Fiscal, às fls. 38 a 43 dos autos, constituíramse créditos corresponde às contribuições relativos às incidências sobre as importâncias pagas em pecúnia aos empregados da MC DONALD'S COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. a titulo de "valetransporte", no período de janeiro de 1995 a dezembro de 1997. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa impugnouo em 05/01/2006, por meio do expediente protocolado sob n° 37376.000097/200604 (fls. 103 a 125), no qual, entre outras alegações afirma que quando do lançamento, o crédito exigido já se encontrava abrangido pela decadência a que alude o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.294, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas (SP) DRJ/CPS, em 09 de setembro de 2008, exarou o Acórdão n° 0523.147, decidindo por unanimidade de votos, em PRELIMINAR reconhecer a DECADÊNCIA TOTAL do lançamento, extinguindose o crédito constituído sem julgamento de mérito. DO RECURSO DE OFÍCIO Também Às fls. 294, com base no inciso I do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 631972, c/c o inciso I do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999, e o art. 1° da Portaria n° 03, de 312008, do Ministro de Estado da Fazenda , a instância a quo recorreu de oficio da decisão que tomara. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não constam nos autos que a Recorrente tenha interposto Recurso Voluntário. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Não consta nos autos que a empresa tenha interposto Recurso Voluntário. Aduz que o Recurso de Ofício reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, cumpre observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” Considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 01/95 a 12/97 conforme Relatório Fiscal e ainda que a empresa fora notificada em 21/12/2005, todo o crédito encontrase fulminado pelo Instituto da Decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional CTN, quer seja na forma do § 4° , do artigo 150 , bem como do art. 173 . Fl. 605DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35415.000029/200606 Acórdão n.º 2403002.296 S2C4T3 Fl. 309 5 CONCLUSÃO Conheço do Recurso de Ofício para, em razão da totalidade dos créditos constituídos terem sido alcançados pelo Instituto da DECADÊNCIA, por quaisquer dos critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional CTN , NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 606DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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