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Numero do processo: 16624.003747/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/04/2005
IPI. CRÉDITO. INSUMOS NÃO TRIBUTADO. INADMISSIBILIDADE.
A não cumulatividade criada para a apuração do imposto sobre produtos industrializados, como forma de dar equilíbrio à incidência visando a manutenção da seletividade, pressupõe a compensação do que é devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, de modo que, não havendo incidência na operação anterior nem montante cobrado, notadamente no que se refere à energia elétrica (que não se enquadra nas classes de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem), não é cabível o pretendido creditamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres- Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
EDITADO EM: 07/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Demes Brito (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/04/2005 IPI. CRÉDITO. INSUMOS NÃO TRIBUTADO. INADMISSIBILIDADE. A não cumulatividade criada para a apuração do imposto sobre produtos industrializados, como forma de dar equilíbrio à incidência visando a manutenção da seletividade, pressupõe a compensação do que é devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, de modo que, não havendo incidência na operação anterior nem montante cobrado, notadamente no que se refere à energia elétrica (que não se enquadra nas classes de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem), não é cabível o pretendido creditamento. Recurso Voluntário Negado
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EPP Recorrida FAZEND NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/04/2005 IPI. CRÉDITO. INSUMOS NÃO TRIBUTADO. INADMISSIBILIDADE. A não cumulatividade criada para a apuração do imposto sobre produtos industrializados, como forma de dar equilíbrio à incidência visando a manutenção da seletividade, pressupõe a compensação do que é devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, de modo que, não havendo incidência na operação anterior nem montante cobrado, notadamente no que se refere à energia elétrica (que não se enquadra nas classes de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem), não é cabível o pretendido creditamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. EDITADO EM: 07/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Demes Brito (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 37 47 /2 00 8- 88 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ de Ribeirão Preto– SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, não reconhecendo o pleito de crédito presumido de IPI decorrente da utilização de insumos não tributados no processo produtivo da Recorrente. A decisão foi assim ementada: DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, n aescrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumo sisentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes A. taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. O resultado do julgamento decorreu da análise dos fatos que foram assim descritos pela decisão Recorrida: Inconformada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Nas folhas 94 e seguintes dos autos, constatase a juntada de Recurso do PAF 10875.720274/200849, no qual requer provimento de suas alegações e a suspensão dos créditos compensados, vinculandoos ao PAF 16624.001414/200675. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Como visto, a Recorrente pretende ver reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI decorrente de utilização de insumos em seu processo produtivo.Ocorre que os insumos que apresenta não atendem aos requisitos materiais necessários à compor o direito ao creditamento. A não cumulatividade criada para a apuração do IPI tem como objetivo favorecer o equilíbrio da carga tributária na incidência em cada fase de uma cadeia produtiva, visando a manutenção do princípio da seletividade, por conta disso é que o pressuposto da não Fl. 109DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16624.003747/200888 Acórdão n.º 3101001.764 S3C1T1 Fl. 103 3 cumulatividade está inserido na compensação do que é devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. A partir daí é de concluirse que, não havendo incidência do imposto na operação anterior não haverá montante cobrado, o que implica reconhecer a impossibilidade de um creditamento ficto. Notadamente, no que se refere à energia elétrica, verificase que esse insumo não se enquadra nas classes de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, ou seja, nas classes que representam a dinâmica do IPI em relação à repercussão jurídica e econômica do imposto para a próxima fase da cadeia produtiva. Por conta desses dois pontos, é que andou bem a decisão recorrida em negar o pleito de crédito ficto de IPI para aquisições que não se enquadram qualitativa e quantitativamente nas classes de insumos que geram créditos para a apuração do IPI. Quanto à inexistência do direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados o STF já pacificou entendimento no RE 370.682: Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. (RE 370682 ED, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 06/10/2010, DJe220 DIVULG 16112010 PUBLIC 17112010 EMENT VOL0243201 PP00015) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000452/2001-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1996
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO.
A presença de obscuridade/contradição na decisão impõe o acolhimento dos embargos de declaração para sanar o vício. Se a eliminação de proposição para sanar contradição altera a decisão embargada, têm-se como consequência os efeitos infringentes dos embargos, para conhecimento do recurso.
CSLL - COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS.
A base de cálculo positiva da CSLL, cuja origem não seja de atividade rural, mas de resultado não operacional, só pode ser reduzida mediante compensação de bases de cálculo negativas decorrentes de atividades rurais de períodos anteriores até o limite de 30%.
Numero da decisão: 9101-002.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, 1) Quanto ao conhecimento dos embargos: Por unanimidade de votos, embargos conhecidos. 2) Quanto ao mérito dos embargos: Por unanimidade de votos, embargos acolhidos com efeitos infringentes, para conhecer do recurso especial e negar provimento ao recurso do Contribuinte. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono da Embargante, Dr. Gustavo Froner Minatel OAB-SP 210198.
(documento assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1996 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO. A presença de obscuridade/contradição na decisão impõe o acolhimento dos embargos de declaração para sanar o vício. Se a eliminação de proposição para sanar contradição altera a decisão embargada, têm-se como consequência os efeitos infringentes dos embargos, para conhecimento do recurso. CSLL - COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. A base de cálculo positiva da CSLL, cuja origem não seja de atividade rural, mas de resultado não operacional, só pode ser reduzida mediante compensação de bases de cálculo negativas decorrentes de atividades rurais de períodos anteriores até o limite de 30%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, 1) Quanto ao conhecimento dos embargos: Por unanimidade de votos, embargos conhecidos. 2) Quanto ao mérito dos embargos: Por unanimidade de votos, embargos acolhidos com efeitos infringentes, para conhecer do recurso especial e negar provimento ao recurso do Contribuinte. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono da Embargante, Dr. Gustavo Froner Minatel OAB-SP 210198. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
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(Atual denominação de Companhia Agropecuária Santa Isabel). Interessado Fazenda Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OBSCURIDADE/CONTRADIÇÃO. A presença de obscuridade/contradição na decisão impõe o acolhimento dos embargos de declaração para sanar o vício. Se a eliminação de proposição para sanar contradição altera a decisão embargada, têmse como consequência os efeitos infringentes dos embargos, para conhecimento do recurso. CSLL COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. A base de cálculo positiva da CSLL, cuja origem não seja de atividade rural, mas de resultado não operacional, só pode ser reduzida mediante compensação de bases de cálculo negativas decorrentes de atividades rurais de períodos anteriores até o limite de 30%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, 1) Quanto ao conhecimento dos embargos: Por unanimidade de votos, embargos conhecidos. 2) Quanto ao mérito dos embargos: Por unanimidade de votos, embargos acolhidos com efeitos infringentes, para conhecer do recurso especial e negar provimento ao recurso do Contribuinte. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono da Embargante, Dr. Gustavo Froner Minatel OABSP 210198. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 04 52 /2 00 1- 70 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000452/200170 Acórdão n.º 9101002.023 CSRFT1 Fl. 3 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). Relatório O contribuinte Empreendimentos Imobiliários Caracol Ltda. opõe Embargos de Declaração em face do Acórdão 9101000.792, sessão de 14 de dezembro de 2010, por meio do qual a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, não conheceu do seu recurso especial interporto em face do Acórdão 10515.398, por não caracterizado o dissenso jurisprudencial. Alega a Embargante obscuridade e contradição no julgado, quando afirma que não há, nos presentes autos, controvérsia no que fiz respeito à possibilidade de a Empresa embargante compensar prejuízos fiscais da atividade rural com resultados provenientes da alienação de imóvel rural. É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. Como visto do relatório, o acórdão embargado não conheceu do recurso especial da Embargante por entender não caracterizado o dissenso, tendo o voto do Relator assentado inexistir, no presente caso, controvérsia no que diz respeito à possibilidade de compensar prejuízos fiscais da atividade rural com resultados provenientes da alienação de imóvel rural, matéria tratada no paradigma. Afirma a embargante que essa assertiva é obscura/contraditória, posto que o ponto fulcral da controversa consiste na caracterização, ou não, do resultado da alienação da propriedade rural como receita de outra atividade (que não rural). A exigência relacionase à compensação de bases negativas de CSLL sem observância do limite de 30%, detectada em revisão sumária de declaração. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000452/200170 Acórdão n.º 9101002.023 CSRFT1 Fl. 4 3 O Termo de Verificação Fiscal aponta: “O contribuinte apurou resultado não operacional no ano calendário em questão, no valor de R$ 2.184.751,00, decorrente da alienação de bens de seu ativo permanente; O resultado não operacional, somado ao prejuízo operacional de R$ 1.274.467,00 resultou em lucro líquido de R$ 910.284,00; No ano calendário em questão o contribuinte compensou prejuízo fiscal apurado no exercício anterior (declaração de rendimentos 1RPJ exercício de 1996, ficha 7 linha 34), com a totalidade do lucro apurado pela inclusão de resultado não operacional ao resultado (prejuízo) operacional (ano calendário de 1996), sem a observância do limite estabelecido pelas normas legais, ficando sujeito à constituição do crédito tributário decorrente do valor compensado acima do limite permitido (...)” Ante a impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa; Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 1997 Ementa: ATIVIDADE RURAL — As empresas que exercem atividade rural sujeitamse à CSLL calculada à alíquota de 8%, nos termos da legislação vigente. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA TRAVA DE 30% ATIVIDADE RURAL. No anocalendário em questão, a compensação de base de cálculo negativa de CSLL na apuração dessa contribuição estava limitada a 30% do lucro líquido ajustado, mesmo no caso da empresa exercer somente atividade rural. Pelo Acórdão 10515.398, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, confirmou o decidido em primeira instância, assentou que: CSLL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS A compensação de prejuízos fiscais de atividades rurais com o lucro obtido em demais atividades, em períodos subsequentes, fica restrita ao limite de 30%. O contribuinte opôs embargos de declaração, que restaram rejeitados. Em seguida, interpôs recurso especial de divergência, apresentando como paradigmas acórdãos da Sétima Câmara, desenvolvendo a seguinte argumentação para postular a reforma da decisão da 5ª Câmara: A Recorrente também demonstrou nos autos que nos anos calendário de 1995 e 1996 explorou tãosomente atividade rural, juntando para tanto cópias de seu livro diário e da DIPJ, respectivamente. Todavia, ao enfrentar a questão em debate, decidiu equivocadamente a Colenda Câmara Recorrida ao assentar Fl. 269DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000452/200170 Acórdão n.º 9101002.023 CSRFT1 Fl. 5 4 entendimento no sentido de que o resultado proveniente da alienação de imóvel rural corresponde a "lucro obtido em demais atividades", concluindo, por conseguinte, pela necessidade de observância ao limite de 30%. Com a devida vênia, tal entendimento contraria a sólida e remansosa jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, que admite expressamente a compensação de prejuízos fiscais apurados na atividade rural com o resultado apurado na alienação de bens imóveis, desde que o contribuinte exerça unicamente a atividade rural. De fato, não se pode considerar que a simples alienação de propriedade rural — de titularidade da própria Recorrente — seja suficiente o bastante para caracterizar o exercício de "outra atividade", sujeita ao limite de compensação previsto na lei. Deveras, o resultado proveniente da alienação de propriedade rural somente estaria sujeito a este crivo se a Recorrente tivesse por objeto social a "compra e venda de imóveis", o que não restou demonstrado e sequer foi ventilado pela Administração nos autos do presente processo administrativo. No recurso, a Recorrente sintetizou o entendimento expresso pelo acórdão vergastado e o expresso no paradigma para demonstrar a divergência, como a seguir: ACÓRDÃO RECORRIDO 10515.498 EMENTA: IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS A compensação de prejuízos fiscais de atividades rurais com o lucro obtido em demais atividades, em períodos subsequentes, fica restrita ao limite de 30%. VOTO: (...) Desta feita, tendo em vista que o lucro líquido obtido no ano de 1996 (exercício de 1997) não adveio de atividade rural (venda de bens do ativo permanente) e que o prejuízo a ser compensado (exercício de 1996) é de períodosbase diferentes, fica a compensação do prejuízo limitada a 30%. ACÓRDÃO PARADIGMA – 10706.511 EMENTA IRPJ — ATIVIDADES RURAIS PREJUÍZOS FISCAIS ALIENAÇÃO DE IMÓVEL GANHO DE CAPITAL — COMPENSAÇÃO — GLOSA — IMPROCEDÊNCIA — A empresa que explora atividade unicamente rural não esta impedida de compensar seus prejuízos fiscais com resultados extraordinários advindos da alienação de bens de seu ativo permanente. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000452/200170 Acórdão n.º 9101002.023 CSRFT1 Fl. 6 5 VOTO (...)Todavia, explorando atividade unicamente rural, não faz sentido e muito menos foi este o propósito do legislador, impossibilitar a empresa rural de compensar prejuízos advindos da exploração de sua atividade com resultados extraordinários, tal como o gerado em face da alienação de bens do ativo permanente.” A Turma não conheceu do recurso por entender que não foi caracterizado o dissenso. Constou do relatório que: (a) O acórdão recorrido entende que apenas os resultados provenientes de atividades rurais no sentido estrito (venda e compra de produtos agrícolas e agropecuários) não estaria sujeita à limitação imposta pela Lei 9.065/1995 (trava na compensação); (b) A Recorrente alega divergência com entendimento da 7ª Câmara, no sentido de que: (b.1) a empresa que explora unicamente atividades rurais não está impedida de compensar seus prejuízos fiscais com resultados extraordinários advindos da venda de bens do ativo permanente; (b.2) deve ser admitida a compensação de prejuízos fiscais apurados na atividade rural com o lucro auferido na alienação de imóvel rural. O voto condutor fundamentou o não conhecimento do recurso nas seguintes considerações: 1 Premissa fundamental para análise do recurso especial de divergência é a perfeita similitude fática entre acórdãos paradigma e recorrido, de modo, verificada a discrepância entre eles, firmarse a jurisprudência desta Corte a respeito da específica questão de direito posta a debate; 2 Embora tenham em comum o aspecto de os lançamentos terem sido lavrados contra empresa que desenvolve atividade de natureza rural e referiremse a glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, do exame do acórdão recorrido depreendese que o contexto fático e jurídico que motivou a lavratura do lançamento é distinto daqueles verificados nos arestos paradigmas; 3 O acórdão recorrido versa sobre legislação sequer vigente na data dos fatos a que se referem os paradigmas; 4 Os paradigmas versam sobre fatos ocorridos em 1991 e 1993, enquanto não vigente a legislação que versava sobre limite para compensação de prejuízos fiscais e bases negativas. 4.1 Como é intuitivo, nesses julgados não se discutiu a questão relativa à “trava”, que representa o cerne da discussão no acórdão recorrido; Fl. 271DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000452/200170 Acórdão n.º 9101002.023 CSRFT1 Fl. 7 6 4.2 Naqueles casos discutiuse o direito de o contribuinte compensar prejuízos fiscais da atividade rural com resultados extraordinários (não operacionais) de sua atividade (venda de imóveis, por exemplo), o que não é discutido nessa demanda; 4.3 Aqui discutese exclusivamente a questão relativa à imposição de limites para compensação (trava), mas não o direito de compensação em si, o qual já foi reconhecido pela própria Fiscalização; 5 O recurso especial destinase a resolver dissenso relacionado à interpretação da (mesma) legislação fiscal e sob os mesmos fatos, o que não se verifica no caso em exame. Os embargos opostos referemse à assertiva contida no item 4.2 supra, em que o Relator afirma que não há, nos presentes autos, controvérsia no que fiz respeito à possibilidade de a Empresa embargante compensar prejuízos fiscais da atividade rural com resultados provenientes da alienação de imóvel rural. De fato, a decisão restou obscura quando, para concluir pela inexistência de dissenso porque a interpretação dos paradigmas e do acórdão recorrido não se relacionam à mesma legislação; indicou as seguintes premissas: (i) Os paradigmas e o acórdão recorrido têm em comum o aspecto de tratarem de exigência contra empresa que desenvolve atividade de natureza rural e referiremse a glosa de compensação de prejuízos/fiscais e bases negativas de CSLL; (destaquei) (ii) Contudo, os paradigmas versam sobre fatos ocorridos quando inexistia a trava para compensação de prejuízos fiscais e bases negativas e, portanto, neles não se discutiu a trava; (destaquei) (iii) No acórdão recorrido discutese exclusivamente a trava. Aparentemente, o relator entendeu como relevante apenas a existência de legislação prevendo a trava (não fazendo distinção entre compensação de prejuízos fiscais e compensação de bases negativas de CSLL). Ou seja, não influenciou sua decisão o fato de os paradigmas tratarem de IRPJ e o acórdão recorrido tratar de CSLL. Se não é relevante tratarse de limite para compensação de prejuízos ou de bases negativas de CSLL, a decisão restou obscura/contraditória. De fato, o objeto da controvérsia nestes autos é, exatamente, a possibilidade de as empresas que praticam exclusivamente atividades rurais poderem compensar bases negativas de CSLL auferidos nas atividades operacionais (rurais) com resultado não operacional (lucros na alienação de imóvel rural), questão discutida no paradigma, sob o prisma da compensação de prejuízos fiscais. Portanto, acolho os embargos para sanar a obscuridade/contradição, atribuindolhe efeitos infringentes, e conheço do recurso. Mérito Conforme consta dos autos, no anocalendário de 1996 a empresa apurou prejuízo operacional em sua atividade exclusivamente rural no valor de R$ 1.274.467,00 e resultado não operacional de R$ 2.184.751,00, decorrente da alienação de bens de seu ativo Fl. 272DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000452/200170 Acórdão n.º 9101002.023 CSRFT1 Fl. 8 7 permanente. Com isso, seu lucro líquido, ponto de partida para a apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social foi positivo em R$ 910.284,00, que foi integralmente compensado com saldo de bases negativas de períodos anteriores. À compensação da base de cálculo negativa da CSLL de um período com a base positiva apurada em períodos subsequentes, aplicamse, como regra geral, normas análogas às de compensação de prejuízos fiscais. De fato, a permissão para compensação da base negativa da CSLL com a positiva de períodos posteriores, introduzida pelo parágrafo único do art. 44 da Lei nº 8.383/91, inicialmente sem limitação temporal, com a Lei nº 8.981/95 passou a sujeitarse à limitação quantitativa (30% do lucro ajustado), tal como a compensação de prejuízos fiscais. A conferir: Art. 44. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro (Lei n.° 7.689, de 1988) e ao imposto incidente na fonte sobre o lucro líquido (Lei n° 7.713, de 1988, art. 35) as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. Parágrafo único. Tratandose da base de cálculo da contribuição social (Lei n° 7.689, de 1988) e quando ela resultar negativa em um mês, esse valor, corrigido monetariamente, poderá ser deduzido da base de cálculo de mês subseqüente, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real. (Revogado pela Lei nº 8.981, de 20.1.95) Lei nº 8.981/95 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. (Vide Lei nº 9.065, de 1995 (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. (Vide Lei nº 9.065, de 1995) O fundamento fático do acórdão recorrido para acolher a limitação da compensação foi de que o lucro líquido obtido não adveio de atividade rural, mas de outra atividade (venda de bem do ativo permanente). A Recorrente postula a aplicação de entendimento da Sétima Câmara, no sentido de que, se a empresa explora unicamente atividade rural, não há impedimento para a compensação de resultados negativos oriundos da atividade rural com resultados positivos extraordinários advindos da alienação de bens de seu ativo permanente. A meu ver, a questão há que ser examinada sob a ótica da especialidade, a dizer, das regras especiais para a tributação do resultado das atividades rurais. A Lei nº 8.023, de 1990, instituiu as regras para a tributação pelo imposto de renda dos resultados provenientes de atividade rural, que vem definida no seu art. 2º. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000452/200170 Acórdão n.º 9101002.023 CSRFT1 Fl. 9 8 O art. 4º, que trata de tributação da atividade desenvolvida por pessoa física, visto conter remissão à Lei nº 7.713/99, veicula norma que equipara a resultado de atividade rural o proveniente da venda de bens aplicados na produção, exceto a terra nua. O artigo 12 instituiu alíquota especial para a tributação dos resultados das atividades rurais das pessoas jurídicas, e confirmou a extensão do conceito de resultado de atividade rural ao proveniente da venda de bens do ativo imobilizado aplicados na produção, exceto a terra nua, ao autorizar sua depreciação integral no ano da aquisição (§ 2º). Conquanto o art. 12 tenha sido revogado pelo inciso III do art. 36 da Lei nº 9.249/95, a depreciação integral dos bens aplicados na produção, exceto a terra nua, foi reinstituída pelo art. 7º da Medida Provisória nº 1.459, de 21/05/96, sucessivamente reeditada, vigorando atualmente o art. 6º da Medida Provisória 2.159/2001: Art.6º. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. O artigo 14 da Lei 8.023/90 contém norma específica para a compensação de prejuízos, prevendo que o saldo de prejuízos anteriores poderá ser compensado com o resultado positivo de anos posteriores (sem a limitação temporal existente para os resultados não provenientes de atividades rurais). A Lei nº 8.981/95, que estabeleceu uma limitação para a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, é uma norma geral, e como nada dispôs sobre os resultados de atividades rurais, a compensação, no que se refere ao resultado das atividades rurais, não foi alcançada pela limitação, eis que regida por norma especial não derrogada (art. 14 da Lei nº 8.023/90). A prevalência da norma especial sobre a geral foi esclarecida pela Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 39/96 que, ao dispor sobre a tributação dos resultados da atividade rural das pessoas jurídicas, assentou: Art. 2º À compensação dos prejuízos fiscais decorrentes da atividade rural, com lucro real da mesma atividade, não se aplica o limite de trinta por cento de que trata o art. 15 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. A ausência de norma análoga em relação à CSLL foi afinal suprida pela Medida Provisória 1.99115, de 01/03/2000, cujo no seu art. 42 dispôs: Art.42. O limite máximo de redução do lucro líquido ajustado, previsto no art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural, relativamente à compensação de base de cálculo negativa da CSLL. Conforme enuncia a Súmula CARF nº 53, a norma veiculada pelo art. 42 da MP acima transcrito aplicase inclusive para os fatos ocorridos antes de sua vigência. O conjunto das normas acima referidas veicula uma interpretação no sentido de que: (i) os resultados provenientes de atividade rural têm tratamento tributário especial; (ii) Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.000452/200170 Acórdão n.º 9101002.023 CSRFT1 Fl. 10 9 tais resultados não se sujeitam à trava para a compensação de prejuízos fiscais nem de bases negativas de CSLL; (iii) para fins tributários, os bens do ativo permanente aplicados na produção, exceto a terra nua, podem ser depreciados integralmente no ano de sua aquisição; (iv) na alienação de propriedade rural, deve ser apurado o ganho de capital correspondente à terra nua (resultado não operacional), que só poderá ser reduzido, por compensação com prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores, em até 30%. A decisão recorrida assenta que: (i) A base negativa da atividade rural não têm limite para compensação; (ii) O prejuízo apurado pela pessoa jurídica que explorar atividade rural poderá ser compensado com o resultado positivo (atividade rural) obtido em períodosbase posteriores (Lei n° 8.023/90, art. 14), não se aplicando o limite de 30% do lucro líquido; (iii) A compensação do prejuízo fiscal da atividade rural com o lucro real de outras atividades em exercícios subsequentes fica sujeito à limitação de 30%. Tal decisão, embora algumas vezes se referindo equivocadamente a prejuízo, em lugar de base de cálculo negativa da CSLL, está de acordo com a legislação de regência, devendo ser confirmada. Cumpre registrar a impossibilidade de se acolher a argumentação de que a alienação da propriedade rural contemplou a venda de diversos bens e benfeitorias atrelados ao imóvel (pastagens, terras de cultura, capoeira, casa de administração e casas de moradia de colonos, casa para máquinas com o respectivo maquinário, tulhas, cocheiras e outras benfeitorias, móveis e utensílios, ferramentas, criações e tudo o mais que nela se contém), porquanto tal análise demandaria o reexame de matéria fática, inviável em sede de recurso especial de divergência. Por todo o exposto, acolho os embargos com efeitos infringentes, para conhecer o recurso e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10480.722499/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007
RECLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO - INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - REVISÃO DE ERRO DE DIREITO.
Apenas é permitida a revisão do lançamento tributário quando houver erro de fato, entendendo-se este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Segue-se a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no sentido de que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito.
PRESCRIÇÃO - 5 ANOS DO APROVEITAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - INAPLICABILIDADE DA CONTAGEM DO PRAZO DO MOMENTO DA GERAÇÃO DO CRÉDITO.
Em relação ao saldo credor de 2003, aproveitado no ano de 2005, sem razão a Recorrente. É fato que quando ocorreu a fiscalização já havia transcorrido 5 anos do momento da geração do crédito. Todavia, não havia transcorrido 5 anos do momento do aproveitamento do crédito tributário, e é este o período em que a fiscalização pode analisar a contabilidade do contribuinte.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3302-002.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva acompanharam a Relatora pelas conclusões. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 RECLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO - INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - REVISÃO DE ERRO DE DIREITO. Apenas é permitida a revisão do lançamento tributário quando houver erro de fato, entendendo-se este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Segue-se a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no sentido de que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. PRESCRIÇÃO - 5 ANOS DO APROVEITAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - INAPLICABILIDADE DA CONTAGEM DO PRAZO DO MOMENTO DA GERAÇÃO DO CRÉDITO. Em relação ao saldo credor de 2003, aproveitado no ano de 2005, sem razão a Recorrente. É fato que quando ocorreu a fiscalização já havia transcorrido 5 anos do momento da geração do crédito. Todavia, não havia transcorrido 5 anos do momento do aproveitamento do crédito tributário, e é este o período em que a fiscalização pode analisar a contabilidade do contribuinte. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2358; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722499/200954 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.444 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria IPI Recorrente SUAPE PORCELANATO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 RECLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL REVISÃO DE ERRO DE DIREITO. Apenas é permitida a revisão do lançamento tributário quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Seguese a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. PRESCRIÇÃO 5 ANOS DO APROVEITAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO INAPLICABILIDADE DA CONTAGEM DO PRAZO DO MOMENTO DA GERAÇÃO DO CRÉDITO. Em relação ao saldo credor de 2003, aproveitado no ano de 2005, sem razão a Recorrente. É fato que quando ocorreu a fiscalização já havia transcorrido 5 anos do momento da geração do crédito. Todavia, não havia transcorrido 5 anos do momento do aproveitamento do crédito tributário, e é este o período em que a fiscalização pode analisar a contabilidade do contribuinte. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 24 99 /2 00 9- 54 Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Walber José da Silva acompanharam a Relatora pelas conclusões. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para o fim de constituir débito de IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados – entendido como devido pela fiscalização em virtude da reclassificação fiscal de produto importado e fabricado pela contribuinte. Ainda, consta a glosa específica de crédito escriturado em novembro de 2005. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia para reproduzir o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, a saber: “DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração lavrado em 03.12.2009 para cobrança do IPI, acrescido de juros de mora e de multa de ofício de 75%, por falta de recolhimento desse imposto, em razão de ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados sem destacálos nas notas fiscais (NF) de saída, tudo em decorrência de erro em sua classificação fiscal e, conseqüente incorreção das alíquotas aplicadas. Além disso, foi glosado pela fiscalização o crédito do IPI escriturado em novembro de 2005, acrescido de juros moratórios e multa de 75%. A descrição detalhada dos fatos consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 32 a 45, e será resumidamente exposta a seguir: Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 11 3 1. ESCLARECIMENTOS INICIAIS: A presente autuação decorre de procedimento fiscal anterior que identificou erro nos despachos aduaneiros de importação dos produtos, promovidos pela empresa, uma vez que ela importava “ladrilhos de granito artificial para uso exclusivo em revestimento de pisos, na construção em geral”, classificando os na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), quando do seu despacho aduaneiro, no código 6810.19.00, como: “Outras obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas”, com alíquotas de 8% de II, 0% de IPI (quando deveria ter adotado alíquotas de 10% e 5%, dependendo da época do fato gerador do IPI vinculado à importação), 1,65% de PIS/PASEP, e 7,60% de COFINS. Tendo em vista o exame das mercadorias, objeto de diversos laudos e análises, e considerando as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado nºs 1 e 6, incorporadas pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e pela Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) (entendimento corroborado pela Nota Coana/Cotac/Dinon nº 0319, de 2007 (Anexo 01), a mercadoria foi reclassificada para os códigos da NCM/TEC e NBM/TIPI: 6907.90.00 “Placas (lages) de Porcelanato, não vidradas nem esmaltadas, para pavimentação ou revestimento”, e 6908.90.00 “Placas (lages) de Porcelanato, vidradas ou esmaltadas, para pavimentação ou revestimento”. A alteração na classificação do produto importado gerou diferenças a recolher relativamente aos tributos e contribuições incidentes sobre a sua importação, além da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria por classificação incorreta da mesma na NCM/TEC e NBM/TIPI, multa de ofício e juros de mora, tudo de acordo com Autos de Infração que fazem parte de outros processos (o citado pela autuação foi o de nº 19647.013825/200882, às fls. 60 a 122 dos autos digitais). Em razão do ocorrido, foi realizada auditoria na contabilidade da empresa, tendo sido analisados os arquivos digitais apresentados pelo contribuinte, a fim de constatar se ele cometera o mesmo equívoco (cometido na importação) quando das saídas dos produtos industrializados da empresa. Constatouse que sim. Ele tributou os produtos com alíquota 0% de IPI (a mesma utilizada nos despachos de importação). A empresa, durante o período examinado, somente industrializou o mesmo produto, porcelanato, ainda que comercializado sob colorações, tamanhos, cortes, durezas e brilhos distintos, todavia classificados na mesma codificação fiscal: 6810.19.00 (pedra artificial), e NÃO nos códigos corretos: 6907.90.00 (para as lajes de porcelanato, não vidradas nem esmaltadas) e 6908.90.00 (para aquelas vidradas ou esmaltadas). Portanto todas as referências à infração por falta de destaque do IPI Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 dizem respeito a um único produto, apresentado de duas formas (não vidrados nem esmaltados ou vidrados ou esmaltados). No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 34, o auditor apresenta gráficos explicativos da questão, ressaltando, no tocante à figura II, que ela representa a apuração do IPI (entradas e saídas) do estabelecimento industrial, visto que o contribuinte fez operações de industrialização com os produtos nacionalizados: A) Representação esquemática do estabelecimento industrial ora fiscalizado, objeto dos Autos de Infração de IPI vinculado à importação (figura I). B) Representação esquemática do estabelecimento industrial fiscalizado, consideradas plenamente as suas transações de saídas de produtos para o mercado interno e externo, bem como as entradas/aquisições (oriundas do mercado interno ou importadas) de insumos industriais (figura II). Em razão das operações industriais, o contribuinte deveria apurar os débitos relativos às saídas para o mercado interno (as exportações são imunes), assegurado o direito de utilizar o sistema de crédito fiscal estabelecido pela legislação que rege a matéria. Se o saldo do período de apuração fosse devedor, deveria ser feito o recolhimento no prazo previsto, e se fosse credor, deveria ser mantido como saldo credor inicial do período de apuração subseqüente. Partindo dessa premissa, não foram autuadas as importâncias relativas ao IPI vinculado à importação não recolhidas, mas apenas os valores do IPI correspondentes às saídas com falta de destaque do imposto, não escriturados no RAIPI, por conta do erro na classificação fiscal adotada pela empresa em suas vendas do produto, como expresso em suas notas fiscais de saída. Foi juntada cópia do processo nº 19647.013825/200882 com os fundamentos da reclassificação fiscal feita quando da importação e despacho dos bens, às fls.60 a 122. O estabelecimento, conforme notas fiscais apresentadas, não comercializa os insumos importados sem submetêlos às operações industriais específicas, que são descritas pelo próprio contribuinte como simples operações industriais de modo a melhorar a apresentação e/ou acabamento do produto. De acordo com o artigo 4º, inciso II, do RIPI/2002, a realização de tais operações industriais (planar, polir, retificar as dimensões, etc) pode ser classificada como beneficiamento (modalidade de industrialização), uma vez que apenas importa em alterar o acabamento/aparência do produto já existente, não resultando, de modo geral, na criação de espécie nova sob o aspecto da classificação fiscal na TIPI. Na presente autuação não há mudança de classificação fiscal dos produtos beneficiados em relação aos importados, logo, as placas de porcelanato estarão submetidas à mesma classificação dos itens importados. Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 12 5 Adotou, portanto, a autoridade lançadora, a classificação indicada no processo referido: 6907.90.00 (para os porcelanatos não vidrados nem esmaltados) e 6908.90.00 (para aqueles vidrados ou esmaltados), ambos com as mesmas alíquotas do IPI, a saber: 10% nos anos de 2005 e 2006; 5% no ano de 2007 (Decreto nº 6.006.2006). A prática do estabelecimento de promover saídas com a classificação fiscal errônea (NBM 6810.19.00) e alíquota do IPI igual a 0%, resultou, ao longo dos vários períodos de apuração, em infração à legislação do IPI, por ter deixado de realizar o destaque do imposto exigível nas notas fiscais de saída e, conseqüentemente, ter deixado de recolher os eventuais saldos devedores do imposto. Esse erro, todavia, não ocorreu quando a empresa promoveu vendas das mesmas placas de porcelanato para a empresa PAMESA do Brasil S.A., do mesmo grupo econômico. Como demonstram as notas fiscais de saída nºs 1.552 e 1.553 (cópias nos autos), emitidas em novembro de 2005, o estabelecimento promoveu tais vendas com tributação do IPI, com o pleno destaque do imposto devido, conforme “Relação de saídas Tributadas” (demonstrativo constante dos autos). Nelas, o estabelecimento utilizou a classificação 6908.90.00, com alíquota de IPI de 10%. O procedimento foi ilustrado com a apresentação de distintas notas fiscais de saída (todas digitalizadas e constantes dos autos). A reconstituição da apuração do IPI baseouse no sistema de crédito fiscal preceituado na legislação do imposto, em virtude de o contribuinte ter desenvolvido operações industriais em seu estabelecimento. Foram considerados para o lançamento do presente AI os créditos que o contribuinte fez jus, ainda que eles não estivessem registrados na sua apuração no RAIPI, a saber: A) Créditos decorrentes da autuação do IPI vinculado, não recolhido nas importações do porcelanato (processo 19647.013825/200882): Esses valores foram considerados para evitar que o contribuinte fosse cobrado em duplicidade (foram objeto de AI constante do processo mencionado); como o IPI vinculado à importação incidente sobre os insumos industriais enseja o direito ao creditamento para o estabelecimento industrial, se não fosse feita a dedução dos valores como créditos do contribuinte, a cobrança dos débitos das saídas implicaria em nova exigência das importâncias discutidas no processo referido. Foi elaborado novo demonstrativo para quantificar o IPI a ser pago no desembaraço, que então foi considerado como crédito do estabelecimento (correspondente ao porcelanato importado e nacionalizado); A relação de todas as Declarações de Importação (DI) desembaraçadas com os insumos, nos anos de 2005 a 2007, está Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 discriminada na planilha “Relação Analítica das Entradas de porcelanato sem pagamento do IPI” (Importações autuadas no Processo nº 19647.013825/200882). Ressalva, o auditor, todavia, que, relativamente ao ano de 2007, no processo mencionado, houve a cobrança do IPI não pago no desembaraço aduaneiro, mediante o uso de alíquota incorreta do imposto, porquanto, de acordo com o Decreto nº 6.006, de 2006 (vigente a partir de 01.01.2007), a alíquota para ambos os códigos tarifários propostos fora reduzida para 5%; no entanto, no AI objeto do processo mencionado, o IPI de 2007 fora calculado com a mesma alíquota aplicável aos anos de 2005 e 2006, em razão do que se faz necessária a correção do valor do crédito até o limite do IPI a ser cobrado com a alíquota correta do imposto; esse valor excedente deverá ser reduzido no AI constante do processo nº 19647.013825/200882, não sendo possível tal redução no âmbito do presente AI. B) Créditos de aquisições/entradas de insumos industriais (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem), destinados ao beneficiamento dos produtos no estabelecimento do contribuinte: A partir do tratamento dos arquivos digitais, foram detectadas entradas de insumos tributados feitas pelo estabelecimento, listadas na planilha “Relação Analítica das Aquisições tributadas no período” (demonstrativo que faz parte dos autos). C) Totalização dos créditos de IPI no período: A partir das relações analíticas das DI, de acordo com as datas de desembaraço dos despachos aduaneiros de importação, e das aquisições/entradas de insumos tributados, em consonância com as datas de entrada dos mesmos no estabelecimento industrial, foram consolidados os créditos correspondentes a cada período de apuração, totalização expressa na planilha “Relação Sintética das Entradas de porcelanato sem pagamento do IPI (importações autuadas no Processo nº 19647.013825/200882) e das Aquisições tributadas no período”. 2. INFRAÇÃO I: FALTA DE DESTAQUE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA Na relação apresentada pelo estabelecimento industrial, “Relação de Produtos Industrializados”, constatase que todos os itens ali industrializados foram tributados à alíquota 0% de IPI, em razão de adoção de código tarifário incorreto. Com base nos arquivos digitais disponibilizados pela empresa foi, então, elaborado um levantamento das saídas que deveriam ser tributadas com a alíquota correta do IPI, tendo sido excluídas as operações que não representassem transações comerciais sujeitas ao destaque do IPI (ver exemplo na Nota de rodapé, à fl.40 dos autos digitais) (“Relação de Saídas não consideradas para fim de tributação pelo IPI”). Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 13 7 A planilha “Relação de Notas Fiscais de saída sem destaque do IPI”, produzida a partir dos arquivos digitais do contribuinte, apresenta lista ordenada e integral das NF de saída a tributar no presente AI. De modo a quantificar o IPI não destacado nas NF de saída, por conta do erro relativo à classificação fiscal dos porcelanatos, foi consolidada a planilha “Relação Sintética das Saídas do Produto Porcelanato sem destaque do IPI e Valor do IPI a destacar”, onde foi calculado o IPI a destacar em cada período de apuração pela aplicação da alíquota correta do imposto (10% ou 5%, de acordo com a data de saída do produto). 3. INFRAÇÃO II: GLOSA DE CRÉDITOS INDEVIDOS ESCRITURADOS NO LIVRO RAIPI: Quando da análise do Livro RAIPI, constatou a autoridade lançadora que no único mês em que houve registro de débitos de IPI (novembro de 2005), não se deu recolhimento do imposto, por conta da compensação realizada dos débitos com o saldo credor inicial do período de apuração. Ocorreu, entretanto, uma improvável coincidência, segundo relata o auditor: o saldo credor inicial do mês de novembro de 2005 tinha exatamente o mesmo valor dos débitos do IPI que foram registrados naquele mês, por conta das NF de saída nºs 1.552 e 1.553, ou seja, R$ 192.096,33 (cento e noventa e dois mil, noventa e seis reais e trinta e três centavos), o que levou à investigação da origem dos créditos, ou de algum ajuste na escrita fiscal para suprimir o saldo devedor que adviria das saídas tributadas para a empresa PAMESA do Brasil S.A., em novembro de 2005, visto que o contribuinte não registrara em todos os períodos de apuração, de 2004 a 2007, qualquer crédito de IPI. Em resposta ao Termo de Intimação lavrado em 09.11.2009, o contribuinte apresentou declaração e cópias de documentos, alegando que os créditos originaramse em 2003, a partir de dois documentos fiscais para os quais não identificou a empresa remetente, a classificação dos insumos ou a sua descrição. Além do mais, não apresentou os documentos solicitados e, sim, cópias do Livro “Diário Geral”, de 2003, onde havia a menção genérica a “Saldo Credor Transferido”, sem quaisquer elementos de identificação do crédito. Por outro lado, a planilha por ele elaborada também não discriminava os insumos adquiridos que teriam originado tal crédito, apenas descrevia o material utilizado no processo produtivo, como “Diversos”, o que impossibilitou qualquer crítica qualitativa sobre a pertinência do valor escriturado. Novamente intimada, em 24.11.2009, alegou não mais possuir o livro RAIPI e não ter localizado o Livro “Registro de Entradas”. Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Por todo o exposto, o auditor considerou não haver elementos conclusivos que validassem juridicamente o creditamento realizado pelo estabelecimento industrial. Os elementos apresentados não demonstraram a natureza dos insumos nem os seus fornecedores, e geraram um crédito fiscal exatamente igual aos valores debitados nas saídas realizadas de outubro de 2005, ou seja, a empresa gerou em maio e junho de 2003 os créditos no exato montante de débitos de IPI ocorridos após mais de dois anos e cinco meses. Tal crédito foi classificado pela autoridade lançadora como não comprovado (indevido, portanto), o que o excluiu (foi glosado) da reconstituição da apuração do IPI de modo a restaurar a verdadeira expressão dos saldos credores no período de janeiro a novembro de 2005, razão da segunda infração imputada ao contribuinte: creditamento indevido e não comprovado, no tocante ao saldo credor inicial do IPI, em janeiro de 2005, no Livro RAIPI. Desta forma, o estorno de créditos correspondeu à integralidade do saldo credor inicial, constante em janeiro de 2005, e suprimiu os efeitos antes gerados por ocasião da utilização do crédito (compensação do débito do IPI de novembro de 2005). Consulta ao Sistema gerencial das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFGER) da RFB mostrou que a empresa não declarou qualquer valor de IPI como devido no período de 2004 a 2007 (extrato da consulta constante dos autos). 4. RECONSTITUIÇÃO DA APURAÇÃO DO IPI NO PERÍODO: A reconstituição foi feita por intermédio da planilha “Reconstituição de Apuração do IPI”, tendo sido considerados os elementos espontaneamente escriturados nos Livros RAIPI e os crédito e débitos apurados na forma anteriormente exposta. Para a infração de falta de destaque do IPI, foi inserida uma coluna específica, com os valores dos débitos não destacados nas NF, a fim de então os considerar na apuração do imposto; já em relação à infração do creditamento indevido do IPI (saldo credor inicial do imposto de janeiro de 2005), foi introduzida na planilha outra coluna, própria para a glosa de créditos. 5. PENALIDADES APLICÁVEIS ÁS INFRAÇÕES COMETIDAS: Pelo descumprimento da legislação do IPI, o contribuinte cometeu a infração de deixar de destacar o imposto devido nas NF de saída do produto para as empresas adquirentes, quando as alíquotas aplicáveis aos mesmos seriam iguais a 10% e 5%, de acordo com o período das saídas (em decorrência da classificação errônea dos produtos industrializados). Ressaltou, ainda, a autoridade lançadora, que a legislação tributária não apenas pune a falta de recolhimento do imposto (falta de recolhimento dos saldos devedores), mas, de acordo com o artigo 80 da Lei nº 4.502, de 1964, e alterações Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 14 9 posteriores, pune também com idêntica penalidade, o caso de falta de destaque (total ou parcial) do imposto na NF, a saber: “Art.80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (redação dada pelo artigo 45 da Lei 9.430/96 e alterações vigente até a promulgação MP nº 351/2007)” (Grifos acrescentados) Acrescenta, ainda, que as mudanças introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007, não modificaram a penalidade aplicável ao caso (75% do imposto que não foi destacado), a saber: “Art.80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.” (Redação dada pelo Lei nº 11.488, de 2007 norma vigente grifos acrescentados) Lista, finalmente, os demonstrativos que discriminam o crédito tributário (Sistema Safira) e o demonstrativo que faz parte integrante do AI: • DEMONSTRATIVO DE DÉBITOS APURADOS IPI; • DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO IPI; • DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO da diferença a cobrar; • DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA IPI; • DEMONSTRATIVO DE MULTA IPI não lançado com cobertura de crédito; e • DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO. DA IMPUGNAÇÃO Intimada, a empresa apresentou, tempestivamente a sua impugnação, às fls. 806 a 847, alegando, em resumo, após apresentar um histórico dos fatos: Nas Preliminares: 1) Da Nulidade do lançamento: Havia sofrido anteriormente autuação (AI constante do processo nº 19647.013825/200882) relativamente ao mesmo período e tributo, em decorrência da mudança de interpretação da legislação quanto à classificação fiscal a ser adotada para as mercadorias por ela importadas e industrializadas. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 A própria autoridade lançadora reconhece que houve duplicidade da cobrança do IPI, em seu Termo de Verificação Fiscal, quando aborda a questão das alíquotas de 10% e 5% (foram aplicadas alíquotas de 10%, sem considerar a redução do Decreto 6.006, de 2006, no processo anteriormente citado). 2) Da Decadência: Além dos créditos exigidos, em razão da divergência na classificação fiscal dos produtos saídos da empresa, a autoridade administrativa glosou crédito no montante de R$ 192.096,33, cuja origem foi documentada através do Livro Diário de 2003, apresentado à fiscalização. Além do mais, argumenta a defendente, não é possível, após o transcurso do prazo quinquenal exigir documentos (que mesmo assim foram apresentados, quando solicitados). Cita o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), que prevê que os tributos submetidos ao lançamento por homologação, como é o caso do IPI, tem prazo decadencial de cinco anos, a contar do fato gerador. Expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. E no Mérito: 3) Da Alteração de Critério Jurídico e da impossibilidade de alterar a classificação de mercadoria desembaraçada: A impugnante sofreu a lavratura do AI em apreço por ter classificado as mercadorias importadas na forma imposta pela autoridade administrativa, sob pena de não serem as mesmas desembaraçadas. Alega que a revisão do lançamento, por força de mudança na classificação fiscal, só poderia ser realizada por erro de fato e nunca por erro de direito, uma vez que não foi apontada qualquer divergência quanto à natureza da mercadoria. Invoca que os desembaraços aduaneiros foram feitos sem qualquer ressalva por parte da fiscalização aduaneira. Transcreve ementa do Superior Tribunal de Justiça sobre a questão, às fls. 832 a 833. Acrescenta, ainda, que a imposição da alteração do código tarifário teve como fundamento laudo técnico realizado pelo IPT (documento nº 6), confirmado quando requeridas informações pela Secretaria da Fazenda do Estado de PE, o que torna evidente ter havido alteração do critério jurídico até então adotado (documentos nºs 7 e 8). Os artigos 145 e 146 do CTN consagram o princípio da inalterabilidade do lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo, e impedem que a mudança nos critérios jurídicos adotados pela fiscalização tenham reflexos retroativos. Transcreve esses artigos, à fl.814 do processo digital, além do artigo 2º, parágrafo único, e incisos da Lei nº 9.784, de 1999, às fls. 815 e 816, grifando o inciso XIII, que determina que a interpretação da norma administrativa seja feita de forma a Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 15 11 garantir o melhor atendimento possível ao público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Transcreve, ainda, comentários a cerca da Lei nº 9.784/99 de Maria Sylvia Zanella, in Direito Administrativo, Editora Atlas, SP, às fls. 816 e 817, além de diversas ementas do Conselho de Contribuintes (hoje CARF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a matéria, às fls. 818 a 824. A norma citada traz segurança jurídica ao tornar o lançamento imodificável, impedindo, conseqüentemente, a revisão de classificação fiscal feita pelo importador no momento do desembaraço alfandegário do produto importado. 4) Da Inadequação da Classificação imposta pela RFB (itens 36 a 55 de suas razões de defesa, às fls 824 a 828): Na realidade, “...tratase de importação de produto comercialmente denominado de porcelanato, nome que não existe na nomenclatura científica e em nada se aproxima da porcelana. Justamente por se tratar de produto relativamente “novo”, surgiram divergências quando à classificação fiscal a ser adotada” (item 36 da defesa, à fl.824). O porcelanato é um produto composto predominantemente por feldspato (mineral fundente), dolomita (rocha calcária que atua como agente fundente), quartzo e uma pequena quantidade de argila, inferior a 15%, composição que é diversa da cerâmica e se assemelha mais ao granito, consoante laudo técnico do IPT, de São Paulo (item 26 da defesa). O porcelanato é composto de pó de pedra, basicamente de feldspato, substância que não se modifica no processo produtivo, já que seu ponto de fusão é acima de 1.400º C, podendo ser submetido a temperaturas que variam de 1.210º C a 1.250 º C, de sorte que os seus elementos não atingem o ponto de fusão, sendo apenas aglutinados. Não alcançando o ponto de fusão, são mantidas as características químicas dos elementos que compõem o porcelanato, diferentemente do que ocorre quando a cozedura ultrapassa o ponto de fusão. A cerâmica, por sua vez, submetese a temperaturas de até 1.150º C, podendo ser fundida a temperatura de 1.000º C, donde se conclui, quanto à cozedura e ponto de fusão, que há uma substancial diferença entre porcelanato e cerâmica. “Em que pese a similaridade do processo produtivo da cerâmica com o do porcelanato, há características fundamentais que diferenciam os referidos produtos, tanto que, comercialmente, são tratados como mercadorias que podem se prestar ao mesmo fim, mas são de espécies diferentes. Quando se fala de revestimento de pisos ou paredes, têmse como principais opções: cerâmica, granito ou porcelanato. Inexiste confusão ou dúvidas quanto às característica de cada um dos produtos, que são bastante distintos. Entretanto, facilmente, se constata maior Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 similaridade entre o granito e o porcelanato do que entre este e a cerâmica.” “O porcelanato, embora produto recente, corresponde efetivamento ao produto primitivo pedra, apenas elaborada a partir do seu pó, enquanto que os produtos cerâmicos até mais antigos são mais artificiais porque transformam diversos produtos em algo pronto e acabado, portanto, com numeração crescente no sistema de codificação harmonizado” 5) Da imprestabilidade de parecer ou laudo em produto não fornecido pela impugnante: A classificação adotada pela empresa, quando da importação do produto, é a mais adequada, porque embasada em laudo técnico, enquanto a nova classificação tem por suporte mero e superficial parecer, o qual não analisou a composição química do produto, como foi feito pelo laudo do IPT, e baseouse tão somente em informações de concorrentes, que estariam classificando os seus produtos de forma diversa. Além do mais a Nota Coana Dinom 2007/0319 baseouse em equivocado e superficial parecer do ITEP, que não analisou a composição química do produto. 6) Da segurança jurídica moralidade administrativa e boa fé do contribuinte: O lançamento de tributos é ato jurídico perfeito, de acordo com o artigo 6º da Lei de Introdução ao Código Civil, o que exige a aplicação da regra de imutabilidade prevista nos artigos 145, 146 e 149 do CTN. Além do mais, a interpretação dada pela Administração para impor determinada classificação fiscal, calcada em prova científica, diante de dúvida razoável, decorrente de ausência de classificação específica de produto relativamente novo, exige a aplicação dos princípios da razoabilidade e da moralidade administrativa, encartados no artigo 37 da Carta Magna e no artigo 2º da Lei nº 9.784, de 1999. 7) Da ilegalidade da glosa do IPI lançado em novembro de 2005: Foi, ainda, glosado crédito regular, comprovadamente lançado no livro Diário em 2003, registrado na Junta Comercial de PE, em razão de não terem sido localizados todos os documentos solicitados, após o transcurso de mais de cinco anos. A argumentação da fiscalização foi centrada na suposta falta de origem do crédito lançado em 2003, desprezando as informações por ela prestadas e partindo da equivocada premissa de que os produtos correspondentes seriam porcelanato, quando a própria nota fiscal que os descreve traz a classificação fiscal e contém destaque do IPI, por se tratarem de mercadorias distintas. A premissa de que a venda efetuada a sociedade PAMESA do Brasil S.A teria sido de porcelanato é errônea. 8) Da impossibilidade de exigência de multa e juros de mora (artigo 100 do CTN) e da ilegalidade da cumulação de multas: A autoridade lançadora, além de obrigar o contribuinte a adotar a classificação fiscal que a autoridade aduaneira agora assevera Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 16 13 ser correta, ainda impôs penalidades e acréscimos, em descompasso com o parágrafo único do artigo 100 do CTN, que dispõe que a observância das normas referidas no artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Transcreve ementas do Conselho de Contribuintes sobre a matéria, às fls.837 a 839. Acrescenta, ainda, que foram exigidas duas multas em razão de um único procedimento. Além da multa de 75%, imposta em razão de equivocada mudança na classificação fiscal das mercadorias saídas do estabelecimento industrial, ainda foi lançada a multa de 75% pela falta de destaque do imposto na NF, penalizando dupla e severamente a empresa industrial, que apenas cumpriu as determinações fazendárias. Transcreve ementas sobre a matéria do Conselho de Contribuintes, às fls. 840 a 842 do processo digital. 9) Do Pedido de Perícia: A defendente requer a realização de perícia, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, tendo em vista estar envolvida no litígio a composição do produto importado (apresenta alguns quesitos a serem respondidos, às fls.844 a 846, e indica o profissional para a realização do exame, à fl.847). Corroborando o seu pedido, transcreve Ementa de Acórdão do então Conselho de Contribuintes do MF, que diz respeito à dúvida de classificação de determinado produto estar pautada exclusivamente na sua composição química, tornandose, nesse caso, indispensável a produção de perícia. Por todo o exposto, requer seja julgado nulo de pleno direito o Auto de Infração. Caso assim não entenda a autoridade julgadora, pede que seja a ação fiscal julgada improcedente pelas razões de mérito apresentadas, protestado pelo deferimento do pedido de perícia formulado.” Após analisar as razões da Recorrente, a Quinta Turma da Delegacia de Julgamento do Recife proferiu o acórdão no 1135.826, por meio do qual negou provimento ao recurso apresentado, in verbis: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2007 Classificação incorreta de produto industrializado na NBM/TIPI. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, as Regras Gerais Complementares e a Regra Geral Complementar da TIPI são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 (NBM) Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Lajes de Porcelanato para pavimentação ou revestimento, classificamse no código tarifário da NBM/TIPI 6907.90.00 (lajes de porcelanato, não vidradas nem esmaltadas) e 6908.90.00 (lajes de porcelanato vidradas ou esmaltadas). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2007 Falta de destaque do IPI nas NF. Multa de 75% Constatado que os produtos deram saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, com a emissão de Nota Fiscal, sem destaque do IPI, em decorrência de erro de classificação e, conseqüente incorreção de alíquotas, cabe o lançamento de ofício desse imposto, acrescido dos juros de mora e da multa de 75%. Após ajuste fiscal, cabe a cobrança do IPI, acrescido de juros moratórios e da multa de 75%, nos períodos em que for apurado saldo credor desse imposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2007 Decadência O instituto da decadência, no presente litígio, relativamente à glosa de crédito de IPI no montante de R$ 192.096,33, cuja origem não foi devidamente documentada nos livros contábeis de 2003, não está abrangido pelas disposições do artigo 150, § 4º do CTN e, sim pelas determinações do artigo 74 e §§ da Lei nº 9.430, de 1996, com suas alterações posteriores. Revisão de Ofício Tendo o contribuinte agido em desacordo com a legislação tributária aplicável, a autoridade administrativa, no estrito cumprimento de seu dever, deve proceder à revisão de ofício e, se for o caso, exigir, por meio do respectivo lançamento, os tributos não pagos por ocasião da saída do produto do estabelecimento industrial, além dos acréscimos legais e regulamentares cabíveis. Jurisprudência judicial e administrativa. Efeitos. As decisões judiciais fazem coisa julgada às partes, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Não sendo parte do processo judicial, a decisão não é aplicável ao sujeito passivo. As decisões de órgãos singulares ou colegiados de jurisdição administrativa possuem efeito inter partes. Para que se constituam em normas complementares da legislação tributária, necessitam de eficácia normativa a ser atribuída por lei. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 17 15 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2007 Perícia. Indeferimento. Constando dos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1085/1256) por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado em relação ao período de jan/2005 a dez/2007, em virtude da reclassificação fiscal dos produtos importados pela Recorrente, que entendia ser aplicável, quando do despacho aduaneiro, o código 6810.19.00, aplicável à “outras obras de cimento, de concreto ou de pedra artificial, mesmo armadas”, com alíquotas de 8% de II e 0% de IPI; enquanto a fiscalização entendia que os produtos deveriam ter sido importados sob as rubricas: 6907.90.00 (para os porcelanatos não vidrados nem esmaltados) e 6908.90.00 (para aqueles vidrados ou esmaltados), ambos com as mesmas alíquotas do IPI, a saber: 10% nos anos de 2005 e 2006; 5% no ano de 2007 (Decreto nº 6.006.2006). Em resumo, tratase de diferença de crédito tributário apurada em procedimento de revisão aduaneira das Declarações de Importação da Recorrente em decorrência do entendimento da fiscalização de que houve adoção equivocada de critério de classificação fiscal. As posições em discussão são as seguintes: 6810 – Obras de cimento, de concreto (Betão) ou de pedra artificial, mesmo armadas; 6907 – Ladrilhos e placas (lajes) para pavimentação ou revestimento, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica, cubos, Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 pastilhas e artigos semelhantes, para mosaicos, não vidrados nem esmaltados, de cerâmica mesmo com suporte. Vários são os argumentos apresentados pela Recorrente para dissuadir a manutenção do auto de infração, em síntese: PRELIMINARMENTE (i) imprestabilidade de laudo técnico realizado em produto não fornecido pela Recorrente; (ii) duplicidade: o mesmo período estaria sendo exigido nos autos do processo no 19647.013825/200882; (iii) impossibilidade de glosa de crédito contabilizado há mais de 5 anos; no MÉRITO (iv) correição da classificação fiscal adotada; (v) impossibilidade de alteração de critério de classificação fiscal; (vi) afronta à segurança jurídica, boa fé e princípio da moralidade; (v) ilegalidade da glosa do IPI lançado em 2005, há mais de 5 anos da lavratura do AIIM; (vi) aplicação do artigo 100 do CTN; (vii) ilegalidade de cumulação de multas; (viii) impossibilidade de exigência de juros, uma vez que os valores estão depositados judicialmente. Assim como permite o artigo 59 do Decreto no 70.235/72, deixo de analisar as preliminares suscitadas e passo ao mérito. Após analisar os autos detidamente, percebo que a questão em tela se resolve pelo argumento trazido pela Recorrente acerca da alteração do critério jurídico até então utilizados pelo contribuinte e fiscalização para a classificação fiscal dos produtos importados. Neste aspecto, a Recorrente também ataca a autuação por entender impossível a revisão do lançamento tributário em virtude da inexistência de erro de fato, sendo que erro de direito não permite a revisão de lançamento tributário. Com isso, a fiscalização teria incorrido em erro de direito em virtude de proceder à reclassificação fiscal dos produtos importados pela Recorrente. A meu sentir, correta a Recorrente. Restou comprovado nos autos, seja pelo Laudo solicitado e aceito pela agente AFRB Maria Ercília Goto, matricula 13.983, da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, para instrução do processo administrativo no 19647.013825/200882; seja pelo Parecer Técnico do IPT, que subsidiou as importações da Recorrente; que a classificação fiscal entendida pela contribuinte para o produto que importava era a 6810, sendo certo que este entendimento estava pautado na análise da composição do produto. Não resta dúvida que a Recorrente realizou diversas importações no decorrer dos anos, e que aplicou a mesma classificação fiscal a estas importações. É esta, inclusive a base da autuação, que fundamentou que a Recorrente importava e vendia sempre o mesmo produto, ainda que beneficiado. Com base neste fato, a fiscalização aplicou retroativamente a classificação tarifária que entendeu ser correta. In casu, o que ocorreu foi que a fiscalização entendeu que os produtos importados pela Recorrente não poderiam seguir com a classificação fiscal indicada pela contribuinte no momento do desembaraço. Não há, pelo que consta dos autos, divergência quanto à natureza do produto, que permanece sendo o mesmo, mas à forma como foi classificado. Tal diferença é primordial para se compreender que não houve “erro de fato”, o que ocorreria se a fiscalização tivesse indicado que a importação de produto diverso daquele declarado pela Recorrente. Esta questão é imprescindível para o deslinde da questão porque a revisão de lançamento somente é possível no caso de erro de fato, e não erro de direito, e esta conclusão decorre da interpretação da lei, especificamente, do artigo 149 do Código Tributário Nacional – CTN, a saber: Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 18 17 “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” – destacamos. Neste sentido, está a conclusão do Superior Tribunal de Justiça STJ: “RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA REVISÃO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE AUSÊNCIA DE ERRO QUANTO À IDENTIFICAÇÃO FÍSICA DA MERCADORIA ART. 149 DO CTN. A impetrante importou da França 2.200 Kg do produto TESAL e recolheu o imposto de importação após regular conferência da mercadoria pela autoridade fiscal. Diante dessas circunstâncias, é de elementar inferência que não poderia o contribuinte, em momento posterior, ser notificado Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 para novo recolhimento do imposto de importação, sob a alegação de que a classificação do produto deveria ser diversa, com incidência de alíquota maior. O art. 149 do CTN autoriza a revisão do lançamento, dentre outras hipóteses, "quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória", ou seja, quando há erro de direito. Se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, marca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação do imposto pago por eventual equívoco na classificação do bem. Divergência jurisprudencial nãoconfigurada ante a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados. Recurso especial improvido.” (STJ REsp 202958/ RJ Recurso Especial 1999/00088042 – Min. Franciulli Netto, DJ.: 22/03/04 – destaquei) É exatamente por isso que entendo que houve a “reclassificação” do produto importado de forma retroativa pelo que seria, no entender da fiscalização, um erro de direito, o que não se pode admitir. Cito, em consonância com este entendimento, a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça – STJ – a saber: “TRIBUTÁRIO IMPORTAÇÃO DESEMBARAÇO ADUANEIRO RECLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA REVISÃO DE LANÇAMENTO POR ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE SÚMULA 227 DO EXTINTO TFR. 1. É permitida a revisão do lançamento tributário, quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 2. A jurisprudência do STJ, acompanhando o entendimento do extinto TRF consolidado na Súmula 227, tem entendido que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 3. Hipótese em que o contribuinte atribuiu às mercadorias classificação fiscal amparada em laudo técnico oficial confeccionado a pedido da auditoria fiscal, por profissional técnico credenciado junto à autoridade alfandegária e aceita por ocasião do desembaraço aduaneiro. 4. Agravo regimental não provido.” (STJ – AgRg no REsp 1347324 / RS – Agravo Regimental no Recurso Especial 2012/02079094 – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publ. 14/08/13 – destaquei) Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 19 19 Interessante que nem mesmo a hipótese de erro de classificação por parte do contribuinte permitiria, no entender do Colendo Superior Tribunal, a alteração do critério jurídico de classificação fiscal, verbis: “TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – IPI – DESEMBARAÇO ADUANEIRO ERRO NA INTERPRETAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS RECLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA IMPOSSIBILIDADE. 1. O contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 2. O erro de direito cometido pelo contribuinte, mas não detectado pelo Fisco, é o mesmo que alteração de critério jurídico, vedado pelo CTN. Precedentes. 3. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1079383 / SP Recurso Especial 2008/01717512 –Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publ. 01/07/09 – destaquei) Pareceme acertado tal interpretação, uma vez que a Recorrente classificou seu produto, justificou a classificação tecnicamente e apresentou à fiscalização para a validação do critério escolhido, tendo obtido autorização para desembaraçar o produto de acordo com o enquadramento pleiteado. Sendo os produtos os mesmos, quer dizer, se o produto declarado pelo contribuinte é o reconhecido pelo fisco (logo, não é erro de fato), novo enquadramento não pode significar outra coisa a não ser alteração de critério jurídico e conseqüente reclassificação do produto, o que não se admite para os fatos geradores ocorridos anteriormente ao novo critério jurídico, por absoluto impedimento legal: Código Tributário Nacional Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. – destacamos Claro está, portanto, que a reclassificação fiscal do produto em análise é ilegal por ter alcançado fatos geradores anteriores à mudança do critério jurídico. Em relação ao saldo credor de 2003, aproveitado no ano de 2005, sem razão a Recorrente. É fato que quando ocorreu a fiscalização já havia transcorrido 5 anos do momento da geração do crédito. Todavia, não havia transcorrido 5 anos do momento do aproveitamento do crédito tributário, e é este o período em que a fiscalização pode analisar a contabilidade do contribuinte. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 Ante o exposto, conheço do presente recurso voluntário para o fim de DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO reformando, assim, a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Declaração de Voto CONSELHEIRO PAULO GUILHERME DÉROULÉDE A presente declaração de voto se restringe à fundamentação para exoneração do crédito tributário de IPI constituído com origem na falta de destaque de IPI, decorrente da alteração da classificação fiscal do produto porcelanato. Os presentes autos tratam de lançamento de ofício para constituição de crédito tributário de IPI, por falta de destaque de IPI nas notas fiscais de saída, em razão de erro na classificação fiscal e na alíquota do imposto, no período de 01/01/2005 a 31/12/2007. Conforme Termo de Verificação Fiscal, esta autuação decorreu de procedimento anterior que considerou incorreta a classificação fiscal adotada pela recorrente na importação de placas de porcelanato. Em procedimento de revisão aduaneira, lavraramse autos de infração de Imposto de Importação, IPI vinculado, PIS/Pasep – Importação, Cofins – Importação no processo 19647.013825/200882, fundamentando a nova classificação fiscal em alteração de entendimento promovida pela Nota Coana/Cotac/Dinon nº 2007/0319, em 16/08/2007. A autoridade fiscal consignou no relatório que os fundamentos utilizados para a classificação fiscal empreendida neste processo estavam perfeitamente retratadas nos diversos documentos do processo 19647.013825/200882, cujas cópias foram trazidas a estes autos, sendo seus fundamentos adotados nesta autuação, integralmente e sem ressalvas. Concluiu a autoridade fiscal, que a operação de beneficiamento realizada nas placas de porcelanato importadas não resultou em mudança de classificação do produto beneficiado em relação ao importado, devendo a classificação fiscal adotada pela fiscalização, quando da autuação de II e IPI na importação (processo 19647.013825/200882), ser a mesma adotada quando da saída dos produtos beneficiados. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 20 21 Ressaltou, ainda, a existência de vinculação qualitativa entre as duas autuações, pois nestes autos utilizaramse os mesmos fundamentos de fato e de direito para justificar a nova classificação fiscal na NCM adotada nas saídas dos produtos beneficiados. Depreendese, pois, que este auto de infração está calcado nos mesmos fundamentos de fato e de direito utilizados no processo 19647.013825/200882 e se refere à tributação dos mesmos produtos, cujas importações foram objeto da autuação pretérita (posto que se referem ao mesmos períodos ou anteriores, da autuação aqui lavrada). Assim, não somente a classificação fiscal adotada é a mesma nos dois processos, como estão sendo autuadas aqui as saídas dos produtos importados e autuados naquele processo. Verificase que a Segunda Turma da DRJ/Fortaleza julgou procedente a impugnação da recorrente e exonerou todo o crédito tributário lançado. Submetidos os autos à apreciação do CARF mediante recurso de ofício, foi proferido o Acórdão nº 3201001.328, na sessão de 26 de junho de 2013, negando provimento ao recurso de ofício. Da decisão de segunda instância não houve interposição de recurso especial e o processo está na situação encerrado, desde 11/11/2013. Assim, decisão administrativa no processo 19647.013825/200882 se tornou definitiva, tendo concluído que as placas de porcelanato importadas naquele período deveriam ser classificadas no código 6810.19.00. Entendo, pois, que estas placas, especificamente, ao serem beneficiadas, sem alteração substancial que implicasse que mudança de classificação (como afirmado pela autoridade fiscal nos presentes autos), deveriam ser a classificadas, sob o mesmo código, quando de sua saída. Ressaltase que a definitividade da decisão no processo 10647.013825/2008 82 não implica em considerar vinculante sua interpretação para outras importações ou outros fatos geradores de IPI, mas tão somente em relação aos produtos importados naquele processo e que foram objeto da autuação destes autos. Convém, no entanto, ressaltar que, com devido respeito aos argumentos da relatora, não compartilho com a interpretação de que o artigo 146 do CTN se aplique à revisão aduaneira. É que a condição inserta no artigo 146 implica em um prévio lançamento tributário, o que entendo não ocorrer no despacho aduaneiro. Transcrevese excerto do voto do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Acórdão nº 310200.798, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que bem retrata o tema: “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais). É inquestionável que o dispositivo em apreço trata de modificação critério jurídico adotado em relação à prévio ato de lançamento tributário, realizado pela autoridade administrativa (lançamento de ofício). Essa é uma condição necessária para sua existência, porém não suficiente, pois além dela deverão estar presentes mais duas condições, a Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 22 saber: (i) a alteração do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida por meio de ato de autoridade administrativa (ato de ofício) ou de decisão administrativa ou judicial; e (ii) o lançamento e/ou o ato de ofício ou decisório refiramse ao mesmo sujeito passivo. Assim, com base no conteúdo jurídico do referido preceito legal, verificase que três condições deverão ser atendidas para que haja a configuração da mudança do critério jurídico, no âmbito do lançamento tributário: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiramse a um mesmo sujeito passivo.” Portanto, é condição necessária a existência de um prévio lançamento tributário. Os tributos recolhidos por ocasião do despacho aduaneiro configuram antecipação de pagamento, na modalidade do lançamento por homologação. Entender que a conferência aduaneira e o conseqüente desembaraço da mercadoria configurariam lançamento tributário implica em dizer que houve homologação expressa do lançamento previsto no artigo 150 do CTN (lançamento por homologação), o que de fato não resta configurado no despacho aduaneiro. O despacho aduaneiro de importação é um procedimento de fiscalização, previsto no regulamento aduaneiro Decreto nº 4.543, de 2002 art. 482 e no Decreto 70.235, de 1972, art. 7º, inciso III, com vistas ao desembaraço aduaneiro. Por outro lado, a revisão aduaneira é prevista no Decretolei nº 37, de 1966, art. 54 e no Decreto nº 4.543, de 2002, art. 570, com a finalidade de verificar a regularidade do pagamento dos tributos, a aplicação de benefícios fiscais e a exatidão das informações prestadas na Declaração de Importação. O Código Tributário Nacional imprime suporte a este procedimento em vista do disposto no art. 149, incisos I, IV e V ao tratar do lançamento de ofício: Decretolei nº 37, de 1966: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei Decreto nº 4.543, de 2002: Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.722499/200954 Acórdão n.º 3302002.444 S3C3T2 Fl. 21 23 Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei no 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decretolei no 1.578, de 1977, art. 8o Lei nº 5.172, de 1966 (CTN): Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine ... IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte Entender que o assentimento das informações prestadas pelo contribuinte implica em homologação expressa do lançamento significa esvaziar o procedimento de revisão aduaneira e o conteúdo dos artigos 54 do Decretolei nº 37, de 1966 e o artigo 570 do Regulamento Aduaneiro. Corroborando a possibilidade de alteração da classificação fiscal em revisão aduaneira, citamse precedentes do CARF e do extinto Conselho de Contribuintes: Acórdão nº 310200.798, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa transcrevo em parte: REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Acórdão 30131.524, proferido pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes REVISÃO ADUANEIRA. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IPI. Não constitui modificação do critério jurídico adotado no fato gerador da obrigação tributária concernente à importação de mercadorias, a revisão aduaneira que implique alteração da Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 24 classificação fiscal antes adotada, visando às corretas determinação da matéria tributável e apuração dos tributos devidos, tendo em vista a existência de previsão legal de revisão aduaneira. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, exonerandose do lançamento os valores decorrentes da falta de destaque de IPI nas notas fiscais de saída, em razão da reclassificação da mercadoria “porcelanato”. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÉDE Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11080.014982/2008-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 15/01/2004 a 31/08/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS NÃO CONFIGURADOS.
Não havendo contradição e omissão no julgado, rejeitam-se os embargos de declaração, pela falta de preenchimento de seus pressupostos.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3403-003.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Cláudio Moretti, OAB/RS 28.384.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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PRESSUPOSTOS NÃO CONFIGURADOS. Não havendo contradição e omissão no julgado, rejeitamse os embargos de declaração, pela falta de preenchimento de seus pressupostos. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Esteve presente ao julgamento o Dr. Cláudio Moretti, OAB/RS 28.384. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 3403002.464, de 24 de setembro de 2013 (fls. 425/436), que resume o entendimento desta Turma na seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 49 82 /2 00 8- 56 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/08/2008 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARCONDICIONADO SPLIT SYSTEM. COMBINAÇÃO DE UNIDADES CONDENSADORA E EVAPORADORA. A combinação de uma unidade condensadora tipicamente destinada a um arcondicionado do tipo splitsystem, com uma unidade evaporadora tipicamente destinada a um ar condicionado do tipo splitsystem, configura a venda de um conjunto que configura o próprio arcondicionado do tipo split system. ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. A combinação da unidade condensadora com a unidade evaporadora configura um arcondicionado do tipo splitsystem, de maneira que já não se trata mais da simples revenda de uma destas peças. PERÍCIA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A necessidade de perícia é questão que se submete ao bom alvitre do julgador, de maneira que, se entende haver elementos suficientes para formar o seu convencimento, promovendo o julgamento de maneira fundamentada, circunstanciada e coerente com os fundamentos de direito, o indeferimento do pedido de perícia não configura qualquer cerceamento de defesa. EXCLUSÃO DE PENALIDADES. APLICAÇÃO DO ART. 100, P.U. DO CTN. NÃO CONFIGURAÇÃO. A solução de consulta apenas afasta a aplicação de penalidades, correção e juros, com fundamento no art. 100, p.u. do CTN, quanto soluciona a mesma situação fática que deu causa à autuação. Recurso negado. O contribuinte opõe embargos de declaração (fls. 452/461) alegando a existência de contradição e de omissão no referido julgamento. Alega existir contradição em razão de o voto condutor do acórdão indeferir o pedido de perícia e ao mesmo tempo reconhecer a dificuldade de concluir quanto à classificação fiscal. E que haveria omissão por não ter o referido Acórdão tratado especificamente da alegação do contribuinte de que não se caracterizaria industrialização em razão de não haver atividade que se enquadre no art. 4º do Regulamento do IPI. É o relatório. Voto Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11080.014982/200856 Acórdão n.º 3403003.149 S3C4T3 Fl. 471 3 Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Os embargos foram opostos em 11/04/2014 (fl. 452), dentro do prazo de 5 dias contados da notificação do acórdão embargado, ocorrida em 04/04/2014 (fl. 448), sexta feira. É tempestivo. O embargante alega a existência de contradição nos seguintes termos: No presente caso, verificase contradição entre a afirmação no voto do i. relator em que, por um lado, reconhece que é duvidosa e difícil a classificação de unidades condensadoras e evaporadoras, apresentadas em separado, e, por outro lado, nega o pedido de realização de perícia técnica formulado pela Embargante, requerida justamente para sanar tal dificuldade de enquadramento. Nesse sentido, observemse os trechos do voto que revelam a ocorrência de tal contradição: "A partir do momento em que se passa a exigir um novo tipo de produto cuja apresentação deixa de ser um corpo único, passando a configurarse pela apresentação em separado de dois elementos condensador e evaporador, devese reconhecer que se abriu espaço para dúvida, tornando mais difícil identificar quando se estaria tratando da venda de peças de reposição ou da venda de um conjunto que caracteriza o produto da nova descrição." (fl. 432) (grifamos) "Entendo que não houve cerceamento do direito de defesa pelo fato de não ter sido deferido o pedido de perícia do contribuinte. Isso porque, conforme previsto no art. 18 do PAF, a realização de perícia depende do juízo do julgador quanto à suficiência de elementos de fato e técnicos que possibilitem o julgamento da causa." (fl. 435) (grifamos) Os dois trechos do voto condutor do acórdão embargado, acima transcritos, apenas poderia sugerir contradição da forma como apresentados: fora do contexto em que realmente se encontram no acórdão. Conforme esclarecido no voto condutor do acórdão, a dificuldade em decidir pela classificação fiscal não decorre da falta de elementos técnicos nem em relação aos fatos, que pudessem ser supridos com a realização de uma perícia. A dificuldade, conforme devidamente contextualizado no voto condutor do acórdão, decorre objetivamente da nova realidade consistente de um novo tipo de apresentação de um mesmo produto. O arcondicionado, que até determinado momento correspondia a um equipamento com apresentação em um corpo único, com todos os seus elementos reunidos em uma única carcaça, passou a existir com uma nova apresentação: pela combinação de dois elementos. Ou seja, tratase de um novo produto: o arcondicionado splitsystem. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Este contexto é explicado no seguinte trecho do voto do acórdão recorrido: Na experiência com os modelos tradicionais, de parede ou janela, os quais apresentam condensador e evaporador integrados em uma única carcaça, perfazendo um corpo único, a venda separada de apenas um destes elementos, ou mesmo deles em conjunto, apenas poderia significar a venda de peças de reposição. A partir do momento em que passa a existir um novo tipo de produto cuja apresentação deixa de ser um corpo único, passando a configurarse pela apresentação em separado dos dois elementos – condensador e evaporador –, devese reconhecer que se abriu espaço para a dúvida, tornando mais difícil identificar quando se estaria tratando da venda de peças de reposição ou da venda de um conjunto que caracteriza o produto da nova descrição. Com efeito, quando a posição 8415.10 descreve aparelhos de ar condicionado “Dos tipos utilizados em paredes ou janelas, formando um corpo único ou do tipo splitsystem (sistema com elementos separados)”, introduz um novo tipo de aparelho, cuja apresentação, como visto, acontece com elementos separados. A apresentação natural deste novo tipo de ar condicionado, portanto, será em dois elementos, com o condensador separado do evaporador, ainda que não estejam ainda instalados e interconectados. Esta nova realidade, no entanto, levava à seguinte situação: uma venda conjunta de condensador e evaporador de um ar condicionado de janela ou parede não configura a venda de um ar condicionado de janela ou parede, mas de peças de reposição; mas a venda conjunta do condensador e evaporador destinados a um ar condicionado splitsystem consiste, por se tratar de sua apresentação típica, na venda do produto descrito como ar condicionado do tipo splitsystem. Com efeito, se a descrição da posição se configura pela apresentação de um tipo de ar condicionado que combina os dois elementos referidos, a venda conjunta dos dois elementos destinados a compor este tipo de ar condicionado configura a descrição do próprio ar condicionado. A conclusão do acórdão embargado, por interpretação da legislação, foi de “que a venda conjunta dos dois elementos – condensador e evaporador –, na forma de módulos destinados a compor um ar condicionado do tipo splitsystem, configura uma unidade, tratandose do próprio produto ar condicionado tipo splitsystem”. Não há, pois, qualquer contradição. O embargante também alega que haveria omissão no acórdão, o que faz nos seguintes termos: Fl. 473DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11080.014982/200856 Acórdão n.º 3403003.149 S3C4T3 Fl. 472 5 Em decorrência dos fatos supra referidos, no entendimento Embargante, por não praticar qualquer atividade de industrialização, o lançamento, exigindo 1P1 de Split System sobre a saída de unidades condensadoras haveria violado o artigo 4o do RIPI/2002. Não há contudo, quer na síntese da argumentação recursal, quer na fundamentação do acórdão, qualquer menção ou análise sobre a violação do dispositivo da norma regulamentar em questão provocada pela exigência do imposto, a despeito de a Embargante não promover o necessário processo de industrialização que torna a união de uma unidade condensadora com uma unidade evaporadora um verdadeiro equipamento split system. Não há a alegada omissão. O que se concluiu no acórdão embargado foi que a conjugação dos dois elementos típicos de ar condicionado splitsystem (1) condensador próprio de um ar condicionado tipo splitsystem e (2) evaporador próprio de um arcondicionado do tipo split system – resulta e configura o produto arcondicionado do tipo splitsystem Tal reunião de produtos, que separados seriam apenas peças de reposição destinadas a um arcondicionado tipo splitsystem, quando reunidos resultam o produto ar condicionado tipo splitsystem. Por entender, por tais razões, que não há contradição nem omissão no acórdão embargado, voto pela rejeição dos embargos de declaração. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 474DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 36624.014051/2006-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 20/10/2006
NORMAS GERAIS, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, CABIMENTO. OMISSÃO. DISPOSITIVO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
No presente caso, o dispositivo do acórdão embargado deixou de registrar a decisão sobre os efeitos da decadência no crédito lançado, motivo de seu acolhimento.
Numero da decisão: 2301-004.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em retificar o dispositivo, fazendo constar a decisão sobre a decadência, conforme fundamentação do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 20/10/2006 NORMAS GERAIS, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, CABIMENTO. OMISSÃO. DISPOSITIVO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. No presente caso, o dispositivo do acórdão embargado deixou de registrar a decisão sobre os efeitos da decadência no crédito lançado, motivo de seu acolhimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em retificar o dispositivo, fazendo constar a decisão sobre a decadência, conforme fundamentação do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO.
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OMISSÃO. DISPOSITIVO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. No presente caso, o dispositivo do acórdão embargado deixou de registrar a decisão sobre os efeitos da decadência no crédito lançado, motivo de seu acolhimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em retificar o dispositivo, fazendo constar a decisão sobre a decadência, conforme fundamentação do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 40 51 /2 00 6- 22 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.014051/200622 Acórdão n.º 2301004.235 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de embargos opostos por este Relator, contra acórdão que deu provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/10/2006 AUTUAÇÃO. DESCUMPRIMENTO E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4o). No caso, tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória, procedimento de ofício, sem antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173,1 do CTN. MULTA APLICADA Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A, da Lei n. 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Na formalização do acórdão, verifiquei omissão em seu dispositivo, pois não há registro do decidido pelo colegiado quanto à decadência, apesar da citação na ementa. Assim, os embargos devem ser conhecidos. É o Relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.014051/200622 Acórdão n.º 2301004.235 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Na análise do acórdão proferido verificamos que há razão na oposição dos embargos e em seus fundamentos, pois o acórdão contém omissão descrita. Portanto, voto pelo acolhimento dos embargos. Sobre seus efeitos, voto em alterar o dispositivo para a seguinte redação: ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35 A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial do recurso, para, nas preliminares, devido á regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, excluir do cálculo da multa os fatos que a ensejaram até 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: designado: Damião Cordeiro de Moraes. É como voto. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em acolher os embargos de declaração, a fim de retificar o dispositivo, fazendo constar a decisão sobre a decadência, conforme fundamentação do acórdão embargado, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14367.000365/2010-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2003
AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE.
A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática.
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso pelo reconhecimento do vício material, falta de comprovação da motivação do arbitramento.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2003 AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso pelo reconhecimento do vício material, falta de comprovação da motivação do arbitramento. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 03 65 /2 01 0- 70 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso pelo reconhecimento do vício material, falta de comprovação da motivação do arbitramento. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 14367.000365/201070 Acórdão n.º 2403002.754 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que manteve em parte o lançamento consubstanciado no DEBCAD 37.304.5972, referente ao período de 01/2001 a 01/2003, na qual pretende o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondente a Terceiros, cuja base de cálculo representa o percentual de 20% sobre o valor das notas fiscais de serviços emitidas pelo sujeito passivo. Segundo relata a autoridade fiscal nas fls. 39/47, a presente autuação destina se a substituir Notificações Fiscais de Lançamento de Débito, elencados no Relatório Fiscal, originariamente lavradas em 20/10/2006, e julgadas nulas por vício formal pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, ante a ocorrência de vícios na cientificação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Nessa esteira, em face do lançamento substitutivo, lavrado em dezembro de 2010, prossegue o auditor delineando os motivos do arbitramento dos lançamentos originários, que se seguem: 1. Constatação de que a contabilidade não registrou o movimento real das remunerações dos segurados a serviço da empresa; 2. Apresentação deficiente da documentação; 3. Falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; 4. Informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo, segundo a autoridade fiscal do lançamento originário, não merecem fé em face de outros documentos de que dispunha a fiscalização. Os fatos geradores apurados como base para o cálculo das contribuições encontramse discriminados nos seguintes levantamentos: · AL – RESTAURAÇÃO ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA; · AP – PAVIMENTAÇÃO EM APUÍ; · CO – SISTEMA VIÁRIO DE BENJ CONSTAN · DE – CONST DELEGACIA TAPAUA; · HU – ESTRADA TRANSAMAZÔNICA HUMAITÁ; · IL – ILUMINAC; Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 4 · IN – ILUMINAÇÃO NATALINA; · NR – DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANSO; · PA – PISTA POUSO E DECOLAGEM PAUINI; · QD – AMBL BL 05 E CONST QUADRA ESP Importante esclarecer que, apesar de não constar no relatório fiscal dos processos de obrigações principais, o processo de que trata a obrigação acessória, processo de n. 14367.000368/201011, trás a informação de que o contribuinte no ano de 2001, cometeu equívocos quanto aos lançamentos efetivados na contabilidade bem como, nos anos de 2002 e 2003, não efetuou a contabilidade por centro de custos. Tais razões são as que respaldam a aferição indireta realizada, conforme se verá. A autuação foi lavrada no importe de R$ 198.986,51 (cento e noventa e oito mil novecentos e oitenta e seis reais e cinquenta e um centavos), tendo a sua notificação ocorrido em 02/12/2010. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, o contribuinte apresentou defesa através do instrumento de fls. 50/81. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, DRJ/BEL, prolatou o Acórdão nº 01 23.173, fls. 126/141, na qual consignou a procedência em parte da impugnação ofertada para reconhecer a decadência nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, assim como para retificar os valores arbitrados nos levantamentos PA – PISTA POUSO E DECOLAGEM PAUINI, AL – RESTAURAÇÃO ASSEMBLÉIA LEGISLA e NR – DRENAGEM ESTRADA NOVO REMANSO, uma vez que os valores ali consignados foram arbitrados contrariando o critério de aferição indireta estabelecido no art. 344, § 2º, da IN RFB nº 971/2009. A ementa restou assim transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2003 DECADÊNCIA. O direito de constituir o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante nº 08 de 12/06/2008, publicada no DJ de 20/06/2008, de observância obrigatória por força do disposto no art. 103A da Constituição Federal de 1988, regulamentado pelo art. 2º da Lei nº 11.417/2006, extinguese em 5 (cinco). Aplicarseá, assim, o prazo decadencial do art. 150, § 4º, ou do art. 173, inciso I, do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 14367.000365/201070 Acórdão n.º 2403002.754 S2C4T3 Fl. 4 5 A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão deobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando, entre outras, não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 5º do art. 47 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. Impugnação Improcedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 150/166, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Decadência por inaplicabilidade da regra contida no art. 173, II, do CTN; 2. Ausência de motivação legal para o arbitramento; 3. Preterição do direito de defesa, em relação a vícios contidos no Relatório Fiscal, assim como nos percentuais tidos por indevidos, aplicados sobre o valor das notas fiscais, além do erro na determinação da base de cálculo; 4. Prejuízos decorrentes da apropriação inadequada dos créditos. É o relatório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 167, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DOS VÍCIOS DOS LANÇAMENTOS ORIGINAIS Alega o recorrente que os lançamentos anteriores possuíam vícios materiais insanáveis, muito além do mero vício formal pelo qual foi decidido, razão pela qual não se poderia aplicar o art. 173, II do CTN Ocorre que o lançamento foi anulado quando da análise da preliminar de mérito, ausência de cientificação válida de prorrogação do MPF, conforme se percebe da ementa abaixo, que é comum a todos os processos anulados, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 31/01/2002 TRIBUTÁRIO.PREVIDENCIÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. AUSÊNCIA DE MPF VÁLIDO NA DATA DA LAVRATURA. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. O lançamento pode ser revisto de ofício, a teor dos Artigos 145, III e 149, IX do Código Tributário Nacional. É nulo o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal, de acordo com o que preceitua o art. 31 da Portaria MPS n. 520 de 19/05/2004. Lançamento Nulo A partir da análise dos referidos acórdãos, percebese que não se questionou a nulidade por vício material naquela ocasião. No entanto, destaquese que mesmo sendo o caso de haver nulidade qualquer que invalide os lançamentos, esta fundamentação será revista no presente momento por este colegiado, como se verá. DA NULIDADE – DO ARBITRAMENTO O Recorrente afirma que a fiscalização arbitrou os valores por eles devidos de forma unilateral e sem respaldo fático para tanto, apenas trazendo algumas afirmações que ensejariam o arbitramento, sem, no entanto, comprovar estes pressupostos fáticos. Concordo com o disposto na peça recursal. Segundo a fiscalização, tanto originária, quanto substitutiva, a base de cálculo foi apurada via aferição indireta, pois: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 14367.000365/201070 Acórdão n.º 2403002.754 S2C4T3 Fl. 5 7 i) A contabilidade não registrou o movimento real das remunerações dos segurados a serviço da empresa; ii) Apresentação deficiente da documentação; iii) falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil e; iv) as informações prestadas pelo contribuinte não merecem fé em face de outros documentos de que dispunha a fiscalização, por exemplo: constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais e contratos. Ocorre que, analisando os autos, percebo que neles não constam as provas necessárias para dar respaldo aos quatro fundamentos acima, que se enquadrariam na hipótese do art. 33, parágrafo 3º da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Ao presente processo substitutivo, foram apensados todos os processos de que tratam dos lançamentos substituídos, ou seja, os originais, que possuem os mesmos documentos, em síntese: Mandados de Procedimento Fiscal, Termo de Intimação Fiscal, Contratos com a Administração Pública, Notas Fiscais de Serviço. Não estão presentes nos autos as respostas do contribuinte às intimações, não estão presentes os documentos do contribuinte que atestariam a irregularidade na apresentação dos documentos, nem mesmo qualquer dos documentos contábeis do contribuinte que seriam necessários para cruzamento das informações, elementos probatórios da imputação realizada pelo fiscal. Entendo que as provas da imputação da fiscalização, qual seja, a de que os documentos fiscais e contábeis do contribuinte são imprestáveis devem estar carreadas nos autos dos respectivos processos, de forma explícita, em conformidade com o art. 333 do Código de Processo Civil, bem como em observância ao princípio do contraditório. Também importante apontar que o contribuinte e a DRJ afirmam, que o fundamento para a aferição indireta, foi o fato de o contribuinte não ter procedido com a contabilização por centro de custos. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 8 Ressaltese, inclusive, que consta nos autos, no que concerne ao procedimento inquisitório originário, a expedição de 04 (quatro) mandados de procedimento fiscal, Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD e Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal – TEAF, além do Relatório Fiscal. No TIAD, a fiscalização solicitou do contribuinte os seguintes documentos: Cartão de CNPJ de todos os estabelecimentos; Contrato social e alterações; Livro Diário; Livro Razão; Plano de contas; Comprovantes de recolhimento: DARP/GRPS/GPS; Folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos); GFIP, GRFP e GRFC com comprovantes de entrega e eventuais retificações; Recibos de aviso prévio e de férias; Recibos e fichas de saláriomaternidade e atestados médicos; Registro de empregados; Relação Anual de Informações Sociais RAIS; Rescisões de contrato de trabalho; Termos de responsabilidade e fichas de saláriofamília; Comprovante(s) de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT; Alvarás de licença e Habitese para construção; Anotações de Responsabilidade Técnica ART; Comprovantes de matrícula de obras de construção civil; Contratos de empreitadas ou subempreitadas de obras de construção civil; Projetos aprovados de obras de construção civil; Relação de obras de construção civil e, quando houve, respectivas CND; Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros; Notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 14367.000365/201070 Acórdão n.º 2403002.754 S2C4T3 Fl. 6 9 Contratos e faturas de cooperativas de trabalho. No Termo de Encerramento – TEAF, constam o seguinte como Documentos Analisados: Livro Diário; Livro de Registro de Empregados; Folha de Pagamento; GFIP; Comprovantes de Recolhimento; Outros Elementos. Percebese, que, em momento algum, o auditor fiscal afirmou que o contribuinte deixou de apresentar documentação contábil, bem como não há renovação de intimação para apresentação de outros elementos, como, por exemplo, balancete, ou mesmo a notificação para que o contribuinte apresentasse o detalhamento contábil com as provas de lastro das operações. Não vejo como admissível, também, a aferição indireta por este motivo apenas, um descumprimento de obrigação acessória, que possui punição própria para tanto nos termos da Lei 8.212/91. A aferição indireta é medida excepcional, e o mero descumprimento de uma obrigação acessória não pode servir de fundamento para tal procedimento, devendose correlacionar as previsões legais com os fatos registrados nos documentos contábeis da empresa. Para tanto, colacionase precedente de similar interpretação desta 2ª Seção de Julgamento, in verbis: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998 AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerandose o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 10 análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada.(CARF. Número do Processo 11046.001961/200897, Contribuinte: TELENGE TELEC. E ENGENHARIA LTDA, Data da Sessão: 18/01/2012, Relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Nº Acórdão: 2301002.528) Em síntese, a mera constatação de irregularidade documental não enseja a aferição indireta, mas apenas aquela irregularidade que seja de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a apuração da base de cálculo. Dessa forma, entendo que deve o presente auto de infração ser anulado por vício material, ante o erro na apuração da base de cálculo, ferindo o art. 142 do CTN, uma vez que não foram demonstrados cabalmente os requisitos necessários para aferição indireta. DA NULIDADE – DA INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO – DA FUNDAMENTAÇÃO DA AFERIÇÃO INDIRETA Quanto a este tema, a recorrente afirma que no lançamento original havia um vício na lançamento, quanto à falta de inclusão no documento intitulado Fundamentos Legais de Débito – FLD, do dispositivo legal que dava fundamento à aferição indireta perpetrada pelo fisco, qual seja, o art. 33, parágrafo 3º do CTN. Realmente, verifico, analisando os lançamentos substituídos, que a inclusão do dispositivo legal relativo à aferição indireta não foi observado pela autoridade fiscal autuante, sendo omisso na NFLD, a sua existência. Ocorre que no lançamento substitutivo, do qual gerou o processo ora sob julgamento, a autoridade fiscal tomou a cautela de realizar a sua inclusão, sob o código de fundamentação legal “061 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETACONTRUÇÃO CIVIL”, fl. 25 dos presentes autos. O lançamento substitutivo não pode, nos termos da legislação tributária, quando realizado para fins de corrigir vício formal, deve se ater única e exclusivamente para sanar o vício formal que serviu de fundamento para a declaração da nulidade. Agir de forma diversa, incluindo fatos e fundamentos ou sanando irregularidades outras que não foram objeto da decretação da nulidade caracteriza novo lançamento, diverso do anterior. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I Processo nº 14367.000365/201070 Acórdão n.º 2403002.754 S2C4T3 Fl. 7 11 Essa análise não importa em revisão do acórdão anterior, mas sim a análise da conformidade do novo lançamento com o lançamento a que se pretende substituir, assim como a conformidade do lançamento original com a legislação. Nesse mesmo sentido, importante trazer abaixo julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, que segue essa mesma posição, in verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/1997 a 30/12/1997, 01/03/1998 a 30/05/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I 12 Recurso especial negado. (CARF. CSRF. Processo 13502.001123/200733, Contribuinte: CARAIBA METAIS SA, RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR, Relator:ELIAS SAMPAIO FREIRE, Nº Acórdão 9202002.729) Em arremate à decisão supra, colacionamos também a doutrina do professor Hugo de Brito Machado, in verbis: “Relevante é ressaltarmos que a reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior.” (MACHADO, Hugo de Brito. Aspectos do Direito de Defesa no Processo Administrativo Tributário. RDDT 175/106, abr/2010) Dessa forma, entendo que o presente lançamento efetuado possui inovação, não se coadunando com o anterior, razão pela qual entendo que deva ser declarado nulo, por ausência de correlação estrita com a correção do vício anterior. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, determinar a nulidade do auto de infração por vício material, ante o erro na apuração da base de cálculo. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGAR I
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001231/2002-34
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS DE PRODUTORES. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E A COFINS.
Referindo-se a lei a contribuições “incidentes” sobre as “respectivas” aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo fornecedor daquele produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito.
ENERGIA ELÉTRICA e COMBUSTÍVEIS:
Para enquadramento no benefício, caracterizam-se como matéria-prima e produto intermediário os produtos que se integram ao produto final, ou que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o mesmo, no processo de fabricação; portanto, a energia elétrica utilizada como força motriz atua sim diretamente sobre o produto, enquadrando-se nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário; e
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC:
Por absoluta falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária ou de juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-000.073
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente) e Ivan Allegretti (Suplente), que davam provimento parcial para reconhecer o crédito relativo às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e atualização pela Selic. Designado o Conselheiro Maurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS DE PRODUTORES. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E A COFINS. Referindo-se a lei a contribuições “incidentes” sobre as “respectivas” aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo fornecedor daquele produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. ENERGIA ELÉTRICA e COMBUSTÍVEIS: Para enquadramento no benefício, caracterizam-se como matéria-prima e produto intermediário os produtos que se integram ao produto final, ou que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o mesmo, no processo de fabricação; portanto, a energia elétrica utilizada como força motriz atua sim diretamente sobre o produto, enquadrando-se nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário; e RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC: Por absoluta falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária ou de juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente) e Ivan Allegretti (Suplente), que davam provimento parcial para reconhecer o crédito relativo às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e atualização pela Selic. Designado o Conselheiro Maurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor.
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AAccóórrddããoo nnºº 2102-00.073 SSeessssããoo ddee 05 de março de 2009 RReeccoorrrreennttee TOYOBO DO BRASIL INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA. RReeccoorrrriiddaa DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS DE PRODUTORES. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E A COFINS. Referindo-se a lei a contribuições “incidentes” sobre as “respectivas” aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo fornecedor daquele produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. ENERGIA ELÉTRICA e COMBUSTÍVEIS: Para enquadramento no benefício, caracterizam-se como matéria-prima e produto intermediário os produtos que se integram ao produto final, ou que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o mesmo, no processo de fabricação; portanto, a energia elétrica utilizada como força motriz atua sim diretamente sobre o produto, enquadrando-se nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário; e RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC: Por absoluta falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária ou de juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 3 _________ 2 voluntário. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente) e Ivan Allegretti (Suplente), que davam provimento parcial para reconhecer o crédito relativo às aquisições de pessoas físicas e cooperativas e atualização pela Selic. Designado o Conselheiro Maurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator ad hoc. (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator EDITADO EM 19/12/2014. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Gileno Gurjão Barreto (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Roberto Velloso (Suplente), Maurício Taveira e Silva e Ivan Allegretti (Suplente). Relatório Por retratar bem os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente de pedido de ressarcimento complementar do crédito presumido apurado no período em epígrafe, sendo que o valor solicitado decorre da inclusão, no cálculo do crédito das aquisições de energia elétrica, combustíveis, lubrificantes e gases, bem como das mercadorias adquiridas de pessoas físicas (produtores rurais). O pleito foi indeferido pela autoridade competente, porque as aquisições de energia elétrica, combustíveis, lubrificantes e gases não estão abrangidas no conceito de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme definido pela legislação do IPI, subsidiariamente aplicada nos termos do artigo 3° da Lei n° 9.363/96. Quanto ás mercadorias adquiridas de pessoas físicas, como não estão sujeitas ás contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, o § 2° do artigo 2° da IN SRF n° 23/97 vedaria sua inclusão no cálculo do beneficio. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que são ilegais as restrições feitas através de Instruções Normativas, relativas ás exclusões em questão, conforme sua análise da legislação e o entendimento dos tribunais e acórdãos do Conselho de Contribuintes citados. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 4 _________ 3 Encerrou requerendo a concessão do que foi originalmente pedido, acrescido da taxa SELIC, conforme princípios constitucionais e julgados que cita. A 2 a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão n o 14-14.444, de 06/12/2006, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Ano-calendário: 1997 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não-contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Dessa decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 09/01/2007, conforme AR, e, no dia 31/01/2007, ingressou com recurso voluntário, no qual repisa as alegações da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi sorteado para relatar. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Dele se conhece. I – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 5 _________ 4 Dentre as matérias controversas trazidas à baila, a presente diz respeito a aquisições feitas pela empresa, ora recorrente, frente a pessoas físicas e cooperativas de produtores, cujo objetivo é o levantamento do crédito presumido de IPI e a apuração saldo suficiente de crédito presumido do referido imposto, visando o ressarcimento. Tal matéria encontra-se disciplinada nos arts. 1º e 2º da Lei n.º 9.363, de 13/12/96, transcritos a seguir: “Artigo 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n. os . 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Artigo 2º. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” (grifos nossos) Cabe, a esta altura, ter em mente que a apuração do crédito presumido de IPI está associada à quantificação dos créditos gerados pelas aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse exame é possível asseverar que boa parte da aquisição de matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem deve integrar a apuração do crédito presumido de IPI. Dessa forma, não é possível limitar ou selecionar as aquisições (valores) das demais matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens que seriam passíveis de integrar o levantamento do crédito presumido de IPI, porquanto tal posicionamento configuraria postura contrária à lei. Além disso, a questão sob exame conta com posicionamento sedimentado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, segundo observa-se dos seguintes julgados: “IPI - CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO - 1) AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS - A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei n.º 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 6 _________ 5 bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei n.º 9.363/96). A lei citada refere-se a ‘valor total’ e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas SRF n.ºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n.º 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às Contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS (IN SRF n.º 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n.º 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. 2) EXPORTAÇÕES ATRAVÉS DE EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS - Estando em pleno vigor, no ano de 1996, os artigos 1º e 3º do Decreto-Lei n.º 1.248, de 29.11.72, são assegurados ao produtor-vendedor os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação nas vendas a empresas comerciais exportadoras destinadas à exportação. 3) TAXA SELIC - NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei n.º 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n.º 2.138/97 tratado de restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso provido.” (1ª Câmara, Recurso n.º 110.657, Processo n.º 10675.000979/97-61; julgado em 17/04/2001; rel. Conselheiro Serafim Fernandes Corrêa, Acórdão n.º 201-74.438) “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECONHECIMENTO. A receita, inclusive de exportação, deve ser reconhecida quando da tradição do bem exportado, que se dá apenas quando da entrega do bem pelo vendedor exportador ao comprador estrangeiro, conforme a modalidade de exportação contratada, e não quando da celebração de dito contrato e da emissão da correspondente nota fiscal. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Incluem-se na base de cálculo do crédito presumido as aquisições feitas de não contribuintes das contribuições para o PIS e da COFINS. Recurso a que se nega provimento.” (Acórdão CSRF/02-01.250, 2ª Turma, relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Recurso n.º 110.146, Processo n.º 10945.008246/97-56, sessão: 27/01/2003) Adoto a orientação como parâmetro decisório, salientando que também o STJ enfrentou a matéria, tendo optado por idêntico desfecho: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 7 _________ 6 “TRIBUTÁRIO - CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI - AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA - LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 - LEGALIDADE. 1. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matéria-prima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 2. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor-exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 - Regulamento do IPI -, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes. 3. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 4. Recurso especial improvido.” (REsp n.º 586.392/RN, rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19/10/2004, DJ de 06/12/2004, p. 259) Assim, o direito creditório de que a contribuinte se diz detentora e sobre o qual fundamenta, decorre do pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, do qual, pelos fundamentos aqui expostos, os julgadores a quo tolheram-na quando correspondentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas que compõem a base de cálculo do crédito. II - ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS Uma das questões suscitadas no mérito do presente questionamento, versa sobre a possibilidade dos valores gastos com energia elétrica comporem ou não o cálculo do crédito presumido do IPI. Neste sentido, vejamos o que dispõe o art. 1º, caput, e § 1º, da Lei 10.276/2001, in verbis: Art. 1º. Alternativamente ao disposto na Lei n.º 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 8 _________ 7 § 1º. A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I - de aquisição de insumos, correspondentes a matérias-primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo;” (destaques nossos) Desta forma, apesar do Pedido de Ressarcimento tratar de período anterior à edição da Lei n o 10.276/01, considero que a mesma veio fortalecer o entendimento que, data máxima vênia, considero correto, qual seja, o de que a Lei n o 9.363/96, em seus arts. 1º e 2º, ao versar sobre a possibilidade das matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo, comporem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, o que englobaria as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por serem produtos intermediários que, embora não integrando o produto final, são consumidos no processo industrial. Esse entendimento, inclusive, encontra respaldo nos arts. 147 e 488 do Decreto n o 2.637/98 (Regulamento do IPI), vigente à época do Pedido de Ressarcimento: “Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo- se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) Art. 488. Consideram-se bens de produção (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decreto-lei n.º 34, de 1966, art. 2º , art. 1º): I - as matérias-primas; II - os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial;” (original sem destaque) Adicionalmente, não bastassem os argumentos trazidos à baila, vejo que as referidas disposições da Lei n o 10.276/01 podem ser consideradas aplicáveis no presente caso por força do art. 106, II, do CTN, ou seja, a interpretação da norma tributária mais benéfica ao contribuinte (lex mitior). Vejamos: “Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 9 _________ 8 II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Assim também entende o ilustre Hugo de Brito Machado, em “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume II, Editora Atlas S.A., São Paulo, 2004, páginas 164 e 165, ao reforçar que: “Temos no art. 106 do Código Tributário Nacional, portanto, duas hipóteses de aplicação retroativa da lei tributária, a saber, a hipótese de lei expressamente interpretativa e a hipótese de lei punitiva mais favorável ao acusado, que denominamos retroatividade benigna. Quanto a esta última, não existem divergências dignas de nota.” Além disso, o Conselho de Contribuintes possui recentes decisões tratando a matéria. Destaco, os Recursos Voluntários 110.473, 110.474 e 110.475, de semelhante teor, oportunidade em que passo a transcrever o primeiro deles, conforme se observa a seguir: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÕES. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. Estão abrangidos no conceito de produto intermediário os produtos que, embora não se integrem ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização. Integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na exportação, as aquisições de energia elétrica, nos termos do art. 2º da Lei n.º 9.363/96. Recurso Voluntário provido.” (Recurso 110.473, Acórdão 201-74.607, relator Cons. Serafim Fernandes Corrêa) (grifamos e destacamos) Este também foi o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme julgado a seguir colacionado: “IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS. ENERGIA ELÉTRICA. Incluem-se na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de energia elétrica, em especial quando utilizada diretamente no processo produtivo, fisicamente consumida em decorrência da ação exercida sobre o produto em fabricação (FeSi).” (Acórdão n.º CSRF/02- 01.662, 2ª Turma) (grifamos e destacamos) Comungo desta opinião, pois que a energia elétrica e os combustíveis, mesmo não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização, tratando- se assim de um produto intermediário. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 10 _________ 9 Outrossim, a Súmula nº 12 do 2º CC veio a determinar o contrário, in verbis: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.” Quanto à energia elétrica e combustíveis, portanto, não resta a esse julgador outra alternativa senão negar provimento ao pedido da contribuinte III – SELIC Com relação a aplicação da taxa SELIC, adoto o entendimento de que deve ser a mesma deferida a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. A Lei n.º 9.250/95, estabeleceu a possibilidade de atualização monetária das compensações e/ou restituições pela taxa SELIC, conforme disposto em seu art.39, verbum ad verbum: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º. A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (original sem destaque) Adicionalmente, a Portaria n.º 38, de 27/02/97, que “dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei n.º 9.363, de 13 de dezembro de 1996”, estabeleceu em seus arts. 5º e 8º, que: “Art. 5º - A empresa comercial exportadora que, no prazo de 180 ( cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigado ao pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS relativamente aos produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor equivalente ao do crédito presumido atribuído à empresa produtora vendedora. (...) Art. 8º - Os valores a que se referem o caput e o parágrafo 1º do art. 5º, quando não forem pagos no prazo previsto no parágrafo Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 11 _________ 10 2º do mesmo artigo, serão acrescidos, com base no art. 61 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de multa de mora e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC -, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal de venda dos produtos, pela empresa produtora vendedora, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (original sem destaque) Uma vez que a legislação trata da possibilidade de atualização em casos de compensação ou restituição e o contribuinte deu entrada em pedido de ressarcimento, o meu entendimento, também adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais através do acórdão n.º CSRF/02-0.708, é o de que o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição. Desta forma, não restam dúvidas quanto à possibilidade de utilização da taxa SELIC a partir da data em que é feito o pedido de ressarcimento. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso do contribuinte, para acatar o pleito no tocante aos créditos obtidos das aquisições de pessoas físicas e cooperativas e da atualização pela taxa selic a partir do protocolo do pedido, negando provimento quanto ao aproveitamento de crédito de energia elétrica e combustíveis. Sala das Sessões, em 05 de março de 2009 (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator ad hoc. Acompanho o Ilustre Conselheiro Relator em relação à inclusão, na base de cálculo do benefício, do valor das aquisições de energia elétrica e combustíveis. No entanto, abro divergência em relação às aquisições de MP, PI e ME junto a pessoas físicas e a cooperativas e, também, com relação à incidência de correção monetária e/ou juros selic sobre o valor a ressarcir, pelas razões, de fato e de direito, abaixo aduzidas. Quanto ao mérito, especificamente, quanto às aquisições efetuadas a pessoas físicas e cooperativas, discordo da tese esposada pela recorrente e pelo Ilustre Relator e ratifico os argumentos da decisão recorrida, acrescentado os fundamentos complementares abaixo. A Lei nº 9.363/96, em seu art. 1º, é muito clara ao dispor que a empresa produtora exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7/70; 8/70; e 70/91, Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 12 _________ 11 “incidentes sobre as respectivas aquisições”, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ora, se não houve incidência das contribuições nas aquisições, não há que se falar em ressarcimento. E neste sentido deve-se observar que a lei fala em “incidentes sobre as respectivas aquisições”, de forma que pouco importa se incidiu em etapas anteriores, se, nas aquisições efetuadas pela empresa produtora e exportadora, estas não incidiram. A respeito deste assunto, destaco outros pontos do Parecer PGFN nº 3.092, de 27 de dezembro de 2002, aprovado pelo Ministro da Fazenda e citado na decisão recorrida: “21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não ‘incidiram’ sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições ‘incidentes’ sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. 22. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa específica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional”. E não é só a partir do art. 1º da Lei nº 9.363/96 que se pode vislumbrar este entendimento, porque nos demais artigos da lei também se verifica tal posicionamento, como muito bem elucida o mencionado parecer, que transcrevo: “24. Prova inequívoca de que o legislador condicionou a fruição do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo é depreendida da leitura do artigo 5º da Lei nº 9.363, de 1996, in verbis: ‘Art. 5º A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1º, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente’. 25. Ou seja, o tributo pago pelo fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido, que for restituído ou compensado mediante crédito, será abatido do crédito presumido respectivo. 26. Como o crédito presumido é um ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, pagos pelo fornecedor do insumo, o legislador determina, ao produtor/exportador, que estorne, do crédito presumido, o valor já restituído. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 13 _________ 12 27. O art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que apenas os tributos ‘incidentes’ sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu fornecedor) podem ser ressarcidos. Conforme o art. 5º, caso estes tributos já tenham sido restituídos ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abatidos do crédito presumido. 28. Esta interpretação lógica é confirmada por todos os demais dispositivos da Lei nº 9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebe-se que o legislador previu formas de controle administrativo do crédito presumido, estipulando ao seu beneficiário uma série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo não fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. Como exemplo, reproduz-se o art. 3º da multicitada Lei nº 9.363, de 1996: ‘Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador’ (Grifos não constantes do original). 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, quando o produtor/exportador adquir insumo de pessoa física, que não é obrigada a emitir nota fiscal e nem paga o PIS/PASEP e a COFINS? Por outro lado, como aferir o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, que não estão obrigados a manter escrituração contábil? 30. Toda a Lei nº 9.363, de 1996, está direcionada, única e exclusivamente, à hipótese de concessão do crédito presumido quando o fornecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições milita sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, o ressarcimento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COFINS. 31. Em suma, a Lei nº 9.363, de 1996, criou um sistema de concessão e controle do crédito presumido de IPI, cuja premissa é que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do incentivo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS.” Assim, é verdade que o objetivo da lei, como um todo, foi o de estimular a exportação, contudo, sem dúvidas, há limitações para o gozo deste benefício, sendo descabido falar na inclusão, para efeito de custo acumulado dos insumos, no cômputo do crédito presumido, dos valores relativos às aquisições de matérias-primas, quer adquiridas de pessoas físicas, quer adquiridas de sociedades cooperativas ou de qualquer outra pessoa jurídica que não seja contribuinte do PIS e da Cofins. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13886.001231/2002-34 Acórdão n.º 2102-00.073 CC02/C01 Fls. 14 _________ 13 Relativamente aos juros selic e/ou correção monetária que a recorrente pede, entendo que, ante a ausência de previsão legal para atualização monetária, bem assim no tocante a pagamento de juros incidentes sobre valores a serem ressarcidos, os mesmos são indevidos. É que a Lei nº 9.250/95, em seu art. 39, § 4º, quando estabelece que a compensação ou restituição será acrescida dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, ela não incluiu os ressarcimentos. E não poderia ser diferente, vez que o ressarcimento tem lugar quando a lei institui um benefício fiscal, ao passo que a compensação ou restituição ocorrem na hipótese de pagamento indevido ou a maior que o devido, isto é, houve efetivamente um pagamento anterior, inexistente no caso do crédito presumido do IPI, porque, como o próprio nome sugere, o crédito é “presumido”, nada foi recolhido a título de IPI, e o que foi pago como contribuição ao PIS e Cofins, foi encargo legal do fornecedor daquele que pretende se aproveitar do benefício, e, além disso, corresponde a valores devidos e não a indébitos. Face ao exposto e por tudo o mais que do processo consta, meu voto é para negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 05 de março de 2009. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Redator ad hoc. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILENO GURJAO BARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720013/2011-64
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/05/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ (Decreto nº 70.235/1972, art. 33).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto fora do prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ (Decreto nº 70.235/1972, art. 33). Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 13 /2 01 1- 64 Fl. 666DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 11° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 639): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/05/2011 MULTA DE R$ 5.000,00 POR MÊS CALENDÁRIO. Cabível a quem não apresentar à fiscalização os documentos relativos à operação que realizar ou em que intervier, bem como outros documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou não mantiver os correspondentes arquivos em boa guarda e ordem. MULTA IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. Esta penalidade é cabível quando há prova de que houve entrega a consumo, ou consumo de mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, que não é o caso. A nota fiscal, até prova em contrário, é o documento hábil para comprovar a efetividade da transação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Discutemse nos autos os pressupostos de aplicação da multa regulamentar decorrente do descumprimento do dever instrumental previsto no art. 728, IV, “b” do regulamento Aduaneiro (DecretoLei nº 37/1966) em razão do Recorrente não ter apresentado, no curso da fiscalização, o livro de inventário. O Recorrente, nas razões de fls. 651 e ss., sustenta que a fiscalização, por diversas vezes, teria confirmado o recebimento dos documentos que considerou não apresentados. Aduz ter passado por “problema involuntário” (disputa societária), que teria prejudicado o atendimento das intimações. Requereu o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 26/02/2014 (fls. 662), protocolizando a petição recursal em 01/04/2014 (fls. 651). Tratase, portanto, de recurso intempestivo, que não pode ser conhecido por ausência de requisito de admissibilidade do art. 33 do Decreto no 70.235/1972. Votase, assim, pelo não conhecimento do recurso. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11762.720013/201164 Acórdão n.º 3802003.954 S3TE02 Fl. 667 3 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 668DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10380.723462/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA.
A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A matéria levada ao judiciário e discutida no presente PAF refere-se ao fundo próprio de previdência criado para albergar os deputados estaduais.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial.
CARGO EM COMISSAO. RGPS.
O servidor não efetivo, ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS.
AJUDA DE CUSTO. SALÁRIO INDIRETO
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída segurado empregado e contribuinte individual em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91
CO-RESPONSÁVEIS
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança e não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula n.º 88 do CARF
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.507
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, devido a interposição de ação judicial que tem por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importando em renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, limitando-se o julgamento à matéria diferenciada argüida, para aplicar a Súmula n.º 88 do CARF, que confirma a finalidade meramente informativa dos relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos que são partes integrantes dos processos de Auto de Infração.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A matéria levada ao judiciário e discutida no presente PAF refere-se ao fundo próprio de previdência criado para albergar os deputados estaduais. O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. CARGO EM COMISSAO. RGPS. O servidor não efetivo, ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS. AJUDA DE CUSTO. SALÁRIO INDIRETO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída segurado empregado e contribuinte individual em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 CO-RESPONSÁVEIS Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança e não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula n.º 88 do CARF Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, devido a interposição de ação judicial que tem por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importando em renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, limitando-se o julgamento à matéria diferenciada argüida, para aplicar a Súmula n.º 88 do CARF, que confirma a finalidade meramente informativa dos relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos que são partes integrantes dos processos de Auto de Infração. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Wilson Antonio de Souza Correa.
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Salário Indireto Ajuda de Custo Recorrente ESTADO DO CEARÁ ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A matéria levada ao judiciário e discutida no presente PAF referese ao fundo próprio de previdência criado para albergar os deputados estaduais. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial. CARGO EM COMISSAO. RGPS. O servidor não efetivo, ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS. AJUDA DE CUSTO. SALÁRIO INDIRETO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída segurado empregado e contribuinte individual em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 CORESPONSÁVEIS Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de Auto de Infração, para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito e subsidiar futuras ações executórias de cobrança e não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 34 62 /2 01 2- 77 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula n.º 88 do CARF Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, devido a interposição de ação judicial que tem por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importando em renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3º, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, limitandose o julgamento à matéria diferenciada argüida, para aplicar a Súmula n.º 88 do CARF, que confirma a finalidade meramente informativa dos relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos que são partes integrantes dos processos de Auto de Infração. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.723462/201277 Acórdão n.º 2302003.507 S2C3T2 Fl. 432 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 29/03/2012, relativo às contribuições patronais e ao SAT, incidentes sobre valores pagos aos exercentes de mandato eletivo deputados estaduais que são obrigatoriamente filiados ao Regime Próprio de Previdência Social, salvo quando mantiverem seu vínculo original com o RPPS. Referese, também às contribuições previdenciárias patronais devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde. O crédito lançado referese ao período de 01/2008 a 12/2008 e foi apurado do confronto entre as folhas de pagamento do órgão, os seus registros contábeis, empenhos, liquidação e pagamentos havidos com os valores declarados em GFIP. O Relatório Fiscal de fls. 34/39, traz que apenas dois Deputados Estaduais, Adahil Barreto e Raquel Marques contribuíam para o Regime Próprio de Previdência Social, e por isso não constam do presente levantamento. Quanto aos demais, muito embora a autuada diga que todos os Deputados Estaduais estejam contribuindo para um fundo próprio de previdência, os autos mostram que tal assunto está sendo questionado na justiça, sendo que o julgamento no Supremo Tribunal Federal ainda não possui decisão definitiva na Ação n.º 702 1/10. Por isso, os deputados estaduais foram tomados como filiados ao Regime Geral de Previdência Social. Após a impugnação, Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, fls. 313/332, julgou o lançamento procedente em parte para excluir do mesmo as contribuições relativas às cooperativas de trabalho porque o Fisco não comprovou a existência do fato gerador, não trazendo qualquer fato ou documento para provar o débito, bem como aplicou alíquota diversa daquela constante na legislação vigente, que é de 15%, sobre as notas ou faturas de prestação de serviço, para aplicar o percentual de 20%, mais 2% de SAT. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde alega: a) a necessidade da suspensão do processo porque há pendência de julgamento da ação no Supremo Tribunal Federal; b) que o auto de infração possui o mesmo objeto da demanda judicial, qual seja os detentores de mandato eletivo contribuírem para um fundo próprio de previdência; c) a ilegalidade do lançamento, porque é possível que os deputados estaduais tenham regime próprio de previdência, discorre sobre o assunto; Fl. 433DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 d) que é equivocado o o entendimento de que o caput do artigo 40 da Constituição Federal somente possibilite o Regime Próprio de Previdência Social aos servidores titulares de cargo efetivo; e) que os cargos temporários não se referem ao mandato parlamentar; f) que a legislação infraconstitucional pode instituir Regime Próprio de Previdência Social para os parlamentares que não ficam restritos ao Regime Geral; g) que o Congresso Nacional possui Regime Próprio de Previdência Social; h) que os pagamentos efetuados a título de ajuda de custo são indenizatórios; i) que os agentes públicos não podem ser responsáveis pelo débito, porque de acordo com a legislação, só respondem pelas multas por infração à Lei 8.212/91, o que não é o caso dos autos. Requer o provimento do recurso para declarar inconsistente a autuação vergastada e indevida a contribuição cobrada em sua totalidade para extinguir o crédito tributário. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.723462/201277 Acórdão n.º 2302003.507 S2C3T2 Fl. 433 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Ação Judicial Em preliminar, é de se ver que o crédito lançado, após a exclusão das exações relativas às cooperativas de trabalho, por falta de evidenciação do fato gerador, referese exclusivamente as contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados: comissionados, temporários e deputados estaduais, conforme planilha de fls. 51. A recorrente alega a existência de ação judicial visando o reconhecimento do Regime Próprio de Previdência Social para os Deputados Estaduais, que se encontra pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal. Com efeito, é de se ver que a Ação n.º 7021/10 STF, ainda se encontra para análise dos ministros da Suprema Corte, sem decisão de mérito sobre o assunto. Portanto, devido à existência de ação judicial com o mesmo objeto de pedir que o presente processo administrativo, no que tange a possibilidade dos Deputados Estaduais virem a ter um Regime Próprio de Previdência e assim estando isentos da contribuição para o Regime Geral de Previdência, deixo de me manifestar sobre o assunto, com fulcro no artigo 126, § 3º, da Lei n.º 8.213/91 e Súmula n.º 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Lei 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) (sem grifos no original) Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do Fl. 435DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Considerase "idêntico pedido", para o efeito de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, quando, na impugnação ou recurso, for deduzida a mesma matéria submetida à apreciação judicial, já que, a teor do princípio constitucional da unidade da jurisdição (art. 5º, XXXV, CRF/88) segundo o qual somente ao Poder Judiciário é atribuída a função de compor os conflitos de interesses com caráter de definitividade , é inócua qualquer discussão em sede administrativa, quando simultaneamente submetida ao crivo do Judiciário. O artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. As decisões deste Poder sobrepõemse às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta pela autuada ação judicial na qual são discutidas as mesmas questões de mérito suscitadas em sua defesa administrativa, encerrandose o processo judicial, a decisão administrativa seria substituída pela sentença. Constatase, através do exame dos autos, que o pedido de declaração de inexistência da relação jurídicotributária entre as partes, no que concerne à exigência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos Deputados Estaduais, constitui objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, importando, assim, em renúncia ao contencioso administrativo. Vale ressaltar que a renúncia ao contencioso administrativo ocorre apenas em relação às matérias que constituem objeto tanto do pedido administrativo quanto do judicial, devendo o processo administrativo prosseguir em relação à matéria diferenciada. No recurso também foi deduzida matéria distinta da discutida em juízo, tendo o sujeito passivo direito ao contencioso administrativo para que seja apreciada a matéria diferenciada. Nada mais lógico, digase de passagem, pois a existência de ação judicial não deve prejudicar, ipso facto, o controle da legalidade dos atos administrativos, dentre os quais figura como espécie o lançamento tributário. Se assim não fosse, ficaria o sujeito passivo privado de impugnar, por exemplo, eventual erro na base de cálculo do lançamento preventivo da decadência, quando tal questão não se confunde com o objeto da tutela jurisdicional. Destarte, considerando que a renúncia caracteriza perda do objeto, não será discutida nesta esfera a matéria questionada em juízo, mas apenas a matéria distinta do processo judicial, conforme determina o art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91. A autuação referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a servidores não efetivos ocupantes de cargo em comissão e temporários. O artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não havendo qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal, quando da obrigatoriedade do recolhimento das contribuições previdenciárias para servidores não efetivos, ocupantes de cargos em comissão e temporários : Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 436DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.723462/201277 Acórdão n.º 2302003.507 S2C3T2 Fl. 434 7 não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Como já mencionado os servidores, cujas remunerações constam desta autuação, são aqueles não detentores de cargos efetivos, são servidores públicos estaduais ocupantes de cargos em comissão de recrutamento amplo, e também de temporários, para os quais se aplica o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, consoante o disposto no artigo 13 da Lei n.º 8.212/91: Art.13 O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da união, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral da Previdência Social consubstanciado nesta Lei, dedes que amparados por regime próprio de previdência social Após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20 de 16 de dezembro de 1998, somente os servidores titulares de cargo efetivo podem integrar os regimes próprios, conforme o caput do artigo 40 da Constituição Federal: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98: O lançamento em questão abrange período posterior à Emenda Constitucional n.º 20/98, e referese exclusivamente a servidores públicos não efetivos, ocupantes de cargo em comissão e temporários, que por esta condição, compulsoriamente, estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. Ajuda de Custo Muito embora a rubrica ajuda de custo tenha sido paga aos deputados estaduais e a contribuição sobtre estes valores esteja suspensa mediante ação no Supremo tribunal Federal, vou me manifestar apenas a título esclarecedor: É de se observar que a matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições socais. Nessa linha, da análise dos autos, verificase que os valores pagos pela recorrente aos segurados não se enquadram nas hipóteses previstas em Lei como isentas de contribuições sociais; mais precisamente no parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91. "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste Fl. 437DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a)os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, Lei nº 9.528, de 10/12/97) 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 5. recebidas a título de incentivo à demissão; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Fl. 438DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.723462/201277 Acórdão n.º 2302003.507 S2C3T2 Fl. 435 9 9 recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 439DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Como se pode observar, os pagamentos de liberalidades, como as bolsas de estudo para filhos de funcionários, aluguéis, plano médico, indenizações previstas em Convenção Coletiva, mas não respaldadas pela legislação, etc, efetuados pela recorrente, não estão automaticamente enquadrados nas excludentes do salário de contribuição, contidas no § 9º do artigo 28, acima citado. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] E repisamos que a Lei Orgânica da Seguridade Social, Lei nº 8.212/91, em consonância com a norma constitucional supratranscrita, assim define saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuições à seguridade social: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, Fl. 440DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.723462/201277 Acórdão n.º 2302003.507 S2C3T2 Fl. 436 11 quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (sem grifos no original) Frente à disciplina legal supra, denotase que o fato gerador do tributo em tela está presente no conceito de remuneração, ou seja, todo o plexo de contraprestações efetivadas pelo empregador ao empregado, com o intuito de retribuir o serviço prestado, não sendo relevante o título jurídico utilizado para realizar o pagamento, isto é, o nome da verba não possui relevância, mas sim se, no caso concreto, o montante despendido tem intuito de retribuir o trabalho. De outra parte, a Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os benefícios da Previdência Social, em seu art. 29 toma o saláriodecontribuição como base para o cálculo do valor do salário de benefício. Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da mesma Lei. O § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o saláriode contribuição.Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total do empregado, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de nãoincidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Nesse contexto, os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados são verbas passíveis de incidência previdenciária. De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. No caso em tela, o pagamento de ajuda de custo é sem dúvida uma vantagem para o segurado, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende os valores para custear os gastos citados. Portanto, pela análise efetuada, fica claro que os pagamentos integram o salário de contribuição. CoResponsáveis Quanto à solicitada exclusão dos agente públicos do pólo passivo da notificação, cabe esclarecer que a relação de coresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir tais pessoas no pólo passivo da obrigação tributária, Fl. 441DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa, no caso Município. A responsabilização do sujeito passivo somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, as pessoas arroladas não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Formalizando a posição a ser tomada pelos Colegiados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais foi editada a Súmula n.º 88, nestas palavras: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Por todo o exposto, conheço parcialmente do recurso e na parte conhecida, negolhe provimento. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10380.723462/201277 Acórdão n.º 2302003.507 S2C3T2 Fl. 437 13 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 443DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.917518/2009-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa.
Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Ester Marques Lins de Sousa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 51 8/ 20 09 -1 0 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1802000.616 S1TE02 Fl. 223 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 87/88 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (efls. 153/157) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 25/06/2009, utilizando o programa gerador PER/DCOMP, a contribuinte transmitiu pela internet a declaração de compensação retificadora nº 37155.21948.250609.1.7.041050 (efls. 135/139), (PER/DCOMP Retificado: 13389.67360.230609.1.3.042382), informando: direito créditório utilizado na DCOMP: R$ 4.606,36 (valor original): que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior da CSLLdo período de apuração 31/03/2008, código de receita 2372 (CSLL sobre o Lucro Presumido), data de arrecadação 30/06/2008, valor original do recolhimento – DARF R$ 16.363,80 (3ª quota). Total do crédito original na data da transmissão: R$ 16.363,80. Comprovante de pagamento Cópia DARF (efl. 218). débito compensado: IRPJ (código de receita 2089 IRPJ PJ que apura imposto pelo Lucro Presumido), PA 1º trimestre 2009, data de vencimento 30/06/2009, assim discriminado: principal: R$ 5.041,88; multa: R$ 0,00; juros de mora: R$ 117,24; Total: R$ 5.159,12. Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 141, pela DRF/Campinas, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 16.363,80. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1802000.616 S1TE02 Fl. 224 3 Diante da inexistência do crédito, NAÕ HOMOLOGO a compensação declarada (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN).Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 19/10/2009 – Aviso de Recebimento – AR (efl. 145), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 06/11/2009 (efls. 02/08), despacho de expediente confirmando a tempestividade (efl. 150). A Contribuinte juntou, ainda, documentos de efls. 09/140. Razões aduzidas pela contribuinte, em resumo, são as seguintes: a) preliminarmente, suscitou nulidade do despacho decisório por falta de clareza na fundamentação que não reconheceu o crédito pleiteado, não homologando a compensação informada; que o ato administrativo deve ter motivação clara; b) origem e suficiência do crédito utilizado na compensação informada: que a empresa iniciou suas atividades no ramo gráfico em 16/06/1983 e sempre primou pelo atendimento das suas obrigações tributárias, trabalhistas, previdenciárias e outras das demais naturezas. Nessa condição, optou pela tributação do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Presumido; que, por interpretação errônea da legislação, enquadrou e efetuou recolhimentos da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL durante longo período de forma equivocada e com os valores muito superiores aos que efetivamente seriam devidos; que, constatado esse erro e o conseqüente direito ao crédito, buscou então informações junto à RFB em Campinas, no sentido de ser orientada de como fazer para operacionalizar a compensação ou a devolução dos valores pagos a maior do que o devido; que foi orientada a tomar providências no sentido de a) fazer a declaração do imposto de renda DIPJ do exercício em que havia necessidade das correções e enviála à Receita Federal; b) refazer e enviar as DCTF do respectivo período de apuração, com a situação considerada correta e compatível com a DIPJ; c) emitir e enviar os PER/COMP, de forma a corroborar e evidenciar os créditos a serem compensados; que apurou valores a título de CSLL realmente recolhidos a maior do que o devido, apenas quanto ao anocalendário 2008; que, em relação ao 1º trimestre/2008, recolheu a título de CSLL R$ 48.185,52 (valor original), em três quotas de R$ 16.061,84, .e que o valor devido foi de apenas R$ 13.770,14; que existe crédito, então, suficiente para quitação do débito confessado na DCOMP objeto dos autos. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1802000.616 S1TE02 Fl. 225 4 A 1ª Turma da DRJ/Belém, enfrentanto o mérito das questões suscitadas pela contribuinte, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado conforme Acórdão, de 24/10/2013 (efls.153/157), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovado que o Despacho Decisório motivou o não reconhecimento do direito creditório na alocação integral do pagamento a débito declarado pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. Diante da ausência de provas robustas que justifiquem a redução do tributo inicialmente declarado e recolhido, o crédito não deve ser reconhecido. DCTF. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. IMPRESTABILIDADE. A simples apresentação da DCTF retificadora posteriormente à ciência do Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório torna a mesma imprestável para o fim proposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 10/01/2014 por AR (efl.. 160), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 05/02/2014 (efls.163/177), juntando ainda documentos de efls. 178/218, aduzindo em suas razões, em resumo: que a atividade gráfica pode configurarse como industrial, comercial ou de prestação de serviços; que o serviço de gráfica pode ser equiparado ao de indústria e, assim, o coeficiente de presunção do lucro é de 12% para a CSLL quando atuar nas áreas comercial, industrial; que, no caso, a contribuinte entende que sua atividade de gráfica é equiparado a estabelecimento industrial; que relativo ao 1º trimestre/2008 confessou débito da CSLL na DCTF, mediante aplicação do coeficiente de presunção de 32%, quando deveria ter aplicado coeficiente de 12% para indústria; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1802000.616 S1TE02 Fl. 226 5 que na DIPJ o débito da CSLL foi apurado mediante aplicação do coeficiente de presunção de 12%; que, por conseguinte, apurou direito creditório da CSLL, por pagamento a maior, por aplicação indevida do coeficiente de 32% sobre o total de sua receita bruta; que o direito creditório pleiteado, quanto ao PA indicado, foi denegado pela decisão a quo pelo fato do pagamento/recolhimento estar integralmente alocado, consumido, por débito confessado na DCTF e que, por outro lado, a DCTF retificadora apresentada após ciência do despacho decisório da DRF/Campinas não pode ser aceita, pois não restou comprovado, com documentos da escrituração contábil, que houve erro material, erro de fato, na apuração e no preenchimento da DCTF primitiva que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora; que, diversamente do entendimento da decisão recorrida, existe o direito creditório pleiteado; que a decisão recorrida ofendeu ao princípio da verdade material, deixando de analisar, com profundidade, a lide; que, a despeito de não ter efetuado a retificação da DCTF antes da ciência do despacho decisório, não inviabiliza a existência do direito ao crédito pleiteado, uma vez que tem toda a documentação que legitima o seu direito, juntando ao recurso as seguintes provas da existência do crédito pleiteado: cópia da DIPJ original, data de recepção 23/06/2009 (efls. 198/201); cópia da DCTF retificadora, recepção 21/10/2009 (e fls.203/205); Cópia de algumas folhas dos livros Diário e Razão Analítico do 1º trimestre/2008 (efls. 207/214); Cópia do DARF de recolhimento das três quotas da CSLL (débito confessado na DCTF primitiva) (efls. 216/218). que os precedentes jurisprudenciais do E. Conselho Adminstrativo – CARF apontam, indicam, que a documentação trazida, em sede de recurso, deve ser apreciada, quanto ao direito creditório pleiteado, decorrente de erro material (erro de fato) na apuração da exação fiscal, que implicou pagamento/recolhimento a maior ou indevido (Acórdão nº 1302 00.532); que a DIPJ, DCTF retificadora e os registros contábeis comprovam a efetividade do crédito pleiteado; que os registros contábeis fazem prova a favor do contribuinte (RIR/99, art. 923); que os precedentes jurisprudencias do CARF são nesse sentido (Acórdão nº 10196.402); que o erro de fato quanto ao débito informado na DCTF primitiva não configura confissão irretratável, podendo a contribuinte retificar essa declaração para sanar o erro cometido; que, nesse sentido, são os precedentes do CARF, realçando o princípio da verdade material (Acórdãos nºs 130201.015 e 20309.788); Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1802000.616 S1TE02 Fl. 227 6 que a contribuinte tem toda a documentação contábil que demonstra a origem do crédito da CSLL do 1º trimestre/2008, e que a apresentação da DCTF retificadora, após a ciência do despacho decisório, não pode restringir o direito creditório da recorrente; que, identificado o erro de fato, a Administração Tributária tem o dever observar o princípio da verdade material; que há precedentes do CARF admitindo a possibilidade de produção de provas em sede de recurso voluntário (Acórdãos nºs 10319.789 e 10809.655); que, sendo assim, os documentos hábeis trazidos pela recorrente no recurso devem ser apreciados; que, ainda assim, caso existir dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, para que prevaleça o princípio da verdade material, que se converta o julgamento em diligência. Por tudo que foi exposto, a recorrente requer o reconhecimento do crédito pleiteado e a extinção do débito confessado, mediante homologação da compensação objeto dos autos. É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1802000.616 S1TE02 Fl. 228 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca do crédito pleiteado, utilizado na DCOMP. Vale dizer: a contribuinte utilizou na DCOMP pretenso crédito da CSLL no valor de R$ 4.606,36 (valor original), relativo a pagamento/recolhimento da CSLL do PA 31/03/2008, código de receita 2372 (regime de apuração do Lucro Presumido), data de arrecadação 30/06/2008, valor original do recolhimento – DARF R$ 16.363,80 = (R$16.061,84 + juros R$ 160,61) 3ª quota, sob alegação de que esse pagamento teria sido efetuado indevidamente. A decisão a quo não reconheceu o crédito, pois: a) o pagamento/recolhimento está vinculado integralmente ao débito do IRPJ do referido PA confessado na respectiva DCTF, inexistindo crédito disponível para extinção, por compensação, do débito informado/confessado na DCOMP; b) que a juntada da DCTF retificadora, por ocasião da manifestação de inconformidade, não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito pleiteado, pois a transmissão da DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado na DCTF primitiva, deuse posteriormente à ciência do despacho decisório que, por primeiro, denegou o direito creditório pleiteado; c) que a transmissão da DCTF retiticadora reduzindo o débito da CSLL do 1º trimestre/2008 de R$ 48.185,52 (valor original) para R$ 13.770,14, após ciência do despacho decisório, requer a comprovação do erro de fato na apuração/preenchimento da DCTF primitiva, à luz da escrituração contábil/fiscal (CTN, art. 147, § 1º). Nesta instância recursal, a recorrente, então, busca a reforma da decisão a quo que não reconheceu o crédito pleiteado, insistindo na alegação da ocorrência do erro de fato, quanto à apuração da CSLL do 1º trimestre/2008 e preenchimento da DCTF primitiva.. A DCTF retificadora, que reduziu, sobremaneira, o débito informado/confessado na DCTF primititiva, como já dito, é posterior à data de ciência do despacho decisório. Vale dizer, a DCTF retificadora, para ser aceita, é necessário comprovar, primeiro, o alegado erro de fato de apuração/preenchimento da DCTF primitiva (CTN, art. 147, § 1º). A divergência de apuração, quanto ao valor da CSLL a pagar do 1º trimestre/2008 entre a DCTF primitiva e a DIPJ, não se resolve pela mera apresentação de DCTF retificadora. Tornase necessário a contribuinte comprovar o alegado erro de fato na apuração da CSLL e de preenchimento da DCTF primitiva, mediante apresentação/juntada aos autos de cópia da escrituração contábil/fiscal do anocalendário 2008 e respectivos documentos Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1802000.616 S1TE02 Fl. 229 8 de suporte dos registros contábeis (por exemplo, cópia das notas fiscais da natureza das receitas dos serviços gráficos prestados etc). Nesta instância recursal, compulsando os autos, observase que a recorrente juntou aos autos cópia de algumas folhas dos livros Diário e Razão Analítico do 1º trimestre/2008, conforme citado no relatório. A questão, na verdade, não envolve meramente erro material ou erro de fato na apuração/preenchimento da DCTF primitiva, mas sim mudança, divergência quanto ao coeficiente de presunção do lucro da CSLL para a atividade gráfica da recorrente. Na verdade, a contribuinte – para gerar o crédito pleiteado – alterou a base de cálculo da CSLL do PA 31/03/2008 (1º trimestre/2008). Ou seja: a CSLL a pagar do 1º trimestre/2008 de R$ 48.185,52, inclusive confessada na DCTF primitiva, foi resultante da aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 32% para a atividade de serviços gráficos encomenda direta pelo usuário ou consumidor com ou sem fornecimento de material; porém, a contribuinte alega que sua atividade é equiparada a industrial, fazendo jus ao coeficiente de presunção do lucro de 12%, apurando CSLL a pagar para o 1º trimestre/2008 no valor de R$ 13.770,14. Transmitiu a DCTF retificadora em 21/10/2009 (efls. 203/205), após ciência do despacho decisório que ocorreu em 19/10/2009 (efl. 145), reduzindo a CSLL a pagar do 1º trimestre/2008 de R$ 48.185,52 para R$13.770,14. Há falhas na instrução processual que não permitem ao julgador formar convicção acerca do mérito da lide, ou seja, acerca do liquidez e certeza do crédito pleiteado, pois, além da inexistência de cópia da DCF primitiva, da inexistência de cópia da DIPJ completa do AC 2008, a contribuinte não comprovou nos autos a natureza das receitas de sua atividade quanto ao 1º trimestre/2008 (não comprovou erro de fato na apuração e no preenchimento da DCTF primitiva). A atividade gráfica pode configurarse como industrial, comercial ou de prestação de serviços. Senão vejamos: Considerase como prestação de serviço as operações realizadas por encomenda do consumidor ou usuário final com ou sem fornecimento de material, aplicandose o coeficiente de presunção do lucro da CSLL de 32% sobre as receitas dessa atividade. Por outro lado, quando atuar nas áreas comercial e industrial, o coeficiente de presunção do lucro da CSLL sobre essas receitas será de 12% Se todas essas atividades foram exercidas pela contribuinte no respectivo período de apuração (atividades diversificadas), impõese a segregação das receitas na escrituração por atividade para aplicação do respectivo coeficiente de presunção do lucro (inteligência do § 3º do art. 518 do RIR/99, base legal Lei 9.249/95, art. 15, §2º). As citadas cópias de algumas folhas dos livro Diário e Razão Analítico, juntadas aos autos, são insuficientes para formação da convicção quanto à natureza dos serviços prestados, respectivas receitas e quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1802000.616 S1TE02 Fl. 230 9 No caso, a contribuinte informou na DIPJ que todas as suas receitas do 1º trimestre/2008 decorreram da atividade gráfica das áreas comercial e industrial.sujeitas ao coeficiente de presunção do lucro da CSLL de 12%. Entretanto, como a atividade gráfica, em regra, envolve atividades diversificadas no mesmo estabelecimento, com respectivos coeficientes de presunção do lucro diversos (Solução de Consulta COSIT nº 71, de 31/12/2013), tornase necessário baixar os autos à DRF de origem (DRF/Campinas) para realização de diligência (instrução processual complementar), no sentido de apurar a real natureza da atividade exercida, desenvolvida pela recorrente, e das respectivas receitas auferidas no 1º trimestre/2008. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Campinas a fim de que a fiscalização da RFB: a) intime a contribuinte a comprovar, à luz da escrituração contábil/fiscal (livros Caixa, Razão, Diário e Lalur) e respectivos documentos de suporte (por exemplo, notas fiscais de vendas, saídas): o alegado erro de fato na apuração da CSLL/preenchimento da DCTF primitiva, que justifique a DCTF retificadora apresentada reduzindo o débito da CSLL, gerando o crédito pleiteado; a natureza das receitas auferidas no 1º trimestre/2008, se decorrentes de atividades diversificaddas: (i) serviços gráficos de impressãooperação por encomenda direta do consumidor/usuário final com ou sem fornecimento de material/oficina que forneça preponderantemente trabalho profissional; (ii) se de operação de comércio/indústria; (iii) ou se as receitas decorreram de todas essas atividades mencionadas; a segregação de receitas por atividade, no caso de atividades diversificadas: indicar em planilha –resumo do PA do crédito pleiteado: a data de cada operação, respectivo nº da nota fiscal, natureza da receita auferida na operação/atividade desenvolvida, valor da operação, destinatário, e respectivo coeficiente de presunção do lucro da CSLL; b) analise, verifique, audite, as notas fiscais do 1º trimestre/2008, no sentido de verificar se há faturamento de receitas de atividades diversificadas, sujeitas respectivamente a coeficientes de presunção do lucro da CSLL específicos, diversos, ou seja de 32% e de 12%; c) existindo receitas de atividades gráficas diversificadas devidamente identificadas, caracterizadas pela fiscalização (juntar por amonstragem cópias de notas fiscais do período de apuração), verificar se houve, ou não, correta segregação das receitas na escrituração contábil/fiscal pela recorrente, para cada atividade desenvolvida no 1º trimestre/2008, e se houve, ou não, correta aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 32% ou de 12%, conforme determina o § 3º do art. 518 do RIR/99, base legal Lei 9.249/95, art. 15, §2º, e para efeito de aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.917518/200910 Resolução nº 1802000.616 S1TE02 Fl. 231 10 d) inexistindo atividades deversificadas, ou seja, existindo atividade única, qual a natureza das receitas auferidas pela recorrente no período de apuração objeto do crédito pleiteado e respectivo coeficiente de presunção da CSLL; e) apurar, caracterizar, se a contribuinte cometeu, ou não, erro de fato na apuração da CSLL do respectivo PA que justifique a DCTF retiticadora transmitida após ciência do despacho decisório e o pedido de restituição do crédito pleiteado; f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circuntanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado tem certeza e liquidez, se está ou disponível para ser utilizado para compensação do débito confessado na DCOMP objeto dos autos); g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manisfestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por NELSO KICHEL
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