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Numero do processo: 10660.902420/2009-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.240
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 24 20 /2 00 9- 59 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10660.902420/200959 Acórdão n.º 9303005.240 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.077, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2002 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.902420/200959 Acórdão n.º 9303005.240 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.902420/200959 Acórdão n.º 9303005.240 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.902420/200959 Acórdão n.º 9303005.240 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.902420/200959 Acórdão n.º 9303005.240 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10660.902420/200959 Acórdão n.º 9303005.240 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.000069/96-19
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 202-00.210
Decisão: RESOLVEM os membros da segunda câmara do segundo conselho de contribuintes,por unanimidade de votos,declinar competência para o julgamento do recurso em favor do terceiro conselho de contribuintes.Ausente,justificadamente,o conselheiro Oswaldo Tancredo de Oliveira.
Nome do relator: TARÁSIO CAMPELO BORGES
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Numero do processo: 19647.014995/2009-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL.
Mantida glosa de despesa não dedutível. Matéria não recorrida.
Numero da decisão: 2001-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas no valor total de R$ 10.080,00, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (presidente da turma), José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. GLOSA DE DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. Mantida glosa de despesa não dedutível. Matéria não recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas no valor total de R$ 10.080,00, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 49 95 /2 00 9- 65 Fl. 95DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (presidente da turma), José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas e outras. O lançamento da Fazenda Nacional exige da contribuinte a importância de R$ 3.344,00, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2005. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente foi intimada a comprovar os pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, com comprovações outras, como se os documentos acostados não estivessem a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços, além da dedução de despesa não prevista legalmente como dedutível do IRPF, como segue: a) Dedução indevida de despesas com nutricionista no valor de R$ 2.080,00, o que não está previsto em lei como despesa dedutível. b) Dedução de despesas médicas no valor de R$ 10.080,00, cuja comprovação entendeu a fiscalização como insuficiente. A constituição do acórdão recorrido segue a linha do entendimento adotada na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à despesas não dedutíveis, recibos com insuficiência de informações e a interpretação de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pela Recorrente, nos termos a seguir reproduzidos: (...) 8. Tratase de lide restrita à glosa de despesas médicas no valor de R$ 12.160,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento aos profissionais Ivaldo Marcelo Buril (R$ 2.000,00), Carina Paiva (R$ 2.500,00), Nadja Kassar (R$ 2.800,00), Ana Virgínia Moreira (R$ 2.780,00) e Nadja Maria Soares (R$ 2.080,00). Em sua impugnação, a autora essencialmente argumenta que os recibos seriam suficientes a comprovar as despesas. 8.1 Devese informar, de antemão, que as despesas declaradas como pagas a Nadja Maria Soares (R$ 2.080,00) referemse a gastos com profissional da área de nutrição (fl. 10). Por não haver previsão legal para deduzir despesa com nutricionista da base de cálculo do imposto, deve ser mantida a glosa correspondente. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 19647.014995/200965 Acórdão n.º 2001000.006 S2C0T1 Fl. 3 3 9. Com relação às demais glosas de despesas médicas, cumpre transcrever o art. 80, § 1º, incisos II e III, do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” (grifos acrescidos) 9.1 Observase que a documentação comprobatória das despesas com saúde, para efeito de dedução da base de cálculo do imposto, deve necessariamente identificar o beneficiário do tratamento e conter nome, endereço e CPF ou CNPJ do prestador do serviço. Alternativamente, o contribuinte pode indicar como prova o cheque nominativo utilizado como meio de pagamento de tais gastos. 10. Ainda que cumpridos todos os requisitos formais enumerados, destacase que a legislação tributária não confere aos recibos valor probante absoluto. A tônica do art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99, é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários. Entretanto, mesmo o cheque pode ser submetido à justificação, quando dúvidas razoáveis acudirem ao Fisco sobre a efetiva prestação do serviço, que se constitui no substrato material da dedução. 11. Ao contrário do alegado pela defesa, no caso de deduções, o ônus da prova é do sujeito passivo, cabendo a este apontar documentação suficiente para dirimir os questionamentos acerca do fato informado em sua declaração de ajuste, a teor do art. 73 do RIR/99: “Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Fl. 97DF CARF MF 4 §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º).” 11.1 Os arts. 923 e 924 do RIR/99, citados pela defendente para argumentar sobre o ônus da prova, referemse à escrituração contábil, desde que mantida consoante às normas legais e respaldada em documentação hábil. Logo, não estão relacionados com dedução de despesas médicas da pessoa física e recibos particulares de livre emissão. 11.2 Por conseguinte, à fiscalização é permitido exigir elementos adicionais de prova. No presente caso, o motivo da glosa foi a não apresentação de documentação capaz de evidenciar o pagamento das despesas com saúde, a exemplo de cópias de cheques, comprovantes de depósitos e extratos bancários com indicação dos saques utilizados para cobrir os gastos. Como solução alternativa por oportunidade da impugnação, a interessada poderia demonstrar a realização do serviço através de cópias de exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento ou outros documentos de natureza similar, vinculados diretamente aos tratamentos informados, que servissem de sustentação ao conteúdo dos recibos. Nada foi juntado ao processo nesse sentido. Frisese que declarações dos profissionais apenas reafirmando os pagamentos, atinentes aos tratamentos informados, possuem, na essência, o mesmo grau probante dos recibos, sem acrescer robustez ao conjunto probatório. 11.3 Vale comentar que a conduta adotada pela fiscalização não reflete uma restrição à circulação da moeda nacional em espécie, até mesmo porque o Real tem curso forçado no Brasil. Apenas se exige apresentação de provas suficientes para demonstrar a despesa indicada como paga, independentemente da forma de quitação. 12. Esclareçase que a autuação não possui como fundamento a falsidade documental, mas a falta de comprovação da efetividade do pagamento e da prestação do serviço, em decorrência da imprestabilidade dos recibos, apresentados isoladamente, para fruição do benefício fiscal. 13. Quando se tem a finalidade de utilizar despesas médicas como dedução, o contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do pagamento e da realização do serviço. Nesse contexto, o Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, ao dispor sobre provas em seu art. 219, afirma que o teor de documentos assinados (recibos) guarda presunção de veracidade somente entre os próprios signatários, sem alcançar terceiros (Administração Tributária) estranhos ao ato: “Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 19647.014995/200965 Acórdão n.º 2001000.006 S2C0T1 Fl. 4 5 Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de provalas.” (grifos acrescidos) 14. No tocante ao art. 845, § 1º, do RIR/99, mencionado pela impugnante para aduzir que os esclarecimentos só poderão ser rejeitados pelos lançadores com elemento de prova ou indício de falsidade ou inexatidão, deve ser dito que o contexto de tal dispositivo é a quantificação do montante dos rendimentos tributáveis. Nessa hipótese sim, o ônus da prova é da Fazenda Pública, uma vez que, à exceção das presunções legalmente estabelecidas, compete à autoridade fiscal, no exercício de atividade vinculada, diligenciar e demonstrar a ocorrência de eventual omissão de rendimentos. Porém, como anteriormente comentado, para deduções cabe ao sujeito passivo comproválas, por ser seu o ônus probatório. De se destacar ainda que o lançamento ora analisado atende ao art. 841, inciso II, do RIR/99, também transcrito na impugnação, uma vez que os esclarecimentos não foram prestados satisfatoriamente à autoridade lançadora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido, na integra, pela glosa no valor total R$ 10.080,00, de despesas médicas, mais R$ 2.080,00 referentes a despesas com nutricionista, no total de R$ 12.160,00. Por sua vez, irresignada com a decisão do acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: A Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, em seu artigo 8º, II, estabelece que devam ser deduzidas as despesas relativas aos pagamentos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Para a comprovação dos referidos atendimentos, o §2º do referido artigo 8º determina, in verbis: “§ 2º O disposto na alínea a do inciso II: (...) III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Fl. 99DF CARF MF 6 Nessa perspectiva, o artigo 80º, §2º, III do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, repete a mesmas exigências comprobatórias, inclusive com a mesma redação da referida Lei. Logo, diáfano visualizar que há um excesso de rigor na interpretação do art. 29 do Decreto 70.235/72, pois, apesar de autorizar a livre interpretação das provas apresentadas, o julgador não pode interpretar além do determinado na Legislação específica, requisitos que, no caso, foram plenamente satisfeitos. Ademais, o Lançamento de Ofício, conforme o artigo 841, II do supracitado Decreto 3.000, só pode ser feito quando o sujeito passivo deixar de prestar esclarecimentos, ou quando não os prestar de forma satisfatória. (...) Observese também que o indigitado Decreto 3.000, em seu artigo 845, §1º, determina que os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elementos seguros de prova ou indícios veemente de falsidade ou inexatidão. Desta forma, não há no que se falar em inversão do ônus da prova, até mesmo porque ao falar em Prova, os artigos 923 e 924 do Decreto 3.000 estabelece que: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º)”. Por todo o exposto, a Recorrente colima que seja provido o presente recurso, para restabelecer a dedução das despesas médicas realizadas no valor total de R$ 12.160,00 (doze mil e cento e sessenta reais, dessa forma, julgando, improcedente o lançamento realizado). É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de natureza interpretativa da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide, até mesmo porque a maioria dos dispositivos legais são citados por ambas as partes. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, especialmente aquele procedimento que busca amparo na extemporânea existência do art. 11, § 3º e 4º, do Decreto lei nº 5.844, de 1943 (transportado para o art. 73 e § 1º do Decreto nº 3.000/99 RIR/99 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 19647.014995/200965 Acórdão n.º 2001000.006 S2C0T1 Fl. 5 7 atual), e de outro a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração da prestação do serviço. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. Fl. 101DF CARF MF 8 O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescente se, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominado ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’, por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) Fl. 102DF CARF MF Processo nº 19647.014995/200965 Acórdão n.º 2001000.006 S2C0T1 Fl. 6 9 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, o que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado (Estado Novo da era Vargas, de inspiração intervencionista do Estado na economia), mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decretolei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da Fl. 103DF CARF MF 10 autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto à deduções exageradas. Tudo para o resguardo do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. A desconfiança de que o médico teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre médico e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualifica, o que não foi o caso apontado no Lançamento. É possível que uma família tenha gastos médicos de elevada monta em comparação com a renda de apenas um dos membros, principalmente quando há ocorrência de doença grave ou incurável em algum de seus membros. Exemplificase aqui na comparação com a renda de um só membro. Mas é comum na família dividir rendas e despesas. Seria razoável que uma família convencionasse que um dos membros ficasse responsável financeiramente pelas despesas de dependente ou própria, com alto custo continuado de despesas médicas, e outro membro ficasse responsável pela manutenção dos gastos gerais e/ou de alimentação, por exemplo. Isto seria perfeitamente legal, mesmo que um deles tivesse uma sobrecarga de deduções na sua DIRPF individual. O que não é razoável é alguém de fora, que não vivencia a situação fática, estipular quantitativos aleatórios limitativo do direito atribuído em lei. Esta ocorrência não é pouco comum. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama: O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu: “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois gastam o dinheiro para recuperar a saúde...”. Expressão também atribuída posteriormente a Jim Brown. É a constatação, alémfronteiras, de que os gastos com saúde podem ser bem elevados se comprados com os rendimentos pessoais. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” Fl. 104DF CARF MF Processo nº 19647.014995/200965 Acórdão n.º 2001000.006 S2C0T1 Fl. 7 11 No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Cabe ressaltar que a decisão de primeiro grau não veda a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. Fl. 105DF CARF MF 12 No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). A citação, no recurso, dos arts. 923 e 924 do Decreto nº 3.000/99, embora não trate especificamente sobre dedução de despesas médicas da pessoa física, busca comparativo de similaridade de valor da prova em favor do contribuinte. De entenderse que os registros do Livro Caixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória apresentada, se respaldados em escrituração contábil ou livrocaixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória, mantidos de acordo com as normas legais e, fundados em documentos hábeis, serão validos para todos os efeitos e fazem prova verdadeira em favor do cliente/paciente. Em caso de dúvida da inveracidade dos fatos registrados cabe à Autoridade Fiscalizadora auditálos. Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre às informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. Contudo, a concepção desse entendimento não recepciona comprovação errônea ou equivocada, o que ocorre parcialmente no presente caso, pela apresentação de recibos de despesas com nutricionista, o que não se identifica com nenhum tipo de serviço relacionado na legislação para o beneficiado da dedução do IRPF, no valor total de R$ 2.080,00. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para restabelecer a dedução das despesas médicas no valor Fl. 106DF CARF MF Processo nº 19647.014995/200965 Acórdão n.º 2001000.006 S2C0T1 Fl. 8 13 total de R$ 10.080,00, e manter a parte do lançamento referente à glosa no valor de R$ 2.080,00 por indevida dedução. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720489/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013
EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI.
Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010.
Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratar-se de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.230
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECAPAGEM, RESTAURAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO DE PNEUS USADOS. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IPI. Não caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI a recapagem ou atividade assemelhada de restauração ou recondicionamento realizada em pneus usados para atender encomenda de terceiro não comerciante do produto. Exclusão do conceito de industrialização por força do art. 5º, XI, do RIPI/2010. Não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto quanto à atividade de recapagem de pneus usados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 04 89 /2 01 5- 16 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10865.720489/201516 Acórdão n.º 3201003.230 S3C2T1 Fl. 3 2 CONCAP RECUPERAÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PNEUS CONCHAL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito do IPI. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório, revisor de ofício do despacho anteriormente emitido, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e, consequentemente, não homologando as compensações declaradas, pelo fato de ter sido constatado, em ação fiscal, que o estabelecimento não se caracterizava como industrial ou a ele equiparado. De acordo com a Fiscalização, pelo fato de as operações de restauração de pneus usados serem executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, as operações do Recorrente enquadravamse nas exclusões do conceito de industrialização previstas no art. 5º, inciso XI, do RIPI/2010 (Lei nº 4.502/1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I), conforme ilustrado pela Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, tendo em vista que o artigo 254, inciso I, alínea “e’, do Regulamento citado determina que deve ser estornado o crédito decorrente das aquisições tributadas pelo IPI que forem empregadas nas operações de conserto, restauração, recondicionamento ou reparo previstas no inciso XI. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante requereu a homologação das compensações, a suspensão da exigibilidade/devolução do numerário e o direito de provar o alegado por todos meios de prova admitidos em direito, alegando o seguinte: a) preliminarmente, a existência de divergência entre a Solução de Consulta nº 62/2009SRRF/6ª RF/DISIT, utilizada pela Fiscalização, e as Soluções de Consulta nº 188/2008, 242/2007 e 245/2007, que consideram como industrializadas as operações encomendadas ao contribuinte, na medida que tais atividades não se realizam no âmbito da residência do preparador ou em oficina, conforme o art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002; b) a Administração deveria ter apresentado consulta à Cosit para sanar a divergência de interpretação da norma, por se tratar de ato vinculado, sem o que não se tem por fundamentado o Despacho Decisório, uma vez que a Receita Federal reconhecera que o fato de o serviço em questão ser tributado pelo ISS é irrelevante para determinar a incidência do IPI; c) o Despacho Decisório Revisor fere os princípios constitucionais da segurança jurídica, da irretroatividade tributária e do direito adquirido, pois a primeira Declaração de Compensação apresentada havia sido devidamente fiscalizada e as compensações expressamente homologadas; d) a Fiscalização distorceu a aplicação da legislação, bem como das Soluções de Consulta, ao descaracterizar a industrialização exercida sobre produto usado, deteriorado ou inutilizado, a ser renovado ou restaurado, pois, somente se descaracterizaria a industrialização se o interessado estivesse consertando pneus que ainda possuíssem vida útil, como numa borracharia, pois há diferenças técnicas entre pneu recauchutado e, sobretudo, remoldado, conforme classificação na TIPI; d) a sua atividade é de indústria, sendo assim caracterizada na escrituração fiscal e reconhecida pelo Ibama, Cetesb, Coama, Receita Federal, Secretaria de Estado da Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10865.720489/201516 Acórdão n.º 3201003.230 S3C2T1 Fl. 4 3 Fazenda e pelas diversas bandas de pneus, na medida em que a recapagem altera significativamente o uso do pneu, aperfeiçoandoo para consumo; e) quanto à exclusão do conceito de industrialização previsto no art. 5º, inciso V, conjugado com o art. 7º, inciso II, alíneas “a” e “b”, todos do RIPI/2002, afirma que não se enquadra na definição legal de oficina, tanto pela quantidade de empregados, como pelo alto consumo de energia elétrica, conforme documentos que junta. Nos termos do Acórdão nº 14058.693, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no direito de a Administração revisar seus próprios atos, observado o prazo decadencial de cinco anos, e no fato de não se caracterizar como industrialização a atividade de recauchutagem ou regeneração de pneus efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, o que afasta o direito ao ressarcimento nos termos previstos no art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa os mesmos argumentos da peça impugnatória exceto a legitimidade do procedimento de revisão de ofício do despacho decisório original , destacandose, ainda, o seguinte: 1. irrelevância do destinatário do produto para a incidência do IPI nos casos de recauchutagem; 2. a regramatriz de incidência tributária do imposto sobre produtos industrializados; 3. o reconhecimento da atividade industrial da recorrente por outros órgãos governamentais; 4. princípio da isonomia: as diferenças técnicas entre o pneu recauchutado e e o remoldado; 5. divergência entre as Soluções de Consulta da RFB: 38/2009, 22/2009, 188/2008. 242/2007 e 245/2007; 6. a industrialização por encomenda por usuário final. Consultas no âmbito da Fazenda Paulista: 562/2010 e 395/2009; 7. a atividade vinculada no âmbito da RFB e a necessidade de edição de Solução de Divergência; 8. o reconhecimento da RFB que recapagem é industrialização mesmo que encomendada por usuário final: Solução de Consulta Disit/SRRF 08 nº 14/2013; 9. o reconhecimento como indústria de recapagem independente de figurar na Lei Complementar n° 116: Parecer n° 18/2013; 10. homologação expressa do PER/DCOMPs n°s 21075.74956.231209.1.1.018760 e 25529.47001.290811.1.5.019293. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10865.720489/201516 Acórdão n.º 3201003.230 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, aplicandoselhe, portanto, o decidido no Acórdão 3201003.217, de 26/10/2017, proferido no julgamento do processo nº 10865.720478/201528, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.217): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Ressaltase que questão versada na manifestação de inconformidade e decidida no acórdão recorrido não fora repisada neste recurso recaindolhe, portanto, a preclusão, a saber: a legitimidade do procedimento de revisão de ofício que resultou no cancelamento da restituição indevida realizada no Pedido de Ressarcimento o Despacho Decisório do presente processo. De outra banda, matéria não questionada na manifestação de inconformidade e suscitada no recurso voluntário, à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.23572 (PAF), não será enfrentada, a saber, a irrelevância da natureza do encomendante da recapagem, se consumidor final ou usuário, para a incidência do IPI Em que pese a recorrente aduzir novas razões de defesa em sua peça recursal, a matéria cujo contraditório fora instaurado na manifestação de inconformidade cingese tãosomente decidir quanto à adequação ao conceito de industrialização, para fins de tributação de IPI, e o corresponde direito ao crédito de que trata o art. 11 da lei nº 9.779/99, a atividade de recapagem de pneus usados, encomendados por pessoas jurídicas não comerciantes do produto. O ponto de divergência entre Fisco e contribuinte reside na fundamentação legal e em soluções de consulta no âmbito da RFB para afirmar ou infirmar a subsunção da atividade de recapagem de pneus usados ao conceito de industrialização. A legislação em que recai a discórdia é a Lei nº 4.502/1964, regulamentada à época dos fatos pelo Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010: Art.5o Não se considera industrialização: (...) V o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional; (...) Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10865.720489/201516 Acórdão n.º 3201003.230 S3C2T1 Fl. 6 5 XI o conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria empresa executora ou quando essas operações sejam executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com o comércio de tais produtos, bem como o preparo, pelo consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas operações(Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso I); (...) Art. 7º Para os efeitos do art. 5º: (...) II nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. O Fisco que não se fundamenta na Solução de Consulta nº 62 SRRF/6ª Região, pois afirma que os argumentos nela expostos apenas corroboram os seus entende que a atividade exercida pela contribuinte encontrase fora do alcance da incidência do IPI por expressa exclusão do conceito prescrita no art. 3º, parágrafo único, inciso I da Lei nº 4.502/1964, reproduzido no art. 5º, inciso XI do Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010. Importa salientar que a fiscalização não afirmou que a atividade não se trata de industrialização, somente que a legislação do IPI não a considera para efeitos de sua tributação. Transcrevo o excerto que dirige o raciocínio da autoridade fiscal: 5 Em tese, se a atividade descrita em “4” se amoldasse puramente ao conceito de industrialização, o contribuinte estaria apto ao pedido de ressarcimento. Ocorre que há exceções à regra, e o contribuinte se enquadra perfeitamente a essas exceções (excludentes do conceito de “industrialização”) existentes na legislação que regulamenta o IPI, como veremos a seguir. 6 A solução de consulta nº 62/2009, da DISIT SRRF/6ª RF, cuja ementa, a seguir copiamos, vem corroborar nosso entendimento (...) A recorrente assevera que sua atividade exercida sobre os pneus usados é uma industrialização assim considerada à luz de toda a legislação do IPI, com supedâneo na Constituição Federal, transitando pelo CTN e Regulamentos e, inclusive, nas Soluções de Consultas da Receita Federal que menciona. No tocante às exclusões previstas nos incisos do art. 5º do RIPI, aduz que a descrição das características da operação preconizada no inciso V a faz permanecer compulsoriamente no campo de incidência do Imposto, pois que somente se aplica se cumulativamente atender ao disposto nas alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 7º do RIPI/2010, o que não é o seu caso. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10865.720489/201516 Acórdão n.º 3201003.230 S3C2T1 Fl. 7 6 Infrutífera toda a argumentação da recorrente no sentido de incluir sua operação no conceito de industrialização por entender que não atende aos requisitos de exclusão do conceito pertinente à situação descrita no inciso V do art. 5º do RIPI, exclusivamente em relação à segunda parte, que dispõe o local e quem realizará a atividade. A interpretação da recorrente é equivocada. Primeiro, porque parte da premissa errônea de que a recapagem de pneus usados, e as atividades assemelhadas de recuperação ou remoldagem, é operação de industrialização a ser tributada pelo IPI e, segundo, por conceber que é tributada em razão de não reunir duas das condições de exclusão do conceito de industrialização, quais sejam, seu trabalho não é preponderantemente profissional nem realizado em oficina, como entende requerer a literalidade do inciso II do art. 7º do RIPI/2010. A operação de recapagem para encomendante consumidor ou usuário não se enquadra na exclusão do inciso V e o motivo não se deve ao local de realização residência ou oficina nem à inexistência de preponderância de trabalho profissional. Em verdade, o motivo primeiro e suficiente à referida exclusão devese à atividade de recapagem não se constituir um "preparo de produto", expressão que se encontra fora da materialidade do fato gerador do IPI. Conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa1, preparo é o mesmo que preparação, esta definida como "medida ou ação preliminar para a efetuação de qualquer coisa". Em síntese, a primeira parte do inciso V do art. 5º do RIPI "o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário ..." caracterizase uma atividade preliminar efetuada em qualquer produto constituindose uma etapa antecedente à outra, posterior, que será executada (esta possivelmente tributada pelo IPI). Optou o legislador pela não incidência do IPI nesta etapa antecedente (o preparo), servindose de um inciso/artigo isolado na legislação o V do 5º do RIPI para discipliná la. Não por coincidência, impende analisar a aparição do termo "preparo" na legislação do IPI, em especial no trato das hipóteses de incidência e nãoincidência. Constatase que "preparo" não é utilizado em qualquer das ações/operações consideradas industrialização no RIPI (art. 4º e incisos), mas que exsurge em 05 (cinco) ocorrências do termo no art. 5º que trata de atividades ou situações que estão fora do alcance da incidência, por exclusiva vontade do legislador: nos incisos I, II, III, V e XI (restrita a utilização em partes e peças) do art. 5º do RIPI. Firmado nesses fundamentos entendo que a recapagem de pneus usados encomendada por consumidor ou usuário final, à luz do art. 5º, incisos V do RIPI/2010, não se insere no campo de incidência do IPI. Contudo, e também corretamente aplicado pela fiscalização à situação dos autos, o dispositivo legal que retira a operação praticada pelo contribuinte da incidência do IPI é o inciso XI, do art. 5º do RIPI, em razão de sua especificidade e alcançar mais precisamente a atividade 1 HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 1ª ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 2.289. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10865.720489/201516 Acórdão n.º 3201003.230 S3C2T1 Fl. 8 7 (restauração e o recondicionamento), o produto (pneu usado), a aplicação (destinado ao uso) e o beneficiário da operação (encomendante é terceiro que não comercializa o pneu usado). Neste mesmo sentido tenho por consolidada a posição deste Conselho acerca a exclusão do conceito de industrialização das operações que visam a recuperação de pneus usados por encomenda de consumidor final, não comerciante do produto. Eis os acórdãos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. RECONDICIONAMENTO OU RENOVAÇÃO DE PRODUTOS USADOS. INOCORRÊNCIA. Na caracteriza operação de industrialização para fins de incidência do IPI, o recondicionamento ou a renovação de produtos usados, quando não se destinem à revenda pelo encomendante. INCIDÊNCIA DO IPI. RECAUCHUTAGEM DE PNEUS USADOS SOB ENCOMENDA POR CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. A atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus usados quando efetuada por encomenda direta do proprietário, na condição de consumidor final, não se enquadra na definição de operação de industrialização, o que a exclui do conceito de operação de industrialização e do campo de incidência do IPI. DIREITO DE CRÉDITO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O estabelecimento não contribuinte do IPI, por não realizar operação de industrialização, não faz jus a crédito do imposto pago na aquisição de insumo tributado aplicado na industrialização de produto isento ou tributado à alíquota zero. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para não homologação do respectivo procedimento compensatório. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 3102002.240. Processo nº 13609.000614/200345. Sessão de 24/07/2014, decisão unânime. Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10865.720489/201516 Acórdão n.º 3201003.230 S3C2T1 Fl. 9 8 RECAUCHUTAGEM OU RECAPAGEM DE PNEUS PARA CONSUMO DE DESTINATÁRIO ENCOMENDANTE. EXCLUSÃO DO CONCEITO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IPI. Atividade de recauchutagem ou recapagem de pneus quando efetuada exclusivamente para consumo final do destinatário encomendante, temse como excludente do conceito de industrialização, inteligência do art. 5º, inciso XI, do RIPI/1998 ou do RIPI/2002. Logo, não há direito ao ressarcimento de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo em vista tratarse de pedidos formulados por pessoa jurídica não contribuinte desse imposto. O regime da nãocumulatividade do IPI permite o creditamento referente ao tributo incidente sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, o que não é o caso. Recurso Voluntário ao qual se nega. (Acórdão 3802002.878. Processo nº 13609.000536/200389. Sessão de 23/04/2014, decisão unânime. Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D´Amorim) Consoante os argumentos ante expostos, percebese inócua a discussão sobre a prevalência de uma solução de consulta sobre outra, vez que as respostas aos consulentes têm fundamentos diferentes, umas com base no inciso V, outras no XI, ambos do art. 5º do RIPI/2010. Ainda em relação às soluções de consultas no âmbito da RFB nenhum efeito é produzido e conferido à recorrente pois não foi a consulente. As consultas no âmbito do fisco Estadual tratam do ICMS, matéria estranha à presente lide e, igualmente, não produz qualquer efeito na esfera dos tributos federais. As discussões atinentes à legislação do ISS que confrontam as materialidades do tributo municipal com as do IPI são periféricas e não resolvem a presente lide. Também despiciendos todos os demais argumentos de discussão para considerar tributadas pelo IPI a atividade realizada pela recorrente, pois assentada alhures os fundamentos para a sua exclusão do conceito de industrialização nos termos do art. 5º, inciso XI do RIPI/2010. Conclusão Por fim, se a recorrente não era contribuinte do IPI na operação, certamente, ela não podia se creditar do valor imposto pago na aquisição de insumos utilizados na atividade de recapagem de pneus usados com base no art. 11 da Lei 9.779/99, que se aplica apenas aos estabelecimento industriais ou equiparados que praticam fatos geradores do IPI, o que não era o seu caso. Por essas razões, acertada a decisão do Fisco em cancelar o ressarcimento do valor pago (...). Diante do exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10865.720489/201516 Acórdão n.º 3201003.230 S3C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721420/2011-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1001-000.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 14 20 /2 01 1- 47 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13603.721420/201147 Acórdão n.º 1001000.244 S1C0T1 Fl. 143 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Belém (PA), mediante o Acórdão nº 0129.680, de 22/07/2014 (efls. 121/130), objetivando a reforma do referido julgado. Em 18/01/2011, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 17/02/2011 (efl. 116), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito com a Secretaria da Receita Federal de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa na data limite. Lista de Competências 1)Competência 13/2008 Valor : R$ 4.457,70 2)Competência 05/2009 Valor : R$ 173,93 3)Competência 07/2009 Valor : R$ 91,18 4)Competência 09/2009 Valor : R$ 119,55 5)Competência 10/2009 Valor : R$ 119,54 6)Competência 11/2009 Valor : R$ 119,56 7)Competência 02/2010 Valor : R$ 119,60 8)Competência 03/2010 Valor : R$ 79,04 9)Competência 04/2010 Valor : R$ 135,24 10)Competência 05/2010 Valor : R$ 124,84 11)Competência 06/2010 Valor : R$ 256,92 12)Competência 07/2010 Valor : R$ 142,88 13)Competência 08/2010 Valor : R$ 7.265,72 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13603.721420/201147 Acórdão n.º 1001000.244 S1C0T1 Fl. 144 3 14)Competência 09/2010 Valor : R$ 7.113,56 Débito com a Secretaria da Receita Federal de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa na data limite. Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 07/2007 Saldo Devedor : R$ 7.448,34 2)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 08/2007 Saldo Devedor : R$ 7.393,73 3)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 09/2007 Saldo Devedor : R$ 8.825,95 4)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 10/2007 Saldo Devedor : R$ 10.292,76 5)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 11/2007 Saldo Devedor : R$ 6.979,69 6)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 12/2007 Saldo Devedor : R$ 5.340,41 7)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 01/2008 Saldo Devedor : R$ 5.713,22 8)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 02/2008 Saldo Devedor : R$ 6.654,73 9)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 03/2008 Saldo Devedor : R$ 10.303,21 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13603.721420/201147 Acórdão n.º 1001000.244 S1C0T1 Fl. 145 4 10)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 04/2008 Saldo Devedor : R$ 11.959,33 11)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 05/2008 Saldo Devedor : R$ 11.953,36 12)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 06/2008 Saldo Devedor : R$ 14.243,82 13)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 07/2008 Saldo Devedor : R$ 15.943,59 14)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 08/2008 Saldo Devedor : R$ 14.735,18 15)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 09/2008 Saldo Devedor : R$ 18.186,80 16)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 10/2008 Saldo Devedor : R$ 17.924,70 17)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 11/2008 Saldo Devedor : R$ 17.281,62 18)Débito Código da Receita :3333 Nome do Tributo : SIMPLES NAC. Número do Processo : 0 Período de Apuração: 12/2008 Saldo Devedor : R$ 18.434,28 Débito inscrito em Dívida Ativa da União (Procuradoria–Geral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita : 8822 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13603.721420/201147 Acórdão n.º 1001000.244 S1C0T1 Fl. 146 5 Nome do Tributo : SIMPLES Nº do Processo : 13603201827200512 Número da Inscrição: 6040505829268 Data da Inscrição : 22/09/2005 2)Débito Código da Receita : 8822 Nome do Tributo : SIMPLES Nº do Processo : 13603001173200197 Número da Inscrição: 6040700066707 Data da Inscrição : 31/07/2007 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, alegando, em síntese que efetuou o pagamento dos débitos consignados no Termo de Indeferimento e que a Lei 10.522/2002 instituiu, no âmbito da RFB e da PGFN, o parcelamento ordinário de tributos devidos. A DRJ negou provimento ao pedido, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, tornase incabível seu pedido de inclusão.. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 29/12/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 132, a Recorrente apresentou recurso voluntário, via postal, em 27/01/2015 (efls. 133/138), conforme carimbo aposto no envelope de correspondência à efl. 139. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13603.721420/201147 Acórdão n.º 1001000.244 S1C0T1 Fl. 147 6 Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente argumenta, em síntese, que o indeferindo o pleito contraria a própria Constituição e cita o artigo 146; que "a aplicação da penalidade antes de se dar a oportunidade ao infrator de sanar as irregularidades constituiu verdadeiro confisco, na medida em que o único intuito da administração fazendária é exclusivamente o arrecadatório"; e acrescenta: (grifos não constam do original) Como constou de sua Manifestação de Inconformidade, à época da opção pelo Simples Nacional o contribuinte não detinha qualquer débito em aberto haja vista ter aderido ao REFIS 4 (Lei 11.941), Entretanto, nada fora considerado. Importante reiterar que no caso em tela não pode ser observada a existência de nenhuma prova direta, apenas indícios interpretados pelo Fisco de forma a tentar caracterizar a inidoneidade da documentação fiscal. Todavia, o Autuado trouxe aos autos novas informações, contradizendo os argumentos do Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13603.721420/201147 Acórdão n.º 1001000.244 S1C0T1 Fl. 148 7 Fisco, fato que, certamente prejudicou a ação fiscal que ficou sem sólida base de fundamentação, capaz de preencher a certeza e liquidez essenciais do crédito tributário. A uma, porque a Impugnante não tem o dever legal de atuar como agente fiscalizador, ou melhor, sequer possui legitimidade para tanto. A duas, em razão de não deter capacidade técnica para analisar requisitos estruturais de recibos a fim de apontar se são idôneas ou não. Assim, não pode ser apenada administrativamente, sob pena de se estar punindo não o descumprimento de uma conduta previamente determinada, mas sim aquele que corretamente cumpriu com seus deveres jurídicos e agiu de boafé, em total inobservância ao insculpido no art. 5º, II, CF/88. Diante disso, não resta inquestionável que o presente recurso coloca em cheque o trabalho fiscal, fazendose necessária a aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional, que introduz na seara tributária o principio oriundo do Direito Penal de que "in dúbio pro contribuinte". Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Consoante tela do SIEF à fl. 120, verifiquei que, com relação aos débitos relativos à SIMPLES NACIONAL, CÓDIGO 3333, não constam pagamentos para os mesmos. O artigo 6º da Resolução do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, assim dispunha: (omissis) É de suma importância observar que as presunções “juris tantum”, muito embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidílas. Esse também é o entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, exarado no Acórdão do 1º CC nº 010.071/1980, do qual se destaca o seguinte trecho: “O certo é que cabendo ao fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindose esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a presunção, sob pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Pareceme elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte.” Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13603.721420/201147 Acórdão n.º 1001000.244 S1C0T1 Fl. 149 8 A jurisprudência administrativa é mansa e pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fito de se elidir a tributação erigida por lançamento. À Fazenda Pública cabe tornar evidente o fato constitutivo do seu direito. Cabe ao litigante provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito. Cumpre reproduzir aqui o disposto no art. 16, III e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: ............ III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ............. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Não comprovada as alegações do sujeito passivo, tem a autoridade fiscal o poder/dever de efetuar o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. A autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada”. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômicofinanceira do sujeito passivo. Em vista disso, a empresa estava impedida de ingressar no Simples Nacional, em virtude de não haver solucionado tempestivamente, até 31/01/2011, as pendências com a Fazenda Nacional que a impediram de ingressar no Simples Nacional. Em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13603.721420/201147 Acórdão n.º 1001000.244 S1C0T1 Fl. 150 9 A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, como bem assinalou a decisão recorrida, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.731495/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO.
1. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula CARF nº 98.)
2. Comprovada a existência da pensão alimentícia judicial, bem como seu pagamento, cancela-se a glosa anteriormente efetuada.
IRPF. GLOSA DE DESPESAS COM SAÚDE.
Quando exigida pela fiscalização a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas, cabe ao contribuinte apresentar documentação pertinente. Comprovadas a despesa médica e não comprovada a despesa odontológica, mantém-se parcialmente a glosa.
Numero da decisão: 2301-005.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar comprovadas a despesa com pensão alimentícia de R$31.239,96 e a despesa médica de R$4.183,16.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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COMPROVAÇÃO. 1. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula CARF nº 98.) 2. Comprovada a existência da pensão alimentícia judicial, bem como seu pagamento, cancelase a glosa anteriormente efetuada. IRPF. GLOSA DE DESPESAS COM SAÚDE. Quando exigida pela fiscalização a comprovação do efetivo pagamento das despesas pleiteadas, cabe ao contribuinte apresentar documentação pertinente. Comprovadas a despesa médica e não comprovada a despesa odontológica, mantémse parcialmente a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar comprovadas a despesa com pensão alimentícia de R$31.239,96 e a despesa médica de R$4.183,16. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 14 95 /2 01 1- 11 Fl. 126DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1262.134, exarado pela 7ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro1 (fls. 75 a 82 – numeração dos autos eletrônicos). Reproduzo do relatório do acórdão recorrido: O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2010, anocalendário 2009, na qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 9.326,74. De acordo com a Descrição dos Fatos de fls. 07/08 c/c os Demonstrativos de fls. 09/10, foram constatadas as seguintes infrações: dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 5.352,88; e dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 31.239,96. As infrações decorreram do não atendimento à intimação para apresentar documentos. Cientificado do lançamento em 22/11/2011 (AR à fl. 72), ingressou o contribuinte, em 06/12/2011, com sua impugnação (fls. 02/03), e respectiva documentação. Em síntese: esclarece que os valores atinentes à despesa médica se referem ao próprio contribuinte, informando que os 12 comprovantes de agendamentos e pagamentos de bloquetos referentes às despesas médicas (plano de saúde) somados aos 12 comprovantes de agendamentos e pagamentos de bloquetos referentes às despesas com o plano Amil Dental somam R$ 5.352,88; quanto à pensão alimentícia, informa que o valor referese a pagamento efetuado conforme normas do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial; esclarece que se separou judicialmente de Rosalina Bittencourt Spíndola dos Anjos em 14/12/1993, por sentença do Juízo de Direito da Vara de Família de Jacarepaguá, ficando estabelecido no acordo de separação que o requerente pensionaria seu excônjuge e filhas com 50% de seus vencimentos líquidos e que, quando de sua aposentadoria, no ano de 2002, tendo em vista que seus vencimentos não mais seriam pagos pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), mas sim pelo INSS e pela BB Previdência, o requerente acordou verbalmente com sua exmulher que a partir de então a pensão continuaria a serlhe paga pessoalmente; alega que já se vão mais de 8 anos que a pensão continua sendo paga regularmente, sendo certo que a própria exmulher informa religiosamente ao Fisco, anualmente, quando de sua Fl. 127DF CARF MF Processo nº 18470.731495/201111 Acórdão n.º 2301005.182 S2C3T1 Fl. 3 3 declaração de rendimentos, com menção a documentos apresentados junto com a peça de defesa; conclui que a alegação impressa na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de “glosa por falta de comprovação do pagamento do valor declarado” não teria qualquer razão de ser, ratificando que é a própria beneficiária do rendimento quem o declara normalmente todos os anos; por fim, requer o cancelamento da notificação. No caso, o processo foi devolvido à unidade de origem para análise, pela autoridade lançadora, das questões de fato levantadas pelo impugnante, em observância ao que determina a Instrução Normativa nº 1.061, de 2010 (ver Despachos de Encaminhamento de fls. 55/56). Tal providência resultou na lavratura do Termo Circunstanciado de fls. 57/62, com base no qual foi proferido o Despacho Decisório à fl. 63, que concluiu pela manutenção total da exigência. No que tange à despesa médica, a glosa do valor de R$ 3.352,88 (SIC, o correto é R$5.352,88, fl. 07) foi mantida em razão de os documentos apresentados não discriminarem os beneficiários do plano de saúde Amil Assistência Médica Internacional e Amil Dental, não constando dos autos declarações emitidas pelas referidas seguradoras. No que diz respeito à pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 31.239,96, a fiscalização destaca que não foram anexados à impugnação os comprovantes de pagamento de pensão alimentícia, efetuados durante o ano de 2009, nos termos do Ofício nº 3917/3399/93 (fl. 11), como, por exemplo, contra cheques, informe de rendimentos ou comprovantes de depósito / transferências bancárias. Ainda, as fontes pagadoras do interessado não declararam deduções realizadas a título de pensão alimentícia. Como decorrência, a Notificação de Lançamento foi integralmente mantida. O interessado foi cientificado dessa decisão e da abertura de prazo para pronunciamento em 10/06/2013, conforme consta às fls. 65/67, sendo que não apresentou manifestação ao Despacho Decisório de fl. 63. Em consonância com o previsto na mencionada Instrução Normativa nº 1.061, de 2010, os autos foram enviados a esta DRJ, para julgamento da impugnação. A DRJ julgou improcedente a impugnação, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 128DF CARF MF 4 Exercício: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização, quando o contribuinte não comprova o pagamento dos valores por meio de documentação hábil. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução a título de pensão alimentícia judicial apenas resta cabível se trazidos aos autos a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, bem como o correspondente pagamento ou retenção pela fonte pagadora, mantendose a glosa em caso de ausência de comprovação nos referidos termos. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES. Somente são dedutíveis do rendimento bruto, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda, as pensões pagas a filhos menores ou maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios para proverem a própria subsistência ou até 24 anos, se universitários. A ciência dessa decisão ocorreu em 19/02/2014 (aviso de recebimento EBCT, efl. 83). Em 21/03/2014, foi apresentado recurso voluntário (efls. 87 a 90), no qual são reiterados, em síntese, os termos da impugnação, e ainda, quanto à glosa da pensão alimentícia: (a) questiona se seria uma solução se sua ex esposa declarasse, em sua DAA 2009, o valor total de R$31.239,96, lembrando que essa declarou R$14.024,88 a título de rendimentos tributáveis e R$17.215,08, como rendimentos isentos, já que possui mais de 65 anos de idade; (b) afirma que a decisão judicial que determina o pagamento de pensão continua válida, por não ter sido revogada; (c) continua a pagar a pensão alimentícia, conforme ofícios do Poder Judiciário às suas fontes pagadoras, INSS e BB Previdência. Foi pedido o cancelamento do débito. Em 12/04/2016 esta Turma, pela Resolução 2301000.602, determinou diligência, nos seguintes termos: Verifico que, aparentemente, não foram juntadas aos autos todas as folhas do recurso voluntário, uma vez que a fl. 90 (fl. 04 do recurso voluntário) termina com a expressão “continua”, e a última frase escrita (“Por outro lado, o fato de não constar declarações emitidas pelas referidas”) parece não estar completa, o que justifica a conversão do julgamento em diligência para que seja juntado o restante do recurso voluntário. Ademais, a declaração juntado aos autos pelo recorrente à fl. 106, para fins de comprovação das despesas com a AMIL – Assistência Médica Internacional, diz respeito ao anocalendário 2011. Penso ser conveniente oportunizar ao recorrente a juntada de declaração análoga, concernente ao anocalendário 2009, uma vez que é esse o anocalendário em questão neste julgamento. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 18470.731495/201111 Acórdão n.º 2301005.182 S2C3T1 Fl. 4 5 Assim, voto em converter o julgamento em diligência para que suja (a) juntado o restante do recurso voluntário ou, caso não seja possível, oportunizado ao contribuinte o direito de aditálo e (b) solicitado ao contribuinte declaração, para fins de comprovação das despesas com a AMIL – Assistência Médica Internacional no anocalendário 2009. O recorrente foi intimado da Resolução em 03/10/2016 (efl. 119); em 16/03/2017 foi intimado a apresentar os documentos solicitados em 05 dias (efl. 120); quedando silente, em 29/03/2017 os autos foram encaminhados a este CARF, para continuidade do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior Relator O recurso voluntário é tempestivo e trata de matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DESPESAS COM SAÚDE A previsão da comprovação dos gastos com despesas com a saúde encontra se nos arts. 73 do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99) (que reproduz o art. 11, § 3º, do Decreto Lei 5.844, de 1943), no art. 8º da Lei 9.250, de 1995 e na Instrução Normativa SRF 15, de 2001, arts. 43 a 46, que transcrevo: Artigo 73 do RIR 99 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (Grifouse.) Art. 8º da lei 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 130DF CARF MF 6 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifouse.) IN SRF 15, de 2001 Art. 46. A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. (Grifouse.) Assim, caso solicitado pela fiscalização, os contribuintes têm o dever de comprovar as despesas com saúde. Embora a legislação permita a dedução de despesas de saúde próprias e dos dependentes (art. 8º, § 2º, II, da Lei 9.250, de 1995), a declaração de ajuste anual (DAA) 2009/2010 não registra que existisse qualquer dependente do recorrente (efl. 47); assim, era imprescindível que fosse juntado aos autos documento que discriminasse, do total gasto com saúde no anocalendário 2009, qual o valor que corresponderia à despesa do próprio contribuinte (já que as despesas com familiares não são dedutíveis, no caso concreto, pois não há indicação de dependentes na DAA). Corrobora essa necessidade a declaração da Amil, sociedade da qual o recorrente é usuário do plano de saúde, referindo que, no ano de 2011, o recorrente pagava as despesas de Erica B. S. dos Anjos e de Rosalina B. S. dos Anjos (efl. 105). O recorrente juntou ao recurso voluntário dois boletos de pagamento da Amil, vencidos na mesma data; afirma que o primeiro, no valor de R$381,84 (efl. 103), corresponde às suas próprias despesas, enquanto que o segundo, no valor de R$1.221,88 (efl. 104) às despesas de seus agregados (os quais não são seus dependentes). De fato, no “comprovante de pagamento de bloqueto” (efl. 104) desse último bloqueto consta como “identificação da operação”: Amil Agregados Fevereiro; já a “identificação da operação” do primeiro bloqueto (efl. 103) consta: Amil Ivan Fevereiro. É razoável entender que esse último se refira às despesas próprias do recorrente. Dessa forma, os bloquetos juntados aos autos, juntamente com os correspondentes comprovantes de pagamentos (efls. 36 a 46), somam R$4.183,16, despesa que considero comprovada. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 18470.731495/201111 Acórdão n.º 2301005.182 S2C3T1 Fl. 5 7 Quanto à despesa odontológica, de R$787,88, os boletos das efls. 14 a 34 não permitem estabelecer qual era o beneficiário (apenas o recorrente ou também seus agregados), pelo que não considero comprovada essa despesa. DA PENSÃO ALIMENTÍCIA A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula CARF nº 98.) A continuidade do pagamento da pensão alimentícia até 2011 está devidamente comprovada pelos ofícios do Poder Judiciário às suas fontes pagadoras, INSS e BB Previdência (efls. 101 e 102); montante descontado é cinquenta por cento dos rendimentos do contribuinte. No ano de 2009, os rendimentos do recorrente totalizaram R$46.677,93 (rendimentos tributáveis) + R$18.649,67 (parcela isenta de proventos de aposentadoria de declarante de mais de 65 anos) = R$65.317,60 (efls. 47 e 48). O valor da pensão alimentícia declarada como paga corresponde a R$31.239,96, equivalente a 47,82% dos rendimentos. Esse exato valor de R$31.239,96 foi declarado pela sua ex esposa, R$17.215,08 como rendimentos não tributáveis e R$14.024,88 como rendimentos tributáveis (efls. 12 e 13). Assinalo que a pensionista nasceu em 1943; em 2009, completou sessenta e seis anos. Sendo confluentes as provas presentes nos autos, considero comprovada a despesa com pensão alimentícia de R$31.239,96. Voto, portanto, por CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar comprovadas a despesa com pensão alimentícia de R$31.239,96 e a despesa médica de R$4.183,16 (despesas comprovadas). (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722189/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles de Aguiar (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ewan Teles de Aguiar (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, Conselheiro Gustavo Lian Haddad. RELATÓRIO Contra a contribuinte GARDENIA PEREIRA DUARTE, foi lavrado Auto de Infração para exigir crédito tributário de IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$165.541,05, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, originado da constatação de classificação indevida na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, na qual o autuante esclarece que a contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 22 18 9/ 20 08 -2 1 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10580.722189/200821 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.137 S2C2T1 Fl. 185 2 pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Antes do julgamento, foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.722189/200821 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.137 S2C2T1 Fl. 186 3 287/2009, para que fossem levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Efetuada a diligência fiscal, a mesma ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa a seguir: “DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte.” Não consta do processo comprovante da intimação da contribuinte da decisão de primeira instância. Não obstante, a contribuinte interpôs, em 19/11/2010, Recurso Voluntário de fls. 142/179, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. VOTO O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Antes da apreciação do presente recurso, é cediço que se registre que a exigência em questão versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, por pessoa física, em períodos diversos daquele de sua competência, calculado de forma anual, considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento. Essa é matéria reconhecida de repercussão geral, que aguarda julgamento dos Recursos Especiais nº 614.232/RS e 614.406/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, no tocante a constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.722189/200821 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.137 S2C2T1 Fl. 187 4 como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ).(Grifei.) Conforme se vê, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários sobre a matéria. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil – CPC, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Para regulamentar referido dispositivo foi editada em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o §1o do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10580.722189/200821 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.137 S2C2T1 Fl. 188 5 Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, devendo o processo ser novamente incluído em pauta, após o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil, ou que haja alteração na legislação vigente, referente a sobrestamento dos feitos. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.901198/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.282
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao ano-calendário de 2004.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação PER/DComp, em que o COMPERAÇO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FERRO E ACO LTDA., CNPJ 00.363.548/000104 requer crédito de pagamento indevido ou a maior da estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador DRJ/SDR considerou improcedente. Cientificado, o contribuinte apresentou, recurso voluntário, tempestivo, reclamando da impossibilidade/desarrazoabilidade/desproporcionalidade de se evitar a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 01 19 8/ 20 09 -5 2 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10530.901198/200952 Resolução nº 1201000.282 S1C2T1 Fl. 3 2 compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da declaração nas Fichas 12A e 17 da DIPJ apresentada, a qual deveria ser retificada; contudo, dado o lapso de tempo decorrido, tal retificação se fez inviável, pela Recorrente. Contudo, o crédito existe, o que comprova mediante a juntada do Balanço Patrimonial em que apurou o prejuízo de R$()675.524,73; pleiteia que a verdade material seja reconhecida, consoante precedentes do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.273, de 20.09.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10530.901191/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.273): O contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário 2004, no regime de apuração anual com estimativas mensais com base na receita bruta e acréscimos; na Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, apurou lucro real R$() 675.524,73, isto é, prejuízo fiscal; na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa apurou Imposto de Renda a Pagar nos meses de 01 a 12/2004, que pagou nos prazos, via DARF; e na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, todos os campos estão zerados, não estando demonstrada a existência de eventual Saldo Negativo de IRPJ; já no caso das estimativas mensais de CSLL, demonstrou na Ficha 16 Calculo da CSLL Mensal por Estimativa, os valores de CSLL a pagar nos meses de 01 a 12/2004, os quais recolheu nos prazos via DARF; mas na da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o contribuinte informou na linha 36. Base de Cálculo da CSLL, o valor de R$() 675.524,73, porém os demais campos como a linha 43. () CSLL Mensal Paga por Estimativa, restaram zerados, e deixou de demonstrar eventual o Saldo Negativo de Base de Cálculo da CSLL, passível de reconhecimento como direito creditório. Requereu crédito de pagamento indevido da estimativa de IRPJ de 08/2017, no mesmo valor recolhido via DARF, no PER/Dcomp objeto deste processo. O Despacho Decisório indeferiu o pleito porque o valor recolhido correspondia ao débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, portanto tal pagamento foi alocado ao correspondente débito confessado, não restando saldo para compensar outros débitos. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10530.901198/200952 Resolução nº 1201000.282 S1C2T1 Fl. 4 3 Por sua vez, a DRJ, em relação às estimativas mensais de IRPJ, esclareceu que, como o contribuinte apurou prejuízo fiscal no ajuste anual do anocalendário de 2004 e os pagamentos efetuados por estimativa referentes ao IRPJ/CSLL deveriam compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL, respectivamente do anocalendário de 2004, que deveria ter sido apurado na forma do art. 2º, §4º, I a IV, da Lei n° 9.430, de 1996, e passível de ser restituído ou compensado com débitos do contribuinte, a partir do mês de janeiro de 2005, conforme disposto no art. 5º combinado com o art. 26, da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, vigente à época da transmissão do PER/Dcomp; em outras palavras, a estimativa mensal paga somente poderá compor eventual crédito de saldo negativo, na apuração anual, sendo a sua data base 31/12/2004, no caso; por isso, a apuração anual do IRPJ/CSLL deveria ter sido demonstrada, para comprovar eventual crédito de Saldo Negativo de IRPJ/CSLL. No presente caso, verificase que constam os seguintes valores, informados/confessados/pagos pelo contribuinte: IRPJ DIPJ original Ficha 11 DCTF original cód 5993 Darf pago CSLL DIPJ original Ficha 16 DCTF original cód 2484 Darf pago jan/04 11.405,68 11.405,68 11.405,66 jan/04 7.239,06 7.239,06 7.239,06 fev/04 15.272,70 15.272,70 15.272,70 fev/04 9.327,26 9.327,26 mar/04 23.478,90 23.478,90 23.478,88 mar/04 13.758,60 13.758,60 13.758,60 abr/04 18.582,76 18.582,75 18.585,75 abr/04 11.114,69 11.114,69 11.114,69 mai/04 26.483,23 26.483,23 26.483,23 mai/04 15.380,95 15.380,95 15.380,95 jun/04 31.322,78 31.322,78 31.322,78 jun/04 17.994,30 17.994,30 17.994,30 jul/04 20.592,38 20.592,38 20.592,38 jul/04 12.199,89 12.199,89 12.199,89 ago/04 23.701,60 23.701,60 23.701,60 ago/04 13.878,86 13.878,86 13.878,86 set/04 20.732,09 20.732,08 20.732,08 set/04 12.275,33 12.275,33 12.275,33 out/04 20.230,82 20.230,82 20.230,82 out/04 12.004,64 12.004,64 12.004,64 nov/04 24.363,07 24.363,06 24.363,07 nov/04 14.236,08 14.236,08 14.236,06 dez/04 26.126,33 26.126,33 26.126,33 dez/04 15.188,22 15.188,22 15.188,22 Total 262.292,34 262.292,31 262.295,28 Total 154.597,88 145.270,62 154.597,86 E na apuração anual: Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 0,00 ()CSLL Mensal pago por estimativa 0,00 (=) IR a pagar 0,00 (=)CSLL a pagar 0,00 O contribuinte juntou também Demonstrativo de Resultados do Exercício, data de encerramento 31/12/2004, em que apurou Lucro Líquido R$() 675.524,73. Observase na DIPJ do anocalendário 2004 que o contribuinte, para uma receita líquida de R$11.148.363,19, informou R$11.130.026,04 de custo das mercadorias revendidas, e apurou prejuízo fiscal e lucro líquido negativo de R$()675.524,73; e sua DIPJ foi aceita e regularmente processada. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10530.901198/200952 Resolução nº 1201000.282 S1C2T1 Fl. 5 4 À vista destes dados, adoto entendimento prevalente no CARF, expresso no Acórdão nº 9101002.913, da 1ª Turma da CSRF, em 8 de junho de 2017, cujos excertos transcrevo e que se aplicam tanto a estimativas mensais de IRPJ, como de CSLL: Ementa: ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. (Grifei.) Relatório: Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. No voto, foi adotado entendimento de recurso repetitivo, nos seguintes termos, e com os quais esta Relatora concorda: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1o e 2°; do RICARF. aprovado pela Portaria MF 343. de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903. de 08/06/2017 proferido no julgamento do processo 10166.901000/2009 36. paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese. como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101 002.903): Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10530.901198/200952 Resolução nº 1201000.282 S1C2T1 Fl. 6 5 "A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5o da Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3° do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] []§ 3o Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF n° 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10530.901198/200952 Resolução nº 1201000.282 S1C2T1 Fl. 7 6 indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF n° 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10530.901198/200952 Resolução nº 1201000.282 S1C2T1 Fl. 8 7 restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF n° 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retomo dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1o e 2o do art. 47 do RICARF. conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e. no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto" Conclusão. Recomposição da apuração anual. 2004. Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 262.295,28 ()CSLL Mensal pago por estimativa 154.597,86 (=) IR a pagar ()262.295,28 (=)CSLL a pagar () 154.597,86 Evidenciase o direito creditório até o limite do Saldo Negativo de IRPJ em 31/12/2004, de R$()262.295,28, a ser observado para o conjunto de todos as PER/Dcomp deste contribuinte que requerem Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10530.901198/200952 Resolução nº 1201000.282 S1C2T1 Fl. 9 8 créditos de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, ou de Saldo Negativo de IRPJ deste anocalendário; e analogamente, até o limite de R$() 154.597,86, de Saldo Negativo da CSLL em 31/12/2004. Diligência. Constam para julgamento nesta Turma do CARF, 19 (dezenove) processos requerendo créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004; contudo, não se dispõe de informação se estes esgotam todos os pedidos de restituição/compensação, pelo contribuinte, relativos ao anocalendário 2004. A fim de se evitar dar provimento a créditos, em duplicidade, fazse necessária diligência que: a) efetue um levantamento e informe todas as PER/Dcomp apresentadas pelo contribuinte, em que este requereu créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004 e crédito de Saldo Negativo de IRPJ e de CSLL, relativamente ao anocalendário 2004, com o seguinte detalhamento, para cada PER/Dcomp: 1 nº da PER/DComp 2 nº do processo administrativo 3 informar se o crédito requerido é de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, ou de CSLL, e o mês 4 informar se crédito requerido é de Saldo Negativo de IRPJ ou de CSLL 5 valor do crédito requerido 6 valor do crédito já reconhecido e consumido em compensação de débitos 7 localização do processo. b) Elaborar os demonstrativos de compensação dos Saldos Negativos de IRPJ e CSLL reconhecidos, co m os débitos declarados em todas PER/Dcomp. Conclusão. À vista do exposto, voto por efetuar a diligência nos termos descritos. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento indevido de estimativa mensal de IRPJ com apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902231/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 31 /2 00 9- 27 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13851.902231/200927 Acórdão n.º 1302002.536 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (CSLL) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13851.902231/200927 Acórdão n.º 1302002.536 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13851.902231/200927 Acórdão n.º 1302002.536 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902231/200927 Acórdão n.º 1302002.536 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902231/200927 Acórdão n.º 1302002.536 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723210/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2010, 2011, 2012
LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI
A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior à devida, justifica o lançamento de ofício do IPI com os acréscimos legais cabíveis.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. ART. 124, INCISO I DO CTN. IMPOSSIBILIDADE.
A responsabilidade tributária prescrita no art. 124, inciso I do CTN pressupõe a partilha do mesmo fato gerador pelos interessados, o que não se configura com a presença de um simples interesse econômico do responsabilizado na prática do fato gerador tributado.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 8o DO DECRETO-LEI N. 1.736/79 E ART. 28 DO DECRETO 7.212/2010. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES VINCULANTES DOS TRIBUNAIS JUDICIAIS SUPERIORES.
O art. 8o do Decreto-lei n. 1.736/79 que, por sua vez, está fundado no disposto no art. 28 do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI/2010), se contrapõe a precedente vinculante veiculado pelo STJ quando do julgamento do REsp n. 1.101.728/SP, julgado sob o rito de repetitivos, oportunidade em que O citado Tribunal reconheceu que a simples inadimplência fiscal não é, per si, causa de responsabilização em matéria tributária.
Tais dispositivos legais também são inconstitucionais, conforme já decidido pelo STF (RE n. 562.276) em caso afetado por repercussão geral. Nesta oportunidade o STF decidiu que apenas lei complementar pode tratar de questão afeta à responsabilidade tributária, nos termos do que prevê o art. 146, inciso III, alínea "b" da Magna Lex.
Os dois precedentes citados vinculam este Tribunal Administrativo, exatamente como estabelece o art. 927 do Código de Processo Civil, aqui aplicado subsidiariamente, nos termos do art. 15 do citado Codex, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, incisos I e II, alínea "b" do RICARF.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3402-004.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilidade do sócio-gerente, Sr. Juliano Anderson Galera Cunha. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Relator, e Waldir Navarro, que negaram provimento. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Diego Ribeiro.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Diego Diniz Ribeiro - redator designado quanto à exclusão da responsabilidade solidária.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior à devida, justifica o lançamento de ofício do IPI com os acréscimos legais cabíveis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO-ADMINISTRADOR. ART. 124, INCISO I DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. A responsabilidade tributária prescrita no art. 124, inciso I do CTN pressupõe a partilha do mesmo fato gerador pelos interessados, o que não se configura com a presença de um simples interesse econômico do responsabilizado na prática do fato gerador tributado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 8o DO DECRETO-LEI N. 1.736/79 E ART. 28 DO DECRETO 7.212/2010. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES VINCULANTES DOS TRIBUNAIS JUDICIAIS SUPERIORES. O art. 8o do Decreto-lei n. 1.736/79 que, por sua vez, está fundado no disposto no art. 28 do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI/2010), se contrapõe a precedente vinculante veiculado pelo STJ quando do julgamento do REsp n. 1.101.728/SP, julgado sob o rito de repetitivos, oportunidade em que O citado Tribunal reconheceu que a simples inadimplência fiscal não é, per si, causa de responsabilização em matéria tributária. Tais dispositivos legais também são inconstitucionais, conforme já decidido pelo STF (RE n. 562.276) em caso afetado por repercussão geral. Nesta oportunidade o STF decidiu que apenas lei complementar pode tratar de questão afeta à responsabilidade tributária, nos termos do que prevê o art. 146, inciso III, alínea "b" da Magna Lex. Os dois precedentes citados vinculam este Tribunal Administrativo, exatamente como estabelece o art. 927 do Código de Processo Civil, aqui aplicado subsidiariamente, nos termos do art. 15 do citado Codex, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, incisos I e II, alínea "b" do RICARF. Recurso provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. ERRO CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI A falta de pagamento do imposto, por erro de classificação fiscal/alíquota inferior à devida, justifica o lançamento de ofício do IPI com os acréscimos legais cabíveis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. ART. 124, INCISO I DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. A responsabilidade tributária prescrita no art. 124, inciso I do CTN pressupõe a partilha do mesmo fato gerador pelos interessados, o que não se configura com a presença de um simples interesse econômico do responsabilizado na prática do fato gerador tributado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 8o DO DECRETOLEI N. 1.736/79 E ART. 28 DO DECRETO 7.212/2010. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES VINCULANTES DOS TRIBUNAIS JUDICIAIS SUPERIORES. O art. 8o do Decretolei n. 1.736/79 que, por sua vez, está fundado no disposto no art. 28 do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI/2010), se contrapõe a precedente vinculante veiculado pelo STJ quando do julgamento do REsp n. 1.101.728/SP, julgado sob o rito de repetitivos, oportunidade em que O citado Tribunal reconheceu que a simples inadimplência fiscal não é, per si, causa de responsabilização em matéria tributária. Tais dispositivos legais também são inconstitucionais, conforme já decidido pelo STF (RE n. 562.276) em caso afetado por repercussão geral. Nesta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 32 10 /2 01 4- 41 Fl. 2569DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.570 2 oportunidade o STF decidiu que apenas lei complementar pode tratar de questão afeta à responsabilidade tributária, nos termos do que prevê o art. 146, inciso III, alínea "b" da Magna Lex. Os dois precedentes citados vinculam este Tribunal Administrativo, exatamente como estabelece o art. 927 do Código de Processo Civil, aqui aplicado subsidiariamente, nos termos do art. 15 do citado Codex, bem como em razão do disposto no art. 62, § 1º, incisos I e II, alínea "b" do RICARF. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a responsabilidade do sóciogerente, Sr. Juliano Anderson Galera Cunha. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Relator, e Waldir Navarro, que negaram provimento. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Diego Ribeiro. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Diego Diniz Ribeiro redator designado quanto à exclusão da responsabilidade solidária. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), totalizando o crédito tributário de R$ 264.675,71, inclusos multas e juros de mora. Afirma o Fisco (fls. 2008/2037) que, tendo em conta que a fiscalizada (matriz) importa e revende mercadorias, nos termos do art. 9º do Decreto 7.212/2010 (art. 4º, I, Lei 4.502/64), ela se equipara a estabelecimento industrial quando da saída dos produtos por ela importados. Igualmente, averba que os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI, e ME, adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção, e, obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações ( Lei 4.502/64, art. 4º, inciso IV, e Decretolei 34/66). Assevera que "depois de encerrado o processo de industrialização dos produtos fabricados pela filial (TTR fitas para impressão de códigos de barra e filmes para aparelhos de fax), uma parte dos produtos (TTR RIBBONS) é transferida pela matriz para Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.571 3 fins de exportação (drawback), enquanto uma parte é vendida pela própria filial no mercado interno, outra parte é vendida pela matriz no mercado interno". Assim, consigna, a parte dos produtos transferidos pela filial e que foi vendida pela matriz no mercado interno, também qualifica a matriz (fiscalizada) como equiparada à industrial. Dessa forma, tanto em relação à comercialização no mercado interno das mercadorias por ela importadas (art. 9º, I, RIPI/2010) quanto em relação aos produtos industrializados pela filial e revendidos pela matriz (fiscalizada) no mercado interno (art. 9º, III, RIPI/2010) qualificam a autuada como equiparada à industrial. Contudo, a empresa não lançou (nas notas fiscais), não apurou (livros fiscais), não declarou (declarações RFB) e não recolheu (DARF) o IPI devido nessas operações, embora tratandose de contribuinte de IPI na qualidade de equiparada à industrial. A fiscalização relatou que, em síntese, que a unidade II (segundo consta, inclusive, em seu sítio http//mastercorp.com.br/) fabrica resinas (ribbon cera/resina, ribbon resina, hot stamp e filme para fax, e adquire e revende impressora Zetex e aparelhos de fax (às fls. 2010/2015 fotos e sucinta descrição desses produtos). Na sequência, define o que se entende por "ribbon": Informa o TVF que "Conforme termo de constatação datado de 10.06.2014, (anexo ao “Termo de Intimação 03”), em visita “in loco” ao contribuinte Mastercorp do Brasil Ltda – filial, CNPJ 03.586.159/000209, constatamos que este contribuinte se dedica a fabricação e comercialização de produtos no ramo TTR (termotransferência), para diversos tipos de aplicações e diversas impressoras e sistemas de impressão (resp t. de intimação 03). Mais especificamente a filial da empresa Mastercorp ( CNPJ 03.586.159/000209) é quem produz os denominados RIBBONS", concluindo: Fl. 2571DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.572 4 Na sequência, pontua o Fisco, que os produtos "ribbons" quando exportados "são classificados corretamente pela autuada (matriz) no código NCM 9612.10.19, enquanto os mesmos produtos quando vendidos no mercado interno não são oferecidos à tributação, tampouco fazem menção a quaisquer outros elementos (classificação fiscal, alíquota, suspensão, isenção, etc.)", tudo conforme documentos fiscais colacionados aos autos. Em relação aos denominados ribbons, entende a autoridade autuante que a classificação fiscal correta é a 9612.10.19 (fitas impressoras de material plástico não enquadrados nos subitens anteriores), com alíquota de 20 % (fl. 2053 de 05/2010 a 08/2012), com base na RGI 1 combinado com a nota explicativa da posição 9612. Todavia, o contribuinte dava saída a alguns (95%, segundo a fiscalização) produtos (docs. fls. 2045 e segs.) classificandoos na NCM 8443.91.99 (alíquota de 0 %), concluindo: Em função de tais fatos, foi exigida a diferença do IPI pela reclassificação fiscal em relação aos itens acima arrolados, quando da venda no mercado interno, dos produtos fabricados pela filial e remetidos à autuada. Igualmente, foi cobrado IPI também em relação a alguns produtos saídos a título de remessa de amostra grátis por falta de atendimento a alguns requisitos, conforme articula no item 11 do TVF (fls. 2027/2028). Por fim, foi glosado o saldo credor lançado em fev/2010 (data em que inicia a escrituração do LAIPI) porque não foi constatada apuração de IPI para o mês anterior (jan/2010), o qual, afirmase, é "nulo", conforme demonstrativo do item 12 do TVF. Estas duas últimas infrações não foram impugnadas. Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.573 5 Foi aplicada a multa de 150 %, sob o fundamento de que "o contribuinte praticou dolosamente as circunstâncias qualificativas previstas para a modalidade sonegação fiscal", consoante o disposto no item 13 do TVF (fls. 2032/2034). Informa, alfim, que quanto à classificação fiscal, tal entendimento já havia sido apontado ao contribuinte no processo 10980.724847/201021, tendolhe sido dado conhecimento "acerca da já mencionada Solução de Divergência COANA 1, de 19/03/2003, referente à classificação fiscal dos produtos comercializados pelo contribuinte", que deveriam ser classificados no código 9612.10.19 e tributados à alíquota de 20%. Foi responsabilizado solidariamente pela exação, o sóciogerente (detentor de 99 % do capital social), Sr. Juliano Anderson Galera Cunha, CPF 838.838.439/20, com arrimo no art. 124, I, do CTN. Impugnado o lançamento (fls. 2207/2311), a DRJ/RPO (fls. 2376/2425) o manteve na íntegra, assim como a responsabilidade solidária do referido sóciogerente. Não resignada com a r. decisão, a empresa interpôs o presente recurso (fls. 2440/2509), no qual, em suma, alega: 1 Ser totalmente descabida a pretensão de classificar filme de termo de termotransferência como subgrupo de fita de máquina de escrever, pois não há qualquer similaridade. Afirma que o produto que fabrica é utilizado em impressoras e aparelhos de fax com a finalidade de imprimir papéis, etiquetas, crachás e outros meios, como, entende, descrito na tabela da posição 84.43 (impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos da posição 84.42). Acresce que "esse grupo abrange todos os métodos de impressão utilizados no mercado, impressão por jato de tinta, impressão a laser e impressão por sistema térmico, sendo que certamente existe a necessidade de abrir um novo grupo para classificar os produtos desta família, que sabidamente não tem classificação específica", concluindo que "deveria existir a linha de produto 8443.99.5 (que não existe) impressoras de termo transferência, pois, afinal, a impressão por transferência térmica é uma tecnologia que não pode ser equiparada à impressão térmica". Em resumo, entende que "se todo o aparato de impressão a jato de tinta e laser estão no grupo 8443, e lá estão também as impressoras e equipamentos de fax que utilizam os filmes de termotransferência, é lógico que os filmes estão também neste grupo", o que o laudo que acosta conclui. Acresce às suas razões o fato de que as impressoras e equipamentos de fax que importa classificase no código 8443.32.99, conforme entendimento do próprio Fisco. Assim, conclui que "os filmes de termotransferência estão no grupo 8443, que alberga todos os meios de impressão, máquinas, equipamentos, partes, peças e suprimentos". Na sequência, trata em item apartado (CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS FILMES DE TERMOTRANSFERÊNCIA) sobre a classificação fiscal objeto da lide, com arrimo em Laudo produzido a seu pedido por "engenheiros especialistas em exame de processos produtivos". Vejase o quesito e a resposta abaixo, inserto no mencionado Laudo; Fl. 2573DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.574 6 Com base nesse Laudo, arremata: "Diante de todo o exposto e dos pareceres técnicos a respeito dos produtos produzidos pela empresa autuada, mostrase claro que não podem ser aplicados na NCM 9612". Discorre, ainda sobre seu processo produtivo, e conclui no tópico: A seguir, traça análise comparativa entre os processos produtivos de fitas de máquinas de escrever e filmes de termotransferência, concluindo que "enquanto a fita de máquina de escrever pode ser fabricada na garagem de casa, o filme de termotransferência é produto de alta tecnologia de produção, em diferentes etapas e procedimentos que requerem conhecimentos específicos e avançados". Em relação às exportações que utiliza o código 9612.10.19, conforme anotado no relato fiscal, alega que "existem empresas que solicitam que os produtos sejam enquadrados em uma ou outra classificação fiscal, provavelmente com o objetivo de alcançarem vantagens fiscais à luz da legislação fiscal de regência da cada país." E continua: "Assim, existem casos pontuais de exportações realizadas com a classificação fiscal desejada pela autoridade fiscal 9612.10.19". Acresce que o SISCOMEX em seu sistema de registro de exportações somente tem aceito o registro com esse código, ou seja, alude, "este é imposto pela RFB, não uma opção ou escolha do contribuinte". 2 Que a referida solução de consulta, que também embasou o lançamento, por meio da Solução de Divergência COANA nº 1, de 19/03/2003, que teria classificado produtos análogos à da recorrente na NCM/TIPI 9612.10.19, cuja alíquota é 20%, que a mesma é antiga, de 2003, e que desde então houve expressiva alteração nos processos produtivos e nas tecnologias empregadas nos equipamentos para impressão por transferência térmica. Tais fatores, entende, devem ser levados em consideração para a classificação fiscal nos dias atuais, "eis que, até mesmo, houve mudança significativa no produto filme para termotrasnferência". Alega que a consulente se situa na Zona Franca de Manaus (ZFM) e não produz tais materiais, apenas os importa. Por não recolher IPI (isenta por se situar na ZFM), a consulente, argui, "tinha interesse que o produto em exame tivesse classificação com alíquota mais elevada possível de IPI, eis que, assim, as suas concorrentes, não beneficiárias da isenção da ZFM, se vissem obrigadas a recolher IPI com alíquota de 20%"; 3 Padecer o lançamento de certeza e liquidez à luz do art. 142 do CTN, pois entende que Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.575 7 Alega, ainda, que há operações que não correspondem a uma hipótese de incidência de IPI. Seriam elas: CFOP 5156 transferências, CFOP 5553 devolução de compra do ativo imobilizado, CFOP 5556 devolução de compra de material de uso e consumo e outros que arrola em sua peça recursal (fl. 2489). A seu juízo todos casos de saídas com suspensão de IPI previstas no art. 42 do RIPI/2002. Entende que as "transferências de matériaprima e de produtos acabados entre a recorrente e sua matriz (sic na verdade entre a filial produtora e a matriz autuada), operações esta informada nas GIAS, mas que não correspondem ao fato gerador do IPI definido na legislação". A seu juízo, "essa movimentação decorre da compra de insumos, que são transferidos para filial para industrialização, e, posteriormente, o produto acabado filme para impressão por transferência térmica retorna por transferência para a matriz, responsável pela comercialização". Aduz que ainda que cabível a exigência fiscal com classificação e alíquota que o Fisco entende correta, seria descabida a exação do imposto suspenso. Acresce que a fiscalização deixou de considerar na apuração do imposto devido os créditos de IPI recolhidos por ocasião da importação dos produtos e das matériasprimas. Conclui que tais vícios tornam o lançamento nulo, e que eventuais ajustes na base de cálculo do imposto representará mudança de critério jurídico, em afronta ao art. 146 do CTN. Consequentemente, o autuante apurou o imposto devido, considerando os créditos pelas entradas dos insumos registrados em documentação. Acrescentou que as irregularidades fiscais apontadas são decorrentes do fato inequívoco de que o contribuinte, plenamente enquadrado na condição de estabelecimento equiparado a industrial, não lançou (nas notas fiscais), não apurou (livros fiscais), não declarou (declarações RFB) e não recolheu (DARF) o imposto (IPI) devido em suas operações. 4 Improcedem as multas aplicadas. No que tange à multa qualificada, alega inexistir conduta dolosa praticada por si no intuito de sonegar IPI. Aduz que "as saídas registradas com os CFOP 6102 e 5102 (venda de mercadoria adquiridas de terceiros) durante o período fiscalizados corresponderam às operações 6101 e 5101", e que "nunca negou que industrializa os produtos que revende, tendo utilizado os códigos errados por equívoco no tipo de operação comercial". Alega que nas vendas de produtos em que a alíquota do IPI é positiva, há o regular destaque e recolhimento do imposto, como é o caso de diversas impressoras importadas, quando há o destaque e recolhimento do IPI. Nas vendas de ribbons, "não há destaque e recolhimento do IPI porque a alíquota do produto é zero", pelo que "não há que se falar em dolo". Conclui, no tópico, que ainda que "ainda que se entenda que a recorrente deixou de destacar e recolher o IPI nas operações de saída do estabelecimento industrial, representativas de vendas, ...não incorreu na prática do ilícito de sonegação fiscal", pois entende que não impediu ou retardou, total ou parcialmente, conhecimento do fato gerador, vez que todas operações de venda foram acobertadas por notas fiscais, denotando sua boafé e permitindo ao Fisco a cobrança dos tributos, e conclui: "Se a recorrente deixou de apurar e recolher o imposto deveuse ao fato de adotar para o produto que industrializa a NCM/TIPI Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.576 8 8443.91.99, cuja alíquota é ZERO." Assim, pugna que se ao final vier a ser julgado que a classificação fiscal não é a adotada por ela e sim a que o Fisco entendeu correta, que lhe seja aplicada a multa de 75 %; 5 A natureza confiscatória do auto de infração, ao argumento do descompasso da relação entre a receita bruta da empresa e o valor daquele; 6 Quanto à imputação de responsabilidade do Sr. Juliano Anderson Galera Cunha, entende que não caracterizada a gestão fraudulenta ou com abuso de poderes por parte daquele sócio, nos termos do que rege o art. 135 do CTN, não pode a ele ser imputada responsabilidade pessoal solidária, pois "em nenhuma peça do processo constatase que tenha sido aventado o sócio ter atuado na gestão da empresa com excesso de poderes ou com infração de lei", transcrevendo escólio jurisprudencial a respaldar sua tese. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. I PRELIMINARES Como bem pontuado na r. decisão, o contribuinte não questionou diretamente a tributação das operações com código CFOP 5911 e 6911 (remessa de amostra grátis) efetuadas no cálculo do imposto, também não questionou a alteração do saldo inicial do imposto (fevereiro de 2010) referente ao período feita pelo fisco. Portanto, nos termos do art. 16, III c/c o art. 17 do Decreto 70.235/72, tais matérias não foram controvertidas na peça impugnatória, e nem na recursal, de forma específica, pelo que preclusas, em que pese a argumentação no recurso de que todos os pontos foram questionados. Na redação que lhe foi dada pela norma que criou as DRJ, a Lei 8.748/1993, foi estabelecida a obrigação do contribuinte de, na contestação do lançamento, delimitar o objeto do litígio por meio da indicação, na impugnação, dos “motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões que possuir”. Ocorre que as referidas infrações não foram questionadas em específico na impugnação ao lançamento. Assim, desde a edição da Lei 8.748/93, negativa geral já não mais procede no rito do Decreto 70.235/72, pelo que tais pontos restam incontroversos. Digase o mesmo em relação aos eventuais créditos sobre as impressoras importadas, pois tal matéria somente foi ventilada na peça recursal. Contudo, ao analisarmos as planilhas anexas ao auto de infração (fls. 2083/2109), constatase que às fls. 2017/2018 constam créditos na reconstituição da escrita do IPI feita pela fiscalização. Quisesse o contribuinte alegar que os créditos das importações não foram computados na exigência fiscal deveria, por primeiro, alegar tal fato na impugnação, que delimita a extensão da lide, o que não fez, tornando a matéria preclusa. E, se preclusa não estivesse, e está, deveria, ao depois, apontar em relação aos períodos onde constam crédito no refazimento da escrita, anexo ao lançamento, que nesses valores não estariam inclusos os créditos das importações das impressoras, de forma articulada e com provas certas e líquidas desses valores, o que também não o fez, ficando em alegações genéricas. Portanto, afasto essa alegação, quer por sua preclusão, quer por falta de provas, ônus seu ao controverter o lançamento. Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.577 9 Igualmente não há que se falar em qualquer nulidade, seja da exação, seja da r. decisão. O TVF foi mais específico que o necessário para comprovar as infrações que entendeu a fiscalização ter ocorrido, tendo provado o que veio a concluir ao cabo da ação fiscal. A classificação fiscal adotada pela fiscalização fundamentouse na aplicação dos critérios de classificação indicados em normas legais, quais sejam, os estabelecidos na NBM (Nomenclatura Brasileira de Mercadorias) e na NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) e, subsequentemente, na TIPI. Se o mérito das imputações vão de encontro ao entendimento da recorrente, essa questão não macula o lançamento. Porém, com efeito, o mesmo foi devidamente motivado e adequadamente liquidado, não padecendo de vício a maculálo de nulidade, pelo que afasto essa preliminar. Igualmente, sem reparos à r. decisão, que enfrentou à exaustão todas questões suscitadas em sede impugnatória. Igualmente, denego o pedido de sobrestamento em função do lançamento inserto nos autos do PA 10980.724847/201021, pois em que pese naquele também seja controvertida a questão da classificação fiscal, os períodos de apuração são diversos, e nada impede que Turmas distintas tenham convicções díspares. Aliás, esse é o fundamento que possibilita que a matéria chegue a CSRF. Em conclusão, afasto as pugnadas preliminares de nulidade. II MÉRITO DELIMITAÇÃO DA LIDE Como relatado, tratase a ora recorrente de estabelecimento matriz que no período em análise não escriturava IPI e nem declarava em DCTF qualquer valor a pagar. Entretanto, quer em relação à comercialização no mercado interno das mercadorias por ela importadas (art. 9º, I, RIPI/2010 as impressoras) quer em relação aos produtos industrializados pela filial e revendidos pela matriz (fiscalizada) no mercado interno (art. 9º, III, RIPI/2010), a autuada é, nessas operações, equiparada à industrial. Em consequência, nessas operações, a matriz é contribuinte do IPI. E, desde já pontuese, essa questão resta incontroversa. Assim, a questão de mérito devolvida ao conhecimento deste Colegiado restringese à base de cálculo, classificação fiscal dos denominados "ribbons" (TTR thermal transfer ribbons fitas para impressão de códigos de barra e filmes para aparelhos de fax), o agravamento da multa de ofício e a controvertida responsabilização solidária. BASE DE CÁLCULO O contribuinte alegou a desqualificação dos valores utilizados pelo Fisco como base de cálculo do IPI devido, já que as remessas de matérias e produtos entre Matriz e Filial, e viceversa, são devidamente declaradas ao Fisco Estadual, mediante GIA/ICMS, com recolhimento de eventual imposto devido, mas tais remessas não se subsume à hipótese de incidência própria do IPI. Pelo mesmo motivo e argumentação, também justificou a utilização dos códigos CFOP 5102 e 6102 que geram destaque de ICMS, mas não de IPI nas transferências de mercadorias entre os três estabelecimentos da empresa fiscalizada. A Base de Cálculo está correta. Conforme Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização verificou que foram registradas operações nos códigos CFOP 5102 e 6102, códigos esses referentes a venda de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, mas que Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.578 10 tais códigos não eram condizentes com a atividade da empresa – industrialização. De acordo com o Fisco, a venda, pela matriz, de qualquer dos produtos industrializados pelo estabelecimento filial deveria ser registrado no CFOP 5101/6101 (Venda de produção do estabelecimento) em vez do CFOP 5102/6102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros). Gizese que em momento algum o contribuinte (matriz) questionou sua desqualificação como comercial e seu enquadramento como equiparado a industrial, ou seja, em nenhum momento alegou que a filial não industrializou os produtos vendidos pela matriz. Ao verificar as planilhas e notas fiscais anexas ao processo dos anos de 2010, 2011 e 2012, constatase que a totalidade das saídas para o mercado interno referente a matriz estava classificada no CFOP 6102 – vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros – que não sofrem tributação do IPI, pois tal operação não é tributada pelo imposto (operação comercial). Não constam, das notas fiscais de venda no mercado interno a alíquota do IPI, somente o ICMS destacado. No entanto, nas saídas dos produtos industrializados pela filial, a matriz é equiparada a industrial e não comercial, sendo que não há notícias de compras do produto de outra empresa para revenda. Sem embargo, todas as saídas foram classificadas em CFOP errado, pois o correto seria 6101 e 5101 vendas de produção do estabelecimento e, portanto, operação tributada pelo imposto. Quanto às alegações recursais de que teriam sido incluídas na base imponível operações que não correspondem a uma hipótese de incidência de IPI, pois seriam em tese saídas com suspensão deste imposto, tais como CFOP 5156 transferências, CFOP 5553 devolução de compra do ativo imobilizado, CFOP 5556 devolução de compra de material de uso e consumo e outros que arrola em sua peça recursal, mais uma inovação da recorrente em relação à impugnação. Da mesma forma, tratouse de alegação genérica, pois não produziu prova nesse sentido, eis que em análise ao lançamento não constato que tais valores tenham sido incluídos na base de cálculo. Assim, rechaço tais alegações por preclusa e por falta de prova de que tais valores teriam sido inclusos na base da exigência fiscal. O Fisco descarcterizou a utilização dos códigos CFOP 5102 e 6102 e considerou como sendo saídas do CFOP 5101 e 6101. Referidas saídas, repiso, não dizem respeito à transferência para filial, já que o adquirente, em operação de compra e venda, é outra pessoa jurídica (outro CNPJ). No caso em concreto, as transferências entre a filial e matriz ou matriz e filial referemse ao CFOP 5156 e conforme consta das planilhas de débitos dos anos 2010, 2011 e 2012 não foram consideradas como tributadas, portanto, também desprovida de veracidade a e alegação da recorrente. Assim, a base de cálculo tomou as saídas para o mercado interno registradas pelo contribuinte como comerciais CFOP 6102 (vendas = saídas) como saídas de produção do estabelecimento – CFOP 5101 e 6101 e tributouas à alíquota de 20% e 15% (ano 2012), ao considerar os produtos referentes ao código 9612.10.19. Portanto, totalmente despropositada a alegação do contribuinte. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.579 11 Igualmente improcedente as alegações do contribuinte quanto à classificação fiscal dos produtos denominados ribbons. Antes de adentrar nesse mérito, registrese, como salientado no TVF, que esta mesma empresa teve contra si um auto de infração de período distinto, portanto desvinculados entre si quer por conexão quer por dependência, com mesma imputação fiscal. Ou seja, no processo 10980.724847/201021, já lhe tinha sido dado conhecimento acerca da Solução de Divergência COANA 1, de 19/03/2003, referente à classificação fiscal dos produtos comercializados pelo contribuinte, que deveriam ser classificados no código 9612.10.19 e tributados à alíquota de 20%. Ora, se o contribuinte tem convicção de que a classificação fiscal dos (TTR thermal transfer ribbons) é a que adota desde então, código 8443.91.99 (alíquota zero), deveria ter buscado resguardar seu entendimento com base em consulta fiscal sobre a classificação fiscal desses produtos, instrumento importante para a segurança do contribuinte/Fisco em relação à aplicação da legislação fiscal e classificação fiscal de mercadorias. Assim, caso a resposta à consulta fosse ao encontro do seu entendimento, não mais haveria qualquer controvérsia sobre o tema. Mas quedouse inerte nesses quatro anos mesmo sabendo do entendimento fiscal, o que poderia levar, como veio a concretizarse, em nova exigência sobre mesmo fato! E, mais, chegou ao absurdo de explicitar em sua peça recursal que quando exportou os ribbons com a NBM 9612.10.19, o fez porque assim os importadores o exigiam, como se a classificação fiscal de mercadorias não tivesse imposição legal com base em regras internacionais, ficando ao alvedrio de conveniências mercadológicas e discricionárias para tanto. Talvez por isso, toda sua longa articulação tentando "impor" a classificação fiscal que adotava, sequer tangenciou as RGI e/ou as NESH, normas legais impositivas que devem nortear a devida classificação fiscal, devidamente examinadas no libelo fiscal. Passemos ao exame da matéria. A fiscalização classificou os produtos fabricados pelo estabelecimento filial da empresa no código 9612.10.19, fundamentado na aplicação dos critérios de classificação indicados nas Regras Gerais de Interpretação (RGI), que dão uniformidade à aplicação da Nomeclatura do Sistema Harmonizado (NESH), o Fisco considerou o conceito de “fitas para impressão” que está presente na posição 9612, cuja descrição reproduzse, incluídos seus códigos derivados: 96.12 Fitas impressoras para máquinas de escrever e fitas impressoras semelhantes, tintadas ou preparadas de outra forma para imprimir, montadas ou não em carretéis ou cartuchos; almofadas de carimbo, impregnadas ou não, com ou sem caixa. 9612.10 Fitas impressoras 9612.10.1 De plástico 9612.10.11 Com tinta magnetizável à base de óxido de ferro, para impressão de caracteres 20 9612.10.12 Corretivas (tipo cover up), para máquinas de escrever 20 9612.10.13 Outras, apresentadas em cartucho, para máquinas de escrever 20 9612.10.19 Outras 20 9612.10.90 Outras 20 9612.20.00 Almofadas de carimbo 20 A fiscalização enquadrou os produtos da recorrente no código 96.12.10.19 por corresponderem a fitas impressoras de material plástico não enquadradas nos subitens anteriores. Observese que, no caso, a alíquota correspondente é a de 20% (que é a mesma alíquota para qualquer elemento da mesma posição). Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.580 12 Em contrapartida, como relatado, a classificação adotada pelo contribuinte é 84.43.91.99, outras partes e acessórios de máquinas e aparelhos de impressão que operem por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão, conforme abaixo: 84.43 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, aparelhos de copiar e aparelhos de telecopiar (fax), mesmo combinados entre si; partes e acessórios. 8443.91 Partes e acessórios de máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42 8443.91.10 Partes de máquinas e aparelhos da subposição 8443.12 5 8443.91.9 Outros 8443.91.91 Dobradoras 0 8443.91.92 Numeradores automáticos 0 8443.91.99 Outros 0 Em síntese, o contribuinte contestou à classificação adota pela fiscalização no código 9612.10.19, afirmando que seus produtos não são “fitas” e sim “filmes”, alegando que a distinção ainda que sutil adquire relevância quando se trata de nominar e qualificar o produto, com vista à sua classificação fiscal, e manifestou a semelhança existente entre seus produtos e os toners de impressoras ou ao papel carbono, afirmando que seus produtos são muito mais complexos do que os produtos da posição 96.12. Criticou as impressões da fiscalização acerca de seu processo produtivo, que seria de maior complexidade do que o percebido pela fiscalização. Mencionou também o laudo técnico pericial apresentado nos autos. Não reproduzo aqui, mas os produtos sob análise são aqueles discriminados no suso relato e cujas fotos encontramse tanto no TVF como na decisão recorrida (fls. 2408/2414). REGRAS GERAIS COMPLEMENTARES (RGC) 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Tendo estes parâmetros em mente, vamos analisar a classificação pretendida pelo contribuinte: 84.43.91.99 Partes de máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos da posição 84.42. Essa classificação enquadra inicialmente os produtos na posição 84.43, que diretamente se refere a máquinas e indiretamente irá se referir a seus elementos constituintes (partes e acessórios). Ocorre que os produtos fabricados pela contribuinte são elementos a serem utilizados em máquinas de impressão térmica. Assim, somente poderiam se enquadrar nessa posição se houvesse uma determinante identidade com as subposições desse grupo, conforme determina a RGI. Porém, isso não ocorre, pois a subposição 84.43.91 se refere a partes de máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos da posição 84.42, que é relativa a clichês, blocos, cilindros, pedras litográficas, placas e similares, preparados para impressão. Todos esses são elementos rígidos e usados para impressão em relevo (tipografia, offset e outros), e não elementos macios para impressão (plástico, tecidos, papel). Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.581 13 Acrescentese o fato de as Notas de Seção, mas especificamente a Nota nº 1, excluir expressamente as fitas impressoras para máquinas de escrever e fitas impressoras semelhantes da classificação nesta seção. SEÇÃO XVI MÁQUINAS E APARELHOS, EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS, E SUAS PARTES; APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS Notas. 1. A presente Seção não compreende: a) (...) q) as fitas impressoras para máquinas de escrever e fitas impressoras semelhantes, montadas ou não em bobinas ou em cartuchos (regime da matéria constitutiva, ou posição 96.12, caso estejam tintadas ou de outra forma preparadas para imprimir). Não se enquadrando em nenhum destes elementos (clichês, blocos, cilindros, pedras litográficas, placas e similares, preparados para impressão) o produto em questão não pode ser classificado nesta posição mesmo que, a grosso modo, possa se assemelhar a toner (impressora laser) ou jato de tinta. Releva que o produto da empresa não é toner e não é jato de tinta, nem a eles se assemelham. Toner é uma tinta em pó usada nas impressoras a laser e fotocopiadoras para formar texto e imagens em papel. As partículas do toner são transferidas para o papel por meio de cargas magnéticas e fricção, e logo após fundidas no papel pelo calor do rolo fusor enquanto o papel é impresso. O tamanho das partículas de toner variam de 1 a 15 micrômetros. O toner é fornecido em um cartucho que é instalado na impressora. Nesses casos, a tinta não está impregnada ou revestida em papel, plástico ou tecido, e é transferida diretamente para o material a ser impresso. No caso do produto do contribuinte, uma película plástica é revestida com tinta e silicone que ao receber calor transfere a tinta para o material a ser impresso. Não identifico qualquer similaridade técnica com os produtos em questão (ribbon, toner e jato de tinta) ou mesmos similaridade visual. O produto também não é papel carbono ou papel copiativo, ou a eles se assemelham, pois sua função não é obter um segundo exemplar ou cópia do que está sendo escrito e o papel carbono e copiativo não servem para “imprimir”, mas para copiar. Logo, evidente que essa classificação não inclui o material produzido pelo contribuinte. Ao aplicar a RGI 1 e 3A, verificase que entre o texto da posição 96.12 (Fitas impressoras para máquinas de escrever e fitas impressoras semelhantes, tintadas ou preparadas de outra forma para imprimir, montadas ou não em carretéis ou cartuchos; almofadas de carimbo, impregnadas ou não, com ou sem caixa) e o da posição 84.43 (Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42); a posição que mais se adequa ao produto “filmes para impressão” é, inexoravelmente, a 96.12, isto porque: 1. Tratam os produtos de material impressor (película plástica) revestido com tinta; montados em bobinas e, como podemos observar pelas fotos, cortados em tiras, faixas ou Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.582 14 fitas de diversos tamanhos. Sendo que, no caso, o uso do termo fita caracteriza a unidade em faixas sem especificação de tamanho. 2. A própria tradução do termo em inglês “ribbon” é fita, cinta, faixa, portanto serve para caracterizar o produto como “fita”; 3. A impressão se dá por meio da fita de plástica, e não por blocos, cilindros, placas, clichês, etc. 4. A caracterização principal da posição é a “impressão”por meio de material tintado (revestido); 5. A Posição não especifica que tipo de impressão (texto, imagens, gráficos, paisagens, desenhos), a qualidade técnica do produto ou de sua produção e não especifica o tipo de material a ser impresso, se papel, metal plástico, entre outros, somente exige ser fita impressora. Apenas afirma que devem ser fitas impressoras semelhantes a de máquina de escrever, tintadas ou preparadas de outra forma para imprimir. 6. O filme a que se refere o contribuinte nada mais é do que o elemento constitutivo da fita (polietileno tereftalato – material plástico). Assim o produto produzido é “fita de filme”. 7. Somente se caracterizam como filmes, o insumo do produto, ou seja, a matériaprima: Jumbo (filmes virgens de poliéster polietileno tereftalato), ou os filmes (Jumbo) tintados mas ainda não aptos ao uso em equipamento de impressão (não cortados em bobinas) que são classificados na posição NCM 3921.90.90 (outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plástico). A materiaprima (Jumbo) tem dimensões variadas, tendo em media 678mm de largura por 20.000m de comprimento e peso ao redor de 150kg. O produto acabado é denominado ribbon e apresentado em bobinas variáveis de 25 a 220 mm de largura e de 51 a 600 metros de comprimento. Isto porque, de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado à Posição 9612 compreende: 1) As fitas impressoras montadas ou não em carretéis ou cartuchos, para máquinas de escrever, calcular, e quaisquer máquinas que comportem um dispositivo que imprima por meio destas fitas (básculas automáticas, tabuladoras, teleimpressoras, etc). Estas fitas são, na maioria das vezes, de tecidos de matérias têxteis, mas também podem ser de plásticos ou de papel. Para se incluírem nesta posição, devem ser tintadas ou preparadas para imprimir (impregnadas, no caso de fitas têxteis, revestidas, no caso de fitas de plástico ou de papel, de uma matéria corante, de tinta, etc.). Assim, a qualidade técnica do produto e sua forma de produção, o tipo de impressão e o tipo de material impresso pouco importam para assumir a classificação fiscal no código 96.12, pois o que caracteriza a regra é o produto ser similar a fita de impressão das máquinas de escrever, ou seja, ser tintado, ser cortado em faixas, fitas ou tiras e servir para a impressão em máquinas de imprimir. E é exatamente esta a característica do produto fabricado pelo contribuinte, que serve para imprimir código de barras e fax, em impressoras térmicas. Aqui, a similaridade se dá tanto pela forma como pela função de impressão e não pelo produto Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.583 15 em si (características técnicas, tamanho e tipo), como entendeu o contribuinte. Mesmo a interpretação de que as fitas devam ter menos de 3cm para que possam ser consideradas fitas similares às da máquina de escrever está equivocada. O que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizaddo NESH da posição 96.12 quis dizer com “Excluemse desta posição: a) os rolos de papel carbono (químico*) ou de outros papéis copiativos, que são colocados em máquinas de calcular, caixas registradoras etc, para obtenção de um segundo exemplar das fichas impressas. Estes rolos, que não podem ser utilizados como fitas de maquinas de escrever, são geralmente muito mais largos (mais de 3cm)” é que este tipo de papel não pode ser utilizado/classificado como fita de máquina de escrever, por serem mais largos, mas não diz que as fitas impressoras semelhantes devem ter menos de 3cm, mesmo porque os rolos de papel copiativos nem se enquadram neste conceito (fitas impressoras semelhantes). Aplicando a RGI nº 6, temos que o produto se enquadra na subposição 9612.10, já que o material utilizado na confecção do produto é o polietileno tereftalato (PET), um tipo de plástico e mais especificamente no codigo NCM 9612.10.19 (“outros”), ja que o produto não pode ser classificado em nenhum outro subitem dentro desse item. Alegou ainda a recorrente que a classificação no código 9612.10.19 é obrigatória no SISCOMEX, pois o sistema não aceitaria outra. Contudo, como já dito, a classificação fiscal deve seguir as normas legais e não as conveniências comerciais ou a operacionalidade de sistemas de informática. Se o SISCOMEX obriga a classificação dos “ribbons” na posição 9612.10.19, não seria porque esta é a classificação correta? Acresçase a toda fundamentação até aqui esposada, a Solução de Divergência COANA nº 1 de 19/03/2003 trazida pela fiscalização. A recorrente contestou a aplicação da referida solução de consulta afirmando que o próprio Fisco classificou impressoras grupo no 8433 no processo 15650.02980/201050, que a solução trata de produtos distintos dos produtos da contribuinte e que a empresa que provocou a consulta não é fabricante e está localizada na Zona Franca de Manaus, portanto tinha interesse em uma tributação maior que só afetaria seus concorrentes. Obviamente, os argumentos não são sustentáveis, pois a descrição geral dos produtos da solução de consulta é a mesma dos produtos do impugnante e, no caso em tela, tanto a classificação das impressoras que utilizam as fitas, quanto a operação efetuada pela consulente e sua localização são irrelevantes para a classificação fiscal dos produtos por ela comercializados. Ademais, o fato de se classificar as impressoras importadas pela empresa na posição 8433, não implica necessariamente enquadrar o produto produzido por ela no mesmo código, já que a empresa não produz impressoras e sim fitas para impressão –classificação excluída da seção que se encontra a posição 84. Observese que a Solução de Divergência referese ao seguinte produto: Fita de impressão por termotransferência, constituída por suporte de polietileno tereftalato e substratada, em uma das faces, com revestimento termosensível (cera, resina e pigmento) Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.584 16 e, na face oposta, com camada antiabrasão baseada em resina siliconeuretano. Tipos: Cera/Resina/Cera x Resina/Super Resina. Dimensões e peso líquido: O produto acabado denominado Ribbon e apresentado em bobinas variáveis de 25 a 220 milímetros de largura e de 51 a 600 metros de comprimento, adaptáveis aos diversos modelos de impressoras térmicas existentes no mercado. Portanto, não vejo como pode se referir a outro produto, dada a perfeita identidade com produto fabricado pelo contribuinte. Por fim, quanto ao Laudo a que se refere a recorrente, este nada mais faz do que discriminar as formas de produção, técnica e uso entre o produto da empresa e as fitas de máquinas de escrever, que pouco importa para a correta classificação fiscal dos produtos. Já a classificação fiscal que o Laudo aponta como correta não vincula a autoridade fiscal, pois consabido que a classificação fiscal de produtos não é considerada como aspecto técnico dos laudos. A propósito, vejase o disposto no art. 64 do Decreto 7.574/2011, o qual reproduz os termos do Decreto 70.235/72. Art. 64. Os laudos e os pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres (Decreto no 70.235, de 1972, art. 30, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). § 1º Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Diante do exposto, correta a classificação fiscal adotada pelo Fisco. MULTA QUALIFICADA Alega a recorrente que a autoridade fiscal nada trouxe de fato indiciário ou prova concreta que confirmem as alegações contra a empresa e que a infração é uma divergência de interpretação resultando a divergência de classificação fiscal entre aquela apontada pela autoridade administrativa e a outra, utilizada pela contribuinte. Entende que para fins de justificar a aplicação da multa majorada, o intuito de fraude deve ser evidente e manifesto. E concluiu que não restando prova suficiente a demonstrar o direito do Fisco em aplicar a multa majorada, nem provado o evidente intuito de fraude por parte da contribuinte, devese reduzir a multa ao patamar de 75% pela ausência da circunstância agravante qualificadora. A multa aplicada pela fiscalização estribouse na legislação, em especial na redação vigente do art. 80 da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/07: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.585 17 contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) ... II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Da análise dos autos, fica evidente que a multa qualificada foi corretamente aplicada, pois tratase de conduta dolosa na supressão ou redução do imposto devido. Isto, porque não houve uma simples divergência de interpretação, conforme alegou a autuada. Em primeiro lugar, porque o estabelecimento se comportava como estabelecimento comercial e não industrial, dando saídas de mercadorias como venda de mercadoria adquirida de terceiros (comércio), operação não tributada pelo IPI, e não como venda de produção do estabelecimento (industrialização), fato inconteste. Em todos os livros contábeis e fiscais e nas notas fiscais dos anos de 2010 a 2012 as saídas estavam registras com os CFOP 6102 e 5102 (venda de mercadoria adquirida de terceiros), não havia destaque do imposto, indicação de classificação fiscal e alíquota, apesar se ser uma saída tributada, mesmo que a alíquota zero, segundo o entendimento do interessado. Em segundo lugar, porque o contribuinte respaldava essa conduta no fato de ser o produto tributado à alíquota 0%, classificandoos de forma equivocada e contrária à classificação fiscal de seus concorrentes e até mesmo de alguma de suas exportações. Alem disso, em 2010 ela foi autuada pelo mesmo fato, o que denota que ela bem sabia o entendimento fiscal acerca da classificação fiscal. Demais disso, deixou de cumprir as obrigações acessórias, dificultando a ação da fiscalização e obrigandoa, inclusive, à coleta de informações em ambiente externo à empresa, alongando e onerando em demasia o procedimento fiscalizatório, com consequente prejuízo ao Erário. Não se pode conceber que um fabricante de produtos industrializados, que se jacta em produzir produto de alta tecnologia, desconheça sua condição de contribuinte do IPI. Na verdade, o próprio sujeito passivo anuncia a todos na internet a sua qualidade de fabricante e os produtos por ele fabricados. E todos os documentos juntados ao processo dizem exatamente a mesma coisa. Também não se poderia admitir que o contribuinte, sem dolo específico, emitisse suas notas fiscais completamente em desacordo com o que a lei exige, deixando de fazer qualquer referência ao imposto e a quaisquer outros elementos de sua condição de industrial e contribuinte. Além disso, quando lhe interessa (exportação), utiliza a classificação fiscal correta dos seus produtos. O animus sonegandi na prática da infração fica bastante evidente quando o mesmo utiliza em seus documentos e livros fiscais os códigos CFOP 5102, 6102 e 5156 (saída de produtos adquiridos e/ou recebidos de terceiros) quando deveria utilizar os códigos CFOP 5101, 6101 e 5155 (saída de produtos fabricados pelo estabelecimento), prestando informação FALSA em seus documentos fiscais na tentativa de ILUDIR a autoridade fazendária em Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.586 18 relação à sua condição de estabelecimento industrial e contribuinte do IPI e, inclusive, da ocorrência do fato gerador de suas obrigações tributárias. Assim, entendo que ao tipificar reiteradamente suas operações como comerciais e assumir uma classificação fiscal não onerada, mesmo adotando outra classificação em suas operações de exportação (correta), a recorrente está, deliberadamente, sonegando ao fisco a informação de que é contribuinte do IPI e que é devedor do imposto por ter suas saídas tributadas a alíquota 20% ou 15% (2012). Tal fato comprova a intenção do contribuinte em omitir, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador do imposto. Quanto à alegada natureza confiscatória do auto de infração em confronto com o valor da receita bruta da empresa, totalmente despropositada. Tais alegações não possuem fundamento legal que permitam considerálas para efeito de exclusão de penalidade, pois a capacidade tributária do contribuinte é considerada no dimensionamento dos tributos pela formulação da normatização que os regula. O fato de o contribuinte, por iniciativa própria, ter deixado de recolher tributo durante longos períodos e de ter incorrido em infrações que ensejam penalidades gravosas, implica na assunção dos riscos correspondentes em relação à sua situação econômicofinanceira. Portanto, rechaçase tal argumento. RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE Para solucionar a controvérsia, impõese aclarar a hipótese de responsabilidade tributária tratada no art 124, I, do CTN, tomado como fundamento pela fiscalização: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” A fiscalização justificou a atribuição da responsabilidade solidária, resumidamente, nos seguintes termos: O artigo 124 inciso I do CTN pressupõe que haja interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. O sócio gerente tem interesse econônmico no fato gerador (lucro da MASTERCORP DO BRASIL LTDA.) que foi influenciado pela falta de tributação do IPI. Tratase a recorrente de empresa de responsabilidade limitada, de natureza familiar, cujo solidário detém 90 % das quotas e seu filho o restante. Por óbvio, que todas as operações praticadas pela recorrente passam pelo total conhecimento do Sr. Juliano Anderson Galera Cunha, o imputado responsável solidário pela exação. Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.587 19 O “interesse comum” de que trata o art. 124 inciso I do CTN deve ser jurídico e convergente. Para que se materialize a solidariedade tributária com espeque no artigo 124, I, do CTN, é preciso que o interesse comum que exista entre os obrigados solidários seja um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social. Portanto, por óbvio que todas as irregularidades, e mesmo ilegalidades, apontadas no lançamento eram de pleno conhecimento do solidário. Também não se pode perder de vista a aplicação do inciso II, do artigo 124 do CTN. Isso porque a legislação do IPI dispõe expressamente a respeito da responsabilidade de terceiros (sóciosgerente) em seu artigo 8º do DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, cujo comando legal esta embasado no artigo 28 do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI/2010): Art. 28 (RIPI/2010) São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal. Portanto, mantenho a responsabilidade solidária do sóciogerente Sr. JULIANO ANDERSON GALERA CUNHA. CONCLUSÃO Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Voto Vencedor Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 1. Com a devida vênia, ousei divergir do douto Relator do caso em relação a questão afeta à responsabilidade tributária imputada para a pessoa de Juliano Anderson Galera Cunha. 2. Um dos fundamentos invocados pela fiscalização para justificar a responsabilização do citado responsável é o disposto no art. 124 do Código Tributário Nacional1, i.e., pelo fato de pretensamente existir um interesse comum de tais pessoas (física e jurídica) em relação com a situação que redundou no fato gerador objeto da autuação. 1 "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)." Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.588 20 3. Para verificar se tal conclusão é adequada juridicamente, mister se faz delimitar o conteúdo semântico da expressão interesse comum. Nesse sentido, insta desde já destacar que a legislação tributária não faz tal conformação, tarefa essa que fica sob responsabilidade da doutrina2 e da jurisprudência, para quem interesse comum só tem as pessoas que estão no mesmo polo na situação que constitui o fato jurídico tributário. Assim, por exemplo, os condôminos tem “interesse comum” na propriedade; se esta dá azo ao surgimento da obrigação de recolher o IPTU, são solidariamente responsáveis pelo pagamento do imposto todos os condôminos3. Assim, ter interesse comum significa partilhar a prática do fato tido como gerador. 4. Ainda tratando do “interesse comum” para fins de incidência do dispositivo legal alhures citado, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é clara ao entender que para a sua configuração não basta o mero interesse econômico, havendo a especial necessidade de haver um interesse jurídico no fato gerador do tributo. Nesse sentido: Ementa TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) (g.n.). Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o 2 "O art. 124 prevê duas hipóteses de solidariedade: a) em relação às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; e b) referente às pessoas expressamente designadas em lei. A primeira hipótese está redigida em linguagem bastante vaga, não traduzindo com acuidade o que quer significar. Comprador e vendedor têm interesse comum na transmissão da propriedade de imóvel, mas nem por isso podem ser devedores solidários. A solidariedade tributária, que é sempre passiva, somente pode existir entre sujeitos que figurem nesse polo da relação obrigacional." (COSTA, Regina Helena. Curso de direito tributário – Constituição e Código Tributário Nacional. São Paulo, Saraiva, 2012. p. 210.). 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 476. Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.589 21 fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art. 265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário. 2. Embargos de divergência não providos. (STJ; EREsp 834044/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010) (g.n.). 5. Também não há que se falar em responsabilização com base no disposto no art. 8o do Decretolei n. 1.736/79 que, por sua vez, está fundado no disposto no art. 28 do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI/2010): Art. 28 (RIPI/2010) São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal. 6. Primeiramente porque referido dispositivo normativo tem por escopo veicular uma responsabilidade tributária na hipótese de simples inadimplência fiscal. Acontece que a simples inadimplência não é motivo suficiente a ensejar a responsabilidade tributária, uma vez que, a considerar o mero inadimplemento como fator de responsabilização dos administradores, perderia qualquer sentido a limitação da responsabilidade, pois estes seriam passíveis de acionamento em todos os processos de cobrança tributária, cujo pressuposto é, justamente, o inadimplemento4. Em outros termos, a inadimplência é condição necessária, mas não suficiente para fins de responsabilização tributária. Este também é o entendimento consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa da ementa extraída de caso julgado sob o rito de recursos repetitivo, in verbis: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 4 PEIXOTO, Daniel Monteiro. Responsabilidade tributária e os atos de formação, administração, reorganização e dissolução de sociedades. São Paulo: Saraiva, 2012. p. 332. Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.590 22 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (STJ; REsp 1.101.728/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/03/2009, DJe 23/03/2009) (grifos nosso). 7. Não obstante, o citado dispositivo do Decretolei n. 1.736/79 apresenta outro vício, na medida em que flagrantemente conflita com o disposto no art. 146, inciso III, alínea "b" da Constituição Federal, uma vez que questões afetas à obrigação tributária o que contempla a figura da responsabilização tributária é matéria de exclusivo trato por parte de lei complementar. Tal inconstitucionalidade deve ser aqui reconhecida em razão do disposto no art. 62, § 1º, incisos I e II, alínea "b" do RICARF, c.c. com o precedente veiculado pelo Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário n. 562.276, afetado por repercussão geral e cuja ementa segue abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III, DO CTN. SÓCIOS DE SOCIEDADE LIMITADA. ART. 13 DA LEI 8.620/93. INCONSTITUCIONALIDADES FORMAL E MATERIAL. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DA DECISÃO PELOS DEMAIS TRIBUNAIS. 1. Todas as espécies tributárias, entre as quais as contribuições de seguridade social, estão sujeitas às normas gerais de direito tributário. 2. O Código Tributário Nacional estabelece algumas regras matrizes de responsabilidade tributária, como a do art. 135, III, bem como diretrizes para que o legislador de cada ente político estabeleça outras regras específicas de responsabilidade tributária relativamente aos tributos da sua competência, conforme seu art. 128. 3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas “as pessoas expressamente designadas por lei”, não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. A previsão legal de solidariedade entre devedores – de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a isenção ou Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.591 23 remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) – pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente. 4. A responsabilidade tributária pressupõe duas normas autônomas: a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios. A referência ao responsável enquanto terceiro (dritter Persone, terzo ou tercero) evidencia que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. O “terceiro” só pode ser chamado responsabilizado na hipótese de descumprimento de deveres próprios de colaboração para com a Administração Tributária, estabelecidos, ainda que a contrario sensu, na regra matriz de responsabilidade tributária, e desde que tenha contribuído para a situação de inadimplemento pelo contribuinte. 5. O art. 135, III, do CTN responsabiliza apenas aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tãosomente quando pratiquem atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. 7. O art. 13 da Lei 8.620/93 também se reveste de inconstitucionalidade material, porquanto não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada, afrontando os arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição. 8. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 13 da Lei 8.620/93 na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. 9. Recurso extraordinário da União desprovido. 10. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 10980.723210/201441 Acórdão n.º 3402004.753 S3C4T2 Fl. 2.592 24 (RE 562276, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 03/11/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 09022011 PUBLIC 10022011 EMENT VOL0246102 PP00419 RTJ VOL0022301 PP00527 RDDT n. 187, 2011, p. 186193 RT v. 100, n. 907, 2011, p. 428442) (grifos nosso). 8. Aliás, o mesmo art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, c.c. com o sobredito precedente veiculado pelo STJ (REsp n. 1.101.728/SP) julgado sob o rito de casos repetitivos, também justifica a convocação da ratio decidendi de lá extraída para a resolução do caso decidendo. 9 Assim, com base em tais fundamentos, voto por dar provimento ao recurso voluntário do responsabilizado, i.e., o Sr. Juliano Anderson Galera Cunha contribuinte e, por conseguinte, excluílo do polo passivo da presente exigência fiscal. 10. É como voto. Digo Diniz Ribeiro Conselheiro. Fl. 2592DF CARF MF
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