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Numero do processo: 10120.007317/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0317.760 (fls. 32383284), proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSA, que, por unanimidade de votos, julgou procedentes em parte os lançamentos efetuados de IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e COFINS (autos de infração às fls. 340400), e de lançamento de IRRF (auto de infração às fls 619716), referentes ao anocalendário 2000, com crédito tributário total de R$ 63.488.635,84. Na ocasião do julgamento da impugnação apresentada, foi proferido o Acórdão DRJ, com o seguinte ementário: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 07 31 7/ 20 05 -8 7 Fl. 7632DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.631 2 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. O sujeito passivo não logrou comprovar a origem dos recursos debitados na conta Caixa e a sua efetiva entrega. MULTA QUALIFICADA. Não foi comprovado pela autoridade fiscal o intuito de fraude. Qualificação indevida. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO ESTIMADO. Mantida parcialmente a omissão de receitas que gerou a diferença de imposto estimado mensalmente, é devida a multa isolada sobre o imposto não recolhido. CSLL/PIS/COFINS. Seguem a sorte do lançamento de 1RPJ, por serem reflexos, ou seja, decorrerem da mesma matéria tributável e mesmos elementos probatórios. GLOSA DE DESPESAS E CUSTOS. 0 sujeito passivo não logrou comprovar a efetividade das despesas realizadas, beneficiandose de notas fiscais emitidas por empresas com atividades encerradas e notas fiscais declaradas inidôneas. MULTA QUALIFICADA. Devida a qualificação , haja vista demonstrado o intuito de fraude pela utilização de notas inidôneas. DECADÊNCIA. Em havendo o descumprimento do disposto no art. 150, cabe o lançamento de oficio, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso I do art. 173 do mesmo código. As contribuições, aplicase o art. 45 da Lei no. 8.212/91. Ausência de decadência. MULTA AGRAVADA. Restou comprovado que o sujeito passivo não atendeu intencionalmente às intimações. Agravamento devido. INCONSTITUCIONALIDADES. É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Lançamento procedente em parte Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2000 Ementa: PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O sujeito passivo logrou comprovar apenas parcialmente o beneficiário dos pagamentos efetuados e as operações que deram causa aos lançamentos contábeis referentes a transferências de numerários, repasses e pagamentos de mútuo. MULTA QUALIFICADA. Não foi comprovado pela autoridade fiscal o intuito de fraude. Qualificação indevida. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O sujeito passivo não logrou comprovar a operação que deu causa aos pagamentos registrados a titulo de despesas e custos em sua contabilidade, beneficiandose de notas fiscais emitidas por Fl. 7633DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.632 3 empresas com atividades encerradas e notas fiscais declaradas inidôneas. MULTA QUALIFICADA. Devida a qualificação, haja vista demonstrado o intuito de fraude pela utilização de notas inidôneas. DECADÊNCIA. Em havendo o descumprimento do disposto no art. 150, cabe o lançamento de oficio, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso I do art. 173 do mesmo código. Ausência de decadência. MULTA AGRAVADA. Restou comprovado que o sujeito passivo não atendeu intencionalmente As intimações. Agravamento devido. INCONSTITUCIONALIDADES. É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte Devidamente intimado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 33063355, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos e documentos, protocolizando, em seguida, petição denominada de "complementação de recurso voluntário" (fls. 60506067), onde apresenta argumentos adicionais e novos documentos. Consta nos autos que, após a interposição do recurso voluntário, o contribuinte, através da petição de fls. 62826283, postulou a juntada de laudo pericial produzido em processo judicial, sendo, na seqüência, intimada a Fazenda Nacional para se manifestar, tendo esta, na petição de fls. 62866290, requerido a desconsideração do referido laudo, por preclusão. Sendo os autos incluídos na pauta de julgamento da sessão de 29 de janeiro de 2010, os membros do colegiado da 1ª Câmara, da 3ª Turma Ordinária, desta Seção de Julgamento, através do Acórdão 110300.127 (fls. 62946318), entenderam negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário. Este Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. IRPJ E CSLL. OPÇÃO PELA TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO ANUAL. Optando o contribuinte pelo regime de apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador de ambas as exações somente ocorre quando do encerramento do exercício (31 de dezembro), momento em que se apuram as receitas e despesas obtidas e incorridas durante todo o ano que, uma vez cotejadas, permitem a definição do lucro elemento material das respectivas hipóteses de incidência. Não se cogita de decadência em relação ao exercício de 2000 encerrado em Fl. 7634DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.633 4 31/12/2000 quando do lançamento foi notificado o contribuinte em 09/12/2005. DECADÊNCIA. PIS. COFINS. Afastada a aplicação da regra do art. 45 da Lei n°. 8.212/91 pela Súmula Vinculante n". 08, regese a decadência das contribuições do PIS e da COFINS pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Reconhecida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 09 de dezembro de 2000. DECADÊNCIA. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. ART. 61 DA LEI N°. 8.981/95. DOLO E FRAUDE NÃO RECONHECIDAS. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 150, § 4°, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Não comprovado dolo ou fraude do contribuinte e tratandose de tributo sujeito ao regime de lançamento homologação o prazo decadencial inicia com a ocorrência do fato gerador. Precedentes deste Conselho. Reconhecida a decadência dos fatos geradores ocorridos em momento anterior a 09 de dezembro de 2000. MULTA AGRAVADA. RESISTÊNCIA AO CUMPRIMENTO DAS INTIMAÇÕES FISCAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO. EXCLUSÃO DO AGRAVAMENTO. A jurisprudência deste Conselho censura o agravamento da multa de oficio com esteio no art. 44, § 2°, da Lei n°. 9.430/96, quando o contribuinte atende, ainda que de forma insuficiente, As intimações fiscais, frisando que o agravamento da penalidade deve estar vinculado A falta de atendimento das intimações. GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. NOTAS FISCAIS DECLARADAS INIDÔNEAS. COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. ILEGITIMIDADE DA GLOSA. A comprovação, através de perícia judicial, do efetivo ingresso das mercadorias e do pagamento dos valores expressos nas notas fiscais desautoriza a glosa de custos. GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. PROVAS DE PAGAMENTO DO IRRF. DECLARAÇÃO NA DIRF. Diante da indicação da natureza da operação, do histórico de pagamentos, da informação dos valores das comissões e dos recolhimentos do IRRF na Dirf do ano 2000, e, levandose em conta da dedutibilidade da despesa (representação comercial), posto necessária A. atividade do sujeito passivo, indevida a glosa efetuada e, consequentemente, injustificável o lançamento por omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Havendo prova nos autos de que os suprimentos de caixa apontados pela autoridade lançadora foram realizados com recursos do próprio contribuinte, diante da identidade de valores entre os lançamentos Fl. 7635DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.634 5 contábeis e as saídas de numerário de contas corrente da sua titularidade, e, assim, comprovada a origem dos recursos, assim como tratarse de mera transferência de conta bancária para a conta caixa, a situação não se amolda A. regra estampada no art. 282 do RIR/99. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. PENALIDADE APLICADA CONCOMITANTEMENTE Á MULTA DE OFÍCIO. "A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art.44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre urna mesma base de cálculo". Precedentes deste Conselho. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A análise do mérito dos lançamentos pertinentes à glosa de despesas e falta de comprovação de lançamentos contábeis atinentes a manutenção da Fundação Nestore Scodro, transferência de numerários e pagamentos de contratos de mútuo, fica_prejudicada em face do reconhecimento da decadência do direito de lançar, visto que todos os fatos geradores apontados pela autoridade lançadora ocorreram antes de 09 de dezembro de 2000. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. LANÇAMENTO DECORRENTE DA GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Existindo nos autos comprovação, através de perícia judicial, de que os pagamentos registrados no Livro Caixa se destinaram à quitação de obrigações decorrentes de aquisição de mercadorias, estando identificadas as operações e os destinatários dos recursos, inaplicável a regra do art. 61 da Lei n°. 8.981/95. Recurso voluntário parcialmente provido. Recurso de oficio improvido. Entre outras causas que implicaram o provimento parcial do recurso voluntário, foi reconhecida a decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 08/12/2000 (alcançando os tributos IRRF, PIS e COFINS), desagravada a multa de ofício, reduzindoa de 112,5% para 75% e excluída a multa isolada por falta de pagamento sobre a base de cálculo mensal estimada. Intimada, a Procuradora da Fazenda nacional ingressou com Recurso Especial em relação às três matérias acima referidas, alegando divergência de interpretação abraçada por outros colegiados. O Presidente da Câmara deu seguimento ao recurso relativo à decadência e à multa isolada, e negou seguimento relativo ao desagravamento da multa, o que restou confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 7636DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.635 6 Incluído em pauta de julgamento, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9101001.912, deu provimento parcial ao recurso da PGFN para afastar a decadência do IRRF e determinou o retorno do autos à Câmara a quo para apreciação do mérito, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2000 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase na data da ocorrência do fato gerador. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE. Conforme jurisprudência pacífica desta 1ª Turma da CSRF, é incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigido pela constatação de omissão de receitas, quando ambas recaem sobre a mesma receita. Em cumprimento ao determinado na decisão da 1ª Turma da CSRF, os presentes autos foram encaminhados para a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, para prosseguimento do julgamento, porém, no decorrer da sessão realizada em 04 de fevereiro de 2015, o colegiado entendeu retirar o processo de pauta, para fins de encaminhálo para a Unidade Preparadora (DRF/Goiânia), para que o contribuinte fosse intimado do Acórdão nº 9101001.912, da CSRF. Após intimado, o sujeito passivo opôs embargos de declaração e, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da 1ª Turma da CSRF declarou a improcedência das alegações suscitadas, não admitindo os referidos embargos. Na seqüência, através da petição de fls. 73627371 e fls. 76237624, a recorrente faz juntada de novos documentos, microfilme de cheques, extratos das contas de origem e destino de numerários, entre outros, alegando que grande parte deles já se encontravam nos autos, requerendo sua aceitação, nos termos da hipótese prevista na alínea "a", do §4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/1972, e do princípio da verdade material. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Fl. 7637DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.636 7 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Conforme relatado, os lançamentos que ainda se encontram em discussão diz respeito ao IRRF decorrentes de supostas transferência de numerários, relativamente ao período de janeiro a 8 de dezembro de 2000. Em seu recurso, o contribuinte reforça sua alegação de que não procede a acusação fiscal de pagamentos para beneficiários não identificados, aduzindo que se trata de simples transferência de numerários entre contascorrentes de sua titularidade e que a fiscalização teve oportunidade de analisar seu Livro Razão, que registra de forma adequada banco, agência e conta do qual os recursos foram debitados e creditados. Para comprovar suas alegações, a recorrente elabora tabela e faz anexar ao recurso cópias do Livro Razão, além de cópias de extratos bancários e demais documentos que no seu entendimento comprova o que sustenta, pugnando pelo imediato e cabal cancelamento da exigência fiscal. No que tange aos demais pagamentos efetuados no anocalendário de 2000, classificados pela fiscalização como pagamentos a beneficiários não identificados, aduz que se tratam de pagamentos de empréstimos tomados com empresas que fazem parte do seu mesmo grupo, e repasses feitos para manutenção da Fundação Nestore Scodro, juntando documentos que, em sua ótica, comprovam suas alegações. Em petições posteriores, com o escopo de reforçar suas alegações, a recorrente traz mais provas que especifica. Ocorre que estes documentos não foram analisados pela decisão recorrida. A despeito da possibilidade de juntada de novos documentos, destacase a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação e preclusão do direito de fazêlo em outro momento processual. No caso, penso ser possível a análise dos novos documentos juntados pela recorrente, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Por outro lado, ainda que não se aceite a aplicação da regra estatuída no inciso "c", do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 ao caso presente, entendo que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa. Aceitandoas, privilegiase tanto o princípio da verdade material, como o princípio da formalidade moderada, entre outros, além do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, pois os Fl. 7638DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.637 8 documentos apresentados podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito sustentado pela recorrente. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 7639DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.638 9 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. Fl. 7640DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.639 10 (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça ser regra geral para efeito de preclusão que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados e colacionados aos autos devem ser admitidos e apreciados, de forma a verificar se eles se prestam a comprovar o direito alegado. Da Conversão do Julgamento em Diligência Alega a recorrente que a maior parte dos lançamentos identificados pela fiscalização como supostos pagamentos a beneficiários não identificados, consistem, na verdade, em simples transferências de numerários entre contacorrente de titularidade da recorrente, devidamente registrado em sua contabilidade, em face da indicação do banco, agência e conta do qual os recursos foram debitados, e a indicação do banco , agência e conta para o qual os recursos foram creditados. Para comprovar que os pagamentos classificados como sendo nãoidentificados no anocalendário de 2000, na verdade, consistem em simples transferências de numerários entre contas bancárias da recorrente, a recorrente fez juntada, em seu recurso voluntário, das cópias do seu razão, indicando os lançamentos a débito e a crédito efetuados, além de cópias de extratos bancários em que, na mesma data, os valores indicados foram lançados a débito e a crédito. Como se viu anteriormente, admitiuse a juntada dos documentos trazidos pela recorrente, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Para aceitação desses documentos, utilizouse ainda fundamento autônomo, consubstanciado no princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, além do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, pois os documentos apresentados podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito sustentado pelo contribuinte. Da análise destes documentos, observo que, em tese, possuem o condão de comprovar que se trata mesmo de transferências de numerários realizadas de movimentações de recursos entre contas de titularidade da mesma pessoa jurídica. Porém, sobre eles, a decisão recorrida não se manifestou, pois foram juntados, como se disse, posteriormente à decisão exarada pela DRJ. Desta forma, se faz necessário que Fl. 7641DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Resolução nº 1301000.476 S1C3T1 Fl. 7.640 11 a RFB manifestese sobre eles, antes da deliberação sobre o mérito da infração ainda em debate. Assim, conduzo meu voto no sentido de que sejam os autos convertidos em diligência, para que a Delegacia de Origem adote as seguintes providências: i) Com base nos documentos existentes nos autos, aferir a procedência de que de fato se tratam de transferências de numerários realizadas de movimentações de recursos entre contas de titularidade da mesma pessoa jurídica; e/ou de existência de pagamentos de empréstimos tomados com empresas que fazem parte do seu mesmo grupo; e/ou de repasses feitos para manutenção da Fundação Nestore Scodro. ii) Após, deverá a autoridade fiscal elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas no item anterior. iii) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 7642DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902478/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.079
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 24 78 /2 01 0- 71 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.902478/201071 Acórdão n.º 3302005.079 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.051. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.902478/201071 Acórdão n.º 3302005.079 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.902478/201071 Acórdão n.º 3302005.079 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10950.902478/201071 Acórdão n.º 3302005.079 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11075.900230/2009-60
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
O mínimo de formalidade é necessária no trato com o Estado, a fim de que o contribuinte possa fazer valer seus direitos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. O mínimo de formalidade é necessária no trato com o Estado, a fim de que o contribuinte possa fazer valer seus direitos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 4ª Turma da DRJ/Florianópolis (efl. 69 e ss): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 90 02 30 /2 00 9- 60 Fl. 93DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 18768.57444.300605.1.3.040472, transmitida em 30 de junho de 2005, por meio recolhido a título de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep), mediante Darf código 8109, em 15 de novembro de 2004, no valor de R$ 4.380,15, relativo ao período de apuração de 31 de outubro de 2004, com vencimento em 15 de novembro de 2004. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana RS pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório (DD), à folha 4, emitido em 25 de março de 2009, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, discriminado na Dcomp, não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, às folhas 01 e 03, na qual alega que o valor do débito do período de apuração de 31 de outubro de 2004 é de R$ 5.926,75, sendo compensado pelos créditos das Dcomp nº 18768.57444.300605.1.3.040472, no valor de R$ 2.697,76, e Dcomp nº 22253.09347.300605.1.3.045946, no valor de R$ 3.228,99. A contribuinte defende que os citados valores estão em conformidade com a DCTF, demonstrando que o crédito da Dcomp, objeto do DD fora utilizado na compensação dos débitos referentes aos meses de apuração 30 de setembro de 2004 e 31 de outubro de 2005, com suas devidas correções. A DRJ/Florianópolis ementou da seguinte forma: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário, a Recorrente (efl. 78 e ss) limitase a repetir sua argumentação. É o relatório. Voto Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11075.900230/200960 Acórdão n.º 3001000.186 S3C0T1 Fl. 3 3 Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é de R$ 4.380,15 (efl. 70), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. A razão alegada pelo Tribunal a quo para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidadae da recorrente foi o fato de que “não fora localizado nos sistemas da RFB o pagamento informado como origem do crédito – R$ 4.380,15, código 8109, com vencimento e pagamento em 15 de novembro de 2004, relativo ao período de apuração de 31 de outubro de 2004” (efl. 71). No próprio Acórdão produzido pela DRJ/Florianópolis é afirmado que “em 22 de agosto de 2006, a contribuinte protocolou novo Pedido de Retificação de Darf – Redarf, à folha 27, solicitando alteração do código do Darf de 6912 para 8109” (efl. 71). Ocorre que a Recorrente, apesar de ser intimada a conferir as informações prestadas na Dcomp (efl. 64), não retificou a Declaração, impedindo que o Fisco atendesse ao seu pleito. Ora, o mínimo que se espera de um Contribuinte que solicita revisão de ato do Fisco é que ele satisfaça as condições elementares para a obtenção do crédito. A Recorrente, apesar de alertada pelo Fisco, permaneceu inerte. O princípio da verdade material tem limites. O mínimo de formalidade é necessária no trato com o Estado. Se assim não fosse, cada um poderia se utilizar dos instrumentos que lhe aprouvesse para buscar seus direitos e à Administração seria necessário ter batalhões e batalhões de servidores para analisar caso a caso, relação a relação do contribuinte com a União. Não me parece que essa situação seja aceitável. O contribuinte, reitero, deve cumprir o mínimo de formalidade necesssária para fazer valer seu alegado direito. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 95DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721475/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que sejam respondidos, pelo Laboratório Nacional de Análises, Instituto Nacional de Tecnologia ou outro órgão federal congênere, os seguintes quesitos: (1) Informar a composição química dos produtos denominados TYZOR NBZ, TYZOR GBA, TYZOR IAM e TYZOR AA-65; (2) Considerando o conceito a seguir transcrito, responder à indagação subseqüente: "Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo.; (2.1) Se os produtos TYZOR NBZ, TYZOR GBA, TYZOR IAM e TYZOR AA-65, na forma em que comercializados, são compostos de constituição química definida e apresentam-se isoladamente ou são preparações químicas; (3) Informar se os produtos TYZOR NBZ, TYZOR GBA, TYZOR IAM e TYZOR AA-65, na forma em que são comercializados, encontram-se dissolvidos em solvente; (4) Em caso positivo ao item anterior, informar se a adição desses solventes altera as moléculas desses produtos e formam soluções indissociáveis e, por conseqüência, desqualifica-os como compostos de constituição química definida e isolados; (5) Informar se os produtos em questão apresentam diagrama estrutural único; e (6) Acaso tais produtos sejam, de fato, compostos de constituição química definida e apresentem-se isolados, informar se TYZOR NBZ é um alcoolato metálico, TYZOR GBA um éster de outro ácido, TYZOR IAM um éster fosfórico e TYZOR AA-65 um éster de outro ácido.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que sejam respondidos, pelo Laboratório Nacional de Análises, Instituto Nacional de Tecnologia ou outro órgão federal congênere, os seguintes quesitos: (1) Informar a composição química dos produtos denominados “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”; (2) Considerando o conceito a seguir transcrito, responder à indagação subseqüente: "Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo.”; (2.1) Se os produtos “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”, na forma em que comercializados, são compostos de constituição química definida e apresentamse isoladamente ou são preparações químicas; (3) Informar se os produtos “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA 65”, na forma em que são comercializados, encontramse dissolvidos em solvente; (4) Em caso positivo ao item anterior, informar se a adição desses solventes altera as moléculas desses produtos e formam soluções indissociáveis e, por conseqüência, desqualificaos como compostos de constituição química definida e isolados; (5) Informar se os produtos em questão apresentam “diagrama estrutural único”; e (6) Acaso tais produtos sejam, de fato, compostos de constituição química definida e apresentemse isolados, informar se “TYZOR NBZ” é um alcoolato metálico, “TYZOR GBA” um éster de outro ácido, “TYZOR IAM” um éster fosfórico e “TYZOR AA65” um éster de outro ácido. Rosaldo Trevisan – Presidente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 21 47 5/ 20 11 -1 7Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13896.721475/201117 Resolução nº 3401001.372 S3C4T1 Fl. 4 2 Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Versa o presente processo sobre lançamento de multa pelo Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI não lançado, com cobertura de crédito, período de apuração julho/2006 a setembro/2007, decorrente de erro de classificação fiscal de produtos saídos do estabelecimento. Nos termos do relatório de autuação o contribuinte teria classificado incorretamente os seguintes produtos químicos: 1) “KRYTOX 1514” – Graxa ou óleo lubrificante – código adotado pelo contribuinte: 3907.2090 – reenquadramento pela fiscalização: 3403.99.00; 2) “TYZOR NBZ” – Contribuinte informa que se trata de substância pura de constituição química definida, com classificação no código 2905.19.29 – a fiscalização afirma que, segundo catálogo, tratarseia de uma preparação formada pela substância zirconium tetra nbutanolate e pelo solvente n butanol, na proporção de 16%, com classificação no código 3815.90.99; 3) “TYZOR GBA” Contribuinte informa que se trata de substância pura de constituição química definida, com classificação no código 2920.90.90 – a fiscalização afirma que, segundo catálogo, tratarseia de uma preparação formada pela substância acetil acetonato de titânio e pelos solventes IPA, BuOH e MeOH, na proporção de 25%, com classificação no código 3824.90.39; 4) “TYZOR IAM” Contribuinte informa que se trata de substância pura de constituição química definida, com classificação no código 2919.90.90 – a fiscalização afirma que, segundo catálogo, tratarseia de uma preparação formada por um complexo orgânico de titanato e fosfato e pelos solventes IPA e EtOH, na proporção de 30%, com classificação no código 3824.90.39; e, 5) “TYZOR AA65” Contribuinte informa que se trata de substância pura de constituição química definida, com classificação no código 2920.90.90 – a fiscalização afirma que, segundo catálogo, tratarseia de uma preparação formada pela substância acetil acetonato de titânio tendo 65% de conteúdo ativo, e pelos solventes IPA e EtOH, na proporção de 35%, com classificação no código 3824.90.39. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13896.721475/201117 Resolução nº 3401001.372 S3C4T1 Fl. 5 3 Houve reconstituição da escrita fiscal com imputação dos débitos respectivos, inteiramente cobertos por créditos disponíveis, razão porque lançada apenas a multa do art. 80 da Lei nº 4.502/64, na redação dada pela legislação superveniente. Devidamente cientificado da autuação, o contribuinte, em impugnação, reconheceu o equívoco da classificação do produto denominado “KRYTOX 1514” e informou que estava providenciando o recolhimento da multa correspondente. Quanto aos demais produtos, contestou a classificação fiscal apontada pelo autuante, asseverando que se cuidavam de produtos com composição química definida, utilizados como agentes promotores de ligações/adesões, o que, em atenção às regras próprias, sinalizava o correto enquadramento fiscal por ele empregado, no Capítulo 29 da TIPI, segundo a respectiva Nota 1.a, ao fazer referência expressa aos compostos orgânicos de constituição definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; aduziu que a expressão “constituição química definida” é uma tradução da Lei de Proust ou Lei das Proporções Constantes; que somente substâncias de constituição química definida permitem representação por fórmula química, o que não ocorre com as misturas (preparações); que esses produtos são substâncias puras que geralmente encontramse dissolvidas em solvente, formando soluções, que, porém, não alteram suas moléculas; que o argumento da fiscalização que os produtos não são representados por diagrama estrutural único carece de fundamentação técnica, constituindose em presunção; e, que anexou laudos técnicos confeccionados pelos químicos responsáveis pelos produtos, acentuando que a autoridade fiscal não teria capacidade técnica para desconsiderálos. A DRJ Ribeirão Preto/SP rebateu a possibilidade de classificação dos produtos no Capítulo 29, como pretendia o recorrente, por não se constituírem em compostos orgânicos de constituição definida e apresentados isoladamente, segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), mantendo o lançamento mediante decisão assim ementada: “CLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPOSTOS ORGÂNICOS DE CONSTITUIÇÃO QUÍMICA DEFINIDA NÃO APRESENTADOS ISOLADAMENTE. Compostos orgânicos de constituição química definida, apresentados isoladamente, mesmo que contenham impurezas, são classificados no Capítulo 29 da TIPI. Descaracterizada qualquer destas duas condições, excluise a possibilidade de enquadramento nesse Capítulo, ressalvadas as exceções expressamente indicadas na NCM. PRODUÇÃO DE PROVAS E PEDIDO DE PERÍCIAS. A apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. Indeferese o pedido de diligência ou de perícia quando consideradas desnecessárias, por não vislumbrarem a possibilidade de produzirem informações adicionais úteis ao deslinde da contenda.” Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pela declaração de nulidade da decisão recorrida, em razão da falta de apreciação de todas as provas documentais apresentadas em impugnação, e, no mérito, reprisou a argumentação lá deduzida. É o relatório. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13896.721475/201117 Resolução nº 3401001.372 S3C4T1 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Nada obstante a proposta de conversão do julgamento em diligência, que toca o meritum causae, necessário o enfrentamento da alegação de nulidade da decisão de primeiro grau administrativo. Nesse diapasão, não vislumbro defeito que inquine o ato decisório reclamado, porquanto devidamente fundamentada a desconsideração dos documentos apresentados, especificamente laudos técnicos, encontrandose escorado i) no fato de tais laudos serem confeccionados unilateralmente, sem participação da Fazenda Nacional, por químicos componentes do quadro profissional da própria recorrente e, principalmente, ii) por não virem anexados à impugnação, em violação ao art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72. Então, distintamente do que prega o recorrente, houve, sim, apreciação da prova documental produzida, ainda que para considerála insatisfatória ou imprestável, do ponto de vista formalprocessual, ao exame do lançamento. Ultrapassada a questão vestibular, constato que o punctun saliens da altercação reside na qualificação dos produtos químicos reclassificados (“TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”) como compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, para a finalidade de atendimento à Nota 1.a do Capítulo 29, da TIPI/NCM, insistindo o recorrente na correção de sua classificação fiscal nos códigos originalmente utilizados, enquanto as autoridades recorridas entendemna incorreta, pela não satisfação de tais requisitos cumulativos. Nada obstante o entendimento do autuante e do colegiado a quo que a questão seria de simples solução, a partir dos elementos constantes dos autos, bastando notar que se cuidariam de misturas de produtos químicos, pela adição de solventes, resultando em preparações inespecíficas, o que afastaria a pretensão de enquadramento fiscal no predito Capítulo 29, verifico que recorrente repele esse argumento com a utilização de conceitos e raciocínios técnicos, o que, em minha opinião, exige a manifestação de entidade especializada. Demais disso, o conhecimento técnico específico do julgador, seja ele judicial ou administrativo, sobre a matéria em julgamento, a meu sentir, não afasta a necessidade de produção da prova pericial, como forma de garantia da ampla defesa, isso porque, cuidandose de tema complexo, como no caso vertente – química –, a correta caracterização do produto impactará diretamente o objeto do lançamento, a classificação fiscal. Outrossim, considerando o teor do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, pela natureza dos produtos sub examine, o trabalho deverá ser realizado pelo Laboratório Nacional de Análises, Instituto Nacional de Tecnologia ou outro órgão federal congênere. Nesse passo, proponho a conversão do julgamento em diligência para que sejam respondidos os seguintes quesitos: Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13896.721475/201117 Resolução nº 3401001.372 S3C4T1 Fl. 7 5 1) Informar a composição química dos produtos denominados “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”; 2) Considerando o conceito a seguir transcrito, responder à indagação subseqüente: “Um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por uma espécie molecular (covalente ou iônica, por exemplo) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural único. Numa rede cristalina, a espécie molecular corresponde ao motivo repetitivo.” 2.1) Se os produtos “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”, na forma em que comercializados, são compostos de constituição química definida e apresentamse isoladamente ou são preparações químicas; 3) Informar se os produtos “TYZOR NBZ”, “TYZOR GBA”, TYZOR IAM” e “TYZOR AA65”, na forma em que são comercializados, encontramse dissolvidos em solvente; 4) Em caso positivo ao item anterior, informar se a adição desses solventes altera as moléculas desses produtos e formam soluções indissociáveis e, por conseqüência, desqualificaos como compostos de constituição química definida e isolados; 5) Informar se os produtos em questão apresentam “diagrama estrutural único”; e, 6) Acaso tais produtos sejam, de fato, compostos de constituição química definida e apresentemse isolados, informar se “TYZOR NBZ” é um alcoolato metálico, “TYZOR GBA” um éster de outro ácido, “TYZOR IAM” um éster fosfórico e “TYZOR AA65” um éster de outro ácido. Respondidos os quesitos supra, abrir vista ao recorrente para que, entendendo necessário, manifestese no prazo de 30 (trinta) dias. Em seguida, devolvamse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726975/2009-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 75 /2 00 9- 88 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10580.726975/200988 Acórdão n.º 9202006.384 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.002026/2003-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/09/2003 a 02/09/2003
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATMER 163.
O produto químico de denominação comercial Atmer 163, constituído por uma mistura de alquil dietanolamina, sem constituição química definida, e utilizado como antiestático na fabricação de polímeros, classifica-se no código NCM 3824.90.39. RGI 1, RGI 6 e RGC 1.
Numero da decisão: 9303-006.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/09/2003 a 02/09/2003 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATMER 163. O produto químico de denominação comercial Atmer 163, constituído por uma mistura de alquil dietanolamina, sem constituição química definida, e utilizado como antiestático na fabricação de polímeros, classifica-se no código NCM 3824.90.39. RGI 1, RGI 6 e RGC 1.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1470; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11050.002026/200374 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.330 – 3ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BRASKEM S.A. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 02/09/2003 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATMER 163. O produto químico de denominação comercial Atmer 163, constituído por uma mistura de alquil dietanolamina, sem constituição química definida, e utilizado como antiestático na fabricação de polímeros, classificase no código NCM 3824.90.39. RGI 1, RGI 6 e RGC 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 20 26 /2 00 3- 74 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11050.002026/200374 Acórdão n.º 9303006.330 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 320100.488, de 30 de junho de 2010 (fls. 197 a 206 numeração do eprocesso), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de Apuração: 01/09/2003 a 02/09/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ATMER 163. O produto comercialmente denominado Atmer 163, constituído por uma mistura de alquil dietanolamina, na qual o radical Alquil é constituído de cadeia carbônicas alifáticas lineares e ramificadas C13 a C15, não se classifica na posição NCM 3824.90.89, como pretendido pela fiscalização. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A divergência suscitada no recurso especial (fls. 211 a 222) referese à classificação do produto de nome comercial Atmer 163. Como se vê acima, o recorrido entendeu que o produto não se classifica na NCM 3824.90.89. O paradigma, por seu turno, decidiu que sim. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade às fls. 246 e 247. Contrarrazões da contribuinte às fls. 252 a 276. Requer que não se dê seguimento ao recurso especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial A contrarrazoante apresenta quatro razões para obstar o prosseguimento do recurso. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11050.002026/200374 Acórdão n.º 9303006.330 CSRFT3 Fl. 4 3 Primeiro, alega que não há interpretação divergente da legislação tributária, pois o paradigma decidiu com base na ausência de provas, enquanto o recorrido decidiu com base nas regras de classificação das mercadorias. Pela mesma razão, considera que a legislação tributária aplicada é diferente num e noutro caso. Essa leitura não é consentânea com o que se extrai dos autos. O trecho do acórdão paradigma destacado no corpo das contrarrazões, no qual o Relator do processo referese à ausência de provas, não passa de um comentário ad argumentandum tantum. Antes dele, há criteriosa demonstração de que a classificação adotada pelo Fisco está correta. Observemse os trechos a seguir, extraídos do acórdão. Nesta esteira, no que tange ao pedido de realização de exames complementares formulado no Recurso apresentado, também entendo estes como desnecessários, posto que os elementos constantes dos autos são suficientes ao convencimento deste julgador. Se não, vejamos: A mercadoria importada é apresentada pela Recorrente como produtos de constituição química definida, logo, defende que "nada mais certo que classificálo na posição 2292.19.99, que se trata de "outros", dentro da classificação dos compostos aminados de função oxigenada", em contrapartida à tese defendida pela fiscalização, bem como pela decisão recorrida, segundo a qual se tratam de misturas. O fato é que a fiscalização, bem como a decisão a quo, se basearam, além das características técnicas dos produtos, nas informações contidas nos laudos juntados aos autos, e contra as quais não logrou êxito o Recorrente em comprovar que seria de forma diversa. Com efeito, o Laudo de Análise juntado às fls. 19, em resposta aos quesitos constantes no item 7 de fls. 20, atesta que: (...) E, às fls. 33, em resposta aos quesitos formulados fls. 30, estes mesmo Laudo informa: (...) No mesmo sentido, certifica o Parecer Técnico de fls. 132/149, elaborado pelo Departamento de Química da Fundação Universidade Federal do Rio Grande, tendo em vista a proposta de fls. 73: Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11050.002026/200374 Acórdão n.º 9303006.330 CSRFT3 Fl. 5 4 Ora. Como é possível afirmar que o acórdão decidiu com base na ausência de provas? Dos excertos acima transcritos resta incontroverso que o Relator do processo adentrou ao mérito, analisando de forma detalhada as provas colacionadas aos autos pela Fiscalização. Depois, apenas acrescentou que "(...) ainda, o contribuinte não ter logrado êxito em comprovar fato diverso". O segundo argumento referese à utilização, no acórdão recorrido, de elementos de prova diferentes dos que foram utilizados no acórdão paradigma. Essa questão não merece ser aprofundada. Que importância tem, afinal, os elementos de prova utilizados num e noutro acórdão. Como a ninguém é dado desconhecer, o recurso especial não se presta à análise de provas, mas, exclusivamente, à uniformização da jurisprudência dissonante acerca da correta interpretação da legislação tributária. Em terceiro, assevera que a tese da recorrente está superada. Para demonstrá lo, apresenta decisão tomada pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Como se sabe, contudo, apenas os acórdãos reformados pela instância superior perdem a condição de paradigma e somente quando a reforma ocorreu antes da interposição do recurso ou, ainda, quando a linha de defesa da recorrente contraria súmula do CARF1. Nenhuma dessas circunstâncias, porém, ocorreram no caso concreto. Por fim, alega que o recurso especial não se presta à reexame de provas. Mas não se pretende reexaminar provas e sim harmonizar a interpretação divergente acerca da classificação fiscal de nome comercial Atmer 163. Uma vez que o recurso foi apresentado dentro do prazo legal, dele tomo conhecimento. 1 Art. 67 do RICARF (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. (...) § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11050.002026/200374 Acórdão n.º 9303006.330 CSRFT3 Fl. 6 5 Mérito A divergência a ser enfrentada encontrase na definição do item e subitem corretos, vez que, para a Fiscalização Federal e para a recorrente (Fazenda Nacional) seria correto o código NCM 3824.90.8, enquanto a decisão recorrida, por seu turno, entendeu que o Atmer 163 deve ser classificado no item 3824.90.3 , cujo texto referese a "Misturas e preparações para borracha ou plásticos", tendo em vista tratarse de "produto utilizado na fabricação de polímeros como aditivo de superfície e antiestático". No acórdão recorrido, concluiuse que o Fisco já laborara em erro ao escolher o item 8 (3824.90.8) e que seria suficiente para o deslinde da lide asseverarse da inexatidão da classificação no nível de item, sem necessidade de se definir a classificação completa, com oito dígitos. De fato, a jurisprudência administrativa é sólida sobre o assunto. Quando a classificação escolhida pelo Fisco revelase equivocada, o crédito tributário constituído é extinto, independentemente da classificação adotada pela contribuinte. Salvo melhor juízo, tratase de uma decisão correta, pois a nova classificação que emerge do julgamento traz consequências imprevisíveis. Outra alíquota (talvez ad valorem, talvez específica), outro tratamento administrativo, necessidade de novos esclarecimento técnicos sobre o produto, etc. Examinamse as características do produto e a classificação fiscal decorrente. A autuação baseouse nos Laudos Técnicos nº 1.815/1999 (fls. 33 a 35) e nº 1078.01/2000 (fls. 36 a 39), emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, e no Laudo Químico (fl. 40), emitido pelo Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 12/07/2000, todos produzidos a partir de amostras coletadas em importações do mesmo produto realizadas pelo contribuinte. Por provocação da DRJ responsável pelo julgamento deste mesmo produto em outro processo, o Laboratório Luiz Angerami emitiu a Informação Técnica nº 15/2001 (fls. 188 a 193), por meio da qual atualizou as informações constantes nos laudos anteriores. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11050.002026/200374 Acórdão n.º 9303006.330 CSRFT3 Fl. 7 6 Assim, a classificação da mercadoria será efetuada com base nas informações constantes dos quatro laudos citados, já devidamente atualizadas de acordo com a IT nº 15/2001. Extraise dos laudos que o Atmer 163: · é uma mistura de alquil dietanolamina, na qual o radical alquil é constituído de cadeias carbônicas que variam entre 13 a 15 átomos de carbono (Laudo nº 1078.01/2000) ou entre 12 a 16 átomos de carbono (Laudo UFRGS); · é uma mistura onde todos os produtos são amino álcoois com dois grupos hidroxietilas e um grupamento de cadeia diferentes (provavelmente entre 12 e 16 carbonos); · não possui constituição química definida; · não se trata de um álcool graxo (gordo) industrial; · não se trata de uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico; e · é um aditivo antiestático utilizado na fabricação de polietileno, polipropileno, poliestireno de alto impacto e poli (acrilonitrial/ butadieno/estireno). A classificação fiscal de mercadorias fundamentase nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias; nas Regras Gerais Complementares do Mercosul (RGC); nos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA); nos ditames do Mercosul; e, subsidiariamente, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh). A RGI 1 dispõe que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm valor apenas indicativo e que, para efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Quando não puder ser determinada pela RGI 1, e desde que não seja contrária aos textos das posições e Notas, a classificação será determinada Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11050.002026/200374 Acórdão n.º 9303006.330 CSRFT3 Fl. 8 7 pelas regras seguintes RGI 2 a 5, aplicadas em ordem sucessiva. A RGI 6 dispõe que, mutatis mutandis, deve ser aplicada a inteligência da RGI 1 para se determinar as subposições de 1º e de 2º nível e, por fim, a RGC 1 dispõe que, mutatis mutandis, deve ser aplicada a inteligência da Regras Gerais para se determinar o item e o subitem aplicáveis. O contribuinte adotava em suas importações o código NCM 2922.19.99. Entretanto, as Notas 1a) e 1b) do Capítulo 29, na redação vigente à época das importações de que trata este processo, estabelecem que: 1 Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (...) (grifado) Como transcrito acima, o Atmer 163 é uma mistura de Alquil Dietanolamina na qual o radical alquil é constituído de cadeias que variam entre 13 e 15 átomos de carbono (IT nº 15/2001) ou entre 12 e 16 átomos de carbono (Laudo UFRGS), ou seja, uma mistura de vários aminoálcoois que, apesar de terem uma mesma estrutura básica, diferem no número de átomos de sua cadeia carbônica. Assim, sua constituição química não é definida, pois o radical alquil é constituído de cadeias carbônicas que não possuem um número definido de carbonos, sendo esse tipo de composto excluído do Capítulo 29 pela Nota 1a). Por essa mesma característica é excluído do Capítulo 29 pela Nota 1b), uma vez que isômeros são compostos diferentes que possuem o mesmo número de átomos. Entretanto, como já dito, o produto é composto de moléculas com número variado de átomos de carbono, constando do Laudo nº 1078.01/2000 a informação de que o Atmer 163 não é uma mistura de isômeros. Por aplicação da RGI 1, o produto classificase na posição residual 38.24, transcrito a seguir, uma vez não existir uma posição mais específica: 38.24 AGLUTINANTES PREPARADOS PARA MOLDES OU PARA NÚCLEOS DE FUNDIÇÃO; PRODUTOS QUÍMICOS E PREPARAÇÕES DAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS OU DAS INDÚSTRIAS CONEXAS (INCLUÍDOS OS CONSTITUÍDOS POR MISTURAS DE PRODUTOS NATURAIS), NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES (grifado) Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11050.002026/200374 Acórdão n.º 9303006.330 CSRFT3 Fl. 9 8 O contribuinte defende, alternativamente, caso não se concorde com sua classificação, que se adote a posição 3823, cujo texto se transcreve: 38.23 ÁCIDOS GRAXOS (GORDOS*) MONOCARBOXÍLICOS INDUSTRIAIS; ÓLEOS ÁCIDOS DE REFINAÇÃO; ÁLCOOIS GRAXOS (GORDOS*) INDUSTRIAIS Entretanto, o produto não pode se classificar nesta posição, uma vez ter sido solicitada apreciação sobre esse aspecto e constar de todos os laudos emitidos pelo Laboratório Luiz Angerami que não se trata de um álcool graxo industrial, informação sobre a qual nunca pairou dúvida ou foi feita qualquer retificação. Dessa forma, nos resta a posição residual 38.24 para a classificação do produto. A posição 38.24 apresenta as seguintes subposições de 1º nível: 3824.10.00 Aglutinantes preparados para moldes ou para núcleos de fundição 3824.20 Ácidos naftênicos, seus sais insolúveis em água e seus ésteres 3824.30.00 Carbonetos metálicos não aglomerados, misturados entre si ou com aglutinantes metálicos 3824.40.00 Aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concretos (betões) 3824.50.00 Argamassas e concretos (betões), não refratários 3824.60.00 Sorbitol, exceto o da subposição 2905.44 3824.7 Misturas contendo derivados peralogenados de hidrocarbonetos acíclicos com pelo menos dois halogênios diferentes 3824.90 Outros O produto em análise não corresponde aos textos de nenhuma das subposições de 1º nível do código 3824.10.00 até 3824.7. Portanto, por aplicação da RGI 6, incluise na subposição residual 3824.90 Outros. A subposição 3824.90 desdobrase nos seguintes itens: 3824.90.1 Produtos intermediários da fabricação de antibióticos ou de vitaminas ou de outros produtos da posição 29.36 3824.90.2 Derivados de ácidos graxos (gordos*) industriais; preparações contendo álcoois graxos (gordos*) ou ácidos carboxílicos ou derivados destes produtos Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11050.002026/200374 Acórdão n.º 9303006.330 CSRFT3 Fl. 10 9 3824.90.3 Preparações para borracha ou plásticos, exceto as da posição 3812, e outras preparações para endurecer resinas sintéticas, colas, pinturas ou usos similares 3824.90.4 Preparações desincrustantes, anticorrosivas ou antioxidantes; fluidos para a transferência de calor 3824.90.5 Contendo ésteres de ácidos inorgânicos e seus derivados; polietilenoglicóis; polipropilenoglicóis 3824.90.6 Preparações à base de tetrafluoretano e pentafluoretano; preparações à base de clorodifluormetano e pentafluoretano; preparações à base de clorodifluormetano e clorotetrafluoretano 3824.90.7 Produtos e preparações à base de elementos químicos ou de seus compostos inorgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições 3824.90.8 Produtos e preparações à base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições 3824.90.90 Outros O produto em análise é um aditivo antiestático utilizado na fabricação de polímeros (polietileno, polipropileno, poliestireno, etc.), segundo o Laudo nº 1078.01/2000 e IT nº 15/2001. Essa característica, de ser utilizado no processo de fabricação de polímeros (plásticos), não é questionada por nenhuma das partes, tendo o próprio contribuinte informado em uma das declarações de importação que o Atmer 163 é utilizado como "antiestático e desativador do cocatalisador do processo de polimerização do propileno e/ou polietileno". Logo, por aplicação da RGC 1, o Atmer 163 classificase no item 3824.90.3, que contém o texto que corresponde ao produto Preparações para borracha ou plástico. O item 3824.90.3 desdobrase nos seguintes subitens: 3824.90.31 Contendo isocianatos de hexametileno 3824.90.32 Contendo outros isocianatos 3824.90.33 Contendo aminas graxas (gordas*) de C8 a C22 3824.90.34 Contendo polietilenoaminas e dietilenotriaminas, próprias para a coagulação do látex 3824.90.35 Outras, contendo polietilenoaminas 3824.90.36 Misturas de mono, di e triisopropanolaminas 3824.90.37 Reticulantes para silicones Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11050.002026/200374 Acórdão n.º 9303006.330 CSRFT3 Fl. 11 10 3824.90.39 Outras O produto não corresponde a nenhum dos subitens de 3824.90.31 a 3824.90.37. Logo, deve ser classificado no subitem residual 3824.90.39, por inexistência de um subitem específico. Poderseia questionar a possibilidade de enquadramento no código NCM 3824.90.33 Contendo aminas graxas, mas não é um enquadramento possível, uma vez que o produto não é uma mistura de aminas, mas uma mistura de alquil dietanolaminas (uma mistura de álcoois e aminas) Laudo URFGS e IT nº 15/2001. Dessa forma, compartilho das conclusões a que chegaram anteriormente, em julgados do mesmo produto e para o mesmo contribuinte, o acórdão nº 30335.244, de 24 de abril de 2008, e o acórdão nº 3102000.946, de 28 de fevereiro de 2011. Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI 1 (texto de posição 38.24) e 6 (texto da subposição 3824.90) e na Regra Geral Complementar da Nomenclatura Comum do Mercosul RGC 1 (textos do item 3824.90.3 e do subitem 3824.90.39), constantes da Nomenclatura Comum do Mercosul aprovada pelo Decreto nº 2.376, de 1997, com alterações posteriores, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi) aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 2002, a mercadoria classificase no código NCM 3824.90.39. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000235/2007-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 06/03/2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 02 35 /2 00 7- 82 Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10111.000235/200782 Acórdão n.º 9303006.254 CSRFT3 Fl. 813 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3402002.215, proferido pela 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que a Classificação Fiscal de Mercadoria Importada terminais portáteis de sistema bidirecional de radiomensagens, de taxa de transmissão inferior ou igual a 112 kbits/s é de posição 8517.62.71, diferente da indicada pelo Fisco, posição 8526.91.00. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte foi apurada a infração de mercadoria importada classificada incorretamente na NBM/TIPI (que se baseia na NCM/TEC), objeto da Declaração de Importação nº 07/02800621, registrada em 05/03/2007, o que deu margem à lavratura, em 22/03/2007, de quatro Autos de Infração (AI). O primeiro AI, às fls. 01 a 05 do processo digital, foi lavrado para a cobrança da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, por sua classificação incorreta na nomenclatura e tarifa respectiva, no valor total de R$ 19.730,39 (dezenove mil, setecentos e trinta reais e oito centavos), nos termos dos Demonstrativos de fl. 06, e extrato do processo, à fl.39). O segundo AI, às fls. 07 a 10, deuse para a cobrança da diferença do Imposto sobre Produtos Industrializado, em decorrência da alteração na alíquota incidente sobre a mercadoria importada, por conta de sua reclassificação tarifária (de 15% para 20%), com os acréscimos legais cabíveis e a multa de ofício de 75%, no valor total de R$ 98.650,40 (noventa e oito mil, seiscentos e cinquenta reais e quarenta centavos), nos termos dos Demonstrativos de Apuração de fls.11 e 12, e extrato do processo, à fl.39. O terceiro AI, às fls.13 a 16, foi lavrado para a cobrança da diferença da Cofins Importação, em decorrência da alteração ocorrida na base de cálculo dessa contribuição, acrescida dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, no valor total de R$ 621,86 (seiscentos e vinte e um reais e oitenta e seis centavos), e R$ 466,39 (quatrocentos e sessenta e seis reais e trinta e nove centavos), nos termos dos Demonstrativos de Apuração de fls.17 e 18, e extrato do processo, à fl.39. E, finalmente, o quarto AI, às fls. 18 a 22, deuse para a cobrança da diferença do PISPasep, também em decorrência da Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10111.000235/200782 Acórdão n.º 9303006.254 CSRFT3 Fl. 814 3 alteração ocorrida na base de cálculo dessa contribuição, por conta da reclassificação da mercadoria importada no montante de R$ 135,01 (cento e trinta e cinco reais e um centavo), e de R$ 101,25 (cento e um reais e vinte e cinco centavos) nos termos dos Na descrição dos fatos constante dos quatro AI, a autoridade lançadora explicou que o contribuinte importou, por meio da DI mencionada, aparelho móvel de GPS, assim descrito nos documentos de importação. “650 unidades de um aparelho móvel de comunicação, constituído de antena de transmissão e recepção por satélite, com GPS integrado, teclado com tela de cristal líquido e cabos acessórios, utilizado para o rastreamento de veículo e comunicação de dados entre este e a empresa, fazendo uso do Sistema de Posicionamento Global (GPS)...”, classificando o aparelho no código NBM/TIPI 8517.62.71 “Aparelhos de recepção, conversão e transmissão ou regeneração de voz, imagens ou outros, incluídos os aparelhos de comutação e roteamento”, sujeito à alíquota do IPI de 15%, em consonância com o Decreto nº 6.006, de 2006. A autoridade lançadora, analisando detalhadamente a mercadoria importada e o código adotado pelo importador, sob a ótica legal do Sistema Harmonizado, da NBM/TIPI e das Regras Gerais de Interpretação do SH, incorporadas pela NCM e pela NBM, concluiu que, sendo o produto constituído por um aparelho receptor GPS acoplado, que desempenha a função de auto localização (radio navegação), classificase na Posição 8526 (aparelhos de radio navegação), mais precisamente na Subposição 8526.91.00, o que ensejaria a aplicação da alíquota do IPI de 20% (em vez de 15%), de acordo com o Decreto nº 6.006, de 2006. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do Fato Gerador: 06/03/2007 Ementa: PROVAS A prova dos fatos deverá ser colhida pelos meios admitidos em direito, no processo, e pela forma estabelecida em lei. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Cabe a Autoridade Fiscal comprovar a ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a feitura do auto de infração, nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena móvel de transmissão e recepção de satélite, Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10111.000235/200782 Acórdão n.º 9303006.254 CSRFT3 Fl. 815 4 de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veículo com tela de cristal, designada comercialmente como Terminal Móvel de Comunicação se classifica no código TEC 8517.62.71. Cientificada do resultado do julgamento, Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, fls. 665/667, alega que ocorreu contradição e omissão em vários pontos da decisão. Presidente Substituto da 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, rejeitou os embargos, fls. 670/672. Ciente do referido despacho e tempestivamente, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, suscitando divergência contra o entendimento adotado pela decisão recorrida, relativamente à utilização de laudo pericial, emitido por entidade não credenciada perante a Receita Federal, como prova da correta classificação fiscal da mercadoria. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial foram apontados, como paradigmas, os Acórdãos nº 30330.420 e 30329.385 Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 702/704. Vejamos: Acórdão nº 30330.420, de 17/09/2002: CLASSIFICAÇÃO FISCAL REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO II. "EX" TARIFÁRIO. A prova hábil para dirimir dúvidas relativas à questões técnicas de um equipamento importado, para efeito de classificação fiscal, é o laudo pericial elaborado por especialista credenciado junto à repartição aduaneira competente, conforme dispõe o art. 30 do Decreto n.° 70.235/72. Não atendendo o laudo técnico os objetivos para o qual foi proposto, permanecendo as dúvidas levantadas, não há porque o sujeito passivo da obrigação tributária ser prejudicado. Neste caso, o in dubio se resolve pro reu, em face do disposto no art. 112 do CTN — o chamado "in dubio contra fiscum". RECURSO PROVIDO. O confronto das decisões comprova a divergência jurisprudencial apontada. Consoante aresto indicado como parâmetro de divergência, analisando a matéria relativa à classificação fiscal de mercadorias, contrariando o externado pela decisão sob vergasta, entendeu o Colegiado que apenas laudos periciais emitidos por especialista credenciado junto à repartição aduaneira competente são documentos hábeis e idôneos para comprovar a classificação fiscal da mercadoria. Com essas considerações, entendo ter sido comprovada a divergência jurisprudencial apontada". Devidamente intimada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 712/ Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10111.000235/200782 Acórdão n.º 9303006.254 CSRFT3 Fl. 816 5 É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário, com esteio nos seguintes fundamentos, verbis: "Nos termos dos laudos apresentados, o MCT se enquadra como emissor com aparelho incorporado receptor incorporado de telecomunicação por satélite, digital para transmissão de dados operando em banda C. Pela descrição técnica proferida no laudo da Unb, entendo que o produto deve ser classificado na posição 8517.62.71 Terminais portáteis de sistema bidirecional de radiomensagens, de taxa de transmissão inferior ou igual a 112 kbits/s posição adotada pelo recorrente e contestada pelo fisco sem embasamento técnico. Quanto às nulidades suscitadas, deixo de apreciálas em virtude de votar pelo deferimento total da questão de mérito, nos termos § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10111.000235/200782 Acórdão n.º 9303006.254 CSRFT3 Fl. 817 6 Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar os autos de infração em discussão neste processo administrativo". Por outro lado, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, suscitando divergência contra o entendimento adotado pela decisão recorrida, relativamente à utilização de laudo pericial, emitido por entidade não credenciada perante a Receita Federal, como prova da correta classificação fiscal da mercadoria. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial foram apontados, como paradigmas, os Acórdãos nº 30330.420 e 30329.385. Vejamos: Acórdão nº 30330.420, de 17/09/2002: CLASSIFICAÇÃO FISCAL REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO II. "EX" TARIFÁRIO. A prova hábil para dirimir dúvidas relativas à questões técnicas de um equipamento importado, para efeito de classificação fiscal, é o laudo pericial elaborado por especialista credenciado junto à repartição aduaneira competente, conforme dispõe o art. 30 do Decreto n.° 70.235/72. Não atendendo o laudo técnico os objetivos para o qual foi proposto, permanecendo as dúvidas levantadas, não há porque o sujeito passivo da obrigação tributária ser prejudicado. Neste caso, o in dubio se resolve pro reu, em face do disposto no art. 112 do CTN — o chamado "in dubio contra fiscum". RECURSO PROVIDO Com efeito, de uma leitura detida do Recurso da Fazenda Nacional, não localizei em nenhum momento da peça recursal o cotejo analítico, apontando qual legislação tributária teria sido interpretada de maneira divergente do que o acórdão recorrido decidiu. Por este primeiro defeito, entendo que o recurso não merece ser conhecido. Quanto ao cotejo analítico, o ex Presidente do CARF, teve o empenho e dedicação de elaborar o MANUAL DE EXAME DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL, disponível no sítio do CARF, o qual merece destaque: 1.2 Demonstração da legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente." ( fls.30). Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10111.000235/200782 Acórdão n.º 9303006.254 CSRFT3 Fl. 818 7 No que tange a divêrgen No que tange a divergência do referido acórdão paradigma, além da ementa estar desconectada com a matéria do acórdão recorrido, entendo que não há divergência alguma. Vejamos: "CLASSIFICAÇÃO FISCAL REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO II. "EX" TARIFÁRIO. A prova hábil para dirimir dúvidas relativas à questões técnicas de um equipamento importado, para efeito de classificação fiscal, é o laudo pericial elaborado por especialista credenciado junto à repartição aduaneira competente, conforme dispõe o art. 30 do Decreto n.° 70.235/72. Não atendendo o laudo técnico os objetivos para o qual foi proposto, permanecendo as dúvidas levantadas, não há porque o sujeito passivo da obrigação tributária ser prejudicado. Neste caso, o in dubio se resolve pro reu, em face do disposto no art. 112 do CTN — o chamado "in dubio contra fiscum". RECURSO PROVIDO". Constatase, desta forma, que com as provas materiais constantes dos autos, não há como se chegar a uma conclusão definitiva quanto à faixa de trabalho do tear, aspecto fundamental para o seu correto enquadramento tarifário. Desta forma, não tendo sido esclarecida qual a verdadeira faixa de trabalho do equipamento importado, se 1.550 a 2.100mm ou 1.600 a 2.100mm, o in dubio se resolve pro reu, por força do art. 112, inciso II, do C.T.N., que assim dispõe: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." Do acima exposto e tendo em vista tudo que consta dos autos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário". Como se vê, o acórdão paradigma não analisou nenhuma questão referente à validade do laudo produzido, não houve nenhuma discussão sobre o credenciamento de entidade certificada para emissão de laudo. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10111.000235/200782 Acórdão n.º 9303006.254 CSRFT3 Fl. 819 8 Neste sentido, essas dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Quanto ao acórdão nº 30329.385, também entendo que não houve comprovação de divergência jurisprudencial. Confirase: "Ora, se o produto importado foi classificado nesse código e a autoridade fiscal, por ocasião da tramitação do despacho aduaneiro e da elaboração do lançamento do crédito tributário em apreço concordou com a referida classificação fiscal, já que não fez a reclassificação do produto em outro código tarifário, é forçoso concluir, que a adotou dois critérios diferentes para uma mesma situação. Também há de se considerar que, se dúvida acerca da composição química do produto existia, a única forma de dirimila seria através de laudo técnico elaborado por especialista na matéria ( órgão ou perito credenciado junto á repartição aduaneira de origem), o que não foi providenciado pela fiscalização em nenhum momento". Como visto, não houve qualquer discussão quanto a legitimidade da emissora do laudo, o acórdão paradigma diz respeito ao dever do fisco providenciar um laudo técnico elaborado por especialista, por outro lado, as autoridades fiscais classificaram conforme bem entenderam. Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10111.000235/200782 Acórdão n.º 9303006.254 CSRFT3 Fl. 820 9 Fl. 820DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900327/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/10/2006
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.209
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/10/2006 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/10/2006 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 27 /2 01 2- 17 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900327/201217 Acórdão n.º 3301004.209 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.744. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900327/201217 Acórdão n.º 3301004.209 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900327/201217 Acórdão n.º 3301004.209 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10467.900081/2011-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O regime jurídico da não cumulatividade pressupõe a tributação plurifásica, objetivando evitar-se a incidência em cascata do tributo. Por outro lado, na tributação monofásica não há cumulatividade, pois o tributo incide em uma única etapa do processo. Por isso, a lei veda que o contribuinte, nas fases seguintes, se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia.
Por expressa vedação legal, os revendedores de combustíveis não podem incluir na base de cálculo dos créditos das contribuições os valores pagos na compra, para revenda, desses produtos, tendo em vista estarem inseridos numa cadeia de comercialização sujeita à tributação monofásica.
O art. 17 da Lei nº 11.033/04 não revogou as vedações ao creditamento já contidas nas Leis n° 10.6.37/02 e 10.833/03.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Diego Weis Júnior.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O regime jurídico da não cumulatividade pressupõe a tributação plurifásica, objetivando evitarse a incidência em cascata do tributo. Por outro lado, na tributação monofásica não há cumulatividade, pois o tributo incide em uma única etapa do processo. Por isso, a lei veda que o contribuinte, nas fases seguintes, se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia. Por expressa vedação legal, os revendedores de combustíveis não podem incluir na base de cálculo dos créditos das contribuições os valores pagos na compra, para revenda, desses produtos, tendo em vista estarem inseridos numa cadeia de comercialização sujeita à tributação monofásica. O art. 17 da Lei nº 11.033/04 não revogou as vedações ao creditamento já contidas nas Leis n° 10.6.37/02 e 10.833/03. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Diego Weis Júnior. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 00 81 /2 01 1- 87 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 210 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata dos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento PER de nº 34389.35367.290408.1.1.107218 (fl. 2/4), 42039.69166.300408.1.1.103961 (fl. 5/7) e 38869.51364.300408.1.1.106800 (9/11), transmitidos em 29 e 30 de abril de 2008, cujo o crédito seria decorrente da sistemática do PIS não cumulativo. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "O Contribuinte supraqualificado foi cientificado em 10/02/2012, fl. 113, do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa/Paraíba (DRF/JPA/PB), fl. 108, ratificado por um segundo Despacho Decisório de fls. 110/111, em que o Titular da Unidade de Jurisdição do Sujeito Passivo, após apreciar o Pedido de Restituição/Ressarcimento de crédito oriundo da alegada Contribuição para o PIS (PER/DCOMP), referente ao 4º trimestre de 2004, no montante de R$ 4.440,47, fls. 4, 108, e demais dados ali discriminados, proferiu o mencionado Despacho Decisório apresentando as conclusões a seguir: Analisadas as informações prestadas no documento discriminado, constatouse que não há direito ao Pleito apresentado pela Defesa, pelo que se tornou impossível a apuração dos créditos previstos pelo art. 3º da Lei 10.637/2002, motivo pelo qual se indeferiu o Pedido de Restituição/Ressarcimento apresentado no PER/DCOMP identificado. Relevante salientar que, além do mencionado Despacho Decisório, fl. 108, foi anexo aos autos o Termo de Encerramento de Ação Fiscal, fls. 94/105, em que o indeferimento do Pedido de Restituição/Ressarcimento apresentado no PER/DCOMP identificado ficou esclarecido com precisão, conforme sintetizado nas informações a seguir discriminadas: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 211 3 A partir da Lei 9.990/2000, somente as Refinarias de Petróleo passaram a responder pela Contribuição ao PIS e à COFINS, nas operações com combustíveis derivados do petróleo, restando desonerados os demais integrantes da cadeia, razão pela qual os Comerciantes Varejistas de combustíveis foram desonerados, tanto da incidência do PIS quanto da COFINS, através do advento da tributação monofásica. Imprescindível deixar claro, entretanto, que nem o art. 17 da Lei 11.033, de 2004, nem o art. 16, da Lei 11.116, de 2005, alteraram a forma de apuração dos créditos da não cumulatividade do PIS e da COFINS, que permanece regulada pelo art. 3º da Lei 10.833, de 2003, o qual preceitua expressamente a impossibilidade de creditamento em relação aos Comerciantes Varejistas de combustíveis, por estrita falta de previsão legal. O art. 17 da Lei 11.033, de 2004, e o art. 3°, I, ''b",da Lei 10.833, de 2003, cuidam de diferentes objetos: o primeiro autoriza inicialmente a manutenção de créditos apurados, o último impõe restrição à apuração de créditos para determinada hipótese. Ora, para se manter um crédito, o pressuposto primeiro é que ele exista, pois impossível manterse algo inexistente. Uma vez que o art. 3º, I, "b", da Lei 10.833, de 2003, veda a apuração dos créditos sobre os produtos monofásicos em questão, daí se deduz que sequer chega a existir crédito, pelo que não há como se aplicar o disposto no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. A Jurisprudência do STJ é pacífica em relação ao assunto da Compensação/Restituição do PIS e da COFINS por Estabelecimentos Comerciantes Varejistas de combustíveis, pois os mesmos não possuem legitimidade ativa para requerer a compensação do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas provenientes da venda de combustíveis, a partir da Lei 9.990/2000, conforme Decisão proferida por esse Tribunal. Em virtude da instituição do regime monofásico, onde o PIS e a COFINS incidem uma única vez, e são devidos pelos Produtores (Refinarias) ou Importadores, a título de ilustração mencionam se os processos RECURSO ESPECIAL 1.145.209 SC (2009/01161159); RECURSO ESPECIAL 946.625 PE (2007/00923522). Ora, conforme a Legislação, os dispositivos a seguir discriminados, ou seja, o art. 4º da Lei 9.718/1998, o art. 2º da Lei 10.560/2002, o art. 14 da Lei 10.336/2001, o art. 3º da Lei 11.116/2005, o art. 5º da Lei 9.718/1998, vedam a apuração dos créditos do PIS e da COFINS, por Comerciantes Varejistas de combustíveis e derivados de petróleo previstas no artigo 1° da Lei 10.485, de 2002. A par de tais ponderações, a Pessoa Jurídica não comprovou a existência de qualquer crédito decorrente das demais hipóteses previstas pela legislação de regência. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 212 4 Inconformado com o indeferimento de seu Pleito, do qual tomara ciência em 10/02/2012 (sextafeira), fl. 113, apresentou o Contribuinte Manifestação de Inconformidade, fls. 115/153, Termo de Solicitação de Juntada em 13/03/2012, fl. 114, requerendo que fosse reformado o Despacho Decisório e deferido o creditamento pretendido, argumentando que prestigiaria a higidez do arcabouço jurídico, e alegando em síntese: Por entender ter direito aos créditos de PIS nãocumulativo, em relação aos bens que adquiriu, o Contribuinte pleiteou o seu ressarcimento. Todavia, a Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o Pedido de Restituição/Ressarcimento. O laconismo e a negativa do Despacho só pode se dever à quantidade de Leis, que cerca a tributação do PIS/COFINS dos combustíveis, que o Requerente argumenta formar um enorme acervo legislativo, provocando confusões técnicas e terminológicas, o que deve ser a causa do indeferimento de um Pleito alegado como legítimo do Contribuinte, mas que se busca reformar com a Manifestação de Inconformidade. Mas de logo registrando que não há, para qualquer trimestre, duplicidade de Pedido. O que acontece em alguns trimestres são Pedidos Complementares. Assim, um dado trimestre pode ter tido um Pedido Inicial calculando créditos sobre as primeiras Notas Fiscais recebidas; e, posteriormente, outro Pedido, sobre aquele mesmo trimestre, mas só com as Notas Fiscais restantes. Logo não há duplicidade, estando todas as Notas Fiscais disponíveis para diligência, para se constatar que são créditos diferentes. Créditos, portanto, legítimos. Nesse sentido, passase a fornecer as premissas inafastáveis que foram desconsideradas, mas que servirão de lastro para que os Julgadores que reapreciam a matéria possam dar melhor interpretação ao direito pretendido, confirmando a pertinência do ressarcimento. O Pleito do Contribuinte foi negado porque supostamente a Lei vedaria o creditamento pretendido. Todavia, é curial que as Normas devem ser interpretadas sistematicamente e em consonância com o objetivo para o qual se destinam, sob pena de desvirtuamento da Ordem Jurídica, ainda mais quando se trata de PIS/COFINS, que têm sua regência espalhada por vários Diplomas Legais. Se um ou outro preceito for tomado isoladamente, podese chegar a resultado completamente contrário ao normatizado, quer nas Leis, quer na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 213 5 Assim, para esse necessário cotejo analítico de todo o arcabouço jurídico, procedese a uma abordagem sob todos os ângulos normativos, pois tais aspectos devem ser passados em revista, sob pena de se inverterem direitos e se subverterem garantias. Mas de logo já se aponta que foi desejo expresso do Legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à nãocumulatividade. Daí porque todas as faces da complexa questão do creditamento do PIS/COFINS devem ser sopesadas, para que se possa chegar com segurança a conclusões que não violentem a ordem jurídica. É este o esforço que se passa a fazer. Primeira premissa: o Contribuinte está submetido à tributação nãocumulativa. O Contribuinte, conforme consta dos registros da Receita Federal do Brasil, opera no regime de tributação na modalidade Lucro Real, portanto está obrigatoriamente sob a incidência das Leis da nãocumulatividade para o PIS/COFINS, já que não se enquadra nas exceções (tudo doravante sem as alterações da MP 413/08 e da Lei 11.727/08 porque posteriores aos fatos), pelo que se menciona a legislação que se transcreve às fls. 117/124. Como se vê, o Contribuinte não se enquadra em nenhuma das exceções, ficando, por força de Lei, irremediavelmente preso e devendo se basear na Legislação do PIS/COFINS não cumulativos. Este primeiro corte de Legislações é importante porque já começa a demarcar quais os Institutos e Normas que devem, ou não, ser aplicáveis ao Contribuinte. Agora, e até para realçar o percurso histórico das Leis, é de ser consignado que os Distribuidores já constaram expressamente como jungidos à cumulatividade. Mas houve uma mutação, como dá mostras o Preceito, na redação original que instituiu como Substituta a Refinaria, e substituídos os demais elos da cadeia produtiva, cabendo pontuarse que veio a Lei 9.990/2000, retirando o Distribuidor da incidência e modificando o Preceito, verificandose que, retirada do seio da cumulatividade, não mais retornou, conferível com a redação atual, transcrita a Lei 9.718/1998, fls. 125/126. Notese a menção residual aos Distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe a substituição tributária aventada, Lei 9.715/1998, fls. 126/127. Ou seja, há Norma latente para os Distribuidores enquanto Substitutos, mas não há como Contribuintes Diretos, pois não estão mais na cumulatividade. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 214 6 Todas essas revogações e esvaziamentos são significativos e eloqüentes da situação jurídica dos elos da cadeia produtiva como afetos exclusivamente à nãocumulatividade. Por outro lado, devido à inovação de tratamento, são os Produtores que se encontram em limbo tributário, pois passaram a ser submetidos às denominadas alíquotas diferenciadas, e assim se conferem essa sucessão e concorrência de Normas da cumulatividade e nãocumulatividade, pelo que se destacam as Leis 9.718/1998, 10.560/2002, 10.637/2002, 10.833/2003, 10.865/2004, fls. 127/129. Por sorte a situação dos Produtores não é o cerne da discussão que se trava, pois em Norma da nãocumulatividade, mandase aplicar as alíquotas da cumulatividade. Qual a natureza jurídica que deve prevalecer: a do produto ou a da atividade? Mas o que interessa é que essa situação se refere a "Produtor" e "Importador", não arrastando os demais elos da cadeia. Ademais, "Importador" é conceito transitório, podendo ser qualquer Empresa que adquira produtos do Exterior, mas irrelevante no caso, pois o Contribuinte não efetuou tal operação. E realmente a Legislação sempre se refere a um termo ou a outro reconhecendo situações dessemelhantes; separação útil, por exemplo, para cobrar tributos diferentes ou exigir obrigações acessórias específicas. Tanto é assim que há Norma que, respeitando que os termos não se confundem, quando quer abarcar o restante de uma cadeia produtiva, diz expressamente o disposto pela Lei 10.147/2000, ou então, quando a Norma quer igualar termos, oficializa expressamente uma equiparação, MP 2.15835/2001, fl. 130. Tudo a mostrar que a Legislação da cumulatividade não se destina ao Contribuinte, já que é estreme de dúvidas que foram postas compulsoriamente na nãocumulatividade as Empresas da cadeia produtiva que apurem resultados para o Imposto sobre a Renda pelo Lucro Real. Segunda premissa: os artigos das Leis da nãocumulatividade que supostamente vedavam o creditamento para combustíveis. Chegase, agora, à reprodução dos artigos de Lei que o Fisco normalmente invoca quando nega o direito de creditamento discutido. Tudo como se não existisse um plexo Normativo formando um sistema, que demanda por isso mesmo uma interpretação ... sistemática; e também como se o mesmo tivesse ficado estático, sem ser enriquecido por Normas posteriores. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 215 7 Verifiquemse todavia os artigos pinçados no arcabouço jurídico, únicas Normas apresentadas como a vedação definitiva e cabal, e supostamente nunca alteradas, dos créditos discutidos, fl. 131. Longe dessa Norma por si só resolver a questão, ela mostra que a Lei, quando quis, vedou; e, se quisesse modificar a vedação, teria tal poder, pois veículo introdutor de fonte formal de direito. Terceira premissa: foi atribuída uma alíquota zero para os produtos do Contribuinte. Pelo que está estabelecido, não há mais dúvida de que, na cadeia produtiva de combustíveis, o Contribuinte se acha em uma etapa que está sob a incidência da Legislação do PIS/COFINS nãocumulativos. E, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que o Contribuinte operaria com alíquota zero, conforme Normatização, fl. 132. Sobre esta expressão numérica da alíquota, devese, de pronto, afastar mais uma confusão técnicoterminológica. É que juridicamente é descabido confundir alíquota zero com não incidência,pois fenômenos distintos, com pressupostos e conseqüências diferentes. Assim, quando a Legislação pretende manter o produto no campo da incidência e apenas desonerálo, atribui alíquota zero: já quando intenta retirálo da subsunção tributária, taxativamente o diz não incidente. E mais, quando a Lei quer estabelecer a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero. Confirase que a linguagem técnica foi empregada pela Constituição em outros casos, indicando ser indispensável para apartar os institutos, coerência mantida justamente no caso específico de tributos como o PIS/COFINS, fls. 132/133. E o preceito constitucional foi aplicado em combustível diferente dos analisados (Gasolina A e Diesel), bastando notar a distinção de tratamento desse outro produto, Lei 10.560/2002, fl. 133. Quando isso acontece, ocorre a monofasia: o tributo só incide em uma fase. Nesses casos, é estreme de dúvida que não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único Contribuinte, independentemente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 216 8 Ou seja, nesses específicos casos descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, obviamente não é o caso de monofasia, que seria: a.incidência em uma fase; e b.nãoincidência em todas as demais. Então, ressaltese que não ocorreu com os combustíveis discutidos o que sucedeu com o "querosene de aviação". Em outras palavras, não há qualquer Norma de PIS/COFINS que tenha tal previsão para Gasolina A e Diesel. Daí porque é vazia juridicamente qualquer tentativa de retirar o Contribuinte do campo das Leis de nãocumulatividade, baseado em suposição de que existe uma "monofasia" na sua cadeia produtiva. Por aí se vê que leva a equívocos não estabelecer premissas corretas para um argumento. E a perspectiva da "não incidência" ou notação NT levar automaticamente para fora de âmbito tributário também é respeitada nas hostes administrativistas, Acórdão do Conselho de Contribuintes, destacandose que no corpo do voto que, acatado de forma unânime, gerou o citado Acórdão, vêse o coerente debate dos conceitos; é certo que em relação a outra questão, mas que no cerne maneja os institutos tributários discutidos, fls. 134/136. A isenção ou tributação à alíquota zero, por sua vez, representa opções do Legislador em relação a produtos que se encontram dentro do campo de incidência do tributo. Sem dúvida o art. 11 da Lei 9.779/1999 é a prova cabal de que o próprio Estado diferencia os conceitos de "alíquota zero" e NT. Por outro lado, é óbvio que a Norma poderia ter previsto diferente que a Exação incidiria apenas no Produtor de combustíveis, ficando as outras etapas fora da incidência do PIS/COFINS. Todavia, por opção do Legislador, o que a Lei previu foi: a.uma incidência com alíquota mais elevada no Produtor; b.e uma incidência com alíquota zero para os demais. Embaralhar alíquota zero com NT não faz justiça com o atual nível técnico do Direito Tributário Pátrio, como também resultaria em grave violação da legalidade e da segurança jurídica, caso se admitisse a oscilação de interpretações de conceitos, ao sabor dos desejos e interesses de momento. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 217 9 E se alguns Julgados não reverenciam o apuro técnico, é de considerar que o Legislador, ainda que nem sempre utilize, tem conhecimento desse vetor principiológico, Lei 10.451/2002, fl. 136. Verificase com freqüência a repetição até em Atos Regulamentares inferiores que os combustíveis estão sob o sistema de monofasia, o que hoje ficou apenas como argumento para convencer que seria justo elevar as alíquotas dos Produtores, o que não teria respaldo legal. Tanto é assim que não há qualquer vedação de nova Lei elevar também a alíquota de todos os elos da cadeia de zero para, por exemplo, 10%. Nesse caso, onde estaria a base legal para impedir a elevação? Como dizer que seria inconstitucional tal Norma? Em uma pergunta síntese: onde está a previsão de que a tributação é monofásica e, portanto, só uma etapa da cadeia produtiva poderia ter alíquota positiva? Tal situação levaria a um paradoxo: a.se com alíquota zero, não deveria haver creditamento; b.então, por este raciocínio, passando a alíquota para 0,1%, aí sim é que poderia haver o creditamento? Além de não se vestir de razoabilidade, ofenderia a legalidade estrita. Quem tem nas mãos o bônus de elevar a qualquer momento tem que suportar o ônus da polifasia. Assim, não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das citadas contribuições; o que é confirmado pela possibilidade das alíquotas do restante da cadeia produtiva poderem ser alteradas quando o Legislador quiser, sem que tenha que necessária e obrigatoriamente reduzir a alíquota do Produtor. Se um dia isto ocorrer, haverá generalizadas reclamações pela "injustiça" da carga tributária, mas a resposta do Fisco será: onde está na Lei a obrigação de manter a alíquota em zero? Portanto, o Contribuinte está no campo da incidência do PIS/COFINS nãocumulativo com alíquota zero (pelo menos ainda atualmente ...). Quarta premissa: a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o art. 17 da Lei 11.033/2004. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 218 10 Sempre se discutiu se a nãocumulatividade prevista constitucionalmente já era uma regra ou apenas um princípio a ser implementado nos termos de uma Lei. O debate é desnecessário, pois, com a grande folga de arrecadação, o Estado pode devolver a parte do creditamento suprimido que estava descaracterizando a nãocumulatividade do PIS/COFINS, tornandoa como uma ficção brasileira, pois nãocumulatividade é quase sinônimo de direito amplo e geral de crédito, devendo, para que se realize, pressupor exatamente o confronto de créditos e débitos. E tanto é assim que, quando se estudam as linhas de algum novo tributo, ao se prenunciar que resguardará a não cumulatividade, imediatamente se visualiza a possibilidade de creditamento, como se vê na transcrita Manifestação Doutrinária acerca de nova contribuição, fl. 138. E, no que tange ao PIS/COFINS, a Legislação criou as condições para a plena nãocumulatividade. Assim, por meio da MP 206/2004, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o art. 16 transformado no art. 17 quando convertida na Lei 11.033/2004, publicada em 22/12/2004, fls. 138/139. A rara clareza do preceito, normalmente ausente dos textos legais, provocou o efeito de se passar a duvidar se o que a Lei disse era realmente o que a Lei estava dizendo. Resistência injustificável, pois, já na Exposição de Motivos da MP, ficou claro que o art. 17, ainda art. 16, vinha para que parassem as dúvidas de que a nãocumulatividade era para valer, sendo reafirmado que o creditamento era sagrado, fl. 139. Se todas as Normas Brasileiras tivessem a clareza do art. 17, a interpretação e a aplicação do Direito estariam cercadas de maior segurança tanto para o Contribuinte como para a Fazenda. Quinta premissa: a MP que introduziu o art. 17 é Norma Politemática. Sob o impacto da inovação, os mais céticos tentaram desqualificar o efeito liberatório do art. 17, dizendo que o mesmo se aplicava apenas no contexto em que veiculado, ou seja, em relação ao REPORTO. Argumento pífio, que já nasceu desmentido pela própria Exposição de Motivos da MP, bem como pela Ementa da Lei já convertida, fl. 140. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 219 11 No País em que Medidas Provisórias tratam de dezenas de temas no mesmo corpo normativo, soa vazia tal alegação. Ademais, se o comando da Lei Complementar 95/1998, que estimula que cada Norma só trate de um tema, tivesse tal grau de vinculação, com sanção de invalidade em caso de descumprimento, o efeito seria muito mais drástico que negar eficácia ao citado art. 17. É que perderia vigência quase toda a normatização do PIS/COFINS, Imposto de Renda, etc, já que estão espalhadas em várias Normas, com tratamento de várias matérias. Ironicamente como o mostra a própria Medida Provisória 135/2003, que instituiu a COFINS nãocumulativa, que, em que pese a relevância da matéria, que merecia monopolizar todo o texto, pois bem, mesmo nesta Norma ainda se inseriram várias temáticas, fl. 141. A Leitura matinal do Diário Oficial da União é a maior prova de que inexistiria o requisito de Normas Monotemáticas, para dar validade a comandos legais. Sexta premissa: não só não se tentou restringir o direito dos que faturavam com alíquota zero, como houve o reforço, com o art. 16 da Lei 11.116/2005, sem ressalva. Como a salientar que não havia ressalvas a serem feitas ao regime da nãocumulatividade, e que o creditamento era a regra para quem, como a Contribuinte, faturava com alíquota zero, nova Lei reforçou mais ainda o caráter abrangente do art. 17 da Lei 11.033/2004, numa clara demonstração do reforço e prestígio da nãocumulatividade. É que algumas Empresas, como o caso da Contribuinte, tinham poucos débitos de PIS/COFINS, e ficariam com excesso de créditos sem poder usálos na conta débito/crédito, o que também resultaria por desvirtuar inteiramente a pretensão que justificou a introdução da sistemática da nãocumulatividade. Mas veio a ratificação do direito e a facilitação com esse preceito, exatamente reafirmando a necessidade de se dar efetividade ao creditamento como instrumento da não cumulatividade, completando assim a plena realização da não cumulatividade do PIS/COFINS, fl. 142. Sétima premissa: quando nova Lei altera a situação legal, ela deve ressalvar quais casos permanecerão na dicção antiga. Uma particularidade da complexa Legislação do PIS/COFINS é que, quando uma nova Lei não deva ser aplicada para todos os casos, na nova Norma vêm expressas as situações que ainda permaneçam sob o abrigo de outra Norma anterior, pelo que se transcrevem exemplos significativos, fl. 143. Com efeito, com a vigência do art. 17 da Lei 11.033/2004 e do art. 16 da Lei 11.116/2005, não houve qualquer ressalva para a Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 220 12 situação do Contribuinte, o que corrobora a total aplicação dos citados preceitos. Por outro lado, a Autoridade Administrativa usou um argumento equivocado para negar o direito da Empresa, citando as disposições da IN SRF 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, repisese, as limitações e restrições ao agir dos Contribuintes, especialmente quando existe Norma que permite expressamente, somente podem estar previstas em Lei. Qualquer ato infralegal que restrinja ou limite direitos transborda sua amplitude, conforme dizer de Hely Lopes Meireles, fl. 144. Na espécie, além de não existir vedação na Lei, ao contrário encontrase expressamente previsto o direito ao creditamento, não pode, portanto, qualquer ato infralegal restringir tal direito sem cometer ultraje à legalidade com mácula irreparável sobre a Ordem Jurídica. Oitava premissa: o direito de creditamento da Contribuinte é coerente com a técnica de nãocumulatividade do PIS/COFINS. Um ponto que talvez esteja turbando a perfeita compreensão do tema reside na tentativa de aproximar a nãocumulatividade do PIS/COFINS com a que é praticada por outras Exações, como, por exemplo, IPI e ICMS. Sinteticamente, são estes os métodos mais utilizados para realizar uma nãocumulatividade a. Método do crédito do tributo: o tributo devido em cada operação será abatido do que incidiu nas etapas anteriores. b. Método direto aditivo: considera a aplicação da alíquota apenas sobre o valor efetivamente agregado pelo Contribuinte, o que levaria ser aplicada a alíquota do tributo sobre a totalização da mão de obra, das matériasprimas e insumos, demais despesas e a margem de lucro do produto. c. Método indireto aditivo: o cálculo do tributo se faz por meio da somatória da aplicação da alíquota a cada um dos elementos que compõem o valor agregado, como mão de obra, matéria prima, despesas e lucro, tomados isoladamente. d. Método direto subtrativo: este método significa aplicação de alíquota do tributo sobre a diferença entre as vendas e as compras. e. Método indireto subtrativo: neste método o tributo é determinado pela diferença entre a alíquota aplicada sobre as vendas e a alíquota aplicada sobre as compras. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 221 13 Ora, pela Normatização do PIS/COFINS nãocumulativos já fica claro que o método escolhido pelo Legislador foi o indireto subtrativo, o que, aliás, já foi explicitamente declarado, fl. 145. Assim, ao contrário do IPI/ICMS, o creditamento do PIS/COFINS independe de quanto foi, ou sequer se houve tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da nãocumulatividade, pois se baseia, como visto, somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições. A nãocumulatividade do PIS/COFINS deve ser visualizada em relação à situação de cada Contribuinte e não em relação a uma cadeia produtiva, bem assim ela não guarda qualquer correlação com os acontecimentos anteriores e posteriores havidos na mesma. E mais, diferentemente do que se dá no IPI/ICMS, em que os créditos decorrem da entrada de mercadorias e são apurados em Livros Fiscais, os créditos no PIS/COFINS têm natureza de incentivo fiscal (consoante Exposição de Motivos das Leis), quer dizer, são escolhidos pela Norma e não se referem a toda composição do citado faturamento; mas, claro, não ao ponto de desfigurar a nãocumulatividade. Por exemplo, uma Empresa que esteja na nãocumulatividade por ser tributada pelo lucro real, recolhendo PIS/COFINS à alíquota de 9,25%, e que venha a adquirir produtos para a revenda de outra Empresa que seja tributada pelo lucro presumido, estando, portanto, esta outra na cumulatividade e recolhendo PIS/COFINS à alíquota de 3,65%, mesmo assim aquela terá direito ao creditamento da alíquota de 9,25% incidindo sobre os fatos que geram direito ao creditamento, independentemente de aquela do lucro presumido ter recolhido a menor ou até mesmo não ter recolhido PIS/COFINS. O mesmo ocorrendo pela possibilidade de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente, como, por exemplo, aluguéis pagos a Pessoa Jurídica, produtos adquiridos de Empresas do Supersimples etc. Como se vê, a questão não é de lógica ou de cálculo matemático, mas de simples vontade do Legislador. Quando a Lei concretiza a previsão constitucional, deve haver creditamento, como o caso aqui tratado. Realmente, negar o direito de creditamento do Contribuinte viola não apenas a legalidade estrita, mas também o projeto da nãocumulatividade, que tem assento na Constituição, fls. 146/147. Sem dúvida a negativa de creditamento iria ferir de morte a própria moralidade esculpida na CRFB/1988, art. 37, pois foi a desoneração que justificou e alimentou a criação da sistemática, servindo de fundamento para aprovação das respectivas Leis no Congresso Nacional, com alíquotas mais altas, fls. 147/148. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 222 14 Foi com esse espírito que se aprovou a nãocumulatividade do PIS/COFINS no Brasil. Então o Legislador teria a liberdade de incluir ou não o setor do Contribuinte na nãocumulatividade. E, como visto, exerceu a opção e incluiu, o que lhe permitiu cobrar alíquotas maiores. E ponto. Mais poderes a CRFB/88 não deu à Lei, pois, se tiver incluído, deve respeitar a nãocumulatividade, não podendo usar de estratagemas para desvirtuar o instituto. E foi sábia a Constituição, pois deixar ao alvedrio do Estado mitigar nãocumulatividade seria dar espaço para ilegalidade e imoralidade: o Estado daria com uma mão (listando na não cumulatividade para aumentar alíquota), mas tirando com a outra (negando o creditamento). É certo que o Contribuinte poderia estar na cumulatividade; mas, por enquanto, continua compulsoriamente inserido no regime da nãocumulatividade. É dizer: se o Estado se arrependeu, que retroaja, é seu direito. Só não pode é não atender os comandos constitucionais, forjando uma meiagravidez, uma meianãocumulatividade ou restringindo direitos por atos que violam a legalidade. Quem usufrui do bônus, que arque com o ônus! Tudo a comprovar que não se coadunava com a sistemática constitucional a anterior vedação do Contribuinte para tomar créditos, o que ficou afastado a partir do art. 17 da Lei 11.033/2004. Nona premissa: foi posta na Legislação nova vedação ao creditamento, mas que também já foi afastada. Como a coroar esse quadro, que já garantia ao Contribuinte o direito ao crédito que pleiteia, veio Legislação superveniente a tratar do tema. Com efeito, em 03/01/2008 foi editada a Medida Provisória 413 que, entre várias disposições, alterou o permissivo de creditamento das Leis da nãocumulatividade, que, caso tivesse sido aprovado, o que não ocorreu, passaria a ficar formatado conforme transcrito às fls. 149/150. Organizando tais disposições de forma didática: a. Em Norma dirigida a "produtores" e "importadores", eram listados alguns combustíveis e suas respectivas alíquotas (inciso I, § 1o, art. 2° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). b.Usando essa listagem de produtos como base, passou a constar que, também quanto àqueles mesmos combustíveis, eram também os outros elos vedados de tomarem créditos daqueles Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 223 15 combustíveis (parágrafo 14, art. 3º da Lei 10.637/2002 e parágrafo 22, art. 3º da Lei 10.833/2003, com a redação da MP 413/2008). Claro que, somente nesse instante, com essa extensão da vedação também para outros, apareceu no mundo jurídico, através da MP 413/2008, e somente a partir da vigência desses dispositivos, a vedação passaria a gerar efeitos, não retroagindo para o período discutido, porém, repisese, tal dispositivo não foi aprovado. Entretanto, servia a Norma para corroborar: a. Que a Lei usa os termos "produtor" e demais com sentidos diversos. b.Que, quando a Lei quer se referir e vedar algo, a quem não é produtos, ela o faz expressamente. c. Que, para tratar de Empresa como o Contribuinte, a sede legal é na Norma que rege o Contribuinte: da não cumulatividade. d.Que, e isto é eloqüente, não havia, na época dos fatos, Norma alguma com esse teor vedatório. Assim, apesar do direito do Contribuinte estar assentado na Legislação anterior, serviria essa nova Norma como acréscimo interpretativo, porém sem retirar a discussão sobre a respectiva constitucionalidade do mesmo. Sucede que a MP 413/2008, quando convertida na Lei 11.727/2008, voltou a não mais trazer a citada limitação ao creditamento, deixando novamente com pleno alcance o art. 17 da Lei 11.033/2004. Todavia, ficou a lição: quando a Lei quer vedar, ela o faz explicitamente; mas quando libera, devese igualmente respeitar. Se não existe vedação, permanece o direito ao creditamento. Hermenêutica sim, legalidade muito mais. Então, após toda a Exposição, podese agora passar em revista todas premissas analisadas: SE o Contribuinte comercializa combustíveis; SE o Contribuinte é tributado pelo Lucro Real, e portanto foi posto compulsoriamente na incidência do regime não Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 224 16 cumulativo para o PIS/COFINS (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003); SE no Estado Democrático de Direito, a Legalidade é o sobreprincípio que deve reger a tributação; portanto, o único instrumento com poderes para criar restrições a direitos, no caso vedar um creditamento, é a Lei, havendo um momento histórico em que realmente era negado o creditamento; SE também é inegável a existência de uma Norma que previu, expressamente, que o Contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento e não em monofasia ou nãoincidência; SE posteriormente, também pela mesma forma que, no Estado Democrático de Direito, se estabelecem preceitos cogentes, foi introduzido no Universo Jurídico o art. 17 da Lei 11.033/2004, prevendo expressamente que, para todos os Contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, ainda assim poderiam creditar se de PIS/COFINS; SE a Lei 11.033/2004 não é monotemática, mas Norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas; SE ainda veio o art. 16 da Lei 11.116/2005 que, ao invés de restringir direito de creditamento, fez foi dotar de mais garantias a previsão do art. 17 da Lei 11.033/2004, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações; SE sempre se ressalva, nas novas Normas, o que fica ainda regulado em outra Norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para o Contribuinte, sendo certo que Normas infralegais não têm tal condão; SE o direito de creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/COFINS, e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à Lei escolher quais setores serão incluídos na nãocumulatividade, só não permitindo esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime cumulativo ou de substituição; SE finalmente, veio o Poder Executivo, via Medida Provisória 413/2008, tentar restaurar a vedação de creditamento, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no Ordenamento Jurídico. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 225 17 LOGO, violaria o arcabouço jurídico ser indeferido o direito do Contribuinte de tomar os créditos discutidos, pois, conforme o Defendente, estaria amparado legal e constitucionalmente." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), analisando as argumentações da contribuinte, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 NÃO RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Não havendo o Contribuinte descaracterizado as conclusões de não reconhecimento de seu direito de crédito expressas no Despacho Decisório, ratificase o que foi decidido pela Autoridade a quo no referido Despacho. PIS NÃOCUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. AQUISIÇÃO PARA REVENDA. CRÉDITO INCABÍVEL. Descabe o crédito em relação à aquisição para revenda dos combustíveis derivados de petróleo e de outros produtos submetidos à incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP, constantes do § 1º do artigo 2º da Lei 10.637/2002. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do artigo (art.) 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma Lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 TEMPESTIVIDADE. APRECIAÇÃO. Havendo a ciência do Despacho Decisório ocorrido em dia de sextafeira, a contagem do trintídio legal somente será iniciada no dia imediatamente posterior no qual haja expediente Normal da Unidade da Secretaria da Receita Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 226 18 Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 186/202), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados, assim como trazendo a colação a legislação que assevera corroborar seu entendimento quanto à existência do direito ao crédito pleiteado. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No presente caso, a lide cingese a discussão juridicatributária sobre a incidência do PIS em relação aos combustíveis derivados do petróleo e, conseqüentemente, sobre a possibilidade de sua restituição/ressarcimento. Porquanto, creio ser fundamental entendermos a dinâmica desse mercado, assim como a evolução legislativa sobre a matéria. Por isso, desde logo, creio oportuno esclarecer as operações comerciais envolvidas nessa cadeia de comercialização, desde a fonte produtora ao consumidor final. De fato, percebemos 3 fases distintas: a) as refinarias, na qualidade de produtoras, vendem o combustível para as distribuidoras; b) as distribuidoras, por sua vez, revendemno aos varejistas e c) os varejistas, por último, revendem o produto aos consumidores finais. Considerando o grande volume de operações e a magnitude dos valores envolvidos nesse setor, o legislador adotou uma forma concentrada para o regime de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, visando otimizar a eficácia do controle arrecadatório e fiscalizatório. Tal forma de concentração foi efetivada de duas maneiras ao longo do tempo: substituição tributária e monofasia. No regime de substituição tributário, o legislador elege um dos intervenientes da cadeia de comercialização para ser o contribuinte substituto, isto é, recolher a contribuição devida por todos os envolvidos. Parte desse recolhimento se refere ao devido na sua própria Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 227 19 operação, parte se refere ao devido pelos outros intervenientes nas etapas posteriores (substituídos). No regime monofásico, entretanto, o tributo incide apenas em uma das fases, ficando as outras desoneradas. Nesse casso, somente um dos intervenientes é contribuinte de fato e de direito. A legislação sobre o tema passou por várias alterações, entretanto, desde o início, refletia a forma concentrada para o regime de incidência dessas contribuições no setor. Assim, até 31/01/1999, vigia o modelo de concentração nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas (substituição tributária), de acordo com art. 4º da Lei Complementar nº 70/91 e do art. 6º da Medida Provisória nº 1.212/95; entre 01/02/1999 e 30/06/2000, a concentração era nas refinarias, indicadas como contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas (substituição tributária), conforme art. 4º da Lei nº 9.718/98 e, a partir de 01/07/2000, passou a ser adotado o modelo monofásico, no qual as refinarias passaram a ser os únicos contribuintes na cadeia de comercialização dos combustíveis, a partir da vigência dos arts. 4º e 43 da Medida Provisória nº 1.99115/2000. Em decorrência dessa nova sistemática de tributação (tributação monofásica), as receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas contribuições, por meio do regime de alíquota zero. Quanto às alíquotas dessas contribuições devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo, após a MP 1.99115/2000, elas foram alteradas pela MP 1.99118/2000, pela Lei 9.990/2000 e pela Lei 10.865/2004, que alterou o art. 4º da Lei 9.718/98, contudo, não houve modificação no regime jurídico de incidência monofásica para o setor. A sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins, introduzida, respectivamente, pela Lei 10.637/02 e pela Lei 10.833/03, também não trouxe alteração na tributação vigente no segmento em questão, tendo em vista que o arts. 1°, § 3°, IV, de ambas as leis excluíam do regime não cumulativo as receitas sujeitas ao regime monofásico. Além disso, no inciso I dos referidos artigos constava a vedação do aproveitamento de créditos relativos a receitas isentas, não alcançadas pela incidência das contribuições ou sujeitas a alíquota zero. Nessa mesma linha, o art. 8º, VII, "a", da Lei nº 10.637/02 e o art. 10º, VII, "a", da Lei nº 10.833/03 dispunham que permaneciam sujeitas às normas da legislação vigente anteriormente à publicação das referidas leis as receitas sujeitas ao regime monofásico. Com o advento da Lei n° 10.865, de 30/04/2004 e, posteriormente, da Lei nº 10.925, de 23/07/2004, foi dada nova redação aos arts. 1º, 2º, 3 e 8º da Lei nº 10.637/02 e aos arts. 1°, 2°, 3° e 10° da Lei n° 10.833/03. Assim, desde então, passouse a ter, como regra, que as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real e que auferissem receita de venda dos produtos contemplados na Lei n" 9.990/00, exceto álcool para fins carburantes, sujeitavamse, em relação às mesmas, a partir de 01/08/2004, à incidência nãocumulativa da Cofins e do PIS/Pasep. Entretanto, o custo de aquisição destes produtos, quando adquiridos para revenda, não geravam direito a crédito, por expressa vedação legal, pois, consoante os arts. .3°, inciso I, alínea "b" das Leis n° 10.6.37/02 e 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 228 20 10.865/04, não dariam direito a crédito, as mercadorias e produtos referidos no § 1°, do art. 2°, quando adquiridos para revenda. Dessa forma, adquirindo a contribuinte para revenda gasolina e suas correntes (exceto gasolina de aviação), óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural ou querosene de aviação, não poderia se creditar, para fins de apuração do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, dos custos de aquisição dos referidos produtos. Em consonância, o § 7° do mesmo artigo previa que, no caso de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito seria apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Em 2008, a Lei nº 11.727 trouxe novas alterações às Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, porém as vedações ao aproveitamento de crédito decorrente da aquisição dos produtos anteriormente citados, quando adquiridos para revenda, continuaram existindo. De fato, a redação dada pela Lei º 11.727/08 ao art. 3º, I, alíneas "a" e "b", de ambas as leis, continua vigente até a presente data. Quanto ao caso concreto ora sob análise, creio que as considerações anteriores refutam todas as argumentações jurídicas trazidas pela recorrente, pois as mostra inconsistentes frente ao desenvolvimento real da legislação sobre o tema. Contudo, entendo oportuno tecer outros comentários sobre alguns pontos específicos. A recorrente alega, por exemplo, que o art 17 da Lei n° 11.033/04, foi introduzido pelo legislador, visando extirpar a vedação ao creditamento em casos como o seu. Entretanto, não assiste razão à recorrente. Primeiramente, porque a regra esculpida no citado artigo somente se aplica nos casos em que as vendas estão sujeitas a alíquota zero, porém, na aquisição, tenham sido pagas as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, fato que, em realidade, não ocorre no caso da recorrente, revendedora de combustíveis, isto é, interveniente na terceira fase da cadeia de comercialização desses produtos. Ademais, como justificativa principal, lembremos da existência de norma específica de tributação de combustíveis, art. .3°, inciso I, alínea "b" das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02, a qual, como já visto, veda tal geração de crédito. E, assim, por decorrência do Princípio da Especialidade, a norma especial afasta a incidência da norma geral. Da mesma forma, o art. 16 da Lei nº 11.116/05 não trouxe qualquer alteração na sistemática de tributação de combustíveis. Tratandose apenas de norma geral, assim como o art. 17 anteriormente citado. Com efeito, o Supremo Tribunal de Justiça STJ já teve oportunidade de se debruçar sobre o tema e a jurisprudência pacificada não destoa de nosso entendimento. Transcrevese, por exemplo, a ementa do julgamento do Agravo Regimental no REsp 1.239.794/SC de relatoria do E. Ministro Herman Benjamin: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO PELO SUJEITO INTEGRANTE DO CICLO ECONÔMICO QUE NÃO SOFRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 229 21 1. Pretende a agravante valerse da previsão normativa do art. 17 da Lei 11.033/2004 para apurar créditos segundo a sistemática das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que disciplinam, respectivamente, o PIS e a Cofins não cumulativos, embora figure como revendedora em cadeia produtiva sujeita à tributação monofásica. 2. O regime jurídico da não cumulatividade pressupõe tributação plurifásica , ou seja, aquela em que o mesmo tributo recai sobre cada etapa do ciclo econômico. Buscase evitar a incidência em cascata, de modo a que a base de cálculo do tributo, em cada operação, não contemple os tributos pagos em etapas anteriores. 3. Na tributação monofásica , por outro lado, não há risco de cumulatividade, pois o tributo é aplicado de forma concentrada numa única fase, motivo pelo qual o número de etapas passa a ser indiferente para efeito de definição da efetiva carga tributária. Logo, não há razão jurídica para que, nas fases seguintes, o contribuinte se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia (AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Mini. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/5/2012; AgRg no REsp 1.289.495/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 23/03/2012; REsp 1.140.723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Min. Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 4/2/2013). 4. Por não estar inserida no regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a recorrente não faz jus à manutenção de créditos prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004. Tal fundamento é suficiente para o não acolhimento da pretensão recursal. 5. Diante disso, afigurase irrelevante a discussão sobre o alcance do art. 17 da Lei 11.033/2004 aos contribuintes não incluídos no Reporto, pois, neste caso concreto, a apuração do crédito é incompatível com a lógica da tributação monofásica, que afasta o risco de cumulatividade." (grifo nosso) Da mesma forma, recentemente, se manifestou o E. Ministro Mauro Campbell Marques no julgamento do Agravo em REsp nº 1.109.254 SP. Dessa decisão, transcrevemos o seguinte excerto: "A irresignação não merece acolhida. Com efeito, nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 230 22 MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/04/2014; REsp 1.267.003/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 23/10/2013. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012. Incide na espécie a Súmula 568/STJ, segundo a qual "o relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015 c/c o art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 14 de junho de 2017." (grifo nosso) Como resta claro, a lógica do regime jurídico da não cumulatividade pressupõe a tributação plurifásica, objetivando evitarse a incidência em cascata do tributo. Por outro lado, na tributação monofásica não há cumulatividade, pois o tributo incide em uma única etapa do processo. Por isso, a lei veda que o contribuinte, nas fases seguintes, se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia. Assim, por expressa vedação legal, os revendedores de combustíveis não podem incluir na base de cálculo dos créditos das contribuições os valores pagos na compra, para revenda, desses produtos, tendo em vista estarem inseridos numa cadeia de comercialização sujeita à tributação monofásica. Por fim, quanto à argumentação da recorrente sobre a Medida Provisória nº 413/08, enfatizemos que a alteração pretendida no art. 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 não visava recriar a vedação ao creditamento nas circunstâncias aqui analisadas, como alega a recorrente, pois esta vedação já existia, mas decorria da necessidade de se estabelecer nova sistemática de incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS na produção e comercialização de álcool, conforme assinalado no item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10467.900081/201187 Acórdão n.º 3002000.030 S3C0T2 Fl. 231 23 Dessa forma, não há como negar que o Acórdão recorrido acertou em não reconhecer o suposto direito creditório da recorrente, pois as aquisições, para a revenda, das mercadorias e dos produtos supramencionados não fazem jus a crédito. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 231DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900953/2012-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Sat Mar 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE.
Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF.
Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
Numero da decisão: 3002-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diego Weis Junior e Maria Eduarda Simões, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Maria Eduarda Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diego Weis Junior e Maria Eduarda Simões, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Maria Eduarda Simões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 09 53 /2 01 2- 13 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 3 2 Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, no valor de R$ 3.086,79, referente ao 3º trimestre de 2006, efetuado por meio de Per/Dcomp apresentado em julho/2007 (fls. 37 a 41). Por meio de despacho decisório à fl. 17, a unidade de origem indeferiu o pedido em razão da ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal, integrando o despacho decisório as informações complementares da análise de crédito disponíveis na página internet da Receita Federal, acessáveis pelo contribuinte por meio do Centro Virtual de Atendimento (eCAC). Tais informações complementares não estão disponíveis no processo. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que a Lei nº 9.363, de 1996, não restringe a concessão de crédito presumido do IPI apenas aos produtos tributados, não podendo a Fiscalização o fazer em detrimento da Lei (fls. 2 a 16). Ao final, requer a correção do crédito pela taxa Selic, contada a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. A Delegacia de Julgamento proferiu o Acórdão nº 0130.783 (fls. 46 a 50), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o crédito presumido somente pode ser concedido em relação a produtos sobre os quais o IPI incida, mas admitiu a correção do crédito pela taxa Selic, com o termo inicial após decorridos 360 dias do protocolo do pedido, em cumprimento da Nota PGFN/CRJ nº 775, de 2014. Segue a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. O direito ao crédito presumido do IPI é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto. Por conseguinte, não estão alcançados pelo benefício os produtos por ele nãotributados (NT). Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 59 a 73), que não passa de cópia de sua manifestação de inconformidade, da qual se alterou apenas campos como o endereçamento e o nome da peça recursal, sem qualquer consideração específica quanto à fundamentação da decisão de primeira instância. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 4 3 No recurso voluntário alegase, em síntese, que a Lei não fez qualquer distinção entre produção e exportação de produtos nãotributados, tributados ou com alíquota zero; que a fiscalização força a utilização da legislação do IPI para interpretar o dispositivo legal; que se trata de uma presunção a ser acatada tal como está; que a fiscalização não pode inovar e que o benefício, instituído para desonerar as exportações, "deve ter interpretação em prol do escopo para o qual foi criado". Para sustentar sua alegação, apresenta decisões do CARF, do TRF4 e do STJ, das quais se transcreve apenas a parte de interesse para o julgamento: CARF Acórdão nº 20218.297 O art. 1º da Lei nº 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja tributado pelo IPI ou que a empresa seja contribuinte do IPI. Referindose a lei a "mercadorias", foi dado o benefício fiscal do gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados", que são espécie do gênero "mercadorias". TRF4 Apel 2007.70.01.0072727 (...) 7. Também é ilegal a restrição imposta com base no art. 17 da IN/SRF 419/04, relativamente à inclusão na receita de exportação, para efeito de crédito presumido, do valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados. A Lei 9.363/96, determinando expressamente o cálculo do benefício sobre o total das aquisições de matériasprimas, material intermediário e material de embalagem, sequer cogita de qualquer restrição ou exclusão, não sendo ela passível de ser inferida pelo intérprete. Essa regulamentação infralegal estabelece restrição que a lei não faz, descaracteriza, aliás, a finalidade do incentivo fiscal criado pelo legislador. STJ REsp 617.733/CE, Min. Teori Zavascki TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. IN/SRF 29/97. ILEGALIDADE. (...) 2. O crédito presumido do IPI instituído pela Lei 9.363/96 teve por objetivo desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento dessas contribuições. Por isso mesmo, é ilegítima a limitação constante do art. 2º, § 2º da IN SRF 23/97, segundo o qual o crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem,na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Por fim, solicita novamente a correção do crédito pela taxa Selic, desconsiderando que a DRJ havia provido essa parte, embora com termo inicial diferente do pretendido pela recorrente. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso é tempestivo, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, e dele tomo conhecimento. Crédito presumido do IPI O ponto que se discute neste processo é se o crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, pode ser concedido em relação a exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI. A recorrente é uma empresa que se dedica à exploração de jazidas minerais, beneficiamento (corte em chapas e polimento) e comercialização no mercado interno e externo de pedras tais como mármore, granito e ardósia, segundo informações constantes em seu recurso voluntário e em seu contrato social. Exporta, especificamente, blocos de granito que se classificam no código NCM 2516.12.00, cujo texto diz: granito simplesmente cortado a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. A Lei nº 9.363, de 1996, assim dispõe sobre o que interessa a esta discussão: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifado) Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 6 5 Os artigos, considerados conjuntamente, determinam que o benefício aplica se às empresas e produtos que atendam aos conceitos de estabelecimento produtor, de produção, de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI, ou seja, na Lei nº 4.502, de 1964, e no Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos. Da leitura dos dispositivos legais pertinentes, a seguir transcritos, inferese que, para fins de IPI, estabelecimento produtor equivale a estabelecimento industrial, definido como aquele que executa alguma operação de industrialização da qual resulte produto tributado pelo imposto, ainda que de alíquota zero ou isento. Lei nº 4.502, de 1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) RIPI/2002 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. (grifado) No presente caso, no que diz respeito a suas operações de exportação, a recorrente não se enquadra como estabelecimento industrial do RIPI e nem produz produto tributável pelo IPI. A exigência de a industrialização resultar em produto tributado pelo IPI não é fortuita, mas expressa o alcance do tributo, aponta para as suas hipóteses de incidência. Inicialmente, quando da publicação da Lei nº 4.502, de 1964, constava no Anexo à Lei uma relação que continha apenas os produtos sobre os quais incidia o IPI. Nessa relação não existe a notação NT e não existe a posição 2516, pois a atividade de extração mineral, com o mero corte da pedra, não foi considerado operação de industrialização para fins de tributação pelo IPI. A pedra que tenha sofrido algum trabalho, que pressuponha o aperfeiçoamento de que trata o RIPI, classificase no capítulo 68 ou posterior, esses sim tributados. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 7 6 Posteriormente, quando se decidiu por adotar a relação completa de bens sujeitos ao imposto de importação para fins de construção da TIPI, houve a necessidade de marcar quais bens estavam fora do campo de incidência do IPI, que passaram a ter a notação NT (nãotributados). Tal entendimento é confirmado pelo art. 2º do RIPI/2002, que assim dispõe: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) A notação NT inclui os produtos com imunidade pela Constituição Federal, como livro e jornal, mas o caso analisado, pedra simplesmente cortada, recebe a notação NT por não sofrer uma operação de industrialização. Assim, o que resta claro é que, uma vez que o art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que se utilize os conceitos de produção/industrialização da legislação do IPI, o crédito presumido por ela instituído somente pode ser concedido quando houver exportação de produtos que estejam sob a incidência desse imposto. A Lei nº 9.363/96 adota a lógica do próprio tributo, inclusive aquela utilizada para a concessão dos créditos básicos e incentivados: a venda de mercadoria NT não gera saldo devedor. Se essa saída não gera saldo devedor para o contribuinte, também não pode gerar saldo credor. Essa limitação não alcança os produtos isentos ou com alíquota 0% porque esses estão dentro do campo de incidência do IPI. Os artigos do RIPI/2002 relativos à escrituração dos créditos básicos demonstram a coerência da interpretação adotada, a ver: Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . (...) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (grifado) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 8 7 Contraria qualquer lógica interpretativa defender que um tributo que não incide sobre determinado produto passe a incidir sobre esse mesmo produto somente quando for para gerar crédito. Pior ainda, não incide nem na geração de créditos básicos e incentivados, mas incide apenas quando se tratar do crédito presumido para ressarcimento das contribuições. A Lei nº 9.363, de 1996, em momento algum determinou que se desconsiderasse as hipóteses de incidência ou o fato gerador do IPI. Ao contrário, apontou em seu art. 3º que os conceitos fundamentais do imposto deveriam ser seguidos. Não vislumbro qualquer extrapolação ou restrição indevida na aplicação da lei na interpretação exposta, como alega a recorrente. Tratase apenas de interpretação sistemática, que traz coerência para a aplicação da legislação do IPI. Quanto às decisões transcritas pela recorrente, as turmas de julgamento somente estão obrigadas a aplicar aquelas que atendam ao prescrito no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o que não é o caso das decisões de outras turmas do CARF e de decisões do TRF4. Quanto à decisão do STJ, trata de tema diverso (compra de insumos de pessoas físicas), não se aplicando ao presente caso. Atualização monetária pela taxa Selic A recorrente solicita novamente a correção do crédito, aplicandose a taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. Desconsiderou que a DRJ havia reconhecido o direito à atualização monetária, embora com termo inicial após decorridos 360 dias da data do protocolo. Entretanto, entendo que a decisão de primeira instância reconheceu o direito apenas em tese, uma vez que, como o crédito não foi reconhecido, tal decisão tornouse inócua. O STJ pacificou entendimento de que é devida a atualização monetária dos créditos escriturais de IPI nos casos em que o direito ao creditamento não foi exercido no momento oportuno, em razão da oposição de ato administrativo ou normativo reiterado, por meio do julgamento em rito de recursos repetitivos do REsp nº 1.035.847/RS, a seguir transcrito, conjuntamente com a súmula dele decorrente: REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 9 8 oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. SÚMULA nº 411/STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. (grifado) É importante ressaltar dois pontos da jurisprudência transcrita: 1) não há previsão legal para a atualização monetária de crédito escritural e 2) cabe a atualização quando constatada a oposição ilegítima e constante da Administração, seja por ato administrativo ou normativo. Para a aplicação dessa decisão do STJ, seria necessário encontrar no caso presente a condição apontada no item 2 acima, o que não ocorre, já que o indeferimento foi legítimo e fundamentado, não tendo o despacho decisório da unidade de origem sofrido revisão ao longo deste processo. Logo, concluo não estar atendido requisito para aplicação da atualização monetária do crédito pleiteado. Com essas considerações, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Declaração de Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Dada a devida vênia aos fundamentos constantes do voto da eminente Relatora, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, conforme fundamentos a seguir indicados. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 10 9 Embora reconheça que esta matéria seja bastante controvertida na jurisprudência deste Conselho, alinhome à corrente que entende que as exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI deve integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996. Para que melhor se compreenda as razões aqui expostas, transcrevo a seguir o conteúdo do referido artigo 1º: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Notese que o caput do art. 1º acima transcrito, de fato, aponta como beneficiária do crédito presumido do IPI com ressarcimento do PIS e da COFINS a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ou seja, os requisitos expostos na legislação são no sentido de que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais e que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridos para utilização no processo produtivo. Não há, em contrapartida, qualquer exigência de que tais produtos sejam efetivamente tributados pelo IPI, para que possa a empresa fazer jus ao crédito presumido de IPI. Entendo, portanto, que ao fazer menção à garantia do crédito sobre mercadorias nacionais, a Lei n.º 9.363/1996 englobou todas as mercadorias nacionais produzidas, sejam elas tributadas ou não pelo IPI, não tendo vinculado o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. Até porque, penso que a intenção do legislador, na verdade, não foi de restringir a concessão do crédito presumido aos produtos que estejam efetivamente sujeitos ao recolhimento do IPI, mas sim incentivar as exportações, concedendo tal benefício às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Logo, penso que não caberia ao intérprete administrativo incluir requisito para fins de concessão do crédito presumido do IPI que não consta da própria lei que o instituiu. No meu entender, a interpretação sistemática da legislação defendida para fins de se negar a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de qualquer mercadoria gravada como "NT", de forma genérica, vai muito além do que nos cabe no papel de Conselheiro/Julgador na esfera administrativa. E, ao assim proceder, invadese a seara legislativa, em prejuízo da segurança jurídica que deve reger a relação entre Fisco e contribuinte, já tão prejudicada pela complexidade da nossa confusa legislação tributária. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 11 10 Nesse mesmo sentido, vide Acórdão n. 9303001.469, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e Acórdão n. 3402004.778, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, respectivamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC. SÚMULA nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. DESPESAS COM INSUMOS. COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, MATERIAL LABORATORIAL. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis, energia elétrica e materiais laboratoriais não caracterizam matériaprima, produto intermediário ou material de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 12 11 embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final (Súmula CARF n.º 19 e Parecer Normativo n.º 65/1979). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVA. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no Resp n.º 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. A Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE REVENDA. A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurarse o coeficiente de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. COMPROVAÇÃO EXPORTAÇÃO. Necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 13 12 Uma vez afastada a interpretação de que os produtos gravados como "NT" deveriam, por esta razão, ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido, passase, então, à análise dos demais requisitos dispostos na legislação. Conforme acima indicado, verificase que a legislação exige que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais e que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridos para utilização no processo produtivo. No caso concreto aqui analisado, ao contrário do que entendeu a ilustre Relatora, entendo que tais requisitos restaram observados pela Recorrente, inclusive em observância ao disposto no art. 4º do RIPI 2002, a seguir transcrito: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Isso porque, consoante acima relatado, verificase que a recorrente é uma empresa que se dedica à exploração de jazidas minerais, beneficiamento (corte em chapas e polimento) e comercialização no mercado interno e externo de pedras tais como mármore, granito e ardósia, segundo informações constantes em seu recurso voluntário e em seu contrato social. Exporta, especificamente, blocos de granito que se classificam no código NCM 2516.12.00, cujo texto diz: granito simplesmente cortado a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. Entendo, portanto, que a atividade de corte em chapas e polimento se enquadra no conceito de produção para fins de usufruto do crédito presumido do IPI, visto que altera, sem sombra de dúvidas, o acabamento (polimento), a aparência (cortes em diversos tamanhos e formatos) ou até a finalidade do produto (os cortes específicos de cada produto poderão diferenciar a finalidade de cada produto). Ademais, entendo que o art. 2º do RIPI/2002 abaixo transcrito trata apenas da incidência ou não do IPI, dispondo que os produtos "NT" estão excluídos do campo de incidência daquele imposto: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 14 13 Ou seja, este dispositivo legal não possui o condão de fazer concluir que os produtos "NT" não sofrem processo de industrialização. A legislação optou como selecionar os produtos que seriam gravados como "NT" por diversas razões, inclusive para casos em que há processo de industrialização. É o caso, por exemplo, dos produtos com imunidade tributária determinada pela Constituição Federal, que são gravados como "NT" e, em relação aos quais não há discussão acerca de eventual existência de processo de industrialização. Nesse viés, penso que a conclusão de que o produto aqui analisado teria recebido a notação "NT" por não sofrer processo de industrialização não possui embasamento normativo. Para fins de identificação da melhor solução para a presente demanda, portanto, imprescindível que se analise a atividade específica desempenhada pela Recorrente, e, ao analisála, entendo que assiste razão ao contribuinte, conforme razões acima apresentadas. Por fim, entendo que a menção aos artigos 190 e 193 do RIPI/2002 não possui relevância à solução da presente contenda, visto que versam sobre créditos básicos de IPI, cuja análise não guarda, no meu entender, qualquer relação com a hipótese aqui analisada. Consoante visto acima, a presente contenda versa sobre crédito presumido do IPI, o qual possui particularidades atinentes às razões que levaram à sua concessão (incentivo à exportação) que decerto não se relacionam com as razões atinentes ao crédito básico deste mesmo tributo. Nesse contexto, por entender ter sido ilegítima a recusa realizada pela fiscalização, penso que faz jus a Recorrente à inclusão da SELIC a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. Até porque, como é cediço, este entendimento já restou sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, ao assim dispor: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 15 14 legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Ou seja, fixou o STJ que é devida a correção monetária sobre o valor referente a créditos de IPI admitidos extemporaneamente pelo Fisco. E, uma vez constatada a ilegitimidade da recusa realizada pela fiscalização, este entendimento deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. Fl. 88DF CARF MF
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