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Numero do processo: 13609.000478/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003, 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Embargos de Declaração conhecidos parcialmente para saneamento de
informação obscura, contudo, sem alterar o decidido. Os Embargos de
Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-000.527
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão 10323.624, suprimindo-lhe a obscuridade, sem conceder-lhe efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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Embargos de Declaração conhecidos parcialmente para saneamento de informação obscura, contudo, sem alterar o decidido. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Recorrente, pois eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão 10323.624, suprimindolhe a obscuridade, sem concederlhe efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega omissão, contradição e obscuridade no Acórdão nº 10323.624, proferido pela então 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe (Relator), Leonardo de Andrade Couto, Carlos Pelá e Rogério Garcia Peres (Suplente Convocado) que davam provimento parcial para afastar a exigência “glosa de custos” relativos à empresa MetalCoque Ltda, nos termos da ementa abaixo: PERÍCIA PROVA DOCUMENTAL Não se revela necessária a realização de perícia quando os elementos constantes dos autos do processo são suficientes para formar a convicção do julgador ou quando a objetiva a análise de documentos contábeis que poderia ser trazidos com a impugnação. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSAS É cabível a glosa de custos se o sujeito passivo, depois de intimado, não comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a aquisição, a entrada e o pagamento das matérias primas adquiridas, bem como a efetiva prestação dos serviços contratados. MULTA AGRAVADA Correta a aplicação da multa agravada quando a fornecedora de bens ou serviços foi declarada inapta em data anterior à emissão do documento, e a empresa não comprova a efetivação do pagamento do preço e o recebimento dos bens, direitos e mercadoria ou a utilização dos serviços. (Lei 9.430/96 arts. 44II e 82, IN SRF 66/97). CSLL – LANÇAMENETO REFLEXO O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes em face da relação de causa e efeito que os vincula. A embargante inicialmente esclarece: O voto vencedor [Antonio Bezerra Neto], de fls. 434/435, apreciou somente a questão relativa à glosa de custos da empresa Metal Coque Ltd, ressaltando que a discordância em relação ao voto do relator se dava "apenas em relação ao provimento da glosa de custos" relativos à empresa. Portanto, com relação às demais questões, supõese que tenha sido adotado o voto vencido. E, mesmo no voto vencido, com os acréscimos do voto vencedor, há omissão sobre diversos pontos que deveria se pronunciar a Câmara. (...). (grifos no original) Em relação à primeira omissão no voto vencido, assim afirmou o embargante: Às fls. 425, depois de cancelar a glosa dos créditos relacionados à Metal Coque, enfatiza o voto vencido: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 113609000478/200717 Acórdão n.º 140100.527 S1C4T1 Fl. 469 3 "Nesse passo, adoto e transcrevo as justificativas e as provas elencadas pela decisão recorrida para a manutenção das glosas". Em seguida, das fls. 425 a 431, o acórdão repete a decisão da DRJ sobre as questões levantadas, omitindose na apreciação dos pontos colocados no recurso. Ora, em contraponto ás argumentações da decisão da DRJ, a embargante apresentou sólida argumentação, que não foi apreciada, em patente omissão do julgado. Transcrevemos a seguir passagem do recurso que não foi objeto de apreciação: “(...)”. Os principais elementos de prova, segundo o STJ, são os registros contábeis. Ora, é esta justamente a principal razão para a realização da perícia: Analisar, comparar e constatar registros contábeis. Porém, de forma precipitada, a decisão recorrida indeferiu a perícia, esquecendose da complexidade dos elementos contábeis que envolvem o lançamento, sequer analisados de forma satisfatória pelos julgadores. Os anexos I e II contém vasta documentação, envolvendo os livros da Recorrida. A analise pericial de tais dados demonstrará a existência das operações. Não se pode admitir a prevalência unilateral da visão do Auditor Fiscal, é preciso, no contraditório, que se analisem e se comparem os dados existentes, nos livros razão analítico, plano de contas, diário etc... Aponta ainda outra omissão no voto vencido, pois segundo a embargante nele sequer se apreciou os elementos e os documentos acostado aos autos relativo à empresa Estrela de Funilândia, o que, segundo ela, implica em omissão, passível de correção nesta esfera recursal, conforme disposição contida no artigo 61 do Decreto 70.235/72. Finaliza afirmando quanto às diversas omissões: O acórdão é totalmente omisso quanto às questões transcritas, pois apenas transcreve decisão anterior, sem quaisquer outras considerações sobre o recurso. Assim, pede a embargante que as questões colocadas sejam apreciadas, suprindose as omissões existentes no julgado. Em relação à contradição assim se tratou a embargante da matéria: Independentemente do resultado final do julgamento, é fato que a situação da empresa Metal Coque foi destacada, pois, segundo o voto vencido referida empresa "figurava em julho de 2007, na situação cadastral ATIVA, ou seja, os documentos fiscais por ela emitidos produziam efetivamente efeitos tributários contra terceiros (...). Segundo a embargante o motivo da contradição é que o voto vencido não deu o mesmo tratamento dado à empresa Metal Coque quando outras empresa estavam na mesma situação dela: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Possuíam situação cadastral "ativa" em julho de 2007, ocasião do lançamento, as seguintes empresas: 1) Metal Coque Ltda; 2) Pereira Marques Comércio e Representações Ltda; 3) Comercial Sudoeste Rio de Aços e Metais Ltda; 4) Trapézio Produtos Siderúrgico Ltda. Por fim, alega obscuridade, nos seguintes termos: A justificativa para cancelar a glosa dos créditos da Metal Coque está às fls. 424, e consiste na ausência de ato declaratório considerando inapto seu CNPJ. As demais considerações sobre a empresa foram meramente complementares à questão principal (situação cadastral ativa). Portanto, há nítida obscuridade no voto vencedor, quando se afasta em omissão, do argumento central, de ausência de declaração de inaptidão (suficiente ao cancelamento da glosa), para atacar o argumento secundário.(...) Aduz ainda a esse mesmo respeito: Entendeu o voto vencedor que, não havendo a comprovação mencionada no parágrafo único do artigo 82 (9.430/96), não poderia haver o cancelamento da glosa. Essa interpretação contém nítida obscuridade, uma vez que exige a comprovação atinente à exceção, esquecendose da regra geral do caput artigo. O artigo 82 é bastante claro ao indicar que não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Da análise perfunctória dos autos, por entender estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma foi proferido despacho de informação propondo à Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção que submetesse referidos embargos à deliberação da Turma, que foi aceito como proposto. É o relatório, no que interessa a este julgamento. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 113609000478/200717 Acórdão n.º 140100.527 S1C4T1 Fl. 470 5 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. a) 1a Omissão Em relação à primeira omissão no voto vencido, conforme excerto dos Embargos transcrito abaixo, verificase que gira toda em função da necessidade de perícia, bem assim falta de análise das provas dos autos, principalmente no aspecto contábil que confirmaria a improcedência do lançamento: Às fls. 425, depois de cancelar a glosa dos créditos relacionados à Metal Coque, enfatiza o voto vencido: "Nesse passo, adoto e transcrevo as justificativas e as provas elencadas pela decisão recorrida para a manutenção das glosas". Em seguida, das fls. 425 a 431, o acórdão repete a decisão da DRJ sobre as questões levantadas, omitindose na apreciação dos pontos colocados no recurso. Ora, em contraponto ás argumentações da decisão da DRJ, a embargante apresentou sólida argumentação, que não foi apreciada, em patente omissão do julgado. Transcrevemos a seguir passagem do recurso que não foi objeto de apreciação: "EXISTÊNCIA DAS OPERAÇÕES RELATIVAMENTE A TODAS AS EMPRESAS Ressaltando, inicialmente, que os documentos já trazidos aos autos e os que acompanharam a impugnação, demonstram a existência das operações desconsideradas pela Receita Federal, a Recorrente buscou a acolhida de sua impugnação, deixando evidenciada a necessidade de realização de perícia para confirmar tais operações. As próprias notas fiscais que acobertaram as operações, devidamente chanceladas pelos órgãos fiscais com carimbos, são prova tranqüila quanto às operações, eis que comprovam o trânsito da mercadoria. A analise da escrita fiscal da recorrente, por perícia, reforçaria a constatação da existência das operações. O Livro Razão Analítico (fls. 264 e seguintes e anexo I) e o Registro de Inventário (fls. 249 e seguintes) comprovam a ocorrência das operações. Se analisados em conjunto com a prova existente nos diversos anexos, temos como demonstradas as operações. A realização da perícia, que se espera seja determinada por este Conselho, será mais um elemento a elucidar os fatos. O STJ vem entendendo que: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 (...) Os principais elementos de prova, segundo o STJ, são os registros contábeis. Ora, é esta justamente a principal razão para a realização da perícia: Analisar, comparar e constatar registros contábeis. Porém, de forma precipitada, a decisão recorrida indeferiu a perícia, esquecendose da complexidade dos elementos contábeis que envolvem o lançamento, sequer analisados de forma satisfatória pelos julgadores. Os anexos I e II contém vasta documentação, envolvendo os livros da Recorrida. A analise pericial de tais dados demonstrará a existência das operações. Não se pode admitir a prevalência unilateral da visão do Auditor Fiscal, é preciso, no contraditório, que se analisem e se comparem os dados existentes, nos livros razão analítico, plano de contas, diário etc (grifei) Não prospera a alegada omissão, a uma porque o Acórdão recorrido tratou especificamente sobre a questão da perícia/deligência, denegandoa: Inicialmente, a recorrente pugna pela conversão do julgamento em diligência com o fito de comprovar aspectos que levam à conclusão tranqüila da existência das operações. Entendo que a prova da existência das operações seja obrigação da recorrente. Cabe a ela trazer para os autos os elementos de convicção necessários para tal desiderato. Não o fazendo, não há como transferir esse ônus para quem a acusa. De outro lado, entendo que existem nos autos elementos de convicção suficientes para o julgamento da demanda. Destarte, fundado em tais fatos, indefiro o pedido de diligência. Ademais tratase de matéria eminentemente de prova, onde o relator transcreveu minuciosamente os motivos arrolados pela DRJ que o mesmo também abraçou. Aliás, ao que parece, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão impugnado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. Rejeito, portanto, esta omissão. b) 2a Omissão Aponta ainda outra omissão no voto vencido, pois segundo a embargante nele sequer se apreciou os elementos e os documentos acostado aos autos relativo à empresa Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 113609000478/200717 Acórdão n.º 140100.527 S1C4T1 Fl. 471 7 Estrela de Funilândia, o que, segundo ela, implica em omissão, passível de correção nesta esfera recursal, conforme disposição contida no artigo 61 do Decreto 70.235/72. Finaliza afirmando quanto às diversas omissões: O acórdão é totalmente omisso quanto às questões transcritas, pois apenas transcreve decisão anterior, sem quaisquer outras considerações sobre o recurso. Assim, pede a embargante que as questões colocadas sejam apreciadas, suprindose as omissões existentes no julgado. Mutatis mutandis, vale aqui as mesmas considerações colocadas no tópico anterior em relação à questão de inconformismo quanto à matéria de prova em que o relator transcreveu minuciosamente os motivos arrolados pela DRJ que o mesmo também abraçou, nos seguintes termos: I) – Estrela de Funilândia Ltda – Para este fornecedor, situado no município de Funilândia/MG, a fiscalizada escriturou gastos como prestação de serviços no montante de R$ 3.968.650,00, como efetuada no período de 08/02 a 11/2003, conforme relação das notas fiscais às fls. 57 a 68 e cópias de fls. 196 a 216 do anexo V. contudo, analisandose os sistemas referenciados da RFB verificase que, apesar dos valores escriturados pela fiscalizada, a empresa Estrela de Funilândia Ltda sempre apresentou declaração como “Inativa”, fl. 138 do anexo V. Ainda, com base nos sistemas da RFB, constatamos que o CPF de Roberto Jacob, de nº 047.886.647 04, informando como responsável pela citada empresa junto a base CNPJ foi cancelado em 16/09/1996, sendo, contudo, criado um outro no mesmo dia conforme fls. 139 a 142 do anexo V. Observase, ainda, que Roberto Jacob tem endereço no município de Niterói/RJ. De posse dessas informações, enviamos intimações, termos de fls. 143 a 151 do anexo V, para os endereços informados como o de domicílio da empresa Estrela de Funilândia Ltda, bem como para aquele do responsável pela mesma, Roberto Jacob. Ambas as intimações não lograram êxito. Tendo em vista os dados acima, e no intuito de verificarmos se a referida empresa realmente funcionou, diligenciamos junto a Subdelegacia do Trabalho em Sete Lagoas e à Caixa Econômica Federal, ofícios e respostas às fls. 152 a 163 do anexo V, que em resposta informaram não constar em seus cadastros quaisquer dados relativos as vínculos empregatícios e tampouco a recolhimentos de FGTS para aquela empresa. Foi, ainda, oficiada a junta Comercial do Estado de Minas Gerais, termos de fls. 164 a 172 do anexo V, que informou que a empresa Estela de Funilândia Ltda teve o seu registro no DNRC (Departamento Nacional do Registro do Comércio) “baixado” em 16/01/2002. Observase que as notas fiscais utilizadas pela fiscalizada datam dos meses 08/02 a 11/2003. Para confirmação dos indícios apontados acima, que convergem para o fato de que a empresa não teria existido de fato, diligenciamos à cidade de Funilândia/MG e comparecemos ao endereço onde “supostamente” funciona ou teria funcionado o estabelecimento Estela de Funilândia Ltda. Conforme termos de fls 173 a 176 do anexo V (inclusive fotos), no referido endereço existe um imóvel residencial. Em declaração prestada pela esposa do proprietário do citado imóvel (fl. 177 do anexo V), foi informado que sua prima morou no imóvel por mais de 10 (dez) anos, tendo saído em 2006. Foi, ainda, informado pela declarante que a empresa Estrela de Funilândia Ltda, jamais funcionou no imóvel em questão. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Desse procedimento resultou o relatório para efeito de inaptidão de CNPJ (fl. 185 a 188 do anexo V), com efeitos retroativos à data de inscrição. Assim, por meio do processo nº 13609.000377/200746, conforme editais de suspensão e inaptidão de fls. 192 e 194 do anexo V, a empresa Estrela de Funilândia Ltda teve declarada sua inaptidão, por inexistência de fato de seus estabelecimentos (fl. 195 do anexo V).” Como se vê, aqui o relator abraçou a tese de que será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta por jamais houver exercido atividade regular (inexistência de fato), cujos efeitos retroagem desde a paralisação das atividades regulares da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, interpretação do art. 81 da Lei nº 9.430/96, regulamentado pelo art. 43, § 3o, IV, da IN n° 200, de 2002. Outrossim, não se venha alegar que a fundamentação a partir de concordância da decisão da DRJ cause cerceamento do direito de defesa, uma vez que tal procedimento é inclusive permitido no art.50 da Lei n 9.784/99, subsidiária ao PAF, não precisando nem serem transcritos, mas bastando tãosomente a simples menção de concordância para integrarem automaticamente o ato decisório. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.(destaquei) Rejeito também esta omissão. c) Contradição Em relação à contradição assim se tratou a embargante da matéria: Independentemente do resultado final do julgamento, é fato que a situação da empresa Metal Coque foi destacada, pois, segundo o voto vencido referida empresa "figurava em julho de 2007, na situação cadastral ATIVA, ou seja, os documentos fiscais por ela emitidos produziam efetivamente efeitos tributários contra terceiros (...). Segundo a embargante o motivo da contradição é que o voto vencido não deu o mesmo tratamento dado à empresa Metal Coque quando outras empresa estavam na mesma situação dela: Possuíam situação cadastral "ativa" em julho de 2007, ocasião do lançamento, as seguintes empresas: 1) Metal Coque Ltda; 2) Pereira Marques Comércio e Representações Ltda; 3) Comercial Sudoeste Rio de Aços e Metais Ltda; 4) Trapézio Produtos Siderúrgico Ltda. De fato, o Acórdão recorrido cai em contradição neste ponto, ao considerar situação incorrida pela Metal Coque necessária e suficiente para produzir efeitos tributários Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 113609000478/200717 Acórdão n.º 140100.527 S1C4T1 Fl. 472 9 (despesas glosadas antes da declaração de inaptidão) desconsiderando essa mesma situação em outras empresas, conforme apontado pela Embargante. Vejamos parte relevante do Voto Vencido, ora embargado: A leitura do Termo de Verificação Fiscal e da própria decisão recorrida deixa evidente que as despesas glosadas relativas às empresas Metal Coque Ltda., o foi antes da existência de Ato Declaratório considerando inapto o seu CNPJ. Diante dessa afirmação e a contrário senso, a referida empresa estava apta perante o Fisco Federal, eis que figurava em julho de 2007, na situação cadastral ATIVA, ou seja, os documentos fiscais por elas emitidos produziam efetivamente efeitos tributários contra terceiros. Porém, tal contradição não enseja qualquer repercussão no resultado do julgamento, justamente porque tal contradição foi percebida pelos outros Conselheiros que foram contra a essa conclusão que deu provimento ao recurso nesta parte. O Voto vencedor para todos efeitos vinga sobre a parte vencida desfazendo a contradição, motivo pelo rejeito a alegação de contradição. c) Obscuridade Por fim, alega obscuridade, nos seguintes termos: A justificativa para cancelar a glosa dos créditos da Metal Coque está às fls. 424, e consiste na ausência de ato declaratório considerando inapto seu CNPJ. As demais considerações sobre a empresa foram meramente complementares à questão principal (situação cadastral ativa). Portanto, há nítida obscuridade no voto vencedor, quando se afasta em omissão, do argumento central, de ausência de declaração de inaptidão (suficiente ao cancelamento da glosa), para atacar o argumento secundário.(...) Aduz ainda a esse mesmo respeito: Entendeu o voto vencedor que, não havendo a comprovação mencionada no parágrafo único do artigo 82 (9.430/96), não poderia haver o cancelamento da glosa. Essa interpretação contém nítida obscuridade, uma vez que exige a comprovação atinente à exceção, esquecendose da regra geral do caput artigo. O artigo 82 é bastante claro ao indicar que não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. De fato, com razão a Embargante, há uma obscuridade no Acórdão na medida em que deveria ter enfrentado a premissa principal do voto vencido, qual seja, de que: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 (...) as despesas glosadas relativas às empresas Metal Coque Ltda., o foi antes da existência de Ato Declaratório considerando inapto o seu CNPJ. Diante dessa afirmação e a contrário senso, a referida empresa estava apta perante o Fisco Federal, eis que figurava em julho de 2007, na situação cadastral ATIVA, ou seja, os documentos fiscais por elas emitidos produziam efetivamente efeitos tributários contra terceiros. Preocupouse o relator do voto vencedor em contraargumentar apenas contra argumentos subsidiários, deixando de enfrentar o argumento principal acima referido, nos seguintes termos: O relator original após tecer considerações de que à época dos fatos geradores a empresa Metal Coque Ltda estava ativa regular, considerou comprovado o custo em apreço, nos seguintes termos: (...) Como se vê o relator original aplicou a ressalva do parágrafo único do artigo 82, transcrito anteriormente, em que fica resguardado o adquirente e o tomador de serviço de boafé, desde que cumpridas duas condições: a comprovação da efetivação do pagamento do preço respectivo, o recebimento das matérias primas e/ou a utilização dos serviços. Ocorre que os livros contábeis trazidos como prova para infirmar a atuação não comprovam nem que as matériasprimas foram efetivamente recebidas, nem que os pagamentos foram efetivamente realizados, não satisfazendo a nenhuma das duas condições acima elencadas. Não trouxe documentos hábeis de fonte externa para comprovar os seus registros contábeis, tais como: ordens de pagamento, cópias de cheques emitidos, Conhecimentos de Frete, etc. De fato, há aqui uma omissão a ser sanada que causou a referida obscuridade, porém o resultado ao fim e ao cabo não se modificará não produzindo efeitos infringentes como deseja a recorrente, senão vejamos. O procedimento fiscal esta amparado quase que em sua totalidade nos art. 81 e 82 da Lei n£ 9.430, de 27/12/1996: "Ari. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. (■■■) Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Disse que não foi integralmente baseado nos referidos artigos, pois como se verifica pela própria cabeça do art. 82 acima negritado, há que se distinguir ai duas espécies de Fl. 14DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 113609000478/200717 Acórdão n.º 140100.527 S1C4T1 Fl. 473 11 hipóteses de declaração de inidoneidade. A declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ do emitente é uma das hipóteses de inidoneidade de documentos enumerada taxativamente na legislação, mas não a única. Como já se destacou, o próprio dispositivo legal que institui a hipótese de inidoneidade de documento em decorrência da declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ do emitente, também faz referência, expressamente, que as demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação não produzirão efeitos tributários em favor de terceiros interessados. Reafirmese, a propósito, a regra fundamental de que a inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos, previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente. Quem raciocina diferente adentra na chamada “falácia do falso antecedente”. ”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque existem outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (declaração de inaptidão, por exemplo) > (implica) “q” (não produção de efeitos tributários em favor de terceiros). Isso não que dizer que se negarmos “p” (antecedente) estaremos negando necessariamente a existência de “q”. Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como se vê, na hipótese que se cuida, tratase, isso sim, de inidoneidade de documentos decorrente de regular processo de declaração de inaptidão — inexistência de fato de inscrição no CNPJ de determinado pretensos fornecedor (Metal Coque) e supletivamente de inidoneidade, cabalmente aferida pelos agentes fiscais em proficiente auditoria com emprego de procedimentos próprios de fiscalização, tal como exaustivamente circunstanciado nos tópicos apropriados do "Relatório Fiscal" , logo a seguir. Conquanto o ato declaratório não tenha sido expedido, o conjunto probatório materializado pelo autuante é suficiente para concluir a inexistência da referida empresa. No caso que se cuida, utilizouse mesmo da prova indiciária por meio de uma presunção simples ou hominis, presunção relativa que se admite prova em contrário, que de fato não aconteceu. No caso vertente, há a ilação extraída de um fato conhecido (conjunto de indícios coligidos quanto às empresas fornecedoras) para ser alcançado o fato desconhecido (emissão de notas fiscais inidôneas pelas empresas fornecedoras), que leva necessariamente a indedutibilidade de custos. Vejamos como o autuante materializou tal reconhecimento de inexistência de fato da Metal Coque Ltda: (...) verificase que a empresa Metal Coque Ltda, embora esteja com a situação cadastral "Ativa", entregou apenas uma declaração do IRPJ, entretanto, sem valores declarados, estando omissa desde o anocalendário 2002. Pelo exposto, naquela oportunidade, intimamos o suposto fornecedor, bem como seus sócios, fls 184 a 199 do anexo III, conforme endereços constantes dos cadastros da RFB. As correspondências relativas à empresa e ao sócio João Aparecido Ferreira não lograram êxitos, entretanto, a intimação ao Sr Edson Luiz Gomes (CPF 541.433.14649) foi entregue, e este, em resposta, termo de depoimento de fl 193 do anexo IH, afirmou não conhecer a empresa Metal Coque Ltda e creditar ter sido enganado quando da utilização de seus dados na constituição desta empresa, fato observado em outros fornecedores da fiscalizada. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 À época do procedimento fiscal, procedemos a diligências junto à Secretaria da Receita Previdenciária, à subdelegada do Trabalho em Sete Lagoas e à Caixa Econômica Federal, conforme ofícios e respostas às fls 178 a 188 do anexo II e fls 195/196 do anexo III. Deste procedimento de diligência constamos que não existem registros de empregados, e tampouco recolhimentos previdenciários ou relativos ao FGTS para a empresa Metal Coque Ltda. O referido procedimento teve o intuito de verificarmos se a mesma realmente funcionou. Foi oficiada, ainda, a Delegacia Fiscal da SEF/MG em Sete Lagoas, através do ofício n° 64/2006/DRF/STL/GAB à fl 189 do anexo ii, quando fomos informados que para a empresa Metal Coque Ltda foram emitidos 3 (três) Atos Declaratório de Falsidade/lnidoneidade, fls 197 a 199 do anexo III, que se referem a todos os documentos fiscais emitidos pela citada empresa, autorizados ou não. De acordo com os citados atos, suas motivações seriam a inexistência de fato do estabelecimento e a impressão de documentos sem a devida autorização. Pelo site da Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro é possível verificar que a empresa Metal Coque Ltda, fl 200 do anexo III, teve sua inscrição estadual desativada de ofício a partir de 28/06/2002. (grifei) Como se sabe a previsão legal do art. 82. da Lei n. 9.430/96 cria condição objetiva de glosa dos valores lançados como custo de produção oriundos de documentos fiscais cujas empresas foram consideradas inexistentes pela fiscalização e que tal regramento sofre temperamentos nas hipóteses em que restarem comprovados a efetivação dos pagamentos e o recebimento dos bens correspondentes. Da mesma forma a presunção simples, que é relativa, acima referida, admite prova em contrário, justamente pelos mesmos meios (comprovação da efetividade dos pagamentos e o recebimento dos bens correspondentes. Porém, como já se viu, nesse aspecto, o voto vencedor se desincumbiu a contento, demonstrando que tal comprovação não ocorreu. Acolho, pois, esse ponto, por considerar que houve obscuridade, suprindo ponto importante do voto vencedor, mas sem concederlhe efeitos infringentes. Por todo o exposto, acolho em parte os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão 10323.624, suprimindolhe apenas a obscuridade nos termos aqui propostos, sem concederlhe efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 16DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 113609000478/200717 Acórdão n.º 140100.527 S1C4T1 Fl. 474 13 Fl. 17DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 15586.720379/2014-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Comprovada nos autos a relação de interdependência, nos termos do art. 42 da Lei n° 4.502, há de ser observado o valor tributável mínimo, previsto no regulamento do IPI. O valor tributável mínimo não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento distribuidor interdependente do estabelecimento industrial fabricante.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. APURAÇÃO. VENDAS PARA EMPRESAS NÃO INTERDEPENDENTES. O valor tributável mínimo deve ser apurado, com base na média ponderada mensal dos preços de cada produto, praticados pelo industrial quando das vendas aos clientes não interdependentes.
COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. APURAÇÃO. VENDAS PARA INTERDEPENDENTES. O valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial, e que tenha na sua praça um único estabelecimento distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Comprovada nos autos a relação de interdependência, nos termos do art. 42 da Lei n° 4.502, há de ser observado o valor tributável mínimo, previsto no regulamento do IPI. O valor tributável mínimo não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento distribuidor interdependente do estabelecimento industrial fabricante. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. APURAÇÃO. VENDAS PARA EMPRESAS NÃO INTERDEPENDENTES. O valor tributável mínimo deve ser apurado, com base na média ponderada mensal dos preços de cada produto, praticados pelo industrial quando das vendas aos clientes não interdependentes. COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. APURAÇÃO. VENDAS PARA INTERDEPENDENTES. O valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial, e que tenha na sua praça um único estabelecimento distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 03 79 /2 01 4- 15 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 15586.720379/201415 Acórdão n.º 3301004.126 S3C3T1 Fl. 407 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Contra a empresa foi lavrado Auto de Infração, constituindo crédito de R$ 5.424.008,48, a título de IPI, juros de mora e multas proporcionais. Relata a autoridade fiscal que a autuada promoveu a saída de produtos industrializados de seu estabelecimento para estabelecimentos interdependentes, sem respeitar o valor tributável mínimo, previsto na legislação de regência, nos meses de janeiro a dezembro de 2010. Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal, anexado à autuação, restou comprovada a existência de relação de interdependência entre a empresa Akla Indústria de Cosméticos Ltda e as empresas Biotropic Distribuidora de Cosméticos Ltda e WMA Distribuidora de Cosméticos Ltda, pelas razões assim sintetizadas: I No ano de 2010, a Biotronic e a WMA concentravam 82,29% das vendas da Akla, sendo Biotropic (77,36%) e WMA (4,93%). II A Akla comercializa produtos exclusivos para a Biotronic e a WMA. III Os quadros societários demonstram sócios em comum: IV O sócio majoritário da Akla e da Biotropic, Sr. Marconi de Arruda Leal, figura como administrador perante o CNPJ da empresa WMA. Ademais, apontou a fiscalização que o preço praticado pela Akla na venda para as interdependentes Biotropic e WMA são em média 31,21% do preço de venda praticado com as demais clientes em que não há relação de interdependência, ou seja, com desconto indevido da base de cálculo do IPI em média de 68,79%, restando comprovado a inobservância do valor tributável mínimo. Procedendo à apuração do valor tributável mínimo, a autoridade utilizou dois critérios distintos: Fl. 407DF CARF MF Processo nº 15586.720379/201415 Acórdão n.º 3301004.126 S3C3T1 Fl. 408 3 · A média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele, com base no preço praticado pela fiscalizada com as demais clientes não interdependentes; · Para os produtos vendidos exclusivamente às empresas BIOTROPIC e WMA, adotou os preços de venda praticados pela empresa BIOTROPIC, por ser a única comercial atacadista a vender tais produtos e ser da mesma praça da fiscalizada. A 2ª Turma da DRJ/POR, no acórdão n. 1459.215, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA. O emprego, ainda que impertinente, de raciocínios valorativos, adjacentes, econômicos, estatísticos ou acessórios que não constituem o objeto do Auto de Infração e a infração imputada, não tem a aptidão de afetar a relação jurídica formada pelo lançamento, posto que, este, envolve matéria adstrita a reserva legal e tão pouco provoca nulidade processual por cerceamento do direito de defesa, uma vez que tais raciocínios não integram a “peça acusatória”. OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. Provado nos autos a relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo, há de ser observado pelo sujeito passivo o valor tributável mínimo, previsto no regulamento do IPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. Tendo sido apurado o valor tributável mínimo, com base na média ponderada mensal dos preços de cada produto, praticados pela autuada quando das vendas dos demais clientes, conforme artigo 196 c/c artigo 195, incisos I e II, do Decreto nº 7.212/2010, resta verificado a correta apuração. COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA. Provada a participação do estabelecimento interdependente no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a Fl. 408DF CARF MF Processo nº 15586.720379/201415 Acórdão n.º 3301004.126 S3C3T1 Fl. 409 4 definição do valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I, RIPI/02. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Provado nos autos a correta apuração do valor tributável mínimo, bem como a utilização dos créditos aos quais a autuada fazia jus, não se verifica necessário a realização de perícia. MULTA DE OFICIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. A vedação ao confisco pela Constituição Federal, assim como a necessidade dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu, sendo o princípio da estrita legalidade o paradigma de atuação no âmbito da Administração Tributária. Em seu recurso voluntário, a empresa repisa os exatos termos de sua impugnação: 1 Inexistência de interdependência. 2 Inexistência de motivo fático para o arbitramento. 3 Caráter confiscatório da multa aplicada. 4 Necessidade de perícia para apuração do crédito de IPI e os preços de mercado. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário preenche os pressupostos de interposição, devendo ser conhecido. Comprovação da interdependência Dispõe o art. 42, da Lei n° 4.502 /1964, que: Art. 42. Para os efeitos desta lei, considerase existir relação de interdependência entre duas firmas: Fl. 409DF CARF MF Processo nº 15586.720379/201415 Acórdão n.º 3301004.126 S3C3T1 Fl. 410 5 I quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem assim por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física. II quando, de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor ou de sócio que exerçam funções de gerência, ainda que essas funções sejam exercidas sob outra denominação; III Quando uma delas tiver vendido ou consignado à outra, no ano anterior, mais de 20% (vinte por cento) no caso de distribuição com exclusividade em determinada área do território nacional, e mais de 50% (cinqüenta por cento), nos demais casos, do volume das vendas dos produtos tributados de sua fabricação, importação ou arrematação. A relação de interdependência está caracterizada, pois ao se observar o quadro societário abaixo, fica demonstrado que: O Sr. Marconi Arruda Leal é sócio da Akla e participa como sócio da Biotronic com 99% do capital social. E, como sócio da Biotronic participa indiretamente da WMA, uma vez que a Biotronic detém 55% do capital social da WMA. Também, além de sócio majoritário da Akla e da Biotropic, figura como administrador perante o CNPJ da empresa WMA. Logo, temse a subsunção ao disposto no inciso I do art. 42. A Akla industrializa e vende para a Biotronic 77,36% do total de suas vendas em 2010, ou seja, mais de 50% do volume de vendas dos produtos tributados de sua fabricação. Subsumese à prescrição do inciso III do art. 42. Defende a Recorrente que não há interdependência, pois, a fiscalização utilizou os critérios estanque e inflexíveis, em razão de similitude, ou relação, entre os quadros societários, previstos no art. 42 e incisos, da lei nº 4.502/1964, quando deveria considerar apenas o disposto no art. 265 da Lei n° 6.404, de 1976: Fl. 410DF CARF MF Processo nº 15586.720379/201415 Acórdão n.º 3301004.126 S3C3T1 Fl. 411 6 Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. Então, não haveria interdependência, porque não houve a reunião das sociedades para consecução de atividades econômicas em comum. A aplicação do art. 42, da Lei n° 4.502 acarreta a inviabilidade dos objetivos sociais das pessoas jurídicas industriais. Isso porque não há e nunca houve reunião para a consecução de fins comuns. Não há razão no argumento, porquanto, uma vez configurada a interdependência, nos exatos termos da legislação do IPI, cabe à autoridade aplicála. O lançamento tributário é atividade administrativa plenamente vinculada, consoante dispõem os arts. 3° e 142, parágrafo único, do CTN, logo a autoridade fiscal deve obrigatoriamente observar a legislação específica ao apurar os valores que compõem o crédito tributário, não podendo negar aplicação a lei ou ato normativo em vigor. Ademais, o afastamento da legislação vigente não pode sequer obter pronunciamento deste Conselho, tendo em vista o disposto no art. 62 do RICARF e na Súmula CARF n° 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Determinação do Valor Tributável Mínimo Comprovada a interdependência, é imperiosa a aplicação do art. 15, I da Lei n° 4.502, para determinação do valor tributável mínimo. Art. 15. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, quando o produto fôr remetido a outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica ou a estabelecimento de terceiro incluído no artigo 42 e seu parágrafo único; Para o cálculo do valor tributável mínimo, a legislação prescreve: Decreto n° 7212/2010 Art. 196. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 195, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, em vigor no mês precedente ao da Fl. 411DF CARF MF Processo nº 15586.720379/201415 Acórdão n.º 3301004.126 S3C3T1 Fl. 412 7 saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomar seá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Decreto n° 4.544/2002 Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); II a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso II, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso III); III ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso III, e DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 28); IV a setenta por cento do preço da venda a consumidor no estabelecimento moageiro, nas remessas de café torrado a Fl. 412DF CARF MF Processo nº 15586.720379/201415 Acórdão n.º 3301004.126 S3C3T1 Fl. 413 8 comerciante varejista que possua atividade acessória de moagem (DecretoLei nº 400, de 1968, art. 8º). § 1º No caso do inciso II, sempre que o estabelecimento varejista vender o produto por preço superior ao que haja servido à determinação do valor tributável, será este reajustado com base no preço real de venda, o qual, acompanhado da respectiva demonstração, será comunicado ao remetente, até o último dia do período de apuração subseqüente ao da ocorrência do fato, para efeito de lançamento e recolhimento do imposto sobre a diferença verificada. § 2º No caso do inciso III, o preço de revenda do produto pelo comerciante autônomo, ambulante ou não, indicado pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, não poderá ser superior ao preço de aquisição acrescido dos tributos incidentes por ocasião da aquisição e da revenda do produto, e da margem de lucro normal nas operações de revenda. Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomar seá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Argumenta a Recorrente, ao contestar o cálculo da fiscalização, que a presunção é equivocada, porque não considera as diferenças de localização dos clientes, quanto aos produtos vendidos pela Recorrente a Biotronic, a WMA e a outras pessoas jurídicas. Nesse caso, a autoridade fiscal considera que todos os clientes da Recorrente atuam numa mesma “praça” do mercado, desconsiderando as diferenças locais que influenciam diretamente o Fl. 413DF CARF MF Processo nº 15586.720379/201415 Acórdão n.º 3301004.126 S3C3T1 Fl. 414 9 preço. Com isso, a média calculada nessa presunção é falha, pois a amostragem não é fiel às variáveis que atingem o mercado de cada cliente. Por sua vez, para os produtos exclusivamente vendidos para a Biotropic e WMA, a incorreção reside na necessidade de se buscar fora das interdependentes, os preços praticados para determinar as médias, sob pena de não se alcançar o valor correto dos produtos. Entendo não merecer reparos nos cálculos da fiscalização. Consta nos autos que: 1 a Akla, em cartaresposta em 30 de dezembro de 2013, afirmou “desconhecer a existência de outras empresas atacadistas que comercializem produtos idênticos ao da intimada no ano de 2010”, 2 é indústria e comércio atacadista que vende os mesmos produtos para as empresas interdependentes e para as demais empresas e 3 o preço praticado pela Akla para as aquisições pelos interdependentes era de 31,21% do preço praticado para as demais empresas. Por conseguinte, diante do seguinte quadro fático e observado o disposto nos dispositivos legais citados: para os produtos vendidos pela Akla para a Biotronic e WMA e também para outros clientes, a média ponderada foi obtida com base nos preços praticados por ela própria aos demais clientes, extraídos das notas fiscais eletrônicas. Então, a média ponderada de cada produto foi considerada como o valor tributável mínimo. Já para os produtos vendidos com exclusividade para as interdependentes, a fiscalização adotou os preços de venda praticados pela empresa Biotropic, por ser a única comercial atacadista a vender tais produtos e ser da mesma praça da Akla. O levantamento dos preços praticados na venda pela Biotronic se deu com base nas notas fiscais eletrônicas, descontado o IPI destacado e apurandose as médias ponderadas para cada produto. Sobre esta temática, a Solução de Consulta Interna nº 8, de 13 de junho de 20128 foi precisa no tratamento: O inciso I do art. 195 do RIPI/2010 assim dispõe sobre a matéria, in verbis: Art.195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência; 6. Observase que o dispositivo legal acima não faz qualquer referência ao número mínimo de ofertantes que devem atuar no mercado para que este seja caracterizado como um “mercado atacadista”. Tampouco faz qualquer distinção entre mercados monopolizados, oligopolizados, livre concorrência ou monopsônio. 7. Desse modo, não havendo base legal para se estabelecer o número mínimo de ofertantes, nem distinções entre os tipos de mercado, deve ser aplicada a regra prevista no inciso I do art. 195 do RIPI/2010 sempre que o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. 8. Já o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, ao tratar do valor tributável para efeito de cálculo do IPI, assim dispôs sobre “mercado atacadista”, in verbis: 6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e Fl. 414DF CARF MF Processo nº 15586.720379/201415 Acórdão n.º 3301004.126 S3C3T1 Fl. 415 10 não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 7. Por isso, os preços praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do contribuinte interessado em encontrar o valor tributável do IPI através do preço corrente do mercado atacadista devem ser considerados para o cálculo da média ponderada de que trata o §5° do artigo 46 do RIPI/79. 9. Ou seja, existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado. Deve se levar em conta “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”. 9.1. Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. 9.2. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. 10. Dessa forma, as operações realizadas por este estabelecimento corresponderão ao “universo das vendas” a que se refere o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, e tais operações de compra e venda configurarão o “mercado atacadista” de que trata o inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Conclusão 11. Diante do exposto, na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto (sem similar para efeito de comparação de preços), o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. Assim, não merecem prosperar os argumentos da Recorrente de incorreção no procedimento de apuração. Quanto à alegação de que houve o incorreto arbitramento, por ausência das hipóteses legais nos termos do 148 do CTN e ausência de qualquer omissão por parte da empresa, também não merece acolhida, porque, como dito acima, a caracterização da infração e o consequente procedimento têm suporte na legislação do IPI. Pedido de perícia Alega que o procedimento fiscal foi obscuro na correta apuração dos créditos de IPI considerados na apuração do valor devido. Além disso, a apuração do preço dos produtos se deu com pequena amostragem, dentro dos documentos que envolvem tão somente os clientes da Akla. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 15586.720379/201415 Acórdão n.º 3301004.126 S3C3T1 Fl. 416 11 Entendo como dispensáveis as diligências ou perícias, pois na apuração final dos valores de IPI devidos em 2010, foram deduzidos saldos credores informados na DIPJ 2011, ano calendário 2010, e registrados no Livro de Apuração do IPI de 2010. E, os preços praticados foram retirados das notas fiscais eletrônicas. Confiscatoriedade da multa aplicada Sustenta a Recorrente que a multa aplicada tem caráter manifestamente abusivo, desproporcional e confiscatório. Todos os traços da multa aplicada estão previstos em lei, atendendo ao princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN, logo é obrigatória a sua aplicação. Por fim, a análise da caracterização da multa com efeito confiscatório implica em análise de constitucionalidade, o que encontra óbice na Súmula CARF nº 1. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 416DF CARF MF
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Numero do processo: 13854.000313/2003-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Não constata o vício da omissão na decisão não cabem os Embargos de Declaração.
Embargos não acolhidos.
Numero da decisão: 3301-004.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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OMISSÃO. Não constata o vício da omissão na decisão não cabem os Embargos de Declaração. Embargos não acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 13 /2 00 3- 10 Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13854.000313/200310 Acórdão n.º 3301004.142 S3C3T1 Fl. 462 2 Tratase de Embargos de Declaração (fls. 399 a 408) interpostos pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301001.842 (fls. 379 a 393), de 21 de maio de 2013, proferido pela 1ª Turma Ordinária, 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que, por voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário (fls. 320 a 360) apresentado pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora embargado: Conforme relatado na decisão recorrida, o presente processo teve início com a Declaração de Compensação (DCOMP) de fl. 01, protocolada em 13/11/2003, por meio da qual a contribuinte declarou a compensação de débito da Cofins (2172), no montante de R$ 34.887,46, vencido em 14/11/2003, com créditos de PIS nãocumulativo, apurados no mês de dezembro de 2002 (R$52.099,33, fl. 02). Posteriormente, em 12/12/2003, protocolou nova DCOMP (fl. 10), para declarar a compensação do saldo restante dos créditos com outro débito de Cofins, no montante de R$ 17.211,87, vencido em 15/12/2003. Na sequência a DRF de Ribeirão Preto glosou integralmente os créditos compensados pelos seguintes motivos descritos na informação fiscal de fls. 254/260: Através da observação do "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DO PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – linha 34 (fls. 252), verificase que a contribuinte apurou no mês de dezembro/2002, saldos finais de créditos de PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO, em valores de R$ 5.072,93 e R$ 47.026,40, para o mercado interno e externo respectivamente, após deduzir o seu débito apurado de PIS/PASEP em valor total de R$ 95.336,98 conforme indicado na linha 27 do "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO" (fls. 251). No entanto, devido ao efeito da redução de receitas de exportação (exclusão da variação cambial e receitas de exportação na condição de "Trading Company" e acréscimos de receitas financeiras, na base de cálculo da contribuição, esta fiscalização apurou para o mês de dezembro à título de débito de PIS/PASEP não cumulativo antes das deduções, o valor total de R$ 209.280,66. Apurou, para o mês de dezembro/2002, créditos totais (linha 30 —fls. 252), de R$145.799,16 (R$ 12.473,41 + R$ 133.325,75), os quais foram totalmente utilizados, restante ainda valor de PIS/PASEP não cumulativo a pagar de R$ 63.487,50 (linha 18, fls. 253). Portanto, da análise dos demonstrativos às fls. 251, 252 e 253, concluise que a contribuinte não possuía saldo credor de PIS/PASEP não cumulativo, para efetuar as compensações solicitadas nas declarações de compensações apresentadas pela contribuinte às fls. 01 e 10. Propomos, portanto, que o valor pleiteado a título de crédito de PIS/PASEP não cumulativo, no valor de R$ 52.099,33, seja integralmente glosado. Na manifestação de inconformidade a Recorrente alega, em síntese, o seguinte (fls. 271/280): a) a glosa decorreu do entendimento da fiscalização de que a apuração dos seus créditos "deveria estar vinculada às receitas decorrentes de exportação. Em outras palavras, o montante do crédito passível de compensação deveria observar o percentual entre o valor das receitas de exportação (inclusive Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13854.000313/200310 Acórdão n.º 3301004.142 S3C3T1 Fl. 463 3 indiretas) e o valor total das receitas auferidas pela requerente". Além deste aspecto, a fiscalização também apurou que suas receitas de exportação deveriam ser consideradas sem os acréscimos da variação cambial, que devem ser considerados como receitas financeiras, sobre as quais deve incidir a contribuição"; b) quanto ao primeiro aspecto, deve ser considerado que à época do protocolo das DCOMPs "a legislação de regência não previa sequer a obrigatoriedade de realizar a referida proporcionalização", que só foi instituída com a Lei n° 10.865, de 2004, que alterou a redação do art. 15, inc. III, da Lei n° 10.833, de 2003, aplicando se as regras da Cofins nãocumulativa ao PIS nãocumulativo. Valendose da interpretação histórica, concluise que referida regra não existia antes de ter sido criada pelo novo dispositivo legal (cuja vigência iniciôuse em 01/05/2004), conforme pacificado na doutrina e jurisprudência. Assim sendo, "não faz sentido discutir se uma ou outra receita deve ser considerada ou 'não na apuração do percentual de rateio das receitas, quando o próprio critério de proporcionalização do crédito de PIS segundo as receitas de exportação não era exigido pela legislação então vigente"; c) quanto ao segundo aspecto, "a alegada omissão de receitas está sendo feita: (a) fora do prazo decadencial de constituição do crédito tributário; (b) fora do expediente administrativo apropriado, já que o presente processo trata de homologação de declarações de compensação; e (c) o conteúdo dessa exigência, que somente coteja as receitas de variação cambial e desconsidera as correspondentes despesas, ofende a capacidade contributiva e a lógica do sistema tributário"; d) quanto ao prazo decadencial, há que se aplicar à espécie as disposições do art. 150, § 4o, do CTN, como já consolidado pela doutrina e jurisprudência, devendo ser considerado escoado referido prazo porquanto os fatos geradores reportamse ao mês de dezembro de 2002 e a ciência do despacho decisório ocorreu em 27/10/2008. E mesmo que fosse aplicado ao caso o prazo prescrito no art. 173, inc. I, do CTN, como entendem alguns, também já teria decaído o direito de o Fisco lançar a diferença que entende ser devida. Ademais, a Súmula Vinculante n° 8/2008, do STF, já decretou a inconstitucionalidade do prazo decadencial de 10 anos, que vinha sendo considerado para o lançamento das contribuições; e) quanto ao "expediente administrativo adequado", a fiscalização não • pode ajustar a base de cálculo do PIS "em sede de procedimento administrativo tendente a homologar declarações de compensação, na medida em que seria obrigatório a formalização de lançamento de ofício", como já decidiu o Conselho de Contribuintes, conforme ementas de decisões trazidas à colação; f) finalmente, quanto ao "conteúdo da exigência", a fiscalização; como dito, não considerou as correspondentes despesas financeiras em decorrência das oscilações do câmbio. Ademais, neste caso, "o que estará sendo tributado serão meras contrapartidas contábeis de atualizações que não correspondem a receitas — definitivas e reais — da requerente". E que, "com a introdução do regime de câmbio flutuante, que coincidiu com o advento da Lei n° 9.718, os efeitos das variações cambiais sucessivas — ora para mais, ora para menos — não podem ser considerados isoladamente, haja vista que o reflexo das variações cambiais nos direitos e obrigações das pessoas jurídicas nem sempre representam um ganho cambial efetivo e, consequentemente, uma receita. Assim, ao desconsiderar as incidências, no período, das despesas relativas às variações cambiais, não se chegará com segurança à conclusão de que o que Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13854.000313/200310 Acórdão n.º 3301004.142 S3C3T1 Fl. 464 4 está sendo tributado é de fato uma receita, ou meros ajustes contábeis transitórios"; A decisão recorrida, encontrase sintetizada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESSARCIMENTO. CRITÉRIO DE PROPORCIONALIZAÇÃO. Correta a apuração levada a efeito pela fiscalização, que considerou o critério de proporcionalização de receitas para fins de apuração dos créditos passíveis de ressarcimento, implicitamente contido na legislação vigente à época dos fatos. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMÁTICA DE NÃOCUMULATIVIDADE. LANÇAMENTO DE DÉBITOS. DESNECESSIDADE. Na sistemática da nãocumulatividade, o procedimento fiscal que visa apurar eventual saldo credor compensável deve descontar dos créditos os valores devidos a título débito, não havendo que se cogitar da necessidade do seu lançamento de ofício. NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS. CRÉDITOS. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Na sistemática da nãocumulatividade não há previsão legal para a apuração de créditos relativos a despesas financeiras decorrentes de variações cambiais passivas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO. DISPOSIÇÃO LEGAL APLICÁVEL. Conforme dispõe o art. 74, § 5° da Lei n° 9.430/96, o prazo para o Fisco homologar compensação declarada por meio de DCOMP exaurese após 5 anos do seu protocolo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada em 05/07/2010 (fl. 313), foi interposto o recurso voluntário de fls. 314 e seguintes, em 03/08/2010, alegando, em síntese que, ao contrário do que entendeu a Delegacia de Julgamento, todos os argumentos adotados pela fiscalização, que deram azo à redução do crédito de contribuição ao PIS apurado pela recorrente e questionado neste processo, foram contestados por meio da manifestação de inconformidade Aduz que na manifestação de inconformidade a ora Recorrente demonstrou, preliminarmente, que havia decaído o direito do fisco de alterar os aspectos quantitativos da base de cálculo da contribuição para o PIS relativa ao mês de Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13854.000313/200310 Acórdão n.º 3301004.142 S3C3T1 Fl. 465 5 dezembro de 2002, além de que tal procedimento não poderia ter sido adotado em sede de apreciação de declaração de compensação. No caso deste processo administrativo, o despacho decisório ocorreu em 27.10.2008, diz respeito à contribuição para o PIS relativa a fato gerador supostamente ocorrido no mês de dezembro de 2002. No entanto, diante do parágrafo 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, o trabalho fiscal não poderia alcançar a contribuição cujos fatos geradores supostamente se concretizaram antes de 27.10.2003, ou seja, depois de expirado o prazo de cinco anos, previsto nesse dispositivo legal. Destarte, não procedem os ajustes da base de cálculo da contribuição ao PIS relativa ao mês de dezembro de 2002, haja vista que se referem a período que lá estava decaído. Alega a impossibilidade de aumentarse a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição/compensação, conforme entendimento expressado nos acórdãos n. 20312912, 20312913, 20312914 e 20312915: "NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO SEM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBL IDADE. Não existe dispositivo legal na novel sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo que desobrigue a autoridade fiscal de seguir a determinação do artigo 149 do Código Tributário Nacional, qual seja, a de proceder ao lançamento de oficio para constituir crédito tributário correspondente à diferença da contribuição devida ao PIS/Pasep quando depare com inconsistências na sua apuração. Assim, do valor da parcela do crédito reconhecido, não pode simplesmente ser deduzida escrituralmente a parcela de débito do PIS/Pasep correspondente a receitas que deixaram de ser consideradas na sua base de cálculo, no caso, receitas com a cessão de créditos de ICMS." (grifos da recorrente) Como se vê, pelo bem fundamentado voto do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, em sede de pedido de restituição e declaração de compensação do saldo credor da contribuição ao PIS, apurado no regime nãocumulativo, a fiscalização pode questionar os créditos, calculados de acordo com o art. 3° da Lei n. 10637/02. Porém, quaisquer alterações na base de cálculo dessa contribuição, definida no parágrafo 2° do art. 10 dessa lei, devem ser procedidas por meio de lançamento de ofício, seguindo as diretrizes do Código Tributário Nacional. O cálculo dos créditos vinculados à receita de exportação e à receita auferida nas operações realizadas no mercado interno. O v. acórdão recorrido julgou procedentes os ajustes realizados pela fiscalização no montante do crédito da contribuição ao PIS, passível de ser compensado com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, por entender que a norma legal consubstanciada no parágrafo 3° do art. 6° da Lei n. 10833, de 29.12.2003, aplicável à contribuição social em foco, por força do inciso III do art. 15 dessa mesma lei, seria interpretativa A receita de exportação Diante das manifestações do Ministério da Fazenda e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, acima expostas, quando se trata do momento do registro e da apuração da receita de exportação, para fins do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), não se discute que as receitas oriundas de vendas ao exterior devem ser Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13854.000313/200310 Acórdão n.º 3301004.142 S3C3T1 Fl. 466 6 determinadas pela conversão da moeda estrangeira à taxa de câmbio vigente na data do embarque das mercadorias e, por essa razão, outro não é o momento de reconhecimento dessas receitas, que não a data do embarque. Com base nessa conclusão, podese afirmar que a variação cambial verificada entre a saída da mercadoria do estabelecimento da empresa e o seu embarque, que consta em nota fiscal complementar, representa simples ajuste para adequar o valor declarado na nota fiscal de saída às determinações fiscais, que não pode ser desconsiderado como receita de exportação jurisprudência do 2° Conselho.de Contribuintes reconhece que a receita de exportação deve ser determinada na data de embarque das mercadorias para o exterior, com base na taxa de câmbio em vigor nesta data, conforme se verifica pela análise do acórdão n. 20216676, de 8.11.2005, "in verbis": "VARIAÇÃO CAMBIAL. Integra o valor das exportações a ser utilizado no cálculo do incentivo a variação cambial ocorrida entre a data de emissão da nota fiscal e o fechamento do contrato de câmbio, quando a variação cambial engloba o preço produto exportado, sendo, inclusive, emitida nota fiscal complementar." (grifos da recorrente) Por fim, não merecem prosperar os ajustes na base de cálculo da contribuição para o PIS, realizados pela fiscalização, relativos a supostas receitas financeiras que teriam sido auferidas pela requerente, no mês de dezembro de 2002, uma vez que ela computou apenas as receitas derivadas das variações cambiais, sem considerar as correspondentes despesas também oriundas das oscilações de câmbio, referentes aos mesmos meses. É o relatório. Tendo em vista a decisão supracitada do CARF, o Contribuinte ingressou com Embargos de Declaração (fls. 399 a 408), em 1 de outubro de 2013. A 1ª Turma Ordinária, 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de Despacho de Admissibilidade (fls. 439 a 442), admitiu o referido Embargos de Declaração por entender que foi constatado vício de omissão na decisão embargada. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte em face ao Acórdão nº 3301001.842 proferido pela 1ª Turma Ordinária, 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, são tempestivos e atendem os pressupostos legais para a sua admissibilidade. Conforme o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabe a interposição de Embargos de Declaração nos seguintes termos: Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13854.000313/200310 Acórdão n.º 3301004.142 S3C3T1 Fl. 467 7 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Os embargos ora analisados visam sanar alegada omissão presente no Acórdão nº 3301001.842 com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A Primeira Seção do STJ, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC), de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF (art. 62A do Ricarf), consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é suficiente para a cobrança dos valores nela declarados, dispensandose qualquer outra providência por parte do Fisco. REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008. PROPORCIONALIZAÇÃO. RECEITAS. EXPORTAÇÃO/MERCADO INTERNO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. As receitas financeiras de variações cambiais ativas decorrentes de exportações de mercadorias não integram o total destas receitas para efeito de cálculo dos créditos do PIS passíveis de dedução da contribuição apurada mensalmente. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. As receitas financeiras de variações cambiais ativas decorrentes de exportações integram a base de cálculo do PIS com incidência cumulativa. Recurso Voluntário Negado O Contribuinte alega que a referida Decisão foi omissa no que tange diversos pontos de seu voto condutor, como forma de elucidar o caso cito trecho dos Embargos em que o Contribuinte elenca tais pontos objeto de análise (fl. 401): Ocorre que, ao assim decidir, a r. decisão embargada restou omissa notadamente no que diz respeito (i) ao prazo decadencial que o fisco dispõe para alterar a base de cálculo da contribuição ao PIS (i.e., o crédito objeto do pedido de compensação e não o débito compensado); e (ii) à impossibilidade de se aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição/compensação. Além disso, a decisão ora embargada restou omissa, ainda, (iii) quanto à natureza da variação cambial verificada entre a data da emissão da nota fiscal de saída das mercadorias exportadas e seu efetivo embarque; e (iv) na medida em que não houve qualquer manifestação e análise sobre o momento em que deve ser reconhecida a variação cambial, i.e., sobre a impossibilidade de ser reconhecida a variação cambial apurada em decorrência das oscilações de câmbio antes do Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13854.000313/200310 Acórdão n.º 3301004.142 S3C3T1 Fl. 468 8 vencimento do contrato, por corresponderem a variações cambiais gráficas de caráter transitório. (Grifo nosso) Diante das alegadas omissões nos embargos, o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, quando do exame de admissibilidade dos Embargos de Declaração, entendeu que de fato houve uma omissão e que nos demais casos não ocorreu. Cito trecho do referido exame de admissibilidade com o intuito de esclarecer: (...) Requer ainda seja sanada omissão sobre “a impossibilidade de a fiscalização realizar, em processo administrativo decorrente de declaração de compensação, a revisão e a modificação da base de cálculo da contribuição ao PIS, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela Embargante, visto que deveria ter sido feita mediante lançamento de ofício”. Aqui, assiste razão à recorrente. Este ponto, expresso no relatório do acórdão recorrido, conforme fragmento abaixo transcrito, não foi objeto de apreciação, seja pelo voto vencido, seja pelo vencedor, de tal sorte que entendo cabível o acolhimento dos embargos para manifestação a respeito: Relatório ... Alega a impossibilidade de aumentarse a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição/compensação, conforme entendimento expressado nos acórdãos n. 20312912, 20312913, 20312914 e 20312915: ... Porém, quaisquer alterações na base de cálculo dessa contribuição, definida no parágrafo 2° do art. 10 dessa lei, devem ser procedidas por meio de lançamento de ofício, seguindo as diretrizes do Código Tributário Nacional. Compulsando os autos, constatase que tal questionamento não foi objeto de enfrentamento no julgado. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada omissão na decisão embargada. Sendo assim, cabe a análise, e, se for o caso, suprir a omissão quanto a necessidade ou não de lançamento de ofício quando de alterações da base de cálculo da contribuição. Ao analisar o conteúdo da Decisão ora embargada percebese que o Conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso, baseado em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, defende que a apresentação de DCTF, ou outra declaração da mesma natureza, é suficiente para a cobrança dos valores declarados relativos aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, dispensando outra providência por parte do Fisco. Conforme se verifica no seguinte trecho do Acórdão (fl. 385): Em relação ao crédito de PIS/PASEP, glosado pela Fiscalização, em razão de tratarse do período de apuração de 12/2002, a Recorrente alega que o mesmo não poderia sofrer qualquer alteração, em razão de ter transcorrido lapso temporal superior a cinco anos de sua ocorrência, especialmente pelo fato do despacho decisório ter ocorrido em 27/10/2008, pelo que qualquer diferença eventualmente existente estaria afetada pela decadência. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13854.000313/200310 Acórdão n.º 3301004.142 S3C3T1 Fl. 469 9 Entretanto, a Primeira Seção do STJ, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC), consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é suficiente para a cobrança dos valores nela declarados, dispensandose qualquer outra providência por parte do Fisco. REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008. Assim sendo, como a Recorrente apresentou as declarações de compensação em 13/11/2003 e complementada em 12/12/2003, claro está que o Fisco poderia exigir o crédito tributário confessado sem necessidade de sua constituição. Ademais disto, o que está sendo exigido da Recorrente não é a diferença de PIS/PASEP (crédito), mas sim a diferença da Cofins (out/2003) que não pode ser compensada, conforme permite dizer o seguinte trecho do voto condutor do acórdão recorrido (fls. 306): Com efeito, como se viu, a fiscalização apurou débitos superiores aos créditos que a contribuinte tinha direito, de forma que restou um saldo devedor da contribuição no montante de R$ 63.487,50. Não há notícias neste processo acerca da exigência deste saldo devedor por meio de lançamento de ofício. Caso isto tenha ocorrido, em outro processo, é lá que o sujeito passivo deve protestar pelo reconhecimento da decadência do direito do Fisco lançar este saldo. Desta forma, deve ser afastado o pleito de decadência reclamado pela Recorrente. Visto o que foi trazido aos autos pela decisão ora embargada não considero que o voto tenha sido omisso em seus fundamentos, uma vez que o relator discorre acerca do tema e traz argumentos, inclusive jurisprudência do STJ, para demonstrar seu posicionamento. Sendo assim, por considerar que não houve a omissão alegada pelo Contribuinte sobre a necessidade de lançamento de ofício, voto por não acolher os Embargos de Declaração mantendo o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 3301001.842. Valcir Gassen Relator Fl. 505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720199/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
A incompleta identificação do sujeito passivo, no que diz respeito à não utilização do sufixo "espólio" é vício formal, não havendo que se cogitar de nulidade absoluta por vício material decorrente de ilegitimidade passiva sempre que inexistir preterição ao direito de defesa.
Numero da decisão: 9202-006.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo De Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. A incompleta identificação do sujeito passivo, no que diz respeito à não utilização do sufixo "espólio" é vício formal, não havendo que se cogitar de nulidade absoluta por vício material decorrente de ilegitimidade passiva sempre que inexistir preterição ao direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo De Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 01 99 /2 00 8- 11 Fl. 102DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 12 de março de 2013, a Primeira Turma Especial da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso voluntário, cujo Acórdão nº 2801002.944 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IDENTIFICAÇÃO INCORRETA DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. É nula, por vício material, a notificação de lançamento que não identifica corretamente o contribuinte da obrigação tributária correspondente. Recurso Voluntário Provido Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial, tempestivo, alegando que a decisão diverge dos Acórdão nº 10613.957, o auto de infração foi lavrado em desfavor de uma pessoa já falecida, porém, não houve o reconhecimento de ilegitimidade, de forma diversa ao entendimento do acórdão recorrido. O paradigma entende que qualquer herdeiro assume, por transmissão automática, a titularidade do patrimônio do de cujus, podendo, assim, representalo. Assim, conclui não haver vício formal ao se mencionar o nome do falecido nas intimações e no Auto de Infração. Na origem Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente, tampouco o valor declarado da terra nua do imóvel rural. Relata a Autoridade lançadora que para a exclusão das Áreas de Preservação Permanente APP da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o Ato Declaratório Ambiental – ADA ao IBAMA e que as áreas assim declaradas atendam ao disposto na legislação que regula a matéria. Em face da não apresentação da documentação pertinente, glosouse área de 55,4 ha, declarada como APP. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11030.720199/200811 Acórdão n.º 9202006.031 CSRFT2 Fl. 103 3 A fim de comprovar o valor declarado, o contribuinte foi intimado a apresentar o Laudo de Avaliação do Imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, com grau de fundamentação e grau de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa. Porém, o contribuinte não apresentou o laudo solicitado. Em face da discrepância relatada, bem como da ausência de laudo técnico, revisouse os valores declarados utilizando o valor constante do SIPT para o ano de 2004 (R$ 2.084,88/ha), perfazendose, assim, um valor total da terra nua de R$ 257.274,19. Interposta a impugnação esta foi julgada improcedente e, chegando a este CARF, obteve a decisão ora combatida, que declarou a nulidade da autuação em consequência de vício material. Intimada da Admissibilidade do Recurso da Fazenda Nacional quedouse silente a contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Por irrepreensíveis e para evitar qualquer teratologia, trago a colação a justificativa que entendo pertinente ao decisium, conforme a decisão da turma a quo: Preceitua o caput do art. 5º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que dispôs sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR: Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. À evidência, o notificado não revestia, à época da lavratura da presente Notificação de Lançamento (10.11.2008), a qualidade de contribuinte, haja vista que, naquela época, já se qualificava como “de cujus”, porquanto falecido em 26.09.1995 (Certidão de Óbito à fl. 21). Dispõe o art. 131, II e III, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 131. São pessoalmente responsáveis: (...) II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, Fl. 104DF CARF MF 4 limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Naturalmente que a sujeição passiva, à época da ocorrência do fato gerador, era do espólio ou do sucessor a qualquer título, dependendo apenas, respectivamente, de a cobrança ser anterior ou posterior à partilha, nos termos do art. 131, II e III, do CTN, acima transcrito. Poderseia indagar: estando ativo o CPF, como poderia a Fazenda Nacional ter ciência de que o contribuinte já não mais existe? Penso que no caso em análise tal indagação seria desnecessária, uma vez que no próprio Documento de Informação e Atualização Cadastral DITR, referente ao exercício 2004, já constava a informação de que a ora Recorrente era a inventariante (campos 14 e 15, respectivamente, “Nome do Inventariante” e “CPF do Inventariante”, à fl. 7 deste processo digital). Nesse caso, a lavratura da Notificação se deu em razão de um erro imputável à própria Fazenda Pública, que não poderá se escusar das consequências daí advindas, qual seja, a nulidade, de pleno direito, da presente Notificação de Lançamento. Acrescento, por oportuno, que neste caso é de grande relevância a distinção entre vício formal e vício material para se dimensionar os diferentes efeitos que cada um deles pode acarretar sobre a obrigação tributária. No caso de vício formal, o prazo decadencial para a constituição de outro crédito tributário é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade do lançamento, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da data da ocorrência do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Assim, ocorrendo nulidade por vício material poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício incorrido, desde que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento, in totum, do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de nulidade por vício formal. Na espécie, o defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em face da identificação incorreta do sujeito passivo. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descrita no art. 142, caput, do CTN (aspecto material = identificação do fato gerador e determinação da matéria tributável, aspecto quantitativo = cálculo do montante do tributo devido (base de cálculo e alíquota) e aspecto pessoal passivo = identificação do sujeito passivo). Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11030.720199/200811 Acórdão n.º 9202006.031 CSRFT2 Fl. 104 5 Além das hipóteses citadas importante é o estabelecimento da distinção entre nulidades por vício formal e nulidades de caráter material. As por vício formal referemse especificamente à relação processual estabelecida em um dado processo, sem invadir a esfera do direito argüido; as de caráter material viciam o próprio direito, inviabilizando que qualquer relação processual se estabeleça a partir dele. Assim, declarada a nulidade por força de disposições de vicio formal, extinguese a relação processual, mas o direito do fisco pode voltar a ser pleiteado, depois de sanada a irregularidade; já a nulidade do direito material significa a extinção do próprio direito, não podendo o mesmo voltar a ser pleiteado. Como exemplo, declarada a nulidade por ilegitimidade passiva, extinguese a relação processual, dado que contribuinte era outro. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora e pelo Acórdão recorrido, ouso discordar quanto ao mérito recursal. Mais especificamente, ainda que me alinhe aos que entendem que a impropriedade no lançamento quanto ao critério pessoal da regramatriz de incidência acarreta, sim, um vício de natureza material, não entendo que se esteja, in casu, diante de tal hipótese. Explico. Entendo que se reserva o referido vício quanto ao critério pessoal passivo (comumente também referenciado como "erro de identificação do sujeito passivo" ou, ainda, "ilegitimidade passiva") a situações onde, notadamente, se estabelece no pólo passivo da relação obrigacional tributária pessoa diversa daquela que ali deveria figurar, não se confundindo tal situação, porém, com incompletudes ou erros de nomes, que se revestem, assim, de meras impropriedades relativas na qualificação do sujeito passivo constante do instrumento formalizador do crédito (no caso, Notificação de Lançamento de efls. 02 a 06). De se notar, a propósito, que o número do Cadastro de Pessoas Físicas indicado na referida Notificação de Lançamento (comum, em se tratando do "de cujus" ou espólio), real elemento distintivo da qualificação do contribuinte (o que se nota, exemplificativamente, quando da existência de homônimos no cadastro) encontrase correto, bem assim o endereço do autuado e demais qualificadores (inclusive endereço do autuado e identificação do imóvel tributado), o que possibilitou a ampla defesa processual através da inventariante (Sra. Elma Chagas Sperry), consoante impugnação de efls. 18/19 e anexos e Recurso Voluntário de efls. 62/63. Fl. 106DF CARF MF 6 Ou seja, a única impropriedade que se observa na referida notificação, assim, é a ausência da palavra "Espólio" após a qualificação do sujeito passivo, se estando, em meu entendimento, diante de claro exemplo de pequena incorreção na norma introdutora (mais especificamente no elemento previsto no art. 10, I do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972 qualificação do sujeito passivo) e não na norma introduzida, devendose descartar, com base nos elementos acima, que estivesse o lançamento inquinado do mesmo vício material que ocorre, por exemplo, quando se identifica de forma totalmente errônea o autuado, inclusive quanto a seu CPF. Ou seja, a propósito, entendo que, em situações como esta, onde há uma relativa impropriedade tão somente no nome constante da Notificação de Lançamento, mas não no seu real elemento identificador (CPF), se está diante de vício na norma introdutora, mais especificamente, no elemento obrigatório delineado no art. 10, I do no. 70.235, de 1972, caracterizado assim, um vício de natureza formal, não havendo que se cogitar de vício de natureza material por ilegitimidade passiva. Feita tal digressão, a título de esclarecimento, entendo, também, que, em tal situação (ou seja, no caso de existência do vício formal mencionado), só é de se cogitar de declaração de nulidade absoluta no lançamento (invalidação definitiva do lançamento) quando presentes uma ou mais hipóteses dentre as constantes do art. 59, I e II do referido Decreto no. 70.235, de 1972. Dentre as hipóteses ali elencadas, de se rejeitar a única possivelmente aplicável à situação sob análise (preterição de direito de defesa), uma vez que não só a inventariante foi cientificada de todos os atos processuais devidamente, mas também, repitase, exerceu plenamente seu direito de defesa, consoante impugnação de efls. 18/19 e Recurso Voluntário de efls. 62/63. Faço notar, por fim, que tal posicionamento alinhase perfeitamente ao desta Turma já anteriormente esposado em caso semelhante, baseado no brocado pas de nulitté sans grief, consoante voto condutor do Acórdão 9.202006.015, de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, cujo excerto a seguir aqui reproduzo como razão de decidir adicional, uma vez tendo acedido integralmente àquele quando do referido julgamento, verbis: (...) Não vou me alongar na substanciosa discussão sobre nulidade e anulabilidade de atos administrativos, plena de defensores com posições adversas. Em regra, adoto a posição daqueles que se alinham com o brocado pas de nulitté sans grief, pois a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da administração pública. Dessa forma, entendo que os vícios formais definidos nas disposições dos arts. 10 e 11 Decreto nº 70.235/1972 não devem ser inquinados de nulidade absoluta, devida aos ditos vícios materiais, podendo e devendo ser sanados, sempre que não impliquem prejuízo à defesa dos contribuintes, quando, nesses casos, violam o inc. II do art. 59 do mesmo diploma. (...)" Assim, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando assim a preliminar de ilegitimidade passiva e a nulidade decretada pelo Acordão recorrido, com retorno ao Colegiado a quo, para apreciação das demais matérias constantes do Recurso Voluntário ainda não examinadas. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11030.720199/200811 Acórdão n.º 9202006.031 CSRFT2 Fl. 105 7 É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000322/2008-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de saneamento de inexatidão material na decisão recorrida, por não ser o remédio processual adequado. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de saneamento de inexatidão material na decisão recorrida, por não ser o remédio processual adequado. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 03 22 /2 00 8- 58 Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.200 2 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 230102.957, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 12 de julho de 2012 (efls. 1118 a 1130). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. ART. 32A DA LEI Nº 8.212/91. Visando salvaguardar o direito do trabalhador, preocupação do legislador constante na Lei 10.101/00, a existência de um procedimento bilateral, com fito de delinear uma estrutura normativa interna que dê efetividade ao texto constitucional (art. 7º, inc. XI da CF/88), exclui o pagamento feito ao empregado da base de cálculo do tributo. Os pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa sem atendimento aos requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000 impõem a incidência da contribuição social previdenciária. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito tributário Mantido em Parte. Decisão: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.201 3 Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência da decisão, em 22/10/12 (efl. 1131), insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 23/10/2012 (e fl. 1176), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 1132 a 1145 e anexos). Após a alegação da ocorrência de erro material no julgado recorrido, alega se, no pleito, divergência em relação ao decidido em 04/02/2009, no Acórdão 20601.782, de lavra da 6a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, e, ainda, em relação ao decidido, em 06/05/2009, no Acórdão 240100.127, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF , de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 20601.782 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS MULTA RETROATIVIDADE A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: “informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.202 4 necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para adequar o valor da multa ao disciplinado pela MP n° 449/2008. Acórdão 240100.127 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.203 5 benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas ate a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.204 6 ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; c) houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP no. 449. Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, quanto à matéria, para reformar o acórdão recorrido, para que seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 1178 a 1181. Cientificada a autuada em 09/03/15 (efl. 1185), esta apresenta, em 19/03/15 (efl. 1187), contrarrazões de efls. 1187 a 1190, onde: a) Pugna pelo não conhecimento do Recurso, por não ter a Fazenda Nacional expressamente demonstrado a divergência jurisprudencial existente; b) Entende que o entendimento do recorrido expressa corretamente a melhor aplicação do princípio insculpido no art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional Assim, requer que não seja conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, caso se conheça do Recurso, lhe seja negado provimento em respeito ao artigo 106, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.205 7 Quanto à argumentação de inexistência de demonstração expressa da divergência (cotejamento analítico), trazida em sede de contrarrazões pela autuada, entendo que, em linha com o entendimento esposado por esta Turma, uma vez que se pode depreender facilmente a divergência levantada pelo teor do suficientemente detalhado pleito recursal, se deva conhecer do recurso. Passo, assim, à análise de mérito. Preliminarmente, quanto à ocorrência e pedido de saneamento de erro material no julgado recorrido, faço notar que não é o Recurso Especial instrumento hábil para promover a retificação tencionada, que deverá ser feita através de embargos de declaração (no caso de se entender tratar de contradição) ou de embargos inominados, atualmente previstos na forma dos art. 65 e 66 do RICARF, ambos de competência estranha a esta Turma. Faço notar, ainda, que, no presente caso, se pode caracterizar a divergência em relação ao posicionamento paradigmático independentemente do saneamento pleiteado, e, assim, se pode conhecer do recurso, em sua totalidade, sem qualquer prejuízo a recorrente. Diante do exposto, não conheço deste pedido inicial quanto á correção de inexatidão material. Adicionalmente, faço notar que embora se esteja, no presente feito, a se tratar de auto de obrigação acessória, não há que se falar em dependência do presente julgamento à análise dos processos onde se encontram formalizadas as obrigações principais vinculadas, uma vez que o feito onde se encontra formalizado o lançamento relacionado à obrigação principal que deu azo ao montante de obrigação acessória que permanece a esta altura em litígio (NFLD 37.152.8437 Proc. 15586.000358/200831) foi integralmente mantido em sede de Recurso Voluntário, sem existência de qualquer indício de qualquer insurgência das partes, nem mesmo sob a forma de Recurso a esta instância especial. Feita tal digressão, aqui sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendo se as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.206 8 periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.207 9 dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.208 10 da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.209 11 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.210 12 refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.211 13 Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.212 14 CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.213 15 legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. De se notar, por fim, a plena aplicabilidade da solução acima, indistintamente, a qualquer situação que envolva o lançamento de obrigação principal ou acessória, conforme muito bem observado pelo voto da Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, verbis: (...) Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 15586.000322/200858 Acórdão n.º 9202006.247 CSRFT2 Fl. 1.214 16 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12278.720529/2015-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
As importâncias correspondentes ao resgate de contribuições pagas a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada, no caso de contribuintes não optantes pelo regime de tributação específica de que trata a Lei nº 11.053, de 2004, estão sujeitas à incidência do imposto sobre a renda na fonte e devem ser informadas como rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual da pessoa física.
Numero da decisão: 2401-005.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Recorrente VANDERLEY ANTÔNIO MININEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. As importâncias correspondentes ao resgate de contribuições pagas a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada, no caso de contribuintes não optantes pelo regime de tributação específica de que trata a Lei nº 11.053, de 2004, estão sujeitas à incidência do imposto sobre a renda na fonte e devem ser informadas como rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual da pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 27 8. 72 05 29 /2 01 5- 67 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 12278.720529/201567 Acórdão n.º 2401005.167 S2C4T1 Fl. 35 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), por meio do Acórdão nº 0835.398, de 18/04/2016, cujo dispositivo tratou de considerar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido no processo administrativo (fls. 22/25): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Os benefícios pagos a pessoas físicas pelas entidades de previdência privada, inclusive as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições, estão sujeitos à incidência do imposto na fonte e devem ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2011/298521701965270, relativa ao anocalendário de 2010, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a autoridade tributária apurou omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, no importe de R$ 71.820,92 (fls. 10/14). 2.1 A autuação fiscal alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificado da notificação por via postal em 31/10/2015, às fls. 16, o contribuinte protocolou pedido para revisão da exigência fiscal. 3.1 Após exame do pedido de revisão do lançamento de ofício, foi indeferida a Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL), sob a justificativa de que o valor lançado estava de acordo com as informações constantes na base de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ciência do resultado do pedido de revisão deuse via postal no dia 11/11/2015 (fls. 17/18). 4. Na sequência, o contribuinte impugnou a exigência fiscal, no dia 09/12/2015, em petição dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 2/9). 5. Intimado em 06/05/2016, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, segundo fls. 27/29, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 03/06/2016 (fls. 30). Fl. 35DF CARF MF Processo nº 12278.720529/201567 Acórdão n.º 2401005.167 S2C4T1 Fl. 36 3 5.1 Em síntese, argumenta o contribuinte que os rendimentos percebidos foram devidamente tributados pela fonte pagadora, sendo descabida a incidência tributária também na declaração anual, o que claramente caracteriza bitributação. Além disso, não há que se falar em omissão de rendimentos, quando foram lançados tempestivamente na sua DAA/2011, ano calendário de 2010. É o relatório. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 12278.720529/201567 Acórdão n.º 2401005.167 S2C4T1 Fl. 37 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 7. No caso de contribuintes que não fizeram a opção pelo regime de tributação específica de que trata o art. 1º da Lei nº 11.053, de 29 de dezembro de 2004, os resgates de contribuições pagas pelas entidades de previdência complementar sujeitamse à incidência do Imposto sobre a Renda na Fonte, à alíquota de 15%, e na Declaração de Ajuste Anual. Eis o que prescreve o art. 3º da mesma Lei nº 11.053, de 2004: Art. 3º A partir de 1º de janeiro de 2005, os resgates, parciais ou totais, de recursos acumulados relativos a participantes dos planos mencionados no art. 1º desta Lei que não tenham efetuado a opção nele mencionada sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), como antecipação do devido na declaração de ajuste da pessoa física, calculado sobre: I os valores de resgate, no caso de planos de previdência, inclusive FAPI; II os rendimentos, no caso de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto nos arts. 1º e 2º desta Lei. (GRIFOUSE) 8. Segundo o Informe de Rendimentos Financeiros, referente ao anocalendário de 2010, o contribuinte, ora recorrente, recebeu da entidade de previdência complementar Itaú Vida e Previdência S/A a importância de R$ 71.228,36, vinculado ao Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), com retenção na fonte do Imposto sobre a Renda equivalente a R$ 10.684,24, ou seja, 15% x R$ 71.228,36 (fls. 6). A fonte pagadora declarou como rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 12278.720529/201567 Acórdão n.º 2401005.167 S2C4T1 Fl. 38 5 9. Por sua vez, o contribuinte registrou o referido valor na DAA/2011, ano calendário de 2010, porém como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva (fls. 8/9). 10. Como se observa do texto legal antes reproduzido, a incidência do imposto na fonte à alíquota de 15%, longe de significar a natureza definitiva ou exclusiva da tributação dos rendimentos, representa tão somente um valor a título de antecipação do devido na declaração de ajuste da pessoa física. 11. Na DAA/2011, anocalendário de 2010, caberia ao contribuinte informar o montante total de R$ 71.228,36 no quadro de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, compondo, desse modo, os rendimentos percebidos pelo declarante durante o ano calendário de 2010 para fins de cálculo do Imposto sobre a Renda devido ao final do período, com base na tabela progressiva. 11.1 Tendo em conta os demais rendimentos tributáveis submetidos ao ajuste anual e as deduções permitidas em lei, o saldo do imposto poderia ser a pagar ou a restituir. 12. À vista disso, a eventual dispensa da exigência do crédito tributário lançado em nome do recorrente implicaria a prática de um ato consciente e contrário à legislação, submetendose o aplicador do direito às possíveis sanções na esfera administrativa, civil e penal. 13. Logo, não merece reforma a decisão proferida no acórdão recorrido, a qual de modo escorreito não acatou as razões expostas pelo contribuinte para alterar o lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 38DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910688/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 11/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.555
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 11/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 11/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 88 /2 01 1- 56 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.910688/201156 Acórdão n.º 3402004.555 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.138, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 11/10/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.910688/201156 Acórdão n.º 3402004.555 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.910688/201156 Acórdão n.º 3402004.555 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.910688/201156 Acórdão n.º 3402004.555 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904653/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN.
A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84.
BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA.
A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-002.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologando-se as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.092 1 1.091 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.904653/200990 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.682 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Perdcomp Recorrente FAZENDA SETE LAGOAS AGRÍCOLA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 46 53 /2 00 9- 90 Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.093 2 acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologandose as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório constante da Resolução nº 1301000.318, proferida por esta Turma na sessão realizada em 05/04/2016, complementando o ao final: "Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão n° 1433.113, às fls. 22 a 29: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.094 3 Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que haveria saldo suficiente para pagamento do débito informado no PER/DCOMP; que "conforme consta do documento anexo, o valor de R$ 858.160,00 [...] relativo ao recolhimento indevido do qual se pretende a compensação do valor não homologado e ora contestado, foi compensado por vários tributos"; que "não há como rejeitar a compensação noticiada. Conforme pode ser observado no quadro anexo, havia saldo suficiente para tanto. Além disso, o crédito da Requerente decorre de um pagamento indevido, ou seja, é líquido e certo, portanto, válido. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência". Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.095 4 assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em "valores exatos" (R$ 800.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora quitado da seguinte forma: • R$ 56.470,37 Darf recolhido em 30/05/2003, com multa e juros, totalizando R$ 70.390,31; • R$ 10.711,46 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; • R$ 76.208,64 mediante compensação por meio do DComp 16895.65143.21050.31304.8488; • R$ 19.116,06 mediante compensação por meio do DComp 17482.92249.03110.31304.8560 (já homologada). desta forma, se verifica que o valor integral da guia embatida não foi utilizado para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003, e este montante, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando várias outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5a Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a não homologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao "Tipo do Crédito" a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior" defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção "Saldo Negativo do IRPJ" (anocalendário de 2003); Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.096 5 todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao "tipo de crédito" informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e distorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; a incorreção foi ratificada pela 5a Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o "Tipo do Crédito" como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.097 6 que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo "tipo do crédito"; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores "pagos a maior" (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a "renda" ou contribuição social sobre o "lucro líquido", o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a "decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização", considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório." Na sessão de julgamento realizada em 05/04/2016, esta Turma julgadora reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo entendeu a Turma que a solução do presente processo ainda demandaria instrução complementar, e converteu o julgamento em diligência, através da Resolução nº 1301000.318, para: "Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.098 7 A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 1.083 a 1.086, tendo concluído que: A base de cálculo das estimativas em janeiro/2003 é de R$ 658.028,25, e o valor do IRPJ devido de R$ 162.507,06; O débito de IRPJ relativo à estimativa de janeiro/2003 foi integralmente liquidado com pagamento e compensações já homologadas; A soma dos débitos de estimativas devidos no anocalendário de 2003, deduzida dos pagamentos em DARF para extinção das estimativas no anocalendário de 2003, dos valores das estimativas extintas por compensação e do IRRF utilizado na quitação do débito de estimativa apurada no mês de agosto/2003, resulta em sobra de R$ 800.000,00, valor este idêntico ao DARF recolhido em 19/03/2003; Parte das estimativas dos meses de fevereiro/2003, março/2003 e abril/2003 foram incluídas em compensações analisadas no processo nº 10865.720313/200827, ainda pendente de decisão administrativa. Assim, caso a decisão seja favorável à contribuinte, do montante de R$ 858.160,00 (principal de R$ 800.000,00 + multa de 50.160,00 + juros de R$ 8.000,00) recolhido a maior em 19/03/2003, estaria disponível para compensação o valor total de R$ 844.453,02 para compensações com outros débitos ou mesmo débitos de outros períodos diferente do anocalendário de 2003. Devidamente cientificada da Intimação Fiscal nº 96/2016, em 20/09/2016, a recorrente não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.099 8 Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora. O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINAR Alega a recorrente que a fiscalização não homologou a compensação sob o fundamento de que o crédito seria insuficiente pois teria sido utilizado para o pagamento de outros débitos, entretanto, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto afastou o óbice apontado pela fiscalização no Despacho Decisório e decidiu pela nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização. Fundamentouse no fato de que os recolhimentos por estimativa, por se tratarem de mera antecipação do tributo devido no final do ano, não se caracterizam como pagamento indevido ou a maior passível de restituição. Entende a recorrente que já tendo transcorrido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, o Fiscal não poderia proferir novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento. Assim, requereu, a reforma do acórdão, para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade. Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Dessa forma, procedeu corretamente o julgador de primeira instância que, após superar o motivo inicialmente apontado pela fiscalização para indeferimento do crédito, prosseguiu na verificação da certeza e liquidez do crédito e identificou situação, a seu juízo, igualmente capaz de retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez. Com relação às alegações de que teria transcorrido o prazo decadencial de 5 anos para que o Fisco pudesse não homologar a compensação por novo fundamento, não assiste razão à recorrente. O prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150,§ 4º do CTN é aplicável aos lançamentos de ofício realizados para constituição de créditos tributários. A análise de direito creditório não está sujeita a prazo decadencial mas apenas ao prazo de cinco anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para homologação tácita das compensações, o que não ocorreu no presente caso. A declaração de compensação objeto de análise foi enviada em 07/07/2004 e o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 29/04/2009 (fls. 7 a 10), portanto, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos. Diante do exposto não merece ser acolhido o pedido do recorrente para que sejam afastadas as decisões de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização e após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos. MÉRITO Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.100 9 Relativamente ao mérito, a recorrente requereu a análise da documentação contábil anexada ao recurso voluntário, a qual demonstra a existência do crédito informado, afirmando que eventual equívoco quanto ao tipo do crédito não poderia ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito. Na sessão de julgamento realizada em 05/04/2016, esta Turma julgadora reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Entretanto, entendeu pela necessidade de conversão em diligência do presente processo, em virtude da existência de outras compensações que afetariam o presente processo, dentre elas a quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, estaria vinculada a outras compensações. Assim, foi determinada a realização de diligência fiscal para que a unidade de origem, à luz da documentação contábil e fiscal da contribuinte: "1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 1.116 a 1.119, tendo prestado as seguintes informações: "Pelas informações analisadas foi confirmado o valor de R$ 658.028,25 correspondente à base de cálculo do IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003, que apresentou o valor de R$ 162.507,06. De acordo com as informações declaradas na DCTF e demais informações constantes nos bancos de dados da RFB, foram apurados os pagamentos em DARF realizados para liquidação de débitos de IRPJ no período (fls. 1.053 a 1.055) e créditos utilizados em compensações, alocados para a liquidação do débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003, como segue: DISCRIMINATIVO VALOR A Pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003 valor principal 800.000,00 B Pagamento n° 3928679608, realizado em 30/05/2003 valor principal 56.470,37 C Compensação formalizada pela DCOMP n° 16895.65143.210503.1.3.048488. 76.208,64 D Compensação formalizada pela DCOMP n° 21298.07778.210503.1.3.049740. 10.711,46 E Compensação formalizada pela DCOMP n° 17482.92249.031103.1.3.048560. 19.116,60 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.101 10 F Débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003 162.507,06 (A + B + C + D + E F) 800.000,01 Por fim, conferindo todos pagamentos em DARF realizados para extinção de débito de IRPJ apurado no ano calendário 2003, somados aos valores dos débitos de IRPJ apurados por estimativas extintos por compensação no mesmo período, mais a dedução de IRRF sobre o débito de estimativa apurado no mês de agosto/2003 e, desta soma, deduzindose o valor do IRPJ mensal pago por estimativa levado ao cálculo do IRPJ a pagar pela apuração anual declarada na DIPJ, teríamos como sobra valor idêntico ao valor principal do pagamento em DARF realizado em 19/03/2003 (fls. 1.054), pois vejam: Período Discriminativo Valor Janeiro/2003 Pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003 valor principal 800.000,00 Janeiro/2003 Pagamento n° 3928679608, realizado em 30/05/2003 valor principal 56.470,37 Janeiro/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 16895.65143.210503.1.3.048488. 76.208,64 Janeiro/2003 Compensação foramlizada pela DCOMP n° 21298.07778.210503.1.3.049740. 10.711,46 Janeiro/2003 Compensação foramlizada pela DCOMP n° 17482.92249.031103.1.3.048560. 19.116,60 Fevereiro/20 03 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 2.000,00 Fevereiro/200 3 Compensação formalizada pela DCOMP n° 09485.96361.041103.1.3.045595. 47.357,43 Março/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 3.999,99 Março/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 12702.93357.041103.1.3.043072. 13.095,16 Abril/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 6.000,00 Abril/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 22780.66384.041103.1.3.045184. 15.162,43 Agosto/2003 Imposto de renda retido na fonte 72.068,49 IRPJ mensal pago por estimativa 322.190,57 Pagamentos + Compensações + Dedução de IRRF IRPJ mensal pago por estimativa 800.000,00 Ocorre que, o crédito utilizado nas compensações de débitos de estimativas do período, formalizadas pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488, teve origem neste pagamento. Cabe esclarecer que esta DCOMP foi analisada no processo nº 10865.720313/200827 e não foi homologada. As extinções dos débitos informados em compensação encontramse pendentes de decisão administrativa (fls. 1.067 a 1.071). Com base nas informações acima, é possível afirmar que, caso a decisão administrativa sobre as compensações formalizadas pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488 seja favorável à contribuinte, o crédito formado pelo pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003, pelo valor principal de R$ 800.000,00 e valor total de R$ 858.160,00, estaria parcialmente disponível, pelo valor total de R$ 844.453,02 (fls. 1.082), para ser utilizado em compensações com outros débitos ou mesmos débitos de outros períodos diferentes do ano calendário 2003. Parte do pagamento, face as compensações com débitos de estimativas no período, estaria vinculada no ajuste anual. É preciso deixar claro que, antes da formalização das compensações pela DCOMP acima, o pagamento já havia dado suporte a créditos utilizados em compensações formalizadas por outras DCOMP. Pelo quadro a seguir, dá para Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.102 11 visualizar que o pagamento em questão é suficiente para as extinções dos débitos compensados na DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488: Verificase, portanto, que apesar do relatório de diligência ter concluído que o valor total de R$ 858.160,00 estaria parcialmente disponível pelo valor de R$ 844.453,02 para utilização em compensações com outros débitos ou mesmos débitos de outros períodos, como as estimativas objeto da compensação nº 35863.47312.240604.1.3.043488 estão sendo analisadas no processo nº 10865.720313/200827, que também utiliza o mesmo direito creditório ora apreciado, seria necessário o reconhecimento integral do crédito. Por outro lado, no Relatório de Diligência Fiscal anexado às fls. 666 a 672 do processo nº 10865.903917/200815, que trata de compensação com utilização do mesmo direito creditório ora analisado, a unidade preparadora chegou a conclusão diversa acerca do valor da estimativa devida em janeiro/2003: "O contribuinte foi intimado para cumprirmos a diligência solicitada pelo CARF e apresentou o Livro Razão e o Diário da época, juntamente com outros documentos, entre eles a apuração da base de cálculo do IRPJ. Na DIPJ/2004 retificadora foi assinalado que a base de cálculo foi apurada com base na receita bruta e acréscimos. As receitas informadas no demonstrativo da base de cálculo foram confirmadas no Livro Razão e, nos termos do artigo 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta é de oito por cento: "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. " Conta Receita Valor 3.1.11.1 Vendas Produção Própria 8.093.340,95 3.1.12.1 Receita Exportação 18.093,60 3.1.31.1 Receita Vendas não Agrícolas 3.601,50 3.3.91 Outras Receitas Operacionais 3.885,67 Receita Bruta 8.118.921,72 Percentual 8% Base de Cálculo Operacional 649.513,74 3.3.61.1.1 Variações Cambiais Realiz. 51.687,09 3.3.61.3.2 Outros Ganhos Financeiros 4.294,02 3.5.11.2 Ganho Venda Bens do Imobilizado 3.478,53 3.5.21.3.1.001 Ganho c/Arrendamento Al 1.742,18 Base de Cálculo do Imposto de Renda 710.715,56 A Alíquota de 15% 106.607,33 Adicional 69.071,56 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 175.678,89 Há divergência entre o valor apurado nesta diligência e o informado pelo contribuinte, porque ele aplicou oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta." Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.103 12 O Relatório de Diligência Fiscal anexado às fls. 666 a 672 do processo nº 10865.903917/200815, elaborado pela unidade de origem identificou divergência entre o valor da estimativa de janeiro/2003 apurado na diligência (R$ 175.678,89) e o valor informado pelo contribuinte (R$ 162.507,07). A diferença decorre da aplicação indevida pela recorrente do percentual de oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta definido pelo art. 224 do RIR/99, contrariamente ao disposto no art. 225 do RIR/99 que determina a adição integral das receitas nele relacionadas: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial(Lei nº 8.981,de 1995, art. 32§ 1º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 2º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). Considerando que a recorrente foi regularmente cientificada às fls. 673 a 675 do processo nº 10865.903917/200815 sobre as conclusões do referido relatório que apurou divergência entre a estimativa de janeiro/2003 apurado em diligência no valor de R$ 175.678,89 e o valor informado pelo contribuinte de R$ 162.507,07, entretanto, não apresentou manifestação quanto à diferença apurada, tenho como correto o valor apurado na diligência fiscal. Dessa forma, entendo que a diferença a menor da base de cálculo apurada pela recorrente na estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 13.171,82, deve ser reduzida do crédito pleiteado sobre o recolhimento a maior, consubstanciado no DARF pago em 19/03/2003, com valor principal de R$ 800.000,00 acrescido de multa e juros de mora. Assim, deve ser reconhecido o direito creditório no montante de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa e juros de mora. Importante ressaltar que parte do valor reconhecido de R$ 786.828,18, foi utilizado nas compensações já homologadas, a seguir relacionadas, conforme Informação Fiscal prestada em procedimento de diligência fiscal às fls. 1.085 do presente processo: PER/DCOMP Valor Débito Data Situação Atual Situação da Declaração Motivo da Situação da Declaração Processo Nº 39035.35092.280704. 1.7.044892 12.676,68 11/07/2012 HOMOLOGAÇÃO TOTAL AGUARDANDO PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10865.904653/200990 Acórdão n.º 1301002.682 S1C3T1 Fl. 1.104 13 28623.05598.250804. 1.3.047067 2.453,78 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903912/200884 22743.16824.020904. 1.3.040251 22.331,36 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903913/200829 08891.60465.080904. 1.3.045809 35.110,22 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903914/200873 30276.47095.140904. 1.3.049480 19.478,48 06/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903915/200818 15738.53242.210906. 1.7.045707 2.558,50 23/09/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.902975/200813 Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por reconhecer o direito creditório sobre o valor de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa de mora, devendo as compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. Na apuração do saldo disponível para as compensações ainda não homologadas devem ser considerados também os juros de mora recolhidos e excluídos os valores das compensações já homologadas que utilizaram o mesmo crédito ora reconhecido. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 1104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002233/2005-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2005
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.637
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2005 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINA BAZAN S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005 REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 22 33 /2 00 5- 21 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10840.002233/200521 Acórdão n.º 9303005.637 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.276, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para, na parte que interessa ao presente julgamento: · reconhecer o direito de crédito sobre as despesas com o transporte de funcionários; · reconhecer o direito de crédito sobre os gastos com combustíveis e lubrificantes para o maquinário utilizado no corte e transporte da canadeaçúcar. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao reconhecimento do direito de crédito sobre os itens relacionados acima. Em síntese, argumenta a Recorrente que tais bens/serviços não são consumidos diretamente em contato com o produto em elaboração, não fazendo jus, portanto, ao creditamento das contribuições. Mediante despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentados pelo sujeito passivo, requerendo o não provimento do recurso. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial apontando divergência quanto à possibilidade de aproveitar o crédito presumido da agroindústria em pedidos de restituição e compensação. Todavia, mediante despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi negado seguimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. Em agosto de 2017 foi juntado aos autos Memorando e Termo de Desistência. Nesse último, o contribuinte reclama da não inclusão de parte dos débitos do presente processo na consolidação do parcelamento da Lei 12.996/14, conforme pedido apresentado em 18/06/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.631, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10840.000403/200533, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10840.002233/200521 Acórdão n.º 9303005.637 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.631): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Recordo apenas que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional traz discussão acerca da constituição ou não de crédito sobre gastos com transporte de funcionários e com combustíveis e lubrificantes." Do Mérito "(...)1 Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da contribuição para o PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS sobre despesas com serviços de transporte de funcionários utilizados no corte da canadeaçúcar e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais itens integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. 1 Deixouse de transcrever o voto da relatora do paradigma, que defendia o direito ao creditamento dos bens/serviços objeto do recurso, pois esse entendimento foi vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Transcrevese, como mencionado, apenas o entendimento que prevaleceu. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10840.002233/200521 Acórdão n.º 9303005.637 CSRFT3 Fl. 5 4 A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotado pelo acórdão recorrido e pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO); IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...). Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10840.002233/200521 Acórdão n.º 9303005.637 CSRFT3 Fl. 6 5 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as despesas com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes não foram utilizadas diretamente na produção dos bens produzidos/vendidos. Tais gastos foram incorridos com o custeio agrícola da canadeaçúcar, mais especificamente com o maquinário utilizado no corte e transporte da canadeaçúcar e no transporte de pessoas (trabalhadores rurais) entre a sede da empresa e a lavoura. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos (açúcar e álcool) não é possível tal creditamento. Assim, por se tratar de despesas com bens e serviços que não foram utilizados diretamente no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas no custeio agrícola da canadeaçúcar, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10840.002233/200521 Acórdão n.º 9303005.637 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 271DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904438/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.056
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 43 8/ 20 11 -8 4 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10280.904438/201184 Resolução nº 3402001.056 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10280.904438/201184 Resolução nº 3402001.056 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10280.904438/201184 Resolução nº 3402001.056 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10280.904438/201184 Resolução nº 3402001.056 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
