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Numero do processo: 10209.000187/2004-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 04/01/1997 a 18/03/1997
IMPORTAÇÃO - REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO - FISCALIZAÇÃO - COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL - DL N° 37/66, ART. 54; RA/02, ART. 570.
A Secretaria da Receita Federal tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, ai compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.
IMPORTAÇÃO - REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO - DECADÊNCIA - DIES A QUO - ART. 173, INC. I DO CTN.
O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, cuja contagem inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para fruição do regime aduaneiro.
IMPORTAÇÃO - REGIME DRAWBACK - SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO - INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS (ART. 5º DA LEI N° 8.032/90; ART. 1º DO DECRETO N° 6.702/08) - DESCUMPRIMENTO DO REGIME - LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO - ARTS. 142, 147, § 2º E 149 INCS. IV E V DO CTN.
É cabível o lançamento ex offcio dos tributos, acréscimos e multa (arts. 142, 147, § 2º e 149 incs. VIII do CTN) incidentes na importação de insumos beneficiados pelo regime do drawback suspensão, destinados à fabricação, no País, quando comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório e na legislação de regência para o gozo do benefício fiscal.
DRAWBACK - ATO CONCESSÓRIO - SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO - MULTA E JUROS - EXCLUSÃO - ART. 100 § ÚNICO DO CTN - IMPOSSIBILIDADE.
Não se justifica a aplicação do art. 100, § Único do CTN para exclusão de multa e juros do lançamento, eis que o Ato Concessório do Regime Drawback não tem caráter normativo, mas sim caráter declaratório da ocorrência das condições legais preexistentes que autorizam a suspensão ou isenção dos tributos incidentes sobre a importação e, uma vez comprovada a inocorrência ou frustração das condições legais certificadas no Ato Concessório, a decisão contrária retroage seus efeitos à data da concessão da isenção ou suspensão, para tornar exigíveis desde aquela data os recolhimentos dos tributos cuja exigibilidade foi ilegitimamente obstada.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao Recurso Voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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A Secretaria da Receita Federal tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, ai compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. IMPORTAÇÃO REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO DECADÊNCIA “DIES A QUO” ART. 173, INC. I DO CTN. O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, cuja contagem inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para fruição do regime aduaneiro. IMPORTAÇÃO REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS (ART. 5º DA LEI N° 8.032/90; ART. 1º DO DECRETO N° 6.702/08) DESCUMPRIMENTO DO REGIME LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO ARTS. 142, 147, § 2º E 149 INCS. IV E V DO CTN. É cabível o lançamento “ex offcio” dos tributos, acréscimos e multa (arts. 142, 147, § 2º e 149 incs. VIII do CTN) incidentes na importação de insumos beneficiados pelo regime do drawback suspensão, destinados à fabricação, no País, quando comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório e na legislação de regência para o gozo do benefício fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 01 87 /2 00 4- 09 Fl. 3765DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 DRAWBACK ATO CONCESSÓRIO SUSPENSÃO PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO MULTA E JUROS EXCLUSÃO ART. 100 § ÚNICO DO CTN IMPOSSIBILIDADE. Não se justifica a aplicação do art. 100, § Único do CTN para exclusão de multa e juros do lançamento, eis que o Ato Concessório do Regime Drawback não tem caráter normativo, mas sim caráter declaratório da ocorrência das condições legais preexistentes que autorizam a suspensão ou isenção dos tributos incidentes sobre a importação e, uma vez comprovada a inocorrência ou frustração das condições legais certificadas no Ato Concessório, a decisão contrária retroage seus efeitos à data da concessão da isenção ou suspensão, para tornar exigíveis desde aquela data os recolhimentos dos tributos cuja exigibilidade foi ilegitimamente obstada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao Recurso Voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão/DRJ/FOR nº 0822.538 de 15/12/11 (fls. 3691/3768) intimado em 16/04/12 (cf. AR.) e exarado pela 2ª Turma da DRJ de Fortaleza CE SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente a impugnação” mantendo integralmente o crédito tributário total de R$ 260.407,24, consubstanciado no Auto de Infração Imposto de Importação (fls. 06/14 – II R$ 82.488,79; Multa de 75% R$ 61.836,59; Juros R$ 116.121,86) intimado em 06/04/04 (cf. fls. 14) e lavrado em razão do não atendimento dos requisitos legais e regulamentares previstos para o gozo do incentivo à exportação sob regime de drawback suspensão, que acusou a ora Recorrente nos seguintes termos: Fl. 3766DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10209.000187/200409 Acórdão n.º 3402002.412 S3C4T2 Fl. 3 3 “001 INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR DRAWBACK SUSPENSÃO 0 importador, por meio das Declarações de Importação de n°s: 97/00415031 e 97/02069947, registradas respectivamente em 24/01/1997 e 18/03/1997, submeteuse ao Regime Aduaneiro Especial de DrawbackSuspensão conforme Ato Concessório de número 196/1067 de 30/08/1996. O referido Ato Concessório sofreu alterações por intermédio de 05(cinco) aditivos de n°s: 000197/0000357 de 25.02.97, 000197/0001930 de 08.08.97, 000198/0000414 de 18.02.98, 000198/00084356 de 28.10.98 e 000198/0003740 de 02.12.98. Os 04(quatro) primeiros, prorrogando os prazos de validade das exportações para 01.09.97, 01.03.98, 01.09.98 e 24.01.99 respectivamente e o último alterando os campos 18 e 22 do Ato Concessório de ‘exportar’ para ‘fornecer’ sacos de juta para acondicionamento de produtos agrícolas. De posse do Relatório de Comprovação de Drawback nº 000199/0001715 de 06.04.99 e respectivos anexos de 001 a 167, apresentado pela Companhia Têxtil de Castanhal C.T.C, constatamos a não comprovação do montante do produto a ser fornecido destinado à exportação compromissado no Ato Concessório acima mencionado, após consulta realizada a nível de Siscomex/Sisbacen, transação PCEX 625, em toda a documentação probante então relacionada, especificamente nos Registros de Exportação REs de emissão das empresas exportadoras e Notas Fiscais Fatura n ° s:001670, 001684 e 002345 emitidas pela empresa beneficiária do regime (C.T.C) em operação de venda para UNICAFECia.de Com. Exterior. Nos correspondentes REs não foram observadas a obrigatória vinculação ao regime, posto que os códigos de enquadramento das operações efetivamente realizadas e registrados no campo 02a, se restringiram a 80000 (Exportação Normal), 80116 (sistema Geral de Preferência) e 81301 (Exportação Sujeita a Registro de Vendas), quando os códigos previstos para vinculação ao Drawback, modalidade Suspensão, conforme o caso, são 81101, 81102, 81103 e 81104 além da omissão no campo 24, da obrigatória menção expressa da participação do fabricante intermediário, inclusive do número do Ato Concessório pertinente ao qual os REs estariam vinculados. O Comunicado Decex n°21/97, que consolida as normas de Drawback, em seu anexo V, enfatiza que a aceitação da comprovação do regime, está condicionado, dentre outras, ao prévio cumprimento dessas exigências. Quanto às Notas FiscaisFatura citadas, também não foi observada a determinação do Comunicado n° 21/97, anexo X, no ato da emissão, de que se tratava de uma operação realizada nos termos do DecretoLei n° 1.248/72 e a informação do número do Ato Concessório concedente do Drawback em comento. Ao elenco de irregularidades detectadas, acrescentese a constatação nos anexos ao relatório de comprovação da C.T.C. n°s: 001, 019, 020, 022, 025, 026, 030, 032, 035, 036, 037, 039, 041, 070, 073, 074, 075, 076, 078, 088, 091, 093, 100, 107, 110, 115, 154 e 155, a existência dos REs 97/0023652001 da Abinco Madeiras Ltda, CNPJ 22975916/000108; 97/1111696001 da Indústria de Máquinas Fl. 3767DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Bruno Ltda, CNPJ 86551363/000130; /0036964001, da Fiat Automóveis S/A,CNPJ 16701716/002957; 98/001599701, da Agtra Exportação e Importação Ltda, CNPJ 2l44370/000l 47; 97/0021348001 da Copebrás Ltda, CNPJ 46567202/000706; 97/0714645001 da General Motors do Brasil Ltda, CNPJ 59275792/000826; 97/0023141001 da Raychem Produtos Irradiados Ltda, CNPJ 47106810/000271; 97/0020243001 da Schrader Bridgeport Brasil Ltda, CNPJ 61104592/001409; 97/0022342001 da Dohler S/A, CNPJ 84683408/000103; 97/0026964001 da Florema do Brasil Agrifloricultura Ltda, CNPJ 00256126/000121; 97/0026848001 da Selectas S.A Ind. e Com. de Madeiras, CNPJ 76492065/000163; 97/0028079001 da Unido Brasileira de Vidros S/A, CNPJ 61079398/000198; 97/0732847001 da Xerox do Brasil Ltda, CNPJ 29213386/0002 82; 98/0835443001 da Ford Brasil Ltda, CNPJ 572903555/004681; 98/0354617001 da Tafakna Com. Imp e Exp de Alimentos, CNPJ 246324557/000187; 98/0570949001 da Embraer, CNPJ 60208493/000181; 98/0664071001 da Santista Têxtil S/A, CNPJ 15082688/000840; 98/1167586001 da Ind. de Mármores Italva Ltda, CNPJ 28932846/000189; 98/0695198001 da Magotteaux Minas Metalúrgica Ltda, CNPJ 19214006/000190; 98/0148702001 da Calçados Majolo Ltda, CNPJ 89204903/000106; 98/0572630001 da Exportadora de Alimentos Estrela Brasil Ltda, CNPJ 01902635/000147; 98/0454911001 da Casa Bernardo Ltda, CNPJ 58133703/0001 78; 98/0622571001 da Calçados Majolo Ltda, CNPJ 89204903/000106; 97/1059518001 da Hora Ind. da Pesca Ltda, CNPJ 27944347/000149; 98/0628078001 da Trombini Papel e Embalagens S/A, CNPJ 88209697/000660; 98/1151854001 da South Service Trading S/A, CNPJ 93101632/000122; 98/0029759001 da Volkswagen do Brasil Ltda, CNPJ 59104422/002446, sem que esta fiscalização vislumbrasse o menor indicio de que essas empresas, efetivamente, utilizaram sacarias no processo de exportação de seus produtos, tampouco, a exemplo das demais empresas exportadoras, propiciaram comprovadamente, agregação nas situações possíveis e permitidas, do valor dessa mercadoria (sacaria) ao valor final dos produtos exportados, conforme preceituado na letra "c" do Anexo II da CND. Ademais, os REs nºs 97/0576339001, 97/0705719001, 97/0784318001, 97/0855947001, 97/0925177001, 970001028001, 970738236001, 98/0258832002, 98/0262094001 e 97/11054930001 não foram encontrados durante a pesquisa no âmbito do Siscomex/Sisbacen. De resto, algumas empresas informadas como adquirentes de sacos de juta da fabricante beneficiária do regime Drawback, notadamente as exportadoras de café objeto de menção no item 3.6 do Relatório de Auditoria em anexo e parte integrante deste Auto de Infração, evidenciaram sua utilização apenas como embalagem para transporte de seus produtos exportados, prática de industrialização não amparada pelo Drawback por não objetivar valorização do produto acondicionado em razão da qualidade do material nele empregado, do seu acabamento ou utilidade adicional, ou seja, não foi comprovada agregação de valor ao produto final. Fl. 3768DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10209.000187/200409 Acórdão n.º 3402002.412 S3C4T2 Fl. 4 5 Por último, findo o prazo estabelecido no regime, não tendo o beneficiário tomado nenhuma das providências elencadas no art. 342 do RA, resolvese a suspensão, exigindo os tributos devidos. ANO/ DI /ADIÇÃO Valor Tributável II 97/02069947/001 R$ 61.899,87 97/97415031/001 R$ 968.710,23 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 1º, 77, inciso I, 80, inciso I, alínea “a”, 83,86,87, inciso I, alínea “a”, 89, inciso II, 90, 99, 100, 103, 111, 112, 220, 314, inciso I, 315, 317, 318, 319, com redação dada pelo Decreto n°636/92, 328, 499, 500, inciso I e IV, 501, inciso III, 508, 542, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030/85. DecretoLei 37/66 artigos 1°, 2° inciso I, 22,23,31 e 78 inciso III; Comunicado Decex n° 21/97 Titulo 2 inciso I,Titulo 8,19,26.1,27.2 da Consolidação das Normas de Drawback; Decreto 4.543/2002 artigos 645 inciso 1, 650, 659, 663 e 684, Lei 9.430/96 artigos 44 inciso I, 45 e 61 paragrafo 3°.” No Relatório de Auditoria anexo ao Auto de Infração (fls. 17/21) anexo ao processo, a d. Fiscalização da Alfândega do Porto de Belém PA descreve a motivação do lançamento nos seguintes termos: “3. DESCRIÇÃO DOS FATOS No exercício das atribuições de Auditor Fiscal da Receita Federal lavramos o presente Relatório de Auditoria, como parte integrante do Auto de Infração no 0217600/02204, resultado de atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 02.1.76.00 2004000059, emitido para verificação do cumprimento ao compromisso assumido no Ato Concessório de Drawback n° 1 96/1067, de 30.08.1996, que tem o contribuinte ora auditado como beneficiário. Os trabalhos de auditoria foram norteados com base em análise minuciosa da documentação apresentada em obediência A solicitação emanada no Termo de Inicio de Fiscalização lavrado em 19.02.2004 e recepcionado nessa mesma data pelo contribuinte, como também em pesquisas realizadas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, entre estes, o CNPJ, LINCE e SISCOMEX/Sisbacen. 3.1 DO REGIME DE DRAWBACK 0 regime Drawback é considerado incentivo à exportação estabelecido pelo DecretoLei n° 37/66, artigo 78 e compreende as modalidades de suspensão, restituição e isenção de tributos incidentes na importação de mercadorias utilizadas na industrialização de produto exportado ou a exportar. Esse beneficio e concedido pela Secretaria de Comércio Exterior — SECEX — do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Fl. 3769DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Na modalidade Suspensão, permite importar mercadorias para serem utilizadas em processo de industrialização de produto a ser exportado com suspensão dos tributos exigíveis na importação, sendo sua operacionalização da seguinte forma: a) Solicitação à Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio Exterior, de Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão; b) Importação de produtos com suspensão dos tributos incidentes nas operações de comércio exterior; c) Industrialização dos produtos importados e posterior exportação. Verificamos que as condições necessárias para usufruir do beneficio ocorrem posteriormente á operação de importação que será amparada pelo regime de drawbacksuspensão. Existem diversas obrigações previstas na legislação que regem a matéria que deverão ser cumpridas pelo beneficiário do Ato Concessório, cuja inobservância, enseja o seu inadimplemento. Exemplificando: os documentos utilizados nas importações e exportações amparadas pelo regime de drawback deverão ser vinculados a apenas a um Ato Concessório (19.4 da CND); as declarações de Importação (DI) e os registros de exportação (RE) indicados nos Relatório Unificado de Drawback deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de baixa (19.5 CND); Não serão aceitos para comprovação do regime, registros de exportação (RE) que possuam um único CNPJ vinculado a mais de um Ato Concess6rio de Drawback (19.6 CND); um mesmo registro de exportação (RE) não poderá ser utilizado para comprovação de Atos Concessórios de drawback distintos de uma mesma beneficiária (Anexo V 2. da CND); é obrigatória a vinculação do registro de exportação (RE) ao Ato concessório de drawback, modalidade suspensão (item 3 do Anexo V da CND); somente será aceito para comprovação do regime, modalidade suspensão, RE contendo, no campo 2a, um dos códigos de enquadramento, relativos a operações de Drawback (81101, 81101, 81103 ou 81104, conforme o caso) mencionados no anexo I da Portaria SECEX n° 02/1992 e alterações posteriores, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante); outros... 3.2 COMPETÊNCIA DE FISCALIZAR CUMPRIMENTO DE ATO CONCESSÓRIO DE SUSPENSÃO: Compete á Secretaria da Receita Federal, a aplicação e a fiscalização de tributos, o que pode redundar na constituição de Fl. 3770DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10209.000187/200409 Acórdão n.º 3402002.412 S3C4T2 Fl. 5 7 crédito tributário devido, pela inobservância dos requisitos previstos no Comunicado DECEX que trata da consolidação das normas do regime de drawback e em legislação especifica. 3.3 DAS ISENÇÕES OU REDUÇÕES DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO 0 artigo 129 do Decreto n° 91.030/85, vigente à época da concessão do incentivo, dispõe que: Interpretarseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou redução do Importo de Importação (Lei n° 5.172/66, artigo 111, II). A suspensão dos tributos sobre comércio exterior pelo beneficio do drawback é um direito concedido desde que os produtos importados com suspensão dos tributos sejam industrializados e depois exportados, conforme previsto em Ato Concessório e de acordo com o que estabelece a legislação que rege esse beneficio. Assim, a não observância dos requisitos da lei implicará na perda da suspensão. 3.4 DA DECADÊNCIA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO DO REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO: No drawback modalidade suspensão a decadência do direito da fazenda pública efetuar o lançamento é estabelecida pelo artigo 173 inciso I da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional) onde o prazo quinquenal começará a fluir após o conhecimento, pelo fisco, da ocorrência da condição resolutiva. No drawback, a decadência do lançamento dos tributos incidentes nas importações com suspensão será contada a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da data do recebimento do Relatório Final de Comprovação de Drawback emitido pela SECEX, ou seja, o termo inicial será o 1° dia do ano seguinte ao do recebimento do relatório de comprovação pela Secretaria da Receita Federal. 3.5 DAS IMPORTAÇÕES Amparado nas Declarações de Importação n° 97/004415031 e 97/02069947, registradas respectivamente em 24.01.97 e 18.03.97, foram importadas 1.563,8941 toneladas da matéria prima fibra de juta destinada à produção de sacos de juta compromissado no Ato Concessório n° 196/1067, de 30.08.96. 3.6 DAS EXPORTAÇÕES Conforme relatório de comprovação apresentado pela empresa beneficiária do incentivo, os Registros de Exportação (RE's) foram emitidos pelas empresas a seguir relacionadas, além de outras já mencionadas anteriormente, com as quais manteve processo de comercialização de seu produto final com o fim especifico de exportação: (...) 3.7 DAS PROVAS DOCUMENTAIS Fl. 3771DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 Como documentação comprobatória à infringência da Consolidação das Normas de Drawback — CND, disciplinada pelo Comunicado DECEX n° 21/97 e alterações posteriores, Capitulo V, Titulo 19.5 "... os Registros de Exportação (RE) indicados no Relatório Unificado de Drawback deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de baixa", Item 3 Anexo V "é obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório Drawback/Suspensão", 3.1 "somente será aceito para comprovação do regime Drawback/Suspensão, RE contendo, no campo 2a, um dos códigos de enquadramento, conforme o caso, 81101, 81102, 81103 ou 81104 mencionados no anexo I (Tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SECEX n° 2, de 22 de dezembro de 1992, alterações posteriores, como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante), estão sendo juntadas ao processo n° 10209.000187/200409, vol. I, fls. 210 a 249 e nos volumes II a XIII, cópias dos RE's constantes nos anexos ao Relatório de Comprovação consultados a nível de Siscomex/Sisbacen, relativamente aos campos 02a e 24 onde fica patenteada a omissão, por parte das empresas exportadoras, dos códigos corretos de enquadramento das operações efetivadas e obrigatório para a necessária vinculação ao regime, como também a falta de informações sobre o fabricante intermediário, dentre estas o CNPJ e número do Ato Concessório pertinente a que estariam vinculados os respectivos RE's, condicionantes indispensáveis para comprovação do cumprimento do Drawback/suspensão. Os RE's então juntados, por questão de economia processual, correspondem aproximadamente a 50% (cinqüenta por cento) do total constante no Relatório, não obstante a efetiva realização de processo consultivo em sua integralidade.” Por seu turno a r. decisão recorrida fls. 3691/3768 da 2ª Turma da DRJ de Fortaleza CE SP, houve por bem “julgar improcedente a impugnação” mantendo integralmente o Auto de Infração Imposto de Importação, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 04/01/1997, 18/03/1997 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. DRAWBACK. DECADÊNCIA. No caso de inadimplemento do Regime Aduaneiro de Drawback suspensão, a Fazenda Pública poderá constituir o crédito tributário em até cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação. DRAWBACK.COMPETÊNCIA. A competência para concessão do regime aduaneiro especial de “drawback” é da Secex. Cabe à RFB a aplicação do regime, a fiscalização dos tributos e a verificação do regular cumprimento dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. Fl. 3772DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10209.000187/200409 Acórdão n.º 3402002.412 S3C4T2 Fl. 6 9 DRAWBACK. VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA OU INDUSTRIA EXPORTADORA. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIAS. Nota Fiscal emitida por fabricanteintermediário beneficiário do regime drawbacksuspensão, para empresa comercial exportadora constituída na forma do DecretoLei Nº 1.248, de 29 de novembro de 1972 ou para empresa industrialexportadora, deve conter obrigatoriamente os dados relativos ao ato concessório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões de Recurso de Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas a ora Recorrente sustenta a insubsistência dos lançamentos e da r. decisão de 1ª instância que os manteve tendo em vista: a) preliminarmente reitera as preliminares de incompetência da RFB para o exame do inadimplemento das obrigações do Regime Drawback nos termos da legislação de regência, de decadência e extinção do direito de efetuar o lançamento nos termos dos arts. 150, § 4º e 156 do CTN; b) no mérito insiste que teria cumprido as exigências legais e as mercadorias importadas teriam sido exportadas conforme comprovação produzida nos autos; c) que os equívocos existentes seriam meramente formais, à final ratificando as razões da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido mas, no mérito não merece provimento. Inicialmente rejeito as preliminares (de incompetência da RFB para o exame do inadimplemento das obrigações do Regime Drawback, de decadência e extinção do direito de efetuar o lançamento), bem rejeitadas pela r. decisão recorrida, que nesse particular se mostra conforme com a legislação de regência e com a Jurisprudência Administrativa, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. A Secretaria da Receita Federal tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, ai compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a Fl. 3773DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. (...) Recurso Especial do Procurador Provido. (cf. Acórdão n° 9303 01.248 da 3ª Turma da CSRF, Recurso n° 330.129, Processo n° 10073.001181/0092 em sessão de 06/12/10, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres) “DRAWBACK. Regime sob dupla jurisdição. Regime Econômico regido por normas do MIDC e Regime Aduaneiro regido por normas do MF/SRF. DRAWBACK. DECADÊNCIA. O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, cuja contagem inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para fruição do regime aduaneiro. (...) DRAWBACK. DESCUMPRIMENTO DO REGIME ADUANEIRO. O descumprimento de quaisquer das cláusulas do regime implica na exigência dos tributos suspensos relativamente aos bens importados, independentemente das sanções econômicas aplicáveis pelo Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. (...) Recurso especial provido.” (Acórdão CSRF/0304.702 da 3ª Turma da CSRF, Rec. nº 301125140, Proc. nº 10580.009779/200198, em sessão de 20/02/06, Rel. Cons. Paulo Roberto Cucco Antunes) “DRAWBACK. Regime sob dupla jurisdição. Regime Econômico regido por normas do MIDC e Regime Aduaneiro regido por normas do MF/SRF. DRAWBACK. DECADÊNCIA. O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente da aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback é o consagrado no art. 173, inciso I, do CTN, cuja contagem inicia no primeiro dia do ano seguinte ao do término do prazo concedido pela autoridade aduaneira para fruição do regime aduaneiro. DRAWBACK. ADIMPLEMENTO DO REGIME ADUANEIRO. O adimplemento do regime aduaneiro condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos nos artigos 262 a 266 e 314 a 334 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030, de 1985. DRAWBACK. DESCUMPRIMENTO DO REGIME ADUANEIRO. O descumprimento de quaisquer das cláusulas do regime implica na exigência dos tributos suspensos relativamente aos bens importados, independentemente das sanções econômicas aplicáveis pelo Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. Fl. 3774DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10209.000187/200409 Acórdão n.º 3402002.412 S3C4T2 Fl. 7 11 (...) Recurso especial provido.” (Acórdão n° CSRF/0304.978 da 3ª Turma da CSRF, Rec. nº 301124376, Proc. nº 13502.000433/200145, em sessão de 21/08/06, Rel. Cons. Judith do Amaral Marcondes Armando) “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS (...) DECADÊNCIA. O prazo decadencial, nos casos de drawback suspensão,deve ser contado de acordo com o estabelecido no art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem a partir do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado, o que só ocorre após 30 dias do prazo para exportação/fornecimento no mercado interno estabelecido no Ato Concessório. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. Não há que se falar cm conflito de competência em relação à autuação efetuada pela Receita Federal, vez que,muito embora a SECEX detenha a competência para a concessão do regime aduaneiro especial de drawback, cabe à Secretaria da Receita Federal a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, inclusive a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência. DRAWBACK PARA FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. O descumprimento das condições estabelecidas no Ato Concessório e na legislação de regência enseja o lançamento dos tributes relativos às mercadorias importadas sob o regime aduaneiro especial de drawback, modalidade "suspensão", sub modalidade "fornecimento no mercado interno". A autuação, por parte da Receita Federal, não representa qualquer alteração de critério jurídico, mas verificação, por parte da autoridade que é competente para tanto, do adimplemento dos compromissos assumidos pela recorrente, tendo em vista que o ato jurídico somente será perfeito se cumpridos todos os requisitos legais para o gozo do regime aduaneiro especial de drawback. (...) Recurso Voluntário Negado”. (Acórdão n° 320200.152 da 2ª Câm. da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção do CARF, Rec. n° 337.269, Proc. nº 11128.000988/200691, em sessão de 29/07/10, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres) Relativamente à decadência, a r. decisão recorrida demonstra com proficiência que no caso concreto, à data das notificações dos lançamentos (06/04/04 cf. fls. 14) ainda não ocorrera a decadência e conseqüente extinção do direito de lançar (arts. 173, inc. I c/c art. 156 inc. V do CTN) ressaltando que: “... no caso concreto, as datas de vigência do Ato Concessório e de início e término do prazo decadencial são: Ato Aditivo da Prazo de validade Início do prazo Fim do Fl. 3775DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 Concessório Última prorrogação. das exportações, após última prorrogação. decadencial.1º dia do exercício seguinte. prazo decadencial. 196/1067 98/0084356 24/01/1999(fl.08) 01/01/2000 31/12/2004 Pelas razões acima, se observa que inexiste vício na constituição do crédito tributário, pois a ciência do Auto de Infração, ato que perfaz o lançamento, ocorreu em 06/04/2004, portanto antes do fim do prazo decadencial.” Transpostas as preliminares, passo ao exame do mérito. Inicialmente releva notar que a matéria relativa à definição das hipóteses de “suspensão” e “isenção” de créditos tributários” encontrase sob reserva absoluta da lei (cf. art. 97, inc. VI do CTN), sendo certo que as disposições que concedem suspensão ou isenção obviamente integram a lei tributária material, eis que, definindo as hipóteses em que o imposto será devido, desde logo enumeram aquelas em que o seu pagamento seria suspenso ou isento e em que condições e prazos, donde decorre que a assunção, pelo contribuinte e responsáveis aos requisitos e pressupostos legais da suspensão e da isenção, não configura uma “conditio facti”, sujeita à livre disposição pelas partes livremente pactuada, mas sim uma “condictio juris”, isto é, um requisito legal de legitimação previamente estabelecido pela lei (arts. 97, inc. VI e 176 do CTN), não suscetível de modificação ou restrição pela vontade das partes da relação jurídico tributária (art. 123 do CTN). Na interpretação dos arts. 176 e 178 do CTN, José Souto Maior Borges esclarece que, “nas isenções suspensivamente condicionadas, antes da complementação do ciclo formativo do fato gerador da isenção, existe a obrigação tributária, precisamente porque ainda não incidiu a regra jurídica de isenção, de vez que a sua hipótese de incidência não chegou a realizarse, posto que não se verificaram concretamente todos os elementos necessários à composição do suporte fático da regra isentiva. A isenção sob condição suspensiva não se objetiva antes do cumprimento da condição e, portanto, existe obrigação tributária até que se realize a condição exigida para o gozo da isenção.” (cf. José Souto Maior Borges in “Isenções Tributárias”, 2ª Ed. Sugestões Literárias S/A, 1980, págs. 167/168). No caso concreto a r. decisão recorrida rebate uma a uma as objeções reiteradas na peça recursal, demonstrando irretorqüivelmente a ocorrência da infração acusada pelo não atendimento dos requisitos legais e regulamentares previstos para o gozo do incentivo à exportação sob regime de drawback suspensão, cujos fundamentos, por amor à brevidade adoto como razões de decidir, e transcrevo: “A autuação constatou basicamente cinco tipos de irregularidades: 1 – falta de vinculação do ato concessório aos REs, posto que no campo 02a destes não foram informados os códigos previstos para Drawback, tampouco no campo 24 foram informados a participação do fabricanteintermediário e o número do Ato Concessório; 2 notas fiscais de venda interna sem indicação do número do Ato Concessório nem a informação que se trata de operação realizada nos termos do DecretoLei n° 1.248/72, conforme determinação do Comunicado n° 21/97, anexo X (Consolidação das Normas do Regime de Drawback CND), emitido pelo Decex; Fl. 3776DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10209.000187/200409 Acórdão n.º 3402002.412 S3C4T2 Fl. 8 13 3 indicação de empresas, no Relatório de Comprovação de Drawback, onde não se vislumbrou o menor indício de que essas empresas utilizaram sacarias no processo de exportação de seus produtos; 4 utilização dos sacos de juta apenas como embalagem para transporte e sem agregação de valor ao produto final a ser exportado, descumprindo condição preceituada na letra "c" do Anexo II do Comunicado Decex nº 21, de 97; e 5 inexistência de Res no Siscomex/Sisbacen. Por sua vez a impugnante defendeu seu ponto de vista sobre a efetiva agregação de valor ao produto final em função da utilização dos sacos (item 4), bem como apresentou grande parte dos documentos que visam comprovar equívocos existentes no Relatório de Comprovação de Drawback na indicação de empresas/produtos que não utilizaram os sacos de juta e de Res não encontrados pela fiscalização no Siscomex(itens 3 e 5). Todavia, os aspectos acima, tornaramse irrelevantes em face do item 1 que aponta a falta de preenchimento dos Res nos campos 2a(código de enquadramento da operação) e 24 (dados do ato concessório), inobservando a vinculação prevista na CND, conforme dispositivos abaixo: ANEXO V EXPORTAÇÃO VINCULADA AO REGIME DE DRAWBACK 3. É obrigatória a vinculação do registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante do Anexo “I” (I – Tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SECEX nº 2, de 22/12/92, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante). Constatamos que a falta de vinculação dos REs ao ato concessório ocorreu não apenas por omissão do exportador mas também porque a C.T.C. não informou os dados relativos ao ato concessório nas notas fiscais relativas a venda de sacos para as empresas nacionais. Quando do pedido para na fruição do benefício do regime e suas alterações, o requerente deve estar ciente que a suspensão do imposto estará condicionada ao adimplemento do compromisso de exportar, nas circunstâncias estabelecidas no Ato Concessório e nos demais dispositivos inseridos no Sistema Administrativo, e mais, ele deve zelar e diligenciar para que tais dispositivos estejam sendo cumpridos no seu interesse sob ônus de ver seu compromisso inadimplido e ter que recolher os impostos decorrentes de tal situação, enquanto contribuinte dos mesmos. Fl. 3777DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 14 No presente caso, a empresa aumentou sua responsabilidade de diligenciar quando requereu alteração dos campos 18 e 22 do Ato Concessório, respectivamente, DE "por exportar" PARA "por fornecer" e DE “sacos de juta” PARA “sacos de juta para acondicionamento de produtos agrícolas”(fls. 27) Com esta modificação, a empresa tornouse fabricanteintermediário e as notas fiscais emitidas para fornecimento de sacos no mercado interno passaram a se submeter aos requisitos do drawbackintermediário, devendo portanto conter informações relativas ao ato declaratório correspondente. Especificamente em relação a empresa comercial Unicafé, a autuada descumprir o item 5, alínea “e”, do Anexo X, do Comunicado n° 21/97, configurando, assim, o inadimplemento do ato concessório previsto no item 8 do mesmo anexo, in verbis, COMUNICADO N° 21/97[CND em 11/06/1997] CAPITULO V COMPROVAÇÕES TÍTULO 19 Modalidade Suspensão 19.3 Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. TÍTULO 21 Documentos Comprobatórios 21.2 São documentos hábeis para comprovação de exportação vinculada ao Regime de Drawback: I Comprovante de Exportação autenticado pela Secretaria da Receita Federal (SRF), acompanhado de extrato do Registro de Exportação (RE), contendo as informações referentes à averbação do embarque; II Nota Fiscal de venda emitida por empresa industrial beneficiária do Regime 2ª via (via do emitente), com o fim específico de exportação, para empresa comercial exportadora constituída na forma do DecretoLei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972, acompanhada de cópia da 1ª via (via do destinatário) contendo declaração original, firmada e datada, do recebimento em boa ordem do produto, observado o disposto no Anexo X desta CND; [......] ANEXO X UTILIZAÇÃO DE NOTA FISCAL DE VENDA NO MERCADO INTERNO Empresa Comercial Exportadora (Decreto nº.1.248/72) 5. A Nota Fiscal de venda da empresa industrial deverá conter obrigatoriamente: a) tratarse de uma operação realizada nos termos do DecretoLei nº 1.248/72; b) local de embarque ou entreposto aduaneiro onde o produto foi entregue; c) número do Registro Especial da Empresa Comercial Exportadora, no Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo/Secretaria de Comércio Exterior e no Ministério da Fazenda/Secretaria da Fl. 3778DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10209.000187/200409 Acórdão n.º 3402002.412 S3C4T2 Fl. 9 15 Receita Federal; d) declaração relativa ao conteúdo importado sob os Regimes Aduaneiros Especiais de Drawback e Entreposto Industrial, conforme o disposto no item V da Instrução Normativa SRF nº 5, de 28/01/82; e) número do Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. 8. O descumprimento do disposto nos itens 1 a 7 acarretará o inadimplemento do Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, ou impossibilitará a concessão do Regime de Drawback, modalidade isenção [negritei] Já em relação às vendas realizadas para as empresas industriais que utilizaram os sacos para acondicionamento de produtos agrícolas [café], constatase que a autuada também não se preocupou em indicar o número do ato concessório nas nota fiscais de venda, ficando estas em desconformidade com o disposto no item 21.2, inc. V da citada CND, in verbis, 21.2 São documentos hábeis para comprovação de exportação vinculada ao Regime de Drawback V Nota Fiscal de venda emitida por fabricanteintermediário para empresa industrial ou industrialexportadora, no caso de Drawback Intermediário, observado o disposto na Instrução Normativa SRF nº 21, de 13/03/85 e no item 21.5 desta CND. 21.5. No Drawback Intermediário, a comprovação das exportações será feita com base nos seguintes documentos: I via original da Nota Fiscal de venda do fabricanteintermediário 2ª via (via do emitente) contendo, no verso: o número do Ato Concessório de Drawback vinculado, se for o caso; o valor da Nota Fiscal, convertido em dólares norteamericanos, à taxa de câmbio para compra vigente na data de sua emissão; quantidade e o custo total da mercadoria importada utilizada no produto intermediário, em dólares norteamericanos; e a quantidade do produto intermediário na unidade de medida consignada no Ato Concessório de Drawback vinculado, se for o caso; II cópia do Comprovante de Exportação, acompanhada pelo extrato do Registro de Exportação (RE), em cujo campo 24(dados do fabricante) conste expressamente a participação do fabricanteintermediário. Caberá a empresa industrialexportadora solicitar, à dependência do Banco do Brasil S/habilitada a conduzir o Regime, que a jurisdicione, a autenticação de cópia do Comprovante de Exportação; III Declaração do exportador, nos moldes do Anexo XX desta CND, na impossibilidade de apresentação do Comprovante de Exportação, acompanhada pelo extrato do Registro de Exportação (RE), em cujo campo 24 (dados do fabricante) conste expressamente a participação do fabricanteintermediário; Fl. 3779DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 16 [negritei] Aqui, esclareçase que a inclusão dos dados relativos ao drawback no campo 24 do RE visa o controle do adimplemento do ato concessório e evitar que um mesmo RE seja usado para comprovação de mais de um Ato Concessório. Já o enquadramento da operação de exportação nos códigos referente a drawback, quando corretamente informados no campo 2a do RE como 81101, 81102, 81103 ou 81104, possibilita o adequado tratamento fiscal durante o procedimento do desembaraço, com eventual solicitação de documentos ou verificação física da mercadoria, e sua ausência configura tentativa de fuga deste controle fiscal com vistas a comprovação do regime. Nesse sentido, é que se verifica o aumento de responsabilidade do beneficiário do regime, pois ele deve diligenciar para que o preenchimento de todo o RE, documento base nas operações de exportação, venha realmente a lhe beneficiar em vez de prejudicálo pela omissão dos dados relativos ao drawback. Por outro lado, a leitura dos dispositivos normativos editados ao longo do tempo, demonstra que o órgão responsável pelo controle administrativo do Drawback não arrefeceu quanto a essa exigência, ao contrário, recrudesceu quanto a ela, não mais permitindo sua retificação, a exemplo da Notícia Siscomex nº 28, de 01/08/07 onde há determinação no sentido de que “RE efetivados e averbados, não poderão ser alterados para fins de inclusão, exclusão ou alteração de informações nos campos 2a, quando envolver códigos de enquadramento referente a Drawback, e 24, com vistas a comprovação do regime” (http://www.desenvolvimento.gov.br, acessado em 01/12/11). Voltando ao caso sob exame, não merecem prosperar as alegações relativas às dificuldades operacionais e logísticas dos exportadores cafeeiros, que, segundo a impugnante estariam impossibilitados de conhecer tempestivamente as informações a serem registradas nos campos 2a e 24 do RE. Se o operacional [do exportador] não sabe qual o fabricante da sacaria a ser embarcada, não sabe qual a nota fiscal de venda da sacaria, sua data, o preço praticado, taxa de câmbio para a necessária conversão em dólares, não sabe, enfim, o número correto do ato concessório do fabricante intermediário, conforme alega a autuada, a falha está justamente na autuada que não incluiu nas suas notas fiscais de venda as informações sobre o ato concessório do qual é beneficiário. Nenhuma das dificuldades apontadas pela impugnante depende do navio, pois sequer os dados do navio são necessário para transmissão do RE e esta pode ser efetuada com até 60 dias de antecedência do registro da Declaração de Exportação, que por sua vez acontece antes da chegada do navio. Não se pode aceitar que emissão de notas fiscais de vendas internas para trading e muito menos para industrias se faça às vésperas da atracação do navio. Fl. 3780DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10209.000187/200409 Acórdão n.º 3402002.412 S3C4T2 Fl. 10 17 E ainda que se admita tal logística, a autuada demonstrou descaso pelo controle fiscal com vistas a comprovação do regime por ela requerido, pois além de não informar nas notas fiscais de venda os dados relativos ao ato concessório, ou retificálas com sua inclusão, também deixou de orientar seus clientes no sentido de efetuarem posterior alteração nos Res para inclusão destes dados, revertendo tal omissão em seu próprio prejuízo pelo inadimplemento do compromisso de exportação. Escudandose na inaceitável dificuldade operacional de logística já comentada, a autuada, equivocadamente, incentiva seu cliente nacional ao uso indevido do disposto no art. 36 da Portaria Secex nº 4/97, que trata de situação excepcional de impossibilidade de utilização do Siscomex, e não de dificuldades rotineiras do exportador que pudesse dispensálo do correto preenchimento do RE. Senão vejamos: Portaria Secex n°4, de 11.06.97 Art. 27 – Poderá ser concedido o Regime de Drawback, nas modalidades de suspensão e isenção, para empresa denominada fabricanteintermediário, que importa insumos destinados à industrialização de produtos intermediários, a serem fornecidos a empresa(s) industrialexportadora, para emprego na industrialização de produto final destinado à exportação, observados os procedimentos e requisitos estabelecidos pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior(DECEX). Art. 35 – São documentos hábeis para a comprovação de operações vinculadas ao Regime de Drawback: IV) Nota Fiscal de venda, nos casos previstos nos arts. 27, 29, 30 e 34 desta Portaria, acompanhada de cópia do Comprovante de Exportação previsto no inciso III deste artigo, fornecida pela empresa exportadora, quando couber. Art. 36 — Quando, por circunstâncias técnicas ou operacionais de uso do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), for necessária a comprovação documental, e na impossibilidade de obtenção do Comprovante de Exportação, em tempo hábil, deverá ser apresentada declaração da empresa, sob as penas da lei, nos termos dos Anexos I e II desta Portaria, acompanhada do extrato do Registro de Exportação (RE) contendo as informações referentes à averbação do embarque1. Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor. Como se observa o artigo 36, equivocadamente evocado na impugnação, não dispensa a empresa da correta emissão de nota fiscal de venda, com associação ao ato declaratório, e tampouco da vinculação do RE ao mesmo Ato concessório, que somente Fl. 3781DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 18 será possível se o beneficiário do regime fornecer ao exportador as informações necessárias. Assim, à luz das normas de regência, a mera alegação de que as exportações ocorreram não é fundamento suficiente para entender que ocorreu o cumprimento das obrigações assumidas para a concessão do regime especial. É preciso que a empresa beneficiária cumpra com todos os requisitos formais do controle administrativo, sob pena de inadimplemento do ato concessório e conseqüente exigência dos tributos suspensos e acréscimos legais. Uma vez comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório e na legislação de regência para o gozo do benefício fiscal, tornamse exigíveis os tributos incidentes sobre a importação e suspensos por ocasião do desembaraço aduaneiro em razão do Regime Drawback, ensejando a procedência do lançamento “ex offício” dos tributos, acréscimos e multa punitiva pela falta de recolhimento do seu tributos (cf. arts. 142, 147, § 2º e 149 incs. VIII do CTN). Nesse particular, releva finalmente ressaltar que sequer se justificaria a aplicação do art. 100 § Único do CTN para exclusão da penalidade, eis que o Ato Concessório do Regime Drawback não tem caráter normativo, mas sim caráter declaratório da ocorrência das condições legais preexistentes que autorizam a suspensão ou isenção (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp. nº 1.170.008SP, Reg. nº 2009/02399509, em sessão de 18/03/10, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, publ. in DJU de 30/03/10) dos tributos incidentes sobre a importação e, uma vez comprovada a inocorrência ou frustração das condições legais certificadas no Ato Concessório, a decisão contrária retroage seus efeitos à data da concessão da isenção ou suspensão, para tornar exigíveis desde aquela data os recolhimentos dos tributos cuja exigibilidade foi ilegitimamente obstada (cf. AC. da 2ª Turma do STJ no REsp 463.481/RS, em sessão de 18/05/04, Rel. Ministra ELIANA CALMON, publ. in DJU 20/09/2004, p. 233). Nesse sentido a própria lei ordinária do IPI expressamente prevê que se houver suspensão ou isenção de tributo condicionada à destinação do produto, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabíveis, como se a suspensão ou isenção não existissem (art. 9º, § 1º da Lei nº 4.502/64 na Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Isto posto, pelas razões expostas voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida e o lançamento por ela mantido. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de julho de 2014. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 3782DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10209.000187/200409 Acórdão n.º 3402002.412 S3C4T2 Fl. 11 19 Fl. 3783DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 14751.720073/2012-85
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 1137.489/12 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, fls. 1.133 a 1.140, que decidiu julgar procedente a exigência de multa isolada por ausência de informação de imóveis comercializados em Dimob – Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias, relativas aos anoscalendários de 2009 e 2010, no valor de R$ 273.950,00. Em procedimento de fiscalização constatouse omissão de receitas que ensejaram a lavratura de Autos de Infração para as exigências de IRPJ, PIS, CSLL e Cofins, bem como lavratura de Auto de Infração para a exigência de penalidade pelo não cumprimento de obrigação acessória, no caso, omissão ou prestação de informação inexata ou incompleta em Dimob. O processo administrativo fiscal nº 14751.720073/201285 trata sobre os lançamentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 51 .7 20 07 3/ 20 12 -8 5 Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14751.720073/201285 Resolução nº 1801000.329 S1TE01 Fl. 3 2 dos tributos acima referidos, enquanto este processo tem como objeto a exigência da penalidade. O objeto deste litígio, em sede recursal, mais especificamente, são duas operações imobiliárias realizadas pela contribuinte em epígrafe, que não foram informadas nas Dimob entregues, relativas aos anoscalendários de 2009 e 2010, as quais a contribuinte protesta contra a cominação da multa isolada, a saber – Relatório de Trabalho Fiscal, efls. 900 a 914: • Aptos 1602, 1701 e 1702 do Edifício Sun Place O contribuinte sob ação fiscal não informou na Dimob (folhas 767 a 786), a transação imobiliária realizada em 27/05/2009, mediante permuta de 03 (três) apartamentos n° 1602, 1701 e 1702, do empreendimento imobiliário denominado Edifício Holanda,s Sun Place, situado à Rua do Sol s/n Miramar João Pessoa, pelos os seguintes imóveis: prédio residencial situado à Rua Arthur Monteiro de Paiva, n° 105 Bessa João Pessoa e o lote de terreno foreiro, situado à Rua Projetada, na praia do Bessa, João Pessoa, medindo 35,00m de largura na frente, 34,00m de largura nos fundos, 29,50m de comprimento do lado direito e 35,50m de comprimento do lado esquerdo. (...) • Aptos 1001, 1002, 1101, 1102 e 1202 do Ed. Holanda's Garden Place O contribuinte sob ação fiscal não informou na DIMOB (folhas 767 a 786), a operação imobiliária de permuta realizada em 31/07/2009, envolvendo a troca dos apartamentos n° 1001, 1002, 1101, 1102 e 1202, do Edifício Holanda's Garden Place, a ser edificado à Rua José Maria Tavares de Melo, s/n Brisamar João Pessoa, pelos os lotes do Loteamento Recreio Cabo (lotes 01; 02; da Q152; 01; 02; 03;04;05; 06; 07; 08; 09;10; 11; 12; 13; 14;15; 16; 17; 18; 19; 20; 21; 22 da Q153), pertencente à Maria Judy Miranda, Ana de Lourdes Miranda Assis, Mônica Miranda de Assis de Moraes Rego, Genésio Euwaldo de Moraes Rego Neto, Alexandre Miranda de Assis, Tatiana Nascimento Costa de Assis, Henrique Miranda de Assis e Andréa Patrício Miranda de Assis, consoante contrato particular de permuta (folhas 787 a 789 e 807 a 811).” A empresa argumenta que as permutas pactuadas não se consolidaram e estão sob condição suspensiva, nos seguintes termos: “(...) as promessas condicionais de permutas (cujos efeitos legais estavam sobrestados nos termos dos arts. 121 e 125 do CC) celebradas pela Recorrente não se assemelham a contratos de permuta pura e simples com ou sem torna para o pagamento de preço, motivo pelo qual aquelas promessas somente foram/serão informados nas DIMOBs de 2011 e 2013, conforme art. 3º da INSRF n. 694/06 e IN RFB n. 1.115/10. Uma vez que a promessa de permuta (diversamente da permuta efetivamente realizada) não se enquadra em qualquer das situações previstas pelos arts. 18 e 22 da INSRF n. 694/06 e INRFB n. 1.115/10, é totalmente improcedente a exigência de multa pela não entrega de DIMOBs sobre os contratos celebrados entre a Recorrente e os clientes Sra. Maria Judy de Assis e Sr. Amarílio Sales de Melo, devendo a decisão recorrida ser reformada para se reconhecer a improcedência da exação fiscal.” (grifos pertencem ao original) Rebatidas as razões contestatórias da empresa, o Acórdão nº 1137489/12, ora recorrido, restou ementado: Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14751.720073/201285 Resolução nº 1801000.329 S1TE01 Fl. 4 3 DIMOB. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. As pessoas jurídicas ou equiparadas que tenham realizado operações imobiliárias no anocalendário de referência estão obrigadas a apresentar a Dimob. A comercialização do imóvel somente deixará de ser informada quando houver devolução ou cancelamento, desfazendo integralmente os efeitos econômicos produzidos pelo negócio, ainda que restem valores a serem restituídos no exercício seguinte. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 1.144 a 1.151, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A questão a ser dirimida é simples. A recorrente celebrou dois contratos particulares de permuta de imóveis, com terceiros, em 27 de maio e 31 de julho de 2009, conforme cópias dos atos jurídicos, devidamente registrados, acostados às efls. 787 a 814. A legislação tributária vigente dispõe sobre a obrigatoriedade da entrega das Dimob e quais informações devem ser inseridas – Instrução Normativa RFB nº 1.115/10: Art. 1º A Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; IV que se constituírem para construção, administração, locação ou alienação de patrimônio próprio, de seus condôminos ou de seus sócios. § 1º As pessoas jurídicas e equiparadas de que trata o inciso I apresentarão as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros. § 2º Nos casos de extinção, fusão, incorporação e cisão total da pessoa jurídica, a declaração de Situação Especial deve ser apresentada até o último dia útil do mês subsequente à ocorrência do evento. § 3º As pessoas jurídicas e equiparadas que não tenham realizado operações imobiliárias no anocalendário de referência estão desobrigadas à apresentação da Dimob. 1 AR – 25/07/12,e fls. 1.143; Recurso – 22/08/12,efls. 1.144 Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14751.720073/201285 Resolução nº 1801000.329 S1TE01 Fl. 5 4 Ao contrario senso do esposado pela recorrente, ainda que os compromissos firmados tenham como objeto unidades imóveis a serem entregues em datas futuras, a celebração do negócio jurídico já está consolidada e as permutas realizadas. Os compromissos de promessa de compra e venda, cessão de direitos, promessa de permuta, na data de sua celebração começam a surtir os efeitos obrigacionais inter partes e se reputam válidos, ainda que haja cláusula contratual prevendo evento incerto e futuro, que se ocorrido, resolverá o pactuado. Assim estão redigidas as cláusulas nos contratos mencionados sobre a possibilidade (evento incerto, futuro e remoto) da Primeira Permutante (recorrente) não entregar os imóveis prometidos: Contrato nº 01 “CLAUSULA QUINTA O presente contrato de permuta de bens imóveis é celebrado sob condições de sua irrevogabilidade e irretratabilidade, exceto se a PRIMEIRA PERMUTANTE não concluir o prédio e/ou não entregar os imóveis descritos na cláusula primeira parágrafos primeiro, segundo e terceiro. Caso os imóveis descritos na cláusula segunda já estejam escriturados em nome da PRIMEIRA PERMUTANTE a mesma se obriga por força deste contrato de permuta a escriturar de volta para o nome dos SEGUNDOS PERMUTANTES, ficando todas as despesas referente à transferência de responsabilidade da PRIMEIRA PERMUTANTE .” Contrato nº 02 “CLAUSULA OITAVA O presente contrato de permuta de bens imóveis é celebrado sob condições de sua irrevogabilidade e irretratabilidade, exceto se a PRIMEIRA PERMUTANTE não entregar os apartamentos descritos na cláusula terceira na data estabelecida na cláusula primeira deste instrumento. Caso os imóveis descritos na cláusula segunda já estejam escriturados em nome da PRIMEIRA PERMUTANTE a mesma se obriga por força deste contrato de permuta a escriturar de volta para o nome dos SEGUNDOS PERMUTANTES os citados imóveis, ficando todas as despesas referente à transferência de responsabilidade da PRIMEIRA PERMUTANTE .” (grifos não pertencem ao original) Notoriamente, os contratos firmados estão sob condição resolutiva, e não suspensiva, conceituada no artigo 127 do Código Civil: Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercerse desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. A condição resolutiva subordina a ineficácia do negócio a um evento futuro e incerto. Enquanto a condição não se realizar, o negócio jurídico vigorará, podendo exercerse desde a celebração deste o direito por ele estabelecido. Se a condição resolutiva ocorrer, operarseá a extinção do direito a que ela se opõe, retornandose ao status quo ante. Há que se salientar, ainda, que a obrigação acessória de informar em Dimob as transações comerciais com imóveis, independe da data do registro público, sendo suficiente a celebração do contrato particular firmado entre as partes. Por todo o exposto, as operações comerciais em questão ocorreram efetivamente nas datas de 27 de maio e 31 de julho de 2009 e deveriam ter sido informadas pela recorrente Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14751.720073/201285 Resolução nº 1801000.329 S1TE01 Fl. 6 5 na Dimob pertinente, devendo ser mantida a autuação para a exigência da penalidade. Correto o procedimento fiscal. Todavia, a cominação da multa em questão sofreu alteração normativa. Em 2012, novas regras vieram a ser editadas para disciplinar a cominação de multas devidas pelo não cumprimento de obrigações acessórias: Lei nº 12.766, de 2011. Alteração do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Em Parecer Normativo, nº 03/2013, a Cosit (Coordenação do Sistema de Tributação) explicita o alcance da norma nova em relação aos fatos pretéritos, aplicando o princípio da retroatividade benigna em matéria de penalidade tributária (art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN): Esclarece o PN Cosit nº 03 / 2013: (...) 2.1. A multa tinha um escopo genérico: quando não houvesse nenhuma específica, ela seria aplicada a quaisquer situações que decorressem do descumprimento de uma obrigação acessória. Várias situações contidas em atos normativos infralegais da RFB são sancionadas com essa multa. 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14751.720073/201285 Resolução nº 1801000.329 S1TE01 Fl. 7 6 a) R$500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$1.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) 2.3. A multa genérica para descumprimento de obrigação acessória passou para uma que serve para os casos de não apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital1 por qualquer sujeito passivo, ou que os apresentar com incorreções ou omissões. Como novidade, o inciso II determina que os prazos para a apresentação dos documentos descritos no caput não podem ser inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias da intimação. [...] (iii) Como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001? (iv) Continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5º da Lei nº 11.033, de 2004? 6. Há que se verificar diversas multas atualmente cobradas pela fiscalização ou pelo controle do crédito tributário e se elas foram ou não afetadas pela nova Lei. (...) Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14751.720073/201285 Resolução nº 1801000.329 S1TE01 Fl. 8 7 6.1.1. A IN RFB nº 787, de 2007 (ECD), a IN RFB nº 989, de 2009 (e Lalur), a IN RFB nº 1.052, de 2010 (EFD), a IN RFB nº 1.115, de 2010 (Dimob) e a IN RFB nº 985, de 2009 (Dmed), direcionamse apenas às pessoas jurídicas de direito privado ou equiparadas, motivo pelo qual todos os aspectos da regramatriz da multa do novo art. 57 da MP são passíveis de aplicação. (...) 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos não pertencem ao original) Por força do princípio retroativo da lei que comine a penalidade mais branda para a infração cometida, há que se verificar se a multa estipulada no inciso III do artigo 57 da Lei nº12.766/12, com alterações, é mais benéfica que aquela aplicada à época das disposições normativas ora revogadas. Mister, portanto, devolver os autos à unidade de jurisdição da recorrente para efetuar os cálculos em conformidade com o artigo 57 da Lei nº 12.766/12, com alterações posteriores. A autoridade fiscal designada ao cumprimento desta diligência deverá elaborar um Relatório Fiscal, cujo teor deverá ser dada a ciência à recorrente, reabrindose prazo regulamentar para a recorrente oferecer manifestação em contrário, se assim desejar. Após devem os autos retornarem a esta Conselheira para o procedimento de julgamento. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 15/06/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10380.915585/2009-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação de que indica como crédito o saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no 1º trimestre de 2007 (fl. 2/49). A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE indeferiu a solicitação, por meio do Despacho Decisório Eletrônico (fl. 50), pelo seguinte fundamento: O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 15 58 5/ 20 09 -3 7 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.915585/200937 Resolução nº 3403000.560 S3C4T3 Fl. 175 2 Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 53/79) explicando que a suposta falta de saldo credor suficiente para a compensação teria decorrido do surgimento de débitos em decorrência de procedimento fiscal, no qual a Fiscalização entendera pela existência de erro na classificação fiscal em parte dos produtos fabricados pelo contribuinte. Alega o contribuinte que o Despacho Decisório seria conseqüência de informação fiscal que teria concluído o seguinte (fl. 54): "A empresa fabrica placas e fitas de mica, que são vendidas para outras indústrias e se destinam a promover o isolamento elétrico de geradores, motores e equipamentos elétricos em geral. O estabelecimento tem adotado a classificação fiscal 6814.10.00 para os produtos PAPEL DE MICA CALCINADO. PAPEL DE MICA NÃO CALCINADO FITA A BASE DE MICA SISAPOR. FITA A BASE DE MICA SISAFLEX E SISATERM, PLACA COLETORA A BASE DE MICA e PLACA DE CALEFAÇÃO A BASE DE MICA, em desacordo com a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM/SH). no entendimento da fiscalização desta DRF'/FORTALEZA, resultando em recolhimento de IPI menor que o efetivamente devido. Em função da adoção de classificação fiscal errada em parte de seus produtos, a empresa foi autuada no período compreendido entre janeiro de 2006 e dezembro de 2008, tendo sido apurados os débitos listados na planilha de recomposição da escrita fiscal em anexo, que é parte integrante do Auto de Infração protocolizado através do processo digital nº 10380.720904/201061." O contribuinte sustenta a correção da classificação fiscal que adotou e pede, ao final, o reconhecimento do seu direito de crédito pela integralidade do que pleiteou. A Delegacia da Receita Federal de Belém/PA (DRJ), por meio do Acórdão nº 0123.579, de 22 de novembro de 2011 (fls. 96/99), julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme o seguinte entendimento resumido na sua ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação apresentados pelo sujeito passivo podem ser homologados no exato limite do direito creditório comprovado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 175DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.915585/200937 Resolução nº 3403000.560 S3C4T3 Fl. 176 3 Direito Creditório Não Reconhecido O inteiro teor do voto condutor do acórdão da DRJ, em relação ao mérito, foi o seguinte: Primeiramente, esclareçase que o julgamento do presente processo depende da decisão do processo digital de nº 10380.720904/201061. Como se pode observar pela informação fiscal, não houve glosa de valores referentes ao crédito de insumos. Ora, constatouse que o valor de crédito reconhecido é inferior ao crédito solicitado, em razão de débitos apurados mediante auto de infração constante do processo acima mencionado, o qual foi contestado pela empresa com a apresentação de impugnação tempestiva. As razões aduzidas pela interessada, em sua defesa, foram devidamente analisadas e julgadas pela 3ª Turma da DRJ/Belém, que considerou improcedente a citada impugnação, mantendo o lançamento do Imposto, conforme Acórdão nº 0123.577, de 22.11.2011. Registrese que a controvérsia, dirimida pelo Acórdão acima, se estabeleceu em relação a classificação fiscal. Segundo o entendimento do Auditor responsável pela autuação, o estabelecimento adotou a posição 6814.10.00 para os produtos PAPEL DE MICA CALCINADO, PAPEL DE MICA NÃO CALCINADO, FITA A BASE DE MICA SISAPOR, FITA A BASE DE MICA SISAFLEX E SISATERM, PLACA COLETORA A BASE DE MICA e PLACA DE CALEFAÇÃO A BASE DE MICA, em desacordo com a Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM/SH), resultando em recolhimento de IPI menor que o efetivamente devido. A contribuinte, em sua manifestação, não alude a outros argumentos ao presente processo, limitandose a defenderse dos débitos que lhe foram imputados em conseqüência de classificação de bens por ela produzidos. Assim, não há reparos a fazer no Despacho Decisório. Conclusão Dessa forma, considerando a relação de dependência existente entre os julgados, votase pela improcedência da manifestação de inconformidade. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 101/170) reiterando os mesmos fundamentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti,Relator O recurso voluntário foi protocolado em 8/5/2012 (fl. 101), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 11/4/2012 (fl. 100). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma contra o acórdão da DRJ, conheço do recurso. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.915585/200937 Resolução nº 3403000.560 S3C4T3 Fl. 177 4 Verificase que a determinação do valor do saldo credor de IPI – da qual dependerá a conclusão quanto à suficiência de créditos para serem compensados com os débitos indicados pelo contribuinte na DCOMP discutida neste caso – dependerá do desfecho da discussão quanto aos fundamentos da classificação fiscal, cujo procedimento de fiscalização se originou no Processo Administrativo nº 10380.720904/201061, no qual ocorreu o lançamento fiscal. Isto, pelo menos, é o que se extrai do consenso entre o contribuinte e o julgador da DRJ, visto que, concretamente, não verifico nos autos qualquer documento que vincule o Despacho Decisório ao referido fundamento específico de erro de classificação fiscal. Mais: não verifico nestes autos nem mesmo a cópia da “informação fiscal” cujo teor é citado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, muito menos dos documentos e da fundamentação completa que levou a Fiscalização a concluir pelo erro na classificação. Diante deste contexto da instrução do presente processo, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem a) verifique se o PA nº 10380.720904/201061 de fato envolve a fiscalização e a discussão a respeito do erro de classificação fiscal e se de fato repercute em relação ao presente pedido de compensação, bem como, certifique se a integralidade dos valores glosados decorre exclusivamente desta glosa; e b) em caso afirmativo, que apenas depois do julgamento final do PA nº 10380.720904/201061 (quando já não houver recurso administrativo cabível), seja juntada cópia integral daqueles autos ao presente processo, devolvendose o presente processo para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16682.720790/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2009
IRRF. PAGAMENTO A NÃO-RESIDENTE. EXCLUSIVO DE FONTE. DECISÃO JUDICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. SUJEITO PASSIVO. LEGITIMIDADE.
Não resta afastada a responsabilidade tributária da fonte pagadora, ainda que, compelida, em razão de decisão judicial, de efetuar depósito judicial de IRRF (exclusivo de fonte) em nome de contribuinte não-residente. Resta legítima a constituição de crédito tributário em face da fonte pagadora.
Numero da decisão: 2201-002.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 14/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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PAGAMENTO A NÃORESIDENTE. EXCLUSIVO DE FONTE. DECISÃO JUDICIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. SUJEITO PASSIVO. LEGITIMIDADE. Não resta afastada a responsabilidade tributária da fonte pagadora, ainda que, compelida, em razão de decisão judicial, de efetuar depósito judicial de IRRF (exclusivo de fonte) em nome de contribuinte nãoresidente. Resta legítima a constituição de crédito tributário em face da fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 14/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 90 /2 01 1- 12 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 226 a 231, lavrado em 08/09/2011, exige se da contribuinte VALE SA, o montante de R$ 62.740.057,95 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e R$ 11.857.870,95 de juros de mora, totalizando R$ 74.597.928,90 (atualizados até a data da autuação) referente ao exercício de 2009. O lançamento decorreu de falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 219 a 225), em 18/09/2009, a Rio Tinto Brasil (empresa domiciliada no Brasil), até então detida pelas empresas nãoresidentes Rio Tinto Brazilian Holdings Ltd. e Rio Tinto Brazilian Investments Ltd. foi alienada à Autuada pelo valor de US$ 434.333.318,55. As vendedoras (Rio Tinto Brazilian Holdings Ltd. e Rio Tinto Brazilian Investments Ltd.) ingressaram como Mandado de Segurança a fim de impedir o recolhimento de IRRF sobre o ganho de capital apurado, bem como para considerar como custo de aquisição do investimento os valores realmente despendidos quando da aquisição da empresa Rio Tinto Brasil e não apenas o valor de investimento registrado no Registro Declaratório Eletrônico – Investimento Externo Direto (RDEIED) do Banco Central do Brasil. O Mandado de Segurança (nº 0029.0015710/2009 da 29ª Vara Federal do RJ) foi denegado, tendo ocorrido apelação com efeito devolutivo. No curso do processo a Autuada depositou judicialmente o valor de R$ 62.740.057,95, em razão de decisão judicial (fls. 267). A fiscalização ao auditar o cálculo do IRRF devido sobre o ganho de capital apurado com a venda, concluiu que o depósito judicial que a Autuada efetuou encontrase correto, sendo que efetuou o lançamento do imposto com exigibilidade suspensa, com vistas a prevenir a decadência. A Autuada apresentou Impugnação, tempestiva, em 07/10/2011, conforme fls. 235 a 249, alegando: · ilegitimidade passiva no tocante à autuação, posto que deveria ser endereçada aos contribuintes do IRRF. · que a lavratura do auto de infração em face da Autuada teve como fundamento a sua responsabilidade pela retenção e recolhimento do tributo, nos termos do art. 26 da Lei nº 10.833 de 2004. · a desoneração o responsável, na qualidade de fonte pagadora, se, uma vez retido o tributo, restar impedido de efetuar o recolhimento direto ao Tesouro Nacional, como sucede na hipótese dos autos, por força da decisão judicial que ordenou o depósito judicial das quantias retidas. · que nesta situação, no momento da retenção e depósito do montante integral do tributo, cessou a sua responsabilidade tributária, pois naquele instante perdeu a disponibilidade da renda ou provento do terceiro. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.720790/201112 Acórdão n.º 2201002.370 S2C2T1 Fl. 3 3 · aliás, é este terceiro que, com o depósito efetuado, a seu pedido, passa a ter a disponibilidade sobre estas quantias, como assentado pela jurisprudência do Superior Tribunal da Justiça. · não ser justo que o sujeito passivo seja responsabilizado pelo Estado pela ausência de recolhimento diante de ordem judicial que lhe impediu de fazêlo, como já concluiu a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 2.998. · que a Câmara Superior do antigo Conselho de Contribuintes já decidiu que a responsabilidade deve ser imputada ao contribuinte e não mais ao responsável (Acórdão CSRF/0104840, de 16/02/2004). · ainda que se trate da hipótese de retenção exclusivamente na fonte, a Receita Federal do Brasil reconheceu que o impedimento à retenção e recolhimento, pela fonte pagadora, desloca a responsabilidade para o contribuinte, nos termos do Parecer Normativo nº 1, de 2002. · não ser lícito à RFB, com fulcro no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, efetuar o lançamento de crédito suspenso por força de depósito judicial, seja ante a falta de amparo legal expresso, seja porque a situação em tela dispensa o próprio lançamento, dada a sua natureza intrínseca. · ter sido previamente apurado, com base nas informações dos contribuintes, o quantum devido, procedendo o interessado, na qualidade de fonte pagadora, o depósito de seu montante em Juízo e, por fim, diante da chancela da RFB a respeito da suficiência daquele, o ciclo da constituição do crédito tributário está completo, não restando ato a ser levado a efeito para preservar o direito creditório. · que o depósito do seu valor integral (art.151, II do CTN) tem o condão de afastar definitivamente os efeitos da mora, posto que o depósito necessariamente ficará vinculado à decisão final a ser prolatada. · que o Conselho de Contribuintes referendou tal entendimento, como se observa em diversas decisões. A 8ª Turma da DRJ/RJ1, em 09/02/2012, em decisão de fls. 274 a 281, deu provimento à Impugnação por entender que houve erro de identificação do sujeito passivo, posto que o lançamento deveria ser endereçado aos contribuintes do IRRF. Confirase a ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. BENEFICIÁRIA DO RENDIMENTO. LANÇAMENTO. Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar o recolhimento do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento, no caso de procedimento de oficio, em nome deste. A Autuada tomou conhecimento da decisão em 26/06/2012 (fls. 283), pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Portal eCAC, sendo que a ciência por decurso de prazo de 15 dias, a contar da disponibilização dos documentos através da Caixa Postal, ocorreu em 10/07/2012 (fls.284). Com base no art. 1º da Portaria MF nº 03/08 há recurso necessário para presente instância administrativa. A Fazenda Nacional apresentou razões ao Recurso de Ofício em 16/11/2012 (fls. 288 a 296), alegando, em suma, a legitimidade passiva da Autuada, sob os seguintes argumentos: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · a Autuada é o sujeito passivo da presente relação tributária, por força do artigo 26 da Lei n° 10.833/03, devendo o imposto ser exigido da Autuada, · a extinção da obrigação tributária apenas ocorre com uma das hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN). Pondera que o depósito judicial autoriza a suspensão do crédito tributário, mas não opera sua extinção. Logo, não há que se mencionar a extinção da obrigação tributária em relação à Autuada. · não existe norma que desobrigue o responsável tributário pelo mero depósito dos valores em juízo. Acrescenta que a extinção do crédito somente ocorrerá com a conversão do depósito em renda, modalidade prevista no inciso VI do artigo 156 do CTN. · que o lançamento deverá ser realizado em nome da Autuada, pois a lei imputa a ela a responsabilidade pela retenção (já realizada) e recolhimento do tributo (ainda não realizado, dependendo de decisão judicial para que seja convertido em renda). · no regime de tributação exclusiva na fonte, a sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora, embora quem arque economicamente com o ônus do imposto seja o contribuinte. Como o ônus econômico é suportado pelo contribuinte, o depósito judicial foi feito em nome dos alienantes. Porém, essa situação não tem o condão de alterar a sujeição passiva da relação jurídicotributária. O lançamento deve ser realizado em face daquele indicado pela lei, no caso, o adquirente e responsável tributário (Autuada). O mero depósito em juízo não é suficiente para extinguir a obrigação. · o lançamento foi realizado apenas para prevenir a decadência, visto que a questão de fundo está sendo discutida no processo judicial. Apesar de a Rio Tinto ser parte legítima para figurar no pólo ativo da ação judicial, a autoridade fiscal está jungida à lei, que é clara ao dizer que a sujeição passiva é do adquirente (Autuada). A interpretação da DRJ implicaria em atribuir ao auditor fiscal o dever de lançar em pessoa não prevista em lei, o que de forma alguma pode ser admitida. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso atende ao requisito específico de admissibilidade previsto na Portaria MF nº 3º/08, uma vez que o lançamento tributário foi exonerado pela decisão da DRJ, portanto dele conheço. Inicialmente, cabe destacar que o presente recurso cinge a discussão à legitimidade passiva da Autuada, não sendo alegadas questões inerentes à quantificação do tributo devido. A Fazenda Nacional defende a legitimidade passiva da Autuada por entender que o artigo 26 da Lei n° 10.833/03 define como sujeito passivo do IRRF devido sobre ganho de capital apurado por nãoresidente, o adquirente, no caso a Autuada, se esse residente nacional. Ainda defende que o fato de a Autuada ter efetuado depósito judicial em nome dos beneficiários dos rendimentos (contribuintes nãoresidentes), por força de decisão judicial, não tem o condão de afastála do pólo passivo tributário, pois o depósito judicial tão apenas suspende a exigibilidade do crédito e não extingue a obrigação tributária (art. 156 do CTN). Complementa que o depósito judicial não desobriga o sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16682.720790/201112 Acórdão n.º 2201002.370 S2C2T1 Fl. 4 5 Pois bem. De fato, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 10.833/03, a Autuada (residente no Brasil) por ser adquirente de ativo localizado no Brasil de nãoresidente é sujeito passivo da relação jurídicotributária, devendo reter e recolher o IRRF devido sobre o ganho de capital auferido pelo nãoresidente. Confirase: Art. 26 . O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. (grifos nossos) Entretanto, em razão de um provimento judicial, a Autuada restou impedida de recolher o imposto devido aos cofres públicos. A decisão judicial determinou que a Autuada retivesse o imposto do pagamento feito aos alienantes nãoresidentes e efetuasse depósito judicial. Logo, verificase que o caso sob análise configura um nãorecolhimento do imposto pelo sujeito passivo em face de uma decisão judicial. Se a decisão judicial não existisse, o sujeito passivo poderia ter adimplido a obrigação tributária. Em que pese o exposto no Parecer Normativo nº 1 de 24/09/2002 (item 18 e seguintes), que fundamentou a decisão da DRJ, por apresentar disposição específica para os casos em que a fonte pagadora (sujeito passivo) encontrase impedida de efetuar o recolhimento do imposto em razão de decisão judicial, entendo que a referida interpretação deva ser relativizada quando se tratar de tributo exclusivo de fonte retido em benefício de contribuinte nãoresidente. Isso porque a sistemática de retenção da fonte de contribuinte nãoresidente difere quando comparada a de contribuintes residentes. Enquanto no caso de contribuintes residentes o Fisco nacional tem alcance sobre esses em face do exercício da sua jurisdição, no caso de contribuintes nãoresidentes, o Fisco nacional não detém jurisdição sobre os mesmos, daí a imposição legal de se nomear um responsável tributário, residente nacional, para se responsabilizar por qualquer inadimplemento em relação à obrigação tributária (art. 26 da Lei nº 10.833/03). Desta feita, se afastada a legitimidade passiva da Autuada no caso em questão, não haveria de quem o Fisco nacional executar eventual inadimplemento tributário, tendo em vista que lhe falece jurisdição para executar o contribuinte nãoresidente. Portanto, deve ser mantida a autuação em nome da Autuada, responsável pela retenção e recolhimento do tributo em questão. De toda sorte, é imperioso destacar que, tendo em vista a concomitância com ação judicial, quando da decisão final da Justiça, o valor do depósito judicial, ainda que efetuado em benefício dos contribuintes nãoresidentes, deve aproveitar a Autuada (Vale SA), no tocante ao presente processo administrativo, pois referese ao mesmo crédito tributário. Não deve ser constituído novo crédito tributário em nome da Autuada sob a argumentação de que o depósito beneficiou os contribuintes nãoresidentes (alienantes) e não a Autuada (Vale SA). Fl. 314DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 315DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 15/05/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10480.723631/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, pelo Voto de Qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do termos do Voto e Relatório que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Raquel Brandão Minatel, que davam provimento ao Recurso Voluntário e negavam provimento ao Recurso de Ofício.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 15/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Raquel Brandão Minatel. A Conselheira Nanci Gama se declarou impedida
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Decidem os membros do Colegiado, pelo Voto de Qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do termos do Voto e Relatório que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Raquel Brandão Minatel, que davam provimento ao Recurso Voluntário e negavam provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 15/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Raquel Brandão Minatel. A Conselheira Nanci Gama se declarou impedida Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Em desfavor dos contribuintes Cil Comércio de Informática Ltda – CNPJ – 24073694/000155 COTIA TRADING S/A – CNPJ – 72891955/000197, foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre produtos Industrializados, Imposto de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 23 63 1/ 20 10 -8 9 Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 3 2 Importação, multa e juros sobre o Imposto de Importação, Programa de Integral Social – PIS Importação, Contribuição para financiamento da Contribuição Social – COFINS – Importação. Descrição dos fatos e enquadramento legal – Imposto de Importação fls. 01 a 43; Conforme consta às fls. 006 a 031 do presente processo, que: “ Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA – CNPJ – 24.073.694/000155 em conluio com a empresa COTIA TRADING S.A – CNPJ – 05429757/0000119, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Polícia Federal, sob a denominação OPERAÇÃO DILÚVIO, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 – DECLARAÇÃO INEXATA DO VALOR DA MERCADORIA (VALOR DE TRANSAÇÃO INCORRETO). O importador (COTIA TRADING S.A ), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. 002 – DIFERENÇA APURADA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO OU O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO. O importador (COTIA TRADING S.A S/A ), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é devida a multa por infração administrativa ao controle aduaneiro das importações correspondente a 100% da diferença apurada entre os valores declarados e os efetivamente praticados ou entre aqueles e os valores arbitrados, de acordo com os fatos circunstanciados no Relatório de Fiscalização. Multa do controle Administrativo 5149 1.397.953,46 Descrição dos fatos e enquadramento legal – Imposto sobre produtos Industrializado; “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA – CNPJ – 24.073.694/000155 em conluio com a empresa COTIA TRADING S.A CNPJ – 72891955/000197, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 4 3 Receita Federal e pela Polícia Federal, sob a denominação OPERAÇÃO DILÚVIO, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 – DECLARAÇÃO INEXATA DO VALOR DA MERCADORIA O importador (COTIA TRADING), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim é lançada a diferença entre o credito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. 002 – PRODUTO ESTRANGEIRO EM SITUAÇÃO IRREGULAR – CONSUMO OU ENTREGA A CONSUMO. A empresa COTIA TRADING S.A S/A CNPJ – 72.891.955/000197, realizou operação de importação mediante cometimento de fraudes e irregularidades, em conluio com a empresa CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA – CNPJ – 24073694/000155, conforme ficou comprovado no Relatório de Fiscalização que integra o presente Auto. Os produtos importados irregular e fraudulentamente foram todos entregues ao real adquirente, a CIL, que permaneceu oculta durante toda a transação. Esta, por sua vez, efetuou o consumo ou a entrega para tal das mercadorias que sabia serem importadas irregularmente, pois tivera participação de toda a simulação praticada desde o início. Demonstrativo do crédito Código de Receita Valor em Reais Imposto 3345 27.956,57 Juros de mora (29/10/2010) 14.623,52 Multa proporcional 41.934,86 Multa do controle Administrativo 2185 11.858.696,33 Valor do crédito tributário apurado 11.943.211,28 Descrição dos fatos e enquadramento legal – COFINS –Importação. “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA – CNPJ – 24.073.694/000155 em conluio com a empresa COTIA TRADING S.A CNPJ – 72891955/000197, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Polícia Federal, sob a denominação OPERAÇÃO DILÚVIO, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS DI Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 5 4 O importador (COTIA TRADING S.A ), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. Demonstrativo do crédito Código de Receita Valor em Reais Imposto 4685 268.003,89 Juros de mora (31/03/2010) 140.804,65 Multa proporcional 402.005,84 Valor do crédito tributário apurado 810.814,38 Descrição dos fatos e enquadramento(S) legal(S) – PIS/PASEP – Importação. “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA – CNPJ – 24.073.694/000155 em conluio com a empresa COTIA TRADING S.A S/A CNPJ – 72891955/000197, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Polícia Federal, sob a denominação OPERAÇÃO DILÚVIO, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP – IMPORTAÇÃO DI O importador (COTIA TRADING S.A ), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o valor do PIS efetivamente devido, na importação realizada, e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. Demonstrativo do crédito Código de Receita Valor em Reais Imposto 4562 58.185,10 Juros de mora (31/03/2010) 30.569,35 Multa proporcional 87.277,65 Valor do crédito tributário 176.032,10 Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 6 5 apurado Termo de encerramento; Da referida ação fiscal foi apurado o Crédito Tributário abaixo descrito. Consta no presente processo às fls. 619 a 716 o Relatório de Auditoria que entre outros temas, trata da operação Dilúvio, do Grupo MAM, do esquema fraudulento, do modus operandi, da sujeição passiva, do valor aduaneiro dos contribuintes envolvidos na suposta organização criminosa objeto da investigação em apreço. Passaremos a transcrever resumidamente os principais trechos do referido relatório: “A investigação realizada pela Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal, de uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR – CPF 365.153.45968, doravante nomeada Grupo MAM, que se dedicava à prática de diversas fraudes, muitas delas em operações do comércio exterior, resultou na constatação do envolvimento de várias empresas que, mesmo não fazendo parte da referida organização, participavam de várias empresas que, mesmo não fazendo parte da referida organização, participavam da prática das infrações e beneficiavamse dos produtos dos crimes realizados.” “Da Operação Dilúvio – fls. 042 – consiste em conjunto de procedimentos adotados pela Polícia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias cometidas pelo grupo MAM.” (...) “Dentre as apreensões realizadas nos estabelecimentos da CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, verificase a existência de meios probantes do envolvimento desta em fraudes de comércio exterior praticas em conluio com a COTIA TRADING S.A e com outras empresas fortemente vinculadas ao Grupo MAM, que tinham sido alvo das investigações. Os elementos apreendidos durante a Operação foram todos remetidos a Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados à Receita Federal, pela Justiça Federal daquela cidade, para fins de procedimentos fiscais. A equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta específica finalidade, procedeu à triagem e seleção dos documentos e arquivos magnéticos de interesse fiscal, assim como à formalização de dossiê para serem remetidos às unidades de fiscalização através de Representações Fiscais. Foi deste trabalho que resultou a representação aludida na introdução deste Relatório, acarretando o início dos procedimentos fiscais levados a efeito nas fiscalizadas.” A Fiscalização descreve a suposta engenharia da organização e em seguida se esclarece como se dava o fluxo das mercadorias e o fluxo financeiro. A Fiscalização faz um resumo das principais empresas envolvidas no suposto esquema de fraude fiscal. São elas: 2.3.2.1 A Exportadora: Feca Internacional Corporation – CNPJ 07038833/000190 – durante as investigações efetuadas quando da OPERAÇÃO DILÚVIO, constatouse que o principal exportador utilizado pelo Grupo MAM era a Feca Internacional Corporation. Constituída em 04/10/2001 com capital inicial equivalente à módica quantia de US $ 50,00 – cinqüenta dólares – e sediada na 6124 NW 74 th Avenue, em Miame, Flórida – EUA tinha como presidente o brasileiro Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 7 6 Adilson Tadeu Soares – CPF 045.344.99809 – que informava possuir o mesmo endereço da empresa no exterior. (...) 2.3.2.3 A Distribuidora (suposta adquirente): Ghats Comércio Exterior Ltda. CNPJ – 68758218/000143. (...) Desde 08/07/2004 te, e, seu quadro societário constituído pela empresa CEMDA – Consultoria Empresarial Ltda, CNPJ – 05122933/000175, com 95% de participação e Mauro Lima – CPF – 099.423.27720, com 5%. Este, sóciogerente da Chats, é contador e possui participações societárias em outras empresas vinculadas ao Grupo MAM, apresentandose, inclusive, como diretor de algumas delas, como a importadora Cotia Trading S.A S/A, sediada m Ilhéus/BA. Reside em Nova Iguaçu também, à Rua Madressilva, nº. 63, no Bairro Margarida. 2.3.2.4 – A Distribuidora: Control Comércio Exterior Ltda – CNPJ – 02.069.249/000189. (...) Possui endereço cadastral na Rua Madressilva, nº. 19, Margarida, em Nova Iguaçu/RJ, com filiais sediadas n Rua Guilherme Maxwell, nº. 250, Conjunto 202, Bonsucesso, Rio de Janeiro/RJ e na Av. Brasil nº. 19.001, Pavilhão 42, Box 22, Irajá, também no Rio de Janeiro/RJ. (...) 2.3.2.5 A empresa responsável pela assessoria e controle das operações: Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda – CNPJ – 06974682/000110. A empresa Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda – CNPJ – 06974682/0001 10, sediada na Rua Buenos Aires, nº 68, 11º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, foi constituída em 03/09/2004 e está registrada com CNAE 7119799 (Atividades Técnicas Relacionas à Arquitetura). Também segundo a Fiscalização em relatório às fls. 061 em seu item 2.3.2.6 consta como empresa responsável pela logística das operações, nos EUA a InTime Shipping Logística Ltda – CNPJ – 05767921/000106. Às fls. 061 a 066 a Fiscalização descreve o suposto esquema fraudulento e às fls. 066 a 077 a Fiscalização justifica a Sujeição Passiva dos contribuintes e/ou responsáveis tributários na figura de: Contribuintes/responsáveis/solidários CNPJ/CPF CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA 24073694/000155 COTIA TRADING 05429757/000119 A Fiscalização tece sua opinião sobre o valor aduaneiro e alguns métodos de Valoração. Continuando sua explanação a Fiscalização justifica a aplicabilidade das multas de ofício, subfaturamento, etc. Da conclusão Por fim a Fiscalização conclui que: “ Concluise diante de todo o exposto que a CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA atuou como verdadeiro comprador na operação comercial analisada por essa fiscalização, sem nem sequer ser habilitada para operar no comércio exterior. A empresa agiu em conluio com o denominado GRUPO Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 8 7 MAM, num esquema de simulação em que este, através de suas várias empresas, elas a Cotia Trading S.A atuava como exportador, importador, transportador, distribuidor, etc, ocultando os reais personagens da operação de comércio exterior. Não bastasse a ocultação, as infratoras ainda promoveram o subfaturamento na importação. (...) A Fiscalização concluiu pela responsabilidade solidária dos supostos envolvidos e pela Representação Fiscal para fins Penais em consonância com o § 4º do Art. 1º da Portaria RFB nº 665, de 24 de Abril de 2008. Foi lavrado o auto de infração de fls. 001 a 043, para lançamento do Crédito Tributário referente ao Imposto de Importação – II Juros de mora sobre o II, multa proporcional sobre o Imposto de Importação, Multa do Controle Administrativo – Subfaturamento, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, Juros de Mora sobre o IPI, multa proporcional sobre o IPI, Multa Regulamentar do IPI – Consumo ou Entrega a Consumo – COFINS – Importação, Juros de mora sobre COFINS Importação, Multa proporcional sobre a COFINS –Importação, PIS – Importação, Juros de Mora sobre o PIS – Importação, Multa proporcional sobre o PIS Importação, no valor total de R$ 14.328.011,21 – Quatorze milhões, trezentos e vinte e oito mil, onze reais e vinte e um centavos. Cientificada do lançamento em 03/12/2010, a CIL COMÉRCIO E INFORMÁTICA LTDA protocolou tempestivamente, em 28.12/2010, a impugnação cujo inteiro teor se encontra às fls.714 a 738, de onde se extraem, em resumo, os seguintes argumentos de defesa: Alega a impugnante que os supostos fatos geradores relativos a importações foram realizadas pela COTIA TRADING, cujos bens importados foram adquiridos no mercado interno pela empresa ora impugnante, por meio de operações pautadas na legislação pertinente. Alega que ao longo do relatório já fartamente conhecido os Auditores Fiscais, autores do lançamento, argumentaram de todas as formas tendentes a imprimir um caráter criminoso, fraudulento, à conduta e ao histórico da ora defendente. (...) Passa a expor que: I Princípio do contraditório e da ampla defesa, condenação prévia e sumária. Alega a impugnante que, hão de ser desconsideradas, por absoluta impertinência ao que foi apurado durante a fiscalização, as alegações de que as relações comerciais havidas entre a CIL e as indigitadas empresas do grupo MAM serviriam para “...fabricação de débitos tributários em ‘empresas de fachadas’ interpostas, incapazes de promoverem os respectivos recolhimentos...’(fls. 39), ou de que a suposta ocultação “...normalmente vem atrelada ou desencadeia a prática de outros crimes, direta ou indiretamente, tais como remessa ilegal de divisas, a ocultação de receita, a lavagem de dinheiro, etc.”( fls. 39). Afirmações desse cariz não encontram ressonância nos elementos coligidos aos presentes autos, e não passam de conjecturas absurdas e maldosas, dissociadas por completo dos fatos. Merece relevo o fato de que nenhuma falha foi apurada na contabilidade e nos registros fiscais da empresa. As receitas todas foram devidamente escrituradas e tributadas. Nesse sentido vale remeter às possíveis razões que justificariam (em tese) buscar se a ocultação do real importador, segundo apontam os Auditores que subscrevem os autos impugnados, em como os esclarecimentos ora aduzidos sobre a importância de tais considerações: “impossibilidade de comprovar a procedência legal dos recursos Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 9 8 empregados”: todas as compras foram devidamente contabilizadas, assim como os recursos utilizados, como, aliás, apurouse na fiscalização; “falta de habilitação dos interessados perante a Receita Federal do Brasil pra operar no comércio exterior”: nem a empresa, e tampouco seus sócios, contam com óbice de qualquer natureza para o cadastramento nos sistemas de comércio exterior. Simplesmente não era e continua não sendo, o objeto social da pessoa jurídica. E, principalmente, a quase totalidade das aquisições dos produtos para a distribuição são feitas junto às próprias fabricantes instalas no território nacional, como se explicará seguir; “pelo ‘afastamento’ da responsabilidade pelas operações realizadas”:o “Relatório de Auditoria” invoca elementos vindos de outras fiscalizações, em que um “laranja” é interposto, sendo que a importadora, in casu, COTIA TRADING, tem estrutura econômica para responsabilizarse pelas operações de importação que promove como inclusive é relatado no que tange ao capital social devidamente registrado.: “quebra da cadeia tributária do IPI”: como será demonstrado, não procede a imputação de subfaturamento que, inexistente, remet à irrelevância a cadeia do IPI, que já foi pago pela importadora; SIMPLES: a argumentação dos i. Fiscais em nada se relaciona com os autos, pois a impugnante não é empresa participante do SIMPLES, e tampouco a importadora o é também. II – Das Nulidades: II1.1 – Da Ausência de indicação de todos os Sujeitos Passivos; A impugnante invoca o § único do artigo 142 do CTN, o artigo 53, da Lei nº 9.784/94, e o artigo 10º, incisos I, III, IV e V, do Decreto nº. 70.235/72 para enfatizar que: “Consoante se depreende dos mencionados autos de infração, as atuações ora vergastadas foram formalizadas apenas contara a ora impugnante ( CIL – Comércio de Informática Ltda.) a Cotia Trading S.A, No entanto, estranhamente, foram excluídas da autuação as empresas Ghats Comércio Exterior Ltda, Control Comércio Exterior Ltda, e Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda. Vêse, portanto, que, assim como a ora Impugnante foi indevidamente alçada à condição de responsável solidário, com fundamento nas alíneas ‘c’ e ‘d’, do § único, do artigo 32 do Decreto nº 37/66, razão alguma justifica a exclusão antecipada das empresas Ghats, Control e Interlogistic, haja vista que também figuraram como adquirentes de mercadorias de procedência estrangeira. A atuação não poderia, de forma temporã, excluir a sujeição passiva de empresa que, segundo se apurou, “...praticou atos de comércio internacional, comprando no exterior as mercadorias estrangeiras.” II. 1.2. – Da ausência de autorização judicial para o compartilhamento de documentos e informações sob sigilo – fls. 401: Consta do Relatório de Auditoria que: (i) “...os elementos utilizados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos apreendidos em 16 de Agosto de 2006 pela Polícia Federal em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá/PR...” ( fl.36 – destacouse); (ii) “A OPERAÇÃO DILÚVIO consiste em um conjunto de procedimentos dotados pela Polícia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias cometidas pelo Grupo MAM” ( fl. 42 – destaque no original); e Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 10 9 (iii) “Os elementos apreendidos durante a operação foram todos remetidos a Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados à Receita Federal, pela Justiça Federal daquela cidade, para fins de procedimentos fiscais. A Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta finalidade, procedeu à triagem e seleção de documentos e arquivos magnéticos de interesse fiscal, assim como à formalização de dossiês para serem remetidos às unidades de fiscalização através de Representações Fiscais. Foi deste trabalho que resultou a Representação Fiscal aludida na introdução deste Relatório, acarretando o início dos procedimentos fiscais levados a efeito nas fiscalizadas” (fl. 42/43 negrito e grifos acrescidos). A impugnante alega que: “Todavia, antes de se manifestar sobre cada um dos elementos de prova constantes dos autos, é de se perguntar, num primeiro momento, pelos indigitados mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça Federal da Subseção Judiciária de Paranaguá/PR, os quais serviram de lastro legal para coleta lícita dos documentos e arquivos apreendidos pela Polícia Federal. Indagase, ainda, pelos relatórios produzidos depois de realizadas as aludidas operações de busca e apreensão, nos quais devem constar a lista de documentos e arquivos colhidos em cumprimento a cada um dos mandados emitidos pela Justiça Federal. Sem tais peças não há como se averiguar se, de fato, as ordens judiciais de busca e apreensão foram fielmente cumpridas pelo órgão estatal executor das medidas deferidas pelo Poder Judiciário. Não basta evocar a existência de mandados judiciais autorizando a realização de busca e apreensão nos domicílios, sedes e filiais das pessoas físicas ou jurídicas, é necessário, ainda que se proceda ao controle do resultado obtido em tais diligências, para que se examine se houve ou não excessos ou desmandos nos atos executórios. Como, afinal, saber se os elementos “elementos utilizados nesta fiscalização” têm como fonte as ordens judiciais da Justiça Federal da Subseção Judiciária de Paranaguá/PR, se tais peças não existem nos presentes autos. Tal ausÊncia inviabiliza o crivo sobre a licitude das referidas ações policiais de busca e apreensão. À míngua de elementos concretos para a realização da sindicabilidade dos procedimentos realizados no bojo da propalada “Operação Dilúvio”, os quais a ora impugnante desconhece por completo, não há como proceder ao exame da licitude co conjunto probatório coligido aos autos, quando perscrutado à luz dos direitos individuais consagrados nos inciso X, XI e XII, do artigo 5º da Constituição Federal. A impossibilidade de se averiguar se os elementos de prova produzidos pela “Operação Dilúvio” são compatíveis com o texto constitucional gera como conseqüência direta a inadmissibilidade de sua utilização no presente procedimento fiscal. Por outro lado, admitindose, por hipótese, que as requisições de busca e apreensão foram adequadamente requeridas a órgão competente do Poder Judiciário, e que este as deferiu na exata extensão horizontal e vertical em que solicitadas; ou, admitindose, em tese, que as diligências realizadas para cumprimento dos mandados foram executadas em total respeito às ordens judiciais, e que o material levantado em tais procedimentos são os mesmos que foram compartilhados com a Receita Federal, mesmo assim resta uma questão a ser analisada: Em qual ato formal foi materializada a requisição feita pela Receita Federal à Justiça Federal da Subseção judiciária de Paranaguá, com vistas a obter o compartilhamento do acervo documental e arquivos colhidos pela Polícia Federal no curso da “Operação Dilúvio”. E mais, qual ato judicial Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 11 10 autorizou esse compartilhamento para fins de procedimentos fiscais. Em verdade, tais atos não existem, ou, se existentes, não constam nos presentes autos. É dizer, tanto a requisição quanto a autorização judicial dada pela autoridade judiciária competente são atos pressupostos para o compartilhamento legítimo dos documentos e arquivos aprendidos pela Polícia Federal durante a “Operação Dilúvio”. A inexistência desses atos tem como conseqüência a inadmissibilidade de sua utilização como elementos de prova no presente procedimento fiscal. São, portanto, provas obtidas ou compartilhadas ilicitamente, sem prévio e imprescindível controle e autorização judiciais. Se a ordem constitucional vigente exige, para superação pontual e legítima das inviolabilidades asseguradas os incisos X, XI e XII do artigo 5º, prévia determinação judicial nesse sentido, a fortiori, também os elementos colhidos em decorrência de ordem judicial, com relativização das supramencionas inviolabilidades constitucionais, somente poderão ser compartilhados a outro órgão do aparato estatal se houver requisição formal do órgão interessado e prévia autorização judicial franqueando sua utilização para o fim ao qual foi solicitada. Transcreve a posição do Eg. STF no HC nº. 93.050/RJ, 2ª Turma, Relator: Ministro Celso de Mello, publicado no DJ de01.08.2008, v.u – destacouse; III – Alega a aplicação cumulativa da multa, que não houve subfaturamento. Por fim, requer seja apreciada com vistas a que seja julgada improcedente a ação fiscal, declarandose insubsistentes os lançamentos. A Cotia Trading às fls. 754 a 772 alega em resumida síntese que não procede a multa regulamentar de IPI e que havia outros envolvidos na suposta operação e lamenta o fato de ser só ela envolvida. Aduz que foi lavrado auto de infração em relação às importações realizadas por conta própria (compra e venda), mesmo que sob encomenda prévia, mas antes da atual legislação de importação sob encomenda (Lei nº. 11.281/06) o que seria improcedente. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 2005 e 2006. II –IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. Restou evidenciado que nas DI’s paradigmas explicitadas nestes autos se identificam importações de mercadorias com indicação de valor de transação significativamente menor. A resposta à diligência determinada especificou com maior clareza as informações identificadoras do subfaturamento no preço de transação declarado. IPI –IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Os produtos importados irregularmente com sua base de cálculo reduzida, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos.Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. COFINS –IMPORTAÇÃO. A importadora alterou indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos.Sendo assim, é lançada Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 12 11 a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. PIS – IMPORTAÇÃO. A importadora alterou indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos.Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA DOS SUJEITOS PASSIVOS. IMPOSSIBILIDADE. Não há elementos probantes, que assegure com precisão que há entre os interessados apontados como responsáveis solidários entre si, um interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores relacionados à importação. Imputação cabível apenas a empresa Cotia Trading S.A. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A autuada praticou ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador. A fraude consiste em declarar valores a menor, resultando no subfaturamento. Uma vez que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento tenha excluído do polo passivo a empresa CIL – Comércio de Informática Ltda, a penas a empresa Cotia Trading S/A apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De seu turno, tendo a decisão de primeira instância exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão tomada a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. É do conhecimento de todos que vários processos tratando de exigências tributárias decorrentes direta ou indiretamente da denominada Operação Dilúvio têm sido colocados em pauta nas últimas Sessões de Julgamento. Sem mesmo adentrar às razões que deram azo à apresentação do Recurso Voluntário e interposição de Recurso de Ofício, prevaleceu, naqueles, o entendimento de que a decisão final da lide na esfera administrativa dependia da obtenção de esclarecimentos da Unidade Preparadora a respeito da condição das provas colacionadas aos autos, tendo em vista o Hábeas Corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça a algumas das pessoas físicas envolvidas na operação. Por conta disso, para que haja equidade na abordagem que a Turma dá ao assunto, VOTO, desde logo, pela Conversão do julgamento em diligência, nos termos do Voto Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 13 12 a seguir transcrito, de lavra do i. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Processo nº 10830.720919/200860, cujos fundamentos e conclusões adoto como se meus fossem. De fato, em primeiro lugar, há que se considerar que, na esteira da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a decisão proferida em sede habeas corpus não surte efeitos exclusivamente com relação ao paciente. Confirase ementa acórdão proferido nos autos do HC 80479 / RJ[1]. EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. PROCESSO PENAL. ESTUPRO E ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR. CRIMES HEDIONDOS. REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA. EXTENSÃO DA DECISÃO AO CORÉU. Os crimes capitulados nos arts. 213 e 214 do CP, para serem considerados como crimes hediondos, devem resultar em lesão corporal de natureza grave ou morte. Precedente. No caso, resultaram apenas lesões leves. O paciente deve cumprir a pena em regime inicialmente fechado. Na hipótese de concurso de agentes, o CPP contempla a possibilidade de um dos réus aproveitar a decisão proferida em recurso de outro, desde que os motivos não se fundem em caráter exclusivamente pessoal (CPP, art. 580). A decisão que o paciente pretende ver estendida não se fundamentou em aspectos de ordem exclusivamente pessoal. Habeas deferido. Ou seja, há, com efeito, que se perquirir acerca do efeito da decisão que anulou parte das escutas telefônicas, proferida nos autos do habeas corpus ajuizado por pessoas físicas diversas das que compõem o quadro societário da recorrente. Nessa esteira, com vistas à compreensão do alcance da decisão que decretou a nulidade parcial das provas, este Relator consultou o sítio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e obteve cópia da sentença proferida nos autos da Ação Penal nº 2007.70.00.0111062/PR. Da referida decisão extraise o seguinte excerto[2]: "A despeito de este juízo ter considerado inicialmente válidas as interceptações telefônicas realizadas nos primeiros sessenta dias da medida, o parquet apontou a impossibilidade de separação das provas colhidas, nos moldes pretendidos. Isso porque foram os elementos colhidos em todo o período em que perduraram as interceptações,analisados em conjunto, que deram suporte às medidas de busca e apreensão posteriormente deferidas que, por sua vez, deram ensejo à colheita de elementos representativos da materialidade do crime de descaminho e de falsidade ideológica, tais como notas fiscais e dados armazenados em computadores. A esse respeito, colhese da manifestação ministerial: ‘Sem as provas conseguidas através da interceptação, não seria possível a obtenção dos mandados de busca e apreensão; sem as provas carreadas aos autos com o cumprimento destes, não seria possível a apreensão,para dizer o mínimo, de centenas de milhares de notas fiscais/computadores contendo os verdadeiros preços das mercadorias descaminhadas; sem a análise destes, pela Receita Federal, em conjunto com os inúmeros emails interceptados, os laudos que acompanham as denúncias não teriam sido produzidos. Insistindo; a pretendida separação é impossível. Dessa forma, temse que até mesmo naqueles casos em que houve constituição do crédito tributário, esta se deu com suporte em prova eivada pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada" (art. 157, §1°,CPP)." Em face de tal decisão, em que pese a independência entre as esferas judicial (criminal) e administrativa (tributária), a nulidade decretada pelo acórdão proferido nos Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 14 13 autos do habeas corpus, poderá produzir efeitos no presente processo, pois há norma concreta (sentença transitada em julgado) que impossibilitaria a utilização de provas colhidas no juízo criminal e compartilhadas com as autoridades fiscais. Não vejo, entretanto, fundamento para, com base na decisão proferida na Ação Penal nº 2007.70.00.0111062/PR, decretar a insubsistência da exigência fiscal. Até porque a impossibilidade de segregar as provas contaminadas faz parte dos motivos de decidir (e não da decisão) e, como tal, não se encontra albergada pela coisa julgada, nos termos do art. 469, I do Código de Processo Civil. Reforça essa convicção a decisão proferida nos autos do Habeas Corpus 2007.70.00.0160267/PR, onde o Poder Judiciário rejeitou a proposta de extensão dos efeitos da decisão proferida nos autos do Habeas Corpus que decidiu pela absolvição. Desnecessário, ademais, tecer maior comentários acerca independência das esferas administrativa e judicial e dos poderes de instrução do Fisco. Ou seja, a autoridade fiscal não se sujeita às conclusões do Ministério Público Federal. Por outro lado, tratandose de prova colhida na esfera criminal, é preciso ter em mente o que diz o art. 157, caput e §§ do Código de Processo Penal, segundo a redação fornecida pela Lei 11.690/2008, que, relembrese, possui a seguinte redação: Art.157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. §1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. §2o Considerase fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. Assim, nos mesmos moldes adotados pelo magistrado que presidiu o processo criminal, entendo prudente que seja conferida oportunidade para que as autoridades que assumem posição análoga à do autor daquela ação, ou seja, os autuantes, analisem as provas colacionadas aos autos e segreguem, além das interceptações em si, os elementos que na sua opinião, não possuam nexo de causalidade com as interceptações ou, ainda que possuam, poderiam ser enquadradas como fonte independente daquela declarada nula, nos termos do que dispõe o § 1º acima transcrito. Deverá ser elaborado parecer conclusivo elencando os elementos de prova que a autoridade considera não maculados e a razão pela qual os considera regularmente produzidos, sendo ponto de partida para tanto as interceptações realizadas no período de 60 dias, consideradas válidas pelo Poder Judiciário. Requerse que a Fiscalização responda, em parecer fundamentado, às seguintes questões: 1 Identifique e relacione os documentos obtidos a partir de fonte independente, ou seja, independentemente da autorização consubstanciada no Mandado de Busca e Apreensão e dos documentos e arquivos magnéticos apreendidos em seu cumprimento. 2 Especifique a relação entre os documentos elencados no item 1 e a acusação que recai sobre os devedores, principal e solidários. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10480.723631/201089 Resolução nº 3102000.287 S3C1T2 Fl. 15 14 Após concedase o prazo de trinta dias para que as Recorrentes, principal e solidárias, apresentem suas considerações, se assim desejarem. Após, retorne a este Conselho para decisão final da lide. É como Voto. Sala de Sessões, 25 de setembro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10480.721430/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, relatora, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida, tendo sido substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro.
(Assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado
(Assinatura digital)
Andréa Medrado Darzé - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, relatora, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida, tendo sido substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. (Assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado (Assinatura digital) Andréa Medrado Darzé - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luis Marcelo Guerra de Castro.
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IPI. PIS/COFINSImportação Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. E OUTROS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, relatora, Adriana Oliveira e Ribeiro e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida, tendo sido substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. (Assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado (Assinatura digital) Andréa Medrado Darzé Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de Recurso de Ofício em face da decisão da DRJ em Recife que julgou a impugnação procedente em parte, para: (i) manter o Crédito Tributário em parte, no sujeito passivo Rio Lagos Importação e Exportação Ltda – CNPJ – 07.567.851/000160, por RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 21 43 0/ 20 11 -2 8 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.045 2 configurar nos autos do presente processo como Importadora, mantendose a multa qualificada e excluindose do Crédito Tributário as demais multas, por ocorrência de bis in idem; (ii) exonerar da responsabilidade solidária e da sujeição passiva os demais contribuintes arrolados, CIL Comércio de Informática Ltda, as pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes, e Alessandra Salewski; e (iii) exonerar o correspondente a R$ 4.000.399,86 (Quatro milhões, trezentos e noventa e nove reais e oitenta e seis centavos) referente as seguintes multas: à multa aduaneira sobre o Imposto de Importação no valor de R$ 1.057.718,92 (Um milhão, cinqüenta e sete mil, setecentos e dezoito reais e noventa e dois centavos) e multa aduaneira sobre o IPI – Imposto sobre o Produto Industrializado – no valor de R$ 2.942.680,94 (Dois milhões, novecentos e quarenta e dois mil, seiscentos e oitenta reais e noventa e quatro centavos), em face da exclusão dos responsáveis solidários do polo passivo. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Em desfavor dos contribuintes Cil Comércio de Informática Ltda – CNPJ 24073694/000155 – Rio Lagos Importação e Exportação Ltda – CNPJ 07567851/0001 60, Marco Antônio Mansur – CPF – 36515345968, Marco Antônio Mansur Filho – CPF – 25674726817, Antônio Carlos Barbeito Mendes – CPF – 02093845733, Alessandra Salewski – CPF – 10311292860 foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre produtos Industrializados, Imposto de Importação, multa e juros sobre o Imposto de Importação, Programa de Integral Social – PIS, Contribuição para financiamento da Contribuição Social – COFINS – Descrição dos fatos e enquadramento legal – Imposto de Importação; Conforme consta às fls. 006 a 031 do presente processo, que: “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL Comércio de Informática Ltda – CNPJ – 24.073.694/000155 em conluio com a empresa Rio Lagos Importação e Exportação Indústria e Comércio Ltda – CNPJ – 05429757/0000119, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Polícia Federal, sob a denominação Operação Dilúvio, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 – Declaração inexata do valor da mercadoria (valor de transação incorreto). O importador (Rio Lagos Importação e Exportação), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. 002 – Diferença apurada entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado ou o preço declarado e o preço arbitrado. O importador (Rio Lagos Importação e Exportação), em conluio com o real adquirente (Cil), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.046 3 de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é devida a multa por infração administrativa ao controle aduaneiro das importações correspondente a 100% da diferença apurada entre os valores declarados e os efetivamente praticados ou entre aqueles e os valores arbitrados, de acordo com os fatos circunstanciados no Relatório de Fiscalização. Demonstrativo do crédito Código de Receita Valor em Reais Multa do controle Administrativo 5149 1.057.718,92 Descrição dos fatos e enquadramento legal – Imposto sobre produtos Industrializado; “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL Comércio de Informática Ltda – CNPJ – 24.073.694/000155 em conluio com a empresa Rio Lagos Importação e Exportação Ltda – CNPJ – 07567851/000160, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Polícia Federal, sob a denominação “Operação Dilúvio”, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 – Declaração inexata do valor da mercadoria O importador (Rio Lagos Importação e Exportação), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim é lançada a diferença entre o credito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. 002 – Produto estrangeiro em situação irregular – consumo ou entrega a consumo. A empresa Rio Lagos Importação e Exportação Ltda, CNPJ – 07.567.851/0001 60, realizou operação de importação mediante cometimento de fraudes e irregularidades, em conluio com a empresa CIL Comércio de Informática Ltda – CNPJ – 24073694/000153, conforme ficou comprovado no Relatório de Fiscalização que integra o presente Auto. Os produtos importados irregular e fraudulentamente foram todos entregues ao real adquirente, a CIL, que permaneceu oculta durante toda a transação. Esta, por sua vez, efetuou o consumo ou a entrega para tal das mercadorias que sabia serem importadas irregularmente, pois tivera participação de toda a simulação praticada desde o início. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.047 4 Demonstrativo do crédito Código de Receita Valor em Reais Imposto 3345 21.146,47 Juros de mora (28/02/2011) 10.494,91 Multa proporcional 31.719,71 Multa do controle Administrativo 2185 2.942.680,94 Valor do crédito tributário apurado 3.006.042,03 Descrição dos fatos e enquadramento legal – COFINS –Importação. “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL – Comércio de Informática Ltda – CNPJ – 24.073.694/000155 em conluio com a empresa Rio Lagos Importação e Exportação Ltda – CNPJ – 05429757/0000119, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Polícia Federal, sob a denominação OPERAÇÃO DILÚVIO, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 – Falta/insuficiência de recolhimento da COFINS DI O importador (RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. Demonstrativo do crédito Código de Receita Valor em Reais Imposto 4685 103.252,04 Juros de Mora (28/02/2011) 51.244,03 Multa proporcional (passível de redução) 154.878,06 Valor do crédito tributário apurado 309.374,13 Descrição dos fatos e enquadramento(S) legal(S) – PIS/PASEP – Importação. “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL Comércio de Informática Ltda – CNPJ – 24.073.694/000155 em conluio com a empresa Rio Lagos Importação e Exportação Ltda – CNPJ – 05429757/0000119, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Polícia Federal, sob a denominação “Operação Dilúvio”, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.048 5 001 – Falta/insuficiência de recolhimento do PIS/PASEP – Importação DI O importador (RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO), em conluio com o real adquirente (CIL), por meio da DI abaixo discriminada, submeteu a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Conforme restou comprovado no Relatório de Fiscalização, as autuadas praticaram ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, alterando indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o valor do PIS efetivamente devido, na importação realizada, e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. Demonstrativo do crédito Código de Receita Valor em Reais Imposto 4562 22.437,21 Juros de Mora (28/02/11) 11.136,15 Multa proporcional 33.655,82 Valor do crédito tributário apurado 67.229,18 Termo de encerramento; Da referida ação fiscal foi apurado o Crédito Tributário abaixo descrito. Demonstrativo do crédito Valor em Reais Imposto de Importação/multa/juros 1.057.718,92 Impostos/Produtos Industrializados/juros/multa 3.006.042,03 COFINS 309.374,13 PIS 67.229,18 Crédito Tributário Apurado 4.440.364,26 Consta no presente processo às fls. 33 a 107 o Relatório de Auditoria que entre outros temas, trata da operação Dilúvio, do Grupo MAM, do esquema fraudulento, do modus operandi, da sujeição passiva, do valor aduaneiro dos contribuintes envolvidos na suposta organização criminosa objeto da investigação em apreço. Passaremos a transcrever resumidamente os principais trechos do referido Relatório: “A investigação realizada pela Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal, de uma organização controlada por Marco Antônio Mansur – CPF 65.153.45968, doravante nomeada Grupo MAM, que se dedicava à prática de diversas fraudes, muitas delas em operações do comércio exterior, resultou na constatação do envolvimento de várias empresas que, mesmo não fazendo parte da referida organização, participavam de várias empresas que, mesmo não fazendo parte da Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.049 6 referida organização, participavam da prática das infrações e beneficiavamse dos produtos dos crimes realizados.” “Da Operação Dilúvio – fls. 042 – consiste em conjunto de procedimentos adotados pela Polícia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias cometidas pelo grupo MAM.” (...) “Dentre as apreensões realizadas nos estabelecimentos da CIL Comércio de Informática Ltda., verificase a existência de meios probantes do envolvimento desta em fraudes de comércio exterior praticas em conluio com a Rio Lagos Importação e Exportação Ltda. – CNPJ – 07.567.851/000160 e com outras empresas fortemente vinculadas ao Grupo MAM, que tinham sido alvo das investigações. Os elementos apreendidos durante a Operação foram todos remetidos a Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados à Receita Federal, pela Justiça Federal daquela cidade, para fins de procedimentos fiscais. A equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta específica finalidade, procedeu à triagem e seleção dos documentos e arquivos magnéticos de interesse fiscal, assim como à formalização de dossiê para serem remetidos às unidades de fiscalização através de Representações Fiscais. Foi deste trabalho que resultou a representação aludida na introdução deste Relatório, acarretando o início dos procedimentos fiscais levados a efeito nas fiscalizadas.” 1.1.5 Do grupo MAM – fls.043; “Podese caracterizar o Grupo MAM como sendo uma organização empresarial, engendrada por Marco Antônio Mansur, constituída por empresas importadoras, exportadoras, distribuidoras e financeiras/patrimoniais que atuavam em todas as etapas do fluxo operacional e logístico das importações realizadas por conta e ordem de empresas adquirentes de mercadorias estrangeiras, beneficiandose do cometimento de fraudes aduaneiras e tributárias. Para esse fim, o Grupo dispunha de várias empresas que operavam sob o controle centralizado, como se fossem departamentos de uma única empresa. Havia, portanto, as empresas constituídas no exterior para atuar como se fossem agentes de carga e exportadores, as empresas importadoras (denominadas tradings) e as empresas distribuidoras (adquirentes fictícios). Os controladores desta organização, ou seja, Marco Antônio Mansur – CPF – 365.153.45968, Marco Antônio Mansur Filho (Marquito) – CPF – 256.747.26817, Antônio Carlos Barbeito Mendes (Tony), CPF – 020.938.45733 e Alessandra Salewski, CPF – 103.112.92860, e seus gerentes operacionais determinavam todos os procedimentos, tais como: a forma de embarque das mercadorias; como os documentos deveriam ser emitidos (quando não eram eles mesmos que os emitiam); como seria elaborada a Declaração de Importação; como seriam emitidas as notas fiscais de entrada e de saída por todas as empresas utilizada no fluxo, até que a mercadoria fosse colocada à disposição do seu cliente. Proporcionavam, assim, amplo suporte documental, cambial, logístico e jurídico aos clientes da organização.” Às fls. 044 a 048 a Fiscalização descreve a suposta engenharia da organização e em seguida se esclarece como se dava o fluxo das mercadorias e o fluxo financeiro. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.050 7 Às fls. 054 a 061 a Fiscalização faz um resumo das principais empresas envolvidas no suposto esquema de fraude fiscal. São elas: 2.3.2.1 A Exportadora: Feca Internacional Corporation – CNPJ 07038833/000190 – durante as investigações efetuadas quando da OPERAÇÃO DILÚVIO, constatouse que o principal exportador utilizado pelo Grupo MAM era a Feca Internacional Corporation. Constituída em 04/10/2001 com capital inicial equivalente à módica quantia de US $ 50,00 – cinqüenta dólares – e sediada na 6124 NW 74 th Avenue, em Miame, Flórida EUA tinha como presidente o brasileiro Adilson Tadeu Soares – CPF 045.344.99809 – que informava possuir o mesmo endereço da empresa no exterior. (...) 2.3.2.2 A Importadora: Rio Lagos Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07567851/000160 – A Rio Lagos Importação e Exportação foi constituída em 05/12/2002 e está sediada na Av. Presidente Vargas, nº 387, no bairro do Pontal em Ilhéus/BA. Está em situada ativa no CNPJ e possui uma filial na cidade do Rio de Janeiro. 2.3.2.3 A Distribuidora (suposta adquirente): Ghats Comércio Exterior Ltda. CNPJ – 68758218/000143. (...) Desde 08/07/2004 te, e, seu quadro societário constituído pela empresa CEMDA – Consultoria Empresarial Ltda, CNPJ – 05122933/000175, com 95% de participação e Mauro Lima – CPF – 099.423.27720, com 5%. Este, sóciogerente da Ghats, é contador e possui participações societárias em outras empresas vinculadas ao Grupo MAM, apresentandose, inclusive, como diretor de algumas delas, como a importadora HiTech do Brasil Ltda S/A, sediada m Ilhéus/BA. Reside em Nova Iguaçu também, à Rua Madressilva, nº 63, no Bairro Margarida. 2.3.2.4 – A Distribuidora: Control Comércio Exterior Ltda. CNPJ 02.069.249/000189 (...) Possui endereço cadastral na Rua Madressilva, nº. 19, Margarida, em Nova Iguaçu/RJ, com filiais sediadas n Rua Guilherme Maxwell, nº. 250, Conjunto 202, Bonsucesso, Rio de Janeiro/RJ e na Av. Brasil nº. 19.001, Pavilhão 42, Box 22, Irajá, também no Rio de Janeiro/RJ. (...) 2.3.2.5 A empresa responsável pela assessoria e controle das operações: Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda. – CNPJ – 06974682/000110. A empresa Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda – CNPJ – 06974682/0001 10, sediada na Rua Buenos Aires, nº 68, 11º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, foi constituída em 03/09/2004 e está registrada com CNAE 7119799 (Atividades Técnicas Relacionas à Arquitetura). As empresas System Trade Corporation e Sipport Exportação e Importação também faziam parte do grupo de exportadores fictícios. Também segundo a Fiscalização em relatório às fls. 061 em seu item 2.3.2.6 consta como empresa responsável pela logística das operações, nos EUA a InTime Shipping Logística Ltda – CNPJ – 05767921/000106. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.051 8 Às fls. 061 a 066 a Fiscalização descreve o suposto esquema fraudulento e às fls. 066 a 077 a Fiscalização justifica a Sujeição Passiva dos contribuintes e/ou responsáveis tributários na figura de: Contribuintes/responsáveis/solidários CNPJ/CPF CIL Comércio de Informática ltda 24073694/000155 Rio Lagos Importação e Exportação Ltda 07567851/000160 Marco Antônio Mansur 36515345968 Marco Antônio Mansur Filho 25674726817 Antônio Carlos Barbeito Mendes 02093845733 Alessandra Salewski 10311292860 Já às fls. 077 a 087 a Fiscalização tece sua opinião sobre o valor aduaneiro e alguns métodos de Valoração. Continuando sua explanação a Fiscalização as fls. 087 à 094 justifica a aplicabilidade das multas de ofício, subfaturamento, etc. Da Conclusão – As fls. 105 a 107. Por fim a Fiscalização conclui que: “Concluise diante de todo o exposto que a CIL – Comércio de informática ltda atuou como verdadeiro comprador na operação comercial analisada por essa fiscalização, sem nem sequer ser habilitada para operar no comércio exterior. A empresa agiu em conluio com o denominado Grupo MAM, num esquema de simulação em que este, através de suas várias empresas, sob o comando de Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansusr Filho, Antônio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Salewski, atuava como exportador, importador, transportador, distribuidor etc., ocultando os reais personagens da operação de comércio exterior. Não bastasse a ocultação, as infratoras ainda promoveram o subfaturamento na importação. (...) A Fiscalização concluiu pela responsabilidade solidária dos supostos envolvidos e pela Representação Fiscal para fins Penais em consonância com o § 4° do Art. 1° da Portaria RFB n° 665, de 24 de Abril de 2008. Às fls. 108 a 131 consta cópia da Denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal em 04 de Julho de 2007 nos autos do processo nº. 2007.70.00.00111062, para os supostos envolvidos nos crimes em tese: Halim Nagem Neto – CPF – 233.112.904 53, Carlos André Gomes Nagem – CPF 834.153.35453, Valdir Nagem Junior – CPF 427.422.69487, na condição de sócio e efetivos administradores a empresa CIL Comércio de Informática Ltda, nome de fantasia Nagem Informática, José Eduardo de Azevedo Martins – CPF – 682.331.83849, Karina Andrea Parraquez Bustamante – CPF – 301.522.66810, Cristiane Maria Miguel de Sousa – CPF 782.481.83491, Marco Antônio Mansur – CPF – 365.153.45968, Marco Antônio Mansur Filho CPF 256.747.26817, Antônio Carlos Barbeito Mendes – CPF – 020.938.45733, Alessandra Salewski – CPF – 103.112.92860. Foi lavrado o auto de infração de fls. 003 a 031, para lançamento do Crédito Tributário referente ao Imposto de Importação – II Juros de mora sobre o II, multa proporcional sobre o Imposto de Importação, Multa do Controle Administrativo – Subfaturamento, Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, Juros de Mora sobre o Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.052 9 IPI, multa proporcional sobre o IPI, Multa Regulamentar do IPI – Consumo ou Entrega a Consumo – COFINS – Importação, Juros de mora sobre COFINS Importação, Multa proporcional sobre a COFINS –Importação, PIS – Importação, Juros de Mora sobre o PIS – Importação, Multa proporcional sobre o PIS Importação, no valor total de R$ 3.427.118,46 – Três milhões, quatrocentos e vinte e sete mil, cento e dezoito reais e quarenta e seis centavos – descritos às fls. 106 do Relatório de Auditoria. Cientificada do lançamento em 28 de Abril de 2010, conforme documento às fls.382, a CIL Comércio e Informática Ltda. protocolou tempestivamente, em 26.05.2010, a impugnação cujo inteiro teor se encontra às fls.391 a 417, de onde se extraem, em resumo, os seguintes argumentos de defesa: Alega a impugnante que os supostos fatos geradores relativos a importações foram realizadas pela Rio Lagos Importação e Exportação, cujos bens importados foram adquiridos no mercado interno pela empresa ora impugnante, por meio de operações pautadas na legislação pertinente. Alega que ao longo de 75 laudas, os AuditoresFiscais, autores do lançamento, argumentaram de todas as formas tendentes a imprimir um caráter criminoso, fraudulento, à conduta e ao histórico da ora defendente. (...) Passa a expor que: I Princípio do contraditório e da ampla defesa, condenação prévia e sumária. Alega a impugnante que, hão de ser desconsideradas, por absoluta impertinência ao que foi apurado durante a fiscalização, as alegações de que as relações comerciais havidas entre a CIL e as indigitadas empresas do grupo MAM serviriam para “...fabricação de débitos tributários em ‘empresas de fachadas’ interpostas, incapazes de promoverem os respectivos recolhimentos...’(fls. 39), ou de que a suposta ocultação “...normalmente vem atrelada ou desencadeia a prática de outros crimes, direta ou indiretamente, tais como remessa ilegal de divisas, a ocultação de receita, a lavagem de dinheiro, etc.”( fls. 39). Afirmações desse cariz não encontram ressonância nos elementos coligidos aos presentes autos, e não passam de conjecturas absurdas e maldosas, dissociadas por completo dos fatos. Merece relevo o fato de que nenhuma falha foi apurada na contabilidade e nos registros fiscais da empresa. As receitas todas foram devidamente escrituradas e tributadas. Nesse sentido vale remeter às possíveis razões que justificariam (em tese) buscar se a ocultação do real importador, segundo apontam os Auditores que subscrevem os autos impugnados, em como os esclarecimentos ora aduzidos sobre a importância de tais considerações: “impossibilidade de comprovar a procedência legal dos recursos empregados”: todas as compras foram devidamente contabilizadas, assim como os recursos utilizados, como, aliás, apurouse na fiscalização; “falta de habilitação dos interessados perante a Receita Federal do Brasil pra operar no comércio exterior”: nem a empresa, e tampouco seus sócios, contam com óbice de qualquer natureza para o cadastramento nos sistemas de comércio exterior. Simplesmente não era e continua não sendo, o objeto social da pessoa jurídica. E, principalmente, a quase totalidade das aquisições dos produtos para a distribuição são feitas junto às próprias fabricantes instalas no território nacional, como se explicará seguir; Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.053 10 “pelo ‘afastamento’ da responsabilidade pelas operações realizadas”: o “Relatório de Auditoria” invoca elementos vindos de outras fiscalizações, que um “laranja” é interposto, sendo que a importadora, in casu, Rio Lagos Importação e Exportação, tem estrutura econômica para responsabilizarse pelas operações de importação que promove como inclusive é relatado no que tange ao capital social devidamente registrado.: “quebra da cadeia tributária do IPI”: como será demonstrado, não procede a imputação de subfaturamento que, inexistente, remete à irrelevância a cadeia do IPI, que já foi pago pela importadora; SIMPLES: a argumentação dos i. Fiscais em nada se relaciona com os autos, pois a impugnante não é empresa participante do SIMPLES, e tampouco a importadora o é também. II – Das Nulidades: às fls 397 a 406. II1.1 – Da Ausência de indicação de todos os Sujeitos Passivos; A impugnante invoca o § único do artigo 142 do CTN, o artigo 53, da Lei nº 9.784/94, e o artigo 10º, incisos I, III, IV e V, do Decreto nº. 70.235/72 para enfatizar que: “Consoante se depreende dos mencionados autos de infração, as atuações ora vergastadas foram formalizadas apenas contara a ora impugnante ( CIL – Comércio de Informática Ltda.) a Rio Lagos Importação e Exportação Ltda, bem como contra as seguintes pessoas naturais: Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho e Alessandra Salewski. No entanto, estranhamente, foram excluídas da autuação as empresas Ghats Comércio Exterior Ltda., Control Comércio Exterior Ltda., e Interlogistic Consultoria Empresarial Ltda.. Vêse, portanto, que, assim como a ora Impugnante foi indevidamente alçada à condição de responsável solidário, com fundamento nas alíneas ‘c’ e ‘d’, do § único, do artigo 32 do Decreto nº 37/66, razão alguma justifica a exclusão antecipada das empresas Ghats, Control e Interlogistic, haja vista que também figuraram como adquirentes de mercadorias de procedência estrangeira. A atuação não poderia, de forma temporã, excluir a sujeição passiva de empresa que, segundo se apurou, “...praticou atos de comércio internacional, comprando no exterior as mercadorias estrangeiras.” II. 1.2. –Da ausência de autorização judicial para o compartilhamento de documentos e informações sob sigilo – fls. 401: Consta do Relatório de Auditoria que: (i) “...os elementos utilizados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos apreendidos em 16 de Agosto de 2006 pela Polícia Federal em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá/PR...” (fl.36 – destacouse); (ii) “A Operação Dilúvio consiste em um conjunto de procedimentos dotados pela Polícia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias cometidas pelo Grupo MAM” ( fl. 42 – destaque no original);e Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.054 11 (iii) “Os elementos apreendidos durante a operação foram todos remetidos a Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados à Receita Federal, pela Justiça Federal daquela cidade, para fins de procedimentos fiscais. A Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta finalidade, procedeu à triagem e seleção de documentos e arquivos magnéticos de interesse fiscal, assim como à formalização de dossiês para serem remetidos às unidades de fiscalização através de Representações Fiscais. Foi deste trabalho que resultou a Representação Fiscal aludida na introdução deste Relatório, acarretando o início dos procedimentos fiscais levados a efeito nas fiscalizadas” (fl. 42/43 negrito e grifos acrescidos). A impugnante alega às fls. 402 a 403 que: “Todavia, antes de se manifestar sobre cada um dos elementos de prova constantes dos autos, é de se perguntar, num primeiro momento, pelos indigitados mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça Federal da Subseção Judiciária de Paranaguá/PR, os quais serviram de lastro legal para coleta lícita dos documentos e arquivos apreendidos pela Polícia Federal. Indagase, ainda, pelos relatórios produzidos depois de realizadas as aludidas operações de busca e apreensão, nos quais devem constar a lista de documentos e arquivos colhidos em cumprimento a cada um dos mandados emitidos pela Justiça Federal. Sem tais peças não há como se averiguar se, de fato, as ordens judiciais de busca e apreensão foram fielmente cumpridas pelo órgão estatal executor das medidas deferidas pelo Poder Judiciário. Não basta evocar a existência de mandados judiciais autorizando a realização de busca e apreensão nos domicílios, sedes e filiais das pessoas físicas ou jurídicas, é necessário, ainda que se proceda ao controle do resultado obtido em tais diligências, para que se examine se houve ou não excessos ou desmandos nos atos executórios. Como, afinal, saber se os elementos “elementos utilizados nesta fiscalização” têm como fonte as ordens judiciais da Justiça Federal da Subseção Judiciária de Paranaguá/PR, se tais peças não existem nos presentes autos. Tal ausÊncia inviabiliza o crivo sobre a licitude das referidas ações policiais de busca e apreensão. À míngua de elementos concretos para a realização da sindicabilidade dos procedimentos realizados no bojo da propalada “Operação Dilúvio”, os quais a ora impugnante desconhece por completo, não há como proceder ao exame da licitude do conjunto probatório coligido aos autos, quando perscrutado à luz dos direitos individuais consagrados nos inciso X, XI e XII, do artigo 5º da Constituição Federal. A impossibilidade de se averiguar se os elementos de prova produzidos pela “Operação Dilúvio” são compatíveis com o texto constitucional gera como conseqüência direta a inadmissibilidade de sua utilização no presente procedimento fiscal. Por outro lado, admitindose, por hipótese, que as requisições de busca e apreensão foram adequadamente requeridas a órgão competente do Poder Judiciário, e que este as deferiu na exata extensão horizontal e vertical em que solicitadas; ou, admitindose, em tese, que as diligências realizadas para cumprimento dos mandados foram executadas em total respeito às ordens judiciais, e que o material levantado em tais procedimentos são os mesmos que foram compartilhados com a Receita Federal, mesmo assim resta uma questão a ser analisada: Em qual ato formal foi materializada a requisição feita pela Receita Federal à Justiça Federal da Subseção judiciária de Paranaguá, com vistas a obter o compartilhamento do acervo documental e arquivos colhidos pela Polícia Federal no curso da “Operação Dilúvio”. E mais, qual ato judicial autorizou esse compartilhamento para fins de procedimentos fiscais. Em verdade, tais atos não existem, ou, se existentes, não constam nos presentes autos. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.055 12 É dizer, tanto a requisição quanto a autorização judicial dada pela autoridade judiciária competente são atos pressupostos para o compartilhamento legítimo dos documentos e arquivos aprendidos pela Polícia Federal durante a “Operação Dilúvio”. A inexistência desses atos tem como conseqüência a inadmissibilidade de sua utilização como elementos de prova no presente procedimento fiscal. São, portanto, provas obtidas ou compartilhadas ilicitamente, sem prévio e imprescindível controle e autorização judiciais. Se a ordem constitucional vigente exige, para superação pontual e legítima das inviolabilidades asseguradas os incisos X, XI e XII do artigo 5º, prévia determinação judicial nesse sentido, a fortiori, também os elementos colhidos em decorrência de ordem judicial, com relativização das supramencionas inviolabilidades constitucionais, somente poderão ser compartilhados a outro órgão do aparato estatal se houver requisição formal do órgão interessado e prévia autorização judicial franqueando sua utilização para o fim ao qual foi solicitada. Transcreve a posição do Eg. STF no HC nº. 93.050/RJ, 2ª Turma, Relator: Ministro Celso de Mello, publicado no DJ de01.08.2008, v.u – destacouse ; III – Alega a aplicação cumulativa da multa, que não houve subfaturamento. Por fim, requer seja apreciada com vistas a que seja julgada improcedente a ação fiscal, declarandose insubsistentes os lançamentos. Defesa de Alessandra Salewski – fls. 430 a 456; Resumidamente a alegação da impugnante retro, é de que não tem nenhum vinculo com a suposta importadora Rio Lagos Improtação e Exportação Ltda, que houve violação da Lei de interceptação telefônica em consonância com HC – Habeas Corpus n° 142045 PR, no qual figura os pacientes Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho, pois os Ministros do C. STJ houveram por bem conceder a ordem de habeas corpus para declarar a nulidade das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos e a mesma é beneficiária deste HC. Por fim requer a impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente, para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por consequência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração. Defesa de Marco Antônio Mansur – fls. 497 a 538. Resumidamente a alegação do impugnante retro, é de que não tem nenhum vinculo com a suposta importadora Rio Lagos Importação e Exportação Ltda, que houve violação da Lei de interceptação telefônica em consonância com HC – Habeas Corpus n°.142045 PR, no qual figura como paciente e Marco Antônio Mansur Filho, pois os Ministros do C. STJ houveram por bem conceder a ordem de habeas corpus para declarar a nulidade das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos. Por fim requer o impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente, para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por conseqüência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração. Defesa de Marco Antônio Mansur Filho fls. 550 a 592; Resumidamente a alegação do impugnante retro, é de que não tem nenhum vínculo com a suposta importadora Rio Lagos Importação e Exportação Ltda, que Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.056 13 houve violação da Lei de interceptação telefônica em consonância com HC – Habeas Corpus n°142045 PR, no qual figura como paciente e Marco Antônio Mansur, pois os Ministros do C.STJ houveram por bem conceder a ordem de habeas corpus para declarar a nulidade das provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos. Por fim requer o impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente, para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por consequência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração. Defesa de Antônio Carlos Barbeito Mendes fls. fls. 604 a 611. Resumidamente a alegação do impugnante retro, é de que não tem nenhum vinculo com a suposta importadora Rio Lagos Importação e Exportação Ltda, que as acusações são genéricas e improcedentes, que não há nenhuma prova consistente que demonstre quaisquer relações com as empresas supostamente envolvidas no Auto de Infração em apreço. Por fim requer o impugnante que a presente impugnação seja julgada procedente, para o fim de reconhecer a inexistência de sua responsabilidade solidária e determinar a sua exclusão do rol de responsáveis solidários que constou no Auto de Infração e, por consequência, não sejam exigidos quaisquer valores relativos ao auto de infração. Ressaltese que a empresa Rio Lagos Importação e Exportação Ltda., que seria a importadora/contribuinte dos tributos lançados, embora tenha sido regularmente intimada, não apresentou impugnação. A DRJ em Recife julgou procedente o auto de infração, para manter a exigência dos tributos e da multa de oficio de 150%, mas excluiu do pólo passivo do lançamento todas as pessoas físicas arroladas como responsáveis solidárias, por entender que não restou provado nos autos, com provas lícitas, o interesse comum dos supostos envolvidos, bem como a empresa CIL Comércio de Informática Ltda., nos seguintes termos: COFINS IMPORTAÇÃO. A importadora alterou indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. PIS IMPORTAÇÃO. A importadora alterou indevidamente, para menor, a base de cálculo dos direitos aduaneiros, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos. Sendo assim, é lançada a diferença entre o crédito tributário devido e o recolhimento a menor efetuado, juntamente com os seus devidos acréscimos legais. Sujeição Passiva Solidária. Competência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento para se pronunciar. Nos casos de impugnação a auto de infração, as Delegacias da Receita Federal de Julgamento são competentes para julgar tudo aquilo que for relativo à matéria atinente As infrações apuradas. Inclusive, sobre Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.057 14 sujeição passiva solidária quando ficar demonstrado com provas licitas o interesse comum de terceiros envolvidos. Incidência de multa de ofício qualificada. Comprovação da ocorrência de evidente intuito de fraude. A autuada praticou ação dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador. A fraude consiste em declarar valores a menor, resultando no subfaturamento. Tendo em vista a exoneração correspondente a R$ 4.000.399,86 (quatro milhões, trezentos e noventa e nove reais e oitenta e seis centavos) em face da exclusão do pólo passivo do lançamento da empresa CIL Comércio de Informática Ltda. e das pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes, e Alessandra Salewski, a DRJ em Recife recorreu de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. Não foi interposto recurso voluntário relativamente à parte mantida pela DRJ em Recife. É o relatório. Voto vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé, Relatora Como é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume à existência nos autos de provas lícitas e concludentes da existência do interesse comum no fato gerador do tributo, necessária para imputação de responsabilidade solidária em face da empresa CIL Comércio de Informática Ltda. e das pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes, e Alessandra Salewski, bem como para a manutenção da multa qualificada e do suposto cunho penal da infração administrativa. Isso porque, não tendo sido apresentado Recurso Voluntário, foi apenas esta a matéria devolvida a este C. Tribunal. Pois bem. A integralidade dos documentos apresentados pela fiscalização para lastrear o presente o Auto de Infração, em especial, os Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os sujeitos acima relacionados, foram obtidos em decorrência da investigação realizada, em conjunto, pela Receita Federal do Brasil e pela Polícia Federal, denominada “Operação Dilúvio”, destinada ao combate a suposto esquema de descaminho, fraudes no comércio exterior, sonegação e importações subfaturadas envolvendo importantes empresas. Esta constatação é aferida a partir de várias passagens da autuação, em especial do Relatório de Auditoria Fiscal. A título de exemplo, transcrevo alguns trechos do referido documento em que isto fica bastante evidente: fl. 508: “No dia 16 de agosto de 2006 foi deflagrada a parte ostensiva da OPERAÇÃO DILÚVIO, tendo sido realizadas centenas de diligências em diversos endereços comerciais e residenciais, localizados em oito Unidades da Federação, e também no exterior, com vistas a localizar e apreender documentos que permitissem comprovar as fraudes praticadas. Nesta operação, que envolveu a Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.058 15 participação de quase 2000 servidores da Policia Federal e da Receita Federal, houve a apreensão de grande quantidade de documentos, meios magnéticos e mercadorias, assim como a realização da prisão de mais de cem envolvidos.” fls. 508/509: “Os elementos apreendidos durante a Operação foram todos remetidos a Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados A Receita Federal, pela Justiça Federal daquela cidade, para fins de procedimentos fiscais. A equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta especifica finalidade, procedeu à triagem e seleção dos documentos e arquivos magnéticos de interesse fiscal, assim como à formalização de dossiê para serem remetidos às unidades de fiscalização através de Representações Fiscais. Foi deste trabalho que resultou a representação aludida na introdução deste Relatório, acarretando o início dos procedimentos fiscais levados a efeito nas fiscalizadas.” fl. 514: “Nas investigações da OPERAÇÃO DILÚVIO foram identificadas as seguintes importadoras do Grupo MAM, dentre elas: Ø Mercotex do Brasil Ltda, CNPJ 01.732.373/000110; Ø Opus – Trading América do Sul Ltda, CNPJ 01.184.974/000135; Ø Mercotec Importação e Exportação S/A, CNPJ 07.067.563/0001 46; Ø HiTech do Brasil S/A, CNPJ 05.463.639/000127; Ø Borgtec Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 05.429.757/000119; Ø E a Rio Lagos Importação e Exportação Ltda, CNPJ 07.567.851/000160, que nas importações objeto deste Relatório atuou como interposta pessoa de clientes do Grupo MAM.” fl. 518: “foram apreendidas também por ocasião da OPERAÇÃO DILÚVIO em sua filial de São Paulo, percebese claramente que se trata de uma empresa bem sucedida, que tem acumulado lucros ano após ano e crescido vigorosamente”. fl. 520: “Além dele, cujo nome aparece em diversos documentos apreendidos na OPERAÇÃO DILÚVIO, destacamse as figuras de José Eduardo Martins e Karina Bustamante, quase sempre presentes nos contatos efetuados pela empresa, especialmente por email, com fornecedores no exterior e, em particular, com empresas do Grupo MAM. Ambos são funcionários da filial em São Paulo e, tudo indica, ocupam posições privilegiadas dentro da empresa, pois, muitas vezes são determinantes nas tomadas de decisões estratégicas durante as negociações para compra, no exterior, e revenda, no mercado interno, de equipamentos e suprimentos de informática.” fl. 530: “Esse Relatório de Fiscalização é farto de elementos que comprovam a prática de todas as infrações cometidas pelos autuados. Ademais, os Autos da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal de n° 2007.70.00.00111062 (fls. 168 a 189) e seus apensos, que constam da respectiva Ação Penal, são bastante esclarecedores sobre a participação de cada uma das pessoas físicas envolvidas na operacionalização do esquema.” Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.059 16 A própria descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração é categórica ao afirmar que as supostas infrações imputadas foram apuradas em fiscalização realizada em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Policia Federal, sob a denominação “Operação Dilúvio”: “Em fiscalização realizada para apurar a prática de fraudes no comércio exterior pelo contribuinte denominado CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 24.073.694/000155 em conluio com a empresa RIO LAGOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 07.567.851/000160, em decorrência de investigações realizadas, em conjunto, pela Receita Federal e pela Policia Federal, sob a denominação OPERAÇÃO DILÚVIO, foram apuradas as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados.” Neste contexto, não resta dúvida que os elementos de prova que lastrearam a imputação de responsabilidade solidária em face das pessoas físicas Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Salewsk e mesmo da empresa CIL Comércio de Informática Ltda. foram integralmente obtidos na intitulada OPERAÇÃO DILÚVIO, referindose, em especial, a emails e escutas telefônica. Tecido este esclarecimento e antes de enfrentar o mérito da questão, ou seja, antes de analisar a suficiência ou não de provas para a formação do convencimento da autoridade julgadora sobre a existência de interesse comum ou mesmo conluio entre a importadora de direito, a de fato e as pessoas físicas supostamente envolvidas na referida operação, devese, de plano, manter a parte da decisão recorrida que excluiu Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho do polo passivo da atuação. Isso porque, nesse interim, transitou em julgado decisão judicial (HC n° 142.045/PR) na qual restou reconhecida a ilicitude das provas contra eles obtidas por meio da “Operação Dilúvio”, bem assim das provas produzidas a partir dessas mesmas provas. Com efeito, no voto vencedor que transitou em julgado em favor do Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho, o Ministro do Superior Tribunal de Justiça Nilson Naves deixou consignado o seguinte: “Voto, pois, pela concessão da ordem com o intuito de, à vista do precedente, a saber, do estatuído no HC76.686 (6” Turma, sessão de 9.9.08) reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que “toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas” seja, também considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar ás mãos do Juiz originário para determinação de direito.” De fato, se é incontroverso que os Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados contra Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho pautaramse em provas obtidas por meio das interceptações telefônicas e meios telemáticos na “Operação Dilúvio” e que, o Poder Judiciário, por sua vez, entendeu que essas provas são ilícitas, por terem sido obtidas em desacordo com a legislação vigente, não há como manter a autuação em face dessas pessoas. Dito isso, passemos à análise da situação dos demais responsáveis solidários. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.060 17 De início, importa ressaltar que, a despeito de se ter notícia apenas de decisão judicial transitada em julgado a favor de Marco Antônio Mansur e Marco Antônio Mansur Filho, é possível verificar que o Superior Tribunal de Justiça, naquele julgamento, analisou a ilegalidade da obtenção das provas na “Operação Dilúvio” como um todo, não se atendo a particularidades dos impetrantes. Isso porque a razão de decidir foi a obtenção de escutas antes da primeira interceptação autorizada, extrapolação do prazo e da renovação desse prazo para a escuta telefônica, ou seja, escutas telefônicas realizadas sem autorização Judicial. Assim, o que se verifica é que, ainda que a referida decisão não opere efeitos em relação a terceiros, certo é que o próprio Superior Tribunal de Justiça reconheceu que todas as provas decorrentes da “Operação Dilúvio” seriam nulas, na medida em que teriam sido obtidas por meio ilícitos, por extrapolação do prazo para as escutas telefônicas. Dessa forma, concluise que, mesmo em relação àquelas pessoas que não obtiveram decisão judicial transitada em julgado no poder judiciário a seu favor (tampouco decisão em sentido contrário) devese, seguindo a linha adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, considerar nulas as provas obtidas na “Operação Dilúvio”, vez que obtidas, em última análise, sem autorização Judicial. Afinal, o que se vê é que a constituição do crédito tributário em face dos responsáveis solidários se deu com suporte em provas eivadas pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da “teoria dos frutos da árvore envenenada” (art. 157, § 1º, CPP). O Supremo Tribunal Federal tem diversos julgados acerca da imprestabilidade das provas obtidas por meio ilícito, conforme se pode verificar de trechos do excelente voto proferido pelo Ministro Celso de Mello: Tenho reiteradamente enfatizado, em diversas decisões proferidas no âmbito desta Corte Suprema, que ninguém pode ser denunciado ou condenado com fundamento em provas ilícitas, eis que a atividade persecutória do Poder Público, também nesse domínio, está necessariamente subordinada à estrita observância de parâmetros de caráter éticojurídico cuja transgressão só pode importar, no contexto emergente de nosso sistema normativo, na absoluta ineficácia dos meios probatórios produzidos pelo Estado. Impõese registrar, como expressiva conquista dos direitos instituídos em favor daqueles que sofrem a ação persecutória do Estado, a inquestionável hostilidade do ordenamento constitucional brasileiro às provas ilegítimas e às provas ilícitas. A Constituição da República, por isso mesmo, sancionou, com a inadmissibilidade de sua válida utilização, as provas inquinadas de ilegitimidade ou de ilicitude. A norma inscrita no artigo 5º, LVI, da Lei Fundamental promulgada em 1988, consagrou, entre nós, com fundamento em sólido magistério doutrinário (Ada Pellegrini Grinover, Novas tendências do direito processual, Forense Universitária, 1990, p. 6082; Mauro Cappelletti, Efficacia di prove illegittimamente ammesse e comportamento della parte, Rivista di Diritto Civile, p. 112, 1961; Vicenzo Vigoriti, Prove illecite e costituzione, Rivista de Diritto Processuale, p. 64 e 70, 1968), o postulado de que a prova obtida por meios ilícitos deve ser repudiada – e repudiada sempre – pelos juízes e Tribunais, “por mais relevantes que sejam os fatos por ela apurados, uma vez que se subsume ela ao conceito de inconstitucionalidade...” (Ada Pellegrini Grinover, op. cit., Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.061 18 p. 62). (...) A prova ilícita é prova inidônea. Mais do que isso, prova ilícita é prova imprestável. Não se reveste, por essa explícita razão, de qualquer aptidão jurídicomaterial. Prova ilícita, sendo providência instrutória eivada de inconstitucionalidade, apresentase destituída de qualquer grau, por mínimo que seja, de eficácia jurídica. (Ação Penal nº 3073 Distrito Federal RF 252/6869) Também este Conselho Administrativo possui inúmeros precedentes no sentido de que não se pode admitir lançamento efetuado com base em prova obtida por meio ilícito, conforme se verifica da ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. ORDEM JUDICIAL DE BUSCA E APREENSÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE EXECUÇÃO. ILEGALIDADE DA PROVA. A busca e apreensão de documentos é medida excepcional, devendo a sua execução ser realizada sob amparo de ordem judicial, e nos estritos limites e requisitos dela constantes. Ao promover a busca e apreensão de bens e documentos em forma diversa daquela autorizada judicialmente, a autoridade policial descumpriu a ordem judicial de busca e apreensão, invalidando a prova dela decorrente. PROVA ILÍCITA. APROVEITAMENTO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite, no processo de formação do lançamento, a utilização de provas adquiridas por meio ilícito, ainda que sob a pretensão de cumprimento de ordem judicial, mas extrapolando os limites nela fixados. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 1401000.829, publicado em 20.11.2012) Por fim, vale ressaltar que o Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a disciplina do processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, do processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, trouxe definitivamente para o âmbito do processo administrativo fiscal federal previsão expressa da imprestabilidade das provas obtidas por meio ilícito: Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, art. 332). Parágrafo único. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos (Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 30). Por todo exposto, entendo que não há como manter os Termos de Sujeição Passiva Solidária, tampouco a multa qualificada e o suposto cunho penal da infração administrativa já que todos esses atos se basearam no dossiê da “Operação Dilúvio”, que foi considerado nulo pelo Poder Judiciário, uma vez que todas as provas nele contidas teriam sido obtidas por meio ilícito, o que contamina todo o processo ora em julgamento. De fato, é de se entender que como as supostas provas apresentadas pela fiscalização não foram obtidas pelo agente fiscal por meios lícitos, comprometeuse toda a fiscalização. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.062 19 Este argumento, por si só é suficiente para determinar a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo da presente autuação. Não bastasse isso, acompanho a decisão recorrida no sentido de que, mesmo que se entendesse que os documentos apresentados pela fiscalização fossem lícitos, ainda assim não se sustentaria a imputação das responsabilidades solidárias em questão, tendo em vista que não há uma única prova de conduta ilícita das pessoas físicas mencionadas, ou de vinculando dos mesmos com os fatos geradores. Com efeito, a decisão recorrida deixou evidente que, mesmo superada a questão da ilicitude das interceptações telefônicas e telemáticas, devese concluir pela ausência de prova cabal para lastrear a autuação contra essas pessoas, valendose a fiscalização de meras conjecturas, ilações, suposições, sem apresentar qualquer prova concreta do conluio entre a importadora de Direito e de fato a Rio Lagos Rio Lagos Importação e Exportação Ltda. e os demais supostos envolvidos na referida operação: Às fls. 035 a 038 do presente processo, a Fiscalização faz conjecturas, suposições, sem, no entanto, trazer a lume provas concretas, licitas, senão vejamos: “(...) a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas provoca danos fazendários tanto à União quanto aos Estados onde estão estabelecidos. No âmbito estadual, o dano pode decorrer da destinação do ICMS, devido na entrada da mercadoria, quando este não se encontra estabelecido na mesma Unidade Estadual do real adquirente. Na esfera federal, o dano tem ainda maior potencial e atinge diversos tributos, como veremos a seguir.” “(..) Devese atentar, ainda, para o que dispõe o artigo 118 do regulamento o IPI, Decreto n°. 4.544/2002: (transcrição do Art. 118 do Regulamento do IPI) Ou seja, se optante pelo SIMPLES, o contribuinte não poderá se apropriar de créditos relativos ao Imposto. Assim, por exemplo, em uma operação por conta e ordem declarada como por conta própria, caso a interposta pessoa se credite do valor do IPI, e sendo a real adquirente optante pelo SIMPLES, os valores de IPI creditados pela interposta pessoa representam mais um dano provocado fazenda da União, uma vez que eles reduzem indevidamente o crédito a recolher da cadeia.” Às fls. 042 a fiscalização alega a existência de meios probantes do envolvimento da CIL Comércio de Informática Ltda. em conluio com Rio Lagos Importação e Exportação Ltda, os quais estão sintetizados às fls.55; Às fls. 053 a fiscalização usa expressões duvidosas, vagas: “(..) Ambos são funcionários da filial de São Paulo e, tudo indica ocupam posições privilegiadas dentro da empresa, pois, muitas vezes são determinantes nas tomadas de decisões estratégicas durante as negociações para compra, no exterior e, em particular, com empresas do Grupo MAM” Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.063 20 Às fls. 055 – (...) A Rio Lagos Importação e Exportação aumento consideravelmente suas importações por conta e ordem de terceiros, não trouxe provas aos autos. Às fls.056 a fiscalização esclarece: “(...) as únicas empresas adquirentes, registras no Siscomex, que teriam “contratado” a Rio Lagos Importação e Exportação para que ela importasse mercadorias por sua conta e ordem fora a Ghats Comércio Exterior Ltda. – CNPJ – 68.758.218/000143, a Distribuidora Sentra Comercila Ltda – CNPJ – 02155389/0001 70 e a Control Comércio exterior Ltda. CNPJ 02069249/000189. Portanto, há evidências que é realmente importadora e que foi contratada por conta de terceiros. Às fls.058 do presente processo a Fiscalização se utiliza da expressão: (...) Tudo indica que é uma empresa e “fachada”... Às fls. 093 (...) haja vista que nem todos os valores comerciais utilizados nas vendas da CIL ao mercado nacional puderam ser determinados com precisão. Às fls.043 a Fiscalização alega que os controladores da organização são: Marco Antônio Mansur – CPF – 365153459 68, Marco Antônio Mansur Filho – CPF – 25674726817, Antônio Carlos Barbeito Mendes – CPF – 02093845733 e Alessandra Salewski – CPF 10311292860. (...) Às fls. 097 – a Fiscalização aduz que: (..) supõese que Marcos Mella teria se enganado quanto ao valor exato da operação em foco e quanto ao percentual do co marketing prometido de (1%). A fiscalização, além da ilegalidade da prova trazida, mesmo considerando que fosse legal a referida prova, ela mesma admiti que não bate os supostos valores combinados entre os supostos envolvidos, portanto, não tem valor probante. Analisando as Declarações de Imposto de Renda – DIPJs da CIL Comércio de Informática Ltda – CNPJ – 24073694/000155, da Rio Lagos Importação e Exportação Ltda – CNPJ 05463639/000127, da Ghats Comércio Exterior Ltda – CNPJ – 68.758.218/000143, da Distribuidora Sentra Comercial Ltda – CNPJ – 02155389/000170, da Control Comércio Exterior Ltda – CNPJ – 02069249/000189, elas nunca foram e não são optantes da sistemática de tributação pelo SIMPLES, portanto, tais afirmações transcritas anteriormente, são sem fundamentos. Diante das provas trazidas aos autos, convençome de que as mesmas não demonstraram que houve conluio entre a importadora de Direito e de fato a Rio Lagos Importação e Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.064 21 Exportação e os demais supostos envolvidos na referida operação. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso ofício, mantendo a exclusão dos responsáveis solidários do pólo passivo da autuação, bem como o cancelamento da multa qualificada e o suposto cunho penal da infração administrativa. (Assinatura digital) Andréa Medrado Darzé VOTO VENCEDOR Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Penso, que o presente processo não se encontra em condições de ser julgado. De fato, em primeiro lugar, há que se considerar que, na esteira da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a decisão proferida em sede habeas corpus não surte efeitos exclusivamente com relação ao paciente. Confirase ementa acórdão proferido nos autos do HC 80479 / RJ1. EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. PROCESSO PENAL. ESTUPRO E ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR. CRIMES HEDIONDOS. REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA. EXTENSÃO DA DECISÃO AO CORÉU. Os crimes capitulados nos arts. 213 e 214 do CP, para serem considerados como crimes hediondos, devem resultar em lesão corporal de natureza grave ou morte. Precedente. No caso, resultaram apenas lesões leves. O paciente deve cumprir a pena em regime inicialmente fechado. Na hipótese de concurso de agentes, o CPP contempla a possibilidade de um dos réus aproveitar a decisão proferida em recurso de outro, desde que os motivos não se fundem em caráter exclusivamente pessoal (CPP, art. 580). A decisão que o paciente pretende ver estendida não se fundamentou em aspectos de ordem exclusivamente pessoal. Habeas deferido. Ou seja, há, com efeito, que se perquirir acerca do efeito da decisão que anulou parte das escutas telefônicas, proferida nos autos do habeas corpus. Nessa esteira, com vistas à compreensão do alcance da decisão que decretou a nulidade parcial das provas, este Relator consultou o sítio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e obteve cópia da sentença proferida nos autos da Ação Penal nº 2007.70.00.011106 2/PR. Da referida decisão extraise o seguinte excerto2: "A despeito de este juízo ter considerado inicialmente válidas as interceptações telefônicas realizadas nos primeiros sessenta dias da medida, o parquet apontou a impossibilidade de separação das provas 1 Relator: Min. NELSON JOBIM, Segunda Turma, julgado em 05/12/2000. 2 http://www.trf4.gov.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro.php?local=jfpr&documento=5674216&DocC omposto=&Sequencia=&hash=9a07819af2f9bf41029729fb612329e7 Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.065 22 colhidas, nos moldes pretendidos. Isso porque foram os elementos colhidos em todo o período em que perduraram as interceptações,analisados em conjunto, que deram suporte às medidas de busca e apreensão posteriormente deferidas que, por sua vez, deram ensejo à colheita de elementos representativos da materialidade do crime de descaminho e de falsidade ideológica, tais como notas fiscais e dados armazenados em computadores. A esse respeito, colhese da manifestação ministerial: ‘Sem as provas conseguidas através da interceptação, não seria possível a obtenção dos mandados de busca e apreensão; sem as provas carreadas aos autos com o cumprimento destes, não seria possível a apreensão,para dizer o mínimo, de centenas de milhares de notas fiscais/computadores contendo os verdadeiros preços das mercadorias descaminhadas; sem a análise destes, pela Receita Federal, em conjunto com os inúmeros emails interceptados, os laudos que acompanham as denúncias não teriam sido produzidos. Insistindo; a pretendida separação é impossível.’ Dessa forma, temse que até mesmo naqueles casos em que houve constituição do crédito tributário, esta se deu com suporte em prova eivada pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada" (art. 157, §1°,CPP)." Em face de tal decisão, em que pese a independência entre as esferas judicial (criminal) e administrativa (tributária), a nulidade decretada pelo acórdão proferido nos autos do habeas corpus, poderá produzir efeitos no presente processo, pois há norma concreta (sentença transitada em julgado) que impossibilitaria a utilização de provas colhidas no juízo criminal e compartilhadas com as autoridades fiscais. Não vejo, entretanto, fundamento para, com base na decisão proferida na Ação Penal nº 2007.70.00.0111062/PR, decretar a insubsistência da exigência fiscal. Até porque a impossibilidade de segregar as provas contaminadas faz parte dos motivos de decidir (e não da decisão) e, como tal, não se encontra albergada pela coisa julgada, nos termos do art. 469, I do Código de Processo Civil. Reforça essa convicção a decisão proferida nos autos do Habeas Corpus 2007.70.00.0160267/PR, onde o Poder Judiciário rejeitou a proposta de extensão dos efeitos da decisão proferida nos autos do Habeas Corpus que decidiu pela absolvição. Desnecessário, ademais, tecer maior comentários acerca independência das esferas administrativa e judicial e dos poderes de instrução do Fisco. Ou seja, a autoridade fiscal não se sujeita às conclusões do Ministério Público Federal. Por outro lado, tratandose de prova colhida na esfera criminal, é preciso ter em mente o que diz o art. 157, caput e §§ do Código de Processo Penal, segundo a redação fornecida pela Lei 11.690/2008, que, relembrese, possui a seguinte redação: Art.157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.066 23 §1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. §2o Considerase fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. Assim, nos mesmos moldes adotados pelo magistrado que presidiu o processo criminal, entendo prudente que seja conferida oportunidade para que as autoridades que assumem posição análoga à do autor daquela ação, ou seja, os autuantes, analisem as provas colacionadas aos autos e segreguem, além das interceptações em si, os elementos que na sua opinião, não possuam nexo de causalidade com as interceptações ou, ainda que possuam, poderiam ser enquadradas como fonte independente daquela declarada nula, nos termos do que dispõe o § 1º acima transcrito. Deverá ser elaborado parecer conclusivo elencando os elementos de prova que a autoridade considera não maculados e a razão pela qual os considera regularmente produzidos, sendo ponto de partida para tanto as interceptações realizadas no período de 60 dias, consideradas válidas pelo Poder Judiciário. Assim, se requer que a Fiscalização responda, em parecer fundamentado, às seguintes questões: 1 Identifique e relacione os documentos obtidos a partir de fonte independente, ou seja, independentemente da autorização consubstanciada no Mandado de Busca e Apreensão e dos documentos e arquivos magnéticos apreendidos em seu cumprimento. 2 Especifique a relação entre os documentos elencados no item 1 e a acusação que recai sobre os devedores, principal e solidários. Outro aspecto identificado no decorrer da discussão e que igualmente recomenda a realização de diligência, é o fato de que, compulsando os autos, não se localiza a apresentação de impugnação por parte das pessoas físicas e jurídicas apontadas como solidárias. Também não foi localizado termo de revelia. Solicitase ao órgão preparador, portanto, que esclareça se ocorreu uma falha de digitalização, se este relator simplesmente não localizou as impugnações ou se os solidários, efetivamente, quedaramse revéis. Concluída a manifestação do órgão preparador e das autoridades fiscais, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para que as pessoas físicas e jurídicas apontadas como devedoras principal e solidárias teçam suas considerações. Concluído tal prazo, com ou sem a apresentação de manifestação, devem os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. É como Voto. (Assinatura digital) Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO Processo nº 10480.721430/201128 Resolução nº 3102000.285 S3C1T2 Fl. 1.067 24 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE C ASTRO
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Numero do processo: 10215.720255/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
MULTA AGRAVADA.
O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 02 55 /2 00 8- 96 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10215.720255/200896 Acórdão n.º 2102003.007 S2C1T2 Fl. 310 2 EDITADO EM: 21/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Contra DORINALDO MOURA DA SILVA foi lavrado Auto de Infração, fls. 83/91, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2003 a 2005, exercícios 2004 a 2006, no valor total de R$ 3.968.198,23, incluindo multa de ofício agravada, no percentual de 112,5%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação de Infração, fls. 95/99, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A multa de ofício foi aplicada na sua forma agravada, no percentual de 112,5%, e no Termo de Verificação de Infração a sua exigência está assim justificada: Os rendimentos omitidos foram totalizados mensalmente e tributados com base na tabela progressiva vigente à época em que foram efetuados os créditos pela instituição financeira. O imposto apurado foi lançado, acrescido da multa de oficio e da multa por embaraço à fiscalização, definidas no inciso I, e em seu parágrafo segundo, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, e de juros de mora, conforme demonstrado no Auto de Infração. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 102/121, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/BEL n 0119.307, de 23/09/2010, fls. 138/147. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 03/12/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 151, o contribuinte apresentou, em 22/12/2010, recurso voluntário, fls. 152/175, no qual trazia, dentre outras, a alegação de nulidade da decisão recorrida, em razão da falta de apreciação de provas apresentadas juntamente com a impugnação. Em sessão plenária realizada em 26/10/2011, esta Turma acolheu a preliminar de nulidade da decisão recorrida, declarandoa nula e determinando que outra fosse proferida (Acórdão nº 210201.627, fls. 178/184). Em razão de tal determinação, a DRJ Belém proferiu nova decisão, Acórdão nº 0126.580, de 26/06/2013, fls. 254/275, julgando a impugnação improcedente, por unanimidade de votos. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10215.720255/200896 Acórdão n.º 2102003.007 S2C1T2 Fl. 311 3 Cientificado da referida decisão, por via postal, em 28/08/2013, Aviso de Recebimento (AR), fls. 280, (quinze dias após a expedição da intimação, conforme disposto no art. 23, § 2º, inciso II, do Decreto 70.235 de 6 de março de 1972), o contribuinte apresentou, em 13/09/2013, recurso voluntário, fls. 281/304, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Da origem dos depósitos bancários – Inexistência de omissão de rendimentos – Os documentos juntados na impugnação, fls. 156/163, tem como propósito demonstrar que os valores inseridos nas contas bancárias do contribuinte tem origem em transações comerciais realizadas por sua empresa e filiais. O recorrente é empresário que atua no ramo de comércio varejista de combustíveis para veículos e suas atividades são centralizadas na empresa individual denominada Dorinaldo M. da Silva. É forçoso reconhecer que a distinção entre a empresa individual e o empresário é restrita aos efeitos tributários, contudo, na vida prática, há um intrínseco e sinérgico relacionamento entre as atividades do empresário e do particular. A atividade de venda de combustível é dinâmica, com a realização diária de inúmeras vendas, não havendo como a cada valor que adentre ao cofre do empresário corresponda um depósito bancário. Não se pode exigir da pessoa física um controle rígido e pleno dos depósitos e retiradas como se faz com as pessoas jurídicas. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não impõe prova individualizada da origem dos recursos depositados em contacorrente. Ou seja, não estabelece como único meio de prova válido e eficaz, a apresentação de documento que gere correspondência exata com cada operação. Assim, não se pode negar eficácia aos documentos apresentados pelo contribuinte, porque não representam a prova exata de cada depósito realizado. A declaração firmada pelo Sr. Daniel, funcionário da empresa pertencente ao recorrente, comprova que o mesmo efetuou depósitos de valores pertencentes à empresa na conta pessoal do contribuinte. No período objeto de fiscalização o recorrente era casado com a Sra. Simone Campos da Silva, titular da firma individual S. Campos da Silva. Conforme declaração firmada por Simone também houve depósitos na conta do recorrente provenientes da firma individual S. Campos da Silva. Ficando demonstrado que a movimentação expressa nos extratos bancários não era exclusivamente pertencente ao recorrente, mas também incluía a pessoa jurídica de que é titular, movimentações pessoais de sua esposa e da empresa individual a esta pertencente, deveria o Colegiado da instância inferior ter procurado elucidar os fatos, diligenciando para apurar a realidade. Da indevida aplicação da multa agravada – A fiscalização solicitou ao contribuinte, primeiramente, que apresentasse os extratos das contas mantidas em instituições financeiras. Posteriormente, a fiscalização solicitou que o contribuinte comprovasse a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10215.720255/200896 Acórdão n.º 2102003.007 S2C1T2 Fl. 312 4 O recorrente requereu ao AuditorFiscal novo prazo para apresentar os documentos solicitados no termo que deu início à fiscalização, fato não mencionado no Termo de Verificação Fiscal. Afirmar que a não comprovação do que foi solicitado justifica o agravamento da multa contaria o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A não comprovação da origem dos depósitos somente pode gerar a aplicação da regra de presunção da omissão de rendimentos, nunca o automático agravamento da multa de ofício. Na ausência de prejuízo no desempenho da atividade fiscalizatória e na consecução de seu resultado, não subsiste motivação para aplicação da multa agravada. É o Relatório. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10215.720255/200896 Acórdão n.º 2102003.007 S2C1T2 Fl. 313 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Em outras palavras, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte para afastar a presunção provar que o fato presumido não existiu no caso. No recurso, o contribuinte afirma que os valores movimentados em suas contas bancárias não lhe pertenciam exclusivamente, posto que lá também eram movimentadas quantias que pertenciam à pessoa jurídica de que é titular, assim como recursos particulares de sua esposa e da empresa individual a esta pertencente. Nesse ponto, importa observar que durante o procedimento fiscal o contribuinte, embora intimado, não apresentou nenhuma justificativa para a origem dos recursos investigados. Tal alegação de movimentação de recursos das firmas individuais (sua e de sua esposa) e de recursos particulares de sua esposa somente foi trazida pelo recorrente quando da apresentação da impugnação. Para comprovar suas alegações o contribuinte juntou aos autos, documentos, fls. 123/135, quais sejam: extrato com informações de apoio para emissão de certidão da pessoa jurídica Dorinaldo M. da Silva, fls. 123/130; ficha de registro de empregado – Daniel Martins dos Santos, fls. 132, procuração, firmada em 31/10/2006, pela pessoa jurídica Dorinaldo M. da Silva em favor de Daniel Martins dos Santos, outorgando poderes para movimentação de contas bancárias, fls. 133; Declaração firmada por Daniel Martins dos Santos, em 10/11/2008, fls. 134; e procuração, firmada em 08/09/2005, pela pessoa jurídica S. Campos da Silva em favor de Daniel Martins dos Santos, outorgando poderes para movimentação de contas bancárias, fls. 135 A Declaração firmada por Daniel Martins dos Santos está assim redigida: Eu, DANIEL MARTINS DOS SANTOS, brasileiro, casado, auxiliar de escritório, portador da CI n° 3019517 SSPPA e do CPF n° 402.960.32204, (completar com a função exercida na Fl. 313DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10215.720255/200896 Acórdão n.º 2102003.007 S2C1T2 Fl. 314 6 empresa) da empresa S. Campos da Silva, DECLARO para os devidos fins de direito que, no exercício de MANDATO conferido pelo Sr. DORINALDO MOURA DA SILVA, brasileiro, empresário, separado judicialmente, portador da CI nº (completar com o nº da identidade e órgão expedidor) e do CPF n° 357.712.16291, residente e domiciliado, na cidade de ItaitubaPA, à Av. Manfredo Barata, n° 416, Bairro Centro, realizei, nos limites dos poderes conferidos, no período dos anos de 2003 a 2005, as movimentações bancárias da Conta Corrente que o mandante mantém no Banco do Brasil S/A, Agência n° 7544, Conta n° 23.5881, consistentes, entre outros atos, na emissão e endosso de cheques, realização de transferências/pagamentos, utilização de crédito aberto, sustação cheques, recebimento de cheques devolvidos, efetivação de saques diretamente ou com cartão eletrônico, solicitação de saldos e extratos, autorização de débitos em conta relativo a operações etc. Declaro também que, no exercício desse mandato e sob orientação do mandante, realizei no período aludido a movimentação bancária do mandante, em especial, os depósitos bancários, em sua conta corrente, de valores relativos ao faturamento das empresas individuais DORINALDO M. DA SILVA (CNPJ n° 03.804.676/000126) e S. CAMPOS DA SILVA (CNPJ n° 00.644.305/000136), para possibilitar a manutenção do limite de crédito das operações realizadas pelo mandante. Verificase que o lançamento reportase aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005 e as procurações juntadas aos autos foram lavradas em 31/10/2006 e em 08/09/2005. Observase, ainda, que as procurações foram outorgadas pelas pessoas jurídicas, de modo que, ao contrário do que afirma o contribuinte, o Sr. Daniel Martins dos Santos não detinha poderes para movimentar a conta bancária investigada, cuja titularidade é da pessoa física do recorrente. Por outro lado, a declaração firmada pelo Sr. Daniel Martins dos Santos, por si só, não é suficiente para demonstrar, de forma inequívoca, que a totalidade dos recursos movimentados na conta bancária do recorrente ou pelo menos grande parte deles, sejam advindos das pessoas jurídicas Dorinaldo M. da Silva e S. Campos da Silva, posto que veio aos autos desacompanhada de outros elementos de prova, que pudessem demonstrar o dito na Declaração. Veja que não se trata de exigir a comprovação da origem de cada um dos créditos investigados. Contudo, o contribuinte deve trazer aos autos elementos que demonstrem que de fato a conta bancária era alimentada com recursos advindos da atividade empresarial da venda de combustíveis. Entretanto, nenhuma prova nesse sentido foi trazida pela defesa, sendo certo que a Declaração firmada Sr. Daniel Martins dos Santos isoladamente não pode ser tomada como prova concludente, capaz de convencer esta julgadora das alegações da defesa. Não é razoável admitirse que uma conta bancária de titularidade de pessoa física seja alimentada por três anos consecutivos com recursos advindos da atividade comercial de duas pessoas jurídicas, sem que sejam produzidos documentos capazes de demonstrar tal fato. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10215.720255/200896 Acórdão n.º 2102003.007 S2C1T2 Fl. 315 7 Insta frisar que no processo administrativo fiscal a prova é predominantemente documental, não se admitindo a possibilidade de prova testemunhal, salvo nos casos em que há a prova documental e o testemunho é utilizado apenas como prova complementar. Contudo, no presente caso, o contribuinte pretende comprovar a origem de depósitos bancários, que somados alcançam o valor total de R$ 5.485.151,24, apenas com uma Declaração firmada por seu empregado. Tal Declaração é prova testemunhal, firmada por pessoa que tem ligação de subordinação com o contribuinte, e não pode ser acolhida, dado que desacompanhada de qualquer elemento de prova que a corrobore. Aqui vale lembrar que no caso da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, recai sobre o contribuinte o ônus da prova da origem dos recursos movimentados em suas contascorrentes. E quando alguém de fato pode, e legalmente está obrigado a provar alguma coisa, e não o faz, preferindo ficar no terreno das alegações, se sujeita à aplicação do princípio de que alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. É inaceitável a declaração não corroborada por qualquer elemento subsidiário. Digase, ainda, que embora a defesa faça menção a uma declaração firmada, por sua esposa, Sra. Simone Campos da Silva, temse que tal documento não está juntado aos autos. Acrescentese que não se pode também acolher o pedido alternativo, formulado pela defesa, de realização de diligência para intimação da Sra. Simone Campos da Silva. A uma porque, como já exaustivamente falado, cabe ao contribuinte trazer os elemento de prova da origem dos recursos depositados em sua conta bancária e a duas porque, ainda que a Sra. Simone Campos da Silva confirmasse a alegação da defesa, estaríamos diante de uma afirmação que carece de comprovação, nos mesmos moldes da declaração firmada por Daniel Martins dos Santos (prova testemunhal). Nestes termos, devese manter a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, posto que o recorrente não se desincumbiu do ônus de demonstrar, com provas inequívocas, a origem dos créditos considerados rendimentos omitidos no Auto de Infração. Por fim, devese apreciar as alegações trazidas pela defesa no que concerne à aplicação da multa de ofício agravada, no percentual de 112,5%, que se deu com supedâneo no artigo 44, inciso I e parágrafo 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de Fl. 315DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10215.720255/200896 Acórdão n.º 2102003.007 S2C1T2 Fl. 316 8 não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Da legislação acima transcrita verificase que o nãoatendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos é uma das hipóteses previstas para a incidência da multa de ofício na sua forma agravada. É bem verdade que o contribuinte não apresentou os extratos bancários, conforme solicitado pela autoridade fiscal, e que durante a ação fiscal apenas se reportou à autoridade fiscal em uma única oportunidade, conforme resposta, fls. 30, quando solicitou prorrogação de prazo para a apresentação de documentos. Contudo, ao assim proceder o contribuinte em nada obstaculizou a atividade fiscal, posto que os extratos foram solicitados, mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e com supedâneo no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, imputouse ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ou seja, o não atendimento das intimações perpetradas pela autoridade fiscal, não dificultou a atividade fiscal, pelo contrário, a facilitou, pois tal conduta teve como conseqüência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido de 112,5% para 75%. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 316DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003158/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO PRECEDENTE. PERD/COMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO
Tendo sido o crédito tributário original apreciado em outra lide, aplicável seu resultado à apreciação da declaração de compensação, resultando na conseqüente não homologação da Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3302-002.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
((Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Sustentação Oral: Guilherme de Macedo Soares OAB/DF 35.220.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO PRECEDENTE. PERD/COMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO Tendo sido o crédito tributário original apreciado em outra lide, aplicável seu resultado à apreciação da declaração de compensação, resultando na conseqüente não homologação da Per/Dcomp.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. ((Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Guilherme de Macedo Soares OAB/DF 35.220.
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JULGAMENTO PRECEDENTE. PERD/COMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO Tendo sido o crédito tributário original apreciado em outra lide, aplicável seu resultado à apreciação da declaração de compensação, resultando na conseqüente não homologação da Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. ((Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. EDITADO EM: 16/07/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 31 58 /2 00 7- 46 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Guilherme de Macedo Soares – OAB/DF 35.220. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Trata o presente processo de Declaração de Compensação — Dcomp n° 28337.63460.100406.1.3.083371, transmitida em 10/04/2006, através da qual a contribuinte intentou compensar débito próprio; no valor de R$ 3.500,61, com crédito da Contribuição para Programa de Integração Social — PIS, não cumulativa, relativo ao 2° trimestre de 2004, tratado no processo n°10909.001804/200498. Em decorrência da analise do processo acima mencionado que tinha por objeto Pedido de Ressarcimento, acompanhado de Declarações de Compensação, do mesmo crédito de que ora se cuida foi emitido, em 30/07/2007, Despacho Decisório (cópia a. folha 20), onde o Pedido de Ressarcimento (de R$ 3.913.231,77) foi deferido apenas parcialmente e as declarações de compensação correlatas (no total de R$ 3.909.731,16) foram homologadas somente até o limite do crédito reconhecido (R$ 2.935.637,71), restando uma Dcomp homologada parcialmente e outras três não homologadas. Considerando que o crédito pedido já não foi suficiente para as compensações apresentadas entre 17/08/2004, e 31/05/2005, tratadas no processo n° 10909.001804/200498, entendeu a DRF/ITJ que não restaria saldo a ser utilizado na presente Compensação transmitida em data posterior a daquelas. Decidiu, então não homologar a DComp objeto do presente processo e determinar o prosseguimento da cobrança do débito Em sua Manifestação de Inconformidade a interessada insurge se contra a exigência dos créditos tributário informados na Dcomp n° 28337.63460.100406.1.3.083371, com base no argumento de que em face da Manifestação de Inconformidade apresentada nos autos do processo n° 10909.001804/200498 (fl. 46), "encontrase suspensa a exigibilidade de todos os créditos' tributários correlatos ao Processo", a teor do art. 151, inciso III do CTN não devendo, assim, prosperar a cobrança então determinada." Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade.” Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.003158/200746 Acórdão n.º 3302002.541 S3C3T2 Fl. 3 3 Intimada do acórdão supra, em 14.11.2011, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09.12.2011. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Conforme exposto, tratase os presentes autos de processo de Declaração de Compensação — Dcomp n° 28337.63460.100406.1.3.083371, transmitida em 10/04/2006, através da qual a Recorrente intentou compensar débito próprio; no valor de R$ 3.500,61, com crédito da Contribuição para Programa de Integração Social — PIS, nãocumulativa, relativo ao 2° trimestre de 2004, tratado no processo n°10909.001804/200498. O processo nº 10909.001804/200498 já foi julgado. Decidiu a Terceira Câmara dessa Terceira Sessão, no Acórdão no. 3301 00.981 no sentido de que: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS O crédito presumido do PIS não cumulativo sobre aquisições de bens de pessoas físicas, destinados à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal para alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos específicos, elencados na legislação dessa contribuição, não beneficiam as transações entre pessoas jurídicas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO” Estando a compensação desse processo intimamente ligada aos créditos, negados, do processo de origem, não resta a esse Conselheiro alternativa senão negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 É como voto. Sala das Sessões, em 26 de março de 2014. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10611.003126/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
As multas substitutivas da pena de perdimento estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66 (art. 669 do Decreto 4543/2002 - Regulamento Aduaneiro). O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração.
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação da existência de subfaturamento de preços na operação de importação é vício de natureza material. A infração deve ser cabalmente comprovada, não podendo ser mantida a acusação com base em suposições.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício e II) dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. As multas substitutivas da pena de perdimento estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66 (art. 669 do Decreto 4543/2002 - Regulamento Aduaneiro). O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração. IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação da existência de subfaturamento de preços na operação de importação é vício de natureza material. A infração deve ser cabalmente comprovada, não podendo ser mantida a acusação com base em suposições. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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Recorrente INTERDÍESEL DO BRASIL LTDA E FAZENDA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL E INTERDÍESEL DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006 SUBFATURAMENTO. FATURA INIDÔNEA. PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA Mercadorias importadas subfaturadas, mediante o uso de documento falso, submetemse à pena de perdimento, que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro delas, caso já tenham sido consumidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. As multas substitutivas da pena de perdimento estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do DecretoLei nº 37/66 (art. 669 do Decreto 4543/2002 Regulamento Aduaneiro). O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração. IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação da existência de subfaturamento de preços na operação de importação é vício de natureza material. A infração deve ser cabalmente comprovada, não podendo ser mantida a acusação com base em suposições. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 31 26 /2 00 8- 67 Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.301 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício e II) dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.302 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado no Acórdão recorrido, in verbis: O presente processo é referente à cobrança da multa substitutiva do perdimento, que foi aplicada sobre as mercadorias registradas nas Declarações de Importação (DI’s) indicadas na planilha a fls. 110/266, em decorrência da constatação de subfaturamento e uso de documento falso nessas operações. O crédito tributário totalizou R$ 2.051.005,45 à época de sua formalização, consoante Auto de Infração a fls. 320. Da Autuação Conforme Relatório Fiscal a fls. 2131, as infrações que deram ensejo ao lançamento foram constatadas com base em documentos apreendidos na sede da autuada. O subfaturamento de preços foi comprovado com base nos pedidos, relação de mercadorias e fax enviados pelo exportador. O uso de documento falso foi revelado pela localização de petrechos para falsificação de faturas e pelos preços subfaturados constantes nas faturas que instruíram as operações investigadas. Em razão de as mercadorias importadas já haverem sido consumidas, conforme declaração prestada pela própria empresa importadora, foi aplicada a multa de 100% sobre o valor aduaneiro das referidas mercadorias, em substituição à pena de perdimento à qual elas estavam sujeitas. A fiscalização afirma que, embora tenha requisitado à autuada (intimação a fl. 35), não foram apresentados elementos que pudessem confirmar a veracidade dos valores informados em suas importações. Assim, o cálculo do valor aduaneiro das mercadorias foi feito com base na documentação apreendida na sede da autuada e, para as mercadorias em que não foram encontrados documentos com os preços verdadeiros, foi considerado o valor indicado nas respectivas DI’s. A demonstração do valor tributável está consolidada na “PLANILHA DE CÁLCULO DO VALOR TRIBUTÁVEL DO AUTO DE INFRAÇÃO” (fls. 110266). A autuação foi fundamentada nos seguintes dispositivos legais: arts. 602, 604, inciso IV, e 618, incisos VI e XI e § 1º, do Decreto nº 4.543/2002; art. 23, inciso V, e §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.627/2002; e art. 73, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003. Reproduzemse, a seguir, os argumentos e conclusões básicas da fiscalização: Dentro da competência inerente ao Serviço de Fiscalização Aduaneira (Sefia) da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, conforme inciso X do artigo 190 da Portaria SRF 259/01, em ato de revisão aduaneira, dentro do procedimento de auditoria de valor da mercadoria importada, selecionaramse as Declarações de importação listadas na Planilha de Cálculo do valor tributável do auto de infração, anexada a este relatório. A mercadoria foi declarada, na DI, pelo contribuinte, com valor inferior aos encontrados nos documentos apreendidos no estabelecimento do contribuinte. [...] Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.303 4 Ao analisarmos os documentos encontrados na empresa, verificamos que havia um carimbo com a logomarca do fornecedor (INAPART) e do nome do representante legal, Olonoff Jess, folhas em branco na cor verde, padrão das invoices do fornecedor, e disquetes com o “layout” invoices já prontas com as mesmas características das folhas e carimbos encontradas no contribuinte, fato que fez supor que as invoices foram confeccionadas no escritório da empresa autuada. [...] Em 12/04/06, intimamos o contribuinte, no prazo de 20 dias, a nos fornecer documentos relativos as importações e não obtivemos resposta. Em 12/11/2007, novamente intimamos o contribuinte a esclarecer dúvidas; mais uma vez,não obtivemos retorno. Em 22/10/2008 intimamos o contribuinte a nos informar onde se encontram as mercadorias importadas pelas Declarações de importação, relacionadas em anexo. O contribuinte declarou que todas mercadorias, constantes nas Dis relacionadas no Termo de Intimação emitido em 22/10/2008, foram consumidas, conforme declaração anexada a este processo. [...] Em conseqüência dos fatos relatados acima [...] , foi lavrado um auto de infração de multa no valor aduaneiro das mercadorias, atendendo ao art. 618 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4.543/2002, baseado na Planilha de Cálculo do Valor Aduaneiro das Mercadorias, elaborada por esta fiscalização, atribuindo o valor unitário das mercadorias o valor constantes das Dis, exceto para a coluna “Valor Unitário Apurado”, o qual foi considerado o valor constantes dos documentos recebidos, pelo importador, direto de seu fornecedor (Inapart). Restou comprovado, de forma detalhada neste relatório, que a Interdiesel utilizou documentos fraudados para comprovar o valor aduaneiro das mercadorias importadas através das Dis relacionadas na “Planilha de Cálculo do Valor Tributável do Auto de Infração”, que é parte integrante deste relatório. Da Impugnação Cientificada do auto de infração por via postal em 6/4/2010, conforme “AR” a fl. 274, a autuada apresentou impugnação em 5/5/2010 (fls. 284/299), por meio de advogado habilitado, na qual apresenta os argumentos a seguir sintetizados. Como a ciência do auto de infração ocorreu somente em 6/4/2010, deve ser decretada a decadência das multas aplicadas sobre as Declarações de Importação (DI’s) registradas até o dia 6/4/2005. Como afirmou a própria fiscalização, a exação ora combatida tem caráter punitivo, submetendose assim ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contados da data de seu fato gerador, ou seja, do registro da DI. Submetemse a essa mesma regra os prazos para revisão de ofício do lançamento e para revisão aduaneira. Tratase de aplicação das normas constantes nos §§ 1º a 3º do artigo 570 (prazo para revisão aduaneira) c/c artigo 669 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, a seguir reproduzidos: Art. 570. [...] Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.304 5 § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente; §3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Art. 669. O direito de impor a penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração. (Grifos da impugnante) Partindose da premissa – com a qual a autuada não concorda – que a fiscalização encontrou nos documentos probatórios acostados aos autos valores de bens importados diferentes daqueles constantes das respectivas declarações de importação, somente para os produtos enquadrados nessa situação é que poderia se cogitar de aplicar pena. Em relação aos demais, não tendo sido encontrada nenhuma irregularidade, é óbvio que devem ser excluídos da penalização. No Relatório Fiscal consta que na documentação apreendida havia documentos enviados à INTERDIESEL, pelo fabricante/exportador INAPARTS, com valores unitários de “alguns” produtos diferentes dos descritos nas DI’s. Ao se analisar as planilhas confeccionadas pela fiscalização e acostadas aos autos às fls. 4748 e 110266, observase que só “alguns” itens tiveram a coluna “VR UNIT apurado” preenchido. Somente esses poucos itens tiveram, no entendimento do Sr. Fiscal, sua importação realizada por valores diferentes daqueles que o mesmo entendeu como “reais”. Portanto, é absolutamente irregular a cobrança de multa sobre os demais produtos que foram regularmente importados, conforme a própria fiscalização atestou. Caso fosse aceita premissa de irregularidades nos preços declarados, considerandose apenas os valores apurados pela autoridade fiscal, a multa aplicada seria de R$ 146.564,26, conforme se demonstra na planilha a fls. 294295. Entretanto, desse valor, o montante de R$125.040,41 já foi alcançado pela decadência. Assim, caso a referida premissa fosse real, o valor correto da autuação seria de R$ 21.523,85. Quanto à imputação de importações irregulares, o único termo de apreensão de documentos constantes dos autos é o de fl. 3637, que não relaciona nenhuma invoice como tendo sido apreendida. Tal falta leva à conclusão única de que, embora fiscalização tenha “informado” que encontrou “várias invoices já prontas”, as mesmas não foram apreendidas, não fazendo assim parte do processo. Como conseqüência, aquelas invoices acostadas às fls. 38 a 46 e 49 devem ser reputadas como originais, emitidas pelo fornecedor estrangeiro, em seu estabelecimento no exterior. Nos documentos “encontrados” pela fiscalização (“documentos enviados à Interdiesel pelo fabricante/exportador Inaparts” – fl. 26), não há qualquer elemento que determine, de forma incontestável, que os valores ali informados referemse aos das mercadorias importadas pela contribuinte. Tais documentos trazem cotações de partes e peças a serem importadas pela contribuinte, e não o efetivo valor dos itens importados. Como se sabe, previamente a qualquer compra é feita cotação de preços e a aquisição, normalmente, se dá pelo valor mais baixo dentre as diferentes ofertas. Assim, não há como assegurar que os valores constantes nas cotações/documentos Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.305 6 encontrados pela fiscalização foram aqueles pelos quais foram importados os bens, em contraposição aos preços informados nas respectivas DI’s. Ademais, no auto de infração não consta qual o critério utilizado para obter os valores atribuídos aos itens que, segundo a fiscalização, foram importados irregularmente. Dessa forma, fica o contribuinte impedido de apresentar sua defesa, vez que não lhe foi facultado a memória de cálculos utilizada para alcançar os valores arbitrados constantes da coluna “VR UNIT apurado”, nem lhe foi informado o critério utilizado para tanto. Ou seja, não foi informado se foi em decorrência de valores constantes de documentos apreendidos – que não possuem a certeza de serem os efetivamente utilizados na importação – ou se foi obtido por arbitramento, e qual a base para tal arbitramento, ou ainda, se foi em razão de laudo confeccionado especialmente para atribuir valor às referidas mercadorias. Dessa forma, o contribuinte teve cerceado o seu direito de defesa, vez que não há elementos contra os quais argumentar. O próprio agente fiscal não possui a segurança necessária ao efetuar a autuação, informando no seu “Relatório de Fiscalização”, que “Podemos SUPOR que as invoices foram confeccionadas no escritório do importador...” (fl. 24). A mera suposição não é, e jamais poderá ser, base para uma exação fiscal, que deve ser sempre fincada em inequívocos e incontestáveis dados e elementos fáticos. Nesse sentido preceitua o CTN, em seu art. 112: Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: [...] II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (grifos da defesa) Assim, havendo dúvida por parte do representante fiscal quanto à materialidade dos documentos apreendidos, deveria ser atribuído à Contribuinte o benefício da dúvida. Mas não foi o que aconteceu. Ao SUPOR serem as invoices confeccionadas no escritório do contribuinte, a fiscalização impôslhe a pecha de ter realizado irregularmente determinadas importações, sem que ao menos se desse ao trabalho de informar de onde ou como obteve os valores atribuídos a essas operações. Não pode assim prosperar a presente autuação, fincada em suposições e desvinculadas de qualquer elemento que permita ao contribuinte contestar os valores atribuídos pelo fisco. Ao final de sua peça defensória, a impugnante requer que: seja decotado do Auto de Infração todo o crédito tributário constituído pelas multas lavradas em substituição à pena de perdimento das mercadorias cujas declarações de importação foram registradas até o dia 06 de abril de 2005, inclusive; seja excluído do lançamento o valor da multa aplicada sobre as mercadorias para as quais não foi identificado, na planilha elaborada pela fiscalização, o “VR UNIT apurado”, reconhecendo que essas mercadorias foram importadas corretamente; seja expurgado do Auto de Infração todo o crédito tributário referente às multas lavradas sobre as mercadorias para os quais foi indicado o “VR UNIT apurado” na planilha confeccionada pela fiscalização, uma vez que a Contribuinte teve cerceado o seu direito de defesa, pois não lhe foi facultada qualquer informação Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.306 7 sobre o critério utilizado pela fiscalização para atribuir o valor às referidas importações, além de a autuação ter sido fundamentada em reconhecida suposição por parte do agente fiscal; seja cancelado o Auto de Infração lavrado, bem como extinto o crédito tributário pelo mesmo constituído; e sejam devolvidos, imediatamente, à contribuinte todos os livros e demais documentos em poder da fiscalização. Da Conversão do Julgamento em Diligência Depois de conferir a tempestividade e a legitimidade da impugnação, a Autoridade Preparadora encaminhou os autos conclusos para julgamento por parte da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza. Do exame inicial da controvérsia, esta Colenda Turma de Julgamento decidiu pela necessidade de ser realizada diligência (fls. 309314), devido a não constar cópias das Declarações de Importação objeto da autuação e à identificação de possíveis falhas procedimentais na elaboração do lançamento. Foi solicitada à Unidade de origem a adoção das seguintes medidas: a) juntar cópias das DI's objeto do presente lançamento (sugerese a formação de um volume anexo específico); b) revisar a "PLANILHA DE CÁLCULO DO VALOR TRIBUTÁVEL DO AUTO DE INFRAÇÃO", a fim de: 1) complementar a descrição dos itens informados genericamente como partes e peças sobressalentes para tratores, identificando qual a mercadoria específica, conforme consta nas respectivas DI's; 2) verificar a ocorrência de situações em que o valor tributável foi apurado com base no preço declarado, apesar de as mercadorias e os respectivos preços constarem dos pedidos de mercadorias ou mensagens apreendidos na sede da autuada. Nesses casos, corrigir a planilha, utilizando os valores identificados nesses documentos para determinação da base de cálculo; e 3) efetuar lançamento complementar em relação aos valores cobrados a menor, sem se descurar da incidência do prazo decadencial; c) anexar demonstrativo dos preços de mercadorias idênticas ou similares àquelas em que a fiscalização utilizou os preços declarados para fins de apuração do valor tributável, individualizado por DI, levando em consideração cada tipo de mercadoria e as datas em que as mesmas foram importadas, com indicação do nº da DI de onde foi obtido o preço paradigma. Nos casos em que não for viável essa sistemática de arbitramento, verificar se é possível utilizar uma das outras previstas no art. 88 da MP nº 2.15835/2001, observandose a sequência ali definida. d) com base no levantamento de preços mencionado na aliena "c", rever os valores lançados a fim de identificar a necessidade de lançamento complementar, tendo como fundamento legal o referido art. 88 da MP nº 2.15835/2001, em relação aos períodos ainda não alcançados pela decadência; e) trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos considerados necessários ou relevantes à instrução destes autos e ao conseqüente julgamento da presente lide; e Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.307 8 f) cientificar o sujeito passivo da presente Resolução e de seu resultado, bem como do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. Em cumprimento à referida Diligência, a Autoridade Preparadora juntou cópias das DI’s objeto da autuação e efetuou novo lançamento referente às mercadorias cujos preços indicados na documentação apreendida na sede da empresa não foram utilizados para cálculo da multa aplicada (processo nº 10611.722085/201115). Tais providências foram descritas em Informação Fiscal (fls. 22292230) e levadas ao conhecimento do sujeito passivo (fls. 2231/2232) que não se manifestou sobre elas. Em apertada síntese, foram esses os elementos relevantes para o deslinde da questão. Analisando o presente processo a 7ª Turma da DRJ/FortalezaCE, proferiu o Acórdão nº 0824.064, cuja ementa abaixo transcrevo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. NATUREZA JURÍDICA DA PENA. PRAZO DECADENCIAL. A multa substitutiva do perdimento pelo subfaturamento do preço de mercadoria importada tem natureza tributária, pois, apesar de também tutelar o controle aduaneiro, deriva do descumprimento de obrigação estabelecida na legislação tributária no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e o CTN não exige que esse interesse seja exclusivo para a prestação ter a referida natureza. O prazo para exigência de multa pelo descumprimento de obrigação de natureza tributária é regido pelo CTN, mesmo que a prestação também interesse ao controle aduaneiro, começando a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXPLICITAÇÃO DOS CRITÉRIOS ADOTADOS. Não há falar em nulidade do lançamento pela omissão dos critérios adotados para apuração da base de cálculo da exigência, quando essa informação consta no auto de infração. ARBITRAMENTO. INOBSERVÂNCIA DA SISTEMÁTICA LEGAL. VÍCIO FORMAL. É nulo, por vício formal, o lançamento em que o arbitramento de preços não atenda à sistemática fixada na legislação adjetiva para determinação do valor aduaneiro. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. VÍCIO MATERIAL. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.308 9 É nulo, por vício material, o lançamento baseado apenas em indícios insuficientes para comprovar a prática das infrações imputadas ao autuado. Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006 SUBFATURAMENTO. FATURA INIDÔNEA. PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA Mercadorias importadas subfaturadas, mediante o uso de documento falso, submetemse à pena de perdimento, que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro delas, caso já tenham sido consumidas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, DAR PROVIMENTO EM PARTE à impugnação para, PRELIMINARMENTE: I – Por unanimidade de votos: RECONHECER A DECADÊNCIA dos lançamentos referentes às Declarações de Importação registradas nos anos de 2003 e 2004, EXCLUINDO do crédito tributário o importe de R$ 967.775,40; e REJEITAR a nulidade suscitada relativa ao cerceamento do direito de defesa pela ausência da indicação dos critérios utilizados para apuração da base de cálculo da multa aplicada. II – Por maioria de votos: DECLARAR NULOS, POR VÍCIO FORMAL, os lançamentos referentes às mercadorias constantes em faturas inidôneas, mas que tiveram o valor aduaneiro apurado em dissonância com a sistemática legalmente estabelecida, EXONERANDO o sujeito passivo do valor de R$ 393.796,33, conforme discriminado ao final do voto do relator. Vencido o julgador Ricardo Serra Rocha, que entende ser o referido vício de natureza material. No tocante às preliminares de decadência e vício formal, votou pela conclusão o julgador José Fernando Costa D’Almeida. NO MÉRITO, por unanimidade de votos: DECLARAR A NULIDADE, POR VÍCIO MATERIAL, dos lançamentos referentes às Declarações de Importação em que não foram devidamente comprovadas as infrações imputadas à Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.309 10 empresa autuada, EXONERANDOA do valor total de R$ 647.145,67; e CONSIDERAR DEVIDO o crédito tributário no importe de R$42.288,05. Por ser o crédito exonerado superior ao limite de alçada, na própria decisão houve a apresentação de recurso de ofício. Por sua vez o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese os seguintes pontos: não concorda com o dies a quo do prazo decadencial. A decisão recorrida afirma que o prazo decadencial a ser considerado é o previsto no art. 173, inc. I do CTN, primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando o correto é o início da contagem ser da ocorrência do fato gerador, a teor do que dispõe o art. 669 do Regulamento Aduaneiro – Decreto nº 4543/2002, o qual prevê o início da contagem do prazo na data da infração. que a autuação fiscal errou quando relacionou como base de cálculo da multa aplicada os valores das mercadorias constantes das próprias declarações de importação, pois não há nenhuma comprovação no processo de que o preço real destes produtos seriam outros que não os constantes nas referidas DI; que não concorda com a decisão recorrida, quando declarou parte do lançamento nulo por vício formal. Afirma que o erro quanto à definição da base de cálculo da penalidade aplicada revelase de natureza material, não sendo aplicável no caso as disposições do art. 173, inc. II do CTN. É o relatório. Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.310 11 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal 1 RECURSO DE OFÍCIO 1.1 DECADÊNCIA Na decisão recorrida foi reconhecida a decadência dos lançamentos referentes às declarações de importação registradas nos anos de 2003 e 2004, considerando atingidas pelo prazo decadencial do art. 173, inc. I do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo por via postal em 06/04/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR, fl. 269 (274 do eprocesso), portanto, para os fatos geradores ocorridos antes de 2005, fulminados pelo transcurso do prazo decadencial previsto no art. 173, acima transcrito, estando correta a decisão recorrida. 1.2 NULIDADE POR VÍCIO FORMAL Parte do lançamento no valor de R$ 393.796,33 foi declarado nulo por vício formal pela decisão recorrida, pois teria sido apurado em dissonância com a sistemática legalmente estabelecida. Nos termos do acórdão recorrido, a fiscalização utilizou o valor declarado pelo próprio importador para determinação da base de cálculo da multa aplicada. Tal procedimento foi considerado contraditório pois o núcleo da tese da acusação seria justamente o subfaturamento dos preços nas DI. As condutas imputadas pressupõem a prática de fraude, sendo que os valores das bases de cálculo deveriam ter sido apurados por arbitramento a rigor do que dispõe o art. 88 da MP nº 2.15835/2001. Sem entrar no mérito, de que se trata de nulidade por vício formal ou material, sem dúvidas há que se concluir pela nulidade do lançamento. Como bem disse o voto condutor do acórdão recorrido, não foram indicados os critérios empregados para determinação da exigência, não foi explicitada a fundamentação legal do arbitramento, nem justificada a supressão de outros métodos prioritários previstos no art. 88 da MP nº 2.15835/2001. O método adotado para arbitramento dos preços não foi justificado e nem fundamentado, mesmo após questionamento via diligência. Como o contribuinte insurgese, em seu recurso voluntário, defendendo a tese de que se trata de vício de natureza material, deixo para entrar neste mérito na análise do recurso voluntário. Porém reconheço a nulidade do lançamento para negar provimento ao recurso de ofício, também neste ponto. Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.311 12 1.3 NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL De acordo com a decisão, parte do lançamento tributário consubstanciado em R$ 647.145,67 teria sido nulo em decorrência de vício material. Esta nulidade é relativa ás mercadorias que não tiveram os preços reais apurados, nem devidamente arbitrados, e constam em faturas cuja inidoneidade não foi comprovada. Neste caso, a fiscalização também utilizou como valor aduaneiro o próprio valor declarado pelo contribuinte em suas declarações de importação. O pressuposto do lançamento é o subfaturamento e, no presente caso, não foi comprovado nem o subfaturamento e nem a utilização de documento falsificado. Ou seja não teria ocorrido nem o fato gerador da penalidade aplicada. Portanto correta a decisão, ao declarar a nulidade do lançamento por vício material. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. 2.1 DA DECADÊNCIA O recorrente não concorda com o termo inicial do prazo decadencial considerado pela decisão da DRJ/Fortaleza. Segundo ele o início do prazo decadencial começa a ser contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 669 do Decreto nº 4.543/2002 e não a partir do primeiro dia do exercício seguinte a teor do que dispõe o art. 173, inc. I do CTN. Vejamos o que dispõe o Código Tributário Nacional, LC nº 5.172/66 a respeito do prazo decadencial: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.312 13 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A Constituição Federal, por meio do art. 146, inc. III, “b”, delegou competência para que Lei Complementar estabeleça normas gerais sobre a decadência tributária. Neste sentido os art. 150 e 173 do CTN foram recepcionados como válidos pela carta magna e servem para delimitar o alcance e o conteúdo do prazo decadencial. Neste sentido o § 4º do art. 150 estabelece que, se a lei não fixar prazo, este será de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A doutrina de uma maneira geral, entende que o prazo de cinco anos contados do fato gerador, ou o prazo de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte, constante do art. 173, inc. I, são os limites máximos de que a lei poderá estabelecer. Nada impede que a lei instituidora do tributo, estabeleça prazo inferior àqueles indicados. Estamos analisando aqui o lançamento de penalidade aduaneira que se trata da multa de perdimento que, pelo fato de as mercadorias terem sido consumidas, passou se à aplicação da penalidade correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria. A multa foi aplicada com base no art. 618, inc. XI, § 1º do Decreto 4.543/02, Regulamento Aduaneiro então vigente. O mesmo regulamento aduaneiro prevê disposições sobre decadência da imposição de penalidades nos termos do art. 669, in verbis: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139). Estabeleceuse aqui um prazo de cinco anos para a aplicação das penalidades previstas no regulamento aduaneiro. Notese que este prazo não tem o condicional do § 4º do art. 150 do CTN – salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto entendo ser este o prazo decadencial aplicável no presente processo. Veja que este prazo está em consonância com o art. 570 do mesmo Decreto, o qual dispõe sobre o prazo para a realização da Revisão Aduaneira. Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º, e Decretolei nº 1.578, de 1977, art. 8º). Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.313 14 § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Para justificar o seu entendimento de que o prazo aplicável de decadência seria o previsto no art. 173, inc. I do CTN, o acórdão recorrido argumenta no sentido de que o art. 54 do DecretoLei nº 37/66 que é o sustentáculo legal do art. 570, acima transcrito, não teria sido recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Ora, ele tanto foi recepcionado que está citado no Regulamento Aduaneiro de 2002, Decreto nº 4.543/2002 e também no Regulamento Aduaneiro de 2009, Decreto nº 6.759/2009, só que neste regulamento o dispositivo está previsto no art. 639. Nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto, sob fundamento de sua inconstitucionalidade. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, entendo que o prazo para início da contagem do prazo decadencial é o previsto no art. 669 do Decreto 4.543/02, ou seja, cinco anos a contar da data da infração. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 06/04/2010, a penalidade não pode ser aplicada para as infrações anteriores a 06/04/2005. 2.2 DA NULIDADE POR VÍCIO FORMAL O contribuinte discorda da decisão recorrida que entendeu como sendo nulidade por vício formal a falta de fundamentação dos valores arbitrados. Transcrevo abaixo trecho do voto do relator ao dispor sobre os fatos que o levaram a declarar a nulidade desta parte do lançamento: (...) Chama atenção o fato de a fiscalização ter utilizado o valor declarado pelo próprio importador para determinação da base de cálculo da multa aplicada. Tal procedimento, que ocorreu em relação às mercadorias não constantes na documentação apreendida, é aparentemente contraditório, uma vez que o núcleo da tese acusatória é justamente o subfaturamento. O uso de documento falso, embora Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.314 15 tenha nos petrechos de falsificação apreendidos fortes indícios, está intrinsecamente relacionado com infração anterior. As condutas imputadas à autuada pressupõem a prática de fraude. Logo, o valor aduaneiro deve ser apurado em conformidade com o disposto no art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001: Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. A legislação determina quais os critérios admitidos e a ordem sequencial para aplicação deles. Assim, cada método prioritário deve ter sua inaplicabilidade justificada, para que se possa admitir o emprego de outro. Ocorre que o método adotado para arbitramento de preços não foi justificado nem fundamentado, mesmo após expresso questionamento via diligência. Em vez de demonstrar a utilização da sistemática definida na legislação regente, a fiscalização apenas manteve os valores declarados pelo importador como base de cálculo da multa aplicada. Esse critério no mínimo precisaria ser muito bem explicado para que pudesse ser aceito. A ausência de fundamentação fática e jurídica do método de arbitramento adotado inviabiliza a validação desse procedimento. Não há como saber os motivos que levaram a fiscalização a superar os critérios prioritários fixados na lei. Ainda que se possa alegar que tal falha não causou prejuízo ao sujeito passivo, já que foi utilizado o valor que ele mesmo informou, não é admissível a sistemática empregada pela fiscalização, pois fere regras instrumentais legalmente fixadas para determinação do valor do crédito público. De acordo com a descrição dos fatos, embora não tenham sido identificados os preços reais de todas as mercadorias, parte delas constam em faturas que contêm itens supostamente subfaturados. Ou seja, pelo menos o uso de documento falso estaria caracterizado, o que já seria motivo para aplicação da pena Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.315 16 de perdimento. Porém, a falha no procedimento de valoração aduaneira prejudicou a higidez do lançamento. Tratase de vício formal, pois decorre da inobservância de regras de natureza adjetiva. A existência da obrigação tributária que deu ensejo à emissão desse ato não é atingida pela falha na determinação do quantum da dívida. Noutras palavras, o critério material da regramatriz de incidência da penalidade não foi afetado, eis que a referida falha não repercute na configuração de sua hipótese de incidência. Ocorre que, como não se pode validar o método de arbitramento aplicado, não há como saber se a base de cálculo apurada está correta. (...) Do conteúdo exposto, na minha opinião, não estão demonstradas nem sequer o fato gerador da multa aplicada. A acusação que se perfaz contra o contribuinte é que ele teria subfaturado o valor das mercadorias por ocasião de sua importação. Em relação a estas mercadorias específicas, a fiscalização utilizou como base de cálculo da multa, o próprio valor que o contribuinte fez constar em suas declarações de importação. Ora, a base de cálculo da multa é o valor aduaneiro da mercadoria e se o valor a ser considerado é o constante da própria Declaração de Importação, como poderia falarse em subfaturamento. Portanto está faltando provas da ocorrência do fato gerador. A fiscalização aduaneira não logrou comprovar de forma inequívoca a prática do subfaturamento. Como ela própria diz, há elementos que supõem a existência do subfaturamento e não se pode conceber um lançamento tributário baseado em suposições. Portanto esta nulidade não decorreu simplesmente da inobservância de regras de natureza adjetiva, mas sim de natureza substantiva. Na minha opinião não está configurada nem a ocorrência do fato gerador e, portanto o lançamento não atende ao disposto no art. 142 do CTN. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 2.3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO Em relação às mercadorias em que foram demonstrados o subfaturamento de preços e o uso de documento falso na importação, e que não foram atingidos pelo prazo decadencial, está correto o lançamento. Essas infrações foram devidamente demonstradas com base em provas obtidas na sede da autuada, que não se desincumbiu do ônus de desqualificá las. Nesse caso, a multa aplicada incidiu sobre o valor aduaneiro calculado com base nos preços efetivamente praticados, conforme determina a lei. Portanto, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento parcial ao recurso voluntário, somente para ampliar o prazo decadencial que deverá ser contado em cinco anos da data da infração e também para reconhecer que a Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.316 17 nulidade que foi declarada como sendo de natureza formal pela DRJ, seja considerada nulidade decorrente de vício material no lançamento. Assim refaço o quadro demonstrativo elaborado pela DRJ, no qual estão detalhados os valores para exclusão do crédito constituído. DEMONSTRATIVO PARA AJUSTE DO CRÉDITO DATA DE REFERÊNCIA VALOR LANÇADO VALOR MANTIDO DECADÊNCI A VÍCIO MATERIAL TOTAL EXONERADO 21/1 a 16/12/2003 389.203,56 0,00 389.203,56 0,00 389.203,56 13/1 a 21/12/2004 578.571,84 0,00 578.571,84 0,00 578.571,84 18/01/2005 43.808,82 0,00 43.808,82 0,00 43.808,82 01/02/2005 34.997,96 0,00 34.997,96 0,00 34.997,96 16/02/2005 42.482,54 0,00 42.482,54 0,00 42.482,54 01/03/2005 14.864,93 0,00 14.864,93 0,00 14.864,93 16/03/2005 60.154,46 0,00 60.154,46 0,00 60.154,46 29/03/2005 211,00 0,00 211,00 0,00 211,00 06/04/2005 9.521,31 0,00 9.521,31 0,00 9.521,31 12/04/2005 10.198,97 0,00 0,00 10.198,97 10.198,97 14/04/2005 1.358,66 0,00 0,00 1.358,66 1.358,66 26/04/2005 21.148,29 0,00 0,00 21.148,29 21.148,29 03/05/2005 24.110,61 0,00 0,00 24.110,61 24.110,61 10/05/2005 21.055,69 0,00 0,00 21.055,69 21.055,69 18/05/2005 12.342,65 0,00 0,00 12.342,65 12.342,65 24/05/2005 17.862,77 0,00 0,00 17.862,77 17.862,77 01/06/2005 15.302,53 0,00 0,00 15.302,53 15.302,53 14/06/2005 76.015,44 0,00 0,00 76.015,44 76.015,44 29/06/2005 47.691,19 3.460,12 0,00 44.231,07 44.231,07 06/07/2005 21.368,57 42,66 0,00 21.325,91 21.325,91 21/07/2005 24.295,53 798,26 0,00 23.497,27 23.497,27 26/07/2005 6.981,34 0,00 0,00 6.981,34 6.981,34 03/08/2005 71.017,58 0,00 0,00 71.017,58 71.017,58 10/08/2005 20.548,35 0,00 0,00 20.548,35 20.548,35 18/08/2005 31.598,36 0,00 0,00 31.598,36 31.598,36 31/08/2005 58.727,28 0,00 0,00 58.727,28 58.727,28 14/09/2005 31.078,83 9.141,24 0,00 21.937,59 21.937,59 30/09/2005 14.704,38 558,59 0,00 14.145,79 14.145,79 05/10/2005 18.712,58 611,66 0,00 18.100,92 18.100,92 11/10/2005 10.319,39 0,00 0,00 10.319,39 10.319,39 31/10/2005 19.440,56 0,00 0,00 19.440,56 19.440,56 17/11/2005 20.845,35 910,39 0,00 19.934,96 19.934,96 23/11/2005 19.501,36 0,00 0,00 19.501,36 19.501,36 06/12/2005 18.375,20 0,00 0,00 18.375,20 18.375,20 22/12/2005 17.541,64 0,00 0,00 17.541,64 17.541,64 12/01/2006 53.597,32 449,55 0,00 53.147,77 53.147,77 01/02/2006 33.239,46 0,00 0,00 33.239,46 33.239,46 08/02/2006 38.592,80 0,00 0,00 38.592,80 38.592,80 08/03/2006 51.893,97 245,46 0,00 51.648,51 51.648,51 29/03/2006 16.910,48 1.101,89 0,00 15.808,59 15.808,59 Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.317 18 05/04/2006 13.468,02 698,48 0,00 12.769,54 12.769,54 11/04/2006 17.343,88 10.605,12 0,00 6.738,76 6.738,76 TOTAL 2.051.005,45 28.623,42 1.173.816,42 848.565,61 2.022.382,03 Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 15956.000144/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
LANÇAMENTOS DECORRENTES DO MESMO MPF. SEGREGAÇÃO POR PERÍODO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é causa de nulidade a segregação de lançamentos decorrentes de um mesmo MPF por períodos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento VD - VANTAGENS DE DIRETORES. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava nulidade por vício formal.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO MESMO MPF. SEGREGAÇÃO POR PERÍODO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é causa de nulidade a segregação de lançamentos decorrentes de um mesmo MPF por períodos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento VD - VANTAGENS DE DIRETORES. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava nulidade por vício formal. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. É improcedente o lançamento na parte em que o fisco não comprova a ocorrência dos fatos geradores. ENTIDADE COM ISENÇÃO CANCELADA POR ATO DO INSS. NECESSIDADE DE NOVO ATO DE SUSPENSÃO DA ISENÇÃO COMO CONDIÇÃO DE VALIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Não há necessidade de prévia suspensão da isenção para constituição do crédito relativo à cota patronal em entidade que já não gozava do benefício fiscal, em razão ato cancelatório de isenção com trânsito em julgado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO MESMO MPF. SEGREGAÇÃO POR PERÍODO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é causa de nulidade a segregação de lançamentos decorrentes de um mesmo MPF por períodos. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 01 44 /2 01 0- 24 Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento VD VANTAGENS DE DIRETORES. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava nulidade por vício formal. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000144/201024 Acórdão n.º 2401003.421 S2C4T1 Fl. 1.653 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 14 34.938 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.230.0111. O crédito diz respeito às contribuições patronais para a Seguridade Social e decorreu dos seguintes fatos geradores: a) remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP . b) vantagens concedidas a dirigentes, identificadas nas contas contábeis '400502700102 — Correção Monetária Passiva Despe' e '401101310201 — Valor Locativo Reitoria'. Cientificada do lançamento em 31/03/2010, a entidade ofertou defesa, cujas razões foram acatadas parcialmente pela DRJ. O órgão a quo exclui da base de cálculo os valores relativos à Correção Monetária, por entender que o fisco não demonstrou que se tratavam pagamentos de remunerações a pessoas físicas. Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário, o qual iniciou relatando os fatos processuais ocorridos e discorrendo sobre a sua atuação nas áreas de educação, saúde e assistência social. A seguir apresenta as razões abaixo explicitadas. Imunidade Afirma que é entidade reconhecida como de utilidade pública federal, além de ser certificada pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Assevera que a sua imunidade resulta dos pressupostos inerentes à certificação que lhe foi concedida pelo CNAS e do cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN. Por essa razão, afirma, teve a sua condição de imune reconhecida pelo TRF 1.ª Região, consoante acórdão proferido nos autos da apelação civil n. 2005.34.00.0277017/DF. Argumenta que participa do Programa Universidade para Todos (PROUNI), o qual prevê a concessão de bolsas de estudos para alunos carentes e qualifica as instituições participantes como entidades beneficentes de assistência social. Assegura que disponibiliza as suas dependências clínicas para atendimento da população via Sistema Único de Saúde – SUS, sendo também por esse motivo considerada entidade beneficente de assistência social, a teor do § 5. do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. Apresenta considerações feitas pelo Juízo da 5.ª Vara Federal de Ribeirão Preto nos autos da ação anulatória n. 2009.61.02.0058541, nas quais o magistrado reconhece a condição de imune da recorrente. Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Afirma que a seu enquadramento como entidade imune é garantido pelo art. 240 da IN RFB n. 971/2009. Defende a nulidade do AI, posto que o fisco deveria, antes de efetuar o lançamento, ter suspendido a fruição de sua imunidade, fato que não ocorreu. Afirma que tinha direito adquirido à imunidade, não se sujeitando à necessidade de requerer o reconhecimento deste direito. Assegura que a rejeição da MP n. 446/2008 não interfere nos efeitos decorrentes da obtenção do certificado expedido pelo CNAS. Ilicitude das provas Argumenta que os fatos apresentados pelo fisco foram verificados mediante provas ilícitas, conforme reconhecido pelo Poder Judiciário. Por esse motivo, o lançamento deve ser nulificado. Assevera que o relatório fiscal complementar dá conta de que suas conclusões se basearam também em dados coletados em ação fiscal anterior que deu ensejo a NFLD n. 35.502.6686, a qual foi anulada pelo Judiciário, justamente pelo fato de terem sido utilizadas provas ilícitas. Unidade do lançamento A unidade do lançamento exige que o procedimento de fiscalização seja finalizado com a lavratura do respectivo auto de infração, não se podendo admitir a continuação do procedimento de fiscalização com base no mesmo MPFF, por força de impugnação apresentada em relação ao primeiro lançamento, vinculado ao AI n. 37.230.0081, a qual instaurou a fase litigiosa. Incongruências do lançamento Sustenta que não houve remuneração alguma para a Diretoria e que o lançamento mostrase incongruente, uma vez que a DRF autuou o então sócio da recorrente Evandro Alberto de Oliveira Bonini por omissão de receitas de aluguéis. Advoga que se o rendimento é de aluguel não pode ser equiparada a remuneração pelo trabalho. Pergunta: por que não equiparar a vantagem econômica em referência à distribuição de lucro, uma vez que sócio não tem salário? Afirma que de fato não houve distribuição de lucro, mas que argumenta neste sentido apenas para demonstrar o quão contraditória é a ilação fiscal. Ao final, requereu o provimento do recurso com consequente cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000144/201024 Acórdão n.º 2401003.421 S2C4T1 Fl. 1.654 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Renúncia ao contencioso Verificase dos autos que a recorrente requereu ao Instituto Nacional do Seguro, INSS a isenção da cota patronal em 30/08/2000, o pedido foi indeferido pela autoridade competente, em razão do não cumprimento das exigências estabelecidas nos incisos IV e. V do art. 55 da Lei n°8212/91. A entidade recorreu ao CRPS, que através do Acórdão n° 02/03265/2000, conheceu do recurso e lhe deu provimento no mérito. A referida decisão foi anulada pelo mesmo colegiado através do Acórdão n. 2.051/2003, em face do pedido de revisão apresentado o pela Gerencia Executiva de Ribeirão Preto, ficando restabelecido assim o ato administrativo que indeferiu o pedido de isenção da Associação. A entidade requereu revisão deste último acórdão, todavia, não teve a sua pretensão acolhida. Percebese, portanto, que transitou em julgado administrativamente a decisão que cassou o direito à isenção da autuada. Esta, contudo, ajuizou ação ordinária na Seção Judiciário do Distrito Federal sob o n. 2005.34.00.0277017, requerendo o reconhecimento da imunidade tributaria e a declaração da inexistência de relação jurídica que autoriza o INSS a exigir as contribuições da empresa (quota patronal), aquelas destinadas ao SAT e aos terceiros. O pedido foi julgado improcedente na primeira instância, contudo, em sede de apelação, o TRF1 deu provimento ao recurso, reconhecendo o direito da autora à imunidade pretendida. O processo encontrase atualmente em análise de admissibilidade de recursos especial e extraordinário manejados pela Fazenda Nacional. Diante desses fatos não nos cabe discutir nesse processo as questões atinentes a imunidade da recorrente, posto que nos termos da Súmula CARF n. 01, a apresentação de ação judicial acarreta em renúncia ao contencioso administrativo. Eis o teor da Súmula: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, este julgamento ficará restrito às questões não tratadas na discussão judicial. Nulidade do lançamento Afirma o sujeito passivo que o lançamento é nulo em razão do fato do fisco não haver previamente promovido a suspensão de sua imunidade. Essa alegação não se sustenta. É que a não consideração da sua condição de imune decorreu de anterior ato cancelatório de isenção, que teve trânsito em julgado administrativo em desfavor do sujeito passivo. Assim, não teria sentido suspender um benefício que a autuada já não gozava. A alegada adesão ao PRONI e a questão dos efeitos da MP n. 446/2008 em nada alteram o lançamento, posto que o período de apuração é anterior a esses fatos. Unidade do lançamento Afirmou a recorrente que houve quebra da unidade do lançamento, na medida em que existem dois autos de infração embasados no mesmo MPF, sendo que o primeiro já havia sido impugnado quando da lavratura do segundo. De fato, verificase que na ação fiscal decorrente do MPF n. 1.09.00:2009 001023 o fisco achou por bem efetuar os lançamentos em dois períodos distintos, provavelmente para evitar a decadência das competências mais remotas. Os Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP foram separados em dois períodos, a saber: a) 01 a 02/2005: AI 37.230.0081 e 37.230.0090; b) 03/2005 a 12/2006: AI n. 37.230.0111 e 37.230.0120. Não vejo que o simples fato dos lançamentos estarem segregados por períodos pudesse levar a nulidade das autuações. Observase que todas as formalidades atinentes ao devido processo legal foram observadas. O sujeito passivo tomou ciência do MPF que determinou a fiscalização das contribuições sociais para o período de 01/2005 a 12/2006, foram apresentados os termos de intimação para apresentação dos documentos e, efetuadas as lavraturas, garantiuse à autuada o direito de se contrapor a estas, primeiro mediante impugnação e posteriormente apresentando recurso voluntário. Não há também o que se falar em bis in idem, haja vista que os AI relativos às mesmas contribuições abarcam períodos distintos. Observase que as lavraturas foram efetuadas por autoridade competente e ao sujeito passivo foi garantido os direitos constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, não se enxergando na espécie a causa de nulidade suscitada no recurso. Não é incomum a separação de lançamentos por períodos, principalmente nos casos em que se verifica mudança na legislação que acarrete em alteração dos acréscimos legais ou nos critérios de apuração. Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000144/201024 Acórdão n.º 2401003.421 S2C4T1 Fl. 1.655 7 Assim, afasto a preliminar de nulidade decorrente do suposto desrespeito às normas do processo administrativo fiscal. Provas ilícitas Outra preliminar suscitada diz respeito à nulidade decorrente do fato do procedimento fiscal estar embasado em provas obtidas por mandado de busca e apreensão julgado ilícito pelo STJ quando apreciou RHC n. 16.414SP. Após a exclusão das contribuições relativas à correção monetária, restaram os fatos geradores declarados na GFIP pelo sujeito passivo e aqueles relativos à vantagem indireta paga aos administradores sob a forma de aluguel de imóvel. Assim, quanto aos valores declarados na GFIP, não há o que se falar em obtenção de informações contaminadas por ilicitude, uma vez que estes dados constam do banco de dados da Administração Tributária. No que diz respeito aos valores relativos à locação, vejo que se encontram amparados por documentos obtidos licitamente pela fiscalização. Os valores foram extraídos da escrita do sujeito passivo, mais precisamente da conta contábil “401101310201 — Valor Locativo Reitoria”. Por outro lado, as circunstâncias em que se deram os pagamentos foram verificadas mediante escrituras públicas e esclarecimentos prestados pela própria autuada, quando provocada mediante intimação fiscal ou por informações prestadas em sede de diligência fiscal, respaldada por MPFD, onde a autoridade fiscal foi atendida pelo contador, Sr. Aparecido Cirelli. Afasto, portanto, a suposta nulidade decorrente da utilização de provas ilícitas. Pagamento de aluguéis – vantagem indireta No que tange aos valores pagos a titulo de locação de imóvel à Fundação Fernando Lee, pretende a autuada demonstrar a ocorrência de incongruência diante da existência do processo administrativo n. 15956.000567/200749, lavrado em nome de Evandro Alberto de Oliveira Bonini, no qual a fiscalização da Receita Federal procedeu ao lançamento do imposto de renda pessoa física por considerar como simulação a locação de imóveis recebidos em usufruto pela Fundação para a recorrente. De acordo com a Autoridade Lançadora a autuada vendeu imóveis para seus diretores ou cônjuges destes, os quais instituíram sobre os referidos imóveis usufruto gratuito em favor da Fundação Fernando Lee. Após passar à condição de usufrutuária destes imóveis, a Fundação Fernando Lee os aluga para a Associação de Ensino de Ribeirão Preto — AERP (antiga proprietária dos mesmos), com a finalidade exclusiva de servir as atividades educacionais da locatária, conforme contrato de locação firmado em 14/07/1997 (mesma data da instituição de usufruto), pelo valor mensal de RS 400.000,00 e pelo prazo de 20 (vinte) anos. Portanto, a partir de 14/07/1997, o valor mensal já mencionado sai do caixa da AERP e vai para o caixa da Fundação Fernando Eduardo Lee. Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Estes valores foram considerados pela fiscalização como vantagem indireta paga aos diretores da AERP, tributandoos como se fora remuneração paga a contribuintes individuais. Não posso deixar de dar razão à autuada. Não pode o fisco, mesmo que em ações fiscais distintas, tratar uma verba como aluguel e depois têla como se fora remuneração pelo trabalho. Se de fato ocorreu a irregularidade da autuada haver distribuído parcelas de seu patrimônio a seus dirigentes, essa situação poderia ensejar a perda da sua imunidade, mas não autoriza que se tribute tais verbas como remuneração por serviços prestados. Sequer o fisco conseguiu demonstrar que os valores relativos aos alugueis passaram ao patrimônio dos dirigentes da autuada, com a discriminação das quantias envolvidas. No meu sentir, mesmo que os valores fossem pagos diretamente aos proprietários dos imóveis, o fisco teria que demonstrar a existência de simulação na venda para os diretores, de modo a configurar que os pagamentos não seriam pela utilização dos imóveis, mas pela prestação de serviços dos diretores à entidade educacional. Entendo que nessa situação não foi cumprido o que determina o art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Autoridade Lançadora não conseguiu demonstrar com precisão os fatos geradores referentes aos pagamentos de remuneração aos diretores via recebimento de aluguéis pela Fundação Fernando Lee. Não há nos autos qualquer prova de que os valores foram direcionados aos diretores e muito menos quanto foi destinado a cada um deles. Nesse sentido, não vejo como manter o lançamento na parte relativa ao levantamento VD – VANTAGENS DE DIRETORES. Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir o levantamento VD – VANTAGENS DE DIRETORES. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15956.000144/201024 Acórdão n.º 2401003.421 S2C4T1 Fl. 1.656 9 Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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