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Numero do processo: 11686.000396/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir.
Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio..
PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE.
O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ.
DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 17/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de créditos presumidos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam, subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência de tais Contribuições necessário seja efetuado lançamento de oficio.. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. O crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04, só pode ser utilizados para a dedução de Pis e Cofins no mês de sua apuração, não podendo ser utilizado em pedido de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. Precedentes do STJ. DESPESAS PÓS PRODUÇÃO. MANIPULAÇÃO E PRESERVAÇÃO DE MERCADORIAS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não se equipara a despesa de armazenagem as despesas incorridas com manipulação de mercadorias destinadas a exportação, necessárias à manutenção de sua integridade física ou a seu embarque, incorridas na zona primária ou na zona secundária. Por falta de previsão legal, tais despesas não geram direito a crédito do PIS e da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 96 /2 00 8- 13 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de necessidade de lançamento quando a autoridade inclui valores na base de cálculo da exação, suscitada pelo conselheiro relator. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Walber José da Silva e Amauri Amora Câmara Júnior. O conselheiro Walber José da Silva fará declaração de voto. No mérito, negado provimento ao recurso voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, quando ao ressarcimento do crédito presumido; (ii) pelo voto de qualidade, quanto ao pleito do crédito das despesas objeto da glosa. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor, nesta parte. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 17/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Porto Alegre: Trata o presente processo de Pedidos Eletrônicos de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (Perdcomp) referentes a Cofins não cumulativa de exportação correspondente ao terceiro trimestre de 2006. Em 31/10/2006, foi transmitido pedido de ressarcimento (PER — n° 17453.02298.311006.1.1.097020) informando crédito no valor de R$ 5.503.133,21 para o período, sendo o valor passível de ressarcimento e objeto da solicitação R$ 3.204.162,34. Transmitida também declaração de compensação (Dcomp n° 13534.38259.311006.1.3.090080) na qual utiliza parte do valor, R$ 3.150.000,00, para a compensação de débito. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 4 3 Para examinar os valores dos créditos em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, foi realizada ação fiscal junto à interessada pela DRF em Porto Alegre, originando o Despacho Decisório n° 211/2009 (fl. 37) que reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 1.691.428,21, homologando a compensação até este valor. O Despacho Decisório foi emitido com base na Informação Fiscal das fls. 26 a 29. A diferença entre o crédito pleiteado e o reconhecido deveuse aos seguintes fatores. Em primeiro lugar, a interessada não incluiu na base de cálculo da contribuição os valores dos créditos presumidos de ICMS. Em segundo, por ter incluído no valor passível de ressarcimento o crédito presumido das atividades de agroindústria. Cita ainda, a Informação Fiscal, que a empresa aplicou alíquota indevida para o crédito de atividades agroindustriais, sendo, na compra de suínos vivos e de milho, aplicável a alíquota de 35%, e não 60%. Por fim, por ter calculado crédito indevidamente sobre despesas de capatazia, movimentação de carga e descarga e outras relacionadas, no item correspondente às "despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda". A empresa foi cientificada do Despacho Decisório, Informação Fiscal e cobrança dos valores indevidamente compensados em 06/07/2009 (fl. 42). A empresa apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade em 22/07/2009 (fls. 43 a 97), contestando todas as glosas efetuadas. Relativamente ao crédito presumido de ICMS, afirma que somente constitui receita, e portanto base de cálculo das contribuições para o PIS/Cofins, o ingresso de novos valores ao patrimônio da empresa. Como os créditos de ICMS não configuram esta situação, e sendo a empresa beneficiária de crédito presumido de ICMS sobre a comercialização de produtos alimentícios em operações interestaduais, considera incorreto o procedimento da sua inclusão como receita para o cálculo das contribuições. Argumenta que a RFB amplia o conceito legal e transcreve decisão do Conselho de Contribuintes favorável a sua tese. Já quanto à compensação indevida de crédito presumido de atividades agroindustriais, pretende fazer jus à utilização do benefício para as agroindústrias, conforme previsto na Lei n° 10.925/2004, já que tem por objetivo, dentre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais. A possibilidade de ressarcimento em dinheiro ou de compensar os saldos dos créditos veio através do artigo 16 da Lei n° 11.116/2005. A restrição tanto ao ressarcimento quanto à compensação teria sido ordenada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, reforçada pela Instrução Normativa SRF n° 636/2006, revogada pela IN SRF n o 660/2006. As restrições de disposições de Lei, assim implementadas via Ato Declaratório Normativo ou Instrução Normativa, afrontariam os princípios da legalidade, da não cumulatividade, da isonomia e da neutralidade da tributação. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 5 4 No que se refere à alíquota a ser aplicada sobre os insumos comprados para a agroindústria, entende que a Instrução Normativa SRF n° 660/06 modificou o estabelecido pela Lei n° 10.925/2004. Argumenta que uma Instrução Normativa não poderia alterar a alíquota estabelecida por Lei, direcionada às empresas produtoras dos produtos especificados (de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM), e não às que adquirem os produtos em questão como insumos. Contesta também a glosa de créditos referentes ao item correspondente às despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Descreve todas as atividades referentes aos valores glosados, em particular a capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco, correspondentes as mercadorias destinadas à exportação. Argumenta que são custos indispensáveis, sem os quais não há venda ou exportação. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão de ICMS da base de cálculo do tributo. cálculo do PIS e da do crédito presumido COFINS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. AGROINDÚSTRIA. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. A partir de 1° de agosto de 2004, os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue a sua compensação com os demais tributos ou o seu ressarcimento. PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos listados na legislação de regência, sendo considerados como insumos: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços Fl. 222DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 6 5 prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Vencido Quanto aos créditos das despesas pós produção. Voto Vencedor Quanto às demais matérias. Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima são três os tópicos a serem analisados no presente processo: (i) a reconstituição da base de calculo do PIS para fazêlo incidir sobre os créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus; (ii) a glosa dos créditos relacionados as despesas de frete na operação de venda, capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco; e, (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05; Para melhor entendimento trato pontualmente cada um dos itens acima listados. (i) a reconstituição da base de calculo do PIS para fazêlo incidir sobre os créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus A Fiscalização ao analisar o pedido de ressarcimentos de créditos decorrentes da não cumulatividade do PIS, entendeu por bem glosar parte dos créditos pleiteados sob o argumentos que a Recorrente deixou de incluir na base de cálculo da contribuição declarada e recolhida valores relativos aos créditos presumidos de ICMS que Recorrente faz jus. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 7 6 Independente da questão de se tratarem ou não de novas receitas nos termos da Lei 10.637/02, há tema de fundo que merece análise preliminar, qual seja, a modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação. A matéria tratada é de ordem publica, podendo ser conhecida de ofício pelo julgador administrativo, pois claramente ofende o principio da legalidade, afrontando o disposto nos 13, § I; 114, 115, 116, incisos te II, 142, 144 e 149, todos do Crédito Tributário Nacional. O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais tem reiteradamente se manifestado a respeito do tema, como na ementa abaixo transcrita: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO AO PIS NO REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS GERADOS. PEDIDO DE, COMPENSAÇÃO DOS CRÉDITOS COM OUTROS TRIBUTOS. FISCALIZAÇÃO PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO NO MESMO PERÍODO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A sistemática de creditamento da COFINS e do PIS não cumulativos não permite que, em pedido de compensação, seja sumariamente subtraída, do montante a ressarcir, a diferença de valores que a fiscalização considerar como recolhidos a menor, decorrentes da revisão da apuração da base de cálculo da contribuição. Se a fiscalização entende que valores como o de transferências de créditos de ICMS devem sofrer a incidência da Contribuição, tem de promover a sua exigência necessariamente por meio de lançamento de oficio, não podendo fazer a subtração sumária do crédito que o contribuinte utilizou para o pagamento de outros tributos, que ficariam a descoberto. Recurso Voluntário Provido. Do voto do eminente Conselheiro Ivan Alegretti, cito e adoto como razão de decidir o seguinte trecho: “Assim, por entender que o contribuinte teria deixado de fazer incidir a Contribuição ao PIS em relação aos valores correspondentes à venda de créditos de 1CMS, a Fiscalização utilizou parte do saldo de créditos para o pagamento do valor que corresponderia ao débito de PIS relativo à venda de créditos de ICMS. Na linha de manifestações anteriores deste Conselho, entendo que o procedimento é equivocado. A sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS não funciona tal como a sistemática de apuração do IPI, como parece pretender a Fiscalização. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 8 7 No caso do IPI se promove a escrituração de créditos e débitos para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre tais valores, obterse (a) ou um saldo credor que é transferido para aproveitamento no período subseqüente (b) ou um saldo devedor que implica em recolhimento do tributo. No caso do PIS e da COFINS a incidência e a apuração não dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência se dá sobre a receita ou o faturamento, determinando o valor devido, independente da existência de créditos que possam ser usados para redução deste valor. Com efeito, a única diferença da sistemática não cumulativa reside em permitir que "Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação (...)" (art. 3º da Lei n" 10,637/2002 e da Lei nº 10833/2003). É nítido, portanto, que os créditos gerados no sistema não cumulativo da COFINS e do PIS não compõem nem interferem na apuração da base de cálculo destas mesmas Contribuições. No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de PIS não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do crédito a titulo de "irregularidade", reduzindo o saldo de créditos — como meio indireto para promover a revisão e ampliação da base de cálculo da Contribuição, para o efeito de cobrança dos valores que entende devidos Se a Fiscalização entende que determinado valor recebido pelo contribuinte configura receita sujeita às referidas Contribuições, de modo que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito pelo meio próprio: o lançamento. Confirase, ademais, que o presente entendimento reitera a jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COF1NS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS DIFERENÇA A EXIGIR NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de 1CMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam ,subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência tias Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio.. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não .se aplicam os juros Sebe, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso provido em parte. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 9 8 (Acórdão 2031.1852, Recurso Voluntário nº 130.611, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS D.O.U de 06/06/2007, Seção I, pág. 49) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO. Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõese o lançamento para formalização da exigência tributária. pois a mera glosa de créditos legítimos do .sujeito passivo configura irregular compensação de oficio com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS NÃO CUMULATIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. 1NCABÍVEL. É incabível a atualização monetária do .saldo credor do PIS não cumulativo objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurvo Voluntário nº 140.760, PA nº 11065.002884/200511, Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, j. 22/07/2008) No mesmo sentido citamos ainda: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PIS/Pasep NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. ERRO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/Pasep . LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo não exime a autoridade fiscal de proceder ao lançamento de ofício para exigir eventual diferença da contribuição deduzida do valor do crédito para fins de ressarcimento. No caso, a autoridade fiscal limitouse a reduzir o valor do saldo a ressarcir mediante mero ajuste escriturai, aumentando o valor da contribuição ao PIS/Pasep diminuída do ressarcimento, em detrimento de lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário correspondente. RESSARCIMENTO PIS/PASEP REGIME NÃO • CUMULATIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o Artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento Recurso provido em parte Fl. 226DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 10 9 (Processo n° 11065.005339/200315. Recurso n° 134.005 Relator ODASSI GUERZONI FILHO. J 27/01/2007) Como se vê, é fato inconteste que, havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devido no mês é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não sendolhe permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação. Diante dos precedentes citados, entendo que as glosas decorrentes da não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS devem ser canceladas, e eventual discussão a cerca da incidência sobre as operações efetuadas pela Recorrente deverá ser tratada mediante lavratura de auto de infração. (ii) a glosa dos créditos relacionados as despesas de frete na operação de venda, capatazia, movimentação de carga e descarga, serviços de monitoramento e a taxa de risco A fiscalização negou o direito ao crédito decorrente dos fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para estabelecimentos de terceiros não clientes, nos seguintes termos: Examinandose os referidos dispositivos legais, concluise que as despesas glosadas (referentes a: estivas e capatazia, movimentação de carga e descarga e taxas vinculadas, de risco, braçagem e despesas relacionadas) não podem ser caracterizadas como gastos com insumos aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, razão pela qual não há como se admitir a apuração de créditos sobre esses dispêndios. Também não podem ser caracterizados como despesas com armazenagem, que é, no sentido dicionarizado da palavra, a ação de armazenar ou recolher mercadoria em um armazém. A lei 10.637/02 que dispõe sobre a nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), assim prescreve: Art. 3º Do valor apurado na firma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 227DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 11 10 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (..) § 3 O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliado no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. A Lei 10.833/03, que tratou da nãocumulatividade da COFINS, possui o mesmo dispositivo legal acima transcrito, tratando a matéria de forma igual. Do exame atento do art. 3° caput e parágrafo 1º das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, verificase que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas suportados pela empresa no decorrer de suas atividades. Ressalto que a chamada “não cumulatividade” do PIS e da COFINS não guarda qualquer simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS. Assim, a primeira diferença que destaco é de ordem jurídica: a sistemática “não cumulativa” do PIS e COFINS, diferentemente da existente para o IPI e o ICMS, não vem prevista na Constituição Federal e sim em lei ordinária. Outra diferença tem relação com o método da “não cumulatividade” formalmente erigido pelo legislador ordinário para o PIS e COFINS. Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03, optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo”, como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da cadeia de valor. Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas bases de créditos e débitos (valor dos bens e serviços) desde que sujeitos a tributação nesta etapa anterior. De outro lado, no caso do IPI, temos o método de crédito do imposto que determina que o calculo do crédito a ser utilizado leva em consideração o valor destacado de IPI na nota fiscal de aquisição dos insumos. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 12 11 Porém, a falta de melhor definição dos termos utilizados na Lei 10.637/02 e 10.833/03 acabou por permitir uma grande discussão a respeito do alcance da possibilidade de utilização dos créditos para abatimento das contribuições devidas. De um lado, a Receita Federal que procura restringir o direito ao crédito igualando a sistemática de apuração a do IPI, ou seja, somente dariam direito ao creditamento as aquisições de insumos que se consumirem ou se desgastarem no processo produtivo, e de outro, os contribuintes, buscando um alargamento deste conceito de insumo. A respeito do tema vale destaco recente decisão do Conselho Administrativo de Recurso Fiscal – CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado. (CSRF. Resp 248.457. Relator Henrique Pinheiro Torres Data Julgamento: 23/08/2010) Do voto do eminente Relator Henrique Pinheiro Torres transcrevo, pela relevância para o aqui discutido, o seguinte trecho: A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia Fl. 229DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 13 12 razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Após analisar o tema e os dispositivos legais relacionados, assim concluiu o nobre relator: Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Como se vê, a jurisprudência administrativa do CARF caminha a passos largos para um distanciamento cada vez maior da aplicação dos conceitos do IPI na apuração dos créditos de PIS e COFINS não cumulativo. No mesmo norte, decidiu a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF, de forma unânime, nos autos do processo 11020.001952/200622, de cuja ementa destacase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e COFINS deve ser entendido como toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI. Uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. (...) Recurso Voluntário provido em Parte. No judiciário a matéria também vem sendo amplamente discutida, merecendo destaque a posição firmada pela 1ª Turma do TRF 4ª Região, que por meio do acórdão de lavra do eminente Relator Leandro Paulsen, assim passou a decidir: TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. DISTINÇÃO. CONTEÚDO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003, ART. 3º, INCISO II. LISTA EXEMPLIFICATIVA. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 14 13 1. A técnica empregada para concretizar a não cumulatividade de PIS e COFINS se dá por meio da apuração de uma série de créditos pelo próprio contribuinte, para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS. 2. A coerência de um sistema de não cumulatividade de tributo direto sobre a receita exige que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. 3. Tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, digam ou não respeito à atividade que constitui seu objeto social, os créditos devem ser apurados relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. 4. O crédito, em matéria de PIS e COFINS, não é um crédito meramente físico, que pressuponha, como no IPI, a integração do insumo ao produto final ou seu uso ou exaurimento no processo produtivo. 5. O rol de despesas que enseja creditamento, nos termos do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, possui caráter meramente exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei. 6. O art. 111 do CTN não se aplica no caso, porquanto não se trata de suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (TRF4, AC 000000725.2010.404.7200, Primeira Turma, Relator Leandro Paulsen, D.E. 04/07/2012) Do corpo do acórdão, vale destacar os seguintes trechos: As contribuições PIS e COFINS não incidem sobre operações; incidem sobre a receita, que é apurada mês a mês. Não há destaque a transferência jurídica a cada operação. A solução legislativa adotada para consagrar a não cumulatividade, conforme mencionado anteriormente, é o estabelecimento da apuração de uma série de créditos pelo próprio contribuinte para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS. Mas o legislador não é livre para definir o conteúdo da não cumulatividade. Seja com suporte direto na lei ordinária (não havia vedação a isso) ou no texto constitucional (passou a haver autorização expressa), certo é que a instituição de um sistema de nãocumulatividade deve guardar atenção a parâmetros mínimos de caráter conceitual. A nãocumulatividade pressupõe uma realidade de cumulação sobre a qual se aplica sistemática voltada a afastar os seus efeitos. Lembrese que, forte na não cumulatividade, as alíquotas das contribuições foram mais do Fl. 231DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 15 14 que dobradas (de 0,65% para 1,65%, de 3% para 7,6%), de modo que os mecanismos compensatórios tem de ser efetivos. (...) Pois bem, para que se possa falar em nãocumulatividade, temos de pressupor mais de uma incidência. Apenas quando tivermos múltiplas incidências é que se justifica a técnica destinada a evitar que elas se sobreponham pura e simplesmente, onerando em cascata as atividades econômicas. Efetivamente, só se pode assegurar a apuração de créditos relativamente a despesas que, configurando receitas de outras empresas, tenham implicado pagamento de PIS e de COFINS anteriormente. E só podem apurar créditos aqueles que estão sujeitos ao pagamento das contribuições PIS e COFINS não cumulativas. De outro lado, contudo, tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, configurem ou não faturamento, ou seja, digam ou não respeito à atividade que constitui seu objeto social, impõese que se permita a apuração de créditos relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. É que, em matéria de PIS e de COFINS sobre a receita, com suporte na ampliação da base econômica ditada pela EC 20/98, não se pode trabalhar limitado à idéia de crédito físico. (...) A coerência de um sistema de nãocumulatividade de tributo direto sobre a receita exige que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. (…) Tenho que a solução está em atribuir ao rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 8.833/03 e da respectiva regulamentação (e.g., IN 404/04) caráter meramente exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei. Como se vê do bem estruturado e fundamentado voto acima transcrito, a primeira turma do TRF da 4ª Região passou a entender que o direito ao crédito tem intima relação com a base de calculo adotada (Receita Bruta), e que para garantia da não cumulatividade preconizada na Constituição Federal, estes deveriam ser calculados sobre todas as despesas necessárias para a obtenção da Receita Bruta. Esta interpretação contudo, ainda não pode prevalecer no âmbito administrativo pois envolve a declaração de inconstitucionalidade de diversos dispositivos das leis e decretos que passaram a reger o PIS e COFINS não cumulativos, sendo tal prerrogativa vedada ao julgador administrativo nos termos do art. 26 A do Decreto 70.235/72. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 16 15 Seguindo o raciocínio ditado pelas decisões já citadas, o direito ao crédito de PIS e COFINS relacionados aos custos e despesas incorridos pelas empresas, deverá sempre respeitar sua indispensabilidade ao processo produtivo em seu conceito mais amplo, devendo tal característica ser verificada caso a caso. Neste contexto, aplicandose a interpretação que entendo mais adequada, entendo que assiste razão em parte a recorrente. Passo então a analisar cada um dos itens glosados, para melhor enquadrálos dentro da atividade desenvolvida e de sua essencialidade para a produção dos bens da Recorrente. Os serviços de capatazia e de movimentação de carga e descarga estão assim definidos pela Recorrente: A Recorrente utilizase dos serviços de capatazia nas suas operações portuárias de vendas para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições uma vez que são utilizados como "insumos", nos termos da IN SRF no 404/2004. Além disso, caracterizam custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e para organização logística. (...) Na mesma linha que o serviço de capatazia, a Recorrente utiliza o serviço de carga e descarga nas suas operações portuárias de vendas das suas mercadorias para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições, já que são utilizados como "insumos", nos termos da IN SRF n o 404/2004. Além disso, caracterizam custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e para organização logística. Já no tocante as despesas de monitoramento e taxas de risco, a Recorrente assim as conceituou: Imperioso neste momento, tratar do serviço de monitoramento que ocorre no armazém localizado dentro do porto. Ao chegar na área portuária, a mercadoria é depositada nas câmaras frigoríficas localizadas no interior dos armazéns. Antes de proceder o transporte da mercadoria para dentro do navio, o produto é transferido para containeres refrigerados. (...) Quanto à taxa de risco, tratase de serviço que se encontra também vinculado à armazenagem, pois, o pagamento efetuado pela Recorrente se refere a um "seguro" que é exigido para o caso extremo de perda ou roubo da mercadoria ou ainda o seu perecimento enquanto esta estiver armazenada dentro do armazém. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 17 16 Como se depreende da leitura dos conceitos acima transcritos, as glosas de despesas analisadas e expressamente impugnadas dizem respeito à despesas incorridas na fase de armazenamento e transporte para a exportação das mercadorias produzidas pela Recorrente. O art. 3 das Lei 10.637/02 e 10.833/03 expressamente permitiu o creditamento das despesas relacionadas ao armazenamento de mercadorias e do frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em relação ao ônus não há lide, uma vez que induvidoso que este recaiu sobre a Recorrente. A celeuma instaurada exige que se é decida sobre qual a amplitude que se pode conferir a determinação que autoriza o creditamento das despesas de armazenagens de mercadorias nas operações de venda. Temse defendido exaustivamente que somente seria possível o creditamento de despesas relacionadas ao processo produtivo. E os argumentos são os mais diversos. Contudo, a própria legislação tratou de conferir algumas exceções como no caso do armazenamento de mercadorias para a venda, que inquestionavelmente não esta relacionado diretamente a produção da mercadoria. Diante deste impasse, deve o interprete procurar identificar na norma qual a seu melhor enquadramento, e no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo maior incidência tributária. Dentro deste contexto me parece correto afirmar que todas as despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda podem gerar direito a crédito, motivo pelo qual reconheço tal possibilidade em relação aos serviços de capatazia, movimentação de carga e descarga e os serviços de monitoramente das mercadorias.. Já em relação as despesas de taxa de risco, que segundo a Recorrente se enquadra na categoria de seguro, entendo que não há direito ao credito posto que sua essencialidade, no ponto de vista deste relator, bem como sua relação com a armazenagem dos produtos é bastante relativa. (iii) a limitação ao ressarcimento e a compensação do credito presumido estabelecido pelo art. 8º da Lei 10.925/05 Entre os valores a serem utilizados nas compensações realizadas a recorrente incluiu a parcela excedente dos créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei 10.925/05. Assim prescreve citado dispositivo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos Fl. 234DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 18 17 códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Neste ponto também não assiste razão a Recorrente. A legislação é clara ao afirmar que o crédito presumido poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração. Assim, me parece correto afirmar que os valores do crédito presumido não podem ser utilizados em pedidos de ressarcimento ou de compensação de períodos diversos de apuração. A propósito, esta também é a interpretação uníssona da Primeira Seção do STJ, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N.10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1240954 / RS. Relator. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 21/06/2011) Fl. 235DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 19 18 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, Documento: 15843758 RELATÓRIO, EMENTA E VOTO Site certificado Página 7 de 8 Superior Fl. 236DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 20 19 Tribunal de Justiça efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010). Assim, em que pese os argumentos e fundamentos lançados no Recurso Voluntário, está correta a decisão exarada pela DRJ de Porto Alegre neste aspecto. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Voto Vencedor Quanto aos créditos das despesas pós produção. Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fui designado para redigir o voto vencedor relativo às glosas de créditos das despesas pós produção que não se enquadram no conceito de custo de produção e não são despesas de armazenagem de mercadoria e de frete na operação de venda, para as quais existe Fl. 237DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 21 20 autorização legal para a utilização de crédito. No presente processos tratase das despesas com serviços de capatazia, monitoramente de mercadorias e movimentação de carga e descarga, que o Ilustre Conselheiro Relator considera “despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda”, com direito a crédito. As despesas com “taxa de risco” o Ilustre Conselheiro Relator entendeu que não geram direito ao crédito do PIS e da Cofins. Neste particular não há reparos a fazer no seu voto. Aqui acompanho o Ilustre Conselheiro Relator. No entanto, e com toda a vênia, sou obrigado a discordar do Ilustre Conselheiro Relator quando equipara à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação citada no acórdão recorrido, as despesas com capatazia, movimentação de cargas e descarga e monitoramento de mercadorias, para fins de reconhecer o direito ao crédito de PIS e de Cofins. Como bem disse a decisão recorrida, o direito ao crédito relativo à despesa com armazenagem de mercadorias está previsto no artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi. [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No caso sob exame, tratase de despesas portuárias incorridas pela Recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, tais despesas não se confundem com despesas de armazenagem de mercadorias. Pelas informações prestadas pela Recorrente, não é possível sequer afirmarse que as mercadorias manipuladas (serviços de capatazia e de movimentação de cargas e descarga) ou monitoradas estavam (ou foram) armazenadas ou não em depósitos dentro do porto de embarque. Mesmo que estivessem armazenadas, o serviço de armazenagem é distinto dos demais serviços prestados dentro do recinto alfandegado do porto de embarque das mercadorias. Diz o Ilustre Conselheiro Relator, no que concordo, que “deve o interprete procurar identificar norma sob análise qual o seu melhor enquadramento” para concluir, no que não concordo, que “no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo maior incidência tributária”. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 22 21 Não concordo com essa conclusão por vários motivos. Primeiro, ao instituir a exceção à regra geral, criando o direito ao crédito de despesa pós produção de “armazenagem de mercadorias”, o legislador não se referiu unicamente à armazenagem de mercadorias destinadas à exportação. Segundo, além do serviço de armazenagem de mercadorias, existem vários outros serviços (e conseqüente despesas) vinculados à operação de exportação de mercadorias, que são genericamente conhecidos como serviços portuários, e são, obrigatoriamente, utilizados pelos exportadores, acarretando várias despesas para o exportador. São despesas incorridas dentro da zona primária. Quisesse o legislador conceder crédito para esses outros serviços portuários, teria feito alguma referência a eles; Terceiro, o legislador não fez nenhuma referência ao crédito de outros serviços empregados em mercadorias prontas e armazenadas. O fato das mercadorias estarem armazenadas não implica que os serviços necessários, por exemplo, à manutenção de sua integridade ou de suas qualidades intrínsecas, gerem direito a crédito. Tais serviços existem também quando as mercadorias prontas estão estocadas dentro do estabelecimento produtor e, nem por isto, gera direito a crédito. Não vejo como equiparar as despesas acima referidas à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação do PIS e da Cofins. Por fim, acompanho o Ilustre Conselheiro Relator quanto às demais matérias de mérito, cujos fundamentos do voto ratifico e adoto integralmente como se aqui estivessem escrito. Lembro que fui vencido quanto à preliminar levantada pelo Relator. Sobre este ponto, fiz declaração de voto. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto Fl. 239DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 23 22 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA. Quanto à preliminar de modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação, suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator, não o acompanho pelas razões que passo a discorrer. Os valores de natureza tributária a restituir ou a ressarcir pela Fazenda Nacional são espécies de despesa pública. E o pagamento de despesa pública somente pode ser realizado após a sua regular liquidação, por expressa determinação do art. 62 da Lei nº 4.320/64. E o disposto nos art. 165 e 170 do CTN é compatível com essa regra. E a liquidação da despesa pública está definida no art. 63 da Lei nº 4.320/64, ou seja, é o procedimento tendente a verificar a existência do direito do credor e a apuração da origem e objeto do que se deve pagar e da importância exata a pagar, bem como a identificação da pessoa a quem se deve pagar. A primeira conclusão que se tira desses dispositivos legais é que a atividade de liquidação da despesa é uma atividade privativa da administração pública. A segunda conclusão que se tira é que somente despesas líquidas podem ser pagas. Uma terceira constatação óbvia é que a legislação tributária que trata da restituição, do ressarcimento e da compensação não se contrapõe e nem altera os arts. 62 e 63 da Lei nº 4.320/64. Ao contrário, a eles se integra na medida em que estabelece regras para o credor contestar tanto a existência do direito pleiteado como “o exato valor” da despesa de restituição e de ressarcimento apurado pela autoridade administrativa competente. Dito isto, passemos à apreciação das razões da preliminar levantada pelo Ilustre Conselheiro Relator. O Ilustre Conselheiro Relator entende que a autoridade administrativa incumbida de apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado não pode proceder “modificação da base de cálculo do tributo em sede de declaração de compensação”. Para ele, constatando erro de apuração da base de cálculo, deve a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, não lhes sendo permitido, em substituição ao lançamento, “promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação”. Com as devidas vênias, ouso discordar desse entendimento porque, em primeiro lugar, há sim permissão legal (arts. 62 e 63 da Lei nº 4.320/64) para a autoridade administrativa incumbida de efetuar o pagamento da despesa publica, de restituição ou de ressarcimento, apurar, reconhecer e pagar valor diferente do pleiteado pelo credor, sem nenhuma restrição legal à forma de proceder a apuração do exato valor a restituir. Antes de avançar na discussão, é necessário deixar claro, mesmo sendo repetitivo, que a lei permite o pagamento e a compensação exclusivamente de créditos líquidos e certos de terceiros contra a Fazenda Nacional. Os crédito incertos ou ilíquidos contra a Fazenda Nacional não podem ser objeto de extinção por pagamento ou por compensação com débito do credor. Em conseqüência das disposições legais acima, qualquer que seja o motivo que levou a autoridade administrativa a reconhecer o crédito do contribuinte em valor inferior ao pleiteado, ela não pode efetuar o seu pagamento, ou a sua compensação, no valor pleiteado Fl. 240DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 24 23 pelo contribuinte, sob pena de violenta agressão ao art. 62 da Lei nº 4.320/64, devendo responder administrativamente pelo delito cometido. No caso de despesa relativa a ressarcimento ou restituição de créditos de natureza tributária, ou relativo a incentivos fiscais de natureza financeira, todo o procedimento administrativo é passível de contestação, como acima se disse. Aqui chegamos em uma “encruzilhada” jurídica: o que fazer quando no procedimento de liquidação do crédito pleiteado a autoridade administrativa fazendária entende que o contribuinte apurou a menor a base de cálculo do tributo envolvido no seu pedido, com reflexos no valor a restituir, a ressarcir ou a compensar? Deve ou não a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, pelo lançamento, resultante da apuração de diferença na base de cálculo ou na alíquota da exação? Quais são os efeitos no valor total objeto de pedido de restituição, de ressarcimento ou de compensação, havendo ou não lançamento? Quais são os efeitos no valor a restituir, a ressarcir ou a compensar não afetado pela diferença de base de cálculo, se a autoridade efetuar ou deixar de efetuar o lançamento? Começando a responder pela última questão acima, entendo que o fato de existir parcela controversa no valor ou no direito objeto do pedido do contribuinte em nada afeta o direito ao crédito e o valor reconhecidamente líquido pela administração, podendo este ser pago regularmente. É que aconteceu no caso dos autos, onde a parcela incontroversa já foi paga via compensação. Quanto aos efeitos no valor total objeto de PER/DCOMP, havendo ou não lançamento de diferença apurada e decorrente de majoração da base de cálculo ou da alíquota aplicada, entendo que também em nada afeta o direito ao crédito e o valor pleiteado. E não tem nenhum efeito porque, imediatamente, a autoridade administrativa só está autorizado a pagar o valor líquido da dívida da Fazenda Nacional. A parte litigiosa a lei não permite o seu pagamento, como acima se viu. Se não houver o lançamento, a parcela controversa do pedido do contribuinte será decidida pelo rito do PAF no próprio processo do PER/DCOMP. Havendo o lançamento, a parcela controversa será discutido ou no processo do PER/DCOMP ou no processo do auto de infração ou notificação de lançamento ou, ainda, em ambos, simultaneamente (o que não é, tecnicamente, correto). Em qualquer caso, reconhecendo a administração a improcedência do lançamento ou da glosa (no PER/DCOMP) a parcela reconhecida será paga ao contribuinte. A segunda questão (deve ou não a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, pelo lançamento, resultante da apuração de diferença na base de cálculo ou na alíquota da exação) é deveras controversa. Pela Nota Técnica nº 9 Cosit, de 15/02/2012, a RFB analisou a matéria para concluir, de forma dúbia, pela necessidade do lançamento, dentro do prazo decadencial, e pela dispensa do lançamento, após o prazo decadencial. É verdade que não existe norma legal tratando, objetivamente, desta matéria. No entanto, pelas razões acima exposta e tendo em mira a objetividade e a efetividade do processo administrativo, especialmente o fiscal, devese trilhar pelo caminho mais célere e mais vantajoso para o contribuinte. Na situação sob exame, a lavratura do auto de infração, ou da notificação de lançamento, me parece um procedimento estéril, servindo, no máximo, para criar constrangimentos e despesas para contribuinte. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11686.000396/200813 Acórdão n.º 3302001.737 S3C3T2 Fl. 25 24 Para ilustrar nosso entendimento, partimos de um caso bem simples: um pedido de restituição de PIS pago a maior que, no curso da diligência fiscal, foi constatado que a empresa não incluiu na base de cálculo o valor de uma receita de venda de serviços e que, após a inclusão dessa receita na base de cálculo do PIS, ainda resultou em pagamento indevido a ser restituído ao contribuinte. Para uma maior clareza, vamos supor que o valor da restituição pedida pelo contribuinte foi de R$ 1.000,00 e, após a inclusão da receita de venda de serviços na base de cálculo do PIS, a RFB apurou um valor a restituir de R$ 700,00. Lavrando ou não auto de infração ou notificação de lançamento, e independente de manifestação de inconformidade do contribuinte, inicialmente a RFB só pode efetuar o pagamento da restituição de R$ 700,00 e, de fato, efetua o pagamento desse valor. O contribuinte entende, por qualquer razão, que sua receita de prestação de serviço não integra a base de cálculo do PIS e contesta a decisão do Delegado da RFB. Supondo que a RFB efetuou o lançamento do crédito tributário, no valor original de R$ 300,00 e com multa de ofício e juros de mora, e o contribuinte contestou o lançamento e o despacho decisório que deferiu, em parte, o seu pedido de restituição. As duas contestações têm o mesmo objeto. As contestações do contribuinte (impugnação e manifestação de inconformidade) podem ser consideradas procedentes ou não (para simplificar o raciocínio). Sendo procedentes as contestações, o lançamento será cancelado e a restituição do valor original de R$ 300,00 será efetuada. Sendo improcedentes as contestações, não há crédito adicional a restituir e, também, não há como exigir da recorrente o pagamento do crédito tributário lançado, inclusive a multa de ofício, em face da existência de pagamento anterior à efetivação do lançamento. O crédito lançado está extinto por pagamento anterior ao lançamento. Num caso e no outro, o lançamento efetuado não se presta para exigir o pagamento de crédito tributário, que é a sua finalidade precípua. Para que serve o ato administrativo que não se presta a cumprir a sua finalidade? Respondo: não serve para nada! É inútil! Portanto, absolutamente desnecessário. O mesmo raciocínio acima aplicase no caso de ressarcimento de créditos do IPI, do PIS não cumulativo e da Cofins não cumulativa, onde os valores glosados são abatidos dos créditos legítimos do contribuinte. Com estes fundamentos, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada pelo Ilustre Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 242DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 13749.000511/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/08/2010
ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO.
A isenção de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores está condicionada, de acordo com o art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 03, de 02/05/2007 e o art. 60 da Lei nº 9.069/95, à apresentação de certidão conjunta, emitida pela RFB e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), com informações da situação do sujeito passivo quanto aos demais tributos federais e à Dívida Ativa da União, por elas administrados. Inexistindo regularidade fiscal por parte do requerente, é de se indeferir a fruição do favor fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, vencido o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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IPI. DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores está condicionada, de acordo com o art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 03, de 02/05/2007 e o art. 60 da Lei nº 9.069/95, à apresentação de certidão conjunta, emitida pela RFB e ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com informações da situação do sujeito passivo quanto aos demais tributos federais e à Dívida Ativa da União, por elas administrados. Inexistindo regularidade fiscal por parte do requerente, é de se indeferir a fruição do favor fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, vencido o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 05 11 /2 01 0- 18 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase da aquisição de veículos destinados a pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com as alterações da Lei nº 10.182, de 2001, dos arts. 2º, 3º e 5º da Lei nº 10.690, de 2003, e da Lei nº 10.754, de 2003. O pleito foi indeferido, tendo em vista o disposto no art. 60 da Lei nº 9.069/95 c/c §1º, art. 3º, da IN RFB 988/09 (débito em cobrança na PGFN). O Recorrente apresentou reclamação nos seguintes termos: Busca o agente fiscal fazer desacreditada afirmação do Requerente, de que teria requerido os benefícios da Lei 11941/09, por não constarem dos autos nenhuma demonstração do fato (nunca solicitado) e que ora se comprova com a juntada do recibo do pedido de parcelamento (de 14/10/2009) e da comprovação do pagamento inicial de DARF nele mencionada. Assinalese que antes o Requerente vinha pagando regularmente as parcelas de seu débito (o que se comprova pelo contido às fls.2 da inscrição do débito, mais os DARFs dos pagamentos – anexos 5 a 8), quando, em visita à PGFN em Petrópolis, em setembro de 2009, conheceu da nova possibilidade de parcelamento e solicitouo, vindo desde então, como orientado, pagando DARFs específicos, no valor de R$ 50,00 cada (anexos 9 a 25), no aguardo de ser informado sobre a consolidação de seu débito e de seu respectivo parcelamento. Juntase ainda a este respeito, correspondência eletrônica para/de PGFN – Petrópolis (anexo 26), confirmando a orientação. É de se considerar pois estar a Requerente regular e adimplente com suas obrigações para com a PGFN. Arguise, no caso o Ato Declaratório CORAT 37/2003, em que se assegura a Certidão Positiva com efeito de Negativa nos casos de parcelamento de débitos para com a Dívida Ativa da União, no âmbito da PGFN. Vejase dos elementos coletados e juntados ao processo pelo agente fiscal que não há nenhuma outra pendência, fiscal ou tributária apontada ao Requerente. Quanto à Certidão Conjunta (PGFN e RFB) buscada, como demonstrado à fl.21, vêse que sequer a RFB a obteve, qual sucedeu com o Requerente, sendolhe indicado que deve dirigir se à unidade da PGFN de seu domicílio, ou seja, a de Petrópolis. Lamentavelmente há dificuldade intransponível ao Requerente para fazêlo, por dificuldade de locomoção, por falta justamente do veículo, cuja aquisição se pretende neste Processo. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13749.000511/201018 Acórdão n.º 3301001.886 S3C3T1 Fl. 124 3 Ao examinar o feito, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do fato gerador: 25/08/2010 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores está condicionada, de acordo com o art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB 03, de 02/05/2007, à apresentação de certidão conjunta, emitida pela RFB e ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com informações da situação do sujeito passivo quanto aos demais tributos federais e à Dívida Ativa da União, por elas administrados. Inexistindo regularidade fiscal por parte do requerente, é de se indeferir a fruição do favor fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Segundo o i. Relator, no caso presente, não teria logrado êxito o interessado em obter a certidão em questão, e não poderia ser diferente. Se por um lado houve sim pedido de ingresso no parcelamento instituído pela Lei no 11.941/09, por outro houve inadimplemento no que refere à obrigatoriedade de manifestação acerca da inclusão dos débitos nas modalidades de parcelamento para as quais tenha feito opção na forma da Portaria Conjunta PGFN/RFB no 6, de 22 de julho de 2009. Quer dizer, teria sido descumprida exigência que daria seqüência ao parcelamento em questão, o que impediria o reconhecimento da regularidade fiscal pela presença débito com certidão ativa ajuizada. Assim, o pleito de isenção do contribuinte foi indeferido pela inexistência de comprovação da regularidade fiscal a que alude §1o, do art. 3o da IN RFB no 988/2009 c/c Portaria Conjunta PGFN/RFB no 3, de 2/5/2007. Irresignado, o interessado apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, além dos pontos trazidos em sua reclamação, os seguintes argumentos, em síntese: (i) o condicionamento da concessão da isenção à apresentação da certidão de regularidade fiscal seria ilegal, uma vez que a Lei nº 8.989, de 1995, em seu art. 3o não faz essa exigência; (ii) as condições previstas naquela lei seriam apenas as constantes dos parágrafos do seu art. 1o; (iii) a deficiência física do Recorrente seria fato incontroverso; (iv) diversos julgados dos Tribunais orientariamse segundo sua tese; (v) a multa eleitoral, objeto do óbice à sua certidão de regularidade fiscal não é tributo o que também representaria ilegalidade à exigência fiscal. Este é o breve relato. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira Apresentado tempestivamente e por parte legítima, merece conhecimento o Recurso Voluntário. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A controvérsia prendese à verificação da legalidade da exigência de regularização da situação fiscal do Recorrente como requisito para deferimento de isenção de IPI para aquisição de veículos automotores por portadores de deficiência física. Para efeito de concessão de isenção do IPI na aquisição de veículo automotor por deficiente físico, assim dispõe a Lei 8.989/1995: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (Vide art 5º da Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) IV pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) §1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) Art. 3o A isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei. O artigo 5º da Lei 10.690/2003 ainda diz que: Art. 5o Para os fins da isenção estabelecida no art. 1o da Lei no 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, com a nova redação dada por esta Lei, os adquirentes de automóveis de passageiros deverão comprovar a disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido. À primeira vista, dos excertos supra reproduzidos, o único requisito previsto na lei para a fruição do benefício da isenção seria a aquisição do veículo por pessoa portadora de deficiência física, não havendo qualquer exigência adicional e nem mesmo remissão a posterior regulamentação pela Administração tributária. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13749.000511/201018 Acórdão n.º 3301001.886 S3C3T1 Fl. 125 5 Ocorre que a DRJ de Juiz de Fora/MG amparou a sua decisão denegatória da isenção na inexistência de comprovação da regularidade fiscal a que alude §1o, do art. 3o da IN RFB no 988/2009 c/c Portaria Conjunta PGFN/RFB no 3, de 2/5/2007. O art. 3º, §1º, da IN RFB 988/2009 assim prevê: Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, formulário de requerimento, conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da RFB de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat): (...) § 1º A autoridade de que trata o parágrafo único do art. 1º verificará a regularidade fiscal relativa aos tributos e contribuições administrados pela RFB e à Dívida Ativa da União, observado o disposto na Portaria Conjunta RFB/INSS nº 2, de 27 de abril de 2009. De acordo com o art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB 03, de 02/05/2007: Art.1º. A prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional será efetuada mediante apresentação de: (...) II – certidão conjunta, emitida pela RFB e ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com informações da situação do sujeito passivo quanto aos demais tributos federais e à Dívida Ativa da União, por elas administrados. Tenho conhecimento de que há vários julgados de Tribunais Regionais Federais no sentido de que a exigência de apresentação de certidão de regularidade fiscal nesse mostrarseia ilegal, na medida em que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são balizados pelo comando que decorre da lei e a Lei n° 8.989/95 não exige a regularidade fiscal. Muitos deles foram trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal. Ocorre que, pela interpretação sistemática da legislação federal, constatase que o art. 3º, §1º, da IN RFB 988/2009 tem fundamento de validade – não na Lei n° 8.989/95 – mas no art. 60, Lei nº 9.069, de 1995, que assim estabelece: A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. E, como é cediço, apesar de a autoridade administrativa possuir competência para julgar e emitir juízos de valor sobre determinado caso concreto e aplicar a norma legal que Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 entende aplicável, não possui, todavia, competência para verificar se determinada lei está em conformidade com a Constituição, a ponto de negarlhe a aplicação. De fato, o art. 26A, caput, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com hierarquia de lei ordinária federal, prevê que “no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Nessa linha, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF –, Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê, em seu art. 62, que fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A orientação foi inclusive sumulada na esfera do processo administrativo fiscal federal: “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF nº 2).1 Observese que a exigência da apresentação da Certidão Negativa de Débitos, por parte da Administração, para o recebimento dos incentivos fiscais é preceito legal e constitucional, à qual deve se sujeitar o contribuinte colhido pela norma. Conforme leciona Roque Antonio Carrazza “exceção feita aos casos de imunidade (previstos na própria Constituição), os incentivos fiscais que se traduzem em mitigações ou supressões de carga tributária só são válidos se, observados os limites constitucionais, surgirem do exercício ou do nãoexercício da competência tributária da pessoa política que os concede” (in Curso de Direito Constitucional Tributário, Editora Malheiros, 20ª Edição, p. 783). Assim, entendese legítima a exigência da apresentação de Certidão Negativa de Débitos, para o recebimento do incentivo, feita pela pessoa política tributante, providência que independe de se caracterizar a isenção em subjetiva ou objetiva, pois vinculada ao cumprimento de requisitos previamente exigidos, portanto, modalidade de isenção condicionada. O sentido da norma é privilegiar e conferir meios que possibilitem a administração fiscalizar e aplicar o regramento fiscal, objetivando o pagamento dos tributos, diante do regular exercício de competências que as autoridades administrativas recebem da legislação tributária. Por isso, a prova de regularidade fiscal é exigida dos interessados para a habilitação em licitações, convênios, acordos, ajustes etc., celebrados por órgãos e entidades da Administração, bem como para obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios a serem concedidos. Essa é a posição do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DECORRENTES DO PROGRAMA POLÍTICA DE PREÇO NACIONAL EQUALIZADO AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE CERTIDÃO NEGATIVA DA RECEITA 1 A mencionada súmula foi formulada com base nos seguintes acórdãos paradigmas: Acórdão nº 10194.876, de 25/02/2005; Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004; Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004; Acórdão nº 108 06035, de 14/03/2000; Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003; Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003; Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004; Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004; Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005; Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13749.000511/201018 Acórdão n.º 3301001.886 S3C3T1 Fl. 126 7 FEDERAL, DO INSS, DO FGTS E DA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. DESNECESSIDADE. [...] 7. Segundo as disposições em comento, no que interessa para a presente lide, exigese prova de regularidade fiscal somente dos interessados para a habilitação em licitações, convênios, acordos, ajustes e outros instrumentos congêneres celebrados por órgãos e entidades da Administração, bem como para a obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal. 8. O crédito de que trata a presente ação, entretanto, não se enquadra em nenhuma das hipóteses referidas, pois, como bem ressaltou a Corte de origem, o valor decorrente da equalização de custos de canadeaçúcar constitui simples ressarcimento às usinas pelo valor que tiveram de pagar aos produtores de matériaprima, e que não foram ressarcidos na época devida pela União. 9. O referido crédito não representa nenhum subsídio financeiro ou incentivo fiscal concedido diretamente às indústrias do setor sucroalcooleiro, mas simples ressarcimento de valores que o referido setor pagou aos produtores de canadeaçúcar, em cumprimento ao Programa Política de Preço Nacional Equalizado Açúcar e Álcool. [...] (REsp 833992∕DF, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07∕10∕2008, DJe 29∕10∕2008) TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ISENTA DE IMPOSTO. DESEMBARAÇO. EXIGÊNCIA DE CND. RETENÇÃO DE MERCADORIA. MECANISMOS LEGAIS PARA CONCESSÃO DE ISENÇÃO E OBRIGAR A QUITAÇÃO DE TRIBUTOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A isenção legal prevista no regramento da Lei 8.032/90, quanto ao imposto de importação, sofre condicionamentos especiais para sua concessão, frente às disposições trazidas pelas Leis 8.036/90, 8.212/91 e, principalmente, a Lei 9.069/95, no art. 60, in verbis: “A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais”. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 2. O princípio da legalidade informa que a exigência da CND pela autoridade fiscal para comprovar a regularidade tributária e conceder o benefício isentivo, ainda que em detrimento do desembaraço aduaneiro, encontra amparo no art. 194 e parágrafo único, da Norma Geral Tributária, in verbis: “Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal.” 3. O Código Tributário Nacional privilegia e confere mecanismos que possibilitem a administração fiscalizar e aplicar o regramento fiscal, objetivando o pagamento dos tributos, diante do regular exercício de competências que as autoridades administrativas recebem da legislação tributária. 4. A prova de regularidade fiscal é exigida somente dos interessados para a habilitação em licitações, convênios, acordos, ajustes etc., celebrados por órgãos e entidades da Administração, bem como para obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios a serem concedidos. (Precedente RESP 833.992/DF, julgado em 07.10.2008, DJ. 29.10.2008). [...] (REsp 1074121/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2009, DJe 14/12/2009) Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso, para manter a decisão da DRJ pelos seus próprios fundamentos. É como voto. Bernardo Motta Moreira Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10875.908205/2009-46
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto do relator. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Presidente e Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Mara Cristina Sifuentes, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8ª Turma da DRJ Campinas (fls. 63/67), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu os argumentos objeto da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação declarada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 20 5/ 20 09 -4 6 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908205/200946 Resolução nº 3802000.124 S3TE02 Fl. 102 2 homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP alicerçada em suposto pagamento a maior de COFINS, declaração a qual não foi homologada tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório foi integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformada, a interessada formalizou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese, que o crédito seria decorrente do pagamento a maior efetuado em 14/02/2003. Ressalta, ainda, que a RFB não se aprofundou na análise da questão, pois acaso houvesse requisitado esclarecimentos do contribuinte teria constatado o equívoco deste e procedido à retificação de ofício da DCTF, haja vista não mais ser possível a citada retificação através do programa próprio, posto já haver excedido o prazo de cinco anos nos quais é admitida a utilização do aludido programa. Assevera que se porventura os esclarecimentos que viessem a ser fornecidos fossem insuficientes, necessário seria que a Delegacia de Julgamento determinasse o diligenciamento na empresa para aferição da absoluta procedência do pleito. Ressalta que seu direito está amparado nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. A título de comprovação do crédito apresentou cópia de DARF e da DCTF do período (parcial), solicitando, ao final, a homologação da compensação pretendida. Ao examinar a questão, a DRJ Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado (artigo 170 do CTN), já que o sujeito passivo não apresentou qualquer demonstrativo, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao direito aduzido. Quanto ao pedido de diligência, o mesmo foi indeferido sob o argumento de que o momento de apresentação de provas é quando da formalização da impugnação, precluindo o direito de a manifestante fazêlo em outro momento processual, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como por não constar dos autos nenhuma apuração ou outro indício que indicasse pagamento indevido ou a maior que desse suporte ao crédito tributário aproveitado. Cientificada da referida decisão em 08/02/2012 (vide AR às fls. 69 do processo eletrônico), a interessada, em 08/03/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 72/79, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal relativamente à legitimidade do crédito, tendo aduzido, adicionalmente, que o indeferimento da diligência na primeira instância prejudicou a instrução processual e a formação de convicção dos julgadores, razão pela qual requer “seja determinada a diligência indeferida, pois, desta forma, restará confirmada a efetiva base de cálculo do tributo no período de apuração aqui em questão”. Acosta aos autos planilhas demonstrativas de cálculo (fls. 82/88), cópias parciais da DCTF e da DIPJ do período (aparentemente, das declarações originais) – fls. 89/94, e cópias Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908205/200946 Resolução nº 3802000.124 S3TE02 Fl. 103 3 de DARF (fls. 95/98). Requer, por fim, a homologação da compensação pretendida ou, alternativamente, seja o julgamento convertido em diligência com fito na comprovação da legitimidade dos cálculos apresentados pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A decisão de primeira instância entendeu por bem não acolher a manifestação de inconformidade da interessada em vista da não comprovação da liquidez e da certeza do crédito destinado a compensação via DCOMP. Com efeito, a DRJ Campinas se alicerçou na falta de um conjunto probatório capaz de comprovar o pagamento indevido aduzido pelo sujeito passivo. Ressaltou que a interessada não apresentou “nenhuma apuração, documentação ou outro indício que indicasse o pagamento indevido ou a maior [...]”. De fato, a suplicante, naquela instância, não acostou ao autos nenhum demonstrativo ou documento que comprovasse o reclamado pagamento indevido necessário a dar suporte à compensação pleiteada. Nesta segunda instância a recorrente apresenta demonstrativo de cálculo das receitas financeiras do período, já que o suposto pagamento a maior seria decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobre essa questão, de fato, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, “no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada”. Posteriormente, o mesmo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.2351/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema. Aludida decisão há que ser observada pelos conselheiros deste CARF, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 62 do Anexo II do Regimento deste Conselho, e, notadamente, em seu artigo 62A, segundo o qual “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, quanto ao direito substancial invocado, há plausibilidade no pleito da recorrente, já que, diante da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é indevido o pagamento das contribuições (PIS ou COFINS) sobre as receitas financeiras. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10875.908205/200946 Resolução nº 3802000.124 S3TE02 Fl. 104 4 Concernente aos demonstrativos anexados pela interessada, consta da primeira planilha (fls. 82) que as receitas financeiras do mês de janeiro/2003 correspondem a R$ 1.698.725,10, sobre cujo valor, se aplicada a alíquota da COFINS, chegase ao montante do crédito aduzido, qual seja, R$ 50.961,75. As rubricas que compõem o total das receitas financeiras constam da tabela de fls. 88. Nesta, contudo, observase que alguns dos registros geram dúvida quanto à legitimidade de seu enquadramento como receitas financeiras. Tal questão, merece ser analisada pela unidade preparadora. Da Conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se a base de cálculo declarada das receitas financeiras corresponde à contabilizada na escrituração da contribuinte, atentando para a natureza das rubricas discriminadas na tabela de fls. 88, notadamente: “outras receitas”, “descontos s/pagamentos Farma” e “remuneração de cobrança”. Instruído o processo com os esclarecimentos necessários, e intimado o contribuinte do resultado da diligência para sua eventual manifestação, deverão os autos ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala de Sessões, em 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003760/2007-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO.
Os embargos de declaração não são cabíveis para reexaminar matéria já devidamente equacionada. As alegações de defesa devem ser trazidas desde a impugnação, sob pena de preclusão, não servindo os embargos para possibilitar a apreciação de matérias veiculadas apenas no recurso voluntário.
Numero da decisão: 1103-000.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em admitir parcialmente os embargos de declaração para, no mérito, negar-lhes provimento, ratificando-se o dispositivo do Acórdão nº 1103-00.716/2012. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator, no mérito, pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. Os embargos de declaração não são cabíveis para reexaminar matéria já devidamente equacionada. As alegações de defesa devem ser trazidas desde a impugnação, sob pena de preclusão, não servindo os embargos para possibilitar a apreciação de matérias veiculadas apenas no recurso voluntário.
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OBSCURIDADE. OMISSÃO. Os embargos de declaração não são cabíveis para reexaminar matéria já devidamente equacionada. As alegações de defesa devem ser trazidas desde a impugnação, sob pena de preclusão, não servindo os embargos para possibilitar a apreciação de matérias veiculadas apenas no recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em admitir parcialmente os embargos de declaração para, no mérito, negarlhes provimento, ratificandose o dispositivo do Acórdão nº 110300.716/2012. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator, no mérito, pelas conclusões. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 60 /2 00 7- 81 Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 1103000.893 S1C1T3 Fl. 1.555 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte em face do acórdão nº 110300.716, de 03/07/12, que recebeu a seguinte ementa: DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE EMPRESA INCORPORADA. MOMENTO DA VEDAÇÃO ANO CALENDÁRIO DE 1999. O art. 33 do DecretoLei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação. Na oportunidade, prevaleceu a tese de que “a lei aplicável, em matéria de compensação, é aquela vigente na data de encontro de créditos e débitos e, por isso, a partir da respectiva publicação, os limites nela impostos incidem e são eficazes”. O respectivo voto condutor ainda dispôs: “[...] quando da compensação realizada das bases de cálculo negativas de CSLL, da pessoa jurídica incorporada, foram efetuadas nas DIPJ dos anoscalendário de 2002 e 2003, quando estava vedado tal procedimento. Com a publicação da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999 (D.O.U de 30/06/1999), passou a ser vedado o aproveitamento da base de cálculo negativa de CSLL, nos casos de fusão, cisão ou incorporação. Dispõe tal MP, em seu art. 20 (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, art. 22): “Art. 20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987.” Por sua vez, o DecretoLei nº 2.341, de 1987, assim determina: “Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida.” Ora, a compensação ocorrerá nas DIPJ 2002 e 2003, quando já estava proibida a utilização dos prejuízos fiscais da sucedida. Os prejuízos fiscais são, como a própria contribuinte afirma (nunca negou), da sucedida, assim, não vejo como compensar estes prejuízos após a edição da MP em comento. O acórdão CSRF/0104452, de 25 de fevereiro de 2003, da Câmara Superior de Recursos Fiscais reafirmou a aplicação da Lei em vigor no períodobase em que processa a compensação. Tratava do famoso limite de 30 %. Sobre o tema em questão o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF já se manifestou em diversos acórdãos como no 140100.262, de 09 de julho de 2010, da 1.ª Turma da 4.ª Câmara, que por unanimidade negou provimento ao recurso, a saber: Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 1103000.893 S1C1T3 Fl. 1.556 3 ‘COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE EMPRESA INCORPORADA. MOMENTO DA VEDAÇÃO. ANOCALENDÁRIO DE 1999. O art. 33 do DecretoLei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcado ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece’. Assim, perfeito o entendimento do acórdão recorrido, pois, a vedação à compensação foi a partir da edição da medida provisória em comento. Entendimento este, de acordo com a melhor doutrina e com o entendimento do STF.” O Embargante sustenta obscuridade e omissões em tal acórdão, com base nos seguintes fundamentos, em síntese: Da obscuridade quanto à análise da decadência do direito de lançar ao analisar o tema, a decisão teria se limitado a repisar os argumentos da DRJ; na hipótese de equívocos nas apurações de bases de cálculo negativas, o Fisco teria o prazo de cinco anos, contados da apuração desses valores, para lavrar o auto de infração, de maneira que o saldo glosado nos anos de 1989 a 1996 já havia decaído em novembro de 2007, quando houve o lançamento; Do direito à compensação de bases negativas da CSLL pela sucessora (ora embargante) teria havido omissão quanto à análise dos seguintes itens, veiculados no recurso voluntário: “II.II.2. – Da inaplicabilidade do Decretolei nº 2.341/87 às Bases de Cálculo Negativas da CSLL”; “II.II.4. – Da ofensa ao princípio da continuidade dos exercícios da empresa”; “II.II.5 – Ad argumentandum – responsabilidade subsidiária do alienante – artigo 133 do CTN”. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Do juízo de admissibilidade Os embargos de declaração são tempestivos, considerandose a ciência do acórdão recorrido em 16/11/12 (fl.1.509), sextafeira, e o protocolo no CAC/Paulista em 23/11/12 (fl.1.510). Quanto à obscuridade alegada, notase que o acórdão embargado foi explícito ao abordar a questão da decadência, tendo assentado, inclusive, a irrelevância quanto ao momento de apuração das bases de cálculo negativas. Vejamos: Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 1103000.893 S1C1T3 Fl. 1.557 4 A recorrente também questiona a decadência, quanto a isso transcrevo parte do acórdão guerreado que retrata muito bem a atual jurisprudência do CARF: “A infração apurada consiste em compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL e, portanto, o momento em que tal compensação foi feita é que deve nortear a análise da decadência do direito de o fisco questionála. Não importa quando teriam sido apuradas as bases negativas de CSLL, contrariando o entendimento exposto pela impugnante.” Quanto ao mais, o fato gerador mais antigo foi em 31/12/2002, como o lançamento ocorrera em 29/11/2007, por nenhum critério estará decaído. (destaquei) A respeito da omissão relativa à “inaplicabilidade do Decretolei nº 2.341/87 às Bases de Cálculo Negativas da CSLL”, notase, ao contrário do afirmado pelo Embargante, que o acórdão guerreado apoiouse em disposições do mencionado Decreto, como se nota dos seguintes excertos: “Por sua vez, o DecretoLei nº 2.341, de 1987, assim determina: “Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida.” Ora, a compensação ocorrerá nas DIPJ 2002 e 2003, quando já estava proibida a utilização dos prejuízos fiscais da sucedida. Os prejuízos fiscais são, como a própria contribuinte afirma (nunca negou), da sucedida, assim, não vejo como compensar estes prejuízos após a edição da MP em comento. ..... Sobre o tema em questão o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF já se manifestou em diversos acórdãos como no 140100.262, de 09 de julho de 2010, da 1.ª Turma da 4.ª Câmara, que por unanimidade negou provimento ao recurso, a saber: ‘COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE EMPRESA INCORPORADA. MOMENTO DA VEDAÇÃO. ANOCALENDÁRIO DE 1999. O art. 33 do DecretoLei 2.341/1987 deixa claro que o a vedação se dá no momento da compensação e, se dúvidas ainda restam, o art. 32 do mesmo diploma legal e abarcado ainda o mesmo contexto, embora não trate de incorporação, fusão ou cisão, dá o verdadeiro tom da interpretação finalística que aqui deve ser adotada, deixando mais claro ainda que se o evento ocorrer depois da apuração, mas antes da compensação a vedação permanece’.” (destaquei) Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 1103000.893 S1C1T3 Fl. 1.558 5 Quanto ao ponto, o que busca o Embargante, na realidade, é um novo julgamento para, quem sabe, fazer prevalecer a tese da inaplicabilidade do Decreto nº 2.341/87, o que não é possível na via estreita dos aclaratórios. A respeito das demais omissões suscitadas (“ofensa ao princípio da continuidade dos exercícios da empresa” e “responsabilidade subsidiária do alienante – artigo 133 do CTN”), em que pese as alegações quanto a tais matérias terem sido veiculadas no recurso voluntário, precisamente nos itens II.II.4 e II.II.5, deixaram de ser enfrentadas no acórdão embargado. Portanto, admito parcialmente os embargos de declaração. Do mérito Apesar da omissão acima mencionada, a justificar a admissibilidade parcial dos embargos de declaração, verificase que as alegações de ofensa ao “princípio da continuidade dos exercícios da empresa” e as relacionadas à suposta responsabilidade subsidiária do alienante não foram veiculadas na impugnação (fls.465/486). Naquela oportunidade, o contribuinte fundamentou sua defesa apenas quanto aos seguintes pontos: “Da decadência do direito de lançar”, “Do direito à compensação de bases negativas da CSLL pela sucessora (impugnante)”, “Da inobservância do princípio da verdade material” e “Da taxa SELIC”. Daí a razão de a Segunda Turma da DRJ – São Paulo I (SP), bem como o acórdão embargado, não ter apreciado os argumentos relativos aos pontos trazidos pelo contribuinte apenas com o recurso voluntário. Na realidade, a omissão do acórdão proferido por esta Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento caracterizouse em sentido diverso do alegado pelo Embargante, a rigor por não ter fixado que as alegações da defesa postas sob os títulos “II.II.4. – Da ofensa ao princípio da continuidade dos exercícios da empresa”; e “II.II.5 – Ad argumentandum – responsabilidade subsidiária do alienante – artigo 133 do CTN”, não poderiam ser conhecidas em razão da preclusão. Ainda que tais matérias houvessem sido impugnadas oportunamente, o que autorizaria o enfrentamento pela DRJ, eventual não apreciação pontual em segunda instância não necessariamente macularia o acórdão. Como já assentado por este colegiado (acórdão nº 1103000.816, de 05/03/2013, Rel. Cons. Aloysio José Percínio da Silva), com esteio em pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não há necessidade de a decisão cuidar de forma individualizada de cada um dos argumentos das partes, desde que esteja suficientemente fundamentada. Neste sentido, a título exemplificativo: “PROCESSUAL CIVIL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA 211/STJ. 1. Não viola o art. 535 do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia [...]”. (STJ, Segunda Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 1103000.893 S1C1T3 Fl. 1.559 6 Turma, AgRg no Resp 1356027/BA, de 19/03/12, DJe 26/03/13, Rel. Min. Humberto Martins) “PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 619 DO CPP. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO CONFIGURADA. ACÓRDÃO EMBARGADO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. REEXAME DA CONTROVÉRSIA. INFRINGÊNCIA DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. OBSCURIDADE CONFIGURADA. FUNDAMENTAÇÃO EMPREGADA PELA TURMA PARA RECHAÇAR ALEGADA OFENSA AOS ARTS. 261, 263 E 564, III, "C”, DO CPP. ESCLARECIMENTO SUFICIENTE. DESNECESSIDADE DE MODIFICAÇÃO DA PARTE DISPOSITIVA DO JULGADO. [...] 3. A motivação contrária ao interesse da parte ou mesmo omissa em relação a pontos considerados irrelevantes pelo decisum, não autoriza o acolhimento dos embargos declaratórios, além do que o órgão julgador não está obrigado a se pronunciar acerca de todo e qualquer ponto suscitado pelos litigantes, mas apenas sobre aqueles considerados suficientes para fundamentar sua decisão, como ocorrera in casu [...]” (STJ, Sexta Turma, Edcl no Resp 1183134/SP, de 07/05/13, DJe 15/05/13, Rel. Min. Alderita Ramos de Oliveira) “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO INTEGRATIVO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE MOVIDA PELA INFRAERO. USO DE ÁREA AEROPORTUÁRIA. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE APÓIA NA FUNDAMENTAÇÃO DA SENTENÇA. POSSIBILIDADE. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENCONTRA ÓBICE NAS SÚMULAS N. 5, N. 7 E N. 211 DO STJ. [...] 3. Não há violação do art. 535 do CPC, quando o Tribunal de origem julga a matéria, de forma clara, coerente e fundamentada, pronunciandose, suficientemente, sobre os pontos que entendeu relevantes para a solução da controvérsia [...]” (STJ, Primeira Turma, Edcl no Resp 1269355, de 18/09/12, DJe 24/09/12, Rel. Min. Benedito Gonçalves) “AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE PREEXECUTIVIDADE. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. NÃO PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO QUE AFASTOU A PRESCRIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME DOS PRESSUPOSTOS AUTORIZADORES DA EXCEÇÃO DE PREEXECUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. ACÓRDÃO ALINHADO À JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. O julgador, no exame das lides que lhe são submetidas, não está obrigado a responder questionários jurídicos elaborados pelas partes e nem a discorrer sobre todos os dispositivos legais por elas invocados. É de sua obrigação, ao examinar os contornos da lide controvertida, apresentar os fundamentos fáticos e jurídicos em que apoia suas convicções para decidir [...]” (STJ, Quarta Turma, AgRg no Aresp Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.003760/200781 Acórdão n.º 1103000.893 S1C1T3 Fl. 1.560 7 180224/RJ, de 16/10/12, DJe 23/10/12, Rel. Min. Luis Felipe Salomão). PROCESSO CIVIL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. 1. Prestação jurisdicional devidamente entregue, eis que o Tribunal não está obrigado a responder questionários formulados pelas partes. 2. Embargos de declaração rejeitados. (STJ, Primeira Seção, Edcl na Ação Rescisória nº 770/DF, de 09/06/04, DJ 02/08/04, Rel. Min. Eliana Calmon). Pelo exposto, voto no sentido de admitir parcialmente os embargos de declaração para, no mérito, negarlhes provimento, ratificandose o dispositivo do Acórdão nº 110300.716/2012. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11080.725859/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.383
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. RELATÓRIO
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência, nos termos do voto da relatora. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 25 85 9/ 20 10 -8 9 Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11080.725859/201089 Resolução nº 3201000.383 S3C2T1 Fl. 3.661 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: “Em ação fiscal foram lavrados contra a empresa acima os autos de infração de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 1280/1293) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 1295/1310) em virtude da apuração de falta/insuficiência de recolhimento destas contribuições, relativamente ao período compreendido entre o 1º trimeste de 2006 e o 4º trimestre de 2008, conforme descrições dos fatos que integram os respectivos lançamentos. O interessado apresentou suas impugnações onde alega, em sede de preliminar, que concorda com “diminuta parcela dos créditos de PIS e Cofins glosados”, originada de aquisições que teria arrolado em planilha anexa (Doc. 03), recolhendo as contribuições correlatas, juntamente com os consectários legais. Aponta, também, que a autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto teria efetuado a glosa de algumas despesas e custos em duplicidade, relacionadas, respectivamente, nos itens “D)” e “C)” das impugnações relativas ao PIS e à Cofins, localizadas nas fls. 1314 e fls. 2412 em diante. Após analisar as planilhas anexadas pelo interessado no item denominado “Doc. 03”, nas impugnações relativas ao PIS e à Cofins, não foi encontrada qualquer descrição ou arrolamento apontando as aquisições glosadas com as quais teria concordado, existindo apenas uma planilha de valores totais mensais, com o cálculo da contribuição, multa e juros recolhidos. Desta forma, o presente processo foi remetido em diligência à DRF jurisdicionante, nos termos do Art. 18 (com redação dada pela Lei 8.748/93) e do Art. 29 do decreto 70.235/1972, para que o interessado apresentasse uma descrição efetiva e pormenorizada de cada uma das aquisições glosadas com as quais concordou, bem como, fosse providenciada pela autoridade fiscal autuante uma análise das alegadas glosas em duplicidade, elaborando, conforme o caso, nova demonstração e composição do resultado dos lançamentos referentes ao período em questão O relatório com o resultado desta diligência se encontra nas fls. 3538 e 3539, onde a autoridade fiscal confirma a alegação quanto às glosas em duplicidade e apresenta novas planilhas de cálculo contendo demonstração da recomposição do resultado do lançamento, anexadas nas fls. 3523 a 3537. O interessado apresentou ainda planilhas, fls 3430 a 3503, contendo a descrição de cada uma das aquisições glosadas com as quais concordou, bem como tabela demonstrativa que consolida os respectivos valores de Cofins e PIS, fl. 3428. Após a ciência do relatório da diligência e o transcurso do prazo para eventual manifestação, retornaram os presentes autos para julgamento sem a juntada de qualquer novo pronunciamento do contribuinte. Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11080.725859/201089 Resolução nº 3201000.383 S3C2T1 Fl. 3.662 3 Quanto às demais alegações apresentadas contra o mérito do lançamento, procura sustentar seu direito ao creditamento sobre aquisições não enquadradas no conceito de “insumo” estabelecido na legislação do IPI. Considera que as Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004 invadiriam a reserva legal do legislativo e jamais poderiam inovar o ordenamento jurídico tributário. Cita e transcreve doutrina e jurisprudência administrativa para embasar seus argumentos, concluindo que todos os custos e despesas glosados, com exceção daqueles em que expressamente concordou com a glosa, estariam amparados pelo disposto nos Arts. 290 e 299 do RIR/99, independente de haver vinculação direta à sua atividade produtiva. Reitera que mesmo sob o entendimento de que o conceito de “insumo” não abarca todas as despesas e custos de produção, ainda assim, “a maior parte” dos créditos aproveitados encontraria amparo legal. Anexa planilha identificando despesas e custos que considera diretamente vinculadas com sua atividade produtiva e destaca pontualmente as despesas com serviços de manutenção, inspeção, logística, “Homem Aranha”, locação de máquinas e equipamentos (exemplificados como empilhadeiras e guinchos) todas contratadas junto à empresa IRAPURU TRANSPORTES LTDA, bem como as despesas com materiais de manutenção de sua planta fabril, embalagens de transporte, “apalpadores” e rodízios. Cita e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende como favoráveis ao entendimento defendido em sua impugnação. Contesta, também, o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre as operações com fretes de transferência aos centros de distribuição e entre suas unidades de produção, fretes sobre beneficiamento, relacionados à industrialização por encomenda, fretes sobre devolução de embalagem e fretes diversos. Entende que se tratariam de etapas essenciais à atividade da empresa, devendo ser consideradas como uma etapa diretamente relacionada ao seu processo industrial. Ressalta que em nenhum momento teria ocorrido a movimentação de produtos acabados mas sim de peças e componentes utilizados como insumos para a industrialização de seu produto final. Sustenta, ainda, que os incisos IX do Art. 3º, bem como o Art. 15, ambos da Lei nº 10.833/2003, forneceriam o amparo legal necessário ao creditamento dos fretes sobre devoluções de embalagens. Novamente, cita e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende favoráveis ao seu entendimento. Aponta valores de PIS pagos que teriam sido desconsiderados no cálculo de lavratura do Auto de Infração e encaminha pedido de perícia, nomeando assistente técnico, bem como enumerando os quesitos que entende necessários para a elucidação da controvérsia nos autos. Encerra com os pedidos para que seja declarado insubsistente o presente lançamento, ou subsidiariamente, que seja parcialmente reformado, excluindo glosas que entende como referente a custos e despesas diretamente relacionados com sua atividade produtiva. Pede, também, o afastamento das glosas apontadas em duplicidade, bem como a consideração de valores Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11080.725859/201089 Resolução nº 3201000.383 S3C2T1 Fl. 3.663 4 recolhidos de PIS que teriam sido ignorados nos cálculos do lançamento. Por último, protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial as documentais e periciais.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/POA no 1036.179, de 15/12/2011, proferido pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONCEITO DE INSUMO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins. FRETES. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da Cofins nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa reservada ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONCEITO DE INSUMO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins. FRETES. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da Cofins nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa reservada ao Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” O julgamento decidiu pelo provimento parcial, para reduzir os valores a pagar apurados de PIS em maio de 2008 e Cofins em novembro de 2007, mantendo os demais valores em litígio lançados no Autos de Infração em questão, considerando definitivas as glosas onde houve a concordância expressa do interessado, conforme relato e pagamento, através de DARF. Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11080.725859/201089 Resolução nº 3201000.383 S3C2T1 Fl. 3.664 5 Inconformado o interessado apresenta recurso voluntário, tempestivamente, onde repisa basicamente os termos da impugnação. Ressalta que o acórdão DRJ (fls. 3541/3552 ), após diligência, praticamente aquiesceu sobre a glosa em duplicidade e observou sobre a concordância das aquisições glosadas que foram pagas e insiste na diligência, como solicitado na impugnação. O voto referido conclui que: Devese também registrar que o interessado concordou expressamente com a glosa dos valores relativos às aquisições constantes da planilha de fls. 1319, 1320, 2417 e 2418, que a fiscalização apontou como indevidos e o próprio interessado apresentou a referida planilha pormenorizada em atendimento à diligência, onde além de confirmar sua concordância com as glosas, também consolidou os respectivos valores em cada período de apuração, vide tabelas de fl. 3428. Tal fato torna definitiva a discussão quanto ao creditamento indevido sobre estas aquisições na esfera administrativa. Conforme anteriormente relatado, a diligência realizada confirmou, fls.3538 e 3539, a alegação quanto às glosas em duplicidade e apresentou novas planilhas de cálculo contendo demonstração da recomposição do resultado do lançamento, anexadas nas fls.3523 a 3537. Desta forma, houve redução nos valores a pagar apurados de PIS em maio de 2008 e Cofins em novembro de 2007, respectivamente, para R$ 90.084,12 e R$ 66.737,52 O processo digitalizado foi distribuído a esta Conselheira. É o relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Autos de Infração relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, em virtude da apuração de falta/insuficiência de recolhimento destas contribuições, relativamente ao período entre o 1º trimestre de 2006 ao 4º trimestre de 2008, conforme descrições dos fatos que integram os respectivos lançamentos. A primeira instância já decidiu pelo provimento parcial, para reduzir os valores a pagar apurados de PIS em maio de 2008 e Cofins em novembro de 2007, mantendo os demais valores em litígio lançados no Autos de Infração em questão, considerando definitivas as glosas onde houve a concordância expressa do interessado, conforme relato e pagamento, através de DARF. Observei que em sede de impugnação e ratificada no recurso voluntário, pedido de diligência, às fls. 1352 a 1354, questões de 1 a 21, que em respeito ao princípio da verdade material e para minha convicção, sugiro que baixe em diligência para atendimento (praticamente, as repito). Fl. 3675DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11080.725859/201089 Resolução nº 3201000.383 S3C2T1 Fl. 3.665 6 Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para técnico credenciado e designado, pela Receita Federal possa responder: descrever o processo de industrialização da empresa discorrendo sobre as características e referindo cada uma de suas etapas. dizer se as despesas e custos e bem agrupados nas planilhas que compõem o doc.05 tratam de serviços e bens diretamente relacionados á atividade produtiva promovida pela empresa. dizer se as despesas e custos no item anterior foram contabilizados em custo ou despesa operacional, bem como se foram considerados dedutíveis para fins de apuração do IRPJ. dizer o que são e para que servem os paquímetros, micrômetros e torquímetros, adquiridos pela empresa – cuja aquisição gerou parte dos créditos de PSI e COFINS glosados pelo respeitado Fiscal. informar se os bens referidos no item anterior são alheios ao processo de industrialização promovido pela empresa ou se dele participam diretamente. informar se os bens referidos nos dois itens anteriores foram contabilizados em custo ou defesa operacional, bem como se foram considerados dedutíveis para fins de apuração do IRPJ. informar o que são e como os serviços denominados “Homem Aranha” estão vinculados ao processo de industrialização promovido pela empresa. informar se os serviços referidos no item anterior foram contabilizados em custo ou despesa operacional, bem como se foram considerados dedutíveis para fins de apuração do IRPJ. dizer o que são e como os “serviços de calibragem e medição” estão vinculados ao processo de industrialização promovido pela empresa. informar se os serviços referidos no item anterior foram contabilizados em custo ou despesa operacional, bem como se foram considerados dedutíveis para fins de apuração do IRPJ. dizer o que são e como os “serviços de inspeção” estão vinculados ao processo de industrialização promovido pela empresa. informar se os serviços referidos no item anterior foram contabilizados em custo ou despesa operacional, bem como se foram considerados dedutíveis para fins de apuração do IRPJ. dizer para que servem os materias locados da empresa ALSCO TOALHEIROS DO BRASIL LTDA (ex: avental de raspa ou de PVC, luva raspa, camisa\calça de brim, perneira, toalhas industriais, etc.); Fl. 3676DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11080.725859/201089 Resolução nº 3201000.383 S3C2T1 Fl. 3.666 7 informar se as locações referidas no item anterior foram contabilizados em custo ou despesa operacional, bem como se foram considerados dedutíveis para fins de apuração do IRPJ. dizer ao perito para qual finalidade são locados guinchos e empilhadeiras pela empresa. informar se as locações referidas no item anterior foram contabilizadas em custo ou despesa operacional, bem como se foram considerados dedutíveis para fins de apuração do IRPJ. dizer para qual finalidade era adquirido álcool industrial e se tal álcool era consumido de alguma forma no processo de industrialização promovido pela empresa. informar se as compras de álcool referidas no item anterior foram contabilizadas em custo ou despesa operacional, bem como se foram considerados dedutíveis para fins de apuração do IRPJ. descrever os serviços de frete contratados pela empresa destacando as particularidades dos chamados fretes de transferência, dois fretes de beneficiamento e dos fretes de devolução de embalagens. informar se os fretes referidos no item anterior foram contabilizados em custo ou despesa operacional, bem como se foram considerados dedutíveis para fins de apuração do IRPJ. em face da resposta ofertada ao quesito anterior, dizer ao perito se os “ fretes de transferência”, os “fretes de beneficiamento” e os “ fretes diversos” estão vinculados ao processo de industrialização promovido pela empresa. Enfim, por todo o exposto, voto pela conversão deste julgamento em diligência, para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente, providencie a confecção de laudo junto a perito credenciado pela Receita Federal, assim como relatório conclusivo, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, com o fim de demonstrar a vinculação dos bens e serviços ao processo produtivo da Recorrente (discriminando os itens), ou seja, comprovado se as despesas são aplicadas no processo produtivo ou são alheias a ele; bem como a tudo que foi demandado, eis que se trata de informação essencial para a análise de qualquer pleito de reconhecimento de PIS e de COFINS não cumulativos. Por fim, sejam dadas ciências, ao contribuinte do resultado, assim como também, a PGFN do resultado da diligência demandada, e que se quiserem se manifestem, dentro do prazo de trinta dias. Por fim, devem os autos retornar a esta Conselheira para prosseguimento no julgamento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 3677DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720241/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
IRPJ. REDUÇÃO DE 75% DO IMPOSTO DEVIDO. MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.199/2001. DIREITO AO BENEFÍCIO SENDO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Deve ser mantido o lançamento fiscal que glosa redução de IRPJ atinente a benefício fiscal discutido judicialmente pelo contribuinte. O lançamento foi feito a partir da verdadeira premissa de que inexistia qualquer ato administrativo ou decisão judicial a autorizar o gozo do benefício, sendo que o sujeito passivo aforou ação de rito ordinário com vistas ao reconhecimento judicial de que faz jus à isenção parcial de que se cuida.
Ao ajuizar essa ação, o contribuinte inequivocamente renunciou ao direito de discutir o direito a esse benefício em sede administrativa.
JUROS. SELIC. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS.
Nos termos da Súmula n. 04 do CARF, A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1101-000.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a patrona da recorrente, Dra. Aline Helena Gagliardo Domingues (OAB/SP nº 202.044).
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída no colegiado pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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REDUÇÃO DE 75% DO IMPOSTO DEVIDO. MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.199/2001. DIREITO AO BENEFÍCIO SENDO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Deve ser mantido o lançamento fiscal que glosa redução de IRPJ atinente a benefício fiscal discutido judicialmente pelo contribuinte. O lançamento foi feito a partir da verdadeira premissa de que inexistia qualquer ato administrativo ou decisão judicial a autorizar o gozo do benefício, sendo que o sujeito passivo aforou ação de rito ordinário com vistas ao reconhecimento judicial de que faz jus à isenção parcial de que se cuida. Ao ajuizar essa ação, o contribuinte inequivocamente renunciou ao direito de discutir o direito a esse benefício em sede administrativa. JUROS. SELIC. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. Nos termos da Súmula n. 04 do CARF, A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a patrona da recorrente, Dra. Aline Helena Gagliardo Domingues (OAB/SP nº 202.044). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 02 41 /2 01 0- 83 Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída no colegiado pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor da ora Recorrente para exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ atinente aos anoscalendários 2005, 2006 e 2007. O valor histórico da presente autuação – que compreende a exigência do tributo, multa de ofício de 75% e juros moratórios – perfaz a soma de R$ 26.715.172,53 (vinte e seis milhões, setecentos e quinze mil, cento e setenta e dois reais e cinquenta e três centavos. Os seguintes trechos, extraídos do Relatório Fiscal que acompanha o vertente lançamento de ofício, dão conta das razões que levaram a autoridade fiscal a constituir os créditos tributários aqui controvertidos, litteris: Em procedimento de fiscalização em contribuinte tributado pelo Lucro Real Anual, verificouse que o mesmo utilizouse indevidamente do beneficio fiscal da redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicional, calculados com base no Lucro da Exploração durante os anos calendários de 2005, 2006 e 2007, conforme consta nas fichas 08; 10, linha 10 e 12 das DIPJ 2006, 2007 e 2008, uma vez que, intimada por meio do Termo de Inicio de Fiscalização em 19/02/2010 e reintimada em 31/03/2010 não apresentou qualquer resolução, declaração, laudo constitutivo ou cópia de ato concessório do referido beneficio fiscal emitidos pelos órgãos competentes. Na ficha 28 das citadas DIPJAtividades Incentivadas PJ em Geral, constam como Ato Concessório do beneficio fiscal da redução de 75% os Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720241/201083 Acórdão n.º 1101000.941 S1C1T1 Fl. 3 3 processos judiciais n°200234000150400/50369 ainda em tramitação, sem qualquer decisão judicial que venha a amparar a empresa fiscalizada, conforme informação da própria em documento apresentado em 14/04/2010 atendendo intimação emitida em 31/03/2010 . Pela constatação de que a fiscalizada não atende aos requisitos legais necessários ao gozo do incentivo, procedeuse a glosa da redução/isenção do Imposto de Renda irregularmente utilizada, apurada conforme seus registros contábeis/fiscais e informadas nas respectivas DIPJ. (fl. 10; sem grifos no original) O contribuinte é indústria sita na Amazônia, de modo que desfruta de uma série de benefícios fiscais associados à implementação e ampliação das suas atividades sociais. A sede normativa da redução de 75% do IRPJ que foi glosado pela autoridade autuante repousa na Medida Provisória n. 2.199/2001, que assim reza em seu art. 1o, verbis: Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. O texto em referência foi ligeiramente alterado pela Lei n. 11.196/2005 e posteriormente por leis editadas após os alegados fatos geradores aqui discutidos, sem que tais alterações sejam relevantes para o deslinde do caso sub examen. Referido benefício fiscal foi regulamentado pelo Decreto n. 4.212/2002, no qual são encontrados os seguintes dispositivos, litteris: Art. 1º Este Decreto define os empreendimentos prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, para fins dos benefícios de redução do imposto de renda, inclusive de reinvestimento, de que tratam os arts. 1º, 2º e 3º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001. Art. 2º São considerados prioritários para fins dos benefícios de que trata o art. 1o, os empreendimentos nos seguintes setores: VI da indústria de transformação, compreendendo os seguintes grupos: (...) e) químicos (exclusive de explosivos) e petroquímico, materiais plásticos, inclusive produção de petróleo e seus derivados; Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 A ora Recorrente é indústria que produz canetas esferográficas, barbeadores, isqueiros, sendo que a confecção dos seus produtos finais, percebese, passa pela transformação de material plástico. É importante dizer já foram conferidos, por competentes atos da SUDAM, benefícios fiscais lhe garantiam isenção total ou redução de 25% (vinte e cinco por cento) e 50% (cinquenta por cento) sobre as vendas de produtos que fabrica até determinadas quantidades de produto final. A constatação de que a sociedade empresária em referência é beneficiária dessas pode ser empreendida a partir do exame do documento que repousa ao fólio n. 17 e pela leitura das fichas 8 das DIPJs atinentes aos anoscalendários aqui discutidos (fls. 26, 48 e 76). O caso dos autos não versa sobre esses benefícios narrados no parágrafo anterior, sendo que gravita unicamente sobre as vendas de unidades excedentes àquelas quantidades agraciadas com as benesses fiscais tratadas acima. Em relação a tais excedentes aqui discutidos – que foram propriamente divisados pela autoridade autuante, que propriamente fez a identificação inequívoca da matéria tributável aqui analisada, desprezando as receitas concernentes aos outros benefícios –, verificase que a empresa, em 20 de fevereiro de 2002, apresentou novo Projeto Industrial de Ampliação e Diversificação da Produção (Processo n. 000.288) à Agência de Desenvolvimento da Amazônia, no qual requereu a redução de 75% do Imposto de Renda de que trata a mencionada MP 2.199/2001. A Agência de Desenvolvimento da Amazônia passou anos sem se pronunciar sobre o pleito da ora Recorrente – que foi renovado algumas vezes –, sendo que apenas procedeu à análise dos pedidos do contribuinte após ordem judicial obtida pela sociedade empresária em Mandado de Segurança, ocasião em que foi prolatado o Ofício n. 038/2007, no qual se lê, litteris: Dando cumprimento a Decisão Judicial do Juiz Federal da 1a Vara, datada de 14 de dezembro de 2006, determinando a esta Agência que aprecie os pleitos do benefício da Redução de Imposto de Renda para Ampliação e Diversificação do empreendimento industrial de interesse dessa Empresa, esta Agência concluiu, após análise dos referidos pleitos, que as linhas de produção relativas ao projeto de Ampliação e as linhas de produção de Demarcador com Ponta de Feltro de Nylon e Lápis de Resinas referentes ao de Diversificação não encontram amparo legal no que estabelece o Decreto n. 4.212/2002. Nesse sentido, comunicamos o indeferimento dos pleitos do benefício para as linhas de produção acima mencionadas. (fl. 337; sem grifos no original) Importantíssimo asseverar que a ora Recorrente atacou judicialmente esse ato da DiretoraGeral da Agência de Desenvolvimento da Amazônia – autarquia ligada ao Ministério da Integração Nacional/MI –, sendo que aforou, na Seção Judiciária de Brasília/DF, a ação ordinária n. 2007.34.00.0409455, cujos pedidos foram assim deduzidos, litteris: Requer, outrossim, seja julgada procedente a presente Ação, para: a) declarar nula de pleno direito a decisão da extinta AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA – ADA de 17 de janeiro de 2007, que expediu o Ofício n. 038/2007 – GEPIN/ADA que indeferiu os pleitos relativos às linhas de produção a que se referem os projetos de Diversificação e de Ampliação da AUTORA, com a imotivada alegação de Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720241/201083 Acórdão n.º 1101000.941 S1C1T1 Fl. 4 5 que não encontram amparo legal no que estabelece o Decreto n. 4.212, de 26.04.2002, e; b) caso a SUDAM mantenha o indeferimento dos projetos objeto desta ação, declarar que os produtos objeto dos Projetos de Diversificação e Ampliação ora em debate, que são industrializados nas linhas de produção da Autora, se enquadram na atividade de transformação de materiais plásticos, coadunandose com o disposto no artigo 2o, inciso VI, alínea “e” do Decreto n. 4.212, de 26/04/2002, e Medida Provisória n. 2.19914, de forma a terem direito ao benefício de redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis de que a Autora faz jus; e determinar que a SUDAM expeça os competentes laudos constitutivos referentes aos Projetos de Diversificação e de Ampliação, e; c) declarar o direito da AUTORA beneficiarse da redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, calculados sobre o lucro da exploração das linhas de produção a que se referem os projetos de Diversificação e de Ampliação da AUTORA, Processo n. 000.288, de 20 de fevereiro de 2002 (59430/04225/200271 (Inventariança) e 59431/1296/200491 (ADA), nos termos do §7o do artigo primeiro da Medida Provisória n. 2.19914, que ratificou disposição contida no artigo 3o, da Lei n. 9.532/97, desde o ano calendário subseqüente ao de entrada em operação dos projetos objeto desta ação, e; d) condenar as Rés no pagamento das custas processuais, honorários advocatícios e demais consectários legais e despesas incorridas. (fls. 221 222; sem grifos no original) Não se concedeu liminar para a suspensão dos créditos tributários discutidos nessa ação judicial, sendo que, em fins de 2012, foi proferida sentença que acolheu integralmente os pedidos deduzidos pela ora Recorrente, decisum esse que se pautou em perícia judicial que atestou que as linhas de produção da sociedade empresária em questão envolvem a transformação de materiais plásticos. Ao sentenciar, o juiz federal prolator antecipou os efeitos da tutela para suspender os créditos tributários discutidos no processo. Atualmente, aguardase o julgamento das Apelações interpostas pela SUDAM e pela União, que estão sob a relatoria do Desembargador Luciano Tolentino Amaral do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1a Região. Mister salientar, ainda, que o benefício fiscal em questão também é discutido em outros feitos judiciais que tocam a contribuinte, feitos esses instalados pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas – CIEAM, associação de que participa a ora Recorrente, e nos quais se busca a concessão da redução de 75% (setenta e cinco por cento) em questão àqueles associados, dentre os quais a Recorrente, que não tiveram seus pleitos administrativos apreciados no prazo legal. Tratase dos Processos n. 2002.34.00.0150369 (fl. 131 e ss.) e 2002.34.00.0150400 (fl. 100 e ss.) – nos quais não se concedeu provimentos antecipatórios em favor do CIEAM –, sendo que o Tribunal Regional Federal da 1a Região acabou de negar provimento à Apelação interposta pelo CIEAM (decisão de 26 de agosto de 2013, acórdão publicado em 4 de setembro de 2013), ao passo que o segundo processo transitou em julgado em desfavor da associação no primeiro semestre do corrente ano. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Devidamente intimado do auto de infração em questão no dia 21 de maio de 2010, o contribuinte apresentou tempestiva Impugnação (fls. 233 e ss), postulação na qual asseverou o seguinte, em síntese: A nulidade do auto de infração, sob o argumento de que a autuação “baseouse unicamente na falta de apresentação de laudo, ato, parecer técnico ou projeto de reconhecimento do benefício fiscal usufruído” pela empresa, o que representaria violação ao art. 10 do Decreto n. 70.235/72 e ao art. 142 do CTN; Direito ao gozo do benefício discutido, eis que se percebe claramente que a empresa preenche os requisitos necessários à sua concessão – tendo em vista que é empresa sita na Amazônia, que já foi reconhecida como empreendimento prioritário no desenvolvimento regional e que hialinamente realiza a atividade de transformação de materiais plásticos, a que alude a alínea “e” do inciso VI do art. 2o do Decreto n. 4.212/2002; – Salienta que tais requisitos são os mesmos de outros benefícios concedidos ao sujeito passivo por atos administrativos pretéritos, sendo que sua linha de produção não sofreu significativas modificações; – Ilegalidade da decisão da Agência de Desenvolvimento da Amazônia encerrada no Ofício n. 038/2007, que indeferiu os pleitos da empresa que buscavam a concessão do benefício fiscal aqui controvertido; – Impossibilidade de revogação de isenção parcial concedida a título oneroso; – Ilegalidade da utilização da taxa SELIC. Em 30 de setembro de 2010, a 1a Turma da DRJ de Belém/PA negou provimento à Impugnação do contribuinte (fls. 288294), com a consequente manutenção da integralidade da exigência, fazendoo em aresto que restou assim ementado, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando presentes nos autos os demonstrativos e documentos utilizados pela autoridade administrativa para fins de apuração do crédito tributário, respeitado o prazo regulamentar de defesa. REDUÇÃO DO IRPJ Os projetos de modernização, ampliação ou diversificação, relativos a empreendimentos enquadrados em setores da economia, considerados em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, terão direito a usufruir o beneficio de redução do IRPJ e adicional calculado com base no lucro da exploração, a partir do anocalendário da expedição do laudo pelo MI. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720241/201083 Acórdão n.º 1101000.941 S1C1T1 Fl. 5 7 Intimado dessa decisão em 30 de dezembro de 2010 (fl. 296), o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 298 e ss. em 25 de janeiro de 2011, ocasião em que, basicamente, repetiu os argumentos deduzidos na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. A preliminar suscitada pelo sujeito passivo de nulidade do auto de infração não merece acolhida, eis que o lançamento em destaque preenche todos os requisitos legais necessários à confecção de ato administrativo desse jaez. Com efeito, a autoridade autuante identificou perfeitamente a matéria tributável, apontando as fichas da DIPJs apresentadas pelo contribuinte que indicavam a existência de um benefício que houve por bem contestar. Salientese que o benefício fiscal de que se cuida não foi concedido pelo Parlamento em caráter geral, amoldandose, pois, à hipótese do art. 179 do Código Tributário Nacional, que estabelece, verbis: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. Assim sendo, é natural que a autoridade fiscal, deparandose com a menção a um benefício fiscal dessa natureza nas DIPJs do contribuinte, indague sobre o respectivo ato concessivo, à míngua do qual não pode o sujeito passivo gozar da respectiva benesse fiscal, de modo que não é maculado de nulidade a autuação em referência pelo fato de que o Sr. Auditor Fiscal “baseouse unicamente na falta de apresentação de laudo, ato, parecer técnico ou projeto de reconhecimento do benefício fiscal usufruído”. No mérito, entendo que o contribuinte não tem razão. De fato, é hialino que, apesar de aparentemente preencher os requisitos necessários à concessão do benefício fiscal em referência – suspeita essa ratificada pela sentença de procedência no Processo n. 2007.34.00.0409455 –, é certo que o ora Recorrente teve seus pleitos de concessão do benefício a que alude a Medida Provisória n. 2.199/2001 negado pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia através do Ofício n. 038/2007, ato administrativo cuja anulação é pretendida pela empresa no citado litígio judicial. Salientese que não existe qualquer controvérsia no que tange aos outros benefícios usufruídos pelo contribuinte – o que se constata do exame das Fichas 08 das competentes DIPJ, que repousam aos fólios n. 26, 48 e 76 –, sendo que também é estreme de Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 dúvidas que os pleitos negados pelo mencionado Ofício n. 038/2007 envolvem também a redução de 75% concernente aos anoscalendários aqui em testilha. Ou seja, apesar de não ter em seu favor qualquer ato concessivo que lhe conferisse a redução de IRPJ em tela – assim como jamais desfrutou de qualquer provimento judicial, liminar ou definitivo, que lhe outorgasse a isenção parcial em causa até a prolação da sentença na Ação Ordinária n. 2007.34.00.0409455 –, o contribuinte pagou apenas um quarto do IRPJ incidente sobre as vendas dos discutidos excedentes, minorando o saldo de tributo a pagar em cada um dos anos examinados sem qualquer ato que respaldasse tal redução. A discussão tendente a verificar se o contribuinte tem ou não direito ao benefício fiscal em referência obviamente não pode ser levada a efeito na seara administrativa, na esteira Súmula n. 1 do CARF, vez que o contribuinte renunciou a essa via quando aforou a Ação Ordinária n. 2007.34.00.0409455 – cujos pedidos foram acima transcritos e que inquestionavelmente envolve o período de apuração aqui analisado. Correto, portanto, o lançamento fiscal, eis que, até que se ultime a Ação Ordinária n. 2007.34.00.0409455, não se pode dizer se o contribuinte efetivamente tem o direito ao gozo do benefício que por si só decidiu usufruir entre 2005 e 2007. Portanto, em havendo querela judicial pendente, as autoridades fiscais obrigatoriamente deveriam proceder à autuação em referência, quando menos para a prevenção da decadência – com multa de ofício de 75%, tendo em vista que o crédito tributário aqui discutido apenas teve a sua exigibilidade suspensa após a prolação da sentença na mencionada ação de rito ordinário, inexistindo qualquer causa suspensiva ao tempo da lavratura da autuação. Em relação à utilização da taxa SELIC, temse que esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também já pacificou o tema através da Súmula n. 4, enunciados esses de aplicação obrigatória (art. 72 do RICARF), que tem o seguinte teor, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. De rigor, portanto, o desprovimento do Recurso Voluntário. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13833.000064/2006-53
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006
DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA NÃO AJUIZÁVEL EM RAZÃO DO VALOR. SÚMULA VINCULANTE Nº 8, DE 2008, DO STF.
Em face da superveniência da Súmula Vinculante nº 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou inconstitucional o parágrafo único do art. 5º do Decreto-lei nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, que suspendia a prescrição dos créditos cuja cobrança judicial tivesse sido sustada pelo seu reduzido valor, e, ainda, do contido no art. 53 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (A prescrição dos créditos tributários pode ser reconhecida de ofício pela autoridade administrativa), deve ser admitida a inclusão retroativa no Simples a contar de cinco anos da inscrição em dívida ativa de débito não ajuizável em razão do valor.
Numero da decisão: 1803-001.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Relator e Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1610; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 82 1 81 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13833.000064/200653 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.739 – 3ª Turma Especial Sessão de 13 de junho de 2013 Matéria SIMPLES PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA Recorrente JOÃO NERI DE ABREUME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA NÃO AJUIZÁVEL EM RAZÃO DO VALOR. SÚMULA VINCULANTE Nº 8, DE 2008, DO STF. Em face da superveniência da Súmula Vinculante nº 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou inconstitucional o parágrafo único do art. 5º do Decretolei nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, que suspendia a prescrição dos créditos cuja cobrança judicial tivesse sido sustada pelo seu reduzido valor, e, ainda, do contido no art. 53 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (“A prescrição dos créditos tributários pode ser reconhecida de ofício pela autoridade administrativa”), deve ser admitida a inclusão retroativa no Simples a contar de cinco anos da inscrição em dívida ativa de débito não ajuizável em razão do valor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 3. 00 00 64 /2 00 6- 53 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13833.000064/200653 Acórdão n.º 1803001.739 S1TE03 Fl. 83 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes – Relator e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13833.000064/200653 Acórdão n.º 1803001.739 S1TE03 Fl. 84 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 55 e 56): Trata o presente processo de solicitação de inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, com efeitos retroativos a 01/01/2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, jurisdicionante, indeferiu o pleito da contribuinte com base na Lei nº 9.317, de 1996, art. 9º, XV, em decorrência de existirem débitos inscritos em Dívida Ativa da União, em nome próprio ou de terceiros, sem exigibilidade suspensa. Ficou explicitado no referido despacho que, apesar de ser possível a inclusão da pessoa jurídica com efeitos retroativos no Simples, por decisão administrativa, se comprovada a intenção inequívoca da contribuinte de ingressar no sistema (conforme orientação contida no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 16, de 2002), a existência de tais débitos obsta o ingresso. Ciente do indeferimento de seu pleito, a contribuinte ingressou tempestivamente com a manifestação de inconformidade de fls. 37/38, na qual contestou aquela decisão. Pleiteou ser incluída no Simples com efeitos retroativos a 01/01/2005, em suma, sob os seguintes argumentos: ∙ Não tinha conhecimento de que havia pendências junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), à época do pedido de inclusão no regime simplificado. ∙ Sobre o processo 138302004.840/9661 da PGFN, somente após ciência do comunicado nº 210/2008 é que ficou sabendo da existência do débito. Desconheciao totalmente, pois não foi notificado desse fato em nenhuma oportunidade. ∙ Segundo o comunicado, o indeferimento deveuse pelo fato de haver sido verificado, nos sistemas informatizados da Receita Federal, débito inscrito na Dívida Ativa da União. Provavelmente, referese ao débito a que se refere o retrocitado processo. ∙ À época do pedido, possuíamos a Certidão Negativa de Tributos e Contribuições Federais, emitida em 06/07/2004, com validade até 06/01/2005, sob nº 6.916.104. ∙ A empresa agiu de boa fé, tendo recolhido seus tributos no regime “Simples Federal”, conforme comprovantes anexos referentes ao período de janeiro de 2005 a maio de 2005, o que demonstra a intenção inequívoca de aderir ao regime simplificado de tributação. ∙ Ressaltese que, na data do indeferimento do pedido, ou seja, 06/10/2008, a dívida fiscal, que se refere a período anterior a dezembro de 1996, já estaria totalmente prescrita, não havendo possibilidade de cobrança. Além disso, está amparada pela MP nº 449, de 03/12/2008, que declarou a remissão dos débitos com Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13833.000064/200653 Acórdão n.º 1803001.739 S1TE03 Fl. 85 4 a Fazenda Nacional vencidos há mais de cinco anos, cujo valor fosse inferior a R$ 10.000,00. ∙ Pela vigência da medida provisória, em data anterior ao recebimento e conhecimento do indeferimento do qual houve ciência em 15/12/2008, o débito não poderia ser exigido. Não poderia ser motivo de indeferimento 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 54): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OPÇÃO PELO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. IMPEDIMENTO. Embora normas complementares da legislação tributária permitam o ingresso com efeitos retroativos se atendidos os requisitos por ela impostos, não podem ingressar no Simples as ME(s) e Epp(s) que possuam débitos inscritos em Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 30/06/2011 (fls. 64), a tempo, em 22/07/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 65 a 69, instruído com os documentos de fls. 70 a 77verso, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, em seu impresso “INFORMAÇÕES FISCAIS DO CONTRIBUINTE”, emitido em 08/07/2011, já não faz nenhuma menção de qualquer irregularidade ou exigência fiscal, mais precisamente dizendo quanto ao débito que provocou a negativa da intenção da recorrente em integrar o regime de tributação simplificada (Simples Federal); b) que a manutenção dessas informações nos cadastros da Secretaria da Receita Federal e PGFN, à época do julgamento da manifestação de inconformidade ora recorrida, se constituíam em mera formalidade e inércia administrativa interna, as quais, por medida de justiça, já deveriam ter sido excluídas desse cadastro há muito tempo, para não continuar causando problemas e embaraços aos contribuintes, como causou neste caso específico; c) que o Supremo Tribunal Federal (STF), em sua decisão publicada em 20/06/2008, emitiu a Súmula Vinculante nº 8, que fixou o prazo de 5 (cinco) anos para a prescrição de débitos de contribuições sociais e tributos; d) que a referida Súmula declarou inconstitucional o art. 5º da Lei nº 1.569/77, assim como o seu parágrafo único, que suspendia a prescrição Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13833.000064/200653 Acórdão n.º 1803001.739 S1TE03 Fl. 86 5 de créditos na Dívida Ativa da União ou a sustação da cobrança judicial de débitos de pequeno valor; e) que, conforme previsto no artigo 2º da Lei nº 11.417, de 2006, devem submissão obrigatória aos enunciados vinculantes das Súmulas do STF todos os órgãos do Poder Constituído Judiciário, bem como todos os órgãos e entes da Administração Pública direta e indireta, dos entes federativos municipal, estadual e federal; f) que o art. 7º da Lei nº 11.417, de 2006, diz que caberá reclamação ao STF quando decisões e atos administrativos contrariarem os enunciados de Súmula Vinculante e que esta será admitida após o esgotamento das vias administrativas (§ 1º); g) que a abrangência dessa decisão do STF (Súmula Vinculante nº 8) é fundamental para o caso em questão, e ela tem que ser levada em consideração pelos senhores julgadores, uma vez que ela torna inexigível a contribuição social objeto do impedimento de ingresso e do julgamento contrário aos interesses da recorrente, tendo em vista que ela extingue a exigência e a sustentabilidade da contribuição pendente; e h) que a invocação do artigo 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317, de 1996 (requisito alegado para indeferimento do pedido de inclusão) no Relatório fls. 57, não pode ser aplicada ao presente caso, pois a recorrente, à época, não tinha débitos inscritos em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Nacional INSS que fossem exigíveis. Em mesa para julgamento. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13833.000064/200653 Acórdão n.º 1803001.739 S1TE03 Fl. 87 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A Recorrente possui débito inscrito em Dívida Ativa da União desde 26/12/1996, não ajuizável em razão do valor (fls. 10), esbarrando na vedação contida no art. 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que assim estabelece: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...]; XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 5. Da leitura do inciso XV do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, verificase que não há um limite de valor inscrito na Dívida Ativa, a partir do qual se aplicaria o dispositivo para efeito de vedação de opção pelo Simples. 6. Assim, em princípio, somente a partir da regularização dessa pendência, a Recorrente passaria a adquirir o direito de apresentar sua opção pelo Simples, ou pelo Simples Nacional, caso não se enquadre em quaisquer outras vedações descritas nas legislações pertinentes. 7. Contudo, tendo em vista a superveniência da Súmula Vinculante nº 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou inconstitucional o parágrafo único do art. 5º do Decretolei nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, que suspendia a prescrição dos créditos cuja cobrança judicial tivesse sido sustada pelo seu reduzido valor, e, ainda, o contido no art. 53 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (“A prescrição dos créditos tributários pode ser reconhecida de ofício pela autoridade administrativa”), deve ser considerada prescrita referida dívida a partir de 26/12/2001, e admissível a inclusão retroativa no Simples a contar de cinco anos da inscrição em dívida ativa de débito não ajuizável em razão do valor (ano calendário de 2005, como pleiteado). 8. No mesmo sentido, mencionase o Acórdão desta 3ª Turma Especial de nº 00.642, de 1 de setembro de 2010, desta relatoria, unânime: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 13833.000064/200653 Acórdão n.º 1803001.739 S1TE03 Fl. 88 7 DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA NÃO AJUIZÁVEL EM RAZÃO DO VALOR. SÚMULA VINCULANTE Nº 8, DE 2008, DO STF. Em face da superveniência da Súmula Vinculante nº 8, de 2008, do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou inconstitucional o parágrafo único do art. 5º do Decretolei nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, que suspendia a prescrição dos créditos cuja cobrança judicial tivesse sido sustada pelo seu reduzido valor, e, ainda, do contido no art. 53 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (“A prescrição dos créditos tributários pode ser reconhecida de ofício pela autoridade administrativa”), deve ser admitida a inclusão retroativa no Simples a contar de cinco anos da inscrição em dívida ativa de débito não ajuizável em razão do valor. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 23/07/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 13888.905624/2010-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO - Não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3403-002.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora, em razão de sua intempestividade.
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Raquel Motta Brandão Minatel Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora, em razão de sua intempestividade. Antonio Carlos Atulim Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti, Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan. Relatório O presente processo se refere a Pedidos de Ressarcimento de créditos presumidos do IPI e respectivas Declarações de Compensação, formulados por C. HENRIQUE BODEMEIER & CIA LTDA., relativos ao 2º e 3º trimestres de 2006, que foram parcialmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 56 24 /2 01 0- 17 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 homologados pela Delegacia da Receita Federal em Piraciba/SP, conforme documentos juntados pela Recorrente (fls. 5/94). A Recorrente narra que, em dezembro de 2006, apurou débito de R$ 93.089,33 de Cofins nãocumulativa, consoante Ficha 25B da Declaração de Apuração de Contribuições Sociais (fl. 26). Em 19/1/2007, a Recorrente transmitiu dois PER/DCOMP orignais, com numerações finais 9024 (R$ 55.189,33) e 8008 (R$ 37.900,00), respectivamente referentes aos débitos de Cofins do 3º e 4º trimestres de 2006, com o objetivo de compensálos com os créditos de IPI, na forma do art. 11 da Lei nº 9.779/99. Posteriormente, enviou dois PER/DCOMP retificadores, com numerações de final 1928 (em 21/9/2007) e 6076 (em 27/5/2010), respectivamente aos originais. Porém, ambos os PER/DCOMP retificadores apresentaram equívocos no preenchimento do período de apuração e dos valores declarados, gerando os Processos Administrativos Fiscais de cobrança eletrônica nº 13888.905842/201043 e 13888.905843/201098. Ainda, quando da análise dos pedidos, a autoridade fiscal verificou creditamento baseado em notas fiscais emitidas por empresas inscrinas no SIMPLES. Dessa forma, não homologou parte das compensações dos demais pedidos, incluindo o PER/DCOMP referente ao 2º Trimestre de 2006, consoante Derpacho Decisório nº 893944585 e seus anexos (fls. 5/94). Notificada da decisão administrativa em 8/11/2010 (fls. 50), e entendendo que houve duplicidade de cobrança, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade em 6/12/210 (fls. 1/4), oportunidade em que explicou o ocorrido. Em que pese os documentos e a argumentação apresentados, a Manifestação de Inconformidade da Recorrente foi julgada improcedente, conforme Acórdão nº 1436.189 (fls. 104/119), proferido em 21/12/2011 pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). No acórdão, prevaleceu o entendimento de que houve preclusão para apresentação de prova documental para a Recorrente e de que esta aproveitou créditos destacados em notas fiscais emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES. Em 6/3/2012, a Recorrente tomou ciência do acórdão de primeira instância, consoante Aviso de Recebimento (AR) de fls. 168. Irresignada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 173/196) em 8/4/2012. Nessa oportunidade, a Recorrente pugnou pelo reconhecimento da tempestividade de seu recurso e argumentou, em síntese, que 1. sua garantia constitucional de ampla defesa fora tolhida, tendo em vista que o acórdão de primeira instância simplesmente desconsiderou as retificações em cada PER/DCOMP, além de não se manifestar quanto a todos os pedidos da Recorrente; 2. os processos de cobrança gerados por erro na elaboração das retificações de cada PER/DCOMP espelham débitos fictícios; e 3. a cobrança de débito fictício vulnera os princípios da capacidade contributiva, da verdade material e do proibição do enriquecimento indevido. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13888.905624/201017 Acórdão n.º 3403002.022 S3C4T3 Fl. 207 3 Em seus pedidos, requereu o conhecimento de seu Recurso Voluntário e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Requereu, ainda, o provimento de seu recurso para que seja anulado o acórdão recorrido ou, subsidiariamente, que o acórdão recorrido seja reformado para exonerar a Recorrente do pagamento de valores fictícios. Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora Admissibilidade Diferentemente do alegado pela Recorrente às fls. 175, consta dos autos que a notificação do acórdão de primeira instância ocorreu em 6/3/2012, uma terçafeira, conforme Aviso de Recebimento de fls. 168. Considerandose que o mês de março tem 31 dias, o prazo para interposição do Recurso Voluntário findou em 5/4/2012 e não em 6/4/2012, como alega a Recorrente em sua preliminar de tempestividade do recurso. Tendo em vista que dia 5/4/2012, prazo fatal para a apresentação do Recurso, não coincidiu com fim de semana ou feriado, o Recurso Voluntário da Recorrente não merece conhecimento, pois protocolado em 8/4/2012, isto é, após o término do prazo do de 30 dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Pelo exposto, voto por não conhecer o Recurso Voluntário por considerálo intempestivo. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 208DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 25 /09/2013 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722332/2009-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
MULTA DE OFÍCIO - AGRAVAMENTO
É cabível o agravamento da penalidade, quando a Contribuinte não atende às intimações da Fiscalização, obrigando esta a adotar procedimentos de circularização de informações junto a terceiros, para viabilizar a apuração do crédito tributário devido.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire e Gonçalo Bonet Allage.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 15/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO - AGRAVAMENTO É cabível o agravamento da penalidade, quando a Contribuinte não atende às intimações da Fiscalização, obrigando esta a adotar procedimentos de circularização de informações junto a terceiros, para viabilizar a apuração do crédito tributário devido. Recurso especial provido.
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Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire e Gonçalo Bonet Allage. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 32 /2 00 9- 56 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 15/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, em que foi aplicada multa qualificada e agravada, no percentual de 225%, tendo em vista a participação da Contribuinte em esquema fraudulento, que tinha por finalidade majorar indevidamente a restituição apurada nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2005 a 2009. Em sessão plenária de 26/07/2011, foi julgado o Recurso Voluntário em nome da Contribuinte interessada, prolatandose o Acórdão 220201.252, assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 LEI 9.430/96. MULTA QUALIFICADA. A prática fraudulenta destinada à obtenção de restituições indevidas configura situação enquadrada na tipificação do art. 44, §1º, da Lei 9.430/96. LEI 9.430/96. MULTA AGRAVADA. Não deve ser agravada a multa de ofício por não prestação de informações quando esta omissão por parte do contribuinte não implica impedimento do lançamento por parte da receita. Pensamento contrário materializaria bis in idem. Recurso Voluntário Parcialmente Provido” A decisão foi assim ementada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício qualificada, reduzindoa ao percentual de 150%.” Cientificada do acórdão em 15/09/2011, por meio do despacho de fls. 332, a Fazenda Nacional interpôs, em 11/10/2011, o Recurso Especial de fls. 333 a 338. Ao recurso foi dado seguimento, conforme o Despacho 220000.873, de 30/01/2011 (fls. 391 a 396). No apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: a legislação põe à disposição da Fiscalização uma série de instrumentos para que se possa chegar à verdade dos fatos e, conseqüentemente, aferir o valor tributável; Fl. 403DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10166.722332/200956 Acórdão n.º 9202002.769 CSRFT2 Fl. 403 3 assim, em casos como os dos autos, de omissão de rendimentos, a fiscalização possui diversas alternativas para descobrir os montantes tidos por sonegados; com efeito, pode, por exemplo, emitir intimações para que o contribuinte apresente extratos bancários, como pode buscar tais informações diretamente junto às instituições financeiras; caso a fiscalização, por conta das circunstâncias do caso concreto, opte por buscálas diretamente com o contribuinte e, para tanto, expede as intimações pertinentes, não pode o contribuinte furtarse em cumprilas, sob pena de sanção legal; no caso em tela, a sanção está expressamente prevista no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996; neste sentido, não podemos concordar com o entendimento do ilustre Relator que, grosso modo, admite o descumprimento de intimações fiscais, sem agravamento de multa, sempre que houver possibilidade de o fisco buscar os esclarecimentos pretendidos de outra forma. como se observa, a prosperar tal entendimento, isso aniquilaria todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes; merece reforma, portanto, o acórdão a quo, por ofensa à legislação aplicável à matéria (Art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/96), bem como por divergir do entendimento, que consideramos acertado, constante dos acórdãos paradigmas. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, mantendose a multa no percentual de 225%. Cientificada do acórdão recorrido, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 22/03/2012 (fls. 400), a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, em que foi aplicada multa qualificada e agravada, no percentual de 225%, tendo em vista a participação da Contribuinte em esquema fraudulento, que tinha por finalidade majorar indevidamente a restituição apurada nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2005 a 2009. Conforme o acórdão recorrido, foi mantida a qualificadora, porém desagravouse a penalidade, sob o seguinte argumento: “No que diz respeito ao agravamento da pena prescrito no inciso I do §2º do art. 44 da Lei 9.430/96, entendo correto e prudente o entendimento já cristalizado no âmbito dessa Turma, no sentido Fl. 404DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 de afastar a incidência desse dispositivo sempre que a ausência de informações não causar prejuízo à constituição do crédito tributário, conforme retrata o precedente abaixo transcrito: (...) MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO Devese desagravar a multa de oficio, pois a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. (Grifamos) Pensamento distinto do revelado na ementa acima transcrita configuraria verdadeiro bis in idem. Para tanto, basta constatar que a não apresentação de documentos já ensejou a aplicação da multa de 75% sobre o imposto apontado. A aplicação de nova pena teria como pressuposto fático situação já sancionada pelo aplicador, devendo, assim, ser expurgada.” Entretanto, a leitura do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 103 a 122, permite concluir que a Contribuinte, embora intimada e reintimada a apresentar os comprovantes dos rendimentos e deduções pleiteadas, não atendeu às intimações, o que levou o Fisco a ter de efetuar procedimentos de circularização, ainda que por amostragem, relativamente a despesas médicas e de previdência privada – FAPI. Com efeito, tal procedimento teria sido evitado, caso a Contribuinte se apresentasse à Fiscalização e confessasse o que efetivamente ocorreu. O Colegiado a quo, justificando sua tese, assim se pronunciou, por meio do voto vencedor: “O ordenamento deve diferenciar o contribuinte que informa o tributo devido e deixa de recolhêlo (multa de 20%) daquele que tem contra si constituído o crédito tributário, mas não age de maneira fraudulenta (multa 75%). Desse também deve ser diferenciado o contribuinte que frauda o erário, a quem a legislação estabelece a multa de 150% (caso em tela).” Dando seguimento à lógica acima, cabe pontuar que também deve ser diferenciado o Contribuinte que assume suas faltas perante a Fiscalização, daquele que simplesmente ignora as intimações, levando o Fisco a ter de adotar procedimentos que seriam dispensáveis. Com efeito, cabe ainda lembrar que outro recurso já foi julgado nesta Instância Especial, relativamente a caso semelhante, em que o Contribuinte compareceu perante a Fiscalização e confessou que não efetuou qualquer das despesas pleiteadas. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer o agravamento da penalidade, que já fora qualificada, perfazendo assim o percentual de 225%. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 405DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10166.722332/200956 Acórdão n.º 9202002.769 CSRFT2 Fl. 404 5 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/09/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000675/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PIS. COFINS. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE CRÉDITOS BANCÁRIOS. REQUISITOS FORMAIS PARA SUA VALIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR PRÉVIA.
A atividade do lançamento é plenamente vinculada, não podendo se dar de forma diversa ou sem todos os requisitos previstos na legislação. Assim, para validade da presunção de omissão de receitas disposta pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, é requisito indispensável que a interessada tenha sido prévia e regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários glosados.
Numero da decisão: 1101-000.778
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PIS. COFINS. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE CRÉDITOS BANCÁRIOS. REQUISITOS FORMAIS PARA SUA VALIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR PRÉVIA. A atividade do lançamento é plenamente vinculada, não podendo se dar de forma diversa ou sem todos os requisitos previstos na legislação. Assim, para validade da presunção de omissão de receitas disposta pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, é requisito indispensável que a interessada tenha sido prévia e regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários glosados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PIS. COFINS. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE CRÉDITOS BANCÁRIOS. REQUISITOS FORMAIS PARA SUA VALIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR PRÉVIA. A atividade do lançamento é plenamente vinculada, não podendo se dar de forma diversa ou sem todos os requisitos previstos na legislação. Assim, para validade da presunção de omissão de receitas disposta pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, é requisito indispensável que a interessada tenha sido prévia e regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários glosados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 75 /2 00 9- 42 Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório O presente processo teve origem nos seguintes autos de infração, lavrados pela Dfi/RJ, cientificados à interessada, acima identificada, em 21.08.2009, acrescidos de multa de oficio, no percentual majorado de 150% (cento e cinquenta por cento), e dos demais encargos moratórios, atinentes: i) ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 119/125), no valor de R$ 542.047,84 (quinhentos e quarenta e dois mil, quarenta e sete reais e oitenta e quatro centavos); ii) à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 139/144), no valor de R$ 183.965,55 (cento e oitenta e três mil, novecentos e sessenta e cinco reais e cinquenta e cinco centavos); iii) à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 126/132), no valor de R$ 305.665,84 (trezentos e cinco mil, seiscentos e sessenta e cinco reais e oitenta e quatro centavos); e iv) à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 133/138), no valor de R$ 849.071,80 (oitocentos e quarenta e nove mil, setenta e um reais e oitenta centavos). A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração, lado um, e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 117/118, lado outro, decorreu da apuração Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 16832.000675/200942 Acórdão n.º 1101000.778 S1C1T1 Fl. 3 3 de omissão de receitas em todos os meses do exercício de 2006, anocalendário 2005, com base no lucro presumido, apurada mediante averiguação de diferenças entre o valores declarados pela interessada, naquele ano, como receitas (no total de R$ 5.218.234,87), e os importes obtidos por meio dos extratos bancários fornecidos pela interessada, tocantes às contas correntes mantidas junto ao Banco do Brasil, ao HSBC, ao Banco Safra, ao Banco Itaú e ao Banco Bradesco, relacionados, pormenorizadamente, no “Relatório de Faturamento 2005” de fls. 47/116 – montantes estes que, segundo a Fiscalização, serviram de base para a autuação, no valor total de R$ 33.520.629,18 (trinta e três milhões, quinhentos e vinte mil, seiscentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). A infração teve, como enquadramento legal, para o IRPJ, os artigos 25 e 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e o artigo 528 do Regulamento para o Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Já no Termo de Verificação Fiscal, foram citados o artigo 528, combinado com o artigo 224, parágrafo único, e os artigos 518 e 519 do RIR/1999, de um lado, e o Acórdão n° 10320.280, de 13.04.2000, publicado no D.O.U. de 20.06.2000, de outro. O delito teve os seguintes enquadramentos legais para o PIS e para a COFINS, aqui discutidos: i) PIS: artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 07, de 07 de setembro de 1970; artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; e artigos 2º, inciso II, alínea “a” e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002; e ii) COFINS: artigos 2º, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 21.09.2009, a impugnação de fls. 160/166, mediante a qual arguiu a tempestividade da peça, descreveu a autuação e alegou, em síntese, que: as receitas por ela auferidas foram, na sua totalidade, oriundas da venda, por atacado, de cosméticos e produtos de perfumaria e de higiene pessoal, conforme teria constatado o Auditor Fiscal, no contexto do Termo de Verificação Fiscal; conforme dispõe o artigo 1°, inciso I, item 6, da Lei n° 10.147/00, com a redação dada pelo artigo 34 da Lei n° 10.865/04, a receita bruta auferida com a venda dos produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, está sujeita à incidência de alíquotas diferenciadas de PIS e de COFINS; por outro lado, o artigo 2° do mesmo dispositivo legal dispõe que são reduzidas a zero as alíquotas de PIS e de COFINS incidentes sobre a receita bruta auferida na venda dos produtos tributados na forma do inciso I do artigo 1°, sempre que a atividade for desempenhada por pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador; desta forma, independente de se tratar de omissão de receitas, sobre as vendas por ela efetuadas deve ser aplicada alíquota zero para a apuração do PIS e da COFINS, sendo, portanto, improcedentes os autos de infração destinados a cobrar estas contribuições; quanto ao IRPJ e à CSLL, concorda a autuada com os lançamentos e afirma estar procedendo a seu parcelamento; Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 pedese o cancelamento da exigência fiscal referente ao PIS e à COFINS. Os créditos tributários de IRPJ e CSLL foram transferidos para o Processo Administrativo n° 15374.000787/201019 e encontramse, atualmente, quitados por pagamento, com os benefícios da Lei n° 11.721/09, conforme documentos acostados aos autos, pela interessada, em 11.02.2011 (fls. 259/275), confirmados às fls. 302/310. Em 21.02.2011, por meio da Resolução n° 023/2011 (fl. 252), o julgamento foi convertido em diligência, para que fosse juntada, aos autos, cópia de intimação regular, devidamente cientificada à interessada, por meio da qual esta tivesse sido instada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nos valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas junto a instituições financeiras, no anocalendário autuado – mais especificamente, nas contas correntes dos Bancos do Brasil, HSBC, Bradesco, Safra e Itaú, conforme extratos que compõe os Anexos I, II e III do presente processo. Em resposta, a DIFIS da DRF Rio de Janeiro – I, em 04.05.2011, juntou o documento de fls. 299/300, em que descreveu o pedido da diligência, alertou para o anocalendário da autuação, informou que as intimações regulares são as constantes às fls. 11 (Termo de Início de Fiscalização), 13, 15, 17, 20 e 29 (Termos de Reintimação) e disse que o contribuinte, além de apresentar os extratos bancários, teria antecipado um passo em sua obrigação de prestar informações à autoridade fiscalizadora, que foi clara em cotejar os registros contábeis com os dados constantes dos extratos bancários. Descreveu que o contribuinte apresentou o documento intitulado “Relatório de Faturamento – 2005”, rubricado por seu procurador legal, mediante o qual discriminou, dia a dia, os depósitos bancários constantes dos extratos, como sendo seu faturamento real (fls. 47/116) – documento este bastante detalhado e que, depois de examinado pelo auditor fiscal, foi aceito e aditado ao auto de infração, conforme fl. 117. Acrescentou sua visão de que o estabelecido no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 seria apenas uma das formas de apuração de omissão de receitas, podendo, entretanto, o contribuinte fornecer espontaneamente os dados necessários à apuração pela autoridade fiscalizadora, como teria sido o presente caso, mormente quando o próprio sujeito passivo reconhece como corretos os lançamentos de IRPJ e de CSLL, tendo procedido ao pagamento deles. Encerrou discorrendo que restaria, para resolução do processo, o julgamento tão somente do pedido da impugnação do contribuinte, qual seja, de solicitação de cancelamento dos lançamentos de PIS e de COFINS, à luz dos dispositivos legais citados em sua defesa. A 5ª TURMA DA DRJ NO RIO DE JANEIRO – RJ I, ao julgar a impugnação protocolada, houve por bem exonerar os lançamentos oficiosos ainda controvertidos, consoante aresto (fls. 312/318) assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 16832.000675/200942 Acórdão n.º 1101000.778 S1C1T1 Fl. 4 5 IRPJ e CSLL. DOS LIMITES DA LIDE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, mormente quando a mesma reconhece a procedência da autuação e providencia a quitação do crédito tributário respectivo. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 PIS e COFINS. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE CRÉDITOS BANCÁRIOS. REQUISITOS FORMAIS PARA SUA VALIDADE. INTIMAÇÃO REGULAR PRÉVIA. A atividade do lançamento é plenamente vinculada, não podendo o mesmo se dar de forma diversa ou sem todos os requisitos previstos na legislação. Assim, para validade da presunção de omissão de receitas contida no art. 42 da Lei rf 9.430/1996, e do respectivo lançamento embasado na mesma, é requisito indispensável que a interessada tenha sido prévia e regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários glosados. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado.” Por força da monta dos lançamentos exonerados, foi interposto o Recurso de Ofício hodiernamente dissecado. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 Versa estes autos sobre Recurso de Ofício apresentado pelo colegiado inferior, prolator de acórdão que, por unanimidade de votos, nulificou os autos de infração exordiais, ainda questionados, respeitantes a lançamentos de PIS e de COFINS. De pronto, lembro que a controvérsia corrente não se reporta às exigências de IRPJ e de CSLL, eis que estas foram aquiescidas e quitadas pelo contribuinte, em 11.02.2011, na forma demonstrada às fls. 259/275 e 302/310. O procedimento de fiscalização realizado, preparatório à formatação das cobranças sob análise, se iniciou com o Termo de Início de Fiscalização de fl. 11, acompanhado pelos subsequentes Termos de Reintimação de fls. 13, 15, 17, 20 e 29. Em todos esses instrumentos, solicitouse, à autuada, apresentação de livros e de documentos societários e fiscais, além de extratos bancários das contas correntes mantidas, pela sociedade, junto a instituições financeiras pátrias. Em nenhum momento, em todas essas intimações, pediuse a demonstração da origem de eventuais creditamentos aferidos em contas correntes – até porque, até então, limitarase o Fisco a pleitear a entrega dos extratos correlatos, de cuja análise poderia advir a averiguação de ingressos bancários passíveis de qualificação como omitidos, acaso inexplicados quanto a sua origem, mediante documentação hábil e idônea. O contribuinte entregou, em respostas datadas de setembro e de outubro de 2009 (fls. 31/32), os extratos bancários postulados. Posteriormente, de forma espontânea, entregou relação intitulada “Relatório de Faturamento 2005” (fls. 47/116), mediante a qual pormenorizou cada um dos lançamentos creditícios pertinentes aos extratos disponibilizados. Na mesma planilha, foram pontuadas breves informações sobre a natureza de cada operação, segundo rubricas simples – tais como “DEP ONLINE”, “DEP EM DINHEIRO”, “Cobrança” e “DOC”, por exemplo. O i. agente lançador, interpretando, talvez, que essa voluntária manifestação do sujeito passivo correspondesse a tentativa de elucidar a origem dos depósitos bancários, achou desnecessário intimar, mais uma vez, o contribuinte, com este fim específico. Isso é o que se dessume da manifestação fiscal de fls. 299/300, no corpo da qual restou destacada a assertiva de que o próprio contribuinte assumiu, como sonegados, os rendimentos bancários, indicados como resultantes de venda de mercadorias. Outrossim, consignou a equipe autuante que o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não dispunha sobre o único modo possível de apuração de receitas omitidas, sendo verdade que à mesma conclusão se poderia chegar por meio de outros procedimentos – no caso, verbi gratia, vinculados à exposição espontânea, pela autuada, dos valores de faturamento não declarados. Sucede que, a despeito desse parecer querer insinuar o contrário, foi o mecanismo do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 que acabou mencionado, sim, nas peças acusatórias, como fundamento da autuação. Assim se pode visualizar do corpo dos autos de infração, entranhados às fls. 119 e ss. Ora, se assim é, evidente que deveria ter sido o sujeito passivo intimado, formal e inarredavelmente, a comprovar a origem dos depósitos bancários examinados, forte na cabal determinação do caput do dispositivo de lei em comento: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 16832.000675/200942 Acórdão n.º 1101000.778 S1C1T1 Fl. 5 7 relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” (g.n.) A ausência desta notificação prévia, validamente realizada, concessiva de prazo suficiente ao cotejamento de eventual documentação hábil e idônea que elucidasse a procedência dos recursos ingressos em conta de depósito ou de investimento, ensejou, sem dúvida, a nulidade absoluta das autuações. Dito vício, de índole material, é, por sua própria natureza, grave e insanável, como bem entreviu o colegiado a quo. Logo, irretocável é o acórdão recorrido, em toda sua extensão. No sentido ora pugnado, colacionemse as seguintes ementas de julgamento deste Conselho, de grande valor pedagógico: “IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem todos os titulares das contas correntes serem intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, sob pena de nulidade do lançamento fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada.” (Ac. nº 10616.916/08) “IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA. Nos termos do artigo 42, caput e seu § 6°, da Lei n° 9.430/96, é necessária a intimação do titular (se a conta for individual) ou dos titulares das contas de depósito ou de investimento (se a conta for conjunta) para que comprovem a origem dos depósitos bancários identificados. Feito isso e na hipótese de as declarações de rendimentos terem sido apresentadas em separado, é que o valor dos rendimentos omitidos será dividido pelo número de cotitulares da conta bancária. A ausência de intimação de um dos cotitulares da conta conjunta torna insubsistente o lançamento com relação aos depósitos bancários sem origem comprovada identificados junto a ela.” (Ac. nº 10617.245/09) Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Sala das Sessões, em 7 de agosto de 2012 Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 8 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
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