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Numero do processo: 10980.720423/2015-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA
Os resgates de recursos acumulados nos planos de benefícios de caráter previdenciário, de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência e Fapi sujeitam-se à incidência de imposto de renda na fonte, como antecipação do devido na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária dos rendimentos.
Numero da decisão: 2001-000.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA Os resgates de recursos acumulados nos planos de benefícios de caráter previdenciário, de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência e Fapi sujeitam-se à incidência de imposto de renda na fonte, como antecipação do devido na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária dos rendimentos.
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RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA Os resgates de recursos acumulados nos planos de benefícios de caráter previdenciário, de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência e Fapi sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte, como antecipação do devido na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 23 /2 01 5- 00 Fl. 93DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2012, anocalendário de 2011. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada/PGBL do Itaú Vida e Previdência S.A., no valor de R$ 96.636,45, sendo compensado o IRRF correspondente de R$ 14.495,46. Como resultado, foi apurado o saldo de imposto suplementar de R$ 7.118,15, mais multa de ofício e juros de mora, em detrimento do saldo de imposto a restituir declarado no valor de R$ 139,18. Regularmente cientificado da Notificação, a contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que o valor foi pago em conformidade à decisão judicial do processo de separação nº 18/2009, sendo sacado pela beneficiária, a exesposa Dolores Edite Novacki – CPF 436.249.87968. Informa que os comprovantes foram apresentados à RFB por meio do Termo de Atendimento. Solicita prioridade no atendimento conforme Estatuto do Idoso. O dossiê contendo os documentos apresentados à Fiscalização foi juntado às fls. 62/69. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar o quanto alegado eis que não se verifica nos autos a comprovação documental de que o valor resgatado de R$ 96.636,45 e o IRRF de R$ 14.495,46 se referiram levantamento amparado pelo alvará judicial. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e apresenta novamente documentação clara e inequívoca para comprovar seu direito à dedução. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos Previdência Privada O presente lançamento decorre sobre suposta omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada/PGBL. Através do quanto exposto pela DRJ Rio de Janeiro, na sua decisão. os rendimentos em análise estão sujeitos à retenção do IRRF, assim como à tributação através da declaração de ajuste anual. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.720423/201500 Acórdão n.º 2001000.639 S2C0T1 Fl. 3 3 Portanto, o rendimento considerado omitido deveria ter sido declarado como tributável e passível de ajuste na DIRPF de seu beneficiário, momento em que o IRRF porventura retido pela fonte pagadora poderia ser compensado com o imposto devido anualmente. Em sua defesa, o Contribuinte alega que a real beneficiária do rendimento fora sua exesposa Dolores Edite Novacki, anexando cópias de partes da Ação de Separação Judicial (fls. 3/33). Contudo a DRJ não ficou convencida, através dos documentos apresentados até o momento da sua decisão, de que os valores tinham sido levantados pela sua ex esposa. Em sede de recurso voluntário , junta o contribuinte, de forma clara e objetiva, documentos que comprovam o quanto alegado por ele, ou seja, de que o valor de R$96.636,45 foi sacado pela Dolores Edite, sua ex esposa. Junta até declaração do próprio banco Itaú ratificando tais informações. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 95DF CARF MF 4 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Tendo em vista que foram apresentados documentos que deixam claro que o levantamento do valor foi feito pela sua ex esposa, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para desconsiderar a suposta omissão de rendimentos pelo contribuinte em apreço. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para desconsiderar a suposta omissão de rendimentos alegada em desfavor do contribuinte em apreço. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.722804/2017-84
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA - COMPROVANTES DE PAGAMENTO
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível.
Numero da decisão: 2002-000.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA - COMPROVANTES DE PAGAMENTO São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível.
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A importância paga por mera liberalidade não é dedutível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 28 04 /2 01 7- 84 Fl. 83DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 19 a 23), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 4.924,03, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 16 dos autos, cujas alegações são, conforme decisão da DRJ: Alega o Impugnante, em síntese, que: Afirma que a pensão foi decorrente de decisão judicial em face do Direito de Família. Anexa os documentos de fls. 09/15. A impugnação foi apreciada na 11ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, em 22/11/2017, no acórdão 1293.865, às efls. 31 a 33, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 44 a 78, no qual alega, em resumo, que está vigente a obrigação de pagamento de pensão alimentícia para sua mãe, em espécie, anexando ação judicial que assim determinou. Menciona a Súmula 98 deste CARF, recentemente revogada. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/12/2017, efls. 39, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 08/01/2018, efls. 42, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A DRJ manteve a glosa sob os seguintes fundamentos: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10875.722804/201784 Acórdão n.º 2002000.406 S2C0T2 Fl. 75 3 A impugnante apresentou como comprovação da dedução de pensão alimentícia a sentença homologatória do acordo que cita, fls. 09/07. Muito embora tenha apresentado a sentença homologatória, a interessada não apresentou o referido acordo, tampouco a comprovação das importâncias pagas, por meio de cheques, depósitos, transferências bancárias, por exemplo ou qualquer outro meio que provasse a transferência de numerário. Não restou comprovado o efetivo pagamento e tampouco que este estaria de acordo com o acordo homologado judicialmente, portanto mantenho a glosa. A dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda está prevista no artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR – Decreto 3.000/99) e no artigo 4º da Lei nº 9.250/1995: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (...) Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Como colacionado acima, nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. Ainda, conforme a jurisprudência deste CARF: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL – Observados os demais requisitos legais, a dedução por pensão alimentícia é Fl. 85DF CARF MF 4 autorizada para as despesas incluídas no conceito de alimentos no âmbito das normas reguladoras do Direito de Família. (Acórdão nº 10248.568 25 de maio de 2007) IMPOSTO DE RENDA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A norma insculpida no artigo 4º, inciso II, da Lei 9.250/1995, autoriza a dedução da base de cálculo do imposto de renda das importâncias pagas a título de pensão alimentícia quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, em face das normas do Direito de Família, seja a pensão paga a menor ou não. (Acórdão n°: 2201001.681 10 de julho de 2012) De fato, há decisão judicial que determina o pagamento da pensão alimentícia, contudo, a contribuinte não junta prova do efetivo pagamento dos valores, requisito essencial para valerse da dedução da despesa. Observase que não há o desconto da pensão na folha de pagamento da contribuinte, como se vê às efls. 14, por exemplo. Assim, o pagamento em espécie também exige comprovação, prova mais difícil de se obter. Desta forma, mantenho a decisão de piso Logo, conheço do presente recurso para, no mérito, negarlhe provimento.. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979470/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à impossibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, proferindo despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.977995/2009-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano calendário, cabe a devolução do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à impossibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.977995/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 94 70 /2 00 9- 30 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.979470/200930 Acórdão n.º 1301003.378 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão do impedimento de se compensar as estimativas mensais, já que se tratava de saldo negativo compensável apenas após o período, de acordo com a IN 600/2005. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que apurou lucro fiscal no ano, porém os recolhimentos por estimativa foram maiores que os tributos devidos, aduzindo que o crédito é existente e comprovado, e que o débito seria inexistente. O Acórdão recorrido manteve o decidido em despacho decisório sob o argumento da impossibilidade de se utilizar os créditos decorrentes de pagamentos indevidos de estimativas mensais, que seria somente passível de utilização após o final do período de apuração na forma de saldo negativo. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende a prevalência da verdade material, o reconhecimento do crédito e sua homologação. Em síntese, que houve pagamento a maior nas estimativas recolhidas e que as declarações respectivas foram retificadas. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.979470/200930 Acórdão n.º 1301003.378 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.371, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977995/2009 31, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/12/2004 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhido em 30/11/2004. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.371): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de pagamento a maior de estimativa mensal. Segundo o Despacho Decisório, a compensação não foi homologada pois o pagamento era de estimativa mensal de pessoa tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, nos termos do artigo 10 da IN SRF 600/2005. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, na impossibilidade de se utilizar como crédito valores decorrentes de pagamentos de estimativas mensais, nos mesmos termos da IN mencionada. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente ao final do ano apurouse que os recolhimentos por estimativas foram maiores que o devido. Entretanto, o crédito utilizado na PerdComp foi informado equivocadamente tomandose como base os DARFs recolhidos. Ressalta que retificou as DIPJ em que não havia sido lançado os recolhimentos por estimativa, e que os valores das compensações foram efetivamente informados em DCTF. Assim, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.979470/200930 Acórdão n.º 1301003.378 S1C3T1 Fl. 5 4 diante do erro formal e com base na verdade material requer a consideração do crédito. Em que pese a recorrente não ter trazido aos autos documentações que efetivamente comprovem o seu erro que gerou o pagamento a maior, a verdade é que desde o início tanto do despacho decisório, quanto na decisão de primeira instância, foram baseados no argumento da impossibilidade de se utilizar como crédito os valores decorrentes de estimativas mensais, com base no art. 10 da IN 600/2005. E nesse aspecto, tal óbice foi superado com a edição da IN 900/2008, desde que reste comprovado o erro de fato que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. É certo que compete ao recorrente, o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito utilizado para compensação com débito próprio objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Em sede recursal, alegou que em nenhum momento foi intimado para apresentação de documentos, mas de igual forma não fez prova de seu crédito, o que o gerou, como determina os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Frisa que retificou a DIPJ, onde estavam lançados os valores das estimativas, porém, o que deveria ter sido retificado seriam as DCTFs, justamente para se identificar os créditos. Entretanto, diante da possibilidade de se utilizar créditos decorrentes de pagamentos de estimativas mensais, a comprovação do erro que gerou tal crédito é fundamental e determinante. E a recorrente em que pese alegar eventual erro, bem como a busca pela verdade material. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL provimento para se supere o óbice relacionado ao art. 10 da IN 600/2005, aplicandose a Súmula 84, e determinar o retorno para a unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada, inclusive intimando o contribuinte para que apresente documentos que julgar necessários, retomando a partir daí o rito processual ordinário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.979470/200930 Acórdão n.º 1301003.378 S1C3T1 Fl. 6 5 nº 84) no que diz respeito à impossibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720125/2016-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
CIÊNCIA POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
É intempestiva a impugnação apresentada após o prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Valendo-se da intimação por edital, o termo inicial de 30 (trinta) dias tem por início o 15o (décimo quinto) dia após a sua publicação no endereço da administração tributária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
SUJEIÇÃO PASSIVA. ADMINISTRADORES E PROCURADORES.
A mera qualificação de sócio, administrador, gerente ou procurador não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato social ou caracterizar interesse comum, o que não restou demonstrado.
Numero da decisão: 1201-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte/autuado; e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 CIÊNCIA POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. É intempestiva a impugnação apresentada após o prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Valendo-se da intimação por edital, o termo inicial de 30 (trinta) dias tem por início o 15o (décimo quinto) dia após a sua publicação no endereço da administração tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 SUJEIÇÃO PASSIVA. ADMINISTRADORES E PROCURADORES. A mera qualificação de sócio, administrador, gerente ou procurador não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato social ou caracterizar interesse comum, o que não restou demonstrado.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. É intempestiva a impugnação apresentada após o prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Valendose da intimação por edital, o termo inicial de 30 (trinta) dias tem por início o 15o (décimo quinto) dia após a sua publicação no endereço da administração tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012, 2013 SUJEIÇÃO PASSIVA. ADMINISTRADORES E PROCURADORES. A mera qualificação de sócio, administrador, gerente ou procurador não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato social ou caracterizar interesse comum, o que não restou demonstrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário do contribuinte/autuado; e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 01 25 /2 01 6- 68 Fl. 2387DF CARF MF 2 Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 1.142/1.220) que exigem IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS), em razão (i) da glosa de exclusões fiscais para os anos calendário de 2011 e 2012; e (ii) de arbitramento do lucro em relação ao anocalendário de 2013. De acordo com o Termo de Descrição dos Fatos (fls. 1.089/1.130), as infrações foram assim motivadas: [...] 10. Da Irregularidade Exclusões na Apuração do Lucro Real A Contribuinte devidamente intimada não apresentou documentação hábil e idônea que justificasse os valores levados a efeito a título de exclusões do lucro líquido na apuração do lucro real para os anos calendários de 2011 e 2012. Esclarecemos que para 2013 o tratamento desta questão será abordado em Tópico próprio, pela ausência de regular escrituração contábil. No primeiro atendimento da contribuinte sobre esta questão, ainda no curso da "ação fiscal de Diligência", havia apresentado alegações e decomposição do valor excluído, citando alguns lançamentos contábeis, que ao serem verificados pela Fiscalização na Escrituração Contábil Digital ECD, constatou se serem inexistentes. No aprofundamento da questão, conforme consta item 3 do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrado em 04/07/2016, pelo qual solicitávamos esclarecimentos pertinentes e apresentação de elementos probatórios das alegações, até o momento não obtivemos manifestação da contribuinte. Diante desta circunstância e da impossibilidade de se validar tais exclusões do lucro líquido na apuração do lucro real, diante do fato de que as seguintes verificações realizadas nos lançamentos escriturados na ECD que se interagem às exclusões, assim definidos: · de como determinado valor havia sido levado a efeito no cômputo do lucro líquido; · a identificação de sua natureza; Fl. 2388DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201668 Acórdão n.º 1201002.678 S1C2T1 Fl. 3 3 · a ratificação de que a natureza em questão não está sob o âmbito da incidência tributaria; · se o ato/fato contábil que o acoberta já não foi desonerado sob outra tarja (outros custos, outras despesas); · e, principalmente, para preservar os interesses da Fazenda Nacional é que serão glosados os valores informados pelo contribuinte a título de outras exclusões na apuração exofício do lucro real, assim detalhado: Para o ano calendário de 2011, na DIPJ/2012, n° declaração 977348, n° recibo 19.49.69.46.32, entregue em 28/06/2012, cuja Ficha 09A, Linha 78 informa o valor R$ 30.006.830,38; e, Para o ano calendário de 2012, na DIPJ/2013, n° declaração 1066655, n° recibo 30.14.72.96.24, entregue em 27/06/2013, cuja Ficha 09A, Linha 87 informa o valor R$ 12.294.581,89. 11. Da Irregularidade Falta de Escrituração Contábil em 2013 Lucro Arbitrado O fato de a contribuinte não ter entregue a Escrituração Contábil Digital ECD para o ano calendário de 2013, fica caracterizado a falta de escrituração contábil da contribuinte. Logo, fica configurada e caracterizada uma das hipóteses legais para que se desconsidere a opção de apuração do resultado desta contribuinte da modalidade do lucro real para a adoção das determinações legais imposta pelo artigo 530 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), ou seja, a apuração do resultado pela modalidade do Lucro Arbitrado em consonância com as disposições do artigo 47 da Lei 8.981/95 e do artigo Io da lei 9.430/96. Assim sendo, as condutas: de não entrega da escrituração contábil e a falta de entrega dos elementos comprobatórios que dão sustentação à escrituração da contribuinte impossibilitam quaisquer verificações de validade dos registros que informa em sua DIPJ/2014 ano calendário de 2013. O critério a ser adotado exofício na apuração do resultado pela modalidade do lucro arbitrado será a aplicação de percentual sobre a receita bruta conhecida. Este percentual está definido em função da natureza da atividade econômica desempenhada pela contribuinte, no caso "a fabricação e distribuição, inclusive intermediação na compra e venda de: veículos e partes destes, entre outras", conforme consta de seu objeto social e atento às determinações do artigo 532 do RIR/99. Sendo assim, temos para o caso em concreto a fixação do percentual de 9,6 % (nove inteiros e seis décimos por cento) a ser aplicado na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e de 12,0 % (doze por cento) na Fl. 2389DF CARF MF 4 apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Outro ponto legal a ser esclarecido é a identificação da "receita conhecida" desta contribuinte no período de apuração. Nesta questão, temos que a receita conhecida será a receita registrada pelas notas fiscais eletrônicas que emitiu, sob as operações de receitas da venda no mercado interno de produtos de fabricação própria e de receitas da revenda de mercadorias. Por óbvio, levadas a efeito eventuais devoluções de vendas também registradas pelas notas fiscais eletrônicas em que conste como destinatário e que foram emitidas por seus clientes. A Fiscalização apurou as receitas de vendas/revendas com base nos arquivos das notas fiscais eletrônicas de saídas por ela emitidas. Elas foram baixadas diretamente do Sistema Público Bx. Para a apuração das devoluções de vendas de produtos ou de revendas de mercadorias, a Fiscalização levou a efeito os registros de sua Escrituração Fiscal Digital (EFD ICMS/IPI). Sendo assim e para demonstrar os valores apurados exofício da Receita Conhecida da contribuinte para o ano calendário de 2013 elaboramos 03 (três) anexos, assim denominados: · Receita Conhecida Advinda das NFe em 2013 (03 fls.); · Devolução de Vendas em 2013 dados da EFD ICMS/IPI (01 fls.); · Receita Conhecida para Efeitos de Arbitramento de Lucro (01 fls.); Os dois primeiros demonstrativos indicam: o período de apuração, o código do CFOP e sua descrição, o valor total da nota fiscal, o valor total do IPI destacado e o valor total da nota fiscal sem o IPI. No terceiro demonstrativo compilamos por período de apuração, transcrevendo os dados valorados dos dois anteriores, acrescentando a coluna denominada de Receita Conhecida, que resultou da simples operação de subtração: valores das vendas diminuídos dos valores das devoluções, com respeito ao IPI destacado em ambas operações. Destacamos dois pontos sob o aspecto fiscal: primeiro, que o valor da receita conhecida apurado para o ano calendário de 2013 reflete o valor informado pela contribuinte na DIPJ 2014/2013, Ficha 07A, linha 03 sob a denominação: Receita de Venda de Produto de Fabricação Própria no Mercado Interno; consequentemente, esta foi a razão pela qual a Fiscalização não gerou excessivos demonstrativos individualizando os dados de cada nota fiscal eletrônica que emitiu ou a ela foi destinada, vez que a apuração exofício está condizente e ratificada pela informação que a própria contribuinte havia prestado por meio da DIPJ. Fl. 2390DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201668 Acórdão n.º 1201002.678 S1C2T1 Fl. 4 5 O outro ponto, se refere ao fato de informar os valores apurados da receita conhecida em períodos de apuração mensal, enquanto que o lucro arbitrado se dá em períodos trimestrais. Esta circunstância não resulta em prejuízo para a contribuinte e se torna necessária para a correta apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS no período, cujas infrações de falta de declaração e ou de recolhimento são reflexas ao do cumprimento da obrigação principal relativa ao IRPJ. Melhor explicando, o período de apuração destas contribuições é mensal, independente da modalidade de apuração: se não cumulativa quando o resultado é apurado pelo lucro real ou se cumulativa sob a apuração pelo lucro arbitrado, Para as apurações do Lucro Arbitrado e da Base de Cálculo da CSLL, simplesmente, serão agrupados os valores mensais que demonstramos em cada qual dos trimestres calendário. Os valores apurados mensalmente a título de RECEITA CONHECIDA do demonstrativo constam discriminados nas respectivas folhas de continuação dos Autos de Infração do IRPJ, da CSLL, do PIS/Pasep e da COFINS. Para a apuração dos valores devidos para a Fazenda Nacional foram considerados os débitos já declarados pelas DCTF do ano calendário de 2013, isto para as Contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS. Recordamos que nada havia declarado a título de IRPJ e CSSL. Como decorrência da autuação, foi aplicada multa de ofício qualificada e agravada (de 225%, portanto) e foram incluídos como responsáveis solidários os Senhores Victor Carlos Monteiro Paiva, Antônio Campello Haddad Filho, Sebastião Luis Pereira Lima, Eudes Maria Regnier Pedro José de Orleans e Bragança, Jonas Hipólito de Assis e Maristela Astorri Nardini, sob a seguinte justificativa: 15. Da Responsabilidade por Infrações da Legislação Tributária e a ação ou omissão dolosa, para caracterizar a correta aplicação da penalidade. [...] O cerne da questão está na "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente" a circunstância legal que indica para definir o Dolo, a Fraude ou o Conluio. Por óbvio que as pessoas naturais que administram a contribuinte buscam elevar as margens de lucratividade empresarial. Contudo, para o caso de se utilizar do mecanismo de redução indevida da despesa tributária, criase a necessidade de produzir mascaras artificiais que encubram as verdadeiras situações de fato, como única possibilidade de aumentar a possibilidade de êxito em seu propósito. Fl. 2391DF CARF MF 6 Assim sendo, ressaltamos as diversas situações constatadas na execução dos procedimentos da Auditoria, que dizem respeito à conduta de seus administradores: (i) em que registra em sua apuração do lucro real exclusões; que intimado ao esclarecimento apresenta alegações com demonstrativos de contas contábeis inexistentes em sua regular escrituração para os anos calendários de 2011 e 2012; que tais exclusões acarretam apuração de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL; que nada apresenta de documentação comprobatória de seu intento de ver os valores excluídos do lucro líquido na apuração do lucro real; conduta que se caracteriza como a de redução dos tributos. (ii) em que não mantém escrituração contábil regular para o ano calendário de 2013; que contrata profissional com a especificidade para tal intento e o nomeia como procurador; que o procurador ou a administração leva tal circunstância a registro junto a JUCESP, antes e depois do feito, assinalando o cumprimento integral da entrega dos arquivos digitais de sua escrituração; que de fato nada entrega ou que entrega único arquivo da ECD Auxiliar para o mês de janeiro, cujo conteúdo fica restrito aos dados cadastrais e meia dúzia de lançamentos desconexos com a realidade da atividade empresarial do período; conduta que se caracteriza como a de se afastar do conhecimento da Administração Tributária os registros obrigatórios da atividade empresarial por ela desenvolvida. [...] Enfim, a caracterização da ação ou omissão dolosa no âmbito tributário não fica restrita a constatação de utilização de documentos inidôneos ou de documentos portadores de falsidades materiais ou ideológicas, ela vai além destes propósitos. A obtenção do intento "de nada recolher" ou "de nada declarar" ou de postergar a exigibilidade dos tributos incidentes nas operações desenvolvidas pela contribuinte, que serão objeto da constituição do crédito tributário exofício e decorrem das irregularidades constatadas nos períodos sob Auditoria, aliadas as circunstâncias caracterizadas pelas condutas e pelos subterfúgios que assinalamos, que foram utilizados pela contribuinte com a finalidade de neutralizar a carga tributária incidente sobre suas operações e sobre a sua massa salarial são os elementos que tipificam "a ação ou omissão dolosa" desta associação de pessoas naturais, que por conseqüência das disposições legais contidas no inciso I e no §1°, ambos da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, determinam que o percentual da multa a ser aplicada deverá ser duplicado. Por outro lado, ainda temos que pessoas naturais agiram sob o manto inicial do chamado Grupo Brasil e na Administração da G Brasil SA, sob o comando dos Srs. Sebastião Luis Pereira de Lima, CPF 855.844.79853 e Antonio Campello Haddad Filho, CPF 990.920.77887 que eram os administradores da "Karmann Ghia" no início do período sob ação Fiscal; Na sequência em Fl. 2392DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201668 Acórdão n.º 1201002.678 S1C2T1 Fl. 5 7 decorrência dos atos societários e pelo ingresso nos quadros sociais das empresas, tanto na condição de pessoa física bem como na qualidade de ser o representante das pessoas jurídicas envolvidas, da qual é detentor de cotas societárias temos o Sr. Jonas Hipólito de Assis, CPF 046.571.69890; seguidos pelos ingressos do Sr. Eudes Maria Regnier Pedro José de Orleans e Bragança, CPF 031.685.06753; e Sra. Maristela Astorri Nardini, CPF 221.106.23853, todas na condição de que praticaram atos com excesso de poderes e atos que infringiram a lei tributária, portanto são pessoalmente responsáveis e serão indicados como sujeitos passivos solidários da obrigação tributária lançada em desfavor da contribuinte, nos termos do artigo 135 da Lei 5.172/66. E ainda, sob este aspecto da sujeição passiva solidária, além destas pessoas naturais retro indicadas que estiveram à frente da Administração da contribuinte na condição de integrar o corpo societário da Karmann Ghia ou de ser seu administrador, temos às disposições que tratam do interesse em comum na situação, envolvendo as pessoas naturais que mantiveram conduta para que a contribuinte obtivesse o resultado de "nada recolher ou de nada declarar", segundo os ditames do artigo 124 do CTN, com as devidas redações dadas pela legislação subsequente. Nesta direção, além dos indicados temos adicionalmente o Sr. Victor Carlos Monteiro Paiva, CPF 487.705.90834, que qualificado como procurador da contribuinte nos exatos termos do que consta registrado nos assentos da JUCESP; que mantinha o dever de cumprir com as prestações de informações para com a RFB; que levou ao registro da JUCESP a informação de que cumpriu de forma integral com a incumbência de ter prestado as informações, contudo sem "nada ter entregue", conforme descrito pormenorizadamente em Tópicos anteriores, aliado ao fato de que mantém relação direta com os interesses daqueles que constam no quadro societário da Karmann Ghia, vez que é o responsável das seguintes empresas pelo preenchimento das DIPJ 2013 e DIPJ 2014 da G Brasil Participações SA; DIPJ 2014 da ILP Participações SA, esta inclusive em que o Sr. Jonas Hipólito de Assis é o detentor dos 100% de participação do capital social; razão pela qual deve também ser submetido a sujeição passiva solidária das obrigações tributárias lançadas de oficio para o ano calendário de 2013. A regulamentação da responsabilidade dos administradores da pessoa jurídica está estabelecida no Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), que assim dispõe: Art. 207. Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei n. 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 5): ... Fl. 2393DF CARF MF 8 V os sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. Parágrafo único. Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei n2 1.598, de 1977, art. 52, § 12): ... III os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica extinta, no caso do inciso V. Além do interesse na situação nos termos do artigo 124 do CTN dos Sr. Eudes Maria Regnier Pedro José de Orleans e Bragança e da Sra. Maristela Astorri Nardini, eles são alcançados pelo Inciso III do Parágrafo Único do artigo 207 do Decreto n° 3.000/99, vez que momento da paralisação abrupta que se deu com o abandono da atividade empresarial, havia litigância na área judicial entre estes dois administradores a respeito da alienação das cotas societárias ocorridas, por meio do processo 102898191.2014.8.26.0564 da 3a Vara Cível de São Bernardo do Campo/SP, logo sob o aspecto da responsabilidade dos administradores nesta circunstância ficam ambos submetidos a sujeição passiva solidária. O TVF, por fim, ainda relata que: 16. Da Decretação da Falência em 22/11/2016 O Juiz Dr. Gustavo Dall'Olio da 8a Vara Cível de São Bernardo do Campo/SP nos autos do processo 101616424.2016.8.26.0564 proferiu sentença aos 22/11/2016 e decidiu pela procedência do Pedido, decretando a Falência de "Karmann Ghia". Ele nomeou como administrador a LASPRO CONSULTORES LTDA, para desempenhar as funções na forma do inciso III do caput do art. 22 da Lei n° 11.101/2005, sem prejuízo do disposto na alínea a do inciso II do caput do art. 35 da Lei, com sede a Rua Major Quedinho, n° 111, apto 18, bairro Consolação, São Paulo/SP, CEP 01050030, representada pelo Dr. Oreste Nestor de Souza Laspro OABSP n° 98.628/SP. A contribuinte principal (Karmann Ghia) e a pessoa física Maristela Astori Nardini foram intimadas dos Autos de Infração por edital, cujas cópias encontramse, respectivamente, às fls. 1.356 (Edital SEFIS n. 94/2016) e 1.349/1.350 (Edital SEFIS n. 91/2016). A empresa apresentou defesa (fls. 1.958/1.984) no dia 31/01/2017 (fls. 1.957). Entende ser necessária a conversão do julgamento em diligência a fim de que lhe seja dada a oportunidade de atender as exigências da fiscalização, sob pena de acarretar a nulidade dos Autos. Quanto às exclusões que levaram as exigências de IR e CS dos AC 2011 e 2012, sustenta que elas dizem respeito à reversão de provisões de honorários advocatícios e de Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201668 Acórdão n.º 1201002.678 S1C2T1 Fl. 6 9 recuperação de tributos, encontrando amparo na legislação e na jurisprudência administrativa federal. Em relação ao AC 2013, registra que o arbitramento é medida excepcional e que deveria ser utilizada apenas quando não mereçam fé as declarações, os esclarecimentos prestados ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 148 do Códito Tributário Nacional. Complementa que a autoridade autuante poderia perfeitamente apurar o efetivo lucro líquido do período e lançar apenas eventuais diferenças de recolhimento identificadas. Aduz que não atendeu à intimação, uma vez que não fora devidamente intimada, uma vez que seu estabelecimento estava interditado. A própria fiscalização reconheceu a credibilidade das informações constantes na DIPJ/2013 ao utilizar o valor da receita informada na DIPJ como base para o arbitramento. Esta própria constatação demonstra claramente que, embora não tenha apresentado a ECD referente ao período, há regular escrituração contábil e fiscal. Afirma também que a falta de transmissão da ECD não significa necessariamente a inexistência de escrituração contábil, o que afasta o método do arbitramento. Questiona, ainda, que a multa foi indevidamente qualificada e agravada, além de revelarse confiscatória. A solidária Maristela Astori Nardini não impugnou os lançamentos. As demais pessoas físicas, intimadas por via postal, apresentaram defesas tempestivas (Victor Carlos Monteiro Paiva fls. 1.378/1.422; Antonio Campello Hadad Filho fls. 1.544/1.597; Sebastião Luis Pereira de Lima fls. 1.604/1.657; Eudes Maria Regnier Pedro de Orleans e Bragança fls. 1.672/1.692; e Jonas Hipólito de Assis fls. 1.809/1.828), alegando, em resumo, que não houve indicação individualizada por parte da fiscalização de quais teriam sido as omissões ou atos praticados com dolo, excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que macula os lançamentos. Em Sessão de 25 de maio de 2017, a 4a Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação da pessoa jurídica, por intempestiva; considerou não impugnada a responsabilidade solidária da pessoa física Maristela Astorri Nardini, por falta de apresentação de defesa; e julgou procedentes as impugnações apresentadas pelas pessoas físicas Victor Carlos Monteiro Paiva, Antonio Campello Hadad Filho, Sebastião Luis Pereira de Lima, Eudes Maria Regnier Pedro de Orleans e Bragança e Jonas Hipólito de Assis, afastando a responsabilidade solidária. A ementa da decisão recebeu a seguinte redação: CIÊNCIA POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. É intempestiva a peça impugnatória ofertada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Nesse caso, a defesa apresentada não Fl. 2395DF CARF MF 10 caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do processo e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Para efeito de contagem do prazo de 30 dias para impugnar, considerase feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado para tanto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Nos termos do art. 124, I e do art. 135, III do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato de infração à lei ou ao contrato social, acompanhada de provas que demonstrem de forma inequívoca a atuação pessoal do sujeito responsabilizado ao referido ato. A devedora principal (pessoa jurídica) foi cientificada da decisão em 29/06/2017 e interpôs recurso voluntário (fls. 2.281/2.304) em 25/07/2017 (fl. 2.278), por meio do qual pleiteia a nulidade do edital em razão da ausência de publicação e de existência de rasuras manuais quanto à data de afixação para definir a contagem do prazo. Aduz, ademais, que o termo inicial da defesa, na verdade, corresponderia ou à data de vista do processo, o que ocorreu em 05/01/2017, ou por ocasião da intimação do Sr. Eudes, o que ocorreu em 07/07/2017 (sextafeira), e não em 29/12/2016 (15 dias do edital) , como foi considerado pela DRJ. Quanto ao afastamento da indicação dos responsáveis solidários, houve recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Do recurso voluntário O recurso voluntário questiona a conclusão acerca da intempestividade da defesa da contribuinte, que foi assim fundamentada pela decisão de piso: Tendo a pessoa jurídica tomado ciência do lançamento de ofício em 29/12/2016, quinze dias após a publicação do Edital SEFIS nº 94/2016, em 14/12/2016, a contagem do prazo para apresentação da defesa começou a fluir a partir do dia 30/12/2016, sextafeira, e terminou no dia 28/01/2017, sábado. Sendo sábado, um dia não útil, o prazo de trinta dias encerrou se de fato, no primeiro dia útil após o dia 28/01/2017, ou seja no dia 30/01/217. A interessada apresenta sua defesa no dia 31/01/2017, depois de transcorrido mais de trinta dias, contados da ciência do lançamento de ofício. Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201668 Acórdão n.º 1201002.678 S1C2T1 Fl. 7 11 O argumento da impugnante de que tomou ciência da lavratura dos autos de infração mediante diligência por ela efetuada no CAC e, portanto, esta seria a data inicial para contagem do prazo para apresentação de defesa, não encontra respaldo legal. Por tudo que se encontra exposto, encaminho o meu voto no sentido de não conhecer da impugnação, por intempestiva. Com efeito, a intimação da empresa por edital foi feita em razão da paralisação das atividades empresariais e invasão da sua sede por determinado Sindicato, conforme atestado pela fiscalização às fls. 161/170, 673/679 e 2.133/2.230 e corroborado pela empresa no recurso voluntário (fls. 2.285), nos seguintes termos: À época da lavratura da autuação, a sede da Recorrente encontravase invadida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC desde meados de maio de 2016. A situação de invasão e de ausência de qualquer atividade fabril e administrativa da empresa foi atestada por Ata Notarial lavrada, em 29/06/2016, pelo 4 Tabelião de Notas de São Bernardo do Campo [fls. 673 a 679], assim como pela própria Fiscalização da RFB, conforme Termo de Registro de Ocorrências [fls. 161 a 170], lavrado em 16/08/2016. Pelo Termo de Registro de Ocorrências, a Fiscalização atesta a situação de invasão do estabelecimento da Recorrente pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e, diante das incertezas em relação ao efetivo recebimento das intimações para prosseguimento da fiscalização, conclui que a intimação da Recorrente deveria ser feita mediante publicação de edital no D.O.U., nos termos do art. 23, §12, inciso III, do Decreto n9 70.235/72. Às fls. 1.325, a fiscalização ainda esclarece que: 3 A ciência destes Atos Administrativos se dará via Postal nos termos do Artigo 23, inciso II do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 9.532/97. As correspondências serão encaminhadas para o domicilio tributário do Administrador Judicial da contribuinte e para os sujeitos passivos da obrigação solidária indicados. 4 Como forma de garantir o pleno direito da Fazenda Nacional e em decorrência da constatação no curso desta ação fiscal, de que correspondências são inicialmente recepcionadas, mas depois são reintegradas ao Sistema de Correios com a indicação de "retorno ao remetente", tomaremos de mediato as providencias previstas no inciso III do §1° do citado artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, com redação dada pela Lei n° Fl. 2397DF CARF MF 12 11.941/2009, com a publicação no D.O.U. em decorrência da diversidade de jurisdição dos envolvidos. Mais precisamente, com exceção da empresa e da Sra. Maristela (que não foi localizada no endereço cadastrado), os demais solidários foram intimados regularmente por via postal. A Sra. Maristela, então, foi intimada por meio de Edital SEFIS n. 91/2016 (fls. 1.350), publicado no DOU (cf. fls. 1.349), uma vez que seu domicílio Americana é diferente da jurisdição da autoridade fiscalizatória (São Bernardo de Campo). Já a Recorrente foi intimada tanto na figura de seu Administrador Judicial (Lastro Consultoria Ltda. AR de fls. 1.351) que declarou não ser mais o representante da contribuinte (fls. 1.357), como por meio do Edital SEFIS n. 94/2016, juntado às fls. 1.356 e que ora reproduzo: Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201668 Acórdão n.º 1201002.678 S1C2T1 Fl. 8 13 Ainda que haja uma "rasura" ou informação manual no documento, o fato é que existe registro às fls. 1.373, atestando que o referido edital foi afixado na Unidade da Receita Federal em São Bernardo do Campo em 14/12/2016. Veja: Ou seja, considerando a mesma jurisdição do auditor fiscal responsável pela fiscalização e a Recorrente (São Bernardo do Campo), o Edital foi "publicado" na própria repartição fazendária, de acordo com o que dispõe o artigo 23, § 1o, I, do Decreto n. 70.235/1972, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: [...] I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: [...] Fl. 2399DF CARF MF 14 IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Verificase, assim, que nesse caso concreto a afixação do edital equivale à sua própria publicação, razão pela qual a contagem do prazo levada a cabo pela DRJ não merece reforma, sendo correta a conclusão acerca da intempestividade da defesa do contribuinte principal. Do recurso de ofício A DRJ afastou a responsabilidade pessoal ou solidária das pessoas físicas Victor Carlos Monteiro Paiva, Antonio Campello Hadad Filho, Sebastião Luis Pereira de Lima, Eudes Maria Regnier Pedro de Orleans e Bragança e Jonas Hipólito de Assis com base nas seguintes razões: A responsabilidade pessoal das pessoas físicas foi efetuada sob o fundamento de excesso de poderes, infração de lei e contrato social ou estatuto, exceto a pessoa física de Victor Carlos Monteiro Paiva que indica “Responsabilidade Solidária de Fato”. O CTN, no artigo 124, estabelece regras para a solidariedade tributária. São as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou as pessoas expressamente designadas por lei. O Artigo 135 do CTN estabelece hipótese de responsabilização pessoal dos gerentes quando pratica atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, : I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Observase que a autoridade lançadora colocou diversas pessoas físicas no pólo passivo da lavratura sob a justificativa de que teriam interesse comum na ocorrência dos fatos geradores. Para colocação dessas pessoas físicas na posição passiva do crédito, conforme pretendeu o fisco, haveria a necessidade que se comprovasse a ocorrência da hipótese prevista no inciso III do art. 135 do CTN, ou seja, deveria haver nos autos a cabal demonstração da prática pelos administradores de atos com excesso de poderes ou infração de lei,contrato social ou estatutos. Nos autos não há nada que aponte neste sentido. Assim, ante a ausência de razões, fundamentos, indicação de qualquer fato ou prova que demonstrem a participação das pessoas físicas em questão e/ou seu interesse comum nos fatos Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201668 Acórdão n.º 1201002.678 S1C2T1 Fl. 9 15 geradores que ensejariam a sua responsabilidade tributária solidária, devem ser excluídos da condição de devedores solidários. Nesse contexto, entendo que a exclusão dos referidos sujeitos passivos não merece reparos. Com efeito, a qualificação da responsabilidade das pessoas físicas restringiu se ao fato delas terem figurado como sócio, administrador ou procurador da empresa, e nada mais! O silogismo empregado pela autoridade autuante foi o seguinte: como as pessoas físicas, em algum momento, tiveram poderes para representar a pessoa jurídica, elas "automaticamente" possuiriam interesse comum e responsabilidade pessoal pelos atos empresariais. Tal conclusão, porém, de fato não tem como prosperar, uma vez que há ao menos dois graves vícios que comprometem a imputação da responsabilidade nesse caso concreto: (i) nulidade por falta de motivação dos requisitos do artigo 135, III, do CTN; e (ii) não caracterização de "interesse comum". Dispõe o artigo 135, III, do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Os pressupostos previstos no caput do artigo 135 prática de ato com excesso de poder ou infração de lei ou contrato social não foi objeto de nenhum comentário pela fiscalização na imputação da responsabilidade. Ora, se foi o uso indevido ou abusivo de sua qualificação como sócio ou administrador a causa da caracterização da responsabilidade, deveria a autoridade ter apontado e motivado qual ato teria sido este, como e onde foi praticado, qual a finalidade, seus efeitos etc, mas nada disso foi feito. O TVF deveria, para valer sua tese de aplicação do artigo 135, III, ter demonstrado em que medida o sócio agiu em infração a lei, ou em contrariedade aos limites do desempenho de sua função. Fl. 2401DF CARF MF 16 Quer a autoridade fiscal ver prevalecer o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mister que ela fundamente adequadamente o Auto, bem como comprove a participação direta e consciente daquele que detém poder de representação no ato evasivo. A atribuição de responsabilidade tributária não constitui expediente que possa ser utilizado “por atacado” ou “no modo automático”, uma vez que tal instituto exige a comprovação de que os fatos ou atos que geraram o descumprimento de normas tributárias tenham sido praticados conscientemente (isto é, com dolo) pela pessoa qualificada como responsável. A propósito, já foi consolidado pelo STJ que o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente (Súmula 430), em sentido oposto ao que caminhou a autoridade fiscal responsável pelo lançamento. Isso significa dizer que a mera qualificação de sócio, administrador, gerente ou procurador jamais poderia ensejar responsabilidade pessoal. Nesse ponto, vale assinalar ainda que o STF julgou inconstitucional o artigo 13 da Lei nº 8.620/93 (STF. RE 562.276. Plenário, 03/11/2010), dispositivo este que pretendeu vincular à simples condição de sócio a obrigação por débitos previdenciários de sociedades limitadas. Afasto, portanto, a imputação de responsabilidade prevista no artigo 135, III, do CTN. Diferentemente da responsabilidade tributária do artigo 135, onde terceiros são chamados a responder pela obrigação tributária, sempre que verificadas as condições postas pela legislação, a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN também utilizado como base legal , não se dirige a terceiros, isto é, pessoas estranhas à relação jurídica que dá ensejo à obrigação tributária, mas sim às pessoas que efetivamente participam do fato que constitui a hipótese de incidência tributária. As partes coobrigadas devem participar de uma única relação jurídica, da qual em um dos polos apenas figuram as duas partes. Tratase de um pressuposto normativo que não admite restrições. Como já se posicionou o STJ: [...] 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação (STJ REsp nº 884.845 – SC). Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 10932.720125/201668 Acórdão n.º 1201002.678 S1C2T1 Fl. 10 17 A responsabilidade solidária constitui meio de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que compõem o polo passivo desde a origem da obrigação. Assim, por exemplo, ocorre com coproprietários de mercadorias que, vendidas, sujeitamse ao ICMS. Neste caso, existe a solidariedade, pois ambos estão no mesmo polo da relação (são vendedores). Na hipótese, porém, de faltar esta equivalência caso do usuário final que compra mercadoria com preço abaixo do mercado , não há que se falar em interesse jurídico e, conseqüentemente, imputar a responsabilidade por interesse comum. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. Também a utilização da responsabilidade solidária como espécie de “sanção” a determinada pessoa que teria “contribuído” com dada operação ou estrutura não é cabível do ponto de vista jurídico. O interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I do CTN é, portanto, sempre jurídico, não devendo ser confundido com “interesse econômico”, “sanção”, “meio de justiça” etc. Não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja mandatário, acionista, sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, é imprescindível a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária. Do ponto de vista da jurisprudência administrativa, destacase a noção correlata entre interesse comum e confusão patrimonial. Assim, quando restar caracterizada a confusão patrimonial entre os dois ou mais sujeitos, cabível a aplicação da responsabilidade solidária. A expressão “confusão patrimonial” é inerente a teoria da desconsideração da personalidade jurídica do direito privado. O artigo 50 do Código Civil, por exemplo, assim dispõe: “em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Confundir consiste no ato ou efeito de enganar, de iludir, enfim, aparentar ser. Na prática, ocorre a confusão patrimonial quando não é possível uma segregação clara entre as atividades profissionais ou empresarias exercidas por mais de um sujeito. Tal fenômeno costuma se revelar quando os negócios dos sócios se confundem com os da pessoa Fl. 2403DF CARF MF 18 jurídica; quando há abuso dentro de um mesmo grupo econômico; quando as partes se valem de pessoas interpostas etc. A existência ou não de confusão patrimonial depende de cada situação fática, mas é possível identificar alguns indícios comuns que podem levar a esta constatação. São eles, sem prejuízos de eventuais outros: 1 a capacidade dos sócios; 2 a coincidência de administradores e/ou procuradores; 3 gestão única do negócio; 4 semelhança de atividades; 5 identidade de endereço; 6 empregados comuns; estrutura operacional dependente; 7 incapacidade econômica; 8 benefício financeiro; e 9 impacto da carga tributária. Apenas com a reunião de indícios precisos e convergentes, capazes de caracterizar a confusão patrimonial como um todo, é que estaremos no campo do interesse comum, em seu sentido jurídico e, conseqüentemente, da responsabilidade solidária. Trazendo essas considerações ao presente caso, também afasto a aplicação do artigo 124, I. Finalmente, merece atenção o fato de que também não houve dissolução irregular da pessoa jurídica como também parece sustentar a acusação fiscal , afinal restou demonstrado que a invasão do estabelecimento da Recorrente foi cessada em dezembro de 2016, bem como que o pedido de sua falência foi julgado improcedente. Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO e NEGO PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 2404DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000336/2009-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/07/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972. Demonstrada a intempestividade nos autos, não se conhece do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33, do Decreto nº 70.235/1972. Demonstrada a intempestividade nos autos, não se conhece do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 03 36 /2 00 9- 21 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 12466.000336/200921 Acórdão n.º 3002000.414 S3C0T2 Fl. 119 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 06061.167 da DRJ/CTA, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou operações que executar, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de impugnação ao Auto Infração de folhas 02 a 15, por meio do qual se exige multa no valor de R$ 5.000,00, em razão de a empresa FLAMINGO LINE DO BRASIL AGENCIAMENTO DE CARGA LTDA. ter deixado de prestar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informações sobre o conhecimento eletrônico agregado (CE HOUSE) nº 120.805.140.4996.031, relacionado ao Conhecimento Eletrônico Genérico (CE MÁSTER) nº 120.805.137.353.500. Consta do auto de infração que: A embarcação identificada como MSC Eloise, em sua viagem n 2 006AR, atracou em terminal portuário sob jurisdição da Alfândega do Porto de Vitória no dia 21/07/2008 is 17:04:00 horas, conforme extrato da escala 08000130759 a fls. 14, sendo este o primeiro porto nacional de atracação do navio na viagem. Como obrigação da prestação de informações sobre o veiculo transportador, conforme estabelecido nos art. 7 2 ao 9 2 da IN RFB n2 800/07, a empresa MSC MEDITERRANEAN SHIPPING DO BRASIL (CNPJ 02.378.779/0009 66) informou a escala na 08000130759 (supracitada) no dia 15/07/2008, Conforme extrato da escala a fls. 14, referente A atracação da embarcação supracitada em porto sob jurisdição da Alfândega do Porto de Vitória. Como informações carga estrangeira carregada no porto de Valência/Espanha e descarregada no porto de Vitória/ES, a mesma empresa MSC MEDITERRANEAN SHIPPING DO BRASIL, representante do transportador:estrangeiro no Brasil, informou o manifesto 1208501316160 no dia 17/07/2008, conforme extrato A fls. 15, e no mesmo dia o vinculou a referida escala .(fls. 16). Esta é a vinculação estabelecida no Art 12 da IN RFB n 2 800/07. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 12466.000336/200921 Acórdão n.º 3002000.414 S3C0T2 Fl. 120 3 Ainda como informação sobre carga, a MSC MEDITERRANEAN SHIPPING DO BRASIL informou o conhecimento genérico (mister) 120.805.137.353.500, associado ao manifesto 1208501316160 (o mesmo citado anteriormente) e incluído no Sistema Carga do Siscomex no dia 17/07/2008, consoante informação no extrato do conhecimento genérico A fls.17. As informações da escala, do manifesto, da vinculação do manifesto A escala e do conhecimento genérico em questão foram todas prestadas dentro do prazo, e de fato não constam quaisquer bloqueios em seus extratos por motivo de inclusão extemporânea. Consta como consignatária no conhecimento genérico (master) citado a empresa FLAMINGO LINE DO BRASIL AGENCIAMENTO DE CARGA LTDA, inscrita no CN1NT sob o n2 08.267.134/000185 e cadastrada como agente de carga no Sistema Mercante. Pelo fato de ser a consignatária do conhecimento genérico, a empresa é a . responsável, no presente caso, pela desconsolidação da carga através da informação do respectivo conhecimento filhote (agregado ou house), de acordo com o que determina o artigo 18 da IN RFB 800/07. Entretanto o conhecimento filhote 120.805.140.496.031 foi informado fora do prazo, sendo este prazo a atracação da embarcação no porto de Vitória em 21/07/2008. is 17:04:00 horas. DeSde quando o conhecimento genérico havia sido incluído (17/07/2008), o Sistema Mercante já permitiria a desconsolidação da carga através da informação do conhecimento filhote respectivo. 0 CEMercante filhote '(house hbl) mencionado foi informado no dia 22/07/2008, portanto após a atracação do navio, (informações no extrato do conhecimento As fls. 19), e conseqüentemente fora do prazo estabelecido nos artigos 22 e 50 da IN RFB n 2 800/07. Inclusive no extrato do CEMercante master (genérico) consta bloqueio automático feito pelo Sistema Carga por motivo de 91BL (CONHECIMENTO FILHOTE) INFORMADO APÓS PRAZO OU ATRACAÇÃO" (I is. 18). Não foram mencionados quaisquer motivos que justificassem as desconsolidação da carga feita fora do prazo, consoante. pedido de desbloqueio do conhecimento protocolizado nesta Alf&ndega do Porto de Vitória pela FLAMINGO LINE DO BRASIL AGENCIAMENTO DE CARGA LTDA, cópia a fls. 24. A empresa alegou que o atraso foi devido a questões comerciais entre o eMbarcador da carga e o importador final. As informações da vinculação do CEMaster e seu filhote está na fls. 21, tela do Sistema Carga. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 12466.000336/200921 Acórdão n.º 3002000.414 S3C0T2 Fl. 121 4 Todas as informações de escala, manifesto,'. conhecimento eletrônico são de extratos ou telas que foram extraídas do Sistema Mercante e/ou do Sistema Carga do Siscomex. Destarte, configurase infração punível com multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) com base no art. 107, inciso IV, alínea 'e' do DecretoLei n 2 37 de 18/11/1966, com redação dada pela Lei n 2 10.833 de 29/12/2003. Entendese, pela leitura do dispositivo e em consonância com os artigos 22 e 50 da IN RFB n 2. 800/07, que, para a informação sobre carga que não foi prestada no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou seja, para a desconsolidação .do conhecimento genérico .feita fora do prazo através da informação de seu filhote, cabe a penalidade prevista no dispositivo legal. Por esta razão está sendo aplicada a multa para a desconsolidação relativa ao conhecimento genérico em questão feita intempestivamente. Cientificada do lançamento em 17/02/2009, a autuada ingressou tempestivamente com a impugnação de fls. 30 a 38, na qual formula as seguintes razões de defesa: i) afirma que não deixou de prestar em nenhum momento as informações sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que executa que pudesse ensejar a penalidade imposta; ii) diz que lançou as informações no CE agregado com base nos dados constantes do CE Master e na indicação apontada nos conhecimentos de transporte marítimo; iii) alega que, em razão de o armador ter apresentado as informações sobre a carga transportada por meio do conhecimento genérico (master) nº 120.085.137.353.500 associado ao manifesto nº 120850131616, todos os prazos exigidos pela Receita Federal Brasileira foram cumpridos e, conseqüentemente, não houve nenhum tipo de dificuldade para a fiscalização ou prejuízo ao erário. iv) defende que, em razão de o artigo 50 da IN nº 800/2007 prever que “os prazos de antecedência previstos no artigo 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009”, as infrações só passarão a existir a partir dessa data (bem após a ocorrência da suposta infração), não sendo, portanto, passível de aplicarse qualquer penalidade; v) argumenta que “nem se alegue como forma de sustentar a penalidade aplicada o quanto disposto no inciso II do parágrafo único do artigo acima mencionada, isto porque as informações atinentes as cargas transportadas foram prestadas pelo transportador”; Fl. 125DF CARF MF Processo nº 12466.000336/200921 Acórdão n.º 3002000.414 S3C0T2 Fl. 122 5 vi) assevera que prestou todas as informações referentes às desconsolidações, mesmo que infimamente a destempo, o que comprova o fato de não ter agido com o intuito de cometer qualquer infração; vii) aduz que, apesar de a responsabilidade por infrações à legislação tributária independer da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, eventual responsabilidade que lhe possa ser atribuída fica excluída pela denúncia espontânea da infração, nos termos da lição contida no art. 138 do CTN; viii) destaca que o lançamento dos dados de embarque foi efetuado antes de receber qualquer notificação ou intimação por parte do órgão fiscalizador competente, conseqüentemente, não há como subsistir as infrações apontadas, geradoras da autuação; ix) reafirma que efetuou o lançamento das informações relativas à desconsolidação das cargas do CE filhote, o que deixa claro que não agiu ou teve qualquer intenção de cometer infração, não havendo qualquer prejuízo que justifique sua penalização, por isso não pode prosperar a autuação que lhe fora feita." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA) julgou a Impugnação improcedente, por Acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/07/2008 DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. O registro intempestivo do conhecimento de carga na chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/03. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. PREJUÍZO AO ERÁRIO. INTENÇÃO DO AGENTE. DESCABIMENTO. A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga, na forma e no prazo legalmente fixados, é obrigação acessória autônoma, de natureza formal, cujo atraso no cumprimento causa dano irreversível e já consuma a Fl. 126DF CARF MF Processo nº 12466.000336/200921 Acórdão n.º 3002000.414 S3C0T2 Fl. 123 6 infração, não cabendo alegações de falta de intenção do agente e/ou de ausência de prejuízo ao erário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADES PECUNIÁRIAS ADMINISTRATIVAS. Inadmissível denúncia espontânea para tornar sem efeito norma que estabelece prazo para a entrega de documentos ou prestação de informações, por meio eletrônico ou outro que a legislação aduaneira determinar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (78/98), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e alegando outros novos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Das decisões de primeira instância, cabe recurso voluntário dentro de trinta dias, contados da ciência do Acórdão recorrido, de acordo com o estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O mesmo diploma legal dispõe sobre a regra geral de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, assim como sobre a definitividade das decisões administrativas, respectivamente, no art. 5 e no art. 42, que se transcreve: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 12466.000336/200921 Acórdão n.º 3002000.414 S3C0T2 Fl. 124 7 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) No presente caso, a ora recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 08/12/17, sextafeira, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 73). Logo, o prazo de 30 dias para a interposição de recurso iniciouse em 11/12/17 e finalizouse em 09/01/18, terçafeira. Todavia, a recorrente somente apresentou seu recurso em 12/01/18, conforme Recibo de Entrega de Documentos Digitais (fl. 77), ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto na legislação para sua apresentação. A recorrente não apresentou qualquer justificativa que pudesse alterar o termo final do prazo fatal em seu Recurso Voluntário e, além disso, constatase que o próprio recurso foi datado em 12/01/18. Desta forma, tendo o contribuinte apresentado o Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não houve o cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, estando, portanto, tal recurso intempestivo e não devendo ser conhecido por este colegiado, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário e, portanto, manter o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901853/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Relatório
A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais.
O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional.
Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.806.
Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior.
Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:
* Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios.
* Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.
* Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.
* Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:
"O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência).
Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)."
* Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS.
* Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei.
* As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Waldir Navarro Bezerra
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
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Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.806. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. 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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 85 3/ 20 14 -6 3 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.901853/201463 Resolução nº 3402001.482 S3C4T2 Fl. 3 2 O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08038.806. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PISCOFINS: artigos 149, 195, I "b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regramatriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.901853/201463 Resolução nº 3402001.482 S3C4T2 Fl. 4 3 de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/201427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.475): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como observado pela 5ª Turma da DRJ/FOR em decisão recorrida, a análise da questão está relacionada à classificação das comissões pagas a representantes comerciais como insumos, que geram direito ao crédito das contribuições, ou como despesas necessárias à atividade da empresa, sem vinculação ao processo produtivo e incapazes de gerar crédito na sistemática nãocumulativa. Assim alega a Contribuinte: i) Que é pessoa jurídica de direito privado e, na consecução de suas atividades comerciais, procede à contratação de representantes comerciais para escoamento de sua produção própria, sendo que tal modalidade de venda representa aproximadamente 87% do faturamento. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.901853/201463 Resolução nº 3402001.482 S3C4T2 Fl. 5 4 ii) Que a função desempenhada por tais representantes é notadamente imprescindível para sua cadeia produtiva, na medida em que estes são responsáveis pela intermediação dos negócios, com a prospecção de clientes e desenvolvimento do mercado, assim como participam diretamente no processo negocial, lançando os pedidos aceitos no sistema e formatando as cargas. Além do mais, frequentemente efetua a contratação do transporte das mercadorias vendidas. iii) Em razão do critério da essencialidade, é incontestável que os valores desembolsados quanto à atividade realizada pelos representantes comerciais devem ser entendidos como insumo na cadeia de produção e vendas dos produtos que fabrica, conformando base de cálculo para a assunção de créditos escriturais relativos às contribuições destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), já que está sujeita à sistemática de apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Outrossim, a Recorrente apresenta em razões de recurso, o seguinte comparativo entre empresas que não possuem representantes comerciais, em especial no tocante ao direito de crédito: (i) – as pessoas jurídicas sem representante comercial terão 100% da receita para si; (ii) – já aquelas que se utilizam dos representantes não terão 100% das receitas para si, uma vez que uma parte ficará com eles a título de comissão, sendo de total plausibilidade assim o crédito par a bater PIS e COFINS. Constatase que o fundamento pelo qual a DRJ/FOR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade se atém ao critério estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei nº 10.637/2002, bem como da INSRF nº 247/2002. Vejamos: No presente caso, as comissões pagas aos representantes comerciais não podem ser consideradas como aplicadas ou consumidas diretamente na fabricação de bens destinados à venda. Tampouco podem ser considerados serviços adquiridos de pessoas jurídicas para a consecução das atividades principais da empresa. Assim, as comissões pagas aos representantes comerciais são despesas que não se caracterizam como insumos, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Este também é o entendimento da Solução de Consulta nº 98, da SRRF07/Disit, transcrito abaixo: (...) 17. Dessa forma, os bens e serviços que forem necessários ou essenciais para o desempenho da atividade da empresa mas que não puderem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços não se caracterizam como “insumos”, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.901853/201463 Resolução nº 3402001.482 S3C4T2 Fl. 6 5 18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo com o art. 299 do Decreto nº. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), são todas aquelas despesas necessárias, usuais e normais para as operações da empresa. (...) Isso posto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade. Inicialmente, consignase que o contribuinte do PIS e da COFINS nãocumulativos, segundo as Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, tem direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como “insumos” na fabricação de produtos destinados à venda. De fato havia divergências quanto ao conceito de insumos aplicável às contribuições sociais. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma dos artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Por este precedente, o STJ declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, invocada para fundamentar a decisão recorrida, bem como declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, as quais restringiam o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem com o contato físico com o produto ou serviço final. Outrossim, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em data de 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aceitando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.901853/201463 Resolução nº 3402001.482 S3C4T2 Fl. 7 6 Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Em síntese, "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes". Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente, utilizandose do chamado “teste de subtração” do insumo, de modo a verificar a imprescindibilidade e a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Neste sentido, transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara m a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele i tem – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste d e subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13839.901853/201463 Resolução nº 3402001.482 S3C4T2 Fl. 8 7 Superada a discussão em referência, cabe a análise quanto à configuração da essencialidade ou relevância do representante comercial às atividades desenvolvidas pela empresa. Através do atos constitutivos, é possível verificar que a Recorrente tem por objeto social as seguintes atividades: Constatase, ainda, como atividade econômica principal a fabricação de artefatos de cimento para uso na construção (CNAE 23 30302) e, por atividade econômica secundária a seguinte descrição: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 52.11799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis 46.79604 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente 23.49401 Fabricação de material sanitário de cerâmica 47.44001 Comércio varejista de ferragens e ferramentas 28.13500 Fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de Inconformidade que mais de 80% (oitenta por cento) das vendas de produtos que comercializa ocorre por meio de representantes comerciais autônomos, que assumem papel imprescindível na consecução da atividade comercial da empresa, representando esta modalidade de venda em aproximadamente 87% (oitenta e sete por cento) do seu faturamento. Não obstante os fundamentos que embasam as razões recursais, o fato é que neste processo administrativo não há nenhuma prova que ateste a essencialidade da representação comercial na atividade da empresa Recorrente. Todavia, considerando a recente decisão proferida em sede de repercussão geral pelo Superior Tribunal de Justiça, resultando na incidência do artigo 62, § 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade material, fazse necessária a realização de diligência para uma melhor compreensão sobre as características da atividade desenvolvida pela empresa, possibilitando identificar se as despesas em análise configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise. Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13839.901853/201463 Resolução nº 3402001.482 S3C4T2 Fl. 9 8 Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.018424/2003-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 12/05/1988 a 30/04/1991
FINSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DA RENÚNCIA À ESFERA JUDICIAL. DESNECESSIDADE DE PROVA DA HOMOLOGAÇÃO DA MESMA.
Na hipótese de repetição de indébito, nos termos dos artigos 73 e 74 da Lei n.º 9.430/96, em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução e houver renúncia, é suficiente para suprir o requisito da possibilidade de compensação de crédito tributário embasado em decisão judicial a apresentação do protocolo da petição de renúncia no Juízo, não sendo exigida a apresentação da homologação pelo Poder Judiciário.
De igual modo, a regulamentação editada pela Administração Fazendária, por meio de instruções normativas, não traz a obrigação da homologação da renúncia.
Numero da decisão: 9303-007.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 12/05/1988 a 30/04/1991 FINSOCIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DA RENÚNCIA À ESFERA JUDICIAL. DESNECESSIDADE DE PROVA DA HOMOLOGAÇÃO DA MESMA. Na hipótese de repetição de indébito, nos termos dos artigos 73 e 74 da Lei n.º 9.430/96, em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução e houver renúncia, é suficiente para suprir o requisito da possibilidade de compensação de crédito tributário embasado em decisão judicial a apresentação do protocolo da petição de renúncia no Juízo, não sendo exigida a apresentação da homologação pelo Poder Judiciário. De igual modo, a regulamentação editada pela Administração Fazendária, por meio de instruções normativas, não traz a obrigação da homologação da renúncia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 84 24 /2 00 3- 37 Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.010 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 896 a 905), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 320200.331 (efls. 01 a 08, e reproduzido às efls. 886 a 893) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 08 de julho de 2011, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 12/05/1988 a 30/04/1991 COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO PARA A HOMOLOGAÇÃO. Na contagem de prazo para a homologação deve ser excluído o dia do começo e incluído o do vencimento (art. 1 da Lei nº 810/1949 e art. 132 da Lei nº 10.406/2002 Código Civil). Se o Fisco procedeu à apreciação dos pedidos de compensação no prazo de cinco anos previsto em lei, não há que se falar em ocorrência de homologação tácita por decurso de prazo. FINSOCIAL. INSTRUÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RENÚNCIA À AÇÃO JUDICIAL. Na hipótese de repetição de indébito, em que o crédito esteja amparado em titulo judicial passível de execução e houver renúncia, o pedido de compensação deve ser instruído com cópia da petição de renúncia a execução do titulo judicial protocolada na Justiça Federal. A legislação administrativa aplicável à espécie não estabelece a obrigação de homologação da renúncia (IN SRF nº 600/2005). Recurso Voluntário Provido Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.011 3 A Turma a quo entendeu que nos casos de repetição de indébito de crédito tributário reconhecido em título judicial passível de execução, para possibilitar a sua efetivação na esfera administrativa, é suficiente a demonstração da renúncia à execução deste título judicial mediante apresentação da cópia da petição protocolada na esfera judicial, não sendo necessária a comprovação de ter havido a homologação desta renúncia pelo Poder Judiciário. Não resignada com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 896 a 905) insurgindose quanto à dispensa de comprovação da homologação da renúncia à execução judicial, pelo Poder Judiciário, para a repetição do indébito no âmbito administrativo quando o crédito estiver amparado em título judicial passível de execução. Alega existir divergência jurisprudencial e indica como paradigma o acórdão n.º 30239.740. Nos termos do despacho nº 3200154, de 14 de dezembro de 2012 (efls. 287 a 289, reproduzido às efls. 907 a 909), foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte, devidamente cientificada, apresentou contrarrazões (efls. 970 a 982) postulando a negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.012 4 Mérito Repetição de indébito amparado em título judicial. Prescinde da comprovação da homologação da renúncia pelo Poder Judiciário. No mérito, gravita a controvérsia em torno da necessidade de apresentação da homologação da renúncia à execução judicial do crédito tributário embasado em decisão judicial que é objeto de pedido de compensação. Em diversas ocasiões, como ocorre no caso dos autos, o Contribuinte vai ao Poder Judiciário ajuizando ação contra a União Federal, por meio de seus patronos, para buscar o reconhecimento do seu direito ao ressarcimento de tributo pago indevidamente ou a maior. Obtendo êxito em seu pleito, tem a alternativa de receber os valores através do precatório ou de pedido de compensação na esfera administrativa, este último mediante a comprovação da desistência do processo de execução da sentença transitado em julgado. A compensação constituise em uma das formas de extinção do crédito tributário previstas no art. 156 do Código Tributário Nacional, em seu inciso II1. Além disso, o art. 170 do mesmo diploma legal, ao dispor sobre o tema da compensação, estabelece que a lei poderá atribuir à Autoridade Administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. 1 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (Vide Lei nº 13.259, de 2016) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.013 5 O processo de extinção de créditos tributários devidos por contribuintes que também eram credores de indébitos tributários junto à União deuse, por muitos anos, da seguinte forma2: uma vez reconhecido o direito ao crédito, por meio de processo administrativo de restituição, para os casos de indébitos, ou de ressarcimento, quando se tratavam de benefícios fiscais, realizavase a pesquisa de débitos do Contribuinte credor, os quais, se existentes, era quitados com os acréscimos legais devidos, ou pagos até o limite do valor do crédito. A partir da edição da Lei nº 8.383/91, no ano de 1992, operouse uma mudança significativa na sistemática da compensação, motivada pelo acerto contábil das contas do Tesouro, tendo em vista permitir aos Contribuintes efetuarem a compensação do indébito tributário no recolhimento da importância correspondente a períodos subsequentes, consoante disposição contida no seu art. 66: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Com igual motivação, sobreveio a Lei nº 9.430/96, em vigor desde 1997, prevendo, em seus artigos 73 e 74, que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação dos seus débitos seriam efetuados em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, bem como a possibilidade de ser autorizada pela Autoridade Fiscal a utilização dos créditos a serem restituídos ou ressarcidos ao contribuinte para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Segue a redação original dos dispositivos: Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus 2 A matéria atinente à compensação era tratada em atos legais, tais como: art. 18 da Lei nº 4.862/1965; art. 7º do DecretoLei nº 2.287/1986 e itens "1" e "3" da Instrução Normativa SRF nº 05/1987. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.014 6 débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I – o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II – a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Importa referir ter sido o art. 74 da Lei nº 9.430/96 objeto de sucessivas alterações legislativas, em razão da necessidade de aperfeiçoamento do controle do instituto da compensação pela Receita Federal, contando atualmente com a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.015 7 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no §7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) §12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no §3º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.016 8 II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 15. (Revogado pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 16. (Revogado pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.017 9 No âmbito da regulamentação da compensação pela Receita Federal, mais especificamente dos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 em sua redação original, no ano de 1997, foi editada a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 21, trazendo, dentre as suas disposições, a possibilidade de os detentores de créditos tributários decorrentes de ação judicial desistirem da execução do julgado no âmbito do Poder Judiciário, utilizando os valores do indébito reconhecido por sentença transitada em julgado para compensar créditos tributários próprios, ou de terceiros, devidos à Receita Federal. Com relação à regulamentação das compensações pela Secretaria da Receita Federal, a Turma a quo detalhou a evolução legislativa nos seguintes termos: [...] Preliminarmente, cumpre ser corrigida a afirmação da recorrente, tendo em vista que as suas compensações começaram a ser efetuadas não sob a égide da IN SRF nº 21/1997, mas sim, já na vigência da IN SRF no 210/2002, que, a bem da verdade, não estabelecia o requisito de comprovação de renúncia para a habilitação à compensação. Essa condição veio a ser instituída somente a partir da IN SRF no 460/2004 (DOU de 29/10/2004), que em seu art. 50 dispôs, verbis: “§ 2º Na hipótese de título judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios.” A IN acima transcrita foi revogada pela IN SRF no 600/2005 (DOU de 31/12/2005), que dispôs em seus arts. 50 e 51, verbis: “Art. 50. (...) § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Art. 51. (...) § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: (...) V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução.” Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.018 10 Verificase que a nova norma trouxe alterações claras quanto às duas hipóteses ali referidas, que a partir daí passou a compreender: 1) a exigência da homologação da desistência; ou 2) a comprovação da renúncia. E isso porque, ao excluir a preposição “de” da segunda situação, agiu de forma que a homologação produzisse efeitos apenas para a desistência da execução. Destarte, já na vigência desse ato, restava clara a não exigência de homologação da renúncia, bastando a sua comprovação. Finalmente, a IN RFB no 900/2008 atualmente em vigor revogou a IN SRF nº 600/2005 e manteve a mesma exigência do ato anterior, explicitando ainda em seu art. 71, § 1º, que, verbis: “§ 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: (...) III na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal;” Conforme se verifica, e ainda explicitado claramente na última norma acima transcrita, na hipótese de renúncia é estabelecida a instrução do pedido mediante a apresentação de “cópia da petição de renúncia à execução”. Assim, soa claro que a legislação foi alterada a fim de que, no caso de renúncia, a exigência se restringisse à comprovação desse ato unilateral, sem a necessidade de qualquer homologação por parte do Poder Judiciário, o que se configurou correto, visto que a renúncia ao processo de execução é de foro exclusivo do autor e não depende de manifestação judicial. Destarte, por respeitar a ato unilateral e que pode ser satisfeito a qualquer momento sem necessidade de provocar manifestação de outra parte, entendo que a mera petição de renúncia deve ser considerada como um documento de caráter formal. Como tal, pode e deve ser exigida nos processos de compensação mesmo que apresentados anteriormente a entrada em vigor dessa condição, tendo em vista o objetivo de propiciar maior controle fiscal quanto aos créditos tributários. Por esse motivo, é correta a intimação fiscal para que os interessados, nos casos da espécie, adéquemse com vistas a completar a instrução processual, como se verificou no caso em exame. Verifico que embora o Despacho Decisório de fls. 626/628 tenha transcrito o art. 50 da IN SRF nº 600/2005, interpretou a norma como se essa estivesse determinando a homologação da renúncia. Da mesma forma entendeu o órgão julgador de primeira instância, embora ambas as decisões tenham sido prolatadas já na vigência da IN SRF nº 600/2005. No caso em exame, o recorrente apresentou petição dirigida ao Juízo Federal da 22ª Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo, que foi protocolada nesse Juízo em 31/7/2008, declarando sua renúncia ao direito de executar judicialmente o julgado no que respeita ao crédito tributário objeto de compensação (fls. 678/679). Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.019 11 Essa declaração está consentânea com o que estabeleceu a IN SRF nº 600/2005, e bem assim com o que veio a ser determinado expressamente e com toda a clareza pela vigente IN SRF nº 900/2008 para fins de instrução do pedido, de forma a satisfazer à condição prevista na legislação em vigor. No caso em exame, considerando que a motivação para o indeferimento constante da decisão recorrida foi exatamente a não aceitação do referido documento, e que este mostrouse satisfatório para os fins a que se propõe, entendo que esse óbice deve ser afastado, para que o processo de compensação tenha normal prosseguimento. [...] (grifouse) A IN RFB nº 900/2008, foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que assim dispôs em seu art. 81, §2º: Art. 81. É vedada a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. [...] § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, a compensação poderá ser efetuada somente se o requerente comprovar a homologação da desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou apresentar declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste Confirmando ser satisfatório o documento apresentado pela Contribuinte nos presentes autos, apresentado à época da realização do pedido de compensação, sobreveio a IN RFB nº 1.717/2017, em vigor, cujo art. 100, §1º, inciso III, traz o seguinte enunciado: Art. 100. Na hipótese de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a declaração de compensação será recepcionada pela RFB somente depois de prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou pela Delegacia Especial da RFB com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: [...] Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 19679.018424/200337 Acórdão n.º 9303007.546 CSRFT3 Fl. 1.020 12 III na hipótese em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial, pelo Poder Judiciário, e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou cópia da declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste; Depreendese que é suficiente para suprir o requisito da possibilidade de compensação de crédito tributário embasado em decisão judicial a apresentação do protocolo da petição de renúncia no Juízo, não sendo exigida a apresentação da homologação pelo Poder Judiciário. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1020DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.724677/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009
CONSTRUÇÃO CIVIL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. APLICABILIDADE.
O Fisco é autorizado, para fins previdenciários, a aferir indiretamente a remuneração dos segurados em obra de construção civil, com o percentual previsto na legislação de regência, quando os valores declarados como pagos aos obreiros forem inferiores à metade do valor bruto da respectiva Nota Fiscal de Serviços.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA. IMPROCEDÊNCIA.
Não há que se falar em retroatividade indevida quando a sistemática adotada no procedimento fiscal, em especial no que toca à aferição da remuneração da mão-de-obra, está alicerçado na mesma norma que se fez expressa nas Normas Complementares anteriores que trataram do assunto.
Numero da decisão: 2402-006.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. APLICABILIDADE. O Fisco é autorizado, para fins previdenciários, a aferir indiretamente a remuneração dos segurados em obra de construção civil, com o percentual previsto na legislação de regência, quando os valores declarados como pagos aos obreiros forem inferiores à metade do valor bruto da respectiva Nota Fiscal de Serviços. CONSTRUÇÃO CIVIL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA NORMA. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em retroatividade indevida quando a sistemática adotada no procedimento fiscal, em especial no que toca à aferição da remuneração da mãodeobra, está alicerçado na mesma norma que se fez expressa nas Normas Complementares anteriores que trataram do assunto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 46 77 /2 01 1- 04 Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201104 Acórdão n.º 2402006.829 S2C4T2 Fl. 441 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra decisão proferida pela DRF/RECIFE que, neste processo, indeferiu o Pedido de Restituição do contribuinte em 02.08.2011. Por bem relatar o caso, valhome do relatório do acórdão de piso, a diante colacionado: Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201104 Acórdão n.º 2402006.829 S2C4T2 Fl. 442 3 Como já dito, A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade no que toca ao discutido nestes autos (fls. 412/417), com a seguinte ementa: O contribuinte apresentou Recurso Voluntário em face do referido acórdão, por meio do qual aduziu, em resumo, a impossibilidade de aplicação retroativa da aferição indireta nos moldes previsto na IN 971/2009, na medida em que os fatos geradores seriam todos anteriores à sua vigência. (fls. 423/426). É o relatório. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201104 Acórdão n.º 2402006.829 S2C4T2 Fl. 443 4 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 27.04.2017, consoante se denota de fls. 420 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 29.05.2017 (fls. 422). Nesse sentido, dele passo a conhecer. Como mencionado alhures, cuida o presente caso de Pedidos de Restituição eletrônicos (PER) de Contribuição Previdenciária resultante do confronto entre as retenções sofridas (11%) por conta da emissão de suas notas fiscais de prestação de serviços e o valor devido sobre sua folha de pagamento do mesmo período e com relação à mesma obra de construção civil. A discussão em tela abarca 6 (seis) PER relacionados a duas obras no período de janeiro a junho de 2009, consoante abaixo sintetizado. COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO VLR NF PER COMPETÊNCIA CEI RETENÇÕES *COMPENSAÇÃO CRÉDITO SOFREU RETENÇÃO 05090.17060.101109.1.2.158154 jan/09 46.020.00082/73 10.783,51 4.873,62 5.909,89 196.063,77 12946.88533.101109.1.2.157900 fev/09 46.020.00082/73 6.135,48 5.203,29 932,19 111.554,21 38063.87209.011209.1.2.151126 abr/09 46.020.00082/73 10.488,01 5.195,68 5.292,33 190.691,13 14086.31258.011209.1.2.153778 mai/09 46.020.00082/73 9.750,81 4.148,00 5.602,81 177.287,51 16912.07190.011209.1.2.159930 jun/09 46.020.00082/73 9.750,81 3.870,43 5.880,38 177.287,51 40364.57735.101109.1.2.150517 jan/09 37.310.00045/72 3.424,88 2.691,36 733,52 62.270,46 * NA PRÓPRIA COMPETÊNCIA Ao longo do procedimento, a autoridade fiscal emitiu Termos de Intimação para que fossem apresentados os seguintes documentos/esclarecimentos: TIF de 30.06.2011 relativo a este processo fls. 5: Notas fiscais das faturas ou os recibos de prestação de serviço da competência objeto do pedido. Resumo das folhas de pagamento específicas referentes a cada contratante dos serviços e ao setor administrativo. Resumo Geral consolidado de todas as folhas de pagamento, com o respectivo demonstrativo do cálculo das contribuições sociais e da base de calculo utilizada. Demonstrativo das notas fiscais, faturas, ou recibos de prestação de serviço contendo data da emissão, valor bruto do serviço, dedução do material, valor da mão de obra, valor do destaque, nome e CNPJ da empresa contratante, em arquivo excel, ou compatível. Contrato de prestação de serviço. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201104 Acórdão n.º 2402006.829 S2C4T2 Fl. 444 5 TIF de 01.07.2011 relativo a este e aos demais processos fls. 7: Planilhas discriminadas dos valores compensados, no período de 01/2005 a atual, informando a origem do crédito, o período do crédito e o valor compensado, principalmente das compensações efetuadas nas diversas matrículas CEI, para as quais são requeridas as restituições. TIF de 20.07.2011 relativo a este processo fls. 170: Propostas de preços a contratada, anexas dos contratos de prestações de serviços celebrados entre as diversas contratantes e a requerente conforme constam dos mesmos. Ou seja a empresa apresentou diversos contratos de prestação de serviços e nos mesmos contam que: "integram o presente contrato como se aqui estivessem transcritos os documentos a seguir discriminados, cujo teor, as partes declaram ter pleno conhecimento." Após a apresentação de documentos/esclarecimentos, a autoridade fiscal procedeu à análise e apurou o crédito, no que toca à aferição da remuneração da mãodeobra, à luz da sistemática, prevista nos artigos 618, I da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/20031, 427 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/20052 e 450, I da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/20093, da seguinte forma: 1 Para determinação do valor de retenção: Aplicou 11% sobre 50% do valor bruto das notas fiscais. Ou seja, aplicou 5,5% sobre o valor bruto estampado naqueles documentos fiscais. 1 INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC Nº 100, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2003 Art. 618. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II cinqüenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. 2 INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP Nº 3, DE 14 DE JULHO DE 2005 Art. 427. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde no mínimo a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. 3 INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971, DE 13 DE NOVEMBRO DE 2009 Art. 450. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde, no mínimo, ao percentual de: I 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II 50% (cinquenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201104 Acórdão n.º 2402006.829 S2C4T2 Fl. 445 6 2 Para determinação do valor da mãodeobra: Aplicou 40% sobre 50% do valor bruto das notas fiscais. Ou seja, aplicou 20% sobre o valor bruto estampado naqueles documentos fiscais. 3 Para apuração do crédito: Aplicou sobre o valor determinado para mãodeobra, a alíquota concentrada de 36,80 % (Patronal de 20% + Segurados de 8% + RAT de 3% + Outras Entidades de 5,8%) e comparou com o resultado do item 1 acima. Quanto à sistemática adotada para a determinação do valor de retenção, cumpre salientar que é, a rigor, a mesma adotada pelo recorrente quando promoveu o destaque em suas notas fiscais, o que pode ser verificado pela razão entre os valores das colunas "RETENÇÕES" e "VLR NF SOFREU RETENÇÃO" constantes da planilha acima, da ordem de 5,5%. A título ilustrativo, sintetizo a seguir 3 (três) apurações nos autos dos processos infra citados, que serão julgados nesta mesma sessão e que constaram nas tabelas integrantes do Despacho Decisório questionado. A B C D E F G H I J K L M COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO CONF PEDIDO VLR NF % SAL. DE CONTRIBUIÇÃO CP DEVIDA CRÉDITO PROCESSO COMP CEI RETENÇÕES COMPENSA CRÉDITO RETENÇÃO (D / G) (J / G) VALOR ALÍQUOTA VALOR (D L) RESULTADO 10480.724677/201104 jan/09 46.020.00082/73 10.783,51 4.873,62 5.909,89 196.063,77 5,50% 20,00% 39.212,75 36,80% 14.430,29 3.646,78 NÃO HÁ 10480.724677/201104 fev/09 46.020.00082/73 6.135,48 5.203,29 932,19 111.554,21 5,50% 20,00% 22.310,84 36,80% 8.210,39 2.074,91 NÃO HÁ 10480.724677/201104 mai/09 46.020.00082/73 9.750,81 4.148,00 5.602,81 177.287,51 5,50% 20,00% 35.457,50 36,80% 13.048,36 3.297,55 NÃO HÁ 11971.000552/200812 out/06 37.310.00014/70 1.406,30 250,67 1.155,63 25.569,10 5,50% 20,00% 5.113,82 31,00% 1.585,28 178,98 NÃO HÁ 11971.000552/200812 out/06 37.310.00016/74 561,65 250,67 310,98 10.211,86 5,50% 20,00% 2.042,37 31,00% 633,14 71,49 NÃO HÁ 11971.000552/200812 dez/06 37.310.00050/77 9.143,77 4.079,09 5.064,68 166.250,38 5,50% 20,00% 33.250,08 31,00% 10.307,52 1.163,75 NÃO HÁ 11971.000556/200809 abr/06 37.310.00014/70 4.768,45 1.071,64 3.696,81 86.699,15 5,50% 20,00% 17.339,83 31,00% 5.375,35 606,90 NÃO HÁ 11971.000556/200809 abr/06 37.310.00016/74 5.773,43 2.484,79 3.288,64 104.971,52 5,50% 20,00% 20.994,30 31,00% 6.508,23 734,80 NÃO HÁ 11971.000556/200809 abr/06 37.310.00025/79 4.585,59 1.889,22 2.696,37 83.374,41 5,50% 20,00% 16.674,88 31,00% 5.169,21 583,62 NÃO HÁ 11971.000557/200845 ago/06 37.310.00016/74 7.823,36 3.348,05 4.475,31 142.242,95 5,50% 20,00% 28.448,59 31,00% 8.819,06 995,70 NÃO HÁ 11971.000557/200845 set/06 37.310.00016/74 2.229,07 794,37 1.434,70 40.528,64 5,50% 20,00% 8.105,73 31,00% 2.512,78 283,71 NÃO HÁ 11971.000557/200845 set/06 37.310.00466/71 2.900,25 167,68 2.732,57 52.731,75 5,50% 20,00% 10.546,35 31,00% 3.269,37 369,12 NÃO HÁ 11971.000783/200826 mar/07 37.310.00507/77 809,55 262,96 546,59 14.719,16 5,50% 20,00% 2.943,83 31,00% 912,59 103,04 NÃO HÁ 11971.000783/200826 mar/07 37.310.00513/74 6.494,32 1.382,48 5.111,84 118.078,49 5,50% 20,00% 23.615,70 31,00% 7.320,87 826,55 NÃO HÁ 11971.000783/200826 mar/07 37.310.00525/76 3.648,43 1.624,30 2.024,13 66.335,11 5,50% 20,00% 13.267,02 31,00% 4.112,78 464,35 NÃO HÁ 11971.001367/200845 jan/08 37.310.00513/74 56.049,46 10.415,37 45.634,09 1.019.081,02 5,50% 20,00% 203.816,20 31,00% 63.183,02 7.133,56 NÃO HÁ 11971.001367/200845 jun/08 37.310.00513/74 26.232,04 9.591,68 16.640,36 476.946,07 5,50% 20,00% 95.389,21 31,00% 29.570,66 3.338,62 NÃO HÁ 11971.001367/200845 set/08 46.020.00069/76 567,25 195,99 371,26 10.313,69 5,50% 20,00% 2.062,74 31,00% 639,45 72,20 NÃO HÁ 35212.000356/200636 ago/05 37.310.00492/72 6.096,51 1.357,60 4.738,91 110.845,64 5,50% 20,00% 22.169,13 31,00% 6.872,43 775,92 NÃO HÁ 35212.000356/200636 set/05 37.310.00492/72 3.875,05 2.074,61 1.800,44 70.455,45 5,50% 20,00% 14.091,09 31,00% 4.368,24 493,19 NÃO HÁ 35212.000356/200636 set/05 37.310.00486/75 1.473,94 272,58 1.201,36 26.798,91 5,50% 20,00% 5.359,78 31,00% 1.661,53 187,59 NÃO HÁ Todavia, na sequência do indeferimento de seus pleitos, o recorrente sustentou, em sua impugnação, a impossibilidade de aferição fixa (40% do faturamento) para todo o tipo de obra de construção, ponderando pela utilização da verdade material, que levaria em consideração a mãodeobra efetivamente trabalhada. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201104 Acórdão n.º 2402006.829 S2C4T2 Fl. 446 7 De plano, cumpre ressaltar que o procedimento de arbitramento tem supedâneo legal no artigo 148 do CTN, que assim estabelece: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Referido argumento defensivo foi corretamente afastado pela decisão de piso, nos seguintes termos: Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201104 Acórdão n.º 2402006.829 S2C4T2 Fl. 447 8 Somemse aos fundamentos acima, as constatações promovidas pela autoridade fiscal no sentido de que "os valores dos salários de contribuição foram apurados pelo sistema, sendo considerado para tanto as informações prestadas pela empresa através das Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia e Informações para a Previdência social GFIP, como retenção sofrida no mês. Mesmo porque a empresa se contradiz quando declara nas notas fiscais de serviço o valor referente a mão de obra e declarada em GFIP, como salário de contribuição para a mesma competência um valor bem inferior." Já em seu Recurso Voluntário em função do então assentado pela DRJ passou a tão somente sustentar a impossibilidade de aplicação retroativa da aferição indireta nos moldes previsto na IN 971/2009, na medida em que os fatos geradores seriam todos anteriores à sua vigência. Nesse ponto, cumpre destacar que a sistemática adotada no procedimento fiscal, em especial no que toca à aferição da remuneração da mãodeobra, está alicerçado na mesma norma que se fez expressa nas Normas Complementares anteriores que trataram do assunto, a saber, nos artigos 618, I c/c 159, I4, ambos da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003, 427 c/c 150, I5, ambos da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005 e 450, I c/c 122, I6, ambos da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, não havendo que se falar, assim sendo, em aplicação retroativa do dispositivo citado naquela decisão. 4 Art. 159. Quando o fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, estiver previsto em contrato, mas sem discriminação dos valores de material ou equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a: I cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; 5 Art. 150. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento pela contratada esteja apenas previsto em contrato, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: I cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; 6 Art. 122. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento esteja previsto em contrato, sem a respectiva discriminação de valores, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: I 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201104 Acórdão n.º 2402006.829 S2C4T2 Fl. 448 9 Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso apresentado para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.012353/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 18/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DOCUMENTOS. INTIMAÇÃO. APRESENTAÇÃO DEFICITÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir ou apresentar parcialmente documento relacionado com as contribuições previdenciárias, quando regularmente intimada para esse fim. A infração em comento persiste independentemente do desfecho do crédito tributário constituído em relação à obrigação principal.
Numero da decisão: 2201-004.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Relator), e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 18/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DOCUMENTOS. INTIMAÇÃO. APRESENTAÇÃO DEFICITÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir ou apresentar parcialmente documento relacionado com as contribuições previdenciárias, quando regularmente intimada para esse fim. A infração em comento persiste independentemente do desfecho do crédito tributário constituído em relação à obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (Relator), e Douglas Kakazu Kushiyama, que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 23 53 /2 00 8- 07 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 327 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 135/154, interposto contra decisão da DRJ em Campinas/SP, de fls. 121/132, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória (deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições sociais e previdenciárias – CFL 38), conforme descrito no auto de infração DEBCAD 37.198.6605, de fls. 2, lavrado em 18/12/2008, referente ao período fiscalizado de dezembro/2002 a dezembro/2007, com ciência do RECORRENTE em 23/12/2008, conforme assinatura no próprio auto de infração de fl. 2. O crédito não tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado com base na Lei nº 8.212/1991, art. 92 e 102 e no Decreto nº 3.048/1999 (RPS), art. 283, II, alínea “j” e art. 373, com a agravante do art. 292, II, do RPS (elevação da multa em três vezes o valor base), no valor histórico de R$ 37.646,31 atualizado até a lavratura do auto de infração. Dispõe o relatório da infração (fls. 15/22), que a mesma fiscalização originou também outros 14 autos de infrações em desfavor da RECORRENTE, quais sejam: De acordo com o Relatório da Infração, foram apresentados documentos com deficiência ou não foram apresentados documentos relativos às verbas fatos geradores das contribuições previdenciárias referentes: (i) aos DEBCADs 37.198.6508 (segurados processo nº 10830.012359/200876), 37.198.6516 (patronal processo nº 10830.012360/200809) e 37.198.6524 (Terceiros processo nº 10830.012362/200890), realizados sobre o Levantamento NDG (parcelas em FOLHA NÃO DECLARADAS EM GFIP): Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 328 3 (ii) aos DEBCADs nº 37.198.6532 (segurados processo n° 10830.012364/200889), DEBCAD nº 37.198.6540 (patronal processo nº 10830.012365/200823) e DEBCAD nº 37.198.6559 (Terceiros processo n° 10830.012366/200878), que dizem respeito a contribuições incidentes sobre outros valores não declarados em GFIP, objeto de outras bases que não apenas o Levantamento NDG, principalmente sobre a acusação de pejotização (Levantamentos PJ1 e PJ2), de empregados contratados como estagiários (Levantamento SR EMPREGADOS SR DENOM ESTAG), e da contribuição relativa a pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho (Levantamento COO); e (iii) bem como em relação às verbas lançadas no DEBCAD nº 37.198.6567 (processo nº 10830.012368/200867) envolvendo a retenção pela tomadora de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada. Quanto ao valor da multa, dispõe o relatório da infração (fls. 24) que ficou caracterizada a ocorrência de circunstância agravante do dolo, que ensejou a aplicação da multa em 3 vezes o valor mínimo, nos seguintes termos: Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 58/98 em 21/1/2009. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Campinas/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Notificado da autuação no dia 23/12/2008 (fls. 01), o sujeito passivo impugnouo em 21/01/2009, por meio do expediente juntado às fls. 56 a 114, no qual alega, em síntese, que: i) o presente Auto de Infração se relaciona com os Autos de Infração – AI & 37.198.6508, n° 37.198.6516, n° 37.198.6524, n° 37.198.6532, n° 37.198.6540 e n° 40 37.198.6559, os quais foram lavrados por presunção da ocorrência de fatos geradores, uma vez que foi desconsiderada a documentação apresentada; Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 329 4 ii) ainda que se admitisse a possibilidade de aplicação da presunção, a base de cálculo das contribuições apuradas pelo método de aferição indireta é incompatível, inadequada e contraditória à capitulação pretendida; iii) sendo inexistente o crédito tributário lançado, não há que se falar no crédito decorrente de obrigação acessória; iv) o relatório fiscal faz referência à suposta "sujeição passiva solidária", mas que não houve a intimação dos supostos responsáveis; v) já ocorreu a decadência das contribuições exigidas sobre os fatos geradores ocorridos no período de 12/2002 a 11/2003, na forma do Parecer n° 1617/2008; vi) da leitura do relatório fiscal dos outros Autos extraise que o mesmo contempla uma profusão desordenada e relativa de informações que não guardam qualquer relação com o presente; vii) parte das razões que teriam levado à lavratura do presente foram também referenciadas nos Autos de Infração acima identificados (n° 37.198.6532, n°37.198.6540 e n° 37.198.655 9), motivo pela qual apresenta aqui os mesmos argumentos apresentados na defesa daqueles lançamentos, como segue: não há nos autos, neste nem naquele, referência ou anexação dos documentos que teriam informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira, até porque esclareceu à autoridade fiscal que a apresentação de documentos originais ou cópias autenticadas se afigurava absolutamente impossível, dado o volume de documentos pleiteados; mas que os documentos originais foram colocados à disposição da fiscalização que, neste ponto, quedouse inerte, conforme atestam os Doc. 7 (Anexo I); não há nenhuma solicitação para apresentação de documentos relativos a casos que teria ocorrido retenção sem o devido recolhimento; o Fiscal jamais solicitou quaisquer esclarecimentos acerca das contratações de pessoas jurídicas; mesmo que se imagine que o Fiscal estivesse a tratar de apropriação indébita por parte de seus clientes, como fornecer cópia de todas as notas fiscais, que atingiram, no período fiscalizado, 60.000 documentos ou mais; o Fiscal afirma que recebeu em 13/05 o arquivo digital contendo quadro resumo dos serviços tomados e prestados, mas que a impugnante questiona qual a relação da eventual apropriação indébita cometida pelos seus clientes com o presente Auto; não entregou notas fiscais de cooperativas de trabalho médico porque não tomou serviços prestados por essas cooperativas; Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 330 5 não há qualquer nexo de causalidade entre os documentos relativos aos pagamentos efetuados conforme folha de pagamento (ajuda alimentação, ajuda aluguel, ajuda de custo, diária etc) as imputações efetuadas neste lançamento; no que se refere aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, a fiscalização considerou como pagamentos a empregados, sem qualquer elemento de prova; que o relatório de controle parcial de pagamentos de pessoas físicas e jurídicas, anexado pela autoridade fiscal, não estabelece qualquer contextualização das informações neles constantes em relação ao tempo, o que demonstra não ser documento válido para os fins pretendidos pela fiscalização; é impossível verificar quais cruzamentos de informações foram efetuadas pela autoridade fiscal; visto que as planilhas LANC SR PJ e SR PJ 2 são meras transcrições de seus lançamentos contábeis; há outra inverdade no que se refere à fiscalização do Ministério do Trabalho, uma vez que a mesma concluiu pela regularidade na contratação dos prestadores (Doc. 10); falece competência às autoridades fazendárias instituir relações trabalhistas, conforme entendimento dos "Tribunais Superiores da Justiça"; que os "híbridos" identificados representam 1,4% de sua folha de pagamento, e que essa situação não pode sustentar a presunção de que todos os profissionais ligados às pessoas jurídicas eram empregados; a afirmação de que houve a contabilização em títulos impróprios somente virá ao final deste processo se confirmada a autuação; no que se refere à conta de Água e Esgoto, a autoridade fiscal comete erro crasso, uma vez que no ano de 2007 o seu plano de contas da contabilidade foi alterado, como se verifica dos Docs. 11 e 12; a fiscalização não afirma qual a razão que teria levado à conclusão de que os documentos que atestam a existência das relações jurídicas, que está a desconsiderar, seriam de pouca valia; não sabe o parâmetro utilizado pela fiscalização para a presunção de que a impugnante teria contratado um número "FORA DO NORMAL"; onde está registrado na legislação que um "GRANDE" número de pessoas jurídicas contratadas caracteriza relação de emprego; no que se refere às empresas que possuem na denominação a expressão "EASY", a impugnante comprova que parte dessas Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 331 6 empresas já existia quando do início das relações comerciais com a mesma, assim como que essas empresas prestam serviços a outros clientes e possuem, cada uma delas, vários sócios técnicos (Doc. 14 e 15); quanto aos contratos, pergunta: quais possuem vícios insanáveis? Quais são as provas irrefutáveis dos fatos? Que fatos? as informações apresentadas pela autoridade fiscal são totalmente descabidas e despropositadas. viii) os motivos que levaram à lavratura do presente Auto de Infração foram referenciados, também, nos Autos de Infração acima identificados (n ° 37.198.6508, no • 37.198.6516 e no 37.198.6524), de modo que foram abordados nas respectivas defesas, como segue: verificase que a lista das rubricas indicadas demonstra claramente que as mesmas não possuem natureza salarial, na medida em que se prestam a ressarcir ou custear gastos incorridos pelos empregados para que pudessem prestar os serviços para os quais foram contratados, como se infere da insignificância dos valores pagos em cada rubrica; que foram apresentados os documentos pertinentes às rubricas pagas, mas que a fiscalização deixou de analisálos; não há razão para a informação fiscal de que os nomes atribuídos às rubricas não corresponderiam à realidade das despesas realizadas; ix) as nulidades decorrentes de erros diversos da fiscalização evidenciam a ilegalidade dos lançamentos de obrigação principal e impedem, também, a manutenção do presente; x) a cobrança de multa, in casu, implica evidente dupla tributação, o que é vedado; xi) não há comprovação, por parte da fiscalização, de que a impugnante agiu com dolo; xii) por existir uma série de documentos que podem ainda comprovar a verdade dos fatos, requer que os autos sejam baixados em diligência; e xiii) sejam afastados os juros de mora calculados com base na taxa SELIC, por inconstitucional e ilegal. Ressaltese que as alegações apresentadas nos itens vii e viii fazem referências a documentos (Doc. 01 a 15), que não foram anexados a este Auto de Infração. Da Decisão da DRJ em Campinas/SP Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 332 7 Quando do julgamento do caso, a DRJ em Campinas/SP, às fls. 121/132, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, afastando a alegação de dolo e a consequente majoração da multa, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRICAÇÓES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DOCUMENTOS. INTIMAÇÃO. APRESENTAÇÃO DEFICITÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AGRAVANTE. DOLO. INOCORRÊNCIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir ou apresentar parcialmente documento relacionado com as contribuições previdenciárias, quando regularmente intimada para esse fim. Tal situação não pode ser, ao mesmo tempo, o motivo da infração e circunstância para o agravamento da multa por dolo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ de origem entendeu, preliminarmente, como sendo descabida a alegação da sujeição solidária passiva, pois no auto de infração objeto do presente processo administrativo a sujeição passiva é imputada somente à STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMÃTICA S/A. Também em caráter preliminar entendeu pela não ocorrência da decadência dos créditos objetos deste lançamento por multa, visto que não foram transcorridos mais de 5 anos entre a data do fato gerador e a notificação do contribuinte do lançamento, contados nos termos do art. 173, I do CTN. No mérito, entendeu correta a multa aplicada ante o descumprimento da conduta determinada no art. 33, §2º, da Lei nº 8.212/1991, que determina a obrigatoriedade de a empresa apresentar todos os documentos e livros relacionados com os fatos geradores das obrigações previdenciárias, pois a RECORRENTE não provou que apresentou os documentos quando solicitados. Além disso, a cobrança da multa decorre de expressa previsão legal, devendo ser cobrada independente da intenção do agente ou responsável, sob pena de infringir o princípio da estrita legalidade. Quanto ao dolo, entendeu que a conduta da contribuinte não pode ao mesmo tempo ser fato gerador da multa e circunstância qualificadora da mesma. Desta forma, o ato de não entregar a documentação quando solicitado apenas enseja a aplicação da multa, e não a ocorrência de circunstância agravante, razão pela qual foi desconsiderada a qualificação em três vezes da multa. Em relação à multa, entendeu também que a DRJ não é competente para declarar a inconstitucionalidade de norma vigente. Sob este mesmo argumento, a DRJ manteve a aplicação da taxa SELIC. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 333 8 Quanto aos argumentos de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, entendeu que o relatório fiscal é suficientemente claro ao descrever a infração. Quanto ao pedido de juntada de novos documentos e realização de perícia, entendeu que as provas documentais deveriam ter sido apresentadas na impugnação, conforme determina o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, apenas admitindose excepcionalmente a apresentação posterior de provas documentais, o que não é o caso do presente lançamento. No tocante ao pedido de perícia, entendeu que o pedido de perícia deve ser específico, expondo os motivos que justifique sua realização, bem como acompanhado da formulação dos quesitos referentes. No presente caso entendeu a DRJ que a contribuinte não apresentou qualquer motivo apto para justificar o pedido de perícia. Por fim, entendeu a DRJ que também não merece prosperar a alegação de bis in idem, visto que os processos apontados pelo recorrente buscam cobrar o crédito tributário principal, ao passo que o presente processo busca cobrar a multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória. Possuem, portanto, naturezas jurídicas diferentes. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 19/11/2010, conforme AR de fls.134, apresentou Recurso voluntário de fls. 135/154em 21/12/2010. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou os argumentos da Impugnação. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminar: da Admissibilidade do Recurso Administrativo Independentemente de Depósito Prévio ou Arrolamento de Bens Razão assiste ao RECORRENTE ao afirmar que o Recurso Voluntário deve ser aceito independentemente de qualquer depósito prévio ou arrolamento de bens. A matéria já é pacífica, sendo objeto da súmula vinculante 21 do STF, que assim dispõe, “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo”. Portanto, plenamente admissível o presente recurso voluntário. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 334 9 Da juntada de novos documentos e perícia Analisando o relatório fiscal, inferese que se trata de fiscalização que culminou no lançamento de quinze autos de infração, dos quais onze autos são relativos a obrigações principais e quatro deles a obrigações acessórias. Todos os autos de infração foram anexados como arquivos não pagináveis ao processo nº 10830.012353/200807 (CFL 38), de modo a permitir a consulta por este julgador. Portanto, considerando que o pedido de juntada de documentos era para apresentar as apurações realizadas anexados aos autos dos processos vinculados aos AI’s nº 37.198.6532, 37.198.6540 e 37.198.6559, entendo como prejudicado o pedido de juntada dos documentos. Mérito: Da Multa Aplicada Depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação Existe distinção clara entre as obrigações principais e acessórias. A obrigação principal é de pagar o, ao passo que a obrigação tributária acessória é, por exemplo, declarar em GFIP a ocorrência do fato gerador, são condutas independentes. Ora, tanto o são que poderia o contribuinte ter declarado em GFIP a ocorrência do fato gerador mas não têlo pago, conduta que viola apenas a obrigação principal, como poderia ter regularmente pago o tributo Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 335 10 sem têlo declarado em GFIP, conduta que fere a obrigação acessória. O fato do contribuinte, no presente caso, não ter praticado nenhuma das condutas não implica que a conduta menos grave (descumprimento da obrigação acessória) será absorvida pela punição da conduta mais grave (descumprimento da obrigação principal). Proceder desta forma viola o princípio da isonomia, posto que beneficia o contribuinte que praticar as duas condutas vedadas em detrimento daquele que apenas não cumpre a obrigação principal. O cerne do recurso, apresentado pela RECORRENTE, repousa em alegação de que a empresa já foi autuada pelo descumprimento das obrigações principais em processos administrativos próprios, e que caso seja reconhecida a ilegitimidade do crédito naqueles autos, não merece prosperar o lançamento por descumprimento da obrigação acessória. Razão assiste ao contribuinte em sua argumentação. A multa foi lançada por a empresa deixar de apresentar livros e documentos relacionados com os fatos geradores das obrigações previdenciárias. Neste caso, apesar da obrigação principal e da obrigação acessória serem autônomas, o reconhecimento da inexistência da obrigação principal afeta também a obrigação acessória: por exemplo, se inexiste o dever de recolher as contribuições previdenciárias sobre as verbas de caráter indenizatório, considerando que apenas existe o dever legal de apresentar os documentos relativos às contribuições previdenciárias, inexistirá o dever de apresentar documentação referente à mencionada verba indenizatória. No presente caso, contudo, o afastamento da multa só pode ocorrer se todas as obrigações principais forem declaradas indevidas. A obrigação legal estipulada pelo Art. 33, §2º, da Lei nº 8.212/1991, que impõe o dever da empresa de apresentar os documentos referentes aos fatores geradores das contribuições sociais e previdenciárias, é única; ou seja, independe do número de documentos não apresentados (a multa é a mesma se não forem apresentados 1 ou 1000 documentos). Isso é facilmente comprovado pela gradação da multa, perceba que seu valor apenas foi majorado em razão do suposto dolo da RECORRENTE, pouco importando o número de documentos não apresentados. Assim dispõe a Lei nº 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. [...] § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Por sua vez, assim determina o Decreto nº 3.048/1999: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 336 11 R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) [...] II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira;; Assim, como a multa da CFL 38 é única, a simples manutenção da acusação de uma das infrações que ensejaram a multa, implicará na manutenção da mesma. Conforme já exposto, em análise ao relatório da infração (fls. 15/22) inferese que a multa CFL 38 envolve problemas na apresentação de documentos referentes (i) aos DEBCADs 37.198.6508 (segurados processo nº 10830.012359/200876), 37.198.6516 (patronal processo nº 10830.012360/200809) e 37.198.6524 (Terceiros processo nº 10830.012362/200890), todos sobre levantamento NDG (parcelas em FOLHA NÃO DECLARADAS EM GFIP); (ii) aos valores referentes aos DEBCADs nº 37.198.6532 (segurados processo n° 10830.012364/200889) e DEBCAD nº 37.198.6540 (patronal processo nº 10830.012365/200823). e DEBCAD nº 37.198.6559 (Terceiros processo n° 10830.012366/200878), que dizem respeito a contribuições incidentes sobre outros valores não declarados em GFIP, objeto de outras bases que não apenas o Levantamento NDG, principalmente sobre a acusação de pejotização (Levantamentos PJ1 e PJ2), de empregados contratados como estagiários (Levantamento SR EMPREGADOS SR DENOM ESTAG), e da contribuição relativa a pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho (Levantamento COO); e (iii) aos valores lançados no DEBCAD nº 37.198.6567 (processo nº 10830.012368/200867) envolvendo a retenção pela tomadora de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada. Em pesquisa no sítio eletrônico do CARF, observouse que os processos relativos aos DEBCADs 37.198.6508 (segurados processo nº 10830.012359/200876), 37.198.6516 (patronal processo nº 10830.012360/200809) e 37.198.6524 (Terceiros processo nº 10830.012362/200890), e DEBCAD nº 37.198.6567 (Retenção pela tomadora de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada processo nº 10830.012368/200867) Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 337 12 já foram julgados e com decisão favorável à contribuinte em 10/09/2014 (ver acórdãos nº 2401003.682, nº 2401003.681 e nº 2401003.683, nº 2301005.270 respectivamente). A multa CFL 38 decorreu também da ausência de documentos relativos as verbas discutidas nos DEBCADs nº 37.198.6532 (segurados processo n° 10830.012364/200889), DEBCAD nº 37.198.6540 (patronal processo nº 10830.012365/200823) e DEBCAD nº 37.198.6559 (Terceiros processo n° 10830.012366/200878). Tais Autos de Infração dizem respeito às contribuições incidentes sobre outros levantamentos, quais sejam: (i) sobre a acusação da chamada pejotização – criação de pessoa jurídica unicamente com a finalidade de receber o salário e destinálo para pessoa física para fins de redução da carga tributária incidente (Levantamentos PJ1 e PJ2); (ii) de empregados contratados como estagiários (Levantamento SR); (iii) e da contribuição relativa a pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho (Levantamento COO). Os três DEBCADs acima foram julgados em conjunto no dia 22/01/2013 através do processo nº 10830.012365/200823, cuja decisão segue abaixo ementada (acórdão nº 2401002.811): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007 PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOAS FÍSICAS POR INTERMÉDIO DE PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. CARACTERIZAÇÃO DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LANÇAMENTO. ENQUADRAMENTO. NECESSIDADE DA DEMONSTRAÇÃO DA PRESENÇA CUMULATIVA DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 3O DA CLT. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Deve o auditor fiscal, quando da formalização do lançamento, indicar pormenorizadamente no relatório fiscal todos os elementos de fato que o levaram a efetuar o enquadramento de autônomo como segurado empregado, demonstrando inequivocamente e de forma cumulativa, a presença da onerosidade, habitualidade, pessoalidade e subordinação, de forma a não restarem dúvidas sobre a legitimidade e fundamentação do procedimento levado a efeito, sob pena de nulidade. No caso dos autos, o fiscal deixou de apontar um a um em cotejo com o conjunto de provas que sustenta o lançamento, quais foram os documentos em específico, que justificaram o reenquadramentro de sócios na qualidade de segurados empregados, tendo o feito de forma genérica em violação ao disposto no art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE E NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CONTRADIÇÃO E CONFUSÃO NOS ARGUMENTOS QUE JUSTIFICAM A ADOÇÃO DO PROCEDIMENTO. POSSIBILIDADE DO FISCAL EFETUAR O LANÇAMENTO COM BASE EM INFORMAÇÕES DA CONTABILIDADE. PRESUNÇÃO INDEVIDA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES E NÃO APENAS DE SUA BASE DE CÁLCULO. Em se tratando Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 338 13 de caso no qual a fiscalização deixou de justificar a adoção do procedimento de aferição indireta de contribuições sociais previdenciárias, ainda mais em havendo confusão de entendimentos da própria fiscalização seja quanto ao dispositivo legal que fundamenta o arbitramento, ou mesmo qual a motivação de sua adoção, é de ser declarado nulo o lançamento. A mera ocorrência de irregularidades formais em folha de pagamento, por si só, não tem o condão de justificar o lançamento por aferição indireta, ainda mais quando o próprio relatório fiscal deixa claro que valores constantes na contabilidade, mesmo que contabilizados em títulos impróprios, são elementos confiáveis para o lançamento, e os realiza com base neles, além de considerar documentos como não apresentados, não por colidência de sua forma com a legislação, mas por discordância das informações dele constantes. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS QUE COMPROVEM A CONTRATAÇÃO EM CONFORMIDADE COM A LEI 64.74/77. LEI 8.212/91. Tendo em vista que a recorrente contratou estagiários com inobservância das disposições constantes na Lei 6.474/77, resta claro que a regra de não incidência preceituada no art. 28, 9o , “i” da Lei 8.212/91, deixou de ser devidamente observada, de modo que deve ser mantido, sobre este aspecto, o lançamento. PAGAMENTOS EFETUADOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. LANÇAMENTO. ART. 22, IV, DA LEI 8.212/91. LEGALIDADE. Tendo em vista que a recorrente efetuava comprovadamente pagamentos a cooperativas de trabalho médico e odontológico, de acordo com os documentos constantes nos autos, uma vez que não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes, de acordo com as disposições da Lei 8.212/91, é de se manter o lançamento efetuado. LANÇAMENTO. GRUPO ECONÔMICO PRESENÇA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES. AUTODENOMINAÇÃO E CONTROLE CENTRALIZADO. Nos termos do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, uma vez comprovada a presença de fatores que configurem a existência de grupo econômico de empresas, especialmente quando a própria recorrente reconhece as empresas como componentes de um grupo, devem ser consideradas como responsáveis solidárias ao lançamento objeto do Auto de Infração. Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Votou pelas conclusões a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, por entender que a decadência deve ser mantida com fulcro no art. 150, § 4º por não haver constatação de dolo, fraude ou simulação. II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as rubricas P31 SEG EMPRE SR PJ e P32 SEG EMPRE SR PJ. Vencida a conselheira Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 339 14 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que excluía as referidas rubricas por vício formal Pois bem, da leitura do acórdão proferido no processo nº 10830.012365/200823, percebese que o CARF derrubou o lançamento sobre a pejotização (objeto dos Levantamentos PJ1 e PJ2, porém denominados naquele acórdão como Levantamentos P31 e P32). Contudo, manteve o lançamento sobre os segurados contratados como estagiários (Levantamento SR EMPREGADOS SR DENOM ESTAG), assim como manteve o lançamento das contribuições sobre pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho (Levantamento COO). Ocorre que, analisando o relatório de infração deste processo nº 10830.012353/200807 (CFL 38), na parte relativa a essas duas obrigações principais mantidas (fl. 17), observase que o fiscal acusou a contribuinte de não ter apresentado documentação referente aos serviços prestados por cooperativas. No que se refere aos estagiários, nesta mesma página do Relatório de Infração, a autoridade fiscalizadora atestou que o contribuinte apresentou a documentação e, por ele ter constatado que os estagiários eram na verdade empregados, efetuou autuação específica para tal penalidade. Portanto, o lançamento da multa não tem qualquer relação com o Levantamento SR EMPREGADOS SR DENOM ESTAG, cujas obrigações principais foram mantidas quando do julgamento do processo nº 10830.012365/200823. Assim, permanece a questão da aplicação da presente multa tãosomente quanto a não apresentação dos documentos relacionados às contribuições sobre pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho (Levantamento COO). Sobre o tema, destacase o reconhecimento da inconstitucionalidade de tal cobrança proferida pelo STF, nos autos do RE nº 595838 (repercussão geral – Tema 166), inclusive com resolução do Senado nº 10, de 30/03/2016, suspendendo a execução do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Segue abaixo ementado o RE nº 595838: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99. SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS TOMADORAS DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. TRIBUTAÇÃO DO FATURAMENTO. BIS IN IDEM. NOVA FONTE DE CUSTEIO. ARTIGO 195, § 4º, CF. 1/ . O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 340 15 pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 Por ter sido proferido com a repercussão geral reconhecida, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Notese que quando do julgamento do processo nº 10830.012365/200823 pelo CARF em 22/01/2013, o STF não havia proferido a sua decisão sobre o tema (acórdão transitou em julgado no dia 11/03/2015) e, consequentemente, não havia a Resolução do Senado nº 10, de 30/03/2016. Portanto, ainda que mantido o lançamento da obrigação principal de incidência da contribuição patronal relativa aos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, neste caso em específico, ante as razões supracitadas, entendo que não existia o dever legal de exibir os documentos e livros relacionados a estas verbas, pois elas não são fatos geradores de obrigação previdenciária, conforme decidido pelo STF. Desta forma, sua não apresentação não pode implicar no descumprimento da obrigação acessória e, consequentemente, na aplicação da multa CFL 38. Desta forma, afora o Levantamento COO, perceba que todas as obrigações principais que ensejavam o dever de apresentar o documento foram consideradas indevidas. Também não deve ser contemplado neste rol as verbas relativas ao Levantamento SR EMPREGADOS SR DENOM ESTAG, já que o próprio relatório fiscal reconhece que o contribuinte apresentou a documentação. Portanto, o contribuinte cumpriu com todas as obrigações acessórias que lhe eram exigidas por lei, razão pela qual a multa da CFL 38 é indevida, devendo ser reconhecida a improcedência do lançamento. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10830.012353/200807 Acórdão n.º 2201004.724 S2C2T1 Fl. 341 16 CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar a multa CFL 38. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Voto Vencedor Peço vênia para divergir do ilustre Relator em relação ao seu entendimento no sentido de que, afora o levantamento COO, todas as obrigações que ensejavam o dever de apresentar o documento foram consideradas indevidas, e, que, portanto, o contribuinte cumpriu com todas as obrigações acessórias que lhe eram exigidas por lei, razão pela qual a multa da CFL 38 é indevida. Estamos a tratar de um dever instrumental do contribuinte em exibir livros ou documentos relacionados às contribuições sociais previdenciárias, as chamadas obrigações tributárias acessórias (art. 113, § 2º, do CTN). Referidas infrações, as quais consistem em um ilícito tributário, estão previstas na legislação tributária e acarretam a imposição de multa pecuniária. Destarte, há no ordenamento jurídico um clara distinção entre o dever de pagar o tributo e a multa decorrente de uma sanção, pela ausência do dever instrumental de praticar uma conduta no interesse da fiscalização e arrecadação dos tributos. Na doutrina, muito se discute acerca da impropriedade dos termos obrigação principal e obrigação acessória. É certo que, no sentido lato sensu, as obrigações acessórias só existem pelo dever de pagar o tributo. Daí derivam os termos obrigação principal e obrigação acessória. Não precisaria existir obrigações acessórias, se não fossem as obrigações principais. A relação de acessoriedade é, pois, nesse sentido. No caso em tela, é fato incontroverso que o sujeito passivo deixou de exibir livros ou documentos relacionados às contribuições previdenciárias. O ilícito tributário se materializou no momento em que expirou o prazo dado pela Fiscalização para a apresentação dos documentos/livros solicitados. Poderia, inclusive, não ter havido lançamento de crédito tributário na correspondente ação fiscal. Ainda assim, o prejuízo à Fiscalização tributária teria se concretizado, em função do ilícito tributário praticado pelo contribuinte. Em regra, portanto, não existe um liame entre uma obrigação principal e acessória. Nesse compasso, entendo que a obrigação acessória em comento persiste independentemente do desfecho do processo administrativo fiscal relacionado à obrigação principal. Diante do Exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Redator designado Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13688.000810/2007-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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DESPESAS MÉDICAS. Recorrente WALDIRENE APARECIDA GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 8. 00 08 10 /2 00 7- 19 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13688.000810/200719 Acórdão n.º 2002000.487 S2C0T2 Fl. 368 2 Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 36/40), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2004. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$847,45 para saldo de imposto a pagar de R$9.184,08. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$30.315,0000, consignando (fl.38): A contribuinte não logrou comprovar a efetividade da realização das despesas médicas seja mediante comprovação do pagamento (cópias de Cheques, recibos de deposito, ordem bancaria, etc) ou apresentação de exames/radiografias com os profissionais Maria Aparecida Leite, Cristiane B. Ribeiro Moreira, Sônia Maria Nunes Caldeira, Junelena Gonçalves, Rosa Maria da Silva Cunha, Claudio Nunes Silva, Glaucia Borges Barbosa Nunes, Leonardo Celio Gonçalves e Cláudio Marques de Paulo. Os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a realização dos serviços. Contribuinte não apresentou nota fiscal da Casa de Saude Imaculada Conceição Impugnação Cientificada à contribuinte em 13/8/2007, a NL foi objeto de impugnação, em 12/9/2007, à fl. 2/92 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: Em sua peça impugnatória de fls.01/25, a impugnante, por meio de seu bastante procurador nomeado pelo instrumento de fls.26, contesta o lançamento efetuado, quando, em apertada síntese, argumenta que: l) “A impugnante especificou em sua declaração de rendimentos as despesas médicas que teve no anocalendário, elencando os códigos, nomes dos beneficiários, números de inscrição no cadastro de pessoa fisica e jurídica, bem como os valores pagos, conforme se depreende do campo pagamentos e doações efetuados da declaração apresentada”; 2) Apresentou à autoridade fiscal os documentos requisitados, “bem como os recibos de pagamentos efetuados no anocalendário como elementos de prova suficientes a demonstrar a plausibilidade das despesas médicas indicadas na declaração de rendimentos”; 3) Em atendimento à nova intimação fiscal, apresentou “farta documentação, agora instruída com laudos, relatórios e comprovantes de exames médicos originais de forma a demonstrar a plena pertinência das despesas médicas ocorridas e indicadas na declaração de rendimentos”, 4) Os documentos Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13688.000810/200719 Acórdão n.º 2002000.487 S2C0T2 Fl. 369 3 apresentados à Fiscalização consistiram exatamente nos documentos listados no item “descrição dos fatos e enquadramento legal” do Auto de Infração, ou seja, “quando intimado o contribuinte apresentou tanto os recibos de pagamento comprobatórios das despesas realizadas como outras provas consistentes em pedidos de exames, laudos médicos e, ainda, declarações dos diversos profissionais de saúde, atestando e especificando a efetiva prestação dos serviços médicos bem como o pagamento das despesas referentes aos serviços prestados”, 5) O fiscal autuante houve por considerar válidas somente algumas comprovações, ou seja, “convalidou comprovações exatamente idênticas às que não considerou, em flagrante desobediência aos critérios objetivamente estabelecidos na legislação de regência da matéria”; 6) Nas provas apresentadas constam tanto os nomes e endereços dos profissionais de saúde, como seus números de inscrição no cadastro de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas e, ainda, número de inscrição nos órgãos de classe, estando satisfeitos os requisitos expressos no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda e no artigo 46 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001; 7) “A legislação, em momento algum, determina a exigência de comprovação dupla do pagamento, sendo que o contribuinte deve comprovar as despesas realizadas com o efetivo comprovante de pagamento das mesmas e, somente na falta dessa documentação, há previsão normativa para comprovação por outro meio”; 8) “No presente caso restou plenamente comprovada a vinculação existente entre os pagamentos efetuados aos profissionais da área médica através dos recibos de pagamento e os serviços médicos prestados através de laudos e relatórios médicos, onde constatase tanto a descrição dos tratamentos médicos efetuados como também os valores despendídos em face de referidos tratamentos”; 9) A produção de prova da realização das despesas médicas consiste na apresentação de recibos de pagamento, “somente ocorrendo a impossibilidade de aceitação dos referidos recibos quando haja elementos de prova em contrário, ou seja, quando possase comprovar a inidoneidade dos recibos de pagamento apresentados”. Para corroborar seus argumentos, o impugnante transcreve diversas ementas de acórdãos proferidos por Delegacias da Receita Federal de Julgamento e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, bem como diversos pronunciamentos dos Tribunais Regionais Federais. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 319/325): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MEDICAS. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13688.000810/200719 Acórdão n.º 2002000.487 S2C0T2 Fl. 370 4 Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido à falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes por parte do contribuinte, seu restabelecimento está condicionado à confirmação do efetivo desembolso. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 19/2/2010 (fl. 330), a contribuinte, em 18/3/2010 (fl.363), por intermédio de representante legal, apresentou recurso voluntário, às fls. 334/363, no qual alega, em apertado resumo, que: a decisão recorrida contrariaria a legislação de regência e a jurisprudência administrativa e judicial. no curso da ação fiscal, teria apresentado documentação hábil e idônea a comprovar as deduções declaradas. a decisão recorria seria incoerente, uma vez que aponta que a comprovação das despesas se daria mediante recibos, mas não acatou os recibos juntados pela contribuinte, os quais atenderiam todos os requisitos legais. embora mencione o princípio da verdade material, a decisão recorrida teria ignorado toda a farta comprovação acerca da efetividade das despesas, tais como laudos e declarações médicas. a decisão negaria aplicação ao dispositivo legal que prevê que a comprovação das despesas médicas se dá mediante apresentação de recibos. teria apresentado recibos de pagamento, laudos e relatórios médicos e declarações médicas, que atestariam e especificariam os serviços médicos e os correspondentes pagamentos. os documentos juntados aos autos, listados às fls.342/345, seriam hábeis a fazer a prova exigida. a comprovação mediante indicação de cheque só poderia ser exigida na falta de documentação comprobatória, que não seria a situação enfrentada nestes autos. decisões administrativas e judiciais acerca do tema, citadas em seu recurso, apontariam que a comprovação mediante recibos só não poderia ser acatada no caso de inidoneidade do documento. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13688.000810/200719 Acórdão n.º 2002000.487 S2C0T2 Fl. 371 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13688.000810/200719 Acórdão n.º 2002000.487 S2C0T2 Fl. 372 6 Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13688.000810/200719 Acórdão n.º 2002000.487 S2C0T2 Fl. 373 7 seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. É preciso registrar que no presente lançamento a interessada não está sendo acusado de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. Cabe ressaltar que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Como apontado na decisão recorrida, os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13688.000810/200719 Acórdão n.º 2002000.487 S2C0T2 Fl. 374 8 (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, intimada a apresentar comprovação da efetiva prestação do serviço bem como da entrega dos recursos (fl.41), a recorrente juntou, em complemento aos recibos, relatórios emitidos pelos próprios profissionais consultados e fichas médicas (fls. 52/91), que não se revelam hábeis a fazer a prova exigida, desacompanhados de outros elementos, tais como exames médicos demonstrando a necessidade ou a efetiva realização do tratamento. Nesse sentido, consta apenas o que parece ser uma radiografia odontológica à fl.54, mas que não permite identificar o paciente, nem vincular ao serviço correspondente. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 374DF CARF MF
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