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Numero do processo: 10640.001898/2001-41
Data da sessão: Tue Feb 17 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Feb 17 00:00:00 UTC 2004
Ementa: DECADÊNCIA – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se:
a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN;
b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inscontitucionalidade de tributo;
c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária.
Recurso conhecido e improvido.
Numero da decisão: CSRF/01-04.886
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Leila Maria Scherrer Leitão.
Nome do relator: Wilfrido Augusto Marques
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Recurso conhecido e improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Leila Maria Scherrer Leitão. ON P • RODRIGUES PRESIDENTE n WIL • D O A ke STO M • • • S RELATOR FORMALIZADO EM: 1 9 ABR ?004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, DORIVAL PADOVAN Processo n° : 10640.001898/01-41 • Acórdão n° : CSRF/01 -04.886 JOSÉ CARLOS PASSUELLO, JOSÉ RIBAMAR BARROS PENHA, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR e MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS. Oif 2 Processo n° : 10640.001898/01-41 Acórdão n° : CSRF/01-04.886 Recurso n° : RP/102-130847 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : GERALDO OTÁVIO FERREIRA RELATÓRIO Em 03 de outubro de 2001 formulou o contribuinte pedido de restituição de imposto retido na fonte sobre verba auferida no ano de 1992 em decorrência de adesão a Programa de Desligamento Voluntário instituído pela IBM Brasil LTDA.. O pleito foi indeferido pela DRF em Juiz de Fora/MG (fls.11/13), tendo O Requerente interposto a Impugnação de fls.15/19, que não logrou provimento pela 4 a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG (fls. 25/30) posto ter considerado decadente o pleito, na forma preconizada no Ato Declaratório 96/99. Insurgiu-se o sujeito passivo mediante o Recurso Voluntário de fls. 33/38, ao qual a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria, deu provimento (fls. 46/56), estando a ementa do acórdão assim gizada: "IRPF — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — DECADÊNCIA NÃO OCORRIDA — O direito à restituição do imposto de renda na fonte referente a Programas de Desligamento Voluntário — PDV, deve observar o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previstos no art. 168, I, do Código Tributário Nacional, tendo como termo inicial a publicação do Ato Declaratório SRF n° 3/99. NÃO INCIDÊNCIA — RESTITUIÇÃO — JUROS MORATÓRIOS — TAXA SELIC — Ante a não incidência tributária, à repetição do indébito incidirá correção monetária com base na variação da UFIR, a partir do pagamento indevido até 31 de março de 1995, e a partir de 01 de abril de 1995, será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente até o mês anterior ao da restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que o recurso for colocado à disposição do contribuinte. Recurso provido." Inconformada, aviou a Fazenda Nacional Recurso Especial (fls. 57/67) com fundamento em violação ao artigo 168, inciso I, do CTN, tendo alegado que: - os prazos prescricionais e decadenciais são de exclusiva alçada da lei, não se admitindo interpretação não literal; 3 Processo n° : 10640.001898/01-41 Acórdão n° : CSRF/01-04.886 - o artigo 168, inciso I, do CTN, não faz menção à futura ciência do indébito tributário, eis que se reporta apenas à extinção do crédito tributário, sendo este considerado extinto a partir do pagamento; - a decisão que reconhece a inconstitucionalidade do tributo tem efeito repristinatório, ou seja, restabelece o status quo ante, sem poder, contudo, atingir o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido, ou seja, as situações definitivamente constituídas pela decadência tributária, posto que o direito não socorre aos que dormem; - "Significa isto que qualquer que seja a decisão de inconstitucionalidade (...), situações definitivamente constituídas não • odem ser afastadas pela decisão. (...) Em outras palavras: a decisão produz efeitos repristinatórios, no que diz respeito à repetição de tributos, apenas nos cinco anos imediatamente anteriores ao seu proferimento, não atingindo as situações definitivamente constituídas pela decadência tributária. (...)" (grifos do autor) - "Portanto, pode até ser que, sob o ponto de vista Moral, não seja correto revoltar o contribuinte por algo que não possa mais obter por conta da decadência, sobretudo, naqueles casos nos quais não sabia que pagou indevidamente. Mas estamos na seara tributária e, como sobejamente sabido de Vós, não há espaços para aquilatar o que é moralmente correto, senão o que é legalmente determinado ". (grifos do autor). O recurso foi admitido (fl.68), tendo o interessado apresentado contra- razões de fls. 72/74 em que sustenta não merecer reparo o acórdão recorrido, visto que consentâneo com a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. 4 Processo n° : 10640.001898/01-41 Acórdão n° : CSRF/01-04.886 VOTO Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 32 do Regimento Interno dessa Câmara, tendo sido interposto por parte legítima e preenchidos os requisitos de admissibilidade, razão porque dele tomo conhecimento. O litígio versa sobre o início do prazo decadencial para a formalização de pedido de restituição. Esta Egrégia Câmara, no acórdão n° CSRF/01-03.329, pacificou as divergências existentes acerca da matéria, sufragando o entendimento de que no caso de existência de controvérsia sobre a legalidade do tributo o prazo tem início a partir da publicação do ato administrativo que reconheceu o caráter indevido do tributo, não merecendo reforma, portanto, o acórdão vergastado. Com efeito, a despeito do brilhante Recurso interposto pelo Procurador, cabe enfatizar que a morosidade, especialmente nos casos de ADIn, não deriva de culpa do contribuinte, mas sim do Judiciário que repleto de milhares de processos para julgar -, neste passo evidenciando-se a culpa do próprio Poder Público e mais significativamente do Executivo, - nem sempre consegue oferecer a prestação jurisdicional da foinia ideal, ou seja, com agilidade e segurança jurídica a um só tempo. É justamente em razão da delonga e da impossibilidade de locupletamento pelo Estado - diante da figura do Estado Democrático de Direito e do Princípio da Moralidade, - que se apresenta a única solução passível de gerar segurança jurídica para os Administrados, como brilhantemente já decidiu esta Turma. O tema é bastante polêmico, oferecendo inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais, tudo em razão do fato de que o Código Tributário Nacional, por ser muito antigo, não previu todas as possibilidades de restituição do crédito tributário, dentre estas a atinente à restituição em caso de ser o tributo posteriounente reconhecido como indevido. 5 Processo n° : 10640.001898/01-41 Acórdão n° : C SRF/01-04.886 O artigo 168 do CTN dispõe que o prazo para pleitear a restituição é sempre de 05 anos, diferenciando-se o termo inicial de contagem de acordo com as regras dispostas no artigo 165 do mesmo codex, o qual prevê, in verbis, as seguintes hipóteses: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento, ressalvado o disposto no §4° do art. 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou de natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II — erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória" Como se vê, tal dispositivo contém lacunas quanto às hipóteses em que pode haver restituição. O legislador não cuidou da tipificação de todas as situações passíveis de ensejar o direito à restituição de indébito, pelo que cabe à doutrina e jurisprudência realizar interpretação analógica. Isto porque, apesar de estarem listadas no CTN apenas três hipóteses de restituição, certo é que tendo o pagamento do tributo ocorrido a maior, este valor será sempre devido, nos termos do artigo 964 do Código Civil. O referido dispositivo prevê que: "Art. 964. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir". Consoante lição de Maria Helena Diniz aposta em sua obra Código Civil Anotado: "O pagamento indevido é uma das formas de enriquecimento ilícito, por decorrer de prestação feita, espontaneamente, por algúem com o intuito de extinguir uma obrigação erroneamente pressuposta, gerando ao accipiens, por imposição legal, o dever de restituir, uma vez estabelecido que a relação obrigacional não existia, tinha cessado de existir ou que o devedor não era o solvens ou que o accipiens não era o credor". Como o CTN é omisso no que toca ao prazo decadencial quando o caráter indevido do tributo é reconhecido pela Administração, cabe ao intérprete sanar tal lacuna legal, ante à proibição em nosso ordenamento jurídico do enriquecimento sem causa. Se a Lei 6 Processo n° : 10640.001898/01-41 Acórdão n° : CSRF/01-04.886 Civil, que se aplica às relações particulares, prevê que o direito de restituir persiste sempre que houver sido paga obrigação não devida, mais razão há para que à Administração Pública seja aplicado tal dispositivo. No dizer de Celso Antônio Bandeira de Mello, in Curso de Direito Administrativo, págs. 54/55: "Convém finalmente reiterar, e agora com maior detença, considerações dantes feitas, para prevenir intelecção equivocada ou desabrida sobre o interesse privado na esfera administrativa. A saber: as prerrogativas que nesta via exprimem tal supremacia que não são manejáveis ao sabor da Administração, porque esta jamais dispõe de "poderes", sic et simpliciter. Na verdade o que nela se encontram são "deveres-poderes", como a seguir se aclara. Isto porque a atividade administrativa é desempenho de "função". Tem-se função apenas quando alguém está assujeitado ao dever de buscar, no interesse de outrem, o atendimento de certa finalidade. Para desincumbir-se de tal dever, o sujeito de função necessita manejar poderes, sem os quais não teria como atender à finalidade que deve perseguir para a satisfação do interesse alheio. (...) Segue-se que tais poderes são instrumentais: servientes do dever de bem cumprir a finalidade a que estão indissoluvelmente atrelados. (...) Ora, a Administração Pública está, por lei, adstrita ao cumprimento de certas finalidades, sendo-lhe obrigatório objetivá-las para colimar interesse de outrem: o da coletividade. É em nome do interesse público —o do corpo social – que tem de agir, fazendo-o na conformidade do intentio legis. " A Administração Pública tem o dever de arrecadar o tributo instituído por Lei e o poder para fazê-lo. Contudo, em sendo reconhecida que a exação não era devida, impende, por outro lado, seja o valor recolhido restituído, sob pena de violação ao direito do cidadão que confia no Estado. Se não há causa para o pagamento, se o contribuinte recolheu aos cofres públicos tributo indevido, tem o Fisco o dever de devolver o valor àquele, sob pena de enriquecimento indevido, repugnado em nosso ordenamento jurídico, conforme lição extraída da obra Direito Civil, Vol. II, de Sílvio Rodrigues: "O pagamento indevido constitui no plano teórico, apenas, um capítulo de assunto mais amplo, que é o enriquecimento sem causa. Este representa um gênero, do qual aquele não passe de espécie.(...) De fato, além de coibir o enriquecimento injusto quando manifestado através de pagamento indevido (CC, arts. 964 e s.), o Código, em numerosas instâncias, o proíbe, em casos específicos.(...) O repúdio ao enriquecimento indevido estriba-se no princípio maior da eqüidade, que não permite o ganho de um, em detrimento do outro, sem uma causa que o justifique." / 7 Processo n° :10640.001898/01-41 Acórdão n° : CSRF/01-04.886 Premiar o entendimento de que o prazo decadencial de cinco anos deve ter sua contagem iniciada a partir da data de extinção do crédito tributário é pretender que o contribuinte sempre desconfie da regularidade das leis instituidoras de tributo, realizando, desde logo, pedido de restituição. Foi por esta razão que a doutrina e a jurisprudência se ocuparam da tarefa de suprir a lacuna legal do CTN, conforme lição de Ives Gandra da Silva Martins: "2.4. Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a título de tributo, a questão refoge ao âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito à plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, §6° da CF. Em tais casos, a actio nata ocorre com o reconhecimento do vício por decisão judicial transitada em julgado, pois até então vale a presunção de legitimidade do ato legislativo" (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, ob. cit., pág. 178) Este também é o entendimento do Sistema de Tributação, que, por meio do Parecer COSIT n° 58/98, realizou a seguinte abordagem quanto ao tema: "25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável: que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível. Assim, antes da lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, eram a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos. 26.Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o início da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos "erga omnes", que, conforme já dito no item 12, ocorre apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição do ato específico do Secretário da Receita Federal (hipótese do Decreto n° 2.346/1997, art. 4°). 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade de lei por meio de ADIN, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF". Não se legitima a ausência de prazo para a realização do pedido de restituição, posto que até mesmo para a propositura da ação de in rem verso, cabível nos casos de pagamento indevido, estabelece o Código Civil prazo prescricional. Trata-se, porém, de reconhecer que o direito somente é exercitável a partir do momento em que a exação é reconhecida como indevida. 8 Processo n° :10640.001898/01-41 Acórdão n° : CSRF/01-04.886 Diante da lacuna legal, há que se interpretar a situação fática de acordo com a intenção do legislador. O CTN, embora estabelecendo que o prazo seria sempre de cinco anos, diferencia o início de sua contagem conforme a situação que rege, em clara mensagem de que a circunstância material aplicável a cada situação jurídica de que se tratar é que determina o prazo de restituição, que é sempre de cinco anos. Ora, para situações conflituosas, verifica-se que o legislador, no inciso III, do artigo 165 do erN, dispôs que o prazo decadencial somente se inicia a partir da decisão condenatória. Em inexistindo ação condenatória, mas havendo discussão quanto à legalidade/constitucionalidade da Lei que instituiu o tributo, ou seja, situação conflituosa quanto ao imposto recolhido, certamente somente a partir do momento em que tal questão é solucionada com efeito erga omnes nascerá o direito do contribuinte de receber o que foi pago a maior. A hipótese, portanto, embora não prevista legalmente, guarda grande similitude com o disposto no artigo 165, inciso III, do CTN, pelo que, para as situações conflituosas, o prazo do artigo 168 deve ser contado a partir do momento em que o conflito é sanado, seja por meio da edição de Resolução pelo Senado Federal reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei, em conformidade com entendimento do STF exarado em controle difuso; seja por meio de edição de ato administrativo reconhecendo o caráter indevido da cobrança e dispensando-a; seja através de acórdão do STF declarando a inconstitucionalidade em controle concentrado. Este entendimento foi brilhantemente anotado por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário n° 118.858, quando o Ilustre Conselheiro José Antônio Minatel, da 8' Câmara, asseverou em seu voto que para o início da contagem do prazo decadencial há que se distinguir a forma como se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear restituição tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido. Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução administrativa conflituosa, o prazo deve iniciar a partir da decisão definitiva da controvérsia. /9 Processo n° : 10640.001898/01-41 Acórdão n° : CSRF/01-04.886 Admitir entendimento contrário ao acima reproduzido é certamente vedar a devolução do valor pretendido e, conseqüentemente, enriquecer ilicitamente o Estado, uma vez que à Administração não é dado manifestar-se quanto à legalidade e constitucionalidade de lei, razão porque os pedidos seriam sempre indeferidos, facultando ao contribuinte apenas o socorro perante ao Poder Judiciário. ANTE O EXPOSTO, conheço do recurso e nego-lhe provimento. É o voto. Sala das Sessões — DF, em 17 de fevereiro de 2004 O' I - WIL IDO ot GUSTO AR ot- ES 'o Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.003542/2003-13
Data da sessão: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999.
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - Cabem as
Delegacias da Receita Federal de Jul gamento, em primeira instância, o exame dos recursos administrativos. Por delegação do Ministro do Estado da Fazenda tem o Secretario da Receita Federal competência para definir a matéria e a jurisdição de competência de cada DRJ.
NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - PERÍCIA -
Constitui prerrogativa do julgador decidir pela presença no processo de esclarecimentos técnicos de terceiros, na forma do artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de I° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF. APLICAÇÃO
RETROATIVA DA LEI IV. 10.174, DE 2001. É legítimo o lançamento em
que se aplica retroativamente a Lei nº 10.174, de 2001, que estabelece novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, visto que tem natureza
instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de
rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência.
PEDIDO DE PERÍCIA - Considera-se não formulado os pedidos de perícia e juntada posterior de provas que não atenda os requisitos fixados pelos incisos
III e IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72.
INCONSTITUCIONALIDADE A administração - pública não têm competência para análise de ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas.
Tal matéria é reservada com exclusividade ao Poder Judiciário por expressa determinação constitucional. Uma vez inserida no ordenamento jurídico, ou seja, uma vez positivada e vigente a norma cabe ao administrador público aplicá-la sem perquirir a sua inconstitucionalidade. Ademais, esta questão já foi inclusive pacificada por meio da Súmula 1° CC n°. 02.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA. Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de
renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários, sob pena de nulidade do lançamento de oficio.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-000.305
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso, para excluir os créditos da conta corrente n° 03181, Agência 182l Banco Itaú, da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Vanessa Pereira Rodrigues Domene
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L430 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19515.003542/2003-13 Recurso n° 162.734 Voluntário Acórdão n° 2102-00.305 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2009 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente PAULO ALBERTO DE GASGON NARDY Recorrida 3' TURMA/DRJ-SALVADOR/B A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999. PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - Cabem as Delegacias da Receita Federal de Jul gamento, em primeira instância, o exame dos recursos administrativos. Por delegação do Ministro do Estado da Fazenda tem o Secretario da Receita Federal competência para definir a matéria e a jurisdição de competência de cada DRJ. NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - PERÍCIA - Constitui prerrogativa do julgador decidir pela presença no processo de esclarecimentos técnicos de terceiros, na foinia do artigo 18, do Decreto if. 70.235, de 1972. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de I° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n". . 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI IV. 10.174, DE 2001. É legítimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n". 10.174, de 2001, que estabelece novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, visto que tem natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência. PEDIDO DE PERÍCIA - Considera-se não formulado os pedidos de perícia e juntada posterior de provas que não atenda os requisitos fixados pelos incisos III e IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. - INCONSTITUCIONALIDADE --= -A administração - pública não têm -- - competência para análise de ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas. Tal matéria é reservada com exclusividade ao Poder Judiciário por expressa - determinação constitucional. Uma vez inserida no ordenamento jurídico, ou seja, uma vez positivada e vigente a norma cabe ao administrador público aplicá-la sem perquirir a sua inconstitucionalidade. Ademais, esta questão já foi inclusive pacificada por meio da Súmula 1° CC n°. 02. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA. Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários, sob pena de nulidade do lançamento de oficio. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR parcial imento ao recurso, para excluir os créditos da conta corrente n° 03181, Agência 182l Ban co liai', da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de orig, 7pao com, o ada, nos termos do voto da Relatora. GIOVANi NI CHRIS III / A UN • ' CAMPOS Preside tte Van sa Pereira Ro rigues Domene Relator FORMALIZADO EM: 1 8 JUN 2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório O contribuinte foi autuado no valor total de R$ 217.106,49, sendo R$ 85.867,15 de imposto, R$ 66.838,98 de juros de mora e R$ 64.400,36 de multa proporcional. De acordo com o Auto de Infração de fls. 1422/1425, contra o contribuinte foi imputada a seguinte infração: 001 — Depósitos bancários de origem não comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas _ operações. _ _ Processo n° 19515.003542/2003-13 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.305 Fl. 1.451 Inconformado com o lançamento de oficio levado a efeito pelo Fisco, o contribuinte apresentou sua defesa (Impugnação ao Auto de Infração) às fls. 1432/1434, sendo que em análise à referida defesa sobreveio decisão de primeira instância administrativa (fls. 1443/1445), que considerou o lançamento procedente pelos motivos sucintamente expostos a seguir: • Inicialmente a decisão recorrida esclarece que os dispositivos da Lei n° 10.174/2001 que alteram a vedação anterior à utilização dos dados da CPMF para constituição de crédito tributário não envergam natureza material, de forma que sendo instrumentais as novas determinações legais, as quais autorizaram a autoridade administrativa a utilizar as informações da CPMF, não há que se falar em irretroatividade da lei, sendo, portanto, legitima a sua aplicação a procedimento em curso. • Em relação à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ressalta que o lançamento foi efetuado com base na legislação aplicável à espécie, mais precisamente o artigo 42, da Lei n° 9.430/96. Dispõe ainda que a presunção legal impera nestes casos de forma que constatados os depósitos, o ônus da prova é do contribuinte em demonstrar sua origem, ficando a autoridade lançadora dispensada de provar a omissão de rendimentos. Ademais, expõe que as razões oferecidas pelo recorrente, desacompanhadas de provas documentais hábeis e idôneas, não têm o condão de ilidir a tributação. Inconformado com a decisão proferida em sede de primeira instância administrativa, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1451/1457, aduzindo em suma que: • Preliminarmente o contribuinte alega que a decisão administrativa de primeira instancia deve ser anulada tendo em vista que o julgamento fora efetuado pela DRJ em Salvador, sendo que de acordo com o disposto no artigo 25, inciso I, alínea "a" do Decreto n° 70.235/72, o julgamento deveria ter sido efetuado em DRJ do domicilio do contribuinte. Ademais, entende que não há identificação dos servidores públicos que participaram do julgamento. • Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega que não teve analisado seu pedido de produção de provas periciais pelo julgador de primeira instância que sequer se manifestou sobre a questão, requerendo, assim, novo julgamento a fim de que seu pedido de provas seja devidamente apreciado pela instância inferior. • Já no mérito o contribuinte aduz que houve quebra de sigilo bancário em relação às contas que mantinha no Banco Itaú S/A. • Alega ainda que em virtude de sua atividade de prestação de serviços de administração de locações e condomínios, atuando como corretor de imóveis, apresenta urna intensa movimentação financeira, mas que os valores verificados em contas correntes não podem ser considerados como sendo renda por ele auferida. C 3 • Questiona a legalidade do lançamento, posto que de acordo com seu entendimento o lançamento não poderia pautar-se em simples presunção de omissão de rendimentos, sendo que a autoridade fiscal baseou-se exclusivamente nos valores depositados em conta para efetuar o lançamento ora questionado. Além disso, o recorrente explica que atendeu às intimações e que levou aos autos todas as provas da origem dos depósitos questionados pela autoridade fiscal. • Ademais, o contribuinte rebate a utilização dos dados obtidos pelo auditor fiscal com a CPMF, posto que esta atitude implica em irretroatividade da lei, uma vez que nos termos do artigo 11, da Lei n°. 9.311/96 a utilização da CPMF para fins fiscais não estava autorizado. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Relatora. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço-o e passo ao exame das questões preliminares e de mérito. Preliminarmente: I. Da competência do órgão de julgamento de primeira instância e identificação dos julgadores. O recorrente argumenta nulidade da decisão de primeira instância, sob o fundamento de que a DRJ de Salvador/BA não teria competência para julgar o seu processo. Contudo o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 2006, regulador do processo administrativo fiscal, no seu art. 25, I, determina que o julgamento do processo de exigência de tributos em primeira instância é de competência das Delegacias da Receita da Federal (DRJ). Vejamos seu teor: Art.25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: 1 - em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal. a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação, aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. 4 Processo n° 19515.003542/2003-13 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.303 Fl. 1.452 Hoje se encontra pacificado o entendimento de este Decreto tem status de lei, desse modo, a disposição do art. 175 do Decreto-lei IV 5.884/1943 e do art. 13 da Lei n° 9.784, de 29/1/1999, são inaplicáveis para a fase do contencioso administrativo. Para a fase do procedimento fiscal a autoridade competente será sempre a do domicílio, mas para a competência relativa ao julgamento, esta é definida pelos artigos 24 a 41 do Decreto n° 70.235/1972. De acordo com o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria n° 259, de 24 de agosto de 2001 (DOU de 29/8/2001) as DRJ estão diretamente subordinadas ao Secretário da Receita Federal, que tem competência delegada pelo Ministro de Estado da Fazenda para alterar a jurisdição das mesmas (artigos 7 0, 203, 230 e 237 do RI). Aliás, o Secretario da Receita Federal pelas Portarias números 1.005 e 6.174, de 25/1/2005 e 7/12/2005, respectivamente, fixou a competência das DRJ por matéria e por território. Não obstante, existe expressa menção nos autos do processo (fls. 1442 — verbo) que houve a transferência de competência para julgamento de processos administrativo- fiscais, nos termos da Portaria SRF n°. 101, de 29/01/2007, publicada no DOU de 30/01/2007. Vejamos seu teor: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da competência que lhe confere o inciso XXVII do art. 230 Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n°. 30, de 25 de fevereiro de 2005, resolve: Art. 1" Transferir a competência para julgamento dos processos administrativos .fiscais relacionados no Anexo único desta Portaria, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Art. 2' Os processos a que se refere o art. 1° deverão ser transferidos no prazo de trinta dias da publicação desta Portaria. Art. 3° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Com efeito, estando este processo administrativo devidamente relacionado no Anexo único a que se refere o artigo 1° da Portaria SRF n°. 101, de 29/01/2007, não resta dúvida de que a decisão proferida pela DRJ - Salvador é valida quanto à competência, porque foi proferida por autoridades competentes, nos termos acima expostos, não merecendo ser acolhida a alegação do contribuinte neste particular. Ressalto ainda deve-se afastar a alegação do contribuinte no sentido de que a inexistência de aposição da matrícula dos servidores que participaram do julgamento de primeira instância causaria a nulidade da decisão. Isto porque há a identificação expressa do bojo da decisão de todos os funcionários que participaram da sessão de julgamento, inclusive contando a matricula do Relator Sr. Zilton de Araújo Andrade Filho. Ademais, só há de se anular a decisão proferida por funcionário incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72, fatos que efetivamente não estão presentes neste processo, muito menos na decisão proferida pela DRJ de Salvador, devendo-se manter neste aspecto incólume a decisão recorrida. 2. Do cerceamento de defesa. Nos casos em que se observa que o direito de defesa do contribuinte foi devidamente respeitado no curso do processo administrativo, tendo o recorrente, portanto, exercido com plenitude o contraditório e a ampla defesa, não há que se acolher preliminar de cerceamento de defesa, haja vista sua inexistência. O reconhecimento do cerceamento de defesa somente tem cabimento quando o contribuinte tem prejuízo em seu direito de defesa, não tendo condições de conhecer de forma plena as acusações que lhes foram formuladas pela autoridade fiscal, e, por • conseqüência, sem condições de apresentar sua defesa de forma plena. Ou ainda, quando inexistente as condições previstas em lei para que o contribuinte possa provar suas alegações. No caso o contribuinte aduz que não houve por parte da decisão recorrida a apreciação do seu pedido de produção de prova pericial contábil. Entretanto, o acolhimento do pedido de provas periciais cabe exclusivamente ao julgador administrativo, já que este somente irá deferir a realização de perícia quando a situação fática processual pressupõe a necessidade de exames e verificações de matéria cujo conhecimento não seja do domínio do julgador. Com efeito, o simples pedido de realização de prova pericial formulado pelo contribuinte não é suficiente para que este seja acolhido de pronto pelo julgador, há que se provar a necessidade efetiva da produção de prova pericial, de folina que fique evidente ser indispensável para a solução do litígio. Nesse sentido nota-se que o pedido de perícia formulado pelo contribuinte não atende os requisitos fixados pelos incisos III e IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, devendo ser considerado como não formulado. - Isto porque, de acordo com o referido comando normativo deveriam ter sido expostas claramente na impugnação as diligências, ou perícias que o recorrente pretendia que fossem efetuadas, bem como que fossem expostos os motivos que as justificassem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, sendo que o pedido genérico não traz estes elementos fundamentais. Ademais, uma vez verificada ser desnecessária a realização de produção de provas periciais, o julgador de primeira instância pode deixar de acolher o pedido efetuado pelo contribuinte, conforme reiteradas decisões deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), já que o contribuinte deve apresentar juntamente com sua defesa todos os elementos de provas capazes de formar a convicção do julgador. Isto é, no processo administrativo tributário os fatos devem evidenciar-se com provas documentais, rejeita-se, com isso, o pedido por perícia quando o processo contém documentos portadores de dados dos quais possível obter à solução da lide, como ocorre no presente caso. Assim, não merece reparo a decisão recorrida neste sentido, sendo que não se verifica no caso o alegado cerceamento de defesa do contribuinte, posto que constam dos . autos_ elementos suficientes à convicção do julgador. _ 6 X\K- Processo n° 19515.003542/2003-13 S2-C IT2 Acórdão n.° 2102-00.305 Fl. 1.453 Isto posto, rejeito as preliminares suscitadas pelo contribuinte, passando-se assim à analise das questões de mérito apontadas em seu recurso voluntário. Mérito: Inicialmente, deve-se ressaltar a legalidade do lançamento com base em informações obtidas de extratos bancários, nos quais se verificam depósitos bancários sem origem comprovada, nos termos do art. 889, II, do RIR194, que assim dispõe: "Art. 889 - O lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo: (-) H - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; " Tal disposição tem seu fundamento de validade no art. 149, III, do CTN, que assim dispõe: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade;" Confoinie se depreende da leitura dos dispositivos legais, somente o atendimento, a contento, do pedido de esclarecimentos exime o sujeito passivo do lançamento de oficio. Não basta a apresentação de vasta documentação se esta não demonstra ou comprova a situação fática verificada pelo Fisco. Ademais, a autuação fiscal com base na presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da lei n° 9.430, de 24/12/1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Veja-se: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 10 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. - - § 2". Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e • contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às 7 "j\. normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que foram auferidos ou recebidos. § 3°. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos - serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4°. Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente t = época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5°. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando - interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou dé investimento. § 6°. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na tonna como presumidos pela lei. Isto porque o ônus da prova, neste caso, cabe ao interessado, no caso o contribuinte. Importa destacar também que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Logo, cabe apenas ao - • sujeito passivo, e não ao Fisco, trazer os elementos de prova de forma a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em sua conta corrente ao longo dos períodos base analisados. Observe-se que o art. 332 da Lei n°. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, estabelece que "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou defesa". Desse modo, não havendo hierarquia do valor probante dos meios de prova, excetuado o uso de provas ilícitas (art. 5 0, inciso LVI da Constituição Federal de 1988), pode- se provar qualquer situação de fato por qualquer via. Com efeito, diante do exposto, verifica-se que para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n'. 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção ç,_/\K Processo n° 19515.003542/2003-13 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00305 Fl. 1.454 de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, o fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte. A presunção de omissão de rendimentos se caracteriza ante a falta de esclarecimentos da origem dos valores creditados junto ao sistema financeiro. O fato gerador decorre da circunstância de tratar- se de dinheiro novo no patrimônio do contribuinte sem que este, intimado para prestar esclarecimentos, não prove sua origem. As constatações acima afastam a necessidade de comprovação, por parte do Fisco, de acréscimo patrimonial a descoberto ou mesmo de sinais exteriores de riqueza. O auto de infração lavrado no caso concreto, repise-se, é resultado da verificação de omissão de rendimentos, apurada com base em valores depositados em contas bancárias para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou a origem. Com estas considerações em foco temos que as alegações da contribuinte não são totalmente fundadas, pois inexiste comprovação das alegações, bastando para o Fisco demonstrar a ocorrência dos depósitos de origem não comprovada. Com efeito, não é suficiente a simples alegação de que os valores que figuram nas contas correntes seriam de terceiros. Aliás, importante ressaltar que foram considerados pela autoridade fiscal todos os documentos hábeis e idôneos juntados pelo recorrente capazes de comprovar a origem dos recursos depositados em contas bancárias de sua titularidade. Mais especificamente às fls. 1329/1398, foram relacionados todos os créditos considerados como comprovados referente à conta corrente n°. 19098-8 — agência 1821. Já às fls. 1400, a autoridade fiscal relaciona os valores devidamente comprovados pelo contribuinte para a conta corrente n°• 20646-1 — agência 1821, e, ainda, às fls. 1405, lista os valores devidamente comprovados para a conta corrente 03181 — agência 1821. Quanto aos demais documentos trazidos pelo contribuinte, notadamente os diversos boletos bancários juntados aos autos, que compõem grande parte dos documentos acostados, noto que não trazem correspondência com os valores questionados pelo Fisco. Neste sentido as alegações de que os valores depositados em conta corrente seriam de titularidade de terceiros, estando apenas em posse do contribuinte em decorrência da administração de imóveis, não restou totalmente comprovada. Nota-se ainda que embora haja ajuntada dos livros contábeis (fls. 1248/1258; 1263/1315) da empresa Planar Imóveis, da qual o recorrente é sócio, no sentido de justificar o ingresso de recursos em suas contas correntes, verifico que os valores recebidos da empresa não comprovam a natureza alegada, ou seja, não há a prova de que os recursos se classificam como reembolso de despesas, podendo ser considerados como rendimentos tributáveis decorrentes da relação entre a pessoa jurídica e o sócio. Inclusive, tal fato foi constatado também pela autoridade fiscal que deixou expressamente consignado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 1416, que não constam dos autos qualquer documentação hábil e idônea (tais como notas fiscais, recibos, prestação de - contas, etc.) correspondente aos registros contábeis efetuados nos livros em referência, sendo que não restaram comprovadas as despesas que teriam dado origem aos supostos reembolsos. 9 Com efeito, por este motivo é que se exige do contribuinte a comprovação dos efetivos depósitos lançados em seu nome efetuados pela referida empresa, bem como sua natureza jurídica, visto que tais valores não constam das declarações do contribuinte como rendimentos recebidos de pessoa jurídica nos respectivos anos-calendários, nem mesmo existe nos documentos apresentados qual a natureza jurídica dos valores depositados nas contas correntes do recorrente. Desta forma, configura-se perfeitamente a hipótese legal para a presunção de omissão de rendimentos, já que o contribuinte apresentou documentação hábil e idônea a comprovar apenas parte da origem dos depósitos, de forma que o lançamento, sob este aspecto não merece qualquer reparo, nem tampouco a decisão recorrida que o corroborou. No entanto, compulsando os autos, e verificando os extratos bancários, observo que o recorrente mantinha a conta corrente n°. 03181 — agência 1821 - Banco Itan S/A em conjunto com a Sra. Cláudia Guimarães Moraes Nardy — CPF/ISIF n o . 116.468.838-37 (cônjuge). Nota-se ainda que a Sra. Cláudia Guimarães Moraes Nardy consta como dependente na Declaração de Ajuste Anual do recorrente, conforme se constata às fls. 62/64, mais especificamente às fls. 63-verso. Ademais, verifico que não houve a regular intimação da Sra. Cláudia Guimarães Moraes Nardy (co-titular da conta bancária) para apresentação de esclarecimentos e justificativas quanto aos valores depositados em conta corrente considerados como de origem não comprovada. Nesse sentido, ressalto que em caso de existência de conta conjunta, ainda que os titulares sejam dependentes entre si e apresentem em conjunto a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Com efeito, não se pode atribuir, de oficio, os valores constantes de contas conjuntas como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas. Há a necessidade de intimação de todos os correntistas, visto que os depósitos não são necessariamente metade de uma pessoa e metade de outra. Todos os titulares devem se manifestar a respeito dos depósitos tidos como de origem não comprovada, ainda que as Declarações de Ajuste Anual sejam entregues em conjunto, posto que tal fato não significa que os titulares tenham rendimentos provenientes das mesmas fontes, ou que os depósitos efetuados nas contas correntes seriam exclusivamente do contribuinte declarante e não do dependente. Assim, repiso que a prévia intimação aos titulares de contas conjuntas, constitui inafastável exigência de lei material, por proporcionar, ou não, a base material da presunção legal, na medida em que não justificados, ou, justificados, os créditos questionados, posto que se trata fundamentalmente de verificação ou justificação fática dos depósitos levados a efeito nas contas correntes. A intimação endereçada a apenas um titular fragiliza o lançamento por ancorá-lo em presunção de renda sob presunção de não justificativa, por todos, da origem dos créditos bancários. Este é o entendimento deste E. CARF: "DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO CONHECIDA. CONTA CONJUNTA. ARTIGO 42, ás' 6" DA LEI 9.430, DE 1.996. Ausência de intimação do co-titular da mesma conta Pvocesso n° 19515.003542/2003-13 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.305 Fl. 1.455 corrente bancária. Lançamento realizado sem a devida intimação do(s) co(s)-titular(es) da conta corrente bancária contém erro material. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores creditados. Ausência de segurança quanto à base de cálculo e o valor do tributo cobrado. Hipótese de nulidade do lançamento. Embargos de Declaração acolhidos." (1° CC — Segunda Câmara — Recurso n. 142.427 — Relatora Silvana Mancini Karam — Sessão de 05112/2007). "IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — EXCLUSÕES - Conta corrente conjunta. Co- titular não intimado pela autoridade fiscal. Situação apontada pelo interessado desde fase impugnatória; rendimentos auferidos e regularmente declarados na declaração de ajuste anual. Exclusão dos depósitos praticados na conta bancária conjunta por falta de certeza quanto à titularidade da mesma. Exclusão dos valores declarados já oferecidos à tributação. Recurso parcialmente provido." (1 0 CC — Segunda Câmara — Recurso n. 138.112 — Relatora Silvana Mancini Karam — Sessão de 17/10/2007). Desta forma, é de rigor a exclusão da tributação dos valores depositados na conta corrente n°. 03181 — agência 1821 - Banco liará S/A, mantida em conjunto com a Sra. Cláudia Guimarães Moraes Nardy CPF/MF n". 116.468.838-37 (cônjuge), por falta de intimação da co-titular, mantendo-se no mais o lançamento de oficio, nos termos acima alinhavados. Não obstante, cumpre igualmente esclarecer que no tocante à alegação de quebra de sigilo bancário trazida pelo contribuinte, o interesse coletivo deve sempre prevalecer sobre o interesse do particular, sendo certo que o sigilo trazido pela Constituição Federal diz respeito à "comunicação de dados", não se tratando de modo ai m de si ilo absoluto. Aliás, deve-se frisar que, na quase totalidade dos países ocidentais existe a possibilidade de acesso às movimentações bancárias quando tal seja importante para apuração de crimes e fraudes tributárias em geral. Além do exposto, o entendimento mais correto é no sentido de que a Lei Complementar n° 105, de 2001 e a Lei n° 10.174, de 2001, ao contrário do alegado pelo recorrente, têm natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência. Inclusive a teor do que dispõe o art. 144, § r, do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Assim, a norma contida na Lei Complementar 105/01, que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de credito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, _podendo assim alcançar fatos 2eradores pretéritos. A exegese do art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, considera a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito tributário, relativo a outros tributos, conduz à "\f"-\ conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 60 da Lei Complementar 105/01 e da Lei 10.174/01 ao ato de lançamento de tributos que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. Já quanto às alegações de inconstitucionalidade de normas que respaldam o procedimento fiscal, importante esclarecer que a análise da constitucionalidade de lei em matéria tributária não pode ser objeto de verificação por parte deste E. CARF, questão inclusive pacificada na Súmula 1° CC n° 2. Veja-se: "Súmula 1°CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Por fim, afasto os requerimentos de produção de provas periciais ou conversão do julgamento em diligência, ambos formulados pelo contribuinte, posto que nos moldes do que já fora exposto, constam dos autos documentos e elementos suficientes para a solução da lide, sendo totalmente desnecessária a produção de prova pericial, até porque, o contribuinte regularmente intimado, não apresentou documentação hábil e idônea capaz de comprovar a totalidade da origem dos recursos depositados em suas contas correntes. Sendo assim, por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO do contribuinte, para excluir da tributação por omissão de rendimentos os valores relativos aos depósitos tidos como não identificados ocorridos na conta corrente no. 03181 — agência 1821 - Banco Raiá S/A. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2009.21 de agosto de 2009 10 • VAN, SSA PEREI • RODRIGUES DOMENE 12
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000093/2009-10
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2008
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória só subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes. Mantidas as autuações correlatas, no mérito, prevalece a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS EFETUADOS EM DESACORDO COM O QUE DETERMINADO NA LEI 10.101/00. ACORDO QUE NÃO POSSUI REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO AO MECANISMO DE APURAÇÃO DAQUILO O QUE FOI ACORDADO. INCIDÊNCIA.
Nos termos do disposto no art. 28, § 9º , alínea j, do Decreto 3.048/99, para que os pagamentos das verbas a título de participação nos lucros não sejam consideradas como parcela do salário, componente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, deverá ser observado aquilo o que disposto na Lei de regência, no caso, a Lei 10.101/00.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR - MULTA MAIS FAVORÁVEL - APLICAÇÃO
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória só subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes. Mantidas as autuações correlatas, no mérito, prevalece a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS EFETUADOS EM DESACORDO COM O QUE DETERMINADO NA LEI 10.101/00. ACORDO QUE NÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 00 93 /2 00 9- 10 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 POSSUI REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO AO MECANISMO DE APURAÇÃO DAQUILO O QUE FOI ACORDADO. INCIDÊNCIA. Nos termos do disposto no art. 28, § 9º , alínea “j”, do Decreto 3.048/99, para que os pagamentos das verbas a título de participação nos lucros não sejam consideradas como parcela do salário, componente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, deverá ser observado aquilo o que disposto na Lei de regência, no caso, a Lei 10.101/00. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000093/200910 Acórdão n.º 2402003.116 S2C4T2 Fl. 155 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls 06/07), a empresa deixou de informar em GFIP as remunerações a título de "Participação nos Lucros" pagas em desacordo com a Lei 10.101 de 26 de outubro de 2000, nas competências de abril/2004, abril/2005, abril/2006, abril/2007 e abril/2008. A auditoria fiscal informa que não foi aplicada a multa prevista no artigo 44 da Lei 9.430 de 1996 referida no artigo 35 A da Lei 8.212/91 acrescido pela Medida Provisória 449/2008, por se constituir em penalidade mais gravosa que a penalidade prevista no art. 32, §5° da Lei 8.212/91, somada a Multa Isolada prevista no artigo 35, inciso II, alínea "a" incidente sobre as obrigações principais (Empresa, Segurados e Terceiros) para competências anteriores a dezembro de 2008, conforme demonstrado na planilha (Anexo VI) "COMPARATIVO DA APLICAÇÃO DAS MULTAS DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS CÓDIGOS 68 E 69 E DA MULTA DE MORA DE 24% APLICÁVEL ÀS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS (Lei 8.212/91, art. 35II, alínea "a"), COM A MULTA D OFÍCIO DA LEI 12/91, ART. 35A acrescentado pela MP 499/2008" A autuada teve ciência do lançamento em 04/05/2009 e apresentou defesa (fls. 60/81 onde alega que é abusiva a exigência contida na presente autuação, uma vez que não há como destacar em GFIP fatos que não podem ser considerados como geradores de contribuição previdenciária e que se relacionam aos valores pagos pela impugnante a título de PLR aos seus empregados referentes aos períodos de abril de 2004 a abril de 2008, tendo em vista que a referida verba não tem natureza salarial, conforme reconhece a Constituição Federal de 1988 e a legislação de regência. Argumenta que teria ocorrido a decadência do montante da multa correspondente à competências anteriores a maior de 2004 pela aplicação do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN. Aduz que ao contrário do que pretende fazer crer a Fiscalização, o acordo celebrado entre a Impugnante e os seus empregados (devidamente representados por uma comissão), para fins de regulação da PLR em seu âmbito, conserva todos os pressupostos:da Lei ri.° 10;101/2000. Entende que há de se reconhecer que a falta da presença do representante sindical, principalmente quando o sindicato está ciente da negociação e os empregados estão devidamente representados na comissão, não invalida os efeitos legais do acordo. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Alega que a análise do Acordo PLR demonstra que da negociação decorreu a fixação de regras claras e objetivas quanto aos critérios de fixação e distribuição dos lucros auferidos pela Impugnante. Argumenta que nas cláusulas primeira e segunda encontramse definidos critérios de lucratividade e produtividade. Nas cláusulas terceira e quinta constam os percentuais de participação e as condições/formas a serem perquiridas por seus empregados, bem como na cláusula sexta a periodicidade do fornecimento da PLR pela Impugnante. Considera que a análise efetuada pela Fiscalização é simplista e produz o efeito de se presumir que os referidos valores não teriam a natureza de participação nos lucros e sim de complemento de remuneração mensal. Entende que ainda que a Fiscalização tivesse razão em relação à ausência de cumprimento da legislação de regência, o não atendimento às formalidades dessa legislação não implica na perda da natureza de participação nos lucros que, segundo o próprio texto constitucional, é "desvinculada da remuneração" (art. 7°, XI, da CF/88). Alega ser necessária a aplicação do art. 112 do CTN, uma vez que existindo dúvidas quanto à efetiva caracterização das supostas infrações imputadas à impugnante torna se necessária e obrigatória a aplicação da cláusula in dúbio pro reo. Por fim, requer que a presente Impugnação seja julgada de forma concomitante ou posterior às defesas administrativas apresentadas nos autos dos AI’s n.°'s 37.034.6521, 37.034.6556 e 37.034.6572, tendo em vista a conexão entre o objeto do presente Auto de Infração e das correlatas autuações fiscais. Pelo Acórdão nº 0925.767 (fls. 108/111) a 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 115/141), onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000093/200910 Acórdão n.º 2402003.116 S2C4T2 Fl. 156 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que deve ser rejeitada. A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 171DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Nesse sentido, entendo que o direito de aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória encontrarseia decaído até a competência 11/2003, inclusive, uma vez que a ciência do sujeito passivo ocorreu em 04/05/2009. Assim, como a multa aplicada compreende períodos posteriores à citada competência, não se verificou decadência alguma. A recorrente alega que a autuação não poderia subsistir se o lançamento das obrigações principais correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP fosse considerado improcedente. Ocorre que os lançamentos das obrigações principais objetos dos processos nº 12963.000101/200928 (parte patronal), 12963.000095/200917 (parte segurados) e Fl. 172DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000093/200910 Acórdão n.º 2402003.116 S2C4T2 Fl. 157 7 12963.000100/200983 (terceiros), tiveram os recursos já julgados pelos Acórdãos nº 2402.002.016, nº 2402003.114 e nº 2402003.115, respectivamente, onde os lançamentos foram mantidos no mérito, conforme se verifica em trecho do primeiro acórdão mencionado abaixo transcrito: MÉRITO Inicialmente, cumpre esclarecer que a Participação nos Lucros e Resultados – PLR – fora regulada no âmbito previdenciário pelo art. 28, § 1º, alínea “j”, da Lei 8.212/91, a seguir: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” Resta claro, portanto, que a norma em comento possui o comando no sentido de que somente estarão fora do campo de incidência da contribuição previdenciária os pagamentos efetuados a título de PLR que observarem os requisitos determinados pela Lei específica e regulamentadora do assunto, no caso dos autos, a Lei 10.101/00. Ressaltese que tal necessidade é reconhecida inclusive pelo próprio STJ. Frente a isso, a fiscalização entendeu que foram várias as irregularidades cometidas no acordo de PLR carreado aos autos e que não estavam de acordo com a legislação de regência. Inicialmente cumpre esclarecer que o acordo da PLR que a recorrente apresentou para justificar os pagamentos efetuados durante o período fiscalizado foi assinado em dezembro de 1996, ou seja, oito anos antes da primeira competência lançada, ainda em período anterior à promulgação da Lei 10.101/01. Apesar de não haver acordo para os anos posteriores, tenho que tal fato não seja capaz, por si só, de afastar o caráter isentivo dos pagamentos efetuados, pois da análise de uma série de resumos de avaliações dos empregados da recorrente juntados aos autos, percebese que o acordo, desde à época sempre foi praticado pelas partes. Cabe, portanto, ao julgado administrativo verificar se estão presentes no caso em concreto os requisitos determinados pela Lei para o reconhecimento do caráter isentivo da parcela. O relatório fiscal assim apontou a primeira das inconsistências do acordo entabulado: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 “b) Ausência do período de vigência e prazos para revisão do acordo conforme previsto no artigo 2°, caput do § 1° da Lei 10.101/2000;” Por sua vez, assim dispõe o art. 2o da Lei 10.101/ 01: “Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores De fato, o acordo não possui qualquer indicação do período de vigência, situação que a meu ver não ensejaria a ofensa ao artigo de lei encimado, já que em não havendo qualquer período máximo ou mínimo a ser observado, há de se entender, que a exigência é de que o acordo seja prévio ao pagamento, mesmo que não faça alusão específica a competência paga.” Entretanto, verifico que do instrumento de fato não consta a fixação de um prazo para revisão do acordo, não podendo sequer ser aceito sob esta ótica aquilo o que descrito na cláusula oitava do instrumento, que determina que o acordo será revisto em caso de haver modificação na legislação que regula a matéria. Entendo que tal disposição não se coaduna com o escopo da Lei em se determinar a periodicidade de revisão do acordo, pois ao invés de garantir uma revisão periódica deixa as partes sob a expectativa da ocorrência de um evento futuro e incerto, caracterizando a revisão das cláusulas como incerta. Outro motivo levantado pela fiscalização foi o de que o acordo não previa regras claras e objetivas na fixação da forma de apuração da participação. Forte na premissa de que este Conselho ou mesmo a própria administração tributária não possa fazer juízo de valor quanto aos itens considerados pelas partes como aptos a demonstrar a participação de cada empregado no lucro da empresa, tenho que Fl. 174DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000093/200910 Acórdão n.º 2402003.116 S2C4T2 Fl. 158 9 nos cabe apenas avaliar se os itens eleitos possuem a objetividade encartada na legislação de regência para que então esteja verificado o cumprimento de mais uma condição para que a parcela distribuída esteja isenta da tributação. Da leitura do instrumento de fls. 22 depreendese que a participação do empregado no lucro será apurada conforme avaliação de desempenho dos itens produtividade, assiduidade, higiene e limpeza, dentro do exercício da apuração do lucro, a ser realizada pelo departamento de RH, variando a depender do resultado da avaliação entre 0,8 e 2,0 salários do empregado, sendo ainda proporcional ao tempo de serviço no exercício e devendo ter o empregado laborado na empresa por no mínimo 30 dias no exercício de apuração do lucro. Num primeiro momento, entendo que o acordo entabulado seja objetivo o suficiente quanto aos itens ou índices eleitos pelas partes como fundamentais para a apuração da participação de cada um no lucro, ou seja quanto aos direitos subjetivos na participação e da regras adjetivas. Entretanto, a legislação não exige que a objetividade do acordo seja somente quanto a tais pontos, mas também quanto aos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Sobre tais regras assim expôs o relatório fiscal de fls. 18: “Quando questionada a respeito dos critérios de definição dos valores pagos a cada empregado em função da Participação nos Lucros, a empresa declarou por escrito em 04.02.09 (Anexo IV) durante a Diligência Fiscal que antecedeu a Auditoria Fiscal iniciada em 03.03.09 que "...a avaliação de cada funcionário é feita pelo_ parâmetro salarial e_ por tempo de serviço e os pagamentos são efetuados baseado no salário do funcionário e pago proporcionalmente ao tempo trabalhado no exercício de apuração do lucro... Já durante a Auditoria Fiscal, a empresa apresentou os "Boletins de Avaliação _ de Desempenho" (Anexo II A a D), cujas cópias estão anexadas a este Relatório por amostragem, juntamente com declaração datada de 10/03/09 onde informa que "as referidas avaliações de Desempenho são usadas para determinar a participação do funcionário no lucro, e a empresa determina, conforme estas avaliações se o funcionário terá redução na participação ou será demitido do quadro da mesma. Como se vê, tratase de uma avaliação meramente de desempenho individual, em que os supervisores avaliam tão somente a eficiência do empregado em suas atividades normais, sem quantificar a sua contribuição para o alcance do Lucro da empresa, podendo até mesmo culminar com sua demissão. A empresa utilizase de uma classificação de "A" a "C" (bom, regular e ruim) em critérios sem qualquer objetividade, tais como: apresentação pessoal, receptividade a mudanças, cuidados com uniformes, cuidado com equipamentos, cuidado com segurança, etc., ficando tal julgamento a cargo de avaliadores e supervisores. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 No Acordo apresentado pela empresa não há mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, tanto pela falta de determinação de metas a serem alcançadas como pela subjetividade do método de avaliação dos empregados adotado pela empresa. A necessidade do estabelecimento de metas e indicadores está em medir a contribuição do funcionário no atingimento do lucro. Pelos termos do Art. 2o §1° da Lei 10.101/2000 a clareza e a objetividade devem nortear a fixação tanto dos direitos substantivos dos participantes quanto das correlatas regras instrumentais, as quais devem encerrar critérios quantitativamente mensuráveis, como forma de avaliação. Na leitura do § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000, constatase que esse parágrafo traz a expressão "deverão constar", que tem conotação de obrigação, ou seja, não é faculdade das partes decidir se dos instrumentos de negociação constarão ou não regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetiva . O mandamento legal é imperativo, devendo obrigatoriamente constar os direitos e regras a serem observados.” Assim, mesmo considerando que o acordo seja suficientemente objetivo quanto a fixação dos direitos e regras adjetivas, entendo que o que não se encontra objetivamente previsto são somente os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, pois de fato, a avaliação efetuada pelo departamento de RH não traz informações objetivas de quais os pontos considerados pelos avaliadores para a determinação de uma nota A, B ou C nos quesitos avaliados de cada um dos funcionários empregados. Sem a indicação de qual o método de avaliação para cada um dos quesitos, como poderá cada um aferir se de fato faria jus a uma maior ou menor distribuição. No caso dos autos, tal avaliação, ao que tudo indica é feita de forma subjetiva. Por tais motivos, sobre este tópico, concordo apenas em parte com as conclusões da fiscalização. Mais a mais, como se já não bastassem as ponderações já apontadas para que seja determinada a manutenção do lançamento efetuado, ainda diante da necessidade de observância daquilo o que determinado pelo art. 28, § 1º, alínea “j”, da Lei 8.212/91, a ausência de participação do representante do sindicato na negociação também deveria ter sido observada. De fato a legislação impõe que se a forma escolhida pela empresa e seus trabalhadores para a regulação do pagamento da PLR venha a se dar intermédio da comissão de trabalhadores, esta deverá ser composta obrigatoriamente por um representante do sindicato, o que não ocorreu no presente caso, já que o acordo somente possui o posterior registro junto à Federação da categoria. Apesar de cumprida a exigência do registro, insculpida no §2o da Lei 10.101/01, tenho que este não tem o condão de substituir a presença do representante na fase de negociação e fixação dos critérios de pagamento da PLR, não se tratando de uma Fl. 176DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000093/200910 Acórdão n.º 2402003.116 S2C4T2 Fl. 159 11 condição de natureza secundária como pretende fazer crer a recorrente. A presença do representante garante a devida a assistência que os trabalhadores necessitam na fixação dos critérios e condições para uma melhor forma de apuração da participação de cada um na parcela do lucro, além de ser exigência da própria legislação. Até mesmo da análise da redação original do art. 2o da Lei 10.101/01, com a redação constante da MP 794/94, que regulamentou o inciso XI do art. 7.º da CF/88, percebese que dele já constava que a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade. Dispôs, em seus arts. “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva , a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário.” Na vigência de referida MP, percebese que o instrumento de acordo ainda não possuía a determinação de deveriam ser formadas as comissões, mas que a PLR deveria decorrer de uma negociação coletiva, envolvendo empregados em empregadores. Mais a mais, a MP 860, de 27 de janeiro de 1995, fez pequenas alterações nos referidos dispositivos, dentre elas, agora, não apenas exigindo que somente fosse levada a efeito negociação entre comissão de empregados e o empregador, mas que, agora, os instrumentos deveriam ser arquivados na entidade sindical dos trabalhadores. Confirase: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida , a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive Fl. 177DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores . Mais uma vez, agora, quando a edição da MP 1.53934, de 07 de agosto de 1997, novas modificações foram trazidas, quando fora então determinado que a negociação da PLR deveria ser desenvolvida mediante a comissão escolhida pelo empregado e empregador, a qual deveria ser integrada, ainda, por um representante do sindicato da categoria. Tal situação, a meu ver, já demonstra que o próprio legislador fez questão e, portanto, assim determinou, a necessidade da participação ativa do sindicato nas negociações para a fixação dos parâmetros da PLR, exatamente para que seja ainda respeitado aquilo o que sempre fora determinado pela própria legislação em comento, no sentido de que a PLR, por se tratar de instrumento entre a integração do capital e do trabalho, não substituirá nem complementará a remuneração de qualquer dos empregados. Vejamos: “Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão por estes escolhida, integrada, ainda, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria . § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Novamente referido art. 2.º foi alterado pela então MP 1.69846, de 30 de junho de 1998, quando, com mais ênfase, a legislação encerrou a obrigatoriedade da participação do representante do sindicato nas negociações: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um Fl. 178DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000093/200910 Acórdão n.º 2402003.116 S2C4T2 Fl. 160 13 dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, dentre os empregados da sede da empresa ; II convenção ou acordo coletivo . § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores.” Logo, entendo que a participação do sindicato, para fins de adequação ao disposto na Lei 10.101/00, deve ser dar na forma em que por ela determinado ou seja, ativamente nas negociações, por intermédio de seu representante, inclusive com o posterior arquivamento do acordo junto a própria entidade. São situações independentes, que a meu ver uma, no caso a posterior, de arquivamento do acordo, não poderá substituir, simplesmente a participação do representante nas negociações levadas a efeito entre as partes, questão que a própria evolução do art. 2º, diante das várias reedições das anteriores Medidas Provisórias que precederam a Lei 10.101/01, demonstraram ser necessária. Por fim, já no que se refere a desvinculação dos pagamentos, assim apurada em razão do confronto do pagamento recebido por um funcionário operacional da empresa e de um de seus advogados, não vejo outra solução senão dar razão a recorrente. Ora, tal situação demonstra, apenas, que a distribuição da parcela dos lucros era feita de forma proporcional, pois não é crível que se argumente que dois funcionários com funções e salários absolutamente diferenciados não possam ter participações diferenciada no lucro. A meu ver é esse uma das finalidades do próprio instituto e não existe na legislação qualquer vedação na diferenciação da distribuição de lucros diferenciada em razão da função exercida por cada um dos empregados. Contudo, mesmo entendendo que referida exigência seja descabida, o acatamento da tese da recorrente, somente quanto a este ponto e em parte quanto aos critérios objetivos do Fl. 179DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 contrato, não possuem o condão de abalar o lançamento, diante dos demais argumentos lançados no presente voto. Assim, se no mérito, foram mantidos os lançamentos das obrigações principais, procedente deve ser considerado o lançamento relativo à obrigação acessória. No entanto, relativamente à multa aplicada, observase que a Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Cumpre dizer, que o entendimento desta julgadora é no sentido de que o cálculo feito pela fiscal ao considerar multas de naturezas diversas (de mora, por Fl. 180DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000093/200910 Acórdão n.º 2402003.116 S2C4T2 Fl. 161 15 descumprimento de obrigação acessória e de ofício não encontra respaldo no arcabouço jurídico existente. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 e comparado ao cálculo anterior, para que seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 181DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.001759/2003-99
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL CONCOMITÂNCIA
SÚMULA CARF Nº 1
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Em atenção à Súmula nº 01 deste Primeiro Conselho, importa renúncia à discussão na esfera administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que verse sobre o mesmo objeto daquele.
NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PARA EXPEDIÇÃO DE RMF.
PRELIMINAR NÃO ACOLHIDA.
Desde que preenchidos os requisitos legais expressos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, bem como no Decreto nº 3.724/01, está correta a expedição de RMF pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em nulidade neste procedimento.
MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a emissão regular do MPF, com as devidas prorrogações, deve ser afastada a preliminar de nulidade. O MPF é elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, razão pela qual eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário.
IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE
CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE.
Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte.
Numero da decisão: 2102-002.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
ACOLHER as preliminares suscitadas, para, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 20.200,00 (no ano-calendário
1998), R$ 10.085,00 (no ano-calendário 1999), R$ 13.868,25 (no
ano-calendário 2000), e R$ 16.730,25 (no ano-calendário 2001).
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Em atenção à Súmula nº 01 deste Primeiro Conselho, importa renúncia à discussão na esfera administrativa a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que verse sobre o mesmo objeto daquele. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PARA EXPEDIÇÃO DE RMF. PRELIMINAR NÃO ACOLHIDA. Desde que preenchidos os requisitos legais expressos no art. 6º da Lei Complementar 105/2001, bem como no Decreto nº 3.724/01, está correta a expedição de RMF pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em nulidade neste procedimento. MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a emissão regular do MPF, com as devidas prorrogações, deve ser afastada a preliminar de nulidade. O MPF é elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, razão pela qual eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos Fl. 642DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96 o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO ACOLHER as preliminares suscitadas, para, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 20.200,00 (no anocalendário 1998), R$ 10.085,00 (no anocalendário 1999), R$ 13.868,25 (no anocalendário 2000), e R$ 16.730,25 (no anocalendário 2001). Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima . Relatório Fl. 643DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001759/200399 Acórdão n.º 210202.220 S2C1T2 Fl. 637 3 Tratase de retorno de diligência determinada pela Sexta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, em 07 de Agosto de 2008, a qual teve o seguinte objetivo: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, a fim de que a DRF de origem seja intimada a apresentar: a) cópia do MPF nº 08.1.90.002002031573, que deu origem ao procedimento fiscal; b) cópia das Requisições de Movimentação Financeira (RMF) expedidas e enviadas às instituições financeiras; c) cópia do relatório circunstanciado através do qual esteja demonstrada a justificativa para a expedição das referidas Requisições. Trazidos tais documentos aos autos, deve o contribuinte ser intimado do resultado desta diligência, para manifestação em 30 (trinta) dias. Em atendimento à tal solicitação, foram acostados aos autos (fls. 539/545) os MPF e RMF expedidos durante o procedimento fiscal. Às fls. 546 foi acostada cópia do relatório que fundamentou a expedição das RMF, do qual consta que: O contribuinte Emerson Vieira da Silva, CPF n° 110.843.20851, foi intimado, em procedimento fiscal decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal n° 200203157, a apresentar os extratos bancários de 1997 a 2001, e a identificar a origem dos depósitos bancários efetuados, dos Bancos Bilbao Vizcaia Argentaria Brasil S/A e Mercantil de São Paulo S/A. Em virtude do não atendimento da intimação, em 21/10/2002 foi lavrado Termo de Embaraço à Ação Fiscal, sendo necessária, portanto, a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira. Intimado da juntada de tal documentação, bem como do teor da Resolução acima referida, o contribuinte apresentou a manifestação de fls. 552/578, deduzindo ao final os seguintes pedidos: Em sede de preliminar • o provimento do recurso , p r e l i m i n a r m e n t e , pela nã o o b s e r v â n c ia ao art. 37 d a Constituição Federal, ao parágrafo único do art. 7 8 e ao inciso I do art. 100 do CTN, aos a r t s . 2o , parágrafo único e incisos I, VII e VIII, 28, 50 e inciso VIII e 55 da Lei n.1 9 . 7 8 4 / 99 (normas gerais que regem o procedimento administrativo no âmbito d a Administração Pública Federal), aos a r t s 12, I, 13, § 2 o , 15, II, parágrafo único do art. 16 e 20, da Portaria SRF n. 3.007/2001, causadores da nãoconvalidação do procedimento administrativo fiscal e do impedimento da autoridade administr a t i v a lançadora e, consequentemente, a ausência de condição de procedibilidade ao lançamento válido, e a nulidade absoluta Fl. 644DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 do a u t o de infração, nos t e r m o s do a r t . 53 da Lei n. 9 . 7 8 4 / 9 9 c.c. o inciso I e II do art. 59 do Decreto n 70 . 2 3 5 / 7 2 ; • o provimento do recurso, pela nãoobservância ao inciso LV do a r t . 5 o e 37 d a Constituição Federal, ao parágrafo único do a r t . 78 e ao inciso I do art. 100 do CTN, aos a r t s . 2 o , parágrafo único e incisos I, VII e VIII, 2 8 e 50, d a Lei n. 9 . 7 8 4 / 9 9 , aos § § 5 ° e 6 o do a r t . 4 o do Decreto n. 3 . 7 2 4 / 2 0 0 1 , art. 2 o e inciso II, a r t . 5 o , s eu I o e incisos I, "c", II, "a" e "b" e IV, d a Portaria SRF n. 1 8 0 / 2 0 0 1, c a u s a d o r e s de vícios insanáveis de legalidade pela ausência de materialização nos autos de identificação de hi p ó t e s e taxativa de exibição de dados de movimentação financeira do recorrente, devidamente materializada por intermédio do documento formal i n t i t u l a d o SOLICITAÇÃO DE EMISSÃO DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA, com observação de data e hora de expedição e, mais ainda, consideração de indispensabilidade, devidamente motivada e fundamentada, por intermédio da materialização do documento formal denominado RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO, insculpidos no art. 3o do Decreto n. 3 . 7 2 4 / 2 0 0 1 e observando o princípio d a razoabilidade e o a r t . 28 d a Lei n. 9 . 7 8 4 / 9 9 , disso tudo advindo não só a informal e absolutamente ilegal q u e b r a de sigilo b a n c á r i o do r e c o r r e n t e e a e x c l u s i v a e inadmissível utilização de prova i l í c i ta no lançamento do auto de infração, como também a tentativa inidônea de confecção de um documento novo e fraudulento, a implicar, inclusive, perícia e a p u r a ç ã o dos fatos e o c e r c e a m e n t o Ide defesa advindo da impossibilidade de combater e refutar a u s e n t es documentos indispensáveis à instrução do procedimento (condição de procedibilidade ao l a n ç a m e n t o válido), n o s termos do art. 5o , LVI, da Constituição Federal c.c. o art. 531 d a Lei n.9 . 7 8 4 / 2 0 0 1 e com o inciso II do art. 59 do Decreto n. 70^235/72; • o provimento do recurso, repisese, pelo cerceamento de defesa, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto n. 7 0 . 2 3 5 / 7 2 , haja vista a impossibilidade de o recorrente exercer c u m p r i d a m e n t e seu mister, por não poder conhecer, avaliar, a n a l i s a r , combater e refutar imprescindíveis documentos, pela a u s ê n c i a de materialização nos autos dos I s e g u i n t e s apontamentos formais, oficiais e padronizados, inclusive com identificação de data e hora de expedição: a) Demonstrativo de Emissão e Prorrogação (modelo no Anexo VI da Portaria SRF n. 3 . 0 0 7 / 2 0 0 1 vide modelo doc. n. 10); b) Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF (modelo no Anexo I d a Portaria SRF n. 1 8 0 / 2 0 0 1 v i d e modelo doe. n. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001759/200399 Acórdão n.º 210202.220 S2C1T2 Fl. 638 5 18); e c) Relatório Circunstanciado (modelo no Anexo I d a Portaria SRF n.180/2001 vide modelo doc. n. 18). No mérito • o provimento do recurso, pela ausência de fato gerador a s u s t e n t a r o lançamento do Auto de Infração acostado às fls 2 2 / 3 5 , fundado exclusivamente na soma indiscriminada de depósitos coligidos em extratos bancários de valores já p e r t e n c e n t e s ao patrimônio pessoal do recorrente e devidamente informados por ocasião das DIRPFs 1999 a 2002, documentação hábil e idônea que perfeitamente demonstra a origem dos depósitos bancários efetuados e que nem sequer foi avaliada e muito menos considerada, tanto pela DEFIC/SP, quanto pela D R J / S PO II; • o provimento do recurso, face à patente ofensa ao art. 42 da Lei n. 9430/96 uma vez que a declaração do imposto de renda contendo lastro (dinheiro em espécie declarado em I o de janeiro de cada anocalendário) é documento hábil e idôneo para justificar a movimentação em conta bancária do recorrente, bem como pela ausência de demonstração de qualquer ganho de capital no período excogitado (ou passivo a descoberto); §1° d a Lei de Renda, o provimento do recurso, em face d a ofensa ao art. 6o, n. 8.021/90 e do art. 846 do Regulamento do Imposto pois que o arbitramento somente é permitido q u a n d o caracterizado proveniente de recursos novos de origem não comprovada; • o provimento do recurso, por ofensa à Constituição Federal, em especial à regra matriz de incidência do imposto de renda, bem como do critério temporal deste, haja vista que a a u t o r i d a d e fiscal d i s p u n h a em s u a s mãos das declarações de imposto de r e n d a do recorrente e não demonstrou, por intermédio de elaboração de Análise de Evolução Patrimonial Mensal se havia ou não distorção entre as movimentações de valores bancários com relação às informações d a s declarações de imposto de renda; • o provimento do recurso, pela desconsideração de prova escrita (fato contido nas declarações de imposto de renda em detrimento de um mero indício (movimentação em conta), que não é prova; • o provimento do recurso, tendo em vista que o recorrente provou por intermédio de declarações idôneas que desenvolvia a atividade de comércio de compra e venda de veículos , e as declarações demonstram que não houve qualquer ganho de capital ou passivo a descoberto; ao Fl. 646DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 contrário, o recorrente suportou decréscimo patrimonial no período excogitado, bem como restou cabalmente comprovado o erro crasso na identificação do sujeito passivo e nos tributos exigidos; • o provimento do recurso, haja vista o comprovado erro crasso na identificação do sujeito passivo e dos tributos exigidos tendo em vista a identificação de inúmeros depósitos e pagamentos de operações da sociedade empresária Gabriel Veículos de T u p a Ltda. ME nas contas correntes pessoa física do recorrente; e • por fim, que seja declarado nulo o Auto de Infração, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, afastou a possibilidade de a Receita Federal ter acesso a dados bancários de contribuintes (RE 387604, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 2 3 / 0 2 / 2 0 1 1 , publicado em DJe049 DIVULG 1 5 / 0 3 / 2 0 11 PUBLIC 1 6 / 0 3 / 2 0 1 1 ). É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Conforme relatado, tratase de Recurso Voluntário, interposto em face de decisão que deu parcial provimento à impugnação do contribuinte, em processo por meio do qual se discute a exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários sem origem comprovada. Como se viu, o processo versa sobre lançamento para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pelo Recorrente. Os extratos que geraram o lançamento foram obtidos pela autoridade fiscal através de RMF expedidas aos bancos nos quais o mesmo mantinha suas contas bancárias. Das preliminares Desde o oferecimento de sua Impugnação, o Recorrente suscita algumas preliminares, dentre as quais a de que seria nulo o lançamento por não ter obedecido o disposto nos §§ 5° e 6º do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001, art. 2º e inciso II, art. 5º, inc. I e incisos I, "c", II, "a" e "b" e IV, d a Portaria SRF nº. 180/2001, que seriam “causadores de vícios insanáveis de legalidade pela ausência de materialização nos autos de identificação de hipótese taxativa de exibição de dados de movimentação financeira do recorrente”. Afirmou ainda que não constaria dos autos a SOLICITAÇÃO DE EMISSÃO DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA, tampouco o RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO, a que aludem o art. 3º do Decreto nº 3.724/2001. Foi este pedido um dos fatores que motivou a conversão do julgamento em diligência na sessão de agosto de 2008 da antiga 6ª Câmara do Primeiro Conselho de Fl. 647DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001759/200399 Acórdão n.º 210202.220 S2C1T2 Fl. 639 7 Contribuintes. Com os esclarecimentos prestados durante a diligência, restou demonstrado que o pleito do Recorrente não merece acolhida, como se passa a demonstrar. Compulsando os autos, verificase que o Recorrente propôs ação judicial (processo autuado sob o nº 2002.61.00.0213868 perante a 22ª Vara Federal de São Paulo) por meio da qual pretendeu afastar a aplicação do disposto na Lei Complementar nº 105/2001, bem como na Lei nº 10.174/01. De acordo com a decisão acostada às fls. 351/363 e seguintes dos autos, o objeto do Mandado de Segurança impetrado seria: Tratase de mandado de segurança com pedido de medida liminar, impetrado por EMERSON VIEIRA DA SILVA contra ato praticado pelo Sr. DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DEFIC, objetivando a tutela liminar e ao final a segurança definitiva para determinar o definitivo encerramento do procedimento fiscal instaurado, reconhecendose a sua nulidade, bem como a nulidade das eventuais provas colhidas ilicitamente. Alega, para tanto, a inconstitucionalidade da lei n° 10.174/01, da Lei Complementar n° 105/01 e do Decreto 3724/01. Com isso, as preliminares suscitadas pelo recorrente que estejam relacionadas à inconstitucionalidade/ilegalidade da aplicação da LC 105/01, da Lei 10.174/01 e do Decreto nº 3.724/01 não podem ser aqui apreciadas, em razão da concomitância com a matéria discutida perante o Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança referido. Sobre a matéria, vale lembrar o conteúdo da súmula nº 01 deste Conselho Administrativo, segundo a qual: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho, a referida súmula tem aplicação obrigatória, razão pela qual a matéria relacionada às nulidades do lançamento decorrente da (alegada) irregular quebra do sigilo bancário do Recorrente não podem ser conhecidas por esta Turma julgadora. Afastada a discussão acerca da legalidade/constitucionalidade da aplicação destas normas, o que resta para análise desta Turma Julgadora é somente a correção ou não da aplicação das mesmas ao caso concreto. O art. 6º da Lei Complementar 105/2001 assim dispôs sobre a possibilidade de solicitação de informações acerca da movimentação bancária de contribuintes que estivessem sob ação fiscal: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições Fl. 648DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (grifos não constantes do original) Tal artigo foi regulamentado pelo Decreto nº 3.724/01, que assim dispôs: Art.1º Este Decreto dispõe, nos termos do art. 6o da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, sobre requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal e seus agentes, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas, em conformidade com o art. 1º, §§1º e 2º, da mencionada Lei, bem assim estabelece procedimentos para preservar o sigilo das informações obtidas. (...) Art.3º Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VII previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b)inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430, de 1996; Fl. 649DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001759/200399 Acórdão n.º 210202.220 S2C1T2 Fl. 640 9 IX pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. §1o Não se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso. §2o Considerase indício de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: I as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do §3o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996; II a ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada, contenha: a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação. (grifos não constantes do original) Este o rol taxativo das hipóteses em que pode a autoridade fiscal justificar a expedição das competentes RMF às instituições financeiras, observandose ainda o que determinam os §§ 5º e 6º do art. 4º do mencionado Decreto, verbis: Art.4o Poderão requisitar as informações referidas no § 5o do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF.. (...) §5o A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. §6o No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. Pois bem, no caso ora examinado, e como resultado da diligência solicitada pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, restou esclarecido que as RMF expedidas aos bancos foram justificadas pelos seguintes motivos (cf. fls. 546 dos autos): Fl. 650DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 Em virtude do não atendimento da intimação, em 21/10/2002 foi lavrado Termo de Embaraço à Ação Fiscal, sendo necessária, portanto, a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira. De fato, foi lavrado o Termo de Embaraço à Ação Fiscal (cf. fls. 4), sendo que há previsão legal expressa para que seja expedida a RMF quando restar constatado tal embaraço, nos termos do inc. VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/01. Este é o caso dos autos. Por isso, não há que se falar em descumprimento das mencionadas normas. Acresçase a isto que uma análise das declarações de ajuste acostadas aos autos (fls. 11/20), em confronto com o valor dos depósitos bancários (fls. 36 e seguintes) demonstra que a expedição das RMF também estaria justificada pelo disposto no inc. XI do art. 3º do Decreto nº 3.724/01, acima transcrito. Por fim, no que diz respeito à alegação do Recorrente de que o documento trazido pela DRF em resposta à diligência (fls. 546 dos autos) constituiria prova ilícita por se tratar de documento “novo e fraudulento”, devese salientar que não cabe a esta Turma tal análise, mas sim às autoridades competentes para tanto, se for o caso. Ademais, ainda que restasse comprovada tal alegação, restou demonstrado acima que foi correta a expedição das RMF, de forma que qualquer infração desta natureza não inquinaria o lançamento de qualquer vício. Por tudo isso, não há que se falar na nulidade aventada. Outrossim, também não merece acolhida a preliminar de nulidade relacionada ao alegado exaurimento do prazo de validade do MPF, igualmente suscitada pelo Recorrente. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF foi criado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, e consolidado pela Portaria SRF nº 3.007, de 2001. Referido mandado deve ser emitido sempre que for necessária a instauração de procedimento fiscal, de acordo com as regras contidas em tais portarias, verbis: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF, bem assim da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário ou apreensão de mercadorias; Fl. 651DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001759/200399 Acórdão n.º 210202.220 S2C1T2 Fl. 641 11 II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. As normas que regulamentam o MPF têm como função, como menciona a própria Portaria SRF 3.007, de 26/11/2001, o disciplinamento administrativo da execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF. Após o primeiro ato de ofício que dá início ao procedimento fiscal (que corresponde à ciência pelo sujeito passivo do MPF), o procedimento passa a seguir o rito do Decreto nº 70.235/72, e a partir de então só a lei poderá determinar os vícios formais que possam implicar na nulidade do lançamento. Destarte, eventual falta de obediência às regras fixadas pela citada portaria não provoca a nulidade do lançamento. O que tal falta pode provocar – e se for o caso – é a eventual punição administrativa do funcionário que a cometer. As nulidades no processo administrativofiscal estão reguladas pelo Decreto nº 70.235/72, que em seu art. 59 assim dispõe: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se vê, nenhuma destas hipóteses ocorreu no caso vertente, de forma que não há que se falar em nulidade do lançamento, como pretendido pelo Recorrente. Neste sentido é remansosa a jurisprudência deste Conselho, como demonstra o seguinte julgado: MPF NULIDADE DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos a emissão regular do MPF bem como do MPF complementar e prorrogações, deve ser afastada a preliminar de nulidade calcada em alegada irregularidade ou inexistência de tais documentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. (...) (Ac. nº 10615.259, Rel. Cons. Luiz Antonio de Paula) Acresçase a isto que apesar de ser plenamente possível que o contribuinte inicie sua defesa já em sede de fiscalização, não se pode falar em violação ao seu direito de Fl. 652DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 defesa antes de iniciado o processo administrativofiscal sendo certo que tal cerceamento não ocorreu na hipótese em exame. Outrossim, o Recorrente teve chance de se defender de forma ampla e plena a partir do momento de sua impugnação – ocasião em que, se fosse o caso, deveria apresentar todos os documentos e razões que implicassem no cancelamento do lançamento em questão. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho é unânime, como se pode verificar através do seguinte julgado: (...) CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. (Ac. nº 10420731, Rel. Cons. Nelson Mallmann, julgado em 15.06.2005) Diante do exposto, também não merece acolhida esta preliminar. Do mérito Conforme relatado, o mérito do lançamento diz respeito à exigência de IRPF sobre depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Quanto a ele, o Recorrente suscita diversos argumentos que a seguir passam a ser analisados. Dinheiro em espécie Alega o Recorrente que possuía em dezembro de 1997 um capital em espécie de R$ 650.000,00, o qual teria origem em: herança deixada por seu pai, exercício da atividade comercial de compra e venda de automóveis e recebimento de valor relativo à desapropriação de terras suas, no ano de 1999. Tal pedido, porém, não merece acolhida, por diversos motivos. A uma, porque caberia a ele vincular estes valores mantidos em casa com eventuais depósitos efetuados em sua conta, o que não foi feito. Outrossim, a simples declaração efetuada por ele de que manteria tais valores em espécie não é suficiente a comprovar a existência do referido montante, principalmente diante do valor alegadamente mantido em espécie, que correspondia a, aproximadamente 85% dos seus bens (cf. declaração de ajuste de fls. 11/12). Ademais, se o Recorrente tivesse depositado os referidos valores em suas contas bancárias, não os teria mantido como “em espécie” em suas Declarações de Ajuste, mas os mesmos deveriam constar como “saldo em conta bancária” – o que também não ocorreu. Acresçase a tudo isto que o valor recebido por ocasião da morte do seu pai foi de Cz$ 66.667,00, em 27.06.1987. Tal valor, convertido em Reais (e corrigido pelo INPC), corresponderia a aproximadamente R$ 4.873,36, em janeiro de 1997. Por isso, ainda que ele tivesse mantido esta herança “em casa” durante os dez anos que se passaram, o valor recebido não se aproxima nem de longe do total dos depósitos efetuados em sua conta. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001759/200399 Acórdão n.º 210202.220 S2C1T2 Fl. 642 13 De tudo isso, a outra conclusão não se pode chegar senão a de que não merecem acolhida as alegações do Recorrente no sentido de que os valores mantidos em sua residência (em espécie) fossem considerados como origem para os depósitos bancários efetuados. Da tributação com base em depósitos bancários Alega o Recorrente que não poderia a autoridade fiscal ter “arbitrado” seus rendimentos tributáveis, uma vez que não teriam sido encontrados sinais exteriores de riqueza, e que o Regulamento do Imposto de Renda (art. 846) não permitiria o arbitramento da renda quando a disponibilidade financeira declarada do contribuinte fosse compatível com sua movimentação financeira. Aqui, também, melhor sorte não terá o Recorrente, eis que a tributação do IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários sem origem comprovada decorre de lei, e por isso sua legalidade não pode ser analisada em sede deste Recurso Voluntário. A Lei nº 9.430/96, através de seu art. 42, estabeleceu esta presunção de omissão que, apesar de ser relativa, só pode ser derrubada contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles rendimentos (depósitos). Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Sendo esta uma determinação legal, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Neste sentido, este Conselho editou a Súmula nº 1, segundo a qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Mais especificamente no que diz respeito ao pedido do Recorrente, merece destaque o enunciado nº 26 da Súmula deste CARF, segundo o qual: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.”. Por isso, e em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que determina a aplicação obrigatória das súmulas, deixo de acolher também este pedido do Recorrente. Dos rendimentos declarados Em outro trecho de seu Recurso Voluntário, o Recorrente pugna pelo acolhimento dos rendimentos recebidos e declarados por ele ano a ano como origem para os depósitos efetuados em suas contas bancárias. Com efeito, este Conselho vem decidindo de forma reiterada que os rendimentos declarados pela pessoa física podem e devem ser considerados como origem para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) Fl. 654DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 14 tenham sido utilizados de qualquer outra forma que não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. No caso vertente, as cópias das DIRPF acostadas aos autos demonstram que o Recorrente declarara ter recebido nos anoscalendário 1998 a 2001 rendimentos tributáveis, assim como outros isentos e nãotributáveis. Os rendimentos tributáveis já foram devidamente oferecidos à tributação, e por isso mesmo devem ser excluídos do lançamento, em obediência ao entendimento acima esposado. São eles: Ano Rendimentos tributáveis 1998 (fls. 1213) 20.200,00 1999 (fls. 1314) 10.085,00 2000 (fls. 1517) 13.868,25 2001 (fls. 329333) 16.730,25 Quanto aos rendimentos isentos e nãotributáveis, as DIRPF relativas aos anoscalendário 1998 a 2000 não demonstram a origem dos mesmos, enquanto que a DIRPF do anocalendário 2001 demonstra que tais rendimentos isentos seriam em parte decorrentes do recebimento de lucros e dividendos e em parte decorrentes de “Transferências patrimoniais doações, heranças, meações e dissolução da sociedade conjugal ou unidade familiar”. Diante da falta de provas quanto ao efetivo recebimento destes valores, bem como de sua natureza (de isentos), o entendimento acima não pode ser aplicado a tais rendimentos, que não podem ser aqui considerados como origem para os depósitos bancários em questão. Por isso, entendo que devam ser excluídos da base de cálculo do lançamento somente os valores demonstrados no quadro acima. Da atividade de compra e venda de automóveis O Recorrente argumenta que os valores que transitaram por suas contas bancárias seriam fruto de sua atividade no comércio de veículos, e que sua tributação deveria se dar como pessoa jurídica. Tal argumento, porém, não foi suscitado em sede de fiscalização, tendo o Recorrente então optado pelo silêncio quanto à origem dos depósitos efetuados em suas contas (o que deu ensejo à lavratura do Termo de Embaraço à fiscalização). E foi somente em sede de Impugnação que o mesmo alegou que: Conforme se depreende dos dados do contribuinte, que atua como comerciante, e efetuou movimentação financeira através da utilização de seu próprio patrimônio pessoal espontânea e devidamente declarado, demonstrase de forma evidente que o fluxo da movimentação bancária em conta corrente e de poupança foi conseqüência de tais atividades laborais exercidas, bem como da movimentação do próprio patrimônio do impugnante. Mais além, nas questões claras não é necessário Fl. 655DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001759/200399 Acórdão n.º 210202.220 S2C1T2 Fl. 643 15 conjecturas e a presunção cede lugar à verdade (conjecturis non est opus in claris et praesumptic cedit veritatí). Deixou, porém, de demonstrar qual a relação entre cada um dos depósitos e a atividade exercida, limitandose a afirmar de forma “genérica” que os valores tidos como omitidos seriam decorrentes do exercício de tal atividade comercial. Casos como este vêm sendo debatidos há algum tempo no âmbito desta Turma, tendo hoje se consolidado aqui o entendimento de que somente pode ser acolhida – se for o caso a alegação de que os depósitos em conta se referem aos frutos de atividade comercial quando o contribuinte efetivamente faz a vinculação entre os depósitos e as receitas desta atividade comercial, e também quando tal argumento é suscitado ainda em sede de fiscalização, pois somente assim é dada a oportunidade ao fiscal autuante de efetuar o lançamento em face da pessoa jurídica (nos casos em que este for cabível, claro). Para que seja acolhida a pretensão do Recorrente não basta a alegação “genérica” de que os depósitos são fruto da atividade comercial exercida. No intuito de vincular os depósitos bancários ao faturamento da pessoa jurídica, o Recorrente menciona, no Recurso Voluntário, que o mesmo volume de dinheiro que ingressava em sua conta também era debitado, e que este fluxo (cf. tabela de fls. 300/301 dos autos) seria suficiente para demonstrar que os depósitos se referiam ao exercício da atividade de compra e venda de veículos. Conclui ele: No demonstrativo do resumo geral acima, verificase, claramente, que os mesmos montantes depositados a cada mês, devendose considerar o mês imediatamente anterior ou posterior conforme o caso, nos vários anos tinham seus correspondentes valores totais em cheques emitidos pelo impugnante, não se constituindo, portanto, em renda ou acréscimo patrimonial, mas somente na mera movimentação financeira baseada exclusivamente nos recursos de seu próprio patrimônio pessoal. Tal pretensão não merece acolhida, por dois motivos. Antes de mais nada, o lançamento aqui em discussão não decorre da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, mas sim da presunção legal de omissão de rendimentos decorrente da falta de comprovação da origem dos depósitos efetuados em contas bancárias de titularidade do Recorrente. Vale então mais uma vez reiterar que cabe a ele o ônus de provar a origem efetiva de cada depósito, sob pena da presunção legal ser mantida. Além disso, o fato do fluxo de saída de valores de suas contas ser semelhante ao de entrada de valores nestas contas não é prova, por si só, de que os depósitos se referem ao exercício de uma atividade comercial. Prosseguindo no intuito de comprovar suas alegações, o Recorrente traz em sua manifestação acerca da Resolução determinada pela 6º Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes uma nova tabela, agora vinculando depósitos efetuados em suas contas bancárias a diversas notas fiscais emitidas pela já mencionada pessoa jurídica. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 16 No entanto, este vínculo não é comprovado, já que as datas de emissão das notas fiscais não coincidem com os depósitos efetuados, assim como nem sempre os valores são os mesmos, como demonstram os exemplos abaixo colacionados: E ainda: Tais disparidades impedem a comprovação de que os referidos depósitos estejam realmente vinculados às mencionadas notas fiscais, e por isso não são hábeis a comprovar sua origem, como determina a lei. Diferente seria a situação se o Recorrente houvesse comprovado que os depósitos se referiam a receitas contabilizadas e tributadas pela pessoa jurídica da qual é sócio, hipótese em que teria restado comprovada a sua origem. Esta comprovação, no entanto, não foi feita. Diante do exposto, tal pretensão não pode ser acolhida por esta Turma julgadora. Outras Exclusões O Recorrente pugnou, por fim, pela exclusão dos valores previstos no § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, de forma que deveriam ser excluídos da base de cálculo do lançamento o total de R$ 178.702,42; bem como pela exclusão da totalidade dos cheques devolvidos, já que nem todos foram considerados pela fiscalização – para tanto, elaborou a planilha de fls. 476/478. No entanto, ambos os pedidos já foram analisados pela decisão recorrida, como demonstram os seguintes trechos, dela extraídos: 79. Assim sendo, e consoante Demonstrativo consolidado às fls. 36 e 37, não pode subsistir a alegação de nãoobservância do disposto no art. 42, § 3o , inciso II, da Lei n° 9.430/1.996, uma vez que a somatória dos créditos bancários objetos de tributação superaram, em muito, em todos os anoscalendário sob análise, o montante anual de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Fl. 657DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.001759/200399 Acórdão n.º 210202.220 S2C1T2 Fl. 644 17 E ainda: 59. Contudo, do cotejo entre a Planilha de Créditos (anos calendário 1.998, 1.999, 2.000 e 2.001) elaborada pela Autoridade Fiscal Autuante (fls. 36 a 69) e os extratos bancários de fls. 70 a 262, verificase que os seguintes valores, correspondentes a cheques devolvidos, não foram objetos de exclusão pelo Fisco quando da apuração do montante dos depósitos bancários que ensejaram a apuração de omissão de rendimentos: (...) Da simples observação dos documentos de lis. 23 e 36, também constatase, também, que o valor tributável de R$ 240.080,25. correspondente ao mês de outubro de 1.998, foi duplamente computado no montante tributado. Diante do exposto, VOTO no sentido de NÃO ACOLHER as preliminares suscitadas, para, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que sejam excluídos da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 20.200,00 (no anocalendário 1998), R$ 10.085,00 (no anocalendário 1999), R$ 13.868,25 (no anocalendário 2000), e R$ 16.730,25 (no anocalendário 2001). Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 658DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 11/09/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 36392.002018/2007-10
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/08/2006
SALÁRIO INDIRETO. PROGRAMA DE INCENTIVO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO
A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo.
FOLHA DE PAGAMENTO.
A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento para todos os segurados que lhe prestam serviços.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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PROGRAMA DE INCENTIVO. CARTÃO DE PREMIAÇÃO A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. FOLHA DE PAGAMENTO. A empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento para todos os segurados que lhe prestam serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 20 18 /2 00 7- 10 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada em 31/05/2007 em razão da omissão nas folhas de pagamento de rubricas salariais pagas a segurados a título de premiação. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. ... 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 0405 e 08/15) a empresa deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Previdenciária, ou seja, a empresa não incluiu em suas folhas de pagamento as remunerações efetuadas a titulo de PRÊMIOS, por meio de "Cartão de Premiação". Tais remunerações constavam em Notas Fiscais da empresa SPIRIT MARKETING PROMOCIONAL LTDA. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: 4.1. Não há dolo por parte da empresa. 4.2. O lançamento não se amolda ao Art. 142 do Código Tributário Nacional (Lei n°5.172/1966). 4.3. O lançamento deve seguir determinados preceitos e ser efetivado levandose em conta os destinatários, sejam da Administração Pública, sejam os contribuintes, advogados etc. 5.1. Interpretação equivocada de que sobre os prêmios fornecidos através de cartões incidem as Contribuições Previdenciárias. 5.2. O pagamento de prêmios não era efetuado de forma habitual. 5.3. Tal rubrica é mero incentivo e não deve ser considerada base de cálculo. Disserta sobre a nova dinâmica nas relações de trabalho e sobre o papel do Estado. 5.4. Discorre sobre o Art. 5º, II e 37 da Constituição da República. Solicita o deferimento de perícia. Disserta sobre o conceito de ampla defesa. Remete ao principio da razoabilidade. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36392.002018/200710 Acórdão n.º 2402003.124 S2C4T2 Fl. 179 3 5.5. Disserta, também, sobre as parcelas que devem e não devem compor a base de calculo das Contribuições Previdenciárias. Distingue a remuneração em dinheiro e utilidades. 5.6. Alega faltar fundamentação ao lançamento e que não pode haver cobrança de Contribuições Previdenciárias com base em lacunas da Lei 8.212/1991 e alterações. 5.7. Por derradeiro, requer, a juntada de novos documentos, produção de provas, inclusive por perícia e a improcedência do lançamento. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36392.002018/200710 Acórdão n.º 2402003.124 S2C4T2 Fl. 180 5 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. No mérito Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 O artigo 28 da Lei nº 8212/91 ao definir o salário de contribuição dos segurados empregados assim o estabelece: Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição I para o segurado empregado e trabalhador avulso a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador dos serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Pela leitura dos dispositivos legais acima transcritos verificase que os prêmios, independentemente da forma como são pagos, possuem natureza salarial e compõem a remuneração do empregado. Embora negue a existência de habitualidade nos pagamentos, não traz a recorrente contraprovas que prevaleçam sobre os documentos juntados pela fiscalização. Quanto à infração, as folhas de pagamento, de fato, não apresentam as rubricas correspondentes aos prêmios pagos aos segurados. Ressaltase que a recorrente não apresentou quaisquer contraprovas negando a omissão das referidas rubricas salariais. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13401.000643/2005-03
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário.
QUALIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
Não há que se falar de nulidade por falta de qualificação do contribuinte quando todos os campos do auto de infração encontram-se corretamente preenchidos, permitindo a correta identificação do contribuinte.
SÚMULA 02
O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SÚMULA 04
A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 1103-000.113
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário. QUALIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Não há que se falar de nulidade por falta de qualificação do contribuinte quando todos os campos do auto de infração encontram-se corretamente preenchidos, permitindo a correta identificação do contribuinte. SÚMULA 02 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SÚMULA 04 A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
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Numero do processo: 10830.002047/2003-40
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Para os fatos ocorridos após a vigência da Lei n° 9.430/96, fica caracterizada a omissão de receitas quando o sujeito passivo, titular da conta de depósito, devidamente intimado a comprovar a origem desse, não logra fazê-lo.
RETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001, DA LEI N°
10.174/2001 E DO DECRETO N° 3.724/2001. A norma que possibilita a
fiscalização e a autuação tomando por base dados protegidos pelo sigilo bancário tem caráter de norma procedimental que, à luz do art. 144, § 1°, do CTN, aplica-se a fatos pretéritos à sua vigência.
Numero da decisão: 9101-000.354
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Adriana Gomes Rego
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ementa_s : DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Para os fatos ocorridos após a vigência da Lei n° 9.430/96, fica caracterizada a omissão de receitas quando o sujeito passivo, titular da conta de depósito, devidamente intimado a comprovar a origem desse, não logra fazê-lo. RETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001, DA LEI N° 10.174/2001 E DO DECRETO N° 3.724/2001. A norma que possibilita a fiscalização e a autuação tomando por base dados protegidos pelo sigilo bancário tem caráter de norma procedimental que, à luz do art. 144, § 1°, do CTN, aplica-se a fatos pretéritos à sua vigência.
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Para os fatos ocorridos após a vigência da Lei n° 9.430/96, fica caracterizada a omissão de receitas quando o sujeito passivo, titular da conta de depósito, devidamente intimado a comprovar a origem desse, não logra fazê-lo. RETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001, DA LEI N° 10.174/2001 E DO DECRETO N° 3.724/2001. A norma que possibilita a fiscalização e a autuação tomando por base dados protegidos pelo sigilo bancário tem caráter de norma procedimental que, à luz do art. 144, § 1°, do CTN, aplica-se a fatos pretéritos à sua vigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiad,, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do re atório e voto ei e passam a integrar o presente julgado. n 4 ,1110 CARLOS ALBER • REITAS B RRETO - Presidente. •• elt bibvyNot.• • -..r.-Cter/ RIANA GO ES ÊG - Relatora. EDITADO EM: 01 s E T 2009 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice presidente substituto), Antonio Praga Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Valmir Sandri, Leonardo de Andrade Couto (substituto convocado) e João Carlos de Lima Júnior (substituto convocado). • , -Relatório GAZOTO - STRAZZA COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 1.703/1.745, contra o acórdão n° 107 — 07.851, de 10/11/2004, fls. 1626/1695, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao seu recurso voluntário, nos seguintes termos: IRPJ E OUTROS - QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL - LEI N° 9.311/96 QUE REGE A CPMF -NORMA DE CARÁTER PROCEDIMENTAL - APLICAÇÃO INTER TEMPORAL PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS — POSSIBILIDADES - Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade de aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadênciaInexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário, a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. (Precedente do e.STJ ). MULTA MAJORADA — FRAUDE - PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRÁTICA REITERADA CONDENÁVEL — PROCEDÊNCIA - O acervo probante do ato tributário ilícito, no mais das vezes exige, para a sua validade e sustentação, a busca de elementos outros que estão à margem do rotineiro material colocado à disposição do Fisco para o seu conhecimento, análise, convicção e conclusão. Se a par do exposto adota-se uma prática reiterada de se ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos livros fiscais ou nos entes acessórios, tipificado estará o intuído defraude. IRPJ - CONTA CORRENTE BANCÁRIA - NÃO RECONHECIMENTO NA ESCRITURAÇÃO - ATIVIDADE DE REVENDA DE VEÍCULOS - EXIGÊNCIA FISCAL - NECESSIDADE DE CONTEMPLAR A MARGEM MÉDIA DE LUCRO DE 10% COMO MÉDIA DE LUCRATIVIDADE DO SETOR - PLEITO RECURSAL IMPROCEDÊNCIA - A medida de tendência central utilizada como instrumento na quantificação de valores atípicos ( afetada fortemente por valores extremos ) de uma amostra não goza de qualquer liquidez, sendo grosseiras as suas conclusões, notadamente, sublinhe-se, em face da heterogeneidade dos dados de uma série ..e de sua considerável amplitude. Se, entretanto, a média / k 2 ..,' Processo n° 10830.002047/2003-40 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00354 Fl. 2 calculada decorre não de amostra, mas sim da população — universal -, as observações talhadas sob o grau de freqüência acabam se aproximando dos momentos centrais, com minimizaçã o importante dos desvios médios e padrão. Alega a recorrente, em síntese, que, enquanto o acórdão recorrido aceitou a "presunção pela análise de extratos bancários" para fins de exigência do tributo, o acórdão paradigma n° 102-46.231, de 28/1/2004, reconheceu a impossibilidade de se utilizar a presunção legal de que os depósitos bancários seriam renda tributável, pois entendeu o acórdão paradigma que seria "imprescindível" que a renda fosse consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza. Tal recurso, no entanto, teve seu seguimento inicialmente denegado, por meio do Despacho n° 107-156/2005, fl. 1747, por ter sido considerado intempestivo. Contra esse despacho, a recorrente interpõe agravo, fls. 1755/1757, rejeitados pelo Despacho n° 27/2006, fls. 1.762/1.763, ao argumento de que a cópia do AR juntada aos autos, relativa à entrega do Recurso de Divergência na Agência dos Correios, não permitia concluir pela sua tempestividade, decisão esta que foi ratificada pelo Presidente da CSRF, por meio do Despacho CSRF n° 43/2006. No entanto, por meio do documento de fls. 1.770/1.771, o sujeito passivo apresenta uma espécie de Pedido de Reconsideração, com o comprovante, agora original, do AR de postagem do Recurso de Divergência. A tempestividade foi então reconhecida por meio dos Despacho n° 243/2006, fls. 1878/1879, e CSRF n° 309/2006, fls. 1.895/1896, havendo o Presidente da Câmara recorrida dado seguimento ao presente recurso, por meio do Despacho DDC 107 137562-033/2008, por ter sido demonstrada a divergência jurisprudencial. No entanto, salientou tal autoridade em seu despacho que o mencionado acórdão paradigma fora reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 12/6/2006, conforme acórdão CSRF/04-00.259, que recebeu a seguinte ementa: DEPÓSITO BANCÁRIO OMISSÃO DE RENDIMENTOS , Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996. Devidamente intimada do supracitado despacho que admite o recurso especial, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou as Contrarrazões de fls. 1.901/1.915, onde pugna pela manutenção do acórdão recorrido. .,É o relatório. 3 — Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso especial é, de fato, tempestivo e, à luz do Regimento vigente ao tempo em que foi interposto, atende a todos os demais pressupostos de admissibilidades, motivo por que dele também tomo conhecimento. No entanto, ao teor do art. 67, § 100, do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, o acórdão trazido pela recorrente para demonstrar o dissenso jurisprudencial sequer serviria como paradigma, já que se lastreia em tese superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme jurisprudência que, a titulo exemplificativo, ora colaciono: IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁMOS - A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento de crédito tributário com base em depósitos bancários quando o sujeito passivo não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem do rendimento, seja isento, não tributável ou exclusivo de fonte ou já objeto de tributação na DIRPF. (Ac. 04— 00.654, julgado em 19/9/2007) E não podia ser diferente, vez que o lançamento ora guerreado diz respeito a fatos geradores ocorridos entre 1998 e 2001, portanto, após a vigência da Lei n° 9.430, de 1996, cujo art. 42 estabelece uma presunção legal, e não uma presunção simples, segundo a qual, em havendo depósito bancário cuja origem não foi comprovada, tais valores são considerados, para fins de exigência de IRPJ e reflexos, como sendo receita omitida. Sendo, portanto, ônus do sujeito passivo, a comprovação da origem de tais recursos, de forma que não se faz mais necessário qualquer demonstração, por parte do Fisco, relativa à consumação da renda, a evidenciar sinais exteriores de riqueza. Alegou, ainda, o sujeito passivo, a necessidade de autorização judicial para que o Fisco obtivesse a quebra de sigilo bancário. Todavia, trata-se também de matéria pacificada neste Colegiado, porém em posição contrária à defendida pela recorrente, no sentido de que a Lei Complementar n° 105, de 2001, autorizou o acesso à Secretaria da Receita Federal, aos dados bancários, o que foi regulamentado por meio da Lei n° 10.174 e pelo Decreto n° 3 .724, ambos de 2001, sendo ainda pacifico que tal disciplinamento tem caráter de norma procedimental, a qual, ao teor do art. 144, § 1°, do CTN, pode ser aplicada a fatos geradores pretéritos a sua vigência. Por oportuno, transcrevo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que também caminha conforme esse entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LC 105/2001 E LEI 10.174/2001.USO DE DADOS DE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS PELAS AUTORIDADES FAZENDA' RIAS. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. APLICAÇÃO IMEDIATA.PRECEDENTES. 4 Processo n° 10830.002047/2003-40 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.354 Fl. 3 I. A Lei 9.311/1996 ampliou as hipóteses de prestação de informações bancárias (até então restritas - art. 38 da Lei 4.595/64; art. 197,11, do CIN; art. 8° da Lei 8.021/1990), permitindo sua utiliza çãopelo Fisco para fins de tributação, fiscalização e arrecadação da CPMF (art. 11), bem como para instauração de procedimentosfiscalizató rios relativos a qualquer outro tributo (art. 11, § 3°, com a redação da Lei 10.174/01). 2. Também a Lei Complementar 105/2001, ao estabelecer normas gerais sobre o dever de sigilo bancário, permitiu, sob certas condições, o acesso e utilização, pelas autoridades da administração t?-ibutária,a documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicaçõesfinanceiras" (arts. 5° e 6°). 3. Está assentado na jurisprudência do STJ que "a exegese do art.144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplica çãodos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde quea constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o devervinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributarda entidade estatal" (REsp 685.708/ES, I" Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 20/06/2005. No mesmo sentido: REsp 628.116/PR, 2a Turma, Min.Castro Meira, DJ de 03/10/2005; AgRg no REsp 669.157/PE, l a Turma,Min. Francisco Falcão, DJ de 01/07/2005; REsp 691.601/SC, 2' Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 21/11/2005. (EREsp 608.053/RS, RelMinistro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006 p. 219) 4. Recurso especial provido. (Resp 643619, julgado em 4/9/2008, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques) Em face do exposto, manifesto-me por NEGAR provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. É como voto. ed-Êtk-P"'I-P.nana Gomes\-/Cel'R R5-c---re a ra 5 ,
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Numero do processo: 11543.005082/2003-19
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1 19997, 1998,99, 2000AU, 2001
Ementa: MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
A qualificação da multa de ofício depende da demonstração do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964.
No caso, o evidente intuito de fraude não foi demonstrado e a multa não deve ser qualificada.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-002.185
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1 19997, 1998,99, 2000AU, 2001 Ementa: MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A qualificação da multa de ofício depende da demonstração do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. No caso, o evidente intuito de fraude não foi demonstrado e a multa não deve ser qualificada. Recurso Especial do Procurador Negado.
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QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A qualificação da multa de ofício depende da demonstração do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. No caso, o evidente intuito de fraude não foi demonstrado e a multa não deve ser qualificada. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11543.005082/200319 Acórdão n.º 920202.185 CSRFT2 Fl. 1.650 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade, fls. 01625, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra acórdão, fls. 01424, que decidiu, por maioria de votos, em rejeitar desqualificar a multa e acolher a preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 1997, rejeitando todas as preliminares e, no mérito, negando provimento. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. DECADÊNCIA — Não caracterizada a ocorrência de dolo fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do imposto de renda da pessoa física em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. IRRETROATIVIDADE DE LEI O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, aplicandose, no entanto, aos efeitos pendentes de ato jurídico constituído sob a égide da lei anterior, a lei nova que, posteriormente à ocorrência do fato gerador, institua novos critérios de apuração ou processos de fiscalização ou amplie os poderes de investigação das autoridades administrativas. SIGILO BANCÁRIO — Havendo processo fiscal instaurado e sendo considerado indispensável pela autoridade administrativa competente o exame das operações financeiras realizadas pelo contribuinte, não constitui quebra de sigilo bancário a requisição administrativa de informações sobre as referidas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS — PRESUNÇÃO — Com o advento da Lei 9.430, de 1996, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, com documentação hábil e idônea, a origem dos respectivos recursos. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BRAZ MAFEZONI. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos DESQUALIFICAR a multa e ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 1997. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e José Oleskovicz (Relator). Designado o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo para redigir o voto vencedor. Por maioria de votos, REJEITAR as preliminares de: I irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Silvana Mancini Karam e Romeu Bueno de Camargo que a acolhem; II quebra de sigilo bancário. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A fim de esclarecimento, informamos que: 1. O contribuinte apresentou recurso especial, fls. 01487; 2. Ao recurso especial do contribuinte foi negado seguimento, fls. 01569; 3. O contribuinte apresentou agravo, fls. 01578; 4. O agravo foi analisado e manteve a decisão sobre a negativa de seguimento, fls. 01646; 5. A Presidência do CARF ratificou a decisão, fls. 01648. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Não concorda com a desqualificação da multa, pois a conduta reiterada é suficiente para a caracterização de dolo; 2. Foram violadas as disposições do § 1º, art. 44 da Lei 9430/1996; 3. A prática reiterada da conduta revela, com segurança, a vontade consciente do agente em trapacear a Administração; 4. Chegase a essa conclusão pelo simples método dedutivo, obviedade, não demandando maiores explicações; 5. No caso dos autos foram muito mais de 10 (dez) depósitos bancários omitidos por ano, em diversas contas bancárias no decorrer de 5 (cinco) anos, fls. 01205 a 01208); Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11543.005082/200319 Acórdão n.º 920202.185 CSRFT2 Fl. 1.651 5 6. É de se atentar, também, para a alteração da contagem prazo decadencial se for qualificada a multa pela prática dolosa do sujeito passivo; 7. Por fim, requer a PFN o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 01633, deuse seguimento ao recurso especial. O Contribuinte apresentou suas contra razões, fls. 01638, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida, pois há a necessidade de demonstração cabal do dolo para a qualificação da multa. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. A matéria em litígio referese, somente, a demonstração de dolo na qualificação da multa, pois para a PFN o dolo está comprovado pela reiteração de conduta, já para o acórdão recorrido e para o sujeito passivo o dolo não está demonstrado e a multa deve ser desqualificada. Para a solução da questão devemos analisar as razões da qualificação da multa, expressas no lançamento, fls. 01205: “Em virtude dos fatos descritos nos itens anteriores, e considerando a intenção fraudulenta do contribuinte em reduzir o imposto devido, omitindo, de maneira contumaz, rendimentos que deveriam constar em suas declarações de ajuste anual de imposto de renda, exacerbouse a multa de ofício de 75% para 150%, relativamente à tributação de depósitos bancários sem comprovação de origem. ... Fato é que o contribuinte, nos anoscalendário de 1997 a 2001, omitiu, reiteradamente, em suas declarações de ajuste anual, livre e conscientemente, rendimentos tributáveis decorrentes dos depósitos efetivados em suas contascorrentes, visto não ter comprovado a origem de tais depósitos. A legislação tributária vigente (Lei 9.430/1996, art. 42), autoriza a presunção de omissão do rendimento tributável com base nos valores depositados em conta corrente, quando não comprovada a origem dos recursos utilizados nessas operações. ... A reiterada prática de omitir informações nas declarações prejudicou a administração tributária em sua função, qual seja, a promoção da arrecadação em favor do Erário. Nesse sentido, a lei penal é clara e evidente ao afirmar que constitui crime contra a ordem tributária omitir informação ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias para eximir se do pagamento de tributo. A prática reiterada do contribuinte em omitir informações, em sua declaração de rendas, sobre os seus rendimentos tributáveis emoldurase perfeitamente ao tipo estabelecido no art. 1°, inciso I, da Lei n° 8.137/90, tendo ocorrido a subsunção do fato à norma genérica e abstrata, que dá lugar à pretensão punitiva do Estado, tendo em vista a presença do indício de dolo. Emerge, pois, de forma inquestionável que objetivamente omitir informação ou prestar declaração de ajuste anual de imposto de renda falsa está tipificado pela lei penal como crime doloso.” Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11543.005082/200319 Acórdão n.º 920202.185 CSRFT2 Fl. 1.652 7 Portanto, verificase que o Fisco chega à conclusão que a Legislação autoriza a presunção de omissão do rendimento tributável com base nos valores depositados em conta corrente, quando não comprovada a origem dos recursos utilizados nessas operações, e sua reiteração possibilita a qualificação da multa. Com todo respeito aos que divergem, não concordamos com essa conclusão. A qualificação da multa depende da existência e demonstração da conduta prevista em lei por parte do sujeito passivo. Lei 9.430/1996: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Pela leitura do dispositivo, fica claro que há necessidade de existência e demonstração, pois o lançamento deve ser devidamente motivado, do evidente intuito de fraude. Lei 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 O Fisco motivou a qualificação da multa sob os argumentos já expostos, em síntese, pela reiteração da conduta. Em nosso entender, não há a demonstração, pelo relatado do Fisco, do evidente intuito de fraude, verificamos, pela presunção legal da Lei 9430/1996, o inadimplemento das suas obrigações tributárias, mas essa conduta não enseja a aplicação da multa qualificada. Ressaltese que o contribuinte já é penalizado pelo inadimplemento do tributo devido, com uma multa de 75% (setenta e cinco pro cento) sobre o valor devido. Para a duplicação dessa penalidade, com a aplicação de uma multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) deve estar provado nos autos, com absoluta, cabal, evidente certeza, o intuito de fraude, requisito que não consta na autuação. O Fisco, para a qualificação da multa, necessita comprovar duas características na ação do sujeito passivo: 1. EVIDENTE: qualidade daquilo que não admite dúvida; e 2. INTUITO: Propósito na realização de um ato. Ressaltamos, novamente, que pela leitura do relato do Fisco não ficou demonstrado, com absoluta certeza, que o propósito era, sem dúvida, de impedir o conhecimento para reduzir o tributo devido. Somase as considerações expostas em voto qualificado do nobre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos (Acórdão 10617.015): “Primeiro, devese discutir a pertinência da qualificação da multa de oficio. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicavase a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários. Por fim, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. ... Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11543.005082/200319 Acórdão n.º 920202.185 CSRFT2 Fl. 1.653 9 pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. ... No caso dos autos, o contribuinte não comprovou, documentalmente, a origem dos depósitos, o que manteve íntegro o auto de infração. Caso o recorrente tivesse comprovado a origem dos depósitos, a autoridade autuante, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/96, iria verificar se tais depósitos tinham sido submetidos a regular tributação. Caso negativo, iria submetêlos às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Na última situação do parágrafo acima, a autoridade fiscal iria analisar a gênese do fato gerador do imposto omitido, e, eventualmente, poderia identificar as condutas dolosas de sonegação, fraude ou conluio. Entretanto, somente poderíamos afiançar que o contribuinte agiu dessa forma com o conhecimento do real fato gerador do tributo. Por óbvio, considerando as gravíssimas conseqüências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. Como exemplo, acatase a qualificação da multa de oficio nas seguintes hipóteses: • utilização de documentos, material ou ideologicamente, falsos para abertura ou movimentação da conta bancária; • conta de depósito aberta em nome interposta pessoa (Acórdão n° 104 20.713, sessão de 19/05/2005, relator o Conselheiro Remis Almeida Estol; Acórdão n° 10422.618, sessão de 13/09/2007, relator o Conselheiro Nelson Mallmann); • utilização de um segundo número de CPF para dificultar a identificação do contribuinte (Acórdão n° 10247.157, sessão de 20/10/2005, relatora a Conselheiro Silvana Mancini Karam); • contribuinte que utiliza conta de terceiro para movimentar recursos de origem não comprovada (Acórdão n° 10616.646, sessão de 05/12/2007, relatora a Conselheira Roberto de Azeredo Ferreira Pagetti); • omissão da escrituração de depósitos bancários, aliado ao exercício de atividades paralelas, as quais dependem de autorização de órgão governamental (Acórdão n° 10193.865, Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 sessão de 19/06/2002, relator o Conselheiro Paulo Roberto Cortez); • utilização de meio fraudulento para comprovar a origem dos depósitos bancários (Acórdão n° 10248.266, sessão de 01/03/2007, relator o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho). Na espécie, nenhuma das hipóteses acima ocorreu, mas apenas uma omissão de rendimentos, estribada em uma presunção legal relativa. Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizada pela Súmula 1°CC n° 14: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Como exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionase a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI 1‘1°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente ' intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL – Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÓNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11543.005082/200319 Acórdão n.º 920202.185 CSRFT2 Fl. 1.654 11 não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei no. 9.430, de 1996.. Recurso parcialmente provido. (grifei) Ainda, na linha do aqui decidido, citamse os Acórdãos n's: 103 23151, sessão de 08/08/2007, relator o conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento; 10616389, sessão de 23/05/2007, relatora a conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assim, devese afastar a qualificação da multa de oficio. Por todo exposto, creio que o Acórdão recorrido não deve ser reparado quanto a questão da multa de ofício. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso da nobre PFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10880.008901/2002-13
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/1997
PIS. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. PROVA. A alegação de que o lançamento de revisão de DCTF foi resultado de erro de preenchimento da declaração deve ser acompanhado de prova. O não atendimento às intimações, em sede de diligência aprovada especificamente para produzir a referida prova, implica a manutenção da exigência. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. PROVA. A alegação de que o lançamento de revisão de DCTF foi resultado de erro de preenchimento da declaração deve ser acompanhado de prova. O não atendimento às intimações, em sede de diligência aprovada especificamente para produzir a referida prova, implica a manutenção da exigência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 89 01 /2 00 2- 13 Fl. 789DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.008901/200213 Acórdão n.º 3302001.769 S3C3T2 Fl. 790 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 66 a 70) apresentado em 14 de julho de 2009 contra o Acórdão no 1621.257, de 06 de maio de 2009, da 9ª Turma da DRJ/SPOI (fls. 57 a 65), cientificado em 13 de junho de 2009, que, relativamente a auto de infração (DCTF) de PIS de julho de 1997, julgou o lançamento procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1997 PIS DÉBITO NÃO PAGO CABIMENTO DO LANÇAMENTO. Para o débito remanescente não pago, cabe lançamento por meio de Auto de Infração. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFICIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente A edição da MP no 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de oficio lançada. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 11 de junho de 2002 e, de acordo com o termo de fls. 5 a 7, o pagamento vinculado ao débito não teria sido localizado. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS dos fatos geradores ocorridos no período de 07/1997 e declarados na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 4 e 5 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de contribuição, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/05/2002, perfazendo o total de R$ 48.273,25 (quarenta e oito mil, duzentos e setenta e três reais e vinte e cinco centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 10 e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70; art. 83 Fl. 790DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.008901/200213 Acórdão n.º 3302001.769 S3C3T2 Fl. 791 3 inc. III, L.8981/95; art 1°, L 9249/95; art. 2° e inc. I, par 1, e arts. 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1495/9611 e reed; art. 2° e inc. I, par 1, e arts. 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1546/96 e reed.. 2. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 11/06/2002 (AR à fl. 33), o contribuinte protocolou em 11.07.2002 a impugnação de fl. 1, acompanhada dos documentos de fls. 432, na qual alega: 2.1. A DCTF referente ao Terceiro Trimestre de 1997 tipo Retificadora entregue em 03/02/1998, será retificada. Foi entregue com dados incorretos, cito a pasta de débitos e créditos página 043, o débito apurado e o pagamento informados estão incorretos. O débito apurado do código do tributo 81091 correto é R$ 14.762,54, e o pagamento vinculado ao débito valor principal correto é R$ 14.762,54. Por esse motivo estamos providenciando nova DCTF RETIFICADORA, onde irá se corrigir o erro citado. 2.2. Por fim, requer seja acolhida a presente Impugnação. 3. A impugnação foi previamente analisada pela DERAT/SÃO PAULO, que concluiu pela improcedência parcial do lançamento de R$ 17.762,54, referente ao PA de 07/1997, e revisou de oficio o lançamento, na forma dos artigos 145, inciso III e VIII do Código Tributário Nacional (CTN), cancelando parcialmente a exigência e os acréscimos (fls. 4750). Assim, permaneceu em litígio a cobrança de R$ 2.991,00 e seus acréscimos, referente ao mesmo PA de 07/1997. O despacho de fl. 44 teve o seguinte teor: O presente processo trata de impugnação TEMPESTIVA, conforme AR de página 33, ao crédito tributário constituído através do Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, onde são questionadas as cobranças referentes a PIS /1997. As cobranças referemse ao valor de R$ 17.762,54 informado em DCTF Retificadora do 3ºtrimestre de 1997, com P.A 01/07/97 e vencimento em 15/08/97,conforme página 39. Cientificado do lançamento e não concordando com as exigências, o contribuinte apresentou petição de folhas 01 com seus argumentos de defesa. Alega que o tributo consta como devedor porque o valor correto seria os 14.762,00, de fato recolhido e assim declarado na DIRPJ (página 34), e não os R$ 17.762,57 informados na DCTF. Anexa o respectivo comprovante de pagamento e menciona uma possível entrega de retificadora, o que não se confirmou (páginas 34 a 38). Após a alocação do pagamento restou o saldo devedor de R$ 50,00, objeto do presente Auto. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.008901/200213 Acórdão n.º 3302001.769 S3C3T2 Fl. 792 4 Por oportuno informamos que não há pagamentos a serem alocados e que o processo está cadastrado como "exclusivamente mérito." Esse despacho foi revisto (fl. 51), tendo a seguinte conclusão: Conforme despacho de página 46, anexamos (pg 47 a 50) o verdadeiro Demonstrativo da Revisão de Lançamento , onde verificase que o saldo remanescente é R$ 2.991,00 e no o valor que foi informado no demonstrativo anterior. No recurso, a Interessada alegou o seguinte: Conforme determina a legislação, tal valor a pagar foi também declarado pela Recorrente na DCTF do 3° trimestre de 1997. Contudo, ao preencher essa declaração, o funcionário da Recorrente acabou por incorrer em um equivoco de digitação, pois no Ines de julho/1997 foi • informado um débito de PIS de R$ 17.762,54, e não de R$ 14.762,54 como efetivamente apurado e pago. De fato, conforme se extrai da cópia da DCTF do 3° trimestre de 1997 (cópia anexa, Doc. n. 3, página 43 da declaração), o débito de PIS do mês de julho/1997 foi informado na declaração da seguinte forma: Débito apurado: R$ 17.762,54 Código Receita: 81091 (PIS/PASEP faturamento) Pagamento vinculado (DARF) R$ 17.762,54 Portanto, ao invés de informar na DCTF o débito de PIS no valor efetivamente apurado, de R$ 14.762,54, o débito foi digitado incorretamente, sendo informado pelo valor de R$ 17.762,54. Notese, por importante, que conforme demonstra a cópia do comprovante de arrecadação anexa (Doc. no 4), o DARF foi pago exatamente no valor de R$ 14.762,54. Tratase, à toda evidencia, de mero erro de digitação quando do preenchimento da DCTF, valendo destacar que o número 7 fica bem próximo do número 4 nos teclados numéricos de computadores, o que — parece óbvio — ocasionou o equivoco no preenchimento da declaração. Trazido a julgamento, o recurso foi objeto da Resolução n. 330200.083 (fls. 201 a 202), cujo voto foi o seguinte: O pagamento apresentado pela Interessada (fl. 11) corresponde a débito do período de julho de 1997 com vencimento em 15 de agosto de 1997. Dessa forma, a DRF efetuou a alocação manual do pagamento (fls. 47 em diante), restando um saldo de R$ 2.991,00. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.008901/200213 Acórdão n.º 3302001.769 S3C3T2 Fl. 793 5 Segundo informação de fls. 49 e 50, o saldo seria relativo ao período de julho de 1997, com vencimento em 15 de agosto de 1997. O Darf constante da intimação confirma tal conclusão (fl. 63). A DRJ cancelou a multa, por aplicação retroativa do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003. Portanto, supostamente o pagamento não foi localizado porque o valor do Darf era inferior ao declarado. Diante do exposto, é necessário baixar o processo em diligencia para verificar a formação da base de cálculo da contribuição no referido período. A Fiscalização deverá intimar a Interessada a apresentar os documentos que julgar necessários para tanto, lavrar relatório de diligência e conceder o prazo de trinta dias para resposta. A Interessada foi intimada do início da diligência, mas, de acordo com os documentos constantes dos autos, não atendeu à Fiscalização (fls. 218 e 219), tendo sido os autos devolvidos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme relatado, o Darf informado na DCTF não foi encontrado uma vez que, de fato, não existia, tendo a Interessada efetuado um pagamento inferior ao informado em DCTF. Esclareçase que não se trata da situação comum em que o lançamento eletrônico é improcedente, como os de casos de ação judicial não encontrada pelo sistema de malha da DCTF. Nesses casos, esta Turma tem sistematicamente considerado improcedente o lançamento, uma vez que a acusação contida no auto de infração de que a ação judicial não existe não é verdadeira e qualquer tentativa de aperfeiçoar o lançamento por via inadequada despacho de revisão ou acórdão de primeira instância é nula, uma vez que a revisão de lançamento aquela definida no art. 149 do CTN deve ser efetuada pela própria Fiscalização, por meio de novo lançamento efetuado no prazo legal. Mas não é o caso dos autos, em que o Darf com as informações fornecidas pela Interessada, de fato, não existia. Existia outro Darf, relativo ao mesmo período de apuração, que, nesse caso, foi simplesmente alocado ao débito lançamento pela DRF. Embora se tenha denominado nos autos tal ação como de “revisão de lançamento”, ela, na verdade, não corresponde a um novo lançamento, nem a um aperfeiçoamento do lançamento anterior, pois apenas referiuse a uma alocação de outro pagamento efetuado ao débito lançado, sem alterar a substância do lançamento anterior. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.008901/200213 Acórdão n.º 3302001.769 S3C3T2 Fl. 794 6 Nesse contexto, a alegação da Interessada de que havia declarado débito a maior na DCTF (teria então, cometido dois erros em sua declaração: informado um débito a maior e informado um Darf a maior para quitálo), que não havia sido provada até então, foi objeto da resolução mencionada no relatório, pela qual se baixaram os autos em diligência, para provar a alegação apresentada. Entretanto, a Interessada deixou de atender às intimações e a prova não pôde ser produzida. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 794DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11065.001998/2007-14
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005
PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. PEDIDO DE PARCELAMENTO. INEXISTÊNCIA. BOA-FÉ OBJETIVA DA ADMINISTRAÇÃO.
O mero pedido de parcelamento, antes de formulada a impugnação, e posteriormente indeferido, não impede o prosseguimento da defesa do contribuinte no âmbito administrativo, até porque não houve renúncia expressa a tal direito, condição para o ingresso nos programas oferecidos pela Receita Federal. A própria Delegacia de Julgamento em Novo Hamburgo aceitou a impugnação; não pode a mesma Administração, a posteriori, dela não conhecer, sob pena de venire contra factum proprium, o que é vedado pelo princípio da boa-fé objetiva.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DURANTE O PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO PARCIAL.
A interpretação do art. 151, III, do CTN, implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário durante o processo administrativo, nos termos e extensão da impugnação apresentada. Considerando que a impugnação versou apenas sobre a aplicação da multa qualificada (impugnação parcial), o tributo principal e a multa de 75% eram exigíveis desde então.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para conhecer da impugnação, determinando o retorno dos autos à DRJ, para julgamento do mérito
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRF- penalidades (isoladas), inclusive multa por atraso DIRF
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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PEDIDO DE PARCELAMENTO. INEXISTÊNCIA. BOAFÉ OBJETIVA DA ADMINISTRAÇÃO. O mero pedido de parcelamento, antes de formulada a impugnação, e posteriormente indeferido, não impede o prosseguimento da defesa do contribuinte no âmbito administrativo, até porque não houve renúncia expressa a tal direito, condição para o ingresso nos programas oferecidos pela Receita Federal. A própria Delegacia de Julgamento em Novo Hamburgo aceitou a impugnação; não pode a mesma Administração, a posteriori, dela não conhecer, sob pena de venire contra factum proprium, o que é vedado pelo princípio da boafé objetiva. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DURANTE O PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. A interpretação do art. 151, III, do CTN, implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário durante o processo administrativo, nos termos e extensão da impugnação apresentada. Considerando que a impugnação versou apenas sobre a aplicação da multa qualificada (impugnação parcial), o tributo principal e a multa de 75% eram exigíveis desde então. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para conhecer da impugnação, determinando o retorno dos autos à DRJ, para julgamento do mérito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 19 98 /2 00 7- 14 Fl. 770DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11065.001998/200714 Acórdão n.º 2101002.059 S2C1T1 Fl. 751 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 709/724) interposto em 14 de outubro de 2008 contra a decisão do Presidente da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (fls. 697/700), da qual a Recorrente teve ciência em 12 de setembro de 2008 (fl. 704), que não conheceu da impugnação do contribuinte por considerar preclusa sua apresentação posteriormente a pedido de parcelamento do crédito tributário. Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário, por meio do qual pede, em apertada síntese, (i) seja a multa suspensa integralmente, e não apenas parcialmente, como o fez a Delegacia de Julgamento em Novo Hamburgo/RS e (ii) seja afastada a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de recurso voluntário em que se discute apenas e tãosomente a imposição da multa qualificada. Ocorre, porém, que as peculiaridades do caso exigem a análise de outras questões preliminares ao mérito. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11065.001998/200714 Acórdão n.º 2101002.059 S2C1T1 Fl. 752 3 A partir de uma breve análise dos autos, constatase que a autuação foi devida à constatação da falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte (i) oriundo de rendimentos de trabalho assalariado, (ii) sem vínculo empregatício, e (iii) sobre serviços prestados por pessoa jurídica e associados de cooperativa de trabalho, totalizando a exigência de crédito tributário de R$ 24.982.247,31. A fiscalização considerou, ainda, ter havido evidente intuito de fraude por parte da Recorrente, ensejando a aplicação de multa qualificada de 150%. Por meio da petição de fls. 517/520, a Recorrente pleiteou o parcelamento do débito em comento. Posteriormente, apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 657/668), apenas e tãosomente quanto à aplicação da multa qualificada de 150%. Indeferido o pedido de parcelamento (fl. 592), a Recorrente foi intimada a pagar a totalidade do débito, o que foi contestado por ela, mediante a petição de fls. 600/603, tendo em vista que, a seu ver, o crédito estaria com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação tempestiva de impugnação à Delegacia de Julgamento em Novo Hamburgo/RS. Por meio do despacho de fl. 678, a Delegacia entendeu por bem apartar os créditos, tendo em vista que a impugnação pediu fossem “refeitos os cálculos do Auto de Infração apresentado, com a aplicação da multa simples”. Assim, considerou exigíveis, desde logo, os créditos relativos ao principal, além da multa de 75%, ao passo que apenas os 75% de multa remanescentes teriam sua exigibilidade suspensa. Diante do exposto, são 2 as matérias a serem analisadas por ora: (i) houve preclusão quanto à apresentação de impugnação? e (ii) há suspensão da exigibilidade do crédito em comento? Se sim, ela é integral? Pois bem. Como a Recorrente muito bem elucidou em seu recurso voluntário, a rigidez procedimental do processo civil pátrio merece temperamentos no âmbito administrativo, de modo que o regime clássico de preclusões não é aplicado exatamente nos moldes do processo judicial. Além disso, a vasta legislação que regula o pedido de parcelamento administrativo de débitos tributários explica que o contribuinte, para tanto, precisa expressamente desistir, de forma irretratável e irrevogável, da impugnação, recurso ou processo judicial em curso. No presente caso, o pedido de parcelamento foi formulado antes da apresentação da impugnação, sem renúncia expressa ao direito de se defender na via administrativa, até porque não havia do que desistir, se sequer impugnação havia. Se o pedido tivesse sido deferido e a Recorrente ingressado no parcelamento e, posteriormente, dele desistido ou descumprido as exigências que a fizessem ser excluída, teríamos um panorama totalmente diferente. Mas não é o caso. E mais: constato, desde logo, duas incongruências por parte da Administração no presente processo: o auto de infração mencionava, expressamente, a possibilidade de parcelamento do crédito, mas posteriormente seu pedido foi indeferido, sob a alegação de que haveria expressa vedação, constante do inciso I do artigo 14 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002, de concessão de parcelamento para tributos ou contribuições retidos na fonte ou descontados de terceiros e não recolhidos ao Tesouro Nacional. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11065.001998/200714 Acórdão n.º 2101002.059 S2C1T1 Fl. 753 4 Em segundo lugar, por meio do já aludido despacho de fl. 678, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Novo Hamburgo não considerou ter havido preclusão quanto à apresentação da impugnação, tanto é que houve por bem apartar os créditos com exigibilidade suspensa daqueles que não gozavam desta condição e podiam, destarte, ser cobrados de imediato. Como é cediço, a Administração não pode, como corolário do princípio da boafé objetiva, venire contra factum proprium, em detrimento do direito constitucional ao contraditório e ampla defesa do contribuinte, motivo pelo qual a impugnação deve ser aceita. Superado este primeiro ponto, cumpre perquirir acerca da suspensão da exigibilidade da multa, em virtude do oferecimento da impugnação, até porque o principal não restou impugnado pelo contribuinte, e, conforme o art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Conforme Luís Eduardo Schoueri leciona, o CTN, em seu art. 151, III, ao tratar de “reclamações e recursos administrativos” que acarretam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, expressa que “o crédito permanece suspenso por todo o processo administrativo, em todas as suas instâncias, não cabendo exigir o tributo até que o procedimento esteja encerrado” (SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 549). Pois bem. A impugnação, de per si, é apta a suspender a exigibilidade do crédito, mas apenas quanto à matéria impugnada. Considerando que a Recorrente expressamente se limitou, em sua impugnação, a combater a multa qualificada aplicada, pedindo sejam “refeitos os cálculos do Auto de Infração apresentado, com a aplicação da multa simples”, resta claro que apenas a diferença de 75% foi impugnada. Neste ponto, a decisão da DRJ em Novo Hamburgo não merece reparos. Solucionadas essas questões, o retorno dos autos à autoridade julgadora a quo é medida que se impõe, de modo que a impugnação ofertada pela contribuinte seja apreciada, única e tãosomente quanto à redução da multa de ofício qualificada de 150%. A análise do mérito, por este Conselho, configuraria inegável supressão de instância. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para afastar a preclusão e determinar o retorno dos autos à DRJ para análise da impugnação. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 773DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11065.001998/200714 Acórdão n.º 2101002.059 S2C1T1 Fl. 754 5 Fl. 774DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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