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Numero do processo: 10768.017331/2002-31
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada omissão no dispositivo do
acórdão, cumpre retifica-lo, ajustando ao decidido pelo colegiado.
Embargos Acolhidos. Acórdão Retificado e Ratificado.
Numero da decisão: 1402-000.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Acolher os embargos para sanar a contradição apontada e retificar e ratificar o acórdão nº 3801-00042, de 17.03.2009, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, cuja
decisão passa a ser a seguinte: “dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à contribuinte para recolher os tributos pela sistemática do Simples nos anos-calendário de 1998 a 2000.”
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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Verificada omissão no dispositivo do acórdão, cumpre retifica-lo, ajustando ao decidido pelo colegiado. Embargos Acolhidos. Acórdão Retificado e Ratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Acolher os embargos para sanar a contradição apontada e retificar e ratificar o acórdão nº 3801-00042, de 17.03.2009, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, cuja decisão passa a ser a seguinte: “dar provimento ao recurso para reconhecer o direito à contribuinte para recolher os tributos pela sistemática do Simples nos anos-calendário de 1998 a 2000.” (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Edijalmo Antônio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL, cientificada do acordao 3801-00042, proferido em 17/03/2009 pela 1 a . Turma Especial da 3 a . Seção do CARF, em recurso voluntário interposto por HIBRITEC EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA apresenta embargos de declaração. O então presidente da 1 a . Seção, entendeu se fazer necessária a reapreciação da matéria pelo colegiado, nos termos do art. 65, 66 e 80 do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 – RICARF e. tendo em vista mudança de especialização na matéria de julgamento, que atualmente pertence à esta 1º Seção de Julgamento, encarregou-se de relatar em plenário, consoante despacho de fl. 74. O acórdão embargado apresenta a seguinte ementa: SIMPLES. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE IMPEDITIVA A PARTIR DE 2001.Em razão do exercício de atividades próprias do profissional de engenharia, a Recorrente encontra-se impossibilitada de aderir ao Simples relativamente aos anos- calendário 2001 a 2006, em razão do disposto nos incisos V e XIII do art. 9o da Lei n° 9.317/96. Nos anos-calendário 1998, 1999 e 2000, pelo fato de o seu objeto social, nesse período, não ter se configurado materialmente como atividade vedada, a Recorrente poderá aderir ao Simples, salvo a existência de outro fator impeditivo. A partir da vigência da Lei Complementar n° 123/2006, o objeto social da Recorrente não a impede de optar pelo Simples Nacional Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Em seus embargos a PFN traz as seguintes alegações (verbis). [...] Primeira omissão: os limites do pedido da contribuinte A decisão impugnada, entretanto, omitiu-se na análise do pedido deduzido pela contribuinte. De fato, no requerimento de fls. 04/05, protocolado em 22/11/2002, a empresa requerente apenas se limitou a requerer, com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16. de 02/10/2002, a sua inclusão retroativa no Simples no período anterior à sua inclusão naquela sistemática de tributação. Neste sentido, confira-se trecho do pedido da contribuinte: "(...) No decorrer do mês de outubro do corrente ano, solicitamos ao nosso atual Contador que obtivesse uma CND junto a Receita Federal. Para nossa surpresa Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.017331/2002-31 Acórdão n.º 1402-00.212 S1-C4T2 Fl. 2 3 constava como irregularidade, ausência das DCTF s do ano de 1999, e cadastrado como optante pelo Simples a data de 01/01/2000. (...) d) Após tomarmos conhecimento do Ato Declaratório Interpretativo SRF ne 16, de 02 de outubro de 20025 e publicado no DOU de 04/10/2002, vimos requerer a V.Sa que se digne a retificar de ofício tanto o Termo de Opção(TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a data de registro da JUCERJA da nossa empresa que foi em 22/05/1998.(,..)"iD Com efeito, como se vê do texto transcrito, o pedido da contribuinte cingiu-se à inclusão retroativa no Simples no período compreendido entre a data da sua constituição, 22/05/1998, e o momento da sua efetiva inclusão no Simples, 01/01/2000. Entretanto, o acórdão analisando, omitindo-se na análise dos limites do requerimento da contribuinte, dispôs-se a analisar a pertinência da inclusão da empresa aludida no Simples não só no período de 22/05/1998- 01/01/2000, mas também nos exercícios subseqüentes, 2001 a 2006 e também a partir de 2006 até os dias atuais. Com isso, a decisão apontada apreciou de ofício matéria que não é objeto do presente procedimento, configurando julgamento ultra petita. De fato, ao apreciar a inexistência de direito da contribuinte a inclusão do Simples no período de 2001 a 2006 e a presença do referido direito a partir do ano de 2006, o acórdão indicado invade a atribuição da autoridade fiscal de analisar a legitimidade da sua participação naquela sistemática de tributação nos referidos anos, incluindo-a ou excluindo-a do Simples, além do que também corre o risco de se pronunciar sobre matéria que já seja objeto de outro processo administrativo fiscal. Efetivamente, não se pode olvidar que o processo administrativo fiscal, assim como o processo civil, é delimitado pelos contornos jurídicos esboçados pela parte, consubstanciados no pedido e nos fatos e fundamentos jurídicos que o baseiam. Daí, com exceção das matérias de ordem pública,é defeso ao julgador conhecer de ofício questões não suscitadas pelos litigantes, sob pena de nulidade da decisão proferida. Nesse sentido, colha-se a disciplina dos arts. 128 e 460, do Estatuto Processual Civil Brasileiro, verbis: "Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendo-lhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte." (grifou-se)jO Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor df autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado".(grifou-se) Oportunamente, ressalte-se que é assente na jurisprudência dos tribunais pátrios a possibilidade de manejo dos embargos de declaração com o fito de adequação do julgado quando configurado julgamento ultra petita." 12 Segunda omissão: a reprodução parcial das notas fiscais relativas ao período de 1998-2000 e da prestação de serviços antes da autorização para emissão de notas fiscais de fl. 126. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA 4 Para assegurar a inclusão retroativa da contribuinte no Simples nos anos de 1998 a 2000, a decisão embargada faz as seguintes declarações: "Com base nessas constatações, é possível concluir que, não obstante constar do seu contrato social, de 22/05/1998 a 24/08/1999, a prestação de serviços de instalação e manutenção de equipamentos hidráulicos, com base na Demonstração de Resultado do Exercício de 1998, 1999 e 2000, na reprodução parcial das notas fiscais e na primeira autorização para emissão de notas fiscais de serviços ocorrida em 07 de março de 2002, até essa data, a sociedade não exercia atividade que vedasse a opção pelo Simples." (fl. 131, verso) (Destacou-se) 12. Há omissão da decisão analisada, entretanto, nos seguintes pontos: I) A reprodução parcial das notas fiscais: a decisão, embora cite que "há intevarlos de numeração" (fl. 131, verso) nas notas fiscais relativas ao períodos de 1998/2000, não enfrenta a questão, deixando de se pronunciar sobre as seguintes considerações da DRJ: "Examinando-se, contudo, a documentação constante dos anexos, não é possível conciliá-la perfeitamente com os montantes de receitas informadas nas cópias das declarações anuais simplificadas dos anos- calendário de 1998 e 1999 (fls. 30/37) e com as cópias das demonstrações do resultado de exercícios dos dois períodos (fls. 02/06 do anexo I). As totalizações mensais dos valores das notas fiscais não coincidem com os valores declarados, concluindo-se que poderia haver outras notas fiscais (inclusive de serviços) não trazidas pela interessada ao processo/' (fl. 113) (Destacou-se) Portanto, a ausência de continuidade na numeração das notas fiscais e a inexistência de coincidência entre a totalização das notas fiscais juntadas e os valores declarados pela contribuinte, não exclui a possibilidade da embargada ter prestado serviços naquele período. II A autorização para emissão de notas fiscais (fl. 126): O acórdão analisado deixou de se pronunciar sobre o fato de que, ainda que a contribuinte só tenha sido autorizada a emitir notas fiscais de serviços a partir de 07/03/2002, a mesma registra, em seu balanço patrimonial do ano de 2001 (Anexo I - fl. 10), a auferição de receita com a prestação de serviços já naquele período, pelo que a existência de tal autorização não infirma a possibilidade da empresa indicada ter prestado serviços nos períodos de 1998- 2000. CONCLUSÃO 13. Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para suprir as omissões apontadas nos termos das razões acima.” É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.017331/2002-31 Acórdão n.º 1402-00.212 S1-C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Relator Conforme relatado, a Fazenda Nacional apresenta embargos de declaração pleiteando a reforma do acordao 3801-00042, proferido em 17/03/2009 pela 1 a . Turma Especial da 3 a . Seção do CARF. Os embargos são tempestivos e merecem ser acolhidos. No que tange a alegação de que a decisão é ultrapassou os limites da lide, apreciando o possibidade de o contribuinte permanecer no Simples de 2001 a 2006, cumpre de plano acatar as alegações da embargante, isso porque não foi objeto de pedido do contribuinte muito menos de análise da autoridade fiscal ou julgamento em 1 a . instancia. Por seu turno, quanto as alegadas omissões do voto condutor do acordão no que tange aos anos de 1998 a 2000, verifica-se que o colegiado de 2 a . instancia não está obrigado a “enfrentar ou discorrer” sobre os fundamentos da decisão recorrida, salvo se tratar de recurso de oficio, e sim sobre os fundamentos da exigência ou indeferimento, questionados no recurso voluntário. Em relação ao argumento de que as provas trazidas aos autos seriam insuficientes para concluir que a empresa não realizava atividade impeditiva nos anos de 1998 a 2000, entendo tratar-se da convicção dos julgadores, formada a partir dos documentos trazidos aos autos. Veja-se que a embargante não aponta documentos ou fundamentos que deixaram de ser apreciados e sim questiona a decisão em face de possíveis lacunas nas provas trazidas pela recorrente. Portanto, não cabe retificar a decisão nessa parte. Diante do exposto voto no sentido de retificar e ratificar o acórdão embargado, nº 3801-00042, e DAR provimento ao recurso, para reconhecer o direito de o contribuinte recolher os tributos pela sistemática do Simples até o ano-calendário de 2000, sem prejuízo de eventual procedimento administrativo de sua exclusão após 2001. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001474/00-11
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1990 a 31/05/1995
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição e/ou compensação protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO
Numero da decisão: 9303-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1990 a 31/05/1995 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição e/ou compensação protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 14 74 /0 0- 11 Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela fazenda Nacional em face do acórdão nº 20219.454, na parte que tomou como termo inicial para contagem do lapso decadencial de pedido de restituição a data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95, que suspendeu os efeitos dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88. A contribuinte acima identificada informou as compensações a serem efetuadas em DCTF, nos anos de 1997, 1998 e 1999, dos indébitos da Contribuição para o Pis, recolhidos nos períodos de apuração compreendidos entre 01/03/1990 a 31/05/1995, com base nos DecretosLeis n°s. 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Anexou documentos. Em razão da suspensão da execução dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 pela Resolução n° 49/1995, do Senado Federal, que solucionou o debate a respeito da inconstitucionalidade, a recorrente teria procedido à compensação de valores pagos a maior, à titulo de PIS, com débitos tributários da mesma natureza referente o período de outubro de 1995 a dezembro de 1997, informado por meio de DCTFs, em consonância com a decisão obtida no bojo do Processo Judicial n°91.00036161. Eis a ementa: Relator: Domingos de Sá Filho Acórdão: 20219.454 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1990 a 31/05/1995 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, nos termos da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Os valores dos indébitos remanescentes, após o desconto da contribuição devida, com base nas Leis Complementares nºs 7/70 e 8/70, devem ser corrigidos monetariamente, até 31/12/1995; a partir de janeiro de 1996, passam a incidir juros equivalentes à taxa Selic, até o mês anterior em que houver a restituição/compensação. Recurso provido em parte. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 11020.001474/0011 Acórdão n.º 9303003.224 CSRFT3 Fl. 191 3 A PGFN apresentou Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo, começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Pede a reforma do julgado. Assim diz a PGFN: O presente recurso especial visa desafiar a parte do acórdão relativa ao termo inicial do prazo de decadência/prescrição do direito de restituição/compensação, para fazer prevalecer a tese da data do pagamento indevido como termo inicial, afastada o entendimento do termo inicial ser da data da publicação da Resolução n° 49/95 do Senado Federal. Assim, a matéria objeto do recurso especial é unicamente à relativa ao prazo para apresentação de pedido de compensação de PIS em face da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88. É o relatório. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Tratase de Pedido de Restituição/Compensação , relativo à contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, períodos de apuração compreendidos entre 01/03/1990 a 31/05/1995, cujas compensações foram informadas em DCTF nos anos de 1997 a 1999. Os recolhimentos seriam indevidos porque obedeceram as disposições dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, considerados inconstitucionais pelo STF e afastados do mundo jurídico pela Resolução n° 49 do Senado Federal. Não assiste razão à PGFN, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Porém não haverá, no presente caso prescrição do direito ao pedido de compensação. Tendo em vista que a interessada informou as compensações entre 1997 e 1999, somente os pagamentos referentes aos fatos geradores anteriores a 10 anos dessa data estariam Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição, o que não ocorreu, in casu. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. No presente caso, não está prescrito o direito de se pleitear a restituição/compensação. Ante o exposto voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 10410.001102/00-57
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/1989 a 31/12/1999
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SÚMULA N.1 DO CARF.
Verificada a identidade da matéria debatida nos processos administrativo e judicial, na forma do parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830/80 e da Súmula CARF n° 1, inafastável a renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-000.789
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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RESSARCIMENTO Recorrente S/A LEÃO IRMÃOS AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/1989 a 31/12/1999 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SÚMULA N.1 DO CARF. Verificada a identidade da matéria debatida nos processos administrativo e judicial, na forma do parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830/80 e da Súmula CARF n° 1, inafastável a renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 11 02 /0 0- 57 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10410.001102/0057 Acórdão n.º 3202000.789 S3C2T2 Fl. 128 2 Relatório Para melhor elucidação dos fatos, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, PE (DRJ/REC) de fls. 99 a 103, que não conheceu da manifestação de inconformidade manejada pela ora Recorrente. In verbis: “Relatório A interessada em epígrafe formalizou, em 28/04/2000, Pedido de Ressarcimento de Créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no valor de R$ 19.500.727,37, com fundamento no art. 11 da Lei n. 9.779/99. Para subsidiar seu pleito, anexou aos autos os documentos de fls. 02 a 08. Em face do pedido formulado, o Serviço de Orientação e Análise Tributária (Saort) da Delegacia da Receita Federal em MaceióAL (DRF/Maceió) elaborou o Despacho de fls. 10/12, propondo o indeferimento do pleito. Em 27/04/2005, a autoridade competente confirmou o indeferimento proposto negando o ressarcimento requerido (fl. 13). Tendo sido apresentada manifestação de inconformidade pela interessada (fls.14/25), o presente processo foi submetido a julgamento pela 5 Turma da DRJ/Recife que, por meio do Acórdão n. 12.807 (fls. 50/56), de 15/07/2005, por unanimidade de votos, considerou cerceado o direito de defesa da pleiteante, razão pela qual o despacho decisório foi anulado e o processo retornou à unidade de origem para que a interessada fosse intimada a apresentar informações e/ou documentos necessários ao exame do mérito, prolatandose daí nova decisão. Posteriormente, em face do Parecer de fls. 67/69, ratificado pelo Despacho Decisório de fl. 70, a DRF/Maceió mais uma vez indeferiu o requerimento apresentado, justificando, desta feita, que a interessada possuía ação judicial impetrada com o mesmo objeto. Tendo sido cientificada em 14/07/2008 (ciência pessoal is fls. 67), a interessada apresentou tempestivamente, em 13/08/2008, manifestação de inconformidade (fls. 73/82 )aduzindo em sua defesa, em síntese, as seguintes razões: Alega que em vista da demora na apreciação do seu pleito administrativo ingressou com ação ordinária (n° 2000.80.00.0076897), com pedido de antecipação de tutela, a fim de assegurar o seu direito ao crédito de 1PI relativo i aquisição de insumos, com base no que dispõe o art. 11 da Lei n. 9.779/99. Assevera que perícia judicial contábil teria confirmado a existência dos créditos pleiteados e afirma que, atendendo à solicitação formulada pela autoridade diligenciante, apresentou documentação referente às operações que dariam origem ao crédito requestado. Passa a defender a possibilidade de concomitância entre o pleito relativo à ação judicial e o requerimento administrativo formulado. Para tanto, além de alegar que o pedido administrativo é anterior à ação ajuizada, assevera que não existiria vedação legal à mencionada concomitância dos aludidos Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10410.001102/0057 Acórdão n.º 3202000.789 S3C2T2 Fl. 129 3 pleitos. No sentido de sustentar sua tese, transcreve ementas de julgados do TRF da Primeira Região. Afirma que inexiste dispositivo no Decreto n° 70.235/72 que proíba a coexistência dos processos administrativo e judicial e que a sua pretensão seria pautada no art.62 do referido Decreto, o qual dispõe sobre a não suspensão do processo fiscal mesmo quando da existência de medida judicial suspendendo a cobrança de tributo. Quanto ao tema, alega ainda que, no sentido de atribuir à propositura de ação judicial o caráter de renúncia às instâncias administrativas, houve tentativa do Poder Executivo de revogar o citado dispositivo (art. 62 do Decreto 70.235), a qual fracassou com a rejeição pelo Congresso Nacional da MP n° 75/2002. Argumenta que o pedido de ressarcimento apresentado estaria regular posto que em consonância com as normas afetas a matéria, quais sejam: a Lei n° 9.430/96, a Lei n° 9.779/99 e a IN n° 21/97. Por fim, requer a anulação da decisão combatida, a requisição dos documentos necessários à análise do seu pleito, a validação dos lançamentos contábeis relativos ao pedido formulado, assim como, a homologação das compensações a este vinculadas. Em sua decisão, a DRJ/REC houve por bem manter o lançamento através do acórdão n° 1125.631, de 12 de Março de 2009, cuja ementa foi assim formulada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1989 a 31/12/1999 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do pedido administrativo implica renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Impugnação não conhecida.” Irresignada com a decisão acima ementada, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário no qual aduz que: a) Existe a possibilidade de concomitância entre o pleito relativo à ação judicial e o requerimento administrativo formulado. Para tanto, além de alegar que o pedido administrativo é anterior à ação ajuizada, assevera que não existiria vedação legal à mencionada concomitância dos aludidos pleitos. Colaciona julgados do TRF da Primeira Região que respaldam esse entendimento; b) Inexiste dispositivo no Decreto n° 70.235/72 que proíba a coexistência dos processos administrativo e judicial, sendo que o artigo 62 do referido Decreto determina a não suspensão do processo fiscal mesmo quando ajuizada medida judicial suspendendo a cobrança de tributo. Quanto ao Fl. 129DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10410.001102/0057 Acórdão n.º 3202000.789 S3C2T2 Fl. 130 4 tema, alega ainda que, no sentido de atribuir à propositura de ação judicial o caráter de renúncia às instâncias administrativas, houve tentativa do Poder Executivo de revogar o citado dispositivo (art. 62 do Decreto 70.235), a qual fracassou com a rejeição pelo Congresso Nacional da MP n° 75/2002; c) Que a decisão proferida, ao se amparar no ADN COSIT 3/96, e no art. 5°, inciso XXXV da Constituição Federal, se contrapõe a direito legalmente assegurado, invocando, para tanto o inciso LV do citado artigo da Carta Magna; d) Por fim, alega que o pedido de ressarcimento apresentado seria regular, posto que em consonância com as normas afetas a matéria, quais sejam: a Lei n° 9.430/96, a Lei n° 9.779/99 e a IN n° 21/97, requerendo a anulação da decisão combatida, a requisição dos documentos necessários à análise do seu pleito, a validação dos lançamentos contábeis relativos ao pedido formulado, assim como, a homologação das compensações a este vinculadas. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O acórdão recorrido considerou que a Recorrente ajuizou ação judicial com o mesmo objeto do requerimento administrativo, dessa forma, houve por bem não conhecer da manifestação de inconformidade. Entendo que razão assiste à posição adotada pela DRJ/REC. Vejamos. Consoante exposto no relatório, a Recorrente formalizou, em 28 de abril de 2000, pedido de ressarcimento de créditos de IPI que no montante de R$ 19.500.727,37, com fulcro no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10410.001102/0057 Acórdão n.º 3202000.789 S3C2T2 Fl. 131 5 Conforme noticiado pela própria Recorrente às fls.73/82, devido à demora no julgamento de seu pleito administrativo, decidiu ajuizar a ação ordinária n° 2000.80.00.0076897, onde postula o ressarcimento objeto do pedido que inaugurou o presente litígio. Tratandose de pedido idêntico, instaurada a competência no Poder Judiciário para deliberar sobre o ressarcimento, qualquer decisão da Administração Pública seria vã, uma vez que as decisões do Poder Judiciário tem o condão de anular as decisões administrativas. Outrossim, o parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980 dispõe que: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (g.n.) Efetivamente, deslocando para o Poder Judiciário a sua pretensão, renuncia o contribuinte ao direito de ver sua demanda apreciada pela Administração Pública. Paralelamente, dispõe o artigo 62 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Como visto, o caput do artigo 62 do referido Decreto limitase a determinar a não instauração de procedimento fiscal contra o contribuinte, enquanto viger medida judicial que decretar a suspensão da cobrança de tributo (vale lembrar que, na forma do artigo 63 da Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10410.001102/0057 Acórdão n.º 3202000.789 S3C2T2 Fl. 132 6 Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é lícito à Administração efetuar o lançamento para prevenir a decadência). Por sua vez, o parágrafo único do referido dispositivo, que não pode ser lido isoladamente, pois, regra geral, o parágrafo tem a função de complementar o caput, determina que, enquanto viger a ordem judicial de suspensão da cobrança do tributo, não haverá a suspensão do processo administrativo fiscal (PAF), mas apenas de seus atos executórios. A concomitância dos processos administrativo e judicial só se verifica quando o objeto de ambos é idêntico, ou seja, quando se verifique tratarem os processos do mesmo tributo, mesmo período de apuração e mesmos sujeitos. Constatada a concomitância, não é o caso de suspender os atos executórios do PAF na forma do parágrafo único do artigo 62 do Decreto n° 70.235/72 – que, aliás, como denuncia o caput, só tem lugar quando ajuizadas medidas preparatórias ou preventivas, não repressivas –, mas sim de decretar a concomitância dos processos administrativos e judicial, na forma do artigo 38 da Lei n° 6.830/80, pela razão já exposta, ou seja, o fato de as decisões judiciais anularem as decisões administrativas. Tal medida, nada se confunde com a garantia assegurada ao litigante de postular no âmbito judicial e administrativo, antes, prestigia o disposto no XXXV do artigo 5°, LV da Constituição Federal, quando determina que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Outrossim, o debate dos autos já foi sumulado por este Colegiado: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (Súmula CARF n° 01) Neste sentido, tendo a Recorrente declarado que a mesma pretensão deduzida nos autos deste PAF foi levada à apreciação do Poder Judiciário, impõese o reconhecimento da renúncia ao direito de recorrer no âmbito administrativo. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário, em vista da concomitância entre os processos administrativo e judicial. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10410.001102/0057 Acórdão n.º 3202000.789 S3C2T2 Fl. 133 7 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.000954/2008-49
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
DEDUÇÃO.BASE DE CÁLCULO
A Lei nº. 7.713/88, em seu art. 2º, determina que o IRPF é devido por regime de caixa, à medida que o ganho de capital for percebido. Assim, a tributação desses rendimentos depende de prova do efetivo recebimento dos valores pelo contribuinte.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-001.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: DEDUÇÃO.BASE DE CÁLCULO A Lei nº. 7.713/88, em seu art. 2º, determina que o IRPF é devido por regime de caixa, à medida que o ganho de capital for percebido. Assim, a tributação desses rendimentos depende de prova do efetivo recebimento dos valores pelo contribuinte. Recurso Negado.
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Assim, a tributação desses rendimentos depende de prova do efetivo recebimento dos valores pelo contribuinte. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 09 54 /2 00 8- 49 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Em face do contribuinte OSVALDO ARI ABIB, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 24/12/2007, Notificação de Lançamento (fls. 23/25), com ciência postal em 27/05/2009 (fl. 53). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 9.895,07 MULTA DE OFÍCIO R$ 7.421,30 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE R$ 21.032,95 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: Omissão de Rendimentos do Trabalho Recebidos de Fontes no Exterior: omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismo Internacional (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD). Valor: R$ 42.000,00. Omissão de Rendimentos do Trabalho Recebidos de Pessoa Jurídica — omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pela dependente Rita de Paula Abib. Fonte Pagadora: Infograph Consultoria e Representação Comercial Ltda. Valor: R$ 1.220,00. Dedução Indevida de Contribuição à Previdência Oficial — glosa dedução de Contribuição à Previdência Oficial, pleiteada indevidamente na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 6.564,03 (R$ 5.304,61 foi recolhido pelo contribuinte como autônomo). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação, consoante relatório da Decisão de Primeira Instância, abaixo transcrita: · que houve uma glosa de R$ 6.564,03 a titulo de Contribuição à Previdência Privada, mas que não foi intimado a fazer tal comprovação; · que ocorreu um erro no lançamento, pois ao invés lançar parte como titular e parte como dependente, lançou a totalidade como titular; · que os documentos em anexo comprovam que contribuiu para a Previdência no valor declarado; · que concorda com os demais termos da Notificação e com o 1mposto no valor de R$ 8.126,87, para o qual solicita o parcelamento; · que, á vista do exposto, requer seja considerado o valor correto da Contribuição à Previdência Privada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.000954/200849 Acórdão n.º 2802001.906 S2TE02 Fl. 62 3 A 3ª Turma da DRJ/BRASÍLIA/DF, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0330.168, de 30 de março de 2009 (fls. 43 a 47), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBI DOS DE PESSOA JURÍDICA E DO EXTERIOR. Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIA OFICIAL. São dedutíveis, da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, Os pagamentos de Contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal c dos Municípios, comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 27/05/2009 (fl. 53). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 15/06/2009 (fl. 54). No voluntário, o recorrente assevera que o valor pago, considerando o regime de competência, a título de Contribuição à Previdência Privada Oficial da dependente Rita de Paula Abib, foi R$5.806,40, Osvaldo An Abib, o valor de 5.806,40. Assegura que a comprovação dos pagamentos foram apresentados por competência e não pelo anocalendário, ficando sem recolhimento o mês de dezembro de 2004, segundo dedução da SRF. Na realidade o mês que ficou sem comprovação de pagamento foi o de janeiro/2004. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 27/05/2009 (fl. 53), e interpôs o recurso voluntário em 15/06/2009 (fl. 54), dentro do trintídio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Em sede de recurso o litígio gira em torno de dedução de contribuição à previdência privada oficial. A presente controvérsia foi brilhantemente apreciada no âmbito da Delegacia de Julgamento. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Por sua vez o recorrente argumenta que o pagamento realizado em janeiro dos anos subseqüentes, no valor de R$ 1.003,58, referese ao ano calendário 2004 e deveria ter sido igualmente considerado. Do exame das peças processuais, verifica se que nenhum reparo merece o acórdão de primeira instância. O imposto de renda das pessoas físicas, de acordo com os dispositivos das Leis nº. 7.713/88 e 8.134/90, passou, a partir de 1º de janeiro de 1989, a ser apurado mensalmente “regime de caixa”, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem sendo percebidos, incluindo se, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto, apurada através de planilhamento financeiro ("fluxo de caixa"), onde devem ser considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Assim, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10820.000547/2007-90
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 04/10/2004
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF.
Uma vez comprovado que o valor do débito foi declarado em duplicidade em DCTF, é de se cancelar o lançamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 19/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 04/10/2004 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Uma vez comprovado que o valor do débito foi declarado em duplicidade em DCTF, é de se cancelar o lançamento. Recurso provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 04/10/2004 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Uma vez comprovado que o valor do débito foi declarado em duplicidade em DCTF, é de se cancelar o lançamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 19/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 05 47 /2 00 7- 90 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl.23, com a exigência Multa código receita – 6380, no valor de R$583,10, em virtude de pagamento de tributo ou contribuição após o vencimento, com falta ou insuficiência de acrésci mos legais (multa de mora e/ou juros de mora parcial ou total), conforme o demonstrativo de pagamentos efetuados após o vencimento, fls. 25/26, Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fl. 01/02, alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, que a data do fato gerador correta é a data em que o tributo foi efetivamente recolhido, qual seja, em 29 de outubro de 2004, e que aquela data informada na DCTF fora equivocada, tanto que o objeto de DCTF retificadora, conforme cópia anexada. A DRJ Ribeirão Preto (SP), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão 1423.821DRJ/RPO, que recebeu a seguinte ementa (fls. 42): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/10/2004 DÉBITO CONFESSADO. AUDITORIA INTERNA NA DCTF. IRRF. MULTA DE MORA. Eventuais equívocos na DCTF devem ser comprovados no contencioso administrativo de exigência do tributo e/ou acréscimos. Na ausência de elementos probantes do alegado erro, ou ineficácia dos documentos apresentados, prevalecem os dados originariamente declarados. 0 recolhimento de tributo a destempo deve se fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora, segundo ordenamento jurídico vigente. Lançamento Procedente Cientificada do Acórdão em 03 de julho de 2009, em 03/08/2009 a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 50/53, reiterando as alegações apresentadas em primeira instância. Insiste na alegação de que cometeu erro no preenchimento da DCTF Reapresenta, fls. 76 e 77, os comprovantes de arrecadação código receita 0473, no valor de R$2.900,00, em 29.10.2004, e outro pagamento no valor de R$4.167,90, também em 29.10.2004.Assim, espera ter comprovado que o imposto foi pago, dentro do prazo legal e em data anterior a remessa dos recurso ao exterior. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10820.000547/200790 Acórdão n.º 2802002.530 S2TE02 Fl. 106 3 No mérito, o cerne da presente controvérsia gira em torno da comprovação do recolhimento do tributo – código receita – 0473, fora do prazo legal e sem a devida multa de mora. Em primeira instância o lançamento foi mantido sob o seguinte fundamento: “0 lançamento em pauta aponta, em especifico, o não recolhimento da multa de mora no pagamento do tributo depois do prazo legal de vencimento Observo, inicialmente, que o lançamento calcouse na DCTF retificadora n° 2006.1780454966, entregue em 26/06/2006, fl. 23, enquanto a cópia trazida pela Recorrente diz respeito a uma declaração retificadora anterior, apresentada em 15/02/2005 e cujo número é 005.1760405337, fl. 05. A contribuinte fez constar nessa DCTF de 26/06/2006 que o fato gerador do tributo ocorreu no dia 04/10/2004, porém, pretende valer que o período de apuração teria ocorrido em data subseqüente àquela informada, sendo correta a que se fez constar nas guias de pagamento (DARFs de fls. 33/34), de sorte que seriam tempestivos os recolhimentos. Não creio que dita afirmativa e os comprovantes de pagamentos do tributo, por si só, se prestam aos fins propostos. Se a declarante incidiu em equivoco incumbelhe o saneamento, mostrando as provas que permitam albergar sua tese de afastamento do crédito tributário, mormente no presente contencioso, quando oportunizada a ampla defesa. Remanesce, efetivamente, que há na DCTF declaração da existência de débito em período definido, não sendo suficiente para desnaturála a simples alegação em contrário, pois aquele documento goza do efeito de confissão legal de divida (Decretolei n° 2.124, de 1984, artigo 5°, § 1 0). Como não constam dos autos elementos que possam infirmar a declaração de que o fato gerador tenham ocorrido em época diversa, nem tampouco preocupouse a Recorrente em trazer qualquer elemento contábilescritural que pudesse embasar seu entendimento de inexistência de .irregularidades, prevalecem os dados originariamente declarados; Noutro prisma, a exigência para que o pagamento ou o recolhimento de tributo se faça acompanhado de multa de mora em face da realização após o vencimento legal da obrigação deriva de lei, a ver:” Em sede de recurso, a contribuinte alega que, por engano, informou, nas DCTF,s original e retificadora apresentada em 26/06/2006 como sendo a 4ª semana de outubro de 2004, o vencimento do IRF sobre remessa de numerário para o exterior, que efetivamente ocorreu em 01.11.2004. Ressalta que enviou nova D.C.T.F. retificadora, em 08.10.2007, com a data correta do período de apuração do tributo que é dia 29/10/2004. Nesse contexto, para que se possa formar um juízo acerca da matéria em discussão, é necessária a análise dos documentos acostados aos autos (DCTF, DARFs de recolhimento/cópias dos livros contábeis). Fl. 203DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Quanto a data da remessa de recursos ao exterior o recorrente alega que em 03/11/2004 enviou cheque 372737, no valor de 8.700,00 e ch 372738 no valor de R$12.503,69 via sedex para a empresa TURNER BROADCASTING SYSTEM LATIN AMÉRICA. Documento fls. 78, indica que seria uma transferência no valor de R$16.671,59 com retenção de 25% de IR, ch 372738 no valor de R$12.503,69 em 30/10/2004 a favor de TURNER BROADCASTING SYSTEM LATIN AMÉRICA Documento FLS. 80, indica transferência NO VALOR DE R$11.600,00 com retenção de 25% de IR, ch 372737 no valor de R$8.700,00 em 30/10/2004 a favor de TURNER BROADCASTING SYSTEM LATIN AMÉRICA. Ás fls. 82, está a cópia do livro diáriorazão,onde verificase os lançamentos dos cheques acima mencionados, no movimento do dia 01/11/2004 c/c às fls. 31/32 onde demonstra que não há o lançamento deste registro no dia 04/10/2004. Assim, apesar de entender que a simples indicação da emissão de um cheque não configura a remessa de recursos ao exterior, verificase que o pleito do recorrente deve ser acatado, vez que o IRRF, sobre os valores tidos como remetidos ao exterior (contratos de fls. 78 e 80) foram devidamente recolhidos em 29/10/2004 doc. Fls. 76 e 77 Assim, firmase a convicção que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF, sem qualquer prejuízo ao erário público federal. Está comprovada a inexistência do débito de R$ no valor de R$583,10 Ante ao exposto, voto por DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 204DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.004220/2007-15
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não caracteriza cerceamento ao direito de defesa a desconsideração pela autoridade fiscal de documento apresentado tido como válido pela interessada. Também não se considera violação ao direito de defesa o indeferimento fundamentado pela autoridade julgadora de perícia ou diligência solicitada pelo recorrente.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO PAGAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA.
Em se tratando de tributos sujeitos ao pagamento por homologação, inexistente dolo, fraude ou simulação e tendo sido feitos pagamentos nos períodos lançados há que se reconhecer a consumação da decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS RECURSOS PARA AQUISIÇÃO. DOAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE.
A não comprovação da origem dos recursos utilizados na aquisição de imóveis não é suficiente para infirmar os documentos públicos de compra e venda. Não existindo elementos que comprovem a ocorrência de doação o lançamento deve ser cancelado.
OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Comprovada parcialmente a origem dos recursos creditados e constatados erros na base de cálculo lançada deve ser reduzido proporcionalmente o lançamento de omissão de receitas com base em créditos bancários de origem não comprovada.
Numero da decisão: 1302-001.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros 2ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em acolher a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza cerceamento ao direito de defesa a desconsideração pela autoridade fiscal de documento apresentado tido como válido pela interessada. Também não se considera violação ao direito de defesa o indeferimento fundamentado pela autoridade julgadora de perícia ou diligência solicitada pelo recorrente. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO PAGAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. Em se tratando de tributos sujeitos ao pagamento por homologação, inexistente dolo, fraude ou simulação e tendo sido feitos pagamentos nos períodos lançados há que se reconhecer a consumação da decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS RECURSOS PARA AQUISIÇÃO. DOAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE. A não comprovação da origem dos recursos utilizados na aquisição de imóveis não é suficiente para infirmar os documentos públicos de compra e venda. Não existindo elementos que comprovem a ocorrência de doação o lançamento deve ser cancelado. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Comprovada parcialmente a origem dos recursos creditados e constatados erros na base de cálculo lançada deve ser reduzido proporcionalmente o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 20 /2 00 7- 15 Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.572 2 lançamento de omissão de receitas com base em créditos bancários de origem não comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros 2ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em acolher a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa. Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.573 3 Relatório Tratase de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, dos anoscalendário 2002 e 2003, no valor total de R$ R$ 16.794.160,17, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 30/11/2007, efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 747 a 789.. As infrações apuradas referemse, no ano de 2002, à omissão de receitas não operacionais decorrentes de aquisição de imóveis de forma gratuita, caracterizados pela fiscalização como doação, e em relação ao ano de 2003, à omissão de receitas apuradas com base em créditos bancários cuja origem não teria sido comprovada. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 30/03/2007 (fls. 192, 204, 215 e 226). A ciência da autuação se deu em 11/12/2007. Tempestivamente o sujeito passivo apresentou impugnação aos lançamentos em 09/01/2008, (fls. 868 a 921), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJSPOI, in verbis: 3.1. Ao relatar os fatos, a interessada destaca que atendeu aos termos das intimações fiscais e, apesar da ampla e robusta documentação apresentada pela impugnante, a fiscalização teria partido de premissas equivocadas, baseandose em suposições e presunções, para concluir pela omissão de receitas não operacional e operacional. 3.2. Em preliminar, argúi, com base no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a decadência do direito de o Fisco proceder aos lançamentos do IRPJ (apuração trimestral) e reflexos, em relação a fatos geradores ocorridos anteriormente a 01/10/2002 (valores tributados: R$ 4.674.000,00 – fato gerador de 31/03/2002; R$ 1.374.000,00 – fato gerador de 30/06/2002; R$ 2.800.000,00 – fatos geradores de 31/03/2002 e 30/06/2002; e R$ 7.000.000,00 – fato gerador 31/03/2002), por se tratar de lançamento por homologação. 3.3. Também em sede de preliminar alega a impugnante o cerceamento do direito de defesa, posto que a fiscalização não teria considerado a documentação apresentada pela contribuinte e, com base nos artigos 5º, inciso LV, da Constituição Federal, artigo 2º, incisos VII e IX do parágrafo único, da Lei nº 9.784/1999, conclui que faltam aos pré questionados autos de infração, um mínimo de substrato fático, declarado, evidenciado ou motivado, que ensejem a instauração, válida, e regular do correspondente procedimento fiscal adotado, tornandose sem efeito os autos de infração em epígrafe. 3.4. Quanto ao mérito, inicialmente, a interessada contrapõese aos lançamentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Argumenta que diversos valores relativos ao Banco do Brasil (BB) referemse a transferências entre contas Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.574 4 correntes da mesma titularidade (HSBC para BB e BB para BB) que não poderiam ser objeto de tributação. Às fls. 882/883 estão relacionados os depósitos que estariam comprovados por meio dos documentos de fls. 987 a 1017. 3.4.1. Argumenta ainda que outras diferenças de depósitos e movimentações bancárias em relação ao Banco do Brasil teriam origem em movimentos de empréstimos adiantamentos e diversas receitas operacionais e não operacionais auferidas pela impugnante no ano de 2003, devidamente escrituradas, contabilizadas e declaradas na DIPJ entregue via internet (docs de fls. 1.148/1.202) e de saldos de numerários, bancos, contas a receber e outros créditos contabilizados e existentes no balanço patrimonial de 31/12/2002 e declarados na DIPJ entregue via internet (fls. 1.021/1.024, 1140/1143 e 1203/1236). 3.4.2. Em relação aos demais valores constantes nos extratos do HSBC, a contribuinte alega que se tratam de recebimentos de aluguéis e transferências bancárias, conforme consta no Livro Razão Analítico – período 01/01/2003 a 31/12/2003 (docs. de fls. 1.025/1.052) e na relação e extrato bancário da referida instituição financeira (fls. 1.053/1.065 e 1.068/1091), já declarados na DIPJ entregue via internet. 3.4.3. Reportandose à tabela de fl. 884, a impugnante afirma que as demais diferenças apuradas pela fiscalização referemse a cheques devolvidos e valores que não constam nos extratos bancários, que não poderiam ter sido tributados. 3.4.4. Ainda em relação aos depósitos bancários considerados não comprovados, argumenta que: o mero fato de algum contribuinte haver efetuado depósitos em banco não é, por si só, comprobatório de que ele tenha auferido rendimentos tributáveis; tanto o Primeiro Conselho de Contribuinte, como a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em inúmeras decisões, consagraram o entendimento em que se admitia como comprovado, por presunção, percentuais de 10% a 50% sobre os depósitos efetuados, observandose uma margem crescente, por exercício, em relação aos períodos fiscalizados mais distantes, referindose ao Acórdão CSFR/010.479, de 26/10/1984; entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (fato provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concreção; tendo essa convicção, o legislador decidiu estabelecer a presunção legal vinculada a falta de registros de pagamentos, comumente denominada de “omissão de compras”. Com a instituição dessa nova presunção legal, o trabalho do fisco fica limitado a provar apenas a ausência de registro de pagamento, que é fato indiciário da referida presunção legal; Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.575 5 a presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador, pois ela deve sempre estar apoiada na repetida e comprovada correlação natural entre os dois fatos considerados, o conhecido e o desconhecido. Só a certeza da correlação natural entre esses fatos autoriza a inserção da correlação lógica entre tais fatos, mediante via legislativa; na área judicial, consoante a Súmula nº 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; a presunção legal estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido; se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da aludida presunção legal; os extratos bancários não são, no sentido legal do termo, documentos que o contribuinte deva conservar. Aliás, desses papéis invariavelmente consta a expressão “extrato para simples conferência”, o que por si só revela que se trata de um papel que não cria obrigações nem gera direitos. Tanto assim, que se alguém tiver um lançamento em seu extrato feito de forma equivocada, isso não o transforma em credor ou devedor da quantia lançada; o lançamento há de ser anulado, uma vez que restou caracterizado não se tratar de omissão de receita operacional, mas sim de créditos e depósitos bancários comprovados, declarados e devidamente contabilizados no anocalendário 2003. 3.5. Quanto às OUTRAS RECEITAS que não foram acrescidas à base de cálculo do lucro presumido, a impugnante entende que a fiscalização partiu de premissas equivocadas, baseandose em suposições e presunções, desconsiderando os contratos particulares firmados pela impugnante, consistentes em adiantamento para futuro aumento de capital, cessão de créditos e compensação de créditos e dívidas, para considerar tais operações como doação, o que representaria um acréscimo patrimonial eventual (receita não operacional) que deveria ter sido computada na apuração do lucro líquido do período. A partir de então, prossegue sua defesa argüindo que: ● Segundo o artigo 1165 do Código Civil (em vigor em 2002) somente poderia ser considerado doação, o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra, que os aceita. O artigo 1168 do mesmo diploma legal exige que a doação seja feita por escritura pública ou instrumento particular; Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.576 6 ● Para que o ato administrativo seja válido e eficaz devese ter um fundamento, ou seja um pressuposto de direito, que é o dispositivo legal em que se baseia o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo; ● mero ato administrativo não tem o condão de ignorar a legislação aplicável à espécie e simplesmente desconsiderar documentos válidos, elaborados de acordo com as normas legais, para tachálo com outra nomenclatura, onde possa incidir tributação ● o valor de R$ 1.374.000,00 tem como fato gerador a data de 30/06/2002, oportunidade em que foram negociados os imóveis e firmados os contratos e não 31/12/2002 como constam nos referidos autos de infração, razão pela qual impugnase tal data; ● a empresa PARAMOUNT GROUP INC (PARAMOUNT) em 10/06/20002 tornouse credora da empresa BRASMOUNT IMOBILIÁRIA LTDA (BRASMOUNT), pelo valor de R$ 1.374.000,00 em decorrência da alienação de imóveis, o que foi representado por notas promissórias em caráter pro soluto, de emissão da BRASMOUNT IMOBILIÁRIA LTDA.; ● Na mesma data a BRASMOUNT adquiriu de SHOOBAI FINANCE & INVESTMENT CORP. (SHOOBAI) diversos imóveis no valor total de R$ 4.674.000,00 emitindo notas promissórias recebidas pela vendedora também em caráter pro soluto; ● referidas aquisições estão suportadas por escrituras públicas, todas anexadas aos autos (fls. 584/643, 650/685 e 687/746) tendo os referidos imóveis sido registrados em seu ativo permanente como imóveis para locação, sendo a contrapartida creditada em conta do passivo circulante, conforme assinalado à fl. 891; ● em 10/06/2003, a empresa PARAMOUNT e a ora impugnante celebraram Instrumento Particular de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital, onde converteram o crédito acima no valor de R$ 1.374.000,00 em adiantamento para futuro aumento de capital social da impugnante, o que deveria ocorrer no prazo de 2 anos, sendo que a impugnante ficou desobrigada de promover a qualquer tempo o pagamento da referida quantia representada por notas promissórias, condicionando tal quitação à efetivação do aumento de capital (fls. 1092/1094); ● Em 10/06/2002, a SHOOBAI (tomadora) e a PARAMOUNT (mutuante) firmaram Contrato de Empréstimo no exterior, no valor de R$ 4.674.000,00, cujo teor foi objeto de tradução juramentada e de registro junto ao 5º Oficial de Registro de Títulos e Documentos (fls. 1095/1106); ● a PARAMOUNT firmou Instrumento Particular de Cessão de Crédito e Adiantamento para Futuro Aumento de Capital com a interessada, o crédito cedido foi o que a PARAMOUNT detinha Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.577 7 contra a SHOOBAI no valor de R$ 4.674.000,00 (fls. 1107/1110); ● Na mesma data, foi formalizado o Instrumento Particular de compensação de Créditos e dívidas entre a BRASMOUNT e a SHOOBAI, pois tais empresas eram, ao mesmo tempo, credoras e devedoras da importância de R$ 4.674.000,00 (fls. 1111/1112); ● após os lançamentos identificados à fl. 891, a BRASMOUNT passou a registrar em seu ativo, imóveis no valor total de R$ 6.048.000,00, tendo, em contrapartida, um passivo de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) com sua controladora PARAMOUNT, no mesmo valor (fls. 1113/1115); ● em 10/06/2004, as empresas PARAMOUNT e BRASMOUNT celebraram Instrumento Particular de Aditamento ao Adiantamento para Futuro Aumento de Capital realizado em 10/06/2002, no valor R$ 6.048.000,00 estipulando a prorrogação do prazo para 10/06/2010 (fls. 1117/1118); ● tais operações decorrentes de contratos escritos foram devidamente escrituradas e contabilizadas no anocalendário de 2002, conforme balanço patrimonial de 01/01/2002 a 31/12/2002 e balanços trimestrais do mesmo ano (fls. 1021/1023 e 1119/1134); ● em que pese a validade jurídica de tais contratos, existentes no sistema como ato jurídico perfeito e a justificação plena dos valores de R$ 1.374.000,00 e de R$ 4.674.000,00 foram os mesmos desconsiderados pela fiscalização sustentandose as imputações apenas por mera suspicácia pessoal da auditora fiscal; ● para serem desconsiderados os contratos (atos jurídicos) deveria ter sido percorrido o devido processo legal, demandandose a nulidade dos mesmos, o que não ocorreu, tendo a impugnante invocado os artigos 135, 81, 82, 145, 129, 130 e 131 do Código Civil; ● a vontade livremente manifestada pelas partes evolvidas no acordo, consubstanciase na criação de vínculos obrigacionais que terão força de lei entre os contratantes; ● o contrato é um negócio jurídico firmado entre duas ou mais pessoas, que acórdão sobre determinado objeto, estabelecendo entre elas obrigações e direitos não vedados pelo ordenamento jurídico, produzindo, destarte, uma norma jurídica individual que vincula as partes; ● em regra, não há rigor quanto à forma que os contratos devam obedecer para serem considerados válidos, conforme artigos 82, 129 e 1079 do Código Civil, e os contratos formados pela impugnante atendem a estes preceitos legais; ● Como prova das alegações da impugnante devem ser considerados os instrumentos particulares firmados e Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.578 8 apresentados à fiscalização, os quais foram anexados à impugnação às fls. 1092 a 112 e 117/118. Aliados a tais documentos, as escrituras públicas acostadas aos autos às fls. 584/643, 650/685 e 687/746, referentes às aquisições de imóveis, lavradas em 10/06/2002 também servem de prova a favor da contribuinte, invocando para tanto o artigo 215 do Código Civil, os artigos 6º e 7º da Lei nº 8.935/1994 e o artigo 364 do Código de Processo Civil Brasileiro; ● A impugnante no decorrer da fiscalização foi intimada a apresentar inúmeros documentos e, sempre atendeu prontamente a auditoria fiscal. Em nenhum momento a impugnante foi intimada a apresentar documentos de terceiros versados em língua estrangeira que comprovassem a origem dos recursos. Tal determinação seria repudiada, pois no nosso ordenamento jurídico não há previsão legal para a sua admissão. ● a impugnante apresenta o contrato de empréstimo firmado entre a PARAMOUNT e a SHOOBAI versado em língua estrangeira, devidamente traduzido por tradutor juramentado, o que atende a todas as exigências impostas pela legislação, notadamente pela Lei nº 6015/1973 (fls. 1095 a1106). Observa, ainda, que sob o aspecto da Lei de Registros Públicos (Lei nº 6015 de 31/12/73), devese atentar ao fato de que os documentos de procedência estrangeira devem ser registrados no Cartório de Títulos e Documentos, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições públicas, ou em qualquer Juízo ou Tribunal, ou perante terceiros; ● com base nos arts. 212, inciso III, 224, 157 e 13 do Código Civil e no artigo 13 do CPC, podese concluir que a prova contrária às condutas atribuídas à impugnante, consubstanciada em documento obtido no exterior, é robusta e suficiente para justificar a origem dos recursos, sendo que o valor intrínseco da mesma é de licitude incontestável; ● todos os valores aqui consignados, que deixaram de ser considerados pela fiscalização encontramse escriturados e contabilizados, conforme se depreende do balanço patrimonial de 01/01/2002 a 31/12/2002 (docs. de fls 1021 a 1024), em que se verifica à fl.1023 os EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS (AFAC – Paramount: R$ 5.606.947,05; Shoobai Finance & Investment C: 4.674.000,00; P.Restaurante 2000 S.Manuel: 7.000.000,00); ● o fato de não constar valores escriturados e contabilizados nas fichas 47B e 56B – outras informações, das DIPJ´s dos anos calendários (SIC) 2002 e 2003, consiste mera ausência formal de dados, que pode ser sanada a qualquer tempo, pois a escrituração e a contabilização de tais valores encontramse regularizadas nos balanços patrimoniais e no Livro Diário da impugnante; ● os institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito e da coisa julgada, albergados pelo artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, têm por escopo salvaguardar a Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.579 9 permanente eficácia dos direitos subjetivos e das relações jurídicas constituídas validamente sob a égide de uma lei. Das definições destes institutos extraíse a caracterização, no caso em tela, tanto do direito adquirido quanto do ato jurídico perfeito, pois os contratos firmados pela impugnante, perfazem atos que foram constituídos validamente sob a égide de uma lei válida (art. 6º da LICC); ● com a apresentação de tais provas documentais, o ônus da prova volta a ser do Fisco, do qual não se desincumbiu, razão pela qual tais valores merecem ser considerados como provados; ● para a desconsideração das escrituras e dos contratos firmados pela impugnante, a fiscalização deveria ter provado a não validade dos mesmos, o que certamente não ocorreu. E para a desconsideração dos contratos a fiscalização deveria ter submetido tais contratos ao devido processo legal. ● Caso houvesse qualquer indício de falsidade nos documentos apresentados, deveria ter sido instaurado inquérito policial para averiguações (com elaboração de laudos técnicos periciais), o que não ocorreu no caso em tela; ● se no próprio Inquérito Policial, presidido por autoridade competente não há formalização da acusação, restando apenas um relatório, que dará subsídios a instauração da ação penal, onde se buscará a condenação do acusado, não há que se falar em imputação de condutas fraudulentas, tipificadas pelo fisco como falsificação à impugnante, por mera análise feita pelos próprios auditores autuantes. Portanto, não há que se falar em condutas fraudulentas, ao menos por parte da impugnante, em relação aos contratos de adiantamento para futuro aumento de capital, cessão de créditos e compensação de créditos e dívidas; ● ou a fiscalização impugna através dos meios legais e do devido processo legal os diversos contratos apresentados como prova da origem dos recursos, ou aceita a comprovação da origem dos recursos e da destinação dos valores como verdadeira, pois salvo argüição específica de falsidade a ser realizada na forma do artigo 390 do CPC, tais alegações não são suficientes para desconsiderar a origem dos recursos; ● em relação ao valor de R$ 2.966.320,40, acrescentado à base de cálculo do lucro presumido, originário de diversos imóveis adquiridos (fls. 686), que a parcela no valor de R$ 166.320,40 tem como fato gerador a data de 10/10/2002, oportunidade em que foi negociado o imóvel e não em 31/12/2002 como consta no referido auto de infração ● as aquisições dos imóveis mencionados na relação de fls. 649 e 686, estão devidamente escrituradas e contabilizadas no Livro Diário do anocalendário de 2002, conforme balanço patrimonial de 01/01/2002 a 31/12/2002 e balanços trimestrais do anocalendário 2002 (docs. 1021/1024 e 1119/1134) e a origem dos recursos foram provenientes de empréstimos, adiantamentos e de diversas receitas operacionais e não Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.580 10 operacionais auferidas pela impugnante no anocalendário de 2002 e com disponibilidade, numerários e créditos contabilizados e existentes em 31/12/2002, conforme balanço patrimonial encerrado em 31/12/2001 (docs. fls. 1241/1244); ● o valor de R$ 7.000.000,00 acrescentado à base de cálculo do lucro presumido, originário de empréstimo tomado da empresa Posto e Restaurante 2000 de São Manoel Ltda., em março de 2002, mas, ocorre que desde 2000, a impugnante já havia contraído empréstimo no valor de R$ 7.000.000,00 junto ao Posto e Restaurante 2000 de São Manoel Ltda, já devidamente contabilizado, conforme se comprova através dos balanços patrimoniais encerrados em 31/12/2000, 31/12/2001, 31/03/2002 e 31/12/2002 (docs. fls. 1021/1024, 1135/1144, 1237/1240 e 1241/1244); ● para corroborar a comprovação da origem do recurso acima, a impugnante traz à colação o instrumento particular de mútuo celebrado com o Posto e Restaurante 2000 de São Manoel Ltda, datado de 01/03/2000 (fls. 1145/1147) ● em observância ao primado da busca da verdade material, deveria a auditora fiscal autuante ter promovido as diligências necessárias para demonstrar de forma cabal o lançamento efetuado, o que certamente não ocorreu; ● A fiscalização simplesmente desconsiderou os documentos fornecidos pela impugnante, violando o artigo 142 do CTN; ● a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio de provas; ● Toda verdade deve resistir à refutação. A prova, e preferencialmente a contraposição de provas, visa demonstrar a verdade ou a falsidade do significado de um enunciado. Por contraposição entendese a comparação do dado que se quer provar com outros que confirmem ou infirmem sua exatidão. A prova resultará da confirmação ou da concordância dos dados confrontados; ● Os princípios constitucionais podem ser condensados em duas grandes vertentes: a lei deve conter o desenho completo da imposição pretendida (princípio da estrita legalidade) e o tipo tributário não pode ser conformado fora dos contornos da lei (princípio da tipicidade fechada); ● Por tais razões o direito tributário brasileiro, por força da lei maior e de sua lei explicitadora, não admite a utilização de presunções, pois em face da dúvida pertinente à falta de desenho completo do fato gerador pretendido pelo sujeito passivo, não podem ser aplicadas sempre que se utilize de interpretações extensivas. Na dúvida – e sempre há parcela de dúvida nas Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.581 11 presunções, devese aplicar a interpretação mais favorável ao contribuinte; ● ficou claro que o Fisco deixou de seguir a regra do artigo 142, uma vez que deixou de efetuar o procedimento administrativo para verificar a ocorrência do fato gerador, baseandose apenas em SUPOSIÇÕES; ● A auditora fiscal autuante ignorou toda a escrituração contábil e a documentação fornecida pela impugnante, que ora se acosta à presente impugnação, onde há comprovação inequívoca da origem dos recursos, da escrituração do Livro Diário, escrituras públicas, contratos, documentos contábeis, que denotam o erro cometido na autuação; ● faltam aos pré questionados autos de infração, um mínimo de substrato fático, declarado, evidenciado ou motivado, que ensejem a instauração, válida e regular do correspondente procedimento fiscal, razão de se decretar a nulidade do procedimento fiscal adotado – tornandose sem efeito os autos de infração epigrafados. 3.6. A interessada, em sua impugnação à fl. 910, nos termos do artigo 16, inciso III, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/1972, requer seja efetuada diligência fiscal para a verificação de todos os elementos trazidos na peça de defesa. A impugnante, ao final de sua defesa, protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive perícias, diligências, vistorias, adiantamentos, juntada de documentos e, as que mais se fizerem necessárias. A Oitava Turma de Julgamento da DRJSPOI manteve parcialmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1618.506, de 11/09/2008 (fls. 1251/1275), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IRPJ. IRRF. PIS. COFINS. CSLL. Nos casos de lançamento de ofício, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.582 12 A omissão de receita é caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos creditados em conta bancária. Deve ser exonerada a parcela da exigência em que se comprovou referir se a depósito considerado em duplicidade, objeto de devolução (cheque), bem como, objeto de transferência entre contas do próprio contribuinte. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A constatação de infrações capituladas como presunções legais juris tantum, tem o condão de transferir o dever ou ônus probante da autoridade fiscal para o sujeito passivo da relação jurídicotributária, devendo este último, para elidir a respectiva imputação, produzir provas hábeis e irrefutáveis da não ocorrência da infração. IRPJ. OUTRAS RECEITAS. IMÓVEIS AQUISIÇÃO DE FORMA GRATUITA. A aquisição de imóveis de forma compensatória com direito creditório não comprovado por documentação hábil, autoriza que se considere que os imóveis foram adquiridos de forma gratuita, como doação. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre os lançamentos das contribuições PIS, COFINS e CSLL lançadas em decorrência da omissão de receitas apurada. Lançamento Procedente em parte. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 21/10/2008 (fls. 1296), tendo interposto recurso voluntário em 19/11/2008 (fls. 1297/1375). A recorrente repete no recurso voluntário, basicamente, as mesmas alegações contidas na peça impugnatória, as quais deixo de consignar por já terem sido exaustivamente descritas na decisão de primeira instância, anteriormente transcrita. A recorrente, agrega ainda as seguintes alegações ao recurso voluntário, em face da decisão proferida pela DRJSPOI:: A) Em relação à preliminar de decadência, quanto aos fatos geradores anteriores à 01/10/2002, sustenta que a decisão recorrida rejeitou a alegação por entender que “o processo se refere a lançamento de ofício, previsto no artigo 149 do CTN, o que por consequência segue o prazo decadencial insculpido no artigo 173 do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado e, não o artigo 150, § 4o do CTN, que é do fato gerador da obrigação tributária correspondente” e que “o entendimento adotado pela Ia Instância Administrativa não se coaduna com a ampla e pacífica jurisprudência, propalada pelo próprio Conselho de Contribuintes”. Sustenta, com base na doutrina e jurisprudência, que os lançamentos efetuados referemse à tributos sujeitos à lançamento por homologação e que, portanto, deveria ter sido observado, quanto ao prazo decadencial, a matriz legal do art. 150, § 4º do CTN, na medida em Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.583 13 que não restou configurado, no caso em tela, a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tanto que não foi aplicada ao lançamento a multa qualificada. B) Que teria ocorrido cerceamento do seu direito de defesa, tanto em relação à autuação fiscal quanto no julgamento de primeira instância, na medida em que “o auditor fiscal autuante infringiu o § único do artigo 142 do CTN, que determina ser a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional e, porque, a autoridade julgadora deixou de apreciar a matéria posta na defesa, sob o fundamento de que os contratos apresentados não teriam preenchido as formalidades exigidas na legislação civil”. Aduz ainda que, “em observância ao primado da busca da verdade material, deveria o auditor fiscal autuante ter intimado previamente a recorrente, concedendo lhe o prazo razoável, previsto na legislação que rege a matéria e posteriormente ter promovido as diligências necessárias para demonstrar de forma cabal o lançamento efetuado, o que certamente não ocorreu”. Em conclusão pede a anulação dos Autos de Infração. C) Reitera a necessidade de realização de diligência que seria “necessária para a verificação de todos os elementos trazidos na impugnação” e que, “porém, tal pleito foi afastado pela decisão recorrida, sob o fundamento de que a prova de tudo o que se encontra registrado em sua documentação contábil e fiscal caberia ao contribuinte e não poderia ser transferido tal ônus da prova ao julgador administrativo”. Alega que “a autoridade julgadora verificou apenas requisitos formais na elaboração dos contratos, sem ao menos adentrar no conteúdo dos mesmos e na verificação conjunta da escrita fiscal e contábil da recorrente”. Questiona “como pode a autoridade julgadora dar a valoração necessária as provas e indeferir de plano a realização de diligência”. Sustenta que ante os “fundamentos utilizados na r. decisão, não resta outra saída à recorrente, senão pleitear pela produção de prova pericial”. Para tanto, indica o profissional que deverá atuar como seu perito e formula os quesitos que deseja ver esclarecidos, in verbis: 1 De acordo com o que consta na decisão recorrida, a fiscalização deixou de lançar o valor de R$ 51.127,00 para lançar apenas R$ 5.127.00, apontado em 06/02/2003 como crédito de origem não comprovado na conta bancária mantida no HSBC? 2 Qual a diferença existente entre R$ 51.127,00 e R$ 5.127,00? 3 Se positiva a resposta do item 1, tal erro cometido pela fiscalização foi objeto de retificação do lançamento ? 4 Pode ser confirmado que a autoridade julgadora cometeu novo equívoco ao afirmar que o valor a ser tributado seria R$ 46.130,00 e não R$ 46.000,00 ? 5 Os valores de R$ 28.000,00 (18/03/2003 BB), R$ 1.675,33 (13/02/2003 HSBC), R$ 1.500,00 (14/02/2003 HSBC) e R$ 1.675,33 (25/03/2003 HSBC) não deveriam compor a base de cálculo do 1o Trimestre por trataremse de valores cuja origem teriam sido comprovadas pela recorrente, por tais valores terem sido lançados em duplicidade e, por não constarem do extrato? 6 Poderia o julgador compensar aquilo que deixou de tributar (R$ 46.000,00) com os valores efetivamente comprovados pela Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.584 14 contribuinte (R$ 28.000,00 (18/03/2003 BB), R$ 1.675,33 (13/02/2003 HSBC), R$ 1.500,00 (14/02/2003 HSBC) e R$ 1.675,33 (25/03/2003 HSBC)) e deixar como valor lançado o saldo restante desta "compensação" de R$ 13.279,34 ? 7 Se houve erro na composição da base de cálculo, a autoridade julgadora deveria retificar o lançamento ou anulálo? 8 Em relação ao cheque n° 03190355464, no valor de R$ 11.000,00 debitado/transferido em 22/01/2003 do Banco HSBC (doc. 29, fls. 139) para o Banco do Brasil na mesma data (doc. 48, fls. 174) deixou de ser considerado pela fiscalização e tampouco pelo julgador de 1a Instância, para a composição da base de cálculo? 9 Tal valor deveria ter sido excluído da base de cálculo, pois tratase de transferência entre contascorrentes e não pode ser tributado? 10 Já em relação ao cheque n° 24480011, no valor de R$ 11.000,00 depositado em 10/03/2003 no Banco HSBC (doc. 34, fls. 144) que foi devolvido/estornado o depósito em 11/03/2003 (doc. 34, fls. 144), também deixou de ser considerado pela fiscalização e tampouco pelo julgador de 1a Instância, que consideram o valor de R$ 11.000,00 como omissão de receita? Tal valor deveria ter sido excluído da base de cálculo? 11 Pode confirmar se: a) o total geral de depósitos /créditos dos 1o e 2o trimestres de 2003 foi de R$ 1.764.578,26 ? b) o total dos 1o e 2o Trimestres/2003 considerado como omissão de receita (B. Brasil e HSBC) Fls. 575/581 foi de R$ 1.398.723,22? c) se a receita bruta declarada no DIPJ /04 anocalendário 2003, Janeiro/junho2003) totalizou R$ 1.131.276,94? d) se o saldo de Numerários, Bancos e saldo em caixa, apurados em 31/12/2002, B. Brasil e HSBC foi de R$ 173.995,43? 12 Há possibilidade do valor total dos depósitos/créditos de ambas as instituições financeiras Janeiro/junho/2003) somar R$ 1.764.578,26, o valor declarado no DIPJ/04 do mesmo período ter sido R$ R$ 1.131.276,94, o saldo de Numerários, Bancos e saldo em caixa, apurados em 31/12/2002, B. Brasil e HSBC ser R$ 173.995,43 e o valor apurado pela Fiscalização como omissão ser de R$ 1.398.723,22, no período de janeiro/junho de 2003 ??? 13 Pode ser efetuado o mesmo comparativo nos demais períodos subsequentes (julho/dezembro/2003) ? 14 Na apuração dos depósitos/créditos de origem não comprovada a fiscalização deve, obrigatoriamente, deduzir os valores Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.585 15 declarados pelo contribuinte, sob pena de restar caracterizado excesso de exação? 15 Tal dedução foi observada no caso em tela ? 16 Estão devidamente documentados, escriturados e contabilizados nos livros contábeis da recorrente todos os valores que deixaram de ser considerados pela fiscalização conforme se depreende do balanço patrimonial de 01/01/2002 a 31/12/2002, inclusive declaradas na DIPJ entregue via internet, onde se verifica a título de EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS, o seguinte: AFAC PARAMOUNT R$ 5.606.947,05, SHOOBAI FINANCE & INVESTIMENT R$ 4.674.000,00 e POSTO RESTAURANTE 2000 SÃO MANUEL R$ 7.000.000,00? 17 O valor de R$ 2.966.320,40, originário de diversos imóveis adquiridos através de escrituras públicas de venda e compra de Rubens Geraldo P. Simões, Paulo Alberto Benes, Lik Park, Bufara de Freitas, Montego Holding e Gapsa, Francesco Paolo, Francisco Antônio Marcos Rodrigues e Ademir Bevervanso, estão devidamente documentados, escriturados e contabilizados nos livros contábeis da recorrente ? 18 O Sr. Perito pode informar se a origem dos recursos para a aquisição dos imóveis constantes no item supra, foram provenientes de empréstimos, adiantamentos e de diversas receitas operacionais e nãooperacionais auferidas pela recorrente no anocalendário de 2002 e com disponibilidade, numerários e créditos contabilizados e existentes em 31/12/2001, conforme balanço patrimonial encerrado em 31/12/2001? 19 Pode ser confirmado se a recorrente contraiu em 01/03/2000 o empréstimo no valor de R$ 7.000.000,00 junto ao Posto e Restaurante 2000 de São Manoel Ltda., e se tal valor já está devidamente contabilizado, nos balanços patrimoniais encerrados em 31/12/000, 31/12/2001, 31/03/2002 e 31/12/2002 ? 20 Está consignado nas contas a pagar nos balanços patrimoniais referidos no item anterior, o valor de R$ 7.000.000,00, a título de empréstimo decorrente do Posto e Restaurante 2000 de São Manoel Ltda., originário de instrumento particular de mútuo, celebrado em 01/03/2000? D) Com relação ao lançamento de omissão de receita apurada com base em depósitos de origem não comprovada, a recorrente alega que “em que pese a comprovação da origem dos citados valores, a decisão recorrida manteve parte dos lançamentos, sob o fundamento de que a referência pura e simples à documentação de fls. 1148/1202; 1021/1024 (demonstrações financeiras e DIPJ 2004 e 2003) em nada acrescentou a defesa, pois não teria apontado nem correlacionado qualquer depósito/ingresso a nenhum outro documento comprobatório da origem do depósito”. E) Alega ainda que, embora a decisão recorrida tenha reconhecido que parte do lançamento incidiu sobre valores indevidos, correspondentes à transferências entre contas, Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.586 16 valores estornados ou cheques devolvidos e ainda sobre lançamentos em duplicidade, deixou de considerar os demais elementos apresentados e ainda cometeu alguns equívocos, os quais descreve, in verbis: Frisese que no item 11. da decisão recorrida, a autoridade julgadora diz que a fiscalização se equivocou quando do lançamento do valor de R$ 5.127,00 apontado em 06/02/2003 como crédito de origem não comprovado na conta bancária mantida no HSBC, pois na verdade referiase a crédito no valor de R$ 51.127,00. Assim, o valor de R$ 46.130,00 é que deveria compor a base de cálculo do 1o Trimestre. Ao que parece já consta erro de cálculo na conclusão do julgador, pois de R$ 51.127,00 R$ 5.127,00, têmse R$ 46.000,00 e não R$ 46.130,00. No item seguinte (11.1) o julgador diz que os valores de R$ 28.000,00 (18/03/2003 BB), R$ 1.675,33 (13/02/2003 HSBC), R$ 1.500,00 (14/02/2003 HSBC) e R$ 1.675,33 (25/03/2003 HSBC) não deveriam compor a base de cálculo do 1o Trimestre por trataremse de valores cuja origem teriam sido comprovadas pela recorrente, por tais valores terem sido lançados em duplicidade e, por não constarem do extrato. Já no item 11.2, o julgador diz que em relação ao 1o trimestre do anocalendário de 2003 não haverá retifícação do lançamento do IRPJ e CSLL, uma vez que o valor lançado deixou de computar ainda uma parcela do depósito efetuado em 06/02/^03 valor de R$ 13.279,34. O julgador chegou a tal valor, utilizandose do seguinte cálculo: R$ 46.130,00 (quando o valor correto seria R$ 46.000,00) R$ 28.000,00 R$ ' 575,33 R$ 1.500,00 R$ 1.675,33 = R$ 13.279,34 (quando o correto seria R$ Í3.149,34. Ora, se houve erro na composição da base de cálculo, cometido pelo auditor fiscal autuante, o valor "esquecido" pelo mesmo não pode passar a compor a Base de cálculo do imposto, por simples "compensação" dos valores que tiveram sua origem comprovada e/ou que foram lançados indevidamente pela fiscalização, sem que tenha ocorrido a retifícação do lançamento. Tais cálculos não poderiam ter sido efetuados pelo julgador, que extrapolando o limite de sua atuação. Da mesma forma, o cheque n° 03190355464, no valor de R$ 11.000,00 debitado/transferido em 22/01/2003 do Banco HSBC (doc. 29, fls. 139) para o Banco do Brasil na mesma data (doc. 48, fls. 174) deixou de ser considerado pela fiscalização e tampouco pelo julgador de Ia Instância. Tal valor deveria ter sido excluído da base de cálculo, pois tratase de transferência entre contascorrentes e não pode ser tributado. O mesmo ocorreu com o cheque n° 24480011, no valor de R$ 11.000,00 depositado em 10/03/2003 no Banco HSBC (doc. 34, fls. 144) que foi devolvido/estornado o depósito em 11/03/2003 (doc. 34, fls. 144), que também deixou de ser considerado pela Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.587 17 fiscalização e tampouco pelo julgador de Ia Instância, que consideram o valor de R$ 11.000,00 como omissão de receita. Tal valor deveria ter sido excluído da base de cálculo. Tais fatos por si só caracterizam a inexatidão do lançamento e a nulidade da decisão de Ia Instância. F) A recorrente alega também que os valores utilizados pela fiscalização para compor a base de cálculo das omissões de receitas relativas à depósitos não justificados seriam desproporcionais à movimentação efetiva ocorrida e à receita declarada, tese que intenta demonstrar à título exemplificativo na peça recursal. Defende que “na apuração dos depósitos/créditos de origem não comprovada a fiscalização deve, obrigatoriamente, deduzir os valores declarados pelo contribuinte, sob pena de restar caracterizado excesso de exação, o que efetivamente ocorreu no caso em tela, daí porque a necessidade e indispensabilidade da perícia técnica contábil, para verificação exata dos valores lançados em detrimento aos valores declarados pelo contribuinte”. G) Aduz ainda que “para o desenvolvimento de suas atividades sociais, que estão diretamente relacionadas à locação e administração de bens, a recorrente optante pelo Lucro Presumido, recebia no anocalendário de 2003, inúmeras formas de pagamento, como por exemplo, cheques de terceiros, dinheiro, depósitos bancários, TED's, troca de cheques, etc, o que reflete a movimentação financeira constantes nos extratos e que estão em consonância com as declarações apresentadas pela mesma” e que “o mero fato de algum contribuinte haver efetuado depósitos em banco não é, por si só, comprobatório de que ele tenha auferido rendimentos tributáveis”. H) No que concerne à lançamento relativo à omissão de outras receitas não operacionais apuradas pela fiscalização e mantidos pela decisão de primeiro grau, a recorrente alega que “a autoridade julgadora manteve o entendimento adotado pelo agente fiscal autuante, sob o fundamento de que a aquisição dos imóveis seria inconteste; não teria havido fluxo de numerário para a aquisição dos imóveis; a origem do direito creditório não teria restado provada e, a operação (de aquisição de imóveis) teria contornos de doação. I) Sustenta ainda, nesta questão, que “para desconsiderar os contratos escritos firmados pela recorrente que conferem suporte documental e probatório às operações realizadas pela mesma, o fisco deixa de observar regras formais do instituto da "doação", como por exemplo a formalização do contrato escrito, etc, e em total discrepância do que foi sustentado pelo mesmo, exige, em sentido contrário ao contribuinte a formalidade exagerada que é estranha ao processo administrativo, para considerar como válido um contrato escrito, trazendo situações novas ao contribuinte, como por exemplo o rigor excessivo na identificação das testemunhas”. J) Alega que “o Fisco está se utilizando de dois pesos e apenas uma medida, pois ao considerar as operações como ´doação´ deixa de observar o formalismo exigido para a caracterização de tal instituto, consoante estabelecido nos artigos 1165, 1168 e seguintes do Código Civil, e em contrapartida para considerar como válidos os contratos anexados aos autos, que comprovam inequivocadamente (sic) a origem dos recursos nas aquisições dos imóveis, exige um formalismo exacerbado, um rigor exagerado consistente na exigência da subscrição por duas testemunhas e o registro público, o que por si só não teriam conferido aos documentos apresentados o valor probante necessário para afastar as conclusões do agente fiscal”. Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.588 18 K) A recorrente argumenta também que o julgador de primeira instância teria inovado no fundamento do lançamento ao “ao fundamentar a decisão na ausência de formalização dos contratos, notadamente no que diz respeito ao rigor formal imposto pela exigência de identificação das testemunhas e no registro público dos instrumentos”. L) Alega que teria apresentado na impugnação os documentos que comprovariam a existência do direito creditório que foi utilizado para a quitação da compra dos imóveis junto à alienante (Shoobay), mas o julgador de primeira instância “nem sequer verificou a existência e a validade do referido contrato e, impôs novas e absurdas condições para a validade dos contratos, e para que tais instrumentos pudessem ser considerados como prova das obrigações assumidas por terceiros, ou seja, que tivesse nos autos a identificação das testemunhas e o registro público dos contratos”. M) Com relação aos demais contratos, a recorrente sustenta “que a autoridade julgadora desconsiderou como prova das obrigações contraídas pela recorrente e que serviram de premissa para a não apreciação do outro contrato de empréstimo, firmado entre terceiros e que comprova toda a operação havida pela recorrente na aquisição dos imóveis, é utilizado o fundamento de que os mesmos não atenderam os requisitos formais exigidos pelo Código Civil. O suposto descumprimento de formalidades teria sido suficiente para que a autoridade julgadora deixasse de analisar o conteúdo de tais instrumentos, o que uma vez mais fere o princípio da busca da verdade material”. N) A argumenta também que “todos os contratos celebrados pela recorrente, consistentes em Adiantamento para Futuro Aumento de Capital, Cessão de Crédito e Adiantamento para Futuro Aumento de Capital, Compensação de Créditos e Dívidas, quanto à forma dos mesmos, são não solenes, podendo se revestir da forma escrita, pública ou particular. Não é da substância de tais contratos qualquer solenidade para a validade dos mesmos, bastando tão somente a prova da existência do contrato”. O) A recorrente alega que “mesmo que se ativéssemos ao aspecto meramente formal, o que se admite apenas por amor à argumentação, não seria razoável exigir o registro, porque a legislação que dispõe sobre os registros públicos (Lei n. 6015/1973) não impõe tal obrigatoriedade a estes contratos” e ainda que “a ausência do arquivamento do contrato no cartório competente não invalida a avença, não obstante seja o ato imprescindível apenas à OPONIBILIDADE a terceiros de boafé”. P) Com relação ao valor de R$ 1.374.000,00, que constou do lançamento como tendo ocorrido em 31/12/2002, a recorrente afirma que, na impugnação demonstrou que o fato gerador correto seria 30/06/2002, pois foi quando “foram negociados os imóveis e firmados os contratos e não 31/12/2002 como constam nos referidos autos de infração, o que foi acolhido pela autoridade julgadora”, mas que em que pese tal reconhecimento o julgador “menciona que as conclusões fiscais permanecem incólumes, no tocante a recebimento dos imóveis como doação e, que tal erro teria beneficiado o contribuinte com a redução de uma pequena parcela dos juros”. Ocorre que tal distinção é relevante, pois “ao confirmar que o fato gerador de tal operação é 30/06/2002 confirma que o mesmo está abrangido pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4o do CTN, uma vez que a recorrente foi notificada do auto de infração, somente em 11/12/2007”. Q) A recorrente sustenta que além dos instrumentos particulares apresentados “as escrituras públicas acostadas aos autos às fls. 584/643, 650/685 e 687/746, referentes às aquisições dos imóveis, lavradas em 10/06/2002 também servem de prova a favor do Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.589 19 contribuinte”, pois “não se tratam de simples documentos. As escrituras públicas, foram acostadas aos autos, onde constam expressamente a natureza jurídica da operação, os valores, o imóvel, as partes envolvidas, etc, são revestidas de fé pública”. R) Cita os artigos 215 e 364 do Código Civil que atribuem fé pública à escritura ou documento público, e que fazem prova “não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão ou o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença" concluindo que “diante de tais preceitos legais, as escrituras públicas existentes nos autos devem ser consideradas como prova a favor do contribuinte, pois espelham a realidade das aquisições dos imóveis, o que demonstra não trataremse de ´doações´”. S) Com relação aos valores acrescidos à base de cálculo, no montante de R$ 2.966.320,40, referente a diversos imóveis adquiridos através de escrituras públicas de venda e compra de Rubens Geraldo P. Simões, Paulo Alberto Benes, Lik Park, Bufara de Freitas, Montego Holding e Gapsa, Francesco Paolo, Francisco Antônio Marcos Rodrigues e Ademir Bevervanso, a recorrente argumenta que “as aquisições dos imóveis mencionados na relação de fls. 649 e 686, estão devidamente escrituradas e contabilizadas no Livro Diário do ano calendário de 2002, conforme balanço patrimonial de 01/01/2002 a 31/12/2002 e balanços trimestrais do anocalendário 2002 (fls. 1021/1024 e 1119/1134) e a origem dos recursos foram provenientes de empréstimos, adiantamentos e de diversas receitas operacionais e não operacionais auferidas pela recorrente no anocalendário de 2002 e com disponibilidade, numerários e créditos contabilizados e existentes em 31/12/2001, conforme balanço patrimonial encerrado em 31/12/2001 (fls. 1241/1244)”. Assim pede a anulação do lançamento nesta parte, “uma vez que restou demonstrado não se tratar de omissão de receita nãooperacional, mas sim de aquisições onerosas de imóveis, que foram incorporados ao ativo imobilizado da recorrente”. T) Finalmente, com relação ao valor de R$ 7.000.000,00, acrescido pela fiscalização á base de cálculo do lucro presumido, com base no empréstimo tomado da empresa Posto e Restaurante 2000 de São Manoel Ltda., em março de 2002, a recorrente alega que o referido empréstimo já havia sido contraído no ano de 2.000 e que já teria sido “devidamente contabilizado, conforme se comprova através dos balanços patrimoniais encerrados em 31/12/000, 31/12/2001, 31/03/2002 e 31/12/2002. (fls. 1021/1024, 1135/1144, 1235/1240 e 1241/1244)” e que “ para corroborar a comprovação da origem do recurso acima, a recorrente trouxe à colação o instrumento particular de mútuo celebrado com o Posto e Restaurante 2000 de São Manoel Ltda., datado de 01/03/2000. (fls. 1145/1147)”. U) Argumenta que “em que pese a demonstração inequívoca do empréstimo contraído pela recorrente, a autoridade julgadora deixou de apreciar o contrato, utilizandose dos mesmos fundamentos utilizados para os contratos que foram objeto do item anterior, pela simples ausência de requisitos formais, quanto a subscrição por duas testemunhas e o registro em cartório público, restringindose a fundamentação no fato de que o contrato carece das formalidades legais para surtir efeitos perante terceiros”. Protesta para que se aplique a este contrato os mesmo argumentos expendidos com relação aos demais instrumentos particulares apresentados como prova, requerendo o cancelamento da exigência também nesta parte. Ao final a recorrente requer o acolhimentos das alegações preliminares de cerceamento do direito de defesa, anulandose o lançamento e, subseqüentemente, da decadência dos créditos tributários lançados relativos aos fatos geradores ocorridos até Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.590 20 01/10/2002 e ainda, caso rejeitadas, no mérito seja provido o recurso e cancelado o lançamento. Na sessão realizada em 20 de outubro de 2011, resolveu o colegiado, por meio da Resolução nº 130200.123 converter o julgamento em diligência, solicitada nos seguintes termos: Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências: a) a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente deve: a.1) juntar ao presente processo cópia das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentadas pela recorrente relativas aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002; e a.2) juntar aos autos a relação de recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo relativos aos tributos IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, quanto aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002. a.3) Designar autoridade fiscal para: I verificar nos livros contábeis (Diário e Razão) do sujeito passivo a autenticidade e consistência dos lançamentos realizados conforme cópia do Livro Razão, juntadas às fls. 1025/1052, identificando se os valores registrados como recebidos na conta Alugueres a Receber (conta do passivo circulante), transitaram pelas contas de resultado (Receitas), bem como a forma de ingresso nas contas da empresa (Caixa ou Bancos), extraindo e anexando aos autos as cópias pertinentes. II – verificar se os lançamentos referidos no item I são amparados por documentação hábil e idônea, extraindo e anexando aos autos as cópias pertinentes; III verificar nos livros contábeis da recorrente do ano de 2000 se o contrato de mútuo no valor de R$ 7.000.000,00, firmado com a empresa Posto e Restaurante 2000 de São Manuel Ltda, com data de 1º de março de 2000 (fls. 1145/1147), foi efetivamente registrado naquela data, extraindo do livro Razão as cópias pertinentes das contas do livro Razão; e IV – verificar nos livros contábeis do ano de 2002 se houve novo registro contábil do empréstimo citado no item III, extraindo as cópias dos lançamentos pertinentes nas contas do Razão onde foram registrados. A autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá elaborar Relatório Fiscal sobre o fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes (inciso LV do art. 5º da Constituição da República). Em cumprimento à resolução a autoridade preparadora juntou aos autos cópias do extrato das DCTF’s apresentadas pela interessada no ano de 2002 (fls. 1794/1859) e extrato de pagamentos realizados no ano de 2002 (fls. 1860/1867). Além disso, foi designada autoridade fiscal para a realização das demais diligências, que efetuou as apurações solicitadas e juntou a documentação comprobatória Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.591 21 correspondente (fls. 1871 a 2562) e elaborou o relatório fiscal (fls. 2563/2565), da qual a interessada tomou ciência em 08/10/2012. A autoridade fiscal diligenciante apresentou as seguintes informações em seu relatório fiscal: · Com relação aos depósitos bancários, considerados como de origem não comprovada autoridade fiscal responsável pela diligência constatou que foram registrados na contabilidade como Receitas de Aluguel (conta 610160) o valor integral dos valores registrados na conta aluguéis a receber (conta 111236) e que os aluguéis recebidos eram baixados desta conta em contrapartida com as contas junto aos bancos do Brasil e HSBC. Anexou ao processo a documentação comprobatória correspondente. · No que concerne ao empréstimo obtido da empresa Posto e Restaurante 2000 de São Manuel Ltda a autoridade diligenciante anexou cópia do contrato e dos registros contábeis do ano de 2000 quando a operação foi registrada. Informou ainda que não constatou novo registro da operação no ano de 2002, apenas a manutenção da obrigação no balanço patrimonial da recorrente. A interessada não se manifestou sobre o relatório fiscal, retornando os autos a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.592 22 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço. A recorrente apresentou em se recurso voluntário duas questões preliminares: cerceamento de direito de defesa e decadência e, ainda, solicitou a realização de perícia, matérias que necessitam ser apreciadas antes de se adentrar ao mérito da exigência. 1. Cerceamento do direito de defesa Alega a interessada que teria ocorrido cerceamento do seu direito de defesa, tanto em relação à autuação fiscal quanto no julgamento de primeira instância, na medida em que “o auditor fiscal autuante infringiu o § único do artigo 142 do CTN, que determina ser a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional e, porque, a autoridade julgadora deixou de apreciar a matéria posta na defesa, sob o fundamento de que os contratos apresentados não teriam preenchido as formalidades exigidas na legislação civil”. Aduz ainda que, “em observância ao primado da busca da verdade material, deveria o auditor fiscal autuante ter intimado previamente a recorrente, concedendolhe o prazo razoável, previsto na legislação que rege a matéria e posteriormente ter promovido as diligências necessárias para demonstrar de forma cabal o lançamento efetuado, o que certamente não ocorreu”. Não vislumbro no presente caso a ocorrência de cerceamento do direito de defesa da recorrente, seja na fase instrutória do procedimento seja após a instauração do litígio. No que tange ao lançamento em si observo que a autoridade fiscal promoveu as apurações que entendeu necessárias e suficientes à caracterização das infrações que deram origem ao lançamento. Ainda que a autoridade lançadora possa ter se equivocado quanto aos fatos ou mesmo não tenha se aprofundado suficientemente quanto ao mérito das exigências, a recorrente, instaurada a fase litigiosa, teve a oportunidade ampla de produzir as provas que julgou cabíveis para demonstrar o equívoco do entendimento fiscal, sem qualquer restrição, de sorte que não houver qualquer cerceamento à sua defesa. Eventuais equívocos ou insuficiência de comprovação na realização do lançamento serão apreciados quando da análise de mérito dos argumentos da recorrente. Melhor sorte não reserva à questão levantada no que pertine ao julgamento de primeira instância. A realização de perícias ou diligências depende do juízo de prescindibilidade do julgador, nos termos do art. 18 do decreto nº 70.235/1972, que deverá fundamentar o seu indeferimento (art. 28, in fine). No caso concreto, o julgador de primeira instância considerou desnecessária a realização de diligências ou perícias, fundamentando a sua decisão no item 7 de seu voto. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.593 23 Assim, não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa alegado. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade levantada. 2. Da decadência parcial dos lançamentos A recorrente alega a ocorrência de decadência parcial dos lançamentos, em relação aos fatos geradores anteriores a 01/10/2002, uma vez que o lançamento foi realizado com a ciência da interessada em 11/12/2007 (fls. 752, 761, 770, 779), nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Assiste razão à recorrente quando esta fundamenta sua alegação no fato de que os tributos objeto de lançamento no presente processo tem a natureza daqueles que se convencionou chamar de sujeitos ao lançamento por homologação. Assim, pelo menos a princípio é de se observar o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. A interpretação quanto à aplicação do instituto da decadência à luz dos dispositivos do Código Tributário Nacional, que sempre foi objeto de grande controvérsia jurisprudencial, foi recentemente consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, no julgamento do recurso especial (REsp) 973.733/SC que observou o procedimento de recursos repetitivos (CPC, art. 543C, e Resolução STJ n. 08/2008), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.594 24 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. RESp 973.733/SC. Rel. Min. Luiz Fux. S1. J 12.08.09. DJe 18.09.2009) (grifo não constante no original) Como se vê do julgado acima, a aplicação do prazo previsto no § 4º do art. 150, mesmo para os tributos sujeito a lançamento por homologação, depende da existência de requisitos objetivos: 1) a ausência de dolo, fraude ou simulação do contribuinte; 2) a existência de pagamento antecipado, ainda que parcial e, 3) a declaração prévia do débito. O lançamento efetuado não apontou a existência de dolo, fraude ou simulação, tendo sido aplicada a multa de ofício padrão (75%) sobre os tributos lançados. Na diligência fiscal realizada, a autoridade preparadora anexou aos autos cópias de extratos da DCTF”s apresentadas pela interessada no ano de 2002 (fls. 1794/1859) e extrato de pagamentos realizados no ano de 2002 (fls. 1860/1867), demonstrandose que a Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.595 25 recorrente declarou débitos e efetuou os recolhimentos em todos os períodos de apuração nos quais ocorreram os fatos lançados no ano de 2002. Assim, tendo o lançamento sido efetuado em 11/12/2007, impõese o reconhecimento da decadência em relação ao IRPJ e à CSLL quanto aos fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2002, uma vez que a interessada optou pela apuração pelo lucro presumido. Com relação aos reflexos nas contribuições ao PIS e à Cofins, a decadência deve ser reconhecida quanto aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2002. Pelo exposto, reconheço a decadência parcial do lançamento, nos termos acima. 3. Da solicitação de perícia A recorrente solicitou a realização de perícia técnica, com indicação dos quesitos a serem analisados pelos peritos. Entendo ser dispensável tal providência, mormente tendo sido realizadas as diligências para elucidar as questões levantadas pela recorrente, que se referem à matérias fáticas cuja solução encontrase nos elementos juntados aos autos e os demais são questões afetas ao exclusivo juízo de convencimento dos julgadores, prescindindo assim da opinião de peritos. Ante ao exposto, indefiro o pedido de perícia, nos termos dos arts. 18 e 28, in fine, do Decreto nº 70.235/1972. 4. Do mérito 4.1 Omissão de Receitas: aquisição não onerosa de imóveis No Termo de Verificação (fls. 568/574), a autoridade fiscal identificou diversas aquisições de imóveis por parte da interessada, concluindo, após o exame da documentação apresentada, que os imóveis haviam sido adquiridos de forma não onerosa pela recorrente, ou seja, sob a forma de doação. Nos fatos descritos nos itens 1 a 13 do Termo de Verificação a recorrente descreve a aquisição de imóveis de empresas situadas no exterior (SHOOBAY E PARAMOUTN), nos valores de R$ 1.374.000,00 e R$ 4.674.000,00 e, após examinar as escrituras e contratos apresentados pela interessada, concluiu que os mesmos tinham sido adquiridos de forma não onerosa, ou seja, haviam sido recebidos por doação, uma vez que não houve pagamento para as empresas vendedoras, pois os valores devidos foram tratados como Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital (AFAC), por parte de uma delas (PARAMOUNT), que também é sua controladora. Na sequência do termo, em seu item 14, a autoridade fiscal afirma que em relação aos demais imóveis, adquiridos em 2002, no valor total de 2.966.320,40, a contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos recursos para estas operações imobiliárias. Registra ainda, no item 15 e 16 do Termo de Verificação, que a empresa interessada teria contraído um empréstimo de R$ 7.000.000,00 junto a empresa Posto e Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.596 26 Restaurante 2000 de São Manoel Ltda, e que a interessada não apresentou comprovação da efetiva entrega dos recursos pela mutuante. No item 17 do Termo de Verificação a autoridade fiscal concluiu que “os valores acima (itens 14 a 16) agregamse aos valores advindos da SHOOBAY E PARAMOUNT para justificar a compra dos imóveis, já que nenhuma documentação foi apresentada e aquisição dos imóveis ocorreu sem obrigação do pagamento espécie’. No item B do Termo de Verificação a autoridade fiscal analisa, à luz da legislação, as operações que considerou como aquisição não onerosa de imóveis, entendendo “que ficou caracterizada a omissão de receita não operacional, em virtude da aquisição não onerosa de imóveis, os quais foram incorporados ao patrimônio do contribuinte no ano de 2002, no valor contabilizado de R$ 16.014.320,40 (...)”. A autuação relativa ao IRPJ e à CSLL considerou os fatos geradores ocorridos nas seguintes datas e valores: 31/03/2002 R$ 7.000.000,00 31/03/2002 R$ 50.000,00 31/03/2002 R$ 1.500.000,00 30/06/2002 R$ 100.000,00 30/06/2002 R$ 1.150.000,00 30/06/2002 R$ 4.674.000,00 31/12/2002 R$ 1.374.000,00 31/12/2002 R$ 166.320,40 Os autos de infração relativos ao PIS e à Cofins, considerou os fatos geradores ocorridos nas seguintes datas e valores: 31/01/2002 R$ 7.050.000,00 31/03/2002 R$ 1.500.000,00 30/04/2002 R$ 100.000,00 31/05/2002 R$ 1.150.000,00 30/06/2002 R$ 4.674.000,00 31/10/2002 R$ 1.540.320,40 A recorrente alega que o valor de 1.374.000,00 foi equivocadamente lançado no mês de dezembro de 2002 (para fins de IRPJ e CSLL) e 31/10/2002 (para fins de PIS e Cofins), pois a operação de aquisição do imóvel respectivo ocorreu em junho de 2002. Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.597 27 A decisão recorrida reconheceu o equívoco, mas não vislumbrou efeitos no lançamento, entendendo que a recorrente teria inclusive se beneficiado com o erro da autoridade fiscal, in verbis: 19. No que se refere ao valor de R$ 1.374.000,00, há de se dar razão à interessada quando impugna a data da ocorrência da negociação dos imóveis no total desta cifra considerada no lançamento (31/12/2002). Ocorre que a transferência dos imóveis (considerados como recebidos por doação), no valor de R$ 1.374.000,00 tem como fato gerador a data de 10/06/2002, como informam os documentos de fls. 644/649 c/c os de fls.650 a 685. 19.1. Por outro lado, conforme já assinalado acima, permanecem incólumes as conclusões fiscais no tocante ao recebimento (pela contribuinte interessada) dos imóveis como doação. Não há duvidas de que a cifra de R$ 1.374.000,00 deve compor a base de cálculo do IR e da CSLL. O equívoco na indicação da data do fato gerador como sendo 31/12/2002, ao invés de 30/06/2002, na verdade, favoreceu o contribuinte, na medida em que uma pequena parcela dos juros de mora deixarão de ser cobrados. Não há, entretanto, diferença de cálculo em relação aos tributos e correspondente multa de ofício. 19.2. Embora aparentemente a inconformidade do contribuinte tenha se limitado às autuações do IR e da CSLL, impende observar que, em relação às contribuições PIS e COFINS, a data do fato gerador considerada no lançamento para a doação no valor de R$ 1.374.000,00 foi 31/10/2002 (fls. 763 e 771). Também nos lançamentos das contribuições PIS e COFINS, o equívoco na indicação da data do fato gerador causou prejuízo ao erário e não há diferença em relação ao valor das contribuições lançadas. 19.3. Deste modo, tendo em vista que o equívoco na indicação da data do fato gerador acarretou tributação menos onerosa à contribuinte e, considerandose, ainda a impossibilidade sob o aspecto temporal para se retificar o lançamento, deve permanecer inalterada a exigência a título da doação recebida no valor de R$ 1.374.000,00. Não obstante a conclusão da autoridade julgadora de primeira instância, o equívoco perpetrado tem sim influência no deslinde da controvérsia, na medida em que reconhecemos a preliminar de decadência parcial do lançamento para os fatos geradores do IRPJ e CSLL ocorridos até o terceiro trimestre de 2002 e até o mês de novembro de 2002 para o PIS/Cofins. Desta feita, restam extintos pela decadência todos os lançamentos de IRPJ e CSLL realizados a título de omissão de receitas não operacionais pela aquisição não onerosa de imóveis (incluindo o valor de R$ 1.374.000,00), com exceção do valor lançado em 31/12/2002, pela aquisição do imóvel no valor de R$ 166.320,40. Com relação ao PIS e a Cofins, restam extintos pela decadência todos os lançamentos realizados a título de omissão de receitas não operacionais pela aquisição não onerosa de imóveis, uma vez que o imóvel no valor de R$ 166.320,40 foi adquirido em outubro de 2002. Resta, portanto, examinar quanto ao mérito o lançamento do IRPJ e CSLL efetuado em face da aquisição do imóvel no valor de R$ 166.320,40, realizado em 10/10/2002, conforme Escritura Pública de Compra e Venda (fls. 741/742) e Matrícula de Registro de Imóveis (fls. 743/744). Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.598 28 De acordo com os documentos públicos de transferência anexados aos autos o imóvel foi vendido por Ademir Bevervanso e sua mulher, que declararam ter recebido o valor da venda “em moeda nacional, contada e achada exata, cuja quantia total os vendedores dão a mais ampla, geral e irrevogável quitação”. A fiscalização afirma que a interessada, uma vez intimada, não comprovou a origem dos recursos para a aquisição do imóvel, vindo a concluir que também esta aquisição foi feita de forma não onerosa pela recorrente, mediante doação. A autoridade fiscal não trouxe ao autos nenhum elemento que pudesse desconstituir a validade das informações constantes dos documentos públicos que relatam ter havido uma operação de compra e venda entre as partes, com a quitação total do preço. Com a devida vênia, o fato da recorrente não ter comprovado a origem dos recursos para aquisição do imóvel não tem o condão de desnaturar a operação de compra e venda. Tal fato, quando muito poderia configurar, a depender de outros elementos de comprovação, a falta de escrituração do pagamento e/ou da aquisição do bem, o que caracterizaria presunção de omissão receitas por pagamento não escriturado. Todavia, não foram estes os fundamentos do lançamento nesta parte, e ainda que existissem elementos nos autos para configurar outra infração, não caberia ao julgador corrigir ou adequar o lançamento de ofício para amoldálo aos fatos. Mas, repitase, nem este é o caso dos autos. A acusação fiscal foi a de que a recorrente recebeu o imóvel em doação, o que não se sustenta com os elementos trazidos as autos. Ante ao exposto, voto no sentido de cancelar o lançamento do IRPJ e CSLL o valor remanescente de R$ R$ 166.320,40, relativo à infração imputada como omissão de receitas pela aquisição na onerosa de imóveis. 4.2 Omissão de receitas: Depósitos Bancários de Origem não comprovada Com relação à infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a recorrente trouxe aos autos diversos documentos nas quais buscou correlacionar os depósitos e créditos bancários, especialmente na conta junto ao banco HSBC, com valores a título de aluguéis à receber. Tendo em vista a necessidade de verificar se as receitas com aluguéis haviam sido devidamente registradas, entendemos a necessidade de realização de diligência, nestes termos: Outrossim, compulsando os autos e analisando os elementos apresentados pela recorrente junto com sua impugnação (fls. 868 a 1.244) verifiquei que esta trouxe alguns documentos aos autos visando a identificar a origem de diversos créditos bancários junto ao Banco HSBC (extratos às fls. 1056/1091), correlacionandoos com aluguéis recebidos e contabilizados na conta do livro Razão denominada: Alugueres a Receber (fls. 1025/1052) e que foram demonstrados na planilha às fls. 1053/1055. Os elementos apresentados me parecem consistentes e serviriam, a princípio, para infirmar, pelo menos parcialmente, o lançamento de omissão de receitas apurado com base em créditos bancários de origem não comprovada. Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.599 29 Ocorre que foram juntados aos autos apenas partes do livro Razão pela autuada, não sendo possível aferir sua autenticidade e consistência com os demais lançamentos contábeis dos fatos registrados (recebimentos via Caixa ou Bancos, reconhecimento da respectiva receita de alugueres, etc), na medida em que tampouco a fiscalização efetuou a juntada de cópias dos livros diários apresentados no decorrer da fiscalização (vide resposta ao Termo de Inicio de Fiscalização – fls. 563). Na diligência realizada a autoridade fiscal constatou que foram registrados na contabilidade como Receitas de Aluguel (conta 610160) o valor integral dos valores registrados na conta aluguéis a receber (conta 111236) e que os aluguéis recebidos eram baixados desta conta em contrapartida com as contas junto aos bancos do Brasil e HSBC. Em vista de tal informação, cotejamos os documentos apresentados pela recorrente (fls. 868/1244) e os colhidos na diligência realizada e verificamos que a maior parte dos valores creditados na conta corrente bancária junto ao HSBC, considerados como de origem não comprovada pela fiscalização teve como origem o recebimento de receitas com aluguéis devidamente escrituradas e tributadas. Os montantes mensais justificados são os seguintes: MÊS VLR LANÇADO VALOR JUSTIFICADO COM ALUGUÉIS JANEIRO 18.199,99 18.199,99 FEVEREIRO 39.327,65 39.327,65 MARÇO 37.644,19 24.968,86 ABRIL 100.263,72 98.552,72 MAIO 60.819,86 49.796,46 JUNHO 22.958,31 22.958,31 JULHO 39.689,16 39.689,16 AGOSTO 31.261,46 31.261,46 SETEMBRO 122.999,79 116.259,57 OUTUBRO 93.778,30 80.244,88 NOVEMBRO 49.180,98 34.433,80 DEZEMBRO 31.470,97 24.652,25 TOTAIS 647.594,38 580.345,11 Além disso, constatamos que alguns valores se referiam a cheques depositados e posteriormente devolvidos e ainda que alguns lançamentos, considerados sem origem pelo Fisco, não existiam nos extratos bancários, conforme abaixo indicado: DATA DO CRÉDITO VALOR MOTIVO PARA EXCLUSÃO 10/03/2003 11.000,00 Cheque depositado e devolvido (fls. 1062) 25/03/2003 1.675,33 Lançamento não existe no extrato (fls.1063) 21/10/2003 1.112,21 Cheque depositado e devolvido (fls. 1086) 27/10/2003 1.112,21 Cheque depositado e devolvido (fls. 1086) 06/11/2003 3.877,42 Lançamento não existe no extrato (fls.1088) Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.600 30 17/11/2003 1.126,15 Cheque depositado e devolvido (fls. 1089) 20/11/2003 2077,46 Cheque depositado e devolvido (fls. 1089) 15/12/2003 3.270,00 Cheques depositados e devolvidos (fls. 1091) 29/12/2003 3.548,72 Cheque depositado e devolvido (fls. 1091) A decisão de primeiro grau já havia excluído alguns valores creditados na conta junto ao HSBC, considerados de origem não comprovada pelo Fisco. Desta feita permanecem como não justificados os seguintes créditos na conta corrente junto ao HSBC: DATA DO CRÉDITO VALOR JUSTIFICATIVA 01/04/2003 1.711,00 Não identificada a origem 05/09/2003 4.139,56 Não identificada a origem 02/10/2003 9.047,00 Não identificada a origem 14/10/2003 2.262,00 Não identificada a origem 12/11/2003 3.270,00 Não identificada a origem Assim, resta apurada a seguinte situação em relação aos valores creditados junto ao banco HSBC e tidos como créditos não justificados no lançamento fiscal: RESUMO DOS CRÉDITOS EXCLUIDOS BANCO HSBC – 2003 MÊS VLR. LANÇADO EXLUIDO PELA DRJ JUSTIFICADO ALUGUÉIS CHEQUE DEVOLVIDO LANCTO. INEXISTENTE VLR. MANTIDO VLR. A EXCLUIR JANEIRO 18.199,99 18.199,99 18.199,99 FEVEREIRO 39.327,65 39.327,65 39.327,65 MARÇO 37.644,19 24.968,86 11.000,00 1.675,33 0,00 37.644,19 ABRIL 100.263,72 98.552,72 1.711,00 98.552,72 MAIO 60.819,86 11.023,40 49.796,46 49.796,46 JUNHO 22.958,31 22.958,31 22.958,31 JULHO 39.689,16 39.689,16 39.689,16 AGOSTO 31.261,46 31.261,46 31.261,46 SETEMBRO 122.999,79 2.600,66 116.259,57 4.139,56 116.259,57 OUTUBRO 93.778,30 80.244,88 2.224,42 11.309,00 82.469,30 NOVEMBRO 49.180,98 4.396,15 34.433,80 3.203,61 3.877,42 3.270,00 41.514,83 DEZEMBRO 31.470,97 24.652,25 6.818,72 0,00 31.470,97 TOTAIS 647.594,38 18.020,21 580.345,11 23.246,75 5.552,75 20.429,56 609.144,61 Com relação aos créditos bancários na conta junto ao Banco do Brasil identificamos que o valor de R$ 28.000,00, creditado em 18/03/2003 foi proveniente de transferência da conta do mesmo titular junto ao Banco HSBC, devendo também ser excluído da autuação. Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.601 31 A decisão de primeiro grau já havia identificado esta transferência, mas não procedeu à exclusão por entender que no mês a fiscalização havia incluído um crédito sem origem por valor inferior ao registrado no extrato e promoveu a compensação entre os valores. Entendo que tal procedimento foi equivocado. De qualquer sorte, o valor em questão, que havia sido creditado na conta do HSBC naquele mês, também teve sua origem comprovada, de modo que não haveria mais motivo para a dita compensação feita pelo acórdão recorrido. Assim, o valor de R$ 28.000,00 também deve ser excluído da base de cálculo do lançamento relativo ao primeiro trimestre de 2003 (IRPJ e CSLL) e do mês de março/2003 (PIS e Cofins). Enfrentados os aspectos fáticos, cumpre, na sequência, apreciar os argumentos da recorrente contrários à utilização dos depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada, como signo de auferimento de renda. O lançamento baseouse na Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, que estabelece: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A Súmula no 182 do TFR é anterior à citada lei, não se aplicando após sua edição. O mesmo acontece com o acórdão citado pela recorrente. A despeito da opinião contrária da recorrente, tratase de uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destacase que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. A comprovação da origem dos valores depositados em contacorrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contascorrente, entendendo que não restou comprovada essa origem durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou caracterizada. Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.602 32 A recorrente, por sua vez, pode demonstrar em sua defesa que parte dos recursos depositados era proveniente de suas receitas declaradas, o que levou ao cancelamento de parte do lançamento, como anteriormente analisado. Assim, é descabido qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados, devendo ser mantida a exigência em relação aos valores creditados em contas bancárias, cuja origem não restou comprovada. Ante ao exposto, voto no sentido de cancelar parcialmente o lançamento de omissão de receitas apuradas com base em créditos bancários de origem não comprovada, mediante a exclusão da base de cálculo dos tributos lançados (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), nos períodos e montantes abaixo indicados: RESUMO DOS CRÉDITOS A EXCLUIR DO LANÇAMENTO ANO 2003 MÊS VLR A EXCLUIR HSBC VLR A EXCLUIR B.BRASIL TOTAIS MENSAIS A EXCLUIR B/C: PIS/COFINS TOTAIS A EXCLUIR POR TRIMESTRE B/C: IRPJ/CSLL JANEIRO 18.199,99 18.199,99 FEVEREIRO 39.327,65 39.327,65 MARÇO 37.644,19 28.000,00 65.644,19 123.171,83 ABRIL 98.552,72 98.552,72 MAIO 49.796,46 49.796,46 JUNHO 22.958,31 22.958,31 171.307,49 JULHO 39.689,16 39.689,16 AGOSTO 31.261,46 31.261,46 SETEMBRO 116.259,57 116.259,57 187.210,19 OUTUBRO 82.469,30 82.469,30 NOVEMBRO 41.514,83 41.514,83 DEZEMBRO 31.470,97 31.470,97 155.455,10 TOTAIS 609.144,61 28.000,00 637.144,61 637.144,61 5. Conclusão Por todo o exposto, voto por acolher a preliminar de decadência em relação ao aos fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos nos três primeiros trimestres de 2002, e aos fatos geradores do PIS e à Cofins ocorridos até o mês de novembro de 2002; e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar integralmente o lançamento referente a omissão de receitas efetuado do anocalendário: 2002, com base na aquisição não onerosa de imóveis (subitem 4.1 do voto) e, parcialmente o lançamento referente ao anocalendário 2003, decorrente de omissão de receitas apuradas com base em créditos bancários de origem não comprovada, reduzindo a base tributável nos períodos e montantes indicados no subitem 4.2 desse voto. Sala de Sessões, em 10 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 19515.004220/200715 Acórdão n.º 1302001.205 S1C3T2 Fl. 2.603 33 Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /10/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 27/10/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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Numero do processo: 13161.720177/2007-18
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA NÃO TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ART. 2º LEI Nº 4.771/65. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO.
A área de preservação permanente para ser dedutível da área do imóvel deve estar descrita em Laudo Técnico, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos das normas da ABNT, acompanhado de mapas ou croquis, que permitam identificar e mensurar as faixas de proteção aos recursos naturais exigidas por Lei, observadas as informações do ADA e da DITR, referentes ao mesmo exercício.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUB-AVALIAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS TÉCNICOS. DEFICIÊNCIA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA.
A autoridade fiscal está legalmente autorizada a utilizar o VTN por aptidão agrícola constante do SIPT quando o valor da terra nua, informado na DITR ou apurado no laudo, não refletir o preço praticado no mercado de imóveis rurais e não apresentarem o nível de certeza e de confiabilidade adequados à finalidade tributária. É que laudo elaborado em desacordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, desacompanhado de comprovantes de pesquisas de preços contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade mínima exigível e, comprovadamente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento.
Numero da decisão: 2201-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 500,0 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
EDITADO EM: 12/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Marcio de Lacerda Martins e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ÁREA NÃO TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ART. 2º LEI Nº 4.771/65. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. A área de preservação permanente para ser dedutível da área do imóvel deve estar descrita em Laudo Técnico, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos das normas da ABNT, acompanhado de mapas ou croquis, que permitam identificar e mensurar as faixas de proteção aos recursos naturais exigidas por Lei, observadas as informações do ADA e da DITR, referentes ao mesmo exercício. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUB-AVALIAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS TÉCNICOS. DEFICIÊNCIA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. A autoridade fiscal está legalmente autorizada a utilizar o VTN por aptidão agrícola constante do SIPT quando o valor da terra nua, informado na DITR ou apurado no laudo, não refletir o preço praticado no mercado de imóveis rurais e não apresentarem o nível de certeza e de confiabilidade adequados à finalidade tributária. É que laudo elaborado em desacordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, desacompanhado de comprovantes de pesquisas de preços contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade mínima exigível e, comprovadamente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ART. 2º LEI Nº 4.771/65. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. A área de preservação permanente para ser dedutível da área do imóvel deve estar descrita em Laudo Técnico, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos das normas da ABNT, acompanhado de mapas ou croquis, que permitam identificar e mensurar as faixas de proteção aos recursos naturais exigidas por Lei, observadas as informações do ADA e da DITR, referentes ao mesmo exercício. VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS TÉCNICOS. DEFICIÊNCIA. SIPT. APTIDÃO AGRÍCOLA. A autoridade fiscal está legalmente autorizada a utilizar o VTN por aptidão agrícola constante do SIPT quando o valor da terra nua, informado na DITR ou apurado no laudo, não refletir o preço praticado no mercado de imóveis rurais e não apresentarem o nível de certeza e de confiabilidade adequados à finalidade tributária. É que laudo elaborado em desacordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, desacompanhado de comprovantes de pesquisas de preços contemporâneos ao do ano base do lançamento, em quantidade mínima exigível e, comprovadamente, com as mesmas características do imóvel em pauta e da mesma região de sua localização, que justificariam o reconhecimento de valor menor, não constitui elemento de prova suficiente para rever o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 77 /2 00 7- 18 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720177/200718 Acórdão n.º 2201002.217 S2C2T1 Fl. 245 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 500,0 hectares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. EDITADO EM: 12/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia, Marcio de Lacerda Martins e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Emitida Notificação de Lançamento para exigir do contribuinte acima identificado o crédito tributário de R$573.240,99 referente ao ITR exercício 2004, sendo R$258.170,15 de imposto, R$193.627,61 de multa de ofício e R$121.443,23 de juros de mora (47,04% calculados até 28/12/2007). Da DITR/2004 O contribuinte apresentou declaração ITR, exercício 2004, do imóvel rural denominado Fazenda Porto Alice, localizado no município de Rio Brilhante – MS, com 1.960,0 hectares de área total, sendo 500,0 hectares de área de preservação permanente, 392,0 hectares de reserva legal e 8,0 hectares com as benfeitorias resultando em área aproveitável de 1.060,0 hectares, 100% aproveitada com pastagens. Avaliou o imóvel em R$2.115.000,00 apurando VTN de R$784.000,00 e imposto devido de R$1.281,36. Do lançamento As áreas de preservação permanente de 500 hectares e de reserva legal de 392 hectares, informadas pelo contribuinte na DITR, não foram comprovadas. Não foram apresentados o Ato Declaratório Ambiental (ADA) e o Laudo Técnico com a descrição e localização dessas áreas. Assim, a área tributável do imóvel foi alterada de 1.068,0 hectares para 1.960,0 hectares e sua área aproveitável de 1.060,0 hectares para 1.952,0 hectares. Com essa alteração, o grau de utilização caiu de 100% (informado) para 54,3%, indicando alíquota de 3,40%. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720177/200718 Acórdão n.º 2201002.217 S2C2T1 Fl. 246 3 O valor da terra nua (VTN) avaliado pelo contribuinte na DITR foi considerado subavaliado em relação ao VTN médio por aptidão agrícola do Sistemas de Preços de Terras – SIPT para o Município de Rio Brilhante/MS (fl. 7). Assim, o VTN foi alterado de R$784.000,00 para R$7.630.926,80 obtido da seguinte forma: Área total do imóvel x VTN médio/ hectare (aptidão agrícola “outras”) = R$3.893,33 x 1.960,0 hectares. Com as alterações o Grau de utilização alcançou 54,3% e alíquota de 3,40% sobre o VTN tributável de R$7.630.926,80 que resultou no imposto de R$258.170,15. Da Impugnação O contribuinte impugnou o lançamento apresentando, às fls. 143 a 147, as razões de fato e de direito a seguir resumidas. Cerceamento de defesa provocado pela desconsideração dos documentos que apresentou após a intimação inicial e nulidade do lançamento por vício formal e valor confiscatório do imposto apurado. Requer que sejam analisados os laudos protocolados tempestivamente junto à Receita Federal de Campo Grande/MS. Da decisão de 1ª instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE) julgou a impugnação parcialmente procedente e por meio do Acórdão 0418.787 relacionou as razões de fato e de direito que justificaram a decisão. Afastadas as preliminares de cerceamento de defesa e de nulidade pela falta de anuência prévia do contribuinte quando do lançamento, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo. As alegações de inconstitucionalidade por possível violação ao princípio do não confisco não foram examinadas porque fogem à competência dos órgãos administrativos. Restabelecida a área de reserva legal de 392,0 hectares uma vez comprovada a sua averbação nas matrículas do imóvel e informada no ADA entregue em 2002. Mantida a glosa da área de preservação permanente por não ter sido suficientemente comprovada pelo Laudo apresentado. Ausentes elementos que indicassem a localização de cada área protegida dentro do imóvel, as dimensões e as características especificadas nos arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 1965. Quanto ao VTN, o contribuinte apresentou Laudo de avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo, estipulando o VTN de R$736.442,88. Entretanto, as autoridades julgadoras consideraram o documento ineficaz para modificar o VTN aplicado no lançamento, pois não foi elaborado em conformidade com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT sem os requisitos mínimos para o objetivo proposto. Recurso Voluntário Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720177/200718 Acórdão n.º 2201002.217 S2C2T1 Fl. 247 4 Cientificado em 30/10/2009, AR fl. 193, o contribuinte apresentou, em 27/11/2009, o Recurso Voluntário de fls. 194 a 207, acompanhado dos documentos de fls. 208 a 240, requerendo a reforma da decisão de 1ª instância com os argumentos resumidos a seguir. Quanto à área de preservação permanente, o recorrente considera suficiente a comprovação realizada por meio do ADA (fl.212), que confirma a DITR. Junta documentos emitidos por autoridades ambientais que atestam a existência de áreas de preservação permanente na propriedade como o leito maior sazonal e as áreas de inundação. (fls. 213 a 216). Considera não justificada a exigência dos julgadores que o Laudo Técnico discrimine detalhadamente as áreas classificadas de preservação permanente, pois as próprias autoridades ambientais não exigem tal discriminação. Questiona a legalidade e a validade da tabela SIPT que é aplicada de forma unilateral pela RFB sem permitir ao contribuinte conhecer a metodologia, precisão, os dados em que se baseia para aferir preços de imóveis rurais. Requer que o VTN deve ser o constante do Laudo de avaliação apresentado. Informa, ainda, que refez os cálculos do ITR devido com o restabelecimento das áreas de reserva legal e preservação permanente e o VTN arbitrado. Efetuou o recolhimento do imposto apurado com os descontos de 100% da multa de ofício e de 45% dos juros de mora previstos na Lei nº 11.941, de 2009. DARF juntado à fl. 240. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele conheço. Rejeito, por desnecessária, a perícia solicitada pelo recorrente face às conclusões que são relatadas adiante relacionadas à área de preservação permanente. O lançamento foi submetido ao julgamento de primeira instância que considerou comprovada a área destinada à Reserva legal a partir das averbações comprovadas no registro do imóvel que ratificaram as áreas informadas na DITR e no ADA entregue em 2002. Entretanto, foram mantidos a glosa da área de preservação permanente e a alteração do VTN declarado pelo VTN apurado com dados do SIPT. No recurso voluntário, o contribuinte informa que a área de preservação permanente está distribuída no imóvel protegendo os recursos naturais, da seguinte forma: a) 113,8 hectares de mata ciliar para proteção das margens do Rio Brilhante, considerando 100 metros ao longo do rio; b) 13,0 hectares de mata ciliar para proteção das margens dos córregos Gabiru, Félix Cuê e Vitória, considerando 30 metros ao longo dos referidos córregos e Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720177/200718 Acórdão n.º 2201002.217 S2C2T1 Fl. 248 5 c) 373,2 hectares preservados em função da área de leito maior sazonal. O Laudo Técnico Ambiental apresentado pelo interessado (fls. 18 a 23) faz uma referência genérica à área de preservação permanente, limitandose a informar que, após a entrega do ADA2002, não foi realizada nenhuma atividade/exploração que alterasse as condições ambientais da Fazenda Porto Alice, fl. 23, a conferir: DETERMINAÇÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE: As áreas de preservação permanente são constituídas de várzeas alagadas, mata ciliar dos córregos e do Rio Brilhante, áreas de preservação das nascentes, lagoas naturais e brejos, entre outros. Ressaltese que a área localizada em Angélica, em grande parte do ano, fica alagada. OBSERVAÇÕES: O proprietário deste imóvel apresentou ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente — IBAMA , o ADA 2002. A partir desta data não foi realizada nenhum tipo de atividade que altere as condições ambientais da Fazenda Porto Alice Portanto, referido Laudo apenas descreve os aspectos que possibilitariam conjeturar a existência de área de preservação permanente. Por outro lado, constatase que no mapa, fl. 227 e 228, estão indicadas as áreas protegidas destinadas para preservação permanente, conforme descrito na peça recursal. Assim, apesar da descrição sumária constante do laudo de fls. 18 a 23, as indicações dos recursos naturais protegidos e as respectivas áreas reservadas para esta proteção, indicadas no mapa de fl. 228, juntamente com as informações do ADA, fl. 212, e da DITR, permitem que se reconheça a comprovação da área de preservação permanente de 500,0 hectares, tornando desnecessária a indicação de qualquer procedimento de perícia ou levantamento correlato. Outro ponto merecedor de análise, referese à fixação do valor da terra nua, item que depende essencialmente de levantamento técnico especializado. Assim, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 2 e 3, foi solicitado ao declarante a apresentação de Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, tendo sido ressaltado que a não apresentação dos documentos solicitados ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB. O recorrente apresentou o laudo de avaliação de fls. 39 a 56, acompanhado de documentos de fls. 57 a 142, analisado pelo i. relator do voto condutor do acórdão recorrido, fl. 187 e 188, no trecho do seu voto que reproduzo a seguir. É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720177/200718 Acórdão n.º 2201002.217 S2C2T1 Fl. 249 6 No caso em questão, o impugnante apresentou o Laudo de Avaliação do Imóvel Rural, elaborado por Engenheiro Agrônomo, estipulando, para o exercício em questão, um valor da terra nua de R$ 849.892,05, onde adotou o método comparativo de mercado. O laudo apresentado não atende a discriminação constante da intimação, pois não tem grau de fundamentação e precisão II, uma vez que o próprio Engenheiro Agrônomo diz que o nível de rigor do laudo é normal. Conspira também, contra o laudo, o fato de as amostras utilizadas não serem do mesmo município do imóvel em questão (Rio Brilhante), além do mais, a maior parte dos imóveis da amostra estão apenas em oferta e somente três deles foram vendidos, mas mesmo assim não há nenhum documento que comprove a veracidade destas amostras, tais como:: recorte de jornais, certidão da matrícula dos imóveis e/ou escritura pública de compra e venda, entre outros. É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 146533, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos, devendo ser considerado parecer técnico. Desta forma, o laudo se mostra ineficaz para modificar o VTN do lançamento, pois não foi elaborado de acordo com as normas técnicas da ABNT, como solicitado pela fiscalização, pois não apresenta grau de fundamentação II, conforme exigido na intimação, não havendo como, em sede de julgamento, acatarse levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. Contrapondo as afirmações do i. relator do acórdão guerreado, o recorrente se insurge contra, o que ele considera excesso de rigor, as exigências para que o laudo tenha grau de fundamentação e de precisão II, definidas pela ABNT, para a avaliação do valor de mercado do imóvel e da terra nua. Para subsidiar sua argumentação, junta ementas de julgados do antigo Conselho de Contribuintes, uma que não aceita a utilização do SIPT sem a devida publicidade das fontes e outras que mitigam os requisitos técnicos exigidos para a confecção dos laudos. Quanto aos precedentes mencionados pela recorrente cumpre lembrar que esses não têm caráter vinculante, valendo apenas entre as partes, ainda que existam decisões reiteradas sobre o assunto. Somente quando a questão em discussão estiver sumulada, nos termos do art.. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de .22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009),é que o Conselheiro está obrigado a adotar o entendimento sumular. Na questão do VTN, é importante ressaltar que o art. 14, caput e §1º, da Lei nº.9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza a Receita Federal, no caso de falta de entrega de declaração ou de subavaliação, fixar o valor da terra nua com base em sistema por ela instituído, utilizando informações sobre preços de terras que deverão considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, observados os critérios estabelecidos no art. 12 da Lei nº. 8.629, de 1993. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720177/200718 Acórdão n.º 2201002.217 S2C2T1 Fl. 250 7 Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal (SIPT), pela Portaria SRF nº. 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Esse sistema foi estruturado para cumprir também papel importante na substituição de laudos de avaliação que, para muitos proprietários, são custosos ou de difícil contratação. São atividades de competência de engenheiros especializados, que devem ser objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART para sua plena validade (Arts. 7° e 13 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, c/c o disposto na Resolução na 345, de 27 de junho de 1990, e na Resolução n a 218, de 29 de junho de 1973, ambas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CONFEA). De acordo com a Resolução CONFEA nº 345, de 1990, que dispõe sobre as atividades de Engenharia de Avaliações e Perícias de Engenharia, a avaliação "é a atividade que envolve a determinação técnica do valor qualitativo ou monetário de um bem, de um direito ou de um empreendimento" e o laudo "é a peça na qual o perito, profissional habilitado, relata o que observou e dá as suas conclusões ou avalia o valor de coisas ou direitos, fundamentadamente ''(art. 1º, alíneas "c" e "e"). Na elaboração dos Laudos 'Técnicos, os profissionais devem observar, ainda, os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, que regem a matéria (no caso da avaliação dos imóveis rurais, em especial a NBR 14.6533). Outrossim, o Laudo de Avaliação de imóvel rural para fins de determinação do VTN a ser utilizado no cálculo do ITR deve ter como objetivo o preço de mercado da terra na data do fato gerador (art. 8º, § 2º, da Lei na 9.393, de 1996), apurado de acordo os critérios de localização do imóvel, capacidade potencial da terra e dimensão do imóvel (art. 14, § 1º, da Lei nº 9.393, de 1996). Conjugandose as exigências da legislação tributária com as prescrições da NBR 14.6533, os Laudos 'Técnicos de Avaliação para fins de determinação do VTN tem como requisitos principais: (a) a identificação e caracterização do imóvel avaliando, em que se descreve os aspectos relevantes na formação do valor; (b) a pesquisa realizada, com a identificação das fontes e descrição dos imóveis da amostra coletada (no mínimo 5 elementos); (c) a escolha e justificativa do método de avaliação utilizado; e (d) a memória de cálculo do tratamento dos dados. O laudo apresentado às fls. 39 a 56 e seus anexos, apesar de ter sido elaborado por engenheiro agrônomo e estar acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART (fl. 60), pelas razões já relatadas neste voto e no voto do acórdão de 1ª instância, não alcança o objetivo a que se propõe. Por tais razões, não há nos autos elementos suficientes, capazes de afastar o arbitramento pela RFB do VTN, para o imóvel em questão. Portanto, dou provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 500,0 hectares. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720177/200718 Acórdão n.º 2201002.217 S2C2T1 Fl. 251 8 (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 13161.720177/200718 Acórdão n.º 2201002.217 S2C2T1 Fl. 252 9 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.217. Brasília, 12 de setembro de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ ______________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 12/09 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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Numero do processo: 10983.901724/2008-75
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FALTA DE PROVA DO CRÉDITO ALEGADO.
Deve ser indeferido o ressarcimento quando a Contribuinte, apesar de intimada e diligência, não apresenta as provas do crédito alegado.Ano-calendário:
Numero da decisão: 3401-002.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. FALTA DE PROVA DO CRÉDITO ALEGADO. Deve ser indeferido o ressarcimento quando a Contribuinte, apesar de intimada e diligência, não apresenta as provas do crédito alegado.Ano-calendário:
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FALTA DE PROVA DO CRÉDITO ALEGADO. Deve ser indeferido o ressarcimento quando a Contribuinte, apesar de intimada e diligência, não apresenta as provas do crédito alegado.Ano calendário: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 17 24 /2 00 8- 75 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de PER/Dcomp entregue em 14/05/2004 indicando um Crédito Pagamento Indevido ou a Maior PIS/Pasep no valor original de R$ 809,68, que teria origem no Darf PIS/Pasep, período de apuração de 22/12/2000, código da receita "6147", recolhido em 16/12/2000 no valor de R$ 7.287,09 1 . 0 débito indicado na compensação foi a Cofins do período de apuração de abril de 2004. 0 Despacho Decisório eletrônico emitido pela DRF/Florianópolis, todavia, não reconheceu a existência do crédito postulado, sob o fundamento de que o Darf indicado pela interessada não fora localizado nos sistemas da Receita Federal; assim, não homologou a compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade a interessada argumentou que, na condição de pessoa jurídica concessionária de serviço público de energia elétrica e o prestando a órgãos públicos, está sujeita à incidência, na fonte do IRPJ, da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins, tudo nos termos do art. 64 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Informou ainda que somente em maio de 2004 apercebeuse que a Universidade Federal de Santa Catarina, quando do pagamento da fatura de energia elétrica, efetuava a retenção do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/Pasep e que a recolhia em seu nome (interessada) aos Cofres Públicos, e, visando a sua compensação, requereu e obteve da referida instituição a cópia da tela Skill representativa do documento de arrecadação (Condarf). De posse de tal documento, informou ter segregado o valor total retido de forma a obter a quantia correspondente a cada tributo, sendo que, em relação ao PIS/Pasep, identificou a quantia de R$ 809,68, a qual, por não ter sido utilizada para a redução do saldo a pagar da contribuição, indicou para ser compensada com o valor da Cofins do período de apuração de abril de 2004, segundo ela, conforme lhe permitiria o artigo 74 da Lei ri° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Juntou copia da tela de consulta ao Siafi. A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, todavia, não acatou os argumentos da Recorrente alegando, em resumo, e não obstante não tivesse questionado a afirmação de que teria havido de fato a retenção na fonte, que a contribuinte não poderia ter se valido da Dcomp para se aproveitar dos valores retidos sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar relativos às contribuições objeto das retenções e aos períodosbase a que pertencem; o saldo credor porventura resultante é que poderia ser usado para a compensação posterior. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901724/200875 Acórdão n.º 3401002.910 S3C4T1 Fl. 6 3 No Recurso Voluntário a interessada afirmou nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da contribuição devida e ponderou que a retenção na fonte possui natureza jurídica de um pagamento, uma vez que é um depósito nas contas públicas provenientes de recursos do próprio contribuinte. Citou manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 10° Regido Fiscal (Processo de Consulta n° 196/2006) que iria na linha de seu posicionamento, arguindo, por fim, que, em caso de reforma da decisão ora recorrida, nenhum prejuízo seria causado ao erário. O presente processo foi devolvido para diligência por esta Turma, conforme transcrevo parte do voto: “Neste ponto, invoco os princípios de direito administrativo aplicáveis ao Processo Administrativo Fiscal Federal, notadamente os da legalidade, moralidade, da eficiência e o da finalidade, bem como os princípios da verdade material, para proferir o meu voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem, agora sabendo do que trata o pedido da interessada, sobre ele se manifeste, facultando mesma a oportunidade para também manifestarse, no prazo de trinta dias. 0 presente processo somente deverá voltar a este Colegiado se, da nova análise a ser efetuada quanto ao credito, ainda assim não restar homologada a compensação declarada e contra tal decisão interessada se insurgir.” Referido processo foi devolvido ao CARF com despacho decisório no sentido de “inexistência de direito creditório.”O contribuinte foi intimado e apresentou manifestação. É em síntese o relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 O julgamento da presente demanda resumese a duas partes, a primeira quanto a possibilidade de ressarcimento da parcela da COFINS retida na fonte por entidade pública e não aproveitada, pela Contribuinte, para abatimento do valor devido; a segunda se, de fato, existe algum valor retido e não utilizado. Na primeira análise do recurso voluntário, muito embora o julgamento tenha sido convertido em diligência, no voto do relator original, já foi analisada a primeira parte e concluiuse pela possibilidade de ressarcimento de tais créditos para compensação. Por essa razão, reputo já ultrapassada essa questão, restando analisar somente se existiu retenção não aproveitada para abatimento. O art. 333, inciso I, do CPC, determina que a prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito. O § 4º, art. 16, por sua vez, determina que os documentos devem ser apresentados junto à impugnação, no caso em tela, junto à manifestação de inconformidade. No processo ora analisado, além de não ter apresentado os documentos comprovadores do crédito anexados à manifestação de inconformidade, a Recorrente deixou de apresentalos quando interpôs o recurso voluntário. Ainda assim, em busca da verdade material, o julgamento foi convertido em diligência a fim de se saber se existe ou não o crédito alegado pela Recorrente. Do retorno da diligência foi proferido o despacho pela DRF de inexistência de direito creditório. Mesmo sendo intimada, a Recorrente não apresentou os documentos necessários. Desse modo, entendo que a converter o julgamento em diligência mais uma vez foge à razoabilidade, principalmente quando a Recorrente já teve diversas oportunidades de provar o alegado e foi omissa. Assim sendo, não estando provada a existência do crédito, o pedido de compensação deve ser indeferido. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Angela Sartori Relator Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13839.002328/2005-72
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO DA COFINS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-B do Código de Processo Civil, entendeu que o alargamento da base de cálculo da COFINS, pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional por alterar o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado.
Eventuais diferenças no faturamento devem ser mantidas, pois não estão relacionadas ao alargamento da base de cálculo da COFINS.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.850
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda e Adriene Maria de Miranda Veras.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO DA COFINS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, entendeu que o alargamento da base de cálculo da COFINS, pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional por alterar o conceito de faturamento devidamente consagrado no direito privado. Eventuais diferenças no faturamento devem ser mantidas, pois não estão relacionadas ao alargamento da base de cálculo da COFINS. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 23 28 /2 00 5- 72 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.002328/200572 Acórdão n.º 3202000.850 S3C2T2 Fl. 250 2 Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Rodrigo Cardozo Miranda e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela Recorrente (fls. 192 e seguintes. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão citado, verbis: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 129/140. O efeito, referente a fatos geradores ocorridos entre julho de 1999 e dezembro de 2003, constituiu crédito tributário no total de R$ 798.794,88, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 126/128, a autoridade autuante assim relata os fatos que motivaram o lançamento: O contribuinte foi devidamente intimado sobre a composição da base de cálculo da referida contribuição e admitiu que deixou de recolher o tributo sobre algumas das receitas previstas na Lei n° 9.718, de 1998 que quanto à citada base de cálculo, a partir de fevereiro/1999, alterou a incidência dessa contribuição que passou a ser sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as referidas receitas. Em decorrência desse procedimento adotado houve apuração a menor da contribuição pelo contribuinte, por não considerar no cômputo da respectiva base de cálculo todas as demais receitas previstas na Lei n° 9.718/98. Então, elaboramos a tabela abaixo com base nos valores disponibilizados nos demonstrativos de apuração preparados inicialmente e depois retificados pelo contribuinte em resposta a fiscalização quanto ao que foi informado na respectiva DIPJ em Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.002328/200572 Acórdão n.º 3202000.850 S3C2T2 Fl. 251 3 relação às referidas receitas, contemplando inclusive alteração no valor do faturamento em alguns meses, para fins de apuração da diferença da base de cálculo da contribuição não adicionada nos respectivos períodos com apuração de saldo devedor. De acordo com o entendimento da Receita Federal do Brasil, desconsideramos as retificações realizadas em DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — no curso do presente procedimento fiscal. [segue planilha de fls. 126/127 com a demonstração da base de cálculo apurada pela auditoria fiscal] A autoridade tributária ainda detalha que: (A) Em relação ao fato gerador ocorrido no mês de novembro do ano de 2001 constatamos também diferença da COFINS no valor de R$ 40,00 (base de cálculo R$ 1.333,33). Essa difèrença resultou do valor que foi apurado em sua planilha (R$ 16.266,05) e do valor que foi informado na respectiva DCTF (R$ 16.226,05); (B) Em relação ao fato gerador ocorrido no mês de maio do ano de 2002 constatamos também diferença da COFINS no valor de R$ 1.697,03 (base de cálculo R$ 56.567,67). Essa diferença resultou do valor que foi apurado em sua planilha (R$ 34.470,05) e do valor que foi informado na respectiva DCTF (R$ 32.773,02). Notificada da exigência em 27/10/2005, em 25/11/2005 a contribuinte protocolou a impugnação de fls. 149/171, na qual alega em síntese que: 1. diante do transcurso do prazo decadencial inscrito no §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, é inexigível a parcela do crédito tributário relativa a períodos de apuração de julho de 1999 a outubro de 2000; 2. inaplicável, por inconstitucional, os prazos referidos nos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 1991; 3. parte dos valores lançados no auto de infração já estavam com sua exigibilidade suspensa por força de parcelamento concedido pela administração tributária, conforme documentação de fls. 182/184, donde resulta imperiosa a desconstituição do auto de infração na parte em que exige os valores objeto do referido parcelamento; outrossim (..) não deve subsistir a exigência da multa de oficio no importe de 75% (..) eis que o parcelamento já contempla o valor da multa; 4. no mérito, a autuação, que exige tributo sobre receitas que deveriam compor a base de cálculo exclusivamente à força das alterações propostas pela Lei n° 9.718, de 1998 (receitas financeiras e receitas decorrentes de variações cambiais ativas), não pode prosseguir pois é inconstitucional o alargamento da base de cálculo da contribuição, conforme entendimento inclusive já externado pelo Supremo Tribunal Federal; 5. tratandose as variações cambiais de mera expectativa de resultados, e não de efetivo ingresso de receitas, não poderiam ter qualquer impacto sobre a apuração da base de cálculo da contribuição antes de liquidados os contratos que as originam; o texto do art. 3°, §1° da Lei n° 9.718, de 1998, é claro ao valerse do termo receitas auferidas para referirse à composição da base de cálculo da contribuição, o que não inclui as simples atualizações cambiais para fins contábeis, ajustes que não traduzem novas disponibilidades. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.002328/200572 Acórdão n.º 3202000.850 S3C2T2 Fl. 252 4 Em sua decisão, a DRJ de Campinas houve por bem manter o lançamento através de acórdão cuja ementa foi assim formulada: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase da ocorrência do respectivo fato gerador. PARCELAMENTO PLEITEADO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. LANÇAMENTO. LEGITIMIDADE. O parcelamento efetuado após o início da ação fiscal não afasta a obrigatoriedade da constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Inconformada com tal decisão, a Recorrente tempestivamente protoclou recurso voluntário reiterando seus argumentos anteriormente apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. No tocante ao alargamento da base de cálculo da COFINS, é de se destacar, inicialmente, que o Excelso Supremo Tribunal Federal já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, ou seja, através de análise sob a sistemática de repercussão geral. O precedente proferido tem a seguinte ementa: Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.002328/200572 Acórdão n.º 3202000.850 S3C2T2 Fl. 253 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008) Com isso, restou consolidado no âmbito do Excelso Pretório o entendimento de que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.002328/200572 Acórdão n.º 3202000.850 S3C2T2 Fl. 254 6 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Verificase, assim, que a referida decisão do Excelso Supremo Tribunal Federal deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em questão, verificase que a autuação da Recorrente se deu com base no conceito de faturamento dado pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo Pretório Excelso, na medida em que altera o conceito de faturamento, devidamente consagrado no direito privado brasileiro. Concluise, portanto, que, para efeitos do cálculo do PIS e COFINS, devese considerar não o conceito de faturamento, dado pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, mas sim o conceito de receita bruta. Em relação à decadência das parcelas do crédito relativas aos períodos da apuração de agosto a outubro de 2000, a análise é desnecessária diante do provimento em relação ao alargamento da base e cálculo PIS e COFINS. Por fim, verifico no Termo de Verificação Fiscal de fls. 126 e seguintes que existem diferenças no faturamento nos meses de novembro/2001, maio/2002, agosto/2002, outubro/2002, novembro/2002 e dezembro/2002 que devem ser mantidas, pois não estão relacionadas ao alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS. Quanto ao parcelamento suscitado pela Recorrente, ele deve ser considerado por ocasião da liquidação do crédito tributário remanescente ao final do trâmite administrativo como apontado pela DRJ em sua decisão. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntario interposto pela Recorrente, mantendo o lançamento em relação às diferenças de faturamento existentes nos meses de novembro/2001, maio/2002, agosto/2002, outubro/2002, novembro/2002 e dezembro/2002. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13839.002328/200572 Acórdão n.º 3202000.850 S3C2T2 Fl. 255 7 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10909.006898/2008-15
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 17/01/2004 a 26/01/2005
ILEGITIMIDADE PASSIVA - A responsabilidade em relação as infrações é do representante do transportador estrangeiro, nos termos da legislação pátria.
NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza. Necessidade de restar demonstrado o prejuízo a defesa. Acusação fiscal compreendida.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsume-se à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar.
AUSÊNCIA DE NORMA ESTABELECENDO PRAZO PARA COMUNICAÇÃO DO EMBARQUE ANTES DE 15/02/2005. Até a edição da IN SRF nº 510/2005 não havia prazo estabelecendo data para comunicação de embarque. Expressão imediatamente é indeterminada. Excluir a penalidade imposta decorrente dos embarques realizados antes de 15/02/2005.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator.
(assinado digitalmente)
JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 17/01/2004 a 26/01/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA - A responsabilidade em relação as infrações é do representante do transportador estrangeiro, nos termos da legislação pátria. NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza. Necessidade de restar demonstrado o prejuízo a defesa. Acusação fiscal compreendida. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsume-se à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. AUSÊNCIA DE NORMA ESTABELECENDO PRAZO PARA COMUNICAÇÃO DO EMBARQUE ANTES DE 15/02/2005. Até a edição da IN SRF nº 510/2005 não havia prazo estabelecendo data para comunicação de embarque. Expressão imediatamente é indeterminada. Excluir a penalidade imposta decorrente dos embarques realizados antes de 15/02/2005. Recurso Voluntário Provido.
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NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza. Necessidade de restar demonstrado o prejuízo a defesa. Acusação fiscal compreendida. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. AUSÊNCIA DE NORMA ESTABELECENDO PRAZO PARA COMUNICAÇÃO DO EMBARQUE ANTES DE 15/02/2005. Até a edição da IN SRF nº 510/2005 não havia prazo estabelecendo data para comunicação de embarque. Expressão “imediatamente” é indeterminada. Excluir a penalidade imposta decorrente dos embarques realizados antes de 15/02/2005. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 68 98 /2 00 8- 15 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama, Andréa Medrado Darzé, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 0724.392 da 2ª Turma da DRJ/FNS, que julgou procedente em parte a impugnação ao lançamento. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 810.000,00 (oitocentos e dez mil reais), em face de o interessado em epígrafe ter deixado de informar no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados de embarque de mercadorias que ocorreram entre 09/01/2004 e 16/01/2005, em navios de transportadores estrangeiros representados no Brasil pela empresa autuada, havendo as respectivas informações sido registradas após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da IN SRF n.° 28, de 1994, com redação dada pela IN SRF n.°510, de 2005. Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 20, com fulcro no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 23/12/2008 (fl. 01), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 16/01/2009, os documentos colacionados às fls. 125 a 233 e a impugnação de fls. 424 a 435, onde, em síntese: Alega, preliminarmente, a sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo da autuação, ao argumento de que a regra contida no art. 37 da IN SRF n.° 28, de 1994, destinase aos transportadores marítimos, ao passo que exerce a atividade de agente marítimo, não podendo ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária, a teor do entendimento veiculado na Súmula 192 pelo extinto Tribunal Federal de Recursos e do entendimento consignado em decisões judiciais cujos excertos transcreve na peça de defesa, ao que aduz tampouco haver amparo legal para a aplicação da multa em causa ao agente marítimo, já que a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DL 37, de 1966, referese tão somente ao transportador marítimo e ao agente de carga; Fl. 544DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.006898/200815 Acórdão n.º 3102002.040 S3C1T2 Fl. 3 3 No mérito, alega que a norma que estipula o prazo de sete dias para que o transportador marítimo registre os dados de embarque no Siscomex foi introduzida no ordenamento jurídico somente a partir da IN SRF n.° 510, de 15 de fevereiro de 2005, razão pela qual entende ser inaplicável essa disposição a fatos ocorridos anteriormente, época em que, segundo argumenta, não havia um prazo expressamente previsto para a realização do registro dos dados de embarque no Siscomex, já que a expressão "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria", que figurava na redação original do art. 37 da IN SRF n.° 28, de 1994, contém um conceito indeterminado, sendo, portanto, aceitável a realização dos aludidos registros em prazo superior a sete dias; Nesta linha, aduz, com fulcro nos artigos 112 e 144 do CTN, que a autoridade aduaneira não pode valerse de posterior alteração no comando normativo para interpretar que a expressão "imediatamente" deve ser entendida como um prazo de sete dias; Na seqüência, reclama que a autoridade autuante incorreu também em duplicidade de autuação, no concernente aos embarques realizados nos navios LYKES ENVOY (dias 22 e 23/01), TMM GUANAJUATO (dias 14 e 15/02) e NYK PASION (dias 11 e 12/03), ao que aduz, sob outro prisma, que a aplicação da penalidade por embarque é ato ilegal e arbitrário, tendo em conta a teoria da infração continuada que repele a aplicação de penalidades sucessivas de molde a cominar uma única infração, além do que transcreve ementa de acórdão exarado por esta 2a . Turma de Julgamento da DRJ/FLORIANOPOLIS, no sentido de que a multa em comento deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador e viagem, não por quantitativo de despachos de exportação; Em outro plano, alega ter a fiscalização entendido que a conduta da empresa autuada caracterizaria a infração descrita nas aliena "c", do inciso IV do art. 107 do DL 37, de 1966, e reclama que a informação extemporânea dos dados de embarque não configura embaraço à fiscalização. Evoca os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, além do que cita disposições contidas no inciso VI do parágrafo único do art. 2 o da Lei n.° 9.784, de 1999, para argumentar que é vedada a aplicação de penalidade em medida superior àquela estritamente necessária ao atendimento do interesse público, mormente no presente caso, onde não se está diante de fraude, máfé ou tentativa de embaraço à fiscalização, uma vez que todos os registros de todos os dados de embarque foram realizados. Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso, destacando em apertada síntese: Fl. 545DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Em sede preliminar, alega: 1) ser parte ilegítima para figurar no pólo passivo da demanda, afirma ainda ser apenas mandatária do transportador e que por isso não seria responsável por eventuais erros cometidos por este, completando, que cabe a ela o ônus de responder por eventuais atrasos nos registros de DDE´s junto a Siscomex; 2) Ser descabida a multa, em razão da configuração de denúncia espontânea no ato de registro das DDE’s, fundamentando tal entendimento através da nova redação dada pela lei 12.350/2010 ao Art. 102 do Decreto Lei 37/1966 e acostando julgados sobre o tema; e 3) Ter havido, cerceamento do direito de defesa, em virtude de nulidades insanáveis, afirmando que a fiscalização valeuse de planilha e deixou de mencionar no corpo da autuação quais DDE’s supostamente teriam sido vinculadas com atraso. Já no mérito, a recorrente afirma que: 1) À época, inexistiam prazos expressos para alguma das infrações imputadas, nesse sentido atesta que, somente com a edição da IN SRF n.º 510, de 14/02/2005, é que o artigo 37 passou a indicar prazo de 07 (sete) dias para registro no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque marítimo, em continuidade alega que o artigo 37 da IN SRF n.º 28/94, donde a autoridade fiscal pretende imputar a multa, não especifica a existência de nenhum prazo, mas tão somente a expressão “imediatamente após”, que ao seu entender é um conceito indeterminado e por isso, abarcaria prazos superiores a 07 (sete) dias; 2) não estaria vinculada ao prazo de 07 (sete) dias, para o registro das DDE’s, posto que as informações relativas ao embarque no Siscomex só poderiam ser levadas a efeito, no momento em que o transportador efetuasse o registro da respectiva declaração de exportação, nesse sentido de maneira analógica ao prazo dado ao exportador, consolidado pela IN 98/2004, que é superior aos 07 (sete) dias, entende que o prazo ora guerredo, seria incompatível com a atividade desenvolvida e que portanto, a regra insculpida no artigo 37, §2º da IN 28/94, deveria ter a aplicação afastada no referido caso; 3) houveram registros de DDE’s no Siscomex, que foram considerado intempestivos, mesmo tendo sido realizados no prazo de 07 (sete) dias úteis, destacando o lançamento com a data de embarque e o respectivo registro (fl.385); 4) a fiscalização não promoveu qualquer ação positiva afim de buscar as informações pertinentes à sua atividade de controle e portanto não teria incidido a alínea “c” do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei 37/66, a qual dispões sobre a existência de embaraço a fiscalização; 5) as multas que a Autoridade Fiscal pretende aplicar, ofendem os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, atinentes a administração pública, presentes no artigo 2º, da Lei 9.784/99, alegando que todos os registros de dados de embarque teriam sido realizados; e 6) Por fim, requer a reforma integral do v. Acórdão ora recorrido, bem como seja julgado totalmente improcedente o lançamento objeto do processo administrativo n.º Fl. 546DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.006898/200815 Acórdão n.º 3102002.040 S3C1T2 Fl. 4 5 10909.004513/200966 e de maneira subsidiária, caso não seja acolhido tal pleito, seja julgado parcialmente procedente, afastando as multas aplicadas em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Ilegitimidade Passiva O Recorrente, no escopo de seu Recurso Voluntário ora em análise, tratou de salientar e, pois, diferenciar a função e poderes concernentes ao Agente Marítimo. Neste entendimento, fundamentou que o agente marítimo não executa tampouco responde pelos negócios praticados por seu mandante. Assim sendo, ressalta que, apesar de ter assinado um Termo de Responsabilidade para com o mandante, não responde pelo pagamento do tributo em face do princípio da reserva legal, elencando, para tanto, jurisprudências e doutrinas atinentes à referida ausência de responsabilidade. Desse modo, o Recorrente arguiu sua ilegitimidade. Ocorre, entretanto, que o Decretolei nº 37/66 dispõe e atribui, em observância ao art. 32, a responsabilidade tributária ao representante assim disciplina: Art . 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; Fl. 547DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. Ora, expressa é a disposição deste diploma legal acerca da responsabilidade solidária do Recorrente, na qualidade de representante, para com o transportador estrangeiro. Neste entendimento já se pronunciou este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do fato gerador: 05/04/2005 VISTORIA ADUANEIRA. Extravio de Mercadoria Responsabilidade do Transportador. A responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadoria ocorrida durante o transporte será do representante do transportador estrangeiro, por expressa determinação legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Data do fato gerador: 05/04/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o Agente Consolidador / Desconsolidador /Marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Recurso Voluntário Negado. 1 Pelas razões acima, rejeitase a preliminar arguida. Nulidade – Cerceamento do direito de defesa. Defende a recorrente que houve cerceamento do direito de defesa, sob argumento de que a fiscalização não mencionou na autuação, quais DDE’s teriam sido apresentada em atraso. Apesar de não ser uma regra taxativa, é oportuno esclarece que o art.59 do Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que hipóteses acarretam a nulidade do procedimento, são elas: 1) cerceamento do direito de defesa e 2) incompetência do agente, as quais não se identificam no presente caso. Sobre o tema, a jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e do próprio CARF vem entendo que em casos análogos, que não há nulidade do lançamento quando não ocorra prejuízo a defesa, o que resta configurado, pois é possível identificar que houve a correta compreensão da acusação fiscal pelo autuado. Compulsando os autos, identificase na planilha às fls. 06/07 todos os dados de embarque que foram registrados com seus respectivos números, identificando ainda as respectivas datas, para assim fundamentar a autuação. Percebese que não resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa, razão pela qual é rejeitada a preliminar arguida. 1 CARF 3ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 310100445 do Processo 11128003841200571 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10909.006898/200815 Acórdão n.º 3102002.040 S3C1T2 Fl. 5 7 Ausência de prazo para comunicação de embarque. Superada as questões acima, passase analisar o argumento de que para algumas infrações lançadas, afastase a penalidade imposta, pois até a edição da IN SRF nº 510/2005, não havia prazo especifico para o registro de mercadoria, já que a SRF nº 28/94 assim disciplinava: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Já a partir de 15/02/2005, com a redação dada pela IN SRF nº 510/2005 a redação passou a definir o prazo de comunicação em 02(dois) dias, o que apenas veio ser alterado a parti da IN nº 1.096/2010, que estendeu o prazo para 07(sete) dias. Percebese portanto que antes 15/02/2005, não havia norma estabelecendo prazo para comunicação do embarque, pois a expressão “imediatamente” é indeterminada, assim, julgo procedente o recurso para excluir a penalidade imposta pela omissão da comunicação dos embarque realizados antes 15/02/2005. Sala de sessões 25 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 549DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/02/2014 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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