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Numero do processo: 13984.000883/2003-24
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2000
NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO SÚMULA CARF N° 22.
É nulo o despacho decisório que nega a inclusão da pessoa jurídica no Simples limitando-se a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Aplicação da Súmula CARF nº 22.
Numero da decisão: 1802-001.036
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso para anular a Decisão da DRF de Lages/SC, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2000 NULIDADE DE ATO ADMINISTRATIVO SÚMULA CARF N° 22. É nulo o despacho decisório que nega a inclusão da pessoa jurídica no Simples limitando-se a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Aplicação da Súmula CARF nº 22.
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É nulo o despacho decisório que nega a inclusão da pessoa jurídica no Simples limitandose a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Aplicação da Súmula CARF nº 22. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso para anular a Decisão da DRF de Lages/SC, nos termos do voto do Relator. ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. MARCIEL EDER COSTA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Verificase da análise dos autos, que a Recorrente argui reiteradamente não ter sido intimada da decisão que a excluiu do Sistema Simplificado de Pagamento de Impostos, SIMPLES, na data de 01/11/2000. Às fls. 14/15, a autoridade administrativa indeferiu o pedido de reinclusão retroativa ao programa SIMPLES, assim motivando suas razões: 2 Efetuando buscas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal, constatei que a contribuinte optou pelo SIMPLES em 01/03/1999, e que foi excluída do SIMPLES em 01/11/2000, por meio do Ato Declaratório n° 332296, pelo motivo PENDENCIA (S) JUNTO A PGFN, conforme extrato SI VEX à fl 13, com efeitos a partir de 01/11/2000. 3 Para o fim especifico dos casos de exclusão do SIMPLES foi instituída a SRS – Solicitação de Revisão da vedação/exclusão à opção pelo SIMPLES na forma da Norma de Execução COTEC/COSIT/COSAR/COFIS/COANA n° 001 de 03/09/1998, momento em que o contribuinte apresenta sua inconformidade com o Ato Declaratório e as provas que possuir ao Delegado da DRF de origem. Tal manifestação examinada na Delegacia e é proferida uma decisão sumária deferindo ou não o pedido da contribuinte. 4 Diante dos fatos, entendo que como a contribuinte não apresentou a SRS, no prazo de 30 dias, contados da ciência do Ato Declaratório, restou consumado os efeitos do Ato Declaratório. 5 Na verdade, o pedido de inclusão com data retroativa se aplica nas hipóteses em que o contribuinte não formaliza sua opção pelo SIMPLES, mas se comporta como se enquadrado fosse, conforme destacado na conclusão do Parecer COSIT no 60/1999, que assim dispõe: CONCLUSÃO 14. De todo o exposto, concluise que o Delegado ou Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro, pode retificar de oficio a FCPJ para a inclusão no SIMPLES de pessoas jurídicas inscritas no CGC/CNPJ a partir de 1° de janeiro de 1997, desde que seja possível identificar a intenção de o contribuinte aderir à referida sistemática. São instrumentos hábeis para comprovar a adesão ao SIMPLES os pagamentos mensais por meio do DARFSIMPLES e apresentação da Declaração Anual Simplificada. Às fls. 44/45, a DRJ de Brasília/DF confirmou o indeferimento, assim o expressando em sua ementa: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.000883/200324 Acórdão n.º 180201.036 S1TE02 Fl. 75 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2000 Ementa: Opção pelo Simples — Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em urna ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Solicitação Indeferida Já em sede recursal a Recorrente traz prova de recolhimento do tributo ITR, supostamente motivo da exclusão do sistema SIMPLES requerendo a aplicação dos efeitos da exigibilidade suspensa (art. 151 CTN) do débito ensejador da exclusão. No intuito de melhor elucidar o caso o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, converteu o julgamento do recurso acima em diligência, sob os seguintes termos: i) seja feita a juntada do ato declaratório da exclusão indicada a fls. 13 e respectiva ciência do contribuinte; ii) seja informado sobre o atual estágio do respectivo processo de exclusão e se a mesma encontrase com seus efeitos suspensos; iii) seja informado sobre a apresentação de Declaração Anual Simplificada e pagamentos mensais por meio do DARFSimples nos anos calendários seguintes à edição do ato declaratório de exclusão. O resultado da diligência supra assim restou demonstrado às fls 6369: Em relação ao quesito "i", deixase de juntar o ato declaratório de exclusão pelo fato de não constarem, no sistema Sivex, informações armazenadas relativas aos ADE dos Lotes 001 e 002 (fl. 64). Quanto à ciência da exclusão, a tela do sistema Sucop e a cópia do AR juntados as fls. 65/66 informam que a contribuinte foi cientificada em 16/10/2000. Salientese que Fl. 76DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 consta no AR o número do ADE e o nome do sistema SIVEX, o que não deixa dúvidas a respeito do recebimento, pela empresa, do ato de exclusão. Quanto ao item "II", informase que, apesar de cientificada da exclusão do Simples, a empresa não apresentou o formulário SRS (Solicitação de (Grifouse). Diante da abertura de contraditório, a Recorrente reitera seus argumentos no sentido de não ter sido intimada do Ato Declaratório Executivo que determinou sua exclusão do SIMPLES, caracterizando cerceamento de sua defesa (fls. 71). É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Marciel Eder Costa O presente recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente demonstra às fls. 7/11 sua inequívoca intenção de se enquadrar no SIMPLES no ano calendário de 2000, pela entrega da Declaração Simplificada e recolhimento das guias DARF Simples – código 6106, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16 de 02 de outubro de 2002. Observase que o ato da exclusão do SIMPLES procedido pela autoridade administrativa não indicou os débitos supostamente inscritos em dívida ativa que dariam causa ao translado desse processo. Tal ocorrência dá vazão à sua nulidade, conforme matéria sumulada: Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Assim, ocorrida nulidade inicial do ato administrativo, transmitese também ao despacho decisório que nega sua inclusão no programa do SIMPLES. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.000883/200324 Acórdão n.º 180201.036 S1TE02 Fl. 76 5 Pelo exposto, voto no sentido de anular o Despacho Decisório emanado pela autoridade administrativa de fls. 14/15, admitindo a reinclusão da Recorrente no sistema SIMPLES. É como voto. Marciel Eder Costa Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006178/2003-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1996, 1997
RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE_Não se conhece do recuso
especial que suscita exclusivamente a violação do acórdão recorrido ao disposto no art. 45 da Lei n° 8 212/91, em face da edição da Súmula Vinculante n° 8 pelo C. Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9101-000.730
Decisão: Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1996, 1997 RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE_Não se conhece do recuso especial que suscita exclusivamente a violação do acórdão recorrido ao disposto no art. 45 da Lei n° 8 212/91, em face da edição da Súmula Vinculante n° 8 pelo C. Supremo Tribunal Federal.
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CSLL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IRMÃOS THA SA CONSTRUÇÕES E. COMÉRCIO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1996, 1997 RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE_Não se conhece do recuso especial que suscita exciusivamente a violação do acórdão recorrido ao disposto no art. 45 da Lei n° 8 212/91, em face da edição da Súmula Vinculante n° 8 pelo C. Supremo Tribunal Federal. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora EDITADO EM: 30/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karen Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffman. 0":1112r:2..: 10 rr ,11'.1ANE "iii125201 ,):;or FEFITAS "gi ;Air C:/10i20 10 ;;;;:t. '/ IVIAN.r.F,'vuV.i... :OP /0.1(2011 D a ório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Itorsal ern face de acórdão proferido pela Primeira Camara do Primeiro Conselho de stribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, reconhecendo a adência do lançamento da CSLL relativa aos anos-calendário de 1996 e 1997, haja vista a cia dos autos de infração ocorrida em 09.07.2003. O acórdão ora recorrido restou assim ementado: DECADÊNCIA. CSLL — De acordo com a jurisprudência dominante nesta Camara e ma Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decadência da CSLL se rege pelas normas do OW A Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade 6. lei, ando, ern síntese, que não haveria como negar a aplicação válida do art. 45, inciso I, da Lei 212/91, que trata do plano de custeio para a seguridade social, em face da inexistência de !Sao do Supremo Tribunal Federal sobre o tema. 0 recurso especial foi admitido pelo Presidente da Camara recorrida sp cho n° 101-007/2008, fls. 189), após verificada, 6. época, a alegada contrariedade à lei. Sem contrarraziles. E o relatório. Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora LAMINAR DE ADMISSIBILIDADE O acórdão recorrido reconheceu a decadência do crédito tributário pela scação do art. 150, § 4°, do MN, em razão dos fatos geradores terem ocorrido há mais de 5 co) anos, contados da data da ciência do lançamento. Em que pese posição pessoal divergente sobre tal forma de contagem do o decadencial, no presente caso, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, a devida vênia, não merece ser conhecido. A recorrente, ern suas razes recursais, aponta exclusivamente a rariedade da decisão guerreada em relação ao disposto no art 45 da Lei n° 8 212/91. Ocorre que a alegada violação legal deixou de existir a partir da edição da ula vincuIante n° 8, pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, declarando, com efeito erga nes, a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991 (DOU de 20.06.2008) en1 0'3.112201.r) r.c., r lAGI1ER 21,2010 ALBERTO FREITAf3 erTi 03f I 2'2O Ç) pc,7 VIDAL WAi3NEP, 2 (01 2311 p&p f I. '2 Processo n° 10980,006178/2003-32 ActirdEck n.° 9101-00:130 Diante da vinculação de toda a administração pública à decisão da Corte Suprema, em observância ao art. 103-A, da Constituição Federal, esvazia-se o objeto do presente recurso Pelo exposto, e considerando-se a inexistência de outro fundamento recursal, voto no sentido de não conhecer o recurso interposto. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner '-,, V12 ,21: I pc.r • - iD.r.L e.,, /,,GNER 1 1-121 ALEER ro FFEiTi VANER 'n • • Is:
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002085/2003-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e para o Programa de Integração Social PIS-Pasep
é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 9303-001.534
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e para o Programa de Integração Social PISPasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 2 Relatório Os fatos foram assim narrados pelo Acórdão recorrido: Contra a recorrente acima, foram lavrados os autos de infração às fls. 25/29 e às fls. 30/34, exigindolhe créditos tributários, nos montantes de R$ 28.097,33 (vinte e oito mil noventa e sete reais e trinta e três centavos) e R$ 74.619,28 (setenta e quatro mil seiscentos e dezenove reais e vinte e oito centavos), referentes, respectivamente, à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e à contribuição para o financiamento da Seguridade Social – Cofins, correspondentes aos períodos mensais de competência de janeiro a julho de 1998 e de janeiro a julho e setembro de 1998. Os valores lançados decorreram de representação fiscal para os lançamentos de ofício dos débitos fiscais declarados nas respectivas DCTFs, em face do indeferimento do pedido de restituição/compensação, processo nº 10830.000701/9806, pela Autoridade Administrativa competente. Cientificada das autuações, inconformada, a recorrente impugnou os lançamentos (fls. 42/65), requerendo, preliminarmente, a nulidade deles e, no mérito, a insubsistência dos créditos tributários exigidos ou, ainda, a admissão do instituto da compensação e, por exclusão, o cancelamento da multa de ofício. As razões da impugnação foram assim sintetizada pela DRJ em Campinas SP: “a) o Auto de Infração foi lavrado em local que não o estabelecimento da contribuinte, ocasionando vício insanável por desobediência ao art. 10 do Decreto nº 70.235; b) equivocado o motivo alegado pela fiscalização, uma vez que do indeferimento da compensação pela Delegacia da Receita Federal cabe recurso à Delegacia de Julgamento, o que foi feito em 22/01/2003, e ao Conselho de Contribuintes. Por esse motivo não teriam sido feitos os recolhimentos do período, já que a compensação continua em discussão; c) o valor objeto da autuação foi devidamente compensado no processo administrativo nº 10830.000701/9806, pelo que não se há de falar em falta de recolhimento, como faz o Auto de Infração. Sendo a compensação uma das formas de extinção do crédito tributário, estes eram inexistentes no momento da lavratura do Auto de Infração. Assim, não houve a necessária adequação do fato à norma, obrigando a anulação ou cancelamento da autuação; d) o processo de compensação aguarda decisão da Delegacia de Julgamento, pelo que está suspensa a exigibilidade de eventual crédito da União, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10830.002085/200301 Acórdão n.º 930301.534 CSRFT3 Fl. 220 3 e) ‘26 – Quanto a competência 01/98 o Auto de Infração lançou equivocadamente o valor de R$ 2.927,86(...) referente à falta de recolhimento do tributo PIS, entretanto é preciso ressaltar que caso a compensação seja julgada indevida (...), o valor a ser cobrado quanto a competência 01/98 de PIS é de R$ 1.472,12 (...), valor este que foi compensado e não o valor lançado no auto; f) ‘O crédito tributário já havia sido constituído pelas próprias declarações do contribuinte (lançamento por homologação), no processo de compensação, e tal declaração é suficiente para a constituição do crédito tributário e posterior cobrança (se necessário) o que caracteriza a desnecessidade de se lançar de ofício os supostos débitos. ................. O auto de infração, além de padecer de alguns vícios de nulidade, é totalmente desnecessário. (...). De acordo com o art. 49 e parágrafos da Lei 10.637/2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9430/96, que tem efeito e aplicação imediata, a recorrente poderia e poderá utilizar créditos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, sendo ainda certo que, os pedidos de compensação pendentes de apreciação serão considerados declaração de compensação e declarados extintos. É dizer, tais disposições, de qualquer modo, alcançariam a compensação levada a efeito’; f) o lançamento não obedeceu aos princípios do contraditório e da ampla defesa, de vez que a contribuinte não foi intimada a prestar esclarecimentos a respeito das diferenças encontradas pela fiscalização; g) os débitos lançados foram declarados, configurandose a hipótese do art. 138 do Código Tributário de denúncia espontânea, já que o pagamento configurouse na compensação. Assim, a multa de ofício deve ser afastada. Além de indevida, o percentual da multa é confiscatório e inaplicável na ausência de fraude, sonegação ou máfé da contribuinte; h) os juros, além de indevidos, foram calculados em percentuais abusivos, em desacordo com o disposto no art. 161, § 1º, do CTN; i) a imposição tributária feita pelo Auto de Infração viola os princípios constitucionais da capacidade contributiva, da vedação à tributação com caráter de confisco, da moralidade pública e da vedação ao enriquecimento ilícito do Estado.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou procedente em parte a exigência da contribuição para o Programa de Integração Social, excluindo do lançamento a parcela lançada para a competência de 31/01/1998, no valor de R$ 1.455,74, e julgar procedente a exigência da Contribuição para Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 4 Financiamento da Seguridade Social, nos moldes como constituída pelo Auto de Infração, nos termos do Acórdão nº 12.205, datado de 14 de fevereiro de 2006, às fls. 110/119, sob as seguintes ementas: “COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Indeferido o pedido de compensação, é cabível o lançamento de ofício para a cobrança do crédito tributário inadimplido. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. Os Pedidos de Compensação mesmo considerados como Declaração de Compensação não têm caráter de confissão de dívida, não constituem o crédito e nem suspendem a sua exigibilidade, faculdades reservadas às declarações apresentadas após a edição da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Constatada a existência de erro material na determinação do tributo devido, deve a exigência ser corrigida. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/1998 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. A lavratura do Auto de Infração em local diverso daquele em que o sujeito passivo exerce suas atividades é compatível com o ordenamento jurídico. O local da verificação da infração não significa o local em que foi praticada. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INTIMAÇÃO PRÉVIA. INOCORRÊNCIA. Regido pelo princípio inquisitório, o Auto de Infração prescinde de intimação prévia do sujeito passivo como requisito de validade. IMPUGNAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O exame da conformidade constitucional de legislação regularmente inserida no ordenamento não integra o rol de competências do julgador administrativo.” Inconformada, com a decisão daquela DRJ, a requerente interpôs o presente recurso voluntário (fls. 126/134), requerendo a este 2º Conselho a reforma do acórdão recorrido a fim de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10830.002085/200301 Acórdão n.º 930301.534 CSRFT3 Fl. 221 5 cancelar os lançamentos e subsidiariamente a exclusão da multa de ofício. Para fundamentar seu recurso, alegou, em síntese, preliminarmente, a nulidade dos lançamentos pelo fato de os autos de infração terem sido lavrados fora do seu estabelecimento, infringindo o devido processo legal, e, no mérito, que os débitos ora exigidos foram objetos do pedido de restituição/compensação nº 10830.000701/9806 ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, o lançamento não poderia ter sido efetuado, inclusive, a exigência dos débitos se encontra suspensa em face dos recursos administrativos interpostos. Julgando o feito, a Câmara recorrida assim decidiu: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/08/1998, 01/09/1998 a 30/09/1998 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. LANÇAMENTO Os débitos fiscais, objetos de pedidos de compensação não convertidos em Declarações de Compensação e indeferidos pela Autoridade Administrativa competente, estão sujeitos a lançamento de ofício, acrescidos das cominações legais. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. LANÇAMENTO Os débitos fiscais, objetos de pedidos de compensação não convertidos em Declarações de Compensação e indeferidos pela Autoridade Administrativa competente, estão sujeitos a lançamento de ofício, acrescidos das cominações legais. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS O prazo para a Fazenda Nacional exigir crédito tributário relativo a contribuições sociais, em face da Súmula nº 08, de 2008, editada pelo Supremo Tribunal Federal, passou a ser de cinco anos contados da ocorrência dos respectivos fatos geradores. JUROS DE MORA Sobre o crédito tributário devido e nãopago no vencimento é devido juros de mora independente de qualquer motivo. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 6 Súmula nº 03. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados nas respectivas DCTFs. LANÇAMENTO. NULIDADE É válido o procedimento administrativo desenvolvido em conformidade com os ditames legais, inclusive quando lavrado na repartição fiscal. Recurso provido em parte. Irresignada, a Fazenda recorreu a este Colegiado pugnando pela reforma do acórdão vergastado, vez que, em seu entender, o prazo decadencial é o previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Por meio do despacho de fl. 184 a 186, o recurso fazendário foi admitido. Regularmente cientificada, a autuada apresentou contrarrazões, fls. 190 a 196, e recurso especial, fls.197 a 205. Todavia, à fl. 209, consta pedido de desistência do recurso administrativo interposto pela autuada. Diante da desistência do recurso apresentado pelo sujeito passivo, os autos foram devolvidos ao órgão preparador que providenciou apartação do crédito tributário, e, em seguida, devolveu os autos a este Colegiado para exame do recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cingese à questão do prazo e do termo inicial para contagem da decadência do direito de a Fazenda Publicar lançar crédito tributário relativo à COFINS e ao PIS/Pasep. A Câmara recorrida entendeu que o prazo é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, enquanto a Fazenda Nacional, em seu apelo, defende o prazo de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, como previsto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 10830.002085/200301 Acórdão n.º 930301.534 CSRFT3 Fl. 222 7 Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. No caso dos autos, a teor do relatado, não houve antecipação de pagamento, daí, aplicarse ao caso a regra inserta no inciso I do art. 173 do CTN. Com isso, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado. Aplicando essa regra ao caso concreto, vêse que, dos créditos lançados, a decadência não alcançou qualquer dos períodos auditados, posto que, o mais remoto diz respeito a janeiro de 1998, cujo termo de inicio da contagem do prazo é 1º de janeiro de 1999, e o final, 31 de dezembro de 2003, enquanto o lançamento foi efetuado em 09 de julho de 2003. Esclareçase, por oportuno, que a compensação feita pelo sujeito passivo não pode ser equipara a pagamento, pois o objeto destes autos é, justamente, a glosa do encontro de contas realizado pela autuada. Esclareçase, por oportuno, que a única questão devolvida à apreciação deste Colegiado é a do termo de início da decadência, e que o acórdão recorrido enfrentou as demais questões trazidas no recurso voluntário. Com isso, afastandose a decadência, não há que devolver os autos à instância a quo, posto que as demais questões já foram examinadas. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência declarada no acórdão recorrido, e restabelecer o crédito tributário lançado. Henrique Pinheiro Torres Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES
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Numero do processo: 10850.000597/2004-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
Classificamse
na posição 9406 da TIPI/2002 (alíquota zero) as construções
préfabricadas
que se enquadrem no conceito da Nota 4 do Capítulo 94.
Devem ser classificadas na posição 7308 (alíquota de 5%) as estruturas
metálicas que não se relacionem ao fornecimento de uma construção préfabricada.
Tendo a fiscalização lançado de ofício o imposto em relação às
notas fiscais que consignavam a saída de “estruturas metálicas”, é ônus
processual da recorrente comprovar que aquelas estruturas metálicas
integravam o fornecimento de uma construção metálica préfabricada.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-001.254
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a reconstituição dos saldos da escrita
fiscal do IPI com a exclusão das notas fiscais de fls. 138, 147, 148 e 151, por consubstanciarem
saída de construção préfabricada,
sujeita à alíquota zero, mantendose
a exigência dos saldos
devedores que remanescerem com os consectários do lançamento de ofício. Sustentou pela
recorrente a Dra. Thais da Costa. OAB/DF nº 24.823.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ÔNUS DA PROVA. Classificamse na posição 9406 da TIPI/2002 (alíquota zero) as construções préfabricadas que se enquadrem no conceito da Nota 4 do Capítulo 94. Devem ser classificadas na posição 7308 (alíquota de 5%) as estruturas metálicas que não se relacionem ao fornecimento de uma construção pré fabricada. Tendo a fiscalização lançado de ofício o imposto em relação às notas fiscais que consignavam a saída de “estruturas metálicas”, é ônus processual da recorrente comprovar que aquelas estruturas metálicas integravam o fornecimento de uma construção metálica préfabricada. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a reconstituição dos saldos da escrita fiscal do IPI com a exclusão das notas fiscais de fls. 138, 147, 148 e 151, por consubstanciarem saída de construção préfabricada, sujeita à alíquota zero, mantendose a exigência dos saldos devedores que remanescerem com os consectários do lançamento de ofício. Sustentou pela recorrente a Dra. Thais da Costa. OAB/DF nº 24.823. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Oliveira e Ribeiro e Raquel Motta Brandão Minatel. Fl. 386DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 26/03/2004 para exigir o crédito tributário relativo ao IPI, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de destaque do imposto nas notas fiscais que ampararam saídas de produtos industrializados pelo contribuinte. Segundo o termo de verificação fiscal (fls. 162/168), o estabelecimento industrial deu saída a estruturas metálicas de sua fabricação sem lançamento do imposto nas notas fiscais. Narrou a fiscalização que o estabelecimento vinha dando saída às estruturas metálicas classificandoas na posição 7308.90.90, da Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26/12/2002 (TIPI/2002), tributadas a 5%. A partir de meados de janeiro de 2003, a classificação foi alterada para a posição 9406.00.99 – Construções pré fabricadas, tributadas com alíquota zero. Entende a fiscalização que a classificação correta dos produtos denominados “estruturas metálicas” é na posição 7308.90.90, com alíquota de 5%, por força das Regras Gerais nº 1 e 6 de Interpretação do Sistema Harmonizado, combinadas com a Regra Geral Complementar nº 1, com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Foi feita a reconstituição dos saldos da escrita fiscal e lançada a diferença apurada em relação aos saldos devedores com os consectários do lançamento de ofício. A 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto SP, por meio do Acórdão nº 22.235, de 13 de fevereiro de 2009, manteve o lançamento em julgado que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ESTRUTURAS METÁLICAS. As estruturas metálicas classificamse no código 7308.90.90 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1. Lançamento Procedente Regularmente notificado daquele Acórdão em 17/04/2009, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 338/367, em 19/05/2009, alegando, em síntese, que tanto a fiscalização quanto a autoridade julgadora de primeira instância basearamse exclusivamente na descrição contida nas notas fiscais glosadas para reclassificar as mercadorias saídas do estabelecimento nos meses de janeiro a março de 2003. Ao contrário do que afirmou a decisão recorrida, é perfeitamente possível relacionar os contratos de empreitada com as notas fiscais juntadas pela fiscalização, para o fim de demonstrar que as operações representavam saídas de partes e peças de galpões industriais préfabricados. Alegou que juntou aos autos contratos de empreitada com a Cia. Siderúrgica BelgoMineira, com a Ferrovia CentroAtlântica e com a SMS Demag. Os objetos desses contratos eram o fornecimento e montagem de edificações metálicas préfabricadas, sendo que o simples exame das notas fiscais juntadas pela fiscalização, revelam que foram emitidas em nome dessas empresas e os produtos remetidos aos locais das obras. Relativamente à nota fiscal de fl. 128, emitida em nome da empresa Souza Cruz, alegou que não localizou o contrato, mas a simples análise do folder acostado à fl. 256, permite identificar claramente o processo de montagem de uma construção préfabricada. Em relação às notas fiscais de fls. 127, 129, 130 a 137, 139, 140, 142, 143, 145 e 146, emitidas em nome da empresa Katoen Natie do Brasil Ltda, informou que não localizou nem o contrato e Fl. 387DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10850.000597/200477 Acórdão n.º 3403001.254 S3C4T3 Fl. 2 3 nem o folder, solicitando que se considere a imagem inserida no recurso (fl. 350) como comprovação de que as notas fiscais se referiam a uma construção préfabricada. Quanto às operações com a Igreja Universal do Reino de Deus, informou que não localizou os documentos que se correlacionam com as notas fiscais glosadas pelo fisco, mas que está envidando todos os esforços para encontrálos. Contudo, considerando que a referida igreja possui templos espalhados por todo o território nacional, disse que é público e notório que todos eles são construções préfabricadas, em estruturas metálicas, o que dispensa a produção de prova específica, nos termos do art. 334, I do Código de Processo Civil. Prosseguindo em seu arrazoado, discorreu sobre seu processo produtivo, concluindo que seus produtos são construções préfabricadas, classificadas na posição 9406.00.99 da Tabela de Incidência do IPI, sujeitandose à alíquota zero. Juntou consultas fiscais e laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia, para corroborar suas alegações. Requereu a reforma da decisão de primeira instância e o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verificase que a questão de fundo não é determinar a correta classificação fiscal dos produtos, mas sim qual foi o produto que saiu do estabelecimento, se estruturas metálicas ou se construções préfabricadas. É incontroverso nos autos que “estruturas metálicas” classificamse na posição 7308 da TIPI/2002 e que “construções préfabricadas” classificamse na posição 9406. A mera leitura dos textos das posições resolve qualquer problema de interpretação, pois o texto da posição 73.08 da TIPI/2002 contém expressamente a previsão de exclusão das construções préfabricadas, confirase na transcrição abaixo: 73.08 CONSTRUÇÕES E SUAS PARTES (POR EXEMPLO, PONTES E ELEMENTOS DE PONTES, COMPORTAS, TORRES, PÓRTICOS, PILARES, COLUNAS, ARMAÇÕES, ESTRUTURAS PARA TELHADOS, PORTAS E JANELAS, E SEUS CAIXILHOS, ALIZARES E SOLEIRAS, PORTAS DE CORRER, BALAUSTRADAS), DE FERRO FUNDIDO, FERRO OU AÇO, EXCETO AS CONSTRUÇÕES PRÉ FABRICADAS DA POSIÇÃO 94.06; CHAPAS, BARRAS, PERFIS, TUBOS E SEMELHANTES, DE FERRO FUNDIDO, FERRO OU AÇO, PRÓPRIOS PARA CONSTRUÇÕES. 7308.10.00 Pontes e elementos de pontes 0 7308.20.00 Torres e pórticos 0 Fl. 388DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 7308.30.00 Portas e janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras 5 7308.40.00 Material para andaimes, para armações (cofragens*) e para escoramentos 5 7308.90 Outros 7308.90.10 Chapas, barras, perfis, tubos e semelhantes, próprios para construções 5 7308.90.90 Outros 5 O conceito de “construção préfabricada” é dado pela Nota 4 do Capítulo 94 da TIPI/2002, verbis: “4. Consideramse construções préfabricadas, na acepção da posição 94.06, as construções acabadas e montadas na fábrica, bem como as apresentadas em conjuntos de elementos para montagem no local, tais como habitações, instalações de trabalho, escritórios, escolas, lojas, hangares, garagens ou construções semelhantes.” (Grifei) E os textos da posição 94.06 estão assim redigidos: 9406.00 CONSTRUÇÕES PRÉFABRICADAS Alíquota 9406.00.10 Estufas 0 9406.00.9 Outras 9406.00.91 Com estrutura de madeira e paredes exteriores constituídas essencialmente dessa matéria 0 9406.00.92 Com estrutura de ferro ou aço e paredes exteriores constituídas essencialmente dessas matérias 0 9406.00.99 Outras 0 Por seu turno, as Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992, apresentam os seguintes esclarecimentos quanto à posição 94.06, verbis: 94.06 Construções préfabricadas. Esta posição abrange as construções préfabricadas, também denominadas “construções industrializadas”, de quaisquer matérias. Essas construções, concebidas para os mais variados usos, tais como habitação, barracas de canteiros (estaleiros) de obras, escritórios, escolas, lojas, hangares, garagens e estufas, apresentamse, geralmente, sob a forma: Fl. 389DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10850.000597/200477 Acórdão n.º 3403001.254 S3C4T3 Fl. 3 5 – de construções completas, inteiramente montadas, prontas para serem utilizadas; – de construções completas, não montadas; – de construções incompletas, montadas ou não, mas apresentando, nesse estado, as características essenciais de construções préfabricadas. Nos casos de construções que se apresentam não montadas, os elementos necessários para a sua edificação podem apresentar se quer parcialmente montados (paredes, armaduras de telhado, por exemplo) ou fornecidos nas dimensões definitivas (vigas, principalmente), quer ainda, alguns outros, com comprimento indeterminado para serem ajustados no momento da montagem (vigas de apoio, matérias isolantes, etc.). Desse modo, para fins de enquadramento do produto na posição 9406.00.99 da tabela de incidência do IPI, deve ser considerada construção préfabricada não só a construção completa que saia montada ou não do estabelecimento industrial, mas também aquelas incompletas, montadas ou não, mas que apresentem as características essenciais de uma construção préfabricada. Por outro lado, se as estruturas metálicas não pertencerem ou não constituírem um conjunto capaz de formar uma edificação completa ou incompleta, ou se essas partes em conjunto não possuírem as características essenciais de uma construção pré fabricada, deverão ser classificadas na posição 7308.90.90. Portanto, o que deve ser provado pela recorrente para elidir a autuação é se as “estruturas metálicas” descritas nas notas fiscais que deram suporte à autuação eram partes de uma edificação préfabricada, completa ou não, que seria montada no local da obra. Sempre é bom frisar que a fiscalização não contestou a classificação fiscal das construções préfabricadas, mas apenas e tãosomente autuou a recorrente por ter dado saída a “estruturas metálicas” da posição 7308 sem destaque do IPI nas notas fiscais. O problema é que a recorrente não se preocupou com a descrição dos produtos nas notas fiscais. Em praticamente todas as notas fiscais glosadas pelo fisco, está consignado que o produto vendido foi “estrutura metálica” sem fazer qualquer outra menção no sentido de que tais “estruturas metálicas” constituiriam partes do fornecimento de uma construção préfabricada. Analisandose a situação apenas por esse prisma, não se pode condenar a fiscalização pelo lançamento efetuado, pois o art. 339, IV, alínea “b”, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, estabelece que a nota fiscal deve conter “a descrição dos produtos, compreendendo: nome, marca, tipo, modelo, série, espécie, qualidade e demais elementos que permitam sua perfeita identificação”. O Regulamento é expresso no sentindo de que a descrição do produto na nota fiscal deve permitir sua perfeita identificação. Diante das descrições dos produtos que constam das notas fiscais acostadas aos autos, que não permitem identificar se a “estrutura metálica” é parte de uma construção préfabricada, bem como da declaração do representante legal da empresa (fls. 120), no sentido de que os produtos industrializados pelo estabelecimento eram Fl. 390DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 estruturas metálicas da posição 7308.90.90, não restou outra alternativa ao fisco a não ser a lavratura do auto de infração para exigir o imposto não lançado. Entretanto, em que pese a deficiência da descrição dos produtos nas notas fiscais, a situação muda quando se leva em conta os demais elementos probatórios trazidos com a impugnação, quais sejam: os contratos de empreitada de mãodeobra (fls. 203 a 248), as soluções de consulta de fls. 271 a 274 e 275 a 277, bem como laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia de fls. 285 a 306. O laudo do INT e as soluções de consulta possuem valor relativo, pois foram apresentados pela recorrente no intuito de fundamentar a sua alegação no sentido de que fabricara e dera saída a construções préfabricadas e não a meras estruturas metálicas. As soluções de consulta trazidas com a impugnação não beneficiam a recorrente diretamente, pois se referem a outra pessoa jurídica. A solução de consulta trazida com o recurso voluntário, embora se refira à pessoa jurídica da recorrente, foi declarada ineficaz pela autoridade competente, não produzindo efeito algum. As soluções de consulta favoráveis à empresa Solesa e o laudo técnico do INT, a meu ver, comprovam apenas que a empresa autuada, assim como a empresa Solesa, têm capacidade técnica para produzir tanto edificações metálicas préfabricadas, quanto estruturas metálicas, mas não provam que os produtos batizados pela recorrente com a expressão “estruturas metálicas”, nas notas fiscais glosadas pelo fisco, eram partes de construções pré fabricadas. O fato impeditivo do direito do fisco que deve ser provado pela recorrente para afastar a tributação neste caso concreto é se as “estruturas metálicas” das notas fiscais eram partes do fornecimento de uma construção préfabricada completa ou incompleta. Nesse passo, ganham relevo os instrumentos de contratos de empreitada de mãodeobra e materiais, juntados com a impugnação, caso possam ser correlacionados com as notas fiscais de saída que embasaram a autuação. Nas fls. 203/213, encontrase o instrumento do contrato de empreitada de mãodeobra e materiais entre a autuada e a Cia. Siderúrgica BelgoMineira. O objeto do contrato é o fornecimento de galpões préfabricados em estrutura metálica. O período de vigência do contrato foi de 19 de dezembro de 2002 a 31 de dezembro de 2003. O endereço para a montagem da obra foi a Unidade de Piracicaba – SP, Av. Marechal Castelo Branco, nº 101, CEP 13.412901 – PiracicabaSP. Verificandose as notas fiscais de fls. 138, 147, 148 e 151, constatase que foram emitidas em nome da Cia Siderúrgica BelgoMineira, dentro do prazo de vigência do contrato de empreitada e que os produtos foram endereçados para o local especificado no contrato para a montagem dos galpões préfabricados. Portanto, ao contrário do que alegou a decisão recorrida, é possível estabelecer uma correlação espaçotemporal entre as notas fiscais citadas com o contrato de empreitada para fornecimento e montagem dos galpões em Piracicaba, devendose excluir essas notas fiscais da apuração do imposto (reconstituição da escrita fiscal). Nas fls. 214/226, encontrase o instrumento do contrato de empreitada de mãodeobra e materiais celebrado entre a autuada e a Ferrovia CentroAtlântica. O objeto deste contrato é o fornecimento e montagem de três galpões de estrutura metálica para a oficina da Ferrovia CentroAtlântica em Uberaba – MG. O contrato foi firmado em 20 de fevereiro de Fl. 391DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10850.000597/200477 Acórdão n.º 3403001.254 S3C4T3 Fl. 4 7 2003 e o prazo de execução dos serviços foi fixado em 150 dias corridos, contados da data de assinatura do “DE ACORDO” na ordem de serviço. Verificandose a nota fiscal fl. 155, constatase que foi emitida em nome da Ferrovia CentroAtlântica em 27 de março de 2003, cerca de 37 dias após a assinatura do contrato de empreitada. Entretanto, considero que apenas a vinculação temporal é insuficiente para comprovar que as “estruturas metálicas” consignadas na nota fiscal eram partes dos galpões objeto do contrato firmado, pois não restou comprovado que os produtos foram destinados ao local da obra em Uberaba, tendo em vista que a nota fiscal foi endereçada ao estabelecimento da Ferrovia CentroAtlântica em Belo Horizonte. Era ônus processual da recorrente demonstrar de forma inequívoca que a “estrutura metálica” da nota fiscal de fl. 155 constituía uma parte dos galpões que seriam montados em Uberaba. Apenas a circunstância temporal é insuficiente para demonstrar a correlação com o contrato. Assim, deve prevalecer a descrição que a recorrente fez constar na nota fiscal, no sentido de que o produto era “estrutura metálica”, cuja classificação é incontroversa na posição 7308.90.90 (5%). Às fls. 227/247 consta o instrumento do contrato de empreitada de mãode obra e materiais que supostamente teria sido firmado com a empresa SMS Demag Ltda. Verificase à fl. 247 que o instrumento foi assinado apenas pelos representantes legais da autuada. O instrumento assinado por apenas uma das partes não comprova a existência do contrato. Além disso, ainda que o instrumento estivesse assinado por ambas as partes, o exame da cláusula 23 (fl. 246) revela que a vigência deste contrato estava condicionada à vigência do contrato P150008CB. Não há nada nos autos que demonstre que o contrato P150008CB chegou a viger e nem que foi adotada a providência estabelecida no item 2 da cláusula 23. Sendo assim, as notas fiscais emitidas para a SMS Demag ou para a empresa Vega do Sul, não podem ser correlacionadas a um contrato que não tem existência jurídica, devendo prevalecer o que a recorrente fez consignar nas suas notas fiscais: saídas de “estruturas metálicas”, cuja classificação fiscal é incontroversa na posição 7308.90.90 (5%). Relativamente às demais notas fiscais que lastrearam a autuação, a recorrente informa que não conseguiu localizar os contratos e apela para que o Colegiado considere as imagens e os folders anexados aos autos. A imagens e os folders anexados nada comprovam, pois além de não permitirem estabelecer um vínculo entre as notas fiscais glosadas pelo fisco com as obras que constam das imagens, também são insuficientes para assegurar que a recorrente foi contratada para fornecer a edificação préfabricada que aparece nas imagens. As edificações da Igreja Universal, da Katoen Natie e da Souza Cruz podem muito bem terem sido fornecidas por terceiros e a recorrente ter sido subcontratada apenas para fornecer parte dos componentes, cujas saídas, verificada esta hipótese, não se enquadrariam no conceito de construção préfabricada da Nota 4 do Capítulo 94. Era ônus processual da recorrente demonstrar o fato impeditivo da pretensão fazendária. Não tendo se desincumbido deste encargo, deve prevalecer a descrição do produto que a recorrente fez consignar em seus documentos fiscais, qual seja: “estrutura metálica”, cuja classificação é incontroversa na posição 7308.90.90 (5%). Especificamente quanto à invocação do art. 334, I do CPC para lastrear a desnecessidade de comprovação das operações com a Igreja Universal, o argumento da recorrente não se sustenta, pois não se pode considerar que seja público e notório que todos os templos da Igreja Universal sejam constituídos por construções metálicas préfabricadas. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, é bem provável que existam inúmeros templos edificados em alvenaria tradicional, outros em alvenaria com alguns elementos Fl. 392DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 constituídos de estruturas metálicas (a cobertura, por exemplo) e outros totalmente de estruturas metálicas préfabricadas. Era ônus processual da recorrente ter demonstrado no mínimo uma vinculação espaçotemporal entre as notas fiscais glosadas e o fornecimento específico de uma construção metálica préfabricada. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a reconstituição dos saldos da escrita fiscal do IPI com a exclusão das notas fiscais de fls. 138, 147, 148 e 151, por consubstanciarem saída de construção pré fabricada, sujeita à alíquota zero, mantendose a exigência dos saldos devedores que remanescerem com os consectários do lançamento de ofício. Antonio Carlos Atulim Fl. 393DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900986/2006-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de Apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
IPI. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE SALDO CREDOR.
Glosa-se o saldo credor utilizado para compensação via PER/DCOMP se o mesmo saldo foi consumido na compensação dos próprios débitos de IPI de períodos posteriores na composição da escrita fiscal.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.369
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar se provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de Apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE SALDO CREDOR. Glosa-se o saldo credor utilizado para compensação via PER/DCOMP se o mesmo saldo foi consumido na compensação dos próprios débitos de IPI de períodos posteriores na composição da escrita fiscal. Recurso voluntário negado.
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IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE SALDO CREDOR. Glosase o saldo credor utilizado para compensação via PER/DCOMP se o mesmo saldo foi consumido na compensação dos próprios débitos de IPI de períodos posteriores na composição da escrita fiscal. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar se provimento ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Paulo Sérgio Celani, Rodrigo Cardozo Miranda, Antonio Spolador Junior e Gilberto de Castro Moreira Junior. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10850.900986/200666 Acórdão n.º 3202000.369 S3C2T2 Fl. 228 2 Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (“DRJ/RPO”), como constante às fls. 204/205 que negou provimento à Manifestação de Inconformidade: “Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e a conseqüente compensação de referidos créditos com débitos da própria empresa. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese a saldo credor do IPI do 2° trimestre do ano de 2001, no montante de R$ 10.644,20. A DRF de origem nãohomologou as compensações pleiteadas sob o fundamento de que o saldo credor solicitado foi utilizado em períodos subseqüentes, além das glosas efetuadas em decorrência de créditos indevidos (R$ 706,94). Regularmente cientificada, a empresa apresentou manifestação alegando que do total glosado a quantia de R$ 540,91 não poderia ser excluída já que se refere a erro de digitação de número de CNPJ de fornecedores que são da empresa WEG Química Indústria S.A, conforme documentos juntados à manifestação, cujo CNPJ registrado foi o de n° 83.239.368/000134, quando o correto seria o n° 79.670.501/000569 e da empresa SOUFER Industrial Ltda, cujo CNPJ registrado foi o de n° 59.755.280/000190, quando o correto seria o no 45.987.062/000509. Acrescentou que o valor de R$ 150,53, diz respeito ao crédito de IPI aproveitado da empresa ENGETREF Indústria e Comércio Ltda. que, à época dos fatos, não era optante do Simples, já que houve destaque do valor do IPI, o qual somado ao valor da mercadoria, foi devidamente pago pela deferente e. portanto, seria cristalino o direito de se creditar desse imposto. Quanto ao aproveitamento indevido de saldo credor em períodos subseqüentes, alegou que bastaria definir o momento em que se deve estornar, do saldo credor do IPI, o valor reconhecido para ressarcimento: no inicio do trimestre seguinte ao do crédito reconhecido, corno entendeu o fisco, ou no período de apuração da apresentação do Pedido de Ressarcimento, como fez a deferente? Citando o artigo 17, da IN no 600/2005, alegou que o estorno deve ser efetuado no período de apuração em que for apresentado à SRF o pedido de ressarcimento e que seria ilógico cogitar que algum contribuinte, no ano de 2003, como se deu o caso, ao apresentar pedidos de ressarcimento de trimestres de anos anteriores (1999/2000), tivesse a obrigação de promover os estornos nesses próprios trimestres, com a sanção de refazer totalmente a sua escrita fiscal. Acrescentou que o saldo credor inicial apurado pelo Fisco foi de R$ 33.231,75, ao passo que o correto, como ajustado pela deferente, é de R$ 103.879,64, Fl. 237DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10850.900986/200666 Acórdão n.º 3202000.369 S3C2T2 Fl. 229 3 comprometendo, por sequela, o menor saldo credor, parâmetro para ressarcimento. A decisão de fls. 204/208, proferida pela DRJ/RPO, foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES COM DESTAQUE DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. A legitimação do direito ao crédito de IPI que comporá o saldo credor trimestral depende do destaque do imposto na respectiva nota fiscal de aquisição de insumos estar revestido dos atributos inerentes à exação, isto é, permitir a cobrança do emitente e o creditamento do adquirente, o que não se amolda, respectivamente, aos optantes pelo Simples e a seus clientes. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. MENOR SALDO CREDOR O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. GLOSAS. COMPROVAÇÃO DAS AQUISIÇÕES. Comprovada a regularidade das notas fiscais de aquisição, o crédito do imposto dela decorrente deve voltar a compor o saldo credor do período correspondente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ/RPO, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário de fls. 216/226, objetivando reformar a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: a. A Recorrente alude que o período a ser considerado para estorno do crédito de IPI pleiteado deve ser o do pedido de compensação (3° trimestre de 2003), ao invés daquele no qual o crédito foi gerado (2° trimestre de 2001). b. Requer ainda o acolhimento do pedido de compensação por entender que havia saldo credor de IPI suficiente para acobertar o ressarcimento pleiteado. c. Pede provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10850.900986/200666 Acórdão n.º 3202000.369 S3C2T2 Fl. 230 4 Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. O primeiro aspecto levantado pela Recorrente é a devida interpretação do artigo 17 da Instrução Normativa 600 da SRF, voltado ao marco temporal considerado para fins de apuração do saldo credor de IPI, se quando do fato gerador do imposto ou do pedido de compensação. Esse dispositivo, vigente à época dos fatos, estabelecia que: “Art. 17. No período de apuração em que for apresentado à SRF o pedido de ressarcimento, bem como em que forem aproveitados os créditos do IPI na forma do art. 26, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor do crédito solicitado.” Verificase, então, que, uma vez formulado pedido de ressarcimento, o crédito postulado deverá ser estornado da escrituração fiscal justamente para que não exista aproveitamento indevido em períodos posteriores. No caso em tela, e diferentemente do raciocínio exposto pela Recorrente, o art. 17 da IN SRF n. 600/2005 não tem o condão de alterar o entendimento fixado na decisão de primeira instância. Pelo contrário, o tema central discutido nestes autos é a existência ou não de saldo credor de IPI objeto de compensação. Conforme demonstrado nas planilhas colacionadas na decisão da DRJ/RPO, fundadas nos demonstrativos apresentados pela própria Recorrente às fls. 194/201, bem como nos demais documentos constantes dos autos, a Recorrente não possui o saldo credor com o qual pretende compensar outros tributos. As provas e os números mostram que, ao longo do tempo, o contribuinte utilizouse dos saldos credores de IPI na própria apuração desse imposto, salvo os valores de R$36.737,12 e 21.167,53, devidamente deferidos para fins de compensação. Nos termos da decisão da DRJ/RPO: O indeferimento do ressarcimento se deu pelo aproveitamento total do saldo credor do período analisado ocorrido entre o encerramento do trimestre em questão e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, e não, como fez crer a manifestante, de estorno no inicio do trimestre seguinte ao da apuração. (...) Fl. 239DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10850.900986/200666 Acórdão n.º 3202000.369 S3C2T2 Fl. 231 5 A própria alegação da empresa de que, se o direito creditório já deferido voltasse a fazer parte do saldo transferido para os períodos seguinte (inclusive com as glosas efetuadas), o menor saldo apurado no período seria de R$ 88.829,11, vem comprovar que todo o saldo credor apurado desde o terceiro trimestre de 1999 fora consumido, já que o montante de R$ 88.829,11 nada mais é do que o valor que já foi deferido pela autoridade administrativa no primeiro e segundo trimestre de 1999 (R$ 57.934, 65) somado às glosas contestadas. Quanto ao valor do saldo credor de períodos anteriores utilizado para a verificação em pauta, devese ressaltar que referese ao montante apurado no final do trimestre imediatamente anterior, descontado o valor já deferido pela RFB e utilizado para compensação do 1° trimestre no valor de R$ 36.737,12 e do 2° trimestre, no montante de R$ 21.167,53. (...) Devese destacar, ainda, que as glosas referentes ao 1°, 2° e 3° trimestres foram mantidas pelo Acórdão 1429231; 1429232 e 1429233, proferidos em 26/05/2010. No entanto, sobre o saldo inicial do período, há que se considerar o montante do crédito em conseqüência do acórdão proferido no processo administrativo referentes aos períodos anteriores (4° trimestre de 1999 e 2000), que julgou improcedente a glosa de crédito no montante de R$ 6.189,61 e R$ 2.418,33. Desta forma, o saldo inicial do período deve ser de R$ 32.583,39, conforme tabela abaixo (Obs: Ver demonstrativos anexos ao processo as fls 290 A 295). De acordo com a tabela abaixo, podemos verificar que no primeiro decêndio de setembro de 2002 houve a apuração de débito do imposto, ou seja, todo o credito de IPI acumulado durante o período de janeiro de 2001 a agosto de 2002 foi utilizado para abatimento dos débitos do mesmo imposto referentes às saídas tributadas, não restando, desta forma, valor a ressarcir (além do já ressarcido no 1° e 2° trimestres do ano de 1999). 2001 CREDITO DEBITO SALDO jan/01 R$ 81.272,52 R$ 24.336,75 R$ 35.958,26 R$ 69.651,01 R$ 69.651,01 R$ 24.382,05 R$ 38.155,22 R$ 55.877,84 R$ 55.877,84 R$ 23.299,90 R$ 18.459,05 R$ 60.718,69 fev/01 R$ 60.718,69 R$ 18.559,72 R$ 25.629,38 R$ 53.649,03 R$ 53.649,03 R$ 8.340,99 R$ 26.534,21 R$ 35.455,81 R$ 35.455,81 R$ 6.219,61 R$ 6.146,07 R$ 35.529,35 mar/01 R$ 35.529,35 R$ 21.498,26 R$ 17.302,57 R$ 39.725,04 R$ 39.725,04 R$ 6.501,46 R$ 9.566,15 R$ 36.660,35 R$ 36.660,35 R$ 14.012,95 R$ 18.089,91 R$ 32.583,39 abr/01 R$ 32.583,39 R$ 7.921,22 R$ 9.921,63 R$ 30.582,98 R$ 30.582,98 R$ 4.817,05 R$ 11.401,27 R$ 23.998,76 R$ 23.998,76 R$ 6.136,02 R$ 12.097,03 R$ 18.037,75 mai/01 R$ 18.037,75 R$ 7.405,59 R$ 7.944,25 R$ 17.499,09 R$ 17.499,09 R$ 7.830,52 R$ 3.545,60 R$ 21.784,01 R$ 21.784,01 R$ 5.040,49 R$ 7.139,10 R$ 19.685,40 jun/01 R$ 19.685,40 R$ 13.532,44 R$ 2.522,62 R$ 30.695,22 Fl. 240DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10850.900986/200666 Acórdão n.º 3202000.369 S3C2T2 Fl. 232 6 R$ 30.695,22 R$ 7.472,49 R$ 4.559,92 R$ 33.607,79 R$ 33.607,79 R$ 11.095,34 R$ 2.038,30 R$ 42.664,83 jul/01 R$ 42.664,83 R$ 11.499,64 R$ 2.188,64 R$ 51.975,83 R$ 51.975,83 R$ 7.987,67 R$ 4.905,51 R$ 55.057,99 R$ 55.057,99 R$ 5.754,30 R$ 8.603,77 R$ 52.208,52 ago/01 R$ 52.208,52 R$ 10.375,83 R$ 10.493,92 R$ 52.090,43 R$ 52.090,43 R$ 8.719,99 R$ 14.667,94 R$ 46.142,48 R$ 46.142,48 R$ 26.927,63 R$ 20.756,51 R$ 52.313,60 set/01 R$ 52.313,60 R$ 29.420,30 R$ 17.304,73 R$ 64.429,17 R$ 64.429,17 R$ 41.737,72 R$ 18.268,32 R$ 87.898,57 R$ 87.898,57 R$ 21.460,38 R$ 13.553,96 R$ 95.804,99 out/01 R$ 95.804,99 R$ 44.653,82 R$ 18.547,32 R$ 121.911,49 R$ 121.911,49 R$ 17.830,74 R$ 14.324,99 R$ 125.417,24 R$ 125.417,24 R$ 15.888,35 R$ 24.646,00 R$ 116.659,59 nov/01 R$ 116.659,59 R$ 19.232,47 R$ 11.153,75 R$ 124.738,31 R$ 124.738,31 R$ 2.343,08 R$ 33.650,63 R$ 93.430,76 R$ 93.430,76 R$ 2.714,28 R$ 25.116,13 R$ 71.028,91 dez/01 R$ 71.028,91 R$ 73.120,02 R$ 19.333,24 R$ 124.815,69 R$ 124.815,69 R$ 27.892,19 R$ 31.175,46 R$ 121.532,42 R$ 121.532,42 R$ 4.307,19 R$ 12.247,18 R$ 113.592,43 jan/02 R$ 113.592,43 R$ 2.868,38 R$ 13.163,15 R$ 103.297,66 R$ 103.297,66 R$ 9.463,01 R$ 8.923,54 R$ 103.837,13 R$ 103.837,13 R$ 7.036,50 R$ 11.679,43 R$ 99.194,20 fev/02 R$ 99.194,20 R$ 9.290,05 R$ 13.880,24 R$ 94.604,01 R$ 94.604,01 R$ 16.299,59 R$ 13.958,32 R$ 96.945,28 R$ 96.945,28 R$ 1.749,11 R$ 5.412,15 R$ 93.282,24 mar/02 R$ 93.282,24 R$ 4.609,45 R$ 3.715,47 R$ 94.176,22 R$ 94.176,22 R$ 4.380,42 R$ 20.609,78 R$ 77.946,86 R$ 77.946,86 R$ 538,32 R$ 11.262,64 R$ 67.222,54 abr/02 R$ 67.222,54 R$ 3.795,79 R$ 10.401,63 R$ 60.616,70 R$ 60.616,70 R$ 4.683,97 R$9.234,52 R$ 56.066,15 R$ 56.066,15 R$ 2.506,17 R$ 17.156,13 R$ 41.416,19 mai/02 R$ 41.416,19 R$ 3.729,07 R$ 2.166,70 R$ 42.978,56 R$ 42.978,56 R$ 1.364,46 R$ 3.082,54 R$ 41.260,48 R$ 41.260,48 R$ 2.162,05 R$ 5.630,19 R$ 37.792,34 jun/02 R$ 37.792,34 R$ 558,02 R$ 2.021,95 R$ 36.328,41 R$ 36.328,41 R$ 3.827,07 R$ 3.428,50 R$ 36.726,98 R$ 36.726,98 R$ 1.399,03 R$ 2.855,72 R$ 35.270,29 jul/02 R$ 35.270,29 R$ 1.426,67 R$ 3.416,72 R$ 33.280,24 R$ 33.280,24 R$ 4.103,49 R$ 2.774,54 R$ 34.609,19 R$ 34.609,19 R$ 3.456,40 R$ 7.372,53 R$ 30.693,06 ago/02 R$ 30.693,06 R$ 5.076,89 R$ 7.744,74 R$ 28.025,21 R$ 28.025,21 R$ 10.594,51 R$ 11.407,18 R$ 27.212,54 R$ 27.212,54 R$ 22.759,78 R$ 20.513,49 R$ 29.458,83 set/02 R$ 29.458,83 R$ 14.312,86 R$ 44.643,49 (R$ 871,80) (R$ 871,80) R$ 11.972,54 R$ 7.041,53 R$ 4.059,21 R$ 4.059,21 R$ 11.476,15 R$ 3.035,13 R$ 12.500,23 Portanto, houve a utilização do saldo credor objeto do presente pedido de ressarcimento (que foi transferido para os trimestres seguintes) no abatimento de débitos gerados no período entre o encerramento do 2° Fl. 241DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10850.900986/200666 Acórdão n.º 3202000.369 S3C2T2 Fl. 233 7 trimestre de 2001 e o período de apuração anterior à data de protocolização do referido pedido (31/08/2003). Desta forma, o saldo existente em 30/06/2001, que foi consumido no abatimento de débitos de IPI em período posterior, não pode ser ressarcido, estando correto o despacho decisório prolatado pela delegacia de origem. Com bem demonstrado na decisão recorrida, o saldo credor de IPI postulado pela Recorrente (2º trimestre de 2001) foi utilizado para compensar os débitos desse mesmo imposto constantes da própria escrituração fiscal. A prova cabal dessa situação pode ser extraída da comparação entre as planilhas de fls. 198/199 e 200/201, pois a discrepância entre ambas é apenas o saldo inicial, a saber: a) Planilha de fls. 198/199: Saldo Inicial – R$ 61.160,09; b) Planilha de fls. 198/199: Saldo Inicial – R$ 82.327,62. Notese que a diferença entre esses dois saldos iniciais é de R$ 21.167,53, a qual corresponde exatamente ao crédito utilizado pela Recorrente e deferido pela autoridade administrativa. Tal situação demonstra a apuração correta dos créditos, débitos e saldos do IPI da Recorrente é justamente a que foi colacionada no acórdão da DRJ/RPO. Se não bastasse isso, é importante destacar ainda que os números levantados pela Recorrente à fl. 221 dos autos não encontram guarida na documentação acostada aos autos, reforçando, assim, a improcedência do inconformismo do contribuinte. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, mantendose a decisão da DRJ/RPO por seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 242DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI
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Numero do processo: 11686.000010/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL.
Pela sistemática da não cumulatividade do PIS, os custos de produção e as
despesas incorridas que geram direito ao crédito são aquelas elencadas nos
incisos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002. As demais despesas incorridas para
a formação da receita não geram direito ao referido crédito.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a
constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes
Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam
provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. Pela sistemática da não cumulatividade do PIS, os custos de produção e as despesas incorridas que geram direito ao crédito são aquelas elencadas nos incisos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002. As demais despesas incorridas para a formação da receita não geram direito ao referido crédito. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 15/08/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS não cumulativo referente aos 2º e 3º trimestres de 2005, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas de créditos relativos as despesas com agenciamento de leite junto a fornecedores e com comissões a representantes comerciais e, também, a encargos de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004. Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade na qual discorre sobre a sistemática da não cumulatividade dos PIS, da Cofins, do IPI e do ICMS para apontar distinções entre as sistemáticas desses impostos e contribuições para concluir que é inconstitucional as disposições do art. 31 da Lei no 10.865/2004 e, consequentemente, tem direito ao crédito referente a todos os bens corpóreos adquiridos e a todos os serviços aplicados na formação da receita. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão no 1025.176, de 06/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Apenas os custos e as despesas elencadas nos incisos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 geram créditos de PIS pela sistemática da não cumulatividade. INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. Ciente desta decisão em 25/05/2010 (AR de fl. 87), a empresa ingressou, no dia 23/06/2010, com o recurso voluntário de fls. 88/107, no qual repisa os argumentos sobre a legitimidade dos créditos escriturados e glosados pela Fiscalização. Na forma regimental o recurso voluntário foi a mim distribuído, para relatar. É o resumo do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000010/200946 Acórdão n.º 330201.129 S3C3T2 Fl. 118 3 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, por esta razão, dele conheço. A empresa recorrente está pleiteando o reconhecimento do crédito do PIS não cumulativo relativo a despesas incorridas com o agenciamento de leite junto a fornecedores seus e com a representação comercial de seus produtos e, também, pleiteia creditarse dos encargos de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004. Sem razão a recorrente e sem reformas a decisão recorrida. Em que pesa o esforço da recorrente de demonstrar a tese de que, em princípio, tem direito de creditarse nas aquisições de todos os bens corpóreos adquiridos e a todos os serviços aplicados na formação da receita e que a proibição de creditamento deve estar expressa na lei, não é essa a realidade legal de regência. No caso do PIS e da Cofins não cumulativos, o legislador preferiu discriminar cada uma das despesas que dão direito ao crédito. E como bem disse a decisão recorrente, as despesas autorizadas são unicamente os insumos utilizados na produção dos bens fabricados e vendidos pela recorrente e outras despesas autorizadas pela própria lei. No caso em tela, as despesas com agenciamento junto a fornecedores de leite e as despesas com representação comercial dos produtos fabricados não se enquadram no conceito de insumo: não são serviços sem os quais não se industrializa derivados do leite. Quanto aos créditos relativos as despesas de depreciação, somente é possível, no período objeto do pedido de ressarcimento, as máquinas e equipamentos adquiridos a partir de 01/05/2004 e utilizados no processo produtivo. Os demais bens do ativo permanente (móveis e utensílios, veículos, etc.) e todos os bens adquiridos até 30/04/2004 não geram direito ao crédito de PIS e de Cofins, por expressa determinação legal. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade do art. 31 da Lei no 10.865/04, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004853/2005-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL.
EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO
ANTERIOR AO FATO GERADOR E LAUDO PERICIAL. VALIDADE.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial, ainda que não apresentado ADA, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de
cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material, consagrado pelo disposto no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.766
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E LAUDO PERICIAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial, ainda que não apresentado ADA, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material, consagrado pelo disposto no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001. Recurso especial negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E LAUDO PERICIAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial, ainda que não apresentado ADA, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material, consagrado pelo disposto no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco Assis de Oliveira Junior e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10183.004853/200596 Acórdão n.º 920201.766 CSRFT2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório AGROPECUÁRIA VALE DO XIMARI LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 17/10/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Gleba Raposo Tavares”, localizado no município de Apiacas/MT, inscrita na RFB sob nº 64173429, conforme peça inaugural do feito, às fls. 04/09, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 8.381/2006, às fls. 266/285, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Câmara, em 13/08/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30134.685, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR EXERCÍCIO: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ADA EXTEMPORÂNEO. Devem ser consideradas as áreas de preservação permanente e de reserva legal devidamente comprovadas por meio de registro junto à matrícula do imóvel e de laudo, independentemente da apresentação do ADA. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10183.004853/200596 Acórdão n.º 920201.766 CSRFT2 Fl. 3 3 PROVA. Laudo. Laudo posterior que retifica a área anteriormente informada deve ser acolhido em obediência ao princípio da verdade material. TERRA INDÍGENA. VTN. Para efeitos de diminuição do valor do VTN em razão da área estar sujeita à demarcação de terras indígenas há de ser considerada a data da Portaria Ministerial que determinou referida demarcação. Impossibilidade dos efeitos da Portaria 1.149/2002 retroagir à data do fato gerador do tributo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 880/896, com arrimo no artigo 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30236.278, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende da requisição atempada do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à exigência do requerimento do ADA. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. No presente caso, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10183.004853/200596 Acórdão n.º 920201.766 CSRFT2 Fl. 4 4 Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre então Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 2100 /2009, às fls. 936/937. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 943/972, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua pretensão. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma trazido à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2002, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10183.004853/200596 Acórdão n.º 920201.766 CSRFT2 Fl. 5 5 instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10183.004853/200596 Acórdão n.º 920201.766 CSRFT2 Fl. 6 6 legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre referidas áreas. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, tratando do tema nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Por outro lado, para os exercícios de 2001 em diante, após o advento da Lei no 10.165, de 28/12/2000, que alterou a Lei no 6.938/1981, entende parte dos julgadores deste Colegiado que a protocolização atempado do ADA passou a ser exclusiva exigência legal, para fins de fruição da isenção em comento. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no Acórdão recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa das áreas de reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra, sobretudo em face do disposto no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual estabelece que a isenção em epígrafe sobre tais glebas, independe de prévia comprovação (requisição atempada do ADA), bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material das áreas declaradas pela contribuinte como de reserva legal e preservação permanente, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica da Averbação procedida à margem da escritura do imóvel (antes da ocorrência do fato gerador), admitida pela própria Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 10183.004853/200596 Acórdão n.º 920201.766 CSRFT2 Fl. 7 7 autoridade lançadora no AI, às fls. 06, bem como do Laudo Técnico, às fls. 743/767, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Nesse sentido, inobstante entendimento pessoal a respeito do tema acima alinhavado, o certo é que a Averbação procedida pelo contribuinte, bem como o Laudo Técnico apresentado, se prestam a comprovar a existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, respectivamente, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Diante das razões encimadas, tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pela contribuinte, ainda que não apresentado o ADA, impõese o restabelecimento de tais áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela então 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 18/10/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 10120.720206/2006-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR.
Exercício: 2003
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA.
A partir do exercício 2001, é indispensável a apresentação do Ato
Declaratório Ambiental – ADA como condição para usufruir a redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.795
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (conselheiro convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto
vencedor o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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Exercício: 2003 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA. A partir do exercício 2001, é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA como condição para usufruir a redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (conselheiro convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Junior – RedatorDesignado EDITADO EM: 28/11/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.720206/200641 Acórdão n.º 920201.795 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em divergência jurisprudencial. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, por falta de recolhimento do ITR, referente ao exercício de 2003, decorrente da glosa total das áreas originalmente informadas como de utilização limitada, por falta de comprovação do cumprimento dos requisitos legais. Houve alteração do VTN, com referência aos valores constantes do SIPT. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 09/10. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento deu por procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a Área de reserva legal deve estar averbada na Matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. 0 ADA é igualmente exigido para a comprovação das Áreas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA 0 valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 75/79). A Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO CONDICIONADA. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO ATÉ INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. ONUS DA PROVA. INVERSÃO. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito indispensável para a fruição da redução da base de calculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, então, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 170, §1°, da Lei n.° 6.938/81. Contudo, referido dispositivo não fixa prazo determinado para a apresentação do ato declaratório, tampouco a necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal, para o fim especifico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. Diante dessa lacuna, na forma como estatuído pelo art. 97, inciso VI, do CTN, não pode o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Considerandose que o ADA possui papel pratico de apuração de área tributável, ato este sujeito ao poder de policia do IBAMA, denotase que sua entrega até o inicio da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo, pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área. Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA), editado pelo IBAMA em 2010. Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência da área de reserva legal, mediante a apresentação de laudo técnico e de cópia da matricula do imóvel com a respectiva averbação. Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial (fls. 211/218), com fundamento em divergência jurisprudencial. Trouxe à tona julgados em que se exige “a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste, junto ao órgão ambiental competente, tudo com vistas ao reconhecimento da isenção do ITR exercício 2001 sobre as áreas de utilização limitada”. Neste sentido, argumentou o recorrente: “Assim, para efeito da exclusão das áreas de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração”. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.720206/200641 Acórdão n.º 920201.795 CSRFT2 Fl. 3 5 O contribuinte apresentou suas contrarrazões (fls. 235/241). O contribuinte manifestouse, por outro lado, às fls. 246/248 dos autos, suscitando “matéria reconhecível de ofício”. Segundo o contribuinte, nos autos do processo n° 10183.004053/200575, envolvendo idênticas partes e matéria de fato e de direito, diferenciandose apenas no que se refere ao período de exigência fiscal, reconheceuse, de ofício, a exclusão da multa de ofício, como fundamento no fato de que “a ciência do auto de infração do único herdeiro (inventariante) ocorreu em momento posterior à data da morte do de cujus, não havendo dispositivo legal em sentido contrário que lhe impute responsabilidade nessa situação”. Assim, postulou pela aplicação do mesmo entendimento adotado naquele processo, para a exclusão da multa de ofício exigida pelo Fisco. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. O lançamento referese ao exercício de 2003, e diz respeito à glosa da área declarada como de utilização limitada. A recorrente sustentou que os acórdãos paradigmas estabeleceram que, a partir do exercício de 2001, com fundamento no artigo 17O da Lei n° 6.938/8, não dispensaram a exigência de comprovação por meio do ADA ou do requerimento deste pelo requerimento do contribuinte junto ao IBAMA ou ao órgão ambiental conveniado. No presente caso, o contribuinte apresentou cópia da matrícula do imóvel com a averbação da área de reserva legal em 2001 (fls. 112/114). Apresentou, também, termo de responsabilidade de preservação de floresta (fls. 126) e memorial descritivo (fls. 130/131). Vêse, neste sentido, que a exigência da averbação da área de reserva legal foi cumprida pelo contribuinte, tendo em vista que a averbação ocorreu no ano de 2001, em decorrência de termo de responsabilidade de preservação de florestal, firmado em janeiro de 2001. Não se pode negar, neste sentido, a efetiva existência da área de reserva legal. Com efeito, o meu entendimento, quanto à matéria, sempre foi no sentido de que, estando presentes provas robustas a atestar a existência da área de reserva legal, mesmo a ausência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel, não impediria a não incidência do ITR em questão. No presente caso, conforme exposto, a área de reserva legal encontrase mais do que comprovada, por meio de sua averbação à margem da matrícula do imóvel, de termo de responsabilidade de preservação de floresta, memorial descritivo e outros, de sorte que não apresentação do Ato Declaratório Ambiental não enseja a glosa da referida área. Neste sentido, os seguintes julgados: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001, 2002 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os Fl. 294DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.720206/200641 Acórdão n.º 920201.795 CSRFT2 Fl. 4 7 fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste Ultimo caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido em parte. (Processo n° 10680.006851/200521, Recurso 342.058, Acórdão n° 2102 00.609, Recorrente: COPEC CONSTRUÇÕES E PECUÁRIA LTDA) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para, os Fl. 295DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 8 fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste último caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente quando o ADA foi protocolizado no órgão ambiental anos antes do início da ação fiscal e há averbação cartorária tempestiva da área de reserva legal. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS (S1PT). HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE O LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO AS NORMAS DA ABNT, É MEIO HÁBIL PARA CONTRADITAR O VALOR DO SrPT. INOCORRÊNCIA. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO SIPT PARA PERÍODOS APÓS 1997. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico de avaliação da terra nua ou o laudo esteja em desconformidade com a Norma Técnica da ABNT aplicável à espécie, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Ademais, apesar de o SIPT ter sido concretizado e2002, por Portaria do Secretário da Receita Federal do Brasil, sua autorização legislativa tem sede na Lei n° 9.393/96, ou seja, o banco de dados do SIPT pode ser alimentado com dados de avaliação após 1997, podendo desde então ser utilizado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil nas auditorias do ITR. Recurso provido em parte. De fato, o ITR é imposto de caráter notadamente extrafiscal, com finalidades outras que não apenas arrecadatória. Sendo assim, a plena comprovação da área de reserva legal, inclusive com a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, não pode ceder em face da ausência de apresentado do Ato Declaratório Ambiental. Se assim não fosse, estarseia a negar a própria finalidade do imposto em questão. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 296DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10120.720206/200641 Acórdão n.º 920201.795 CSRFT2 Fl. 5 9 Voto Vencedor Francisco Assis de Oliveira Junior, Designado Em que pesem os argumentos sempre bem articulados pela ilustre conselheira relatora, divirjo de seu entendimento no tocante à desnecessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA nos termos do § 1º do artigo 17O da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, para efeito de o contribuinte usufruir da redução da base de cálculo do Importo Territorial Rural, a partir da exclusão da área de utilização limitada, bem como as demais áreas indicadas pela legislação. No presente caso, é inquestionável a efetiva existência da área de reserva legal, tendo em vista sua averbação na matrícula do imóvel, bem como a apresentação do termo de responsabilidade de preservação da floresta e o memorial descritivo, condições comprovadas por meio de documentos acostados aos autos. Contudo, a legislação tributária não apresenta apenas estas condições como requisitos para que o contribuinte usufrua do benefício fiscal. Dessa forma, além das provas carreadas aos autos, é imperioso verificar se as demais condições postas na lei para fins de redução da base de cálculo do ITR foram cumpridas, o que de fato, como bem arrazoou o representante da Fazenda Nacional, não se observa no presente processo. Além dessas condições, o comando legal contido na Lei nº 6.938, de 1981, que normatiza a política nacional do meio ambiente, estabeleceu, em seu artigo 17O, de maneira taxativa, a necessidade de o contribuinte apresentar o ADA nos casos em que se pretenda obter o benefício fiscal no tocante ao ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (....) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) É fato que a função precípua do ADA é levar ao conhecimento da autoridade ambiental a existência de áreas que se pretende proteger em razão de suas características específicas, servindo de instrumento para gerenciamento da política ambiental fomentada pelo Estado. Por sua vez, o caráter extra fiscal do ITR fica demonstrado na medida em que se autoriza a redução do tributo a partir do atendimento da obrigação acessória. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 10 Em meu entendimento, contudo, a extrafiscalidade do tributo não nos permite flexibilizar a condição posta na lei para fins de redução da base de cálculo, a saber, a necessária apresentação do ADA. É nesse sentido que vislumbro dificuldade de não ver aplicado o dispositivo previsto no artigo 17O da Lei 6.938, de 1981, razão pela qual a decisão a quo merece ser reformada, tendo em vista não estar amparada pelo arcabouço jurídico que rege o tributo. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Junior Fl. 298DF CARF MF Impresso em 16/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN , Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 10930.000773/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS ODONTOLÓGICAS.
RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 19/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 191DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.000773/200723 Acórdão n.º 2102001.628 S2C1T2 Fl. 179 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 163 a 174 da instância a quo, in verbis: 1. Trata o processo de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, de fls. 08/12 e 100/104, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual – DAA correspondente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, exigindose o crédito tributário de R$ 14.860,93, incluídos juros e multa, em virtude glosa de dedução de despesas médicas. 2. Cientificado do lançamento em 28/05/2007 (fls. 105), o interessado apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 01/06, em 27/06/2007 (fl. 01), acompanhada dos documentos de fls. 07/16, alegando, em síntese, que: a) Intimado para comprovar o pagamento das despesas médicas, apresentou: (1) fotocópia do recibo n° B3823, de 29/01/2002, no valor de R$ 78.494,11 emitido e autenticado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, constando a observação de que se trata do pagamento da Nota Fiscal n° 702119 efetuado mediante cheque n° 008462 do Banco Bradesco S.A., a ser depositado em 01/03/2002; (2) fotocópia da Nota Fiscal n° 702119, de 18/01/2002, no valor de R$ 81.994,11, com descrição pormenorizada das diárias e de todos os materiais utilizados em transplante de medula óssea, constando na última folha (de n° 39) a dedução do pagamento antecipado feito conforme recibo n° A34613, de 17/12/2001, no valor de R$ 3.500,00, restando o saldo de R$ 78.494,11 (R$ 81.994,11 – R$ 3.500,00); e (3) cópia de extrato bancário emitido pelo Bradesco, conta n° 25.8814, comprovando a compensação do cheque n° 8462, no valor de R$ 78.494,11. b) O art. 8°, inciso II, aliena “a”, e parágrafos 2° e 3° da Lei n° 9.250, de 1995, não exige a comprovação mediante apresentação de documentos originais, não podendo Instrução Normativa exigir o que a lei não exige. Portanto, a legislação invocada não fundamenta a infração imputada, havendo erro de capitulação, o que torna nula a autuação. O recibo e as notas, ainda que em fotocópias, comprovam de forma inequívoca o pagamento pelo declarante de tratamento próprio, com clara comprovação e especificação do nome, endereço e número de CNPJ de quem os recebeu, atendendo plenamente a condição de dedutibilidade determinada em lei. A fiscalização não comprovou a inidoneidade dos documentos (sequer mencionou indícios), restando claro que a glosa se deu pela simples não apresentação dos originais. Ainda que houvesse indícios, caberia ao fisco comprovar a inidoneidade. A fiscalização nem ao menos diligenciou junto ao beneficiário do pagamento para confirmalo. c) Para não restar dúvida, junta o microfilme do cheque, comprovando o valor e o beneficiário. Como se constata do microfilme, o cheque foi cruzado, emitido na data prevista para depósito e no verso há carimbo do Hospital com a indicação da nota fiscal e do prontuário do paciente. d) No auto de infração, há uma observação de que nos casos de reembolso pleiteado junto a seguradora ou operadora de plano de saúde, o reembolso está condicionado à apresentação de documentos originais. A observação é descabida, não tendo a fiscalização comprovado o reembolso. Para não deixar dúvida, juntase correspondência da UNIMED evidenciando o não reembolso por falta de cobertura contratual. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.000773/200723 Acórdão n.º 2102001.628 S2C1T2 Fl. 180 3 e) demonstrada a nulidade, a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, requer o acolhimento da impugnação, cancelandose o débito fiscal. 3. Em 10/07/2007 (fls. 106), o autuado carreou aos autos originais do recibo de n° B3823 e da nota fiscal de n° 702119 (fls. 107/147). 4. Por força do despacho de fls. 152, a empresa Unimed Seguros Saúde S.A., CNPJ n° 04.487.255/000181, foi questionada sobre a ocorrência ou não de reembolso das despesas médicas de R$ 78.494,11 (fls. 156/157), tendo afirmado não ter localizado quaisquer pedidos de reembolso (fls. 160). 5. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São dedutíveis despesas médicas, desde que devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 169 a 174, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, repisando os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Na verdade, esse valor referese a apenas um pagamento feito para o Hospital Israelita Albert Einstein, para transplante de medula óssea. As fls. 107/147, estão juntados a nota fiscal e o recibo fornecido por aquele Hospital. A quantidade de 39 folhas da nota fiscal e a descrição pormenorizada das diárias e dos materiais nela contida, por si só, comprovam a gravidade do tratamento. II. No caso, o fato da nota fiscal estar em nome do Requerente, comprova por si que o pagamento foi efetuado por ele e que o tratamento é de si próprio. É bom destacar que não há nenhuma ressalva na nota fiscal que o pagamento tenha sido feito por outra pessoa ou que o tratamento se refere a outra pessoa. Logo, toda condição exigida pela Lei para a dedutibilidade dessa despesa foi atendida. III. A decisão da colenda 6 a• Turma da Delegacia de Julgamento, seguindo o voto do Relator, esta baseada essencialmente na equivocada constatação de que a conta bancária do cheque utilizado é de terceiros. Importante destacar que a decisão está baseada em mera dúvida do Fisco, não havendo qualquer prova de que a conta bancária não é do Recorrente, assim, deveria se aplicar ao caso os princípios in dubio pro reu de matéria penal e in dubio quod minimum sequimur de matéria civil. IV. O Recorrente não poderia ter seu recurso impugnado, sem que ao menos o processo fosse devolvido para a Delegacia de origem, a fim de que a mesma procedesse diligência para Fl. 193DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.000773/200723 Acórdão n.º 2102001.628 S2C1T2 Fl. 181 4 comprovar se a conta pertence ou não ao Recorrente, tal como foi feita As fls. 152/157, com resposta da UNIMED (As fls. 160), para confirmar que não houve reembolso dessa despesa, ainda que o Requerente tenha apresentado comprovação do não reembolso (fls. 15). V. Se o Fisco tivesse efetuado a diligência teria constatado que a conta bancária,da qual, foi utilizado o cheque para o pagamento dessa despesa hospitalar, pertence ao Recorrente Luciano Loureiro Venturelli. Embora no cheque, conforme se pode constatar no seu microfilme (As fls. 13/14), aparece o nome de Aldo Loureiro Venturelli e Ciro Manoel Loureiro Venturelli, a conta de acordo com fotocópias autenticadas das "Ficha Proposta de Abertura de Conta Corrente e Assinaturas", fornecidas pelo BRADESCO (ANEXO 1), é conjunta, sendo do tipo e/ou. VI. Dessa forma, não resta nenhuma dúvida de que a despesa hospitalar glosada foi paga pelo próprio Recorrente Luciano Loureiro VentureIli, com recurso da sua própria conta bancária. Apenas, o cheque foi assinado por seu irmão Ciro M. L. Venturelli, também titular da conta, porque o Recorrente na ocasião do pagamento da conta, quando da sua alta hospitalar, ainda se encontrava muito debilitado. VII. Ciro L. e Aldo L. Venturelli, como se pode perceber pelo próprio sobrenome e pelas informações constantes na DAA, são irmãos do recorrente Luciano e condôminos ou sócios em todas as propriedades que esse possuía à época e possui atualmente, e, portanto também mantinham e mantém essa parceria nas suas atividades. VIII. Assim, considerando que a conta é de titularidade do Recorrente Luciano e foi assinado pelo seu irmão Ciro, também titular da conta, não havia e não há necessidade de mando do autuado e nem de reembolso do pagamento e tampouco existe divida entre Luciano e Ciro, como pede o Relator. IX. Tendo o contribuinte comprovado com documentos hábeis e idôneos os efetivos dispêndios efetuados com despesas médicas, há de ser restabelecida a dedução pleiteada na DAA, com base nos recibos e nas notas fiscais por serviços hospitalares prestados ao contribuinte pelo Hospital Israelita, conforme decidiu em igual caso a 2ª. Câmara do 1º Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 10244.707. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS Fl. 194DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.000773/200723 Acórdão n.º 2102001.628 S2C1T2 Fl. 182 5 Recurso pretende, ou seja, que sejam restabelecidas as deduções das despesas médicas glosadas, com o Hospital Israelita Albert Einstein no valor de R$ 78.494,11. O acórdão recorrido fundamentou o indeferimento dessa dedução pela fato do cheque de pagamento dessa despesa, decorrente de um transplante de medula óssea, fls. 13/14, ter sido emitido por terceiro, deixando de comprovar que teria sido o recorrente o responsável pelo ônus da despesa. Em sede de recurso o contribuinte alega que o terceiro é na verdade seu irmão e que é cotitular na contacorrente referente ao cheque usado no pagamento da despesa glosada conforme fichas bancárias de fls. 175/176. Alem disso, afirma que tem vários negócios com o irmão. Da análise da DIRPF2003 do contribuinte, fls. 20, entregue em 19/04/2003, isso realmente é comprovado conforme item 01 e item 25 que transcrevo a seguir: DISCRIMINAÇÃO DO ITEM 25 31/12/2001 31/12/2002 CRÉDITO JUNTO A MEU IRMÃO ALDO LOUREIRO VENTURELLI CPF 447.494.06953 R$118 000.00 R$32.000,00 Ainda, de forma secundária, constam várias referencias a empresa VENTURELLI, VENTURELLI & CIA LTDA. que nos permite entender que se trata de sociedade de negócios com um ou ambos dos seus irmãos que constam no cheque debatido. Da análise dessa documentação apresentada e citada, juntamente com a documentação já acostada nos autos, entendo que há no presente processo um conjunto comprobatório robusto, demonstrando de forma inequívoca que o contribuinte utilizou dos serviços do Hospital Israelita Albert Einstein no valor de R$ 78.494,11, sendo, inclusive, responsável pelo respectivo ônus financeiro. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja restabelecida a despesa médica glosada do Hospital Israelita Albert Einstein no valor de R$78.494,11. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/11/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000477/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA ARTIGO
138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO
NACIONAL CANCELAMENTO
DE MULTA MORATÓRIA.
Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário
Nacional CTN
nos
casos em que, antes da ocorrência do procedimento de
fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não
recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo
Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em
caráter repetitivo).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.228
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela
recorrente, a Dra. Ariene D’Arc Diniz e Amaral – OAB/DF 20928.
Matéria: DCTF_IPI - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IPI)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Ariene D’Arc Diniz e Amaral – OAB/DF 20928. Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora. EDITADO EM: 26/09/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração (fls. 35/36) para imposição de multa isolada em razão de a Recorrente ter efetuado, segundo descrição constante no próprio Auto de Infração, “pagamento de tributo após o vencimento, com falta ou insuficiência de acréscimos legais”. O pagamento em atraso referese ao IPI devido no 4º trimestre de 2004, conforme comprovam os Comprovantes de Recolhimento anexados aos autos (fls. 19/21). 2. Ocorre que, como bem apontado pela Recorrente em sua Impugnação (fls. 01/06), o débito não foi declarado em sua DCTF original (fls. 23), entregue em 14/02/05, na qual a linha correspondente ao IPI encontravase zerada. 3. Constatado o erro a Recorrente promoveu o recolhimento do IPI devido – em 28/02/05 – e somente após o pagamento realizou a retificação de sua DCTF, em 07/10/05 (fls. 25/30), na qual declarou o débito de IPI e o correspondente pagamento, efetuado em atraso. 4. Segundo alega a Recorrente em sua Impugnação, o pagamento foi efetuado sem a inclusão da multa moratória porque se trata de denúncia espontânea, nos termos do que dispõe o artigo 138 do CTN e, assim sendo, não há de se falar em aplicação de multa de mora. Ressalta que no presente caso não se trata de pagamento em atraso de tributo declarado – o que afastaria o instituto da denúncia espontânea, conforme jurisprudência do STJ – mas sim de pagamento de tributo não declarado, com posterior retificação da declaração para sua constituição e informação de pagamento. 5. A DRJ manteve o lançamento (fls. 50/52), por entender que a multa moratória se aplica em qualquer caso de pagamento em atraso. Cita ainda a Súmula nº 360 do STJ que estabelece que “O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.” 6. Em seu Recurso Voluntário (fls. 57/62) a Recorrente reafirma os argumentos trazidos em sua Impugnação, ressaltando que é justamente o caso da aplicação da referida Súmula. Sua correta aplicação implica no cancelamento do lançamento vez que, no presente caso, o tributo não foi “regularmente declarado, mas pago a destempo”, mas sim, não havia sido declarado quando foi pago e a declaração somente sobreveio após o pagamento – ou seja, tratarseia de caso de efetiva denúncia espontânea e afastamento da multa moratória. 7. Vieramme, então, os autos para decidir. 8. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.000477/200713 Acórdão n.º 330201.228 S3C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Cingese a controvérsia à questão da aplicabilidade, ou afastamento, da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, formalizada por contribuinte, antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório. De início importa ressaltar que nos autos não há qualquer discussão quanto à ocorrência ou não da denúncia espontânea. Vale dizer, não é caso de declaração de tributos desacompanhada de pagamento, o que poderia afastar a caracterização da denúncia espontânea, na esteira do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). Ao contrário, em momento algum tal possibilidade foi sequer aventada, tendo a DRF e a DRJ reconhecido tratase de caso “clássico” de denúncia espontânea, em que o contribuinte não havia realizado a declaração dos tributos, e o faz – acompanhada do pagamento de principal acrescido de juros moratórios – antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório. O que se discute nos autos, portanto, é se, diante do instituto da denúncia espontânea é cabível a aplicação da multa moratória. Feitas tais considerações iniciais, passase ao exame da matéria sob julgamento. O fundamento aplicado pelos julgadores administrativos de primeira instância para manter a exigência da multa moratória em casos de denúncia espontânea, é de que tal multa é aplicável em qualquer caso de atraso no pagamento. Todavia, ao fazer tal afirmação, pareceme que a DRJ faz letra morta do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN e equivocadamente mantêm o lançamento com base nela. Afinal, o citado artigo do CTN é claro em afastar a aplicação de quaisquer penalidades, nos casos de denúncia espontânea. Tal conclusão decorre do fato de que o dispositivo afasta a responsabilidade por infrações e, portanto, a aplicação de quaisquer multas – sejam ela punitivas, compensatórias, indenizatórias, ou quaisquer outras denominações que venham a ser criadas. Ou seja, tratandose de multa, qualquer que seja sua classificação – de ofício, isolada, moratória, punitiva, compensatória, indenizatória, etc. – e, em especial para análise do presente caso, a multa moratória, quando se verificar a ocorrência de denúncia espontânea, a multa está afastada. A este respeito já se posicionou o Superior Tribunal de Justiça, verbis: “A distinção entre multa moratória e multa punitiva alegada no regimental é completamente desnecessária neste caso, em que, caracterizada a denúncia espontânea, ambas são excluídas.” (Ag Rg no Resp 919.886 – Humberto Martins – DJe 24/02/2010) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Aliás, é firme a posição daquele tribunal a respeito do afastamento da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, justamente porque, sendo uma multa (não importa de qual tipo), tem de ser afastada nos casos do art. 138 do CTN, verbis: “TRIBUTÁRIO – TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – CONFISSÃO DA DÍVIDA ACOMPANHADA DO PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA (CTN, ART. 138) – CARACTERIZAÇÃO. 1. O contribuinte, ao espontaneamente denunciar o débito tributário em atraso e recolher o montante devido, com juros de mora, ou seja, na integralidade, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização fica exonerado de multa moratória. 2. O contribuinte, in casu, pagou o débito, integralmente, antes de qualquer procedimento fiscal, nos termos do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 936085 / SP, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 18/12/2007) “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONFIGURAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. PRECEDENTE: RESP. 907.710/SP. (...) 4. Relativamente à natureza da multa moratória, esta Corte já se pronunciou no sentido de que "o Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso de denúncia espontânea, por força do artigo 138 (...)" (REsp 169877/SP, 2ª Turma, Min. Ari Pargendler, DJ de 24.08.1998). Precedente: AgRg nos EREsp 584.558/MG, Luiz Fux, Primeira Seção, DJ 20.03.2006.” (REsp 905056 / SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 11/12/2007). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO INTEGRAL ANTERIOR A QUALQUER PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO E ANTES DA ENTREGA DA DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA (CTN, ART. 138). 1. Os Embargos de Declaração opostos pela parte têm nítido caráter infringente, e em face do Princípio da Fungibilidade Recursal, recebo os embargos como agravo regimental. 2. Ocorrendo o pagamento integral da dívida com juros de mora antes da entrega da DCTF e de iniciado qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização, configurada está a denúncia espontânea pelo contribuinte, afastando a aplicação da multa moratória. Agravo regimental improvido.” (EDcl nos EDcl no AgRg no AgRg no REsp 977055 / PR, Relator Min. Humberto Martins, DJe de 03/05/2010) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13884.000477/200713 Acórdão n.º 330201.228 S3C3T2 Fl. 3 5 Na esteira da posição firmada pelo Superior Tribunal de Justiça a Câmara Superior de Recurso Fiscais (CSRF) também já se posicionou pelo afastamento da multa moratória nos casos de denúncia espontânea, verbis: “MULTAS DE OFICIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal benefício de exclusão da multa, seja de ofício ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado.” (Acórdão CSRF/03 04.690, Relator: Carlos Henrique Klaser Filho, DOU de 08.08.2007) “DENÚNCIA ESPONTÂNEA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA:A denúncia espontânea de infração, acompanhada do pagamento do tributo em atraso e dos juros de mora, exclui a responsabilidade do denunciante pela infração cometida, nos termos do art. 138 do CTN, o qual não estabelece distinção entre multa punitiva e multa de mora sendo, portanto, inaplicável esta última. Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido.” (Acórdão CSRF/0104.863, Relator José Carlos Passuelo, sessão de 16/02/2004). ‘DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido”. (Acórdão CSRF/0305.102, Relatora Anelise Daudt Prieto, sessão de 06/11/2006) “TRIBUTÁRIO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA – CTN ART. 138 – MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO IMPROCEDÊNCIA. Tendo o contribuinte efetuado o recolhimento do imposto devido, corrigido monetariamente e com juros de mora, de forma voluntária e antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte de fisco, há de se lhe aplicar o benefício da denúncia espontânea estabelecido no art. 138, do Código Tributário Nacional, que alcança todas as penalidades, sejam punitivas ou compensatórias, decorrentes do descumprimento de obrigações principais e/ou acessórias, sem distinção. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 A MULTA DE MORA é, portanto, excluída pela denúncia espontânea, não se comportando, de forma alguma, a aplicação de multa de ofício, seja a prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, ou qualquer outra.”(Acórdão CSFR/0304.145) Assim, como no presente caso não há dúvida quanto ao procedimento adotado pelo contribuinte – declarando e pagamento o tributo extemporaneamente, antes de qualquer procedimento fiscalizatório – tampouco resta qualquer dúvida quanto a estar configurada a denúncia espontânea, sendo, então, aplicável o artigo 138 do CTN na esteira da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). Em face do exposto, conheço do recurso e DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que seja reformada r. decisão proferida pela DRJ, tendo em vista que não há incidência de qualquer multa, em especial a multa de mora, nos casos em que se configura a denúncia espontânea. É como voto. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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