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Numero do processo: 12466.002170/00-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 20/10/1995
Projetor LCD (liquid crystal dysplay), concebido para funcionar acoplado a um microcomputador ou câmeras de vídeo, com a finalidade de projetar apresentações elaboradas mediante o uso de programas de computador ou outros vídeos deve ser classificado no código 8528.30.00 da Nomenclatura
Comum do MERCOSUL.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.568
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López, que negava provimento.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/10/1995 Projetor LCD (liquid crystal dysplay), concebido para funcionar acoplado a um microcomputador ou câmeras de vídeo, com a finalidade de projetar apresentações elaboradas mediante o uso de programas de computador ou outros vídeos deve ser classificado no código 8528.30.00 da Nomenclatura Comum do MERCOSUL. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez López, que negava provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de recurso especial manejado com base no inciso I do caput e no parágrafo 1º do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147, de 20071, em desfavor do Acórdão 30238.359, de 23 de janeiro de 2007, que assim restou ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/06/2000 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL – PROJETOR DE IMAGENS EMITIDA POR UM DISPOSITIVO DE CRISTAL LÍQUIDO – O equipamento projetor multimídia que dispõe de tecnologia LCD, marca PROXIMA, modelos “Ultralight LS2” e “SV1+”, cuja origem da reprodução é feita a partir de uma fonte de vídeo e/ou de uma máquina automática de processamento de dados (computador). Tendo funções distintas não merece prosperar as classificações indicadas pelas partes. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Como é possível extrair da ementa transcrita, versa o litígio sobre a correta classificação fiscal de mercadoria descrita como “projetor de imagem fixa, LCD SVGA DISPLAY DEVICE”: Na opinião do Fisco, o código a ser empregado para a classificação do produto na Nomenclatura Comum do Mercosul seria o 8528.30.00 (Projetores de vídeo) e, na do Sujeito Passivo, o 9008.30.00 (Outros projetores de imagem fixa) Em face da convicção de que os dois códigos tarifários estariam igualmente equivocados, decidiu a e. Segunda Câmara do extinto Terceiro de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Como é possível extrair da ementa transcrita, especialmente se lida em conjunto com o voto condutor, a necessidade de classificação em um terceiro código tarifário emergiria do fato de que os produtos poderiam ser igualmente utilizados como projetores de vídeo (posição 8528) ou mecanismos à unidade de saída de computadores (posição 8471). Por outro lado, apesar de transcrever aresto que indica como correta a posição 9013, própria para outros dispositivos de cristal líquido que não possam ser classificados em outra posição mais específica, não ratifica que essa seria a posição correta, sustentando que para efeito do julgamento da lide, bastaria caracterizar a inexatidão das classificações propostas pelas partes. Tal aresto foi alvo de embargos de declaração, interpostos pela Fazenda Nacional, que sustentou estar o mesmo eivado de contradição, na medida em que afastaria a classificação sugerida pelo Sujeito Passivo, mas daria provimento integral ao recurso. Os embargos foram parcialmente acolhidos, para efeito de complementar a fundamentação e manter as conclusões do aresto. 1 Decisão não unânime de Câmara, alegadamente contrária à lei ou à evidência da prova. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002170/0069 Acórdão n.º 930301.568 CSRFT3 Fl. 438 3 Após a ciência desse novo acórdão, sobreveio recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais, onde é pleiteada a manutenção integral da decisão de primeira instância, essencialmente, em razão da exatidão da classificação fiscal defendida pelo Fisco. Segundo aduz o i. representante da Fazenda Nacional, o contribuinte teria adotado posição residual, que só albergaria projetores de imagem fixa, imprópria em face de que os projetores importados seriam próprios para imagens animadas. Ressalta, por outro lado, que a posição 8528 é própria para o enquadramento de projetores de vídeo acopláveis a aparelhos de reprodução de imagens, características que se coadunariam ao produto alvo de litígio. Registra, ao fim, que esse raciocínio foi ratificado por parecer da Organização Mundial das Aduanas, publicado por meio da Instrução Normativa SRF nº 60, de 2000. O recurso foi admitido pelo Despacho nº 3020.146, de fls. 420/422, sob entendimento de terem sido preenchidas as condições regimentais. Ciente do despacho em 26/09/2008, a interessada apresenta contrarrazões em 28/10/2008, superando, portanto, o prazo regimental fixado no art. 16, I do Regimento vigente à época2 (aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007). É o relatório. 2 Art. 16. O despacho que admitir recurso especial terá o seguinte trâmite: I quando se tratar de recurso especial interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo para ciência, assegurandose lhe o prazo de quinze dias para oferecer contrarazões ou recorrer da parte que lhe for desfavorável, em igual prazo; Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Conheço do Recurso, posto que foram preenchidas as condições de admissibilidade. Resumidamente, cingese o litígio à fixação da correta classificação de produtos vulgarmente conhecidos como projetores multimídia, cujas características foram assim descritas na conclusão do laudo técnico à fl. 18: Estes equipamentos também são conhecidos como projetores multimídia, suportando equipamentos de computação projetando a informação de vídeo do computado, e câmeras filmadoras de vídeo, como pode ser facilmente observado nos manuais do usuário que os acompanham. Nestes manuais inclusive podese encontrar informações técnicas sobre características elétricas de sinais de vídeo e compatibilidade com sistemas de vídeo comprovando que são projetores de vídeo. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Partindo dessa descrição, peço vênia para discordar do e. órgão julgador recorrido e ao interessado, pois penso que o código tarifário apontado pelo Fisco é, efetivamente, o que melhor classifica a mercadoria importada. Com efeito, penso que o acórdão recorrido equivocouse quando vislumbrou a possibilidade de classificação do produto em alguma das subposições da posição 8471 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Para tanto, recordo do que diz nota 5 do capítulo 84: 5.A)Consideramse máquinas automáticas para processamento de dados, na acepção da posição 84.71: a)as máquinas digitais capazes de: 1)registrar em memória programa ou programas de processamento e, pelo menos, os dados imediatamente necessários para a execução de tal ou tais programas; 2)serem livremente programadas segundo as necessidades do seu operador; 3)executar operações aritméticas definidas pelo operador; e 4)executar, sem intervenção humana, um programa de processamento, podendo modificarlhe a execução, por decisão lógica, no decurso do processamento; Ora, como se extrai da descrição do produto, as máquinas em questão são meros dispositivos de saída, concebidos para funcionar acoplados a computadores ou estações de trabalho, mas longe estão de executar alguma dessas funções descritas na nota de capítulo. Reforça tal conclusão a orientação assentada nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992 da posição 8471: Todavia, não se incluem nesta posição as máquinas, instrumentos e aparelhos que incorporem uma máquina automática de processamento de dados ou funcionem em ligação com uma tal máquina e exerçam uma função própria. Estas máquinas, instrumentos e aparelhos classificamse na posição correspondente a função que desempenham ou, na ausência desta, numa posição residual (ver a parte E das Considerações Gerais do presente Capítulo). Assim sendo, em observância à Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 13, afastada estaria a possibilidade de enquadramento simultâneo do produto na posição apontada pelo Fisco (8528) e 8471, vislumbrada no acórdão recorrido, na medida em que há uma nota de capítulo que rejeita a aplicação desta última. Se não há fundamento para classificação simultânea do produto na posição 8471, deixa de existir o fundamento que orientou o voto condutor do acórdão recorrido. 3 1. OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002170/0069 Acórdão n.º 930301.568 CSRFT3 Fl. 439 5 Importante, ademais, deixar claro os fundamentos que determinam a rejeição do código tarifário adotado pelo Contribuinte, qual seja, o 9008, assim descrito: 9008 Aparelhos de projeção fixa; Aparelhos fotográficos, de ampliação ou de redução (...) 9008.30.00 – Outros projetores de imagens fixas Mais uma vez, é preciso recorrer às NESH, mais especificamente à nota A) da posição 9008 (original não destacado): A)Enquanto que os aparelhos da posição precedente se destinam à reprodução ampliada em tela (écran) de imagens animadas, os projetores da presente posição reproduzem imagens fixas. O tipo mais comum é a lanterna de projeção (ou diascópio) que projeta a imagem de um objeto transparente (placa de vidro ou diapositivo). Este aparelho possui duas lentes: uma, o condensador, distribui a luz proveniente da fonte luminosa sobre a segunda lente, denominada de projeção. A imagem transparente é colocada entre as duas lentes e projetase sobre a tela (écran) por meio da lente de projeção. A luz emitida por uma forte fonte luminosa é concentrada por um refletor. A mudança dos diapositivos pode efetuarse manualmente, de modo semiautomático (por meio de um eletroímã ou de um motor comandado pelo operador) ou automático (por meio de um controlador de minutos). De fato, a simples leitura do texto da posição conduziria a essa conclusão: somente equipamentos de projeção fixa, ou seja, que reproduzem imagem fixa, podem ser classificados na posição almejada. Como é cediço, apresentações mediante uso do programa Microsoft PowerPoint ou os vídeos gravados por meio dos dispositivos elencados no laudo técnico já transcrito longe estão de se enquadrar nesse conceito. Nessa linha, resta evidente que a classificação apontada pelo sujeito passivo demonstrase igualmente incorreta. Restaria, finalmente, avaliar se a classificação apontada pelo Fisco é realmente a que melhor se adéqua aos produtos em litígio. Segundo consignado no auto de infração que encerra a exigência fiscal, o produto deveria ser classificado na posição 8528 que, à época do fato gerador litigioso, possuía os seguintes desdobramentos: 8528APARELHOS RECEPTORES DE TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO RECEPTOR DE RADIODIFUSÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM OU DE IMAGENS; MONITORES E PROJETORES, DE VÍDEO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 8528.1Aparelhos receptores de televisão, mesmo incorporando um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens 8528.2Monitores de vídeo 8528.30.00Projetores de vídeo Igualmente relevante, para compreensão do universo dos produtos que podem ser classificados nessa posição é a definição assentada na NESH nº 6 da Posição 8528: 6) Os projetores de vídeo, que permitem projetar em uma grande tela (écran) a imagem normalmente recebida na tela (écran) do receptor de vídeo. Como é possível perceber, de acordo com a interpretação autêntica acima exposta, projetor de vídeo é o equipamento que permite projetar imagem, normalmente (mas não exclusivamente) recebida de um receptor de vídeo. Assim, a eventual possibilidade de se conectar o equipamento a um microcomputador não lhe retira a característica principal, qual seja, a função de projetar imagens em uma tela ou outra superfície apropriada. Nesse ponto, no exclusivo intuito de demonstrar a higidez do código que emergiu da aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, nas Notas de Capítulo, bem assim nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, trazse à colação parecer adotado pela Organização Mundial das Aduanas, publicado por meio da Instrução Normativa SRF nº 60, de 29/06/2000 (original não destacado): Código:8528.30 1. Projetor em cores de mesa LCD (liquid crystal dysplay). Este projetor tem resolução de 640 x 480 pixels, é capaz de exibir 16 cores e pode ser conectado a uma máquina automática para processamento de dados, a um aparelho de videocassete ou a um tocadiscos CD. Contém incorporados um amplificador e alto falantes que permitem aos usuários conectálo a um microfone sem fio, a um tocadiscos CD portátil ou à saída auxiliar de um sistema estereofônico. Aplicação da RGI 3 c). Com essas considerações, dou provimento ao Recurso Especial do Procurador. Sala das Sessões em Henrique Pinheiro Torres Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 12466.002170/0069 Acórdão n.º 930301.568 CSRFT3 Fl. 440 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/07/ 2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11686.000011/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/05/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL.
Pela sistemática da não cumulatividade da Cofins, os custos de produção e as
despesas incorridas que geram direito ao crédito são aquelas elencadas nos
incisos do art. 3° da Lei n° 10.833/2003. As demais despesas incorridas para
a formação da receita não geram direito ao referido crédito.
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a
constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes
Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.130
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado,
pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do
relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno
Gurjão Barreto, que davam provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. Pela sistemática da não cumulatividade da Cofins, os custos de produção e as despesas incorridas que geram direito ao crédito são aquelas elencadas nos incisos do art. 3° da Lei n° 10.833/2003. As demais despesas incorridas para a formação da receita não geram direito ao referido crédito. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. Recurso Voluntário Negado
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POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. Pela sistemática da não cumulatividade da Cofins, os custos de produção e as despesas incorridas que geram direito ao crédito são aquelas elencadas nos incisos do art. 3° da Lei n° 10.833/2003. As demais despesas incorridas para a formação da receita não geram direito ao referido crédito. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo e, conseqüentemente, afastar a sua aplicação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 15/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente aos 2º e 3º trimestres de 2005, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas de créditos relativos as despesas com agenciamento de leite junto a fornecedores e com comissões a representantes comerciais e, também, a encargos de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004. Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade na qual discorre sobre a sistemática da não cumulatividade dos PIS, da Cofins, do IPI e do ICMS para apontar distinções entre as sistemáticas desses impostos e contribuições para concluir que é inconstitucional as disposições do art. 31 da Lei no 10.865/2004 e, consequentemente, tem direito ao crédito referente a todos os bens corpóreos adquiridos e a todos os serviços aplicados na formação da receita. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão no 1025.175, de 06/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Apenas os custos e as despesas elencadas nos incisos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 geram créditos de PIS pela sistemática da não cumulatividade. INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. Ciente desta decisão em 25/05/2010 (AR de fl. 106), a empresa ingressou, no dia 23/06/2010, com o recurso voluntário de fls. 107/124, no qual repisa os argumentos sobre a legitimidade dos créditos escriturados e glosados pela Fiscalização. Na forma regimental o recurso voluntário foi a mim distribuído, para relatar. É o resumo do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000011/200991 Acórdão n.º 330201.130 S3C3T2 Fl. 127 3 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, por esta razão, dele conheço. A empresa recorrente está pleiteando o reconhecimento do crédito de Cofins não cumulativa relativo a despesas incorridas com o agenciamento de leite junto a fornecedores seus e com a representação comercial de seus produtos e, também, pleiteia creditarse dos encargos de depreciação de móveis, utensílios, veículos e de bens do ativo permanente adquiridos até 30/04/2004. Sem razão a recorrente e sem reformas a decisão recorrida. Em que pesa o esforço da recorrente de demonstrar a tese de que, em princípio, tem direito de creditarse nas aquisições de todos os bens corpóreos adquiridos e a todos os serviços aplicados na formação da receita e que a proibição de creditamento deve estar expressa na lei, não é essa a realidade legal de regência. No caso do PIS e da Cofins não cumulativos, o legislador preferiu discriminar cada uma das despesas que dão direito ao crédito. E como bem disse a decisão recorrente, as despesas autorizadas são unicamente os insumos utilizados na produção dos bens fabricados e vendidos pela recorrente e outras despesas autorizadas pela própria lei. No caso em tela, as despesas com agenciamento junto a fornecedores de leite e as despesas com representação comercial dos produtos fabricados não se enquadram no conceito de insumo: não são serviços sem os quais não se industrializa derivados do leite. Quanto aos créditos relativos as despesas de depreciação, somente é possível, no período objeto do pedido de ressarcimento, as máquinas e equipamentos adquiridos a partir de 01/05/2004 e utilizados no processo produtivo. Os demais bens do ativo permanente (móveis e utensílios, veículos, etc.) e todos os bens adquiridos até 30/04/2004 não geram direito ao crédito de PIS e de Cofins, por expressa determinação legal. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade do art. 31 da Lei no 10.865/04, o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001126/2006-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1999
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE
A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a
lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação
cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial
decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro,
"Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e
Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito
Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC
(2007/01769940),
julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz
Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C,
do CPC e da
Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
Numero da decisão: 2102-001.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. 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Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 20/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 31 a 35, interposto contra decisão da DRJ em Porto Alegre/RS, de fls. 20 a 23, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 05 a 09, relativo ao anocalendário 1999, lavrado em 29/06/2005, com ciência do RECORRENTE em 18/05/2006 (fl. 18). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 8.839,92, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a demonstrativo das infrações de fl. 09, o presente lançamento teve origem na glosa de deduções relativas a despesas médicas, por falta de comprovação. Conforme mensagem de fl. 06, as deduções relativas a despesas médicas foram glosadas totalmente pela fiscalização. Assim, foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 2.856,52, bem como restituição indevida a devolver no valor de R$ 1.221,30. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.001126/200679 Acórdão n.º 2102001.482 S2‐C1T2 Fl. 51 3 DA IMPUGNAÇÃO Em 14/02/2006, o RECORRENTE apresentou a impugnação de fl. 01, alegando tãosomente que em nenhum momento foi notificado do auto de infração. Assim, requereu a extinção do lançamento. Acerca da motivação do lançamento tributário, o RECORRENTE não se manifestou. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 20 a 23 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora afirmou que o RECORRENTE teve ciência da autuação, conforme AR de fl. 18. Ademais, não atendeu à intimação da fiscalização para comprovar as despesas médicas, conforme consta expressamente no demonstrativo das infrações. Desta forma, manteve o lançamento em sua integralidade. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 03/11/2009, conforme AR de fl. 47 dos autos, apresentou recurso voluntário de fls. 31 a 35 em 24/11/2009, alegando, em síntese, a decadência do lançamento, com base nas seguintes premissas: (i) O fisco tem o direito de constituir o crédito tributário dentro dos prazos fixados no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Nos casos de não recolhimento de tributo (hipótese vertente), a regra aplicada é a do inciso I do artigo citado, ou seja, o prazo é de cinco anos contados “do primeiro. dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.001126/200679 Acórdão n.º 2102001.482 S2‐C1T2 Fl. 52 4 (ii) Na hipótese dos autos, o prazo para a constituição do crédito tributário passou a fluir em 1º de janeiro de 2001. Passados cinco anos, decairia o direito de lançarem 1° de janeiro de 2006. (iii) O auto de infração que traduz a consumação do lançamento somente foi entregue ao contribuinte em 18/05/2006, conforme reconhecido no Acórdão recorrido. Ressaltou que, ainda que fosse considerada a notificação de cobrança para fins de configurar o lançamento, ainda assim a atuação do fisco teria sido extemporânea, tendo em vista que a mesma ocorreu em 24/01/2006. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em princípio, passo a analisar a decadência dos créditos tributários lançados. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, como é o caso do IRPF, em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.001126/200679 Acórdão n.º 2102001.482 S2‐C1T2 Fl. 53 5 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 11080.001126/200679 Acórdão n.º 2102001.482 S2‐C1T2 Fl. 54 6 O RECORRENTE, no caso, apresentou sua declaração de rendimentos e havia pago imposto no respectivo anocalendário. Sendo assim, obedecendo os critérios da decisão do STJ, e tendo em vista que o presente auto de infração foi lavrado apenas em 29/06/2005 (fl. 05), relativo fatos geradores ocorridos anocalendário 1999, resta nítido que o lançamento ocorreu quando o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência (art. 156, inciso V, do CTN), conforme prazo previstos no artigo 150, § 4º, do CTN. Ademais, para reforçar a demonstração da decadência, cabe frisar que o lançamento somente se formaliza com a ciência do contribuinte, nesse caso ocorrida apenas em 2006 (18/05/2006, conforme documento de fl. 16). Somase a isso a inexistência de acusação de dolo, fraude ou simulação, que ainda se existente não salvaria o lançamento. Assim, o presente lançamento de imposto de renda deve ser cancelado. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento de imposto de renda, em virtude da decadência. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10320.900328/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO VOLUNTÁRIO CARÊNCIA
DE OBJETO Deixa-se de conhecer o Recurso Voluntário, por
falta de objeto, quando o contribuinte não se manifesta expressamente contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1301-000.743
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO VOLUNTÁRIO CARÊNCIA DE OBJETO Deixa-se de conhecer o Recurso Voluntário, por falta de objeto, quando o contribuinte não se manifesta expressamente contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. EDITADO EM: 28/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Jaci de Assis Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Fl. 43DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Trata o presente processo da Declaração de Compensação DCOMP de fls. 18 a 22, transmitida em 15/10/2003, por meio eletrônico através do aplicativo PER/DCOMP e protocolizada sob o n° 20573.27878.151003.1.3.043017, na qual a interessada alega possuir crédito contra a Fazenda Nacional, decorrente de pagamento a maior de tributo – SIMPLES, recolhido mediante DARF em 10/02/2000, no valor original de R$ 2.372,11. De acordo com o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Luís, fls. 13, o pedido foi indeferido e não homologada a compensação declarada, sob o fundamento de que o crédito original informado pelo contribuinte já havia sido integralmente restituído ao contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. Cientificada do indeferimento, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que foram apresentadas duas DCOMP para fins de se compensar o mesmo débito. Em virtude dessa duplicidade de declarações, pede que as DCOMP sejam novamente analisadas considerando um único débito, ou seja, desconsiderando uma das declarações em virtude do equívoco cometido no envio de duas DCOMP com o mesmo débito. A DRJ de Fortaleza/CE examinando os pressupostos legais para admissibilidade da citada manifestação de inconformidade, fls. 25 a 27, concluiu pelo seu indeferimento, ao argumento de que “a referida peça impugnatória não atende às normas disciplinadoras do Processo Administrativo Fiscal, pois a defesa alega unicamente o fato de ter enviado DCOMP's em duplicidade. Em momento algum contesta o fato do crédito informado não ter sido homologado, tampouco rechaça a informação de inexistência de saldo do crédito pleiteado (ver tela de consulta ao sistema SINCOR,TRATAPAGTO,CONSPAGTO anexada às fls. 24)”. Cientificada em 08/01/2010, fls. 29, a interessada apresentou recurso voluntário datado de 04/02/2010, fls. 30, mediante o qual aduz textualmente que: “analisando os despachos decisórios dos referidos PER/DCOMP, constatamos a cobrança em duplicidade, por isso é que pedimos a reanálise, para que seja considerado apenas um débito e em 30/10/09, foi pago o que achamos devido (cópia anexa).” Ao final requer a baixa do débito em face do alegado pagamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito. Conforme exposto no relatório, trata o presente processo da Declaração de Compensação DCOMP de fls. 18 a 22, transmitida em 15/10/2003 por meio eletrônico através do aplicativo PER/DCOMP e protocolizada sob o n° 20573.27878.151003.1.3.043017, cujo Despacho Decisório nº 643122414, fls. 13, decidiu pela não homologação da compensação declarada. Tendo em vista a petição apresentada pela interessada às fls. 01, o órgão julgador de primeira instância decidiu por não conhecer da manifestação de inconformidade, Fl. 44DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.900328/200662 Acórdão n.º 1301000.743 S1C3T1 Fl. 43 3 uma vez constatado que a interessada não contestou expressamente o não reconhecimento do direito creditório pleiteado e tampouco a não homologação da compensação do débito declarado. O § 4º, do art. 66, da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008 (com a mesma redação do art. 48, §§ 1º e 2º da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, vigente à época da formalização dos presentes autos), em que se fundamentou a decisão recorrida, ao prescrever o rito processual a ser seguido em face da apresentação de manifestação de inconformidade, especifica que os pontos de discordância da discussão administrativa devem se limitar à questão do não reconhecimento do direito creditório ou à questão da não homologação da compensação, nos seguintes termos: “Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. (...) § 3º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. § 4°A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o caput obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.” (grifo não é do original) Portanto, pelo fato de a interessada não contestar expressamente nenhuma das duas questões passíveis de discussão administrativa, correta é a decisão recorrida no sentido de não conhecer da manifestação de inconformidade, eis que não impugnada a matéria, consoante disposto no art. 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. Ao se insurgir contra este acórdão proferido em primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário do qual se depreende que mais uma vez ela deixa de contestar expressamente referidas questões. Por sua vez, limita seu pedido ao cancelamento da cobrança do valor não homologado, sob a alegação de que este corresponderia a um débito que teria sido declarado em outra Dcomp, tratada em processo administrativo fiscal distinto, além de haver sido o mesmo supostamente liquidado em face de seu recolhimento. Ora, por corresponder a pedido que envolve a extinção do débito não homologado, não compete a este colegiado se manifestar a respeito, haja vista prescindir de procedimentos e rito processual específicos a serem observados pela autoridade administrativa da jurisdição da contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário. Sala de Sessões, 21 de outubro de 2011 Jaci de Assis Junior Relator Fl. 45DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Fl. 46DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.001242/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
Ementa:
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO
O crédito das contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é constituído pelo Auto de Infração lavrado por AFRFB, apurado mediante procedimento de fiscalização.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A Lei n°. 10.101/00 não regulamenta o pagamento de PLR para o segurado na categoria de contribuinte individual, mas para o segurado empregado, e
desde que o pagamento atenda todas as disposições nela previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Ementa: CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO O crédito das contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é constituído pelo Auto de Infração lavrado por AFRFB, apurado mediante procedimento de fiscalização. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A Lei n°. 10.101/00 não regulamenta o pagamento de PLR para o segurado na categoria de contribuinte individual, mas para o segurado empregado, e desde que o pagamento atenda todas as disposições nela previstas. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001242/200812 Recurso nº 504.900 Voluntário Acórdão nº 230201.283 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente METRO TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Ementa: CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO O crédito das contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é constituído pelo Auto de Infração lavrado por AFRFB, apurado mediante procedimento de fiscalização. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A Lei n°. 10.101/00 não regulamenta o pagamento de PLR para o segurado na categoria de contribuinte individual, mas para o segurado empregado, e desde que o pagamento atenda todas as disposições nela previstas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi Relator. EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência Momentânea: Manoel Coelho Arruda Júnior, Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.001242/200812 Acórdão n.º 230201.283 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigações Principais, lavrado em 10/06/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 13/06/2008, de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos contribuintes individuais, na competência 03/2004. De acordo com o relatório fiscal de fls. 60/64, os diretores da recorrente não são sócios, nem empregados da mesma e por isso considerados contribuintes individuais, cujas remunerações são informadas em GFIP no campo destinado aos autônomos. O crédito decorre do pagamento de valores a título de Participação nos Lucros e Resultados, que não foram considerados como base de cálculo para a contribuição previdenciária. Após a impugnação, Acórdão de fls. 104/119, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) a nulidade do instrumento de constituição do crédito que deveria ter sido notificação de lançamento, por se tratar de obrigação principal, nos termos do artigo 37 da lei 8212/91; b) que não há indicação no relatório fiscal de que foi procedida aferição indireta; c) que não houve motivo para a utilização de aferição indireta; d) que os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição; e) que a PLR pode ser paga a contribuintes individuais, que se inserem no conceito de trabalhadores. Requer o provimento do recurso pelo acolhimento dos vícios de nulidade, ou pelo acolhimento dos argumentos de improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conforme protocolo de fl.124, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Não merece guarida a alegação da recorrente de que o instrumento utilizado para o levantamento é impróprio por ser auto de infração o que eivaria de nulidade o lançamento, porque diferentemente do que entende o contribuinte a nomenclatura do documento de constituição do crédito, além de não invalidálo, está correta, de acordo com a legislação vigente à época do lançamento em 10/06/2008. Em virtude da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, a Secretaria da Receita Federal passou a se chamar Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo responsável, além das competências que já lhe eram atribuídas, a planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. O artigo 33, caput da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época do lançamento, permitia ao INSS e à Secretaria da Receita Federal a normatização referente ao recolhimento das contribuições de suas respectivas competências. Assim, na esteira legal, em 28/05/2008 a Instrução Normativa RFB N.º 851, alterou a redação dos incisos IV e V do artigo 633, da Instrução Normativa SRP N.º 03, de 14/07/2005: "Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.001242/200812 Acórdão n.º 230201.283 S2C3T2 Fl. 3 5 ......................................................................................................... ......................................... IV Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e V Notificação de Lançamento, que é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária." (NR) O auto de infração, portanto, é o documento de constituição de crédito lavrado exclusivamente por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, apurado mediante procedimento de fiscalização, como no caso presente, enquanto a notificação de lançamento é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária, sem necessitar do procedimento fiscal. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à argüição da recorrente de que não houve indicação da utilização da aferição indireta, tenho a ressaltar que não houve referência a este critério, porque o crédito não foi aferido indiretamente, mas sim, com base nos documentos apresentados pela própria recorrente, mais precisamente, as folhas de pagamento de remuneração dos contribuintes individuais, diretores, de onde foram apurados os valores pagos aos mesmos, mas não oferecidos à incidência contributiva previdenciária, o que ocasionou o presente lançamento. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito O crédito decorre do pagamento de valores, nomeados pela recorrente como PLR – Participação nos Lucros e Resultados, aos seus diretores, segurados na categoria de contribuintes individuais, que não foram oferecidos à tributação previdenciária. As contribuições previdenciárias patronais devidas sobre a remuneração dos contribuintes individuais estão expostas na Lei n.º 8.212/91, artigo 22, inciso III, que foi acrescentado pela Lei n.º 9.876/99, com vigência a partir de 03/2000, englobando, assim, o período contido nesta notificação, não se submetendo a qualquer limite: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;(grifei) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.001242/200812 Acórdão n.º 230201.283 S2C3T2 Fl. 4 7 A partir da Emenda Constitucional n.º 20/98, a contribuição das empresas sobre a remuneração de pessoa física que lhe presta serviço sem vínculo empregatício (autônomo, empresário, avulso, etc.), está prevista no artigo 195 da Constituição Federal de 1988, deixando, conseqüentemente, de ser matéria privativa de Lei Complementar. Nessas condições, a Lei n.º 9.876/99, apesar de ser ordinária, é instrumento apto para revogar a Lei Complementar n.º 84/96. Portanto, perfeitamente legal a exação. A nomenclatura dada pela recorrente às verbas pagas não tem o condão de ilidir a obrigação pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração percebida, senão vejamos. A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. A PLR é um direito constitucional do trabalhador: CF/88: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. Em 1991, a Lei n.º 8.212 institui o plano de custeio da Seguridade Social e no art. 28, define a base de cálculo das contribuições previdenciárias, dispondo, inclusive, sobre parcelas isentas. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Também a lei de custeio, como a Constituição, reafirma a necessidade de obediência a uma legislação para que a PLR não seja conceituada como remuneração, e, portanto, fora do alcance da incidência contributiva previdenciária. Em 29/12/1994 surge a legislação específica, qual seja a Medida Provisória 794, que dispôs sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a PLR integra a remuneração, até 29/12/94. Após essa data, com o surgimento da legislação específica, a MP 794, não tem mais natureza jurídica salarial, desde que paga em conformidade com as disposições contidas na MP. A MP 794 sofreu diversas reedições, convertendose, finalmente, na Lei nº 10.101, de 18/12/2000. Essa legislação surge como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, pois faz com que o empresariado tenha redução em sua carga tributária, já que há a previsão de isenção dessas parcelas para incidência de contribuição previdenciária e a parcela de PLR, para efeito de apuração do lucro real, poderá ser deduzida como despesa operacional; permite que os trabalhadores obtenham maiores ganhos e incentiva a produtividade, já que sua obtenção depende de um resultado almejado pelas empresas. A Lei 10.101/200 prevê várias exigências e vedações, que a PLR deve seguir para estar de acordo com sua lei específica e obter os efeitos previstos. Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo(grifei): Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.001242/200812 Acórdão n.º 230201.283 S2C3T2 Fl. 5 9 Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. ... Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação específica deve, cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Entretanto, em nenhum momento a lei contempla o pagamento de participação nos lucros aos contribuintes individuais. Toda a instituição e regulamentação do pagamento visa o segurado empregado. A Lei n°. 10.101/00 não regulamenta o pagamento de PLR para o segurado na categoria de contribuinte individual, mas para o segurado empregado, e desde que o pagamento atenda todas as disposições nela previstas. No caso em exame, além de não existir na lei possibilidade de pagamento de PLR a contribuintes individuais, não restou demonstrado pela recorrente que os valores pagos possam se revestir das características e que cumpriram os pressupostos legais exigíveis para ser efetivamente parcelas pagas a título de PLR, devendo, assim integrar o salário de contribuição. Ou seja, não há qualquer demonstração de atendimento aos requisitos legais para o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 14485.001659/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA PARCIAL.. INDENIZAÇÃO, PREVISTA EM ACORDOS COLETIVOS, PAGA EM RESCISÕES TRABALHISTAS. INDENIZAÇÃO PAGA POR LIBERALIDADE EM RESCISÕES TRABALHISTAS.
A Súmula Vinculante n. 08 do STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, no caso, o artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha
de salários da empresa recorrente.
DIFERENÇA DE GRATIFICAÇÃO, PRÊMIO E BÔNUS PAGOS OU CREDITADOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS REMUNERAÇÃO INDIRETA – INCIDÊNCIA
Incide contribuição previdenciária sobre o valor pago pela empresa aos segurados que lhe prestam serviços, a título de gratificação, prêmio e bônus.
REMUNERAÇÃO CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
HABITUALIDADE
O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando
implementada a condição para seu recebimento retira-lhe
o caráter da eventualidade, tornando-o habitual.
Lançamento sobre a os pagamentos ao segurado contribuinte individual. Art. 28, III da Lei 8.212/91 (com redação dada pela Lei nº 9.876∕99).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.296
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2002, anteriores a 10/2002, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, no levantamento DGP, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do
pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2002, anteriores a 10/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos levantamentos IAC e IA2, INL e IL2 e AUT, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a determinação expressa no I, Art. 173 do CTN; c) em dar provimento ao recurso, no que se refere aos levantamentos IAC e IA2, INL e IL2, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que nega provimento do recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no que se refere ao levantamento DGP, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento do recurso nesta questão; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que se refere ao
levantamento AUT, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Redator(a) designado(a): Bernadete de Oliveira Barros.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2002, anteriores a 10/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, no levantamento DGP, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2002, anteriores a 10/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos levantamentos IAC e IA2, INL e IL2 e AUT, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a determinação expressa no I, Art. 173 do CTN; c) em dar provimento ao recurso, no que se refere aos levantamentos IAC e IA2, INL e IL2, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que nega provimento do recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no que se refere ao levantamento DGP, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento do recurso nesta questão; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que se refere ao levantamento AUT, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Redator(a) designado(a): Bernadete de Oliveira Barros.
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA PARCIAL.. INDENIZAÇÃO, PREVISTA EM ACORDOS COLETIVOS, PAGA EM RESCISÕES TRABALHISTAS. INDENIZAÇÃO PAGA POR LIBERALIDADE EM RESCISÕES TRABALHISTAS. A Súmula Vinculante n. 08 do STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, no caso, o artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. DIFERENÇA DE GRATIFICAÇÃO, PRÊMIO E BÔNUS PAGOS OU CREDITADOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS REMUNERAÇÃO INDIRETA – INCIDÊNCIA Incide contribuição previdenciária sobre o valor pago pela empresa aos segurados que lhe prestam serviços, a título de gratificação, prêmio e bônus. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. Lançamento sobre a os pagamentos ao segurado contribuinte individual. Art. 28, III da Lei 8.212/91 (com redação dada pela Lei nº 9.876∕99). Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.001659/200777 Acórdão n.º 2301002.296 S2C3T1 Fl. 2 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2002, anteriores a 10/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, no levantamento DGP, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; b) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 09/2002, anteriores a 10/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos levantamentos IAC e IA2, INL e IL2 e AUT, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar a determinação expressa no I, Art. 173 do CTN; c) em dar provimento ao recurso, no que se refere aos levantamentos IAC e IA2, INL e IL2, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que nega provimento do recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no que se refere ao levantamento DGP, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento do recurso nesta questão; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que se refere ao levantamento AUT, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Redator(a) designado(a): Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Redatora designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário da JOHNSONDIVERSEY BRASIL LTDA. contra acórdão de primeira instância, prolatado pela 14ª Turma da DRJ/SPOI, que julgou procedente lançamento do crédito previdenciário apurado em desfavor do recorrente. 2. Na origem, tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização contra o contribuinte (matriz e filiais: 000309, 000481 e 000562), referente às seguintes contribuições para a Seguridade Social: contribuição dos segurados empregados, dos contribuintes individuais, da empresa (devida ao FPAS), contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e contribuições devidas a terceiros (INCRA e SEBRAE para a matriz e filial 000481, e, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI para as filiais 000309 e 000562) (cf. relatório fiscal de ff. 5056). 3. As contribuições lançadas tiveram como base de cálculo os valores pagos aos empregados e contribuintes individuais nas seguintes rubricas: a) "DGP": diferença de gratificação, prêmio e bônus pagos ou creditados aos segurados empregados; b) "IAC" e "IA2": indenização, prevista em Acordos Coletivos, paga em rescisões trabalhistas aos empregados da matriz (IAC) e das filiais (IA2); c) "INL" e "IL2": indenização paga por liberalidade em rescisões trabalhistas aos empregados da matriz (INL) e das filiais (IL2); d) "AUT": remuneração paga ao segurado contribuinte individual proveniente de pagamento por fornecimento de notas e de verba paga no mês seguinte ao da rescisão. 4. O lançamento abrange as competências de 04/2002 a 12/2006, conforme se extrai do relatório fiscal: “6. Período do lançamento do crédito previdenciário: 04/2002 a 11/2006. O levantamento DGP referese à matriz nas competências 04/2002 a 08/2002, 05/2003, 11/2003, 04/2004, 07/2004, 12/2004_05/2006, 08/2006 e 10/2006 a 12/2006 e na filial 000481, nas competências 02/2004 e 05/2005. O levantamento IAC referese à matriz nas competências 04/2002, 07/2002, 03/2003 a 04/2003, 06/2003, 09/2003, 12/2003, 03/2004, 05/2004, 07/2004, 12/2004, 03/2005, 07/2005 a 08/2005, 10/2005 a 12/2005, 02/2006, 03/2006, 05/2006, 10/2006 e 11/2006. O levantamento INL referese à matriz nas competências 04/2002, 07/2002, 09/2002 a 11/2002, 04/2003, 06/2003, 10/2003 e 02/2004. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.001659/200777 Acórdão n.º 2301002.296 S2C3T1 Fl. 3 5 O levantamento IA2 referese à filial 000309 nas competências 07/2005 e à filial 000562 nas competências 07/2005, 01/2006, 03/2006 e 05/2006. O levantamento IL2 referese à filial 000309 nas competências 10/2002 e 11/2002 e à filial 000562 nas competências 07/2002, 10/2002 e 11/2002. O levantamento AUT referese à matriz nas competências 02/2004, 04/2004 e 07/2004.” (f. 52) Tal decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2006 Origem: NFLD DEBCAD n° 37.012.7056 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriode contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, inciso I, da Lei 8.212/91. PRÊMIOS. Os prêmios pagos habitualmente são parcelas contraprestativas, têm natureza jurídica salarial e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão do § 9° do art. 28 a Lei n° 8.212./91. INDENIZAÇÕES. As indenizações pagas por liberalidade da empresa, diferentes daquelas previstas em lei, integram o saláriode contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Art. 28, §9, "e" da Lei 8.212/91 c/c art. 214, §9°, "m" do Decreto 3.048/99. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo e sob sua responsabilidade, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais. CONSTITUCIONALIDADE. A. declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente.”(ff. 172173). 5. Nas suas razões recursais (ff. 191227), em síntese, o contribuinte defende a improcedência do lançamento fiscal com os seguintes fundamentos: a) inconstitucionalidade da exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos como condição de admissibilidade de recurso administrativo, prevista no art. 33, § 2º do Dec. n. 70.235/72; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 b) insubsistência da exação em razão da ausência de habitualidade e caráter remuneratório das gratificações e prêmios pagos aos seus empregados; c) natureza indenizatória e de liberalidade dos valores pagos a título de indenização pagos na rescisão trabalhista decorrente de acordo coletivo, o que atrairia a norma isentiva do art. 28, § 9º da Lei n. 8.212/91; d) da mesma forma, a natureza não salarial dos valores pagos ao diretor da recorrente, com fito de desconfigurar a exigência do recolhimento de contribuinte individual (art. 28, inc. III da Lei n. 8.212/91); e) requereu, ainda, a aplicação do princípio do in dubio contra fiscum com base no art. 112 do CTN – que diz que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, é interpretada da maneira mais favorável ao acusado –, bem como pugnou pela imparcialidade do julgador administrativo. 6. Não houve contrarrazões do Fisco. Por fim, os autos foram encaminhados a este Colegiado para análise do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.001659/200777 Acórdão n.º 2301002.296 S2C3T1 Fl. 4 7 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. 1. A recorrente suscitou a inconstitucionalidade do art. 33, § 2º do Decreto n. 70.235/72. Esta norma já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado de constitucionalidade, verbis: “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 32, QUE DEU NOVA REDAÇÃO AO ART. 33, § 2º, DO DECRETO 70.235/72 E ART. 33, AMBOS DA MP 1.69941/1998. DISPOSITIVO NÃO REEDITADO NAS EDIÇÕES SUBSEQUENTES DA MEDIDA PROVISÓRIA TAMPOUCO NA LEI DE CONVERSÃO. ADITAMENTO E CONVERSÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA NA LEI 10.522/2002. ALTERAÇÃO SUBSTANCIAL DO CONTEÚDO DA NORMA IMPUGNADA. INOCORRÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE RELEVÂNCIA E URGÊNCIA. DEPÓSITO DE TRINTA PORCENTO DO DÉBITO EM DISCUSSÃO OU ARROLAMENTO PRÉVIO DE BENS E DIREITOS COMO CONDIÇÃO PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DEFERIDO. Perda de objeto da ação direta em relação ao art. 33, caput e parágrafos, da MP 1.69941/1998, em razão de o dispositivo ter sido suprimido das versões ulteriores da medida provisória e da lei de conversão. A requerente promoveu o devido aditamento após a conversão da medida provisória impugnada em lei. Rejeitada a preliminar que sustentava a prejudicialidade da ação direta em razão de, na lei de conversão, haver o depósito prévio sido substituído pelo arrolamento de bens e direitos como condição de admissibilidade do recurso administrativo. Decidiuse que não houve, no caso, alteração substancial do conteúdo da norma, pois a nova exigência contida na lei de conversão, a exemplo do depósito, resulta em imobilização de bens. Superada a análise dos pressupostos de relevância e urgência da medida provisória com o advento da conversão desta em lei. A exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos como condição de admissibilidade de recurso administrativo constitui obstáculo sério (e intransponível, para consideráveis parcelas da população) ao exercício do direito de petição (CF, art. 5º, XXXIV), além de caracterizar ofensa ao princípio do contraditório (CF, art. 5º, LV). A exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos pode converterse, na prática, em determinadas situações, em supressão do direito de recorrer, constituindose, assim, em nítida violação ao princípio da proporcionalidade. Ação direta julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do art. 32 da MP 169941 posteriormente convertida na lei 10.522/2002 , que deu nova redação ao art. 33, § 2º, do Decreto 70.235/72” (ADI 1976, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 28/03/2007, DJe018 DIVULG 17052007 PUBLIC 18052007 DJ 18052007 PP00064 EMENT VOL0227601 PP00079 LEXSTF v. 29, n. 343, 2007, p. 3253 RDDT n. 142, 2007, p. 166176) 2. Com fulcro no art. 26A, § 6º, inc. I do Decreto 70.235/72, já não foi aplicado o art. 33, § 2º do mesmo Decreto neste processo, uma vez que não houve a exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos como condição de admissibilidade de recurso administrativo. 3. Assim, resta prejudicado o recurso neste ponto. Conheço, portanto, do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 4. Preliminarmente, tendo em vista o período de apuração da exação objeto do presente recurso, se faz necessária a verificação, de ofício da matéria relativa ao débitos atingidos pela decadência, nos termos do Código Tributário Nacional. 5. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 6. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 7. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.001659/200777 Acórdão n.º 2301002.296 S2C3T1 Fl. 5 9 pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 8. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN, se aplica ao caso concreto. 9. Acerca das regras de verificação da decadência do crédito tributário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está consolidada no seguinte sentido: “[...] 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “[...] 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 10. Compulsando os autos, verificase que houve recolhimento parcial, em face da totalidade das folhas de salários da empresa, sobre os valores lançados, vez que, no Termo de Encerramento de Auditoria Fiscal – TEAF, a fiscalização examinou a Folha de Pagamento, os Comprovantes de pagamento, e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações da Previdência Social – GFIP (ff. 4849). 11. Reforço o meu posicionamento baseado no fato de que consta expressamente no relatório fiscal, notadamente da "DGP" (diferença de gratificação, prêmio e bônus pagos ou creditados aos segurados empregados), em parte no período considerado no lançamento. 12. O recolhimento comprovado de parte das contribuições sociais previdenciárias, ainda que a incidência seja sobre as demais parcelas não lançadas, me leva ao convencimento de que deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 150, §4º do CTN. 13. A contribuição social é um só tributo incidente sobre a folha de salário. A base de cálculo é que pode variar de acordo com a remuneração aferida pelos trabalhadores. Havendo recolhimento de parte dessa exação, devese aplicar o entendimento do STJ (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 14. Considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 22/10/2007 – referente às contribuições do período de 04/2002 a 12/2006 –, ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências até 09/2002. Restando, entretanto, mantidas as competências de 10/2002 a 12/2006. 15. Assim, como ainda há débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DO LANÇAMENTO FISCAL Da alegada ausência de habitualidade e caráter remuneratório das gratificações e prêmios pagos aos empregados. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.001659/200777 Acórdão n.º 2301002.296 S2C3T1 Fl. 6 11 16. O Fisco autuou o contribuinte por falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre a diferença de gratificação, prêmio e bônus pagos ou creditados aos segurados empregados (ff. 5056). Decotandose a decadência reconhecida subsistem os créditos da matriz de 05/2003, 11/2003, 04/2004, 07/2004, 12/2004, 05/2006, 08/2006 e 10/2006 a 12/2006 e na filial 000481, nas competências 02/2004 e 05/2005. 17. Segundo dispõe a Lei 8.212/91, em seu artigo 28, inciso I, constitui salário de contribuição “(...) a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” (g.n.) 18. A seu turno, o art. 28, § 9º, al. “e”, n. 7 da Lei de Organização da Seguridade Social dispõe ainda que não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais. 19. Isto se dá em razão da Lei n. 8.212/91 afastar a tributação das verbas não remuneratórias da contribuição previdenciária, como aquelas pagas eventualmente, sem habitualidade. Desta forma, apenas integra a base imponível da exação (saláriode contribuição) as rubricas de natureza salarial, afastandose aquelas de cunho indenizatório. 20. Neste sentido, quanto ao prêmio de assiduidade – de natureza análoga as verbas em análise – o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho é que “a doutrina e a jurisprudência têm reconhecido a natureza salarial do prêmio assiduidade, desde que não tenha caráter eventual, como na hipótese do prêmio esporádico, ou prêmio troféu.” (Acórdão da 2ª, Turma nº RR540686/1999, de 11 Dezembro 2002, TST. Tribunal Superior do Trabalho, Recurso n.º RO2977/199800003.00, Ministro Renato de Lacerda Paiva) 21. Há muito a jurisprudência vem se posicionando no sentido de afastar as parcelas eventuais da base imponível da exação tendo em vista a ausência da habitualidade, verbis: “PREVIDENCIA SOCIAL. GRATIFICAÇÕES PAGAS SEM CARÁTER DE HABITUALIDADE NÃO INTEGRAM O SALARIO DE CONTRIBUIÇÃO, NOS TERMOS DO ACÓRDÃO LOCAL. INVIABILIDADE DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO, PELA ALINEA A, PORQUE INOCORRE A NEGATIVA DE VIGENCIA APONTADA, PELA ALINEA D, PORQUE NÃO DEMONSTRADO O DISSIDIO. NÃO CONHECIMENTO”. [g.n.] (STF. RE 93248, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, Segunda Turma, julgado em 09/12/1980, DJ 27021981 PP01307 EMENT VOL0120104 PP 00021 RTJ VOL0009701 PP00468) 20. Neste sentido, sustenta o recorrente: “Contudo, Nobre Julgador, como dizer que pagamento que ocorrem em 05 meses de 2002, dois meses de 2003, três meses em 2004 e quatro meses em 2006 (ITEM 5.19 DA DECISÃO), são habituais??? SIMPLESMENTE IMPOSSÍVEL!!!! [...] Fl. 11DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 12 Portanto, temse claramente que os valores considerados como salário contribuição assim NÃO pode ser feito, pois como descrito no próprio acórdão foram em meses sortidos do ano e nem em todos os anos fiscalizados ocorreram à premiação, NÃO PODENDO SER DE MANEIRA ALGUMA CONSIDERADOS COMO HABITUAIS!!! [...] A remuneração bem como a habitualidade não foi demonstrada, logo prevalece a inexistência de caráter contraprestativo e completa ausência de expectativa do empregado sobre tais verbas, situando a sua natureza fora do complexo salarial” (ff. 197, 204 e 207). 22. Tem razão o contribuinte. No caso concreto, não ficou demonstrada nos autos a habitualidade ensejadora do caráter salarial em nenhuma das rubricas lançadas. Restou claro que as gratificações, prêmios e bônus pagos aos segurados empregados trataramse de benefícios eventuais: dois meses de 2003, três meses de 2004, cinco meses de 2006 na matriz e um mês de 2004 e outro de 2005 na filial. 23. O pagamento em meses sortidos ao empregado não gera uma justa expectativa de recebimento da parcela, a fim de se caracterizar a verba como salarial. Assim, em razão do Fisco não ter provado a habitualidade e caráter remuneratório das gratificações e prêmios pagos aos empregados, não se pode transmudar a sua natureza. 24. Com essas considerações, afasto a exação neste ponto. Da natureza indenizatória dos valores pagos na rescisão trabalhista decorrente de acordo coletivo. Art. 28, § 9º da Lei n. 8.212/91. 25. O recorrente ainda sustenta a natureza indenizatória dos valores pagos a título de indenização na rescisão trabalhista decorrente de acordo coletivo, o que atrairia a norma supratranscrita do art. 28, § 9º da Lei n. 8.212/91. 26. O relatório fiscal foi extremamente sucinto ao tratar da descaracterização da verba de indenizatória para remuneratória, verbis: “Os valores lançados nos levantamentos IAC e IA2 — Indenização de Acordo Coletivo — foram acordados através de Sindicato e não tem a observância e amparo de legislação. Por outro lado, os levantamentos INL e IL2 — Indenização Liberal — como já se depreende, tratase de mera liberalidade da empresa. Todas estas verbas remuneratórias foram pagas pela empresa em rescisões trabalhistas e constam nas Folhas de Pagamento e nas Rescisões. [...] Cumpre ressaltar que as remunerações concedidas pela empresa, por força de convenção coletiva, a título de Indenização de Acordo Coletivo e Indenização Liberal ( Rubricas 212, 213, 3040 e 3048 e da Folha de Pagamento) NÃO estão elencadas no rol das que não integram o salário de contribuição, o que pode ser observado com a análise do parágrafo 9 do Art. 28 da Lei 8.212/91” (f. 53). 27. Em sentido diametralmente oposto ao colocado no relatório, é certo que a empresa e o sindicato da categoria têm liberdade para pactuar a indenização a ser paga pelo empregador quando da dispensa do empregado. As normas coletivas de trabalho tem amparo não só no texto constitucional (art. 7º, inc. XXVI), como também no art. 611 da CLT, verbis: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.001659/200777 Acórdão n.º 2301002.296 S2C3T1 Fl. 7 13 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XXVI reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho; Art. 611. Convenções coletivas de trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais do trabalho. § 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das empresas acordantes às respectivas relações de trabalho. 28. Outrossim, a natureza indenizatória dos valores pagos na rescisão trabalhista decorrente de negociação coletiva de trabalho não pode ser transmudada ao gosto do Fisco. A autoridade administrativa não trouxe elementos que ensejam a desconsideração da indenização pactuada. 29. A respeito deste assunto, tenho me posicionado no sentido de que os valores indenizatórios não devem ser incluídos na base de cálculo do tributo, posto que não compõem a base de remuneração do trabalhador. 30. Além disso, conforme ressaltado pelo Supremo Tribunal Federal STF, quando da análise da Adin n.º1659, com a conversão da Medida Provisória n.º 1.5239/97 na Lei n.º 9.528/97, foi afastada a incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas de caráter indenizatório. 31. E é nesse sentido que os Tribunais Regionais vêm proferindo seus acórdãos a respeito do tema em análise: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VERBAS INDENIZATÓRIAS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.523/97. LEI DE CONVERSÃO Nº 9.528/97. DISPOSITIVOS SUPRIMIDOS. PERDA DE EFICÁCIA. 1. A medida provisória nº 1.523/97, ao ter sido convertida na lei nº 9.528/97, teve vetados os dispositivos que incluíam verbas indenizatórias para fins de incidência de contribuição social. 2. Inexigibilidade de recolhimento da contribuição social sobre verbas indenizatórias. 3. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (TRF 5 – Apelação Civel PRC 237013 PE 2000.05.00.0229340, Relator Desembargador Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima) “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VERBAS INDENIZATÓRIAS E DIÁRIAS. MP N. 1.523/97. LEI N. 9.528/97. 1. A Lei n. 9.528/97 afastou a incidência de contribuição previdenciária sobre as parcelas indenizatórias e diárias. 2. A eficácia do art. 22, § 2º, da Lei n. 8.212/91, com a redação dada pela MP n. 1523/97, foi suspensa pelo STF, na ADIN n. 1.659 3. Apelação Fl. 13DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 14 improvida. Remessa parcialmente provida.” (TRF1 – Apelação em Mandado de Segurança – MAS 104065 MG 1999.01.00.10.40657, Relator Juiz Carlos Olavo) 32. O Superior Tribunal Federal também já se manifestou sobre a questão, conforme ementa transcrita abaixo: “TRIBUTÁRIO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. ADICIONAL EM CASO DE DISPENSA E INCENTIVO À APOSENTADORIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. INTERPRETAÇÃO DO ART. 28, § 9º, ALÍNEA E, ITEM 5 DA LEI Nº 8.212/91. 1. Tratase de mandado de segurança preventivo impetrado por SHELL DO BRASIL S/A objetivando que a autoridade coatora se abstivesse de autuar a ora recorrida pelo não recolhimento de contribuição previdenciária no percentual de 28%, com base nas alterações introduzidas pela Lei 8.212/91 e na CLT, pela MP nº 1.523/97. Sobreveio a sentença concedendo em parte a segurança, entendendo exigível a contribuição previdência somente quanto à parcela da gratificação para o gozo de férias (art. 144 da CLT), por entender que a referida verba não possui natureza indenizatória. Em sede de apelação, foi mantido o posicionamento firmado pela Primeira Instância. Nesta via recursal, a Autarquia Previdenciária recorrente alega negativa de vigência ao artigo 28, § 9º, alínea e, item 5 da Lei nº 8.212/91 sob o argumento de que a legislação referida expressamente aponta as importâncias que são excluídas da incidência de contribuição previdenciária, não se enquadrando, na espécie, as previstas na convenção coletiva de trabalho da categoria (indenização ao adicional em caso de dispensa e às vésperas da aposentadoria), por serem de natureza ressarcitórias, não se confundindo estas com as verbas recebidas a título de incentivo à demissão. 2. As verbas discutidas, como firmado pelo acórdão recorrido, são oriundas da cessação do contrato de trabalho, tendo, portanto, natureza indenizatória e não remuneratória, razão pela qual ser indevida a contribuição previdenciária. Interpretação em consonância com o que dispõe o art. 28, § 9º, alínea e, item 5 da Lei nº 8.212/91. 3. Recurso especial improvido” (Resp 663082 – RJ 2004/00738499, Primeira Turma, Ministro Relator José Delgado) 33. Dessa forma, entendo que não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias nos períodos lançados. Da incidência da contribuição sobre a remuneração paga ao contribuinte individual 34. Defende o contribuinte que: “O empresário e o diretor recebem pro labore, podendo ter uma folha para pagamento de tal importância. Contudo, não é salário o Fl. 14DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.001659/200777 Acórdão n.º 2301002.296 S2C3T1 Fl. 8 15 referido pagamento, pois a CLT define no artigo 457 o conceito de salário. Nesse caso o empresário e o diretor não são empregados, mas os titulares do negócio. O diretor, o empresário e o autônomo têm na Previdência Social saláriodecontribuição, assim como ocorre com os autônomos. São considerados segurados contribuintes individuais. Não há, portanto, folha de salários.” (f. 212). 35. Os valores lançados na fiscalização (AUT) referemse às contribuições incidentes sobre pagamento a contribuinte individual auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º do art. 28 da Lei n. 8.212/91, nas competências 02/2004, 04/2004 e 07/2004. 36. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal STF, no RE n. 177.296, declarou a inconstitucionalidade da expressão "avulsos, autônomos e administradores", contida no inciso I do artigo 3° da Lei 7.787/89. E, por consequência, de acordo com o art. 52, inc. X da Constituição Federal – que atribui ao Senado Federal a competência para suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal – a Casa Legislativa suspendeu a execução da Lei n° 7.787/89 neste ponto por meio da Resolução n° 14/95. 37. Sobre a matéria, é imperioso notar que, com relação aos segurados administradores e autônomos, a inexigibilidade da contribuição foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 166.772/RS (DJU, 16.12.94); como dito, quanto aos segurados avulsos, no RE 177.296/RS (DJU, 9.12.94); e a ADIn 11022/DF cuidou da contribuição previdenciária dos empresários e autônomos. 38. Contudo, após a edição da Lei nº 9.876, de 26/11/99, que alterou a redação da Lei nº 8.212/91, o Superior Tribunal de Justiça – STJ chancelou a tributação da contribuição previdenciária sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais, verbis: “[...] 3. Aliás, é cediço na Corte que: "A dicção do art. 30, I, "b", da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99, é clara e não deixa margens para outras interpretações no sentido de que a empresa é obrigada a recolher a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, da mesma Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência. [...]” (AgRg no Ag 727.948/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 28/08/2006, p. 224) 39. Portanto, atualmente, após a edição da Lei nº 9.876∕99, resta inquestionável a tributação das contribuições previdenciárias que se refere o art. 22 da Lei n. 8.212∕91 (cf. art. 30, I da Lei n. 8.212∕91), sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. 40. Desta forma, neste ponto, a alegação do recorrente não prospera, vez que o lançamento e o acórdão recorrido mantiveram a exação de acordo com o art. 28, III da Lei 8.212/91 (com redação dada pela Lei nº 9.876∕99, aplicável à época do fato gerador). Fl. 15DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 16 41. Nesta toada, uma vez é certo que a fiscalização, ao lavrar o presente lançamento fiscal observou o procedimento legal, tendo sido a presente Notificação devidamente formalizada nesta imposição tributária, apresentando com clareza os fatos geradores e a fundamentação legal pertinente, consoante o estabelecido no art. 37, da Lei n° 8. 212/91. 42. Diante disso, mantenho a exação neste particular. DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO IN DUBIO CONTRA FISCUM 43. Por fim, quanto ao requerimento de aplicação do princípio do in dubio contra fiscum e a imparcialidade do julgador administrativo, não há a necessidade de maior divagação neste decisum, uma vez que o lançamento obedeceu, em sua formatação aos princípios aplicados aos atos administrativos. Voto CONCLUSÃO 44. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO parcial, nos termos alinhavados acima. Damião Cordeiro de Moraes – Relator Voto Vencedor Bernadete de Oliveira Barros, Redatora designada Permito divergir do entendimento do Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas. O Relator entende que as gratificações, prêmios e bônus não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, pois não ficou demonstrada, nos autos, a habitualidade ensejadora do caráter salarial em nenhuma das rubricas lançadas, pois foram pagos aos segurados empregados eventualmente, ou seja: dois meses de 2003, três meses de 2004, cinco meses de 2006 na matriz e um mês de 2004 e outro de 2005 na filial. Argumenta que o pagamento em meses sortidos ao empregado não gera uma justa expectativa de recebimento da parcela, a fim de se caracterizar a verba como salarial. Todavia, constatase que não estamos diante de um pagamento eventual, ao contrário do que sustenta o Relator, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente Fl. 16DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14485.001659/200777 Acórdão n.º 2301002.296 S2C3T1 Fl. 9 17 etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Ademais, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornando o habitual. Entendo que há, sim, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de não ser seqüencial a continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o contrato, o recebimento é que depende acontecer a condição estabelecida pelo empregador. A expectativa criada, o costume e a certeza do benefício em se caracterizando a situação prédefinida pela empresa (empregadora) gera a habitualidade, afasta por completo a eventualidade que poderia enquadrar o pagamento no item 7 da letra “e” do § 9º da Lei 8.213/91. Dessa forma, entendo que restou claro, nos autos, que a concessão de prêmios, bônus e gratificações aos segurados empregados da empresa notificada não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falarse, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . Dessa forma, os valores referentes aos prêmios, bônus e gratificação integram o salário de contribuição, conforme inciso III, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.876/99. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do empregado ao receber as quantias correspondentes aos prêmios. Resta claro que o pagamento de tais quantias não se trata de fornecimento de meio para que os seus empregados possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração. Em que pese o esforço argumentativo do Relator, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a base de cálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização. Cumpre esclarecer que a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA 18 O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Dessa forma, os valores recebidos pelos empregados da recorrente, a título de prêmios, bônus e gratificação integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. Nesse sentido, voto por não excluir as contribuições lançadas incidentes sobre as verbas intituladas prêmios, bônus e gratificação. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10920.000372/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
CESSÃO DE AÇÕES. DONATÁRIO QUE NÃO DEMONSTRA O MÓVEL DA LIBERALIDADE DO DOADOR. CESSÃO DECORRENTE DE DESEMPENHO PROFISSIONAL. RENDIMENTO ORIUNDO DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. TRIBUTAÇÃO PELO IRPF. Na doação, o donatário fiscalizado tem que demonstrar o móvel que justificaria a doação, ou seja, tem que ficar demonstrado o elemento subjetivo
que justificaria a liberalidade do doador. Não parece plausível simplesmente aceitar qualquer trespasse de valores entre pessoas como doação, quando não há entre elas relação afetiva ou de gratidão recíproca, notadamente quando ficar claro que o valor doado reveste-se como contraprestação por desempenho trabalhista, de vínculo de emprego ou desempenho profissional.
DOAÇÃO DESCARACTERIZADA PARA RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. PLANEJAMENTO FISCAL MALOGRADO.
INCIDÊNCIA DO IRPF. MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE
150%. INVIABILIDADE. A jurisprudência do CARF (e dos antigos
Conselhos de Contribuintes) tem colocado obstáculos à qualificação da multa de ofício sobre o imposto lançado, quando transparece clara a intenção de o contribuinte perpetrar um planejamento tributário mal sucedido aos olhos do fisco, e não se comprove com minudência a ocorrência de dolo, fraude ou
simulação, estes a partir de documentos falsos, material ou ideologicamente, presença de interposta pessoa etc.. Nestes autos não restaram comprovadas quaisquer condutas efetivamente dolosas, que demonstrassem o intuito de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, ou mesmo o conhecimento dele por parte da autoridade fiscal, ou ainda um conluio entre as partes
envolvidas, mas simplesmente uma tentativa malograda de deslocamento da tributação do campo de incidência do IRPF para o ITCMD (imposto de transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos).
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RESULTADOS SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE AUTORIZAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL EM CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. A distribuição desproporcional de lucros e dividendos à participação no capital social pode ser efetuada desde
que autorizada no contrato social ou estatuto da sociedade. A despeito disso, mesmo que não haja autorização contratual ou estatutária para a distribuição desproporcional do lucro ou dividendo em face da participação societária, não haverá incidência do imposto de renda sobre a parcela que exceder a
distribuição proporcional, pois a lei tributária não grava a hipótese citada, apenas determinando que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte,
nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior (art. 10 da Lei nº 9.249/95), ou seja, eventual vulneração à legislação societária, pela distribuição desproporcional dos lucros à participação no capital sem
autorização no Estatuto ou Contrato Social, não pode gerar cominação no campo tributário, por ausência de específica autorização legislativa para tanto.
MULTA DE ORDINÁRIA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 75% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO ORIUNDO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIGIDEZ. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Comprovada a omissão de rendimentos, hígida a imputação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o imposto lançado, não podendo o contribuinte se socorrer de pretensa não entrega de comprovantes de rendimentos por parte da fonte pagadora ou mesmo que o imposto tenha incidido integralmente na fonte, quer porque é dever do beneficiário dos rendimentos declará-los em sua declaração de ajuste anual, se valendo de outros meios para o mister, quer porque o imposto cobrado, com a multa correspondente, somente se refere à parcela que exceder o IRRF. De outra banda, considerando os anos-calendário da autuação (2004 e 2005), necessária à comprovação do evidente intuito de fraude, como condição para lançamento da multa qualificada no percentual de 150% sobre o imposto lançado, situação que se viu nestes autos apenas na infração decorrente da glosa de despesas médicas.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.496
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reduzir para o percentual de 75% a multa incidente sobre a tributação dos valores percebidos de M. Abuhab Participações e J.S. Participações, a título de
cessão de ações, e sobre a glosa de despesa de dependentes, bem como cancelar a tributação da parcela de rendimentos que excedeu a distribuição proporcional à participação societária do recorrente nos resultados sociais da Datasul S/A. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que não cancelava a tributação da parcela de rendimentos que excedeu a distribuição proporcional de dividendos.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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DONATÁRIO QUE NÃO DEMONSTRA O MÓVEL DA LIBERALIDADE DO DOADOR. CESSÃO DECORRENTE DE DESEMPENHO PROFISSIONAL. RENDIMENTO ORIUNDO DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. TRIBUTAÇÃO PELO IRPF. Na doação, o donatário fiscalizado tem que demonstrar o móvel que justificaria a doação, ou seja, tem que ficar demonstrado o elemento subjetivo que justificaria a liberalidade do doador. Não parece plausível simplesmente aceitar qualquer trespasse de valores entre pessoas como doação, quando não há entre elas relação afetiva ou de gratidão recíproca, notadamente quando ficar claro que o valor doado revestese como contraprestação por desempenho trabalhista, de vínculo de emprego ou desempenho profissional. DOAÇÃO DESCARACTERIZADA PARA RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. PLANEJAMENTO FISCAL MALOGRADO. INCIDÊNCIA DO IRPF. MULTA QUALIFICADA NO PERCENTUAL DE 150%. INVIABILIDADE. A jurisprudência do CARF (e dos antigos Conselhos de Contribuintes) tem colocado obstáculos à qualificação da multa de ofício sobre o imposto lançado, quando transparece clara a intenção de o contribuinte perpetrar um planejamento tributário mal sucedido aos olhos do fisco, e não se comprove com minudência a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, estes a partir de documentos falsos, material ou ideologicamente, presença de interposta pessoa etc.. Nestes autos não restaram comprovadas quaisquer condutas efetivamente dolosas, que demonstrassem o intuito de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, ou mesmo o conhecimento dele por parte da autoridade fiscal, ou ainda um conluio entre as partes envolvidas, mas simplesmente uma tentativa malograda de deslocamento da tributação do campo de incidência do IRPF para o ITCMD (imposto de transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RESULTADOS SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE AUTORIZAÇÃO DA DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL EM CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. A distribuição desproporcional de lucros e dividendos à participação no capital social pode ser efetuada desde que autorizada no contrato social ou estatuto da sociedade. A despeito disso, mesmo que não haja autorização contratual ou estatutária para a distribuição desproporcional do lucro ou dividendo em face da participação societária, não haverá incidência do imposto de renda sobre a parcela que exceder a distribuição proporcional, pois a lei tributária não grava a hipótese citada, apenas determinando que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior (art. 10 da Lei nº 9.249/95), ou seja, eventual vulneração à legislação societária, pela distribuição desproporcional dos lucros à participação no capital sem autorização no Estatuto ou Contrato Social, não pode gerar cominação no campo tributário, por ausência de específica autorização legislativa para tanto. MULTA DE ORDINÁRIA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 75% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO ORIUNDO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIGIDEZ. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovada a omissão de rendimentos, hígida a imputação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o imposto lançado, não podendo o contribuinte se socorrer de pretensa não entrega de comprovantes de rendimentos por parte da fonte pagadora ou mesmo que o imposto tenha incidido integralmente na fonte, quer porque é dever do beneficiário dos rendimentos declarálos em sua declaração de ajuste anual, se valendo de outros meios para o mister, quer porque o imposto cobrado, com a multa correspondente, somente se refere à parcela que exceder o IRRF. De outra banda, considerando os anoscalendário da autuação (2004 e 2005), necessária à comprovação do evidente intuito de fraude, como condição para lançamento da multa qualificada no percentual de 150% sobre o imposto lançado, situação que se viu nestes autos apenas na infração decorrente da glosa de despesas médicas. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reduzir para o percentual de 75% a multa incidente sobre a tributação dos valores percebidos de M. Abuhab Participações e J.S. Participações, a título de cessão de ações, e sobre a glosa de despesa de dependentes, bem como cancelar a tributação da parcela de rendimentos que excedeu a distribuição proporcional à participação societária do recorrente nos resultados sociais da Datasul S/A. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10920.000372/200792 Acórdão n.º 210201.496 S2C1T2 Fl. 2 3 que não cancelava a tributação da parcela de rendimentos que excedeu a distribuição proporcional de dividendos. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente EDITADO EM: 09/09/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte Renato Friedrich, CPF/MF nº 249.142.82968, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 14/02/2007, auto de infração (fls. 445 a 453), com ciência pessoal em 16/02/2007 (fl. 450). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 164.657,40 MULTA DE OFÍCIO R$ 241.760,12 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações, apenadas com multas de ofício de 75% ou qualificada de 150%: 1. omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, nos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005, com a seguinte motivação: § omissão de rendimentos auferidos da Tafibrás S/A e BCP S/A, nos anoscalendário 2002 e 2003, conforme informação das DIRFs e ratificadas posteriormente pelo contribuinte (fls. 426 e 427), com imposto e multa vinculada ordinária no percentual de 75%; § rendimentos enquadrados indevidamente como isentos: o ressarcimento pelo empregador de pensão alimentícia paga pelo autuado (R$ 12.959,24), com imposto e multa vinculada ordinária no percentual de 75% – reembolso de pensão alimentícia paga pelo contribuinte a exesposa, por parte do empregador Datasul, que enquadrou o valor como isento ou não tributável no comprovante de rendimentos; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 o ações recebidas em doação (fls. 428 a 431), com imposto e multa vinculada ordinária no percentual de 150%, com a seguinte motivação: Analisando sua DIRPF referente ao Exercício de 2005/Ano calendário de 2004, verifiquei a inclusão de rendimentos isentos, desta vez, classificados como decorrentes de "Rendimentos de sócio ou titular de microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo simples, exceto pro labore, aluguéis e serviços prestados.", no valor de R$ 173.059,22 (cento e setenta e três mil, cinqüenta e nove reais e vinte e dois centavos) — fls. 25. Buscando, em sua Declaração de Bens (quadro 9 da DIRPF/ 2005 — fls. 26), uma participação societária que justificasse tal enquadramento, não encontrei qualquer participação em microempresas ou empresas de pequeno porte tributadas pelo simples mas, sim, na DATASUL S/A, em valor equivalente ao citado rendimento. E, mais, consta da discriminação deste item, ainda, que esta participação societária, teria sido recebida "em doação" de duas outras pessoas jurídicas, sócias da DATASUL S/A: M. Abuhab Participações, CNPJ n° 03.204.024/000150 e J.S. Participações, CNPJ n° 02.797.043/000175. Na DIRPF apresentada no ano seguinte (Exercício 2006/Ano calendário 2005), houve nova operação deste tipo, mas, desta vez, os R$ 109.398,39 (cento e nove mil, trezentos e noventa e oito reais e trinta e nove centavos) foram classificados como oriundos de "Transferências patrimoniais — doações, heranças, meações e dissolução da sociedade conjugal ou unidade familiar" (fls. 31), apesar de, como no ano anterior, ter sido utilizado para justificar um acréscimo no mesmo item da Declaração de Bens (Ações da DATASUL S.A. — fis. 32 e 33). Em resposta ao item 7 do Termo de Intimação Fiscal n° 148/06 (fls. 101), através do qual solicitei justificativa para o recebimento destas "doações", bem como toda a documentação comprobatória das mesmas, o contribuinte informou que as mesmas foram recebidas "a título de liberalidade de M. Abuhab Participações e JS Participações" (fls. 105 e 106). Para cumprir a comprovação solicitada anexou os "Contratos de Cessão de Ações" e "Contrato de Cessão e Transferência de Ações" que se encontram às fls. 148 a 155, guias de pagamento do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (fls. 156 e 157), além de cálculos relativos aos valores pagos a este título (fls. 158) e "Documentos de Informações Econômicofiscais do Imposto sobre a Transmissão "Causa Mortis" e Doação, de Quaisquer Bens e Direitos" (fls. 159 e 160). Além da documentação apresentada pelo fiscalizado, intimei a DATASUL, através do Termo de Intimação Fiscal n° 179/06 (fls. 165 a 167) a apresentar o Livro Registro de Transferência de Ações. Cópias autênticas do livro foram apresentadas (fls. 213 a 221) e confirmam a quantidade de ações transferidas para o Sr. Renato Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10920.000372/200792 Acórdão n.º 210201.496 S2C1T2 Fl. 3 5 Friedrich, assim como as datas em que se processaram tais operações, como declarado por ele. No entanto, justificar tais operações como decorrentes simplesmente de "liberalidade" das pessoas jurídicas envolvidas é fato inaceitável. As pessoas jurídicas M. Abuhab Participações S/A e JS Participações Ltda detinham, à época das doações, 85% e 12%, aproximadamente, do capital da DATASUL, ou seja, eram seus principais acionistas, situação que se mantém até hoje. Os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte apresentados e anexos às fls. 50 a 52 e 76 a 79, demonstram que o Sr. Renato é empregado da DATASUL desde meados do anocalendário de 2001 e que ocupava cargo de diretor, quando da transferência destas ações, conforme Ata de Reunião da Diretoria realizada em 29.08.2003 às fls. 334. Além do Sr. Renato, outras pessoas também receberam ações da DATASUL em doação, TODAS, porém, também membros da diretoria da empresa. (...) Assim: > por se tratar, na verdade, de uma gratificação ou prêmio recebido sob a forma de participações no capital social da empresa; > visto que a "doação" foi feita unicamente a diretores da própria empresa, sem qualquer grau de parentesco com os sócios das pessoas jurídicas "doadoras"; > por haver estrita relação da "doação" com o fato de serem diretores e de sua atuação neste cargo, pois nenhum outro empregado foi "premiado" com tal benevolência; fica caracterizada a natureza tributável das seguintes vantagens auferidas pelo contribuinte: . R$ 173.059,22 (cento e setenta e três mil, cinqüenta e nove reais e vinte e dois centavos) no anocalendário de 2004, e . R$ 109.398,39 (cento e nove mil, trezentos e noventa e oito reais e trinta e nove centavos) no anocalendário de 2005; devendo ser adicionados à base de cálculo do Imposto de Renda apurado nas DIRPF dos Exercícios de 2005 e 2006/Anos calendário de 2004 e 2005 para recálculo do Imposto Devido e lançamento da diferença tributável. o lucros e dividendos distribuídos – tributada a parcela de lucros e dividendos que excedeu o montante que seria devido a tais títulos, considerando a participação proporcional do contribuinte no capital das empresas fontes pagadoras (fls. 431 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 a 436), conduta apenada com multa de ofício qualificada de 150%, nos anoscalendário 2004 e 2005. 2. dedução indevida de dependente, nos anoscalendário 2002 (R$ 1.272,00), 2003 (R$ 1.272,00), 2004 (R$ 1.272,00) e 2005 (R$ 1.404,00), conduta apenada com multa de ofício qualificada de 150% sobre o imposto lançado, com a seguinte motivação (fl. 437): Como se comprova, através da análise do acordo de separação judicial e Termo de Audiência de Ratificação anexos às fls. 43 a 48, apresentado pelo contribuinte fiscalizado em resposta ao Termo de Diligência Fiscal n° 016/06 (fls. 37 a 39); a guarda do filho menor, Julian Schaffer Friedrich, ficou com a mãe (fls. 45). Por isso, com base no texto legal transcrito e no fato exposto, há de ser efetuada a glosa desta dedução nas declarações apresentadas pelo contribuinte em todos os anoscalendário abrangidos pela presente ação fiscal, exceto o anocalendário de 2001, ano em que foi homologado o acordo de separação (fls. 48), observado o art. 38, § 50 da IN SRF n° 15/01. Os valores correspondentes constam especificados na planilha que se segue: (...) 3. dedução indevida de despesas médicas, nos anoscalendário 2002 (R$ 12.500,00), 2003 (R$ 153,27), 2004 (R$ 5.852,68) e 2005 (R$ 9.054,84), conduta apenada com multa qualificada de 150% sobre o imposto lançado, com a seguinte motivação (fls. 438 a 440): (1)Não foi comprovado o pagamento desta despesa e, posteriormente, o contribuinte declarou ter sido um engano esta dedução. (odontólogo Sandro Ferreira, no valor de R$ 12.500,00) (2)A despesa se refere a pessoas não incluídas como dependentes do contribuinte em sua declaração. (3)Despesa com vacinas. Não podem ser deduzidas, por falta de previsão legal. (4)Não foi apresentada a Nota Fiscal, documento hábil para comprovação de despesas quando o beneficiário é pessoa jurídica. (5)Não foi apresentada comprovação deste pagamento. (6) Despesa médica comprovada, apesar de não ter sido declarada. (7) Valor parcialmente reembolsado pela UNIMED. A multa de ofício foi qualificada para o percentual de 150% sobre o imposto lançado com a seguinte motivação (fls. 440 e 441): Por todo o exposto e considerando que: § O pagamento de rendimentos disfarçadamente sob a forma de ações "doadas" e lucros/dividendos distribuídos (em valor superior ao definido em assembléias) por parte da DATASUL S/A, contaram, necessariamente, com seu aceite/concordância como empregado, pois, apesar de ter se beneficiado da falta de tributação destes rendimentos, por Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10920.000372/200792 Acórdão n.º 210201.496 S2C1T2 Fl. 4 7 outro lado, deixou de contar com estes valores na base de cálculo de seus direitos trabalhistas; § Nos anoscalendário de 2004 e 2005, quando aconteceram tais fatos, o contribuinte já fazia parte da diretoria da companhia, participando das assembléias, fato que o coloca também como responsável e conivente com estes atos; § O contribuinte utilizouse de recibos graciosos para justificar despesas médicas extremamente elevadas no ano calendário de 2002; § Nos anoscalendário de 2004 e 2005 utilizouse de despesas médicas pagas a pessoas que sequer são suas dependentes; § Dos valores deduzidos a título de despesas médicas nos anoscalendário de 2002, 2004 e 2005, aproximadamente 98%, 88,5% e 45%, respectivamente, eram INDEVIDOS; § Consta claramente das instruções de preenchimento da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física a vedação relativa à dedução concomitante de Pensão Alimentícia e de alimentando, como dependente; § Mesmo ciente desta vedação, o contribuinte repetiu esta infração por TODOS os anoscalendário desde que se separou, ou seja, de 2002 a 2005; não tenho dúvidas de que ele realmente tenha se utilizado destas condutas com a intenção de reduzir o Imposto de Renda Devido e, conseqüentemente o saldo de Imposto de Renda a pagar, assumindo o risco. Agindo assim, incorreu em fraude, sonegação fiscal e conluio, como definido nos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64: (...) Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma de Julgamento da DRJFlorianopólis (SC), por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0715.305, de 06 de março de 2009 (fls. 528 e seguintes). A decisão acima considerou não contestado o imposto incidente sobre as omissões de rendimentos percebidos da Tafibrás e BCP e as glosas de dependente e de despesas médicas, pois o impugnante somente questionou a multa de ofício vinculada ao imposto decorrente dessas infrações. Alfim, somente cancelou a infração decorrente da omissão de rendimentos pagos pela Datasul a título de reembolso de pensão alimentícia paga pelo contribuinte a sua exesposa, pois não restou comprovado nos autos tal reembolso. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 20/03/2009 (fl. 540). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 16/04/2009 (fl. 541). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 I. a relação com a M. Abuhab Participações e J.S. Participações, doadoras das participações na Datasul transferidas para o autuado, decorreu apenas de ele ser um executivo de excelente performance, de absoluta confiança dessas empresas, o que culminou com sua indicação para a diretoria da Datasul. Tal doação não teve qualquer relação com o cargo de diretor na Datasul, e, caso houvesse, caberia a Datasul fazer a doação, pois desta é que o recorrente recebe remuneração, e não das empresas acima, com as quais o contribuinte não tem qualquer vínculo, sempre lembrando que as doações foram objeto de contratos específicos, revestidos de todas as formalidades legais, sendo atos jurídicos perfeitos e acabados. “Portanto, não havendo, como não existe, NEXO CAUSAL entre quem fez a doação e a quem prestou serviços o Recorrente, não se pode nunca entender que essa doação é um complemento de remuneração, posto que, quem fez a doação não é a mesma pessoa que pagou a remuneração” (fl. 544 – transcrição do recurso voluntário – grifo do original); II. com o quadro acima, não há qualquer conduta fraudulenta a justificar a imputação da multa qualificada no percentual de 150%; III. não há qualquer norma legal que impeça a distribuição desproporcional à participação societária nos resultados sociais, como assentado na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. “Não é absolutamente estranho ao Direito Societário ou vedado por qualquer disposição legal, a distribuição de lucros desproporcional à participação dos sócios/acionistas no capital social. Tratase de um ato legítimo de deliberação dos sócios/acionistas que não pode ser desconstituído pela autoridade fiscal por absoluta falta de previsão legal. A relevância para a legislação fiscal, está em se saber se os dividendos são ou não tributados. Sendo a lei fiscal silente quanto à sua forma de distribuição, se proporcional ou não, portanto, não dando um efeito tributário diferente daquele que lhe dá a legislação societária, não pode a autoridade fiscal, sob pena de ineficácia de seu ato, alterar a natureza jurídica do ato e, sem previsão legal, tributálo sob um outro rótulo jurídico” (fls. 545 e 546 – transcrição do recurso voluntário – grifos do original). Apesar de constar nas Atas das Assembléias Gerais de 27/08/2004 e 16/11/2004 que a distribuição seria proporcional, quando terminou assim não sendo, devese ressaltar que estava presente a totalidade dos acionistas nas Assembléias que determinaram a distribuição desproporcional dos dividendos. IV. nenhuma fraude foi comprovada, não justificando a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% na infração acima; V. deve ser cancelada a multa que incidiu sobre o imposto decorrente das omissões de rendimentos percebidos da Tafibrás e BCP, pois o contribuinte não recebeu os comprovantes de rendimentos, sendo que no último caso o imposto sobre os rendimentos foi integralmente retido na fonte; VI. devem ser desqualificadas as multas de ofício incidentes sobre as glosas de despesas médicas e dependentes. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10920.000372/200792 Acórdão n.º 210201.496 S2C1T2 Fl. 5 9 Assevera, ainda, que os valores não impugnados foram pagos. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 20/03/2009 (fl. 540), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 16/04/2009 (fl. 541), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 21/04/2009, terçafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, passase a debater a controvérsia do item I do relatório (tributação dos valores percebidos de M. Abuhab Participações e J.S. Participações doação). Antes de tudo, na doação, o donatário fiscalizado tem que demonstrar o móvel que justificaria a doação, ou seja, tem que ficar demonstrado o elemento subjetivo que justificaria a liberalidade do doador. Não parece plausível simplesmente aceitar qualquer trespasse de valores entre pessoas como doação, quando não há entre elas relação afetiva ou de gratidão recíproca, notadamente quando ficar claro que o valor doado revestese como contraprestação trabalhista, de vínculo de emprego ou de desempenho profissional. No caso em debate, as pessoas jurídicas M. Abuhab Participações e J.S. Participações, principais acionistas da Datasul S/A, esta a empresa em que o autuado era diretor desde 2001, resolveram doar pequena parcela do capital da Datasul S/A aos diretores desta em 2004 e 2005. O recorrente alega que a doação decorreria apenas do fato de ele ser um executivo de excelente performance, de absoluta confiança das empresas doadoras, o que teria, inclusive, levadoo ao corpo diretivo da Datasul S/A. A justificativa acima é absolutamente implausível para caracterizar uma doação. O que transparece dos autos é outra coisa, especificamente que os acionistas da Datasul S/A resolveram premiar o corpo diretivo dela com pequenas parcelas de seu capital social, decorrente por certo do desempenho profissional dos diretores, daí se vendo que se trata de um rendimento decorrente do trabalho em sentido lato, albergado na dicção “proventos de qualquer natureza”, passível de tributação pelo imposto de renda da pessoa física, na forma do art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713/88, nas partes abaixo destacadas, verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Diferentemente do que asseverou o contribuinte, aqui não se está tributando por presunção, pois um pagamento feito por acionistas controladores pessoas jurídicas de determinada empresa, ao corpo diretivo desta, é apreendido como rendimento do trabalho executado na empresa controlada (provento de qualquer natureza), até porque não é compreensível aceitar que pessoas jurídicas façam doações a terceiros, a partir de atos ou trabalhos desenvolvidos pelos terceiros em outras pessoas jurídicas. Ora, se os terceiros tivessem prestado um relevante serviço aos doadores (M. Abuhab Participações e J.S. Participações), mesmos pessoas jurídicas, decorrente de uma ação altruísta, plausível defender a tese da doação. Assim, por exemplo, caso os terceiros tivessem evitado um dano material ou moral (Súmula STJ nº 227 A pessoa jurídica pode sofrer dano moral) aos doadores, poderse ia entender o móvel da doação. Porém, nestes autos, não se comprovou o porquê das doações, ou seja, o que teria levado as empresas acionistas da Datasul S/A a doar ações destas ao corpo diretivo dela, exceto que se trataria de um prêmio dado aos diretores da Datasul S/A por seus acionistas e, como tal, um rendimento passível de tributação pelo imposto de renda (proventos de qualquer natureza). Claramente, daí somente pode apreenderse que as empresas M. Abuhab Participações e J.S. Participações fizeram pagamentos a título de serviço prestado ou desempenho profissional ao corpo diretivo da Datasul S/A, não havendo falar em doação, como inclusive confessado pelo recorrente, que alegou que a doação decorreria de sua excelente performance profissional. A simples formalização dos pagamentos como doação, mesmo com a apresentação das guias de recolhimento do ITCMD (imposto de transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos), não pode desnaturar o fato de que não se demonstrou por que os acionistas pessoas jurídicas iriam fazer doações ao corpo diretivo de empresa controlada por eles. Ao revés, o que parece claro é que os pagamentos decorreram do exercício profissional dos diretores na Datasul S/A, o que motivou os acionistas desta a efetuarem trespasse de ações, como reconhecimento pelos serviços prestados. Aceitar que a mera formalização de instrumentos legais seja suficiente para comprovar a substância dos autos negociais, implicaria em deturpar toda a essência do direito tributário, vocacionado para perscrutar e tributar a essência dos atos negociais, pouco importando sua forma. Não parece razoável aceitar que pagamentos a diretores de empresas pelo desempenho profissional, feito por acionistas delas, sejam encarados como doação. Ora, o bônus recebido nessa situação é um rendimento encarado como proventos de qualquer natureza, e, como tal, tributável pelo imposto de renda da pessoa física IRPF e não pelo ITCMD. Finalizando, vêse que o contribuinte buscou tributar valores percebidos em decorrência de seu exercício profissional por uma tributação menos gravosa, já que em Santa Catarina o ITCMD tem alíquotas máximas de 8%, como se pode ver na Lei catarinense 13.136, de 25 de novembro de 2004, ao invés das alíquotas do IRPF que seriam no caso em comento de 27,5%, em uma espécie de planejamento tributário, alterando, porém, a natureza do fato gerador da obrigação tributária, que se revestia de proventos de qualquer natureza, e não doação, estando no campo da incidência do imposto de renda da pessoa física. Ante o exposto, sem razão o recorrente. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10920.000372/200792 Acórdão n.º 210201.496 S2C1T2 Fl. 6 11 Já no item II da defesa, o recorrente combate a aplicação da multa qualificada de 150% sobre o imposto apurado na infração do item precedente. A jurisprudência do CARF (e dos antigos Conselhos de Contribuintes) tem colocado obstáculos à qualificação da multa de ofício sobre o imposto lançado, quando transparece clara a intenção de o contribuinte perpetrar um planejamento tributário mal sucedido aos olhos do fisco, e não se comprove com minudência a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, estes a partir de documentos falsos, material ou ideologicamente, presença de interposta pessoa etc. Como exemplo desse entendimento, no âmbito da tributação da pessoa física, vêemse aqueles casos em que o contribuinte pessoa física busca se equiparar indevidamente à tributação da pessoa jurídica, como se viu no Acórdão nº 210200.447, sessão de 04 de dezembro de 2009, deste mesmo relator, nesta Turma de Julgamento, que restou assim ementado (excerto): MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Na época da prática das condutas reputada qualificadas, somente era justificável a exigência da multa qualificada, então prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, quando o contribuinte tivesse procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A constituição de empresa de prestação de serviço, por sócios ou controladores da empresa tomadora do serviço, para a venda de serviço de gestão administrativa unicamente à tomadora, objetivava unicamente reduzir a carga tributária incidente sobre os rendimentos do trabalho dos sócios, prática que foi rechaçada pela autoridade fiscal, não se podendo dizer, entretanto, que houve uma conduta dolosa para impedir a ocorrência do fato gerador ou o conhecimento desse por parte da autoridade fiscal. Na mesma linha acima, podese ver o Acórdão nº 220100.420, da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, sessão de 24/09/2009, relator o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. No caso destes autos, visualizase um planejamento tributário mal sucedido, com pagamento de tributo ao Estado de Santa Catarina, a título de ITCMD, quando deveria ter recolhido o competente IRPF, aos cofres da União Federal. Em um caso dessa espécie, não restou comprovado o então exigido evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 (com a redação vigente do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, na época dos fatos geradores), mas apenas, como já dito, um planejamento fiscal malogrado. Nestes autos não restaram comprovadas quaisquer condutas efetivamente dolosas, que demonstrassem o intuito de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, ou mesmo o conhecimento dele por parte da autoridade fiscal, ou ainda um conluio entre as partes envolvidas, mas simplesmente uma tentativa equivocada de deslocamento da tributação do campo de incidência do IRPF para o ITCMD. Vejase, por exemplo, que não existiram documentos inidôneos ou interposição de pessoa, tendo a operação sido feita às claras, até com pagamento de imposto a ente da federação indevido, tudo a demonstrar a ausência de um efetivo ânimo de fraudar o fisco federal. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 Com as considerações acima, devese reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75% sobre o imposto lançado referente à infração oriunda do recebimento de ações feitas pelas empresas M. Abuhab Participações e J.S. Participações em prol do fiscalizado. Agora se passa à defesa do item III (tributação da parcela que excedeu a distribuição proporcional à participação societária do recorrente na Datasul S/A nos resultados sociais) e do item IV (qualificação da multa de ofício que incidiu sobre o imposto oriundo da infração distribuição proporcional de lucros/dividendos). Antes de tudo, devemse verificar os requisitos para distribuição desproporcional de lucros ou dividendos. Nas sociedades simples e nas sociedades empresárias de responsabilidade limitada, a distribuição dos resultados sociais aos sócios deve ser feita de forma proporcional às respectivas cotas, podendo, entretanto, ser estipulada uma distribuição desproporcional, como se vê da interpretação combinada dos arts. 1.007 e 1.053 do Código Civil, abaixo transcritos: Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. (...) Art. 1.053. A sociedade limitada regese, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da sociedade simples. Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. O entendimento acima, à luz da tipologia societária do Código Civil decaído, foi esposado no precedente trazido no recurso voluntário do recorrente, especificamente o Acórdão nº 10613.305, da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sessão de 13 de maio de 2003, que restou assim ementado (excerto): IRPF SOCIEDADES CIVIS DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL DE LUCROS Havendo no contrato social previsão para deliberação dos sócios sobre a distribuição de lucros, é possível fazêlo desproporcionalmente a participação no capital social, haja vista a ausência de qualquer impedimento legal neste sentido. Ocorre que a empresa que fez a distribuição dos lucros no caso vertente é uma sociedade anônima, regida por lei especial (Lei nº 6.404/76), e nesta Lei devemos perscrutar se é possível a distribuição desproporcional de dividendos em face da participação acionária, pois para este tipo de sociedade o Código Civil somente se aplica supletivamente (art. 1.089 do Código Civil). Abaixo, transcrevemse excertos da Lei nº 6.404/76, que esclarecem a controvérsia: Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir: (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10920.000372/200792 Acórdão n.º 210201.496 S2C1T2 Fl. 7 13 I em prioridade na distribuição de dividendo, fixo ou mínimo;(Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) (...) § 2o Deverão constar do estatuto, com precisão e minúcia, outras preferências ou vantagens que sejam atribuídas aos acionistas sem direito a voto, ou com voto restrito, além das previstas neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) (...) § 4o Salvo disposição em contrário no estatuto, o dividendo prioritário não é cumulativo, a ação com dividendo fixo não participa dos lucros remanescentes e a ação com dividendo mínimo participa dos lucros distribuídos em igualdade de condições com as ordinárias, depois de a estas assegurado dividendo igual ao mínimo.(Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) (...) Art. 109. Nem o estatuto social nem a assembléiageral poderão privar o acionista dos direitos de: I participar dos lucros sociais; (...) § 1º As ações de cada classe conferirão iguais direitos aos seus titulares. (...) Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001) (...) § 1º O estatuto poderá estabelecer o dividendo como porcentagem do lucro ou do capital social, ou fixar outros critérios para determinálo, desde que sejam regulados com precisão e minúcia e não sujeitem os acionistas minoritários ao arbítrio dos órgãos de administração ou da maioria. (grifos aqui acrescidos) Como se pode ver pelo art. 109, § 1º, da Lei nº 6.404/76, acima grifado, a participação nos lucros sociais é igual para cada classe de ações, daí inferindose que os dividendos devem ser pagos de forma proporcional à participação acionária. De outra banda, o art. 17, §§ 2º e 4º, deixa claro que a ação com dividendo fixo não participa dos lucros remanescentes e a ação com dividendo mínimo participa dos Fl. 13DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 14 lucros distribuídos em igualdade de condições com as ordinárias, depois de a estas assegurado dividendo igual ao mínimo, salvo disposição estatutária em contrário, ou seja, a Lei prevê a possibilidade da distribuição de dividendos desproporcional à participação societária, com isonomia dentro de cada classe de ação1. O entendimento acima, de que o estatuto social pode prever distribuição desproporcional de dividendos, respeitadas a isonomia dentre as diversas classes de ações, foi perfilhado pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 267.256 – BA, relator o ministro Cesar Asfor Rocha, sessão de 21 de agosto de 2001, do qual abaixo se transcreve excerto da fundamentação do voto do relator: (...) Mesmo que assim não fosse e apenas por demasia, anoto que o § 2º do art. 17 da Lei n. 6.404/76 determina que "a ação com dividendo mínimo participa dos lucros distribuídos em igualdade de condições com as ordinárias, depois de a estas (ordinárias) assegurado dividendo igual ao mínimo", salvo disposição em contrário do estatuto. Sendo assim, em linha de princípio, uma vez distribuído o percentual do lucro líquido mínimo estatutária mente garantido às ações preferenciais e sobejando rendimentos a partilhar, as ações ordinárias devem receber tais rendimentos até se igualarem ao mínimo previsto para as ações preferenciais. Se, mesmo após a atribuição de dividendos às ações ordinárias, ainda remanescerem lucros líquidos a distribuir, serão estes partilhados igualmente, de forma proporcional, entre as ações preferenciais e as ordinárias, até se esgotarem às últimas forças dos dividendos disponíveis para a distribuição. Poderia o estatuto social, todavia, prever de forma contrária, excluindo expressamente as ações de dividendo mínimo da distribuição dos lucros remanescentes. Obviamente que todo o arcabouço legal acima transcrito, apesar de permitir a distribuição desproporcional dos dividendos, está estruturado com objetivo de proteger os acionistas minoritários, os quais não podem ficar ao exclusivo arbítrio dos majoritários, como se vê no art. 202, § 1º, da Lei nº 6.404/76, acima transcrito. No caso em debate, porém, não se demonstrou que o Estatuto da empresa Datasul S/A autorizaria uma distribuição desproporcional de dividendos, nos limites dos artigos antes descritos da Lei nº 6.404/76, sendo que os minoritários até receberam dividendos majorados à sua participação acionária. Ao revés, as Atas das Assembléias Gerais de 27/08/2004 e 16/11/2004 (fls. 336 e 340) da empresa citada, que autorizaram distribuição de dividendos nestas datas, asseveravam que tal distribuição seria proporcional à participação acionária dos sócios. Porém também é fato que a totalidade dos acionistas resolveram autorizar a distribuição de dividendos de forma desproporcional, realidade inconteste (nas Atas de 29/04/2005 – fls. 354 a 356 –, de 15/07/2005 – fls. 368 e 369 – e 09/12/2005 – fls. 370 a 373, 1 Uma apreciação aprofundada sobre a distribuição desproporcional de dividendos em sociedades, inclusive sociedades anônimas, pode ser encontrada em: OLIVEIRA, Jussara Álvares de. DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NAS SOCIEDADES SIMPLES, EMPRESÁRIAS E DE DIVIDENDOS NAS ANÔNIMAS (dissertação de mestrado). Faculdade de Direito Milton Campos. Disponível em: http://www.mcampos.br/posgraduacao/mestrado/dissertacoes/jussaraoliveiradistribuicaolucrosociedadessimpesem preariasdividendoanonimas.pdf. Acesso em 19 de julho de 2011. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10920.000372/200792 Acórdão n.º 210201.496 S2C1T2 Fl. 8 15 por exemplo, há expressa outorga para distribuição de valores de dividendos, os quais, posteriormente, a fiscalização considerou majorados), e se deve discutir a incidência da tributação no caso em debate, até porque eventual infração à legislação societária (de forma transversa, é verdade, pois a Lei nº 6.404/76, no ponto em discussão, visa proteger os minoritários de uma distribuição atenuada de lucros e dividendos, e não majorada, como se viu) necessariamente não terá reflexo tributário. É de conhecimento geral que o art. 10 da Lei nº 9.249/95 (Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior) isentou do imposto de renda os lucros e dividendos auferidos por sócios e acionistas a partir dos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, superando a cisão tradicional entre a pessoa pagadora dos dividendos/lucros e os beneficiários, à luz da tributação, como ainda ocorre em outros sistemas tributários. Assim, a incidência tributária no auferimento de lucro por pessoa jurídica passou a ser única, na própria pessoa jurídica auferidora dos resultados, com distribuição de lucros e dividendos isenta de tributação na pessoa dos beneficiários dos rendimentos. Atentese que o artigo acima não obriga que a distribuição dos lucros/dividendos seja proporcional à participação no capital social. No caso destes autos, mais uma vez teríamos que enxergar a distribuição desproporcional como uma liberalidade dos acionistas majoritários em prol dos minoritários, pois tal distribuição não constava no Estatuto da Datasul S/A, e, em princípio, não se visualizaria qualquer relação afetiva ou de gratidão recíproca entre os doadores e donatário, sendo de rigor a incidência da tributação pelo imposto de renda, como se viu anteriormente neste voto. Porém, como já dito, não se pode esquecer da inovação trazida pelo art. 10 da Lei nº 9.249/95, que passou a enxergar no lucro auferido pela pessoa jurídica e na sua distribuição uma unidade passível de tributação pelo imposto de renda, fundindo, na verdade, as figuras da fonte pagadora e do beneficiário, com incidência na primeira. No caso vertente, caso a distribuição de lucro ou dividendos fosse objeto de tributação na pessoa do beneficiário dos rendimentos, como ocorria anteriormente à Lei nº 9.249/95, não haveria qualquer dúvida em descaracterizar a doação dos majoritários em benefício dos minoritários, com motivos semelhantes aos já registrados neste voto, fazendo incidir a tributação do IRPF nos minoritários, até porque a totalidade do lucro distribuído deveria ser tributado também nos beneficiários dos rendimentos. Entretanto, no momento em que ocorreu a fusão auferidor/recebedor de lucros ou dividendos, com tributação na pessoa jurídica distribuidora, parece absolutamente desarrazoado tributar um acionista que recebeu um dividendo majorado além do que seria devido, quando se sabe que a regra de tributação dos dividendos passa apenas pela incidência do IRPJ e CSLL nos lucros da pessoa jurídica distribuidora, sendo, sempre, completamente isentos os lucros e dividendos distribuídos nas declarações dos beneficiários (pessoa física ou jurídica). Assim, no momento em que se enxerga a tributação única do binômio lucro auferido/resultado distribuído, na primeira perna da operação, na forma do art. 10 da Lei nº 9.249/95, não se pode aceitar que uma parcela de dividendos, simplesmente pelo fato de ter Fl. 15DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 16 sido distribuída de forma majorada em face da participação societária, possa sofrer incidência do imposto de renda na figura do beneficiário dos rendimentos. Claramente a incidência tributária sobre os lucros auferidos é única, na figura da empresa auferidora dos resultados, sendo a distribuição, dos lucros e dividendos, isenta do imposto de renda da pessoa física na figura do beneficiário dos rendimentos, a despeito da distribuição melhor aquinhoada a determinada classe de acionistas, mesmos que não haja autorização para tanto no contrato social ou no estatuto. Assim, eventual vulneração à legislação societária, pela distribuição desproporcional dos lucros à participação no capital sem autorização no Estatuto ou Contrato Social, não pode gerar cominação no campo tributário, por ausência de específica autorização legislativa para tanto. Com as considerações acima, devese afastar a infração oriunda da distribuição desproporcional de lucros/dividendos à participação no capital, com o cancelamento do imposto lançado e, por óbvio, da multa qualificada de ofício que incidiu sobre tal imposto. Agora se passa à defesa do item V (deve ser cancelada a multa que incidiu sobre o imposto decorrente das omissões de rendimentos percebidos da Tafibrás e BCP, pois o contribuinte não recebeu os comprovantes de rendimentos, sendo que no último caso o imposto sobre os rendimentos foi integralmente retido na fonte). A defesa acima é destituída de razoabilidade jurídica, a uma porque a eventual ausência do recebimento de comprovante de rendimentos não autoriza ao contribuinte omitilos, pois há outras formas de declarar os valores percebidos, a partir de créditos bancários ou mesmo demandando a fonte pagadora; a duas porque, caso o imposto incidente sobre determinado rendimento tenha sido integralmente retido na fonte, a agregação de tais rendimentos ao monte tributável, considerado o imposto retido, não implicaria na cobrança de qualquer diferença de imposto (e, por óbvio, ausente o lançamento do imposto, inexistente a multa de ofício que incide sobre o imposto lançado). Por tudo, sem razão o recorrente. Por fim, passase à defesa do item VI (devem ser desqualificadas as multas de ofício incidentes sobre as glosas de despesas médicas e de dependente). Seguem as razões que levaram a autoridade a exasperar a multa de ofício incidente sobre o imposto oriundo das infrações acima citadas: § O contribuinte utilizouse de recibos graciosos para justificar despesas médicas extremamente elevadas no anocalendário de 2002; § Nos anoscalendário de 2004 e 2005 utilizouse de despesas médicas pagas a pessoas que sequer são suas dependentes; § Dos valores deduzidos a título de despesas médicas nos anoscalendário de 2002, 2004 e 2005, aproximadamente 98%, 88,5% e 45%, respectivamente, eram INDEVIDOS; § Consta claramente das instruções de preenchimento da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física a vedação relativa à dedução concomitante de Pensão Alimentícia e de alimentando, como dependente; Fl. 16DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10920.000372/200792 Acórdão n.º 210201.496 S2C1T2 Fl. 9 17 § Mesmo ciente desta vedação, o contribuinte repetiu esta infração por TODOS os anoscalendário desde que se separou, ou seja, de 2002 a 2005; No tocante à glosa da despesa do dependente, filho do recorrente, com guarda deferida a exesposa, tratase de mera dedução indevida de dependente em declaração de ajuste anual, não restando comprovado o evidente intuito de fraude, na forma dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, como exigido pelo art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, então vigente à época dos fatos geradores. Autorizar a qualificação da multa de ofício no caso acima implicaria em permitir o exasperamento da multa sobre o imposto lançado decorrente de qualquer revisão da declaração de ajuste anual, passando a multa ordinária no percentual de 75% a ser uma penalidade excepcional, quando se sabe que tal multa é a regra e não a exceção. A multa excepcional, que deve ser adequadamente fundamentada, é a multa exasperada no percentual de 150% sobre o imposto lançado. A glosa de qualquer despesa na revisão da declaração de ajuste anual, ou mesmo o acréscimo de rendimento omitido, deve sofrer a cobrança do imposto devido, com a multa ordinária no percentual de 75% sobre o imposto lançado. A multa exasperada no percentual de 150% incide quando ocorre uma conduta dolosa, que vai além da mera omissão de rendimentos ou glosa de despesa, devidamente comprovada, caracterizada pela utilização de documentário inidôneo, material ou ideologicamente, utilização de interposta pessoa, dedução de despesa completamente arbitrária à luz da legislação tributária etc., situações que não se amoldam ao caso presente, na qual se viu apenas a dedução de um filho do recorrente que estava sob guarda judicial da exesposa. Neste ponto, devese reduzir a multa qualificada de ofício de 150% para 75% sobre o imposto lançado decorrente da infração oriunda da glosa de dependente. Já quanto ao exasperamento da multa de ofício que incidiu sobre imposto oriundo da glosa de despesas médicas, vêse do relato da autoridade fiscal que uma glosa de despesa de R$ 12.500,00, do profissional Sandro Ferreira, no anocalendário 2002, foi o ponto capital a justificar a qualificação da multa de ofício, isso aliado à dedução de despesa médica de pessoas que não constaram como dependente na declaração de ajuste anual do fiscalizado (fls. 439 e 440). Aqui o contribuinte agravou dolosamente sua conduta, qualificandoa, quando juntou aos autos recibos odontológicos emitidos pelo profissional Sandro Ferreira (fls. 53 a 57), os quais foram arrostados por diversos motivos pela autoridade fiscal (recibos emitidos com timbre de empresa que sequer existia no anocalendário 2002; e procedimento realizado em cidade de residência diversa do prestador e do tomador do serviço), sendo que, intimado a comprovar o efetivo pagamento ou prestação de tais serviços, veio a alegar apenas que tinha deduzido indevidamente tal despesa (fl. 176). Ademais, vêemse múltiplas deduções indevidas, glosadas em anos sucessivos, por motivos diversos (fls. 439 e 440). Dessa forma, claramente apreendese a conduta subjetiva dolosa na dedução indevida de despesas médicas, devendo, assim, ser mantido o exasperamento da multa de ofício no percentual de 150% sobre o imposto lançado oriundo da glosa citada. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 18 Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso para reduzir para o percentual de 75% a multa incidente sobre a tributação dos valores percebidos de M. Abuhab Participações e J.S. Participações, a título de cessão de ações, e sobre a glosa de despesa de dependentes, bem como cancelar a tributação da parcela de rendimentos que excedeu a distribuição proporcional à participação societária do recorrente nos resultados sociais da Datasul S/A. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 18DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13906.000338/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano calendário: 2006
DEDUÇÃO DE SOGRO COMO DEPENDENTE E DESPESAS MÉDICAS COM ELE SUPORTADAS. CONDIÇÕES NÃO ATENDIDAS. NEGADO PROVIMENTO.
A dedução de sogros como dependentes para abatimento da base de cálculo do imposto de renda está sujeita a condicionantes que não foram observadas pelo Recorrente, como a inclusão do cônjuge também nesta condição, assim como oferecimento à tributação dos rendimentos por eles percebidos, ou então, declarados como isentos, dependendo da faixa etária e valores percebidos. Uma vez atendidas estas condições, a dedução da base de cálculo
do imposto dos valores com eles suportados com despesas médicas se amoldam ao prescrito no inciso II, par. 2º do art. 8º da lei n.o 9.250/95.
DESPESAS MÉDICAS, PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
Nos termos do inciso II, par. 2º do art. 8o da lei n.o 8.250/95, é passível de dedução da base de cálculo do imposto de renda os valores suportados a título de despesas médicas, relativos ao tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes.
OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS ADVOCATÍCIAS. LEGITIMIDADE DA DEDUÇÃO DO VALOR PAGO A ESTE TÍTULO
O parágrafo único do art. 56 do RIR legitima a dedução da base de cálculo do imposto de renda do valor pago a profissional da advocacia, a título de honorários, quando seus serviços são indispensáveis para o recebimento de valores, objeto de decisão judicial.
OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DO VALOR DO IRRF, POR COMPOR A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. PROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL.
O base de cálculo do IRRF é o valor total do recebimento pelo contribuinte, logo, ele compõe o valor que deve ser declarado na DIRPF, constituindo omissão de receita, quando excluído na apuração do ajuste anual.
Numero da decisão: 2102-001.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 6.466,88 (R$ 5.139,56 + 1.327,32) e reduzir a omissão de rendimentos para R$ 803,06, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2006 DEDUÇÃO DE SOGRO COMO DEPENDENTE E DESPESAS MÉDICAS COM ELE SUPORTADAS. CONDIÇÕES NÃO ATENDIDAS. NEGADO PROVIMENTO. A dedução de sogros como dependentes para abatimento da base de cálculo do imposto de renda está sujeita a condicionantes que não foram observadas pelo Recorrente, como a inclusão do cônjuge também nesta condição, assim como oferecimento à tributação dos rendimentos por eles percebidos, ou então, declarados como isentos, dependendo da faixa etária e valores percebidos. Uma vez atendidas estas condições, a dedução da base de cálculo do imposto dos valores com eles suportados com despesas médicas se amoldam ao prescrito no inciso II, par. 2º do art. 8º da lei n.o 9.250/95. DESPESAS MÉDICAS, PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Nos termos do inciso II, par. 2º do art. 8o da lei n.o 8.250/95, é passível de dedução da base de cálculo do imposto de renda os valores suportados a título de despesas médicas, relativos ao tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS ADVOCATÍCIAS. LEGITIMIDADE DA DEDUÇÃO DO VALOR PAGO A ESTE TÍTULO O parágrafo único do art. 56 do RIR legitima a dedução da base de cálculo do imposto de renda do valor pago a profissional da advocacia, a título de honorários, quando seus serviços são indispensáveis para o recebimento de valores, objeto de decisão judicial. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DO VALOR DO IRRF, POR COMPOR A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. PROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL. O base de cálculo do IRRF é o valor total do recebimento pelo contribuinte, logo, ele compõe o valor que deve ser declarado na DIRPF, constituindo omissão de receita, quando excluído na apuração do ajuste anual.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 6.466,88 (R$ 5.139,56 + 1.327,32) e reduzir a omissão de rendimentos para R$ 803,06, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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CONDIÇÕES NÃO ATENDIDAS. NEGADO PROVIMENTO. A dedução de sogros como dependentes para abatimento da base de cálculo do imposto de renda está sujeita a condicionantes que não foram observadas pelo Recorrente, como a inclusão do cônjuge também nesta condição, assim como oferecimento à tributação dos rendimentos por eles percebidos, ou então, declarados como isentos, dependendo da faixa etária e valores percebidos. Uma vez atendidas estas condições, a dedução da base de cálculo do imposto dos valores com eles suportados com despesas médicas se amoldam ao prescrito no inciso II, par. 2o do art. 8o da lei n.o 9.250/95. DESPESAS MÉDICAS, PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Nos termos do inciso II, par. 2o do art. 8o da lei n.o 8.250/95, é passível de dedução da base de cálculo do imposto de renda os valores suportados a título de despesas médicas, relativos ao tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS ADVOCATÍCIAS. LEGITIMIDADE DA DEDUÇÃO DO VALOR PAGO A ESTE TÍTULO. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 O parágrafo único do art. 56 do RIR legitima a dedução da base de cálculo do imposto de renda do valor pago a profissional da advocacia, a título de honorários, quando seus serviços são indispensáveis para o recebimento de valores, objeto de decisão judicial. OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DO VALOR DO IRRF, POR COMPOR A BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. PROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA FISCAL. O base de cálculo do IRRF é o valor total do recebimento pelo contribuinte, logo, ele compõe o valor que deve ser declarado na DIRPF, constituindo omissão de receita, quando excluído na apuração do ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 6.466,88 (R$ 5.139,56 + 1.327,32) e reduzir a omissão de rendimentos para R$ 803,06, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório O presente Recurso Voluntário é proposto face a decisão proferia em 30 de março de 2011, pela 6a Turma da DRJ/CTA (fls. 69/72), que por unanimidade de votos Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13906.000338/200956 Acórdão n.º 2102001.765 S2C1T2 Fl. 93 3 manteve integralmente a exigência objeto do Auto de Infração lavrado em 11/05/2009, onde constam como infrações à legislação fiscal, resumidamente, os seguintes fatos (fls. 8/10): A) dedução indevida com dependentes, glosa no valor de R$ 1.516,32, referente ao Sr. Wasyl Hawrylak, sogro do contribuinte, uma vez que o cônjuge entregou Declaração em separado; B) dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 12.590,78, por falta de comprovação ou de previsão legal, sendo R$ 5.139,56 pela falta de discriminação dos integrantes do plano de saúde familiar da titular Ilma Herbest; R$ 4.735,64 por tratarse de plano de saúde familiar do titular Wasyl Hawrylak, sogro do contribuinte, não considerado dependente e R$ 2.715,58 por falta de discriminação dos integrantes no plano de saúde, e C) omissão de rendimentos no valor de R$ 6.156,82, decorrente da diferença do valor recebido em ação judicial, que totalizam R$ 27.571,88, sendo R$ 26.768,82 retirado pelo autor/autuado e R$ 803,06 recolhido a título de IRRF. O autuado declarou como recebido a importância de R$ 21.415,06. Apresentou tempestivamente a impugnação, assim relatada na decisão de primeira instância: Apresentou impugnação de fls. 01 a 22, tempestiva segundo o órgão preparador (fl. 58), rebelandose contra as seguintes glosas: a)R$ 1.516,32 correspondente à dedução indevida com dependentes, referente ao Sr. Wasyl Hamrylak, sogro do mesmo, conforme Descrição de fl. 28; b)R$ 12.590,78 correspondentes às despesas médicas com Unimed Apucarana, CNPJ n° 81.064.511/000179 (R$ 5.139,56 + R$ 4.735,64) e R$ 2.715,58 com a Fundação Copei, CNPJ n° 75.054.940/000162, conforme Descrição de fl.29; c)R$ 6.156,82 de omissão de rendimentos referentes à ação judicial, conforme Descrição de fl. 30; No tocante à glosa de R$ 1.516,32 (item a), defendese alegando que o dependente Sr. Wasyl Hawrylak, que é seu sogro, vive sob sua tutela financeira, arcando, o impugnante, com todas as despesas, inclusive, por ter o mesmo idade avançada e estar doente, mora consigo. Sobre os R$ 12.590,78 (item b), alega que R$ 5.139,56 referem se ao plano de saúde familiar de titularidade de sua esposa; R$ 4.375,64 referemse ao plano de saúde familiar de seu sogro, que, como já dito antes, vive as expensas do contribuinte, que, por conseqüência, arca também com essa despesa; e que R$ 2.715,58 referemse ao plano de saúde da empresa Fundação Copei. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Já a respeito da omissão de rendimentos no valor de R$ 6.156,82 (item c), diz que a parte de RS 5.353,76 referese aos honorários advocatícios pagos a Marly Aparecida Pereira Fagundes, CPF n° 236.835.03904, e parte de R$ 803,06 referese ao Imposto de Renda Retido na Fonte, correlato à demanda judicial percebida pelo impugnante. Junta uma série de cópias de documentos às fls. 05 a 22. Temse a informação fiscal de que o cônjuge do impugnante apresentou declaração em separado (fl. 06). A decisão recorrida manteve a exigência fiscal sobre as glosas dos valores atribuídos a despesas médicas, com fundamento o art. 8o da lei n.o 9.250/95, destacando o seu inciso II, que aborda a restrição ao tratamento do próprio contribuinte, ou de seus dependentes, mencionando ainda, a glosa de dependente/sogro, que deveria figurar na declaração do conjuge, uma vez que esta declara em separado. Sobre a glosa do valor atribuído à Fundação Copel, por falta de discriminação, entendeu carecer de sustentação probatória. Sobre as omissões das receitas atribuídas a honorários advocatícios e IRRF, entendeu aquele colegiado que faltaram provas dos pagamentos, não bastando declaração firmada pelo próprio declarante. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, ratifica as alegações da impugnação, aduzindo ainda o Recorrendo que: a) do valor da glosa de R$ 12.590,78, a dedução de R$ 5.139,56 referese ao plano de saúde familiar de titularidade não da esposa, como constou anteriormente, mas sim, da genitora, sra. Ilma Herbst, ratificando os demais, sendo R$ 4.375,64 ao plano familiar de seu sogro e R$ 2.715,58 da empresa Fundação Copel, só desmembrado em 20/04/2011, onde possibilitou constatar que o valor correto da dedução, neste item, seria de R$ 1.327,32, referente à parcela do próprio contribuinte; b) sobre as omissões de rendimentos, R$ 5.353,76 foram pagos a Marly Aparecida Pereira Fagundes, profissional da advocacia que patrocinou a causa, conforme recibo original com firma reconhecida, xérox de consulta processual e do comprovante do depósito, e que o comprovante do IRRF só não foi apresentado anteriormente por lapso de interpretação do documento emitido pela Caixa Econômica Federal, juntando agora na peça recursal. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13906.000338/200956 Acórdão n.º 2102001.765 S2C1T2 Fl. 94 5 Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade com o prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n.o 70.235/72, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado, dele conhecendo. Inicialmente cabe decisão sobre a possibilidade ou não de deduzir como dependente da base de cálculo do imposto de renda o valor de R$ 1.516,32, pertinente à dedução na condição de dependente, do sogro do declarante/autuado, glosado pela fiscalização, assim como das despesas médicas com ele realizadas, suportadas pelo recorrente e que por ele também foram excluídas da base de cálculo do imposto, no valor de R$ 4.735,64. pagos ao plano de saúde Unimed Apuracara, quando da apuração do imposto de renda devido. A dedução de sogros como dependentes para abatimento da base de cálculo do imposto de renda está sujeita a condicionantes que não foram observadas pelo Recorrente, como a inclusão do cônjuge também nesta condição, assim como oferecimento à tributação, dos rendimentos por eles percebidos, ou então, declarados como isentos, dependendo da faixa etária e valores percebidos. Vários são os precedentes deste colegiado, com os quais compartilho, reproduzindo apenas, exemplificativamente, o acórdão abaixo que teve como Relator o Conselheiro José Ribamar Barros Penha: Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Título Acórdão nº 10616186 do Processo 10166001584200433 Data 02/03/2007 Ementa IRPF. ENCARGO DE FAMÍLIA. DEPENDENTE. SOGRA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A inclusão do cônjuge como dependente na Declaração Ajuste Anual implica considerar na mesma situação os genitores que dele guarde dependência nos termos da lei. Reconhecido o vínculo de encargo de família do sogro/sogra cabe deduzir dos rendimentos brutos a parcela relativa a dependente e as despesas médicas com este / esta realizadas. Recurso provido. Destarte, somente quando o imposto for apurado em conjunto com o cônjuge, e este também figurar como dependente, com observância das condições acima mencionadas no tocante aos eventuais recebimentos de valores, é que se torna permitido a dedução de sogros como dependentes, e nesta condição, em consonância com o texto do inciso II do par. 2o do art. 8o da lei n.o 9.250/95, passível de dedução os valores com eles despendidos e comprovados com despesas médicas. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Assim, no presente caso, não merece reparo os termos da decisão recorrida, que manteve a glosa efetuada pelo trabalho fiscal no valor de R$ 1.516,32 pelo fato de ter figurado como dependente o Sr. Wasyl Hamrylak, sogro do Recorrente, assim como de R$ 4.735,64, como despesas médicas decorrentes do plano de saúde pago à Unimed Apucarana, onde este figura como titular. No tocante à dedução do valor de R$ 2.715,58, onde o Recorrente figura como titular, pago à Fundação Copel, e a decisão recorrida manteve por entender que faltou comprovação da quota correspondente à sua esposa, não havendo assim discriminação do valor pago, na peça recursal, contra ela não se insurge a Recorrente, e até mesmo solicita que seja retificado o valor da dedução para R$ 1.327,32, mantendo a glosa de R$ 1.388,26. Destarte, cabe restabelecer o valor R$ 1.327,32, uma vez devidamente comprovada a realização da despesa médica através de recibo fornecido pela Fundação Copel de Previdência e Assistência Social, constante da fl. 84 deste processo. No tocante à despesa junto à Unimed Apucarana Cooperativa de Trabalho Médico, no valor de R$ 5.139,56, em nome de Ilma Herbest, genitora do declarante, os recibos de fls. 13 e 82 evidenciam o vínculo com o plano e o seu pagamento no ano base; a certidão de casamento de fl. 81 atesta tratarse da genitora e não esposa do Recorrente, portanto, dedutível nos termos do inciso II, par. 2o do art. 8o da lei n.o 9.250/95, uma vez que a ascendência e condição de dependente sequer foi questionada. Assim, resta apenas a comprovação do efetivo pagamento das despesas, que face aos recibos referidos, entendo legítimas, não justificando a glosa pela autoridade fiscal, devendo também este valor, ser restabelecido. Quanto à omissão das receitas, entendo que a pretensão fiscal, tal como está, não pode prosperar, uma vez que o valor de R$ 5.353,76, pago à profissional da advocacia, Dra. Marly Aparecida Pereira Fagundes (fl. 85), juntamente com outros, como o levantamento de depósito (fl. 30), depósito do valor de R$ 20.513,33 (fl. 29) em nome do autuado, dentre outros apresentados, evidenciam a existência da ação e a transparência em que a mesma foi declarada. Não obstante o fato do recibo firmado pela profissional ser apresentado somente junto à peça recursal, conforme destacado, objeto da fl. 85, a declaração firmada pelo Recorrente à fl. 50 se fez acompanhada de documentos outros que evidenciavam a sua veracidade, como o comprovante de depósito no valor respectivo, a favor da patrona da causa, sendo este, constante à fl. 51, que dentre outros, evidenciavam a existência da ação. Assim, fartamente comprovada a origem da despesa e o seu efetivo pagamento, tornase legítima a dedução do valor de R$ 5.353,76, devendo este ser excluído do total da omissão imputada, por encontrar a pretensão do contribuinte amparo no parágrafo único do art. 56 do RIR, que assim estabelece: "Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n.o 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei n2 7.713, de 1988, art. 12)." Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13906.000338/200956 Acórdão n.º 2102001.765 S2C1T2 Fl. 95 7 Quanto ao valor de R$ 803,06, pertinente ao IRRF, que incidiu sobre o valor recebido pelo Recorrente na ação movida face ao INSS, o mesmo compõe o valor total por ele recebido naquela ação, integrando assim a base de cálculo do imposto de renda, restando apenas declarar a procedência do trabalho fiscal neste particular, pois deveria o contribuinte ter oferecido à tributação este valor, quando da apuração do imposto devido na DIRPF. Destarte, da diferença apurada no trabalho fiscal por suposta omissão de rendimentos, no valor de R$ 6.156,82, deverá ser afastado desta imputação o valor de R$ 5.353,76, pago a título de honorários advocatícios, mantida assim, apenas a exigência sobre o valor de R$ 803,06, pertinente ao IRRF, que deveria mas não compôs a base de cálculo na apuração do valor do imposto de renda devido. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para restabelecer o valor das despesas médicas em R$ 6.466,88 e reduzir a omissão de rendimentos para R$ 803,06. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003242/2003-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
ATUALIZAÇÃO ENTRE A DATA DO PEDIDO E A CONCRETIZAÇÃO
DO RESSARCIMENTO. CABIMENTO. ENTENDIMENTO FIRMADO
EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE
JUSTIÇA, QUE SE REPRODUZ POR FORÇA DO ART. 62A
DO
ANEXO II DO RICARF.
Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI
não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo
considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período
compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data
na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o
Estado em reconhecer o direito do contribuinte.
Tratase
de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ
(EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso
repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe
17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por
força do art. 62A
do Anexo II do Regimento Interno.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-001.253
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO ENTRE A DATA DO PEDIDO E A CONCRETIZAÇÃO DO RESSARCIMENTO. CABIMENTO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, QUE SE REPRODUZ POR FORÇA DO ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Tratase de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno. Recurso parcialmente provido.
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CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO ENTRE A DATA DO PEDIDO E A CONCRETIZAÇÃO DO RESSARCIMENTO. CABIMENTO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, QUE SE REPRODUZ POR FORÇA DO ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Tratase de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Raquel Motta Brandão Minatel. Ausentes justificadamente os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI protocolado pelo contribuinte em 10/07/2003 (fl. 1), em que requer o pagamento de crédito corresponde à atualização que deveria ter sido paga em pedidos de ressarcimento anteriores, cujo valor do rincipal foi reconhecido ao contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Novo Hamburgo/RS (DRF), por meio do Despacho Decisório de fl. 149, que ratificou as conclusões do Parecer de fls. 146/148, negou o pedido do contribuinte, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: RESSARCIMENTO. IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. Inexiste embasamento legal que dê suporte à esfera administrativa para que aceite atualização monetária de créditos de ressarcimento de IPI. RESSARCIMENTO DE IPI. JUROS SELIC. Há expressa vedação à incidência de juros compensatórios sobre o ressarcimento de IPI — §5º, art. 52, Instrução Normativa 600/05 — desautorizandose, por conseguinte, a aplicação de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), nos ressarcimentos de créditos de IPI. INDEFERIMENTO. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 152/169) alegando, em síntese, que o seu direito “está amparado no art. 1º, da Lei nº 9.363/96, na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001 e nos arts. 1º e 2° da Portaria do Ministério da Fazenda nº 38/97” e que a correção dos valores não representa um acréscimo, mas apenas a manutenção do poder aquisitivo da moeda, frisando que “que os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos fiscais outorgados à Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento em dinheiro. E esse ressarcimento deve corresponder à integralidade do direito pleiteado” (fl. 155). Cita jurisprudência administrativa e judicial no sentido da aplicação da atualização no ressarcimento de créditos de IPI. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS (DRJ), por meio do Acórdão nº 1012.201, de 30 de maio de 2007 (fls. 205/206), manteve a decisão da DRF, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. DESCABIMENTO. Inaceitável, por falta de expressa previsão legal, a correção monetária dos valores correspondentes a ressarcimentos de créditos de IPI. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.003242/200378 Acórdão n.º 3403001.253 S3C4T3 Fl. 2 3 Solicitação Indeferida O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 211/233) reiterando as mesmas alegações de sua manifestação de inconformidade, bem como alegando que não pode haver diferenciação entre restituição, compensação e ressarcimento e que a regulamentação por Instrução Normativa não poderia restringir um direito previsto em Lei. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo (fls. 208 e 211), motivo pelo qual dele conheço. O recorrente pleiteia a atualização, pela Taxa Selic, em relação ao período decorrido entre o protocolo dos seus pedidos de ressarcimento de IPI e o seu efetivo pagamento. Na medida em que a questão da atualização não foi apreciada nas decisões que reconheceram o direito de crédito, a questão pode ser analisada mediante pedido subseqüente, feito em razão da verificação pelo contribuinte de que o ressarcimento não incluiu a atualização. Verifico que o presente pedido foi realizado em 2003, portanto, decorridos menos de 5 anos da concretização dos ressarcimentos pelo seu valor nominal, cujo pagamento mais antigo aconteceu em 2000. Entendo, por isso, que não houve prescrição do direito de pleitear a atualização, cujo prazo começou a correr a partir do pagamento havido sem tal atualização. Quanto ao mérito, sabese que a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e deste Tribunal Administrativo como um todo, oscilou ao longo do tempo entre a possibilidade ou não da atualização no pedido de ressarcimento de IPI, indiferente ao fato de referirse a créditos básicos ou crédito presumido. Os precedentes que negavam o direito de atualizar faziamno, como ocorreu neste caso, sob o fundamento de que não existia previsão legal que autorizasse a correção, ou seja, que diante da falta de autorização expressa, não poderia ser aplicada a taxa Selic na atualização do ressarcimento do IPI. Os precedentes que autorizavam o direito de atualizar, por sua vez, assim o faziam apenas em relação ao período decorrido entre o protocolo do pedido e o pagamento do valor do ressarcimento, pelo fundamento de que a demora foi ocasionada pelo Estado, com o objetivo de recompor a perda do valor real do direito do contribuinte, que não poderia ser reduzido pela demora da Administração. Confirase, exemplificativamente, os seguintes julgados da Câmara Superior e de das Câmaras do antigo Segundo Conselho de Contribuintes: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto nº 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento..Recurso a que se nega provimento. (Recurso de Divergência n° 201112809, acórdão CSRF/02.01414, Relator Dalton Cordeiro de Miranda, j. 08.09.2003) IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso negado. (Recurso do Procurador n° 202113793, acórdão CSRF/0201.690, Relator Rogério Gustavo Dreyer, j. 11.05.2004) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Embargos acolhidos para re ratificar o Acórdão nº 20173.987, passando a ementa a ter a seguinte redação: "IPI. INCENTIVO FISCAL. LEI Nº 8.387/91. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. OMISSÃO. Incide a correção monetária sobre o ressarcimento de créditos do IPI mediante a aplicação da Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 8/97 desde a data do protocolo do pedido até o efetivo pagamento. Recurso provido." Embargos acolhidos. (Recurso Voluntário 110.734, acórdão 20178670, Relator Conselheiro Sérgio Gomes Velloso, j. 12.09.2005) NORMAS PROCESSUAIS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, aplicandose a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso provido. (Recurso Voluntário n° 131.034, acórdão 20400818, Relator Flávio de Sá Munhoz, j. 05.12.2005) Foi neste último sentido que este Relator veio firmar convencimento, inclusive admitindo a possibilidade de requererse a atualização em pedido subseqüente (Acórdão 20312.003, Processo 13054.000278/200192, j. 25/04/2007). Aliás, a lógica deste raciocínio é a mesma do entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do seguinte caso de ICMS, em que o direito do contribuinte foi postergado pela Administração e pelo próprio Poder Judiciário: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PREQUESTIONAMENTO. EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. ICMS. MATÉRIAPRIMA E OUTROS INSUMOS. COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. SUSPENSÃO LIMINAR. CRÉDITO IMPOSSIBILITADO. CONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA POSTERIORMENTE. RETORNO DA SITUAÇÃO AO STATUS QUO ANTE. CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO. 1. Prequestionamento. Ausente o interesse de recorrer, por falta de sucumbência, basta para o atendimento do requisito que a tese jurídica suscitada como causa de pedir tenha sido objeto das contrarazões apresentadas pela parte por ocasião dos recursos de apelação e extraordinário, e também tratada nos embargos de declaração. 2. ICMS. Compensação autorizada pelo artigo 3º da Lei Complementar federal 65/91. Regra legal suspensa liminarmente. Julgamento de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.003242/200378 Acórdão n.º 3403001.253 S3C4T3 Fl. 3 5 mérito superveniente que reconheceu a constitucionalidade do dispositivo (ADI 600, DJ 30/06/95). Efeitos extunc da decisão. 3. Créditos escriturais não realizados no momento adequado por óbice do Fisco, em observância à suspensão cautelar da norma autorizadora. Retorno da situação ao status quo anterior. Garantia de eficácia da lei desde sua edição. Correção monetária devida, sob pena de enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. 4. Atualização monetária que não advém da permissão legal de compensação, mas do impedimento causado pelo Estado para o lançamento na época própria. Hipótese diversa da mera pretensão de corrigirse, sem previsão legal, créditos escriturais do ICMS. Acórdão mantido por fundamentos diversos. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 282120, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, julgado em 15/10/2002, DJ 06122002 PP00075 EMENT VOL 0209402 PP00418) Esta mesma lógica levou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a adotar o mesmo entendimento em relação ao IPI, conforme se confere do seguinte precedente, proferido pela Primeira Seção em caráter de uniformização da jurisprudência das duas Turmas de direito público: TRIBUTÁRIO. IPI. MATERIAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO ISENTO, NÃO TRIBUTADO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA, JÁ QUE O APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS NA ÉPOCA PRÓPRIA FOI IMPEDIDO PELO FISCO. 1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento ou beneficiado com alíquota zero. 2. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. É forma de se evitar o enriquecimento sem causa e de dar integral cumprimento ao princípio da nãocumulatividade. Não teria sentido, ademais, carregar ao contribuinte os ônus que a demora do processo acarreta sobre o valor real do seu crédito escritural. Precedentes do STJ e do STF. 3. Embargos de divergência a que se dá provimento, para autorizar a correção monetária dos créditos escriturais durante o período compreendido entre (a) a data em que o crédito poderia ter sido aproveitado e não o foi por óbice estatal e (b) a data do trânsito em julgado da decisão judicial, que afasta o referido óbice. (EREsp 468926/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/04/2005, DJ 02/05/2005, p. 150) Ocorreu, ainda, em relação especificamente ao IPI, o pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em regime de recurso repetitivo, cujo entendimento foi resumido na seguinte ementa: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) O mesmo entendimento foi reiterado no contexto dos créditos presumidos de IPI, também em recurso repetitivo, do qual se transcreve apenas o trecho pertinente da ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.003242/200378 Acórdão n.º 3403001.253 S3C4T3 Fl. 4 7 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) No âmbito do IPI, portanto, a aplicação da correção pela taxa Selic em razão da demora causada pelo Fisco no ressarcimento do direito do contribuinte é matéria definida em recurso repetitivo, pelo STJ, o que exige a reprodução deste mesmo entendimento no âmbito do CARF, por força do art. 62A RICARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que estabelece o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Assim, tem de ser reproduzido neste caso o mesmo entendimento. Voto, portanto, pelo provimento do recurso do contribuinte para, reproduzindo o entendimento de mérito firmado em recurso repetitivo pelo STJ, reconhecer ao contribuinte o direito ao valor da atualização, correspondente à taxa Selic acumulada no período transcorrido entre o protocolo do pedido e a data ou (a) em que se concretizou o ressarcimento do principal ou (b) em que houve o aproveitamento por meio de compensação. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 É como voto. Ivan Allegretti Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004626/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DEDUÇÕES. DEPENDENTE COM DECLARAÇÃO EM SEPARADO. DESPESAS MÉDICAS. IMPOSSIBILIDADE.
São dedutíveis, na apuração do imposto devido na declaração de ajuste anual, as despesas médicas efetuadas com o próprio declarante e com seus dependentes. O filho dependente que consta em declaração de um cônjuge não pode ser considerado dependente do outro.
IRPF. DESPESAS MÉDICAS ODONTOLÓGICAS.
FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.677
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1944; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 130 1 129 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.004626/200879 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210201.677 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2011 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente LUCIA HELENA LIMA MIRANDA E SILVA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEDUÇÕES. DEPENDENTE COM DECLARAÇÃO EM SEPARADO. DESPESAS MÉDICAS. IMPOSSIBILIDADE. São dedutíveis, na apuração do imposto devido na declaração de ajuste anual, as despesas médicas efetuadas com o próprio declarante e com seus dependentes. O filho dependente que consta em declaração de um cônjuge não pode ser considerado dependente do outro. IRPF. DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004626/200879 Acórdão n.º 210201.677 S2C1T2 Fl. 131 2 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 21/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Acácia Sayuri Wakasugi, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 110 a 115 da instância a quo, in verbis: Para o(a) contribuinte retro qualificado(a) foi emitida a Notificação de Lançamento — IRPF de fl(s). 13/17, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$11.786,52, consoante ali discriminado. 0 lançamento decorreu do procedimento de revisão da DIRPF/2007, a fl(s). 18/21, apresentada à RF pelo(a) contribuinte. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl(s). 14/16 nesse procedimento a autoridade fiscal verificou terem ocorrido deduções indevidas de: 1) dependentes, no valor de R$4.548,96, referentes aos filhos da contribuinte que foram incluídas também na declaração do cônjuge, CPF n°281.833.39620; e 2) despesas médicas, no valor de R$17.925,00, por falta de comprovação da efetividade dos pagamentos correspondentes. Cientificado(a) do lançamento, o(a) interessado(a), por meio de seu(sua) procurador(a) nomeado(a) conforme instrumento de fl. 11, apresentou a peça impugnatória de fl(s). 1/10. Nessa oportunidade, contestando o feito fiscal alega, em apertada síntese, que: 1) quanto a seus dependentes, em resposta A intimação recebida, apresentou documentos que comprovam a relação de dependência de seus filhos legítimos, todos em idade escolar; 2) quanto As despesas médicas, os pagamentos foram efetuados em moeda corrente e a efetividade dos tratamentos foi comprovada via recibos, declarações e por extratos bancários juntados A resposta A intimação; cabe considerar ainda que os profissionais declararam os rendimentos recebidos, portanto, foram devidamente tributados; os valores glosados referemse a tratamentos dos dependentes e da própria impugnante; 3) os recibos são provas de boafé, até que a fiscalização prove o contrário; ao invés disso, o lançamento efetuado se baseou em suposições; as presunções legais permitidas estão descritas na lei, o que não é o caso; se houve dúvidas deveria Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004626/200879 Acórdão n.º 210201.677 S2C1T2 Fl. 132 3 ter analisado as outras partes, como assim não procedeu, deverá o processo ser baixado em diligência aos profissionais que emitiram os recibos; 4) após a apresentação dos recibos, deve a fiscalização aceitálos ou demonstrar suas inidoneidades; não pode se basear, comodamente, em "achismos" do tipo, caligrafia que não confere, descrição genérica, quantidade de tratamento, pagamentos em sábados e domingos, profissionais de outras cidades, etc; 5) por fim, afirma que foram violados os princípios constitucionais da legalidade e da segurança jurídica; transcreve ementas de decisórios de DRJ, inclusive desta, e do Conselho de Contribuintes. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou as preliminares argüidas e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, restabelecendo uma despesa no valor de R$ 330,00. Na parte remanescente, a autoridade julgadora entendeu que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. Caracterizada a concomitância na dedução de dependentes, relativa a filhos comuns, entre a contribuinte e seu cônjuge, é de se manter o feito fiscal referente ao pleito dessa dedução na DIRPF da contribuinte. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo sujeito passivo, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos; restabelecese, no entanto, parte da dedução quando devidamente comprovada a efetividade do pagamento correspondente consoante exigido. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância somente determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência sendo àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Transcrevemos livremente os fundamentos da decisão de 1a instância antes referida: Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 118 a 126, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004626/200879 Acórdão n.º 210201.677 S2C1T2 Fl. 133 4 I. Os pagamentos foram realizados em moeda corrente, e a efetividade dos tratamentos foi comprovada através de declarações dos próprios profissionais, o que não pode suscitar dúvidas ao Fisco. II. Os recibos emitidos por profissionais de saúde, nos quais conste o nome do beneficiário do tratamento, nome do profissional, CPF deste e o número do seu registro no respectivo órgão profissional, devem ser considerados idôneos até prova em contrário. III. Uma vez que o AuditorFiscal desconfie da veracidade das informações veiculadas nesses documentos, cabe a ele a prova da falsidade. IV. Não é licito exigir do contribuinte comprovações outras que não as exigidas em lei. V. Assim, não existente prova da inidoneidade dos recibos, concluise pelo cancelamento da glosa das despesas médicas. VI. No entanto, da forma como foram glosadas as deduções tributárias, foi parcialmente violado o Principio basilar do Estado Democrático de Direito, em especial o PRINCÍPIO DA LEGALIDADE e DA SEGURANÇA JURÍDICA. VII. Nada, neste caso, retira a razão do Recorrente por uma única razão: a Lei não obriga o contribuinte a investigar a regularidade tributária e fiscal daquele que lhe fornece, licitamente, recibo de quitação de serviços profissionais, efetivamente realizados, nem conhecer da situação cadastral do emissor, muito menos sobre o cumprimento de obrigações de natureza acessória ou principal. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA SEGURANÇA JURÍDICA. Acerca da violação pelo processo administrativo fiscal dos Princípios Constitucionais indicados, informo que tais matérias trazidas com o presente Recurso não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratadas em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004626/200879 Acórdão n.º 210201.677 S2C1T2 Fl. 134 5 AUTUAÇÃO E OBJETO DO RECURSO A autuação de fls. 13 a 16 trata de glosas de abatimentos indevidos da base de cálculo do imposto de renda pelas seguintes razões: a) Abatimento de dependentes, filhos, e respectivas despesas cuja dependência destes filhos já constava na declaração do cônjuge do IRPF no mesmo exercício e b) Glosa de despesas médicasodontológicas por falta de comprovação da efetividade na prestação dos serviços. No Recurso a contribuinte se limita a insistir que os documentos apresentados das despesas médicasodontológicas são suficientes para que sejam consideradas os devidos abatimentos da base de cálculo do IRPF. O Recurso não contempla de forma alguma a questão da glosa dos dependentes já incluídos na declaração do cônjuge. Assim, considero que a glosa dos dependentes está definitivamente exigível no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim , de acordo com o dispositivo do acórdão recorrido restaram glosadas as despesas médicas com Heberton Campos Neves Vieira de Souza R$4.440,00, com Patrícia Aparecida da Silva R$6.000,00, Rachel Guimarães Pinto R$3.930,00 (R$4.260,00 — R$330,00, acatado no Acórdão DRJ) e com Mônica Castilho França Ramos R$3.225,00 (do valor pleiteado de R$6.305,00 a Fiscalização já havia acatado R$3.080,00). GLOSA DAS DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS DO SUJEITO PASSIVO Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004626/200879 Acórdão n.º 210201.677 S2C1T2 Fl. 135 6 § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado nos comprovantes. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Nesse sentido, em função dos valores declarados nesse caso há razões incontestes para isso. Para comprovar a efetividade das despesas, o contribuinte juntou os recibos de fls. 29 a 51 e as declarações de fl. 83 a 84, das profissionais Patrícia Aparecida da Silva, Ra hei Guimarães Pinto e Mônica Castilho França Ramos. Ora, somente a apresentação destas declarações e recibos não solidificam uma contraposição minimamente suficiente para rebater as provas e razões que embasaram o lançamento, não reforçando em matéria de prova a substância que se procura. A opção não usual pelo pagamento em espécie, de todas as despesas glosadas, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. A tentativa de prova do pagamento alegando que os pagamentos foram feitos com valores recebidos pela atividade rural é genérica demais para que se possa criar um liame entre despesas e desembolsos, assim, não socorre o contribuinte. Especificamente sobre a apresentação dos recibos bancários, eles já foram considerados nos limites das suas respectivas capacidades de prova, conforme asseverou a autoridade recorrida: Apesar de toda a contestação do(a) contribuinte contra a exigência fiscal para apresentação de documentos subsidiários aos recibos, apresentou à Fiscalização os extratos bancários de fls. 86/104, os quais após análise da autoridade lançadora, segundo consta fl. 16, contribuíram para que fossem acatadas apenas as despesas médicas declaradas como havidas com Mônica Castilho Franca Ramos, no total de R$3.080,00 dos R$6.305,00 pleiteados com essa profissional. Muito embora já tenha sido efetuada análise de seus extratos bancários, entendese que é dever deste relator realizar novo exame de tal documentação, levando em consideração o entendimento pacifico desta turma de julgamento que, em beneficio do contribuinte — in dúbio pro réu, seja acatada a operação bancária de saque e/ou de cheque descontado no caixa que tenha proximidade aceitável de data: um, dois, no máximo, três dias anteriores, e seu(s) valor(es) supere(m) o(s) pagamento(s); isso, smj, poderia ser considerado como um forte indicio de vinculo saque/despesa, haja vista que dificultaria seu questionamento. Diante disso, dos recibos de fls. 29/51, além dos já considerados pela Fiscalização, somente um pode ser vinculado a saque(s) efetuado(s), aquele emitido, Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004626/200879 Acórdão n.º 210201.677 S2C1T2 Fl. 136 7 em 27/12/2006, no valor de R$330,00, por Rachel Guimarães Pinto, haja vista os três saques ocorridos em 26/12/2006, no total de R$640,00. Nesse sentido, devese observar que, no âmbito do direito tributário, vige o princípio da estrita legalidade. Para que determinada situação exerça influência na apuração do tributo, é necessário que esteja expressamente definida essa circunstância na legislação e não sendo não há como considerar este argumento na apreciação do litígio. A responsabilidade dessa prova requerida é integralmente do contribuinte que se beneficiou da dedução e não pode socorrer o sujeito passivo o argumento expendido de transferir a sua responsabilidade de prova a terceiro. A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado, o que até este ponto do processo não foi feito. Cumpre ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica se o fato econômico não ficar provado. É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Desta forma, temse que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Não pode, portanto, prevalecer a tese do contribuinte de que o Fisco deveria comprovar, p.ex., o nãopagamento dos valores consignados nos recibos e a nãoefetivação dos serviços, ou ainda, verificar se os prestadores declararam os valores recebidos. Além disso, menciono a seguir julgado do Conselho de Contribuintes relativas à matéria, para reforçar o entendimento aqui manifestado: IRPF – DESPESAS MÉDICAS – DEDUÇÃO – Inadmissível a dedução de despesas médicas, da declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1o CC 104 – 16647/1998) Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10640.004626/200879 Acórdão n.º 210201.677 S2C1T2 Fl. 137 8 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/02/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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