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Numero do processo: 11080.738612/2018-80
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2019
MULTA ISOLADA - COMPENSAÇÃO INDEVIDA
Cabível a multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo.
DECADÊNCIA
O termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o lançamento da multa isolada, de que trata o parágrafo 17, ao art. 74, da Lei 9.430/96, é o previsto no inciso I, ao art. 173, do CTN.
Numero da decisão: 1001-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2019 MULTA ISOLADA - COMPENSAÇÃO INDEVIDA Cabível a multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. DECADÊNCIA O termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o lançamento da multa isolada, de que trata o parágrafo 17, ao art. 74, da Lei 9.430/96, é o previsto no inciso I, ao art. 173, do CTN.
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DECADÊNCIA O termo inicial para a contagem do prazo decadencial para o lançamento da multa isolada, de que trata o parágrafo 17, ao art. 74, da Lei 9.430/96, é o previsto no inciso I, ao art. 173, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 14-99.687, da 3ª Turma da DRJ/POR, que considerou improcedente a Impugnação apresentada, pela ora recorrente, contra a notificação de lançamento de multa por compensação não homologada, tratada no processo administrativo nº 10875.901187/2013-58. Em sua Impugnação, a ora recorrente alegou, em síntese, que ter ocorrido a decadência; "bis in idem" e que a multa é inconstitucional. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 86 12 /2 01 8- 80 Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.579 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.738612/2018-80 A DRJ assim decidiu: A impugnante arguiu, em preliminar, a decadência do direito de a Fazenda Publica proceder ao lançamento de ofício da multa. A Solução de Consulta Interna Cosit n° 29, de 8 de novembro 2010, versa exatamente sobre a contagem do prazo para o lançamento da multa isolada, sendo de aplicação obrigatória no âmbito da RF13, consoante art. 9£' da Instrução Normativa RFB n° 1.396, de 2013. Transcrevo a seguir alguns excertos que elucidam a questão: (grifei) 5. Assim, no caso de compensação não-homologada, aplica-se a multa isolada prevista no § 17 c/c o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; na hipótese de comprovação de falsidade da declaração e de compensação não-declarada (esta última nas hipóteses descritas no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n£' 9.430, de 27 de dezembro de 1996), as penalidades aplicáveis estão previstas no caput e parágrafos do art. 18 da Lei n£' 10.833, de 2003. 6. Quanto ao instituto da decadência, está previsto nos arts. 150, § 4o, e 173 do CTN, devendo ser descartado, de plano, o primeiro dispositivo, por não se tratar, na espécie, de lançamento por homologação e sim de ofício. Aplica-se, portanto, o art. 173 do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributária extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (...) 8. A decadência em matéria tributária tem por início da contagem do tempo o instante em que o direito nasce. A compensação opera-se mediante a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp) extinguindo o crédito tributário desde já, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, homologação essa que se dá, a teor do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, no prazo de cinco anos contados da data da entrega da referida declaração, sob pena de homologação por decurso de prazo. O ato homologatório ou não da compensação pode se dar a partir da entrega da declaração, sendo que os efeitos da não homologação da compensação retroagem à data da entrega da declaração. Dessa forma, o entendimento que melhor se coaduna com a decadência na aplicação da multa por compensação indevida, em face da peculiaridade de que se reveste esse instituto, é o de que o “dies a quo” se dá no primeiro dia do exercício seguinte ao da apresentação da Declaração de Compensação (Dcomp). (...) 10. Assim, conclui-se que o “dies a quo” do prazo para lançar a multa isolada em razão da não homologação da compensação ou do fato dessa ter sido considerada não declarada é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a declaração de compensação tenha sido apresentada, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. No caso concreto, considera-se como termo inicial de contagem de prazo decadencial o dia 01/01/2014, que corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.579 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.738612/2018-80 ao da apresentação da primeira declaração de compensação transmitida e objeto da discussão (25/04/2013), nos termos do CTN, art. 173, I. O lançamento então poderia ter sido efetuado até 31/12/2018, considerando o prazo legal de 5 (cinco) anos. Como a ciência do auto de infração ocorreu em 07/12/2018, não há que se falar em decadência, restando plenamente válido o procedimento adotado pela Fiscalização. Portanto é improcedente a alegação de decadência. É fundamental esclarecer que, estando a atividade julgadora vinculada à legislação vigente no ordenamento jurídico, não podendo dela nunca se afastar (Código Tributário Nacional – CTN, art. 142, parágrafo único), cabe a ela, obrigatoriamente, aplicá-la ao caso concreto. O lançamento da multa isolada decorreu da não homologação das compensações tratadas no processo administrativo n£' 10875.901187/2013-58. Referido processo de crédito já foi analisado na primeira instância do contencioso administrativo, por meio do Acórdão nº 15-036.980, com o seguinte resultado: Manifestação de Inconformidade Improcedente. Configurada a hipótese de não homologação das compensações, ainda que pendente de decisão definitiva e independente da ocorrência de dolo, fraude ou má-fé, a multa isolada deve ser constituída de ofício porque inexiste na ordem jurídica vigente previsão de suspensão ou interrupção de prazo decadencial para a constituição de ofício de crédito tributário. Por outro lado, suspensa a exigibilidade dos débitos compensados, por conta da interposição de manifestação de inconformidade contra o ato de não homologação da compensação, ou recurso voluntário contra a decisão administrativa de primeira instância, a multa isolada aplicada também estará com a sua exigibilidade suspensa, conforme previsto no § 18, art. 74, Lei n£' 9.430, de 1996. Portanto, não há dúvidas sobre a aplicação da penalidade a ensejar a aplicação do CTN, art. 112. Quanto às demais alegações de ofensa a princípios constitucionais da sanção pecuniária, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Ademais os princípios de vedação ao confisco, da proporcionalidade, do direito de petição e da razoabilidade, previstos na Constituição Federal (CF), são dirigidos ao legislador estando a autoridade administrativa vinculada ao estrito cumprimento da lei. Conclui: Tendo em vista que a impugnante citou diversas decisões administrativas, deve- se esclarecer que os julgados, mesmo quando administrativos, e a doutrina, somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. Sendo assim, quanto às decisões trazidas aos autos, é de se observar o disposto no art. 506 do Novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que a “sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros.” Não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, a interessada não pode usufruir os efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que os efeitos são interpartes e não erga omnes. Cumpre acrescentar que as decisões administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, e somente se Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.579 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.738612/2018-80 aplicam à questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 100, II. Acórdãos das instâncias administrativas eventualmente citados em peça de contestação não integram a legislação tributária, inexistindo efeito vinculante. As decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa são fontes secundárias de Direito Tributário, e somente vinculam a administração quando a lei lhes atribuir eficácia normativa. Porém, no âmbito do PAF, não há norma legal que atribua a tais decisões este efeito. Assim, em que pese a indiscutível respeitabilidade das decisões emanadas desses órgãos e a sua plena eficácia e força impositiva para as partes envolvidas nos respectivos processos judiciais e administrativos, a Constituição Federal, o Código Tributário Nacional, lei ordinária, ou ato infralegal não estabelecem, como regra geral, a obrigatoriedade de aplicação das decisões dos tribunais judiciais e administrativos pelas autoridades administrativas de julgamento. A competência do julgador administrativo está restrita a averiguar a conformidade dos atos praticados pelos agentes administrativos às normas da própria Administração, as quais são veículos de transmissão do conteúdo e sentido das leis para a aplicação pela administração. Os parâmetros e critérios de julgamentos estão limitados ao âmbito administrativo e não há subordinação do julgador administrativo às decisões administrativas ou judiciais sem força vinculante expressa. A impugnante entende que estaria ocorrendo duplicidade de autuações, havendo cobrança de multa de mora sobre os débitos cujas compensações não foram homologadas e aplicação de multa isolada sobre os mesmos débitos no presente processo. Diz que ambas as multas não podem ser exigidas concomitantemente, pois implicam em dupla penalidade, e que a presente multa deve ser cancelada. A cobrança de multa de mora sobre os débitos não pagos no vencimentos está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Ou seja, a multa de mora prescinde de lançamento de ofício, sendo um mero acréscimo legal decorrente de falta de pagamento do tributo no prazo de vencimento. Por outro lado, a multa isolada sobre compensação não homologada está prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações posteriores. Resta evidente, portanto, que há expressa previsão legal para a exigência da multa na forma da autuação. Isto porque a multa isolada decorrente de compensações não homologadas e a multa de mora têm hipóteses de incidência diversas. Trata-se, portanto, de duas situações distintas: uma, decorrente de compensações não homologadas e exigindo o lançamento de ofício por parte da Autoridade Fiscal, e a outra que é mero acréscimo legal decorrente do não pagamento do tributo no prazo de vencimento. Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.579 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.738612/2018-80 Cientificada em 20/12/2019 (fl.78), a recorrente apresentou o Recurso Voluntário (RV) em 13/01/2020 (fl. 41). Em seu RV, a recorrente reafirma a preliminar de que houve decadência, pois, ao contrário do que decidido não se aplica o art. 173 do CTN. Isto porque, em sua opinião: o prazo do Fisco para homologar as compensações será de cinco anos contados da entrega da declaração de compensação, sob pena de restar tacitamente homologada a compensação. Nesse passo, o prazo de cinco anos existe para que o Fisco homologue a compensação declarada, e, no caso de não homologada (ou homologação parcial), efetue concomitantemente com o despacho decisório, a lavratura do auto de infração para constituição da multa isolada. Cita decisões não vinculantes deste CARF a respeito de homologação tácita de compensação declarada. A seguir, afirma que: No mais, asseverou o v. acórdão recorrido pela obrigatoriedade de aplicação do suposto entendimento consolidado pela Receita Federal do Brasil, mediante a “Solução de Consulta Interna COSIT nº 29, de 8 de novembro de 2010”, no sentido de que, quanto ao prazo decadencial para lançamento da multa isolada prevista no §17, art. 74, da Lei n' 9.430/96, deve-se aplicar o disposto no art. 173, do Código Tributário Nacional. Ocorre que, após exaustivas buscas e pesquisas nos sítios da Receita Federal do Brasil, bem como nos demais órgãos federais administrativos, não há registros da referida Solução de Consulta Interna nº 29/2010, tampouco de outras COSITs que versem expressamente sobre o prazo decadencial para lançamento da multa isolada do §17, art. 74, da Lei 9.430/96. Portanto, não há que se falar em obrigatoriedade de aplicação do art. 173 do CTN para fins de contagem do prazo decadencial para aplicação de multa isolada, devendo, assim, ser provido o presente Recurso Voluntário, reformando o v. acórdão recorrido, de modo que seja reconhecida a decadência do lançamento do crédito em cobro decorrente de aplicação de multa isolada sobre compensação não homologada. Reafirma que houve a aplicação de duas penalidades (bis in idem), isto porque: O v. acórdão recorrido, dispõe também pela validade da aplicação da multa isolada mesmo com a aplicação anterior da multa de 20% quando da não homologação da compensação, sob alegação de que estas decorrem de hipóteses de incidência distintas. Entretanto, diversamente ao propugnado pelo v. acórdão recorrido, as referidas multas não decorrem de hipóteses de incidências distintas, muito pelo contrário, decorrem exatamente da mesma conduta, vejamos: Quando da não homologação da compensação, no mesmo despacho decisório que indeferiu a compensação, o contribuinte é compelido ao pagamento de multa de 20% sobre o valor da compensação. Logo em seguida é realizada uma autuação para a cobrança de multa isolada de 50% também sobre o valor sobre o qual foi indeferida a compensação. Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1001-002.579 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.738612/2018-80 Por último, alega a inconstitucionalidade da multa prevista no parágrafo 17, do art. 74 da Lei 9.430/96 - matéria com repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE nº 796.939/RS). Requer: Ante o exposto, requer-se que o presente recurso seja recebido, conhecido e PROVIDO para o fim de reformar o v. acórdão recorrido, a fim de anular o Auto de Infração nº 11080.738612/2018-80, diante da flagrante decadência, aplicação de dupla penalização pela mesma conduta, bem como, pela ausência de qualquer prova ou mero indício de que a Recorrente praticou qualquer ato de má-fé no sentido de violar a ordem tributária a justificar a imposição de multa isolada. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, determinados pelo Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. Inicialmente, enfatizo que não cabem alegações de inconstitucionalidades no processo administrativo fiscal, tal como, muito bem fundamentado no acórdão da DRJ e, ainda, por conta da Súmula CARF 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A recorrente alegou não ter identificado, em suas pesquisas, a Solução de Consulta Interna COSIT 29/2010 e que, portanto, não há a obrigatoriedade de aplicação do art. 173, do CTN. Assim, o cerne da lide cinge-se às alegações de decadência e dupla penalização (bis in idem), tendo a recorrente afirmado não ter praticado qualquer ato de má-fé no sentido de violar a ordem tributária. Aqui não cabe discutir nulidade do auto de infração, posto não estarem presentes nenhum dos pressupostos previstos no art. 59, do Decreto 70.235/72, como segue: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa A multa isolada está prevista no parágrafo 17, ao art. 74, da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1001-002.579 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.738612/2018-80 O parágrafo 5º, ao mesmo artigo, do referido diploma legal dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Este parágrafo apenas trata da decadência para a homologação da declaração de compensação, ou seja, ao contrário do que a recorrente afirma, ele não se refere ao prazo para o lançamento da multa de que trata o parágrafo 17, da Lei 9.430/96. Observe-se o que dispõem os parágrafos 7º e 8º, ao mesmo art. 74, da Lei 9.430/96: § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. Se apresentada a manifestação de inconformidade, de que trata o parágrafo 9º, contra a decisão que não homologou a compensação, suspende-se a exigibilidade da multa. Como nos termos do §6º do artigo 74, a compensação constitui confissão de dívida e é instrumento hábil para a exigência dos débitos indevidamente compensados, a sua cobrança pela Receita Federal ocorre por meio de Despacho Decisório de não homologação, no qual é exigido o principal, acrescido de multa de mora e juros. Já a multa isolada é aplicada e exigida por ato administrativo distinto, correspondente a auto de infração lavrado especificamente para tal fim. Portanto, fica evidente que a exigência da multa isolada depende da decisão administrativa de homologar ou não a compensação. Assim, tem-se que a contagem de prazo decadencial não pode ser igual ao da compensação declarada (5 anos contados da apresentação da declaração). No caso, a materialidade da penalidade decorre do ato administrativo de não homologação, assim, no entendimento deste relator, aplica-se o art. 173 e não o art. 150, ambos do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (grifei) Isto porque o lançamento é de ofício e este só poderia ser efetuado a partir da data da entrega da declaração de compensação e não na mesma data de entrega. O parágrafo 4º, ao art. 150 do CTN dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1001-002.579 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.738612/2018-80 Vê-se que, claramente, não é o caso de aplicação do prazo § 4º do artigo 150, já que não há pagamento antecipado pelo contribuinte, e sim compensação, que é outra forma de extinção do crédito tributário. Assim, resta a aplicação do inciso I, ao artigo 173, do CTN, ou seja o prazo para o fisco efetuar o lançamento, como antes dito, inicia-se no primeiro dia do exercício àquele em que a declaração de compensação foi apresentada, ou seja, cinco anos a contar de 1º de janeiro do pois não há dúvidas de que no dia seguinte à apresentação da declaração de compensação (DCOMP) a Receita Federal já poderia não homologar a declaração e lançar a multa isolada. A alegação de bis in idem é totalmente descabida conforme a DRJ explicita em seu acórdão, o qual por concordar com as alegações adoto como minhas as razões, com base no art. 50, da Lei 9.784/99, a seguir descritas: A cobrança de multa de mora sobre os débitos não pagos no vencimentos está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Ou seja, a multa de mora prescinde de lançamento de ofício, sendo um mero acréscimo legal decorrente de falta de pagamento do tributo no prazo de vencimento. Por outro lado, a multa isolada sobre compensação não homologada está prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações posteriores. Resta evidente, portanto, que há expressa previsão legal para a exigência da multa na forma da autuação. Isto porque a multa isolada decorrente de compensações não homologadas e a multa de mora têm hipóteses de incidência diversas. Trata-se, portanto, de duas situações distintas: uma, decorrente de compensações não homologadas e exigindo o lançamento de ofício por parte da Autoridade Fiscal, e a outra que é mero acréscimo legal decorrente do não pagamento do tributo no prazo de vencimento. Por último, a alegação da recorrente de que não houve má-fé de sua parte é, absolutamente, irrelevante para a aplicação da multa isolada de que trata a norma acima citada. Assim, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, nego provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 130DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1001-002.579 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.738612/2018-80 Fl. 131DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13896.908323/2009-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-005.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: ANDREA DUEK SIMANTOB
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CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido. Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 83 23 /2 00 9- 02 Fl. 478DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.630 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908323/2009-02 Trata-se de recurso especial do sujeito passivo em face do acórdão de Turma Ordinária do CARF, que negou provimento ao recurso voluntário. O sujeito passivo apresentou recurso pretendendo questionar as seguintes matérias: (1) “possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ”; e (2) “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”. Em um primeiro momento o recurso especial teve o seguimento negado pelo Presidente de Câmara por meio do despacho. Após agravo do sujeito passivo, interposto exclusivamente quanto à não admissibilidade da primeira matéria acima referida, a Presidente da CSRF deu seguimento ao recurso especial quanto ao tema ali exposto, em despacho assim fundamentado: [...] O Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento decidiu que não restou caracterizada divergência relativamente às seguintes matérias: i) "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ"; e ii) "necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material". A contribuinte interpôs Agravo tão somente em relação à matéria descrita no item "i" acima, ou seja, quanto à POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO DE IRPJ RECOLHIDO A MAIOR APÓS A RETIFICAÇÃO DA DIPJ. Extrai-se, primeiramente, os seguintes fragmentos do exame agravado: [...] Com relação a essa matéria, não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas distintas. Enquanto na decisão recorrida alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”, e que, portanto, teria havido equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32%, e não 8%), no acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1101-000.848, de 2013), ao contrário, tratou-se de existência de débito de estimativa de IRPJ, ao passo que o recolhimento montara [...]. Ou seja, na decisão recorrida tratou-se de alegado erro de direito [erro na aplicação da norma jurídica]; já no acórdão paradigma apontado, de alegado erro de fato [erro na análise dos fatos ocorridos]. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. Evidentemente, o primeiro pressuposto para a configuração de dissídio interpretativo, é, inquestionavelmente, a similitude fática entre a matéria discutida nos acórdãos recorrido e paradigmas. Ou seja, é essencial que reste demonstrado que, decidindo matéria semelhante, órgãos julgadores distintos chegaram a conclusões diversas, em razão de divergências na interpretação da legislação tributária. Em outras palavras, se é certo que a divergência deve dizer respeito a questão de direito, e nunca a questão de fato, é evidente que, se os fatos são diversos, a interpretação da norma jurídica não pode ser considerada divergente. Fl. 479DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.630 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908323/2009-02 Sendo assim, para configurar o dissídio jurisprudencial, nessa matéria, caberia à Recorrente apresentar acórdão paradigma apreciando situação semelhante à abordada na decisão recorrida (mesmo em se tratando de alegado erro de direito, e não de fato...) e decidindo em sentido contrário a ela (...não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP). Argumenta a Agravante que, ao contrário do assinalado no despacho contestado, a divergência jurisprudencial é evidente, relativamente à interpretação da Lei nº 9.784, de 1999, e da Lei nº 9.430, de 1996. Afirma que na situação enfrentada pelo acórdão paradigma nº 1101-00.848 a Autoridade Administrativa não desconstituiu as informações prestadas em DIPJ retificadoras, bem como não desenvolveu qualquer procedimento para tanto, de modo que o crédito com base na DIPJ deve ser aceito e a compensação homologada, em respeito ao Princípio da Verdade Material. Alega que a similaridade do acórdão paradigma é evidente, visto que no caso em exame o acórdão recorrido reconhece expressamente que houve a retificação da DIPJ, sendo este um dos procedimentos exigidos para reconhecimento do indébito, mas alega ausência de outros procedimentos, como retificação da DCTF e a juntada integral da documentação contábil, enquanto o paradigma entendeu que "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF)", e ainda, que diante do indébito apurado com base nas informações em DIPJ, deveria a autoridade preparadora desenvolver procedimento para desconstituir tal realidade, caso contrário deve ser reconhecido o pagamento a maior e, por consequência, deve ser admitida a sua compensação. Nos presentes autos, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação, por meio da qual indicou crédito decorrente de alegado pagamento a maior ou indevido. Tal indébito teria decorrido do fato de ter utilizado o coeficiente de presunção de 32% (prestação de serviços) ao invés de 8% (industrialização por encomenda). Embora não tenha promovido a retificação da DCTF, a contribuinte transmitiu DIPJ retificadora em data anterior à apresentação da Declaração de Compensação, na qual consignou o valor do tributo que considerava devido. A compensação não foi homologada, haja vista que o valor indicado como crédito já havia sido alocado a um determinado débito. Considerados os termos do seu voto condutor, o acórdão recorrido fincou a negativa de provimento ao recurso voluntário impetrado pela ora Agravante nos seguintes fundamentos: i) tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a apresentação de DIPJ retificadoras não é suficiente para o acolhimento do pedido, sendo necessário que o contribuinte ofereça informações com substância, consistência e devidamente comprovadas; ii) na defesa inaugural (Manifestação de Inconformidade), não foram apresentadas provas capazes de demonstrar que, por realizar industrialização por encomenda, a contribuinte estava sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (e não 32%, como alegou que aplicou), e as que foram carreadas ao processo por meio do recurso voluntário são constituídas por "cópias esparsas de notas fiscais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura"; iii) superadas as dificuldades para identificação dos valores, os montantes retratados nas cópias de notas fiscais trazidas ao processo correspondem a percentuais ínfimos quando comparados com a receita total informada na DIPJ; iv) tratando-se de certeza e liquidez de direito creditório, a comprovação é ônus do contribuinte; e Fl. 480DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.630 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908323/2009-02 v) se a contribuinte alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se à “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento, bem como os livros contábeis ou fiscais que demonstrassem tal fato. No caso analisado pelo acórdão paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação indicando crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, e, a exemplo do que ocorreu nos presentes autos, a compensação não foi homologada sob a alegação de inexistência de disponibilidade do referido crédito, vez que ele já havia sido alocado a determinado débito da contribuinte. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou que a DIPJ indicava o efetivo valor devido e noticiou a retificação da DCTF. O voto condutor do paradigma em referência assinala inicialmente que, "ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito". Em que pese tal consideração, adiante, o referido voto condutor assinala, verbis: [...] Constatando que o recolhimento tido por parcialmente indevido permanecia vinculado ao débito declarado em DCTF, a autoridade administrativa detinha evidências suficientes para negar a existência do crédito e não homologar a compensação. A partir daí, a conduta da contribuinte, no sentido de apresentar nova DCTF e entregar DIPJ compatível com a apuração que legitimaria o crédito, assume contornos que não são suficientes para convencimento do julgador administrativo, ante a possibilidade de estar ela orientada por uma objeção já manifestada pela Receita Federal. Imperioso, assim, a demonstração de fatos anteriores à ciência do despacho de não-homologação que motivaram a declaração de compensação. E, neste sentido, a contribuinte junta aos autos cópia da DIPJ referente ao ano-calendário [...]. Veja-se que a Relatora do acórdão recorrido não fez reparos à informação desta declaração, inclusive valendo-se de seus dados para afirmar o reconhecimento parcial do indébito, mas nesta parte restando vencida. Assim, está-se diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: [...] Esta é a interpretação que se extrai deste dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: [...] Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do ano-calendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominar-se Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Fl. 481DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.630 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908323/2009-02 Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: [...] Dessa forma, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareça-se, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: [...] Todavia, o descumprimento daquela obrigação não pode ensejar, como penalidade, o perecimento do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: [...] Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizá-lo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não-homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendo-a ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescente-se, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: [...] Observe-se, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Fl. 482DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.630 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908323/2009-02 Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Assim, o presente voto é no sentido de REJEITAR as arguições de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a "erro de direito" ou a "erro de fato" como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Em apertada síntese, temos o seguinte: a) nos presentes autos, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na aplicação de percentuais de presunção, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que não foi homologada por se entender que, no caso, não houve comprovação do erro alegado; e b) no caso do paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na apuração de estimativa, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que foi homologada por se entender que, "diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada .... não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado" (nos exatos termos do voto condutor correspondente, "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada". Identifica-se, portanto, similitude entre os fatos apreciados pelos acórdãos comparados, eis que, em ambos, analisou-se a situação em que o contribuinte, constatando erro na apuração do tributo devido, mesmo sem retificar a DCTF, altera primeiramente a DIPJ e, em momento posterior, apresenta Declaração de Compensação. No que diz respeito às decisões veiculadas pelos referidos acórdãos, entretanto, extrai-se sem maiores esforços um conflito interpretativo, visto que, enquanto o acórdão recorrido entende que, tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a retificação da DIPJ deveria vir acompanhada de documentação comprobatória, para o acórdão paradigma nº 1101- 000.848, presente a divergência entre a DIPJ e a DCTF, instrumentos declaratórios que Fl. 483DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.630 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908323/2009-02 se encontravam na base de dados da Receita Federal, cabia à autoridade administrativa que primeiro analisou a Declaração de Compensação questionar tal fato para fins de definição acerca da informação que deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Constata-se, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõe-se que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ". A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões em que questiona a admissibilidade do recurso especial, transcrevendo trechos do despacho do Presidente de Câmara que não reconheceu como caracterizada a divergência jurisprudencial entendendo trata-se de situações fáticas distintas. Aduz, ainda, que o recurso não merece seguimento haja vista que o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base em fundamentos autônomos que não foram, em sua totalidade, abordados em sede de recurso especial. Questiona também o mérito do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Quanto ao conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Em que pese os judiciosos argumentos da ilustre relatora, Conselheira Livia De Carli Germano, ouso discordar de seu voto quanto ao conhecimento do Recurso Especial. Em seu Apelo, o Contribuinte pretendeu trazer à discussão deste colegiado a possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ, tendo o Despacho de Admissibilidade não admitido o recurso, tendo sido posteriormente reformado em sede de Agravo. Relativamente à matéria “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”, o recurso não foi admitido no Despacho de Admissibilidade, não tendo o Contribuinte se insurgido contra tal decisão. No aresto recorrido (Acórdão nº 1402-002.537), assim consta em seu voto condutor: No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”. [...]. 1 Deixa-se de transcrever o voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 484DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.630 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908323/2009-02 Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. [...]. Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Já no paradigma colacionado pela Recorrente, o voto condutor consigna o contexto da discussão travada naqueles autos: Assim, cabe aqui confirmar se, de fato, houve erro na apuração do débito de estimativa de IRPJ em janeiro/2007 e, por consequência, o recolhimento a maior arguido pela contribuinte na DCOMP. Antes, porém, cabe observar que, ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito. [...]. [...]. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Analisando ambos os julgados, inicialmente conclui-se, de fato, que ambos discutem matéria idêntica: a possibilidade, ou não, de caracterização de indébito decorrente de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ com a consignação do valor que, a seu ver, seria o real débito do tributo. Se analisado sob essa circunstância, poder-se-ia identificar divergência entre os referidos acórdãos, contudo, as conclusões distintas devem-se ao fato de estarem sendo analisadas circunstâncias fáticas com contextos fáticos significativamente distintos: enquanto no acórdão recorrido a recorrente alega que sua atividade, seu objeto social, e sua real operação empresarial seria de “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento” (sujeita à determinação da base de cálculo do lucro presumido mediante utilização de coeficiente de presunção de 8%), e não “prestação de serviços” (cujo coeficiente para apuração do lucro presumido seria de 32%), o acórdão paradigma analisou contexto em que, pela simples analise da DIPJ Retificadora, chegar-se-ia à conclusão de que restaria confirmado o recolhimento a maior. Veja-se que, no acórdão paradigma, consta em seu voto condutor que “as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em Fl. 485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.630 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908323/2009-02 compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, tratava-se de simples erro de fato cometido no preenchimento da DIPJ, não envolvendo questões probatórias, no entender daquele colegiado demandasse qualquer esforço adicional. Já no acórdão recorrido o relator entendeu que haveria de ter comprovação das atividades desenvolvidas pelo contribuinte para se demonstrar que, efetivamente, sua atividade era a de industrialização de encomenda, apta, portanto, a atrair a aplicação do coeficiente de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido. Confira-se: Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e ue, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, [...] Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõem-se de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegar-se à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 - Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. [destaques da decisão recorrida] Em relação à confrontação dessas duas decisões, assim consta no Despacho em Agravo: Fl. 486DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.630 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908323/2009-02 Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há, no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a “erro de direito” ou a “erro de fato” como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Com a devida vênia, entendo que razão assistia ao decidido no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial: a comprovação de erro de fato de que trata o acórdão paradigma é significativamente diferente de comprovação de erro de direito. Observa-se, de início, que o acórdão paradigma — nesse ponto concordando com o acórdão recorrido — afirma que, “ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito”. Contudo, naquele caso específico, com suas peculiaridades fáticas, o acórdão paradigma decidiu diferentemente do que afirmara, como segue: “Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada.” Ou seja, no caso específico do acórdão paradigma, como se tratou de um alegado “erro de fato” facilmente comprovável com a só apresentação de DIPJ, demonstrando a apuração das bases de cálculo mensais, o entendimento foi pelo provimento do recurso voluntário interposto para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Já na situação do acórdão recorrido, tratando-se de um suposto “erro de direito”, que dependeria da comprovação da atividade exercida pela empresa - se “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, ou “prestação de serviços” - não seria possível prever como decidiria aquele acórdão paradigma, ou seja, se este se contentaria, tão somente, com a mera mudança do preenchimento de linha relativa ao percentual de presunção na DIPJ para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, não é possível afirmar que o paradigma reformaria o acórdão recorrido. Nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o Recurso Especial somente é cabível se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste E. Conselho. No caso concreto, contudo, não há como se afirmar que haja uma divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma colacionado pelo Contribuinte, uma vez que os fatos tratados em cada um dos julgados possuem distinções significativas. Desse modo, tratando-se de situações fáticas distintas, envolvendo, inclusive, nuances jurídicas próprias, as decisões em sentido contrário nos acórdãos recorrido e paradigma não decorrem de divergência de interpretação de lei, condição prévia a ensejar a uniformização de entendimento por meio do Recurso Especial de divergência. Isso posto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial. Fl. 487DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.630 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.908323/2009-02 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Fl. 488DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11065.720055/2015-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2010, 2011
SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES RECOMPOSIÇÃO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA EM PARTE.
Verificada a existência de saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, em face do seu restabelecimento parcial em outro processo, cumpre afastar parcialmente a glosa do valor devidamente compensado.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE CONSTATAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. INAPLICABILIDADE.
Descabe a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, quando não constatada na autuação em julgamento a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964.
MULTA DE OFÍCIO E TAXA DE JUROS SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. DESCABIMENTO.
Súmulas Carf nº 2
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO
Súmulas Carf nº 4
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Súmulas Carf nº 108
SALDO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES RECOMPOSIÇÃO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA EM PARTE.
Verificada a existência de saldo de bases de cálculo negativas de períodos anteriores passível de compensação, em face do seu restabelecimento parcial em outro processo, cumpre afastar parcialmente a glosa do valor devidamente compensado.
Numero da decisão: 1302-003.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto ao restabelecimento de parte do saldo de prejuízos e bases de cálculos negativas existentes em 2004, em face do provimento parcial ao recurso interposto no PA nº 11065.002011/2008-51, e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010, 2011 SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES RECOMPOSIÇÃO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA EM PARTE. Verificada a existência de saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, em face do seu restabelecimento parcial em outro processo, cumpre afastar parcialmente a glosa do valor devidamente compensado. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE CONSTATAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. INAPLICABILIDADE. Descabe a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, quando não constatada na autuação em julgamento a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. MULTA DE OFÍCIO E TAXA DE JUROS SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. Súmulas Carf nº 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO Súmulas Carf nº 4 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmulas Carf nº 108 SALDO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES RECOMPOSIÇÃO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA EM PARTE. Verificada a existência de saldo de bases de cálculo negativas de períodos anteriores passível de compensação, em face do seu restabelecimento parcial em outro processo, cumpre afastar parcialmente a glosa do valor devidamente compensado.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2010, 2011 SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES RECOMPOSIÇÃO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA EM PARTE. Verificada a existência de saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, em face do seu restabelecimento parcial em outro processo, cumpre afastar parcialmente a glosa do valor devidamente compensado. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE CONSTATAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. INAPLICABILIDADE. Descabe a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, quando não constatada na autuação em julgamento a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. MULTA DE OFÍCIO E TAXA DE JUROS SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. Súmulas Carf nº 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO Súmulas Carf nº 4 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Súmulas Carf nº 108 SALDO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES RECOMPOSIÇÃO. COMPENSAÇÃO ADMITIDA EM PARTE. Verificada a existência de saldo de bases de cálculo negativas de períodos anteriores passível de compensação, em face do seu restabelecimento parcial em outro processo, cumpre afastar parcialmente a glosa do valor devidamente compensado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 00 55 /2 01 5- 96 Fl. 3517DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto ao restabelecimento de parte do saldo de prejuízos e bases de cálculos negativas existentes em 2004, em face do provimento parcial ao recurso interposto no PA nº 11065.002011/2008-51, e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 12-75.874, de 14/05/2015 da 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ) que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação. Houve recurso de ofício, em virtude de exoneração relativa ao afastamento da multa de ofício qualificada de 150%. Registrou-se, assim, a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INEXISTENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo inexistente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anteriores, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado. DEDUÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS GASTOS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 3518DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 Somente são passíveis de dedução por incentivo fiscal do programa de alimentação do trabalhador e de projetos culturais de que trata a Lei Rouanet, os gastos efetuados para estes fins devidamente comprovados por documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE CONSTATAÇÃO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. INAPLICABILIDADE. Descabe a aplicação da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, quando não constatada na autuação em julgamento a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. MULTA DE OFÍCIO E TAXA DE JUROS SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. A multa de ofício, no percentual de 75%, e os juros de mora com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar arguições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO Os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora calculados pela taxa Selic a partir de seu vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2010, 2011 SALDO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES INEXISTENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo inexistente saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício anteriores, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Abrangência da fiscalização e autuações A fiscalização inicialmente realizada na recorrente resultou nos seguintes autos de infração: Fl. 3519DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 a) dedutibilidade de custos e despesas - Proc. 11065.002011/2008-51 (2004); b) glosa de adições e exclusões - Proc. 11065.002012/2008-04 (2004) - extinto por pagamento; c) glosa de amortização de ágio - Proc. 11065.002498/2008-72 (2004 a 2006), inicialmente distribuído para a 2ª Turma, 4ª Câmara, 1ª Seção e remetido para esta Turma; Posteriormente, houve novas autuações: d) glosa de amortização de ágio (mesmo ágio de "c") - Proc. 11065.722968/2012-02 (2007 a 2009), inicialmente distribuído para a 2ª Turma, 4ª Câmara, 1ª Seção; Em relação aos processos "c" e "d", acima, (Procs. 11065.002498/2008-72 e 11065.722968/2012-02) esta Turma (Resolução nº 1302-000.464, de 15/02/2017, fls. 1337/1340) determinou o retorno dos autos à DRJ para apreciar matéria suscitada pela recorrente que não fora conhecida por ocasião do julgamento naquela instância a quo (multa sobre juros). e) excesso de compensação de prejuízos e base negativa de CSLL, em função dos processos "c" e "d" (2008 e 2009), Proc. 11065.721694/2013-15 - transitado em julgado administrativo - execução suspensa por decisão judicial - aguardando julgamento de "c" e "d"; f) excesso de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas em função dos processos "a", "c" e "d" - (2010 e 2011) - Proc. 11065.72005/2015- 96; Sobrestamentos e Diligências inicialmente determinados por Resolução desta Turma Diante de tais conexões e dependências, esta Turma determinou o sobrestamento dos Procs. 11065.002011/2008-51 e 11065.72005/2015-96, até o retorno da DRJ com as complementações das decisões. Ao retornarem os quatro processos a seguir indicados deveriam ser reunidos (Resolução nº 1302-000.464, de 15/02/2017), como foram, para julgamento conjunto: 11065002498/2008-72 - glosa de amortização de ágio (2004, 2005 e 2006); 11065722968/2012-02 - glosa de amortização de ágio (2007, 2008 e 2009); 11065720055/2015-96 - excesso de compensação de prejuízos e BC negativa (relativo aos dois processos acima) (este processo); e 11065.002011/2008-51 - dedutibilidade de custos e despesas. Propomos a apreciação dos casos na ordem acima. Fl. 3520DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 Passamos, assim, a relatar o presente processo (11065720055/2015-96). A recorrente é integrante do grupo empresarial AGCO que se dedica a produção de máquinas e implementos agrícolas (Brasil e exterior). A autuação deu-se em virtude da utilização (2010 e 2011) de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores (2003 a 2009), considerados inexistentes pela fiscalização, pelo fato de os respectivos saldos terem sido compensados de ofício nos processos 11065.002498/2008-72, 11065.002012/2008-04, 11065.002011/2008-51 e 11065.722968/2012- 02, não restando saldos compensáveis a partir de 31/12/2007. A recorrente impugnou os autos de infração (09/02/2015, fls. 2687/2708) sustentando que o lançamento e a exigência seriam improcedentes, pois haveria a necessidade de se aguardar o julgamento dos processos acima referidos. Os créditos de prejuízos fiscais seriam líquidos e certos, com base no art. 923 do RIR, até que fosse proferida decisão final na esfera administrativa que atestasse sua inexistência. Afirma que seriam incorretas as apurações de IRPJ e CSLL por não considerarem os novos limites de dedução do Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT e de despesas de doações às operações de caráter cultural e artístico. Requer (a) a dedução das antecipações efetuadas no decorrer dos anos-calendário autuados, uma vez que apurou saldos negativos de IRPJ e CSLL nos mesmos (b) o afastamento da multa qualificada de 150%, pedindo sua redução para o percentual de 20%, ressaltando que o STF vem decidindo que o valor das multas não pode ser superior ao dos tributos, por configurar ofensa ao princípio constitucional do não-confisco. Protesta contra a aplicação dos juros de mora com base na taxa SELIC e sua incidência sobre a multa de ofício. A DRJ (14/05/2017, fls. 2995/3006) manteve as conclusões da fiscalização, com exceção da multa qualificada de 150%, afastando-a por entender que não houve dolo ou má-fé da recorrente, no que diz respeito à utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de períodos anteriores. Manteve-se a multa de ofício de 75%. A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 19/05/2015 (fls. 3010) e regularmente representada interpôs recurso voluntário, em 17/05/2015 (fls. 3011/30221). Apresentou esclarecimentos a respeito dos citados processos, em razão de conexão e ressaltou os seguintes pontos sobre o lançamento em questão: 19. A Recorrente entende que o momento oportuno para realizar os ajustes pretendidos pela Fiscalização [no LALUR para exaurir prejuízos fiscais e bases negativas] é apenas no momento do encerramento dos Processos Administrativos n°s 11065.002011/2008-51, 11065.002498/2008-72 e 11065.722968/2012-02. Antes que os referidos processos terminem, não é possível concluir se os débitos discutidos são ou não devidos e, por consequência, não faz sentido para a Recorrente, ajustar sua contabilidade sem que haja uma posição definitiva sobre o assunto. (...) Fl. 3521DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 (c) A incorreta apuração do IRPJ e da CSL - falta de consideração dos novos limites do PAT, das despesas de doações às operações de caráter cultural e artístico e da dedução das antecipações realizadas nos anos-calendários questionados. 44. Conforme estabelece o artigo 581 do RIR/99, as empresas podem deduzir do valor do IRPJ devido o equivalente a 15% do total de despesas de custeio realizadas durante o período de apuração com o Programa de Alimentação do Trabalhador ("PAT"). Tal dedução está limitada a 4% do imposto devido no respectivo ano-base (artigo 582 do RIR/99 e artigo 3o da Instrução Normativa n° 267, de 23.12.2002 - "IN 267/02"). 45. Do mesmo modo, as pessoas jurídicas tributadas por meio da sistemática do Lucro Real também podem deduzir as despesas tidas durante o período de apuração com projetos culturais devidamente aprovados nos termos da Lei n° 8.313, de 23.12.1991 ("Lei 8.313/91" - Lei Rouanet), tudo consoante o artigo 475 do RIR/99 e mesmo os dispositivos da IN 267/02. 46. Como se vê da legislação de regência da matéria, cada um dos referidos benefícios está limitado a 4% do valor do IRPJ devido no período de apuração. Dessa forma, o aumento do valor do tributo devido acarreta a possibilidade de que seja aumentado o valor de dedução das mencionadas despesas. (...) 49. Esse ponto, não é questionado pela r. decisão recorrida que reconhece expressamente a possibilidade dedução pela Recorrente das quantias por ela despendidas com projetos culturais e com o programa de alimentação do trabalhador. A referida decisão, deixa de majorar a dedução das quantias pagas por considerar que não haveria provas das transferências de recursos feitas ao PAT e à Lei Rouanet. 50. A fim de que não restem dúvidas sobre a legitimidade do seu direito, a Recorrente anexa aos autos deste processo, documentos (docs. 11) que demonstram e comprovam que ela efetivamente contribuiu tanto para o PAT quanto para projetos culturais nos anos de 2010 e 2011, fazendo jus, assim, a dedução dessas despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSL. 51. Assim, é de rigor observar que, além de indevida toda a exigência lançada, como apresentado nos itens acima, na remota hipótese de assim não ser, ela foi equivocadamente calculada. 52. Além dos equívocos acima, outro também não pode ser desconsiderado, qual seja, a falta da dedução das antecipações efetuadas no decorrer dos anos-calendário autuados. Explica-se: a Recorrente apurou saldos negativos de IRPJ e de CSLL, os quais demonstram a ocorrência de recolhimentos antecipados superiores aos tributos devidos. Esses recolhimentos devem ser deduzidos dos valores dos principais lançados. 53. Pelo exposto, demonstrado está o equívoco do valor do suposto crédito tributário ora em debate, de modo que a exigência deve ser reexaminada. Por fim, alega que não caberia a multa de ofício de 75%, pelo fato de que pendem de julgamento os referidos processos sobre questões que envolvem a amortização de ágio. Fl. 3522DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 Sustenta também que não caberia a aplicação da SELIC sobre os valores em mora e sobre a multa, matérias também sustentadas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil - Relator À vista da interposição tempestiva do recurso voluntário e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. O pedido de sobrestamento do feito para julgamento em conjunto com os referidos processos foi atendido por esta Turma, conforme Resolução nº 1302-000.464, de 15/02/2017 (fls.3258/3261): Destarte, este processo (11065.720055/201596), bem como o processo nº 11065.002011/2008-51 deverão ter suas apreciações e julgamentos SOBRESTADOS na Secretaria da Câmara e, após as complementações das decisões proferidas nos processos nºs 11065.002498/2008-72 e 11065.722968/2012-02, RETORNAREM OS 04 (quatro) processos para serem apreciados conjuntamente. Os referidos processos devem ser vinculados processualmente. A Secretaria da Terceira Câmara deverá providenciar, primeiramente, a distribuição do processo nº 11065.002011/2008-51 (aguardando distribuição), para julgamento conjunto aos demais, nos termos desta Resolução. Do mérito Da glosa da compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores O acórdão recorrido apresentou os seguintes fatos e fundamentos quanto à glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de anos anteriores: A legislação tributária permite que a pessoa jurídica reduza o lucro real apurado no período-base mediante a compensação de prejuízos fiscais apurados em períodos anteriores, devendo tais prejuízos compensáveis serem registrados na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real - Lalur. Por sua vez, o Sistema de Acompanhamento do Prejuízo Fiscal, do Lucro Inflacionário e da Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI) recebe as informações fornecidas pelos contribuintes em suas DIPJ relativamente ao resultado do exercício e à compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL. Caso a fiscalização apure infrações em procedimento de ofício, deve efetuar as correspondentes alterações no sistema, de forma a espelhar o resultado apurado de ofício. Se for instaurado o litígio administrativo em relação ao auto de infração, os Fl. 3523DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 dados do sistema serão ajustados às decisões administrativas de 1a e de 2a instância (Delegacias de Julgamento e CARF). No presente caso, a consulta ao sistema SAPLI indicou falta de saldo de prejuízos a compensar e de bases de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores em 31/12/2009, gerando, assim, a glosa da diferença de compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores efetuadas pela interessada em 31/12/2010 e 31/12/2011, informadas nas suas Declarações de Informações da Pessoa Jurídica-DIPJ 2011 e 2012. Tal insuficiência foi motivada pela lavratura dos autos de infração objeto dos processos n°s 11065.002498/2008-72, 11065.002012/2008-04, 11065.002011/2008-51 e 11065.722968/2012-02, que alteraram os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas de CSLL da interessada, resultando na inexistência de saldos desde 31/12/2007. A interessada não impugnou a autuação do processo n° 11065.002012/2008-04. Já suas impugnações aos processos n°s 11065.002498/2008-72, 11065.722968/2012-02 e 11065.002011/2008-51 foram julgadas pela DRJ/Porto Alegre-RS em 28/04/2009, através do Acórdão n° 10-19.854 e em 07/08/2013, através do Acórdão n° 1045.573, e pela DRJ/Brasília-DF em 20/08/2010, através do Acórdão n° 03-38.775, respectivamente, tendo sido mantidas integralmente as utilizações dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL. Desta forma, nesta primeira instância administrativa de julgamento, permaneceu a interessada sem prejuízos compensáveis e sem base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores em 31/12/2009, confirmando a procedência da glosa do auto de infração objeto do presente processo. Conforme pesquisa no sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda - CARF, os processos n° 11065.002498/2008-72, 11065.002011/2008-51 e 11065.722968/2012-02 encontram-se hoje na Primeira Turma da 2a Câmara da 1a Seção, para julgamento dos recursos voluntários. Cumpre esclarecer que o fato dos processos que originaram a falta de valores compensáveis estarem com suas exigibilidades suspensas por força de recurso não restabelece, em favor da autuada, os saldos de prejuízos e de base de cálculo negativa de CSLL utilizados de ofício para reduzir os valores tributáveis nos autos de infração objetos daqueles processos. Assim, os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas de CSLL utilizados de ofício para reduzir infrações não podem ser utilizados pela interessada em exercícios posteriores, pois haveria dupla utilização do mesmo prejuízo e base de cálculo negativa de CSLL, sendo a glosa da reutilização um procedimento obrigatório para a autoridade fiscal no sentido de fazer prevalecer no âmbito administrativo os efeitos de ato de ofício anterior. Da mesma forma, não é prevista a suspensão da exigibilidade do crédito tributário do presente processo por motivo dos processos que lhes deram origem não estarem definitivamente julgados na esfera administrativa. Portanto, devem ser mantidos os lançamentos objeto do presente processo, cabendo esclarecer que à interessada é permitido ingressar com recurso voluntário ao CARF, o que manterá a suspensão da exigibilidade do crédito tributário respectivo, que poderá vir a ser julgado por aquela segunda instância concomitantemente com os processos que lhes deu origem ou mesmo após seu julgamento, descabendo a esta Fl. 3524DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 primeira instância administrativa aguardar tal desfecho, em face do princípio da oficialidade e pelos julgamentos daqueles processos já terem ocorrido nesta primeira instância administrativa. Esclareço ainda que não cabe no presente processo a análise das autuações constantes de auto de infração objeto de outro processo, mesmo que de alguma forma ligado à autuação objeto de julgamento, mormente quando já devidamente julgados nesta instância administrativa e se encontrando em julgamento de recurso voluntário no CARF, a quem cabe a decisão. O prejuízo fiscal e a base negativa de CSLL em questão foram apurados pela recorrente, considerando-se as reduções das respectivas bases de cálculo, obtidas mediante exclusões de receitas de reversão de provisão, constituída pela empresa AG CHEM, anteriormente à sua incorporação pela recorrente. A AG CHEM provisionou valor equivalente ao ágio decorrente da integralização (aumento de capital) pela controladora AGCO France das quotas que esta detinha na recorrente. Tais quotas foram avaliadas a valor de mercado, em R$544.500.000,00. O valor patrimonial (contábil) da recorrente, em dezembro de 2003, era de R$157.729.343,10. Assim, a provisão foi constituída no valor do ágio: R$386.770.656,90. Esse ágio não foi propriamente amortizado. Nem pela AG CHEM, nem pela incorporadora/recorrente. Todavia, as operações societárias e contábeis empreendidas pelas empresas do Grupo AGCO, incluindo a recorrente, resultaram em exclusões indevidas das bases do IRPJ e CSLL, a partir de 29/07/2004. Tais procedimentos foram objeto dos Procs. 11065002498/2008-72 (glosa de amortização de ágio, 2004, 2005 e 2006) e 11065722968/2012-02 (glosa de amortização de ágio 2007, 2008 e 2009) julgados na sessão de 14 de maio de 2018, em que, por meio dos Acórdãos nº 1302-003.555 e 1302-003.556, respectivamente, ratificaram-se as decisões da DRJ quanto à manutenção das glosas das exclusões de provisões das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme sintetizado na seguinte ementa, idêntica para ambos os referidos acórdãos: ÁGIO NO EXTERIOR ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. ÁGIO DE SI MESMO. INEXISTÊNCIA DE FLUXO FINANCEIRO. GANHO DE CAPITAL NÃO TRIBUTADO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. EMPRESA VEÍCULO. SIMULAÇÃO CARACTERIZADA Não atende aos requisitos legais exigidos para a dedutibilidade de ágio decorrente de aquisição de participação societária, sem o pagamento pelo ágio. Essa ausência de fluxo financeiro e a não tributação do ganho de capital pela investida, proveniente de mera avaliação do valor de quotas, com base em projeções de rendimentos futuros, integralizadas em empresa do mesmo grupo econômico, seguido de incorporação reversa da investida, demonstram intuito exclusivamente fiscais. Pois evidencia a dedução de ágio de si mesmo e caracterização simulação. Dessa forma, resta demonstrado que não há disponibilidade de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL de períodos anteriores, relativos aos Procs. 11065002498/2008-72 e 11065722968/2012-02. Fl. 3525DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 Com relação ao processo administrativo nº 11065.002011/2008-51, no recurso voluntário julgado nesta mesma sessão de julgamento, este colegiado houve por bem em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para cancelar parte das glosas de despesas exigidas no lançamento. Naquele processo foi proferido o Acórdão nº 1302-003.611, colhendo- se do voto vencedor a seguinte conclusão: [...] Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) cancelar as glosas de despesas com plano de saúde de empregados e diretores, no montante de R$ 1.866.559,34 b) cancelar as glosas de despesa com treinamento de empregados (Programa PAGE e Treinamento para Implementação do Lean Manufaturing, no montante de R$ 248.622,49; e c) reconhecer a ocorrência de postergação de pagamento de IRPJ no ano- calendário 2007, sobre a parcela amortizável da glosa de despesas consideradas ativáveis (exceto despesas com treinamentos, cuja glosa foi cancelada). Em face do restabelecimento parcial das despesas no PA 11065.002011/2008-51, ficou restabelecido o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL em 31/12/2004, conforme descrito no voto vencedor do Acórdão nº 1302-003.611: Da recomposição do saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL no livro Lalur. Em consequência do restabelecimento do montante de R$ 2.115.181,83 a título de despesas glosadas, devem ser recompostos parcialmente os saldos de prejuízos fiscais e o saldo da Base de Cálculo Negativo de CSLL, que, foi aproveitado pelo acórdão recorrido, para abater o montante exigido, nos seguintes termos: Compensação de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL – Consoante consta do relatório, o sujeito passivo argumentou que, embora a autoridade fiscal tenha determinado o ajuste do saldo de prejuízo fiscal e da base negativa na parte B do Lalur (fl. 29 e 30 do RTF), aparentemente esqueceu de efetuar as compensações limitadas a 30% nos cálculos dos tributos nos autos de infração. Cabe razão ao contribuinte, vez que a autoridade fiscal, não obstante ter demonstrado a recomposição das bases de cálculo dos tributos A fl. 593, onde efetuou a compensação do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL limitada a 30% do montante total adicionado. As bases de cálculo (R$ 5.341.597,23), deixou de adotar o mesmo procedimento nos autos de infração, conforme pode ser verificado As fl. 555 e 561. Restou comprovado, pois, o cometimento de erro material nos autos de infração, o qual é retificado neste voto. Os novos cálculos dos tributos, considerando as compensações devidas, está demonstrado em tópico especifico mais adiante. Considerando-se o aproveitamento de 30% sobre os valores lançados em face da decisão recorrida, fica restabelecido o montante de R$ 634.554,54 nos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa existente em 31/12/2004, no livro Lalur da fiscalizada. Fl. 3526DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL, neste ponto, para reconhecer o direito ao aproveitamento de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa no montante de R$ 634.554,54. Incentivos fiscais do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e Lei Rouanet O acórdão recorrido registrou os seguintes fatos e fundamentos sobre esse tópico: Quanto aos incentivos fiscais do programa de alimentação do trabalhador-PAT e da lei Rouanet, em conformidade com o disposto no art. 1° da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, são dedutíveis do lucro tributável para fins do imposto sobre a renda o dobro das despesas comprovadamente realizadas no período base, em programas de alimentação do trabalhador. De igual modo, o §1° , do art. 18, da Lei n° 8.313, de 23 de dezembro de 1991 (Lei Rouanet) faculta a dedução do imposto de renda devido das quantias efetivamente despendidas nos projetos culturais elencados no § 3° do mesmo artigo. Não consta dos autos qualquer documento comprobatório que possibilite a fruição de tais benefícios, além dos valores declarados pela autuada. De modo que não é possível proceder qualquer majoração destes benefícios, por ausência de comprovação. Quanto à consideração de apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL nos anos de 2010 e 2011, a mesma é descabida, uma vez que tais valores foram objeto de PER/Dcomp, sem pedido de cancelamento, não estando mais, portanto, disponíveis para compensação com os valores de ofício apurados no presente processo, não tendo a fiscalização ou este órgão julgador o condão de alterar a regular opção da contribuinte de requerer a restituição/compensação do mesmo, não podendo, portanto, dele se valer para reduzir o lançamento. À vista de tais registros da DRJ, analisamos as informações a respeitos apresentadas nas razões da recorrente e verificamos que, realmente, não há qualquer indicativo de que houve pagamentos no âmbito desse Programa. Para não restar dúvida, pesquisamos os autos e identificamos à fl. 3217, que a recorrente juntou apenas uma tela do sistema utilizado pelo PAT, indicado sua inscrição no Programa. Somente. Não comprovou pagamento a esse título aos seus empregados. De qualquer forma, nota-se que, em realidade, a autuação não glosou valor algum referente ao PAT e nem registrou que os novos cálculos não deverão considerar valores pagos no âmbito do PAT. Não vejo como acolher a pretensão da recorrente. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, também nesse ponto. Multa de ofício (75%) e juros sobre multa (Selic) Diante do afastamento da multa de ofício qualificada (150%), nos termos do acórdão recorrido, a recorrente insurge alegando que, pelo fato de os referidos processos sobre questões de ágio não terem sido definitivamente julgado, a autoridade fiscal não poderia aplicar nem mesmo a multa de ofício de 75%. Em seu entendimento, só haveria se falar em infração às Fl. 3527DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 normas tributárias sobre a incidência e o pagamento de tributos, no caso, pagamento a menor de IRPJ e CSLL, após decisão administrativa definitiva. A DRJ registrou que, compete-lhe cumprir estritamente as determinações legais e regulamentares, entre as quais insere-se os fatos geradores e a aplicação de multa. Não há como discordar da DRJ. A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 44, inc. I, a seguir transcritos, determinam a aplicação da multa de ofício de 75%, no caso sob exame, em que concluiu-se que a exclusão indevida de receitas de reversão de provisão resultou em recolhimento a menor de tributos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ainda nesse tópico, a recorrente sustenta que a multa de 75% é confiscatória e que a Selic não pode ser aplicada como juros de mora, pois teria caráter remuneratório. A DRJ asseverou que não lhe é dado competência para apreciar pedido de ilegalidade ou de inconstitucionalidade. Citou os arts. 97 e 102, CF/88 - incumbe exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão de questões referentes à constitucionalidade de lei. No mesmo sentido o Parecer Normativo CST n° 329/1970; Portaria MF n° 258, de 24 de agosto de 2001, art. 7º. De todo modo, sabemos que, em conformidade com a Súmula CARF nº 2, esse Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao questionamento da recorrente relativo à aplicação da SELIC e da incidência de juros sobre multa, as duas questões se resolvem com base nas Súmulas Carf nº 4 e 108 a seguir transcritas: Súmula CARF nº 4 - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 108 - Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019) Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, também nesses pontos. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao aproveitamento de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa no montante de R$ 634.554,54. Fl. 3528DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 Recurso de ofício O recurso de ofício (art. 34, inc. I, Dec. n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 10/12/1997) deve ser conhecido, pois o valor exonerado (multa de ofício qualificada de 150%) extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). A DRJ assim destacou: Da multa de ofício majorada para o percentual de 150% A multa de ofício foi aplicada com fundamento no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações efetuadas pela Lei n° 11.488/2007: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Conforme se verifica da legislação acima transcrita, a Lei n° 11.488, de 2007, manteve a multa de 75% para os casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata, e de 150% nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, que assim caracterizam: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." O lançamento em litígio no presente processo refere-se a compensações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa indevidas, uma vez que a interessada não dispunha de saldos para tal, por motivo dos mesmos terem sido exauridos em lançamentos de ofício. O fato de em tais lançamentos ter sido constatada a ocorrência dos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964 somente enseja a majoração da multa naqueles lançamentos, nunca no presente, onde a conduta da interessada de Fl. 3529DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-003.612 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720055/2015-96 reduzir seu lucro real com prejuízos e bases de cálculo negativas de CSLL, única motivação da autuação, não pode se caracterizar em sonegação, fraude ou conluio, mormente quando a interessada à época de tais compensações, em 31/12/2010 e 31/12/2011, possuía em seus controles e declarações saldo suficiente para as mesmas. Analisando as razões da recorrente e à vista das conclusões da DRJ, conclui-se que assiste razão à recorrente, nesse ponto. Pois, assim como registrou a DRJ, não se vislumbra, especificamente na infração que originou o lançamento objeto do presente processo, qualquer ocorrência de sonegação, conluio ou fraude, inaplicável é a majoração da multa de ofício para o percentual de 150%. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 3530DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.940121/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.470
Decisão: Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
JOSÉ HENRIQUE MAURI - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente SADIVE S/A DISTRIBUIDORA DE VEICULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) JOSÉ HENRIQUE MAURI Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório emitido pela Derat São Paulo, que indeferiu o Pedido de Restituição vinculado a pagamento indevido ou a maior pleiteado por meio de Per/Dcomp, uma vez que o Darf não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando haver cometido equívoco ao confeccionar seu pedido de restituição, uma vez que no campo relativo ao DARF informou a soma de dois e/ou três pagamentos realizados em vez de um único pagamento, por se referirem a um mesmo tributo e um mesmo período de apuração. Ressalta, todavia, que esse erro em nada prejudica seu direito creditório pleiteado. Na seqüência, após citar a legislação atinente à matéria e jurisprudências, salienta o entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal de que a base de cálculo das RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 40 12 1/ 20 11 -4 2 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.940121/201142 Resolução nº 3301000.470 S3C3T1 Fl. 3 2 contribuições ao PIS e à Cofins somente devem incluir os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão 06046.828. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, através do qual pleiteou a reforma da decisão recorrida. Alegou, resumidamente, que a lei excetua a impossibilidade de afastamento da aplicação de lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, como é o caso do afastamento da aplicação do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 (RE 390.840). É o relatório. Voto Conselheiro Jose Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.464, de 29 de agosto de 2017, proferida no julgamento do processo 10880.940112/201151, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.464): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Esclarecimentos fáticos De início, é importante que sejam feitos alguns esclarecimentos fáticos relativos ao caso vertente. Consoante se constata do despacho decisório, a motivação para o indeferimento do pedido de restituição decorreu da não localização do pagamento informado como indevido ou a maior que o devido nos sistemas da Receita Federal. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte esclareceu que cometeu equívoco no preenchimento do seu pedido, tendo informado o total do pagamento de COFINS no período ao invés dos pagamentos individualmente efetuados. Nesta oportunidade, anexou aos autos cópias dos DARFs que comprovam a alegada falha, a qual restou confirmada pela DRJ (vide fl. 41). Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.940121/201142 Resolução nº 3301000.470 S3C3T1 Fl. 4 3 Ocorre que, apesar da comprovação atinente à falha no preenchimento do pedido de restituição, entendeu a DRJ que não poderia acolher o pleito do contribuinte. É o que se extrai da passagem a seguir colacionada, extraída do voto que compõe a decisão recorrida: Entretanto, apesar da comprovação dos recolhimentos assim efetuados, o pedido de restituição não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente a esses recolhimentos. Em sua manifestação, a contribuinte argumenta tão somente a inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal em relação à inclusão no faturamento das pessoas jurídicas de outras receitas que não a de vendas de mercadorias e de serviços. Ora, para a análise do direito creditório alegado, devese verificar a base de cálculo da contribuição e o valor que teria sido recolhido a maior. E, para isso, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem que o pagamento foi efetuado considerando receitas não operacionais e/ou receitas financeiras, que não correspondam à atividade operacional da empresa. E essa comprovação deve ser feita, a princípio, com base na escrituração fiscal e contábil da empresa e/ou em documentos fiscais que reflitam tratarse de receitas que escapem à incidência da contribuição, situação não demonstrada. É de se observar, por precaução, que os recolhimentos foram realizados em nome da empresa incorporada Sadive Automóveis Ltda., CNPJ nº 02.992.628/000146, cabendo a apresentação da escrituração fiscal, se porventura houvesse feito, em nome desta. Vejase que a legislação é clara no sentido de que a restituição/compensação de débitos tributários somente pode ser deferida mediante a existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública (art. 170 do CTN). No caso, como dito, nada foi apresentado para comprovar essa liquidez e certeza e, como se sabe, segundo o art. 333 do CPC, o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido. Seguiu dispondo a decisão recorrida que, nos termos do parágrafo 11 do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, cumulado com o parágrafo 4º do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972, a prova deveria ter sido apresentada pelo contribuinte juntamente com a sua impugnação, razão pela qual teria precluído o seu direito de fazêlo em outro momento processual. Sendo assim, concluiu pela manutenção do indeferimento da restituição pleiteada, face à inexistência de prova hábil que demonstrasse o pagamento indevido do tributo. Face a tal decisão, o contribuinte interpôs Recursos Voluntário, através da qual apresentou os argumentos que serão devidamente enfrentados a seguir. 2. Preliminar de nulidade da decisão recorrida Preliminarmente, alegou o contribuinte em seu recurso a nulidade da decisão recorrida, pois a DRJ teria inovado no feito, tendo adotado argumento diverso do inserto no despacho decisório para indeferir o pleito da recorrente. Ressalta que o despacho decisório indeferiu o pedido de ressarcimento sob a alegação de inexistência do recolhimento declarado como indevido pela Recorrente (não localização do DARF), o que levou à comprovação realizada pelo contribuinte em sua Manifestação de inconformidade (DARFs apresentados). Segue dispondo que "qualquer autuação, para que seja juridicamente válida, deve conter em si todos os elementos de fato e de direito que justificam a respectiva exigência fiscal, não podendo sofrer modificação ao longo do processo, sob pena de se Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.940121/201142 Resolução nº 3301000.470 S3C3T1 Fl. 5 4 desvirtuar a ordem regular do processo e se prejudicar o direito à ampla defesa e ao contraditório". Discordo do contribuinte neste ponto. O despacho decisório concluiu que "não foi confirmada a existência do crédito pleiteado". E esta mesma conclusão foi a que constou da decisão recorrida. Não há que se falar, portanto, em inovação no feito. Até porque, ainda que os fundamentos em um e outro caso tenham sido diversos, tal fato não levaria à nulidade da decisão recorrida, pois embora o equívoco relativo aos DARFs tenha sido esclarecido pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, é inconteste que a DRJ não poderia ter deferido pedido de restituição sem que o caráter de certeza e liquidez do crédito pleiteado tivesse sido confirmado. A análise da certeza e liquidez do crédito pleiteado é simplesmente imprescindível ao deferimento de pleito compensatório. Destaquese, inclusive, que, em razão do ônus probatório que lhe persegue no presente caso, o contribuinte deveria ter trazido aos autos os elementos comprobatórios desta certeza e liquidez na primeira oportunidade em que teve para se manifestar nos autos. Não o tendo feito, não possui razões para discordar da decisão da DRJ que concluiu pela impossibilidade de homologação da compensação realizada, face à ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Há de ser afastada, portanto, a alegação de nulidade da decisão recorrida. 3. Mérito Consoante acima narrado, o crédito objeto do pedido de restituição referese a suposto "pagamento indevido ou a maior" realizado pelo contribuinte, tendo em vista que teriam sido incluídas receitas estranhas ao conceito de faturamento. Destaca a recorrente que esta discussão já se encontra superada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no RE 390.840/MG. Ou seja, a questão de mérito posta em discussão cingese à análise do direito da recorrente à COFINS pago com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.718/1998, dispositivo este que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por negar provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que "a concessão de restituição vinculada a pagamento indevido ou a maior do que o devido está condicionada à demonstração inequívoca da base de cálculo da contribuição e do pagamento dito indevido, que deve ser realizada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea e da escrituração contábil/fiscal da empresa". No caso concreto, portanto, entendeu que o contribuinte não havia trazido aos autos dita comprovação. Ou seja, restringiuse aquela instância de julgamento a negar o direito à restituição em razão da ausência de comprovação quanto à certeza e liquidez do montante apontado, nada tendo disposto acerca do mérito da contenda. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.940121/201142 Resolução nº 3301000.470 S3C3T1 Fl. 6 5 Quanto ao mérito, é cediço que tal dispositivo legal (parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998), além de já ter sido declarado inconstitucional em decisões sem efeito erga omnes (RE 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG), também já o foi em processo com repercussão geral reconhecida (RE 585.235, cuja decisão foi publicada no Diário da Justiça nº 227 do dia 28 de novembro de 2008). Como se não bastasse, destaquese que a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, em consonância com o que decidira o STF, revogou expressamente o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. De outro norte, mencionese ainda que, nos termos do art. 62, inciso II, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343 de 2015, os Conselheiros têm que reproduzir tanto as decisões definitivas proferidas pelo Plenário do STF que tenha declarado inconstitucional determinado dispositivo legal, quanto decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. É o que se extrai dos incisos I e II, b, do referido art. 62, a seguir transcritos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Quanto ao direito pleiteado, portanto, é pacífico o entendimento favoravelmente aos interesses do contribuinte. 4. Necessidade de diligência Embora a matéria de direito já se encontre pacificada, tendo em vista que a presente demanda versa sobre pedido de restituição, é essencial que se perquira, ainda, se o montante apontado pelo contribuinte se reveste de certeza e liquidez. Ou seja, há de se verificar se os valores indicados a título de crédito correspondem, de fato, ao alargamento da base de cálculo disposta no parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, declarado inconstitucional. Ocorre que tal análise não chegou a ser realizada nos presentes autos, visto que a documentação tendente a comprovar o direito alegado apenas foi anexada aos autos juntamente com o Recurso Voluntário interposto. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.940121/201142 Resolução nº 3301000.470 S3C3T1 Fl. 7 6 Defende o contribuinte em seu recurso que não teria precluído o seu direito à comprovação do valor que pretende ter restituído. Neste particular, entendo que assiste razão ao contribuinte. Embora haja respaldo legal para a não admissão da juntada posterior de documentos, nos moldes enunciados pela decisão recorrida (parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72), é cediço que este Conselho, em atenção ao princípio da verdade material, tem admitido, em determinadas situações, a juntada de documentos a posteriori pelo sujeito passivo, desde que a documentação apresentada seja relevante à solução da lide. No caso específico aqui analisado, entendo que o contribuinte não se manteve inerte no intuito de comprovar o seu direito. Em princípio, ao ter denegado o seu pleito sob o fundamento de não localização do DARF indicado, apresentou manifestação de inconformidade através da qual apontou a falha identificada, tendo juntado naquela oportunidade cópia dos DARFs cuja soma corresponde ao valor apontado em seu pedido de restituição. Em um segundo momento, quando teve indeferido o seu pleito pela DRJ em razão da ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito apontado, anexou aos autos através do seu Recurso Voluntário, no intuito de comprovar o alegado, planilha com a indicação dos valores que teriam sido incluídos indevidamente na base de cálculo do PIS e da COFINS, visto que correspondiam a receitas financeiras da empresa (fl. 70 dos autos), bem como cópia do seu livro razão. Verificase que tais documentos não foram até o momento analisados pela fiscalização. Entendo, portanto, que a sua análise pela fiscalização se apresenta imprescindível à correta solução desta lide. Nesse contexto, há de se concluir que a presente demanda não se encontra satisfatoriamente instruída para fins de julgamento, fazendose necessária a realização de diligência para que se analise a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. A necessidade de diligência para fins de apuração do crédito do contribuinte, inclusive, já foi reconhecida em outros julgados deste Conselho, a exemplo da decisão a seguir colacionada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2001 COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. RESTITUIÇÃO. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA DE DECISÕES JUDICIAIS. POSSIBILIDADE Nos termos do art. 62 do RICARF, deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE nº 357.950/RS, por força do que restou decidido no RE nº 585.235/MG. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.940121/201142 Resolução nº 3301000.470 S3C3T1 Fl. 8 7 PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO. É de se reconhecer o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 3402004.261 de 27/06/2017). Sendo assim, em observância aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, entendo que a presente demanda deverá ser convertida em diligência, para que a autoridade fiscal competente analise os documentos anexados aos autos pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, pronunciandose expressamente sobre a aptidão de tais documentos a comprovar o pagamento a maior objeto do pedido de restituição apresentado, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.718/1998, bem como indicando os valores a serem admitidos. É importante que se diga que não se está aqui invertendo o ônus da prova. Este ônus, conforme já anteriormente mencionado, é do contribuinte. Pretendese, em verdade, em atenção ao princípio da verdade material, identificar se o recolhimento realizado pelo contribuinte fora de fato indevido, ainda que a documentação correspondente a tal comprovação apenas tenha sido realizada quando da interposição de Recurso Voluntário. Até porque, negarse o direito à restituição quando haja tal comprovação nos autos seria admitir conscientemente verdadeiro enriquecimento indevido por parte da União, o que não se deve admitir. Até porque, como é cediço, a matéria de direito já se encontra pacificada tanto no Judiciário quanto neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consoante analisado no tópico imediatamente anterior. 5. Conclusão Voto, portanto, no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente em seu pedido de restituição correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado. Em seguida, o contribuinte deverá ser cientificado quanto ao teor do relatório de diligência para, desejando, manifestarse no prazo legal. Após, os autos deverão retornar ao CARF, para fins de julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.940121/201142 Resolução nº 3301000.470 S3C3T1 Fl. 9 8 a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente em seu pedido de restituição correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado. Em seguida, o contribuinte deverá ser cientificado quanto ao teor do relatório de diligência para, desejando, manifestarse no prazo legal. Após, os autos deverão retornar ao CARF, para fins de julgamento. assinado digitalmente Jose Henrique Mauri Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.736568/2018-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1401-000.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Severo Chaves, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Severo Chaves, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Severo Chaves, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (v. e-fls. 118/128) proposto em face do Acórdão nº 12-108.381 – 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – DRJ/RJ1, que negou provimento à Impugnação apresentada pela Contribuinte (v. e-fls. 11/19), oposta em face da Notificação de Lançamento de Multa por Compensação Não Homologada (v. e-fls. 02/03). A multa isolada foi aplicada em razão da não homologação das compensações em análise no âmbito do Processo Administrativo Fiscal nº 13819.901803/2014-14. Por bem resumir os fatos que dizem respeito à lide, reproduz-se a seguir trechos do Relatório elaborado pela DRJ na decisão recorrida: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 36 56 8/ 20 18 -7 3 Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1401-000.852 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.736568/2018-73 O presente processo cuida de crédito constituído mediante processamento eletrônico da Notificação de Lançamento, que aplicou multa por compensação não homologada, no valor de R$ 110.778,29, correspondente a 50% do somatório dos débitos remanescentes da compensação realizada, conforme descrito às fls. 02/03. Inconformada com a notificação, da qual tomou ciência em 07/12/2018, o sujeito passivo apresentou a defesa de fls. 11/27, alegando, em síntese, que a multa é improcedente, haja vista a notória existência do direito creditório. Também reiterou argumentos da manifestação de inconformidade, por meio da qual questionou a não homologação da compensação, além de arguir que a norma instituidora da multa sobre o débito não compensado é posterior à transmissão da declaração, de modo que é inaplicável neste caso. Recebida a impugnação, a DRJ/RJ1 indeferiu o recurso sob a alegação de que a imposição da penalidade seria devida por conta da manutenção da decisão de não homologação da compensação nos autos do processo em que se discute o crédito. Inconformada com a decisão retro, a Contribuinte apresentou recurso voluntário de e-fls. 118/128 através do qual reitera os argumentos já expendidos quando da impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Entendo que o processo não está em condições de ser julgado. Isso porque ele é claramente vinculado ao processo nº 13819.901803/2014-14, do qual decorreu a não homologação das compensações que deram origem à presente autuação. Ocorre que a discussão a respeito da compensação, objeto do processo nº 13819.901803/2014-14, ainda está pendente de apreciação por esta mesma Turma, que em decisão proferida nesta sessão de 21 de julho de 2021, resolveu baixar os autos em diligência para que a Autoridade Administrativa avaliasse os documentos que acompanharam o recurso voluntário e verificasse sua eficácia para comprovar o direito pretendido pela Recorrente (vide a Resolução nº 1401-000.850). Assim, antes que seja proferida a decisão a respeito do provimento/desprovimento do recurso apresentado ao processo nº 13819.901803/2014-14, este processo, que trata de multa isolada exigida sobre compensação não homologada, não tem condições de ser julgado. Perante tal circunstância, o julgamento do recurso voluntário não pode prosseguir, em face da dependência da solução que será proclamada nos autos do processo nº 13819.901803/2014-14. Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1401-000.852 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.736568/2018-73 Considerando que o presente processo é decorrente daquele e que ambos estão pendentes de decisão de mesma instância, propõe-se que se converta o julgamento em diligência, sobrestando-se o feito até que o processo nº 13819.901803/2014-14 retorne ao CARF para julgamento. A despeito da falta de previsão expressa para suspensão do processo administrativo no Decreto nº 70.235/1972 e no RICARF (Portaria MF nº 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de Processo Civil, conforme o seu art. nº 313, abaixo reproduzido in verbis: Art. 313. Suspende-se o processo: (...) V - quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; Os presentes autos deverão ser remetidos à unidade de origem para ciência do contribuinte da presente Resolução, devendo ser apensados aos autos do processo nº 13819.901803/2014-14 para que tramitem de forma conjunta. Por todo o exposto, proponho converter o julgamento em diligência nos termos acima expostos. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10166.000563/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE IRRF COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE
Numero da decisão: 1302-003.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, sendo substituído pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, sendo substituído pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-24T18:14:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-09-24T18:14:35Z; Last-Modified: 2019-09-24T18:14:35Z; dcterms:modified: 2019-09-24T18:14:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-09-24T18:14:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-24T18:14:35Z; meta:save-date: 2019-09-24T18:14:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-24T18:14:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-09-24T18:14:35Z; created: 2019-09-24T18:14:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-09-24T18:14:35Z; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-24T18:14:35Z | Conteúdo => S1-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10166.000563/2008-24 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-003.750 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2019 Recorrente MICROLOG INFORMÁTICA E TECNOLOGIA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE IRRF COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE O valor retido correspondente ao imposto de renda e a contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição ao final do período de apuração. Somente o saldo negativo, eventualmente apurado, pode ser objeto de pedido de restituição ou compensação com outros tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, sendo substituído pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 05 63 /2 00 8- 24 Fl. 131DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.750 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.000563/2008-24 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 03-42.432, de 31/03/2011, da 4ª Turma da DRJ em Brasília (DF) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrando-se a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE IRRF COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE. O valor retido correspondente ao imposto de renda e a contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. COMPENSAÇÃO. OBSERVÂNCIA DAS CONDIÇÕES DA LEI E DO ENTENDIMENTO DA SRF EXPRESSO EM ATOS NORMATIVOS A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, mas nas condições estipuladas pela lei, sendo que o julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente A recorrente apresentou pedido de restituição em formulário referente IRRF, no valor de R$ 61.063,45. Posteriormente, apresentou a DCOMP, indicando como crédito o valor objeto do referido pedido de restituição, com o objetivo de compensar débitos de PIS/COFINS. O despacho decisório proferido pela autoridade administrativa foi no sentido de considerar não formulado o pedido de restituição em formulário, face à inexistência de justificativa sobre a não formalização por meio do sistema PER/DCOMP; e não homologar a DCOMP, tanto pela não apresentação por meio do sistema, quanto pelo fato haver vedação à compensação direta de IRRF com tributos diversos, já que pretendia a compensação de créditos IRRF com débitos de PIS/COFINS. Cientificada do despacho, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade apontando as seguintes razões: a) o despacho decisório considera que o pedido de restituição constante do processo em apreço, foi não formulado, alegando que esta RECORRENTE não se utilizou do programa PER/DCOMP e sim em formulário. Contudo tal alegação não merece prosperar uma vez que apesar de em 18/01/08, ter sido protocolado pedido de restituição e compensação de crédito de imposto retido na fonte, com apuração parcial, fora protocolado, logo após o término dos registros contábeis Fl. 132DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.750 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.000563/2008-24 quando apurado os valores finais, pedido de substituição daquela restituição através do PER/DCOMP, com outros valores, conforme comprova cópia da DACON, DCTF e PER/DECOMP. b) os valores da obrigação tributária objeto da compensação que a recorrente informara parcialmente foram modificados e substituídos pelos valores finais de apuração, sendo a dívida constituída pelos valores finais apurados conforme demonstrados nas obrigações acessórias anexas. c) denota-se que o segundo pedido fora feito dentro do prazo legal, obedecendo as exigências determinadas em lei. Devendo, portanto, ser considerado processo formulado. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, concluindo que, independentemente do pedido de restituição em formulário; da substituição do formulário por PER e do pedido de compensação via PER/DCOMP, o IRRF não poderia ser utilizado em compensação de tributos diversos, no caso, PIS/COFINS, pois o mesmo deve ser considerado como antecipação do imposto de renda devido ao final do período de apuração e que somente o saldo negativo, eventualmente apurado após a compensação do IRRF, é que pode ser compensado com outros tributos. Sustentou, ainda, que o pedido para acolher os novos valores constantes da Dcomp transmitida não podia ser atendido naquela esfera de julgamento, visto tratar-se de nova Dcomp, cujo pleito deve ser submetido ao crivo da autoridade administrativa de origem. A recorrente foi devidamente intimada do acórdão da DRJ e interpôs recurso voluntário, cujas razões reprisam os fatos e fundamentos trazidos na impugnação. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.750 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.000563/2008-24 Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil - Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Conheço do recurso. Na forma relatada, a DRJ ratificou o despacho decisório (fls. 12/15) mediante as seguintes conclusões: (a) considerou não formulado o pedido de restituição de IRRF formalizado em formulário de papel; (b) não seria competente para apreciar pedido eletrônico de restituição (PER), que teria sido apresentado em substituição ao pedido em formulário, pelo fato de o PER conter outros créditos; e (c) não homologou a DCOMP pelo fato de haver expressa vedação legal à compensação de IRRF com outros tributos ou contribuições (PIS/COFINS). A DRJ registrou que não foi apresentado o motivo pelo qual a recorrente teria optado pelo pedido de restituição em formulário, considerando-se que não há notícia de indisponibilidade, nem mesmo de falha do sistema PER DCOMP. O acórdão recorrido destacou, ainda, com base no art. 64, § 4º da Lei 9.430/96, a impossibilidade de a recorrente compensar créditos de IRRF, com débitos de PIS e COFINS. Analisando-se as razões da recorrente e da DRJ, em especial, no que diz respeito à expressa vedação “o valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição (art. 64, § 4º da Lei 9.430/96), não vemos como acolher a pretensão da recorrente. O IRRF é antecipação do imposto de renda devido ao final do período somente o saldo negativo, eventualmente apurado, após sua utilização para quitação do imposto devido é que pode ser objeto de pedido de restituição ou de compensação com outros tributos. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721340/2012-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 10 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 9202-009.663
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para afastar a preclusão, com retorno ao colegiado de origem para apreciação do laudo, vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maurício Nogueira Righetti, que lhe negaram provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9202-009.662, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10935.721339/2012-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, substituída pelo conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DOCUMENTOS JUNTADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO PARA CONTRAPOR ARGUMENTOS NOVOS DA DECISÃO DA DRJ. POSSIBILIDADE. Cabível a juntada de documentos ao processo, posteriormente à apresentação da impugnação, quando se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, nos termos do art. 16, §4º, alínea “c” do Decreto n.º 70.235/72. Portanto, devem ser analisados os documentos trazidos em sede de recurso voluntário pelo Sujeito Passivo, pois destinados a contrapor fatos ou razões trazidas somente no julgamento da impugnação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para afastar a preclusão, com retorno ao colegiado de origem para apreciação do laudo, vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maurício Nogueira Righetti, que lhe negaram provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9202-009.662, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10935.721339/2012-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Ausente a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, substituída pelo conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 13 40 /2 01 2- 22 Fl. 621DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.663 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10935.721340/2012-22 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Em sessão plenária foi julgado o Recurso Voluntário, prolatando-se o acórdão assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo-se, em regra, o direito de o fazê-lo em outro momento processual. Cabe ao recorrente apresentar as provas das circunstâncias que o impediram de apresentar a prova documental tempestivamente. Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E ATO PRATICADO POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. São nulidades no processo administrativo fiscal as resultantes de atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou de despacho e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A falta de publicidade das informações do Sipt não prejudica o exercício do direito de defesa do contribuinte. ITR. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. É valida a utilização do Sistema de Preços de Terras (Sipt) com aptidão agrícola para arbitramento da base de cálculo do ITR. O laudo suficiente para afastar o arbitramento deve conter o grau de fundamentação II, consoante o disposto na NBR 14.653-3. Acordam os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos: em conhecer em parte do recurso, não conhecendo da matéria preclusa e do pedido de restituição. Vencidos os conselheiros Wesley Rocha, Fernanda Melo Leal e Thiago Duca Amoni, que conheceram do laudo apresentado em sede de recurso. 2) Por unanimidade de votos: em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Wesley Rocha.” Cientificado do Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Especial, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a possibilidade de apresentação de novos documentos em sede de Recurs Voluntário, mesmo não estando comprovadas as hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 622DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.663 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10935.721340/2012-22 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho de Admissibilidade. Em seu apelo, o contribuinte alega, em síntese: a) a discussão do presente recurso se refere à possibilidade ou não da apresentação de documentos/complementação dos argumentos de defesa após o protocolo de impugnação pela Recorrente; b) quando da impugnação a Recorrente apresentou Laudo de Avaliação elaborado por Engenheiro Agrônomo, a fim de comprovar o Valor da Terra Nua (VTN), objeto da presente autuação. Porém, a DRJ julgou improcedente a Impugnação da Recorrente sob o argumento de que referido Laudo, além de ter sido apresentado de forma extemporânea, não atendia a norma NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas-ABTN. Assim, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, anexando Laudo de Avaliação complementar com as especificações da NBR 14653-3, e requereu, após análise desse, fosse determinada a reforma do Acórdão da DRJ com a consequente extinção do crédito tributário exigido; c) não é razoável que o contribuinte, por um excesso de formalismo da Autoridade Administrativa, tenha que levar a questão à apreciação do judiciário, sendo que, inclusive, tal fato pode ser prejudicial aos cofres públicos que, se vier a ser sucumbente, terá que arcar com as despesas judiciais adiantadas pelo contribuinte, bem como será condenado ao pagamento de honorários sucumbenciais; d) entretanto, como já afirmado, o Laudo complementar apenas esclarece/reforça alguns pontos da Impugnação e apresenta, de uma forma organizada, documentos comprobatórios do VTN apurado no referido Laudo; e) se houvesse sido analisado o Laudo em conjunto com as informações do Recurso Voluntário, certamente os julgadores se convenceriam de que o Auto de Infração lavrado pela Autoridade Administrativa não representa a realidade dos fatos; f) não houve qualquer inovação por parte da Recorrente, o Laudo apresentado no recurso apenas esclarece/reforça o Laudo já anexado na impugnação e apresenta, de forma mais completa, documentos comprobatórios que serviram de base para o cálculo do VTN; g) diz que a garantia constitucional ao devido processo legal previsto no artigo 5º, inciso LIV, da CF, não restou observado no caso em tela, uma vez que os esclarecimentos e os documentos juntados pela Recorrente na Manifestação, sequer foram analisados, razão pela qual se impõe o reconhecimento da nulidade da decisão ora recorrida, nos termos do disposto no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72; h) que o processo administrativo, como visto no tópico anterior, tem por finalidade a busca da verdade material. Por meio desse princípio, o Julgador administrativo deve descobrir a verdade objetiva dos fatos, independentemente do alegado e provado pelas partes; i) que o procedimento administrativo de controle de legalidade dos atos das Autoridades Administrativas, necessário seja oportunizado ao julgador, de ofício, a busca pelos fatos e provas necessárias à análise da questão, a fim de não restarem dúvidas sobre a manutenção ou não do lançamento fiscal; j) que a alegada preclusão levantada pela Autoridade Administrativa deve ser mitigada em função da busca da verdade material, que é um dos alicerces do procedimento administrativo, necessário que sejam analisados todos as provas e argumentos levados pelo contribuinte aos autos sob pena de cerceamento de defesa do contribuinte; Fl. 623DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.663 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10935.721340/2012-22 l) verifica-se que o excesso de formalismo não deve se sobrepor aos princípios que norteiam a Administração Pública, dentre os quais deve predominar a busca pela investigação, a verdade material e a legalidade da tributação, sendo que, nenhum desses princípios afrontam diretamente o princípio da eficiência do processo administrativo federal. Ao final, o Contribuinte requer, seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que a decisão recorrida seja reformada quanto ao não conhecimento e análise do Laudo anexado no Recurso Voluntário, para retorno dos autos para a Turma Ordinária para que esse aprecie o Laudo e os fundamentos constantes do Recurso Voluntário, em observância aos princípios da busca da verdade material, da ampla defesa, do contraditório, bem como da legalidade da tributação. Cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário e do Recurso Especial do Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento a Procuradoria apresentou contrarrazões em que alega em síntese: a) Considerando que nenhum dos motivos excepcionais previstos nas referidas alíneas foi invocado pela contribuinte para justificar a juntada de documentos após a fase impugnatória inicial, mostra-se incabível a juntada posterior destes, após inclusive o transcurso do prazo para interposição do recurso voluntário. b) a Administração Pública respeitou o direito do sujeito passivo de comparecer aos autos questionar a autuação. Entretanto, a contribuinte não se pronunciou, no momento oportuno, sob todos os aspectos que entendeu relevante, com a apresentação da respectiva documentação. c) em virtude da inequívoca preclusão verificada nos autos, forçoso concluir que foi adequada a decisão recorrida ao não analisar os documentos apresentados após o prazo da impugnação. d) Vale dizer, ainda, que o art. 16 do Decreto n.º 70.235/72 em nada destoa do “princípio da finalidade” do processo, ao contrário, o concretiza. A finalidade do processo é a solução do conflito. A regra do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72 visa impedir a eternização indesejada do litígio, sem vedar a possibilidade de apresentação de provas em caso de força maior. Ou seja, a regra está em plena sintonia com o princípio e) Dessa forma, conclui-se que a juntada aos autos de documentos após a apresentação da impugnação não pode ser aceita em decorrência do disposto no art. 16, § 4º do Decreto n.º 70.235/72. f) Não se pode conceber que a alegada apresentação de documentação intempestiva, sem qualquer justificativa ou comprovação da ocorrência de uma das hipóteses estabelecidas no parágrafo 4º do art. 16 do Decreto n. 70.235/72, possa ensejar a nulidade de acórdão proferido que já havia analisado e ratificado as conclusões da DRJ de origem quanto aos elementos probatórios apresentados. g) Ademais, permitir tal pretensão do contribuinte de juntar provas extemporâneas não apenas faria letra morta ao Decreto 70.235/72, como subverteria o andamento processual adequado, ensejando em grave violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa da União, na medida em que impossibilita a manifestação da parte contrária acerca da matéria trazida intempestivamente e inesperadamente. h) Nesses termos, a decisão ora recorrida merece ser mantida em seus próprios termos, de modo a reiterar que, ocorrida a preclusão temporal e consumativa, não é possível a análise das provas a posteriori, sob pena de ocasionar-se uma desordem processual e ferir o princípio da igualdade em relação ao demais contribuintes, que obedecem às regras procedimentais. Fl. 624DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-009.663 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10935.721340/2012-22 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conhecimento O Recurso Especial do contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Foram apresentadas contrarrazões pela Fazenda. Mérito Iniciando pela análise da decisão recorrida, verifico que para afastar o conhecimento do documento (novo laudo ou laudo complementar) juntado em recurso voluntário fundamentou o voto da seguinte forma: “O recurso é tempestivo. Porém, não conheço, em face da preclusão, por força do que consta no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, da alegação relativa ao laudo técnico apresentado juntamente com o recurso voluntário, que diverge substancialmente daquele juntado à impugnação, sobretudo porque o recorrente não comprovou situar-se em qualquer das exceções previstas nas alíneas do citado dispositivo. Cabe ao recorrente comprovar as circunstâncias que o impediram de apresentar a prova documental tempestivamente. Por decorrência, também não conheço do pedido de restituição, que sequer poderia ser tratado nestes autos. Conheço do restante.” Avalio o recurso voluntário do contribuinte quanto a essa matéria entendendo oportuno transcrever as passagens das razões do contribuinte nessa parte do tema, após questionar os fundamentos da decisão da DRJ em relação ao primeiro laudo apresentado em defesa para desconstituir o lançamento por arbitramento pelo SIPT, verbis: “5.27- Entretanto, para não prolongar a discussão sobre o Laudo apresentado na impugnação, no que se refere à data e anexação de documentos, em complemento àquele e em contraposição ao fundamento lançado na r. decisão quanto à possibilidade de acesso às transações comerciais realizadas em determinado período, o Recorrente apresenta, com fundamento no que dispõe a alínea "c" do § 4o do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, o anexo Laudo elaborado pelo mesmo engenheiro, que utiliza, para aferir o valor de mercado das áreas da região e, consequentemente, como base para apuração do valor da terra nua, as negociações realizadas no ano de 2007, data base para o ITR 2008, conforme as respectivas matrículas dos imóveis utilizados como amostras. (Grifei) 5.28- Assim, o Sr. Avaliador, mais uma vez, em cumprimento às normas previstas na NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, apresenta: os elementos amostrais do Ano de 2008 (anexos 1.1); o mapa de localização dos elementos de pesquisa e avaliando – ano 2008 (anexo 1.2); o tratamento dos dados amostrais ano 2008 (anexo 1.3); o saneamento dos dados amostrais ano 2008 (anexo 1.4); a planilha de determinação do valor da terra ano 2008 (anexo 1.5); o formulário que comprova os graus de fundamentação e precisão da avaliação ano 2008 (anexo 1.6); planilha de determinação do valor das benfeitorias ano 2008 (anexo 1.7); e as cópias das matrículas dos elementos de pesquisa (anexos 1.8). Fl. 625DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-009.663 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10935.721340/2012-22 5.29- Conforme se infere do anexo 1.5 do Laudo Complementar ora apresentado, o valor comercial médio do hectare na região, em 2008, era de R$ 5.375,77, correspondente a área classificada como Classe I, isto é, área totalmente mecanizada. Logo, tomando-se por base a média de área mecanizada, tem-se que este é o valor comercial do hectare. 5.30- Assim, considerando a área total de 1.536,1609 hectares, o valor comercial da área objeto da presente autuação era, em 2008, de R$ 3.711.700,00. Com efeito, conforme o valor das benfeitorias (anexo 1.7), apuradas em R$ 1.923.300,00, o qual foi objeto de competente avaliação in loco do avaliador signatário do laudo, verifica-se que o valor da terra nua era de R$ 1.788.400,00 (R$ 3.711.700,00 - R$ 1.923.300,00 = R$ 1.788.400,00) para o ano de 2008. 5.32 - Importante destacar que o critério de cálculo utilizado pelo Sr. Avaliador nesse Laudo de 2008, é aquele lançado pela Turma Julgadora, ou seja, o valor comercial da área subtraído o valor das benfeitorias. (Grifei) 5.33 - Com efeito, buscando os valores de mercado dos imóveis rurais, o valor da Terra Nua, em 2008, era de R$ 1.788.400,00. Portanto, inadmissível a aplicação dos dados do SIPT, pois o valor de mercado do imóvel rural é exponencialmente inferior àquele considerado pelo Fisco. 5.34- Cumpre frisar, outrossim, que a própria Sra. Relatora do r. decisum ora recorrido, na parte final da fundamentação de seu voto (fls. 9), admite expressamente ter considerado o Laudo Técnico apresentado pela ora Recorrente, porém com grau de fundamentação inferior ali, conforme segue: (Grifei) No sopesamento das provas, o laudo técnico com grau de fundamentação menor do que II dispõe de menor poder de convencimento para a autoridade julgadora, de modo que pende a balança, pela manutenção do critério legal, qual seja, os preços previamente catalogados pela Receita Federal. 5.35 - Pois bem, ao contrário do afirmado pela Sra. Relatora, e conforme já comprovado nas razões do presente recurso, o Anexo 7 do Laudo de Avaliação demonstra, de forma irretorquível, terem sido cumpridos os requisitos referentes ao grau de fundamentação e precisão exigidos pelo item 9.2.3.5 da NBR 14653- 3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, tendo o mesmo atingido o grau de fundamentação II e precisão III. 5.36- Dessa forma, tendo restado tecnicamente comprovado que o grau de fundamentação do Laudo Técnico apresentado pelo ora Recorrente não é menor do que II, e seguindo o raciocínio da própria Sra. Relatora, a balança deveria pender para a adoção do valor da terra nua nele apresentado e não daquele indevidamente lançado pelo Sr. Auditor Fiscal. 5.37- Além disso, cumpre mais uma vez ressaltar que o imóvel foi avaliado por profissional da área de Engenharia. A avaliação de imóvel constitui matéria técnica afeta tão somente à engenharia e à arquitetura, por força de lei (Lei n° 5.194, de 24/12/1966, art. 7o, "c"). Veja-se: (...) omissis 5.38- Portanto, com o devido respeito, discordâncias suscitadas por profissional que não seja da área de engenharia ou arquitetura, com conhecimento limitado e empírico, não podem ser aceitas, sendo necessária para tanto, a qualificação desse, com o devido registro no órgão de classe (CREA). Fl. 626DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-009.663 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10935.721340/2012-22 5.39- Por essas razões, e considerando que o Valor correto da Terra Nua em 2008, apurado por profissional habilitado e com observância da legislação, era de R$ 1.788.400,00, ante os R$ 8.079.346,08 considerados pelo Recorrente com base no laudo de avaliação de 2012, tendo esse, inclusive, recolhido parte do valor lançado a ele correspondente, impõem-se, como verdadeiro instrumento de justiça, o cancelamento da notificação.” Pela análise das razões acima do voluntário, entendo, ao contrário da decisão recorrida, que o contribuinte demonstrou com clareza e objetividade a necessidade da juntada posterior da complementação do laudo trazido com o recurso. Inclusive destaca o artigo de Lei e concatena as informações do laudo em suas razões recursais confrontando os fundamentos da decisão da DRJ que pretende reformar, sendo que na ocasião ficou caracterizado os elementos do art. 16§ 4º da alínea “c” do Decreto 70.235/72 no presente caso. Na ocasião, pelo contexto fático, não se trata de mera juntada posterior de documento sem qualquer liame com os fundamentos da decisão recorrida (DRJ) e sem respaldo em razões recursais, como muitas vezes verificamos em diversos arrazoados, pelo contrário, entendo que ficou claro e bem delineadas as explicações e argumentos recursais quanto a necessidade de análise do laudo complementar juntado em recurso, para afastar, dentro do devido processo legal e do contraditório, o lançamento efetuado através de arbitramento do ITR. Essa matéria, entendo que deve ser analisado caso a caso de acordo com o contexto fático, sem é lógico fugirmos do princípio da legalidade que rege a matéria processual, quanto a necessidade do contribuinte demonstrar os motivos dessa juntada a posteriori, contudo, necessário avaliarmos em conjunto com demais princípios, tais como o da razoabilidade e da busca da verdade material, a fim de evitarmos cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório e o devido processo legal. A respeito do tema cito alguns julgados de outras Turmas da CSRF nos Ac 9101- 004.690 e 9303-010.069: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, evidencia-se que não há óbice para apreciação, pela autoridade julgadora de segunda instância, de provas trazidas apenas em recurso voluntário, mas que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PROVAS. DOCUMENTOS JUNTADOS EM RECURSO VOLUNTÁRIO PARA CONTRAPOR ARGUMENTOS NOVOS DA DECISÃO DA DRJ. POSSIBILIDADE. PROVA DO INDÉBITO. Cabível a juntada de documentos ao processo, posteriormente à apresentação da impugnação, quando se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente Fl. 627DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-009.663 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10935.721340/2012-22 trazidos aos autos, nos termos do art. 16, §4º, alínea “c” do Decreto n.º 70.235/72. Portanto, devem ser analisados os documentos trazidos em sede de recurso voluntário pelo Sujeito Passivo, pois destinados a contrapor argumentos posteriormente trazidos aos autos. Por isso, com a devida vênia, entendo que houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte no presente caso, na forma do art. 59, II, segunda parte, do Decreto 70.235/72 e portanto, dou provimento ao recurso especial com a determinação de retorno dos autos ao colegiado a quo para análise do laudo complementar juntado ao recurso voluntário. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte e, no mérito, dou-lhe parcial provimento afastando a preclusão, com retorno dos autos para a Turma Ordinária para que seja apreciado o laudo complementar e os seus fundamentos constantes do Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para afastar a preclusão, com retorno ao colegiado de origem para apreciação do laudo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Fl. 628DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.903824/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência .
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência . (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras em SP Deinf proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 03 82 4/ 20 09 -3 7 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 16327.903824/200937 Resolução nº 1402000.610 S1C4T2 Fl. 3 2 sob o fundamento de que foi constatada improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compro saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que os valores excedentes dos pagamentos das suas estimativas mensais, superiores ao apurado de IRPJ/CSLL a pagar no período de apuração, e que tal diferença deva ser necessariamente reconhecida como saldo negativo. Neste sentido, o artigo 74 da Lei 9. 430/96 dispõe que aquele que apurar crédito em decorrência de pagamento indevido ou a maior de tributos federais, poderá, mediante à entrega de declaração de compensação/restituição à RFB pleitear a compensação e/ou restituição de seus créditos com débitos vencidos ou vincendos dos tributos também administrados pela RFB. Logo, valendose desta previsão legal o ora requerente procedeu à entrega da presente declaração de compensação. O aludido pedido de compensação só foi entregue após o encerramento do período de apuração, e portanto, após a efetiva constatação de que não havia montante a pagar de IRPJ/CSLL na apuração, tendo sido apurado saldo negativo do referido tributo. Pela leitura do despacho decisório depreendese que a compensação não foi homologada por supostamente não existirem créditos suficientes para tanto, uma vez que, segundo a Fiscalização, não seria possível a utilização de montante recolhido a título de estimativa mensal da IRPJ/CSLL — que evidentemente compõe o saldo negativo do imposto ou contribuição apurado ao final do anocalendário em questão — para a compensação de seus débitos, mas somente para a eventual composição de saldo negativo ou mesmo para a compensação com o próprio IRPJ e a CSLL devidos. Não assiste razão ao Fisco devendo ser reconhecido o seu direito à compensação do débito de IRPJ ou CSLL em foco no presente processo, com créditos líquidos e certos advindos de parte do seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL apurados no período. Apesar do crédito de IRPJ ou CSLL oferecido à compensação ter sido apurado em momento anterior ao encerramento do exercício, a entrega da declaração de compensação somente ocorreu quando já havia se encerrado o anocalendário, quando já se havia constatado a existência de saldo negativo. Portanto, não assiste razão à fiscalização quanto à alegação de que o pagamento informado pelo requerente teria origem no recolhimento a maior de estimativa mensal, mas sim, efetivamente, do saldo negativo apurado ao final do ano. Isto porque uma vez constatado que os valores pagos por estimativa mensal superam o montante efetivamente devido da exação no encerramento do exercício a diferença deve ser reconhecida como saldo negativo do período em questão. Tanto que o Conselho de Contribuintes já manifestou o entendimento de que os recolhimentos efetuados a título de estimativas mensais deve compor o saldo negativo e consequentemente integram o montante de créditos a ser objeto de compensação. O que se verifica no presente caso é o mero cometimento de um simples erro formal no preenchimento do PER/DCOMP pois, ao invés de a Requerente informar que a Fl. 204DF CARF MF Processo nº 16327.903824/200937 Resolução nº 1402000.610 S1C4T2 Fl. 4 3 origem do seu crédito decorre da apuração de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acabou informando que seu crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior. O cometimento de mero erro formal não pode, em hipótese alguma, prejudicar a utilização de seu saldo negativo para a quitação, via compensação, de seus débitos, isto porque o preenchimento de declarações, como a declaração de compensação, encontrase no rol das obrigações acessórias, que tem como razão de ser a garantia do cumprimento da obrigação tributária principal, ou seja, visa possibilitar o controle, por parte do Fisco, das atividades exercidas pelo contribuinte, com o objetivo de verificar a adequação dos montantes levados por este a título de tributos aos cofres públicos. Se por qualquer outro meio, a autoridade administrativa puder verificar a adequação dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, bem como proceder ao devido controle de suas atividades, temse que reconhecer que o eventual descumprimento dos deveres instrumentais não poderá prejudicar o direito do contribuinte, no presente caso o direito do requerente à compensação de seus débitos com saldo negativo de IRPJ ou CSLL devidamente comprovado, sendo certo que a fiscalização possuía todas as informações necessárias à verificação deste direito. Assim, segundo o § 2° do artigo 147 do CTN deve ser efetuada a retificação de ofício da PER/DCOMP ora analisada, a fim de que passe a constar a informação de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado. Por fim, solicita que seja a presente manifestação de inconformidade julgada integralmente procedente, reconhecendose o direito à compensação declarada com a conseqüente extinção do débito vinculado, bem como seja determinada a retificação de ofício do referido pedido de compensação para que passe a constar a informação de que a origem do crédito em questão é o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do exercício em foco no presente processo, nos termos em que autorizados pelo artigo 147 § 2° do CTN. Requer ainda, enquanto perdurar o julgamento, que o crédito tributário advindo da não homologação da compensação tenha a sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN e conforme a previsão constante do artigo 66, § 5° da IN SRF n° 900, de 30.12.2008. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. No seu fundamento, estabelece os seguintes pontos: o alegado erro de preenchimento do PER/DCOMP apresentado envolveria num efetivo erro de critério jurídico por parte da recorrente, uma vez que a alteração do tipo de crédito interfere na natureza do próprio direito que se pretende demonstrar, alterando sua essência. Haveria a necessidade da reanálise de todos os elementos, agora com a sua perspectiva de ser um saldo negativo. Além do mais, da leitura do artigo 78 da IN 900/2008 (que repete o artigo 58 da IN SRF 600/2005), combinado com o artigo 32 do Decreto n° 70.235/72, haveria a impossibilidade de retificação do PER/DCOMP, tanto do contribuinte quanto de ofício. No caso em tela, deveria ter sido cancelada a DCOMP e apresentada outro PER/DCOMP; Fl. 205DF CARF MF Processo nº 16327.903824/200937 Resolução nº 1402000.610 S1C4T2 Fl. 5 4 mesmo que se adentrasse no mérito, a eventual análise do crédito de saldo negativo alegado, envolveria a geração de novo Despacho Decisório, já que a autoridade administrativa competente não fez a análise devida com base no informado no PER/DCOMP entregue. Isso confirma que um novo pedido de compensação deveria ter sido formalizado em instrumento próprio, para ser possível esta análise; o Despacho Decisório que denegou o pedido formulado no PER/DCOMP encontrase perfeito, pois à luz do artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, havia mesmo o impedimento ali apontado, sendo que o suposto indébito só poderia ser utilizado para reduzir o tributo apurado ao final do período de apuração ou na composição do saldo negativo; apesar da publicação da IN RFB nº 900/2008, que revogou a IN SRF nº 600/2005, que retirou a restrição do art. 10 desta, numa eventual análise do mérito, a manifestação de inconformidade não apresentou provas de que à época o pagamento tenha sido efetuado de forma maior que o efetivamente devido, isto porque a primeira DCTF entregue, com o débito de onde o crédito supostamente se originaria, mostrava que o pagamento era totalmente alocado ao valor declarado, não restando assim qualquer diferença a ser aproveitada pelo contribuinte. A DCTF retificadora não veio acompanhada de documentação hábil e idônea que demonstrasse que a retificada estava equivocada. Entendeu a recorrente bastar alegar que seu crédito seria na realidade saldo negativo e não de pagamento indevido ou a maior, o que também não comprovou originalmente. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: a DRJ optou se apegar ao rigor formal, em detrimento ao direito da recorrente, pois bastaria ter baixado os autos para reanálise dos créditos pleiteados. Ou melhor, ter acatado sua confissão acerca do erro cometido; a posição do CARF é de constatado o erro de fato no preenchimento da DCOMP, e a existência do crédito em favor do contribuinte, a compensação deve ser homologada. Cita ementas de acórdãos do CARF para tanto; a recorrida, no caso, RFB, teria a obrigação de retificar de ofício o erro cometido na DCOMP apresentada pela recorrente, nos termos do art. 147 § 2º do CTN; a solução de consulta interna Cosit nº 19/2001 orientou que deixou de existir a vedação no que concerne à compensação de parcelas pagas a maior a título de estimativa, devendo ser aplicado ao caso concreto o princípio da retroatividade benigna; desnecessário à recorrente apresentar elementos comprobatórios que viessem a retratar a apuração do tributo a menor, pois a retificação das declarações do contribuinte, ao serem admitidas, consubstanciam confissões de dívida e substituem integralmente as originalmente apresentadas. Colocase a disposição para eventuais esclarecimentos adicionais. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16327.903824/200937 Resolução nº 1402000.610 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.606, de 11.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 16327.911446/200965, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.606): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. A discussão aqui cingese ao fato de que a recorrente tenta compensar, nas suas palavras, valores recolhidos a maior de estimativa de IRPJ/CSLL, com débitos do mesmo período de apuração, ou seja, antes do encerramento do exercício respectivo. Para tanto, aduz no seu PER/DCOMP que houve o pagamento indevido de estimativas, como fundamento do seu direito creditório. O Despacho Decisório denegou tal pleito, pois, no seu entender, o pagamento de estimativa mensal só poderia utilizado na dedução do IRPJ e CSLL devido ao final do período de apuração ou compor saldo negativo de IRPJ ou CSLL, com base no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, que criava, então, tal impedimento. Contudo, com a edição da IN RFB nº 900/2008, não subsiste mais tal impedimento motivador do despacho decisório. A decisão a quo analisou tal circunstância, e entendeu que mesmo entendendo não mais aplicável tal regramento do art. 10 da IN SRF nº 600/2005, não há provas acostadas nos autos de que à época do pagamento, tenha sido efetuado de forma maior que o efetivamente devido. Compulsando os autos, notase nitidamente que os únicos elementos trazidos para comprovar a situação pela recorrente, na esfera a quo foram partes da DIPJ e DCTF, ambos retificadoras, sem condições de se precisar exatamente se se referem após o primeiro Despacho Decisório emanado. Cabe lembrar que o tema aqui envolve direitos creditórios referentes a períodos dos anos de 2004 e 2005, todos sob a mesma alegação da recorrente, e todos com decisão a quo negando com praticamente os mesmos fundamentos. Já na sua peça impugnatória, a recorrente alega que no preenchimento da sua PER/DCOMP, houve um erro formal, pois acabou preenchendo tal documento fazendo constar como tipo de crédito o "pagamento indevido ou a maior" em lugar do "saldo negativo de IRPJ" e que o Fl. 207DF CARF MF Processo nº 16327.903824/200937 Resolução nº 1402000.610 S1C4T2 Fl. 7 6 mero erro apontado não pode ilidir o seu real direito à compensação supostamente comprovado por meio dos elementos trazidos. Aqui, cabe destacar a importância da distinção entre o direito creditório se baseie em pagamento indevido de estimativa ou saldo negativo. Aquele, sendo um indébito, geraria o direito a atualização monetária a partir do mês seguinte da sua ocorrência. Este, só haveria sua apuração do encerramento do exercício, e sua atualização monetária no mês seguinte. No caso da recorrente, ao ser optante do lucro real anual, e há valores de vários meses ao longo de ano, poderia haver alguma repercussão financeira, em seu favor (e por consequência em prejuízo ao erário) se seguisse com a visão de eventuais estimativas recolhidas a maior seriam indébitos. Não seria admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. Não se quer aqui negar o direito da recorrente de tratar como indébito eventual estimativa recolhida a maior ou erroneamente, devidos a erro na sua apuração da base de cálculo, pois nestes casos tratável como repetição de indébito, conforme já sumulado nesta Corte (súmula nº 841). Contudo, não resta comprovado em nenhum momento que houve um erro no pagamento da estimativa da sua parte. Há poucos elementos disponíveis nos autos para se verificar tal situação, partes da DCTF e DIPJ, em parte retificados pela recorrente já transcorrido um lapso grande temporal, e quando possível verificar, após o Despacho Decisório de algum período do anocalendário constante em outro processo. Nestes elementos verificase que apurou a estimativa, simplesmente, pagou e depois de algum tempo, entendeu que formaria saldo negativo, ou seja, estaria recolhendo acima do necessário, e passou a solicitar a compensação como se indébito fosse. Não agiu de forma a requerer um balanço de redução ou suspensão, como seria esperado. Não há elementos para se apurar o porque disso. Um indébito, válido para qualquer tributo, e igualmente para uma estimativa recolhida a maior ou totalmente indevida, é com base em erro de apuração da sua base de cálculo. Na prática, no transcorrer do ano, quando optante do lucro real anual, a estimativa convertese numa situação similar ao lucro presumido, em que sua base de cálculo são as receitas brutas e acréscimos mensais do contribuinte. Eventualmente, neste cálculo, pode adicionar valores indevidos, e notar somente depois, mas ainda dentro do exercício em foco. Há nitidamente um erro de apuração, e o contribuinte acabou recolhendo a maior que deveria. Nestes casos, cabível o pedido de repetição, e a 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16327.903824/200937 Resolução nº 1402000.610 S1C4T2 Fl. 8 7 atualização monetária ocorrer a partir do mês seguinte do recolhimento. Contudo, não está demonstrado nos autos tal situação de indébito. Alias, na sua argumentação, resta bem nítido que quer se valer do direito de tratar o saldo negativo como indébito, provavelmente procurando a atualização monetária mais próxima possível do recolhimento da estimativa. Para tanto, aparente que desde que reconheça sua PER/DCOMP nos moldes que foi transmitida, não se importa com o critério jurídico a ser aplicado ao seu direito creditório. Contudo, conforme já explicitado, envolveria em atualização monetária dos valores bem antes do devido, em prejuízo ao Erário. Tal situação fica mais manifesta quando rejeitado seu PER/DCOMP no Despacho Decisório, aceita ser alterado o crédito como saldo negativo. O quer que seja feito de ofício, e provavelmente alterando só esta referência, certamente, sem prejudicar as demais variáveis envolvidas. Necessário, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado, o que não foi realizado até o momento em nenhuma instância a quo A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução do período do crédito pleiteado, e a sua adequação para a formação do indébito, e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ ou CSLL devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. Por todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER EM DILIGÊNCIA ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.724089/2014-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na 3ª Câmara até a decisão definitiva do processo principal a ele vinculado.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo.
Relatório
Trata-se o presente processo de auto de infração para a cobrança de multa isolada. Adota-se o relatório da DRJ/Rio de Janeiro, fls. 461/462:
Trata o presente processo de auto de infração no valor de R$ 2.485.864,72 relativo à multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada (art. 74, §17 da Lei nº 9.430/96 incluído pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010).
O presente processo foi apensado ao processo de compensação nº 10880.941517/2012-98.
A interessada foi cientificada em 12/11/2014 (fl. 131) e apresentou impugnação (fls. 138/168) em 02/12/2014 alegando em síntese:
A MP 656/2014 alterou a cobrança das multas tratadas nos §15 e 17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, revogando o §15 e alterando o §17. Com a revogação do §15 a multa aplicada perdeu a referência, não podendo ser mais cobrada. Além disso, a multa passou a ser devida sobre o débito e não sobre o crédito.
A penalidade de 50% sobre os créditos não reconhecidos não mais existe. A cumulação da multa de mora com a multa isolada é indevida. A base de cálculo para a cobrança da multa de mora de 20% é exatamente a mesma daquela utilizada para a exigência da multa isolada de 50%.
O presente processo deve ser sobrestado até que seja proferida decisão definitiva no processo administrativo nº 10880.941517/2012-98, para que não sejam proferidas decisões contraditórias ou entre si inconciliáveis.
O resultado do processo de auto de infração nº 16004.720187/2014-75 impactará no desfecho do processo de compensação nº 10880.941517/2012-98 que possui influência direta na exigência da presente autuação.
O sobrestamento é previsto no Código de Processo Civil em seu artigo 265, inciso IV.
Cita doutrina e acórdão do CARF sobre o sobrestamento do julgamento administrativo.
Alega que a aplicação da multa afronta o direito de petição, garantido pela Constituição Federal, e ao princípio da proporcionalidade.
A Turma deve deixar de aplicar o disposto no artigo 74, parágrafo 17 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.249/2010, ou seja, deve retirar sua eficácia, para aplicar os princípios constitucionais que regem a Administração Pública, notadamente o direito de petição e os princípios da proporcionalidade e da não utilização de tributo com efeito de confisco, para o fim de cancelar as multas isoladas em exame.
Cita a justificativa no Projeto de Lei do Senado nº 133 de 2012 que trata sobre a inconstitucionalidade dos parágrafos 15 e 17 da Lei nº 9.430/96.
Cita ainda a Ação de Inconstitucionalidade Nº 4905 ainda pendente de julgamento pelo STF e decisão do TRF da 4ª Região Arguição de Inconstitucionalidade nº 5007416-62.2012.404.0000.
Alega que a multa tem caráter confiscatório.
Cita decisões judiciais e administrativas sobre a violação à vedação ao confisco.
Sobreveio, então, o julgamento da DRJ/Rio de Janeiro, cuja ementa é colacionada abaixo:
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 13/02/2012 a 18/01/2013
SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade.
ARGUIÇÃO DE AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 13/02/2012 a 18/01/2013
MULTA ISOLADA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURADO
A multa de mora aplicada sobre o imposto não recolhido, não tem o mesmo fato gerador da multa isolada aplicada sobre a compensação considerada não homologada, não configurando bis in idem.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O fato gerador da multa (a não homologação da compensação) continua sendo considerada infração passível da aplicação da multa isolada, mesmo após a alteração promovida pela Lei nº 13.097/2015.
A contribuinte, então, apresentou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos da impugnação.
É o relatório.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na 3ª Câmara até a decisão definitiva do processo principal a ele vinculado. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araujo. Relatório Tratase o presente processo de auto de infração para a cobrança de multa isolada. Adotase o relatório da DRJ/Rio de Janeiro, fls. 461/462: Trata o presente processo de auto de infração no valor de R$ 2.485.864,72 relativo à multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada (art. 74, §17 da Lei nº 9.430/96 incluído pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010). O presente processo foi apensado ao processo de compensação nº 10880.941517/201298. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 24 08 9/ 20 14 -5 0 Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10850.724089/201450 Resolução nº 3302000.689 S3C3T2 Fl. 3 2 A interessada foi cientificada em 12/11/2014 (fl. 131) e apresentou impugnação (fls. 138/168) em 02/12/2014 alegando em síntese: A MP 656/2014 alterou a cobrança das multas tratadas nos §15 e 17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, revogando o §15 e alterando o §17. Com a revogação do §15 a multa aplicada perdeu a referência, não podendo ser mais cobrada. Além disso, a multa passou a ser devida sobre o débito e não sobre o crédito. A penalidade de 50% sobre os créditos não reconhecidos não mais existe. A cumulação da multa de mora com a multa isolada é indevida. A base de cálculo para a cobrança da multa de mora de 20% é exatamente a mesma daquela utilizada para a exigência da multa isolada de 50%. O presente processo deve ser sobrestado até que seja proferida decisão definitiva no processo administrativo nº 10880.941517/201298, para que não sejam proferidas decisões contraditórias ou entre si inconciliáveis. O resultado do processo de auto de infração nº 16004.720187/201475 impactará no desfecho do processo de compensação nº 10880.941517/201298 que possui influência direta na exigência da presente autuação. O sobrestamento é previsto no Código de Processo Civil em seu artigo 265, inciso IV. Cita doutrina e acórdão do CARF sobre o sobrestamento do julgamento administrativo. Alega que a aplicação da multa afronta o direito de petição, garantido pela Constituição Federal, e ao princípio da proporcionalidade. A Turma deve deixar de aplicar o disposto no artigo 74, parágrafo 17 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 12.249/2010, ou seja, deve retirar sua eficácia, para aplicar os princípios constitucionais que regem a Administração Pública, notadamente o direito de petição e os princípios da proporcionalidade e da não utilização de tributo com efeito de confisco, para o fim de cancelar as multas isoladas em exame. Cita a justificativa no Projeto de Lei do Senado nº 133 de 2012 que trata sobre a inconstitucionalidade dos parágrafos 15 e 17 da Lei nº 9.430/96. Cita ainda a Ação de Inconstitucionalidade Nº 4905 ainda pendente de julgamento pelo STF e decisão do TRF da 4ª Região Arguição de Inconstitucionalidade nº 500741662.2012.404.0000. Alega que a multa tem caráter confiscatório. Cita decisões judiciais e administrativas sobre a violação à vedação ao confisco. Sobreveio, então, o julgamento da DRJ/Rio de Janeiro, cuja ementa é colacionada abaixo: Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10850.724089/201450 Resolução nº 3302000.689 S3C3T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/02/2012 a 18/01/2013 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. ARGUIÇÃO DE AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 13/02/2012 a 18/01/2013 MULTA ISOLADA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURADO A multa de mora aplicada sobre o imposto não recolhido, não tem o mesmo fato gerador da multa isolada aplicada sobre a compensação considerada não homologada, não configurando bis in idem. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O fato gerador da multa (a não homologação da compensação) continua sendo considerada infração passível da aplicação da multa isolada, mesmo após a alteração promovida pela Lei nº 13.097/2015. A contribuinte, então, apresentou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, sendo que a contribuinte teve ciência em 26 de agosto de 2015 e o recurso protocolado em 21 de setembro de 2015. Tratase de matéria da competência deste colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2. Da necessidade de sobrestamento Tratase de caso de multa isolada por compensação indevida, cujo processo administrativo, originário de PER/DCOMP, ainda está em tramite. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10850.724089/201450 Resolução nº 3302000.689 S3C3T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, em conformidade com a Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 RICARF, temse que: RICARF Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (...) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e O processo da multa isolada é decorrente do processo de compensação indevida, nesse sentido, como ainda não há um resultado final a respeito do processo de compensação, 10880.941517/201298, então, sobrestarseá o julgamento do presente processo até o julgamento definitivo do processo de compensação a ele vinculado. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 676DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721532/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator..
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto S. Jr Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente (assinado digitalmente) Alberto Pinto S. Jr Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
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Recorrente ZEN S.A. INDÚSTRIA METALÚRGICA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Alberto Pinto S. Jr –Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 21 53 2/ 20 11 -1 8 Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.724 ___________ Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0257.260 da 4ª Turma da DRJ/BHE, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 INCENTIVO FISCAL Para fazer jus ao benefício, o interessado deve demonstrar de forma inequívoca o efetivo controle contábil dos dispêndios e pagamentos efetuados de forma a evidenciálos de forma adequada. BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Os bens do Ativo Imobilizado que se tornarem obsoletos ou imprestáveis poderão ser destruídos sem o laudo de autoridade fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vale a transcrição do trecho do voto condutor do acórdão recorrido, relativo ao ponto da autuação sobre o qual versa o recurso de ofício, in verbis: “II.2 – DA GLOSA DOS CUSTOS COM A BAIXA DE BENS DO IMOBILIZADO Confirase o texto integral do Termo de Verificação Fiscal que fundamentou a glosa dos custos dos bens baixados. (...) A impugnante, por seu turno, entende que inexiste a obrigatoriedade legal de elaboração de laudo de destruição para a baixa dos bens do ativo imobilizado, eis que o referido artigo 291, II, do RIR/99 aplicase tão somente à baixa de bens do estoque, o que não é o caso dos bens baixados que pertencem ao ativo imobilizado Constatase inequivocamente que a fiscalização glosou os valores referentes à baixa de bens do ativo imobilizado por obsolescência e deterioração, que foram computados como prejuízo na apuração do lucro real, com fundamento no artigo 291 do RIR/99, afirmando textualmente que “a norma jurídica não descarta a baixa de materiais e bens obsoletos, desde que elaborado o laudo da autoridade fiscal”. No entanto, realmente, o artigo que serviu de arrimo à fiscalização encontrase no Capítulo V – Lucro Operacional, Seção II – Lucro Bruto, subseção III – Custo dos Bens ou Serviços – Quebras e Perdas. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.725 3 Desta forma, não resta qualquer dúvida de que tal determinação legal se aplica unicamente aos estoques, nos exatos termos do citado artigo 291. À baixa de bens do ativo permanente, aplicamse as disposições do artigo 418 do RIR/99 (Capítulo VII – Resultados Não Operacionais, Seção I – Ganhos e Perdas de Capital, Subseção I – Disposições Gerais), apurandose o ganho ou perda de capital como numa venda qualquer. Por seu turno, o Parecer Normativo CST nº 146, de 21/11/1975 adverte que, não restando ao bem nenhum valor econômico apurável, a sua baixa contábil somente será admitida para efeitos fiscais, se o bem tiver sido baixado fisicamente, isto é, saído em definitivo do patrimônio da empresa, fato que deverá ser comprovado por documentos de idoneidade indiscutível. Assim, os bens do ativo imobilizado que se tenham tornado imprestáveis, ainda que antes de decorrido o prazo de vida útil previsto (em virtude de obsolescência anormal ou ocorrência de caso fortuito ou de força maior), podem ser baixados por ocasião da efetiva saída do patrimônio da empresa. No caso de vendas a nota fiscal será o documento hábil à comprovação de sua saída do patrimônio da empresa. Nos demais casos, a comprovação dependerá de cada situação específica. De qualquer forma, não existe exigência de laudo de autoridade fiscal. Pelo exposto, concluo pela procedência da impugnação para que se exclua a exigência com relação à glosa da baixa de bens do ativo imobilizado. (...) VI – CONCLUSÃO Por tudo que se encontra exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada, excluindose da base de cálculo os valores de R$ 2.075.388,36 e 191.730,65, referente a baixa de bens do ativo imobilizado, para os anos calendários de 2007 e 2008, como demonstrado a seguir: (...)” A recorrente foi cientificada do Acórdão nº 0257.260 em 10/07/2014, conforme AR a fls. 1695. A fls. 1696, consta Termo de Solicitação de Juntada do recurso voluntário a fls. 1697 e segs., no qual são alegadas as seguintes razões de defesa: a) que se trata de recurso voluntário contra decisão da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte – MG (DRJ/BHE), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, mantendo em parte o crédito tributário exigido a título de IRPJ, CSLL, relativos aos anos de 2007 e 2008, com acréscimo da multa em 75%, mais a aplicação de multa isolada sobre os valores que supostamente teriam sido deixados de recolher a título de estimativa, ou seja, em evidente sobreposição de penalidade, sobre uma falta que NUNCA ACONTECEU; b) que ao contrário da leviana afirmação do agente fiscal responsável pela lavratura do auto de infração impugnado, este contribuinte conforme informado desde o início do trabalho de verificação fiscal, SEMPRE contabilizou de forma individualizada e em PLENA sintonia com o que determina a legislação de regência, os gastos vinculados a “pesquisa e desenvolvimento”, conforme claramente se pode ver por uma simples verificação Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.726 4 dos arquivos entregues pelo contribuinte, na forma regulamentar, muito tempo antes de se iniciar o malsinado trabalho de verificação fiscal que, em apertada sínese, teve como estribo um fato alegado que, na mais complacente das análises, é “irreal”, pois os arquivos do SPED demonstram com clareza solar que esse contribuinte lançou os gastos com pesquisa e desenvolvimento em contas específicas e FACILMENTE aferíveis, desde que, é claro, as verificações não sejam negligenciadas como ocorreu no caso concreto; c) que cumpre salientar de plano que, o contribuinte ao solicitar que o órgão preparador juntasse os arquivos apresentados a muito tempo pelo contribuinte no SPED, foi e é lastreado em dispositivo de LEI que assim o estabelece e, teve condão de suprir a negligência do agente fiscal responsável pela lavratura do auto que, se tivesse apurado os fatos constantes de forma muito clara e objetiva nos arquivos do SPED contábil desse contribuinte, arquivos estes que frisese, sempre estiveram ao seu inteiro dispor e alcance, presumese que não teria feito a alegação, comprovadamente inverídica, de que esse contribuinte não contabilizou em contas específicas os gastos com “P&D – pesquisa e desenvolvimento”; d) que causa estranheza o conteúdo do insólito julgado ora guerreado, onde o ilustre relator, por razões que não encontram guarida sequer na lógica e muito menos no princípio basilar do processo administrativo, qual seja, o da verdade material, para “justificar” até de forma “exótica”, o descumprimento de disposição expressa da Lei 9.784/99 e se negar aapurar os fatos reais; e) que é vazia a construção do ilustre relator do malsinado despacho decisório, no que tange a manutenção e apresentação dos livros fiscais e contábeis pelo contribuinte, inclusive os digitais, pois esses documentos tanto em papel, quanto em meio digital/eletrônico sempre estiveram de posse do contribuinte e, sempre estiveram a disposição da fiscalização, inclusive podendo ser acessados pelos agentes fiscais na própria sede da Receita Federal do Brasil – RFB, sem sequer aparecer na sede da empresa contribuinte; f) que ocorreu no caso concreto, com todo o respeito, com a devida vênia, foi negligência do agente fiscal em aferir os fatos, que parece não ter lido as respostas as intimações e, seguramente não aferiu o conteúdo do SPED contábil desse contribuinte e, novamente rogando por vênia, o descaso com a aplicação da lei, quando da análise do r. relator da matéria, no julgado ora guerreado, que se negou a levar em conta os dados contidos no SPED contábil, como se a escolha dos elementos de prova para a apuração da VERDADE MATERIAL, fosse de sua livre escolha, de seu livre arbítrio, inclusive negligenciando de forma veemente, a verificação de documentos constantes da base de dados da Receita Federal do Brasil, contrariando disposição EXPRESSA DE LEI; g) que lamentavelmente, após se negar a apurar a VERDADE MATERIAL, principalmente ao se negar a levar em conta DOCUMENTOS DISPONIVEIS A ELE NA BASE DE DADOS DA RFB e, que foram objeto de requerimento EXPRESSO e formal do contribuinte para que fossem verificados, o r. relator passou a citar em seu relatório uma série de informações que NUNCA tiveram o menor fundamento, de onde extraímos: “Mas não apresenta os livros onde tais lançamentos foram registrados, limitandose a fazer a menção a Documento 02 da sua defesa e registrar: ‘2.7 Notadamente, nos períodos base em questão, TODOS os gastos com P&D foram detalhadamente lançados nas contas representativas dos ‘centros de custos’ vinculados ao titulo ‘1.2. –Engenharia de Processos” Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.727 5 h) que o ilustre relator do julgamento vergastado parece, com todo o respeito, novamente pedindo vênia, nos tomar a todos por tolos, pois, primeiro ele se recusa a analisar documentos constantes da base de dados da Receita Federal do Brasil, aos quais tem livre acesso e, aos quais foi requerida a juntada/analise na forma estabelecida em LEI, quais sejam os livros diário e razão contábeis, para em seguida alegar em socorro de suas inusitadas conclusões que, o contribuinte “não apresenta os livros onde tais lançamentos foram registrados”, e arremata com o seguinte trecho: “O documento 02 referido nada mais é do que a descrição do seu centro de custos que, como já afirmado, por si só, não serve como comprovação de segregação das contas, subcontas ou centros de custos. Também não oferece qualquer subsídio o Anexo II, que a impugnante reporta para contestar a conclusão da fiscalização de que as contas contábeis listadas são as utilizadas para controle dos gastos com toda a empresa. Como ela própria esclarece e se pode constatar pela transição acima do citado anexo, tratase de relação das contas contábeis e dos centros de custos. É possível que tais contas e centros pudessem permitir o controle e a verificação dos dispêndios com P&D, mas a impugnante não comprova esta circunstância”. i) que mais uma vez rogando por vênia, beira a “falta de respeito” a parte final do trecho citado, em especial aquela grifada em destaque, porque é ÓBVIO que se, primeiro o agente fiscal e, depois julgador de primeira instância tivessem analisado os documentos contábeis da empresa, devidamente fornecidos eletronicamente; j) que não faltou interesse ou disposição do contribuinte em aclarar os fatos, ocorre que, o trecho extraído do malsinado relatório de voto, deixa muito claro que o ilustre relator primeiro se negou a analisar documentos que deveriam ser juntados ou, pelo menos consultados, negligenciando assim a aplicação da lei, para em seguida, cândida e marotamente afirmar que, “tais contas e centros” podem conter o controle dos lançamentos de P&D, “mas a impugnante não comprova esta circunstância”; k) que beira o cinismo tal afirmação (que destacamos no parágrafo anterior) pois, os arquivos do SPED contábil do contribuinte atestam e comprovam as alegações do contribuinte, e isso em qualquer julgamento centrado na apuração dos fatos e da VERDADE MATERIAL não comportaria qualquer outra conclusão mas, infelizmente, e isso só não vê quem não quiser ver, no caso concreto, primeiro tratou o ilustre julgador de se desincumbir do cumprimento de disposição expressa da LEI 9.784/99, o que já é de se lamentar, para em seguida alegar a ausência de comprovação; l) que diante da evidente intenção dos agentes do ente tributante em induzir aos incautos a erro, mormente pela distorção deliberada dos fatos e, da inconsequente desconsideração de provas, passamos a relembrar os principais aspectos do contencioso estabelecido; m) que contribuinte notificada, ora recorrente, é empresa que tem como objeto social a exploração da indústria metalúrgica em geral e a fabricação de autopeças em particular, tendo, durante toda a sua existência, colaborado para o desenvolvimento do país, gerando empregos, renda e pagando os tributos por si devidos; Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.728 6 n) que a motivação da fiscalização para a constituição do referido crédito tributário encontrase descrita no Termo de Verificação Fiscal, por meio do qual a fiscalização promoveu, em síntese: n.1) A glosa do incentivo fiscal à inovação tecnológica (previsto no Capítulo III da Lei n. 11.196/2005), utilizado pela impugnante no período fiscalizado, sob a alegação de que a empresa teria descumprido a obrigação imposta no art. 22, inciso I, da Lei n. 11.196/2005; n.2) A glosa do custo na baixa de bens do ativo imobilizado da empresa, por suposta ausência de comprovação do ato ou fato econômico que serviu de base aos lançamentos contábeis; n.3) Imposição de multa de 50% (cinquenta por cento) pela suposta insuficiência no recolhimento dos valores calculados por estimativa de IRPJ e CSLL, o que fez com base no art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei n. 9.430/96; o) que o recorrente não tem como concordar com os lançamentos errados e sem fundamento algum, levados a efeito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, razão pela qual não lhe restou outra alternativa senão a apresentação de peça impugnatória, a fim de demonstrar a absoluta ilegalidade dos autos de infração lavrados; p) que apesar da insólita tentativa de manter os autos “à fórceps”, o que fica evidente pela tentativa de desrespeitar frontalmente disposição expressa da Lei 9.784/99, com o claríssimo intuito de afastar a análise dos livros contábeis diário e razão, devidamente apresentados via SPED e perfeitamente acessíveis e, cuja análise FULMINA a pretensão fiscal em leitura primária, restou reconhecida a inaplicabilidade da “glosa do custo na baixa de bens do ativo imobilizado”; q) que esse item do auto de infração original (ii) foi reconhecido como indevido e, foi objeto de recurso “de ofício”, por conta do valor e, nunca é demais frisar que, embora o objeto do presente recurso é a reversão total e o cancelamento integral do lançamento fiscal e seu definitivo arquivamento, embora aqui não novamente reprisado, se reitera e considera como parte integrante do presente recurso o inteiro teor da impugnação original; r) quanto à INSUBSISTÊNCIA DA GLOSA AO INCENTIVO FISCAL À INOVAÇÃO TECNOLÓGICA UTILIZADO PELA IMPUGNANTE: r.1) que conforme reconhecido pelo próprio decisório, ora questionado, o contribuinte comprovou à fiscalização a entrega das declarações exigidas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com base na Portaria MCT 943/2006, que lhe autorizam à fruição do benefício fiscal de que trata o art. 19 da Lei 11.196/05; r.2) que a fiscalização findou por glosar a totalidade das deduções ao lucro real feitas pela impugnante no período fiscalizado, com base no art. 19 da Lei 11.196/05, a pretexto de que a empresa teria deixado de controlar os dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica em contas contábeis específicas, supostamente descumprindo o disposto no art. 22, I, da Lei 11.196/05; r.3) que a fiscalização não se ateve ao fato de que a movimentação apresentada no razão (anexo VI ao TIF) referese, única e exclusivamente, aos dispêndios decorrentes dos Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.729 7 centros de custos específicos dos dispêndios da impugnante com P&D, e no julgamento de primeira instância, claramente o relator literalmente fez um grande esforço no sentido de não ter de avaliar as provas, ambas reprováveis atitudes tiveram o mesmo objetivo nefasto, o de negar o óbvio, qual seja, o fato de que o contribuinte contabilizou os dispêndios com “P&D” em contas específicas, de forma segregada, nos estritos moldes estabelecidos pela legislação; r.4) que a a motivação da fiscalização para a glosa do aproveitamento do incentivo fiscal se resume no suposto fato de que a impugnante teria deixado de controlar os dispêndios com pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica (P&D) em contas contábeis específicas, motivação esta que não passa de um devaneio ou mesmo de um desvaire por que é DESEMENTIDA pela simples leitura do conteúdo dos arquivos do SPED Contábil da empresa; r.5) que todos os dispêndios com P&D são criteriosamente controlados por centros de custos contábeis específicos, os quais permitem, com facilidade, verificar as despesas realizadas com pesquisa e desenvolvimento tecnológico, bastando, para tanto, o cotejo dos valores elencados nos referidos centros de custos com aquele excluído do lucro real, informado na própria DIPJ; r.6) que nos períodos base em questão, TODOS os gastos com P&D foram detalhadamente lançados nas contas representativas dos “centros de custos” vinculados ao título “1.2. – Engenharia de Processos”; r.7) que o equívoco de interpretação da fiscalização, poderia ter duas origens possíveis: a) pode decorrer de desconhecimento de causa (o que descartamos pelo elevado grau de especialização dos agentes públicos envolvidos; b) pode decorrer do desconhecimento da estrutura do plano de contas da fiscalizada e, da ausência de interesse em conhecer a aludida “estrutura contábil”, tendo em mira que o plano de contas da entidade, sempre esteve ao alcance da fiscalização, tanto que informado no “SPED” em relação ao anocalendário de 2008 e informado nos dados apresentados no formato da “IN/SRF 86”; r.8) que é absolutamente cristalino o fato de que a “mascara” que descreve e/ou organiza a estruturação dos diversos centros de custos da entidade, segue a uma lógica absolutamente clara e correta, respeitando de forma adequada aos preceitos da boa técnica contábil, seguindo a seguinte estrutura lógica e ordenada: 1. – Industrial – Raiz onde estão vinculados todos os centros de custos vinculados às atividades de “Produção da entidade”; 2. – Administração – Raiz onde estão vinculados todos os centros de custos vinculados às atividades “Administrativas da entidade; 3. – Comercial – Raiz onde estão vinculados todos os centros de custos vinculados às atividades ligadas às “vendas da entidade; r.9) que cada raiz desta estrutura dos centros de custos, deriva em sucessivas subdivisões, igualmente estruturadas e organizadas, com relação às quais, não nos cabe discorrer em relação aos centros de custo “iniciados” com o numeral “2” ou com o numeral “3”, justamente por tratarem de “gastos/custos/despesas” administrativas e comerciais, respectivamente, passando ao largo do foco da contenda; r.10) que, no que tange aos centros de custos vinculados a “raiz” que inicia com o numeral “1”, para trazer a clareza necessária, e que faltou na conclusão do r. agente fiscal, é importante estabelecer a forma pela qual sempre ocorreu a perfeita segregação dos diversos “fatos” contábeis, ao contrário da equivocada percepção apontada pela fiscalização; Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.730 8 r.11) que é, portanto, muito fácil de entender, desde que se queira apurar os fatos que, dentro da estrutura do plano de contas da entidade, o numeral “1” identifica claramente que TUDO quanto vinculado a esta máscara, terá vinculação com a “Produção”, entretanto, igualmente claro é que o dígito seguinte aponta as “subdivisões” das alocações de cada área específica; r.12) que, assim, temos que a “máscara contábil” que se forma partindose do dígito “1”, seguido de outro dígito “1”, ou seja “11” identifica todos os gastos classificados como “Produção”, que por sua vez se subdivide em “1101 – Usinagem”, “1102 – Conformação”, “1103 – Tratamento Térmico”, “1104 – Montagem” e, em cada subdivisão desta, novas subdivisões que, estruturadamente, permitem o detalhamento adequado das operações; r.13) que a máscara contábil que se forma partindose do dígito “1”, seguido do dígito “2”, ou seja, “12” identifica todos os gastos classificados como “Engenharia de Processos”, que apesar do nome, aglutina/segrega/concentra TODOS os lançamentos contábeis dos GASTOS CLASSIFICADOS COMO APLICADOS EM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO – P&D, pelo que, é correto afirmar que todos os centros de custos iniciados com o numero “12” (Engenharia de Processos) se prestam exclusiva e ESPECIFICAMENTE, a registrar nos anoscalendário de 2007 e 2008, os gastos com P&D; r.14) que ao contrário da percepção da fiscalização, é simples a verificação de que os gastos com P&D foram registrados em “contas específicas”, perfeitamente identificadas e em consonância com as informações prestadas em informação formalmente enviada ao Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT, tanto que o “incompreendido” relatório do livro “Razão” dos anoscalendário de 2007 e 2008, aponta em ambos os anos, com absoluta clareza, apenas lançamentos vinculados a centros de custos iniciados com o número “12” (“1” – Industrial, mais “2” – Engenharia de Processos); r.15) que não se requer grande poder de interpretação para concluir que, dentro da estrutura de “contas contábeis de centros de custos”, os lançamentos efetivados em centros de custos iniciados com “12 – Engenharia de Processos”, que foram utilizados para o registro dos gastos com P&D, não se confundem com os lançamentos dos centros de custos iniciados com “11 – Produção” ou, iniciados com “13 – Apoio”, ainda que estes possuam “subcontas” com a mesma nomenclatura, e isto, com todo o respeito, novamente rogando por vênia, pode sim ser aferido com facilidade e por um leigo, desde que, ao contrário da análise tendenciosa e viciada dos agentes fiscais (no primeiro momento) e da negligência deliberada do julgador (no julgamento guerreado) em aplicar a LEI, seja analisado o conteúdo do SPED Contábil da empresa, onde resta SOBEJAMENTE demonstrado que o contribuinte atendeu plenamente a legislação de regência e contabilizou os dispêndios com “P&D” de forma segregada e em contas específicas; r.16) que embora fosse já no julgamento de primeira instancia de certa forma uma informação redundante, foi juntado como “Anexo I”, relatório extraído do programa “SPED Contábil” à partir da informação prestada por via eletrônica ao fisco Federal, com o objetivo de possibilitar a visualização dos fatos narrados, inobstante, por se tratar de informação relevante ao deslinde do contencioso e, tendo em mira que se trata de processo administrativo com todos os documentos digitalizados, a impugnante requereu que a Receita Federal do Brasil junte ao processo os arquivos magnéticos apresentados via SPED Contábil e via IN/SRF 86; Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.731 9 r.17) que, ao órgão julgador, se tivesse a necessária perspicácia e um mínimo de interesse em aferir a “verdade material”, à partir das informações disponibilizadas do SPED e da IN/SRF 86, teria sido possível verificar a correta e perfeita segregação dos valores dos gastos a título de P&D incorridos nos anos calendário de 2007 e 2008, conforme aqui relatado e equivocadamente questionada pelo r. agente fiscal, sem a correta e devida apuração de todos os fatos, mas, infelizmente também esse agente público federal se auto conceder o direito de aplicar ou não dispositivo legal expressamente previsto na LEI 9.784/99 e, com todo o respeito, com a devida vênia, julgar contra a VERDADE; r.18) que se afigura, no mínimo, errônea a assertiva constante no Termo de Verificação Fiscal, e corroborada de forma exótica no relatório de voto de primeira instância, notoriamente contra os fatos reais, aferíveis à distância, no sentido de que “as contas contábeis listadas são as utilizadas para controle dos gastos com toda a empresa, então não existem contas contábeis específicas para controle dos dispêndios objeto do benefício fiscal (bastaria cotejar de forma séria o razão da conta salários – razão salários 2007 e razão salários 2008 com os demonstrativos apresentados ANEXO VI da Resposta ao TIF, o que nunca ocorreu, nem mesmo no julgamento de primeira instância que, pela conclusão esposada, ou não leu o conteúdo dos razões disponibilizados ou julgou com base em documentos de outro processo.)”; r.19) que, por meio do anexo II à resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 001, a impugnante apresentou à fiscalização a relação das contas contábeis e dos centros de custos que permitem o controle e a verificação dos dispêndios com P&D, bastando a qualquer agente público ou não, a simplória tarefa de conferir se os lançamentos apresentados estão ou não estão contabilizados de forma segregada nos livros contábeis “razão” e “diário e, infelizmente, o que restou foi que faltou ao agente, com todo o respeito, com a devida vênia, a necessária perspicácia para apurar os fatos, pautando suas conclusões em interpretação visivelmente distorcida desses fatos sem analisar os mesmos; r.20) que esclareceu a impugnante, ora recorrente, que tais dispêndios são controlados por meio das contas contábeis 261 a 282, 906, 311, 312, 322 e 885, dentro das quais estão inseridos os seguintes centros de custos: 1.2.01.211.000 – Usinagem ferramentaria (torno, fresa, plaina) 1.2.01.212.000 – Acabamento ferramentaria (retífica) 1.2.01.213.000 – Acabamento ferramentaria (ajuste) 1.2.01.214.000 – Acabamento ferramentaria (eletroerosão) 1.2.01.220.000 – Usinagem ferramentaria torno CNC 1.2.01.223.000 – Usinagem ferramentaria torno CNC 1.2.01.224.000 – Usinagem ferramentaria fresa CNC 1.2.01.225.000 – Projeto de ferramentas r.21) que tais centros de custos contábeis servem especificamente para o controle de dispêndios com P&D, razão pela qual não é correta a assertiva de que a impugnante não controle os dispêndios em contas contábeis específicas; Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.732 10 r.22) que o o próprio razão apresentado à fiscalização (anexo VI da resposta ao Termo de Início de Fiscalização) elenca tão somente os dispêndios com P&D, uma vez que indica como “parâmetros” os centros de custos acima relacionados, senão vejamos o trecho colhido do próprio razão: “Parâmetros Empresa: 1 – ZEN S/A INDÚSTRIA METALÚRGICA CNPJ: 57.006.264/000170 Período: 01/01/2007 / 31/12/2007 Conta: 30505001 / 30515009 / 30550011 / 30550012 CC (Centro de Custos): 1201211000 / 1201212000 / 1201213000 / 1201214000 / 1201220000 / 1201223000 / 1201224000 / 1201225000 Tipo: Só com movimento” r.23) que a Fiscalização não se ateve ao fato de que a movimentação apresentada no razão (anexo VI ao TIF) referese, única e exclusivamente, aos dispêndios decorrentes dos centros de custos específicos dos dispêndios da impugnante com P&D, e no julgamento de primeira instância, claramente o relator literalmente fez um grande esforço no sentido de não ter de avaliar as provas, ambas reprováveis atitudes tiveram o mesmo objetivo nefasto, o de negar o óbvio, qual seja, o fato de que o contribuinte contabilizou os dispêndios com “P&D” em contas específicas, de forma segregada, nos estritos moldes estabelecidos pela legislação; r.24) que existem centros de custos específicos para os dispêndios realizados pela impugnante com P&D, e as informações eletronicamente disponíveis no banco de dados da RFB atestam a contabilização segregada e correta em questão, de modo que a denominação conferida ao centro de custo é irrelevante, o que interessa é a numeração de tais centros de custos e, ainda que de fato existam custos de produção e manutenção da empresa cuja denominação também seja usinagem e ferramentaria, tais valores não são controlados no mesmo centro de custo utilizado para o P&D, fato esse que foi inadvertidamente ignorado pela fiscalização e, aparentemente desprezado ao arrepio da LEI no julgamento de primeira instância; r.25) que a única questão é: O CONTRIBUINTE EFETIVAMENTE CONTABILIZOU OS DISPENDIOS COM “P&D” EM CONTAS SEPARADAS E ESPECÍFICAS, aspectos inerentes a atuação dos agentes públicos federais envolvidos na análise e depois no julgamento de A única questão é: O CONTRIBUINTE EFETIVAMENTE CONTABILIZOU OS DISPENDIOS COM “P&D” EM CONTAS SEPARADAS E ESPECÍFICAS, aspectos inerentes a atuação dos agentes públicos federais envolvidos na análise e depois no julgamento de primeira instancia, quais sejam, a) a negligência a apuração dos fatos; b) a distorção deliberada das conclusões acerca dos fatos relatados; c) o desrespeito ao princípio da “verdade real/material, e; d) o descumprimento de disposição expressa da LEI que determina a juntada de elementos de prova disponíveis e acessíveis nos bancos de dados da RFB, a despeito de reprováveis, não impedem essa colenda turma de, efetivamente apurar os fatos e/ou determinar que diligencias (sérias) sejam feitas para que se apure o óbvio, deslindando de vez a contenda que, à rigor, nunca teria fundamentos técnicos para ter nascido; Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.733 11 r.26) que a outra conclusão não se chega senão pela completa insubsistência da glosa efetuada pela fiscalização, porquanto sua motivação está totalmente dissociada da realidade fática, já que a impugnante possui rigoroso controle dos dispêndios com P&D por meio de contas e centros de custos específicos; r.27) completamente incorreta foi a assertiva da fiscalização, no sentido de que “com base exclusivamente nos arquivos magnéticos e livros contábeis, não há como identificar os dispêndios realizados com a atividade incentivada, pois os dispêndios não foram registrados em contas contábeis específicas, nem há como identificar os centros de custo apontados como de uso exclusivo para os dispêndios”; r.28) que é é visivelmente ERRADA e claramente VICIADA, pelo fato de que, com base nos arquivos e livros apresentados pela impugnante à fiscalização, mormente por meio dos centros de custos acima relacionados, é sim possível identificar, com segurança e até mesmo com certa facilidade, os dispêndios da impugnante com P&D, desde que, é claro, ao contrário do que fez a fiscalização, os fatos sejam analisados de forma completa, na busca da “Verdade Material”; r.29) que mais GRAVE E LAMENTÁVEL foi a atuação do r. relator do voto do julgado ora questionado, uma vez que claramente fez absoluta questão de desconsiderar o requerimento EXPRESSO do contribuinte, que pedia a juntada dos arquivos magnéticos que sempre estiveram de posse e/ou acessíveis aos agentes da Fazenda Pública Federal, mesmo sendo este ato frontalmente ILEGAL, para deixar de ter em conta na análise justamente a PROVA DEFINITIVA E IRREFUTÁVEL de que as alegações fiscais sempre foram INFUNDADAS e até, levianas; r.30) que se tratou, portanto, de erro de interpretação/avaliação do r. agente responsável pela verificação fiscal, e NADA MAIS que não avaliou adequadamente os documentos que lhe foram franqueados e, infelizmente, muito menos ainda, levou em consideração as informações que lhe eram disponíveis no próprio órgão, antes mesmo da lavratura da primeira intimação, caso tivesse tido a perspicácia de avaliar as informações prestadas via SPED Contábil e nos arquivos da IN/SRF 86, e depois, no julgamento de primeira instância, o que ocorreu, em verdade beira o escarnio pois, novamente rogando por vênia, o julgador NÃO PODE se olvidar de analisar TODOS os elementos de prova ao seu alcance, querendo ele ou não, gostando ele ou não, pois NÃO é ato discricionário do agente, escolher se vai ou não vai considerar elemento de prova DISPONÍVEL/ACESSÍVEL nos bancos de dados da fazenda nacional, e MUITO MENOS ainda, se isso tenha sido requerido expressamente como no caso concreto; r.31) que estamos juntando os arquivos do SPED Contábil (2008) e da IN/SRF 86 (2007) como “Anexo I” do presente recurso, principalmente para a eliminação de qualquer resquício de dúvida, no sentido de que NUNCA faltou informação aos agentes da fazenda nacional para apurarem os fatos, os elementos que comprovam de forma “líquida”, “tranquila”, “indiscutível” e “certa” as alegações do contribuinte, SEMPRE estiveram a disposição dos agentes públicos federais em questão nos arquivos e livros fiscais eletronicamente disponibilizados, faltando apenas a “boa vontade” e a “boa fé” de avaliar tais elementos, como é sua obrigação funcional legalmente estabelecida; s) quanto à GLOSA DOS CUSTOS COM A BAIXA DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO: Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.734 12 s.1) que a fiscalização procedeu a glosa dos custos computados pela impugnante com a baixa de bens do seu ativo imobilizado, por obsolescência e quebra, ao argumento de que a impugnante não teria comprovado o fato econômico que serviu de base aos lançamentos contábeis, e nem tampouco teria elaborado o laudo da autoridade fiscal chamada a certificar a destruição dos bens, com base em dispositivo legal QUE NÃO SE APLICA no caso in concreto, razão pela qual, embora considere como parte integrante deste recurso, aintegralidade do teor da impugnação primitiva, não serão aqui reprisados os argumentos, em especial por ter sido reconhecida a ausência de fundamento do auto de infração nesse particular e o cancelamento da exigência dele decorrente, apenas objeto de regulamentar “recurso de ofício” em virtude do valor da desoneração; s.2) que por se tratar de baixas por deterioração ou obsolescência, e na falta de documentação hábil eidônea legalmente exigível, o julgado de primeiro instância reconheceu a inaplicabilidade do disposto no art. no inciso II do artigo 291 do RIR/99 que apenas trata de bens do “estoque”; t) quanto à COBRANÇA DE MULTA EM DUPLICIDADE – BIS IN IDEM: t.1) que no caso de lançamento de ofício, poderão ser aplicadas as multas previstas nos incisos I e II, mas não de forma cumulativa, ou seja, ou se aplica a multa de 50% (isoladamente), pelo não recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, ou se aplica a multa de 75% sobre a diferença do imposto ou contribuição; t.2) que a a própria jurisprudência do CARF pacificou o entendimento segundo o qual se afigura irregular a aplicação da multa isolada de que trata o inciso II, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, após o encerramento do exercício fiscal, conforme será demonstrado no tópico imediatamente seguinte; t.3) que a multa isolada a imposição da referida penalidade só faz sentido se a infração for constatada no curso do próprio anocalendário em que incorrida; t.4) que a a referida penalidade padece de completa ilegalidade por ser manifestamente incompatível com o disposto nos arts. 97 e 113 do Código Tributário Nacional, tal como se passa a demonstrar; t.5) que a teor do disposto no art. 113, §§ 1º e 2º do CTN, somente há duas hipóteses de obrigação tributária: (i) obrigação tributária principal, que se traduz no pagamento de tributo; e (ii) obrigação acessória, que consiste numa obrigação de fazer ou não fazer que não seja o pagamento do tributo; t.6) que a a referida multa isolada jamais poderia ser imposta na hipótese de ausência de recolhimento de tributo, porquanto tal situação consiste no descumprimento de uma obrigação principal (pagar tributo), em relação a qual somente pode incidir a multa acessória; u) que requer: u.1) o cancelamento dos autos de infração objeto deste processo administrativo, sendo igualmente julgados totalmente insubsistentes à luz dos fundamentos fáticos e jurídicos narrados ao longo do presente, bem como da peça impugnatória primitiva; Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.735 13 u.2) que requer, também, a produção de todos os meios de prova que vossas senhorias entendam necessárias ao deslinde da controvérsia instaurada, especialmente a recepção da juntada dos arquivos magnéticos da IN/SRF 86 referentes a 2007 e o SPED Contábil referente a 2008, diante da ilegal negativa em fazêlo, por parte dos agentes da fazenda pública federal, bem como a realização de diligências que se entenderem pertinentes. É o relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O art. 47 do Código Civil assim preceitua: “Art. 47 Obrigam a pessoa jurídica os atos de seus administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo.”. Disso não destoa a Lei nº 6.015/73, quando dispõe que: “Art. 120. O registro das sociedades, fundações e partidos políticos consistirá na declaração, feita em livro, pelo oficial, do número de ordem, da data da apresentação e da espécie do ato constitutivo, com as seguintes indicações: (Redação dada pela Lei nº 9.096, de 1995) (...) II o modo por que se administra e representa a sociedade, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; (...)” Nesse sentido, o § 1º do art. 18 do Estatuto Social da recorrente (a fls. 16) dispõe que: “§ 1º. A Companhia será representada isoladamente por qualquer membros da Diretoria, sem as formalidades previstas neste artigo, nos casos de recebimento de citações ou notificações judiciais e na prestação de depoimento pessoal ou, ainda, para representação administrativa perante órgãos do Ministério da Fazenda.” Ora, o recurso voluntário não foi assinado por qualquer membro da diretoria, mas apenas consta, em seu rodapé, a seguinte informação: “Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001 Assinado digitalmente em 11/08/2014 por ZEN S.A. INDUSTRIA METALURGICA”. Todavia, o art. 11 da MP nº 2.2002 adverte que: “A utilização de documento eletrônico para fins tributários atenderá, ainda, ao disposto no art. 100 da Lei nª 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.”, o qual deixa claro que são normas complementares das leis tributárias, entre outros, os atos normativos expedidos pela Administração Tributária. Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.736 14 A IN RFB nº 944, de 2009, norma complementar nos termos do art. 100 do CTN, dispõe que: “Art. 1º As pessoas físicas ou jurídicas poderão outorgar poderes a pessoa física ou jurídica, por intermédio de procuração, para utilização, em nome do outorgante, mediante certificado digital, dos serviços disponíveis no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º A procuração de que trata o caput será emitida com prazo de validade de 5 (cinco) anos, salvo se for fixado prazo menor pelo outorgante. § 2º É vedado o substabelecimento da procuração. Art. 2º A procuração será emitida, exclusivamente, a partir do aplicativo disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br e conterá a hora, a data de emissão e o código de controle a ser utilizado no processo de validação da procuração em unidade de atendimento da RFB. Art. 3º A procuração emitida por meio do aplicativo referido no art. 2º deverá ser impressa e assinada perante servidor da RFB: I pelo responsável da empresa perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), no caso de Pessoa Jurídica; II pelo próprio contribuinte, no caso de Pessoa Física; ou III por procurador constituído por procuração pública específica com poderes próprios para a realização da outorga de que trata o art. 1º. (...) § 3º Para validação, deverão ser entregues a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador de que trata o inciso III do caput, sendo que a autenticação das cópias também poderá ser efetuada pela própria unidade de atendimento da RFB, mediante apresentação dos documentos originais. § 4º Para fins de auditoria, os documentos apresentados deverão ser arquivados na unidade de atendimento onde foram validados.”. Ora, não tendo a pessoa jurídica uma existência física, ela sempre atua pela mão do representante que a lei, contrato ou estatuto vier a indicar, pois a pessoa jurídica não tem vontade, mas apenas interesse, mesmo porque vontade é atributo do ser humano. Ocorre, porém, que estamos diante de um recurso assinado digitalmente por um pessoa jurídica, como se ela tivesse vontade, mesmo porque sequer é identificada a pessoa física que atuou efetivamente na realização do referido ato. Por sua vez, a legislação acima exposta não deixa claro se poderia o recurso voluntário ser assinado digitalmente apenas pela pessoa jurídica, sem qualquer identificação de quem a representava naquele ato. Assim, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Blumenau: a) informe se a assinatura digital do recurso voluntário (fls. 1697 e segs.) pela Zen S/A Indústria Metalúrgica significa necessariamente que estava ela, naquele ato, sendo representada por um dos seus diretores, conforme exige o § 1º do art. 18 do Estatuto Social a fls. 16; e b) em caso de resposta negativa em relação ao item "a", que intime a recorrente a regularizar a representação processual, o que poderá se dá por meio de declaração dos representantes legais da pessoa jurídica que convalide o recurso voluntário apresentado; e Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13971.721532/201118 Resolução nº 1302000.399 S1C3T2 Fl. 1.737 15 c) dê ciência à recorrente do relatório de diligência, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos, após o que, devolvase os autos ao CARF, para prosseguimento do feito. Por último, registro que a providência de letra 'b" acima decorreu de deliberação da maioria desta Turma Julgadora, da qual divergir, mas restei vencido. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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