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Numero do processo: 10480.900120/2012-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     2  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel,  Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).        Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ RECIFE/PE,  abaixo transcrito:  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade,  protocolizada  aos  15/02/2012  contra  Despacho  Decisório  eletronicamente  emitido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  no  Recife  DRF/RECIFE/PE,  do  qual  a  contribuinte  tomou  ciência  aos  17/01/2012,  por  meio  do  qual  foi  indeferido  o  Pedido  de  Restituição PER aqui tratado, em que é indicado suposto crédito,  no valor de R$ 836,99, a título de pagamento indevido ou a maior  realizado  a  título  da Contribuição  para  o PIS/Pasep  em  relação  ao período de apuração de abril de 2002, no valor de R$3.705,80.  2.  O  indeferimento  se  deu  porque,  embora  localizado  supradito  pagamento,  ele  fora  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  a  restituição.  3.  No  recurso,  a  defendente  solicita  a  reunião  dos  processos  administrativos que relaciona, os quais alega ter o mesmo objeto e  causa  de  pedir  (restituição  de  conjecturados  créditos,  apurados  em  diversos  meses,  decorrentes  de  pagamentos  indevidos  da  contribuição  para  o  PIS/COFINS,  pautados  na  inconstitucionalidade  do  art.  3º,  §1º,  da  Lei  nº  9.718,  de  27/11/1998).  4. Invoca, para amparar o pleito de reunião de processos que, na  sua  visão,  impediria  o  risco  de  que  neles  fossem  proferidas  diferentes  decisões  ,  o  princípio  da  economia  processual,  a  otimização  dos  trabalhos  da  recorrente  e  da  Administração  Tributária, a determinação constitucional de razoável duração do  processo (art. 5º, LXXVIII, da CF/88).  Ademais,  estriba  o  pedido  na  disposição  contida  no  art.  103,  do  Código  de  Processo  Civil  –  CPC  e,  ainda,  em  opiniões  doutrinárias  e  em  precedente  do  então  1º  Conselho  de  Contribuintes.     Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900120/2012­59  Acórdão n.º 3801­003.558  S3­TE01  Fl. 12          3  5.  Na  seqüência,  critica  a  defendente  que,  contrariamente  ao  disposto no art. 65, da Instrução Normativa IN nº 900, expedida   aos  30/12/2008  pela  RFB1,  não  fora  intimada  a  esclarecer  a  higidez  de  seu  crédito  e  que,  tivesse  isto  ocorrido,  o  pedido  de  restituição  seria  deferido,  na  medida  em  que  teria  logrado  comprovar o direito ao reconhecimento do indébito.  6. Argumenta que, nos  termos do art.  142, do CTN,  é dever da  Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo  que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem  na correta subsunção dos fatos à lei.  7.  Fala,  ainda,  que,  como  a  Fiscalização  sequer  tomou  conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição,  impor­se­ia a reforma do Despacho Decisório.  8. Adiante, tece considerações quanto à inconstitucionalidade do  art.  3º,  §1º,  da Lei nº 9.718/98, declarada pela Suprema Corte,  após  o  que  aduz  que,  conquanto  a  inconstitucionalidade  haja  sido  reconhecida  no  controle  difuso,  foi  a  questão  decidida  em  sessão  plenária  do  STF,  razão  por  que  os  órgãos  da  Administração  Tributária  devem  afastar  sua  aplicação,  aos  moldes  do  que  determina  o  art.  26­A,  §6º,  do  Decreto  nº  70.235/72,  e  o  art.  59,  do  Decreto  nº  7.574,  de  29/09/2011,  disposição  esta  que  também  estava  encartada  no  art.  49,  parágrafo único, I, do Regimento Interno do antigo Conselho de  Contribuintes e, atualmente, está embutida no art. 62, §1º, I, do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais – RICARF.  9. Destaca que o art. 62A, caput, do RICARF, vincula o Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  a  adotar  as  decisões  definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o  regime previsto  no  art.  543B,  do  CPC,  tal  como  ocorreu,  na  situação  aqui  tratada no RE nº 585.235 – o que reforçaria que o entendimento  do STF quanto à citada inconstitucionalidade deve ser aplicado  no caso dos autos.  10.  Pondera,  outrossim,  que  “um  dispositivo  de  lei  declarado  inconstitucional  é  uma  norma  absolutamente  nula,  impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de  seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita  obediência” e que “seria ilógico que a administração fazendária  continuasse  a  reconhecer  a  validade  de  um  texto  de  lei  já  declarado  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal”,  entendimento  este  que  a  recorrente  escora  em  diversos  precedentes  administrativos  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais a que faz remissão.    Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     4  11.  Conclui  a  questão  dizendo  ser  indubitável  que  o  entendimento  do  STF  nos  recursos  extraordinários  por  ela  referidos deve ser empregado pelas autoridades administrativas  em suas decisões.  12.  Avante,  diz  a  recorrente  que  na  base  de  cálculo  da  contribuição aqui  tratada “somente deveriam  ter  sido  incluídos  pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento,  ou  seja,  os  ingressos  que  correspondem  às  suas  receitas  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços”  e  que,  no  caso  concreto,  tem  direito  ao  crédito  requerido  no  PER,  correspondente  ao  valor  desta  contribuição  que  teria  sido  calculado sobre o montante não integrante de seu faturamento.  13.  Sustenta  que,  para  que  não  pairem  dúvidas,  anexa  documentos hábeis a comprovar a higidez do crédito pleiteado.  14. No  final da Manifestação de  Inconformidade, a  recorrente:  (i) requer o acolhimento do recurso interposto; (ii) informa que  a matéria  discutida  não  foi  submetida  à  apreciação  judicial;  e  (iii)  protesta  provar  o  alegado  por  todos  os  meios  de  prova  admitidos, especialmente a produção de perícias, a realização de  diligência e a juntada de documentos.  15.  Ao  recurso  a  contribuinte  anexou,  além  de  documentos  de  representação processual: (i) planilha com as rubricas sobre as  quais  apurou  o  suposto  crédito  a  ser  restituído; e  (ii)  cópia  de  folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui  tratado.  16. Este julgador anexou aos autos extratos emitidos no sistema  DCTF/CONS.    Analisando  o  litígio,  a  DRJ  de  Recife/PE  considerou  improcedente  a  manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002  TRIBUTO.  PAGAMENTO  ESPONTÂNEO.  RESTITUIÇÃO.  RECONHECIMENTO. REQUISITOS.  O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação  da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o  devido  em  face  da  legislação  aplicável  ou  das  circunstâncias  materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.  RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE.  É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição.  ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º,  DA LEI Nº 9.718/98. PAGAMENTO SOBRE OUTRAS   Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900120/2012­59  Acórdão n.º 3801­003.558  S3­TE01  Fl. 13          5  RECEITAS  QUE  NÃO  AS  DE  VENDA  DE  MERCADORIAS  E/OU SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.  Não  tendo a recorrente comprovado que o valor confessado em  DCTF  e  por  ela  recolhido  a  título  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  foi  calculado  sobre  outras  receitas  que  não  as  de  venda  de  mercadorias  e/ou  de  prestação  de  serviços,  resta  incomprovada  a  realização  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  que  devido  sob  o  fundamento  de  inconstitucionalidade  do  alargamento  da  base  de  cálculo  desta  contribuição  perpetrada  pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002  DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVAS.  MOMENTO  PARA  APRESENTAÇÃO.  Ressalvadas as hipóteses das  alíneas “a” a “c”, do art.  16,  do  Decreto  nº  70.235/72,  as  provas  comprobatórias  do  direito  creditório  devem  ser  apresentadas  por  ocasião  da  interposição  da  manifestação  de  inconformidade,  precluindo  o  direito  de  posterior juntada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  É o relatório.      Voto             Conselheira Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel  Conheço  do  Recurso  Voluntário,  uma  vez  que  apresenta  os  requisitos  de  admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação.  Como  se  depreende  da  leitura  dos  autos,  em  síntese,  o  contribuinte,  invocando o  reconhecimento,  pelo STF,  da  inconstitucionalidade do  alargamento  da  base de  cálculo  das  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  promovido  pela  Lei  nº  9.718/98,  requereu  a  restituição dos valores indevidamente recolhidos.  Sendo  indeferido  o  pedido  administrativo  de  restituição,  a  Recorrente  apresentou Manifestação  de  Inconformidade,  à  qual  juntou  aos  autos,  além  de  planilhas  que  supostamente  comprovariam  o  seu  direito  creditório,  os  balancetes,  com  a  segregação  das  receitas.   Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     6    No  julgamento  da  Manifestação  de  Inconformidade,  a  delegacia  de  julgamento de Recife/PE alega que o contribuinte não comprovou o recolhimento indevido ou  a maior dos créditos tributários invocados no pedido de restituição.  Ocorre  que  a  própria  Delegacia  da  Receita  Federal  poderia,  de  ofício,  independentemente  de  requerimento  expresso,  ter  realizado  diligências  para  aferir  a  autenticidade  dos  créditos  declarados  pela  Recorrente.  Esta  é  a  orientação  do  artigo  18  do  Decreto 70.235/72. Confira­se:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação  dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é  de  que  deve  a Administração  Pública  se  valer  de  todos  os  elementos  possíveis  para  aferir  a  autenticidade  das  declarações  dos  contribuintes,  o  que,  data  venia,  não  foi  feito  no  presente  caso.  Deve­se ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por  diversos  princípios,  dentre  os  quais  se  destaca  o  da  Verdade  Material,  cujo  fundamento  constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar  suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em  decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor  James Marins:  A  exigência  da  verdade  material  corresponde  à  busca  pela  aproximação  entre  a  realidade  factual  e  sua  representação  formal;  aproximação  entre  os  eventos  ocorridos  na  dinâmica  econômica  e  o  registro  formal  de  sua  existência;  entre  a  materialidade  do  evento  econômico  (fato  imponível)  e  sua  formalidade  através  do  lançamento  tributário.  A  busca  pela  verdade  material  é  princípio  de  observância  indeclinável  da  Administração  tributária  no  âmbito  de  suas  atividades  procedimentais e processuais. (grifou­se).(MARINS, James. Direito  Tributário  brasileiro:  (administrativo  e  judicial).  4.  ed.  São  Paulo:  Dialética, 2005. pág. 178 e 179.)  Sobre o princípio da verdade material, também ensina o ilustre professor Celso  Antônio Bandeira de Mello:  Princípio  da  verdade material.  Consiste  em  que  a  Administração,  ao  invés  de  ficar  restrita  ao que  as  partes  demonstrem no  procedimento,  deve  buscar  aquilo  que  é  realmente  a  verdade,  com prescindência  do  que os interessados hajam alegado e provado (...).  (...)  O  princípio  da  verdade  material  estriba­se  na  própria  natureza  da  atividade  administrativa.  Assim,  seu  fundamento  constitucional  implícito radica­se na própria qualificação dos Poderes tripartidos,   Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900120/2012­59  Acórdão n.º 3801­003.558  S3­TE01  Fl. 14          7  consagrada  formalmente  no  art.  2º  da  Constituição,  com  suas  inerências.  Deveras,  se  a  Administração  tem  por  finalidade  alcançar  verdadeiramente  o  interesse  público  fixado  na  lei,  é  óbvio  que  só  poderá fazê­lo buscando a verdade material, ao invés de satisfazer­se  com a verdade formal,  já que esta, por definição, prescinde do ajuste  substancial  com  aquilo  que  efetivamente  é,  razão  porque  seria  insuficiente  para  proporcionar  o  encontro  com  o  interesse  público  substantivo.  Demais  disto,  a  previsão  do  art.  37,  caput,  que  submete  a  Administração  ao  princípio  da  legalidade,  também  concorre  para  a  fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...).  (BANDEIRA  DE  MELLO,  Celso  Antônio.  Curso  de  direito  administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007.  p. 489, 493 e 494)  No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade  e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido  ao  julgador administrativo,  inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos  judiciais, não  ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos  os elementos capazes de influir em seu convencimento.  Isto  porque,  no  processo  administrativo  não  há  a  formação  de  uma  lide  propriamente  dita,  não  há,  em  tese,  um  conflito  de  interesses.  O  objetivo  é  esclarecer  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  de  obrigação  tributária,  de  modo  a  legitimar  os  atos  da  autoridade administrativa.  Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que  o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para  solução da lide. Confira­se:  IPI.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE MATERIAL. Nos  termos do § 4º do artigo 16 do Decreto  70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos  probatórios  na  fase  impugnatória.  A  não  apreciação  de  documentos  juntados  aos  autos  ainda na  fase de  impugnação, antes,  portanto,  da  decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio  constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina  o  princípio  da  verdade  material,  no  sentido  de  que  aí  se  busca  descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está  em  jogo  é  a  legalidade  da  tributação.  Deve  ser  anulada  decisão  de  primeira  instância  que  deixa  de  reconhecer  tal  preceito.  Processo  anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°.  132.865,  ACÓRDÃO  20312338,  Relator  Dalton  Cesar  Cordeiro  de  Miranda)PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO  PROVA  MATERIAL  APRESENTADA  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA  DE  JULGAMENTO  PRINCÍPIO  DA  INSTRUMENTALIDADE  PROCESSUAL  E  A  BUSCA  DA  VERDADE  MATERIAL  A  não  apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na  fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da  instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade   Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     8  material,  que  norteia  o  contencioso  administrativo  tributário.  "No  processo administrativo predomina o princípio da verdade material  no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não  o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação.  O  importante  é  saber  se  o  fato  gerador  ocorreu  e  se  a  obrigação  teve  seu  nascimento".  (Ac.  10318789  3  ª.  Câmara  1  º.  C.C.).  Precedente:  Acórdão  CSRF/0304.371  RECURSO  VOLUNTÁRIO  PROVIDO.  (10950.002540/200565,  Recurso  Voluntário  n°.  136.880,  Acórdão  30239947,  Relatora  Judith  do  Amaral  Marcondes)  IRPJ  PREJUÍZO  FISCAL  IRRF  RESTITUIÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DIPJ  PREVALÊNCIA  DA  VERDADE  MATERIAL  Não  procede  o  não  reconhecimento  de  direito  creditório  relativo  a  IRRF  que  compõe  saldo  negativo  de  IRPJ,  quando  comprovado  que  a  receita  correspondente  foi  oferecida  à  tributação,  ainda  que  em  campo  inadequado  da  declaração.  Recurso  provido.(Número  do Recurso:  150652  Câmara:Quinta  Câmara  Número  do  Processo:13877.000442/200269– Recurso Voluntário: 28/02/2007)   COMPENSAÇAO  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no  preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material  prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do  Recurso:  157222  Primeira  Câmara  Número  do  Processo:10768.100409/200368–  Recurso  Voluntário:  27/06/2008  Acórdão 10196829).  Assim,  devem  ser  considerados,  in  casu,  os  documentos  apresentados  pela  Recorrente e, além disso, as declarações enviadas à Receita Federal do Brasil.  Como se não bastasse, na decisão recorrida, a Delegacia de Julgamento alega  que não poderia deixar de aplicar o disposto na Lei 9.718/98, com relação ao alargamento da  base de cálculo das mencionadas contribuições.  Neste ponto, contudo, não devem prevalecer as  conclusões da Delegacia de  Julgamento de Recife  (PE). O § 1o, do artigo 3o, da Lei 9.718/98, que dava embasamento ao  Fisco para que  considerasse  como base de  cálculo da COFINS a  receita bruta,  foi  declarado  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.  Fato  é  que  o  Pleno  do  Egrégio  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  no  julgamento  dos Recursos Extraordinários  n.ºs  357.950/RS,  358.273/RS, 390840/MG, Relator  Ministro  Marco  Aurélio,  e  n.º  346.0846/  PR,  do  Ministro  Ilmar  Galvão,  pacificou  o  entendimento  da  inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98.  Os aludidos acórdãos foram assim ementados:    CONSTITUCIONALIDADE  SUPERVENIENTE  ARTIGO  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  EMENDA  CONSTITUCIONAL  Nº  20,  DE  15  DE  DEZEMBRO  DE  1998.  O  sistema  jurídico  brasileiro  não  contempla  a  figura  da  constitucionalidade superveniente.   TRIBUTÁRIO  INSTITUTOS  EXPRESSÕES  E  VOCÁBULOS  SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário   Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900120/2012­59  Acórdão n.º 3801­003.558  S3­TE01  Fl. 15          9  Nacional  ressalta  a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos  e  formas  de  direito  privado  utilizados  expressa  ou  implicitamente.  Sobrepõe­se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados  os  elementos  tributários.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PIS  RECEITA  BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO  3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação  do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº  20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e  faturamento  como  sinônimas,  jungindoas à  venda de mercadorias,  de  serviços  ou  de  mercadorias  e  serviços.  É  inconstitucional  o  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  no  que  ampliou  o  conceito  de  receita  bruta  para  envolver  a  totalidade  das  receitas  auferidas  por  pessoas  jurídicas,  independentemente da atividade por elas desenvolvida  e da  classificação contábil adotada.  Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar  o Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de  repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do  artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo:  O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de  reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a  jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do  artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda  Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse)  O acórdão proferido no referido recurso extraordinário, DJ 28/11/2008, teve a  seguinte ementa:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS.  Alargamento  da  base  de  cálculo.  Art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE  nº  346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e  da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.  Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece:  “Art. 26A.  No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de  julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade*  (...)  §6º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:*    Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     10  I  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal;*  (...)”  *Nova  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  27  de  maio  de  2009  Destarte,  as  autoridades  administrativas  têm  que  se  submeter  ao  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal  e,  de  fato,  observar  o  posicionamento  da  Corte  Suprema.  Neste  sentido,  alterou­se  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das  Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros  têm que reproduzir as  decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis:  Art. 62A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C  da Lei nº 5.869, de 11 de  janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF. {*} (...)  {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de  2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse)  Conclui­se, assim, independentemente de o contribuinte ter ação judicial sobre o  tema, ser improcedente a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita bruta, nos  termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal.  Nesse sentido, voto por  julgar procedente o recurso para reconhecer o direito à  restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na  declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998.  É  importante  consignar  que  compete  a  autoridade  administrativa,  com base  na  escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório.     (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relator                                  Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 18471.001468/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998 NULIDADE. MPF. INEXISTÊNCIA. Constituindo-se o Mandado de Procedimento Fiscal em mero elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA OU EMPREITADA. RESPONSABILIDADE DA CONTRATANTE PELA RETENÇÃO DE 11%. NECESSÁRIA A CARACTERIZAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. Lançamento fundamentado no artigo 31, da Lei no 8.212/1991 exige a caracterização dos serviços mediante cessão de mão de obra no bojo do lançamento fiscal Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-004.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, que votou em anular a decisão de primeira instância. Sustentação oral: Marcelo Rodrigues de Siqueira. OAB: 106.133/MG. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001468/2008­04  Acórdão n.º 2301­004.168  S2­C3T1  Fl. 408          2 (Assinado digitalmente)  Natanael Vieira Dos Santos ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcelo  Oliveira  (Presidente  da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson  Alex Friess, Natanael Vieira Dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior.  Fl. 419DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001468/2008­04  Acórdão n.º 2301­004.168  S2­C3T1  Fl. 409          3   Relatório  1. Trata­se de  recurso voluntário  interposto por PETROBRÁS PETRÓLEO  BRASILEIRO  S/A  em  face  da  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) que julgou procedente o lançamento e manteve o crédito  tributário, referente ao período de 01/08/1998 a 31/12/1998.  2. Foi  lavrado em desfavor da empresa principal (PETROBRÁS ­ tomadora  do  serviço)  e  da  empresa  solidária  (VIAÇÃO  TRASMOREIRA  LTDA  –  prestadora  do  serviço), o DEBCAD nº 35.605.786­8, tendo sido apresentada defesa pela empresa principal às  fls. 48/53. A empresa prestadora de serviços apresentou impugnação às fls; 59/64. O Serviço  de  Análise  de  Defesas  e  Recursos  considerou  o  lançamento  procedente,  tendo  proferido  a  Decisão­Notificação  de  fls.  142/152.  Contra  esta  decisão,  foi  apresentado  recurso  (fls.  199/204), com o pagamento do devido Depósito Recursal Extrajudicial.  3.  A  2ª  Câmara  de  Julgamento  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social  –  CRPS,  ao  julgar  o  recurso,  anulou  a  Decisão­Notificação,  por meio  do  acórdão  nº  0000498  (fls.  212/216),  para  que  o  prestador  de  serviços  venha  a  ser  localizado,  a  fim  de  esclarecer a questão da cessão de mão de obra e para que sejam adotadas as cautelas mínimas  de auditoria fiscal previdenciária, de modo a evitar a duplicidade de exação tendo por base a  mesma dívida, sob o fundamento de responsabilidade solidária,  4. A Secretaria da Receita Previdenciária – SPR emitiu Pedido de Revisão do  referido  acórdão  (fls.  218/223),  tendo  o  contribuinte  principal  apresentado manifestação  (fls.  225/228). Através do acórdão nº 0000093 (fls. 233/235), os membros da 2ª Câmara do CRPS  decidiram não conhecer do Pedido de Revisão.  5. Após  a  realização  da  diligência  solicitada  pela  2ª  Câmara  do CRPS,  foi  emitido Relatório Fiscal Aditivo (fls. 265/267), no qual o Serviço de Fiscalização afirmou que,  em relação à empresa contratada e prestadora dos serviços, nas competências em que houve o  lançamento  do  crédito,  não  houve  fiscalização  com  exame  da  contabilidade  englobando  o  período  referente  ao  lançamento  em  pauta  e  não  consta  emissão  de CND  de  baixa,  tendo  o  Sistema  de  Cobrança  verificado  que  a  empresa  não  aderiu  a  parcelamentos  no  período  da  NFLD em questão.  6. O contribuinte  tomou conhecimento do Relatório Aditivo não apresentou  nova manifestação,  tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de  Janeiro I (RJ) considerado o lançamento procedente em acórdão assim ementado:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998  DECADÊNCIA  PARCIAL.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  Fl. 420DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001468/2008­04  Acórdão n.º 2301­004.168  S2­C3T1  Fl. 410          4 O  direito  de  a  Seguridade  e  Social  apurar  e  constituir  seus  créditos,  no  lançamento  por  homologação,  extingue­se  após  5  anos, contados da ocorrência do fato gerador.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  CESSÃO  DE  MÃO­DE­ OBRA. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO.  A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem,  podendo  ser  exigido  o  total  do  crédito  constituído  da  empresa  contratante,  sem  que  haja  apuração  prévia  no  prestador  de  serviços  ­  artigo  220  do  Decreto  nº  3.048/99,  c/c  artigo  124,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional ­ Enunciado 30  do CRPS.  ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA.  São  devidos  os  juros  e  a  multa  sobre  as  contribuições  arrecadadas  em  atraso,  no  percentual  estabelecido  pela  legislação de regência.  MULTA. INCIDÊNCIA.  As  contribuições  previdenciárias  não  recolhidas  em  época  própria  ficam sujeitas à multa de mora na  forma da  legislação  vigente.  ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.  A  declaração  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  de  leis  e  atos  normativos  é  prerrogativa  do  Poder  Judiciário,  não  podendo ser apreciada pela Administração Pública.  PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  Indefere­se  o  pedido  de  perícia  quando  esta  se  mostrar  prescindível.”  7.  O  contribuinte  cientificado  do  referido  acórdão,  apresentou  recurso  voluntário (fls. 235/239), pugnando pela reforma da decisão proferida pela DRJ, aduzindo a) a  nulidade da NFLD por ausência de requisitos legais mínimos; b) o descumprimento da decisão  do CRPS com a consequente  anulação da DN e  a  realização de diligência  suplementar;  c) a  inexistência  da  “cessão  de  mão  de  obra”,  visto  que  não  houve  serviço  contínuo  e  nem  os  empregados  ficaram  à  disposição  da  recorrente,  sendo  o  contrato  firmado  para  fins  de  realização de serviços determinados, jamais para fornecimento de mão de obra, não ensejando,  assim,  a  responsabilidade  solidária  que  lhe  é  imputada;  d)  a  necessidade  de  se  proceder  ao  lançamento  primeiro  contra  o  contribuinte  e,  somente  após,  constituído  o  crédito  contra  o  devedor principal é que, também, o devedor solidário poderá ser cobrado; e) a base de cálculo  das  contribuições  deveria  ser  a  folha  de  salários  e  não  sobre  o  valor  da  Nota  Fiscal;  f)  a  necessidade de diligência pericial.  8. Sem contrarrazões, os autos foram enviados para apreciação e julgamento  por este Conselho.  É o relatório.  Fl. 421DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001468/2008­04  Acórdão n.º 2301­004.168  S2­C3T1  Fl. 411          5   Voto             Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator.  DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  1.  Conheço  do  recurso  voluntário,  uma  vez  que  foi  tempestivamente  apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de  março de 1972 e passo a analisá­lo.  DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE  2.  Analisando  a  diligência  efetuada  pela  após  a  decisão  proferida  pela  2ª  Câmara  do  CRPS,  observa­se,  claramente,  que  houve  total  cumprimento  do  quanto  determinado pelo CRPS, não vislumbrando, neste momento, qualquer mácula que  invalide o  lançamento efetuado.  3.  Ademais,  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  é  instrumento  interno  de  planejamento  e  controle  das  atividades  e  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.  4.  Consiste  em  uma  ordem  administrativa,  emanada  de  dirigentes  das  unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendentes a  verificar  o  cumprimento  das  obrigações  tributárias  por  parte  do  sujeito  passivo.  Sendo,  portanto,  ato  praticado  por  autoridade  competente  (Coordenador,  Superintendente, Delegado  ou  Inspetor,  conforme  o  caso)  e  dirigido  ao  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  (AFRF),  eventuais  irregularidades  verificadas  no  seu  trâmite,  ou  mesmo  na  sua  emissão,  não  tem  o  condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado.  5. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prende­se  tão somente a questões relacionadas a sua segurança contra pseudo­ações fiscais que poderiam  ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes  para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o  MPF correspondente.  6. No caso em concreto, várias foram as prorrogações do MPF­Fiscalização  de  fl.  02,  conforme  o  demonstrativo  de  fl.  07.  Além  disso,  foram  emitidos  dois  MPF­ Complementar àquele: seja para incluir novo AFRF, fl. 03, seja ainda para incluir o IOF com  fatos  geradores  compreendidos  entre  01/2001  e  12/2004,  fl.  05.  Sobre  esse  último  recaiu  a  razão maior para a defesa da nulidade do lançamento.  7. Tais instrumentos cumpriram as finalidades que motivaram sua instituição,  quais  sejam,  o  planejamento  e  controle  administrativo,  bem  como  a  certificação  ao  sujeito  passivo de que estava diante de ação fiscal regular.  Fl. 422DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001468/2008­04  Acórdão n.º 2301­004.168  S2­C3T1  Fl. 412          6 8.  Ainda  que  houvessem  vícios  relativos  ao  uso  do  MPF  de  meras  irregularidades  formais,  sabe­se  que  estas,  quando  supríveis,  não  podem  elidir  a  atividade  regrada e obrigatória do lançamento de oficio.  9. Mister  salientar  que  o  regramento  acerca  do Mandado  de  Procedimento  Fiscal não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que estão submetidos os agentes  tributários.  A  obrigatoriedade  do  lançamento  tributário,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  constatada  irregularidade  cometida  pelo  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  deflui do Código Tributário Nacional, arts. 3° e 142, § único.  10. Ademais,  insta  observar  que  este  Conselho  já  se  posicionou  afirmando  que o MPF é  instrumento de mero  controle  administrativo,  eventuais  irregularidades  em sua  emissão ou utilização não têm o condão de macular o auto de infração. A guisa de exemplo, os  ementários abaixo extraídos:  “MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  MPF  ­  A  atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim  a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a  execução  do  procedimento,  são  atividades  que  integram  o  rol  dos  atos  discricionários,  moldados  pelas  diretrizes  de  política  administrativa  de  competência  da  administração  tributária.  Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão  da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida  para  a  execução  do  trabalho  de  auditoria  fiscal,  b)  atende  ao  principio  constitucional  da  cientificação  e  define  o  escopo  da  fiscalização  e  c)  reverencia  o  principio  da  pessoalidade.  Questões  ligadas  ao  descumprimento  do  escopo  do  MPF,  inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no  âmbito  do  processo  administrativo  disciplinar  e  não  têm  o  condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos  ditames do art. 142 do CTN. (Ac. 1° CC n° 107­06820, sessão de  16/10/2002, Relator Luiz Martins Valero)  NULIDADE  ­  INOCORRÊNCL4  ­  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO FISCAL  ­ O MPF  constitui­se  em  elemento  de  controle  da  administração  tributária,  disciplinado  por  ato  administrativo.  A  eventual  inobservância  da  norma  infra­legal  não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo  fiscal. (Ac. 1° CC n° 108­07079, Sessão de 22/08/2002, Relator  Luiz Alberto Cava Maceira).”  11. Assim sendo, não assiste razão á recorrente na preliminar arguida, razão  pela qual a rejeito.  DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA  12.  A  controvérsia  central  dos  autos  envolve  a  incidência  de  contribuição  previdenciária no percentual de 11% sobre o valor bruto dos serviços prestado mediante cessão  de mão de obra, contidos em Nota Fiscal, Fatura ou Contrato, não retida e não recolhida pela  contratante, no período 01/08/1998 a 31/12/1998.  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001468/2008­04  Acórdão n.º 2301­004.168  S2­C3T1  Fl. 413          7 13. Como é cediço,  a prestação de  serviços,  com a  cessão de mão­de­obra,  ocorre  quando  a  empresa  prestadora  de  serviços  (cedente)  cede  sua  a mão­de­obra  de  seus  trabalhadores à empresa contratante (tomador).   14. A propósito, sobre essa matéria  tanto o Decreto 3.048/99, em seu artigo  219, parágrafo 1º, quanto a Lei de Custeio, em seu artigo 31, §2º, conceituam a cessão de mão  de obra da seguinte forma:  “Art. 219......................................................................................  (...).  § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende­se  como  cessão  de  mão­de­obra  a  colocação  à  disposição  do  contratante,  em  suas  dependências  ou  nas  de  terceiros,  de  segurados  que  realizem  serviços  contínuos,  relacionados  ou  não  com  a  atividade  fim  da  empresa,  independentemente  da  natureza  e  da  forma  de  contratação,  inclusive  por  meio  de  trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de  1974, entre outros.”  Art. 31  (...).  §  2º  Exclusivamente  para  os  fins  desta  Lei,  entende­se  como  cessão de mão­de­obra a colocação à disposição do contratante,  em  suas  dependências  ou  nas  de  terceiros,  de  segurados  que  realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades  normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma  de  contratação.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.1997).”   15.  Do  conceito  de  cessão  de  mão­de­obra,  destaca­se  a  necessidade  do  preenchimento dos seguintes requisitos cumulativos: a) os prestadores devem ficar à disposição  do tomador, submetidos a seu poder de comando, o qual gerencia a realização do serviço; b) a  execução das atividades ocorrerá no estabelecimento comercial do tomador de serviços ou de  terceiros.  16. Além do mais,  destaco  ainda  a  ‘continuidade  dos  serviços’  como outro  requisito  previsto  em  lei,  ou  seja,  o  serviço  em  si  deve  ser  contínuo,  independentemente  da  rotatividade de prestadores de serviços que a empresa tomadora contrate. É dizer: não importa  se o prestador ou o trabalhador será o mesmo, e sim que o serviço seja contínuo.  17. E considerando que no caso em questão, o lançamento foi fundamentado  no artigo 31, da Lei no 8.212, de 1991, exige­se, assim, a caracterização dos serviços mediante  cessão de mão de obra no bojo do relato fiscal.  18. No entanto, o relatório fiscal não mencionou em nenhum momento se os  prestadores estavam submetidos ao poder de comando da empresa recorrente (tomadora), se a  natureza  do  serviço  era  contínuo,  se  o  serviço  realmente  envolvia  mão  de  obra.  Enfim,  constata­se que não houve, por parte do fisco, qualquer embasamento fático e  jurídico para a  constituição  do  lançamento,  vez  que  ausente  a  motivação  necessária  para  fundamentar  a  lavratura da notificação.  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001468/2008­04  Acórdão n.º 2301­004.168  S2­C3T1  Fl. 414          8 19.  É  importante  esclarecer  que  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  vários documentos listados no termo de intimação para apresentação de documentos (TIAD).  De  acordo  com  o  termo  de  encerramento  da  ação  fiscal  (TEAF),  constata­se  que  foram  analisadas as folha de pagamentos, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  comprovantes  de  recolhimento  e  outros  elementos.)  20.  Desta  forma,  descabe  o  argumento  fazendário  de  que  o  fisco  poderia  caracterizar  a  cessão  de  mão  de  obra  em  face  da  não  apresentação  de  documentação  pela  empresa, pois  foi constatado no TEAF que o  fisco examinou diversos documentos entregues  pela empresa recorrente.  21.  Além  disso,  da  leitura  do  relatório  fiscal  depreende­se  que  os  serviços  apontados pelo fisco mediante cessão de mão de obra não foram devidamente caracterizados,  apenas foi feita uma referência indeterminada.  22.  Dessa  forma,  verifica­se  que  não  há  qualquer  menção,  nos  contratos  juntados  ao  processo,  sobre  a  cessão  de  mão  de  obra.  Assim,  as  prestações  de  serviço  contratadas  pela  recorrente  tiveram  a  referências  genéricas  dos  seus  objetos  no  lançamento  fiscal.  23.  Considerando  que  cumpre  à  administração  tributária  apontar  todos  os  elementos  necessários  à  configuração  do  fato  gerador,  não  há  como  deixar  de  considerar  o  lançamento insubsistente por não comprovar a materialidade da regra matriz de incidência da  contribuição.  24 Até mesmo os  critérios  utilizados  pelo  fisco para  chegar  aos  valores  do  débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora.   25. A doutrina sustenta o seguinte:  “O  lançamento  é  ato  singular  que  se  faz  proceder  de  procedimentos  preparatórios  e  que  se  faz  suceder  de  procedimentos  revisionais,  podendo  ser  declarado,  ao  cabo,  subsistente  ou  insubsistente,  no  todo  ou  em  parte,  em  decorrência  do  controle  do  ato  administrativo  pela  própria  administração”  (Sacha  Calmon  Navarro  Coelho.  Liminares  e  Depósitos Antes do lançamento por Homologação – Decadência  e Prescrição. 2 ed. Dialética. p. 68).”  26. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a  necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses,  serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos.   27.  A  propósito,  a  Lei  nº  9.784,  de  29  de  janeiro  de  1999,  que  regula  o  processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a  Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação.  28. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação  da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art.  142.  Fl. 425DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 18471.001468/2008­04  Acórdão n.º 2301­004.168  S2­C3T1  Fl. 415          9 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.”  29.  Nesse  sentido,  o  próprio  art.  37,  da  Lei  8.212/91,  dispõe  que  a  fiscalização  deverá  lavrar notificação  de  débito,  com discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos  geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  beneficio  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições  devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.]  30. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o  contraditório  e  a  ampla  defesa  do  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  assim  como  a  adequada análise do crédito.  31.  Nesse  aspecto,  é  cediço  que  não  se  pode  vincular  a  recorrente  a  uma  determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que  ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco.  32.  Feitas  essas  considerações,  dou  provimento  ao  recurso  voluntário  nos  termos acima delineados.  CONCLUSÃO  33. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para não  acolher  a  preliminar  de  nulidade  e,  no  mérito,  julgar  procedente  o  recurso  voluntário  nos  termos supra alinhavados.  É como voto.  Natanael Vieira dos Santos.                                Fl. 426DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS

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Numero do processo: 10935.906397/2012-08
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/01/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 121          1 120  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.906397/2012­08  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3802­002.695  –  2ª Turma Especial   Sessão de  25 de março de 2014  Matéria  PIS/PASEP  Recorrente  JUMBO ALIMENTOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 23/01/2009  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  PIS/PASEP.  BASE  DE  CÁLCULO.  EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO.  Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP  que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS  na base de cálculo.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 23/01/2009  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.  NECESSIDADE  DE  DEMONSTRAÇÃO  DA  MATERIALIDADE  DO  CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.  Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte,  no  rito  da  repetição  do  indébito  é  fundamental  a  comprovação  da  materialidade  do  crédito  alegado.  Diferentemente  do  lançamento  tributário  em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar  que possui a materialidade do crédito.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao  recurso voluntário.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 97 /2 01 2- 08 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2   (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano D’Amorim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  D'amorim  (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno  Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.  O conselheiro Solon Sehn declarou­se impedido.    Relatório  O  contribuinte  JUMBO ALIMENTOS  LTDA.  interpôs  o  presente  Recurso  Voluntário contra o Acórdão nº 06­42.845, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da  DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo  em sede de manifestação de inconformidade, rejeitando­a.  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da análise da impugnação, adota­se o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo:   “Trata  o  processo  de Despacho Decisório  emitido  pela DRF Cascavel/PR,  em 03/01/2013,  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  formulado  por meio  do Per/Dcomp nº  33521.84947.111209.1.2.04­9778, rastreamento nº 041907259, devido à inexistência de crédito  pleiteado de R$ 7.387,54, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período  de  31/12/2008,  efetuado  em  23/01/2009,  estaria  totalmente  utilizado  na  extinção,  por  pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador.  Cientificada  da  decisão  em  18/01/2013,  a  interessada  apresentou  Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do  PIS  e  da  Cofins  sem  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo.  Diz  que  o  conceito  de  faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o  conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por  se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o  Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Dessa  forma,  solicita  que  os  créditos  sejam  restituídos,  acrescidos  de  juros  de  mora,  desde  seu  pagamento  indevido  até  a  data  da  restituição/compensação.  É o relatório.”  Indeferida  a manifestação  de  inconformidade  apresentada,  o  órgão  julgador  de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma  da ementa que segue:  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906397/2012­08  Acórdão n.º 3802­002.695  S3­TE02  Fl. 122          3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 23/01/2009  COFINS.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.  Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir  o pedido de restituição apresentado.  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das  contribuições  ao  PIS/Pasep  e  à  Cofins,  pois  aludido  valor  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando  for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  CONTESTAÇÃO  DE  VALIDADE  DE  NORMAS  VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.  Compete  à  autoridade  administrativa  de  julgamento  a  análise  da  conformidade da atividade de  lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em  âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a  interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados  em sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto,  nos  termos  do  Decreto  nº  70.235/72,  conheço  do  Recurso  e  passo  à  análise  das  razões recursais.  Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS  A Recorrente  alega  que  possui  direito  de  crédito  amparada  no  fato  de  que  incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que  tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante  decorrente desse procedimento.  De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da  regra  (o  que  levaria  ao  não  conhecimento  do  presente  Recurso),  o  contribuinte  cerra  sua  discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo  Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4 STF  no  RE  346084,  no  qual  se  afastou  a  tributação  sobre  a  receita  bruta  e  se  limitou  ao  faturamento,  assim  entendido  como  as  receitas  decorrentes  de  vendas  de  mercadorias  e  prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento.  Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da  COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente  do  regime de  tributação,  tem­se  em verdade  dois  únicos  tributos,  PIS  e COFINS),  comungo  com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o  mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003.  A  Recorrente  fundamenta  seu  pleito  defendendo  que  o  ICMS  não  seria  receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação:    Para tanto, espelha­se em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS  não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo,  mas apenas receitas de terceiros.  A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato  de  que  as  normas  vigentes  –  às  quais  o  julgador  administrativo  está  adstrito  –  impõem  a  inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Assim dispôs a decisão recorrida:   “Pela manifestação de  inconformidade apresentada, vê­se, de pronto, que a  pretensão  da  contribuinte  implica  negar  efeito  a  disposição  expressa  de  lei.  Nesse  contexto,  cumpre  registrar  que  não  há  na  legislação  de  regência  revisão  para  a  exclusão  do  valor  do  ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda  a  interessada, é parte  integrante do preço das mercadorias e  serviços vendidos, exceção  feita  para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário,  consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998:  (...)”  Entendo  que  a  DRJ  está  correta  em  suas  considerações,  apesar  de  uma  pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e  COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa.  As normas de direito vigentes,  às quais o CARF está vinculado,  impõem a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  Nesse  sentido,  veja­se  o  que  dispõem  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  que  em matéria  de  ICMS  autorizam  a  dedução  somente no caso de exportação:  Lei 10.637/2002  “Art.  1o  A  contribuição  para  o  PIS/Pasep  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906397/2012­08  Acórdão n.º 3802­002.695  S3­TE02  Fl. 123          5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas:  VII ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da  Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.”  Lei 10.833/2003  “Art.  1o  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com  a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica,  independentemente de sua  denominação ou classificação contábil.  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas:  VI ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da  Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.”  Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente  já não merece acolhida em  seu pleito, ao menos no âmbito administrativo.  E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo  2o  do  artigo  1o  das  leis  10.637/2002  e10.833/2003,  permitiria  inferir  que  o  ICMS  incidente  sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata­ se  de  afastamento  legal  da  base  de  cálculo,  apenas  para  o  caso  excepcional  do  ICMS  da  exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações.  De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se  entenda que a dicção do  inciso VI do § 3o do art. 1o das  leis de  regência da  sistemática não  cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de  cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS.  Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o  ICMS compõe a própria  base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não  há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela  Recorrente,  condições  de  se  decompor  o  valor  da  operação  entre  itens  que  integrariam  sua  receita,  e  outros  (em  especial,  o  ICMS)  que  implicariam  receitas  de  terceiros.  É  o  que  se  verifica,  inclusive,  do  julgado  do  RE  em  tela,  no  qual  o  Ministro  Marco  Aurélio,  relator,  confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a  resposta:  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     6   Esse  raciocínio  foi  acompanhado  pelo  STJ,  o  qual,  nos  Edcl  no  REsp  no  1.413.129­SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  RECEBIDOS  COMO  AGRAVO  REGIMENTAL.  FUNGIBILIDADE.  RECURSO ESPECIAL  PROVIDO.  PIS  E COFINS.  BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO DO  ICMS.  CONTRADIÇÃO  E  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  NÃO  OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO.  "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente  constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que  a  parcela  relativa  ao  ICMS  compõe  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da Cofins  (Súmulas  68  e  94/STJ).  Precedentes  atuais:  AgRg  no  REsp  1.106.638/RO,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques,  Segunda Turma, DJe  8/2/2013; AgRg no REsp  1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari  Pargendler,  Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin,  Segunda Turma, DJe 12/6/2013).  A propósito, valho­me do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual  serviu  como  paradigma  para  as  Súmulas  68  (que  consagra  a  inclusão  do  antigo  ICM  na  base  de  cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo  Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões:  Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906397/2012­08  Acórdão n.º 3802­002.695  S3­TE02  Fl. 124          7     Apesar  de  se  referir  ao  antigo  ICM,  a  discussão  travada  (assim  como  o  raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir.  Sem embargo, o  fato de o  ICMS ser  tributo de repercussão  jurídica não me  parece promover diferenças  relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é,  ao  fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política  econômica,  com o  fito de  evitar  a verticalização  da  cadeia produtiva. Assim  leciona Alcides  Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São  Paulo, 1978).  Entender que o  ICMS, por ser de  repercussão  jurídica, não significa  receita  própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável  admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além  da  inclusão do  ICMS na própria base de cálculo  (que  teria que ser  revista, pois perderia sua  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse  considerado receita de terceiros.  Esses  reflexos,  que  podem  ser  suscitados  como  marginais  ao  PIS  e  à  COFINS,  em  verdade  guardam  íntima  relação  com  essas  contribuições.  Basta  ver  que,  se  o  contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos  contábeis  decorrentes  disso  –  inclusive  lançando  a  parcela  de  ICMS  do  seu  preço  em  conta  contábil própria, de receita de terceiros.  De  um  modo  ou  de  outro,  seja  do  ponto  de  vista  legal,  de  finalidade  das  normas,  ou mesmo  contábil,  as  próprias  raízes  do  ICMS  impedem que  ele  seja  considerado  receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob  pena de  instabilidade e insegurança  jurídica absoluta. Os conceitos devem ser  trabalhados de  maneira uniforme.  Por  isso mesmo,  no  que  toca  os  fundamentos  do  seu  pedido  de  restituição,  nego provimento ao Recurso Voluntário.  Da ausência de comprovação da materialidade do crédito  Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito  passivo também não resiste a uma análise mais acurada.  Apesar  de  o  despacho  decisório  afirmar  que  o  crédito  argüido  pelo  sujeito  passivo  foi  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  outros  débitos,  a  Recorrente  não  demonstrou,  por  meio  de  documentos  hábeis,  que  o  montante  pleiteado  refere­se  ao  ICMS  incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Isso  se verificou na manifestação de  inconformidade  e  também no presente  Recurso Voluntário.  Ora,  o  processo  administrativo  tributário  em  si  é  regido  pelo  princípio  da  verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a  revisão  administrativa.  Assim  é  que,  no  que  tange  ao  pedido  de  restituição,  é  de  responsabilidade  do  sujeito  passivo  demonstrar, mediante  a  apresentação  de  provas  hábeis  e  idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que  sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165  do CTN.  Neste espeque, a Recorrente, mesmo  instada a  tanto pela DRJ, não acostou  aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado  se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Reitere­se aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição,  o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito.  Vale  repisar  que,  diferentemente  do  processo  de  revisão  do  lançamento  tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas  quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as  razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado.  Assim  sendo,  não  há  nos  autos  fundamentos  que  legitimem  a  restituição  pleiteada  pela  Recorrente,  de  modo  que  deve  ser  negado  provimento  ao  presente  Recurso  Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido.  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906397/2012­08  Acórdão n.º 3802­002.695  S3­TE02  Fl. 125          9 Conclusão  Ante  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  negar­lhe  provimento.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi                                Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 13963.000812/2010-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SIMULAÇÃO VERIFICADA ENTRE O CONTRIBUINTE E AS SUPOSTAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS SIMULADA. Apesar de se tratarem de empresas constituídas individualmente, com registros contábeis independentes da Recorrente e supostos bens próprios, a relação entre as empresas resta demonstrada quando se verifica: 1) que as empresas contratadas prestam serviços exclusivamente à Recorrente; 2) que as empresas possuem o mesmo endereço; 3) Uma das empresas contratadas representa a Recorrente em outro estado, uma vez que esta última não pode operar na região por existir outra empresa com nome parecido; 4) Todos os cargos de administração, Recursos Humanos e diretoria da Recorrente são exercidos via terceirização através das empresas em comento; 5) o controle de pontos de todos os funcionários das empresas contratadas é feito através de aparelho de propriedade da Recorrente, entre outros pontos descritos no Relatório Fiscal, devidamente comprovados através documentos colhidos na fiscalização. VALORES PAGOS A TÍTULO DE TERÇO DE FÉRIAS. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. O valor pago a título de terço de férias não retribui o trabalho prestado. Trata-se de obrigação legal de pagar, imposta ao empregador, nos termos do art. 7°, XVII, da Constituição Federal. Portanto, não deve compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALORES PAGOS A TÍTULO DE AUXÍLIO-DOENÇA. QUINZE PRIMEIROS DIAS. NÃO INCIDÊNCIA. Não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado, em razão da ausência de contraprestação de trabalho. Precedentes do STJ: REsp 748193/SC e REsp 886954/RS. VALORES PAGOS A TÍTULO DE VERBAS RESCISÓRIAS. As verbas rescisórias especiais são aquelas recebidas a título de férias em pecúnia, 13° salário, licença-prêmio não gozada, conversão de terço de férias, ausência permitida ao trabalho, extinção do contrato de trabalho por dispensa incentivada e aviso prévio indenizado. São verbas pagas quando do término da relação de trabalho, em que se constata a pendência de direitos trabalhistas a cargo do empregador. São direitos que, ao tempo em que deveriam ser atendidos não o foram e, diante da impossibilidade de concedê-los no momento da rescisão contratual, fica o empregador obrigado a conceber tais direitos mediante indenização ao empregado. Independentemente da natureza da verba a ser convertida em rescisória - seja ela 13° salário, férias, licença prêmio ou aviso prévio indenizado -, no momento em que se constata seu descumprimento por parte do empregador e fica este obrigado à conversão em pecúnia, os valores passam a ter caráter indubitavelmente indenizatório e, portanto, não passível de inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALORES PAGOS A TÍTULO DE AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. O aviso prévio é direito constitucionalmente garantido ao trabalhador no art. 7º, XXI, CF, que determina que em casos de demissão sem justa causa, o trabalhador seja informado do rompimento de seu contrato de trabalho com um mês de antecedência, o que lhe garante prazo para a procura de novo emprego. Muito comum, no entanto, que empregadores, ao invés de cumprirem o prazo do aviso prévio, comuniquem o empregado do rompimento do contrato de trabalho, ficando obrigado a indenizá-lo por não mantê-lo em seu cargo por mais trinta dias. É o aviso prévio indenizado. Os Tribunais Superiores pacificaram o entendimento de que, por se tratar de verba genuinamente indenizatória e, ainda, por não se destinar a retribuição de trabalho, não há que se incluir o aviso prévio indenizado na base de cálculo das contribuições previdenciárias. VALORES PAGOS A TÍTULO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS. HORAS TRABALHADAS. CAMPO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há incidência de contribuição social previdenciária, dada a natureza remuneratória da verba paga a título de horas extras pelo empregador em razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso do empregado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para que sejam excluídas do lançamento as parcelas terço constitucional de férias, auxílio-doença, auxílio-acidente e aviso prévio indenizado. Vencidos o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votou pela não incidência também sobre o adicional de horas-extras e o relator que votou pelo provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Ronaldo de Lima Macedo – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2  VALORES  PAGOS  A TÍTULO DE VERBAS  RESCISÓRIAS.  As  verbas  rescisórias especiais são aquelas recebidas a título de férias em pecúnia, 13°  salário,  licença­prêmio  não  gozada,  conversão  de  terço  de  férias,  ausência  permitida  ao  trabalho,  extinção  do  contrato  de  trabalho  por  dispensa  incentivada e aviso prévio indenizado. São verbas pagas quando do término  da relação de trabalho, em que se constata a pendência de direitos trabalhistas  a  cargo  do  empregador.  São  direitos  que,  ao  tempo  em  que  deveriam  ser  atendidos  não  o  foram  e,  diante  da  impossibilidade  de  concedê­los  no  momento da rescisão contratual, fica o empregador obrigado a conceber tais  direitos mediante indenização ao empregado. Independentemente da natureza  da verba a ser convertida em rescisória ­ seja ela 13° salário, férias,  licença  prêmio  ou  aviso  prévio  indenizado  ­,  no momento  em  que  se  constata  seu  descumprimento  por  parte  do  empregador  e  fica  este  obrigado  à  conversão  em pecúnia, os valores passam a ter caráter indubitavelmente indenizatório e,  portanto,  não  passível  de  inclusão  na  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias.  VALORES PAGOS A TÍTULO DE AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO  INCIDÊNCIA.  O  aviso  prévio  é  direito  constitucionalmente  garantido  ao  trabalhador  no  art.  7º,  XXI,  CF,  que  determina  que  em  casos  de  demissão  sem justa causa, o trabalhador seja informado do rompimento de seu contrato  de  trabalho  com  um mês  de  antecedência,  o  que  lhe  garante  prazo  para  a  procura de novo emprego. Muito comum, no entanto, que empregadores, ao  invés de cumprirem o prazo do aviso prévio, comuniquem o empregado do  rompimento do contrato de trabalho, ficando obrigado a indenizá­lo por não  mantê­lo em seu cargo por mais trinta dias. É o aviso prévio indenizado. Os  Tribunais  Superiores  pacificaram  o  entendimento  de  que,  por  se  tratar  de  verba genuinamente indenizatória e, ainda, por não se destinar a  retribuição  de  trabalho,  não  há  que  se  incluir  o  aviso  prévio  indenizado  na  base  de  cálculo das contribuições previdenciárias.  VALORES  PAGOS  A  TÍTULO  DE  HORAS  EXTRAORDINÁRIAS.  HORAS TRABALHADAS. CAMPO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  Há  incidência  de  contribuição  social  previdenciária,  dada  a  natureza  remuneratória  da  verba  paga  a  título  de  horas  extras  pelo  empregador  em  razão de trabalho realizado no horário destinado ao descanso do empregado.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 2926DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.575          3   ACORDAM os membros do  colegiado, por maioria de votos,  em  conhecer  em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para que sejam excluídas  do  lançamento  as  parcelas  terço  constitucional  de  férias,  auxílio­doença,  auxílio­acidente  e  aviso prévio indenizado. Vencidos o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votou  pela  não  incidência  também  sobre  o  adicional  de  horas­extras  e  o  relator  que  votou  pelo  provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo.      Júlio César Vieira Gomes ­ Presidente      Thiago Taborda Simões ­ Relator      Ronaldo de Lima Macedo – Redator Designado    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Vieira  Gomes  (presidente),  Thiago  Taborda  Simões,  Ana  Maria  Bandeira,  Nereu  Miguel  Ribeiro  Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 2927DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4    Relatório  Trata­se de auto de infração de obrigação principal lavrado sob DEBCAD n°  37.279.792­0,  relativo  ao  período  de  01/01/2006  a  31/12/2009,  contendo  cobrança  de  contribuições  previdenciárias  patronais  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GIILRAT.  De acordo com o relatório fiscal de fls. 71/79, foi realizada auditoria conjunta  das  empresas  TRANSAL  TRANSPORTADORA  SALVAN  LTDA,  IRMÃOS  SALVAN  TRANSPORTES  LTDA­EPP  e  TS  TRANSPORTES  DE  CARGAS  LTDA.  A  autoridade  fiscal, ao analisar o contexto fático entre as empresas mencionadas, concluiu pela ocorrência de  simulação  ocorrida  nas  relações  jurídicas  realizada  entre  tais,  com  vistas  a  se  elidir  das  contribuições destinadas à Seguridade Social, já que as pessoas jurídicas IRMÃOS SALVAN  TRANSPORTES  LTDA­EPP  e  TS  TRANSPORTES  DE  CARHAS  LTDA  usufruem  do  regime especial do SIMPLES NACIONAL.  Os  levantamentos  estão  individualmente  discriminados  às  fls.  25/59,  no  discriminativo de débito – DD que compõe a autuação.  Ainda no relatório fiscal, a autoridade menciona que a autuação decorreu da  relação de emprego observada  entre os  empregados  das duas últimas  empresas  em  relação  à  primeira,  já que através dos documentos analisados se verificou a  inexistência de patrimônio  daquelas, bem como inexistência de endereço próprio ou contratação por outras empresas.  Em  suma,  restou  verificado,  nos  termos  da  fiscalização,  que  as  empresas  IRMÃOS  SALVAN  e  TS  TRANSPORTES  utilizavam  todos  os  equipamentos,  instalações,  estrutura física e recursos materiais da empresa TRANSAL que, nos termos dos contratos de  prestação  de  serviços  firmados  com  as  empresas,  ‘terceirizava’  inclusive  os  profissionais  de  atividades de administração, supervisão, chefia de serviço e Recursos Humanos.  Não  obstante,  em  consulta  a  ficha  cadastral  das  empresas,  todas  as  três  utilizam mesmo nome fantasia “TRANSAL” e a mesma logomarca em seus caminhões “TS”.  A  conclusão  da  fiscalização  foi  no  sentido  de  haver  simulação  entre  as  empresas,  entendendo  a  autoridade  ser  necessária  a  autuação  da  Recorrente  pelo  não  recolhimento  de  contribuições  previdenciária  de  todos  os  funcionários  ligados  às  outras  empresas.  Em  relação  à multa,  a  autoridade  explica que  foi  feito  quadro  comparativo  para verificar a menos gravosa ao contribuinte.  Face a autuação, a Recorrente interpôs impugnação (fls. 202/234), a qual foi  julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão de fls. 1517/1530.  Intimada do resultado do julgamento (fls. 1532/1533), a Recorrente interpôs  recurso voluntário de fls. 1534/1569, alegando, em síntese:  Fl. 2928DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.576          5 i)  Preliminarmente, que os créditos discutidos já foram constituídos via GFIP pelas  empresas  IRMÃOS  SALVAN  e  TS  TRANSPORTES,  devendo  ser  estes  valores  recolhidos no SIMPLES abatidos do cálculo do crédito tributário em discussão;  ii) Que a base de cálculo utilizada para a tributação pelo SIMPLES era a mesma da  autuação,  uma  vez  que  não  foram  reconhecidos  novos  empregados,  mas  apenas  aqueles que já estavam registrados nas empresas;  iii) A apuração  da  base de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  foi  feita  sem  se  considerar o valor percebido por cada empregado. O auditor utilizou para cálculo  apenas o valor total da contribuição mensal informada pelas empresas, acarretando  em nulidade do AI;  iv) No mérito, que a desconsideração da personalidade jurídica é indevida, uma vez  que  as  empresas  contratadas  possuíam,  até determinado período,  estabelecimento  próprio, contabilidade e negócios independentes da Recorrente e bens próprios;  v) Não  se  pode  admitir  a  permanência  de  multa  vez  que  a  autoridade  deveria  considerar  os  registros  e  lançamentos  contábeis  realizados  pelas  empresas,  bem  como  abrir  prazo  legal  para  que  a Recorrente  se  adequasse  a  sua  nova  realidade  diante da desconsideração de personalidade jurídica das outras empresas;  vi) A autoridade considerou a contabilidade das empresas tão somente para utilizar  os valores como base de cálculo, mas não o fez par considerar o cumprimento de  obrigação acessória;  vii) Deveria  ser  concedido  prazo  para  retificação  da  contabilidade  da  empresa  Recorrente;  viii) Indevida  a  inclusão  de  verbas  indenizatórias  na  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  nos  termos  da  Lei  n°  8.212/91,  que  determina  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  apenas  sobre  os  valores  destinados  a  retribuir trabalho, portanto, de natureza salarial;  ix) Sobre o terço de férias e quinze dias que antecedem o auxílio­acidente, não pode  haver  incidência  de  contribuições  por  se  tratarem  de  verbas  de  natureza  indenizatória, conforme entendimento do STJ;  x) Quanto  ao  quinze  dias  que  antecedem  o  auxílio­doença  previdenciário  ou  acidentário, a não incidência se impõe por não haver contraprestação de atividade  laboral já que o funcionário encontra­se afastado por doença;  xi) Sobre  as  verbas  rescisórias  especiais  recebidas  pelo  trabalhador  a  título  de  indenização  por  férias  em  pecúnia,  13°  salário,  licença­prêmio  não  gozada,  conversão de 1/3 de férias, ausência permitida ao trabalho, extinção do contrato de  trabalho  por  dispensa  incentivada  e  aviso  prévio  indenizado,  não  pode  haver  incidência por não configurar acréscimo patrimonial de qualquer natureza ou renda;  xii) No  caso  do  aviso  prévio  indenizado,  não  há  caráter  remuneratório  na  verba,  mas sim indenizatório, vez que paga em razão do não cumprimento do aviso prévio  pelo empregado, que terá seu contrato de trabalho rescindido imediatamente;  Fl. 2929DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6  xiii)  Sobre  as  horas  extras,  não  deve  haver  incidência  de  contribuições  sobre  os  valores que se referem à hora suplementar, de até 20%, por se tratar de indenização  paga ao trabalhador que ultrapassa a jornada diária;  xiv) No  que  tange  à multa,  a  imposição  de  penalidade  de  75%  é  imprópria,  pois  configura violação ao princípio do não confisco.  Ao final, a Recorrente requer:  i)  O cancelamento dos autos de infração ou a compensação de ofício em razão do  pagamento das contribuições pelas empresas aderidas ao SIMPLES;  ii) O  afastamento  das  exigências  de  multa,  tendo  em  vista  a  possibilidade  de  consideração  dos  registros  contábeis  das  empresas  cujas  personalidades  jurídicas  tenham sido desconsideradas;  iii) O  afastamento  da  base  de  cálculo  das  contribuições  das  verbas  de  natureza  indenizatória.  Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário.   É o relatório.   Fl. 2930DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.577          7   Voto Vencido  Conselheiro Thiago Taborda Simões ­ Relator    Inicialmente,  o  recurso  voluntário  atende  a  todos  os  requisitos  de  admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço.  Em Preliminar  Alega  a  Recorrente,  em  preliminar,  que  os  créditos  discutidos  já  foram  constituídos via GFIP pelas empresas IRMÃOS SALVAN e TS TRANSPORTES, devendo ser  estes valores recolhidos no SIMPLES abatidos do cálculo do crédito tributário em discussão;   Descabida a alegação.  A  presente  autuação  refere­se  à  contribuição  previdenciária  patronal  para  custeio da Seguridade Social  (20%) e GIILRAT, nos  termos do  art. 22,  I,  II  e  III, da Lei n°  8.212/91.  Os  recolhimentos  realizados  pelas  empresas  IRMÃOS  SALVAN  e  TS  TRANSPORTES, por sua vez, destinavam­se exclusivamente ao pagamento de contribuições  descontadas  dos  segurados  empregados  –  crédito  a  ser  analisado  no  COMPROT  13963.000810/2010­18.  O art. 44, § 6°, da Instrução Normativa n° 900/2008 dispõe:  “Art.  44.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito  relativo  às  contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’ a  ‘d’ do  inciso I do parágrafo único do art. 1°, passível de restituição ou  de  reembolso,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  contribuições  previdenciárias  correspondentes  a  períodos  subseqüentes.  (...)  § 6°. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias  com o valor  recolhido  indevidamente para o Simples Nacional,  instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006, e o Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples),  instituído pela Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996.”  Assim, necessária a negativa ao pedido de compensação, haja vista previsão  expressa que vede a hipótese, bem como o fato de tratar­se de contribuições distintas.  No Mérito  Da Simulação Verificada  Fl. 2931DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8  No  mérito,  a  Recorrente  alega  ser  indevida  a  desconsideração  da  personalidade jurídica das empresas contratadas sob a justificativa de que as mesmas possuíam  registros contábeis, bens e estabelecimento próprio até determinado período.  Não prosperam suas alegações.  Conforme  vasta  documentação  acostada  aos  autos  de  infração  é  possível  verificar que a relação de subordinação entre as empresas é inquestionável.  Apesar  de  se  tratarem  de  empresas  constituídas  individualmente,  com  registros  contábeis  independentes  da Recorrente  e  supostos  bens  próprios,  a  relação  entre  as  empresas  resta  demonstrada  quando  se  verifica:  1)  que  as  empresas  contratadas  prestam  serviços exclusivamente à Recorrente; 2) que as empresas possuem o mesmo endereço; 3) Uma  das empresas contratadas (IRMÃOS SALVAN) representa a Recorrente no Estado do Paraná,  uma  vez  que  esta  última  não  pode  operar  na  região  por  existir  outra  empresa  com  nome  parecido; 4) Todos os cargos de administração, Recursos Humanos e diretoria da Recorrente  são exercidos via  terceirização através das empresas em comento; 5) o controle de pontos de  todos os funcionários das empresas contratadas é feito através de aparelho de propriedade da  Recorrente,  entre  outros  pontos  descritos  no  Relatório  Fiscal  de  fls.  71/79,  devidamente  comprovados através documentos colhidos na fiscalização.  Não obstante, vale esclarecer que a própria Recorrente, ao requerer a dedução  dos  valores  pagos  pelas  empresas  supostamente  contratadas  por  ela  a  título  de  contribuições  previdenciárias  no  SIMPLES  NACIONAL  assume  a  ocorrência  de  simulação  e,  por  conseqüência, a sua responsabilização pelos débitos de INSS em aberto.  Da Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória   Alega  a  Recorrente  que  a  multa  aplicada  por  ter  deixado  de  entregar  a  documentação  prevista  em  lei  não  deve  prevalecer  vez  que  deveriam  ser  considerados  os  registros e lançamentos contábeis efetuados pelas empresas contratadas.  A penalidade  por descumprimento  de obrigação  acessória  não  é matéria  da  presente autuação, não cabendo análise da questão nos presentes autos.  Da Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Verbas de Caráter  Indenizatório  De acordo com o artigo 28 da Lei 8.212/91:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem  serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a  sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa.  Fl. 2932DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.578          9 O  dispositivo  indigitado  prescreve  a  regra­matriz  de  incidência  da  contribuição previdenciária patronal. A mensuração do quantum debeatur é determinada pela  conjugação  de  prescrições  lógica  e  cronologicamente  concatenadas,  que  ao  final  revelam  o  arquétipo do aspecto quantitativo previsto na norma geral e abstrata instituidora do tributo:  a) a primeira parte do dispositivo determina que a base de cálculo é o valor  da  remuneração  auferida,  compreendida  como  a  totalidade  dos  rendimentos pagos, devidos ou creditados.  b) a segunda determina que apenas os valores destinados a retribuir o trabalho  devem ser oferecidos à tributação.  O  primeiro  comando  tem  espectro  mais  abrangente  que  o  segundo.  Em  considerado  isoladamente,  interpretação  que  com  frequência  induz  ao  erro,  representaria  a  tributação  de  quaisquer  remunerações  pagas  aos  segurados  a  serviço  do  empregador.  Entretanto,  a  segunda  determinação  promove  um  corte  no  alcance  normativo,  prescrevendo  expressamente  que  apenas  a  remuneração  destinada  à  retribuição  da  atividade  laborativa  integra a base de cálculo do tributo.   A necessária  relação de  inerência  entre  a materialidade do  tipo  e  a base  de  cálculo  impõe  a  harmonização  dos  critérios  a  fim  de  garantir  a  integridade  normativa.  De  acordo  com  as  lições  de  Paulo  de  Barros  Carvalho,  a  base  de  cálculo  afirma,  confirma  ou  infirma  a  hipótese  tributária.  Afirma  quando  elucida.  Confirma  quando  reflete.  E  infirma  quando diverge e sobre a mesma prevalece.   “Temos para nós que a base de cálculo é a grandeza instituída  na  consequência  da  regra­matriz  tributária,  e  que  se  destina,  primordialmente,  a  dimensionar  a  intensidade  do  comportamento  inserto  no  núcleo  do  fato  jurídico,  para  que,  combinando­se  à  alíquota,  seja  determinado  o  valor  da  prestação  pecuniária.  Paralelamente,  tem  a  virtude  de  confirmar,  infirmar  ou  afirmar  o  critério material  expresso  na  composição  do  suposto  normativo.  A  versatilidade  categorial  desse  instrumento  jurídico  se  apresenta  em  três  funções  distintas:  a)  medir  as  proporções  reais  do  fato;  b)  compor  a  específica  determinação  da  dívida;  e  c)  confirmar,  infirmar  ou  afirmar  o  verdadeiro  critério material  da  descrição  contida  no  antecedente da norma.  (...)   A  grandeza  haverá  de  ser  mensuradora  adequada  da  materialidade  do  evento,  constituindo­se,  obrigatoriamente,  de  uma  característica  peculiar  ao  fato  jurídico  tributário.  Eis  a  base  de  cálculo,  na  sua  função  comparativa,  confirmando,  infirmando  ou  afirmando  o  verdadeiro  critério  material  da  hipótese  tributária.  Confirmando,  toda  vez  que  houver  perfeita  sintonia  entre  o  padrão  de  medida  e  o  núcleo  do  fato  dimensionado.  Infirmando,  quando  for  manifesta  a  incompatibilidade entre a grandeza eleita e o acontecimento que  o legislador declara como a medula da previsão fática. Por fim,  afirmando, na eventualidade de ser obscura a formulação legal,  Fl. 2933DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10  prevalecendo, então, como critério material da hipótese, a ação­ tipo que está sendo avaliada.”1  Trata­se no caso em análise da base de cálculo em sua função infirmadora, na  medida em que adiciona conteúdo de materialidade ao antecedente normativo, preenchendo o  complemento do verbo previsto no descritor. 2  A  hipotética  dissonância  interna  não  prejudica  a  apreensão  do  comando  determinado, posição que sigo acompanhado de Alfredo Becker:  “O critério de investigação da natureza jurídica do tributo, que  se  mostrará  ser  o  único  verdadeiramente  objetivo  e  jurídico,  parte da base de cálculo para chegar ao conceito de tributo. Este  só poderá ter uma única base de cálculo.” 3  Não  se  trata  de  hipótese  de  não  incidência  legalmente  qualificada,  operada  em momento subsequente à determinação da base (isenção), mas da instituição originária dos  contornos mensurativos do  tipo. A  restrição à  tomada da  remuneração na completude de  sua  acepção  linguística  realiza  corte  intraconceitual  que  cria  a definição  legal de quais dinheiros  integram  a  base  imponível.  Essa  base  é  necessariamente  composta  pela  relação  binária  indigitada.  Passo a analisar o conteúdo semântico dos termos empregados.  O direito tributário é sobrelinguagem ou linguagem de sobrenível4, buscando  o conteúdo de seus termos em outros tipos de linguagens, positivadas ou não. Essa proposição  foi normativamente introduzida pelo art. 123 do Código Tributário Nacional:  Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.  O conceito de remuneração é buscado da legislação trabalhista. Conforme art.  457 da CLT:  Art. 457 ­ Compreendem­se na remuneração do empregado, para  todos  os  efeitos  legais,  além  do  salário  devido  e  pago  diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço,  as gorjetas que receber.  (Grifo nosso)  Assim,  ainda  que  a  referência  à  necessidade  de  contraprestação  não  fosse  veiculada pelo art. 28 da lei 8.212/91, sua observância é  imperativa também por força do  conceito  trabalhista  de  remuneração.  A  dupla  prescrição  pode  derivar  de  falha  técnica  legislativa. Prefiro  entendê­la como reforço a uma  forte vontade do  legislativo no sentido da  realização do Valor vetorizado na norma, qual seja, o primado do trabalho.                                                              1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 20ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 363/364  2 Considerando a análise da acepção lógica da estrutura vazia da materialidade [verbo + complemento].  3 Teoria Geral do Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, p. 339.  4 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método. 3ª Edição. São Paulo: Noeses, 2009. p.  190/192.  Fl. 2934DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.579          11 Reduzindo  a  proposição  prescritiva  à  sua  estrutura  mínima  de  conteúdo  semântico, é forçoso entender que:    Dessa  forma,  independente  do  que  se  entenda  por  salário,  o  mesmo  só  integrará  o  conceito  de  remuneração  se  e  somente  se  for  pago  em  contraprestação  pelo  trabalho. A única exceção a essa regra são as gorjetas recebidas. 5  Torna­se seguro afirmar que remuneração é qualquer valor pago ao segurado,  desde que em contraprestação pelo trabalho.  Resta determinar o conceito de contraprestação pelo trabalho.  A contraprestação deriva da relação direta entre a paga e o exercício efetivo  da atividade laborativa. Não ocorre de maneira genérica, mediata, mas específica e imediata. A  presença do elemento trabalho é condição necessária para o nascimento da obrigação tributária.  Todo exercício de competência tributária por via da criação de norma geral e  abstrata tem um sentido positivo e um negativo6. O sentido positivo concede ao Sujeito Ativo  da Relação Jurídica Tributária um poder­dever de exigir o tributo exatamente pelos contornos  normativamente  traçados  (princípio  da  tipicidade  cerrada).  Já  o  sentido  negativo  proíbe  a  invasão do patrimônio do contribuinte fora desses contornos, sob pena de ofensa à legalidade,  representando de outra mão um direito do contribuinte.  Acerca  da  legalidade  e  de  da  estrita  legalidade,  ensina  Roque  Antonio  Carrazza:  “O tipo tributário (descrição material da exação) há de ser um  conceito fechado, seguro, exato, rígido, preciso e reforçador da  segurança  jurídica.  A  lei  deve,  portanto,  estruturá­lo  em  numerus  clausus;  ou,  se  preferirmos,  há  de  ser  uma  lei  qualificadora ou Lex stricta. Em síntese, tudo o que é importante  em matéria  tributária  deve  passar  necessariamente  pela  lei  da  pessoa política competente.  (...)  Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser  erigidos  abastratamente  pela  lei,  para  que  se  considerem  cumpridas  as  exigências  do  princípio  da  legalidade.  Convém  lembrar  que  são  “elementos  essenciais”  do  tributo  os  que,  de  algum  modo,  influem  no  na  e  no  quantum  da  obrigação  tributária.  (...)                                                              5  Considerando  as  grandezas  proporcionais  envolvidas  na  relação  jurídica  tributária  de  custeio  da  Seguridade  Social,  desconsideramos  a  gorjeta  com  vistas  a  fundamentar  um  arquétipo  normativo  que  permita  a  análise  do  caso concreto.  6 Derivação das lições de Amílcar de Araújo Falcão. Direito Tributário Brasileiro.  Fl. 2935DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12  Deve,  pois,  a  base  de  cálculo  harmonizar­se  com  a  hiótese  de  incidência do  tributo. É que, como é sabido e consabido, o que  distingue  um  tributo  do  outro  é  seu  binômio  hipótese  de  incidência/base de cálculo.  (...)  a  manipulação  da  base  de  cálculo  pelo  Fisco,  acaba  fatalmente alterando sua regra­matriz constitucional, deixando o  contribuinte sob o guante da insegurança.” 7  Isso  significa  que  o  contribuinte  tem o  direito  de não  ser  tributado  sobre  a  remuneração  que  não  depende  do  exercício  do  trabalho  para  sua  fruição  (inexistência  de  contraprestação).  Hipótese  contrária  significa  o  alargamento  da  base  de  cálculo  legal  para  alcançar valores fora da materialidade normativa.  Nesse  conceito  incluem­se  as  verbas  de  caráter  indenizatório,  argumento  frequentemente empregado sobretudo na  jurisprudência para qualificar a  incidência  tributária  das contribuições sociais.   O  caráter,  indenizatório,  entretanto,  não  é  o  qualificativo  primário  da  exclusão da incidência, nem constitui isenção. O caráter de não contraprestação da verba é que  determina a não  incidência, do qual a natureza indenizatória é subgrupo. A  lógica de classes  permite dizer que a  inexistência de  contraprestação é gênero do qual  a verba  indenizatória  é  espécie.  Dessa  forma,  todas  as  verbas  indenizatórias  demandam  a  inexistência  de  contraprestação  pelo  trabalho,  mas  nem  todas  as  verbas  pagas  sem  contraprestação  pelo  trabalho são indenizatórias. E todas as duas categorias situam­se no campo da não incidência.  É  o  caso,  por  exemplo,  dos  valores  pagos  por  mera  liberalidade  do  empregador  (abonos  desvinculados  de  salário),  que  nada  indenizam,  mas  não  derivam  do  exercício do trabalho.   Remuneração para o trabalho e pelo trabalho  Um  dos mecanismos  para  segregação  das  verbas  que  pertencem  à  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  reside  na  diferenciação  entre  os  conceitos  de  remuneração  pelo  trabalho  para  o  trabalho,  que,  embora  próximos,  não  se  confundem.  Enquanto  que  o  primeiro é o objetivo almejado pelo prestador de serviços na relação de emprego, o segundo  consubstancia os meios e instrumentos necessários à realização do objeto principal.   A origem da palavra salário  remonta ao latim salarium, derivado de salis –  sal, pela freqüência com que os legionários o recebiam como soldo. Essa paga, entretanto, não  se  confunde  com  salário  in  natura,  pois  era  usado  como moeda  na Roma  antiga. O  sal  era  remuneração  por  contraprestação pelo  trabalho.  Já  os  elmos,  gládios,  armaduras  e  sandálias  representavam remuneração para o desempenho da função.   Hoje, os valores despendidos com vestimentas de uso obrigatório, transporte,  alimentação,  etc,  não  são  o  objeto  nuclear  do  contrato  do  contrato  de  trabalho,  nem  o  retribuem.  São  acessórios  em  relação  ao  objeto  principal,  razão  esta  pela  qual  o  negócio  jurídico foi firmado.   O conceito de remuneração alberga os valores pagos pelo empregador como  contra­prestação pelo trabalho realizado. O exercício do trabalho, entretanto, é fato central em                                                              7 Curso de Direito Constitucional Tributário. Saraiva. 2006. p. 249­252.  Fl. 2936DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.580          13 torno  do  qual  orbitam  outras  relações  apêndices,  necessárias  à  manutenção  das  estruturas  sociais que sustentam o sistema escolhido pela sociedade de contexto como o mais adequado à  persecução de seus fins.   O  contínuo  processo  de  racionalização  e  burocratização  das  estruturas  produtivas  tem como resultado, por exemplo, a normatização protecionista do empregado no  que  tange  às  condições  ambientais  do  trabalho,  à  privatização  de  parcela  da  proteção  social  assistencialista (cujo ônus entrega­se aos empregadores) e a necessidade de  investimentos no  bem­estar  social  genérico  dos  empregados,  do  que  são  reflexos  as  obrigações  pactuadas  nos  instrumentos coletivos de trabalho.  Nesse contexto, o custeio do transporte do empregado entre sua residência e o  local  de  trabalho,  o  fornecimento  de  uniformes,  equipamentos  de  proteção,  as  diárias  de  viagens, os reembolsos de despesas, entre outros, são investimentos necessários por força de lei  ou instrumentos particulares. Esses investimentos têm como objetivo a proteção do empregado.  Entretanto, tais dispêndios não se enquadram no conceito de remuneração tal  como o prescrito pela norma  instituidora da contribuição patronal. Assim porque  tais valores  não  consubstanciam  contraprestação  pelo  trabalho  realizado,  mas  fornecem  as  condições  necessárias  ao  desempenho  da  função.  Nesse  contexto  a  remuneração  é  chamada  para  o  trabalho.  Com  efeito,  o  acréscimo  patrimonial  auferido  pelo  empregado  cedente  de  serviços  em  prol  do  empregador  deve  ser  líquido  dos  ônus  necessários  à  sua  prestação  em  decorrência  da  normatização  a  que  se  sujeitam  as  partes.  Por  contrário,  seu  ganho  seria  dilapidado pelas despesas  inerentes à persecução do objeto da  relação  jurídica por condições  metacontratuais, quais sejam, as obrigações de proteção.  Assim,  a  remuneração  para  o  trabalho  é  ônus  a  ser  suportado  para  auferimento da remuneração pelo trabalho, este o efetivo direito do empregado por decorrência  do contrato laboral.  Tributar a remuneração para o  trabalho implica no desvio da  intentio legis,  afetando parcelas supostamente remuneratórias que não guardam relação de identidade com o  conteúdo material  da hipótese normativa. Extrapola­o. Ultrapassa os  contornos do  campo de  incidência para afetar eventos que não refletem o descritor normativo, fazendo tabula rasa do  princípio da legalidade.  De acordo com o magistério de Maurício Godinho Delgado8:  “Não  consistirá  salário­utilidade  o  bem  ou  serviço  fornecido  pelo  empregador  ao  empregado  como  meio  de  tornar  viável  a  própria prestação de serviços.  (...).  Também  não  consistirá  salário­utilidade  o  bem  ou  serviço  fornecido como meio de aperfeiçoar a prestação de serviços.  (...)”                                                              8 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 8ª Edição. São Paulo: LTR, 2009, p. 671.  Fl. 2937DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14    A questão é matéria da Súmula 367 do Tribunal Superior do Trabalho:  UTILIDADES  "IN  NATURA".  HABITAÇÃO.  ENERGIA  ELÉTRICA.  VEÍCULO.  CIGARRO.  NÃO  INTEGRAÇÃO  AO  SALÁRIO  (conversão  das  Orientações  Jurisprudenciais  nºs  24,  131 e 246 da SBDI­1) ­ Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005  I  ­  A  habitação,  a  energia  elétrica  e  veículo  fornecidos  pelo  empregador  ao  empregado,  quando  indispensáveis  para  a  realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no  caso  de  veículo,  seja  ele  utilizado  pelo  empregado  também  em  atividades particulares. (ex­Ojs da SBDI­1 nºs 131 ­ inserida em  20.04.1998  e  ratificada  pelo Tribunal Pleno  em 07.12.2000  ­  e  246 ­ inserida em 20.06.2001)  II ­ O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua  nocividade  à  saúde.  (ex­OJ  nº  24  da  SBDI­1  ­  inserida  em  29.03.1996)  (TST. Súmula 367)  Enfim,  sempre  que  a  atividade  desempenhada  tiver  natureza  instrumental,  servindo de meio para a efetiva prestação de serviços (objeto principal do contrato de trabalho),  os valores recebidos não refletirão o conceito de remuneração legalmente qualificada para fins  de incidência das contribuições sociais previdenciárias.  Isenção  Isenção  é  hipótese  de  não  incidência  legalmente  qualificada.  A  norma  isentiva atinge a regra­matriz de incidência, prejudicando sua integridade sistêmica e negando­ lhe  o  vigor.  A  norma  tributária  portanto,  nem  chega  a  incidir,  pois  carente  da  completude  imposta pela tipicidade cerrada. De acordo com Paulo de Barros Carvalho, “a regra de isenção  investe  contra  um  ou  mais  dos  critérios  da  norma­padrão  de  incidência  multilando­os,  parcialmente” 9.  Acompanha esta posição Roque Antonio Carrazza:  “Isenção é uma limitação legal do âmbito de validade da norma  jurídica  tributária,  que  impede  que  o  tributo  nasça ou  faz  com  que  surja  de  modo  mitigado  (isenção  parcial).  Ou,  se  preferirmos, é a nova configuração que a lei dá à norma jurídica  tributária,  que  passa  a  ter  seu  âmbito  de  abrangência  restringido, impedindo, assim, que o tributo nasça in concreto.”  10  Isenção,  portanto,  é  norma  de  estrutura  que  impede  o  nascimento  da  obrigação tributária na hipótese vinculada.  Verificando o espectro da norma de isenção, positivado na Lei 8.212/1991:  “Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:                                                               9 Curso de Direito Tributário, p. 33.  10 Curso de DT. P. 829.  Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.581          15 (...)  § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o §  9º do art. 28.”    “Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  § 9° Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei, exclusivamente:   e) as importâncias:  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente desvinculados do salário.”  A  interpretação  sistêmica  dos  dispositivos  transcritos  identifica  norma  que  afeta  o  critério  quantitativo  da  regra­matriz  de  incidência  da  contribuição  previdenciária  patronal, para excluir da base de cálculo: a) os ganhos eventuais; e b) os abonos expressamente  desvinculados de salário.  A obliteração  da  incidência  sobre  os  ganhos  eventuais  é  isenção  parcial  na  acepção técnica do termo. Sua dinâmica impede a incidência tributária sobre os valores pagos  aos  empregados  e  trabalhadores  avulsos  sem habitualidade,  termo  este  também não  definido  pelo direito11.  Disso deriva­se que as verbas pagas de maneira eventual devem ser excluídas  da base de cálculo da contribuição previdenciária patronal.  Já  a  isenção  dos  abonos  desvinculados  de  salário  é  norma  vazia,  pois  pretende afetar hipótese de não incidência. Tais verbas, justamente por serem desvinculadas do  salário,  carecem  do  elemento  contraprestação,  resultando  no  não­ser  jurídico  tributário12.  Novamente, revela­se a preocupação do legislador ao reiterar a pretensão de salvaguardar esta  materialidade da incidência tributária.  Em  homenagem  à  boa  hermenêutica,  frisa­se  que  a  norma  de  isenção  é  a  constante no Art. 22, § 2º. A referência ao Art. 28, “e”, “7”, não demanda uma conjugação de  normas, mas de norma com suporte físico (texto positivo). A primeira “toma de empréstimo” o  conteúdo meramente linguístico da segunda para completar­lhe o sentido, da mesma maneira  como se transcrevesse no § 2º os grafemas contidos no item “7”. Essa observação é necessária                                                              11 A identificação do conteúdo semântico dos grafemas “ganhos eventuais” demanda verticalização da matéria, o  que abstenho­me de realizar à vista na inaplicação ao caso concreto.  12 A  não­incidência  é  simplesmente  a  explicação de uma  situação  que ontologicamente  nunca  esteve dentro da  hipótese de incidência possível do tributo.   Deveras, não há incidência quando ocorre um fato tributariamente irrelevante, isto é, que não se ajusta (subsume)  a nenhuma hipótese de incidência tributária. (...)   Fica  claro,  desse  modo,  que,  enquanto  a  isenção  depende  de  lei  (lato  sensu)  para  validamente  surgir,  a  não­ incidência decorre da própria natureza das coisas, podendo – e devendo – ser deduzida por mero labor exegético.  Ou, se preferirmos, enquanto a isenção deriva da lei, a não­incidência deriva da falta de lei (em alguns casos) ou  da  impossibilidade  jurídica de  tributar­se certos  fatos, em face de a  regra­matriz constitucional do  tributo a eles  não se ajustar.  Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     16  para corroborar outra proposição: a de que a base de cálculo da contribuição patronal não se  identifica com o salário de contribuição (base de cálculo das contribuições dos empregados e  trabalhadores avulsos).  O comando prescrito pela norma que positiva a instituição do tributo esgota­ se  em  si mesmo. Com  isso  queremos  dizer  que  a norma  geral  e  abstrata  de  tributação,  bem  como  os  contornos  do  seu  conteúdo  pecuniário  potencial,  estão  encerrados  na  previsão  hipotética  legal,  e  podem  ser  conhecidos  pela  análise  do  binômio  materialidade/base  de  cálculo.  Incide  novamente  o  princípio  tributário  da  tipicidade  cerrada  ou  numerus  clausus,  de  acordo  com  o  qual  todos  os  elementos  (critérios)  determinantes  da  incidência  devem constar pormenorizados no corpo do diploma normativo introdutor.  Esses critérios determinam a condição necessária e suficiente para instaurar  o liame jurídico obrigacional entre Sujeito Ativo (União) e Sujeito Passivo (contribuinte), cujo  objeto  é  a  obrigação  tributária,  devendo  ser  mensurado  de  acordo  com  a  relação  de  refiribilidade materialidade/base de cálculo.  Essa mensuração, portanto, esgota­se no veículo  introdutor  (Art. 22),  sendo  descabido colher de  suporte  alheio  (Art.  28)  elementos  supostamente  capazes de mensurar o  conteúdo financeiro do tipo.  Assim sendo, concluo que:  Base de cálculo da contribuição social previdenciária  Patronal  Segurados e trabalhadores avulsos  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à Seguridade Social,  além do  disposto  no art. 23, é de:  I ­ vinte por cento sobre o total das remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  que  lhe  prestem  serviços,  destinadas  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer pelos  serviços  efetivamente prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços,  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato  ou,  ainda,  de  convenção  ou  acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa.   Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração auferida em uma ou mais empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  título,  durante  o mês,  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  qualquer  que  seja  a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou  acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa;      Da  aparente  identidade  entre  os  conceitos  decorre  a  imprecisão  técnica  de  considerar  os  itens  “a”  a  “x”  do  §  9º  do  Art.  28  como  as  únicas  hipóteses  de  exclusão  de  valores da base de cálculo:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  §  9º Não  integram o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta Lei,  exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.582          17 a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais,  salvo  o  salário­maternidade; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta  nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;  c)  a  parcela  "in  natura"  recebida  de  acordo  com  os  programas  de  alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência  Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo adicional constitucional,  inclusive o valor correspondente  à  dobra  da  remuneração  de  férias  de  que  trata  o  art.  137  da  Consolidação das Leis do Trabalho­CLT; (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).  e)  as  importâncias: (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97  1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;  2.  relativas  à  indenização  por  tempo  de  serviço,  anterior  a  5  de  outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia  do Tempo de Serviço­FGTS;  3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT;  4. recebidas a  título da indenização de que  trata o art. 14 da Lei nº  5.889, de 8 de junho de 1973;  5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144  da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente  desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  8. recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada; (Redação  dada  pela Lei nº 9.711, de 1998).  9. recebidas  a  título  da  indenização  de  que  trata  o  art.  9º da  Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711,  de 1998).  f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  g)  a  ajuda  de  custo,  em parcela  única,  recebida  exclusivamente  em  decorrência  de  mudança  de  local  de  trabalho  do  empregado,  na  forma  do  art.  470  da  CLT; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta  por cento) da remuneração mensal;  Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     18  i)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  complementação  educacional de estagiário, quando paga nos  termos da Lei nº 6.494,  de 7 de dezembro de 1977;  j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga  ou creditada de acordo com lei específica;  l) o abono do Programa de Integração Social­PIS e do Programa de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP; (Alínea  acrescentada  pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)  m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação  fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em  localidade  distante  da  de  sua  residência,  em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas  pelo Ministério  do  Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito  seja  extensivo  à  totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei  nº 9.528, de 10.12.97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º  de  dezembro  de  1965; (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).  p) o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago pela pessoa  jurídica  relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados  e  dirigentes,  observados,  no  que  couber,  os  arts.  9º  e  468  da  CLT; (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  q)  o  valor  relativo  à  assistência  prestada  por  serviço  médico  ou  odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da  empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços; (Alínea  acrescentada  pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)  s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o  reembolso  creche  pago  em  conformidade  com  a  legislação  trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à  educação  básica  de  empregados  e  seus  dependentes  e,  desde  que  vinculada  às  atividades  desenvolvidas  pela  empresa,  à  educação  profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394,  de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de  2011)  Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.583          19 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído  pela Lei nº 12.513, de 2011)  2.  o  valor  mensal  do  plano  educacional  ou  bolsa  de  estudo,  considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da  remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente  a  uma  vez  e  meia  o  valor  do  limite  mínimo  mensal  do  salário­de­ contribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011)  u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com  o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  x)  o  valor  da  multa  prevista  no  §  8º  do  art.  477  da  CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  A  lógica  proposicional  determina,  pelo  princípio  da  identidade,  que  “uma  cosa es uma cosa, y outra cosa es outra cosa” 13. A proposição é terminativa, ou seja, dizer que  uma coisa é uma coisa não implica dizer que outra coisa também é, ou não é.  Com isso, concluo que a lista prevista nos itens “a” a “x” do artigo 28 não é  taxativa da não incidência, qualificada ou não. Os valores pagos sem contraprestação também  delimitam os contornos do aspecto quantitativo da norma.  Resumo no seguinte quadro sinótico:    Isto  posto,  temos  a  regra­matriz  de  incidência  da  contribuição  social  previdenciária patronal:                                                                13 ECHAVE, Delia Teresa; URQUIJO, María Eugenia; GUIBOURG, Ricardo A.. Lógica, proposición y norma.  Editora Astrea: Buenos Aires, 2008. p. 83.  Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     20    Critério Material   Pagar remuneração (salário em contraprestação pelo trabalho) e gorjetas, com  habitualidade          Critério Espacial  Antecedente    Território Nacional              Critério Temporal        Momento do pagamento                    Sujeito Ativo   União  Critério Pessoal                        Sujeito Passivo   Empregador, empresa ou entidade equiparada    Consequente                   Base de Cálculo         Remuneração habitual e gorjetas  Critério Quantitativo         Alíquota                20%    Colocadas essas premissas, passo à análise do caso concreto.  A matéria  objeto  de  apreciação  resume­se  à  tributação  dos  valores  pagos  a  título das rubricas “terço de férias”, “afastamento nos primeiros quinze dias a título de auxílio­ acidente e doença”, “verbas rescisórias”, “aviso prévio indenizado” e “horas extras”.   Do Terço de Férias  O  surgimento  de  referido  acréscimo  foi  inaugurado  com  a  Constituição  Federal de 1988, em seu artigo 7º inciso XVII:  Art. 7º ­ São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além  de outros que visem à melhoria de sua condição social:  (...)  XVII ­ gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um  terço a mais do que o salário normal;  Certo  é  que  o  constituinte  conferiu  aos  trabalhadores  além  do  descanso,  compulsoriamente “pago”, um valor “extra” para melhor fruição do período de descanso, sendo  certo que este acréscimo não é pago em virtude da contraprestação pelo trabalho.  A meu entender, isso não significa, ao contrário do que tem decidido o STF,  que  referida  paga  reveste­se  de  caráter  indenizatório.  Esta  qualidade  decorre  sempre  da  supressão de um direito, hipótese que não se enquadra no caso. De  fato, não existe nada  a  indenizar,  mas  simplesmente  uma  obrigação  legal  de  pagar.  Na  esteira  do  entendimento  demonstrado, penso que se trata de hipótese de não incidência simples.   Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.584          21 Assim, sigo acompanhando a Corte Constitucional pelas conclusões:  “CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  TERÇO  CONSTITUCIONAL. FÉRIAS. O STJ entendia que o acréscimo  de  1/3  sobre  as  férias  integraria  a  remuneração  do  servidor  público e, conseqüentemente, a base de cálculo da contribuição  previdenciária (art. 4º da Lei n. 10.887/2004), pois se trataria,  ao  cabo,  de  vantagem  retributiva  da  prestação  do  trabalho.  Contudo,  esse  entendimento  mostrou­se  contrário  a  vários  arestos  do  STF,  que  concluíam  não  incidir  a  referida  contribuição sobre aquele adicional, visto que deteria natureza  compensatória, indenizatória, por não se incorporar ao salário  do  servidor  para  aposentadoria  (art.  201,  §  11,  da CF/1988).  Assim,  embora  esses  julgados  não  sejam  do  Pleno  do  STF,  a  Seção reviu sua posição, para entender também que não incide  contribuição  previdenciária  sobre  o  terço  constitucional  de  férias. Anote­se, por último, que esse entendimento da Seção foi  firmado  em  incidente  de  uniformização  jurisprudencial  que  manteve  o  acórdão  impugnado  da  Turma  Nacional  de  Uniformização  de  Jurisprudência  dos  Juizados  Especiais  Federais  acorde  com  a  jurisprudência  do  STF.  Precedentes  citados  do  STF:  AI  712.880­MG, DJe  11/9/2009;  AI  710.361­ MG, DJe  8/5/2009; AgRg  no AI  727.958­MG, DJe  27/2/2009;  AgRg no RE 589.441­MG, DJe 6/2/2009; RE 545.317­DF, DJe  14/3/2008, e AI 603.537­DF, DJ 30/3/2007”.   (STF,  Pet  7.296­PE,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon,  julgada  em  28/10/2009)  Do Auxílio­Doença (Afastados)  A Constituição de 1988 adotou o princípio da dignidade da pessoa humana  como valor a ser perseguido pelo Estado e pela sociedade. Trata­se de positivação do modelo  do  Estado  Social,  pressupondo  a  cobertura  dos  riscos  sociais  decorrentes  do  convívio.  O  princípio da universalidade do atendimento alberga a proteção à maternidade, ao desemprego, à  velhice, à reclusão, entre outros.  Essa cobertura é operacionalizada pela prestação de serviços e pela concessão  dos benefícios pelo SSS, diretamente pelo Estado, e também por transferência aos particulares,  obrigados  a  colaborar  em  função  da  primazia  do  interesse  coletivo.  Os  chamados  “auxílio­ doença” e o “auxílio–acidente” são exemplos de benefícios sociais cujo encargo foi transferido  ao empregador em função dessa sistemática.  Caracterizados  como  benefícios,  subsumem­se  à  hipótese  da  norma  de  isenção prescrita pelo art. 22 da Lei 8.212/91:   “Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     22  segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem  serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa.  (...)  § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o §  9º do art. 28.  (...)”  “Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei, exclusivamente:  a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o salário­maternidade;”  A  norma  de  isenção  indigitada  fulmina  a  materialidade  da  hipótese,  impedindo o nascimento da obrigação tributária. Os valores pagos a título de auxílio­doença e  auxílio acidente são isentos de contribuições previdenciárias.  Não obstante, por outra e óbvia razão, a tributação previdenciária não alcança  as referidas pagas: a relação carece do indispensável elemento contraprestação.  Os  valores  pagos  a  título  de  auxílio­doença  não  retribuem  o  trabalho,  pois  trabalho não há. Trata­se de período em que o empregado está se recuperando da enfermidade  ou do dano físico causado pelo acidente, e recebendo por isso. A hipótese desnatura a relação  sinalagmática  do  contrato  de  trabalho,  o  transformado  temporariamente  em  relação  de  obrigação unilateral, vez que há pagamento de salário independente de retribuição laboral.  Esse  encargo  unilateral  do  empregador  não  subsiste  por  benesse,  mas  por  obrigação legal, como é natural que seja. No mercado, impera a lei do “there’s no free lunch”.  A obrigação de pagar salário sem contraprestação não deriva do contrato laboral particular.  Carente de contraprestação, o pagamento é um não­ser  jurídico para fins de  incidência de contribuição previdenciária.  Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica:  “RECURSO  ESPECIAL.  PREVIDENCIÁRIO.  BENEFÍCIO  PREVIDENCIÁRIO.  AUXÍLIO­DOENÇA.  CONTRIBUIÇÃO.  INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDE.  O  empregado afastado  do  trabalho  por motivo  de  doença  não  presta serviços e, por isso, não recebe salário, mas apenas uma  Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.585          23 verba de caráter indenizatório durante os primeiros quinze dias  de afastamento. Por conseguinte, resta afastada a incidência da  contribuição  previdenciária,  que  tem  por  base  de  cálculo  a  remuneração percebida habitualmente.  Recurso provido.”  (STJ, REsp 748193 / SC, Ministro José Arnaldo da Fonseca, DJ  17.10.2005 p. 347)  “PROCESSUAL  CIVIL.  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC.  NÃO­OCORRÊNCIA.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  REMUNERAÇÃO  PAGA  PELO  EMPREGADOR  NOS  PRIMEIROS  QUINZE  DIAS  DO  AUXÍLIO­DOENÇA. NÃO­INCIDÊNCIA SOBRE O SALÁRIO­ MATERNIDADE.  NATUREZA  REMUNERATÓRIA.  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  PRECEDENTES  DESTA  CORTE  DE  JUSTIÇA.  RECURSO  PARCIALMENTE PROVIDO.  1.  Não  viola  o  art.  535  do  CPC,  tampouco  nega  a  prestação  jurisdicional,  o  acórdão  que,  mesmo  sem  ter  examinado  individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido,  adota  entretanto,  fundamentação  suficiente  para  decidir  de  modo integral a controvérsia.  2. Esta Corte já consolidou o entendimento de que não é devida  a  contribuição  previdenciária  sobre  a  remuneração  paga  pelo  empregador ao empregado, durante os primeiros quinze dias do  auxílio­doença,  à  consideração  de  que  tal  verba,  por  não  se  tratar  de  contraprestação  do  trabalho,  não  tem  natureza  salarial.  3. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça pacificou  entendimento  no  sentido  de  que  o  salário­maternidade  tem  natureza  remuneratória,  e  não  indenizatória,  integrando,  portanto, a base de cálculo da contribuição previdenciária.  4. Recurso especial parcialmente provido.”  (STJ, REsp 886954 / RS, Ministra Denise Arruda, DJ 29.06.2007 p. 513)  Verbas Rescisórias  As  verbas  rescisórias  especiais  recebidas  a  título  de  férias  em pecúnia,  13°  salário,  licença­prêmio  não  gozada,  conversão  de  terço  de  férias,  ausência  permitida  ao  trabalho, extinção do contrato de trabalho por dispensa incentivada e aviso prévio indenizado,  merecem especial atenção.  São  verbas  pagas  quando  do  término  da  relação  de  trabalho,  em  que  se  constata a pendência de direitos trabalhistas a cargo do empregador. São direitos que, ao tempo  Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     24  em  que  deveriam  ser  atendidos  não  o  foram  e,  diante  da  impossibilidade  de  concedê­los  no  momento da rescisão contratual, fica o empregador obrigado a conceber tais direitos mediante  indenização ao empregado.  Vale dizer que,  a nosso  ver,  independentemente  da natureza da verba  a  ser  convertida  em  rescisória  –  seja  ela  13°  salário,  férias,  licença  prêmio  ou  aviso  prévio  indenizado ­, no momento em que se constata seu descumprimento por parte do empregador e  fica este obrigado à conversão  em pecúnia, os valores passam a  ter caráter  indubitavelmente  indenizatório  e,  portanto,  não  passível  de  inclusão  na  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias.  Neste sentido já decidiu o CARF em relação à incidência de IRPF:   “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF  Exercício: 2000  VERBAS  RECEBIDAS  A  TÍTULO  DE  FÉRIAS  PROPORCIONAIS  E  RESPECTIVO  TERÇO  CONSTITUCIONAL. INDENIZAÇÃO. No tocante ás férias não  gozadas e respectivo terço constitucional, recebidas na rescisão  contratual, há de se reproduzir o decidido no REsp 1111223/SP,  recurso  representativo  de  controvérsia,  submetido  ao  procedimento do art. 543­C do CPC, nos termos em que dispõe  o  art.  62­A  do  anexo  II  do  RICARF.  Os  valores  recebidos  a  título  de  férias  proporcionais  e  respectivo  terço  constitucional  são  indenizações  isentas  do  pagamento  do  Imposto  de  Renda.  VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE LICENÇA PRÊMIO NÃO  GOZADA.  RESCISÃO  DO  CONTRATO  DE  TRABALHO.  A  jurisprudência do CARF e do STJ é pacífica no sentido de que  não  incide  imposto  de  renda  sobre  verbas  indenizatórias,  decorrentes de rescisão do trabalho, tal como a licença­prêmio.  Precedentes  STJ.  Precedentes  CARF.  Recurso  especial  negado.”  (CARF,  PAF  19679.005336/2003­75,  Acórdão  n°  2801­ 002.847, Rel. Marcelo Vasconcelos de Almeida)  Assim,  não  há  que  se  falar  em  inclusão  de  verbas  indenizatórias  pagas  em  razão de rescisão contratual.  Aviso Prévio Indenizado  O aviso prévio é direito constitucionalmente garantido ao trabalhador no art.  7º,  XXI,  CF,  que  determina  que  em  casos  de  demissão  sem  justa  causa,  o  trabalhador  seja  informado do rompimento de seu contrato de trabalho com um mês de antecedência, o que lhe  garante prazo para a procura de novo emprego.  Muito comum, no entanto, que empregadores, ao invés de cumprirem o prazo  do  aviso  prévio,  comuniquem o  empregado do  rompimento  do  contrato  de  trabalho,  ficando  obrigado a indenizá­lo por não mantê­lo em seu cargo por mais trinta dias.  É o aviso prévio indenizado.  Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.586          25 Os Tribunais Superiores pacificaram o entendimento de que, por se tratar de  verba genuinamente indenizatória e, ainda, por não se destinar a retribuição de trabalho, não há  que se incluir o aviso prévio indenizado na base de cálculo das contribuições previdenciárias:  “TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  AVISO  PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO­ INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES.  1.  A  solução  integral  da  controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa  ao art. 535 do CPC. 2. A Segunda Turma do STJ consolidou o  entendimento  de  que  o  valor  pago  ao  trabalhador  a  título  de  aviso  prévio  indenizado,  por  não  se  destinar  a  retribuir  o  trabalho  e  possuir  cunho  indenizatório,  não  está  sujeito  à  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  a  folha  de  salários. 3. Recurso Especial não provido.”  (STJ,  REsp  1218797  /  RS,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Herman  Benjamin, DJe 04/02/2011)  “TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  EMPRESA.  ART.  22,  INC.  I,  DA  LEI  N.  8.212/91.  BASE  DE  CÁLCULO.  VERBA  SALARIAL.  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO.  NATUREZA  INDENIZATÓRIA.  NÃO  INCIDÊNCIA.  1.  A  indenização  decorrente  da  falta  de  aviso  prévio  visa  reparar  o  dano  causado  ao  trabalhador  que  não  fora  alertado  sobre  a  futura  rescisão  contratual  com  a  antecedência  mínima  estipulada  na CLT,  bem  como  não  pôde  usufruir da redução da jornada a que fazia jus (arts. 487 e segs.  da  CLT).  2.  Não  incide  contribuição  previdenciária  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  aviso  prévio  indenizado,  por  não  se  tratar de verba salarial. 3. Recurso especial não provido.”  (STJ,  REsp  1198964  /  PR,  Segunda  Turma,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell Marques, DJe 04/10/2010)  Horas Extras  A Constituição Federal, no art. 7°, inciso XVI, prevê:  “Art. 7°. (...)  XVI  ­  remuneração  do  serviço  extraordinário  superior,  no  mínimo, em cinqüenta por cento à do normal;”  Regulamentando a norma constitucional, a CLT estabelece que:  “Art. 58 ­ A duração normal do trabalho, para os empregados  em qualquer atividade privada, não excederá de 8 (oito) horas  diárias, desde que não seja fixado expressamente outro limite.”  “ Art. 59 ­ A duração normal do trabalho poderá ser acrescida  de horas suplementares, em número não excedente de 2 (duas),  Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     26  mediante  acordo  escrito  entre  empregador  e  empregado,  ou  mediante contrato coletivo de trabalho.  §  1º  ­  Do  acordo  ou  do  contrato  coletivo  de  trabalho  deverá  constar,  obrigatoriamente,  a  importância  da  remuneração  da  hora  suplementar,  que  será,  pelo  menos, 20%  (vinte  por  cento) superior à da hora normal.”  Sergio Pinto Martins define hora extra como sendo a hora prestada “além do  horário  contratual,  legal  ou  normativo,  que  devem  ser  remuneradas  com  o  adicional  respectivo”14.  Amauri  Mascaro  do  Nascimento  atribui  conceito  semelhante,  significando­as  como as horas “que ultrapassam a jornada normal fixada por lei, convenção coletiva, sentença  normativa ou contrato individual de trabalho”15.  Assim  também  é  o  entendimento  do  Ministro  do  TST  Maurício  Godinho  Delgado16, que caracteriza a hora extra como “a jornada cumprida em extrapolação à jornada  padrão  à  relação  empregatícia  concreta”.  “Estabelece­se  em  face  da  ultrapassagem  da  fronteira normal da jornada de trabalho”.  A  doutrina  caracteriza  a  hora  extraordinária  pela  anormalidade,  porque  se  instaura  à  revelia  do  pactuado  ou  do  determinado  pela  lei.  Enquanto  a  jornada  de  trabalho  contratada ou  legal  é previsível,  a  extra  jornada  é  imprevisível,  ante  a  ausência de elemento  jurídico necessário à sua expectatividade.  Inobstante  a  possibilidade  do  acontecimento,  a  ocorrência  da  hora  extraordinária  é  imprevisível,  simplesmente  porque  não  é  previamente  pactuada.  A  jornada  extraordinária  acontece  sem  que  o  empregado  ou  empregador  se  programem;  porque  se  programada seria normal (contratual).  Ademais,  as  questões  de  signo,  como  adverte  Bobbio,  “...  são  de  grande  importância para o direito, porque, elegendo um nome ao invés de outro, torna­se rigorosa e  não  suscetível  de  mal­entendido  uma  determinada  linguagem”17.  O  significado  da  palavra  extraordinária  confirma  a  eventualidade  da  hora  extra,  porque  caracteriza  o  excepcional,  o  anormal e o imprevisível:  “Extraordinário  é  o  que  não  é  comum  ou  ordinário,  configurando­se, dessarte, em anormalidade, excepcionalidade,  singularidade ou imprevisibilidade.” 18  Noutro  vértice,  mesmo  que  programada,  expectada  ou  combinada  entre  as  partes  da  relação  de  emprego,  não  há  periodicidade,  porque  o  extraordinário  é  acidental  ou  fortuito. Mesmo que casuisticamente ordinária, a extra jornada somente adquire a condição de  habitual  se  mantiver  essa  característica  durante  doze  meses  (Súmula  nº  291  do  TST);  caso  contrário, mesmo que por menor período expectada e reiterada, a hora extraordinária mantém­ se na categoria da eventualidade.                                                              14 MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 22ª Ed. São Paulo: Atlas. 2006, p. 490.  15 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 26ª Ed. São Paulo: LTr. 2000, p. 264.  16 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 3ª Ed. São Paulo: LTr. 2004, p. 889.  17 BOBBIO, Norberto. Studi Sulla Teoria Generali delDiritto. Torino: Giappichelli. 1955, p. 37.  18 Comissão de Redação. Extraordinário,  in Enciclopédia Saraiva do Direito. FRANÇA, R. Limongi  (Coord.). São  Paulo: Saraiva. 1977, p. 513.  Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.587          27 Necessário  então  classificar  as  importâncias  pagas  em  contraprestação  às  horas  extras  como  isentas  de  contribuição  previdenciária,  haja  vista  que  se  encontram  na  modalidade de valores prevista no item 7 da alínea “e” do § 9º do art, 28 da Lei nº 8.212/91, ou  seja, na categoria das importâncias eventuais. Essa identificação, ao menos, deve ser atribuída  às  importâncias  que  remuneram  horas  extraordinárias  que  não  atingiram  o  critério  de  habitualidade definido pela Súmula nº 291 do TST.  Além da norma de isenção acima demonstrada, a incidência da contribuição  previdenciária  sobre  o  pagamento  da  hora  extra  deve  ser  também  analisada  sob  a  ótica  do  disposto no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91.  O trabalho extra jornada, além de remunerado, é indenizado em, no mínimo,  50%  da  remuneração.  Esse  adicional,  embora  pago  acessoriamente  à  remuneração,  não  se  identifica  nessa  classe,  caracterizando­se,  diferentemente,  como  espécie  de  indenização;  compensação  pelo  descumprimento  do  contrato,  que  estabelecia  jornada  de  trabalho  descumprida pelo empregador.  Ultrapassada a jornada ordinária, o contrato de trabalho é descumprido. Afora  remunerar  essa  atividade  com a  remuneração pactuada, o  empregador,  outrossim,  indeniza o  empregado pelo descumprimento do  contrato,  pagando­o,  como  indenização, 50% a mais  da  remuneração devida pelo trabalho:    O TST, por meio da Orientação Jurisprudencial nº 18 da SDI­1, confirmou a  natureza  indenizatória  do  adicional  da  hora  extra,  excluindo­o  da  base­de­cálculo  dos  benefícios previdenciários:  “Orientação  Jurisprudencial  nº  18  da  SDI­1,  do  TST  –  Complementação  de  Aposentadoria.  Banco  do  Brasil.  I  –  As  horas  extras  não  integram  o  cálculo  da  complementação  de  aposentadoria.”  Se  a  hora  extraordinária  não  integra  o  cálculo  do  benefício  previdenciário,  não  integra,  também,  a  base­de­cálculo  da  contribuição  previdenciária,  porque  entre  o  benefício  e  a  contribuição há  intima  referibilidade, manifestada através da  sinalagmaticidade  genética.  Com base em tais fundamentos, com relação ao imposto sobre a renda, o. STJ  já decidiu:  “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL. VERBAS INDENIZATÓRIAS. HORAS­EXTRAS  TRABALHADAS  (IHT). NÃO­INCIDÊNCIA DE  IMPOSTO DE  RENDA.  SÚMULAS  NºS  125  E  136/STJ.  PRECEDENTES.  1.  Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     28  Agravo  regimental  contra  decisão  que  proveu  o  recurso  especial  do  particular.  2.  O  acórdão  a  quo  entendeu  pela  incidência  do  imposto  de  renda  sobre  verbas  indenizatórias  (horas­extras  trabalhadas).  3.  O  imposto  sobre  a  renda  tem  como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou  jurídica  da  renda  (produto  do  capital,  do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos)  e  de  proventos  de  qualquer  natureza  (art.  43  do CTN).  4.  A  indenização  especial,  o  13º  salário,  as  férias,  o  abono  pecuniário  não  gozados,  assim  como  a  indenização  de  horas  trabalhadas  (IHT),  não  configuram  acréscimo  patrimonial  de  qualquer  natureza  ou  renda  e,  portanto, não são  fatos  imponíveis à hipótese de  incidência do  IR, tipificada pelo art. 43 do CTN. A referida indenização não é  renda  nem  proventos.  5.  Inteligência  das  Súmulas  nºs  125  e  136/STJ.  6.  Precedentes  desta  Corte  Superior.  7.  Agravo  regimental não provido.”  (STJ,  AgRg  no  REsp  670.699/RN,  Rel.  Min.  José  Delgado,  publ. 01.02.2006)  Se para fins de Imposto de Renda o entendimento firmado é o de que as horas  extras não têm natureza de remuneração, mas sim de indenização, não há por que se entender  de outra maneira no que tange à contribuição previdenciária sobre a folha.  Multa – Alegação de Inconstitucionalidade  A Lei n° 9.430/ estabelece que:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (...)”  A  Recorrente  alega  que  a  aplicação  da  multa  de  ofício  em  75%  viola  o  Princípio  do  Não­Confisco  previsto  na  Constituição  Federal  e,  por  conseqüência,  configura  absoluta inconstitucionalidade.  Não cabe aos órgãos administrativos o julgamento de constitucionalidade de  qualquer  que  seja  a  legislação  vigente,  uma  vez  que  a  esfera  administrativa  está  adstrita  à  correta aplicação da norma em plena vigência.  Registre­se que a instância administrativa não possui competência legal para  manifestar­se sobre questões em que se alega eventual colisão da legislação face à Constituição  Federal,  tendo  em  vista  ser  esta  competência  exclusiva  do  Poder  Judiciário,  nos  termos  da  Constituição Federal (art. 102, I, a, e III, b; art. 103, § 2°; EC n° 3/1993).  Assim, na esfera administrativa, a competência  limita­se a afastar aplicação  de  leis  já declaradas  inconstitucionais definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal  (STF),  atendendo a determinação do Secretário da Receita Federal.  Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.588          29   Conclusão  Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e dou a ele provimento em  parte para reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a  título  de  terço  de  férias,  auxílio­acidente,  auxílio­doença,  verbas  rescisórias,  aviso  prévio  indenizado e horas extras e, por conseqüência retirar do presente débito os valores referentes a  tais verbas.  É como voto.    Thiago Taborda Simões.  Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     30    Voto Vencedor  Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo ­ Redator Designado  Analisando o voto proferido pelo i. Conselheiro Relator, especificamente no  que  tange  à  discussão  acerca  dos  valores  decorrentes  da  verba  paga  a  título  de  horas  extraordinárias  (horas  extras),  constante  da  folha  de  pagamento,  entendo  que  tais  valores  devem  integrar  a  base  de  cálculo  das  contribuições  sociais  previdenciárias,  pelas  razões  que  passo a expor.  A  Recorrente  argumenta  que  não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  as  verbas  pagas  a  título  de  horas  extraordinárias  e  seu  adicional,  entendendo que tais pagamentos teriam natureza indenizatória.  Não confiro razão a Recorrente, eis que a natureza remuneratória da parcela  não  é  definida  pelo  seu  nome,  mas  sim  em  decorrência  da  sua  natureza  jurídica.  Ficou  demonstrado  nos  autos  (Relatório  Fiscal  e  demais  documentos  acostados  aos  autos)  que  os  valores decorrentes da verba paga a título de horas extras são oriundos da prestação de serviços  realizados pelos segurados empregados após o horário normal da jornada de trabalho. Assim,  como  o  intervalo  de  sua  jornada  de  trabalho  foi  alterado,  tais  segurados  receberam  uma  remuneração a mais pela prestação de serviços à Recorrente, isso confere aos valores pagos a  natureza de salário de contribuição (base de cálculo) para as contribuições sociais lançadas, nos  termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, in verbis:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho,  qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda,  de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (g.n.)  Portanto, foi correto o procedimento da Auditoria Fiscal em considerar como  salário de contribuição os valores pagos a título de horas extras, uma vez que esses pagamentos  não  estão  abarcados  pela  regra  de  isenção  prevista  no  art.  28,  §  9°,  da  Lei  8.212/1991,  transcrito abaixo:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  (...)  § 9° Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  n°  9.528,  de  10.12.97) (....)  Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13963.000812/2010­07  Acórdão n.º 2402­003.570  S2­C4T2  Fl. 1.589          31 Extrai­se dessa regra que todas as importâncias que se destinem a retribuir o  trabalho – que é caso dos valores pagos a  título de horas extras –,  independentemente de sua  denominação ou a forma como são pagas, deverão compor a base de cálculo das contribuições  sociais apuradas no presente processo, eis que os valores pagos correspondem à remuneração  oriunda de trabalho extraordinário.  Caminha com o mesmo entendimento, os precedentes emanados das decisões  do Tribunal Superior de Justiça (STJ) tratando da matéria:  “EMENTA:  TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  HORAS­ EXTRAS.  ADICIONAL  DE  INSALUBRIDADE.  INCIDÊNCIA.  NATUREZA  REMUNERATÓRIA.  ACRÉSCIMO PATRIMONIAL.  1. Incide Imposto de Renda sobre as verbas recebidas a título de  horas­extras  e  adicional  de  insalubridade,  ante  seu  caráter  remuneratório,  o  que  importa  em  acréscimo  patrimonial.  Precedentes do STJ. (g.n.)  2.  Recurso  Especial  não  provido.  (STJ;  REsp  615327  RS  2003/0219160­0;  Relator(a):  HERMAN  BENJAMIN;  em  19/06/2007; Publicação: DJe 19/12/2008)  Considerando que  a verba discutida  representa  um ganho ao  empregado,  já  que  tem  nítida  repercussão  econômica  e  configura  uma  hipótese  de  trabalho  extraordinário,  concedida com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses  excludentes do art. 28, § 9°, da Lei 8.212/1991, é correta a sua inclusão na base de cálculo das  contribuições sociais previdenciárias.  Ainda  cumpre  esclarecer  que  os  acordos  celebrados  entre  empresa  e  seus  empregados não têm o condão de afastar o fato gerador da obrigação tributária, tendo em conta  que seus efeitos operam­se apenas entre as partes envolvidas na esfera civil. Não é vedado que  alguém contrate com outrem a responsabilidade particular por determinado tributo.  Vale registrar que caso qualquer cláusula do contrato firmado entre as partes  determinasse expressamente que os valores pagos a  título de  indenização não  representariam  um  pagamento  de  vantagem  econômica  para  os  segurados  empregados,  ainda  assim  tal  afirmação seria  totalmente  inócua e absolutamente  ineficaz em  face do Fisco, nos  termos do  art.123 do CTN, que dispõe sobre a inoponibilidade das convenções privadas contra a entidade  lançadora do tributo.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.  Diante  disso,  pelos  mesmos  motivos  anteriormente  expostos  e  tendo  em  conta  o  que  dispõe  o  art.  28,  inciso  I,  da  Lei  8.212/1991  e  o  seu  §  9o,  já  exaustivamente  mencionado, mantém­se  a exigência oriunda da verba paga  a  título de horas  extraordinárias,  Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     32  incluindo  o  seu  adicional,  eis  que  essa  verba  decorre  da  supressão  do  intervalo  entre  as  jornadas de trabalho que deveria ter sido concedido aos segurados empregados.  Quanto aos demais pontos abordados pelo ilustre Relator, no que não colidem  com a motivação supramencionada, alio­me às suas razões de decidir.  Conclusão  Por  todo  o  exposto,  conheço  do  recurso  voluntário  e  dou­lhe  provimento  parcial,  para  reconhecer  o  direito  ao  abatimento  dos  valores  pagos  pelas  empresas  desconsideradas do SIMPLES, bem como para  reconhecer  a não  incidência de  contribuições  previdenciárias sobre as verbas pagas a título de terço constitucional de férias, auxílio­acidente,  auxílio­doença, verbas rescisórias e aviso prévio indenizado.    Ronaldo de Lima Macedo.                Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assina do digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10983.901219/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da 3ª Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA. Relatório Trata-se de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP – no valor de R$ 1.476,93 (mil e quatrocentos e setenta e seis reais e noventa e três centavos) apresentado pelo contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus (COFINS – 04/2004) com créditos relativos a retenções na fonte, que sofreu em face do recebimento de valores que lhes foram pagos por órgão com afetação pública, a Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. A compensação não foi homologada, ante a constatação, por parte da DRF- Florianópolis/SC, de que o DARF apontado como crédito inexistia. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A contribuinte apresentou em 09/06/2008, Manifestação de Inconformidade, à fl. 38 (n.e.) alegando, em síntese, que é pessoa jurídica concessionária de serviço público de energia elétrica e por isso está sujeita à incidência, na fonte, de imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social – COFINS e da contribuição para o PIS, conforme o art. 64, da Lei 9.430/96. E que verificou que em maio de 2004 a Universidade efetuava a retenção do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS e recolhia em nome da contribuinte aos cofres públicos. Aduz que só é possível efetuar a compensação com os dados da guia de recolhimento (DARF) e que diligenciou junto à Universidade e obteve junto ao departamento financeiro a cópia da tela SIAF representativa do documento de arrecadação, e identificou a quantia de R$ 1.476,93, que acrescidos de juros SELIC desde o recolhimento, equivale à quantia de R$ 2.429,85. Assim, procedeu com a compensação do crédito, conforme artigo 74 da Lei 9.430/96, alegando ser legítima a compensação efetuada e que a mesma deve ser homologada pela Autoridade Fiscal. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), decidiu pela não homologação da compensação, proferindo Acórdão n° 07-16.315 (fls. 81 – numeração eletrônica), de 29/05/2009, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução de impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de quem fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores. Compensação não homologada. Para a DRJ, a Contribuinte não poderia ter se validado da DCOMP para se aproveitar dos valores retidos, sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar relativos às contribuições objeto das retenções, devendo-se serem inicialmente compensadas com os períodos-base a que pertencem, sendo apenas o saldo credor porventura resultante passível de ser usado para a compensação posterior. Após todo o exposto, votou-se no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, assim, não homologando a compensação. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância em 25/06/2009 (conforme AR de fls. 88), a contribuinte apresentou tempestivamente o recurso de fls. 89, em 24/07/2009. A recorrente trouxe, novamente, todos os fatos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade. Aduziu, ainda, que verificou nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal que nunca utilizou os valores para deduzir do saldo a pagar desses tributos e que não sendo utilizado tal crédito, tem-se que esse valor é um excesso e deve ser restituído ao contribuinte, que também pode compensá-los com tributos vincendos; e que essa retenção possui natureza jurídica de um pagamento, uma vez que é um depósito nas contas pública provenientes de recursos do próprio contribuinte e que as retenções são imposições mais severas do que pagamentos espontâneos. Alega ainda que, não utilizou esse crédito e sua natureza é de pagamento a maior que o devido, e que a compensação efetuada é legítima e deve ser homologada por esse órgão de julgamento; e que ficou configurado pagamento a maior que o devido, podendo a quantia excedente ser objeto de pedido de restituição ou, ainda, ser compensada pelo sujeito passivo com seus débitos relativos a outros tributos administrados pela SRF. Ao final, requereu a reforma da decisão para declarar a homologação da compensação realizada pela contribuinte. DA PRIMEIRA DILIGÊNCIA DO CARF Em 28/10/2010, às fls. 106, através da Resolução de nº 3401-00.142, convertendo o julgamento em diligência para, em síntese, “que o órgão de origem se pronuncie sobre a DCTF retificadora, informando, de modo conclusivo, sobre o seu acatamento e substituição da original ou não, e sobre a existência de pagamento a maior ou não”. DO RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA A Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC, através da SEORT, proferiu relatório de diligência fiscal, às fls. 119 (n.e.), trazendo, primeiramente, quanto à legitimidade ad causam ocorrida no Recurso Voluntário da contribuinte, e a conclusão com os seguintes termos: Respondendo ao questionado pelo CARF: a DCTF retificadora foi acatada, substituindo a original, contudo, na DCTF ativa que consta do sistema o valor do PIS de novembro de 2000 é o mesmo informado na DCTF original (ver item 5); sobre a existência de pagamento a maior, mesmo se consideradas as retenções na fonte alegadas pelo contribuinte, não há qualquer valor disponível referente ao período de apuração novembro/2000 para ser usado da Dcomp de que tratam estes autos, nº 09509.73894.140504.1.3.04-7142 (ver item 6). E conforme mencionado no item 2, acreditamos que deveria ser procedida a cobrança imediata do débito indevidamente compensado, uma vez que decorreu in albis o prazo após a ciência do acórdão da DRJ sem manifestação válida do contribuinte. [...] DA SEGUNDA DILIGÊNCIA DO CARF Em 23/04/2012, às fls. 125 (n.e.), o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através da Resolução nº 3401-000.433, acordou por converter novamente o julgamento em diligência, sustentando que a recorrente possui inúmeros processos semelhantes, alguns já reanalisados por este mesmo Conselho, e, visou sanar a falha na representação e intimar a contribuinte a se pronunciar sobre o entendimento da DRF Florianópolis (SC), exposto na primeira diligência. DA MANIFESTAÇÃO EM DILIGÊNCIA FISCAL DO CONTRIBUINTE Em 13/07/2012, às fls. 133, a contribuinte foi intimada e na data de 14/08/2012, às fls. 134 (n.e.), a contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em suma “que as telas SIAFI demonstram que a Celesc sofreu a carga econômica das retenções em razão dos pagamentos feitos por órgãos públicos em decorrência de fornecimento de energia elétrica, devendo o recurso voluntário ser provido, a decisão da DRJ reformada e a compensação confirmada, pois o SIAFI é um sistema e administrado pela Secretaria do Tesouro Nacional. Subsidiariamente, acaso Vossa Excelência entenda que as telas SIAFI não são aptas para demonstrar a existência do crédito, a Celesc requer a conversão do julgamento em diligência, para que proceda a juntada dos respectivos “Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS” (Lei nº 9.430/96, Art. 64), expedidos pela fonte pagadora/órgão público, que são espelho das telas SIAFI, forma adotada pelo CARF nos processos 10983.901218/2008-86 e 10983.901097/2008-72, onde o valor compensado decorrentes de retenções sofridas foi confirmado pela DRF”, bem como regularizando a representação processual. DA TERCEIRA DILIGÊNCIA DO CARF Em 27/11/2012, através da Resolução 3401-000.587, às fls. 160 (n.e.), o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais resolveu por converter o julgamento em diligência, por terem sido insuficientes as diligências realizadas até o presente momento, e assim prescindir de se realizar uma nova, para que a unidade de origem adote procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/2008-86 e 10983.901097/2008-72, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não, bem como emitir parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo os seguintes questionamentos: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo; e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. A DRF de Florianópolis, através da SEORT, manifestou-se sobre a diligência do CARF, no sentido de que ocorreu a retenção em benefício da recorrente, equivalente à quantia de R$ 13.292,34, a qual foi realizada pela fonte pagadora Universidade Federal de Santa Catarina (CNPJ 83.899.526/0001-82), consoante o documento de fls. 163/164 (extrato SIAFI), entretanto, considera que o crédito indicado pela Recorrente não representa natureza jurídica de pagamento indevido ou a maior, restando inidôneo para fins de utilização na compensação de tributos administrados pela RFB. Isso porque, não demonstrou haver promovido a retificação formal nos registros e declarações dos períodos de apuração correlatos aos supostos créditos, pelo que impossível reconhecer liquidez e certeza aos créditos invocados em suas DCOMP. DA MANIFESTAÇÃO À TERCEIRA DILIGÊNCIA FISCAL Intimado em 08/11/2013, a contribuinte apresentou sua Manifestação na data de 09/12/2013, às fls. 176, suscitando, resumidamente, que frente ao fato de que a DRJ na diligência executada reconheceu explicitamente a existência da retenção em benefício da recorrente, a qual por não ter sido utilizada caracteriza-se como pagamento indevido ou a maior passível de compensação, conforme já decidido pelo CARF nos processos administrativos 10983.901218/2008-86 e 10983.901097/2008-72, requerendo seja provido o recurso voluntário da recorrente, reformando-se o despacho decisório de modo a confirmar a compensação. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 157 (cento e cinquenta e sete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

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Relatório Trata-se de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP – no valor de R$ 1.476,93 (mil e quatrocentos e setenta e seis reais e noventa e três centavos) apresentado pelo contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus (COFINS – 04/2004) com créditos relativos a retenções na fonte, que sofreu em face do recebimento de valores que lhes foram pagos por órgão com afetação pública, a Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. A compensação não foi homologada, ante a constatação, por parte da DRF- Florianópolis/SC, de que o DARF apontado como crédito inexistia. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A contribuinte apresentou em 09/06/2008, Manifestação de Inconformidade, à fl. 38 (n.e.) alegando, em síntese, que é pessoa jurídica concessionária de serviço público de energia elétrica e por isso está sujeita à incidência, na fonte, de imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social – COFINS e da contribuição para o PIS, conforme o art. 64, da Lei 9.430/96. E que verificou que em maio de 2004 a Universidade efetuava a retenção do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS e recolhia em nome da contribuinte aos cofres públicos. Aduz que só é possível efetuar a compensação com os dados da guia de recolhimento (DARF) e que diligenciou junto à Universidade e obteve junto ao departamento financeiro a cópia da tela SIAF representativa do documento de arrecadação, e identificou a quantia de R$ 1.476,93, que acrescidos de juros SELIC desde o recolhimento, equivale à quantia de R$ 2.429,85. Assim, procedeu com a compensação do crédito, conforme artigo 74 da Lei 9.430/96, alegando ser legítima a compensação efetuada e que a mesma deve ser homologada pela Autoridade Fiscal. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), decidiu pela não homologação da compensação, proferindo Acórdão n° 07-16.315 (fls. 81 – numeração eletrônica), de 29/05/2009, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam antes utilizadas como dedução de impostos e contribuições referentes ao mesmo período-base de quem fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodos-base posteriores. Compensação não homologada. Para a DRJ, a Contribuinte não poderia ter se validado da DCOMP para se aproveitar dos valores retidos, sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar relativos às contribuições objeto das retenções, devendo-se serem inicialmente compensadas com os períodos-base a que pertencem, sendo apenas o saldo credor porventura resultante passível de ser usado para a compensação posterior. Após todo o exposto, votou-se no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, assim, não homologando a compensação. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância em 25/06/2009 (conforme AR de fls. 88), a contribuinte apresentou tempestivamente o recurso de fls. 89, em 24/07/2009. A recorrente trouxe, novamente, todos os fatos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade. Aduziu, ainda, que verificou nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal que nunca utilizou os valores para deduzir do saldo a pagar desses tributos e que não sendo utilizado tal crédito, tem-se que esse valor é um excesso e deve ser restituído ao contribuinte, que também pode compensá-los com tributos vincendos; e que essa retenção possui natureza jurídica de um pagamento, uma vez que é um depósito nas contas pública provenientes de recursos do próprio contribuinte e que as retenções são imposições mais severas do que pagamentos espontâneos. Alega ainda que, não utilizou esse crédito e sua natureza é de pagamento a maior que o devido, e que a compensação efetuada é legítima e deve ser homologada por esse órgão de julgamento; e que ficou configurado pagamento a maior que o devido, podendo a quantia excedente ser objeto de pedido de restituição ou, ainda, ser compensada pelo sujeito passivo com seus débitos relativos a outros tributos administrados pela SRF. Ao final, requereu a reforma da decisão para declarar a homologação da compensação realizada pela contribuinte. DA PRIMEIRA DILIGÊNCIA DO CARF Em 28/10/2010, às fls. 106, através da Resolução de nº 3401-00.142, convertendo o julgamento em diligência para, em síntese, “que o órgão de origem se pronuncie sobre a DCTF retificadora, informando, de modo conclusivo, sobre o seu acatamento e substituição da original ou não, e sobre a existência de pagamento a maior ou não”. DO RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA A Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC, através da SEORT, proferiu relatório de diligência fiscal, às fls. 119 (n.e.), trazendo, primeiramente, quanto à legitimidade ad causam ocorrida no Recurso Voluntário da contribuinte, e a conclusão com os seguintes termos: Respondendo ao questionado pelo CARF: a DCTF retificadora foi acatada, substituindo a original, contudo, na DCTF ativa que consta do sistema o valor do PIS de novembro de 2000 é o mesmo informado na DCTF original (ver item 5); sobre a existência de pagamento a maior, mesmo se consideradas as retenções na fonte alegadas pelo contribuinte, não há qualquer valor disponível referente ao período de apuração novembro/2000 para ser usado da Dcomp de que tratam estes autos, nº 09509.73894.140504.1.3.04-7142 (ver item 6). E conforme mencionado no item 2, acreditamos que deveria ser procedida a cobrança imediata do débito indevidamente compensado, uma vez que decorreu in albis o prazo após a ciência do acórdão da DRJ sem manifestação válida do contribuinte. [...] DA SEGUNDA DILIGÊNCIA DO CARF Em 23/04/2012, às fls. 125 (n.e.), o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através da Resolução nº 3401-000.433, acordou por converter novamente o julgamento em diligência, sustentando que a recorrente possui inúmeros processos semelhantes, alguns já reanalisados por este mesmo Conselho, e, visou sanar a falha na representação e intimar a contribuinte a se pronunciar sobre o entendimento da DRF Florianópolis (SC), exposto na primeira diligência. DA MANIFESTAÇÃO EM DILIGÊNCIA FISCAL DO CONTRIBUINTE Em 13/07/2012, às fls. 133, a contribuinte foi intimada e na data de 14/08/2012, às fls. 134 (n.e.), a contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em suma “que as telas SIAFI demonstram que a Celesc sofreu a carga econômica das retenções em razão dos pagamentos feitos por órgãos públicos em decorrência de fornecimento de energia elétrica, devendo o recurso voluntário ser provido, a decisão da DRJ reformada e a compensação confirmada, pois o SIAFI é um sistema e administrado pela Secretaria do Tesouro Nacional. Subsidiariamente, acaso Vossa Excelência entenda que as telas SIAFI não são aptas para demonstrar a existência do crédito, a Celesc requer a conversão do julgamento em diligência, para que proceda a juntada dos respectivos “Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS” (Lei nº 9.430/96, Art. 64), expedidos pela fonte pagadora/órgão público, que são espelho das telas SIAFI, forma adotada pelo CARF nos processos 10983.901218/2008-86 e 10983.901097/2008-72, onde o valor compensado decorrentes de retenções sofridas foi confirmado pela DRF”, bem como regularizando a representação processual. DA TERCEIRA DILIGÊNCIA DO CARF Em 27/11/2012, através da Resolução 3401-000.587, às fls. 160 (n.e.), o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais resolveu por converter o julgamento em diligência, por terem sido insuficientes as diligências realizadas até o presente momento, e assim prescindir de se realizar uma nova, para que a unidade de origem adote procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/2008-86 e 10983.901097/2008-72, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não, bem como emitir parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo os seguintes questionamentos: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo; e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. 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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10983.901219/2008­21  Resolução nº  3402­000.694  S3­C4T2  Fl. 159          2   Relatório    Trata­se de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP – no valor de R$  1.476,93 (mil e quatrocentos e setenta e seis reais e noventa e três centavos) apresentado pelo  contribuinte com o  fim de ver compensados débitos  seus  (COFINS – 04/2004) com créditos  relativos a  retenções na  fonte, que sofreu em face do  recebimento de valores que  lhes  foram  pagos por órgão com afetação pública, a Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.  A  compensação  não  foi  homologada,  ante  a  constatação,  por  parte  da  DRF­  Florianópolis/SC, de que o DARF apontado como crédito inexistia.    DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE   A contribuinte  apresentou  em 09/06/2008, Manifestação  de  Inconformidade,  à  fl. 38  (n.e.)  alegando, em síntese, que é pessoa  jurídica concessionária de  serviço público de  energia  elétrica  e  por  isso  está  sujeita  à  incidência,  na  fonte,  de  imposto  sobre  a  renda,  da  contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social – COFINS e  da contribuição para o PIS, conforme o art. 64, da Lei 9.430/96. E que verificou que em maio  de  2004  a Universidade  efetuava  a  retenção  do  IRPJ,  CSLL,  COFINS  e  PIS  e  recolhia  em  nome da contribuinte aos cofres públicos.   Aduz  que  só  é  possível  efetuar  a  compensação  com  os  dados  da  guia  de  recolhimento (DARF) e que diligenciou junto à Universidade e obteve junto ao departamento  financeiro  a  cópia da  tela SIAF  representativa do documento de arrecadação,  e  identificou  a  quantia  de  R$  1.476,93,  que  acrescidos  de  juros  SELIC  desde  o  recolhimento,  equivale  à  quantia de R$ 2.429,85. Assim, procedeu com a compensação do crédito, conforme artigo 74  da  Lei  9.430/96,  alegando  ser  legítima  a  compensação  efetuada  e  que  a  mesma  deve  ser  homologada pela Autoridade Fiscal.    DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA   A 4ª Turma da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em Florianópolis  (SC), decidiu pela não homologação da compensação, proferindo Acórdão n° 07­16.315  (fls.  81 – numeração eletrônica), de 29/05/2009, nos seguintes termos:  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­ calendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS.  COMPENSAÇÃO  DOS  VALORES  RETIDOS  COM  DÉBITOS  POSTERIORES.  O  direito  à  compensação  dos  valores  retidos  por  órgãos  públicos  quando  de  pagamentos  efetuados  pelo  fornecimento  de  bens  ou  prestação  de  serviços,  com  débitos  posteriores  existe,  mas  antes  é  preciso  que  tais  retenções  na  fonte,  como  antecipações  das  exações  Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10983.901219/2008­21  Resolução nº  3402­000.694  S3­C4T2  Fl. 160          3 devidas  no  período  a  que  se  referem  que  são,  sejam  antes  utilizadas  como  dedução  de  impostos  e  contribuições  referentes  ao  mesmo  período­base  de  quem  fazem  parte.  Apenas  o  saldo  eventualmente  remanescente  desta  confrontação,  é  que  é  passível  de  compensação  com débitos de períodos­base posteriores.  Compensação não homologada.   Para  a  DRJ,  a  Contribuinte  não  poderia  ter  se  validado  da  DCOMP  para  se  aproveitar dos valores retidos, sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos  quais  apurou  e  declarou  os  valores  devidos  e  a  pagar  relativos  às  contribuições  objeto  das  retenções, devendo­se serem inicialmente compensadas com os períodos­base a que pertencem,  sendo apenas o  saldo credor porventura  resultante passível de  ser usado para a compensação  posterior.  Após  todo  o  exposto,  votou­se  no  sentido  de  julgar  improcedente  a  Manifestação de Inconformidade, assim, não homologando a compensação.    DO RECURSO   Cientificado do Acórdão de Primeira Instância em 25/06/2009 (conforme AR de  fls. 88), a contribuinte apresentou tempestivamente o recurso de fls. 89, em 24/07/2009.  A  recorrente  trouxe,  novamente,  todos  os  fatos  alegados  em  sede  de  Manifestação de Inconformidade.  Aduziu,  ainda,  que  verificou  nos  sistemas  informatizados  da  Secretaria  da  Receita Federal que nunca utilizou os valores para deduzir do saldo a pagar desses tributos e  que não sendo utilizado tal crédito, tem­se que esse valor é um excesso e deve ser restituído ao  contribuinte,  que  também  pode  compensá­los  com  tributos  vincendos;  e  que  essa  retenção  possui  natureza  jurídica  de  um  pagamento,  uma  vez  que  é  um  depósito  nas  contas  pública  provenientes  de  recursos  do  próprio  contribuinte  e  que  as  retenções  são  imposições  mais  severas do que pagamentos espontâneos.   Alega  ainda  que,  não  utilizou  esse  crédito  e  sua  natureza  é  de  pagamento  a  maior que o devido, e que a compensação efetuada é legítima e deve ser homologada por esse  órgão  de  julgamento;  e  que  ficou  configurado  pagamento  a maior  que  o  devido,  podendo  a  quantia excedente  ser objeto de pedido de  restituição ou,  ainda,  ser  compensada pelo  sujeito  passivo com seus débitos relativos a outros tributos administrados pela SRF.  Ao  final,  requereu  a  reforma  da  decisão  para  declarar  a  homologação  da  compensação realizada pela contribuinte.    DA PRIMEIRA DILIGÊNCIA DO CARF   Em  28/10/2010,  às  fls.  106,  através  da  Resolução  de  nº  3401­00.142,  convertendo o julgamento em diligência para, em síntese, “que o órgão de origem se pronuncie  Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10983.901219/2008­21  Resolução nº  3402­000.694  S3­C4T2  Fl. 161          4 sobre  a  DCTF  retificadora,  informando,  de  modo  conclusivo,  sobre  o  seu  acatamento  e  substituição da original ou não, e sobre a existência de pagamento a maior ou não”.    DO RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA   A  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Florianópolis/SC,  através  da  SEORT,  proferiu  relatório  de  diligência  fiscal,  às  fls.  119  (n.e.),  trazendo,  primeiramente,  quanto  à  legitimidade ad causam ocorrida no Recurso Voluntário da contribuinte, e a conclusão com os  seguintes termos:  Respondendo ao questionado pelo CARF:  a DCTF retificadora foi acatada, substituindo a original, contudo, na  DCTF ativa que consta do sistema o valor do PIS de novembro de 2000  é o mesmo informado na DCTF original (ver item 5);  sobre  a  existência  de  pagamento a maior, mesmo  se  consideradas  as  retenções na  fonte alegadas pelo  contribuinte,  não há qualquer valor  disponível referente ao período de apuração novembro/2000 para ser  usado  da  Dcomp  de  que  tratam  estes  autos,  nº  09509.73894.140504.1.3.04­7142 (ver item 6).  E  conforme  mencionado  no  item  2,  acreditamos  que  deveria  ser  procedida a cobrança imediata do débito indevidamente compensado,  uma vez que decorreu  in albis o prazo após a ciência do acórdão da  DRJ sem manifestação válida do contribuinte.  [...]    DA SEGUNDA DILIGÊNCIA DO CARF   Em  23/04/2012,  às  fls.  125  (n.e.),  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais, através da Resolução nº 3401­000.433, acordou por converter novamente o julgamento  em diligência, sustentando que a recorrente possui inúmeros processos semelhantes, alguns já  reanalisados  por  este  mesmo  Conselho,  e,  visou  sanar  a  falha  na  representação  e  intimar  a  contribuinte  a  se  pronunciar  sobre  o  entendimento  da  DRF  Florianópolis  (SC),  exposto  na  primeira diligência.    DA MANIFESTAÇÃO EM DILIGÊNCIA FISCAL DO CONTRIBUINTE   Em 13/07/2012, às fls. 133, a contribuinte foi intimada e na data de 14/08/2012,  às fls. 134 (n.e.), a contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em suma “que as telas SIAFI demonstram que a  Celesc sofreu a carga econômica das  retenções  em razão dos pagamentos  feitos por órgãos  públicos em decorrência de fornecimento de energia elétrica, devendo o recurso voluntário ser  provido, a decisão da DRJ reformada e a compensação confirmada, pois o SIAFI é um sistema  e  administrado  pela  Secretaria  do  Tesouro  Nacional.  Subsidiariamente,  acaso  Vossa  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10983.901219/2008­21  Resolução nº  3402­000.694  S3­C4T2  Fl. 162          5 Excelência entenda que as telas SIAFI não são aptas para demonstrar a existência do crédito,  a Celesc  requer  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  proceda a  juntada  dos  respectivos  “Comprovantes  Anuais  de  Retenção  de  IRPJ,  CSLL,  COFINS  e  PIS”  (Lei  nº  9.430/96,  Art.  64),  expedidos  pela  fonte  pagadora/órgão  público,  que  são  espelho  das  telas  SIAFI, forma adotada pelo CARF nos processos 10983.901218/2008­86 e 10983.901097/2008­ 72,  onde  o  valor  compensado  decorrentes  de  retenções  sofridas  foi  confirmado  pela DRF”,  bem como regularizando a representação processual.    DA TERCEIRA DILIGÊNCIA DO CARF   Em  27/11/2012,  através  da  Resolução  3401­000.587,  às  fls.  160  (n.e.),  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  resolveu  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  por  terem  sido  insuficientes  as  diligências  realizadas  até  o  presente  momento,  e  assim prescindir de se realizar uma nova, para que a unidade de origem adote procedimentos  semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/2008­86 e 10983.901097/2008­72,  investigando  a  fundo  a  existência  de  pagamento  a  maior  ou  não,  bem  como  emitir  parecer  conclusivo  sobre  a  compensação,  respondendo  os  seguintes  questionamentos:  a)  se  restaram  comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo; e b) se houve ou  não  compensação  com  os  montantes  devidos,  elaborando  demonstrativo  com  os  valores  retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis.   A DRF de Florianópolis,  através da SEORT, manifestou­se  sobre a diligência  do  CARF,  no  sentido  de  que  ocorreu  a  retenção  em  benefício  da  recorrente,  equivalente  à  quantia  de  R$  13.292,34,  a  qual  foi  realizada  pela  fonte  pagadora  Universidade  Federal  de  Santa Catarina  (CNPJ 83.899.526/0001­82),  consoante  o  documento  de  fls.  163/164  (extrato  SIAFI),  entretanto,  considera que o  crédito  indicado pela Recorrente não  representa natureza  jurídica  de  pagamento  indevido  ou  a  maior,  restando  inidôneo  para  fins  de  utilização  na  compensação de tributos administrados pela RFB.  Isso porque, não demonstrou haver promovido a retificação formal nos registros  e declarações dos períodos de apuração correlatos aos supostos créditos, pelo que  impossível  reconhecer liquidez e certeza aos créditos invocados em suas DCOMP.    DA MANIFESTAÇÃO À TERCEIRA DILIGÊNCIA FISCAL   Intimado em 08/11/2013, a contribuinte apresentou sua Manifestação na data de  09/12/2013,  às  fls.  176,  suscitando,  resumidamente,  que  frente  ao  fato  de  que  a  DRJ  na  diligência  executada  reconheceu  explicitamente  a  existência  da  retenção  em  benefício  da  recorrente,  a  qual  por  não  ter  sido  utilizada  caracteriza­se  como  pagamento  indevido  ou  a  maior  passível  de  compensação,  conforme  já  decidido  pelo  CARF  nos  processos  administrativos  10983.901218/2008­86  e  10983.901097/2008­72,  requerendo  seja  provido  o  recurso voluntário da recorrente,  reformando­se o despacho decisório de modo a confirmar a  compensação.    DA DISTRIBUIÇÃO   Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10983.901219/2008­21  Resolução nº  3402­000.694  S3­C4T2  Fl. 163          6 Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  esse  relator  por  sorteio  regularmente  realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume,  numerado até a folha 157 (cento e cinquenta e sete), estando apto para análise desta Colenda 2ª  Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF.  É o relatório.  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10983.901219/2008­21  Resolução nº  3402­000.694  S3­C4T2  Fl. 164          7 Voto    Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator.  Retornam estes  autos de diligência, designada pela Resolução nº 3401­00.585,  na qual o Ilustre Relator Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, diante das informações  carreadas  no  decorrer  do  processo  pela  interessada,  concluiu  haver  indícios  do  direito  reclamado  pela  Recorrente,  pelo  que  então,  solicitou  à  Autoridade  Preparadora  que  se  manifestasse acerca da existência de pagamento a maior ou não.  Conforme  relatório  acima,  o  objeto  desse  processo  é  a  não  homologação  de  pedido de restituição realizado pela Recorrente em virtude da Autoridade Fiscal não localizar  nos Sistemas de Arrecadação RFB, o DARF que teria gerado o crédito ora pretendido, sendo  que, por este motivo, determinou­se a diligência para que a autoridade preparadora verificasse  as retenções alegadas e, no caso haverem as tais, emitisse parecer conclusivo se houve ou não  compensação  com  os montantes  devidos,  elaborando  demonstrativo  com  os  valores  retidos,  compensados e os saldos porventura disponíveis (item “b” da diligência determinada).  Em  resposta,  a  ARF/Florianópolis/SC  manifestou­se  às  fls.  171/172  –  n.e.,  concluindo pela  existência da  retenção alegada,  entretanto,  deixou de cumprir  o  “item b” da  diligência manifestando­se pela inexistência do direito creditório da Recorrente, pois que não  existe  comprovação  de  que  esta  teria  recomposto  os  registros  e  declarações  feitas  ao  Fisco,  recomposição  que,  segundo  a  ARF,  seria  essencial  para  conferir  os  requisitos  de  certeza,  liquidez e exigibilidade do pretenso crédito.  Data  maxima  venia,  deixo  claro  que,  no  caso  dos  autos,  pouco  importa  se  a  Recorrente  deixou  de  realizar  a  retificação  de  suas  declarações,  pois  que  estas  se  tratam  de  obrigações  acessórias  que  só  servem  para  vincular  a  existência  de  um  crédito  e  não  para  originá­lo,  uma  vez  que  o  crédito  nasce  de  um  pagamento  indevido  ou  a  maior.  O  descumprimento de obrigação acessória poderia dar ensejo a outro tipo de penalidade, mas não  traz  no  consequente  da  norma  jurídica,  que  haja  o  total  tolhimento  do  direito  de  crédito  do  particular frente ao Poder Público.  Não  se  coaduna,  por  óbvio,  com  a  falta  de  cumprimento  das  obrigações  ditas  acessórias, necessárias ao controle, fiscalização e arrecadação tributária, mas elas não possuem  a  aptidão  para  fazer  “nascer”  o  crédito  tributário,  e  nem  de  seu  descumprimento  decorre  o  “falecimento”  do  indébito  tributário.  É  dizer:  não  é  porque  o  contribuinte  lançou  crédito  inexistente  em  suas  declarações  obrigatórias  que  terá  o  direito  ao  crédito  alegado;  e  não  é  porque  deixou  de  consignar  tal  crédito  em  suas  declarações  obrigatórias,  que  deixará  de  ser  titular de um crédito.   Tenho,  nesse  particular,  que  o  crédito  tributário,  de  titularidade  do  Poder  Público, nasce da ocorrência do fato gerador, ainda que não haja nenhum registro contábil ou  declaração  obrigatória,  enquanto  que  o  direito  ao  crédito  fiscal  de  titularidade  do  particular,  nasce da “regra­matriz de direito ao crédito”, que traz em seu suposto um pagamento indevido,  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10983.901219/2008­21  Resolução nº  3402­000.694  S3­C4T2  Fl. 165          8 tenha ele sido refletido em um linguagem padrão ou não. São os fatos que geram os créditos,  sendo as declarações obrigatórias apenas as formas de se os registrar.  Desta  forma,  assim  como os  registros  de  créditos  indevidos  não  fazem nascer  créditos,  tenho que a falta de registro de créditos não se lhes pode tolher, pelo que persiste a  necessidade  de  se  apurar  a  real  base  de  cálculo  dos  tributos  em  questão,  para  se  aferir  a  existência  ou  não  do  indébito  tributário  em  discussão  nos  autos,  restando  por  cumprir  esta  providência  já  anteriormente  determinada  na  Resolução  nº  3401­000.585  Sendo  assim,  considerando  já  restar  comprovado  pela  autoridade  preparadora  que  de  fato  ocorreram  as  retenções alegadas pela Recorrente, voto no sentido de converter novamente o julgamento em  diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que:  a) emita parecer conclusivo sobre a existência ou não de pagamento indevido ou  a maior, em sendo consideradas as retenções efetuadas, e, consequentemente,  sobre  a  legitimidade  do  procedimento  de  compensação  realizado,  respondendo  se  houve  ou  não  compensação  com  os  montantes  devidos,  elaborando demonstrativo com os valores  retidos, compensados  e os  saldos  porventura disponíveis;  b) após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo,  para  que,  querendo,  se  manifeste  no  prazo  de  no  mínimo  30  (trinta)  dias,  retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho.    É como voto.  (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior – Relator.    Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR

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Numero do processo: 16004.001598/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 03/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ART. 32, IV, § 3º E 9° DA LEI N ° 8.212/1991, COM A MULTA PUNITIVA APLICADA CONFORME DISPÕE O ART. 284, I E § 1° E 2° DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, e parágrafos 3. e 9., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso I V e parágrafos 2, 3. e 4. do "caput" do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão de GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD ou AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Tendo sido dado provimento ao recurso em relação a origação principal, mesmo destino deve ser dado a obrigação acessória a ele relacionada. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2314; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.001598/2008­10  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­003.245  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de outubro de 2013  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA  Recorrente  ELISEU MACHADO FILHO ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Data do fato gerador: 03/12/2008  PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ AUTO DE INFRAÇÃO ­ ART. 32, IV, §  3º E 9° DA LEI N ° 8.212/1991, COM A MULTA PUNITIVA APLICADA  CONFORME DISPÕE O ART. 284,  I E § 1° E 2° DO RPS, APROVADO  PELO DECRETO N.º 3.048/99 ­ OMISSÃO EM GFIP  A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto­de­ infração,  o  qual  se  constitui,  principalmente,  em  forma  de  exigir  que  a  obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na  administração previdenciária.  Inobservância do art. 32,  IV, e parágrafos 3. e 9., acrescentados pela Lei n.  9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso I V e parágrafos 2, 3. e  4.  do  "caput"  do Regulamento  da Previdência Social  ­ RPS,  aprovado pelo  Decreto  n.  3.048,  de  06.05.99:  “  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional do Seguro Social­INSS, por intermédio de documento a ser definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei  9.528, de 10.12.97)”.  A  sorte  de  Autos  de  Infração  relacionados  a  omissão  de  GFIP,  está  diretamente  relacionado ao resultado das NFLD ou AIOP  lavradas sobre os  mesmos fatos geradores. Tendo sido dado provimento ao recurso em relação  a origação principal, mesmo destino deve ser dado a obrigação acessória a ele  relacionada.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 15 98 /2 00 8- 10 Fl. 7289DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     2 ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.    Elias Sampaio Freire ­ Presidente    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araújo  Soares,  Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 7290DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001598/2008­10  Acórdão n.º 2401­003.245  S2­C4T1  Fl. 3          3   Relatório  O  presente  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  lavrado  sob  o  n.  37.128.798­7  em  desfavor  da  recorrente,  tendo  em  vista  o  mesmo  ter  deixado  de  informar  mensalmente,  por  intermédio  de  documento  definido  em Regulamento,  os  dados  cadastrais,  todos os fatos geradores de contribuições previdenciarias e outras informações de interesse do  mesmo, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafos 3. e 9.,  acrescentados  pela  Lei  n.  9.528,  de  10.12.97,  combinado  com  o  art.  225,  inciso  I  V  e  parágrafos 2, 3. e 4. do "caput" do Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo  Decreto n. 3.048, de 06.05.99.  Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 44 e seguintes, a infração imputada a  empresa  consiste em presentar a empresa o documento a que se  refere a Lei 8212, de 24 de  julho de 1991, de 24/07/1991, art. 32, IV e seus §§ 3 o e 9 o , acrescentados pela Lei n° 9.528, de  10/12/1997,  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias, conforme previsto na Lei 8212 de 24 de julho de 1991, art. 32, IV e parágrafo  5 o , acrescentados pela Lei 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 2 o ,  3  o  e  4  o do  "caput"  do Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo Decreto  n.  3048/1999,  na  competência  13/2005.  Para  tanto,  foi  anexada,  pesquisa  efetuada  junto  ao  Banco de Dados da Dataprev ­ Süstema de Arrecadação ­ CCOR­GFIP, fls. 37/38, apontando a  não entrega da GFIP na referida competência.  Cabe  esclarecer,  Inicialmente,  que  essa  fiscalização  teve  seu  início  em  19/09/2006,  com  período  final  até  maio  de  2006  e  depois  estendido  até  10/2006.  Posteriormente foi realizada a Operação Grandes Lagos", deflagrada pela polícia federal, Isso  no mês seguinte, em outubro de 2006, por solicitação da Receita Federal, que desbaratou uma  organização  criminosa  criada  para  fraudar  a  administração  tributária,  utilizando­se  das mais  variadas  formas,  sendo  que  a Autuada  ou Fiscalizada,  denominações  da Empresa,  que  serão  utilizadas não só neste relatório fiscal, fazia parte desse esquema, conforme também se verifica  do Relatório denominado de Termo de Conclusão Fiscal, ANEXO I , (volumes 1/33 a 33/33, às  fls.  6256/6446,  que  é  parte  integrante  do  Relatório  Fiscal  do  Processo  Principal  ­  n°  16004001594/2008­31  ­ Debcad  n°  37.128.795­2,  em  inteiro  teor  (fls.  1/6518),  ao  qual  este  será APENSANDO.  Importante, destacar que a lavratura do AIOP deu­se em 03/12/2008, tendo a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/12/2008.   Inconformado  o  responsável  solidário  Nivaldo  Fortes  Peres  apresentou  impugnação às fls. 96 a 116.   Regularmente  cientificadas,  apresentaram  impugnações,  conforme  síntese  apresentada,  as  seguintes  pessoas  físicas  e  jurídicas.  O Sr. Nivaldo Fortes Peres, alegando que:  Nos  termos  do  artigo  6º  da  Lei  Complementar  105/2001,  o  acesso  a  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  Fl. 7291DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     4 financeiras  somente  é  possível  se  houver  instauração  de  procedimento  fiscal  regular.  A  regularidade  do  procedimento  depende da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF,  conforme  prescreve  o  artigo  2º  do Decreto  3.724/2001.  Assim,  são  nulos  os  procedimentos  fiscais  que  se  iniciam,  se  desenvolvem  ou  são  concluídos  com  fundamento  em  ato  administrativo inexistente ou inválido. O MPF é imprescindível à  definição  da  competência  da  autoridade  administrativa.  Consoante  o  estabelecido  no  art.  7º  da  Portaria  RFB  11.371/2007,  a  realização  de  ação  fiscal  requer  a  emissão  de  MPFFiscalização (MPFF).  Não  foi  emitido  MPFF  com  o  objetivo  de  investigar  a  participação do impugnante na administração da autuada, razão  pela qual não é possível a atribuição a ele de responsabilidade  pelos tributos devidos pela pessoa jurídica. O Sr. Nivaldo Fortes  Peres  não  foi  identificado  como  sujeito  passivo  no  MPFF  emitido  para  a  realização  da  ação  fiscal  que  resultou  na  lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo  administrativo,  de  modo  que  não  pode  ter  o  crédito  tributário  constituído  em  seu  desfavor,  sendo  nulo  o  AI  lavrado  desta  forma, por pessoa incompetente.  O  MPFD  08.01.01.00200800444  foi  expedido  com  base  no  artigo  7º,  §  4º,  da  Portaria  RFB  11.371/2007,  quando  deveria  ser  expedido  fundado  no  artigo  7º,  I  a  IV  e  §§  1º  e  4º  desta  Portaria.  Posteriormente,  com  o  fim  de  convalidar  os  atos  já  praticados, foi emitido o MPFF 08.1.90.00200804691.  Porém,  tal  convalidação  é  descabida,  já  que,  nos  termos  do  artigo  55  da  Lei  9.784/1999,  não  se  admite  a  convalidação  de  vícios insanáveis.  Assim,  devem  ser  excluídas  todas  as  informações  obtidas  pela  autoridade  administrativa  com  fundamento  no  MPFD  08.01.01.00200800444 e no MPFF 08.1.90.00200804691.  As  conclusões  da  autoridade  autuante  só  se  sustentam  caso  sejam  desconsiderados  os  negócios  praticados  pela  autuada,  especialmente  aqueles  destinados  a  dissimular  o  responsável  tributário. Ao assim proceder, a autoridade atuou com base no  artigo 116, parágrafo único do CTN, norma esta que nunca foi  regulamentada por lei ordinária, razão pela qual é descabida a  desconsideração  dos  negócios  jurídicos  e,  como  conseqüência,  são nulos os autos de infração lavrados.  Os vícios e arbitrariedades apontados revelam que houve abuso  de poder, já que houve o objetivo predeterminado de prejudicar  o Sr. Nivaldo Fortes Peres.  O  pedido  de  quebra  do  sigilo  bancário  do  Sr.  Nivaldo  Fortes  Peres  foi  feito  indevidamente  à Vara Federal  de  Jales,  quando  deveria ser dirigido à 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto,  em razão de decisão proferida por este Juízo em 22/11/2006, em  virtude da qual passou a deter a exclusiva competência para o  julgamento  da  persecução  penal  do  impugnante.  A  quebra  do  sigilo bancário e fiscal só poderia ser decretada pela autoridade  competente para o inquérito ou para o processo judicial. Sendo  nula a decisão  judicial de quebra dos  sigilos bancário e  fiscal,  Fl. 7292DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001598/2008­10  Acórdão n.º 2401­003.245  S2­C4T1  Fl. 4          5 nulas  são  todas as  informações bancárias,  financeiras  e  fiscais  obtidas  sob  este  fundamento,  conforme  preconiza  a  teoria  dos  frutos da árvore envenenada, encampada pelo Supremo Tribunal  Federal em diversos julgados.  Em  se  tratando  de  autuação  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  à  cargo  da  empresa,  somente  poderia  a  própria  empresa prestar as informações em questão.  Sendo  a  vontade  elemento  essencial  ao  cumprimento  da  obrigação,  terceiro  algum  pode  tomar  seu  lugar  ou  suprir  sua  vontade, invocando o artigo 137, II do CTN3.  A  jurisprudência  do  Conselho  de  Contribuintes  firmou  o  entendimento de que a atribuição de responsabilidade com base  no  art.  124,  I,  do CTN  requer  a  prova  do  interesse  comum na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal.  Essa  prova  não  foi  produzida  no  presente  processo  administrativo.  O  impugnante  manteve  relações  empresariais  com  a  família  Giglio,  o  que  não  é  o  suficiente  para  concluir  que  todo  e  qualquer negócio mantido  entre os mesmos seja  indício de que  há  interesse  comum  entre  as  partes.  Não  há  prova  do  envolvimento do Sr.  Nivaldo  Fortes  Peres  com  as  empresas  CMG  e  RPMC,  que  pertencem  e  são  administradas  exclusivamente  pela  família  Giglio. Igual raciocínio se aplica à Valentim Gentil, já que as  próprias  evidências  reunidas  pela  autoridade  administrativa  referemse exclusivamente ao Sr.  Valder Antônio Alves,  a  quem  ela  acusa  como  colaborador  da Rio Preto Abatedouro.  A  acusação  de  ter  interesse  comum  com  as  empresas  responsabilizadas  Agro  Rio  Preto,  Sebo  Sol,  Valentim  Gentil, América e Agro Alto deve ser desconsiderada, já que  o  presente  processo  administrativo  trata  de  tributos  lançados  contra  a Rio  Preto Abatedouro,  de  modo  que  as  eventuais  relações do Sr. Nivaldo Fortes Peres com aquelas empresas não  tem  qualquer  repercussão  no  tocante  aos  créditos  tributários  aqui discutidos.  O  impugnante  admite  que  tem  ou  teve  participação  societária  nas  empresas  Sol  Empreendimentos,  FEISP,  Viena  Empreendimentos  e  FEIRP,  mas  devese  averiguar  no  presente  processo  apenas  a  existência  de  eventual  interesse  comum na situação que é fato gerador dos tributos supostamente  devidos  pela  Rio  Preto  Abatedouro.  As  supostas  coincidências  entre  funcionários,  referências  bancárias,  endereços,  telefones  e  parentescos,  quando  não  relacionadas  à  Rio Preto Abatedouro, são irrelevantes.  O Sr. Elizeu Machado Filho, verdadeiro proprietário da Rio  Preto  Abatedouro,  prestou  declarações  por  meio  de  escritura  Fl. 7293DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     6 pública de que o impugnante nunca teve qualquer vínculo com a  empresa  em  questão,  o  que  deveria  ser  tomado  como  prova  absoluta em favor do Sr. Nivaldo.  Afirma  a  fiscalização  que  o  patrimônio  do  Sr.  Elizeu  é  incompatível  com  a  condição  de  proprietário  da  Rio  Preto  Abatedouro, enquanto o  impugnante  tem patrimônio  condizente  com  esta  condição,  argumento  que  esbarra  na  impossibilidade  de  transferir  ao  impugnante  a  responsabilidade  sobre  o  patrimônio do Sr. Elizeu,  sendo que a  evolução patrimonial do  impugnante  é  perfeitamente  lícita,  conforme  documentos  juntados  (declarações  de  Imposto  de  Renda,  notas  fiscais  de  venda, demonstrativos de movimentação de gado e comprovantes  de recolhimento de impostos).  Quanto  ao  fato  do  Sr. Elizeu  não  saber  informar  as atividades  desenvolvidas  pela  Rio  Preto  Abatedouro,  invoca  a  já  citada  declaração prestada por meio  de  escritura  pública pela qual  o  Sr.  Elizeu  veio  a  esclarecer  a  questão,  justificando  que  o  Sr.  Elizeu não controlava as atividades dos procuradores o que lhe  impediu  de  prestar  os  esclarecimentos  solicitados  pela  autoridade policial, o que não implica em presunção absoluta de  que não tinha gestão sobre o negócio.  Não  foi  provada  a  alegação  de  que  o  impugnante  supriu  a  integralização  do  capital  social  do  Rio  Preto  Abatedouro  por  meio  da  empresa  Valentim  Gentil,  sendo  necessária  a  realização de prova pericial que analise as fitas de caixa obtidas  pela fiscalização.  A  alegação de  que  a  contabilidade  do Rio Preto Abatedouro  é  imprestável em decorrência de indícios de que a empresa CMG  utilizava  combustível  adquirido  pela  autuada  não  oferece  qualquer  indício  de  vinculação  do  impugnante  com  esta  empresa.  Não  passa  de  um  punhado  de  especulações  da  autoridade  administrativa  o  grupo  econômico  de  fato  mencionado  pela  mesma,  baseado  apenas  em  depoimentos  prestados  na  fase  policial,  destacando  o  desconforto  e  constrangimento  a  que  estavam submetidos os depoentes. Analisa então, os depoimentos  prestados,  especialmente os dos Srs. João Antonio Dusso e  Válder Antonio Alves.  É rechaçada a afirmação de que as empresas Agro Rio Preto,  Sebo  Sol,  Valentim  Gentil,  América  e  Agro  Alto  formariam  um  grupo  econômico.  O  Sr.  Nivaldo  Fortes  Peres  afirma,  porém,  que  se  defenderá  nos  autos  de  infração  eventualmente lavrados em desfavor dessas pessoas jurídicas.  O  impugnante  reporta­se  à  sua  argüição  de  que  é  incorreta  a  base  de  cálculo  arbitrada,  conforme  argumentos  apresentados  nos AI 37.128.7952 e 37.128.7960.  Síntese do Relatório de tais processos transcrita a seguir:  “Verifica­se  inexatidão  da  base  de  cálculo,  resultado  de  um  arbitramento ilegal.  Fl. 7294DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001598/2008­10  Acórdão n.º 2401­003.245  S2­C4T1  Fl. 5          7 Cita o artigo 30, IV da Lei 8.212/91 afirmando que a nota fiscal  do produtor que fica em sua posse é a única prova insofismável  dessa  base  de  cálculo,  prestandose  qualquer  outro  documento,  como  os  que  a  fiscalização  menciona  no  item  “4”  relativo  às  notas  fiscais  “vendidas”  por  terceiros,  para  aferição  indireta  nos  moldes  do  artigo  33,  §  3o.  da  Lei  8.212/91.  Formula  seu  raciocínio  partindo  da  premissa  que  a  aquisição  da  produção  rural  foi  realizada pelas  empresas “noteiras”, devendo o valor  do tributo ser apurado diretamente em sua contabilidade, nunca  na do Rio Preto Abatedouro.”  Requer a aplicação da penalidade menos severa em decorrência  da  alteração  legislativa  introduzida  pela  Medida  Provisória  449/2008.  Para a perícia contábil, o impugnante indica como assistente o  Sr. José Antonio Neves, formulando os seguintes quesitos:  a)  queira  o  sr.  perito  individualizar  todos  os  lançamentos  de  débitos  e  créditos  constantes  das  fitas  bancárias,  de  todo  o  período  constante  dos  autos,  estabelecendo:  o  número  do  terminal; a identificação da operação; o número da conta, dígito  e razão; a agência destinatária; o valor1/ cheque; o valor2/ Din;  o func/aut; o caixa; a hora; os minutos e segundos;   b) de posse dessa informação, queira o senhor perito diligenciar  junto  à  agência  bancária  2825  do  Banco  Bradesco  S/A,  localizada  na  Av.  Nossa  Senhora  da  Paz,  em  São  José  do  Rio  Preto,  com  o  objetivo  de  elaborar  fluxo  de  percurso  dos  numerários  envolvidos  pelo  terminal  do  caixa  operacional  do  Banco.  P.  ex:  na  fita  bancária  do  dia  06/07/2005,  através  do  terminal nº 106, transação DP21, foi efetuado um crédito de R$  30.000,00  (R$  25.000,00  +  R$  5.000,00),  nos  horários  das  12:34:42  e  12:35:12  e  este  numerário  foi  transferido  para  o  caixa de reserva 03 (CX03), somente às 15:11:04 e 15:11:34; c)  respondidos  os  quesitos  anteriores,  queira  o  senhor  perito  responder qual o motivo desse intervalo nas operações e se esse  procedimento é adotado, normalmente, na agência bancária; d)  ainda em diligência na referida agência, queira o senhor perito  averiguar  se  a  movimentação  de  malote  é  feita  em  caixa  apartado dos demais. Se na movimentação desse caixa, há uma  seqüência  de  atendimento  exclusiva  para  um  determinado  cliente. Em caso positivo, é possível que as operações bancárias  de outros clientes sejam realizadas durante o processamento de  determinado malote. Em caso positivo, os pedidos se originavam  dos próprios clientes e/ou de outros funcionários da agência; e)  atentando ao quesito nº 1,  queira o  senhor perito  responder  se  há  coincidência  entre  os  créditos  e  os  débitos  diários  em  um  mesmo  terminal. P. ex.: em 06/07/2005, no  terminal nº 107, há  um crédito no valor de R$ 81.682,00 (SQ21, aut. 191 a 194)  e  um  débito  no  valor  de  R$  39.951,89  (CB45,  AR32,  CB41,  AR01, DP06, DP01, DP21 e PD21, aut. 196 a 206, 218 a 221 e  222 a 233);  Fl. 7295DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     8 f)  atentando ao quesito nº 1, queira o  senhor perito  responder,  dos  lançamentos  de  débitos  e  créditos,  quais  são  os  que  têm  correlação  de  valores  e  documentos  que  podem  ser  atribuídos  para uma só empresa; g) queira o senhor perito responder se, do  simples exame da fita bancária, é possível imputar o beneficiário  dos  valores  nela  constantes,  quando  não  existe  identificação  através da autenticação do caixa.  Protesta  o  impugnante  pela  indicação  de  quesitos  complementares.  Por  fim  pede  o  impugnante  que  seja  decretada  a  nulidade  do  auto de  infração, seja  julgada improcedente a responsabilidade  solidária a  ele  atribuída, ou  aplicada a  penalidade que  lhe  for  mais benéfica, ou ratificada a base de cálculo da multa.  Os  Srs.  Rodrigo  da  Silva  Peres  e  Luciano  da  Silva  Peres  reprisando os argumentos trazidos por Nivaldo Fortes Peres.  A  Sebo  Sol  Indústria  de  Sub  Produtos  de  Bovinos  Ltda  EPP,  alegando:  Erro  na  identificação  do  sujeito  passivo  vez  que  o  crédito  tributário apurado referese a empresa diversa, ressaltando que a  impugnante  não  figurou  no  MPF  que  embasou  os  trabalhos  fiscais dos quais resultou o lançamento, não tendo sido intimada  em  qualquer  fase  do  procedimento,  devendo  ser  declarada  a  nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado.  Não  existe  qualquer  relação  entre  a  impugnante  e  a  autuada,  não  havendo  que  se  cogitar  no  interesse  comum  previsto  no  artigo 124, I do CTN. Nos termos do artigo 134 do CTN não se  pode  aplicar  a  responsabilidade  tributária  diretamente  à  impugnante.  Ao  final,  pugna  pela  nulidade  do  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidáriab)  de  posse  dessa  informação,  queira  o  senhor  perito  diligenciar  junto  à  agência  bancária  2825  do  Banco  Bradesco  S/A,  localizada  na Av. Nossa  Senhora  da Paz,  em São  José  do  Rio  Preto,  com  o  objetivo  de  elaborar  fluxo  de  percurso  dos  numerários envolvidos  A  Rio  Preto  Abatedouro  de  Bovinos  Ltda,  reprisando  os  argumentos apresentados pelo Sr. Nivaldo Fortes Peres quanto à  inexatidão  da  base  de  cálculo  resultante  de  um  arbitramento  classificado como ilegal e o pedido de aplicação da penalidade  mais benéfica.  A  Fortes  Empreendimentos  Imobiliários  São  Paulo  Ltda,  reprisando o conteúdo da impugnação apresentada por Nivaldo  Fortes Peres.  A Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda questionando  o  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  lavrado  em  seu  nome,  alegando que:  Não  teve  conhecimento  em  momento  algum  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  não  lhe  sendo  fornecida  senha  para  consulta eletrônica. Assim, houve cerceamento ao seu direito de  Fl. 7296DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001598/2008­10  Acórdão n.º 2401­003.245  S2­C4T1  Fl. 6          9 defesa. Não teve a oportunidade de produzir provas a seu favor e  não  pode  comentar  a  respeito  do  autodeinfração  por  não  ter  conhecimento dos fatos.  Só manteve  relações de cunho comercial com a autuada, não é  sua sócia e seus sócios não são os mesmos.  O  cerceamento  de  defesa  caracterizase  também  pela  falta  de  fundamentação  vez  que  não  foram  mencionados  os  fatos  concretos,  não  havendo  nexo  entre  o  contexto  e  os  motivos  apontados  para  imputar  a  responsabilidade  à  impugnante,  não  havendo prova do “interesse comum”.  Rege­se  o  processo  administrativo  pelo  princípio  da  verdade  material  não  sendo  possível  imputação  sem  a  comprovação  irrefutável  de  que  houve  aproveitamento  do  resultado  obtido  pela autuada.  A  impugnante  não  se  enquadra  nas  hipóteses  de  responsabilidade  solidária  previstas  no  CTN,  não  havendo  dispositivo  legal  que  impute  responsabilidade  a  quem  não  tem  participação  societária  ou  gerencial  na  empresa,  não  podendo  ser  aplicada  a  responsabilidade  tributária  à  impugnante  diretamente, por força do artigo 134 do CTN.  Ao  final,  pugna  pelo  cancelamento  do  Termo  de  Sujeição  Passiva Solidária e sua exclusão do feito.  A  Sra.  Maria  Helena  La  Retondo  reprisando  os  argumentos  trazidos pela impugnação de Nivaldo Fortes Peres.  O Sr. Antonio Giglio Sobrinho alegando que:  É  parte  ilegítima  para  figurar  como  responsável  solidário,  condição  atribuída  pelo  que  o  impugnante  pode  deduzir  com  base  no  Termo  de  Descrição  dos  Fatos  do  processo  16004.001550/200810,  o  qual  é  repleto  de  conjecturas,  absurdas  ilações  e  imputações  espúrias,  equivocadas  e  falsas  acusações  ao  impugnante,  tendo  sido  tal  processo  oportunamente impugnado.  É nula a autuação que não traz a devida instrução referente aos  termos, depoimentos,  laudos e demais elementos de prova, com  flagrante  contrariedade  ao  artigo  1o.,parágrafo  único  da  Lei  9.784/99 e violação do princípio da ampla defesa,  vez que não  lhe  foram  encaminhadas  cópias  do  MPF  ou  dos  documentos  básicos que instruíram as autuações e que lhe possibilitariam o  exercício da ampla defesa, também não tendo recebido cópia do  “Termo de Descrição dos Fatos”, não tendo sido notificado para  prestar esclarecimentos durante o procedimento fiscal.  Desde seu nascimento o impugnante reside com sua mãe em São  Paulo, tendo sido criado e sustentado somente por ela, tendo seu  pai – Sílvio Giglio – após o desquite, se mudado para São José  do  Rio  Preto  e  constituído  nova  família.  O  impugnante  veio  a  conhecer  seu  pai  apenas  com  18  anos  de  idade,  atualmente  Fl. 7297DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     10 exerce a profissão de músico, não  tendo contato com a  família  Giglio de Rio Preto, muito menos com a autuada, suas coligadas  ou  seus negócios,  não havendo o  estreitamento de  laços  com a  família  Giglio  nem  após  o  falecimento  de  seu  pai,  tendo  na  ocasião  o  impugnante  herdado  parte  do  capital  social  da  empresa Sebo Sol, a qual incorporou a Couro Sol e a Agro Sol,  quotas  do  capital  social  da  Viena  Empreendimentos  (denominação  atual  da Abatedouro  Viena),  além  de  outras  participações  societárias  conforme  instrumento  particular  de  partilha  (Fabril  Paulista  Perfumaria  e  Giglio  S/A  Indústria e Comércio).  Devido sua  total  inexperiência nas atividades de tais empresas,  retirouse  das  mesmas  em  2001,  fato  reconhecido  pela  própria  fiscalização,  sendo  o  valor  de  R$  90.000,00  citado  pela  fiscalização parte do pagamento decorrente de sua retirada das  empresas e cessão de quotas.  Como  continua  tendo  participação  nas  empresas  Fabril  Paulista  Perfumaria,  recebe  mensalmente  adiantamentos  de  dividendos  ou  distribuição  de  lucros,  valores  citados  pela  fiscalização, o que se comprova por “Declaração” prestada por  tal  empresa,  inclusive  por  cheques  ou  transferências  bancárias  da  empresa  Mega  Distribuidora  de  Gorduras,  empresa  totalmente  desconhecida  pelo  impugnante,  que  não  tem  condições  de  esclarecer  qual  a  relação  entre  a Fabril Paulista  Perfumaria e a Mega Distribuidora de Gorduras.  Jamais  teve conhecimento das atividades do Sr. Nivaldo Fortes  Peres, tendo contato com o mesmo quando do falecimento de seu  pai, de quem era sócio o Sr.  Nivaldo,  constando  o  impugnante,  na  qualidade  de  herdeiro,  como sócio do Sr. Nivaldo por curtíssimo período nas empresas  Sebo  Sol  e  Viena  Empreendimentos  Imobiliários,  de  modo que não procede a imputação feita com base na afirmação  de que o impugnante é beneficiário do grupo Nivaldo, ou de que  seja  proprietário  de  fato  da  autuada  de  outras  empresas  mencionadas.  Também não pode ser responsabilizado com fulcro no artigo 135  do  CTN  vez  que  não  existe  nos  autos  qualquer  prova  que  justifique tal responsabilização.  O  patrimônio  do  impugnante  foi  legitimamente  adquirido,  através  de  herança  do  pai,  por  seu  trabalho  ou  pela  venda  de  quotas sociais herdadas, caindo por terra o argumento relativo à  suposta incompatibilidade da movimentação financeira.  Como não dispõe dos elementos ou documentos para argumentar  sobre  os  fatos  que  lhe  são  atribuídos,  por  não  ter  qualquer  ligação com a empresa autuada ou as demais pessoas  físicas e  jurídicas, impugna o auto de infração por negativa geral.  Ao final, pugna por sua exclusão da sujeição passiva solidária e  anulação total do lançamento em relação à sua pessoa.  Fl. 7298DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001598/2008­10  Acórdão n.º 2401­003.245  S2­C4T1  Fl. 7          11 Os  Srs.  José  Roberto  Giglio  e  Pedro  Giglio  Sobrinho  e  a  empresa Sol Empreendimentos  Imobiliários Rio Preto Ltda,  em  peças separadas, mas trazendo os mesmos argumentos:  A autuação não  faz prova contra o  impugnante,  incorrendo em  ilegalidade e ofensa ao princípio da verdade material. O mesmo  nunca  foi  sócio,  procurador  ou  gestor  da  autuada,  não  tendo  qualquer  vinculação  com  as  demais  empresas,  exceto  por  ter  sido sócio da Sebo Sol  (atual Sol Empreendimentos), da qual  recebeu  remuneração  do  capital  representado  pelas  quotas  sociais da empresa.  Nos termos do artigo 38 da Lei 9.784/99 o interessado deve ser  cientificado  e  ter  direito  de  manifestar­se  ainda  na  fase  instrutória, a qual o  interessado define como aquela anterior à  decisão da  lavratura do auto. Contudo, em nenhum momento o  impugnante  foi  incluído  no  MPF  ou  cientificado  de  qualquer  procedimento. Invoca o contraditório e a ampla defesa os quais  entende  desrespeitados  por  só  ter  tomado  conhecimento  do  procedimento  quando  já  concluído,  impossibilitando­lhe  de  carrear  aos  autos  provas  capazes  de  afastar  a  absurda  imputação.  Não  foi  respeitado  o  princípio  da  motivação,  faltando  a  fundamentação do auto que não menciona os fatos concretos que  embasaram  os  trabalhos  fiscais,  inexistindo  nexo  entre  o  contexto  e  os  motivos  apontados  no  lançamento.  A  prova  não  conclusiva e não concluída pois pendente de apreciação judicial  foi  emprestada  da  operação  policial  denominada  “Grandes  Lagos” cujo inquérito não possui relatório final, não constando  o impugnante como indiciado no mesmo.  O  impugnante  não  se  enquadra  nas  hipóteses  de  responsabilidade  solidária  previstas  no  CTN,  não  havendo  dispositivo  legal  que  impute  responsabilidade  a  quem  não  tem  participação  societária  ou  gerencial  na  empresa,  não  podendo  ser  aplicada  a  responsabilidade  tributária  ao  impugnante  diretamente, por força do artigo 134 do CTN.  O  “interesse  comum”  deveria  ser  provado  pela  fiscalização  e  não  apenas  aventado,  conforme  exige  o  artigo  142  o  CTN  e  artigo924  do  RIR.  A  fiscalização  afirma  que  as  provas  da  existência do grupo econômico de fato encontram­se no ‘Termo  de  Descrição  do  Fato”  do  processo  16004.001550/200810,  o  qual, no entanto, não traz qualquer prova da suposta ligação do  impugnante com a Rio Preto Abatedouro.  Ao  final,  pugna  pelo  cancelamento  do  Termo  de  Sujeição  Passiva Solidária e sua exclusão do feito.  A  CMG  Transportes  Rio  Preto  Ltda  reprisando  argumentos  apresentados por Nivaldo Fortes Peres.  Posteriormente, os Srs. Nivaldo Fortes Peres, Luciano da Silva  Peres e Rodrigo da Silva Peres pleiteiam a juntada de cópia de  “Termos  de  Verificação  Fiscal”  constante  dos  processos  Fl. 7299DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     12 administrativos  16004.000134/200977,  16004.000060/200979  e  16004.000064/200957,  nos  quais  foram  lavrados  contra  os  mesmos autos de infração de IRPF.  Afirmam que nestes processos administrativos foram constatados  apenas  os  seguintes  fatos  geradores:  (a)  para  o  Sr.  Nivaldo:  omissão  de  rendimento  de  alugueres  de  um  imóvel  comercial/industrial em Novo Hamburgo/SP, omissão de ganho  de  capital  na  venda deste  imóvel,  não comprovação da  origem  de depósitos bancários e declaração indevida de  comprovação  da  origem  de  depósitos  bancários  e  omissão  de  rendimento de ganho de capital da venda de um apartamento e  (c)  para  o  Sr.  Rodrigo:  não  comprovação  da  origem  de  depósitos bancários, omissão de rendimento de ganho de capital  da  venda de  um apartamento,  apuração  incorreta  do  resultado  da atividade rural e omissão de rendimento da atividade rural.  Concluem que é infundada a acusação feita no presente processo  administrativo,  provando  os  processos  citados  no  parágrafo  anterior que nenhum centavo foi lançado contra os impugnantes,  não havendo prova do interesse comum em relação ao Rio Preto  Abatedouro. Afinal, se não existem fatos geradores do IRPF dos  impugnantes  é  por  que  os  mesmos  não  existem.  Pugnam  pela  juntada do documento posterior à impugnação com fundamento  no artigo 16, § 5o. do Decreto 70.235/72.  Este  processo  encontrava­se  originalmente  apensado  ao  processo 16004.001594/200831, já submetido à apreciação deste  colegiado.  No  entanto,  não  foi  julgado  em  conjunto  com  o  processo  principal,  ante  a  necessidade  do  presente  retornar  à  DRF de origem.  Às  fls.  3.225/3.226  (numeração  original),  os  autos  foram  encaminhados  à  DRF  de  origem  para  saneamento,  tendo  em  vista  ter  constado  informações  equivocadas  nos  autos  em  relação  à  infração  cometida,  seu  período  e  valor  da  multa  aplicada, resultando nas correções efetuadas na seqüência pela  autoridade  lançadora  sendo  concedido  o  prazo  de  30  (trinta)  dias para os autuados manifestarem­se a respeito.  Manifestaram­se os seguintes sujeitos passivos:  FEISP,  Luciano  da  Silva  Peres,  Maria  Helena  La  Retondo,  Nivaldo Fortes Peres e Rodrigo da Silva Peres, em peça única,  alegando  que  o  procedimento  para  saneamento  do  feito  não  pode  ser  aceito  sob  pena  de  absoluta  nulidade,  pois  ocorre  a  vinculação  do  auto  de  infração  a  motivação  que  lhe  é  dada  inicialmente,  não  cabendo  sua  modificação  (cita  o  artigo  293,  caput, do RPS).  Valentim  Gentil  Abatedouro  de  Bovinos  alega  que  ocorre  alteração do período,  fundamentação  legal,  forma de cálculo e  valor  da  multa,  indicação  da  matéria  tributária  e  de  responsáveis  solidários  que  devem  se  manifestar,  tratandose,  portanto,  de  novo  lançamento,  devendo  ser  levada  em  conta  a  data da nova intimação para a contagem do prazo decadencial  e,  caso  não  ocorra  a  decadência  total,  solicita  a  concessão  de  Fl. 7300DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001598/2008­10  Acórdão n.º 2401­003.245  S2­C4T1  Fl. 8          13 prazo  para  manifestação  sem  qualquer  restrição  quanto  à  matéria.  Antonio Giglio Sobrinho argui que não recebeu inicialmente os  elementos  relativos  ao  AI,  o  que  inviabiliza  sua  defesa  em  relação ao  relatório  complementar,  destacando que não  possui  qualquer ligação com o “Grupo Econômico Nivaldo”.  Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência parcial do  lançamento, fls. 6529 a 6557.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005   OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP AUSÊNCIA DE ENTREGA.  Constitui  infração  à  legislação  previdenciária  deixar  de  informar  mensalmente  através  de  GFIP  os  dados  cadastrais,  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  e  outras informações.  DILAÇÃO PROBATÓRIA.  A  dilação  probatória  fica  condicionada  à  necessidade  à  formação da convicção da autoridade julgadora.  PROCEDIMENTOS  FISCAIS.  FASE  OFICIOSA.  CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OPORTUNIDADE.  Na  fase  oficiosa  os  procedimentos  que  antecedem  o  ato  de  lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral,  não  havendo  que  se  falar  em  processo,  assegurando­se  o  contraditório  e  a  ampla  defesa  aos  litigantes,  só  se  podendo  falar na existência de litígio após a impugnação do lançamento.  LANÇAMENTO FISCAL. POSSIBILIDADE DE SANEAMENTO.  RELATÓRIO  FISCAL  COMPLEMENTAR.  REABERTURA  DO  PRAZO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO SUJEITO  PASSIVO. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA.  Cabível a emissão de Relatório Fiscal Complementar saneando  as  irregularidades  verificadas  no  Relatório  Fiscal  inicial,  seguida da reabertura do prazo de defesa ao sujeito passivo, não  se caracterizando a nulidade do lançamento ante a possibilidade  de  saneamento  da  irregularidade  verificada  e  a  ausência  de  qualquer  prejuízo  ao  sujeito  passivo,  sendo­lhe  assegurado  o  devido  processo  legal,  o  contraditório  e  o  exercício  de  seu  direito de defesa.  DESCONSIDERAÇÃO  DOS  ATOS  OU  NEGÓCIOS  JURÍDICOS PRATICADOS.  A  autoridade  administrativa  possui  a  prerrogativa  de  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  eivados  de  vícios,  sendo  tal  poder da própria  essência da atividade  fiscalizadora,  consagrando o princípio da substância sobre a forma.  Fl. 7301DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     14 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.  É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum  na situação que constitua o fato gerador.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Não  concordando  com  a  decisão  do  órgão  previdenciário,  foi  interposto  recurso pela notificada, conforme fls. 6631 a 6928, contendo em síntese os mesmo argumentos  da impugnação:   A unidade da DRFB encaminhou o processo a este CARF para julgamento.  É o Relatório.  Fl. 7302DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16004.001598/2008­10  Acórdão n.º 2401­003.245  S2­C4T1  Fl. 9          15     Voto             Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O  recursos  foram  interpostos  tempestivamente,  conforme  informação  constantes nos autos. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito.  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora  DO MÉRITO  O  procedimento  adotado  pelo  AFPS  na  aplicação  do  presente  auto­de­ infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita.   Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado  informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores  de contribuições previdenciárias, nestas palavras:   Art. 32. A empresa é também obrigada a:  (...)   IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)­ (grifo nosso)  Conforme  descrito  no  relatório  fiscal  da  infraçãol,  fl.  44  e  seguintes,  a  infração  imputada  a  empresa  consiste  em  não  apresentar  a  empresa  o  documento  a  que  se  refere  a  Lei  8212,  de  24  de  julho  de  1991,  de  24/07/1991,  art.  32,  IV  e  seus  §§  3  o  e  9  o  ,  acrescentados  pela  Lei  n°  9.528,  de  10/12/1997,  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores de  todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei 8212 de 24 de  julho  de  1991,  art.  32,  IV  e  parágrafo  5  o  ,  acrescentados  pela  Lei  9.528,  de  10/12/1997,  combinado  com  o  art.  225,  IV  e  parágrafo  2  o  ,  3  o  e  4  o  do  "caput"  do  Regulamento  da  Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto n. 3048/1999, na competência 13/2005.   Ainda conforme descrito a  fiscalização  teve seu  início em 19/09/2006, com  período final até maio de 2006 e depois estendido até 10/2006. Posteriormente foi realizada a  Operação Grandes Lagos", deflagrada pela polícia federal, Isso no mês seguinte, em outubro de  2006,  por  solicitação  da  Receita  Federal,  que  desbaratou  uma  organização  criminosa  criada  para  fraudar  a  administração  tributária,  utilizando­se  das mais  variadas  formas,  sendo  que  a  Autuada ou Fiscalizada, denominações da Empresa, que serão utilizadas não só neste relatório  fiscal,  fazia parte desse  esquema,  conforme  também se verifica do Relatório denominado de  Termo de Conclusão Fiscal, ANEXO I , (volumes 1/33 a 33/33, às fls. 6256/6446, que é parte  Fl. 7303DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     16 integrante do Relatório Fiscal do Processo Principal  ­ n° 16004001594/2008­31  ­ Debcad n°  37.128.795­2, em inteiro teor (fls. 1/6518), ao qual este será APENSANDO.  Assim, justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento  do AIOP que apreciaram a incidência de contribuições sobre os fatos geradores omitidos, tendo  em vista que o resultado dos autos de infração de obrigação acessória estão diretamente ligados  ao resultado das obrigações principais. Senão vejamos:  O processo DEBCAD Nº AI n.º 37.128.7952, Processo 16004.001594/2008­  31, de  relatoria do  ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Acórdão 2401­002.431  foi  julgado no âmbito deste colegiado  tendo sido dado provimento ao recurso, conforme ementa  abaixo transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2006   SUBROGAÇÃO  NA  PESSOA  DO  ADQUIRENTE  DAS  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  INCIDENTES  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS  FÍSICAS.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  PELO STF. IMPROCEDÊNCIA   Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária  (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei  n.  8.540/1992  e  as  atualizações  posteriores  até  a  Lei  n.  9.528/1997, as  quais,  dentre outras,  deram redação ao art.  30,  IV,  da  Lei  n.  8.212/1991,  são  improcedentes  as  contribuições  sociais  exigidas  dos  adquirentes  da  produção  rural  da  pessoa  física na condição de subrogado.  Recurso Voluntário Provido  Assim, considerando que a sorte de Autos de Infração relacionados a omissão  de GFIP, está diretamente relacionado ao resultado do AIOP lavrados sobre os mesmos fatos  geradores, não há como persistir o lançamento em questão, razão pela qual dou provimento ao  recurso interposto.  CONCLUSÃO  Voto  no  sentido  de CONHECER  do  recurso,  para  no  mérito DAR­LHE  PROVIMENTO.   É como voto.    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.                              Fl. 7304DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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Numero do processo: 13971.005359/2010-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/05/2009 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Estando o auto de infração amparado pela legislação competente, propiciando ao contribuinte a apresentação de defesa bem fundamentada, não há que se falar em desrespeito a ampla defesa e ao contraditório. MULTA DE MORA. NORMA MAIS BENÉFICA As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRERROGATIVA DO JULGADOR. A realização de perícia é prerrogativa do órgão judicante quando aquela for necessária, não ficando o julgado obrigado a solicitá-la por mero pedido do contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2038; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 105          1 104  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.005359/2010­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2803­003.619  –  3ª Turma Especial   Sessão de  10 de setembro de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  SCHUHMACHER E FILHO LTDA.­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 30/05/2009  NULIDADE. INEXISTÊNCIA  Estando o auto de infração amparado pela legislação competente, propiciando  ao contribuinte a  apresentação de defesa bem fundamentada, não há que se  falar em desrespeito a ampla defesa e ao contraditório.  MULTA DE MORA. NORMA MAIS BENÉFICA  As  contribuições  sociais  previdenciárias  estão  sujeitas  à multa  de mora,  na  hipótese  de  recolhimento  em  atraso,  devendo  observar  o  disposto  na  nova  redação dada ao artigo 35, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 61 da  Lei nº 9.430/1996.  TAXA SELIC. APLICAÇÃO.  Os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRERROGATIVA DO JULGADOR.  A realização de perícia é prerrogativa do órgão  judicante quando aquela for  necessária, não ficando o  julgado obrigado a solicitá­la por mero pedido do  contribuinte.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 53 59 /2 01 0- 18 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005359/2010­18  Acórdão n.º 2803­003.619  S2­TE03  Fl. 106          2 (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Natanael Vieira dos Santos ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos  Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005359/2010­18  Acórdão n.º 2803­003.619  S2­TE03  Fl. 107          3   Relatório  1. Trata­se de recurso voluntário interposto pela empresa SCHUHMACHER  E FILHO LTDA. EPP, em face de acórdão proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  (RJ),  que  julgou  improcedente  a  impugnação apresentada pela contribuinte.  2. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 29/33), trata­se de crédito tributário  lançado  pela  Fiscalização  em  nome  do  sujeito  passivo  acima  identificado,  relativo  às  contribuições  sociais  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  tratando­se  de  fatos geradores e contribuições presentes na folha de pagamento e omitidos na GFIP. O crédito  apurado,  consolidado  em  30/11/2010,  com  ciência  pessoal  pelo  interessado  em  06/12/2010,  consubstancia­se no valor originário de R$79.328,56 que acrescido de multa e juros totalizam a  quantia  de  R$149.810,34,  sendo  relativo  ao  período  de  apuração  de  01/2006  a  05/2009.  (DEBCAD: 37.290.9868).  3.  Foi  juntado  por  apensacão  aos  autos  o  processo  de  número:  13971.005358/2010­73.  4. A empresa, após  ter  sido devidamente  intimada,  impugnou o  lançamento  tempestivamente.  Ao  analisar  os  argumentos  constantes  na  peça  impugnatória,  a  primeira  instância  administrativa  decidiu  considerar  improcedente  o  lançamento,  mantendo  o  crédito  tributário exigido (fls. 78/79), nos seguintes termos:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 30/05/2009  DESCONTO  DE  SEGURADO.  RECOLHIMENTO.  OBRIGAÇÃO DA  EMPRESA.  A empresa é obrigada arrecadar as contribuições dos segurados  empregados,  trabalhadores  avulsos  e  dos  contribuintes  individuais  a  seu  serviço,  descontando  as  da  respectiva  remuneração, e recolher o produto arrecadado juntamente com  as contribuições a seu cargo devidas.  INCONSTITUCIONALIDADE.  ILEGALIDADE  FORO  INADEQUADO.  O  foro  administrativo  é  inadequado  para  discussões  de  inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das normas, eis que cabe  à Administração Pública o estrito cumprimento das normas em  vigor.  SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005359/2010­18  Acórdão n.º 2803­003.619  S2­TE03  Fl. 108          4 As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras d  processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do  crédito tributário.  MULTA.  PREVISÃO  NA  LEI  8.212/91.  MP  449/2008.  LE  11.941/2009.  APLICAÇÃO  DO  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE BENIGNA.  A  fim  de  ser  obedecido  o  comando  do  art.  106,  II,  c  do  CTN  referente  à  retroatividade  benigna  da  lei  na  aplicação  de  penalidade menos  severa ao  sujeito passivo,  cabe à autoridade  fiscal  proceder  à  comparação  das  multas  aplicadas  pela  legislação  vigente  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  com  as  impostas  pela  legislação  superveniente,  sendo  válida  a  multa mais benéfica ao contribuinte.  JUROS. SELIC. INCIDÊNCIA.  As  contribuições  sociais  pagas  com  atraso  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e de Custódia SELIC.  PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido.”  4.  Inconformada  com  a  decisão  proferida  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário (fls. 90 a 103), no qual aduz em síntese:  a) Que  o  crédito  tributário  em  questão  deve  ter  sua  exigibilidade  suspensa  com base no art. 151, III do CTN;  b) Preliminarmente, alega que a notificação de lançamento omite as normas  especificas  dadas  como  infringidas,  além  de  não  esclarecer  adequadamente  quais artigos  infringidos, capitulando, em sua fundamentação  legal, um sem  fim  de  legislações  e  artigos,  situações  que  tornam  o  lançamento  nulo,  pois  não  permitem  o  exercício  dos  direitos  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório,  garantidos a Impugnante pela Constituição Federal;  c) Que Não foi observado o princípio da ampla defesa e do contraditório;  d) Ser inaplicável a taxa de juros Selic;  e  ) Requer  ainda  perícia,  eis  que  os  requisitos  especificados  na  lei  do PAF  não  foram  seguidos,  em  um  gesto  de  ilegalidade  na  obtenção  de  provas  carreadas ao AI impugnado;  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005359/2010­18  Acórdão n.º 2803­003.619  S2­TE03  Fl. 109          5 f) por fim, requer que seja dado provimento ao presente recurso, para decretar  a  improcedência  da  presente  autuação,  haja  vista  à  patente  ilegalidade  da  autuação.  5. O  fisco não apresentou contrarrazões  e o processo  foi  encaminhado para  análise e julgamento por este Conselho.  É o relatório.  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005359/2010­18  Acórdão n.º 2803­003.619  S2­TE03  Fl. 110          6   Voto             Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator.  DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  1.  Conheço  do  recurso  voluntário,  uma  vez  que  foi  tempestivamente  apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de  março de 1972 e passo a analisá­lo.  DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE  2. A contribuinte alega que o acórdão de primeira instância seria inválido, em  razão da notificação de lançamento omitir as normas especificas dadas como infringidas, além  de não esclarecer adequadamente quais artigos infringidos, capitulando, em sua fundamentação  legal, um sem fim de legislações e artigos.  3. Contudo, não há que se falar, na hipótese, de cerceamento de defesa, visto  que houve o devido apontamento dos dispositivos legais que fundamentaram o lançamento. Da  mesma forma, a autoridade julgadora enfrentou as principais alegações que nortearam a defesa  da contribuinte.  4. Não obstante o bom arrazoado trazido pela recorrente na busca de ver seu  pleito acolhido,  razão não  lhe assiste. Cumpre ressaltar, ainda, que o  lançamento encontra­se  devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que  rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei nº. 9.784/99. Desta forma,  não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, por não haver vício.   5. Nesse  sentido,  entendo que a decisão de primeira  instância não deve  ser  retificada nesse ponto. Assim, rejeito a alegação de irregularidade.  DA MULTA APLICADA  6. No  tocante  à multa  aplicada,  em  respeito  ao  art.  106  do CTN,  inciso  II,  alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa,  a existência de penalidade menos  gravosa ao sujeito passivo. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das  alterações  trazidas  pela  Lei  nº  11.941/2009  ao  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991,  que  instituiu  mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores.   7. Assim, no presente caso, identificando o Fisco benefício a contribuinte na  penalidade  nova,  essa  deve  retroagir  em  seus  efeitos,  conforme  ocorre  com  a  nova  redação  dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe:  “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005359/2010­18  Acórdão n.º 2803­003.619  S2­TE03  Fl. 111          7 entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.”  8. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que:  “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  (...)  § 2º O percentual de multa a  ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.”  9. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei  nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vê­se que a primeira permitia  que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao  passo que a nova limita a multa a vinte por cento.  10. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art.  106, do CTN, conclui­se pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº  9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for  mais benéfica para a contribuinte, como bem decidiu a DRJ.  DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC   11. Por fim, entendo que a utilização da taxa SELIC não é indevida no caso  em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada  pelo art. 34 da Lei nº 8.212/91.   12. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais, verbis:  “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.”  13. No mesmo sentido, deve­se  ressaltar que a utilização da  taxa SELIC no  caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da  Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento, que encontra respaldo na súmula nº 04 deste  Conselho.  14. Além disso,  em  julgado  recente,  o STF decidiu  pela  incidência  da  taxa  SELIC para a atualização de débitos tributários:   Fl. 111DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13971.005359/2010­18  Acórdão n.º 2803­003.619  S2­TE03  Fl. 112          8 “1.  Recurso  extraordinário.  Repercussão  geral.  2.  Taxa  Selic.  Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade.  Inexistência  de  violação  aos  princípios  da  legalidade  e  da  anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No  julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal  Pleno,  DJ  19.4.2002,  ao  apreciar  o  tema,  esta  Corte  assentou  que  a  medida  traduz  rigorosa  igualdade  de  tratamento  entre  contribuinte  e  fisco  e que não  se  trata de  imposição  tributária.  (...).” (g.n.)  (RE  582.461/SP.  Tribunal  Pleno.  Relator  Ministro  Gilmar  Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177).  15. E quanto  às  alegações de multa  confiscatória,  deve­se  concluir  que não  possuem  fundamento,  pois  o  valor  da  multa  não  corresponde  ao  valor  da  contribuição.  Tal  constatação pode ser alcançada pela leitura da discriminação dos valores realizadas pelo agente  fiscal no auto de infração. Assim, tendo atendido à determinação legal e não sendo equivalente  à totalidade do débito, não há que se falar em caráter confiscatório da multa.  DA DESNECESSIDADE DE PERÍCIA  16.  Não  obstante  o  argumento  da  recorrente  solicitando  perícia,  não  vislumbro  no  caso  qualquer  necessidade,  não  subsistindo  nos  autos  qualquer  razão  que  a  indique para seu provimento.  17.  Ressalto,  ademais,  que  a  realização  da  perícia  é  uma  prerrogativa  do  julgador para quando entendê­la necessária, não bastando simples requerimento da parte para  seu deferimento. Destarte, estando os autos aptos a julgamento, não vislumbro qualquer razão  para o deferimento da perícia pleiteada.  CONCLUSÃO  18. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar­ lhe provimento, pelos motivos acima aduzidos.  É como voto.  (Assinado digitalmente)  Natanael Vieira dos Santos.                                Fl. 112DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA

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Numero do processo: 16004.000040/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. UTILIZAÇÃO DE COMPROVANTES DE DESPESAs EM RELAÇÃO AOS QUAIS HÁ SÚMULA ADMINISTRATIVA DECLARANDO-AS TRIBUTARIAMENTE INEFICAZES. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROVAS DE EFETIVO PAGAMENTO E DE EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Valendo-se a contribuinte de recibos de fisioterapeuta declarados formalmente por súmula administrativa que os declarou tributariamente ineficazes e ausentes elementos de efetiva prestação dos serviços e pagamento respectivo, o lançamento deve ser mantido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N° 40. Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Relator. EDITADO EM: 13/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. UTILIZAÇÃO DE COMPROVANTES DE DESPESAs EM RELAÇÃO AOS QUAIS HÁ SÚMULA ADMINISTRATIVA DECLARANDO-AS TRIBUTARIAMENTE INEFICAZES. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROVAS DE EFETIVO PAGAMENTO E DE EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Valendo-se a contribuinte de recibos de fisioterapeuta declarados formalmente por súmula administrativa que os declarou tributariamente ineficazes e ausentes elementos de efetiva prestação dos serviços e pagamento respectivo, o lançamento deve ser mantido. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N° 40. Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. Recurso improvido.

turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Relator. EDITADO EM: 13/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior e Carlos André Ribas de Mello.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2085; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE02  Fl. 115          1 114  S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.000040/2008­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2802­002.845  –  2ª Turma Especial   Sessão de  15 de abril de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  SONIA APARECIDA AIDAR FERNANDES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2003, 2004, 2005  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA.  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  UTILIZAÇÃO  DE  COMPROVANTES  DE  DESPESAs  EM  RELAÇÃO  AOS  QUAIS  HÁ  SÚMULA  ADMINISTRATIVA  DECLARANDO­AS  TRIBUTARIAMENTE  INEFICAZES.  NÃO  APRESENTAÇÃO  DE  PROVAS  DE  EFETIVO  PAGAMENTO  E  DE  EFETIVA  PRESTAÇÃO  DOS  SERVIÇOS.  MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.   Valendo­se  a  contribuinte  de  recibos  de  fisioterapeuta  declarados  formalmente  por  súmula  administrativa  que  os  declarou  tributariamente  ineficazes  e  ausentes  elementos  de  efetiva  prestação  dos  serviços  e  pagamento respectivo, o lançamento deve ser mantido.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE  DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. APLICAÇÃO DA  SÚMULA CARF N° 40.  Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para  o  qual  haja  Súmula  Administrativa  de  Documentação  Tributariamente  Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços  e  do  correspondente  pagamento,  impede  a  dedução  a  título  de  despesas  médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.  Recurso improvido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 40 /2 00 8- 17 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO     2 (assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos André Ribas de Mello, Relator.  EDITADO EM: 13/10/2014  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte  Cardoso  (Presidente),  Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Cleber  Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior e Carlos André Ribas de Mello.    Relatório  Trata­se de Auto de Infração de fls.49 e ss., por supostas deduções indevidas,  nos exercícios de 2003 a 2005, de despesas médicas, por falta de comprovação, aplicando­se  multa de ofício qualificada em decorrência da súmula que abaixo se menciona.  A  fls.44  encontra­se  Súmula  Administrativa  de  Documentação  Tributariamente  Ineficaz  produzida  pela  DRF/SÃO  JOSE  DO  RIO  PRETO­SP/Seção  de  Fiscalização,  conforme  Processo  Administrativo  n  2  16004.000630/2007­69,  tendo  sido  expedido  o Ato  Declaratório  n.236  de  25  de  Setembro  de  2007,  concluindo  que  os  recibos  emitidos  pela  profissional  de  fisioterapia  Patrícia  Cristiane  Guimarães,  no  período  de  01/01/2001 a 31/12/2004,  são  imprestáveis  e  ineficazes,  para dedução da base de  cálculo do  imposto de renda pessoa física, o que motivou a ação de fiscalização contra a contribuinte de  que se trata nos presentes autos.  Inconformada  com  o  lançamento,  a  contribuinte  apresenta  impugnação,  de  fls.59  e  ss.,  alegando,  em  síntese,  que  não  foi  lavrado  termo  de  início  de  procedimento,  suprimindo  a  possibilidade  da  contribuinte  defender­se  ou  apresentar  elementos  probatórios  antes  de  lavrar­se  o  auto  de  infração,  tecendo  considerações  acerca  da  interpretação  da  lei  tributária; que a autuação fundou­se tão somente na declaração de inidoneidade de profissional  de  fisioterapia  que  prestara  serviços  à  contribuinte,  tendo  sido  emitidos  os  recibos  correspondentes  e  não  tendo  sido  dada  à  contribuinte  a  oportunidade  de  defender­se;  que  a  profissional  prestou  efetivamente  os  serviços  à  contribuinte,  os  mesmos  foram  pagos  e  a  referida  profissional  é  reconhecida  pelo  conselho  profissional  correspondente,  estando  em  atividade  até  o  momento  da  elaboração  da  impugnação  no  mesmo  endereço  profissional,  juntando aos autos pesquisa de sua situação junto ao CREFITO.   A  impugnação  foi  julgada pela 11ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade,  pela procedência do lançamento, aos fundamentos de não constar prova de efetivo pagamento  dos  serviços  ou  de  sua  efetiva  realização,  sobretudo  diante  da  súmula  administrativa  acima  referida; que a lavratura de auto de infração prescinde nos termos da lei de prévio contraditório.  Não satisfeita com o resultado do julgamento, do qual foi intimada (fl.100), a  contribuinte  interpôs  tempestivamente  recurso  voluntário  (fl.  101  e  ss.),  repisando  os  argumentos esgrimidos em sua impugnação.  É o relatório.   Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO Processo nº 16004.000040/2008­17  Acórdão n.º 2802­002.845  S2­TE02  Fl. 116          3 Voto             Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator.  Em  sede  preliminar,  o  recurso  deve  ser  conhecido,  por  tempestivo,  nos  limites de seu objeto, isto é, na impugnação da autuação por supostas deduções indevidas, nos  exercícios de 2003 a 2005, de despesas médicas, bem como da qualificação da multa de ofício,  por alegada ausência de má­fé.  Havendo súmula administrativa de inidoneidade de dos recibos emitidos pela  profissional  cujos  serviços  foram  alegadamente  utilizados  pela  contribuinte  e  fundada  a  intimação  emitida  pela  fiscalização  a  fls.13  para  que  a  contribuinte  trouxesse  aos  autos  elementos  probantes  da  efetiva  prestação  dos  supostos  serviços  fisioterápicos  e  efetivo  pagamento  pelos  mesmos  além  de  outros  esclarecimentos  em  torno  da  matéria,  deveria  a  mesma atender ao que legitimamente exigiu a fiscalização.  No mesmo  sentido,  a  qualificação  da multa  de  ofício  encontra  respaldo  na  legislação  que  fundamenta  o  lançamento  impugnado,  e  na  Jurisprudência  sumulada  deste  I.  CARF, conforme seu verbete de n° 40:  Súmula  CARF  nº  40:  A  apresentação  de  recibo  emitido  por  profissional  para  o  qual  haja  Súmula  Administrativa  de  Documentação  Tributariamente  Ineficaz,  desacompanhado  de  elementos  de  prova  da  efetividade  dos  serviços  e  do  correspondente  pagamento,  impede  a  dedução  a  título  de  despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.  Não  tendo  a  contribuinte  trazido  aos  autos  quaisquer  dos  elementos  solicitados pela fiscalização, nem mesmo em sede recursal, é de manter­se o lançamento, razão  pela qual sou pelo improvimento do recurso.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Carlos André Ribas de Mello.                              Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/ 10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO

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5684686 #
Numero do processo: 10480.900122/2012-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 11          1  10  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10480.900122/2012­48  Recurso nº  001   Voluntário  Acórdão nº  3801­003.560  –  1ª Turma Especial   Sessão de  22 de julho de 2014  Matéria  Contribuição para o PIS/Pasep  Recorrente  DELTA VEICULOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002  PIS.  BASE  DE  CÁLCULO.  ALTERAÇÃO  DA  LEI  Nº  9.718/98.  INCONSTITUCIONALIDADE.  Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo  plenário do STF,  em sede de  controle difuso,  e  tendo  sido, posteriormente,  reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e  reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando­se, inclusive, pela edição de  súmula  vinculante,  deixa­se  de  aplicar  o  referido  dispositivo,  conforme  autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno  do CARF.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel­ Relatora.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 01 22 /2 01 2- 48 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     2  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel,  Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pondes (Presidente).    Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  DRJ  RECIFE/PE,  abaixo  transcrito:  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade,  protocolizada  aos  09/03/2012  contra  Despacho  Decisório  eletronicamente  emitido  pela  Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  no Recife DRF/ RECIFE/PE,  do qual a contribuinte tomou ciência aos 10/02/2012, por meio do qual  foi  indeferido  o  Pedido  de  Restituição  PER  aqui  tratado,  em  que  é  indicado  suposto  crédito,  no  valor  de  R$  2.251,54,  a  título  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  realizado  a  título  da  COFINS  em  relação ao período de apuração de setembro de 2002, no valor de R$  23.169,94.  2.  O  indeferimento  se  deu  porque,  embora  localizado  supradito  pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do  contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição.  3.  No  recurso,  a  defendente  solicita  a  reunião  dos  processos  administrativos  que  relaciona,  os  quais  alega  ter  o  mesmo  objeto  e  causa  de  pedir  (restituição  de  conjecturados  créditos,  apurados  em  diversos meses,  decorrentes  de  pagamentos  indevidos  da  contribuição  para o PIS/COFINS, pautados na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º,  da Lei nº 9.718, de 27/11/1998).  4.  Invoca, para amparar o pleito de reunião de processos que, na sua  visão,  impediria  o  risco  de  que  neles  fossem  proferidas  diferentes  decisões  ,  o  princípio  da  economia  processual,  a  otimização  dos  trabalhos da recorrente e da Administração Tributária, a determinação  constitucional  de  razoável  duração  do  processo  (art.  5º,  LXXVIII,  da  CF/88).  Ademais, estriba o pedido na disposição contida no art. 103, do Código  de  Processo  Civil  –CPC  e,  ainda,  em  opiniões  doutrinárias  e  em  precedente do então 1º Conselho de Contribuintes.  5. Na seqüência, critica a defendente que, contrariamente ao disposto  no art. 65, da Instrução Normativa IN nº 900, expedida aos 30/12/2008  pela RFB1,  não  fora  intimada a  esclarecer  a  higidez  de  seu  crédito  e  que,  tivesse  isto  ocorrido,  o  pedido  de  restituição  seria  deferido,  na  medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do  indébito.  6.  Argumenta  que,  nos  termos  do  art.  142,  do  CTN,  é  dever  da  Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o  lançamento  e  também  as  demais  glosas  fiscais  se  baseiem na  correta  subsunção dos fatos à lei.  Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900122/2012­48  Acórdão n.º 3801­003.560  S3­TE01  Fl. 12          3  7. Fala, ainda, que, como a Fiscalização sequer  tomou conhecimento  das razões que justificam o pedido de restituição, imporseia a reforma  do Despacho Decisório.  8. Adiante,  tece  considerações  quanto  à  inconstitucionalidade  do  art.  3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, declarada pela Suprema Corte, após o que  aduz que, conquanto a inconstitucionalidade haja sido reconhecida no  controle  difuso,  foi  a  questão  decidida  em  sessão  plenária  do  STF,  razão  por  que  os  órgãos  da  Administração  Tributária  devem  afastar  sua aplicação, aos moldes do que determina o art. 26A, §6º, do Decreto  nº  70.235/72,  e  o  art.  59,  do  Decreto  nº  7.574,  de  29/09/2011,  disposição  esta  que  também  estava  encartada  no  art.  49,  parágrafo  único, I, do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes e,  atualmente, está embutida no art. 62, §1º,  I, do Regimento Interno do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF.  9.  Destaca  que  o  art.  62A,  caput,  do  RICARF,  vincula  o  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais a adotar as decisões definitivas de  mérito  proferidas  pelo  STF  sob  o  regime  previsto  no  art.  543B,  do  CPC, tal como ocorreu, na situação aqui tratada no RE nº 585.235 – o  que  reforçaria  que  o  entendimento  do  STF  quanto  à  citada  inconstitucionalidade deve ser aplicado no caso dos autos.  10.  Pondera,  outrossim,  que  “um  dispositivo  de  lei  declarado  inconstitucional  é  uma  norma absolutamente  nula,  impossibilitada  de  produzir  efeitos  jurídicos  válidos,  em  razão  de  seu  desacordo  com  o  texto  constitucional,  a  quem  deve  irrestrita  obediência”  e  que  “seria  ilógico  que  a  administração  fazendária  continuasse  a  reconhecer  a  validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo  Tribunal  Federal”,  entendimento  este  que  a  recorrente  escora  em  diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos  Fiscais a que faz remissão.  11. Conclui a questão dizendo  ser  indubitável que o entendimento do  STF nos recursos extraordinários por ela referidos deve ser empregado  pelas autoridades administrativas em suas decisões.  12.  Avante,  diz  a  recorrente  que  na  base  de  cálculo  da  contribuição  aqui  tratada “somente deveriam  ter  sido  incluídos pela  requerente os  valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que  correspondem  às  suas  receitas  das  vendas  de  mercadorias  e  da  prestação de serviços” e que, no caso concreto, tem direito ao crédito  requerido  no  PER,  correspondente  ao  valor  desta  contribuição  que  teria  sido  calculado  sobre  o  montante  não  integrante  de  seu  faturamento.  13.  Sustenta  que,  para  que  não  pairem  dúvidas,  anexa  documentos  hábeis a comprovar a higidez do crédito pleiteado.  14.  No  final  da  Manifestação  de  Inconformidade,  a  recorrente:  (i)  requer o acolhimento do recurso interposto; (ii) informa que a matéria  discutida  não  foi  submetida  à  apreciação  judicial;  e  (iii)  protesta  provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente  a  produção  de  perícias,  a  realização  de  diligência  e  a  juntada  de  documentos.  Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     4  15.  Ao  recurso  a  contribuinte  anexou,  além  de  documentos  de  representação processual: (i) planilha com as rubricas sobre as quais  apurou  o  suposto  crédito  a  ser  restituído;  e  (ii)  cópia  de  folhas  de  Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado.  16.  Este  julgador  anexou  aos  autos  extratos  emitidos  no  sistema  DCTF/CONS.  Analisando  o  litígio,  a  DRJ  de  Recife/PE  considerou  improcedente  a  manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a  30/09/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO.  RECONHECIMENTO. REQUISITOS.  O  reconhecimento  do  direito  à  restituição  exige  a  comprovação  da  realização de pagamento de tributo  indevido ou a maior que o devido  em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato  gerador efetivamente ocorrido.  RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE.  É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição.  ALEGAÇÃO DE  INCONSTITUCIONALIDADE DO  ART.  3º,  §1º,  DA  LEI  Nº  9.718/98.  PAGAMENTO  SOBRE  OUTRAS  RECEITAS  QUE  NÃO AS DE VENDA DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS.  FALTA  DE COMPROVAÇÃO.  Não tendo a recorrente comprovado que o valor confessado em DCTF e  por  ela  recolhido  a  título  da  COFINS  foi  calculado  sobre  outras  receitas  que  não  as  de  venda  de  mercadorias  e/ou  de  prestação  de  serviços, resta incomprovada a realização de pagamento indevido ou a  maior  que  devido  sob  o  fundamento  de  inconstitucionalidade  do  alargamento da base de cálculo desta contribuição perpetrada pelo art.  3º, §1º, da Lei nº 9.718/98.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Período  de  apuração:  01/09/2002  a  30/09/2002  DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO.  Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto  nº 70.235/72, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser  apresentadas  por  ocasião  da  interposição  da  manifestação  de  inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada.  Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não  Reconhecido    É o relatório.    Voto             Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900122/2012­48  Acórdão n.º 3801­003.560  S3­TE01  Fl. 13          5  Conselheira Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel  Conheço  do  Recurso  Voluntário,  uma  vez  que  apresenta  os  requisitos  de  admissibilidade e foi apresentado dentro do prazo de 30 dias fixado pela legislação.  Como se depreende da leitura dos autos, em síntese, o contribuinte, invocando o  reconhecimento,  pelo  STF,  da  inconstitucionalidade  do  alargamento  da  base  de  cálculo  das  contribuição ao PIS e da COFINS promovido pela Lei nº 9.718/98, requereu a restituição dos  valores indevidamente recolhidos.  Sendo indeferido o pedido administrativo de restituição, a Recorrente apresentou  Manifestação de Inconformidade, à qual juntou aos autos, além de planilhas que supostamente  comprovariam o seu direito creditório, os balancetes, com a segregação das receitas.   No  julgamento da Manifestação de  Inconformidade, a delegacia de  julgamento  de Recife/PE alega que o contribuinte não comprovou o recolhimento indevido ou a maior dos  créditos tributários invocados no pedido de restituição.  Ocorre  que  a  própria  Delegacia  da  Receita  Federal  poderia,  de  ofício,  independentemente  de  requerimento  expresso,  ter  realizado  diligências  para  aferir  a  autenticidade  dos  créditos  declarados  pela  Recorrente.  Esta  é  a  orientação  do  artigo  18  do  Decreto 70.235/72. Confira­se:  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de  que  deve  a  Administração  Pública  se  valer  de  todos  os  elementos  possíveis  para  aferir  a  autenticidade  das  declarações  dos  contribuintes,  o  que,  data  venia,  não  foi  feito  no  presente  caso.  Deve­se ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por  diversos  princípios,  dentre  os  quais  se  destaca  o  da  Verdade  Material,  cujo  fundamento  constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar  suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em  decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor  James Marins:  A  exigência  da  verdade  material  corresponde  à  busca  pela  aproximação  entre  a  realidade  factual  e  sua  representação  formal;  aproximação  entre  os  eventos  ocorridos  na  dinâmica  econômica  e  o  registro  formal  de  sua  existência;  entre  a  materialidade  do  evento  econômico  (fato  imponível)  e  sua  formalidade  através  do  lançamento  tributário.  A  busca  pela  verdade  material  é  princípio  de  observância  indeclinável  da  Administração  tributária  no  âmbito  de  suas  atividades  procedimentais e processuais. (grifou­se).(MARINS, James. Direito   Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     6  Tributário  brasileiro:  (administrativo  e  judicial).  4.  ed.  São  Paulo:  Dialética, 2005. pág. 178 e 179.)  Sobre o princípio da verdade material,  também ensina o  ilustre professor Celso  Antônio Bandeira de Mello:  Princípio da  verdade material. Consiste  em que a Administração, ao  invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento,  deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do  que os interessados hajam alegado e provado (...).  (...)  O  princípio  da  verdade  material  estriba­se  na  própria  natureza  da  atividade  administrativa.  Assim,  seu  fundamento  constitucional  implícito  radica­se  na  própria  qualificação  dos  Poderes  tripartidos,  consagrada  formalmente  no  art.  2º  da  Constituição,  com  suas  inerências.  Deveras,  se  a  Administração  tem  por  finalidade  alcançar  verdadeiramente  o  interesse  público  fixado  na  lei,  é  óbvio  que  só  poderá fazê­lo buscando a verdade material, ao invés de satisfazer­se  com a verdade formal,  já que esta, por definição, prescinde do ajuste  substancial  com  aquilo  que  efetivamente  é,  razão  porque  seria  insuficiente  para  proporcionar  o  encontro  com  o  interesse  público  substantivo.  Demais  disto,  a  previsão  do  art.  37,  caput,  que  submete  a  Administração  ao  princípio  da  legalidade,  também  concorre  para  a  fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...).  (BANDEIRA  DE  MELLO,  Celso  Antônio.  Curso  de  direito  administrativo.  24.  ed.  rev.  atual.  São  Paulo:  Malheiros  Editores,  2007. p. 489, 493 e 494)  No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e,  portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao  julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar  restrito  ao  que  foi  alegado,  trazido  e  provado  pelas  partes,  devendo  sempre  buscar  todos  os  elementos capazes de influir em seu convencimento.  Isto  porque,  no  processo  administrativo  não  há  a  formação  de  uma  lide  propriamente  dita,  não  há,  em  tese,  um  conflito  de  interesses.  O  objetivo  é  esclarecer  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  de  obrigação  tributária,  de  modo  a  legitimar  os  atos  da  autoridade administrativa.  Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o  processo  administrativo,  em especial  o  julgador,  deve  ter como norte  a verdade material  para  solução da lide. Confira­se:  IPI.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE MATERIAL. Nos  termos do § 4º do artigo 16 do Decreto  70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos  probatórios  na  fase  impugnatória.  A  não  apreciação  de  documentos  juntados aos autos ainda na  fase de  impugnação, antes, portanto, da  decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio  constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900122/2012­48  Acórdão n.º 3801­003.560  S3­TE01  Fl. 14          7  o  princípio  da  verdade  material,  no  sentido  de  que  aí  se  busca  descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está  em  jogo  é  a  legalidade  da  tributação.  Deve  ser  anulada  decisão  de  primeira  instância  que  deixa  de  reconhecer  tal  preceito.  Processo  anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°.  132.865,  ACÓRDÃO  20312338,  Relator  Dalton  Cesar  Cordeiro  de  Miranda)PROCESSO  ADMINISTRATIVO  TRIBUTÁRIO  PROVA  MATERIAL  APRESENTADA  EM  SEGUNDA  INSTÂNCIA  DE  JULGAMENTO  PRINCÍPIO  DA  INSTRUMENTALIDADE  PROCESSUAL  E  A  BUSCA  DA  VERDADE  MATERIAL  A  não  apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na  fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da  instrumentalidade  processual  prevista  no CPC  e  a  busca  da  verdade  material,  que  norteia  o  contencioso  administrativo  tributário.  "No  processo administrativo predomina o princípio da verdade material no  sentido  de  que  aí  se  busca  descobrir  se  realmente  ocorreu  ou  não  o  fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O  importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu  nascimento".  (Ac.  10318789  3  ª.  Câmara  1  º.  C.C.).  Precedente:  Acórdão  CSRF/0304.371  RECURSO  VOLUNTÁRIO  PROVIDO.  (10950.002540/200565,  Recurso  Voluntário  n°.  136.880,  Acórdão  30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes)  IRPJ  PREJUÍZO  FISCAL  IRRF  RESTITUIÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DIPJ  PREVALÊNCIA  DA  VERDADE  MATERIAL  Não  procede  o  não  reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo  negativo  de  IRPJ,  quando  comprovado  que  a  receita  correspondente  foi  oferecida  à  tributação,  ainda  que  em  campo  inadequado  da  declaração.  Recurso  provido.(Número  do  Recurso:  150652  Câmara:Quinta Câmara Número do Processo:13877.000442/200269–  Recurso Voluntário: 28/02/2007)   COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO  E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da  declaração  e/ou  pedido,  deve  a  verdade material  prevalecer  sobre  a  formal.  Recurso  Voluntário  Provido.  (Número  do  Recurso:  157222  Primeira  Câmara  Número  do  Processo:10768.100409/200368–  Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829).  Assim,  devem  ser  considerados,  in  casu,  os  documentos  apresentados  pela  Recorrente e, além disso, as declarações enviadas à Receita Federal do Brasil.  Como  se  não  bastasse,  na  decisão  recorrida,  a Delegacia  de  Julgamento  alega  que não poderia deixar de aplicar o disposto na Lei 9.718/98, com relação ao alargamento da  base de cálculo das mencionadas contribuições.  Neste  ponto,  contudo,  não  devem  prevalecer  as  conclusões  da  Delegacia  de  Julgamento de Recife (PE). O § 1o, do artigo 3o, da Lei 9.718/98, que dava embasamento ao  Fisco para que  considerasse como base de cálculo da COFINS a  receita bruta,  foi  declarado  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.     Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     8  Fato  é  que  o  Pleno  do  Egrégio  Supremo  Tribunal  Federal  (STF),  no  julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator  Ministro  Marco  Aurélio,  e  n.º  346.0846/  PR,  do  Ministro  Ilmar  Galvão,  pacificou  o  entendimento  da  inconstitucionalidade  da  ampliação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98.  Os aludidos acórdãos foram assim ementados:  CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA  LEI  Nº  9.718,  DE  27  DE  NOVEMBRO  DE  1998  EMENDA  CONSTITUCIONAL  Nº  20,  DE  15  DE  DEZEMBRO  DE  1998.  O  sistema  jurídico  brasileiro  não  contempla  a  figura  da  constitucionalidade superveniente.   TRIBUTÁRIO  INSTITUTOS  EXPRESSÕES  E  VOCÁBULOS  SENTIDO. A  norma pedagógica  do  artigo  110  do Código Tributário  Nacional  ressalta  a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos  e  formas  de  direito  privado  utilizados  expressa  ou  implicitamente.  Sobrepõe­se ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados  os  elementos  tributários.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PIS  RECEITA  BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO  3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação  do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº  20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e  faturamento como sinônimas,  jungindoas à venda de mercadorias, de  serviços  ou  de  mercadorias  e  serviços.  É  inconstitucional  o  §  1º  do  artigo  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  no  que  ampliou  o  conceito  de  receita  bruta  para  envolver  a  totalidade  das  receitas  auferidas  por  pessoas  jurídicas,  independentemente da atividade por elas desenvolvida e da  classificação contábil adotada.  Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o  Recurso Extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de  repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do  artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo:  O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de  reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a  jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do  artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda  Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. (....)(grifouse)  O acórdão  proferido  no  referido  recurso  extraordinário, DJ  28/11/2008,  teve  a  seguinte ementa:  RECURSO.  Extraordinário.  Tributo.  Contribuição  social.  PIS.  COFINS.  Alargamento  da  base  de  cálculo.  Art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do  Plenário  (RE  nº  346.084/PR,  Rel.  orig. Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006)  Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso   Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.900122/2012­48  Acórdão n.º 3801­003.560  S3­TE01  Fl. 15          9  improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e  da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.  Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece:  “Art. 26A.  No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de  julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade* (...)  §6º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:*  I  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária  do  Supremo  Tribunal  Federal;*  (...)”  *Nova  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  27  de maio  de  2009 Destarte,  as  autoridades  administrativas  têm  que  se  submeter  ao  entendimento  do  Supremo  Tribunal  Federal  e,  de  fato,  observar  o  posicionamento  da  Corte  Suprema.  Neste  sentido,  alterou­se  o  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  Fiscais  (CARF),  aprovado pela Portaria  nº  256/2009 do Ministro  da Fazenda,  com alterações  das  Portarias  446/2009  e  586/2010.  O  artigo  62A  dispõe  que  os  Conselheiros  têm  que  reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis:  Art. 62A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C  da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF. {*} (...)  {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de  2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse)  Conclui­se, assim, independentemente de o contribuinte ter ação judicial sobre o  tema, ser  improcedente a exigência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita bruta,  nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal.  Nesse  sentido,  voto  por  julgar  procedente  o  recurso  para  reconhecer  o  direito  à  restituição, mediante  compensação, dos  pagamentos  a maior da contribuição,  com  fundamento  na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998.  É  importante  consignar  que  compete  a  autoridade  administrativa,  com  base  na  escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório.     (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relator  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     10                                Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 15586.720513/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2011 a 31/03/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. LANÇAMENTO. RELATÓRIOS FISCAIS. VÍCIO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste vício de nulidade no lançamento tributário cujos relatórios típicos descrevem, de forma clara, discriminada e detalhada, a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados no Auto de Infração. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto de demanda administrativa, implica renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa e inibe o conhecimento da matéria oferecida à apreciação da instância judicial. Quando diferentes os objetos do processo judicial do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descreverem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. LIVRE CONVENCIMENTO. O julgador não é obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizando-se dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. RECURSO VOLUNTÁRIO. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da interposição de Recurso Voluntário não se configura como óbice à constituição de crédito previdenciário, mediante o Lançamento, pela Fazenda Pública. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, mantendo a glosa relativa às compensações efetuadas sem a observância do artigo 170-A do Código Tributário Nacional. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 descreverem,  de  maneira  clara  e  precisa,  os  fatos  jurídicos  apurados,  a  motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável  e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio  jurídico.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  JULGAMENTO  ADMINISTRATIVO. LIVRE CONVENCIMENTO.  O  julgador  não  é  obrigado  a  manifestar­se  sobre  todas  as  alegações  das  partes, nem a ater­se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um  a  um,  a  todos  os  seus  argumentos,  quando  já  encontrou  motivo  suficiente  para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu  livre  convencimento,  utilizando­se  dos  fatos,  das  provas,  da  jurisprudência,  dos  aspectos  pertinentes  ao  tema  e  da  legislação  que  entender  aplicável  ao  caso concreto.  RECURSO VOLUNTÁRIO.  SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.  A suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente da interposição  de Recurso Voluntário não se configura como óbice à constituição de crédito  previdenciário, mediante o Lançamento, pela Fazenda Pública. A suspensão  da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar  qualquer  ato  contra  o  contribuinte  visando  à  cobrança  de  seu  crédito,  tais  como inscrição em dívida, execução e penhora.  JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  O  crédito  decorrente  de  contribuições  previdenciárias  não  integralmente  pagas  na  data  de  vencimento  será  acrescido  de  juros  de  mora,  de  caráter  irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC a que se  refere o  artigo 13 da Lei 9.065/95,  incidentes  sobre o valor  atualizado, nos  termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.   ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO  DECRETO Nº 70.235/72.  As  intimações  dos  Atos  Processuais  devem  ser  feitas  de  maneira  pessoal,  pelo  autor  do  procedimento,  como  também  por  via  postal  ou  por  meio  eletrônico,  com  prova  de  recebimento,  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo,  assim  considerado,  respectivamente,  o  endereço  postal  por  ele fornecido, para  fins cadastrais, à administração  tributária, ou o endereço  eletrônico  atribuído  pela  administração  tributária  ao  Sujeito  Passivo,  desde  que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº  70.235/72, inexistindo ordem de preferência.   CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.  GLOSA.  É  vedada  a  compensação  de  contribuições  previdenciárias  se  ausentes  os  atributos  de  liquidez  e  certeza  do  crédito  compensado.  A  compensação  de  contribuições  previdenciárias  com créditos  não materialmente  comprovados  será  objeto  de  glosa  e  consequente  lançamento  tributário,  revertendo  ao  sujeito passivo o ônus da prova em contrário.  Recurso Voluntário Negado      Fl. 423DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 417          3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  parcialmente  do  recurso  voluntário  e,  na  parte  conhecida, negar­lhe provimento, mantendo a glosa relativa às compensações efetuadas sem a  observância do artigo 170­A do Código Tributário Nacional.    Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente  de  Turma),  André  Luis Mársico  Lombardi,  Leo  Meirelles  do  Amaral,  Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.       Fl. 424DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     4   Relatório  Período de apuração: 01/11/2011 a 31/03/2013.  Data da lavratura dos AIOP: 15/06/2012.  Data da ciência dos AIOP: 19/06/2012.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  DRJ  no  Rio  de  Janeiro  I/RJ,  que  julgou  procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado  por  intermédio  dos  Autos  de  Infração  nº  51.024.393­2,  51.024.394­0  e  51.024.395­9,  decorrentes de glosa de compensação indevida de contribuições previdenciárias, além de multa  isolada prevista no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, bem como o lançamento de contribuições  sociais  destinadas  a Outras Entidades  e Fundos,  conforme descrito  no Relatório Fiscal  a  fls.  32/36.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  o  presente  lançamento  decorre  do  descumprimento de obrigações tributárias principais e acessórias, representadas pelos seguintes  Autos de Infração:   a)  51.024.393­2  ­  refere­se  a  glosa  de  compensações  e  a  contribuições  da  empresa para a Previdência;   b) 51.024.394­0 ­ refere­se a multa por falsidade de declaração;   c)  51.024.395­9  –  refere­se  a  contribuições  da  empresa  para  Outras  Entidades, quais sejam: FNDE, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE.     Informa a Fiscalização que a empresa impetrou o Mandado de Segurança nº  2009.50.01.004389­4, perante a 6ª vara cível da Justiça Federal do Espírito Santo, em face de  ato do Delegado da Receita Federal em Vitória pleiteando, dentre outros pedidos, o direito de  compensação de valores recolhidos a título de contribuição previdenciária incidentes sobre os  pagamentos  relativos  aos  primeiros  15  dias  de  afastamento  de  empregados  doentes  ou  acidentados  (antes  da  obtenção  do  auxílio­doença  ou  auxílio­acidente);  salário  maternidade,  férias e o respectivo adicional de 1/3 de férias.   Decisão de primeira instância concedeu à empresa o direito de compensação  das contribuições recolhidas  incidentes sobre os pagamentos referentes aos primeiros 15 dias  de  afastamento  por  doença  ou  acidente,  bem  como  sobre  o  adicional  de  1/3  de  férias,  ressaltando, todavia, que a compensação deveria ser realizada pela impetrante de acordo com  as normas estabelecidas pela Receita Federal do Brasil, observado o artigo 170­A do CTN.    Ocorre, todavia, que a empresa, ao efetuar a compensação, não obedeceu aos  termos das decisões judiciais.   Fl. 425DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 418          5 Em primeiro lugar, incluiu nas verbas a serem compensadas os valores pagos  a título de salário maternidade e férias, o que não foi deferido no julgado, e mesmo valores que  nem foram objeto do pedido, como as contribuições para Terceiros.   Em segundo lugar, incluiu parcelas anteriores à data de ajuizamento da ação.  A  empresa  incluiu  parcelas  desde  jan/2000,  sendo  que  o  julgado,  depois  da  reforma  pelo  colegiado, estabeleceu que a abrangência do período seria a partir da data de ajuizamento da  ação, ou seja, 06/04/2009.   Além  disto,  informa  em  suas  planilhas  ter  efetuado  compensação  na  competência  13/2011  sem,  contudo,  ter  declarado  essas  compensações  nas  Guias  de  recolhimento  do  FGTS  e  informações  à  Previdência  ­  GFIP,  sendo  que  não  emitiu  GFIP  referente  a  essa  competência.  Assim,  tendo  deixado  de  informar  na  GFIP  a  suposta  compensação, considera­se que o valor correspondente refere­se simplesmente a recolhimento  que deixou de ser efetuado.   Por fim, a empresa não poderia ter efetuado nenhuma compensação pelo fato  de  o  processo  não  ter  ainda  transitado  em  julgado,  conforme  determinação  de  1ª  instância,  confirmada pelo acórdão do TRF, ao determinar a observância do artigo 170­A do CTN. Assim  sendo, a compensação realizada pela empresa foi indevida, eis que o processo não transitou em  julgado.  O  período  objeto  da  presente  fiscalização  foi  apenas  o  exercício  de  2011,  acrescido  das  competências  03  e  04/2012.  Nesse  período  a  empresa  efetuou  compensação  apenas nas competências 11 e 12/2011 e 03/2012.   Uma vez  que não  havia  valores  para  serem  compensados,  já que  a matéria  continua  em  discussão,  tendo  havido  disposição  expressa  na  sentença  judicial  quanto  à  obrigatoriedade  de  observância  do  trânsito  em  julgado,  a  declaração  de  valores  passíveis  de  compensação feita pela empresa nas GFIP incorreu em falsidade .   Tal  conduta  se  agrava  com  o  fato  de  a  empresa  ter  incluído  parcelas  não  deferidas na sentença, quais sejam: as contribuições incidentes sobre os valores pagos a título  de salário maternidade e férias, bem como as contribuições destinadas a Terceiros.    Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 144/175.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de  Janeiro  I/RJ  lavrou  Decisão  Administrativa  textualizada  no  Acórdão  nº  12­56.251  ­  12ª  Turma  da  DRJ/Rio de Janeiro I/RJ, a fls. 343/350, julgando procedente em parte o lançamento, para dele  fazer  excluir,  tão  somente,  a  multa  isolada  aplicada  mediante  o  Auto  de  Infração  nº  51.024.394­0  e  mantendo  o  crédito  tributário  objeto  dos  Autos  de  Infração  51.024.393­2  e  51.024.395­9 em sua integralidade.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  07/06/2013, conforme Termo de Ciência a fl. 350.  Fl. 426DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  a  fls.  353/400,  respaldando  sua  inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos:  · Que os autos de infração são nulos por falta de motivação;   · Que  o  Acórdão  é  nulo,  pois  não  enfrentou  matérias  prejudiciais  da  manutenção do crédito tributário;   · Que  o  Recurso  Voluntário  apresentado  pela  Requerente  vislumbra  a  hipótese de suspensão da exigibilidade do credito tributário;   · Que não  há  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  pagos  nos  15  (quinze)  primeiros  dias  de  afastamento  do  funcionário  doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxílio­doença ou do  auxilio­acidente),  bem como a  título de  salário­maternidade,  férias,  além  do 1/3 (um terço) Constitucional de férias;   · Que tendo havido o regular recolhimento da exação com a inclusão de tais  valores por longo período, verifica­se o pagamento indevido do tributo ora  guerreado, o que dá ensejo à sua devolução;   · Que  não  há  nenhuma  ilegalidade  no  procedimento  levado  a  efeito  pelo  Recorrente;   · Violação ao princípio do não confisco;   · Impossibilidade da utilização da  taxa de  referência SELIC como  taxa de  juros moratórios para as multas aplicadas;     Ao fim, requer a anulação dos Autos de Infração;    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 427DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 419          7   Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  em  07/06/2013.  Havendo  sido  o  recurso  voluntário  postado  na  Agência  de  Correios  no  dia  04/07/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto.    1.2.  DO CONHECIMENTO DO RECURSO.  1.2.1.  DO MÉRITO DO LANÇAMENTO  Alega  o Recorrente  que  não  há  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou  acidentado (antes da eventual obtenção do auxílio­doença ou do auxilio­acidente), bem como a  título  de  salário­maternidade,  férias,  além  do  adicional  de  1/3  (um  terço)  Constitucional  de  férias.  Aduz que, tendo havido o regular recolhimento da exação com a inclusão de  tais valores por  longo período, verifica­se o pagamento  indevido do  tributo ora guerreado, o  que dá ensejo à sua devolução.  Com  efeito,  a  empresa  Recorrente  impetrou  o  Mandado  de  Segurança  nº  2009.50.01.004389­4, perante a 6ª vara cível da Justiça Federal do Espírito Santo, almejando  ordem  para  que  fosse  declarada  ilegal  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  incidente  sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento de seus funcionários, por  motivo  de  enfermidade  ou  acidente,  bem  como  a  título  de  salário­maternidade,  férias  e  adicional de férias de um terço.   Requereu,  ainda,  a  impetrante  que  fosse  autorizada  a  compensação  das  quantias recolhidas indevidamente, nos últimos dez anos, a contar do ajuizamento desta ação (e  eventualmente  no  curso  desta  demanda),  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  concernente  a  quaisquer  tributos  ou  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil, com incidência de correção monetária e juros de mora de um por cento ao  mês.  Assentado  que  a  citada  medida  judicial  versa  no  tudo  e  no  todo  sobre  a  mesma matéria  tratada na presente Notificação Fiscal, e que a decisão proferida na  Instância  Judicial  subjuga  qualquer  outra  exarada  na  esfera  administrativa,  adquirindo  inclusive  o  atributo  da  coisa  julgada  formal  e  material,  resulta  que,  qualquer  que  seja  o  veredictum  Fl. 428DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 proferido  por  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  acerca  do  mérito  das  contribuições sociais ora em debate, bem como a respeito do direito à compensação pleiteada,  ele será tido como letra morta diante da decisão judicial quando transitada em julgado.  A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa  interpretação  sistemática  e  teleológica  com  os  princípios  da  eficiência  e  da  economia  processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto  idêntico  pedido  sobre  o  qual  versa  o  processo  administrativo,  importa  renúncia  dos  beneficiários  acobertados  pelos  resultados  de  tal  demanda  ao  direito  de  recorrer  na  esfera  administrativa e à desistência do eventual recurso interposto.  Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991   Art.  126. Das decisões do  Instituto Nacional do Seguro Social­ INSS  nos  processos  de  interesse  dos  beneficiários  e  dos  contribuintes  da  Seguridade  Social  caberá  recurso  para  o  Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser  o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997)  (...)  3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que  tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo  administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera  administrativa e desistência do recurso interposto.    Registre­se, por relevante, que o Recorrente invoca em seu favor a existência  de Ação Judicial Correlata, atraindo para si os efeitos da demanda judicial em foco. Dessarte,  qualquer  que  seja  a  decisão  proferida  na  esfera  Administrativa,  esta  não  surtirá  qualquer  consequência perante o provimento judicial.  A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por  este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula  nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante:  Súmula CARF nº 1:   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.    Dessarte, pugnamos pelo não conhecimento dos  temas  levados à apreciação  do  Poder  Judiciário,  e  reiterados  no  vertente  Instrumento  Recursal  interposto  perante  este  Colegiado,  com  fundamento  no  preceito  insculpido  no  art.  126,  §3º  da  Lei  nº  8.213/91,  em  interpretação  sistemática  e  teleológica  com  os  princípios  da  eficiência  e  da  economia  processual.  Não  há  como  se  acatar  o  argumento  esposado  pelo  contribuinte  de  que  “a  existência  do  pleito  judicial  em  comento  não,  prejudica  o  direito  da  Recorrente  em  reaver  valores  comprovadamente  pagos  a  maior”.  O  objeto  do  litígio  versa,  justamente,  sobre  a  incidência ou não de contribuições  sociais  sobre os  valores pagos  nos 15  (quinze) primeiros  Fl. 429DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 420          9 dias  de  afastamento  do  funcionário  doente  ou  acidentado  (antes  da  eventual  obtenção  do  auxílio­doença ou do auxilio­acidente), bem como a  título de  salário­maternidade,  férias,  e o  respectivo adicional Constitucional de férias.   A  renúncia  ora  em  voga  independe  de  ato  volitivo  da  parte,  ou mesmo  da  vontade  psicológica  do  Impetrante.  Ela  decorre  ex  lege,  e  de  forma  objetiva,  independentemente do motivo ou do  tempo em que a demanda  tenha sido ajuizada perante o  poder judiciário.   Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria  RFB n°10.875/2007, in verbis:  Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007.   Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  posteriormente  ao  lançamento,  com  o  mesmo  objeto,  importa  em  renúncia  às  instâncias  administrativas  ou  desistência  de  eventual  recurso  interposto.   Parágrafo  único.  Quando  diferentes  os  objetos  do  processo  judicial  e  do  processo  administrativo,  este  terá prosseguimento  normal no que se relaciona à matéria diferenciada.    1.2.2.  DA INOVAÇÃO RECURSAL  O Recorrente alega ter havido violação ao princípio do não confisco.    Tal  alegação,  todavia,  não  poderá  ser  objeto  de  deliberação  por  esta  Corte  Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância,  não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada.  Com  efeito,  compulsando  a  Peça  de  Defesa  aos  Autos  de  Infração  em  julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal  ora em apreciação. Tal matéria não foi aventada pelo Sujeito Passivo em sede de impugnação  administrativa  em  face  do  lançamento  tributário  que  ora  se  discute,  não  se  instaurando  em  relação a ela qualquer litígio, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532/97)    Os  alicerces  do  Processo  Administrativo  Fiscal  encontram­se  fincados  no  Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos  de  fato e de direito em que se  fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as  razões  e  provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe  de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante  será considerada legalmente como não impugnada.  Fl. 430DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748/93)  (...)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97)  a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força maior;  (Incluído  pela  Lei  nº  9.532/97)  b) refira­se a  fato ou a direito  superveniente;  (Incluído pela  Lei nº 9.532/97)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97)    As  disposições  inscritas  no  art.  17  do  Dec.  nº  70.235/72  espelham,  no  Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no  art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido:  Código de Processo Civil   Art. 302. Cabe também ao réu manifestar­se precisamente sobre  os  fatos  narrados  na  petição  inicial.  Presumem­se  verdadeiros  os fatos não impugnados, salvo:  I ­ se não for admissível, a seu respeito, a confissão;  II ­ se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento  público que a lei considerar da substância do ato;  III ­ se estiverem em contradição com a defesa, considerada em  seu conjunto.  Parágrafo  único.  Esta  regra,  quanto  ao  ônus  da  impugnação  especificada  dos  fatos,  não  se  aplica  ao  advogado  dativo,  ao  curador especial e ao órgão do Ministério Público.    Deflui  da  normatividade  jurídica  inserida  pelos  comandos  insculpidos  no  Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo  art.  108  do  CTN,  que  o  impugnante  carrega  como  fardo  processual  o  ônus  da  impugnação  específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa  assinalado  expressamente  no  Auto  de  Infração,  observadas  as  condições  de  contorno  assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte.  Nessa  perspectiva,  a  matéria  específica  não  expressamente  impugnada  em  sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a  oportunidade  de  impugnação  ulterior,  não  podendo  ser  alegada  originariamente  em  grau  de  Recurso Voluntário.  Saliente­se  que  as  diretivas  ora  enunciadas  não  conflitam  com  as  normas  perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário,  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 421          11 a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a  cujo respeito já se operou a preclusão.   De  outro  eito,  cumpre  esclarecer,  eis  que  pertinente,  que  o  Recurso  Voluntário consubstancia­se num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso  do  processo,  a  inconformidade  do  sucumbente  em  face  de  decisão  proferida  pelo  órgão  julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformá­la. Não exige o dispêndio de  energias  intelectuais  no  exame  da  legislação  em  abstrato  a  conclusão  de  que  o  recurso  pressupõe a  existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão  julgador postado  em  posição  processual  hierarquicamente  inferior,  a  qual  tenha  se  decidido,  em  relação  a  determinada  questão  do  lançamento,  de  maneira  que  não  contemple  os  interesses  do  Recorrente.  Não  se  mostra  despiciendo  frisar  que  o  efeito  devolutivo  do  recurso  não  implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da  decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem.  Com efeito,  o objeto  imediato do Recurso Voluntário  é  a decisão proferida  pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão  somente, como o objeto mediato da insurgência.  Assim,  não  havendo  a  decisão  vergastada  se  manifestado  sob  determinada  questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que  se  falar em  reforma do  julgado em  relação a  tal  questão,  haja vista que  a  respeito dela nada  consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada.  Nesse  contexto,  à  luz  do  que  emana,  com  extrema  clareza,  do  Direito  Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e  da  preclusão,  que  todas  as  alegações  de  defesa devem  ser  concentradas  na  impugnação,  não  podendo  o  órgão  ad  quem  se  pronunciar  sobre  matéria  antes  não  questionada,  sob  pena  de  supressão de instância e violação ao devido processo legal.  Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não  expressamente  contestadas  pelo  impugnante  em  sede  de defesa  ao  lançamento  tributário  são  juridicamente  consideradas  como  não  impugnadas,  não  se  instaurando  qualquer  litígio  em  relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para  inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que  se opera.  O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento  do  Órgão  Julgador  Primário,  representaria,  por  parte  desta  Corte,  negativa  de  vigência  ao  preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia  emergir do Poder Judiciário.  Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, além  de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas  em  sede  de  impugnação  ao  lançamento,  não  poderá  ser  conhecida  por  este  Colegiado,  em  virtude da preclusão.  Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade do  recurso,  dele  conheço  parcialmente.  Fl. 432DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     12   2.  DAS PRELIMINARES  2.1.   DA ALEGADA NULIDADE DO LANÇAMENTO.  Alega o Recorrente que os Autos de Infração em debate padecem de vício de  nulidade por falta de motivação;  Não !    Merece  ser  iluminado  que  o  lançamento  tributário  é  constituído  por  uma  diversidade  de  Relatórios,  Termos,  Discriminativos,  bem  como  seus  respectivos  anexos,  os  quais devem ser compulsados em seu conjunto,  e de cuja  sinergia  emergem as  condições de  contorno específicas do crédito tributário em constituição.  Dada  à  complexidade  do  procedimento,  cada  elemento  constitutivo  do  lançamento  há  que  ser  interpretado  e  digerido  com  o  olhar  clínico  que  o  seu  propósito  finalístico assim demanda, e com o conhecimento técnico que a atividade assim exige, para que  não  se  cometa  o  despropósito  de  se  atribuir  à  administração  tributária  uma  deficiência  que,  muita  vez,  não  é  da  parte  que  formaliza  e  redige  os  elementos  constitutivos  do  lançamento,  mas, sim, de quem os analisa e interpreta.  Com efeito, por se tratar o lançamento de um procedimento administrativo de  cunho  eminentemente  jurídico,  nada mais  natural  e  exigível  que  os  termos  que  o  compõem  obedeçam  à  lógica  e  ao  jargão  jurídico.  Tal  característica,  logicamente,  não  o  invalida.  Ao  contrário, lhe confere a precisão terminológica adequada à sua perfeita compreensão e alcance.  Fosse um documento médico, de Tecnologia de Informação ou de engenharia, exigíveis seriam  os jargões médico, de informática ou de engenharia, respectivamente, não o jurídico.   No presente caso, mediante a lavratura do Auto de Infração nº 51.024.393­2,  houve­se  por  constituído  crédito  tributário,  referente  às  competências  de  novembro/2011  a  março/2012,  decorrente  de  glosa  de  valores  indevidamente  compensados  de  contribuição  sociais destinadas ao contribuições sociais e ao financiamento do benefício concedido em razão  do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.  Bem  se  sabe  a  empresa  impetrou  o  Mandado  de  Segurança  nº  2009.50.01.004389­4 perante a 6ª vara cível da  Justiça Federal do Espírito Santo, almejando  ordem  para  que  fosse  declarada  ilegal  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  incidente  sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento de seus funcionários por  motivo  de  enfermidade  ou  acidente,  bem  como  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  salário­ maternidade, férias e o respectivo adicional de férias de um terço.   Requereu,  ainda,  a  impetrante  que  fosse  autorizada  a  compensação  das  quantias  recolhidas  sobre  as  verbas  acima  indicadas,  nos  últimos  dez  anos,  a  contar  do  ajuizamento  dessa  ação  mandamental,  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  concernente  a  quaisquer  tributos  ou  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil, com incidência de correção monetária e juros de mora de um por cento ao  mês.  A  Decisão  de  Primeira  Instância  concedeu  à  empresa  o  direito  de  compensação  das  contribuições  recolhidas  incidentes  sobre  os  pagamentos  referentes  aos  Fl. 433DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 422          13 primeiros 15 dias de afastamento por doença ou acidente, bem como sobre o adicional de 1/3  de  férias,  ressaltando,  todavia,  que  a  compensação  deveria  ser  realizada  pela  Impetrante  de  acordo com as normas estabelecidas pela Receita Federal do Brasil, observado o artigo 170­A  do CTN.  Acontece  que  a  Recorrente,  ao  efetuar  a  compensação,  não  obedeceu  aos  termos das decisões judiciais.   Em primeiro lugar, incluiu nas verbas a serem compensadas os valores pagos  a título de salário maternidade e férias, o que não foi deferido no julgado, e mesmo valores que  nem foram objeto do pedido, como as contribuições para Terceiros.   Em segundo lugar, incluiu parcelas anteriores à data de ajuizamento da ação.  A empresa incluiu parcelas desde jan/2000, sendo que o julgado, depois da reforma pelo TRF  da 2ª Região, estabeleceu que a abrangência do período seria a partir da data de ajuizamento da  ação, ou seja, 06/04/2009.   Além  disto,  efetuou  compensação  de  contribuições  previdenciárias  na  competência  13/2011  sem,  contudo,  ter  declarado  tal  compensação  em  GFIP,  eis  que  não  emitiu GFIP referente a essa competência.   Assentado que a regularidade da compensação tem por pressuposto a devida  declaração de tal procedimento nas GFIP correspondente, conforme artigo 44, §7º, da Instrução  Normativa  RFB  nº  900/2008,  tendo  a  empresa  deixado  de  informar  na  GFIP  a  aludida  compensação, considera­se que o valor correspondente refere­se simplesmente a contribuições  previdenciárias que deixaram de ser recolhidas a seu tempo e forma.  Por fim, a empresa não poderia ter efetuado nenhuma compensação pelo fato  de  o  Mandado  de  Segurança  acima  citado  não  ter  ainda  transitado  em  julgado,  conforme  determinação de 1ª instância, confirmada pelo acórdão do TRF, ao determinar a observância do  artigo 170­A do CTN.   Não procede, portanto,  a  alegação de que  “não há nenhuma  ilegalidade no  procedimento levado a efeito pelo Recorrente”.  Todas  as  informações  postadas  nos  parágrafos  precedentes  encontram­se  devidamente relatadas no Relatório Fiscal, a fls. 32/36, e seus anexos, bem como nos demais  relatórios  e  documentos  que  integram  o  lançamento  sub  examine,  em  cumprimento  aos  requisitos de precisão e clareza da descrição dos fatos geradores e do período a que se referem.   Compulsando os  autos,  verificamos  que o  relatório  fiscal  é  suficientemente  claro  e  preciso  quanto  à  delimitação  dos  fatos  jurígenos  tributários  apurados  na  ação  fiscal,  bem como no que se refere às contribuições sociais exigidas, aos valores e períodos a que se  refere, aos motivos ensejadores da glosa de compensação e, ainda, quanto às multas aplicadas.  A motivação do  lançamento é elementar, pueril, banal e se encontra clara e  precisamente descrita no Relatório Fiscal e em seus anexos: o Recorrente efetuou compensação  de  contribuições  previdenciárias  decorrentes  do  Adicional  constitucional  de  1/3  de  férias  e  sobre os pagamentos  relativos aos primeiros 15 dias de afastamento por doença ou acidente,  sem aguardar o Trânsito em Julgado do Mandado de Segurança no qual tal direito encontrava­ se em debate, bem como sobre verbas pagas a título de férias gozadas e Salário Maternidade,  Fl. 434DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     14 rubricas estas não contempladas na sentença judicial, além de contribuições sociais destinadas  a Outras Entidades e Fundos, as quais sequer integravam o pedido do Mandado de Segurança  em realce.  A  empresa  incluiu  ainda,  no  bojo  do  seu  suposto  crédito,  parcelas  desde  jan/2000,  sendo que o  julgado, depois da  reforma pelo TRF da 2ª Região, estabeleceu que  a  abrangência do período seria a partir da data de ajuizamento da ação, ou seja, 06/04/2009, além  de  ter  efetuado  compensação  de  contribuições  previdenciárias  na  competência  13/2011  sem,  contudo, tê­la declarado na GFIP correspondente.  A  motivação  está  aí  ...  perfeitamente  descrita  no  Relatório  Fiscal  e  seus  anexos, de maneira simples e concisa, porém objetiva, favorecendo, dessarte, o contraditório e  a ampla defesa do Autuado.  De outro eito, as informações pertinentes aos valores glosados encontram­se  dispostas  no  Discriminativo  de  Débito,  de  forma  discriminada  por  competência  e  estabelecimento,  o  código  de  levantamento,  a  denominação  e  natureza  jurídica  das  rubricas  lançadas,  valor  absoluto  correspondente,  o  total  líquido  devido,  bem  como  as  parcelas  referentes aos  juros e multa decorrentes da mora, de molde que sua correcção e consistência  podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo.  De  forma  idêntica,  guardadas  as  devidas  particularidades,  os  preceitos  normativos  que  fornecem  sustentação  jurídica  ao  lançamento  então  operado  foram  devidamente  especificados  no  relatório  intitulado  Fundamentos  Legais  do  Débito  –  FLD,  o  qual se houve por elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo  estruturado  de  forma  atomizada  por  tópicos  específicos  condizentes  com  os mais  diversos  e  variados  aspectos  relacionados  com  procedimento  fiscal  e  o  crédito  tributário  ora  em  apreciação,  descrevendo,  pormenorizadamente,  em  cada  horizonte  temporal,  todos  os  instrumentos  normativos  que  dão  esteio  às  atribuições  e  competências  do  auditor  fiscal,  às  contribuições  sociais  lançadas  e  seus  acessórios  pecuniários,  às  compensações  indevidas,  os  fundamentos  legais  das  rubricas  e  dos  acréscimos  legais,  dentre  outras,  especificando,  não  somente  o  Diploma  Legal  invocado,  mas,  igualmente,  os  dispositivos  normativos  correspondentes, permitindo ao Autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da  autuação.  Agora,  se  o  Recorrente  não  consegue  compreender  ou  saber  do  que  são  constituídas as imputações que pesam sobre si, o problema se nos antolha não ser da descrição  da  motivação  do  lançamento  aviada  nos  relatórios  que  integram  o  presente  Processo  Administrativo Fiscal.  Por todo o exposto, rejeitamos a preliminar de nulidade da autuação.    2.2.  DA ALEGADA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA   O  Recorrente  alega  que  o  Acórdão  é  nulo,  pois  não  enfrentou  matérias  prejudiciais da manutenção do crédito tributário;    Revela­se oportuno salientar ab  initio que, consoante  jurisprudência assente  nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a manifestar­se sobre todas as alegações das  Fl. 435DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 423          15 partes, nem a ater­se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os  seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão.  Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo  não se presta a satisfazer a tese defendida pelo Contribuinte ou sob sua ótica, tampouco àquelas  esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege.  Nesse sentido:  O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os  argumentos  elencados  pela  parte  ora  agravante,  mas  apenas  decidir  as  questões  postas.  Portanto,  ainda  que  não  tenha  se  referido  expressamente  a  todas  as  teses  de  defesa,  as matérias  que  foram  devolvidas  à  apreciação  da  Corte  a  quo  estão  devidamente apreciadas.  É  cediço, no STJ, que o  juiz não  fica obrigado a manifestar­se  sobre  todas  as  alegações  das  partes,  nem  a  ater­se  aos  fundamentos  indicados  por  elas  ou  a  responder,  um  a  um,  a  todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente  para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.  Ressalte­se, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de  acordo  com  o  seu  livre  convencimento,  utilizando­se  dos  fatos,  das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema  e da legislação que entender aplicável ao caso concreto.   Nessa  linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de  Processo Civil: "Art. 131. O  juiz apreciará  livremente a prova,  atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda  que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença,  os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp  nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010).  Ou ainda:   "o magistrado  não  é  obrigado  a  responder  todas  as  alegações  das  partes  se  já  tiver  encontrado  motivo  suficiente  para  fundamentar  a  decisão,  nem  é  obrigado  a  ater­se  aos  fundamentos  por  elas  indicados  "  (REsp  684.311/RS, Rel. Min.  Castro Meira, DJ 18.4.2006).    Há  que  se  considerar,  igualmente,  que  o  Ordenamento  Jurídico  Brasileiro  adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o regime processual da persuasão racional, ou do Livre  Convencimento Motivado da Autoridade Julgadora, a qual detém a prerrogativa de livremente  apreciar  a  prova,  atendendo  aos  fatos  e  circunstâncias  constantes  dos  autos,  ainda  que  não  alegados  pelas  partes.  Mesmo  no  Processo  Administrativo  Fiscal,  o  sistema  do  livre  convencimento  motivado  constitui­se  garantia  do  órgão  julgador  administrativo,  conforme  estatuído no art. 29 do Decreto nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Fl. 436DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     16 Art.  29. Na apreciação da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências  que  entender necessárias.    Nessa prumada, compete ao Julgador da causa proceder à adequada subsunção  do caso concreto ao regime jurídico devido, em função das condições de contorno específicas  da causa em debate, conjugadas aos elementos de prova constantes dos autos, os quais devem  ser  valorados  com  ampla  liberdade,  desde  que  tal  operação  intelectual  seja  realizada  motivadamente,  com  o  que  se  permite  a  aferição  dos  parâmetros  de  legalidade  e  de  razoabilidade adotados pela Autoridade Julgadora.   Notório o  escólio de Gomes Filho  (in Direito  à Prova no Processo Penal. São  Paulo,  Revista  dos  Tribunais,  1997,  p.  162):  “Se  de  um  lado,  em  oposição  ao  critério  das  provas  legais,  o  livre  convencimento  pressupõe  a  ausência  de  regras  abstratas  e  gerais  de  valoração probatória, que circunscreveriam a solução das questões de fato a standards legais,  por  outro  implica  a  observância  de  certas  prescrições  tendentes  a  assegurar  a  correção  epistemológica e jurídica das conclusões sobre os fatos debatidos no processo”.  Com  efeito,  na  formação  do  convencimento  da  Autoridade  Julgadora,  devem  aliar­se  liberdade  e  responsabilidade  na  atividade  de  identificação  da  subsunção  do  fato  concreto  à  norma  jurídica  de  regência,  de  valoração  das  provas,  sob  a  ótica  que  demanda  a  controvérsia em exame. Sendo a finalidade do processo a revelação da verdade real, ainda que  utópica, então as questões de fato e de direito demonstradas e comprovadas nos autos têm por  desígnio  propiciar  ao  Julgador  a  convicção  sobre  a  ocorrência  de  um  fato,  não  somente  em  relação  sua  existência,  mas,  também,  quanto  às  circunstâncias  substanciais  pertinentes  ao  evento em análise, e a sua sujeição à norma jurídica de regência.  No caso em exame, verificamos que o Órgão Julgador de 1ª Instância considerou  em seu Acórdão todas as matérias de efetivo relevo para a formação da convicção permeada na  decisão proferida.  Deve ser considerado no presente caso que as matérias atávicas ao mérito da  incidência ou não de contribuições  sociais  sobre os  valores pagos  nos 15  (quinze) primeiros  dias  de  afastamento  do  funcionário  doente  ou  acidentado  (antes  da  eventual  obtenção  do  auxílio­doença ou do auxilio­acidente), bem como a  título de  salário­maternidade,  férias,  e o  respectivo  adicional  Constitucional  de  férias,  assim  como  o  direito  à  compensação  correspondente, houveram por levadas formalmente à apreciação do Poder Judiciário Federal,  nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.50.01.004389­4, circunstância fática que retira da  Instância Administrativa a competência para apreciar e julgar tais matérias, a teor do art. 126  da Lei nº 8.213/91, ratificado pela Súmula nº 1 do CARF.  Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991   Art.  126. Das decisões do  Instituto Nacional do Seguro Social­ INSS  nos  processos  de  interesse  dos  beneficiários  e  dos  contribuintes  da  Seguridade  Social  caberá  recurso  para  o  Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser  o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997)  (...)  3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que  tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo  administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera  administrativa e desistência do recurso interposto.  Fl. 437DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 424          17   Súmula CARF nº 1:   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.    Nessa  vertente,  mesmo  que  algumas  questões  subjacentes  não  tenham  sido  ventiladas pela DRJ, estando a sua decisão sobre a questão nuclear do processo devidamente  fundamentada no Acórdão proferido, não há que se falar em supressão de instância, tampouco  em negativa de prestação jurisdicional administrativa.    Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões  de  fato  e  de  Direito  referentes  a  matérias  substancialmente  alheias  ao  vertente  lançamento,  eis  que  em  seu  louvor,  no  processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas  exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de  1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.  Pela mesma razão, em virtude do provimento parcial dos pedidos formulados  pelo Impugnante dado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos  do Acórdão recorrido, as alegações  recursais  referentes a  fatos  jurígenos a que se  referem os  pedidos contemplados pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não serão igualmente debatidas, em  virtude da perda do objeto.    3.1.  DA SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  O Recorrente alega que o Recurso Voluntário por ele apresentado vislumbra  a hipótese de suspensão da exigibilidade do credito tributário  O Recorrente está repleto de razão.  Fl. 438DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     18   Nos termos do inciso III do art. 151 do CTN, as reclamações e os recursos,  nos  termos  das  leis  reguladoras  do  processo  tributário  administrativo,  suspendem  a  exigibilidade do credito tributário.    Não  se  deve  confundir,  todavia,  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário com constituição do crédito tributário.  Exigibilidade é a qualidade daquilo que é exigível. Exigível é a obrigação que  não se encontra mais submetida a qualquer condição, termo, encargo ou outro empecilho e que  pode ter seu adimplemento solicitado pelo credor ao devedor, mediante colaboração da vontade  deste.  Dessarte,  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  configura­se  na  aptidão  que  permeia  o  crédito  constituído  de  se  integrar  no  patrimônio  ativo  do  credor  e,  consequentemente,  no  patrimônio passivo do devedor.  Já  a  constituição  do  crédito  tributário  trata­se  de  um  direito  potestativo  do  Fisco, decorrente da mera ocorrência objetiva do fato gerador da obrigação tributária principal  correspondente,  ou  do  descumprimento  de  obrigação  tributária  acessória,  o  qual  direito  se  mantém hígido até que lhe sobrevenha a decadência.  Conclui­se,  portanto,  que,  enquanto  exigibilidade  é  conceito  de  direito  subjetivo,  a  constituição  do  crédito  tributário  se  nos  apresenta  como  conceito  de  direito  potestativo.  Para ser exequível é condição sine qua non que o crédito querido seja liquido,  certo e exigível.  A Obrigação  líquida  é  aquela  certa  quanto  à  sua  existência,  e  determinada  quanto ao seu objeto e valor. Ou seja, a obrigação líquida existe e tem valor preciso.  A  característica  da  certeza  diz  respeito  à  existência  material  de  uma  obrigação  tributária  (rectius,  crédito  tributário),  em  razão  da  qual  o  agente  passivo  esteja  obrigado a uma prestação de dar quantia certa em benefício do agente ativo.  A  obrigação  tributária  é  abstrata  e  concretiza­se  no  fato  gerador,  mas  individualiza­se  qualitativa  e  quantitativamente  através  do  lançamento.  Tal  espécie  de  obrigação, por si só, não contém os aspectos da exigibilidade, da certeza e da liquidez, próprios  de um crédito. Para que a obrigação tributária se revista com tais atributos, faz­se necessária a  realização  de um  procedimento  de parte da  administração  pública  fazendária,  consistente  no  lançamento.  Assim,  ao  ornar  a  obrigação  tributária  com  as  vestes  da  certeza  e  liquidez,  o  lançamento a transforma em crédito tributário.   Portanto,  é o  ato do  lançamento que  confere  certeza e  liquidez  à obrigação  tributária. A inexistência de impedimentos jurídicos a torna exigível.  A  suspensão  da  exigibilidade,  assentada  no  art.  151  do  CTN,  ataca  a  exigibilidade do crédito tributário constituído, desobrigando o sujeito passivo do recolhimento  imediato  do  crédito  atacado,  enquanto  perdurar  os  efeitos  da  suspensão  ou  a  existência  do  crédito tributário.  Fl. 439DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 425          19 Conforme explicitado no texto legal, a norma tributária se refere à suspensão  da exigibilidade do crédito tributário, não à suspensão da obrigação tributária. Para que haja a  existência do crédito tributário é indispensável que este já esteja constituído, mediante a devida  convolação  da  obrigação  tributária  correspondente,  condição  que  se  alcança  com  a  efetiva  formalização  do  lançamento,  assim  compreendido  o  procedimento  administrativo  levado  a  cabo como o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente,  determinar  a matéria  tributável,  calcular  o montante  do  tributo  devido  e  identificar o  sujeito  passivo.  Nessa prumada, somente após a conclusão do lançamento poder­se­á falar em  crédito tributário. Antes não. Haverá, tão somente, obrigação tributária.  Registre­se que crédito tributário é direito subjetivo do Fisco, em face do qual  se pode opor o Devedor. O poder/dever de convolar a obrigação tributária em crédito tributário  é direito potestativo da Fazenda.  Nesse  contexto,  ao  contrário  do  que  entende  o  Recorrente,  a  suspensão  da  exigibilidade do crédito  tributário não apõe qualquer blindagem na prerrogativa que possui a  autoridade  fazendária  competente de efetivar o  lançamento. A  suspensão apenas desobriga o  sujeito passivo correspondente do recolhimento do crédito constituído, seja espontaneamente,  seja mediante execução forçada. Tão só.  Não  se  deslembre  que  o  próprio  art.  140,  in  fine,  do  CTN  dispõe  que  as  circunstâncias  que  excluem  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  não  afetam  a  obrigação  tributária que lhe deu origem.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua  extensão  ou  seus  efeitos,  ou  as  garantias  ou  os  privilégios  a  ele  atribuídos,  ou  que  excluem  sua  exigibilidade  não  afetam  a  obrigação tributária que lhe deu origem.    Registre­se  por  relevante  que  o  próprio  ordenamento  jurídico  prevê  a  autonomia do Fisco de proceder ao lançamento, com fito de prevenir a decadência, mesmo nas  hipóteses  de  suspensão  do  crédito  tributário  em  razão  da  concessão  de  medida  liminar  em  mandado  de  segurança  ou  de medida  liminar  ou  de  tutela  antecipada  em  outras  espécies  de  ação judicial.  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art.  63.  Na  constituição  de  crédito  tributário  destinada  a  prevenir  a  decadência,  relativo  a  tributo  de  competência  da  União,  cuja  exigibilidade  houver  sido  suspensa  na  forma  dos  incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de  1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada  pela Medida Provisória nº 2.158­35/2001)  §1º O disposto neste artigo aplica­se, exclusivamente, aos casos  em  que  a  suspensão  da  exigibilidade  do  débito  tenha  ocorrido  antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.  §2º  A  interposição  da  ação  judicial  favorecida  com  a  medida  liminar  interrompe  a  incidência  da  multa  de  mora,  desde  a  concessão  da  medida  judicial,  até  30  dias  após  a  data  da  Fl. 440DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     20 publicação da  decisão  judicial  que  considerar  devido  o  tributo  ou contribuição.    Diante  dos  motivos  acima  elencados,  se  nos  apresenta  como  correto  o  procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal.    3.2.  DA TAXA SELIC  O  Recorrente  alega  a  impossibilidade  da  utilização  da  taxa  de  referência  SELIC como taxa de juros moratórios para as multas aplicadas.    Tal insurgência é improcedente.    De plano, cumpre trazer à baila que os juros representam a remuneração do  capital  investido.  Esmiuçando  o  conceito,  juros  representam  o  rendimento  que  o  titular  do  capital  aufere  em  troca  da  colocação  de  um  quantitativo  à  disposição  de  uma  outra  pessoa/entidade.   Ilumine­se que um investidor poderia empregar seu patrimônio financeiro em  uma atividade econômica qualquer que lhe rendesse lucro. Pode, todavia, essa pessoa abdicar  de seu capital, ofertando­o a outra pessoa, mediante a cobrança de uma taxa de remuneração,  compensatória pela perda da oportunidade de produzir lucro, na forma da hipótese anterior.  A taxa de juros figura, então, como o quantum relativo que o titular do capital  exige do  tomador deste, num horizonte  temporal, pela utilização do montante  tomado. Nesse  quadro,  o  índice  nominal  da  taxa  pode  ser  fixado  unilateralmente  pelo  capitalista,  ou,  em  comum acordo com aquele que se apodera da riqueza por empréstimo. É importante ressaltar  que,  em  qualquer  caso,  a  fixação  da  taxa  de  juros  prescinde  da  edição  de  lei  formal,  como  assim  acredita  piamente  o  Recorrente,  até  porque  tal  exigência  culminaria  por  emperrar  a  atividade financeira do país – extremamente dinâmica em sua natureza ­, paralizando­o.  Isso  porque  cada  investidor,  banco  ou  demais  instituições  financeiras  possuem seus critérios próprios para o computo dos juros na atividade financeira, os quais são  extremamente  influenciados  pelo  mercado,  pela  oferta  e  procura  de  capital,  pela  taxa  de  crescimento  da  economia,  pelo  risco  da  inadimplência,  etc.,  o  que  gera  uma  saudável  concorrência entre os detentores do livre numerário.  Diante  desse  panorama  mostra­se  evidente  que  a  exigência  de  lei  stricto  sensu  a  que  se  refere  o  CTN,  não  é  para  a  fixação  da  taxa  de  juros  (esta  flui  ao  sabor  das  correntes  do mercado), mas,  sim,  para  a  indicação  de  qual  taxa  de  juros  será  a  utilizada  na  remuneração do capital de titularidade da Fazenda, ainda nos cofres do sujeito passivo.   Com  efeito,  num  mundo  globalizado,  em  que  qualquer  evento  econômico  ocorrido no polo norte produz efeitos imediatos, da mesma de ordem de grandeza, no polo sul,  seria impensável que, para se alterar uma taxa de juros em, digamos, vinte e cinco centésimos  por  cento,  como é  extremamente  comum em nossa economia,  com a velocidade e prontidão  Fl. 441DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 426          21 que o mercado exige hodiernamente, fosse exigível a edição de uma lei ordinária, haja vista o  trâmite procedimental exigido pela CF/88.  Nessa perspectiva, avulta, portanto, que o requisito da legalidade, na espécie,  foi de fato adimplido, senão vejamos:  A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência  para  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária,  especialmente  sobre  obrigação,  lançamento, crédito, prescrição e decadência  tributários, nas cores desenhadas em  seu art. 146, III, ‘b’, in verbis:  Constituição Federal de 1988   Art. 146. Cabe à lei complementar:  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  a)  definição  de  tributos  e  de  suas  espécies,  bem  como,  em  relação  aos  impostos  discriminados  nesta  Constituição,  a  dos  respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes;  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;    Imerso  nessa  ordem  constitucional,  ao  tratar  do  crédito  tributário,  já  no  âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente  inserido  no  Capítulo  que  versa  sobre  a  Extinção  do  Crédito  Tributário,  estabeleceu  que  o  crédito não  integralmente pago no vencimento  é  acrescido de  juros  de mora,  seja qual  for o  motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis:   Código Tributário Nacional  Art.  161. O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária. (grifos nossos)   §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são  calculados à taxa de um por cento ao mês. (grifos nossos)   §2º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  na  pendência  de  consulta  formulada  pelo  devedor  dentro  do  prazo  legal  para  pagamento do crédito.    Saliente­se  que  o  percentual  enunciado  no  parágrafo  primeiro  acima  transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da  seguridade  social  disciplinou  inteiramente  a  matéria  relativa  aos  acessórios  financeiros  do  crédito  previdenciário  em  constituição  e  de  forma  distinta,  devendo  esta  ser  observada  em  detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN.   Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao  proferir, ipsis litteris:   Fl. 442DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     22 “Na  esfera  infraconstitucional,  o  Código  Tributário  Nacional,  norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de  juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois  o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros  somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário.  Assim,  não  tendo o Código Tributário Nacional  determinado a  necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas  de  juros  diversas  daquela  prevista  no  citado  art.  161,  §1º  do  CTN,  donde  se  conclui  que  a  incidência  da  SELIC  sobre  os  créditos  fiscais  se  dá  por  forca  de  instrumento  legislativo  próprio  (lei  ordinária)  sem  importar  qualquer  afronta  à  Constituição  Federal”  (TRF­  4ª  Região,  Apelação  Cível  200471100006514,  Rel.  Álvaro  Eduardo  Junqueira;  1ª  Turma;  DJ de 15/06/2005, p. 552).    Com  efeito,  as  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  seguridade  social  estão  sujeitas  não  só  à  incidência  de  multa  moratória,  como  também  de  juros  computados  segundo  a  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  ­  SELIC,  nos  termos  do  art.  34  da  Lei  nº  8.212/91  que,  pela  sua  importância  ao  deslinde  da  questão,  o  transcrevemos  a  seguir,  com  a  redação  vigente  à  época  da  lavratura  do  presente  débito.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia ­ SELIC, a que  se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável. (redação dada pela Lei nº 9.528/97) (grifos  nossos)     A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema  Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do  julgado a seguir ementado:   TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA  TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO.   1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no  vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa  de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro,  a  possibilidade  de  sua  regulamentação  por  lei  extravagante,  o  que  ocorre  no  caso  dos  créditos  tributários,  em  que  a  Lei  9.065/95  prevê  a  cobrança  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de  Liquidação  e  de Custódia  ­  SELIC para títulos federais (art. 13).   2.  Diante  dai  previsão  legal  e  considerando  que  a  mora  é  calculada  de  acordo  com  a  legislação  vigente  à  época  de  sua  apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC  sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram  objeto de parcelamento administrativo.   Fl. 443DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 427          23 3.  Também  ,  há  de  se  considerar  que  os  contribuintes  têm  postulado  a  utilização  da  Taxa  SELIC  na  compensação  e  repetição  dos  indébitos  tributários  de que  são  credores. Assim,  reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor  dos  contribuintes,  do  mesmo  modo  deve  ser  aplicada  na  cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia.   4.  Embargos  de  divergência  a  que  se  dá  provimento.  STJ  ­  EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª  SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167.    Em reforço a tal assertiva jurisdicional, ilumine­se o Enunciado da Súmula nº  03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos:  SÚMULA CARF nº 3  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia – Selic para títulos federais.    Dessarte, se nos afigura não haver vícios na aplicação da taxa SELIC como  referência  de  juros  moratórios,  haja  vista  terem  sido  aplicados  em  conformidade  com  o  comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em  afinada harmonia com o ordenamento jurídico.    A  propósito,  repise­se  que,  sendo  a  atuação  da  Administração  Tributária  inteiramente  vinculada  à  Lei,  e,  restando  os  preceitos  introduzidos  pela  Lei  nº  8.212/91  plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de  vigência  por  parte  do  Auditor  Fiscal  Notificante,  fato  que  desaguaria  inexoravelmente  em  responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal.  Atente­se  que  as  disposições  introduzidas  pela  legislação  tributária  em  apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de  declaração  de  inconstitucionalidade,  seja  na  via  difusa  seja  na via  concentrada,  exclusiva do  Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos.  Ademais,  perfilando  idêntico  entendimento  como  o  acima  esposado,  a  Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para  se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária.  Súmula CARF nº 2:   O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.    Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     24 Dessarte,  se  nos  afigura  correta  a  incidência  de  juros  moratórios  à  taxa  SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no  art.  34  da  Lei  nº  8.212/91  c.c.  art.  161  caput  e  §1º  do  CTN,  em  afinada  harmonia  com  o  ordenamento jurídico.  Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de  julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de  observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com  a  Constituição  Federal,  conforme  determinado  pelo  art.  62  Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda.  PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009  Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.    Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrar­se impedida esta Corte  Administrativa  de  apreciar  tal  rogativa  e  reformar  a  Decisão  Recorrida,  ao  argumento  de  ilegalidade  da  aplicação  da  taxa  Selic  como  juros  moratórios,  atividade  essa  que  somente  poderia emergir do Poder Judiciário.    3.3.  DA INTIMAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS.    O  Recorrente  requer  que  as  publicações  e/ou  intimações  referentes  ao  presente  feito  sejam  sempre  lançadas  em  nome  do  patrono NELSON WILIANS  FRATONI  RODRIGUES, sob pena de nulidade.  Total nulidade.  A  lei processual  tributária determina que as  intimações podem ser  feitas de  maneira pessoal, pelo autor do procedimento, ou por via postal, com prova de recebimento, no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo,  assim  considerado  o  endereço  postal  por  ele  fornecido, para  fins cadastrais,  à administração  tributária, ou ainda por meio eletrônico,  com  prova de recebimento, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15586.720513/2012­16  Acórdão n.º 2302­003.451  S2­C3T2  Fl. 428          25 Art. 23. Far­se­á a intimação:  I  ­  pessoal,  pelo  autor  do  procedimento  ou  por  agente  do  órgão  preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do  sujeito  passivo,  seu  mandatário  ou  preposto,  ou,  no  caso  de  recusa,  com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº  9.532, de 1997)  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97)   III  ­  por  meio  eletrônico,  com  prova  de  recebimento,  mediante:  (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005)  a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela  Lei nº 11.196/2005)  b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito  passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196/2005)  §1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste  artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta  perante  o  cadastro  fiscal,  a  intimação  poderá  ser  feita  por  edital  publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  I ­ no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela  Lei nº 11.196/2005)  II ­ em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da  intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196/2005)  III ­ uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela  Lei nº 11.196/2005)  §2° Considera­se feita a intimação:  I ­ na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a  intimação, se pessoal;  II  ­  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da  intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97)  III  ­  se  por  meio  eletrônico,  15  (quinze)  dias  contados  da  data  registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito  passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005)  b)  no  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito  passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196/2005)  IV ­ 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio  utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005)  §3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo  não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº  11.196/2005)   §4o Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do sujeito  passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005)   I  ­  o  endereço  postal  por  ele  fornecido,  para  fins  cadastrais,  à  administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196/2005)  II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela  Lei nº 11.196/2005)  Fl. 446DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     26 §5o  O  endereço  eletrônico  de  que  trata  este  artigo  somente  será  implementado  com  expresso  consentimento  do  sujeito  passivo,  e  a  administração tributária informar­lhe­á as normas e condições de sua  utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005)  §6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato  da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005)  §7o  Os  Procuradores  da  Fazenda  Nacional  serão  intimados  pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara  Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das  respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão. (Incluído  pela Lei nº 11.457/2007)  §8o  Se  os  Procuradores  da  Fazenda  Nacional  não  tiverem  sido  intimados  pessoalmente  em  até  40  (quarenta)  dias  contados  da  formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara  Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos  autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  para  fins  de  intimação.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.457/2007)  §9o  Os  Procuradores  da  Fazenda  Nacional  serão  considerados  intimados  pessoalmente  das  decisões  do Conselho  de Contribuintes  e  da Câmara  Superior  de Recursos Fiscais,  do Ministério  da  Fazenda,  com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os  respectivos  autos  forem  entregues  à  Procuradoria  na  forma  do  §8o  deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007)    Registre­se  que  a  conveniência  e  comodidade  do  Patrono  do  Autuado  não  possui poderio suficiente para subjugar a vontade da lei. O contrário sim.     4.   DECISÃO  Pelas  razões  ora  expendidas,  CONHEÇO  PARCIALMENTE  do  Recurso  Voluntário para, no mérito, NEGAR­LHE PROVIMENTO.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.                              Fl. 447DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - 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