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Numero do processo: 13864.000511/2007-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9202-008.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Marcelo Milton da Silva Risso (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro Ana Paula Fernandes, substituído pelo conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Marcelo Milton da Silva Risso (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente(s) o conselheiro Ana Paula Fernandes, substituído pelo conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2301-005.992, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 10 de abril de 2019, no qual restou consignado o seguinte trecho da ementa, fls. 369: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 11 /2 00 7- 98 Fl. 427DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.952 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000511/2007-98 IRPF. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. ACIDENTE DO TRABALHO. INDENIZAÇÃO. ISENÇÃO. ESTABILIDADE ACIDENTÁRIA OU PROVISÓRIA. São isentas de imposto de renda as indenizações recebidas em decorrência de acidente do trabalho. Assim, o que deve ser analisado no momento da verificação da hipótese de incidência do imposto é a natureza da verba a ser tributada, desconsiderando para esse fim a denominação dada a ela. No caso da estabilidade acidentária, há de se verificar a natureza remuneratória da verba atribuída como indenizatória. Isso porque na grande maioria das vezes a interrupção do contrato de trabalho sem causa, ou em decorrência de acidente de trabalho, gera situação passível de ser indenizada, em decorrência da característica de continuidade das atividades laborais. Assim, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. No que se refere ao Recurso Especial, fls. 394 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 419 e seguintes, para rediscutir incidência de Imposto de Renda sobre verba recebida a título de estabilidade acidentária em acordo judicial. Em seu recurso, aduz a Procuradoria da Fazenda Nacional, em síntese, que: a) trata-se o presente de reclassificação para rendimentos tributáveis, pela fiscalização, de rendimentos declarados como isentos e não tributáveis pelo contribuinte em epígrafe, na DIRPF/2004, ano-calendário 2003. Referidos rendimentos são oriundos de acordo judicial, processo nº 763/92, homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, sob a rubrica “indenização pela estabilidade acidentária” (fl. 41); b) não são todas as indenizações que são isentas (ou não tributáveis), mas apenas aquelas para as quais a lei expressamente indica tal benefício; c) e para que a tributação ocorra não importa se contrato, acordo ou decisão judicial indique que se trata de indenização. O nome “indenização” não tem a relevância isencional pretendida; d) para determinadas indenizações serem isentas há que existir expressa determinação legal, visto que em matéria de isenção a aplicação da lei, conforme a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), deve ser feita de maneira literal; e) nos casos de demissão por rescisão de contrato de trabalho, as verbas isentas de tributação do imposto de renda são somente aquelas previstas no artigo 6º, inciso V, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, tratado no artigo 39, inciso XX, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; f) as indenizações isentas são as decorrentes por acidente de trabalho e aquelas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, mais especificamente nos arts. 477 (aviso prévio, não trabalhado, pago com base na maior remuneração recebida pelo empregado na empresa) e 499 (indenização proporcional ao tempo de serviço a empregado despedido sem justa causa, que só tenha exercido cargo de confiança em mais de dez anos), no art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984 (indenização equivalente a um salário mensal, ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede à data de sua correção salarial), e na legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966, alterada pela Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990; g) daí resulta que todos os rendimentos, abstraindo-se sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não agasalhados no rol das isenções de que tratam os incisos que compõem o transcrito art. 6º, consolidado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 1.041, de 11/01/1994 (RIR/1994), art. 40, bem assim no RIR/1999, art. 39; h) no ano-calendário de 2002 o contribuinte recebeu, mediante ação judicial, uma indenização denominada “indenização pela estabilidade acidentária”, cabendo ressaltar Fl. 428DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.952 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000511/2007-98 que a “indenização” recebida relativa ao período de estabilidade provisória no emprego corresponde, na realidade, à remuneração que seria recebida no aludido período, constituindo, portanto, rendimento tributável; i) cumpre salientar que “estabilidade provisória” — também denominada de estabilidade especial ou estabilidade transitória — é o período em que o empregado tem seu emprego garantido, não podendo ser dispensado por vontade do empregador, salvo por justa causa.; j) note-se que a isenção prevista no art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988 para a indenização por acidente de trabalho não se amolda à verba paga ao contribuinte por ocasião da rescisão contratual, em razão de não observância da estabilidade provisória, não havendo qualquer previsão legal de isenção para a hipótese em questão; k) a “indenização especial” objeto da presente discussão corresponde, na realidade, à remuneração que seria recebida no período em que estivesse trabalhando, enquanto estável, possuindo, portanto, natureza nitidamente tributável. Intimado, conforme AR de fl. 424, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. 1. Do conhecimento Conforme narrado a matéria posta em julgamento refere-se à incidência de Imposto de Renda sobre verba recebida a título de estabilidade acidentária em acordo judicial. Sustenta a Recorrente, em síntese, que para determinadas indenizações serem isentas há que existir expressa determinação legal, visto que em matéria de isenção a aplicação da lei, conforme a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), deve ser feita de maneira literal. Além disso, salienta que, no ano-calendário de 2002 o Contribuinte recebeu, mediante ação judicial, uma indenização denominada “indenização pela estabilidade acidentária”, cabendo ressaltar que a “indenização” recebida relativa ao período de estabilidade provisória no emprego corresponde, na realidade, à remuneração que seria recebida no aludido período, constituindo, portanto, rendimento tributável. Acrescenta ainda a Procuradoria que a isenção prevista no art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988 para a indenização por acidente de trabalho não se amolda à verba paga ao contribuinte por ocasião da rescisão contratual, em razão de não observância da estabilidade provisória, não havendo qualquer previsão legal de isenção para a hipótese em questão. A fim de demonstrar a divergência jurisprudencial acerca da matéria, a Recorrente indicou como paradigma o Acórdão n.º 2801-01596, no qual consta a seguinte ementa: RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. DEMISSÃO SEM JUSTA CAUSA. LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. RENÚNCIA DA ESTABILIDADE SINDICAL. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. ART. 43 DO CTN. O Imposto de Renda incide sobre as verbas recebidas por força da rescisão do contrato de trabalho sem justa causa, quando pagas por liberalidade do empregador e nas causas em que há renúncia da estabilidade sindical, já que tais importâncias representam Fl. 429DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.952 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000511/2007-98 acréscimo patrimonial tipificado no art. 43 do CTN, e não representam verbas indenizatórias. Nota-se que, embora o paradigma também trate de estabilidade, a natureza é diversa, pois se refere à estabilidade sindical e não acidentária, como o caso concreto sob análise. O acórdão recorrido e o paradigma, ao analisarem a estabilidade, levaram em consideração as especificidades da natureza de cada estabilidade, razão pela qual não se mostra possível a identificação da divergência suscitada. Destaca-se uma das peculiaridades, no acórdão recorrido, é a existência de acordo judicial para o pagamento da verba em questão, diferentemente, do acórdão paradigma, no qual restou consignado que o pagamento se deu por mera liberalidade, em decorrência de renúncia à estabilidade sindical. Corroborando o exposto cabe citar o trecho abaixo do acórdão recorrido: Os documentos acostados aos autos pela recorrente, que em verdade diz respeito à estabilidade acidentária, tendo em vista acordo homologado em juízo, nos leva a entender que o recorrente recebeu os valores em razão de "indenização por acidente de trabalho". Isso porque a rescisão do contrato de trabalho não amparada em justa causa é amparada por verba indenizatória. A denominação, que é dada ao acordo feito entre as partes que litigaram na justiça do trabalho, em verdade não descaracteriza a natureza jurídica da verba paga. Entendo que descabe a tributação dos valores recebidos pelo Recorrente, porquanto referentes à indenização por acidente de trabalho, verba isenta do imposto de renda por força do disposto no art. 6º, inciso IV, da Lei nº 7.713/1988 e no art. 39, inciso XVII, do Decreto nº 3.000/1999, assim descritos: (...). Convém, do mesmo modo, mencionar o trecho do paradigma que trata da especificidade anteriormente referida: Como do conhecimento geral, os membros da CIPA gozam de estabilidade provisória, por força de Lei e Acordo Coletivo homologado em Dissídio Coletivo. Cumpre esclarecer que o recorrente tratou de juntar em sua impugnação o Acordo Coletivoe a homologação de tal acordo em Dissídio Coletivo. Em razão de tal estabilidade, os membros da CIPA, quando despedidos, devem recorrer ao judiciário para requerer a sua reintegração ao trabalho, ou, provado que a reintegração não é possível, para receber uma indenização em razão da impossibilidade desta reintegração. Ocorre que o contribuinte renunciou a sua estabilidade, e recebeu valores decorrentes da mera liberalidade do empregador, e não valores decorrentes de indenização. Portanto, diante das distinções fáticas, o paradigma não se presta a identificar a divergência jurisprudencial suscitada, razão pela qual voto em não conhecer do recurso especial. (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 430DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.952 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13864.000511/2007-98 Fl. 431DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000571/99-78
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA.
O ordenamento jurídico vigente concede ao contribuinte o direito de optar pela execução administrativa de título judicial com trânsito em julgado, mediante compensação dos créditos tributários apurados com débitos próprios de igual natureza. Essa pretensão, na via administrativa, resta subordinada à homologação da desistência da execução judicial e assunção de todas as custas da execução iniciada, inclusive os honorários advocatícios, ou à renúncia expressa do direito" à execução formalizada perante a autoridade jurisdicional. São vedados a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação de créditos vinculados a títulos judiciais já executados no âmbito do poder judiciário, independentemente da emissão do precatório.
NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA.
A busca de tutela jurisdicional caracteriza renúncia ao direito de questionar igual matéria na via administrativa bem como desistência de recurso eventualmente interposto.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3101-000.364
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes para retificar o acórdão embargado de tal sorte que o resultado do decisum passe a ser recurso não conhecido por opção pela via judicial.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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materia_s : Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. O ordenamento jurídico vigente concede ao contribuinte o direito de optar pela execução administrativa de título judicial com trânsito em julgado, mediante compensação dos créditos tributários apurados com débitos próprios de igual natureza. Essa pretensão, na via administrativa, resta subordinada à homologação da desistência da execução judicial e assunção de todas as custas da execução iniciada, inclusive os honorários advocatícios, ou à renúncia expressa do direito" à execução formalizada perante a autoridade jurisdicional. São vedados a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação de créditos vinculados a títulos judiciais já executados no âmbito do poder judiciário, independentemente da emissão do precatório. NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A busca de tutela jurisdicional caracteriza renúncia ao direito de questionar igual matéria na via administrativa bem como desistência de recurso eventualmente interposto. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes para retificar o acórdão embargado de tal sorte que o resultado do decisum passe a ser recurso não conhecido por opção pela via judicial.
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Numero do processo: 37322.000670/2004-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Ano-calendário: 2003
REEMBOLSO DE SALÁRIO MATERNIDADE.
Uma vez verificada a simulação na evolução do salário da beneficiária em comparação com paradigma. O reembolso do salário-maternidade deve ser apurado com base na evolução salarial do paradigma.
Numero da decisão: 2001-003.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito ao reembolso do salário maternidade, no valor de R$ 55,75 e R$ 166,11 referentes às competências de outubro e novembro de 2003.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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Uma vez verificada a simulação na evolução do salário da beneficiária em comparação com paradigma. O reembolso do salário-maternidade deve ser apurado com base na evolução salarial do paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito ao reembolso do salário maternidade, no valor de R$ 55,75 e R$ 166,11 referentes às competências de outubro e novembro de 2003. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de requerimento de reembolso de salário-maternidade pago pela VIDEO LOCADORA SILVA ROSSI LTDA à empregada CLAUDIA SOCORRO SILVA E SILVA ROSSI, nas competências 10/2003 e 11/2003. Por ocasião da análise do Pedido, foi proferida decisão, negando o reembolso, pelas razões a seguir expostas: Foi concedido reajuste salarial à empregada no início de sua gravidez de 133,66%, e em 11/2003 de mais 30%, enquanto outro empregado da empresa da mesma categoria, Luiz Gustavo Giati, obteve um reajuste de 7,5% em 10/2002 e em 11/2003 de 16,57%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 32 2. 00 06 70 /2 00 4- 35 Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-003.542 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 37322.000670/2004-35 A discrepância no percentual de reajuste não se justifica, já que ambos foram registrados na mesma função de Trainee de Gerente (fls.61/62). O contrato de trabalho da beneficiária foi rescindido em 01/03/2004, e, posteriormente, à sua saída não foi constatado o mesmo nível salarial para os empregados que a sucederam. Outrossim, averiguou-se que o Sr. Marcio Luis Rossi, na condição de administrador da empresa mantém relação de emprego com a empresa, e, portanto, deve figurar no quadro de funcionários da empresa e não na condição de autônomo, como consta. Consigna ainda que a segurada Claudia Socorro Silva e Silva Rossi é esposa do procurador Marcio Luiz Rossi. Por fim, concluiu que a empresa estaria em débito ao não registrar o Sr. Marcio Luiz Rossi como empregado e o aumento salarial injustificado para a empregada Claudia Socorro Silva e Silva Rossi. Inconformado com a decisão de indeferimento, o Recorrente interpôs recurso, alegando, em síntese, o quanto segue: Em abril/ 2003, a funcionária Claudia Socorro Silva e Silva Rossi passou a exercer o cargo de gerente comercial, enquanto o funcionário Luiz Gustavo permanece exercendo a mesma função, o que justificaria a variação salarial. Que além das atividades de locadora, a empresa também atua no ramo de livraria, portanto, coexistem duas categorias profissionais na empresa A primeira (vídeo locadora) pertencente ao Sindicato SEAAC, enquanto que a segunda pertence ao Sindicato do Comércio. Ante a diferença de categorias as convenções, acordos e datas e percentuais de reajuste são diferentes, o que juntamente com a promoção justifica a diferenciação. Aduz ainda que alteração salarial não tem o condão de criar qualquer obstáculo ao seu recebimento. Alega ainda que o Sr. Márcio Luiz Rossi exerce apenas mandato de representação dos sócios da empresa, que é contador e proprietário de escritório contábil onde atua, não exercendo qualquer função dentro da empresa. Que já recolhe sua contribuição previdenciária no teto máximo, cuja inscrição junto a este órgão é 1.171. 191.713-8. Aduz que a concessão de poderes de representação dos sócios da empresa não caracterizando vínculo empregatício. Com contrarrazões, o processo foi encaminhado para a 02ª CaJ – Segunda Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, determinou-se a conversão do julgamento em diligência para confirmar ou infirmar os indícios de simulação no aumento do salário da beneficiária Claudia Socorro Silva e Silva Rossi. Retornando de diligência, os autos do presente processo foram remetidos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É a síntese do necessário. Passo ao voto. Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-003.542 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 37322.000670/2004-35 Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Como se viu linha acima, limita-se a controvérsia ao reembolso de salário- maternidade pago à beneficiária Claudia Socorro Silva e Silva Rossi, nas competências de 10/2003 e 11/2003. Ficou constatado nos autos do presente processo que a Segurada Claudia Socorro Silva e Silva Rossi, no início de sua gravidez em abril de 2004, teve o salário elevado de R$ 470,76 para R$ 1.100,00, representando um aumento de R$ 133,66%. A partir de 10/2003, teve novo aumento, chegando ao salário de R$ 1.265,00(pois a diferença de outubro, R$ 165,00 foi paga em novembro, quando percebeu R$ 1.430,00), portanto, aumento de 15%. Ao se comparar a evolução do salário da referida beneficiária com a evolução de salário do paradigma Luiz Gustavo Giati, notou-se que o paradigma não teve qualquer aumento salarial em abril e que, a partir de 10/2003, teve seu salário elevado de R$ 456,00 para R$ 531,60, aumento equivalente a 16,57%, considerando-se que no valor diferenciado de R$ 803,32 recebido em 10/2003, estão inclusos R$ 244,72 a título de acordo trabalhista. Dessa forma, ao aplicar o percentual de R$ 16,57% sobre o salário da Segurada Cláudia Socorro Silva e Silva Rossi (R$ 470,76), chega-se ao valor de R$ 548,76, valor este que deve ser considerado para efeito de reembolso do salário-maternidade. Com base neste valor de R$ 548,76, apurou-se que a Recorrente é credora dos valores de R$ 55,75, R$ 166,11 e R$ 130,47 referentes às competências de outubro, novembro e dezembro de 2003, respectivamente. É o que se verifica do quadro abaixo. Assim, considerando que o valor de R$ 130,47 referente ao salário-maternidade de setembro de 2003 já foi reembolsado pelo Recorrente, cabe reconhecer o direito creditório da Recorrente referente aos meses de outubro e novembro de 2003, objeto do presente processo. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento. (documento assinado digitalmente) Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-003.542 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 37322.000670/2004-35 André Luis Ulrich Pinto Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.006900/00-29
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri Jul 09 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 303-00.965
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência do
julgamento do recurso em favor do Egrégio Segundo Conselho em razão da matéria, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: SILVIO MARCOS BARCELOS FIUZA
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RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do recurso em favor do Egrégio Segundo Conselho em razão da matéria, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia-DF em 09 de julho de 2004 JOÃI SLANDA COSTA Pres ente LOS FIOZA Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, SÉRGIO DE CASTRO NEVES, NANCI GAMA, DAVI EVANGELISTA (Suplente) e CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS (Suplente). Ausentes os Conselheiros ZENALDO LOIBMAN e NTLTON LUIZ BARTOLI. SILVI MAR Relator MAO MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 127.399 RESOLUÇÃO N° : 303-00.965 RECORRENTE : MOLLER INDUSTRIA METALÚRGICA LTDA. RECORRIDA : DRJ/CURITIBA/PR RELATOR(A) : SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA RELATÓRIO Em razão de já ter sido relatado com bastante clareza e fidelidade os fatos ocorridos, as razões do contribuinte e as decisões das diversas esferas administrativas (Serviço de Tributação — SESIT — EQUITD da DRF de Curitiba e da DRF de Julgamento em Curitiba —PR), adoto o RELATÓRIO da Dra. Relatora Ana Neyle Olímpio Holanda da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que declinou da competência para julgamento desse recurso em favor do Terceiro Conselho de Contribuintes, o qual a seguir transcrevo na integra: "Trata o presente processo de pedido de restituição de valores referentes à multa de mora, pagos quando do recolhimento de vários tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, que o sujeito passivo afirma terem sido recolhidos a maior, vez que efetuados fora do prazo legal de vencimento e com a aplicação da multa. Para a peticionante, a sua atitude configuraria a denúncia espontânea inscrita no artigo 138 do Código Tributário Nacional, o que lhe obrigaria o pagamento do tributo, feito a destempo, apenas com o acréscimo dos juros moratórios, sendo cabível a restituição dos valores pagos a titulo de multa moratória. 0 sujeito passivo trouxe aos autos o Arrazoado de fls. 36/52, em que tece considerações acerca do instituto da denúncia espontânea inscrito no artigo 138 do Código Tributário Nacional, que determina: "A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração". Nesses termos, se o contribuinte, de forma espontânea e antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, efetua o pagamento do tributo devido, ficará excluído da responsabilidade (multa) pela infração à legislação tributária. Afirma que a multa moratória, no direito brasileiro, assume sempre uma natureza jurídica sancionatória de caráter punitivo e não indenizatório, cuja função é exercida pela cobrança de juros, que se prestam recomposição do patrimônio estatal lesado pelo tributo não recebido a tempo. Se o infrator se adianta, efetuando o pagamento, a responsabilidade fica ilidida, premiando, assim, os que se arrependem ou os que, tendo sido negligentes, procuram a Fazenda Pública para espontaneamente reparar as infrações cometidas, sanando-as. Colaciona manifestações do Poder Judiciário no sentido de que o pagamento voluntário, pelo contribuinte em atraso, do valor integral do tributo m 's juros moratórios, antes de MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 127.399 303-00.965 qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, configura denúncia espontânea, o que libera o pagamento da multa moratória. Nesse sentido, legitima a restituição dos valores pagos a titulo de multa moratória quando do recolhimento, embora a destempo, mas espontaneamente, de valores elencados nas Planilhas de fls. 10/12, observando-se o § 4 0 do artigo 39 da Lei n° 9.250/95 e a IN SRF n° 22/96, observado o seguinte: I — os juros equivalentes à Taxa Referencial SELIC acumulados mensalmente: a) a partir de 01/01/96 até o mês anterior ao da restituição, para os pagamentos efetuados até 31/12/95; b) a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês da restituição, para os pagamentos efetuados entre 01/01/96 e 31/12/97; c) a partir do mês subseqüente ao pagamento, no caso de pagamentos feitos a partir de 01/10/98 (art. 63 da Lei n° 9.532/97); e II — de 1%, no mês em que estiver sendo efetuada a restituição. Com o pedido inicial foram trazidos aos autos cópias de alterações ao Contrato Social, cópias de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais — DARF referentes a diversos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (fls. 23/98), e as Planilhas de fls. 10/12, em que são apresentados os valores recolhidos a titulo de multa moratória e que o peticionante pretende ver repetidos. A Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR deliberou no sentido de indeferir o pedido, sob o argumento de que o artigo 138 do Código Tributário Nacional exonera penalidade vinculada a tributo, possibilitando ao sujeito passivo, pela denúncia espontânea, recolher o tributo sem a multa de oficio decorrente de uma imposição fiscal, o que não ocorre na espécie, enfatizando que a jurisprudência suscitada pelo contribuinte só tem efeito entre as partes, não podendo ser estendida ao caso tratado. 0 sujeito passivo apresentou impugnação ao ato supra-referido, arrimando-se nos mesmos argumentos de defesa trazidos na inicial. A autoridade julgadora de primeira instância manifestou-se pelo indeferimento da solicitação, argumentando que o mencionado artigo 138 do Código Tributário Nacional refere-se à denúncia de infração, de iniciativa do contribuinte, em relação a fato desconhecido do Fisco, não se estendendo a tier° recolhimento fora 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 127.399 : 303-00.965 do prazo de tributo ou contribuição cujo lançamento se da pela modalidade de homologação. Enfatiza que, ainda que o pagamento extemporâneo configurasse denúncia espontânea, esta evitaria apenas a aplicação da multa de natureza infracional ou de oficio, não afastando a multa de mora, de caráter indenizatório e destituída de punição, prevista exatamente para a hipótese de recolhimento espontâneo e fora do prazo, consoante os artigos 10 e 59 do Decreto-Lei n° 1.736/79, por entender que teria ocorrido a decadência para pleitear a restituição dos valores pagos até 04/08/94, e, para os demais pagamentos, os créditos argumentados pela contribuinte decorrem de sua interpretação equivocada do parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n° 7/70, afirmando que o prazo ali referido dita que a base de cálculo da contribuição é o faturamento de seis meses atrás; entende aquela autoridade que referida norma não se refere à base de cálculo e sim a prazo de recolhimento. Irresignada com a decisão singular, a interessada, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, onde reapresenta os argumentos de defesa expendidos na impugnação e, ao final, pugna pela reforma da decisão a quo. E o relatório. • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° : 127.399 : 303-00.965 VOTO Depreende-se dos autos que a lide é exclusivamente sobre pedido de restituição do valor pago pela recorrente como Multa de Mora por pagamento fora do prazo legal, de virias contribuições e tributos, alegando que referida cobrança fere dispositivo do CTN. Entretanto, o próprio Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF no 55/98, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF n's. 103, de 23/04/2002 e 1.132, de 30/09/2002, bem como, a Portaria Conjunta CC no 01 de 02/04/2004, não outorga competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância concernentes i restituição de Multas de Mora por atraso no pagamento dos tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal, pois a parcela da multa se referiu aos tributos e contribuições especificos. E ainda, seguindo o principio de que o acessório segue o principal, portanto, o julgamento da pretensa restituição de acréscimos legais sera sempre de competência do mesmo Conselho que julgar o tributo a que se referir o pretenso débito principal. Não cabe o argumento de que quando se discute apenas a ocorrência da multa de mora por pagamento fora do prazo, essa discussão seria apenas quanto a ocorrência da denúncia espontânea, teria então, sua inclusão na competência residual. Isto posto, a questão seria então matéria sobre normas gerais de direito tributário e, portanto, de competência de todos os Conselhos que lidam com essas normas. Voto por não tomar conhecimento do Recurso por tratar-se de matéria que não se encontra na competência para julgamento pelo Terceiro Conselho de Contribuintes, declino a competência para o Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes. Sala das Sessiies, em 09 de julho de 2004 SILV:1\b- A.R.COS ARECLOS FIÚZA - Relator • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°: 10980.006900/00-29 , Recurso n°: 127399 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no §. 2° do art. 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto Terceira Câmara do Terceiro Conselho, intimado a tomar ciência do Resolução n° 303-00965. Brasilia, 19/10/2004 .4 9 Anel*.e audt Prieto Preside e da Terceira Câmara Ciente em c (4 rodvbyo ,o1 20061 Ptocoradora da F annda Nacional OAB/MG 65792 - Mat. 1436762
score : 1.0
Numero do processo: 10380.902077/2006-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 15/01/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a declaração de compensação não apreciada no prazo de cinco anos contados da data de sua apresentação.
Numero da decisão: 3803-003.060
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a declaração de compensação não apreciada no prazo de cinco anos contados da data de sua apresentação.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a declaração de compensação não apreciada no prazo de cinco anos contados da data de sua apresentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Fortaleza/CE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para contestar o teor do despacho decisório denegatório da compensação pleiteada, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 com fundamento no fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte. O Pedido de Restituição ou Ressarcimento e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) retificadores haviam sido transmitidos à Receita Federal em 23 de julho de 2003 com o fito de se compensar o crédito decorrente de pagamento a maior efetuado pelo sujeito passivo com débito da Cofins. Cientificado, em 2 de junho de 2009, do despacho decisório desfavorável a sua pretensão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, requereu a homologação da compensação e alegou que, na expedição do despacho decisório, não se observou a retificação da DCTF e da DIPJ, em que se alterou a base de cálculo da contribuição em razão do estorno de valores relativos a “recuperação de despesas”. A DRJ Fortaleza/CE não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2002 NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Descabe reconhecer direito creditório não comprovado nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho e reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, registrese que, quando da ciência do despacho decisório, em 2 de junho de 2009, já havia transcorrido o prazo de 5 anos contados da data da entrega da declaração de compensação, esta ocorrida em 23 de julho de 2003, nos termos definidos pelo § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.833/2003, resultante da conversão da Medida provisória nº 135/2003. Não constou do dispositivo legal introduzido em 2003 qualquer ressalva quanto às declarações de compensação pendentes de apreciação no âmbito administrativo, o que acarretou, por conseguinte, que o estoque de declarações até então não apreciadas fosse Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10380.902077/200646 Acórdão n.º 380303.060 S3TE03 Fl. 2 3 alcançado por todos os efeitos jurídicos decorrentes da regra introduzida no citado art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Por se tratar de hipótese relativa a transcurso de prazo extintivo do crédito tributário, no caso, por compensação, estáse diante de matéria passível de conhecimento de ofício a qualquer tempo pelo juiz e, no processo administrativo, pela Administração Pública. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da homologação tácita da declaração de compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10380.902077/200646 Interessada: TV SHOW BRASIL S/A TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380303.060, de 24 de maio de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 24 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000090/2007-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO
EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Não se conhecem dos argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, dada a configuração da preclusão processual.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no
processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE
PESSOAS FÍSICAS. PERCENTUAL APLICÁVEL.
Aplica-se o percentual de 35% sobre o valor dos insumos identificados como lenha, aves vivas, suínos e milho, utilizados na produção da pessoa jurídica, para fins de apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004.
CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO.
IMPOSSIBILIDADE.
Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição.
FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS E DE MERCADORIAS PARA
REVENDA. CREDITAMENTO.
Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de venda das mercadorias e dos insumos para os mesmos fins, ainda que estes sejam não tributados, salvo na hipótese de crédito presumido.
DESPESAS COM ARMAZENAGEM. CREDITAMENTO.
Uma vez comprovado que os gastos com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem e deslocamentos foram suportados pelo Recorrente no conjunto das operações de armazenagem e frete durante a venda, e que foram tributados
pelas contribuições, eles darão direito a crédito.
FRETES INTERNACIONAIS. CREDITAMENTO. PESSOAS JURÍDICAS
NÃO DOMICILIADAS NO PAÍS. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste direito ao creditamento em relação a serviços de fretes prestados por pessoas jurídicas estrangeiras, ou seja, aquelas não domiciliadas no País. O fato de o pagamento por tais serviços ter sido efetuado a uma pessoa jurídica domiciliada no País, pessoa essa representante do armador estrangeiro, não exime o contribuinte de cumprir os demais condicionantes impostos pela lei.
Numero da decisão: 3803-003.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Fábio Pallanetti Calcini, OAB/SP nº 197.072.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Não se conhecem dos argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, dada a configuração da preclusão processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. PERCENTUAL APLICÁVEL. Aplica-se o percentual de 35% sobre o valor dos insumos identificados como lenha, aves vivas, suínos e milho, utilizados na produção da pessoa jurídica, para fins de apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS E DE MERCADORIAS PARA REVENDA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de venda das mercadorias e dos insumos para os mesmos fins, ainda que estes sejam não tributados, salvo na hipótese de crédito presumido. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. CREDITAMENTO. Uma vez comprovado que os gastos com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem e deslocamentos foram suportados pelo Recorrente no conjunto das operações de armazenagem e frete durante a venda, e que foram tributados pelas contribuições, eles darão direito a crédito. FRETES INTERNACIONAIS. CREDITAMENTO. PESSOAS JURÍDICAS NÃO DOMICILIADAS NO PAÍS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste direito ao creditamento em relação a serviços de fretes prestados por pessoas jurídicas estrangeiras, ou seja, aquelas não domiciliadas no País. O fato de o pagamento por tais serviços ter sido efetuado a uma pessoa jurídica domiciliada no País, pessoa essa representante do armador estrangeiro, não exime o contribuinte de cumprir os demais condicionantes impostos pela lei.
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Não se conhecem dos argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, dada a configuração da preclusão processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. PERCENTUAL APLICÁVEL. Aplicase o percentual de 35% sobre o valor dos insumos identificados como lenha, aves vivas, suínos e milho, utilizados na produção da pessoa jurídica, para fins de apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS E DE MERCADORIAS PARA REVENDA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de venda das mercadorias e dos insumos para os mesmos fins, ainda que estes sejam não tributados, salvo na hipótese de crédito presumido. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. CREDITAMENTO. Uma vez comprovado que os gastos com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem e deslocamentos foram suportados pelo Recorrente no conjunto das operações de armazenagem e frete durante a venda, e que foram tributados pelas contribuições, eles darão direito a crédito. FRETES INTERNACIONAIS. CREDITAMENTO. PESSOAS JURÍDICAS NÃO DOMICILIADAS NO PAÍS. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste direito ao creditamento em relação a serviços de fretes prestados por pessoas jurídicas estrangeiras, ou seja, aquelas não domiciliadas no País. O fato de o pagamento por tais serviços ter sido efetuado a uma pessoa jurídica domiciliada no País, pessoa essa representante do armador estrangeiro, não exime o contribuinte de cumprir os demais condicionantes impostos pela lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dr. Fábio Pallanetti Calcini, OAB/SP nº 197.072. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Ausente o conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Juiz de Fora/MG (fls. 336 a 342), que julgou apenas parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte (fls. 269 a 292), esta apresentada em oposição ao despacho decisório da repartição de origem (fls. 246 a 250) que homologara em parte a compensação pleiteada por meio de PER/DCOMPs (fls. 6 a 21), cujo direito creditório reclamado monta o valor de R$ 288.990,26. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 2 3 Os PER/DCOMPs foram transmitidos pelo contribuinte em 05/02/2007, 27/07/2007, 31/07/2007 e 27/09/2007 e se referem ao saldo credor do 3º trimestre de 2006, relativo à Cofins, apurada na sistemática da não cumulatividade, com fundamento no preceptivo legal contido no § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003. Consta dos autos que o contribuinte obtivera decisão favorável em mandado de segurança determinando à autoridade fazendária o dever de se darem andamento e conclusão aos pedidos de ressarcimento do contribuinte no prazo de 30 dias, bem como a aplicação da taxa Selic sobre os créditos desde quando esgotado o prazo legal para a análise (360 dias contados da vigência da Lei nº 11.457/2007, ocorrida em 02/05/2007). Submetidos os pedidos à apreciação da repartição de origem, esta, amparada em esclarecimentos prestados pela pessoa jurídica, em documentos fiscais apresentados (notas fiscais de aquisição, bills of lading etc.) e em livros de apuração do IPI, bem como em vistorias realizadas no estabelecimento da pessoa jurídica, homologou parcialmente a compensação pleiteada, tendo sido constatadas pela Fiscalização as seguintes irregularidades: a) no cálculo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, alterouse o percentual a ser aplicado de 60% para 35%, pelo fato de se referir a aquisições de lenha, aves vivas, suínos e milho; b) não foram acatados os créditos decorrentes de aquisições de bens não considerados como insumos, à luz da legislação vigente referente à não cumulatividade das contribuições, tendose em conta o conceito de insumo previsto no § 5º do art. 66 da IN SRF nº 247/2002, com as alterações promovidas pela IN SRF nº 358/2003 e pelo § 4º do art. 8º da IN SRF nº 404/2004. Foram excluídos, por conseguinte, os créditos decorrentes de aquisições de medicamentos, vacinas, manutenção de prédios e de veículos, materiais de escritório e de consumo, materiais de limpeza e desinfecção e materiais para acondicionamento para transporte (paletes ou pallets), assim como de gasolina; c) glosa de créditos relativos a bens submetidos à alíquota zero (Maymo Acid, Oligo Acid e SalZap F Plus PO), assim como as aquisições de pintos de 1 dia, ovos férteis e de aves matrizes (visto que também são pintos de 1 dia), que também se sujeitam à alíquota zero; d) glosa de créditos sobre bens adquiridos para revenda, sujeitos a alíquota zero, com base no contido no art 1° da Lei nº 10.925/2004 e art. 28 da Lei nº 10.865/2004, entre eles: produtos hortícolas, frutas, leite, queijo e farinha de milho, assim como de aquisições de bens vedados, consoante inciso I do § 1º do art. 2° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, entre eles: água e refrigerante; e) glosa dos créditos decorrentes de serviços de limpeza prestados pela Affare Sul Limpeza e Conservação Ltda. e de fretes para transporte de insumos e de mercadorias para revenda, por falta de previsão legal. Ressaltouse que as despesas com fretes de compras de insumo fariam parte do valor de aquisição do bem, sendo, consequentemente, base de cálculo para o crédito de PIS e Cofins, em razão do que, nas operações de aquisição em que o bem não fosse passível de creditamento, também não o seria o valor do frete, visto que ele integraria o custo de aquisição; f) glosa de créditos relativos a despesas aduaneiras vinculadas a operações distintas de armazenagem e frete na operação de venda (consumo de energia elétrica, Fl. 483DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem, deslocamentos, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação de BL, entre outros) e a fretes internacionais suportados pelo contribuinte, mas pagos aos agentes de armadores estrangeiros e não às empresas que efetivamente prestaram o serviço de transporte (art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003 e art. 3º, § 3º, II, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002). Segundo a autoridade fiscal, o agente marítimo não presta o serviço de transporte e não é ele que recebe o pagamento por tal serviço, pois o valor a ele entregue, em verdade, corresponderia ao pagamento do armador, isto porque o agente marítimo seria mero preposto do armador, para gerir ou administrar seus negócios, inclusive cobrando os respectivos fretes. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu (i) a reconstituição do crédito tributário, (ii) a homologação do Pedido de Ressarcimento formulado e (iii) anulação da carta cobrança decorrente, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) atua como um complexo avícola, com produção verticalizada e integrada de carne de aves, desde a produção de aves matrizes em granja própria, engorda de aves para abate, produção de ração, integração de animais para engorda em parceria com produtores rurais, abate, processamento, refrigeração e comercialização dos produtos resultantes do abate no mercado interno e externo; b) o percentual de crédito presumido para as empresas que atuam no segmento de avicultura, ou seja, que produzem produtos de origem animal (carnes) classificados no capítulo 2 da NCM, nas suas aquisições de quaisquer insumos, sujeitos à não incidência (pessoas físicas) ou à suspensão (artigo 9º da Lei 10.925/2004), sejam de origem animal ou vegetal, é de 60% (sessenta ) por cento da alíquota para o PIS, prevista no artigo 2º da Lei 10.637/2002; c) os medicamentos e vacinas são insumos consumidos em sua produção, uma vez que, durante o ciclo de vida da ave, seja como matriz produtora de ovos férteis, seja como frango em fase de engorda, é necessária a manutenção do plantel, sendo exigida para este fim a utilização de vacinas e medicamentos que fazem parte do trato dos animais; d) o uso de produtos de desinfecção e assepsia (limpeza) na área de produção frigorífica é condição necessária, distante da aplicação meramente estética ou comum destes agentes, pois visa a garantir a conservação e a qualidade do produto (carne) e não o equipamento ao qual é aplicado; e) o palete utilizado como embalagem é o mais comum encontrado no mercado, sendo que não cumpre os requisitos necessários para sua imobilização, quais sejam, durabilidade, valor relevante, possibilidade de identificação e controle, diferenciandose dos estrados e containers metálicos utilizados na indústria metal mecânica, pois os paletes geralmente não voltam dos clientes por vários motivos, a saber: (i) custo de frete de caminhão vazio para buscar ou retornar, (ii) estocagem direta nas câmaras frias utilizando o palete recebido no transporte, (iii) avaria constante e (iv) troca por outros de diferentes origens; f) o combustível, independentemente da forma de aquisição, é item que compõe o processo produtivo e deve ser considerado para fins de adjudicação do respectivo crédito de PIS e Cofins; g) direito ao creditamento em relação aos gastos com manutenção de prédios e veículos, tendo em vista o conceito abrangente de insumo para fins da não cumulatividade das contribuições; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 3 5 h) é absolutamente coerente com a sistemática da não cumulatividade, o creditamento decorrente de fretes sobre aquisições de insumos aplicados na produção, independentemente de se tratar ou não de bens não tributáveis; i) direito ao creditamento em relação aos gastos com serviços de limpeza, tendo em vista o conceito abrangente de insumo para fins da não cumulatividade das contribuições; j) as despesas com armazenagem (consumo de energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação, realocação, lavagem, deslocamento entre outros) dão direito ao crédito, uma vez que a armazenagem é um conjunto de atividades com o fim de garantir e manter o produto em condições até o momento do embarque, sendo exercido por empresas estabelecidas nas áreas portuárias, autorizadas, certificadas e que atuam com milhares de tipos de produtos; k) inexiste amparo legal para a glosa dos créditos decorrentes de frete marítimo, pelo fato de que os valores pagos aos agentes no País são destinados aos armadores situados no exterior. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito creditório relativamente aos gastos com medicamentos e vacinas, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos.para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório é ônus do qual deve se desincumbir. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 485DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, descreve o histórico legislativo e constitucional da não cumulatividade das contribuições, cita posições doutrinárias e precedentes judiciais e administrativos e reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescentada a preliminar de nulidade do despacho decisório por violação do princípio da motivação e por cerceamento do devido processo legal administrativo, dada a falta de descrição clara das glosas de créditos efetuadas. Segundo o Recorrente, não é possível restringir o direito creditório assegurado por lei por meio de atos infralegais, como o são as instruções normativas, pois, na não cumulatividade das contribuições, o conceito de insumo é abrangente e abarca todos os custos, despesas, gastos e dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para a atividade econômica. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de pedido de ressarcimento cumulado com declaração de compensação, em que o interessado pretende se valer de créditos apurados na sistemática da não cumulatividade da contribuição para quitar débitos de sua titularidade. A autoridade julgadora de primeira instância manteve a decisão da repartição de origem, exceto em relação aos gastos com medicamentos e vacinas que foram considerados insumos para fins de creditamento. Apesar de o Recorrente ter repetido em sua peça recursal a insurgência em relação à glosa dos créditos decorrentes dos gastos com medicamentos e vacinas, ela não será aqui apreciada, uma vez que já acolhida no julgamento a quo, nada havendo a acrescentar em relação a essa questão nesta instãncia administrativa. I. Inovação dos argumentos de defesa em sede de recurso. Preclusão. Não serão objeto de análise neste voto os novos argumentos trazidos pelo contribuinte apenas em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido, por conseguinte, examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 4 7 Tais inovações dizem respeito à invocação do Recorrente de nulidade do despacho decisório por violação do princípio da motivação e por cerceamento do devido processo legal administrativo, dada a falta de descrição clara das glosas de créditos efetuadas, preliminar essa que não fora apontada na fase impugnatória. Por outro lado, tendose em conta que a nulidade pode ser declarada de ofício em qualquer momento da relação processual, há que se registrar que não se vislumbra a ocorrência de tal vício no presente processo, uma vez o Relatório de Verificação Fiscal traz em seu bojo todo o detalhamento dos fatos analisados, bem como a identificação dos dispositivos legais e infralegais aplicáveis, tendo sido assegurado ao contribuinte o direito à ampla defesa, nos termos previstos pelo Decreto nº 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal. Portanto, afastamse as inovações trazidas na fase de recurso por se referir a matéria não impugnada no momento processual devido. II. Creditamento. Insumos. Bens e serviços. Conforme acima relatado, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços não abrangidos pelo conceito de insumos estabelecido pela IN SRF n° 247/2002, com as alterações dadas pela IN SRF n° 358/2003 e pela IN SRF nº 404/2004, ou seja, aqueles não consumidos ou aplicados diretamente na fabricação dos bens e produtos destinados à venda. De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento refere se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapola os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o resultado comercial e financeiro da principal e, muitas vezes, exclusiva, atividade do contribuinte. O regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a Fl. 487DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratandose, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 2. Como nos ensina Marco Aurélio Greco3, ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Feitas essas considerações, passase à análise das questões trazidas aos autos pelo Recorrente na defesa do direito ao ressarcimento pleiteado. Segundo ele, seu processo produtivo consiste na produção verticalizada e integrada de carne de aves, desde a produção de aves matrizes em granja própria, engorda de aves para abate, produção de ração, integração de animais para engorda em parceria com produtores rurais, abate, processamento, refrigeração e comercialização dos produtos resultantes do abate no mercado interno e externo. De acordo com o Estato Social da pessoa jurídica, ela tem por “objetivos sociais: abate, produção, beneficiamento, industrialização, comercialização, Importação e exportação de aves, suínos, bovinos, ovos, pintos para corte e postura; exploração das atividades avícola, pastoril, apícola, serícoia, e outros pequenos animais, inclusive suínos; produção, preparo e comercialização de rações animais, insumos, suplementos vitamínicos, concentrados, fertilizantes, seus derivados e subprodutos; fabricação de farinhas de miudezas de aves e fabricação de óleo de aves; comercialização e industrialização de cereais; importação e exportação de insumos e produtos agrícolas e/ou pastoris e produtos industrializados derivados, florestamento e reflorestamento; e a participação societária em outras empresas”. Para a análise da questão posta, necessário se torna reproduzir os dispositivos legais que cuidam da matéria. A Lei nº 10.637/2002, aplicável à contribuição para o PIS na sistemática não cumulativa, assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: 2 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 3 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 5 9 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Fl. 489DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 5o (VETADO) § 6o (VETADO) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação Fl. 490DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 6 11 apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) § 13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e à contribuição para o PIS na sistemática não cumulativa, disciplina a matéria nos seguintes termos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 491DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Fl. 492DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 7 13 IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não Fl. 493DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (...) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2o do art. 2o desta Lei (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de vasilhames referidos no inciso IV do art. 51 desta Lei, destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 12 meses, à razão de 1/12 (um doze avos), ou, na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto no art. 52 desta Lei, poderá creditarse de 1/12 (um doze avos) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da Tipi, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I – no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos); ou (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) II – na hipótese de opção pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei, no prazo de 6 (seis) meses, à razão de 1/6 (um sexto) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, ficando o Poder Executivo autorizado a alterar o prazo e a razão estabelecidos Fl. 494DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 8 15 para o cálculo dos referidos créditos. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (...) § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) A repartição de origem glosou o direito creditório em relação a determinados bens e serviços considerados como não enquadrados no conceito de insumos, assim como procedeu a alterações nos critérios adotados pelo sujeito passivo, que foram assim identificados: Fl. 495DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 16 a) no cálculo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, alterouse o percentual a ser aplicado de 60% para 35%, pelo fato de se referir a aquisições de lenha, aves vivas, suínos e milho; b) glosa dos créditos decorrentes de aquisições de bens não considerados como insumos: créditos decorrentes de aquisições de medicamentos, vacinas, manutenção de prédios e de veículos, materiais de escritório e de consumo, materiais de limpeza e desinfecção, materiais para acondicionamento para transporte (paletes ou pallets) e gasolina; c) glosa de créditos relativos a bens submetidos à alíquota zero; d) glosa de créditos sobre bens adquiridos para revenda, sujeitos a alíquota zero: produtos hortícolas, frutas, leite, queijo e farinha de milho, assim como de aquisições de bens vedados, consoante inciso I do § 1º do art. 2° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, entre eles: água e refrigerante; e) glosa dos créditos decorrentes de serviços de limpeza prestados pela Affare Sul Limpeza e Conservação Ltda. e de fretes para transporte de insumos e de mercadorias para revenda, por falta de previsão legal. Ressaltouse que as despesas com fretes de compras de insumo fariam parte do valor de aquisição do bem, sendo, consequentemente, base de cálculo para o crédito de PIS e Cofins, em razão do que, nas operações de aquisição em que o bem não fosse passível de creditamento, também não o seria o valor do frete, visto que ele integraria o custo de aquisição; f) glosa de créditos relativos a despesas aduaneiras vinculadas a operações distintas de armazenagem e frete na operação de venda (consumo de energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem, deslocamentos, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação de BL, entre outros) e a fretes internacionais suportados pelo contribuinte, mas pagos aos agentes de armadores estrangeiros e não às empresas que efetivamente prestaram o serviço de transporte (art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003 e art. 3º, § 3º, II, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002). Segundo a autoridade fiscal, o agente marítimo não presta o serviço de transporte e não é ele que recebe o pagamento por tal serviço, pois o valor a ele entregue, em verdade, corresponderia ao pagamento do armador, isto porque o agente marítimo seria mero preposto do armador, para gerir ou administrar seus negócios, inclusive cobrando os respectivos fretes. Na sequência, passase à análise das glosas e alterações efetuadas pela Fiscalização. II.a – Percentual do crédito presumido O Recorrente se insurge contra a posição adotada pela Fiscalização no que tange ao percentual a ser aplicado no cálculo do crédito presumido de que tratam os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004. Segundo a Administração tributária, por se tratar de lenha, aves vivas, suínos e milho, o percentual aplicável ao caso é o de 35% e não de 60%, este reclamado pelo sujeito passivo. Eis o teor dos artigos da Lei nº 10.925/2004 invocados: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse Fl. 496DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 9 17 capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 18 II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 8o É vedado às pessoas jurídicas referidas no caput o aproveitamento do crédito presumido de que trata este artigo quando o bem for empregado em produtos sobre os quais não incidam a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, ou que estejam sujeitos a isenção, alíquota zero ou suspensão da exigência dessas contribuições. (Incluído pela Medida Provisória nº 552, de 2011) § 9o O disposto no § 8o não se aplica às exportações de mercadorias para o exterior. (Incluído pela Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) Fl. 498DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 10 19 I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) A dúvida de interpretação decorre do seguinte fato: a previsão contida no § 3º, I, do art. 8º supra reproduzido, no que tange à aplicação do percentual de 60% para cálculo do crédito presumido, ao se reportar a determinados capítulos da NCM, está a se referir aos insumos adquiridos de pessoas físicas ou às mercadorias produzidas pelas pessoas jurídicas? A dúvida pode se justificar em razão do fato de que o caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ao se reportar às mercadorias produzidas pela pessoa jurídica, faz referência a capítulos da NCM, e, quando se reporta aos insumos aplicados na produção, remete ao inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Contudo, valendose da regulamentação do dispositivo legal, é possível constatar que o § 3º, I, do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 restringe a aplicação do percentual de 60% para cálculo do crédito presumido àqueles produtos ali identificados por sua NCM, na condição de insumos e não na condição de produtos finais. Tanto a Instrução Normativa SRF nº 636/2006, quanto a Instrução Normativa SRF nº 660/2006, ambas com produção de efeitos a partir de agosto de 2004, deixam claro que os capítulos da NCM identificados no dispositivo sob análise se referem aos insumos aplicados na produção e não às mercadorias resultantes do processo produtivo. Dessa forma, para se identificar o percentual a ser aplicado em cada caso, há a necessidade de se identificarem os bens utilizados como insumos. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 20 A pessoa jurídica, no presente processo, produz carnes comestíveis, estas classificadas no capítulo 2 da NCM, e, em sua produção, utiliza bens e serviços, sem os quais não se obterão os produtos finais. Controvertese quanto ao crédito presumido apurado a partir das aquisições de lenha (capítulo 44 da NCM), aves vivas (capítulo 1 da NCM), suínos (capítulo 1 da NCM) e milho (capítulo 7 da NCM). Notese que nenhum desses bens se subsume na previsão normativa constante do § 3º, I, do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, pois nenhum deles se classifica como produto de origem animal identificado nos capítulos 2 a 4, 16 e nos códigos 15.01 a 15.06, 15.10, 15.17 e 15.18. Nesse sentido, mantémse a aplicação do percentual de 35% sobre os bens identificados como lenha, aves vivas, suínos e milho, utilizados como insumos na produção de carnes, para fins de apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. II.b Manutenção de prédios e de veículos, materiais de escritório e de consumo, materiais de limpeza e desinfecção, materiais para acondicionamento para transporte (paletes ou pallets) e gasolina Inobstante as peculiaridades da não cumulatividade das contribuições sociais, conforme acima abordado, não se pode ampliar o direito ao creditamento no sentido de alcançar o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade empresarial. A autorização para a dedução de todas as despesas operacionais equipararia a contribuição para o PIS e a Cofins ao imposto de renda, o que não seria adequado, já que as contribuições incidem sobre a receita, e não sobre o lucro. Inexiste nos autos comprovação inequívoca de que os gastos com manutenção de prédios e de veículos, assim como de aquisição de gasolina, se encontram vinculados direta ou necessariamente ao processo produtivo da pessoa jurídica. Tais gastos podem se referir a seções ou departamentos da pessoa jurídica que não se encontram vinculados de forma direta com o processo produtivo, mas a setores burocráticos que, inobstante sua imprescindibilidade ao bom funcionamento da sociedade empresarial, não apresentam o grau de inerência ao fator de produção exigido para o creditamento pleiteado. Em relação à gasolina, há autorização legal expressa no sentido de sua inclusão no cálculo do crédito da contribuição não cumulativa (art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003), mas desde que consumida no processo produtivo. Mesmo considerando que os gastos com a manutenção de prédios do setor de produção podem contribuir para um melhor funcionamento da empresa, não se pode perder de vista que tais interferências ocorrem de forma paralela à produção, pois mesmo durante a sua realização, a pessoa jurídica continua operando, ainda que se valendo, temporariamente, de outros espaços para a produção. O mesmo entendimento se estende aos gastos com materiais de escritório e de consumo, pois, como a própria designação dos bens está a evidenciar, tratase de mercadorias utilizadas nos escritórios e demais instalações da pessoa jurídica, como copas, cozinhas, banheiros etc., não havendo relação direta com o fator de produção, o que impossibilita a apuração de créditos em relação a eles. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 11 21 Quanto aos materiais de limpeza e higienização, não obstante o fato de que eles também podem ser utilizados de forma generalizada em todos os departamentos e setores do estabelecimento, inclusive os administrativos, há que se considerar que, conforme consta do Comunicado Técnico nº 483 (ISSN 01008862, versão eletrônica, dezembro/2010, Concórdia/SC) da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), disponível no sítio na internet (www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publicacoes/publicacoes_e3k24c1s.pdf), a produção de carne requer, inexoravelmente, a utilização de “produtos para higienização do aviário e cloração da água”, inclusive com “controle de pragas que inclui raticidas e inseticidas” (p. 9). O direito ao creditameto em relação aos dispêndios com materiais para acondicionamento para transporte (paletes ou pallets) encontrase autorizado no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/20034, que, por força do contido no art. 15, inciso II, da mesma lei, se aplica tanto à Cofins quanto à contribuição para o PIS, apuradas na sistemática da não cumulatividade. Os bens utilizados no transporte fazem parte do custo de venda dos produtos, pois conjugamse a estes com vistas à sua conservação e à sua proteção contra agentes externos indesejáveis, como choques mecânicos, poeira, umidade etc., preservandolhes a integridade durante o transporte, sem o que não se terá o produto nas condições exigidas ao seu bom uso. Nesse sentido, uma vez que não se têm por configurados os requisitos da utilidade ou da necessidade e da aplicação direta na produção, não se acatam, para fins de cálculo do crédito decorrente da não cumulatividade da contribuição, os dispêndios com manutenção de prédios e de veículos e com materiais de escritório e de consumo. Por outro lado, acolhese o direito ao creditamento em relação aos materiais para acondicionamento para transporte, os materiais de limpeza e de desinfecção e a gasolina, nesses dois últimos casos, desde que comprovadamente utilizados no processo produtivo que constitui o objeto social da pessoa jurídica. II.c Créditos relativos a bens submetidos à alíquota zero e a outros bens (água e refrigerante) Em relação às aquisições de insumos sujeitos à alíquota zero (produtos hortícolas, frutas, leite, queijo e farinha de milho), há vedação expressa ao creditamento, conforme consta do inciso II do § 2° do art. 3º das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, verbis: § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) 4 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 22 Há a previsão de apuração de créditos somente em relação a bens e serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004 a que o Recorrente faz menção não se refere à apropriação de créditos nas aquisições de produtos isentos, submetidos à alíquota zero, vendidos com suspensão ou não tributados, mas à manutenção de créditos decorrentes da incidência da contribuição na etapa anterior do processo produtivo, do qual resulte produto não tributado. Além disso, inexiste direito à apuração de créditos em relação a mercadorias não utilizadas no processo produtivo, como nos casos de água e refrigerante, pois tais bens, além de não se enquadrarem no conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições, mesmo que fossem destinados a revenda, o que se admite apenas em tese, já que tal atividade não guarda qualquer relação com o objeto social da pessoa jurídica, a receita bruta decorrente de sua comercialização não se submete à tributação não cumulativa, por força do contido no inciso VIII do § 1º do art. 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Mantêmse, portanto, as glosas efetuadas pela Fiscalização em relação aos insumos e às mercadorias destinadas a revenda submetidos à alíquota zero, bem como aos produtos aos quais não se aplica a não cumulatividade da contribuição. II.d Créditos decorrentes de serviços de limpeza prestados pela Affare Sul Limpeza e Conservação Ltda. Inexiste autorização legal à apuração de créditos decorrentes de pagamentos efetuados a pessoa jurídica que presta serviços de limpeza nos compartimentos da pessoa jurídica. Diferentemente dos materiais de limpeza utilizados diretamente na desinfecção e na higienização dos bens submetidos à produção ou ao beneficiamento, neste caso, estáse diante do serviço genérico de limpeza das instalações da pessoa jurídica, inexistindo o liame necessário com o fator de produção que o torne diretamente alocável ao processo produtivo. Mantémse, portanto, a glosa relativa às despesas com serviços de limpeza prestados por Affare Sul Limpeza e Conservação Ltda. II.e Fretes para transporte de insumos e de mercadorias para revenda A Fiscalização procedeu à glosa de créditos calculados sobre a contratação de fretes para transporte de seus insumos e mercadorias para revenda, que se encontravam lançados como serviços utilizados como insumos, por considerar que inexistiria previsão legal nesse sentido, pois, segundo o agente fiscal, os fretes da espécie se referiam a compras de insumo e comporiam o valor de aquisição dos bens, já sendo, consequentemente, base de cálculo para o crédito da contribuição. Por outro lado, ressaltou a Fiscalização, que, nas operações de aquisição não passíveis de creditamento, também não o seria o valor do frete, visto que ele integraria o custo de aquisição da mercadoria ou do insumo. Dessa forma, afirmou o agente fiscal que o contribuinte apuraria créditos de maneira integral sobre todos seus fretes de aquisição de insumos, sem considerar se o bem que estaria sendo adquirido permitiria tal creditamento. Segundo ele. nesses casos, deveria o Fl. 502DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 12 23 contribuinte aplicar a mesma alíquota aplicável ao bem sendo transportado. De maneira análoga, não poderia o contribuinte apurar créditos sobre os fretes de compras de bens sujeitos à alíquota zero ou bens de revenda com incidência monofásica. Neste ponto, há algumas questões que devem ser salientadas, a saber: 1ª) logicamente, nos casos em que o crédito, básico ou presumido, já tiver sido apurado com base no valor total de aquisição de mercadorias para revenda e de insumos, incluída aí a parcela relativa ao custo do frete, inexistirá a possibilidade de creditamento em duplicidade, devendo o crédito se restringir à primeira apuração; 2ª) se, contudo, o frete tiver sido pago separadamente em relação aos bens comercializados, seja por ter se realizado em momento distinto, seja por ter sido prestado por uma terceira pessoa jurídica, estarseá diante de um serviço utilizado como insumo, subsumindose, desde que tributado, à previsão do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3ª) se se tratar de frete cobrado nas vendas de mercadorias destinadas à revenda e de insumos não tributados, haverá direito ao creditamento se e somente se tiver havido a incidência da contribuição na prestação desse serviço, isoladamente considerado; 4ª) no caso do crédito presumido, se o frete tiver sido cobrado de forma apartada em relação às mercadorias e aos insumos adquiridos, ele não dará direito a crédito dessa natureza (presumido), pois, de acordo com o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, somente há creditamento nas aquisições de bens adquiridos de pessoas físicas utilizados como insumos e não nas aquisições de serviços. Nesse contexto, mantêmse as glosas relativas a créditos decorrentes de fretes apurados em duplicidade e concedese o direito ao creditamento em relação aos valores de fretes tributados pela contribuição, mas não adicionados ao valor de venda das mercadorias e dos insumos, ainda que estes sejam não tributados, salvo na hipótese de crédito presumido. IIf Créditos relativos a despesas com armazenagem Foram glosados pela Fiscalização os créditos apurados pelo contribuinte decorrentes de operações distintas de armazenagem e frete na operação de venda, estas previstas no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, relativos a consumo de energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem, deslocamentos, taxa de selagem de contêineres, capatazia, taxa de liberação de BL, entre outros. Segundo o Recorrente, a atividade de armazenagem engloba todas as despesas e os gastos vinculados a ela, como aqueles identificados no parágrafo anterior, pois, exemplificativamente, a energia elétrica é necessária para o armazenamento do produto em câmaras frias, cumprindo exigências de órgãos públicos. A Fiscalização não questiona o momento em que tais despesas foram incorridas, se antes ou durante as operações de venda, afastando o creditamento apenas por considerar que não se encaixam na previsão normativa referente à armazenagem. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 24 Acredito que, havendo comprovação de que determinados gastos, decorrentes de operações tributadas, foram suportados pelo Recorrente, conforme exige o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, durante a fase de armazenagem, no sentido de viabilizála, eles deverão ser acatados na apuração do crédito, pois, do contrário, esvaziase o preceito, dado que a atividade de armazenagem, em face das características do produto, pode ir muito além do mero pagamento pelo aluguel do espaço utilizado como depósito. Além disso, as despesas de deslocamentos da carga nas operações de venda encontram amparo no dispositivo legal acima identificado, pois se trata de despesas com fretes que, uma vez suportadas pela pessoa jurídica e tendo sido objeto de tributação pelas contribuições, dão direito ao creditamento. Contudo, tal conclusão não permite acobertar sob os termos “armazenagem” e “frete” despesas outras não acobertadas pela lei, como o são a taxa de selagem de contêineres, a capatazia5, a taxa de liberação de Bills of Ladings, entre outros, pelo simples fato de que tais operações se referem a taxas alfandegárias e a procedimentos de embarque das mercadorias, e não de armazenagem ou frete, muitas delas não tributadas pelas contribuições, não podendo, por conseguinte, gerar direito creditório inexistente. Nesse sentido, uma vez comprovado que os gastos com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem e deslocamentos foram suportados pelo Recorrente no conjunto das operações de armazenagem e frete durante a venda, e que foram tributados pelas contribuições, eles darão direito ao creditamento. II.g Fretes internacionais Ressaltou a Fiscalização que, para se creditar de valores referentes a fretes marítimos, o contribuinte deveria atender aos requisitos normativos e legais, em especial que as despesas fossem pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País (art. 3º , § 3º , II, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002) e que o ônus fosse suportado pelo vendedor (art. 3º , IX, da Lei 10.833/2003). No presente caso, constatou a Fiscalização que o ônus foi suportado pelo contribuinte, porém, muito embora os recursos tivessem sido destinados a empresas localizadas no território nacional, inscritas no CNPJ, tais empresas não seriam as que efetivamente prestaram o serviço de transporte, uma vez que se tratava de agentes de armadores estrangeiros, prática esta usual nos procedimentos de exportação. Ainda segundo a Fiscalização, o agente marítimo não teria prestado o serviço de transporte e não teria sido ele que recebera o pagamento por tal serviço, pois o valor entregue ao agente, em verdade, corresponderia ao pagamento do armador, isto porque o agente marítimo seria mero preposto do armador, para gerir ou administrar seus negócios, inclusive cobrando os respectivos fretes, que seriam o pagamento do proponente pela prestação do serviço de transporte. Para verificar a situação do contribuinte, a Fiscalização intimouo a apresentar contratos de prestação de serviço de frete marítimo, bem como outros documentos comprobatórios da relação jurídica existente entre a empresa e os prestadores do serviço de frete marítimo. Foi solicitado também que se anexasse uma cópia dos Bill of Lading e do correspondente recibo de quitação de tais fretes. Em resposta à intimação, o contribuinte apresentou cópia dos BLs e recibos dos pagamentos, numa amostragem por ele mesmo 5 O dicionário Houaiss apresenta como significado do termo capatazia, dentre outros, a "taxa alfandegária cobrada pelo movimento de mercadorias no porto ou em seus armazéns". Fl. 504DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 13 25 realizada, bem como firmou declaração onde afirmou que "todas as operações seguem o mesmo padrão apresentado nos exemplos anexados". Com base nos documentos apresentados, concluiu a Fiscalização que os BLs foram emitidos por armadores estrangeiros, sendo que a empresa nacional sempre foi mencionada como agente (agent) ou agindo meramente na qualidade de representante (on behalf of) do armador, não se configurando hipótese permissiva ao creditamento destes valores, com exceção do valor pago à "Cia. Marítima" Aliança Navegação e Logística Ltda., que efetivamente figurou como real transportadora das mercadorias (carríer). Em sua defesa, o Recorrente alega que, uma vez atendidos os requisitos legais, quais sejam, suporte do ônus pelo sujeito passivo e pagamento efetuado a pessoa jurídica domiciliada no País, terseia por configurado o direito ao creditamento em relação aos fretes interncaionais. Para a análise da presente questão, serão destacadas as seguintes premissas legais, condicionantes do direito a crédito relativamente aos fretes suportados pela pessoa jurídica nas operações de vendas (art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/200): 1ª) o serviço de frete deve ser prestado por pessoa jurídica domiciliada no País (art. 3º, § 3º, I, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003); 2ª) os custos e despesas incorridos devem ser pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País (art. 3º, § 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003); 3ª) os serviços de frete devem ser tributados pelas contribuições (art. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003). Com base apenas na 1ª premissa supra, é possível concluir, de pronto, inexistir direito de creditamento em relação a serviços de fretes prestados por pessoas jurídicas estrangeiras, ou seja, aquelas não domiciliadas no País. O fato de o pagamento por tais serviços ter sido efetuado a uma pessoa jurídica domiciliada no País, pessoa essa representante do armador estrangeiro, não exime o contribuinte de cumprir os demais condicionantes impostos pela lei. Dessa forma, mantémse a glosa efetuada pela Fiscalização relativamente aos serviços de frete prestados por pessoas jurídicas não domiciliadas no País. III. Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para RECONHECER o direito do contribuinte de se creditar quanto a: (i) despesas tributadas com materiais para acondicionamento para transporte, os materiais de limpeza e de desinfecção e a gasolina, nesses dois últimos casos, desde que comprovadamente utilizados no processo produtivo que constitui o objeto social da pessoa jurídica; (ii) fretes tributados pela contribuição, mas não adicionados ao valor de venda das mercadorias e dos insumos, ainda que estes sejam não tributados, salvo na hipótese de crédito presumido; e (iii) os gastos com energia elétrica, monitoramento, pesagem, desova, manutenção, inspeção, movimentação e realocação, lavagem e deslocamentos, comprovadamente suportados pelo Recorrente no conjunto das operações de armazenagem e frete durante a venda, e tributados pelas contribuições. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS 26 Por outro lado, voto por MANTER o percentual de 35% aplicável sobre o valor dos insumos identificados como lenha, aves vivas, suínos e milho, utilizados na produção da pessoa jurídica, para fins de apuração do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, e por NÃO RECONHECER o direito de crédito relativamente a: a) os dispêndios com manutenção de prédios e de veículos e com materiais de escritório e de consumo; b) gastos com insumos e mercadorias para revenda submetidos à alíquota zero, bem como aqueles destinados à produção não abrangida pela não cumulatividade das contribuições; c) despesas com serviços de limpeza prestados por Affare Sul Limpeza e Conservação Ltda.; d) gastos com fretes apurados em duplicidade; e) dispêndios com taxa de selagem de contêineres, capatazia e taxa de liberação de Bills of Ladings; f) despesas com serviços de fretes internacionais prestados por pessoas jurídicas não domiciliadas no País. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000090/200796 Acórdão n.º 380303.150 S3TE03 Fl. 14 27 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 13016.000090/200796 Interessada: FRINAL S/A FRIGORÍFICO E INTEGRAÇÃO AVÍCOLA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380303.150, de 28 de junho de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 28 de junho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 507DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10166.907985/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 15/12/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 2172, do período de apuração de agosto de 2005, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que: De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2005 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907985/200911 Acórdão n.º 3803003.048 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (28/10/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 25/11/2011, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZÉM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/04/2008, após a ciência do despacho decisório –passados quase dois anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e Cofins sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907985/200911 Acórdão n.º 3803003.048 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de agosto de 2005, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10640.004166/99-18
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 303-01.066
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência para o Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes em razão da matéria, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Recurso n° Sessão de Recorrente Recorrida : 10640.004166/99-18 : 131.008 : 13 de setembro de 2005 : EMBRAUTO — EMPRESA BRASILEIRA DE AUTOMÓVEIS LTDA. : DRJ-JUIZ DE FORA-MG RESOLUÇÃO 1NP 303-01.066 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência para o Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes em razão da matéria, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANELISE DAUDT P • ETO Presidente ZEN.ALD a LOIBMAN Relator Formalizado em: 2 ? NOV 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nilton Luiz Barton', Marciel Eder Costa, Tardsio Campelo Borges, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves e Silvio Marcos Barcelos Fiúza. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Rubens Carlos Vieira. DM Processo n° Resolução n° : 10640.004166/99-18 : 303-01.066 RELATÓRIO E VOTO A empresa identificada em epígrafe interpôs perante a DRF/Juiz de Fora pedido de compensação com crédito de Finsocial, em 24.08.1999, sobre alegados recolhimentos indevidos (a maior) da Contribuição para o Finsocial, no período de setembro/1989 a abril/1991, em aliquotas superiores a 0,5%. Mediante despacho decisório foi indeferido o pedido, por entender a autoridade fiscal que o pedido não está amparado na legislação e nem amparado em tutela judicial. Na impugnação, às fls. 296/304, a interessada contesta a decisão da DRF argumentando que independentemente de qualquer autorização judicial, o prazo para se pleitear administrativamente a restituição/compensação no caso do Finsocial tem inicio na data da publicação da MP 1.110/95. Aduz que tal prazo só começa a fluir a partir da edição daquela MP, pela qual houve o reconhecimento expresso da Administração quanta à inconstitucionalidade das majorações de aliquota do Finsocial. Assim somente em 31/08/2000 se esgotaria o prazo prescricional. Junta jurisprudência administrativa a esse respeito. Pede a homologação das compensações realizadas, que foram tempestivas e licitamente efetuadas. A 2a Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, decidiu indeferir a solicitação com base na argumentação central de que houve decisão judicial transitada em julgado que determinou haver decadência do direito de restituição dos recolhimentos efetuados anteriormente a 07/10/1992. É soberana a decisão exarada pelo Poder Judiciário que deve ser cumprida obrigatoriamente, assim no que tange ao decurso do prazo de utilização dos créditos para fins de compensação transitou em julgado, em 09/05/2000, o acórdão do TRF/la Regido (fls. 267/268). Irresignada a interessada apresentou seu recurso voluntário conforme consta às fls.338/356 onde em resumo destaca que: 1.Preliminarmente, levanta que este processo administrativo foi conduzido de forma equivocada desde o seu implemento.1-1á erro material, na medida em que a compensação realizada, da qual aqui se pleiteia a homologação, ocorreu NÃO COM CRÉDITOS DE FINSOCIAL, mas sim com créditos tributários decorrentes dos indevidos recolhimentos efetuados ao PIS, no período dos indigitados Decretos-lei 2.445 e 2.449/88. 2 Processo n° : 10640.004166/99-18 Resolução n° : 303-01.066 2. Sendo assim deve ser determinada a devolução dos autos A DRF/Juiz de Fora para a devida análise da compensação efetuada, tomando-se como único e certeiro foco o processo judicial n° 1997.38.01.0039889-0( no qual se pediu a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-lei 2.445 e 2.449/88), que se encontra tramitando junto ao Egrégio TRF/la Região. 3. Para corroborar as informações acima prestadas, a recorrente requer que sejam aferidas as DCTF's do período compensado, as quais certamente comprovarão o que foi dito. 4. Tendo em conta a preliminar arguida, cabe neste momento expor a situação processual em que se encontra aquele processo judicial referente ao PIS. Foi impetrado Mandado de Segurança n° 1991.38.01.003989-0 perante a la Vara da Subseção Judiciária de Juiz de Fora, pleiteando a declaração do direito á. compensação dos valores indevidamente recolhidos ao PIS no período dos D1 acima referidos. 5. A Fazenda Nacional tempestivamente apresentou apelação perante o TRF/la Região contra a sentença que declarou o direito do impetrante A compensação, a qual se encontra pendente de julgamento. 6. Assim ,corn respaldo na Lei 8.383/91 e com base no processo judicial acima referido,a recorrente procedeu A compensação (direito subjetivo do contribuinte) dos créditos relativos ao PIS indevidamente recolhido com débitos referentes ao mesmo PIS (períodos de 07/97 a 03/98 e 11/98 a 06/99). Pede que seja acolhida a preliminar, de sorte que seja o presente processo remetido A. DRF/Juiz de Fora para apuração da regularidade da compensação realizada. t o relatório. A preliminar arguida no recurso voluntário explicita que a matéria objeto do recurso voluntário não é da competência do Terceiro Conselho, mas sim do Segundo Conselho de Contribuintes. 0 interessado acusa ter havido equivoco na formação e desenvolvimento do presente processo, que a DRF e depois a DRJ trataram do mesmo como se o objeto fosse a homologação de compensação de Finsocial, mas a pretensão é homologação de compensação de créditos do PIS. Informa que, também quanto a este assunto, recorreu ao Judiciário, impetrou Mandado de Segurança e obteve decisão parcial favorável mas o processo judicial ainda está pendente de decisão em segunda instância. Entendo, s.m.j, que ao lado de aparentemente se encontrar a matéria sub judice há que se verificar ainda se no caso ocorreu preclusdo ou, ainda, se é o caso 3 Di( Processo n° : 10640.004166/99-18 Resolução n° : 303-01.066 de nulidade processual, mas o julgamento é da competência do Segundo Conselho conforme prevê o Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, notadamente no seu art.8°,III, c/c o item II do parágrafo único do mesmo artigo com a redação dada pela Portaria MF 1.132/02. Pelo exposto proponho que seja declinada a competência em favor do Segundo Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 13 de setembro de 2005 Z7 OLOIBMAN - Relator • •
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000662/2006-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES.
É objetiva a responsabilidade tributária por infrações referente à aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2001-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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É objetiva a responsabilidade tributária por infrações referente à aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 10 de agosto de 2006, do qual exige-se do Recorrente o valor de R$ 6.199,30,e multa de ofício, mais acréscimos legais a título de IRPF, ano-calendário 2002, exercício 2003, diante de omissão de rendimentos oriundos de trabalho com vínculo empregatício, recebidos através do Processo Trabalhista 942.98.002.17.00-0, no valor de R$ 74.728,26, conjecturando os documentos apresentados à autoridade fiscal e a alteração no saldo do imposto a ser restituído declarado de R$12.336,85, para saldo de imposto de renda no pessoa física suplementar de R$ 6.199,30 . A reclamatória trabalhista foi impetrada pelo contribuinte contra o BANCO MERIDIONAL DO BRASIL S/A. Devidamente notificado do lançamento, o Recorrente apresenta impugnação alegando, em síntese: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 06 62 /2 00 6- 12 Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-003.514 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13770.000662/2006-12 a) O valor de R$74.728,26 não foi informado em seu IR por não ter recebido a quantia – podendo ser provado através dos recolhimentos de CPMF por sua movimentação financeira na época; b) O valor do Alvará 1412/2002, no total de R$ 77.339,60, corresponde ao valor líquido de R$ 74.728,26 que foi sacado do Banco do Brasil em favor do advogado Rodrigo Coelho Santana, que o recebeu no dia 10/10/2002, conforme prova os documentos anexados; c) ajuizou petição em novembro de 2006 ao Juizado da 2ª Vara do Trabalho de Vitória – ES, requerendo aos patronos da ação trabalhista que impetrou, a prestação de contas e questionando a liberação do Alvará supracitado ao advogado Rodrigo Coelho Santana, que é quem deveria prestar contas do valor de R$ 77.339,60; d) devem ser convocados também os advogados Wesley Pereira Fraga, Weber Job Pereira Fraga, Fábio Lima Freire e a empresa Fraga & Coelho Advogados Associados, uma vez que todos são seus patronos no processo trabalhista em questão e teriam recebido valores conforme recibos anexos. O Recorrente instruiu à impugnação os seguintes documentos: (i) petição dirigida ao Juizado da 2ª Vara do Trabalho de Vitória (fls. 08 e 09); (ii) Guia de Depósito destinada à Justiça do Trabalho Do Banco do Brasil, no valor de R$ 101.105,23, correspondente ao depósito efetuado em outubro de 2002 (fl. 11); (iii) Alvará Judicial nº 1412/2002, com o valor correspondente à R$ 77.403,84, efetuado em outubro de 2002, pelo advogado Rodrigo Coelho Santana (fl. 12); (iv) demonstrativo de cálculos extraídos do processo trabalhista (fl. 13); (v) honorários advocatícios recebidos do contribuinte emitido pelo escritório Fraga & Coelho, assinado por advogados que atuaram no processo (fl. 16); (vi) extrato da Caixa Econômica Federal em nome de Antonio Carlos Severino da Silva, datado entre junho de 2003 e agosto de 2004 (fl. 16). Na ocasião do julgamento da impugnação apresentada pelo Recorrente, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II, proferiu o acórdão nº 13-24.845 – 6ª Turma DRJ/RJOII, julgando procedente o lançamento fiscal, por entender, em síntese, que o sujeito passivo da obrigação tributária decorrente do ajuste anual continua sendo o impugnante, independente do fato de ser patrono ter ou não disponibilizado, do montante que recebeu pessoalmente. Irresignando com o v. acórdão a quo, o Recorrente interpôs recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, que não declarou os valores tidos como omitidos por não ter sido informado por seu Patrono, razão pela qual requer a exclusão da multa de ofício, bem como dos juros e encargos legais, mantendo-se a cobrança, apenas, do imposto, no valor de R$ 6.199,30. É a síntese do necessário, passo ao voto. Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-003.514 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13770.000662/2006-12 O recurso é tempestivo, preenche os pressupostos de admissibilidade e dele eu conheço. Cinge-se a controvérsia sobre a exclusão de juros de mora e multa de ofício exigidos por meio do auto de infração que deu origem ao presente processo administrativo. Alega o Recorrente que não tinha conhecimento do recebimento dos valores por seu advogado e que, mesmo que tivesse declarado tais valores, deveria fazê-lo como rendimento não tributável. A este propósito, note-se que não há nos autos comprovação da origem dos valores recebidos na referida reclamatória trabalhista, não sendo possível afirmar que estes são isentos, como argumenta o Recorrente. A respeito do afastamento da multa de ofício e juros de mora, é sabido que a responsabilidade por infrações no direito tributário é objetiva, ou seja, independe de dolo ou culpa, nos termos do art. 136, do CTN, que assim dispõe: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Interpretando o referido enunciado prescritivo, Paulo de Barros Carvalho ensina que: Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (CTN, art. 136). Nota-se aqui uma declaração de princípio a favor da responsabilidade objetiva. Mas como sua formulação não está em termos absolutos, a possibilidade de dispor em sentido contrário oferta a oportunidade para que a autoridade legislativa construa as chamadas infrações subjetivas. Dessa forma, apesar de serem admitidas exceções no direito tributário, a regra geral da responsabilidade por infrações aponta para a irrelevância de dolo ou culpa. Tal é o caso da multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 que, ao contrário da multa de ofício qualificada, observa a responsabilidade objetiva do agente, não havendo como se afastar a aplicação da multa de ofício como pretende o Recorrente. Relativamente aos juros de mora, melhor sorte não assiste o Recorrente. Explica- se. Segundo Paulo de Barros Carvalho, os juros de mora assumem caráter remuneratório do capital que permanece em mãos do administrado por tempo excedente ao permitido. “Ainda que cobrados em taxas diminutas (1% do montante devido, quando a lei não dispuser outro valor percentual), os juros de mora são adicionados à quantia do débito, e exibem, então, sua essência remuneratória, motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence.” 1 Debruçando-se sobre as normas jurídicas que estabelecem juros de mora no Direito Tributário, Robson Mais Lins, também, afirma a natureza remuneratória dos juros de mora: 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário: Linguagem e Método. 4 ed. São Paulo: Noeses, 2011. p. 877. Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-003.514 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13770.000662/2006-12 “Juros apenas remuneram. E ao remunerar, não recompõe o dano, não indeniza. Outra coisa bem distinta é que, ao remunerar, os juros podem evitar que surja no patrimônio do credor um dano, que será recomposto apenas por meio de indenização. Não de juros!” (sic) 2 Conclui-se, assim, que quando o sujeito passivo da relação jurídica inserida no consequente de uma norma primária tributária deixar de cumprir a sua obrigação dentro do prazo legal, permanecendo com o valor que deveria ser pago a título de tributo além do tempo permitido, deve ser aplicada a norma primária remuneratória, que trará uma relação jurídica de juros de mora. Portanto, deve ser mantida a autuação. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto 2 LINS, Robson Maia. A mora no direito tributário. 2008.Tese (Doutorado em Direito) – Faculdade de Direito, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP, São Paulo, 2008. Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-003.514 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13770.000662/2006-12 Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19647.000183/2007-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 31/10/2003, 31/12/2003
JULGAMENTO A QUO. NÃO APRECIAÇÃO DE PROVAS. REFORMA.
Deve ser reformada a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastando-se o óbice erigido referente à inexistência de informações relativas à aquisição de insumos e de outros bens e serviços geradores de créditos, devendo ser analisadas todas as informações declaradas em DIPJ, bem como as constantes das cópias de notas fiscais trazidas aos autos na fase de impugnação, sem prejuízo de outras providências que se mostrarem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 31/10/2003, 31/12/2003
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Na apuração da contribuição para o PIS, na sistemática da não
cumulatividade, devem-se considerar os créditos apurados de acordo com a legislação de regência.
Numero da decisão: 3803-003.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, reformando a decisão recorrida, para que uma nova seja proferida, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 31/10/2003, 31/12/2003 JULGAMENTO A QUO. NÃO APRECIAÇÃO DE PROVAS. REFORMA. Deve ser reformada a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastando-se o óbice erigido referente à inexistência de informações relativas à aquisição de insumos e de outros bens e serviços geradores de créditos, devendo ser analisadas todas as informações declaradas em DIPJ, bem como as constantes das cópias de notas fiscais trazidas aos autos na fase de impugnação, sem prejuízo de outras providências que se mostrarem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 31/10/2003, 31/12/2003 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO. Na apuração da contribuição para o PIS, na sistemática da não cumulatividade, devem-se considerar os créditos apurados de acordo com a legislação de regência.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 31/10/2003, 31/12/2003 JULGAMENTO A QUO. NÃO APRECIAÇÃO DE PROVAS. REFORMA. Deve ser reformada a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastandose o óbice erigido referente à inexistência de informações relativas à aquisição de insumos e de outros bens e serviços geradores de créditos, devendo ser analisadas todas as informações declaradas em DIPJ, bem como as constantes das cópias de notas fiscais trazidas aos autos na fase de impugnação, sem prejuízo de outras providências que se mostrarem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 31/05/2003, 31/10/2003, 31/12/2003 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO. Na apuração da contribuição para o PIS, na sistemática da não cumulatividade, devemse considerar os créditos apurados de acordo com a legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, reformando a decisão recorrida, para que uma nova seja proferida, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fl. 460DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Recife/PE (fls. 403 a 414) que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 234 a 254) para se contrapor ao lançamento de ofício (fls. 5 a 9) relativo à contribuição para o PIS na modalidade não cumulativa, decorrente da constatação de que os valores recolhidos teriam sido inferiores aos devidos, apurados pela Fiscalização com base nas declarações originais e retificadoras apresentadas pelo sujeito passivo (DCTFs e DIPJs), conforme consta do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 229 a 231). Em sua Impugnação, o contribuinte alegou que vinha recolhendo a contribuição de forma indevida, pois considerava na apuração da base de cálculo (i) as remunerações dos trabalhadores temporários, (ii) os encargos sociais e (iii) a taxa administrativa, sendo que, em conformidade com decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dos Tribunais Regionais Federais da 4ª e da 5ª Regiões, somente a taxa administrativa, que corresponde à comissão auferida pela intermediação, representaria o faturamento das empresas de agenciamento de mão de obra temporária, e não o total constante das notas fiscais. Segundo o interessado, o auto de infração estaria totalmente errado e seria nulo de pleno direito, tendo em vista que não teriam sido considerados os créditos referentes a energia elétrica e a bens e serviços utilizados como insumos, nos termos autorizados pela Lei nº 10.637/2002. Ainda de acordo com ele, o agenciamento de mão de obra temporária é regido pela Lei nº 6.019/1974, regulamentada pelo Decreto nº 73.841/1974, sendo que, nos contratos firmados com as empresas tomadoras dos serviços, são estabelecidos tanto os valores dos salários e dos encargos sociais, quanto o valor devido pelo agenciamento e a assistência aos trabalhadores, devendo ser calculada a contribuição para o PIS somente sobre o valor efetivamente recebido a título de taxa ou comissão. Em sua argumentação, alegou o contribuinte que o Fisco, ao agir de forma diferente da considerada correta, afrontou os princípios da igualdade, da capacidade contributiva, da vedação ao confisco, da legalidade, da tipicidade e da competência residual. A DRJ Recife/PE manteve o crédito tributário, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/05/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 380303.054 S3TE03 Fl. 2 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA.TRIBUTAÇÃO.BASE DE CÁLCULO. No caso de empresa que presta serviços de locação de mãode obra temporária, a base de cálculo do PIS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços, neles incluídos reembolsos do pagamento de salários e encargos sociais, previdenciários e trabalhistas dos empregados. Os salários e encargos relacionados aos trabalhadores temporários são custos operacionais incorridos pela empresa prestadora que os contrata e aluga a respectiva mãodeobra para outra pessoa jurídica , razão pela qual compõem o valor do preço pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o faturamento que, por definição legal, é a base de cálculo do PIS. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. PIS NÃO CUMULATIVO. Com o advento da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real passaram a ser tributadas pelo PIS com a incidência não cumulativa, o qual passou a viger a partir de 1 o de dezembro de 2002. TRIBUTOS CONFISCO. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Apontou o relator a quo que seria improcedente a alegação do contribuinte de que a Fiscalização não teria levado em consideração, na apuração da contribuição para o PIS com base na Lei n° 10.637/2002, o direito do sujeito passivo de abater os créditos de energia elétrica, bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e de outras operações, pois teriam sido utilizadas pelo Fisco as informações prestadas pelo próprio contribuinte em sua DIPJ, onde não constaria valor de nenhuma isenção ou exclusão permitida pela legislação. Irresignado, o contribuite recorre a este Conselho, repisa os mesmos argumentos de defesa e reitera seu pedido de se proceder a nova apuração da base de cálculo da Fl. 462DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 contribuição para o PIS, restringindo a base de cálculo à comissão/taxa administrativa, bem como de se considerarem os créditos permitidos pelo art. 3º das Leis n.° 10.637/2002 e 10.833/2003, ou, alternativamente, que se realize diligência para se proceder a nova apuração do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de lançamento de ofício relativo à contribuição para o PIS, calculada na sistemática da não cumulatividade instituída pela Lei nº 10.637/2002. Quanto à arguição preliminar de nulidade do auto de infração, resgistrese, de pronto, que inexiste qualquer irregularidade formal no lançamento de ofício, dado que realizado em conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), regido pelo Decreto nº 70.235/1972, precipuamente em seu art. 10, tendo sido lavrado por servidor competente, com observância das regras garantidoras do contraditório e da ampla defesa, nos termos determinados pelo art. 59 do mesmo decreto. No que se refere à alegada ofensa a princípios constitucionais, devese registrar que o lançamento se deu com base em lei vigente e válida, cujos comandos são de observância obrigatória pela Administração tributária, sob pena de responsabilidade. Além disso, conforme preceitua a Súmula CARF nº 2, este órgão colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Afastamse, portanto, as preliminares de nulidade arguídas. No mérito, há que se destacar que improcede a alegação do Recorrente de que a apuração da contribuição para o PIS deva se dar somente em relação à comissão recebida pelo agenciamento da mão de obra temporária, excluindose as despesas trabalhistas e os encargos sociais, pois, de acordo com o art. 1º, § 2º, da Lei nº 10.637/2002, a contribuição para o PIS deve ser calculada sobre o faturamento mensal, incluindo todas as receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A tributação das contribuições sociais incidentes sobre o faturamente e sobre as demais receitas tem como hipótese de incidência o resultado da venda de produtos ou da prestação de serviços, assim como da obtenção de outras receitas, independentemente dos desdobramentos contábeis subsequentes. A tributação de receitas não se confunde com a tributação do lucro, pois, nesta, admitese a dedução de todos os dispêndios (custos e despesas) necessários e usuais ao funcionamento da sociedade empresária. Uma vez auferida uma receita, sobre ela incidirão as contribuições para o PIS e a Cofins, independentemente de se consubstanciarem, ao final, em lucro ou prejuízo. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 19647.000183/200771 Acórdão n.º 380303.054 S3TE03 Fl. 3 5 Toda atividade empresarial envolve custos que impactarão negativamente o saldo das receitas auferidas, o que, contudo, não significa que a parcela da receita absorvida pelos custos deixará de ser receita para fins de incidência da Cofins e da contribuição para o PIS. O critério que deve orientar a identificação de uma receita é o jurídico e não o econômico ou empresarial, pois parte significativa do que vier a ser auferido pelas pessoas jurídicas será vertida a terceiros a título de pagamento pelos serviços prestados, pelos bens adquiridos ou por outros custos e despesas incorridos. Não bastassem tais constatações, temse que, conforme consta do REsp nº 1.141.065, cujo julgamento se deu na sistemática dos recursos repetitivos, a “base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares nº 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei nº 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários”. Por força do disposto no art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos) devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A matéria relativa à incidência do regime da não cumulatividade para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços encontrase pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) – RE 607.642 –, tendo sido reconhecida a existência de repercussão geral, mas não se determinou o sobrestamento dos processos versando sobre a mesma questão que estivessem em andamento, em razão do que, por força do contido no § 1º do art.1º e no art. 4º da Portaria CARF nº 001, de 3 de janeiro de 2012, em que se determina que, nos casos da espécie, inexistindo determinação do STF no sentido de sobrestar todos os processos em andamento que versem sobre a matéria, eles devem ser submetidos a julgamento, não se lhes aplicando o sobrestamento. Portanto, afastamse as alegações do Recorrente relativas à incidência restrita da contribuição à comissão recebida pela intermediação da mão de obra temporária. No entanto, em um ponto, assiste razão ao Recorrente, pois, conforme se verifica do demonstrativo elaborado pela Fiscalização, presente à fl. 228, foi considerada na apuração da contribuição apenas a receita bruta declarada na DIPJ, não tendo sido levado em conta qualquer valor a título de crédito, nos termos autorizados pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Na ficha 05A da DIPJ (fls. 193 a 194), consta dos demonstrativos que o contribuinte incorreu em despesas operacionais, como despesas com a prestação de serviços por pessoas jurídicas, aluguéis, despesas com depreciação etc., que não foram consideradas pela Fiscalização. A depender de verificações mais acuradas, tais dispêndios podem se subsumir em algumas das hipóteses legais que autorizam o creditamento. Além disso, junto à sua Impugnação, o contribuinte trouxe aos autos cópias de notas fiscais (fls. 278 a 397) relativas à aquisição de cheque refeição, valetransporte, uniformes, botas, luvas, confecção de crachás, manutenção de relógio de ponto, material de Fl. 464DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 limpeza etc., que não foram analisados pela Delegacia de Julgamento, tendo esta se fundado apenas no fato de que a Fiscalização havia se pautado nas informações declaradas pelo contribuinte em DIPJ, ignorando as informações adicionais acima apontadas. O procedimento do Recorrente se deu em conformidade com o contido no art. 16, § 4º, do PAF, em que se determina que as provas serão trazidas aos autos no momento da Impugnação. Constatase que a autoridade julgadora de piso não analisou as cópias de documentos trazidas aos autos pelo contribuinte, contendo informações relevantes no que se refere à possibilidade de existência de eventuais créditos a serem abatidos na apuração da contribuição na sistemática da não cumulatividade, nos termos autorizados pela Lei nº 10.637/2002. Nesse contexto, voto no sentido de reformar a decisão de primeira instância, para que uma outra seja proferida, afastandose o óbice erigido referente à inexistência de informações relativas à aquisição de insumos e de outros bens e serviços geradores de créditos, devendo ser analisadas todas as informações declaradas em DIPJ, bem como as constantes das cópias de notas fiscais trazidas aos autos na fase de impugnação, sem prejuízo de outras providências que se mostrarem necessárias à solução da lide, inclusive diligência junto à repartição de origem. O interessado deverá ser cientificado da nova decisão, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 465DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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