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Numero do processo: 13827.002835/2008-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
DEPENDENTE. CÔNJUGE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Não pode ser considerado dependente na DAA cônjuge que apresentou declaração em separado, devendo nesse caso os rendimentos de cada um serem tributados separadamente nas respectivas declarações.
Numero da decisão: 2001-004.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura e Thiago Buschinelli Sorrentino.
Nome do relator: honorio a brito
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 DEPENDENTE. CÔNJUGE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Não pode ser considerado dependente na DAA cônjuge que apresentou declaração em separado, devendo nesse caso os rendimentos de cada um serem tributados separadamente nas respectivas declarações.
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CÔNJUGE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Não pode ser considerado dependente na DAA cônjuge que apresentou declaração em separado, devendo nesse caso os rendimentos de cada um serem tributados separadamente nas respectivas declarações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura e Thiago Buschinelli Sorrentino. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2006, ano-calendário de 2005, decorrente da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 32.091,33, das fontes pagadoras Banco Nossa Caixa SA (R$ 28.158,74) e Economus Administradora e Corretora de Seguros (R$ 3.832,59), cuja beneficiária teria sido a esposa do contribuinte, declarada como dependente em sua DAA. Cientificado, o contribuinte entregou impugnação onde alegou, em síntese, que por equívoco fora declarada sua esposa como dependente, uma vez que ela havia entregue declaração em separado na mesma data em que ele transmitiu a sua, que após tomar conhecimento da notificação do lançamento tentou retificar sua declaração e a de sua esposa, só conseguindo fazê-lo para essa ultima, que o que ocorreu foi um erro procedimental. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 28 35 /2 00 8- 98 Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-004.532 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13827.002835/2008-98 Após análise, a DRJ em São Paulo/SP negou provimento à impugnação. Do voto do acórdão nº 17-39.124 da 8ª Turma da DRJ/SP2 (fl. 46 e segs.): “(...) Depreende-se claramente do aludido dispositivo que se trata de faculdade não se de entregar a declaração em conjunto, ou seja, da mera formalidade, mas também da obrigatoriedade de se incluir os rendimentos de ambos. (...) Repise-se: relacionada a pessoa como dependente, obrigatória é a informação dos rendimentos (tributáveis, isentos ou sujeitos à tributação exclusiva/definitiva) recebidos tanto de pessoas jurídicas como físicas. Não tendo o contribuinte informado na DIRPF2006 os rendimentos auferidos pela companheira, é procedente o lançamento decorrente de sua omissão. (...) Assim, a partir do início do procedimento fiscal, tornou-se definitiva a opção do contribuinte pela declaração em conjunto, não podendo mais ser retificada a sua DIRPF, excluindo-a, sendo considerado procedente o lançamento relativo aos rendimentos por ela auferidos. Por fim, cumpre salientar que, diferentemente do que alega o contribuinte, não consta nenhuma declaração entregue pela esposa em 27/04/2006. A única entrega de DIRPF pela esposa ocorreu em 02/06/2008, quando o contribuinte e seus dependentes já estavam fiscalização, confom1e resposta à Solicitação de Retificação de Lançamento interposta pelo contribuinte (fls. 23). (...)” A turma julgadora da DRJ concluiu então pela total improcedência da impugnação. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário ao CARF, fls. 56 e segs. no qual, preliminarmente alega decadência do direito de a \Fazenda Pública constituir o crédito tributário, e no mérito invoca sua boa-fé e afirma que a DIRPF da esposa foi sim enviada em 27/04/2006, e anexa cópia da citada declaração e recibo de entrega. Recebido o recurso, ante as alegações do recorrente de que sua esposa originalmente declarara em separado, logo constara em sua DAA como dependente por equívoco, alegação essa rebatida pela DRJ ao destacar no acórdão não constar declaração transmitida pela esposa antes da notificação do lançamento, esta Turma do CARF, em sessão de 24/02/2021, devolveu o processo em diligência à unidade de origem da Receita Federal, para que fossem respondidos os quesitos estabelecidos no voto do relator. Realizada a diligência na unidade, retornou o processo ao CARF para prosseguimento com as informações solicitadas, consubstanciadas no documento/relatório de fls. 92 e respectiva informação complementar de fl. 111, que a seguir são transcritas. Informação 1207/2021: “Em atendimento à Resolução nº 2001-000.039, de 24/02/2021, foram efetuadas pesquisas nos sistemas informatizados da RFB com vistas à elucidação das questões levantadas, as quais seguem abaixo com as respectivas respostas: 1) Informar se consta ou não nos sistemas internos da Receita Federal registro de transmissão da DIRPF/2006 tendo como titular a esposa do Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-004.532 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13827.002835/2008-98 recorrente, Irene Maria Ressinetti de Negreiros, CPF 058.402.008-24, transmitida ANTES da ciência pelo recorrente da Notificação de Lançamento em questão; Foi constatada a existência de DIRPF em nome de IRENE MARIA RESSINETI NEGREIROS (CPF 058.402.008-24), transmitida em 27/04/2006 às 11:49:54, cujo teor corresponde à DIRPF juntada pelo contribuinte às e-fls. 69/72 (volume I) dos presentes autos; 2) No caso de resposta positiva para o item anterior, informar se na referida declaração foram oferecidos à tributação os valores recebidos pela titular no ano-calendário de 2005 de Banco Nossa Caixa SA (R$ 28.158,74) e Economus Administradora e Corretora de Seguros (R$ 3.832,59), anexando cópia do recibo de transmissão e da ficha de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica. Dos valores questionados, foi declarado apenas o valor de R$ 28.158,74 da fonte pagadora BANCO NOSSA CAIXA S.A (CNPJ: 43.073.394/0001-10). Aliás, esse foi o único valor declarado na seção de rendimentos tributáveis. O valor de R$ 3.832,59 (Economus Administradora e Corretora de Seguros) não foi declarado pela contribuinte. Tais informações constam da declaração completa e seu recibo, anexos à presente informação. 3) Demais informações, esclarecimentos ou documentos que a unidade julgar relevantes para elucidação da questão. Sem mais informações 4) Intimar o recorrente do relatório final da diligência com prazo para que o mesmo possa, caso queira, manifestar-se a respeito. A intimação do contribuinte LUIZ GONZAGA NINNO DE NEGREIROS será feita na sequência. Assim, encerradas as diligências determinadas, a presente informação será encaminhada ao contribuinte, facultando-lhe manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, a partir do que os autos retornarão ao CARF para prosseguimento.” Informação complementar: Trata-se de processo recebido para a realização de diligências, determinadas na Resolução de fls. 86/89. Cumpridas as determinações da Resolução, foi elaborado o relatório de fls. 99/105 e realizada a intimação do contribuinte que, por sua vez, apresentou a manifestação de fls. 110/112. Com base nas alegações do contribuinte, impõe-se a necessidade de elaborar uma informação complementar ao relatório de fls. 99/100: a DIRPF original da Sra. Irene Maria Ressineti de Negreiros, objeto dos questionamentos da Resolução do CARF, de fato, não contém a informação dos rendimentos recebidos pela titular, no ano-calendário de 2005, da PJ Economus Administradora e Corretora de Seguros, no valor de R$ 3.832,59. No entanto, a DIRPF retificadora, do mesmo exercício (fls. 113/117) declarou tais rendimentos, conforme informado pelo contribuinte no item 3 de sua manifestação (fls. 110/112). Assim, cumpridas as diligências determinadas, encaminho os autos em retorno ao CARF para prosseguimento.” Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-004.532 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13827.002835/2008-98 É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. Recebidas as informações após a diligência solicitada, como acima relatado, prossigo na análise da matéria. De fato, ficou claro que, de forma diversa do que considerou a turma julgadora ad quo, a esposa do recorrente havia sim, antes do recebimento da notificação do lançamento por seu marido, transmitido sua DAA separadamente, logo não poderia ter constado como dependente na DAA de seu cônjuge. Assim sendo, o correto teria sido o Fisco ter glosado o desconto por dependente de que se valeu o contribuinte, e não acrescido a seus rendimentos tributáveis os rendimentos da esposa. Eventual indício de omissão desses rendimentos em questão deveria ter sido fiscalizado, se fosse o caso e a critério da Receita Federal, na declaração em separado da esposa. Quanto à sugerida glosa do desconto por dependente, se não foi objeto do lançamento, não pode o julgador administrativo agravar a situação do contribuinte. Deve então ser afastada a infração de omissão de rendimentos, e em consequência exonerado o lançamento. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme acima descrito. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720304/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 20 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos quando não restar comprovada a efetiva retenção do imposto de renda por parte da fonte pagadora.
IMPOSTO DE RENDA. JUROS MORATÓRIOS DEVIDOS EM RAZÃO DO ATRASO NO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO POR EXERCÍCIO DE EMPREGO, CARGO OU FUNÇÃO. CARÁTER INDENIZATÓRIO. DANOS EMERGENTES. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE Nº 855091/RS, COM REPERCUSSÃO GERAL TEMA 808. DECISÃO DEFINITIVA. SISTEMÁTICA DO ARTIGO 543-B DO CPC/1973. ARTIGO 62, § 2º DO RICARF.
Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função.
Numero da decisão: 2201-009.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do tributo devido com a exclusão, da base de cálculo da exigência, do montante recebido a título de juros compensatórios pelo pagamento em atraso da verba decorrente do exercício de cargo ou função.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Débora Fófano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Débora Fófano dos Santos
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos quando não restar comprovada a efetiva retenção do imposto de renda por parte da fonte pagadora. IMPOSTO DE RENDA. JUROS MORATÓRIOS DEVIDOS EM RAZÃO DO ATRASO NO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO POR EXERCÍCIO DE EMPREGO, CARGO OU FUNÇÃO. CARÁTER INDENIZATÓRIO. DANOS EMERGENTES. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE Nº 855091/RS, COM REPERCUSSÃO GERAL TEMA 808. DECISÃO DEFINITIVA. SISTEMÁTICA DO ARTIGO 543-B DO CPC/1973. ARTIGO 62, § 2º DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-11T14:34:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2021-12-11T14:34:45Z; Last-Modified: 2021-12-11T14:34:45Z; dcterms:modified: 2021-12-11T14:34:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-11T14:34:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-11T14:34:45Z; meta:save-date: 2021-12-11T14:34:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-11T14:34:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2021-12-11T14:34:45Z; created: 2021-12-11T14:34:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2021-12-11T14:34:45Z; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-11T14:34:45Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.720304/2009-09 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-009.548 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2021 Recorrente JULIO CEZAR AVANCI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos quando não restar comprovada a efetiva retenção do imposto de renda por parte da fonte pagadora. IMPOSTO DE RENDA. JUROS MORATÓRIOS DEVIDOS EM RAZÃO DO ATRASO NO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO POR EXERCÍCIO DE EMPREGO, CARGO OU FUNÇÃO. CARÁTER INDENIZATÓRIO. DANOS EMERGENTES. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE Nº 855091/RS, COM REPERCUSSÃO GERAL TEMA 808. DECISÃO DEFINITIVA. SISTEMÁTICA DO ARTIGO 543-B DO CPC/1973. ARTIGO 62, § 2º DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do tributo devido com a exclusão, da base de cálculo da exigência, do montante recebido a título de juros compensatórios pelo pagamento em atraso da verba decorrente do exercício de cargo ou função. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 03 04 /2 00 9- 09 Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Débora Fófano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 36/42) interposto contra decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) de fls. 26/31, que julgou a impugnação improcedente e, consequentemente, manteve o crédito tributário formalizado na notificação de lançamento - Imposto de Renda de Pessoa Física de fls. 18/21, lavrada em 1/10/2007, em decorrência da revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2005, ano-calendário de 2004 (fls. 13/15). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo, no montante de R$ 31.544,72, já inclusos juros de mora (calculados até 28/9/2007) e multa de mora no percentual de 20%, refere-se à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 24.029,66. Na notificação de lançamento consta a seguinte descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 19): Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Regularmente intimado a comprovar os valores compensados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da intimação, foi glosado o valor de R$ 24.029,66 indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, conforme discriminado abaixo: Fonte Pagadora CPF Beneficiário IRRF Retido IRRF Declarado IRRF Glosado 04.287.712/0001-94 - VIA SERVIÇOS INTEGRADOS SC LTDA 872.793.399-72 0,00 24.029,66 24.029,66 TOTAL 0,00 24.029,66 24.029,66 Enquadramento Legal: Arts. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95, arts. 7.°, §§ 1º e 2º e 87, inciso IV, § 2º, e 841, inciso II do Decreto n° 3.000/99 — RIR/99. Da Impugnação Preliminarmente, oportuna a reprodução do teor do despacho de fl. 25 que trata da ciência ao contribuinte do lançamento objeto dos presentes autos: O processo foi devidamente preparado. Uma vez que o sistema SUCOP registra a devolução da intimação de ciência do lançamento, não sendo verificada a afixação de edital para ciência do lançamento e documento comprobatório de ciência pessoal, e que o contribuinte apresentou cópia da Notificação de Lançamento junto a sua petição, declaramos tempestiva a impugnação, em atenção à Nota SRF/COSIT/ASSESSORIA nº 423, de 10/12/1994, considerando a data da impugnação como data de ciência do lançamento. Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Assim, uma vez considerada tempestiva, a impugnação foi apresentada em 2/3/2009 (fls. 2/5), contendo em síntese as seguintes alegações, conforme resumo constante no acórdão recorrido (fl. 27): (...) Alega, o interessado, que o crédito tributário não é justificável, não está baseado em “elementos conclusivos”, mas em “provas indiciárias, devendo ser acatados os documentos idôneos, aduzindo que não agiu de má-fé ou com o intuito de ferir os ditames do erário”. Pede que não se aplique o disposto nos arts. 788, 835, 836, 837, 838, 839, 841, 844, 871, 926 e 992 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 1999), “fazendo constar-se das penalidades previstas nos artigos da Lei”. Suscita “nulidade do termo de intimação”, argumentando que “os documentos existem totalmente idôneos, que atende assim todas as exigências pertinentes dentre a RFB”, acusando de ilegal o ato administrativo, dizendo que “o contribuinte estava na ocasião perfeitamente munidos de documentação fiscal, prova disto esta na notificação e contato mantido com o agente de fiscalização, e, que por duas vezes o contribuinte encaminhou-se ao órgão acobertado pela documentação, dando explicações do que fora cientificado e apresentando documentação através da RT Nº 23.222/1997 ao auditor RUI”. Acerca desse tópico, cita doutrina relativa aos elementos do ato administrativo, do “mérito administrativo”, do “motivo vinculado”, do “ato válido” e do “ato nulo”. Pugna pela inexigibilidade da multa aplicada, distinguindo infrações a obrigações principais e a obrigações acessórias, que qualifica, respectivamente, como substanciais e formais, alegando que, em face do art. 5º, XXXIX, da Constituição Federal, há necessidade de que o ato praticado esteja tipificado na lei. Diz que a multa aplicada é excessiva, uma vez que não teria infringido legislação alguma, transcrevendo ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes acerca de depósito judicial para o cumprimento de litígio trabalhista. Conclui que não feriu os “ditames da legislação”, que não cabe a lavratura de auto de infração, não houve lesão ao erário federal, considerando ser injurídica a pretensão fiscal. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação da defesa, a DRJ em Curitiba/PR, em sessão de 28 de fevereiro de 2012, julgou a impugnação improcedente (fls. 26/31), conforme ementa do acórdão proferido, a seguir reproduzida (fl. 26): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO DE IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo comprovação de retenção de imposto de renda na fonte, descabe a dedução na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Intimado da decisão da DRJ em 12/3/2012, conforme AR de fl. 35, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 23/3/2012 (fls. 36/41), acompanhado de documentos de fls. 42/162, com os mesmos argumentos da impugnação, a seguir sintetizados: i) nulidade do termo de intimação; ii) inexigibilidade da multa aplicada e iii) natureza indenizatória dos juros de mora. Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 No “Pedido de Revisão de Lançamento”, datado de 20/3/2012 (fl. 42), apresentado junto com o recurso voluntário, o Recorrente alega que na primeira fase de defesa foi-lhe negada a oportunidade de apresentação da SRL. Confirma ter comparecido no órgão acobertado por ordem documental, expondo e clamando pela SRL, o que poderia retificar a sua DIRPF. Solicita considerar o fato de ter tomado as providências pertinentes, pleiteando a revisão do auto, já que cumpriu suas obrigações. Por meio da Resolução nº 2201-000.383, em sessão de 9 de outubro de 2019, este colegiado resolveu converter o julgamento do processo em diligência, para que a unidade preparadora prestasse esclarecimentos e juntasse aos presentes autos cópias dos seguintes documentos (fls. 164/169): (...) Tendo em vista a informação constante no ofício emitido pela 11ª VT de Curitiba, emitido em 22/6/2005, dirigido ao Delegado da Receita Federal em Curitiba (fl. 45), de que foram pagos ao ora Recorrente, nos autos de RT nº 23.222/1997, os valores de RS 94.531,05 e RS 41.503,13 nas datas de 7/5/2004 e 6/12/2005, totalizando 2 parcelas e que foi comprovado o recolhimento do imposto de renda retido na fonte, no importe de R$ 25.553,74, na data de 31/10/2003, há a necessidade de converter o julgamento em diligência para a unidade: a) em relatório circunstanciado, informar os valores que foram declarados pelo contribuinte nos anos-calendário de 2003 e 2005 e o valor do imposto de renda retido na fonte do qual já se beneficiou em relação aos rendimentos da reclamatória trabalhista; b) juntar ao processo cópias integrais das declarações de ajuste anual dos anos- calendário de 2003 e 2005 e retificadoras, se houver; e c) juntar ao processo cópias das Dirfs entregues nos anos-calendário de 2003, 2004 e 2005 em nome do contribuinte. (...) Em atendimento ao solicitado foram juntadas aos autos cópias de documentos (fls. 173/347) e do termo de Informação Fiscal (fl. 348/349) e o processo retornou para seguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Observa-se que no recurso interposto o contribuinte reiterou os argumentos da impugnação e trouxe elemento novo que é a alegação de que lhe foi negada a apresentação da Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL). Com efeito, em relação à tal ponto o recurso não será conhecido, por ofensa ao disposto no artigo 17 c/c artigo 33, ambos do Decreto 70.235 de 1972 1 , por configurar verdadeira inovação à lide. 1 DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências. (...) Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 PRELIMINAR Nulidade do Termo de Intimação O Recorrente alega ter atendido as exigências fazendo menção ao Termo de Intimação Fiscal nº 2006/609163088431047, datado de 6/10/2008, que diz ter cumprido em 10/11/2008 (fl. 44), cuja cópia foi apresentada juntamente com os demais documentos da ação judicial somente com o recurso voluntário. Tal argumento juntamente com a documentação comprobatória somente foi apresentado em sede de recurso voluntário. Conforme se depreende da cópia do referido termo de intimação, nele o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação referente ao exercício de 2006, ano- calendário de 2005, no prazo de 5 (cinco) dias úteis a contar do recebimento do termo (fls. 44 e 195). Segundo informações constantes no extrato de fl. 179, a ciência ocorreu em 14/10/2008 (terça-feira), com termo final do prazo de atendimento em 20/10/2008 (segunda- feira). Ocorre, todavia, que o lançamento formalizado nos presentes autos se refere ao exercício de 2005, ano-calendário de 2004, de modo ser impertinente ao presente lançamento tal alegação do contribuinte de ter atendido a intimação no prazo solicitado. Quanto à notificação de lançamento nº 2005/609440241053087, lavrada em 1/10/2007, o motivo da glosa da compensação de imposto de renda retido na fonte, informado pela autoridade lançadora, foi exatamente a falta de atendimento à intimação fiscal, uma vez que não foi informado em Dirf entregue pela fonte pagadora o valor do imposto de renda que o contribuinte pretendeu compensar (fl. 9). Assim, não há qualquer irregularidade no ato administrativo, uma vez que a alegada documentação fiscal, referente à rendimentos auferidos em processo de reclamatória trabalhista – processo RT nº 23.222/1997 da 11ª Vara da Justiça do Trabalho, foi encaminhada somente com a apresentação da impugnação, ou seja, após a lavratura da notificação de lançamento. O Recorrente suscita a nulidade do lançamento pelo descumprimento do disposto no artigo 23, § 4º do Decreto nº 70.235 de 19722, por violação ao artigo 5º, incisos LIV e LV da Constituição Federal3. Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 2 Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) § 4º Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Nos termos do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No âmbito do processo administrativo fiscal são tidos como nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Desta forma, para serem considerados nulos os atos, termos e a decisão têm que ter sido lavrados por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos existir fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Também não houve qualquer cerceamento do direito de defesa, posto que a matéria está sendo rediscutida no presente recurso pelo contribuinte, não havendo que se falar ainda em supressão de instâncias. A notificação de lançamento foi encaminhada por via postal para o endereço do contribuinte indicado no cadastro da Receita Federal, sendo devolvida ao emitente com a informação de ausência do destinatário (fl. 22). Acerca da validade da ciência por via postal, assim dispõe a Súmula CARF nº 9: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim não há qualquer nulidade o fato de ter sido encaminhada a notificação de lançamento para o endereço informado pelo contribuinte. Conforme despacho de fl. 25 da unidade preparadora, ante a informação constante nos sistemas de informação da Receita Federal ( SUCOP) da devolução da intimação, não tendo 3 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 sido emitido edital ou documento comprobatório de ciência pessoal, a ciência da notificação de lançamento foi considerada na data da apresentação da impugnação, nos termos do disposto na Nota SRF/COSIT/ASSESSORIA nº 423 de 10/12/1994. À vista do até aqui exposto, não assiste razão ao contribuinte. MÉRITO Conforme consignado em linhas pretéritas, o presente processo trata de lançamento de glosa de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 24.029,66, indevidamente compensado, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pela fonte pagadora em Dirf. Com o recurso voluntário o contribuinte apresentou uma série de documentos referentes reclamatória trabalhista em face de “Unibanco – União de Bancos Brasileiros S/A e outros 2 réus”, distribuída para 11ª Vara do Trabalho de Curitiba, merecendo destaque os que seguem: a) Ofício emitido pela 11ª VT de Curitiba, emitido em 22/6/2005, dirigido ao Delegado da Receita Federal em Curitiba, contendo informação de que em virtude de acordo/sentença nos autos 11RT23222/RT, foram pagos ao autor Julio Cezar Avanci os valores a seguir discriminados: RS 94.531,05 e RS 41.503,13 na(s) data de 7/5/2004 e 6/12/2005, totalizando 2 parcela(s) pelo réu Unibanco União de Bancos Brasileiros AS, bem como que foi comprovado nos autos o recolhimento do imposto de Renda Retido na Fonte pela parte Júlio Cezar Avanci, no importe de R$ 25.553,74, na(s) seguinte(s) parcela(s): R$ 25.553,74, na(s) data(s) de 31/10/2003 (fl. 45). b) Demonstrativo de liberação de fl.127, apresenta as seguintes informações: RT 23222/1997 DEMONSTRATIVO DE LIBERAÇÃO DESCRIÇÃO VALOR DEPÓSITO R$139.045,73 AO AUTOR R$93.417,35 DEPÓSITO FLS. 447 R$10.976,35 SUB TOTAL AO AUTOR R$ 82.441,00 TOTAL DO VALOR INCONTROVERSO R$93.417,35 SALDO DEPOSITO FLS. 467 R$45.628,38 c) Guia de retirada emitida em 5/5/2004, favorecido: Julio Cezar Avanci – autor, no valor de R$ 10.976,35, valor corrigido levantado R$ 11.342,00, conforme autenticação bancária em 7/5/2004 (fl. 128). d) Guia de retirada emitida em 5/5/2004, favorecido: Julio Cezar Avanci – autor, no valor de R$ 82.441,00, valor corrigido levantado R$ 83.189,05, conforme autenticação bancária em 7/5/2004 (fl. 129). e) Guia de retirada emitida em 1/12/2005, favorecido: Julio Cezar Avanci – autor, no valor de R$ 36.099,43, sem autenticação bancária (fl. 139). Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 f) Darf código 8019 – custas Justiça do Trabalho – R$ 2.719,11, recolhida em 12/12/2005 (fl. 144) Deve-se deixar registrado que não foram apresentados os seguintes documentos: a) Demonstrativo de cálculos do imposto de renda elaborado pelo perito judicial, com homologação da justiça; b) Alvará de levantamento e c) Darf do valor do imposto de renda recolhido, mencionado no ofício da justiça no valor de R$ 25.553,74. Ressalte-se que no demonstrativo de atualização monetária de fl. 149 o valor do imposto de renda está zerado. Por sua vez, o contribuinte informou na declaração de ajuste anual o valor de imposto de renda retido de R$ 24.029,66, que foi glosado por falta de comprovação. Outra observação pertinente consiste no fato do contribuinte ter declarado o valor de rendimentos tributáveis de R$ 84.661,73, e os dois levantamentos realizados no ano-calendário de 2004, conforme documentos anexos ao presente processo de R$ 11.342,00 (fl. 128) e R$ 83.189,05 em 7/5/2004 (fl. 129), totalizarem o montante de R$ 94.531,05. Em virtude dessas considerações o processo foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 2201-000.383 de 9/10/2019 (fls. 164/169), com o objetivo da unidade do domicilio do contribuinte prestar os esclarecimentos abaixo: a) Em relatório circunstanciado, informar os valores que foram declarados pelo contribuinte nos anos-calendário de 2003 e 2005 e o valor do imposto de renda retido na fonte do qual já se beneficiou em relação aos rendimentos da reclamatória trabalhista; b) Juntar ao processo cópias integrais das declarações de ajuste anual dos anos- calendário de 2003 e 2005 e retificadoras, se houver; e c) Juntar ao processo cópias das Dirfs entregues nos anos-calendário de 2003, 2004 e 2005 em nome do contribuinte. Em atendimento a unidade preparadora anexou cópias de documentos (fls. 173/347) e prestou as seguintes informações por meio do termo de Informação Fiscal (fls. 348/349): Em atendimento à Resolução nº 2201-000.383 da 2a Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, que converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, verificou-se que o contribuinte não apresentou a Declaração de Ajuste Anual do IRPF - DIRPF relativa ao exercício 2004, ano-calendário 2003, conforme telas de consulta às fls. 173/175. Quanto ao exercício 2006, ano-calendário 2005, na DIRPF original ND 09/16.308.843, o interessado apresentou rendimentos decorrentes de reclamatória trabalhista no importe de R$ 15.336,04 e compensou IRRF no valor de R$ 3.935,32, recebidos de União de Bancos Brasileiros S/A, CNPJ 04.287.712/0001-94 (fls. 180/183). Entretanto, em procedimento de revisão de declaração, da qual resultou a Notificação de Lançamento nº 2006/609450844924069, foi constatada a omissão de rendimentos acumulados derivados da ação trabalhista no valor de R$ 8.456,93, tendo em vista que o total apurado de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente corresponde a R$ 23.792,97 (fls. 184/190). Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Além disso, a notificação apontou também a infração decorrente da compensação indevida do IRRF no valor total de R$ 3.935,32, pois o contribuinte não apresentou as guias de retirada nem o respectivo DARF. Ressalte-se que na descrição dos fatos consta ainda a informação de que não foi encontrado o recolhimento do IRRF no valor de R$ 25.553,74 em 31/10/2003 no banco de dados Sinal 08 e 09 da Receita Federal. No que se refere ao Sistema DIRF, informo que não foram localizadas informações de fontes pagadoras relacionadas a rendimentos decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho para os anos-calendário 2003, 2004 e 2005, conforme telas de consulta às fls. 191/194. Note-se, por fim, que o dossiê contendo os documentos analisados no curso do procedimento fiscal relativo ao exercício 2006, ano-calendário 2005 foi juntado às fls. 195/347. Na declaração de ajuste anual do exercício de 2005, ano-calendário de 2004 o contribuinte informou ter recebido os seguintes rendimentos e retenção de imposto de renda na fonte (fl. 13): No caso concreto, os documentos apresentados pelo contribuinte atestam apenas a existência de reclamatória trabalhista, comprovam que houve levantamento pelo reclamante/contribuinte, em 7/5/2004 , do valor de R$ 94.531,05, sendo R$ 11.342,00 (fl. 128) e R$ 83.189,05 (fl. 129), mas não comprovam o valor do imposto de renda retido declarado de R$ 24.029,66. Convém ressaltar que os documentos e demonstrativos de fls. 149, 221/251 não deixam dúvidas de que, sobre os valores levantados, não houve a retenção do imposto de renda. O ponto que parece decisivo a questão sub examine é o fato da própria juíza do trabalho, ao homologar os cálculos apresentados pelo perito-calculista, afirmar expressamente que o valor principal corresponde ao valor bruto, conforme verifica-se na reprodução da sentença abaixo (fl. 244), decorrendo daí todas as atualizações de cálculos constantes no processo: Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Cumpre observar, por derradeiro, a informação prestada pela unidade de preparo de não constar registo nos sistemas informatizados da Receita Federal recolhimento do valor de R$ 25.553,74 em 31/10/2003 e nem terem sido encontradas Dirf de fontes pagadoras relacionadas aos rendimentos decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho (fls. 348/349). Nos termos do disposto no artigo 12, V da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, a seguir reproduzido, o contribuinte pode deduzir na declaração de ajuste anual o valor do imposto de renda retido na fonte ou o pago correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...) V - o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...) Pertinente também a transcrição do artigo 87 do Decreto nº 3.000 de 1999 (vigente durante o ano calendário em análise, revogado pelo Decreto nº 9.580 de 2018), nos seguintes termos: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...); IV - o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...) § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Da leitura dos dispositivos legais acima, a compensação do IRRF está condicionada à comprovação dos seguintes fatos: a) recebimento dos rendimentos, bem como da retenção do IRRF a eles correspondente; Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art12 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art12 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#rt7%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art8%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art8%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7450.htm#art55 Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 b) oferecimento de tais rendimentos à tributação na declaração de ajuste anual e c) que a mencionada retenção se deu em função dos rendimentos individualmente recebidos em nome do suposto pleiteante. Em virtude dessas considerações, tem-se que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório nos termos do disposto no artigo 373 da Lei nº 13.105 de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), uma vez que não logrou êxito em comprovar a retenção de imposto de renda sofrida e da qual pretendia se beneficiar, não merecendo reparo o acórdão recorrido. Inexigibilidade da Multa Aplicada Não assiste razão ao Recorrente, tendo em vista que regularmente intimado, não atendeu a solicitação do fisco e deixou de comprovar mediante documentação hábil e idônea a retenção de imposto de renda pleiteada na declaração de ajuste anual, sujeitando-se ao lançamento de ofício e, por conseguinte, à aplicação não só da multa de mora no percentual equivalente à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento, prevista no artigo 61, caput da Lei nº 9.430 de 1996 e artigo 18 da Lei nº 10.833 de 2003, e também dos juros de mora no percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, nos termos do artigo 61, § 3º da Lei nº 9.430 de 1996. Natureza Indenizatória dos Juros de Mora O Recorrente insurge-se contra os juros de mora recebidos na reclamatória trabalhista, alegando sua natureza indenizatória pois correspondem à reparação pelo retardamento na observância do direito, assumindo contornos de reembolso. Em julgamento ocorrido em 15/3/20214, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que os juros de mora incidentes em verbas salariais e previdenciárias pagas em atraso têm caráter indenizatório e não acréscimo patrimonial, não compondo a base de cálculo do imposto de renda. A decisão ocorreu no âmbito do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 855091/RS, com repercussão geral - Tema 808 - cuja ementa e acórdão, seguem abaixo reproduzidos: EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão Geral. Direito Tributário. Imposto de renda. Juros moratórios devidos em razão do atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Caráter indenizatório. Danos emergentes. Não incidência. 1. A materialidade do imposto de renda está relacionada com a existência de acréscimo patrimonial. Precedentes. 2. A palavra indenização abrange os valores relativos a danos emergentes e os concernentes a lucros cessantes. Os primeiros, correspondendo ao que efetivamente se perdeu, não incrementam o patrimônio de quem os recebe e, assim, não se amoldam ao conteúdo mínimo da materialidade do imposto de renda prevista no art. 153, III, da Constituição Federal. Os segundos, desde que caracterizado o acréscimo patrimonial, podem, em tese, ser tributados pelo imposto de renda. 3. Os juros de mora devidos em razão do atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função visam, precipuamente, a recompor efetivas perdas (danos emergentes). Esse atraso faz com que o credor busque meios alternativos ou mesmo heterodoxos, que atraem juros, multas e outros passivos ou outras despesas 4 Cujo Acórdão foi publicado em 8/4/2021. Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 ou mesmo preços mais elevados, para atender a suas necessidades básicas e às de sua família. 4. Fixa-se a seguinte tese para o Tema nº 808 da Repercussão Geral: “Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função”. 5. Recurso extraordinário não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão virtual do Plenário de 5 a 12/3/21, na conformidade da ata do julgamento e nos termos do voto do Relator, Ministro Dias Toffoli, por maioria, apreciando o Tema nº 808 da Repercussão Geral, em negar provimento ao recurso extraordinário, considerando não recepcionada pela Constituição de 1988 a parte do parágrafo único do art. 16 da Lei nº 4.506/64 que determina a incidência do imposto de renda sobre juros de mora decorrentes de atraso no pagamento das remunerações previstas no artigo (advindas de exercício de empregos, cargos ou funções), concluindo que o conteúdo mínimo da materialidade do imposto de renda prevista no art. 153, III, da Constituição Federal de 1988 não permite que ele incida sobre verbas que não acresçam o patrimônio do credor. Ademais, acordam os Ministro em conferir ao § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713/88 e ao art. 43, inciso II e § 1º, do CTN, interpretação conforme à Constituição Federal, de modo a se excluir do âmbito de aplicação desses dispositivos a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora em questão. Vencido o Ministro Gilmar Mendes. Foi fixada a seguinte tese: "Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função". Em decorrência do referido julgado, a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu o Parecer SEI nº 10167/2021/ME, cuja ementa e excertos seguem abaixo reproduzidos: Documento Público. Ausência de sigilo. Tese em repercussão geral – Tema 808 – RE nº 855.091/RS. Incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios devidos sobre o recebimento em atraso de remuneração pelo exercício de emprego, cargo ou função. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Arts. 19, VI, “a”, e 19-A, I, da Lei nº 10.522/2002; art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502/2014. Parecer para efeitos do art. 3º, § 3º, da Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 1/2014. Pendência da publicação de acórdão que julgou os Embargos de Declaração. Processo SEI nº 10951.102873/2021-01 (...) 6. Em 19/06/2021, foi concluído o julgamento virtual dos Embargos de Declaração, tendo o STF afirmado inexistente qualquer das hipóteses de cabimento do recurso. Ademais, não foi reconhecida a modulação dos efeitos do julgado sob o fundamento de que o acórdão embargado preserva a confiança firmada em decisão administrativa da sua Secretaria referendada desde 2008 e, portanto, anterior ao julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento submetido à sistemática do então vigente art. 543-C, do CPC, bem como de seus próprios pronunciamentos anteriores que não reconheceram a existência de matéria constitucional apta a inaugurar a sua competência. (...) - III – Dos fundamentos constitucionais e legais adotados na análise do mérito Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 21. No mérito do julgado, para fundamentar a não incidência do tributo sobre os juros moratórios, o STF adotou o seguinte raciocínio: a) o art. 153, III, da Constituição Federal define a competência da União para instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza; b) o art. 43 do CTN estabelece o fato gerador do referido imposto e o inciso II do dispositivo prevê a incidência sobre proventos de qualquer natureza. Já o § 1º esclarece que a incidência do tributo independe da denominação dada à receita ou ao rendimento; c) o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 4.506/1964 classifica os juros de mora e quaisquer outras indenizações como rendimentos do trabalho para fins de incidência do IR; d) já o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713/1993 define como rendimento bruto para fins de incidência do tributo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados; e) a “expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da dívida em dinheiro. Para o legislador, o não recebimento nas datas correspondentes dos valores em dinheiro aos quais tem direito o credor implica prejuízo para ele”; f) o prejuízo adviria do ato ilícito de não pagar a verba na data correspondente a qual tem direito o credor; g) portanto, os juros de mora são uma recomposição de perdas decorrentes do prejuízo do recebimento de verbas em atraso, que não implicam no aumento do patrimônio do credor, portanto, excluídos da incidência do Imposto de Renda. 22. Sob tais fundamentos, foi declarada a não recepção do art. 16 da Lei nº 4.506/1964 e a interpretação conforme a Constituição de 1988 do art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713/88 e ao art. 43, II e § 1º, do CTN, para excluir do âmbito de suas aplicações a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora. 23. A exclusão abrangente do tributo sobre os juros devidos em quaisquer pagamentos em atraso, faz, portanto, com que seja indiferente a natureza da verba que está sendo paga. Uma vez que seja reconhecida como devida a verba pleiteada, seja em reclamatória trabalhista ou não, exclui-se a incidência do imposto sobre os juros de mora devidos pelo atraso no seu pagamento. Diferentemente da jurisprudência anteriormente consolidada, pouco importa a natureza da verba principal ou se o reconhecimento de seu pagamento se dá no contexto de decisões proferidas em reclamatórias trabalhistas. 24. E, mais, a formação da tese em termos amplos e descolados do pedido inicial da demanda, mostra que sequer faz-se necessário que o reconhecimento do pagamento em atraso decorra de decisão judicial. 25. Em suma, a tese firmada é de que “não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função” e tem sua aplicação ampla e irrestrita. 26. Mesmo diante da oposição dos Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional, foi mantido o entendimento com a finalidade de preservar a confiança conferida a decisões de órgãos administrativos, em detrimento da observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa e do respeito à sistemática de formação de precedentes judiciais de força vinculante. 27. Considerando o acima disposto, já é possível depreender a tese majoritária e atualizar as orientações constantes da matéria no SAJ, ainda que pendente a publicação dos Embargos de Declaração, uma vez que estes não resultaram em alteração do conteúdo do julgado: 1.22 i) Juros de mora Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Abrangência: Tema com dispensa de contestar e recorrer, conforme entendimento do STF, proferido no RE 855.091 em repercussão geral (Tema 808) Resumo: O STF fixou a tese de que “não incide Imposto de Renda Pessoa Física sobre os juros de mora devidos pelo pagamento em atraso de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função”. Referência: Parecer XXXXX Data de início da vigência da dispensa: XXXX. 28. Ademais, para fins de cumprimento da decisão, destaca-se que os procedimentos administrativos suspensos em razão do despacho de 10/09/2018 do Min. Relator, devem seguir seu curso com a devida aplicação do entendimento firmado pelo STF, em analogia do que preconiza o art. 1.040, III, do Código de Processo Civil. (...) Em suma, a tese firmada pelo STF é de que “não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função” e tem sua aplicação ampla e irrestrita. A decisão dos embargos opostos transitou em julgado em 9/10/2021. Deste modo, o entendimento fixado pelo STF no sentido de que “não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função” deve ser aqui reproduzido por força do artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 junho de 2015, abaixo reproduzida: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) No caso concreto, os juros estão vinculados à verbas trabalhistas pagas em atraso, no contexto de rescisão do contrato de trabalho, que por força do referido julgado do STF, não se sujeitam ao imposto de renda. Conclusão Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, vota-se em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo devido com a exclusão, da base de cálculo da exigência, do montante recebido a título de juros compensatórios pelo pagamento em atraso da verba decorrente do exercício de cargo ou função. Débora Fófano dos Santos Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16349.000218/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 20 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3201-009.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, reverter as glosas de créditos relativos (i) à contratação de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo junto à empresa Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento de São José dos Campos prestados pela empresa Wilport Operadores Portuários Ltda; II) por maioria de votos, reverter as glosas de (i) créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores e (ii) créditos relativos a fretes vinculados à armazenagem, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Carlos Delson Santiago, que negavam provimento nesses itens; e (III) por maioria de votos, reverter as glosas referentes a fretes tributados nas aquisições de mercadorias sujeitas à alíquota zero, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Carlos Delson Santiago, que negavam provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.425, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16349.000234/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente em exercício e Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente em exercício e Relator).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-01-19T20:42:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-01-19T20:42:49Z; Last-Modified: 2022-01-19T20:42:49Z; dcterms:modified: 2022-01-19T20:42:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-01-19T20:42:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-01-19T20:42:49Z; meta:save-date: 2022-01-19T20:42:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-01-19T20:42:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-01-19T20:42:49Z; created: 2022-01-19T20:42:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; Creation-Date: 2022-01-19T20:42:49Z; pdf:charsPerPage: 2164; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-01-19T20:42:49Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16349.000218/2009-18 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-009.426 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2021 Recorrente MONSANTO DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO A CRÉDITO. Na não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os requisitos da lei, dentre eles terem sido os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e terem sido tributados pela contribuição na aquisição. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO DE NOVAS RECEITAS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. (Súmula CARF nº 159) CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES OU DEMONSTRATIVOS. DESNECESSIDADE. Os créditos podem ser apropriados extemporaneamente, independentemente de retificação de declarações ou demonstrativos, mas desde que comprovada a sua não utilização em períodos anteriores, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. INSUMO ADQUIRIDO COM ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de insumos submetidas à alíquota zero não geram direito a desconto de crédito da contribuição não cumulativa. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito da contribuição os dispêndios com armazenagem em operações de venda, abarcando, além dos custos decorrentes da utilização de um determinado recinto, os gastos relativos a operações correlatas, como carga e descarga, conservação, organização etc., observados os demais requisitos da lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 18 /2 00 9- 18 Fl. 2382DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços de frete dispendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos sujeitos à alíquota zero, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO VÍNCULO COM A PRODUÇÃO. Geram direito a crédito da contribuição as contratações de serviços de frete vinculados ao processo produtivo, razão pela qual não se incluem nessa hipótese os gastos com transporte de itens não afetos ao objeto social da pessoa jurídica. CRÉDITO. MÃO DE OBRA TERCEIRIZADA. INSUMOS. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito da contribuição os dispêndios com a contratação de empresa para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, observados os demais requisitos legais, CRÉDITO. SERVIÇOS. MOVIMENTAÇÃO INTERNA AO PARQUE FABRIL. USO DE EMPILHADEIRAS. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os serviços de operação de empilhadeiras na movimentação de estoques nos estabelecimentos produtores da pessoa jurídica, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. ALUGUEL DE EMPILHADEIRAS. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito a locação de empilhadeiras utilizadas nas atividades da pessoa jurídica, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. SERVIÇOS INTERNOS. ARMAZENAGEM. CARGA E DESCARGA. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os serviços de armazenagem e de carga e descarga de mercadorias no estabelecimento produtor da pessoa jurídica, observados os demais requisitos da lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRELIMINAR DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. INOCORRÊNCIA. Tendo sido lavrados por servidores competentes e em conformidade com as regras que regem o processo administrativo fiscal, dentre as quais o direito ao contraditório e à ampla defesa, afastam-se as arguições de nulidade do despacho decisório e da decisão de primeira instância. ÔNUS DA PROVA. Fl. 2383DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer as decisões contidas no despacho decisório e no acórdão recorrido, mantidas nesta segunda instância, devidamente fundamentadas e não infirmadas com documentação hábil e idônea. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, reverter as glosas de créditos relativos (i) à contratação de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo junto à empresa Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento de São José dos Campos prestados pela empresa Wilport Operadores Portuários Ltda; II) por maioria de votos, reverter as glosas de (i) créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores e (ii) créditos relativos a fretes vinculados à armazenagem, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Carlos Delson Santiago, que negavam provimento nesses itens; e (III) por maioria de votos, reverter as glosas referentes a fretes tributados nas aquisições de mercadorias sujeitas à alíquota zero, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Carlos Delson Santiago, que negavam provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.425, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16349.000234/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente em exercício e Relator). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Fl. 2384DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em decorrência da decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que não reconheceu o direito creditório nos termos formulados na Manifestação de Inconformidade. Foram glosados créditos relativos aos seguintes fatos: a) bens adquiridos fora do mês do fato gerador da contribuição; b) aquisição da matéria-prima ácido NFosfonometil Iminodiacético (código NCM 29310037), utilizada na fabricação de defensivos agrícolas (alíquota zero), em conformidade com o disposto na Lei n° 10.925/2004, art. 1º, inciso II, e no Decreto 5.195/2004, art. 1º, inciso II, revogado em 23/12/2005 pelo Decreto n° 5630/1995, em desacordo com o art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, incluído pela Lei n°10.865/2004; c) venda do produto de código NCM 29310032 (N-fosfonometil-Glicina), tributado à alíquota zero, utilizado como matéria-prima na produção de defensivos agrícolas, com base na Lei n° 10.925/2004, art. 1°, inciso II, e no Decreto 5.195/2004, art. 1°, inciso II; d) serviços considerados pela empresa como insumo na produção do milho e do Glifosato Técnico: d.1) serviços prestados pelas empresas Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda. (locação de mão-de-obra temporária), Transpiratininga Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. (operador de empilhadeira, técnico de segurança, mecânico de empilhadeira, encarregado e coordenadores) e Wilport Operadores Portuários Ltda. (operador e ajudante pórtico), por não integrarem o conceito de insumo constante na alínea “b” do inciso I do § 5° do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, na redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 358/2003, em desacordo, portanto, com o inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/2003; d.2) serviços não especificados; e) locações de máquinas e equipamentos realizadas fora do mês do fato gerador da contribuição; f) consumo de energia elétrica incorrido fora do mês do fato gerador da contribuição, em desacordo com o inciso II do § 1° do art. 3° da Lei 10.833/2003; g) operações de frete: (i) fretes extemporâneos, (ii) vinculados a operações de armazenagem, (iii) vinculados à compra da matéria-prima ácido NFosfonometil Iminodiacético (alíquota zero), (iv) vendas sem identificação do número das notas fiscais, informação essa não prestada nem mesmo após intimação específica, (v) transporte de mercadorias sem identificação do código NCM, informação essa não prestada nem mesmo após intimação específica e (vi) transporte de bens importados sem identificação do código NCM, informação essa não prestada nem mesmo após intimação específica; h) devoluções de vendas do produto de NCM 1005.1000 (milho para semeadura), tributado à alíquota zero, em desacordo com o art. 3°, inciso VIII, da Lei n° 10.833/2003. Fl. 2385DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento (i) da procedência dos créditos, (ii) da decadência do direito de o Fisco proceder à reapuração da contribuição e (iii) a realização de diligência, aduzindo o seguinte: 1) inversão ilegal do ônus da prova, uma vez que somente as planilhas informativas foram analisadas, sem consulta aos documentos fiscais respectivos, com afronta ao princípio da verdade material e com cerceamento do direito de defesa; 2) às contribuições sociais aplica-se a regra prevista no art. 146, III, "b", da Constituição Federal, no sentido de que lei ordinária (Lei nº 9.430/1996) não pode disciplinar normas relativas à prescrição e à decadência, uma vez que tais disposições, por implicarem em regras gerais de direito tributário, só podem ser disciplinadas por Lei Complementar (CTN); logo, o Fisco não mais dispunha do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador para proceder a nova apuração da contribuição; 3) há situações em que a nota fiscal que acoberta a mercadoria adquirida é emitida em determinado mês mas a mercadoria transportada somente adentra o estabelecimento da empresa no mês subsequente, tendo em vista a distância a ser percorrida no transporte efetuado; 4) a possibilidade de registro de créditos de forma extemporânea é amplamente reconhecida pela jurisprudência judicial e administrativa; 5) embora o Impugnante seja fabricante de defensivos classificados na posição 38.08, a autoridade fiscal pressupôs equivocadamente que todas as suas aquisições de ácido N – Fosfonometil Iminodiacético (PIA) seriam destinadas à fabricação de defensivos da posição 38.08, incorrendo consequentemente na tributação à alíquota zero desse material, o que impossibilitaria a apropriação de créditos nos termos do § 2°, inciso II, do art. 3° da Lei nº 10.833/2003, sendo que referida matéria-prima também é utilizada para a produção de glifosato técnico a ser vendido a terceiros, situação em que não se aplica a alíquota zero; 6) dentre as glosas efetuadas pela Fiscalização relativamente aos dispêndios com fretes, há aquelas relativas ao transporte de insumos e de produtos acabados dentro da planta, ou seja, nas áreas internas da fábrica, bem como referentes às atividades de armazenagem realizadas na carga e descarga de bens dentro do estabelecimento, tratando-se, por conseguinte, de serviços aplicados na produção; 7) o conceito de "armazenagem" não deve levar em consideração apenas o valor pago ao depositante a título de simples guarda de mercadoria, pois, para o exercício da atividade de armazenagem, exige-se a realização de diversos gastos necessários aos fins propostos, como a contratação de seguro e serviços acessórios de frete até o armazém geral (operação de venda) e de carga e descarga; 8) o período de medição da energia elétrica consumida não corresponde ao da emissão das faturas pelo fornecedor, pois, por questões operacionais envolvendo as companhias de energia elétrica, elas se valem de ciclos de medição e faturamento, o que lhes obriga a realizar cortes nessas atividades, de modo que o período de medição não representa exatamente o mês civil. Para o adquirente, o valor de tais despesas somente se torna conhecido quando da recepção da fatura correspondente, a qual tem como referência o mês de emissão; isso em conformidade Fl. 2386DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 com o inciso II do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, em que se prevê o cálculo do crédito sobre o dispêndio “incorrido” no mês e não o efetivamente consumido; 9) embora o frete seja parte do custo de aquisição do insumo, ele, por si só, corresponder a uma dimensão tributada, sendo, portanto, assegurado ao contribuinte o direito ao crédito; 10) a falta de identificação precisa de informações na planilha sobre o produto adquirido no mercado interno ou importado podia ser superada com a análise dos documentos fiscais respectivos; 11) a autoridade fiscal, ao recompor as receitas, base de cálculo das referidas contribuições, cometeu um equívoco, considerando como sujeitas à alíquota zero apenas as originadas das vendas, sem se aperceber que a maior parte da diferença dizia respeito às receitas não sujeitas ao pagamento das contribuições (financeiras), que, por óbvio, não constavam das planilhas fornecidas, relacionadas apenas às vendas de produtos de fabricação própria. Adicionalmente, outra diferença que se percebe no caso em questão decorre do fato de que o Estado de Minas Gerais, com base no Convênio nº 100/97, concede redução de base de cálculo nas operações interestaduais com sementes. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu, em preliminar, o reconhecimento (i) da insubsistência da cobrança formulada em razão da ausência de auto de infração, (ii) da nulidade do acórdão recorrido em razão da desconsideração dos documentos que demonstravam a validade da apuração dos créditos e (iii) da nulidade da própria exigência fiscal em questão. No mérito, requereu-se o reconhecimento integral dos créditos, com a homologação das compensações declaradas, ou a realização de perícia/diligência, repisando os argumentos de defesa, salvo em relação à decadência, matéria essa não mais aduzida pela defesa, destacando-se o seguinte: a) o despacho decisório não é via competente para a exigência de tributo; b) o acórdão recorrido se limita a citar o CPC para alegar que o ônus da prova é do Recorrente, sem considerar que, com base no art. 142 do CTN, a autoridade fiscal é que deve reunir os elementos necessários à comprovação de que o Recorrente não tem direito ao crédito utilizado em compensações; c) o conceito de insumo deve ser analisado de forma mais ampla, de modo a contemplar todos os dispêndios necessários, essenciais ou imprescindíveis à produção, dos quais resulta a geração de receita e faturamento, sendo essa posição corroborada pela doutrina, jurisprudência administrativa e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ); d) ao contrário do consignado no acórdão recorrido, o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003 é expresso ao possibilitar a utilização dos créditos após o período de apuração, observado o prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932; e) as receitas de venda do Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético (PIA) para fabricação do Glifosato são regularmente tributadas pelas contribuições, uma vez que a alíquota Fl. 2387DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 zero está condicionada à efetividade de sua utilização no processo de fabricação de defensivo agropecuário, de NCM 38.08, restando evidente que o Recorrente somente se apropriou de créditos em relação às aquisições do PIA destinados à produção do Glifosato Técnico, este um mero produto intermediário; f) a Receita Federal, na recente Solução de Divergência Cosit nº 29/2017, com caráter vinculante à Administração tributária, expressamente reconheceu a possibilidade de desconto de crédito das contribuições em relação a dispêndios com a contratação de mão de obra terceirizada utilizada no processo produtivo; g) os serviços prestados pelas empresas indicadas no anexo VIII do despacho decisório compõem o serviço de armazenagem, carga, descarga e transporte que movimentam mercadorias de diversas naturezas e fazem parte do processo produtivo do Recorrente, inclusive em relação aos produtos destinados à venda; h) em razão do grande volume de operações realizadas e pelo fato de se referirem a períodos de apuração ocorridos há quase 13 (treze) anos, não foi possível recuperar e apresentar todos os documentos e informações necessários à comprovação integral dos créditos, razão pela qual se protestou pela juntada posterior de provas ou a realização de perícia/diligência. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem em que se reconheceu apenas parte do direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa – Mercado Externo, e, por conseguinte, se homologaram parcialmente as compensações correspondentes. Segundo consta do Termo de Informação Fiscal, a auditoria foi realizada com base nos arquivos digitais fornecidos pela empresa, com a utilização do aplicativo “Contágil” da Receita Federal do Brasil, apresentados na forma do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 23/10/2001, e também em planilhas no formato Excel, tendo sido levado em conta na análise o processo produtivo da pessoa jurídica, bem como os produtos finais identificados como Glifosato Técnico e Milho. O Recorrente se contrapõe a esse procedimento adotado pela Fiscalização arguindo que, em desfavor do princípio da verdade material, não se analisaram os documentos apresentados na origem e na primeira Fl. 2388DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 instância que pudessem subsidiar ou complementar algumas das informações constantes das planilhas por ele apresentadas, razão pela qual protesta pela realização de diligência ou perícia, aduzindo, ainda, a exiguidade do prazo para apresentação de recursos para se apresentar um volume extenso de documentos. Constou do Recurso Voluntário a seguinte argumentação do Recorrente: Ademais, a Recorrente informa que está elaborando planilha explicativa com a composição dos insumos e as divergências apontadas pela D. Fiscalização, para que não restem dúvidas acerca do seu direito creditório. Ocorre que, em razão do elevado número de operações e do exíguo prazo para apresentada da presente defesa, a Recorrente não conseguiu concluir esse levantamento, razão pela qual protesta desde já pela posterior juntada desses documentos (g.n.). Contudo, junto ao Recurso Voluntário, este interposto após quase seis anos após a apresentação da Manifestação de Inconformidade, nada foi trazido aos autos que pudesse robustecer o conjunto probatório com novos dados e documentos, em razão do quê não se acata o pedido de realização de diligência ou perícia, cujo intuito é a produção de novas provas, provas essas que já poderiam ter sido carreadas aos autos pelo próprio Recorrente, dado tratar-se de documentos que se encontram, ou deveriam se encontrar, sob sua guarda. Conforme apontado pelo julgador a quo, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), o ônus da prova encontra-se delimitado de forma expressa, dispondo os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 2389DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art16iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art16iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (g.n.) De acordo com os dispositivos supra, o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, havendo exceções a tal regra nas hipóteses relacionadas nas alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 acima transcrito, nenhuma delas aplicável ao presente caso. Nesse sentido, ainda que se considere o princípio da busca da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode, eventualmente, ir além das provas trazidas aos autos pelo interessado, no presente caso, o Recorrente não carreou aos autos, na segunda instância, nenhum documento que pudesse suprir as lacunas probatórias da primeira instância por ele mesmo identificadas, não se admitindo, portanto, a utilização do princípio da busca pela verdade material para se inverter o ônus da prova, uma vez que, tratando-se de um direito do qual se alega ser detentor, cabe a ele o dever de comprová-lo, sob pena de indeferimento peremptório por falta de fundamentação. Dessa forma, afasta-se, desde já, o pedido de realização de diligência ou perícia. Remanescem controvertidas nesta instância as seguintes matérias: a) preliminares de nulidade (alteração das bases de cálculo da contribuição sem lançamento de ofício e nulidade do acórdão recorrido por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como por desconsiderar o princípio da verdade material); b) apropriação extemporânea de créditos, independentemente de retificação de documentos fiscais (serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica); c) tributação das receitas de venda do Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético (PIA) para fabricação do Glifosato Técnico; d) créditos relativos a fretes; e) créditos referentes a serviços e mão de obra terceirizada; f) créditos sobre devoluções de vendas; g) tributação dos descontos de ICMS. Para análise do pleito do Recorrente, observar-se-ão os dispositivos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 que regem as matérias controvertidas, com destaque para o seu art. 3º, inciso II, em que se prevê o desconto de créditos na aquisição de bens e serviços utilizados como insumos na produção ou na prestação de serviços, tendo-se em conta o critério da Fl. 2390DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 essencialidade (dispêndios necessários ao funcionamento do fator de produção), nos termos definidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1.221.170, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. I. Preliminares de nulidade. O Recorrente pleiteia o reconhecimento da nulidade do despacho decisório em razão da alteração das bases de cálculo da contribuição sem o devido lançamento de ofício e da nulidade do acórdão recorrido por desrespeito aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. I.1. Nulidade do despacho decisório. Quanto ao pedido de reconhecimento da nulidade do despacho decisório, deve-se destacar desde logo que tal pedido se baseia em matéria sumulada neste CARF, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 159 Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. Constata-se, portanto, que as receitas apuradas em procedimento fiscal que reduzem o saldo creditório apurado pelo sujeito passivo independem, em regra, de lançamento de ofício; logo, não se vislumbra a ocorrência da nulidade apontada. I.2. Nulidade do acórdão recorrido. O Recorrente aduz que o acórdão recorrido se limitou a citar o CPC para alegar que o ônus da prova cabia a ele, sem considerar que, com base no art. 142 do CTN, a autoridade fiscal era quem devia reunir os elementos necessários à comprovação de que ele não tinha direito ao crédito utilizado em compensações, medida essa que poderia ter se efetivado via diligência ou perícia. Em relação ao ônus da prova, remete-se ao introito deste voto em que tal matéria restou analisada, análise essa que afasta o referido vício apontado na decisão recorrida. No que tange à alegada inobservância por parte do julgador de primeira instância da nulidade do despacho decisório por ofensa ao contraditório e à ampla defesa, transcreve-se, na sequência, trecho do voto condutor do acórdão recorrido em que tal matéria restou apreciada, verbis: 1. Arguição de nulidade 11. Alega a defendente serem nulas as glosas realizadas e, portanto, o despacho decisório, porque a autoridade fiscal se teria baseado apenas nas planilhas Fl. 2391DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 informativas que lhe forneceu e em um conjunto reduzido de documentos de suporte, cerceando-lhe o direito de defesa e invertendo de forma indevida o ônus da prova. 12. Sem entrar nas questões de mérito, de que me ocuparei a seguir, cumpre tecer algumas considerações sobre as hipóteses de invalidade dos pronunciamentos administrativos. 13. Tal matéria é regulada de forma expressa pelo art. 12 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que consolidou a legislação relativa ao processo administrativo fiscal, assim redigido: “Art. 12. São nulos: I – os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)” 14. Já se vê, em face do texto transcrito, que os despachos e as decisões administrativas somente serão nulos se lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 15. No caso vertente, não vislumbro nenhuma dessas hipóteses. Com efeito, o despacho decisório em apreço, além de lavrado por autoridade competente, está devidamente motivado, esclarecendo que o indeferimento do pedido de ressarcimento se deve às considerações contidas no Termo de Informação Fiscal. 16. Este último, por sua vez, traz uma descrição pormenorizada das glosas feitas pela autoridade tributária, indicando sua fundamentação legal, os fatos apurados e os anexos em que figuram os créditos glosados. 17. Tal fato permitiu à interessada — ao contrário do que alega — exercer plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa, como demonstra o próprio teor da manifestação de inconformidade, na qual revela perfeito conhecimento dos motivos que deram causa à aludida decisão. 18. Carece de fundamento, portanto, a alegação de nulidade. 19. Resta esclarecer que, de acordo com o art. 373, I, do Código de Processo Civil (lei n° 13.105/2015), que se aplica em caráter subsidiário aos processos administrativos — inclusive aos tributários — o ônus da prova, no caso de reivindicação de direito, é sempre do autor: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” — Os destaques são meus. 20. Assim, cabe à contribuinte o ônus de provar a regularidade dos créditos informados em DACON e pleiteados no pedido de ressarcimento em análise, de modo que não faz sentido alegar que teria havido inversão do ônus da prova. 21. Tampouco procede a alegação de que ofenderia o princípio da verdade material o fato de a autoridade tributária haver examinado, além das planilhas Fl. 2392DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 elaboradas pela contribuinte, apenas um conjunto reduzido de notas fiscais e outros documentos de suporte. 22. Isso porque a autoridade fazendária tem a prerrogativa de determinar a forma e a amplitude dos exames necessários à verificação da existência e regularidade do direito creditório pleiteado, podendo para tal utilizar qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive a auditoria por amostragem. 23. Verifica-se, no caso em apreço, que ela empregou tal método devido ao enorme volume das operações fiscalizadas, o que em nada prejudicou a análise do pedido de ressarcimento, como mostra o minucioso relatório contido no Termo de Informação Fiscal. 24. Em suma, a autoridade fiscal tem autonomia para solicitar apenas os documentos e esclarecimentos que julgar necessários, cabendo ao sujeito passivo, em face das glosas realizadas, apresentar com a manifestação de inconformidade todos os documentos que se lhe afigurarem essenciais à comprovação da regularidade dos créditos glosados. (g.n.) Verifica-se do excerto supra que o afastamento da nulidade do despacho decisório restou analisado de forma clara, objetiva e fundamentada pelo julgador administrativo, não se vislumbrando, por conseguinte, qualquer vício que pudesse acarretar a nulidade do acórdão recorrido, nos termos propugnados. Além do mais, o Recorrente tem se valido do processo administrativo fiscal para construir sua defesa, na exata medida das regras processuais administrativas, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao contraditório e à ampla defesa. II. Mérito. No mérito, o Recorrente se contrapõe às conclusões do despacho decisório, mantidas pela Delegacia de Julgamento (DRJ), com base nas arguições analisadas de forma individualizada na sequência. II.1. Créditos extemporâneos. O Recorrente pleiteia, com base no art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, o reconhecimento do direito à apropriação extemporânea de créditos, independentemente de retificação de documentos fiscais, créditos esses relativos a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica. Este Colegiado tem jurisprudência assentada, por maioria de votos, no sentido de admitir o desconto extemporâneo de créditos, independentemente de retificação do Dacon, conforme se depreende das ementas a seguir transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 (...) Fl. 2393DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES OU DEMONSTRATIVOS. DESNECESSIDADE. Os créditos podem ser apropriados extemporaneamente, independentemente de retificação de declarações ou demonstrativos, mas desde que comprovada a sua não utilização em períodos anteriores. (Acórdão nº 3201-007.897, de 24/02/2021) [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2012 a 30/11/2012 (...) CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não- cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. (Acórdão nº 3201-006.671, de 17/03/2020) Nesse sentido, uma vez observados os demais requisitos da lei, dentre os quais terem sido as aquisições tributadas pelas contribuições e se tratar de direito ainda não prescrito, devem-se reverter as glosas relativas a créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores. II.2. Crédito. Venda de PIA. A Fiscalização glosou créditos calculados sobre o valor da matéria-prima de código NCM 29310037 (Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético - PIA) utilizada na fabricação de defensivos agrícolas, tributada à alíquota zero na venda no mercado interno, em virtude do disposto na Lei n° 10.925/2004, art. 1°, inciso II, e no Decreto 5.195/2004, art. 1°, inciso II, revogado em 23/12/2005 pelo Decreto n° 5630/1995, em desacordo com o art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. Segundo o agente fiscal, o Recorrente, após intimação, descreveu a utilização do referido produto em suas atividades, sendo informado que se tratava de matéria-prima consumida na fabricação de defensivos agrícolas. O Recorrente, desde a Manifestação de Inconformidade, aduz ser fabricante de defensivos classificados na posição 38.08, razão pela qual, segundo ele, a autoridade fiscal pressupôs, equivocadamente, que todas Fl. 2394DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 as suas aquisições do produto sob comento eram destinadas a tal fim, sujeitando-se, por conseguinte, à tributação à alíquota zero, sendo que referida matéria-prima também era utilizada na produção de glifosato técnico, produto esse vendido a terceiros, não sujeito à alíquota zero. A DRJ, por seu turno, concluiu que, a despeito de o Recorrente ter afirmado que se apropriara de créditos em relação às aquisições desse insumo somente quando destinado à fabricação do “glifosato técnico” destinado à venda, operação essa regularmente tributada, ele não apresentou nenhum documento que comprovasse tal afirmativa, não tendo sido carreadas aos autos as notas fiscais de venda do insumo, emitidas pela empresa Monsanto Nordeste, e nem as notas fiscais de venda do glifosato produzido com esse insumo, estabelecendo a necessária correlação entre elas. Destacou, ainda, a DRJ que também não foi apresentado qualquer documento que comprovasse a incidência da contribuição na aquisição do insumo utilizado na fabricação do glifosato que viria a ser vendido. No Recurso Voluntário, o Recorrente reafirma sua argumentação, alegando que a própria Fiscalização reconhecera que o “glifosato técnico” era por ele vendido para ser utilizado como matéria-prima na produção de defensivos agrícolas e que os documentos apresentados na primeira instância comprovavam suas alegações, sendo requerido, ainda, a realização de perícia ou diligência para comprovar a incidência das contribuições em relação às receitas de venda do produto. No entanto, consultando-se o Termo de Informação Fiscal, não se confirma essa afirmativa do Recorrente, pois lá se informa que as vendas do PIA se dava com alíquota zero, não se tratando, portanto, de vendas tributadas como alega o Recorrente. Além disso, consta do referido termo a seguinte informação, verbis: 17 – As vendas efetuadas pela empresa sujeitas à alíquota zero, referem-se aos produtos de códigos de NCM 10051000, 10070010, 12072010, 29310032, 38083021, 38083022 e 38083023. 17.1 – Os montantes das vendas efetuadas com alíquota zero foram obtidos nos arquivos digitais de notas fiscais fornecidos pela empresa e foram comparados com as planilhas da memória dos cálculos das receitas apresentadas. Foram constatadas divergências entres os valores declarados no DACON, os constantes nas planilhas da memória dos cálculos e os obtidos nos arquivos digitais de notas fiscais. 17.2 Abaixo apresentamos a planilha comparativa dos valores das vendas sujeitas à alíquota zero constantes no DACON, nas planilhas da memória dos cálculos das receitas e os obtidos pela fiscalização nos arquivos digitais de notas fiscais. Observamos que nas planilhas da memória dos cálculos a empresa não conseguiu comprovar a integralidade dos montantes declarados no DACON. (g.n.) Fl. 2395DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Constata-se do excerto supra que a Fiscalização deixou registrado a parcial falta de comprovação dos dados informados pelo Recorrente nas planilhas, inexistindo qualquer informação confirmando a tributação do PIA adquirido para aplicação na produção do “glifosato técnico”. Além disso, em consultas realizadas na internet, constata-se que o produto glifosato é um “herbicida sistêmico e não seletivo que está registrado no Brasil desde o final da década de 70 e é utilizado para controlar plantas daninhas em vários ambientes, culturas e usos não agrícolas como acostamento de estradas de rodagem e ferrovias, controle de vegetação em baixo de linhas de transmissão, etc.” 1 Merecem registro, ainda, as seguintes informações: A Monsanto lançou o glifosato no mercado em 1974, sob o nome comercial Roundup, também conhecido no Brasil como Mata-Mato. A patente do glifosato expirou em 2000, e atualmente o produto é vendido por vários fabricantes. Nos EUA, mais de 750 produtos contêm a substância, que é o agrotóxico mais usado no mundo. Agricultores rapidamente adotaram o glifosato, especialmente depois de a Monsanto introduzir culturas resistentes ao glifosato - as culturas Roundup Ready-, permitindo aos agricultores matar as ervas daninhas sem matar as suas culturas. Em 2007, o glifosato foi o herbicida mais utilizado no setor agrícola dos Estados Unidos e o segundo mais usado em casa e jardim, pelo governo e indústria, e no comércio. A frequência e o volume de aplicações de herbicidas à base de glifosato (HBGs) aumentou mais de 100 vezes entre o final dos anos 1970 e 2016, levando ao surgimento de ervas daninhas resistentes ao glifosato, o que, por sua vez, deve causar mais crescimento em seu uso. (g.n.) 2 [...] FABRICANTE DO PRODUTO TÉCNICO: GLIFOSATO TÉCNICO NORTOX BR Registro MAPA Nº 04811 JIANGSU GOOD HARVEST - WEIEN AGROCHEMICAL CO. LTD. Laogang, Qidong City, Jiangsu Province – China. GLIFOSATO TÉCNICO NORTOX NTG Registro MAPA n° 14319 ZHEJIANG XINAN CHEMICAL INDUSTRIAL GROUP CO. LTD. Xinanjiang, 311600, Jiande, Zhejiang - China. FORMULADORES: NORTOX S/A (...) 1 - INSTRUÇÕES DE USO DO PRODUTO: GLIFOSATO 720 WG NORTOX é um herbicida não seletivo, de ação sistêmica, pós-emergente apresentado como grânulos dispersíveis em água. Devido suas propriedades sistêmicas, permite o controle total das plantas daninhas monocotiledôneas e dicotiledôneas, que são atingidas na parte aérea e nas raízes pela ação do herbicida. 1.1 - CULTURAS INDICADAS: Aplicação em jato dirigido sobre as plantas daninhas nas culturas de ameixa, banana, cacau, maçã, nectarina, pera, pêssego e uva. (g.n.) 3 1 Disponível em: <<http://sementesfiscalizadas.com.br/artigos/8/informacoes-tecnicas-sobre-o-herbicida- glifosato/>>. Acesso em 19/10/2021. 2 Disponível em <<https://pt.wikipedia.org/wiki/Glifosato>>. Acesso em 19/10/2021. 3 Disponível em <<https://www.nortox.com.br/wp-content/uploads/2017/08/ Glifosato-720-WG-Nortox-Bula-VER- 09-17.02.2020.pdf>>. Acesso em 19/10/2021. Fl. 2396DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Nota-se, portanto, que o “glifosato técnico” ou Roundup é um herbicida e, portanto, um produto final, e não um produto intermediário a ser utilizado na fabricação de defensivos agrícolas. Consultando-se algumas das notas fiscais trazidas na primeira instância para comprovar a venda do produto na condição de produto intermediário (insumo), constata-se que se trata de venda do produto “Roundup”, ou seja, do herbicida identificado nos excertos acima. Além disso, a Fiscalização já havia detectado que adquirentes do “glifosato técnico” vendido pelo Recorrente se dedicavam ao comércio atacadista e não à produção de defensivos agrícolas, não se tratando, portanto, de insumos (produtos intermediários), mas de produtos finais. Logo, os documentos apresentados pelo Recorrente na primeira instância, referenciados no Recurso Voluntário, não comprovam suas afirmações, tratando-se de meros fluxograma e planilhas, assim como de notas fiscais nas quais se obtêm informações acerca da venda de herbicidas e não de produtos intermediários. É justamente em razão dessa situação que o Recorrente pleiteia a realização de perícia/diligência, denotando que suas afirmativas não se encontravam comprovadas, pois se os documentos que acompanharam a Manifestação de Inconformidade efetivamente comprovassem seus argumentos de defesa, como alegado por ele, a diligência se mostraria dispensável, tudo isso evidenciando a fragilidade da defesa quanto a este item. Diante do exposto, nega-se provimento a este item do recurso. II.3. Crédito. Fretes. As glosas dos créditos relativos a fretes foram identificadas da seguinte forma: (i) fretes vinculados a operações de armazenagem, (ii) fretes apontados na planilha da memória de cálculo como vinculados à compra da matéria-prima utilizada na fabricação de defensivos agrícolas, tributada à alíquota zero na venda no mercado interno, (iii) fretes sobre venda para os quais a empresa não informou o número da nota fiscal de venda, embora tenha sido intimada a fazê-lo, (iv) fretes para o transporte de bens para as quais a empresa não informou o código NCM do produto adquirido, embora tenha sido intimada a fazê-lo e (v) fretes para o transporte de bens importados para os quais a empresa não informou o código NCM do produto adquirido, embora tenha sido intimada a fazê-lo. II.3.1. Fretes vinculados à armazenagem. A Fiscalização aduziu falta de previsão legal para glosar os créditos relativos a fretes vinculados a operações de armazenagem, não sendo prestada nenhuma informação adicional quanto a tal rubrica. A DRJ manteve a glosa arguindo que o crédito previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 se restringia à despesa de armazenagem Fl. 2397DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 referente ao aluguel estipulado pelo armazém ou centro de distribuição para a guarda de mercadorias, não sendo lícito estender o significado do termo para abarcar outras despesas, dentre as quais, os fretes. Contudo, a lei não faz essa redução do dispositivo conforme defende a DRJ, pois o desconto de crédito encontra-se assegurado em relação à “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Inexiste na lei a regra segundo a qual o crédito só pode ser descontado em relação ao aluguel do recinto, tratando-se, portanto, de uma construção interpretativa adotada pelo julgador de piso. Não se pode perder de vista que a operação de armazenagem pressupõe, além da guarda física das mercadorias, a entrada e saída dos bens no recinto (transbordo), controles logísticos, limpeza, conservação, segurança, consolidação etc. O seguinte excerto conceitua muito bem a operação de armazenagem: É muito comum ver pessoas confundindo os conceitos de armazenagem e estocagem, dada a similaridade inicial de ambos os termos. No entanto, saber no que cada conceito consiste ajuda numa melhor compreensão dos processos envolvidos nessa etapa dos serviços logísticos. Estocagem ou estoque refere-se aos produtos guardados em determinado espaço físico, podendo ser considerada parte do trabalho exercido na armazenagem. Já a armazenagem é um conceito muito mais amplo, referindo-se a todas as operações que são necessárias para manter um estoque, deslocar mercadorias e suprir lojas, fábricas e clientes. Resumidamente, a armazenagem não é apenas um grande armazém onde estão colocadas todas as mercadorias, insumos e matérias-primas de uma empresa, mas sim um conjunto de funções que engloba todas as etapas de movimentação e de estoque dos produtos. (g.n.) 4 Nesse sentido, constata-se que a armazenagem só se realiza com as operações de entrada e saída dos produtos em um determinado recinto, não se restringindo, portanto, ao período em que tais bens se encontrem depositados, razão pela qual o direito ao crédito se estende às operações de carga, descarga, organização e acondicionamento com o uso de empilhadeiras. Além do mais, o referido inciso autoriza também, par a par com a armazenagem, o desconto de crédito em relação ao frete na operação de venda, hipótese essa que vem reforçar o fundamento ora adotado. Sobre essa matéria, muito bem se manifestou o Recorrente, verbis: 4 Disponível em: <<https://diavanti.com.br/armazenagem-na-logistica/>> Acesso em 19/10/2021. Fl. 2398DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 81. A esse respeito, vale ressaltar que as despesas com armazenagem englobam outros gastos que também devem ser considerados, uma vez que necessários para a finalidade de “armazenar”. Ao contrário do que consta no V. Acórdão recorrido, a legislação não limita o conceito de armazenagem apenas à despesa com aluguel. Dentro dos custos de armazenagem estão abrangidos os dispêndios necessários à manutenção dos produtos e, que, portanto, acabam sendo necessários inclusive para a fabricação destes produtos até que sejam vendidos. (...) 82. Nesse sentido, os procedimentos de armazenagem e o transporte interno dos produtos, bem como respectivos serviços de operador de empilhadeira e demais relativos a mão de obra operacional, são necessários para a correta organização e utilização dos insumos que fazem parte do processo produtivo, já que esses insumos são utilizados em diversos setores dentro da planta da Recorrente. Além disso, o transporte interno das mercadorias que serão posteriormente vendidas aos clientes da Recorrente também é indispensável à sua correta armazenagem e organização, especialmente em razão da grande quantidade de mercadorias produzidas e comercializadas. (g.n.) Logo, reverte-se a glosa sob comento, observados os demais requisitos da lei. II.3.2. Fretes vinculados à compra da matéria-prima sujeita à alíquota zero. A Fiscalização considera que, estando a mercadoria transportada sujeita à alíquota zero, o frete a ela vinculado não gera direito a crédito, em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, entendimento esse reafirmado pelo julgador de piso. O Recorrente argumenta que, muito embora o insumo se submeta à alíquota zero, as despesas com frete são regularmente tributadas, o que deixa claro o direito ao crédito da contribuição e a necessidade de se afastar a vedação do artigo acima identificado. Esta turma ordinária tem jurisprudência consolidada, ainda que eventualmente por maioria de votos, no sentido de acolher a tese do Recorrente, tese essa também adotada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente Fl. 2399DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão nº 9303-011.551, red. Rodrigo Mineiro Fernandes, j. 16/06/2021) Nesse sentido, reverte-se a referida glosa, observados os demais requisitos da lei. II.3.3. Fretes. Aquisição de insumos. Importação. Operações de venda. Foram glosados créditos referentes a fretes para os quais o Recorrente não informou o número da nota fiscal de venda ou não identificou a natureza do insumo adquirido, embora tenha sido intimado a fazê-lo. O Recorrente alega que, embora tivesse apresentado diversas notas fiscais, conhecimentos de transportes e faturas emitidas pelas transportadoras, o julgador administrativo manteve a glosa dos créditos sob o fundamento de não identificação do número da nota fiscal ou do insumo e de não comprovação do pagamento do frete. O Recorrente aduz, ainda, que o direito ao desconto de crédito em relação aos fretes tributados na venda e nas aquisições de insumos, independentemente da mercadoria transportada, encontra respaldo no art. 3º, incisos II e IX, da Lei nº 10.833/2003 e no entendimento pacificado pelo STJ, razão pela qual referido crédito é incontroverso. Embora não haja dúvidas acerca do direito ao desconto de créditos da espécie (incisos II e IX da Lei nº 10.833/2003), há que se registrar que a Fiscalização não glosou tais créditos de forma generalizada, tendo fundamentado a glosa ora analisada na falta de indicação específica da nota fiscal ou do bem transportado, mesmo após o Recorrente ter sido intimado, situação essa em que, sem a devida identificação do bem transportado, não se consegue afirmar categoricamente que os serviços de fretes em questão encontram-se vinculados ao processo produtivo. Poderia ser, por exemplo, frete no transporte de móveis do setor administrativo da empresa em operações de aquisição ou de venda, hipótese essa não geradora de crédito, razão pela qual a identificação do bem transportado se mostra essencial à confirmação da natureza dos serviços de frete, se relacionados ou não ao objeto social da pessoa jurídica. O Recorrente remete em sua peça recursal, de forma genérica, aos documentos carreados aos autos na primeira instância, mas não informa que notas fiscais não foram identificadas na planilha que serviu de base à auditoria, valendo-se da alegação, também genérica, de necessidade de realização de diligência ou perícia. Fl. 2400DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Conforme já indicado no introito deste voto, sem comprovação do direito que o sujeito alega ser detentor, não se pode reconhecê-lo, pois a verdade material pressupõe prova do pleito formulado, sem o quê este não pode ser deferido. Além disso, em razão do extenso período em que este processo se desenrola no âmbito processual administrativo, não se vislumbra possibilidade de se acolher o pedido de realização de diligência ou perícia, pois os documentos sob comento já poderiam ter sido apresentados pelo Recorrente desde o procedimento fiscal, o que não ocorreu nem mesmo em sede de Recurso Voluntário, mesmo após a repartição de origem e a DRJ terem destacado a imprescindibilidade dessa medida. Dessa forma, nega-se provimento a essa parte do recurso. II.4. Crédito. Prestação de serviços. A Fiscalização glosou créditos relativos a serviços prestados pelas empresas (i) Método Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) Transpiratininga Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) Wilport Operadores Portuários Ltda., por não se enquadrarem no conceito de insumo previsto na alínea “b” do inciso I do § 5° do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, na redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 358/2003, em desacordo, portanto, com o inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Verifica-se que, na auditoria fiscal, aplicou-se, para fins de apropriação de créditos das contribuições não cumulativas, o conceito de insumo já superado pelo STJ e pela própria Administração tributária. Segundo a Fiscalização, a empresa Método Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda. tem como atividade principal a locação de mão de obra temporária (CNAE 78.20500), serviço esse que, na sua concepção, não integra o conceito de insumo por ela adotado, considerando-se, também, que, nas notas fiscais emitidas pela empresa, além da taxa pela locação da mão de obra, incluíram-se os ressarcimentos de direitos trabalhistas, encargos trabalhistas e previdenciários, vale transporte e ISSQN. No Recurso Voluntário, o Recorrente informa que na Solução de Divergência Cosit nº 29/2017, com caráter vinculante à Administração tributária, reconheceu-se, expressamente, a possibilidade de desconto de crédito das contribuições em relação a dispêndios com a contratação de mão de obra terceirizada utilizada no processo produtivo. Eis a ementa da referida Solução de Divergência: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Fl. 2401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 EMENTA: COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. MÃO DE OBRA TERCEIRIZADA. INSUMOS. Observados os demais requisitos legais, permitem a apuração de crédito da não cumulatividade da Cofins, na modalidade aquisição de insumos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de empresa de trabalho temporário para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº10.833, de 2003, art. 3o, II; IN SRF nº404, de 2004, art. 8º, I, “b” e § 4o; Lei nº6.019, de 1974, arts. 2ºe 4º. Vinculada à Solução de Consulta Cosit nº105, de 31 de janeiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 23 de março de 2017. Nesse sentido, tendo a própria Administração tributária reconhecido o direito ao desconto de crédito em relação à contratação de mão de obra temporária aplicada na produção, deve-se reverter a glosa sob comento. Em relação aos serviços prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda., tendo-se em conta as informações constantes dos pedidos de compra ou dos memoriais de cálculo que acompanharam as notas fiscais, apurou-se que se tratava de serviços de operador de empilhadeira, técnico de segurança, mecânico de empilhadeira, encarregado e coordenadores, serviços esses, segundo a Fiscalização, não geradores de crédito por não serem aplicados na produção ou fabricação do milho ou do Glifosato Técnico. O Recorrente alega que se trata de serviços referentes à movimentação interna de insumos, dentro da unidade fabril de São José dos Campos, conforme contratos de prestação de serviços firmados pelas partes. Consultando-se as cópias dos contratos apresentados junto à Manifestação de Inconformidade, constata-se que se trata de “serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras” e “locação de 16 empilhadeiras”. Os serviços de operação de empilhadeiras se enquadram no conceito de insumos aplicados no processo produtivo do Recorrente, gerando, por conseguinte, direito ao crédito com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 5 . 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 2402DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 A locação de empilhadeiras propicia o desconto de crédito com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 6 , uma vez que utilizadas nas atividades da pessoa jurídica. No que tange à empresa Wilport Operadores Portuários Ltda., trata-se de serviços prestados por operador pórtico e ajudante pórtico na armazenagem e em carga e descarga de mercadorias no estabelecimento produtor, serviços esses geradores de créditos com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Diante do exposto, revertem-se as glosas relativas (i) à contratação de empresa fornecedora de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo, (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento produtor, observados os demais requisitos da lei. II.5. Crédito. Devoluções de venda. A Fiscalização glosou créditos calculados sobre as devoluções de vendas do produto de NCM 1005.1000 (milho para semeadura) tributado à alíquota zero, portanto, em desacordo com o art. 3°, inciso VIII, da Lei n° 10.833/2003 7 . O Recorrente argumenta que houve devoluções de produtos relativos a vendas que haviam sido regularmente tributadas, razão pela qual se devia reconhecer o crédito respectivo. No entanto, nenhum elemento probatório foi carreado aos autos que pudesse lastrear tal afirmação, vindo o Recorrente a alegar a necessidade de realização de diligência ou perícia, pleito esse já enfrentado no introito deste voto, não merecendo maiores digressões. Nega-se, portanto, provimento a essa parte do recurso. II.6. Tributação dos descontos de ICMS. O Recorrente alega a ocorrência de equívoco no cálculo da Fiscalização no que se refere à tributação dos descontos de ICMS, benefício fiscal esse concedido pelo Estado de Minas Gerais, com base no Convênio nº 100/97, no sentido de se reduzir a base de cálculo do imposto nas operações interestaduais com sementes (artigo 43 e item 5 do Anexo IV do Regulamento do ICMS/MG – fls. 703/704). 6 Art. 3º (...) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 7 Art. 3º (...) VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 2403DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Nesse sentido, ainda segundo o Recorrente, sempre que realiza uma operação interestadual com os mencionados produtos, aplica-se a redução de base de cálculo, procedendo-se à indicação expressa da redução do ICMS na nota fiscal emitida, por conta da aplicação deste benefício. Ainda de acordo com a defesa, para efeito de apuração da contribuição, adota-se o procedimento de se considerar a nota fiscal de venda pelo seu valor total (sem a aplicação da redução do ICMS) dentre as receitas sujeitas à alíquota zero, ou seja, o valor do referido desconto não é capturado como elemento redutor do preço, vindo as receitas sujeitas à alíquota zero a serem deduzidas pelo valor bruto. Contudo, enquanto ele considerara os valores totais das notas fiscais, a Fiscalização, ao calcular o montante das receitas tributadas à alíquota zero, utilizou os valores líquidos das notas fiscais, fazendo com que parcela menor fosse considerada como receita sujeita à alíquota zero, e por isso, tributando-se indevidamente o valor relativo à parcela correspondente à redução do ICMS. Segundo ele, as notas fiscais apresentadas eram suficientes para comprovar o desconto aplicado em razão do benefício concedido. Constata-se das notas fiscais carreadas aos autos na primeira instância que são informados dois valores, um relativo ao “valor total da nota fiscal”, este contemplando a redução do ICMS, e o outro referente ao “valor total dos produtos”. A redução do imposto vai acarretar um menor recolhimento ao Estado por parte do contribuinte, mas isso, por si só, não significa que tal benefício fiscal reduza, necessariamente, o valor efetivamente recebido pelo Recorrente na venda dos produtos. Nesse contexto, alinhando-se ao fundamento da decisão de piso, faltou ao Recorrente comprovar que os valores por ele recebidos nas referidas vendas foram os valores totais e não os valores líquidos de ICMS, o que poderia ter sido feito com a apresentação de livros contábeis ou fiscais (Razão, Livro de Saída de Mercadorias etc.), demonstrando-se a composição das receitas de vendas auferidas no mercado interno. Nesse sentido, em razão da ausência de efetiva comprovação do direito pleiteado, nega-se provimento a essa parte do recurso. III. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: a) reverter as glosas de créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que Fl. 2404DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores; b) reverter as glosas de créditos relativos a fretes vinculados à armazenagem e a fretes tributados referentes a aquisições de mercadorias sujeitas à alíquota zero; c) reverter as glosas de créditos relativos (i) à contratação de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo junto à empresa Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento de São José dos Campos prestados pela empresa Wilport Operadores Portuários Ltda. É o voto. Fl. 2405DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: a) reverter as glosas de créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores; b) reverter as glosas de créditos relativos a fretes vinculados à armazenagem e a fretes tributados referentes a aquisições de mercadorias sujeitas à alíquota zero; c) reverter as glosas de créditos relativos (i) à contratação de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo junto à empresa Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento de São José dos Campos prestados pela empresa Wilport Operadores Portuários Ltda. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente em exercício e Redator Fl. 2406DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001744/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calenddrio: 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei n° 5.869,
de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da
omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso e quando absolutamente necessário, como ocorreu no caso. Aplicação do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001.
IRPJ - EXCLUSÃO DO SIMPLES - INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL - ARBITRAMENTO DOS LUCROS - É inteiramente procedente o arbitramento dos lucros por falta de escrituração contábil para empresa excluída do SIMPLES que não se sujeita as normas
legais pertinentes.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL - PIS - COFINS. Tratando-se de
tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 1101-001.108
Decisão: ACORDAM os membros da lª Câmara / lª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, e, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro
Benedicto Celso Benicio Júnior, quanto à preliminar de nulidade.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calenddrio: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso e quando absolutamente necessário, como ocorreu no caso. Aplicação do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001. IRPJ - EXCLUSÃO DO SIMPLES - INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL - ARBITRAMENTO DOS LUCROS - É inteiramente procedente o arbitramento dos lucros por falta de escrituração contábil para empresa excluída do SIMPLES que não se sujeita as normas legais pertinentes. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL - PIS - COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Recurso Improvido.
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Numero do processo: 10920.003834/2009-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2006 a 28/02/2009
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-002.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A
da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 28/02/2009 RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativamente ao período de 06/2006 a 02/2009. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 13/15), ficou caracterizada a existência de grupo econômico entre as empresas Procopiak Compensados e Embalagens S.A. e Procopiak Florestal Ltda., em virtude das citadas empresas apresentarem as mesmas pessoas como sócios, tendo sido aplicado o instituto da responsabilidade solidária. Foi realizada também a comparação das multas vigentes à época dos fatos geradores com as multas previstas no Lei nº 11.941/09. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 29/1352) requerendo a relevação da multa aplicada, bem como que fosse afastada a responsabilidade dos acionistas e gestores. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, ao analisar o processo (fls. 1355/1360), julgou o lançamento totalmente procedente, sob o argumento de que, a partir de 01/2009 não há mais embasamento legal para aplicação do benefício da relevação da multa e atenuação em 50%. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1365/1375) pleiteando pela relevação da multa, bem como pela inexistência de responsabilidade solidária. É o relatório. Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10920.003834/200995 Acórdão n.º 240202.533 S2C4T2 Fl. 1.380 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Antes de analisar o mérito da questão, cabe esclarecer que todos os processos possivelmente conexos com a presente demanda, quais sejam, os AI’s 37.202.3185 (10920.003833/200941), 37.202.3150 (10920.003830/200915) e 37.202.3169 (10920.003831/200951) se encontram arquivados no “Arquivo Grandes DevedoresPSFN JOISC”, após terem sido julgados procedentes pelas respectivas decisões de 1ª instância (conforme exposto pela DRJ à fl. 1358), sendo que não houve qualquer registro de interposição de recurso junto a este Conselho. Posto isso, ressaltase que não há qualquer impedimento ao julgamento deste processo. A Recorrente defende que a multa aplicada deve ser relevada, haja vista que, como já exposto no relatório fiscal, procedeu com a correção dos erros e omissões no prazo estipulado. Argumenta que a revogação da possibilidade de relevação da multa deve ser aplicada apenas aos fatos geradores ocorridos após 01/2009. Analisando o revogado art. 291, § 1º, do RPS, temse que a circunstância atenuante anteriormente vigente era aplicada sobre a penalidade imposta, independentemente da época de ocorrência dos fatos geradores. Vejase: “Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007)” Desta forma, para fins de aplicação da relevação da multa, deve ser levado em consideração a época em que esta foi devidamente constituída. Destacase apenas que a penalidade só é constituída por meio do respectivo lançamento, e não no momento em que o contribuinte teria infringido a legislação tributária (no caso, deixado de declarar em GFIP fatos geradores das contribuições previdenciárias). Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Posto isso, considerando que a penalidade inserida este processo foi constituída em 20/08/09, ou seja, após ocorrida a revogação da referida atenuante, não há mais que se falar na possibilidade de sua relevação. A Recorrente sustenta também que o cálculo da infração não levou em consideração os limites inseridos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/91. Entretanto, não há qualquer razão no argumento, haja vista que referida limitação foi devidamente aplicada no cálculo da penalidade imposta, conforme se verifica facilmente na fl. 20. Não obstante o fato de que referidas limitações foram aplicadas, constatase que, por ter sido a penalidade imposta no presente caso (art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991) revogada pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009, o auditor fiscal, em atenção ao art. 106, inc. II, aliena “c”, do CTN, realizou a comparação de qual seria a multa mais benéfica ao contribuinte, conforme consta no cálculo anexo (fls. 21/22). Ocorre que, o cálculo perpetrado pelo fiscal utiliza como parâmetro não só a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, como também a penalidade por descumprimento de obrigação principal, o que resulta na aplicação da multa prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 em todos os períodos autuados. Acontece que a penalidade anteriormente prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, passou a ser regulamentada pelo art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/911. Tal norma leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) e não o montante que deixou de ser informado, como ocorria durante a vigência da legislação anterior. Sendo assim, a fim de que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja novamente calculada, levandose em conta apenas o art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/91, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “(...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo32, inciso IV , da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5° ,do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo32A da Lei n° 8.212/91,o qual é aplicável ao caso por força da 1 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)” Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10920.003834/200995 Acórdão n.º 240202.533 S2C4T2 Fl. 1.381 5 retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.Recurso especial provido em parte.” (CARF, CSRF, 2ª Turma, PAF nº 36378.002129/200615, Acórdão nº 920201.636, Red. Des. Gonçalo Bonet Allage, Sessão de 25/07/2011) Alega a Recorrente ainda que o simples fato de duas ou mais empresas pertencerem a um mesmo grupo econômico não constitui elemento suficiente para ensejar na responsabilidade passiva quanto a débitos fiscais e previdenciários, tendo em vista que terceiros não relacionados ao fato gerador não podem assumir a responsabilidade por obrigações. Contudo, tratandose de contribuições previdenciárias, há disposição legal expressa admitindo a responsabilidade solidária em casos de grupo econômico, como se verifica no art. 30, inc. IX, da Lei nº 8.212/91. Não há, portanto, razão no argumento da Recorrente. Por fim, a Recorrente sustenta que seus acionistas, controladores, administradores, gerentes, diretores e o contador, não poderiam ter sido considerados responsáveis solidários pelas contribuições devidas à Seguridade Social. No entanto, em que pese o item 3.3.3 do Relatório Fiscal (fl. 14) ter mencionado a responsabilidade solidária de tais pessoas, temos que, na prática, elas nunca integraram o pólo passivo dessa demanda, nessa qualidade. Nesse sentido, destacase que somente a empresa integrante do grupo econômico foi considerada responsável solidária, conforme se verifica à fl. 25. Em vista disso, não há razão no argumento da Recorrente. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que a multa aplicada seja recalculada, levandose em consideração o artigo 32A, inc. I, da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 11070.002344/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 13 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Regime Não-Cumulativo. Apuração de Créditos. Rateio Proporcional.
No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
Ressarcimento. Cooperativa Agropecuária. Aproveitamento de Crédito. Vendas Com Suspensão. Vedado.
A vedação do §4º, do artigo 8º, da Lei no 10.925/04, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito, pelas cooperativas agropecuárias, em ralação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa.
Crédito Presumido. Ressarcimento/Compensação. Vedação.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
Crédito. Ressarcimento. Taxa Selic. Incidência. Cabível.
No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não-cumulativas, incide correção monetária, pela taxa Selic, quando restar configurada mora da Administração Tributária, definida como prazo superior a 360 dias da data do protocolo para apreciação do pedido, sendo o termo inicial da incidência o dia seguinte ao escoamento deste prazo.
Numero da decisão: 3401-010.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à atualização do crédito deferido pela taxa Selic, a contar do 361º dia da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Ronaldo Souza Dias
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Regime Não-Cumulativo. Apuração de Créditos. Rateio Proporcional. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Ressarcimento. Cooperativa Agropecuária. Aproveitamento de Crédito. Vendas Com Suspensão. Vedado. A vedação do §4º, do artigo 8º, da Lei n o 10.925/04, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito, pelas cooperativas agropecuárias, em ralação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. Crédito Presumido. Ressarcimento/Compensação. Vedação. 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(documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 44 /2 00 9- 92 Fl. 545DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Ronaldo Souza Dias - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 412 e ss) interposto contra decisão contida no Acórdão nº 10-57.039 - 2ª Turma da DRJ/POA de 16/06/16 (fls. 355 e ss), que considerou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade (fls. 266 e ss) apresentada contra Despacho Decisório (fls. 260 e ss), que reconheceu em parte direito creditório, formulado em PER/Dcomp, referente a ressarcimento de Cofins não-cumulativa do 1º ao 4º trimestre de 2005. I - Do Pedido, do Despacho Decisório, da Manifestação de Inconformidade Reproduz-se aqui o relatório constante da decisão recorrida, dada a sua satisfatória síntese dos fatos até aquele ponto do contencioso: Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMPs transmitidos pela contribuinte, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de COFINS não-cumulativa vinculados à receita do mercado interno não tributada (1º ao 4º trimestre de 2005), apurados com base no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. A Seção de Fiscalização anexou documentos, efetuou a necessária auditoria e produziu longo Termo de Constatação Fiscal. Nele dissecou, pormenorizadamente, os problemas encontrados. Com base neste Termo a autoridade administrativa emitiu Despacho Decisório onde reconheceu parcialmente o direito creditório da contribuinte no valor global de RS 37.997,56 referente a saldos credores de COFINS não-cumulativa (mercado interno) acumulados do 1º ao 4º trimestre de 2005, e indeferiu os pedidos de ressarcimento quanto à importância de R$ 3.383.552,49, glosada pela Fiscalização. Cientificada, a cooperativa apresentou extensa manifestação de inconformidade onde, de início, referiu aos fatos e aos fundamentos legais aplicáveis ao caso, para, a seguir, argumentar (de forma resumida): Critério de rateio (receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas) • para a apuração dos créditos vinculados à receita não-cumulativa, é facultado à cooperativa, de acordo com o § 8o do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a escolha entre o método pela apropriação direta dos custos, despesas e encargos, por meio de sistema contábil integrado dos custos, ou pelo critério de rateio proporcional dos custos, despesas e encargos, em relação à receita bruta total. Nos mesmos moldes que efetua-se a apuração dos créditos vinculados à receita não-cumulativa, quando a cooperativa possuir parte de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo, utiliza-se também para a apuração dos créditos vinculados à receita de exportação; Fl. 546DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 • caso toda a receita auferida pela cooperativa esteja sujeita ao sistema não-cumulativo (como é o caso da cooperativa), somente será necessário realizar a apropriação dos créditos proporcionalmente à receita de exportação, receita no mercado interno tributado e mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições, vez que todo o crédito estará contemplado no sistema não-cumulativo; • no caso, a cooperativa não possui sistema de contabilidade integrada de custos, sendo que para apropriação dos créditos escolheu o método do rateio proporcional à receita operacional bruta auferida; • para lastrear seu equivocado entendimento, o agente fiscal efetuou a análise isolada do § 8º do art. 3o da Lei nº 10.833/2003, quando deveria efetuar uma análise sistêmica deste dispositivo, combinando com o § 3º do art. 6o daquela Lei. Além disso, bastaria acessar as orientações contidas no Programa de Entrega do DACON 2.0. A base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS é a receita bruta total. Ao contrário do equivocado entendimento do agente fiscal, todos os custos, despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da cooperativa. Assim, os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos podem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total; • o método de rateio para a apropriação dos créditos está legalmente previsto, enquanto a metodologia híbrida adotada agente fiscal neste processo foi realizada sem embasamento legal. Requer a cooperativa a manutenção do método de apropriação de seus custos, despesas e encargos proporcionais à receita de exportação, receita no mercado interno tributado e mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições, em relação à receita bruta total, conforme método eleito e informado no demonstrativo DACON, elaborado pela cooperativa e apresentado à RFB. Proporção das receitas no mercado interno que não sofrem incidência de PIS e COFINS • as cooperativas podem realizar determinadas exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS, podendo, em face das operações, após realizadas as exclusões, não resultar base de cálculo tributável, ou seja, a base será zero. Não resultando base de cálculo tributável, o percentual da receita tributada em relação à receita total ser igual a zero. Assim, os créditos de PIS e COFINS apurados nestes períodos serão vinculados entre a receita de exportação e a receita de mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência; • a cooperativa agiu conforme a legislação, não tendo efetuado adições em sua receita. Partindo do faturamento, efetuou as exclusões legalmente previstas para as sociedades cooperativas. Ao efetuar estas exclusões, não resultou base de cálculo tributável. Consequentemente, o crédito apurado não deverá ser rateado com a receita do mercado interno tributada, porque não houve base tributável. Portanto, deve ser mantido o rateio dos créditos de acordo com a proporcionalidade apurada pela cooperativa. Vendas com suspensão: ilegalidade da restrição ao aproveitamento de créditos • o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 possibilitou, a partir de 1º/08/2004, que as vendas de produtos relacionados no art. 8º daquela Lei fossem realizadas com suspensão do PIS e da COFINS. Posteriormente foram editadas as Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, onde ficou autorizado expressamente o ressarcimento/compensação dos créditos acumulados; • lastreando seu equivocado entendimento no § 2º do art. 3º da IN 660, o agente fiscal entendeu que o crédito não poderia ser aproveitado devido às vendas terem sido Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 efetuadas com suspensão. Mas a legislação é clara ao permitir o aproveitamento dos créditos no caso de vendas com suspensão; • a cooperativa apurou créditos em conformidade com o art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo quantificado os débitos devidos. O saldo credor foi objeto de pedido de ressarcimento, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005; • ao interpretar equivocadamente e regulamentar o direito de crédito (§2º do art. 3º da IN 660), a RFB está tentando revogar a legislação e frustrar a não-cumulatividade estabelecida em lei, valendo-se de interpretação que usurpa a função legislativa, o que não está entre suas competências (e sim do Poder Legislativo). Logo foi violado o primado da legalidade e reserva constitucional de competência, que garantem um Estado Democrático de Direito; • a cooperativa busca o reconhecimento e ressarcimento dos créditos vinculados à receita com suspensão do PIS e COFINS, visto que a restrição imposta pelo Fisco é de manifesta ilegalidade na medida em que agride matéria reservada à Lei e restringe o direito da cooperativa de usufruir seus créditos na plenitude, desvirtuando a operacionalização da mecânica da não-cumulatividade daquelas contribuições. Crédito presumido: aquisições de pessoas físicas e jurídicas com suspensão • no período, a cooperativa, diante da mecânica do PIS e da COFINS não-cumulativos, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM. Na legislação encontra-se fundamento para o crédito presumido (inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o § 10 do art. 3° da Lei nº 10.637/2002, e § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. A partir de agosto de 2004 no art. 8º da Lei nº 10.925/2004); • a cooperativa, de acordo com o inciso I do art. 6º da IN SRF 660, exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no art. 5º da referida IN. Portanto, desempenha atividades agroindustriais e tem o direito ao crédito presumido calculado sobre o total de suas aquisições efetuadas de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão das contribuições, eis que as utiliza na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; • a cooperativa adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural, insumos utilizados no processo produtivo, em conformidade com o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 7º da IN SRF 660. Portanto, faz jus aos créditos de PIS e COFINS calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação; • a cooperativa está equiparada a estabelecimento produtor de acordo com o art. 4º da Lei nº 4.502/1965. Realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e requisito necessário para o comércio. Estes procedimentos/atividades, que aperfeiçoam as mercadorias para o consumo humano ou animal, caracterizam atividade agroindustrial, como definido no art. 6º da IN SRF 660, para o PIS e COFINS. Dentre as atividades econômicas desenvolvidas pela cooperativa está o processo produtivo de soja, milho e trigo, constantes respectivamente dos capítulos 12 e 10 da NCM, elencados no § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (PIS) e § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (COFINS), bem assim, para ambas as contribuições a partir de agosto de 2004 (caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004); • a cooperativa desenvolve o processo produtivo/atividade econômica (beneficiamento), no qual se alteram as características originais, aperfeiçoando as mercadorias, para o Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 consumo humano ou animal, resultando nos grãos/mercadorias comercializadas/exportadas, através de algumas etapas: 1) recebimento e classificação; 2) descarga das mercadorias; 3) pré-limpeza dos grãos; 4) secagem; 5) pós-limpeza; 6) armazenagem e controle de qualidade; 7) expedição. • as mercadorias (NCM capítulos 10 e 12) e o processo produtivo (beneficiamento) adotado pela cooperativa se enquadram nas disposições legais em questão (§ 10 do art.3º da Lei nº 10.637/2002 – PIS e § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 - COFINS, e caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Assim, a cooperativa faz jus ao crédito presumido. Conceito de processo produtivo • aponta conceituação de processo produtivo pelo TRF da 4ª/R. Ilegítima interpretação e restrição à não-cumulatividade pela RFB • ao analisar o crédito presumido apurado pela cooperativa, o agente fiscal inovou utilizando como base de cálculo para mensurar os créditos, as transferências de mercadorias para somente alguns dos estabelecimentos da cooperativa, efetuando desta forma a apuração descentralizada dos referidos créditos, contrariando também, além dos demais dispositivos legais violados, o art. 15 da Lei nº 9.779/1999; • ao efetuar a apuração descentralizada do crédito presumido, considerando na apuração somente alguns dos estabelecimentos da cooperativa (fábrica de ração e os moinhos de milho e trigo) e, ainda, considerando como base de cálculo para o crédito presumido apenas as transferências recebidas por estes estabelecimentos, quando deveria considerar o total da aquisição de insumos originários de pessoas físicas e jurídicas no período, o agente fiscal está contrariando a legislação, inovando o contexto legal como se legislador fosse, o que é defeso; • desconsiderando o processo produtivo desempenhado pela cooperativa, a RFB não fez o enquadramento nos dispositivos legais de forma adequado (§10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002; § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, e caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Houve enquadramento no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 por entender que as mercadorias teriam sido exportadas na mesma forma que adquiridas e portando em seu entendimento não fariam jus ao crédito presumido. Esse é o equívoco; Crédito presumido a partir de agosto de 2004 • devido à RFB não ter considerado o processo produtivo desempenhado e entender que a cooperativa não estaria enquadrada no § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e no § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 como beneficiaria do crédito presumido, também a partir de agosto de 2004 a RFB não assegurou o enquadramento da cooperativa no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, indeferindo, desta forma, o crédito. A cooperativa, na qualidade de empresa produtora, faz jus ao crédito a partir de agosto de 2004. Crédito presumido do estoque de abertura Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 • entendeu o agente fiscal que o crédito presumido sobre o estoque de abertura não seria passível de ressarcimento, apenas poderia ser utilizado para dedução, por supostamente estes créditos não serem apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Portando, não haveria previsão legal para ressarcimento. Ocorre que o estoque de abertura é formado pelo custo de aquisição nos bens relacionados no art. 3º daquelas Leis, cuja possibilidade de ressarcimento do crédito apurado é reconhecida pela própria RFB, conforme disciplinado nos arts. 27 e 29 da IN SRF nº 900/2008. Assim, a cooperativa requer o ressarcimento integral do crédito presumido sobre o estoque de abertura na proporção das receitas de exportação, suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência. Apuração da base tributável do PIS e da COFINS: exclusões permitidas às sociedades cooperativas • o agente fiscal considerou indevidas algumas exclusões permitidas às sociedades cooperativas, majorando, desta forma, a base de cálculo tributável da cooperativa: 1. exclusões dos repasses aos associados (mercado externo): referente aos repasses aos associados, entendeu o agente fiscal que não seria possível excluir da base de cálculo do PIS e COFINS os repasses de associados sobre a comercialização no mercado externo, de acordo com o inciso I do art. 11 da IN nº SRF 635/2006, editado para regulamentar o inciso I do art. 15 da MP nº 2.158-35/2001. No entanto, o inciso I do art. 15 da MP nº 2.158-35/2001, assegura a possibilidade excluir da base de cálculo do PIS e COFINS o valor total dos repasses efetuados aos associados, independente da comercialização da mercadoria ser efetuada no mercado externo ou no mercado interno; 2. exclusões dos repasses aos associados (mercado interno): não procede o argumento do agente fiscal que não seria possível excluir os repasses aos associados relativos às operações de vendas mercado interno efetuadas com suspensão e alíquota zero do PIS e COFINS, devido a estas receitas não sofrerem incidência daquelas contribuições. No seu entendimento, haveria exclusão em duplicidade. Mas, além de poder excluir da receita total para a apuração da base de cálculo tributável do PIS e COFINS as receitas que não sofreram incidência das contribuições, como as demais pessoas jurídicas, as sociedades cooperativas, por terem tratamento diferenciado, podem também excluir o total dos repasses efetuados aos associados independente do destino que será dado à mercadoria recebida do associado; 3. exclusão da venda de mercadorias a associados: devido ao tratamento diferenciado que possuem, diferente das demais empresas, as sociedades cooperativas podem efetuar diversas exclusões da base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, dentre elas as vendas de mercadorias para seus associados, conforme consta no inciso II do art. 15 da MP nº 2.158-35/2001 (disposição também contida no inciso II do art. 11 da IN nº 635/2006). Entendeu o agente fiscal que as vendas efetuadas para associados relativas a algumas mercadorias, tais como adubos, defensivos agropecuários, sementes e corretivos, não poderiam ser excluídas da base de cálculo das contribuições, por se tratarem de mercadorias sujeitas à alíquota zero. A cooperativa tem o direito à exclusão, em conformidade com o inciso II do art. 15 da MP nº 2.158-35/2001 e inciso II do art. 11 da IN nº 635/2006, das receitas de vendas de bens e mercadorias para seus associados, vinculados à atividade econômica dos mesmos, independente das vendas serem realizadas com suspensão, alíquota zero, ou tributadas pelas contribuições para o PIS e COFINS, vez que a MP e a IN não vedam a possibilidade de efetuar estas exclusões; 4. receita de beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado: parte da produção recebida do associado, a cooperativa destina a industrialização de mercadorias como ração, farinha de trigo, massas alimentícias, etc. Porém, contrariando a legislação e a regulamentação da própria RFB, o agente fiscal alega que a cooperativa não poderia excluir da base de cálculo do PIS e COFINS, o Fl. 550DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 valor da receita de industrialização da produção do associado, porquanto esta receita não representa serviços prestados aos associados. Todavia, a cooperativa possui amparo legal para excluir da base de cálculo do PIS e COFINS as receitas da industrialização do produto do associado, com base no inciso IV do art. 15 da MP nº 2.158-35/2001, disposição confirmada no inciso IV do art. 11 da IN SRF nº 635/2006. As receitas decorrentes da produção do associado não são receitas de prestação de serviço a associados. Portanto as exclusões destas receitas da base de cálculo efetuadas pela cooperativa devem ser acatadas; 5. custos agregados: novamente contrariando a legislação, especificamente o art. 17 da Lei nº 10.684/2003, e a normatização da RFB (IN SRF nº 635/2006), alega o agente fiscal que os custos agregados somente poderiam ser excluídos da base de cálculo em caso de haver base de cálculo tributável de PIS e COFINS. Ocorre que o art. 17 da Lei nº 10.684/2003 permite que sejam excluídos, sem distinção, todos os custos agregados ao produto agropecuário do associado. Os custos agregados aos produtos agropecuários dos associados podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e COFINS, considerando-se, em conformidade com art. 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o total das receitas auferidas, independente da denominação e classificação contábil. Não há que se fazer distinção quanto à forma como a mercadoria será comercializada pela cooperativa: se será destinada à exportação ou se será vendida no mercado interno com suspensão, alíquota zero ou tributada pelo PIS e COFINS. Princípios a serem observados pela Administração Pública • a autoridade fiscal violou o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, não observando os princípios que devem nortear a administração pública, dentre eles o da objetividade, adequação de meios e fins, simplicidade e interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público, todos constantes do parágrafo único do mencionado artigo. Previsão legal para incidência da Taxa SELIC • os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela SELIC, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. Finaliza apresentando seus requerimentos. Posteriormente, o processo tramitou por esta DRJ e pela DRF de origem (por solicitação desta). Nesta foram adotados procedimentos em relação a compensações de ofício. O processo retornou para apreciação II – Da Decisão de Primeira Instância O Acórdão de 1º grau julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, argumentando, em resumo, que: ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OU ADMINISTRATIVOS (...) A autoridade administrativa, no âmbito tributário, deve examinar os litígios atendo-se à legislação vigente e aos atos administrativos expedidos pelas autoridades competentes, Fl. 551DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 não lhe cabendo afastar a aplicação de qualquer lei ou ato normativo enquanto não declarada a sua inconstitucionalidade ou ilegalidade pelo Poder competente. DECISÕES JUDICIAIS/ADMINISTRATIVAS. TRANSCRIÇÕES. EFEITOS No que concerne às decisões judiciais que a contribuinte mencionou em sua peça de contestação, verifica-se que conforme o art. 4º do Decreto nº 2.346, de 1997, a extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da RFB possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do STF acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio, e ainda assim, havendo de ser editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido. (...) Com relação às decisões administrativas, não estão elas inseridas entre as normas complementares contidas no art. 100 do CTN. Por conseguinte, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL Conforme assentado pela Fiscalização, para apurar o percentual dos créditos de PIS e COFINS vinculados à receita do mercado interno não tributada (alíquota zero, isenção e não-incidência), a contribuinte adicionou o valor das exclusões permitidas às sociedades cooperativas, aumentando, dessa forma, o valor da receita do mercado interno não tributada, resultado no aumento do percentual da receita do mercado interno não tributada. (...) No Termo de Constatação Fiscal o agente fiscal descreveu precisamente seu modus operandi, tendo observado o método do rateio proporcional, onde aplicam-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Somente o montante da receita auferida que integrar a base de cálculo a ser submetida, efetivamente, à incidência não-cumulativa da COFINS é que deve ser considerado para efeito de cálculo da relação percentual existente para o rateio proporcional aos custos, despesas e encargos comuns, para fins de aproveitamento de créditos a serem descontados da mencionada contribuição. Nessa medida, as receitas de vendas de produtos sujeitos à alíquota zero, por exemplo, não integram o montante da base de cálculo a ser oferecido mensalmente à incidência e recolhimento da aludida contribuição no regime da não-cumulatividade. Portanto, o valor correspondente às referidas receitas não compõe nem montante da receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e nem o da receita bruta total, auferida em cada mês, para não distorcer o percentual a ser encontrado para a utilização do método do rateio proporcional aos custos, despesas e encargos comuns, para fins de aproveitamento de créditos a serem descontados da COFINS. Logo, às receitas auferidas pela pessoa jurídica, em decorrência de vendas realizadas com isenção, não alcançadas pela incidência, com alíquota zero ou de bens do ativo permanente, por não integrarem a receita bruta mensal sujeita à incidência não- cumulativa, base de cálculo para a aplicação e recolhimento das respectivas alíquotas não-cumulativas, também não integram o montante da receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa utilizado na definição do percentual para o método do rateio proporcional, porque, de fato, sobre referidas receitas não há incidência e recolhimento, efetivo, da COFINS. Essas receitas também não integram o montante da receita bruta total, auferidas em cada mês, para efeito de estabelecimento do percentual existente entre ambas as receitas, a ser aplicado na apuração de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. Chega-se assim, ao entendimento de que o montante da receita bruta total, auferida em cada mês, para efeito de determinação do percentual existente entre as espécies de Fl. 552DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 receitas, para fins de apuração de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele encontrado após o somatório dos valores das receitas que foram, efetivamente, oferecidos às incidências e recolhimentos da citada contribuição, no regime da não-cumulatividade. Essa interpretação evita distorções no estabelecimento do percentual do rateio calculado sobre os custos, despesas e encargos comuns utilizado no método do rateio proporcional de créditos a serem descontados da COFINS, ou seja, o percentual encontrado decorre, exatamente, do somatório de receitas que foram, efetivamente, tributadas com as incidências e recolhimentos das mencionadas contribuições no regime da não- cumulatividade. (...) CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS COM SUSPENSÃO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS A interessada alega que tem direito ao crédito presumido de acordo com a legislação que cita (de acordo com o período de apuração), já que é produtora de mercadorias de origem vegetal, adquirindo bens diretamente de pessoas físicas residentes no país e efetuando o processo de produção/industrialização, na modalidade de beneficiamento. Conforme informou, a cooperativa, em seu processo produtivo, submete os produtos agrícolas às seguintes etapas: 1) recebimento e classificação; 2) descarga das mercadorias; 3) pré-limpeza dos grãos; 4) secagem; 5) pós-limpeza; 6) armazenagem e controle de qualidade; 7) expedição, o que caracterizaria atividade produtiva. Além disso, afirmou que apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias. Entendeu que as vendas feitas com suspensão geraram direito creditório que teve expressamente autorizado o ressarcimento/compensação, de acordo com as Leis nºs 11.033, de 2004, e 11.116, de 2005. (...) O termo produzir constante do caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, foi empregado no sentido de dar nascimento ou origem; dar o ser a; fazer existir; criar, gerar, fabricar, manufaturar. Envolve, pois, todo o processo de elaboração do produto em todas as etapas, ou seja, a transformação, a industrialização, o acondicionamento e o processo de embalagem, de forma que o produto final esteja em condições de comercialização. Consoante sua própria explicação, a cooperativa atua em várias operações como cerealista (exerce cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos), sendo que para os casos em que desenvolve atividade agroindustrial (fabricação de rações; moinhos de milho e trigo) a Fiscalização atestou/reconheceu a apuração dos créditos: (...) Examinada a legislação transcrita e observado o Termo de Constatação Fiscal, verifica- se que: a) no que tange ao crédito presumido e à suspensão, existe vedação específica para apuração de créditos do PIS e da COFINS (§ 4º, inciso I e II do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004); b) o § 1º, incisos I e III, do art 8º da Lei nº 10.925, de 2004, diz respeito a pessoas jurídicas que vendam a outras pessoas jurídicas enquadradas no caput do mesmo artigo. Nestas vendas pode ou não ocorrer a suspensão da exigibilidade das contribuições, mas Fl. 553DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 independentemente desta condição, não há o direito de aproveitamento do crédito presumido estipulado pelo artigo, tendo em vista o disposto no inciso I do § 4º; c) o aproveitamento do crédito presumido, que deve ser calculado sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda, adquiridos de pessoas físicas residentes no País, na apuração do valor da contribuição pela sistemática da não-cumulatividade, se restringe às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal; d) que pese as alegações postas pela interessada, o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 foi claro e específico ao estabelecer que o crédito presumido decorrente das aquisições que menciona somente pode ser deduzido do valor devido da contribuição, não havendo a possibilidade de efetivar-se ressarcimento do mesmo (a título ilustrativo, observa-se que, para determinado tipo de insumo adquirido, a possibilidade de utilização dos créditos presumidos da agroindústria com vistas a sua compensação com os demais tributos e contribuições ou o seu ressarcimento, passou a ter previsão legal somente com edição da Lei nº 12.058, de 2009 – arts. 36 e 37). Portanto, não sendo possível ampliar a definição do termo produzir, trazido pela legislação, para a atividade de beneficiamento, ou seja, atividade de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos, entende-se correto o posicionamento da Fiscalização para o período alcançado pela auditoria fiscal. OUTROS CRÉDITOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ESTOQUE DE ABERTURA. FORMA DE UTILIZAÇÃO (...) Verificada a legislação transcrita, entende-se que, quanto a este item, tem razão a manifestante, devendo o Órgão de origem adotar os necessários procedimentos para efetivar o ressarcimento do direito creditório reconhecido. COFINS. COOPERATIVAS. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES INDEVIDAS A base de cálculo da COFINS, no regime não-cumulativo, é apurada a partir da totalidade das receitas da sociedade cooperativa, com as exclusões permitidas pela legislação, conforme disposto nos arts. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, e 6°, 7°, 8°, 9º e 11 da IN SRF nº 635, de 2006. Efetuada a necessária auditoria, assentou o agente fiscal em seu Termo de Constatação Fiscal (excertos): (...) Consoante as anotações feitas no Termo de Constatação Fiscal e planilhas anexas, foram procedidos ajustes que visaram restabelecer o correto valor dos créditos passíveis de ressarcimento por parte da cooperativa, estando de acordo com a legislação em vigor. Ademais, ao contrário do que entende a manifestante, as exclusões foram admitidas proporcionalmente ao montante utilizado para formação da base de cálculo de cada espécie de receita (créditos vinculados a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não-incidência - e exportação), donde correto entendimento do agente fiscal. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. No âmbito tributário, o que se observa é a incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) que se presta à indenização da mora em que Fl. 554DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 pode incorrer o sujeito passivo, em relação à satisfação de seus débitos, e à Fazenda Nacional, quanto à restituição dos indébitos ou aos ressarcimentos. A partir da protocolização do pedido de ressarcimento até o efetivo pagamento (ou compensação pleiteada), tem-se caracterizada a mora da Administração, donde seria cabível a incidência da SELIC nesse espaço de tempo. Ocorre que, tratando-se de ressarcimento de COFINS não-cumulativa, o art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente determina que, nessa hipótese, não há que se falar em atualização monetária ou em incidência de juros sobre os respectivos valores, conforme a seguinte prescrição: (...) III – Do Recurso Voluntário A recorrente, contra a decisão de primeiro grau, retoma a argumentação expedida em sede de recurso à primeira instância do julgamento administrativo, destacando-se os seguintes pontos: 2.1 – DO CRITÉRIO DE RATEIO PARA APROPRIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS PROPORCIONAIS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES, RECEITAS NO MERCADO INTERNO TRIBUTADAS E NÃO TRIBUTADAS 2.2 – DAS VENDAS COM SUSPENSÃO DO PIS E COFINS – ILEGÍTIMA RESTRIÇÃO AO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS 2.3 - CRÉDITO PRESUMIDO – ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL - PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM 2.4 – DA APURAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL DO PIS E COFINS – EXCLUSÕES PERMITIDAS ÀS SOCIEDADES COOPERATIVAS 2.5 – PREVISÃO LEGAL PARA A INCIDÊNCIA DA SELIC A recorrente cita doutrina, legislação e jurisprudência e, ao final, pede: a) Recebimento e processamento do presente Recurso Voluntario; b) A reforma total da decisão ora combatida, pelas razoes de fato e de direito ofertados nesta; c) Outrossim, requer-se: 1) Manutenção do método de Rateio Proporcional, para a vinculação de seus créditos apurados na forma do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833, identificando assim a proporcionalidade destes, em relação as Receitas de Exportação, Receitas no mercado interno tributadas e Receitas no mercado interno não tributadas (suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência), considerando a Receita Operacional Bruta da não-cumulatividade, em conformidade com o disposto no art. 1º das Leis 10.637 e 10.833, e § 3o do art. 6o da lei 10.833/2003 combinado com o § 8o do art. 3o da lei 10.833/2003; 2) Manutenção dos créditos acumulados pelas aquisições no mercado interno, na proporção das receitas efetuadas com suspensão do PIS e da Cofins; 3) Reconhecimento do processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM, relacionadas § 10 do Art. 3o da Lei 10.637/2002, no Fl. 555DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 § 5o do art. 3o da Lei 10.833/2003 e no caput do art. 8o da Lei 10.925/2004 desempenhado pela recorrente e, caso a autoridade julgadora entender necessário 17a realização de diligencias no sentido de confirmar o processo produtivo 4) Manutenção do crédito presumido na plenitude da lei, considerando o processo produtivo desempenhado, e ao final, havendo saldo credor, permitido sua compensação com demais débitos do contribuinte junto a RFB e/ou ressarcimento em dinheiro; 5) Considerar as exclusões da base de calculo referente os valores repassados aos associados na plenitude em conformidade com o art. 15 da Medida provisória 2.158-35/2001; 6) Considerar as exclusões da base de calculo referente as vendas efetuadas a associados na plenitude em conformidade com o art. 15 da Medida provisória 2.158-35/2001; 7) Considerar as exclusões da base de calculo referente a receita da industrialização da produção do associado em conformidade com o art. 15 da Medida provisória 2.158-35/2001; 8) Considerar as exclusões da base de calculo referente ao custo agregado ao produto agropecuário do associado em conformidade com o art. 17 da Lei 10.684/2003; 9) Correção e ressarcimento dos valores pleiteados com a incidência da taxa SELIC a partir de cada período de apuração. Voto Conselheiro Ronaldo Souza Dias, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; assim, dele conheço. MÉRITO I – Do Rateio Proporcional A Recorrente alega que “em conformidade com a legislação, ao contrário do entendimento adotado pelo agente fiscal e, pela 2a Turma de julgamento da DRJ/POA, todos os créditos apurados sobre os custos, despesas e encargos elencados no art. 3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser rateados proporcionalmente em relação ao total da receita bruta auferida sem ajustes”. Por outro lado, a Fiscalização argumenta a favor da aplicação do rateio proporcional apenas em relação aos encargos comuns, não em relação a todos os encargos. O primeiro ponto a ser observado no tema diz respeito ao fato de que no regime cumulativo não há obviamente falar de créditos, vale dizer, créditos de PIS/COFINS somente podem ser apropriados em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes, ou seja, cumulativo e não cumulativo, o crédito deverá Fl. 556DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 ser apurado de acordo com o disposto nos artigos 3º, §§7º a 9º da Lei nº 10.833/2003 (e equivalentemente na Lei nº 10.637/2002); que disciplinam: Lei nº 10.833/03 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. É relevante desde já assentar que a disciplina acima aplicada ao caso em que coexistem os dois regimes (cumulativo e não-cumulativo), também se aplica ao caso em que o contribuinte apura receitas simultaneamente de venda no mercado interno e de exportação, por força do que determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003: Art. 6 o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de:(Produção de efeito) I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1 o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3 o , para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 § 2 o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1 o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3 o O disposto nos §§ 1 o e 2 o aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8 o e 9 o do art. 3 o . E, da mesma forma, quando há venda tributada, e venda não-tributada no mercado interno, o montante de cada espécie de crédito é, então, determinado pelo critério definido nos §§8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Neste sentido, a Fiscalização adotou o mencionado critério para os encargos comuns, reservando a apropriação direta para encargos específicos vinculados a certas espécies de receita malgrado o entendimento da Recorrente, que propõe o uso do rateio para todos os encargos. A questão; quando enfrentada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/CARF), no Processo nº 11070.002343/2009-48; relativo ao mesmo contribuinte, com pleito exatamente de mesma natureza, ressarcimento de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições (PIS/Cofins), submetido à mesma fiscalização, que resultou em um único Termo de Constatação Fiscal, diferindo apenas no período examinado (4º trimestre de 2004); obteve da 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303-007.631, a decisão conforme ementado abaixo: REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa da COFINS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e não incidência e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Reproduz-se na sequência a fundamentação do voto do Relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos, dada a clareza e o didatismo em que fora exposta: (...) Restou o litígio apenas em relação ao critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas do mercado interno tributadas e receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência). Interessante salientar que tanto o acórdão recorrido, quanto a decisão da DRJ que manteve o critério de rateio utilizado pela fiscalização se estribaram na mesma legislação e instruções da RFB para a chegar a conclusões opostas. O acórdão a quo afirma que se deveria adotar exclusivamente o método de rateio proporcional, independentemente de haverem custos identificáveis como vinculados Fl. 558DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 tanto às receitas de exportação (por não incidir a Cofins sobre elas) como às do mercado interno. Entendeu que haveria uma distinção pela fiscalização que a lei não autorizaria. A situação discutida no recorrido se vincula às receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência), que geravam direito a crédito, tendo estas o rateio pelo mesmo tratamento das receitas de exportação. Por outro lado, o acórdão paradigma é expresso em restringir o rateio aos custos comuns, não havendo falar em rateio de custos específicos. Esse tema foi recentemente enfrentado pela Solução de Consulta Cosit n° 293, de 2017, que é expressa em seu item 2.1, restringindo o rateio aos custos comuns, nos seguintes termos: 21. Como já mencionado, a interessada opta pelo método de rateio proporcional para calcular seus créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados à exportação. 21.1. O método de rateio proporcional, na literalidade do inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser aplicado naquelas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições. 21.2. E sobre o valor daqueles custos, despesas e encargos comuns, a pessoa jurídica sujeita à incidência parcial da não cumulatividade das contribuições em epígrafe, deve aplicar o seguinte percentual para obter os montantes dos créditos de tais contribuições relativos àqueles dispêndios: Receita Bruta Sujeita à Não Cumulatividade/Receita Bruta Total (grifos na transcrição) Para exemplificar numericamente a linha de raciocínio aqui traçada, peço vênia para apresentar didaticamente uma situação muito simples, de: receitas de exportação, no mercado internas tributadas e no mercado interno não tributadas, cada uma delas no valor de R$ 1.000,00 e custos totais de R$ 1.400,00, distribuídos conforme tabela abaixo: Custos Valor Vinculados à Exportação 200,00 Vinculados a operações no mercado interno tributadas 800,00 Vinculados a operações no mercado interno não tributadas 200,00 Comuns 200,00 Total 1.400,00 A memória de Cálculo a seguir ilustra a diferença entre o rateio dos custos comuns e do total de custos. Receitas Custos Valor % Valor Rateio ‐ Total Rateio ‐ Custos Comuns Exportação 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Fl. 559DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Internas tributadas 1.000,00 0,33 800,00 466,67 866,67 Internas não trib. 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Custos comuns n/a n/a 200,00 n/a n/a Total 3.000,00 1.400,00 Repare que, em se considerando o rateio do total de custos, os custos atribuídos à exportação passariam a ser de R$ 466,00, ou seja, superiores ao somatório dos custos próprios e dos custos comuns (R$ 200,00 + R$ 200,00), que somente alcançariam o valor de R$ 400,00. Em outras palavras, créditos inequivocamente relativos a operações internas tributadas seriam tratados como vinculados à exportação. Penso que esse seja o ponto que remanesce sob questão no aresto ora contestado e entendo que a lógica da apuração da decisão de primeira instância esteja escorreita. Dessarte, deve ser provido o recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Verifica-se apenas no excerto acima, erro de digitação quanto ao número da Solução de Consulta citada, o certo é Solução de Consulta Cosit n° 193, de 2017. Assim, o rateio proporcional não pode ser utilizado para os créditos que são vinculados de forma induvidosa a uma certa receita, neste caso, apropria-se diretamente a ela, conforme aludido pela Fiscalização: “Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem”. Tal é o entendimento desta Turma, conforme se verifica nos acórdãos unânimes: nº 3401-008.442 (Rel. Carlos Henrique de Seixas Pantarolli), nº 3401-008.669 (Rel. Oswaldo Goncalves de Castro Neto), nº 3401.009.519 (Rel. Fernanda Vieira Kotzias); todos com a mesma ementa: MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. “Os índices de rateio proporcional entre receitas de exportação e do mercado interno aplicam-se apenas aos custos, despesas e encargos que sejam comuns”. Desta forma, as questões relativas ao rateio encontram solução na combinação dos critérios mencionados, apropriação direta e rateio, entendendo-se como correto o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal (AFRFB): Com base na natureza das aquisições de bens e serviços os créditos do PIS e a COFINS foram vinculados em uma das situações acima descritas, sendo o valor da aquisição de Bens para Revenda, Aquisição de insumos e Serviços Utilizados com Insumos imputados pela fiscalização na coluna de operações do mercado interno tributadas, cujo crédito do PIS e da COFINS somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição devida, haja vista as operações de revenda das mercadorias e venda de produtos serem tributadas no mercado interno em relação ao PIS e a COFINS. Já as Despesas de energia elétrica, despesas financeiras e créditos do imobilizado, foram alocadas com base na proporção da receita auferida, em: mercado interno tributada, Fl. 560DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 mercado interno não tributada (isenção, alíquota zero e não incidência), mercado interno não tributada (suspensão) e exportação. Portanto, nega-se provimento ao recurso neste ponto. II - Das vendas com suspensão do PIS/Cofins, Ilegítima restrição A Recorrente argumentou que “a restrição contida Inciso II do Parágrafo 4º do art. 8 da lei 10.925/2004 quanto a manutenção do crédito de PIS e Cofins vinculados as receitas com suspensão das contribuições, foi revogada com a edição da nova lei (art. 17 lei 11.033/2004)”, assim, entende que a cooperativa teria direito aos créditos relativos às receitas de vendas com suspensão no período sub examine, em conformidade com o art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Lei nº 11.033/2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e10.833, de 29 de dezembro de 2003,e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004,poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. O ponto fora apreciado no Acórdão nº 3402-003.973, no citado Processo nº 11070.002343/2009-48, que fora reformado, mediante Acórdão nº 9303-007.631 – 3ª Turma da CSRF, apenas quanto ao rateio acima citado, sublinhando-se novamente que o processo nº 11070.002343/2009-48, é em tudo semelhante ao atual, relativo ao mesmo contribuinte e pleito exatamente de mesma natureza (ressarcimento de créditos de Cofins), alterando-se apenas o período (4º trimestre de 2004). Em decisão unânime neste ponto, aquele Colegiado (TO 3402) argumentou: No entanto, a norma genérica, que permite a manutenção dos créditos nas vendas com suspensão, não derroga a norma específica que veda expressamente o crédito presumido para as pessoas especificadas, em consonância com o disposto no art. 2º, §2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Fl. 561DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Art.2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3401-01.255– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 28 de fevereiro de 2011, em votação unânime: (...) Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§4 o , do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004), traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1 o , do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as cooperativas de produção agropecuária. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra específica. Portanto, a vedação do §4º, também do artigo 8º permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito, por essas cooperativas, em ralação a vendas com tributação suspensa, não tributadas ou isentas. (...) Assim, a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. Exatamente nesta linha fora expresso o entendimento da Fiscalização nestes autos, conforme sintetizado abaixo: Para as pessoas jurídicas que efetuam as operações de venda com o beneficio da suspensão do PIS e da COFINS a legislação vedou à apuração de créditos presumidos e básicos, de acordo como disposto no § 4o, incisos I e II do art. 8o da lei n° 10.925/2004 , tendo em vista que as pessoas jurídicas que adquiram mercadorias com o beneficio da suspensão apuram crédito presumido sobre o valor de tais compras. A leitura da nova sistemática de apuração do crédito presumido do PIS e da COFINS (art. 8o da lei n° 10.925/2004) deve ser feita em conjunto com o art. 9o do mesmo diploma legal que determina a sistemática de aplicação da suspensão das contribuições em comento. Assim, o argumento do Recorrente (de que a restrição contida no Inciso II do Parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004 foi revogada com a edição do art. 17 lei 11.033/2004, não prevalece, e o dispositivo (abaixo citado) continua a produzir os seus efeitos: Lei 10.925/2004 Art. 8º (...) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Fl. 562DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Com base nos fundamentos expostos, mantém-se a decisão recorrida neste ponto. III - Crédito presumido Atividade agroindustrial produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM A Recorrente, no tópico, argumenta em síntese que: A Contribuinte diante de mecânica do PIS e da COFINS não-cumulativa, para o período, apurou credito presumido de PIS e Cofins sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão; utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, fundamentado, no inciso II do artigo 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Certos de que a Recorrente faz jus aos créditos em tela, a inconformidade da Contribuinte reside, no posicionamento da fiscalização que, equivocadamente, contrariando a legislação e as próprias normas da RFB (instrução normativa 660/2006), desconsiderou o processo produtivo desempenhado pela contribuinte relativo as mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 elencados no caput do artigo 8o da lei 10.925/2004. Argumenta o agente fiscal que a contribuinte não faria jus ao credito presumido, em virtude de suas atividades se enquadrarem como de cerealista, ignorando para fins de apuração do credito, que a contribuinte se trata de empresa produtora das mercadorias, caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Entretanto, o posicionamento adotado pelo agente fiscal em não reconhecer o direito ao credito presumido de PIS e Cofins, por desconsiderar o processo produtivo/beneficiamento do milho, trigo e soja, não é razoável. Vale citar novamente o Acórdão nº 3402-003.973, por razões já expostas. Quanto ao ponto, aquele Colegiado (TO 3402) argumentou: (...) Período de agosto/2004 a dezembro/2008: Relativamente a este período, entendeu a fiscalização autuante que: "A partir de agosto/2004 o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, as quais apuram o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e recebimentos de pessoas físicas (associados de cooperativas), bem como em relação às aquisições de pessoas jurídicas cuja operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria". A Lei nº 10.925/2004 trouxe alteração legislativa ao crédito presumido, permitindo-o a partir de agosto de 2004 somente à agroindústria, no caput do art. 8º, para as aquisições de insumo (bens) de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, e no seu §1º, para as aquisições de cerealistas (inciso I) e outras pessoas jurídicas específicas (incisos II e III): (...) A partir de então, não mais há a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido pelo cerealista, como antes havia no §11, [do art. 3º], da Lei 10.833/2003, ou pelas pessoas jurídicas descritas nos incisos II e III do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, bem como o crédito em relação às receitas de vendas com Fl. 563DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 suspensão efetuadas a essas pessoas, em face da vedação expressa no §4º do referido art. 8°: § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Alega a recorrente que teria direito a crédito presumido já que é produtora de mercadorias de origem vegetal, adquirindo bens diretamente de pessoas físicas residentes no país e efetuando o processo de produção/industrialização, sob a modalidade de beneficiamento. Ocorre, no entanto, que a fiscalização concedeu o crédito presumido para esse período nas atividades em que a contribuinte atuou efetivamente como agroindústria, somente excluindo as atividades de cerealista da empresa, na qual exerceu cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados no inciso I do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, conforme extrato abaixo do Termo de Constatação: (...)Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria. O crédito presumido apurado pela fiscalização na COTRISA se refere ao valor das transferências internas de produtos agrícolas (soja, milho e trigo) para a industrialização na fábrica de ração e nos moinhos de milho e trigo. Das transferências realizadas para fábrica de ração excluímos a transferência de farelo de soja (produto industrializado), cujo crédito foi apurado quando da aquisição de pessoas jurídicas. (...) Com relação ao alegado processo de industrialização por "beneficiamento" dos grãos, entendo que ele não se caracteriza como industrialização, como bem esclarecido pelo Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento em voto vencedor no Acórdão nº 3302003.301–3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 23 de agosto de 2016, abaixo transcrito: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: (...) ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. VOTO VENCEDOR (...) Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de Fl. 564DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010) [também no RIPI/2002 vigente à época dos fatos deste processo], porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Mas, independentemente da abrangência do termo "pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias (...)", veiculado pelo caput do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, é certo que dentre essas pessoas não se incluem aquelas especificadas no §1º desse dispositivo, expressamente ressalvadas da dedução do crédito presumido pelo §4º do art. 8° da Lei nº 10.865/2004. De forma que não assiste razão à recorrente no pleito do crédito presumido sobre as atividades especificadas no §1º do dispositivo. No que concerne à forma de utilização do crédito presumido da agroindústria, previstos nos art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004, por opção do legislador ordinário, o seu aproveitamento pode ser apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzi-los das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não-cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e Fl. 565DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não-cumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. [grifos da Relatora] Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/ SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa segue abaixo, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerando-se, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicando-se o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 3401-001.716–4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: Fl. 566DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...],destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” (grifei) Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressalte-se, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3o. Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Assim, no que concerne ao crédito presumido, nada há a reformar na decisão recorrida. Adota-se os mesmos fundamentos para manter a decisão recorrida no ponto. IV - Da apuração da base tributável do PIS e Cofins - Exclusões permitidas às Sociedades Cooperativas Argumenta a Recorrente, no item, entre outros, que: “para determinar a base de cálculo a ser tributada pelo PIS e Cofins, além das exclusões da base de cálculo possíveis a todas as pessoas jurídicas sujeitas a não cumulatividade (receitas de exportação, receitas no mercado interno sujeitas a alíquota zero, suspensão. etc..), é permitido às sociedades cooperativas, devido ao seu tratamento diferenciado, realizar mais algumas exclusões conforme os seguintes dispositivos legais (...)”. Vale citar novamente o Acórdão nº 3402-003.973 por razões já expostas. Na citada decisão, aquele Colegiado (TO 3402) argumentou: Alega a recorrente que teria direito às exclusões da base de cálculo tributável pleiteadas sem nenhuma condicionante, nos termos do art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/ 2001 e art. 11 da IN SRF nº 635/2006, que assim dispõem: Fl. 567DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I - a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II - serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I - exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II - exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; III - exclusão das receitas decorrentes da prestação, ao associado, de serviços especializados aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; V - dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; VI - exclusão das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos, na hipótese de apuração das contribuições no regime cumulativo; e VII - dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fl. 568DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º Para os fins do disposto no inciso I do caput: I - na comercialização de produtos agropecuários realizados a prazo, assim como aqueles produtos ainda não adquiridos do associado, a cooperativa poderá excluir da receita bruta mensal o valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e, II - os adiantamentos efetuados aos associados, relativos à produção entregue, somente poderão ser excluídos quando da comercialização dos referidos produtos. § 2º Para os fins do disposto no inciso II do caput, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa, e serão contabilizadas destacadamente pela cooperativa, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. § 3º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput: I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. § 4º O disposto no inciso VII do caput aplica- se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. § 5º As sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos fundos a que se refere o inciso VII do caput, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a ele creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 6º A sociedade cooperativa de produção agropecuária, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções de que tratam os incisos I a VII do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. § 7º A entrega de produção à cooperativa, para fins de beneficiamento, armazenamento, industrialização ou comercialização, não configura receita do associado. § 8º Considera- se custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima, mão- de-obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. § 9º A dedução de que trata o inciso VII do caput poderá ser efetivada a partir do mês de sua formação, devendo o excesso ser aproveitado nos meses subsequentes. Fl. 569DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 A fiscalização considerou indevidas algumas parcelas das exclusões da base de cálculo tributável das contribuições pela cooperativa, nesses termos: (...) 10.1 Repasse aos Associados Analisando o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/ 2001, verificamos que tal dispositivo autorizou excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins, os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização dos produtos por eles entregues à cooperativa. A interpretação que temos desse dispositivo é que nas operações em que foi excluída a integralidade da receita, por se tratar de venda sujeita a suspensão do PIS e da COFINS ou exportação, não há que se falar em excluir os valores repassados aos associados, proporcional a essas receitas, tendo em vista que a base de cálculo do PIS e da COFINS foi zerada pela exclusão da integralidade da receita. Considerando que na venda de produtos agrícolas com suspensão ou exportação a receita foi integralmente excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, os repasses aos associados, foram ajustados pela fiscalização, permitido a exclusão do repasse aos associados, proporcional, a receita de venda de produtos agrícolas, somada a receita de venda de bens de fabricação própria tributadas no mercado interno, pela soma da receita total da venda de produtos agrícolas com a venda de bens de fabricação própria. 10.2 Venda de Mercadorias aos Associados (...) Período: agosto/2004 a dezembro/2008 A partir do mês de agosto/2004 os insumos e sementes vendidos aos associados tiveram as alíquotas para o PIS e a COFINS reduzidas a zero, portanto, a receita foi excluída a título de venda de mercadorias alíquota zero, tendo anulado (zerado) as bases de cálculo da venda de mercadorias aos associados. (...) as bases de cálculo do PIS e da COFINS foram zeradas pela exclusão da receita sujeita a alíquota zero, não tendo como excluir outra vez, pois, irá afetar a base de cálculo da receita dos demais setores sujeitos a tributação. Com isto, estamos glosando o valor das mercadorias aos associados a partir do mês de agosto/2004, haja vista a contribuinte ter informado na resposta ao termo de intimação fiscal n° 0003, tratarse de venda de insumos e sementes que tiveram as alíquotas para o PIS e COFINS reduzidas a zero. 10.3 Receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados. (...) Em nenhum aspecto da legislação verificamos que a legislação autorizou a exclusão da receita de venda de produtos industrializados pela cooperativa, a título de receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados. Na resposta ao termo de intimação fiscal n° 0003, a contribuinte informa que os valores das receitas excluídas a título de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados é originária da comercialização de produtos industrializados pela cooperativa, por sua conta e risco, adquiridos dos associados. (...) Fl. 570DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 10.4 Custos Agregados (...) os mesmos somente podem ser considerados se existe base de cálculo tributável pelo PIS e COFINS, no mesmo sentido do valor dos repasses aos associados. O valor do custo agregado foi ajustado de forma proporcional à receita de venda de produtos agrícolas tributados pelo PIS e COFINS. (...) Como se observa no trecho acima, no caso do Repasse aos Associados, Vendas de produtos aos associados e Custos agregados, essas exclusões da base de cálculo das contribuições, específicas das cooperativas, somente são permitidas se a cooperativa apresentar base de cálculo positiva após as exclusões da receita bruta. Conforme já tinha esclarecido a fiscalização à contribuinte no Termo de Intimação nº 001, "Caso a receita bruta da cooperativa tenha sofrido exclusões com base no que determina a legislação que trata das isenções do PIS e da Cofins nas operações de venda no mercado externo (exportação); venda com suspensão, alíquota zero e substituição tributária das mencionadas contribuições, não há que se falar nas exclusões específicas aplicadas às cooperativas (art. da MP 2.15835/ 2001 e art. 17 da Lei nº 10.684/2003), pois, se a base de cálculo foi zerada não há mais o que ser excluído". No caso, a contribuinte efetuou as exclusões da base de cálculo específicas para as cooperativas sem levar em consideração que já tinha excluído da receita bruta as receitas de exportações e as receitas de venda de produtos com suspensão, alíquota zero ou substituição tributária; ocorrendo a exclusão em duplicidade das mesmas receitas, tanto na receita bruta total como na base de cálculo das contribuições. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela fiscalização. Quanto à exclusão da receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados, ela não foi permitida, pois conforme informado pela própria contribuinte, na verdade, tratavam-se de receitas obtidas na comercialização de produtos industrializados pela cooperativa, o que não encontra amparo na legislação, nem no inciso IV (receitas de beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado) ou no inciso II (receitas de vendas aos associados) do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, nem em outro dispositivo legal. De forma que não cabe reforma na decisão recorrida nesta parte, relativamente às exclusões das bases de cálculo das contribuições. A partir destes fundamentos conclui-se pela manutenção da decisão de 1º grau no item. V - Da previsão legal para a incidência da Selic Por último, a Recorrente alega que “os créditos da recorrente merecem ser corrigidos pela SELIC, nos termos do § 4º, do art. 39 da Lei 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado”. A norma invocada pelo Recorrente para respaldar o pedido de correção pela Selic, não se aplica ao caso, pois não abrange o ressarcimento, limitando-se à compensação e à restituição: Fl. 571DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Vide Lei nº 9.532, de 1997) (gn). Além disso, os artigos 13 e 15, inciso VI, da Lei nº 10.833/03 dispõem em sentido contrário ao pleiteado pelo Recorrente, verbis: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4 o do art. 3 o , do art. 4 o e dos §§ 1 o e 2 o do art. 6 o , bem como do § 2 o e inciso II do § 4 o e § 5 o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI - no art. 13 desta Lei. Para arrematar, especificamente para as contribuições do PIS e da COFINS, este e. CARF expediu súmula que afasta a aplicação de correção monetária ou de juros em valores a ser ressarcidos: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Porém, o pedido deve ser apreciado ainda nos termos do artigo 24 da Lei nº. 11.457, de 2007, e do conceito de “resistência ilegítima” desenvolvido pela jurisprudência: Lei nº. 11.457, de 2007 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Por outro lado, tomando por base a disciplina legal citada, o REsp nº 1.767.945/PR, julgado em 12/02/2020 pelo STJ, sob o rito dos recursos repetitivos, com Acórdão publicado em 06/05/2020, transitado em Julgado em 28/05/2020, produziu interpretação vinculante para esta instância de julgamento administrativo - por força do art. 62, §2º, da Portaria MF 343/15 (RICARF) - definindo o prazo superior a 360 dias para análise do pedido como resistência ilegítima da administração. Fl. 572DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Aponta no mesmo sentido, o acórdão desta turma 3401-008.364, de 21/10/20, em votação unânime, relatoria do Cons. Lázaro Antônio Souza Soares, cuja ementa (parte) se transcreve: PEDIDO DE RESSARCIMENTO COM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO VINCULADA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. SÚMULA CARF Nº 125. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas. A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros apenas enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, o termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. No caso ora em exame, por ter sido o prazo legal ultrapassado para apreciação do pedido de ressarcimento, o crédito reconhecido remanescente deve ser atualizado pela Selic, após o escoamento do prazo de 360 dias da data do protocolo da Per/Dcomp. Do exposto, VOTO por conhecer e dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à atualização do crédito reconhecido pela taxa Selic, a contar do 361º dia da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Fl. 573DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12963.000388/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2006
NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº .212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-002.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período pelo artigo 173, I do CTN e para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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E CORRETORA DE SEGUROS S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2006 NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período pelo artigo 173, I do CTN e para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Igor Araujo Soares, Ewan Teles Aguiar. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12963.000388/200724 Acórdão n.º 240202.698 S2C4T2 Fl. 431 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir multa em razão da Recorrente ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, relativamente ao período de 03/1999 a 04/2006. Este Conselho, ao analisar o processo (fls. 378/381), determinou fosse realizada diligência, a fim de verificar os andamentos e os desfechos das NFLD’s nº 37.081.6420 e 37.081.6439, por motivos de conexão entre as matérias veiculadas nas referidas notificações e a presente autuação. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT (fls. 422/423), em resposta, informou que: (i) a NFLD nº 37.081.6439 se encontra arquivada na Superintendência da Administração do Ministério da Fazenda – SAMF/MG, após ter sido julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG; e (ii) a NFLD nº 37.081.6420 abrange os mesmos fatos geradores cuja omissão em GFIP originou o presente lançamento, bem como que, nos termos do acórdão nº 280300.460 (fls. 411/421), teve seus créditos tributários parcialmente exonerados, em virtude da decadência das competências anteriores a 11/2002, inclusive, conforme prevê a Súmula Vinculante nº 08 do STF. A Recorrente foi intimada da diligência realizada (fls. 424/425), porém não apresentou manifestação. É o relatório. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando o despacho de fls. 422/423, verificase que as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores culminaram na lavratura da presente autuação foram exigidas por meio da NFLD nº 37.081.6420, a qual foi julgada parcialmente procedente, em vista da aplicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF. Vejase trecho da diligência: “6. Em consulta aos autos da NFLD nº 37.081.6420, constatamos os levantamentos “HPG” (competência 07/2001) e “HFG” (demais competências) reportamse aos mesmos fatos geradores cuja omissão em GFIP originaram o presente AI 37.081.6501, como se infere do Relatório de Lançamentos – RL (cópias juntadas às fls. 377/381). Maiores explicações acerca dos referidos levantamentos constam do Relatório Fiscal daquela NFLD, juntado em cópia às fls. 382/387. 7. Prosseguindo no atendimento à diligência requerida pela 2ª Seção de Julgamento do CARF, constatamos ter sido proferido, nos autos da NFLD nº 37.081.6420, o Acórdão nº 280300.460, sessão de 07 de fevereiro de 2011 (cópia às fls. 388/393). Em síntese, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, tendo sido reconhecida, de ofício, a aplicação da Súmula Vinculante nº 08/2008, do Supremo Tribunal Federal. Especificamente com relação aos levantamentos “HFG” e “HPG”, determinouse a exclusão das competências anteriores a 11/2002, inclusive.” – destacouse Em vista disso, temse que o presente lançamento possui conexão com a NFLD nº 37.081.6420, devendo seguir a mesma sorte desta. Assim, é mister que os valores exigidos nas competências anteriores a 11/2002 (inclusive), sejam prontamente extintos, em virtude de decadência, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN, e da Súmula Vinculante nº 08 do STF. Outrossim, em relação às competências remanescentes, concluo que essas devem ser julgadas procedentes no mérito, sob pena de se proferir decisões conflitantes em matérias intrinsecamente relacionadas. Não obstante, verificase ainda que as penalidades consubstanciadas nas competências remanescentes devem ser recalculadas, em atenção ao princípio da retroatividade benigna. Isto porque, a penalidade anteriormente prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, passou a ser regulamentada pelo art. 32A, inc. I, da Lei nº 8.212/19911. 1 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)” Fl. 433DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12963.000388/200724 Acórdão n.º 240202.698 S2C4T2 Fl. 432 5 Tal norma leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) e não o montante que deixou de ser informado, como ocorria durante a vigência da legislação anterior. Sendo assim, a fim de que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, a fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte. Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “(...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo32, inciso IV , da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do §5° ,do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo32A da Lei n° 8.212/91,o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.Recurso especial provido em parte.” (CARF, CSRF, 2ª Turma, PAF nº 36378.002129/200615, Acórdão nº 920201.636, Red. Des. Gonçalo Bonet Allage, Sessão de 25/07/2011) Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que os valores relativos à multa que tiverem por base os fatos geradores ocorridos anteriormente a 11/2002 (inclusive), sejam prontamente extintos pela decadência, bem como para que haja o recálculo da multa aplicada nas competências remanescentes, nos termos do artigo 32A da Lei n° 8.212/91, e que seja este valor exigido do contribuinte em cada competência, caso mais benéfico. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 11050.000333/2010-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jan 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005, 25/02/2005
MULTA ADUANEIRA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 184
De acordo com a Súmula CARF nº 184, O prazo decadencial para aplicação de penalidade por infração aduaneira é de 5 (cinco) anos contados da data da infração, nos termos dos artigos 138 e 139, ambos do Decreto-Lei n.º 37/66 e do artigo 753 do Decreto n.º 6.759/2009.
Portanto, na data da ciência do auto de infração, 01/02/2011, já havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário concernente às multas aduaneiras cujos fatos geradores ocorreram nos dias 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005 e 25/02/2005.
Numero da decisão: 3001-002.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência e dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques dOliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques dOliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: Marcelo Costa Marques d'Oliveira
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005, 25/02/2005 MULTA ADUANEIRA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 184 De acordo com a Súmula CARF nº 184, O prazo decadencial para aplicação de penalidade por infração aduaneira é de 5 (cinco) anos contados da data da infração, nos termos dos artigos 138 e 139, ambos do Decreto-Lei n.º 37/66 e do artigo 753 do Decreto n.º 6.759/2009. Portanto, na data da ciência do auto de infração, 01/02/2011, já havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário concernente às multas aduaneiras cujos fatos geradores ocorreram nos dias 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005 e 25/02/2005.
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DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 184 De acordo com a Súmula CARF nº 184, “O prazo decadencial para aplicação de penalidade por infração aduaneira é de 5 (cinco) anos contados da data da infração, nos termos dos artigos 138 e 139, ambos do Decreto-Lei n.º 37/66 e do artigo 753 do Decreto n.º 6.759/2009.” Portanto, na data da ciência do auto de infração, 01/02/2011, já havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário concernente às multas aduaneiras cujos fatos geradores ocorreram nos dias 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005 e 25/02/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência e dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Transcrevo trechos do auto de infração: “(. . .) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 03 33 /2 01 0- 40 Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.130 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11050.000333/2010-40 “(. . .) Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.130 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11050.000333/2010-40 (. . .)” Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, em que pediu o cancelamento do auto de infração, em decorrência de decadência, denúncia espontânea, ilegitimidade passiva e não subsunção do fato ao dispositivo legal onde a multa foi capitulada ou, alternativamente, a aplicação de uma só multa de R$ 5.000,00, posto que trata-se de “infração continuada”, instituto do direito penal que deve ser também adotado no âmbito tributário. A DRJ julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 12-101.718 não foi ementado. Reproduzo o voto condutor: Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.130 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11050.000333/2010-40 O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos incluídos na impugnação e acrescenta os seguintes: i) foram revogados os dispositivos da IN RFB nº 800/07 que tratavam da infração e penalidade; e ii) não houve prestação de informação em atraso, porém alteração/inclusão de dados, o que não estava sujeito à multa, de acordo com a SC COSIT nº 02/16. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de auto de infração, para cobrança de quatro multas de R$ 5.000,00, total de R$ 20.000,00, por atrasos na prestação de informações sobre embarques de exportação. Os fatos geradores das multas ocorreram nos dias 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005 e 25/02/2005 (fl. 11) e a recorrente tomou ciência da autuação em 01/02/11 (fl. 47). Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.130 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11050.000333/2010-40 De acordo com a Súmula CARF nº 184, “O prazo decadencial para aplicação de penalidade por infração aduaneira é de 5 (cinco) anos contados da data da infração, nos termos dos artigos 138 e 139, ambos do Decreto-Lei n.º 37/66 e do artigo 753 do Decreto n.º 6.759/2009.” Portanto, na data da ciência do auto de infração, 01/02/2011, já havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário concernente às multas aduaneiras, cujos fatos geradores ocorreram nos dias 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005 e 25/02/2005. Saliento que a matéria em questão – decadência do lançamento de ofício – não foi levantada pela recorrente, porém, como se trata de matéria de ordem pública, está sendo suscitada por este relator. Voto por acatar a preliminar de decadência e dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000134/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 20 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 26/09/2007
PRAZO DECADENCIAL.
Súmula CARF 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CFL 38.
Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir os documentos relacionados com as contribuições previdenciárias.
A infração que possui valor único e indivisível. Dessa forma, é irrelevante que parte da falta apontada tenha sido cometida em período atingido pela decadência. Isso porque, a decadência de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente.
Numero da decisão: 2401-010.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Andrea Viana Arrais Egypto
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/09/2007 PRAZO DECADENCIAL. Súmula CARF 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CFL 38. Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir os documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. A infração que possui valor único e indivisível. Dessa forma, é irrelevante que parte da falta apontada tenha sido cometida em período atingido pela decadência. Isso porque, a decadência de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 01 34 /2 00 8- 44 Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.131 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000134/2008-44 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I - RJ (DRJ/RJOI) que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 12-19.055 (fls. 54/65): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO. SEM FORMALIDADES LEGAIS. Constitui infração apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas conforme art. 33, § 2°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores c/c art. 233 § único do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos com fulcro no art. 45, I e II, da Lei n° 8.212/91. Lançamento Procedente O presente processo trata do AI - Auto de Infração DEBCAD nº 37.079.699-3 (fls. 02/08), consolidado em 26/09/2007, que aplica uma Multa no valor total de R$ 11.951,21, em razão de a empresa ter deixado de exibir os seguintes documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, infringindo o art. 33, §§2° e 3°, da Lei 8212/91, c/c art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 04), os documentos que o contribuinte deixou de apresentar foram: Livro Diário/Razão de 12/1997 a 12/2001; Folhas de pagamento de Honorários da Diretoria (Pró-labore) de 12/1997 a 12/2001; Folhas de pagamento dos empregados da administração nas competências 12/1997 a 05/1999, 07/1999, 02/2000 a 04/2000, 06/2000 a 11/2000, 04/2001, 11/2001 e 12/2001; Notas Fiscais de serviços emitidas pela empresa nas competências 12/1997, a partir da n° 1001, a 01/1999, até a n° 1600. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, pessoalmente, em 26/09/2007 (fl. 02) e, em 25/10/2007, apresentou tempestivamente sua Impugnação de fls. 36/48, cujos argumentos estão sumariados no relatório do Acórdão recorrido. O Processo foi encaminhado à DRJ/RJOI para julgamento, onde, através do Acórdão nº 12-19.055, em 29/04/2008 a 11ª Turma julgou no sentido de considerar a Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.131 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000134/2008-44 AUTUAÇÃO PROCEDENTE em razão desta ter sido lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/RJOI, via Correio, em 17/08/2009 (fl. 67) e, inconformado com a decisão prolatada, em 28/08/2009, tempestivamente (fl. 82), apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 68/79 onde, em síntese, alega que a documentação não poderia ser cobrada devido à prescrição e a decadência, cita a Súmula Vinculante nº 8 acerca da inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Exigência da multa e decadência Trata o presente processo da exigência de multa por ter deixado a empresa de exibir os documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, do período de 12/1997 a 12/2001. Nos termos do Dispositivo Legal da Multa Aplicada, a penalidade imposta foi no valor de R$ 11.951,21 nos termos do art. 283, II, “j” e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/88. A contribuinte afirma que a documentação não poderia ser cobrada devido à prescrição e a decadência. Cita a Súmula vinculante nº 8 acerca da inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. Inicialmente, cabe ressaltar que o lançamento foi realizado de acordo com os preceitos do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), atende os requisitos legais, e a multa foi aplicada nos termos dos preceitos contidos na legislação de regência, de acordo com o que se verifica do Relatório Fiscal da Infração e Relatório Fiscal da Multa Aplicada. Destaque-se ainda que toda a argumentação da Recorrente gira em torno da prescrição e decadência. A abordagem colacionada na linha de defesa é carreada às prejudiciais de mérito, mais especificamente na matéria relacionada à decadência. No que tange à prescrição, cabe esclarecer que, durante o processo administrativo permanece suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não se iniciando o prazo prescricional. Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.131 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000134/2008-44 Isso porque, nos exatos termos do art. 151, inciso III do CTN, a interposição de defesa administrativa, suspende a exigibilidade do crédito tributário em razão da pendência de decisão definitiva no curso do processo administrativo. Assim, não há que se falar em prescrição. Destaca-se a seguir o teor da Súmula CARF Vinculante nº 11 que assim dispõe: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Com relação à decadência, o Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do prazo decenal do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o que resultou na expedição da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20/6/2008, verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A partir de tal entendimento, a contagem do prazo decadencial deve ser interpretada em consonância com os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional. Importante ressaltar que no caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN. Nesse caso, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos das Súmulas CARF nº 148 e nº 101, conforme a seguir destacado: Súmula CARF nº 101 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 148 No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Nesse contexto, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Registre-se que a infração CFL 38 é de consumação instantânea e se aperfeiçoa no vencimento do prazo consignado pela fiscalização para a apresentação dos documentos, no caso do lançamento, em09/2007. Há ainda que se ressaltar que a multa possui valor único e indivisível. Dessa forma, é irrelevante que parte da falta apontada se refira à exibição de documentos e livros atinentes a fatos geradores de período atingido pela decadência. Isso porque, a decadência de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente, e, como se viu, com aplicação de multa em valor único. Assim, considerando que o último período de 2001, em que a Recorrente cometeu a infração, não está decaído, e a multa foi aplicada em valor fixo e sem variação, levando-se em consideração a quantidade de meses em que se cometeu a falta, não há que se falar em decadência da presente autuação, devendo ser mantido o lançamento tributário. Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.131 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000134/2008-44 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720380/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 2202-000.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
(Assinado digitalmente).
Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro - Redator Designado.
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
O presente Processo Administrativo Fiscal PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.337.599-9, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual cota patronal, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP - DEBCAD 37.337.600-6, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados parte descontada dos trabalhadores, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP - DEBCAD 37.337.601-4, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, como também, o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.337.602-2 CFL.68, por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal PAF, de fls. 60 a 68, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 75 e 76.
O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 18/11/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, fls. 03; 23 e 37, e, da Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA, fls. 52.
O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 115 a 165, recebidas, em 15/12/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 166 a 221.
A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 225; 243 e 244.
O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 05-40.852 - 9ª, Turma DRJ/CPS, em 27/06/2013, fls. 227 a 241.
A impugnação foi considerada improcedente.
O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 26/07/2013, conforme AR, de fls. 246.
Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 249, com razões recursais, as fls. 250 a 312, recebido em, SEM DATA DE RECEPÇÃO, acompanhado dos documentos, de fls. 313 a 315.
As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada.
Preliminarmente.
que a Lei 9.784/99 aplica-se ao caso em tela o que foi ignorado pelo julgador a quo, sobrepondo-se a citada lei ao Decreto 70.235/72, pois este lhe é de hierarquia inferior;
que a decisão administrativa é nula por violação ao artigo 50, da Lei 9.784/99, por ausência de motivação, estando o ato eivado de nulidade insanável, pois não respeitou os princípios da legalidade; motivação; proporcionalidade e razoabilidade, haja vista que não respeitou a dosimetria da sanção prevista no Decreto 3.048/99, deixando de observar a classificação da infração em leve, média ou grave, bem como o porte econômico da recorrente;
que a decisão não contém motivação explícita, clara e congruente, não sabendo a recorrente os motivos da autoridade para a prática do ato, necessitando o ato de conexão lógica entre fato e fundamento jurídico, não preenchendo esse requisito a simplória citação da legislação aplicável;
que a recorrente tem direito subjetivo a fixação da multa mínima, pois não há nos autos, comprovação da prática de outras infrações e nem de sua condição econômica, não respeitando o lançador o limite de sanção imposta por lei, padecendo a multa de razoabilidade, sendo desproporcional, ante a ausência de critério aferível para a valoração da multa, tendo sido a multa imposta sem qualquer critério, devendo ser declarada a nulidade da decisão, visando que a autoridade administrativa diga claramente os motivos pelos quais não acolheu as teses da impugnante ora recorrente;
que a decisão de primeiro grau deve ser declarada nula para que outra seja prolatada, pois operou em flagrante cerceamento de defesa, uma que a recorrente requereu a produção de provas documental e testemunhal, artigo 38, 39 e 41, da Lei 9.784/99 no que não foi atendido, ocorrendo desrespeito do artigo 38 da citada lei, sendo a empresa surpreendida pelo indeferimento da produção de prova durante a instrução processual em violação o seu direito constitucional, assim a decisão deve ser cassada e oportunizada a recorrente a realização da instrução probatória;
que a autoridade administrativa não analisou todos os argumentos da defesa, o que caracteriza violação a ampla defesa, contraditório e devido processo legal, uma vez que a autoridade deixou de lado todos os argumentos de fato e de direito apresentados pela defesa;
que é obrigatório nos termos do artigo 42, da Lei 9.784/99 que a PGFN emita parecer jurídico, visando a motivação da decisão, contudo inexiste tal parecer nos autos, por esses motivos o processo deve ser declarado nulo;
que o julgamento dos autos de infração deve ser suspenso, pois a recorrente está contestando sua exclusão do SIMPLES FEDERAL e NACIONAL, aplicação do artigo 265, IV, a, do CPC por analogia, sendo patente a prejudicialidade entre os processos, sendo a prejudicial anterior;
que deve ser declarado a nulidade do processo administrativo, tendo em vista que a recorrente não foi cientificada do laudo contábil no qual os valores foram apurados, nos termos do artigo 26, §5º, da Lei 9.784/99, pois conforme se vê dos autos do processo e do discriminativo de débito a recorrente não compareceu nos atos administrativos praticados pelo agente fiscal, devendo o processo administrativo ser declarado nulo, com fundamento no artigo 25 e 26, §3º, da Lei 9.784/99, assim, não tendo sido o contribuinte intimado com prazo mínimo de antecedência todo o processo administrativo é nulo, com a prova tendo sido obtida por meio ilegal, viciando todo o processo e causando-lhe nulidade, pois nos termos do artigo 28, da Lei 9.784/99 atos de imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições de direitos devem ser objeto de intimação;
O tópico denominado pelo contribuinte de Do SIMPLES FEDERAL Revogação pela LC nº 123/06 Da violação ao princípio da legalidade Nulidade do ADE Inexistência de motivação legal, não será objeto de sumario ou análise, pois é questão a ser discutida nos autos próprios de exclusão do Sistema Simples proc: 15983.720152/2011-44 de competência da Primeira Seção de Julgamento, estando os autos aguardando distribuição, conforme tela anexa, ao final. (grifo meu).
Aplicar-se-á idêntica disposição aos tópicos Da violação ao princípio da legalidade Barreira legal ao dever de invalidade do ato administrativo Observância do Termo de Intimação Fiscal nº 0002/2011, e, ainda, ao tópico Da inexistência de motivo de fato da infração ao regime do SIMPLES FEDERAL Débito apurado no termo de intimação nº 0002/2011 devidamente parcelado Inexistência de pratica reiterada de infração à legislação tributária., pois de iguais modo ao anterior esses dois tópicos dizem respeito a validade da permanência no sistema Simples e a validade do ADE nº 57, o que não é competência dessa seção e a discussão não se operar nesses autos, mas sim em autos apartados já identificado.
Outra sorte não se apresenta ao tópico Da ofensa ao devido processo legal Indeterminação dos fatos descritos no ADE Ausência de indicação precisa de qual foi a prática reiterada à legislação tributária.
Ocorre o mesmo com os tópicos Da violação ao princípio da legalidade Barreira legal ao dever de invalidação do ato administrativo Observância da COMUNICAÇÃO SECAT nº 533/2010. e Da inexistência de motivo de fato da infração ao regime do SIMPLES NACIONAL Débito apurado no temo de intimação nº 0002/2011 devidamente parcelado Inexistência de prática reiterada de infração à legislação tributária e falta de escrituração do livro caixa., bem como Da ofensa ao devido processo legal Indeterminação dos fatos descritos no ADE Ausência de indicação precisa de qual foi a prática reiterada à legislação tributária.,
Aplica-se, também, a solução acima ao tópico Impossibilidade de retroagir os efeitos dos ADEs, expedidos pela SRF Aplicação do artigo 24 inciso IV da IN SRF 608/2006 Do fato gerador e os valores cobrados Dever de compensação com os valores recolhidos pela sistemática do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL. (exceto quanto a parte final).
que a recorrente apenas tomou ciência do ADE em 13/10/2011, assim os efeitos da exclusão só se operam em 11/2011 e assim não podem ser exigidas contribuições previdenciárias para o ano de 2007;
que os valores lançados estão fora da realidade, pois incluem a remuneração do avulsos, autônomos e pró-labore dos empregados, sendo que o fato gerador da contribuição é a folha de salários, devendo tais valores serem excluídos e ainda aproveitados os valores de contribuição previdenciária recolhida na sistemática do simples, cita precedente do CARF;
A questão da multa por descumprimento de obrigação acessória ausência de declaração de fatos geradores em GFIP, não será sumariado, o que se explicará no voto.
Dos pedidos e requerimentos: - a) recebimento e processamento do recurso, julgando-o procedente, reformando-se a decisão guerreada integralmente com a declaração de insubsistência de todos os DEBCADs ; b) requer a produção de todas as provas em direito admitidas; c) requer, ainda, a oportunidade de realizar sustentação oral.
A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso.
Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 318.
Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote 03, fls. 320.
É o Relatório.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. (Assinado digitalmente). Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro - Redator Designado. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. O presente Processo Administrativo Fiscal PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.337.599-9, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual cota patronal, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP - DEBCAD 37.337.600-6, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados parte descontada dos trabalhadores, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP - DEBCAD 37.337.601-4, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, como também, o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.337.602-2 CFL.68, por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal PAF, de fls. 60 a 68, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 75 e 76. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 18/11/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, fls. 03; 23 e 37, e, da Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA, fls. 52. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 115 a 165, recebidas, em 15/12/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 166 a 221. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 225; 243 e 244. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 05-40.852 - 9ª, Turma DRJ/CPS, em 27/06/2013, fls. 227 a 241. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 26/07/2013, conforme AR, de fls. 246. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 249, com razões recursais, as fls. 250 a 312, recebido em, SEM DATA DE RECEPÇÃO, acompanhado dos documentos, de fls. 313 a 315. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Preliminarmente. que a Lei 9.784/99 aplica-se ao caso em tela o que foi ignorado pelo julgador a quo, sobrepondo-se a citada lei ao Decreto 70.235/72, pois este lhe é de hierarquia inferior; que a decisão administrativa é nula por violação ao artigo 50, da Lei 9.784/99, por ausência de motivação, estando o ato eivado de nulidade insanável, pois não respeitou os princípios da legalidade; motivação; proporcionalidade e razoabilidade, haja vista que não respeitou a dosimetria da sanção prevista no Decreto 3.048/99, deixando de observar a classificação da infração em leve, média ou grave, bem como o porte econômico da recorrente; que a decisão não contém motivação explícita, clara e congruente, não sabendo a recorrente os motivos da autoridade para a prática do ato, necessitando o ato de conexão lógica entre fato e fundamento jurídico, não preenchendo esse requisito a simplória citação da legislação aplicável; que a recorrente tem direito subjetivo a fixação da multa mínima, pois não há nos autos, comprovação da prática de outras infrações e nem de sua condição econômica, não respeitando o lançador o limite de sanção imposta por lei, padecendo a multa de razoabilidade, sendo desproporcional, ante a ausência de critério aferível para a valoração da multa, tendo sido a multa imposta sem qualquer critério, devendo ser declarada a nulidade da decisão, visando que a autoridade administrativa diga claramente os motivos pelos quais não acolheu as teses da impugnante ora recorrente; que a decisão de primeiro grau deve ser declarada nula para que outra seja prolatada, pois operou em flagrante cerceamento de defesa, uma que a recorrente requereu a produção de provas documental e testemunhal, artigo 38, 39 e 41, da Lei 9.784/99 no que não foi atendido, ocorrendo desrespeito do artigo 38 da citada lei, sendo a empresa surpreendida pelo indeferimento da produção de prova durante a instrução processual em violação o seu direito constitucional, assim a decisão deve ser cassada e oportunizada a recorrente a realização da instrução probatória; que a autoridade administrativa não analisou todos os argumentos da defesa, o que caracteriza violação a ampla defesa, contraditório e devido processo legal, uma vez que a autoridade deixou de lado todos os argumentos de fato e de direito apresentados pela defesa; que é obrigatório nos termos do artigo 42, da Lei 9.784/99 que a PGFN emita parecer jurídico, visando a motivação da decisão, contudo inexiste tal parecer nos autos, por esses motivos o processo deve ser declarado nulo; que o julgamento dos autos de infração deve ser suspenso, pois a recorrente está contestando sua exclusão do SIMPLES FEDERAL e NACIONAL, aplicação do artigo 265, IV, a, do CPC por analogia, sendo patente a prejudicialidade entre os processos, sendo a prejudicial anterior; que deve ser declarado a nulidade do processo administrativo, tendo em vista que a recorrente não foi cientificada do laudo contábil no qual os valores foram apurados, nos termos do artigo 26, §5º, da Lei 9.784/99, pois conforme se vê dos autos do processo e do discriminativo de débito a recorrente não compareceu nos atos administrativos praticados pelo agente fiscal, devendo o processo administrativo ser declarado nulo, com fundamento no artigo 25 e 26, §3º, da Lei 9.784/99, assim, não tendo sido o contribuinte intimado com prazo mínimo de antecedência todo o processo administrativo é nulo, com a prova tendo sido obtida por meio ilegal, viciando todo o processo e causando-lhe nulidade, pois nos termos do artigo 28, da Lei 9.784/99 atos de imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições de direitos devem ser objeto de intimação; O tópico denominado pelo contribuinte de Do SIMPLES FEDERAL Revogação pela LC nº 123/06 Da violação ao princípio da legalidade Nulidade do ADE Inexistência de motivação legal, não será objeto de sumario ou análise, pois é questão a ser discutida nos autos próprios de exclusão do Sistema Simples proc: 15983.720152/2011-44 de competência da Primeira Seção de Julgamento, estando os autos aguardando distribuição, conforme tela anexa, ao final. (grifo meu). Aplicar-se-á idêntica disposição aos tópicos Da violação ao princípio da legalidade Barreira legal ao dever de invalidade do ato administrativo Observância do Termo de Intimação Fiscal nº 0002/2011, e, ainda, ao tópico Da inexistência de motivo de fato da infração ao regime do SIMPLES FEDERAL Débito apurado no termo de intimação nº 0002/2011 devidamente parcelado Inexistência de pratica reiterada de infração à legislação tributária., pois de iguais modo ao anterior esses dois tópicos dizem respeito a validade da permanência no sistema Simples e a validade do ADE nº 57, o que não é competência dessa seção e a discussão não se operar nesses autos, mas sim em autos apartados já identificado. Outra sorte não se apresenta ao tópico Da ofensa ao devido processo legal Indeterminação dos fatos descritos no ADE Ausência de indicação precisa de qual foi a prática reiterada à legislação tributária. Ocorre o mesmo com os tópicos Da violação ao princípio da legalidade Barreira legal ao dever de invalidação do ato administrativo Observância da COMUNICAÇÃO SECAT nº 533/2010. e Da inexistência de motivo de fato da infração ao regime do SIMPLES NACIONAL Débito apurado no temo de intimação nº 0002/2011 devidamente parcelado Inexistência de prática reiterada de infração à legislação tributária e falta de escrituração do livro caixa., bem como Da ofensa ao devido processo legal Indeterminação dos fatos descritos no ADE Ausência de indicação precisa de qual foi a prática reiterada à legislação tributária., Aplica-se, também, a solução acima ao tópico Impossibilidade de retroagir os efeitos dos ADEs, expedidos pela SRF Aplicação do artigo 24 inciso IV da IN SRF 608/2006 Do fato gerador e os valores cobrados Dever de compensação com os valores recolhidos pela sistemática do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL. (exceto quanto a parte final). que a recorrente apenas tomou ciência do ADE em 13/10/2011, assim os efeitos da exclusão só se operam em 11/2011 e assim não podem ser exigidas contribuições previdenciárias para o ano de 2007; que os valores lançados estão fora da realidade, pois incluem a remuneração do avulsos, autônomos e pró-labore dos empregados, sendo que o fato gerador da contribuição é a folha de salários, devendo tais valores serem excluídos e ainda aproveitados os valores de contribuição previdenciária recolhida na sistemática do simples, cita precedente do CARF; A questão da multa por descumprimento de obrigação acessória ausência de declaração de fatos geradores em GFIP, não será sumariado, o que se explicará no voto. 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Recorrente AUTO MOTO ESCOLA RALLYE S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. (Assinado digitalmente). Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Redator Designado. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .7 20 38 0/ 20 11 -1 4 Fl. 323DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 324 2 O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.337.5999, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.337.6006, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados – parte descontada dos trabalhadores, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.337.6014, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, como também, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.337.6022 – CFL.68, por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 60 a 68, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 75 e 76. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 18/11/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 03; 23 e 37, e, da Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 52. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 115 a 165, recebidas, em 15/12/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 166 a 221. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 225; 243 e 244. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0540.852 9ª, Turma DRJ/CPS, em 27/06/2013, fls. 227 a 241. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 26/07/2013, conforme AR, de fls. 246. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 249, com razões recursais, as fls. 250 a 312, recebido em, SEM DATA DE RECEPÇÃO, acompanhado dos documentos, de fls. 313 a 315. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Preliminarmente. que a Lei 9.784/99 aplicase ao caso em tela o que foi ignorado pelo julgador a quo, sobrepondose a citada lei ao Decreto 70.235/72, pois este lhe é de hierarquia inferior; Fl. 324DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 325 3 que a decisão administrativa é nula por violação ao artigo 50, da Lei 9.784/99, por ausência de motivação, estando o ato eivado de nulidade insanável, pois não respeitou os princípios da legalidade; motivação; proporcionalidade e razoabilidade, haja vista que não respeitou a dosimetria da sanção prevista no Decreto 3.048/99, deixando de observar a classificação da infração em leve, média ou grave, bem como o porte econômico da recorrente; que a decisão não contém motivação explícita, clara e congruente, não sabendo a recorrente os motivos da autoridade para a prática do ato, necessitando o ato de conexão lógica entre fato e fundamento jurídico, não preenchendo esse requisito a simplória citação da legislação aplicável; que a recorrente tem direito subjetivo a fixação da multa mínima, pois não há nos autos, comprovação da prática de outras infrações e nem de sua condição econômica, não respeitando o lançador o limite de sanção imposta por lei, padecendo a multa de razoabilidade, sendo desproporcional, ante a ausência de critério aferível para a valoração da multa, tendo sido a multa imposta sem qualquer critério, devendo ser declarada a nulidade da decisão, visando que a autoridade administrativa diga claramente os motivos pelos quais não acolheu as teses da impugnante ora recorrente; que a decisão de primeiro grau deve ser declarada nula para que outra seja prolatada, pois operou em flagrante cerceamento de defesa, uma que a recorrente requereu a produção de provas documental e testemunhal, artigo 38, 39 e 41, da Lei 9.784/99 no que não foi atendido, ocorrendo desrespeito do artigo 38 da citada lei, sendo a empresa surpreendida pelo indeferimento da produção de prova durante a instrução processual em violação o seu direito constitucional, assim a decisão deve ser cassada e oportunizada a recorrente a realização da instrução probatória; que a autoridade administrativa não analisou todos os argumentos da defesa, o que caracteriza violação a ampla defesa, contraditório e devido processo legal, uma vez que a autoridade deixou de lado todos os argumentos de fato e de direito apresentados pela defesa; que é obrigatório nos termos do artigo 42, da Lei 9.784/99 que a PGFN emita parecer jurídico, visando a motivação da decisão, contudo inexiste tal parecer nos autos, por esses motivos o processo deve ser declarado nulo; que o julgamento dos autos de infração deve ser suspenso, pois a recorrente está contestando sua exclusão do SIMPLES FEDERAL e NACIONAL, aplicação do artigo 265, IV, “a”, do CPC por analogia, sendo patente a prejudicialidade entre os processos, sendo a prejudicial anterior; que deve ser declarado a nulidade do processo administrativo, tendo em vista que a recorrente não foi cientificada do laudo contábil no qual os valores foram apurados, nos termos do artigo 26, §5º, da Lei 9.784/99, pois conforme se vê dos autos do processo e do discriminativo de débito a recorrente não compareceu nos atos administrativos praticados pelo agente fiscal, devendo o processo administrativo ser declarado nulo, com fundamento no artigo 25 e 26, §3º, da Lei 9.784/99, assim, não tendo sido o contribuinte intimado com prazo mínimo de antecedência todo o processo administrativo é nulo, com a prova tendo sido obtida por meio ilegal, viciando todo o processo e causandolhe nulidade, pois nos termos do artigo 28, da Lei 9.784/99 atos de imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições de direitos devem ser objeto de intimação; Fl. 325DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 326 4 O tópico denominado pelo contribuinte de “Do SIMPLES FEDERAL – Revogação pela LC nº 123/06 – Da violação ao princípio da legalidade – Nulidade do ADE – Inexistência de motivação legal”, não será objeto de sumario ou análise, pois é questão a ser discutida nos autos próprios de exclusão do Sistema Simples proc: 15983.720152/201144 de competência da Primeira Seção de Julgamento, estando os autos aguardando distribuição, conforme tela anexa, ao final. (grifo meu). Aplicarseá idêntica disposição aos tópicos “Da violação ao princípio da legalidade – Barreira legal ao dever de invalidade do ato administrativo – Observância do Termo de Intimação Fiscal nº 0002/2011”, e, ainda, ao tópico “Da inexistência de motivo de fato da infração ao regime do SIMPLES FEDERAL – Débito apurado no termo de intimação nº 0002/2011 devidamente parcelado – Inexistência de pratica reiterada de infração à legislação tributária.”, pois de iguais modo ao anterior esses dois tópicos dizem respeito a validade da permanência no sistema Simples e a validade do ADE nº 57, o que não é competência dessa seção e a discussão não se operar nesses autos, mas sim em autos apartados já identificado. Outra sorte não se apresenta ao tópico “Da ofensa ao devido processo legal – Indeterminação dos fatos descritos no ADE – Ausência de indicação precisa de qual foi a prática reiterada à legislação tributária.” Ocorre o mesmo com os tópicos “Da violação ao princípio da legalidade – Barreira legal ao dever de invalidação do ato administrativo – Observância da COMUNICAÇÃO SECAT nº 533/2010.” e “Da inexistência de motivo de fato da infração ao regime do SIMPLES NACIONAL – Débito apurado no temo de intimação nº 0002/2011 devidamente parcelado – Inexistência de prática reiterada de infração à legislação tributária e falta de escrituração do livro caixa.”, bem como “Da ofensa ao devido processo legal – Indeterminação dos fatos descritos no ADE – Ausência de indicação precisa de qual foi a prática reiterada à legislação tributária.”, Aplicase, também, a solução acima ao tópico “Impossibilidade de retroagir os efeitos dos ADEs, expedidos pela SRF – Aplicação do artigo 24 inciso IV da IN SRF 608/2006 – Do fato gerador e os valores cobrados – Dever de compensação com os valores recolhidos pela sistemática do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL.” (exceto quanto a parte final). que a recorrente apenas tomou ciência do ADE em 13/10/2011, assim os efeitos da exclusão só se operam em 11/2011 e assim não podem ser exigidas contribuições previdenciárias para o ano de 2007; que os valores lançados estão fora da realidade, pois incluem a remuneração do avulsos, autônomos e prólabore dos empregados, sendo que o fato gerador da contribuição é a folha de salários, devendo tais valores serem excluídos e ainda aproveitados os valores de contribuição previdenciária recolhida na sistemática do simples, cita precedente do CARF; A questão da multa por descumprimento de obrigação acessória ausência de declaração de fatos geradores em GFIP, não será sumariado, o que se explicará no voto. Dos pedidos e requerimentos: a) recebimento e processamento do recurso, julgandoo procedente, reformandose a decisão guerreada integralmente com a declaração de insubsistência de todos os DEBCAD’s ; b) requer a produção de todas as provas em direito admitidas; c) requer, ainda, a oportunidade de realizar sustentação oral. Fl. 326DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 327 5 A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 318. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote 03, fls. 320. É o Relatório. Fl. 327DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 328 6 VOTO VENCIDO. Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da Lide. O presente PAF é composto por quatro autos de infrações distintos, sendo que dois que visam exigir as contribuições previdenciárias parte patronal e SAT e a parte descontada dos segurados DEBCAD 37.337.5999 e DEBCAD 37.337.6006, sendo que o terceiro visa arrecadar as contribuições destinadas a outras entidades e fundos – terceiros 37.337.6014, finalmente o quatro repartase ao lançamento de multa, em razão do descumprimento de ver instrumental DEBCAD 37.337.6022 – CFL.68, todos lançados na mesma ação fiscal e integrantes desse PAF, os quais serão julgados em conjunto. Todavia, apenas nas teses que se reportam, exclusivamente, aos lançamentos afastada qualquer análise em razão das teses referentes a exclusão do SIMPLES FEDERAL E NACIONAL, pois essas estão sendo questionadas em outros autos e não são de competência da Segunda Seção de Julgamento do CARF, estando tais teses que não comportam julgamento identificadas no relatório na parte do sumário das teses recursais. A recorrente enganase ao lastrear suas alegações na Lei 9.784/99, pois tal lei não se aplica ao PAF, uma vez que este é regulado pelo Decreto 70.235/72. Aliás, a própria Lei 9.784/99 deixa isso claro, pois em seu artigo 69, dispõe como a seguir transcrito. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger se por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Não fosse isso suficiente a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, também, entende pela inaplicabilidade da Lei 9.784/99 ao PAF, pois esse é regulado por lei específica, observese os arestos. EMEN: REFIS. EXCLUSÃO DE CONTRIBUINTE. INTIMAÇÃO PELO DIARIO OFICIAL DA UNIÃO E POR SÍTIO DA INTERNET. POSSIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 5º DA PORTARIA 9/2001 DO COMITÊ GESTOR. INOCORRÊNCIA. I Na esteira da firme jurisprudência deste colendo Tribunal, "a Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo da Administração Fl. 328DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 329 7 Pública Federal prevê em seu art. 69, que suas normas somente se aplicam subsidiariamente, nos procedimentos regulados por normas específicas. A legislação do Programa de Recuperação Fiscal REFIS, 'regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais' (Lei 9.964/00, art. 2º), ao qual o contribuinte adere mediante 'aceitação plena e irretratável de todas as condições' (art. 3º, IV), prevê a notificação da exclusão do devedor por meio do Diário Oficial e da Internet (Lei 9.964/00, art. 9º, III, c/c art. 5º da Resolução 20/2001 do Comitê Gestor)" (REsp nº 601.208/PR, Relator Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 23/08/2004, p. 137). II No pertinente à inconstitucionalidade alegada, observo que a recorrente eleva a Lei 9.784/99 como a lei respeitadora do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa porque essa lhe é mais benéfica que a Lei 9.964/00 e suas portarias regulamentadoras. Vislumbro que as combatidas portarias realmente trazem um processo mais célere para a comunicação dos atos, mas isso não quer dizer que não respeitem o devido processo legal. Destarte, não vislumbro ofensa aos princípios citados que enseje argüição de inconstitucionalidade para a Colenda Corte. III Agravo regimental improvido. EMEN: (AGRESP 200700543481, FRANCISCO FALCÃO, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:27/08/2008 ..DTPB:.) (destaquei). EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei Fl. 329DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 330 8 específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). Fl. 330DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 331 9 Novamente, equivocase a recorrente a Lei 9.784/99 não é hierarquicamente superior ao Decreto 70235/72, pois, embora, denominado de decreto, isso só se dá no aspecto formal, pois no aspecto material tal decreto é em verdade uma lei, assim se pronunciou o extinto Tribunal Federal de Recursos, veja a decisão. DECRETO N.° 70.235/1972 STATUS LEGAL O Tribunal Federal de Recursos, através da AMS 106.747DF, estabeleceu que o Decreto n.° 70.235/1972 tem status de Lei. O voto proferido pelo eminente Ministro limar Galvão, no referido julgamento, resume a posição adotada por aquela Corte: (grifei). "Cabe, aqui, portanto, a reprodução dos argumentos que foram por mim expendidos na AMS 106.307 DF, onde a questão da competência do Presidente da República para editar normas de processo foi assim enfocada: "O Decretolei n.° 822, de 05/09/69, editado pelos Ministros Militares, com base nos Atos Institucionais n.os 5 e 12, delegou, em seu artigo 2.° (fl. 12), ao Poder Executivo, competência para regular o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais. Achavase o País sob o império de duas ordens jurídicas: uma constitucional e outra institucional. Ambas coexístíam, cada qual operando em seu setor próprio. Entre os poderes atribuídos ao Presidente da República pelo Ato Institucional n.° 5, de 13/12/68, encontravase o de legislar em todas as suas matérias, decretado que fosse o recesso parlamentar (art. 2.°, § 1.°), medida que se concretizou com o Ato Complementar n.° 38, de 13/12/68. No exercício dessas atribuições legislativas, editaram os Ministros Militares, 05/09/69 (quando investidos temporariamente da função de Presidente da República, por força do Ato Institucional n.° 12, de 31/08/69), o Decretolei n.° 822 que, em seu art. 2.°, delegou ao Poder Executivo a competência para regular o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais. Em 17 de outubro de 1969, as mesmas autoridades promulgaram a Emenda Constitucional n.° 01, que entrou em vigor no dia 30 do mesmo mês. Em seu art. 181, III, a aludida emenda aprovou e excluiu de apreciação judicial, entre outros atos, os de natureza legislativa expedidos com base nos atos institucionais e complementares indicados no item 1. Vale dizer que, conquanto haja a nova Constituição vedado a delegação de atribuições (artigo 6.°, parágrafo único) e reservado á lei federal toda a matéria de Direito Processual e de Direito Financeiro (art. 18, § 1.°), permaneceu, como se viu, com plena vigência o Decretolei n.° 822, de 1969. Invocando a delegação contida neste diploma legal, baixou o Presidente da República, em 06/03/72, o Decreto n.° 70.235, (...)"Não é por outro motivo que todas as atualizações, inclusões e revogações em tal decreto são realizadas por MP ou Lei propriamente dita. Fl. 331DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 332 10 Não é por outro motivo que todas as atualizações, inclusões e revogações em tal decreto são realizadas por MP ou Lei propriamente dita. Assim sendo, todos as alegações fundamentadas na Lei 9.784/99 são impertinentes, pois não se coadunam com a legislação de regência do lançamento, ocorrendo divórcio ideológico entre o que dos autos consta e as teses defesa o que inviabiliza o acolhimento do recurso, pois falta pertinência temática, observese o aresto do Supremo Tribunal Federal – STF. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a Fl. 332DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 333 11 norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Por fim, apenas para sedimentar de vez a impossibilidade do reconhecimento de inconstitucionalidade por órgão administrativo, basta ler o que disse o Supremo Tribunal Federal – STF ao tratar da competência do Conselho Nacional de Justiça – CNJ que apesar de órgão da estrutura do judiciária exerce competência administrativa e não judicial, artigo 103B, parágrafo 4º, da CRFB/88. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. INADMISSIBILIDADE. ATRIBUIÇÃO ESTRANHA À ESFERA DE COMPETÊNCIA DESSE ÓRGÃO DE PERFIL ESTRITAMENTE ADMINISTRATIVO. ATUAÇÃO ULTRA VIRES. LEGITIMIDADE DO CONTROLE JURISDICIONAL.PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (PLENO). AUTOGOVERNO DA MAGISTRATURA, PRERROGATIVA INSTITUCIONAL DOS TRIBUNAIS JUDICIÁRIOS E AUTONOMIA DOS ESTADOSMEMBROS: LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS QUE NÃO PODEM SER DESCONSIDERADAS PELO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. LIMINAR MANDAMENTAL E A QUESTÃO DA INVESTIDURA APARENTE. PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA, DA PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ OBJETIVA. CONSEQUENTE SUBSISTÊNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS E/OU JURISDICIONAIS PRATICADOS EM DECORRÊNCIA DO PROVIMENTO CAUTELAR, AINDA QUE EVENTUALMENTE DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. D.2. Indevido exercício da atividade de controle de constitucionalidade e descumprimento do dever de zelar pelo cumprimento da LOMAN. Essa Suprema Corte, por diversas vezes, já declarou ser vedado ao CNJ o exercício de atividade de controle de constitucionalidade, por tratarse o Conselho de órgão com natureza administrativa. Nesse Fl. 333DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 334 12 sentido, em recente decisão, proferida nos autos da medida cautelar no MS 32582, deixou claro o Ministro Celso de Mello que o CNJ não dispõe de competência para exercer o controle incidental ou concreto de constitucionalidade (muito menos o controle preventivo abstrato de constitucionalidade) dos atos do Poder Legislativo. Inobstante, na hipótese presente, como já referido, para a prolação da decisão aqui combatida, o CNJ afastou do ordenamento jurídico pátrio o disposto no artigo 99 da LOMAN que, conforme esclarecido adiante, chancela de forma explícita a correção da atuação do primeiro impetrante , declarando uma suposta inconstitucionalidade do mesmo dispositivo e negando efeitos à sua vigência. Ademais, além do exercício indevido de atividade de controle de constitucionalidade, ao negar vigência a dispositivo da LOMAN, deixou o CNJ, ainda, de exercer competência indelével de zelar pelo cumprimento daquele estatuto, competência esta que lhe é conferida, também de forma explícita, pelo disposto no artigo 103B, § 4, inciso I, da Constituição: (STF MS: 32865 DF , Relator: Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 02/06/2014, Data de Publicação: DJe108 DIVULG 04/06/2014 PUBLIC 05/06/2014) Evidente, assim, que o CARF apesar de órgão judicante, mas por exercer essa competência apenas na função administrativa e não judicial não detém competência para o controle de constitucionalidade seja ele difuso ou concentrado. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de inconstitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Com os esclarecimentos acima fica definidos os teses que não comportam julgamento nesse PAF e assim não serão apreciadas. Preliminares. O Decreto 3.048/99 não define as infrações em leves, médias ou graves, apenas no artigo 283, I e II, ele agrupa as infrações por tipos que específica, estando a sistemática de cálculo das infrações relacionadas a GFIP como no caso do autos estabelecida no artigo 284, daquele diploma em repetição à lei. Contudo, a única sanção aplicada nesse PAF e que está representada pelo DEBCAD 37.337.6022 – CFL.68, está definida e tem sua aferição e mensuração definida no artigo 32, IV, §3º, 4º e 5º, da Lei 8.212/91, como esclarecido pelo agente fiscal lançador em seu REFISC, fls. 61, que a seguir transcrevo. Fl. 334DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 335 13 O porte econômico não é critério estabelecido na lei para a fixação da multa no caso de omissão de fatos geradores em GFIP. Assim sendo, a preliminar deve ser rejeitada, pois improcedente. Ao compulsar os autos e mais especificamente o Relatório Fiscal – REFISC, de fls. 60 a 68, e o Acórdão da DRJ, fls. 227 a 241, percebese que ambos trazem de forma clara, objetiva e explicita, os motivos, critérios, bases e provas para a realização do lançamento e sua manutenção, estando externada as razões e conclusões a que chegaram lançador e julgador a quo, com citação e transcrição de fundamentos jurídicos e doutrinários. A questão da fixação do valor da multa não será detalhada nesse momento, o que explicará mais adiante nesse voto, ficando para a outro momento o esclarecimento em razão do direito subjetivo a multa mínima; ser a recorrente primária, condição econômica e critérios para fixação da multa postergados para outro momento. A autoridade julgadora de primeiro grau motivou e explicitou suas razões e motivos no acórdão que prolatou se forma clara, simples e objetiva inexistindo base para se anular aquele ato decisório, pois os requisitos legais foram atendidos. Inexiste cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de produção de provas posteriores, haja vista que no devido processo legal estabelecido pelo artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72 todo o conjunto probatório que o contribuinte pretende utilizar para lastrear suas alegações deve ser juntado no momento da apresentação da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento salvo as exceções legais. Embora, esse conselho tenha olhado para essa regra com temperamentos e venha aceitando e analisando as provas juntadas depois da fase inaugural do contencioso administrativo. Não obstante, em que pese o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa, conforme o disposto no art.16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 9.532/97,considerase precluso o direito de juntar documentos quando o sujeito passivo não Fl. 335DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 336 14 requerer em primeira instância a juntada posterior e nem apresentar uma das justificativas legais para tanto. Nestes termos, a defesa do contribuinte também deve trazer os documentos comprovadores de seus argumentos, sendo “vedado”, num primeiro momento, fazêlo posteriormente. Exceção a essa regra decorrer das situações em que a prova documental deixou de ser juntada, tempestivamente, em razão de força maior, ou seja, necessária em virtude de fatos ou argumentos supervenientes. Nesse caso, a apresentação da prova deve ser acompanhada de justificativa que demonstre a ocorrência de uma das condições excepcionais, sendo o deferimento da juntada intempestiva sujeita á apreciação da autoridade julgadora. Acolhido o pedido do contribuinte, as novas provas passarão a integrar os autos, devendo ser valoradas e avaliadas por ocasião do julgamento. Se preenchidos os requisitos legais, as novas provas são admitidas mesmo se já houver sido proferida decisão de primeira instância, podendo ser examinadas na fase recursal. Assim é que o direito à prova, assegurado constitucionalmente pela previsão do devido processo legal e da ampla defesa, não se apresenta irrestrito ou infinito. Aliás, inexiste direito com tais características. A própria Constituição estabelece os contornos da liberdade de produção probatória, a principiar pelo veto às provas obtidas por meio ilícito. Falar em direito à prova, portanto, é falar em direito à prova legítima, a ser exercido segundo os procedimentos regulamentados pela lei1. A prova é um ônus da parte cabendo a ela atender as determinações legais de sua produção, não havendo violação de direito quando a própria parte de exercêlo no momento que lhe é determinado em lei. A exemplo da peça recursal a peça impugnatória está dividida em tópicos, até porque a peça recursal é uma composição da peça anterior. Contudo, a decisão proferida pela autoridade julgadora a quo diferentemente do que diz o recorrente, pois afirma este que a autoridade deixou de lado todos os argumentos de fato e de direito apresentados pela defesa, demonstra de forma articulada e lógica os seus fundamentos e conclusões apenas aglutinando vários tópicos da defesa em um único tópico do acórdão como é o caso dos trechos denominados “Das exclusões do SIMPLES” ou “Da intimação e dos princípios constitucionais”, destaque do original, não havendo que se falar em falta e análise do argumentos da defesa. Não fosse isso suficiente o julgador não está adstrato a julgar a causa do forma e modo que quer e pretende a parte, pois a ele cabe exercer o seu livre convencimento motivado. EMEN: PROCESSO CIVIL AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL PARCELAMENTO 1 MENDONÇA, Mauritânia Elvira de Sousa. Processo administrativo fiscal: alguns aspectos importantes. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XV, n. 104, set 2012. Disponível em: <http://www.ambito juridico.com.br/site/index.php/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=12252&revista_caderno=26>. Acesso em mar 2015. Mestranda em Direito Tributário pela PUCSP. Especialista em Direito Tributário pelo IBET. Professora do IBET Instituto Brasileiro de Estudos Tributários e Advogada em Florianópolis/SC Fl. 336DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 337 15 VIOLAÇÃO DO ART. 535, II DO CPC INOCORRÊNCIA. 1. Não há violação do art. 535, II, do CPC quando o tribunal de origem analisa deforma adequada e suficiente a controvérsia apresentada. 2. Em nosso sistema processual, o juiz não está adstrito aos fundamentos legais apontados pelas partes. Exigese apenas que a decisão seja fundamentada, aplicando o julgador a solução por ele considerada pertinente ao caso concreto, segundo o princípio do livre convencimento fundamentado, positivado no art. 131 do CPC. 3. Agravo regimental não provido. ..EMEN: AGARESP 201303393860 AGARESP AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL – 407494 ELIANA CALMON STJ SEGUNDA TURMA DJE DATA:13/12/2013 EMEN: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. I Consoante se verifica dos autos, foi dada vista à impetrante para apresentar contrarazões à apelação interposta pelo INSS, transcorrendo, contudo, o prazo sem qualquer manifestação da parte. Inexistem provas da alegada falsidade da certidão e não é este o meio processual próprio para tal finalidade. II Uma vez reconhecida a constitucionalidade da contribuição para o SAT, o órgão judicante não está adstrito a responder a todos os fundamentos aduzidos pela parte no sentido da inconstitucionalidade da exação. Como é de sabença geral, o julgador não é obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes, mas sim decidir a contenda nos limites da litis contestatio, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento,baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. III Agravo regimental improvido. AGRESP 200500187265 AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 723049 FRANCISCO FALCÃO STJ PRIMEIRA TURMA DJ DATA:23/05/2005 PG:00176 PRIMEIRA TURMA DJ DATA:23/05/2005 PG:00176 (realcei os dois). A competência para o lançamento este definida na Lei 10.593/2002 e tal lançamento se dá sob a determinação do artigo 142, parágrafo único, da Lei 5.172/66, sendo prescindível qualquer participação da PGFN na fase do procedimento fiscal, pois o lançamento tributário, na modalidade de ofício, é direito potestativo do fisco e o contribuinte não tem participação em sua produção, assim diz a lei, a jurisprudência e a doutrina, veja as transcrições abaixo. Lei 5.172/66 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifei). xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE Fl. 337DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 338 16 DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PIS. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ATO FINAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciandose o prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito de lançar é potestativo. Logo, iniciado o procedimento fiscal com a lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial. 4. Súmula TFR 153: "Constituído, no qüinqüênio, através de auto de infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há que se falar em decadência, fluindo, a partir daí, em princípio, o prazo prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos". 5. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso especial.(EDRESP 200900655845, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 14/02/2011) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em Fl. 338DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 339 17 que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. (AGRESP 201001395597, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, 24/11/2010) TRIBUTÁRIO IOF DECADÊNCIA TERMO INICIAL FATO GERADOR DRAWBACK SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE IRRELEVÂNCIA PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO POTESTATIVO AO LANÇAMENTO. 1. O IOF não é tributo inerente à atividade de importação/exportação e não integra, em regra, o Termo de Compromisso, forma de constituição do crédito tributário prevista na legislação aduaneira. 2. O fato gerador do IOF na Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 340 18 operação de câmbio é a a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este, nos termos do art. 63, II, do CTN. 3. A decadência, direito potestativo, não se interrompe, nem se suspende, de modo que o regime aduaneiro de drawback é irrelevante na fixação do termo inicial do prazo para a constituição do crédito tributário. 4. Recurso especial provido.(RESP 200702726133, ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, 18/02/2009) (realcei nos três). xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Para uma melhor compreensão, podese citar o estado de sujeição em que se encontra o contribuinte ao lançamento tributário, não lhe sendo possível impedir o direito de a Fazenda Pública lançar o tributo. Efetuado o lançamento, no entanto, o sujeito passivo poderá simplesmente não realizar o pagamento, frustrando, então, a pretensão da Fazenda. Nesse caso, o prazo para o Fisco efetuar o lançamento tributário (direito potestativo), segundo essa tese, seria de decadência. Já o prazo para a cobrança do crédito tributário não pago (direito a uma pretensão) de prescrição. 2 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx O processo de determinação e exigência do crédito tributário, ou processo de acertamento, ou simplesmente o lançamento tributário, dividise em duas fase: (a) unilateral ou não contenciosa e (b) bilateral, contenciosa ou litigiosa. Este processo também tem recebido a denominação de ação fiscal. A fase não contenciosa é essencial no lançamento de ofício de qualquer tributo. A fase não contenciosa ou unilateral termina com o termo de encerramento de fiscalização, que será acompanhado de um auto de infração nos casos em que alguma infração da legislação tributária tenha sido constatada. Denominase auto de infração o documento no qual o agente da autoridade da Administração tributária narra a infração ou as infrações da legislação tributária atribuídas por ele ao sujeito passivo da obrigação tributária, no período abrangido pela ação fiscal. 3 (todos os grifos são meus). O fato do contribuinte estar nos autos próprios contestando a exclusão do SIMPLES FEDERAL e NACIONAL é irrelevante para os deslinde dos lançamentos, pois uma 2 HABLE, José. Decadência e prescrição no direito civil em confronto com o direito tributário. Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 1941, 24 out. 2008. Disponível em: http://jus.uol.com.br/revista/texto/11878. Auditor tributário da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, graduado em Agronomia pela UFPR, Administração de Empresas pela FAE e em Direito pela CEUB, pósgraduado em Direito Tributário pelo ICAT, mestre em Direito Internacional Econômico pela UCB, professor de Direito Tributário é autor do livro: "A Extinção do Crédito Tributário por Decurso de Prazo" 3 Machado, Hugo de Brito Curso de Direito Tributário 13 Edição Editora Malheiros 1998, pág. 336 e 337. Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 341 19 fez impugnados sua exigibilidade está suspensa e não podem se praticados atos executivos,mas não impede que o fisco lança o tributo direito potestativo e dê vazão ao processo administrativo fiscal, pois, assim, estará dando função ao princípio da celeridade processual e da eficiência da Administração, ambos, de índole constitucional. Aliás, essa, matéria está sumulada no CARF veja a transcrição. Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Ficou esclarecido em passagens precedente que não se aplica ao PAF a Lei 9.784/99 e que o lançamento fiscal e direito potestativo do fisco do qual o contribuinte não participa, salvo, quando ao dever de tolerar o empreendimento fiscal, assim inexiste qualquer nulidade no lançamento. No que tange ao pedido de aproveitamento dos valores recolhidos a título de CPP na sistemática do SIMPLES assiste razão ao contribuinte, tais valores devem ser abatidos desse lançamento nos percentual e valores e na mesma espécie de contribuição, a Súmula CARF transcrita deixa isso claro. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. A data da ciência do ADE é irrelevante para o fim de fixação da data inicial de exigência de contribuições devidas, pois a exclusão retroativa e admitida na legislação de regência da sistemática da contribuição favorecida, assim, deve prevalecer a data do início dos efeitos da exclusão. EMEN: TRIBUTÁRIO. INSTITUIÇÃO DE ENSINO. OPÇÃO PELO SIMPLES À ÉPOCA DA VEDAÇÃO DA LEI N. 9.317/96. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N. 10.034/00. SÚMULA N. 448/STJ. ENTENDIMENTO ADOTADO EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. EFEITO RETROATIVO DO ATO DE EXCLUSÃO DO SISTEMA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência desta Corte já se manifestou, quando do julgamento do REsp n. 1.021.263/SP, na sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido de que a Lei n. 10.034/00, que possibilitou que instituições de ensino optassem pelo SIMPLES não pode ter efeitos retroativos, visto que ela não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 106 do CTN. 2. No caso, a dívida constante do título executivo é do período compreendido entre janeiro de 1997 e fevereiro de 1998, época em que a ora recorrida não poderia ter optado pelo SIMPLES, haja vista a vedação da Lei n. 9.317/99. Assim, é de se reconhecer a possibilidade de atribuição de efeito retroativo ao ato que exclui a sociedade do SIMPLES, visto que desde a época da opção ela não preencheu os requisitos para aderir ao sistema. Precedentes. 3. Recurso especial provido. EMEN:(RESP 201000889514, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:01/09/2010 . (realcei) Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 342 20 O fato gerador da contribuição previdenciária não é a folha de salários, mas sim a prestação do serviços, nos termos do Parecer/CJ Nº 2.952 a seguir transcrito pela ementa. PARECER/CJ Nº 2.952 ASSUNTO: Fato Gerador da Contribuição Previdenciária. Aprovo. Publiquese. Em, 16 de janeiro de 2003. RICARDO BERZOINI EMENTA: SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADO. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA COM A EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. O fato gerador da contribuição previdenciária da empresa incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos e contribuição do empregado sobrevém com a efetiva prestação do serviço, quando surge para a empresa o dever de remunerar o trabalhador. Inteligência dos artigos 22, inciso I, 28 e 30, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (reforcei). A folha de salário é apenas uma das vertentes da expressão econômica da exação. Os valores lançados estão dentro do que determina a lei de custeio da Previdência Social, pois a contribuição é devida sobre a remuneração de empregados e avulsos, caput¸do artigo 22, da Lei 8.212/91. No que se refere ao autônomo ou, hoje, contribuinte individual a exação está determinada no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91, relativamente, a parte patronal e o artigo 4º, caput, da Lei 10.666/2003 na partes descontada do trabalhador. O empregado não tem prólabore essa espécie de retribuição não se aplica a esse tipo de trabalhador. Desta forma, não há razão para qualquer exclusão do lançamento a esse título. Ocorre que antes da apresentação dos autos para julgamento o ordenamento jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigo 48 a 50, na data de publicação da citada lei. O artigo 49 abaixo reproduzido dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32 – A, da Lei 8.212/91. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. O artigo 32 – A citado acima prevê as seguintes infrações, observese o texto legal transcrito. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 343 21 apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Da leitura do texto legal supramencionado verificase que três são as infrações possíveis: apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas, caput do artigo 32 e parágrafo I; deixar de apresentar GFIP, caput do artigo 32 e parágrafo II; apresentar GFIP fora do prazo, caput do artigo 32 e parágrafo II; No caso vertente a recorrente foi autuada por ter praticado a conduta a seguir descrita: apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Com a entrada em vigor do artigo 32 – A como acima citado a infração passou a ter esse descrição: apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, e redação da MP 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas. Observese que a diferença básica está na citação “dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. Ora evidente que se nem todos os dados referentes aos fatos geradores foram declarados é porque houve omissão em relação a alguns deles. Evidenciase, assim, que a infração anterior é idêntica a nova infração, mas apenas com uma outra roupagem e descrição. Desta forma, penso que a multa sobejante desse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 – A e várias são as razões que me levam a essa conclusão. Fl. 343DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 344 22 A uma, porque o artigo 108, I, da Lei 5.172/66 admite o empregado da analogia em matéria tributária, pois como diz o Supremo Tribunal Federal – STF, no AI 835.442 – RJ, 09/04/2013, R. Ministro Luiz Fux. 2. As transcrições revelam similaridade entre este caso e aquele que está com repercussão geral reconhecida. Aplicação das regras de hermenêutica jurídica segundo as quais: Ubi eadem ratio ibi idem jus (onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo direito) e Ubi eadem legis ratio ibi eadem dispositio (onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir). A duas, porque o contribuinte não se defende do dispositivo legal infringido, mas sim da imputação a ele feita e no caso como demonstrado a imputação é a mesma apenas o dispositivo legal é outro, vejase. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITOTRIBUTÁRIO.ANULATÓRIA DE DÉBITO. MULTA. APELAÇÃO CONHECIDA PARCIALMENTE. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF'S. OMISSÃO. LANÇAMENTO DE DÉBITO. REGULARIDADE. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. ARTIGO 115 DO CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. VALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. 1. A apelação da autora merece ser conhecida apenas em parte, pois, veicula, em suas razões, questão dissociada do quanto decidido ao pugnar pela redução do valor da multa, assunto não ventilado no pedido inicial e que refoge aos limites da lide posta. 2. No caso dos autos, a ação foi ajuizada visando a obter a decretação de nulidade da NFLD que aplicou à autora multa pela falta de entrega de DCTF's, em dado período, bem como para determinar a devolução de qualquer valor indevidamente pago a esse título. 3. O CTN admite, no art. 115, que a lei pode estabelecer, no interesse da administração tributária, obrigações acessórias a serem cumpridas pelo contribuinte no sentido de praticar ou não condutas outras, além da obrigação principal, consistente no dever legal de recolher o tributo devido, uma vez ocorrido o fato gerador dessa obrigação. 4. Em face disso, o Decretolei nº 2.065/1983, no art. 11, impôs ao contribuinte a obrigação de informar ao Fisco, por meio de declaração constante de formulário padronizado, no caso, denominado de DCTF, quanto aos seus créditos ou débitos tributários, sob pena de sujeitarse à multa por informação inexata, incompleta ou omitida. 5.Na verdade, referido dever legal já decorria do disposto no Decreto lei nº 1.968/1982, tendo, posteriormente, o Decretolei nº 2.124/1984, autorizado o ministro da Fazenda a eliminar ou instituir outras obrigações acessórias relativas a tributos federais. 6. Verificase, pois, da breve remissão legislativa, que a DCTF não foi instituída por meio da Instrução Normativa nº 73/1994, ou qualquer outra subseqüente, pois, como não poderia deixar de ser, esta apenas baixou normas para esclarecer e orientar os contribuintes quanto ao preenchimento dos formulários com as informações a serem prestadas, inclusive por meio eletrônico. Assim sendo, resta claro que a obrigação de prestar informações ao Fisco, por meio das DCTF's, decorre de lei, não havendo falar em vulneração do princípio da legalidade. 7. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte Regional. 8. No caso dos autos, a notificação de lançamento,emitida em 23.09.1998, não registra vícios, falhas ou irregularidades, posto que a fiscalização Fl. 344DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 345 23 foi minuciosa ao elencar as razões de fato e de direito que ensejaram a lavratura, inclusive com o demonstrativo da apuração do crédito tributário,estando suficientemente motivado a fim de possibilitar a defesa da autora, que não teve dificuldade em impugnar a exigência, não havendo falar ofensa aos princípios da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, nem tampouco configurado qualquer prejuízo ao contribuinte. 9. Frisese, por relevante no caso, que a indicação da base legal da multa ainda que inadequada, incompleta ou até errônea, não invalida o lançamento quando os fatos estiverem devidamente narrados, pois o contribuinte se defende dos fatos e não da capitulação constante da autuação. Ademais, sequer exige fundamentação exaustiva quando restar claro, como no caso em tela, que a multa imposta decorreu do descumprimento da obrigação acessória consistente na entrega das declarações, portanto, aplicada dentro dos parâmetros legais. 10. Ademais, a autuação fiscal constituiuse em ato administrativo e este goza da presunção de legalidade e veracidade que somente pode ser afastada mediante prova robusta a cargo do administrado, e, no caso, não logrou este provar as suas alegações. 11. Em suma, a prestação de informações ao fisco por meio de DCTF's é dever legal, constituindose em obrigação acessória que, uma vez descumprida, sujeita os omissos ao pagamento de multa, impondose, pois, a manutenção da sentença que julgou improcedente o pedido. 12. Conheço em parte da apelação e na parte conhecida, negolhe provimento. AC 00022008319994036114 AC APELAÇÃO CÍVEL – 786915 JUIZ CONVOCADO VALDECI DOS SANTOS TRF3 TERCEIRA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:31/08/2012. TRIBUTÁRIO.EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ NÃO ABALADA. 1 O fato de não constar os dispositivos legais na NFLD não a invalida, pois que, conforme informado fls. 16, estava acompanhada do relatório fiscal no qual relacionados os dispositivos infringidos. Além disso, os fatos imputados foram devidamente descritos, possibilitando, assim a defesa,o exercício do contraditório na via administrativa. Registrase que no âmbito administrativo houve recurso até a segunda esfera recursal. 2 Como bem anotado na sentença, sobre ser Associação Cultural e Recreativa sem fins lucrativos, referida alegação não passou do campo das meras alegações, vez que não cuidou sequer de juntar a documentação a tal respeito. Aliás, registrese, que ao defender participação de funcionários nos fulcros e mesmo sem resultados ele está justamente contradizendo a sua afirmação de não ter fins lucrativos. 3 No tocante à afirmativa da embargante de que nada deve, é ver que, assim como vislumbrado no parágrafo antecedente, ela não fez prova contraria á presunção de certeza e liquidez da certidão de divida ativa, assim não se desincumbindo de ônus probatório que era seu, conforme artigo 333, I, do CPC. 4 Apelação improvida. AC 864106719984010000 AC APELAÇÃO CIVEL – 864106719984010000. JUIZ FEDERAL GRIGÓRIO CARLOS DOS SANTOS. TRF1. 5ª TURMA SUPLEMENTAR. eDJF1 DATA:05/10/2012 PAGINA:1894 (promovi os realces). A três, porque segundo a doutrina citada abaixo a anistia exclui a infração e não a capitulação legal imposta. Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 346 24 “A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao posso que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infrações cometidas anteriormente à vigência da lei, que a decreta.” 4 Aliás,é isso que diz o artigo 180, da Lei 5.172/66, a seguir transcrita. Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando: A quatro, porque além disso temos que observar o que diz o artigo 112, III e IV, da Lei 5.172/66, ou seja, dúvida quanto a imputabilidade e a natureza da penalidade aplicável, assim como a “anistia é perdão da falta, da infração, que impede o surgimento do credito tributário correspondente à multa respectiva [Hugo de Brito, 2006: 248]. Não há razão jurídica para se aplicar a anistia a uma infração e não a outra apenas porque o dispositivo legal é outro. Lembro, ainda, que em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, artigo 32, IV, §5º, mas sim o artigo 32 – A – I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa e isso vem sendo aplicado sistemática pelo menos na 3ª TE/3ª Câmara/2ª Seção/CARF. Destarte, ainda, que por ricochete cabe a aplicação da anistia, pois a infração a subsistir seria a do artigo 32 A – I, conforme consagrada jurisprudência dessa casa. Com esses esclarecimentos, entendo aplicável ao caso a anistia, que em verdade é remissão. Essa é a razão pela qual não sumariei no relatório as razões recursais desse tópico. Destarte, com os esclarecimentos acima afasto parte dos pedidos da recorrente considerandoos improcedentes, salvo quanto o recebimento e processamento do recurso, bem como a determinação de aproveitamento das contribuições recolhidas a título de CPP, na sistemática do SIMPLES FEDERAL e NACIONAL, considerandose as porcentagens e rubricas legais, bem como pela exclusão do lançamento representado pelo DEBCAD 37.337.6022 – CFL.68 , em razão da anistia da Lei 13.097/2015. 4 Direito Tributário Brasileiro. 7a edição. Rio de Janeiro. 1975, p. 533. Fl. 346DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 347 25 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento parcial do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para determinar: I – o aproveitamento do valores recolhidos a título de CPP pela sistemática dos SIMPLES Nacional e Federal, dentro das rubricas e porcentuais admitidos pela lei; II – a exclusão do multa do Auto de Infração DEBCAD 37.337.6022 – CFL.68, em razão da anistia da Lei 13.097/2015. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 347DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 348 26 VOTO VENCEDOR. Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Redator Designado. Não obstante o posicionamento do Ilustre Relator, em relação à desnecessidade de se verificar o resultado do processo de exclusão do simples no. 15983.720152/201144, divirjo do mesmo. Conforme o Relatório apresentado pelo I. Relator, o presente processo é composto por quatro autos de infrações distintos, sendo que dois que visam exigir as contribuições previdenciárias parte patronal e SAT e a parte descontada dos segurados DEBCAD 37.337.5999 e DEBCAD 37.337.6006, sendo que o terceiro visa arrecadar as contribuições destinadas a outras entidades e fundos – terceiros 37.337.6014, finalmente o quatro repartase ao lançamento de multa, em razão do descumprimento de ver instrumental DEBCAD 37.337.6022 – CFL.68, todos lançados na mesma ação fiscal e integrantes desse PAF, os quais serão julgados em conjunto. O I. Relator se refere ao processo de exclusão do SIMPLES, processo no. 15983.720152/201144, de competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF: O tópico denominado pelo contribuinte de “Do SIMPLES FEDERAL – Revogação pela LC nº 123/06 – Da violação ao princípio da legalidade – Nulidade do ADE – Inexistência de motivação legal”, não será objeto de sumario ou análise, pois é questão a ser discutida nos autos próprios de exclusão do Sistema Simples proc: 15983.720152/201144 de competência da Primeira Seção de Julgamento, estando os autos aguardando distribuição, conforme tela anexa, ao final. (grifo meu). (...) Todavia, apenas nas teses que se reportam, exclusivamente, aos lançamentos afastada qualquer análise em razão das teses referentes a exclusão do SIMPLES FEDERAL E NACIONAL, pois essas estão sendo questionadas em outros autos e não são de competência da Segunda Seção de Julgamento do CARF, estando tais teses que não comportam julgamento identificadas no relatório na parte do sumário das teses recursais. Do processo de exclusão do SIMPLES Federal Nos autos do presente processo, informase que, no processo nº 15983.720152/201144, o sujeito passivo foi excluído de ofício do SIMPLES Federal com base na Representação Fiscal para exclusão de ofício do SIMPLES. De acordo com o Ato Declaratório Executivo DRF/STS n. 57, de 08.08.2011, os efeitos da exclusão do SIMPLES Federal ocorrem a partir de 01.02.2007. Nos autos do processo nº 15983.720152/201144, colacionouse o referente processo de exclusão do SIMPLES Federal na qual houve julgamento em 1º grau com o Acórdão de Manifestação de Inconformidade confirmando a exclusão e seus efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/STS n. 57, de 08.08.2011. Em consulta ao sistema MF/RFB/PGFN/CARF/eprocesso, em 14.12.2015, tem se que o processo nº 15983.720152/201144, de exclusão do SIMPLES Federal, encontrase na Seção SECOJ do CARF para distribuição. Fl. 348DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 349 27 Do processo de exclusão do SIMPLES Nacional Outrossim, nos autos do presente processo informase que, no processo nº 15983.720151/201108, o sujeito passivo foi excluído de ofício do SIMPLES Nacional com base na Representação Fiscal para exclusão de ofício do SIMPLES. De acordo com o Ato Declaratório Executivo DRF/STS n. 74, de 16.09.2011, os efeitos da exclusão do SIMPLES Nacional ocorrem a partir de 01.07.2007. Nos autos do processo nº 15983.720151/201108, colacionouse o referente processo de exclusão do SIMPLES Federal na qual houve julgamento em 1º grau com o Acórdão de Manifestação de Inconformidade confirmando a exclusão e seus efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/STS n. 74, de 16.09.2011. Em consulta ao sistema MF/RFB/PGFN/CARF/eprocesso, em 14.12.2015, tem se que o processo nº 15983.720151/201108, de exclusão do SIMPLES Nacional, encontrase na Seção SECOJ do CARF para distribuição. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar o resultado do julgamento do processo administrativo nº 15983.720152/201144, de exclusão do SIMPLES Federal, bem como o resultado do julgamento do processo administrativo nº 15983.720151/201108, de exclusão do SIMPLES Nacional, posto que tal processo produz efeitos diretamente no presente processo nº 15983.720380/201114. Anotese ainda que a competência para o julgamento de processo de exclusão do SIMPLES Nacional é da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme se depreende do art. 2º, V, do Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples Nacional); Fl. 349DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 350 28 VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Outrossim, com fundamento no art. 6º § 5º, Anexo II do RICARF, deve ser observada a necessidade de Diligência Fiscal no caso do processo principal estar localizado em Seção diversa do CARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Fl. 350DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/201114 Resolução nº 2202000.620 S2C2T2 Fl. 351 29 CONCLUSÃO : CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, com fundamento no art. 6º § 5º, Anexo II do RICARF, para que a Secretaria da 1a Seção do CARF informe à Secretaria da 2a Câmara da 2a Seção do CARF o resultado final do julgamento: (i) do processo administrativo nº 15983.720152/201144, de exclusão do SIMPLES Federal, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (ii) do processo administrativo nº 15983.720151/201108, de exclusão do SIMPLES Nacional, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Redator Designado. Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital
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