Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
9137247 #
Numero do processo: 13827.002835/2008-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 DEPENDENTE. CÔNJUGE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Não pode ser considerado dependente na DAA cônjuge que apresentou declaração em separado, devendo nesse caso os rendimentos de cada um serem tributados separadamente nas respectivas declarações.
Numero da decisão: 2001-004.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura e Thiago Buschinelli Sorrentino.
Nome do relator: honorio a brito

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 22 09:00:03 UTC 2022

anomes_sessao_s : 202110

ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 DEPENDENTE. CÔNJUGE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Não pode ser considerado dependente na DAA cônjuge que apresentou declaração em separado, devendo nesse caso os rendimentos de cada um serem tributados separadamente nas respectivas declarações.

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jan 17 00:00:00 UTC 2022

numero_processo_s : 13827.002835/2008-98

anomes_publicacao_s : 202201

conteudo_id_s : 6543315

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 17 00:00:00 UTC 2022

numero_decisao_s : 2001-004.532

nome_arquivo_s : Decisao_13827002835200898.PDF

ano_publicacao_s : 2022

nome_relator_s : honorio a brito

nome_arquivo_pdf_s : 13827002835200898_6543315.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura e Thiago Buschinelli Sorrentino.

dt_sessao_tdt : Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021

id : 9137247

ano_sessao_s : 2021

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 22 11:35:12 UTC 2022

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1722654511461302272

conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-27T21:06:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-12-27T21:06:11Z; Last-Modified: 2021-12-27T21:06:11Z; dcterms:modified: 2021-12-27T21:06:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-27T21:06:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-27T21:06:11Z; meta:save-date: 2021-12-27T21:06:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-27T21:06:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-12-27T21:06:11Z; created: 2021-12-27T21:06:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2021-12-27T21:06:11Z; pdf:charsPerPage: 2190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-27T21:06:11Z | Conteúdo => SS22--TTEE0011 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 13827.002835/2008-98 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2001-004.532 – 2ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 25 de outubro de 2021 RReeccoorrrreennttee LUIZ GONZAGA NINNO DE NEGREIROS IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 DEPENDENTE. CÔNJUGE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Não pode ser considerado dependente na DAA cônjuge que apresentou declaração em separado, devendo nesse caso os rendimentos de cada um serem tributados separadamente nas respectivas declarações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura e Thiago Buschinelli Sorrentino. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2006, ano-calendário de 2005, decorrente da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 32.091,33, das fontes pagadoras Banco Nossa Caixa SA (R$ 28.158,74) e Economus Administradora e Corretora de Seguros (R$ 3.832,59), cuja beneficiária teria sido a esposa do contribuinte, declarada como dependente em sua DAA. Cientificado, o contribuinte entregou impugnação onde alegou, em síntese, que por equívoco fora declarada sua esposa como dependente, uma vez que ela havia entregue declaração em separado na mesma data em que ele transmitiu a sua, que após tomar conhecimento da notificação do lançamento tentou retificar sua declaração e a de sua esposa, só conseguindo fazê-lo para essa ultima, que o que ocorreu foi um erro procedimental. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 28 35 /2 00 8- 98 Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-004.532 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13827.002835/2008-98 Após análise, a DRJ em São Paulo/SP negou provimento à impugnação. Do voto do acórdão nº 17-39.124 da 8ª Turma da DRJ/SP2 (fl. 46 e segs.): “(...) Depreende-se claramente do aludido dispositivo que se trata de faculdade não se de entregar a declaração em conjunto, ou seja, da mera formalidade, mas também da obrigatoriedade de se incluir os rendimentos de ambos. (...) Repise-se: relacionada a pessoa como dependente, obrigatória é a informação dos rendimentos (tributáveis, isentos ou sujeitos à tributação exclusiva/definitiva) recebidos tanto de pessoas jurídicas como físicas. Não tendo o contribuinte informado na DIRPF2006 os rendimentos auferidos pela companheira, é procedente o lançamento decorrente de sua omissão. (...) Assim, a partir do início do procedimento fiscal, tornou-se definitiva a opção do contribuinte pela declaração em conjunto, não podendo mais ser retificada a sua DIRPF, excluindo-a, sendo considerado procedente o lançamento relativo aos rendimentos por ela auferidos. Por fim, cumpre salientar que, diferentemente do que alega o contribuinte, não consta nenhuma declaração entregue pela esposa em 27/04/2006. A única entrega de DIRPF pela esposa ocorreu em 02/06/2008, quando o contribuinte e seus dependentes já estavam fiscalização, confom1e resposta à Solicitação de Retificação de Lançamento interposta pelo contribuinte (fls. 23). (...)” A turma julgadora da DRJ concluiu então pela total improcedência da impugnação. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário ao CARF, fls. 56 e segs. no qual, preliminarmente alega decadência do direito de a \Fazenda Pública constituir o crédito tributário, e no mérito invoca sua boa-fé e afirma que a DIRPF da esposa foi sim enviada em 27/04/2006, e anexa cópia da citada declaração e recibo de entrega. Recebido o recurso, ante as alegações do recorrente de que sua esposa originalmente declarara em separado, logo constara em sua DAA como dependente por equívoco, alegação essa rebatida pela DRJ ao destacar no acórdão não constar declaração transmitida pela esposa antes da notificação do lançamento, esta Turma do CARF, em sessão de 24/02/2021, devolveu o processo em diligência à unidade de origem da Receita Federal, para que fossem respondidos os quesitos estabelecidos no voto do relator. Realizada a diligência na unidade, retornou o processo ao CARF para prosseguimento com as informações solicitadas, consubstanciadas no documento/relatório de fls. 92 e respectiva informação complementar de fl. 111, que a seguir são transcritas. Informação 1207/2021: “Em atendimento à Resolução nº 2001-000.039, de 24/02/2021, foram efetuadas pesquisas nos sistemas informatizados da RFB com vistas à elucidação das questões levantadas, as quais seguem abaixo com as respectivas respostas: 1) Informar se consta ou não nos sistemas internos da Receita Federal registro de transmissão da DIRPF/2006 tendo como titular a esposa do Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-004.532 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13827.002835/2008-98 recorrente, Irene Maria Ressinetti de Negreiros, CPF 058.402.008-24, transmitida ANTES da ciência pelo recorrente da Notificação de Lançamento em questão; Foi constatada a existência de DIRPF em nome de IRENE MARIA RESSINETI NEGREIROS (CPF 058.402.008-24), transmitida em 27/04/2006 às 11:49:54, cujo teor corresponde à DIRPF juntada pelo contribuinte às e-fls. 69/72 (volume I) dos presentes autos; 2) No caso de resposta positiva para o item anterior, informar se na referida declaração foram oferecidos à tributação os valores recebidos pela titular no ano-calendário de 2005 de Banco Nossa Caixa SA (R$ 28.158,74) e Economus Administradora e Corretora de Seguros (R$ 3.832,59), anexando cópia do recibo de transmissão e da ficha de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica. Dos valores questionados, foi declarado apenas o valor de R$ 28.158,74 da fonte pagadora BANCO NOSSA CAIXA S.A (CNPJ: 43.073.394/0001-10). Aliás, esse foi o único valor declarado na seção de rendimentos tributáveis. O valor de R$ 3.832,59 (Economus Administradora e Corretora de Seguros) não foi declarado pela contribuinte. Tais informações constam da declaração completa e seu recibo, anexos à presente informação. 3) Demais informações, esclarecimentos ou documentos que a unidade julgar relevantes para elucidação da questão. Sem mais informações 4) Intimar o recorrente do relatório final da diligência com prazo para que o mesmo possa, caso queira, manifestar-se a respeito. A intimação do contribuinte LUIZ GONZAGA NINNO DE NEGREIROS será feita na sequência. Assim, encerradas as diligências determinadas, a presente informação será encaminhada ao contribuinte, facultando-lhe manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, a partir do que os autos retornarão ao CARF para prosseguimento.” Informação complementar: Trata-se de processo recebido para a realização de diligências, determinadas na Resolução de fls. 86/89. Cumpridas as determinações da Resolução, foi elaborado o relatório de fls. 99/105 e realizada a intimação do contribuinte que, por sua vez, apresentou a manifestação de fls. 110/112. Com base nas alegações do contribuinte, impõe-se a necessidade de elaborar uma informação complementar ao relatório de fls. 99/100: a DIRPF original da Sra. Irene Maria Ressineti de Negreiros, objeto dos questionamentos da Resolução do CARF, de fato, não contém a informação dos rendimentos recebidos pela titular, no ano-calendário de 2005, da PJ Economus Administradora e Corretora de Seguros, no valor de R$ 3.832,59. No entanto, a DIRPF retificadora, do mesmo exercício (fls. 113/117) declarou tais rendimentos, conforme informado pelo contribuinte no item 3 de sua manifestação (fls. 110/112). Assim, cumpridas as diligências determinadas, encaminho os autos em retorno ao CARF para prosseguimento.” Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-004.532 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13827.002835/2008-98 É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. Recebidas as informações após a diligência solicitada, como acima relatado, prossigo na análise da matéria. De fato, ficou claro que, de forma diversa do que considerou a turma julgadora ad quo, a esposa do recorrente havia sim, antes do recebimento da notificação do lançamento por seu marido, transmitido sua DAA separadamente, logo não poderia ter constado como dependente na DAA de seu cônjuge. Assim sendo, o correto teria sido o Fisco ter glosado o desconto por dependente de que se valeu o contribuinte, e não acrescido a seus rendimentos tributáveis os rendimentos da esposa. Eventual indício de omissão desses rendimentos em questão deveria ter sido fiscalizado, se fosse o caso e a critério da Receita Federal, na declaração em separado da esposa. Quanto à sugerida glosa do desconto por dependente, se não foi objeto do lançamento, não pode o julgador administrativo agravar a situação do contribuinte. Deve então ser afastada a infração de omissão de rendimentos, e em consequência exonerado o lançamento. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme acima descrito. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital

score : 1.0
9142943 #
Numero do processo: 10980.720304/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 20 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos quando não restar comprovada a efetiva retenção do imposto de renda por parte da fonte pagadora. IMPOSTO DE RENDA. JUROS MORATÓRIOS DEVIDOS EM RAZÃO DO ATRASO NO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO POR EXERCÍCIO DE EMPREGO, CARGO OU FUNÇÃO. CARÁTER INDENIZATÓRIO. DANOS EMERGENTES. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE Nº 855091/RS, COM REPERCUSSÃO GERAL TEMA 808. DECISÃO DEFINITIVA. SISTEMÁTICA DO ARTIGO 543-B DO CPC/1973. ARTIGO 62, § 2º DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função.
Numero da decisão: 2201-009.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do tributo devido com a exclusão, da base de cálculo da exigência, do montante recebido a título de juros compensatórios pelo pagamento em atraso da verba decorrente do exercício de cargo ou função. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Débora Fófano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Débora Fófano dos Santos

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 22 09:00:03 UTC 2022

anomes_sessao_s : 202112

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos quando não restar comprovada a efetiva retenção do imposto de renda por parte da fonte pagadora. IMPOSTO DE RENDA. JUROS MORATÓRIOS DEVIDOS EM RAZÃO DO ATRASO NO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO POR EXERCÍCIO DE EMPREGO, CARGO OU FUNÇÃO. CARÁTER INDENIZATÓRIO. DANOS EMERGENTES. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE Nº 855091/RS, COM REPERCUSSÃO GERAL TEMA 808. DECISÃO DEFINITIVA. SISTEMÁTICA DO ARTIGO 543-B DO CPC/1973. ARTIGO 62, § 2º DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jan 20 00:00:00 UTC 2022

numero_processo_s : 10980.720304/2009-09

anomes_publicacao_s : 202201

conteudo_id_s : 6545695

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 21 00:00:00 UTC 2022

numero_decisao_s : 2201-009.548

nome_arquivo_s : Decisao_10980720304200909.PDF

ano_publicacao_s : 2022

nome_relator_s : Débora Fófano dos Santos

nome_arquivo_pdf_s : 10980720304200909_6545695.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do tributo devido com a exclusão, da base de cálculo da exigência, do montante recebido a título de juros compensatórios pelo pagamento em atraso da verba decorrente do exercício de cargo ou função. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Débora Fófano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).

dt_sessao_tdt : Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2021

id : 9142943

ano_sessao_s : 2021

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 22 11:35:49 UTC 2022

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1722654512335814656

conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-11T14:34:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2021-12-11T14:34:45Z; Last-Modified: 2021-12-11T14:34:45Z; dcterms:modified: 2021-12-11T14:34:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-11T14:34:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-11T14:34:45Z; meta:save-date: 2021-12-11T14:34:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-11T14:34:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2021-12-11T14:34:45Z; created: 2021-12-11T14:34:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2021-12-11T14:34:45Z; pdf:charsPerPage: 2092; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-11T14:34:45Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.720304/2009-09 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-009.548 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2021 Recorrente JULIO CEZAR AVANCI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos quando não restar comprovada a efetiva retenção do imposto de renda por parte da fonte pagadora. IMPOSTO DE RENDA. JUROS MORATÓRIOS DEVIDOS EM RAZÃO DO ATRASO NO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO POR EXERCÍCIO DE EMPREGO, CARGO OU FUNÇÃO. CARÁTER INDENIZATÓRIO. DANOS EMERGENTES. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DE Nº 855091/RS, COM REPERCUSSÃO GERAL TEMA 808. DECISÃO DEFINITIVA. SISTEMÁTICA DO ARTIGO 543-B DO CPC/1973. ARTIGO 62, § 2º DO RICARF. Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do tributo devido com a exclusão, da base de cálculo da exigência, do montante recebido a título de juros compensatórios pelo pagamento em atraso da verba decorrente do exercício de cargo ou função. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 03 04 /2 00 9- 09 Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Débora Fófano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 36/42) interposto contra decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) de fls. 26/31, que julgou a impugnação improcedente e, consequentemente, manteve o crédito tributário formalizado na notificação de lançamento - Imposto de Renda de Pessoa Física de fls. 18/21, lavrada em 1/10/2007, em decorrência da revisão da declaração de ajuste anual do exercício de 2005, ano-calendário de 2004 (fls. 13/15). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo, no montante de R$ 31.544,72, já inclusos juros de mora (calculados até 28/9/2007) e multa de mora no percentual de 20%, refere-se à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 24.029,66. Na notificação de lançamento consta a seguinte descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 19): Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Regularmente intimado a comprovar os valores compensados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da intimação, foi glosado o valor de R$ 24.029,66 indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, conforme discriminado abaixo: Fonte Pagadora CPF Beneficiário IRRF Retido IRRF Declarado IRRF Glosado 04.287.712/0001-94 - VIA SERVIÇOS INTEGRADOS SC LTDA 872.793.399-72 0,00 24.029,66 24.029,66 TOTAL 0,00 24.029,66 24.029,66 Enquadramento Legal: Arts. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95, arts. 7.°, §§ 1º e 2º e 87, inciso IV, § 2º, e 841, inciso II do Decreto n° 3.000/99 — RIR/99. Da Impugnação Preliminarmente, oportuna a reprodução do teor do despacho de fl. 25 que trata da ciência ao contribuinte do lançamento objeto dos presentes autos: O processo foi devidamente preparado. Uma vez que o sistema SUCOP registra a devolução da intimação de ciência do lançamento, não sendo verificada a afixação de edital para ciência do lançamento e documento comprobatório de ciência pessoal, e que o contribuinte apresentou cópia da Notificação de Lançamento junto a sua petição, declaramos tempestiva a impugnação, em atenção à Nota SRF/COSIT/ASSESSORIA nº 423, de 10/12/1994, considerando a data da impugnação como data de ciência do lançamento. Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Assim, uma vez considerada tempestiva, a impugnação foi apresentada em 2/3/2009 (fls. 2/5), contendo em síntese as seguintes alegações, conforme resumo constante no acórdão recorrido (fl. 27): (...) Alega, o interessado, que o crédito tributário não é justificável, não está baseado em “elementos conclusivos”, mas em “provas indiciárias, devendo ser acatados os documentos idôneos, aduzindo que não agiu de má-fé ou com o intuito de ferir os ditames do erário”. Pede que não se aplique o disposto nos arts. 788, 835, 836, 837, 838, 839, 841, 844, 871, 926 e 992 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 1999), “fazendo constar-se das penalidades previstas nos artigos da Lei”. Suscita “nulidade do termo de intimação”, argumentando que “os documentos existem totalmente idôneos, que atende assim todas as exigências pertinentes dentre a RFB”, acusando de ilegal o ato administrativo, dizendo que “o contribuinte estava na ocasião perfeitamente munidos de documentação fiscal, prova disto esta na notificação e contato mantido com o agente de fiscalização, e, que por duas vezes o contribuinte encaminhou-se ao órgão acobertado pela documentação, dando explicações do que fora cientificado e apresentando documentação através da RT Nº 23.222/1997 ao auditor RUI”. Acerca desse tópico, cita doutrina relativa aos elementos do ato administrativo, do “mérito administrativo”, do “motivo vinculado”, do “ato válido” e do “ato nulo”. Pugna pela inexigibilidade da multa aplicada, distinguindo infrações a obrigações principais e a obrigações acessórias, que qualifica, respectivamente, como substanciais e formais, alegando que, em face do art. 5º, XXXIX, da Constituição Federal, há necessidade de que o ato praticado esteja tipificado na lei. Diz que a multa aplicada é excessiva, uma vez que não teria infringido legislação alguma, transcrevendo ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes acerca de depósito judicial para o cumprimento de litígio trabalhista. Conclui que não feriu os “ditames da legislação”, que não cabe a lavratura de auto de infração, não houve lesão ao erário federal, considerando ser injurídica a pretensão fiscal. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação da defesa, a DRJ em Curitiba/PR, em sessão de 28 de fevereiro de 2012, julgou a impugnação improcedente (fls. 26/31), conforme ementa do acórdão proferido, a seguir reproduzida (fl. 26): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004 RETENÇÃO DE IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo comprovação de retenção de imposto de renda na fonte, descabe a dedução na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Intimado da decisão da DRJ em 12/3/2012, conforme AR de fl. 35, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 23/3/2012 (fls. 36/41), acompanhado de documentos de fls. 42/162, com os mesmos argumentos da impugnação, a seguir sintetizados: i) nulidade do termo de intimação; ii) inexigibilidade da multa aplicada e iii) natureza indenizatória dos juros de mora. Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 No “Pedido de Revisão de Lançamento”, datado de 20/3/2012 (fl. 42), apresentado junto com o recurso voluntário, o Recorrente alega que na primeira fase de defesa foi-lhe negada a oportunidade de apresentação da SRL. Confirma ter comparecido no órgão acobertado por ordem documental, expondo e clamando pela SRL, o que poderia retificar a sua DIRPF. Solicita considerar o fato de ter tomado as providências pertinentes, pleiteando a revisão do auto, já que cumpriu suas obrigações. Por meio da Resolução nº 2201-000.383, em sessão de 9 de outubro de 2019, este colegiado resolveu converter o julgamento do processo em diligência, para que a unidade preparadora prestasse esclarecimentos e juntasse aos presentes autos cópias dos seguintes documentos (fls. 164/169): (...) Tendo em vista a informação constante no ofício emitido pela 11ª VT de Curitiba, emitido em 22/6/2005, dirigido ao Delegado da Receita Federal em Curitiba (fl. 45), de que foram pagos ao ora Recorrente, nos autos de RT nº 23.222/1997, os valores de RS 94.531,05 e RS 41.503,13 nas datas de 7/5/2004 e 6/12/2005, totalizando 2 parcelas e que foi comprovado o recolhimento do imposto de renda retido na fonte, no importe de R$ 25.553,74, na data de 31/10/2003, há a necessidade de converter o julgamento em diligência para a unidade: a) em relatório circunstanciado, informar os valores que foram declarados pelo contribuinte nos anos-calendário de 2003 e 2005 e o valor do imposto de renda retido na fonte do qual já se beneficiou em relação aos rendimentos da reclamatória trabalhista; b) juntar ao processo cópias integrais das declarações de ajuste anual dos anos- calendário de 2003 e 2005 e retificadoras, se houver; e c) juntar ao processo cópias das Dirfs entregues nos anos-calendário de 2003, 2004 e 2005 em nome do contribuinte. (...) Em atendimento ao solicitado foram juntadas aos autos cópias de documentos (fls. 173/347) e do termo de Informação Fiscal (fl. 348/349) e o processo retornou para seguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Observa-se que no recurso interposto o contribuinte reiterou os argumentos da impugnação e trouxe elemento novo que é a alegação de que lhe foi negada a apresentação da Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL). Com efeito, em relação à tal ponto o recurso não será conhecido, por ofensa ao disposto no artigo 17 c/c artigo 33, ambos do Decreto 70.235 de 1972 1 , por configurar verdadeira inovação à lide. 1 DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências. (...) Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 PRELIMINAR Nulidade do Termo de Intimação O Recorrente alega ter atendido as exigências fazendo menção ao Termo de Intimação Fiscal nº 2006/609163088431047, datado de 6/10/2008, que diz ter cumprido em 10/11/2008 (fl. 44), cuja cópia foi apresentada juntamente com os demais documentos da ação judicial somente com o recurso voluntário. Tal argumento juntamente com a documentação comprobatória somente foi apresentado em sede de recurso voluntário. Conforme se depreende da cópia do referido termo de intimação, nele o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação referente ao exercício de 2006, ano- calendário de 2005, no prazo de 5 (cinco) dias úteis a contar do recebimento do termo (fls. 44 e 195). Segundo informações constantes no extrato de fl. 179, a ciência ocorreu em 14/10/2008 (terça-feira), com termo final do prazo de atendimento em 20/10/2008 (segunda- feira). Ocorre, todavia, que o lançamento formalizado nos presentes autos se refere ao exercício de 2005, ano-calendário de 2004, de modo ser impertinente ao presente lançamento tal alegação do contribuinte de ter atendido a intimação no prazo solicitado. Quanto à notificação de lançamento nº 2005/609440241053087, lavrada em 1/10/2007, o motivo da glosa da compensação de imposto de renda retido na fonte, informado pela autoridade lançadora, foi exatamente a falta de atendimento à intimação fiscal, uma vez que não foi informado em Dirf entregue pela fonte pagadora o valor do imposto de renda que o contribuinte pretendeu compensar (fl. 9). Assim, não há qualquer irregularidade no ato administrativo, uma vez que a alegada documentação fiscal, referente à rendimentos auferidos em processo de reclamatória trabalhista – processo RT nº 23.222/1997 da 11ª Vara da Justiça do Trabalho, foi encaminhada somente com a apresentação da impugnação, ou seja, após a lavratura da notificação de lançamento. O Recorrente suscita a nulidade do lançamento pelo descumprimento do disposto no artigo 23, § 4º do Decreto nº 70.235 de 19722, por violação ao artigo 5º, incisos LIV e LV da Constituição Federal3. Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. 2 Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) § 4º Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Nos termos do artigo 142 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No âmbito do processo administrativo fiscal são tidos como nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Desta forma, para serem considerados nulos os atos, termos e a decisão têm que ter sido lavrados por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos existir fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Também não houve qualquer cerceamento do direito de defesa, posto que a matéria está sendo rediscutida no presente recurso pelo contribuinte, não havendo que se falar ainda em supressão de instâncias. A notificação de lançamento foi encaminhada por via postal para o endereço do contribuinte indicado no cadastro da Receita Federal, sendo devolvida ao emitente com a informação de ausência do destinatário (fl. 22). Acerca da validade da ciência por via postal, assim dispõe a Súmula CARF nº 9: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim não há qualquer nulidade o fato de ter sido encaminhada a notificação de lançamento para o endereço informado pelo contribuinte. Conforme despacho de fl. 25 da unidade preparadora, ante a informação constante nos sistemas de informação da Receita Federal ( SUCOP) da devolução da intimação, não tendo 3 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 sido emitido edital ou documento comprobatório de ciência pessoal, a ciência da notificação de lançamento foi considerada na data da apresentação da impugnação, nos termos do disposto na Nota SRF/COSIT/ASSESSORIA nº 423 de 10/12/1994. À vista do até aqui exposto, não assiste razão ao contribuinte. MÉRITO Conforme consignado em linhas pretéritas, o presente processo trata de lançamento de glosa de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 24.029,66, indevidamente compensado, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pela fonte pagadora em Dirf. Com o recurso voluntário o contribuinte apresentou uma série de documentos referentes reclamatória trabalhista em face de “Unibanco – União de Bancos Brasileiros S/A e outros 2 réus”, distribuída para 11ª Vara do Trabalho de Curitiba, merecendo destaque os que seguem: a) Ofício emitido pela 11ª VT de Curitiba, emitido em 22/6/2005, dirigido ao Delegado da Receita Federal em Curitiba, contendo informação de que em virtude de acordo/sentença nos autos 11RT23222/RT, foram pagos ao autor Julio Cezar Avanci os valores a seguir discriminados: RS 94.531,05 e RS 41.503,13 na(s) data de 7/5/2004 e 6/12/2005, totalizando 2 parcela(s) pelo réu Unibanco União de Bancos Brasileiros AS, bem como que foi comprovado nos autos o recolhimento do imposto de Renda Retido na Fonte pela parte Júlio Cezar Avanci, no importe de R$ 25.553,74, na(s) seguinte(s) parcela(s): R$ 25.553,74, na(s) data(s) de 31/10/2003 (fl. 45). b) Demonstrativo de liberação de fl.127, apresenta as seguintes informações: RT 23222/1997 DEMONSTRATIVO DE LIBERAÇÃO DESCRIÇÃO VALOR DEPÓSITO R$139.045,73 AO AUTOR R$93.417,35 DEPÓSITO FLS. 447 R$10.976,35 SUB TOTAL AO AUTOR R$ 82.441,00 TOTAL DO VALOR INCONTROVERSO R$93.417,35 SALDO DEPOSITO FLS. 467 R$45.628,38 c) Guia de retirada emitida em 5/5/2004, favorecido: Julio Cezar Avanci – autor, no valor de R$ 10.976,35, valor corrigido levantado R$ 11.342,00, conforme autenticação bancária em 7/5/2004 (fl. 128). d) Guia de retirada emitida em 5/5/2004, favorecido: Julio Cezar Avanci – autor, no valor de R$ 82.441,00, valor corrigido levantado R$ 83.189,05, conforme autenticação bancária em 7/5/2004 (fl. 129). e) Guia de retirada emitida em 1/12/2005, favorecido: Julio Cezar Avanci – autor, no valor de R$ 36.099,43, sem autenticação bancária (fl. 139). Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 f) Darf código 8019 – custas Justiça do Trabalho – R$ 2.719,11, recolhida em 12/12/2005 (fl. 144) Deve-se deixar registrado que não foram apresentados os seguintes documentos: a) Demonstrativo de cálculos do imposto de renda elaborado pelo perito judicial, com homologação da justiça; b) Alvará de levantamento e c) Darf do valor do imposto de renda recolhido, mencionado no ofício da justiça no valor de R$ 25.553,74. Ressalte-se que no demonstrativo de atualização monetária de fl. 149 o valor do imposto de renda está zerado. Por sua vez, o contribuinte informou na declaração de ajuste anual o valor de imposto de renda retido de R$ 24.029,66, que foi glosado por falta de comprovação. Outra observação pertinente consiste no fato do contribuinte ter declarado o valor de rendimentos tributáveis de R$ 84.661,73, e os dois levantamentos realizados no ano-calendário de 2004, conforme documentos anexos ao presente processo de R$ 11.342,00 (fl. 128) e R$ 83.189,05 em 7/5/2004 (fl. 129), totalizarem o montante de R$ 94.531,05. Em virtude dessas considerações o processo foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 2201-000.383 de 9/10/2019 (fls. 164/169), com o objetivo da unidade do domicilio do contribuinte prestar os esclarecimentos abaixo: a) Em relatório circunstanciado, informar os valores que foram declarados pelo contribuinte nos anos-calendário de 2003 e 2005 e o valor do imposto de renda retido na fonte do qual já se beneficiou em relação aos rendimentos da reclamatória trabalhista; b) Juntar ao processo cópias integrais das declarações de ajuste anual dos anos- calendário de 2003 e 2005 e retificadoras, se houver; e c) Juntar ao processo cópias das Dirfs entregues nos anos-calendário de 2003, 2004 e 2005 em nome do contribuinte. Em atendimento a unidade preparadora anexou cópias de documentos (fls. 173/347) e prestou as seguintes informações por meio do termo de Informação Fiscal (fls. 348/349): Em atendimento à Resolução nº 2201-000.383 da 2a Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, que converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, verificou-se que o contribuinte não apresentou a Declaração de Ajuste Anual do IRPF - DIRPF relativa ao exercício 2004, ano-calendário 2003, conforme telas de consulta às fls. 173/175. Quanto ao exercício 2006, ano-calendário 2005, na DIRPF original ND 09/16.308.843, o interessado apresentou rendimentos decorrentes de reclamatória trabalhista no importe de R$ 15.336,04 e compensou IRRF no valor de R$ 3.935,32, recebidos de União de Bancos Brasileiros S/A, CNPJ 04.287.712/0001-94 (fls. 180/183). Entretanto, em procedimento de revisão de declaração, da qual resultou a Notificação de Lançamento nº 2006/609450844924069, foi constatada a omissão de rendimentos acumulados derivados da ação trabalhista no valor de R$ 8.456,93, tendo em vista que o total apurado de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente corresponde a R$ 23.792,97 (fls. 184/190). Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Além disso, a notificação apontou também a infração decorrente da compensação indevida do IRRF no valor total de R$ 3.935,32, pois o contribuinte não apresentou as guias de retirada nem o respectivo DARF. Ressalte-se que na descrição dos fatos consta ainda a informação de que não foi encontrado o recolhimento do IRRF no valor de R$ 25.553,74 em 31/10/2003 no banco de dados Sinal 08 e 09 da Receita Federal. No que se refere ao Sistema DIRF, informo que não foram localizadas informações de fontes pagadoras relacionadas a rendimentos decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho para os anos-calendário 2003, 2004 e 2005, conforme telas de consulta às fls. 191/194. Note-se, por fim, que o dossiê contendo os documentos analisados no curso do procedimento fiscal relativo ao exercício 2006, ano-calendário 2005 foi juntado às fls. 195/347. Na declaração de ajuste anual do exercício de 2005, ano-calendário de 2004 o contribuinte informou ter recebido os seguintes rendimentos e retenção de imposto de renda na fonte (fl. 13): No caso concreto, os documentos apresentados pelo contribuinte atestam apenas a existência de reclamatória trabalhista, comprovam que houve levantamento pelo reclamante/contribuinte, em 7/5/2004 , do valor de R$ 94.531,05, sendo R$ 11.342,00 (fl. 128) e R$ 83.189,05 (fl. 129), mas não comprovam o valor do imposto de renda retido declarado de R$ 24.029,66. Convém ressaltar que os documentos e demonstrativos de fls. 149, 221/251 não deixam dúvidas de que, sobre os valores levantados, não houve a retenção do imposto de renda. O ponto que parece decisivo a questão sub examine é o fato da própria juíza do trabalho, ao homologar os cálculos apresentados pelo perito-calculista, afirmar expressamente que o valor principal corresponde ao valor bruto, conforme verifica-se na reprodução da sentença abaixo (fl. 244), decorrendo daí todas as atualizações de cálculos constantes no processo: Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Cumpre observar, por derradeiro, a informação prestada pela unidade de preparo de não constar registo nos sistemas informatizados da Receita Federal recolhimento do valor de R$ 25.553,74 em 31/10/2003 e nem terem sido encontradas Dirf de fontes pagadoras relacionadas aos rendimentos decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho (fls. 348/349). Nos termos do disposto no artigo 12, V da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, a seguir reproduzido, o contribuinte pode deduzir na declaração de ajuste anual o valor do imposto de renda retido na fonte ou o pago correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...) V - o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...) Pertinente também a transcrição do artigo 87 do Decreto nº 3.000 de 1999 (vigente durante o ano calendário em análise, revogado pelo Decreto nº 9.580 de 2018), nos seguintes termos: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...); IV - o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; (...) § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Da leitura dos dispositivos legais acima, a compensação do IRRF está condicionada à comprovação dos seguintes fatos: a) recebimento dos rendimentos, bem como da retenção do IRRF a eles correspondente; Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art12 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art12 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#rt7%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art8%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art8%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7450.htm#art55 Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 b) oferecimento de tais rendimentos à tributação na declaração de ajuste anual e c) que a mencionada retenção se deu em função dos rendimentos individualmente recebidos em nome do suposto pleiteante. Em virtude dessas considerações, tem-se que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório nos termos do disposto no artigo 373 da Lei nº 13.105 de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), uma vez que não logrou êxito em comprovar a retenção de imposto de renda sofrida e da qual pretendia se beneficiar, não merecendo reparo o acórdão recorrido. Inexigibilidade da Multa Aplicada Não assiste razão ao Recorrente, tendo em vista que regularmente intimado, não atendeu a solicitação do fisco e deixou de comprovar mediante documentação hábil e idônea a retenção de imposto de renda pleiteada na declaração de ajuste anual, sujeitando-se ao lançamento de ofício e, por conseguinte, à aplicação não só da multa de mora no percentual equivalente à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a vinte por cento, prevista no artigo 61, caput da Lei nº 9.430 de 1996 e artigo 18 da Lei nº 10.833 de 2003, e também dos juros de mora no percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, nos termos do artigo 61, § 3º da Lei nº 9.430 de 1996. Natureza Indenizatória dos Juros de Mora O Recorrente insurge-se contra os juros de mora recebidos na reclamatória trabalhista, alegando sua natureza indenizatória pois correspondem à reparação pelo retardamento na observância do direito, assumindo contornos de reembolso. Em julgamento ocorrido em 15/3/20214, o Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que os juros de mora incidentes em verbas salariais e previdenciárias pagas em atraso têm caráter indenizatório e não acréscimo patrimonial, não compondo a base de cálculo do imposto de renda. A decisão ocorreu no âmbito do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 855091/RS, com repercussão geral - Tema 808 - cuja ementa e acórdão, seguem abaixo reproduzidos: EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão Geral. Direito Tributário. Imposto de renda. Juros moratórios devidos em razão do atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Caráter indenizatório. Danos emergentes. Não incidência. 1. A materialidade do imposto de renda está relacionada com a existência de acréscimo patrimonial. Precedentes. 2. A palavra indenização abrange os valores relativos a danos emergentes e os concernentes a lucros cessantes. Os primeiros, correspondendo ao que efetivamente se perdeu, não incrementam o patrimônio de quem os recebe e, assim, não se amoldam ao conteúdo mínimo da materialidade do imposto de renda prevista no art. 153, III, da Constituição Federal. Os segundos, desde que caracterizado o acréscimo patrimonial, podem, em tese, ser tributados pelo imposto de renda. 3. Os juros de mora devidos em razão do atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função visam, precipuamente, a recompor efetivas perdas (danos emergentes). Esse atraso faz com que o credor busque meios alternativos ou mesmo heterodoxos, que atraem juros, multas e outros passivos ou outras despesas 4 Cujo Acórdão foi publicado em 8/4/2021. Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 ou mesmo preços mais elevados, para atender a suas necessidades básicas e às de sua família. 4. Fixa-se a seguinte tese para o Tema nº 808 da Repercussão Geral: “Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função”. 5. Recurso extraordinário não provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão virtual do Plenário de 5 a 12/3/21, na conformidade da ata do julgamento e nos termos do voto do Relator, Ministro Dias Toffoli, por maioria, apreciando o Tema nº 808 da Repercussão Geral, em negar provimento ao recurso extraordinário, considerando não recepcionada pela Constituição de 1988 a parte do parágrafo único do art. 16 da Lei nº 4.506/64 que determina a incidência do imposto de renda sobre juros de mora decorrentes de atraso no pagamento das remunerações previstas no artigo (advindas de exercício de empregos, cargos ou funções), concluindo que o conteúdo mínimo da materialidade do imposto de renda prevista no art. 153, III, da Constituição Federal de 1988 não permite que ele incida sobre verbas que não acresçam o patrimônio do credor. Ademais, acordam os Ministro em conferir ao § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713/88 e ao art. 43, inciso II e § 1º, do CTN, interpretação conforme à Constituição Federal, de modo a se excluir do âmbito de aplicação desses dispositivos a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora em questão. Vencido o Ministro Gilmar Mendes. Foi fixada a seguinte tese: "Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função". Em decorrência do referido julgado, a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu o Parecer SEI nº 10167/2021/ME, cuja ementa e excertos seguem abaixo reproduzidos: Documento Público. Ausência de sigilo. Tese em repercussão geral – Tema 808 – RE nº 855.091/RS. Incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios devidos sobre o recebimento em atraso de remuneração pelo exercício de emprego, cargo ou função. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Arts. 19, VI, “a”, e 19-A, I, da Lei nº 10.522/2002; art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502/2014. Parecer para efeitos do art. 3º, § 3º, da Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 1/2014. Pendência da publicação de acórdão que julgou os Embargos de Declaração. Processo SEI nº 10951.102873/2021-01 (...) 6. Em 19/06/2021, foi concluído o julgamento virtual dos Embargos de Declaração, tendo o STF afirmado inexistente qualquer das hipóteses de cabimento do recurso. Ademais, não foi reconhecida a modulação dos efeitos do julgado sob o fundamento de que o acórdão embargado preserva a confiança firmada em decisão administrativa da sua Secretaria referendada desde 2008 e, portanto, anterior ao julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento submetido à sistemática do então vigente art. 543-C, do CPC, bem como de seus próprios pronunciamentos anteriores que não reconheceram a existência de matéria constitucional apta a inaugurar a sua competência. (...) - III – Dos fundamentos constitucionais e legais adotados na análise do mérito Fl. 363DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 21. No mérito do julgado, para fundamentar a não incidência do tributo sobre os juros moratórios, o STF adotou o seguinte raciocínio: a) o art. 153, III, da Constituição Federal define a competência da União para instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza; b) o art. 43 do CTN estabelece o fato gerador do referido imposto e o inciso II do dispositivo prevê a incidência sobre proventos de qualquer natureza. Já o § 1º esclarece que a incidência do tributo independe da denominação dada à receita ou ao rendimento; c) o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 4.506/1964 classifica os juros de mora e quaisquer outras indenizações como rendimentos do trabalho para fins de incidência do IR; d) já o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713/1993 define como rendimento bruto para fins de incidência do tributo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados; e) a “expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da dívida em dinheiro. Para o legislador, o não recebimento nas datas correspondentes dos valores em dinheiro aos quais tem direito o credor implica prejuízo para ele”; f) o prejuízo adviria do ato ilícito de não pagar a verba na data correspondente a qual tem direito o credor; g) portanto, os juros de mora são uma recomposição de perdas decorrentes do prejuízo do recebimento de verbas em atraso, que não implicam no aumento do patrimônio do credor, portanto, excluídos da incidência do Imposto de Renda. 22. Sob tais fundamentos, foi declarada a não recepção do art. 16 da Lei nº 4.506/1964 e a interpretação conforme a Constituição de 1988 do art. 3º, § 1º, da Lei nº 7.713/88 e ao art. 43, II e § 1º, do CTN, para excluir do âmbito de suas aplicações a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora. 23. A exclusão abrangente do tributo sobre os juros devidos em quaisquer pagamentos em atraso, faz, portanto, com que seja indiferente a natureza da verba que está sendo paga. Uma vez que seja reconhecida como devida a verba pleiteada, seja em reclamatória trabalhista ou não, exclui-se a incidência do imposto sobre os juros de mora devidos pelo atraso no seu pagamento. Diferentemente da jurisprudência anteriormente consolidada, pouco importa a natureza da verba principal ou se o reconhecimento de seu pagamento se dá no contexto de decisões proferidas em reclamatórias trabalhistas. 24. E, mais, a formação da tese em termos amplos e descolados do pedido inicial da demanda, mostra que sequer faz-se necessário que o reconhecimento do pagamento em atraso decorra de decisão judicial. 25. Em suma, a tese firmada é de que “não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função” e tem sua aplicação ampla e irrestrita. 26. Mesmo diante da oposição dos Embargos de Declaração pela Fazenda Nacional, foi mantido o entendimento com a finalidade de preservar a confiança conferida a decisões de órgãos administrativos, em detrimento da observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa e do respeito à sistemática de formação de precedentes judiciais de força vinculante. 27. Considerando o acima disposto, já é possível depreender a tese majoritária e atualizar as orientações constantes da matéria no SAJ, ainda que pendente a publicação dos Embargos de Declaração, uma vez que estes não resultaram em alteração do conteúdo do julgado: 1.22 i) Juros de mora Fl. 364DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-009.548 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.720304/2009-09 Abrangência: Tema com dispensa de contestar e recorrer, conforme entendimento do STF, proferido no RE 855.091 em repercussão geral (Tema 808) Resumo: O STF fixou a tese de que “não incide Imposto de Renda Pessoa Física sobre os juros de mora devidos pelo pagamento em atraso de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função”. Referência: Parecer XXXXX Data de início da vigência da dispensa: XXXX. 28. Ademais, para fins de cumprimento da decisão, destaca-se que os procedimentos administrativos suspensos em razão do despacho de 10/09/2018 do Min. Relator, devem seguir seu curso com a devida aplicação do entendimento firmado pelo STF, em analogia do que preconiza o art. 1.040, III, do Código de Processo Civil. (...) Em suma, a tese firmada pelo STF é de que “não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função” e tem sua aplicação ampla e irrestrita. A decisão dos embargos opostos transitou em julgado em 9/10/2021. Deste modo, o entendimento fixado pelo STF no sentido de que “não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função” deve ser aqui reproduzido por força do artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 junho de 2015, abaixo reproduzida: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) No caso concreto, os juros estão vinculados à verbas trabalhistas pagas em atraso, no contexto de rescisão do contrato de trabalho, que por força do referido julgado do STF, não se sujeitam ao imposto de renda. Conclusão Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, vota-se em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo devido com a exclusão, da base de cálculo da exigência, do montante recebido a título de juros compensatórios pelo pagamento em atraso da verba decorrente do exercício de cargo ou função. Débora Fófano dos Santos Fl. 365DF CARF MF Documento nato-digital

score : 1.0
9142700 #
Numero do processo: 16349.000218/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 20 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 3201-009.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, reverter as glosas de créditos relativos (i) à contratação de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo junto à empresa Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento de São José dos Campos prestados pela empresa Wilport Operadores Portuários Ltda; II) por maioria de votos, reverter as glosas de (i) créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores e (ii) créditos relativos a fretes vinculados à armazenagem, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Carlos Delson Santiago, que negavam provimento nesses itens; e (III) por maioria de votos, reverter as glosas referentes a fretes tributados nas aquisições de mercadorias sujeitas à alíquota zero, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Carlos Delson Santiago, que negavam provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.425, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16349.000234/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente em exercício e Relator).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 22 09:00:03 UTC 2022

anomes_sessao_s : 202111

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s :

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jan 20 00:00:00 UTC 2022

numero_processo_s : 16349.000218/2009-18

anomes_publicacao_s : 202201

conteudo_id_s : 6545670

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 21 00:00:00 UTC 2022

numero_decisao_s : 3201-009.426

nome_arquivo_s : Decisao_16349000218200918.PDF

ano_publicacao_s : 2022

nome_relator_s : Hélcio Lafetá Reis

nome_arquivo_pdf_s : 16349000218200918_6545670.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, reverter as glosas de créditos relativos (i) à contratação de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo junto à empresa Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento de São José dos Campos prestados pela empresa Wilport Operadores Portuários Ltda; II) por maioria de votos, reverter as glosas de (i) créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores e (ii) créditos relativos a fretes vinculados à armazenagem, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Carlos Delson Santiago, que negavam provimento nesses itens; e (III) por maioria de votos, reverter as glosas referentes a fretes tributados nas aquisições de mercadorias sujeitas à alíquota zero, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Carlos Delson Santiago, que negavam provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.425, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16349.000234/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente em exercício e Relator).

dt_sessao_tdt : Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021

id : 9142700

ano_sessao_s : 2021

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 22 11:35:47 UTC 2022

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1722654512359931904

conteudo_txt : Metadados => date: 2022-01-19T20:42:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-01-19T20:42:49Z; Last-Modified: 2022-01-19T20:42:49Z; dcterms:modified: 2022-01-19T20:42:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-01-19T20:42:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-01-19T20:42:49Z; meta:save-date: 2022-01-19T20:42:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-01-19T20:42:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-01-19T20:42:49Z; created: 2022-01-19T20:42:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; Creation-Date: 2022-01-19T20:42:49Z; pdf:charsPerPage: 2164; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-01-19T20:42:49Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16349.000218/2009-18 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-009.426 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2021 Recorrente MONSANTO DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO A CRÉDITO. Na não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os requisitos da lei, dentre eles terem sido os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e terem sido tributados pela contribuição na aquisição. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO DE NOVAS RECEITAS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. (Súmula CARF nº 159) CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES OU DEMONSTRATIVOS. DESNECESSIDADE. Os créditos podem ser apropriados extemporaneamente, independentemente de retificação de declarações ou demonstrativos, mas desde que comprovada a sua não utilização em períodos anteriores, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. INSUMO ADQUIRIDO COM ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de insumos submetidas à alíquota zero não geram direito a desconto de crédito da contribuição não cumulativa. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito da contribuição os dispêndios com armazenagem em operações de venda, abarcando, além dos custos decorrentes da utilização de um determinado recinto, os gastos relativos a operações correlatas, como carga e descarga, conservação, organização etc., observados os demais requisitos da lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 18 /2 00 9- 18 Fl. 2382DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços de frete dispendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos sujeitos à alíquota zero, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO VÍNCULO COM A PRODUÇÃO. Geram direito a crédito da contribuição as contratações de serviços de frete vinculados ao processo produtivo, razão pela qual não se incluem nessa hipótese os gastos com transporte de itens não afetos ao objeto social da pessoa jurídica. CRÉDITO. MÃO DE OBRA TERCEIRIZADA. INSUMOS. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito da contribuição os dispêndios com a contratação de empresa para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, observados os demais requisitos legais, CRÉDITO. SERVIÇOS. MOVIMENTAÇÃO INTERNA AO PARQUE FABRIL. USO DE EMPILHADEIRAS. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os serviços de operação de empilhadeiras na movimentação de estoques nos estabelecimentos produtores da pessoa jurídica, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. ALUGUEL DE EMPILHADEIRAS. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito a locação de empilhadeiras utilizadas nas atividades da pessoa jurídica, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. SERVIÇOS INTERNOS. ARMAZENAGEM. CARGA E DESCARGA. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os serviços de armazenagem e de carga e descarga de mercadorias no estabelecimento produtor da pessoa jurídica, observados os demais requisitos da lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRELIMINAR DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. INOCORRÊNCIA. Tendo sido lavrados por servidores competentes e em conformidade com as regras que regem o processo administrativo fiscal, dentre as quais o direito ao contraditório e à ampla defesa, afastam-se as arguições de nulidade do despacho decisório e da decisão de primeira instância. ÔNUS DA PROVA. Fl. 2383DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer as decisões contidas no despacho decisório e no acórdão recorrido, mantidas nesta segunda instância, devidamente fundamentadas e não infirmadas com documentação hábil e idônea. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, reverter as glosas de créditos relativos (i) à contratação de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo junto à empresa Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento de São José dos Campos prestados pela empresa Wilport Operadores Portuários Ltda; II) por maioria de votos, reverter as glosas de (i) créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores e (ii) créditos relativos a fretes vinculados à armazenagem, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles e Carlos Delson Santiago, que negavam provimento nesses itens; e (III) por maioria de votos, reverter as glosas referentes a fretes tributados nas aquisições de mercadorias sujeitas à alíquota zero, vencidos os conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Carlos Delson Santiago, que negavam provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-009.425, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16349.000234/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Carlos Delson Santiago (Suplente convocado), Laércio Cruz Uliana Júnior, Márcio Robson Costa e Hélcio Lafetá Reis (Presidente em exercício e Relator). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Fl. 2384DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em decorrência da decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que não reconheceu o direito creditório nos termos formulados na Manifestação de Inconformidade. Foram glosados créditos relativos aos seguintes fatos: a) bens adquiridos fora do mês do fato gerador da contribuição; b) aquisição da matéria-prima ácido NFosfonometil Iminodiacético (código NCM 29310037), utilizada na fabricação de defensivos agrícolas (alíquota zero), em conformidade com o disposto na Lei n° 10.925/2004, art. 1º, inciso II, e no Decreto 5.195/2004, art. 1º, inciso II, revogado em 23/12/2005 pelo Decreto n° 5630/1995, em desacordo com o art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, incluído pela Lei n°10.865/2004; c) venda do produto de código NCM 29310032 (N-fosfonometil-Glicina), tributado à alíquota zero, utilizado como matéria-prima na produção de defensivos agrícolas, com base na Lei n° 10.925/2004, art. 1°, inciso II, e no Decreto 5.195/2004, art. 1°, inciso II; d) serviços considerados pela empresa como insumo na produção do milho e do Glifosato Técnico: d.1) serviços prestados pelas empresas Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda. (locação de mão-de-obra temporária), Transpiratininga Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. (operador de empilhadeira, técnico de segurança, mecânico de empilhadeira, encarregado e coordenadores) e Wilport Operadores Portuários Ltda. (operador e ajudante pórtico), por não integrarem o conceito de insumo constante na alínea “b” do inciso I do § 5° do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, na redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 358/2003, em desacordo, portanto, com o inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/2003; d.2) serviços não especificados; e) locações de máquinas e equipamentos realizadas fora do mês do fato gerador da contribuição; f) consumo de energia elétrica incorrido fora do mês do fato gerador da contribuição, em desacordo com o inciso II do § 1° do art. 3° da Lei 10.833/2003; g) operações de frete: (i) fretes extemporâneos, (ii) vinculados a operações de armazenagem, (iii) vinculados à compra da matéria-prima ácido NFosfonometil Iminodiacético (alíquota zero), (iv) vendas sem identificação do número das notas fiscais, informação essa não prestada nem mesmo após intimação específica, (v) transporte de mercadorias sem identificação do código NCM, informação essa não prestada nem mesmo após intimação específica e (vi) transporte de bens importados sem identificação do código NCM, informação essa não prestada nem mesmo após intimação específica; h) devoluções de vendas do produto de NCM 1005.1000 (milho para semeadura), tributado à alíquota zero, em desacordo com o art. 3°, inciso VIII, da Lei n° 10.833/2003. Fl. 2385DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento (i) da procedência dos créditos, (ii) da decadência do direito de o Fisco proceder à reapuração da contribuição e (iii) a realização de diligência, aduzindo o seguinte: 1) inversão ilegal do ônus da prova, uma vez que somente as planilhas informativas foram analisadas, sem consulta aos documentos fiscais respectivos, com afronta ao princípio da verdade material e com cerceamento do direito de defesa; 2) às contribuições sociais aplica-se a regra prevista no art. 146, III, "b", da Constituição Federal, no sentido de que lei ordinária (Lei nº 9.430/1996) não pode disciplinar normas relativas à prescrição e à decadência, uma vez que tais disposições, por implicarem em regras gerais de direito tributário, só podem ser disciplinadas por Lei Complementar (CTN); logo, o Fisco não mais dispunha do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador para proceder a nova apuração da contribuição; 3) há situações em que a nota fiscal que acoberta a mercadoria adquirida é emitida em determinado mês mas a mercadoria transportada somente adentra o estabelecimento da empresa no mês subsequente, tendo em vista a distância a ser percorrida no transporte efetuado; 4) a possibilidade de registro de créditos de forma extemporânea é amplamente reconhecida pela jurisprudência judicial e administrativa; 5) embora o Impugnante seja fabricante de defensivos classificados na posição 38.08, a autoridade fiscal pressupôs equivocadamente que todas as suas aquisições de ácido N – Fosfonometil Iminodiacético (PIA) seriam destinadas à fabricação de defensivos da posição 38.08, incorrendo consequentemente na tributação à alíquota zero desse material, o que impossibilitaria a apropriação de créditos nos termos do § 2°, inciso II, do art. 3° da Lei nº 10.833/2003, sendo que referida matéria-prima também é utilizada para a produção de glifosato técnico a ser vendido a terceiros, situação em que não se aplica a alíquota zero; 6) dentre as glosas efetuadas pela Fiscalização relativamente aos dispêndios com fretes, há aquelas relativas ao transporte de insumos e de produtos acabados dentro da planta, ou seja, nas áreas internas da fábrica, bem como referentes às atividades de armazenagem realizadas na carga e descarga de bens dentro do estabelecimento, tratando-se, por conseguinte, de serviços aplicados na produção; 7) o conceito de "armazenagem" não deve levar em consideração apenas o valor pago ao depositante a título de simples guarda de mercadoria, pois, para o exercício da atividade de armazenagem, exige-se a realização de diversos gastos necessários aos fins propostos, como a contratação de seguro e serviços acessórios de frete até o armazém geral (operação de venda) e de carga e descarga; 8) o período de medição da energia elétrica consumida não corresponde ao da emissão das faturas pelo fornecedor, pois, por questões operacionais envolvendo as companhias de energia elétrica, elas se valem de ciclos de medição e faturamento, o que lhes obriga a realizar cortes nessas atividades, de modo que o período de medição não representa exatamente o mês civil. Para o adquirente, o valor de tais despesas somente se torna conhecido quando da recepção da fatura correspondente, a qual tem como referência o mês de emissão; isso em conformidade Fl. 2386DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 com o inciso II do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, em que se prevê o cálculo do crédito sobre o dispêndio “incorrido” no mês e não o efetivamente consumido; 9) embora o frete seja parte do custo de aquisição do insumo, ele, por si só, corresponder a uma dimensão tributada, sendo, portanto, assegurado ao contribuinte o direito ao crédito; 10) a falta de identificação precisa de informações na planilha sobre o produto adquirido no mercado interno ou importado podia ser superada com a análise dos documentos fiscais respectivos; 11) a autoridade fiscal, ao recompor as receitas, base de cálculo das referidas contribuições, cometeu um equívoco, considerando como sujeitas à alíquota zero apenas as originadas das vendas, sem se aperceber que a maior parte da diferença dizia respeito às receitas não sujeitas ao pagamento das contribuições (financeiras), que, por óbvio, não constavam das planilhas fornecidas, relacionadas apenas às vendas de produtos de fabricação própria. Adicionalmente, outra diferença que se percebe no caso em questão decorre do fato de que o Estado de Minas Gerais, com base no Convênio nº 100/97, concede redução de base de cálculo nas operações interestaduais com sementes. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu, em preliminar, o reconhecimento (i) da insubsistência da cobrança formulada em razão da ausência de auto de infração, (ii) da nulidade do acórdão recorrido em razão da desconsideração dos documentos que demonstravam a validade da apuração dos créditos e (iii) da nulidade da própria exigência fiscal em questão. No mérito, requereu-se o reconhecimento integral dos créditos, com a homologação das compensações declaradas, ou a realização de perícia/diligência, repisando os argumentos de defesa, salvo em relação à decadência, matéria essa não mais aduzida pela defesa, destacando-se o seguinte: a) o despacho decisório não é via competente para a exigência de tributo; b) o acórdão recorrido se limita a citar o CPC para alegar que o ônus da prova é do Recorrente, sem considerar que, com base no art. 142 do CTN, a autoridade fiscal é que deve reunir os elementos necessários à comprovação de que o Recorrente não tem direito ao crédito utilizado em compensações; c) o conceito de insumo deve ser analisado de forma mais ampla, de modo a contemplar todos os dispêndios necessários, essenciais ou imprescindíveis à produção, dos quais resulta a geração de receita e faturamento, sendo essa posição corroborada pela doutrina, jurisprudência administrativa e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ); d) ao contrário do consignado no acórdão recorrido, o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003 é expresso ao possibilitar a utilização dos créditos após o período de apuração, observado o prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932; e) as receitas de venda do Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético (PIA) para fabricação do Glifosato são regularmente tributadas pelas contribuições, uma vez que a alíquota Fl. 2387DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 zero está condicionada à efetividade de sua utilização no processo de fabricação de defensivo agropecuário, de NCM 38.08, restando evidente que o Recorrente somente se apropriou de créditos em relação às aquisições do PIA destinados à produção do Glifosato Técnico, este um mero produto intermediário; f) a Receita Federal, na recente Solução de Divergência Cosit nº 29/2017, com caráter vinculante à Administração tributária, expressamente reconheceu a possibilidade de desconto de crédito das contribuições em relação a dispêndios com a contratação de mão de obra terceirizada utilizada no processo produtivo; g) os serviços prestados pelas empresas indicadas no anexo VIII do despacho decisório compõem o serviço de armazenagem, carga, descarga e transporte que movimentam mercadorias de diversas naturezas e fazem parte do processo produtivo do Recorrente, inclusive em relação aos produtos destinados à venda; h) em razão do grande volume de operações realizadas e pelo fato de se referirem a períodos de apuração ocorridos há quase 13 (treze) anos, não foi possível recuperar e apresentar todos os documentos e informações necessários à comprovação integral dos créditos, razão pela qual se protestou pela juntada posterior de provas ou a realização de perícia/diligência. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem em que se reconheceu apenas parte do direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa – Mercado Externo, e, por conseguinte, se homologaram parcialmente as compensações correspondentes. Segundo consta do Termo de Informação Fiscal, a auditoria foi realizada com base nos arquivos digitais fornecidos pela empresa, com a utilização do aplicativo “Contágil” da Receita Federal do Brasil, apresentados na forma do Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 23/10/2001, e também em planilhas no formato Excel, tendo sido levado em conta na análise o processo produtivo da pessoa jurídica, bem como os produtos finais identificados como Glifosato Técnico e Milho. O Recorrente se contrapõe a esse procedimento adotado pela Fiscalização arguindo que, em desfavor do princípio da verdade material, não se analisaram os documentos apresentados na origem e na primeira Fl. 2388DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 instância que pudessem subsidiar ou complementar algumas das informações constantes das planilhas por ele apresentadas, razão pela qual protesta pela realização de diligência ou perícia, aduzindo, ainda, a exiguidade do prazo para apresentação de recursos para se apresentar um volume extenso de documentos. Constou do Recurso Voluntário a seguinte argumentação do Recorrente: Ademais, a Recorrente informa que está elaborando planilha explicativa com a composição dos insumos e as divergências apontadas pela D. Fiscalização, para que não restem dúvidas acerca do seu direito creditório. Ocorre que, em razão do elevado número de operações e do exíguo prazo para apresentada da presente defesa, a Recorrente não conseguiu concluir esse levantamento, razão pela qual protesta desde já pela posterior juntada desses documentos (g.n.). Contudo, junto ao Recurso Voluntário, este interposto após quase seis anos após a apresentação da Manifestação de Inconformidade, nada foi trazido aos autos que pudesse robustecer o conjunto probatório com novos dados e documentos, em razão do quê não se acata o pedido de realização de diligência ou perícia, cujo intuito é a produção de novas provas, provas essas que já poderiam ter sido carreadas aos autos pelo próprio Recorrente, dado tratar-se de documentos que se encontram, ou deveriam se encontrar, sob sua guarda. Conforme apontado pelo julgador a quo, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), o ônus da prova encontra-se delimitado de forma expressa, dispondo os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 2389DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art16iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art16iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (g.n.) De acordo com os dispositivos supra, o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, havendo exceções a tal regra nas hipóteses relacionadas nas alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 acima transcrito, nenhuma delas aplicável ao presente caso. Nesse sentido, ainda que se considere o princípio da busca da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode, eventualmente, ir além das provas trazidas aos autos pelo interessado, no presente caso, o Recorrente não carreou aos autos, na segunda instância, nenhum documento que pudesse suprir as lacunas probatórias da primeira instância por ele mesmo identificadas, não se admitindo, portanto, a utilização do princípio da busca pela verdade material para se inverter o ônus da prova, uma vez que, tratando-se de um direito do qual se alega ser detentor, cabe a ele o dever de comprová-lo, sob pena de indeferimento peremptório por falta de fundamentação. Dessa forma, afasta-se, desde já, o pedido de realização de diligência ou perícia. Remanescem controvertidas nesta instância as seguintes matérias: a) preliminares de nulidade (alteração das bases de cálculo da contribuição sem lançamento de ofício e nulidade do acórdão recorrido por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como por desconsiderar o princípio da verdade material); b) apropriação extemporânea de créditos, independentemente de retificação de documentos fiscais (serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica); c) tributação das receitas de venda do Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético (PIA) para fabricação do Glifosato Técnico; d) créditos relativos a fretes; e) créditos referentes a serviços e mão de obra terceirizada; f) créditos sobre devoluções de vendas; g) tributação dos descontos de ICMS. Para análise do pleito do Recorrente, observar-se-ão os dispositivos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 que regem as matérias controvertidas, com destaque para o seu art. 3º, inciso II, em que se prevê o desconto de créditos na aquisição de bens e serviços utilizados como insumos na produção ou na prestação de serviços, tendo-se em conta o critério da Fl. 2390DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16%C2%A74 Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 essencialidade (dispêndios necessários ao funcionamento do fator de produção), nos termos definidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1.221.170, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. I. Preliminares de nulidade. O Recorrente pleiteia o reconhecimento da nulidade do despacho decisório em razão da alteração das bases de cálculo da contribuição sem o devido lançamento de ofício e da nulidade do acórdão recorrido por desrespeito aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. I.1. Nulidade do despacho decisório. Quanto ao pedido de reconhecimento da nulidade do despacho decisório, deve-se destacar desde logo que tal pedido se baseia em matéria sumulada neste CARF, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 159 Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. Constata-se, portanto, que as receitas apuradas em procedimento fiscal que reduzem o saldo creditório apurado pelo sujeito passivo independem, em regra, de lançamento de ofício; logo, não se vislumbra a ocorrência da nulidade apontada. I.2. Nulidade do acórdão recorrido. O Recorrente aduz que o acórdão recorrido se limitou a citar o CPC para alegar que o ônus da prova cabia a ele, sem considerar que, com base no art. 142 do CTN, a autoridade fiscal era quem devia reunir os elementos necessários à comprovação de que ele não tinha direito ao crédito utilizado em compensações, medida essa que poderia ter se efetivado via diligência ou perícia. Em relação ao ônus da prova, remete-se ao introito deste voto em que tal matéria restou analisada, análise essa que afasta o referido vício apontado na decisão recorrida. No que tange à alegada inobservância por parte do julgador de primeira instância da nulidade do despacho decisório por ofensa ao contraditório e à ampla defesa, transcreve-se, na sequência, trecho do voto condutor do acórdão recorrido em que tal matéria restou apreciada, verbis: 1. Arguição de nulidade 11. Alega a defendente serem nulas as glosas realizadas e, portanto, o despacho decisório, porque a autoridade fiscal se teria baseado apenas nas planilhas Fl. 2391DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 informativas que lhe forneceu e em um conjunto reduzido de documentos de suporte, cerceando-lhe o direito de defesa e invertendo de forma indevida o ônus da prova. 12. Sem entrar nas questões de mérito, de que me ocuparei a seguir, cumpre tecer algumas considerações sobre as hipóteses de invalidade dos pronunciamentos administrativos. 13. Tal matéria é regulada de forma expressa pelo art. 12 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que consolidou a legislação relativa ao processo administrativo fiscal, assim redigido: “Art. 12. São nulos: I – os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)” 14. Já se vê, em face do texto transcrito, que os despachos e as decisões administrativas somente serão nulos se lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 15. No caso vertente, não vislumbro nenhuma dessas hipóteses. Com efeito, o despacho decisório em apreço, além de lavrado por autoridade competente, está devidamente motivado, esclarecendo que o indeferimento do pedido de ressarcimento se deve às considerações contidas no Termo de Informação Fiscal. 16. Este último, por sua vez, traz uma descrição pormenorizada das glosas feitas pela autoridade tributária, indicando sua fundamentação legal, os fatos apurados e os anexos em que figuram os créditos glosados. 17. Tal fato permitiu à interessada — ao contrário do que alega — exercer plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa, como demonstra o próprio teor da manifestação de inconformidade, na qual revela perfeito conhecimento dos motivos que deram causa à aludida decisão. 18. Carece de fundamento, portanto, a alegação de nulidade. 19. Resta esclarecer que, de acordo com o art. 373, I, do Código de Processo Civil (lei n° 13.105/2015), que se aplica em caráter subsidiário aos processos administrativos — inclusive aos tributários — o ônus da prova, no caso de reivindicação de direito, é sempre do autor: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” — Os destaques são meus. 20. Assim, cabe à contribuinte o ônus de provar a regularidade dos créditos informados em DACON e pleiteados no pedido de ressarcimento em análise, de modo que não faz sentido alegar que teria havido inversão do ônus da prova. 21. Tampouco procede a alegação de que ofenderia o princípio da verdade material o fato de a autoridade tributária haver examinado, além das planilhas Fl. 2392DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 elaboradas pela contribuinte, apenas um conjunto reduzido de notas fiscais e outros documentos de suporte. 22. Isso porque a autoridade fazendária tem a prerrogativa de determinar a forma e a amplitude dos exames necessários à verificação da existência e regularidade do direito creditório pleiteado, podendo para tal utilizar qualquer método de fiscalização não vedado por norma legal ou administrativa, inclusive a auditoria por amostragem. 23. Verifica-se, no caso em apreço, que ela empregou tal método devido ao enorme volume das operações fiscalizadas, o que em nada prejudicou a análise do pedido de ressarcimento, como mostra o minucioso relatório contido no Termo de Informação Fiscal. 24. Em suma, a autoridade fiscal tem autonomia para solicitar apenas os documentos e esclarecimentos que julgar necessários, cabendo ao sujeito passivo, em face das glosas realizadas, apresentar com a manifestação de inconformidade todos os documentos que se lhe afigurarem essenciais à comprovação da regularidade dos créditos glosados. (g.n.) Verifica-se do excerto supra que o afastamento da nulidade do despacho decisório restou analisado de forma clara, objetiva e fundamentada pelo julgador administrativo, não se vislumbrando, por conseguinte, qualquer vício que pudesse acarretar a nulidade do acórdão recorrido, nos termos propugnados. Além do mais, o Recorrente tem se valido do processo administrativo fiscal para construir sua defesa, na exata medida das regras processuais administrativas, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao contraditório e à ampla defesa. II. Mérito. No mérito, o Recorrente se contrapõe às conclusões do despacho decisório, mantidas pela Delegacia de Julgamento (DRJ), com base nas arguições analisadas de forma individualizada na sequência. II.1. Créditos extemporâneos. O Recorrente pleiteia, com base no art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, o reconhecimento do direito à apropriação extemporânea de créditos, independentemente de retificação de documentos fiscais, créditos esses relativos a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica. Este Colegiado tem jurisprudência assentada, por maioria de votos, no sentido de admitir o desconto extemporâneo de créditos, independentemente de retificação do Dacon, conforme se depreende das ementas a seguir transcritas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 (...) Fl. 2393DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES OU DEMONSTRATIVOS. DESNECESSIDADE. Os créditos podem ser apropriados extemporaneamente, independentemente de retificação de declarações ou demonstrativos, mas desde que comprovada a sua não utilização em períodos anteriores. (Acórdão nº 3201-007.897, de 24/02/2021) [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2012 a 30/11/2012 (...) CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não- cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. (Acórdão nº 3201-006.671, de 17/03/2020) Nesse sentido, uma vez observados os demais requisitos da lei, dentre os quais terem sido as aquisições tributadas pelas contribuições e se tratar de direito ainda não prescrito, devem-se reverter as glosas relativas a créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores. II.2. Crédito. Venda de PIA. A Fiscalização glosou créditos calculados sobre o valor da matéria-prima de código NCM 29310037 (Ácido N-Fosfonometil Iminodiacético - PIA) utilizada na fabricação de defensivos agrícolas, tributada à alíquota zero na venda no mercado interno, em virtude do disposto na Lei n° 10.925/2004, art. 1°, inciso II, e no Decreto 5.195/2004, art. 1°, inciso II, revogado em 23/12/2005 pelo Decreto n° 5630/1995, em desacordo com o art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. Segundo o agente fiscal, o Recorrente, após intimação, descreveu a utilização do referido produto em suas atividades, sendo informado que se tratava de matéria-prima consumida na fabricação de defensivos agrícolas. O Recorrente, desde a Manifestação de Inconformidade, aduz ser fabricante de defensivos classificados na posição 38.08, razão pela qual, segundo ele, a autoridade fiscal pressupôs, equivocadamente, que todas Fl. 2394DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 as suas aquisições do produto sob comento eram destinadas a tal fim, sujeitando-se, por conseguinte, à tributação à alíquota zero, sendo que referida matéria-prima também era utilizada na produção de glifosato técnico, produto esse vendido a terceiros, não sujeito à alíquota zero. A DRJ, por seu turno, concluiu que, a despeito de o Recorrente ter afirmado que se apropriara de créditos em relação às aquisições desse insumo somente quando destinado à fabricação do “glifosato técnico” destinado à venda, operação essa regularmente tributada, ele não apresentou nenhum documento que comprovasse tal afirmativa, não tendo sido carreadas aos autos as notas fiscais de venda do insumo, emitidas pela empresa Monsanto Nordeste, e nem as notas fiscais de venda do glifosato produzido com esse insumo, estabelecendo a necessária correlação entre elas. Destacou, ainda, a DRJ que também não foi apresentado qualquer documento que comprovasse a incidência da contribuição na aquisição do insumo utilizado na fabricação do glifosato que viria a ser vendido. No Recurso Voluntário, o Recorrente reafirma sua argumentação, alegando que a própria Fiscalização reconhecera que o “glifosato técnico” era por ele vendido para ser utilizado como matéria-prima na produção de defensivos agrícolas e que os documentos apresentados na primeira instância comprovavam suas alegações, sendo requerido, ainda, a realização de perícia ou diligência para comprovar a incidência das contribuições em relação às receitas de venda do produto. No entanto, consultando-se o Termo de Informação Fiscal, não se confirma essa afirmativa do Recorrente, pois lá se informa que as vendas do PIA se dava com alíquota zero, não se tratando, portanto, de vendas tributadas como alega o Recorrente. Além disso, consta do referido termo a seguinte informação, verbis: 17 – As vendas efetuadas pela empresa sujeitas à alíquota zero, referem-se aos produtos de códigos de NCM 10051000, 10070010, 12072010, 29310032, 38083021, 38083022 e 38083023. 17.1 – Os montantes das vendas efetuadas com alíquota zero foram obtidos nos arquivos digitais de notas fiscais fornecidos pela empresa e foram comparados com as planilhas da memória dos cálculos das receitas apresentadas. Foram constatadas divergências entres os valores declarados no DACON, os constantes nas planilhas da memória dos cálculos e os obtidos nos arquivos digitais de notas fiscais. 17.2 Abaixo apresentamos a planilha comparativa dos valores das vendas sujeitas à alíquota zero constantes no DACON, nas planilhas da memória dos cálculos das receitas e os obtidos pela fiscalização nos arquivos digitais de notas fiscais. Observamos que nas planilhas da memória dos cálculos a empresa não conseguiu comprovar a integralidade dos montantes declarados no DACON. (g.n.) Fl. 2395DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Constata-se do excerto supra que a Fiscalização deixou registrado a parcial falta de comprovação dos dados informados pelo Recorrente nas planilhas, inexistindo qualquer informação confirmando a tributação do PIA adquirido para aplicação na produção do “glifosato técnico”. Além disso, em consultas realizadas na internet, constata-se que o produto glifosato é um “herbicida sistêmico e não seletivo que está registrado no Brasil desde o final da década de 70 e é utilizado para controlar plantas daninhas em vários ambientes, culturas e usos não agrícolas como acostamento de estradas de rodagem e ferrovias, controle de vegetação em baixo de linhas de transmissão, etc.” 1 Merecem registro, ainda, as seguintes informações: A Monsanto lançou o glifosato no mercado em 1974, sob o nome comercial Roundup, também conhecido no Brasil como Mata-Mato. A patente do glifosato expirou em 2000, e atualmente o produto é vendido por vários fabricantes. Nos EUA, mais de 750 produtos contêm a substância, que é o agrotóxico mais usado no mundo. Agricultores rapidamente adotaram o glifosato, especialmente depois de a Monsanto introduzir culturas resistentes ao glifosato - as culturas Roundup Ready-, permitindo aos agricultores matar as ervas daninhas sem matar as suas culturas. Em 2007, o glifosato foi o herbicida mais utilizado no setor agrícola dos Estados Unidos e o segundo mais usado em casa e jardim, pelo governo e indústria, e no comércio. A frequência e o volume de aplicações de herbicidas à base de glifosato (HBGs) aumentou mais de 100 vezes entre o final dos anos 1970 e 2016, levando ao surgimento de ervas daninhas resistentes ao glifosato, o que, por sua vez, deve causar mais crescimento em seu uso. (g.n.) 2 [...] FABRICANTE DO PRODUTO TÉCNICO: GLIFOSATO TÉCNICO NORTOX BR Registro MAPA Nº 04811 JIANGSU GOOD HARVEST - WEIEN AGROCHEMICAL CO. LTD. Laogang, Qidong City, Jiangsu Province – China. GLIFOSATO TÉCNICO NORTOX NTG Registro MAPA n° 14319 ZHEJIANG XINAN CHEMICAL INDUSTRIAL GROUP CO. LTD. Xinanjiang, 311600, Jiande, Zhejiang - China. FORMULADORES: NORTOX S/A (...) 1 - INSTRUÇÕES DE USO DO PRODUTO: GLIFOSATO 720 WG NORTOX é um herbicida não seletivo, de ação sistêmica, pós-emergente apresentado como grânulos dispersíveis em água. Devido suas propriedades sistêmicas, permite o controle total das plantas daninhas monocotiledôneas e dicotiledôneas, que são atingidas na parte aérea e nas raízes pela ação do herbicida. 1.1 - CULTURAS INDICADAS: Aplicação em jato dirigido sobre as plantas daninhas nas culturas de ameixa, banana, cacau, maçã, nectarina, pera, pêssego e uva. (g.n.) 3 1 Disponível em: <<http://sementesfiscalizadas.com.br/artigos/8/informacoes-tecnicas-sobre-o-herbicida- glifosato/>>. Acesso em 19/10/2021. 2 Disponível em <<https://pt.wikipedia.org/wiki/Glifosato>>. Acesso em 19/10/2021. 3 Disponível em <<https://www.nortox.com.br/wp-content/uploads/2017/08/ Glifosato-720-WG-Nortox-Bula-VER- 09-17.02.2020.pdf>>. Acesso em 19/10/2021. Fl. 2396DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Nota-se, portanto, que o “glifosato técnico” ou Roundup é um herbicida e, portanto, um produto final, e não um produto intermediário a ser utilizado na fabricação de defensivos agrícolas. Consultando-se algumas das notas fiscais trazidas na primeira instância para comprovar a venda do produto na condição de produto intermediário (insumo), constata-se que se trata de venda do produto “Roundup”, ou seja, do herbicida identificado nos excertos acima. Além disso, a Fiscalização já havia detectado que adquirentes do “glifosato técnico” vendido pelo Recorrente se dedicavam ao comércio atacadista e não à produção de defensivos agrícolas, não se tratando, portanto, de insumos (produtos intermediários), mas de produtos finais. Logo, os documentos apresentados pelo Recorrente na primeira instância, referenciados no Recurso Voluntário, não comprovam suas afirmações, tratando-se de meros fluxograma e planilhas, assim como de notas fiscais nas quais se obtêm informações acerca da venda de herbicidas e não de produtos intermediários. É justamente em razão dessa situação que o Recorrente pleiteia a realização de perícia/diligência, denotando que suas afirmativas não se encontravam comprovadas, pois se os documentos que acompanharam a Manifestação de Inconformidade efetivamente comprovassem seus argumentos de defesa, como alegado por ele, a diligência se mostraria dispensável, tudo isso evidenciando a fragilidade da defesa quanto a este item. Diante do exposto, nega-se provimento a este item do recurso. II.3. Crédito. Fretes. As glosas dos créditos relativos a fretes foram identificadas da seguinte forma: (i) fretes vinculados a operações de armazenagem, (ii) fretes apontados na planilha da memória de cálculo como vinculados à compra da matéria-prima utilizada na fabricação de defensivos agrícolas, tributada à alíquota zero na venda no mercado interno, (iii) fretes sobre venda para os quais a empresa não informou o número da nota fiscal de venda, embora tenha sido intimada a fazê-lo, (iv) fretes para o transporte de bens para as quais a empresa não informou o código NCM do produto adquirido, embora tenha sido intimada a fazê-lo e (v) fretes para o transporte de bens importados para os quais a empresa não informou o código NCM do produto adquirido, embora tenha sido intimada a fazê-lo. II.3.1. Fretes vinculados à armazenagem. A Fiscalização aduziu falta de previsão legal para glosar os créditos relativos a fretes vinculados a operações de armazenagem, não sendo prestada nenhuma informação adicional quanto a tal rubrica. A DRJ manteve a glosa arguindo que o crédito previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 se restringia à despesa de armazenagem Fl. 2397DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 referente ao aluguel estipulado pelo armazém ou centro de distribuição para a guarda de mercadorias, não sendo lícito estender o significado do termo para abarcar outras despesas, dentre as quais, os fretes. Contudo, a lei não faz essa redução do dispositivo conforme defende a DRJ, pois o desconto de crédito encontra-se assegurado em relação à “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Inexiste na lei a regra segundo a qual o crédito só pode ser descontado em relação ao aluguel do recinto, tratando-se, portanto, de uma construção interpretativa adotada pelo julgador de piso. Não se pode perder de vista que a operação de armazenagem pressupõe, além da guarda física das mercadorias, a entrada e saída dos bens no recinto (transbordo), controles logísticos, limpeza, conservação, segurança, consolidação etc. O seguinte excerto conceitua muito bem a operação de armazenagem: É muito comum ver pessoas confundindo os conceitos de armazenagem e estocagem, dada a similaridade inicial de ambos os termos. No entanto, saber no que cada conceito consiste ajuda numa melhor compreensão dos processos envolvidos nessa etapa dos serviços logísticos. Estocagem ou estoque refere-se aos produtos guardados em determinado espaço físico, podendo ser considerada parte do trabalho exercido na armazenagem. Já a armazenagem é um conceito muito mais amplo, referindo-se a todas as operações que são necessárias para manter um estoque, deslocar mercadorias e suprir lojas, fábricas e clientes. Resumidamente, a armazenagem não é apenas um grande armazém onde estão colocadas todas as mercadorias, insumos e matérias-primas de uma empresa, mas sim um conjunto de funções que engloba todas as etapas de movimentação e de estoque dos produtos. (g.n.) 4 Nesse sentido, constata-se que a armazenagem só se realiza com as operações de entrada e saída dos produtos em um determinado recinto, não se restringindo, portanto, ao período em que tais bens se encontrem depositados, razão pela qual o direito ao crédito se estende às operações de carga, descarga, organização e acondicionamento com o uso de empilhadeiras. Além do mais, o referido inciso autoriza também, par a par com a armazenagem, o desconto de crédito em relação ao frete na operação de venda, hipótese essa que vem reforçar o fundamento ora adotado. Sobre essa matéria, muito bem se manifestou o Recorrente, verbis: 4 Disponível em: <<https://diavanti.com.br/armazenagem-na-logistica/>> Acesso em 19/10/2021. Fl. 2398DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 81. A esse respeito, vale ressaltar que as despesas com armazenagem englobam outros gastos que também devem ser considerados, uma vez que necessários para a finalidade de “armazenar”. Ao contrário do que consta no V. Acórdão recorrido, a legislação não limita o conceito de armazenagem apenas à despesa com aluguel. Dentro dos custos de armazenagem estão abrangidos os dispêndios necessários à manutenção dos produtos e, que, portanto, acabam sendo necessários inclusive para a fabricação destes produtos até que sejam vendidos. (...) 82. Nesse sentido, os procedimentos de armazenagem e o transporte interno dos produtos, bem como respectivos serviços de operador de empilhadeira e demais relativos a mão de obra operacional, são necessários para a correta organização e utilização dos insumos que fazem parte do processo produtivo, já que esses insumos são utilizados em diversos setores dentro da planta da Recorrente. Além disso, o transporte interno das mercadorias que serão posteriormente vendidas aos clientes da Recorrente também é indispensável à sua correta armazenagem e organização, especialmente em razão da grande quantidade de mercadorias produzidas e comercializadas. (g.n.) Logo, reverte-se a glosa sob comento, observados os demais requisitos da lei. II.3.2. Fretes vinculados à compra da matéria-prima sujeita à alíquota zero. A Fiscalização considera que, estando a mercadoria transportada sujeita à alíquota zero, o frete a ela vinculado não gera direito a crédito, em observância ao art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003, entendimento esse reafirmado pelo julgador de piso. O Recorrente argumenta que, muito embora o insumo se submeta à alíquota zero, as despesas com frete são regularmente tributadas, o que deixa claro o direito ao crédito da contribuição e a necessidade de se afastar a vedação do artigo acima identificado. Esta turma ordinária tem jurisprudência consolidada, ainda que eventualmente por maioria de votos, no sentido de acolher a tese do Recorrente, tese essa também adotada pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente Fl. 2399DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão nº 9303-011.551, red. Rodrigo Mineiro Fernandes, j. 16/06/2021) Nesse sentido, reverte-se a referida glosa, observados os demais requisitos da lei. II.3.3. Fretes. Aquisição de insumos. Importação. Operações de venda. Foram glosados créditos referentes a fretes para os quais o Recorrente não informou o número da nota fiscal de venda ou não identificou a natureza do insumo adquirido, embora tenha sido intimado a fazê-lo. O Recorrente alega que, embora tivesse apresentado diversas notas fiscais, conhecimentos de transportes e faturas emitidas pelas transportadoras, o julgador administrativo manteve a glosa dos créditos sob o fundamento de não identificação do número da nota fiscal ou do insumo e de não comprovação do pagamento do frete. O Recorrente aduz, ainda, que o direito ao desconto de crédito em relação aos fretes tributados na venda e nas aquisições de insumos, independentemente da mercadoria transportada, encontra respaldo no art. 3º, incisos II e IX, da Lei nº 10.833/2003 e no entendimento pacificado pelo STJ, razão pela qual referido crédito é incontroverso. Embora não haja dúvidas acerca do direito ao desconto de créditos da espécie (incisos II e IX da Lei nº 10.833/2003), há que se registrar que a Fiscalização não glosou tais créditos de forma generalizada, tendo fundamentado a glosa ora analisada na falta de indicação específica da nota fiscal ou do bem transportado, mesmo após o Recorrente ter sido intimado, situação essa em que, sem a devida identificação do bem transportado, não se consegue afirmar categoricamente que os serviços de fretes em questão encontram-se vinculados ao processo produtivo. Poderia ser, por exemplo, frete no transporte de móveis do setor administrativo da empresa em operações de aquisição ou de venda, hipótese essa não geradora de crédito, razão pela qual a identificação do bem transportado se mostra essencial à confirmação da natureza dos serviços de frete, se relacionados ou não ao objeto social da pessoa jurídica. O Recorrente remete em sua peça recursal, de forma genérica, aos documentos carreados aos autos na primeira instância, mas não informa que notas fiscais não foram identificadas na planilha que serviu de base à auditoria, valendo-se da alegação, também genérica, de necessidade de realização de diligência ou perícia. Fl. 2400DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Conforme já indicado no introito deste voto, sem comprovação do direito que o sujeito alega ser detentor, não se pode reconhecê-lo, pois a verdade material pressupõe prova do pleito formulado, sem o quê este não pode ser deferido. Além disso, em razão do extenso período em que este processo se desenrola no âmbito processual administrativo, não se vislumbra possibilidade de se acolher o pedido de realização de diligência ou perícia, pois os documentos sob comento já poderiam ter sido apresentados pelo Recorrente desde o procedimento fiscal, o que não ocorreu nem mesmo em sede de Recurso Voluntário, mesmo após a repartição de origem e a DRJ terem destacado a imprescindibilidade dessa medida. Dessa forma, nega-se provimento a essa parte do recurso. II.4. Crédito. Prestação de serviços. A Fiscalização glosou créditos relativos a serviços prestados pelas empresas (i) Método Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) Transpiratininga Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) Wilport Operadores Portuários Ltda., por não se enquadrarem no conceito de insumo previsto na alínea “b” do inciso I do § 5° do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, na redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 358/2003, em desacordo, portanto, com o inciso II do art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Verifica-se que, na auditoria fiscal, aplicou-se, para fins de apropriação de créditos das contribuições não cumulativas, o conceito de insumo já superado pelo STJ e pela própria Administração tributária. Segundo a Fiscalização, a empresa Método Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda. tem como atividade principal a locação de mão de obra temporária (CNAE 78.20500), serviço esse que, na sua concepção, não integra o conceito de insumo por ela adotado, considerando-se, também, que, nas notas fiscais emitidas pela empresa, além da taxa pela locação da mão de obra, incluíram-se os ressarcimentos de direitos trabalhistas, encargos trabalhistas e previdenciários, vale transporte e ISSQN. No Recurso Voluntário, o Recorrente informa que na Solução de Divergência Cosit nº 29/2017, com caráter vinculante à Administração tributária, reconheceu-se, expressamente, a possibilidade de desconto de crédito das contribuições em relação a dispêndios com a contratação de mão de obra terceirizada utilizada no processo produtivo. Eis a ementa da referida Solução de Divergência: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Fl. 2401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 EMENTA: COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. MÃO DE OBRA TERCEIRIZADA. INSUMOS. Observados os demais requisitos legais, permitem a apuração de crédito da não cumulatividade da Cofins, na modalidade aquisição de insumos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de empresa de trabalho temporário para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº10.833, de 2003, art. 3o, II; IN SRF nº404, de 2004, art. 8º, I, “b” e § 4o; Lei nº6.019, de 1974, arts. 2ºe 4º. Vinculada à Solução de Consulta Cosit nº105, de 31 de janeiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 23 de março de 2017. Nesse sentido, tendo a própria Administração tributária reconhecido o direito ao desconto de crédito em relação à contratação de mão de obra temporária aplicada na produção, deve-se reverter a glosa sob comento. Em relação aos serviços prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda., tendo-se em conta as informações constantes dos pedidos de compra ou dos memoriais de cálculo que acompanharam as notas fiscais, apurou-se que se tratava de serviços de operador de empilhadeira, técnico de segurança, mecânico de empilhadeira, encarregado e coordenadores, serviços esses, segundo a Fiscalização, não geradores de crédito por não serem aplicados na produção ou fabricação do milho ou do Glifosato Técnico. O Recorrente alega que se trata de serviços referentes à movimentação interna de insumos, dentro da unidade fabril de São José dos Campos, conforme contratos de prestação de serviços firmados pelas partes. Consultando-se as cópias dos contratos apresentados junto à Manifestação de Inconformidade, constata-se que se trata de “serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras” e “locação de 16 empilhadeiras”. Os serviços de operação de empilhadeiras se enquadram no conceito de insumos aplicados no processo produtivo do Recorrente, gerando, por conseguinte, direito ao crédito com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 5 . 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 2402DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 A locação de empilhadeiras propicia o desconto de crédito com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 6 , uma vez que utilizadas nas atividades da pessoa jurídica. No que tange à empresa Wilport Operadores Portuários Ltda., trata-se de serviços prestados por operador pórtico e ajudante pórtico na armazenagem e em carga e descarga de mercadorias no estabelecimento produtor, serviços esses geradores de créditos com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Diante do exposto, revertem-se as glosas relativas (i) à contratação de empresa fornecedora de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo, (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento produtor, observados os demais requisitos da lei. II.5. Crédito. Devoluções de venda. A Fiscalização glosou créditos calculados sobre as devoluções de vendas do produto de NCM 1005.1000 (milho para semeadura) tributado à alíquota zero, portanto, em desacordo com o art. 3°, inciso VIII, da Lei n° 10.833/2003 7 . O Recorrente argumenta que houve devoluções de produtos relativos a vendas que haviam sido regularmente tributadas, razão pela qual se devia reconhecer o crédito respectivo. No entanto, nenhum elemento probatório foi carreado aos autos que pudesse lastrear tal afirmação, vindo o Recorrente a alegar a necessidade de realização de diligência ou perícia, pleito esse já enfrentado no introito deste voto, não merecendo maiores digressões. Nega-se, portanto, provimento a essa parte do recurso. II.6. Tributação dos descontos de ICMS. O Recorrente alega a ocorrência de equívoco no cálculo da Fiscalização no que se refere à tributação dos descontos de ICMS, benefício fiscal esse concedido pelo Estado de Minas Gerais, com base no Convênio nº 100/97, no sentido de se reduzir a base de cálculo do imposto nas operações interestaduais com sementes (artigo 43 e item 5 do Anexo IV do Regulamento do ICMS/MG – fls. 703/704). 6 Art. 3º (...) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 7 Art. 3º (...) VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 2403DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 Nesse sentido, ainda segundo o Recorrente, sempre que realiza uma operação interestadual com os mencionados produtos, aplica-se a redução de base de cálculo, procedendo-se à indicação expressa da redução do ICMS na nota fiscal emitida, por conta da aplicação deste benefício. Ainda de acordo com a defesa, para efeito de apuração da contribuição, adota-se o procedimento de se considerar a nota fiscal de venda pelo seu valor total (sem a aplicação da redução do ICMS) dentre as receitas sujeitas à alíquota zero, ou seja, o valor do referido desconto não é capturado como elemento redutor do preço, vindo as receitas sujeitas à alíquota zero a serem deduzidas pelo valor bruto. Contudo, enquanto ele considerara os valores totais das notas fiscais, a Fiscalização, ao calcular o montante das receitas tributadas à alíquota zero, utilizou os valores líquidos das notas fiscais, fazendo com que parcela menor fosse considerada como receita sujeita à alíquota zero, e por isso, tributando-se indevidamente o valor relativo à parcela correspondente à redução do ICMS. Segundo ele, as notas fiscais apresentadas eram suficientes para comprovar o desconto aplicado em razão do benefício concedido. Constata-se das notas fiscais carreadas aos autos na primeira instância que são informados dois valores, um relativo ao “valor total da nota fiscal”, este contemplando a redução do ICMS, e o outro referente ao “valor total dos produtos”. A redução do imposto vai acarretar um menor recolhimento ao Estado por parte do contribuinte, mas isso, por si só, não significa que tal benefício fiscal reduza, necessariamente, o valor efetivamente recebido pelo Recorrente na venda dos produtos. Nesse contexto, alinhando-se ao fundamento da decisão de piso, faltou ao Recorrente comprovar que os valores por ele recebidos nas referidas vendas foram os valores totais e não os valores líquidos de ICMS, o que poderia ter sido feito com a apresentação de livros contábeis ou fiscais (Razão, Livro de Saída de Mercadorias etc.), demonstrando-se a composição das receitas de vendas auferidas no mercado interno. Nesse sentido, em razão da ausência de efetiva comprovação do direito pleiteado, nega-se provimento a essa parte do recurso. III. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: a) reverter as glosas de créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que Fl. 2404DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores; b) reverter as glosas de créditos relativos a fretes vinculados à armazenagem e a fretes tributados referentes a aquisições de mercadorias sujeitas à alíquota zero; c) reverter as glosas de créditos relativos (i) à contratação de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo junto à empresa Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento de São José dos Campos prestados pela empresa Wilport Operadores Portuários Ltda. É o voto. Fl. 2405DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 3201-009.426 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000218/2009-18 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os demais requisitos da lei, nos seguintes termos: a) reverter as glosas de créditos decorrentes de dispêndios incorridos em períodos anteriores, referentes a serviços aplicados na produção, aluguel de máquinas e equipamentos, fretes e energia elétrica, mas desde que devidamente comprovados com documentação hábil e idônea e desde que demonstrada e comprovada a sua não utilização em períodos anteriores; b) reverter as glosas de créditos relativos a fretes vinculados à armazenagem e a fretes tributados referentes a aquisições de mercadorias sujeitas à alíquota zero; c) reverter as glosas de créditos relativos (i) à contratação de mão de obra terceirizada temporária utilizada no processo produtivo junto à empresa Método - Assessoria, Integração e Organização em Recursos Humanos Ltda., (ii) aos serviços de movimentação de materiais por meio de operação de empilhadeiras e à locação de empilhadeiras prestados pela empresa Transpiratininga - Transporte e Braçagem Piratininga Ltda. e (iii) aos serviços de armazenagem e carga e descarga de mercadorias no estabelecimento de São José dos Campos prestados pela empresa Wilport Operadores Portuários Ltda. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente em exercício e Redator Fl. 2406DF CARF MF Documento nato-digital

score : 1.0
9142516 #
Numero do processo: 10240.001744/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calenddrio: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso e quando absolutamente necessário, como ocorreu no caso. Aplicação do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001. IRPJ - EXCLUSÃO DO SIMPLES - INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL - ARBITRAMENTO DOS LUCROS - É inteiramente procedente o arbitramento dos lucros por falta de escrituração contábil para empresa excluída do SIMPLES que não se sujeita as normas legais pertinentes. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL - PIS - COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Recurso Improvido.
Numero da decisão: 1101-001.108
Decisão: ACORDAM os membros da lª Câmara / lª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, e, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, quanto à preliminar de nulidade.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSOS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 22 09:00:03 UTC 2022

anomes_sessao_s : 201405

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calenddrio: 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso e quando absolutamente necessário, como ocorreu no caso. Aplicação do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001. IRPJ - EXCLUSÃO DO SIMPLES - INEXISTÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL - ARBITRAMENTO DOS LUCROS - É inteiramente procedente o arbitramento dos lucros por falta de escrituração contábil para empresa excluída do SIMPLES que não se sujeita as normas legais pertinentes. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL - PIS - COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Recurso Improvido.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção

numero_processo_s : 10240.001744/2007-57

conteudo_id_s : 6545361

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 20 00:00:00 UTC 2022

numero_decisao_s : 1101-001.108

nome_arquivo_s : Decisao_10240001744200757.pdf

nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSOS

nome_arquivo_pdf_s : 10240001744200757_6545361.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da lª Câmara / lª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, e, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, quanto à preliminar de nulidade.

dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014

id : 9142516

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 22 11:35:49 UTC 2022

sem_conteudo_s : N

conteudo_txt : Metadados => date: 2022-01-20T18:06:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 10240; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2022-01-20T18:06:25Z; Last-Modified: 2022-01-20T18:06:25Z; dcterms:modified: 2022-01-20T18:06:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 10240; xmpMM:DocumentID: uuid:480af08c-7c77-11ec-0000-dba33b39713e; Last-Save-Date: 2022-01-20T18:06:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2022-01-20T18:06:25Z; meta:save-date: 2022-01-20T18:06:25Z; pdf:encrypted: false; dc:title: 10240; modified: 2022-01-20T18:06:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2022-01-20T18:06:25Z; created: 2022-01-20T18:06:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; Creation-Date: 2022-01-20T18:06:25Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: GPL Ghostscript 9.05; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 9.05; pdf:docinfo:created: 2022-01-20T18:06:25Z | Conteúdo =>

_version_ : 1722654512456400896

score : 1.0
9127595 #
Numero do processo: 10920.003834/2009-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 28/02/2009 RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-002.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 15 09:00:04 UTC 2022

anomes_sessao_s : 201203

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 28/02/2009 RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte.

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

numero_processo_s : 10920.003834/2009-95

conteudo_id_s : 6541636

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022

numero_decisao_s : 2402-002.533

nome_arquivo_s : Decisao_10920003834200995.pdf

nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES

nome_arquivo_pdf_s : 10920003834200995_6541636.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.

dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012

id : 9127595

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 22 11:34:38 UTC 2022

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1722654512458498048

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 1.379          1 1.378  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.003834/2009­95  Recurso nº  000.000   Voluntário  Acórdão nº  2402­02.533  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2012  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES  Recorrente  PROCOPIAK COMPENSADOS E EMBALAGENS S.A. E OUTRO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2006 a 28/02/2009  RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.  O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991  e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual  deve haver o recálculo da multa imposta.  Recurso voluntário provido em parte.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32­A da Lei n° 8.212/91, caso  mais benéfica.  Júlio César Vieira Gomes ­ Presidente.   Nereu Miguel Ribeiro Domingues ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  César  Vieira  Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo  de Lima Macedo,  Ewan Teles Aguiar, Lourenço Ferreira do Prado.     Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES     2   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  para  exigir  multa  em  razão  da  Recorrente  ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e  Informações à Previdência  Social  – GFIP  com  dados  não  correspondentes  a  todos  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias, relativamente ao período de 06/2006 a 02/2009.  De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 13/15), ficou caracterizada a existência  de  grupo  econômico  entre  as  empresas  Procopiak  Compensados  e  Embalagens  S.A.  e  Procopiak Florestal Ltda.,  em virtude das  citadas  empresas  apresentarem  as mesmas pessoas  como sócios, tendo sido aplicado o instituto da responsabilidade solidária.  Foi  realizada  também  a  comparação  das multas  vigentes  à  época  dos  fatos  geradores com as multas previstas no Lei nº 11.941/09.  A Recorrente apresentou  impugnação  (fls. 29/1352)  requerendo a  relevação  da multa aplicada, bem como que fosse afastada a responsabilidade dos acionistas e gestores.  A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, ao analisar o  processo (fls. 1355/1360), julgou o lançamento totalmente procedente, sob o argumento de que,  a partir de 01/2009 não há mais embasamento legal para aplicação do benefício da relevação da  multa e atenuação em 50%.  A  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  1365/1375)  pleiteando  pela  relevação da multa, bem como pela inexistência de responsabilidade solidária.  É o relatório.  Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10920.003834/2009­95  Acórdão n.º 2402­02.533  S2­C4T2  Fl. 1.380          3   Voto             Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator   Primeiramente,  cabe  mencionar  que  o  presente  recurso  é  tempestivo  e  preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  Antes de analisar o mérito da questão, cabe esclarecer que todos os processos  possivelmente  conexos  com  a  presente  demanda,  quais  sejam,  os  AI’s  37.202.318­5  (10920.003833/2009­41),  37.202.315­0  (10920.003830/2009­15)  e  37.202.316­9  (10920.003831/2009­51)  se  encontram  arquivados  no  “Arquivo  Grandes  Devedores­PSFN­ JOI­SC”,  após  terem  sido  julgados  procedentes  pelas  respectivas  decisões  de  1ª  instância  (conforme exposto pela DRJ à fl. 1358), sendo que não houve qualquer registro de interposição  de recurso junto a este Conselho.  Posto isso, ressalta­se que não há qualquer impedimento ao julgamento deste  processo.  A Recorrente defende que a multa aplicada deve ser relevada, haja vista que,  como  já exposto no  relatório  fiscal, procedeu com a correção dos erros  e omissões no prazo  estipulado.  Argumenta que a revogação da possibilidade de relevação da multa deve ser  aplicada apenas aos fatos geradores ocorridos após 01/2009.  Analisando  o  revogado  art.  291,  §  1º,  do  RPS,  tem­se  que  a  circunstância  atenuante  anteriormente vigente era aplicada sobre a penalidade  imposta,  independentemente  da época de ocorrência dos fatos geradores. Veja­se:  “Art.291.Constitui  circunstância  atenuante  da  penalidade  aplicada  ter  o  infrator  corrigido  a  falta  até  o  termo  final  do  prazo  para  impugnação.  (Alterado  pelo Decreto  nº  6.032  ­  de  1º/2/2007 ­ DOU DE 2/2/2007)  §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir  a  falta,  dentro  do  prazo  de  impugnação,  ainda  que  não  contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não  tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo  Decreto nº 6.032 ­ de 1º/2/2007 ­ DOU DE 2/2/2007)”  Desta  forma, para  fins de aplicação da  relevação da multa, deve ser  levado  em consideração a época em que esta foi devidamente constituída.   Destaca­se apenas que a penalidade só é constituída por meio do respectivo  lançamento, e não no momento em que o contribuinte teria infringido a legislação tributária (no  caso, deixado de declarar em GFIP fatos geradores das contribuições previdenciárias).  Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES     4 Posto  isso,  considerando  que  a  penalidade  inserida  este  processo  foi  constituída em 20/08/09, ou seja, após ocorrida a revogação da referida atenuante, não há mais  que se falar na possibilidade de sua relevação.  A  Recorrente  sustenta  também  que  o  cálculo  da  infração  não  levou  em  consideração os limites inseridos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/91.  Entretanto,  não  há  qualquer  razão  no  argumento,  haja  vista  que  referida  limitação  foi  devidamente  aplicada  no  cálculo  da  penalidade  imposta,  conforme  se  verifica  facilmente na fl. 20.  Não obstante o fato de que referidas limitações foram aplicadas, constata­se  que, por  ter sido a penalidade  imposta no presente caso  (art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991)  revogada pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009, o auditor fiscal, em atenção ao art. 106,  inc.  II,  aliena “c”, do CTN, realizou a comparação de qual seria a multa mais benéfica ao contribuinte,  conforme consta no cálculo anexo (fls. 21/22).  Ocorre que, o cálculo perpetrado pelo fiscal utiliza como parâmetro não só a  penalidade  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  como  também  a  penalidade  por  descumprimento de obrigação principal, o que resulta na aplicação da multa prevista no art. 32,  § 5º da Lei nº 8.212/91 em todos os períodos autuados.  Acontece que a penalidade anteriormente prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº  8.212/1991, passou a ser regulamentada pelo art. 32­A, inc. I, da Lei nº 8.212/911.  Tal norma leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o  contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (R$ 20,00 para cada grupo de 10  informações  incorretas  ou  omitidas)  e  não  o  montante  que  deixou  de  ser  informado,  como  ocorria durante a vigência da legislação anterior.  Sendo assim, a fim de que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade  benigna  de  que  trata  o  art.  106,  inc.  II,  “c”,  do CTN,  é mister  que  a multa  seja  novamente  calculada, levando­se em conta apenas o art. 32­A, inc. I, da Lei nº 8.212/91, a fim de que seja  imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte.  Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais:   “(...)  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  PENALIDADE  GFIP  OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA.  A  ausência  de  apresentação  da  GFIP,  bem  como  sua  entrega  com  atraso,  com  incorreções  ou  com  omissões,  constituise  violação à obrigação acessória prevista no artigo32, inciso IV ,  da  Lei  nº  8.212/91  e  sujeita  o  infrator  à  multa  prevista  na  legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória  n°  449/2008,  convertida  na  Lei  n°  11.941/2009,  a  penalidade  para  tal  infração, que até então constava do §5°  ,do artigo 32,  da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo32A da Lei  n°  8.212/91,o  qual  é  aplicável  ao  caso  por  força  da                                                              1 “Art. 32­A.  O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do  art. 32 desta Lei no prazo  fixado ou que a apresentar com  incorreções ou omissões será  intimado a  apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:   I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)”    Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10920.003834/2009­95  Acórdão n.º 2402­02.533  S2­C4T2  Fl. 1.381          5 retroatividade  benigna  do  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  Código Tributário Nacional.Recurso especial provido em parte.”  (CARF,  CSRF,  2ª  Turma,  PAF  nº  36378.002129/200615,  Acórdão  nº  920201.636,  Red.  Des.  Gonçalo  Bonet  Allage,  Sessão de 25/07/2011)  Alega  a  Recorrente  ainda  que  o  simples  fato  de  duas  ou  mais  empresas  pertencerem a um mesmo grupo econômico não constitui elemento suficiente para ensejar na  responsabilidade  passiva  quanto  a  débitos  fiscais  e  previdenciários,  tendo  em  vista  que  terceiros  não  relacionados  ao  fato  gerador  não  podem  assumir  a  responsabilidade  por  obrigações.  Contudo,  tratando­se  de  contribuições  previdenciárias,  há  disposição  legal  expressa  admitindo  a  responsabilidade  solidária  em  casos  de  grupo  econômico,  como  se  verifica no art. 30, inc. IX, da Lei nº 8.212/91.  Não há, portanto, razão no argumento da Recorrente.  Por  fim,  a  Recorrente  sustenta  que  seus  acionistas,  controladores,  administradores,  gerentes,  diretores  e  o  contador,  não  poderiam  ter  sido  considerados  responsáveis solidários pelas contribuições devidas à Seguridade Social.  No  entanto,  em  que  pese  o  item  3.3.3  do  Relatório  Fiscal  (fl.  14)  ter  mencionado  a  responsabilidade  solidária  de  tais  pessoas,  temos  que,  na  prática,  elas  nunca  integraram o pólo passivo dessa demanda, nessa qualidade.  Nesse  sentido,  destaca­se  que  somente  a  empresa  integrante  do  grupo  econômico foi considerada responsável solidária, conforme se verifica à fl. 25.  Em vista disso, não há razão no argumento da Recorrente.  Diante  do  exposto,  voto  pelo CONHECIMENTO  do  recurso  para DAR­ LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que a multa aplicada seja recalculada, levando­se  em consideração o artigo 32­A, inc. I, da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.   É o voto.  Nereu Miguel Ribeiro Domingues                               Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES

score : 1.0
9134708 #
Numero do processo: 11070.002344/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 13 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Regime Não-Cumulativo. Apuração de Créditos. Rateio Proporcional. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Ressarcimento. Cooperativa Agropecuária. Aproveitamento de Crédito. Vendas Com Suspensão. Vedado. A vedação do §4º, do artigo 8º, da Lei no 10.925/04, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito, pelas cooperativas agropecuárias, em ralação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. Crédito Presumido. Ressarcimento/Compensação. Vedação. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. Crédito. Ressarcimento. Taxa Selic. Incidência. Cabível. No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não-cumulativas, incide correção monetária, pela taxa Selic, quando restar configurada mora da Administração Tributária, definida como prazo superior a 360 dias da data do protocolo para apreciação do pedido, sendo o termo inicial da incidência o dia seguinte ao escoamento deste prazo.
Numero da decisão: 3401-010.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à atualização do crédito deferido pela taxa Selic, a contar do 361º dia da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Ronaldo Souza Dias

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 15 09:00:04 UTC 2022

anomes_sessao_s : 202112

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Regime Não-Cumulativo. Apuração de Créditos. Rateio Proporcional. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Ressarcimento. Cooperativa Agropecuária. Aproveitamento de Crédito. Vendas Com Suspensão. Vedado. A vedação do §4º, do artigo 8º, da Lei no 10.925/04, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito, pelas cooperativas agropecuárias, em ralação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. Crédito Presumido. Ressarcimento/Compensação. Vedação. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. Crédito. Ressarcimento. Taxa Selic. Incidência. Cabível. No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não-cumulativas, incide correção monetária, pela taxa Selic, quando restar configurada mora da Administração Tributária, definida como prazo superior a 360 dias da data do protocolo para apreciação do pedido, sendo o termo inicial da incidência o dia seguinte ao escoamento deste prazo.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jan 13 00:00:00 UTC 2022

numero_processo_s : 11070.002344/2009-92

anomes_publicacao_s : 202201

conteudo_id_s : 6542937

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 13 00:00:00 UTC 2022

numero_decisao_s : 3401-010.488

nome_arquivo_s : Decisao_11070002344200992.PDF

ano_publicacao_s : 2022

nome_relator_s : Ronaldo Souza Dias

nome_arquivo_pdf_s : 11070002344200992_6542937.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à atualização do crédito deferido pela taxa Selic, a contar do 361º dia da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021

id : 9134708

ano_sessao_s : 2021

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 22 11:35:02 UTC 2022

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1722654512606347264

conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-29T18:36:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-12-29T18:36:42Z; Last-Modified: 2021-12-29T18:36:42Z; dcterms:modified: 2021-12-29T18:36:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-29T18:36:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-29T18:36:42Z; meta:save-date: 2021-12-29T18:36:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-29T18:36:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-12-29T18:36:42Z; created: 2021-12-29T18:36:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; Creation-Date: 2021-12-29T18:36:42Z; pdf:charsPerPage: 2176; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-29T18:36:42Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11070.002344/2009-92 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-010.488 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de dezembro de 2021 Recorrente COOPERATIVA TRITÍCOLA REGIONAL SANTO ÂNGELO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Regime Não-Cumulativo. Apuração de Créditos. Rateio Proporcional. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Ressarcimento. Cooperativa Agropecuária. Aproveitamento de Crédito. Vendas Com Suspensão. Vedado. A vedação do §4º, do artigo 8º, da Lei n o 10.925/04, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito, pelas cooperativas agropecuárias, em ralação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. Crédito Presumido. Ressarcimento/Compensação. Vedação. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. Crédito. Ressarcimento. Taxa Selic. Incidência. Cabível. No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não-cumulativas, incide correção monetária, pela taxa Selic, quando restar configurada mora da Administração Tributária, definida como prazo superior a 360 dias da data do protocolo para apreciação do pedido, sendo o termo inicial da incidência o dia seguinte ao escoamento deste prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à atualização do crédito deferido pela taxa Selic, a contar do 361º dia da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 44 /2 00 9- 92 Fl. 545DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Ronaldo Souza Dias - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 412 e ss) interposto contra decisão contida no Acórdão nº 10-57.039 - 2ª Turma da DRJ/POA de 16/06/16 (fls. 355 e ss), que considerou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade (fls. 266 e ss) apresentada contra Despacho Decisório (fls. 260 e ss), que reconheceu em parte direito creditório, formulado em PER/Dcomp, referente a ressarcimento de Cofins não-cumulativa do 1º ao 4º trimestre de 2005. I - Do Pedido, do Despacho Decisório, da Manifestação de Inconformidade Reproduz-se aqui o relatório constante da decisão recorrida, dada a sua satisfatória síntese dos fatos até aquele ponto do contencioso: Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMPs transmitidos pela contribuinte, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de COFINS não-cumulativa vinculados à receita do mercado interno não tributada (1º ao 4º trimestre de 2005), apurados com base no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. A Seção de Fiscalização anexou documentos, efetuou a necessária auditoria e produziu longo Termo de Constatação Fiscal. Nele dissecou, pormenorizadamente, os problemas encontrados. Com base neste Termo a autoridade administrativa emitiu Despacho Decisório onde reconheceu parcialmente o direito creditório da contribuinte no valor global de RS 37.997,56 referente a saldos credores de COFINS não-cumulativa (mercado interno) acumulados do 1º ao 4º trimestre de 2005, e indeferiu os pedidos de ressarcimento quanto à importância de R$ 3.383.552,49, glosada pela Fiscalização. Cientificada, a cooperativa apresentou extensa manifestação de inconformidade onde, de início, referiu aos fatos e aos fundamentos legais aplicáveis ao caso, para, a seguir, argumentar (de forma resumida): Critério de rateio (receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas) • para a apuração dos créditos vinculados à receita não-cumulativa, é facultado à cooperativa, de acordo com o § 8o do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a escolha entre o método pela apropriação direta dos custos, despesas e encargos, por meio de sistema contábil integrado dos custos, ou pelo critério de rateio proporcional dos custos, despesas e encargos, em relação à receita bruta total. Nos mesmos moldes que efetua-se a apuração dos créditos vinculados à receita não-cumulativa, quando a cooperativa possuir parte de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo, utiliza-se também para a apuração dos créditos vinculados à receita de exportação; Fl. 546DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 • caso toda a receita auferida pela cooperativa esteja sujeita ao sistema não-cumulativo (como é o caso da cooperativa), somente será necessário realizar a apropriação dos créditos proporcionalmente à receita de exportação, receita no mercado interno tributado e mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições, vez que todo o crédito estará contemplado no sistema não-cumulativo; • no caso, a cooperativa não possui sistema de contabilidade integrada de custos, sendo que para apropriação dos créditos escolheu o método do rateio proporcional à receita operacional bruta auferida; • para lastrear seu equivocado entendimento, o agente fiscal efetuou a análise isolada do § 8º do art. 3o da Lei nº 10.833/2003, quando deveria efetuar uma análise sistêmica deste dispositivo, combinando com o § 3º do art. 6o daquela Lei. Além disso, bastaria acessar as orientações contidas no Programa de Entrega do DACON 2.0. A base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS é a receita bruta total. Ao contrário do equivocado entendimento do agente fiscal, todos os custos, despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da cooperativa. Assim, os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos podem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total; • o método de rateio para a apropriação dos créditos está legalmente previsto, enquanto a metodologia híbrida adotada agente fiscal neste processo foi realizada sem embasamento legal. Requer a cooperativa a manutenção do método de apropriação de seus custos, despesas e encargos proporcionais à receita de exportação, receita no mercado interno tributado e mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições, em relação à receita bruta total, conforme método eleito e informado no demonstrativo DACON, elaborado pela cooperativa e apresentado à RFB. Proporção das receitas no mercado interno que não sofrem incidência de PIS e COFINS • as cooperativas podem realizar determinadas exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS, podendo, em face das operações, após realizadas as exclusões, não resultar base de cálculo tributável, ou seja, a base será zero. Não resultando base de cálculo tributável, o percentual da receita tributada em relação à receita total ser igual a zero. Assim, os créditos de PIS e COFINS apurados nestes períodos serão vinculados entre a receita de exportação e a receita de mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência; • a cooperativa agiu conforme a legislação, não tendo efetuado adições em sua receita. Partindo do faturamento, efetuou as exclusões legalmente previstas para as sociedades cooperativas. Ao efetuar estas exclusões, não resultou base de cálculo tributável. Consequentemente, o crédito apurado não deverá ser rateado com a receita do mercado interno tributada, porque não houve base tributável. Portanto, deve ser mantido o rateio dos créditos de acordo com a proporcionalidade apurada pela cooperativa. Vendas com suspensão: ilegalidade da restrição ao aproveitamento de créditos • o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 possibilitou, a partir de 1º/08/2004, que as vendas de produtos relacionados no art. 8º daquela Lei fossem realizadas com suspensão do PIS e da COFINS. Posteriormente foram editadas as Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, onde ficou autorizado expressamente o ressarcimento/compensação dos créditos acumulados; • lastreando seu equivocado entendimento no § 2º do art. 3º da IN 660, o agente fiscal entendeu que o crédito não poderia ser aproveitado devido às vendas terem sido Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 efetuadas com suspensão. Mas a legislação é clara ao permitir o aproveitamento dos créditos no caso de vendas com suspensão; • a cooperativa apurou créditos em conformidade com o art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo quantificado os débitos devidos. O saldo credor foi objeto de pedido de ressarcimento, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005; • ao interpretar equivocadamente e regulamentar o direito de crédito (§2º do art. 3º da IN 660), a RFB está tentando revogar a legislação e frustrar a não-cumulatividade estabelecida em lei, valendo-se de interpretação que usurpa a função legislativa, o que não está entre suas competências (e sim do Poder Legislativo). Logo foi violado o primado da legalidade e reserva constitucional de competência, que garantem um Estado Democrático de Direito; • a cooperativa busca o reconhecimento e ressarcimento dos créditos vinculados à receita com suspensão do PIS e COFINS, visto que a restrição imposta pelo Fisco é de manifesta ilegalidade na medida em que agride matéria reservada à Lei e restringe o direito da cooperativa de usufruir seus créditos na plenitude, desvirtuando a operacionalização da mecânica da não-cumulatividade daquelas contribuições. Crédito presumido: aquisições de pessoas físicas e jurídicas com suspensão • no período, a cooperativa, diante da mecânica do PIS e da COFINS não-cumulativos, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM. Na legislação encontra-se fundamento para o crédito presumido (inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o § 10 do art. 3° da Lei nº 10.637/2002, e § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. A partir de agosto de 2004 no art. 8º da Lei nº 10.925/2004); • a cooperativa, de acordo com o inciso I do art. 6º da IN SRF 660, exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no art. 5º da referida IN. Portanto, desempenha atividades agroindustriais e tem o direito ao crédito presumido calculado sobre o total de suas aquisições efetuadas de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão das contribuições, eis que as utiliza na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; • a cooperativa adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural, insumos utilizados no processo produtivo, em conformidade com o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 7º da IN SRF 660. Portanto, faz jus aos créditos de PIS e COFINS calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação; • a cooperativa está equiparada a estabelecimento produtor de acordo com o art. 4º da Lei nº 4.502/1965. Realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e requisito necessário para o comércio. Estes procedimentos/atividades, que aperfeiçoam as mercadorias para o consumo humano ou animal, caracterizam atividade agroindustrial, como definido no art. 6º da IN SRF 660, para o PIS e COFINS. Dentre as atividades econômicas desenvolvidas pela cooperativa está o processo produtivo de soja, milho e trigo, constantes respectivamente dos capítulos 12 e 10 da NCM, elencados no § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (PIS) e § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (COFINS), bem assim, para ambas as contribuições a partir de agosto de 2004 (caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004); • a cooperativa desenvolve o processo produtivo/atividade econômica (beneficiamento), no qual se alteram as características originais, aperfeiçoando as mercadorias, para o Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 consumo humano ou animal, resultando nos grãos/mercadorias comercializadas/exportadas, através de algumas etapas: 1) recebimento e classificação; 2) descarga das mercadorias; 3) pré-limpeza dos grãos; 4) secagem; 5) pós-limpeza; 6) armazenagem e controle de qualidade; 7) expedição. • as mercadorias (NCM capítulos 10 e 12) e o processo produtivo (beneficiamento) adotado pela cooperativa se enquadram nas disposições legais em questão (§ 10 do art.3º da Lei nº 10.637/2002 – PIS e § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 - COFINS, e caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Assim, a cooperativa faz jus ao crédito presumido. Conceito de processo produtivo • aponta conceituação de processo produtivo pelo TRF da 4ª/R. Ilegítima interpretação e restrição à não-cumulatividade pela RFB • ao analisar o crédito presumido apurado pela cooperativa, o agente fiscal inovou utilizando como base de cálculo para mensurar os créditos, as transferências de mercadorias para somente alguns dos estabelecimentos da cooperativa, efetuando desta forma a apuração descentralizada dos referidos créditos, contrariando também, além dos demais dispositivos legais violados, o art. 15 da Lei nº 9.779/1999; • ao efetuar a apuração descentralizada do crédito presumido, considerando na apuração somente alguns dos estabelecimentos da cooperativa (fábrica de ração e os moinhos de milho e trigo) e, ainda, considerando como base de cálculo para o crédito presumido apenas as transferências recebidas por estes estabelecimentos, quando deveria considerar o total da aquisição de insumos originários de pessoas físicas e jurídicas no período, o agente fiscal está contrariando a legislação, inovando o contexto legal como se legislador fosse, o que é defeso; • desconsiderando o processo produtivo desempenhado pela cooperativa, a RFB não fez o enquadramento nos dispositivos legais de forma adequado (§10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002; § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, e caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Houve enquadramento no § 11 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 por entender que as mercadorias teriam sido exportadas na mesma forma que adquiridas e portando em seu entendimento não fariam jus ao crédito presumido. Esse é o equívoco; Crédito presumido a partir de agosto de 2004 • devido à RFB não ter considerado o processo produtivo desempenhado e entender que a cooperativa não estaria enquadrada no § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e no § 5º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 como beneficiaria do crédito presumido, também a partir de agosto de 2004 a RFB não assegurou o enquadramento da cooperativa no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, indeferindo, desta forma, o crédito. A cooperativa, na qualidade de empresa produtora, faz jus ao crédito a partir de agosto de 2004. Crédito presumido do estoque de abertura Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 • entendeu o agente fiscal que o crédito presumido sobre o estoque de abertura não seria passível de ressarcimento, apenas poderia ser utilizado para dedução, por supostamente estes créditos não serem apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Portando, não haveria previsão legal para ressarcimento. Ocorre que o estoque de abertura é formado pelo custo de aquisição nos bens relacionados no art. 3º daquelas Leis, cuja possibilidade de ressarcimento do crédito apurado é reconhecida pela própria RFB, conforme disciplinado nos arts. 27 e 29 da IN SRF nº 900/2008. Assim, a cooperativa requer o ressarcimento integral do crédito presumido sobre o estoque de abertura na proporção das receitas de exportação, suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência. Apuração da base tributável do PIS e da COFINS: exclusões permitidas às sociedades cooperativas • o agente fiscal considerou indevidas algumas exclusões permitidas às sociedades cooperativas, majorando, desta forma, a base de cálculo tributável da cooperativa: 1. exclusões dos repasses aos associados (mercado externo): referente aos repasses aos associados, entendeu o agente fiscal que não seria possível excluir da base de cálculo do PIS e COFINS os repasses de associados sobre a comercialização no mercado externo, de acordo com o inciso I do art. 11 da IN nº SRF 635/2006, editado para regulamentar o inciso I do art. 15 da MP nº 2.158-35/2001. No entanto, o inciso I do art. 15 da MP nº 2.158-35/2001, assegura a possibilidade excluir da base de cálculo do PIS e COFINS o valor total dos repasses efetuados aos associados, independente da comercialização da mercadoria ser efetuada no mercado externo ou no mercado interno; 2. exclusões dos repasses aos associados (mercado interno): não procede o argumento do agente fiscal que não seria possível excluir os repasses aos associados relativos às operações de vendas mercado interno efetuadas com suspensão e alíquota zero do PIS e COFINS, devido a estas receitas não sofrerem incidência daquelas contribuições. No seu entendimento, haveria exclusão em duplicidade. Mas, além de poder excluir da receita total para a apuração da base de cálculo tributável do PIS e COFINS as receitas que não sofreram incidência das contribuições, como as demais pessoas jurídicas, as sociedades cooperativas, por terem tratamento diferenciado, podem também excluir o total dos repasses efetuados aos associados independente do destino que será dado à mercadoria recebida do associado; 3. exclusão da venda de mercadorias a associados: devido ao tratamento diferenciado que possuem, diferente das demais empresas, as sociedades cooperativas podem efetuar diversas exclusões da base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, dentre elas as vendas de mercadorias para seus associados, conforme consta no inciso II do art. 15 da MP nº 2.158-35/2001 (disposição também contida no inciso II do art. 11 da IN nº 635/2006). Entendeu o agente fiscal que as vendas efetuadas para associados relativas a algumas mercadorias, tais como adubos, defensivos agropecuários, sementes e corretivos, não poderiam ser excluídas da base de cálculo das contribuições, por se tratarem de mercadorias sujeitas à alíquota zero. A cooperativa tem o direito à exclusão, em conformidade com o inciso II do art. 15 da MP nº 2.158-35/2001 e inciso II do art. 11 da IN nº 635/2006, das receitas de vendas de bens e mercadorias para seus associados, vinculados à atividade econômica dos mesmos, independente das vendas serem realizadas com suspensão, alíquota zero, ou tributadas pelas contribuições para o PIS e COFINS, vez que a MP e a IN não vedam a possibilidade de efetuar estas exclusões; 4. receita de beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado: parte da produção recebida do associado, a cooperativa destina a industrialização de mercadorias como ração, farinha de trigo, massas alimentícias, etc. Porém, contrariando a legislação e a regulamentação da própria RFB, o agente fiscal alega que a cooperativa não poderia excluir da base de cálculo do PIS e COFINS, o Fl. 550DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 valor da receita de industrialização da produção do associado, porquanto esta receita não representa serviços prestados aos associados. Todavia, a cooperativa possui amparo legal para excluir da base de cálculo do PIS e COFINS as receitas da industrialização do produto do associado, com base no inciso IV do art. 15 da MP nº 2.158-35/2001, disposição confirmada no inciso IV do art. 11 da IN SRF nº 635/2006. As receitas decorrentes da produção do associado não são receitas de prestação de serviço a associados. Portanto as exclusões destas receitas da base de cálculo efetuadas pela cooperativa devem ser acatadas; 5. custos agregados: novamente contrariando a legislação, especificamente o art. 17 da Lei nº 10.684/2003, e a normatização da RFB (IN SRF nº 635/2006), alega o agente fiscal que os custos agregados somente poderiam ser excluídos da base de cálculo em caso de haver base de cálculo tributável de PIS e COFINS. Ocorre que o art. 17 da Lei nº 10.684/2003 permite que sejam excluídos, sem distinção, todos os custos agregados ao produto agropecuário do associado. Os custos agregados aos produtos agropecuários dos associados podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e COFINS, considerando-se, em conformidade com art. 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o total das receitas auferidas, independente da denominação e classificação contábil. Não há que se fazer distinção quanto à forma como a mercadoria será comercializada pela cooperativa: se será destinada à exportação ou se será vendida no mercado interno com suspensão, alíquota zero ou tributada pelo PIS e COFINS. Princípios a serem observados pela Administração Pública • a autoridade fiscal violou o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, não observando os princípios que devem nortear a administração pública, dentre eles o da objetividade, adequação de meios e fins, simplicidade e interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público, todos constantes do parágrafo único do mencionado artigo. Previsão legal para incidência da Taxa SELIC • os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela SELIC, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. Finaliza apresentando seus requerimentos. Posteriormente, o processo tramitou por esta DRJ e pela DRF de origem (por solicitação desta). Nesta foram adotados procedimentos em relação a compensações de ofício. O processo retornou para apreciação II – Da Decisão de Primeira Instância O Acórdão de 1º grau julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, argumentando, em resumo, que: ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OU ADMINISTRATIVOS (...) A autoridade administrativa, no âmbito tributário, deve examinar os litígios atendo-se à legislação vigente e aos atos administrativos expedidos pelas autoridades competentes, Fl. 551DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 não lhe cabendo afastar a aplicação de qualquer lei ou ato normativo enquanto não declarada a sua inconstitucionalidade ou ilegalidade pelo Poder competente. DECISÕES JUDICIAIS/ADMINISTRATIVAS. TRANSCRIÇÕES. EFEITOS No que concerne às decisões judiciais que a contribuinte mencionou em sua peça de contestação, verifica-se que conforme o art. 4º do Decreto nº 2.346, de 1997, a extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da RFB possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do STF acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio, e ainda assim, havendo de ser editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido. (...) Com relação às decisões administrativas, não estão elas inseridas entre as normas complementares contidas no art. 100 do CTN. Por conseguinte, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL Conforme assentado pela Fiscalização, para apurar o percentual dos créditos de PIS e COFINS vinculados à receita do mercado interno não tributada (alíquota zero, isenção e não-incidência), a contribuinte adicionou o valor das exclusões permitidas às sociedades cooperativas, aumentando, dessa forma, o valor da receita do mercado interno não tributada, resultado no aumento do percentual da receita do mercado interno não tributada. (...) No Termo de Constatação Fiscal o agente fiscal descreveu precisamente seu modus operandi, tendo observado o método do rateio proporcional, onde aplicam-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Somente o montante da receita auferida que integrar a base de cálculo a ser submetida, efetivamente, à incidência não-cumulativa da COFINS é que deve ser considerado para efeito de cálculo da relação percentual existente para o rateio proporcional aos custos, despesas e encargos comuns, para fins de aproveitamento de créditos a serem descontados da mencionada contribuição. Nessa medida, as receitas de vendas de produtos sujeitos à alíquota zero, por exemplo, não integram o montante da base de cálculo a ser oferecido mensalmente à incidência e recolhimento da aludida contribuição no regime da não-cumulatividade. Portanto, o valor correspondente às referidas receitas não compõe nem montante da receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e nem o da receita bruta total, auferida em cada mês, para não distorcer o percentual a ser encontrado para a utilização do método do rateio proporcional aos custos, despesas e encargos comuns, para fins de aproveitamento de créditos a serem descontados da COFINS. Logo, às receitas auferidas pela pessoa jurídica, em decorrência de vendas realizadas com isenção, não alcançadas pela incidência, com alíquota zero ou de bens do ativo permanente, por não integrarem a receita bruta mensal sujeita à incidência não- cumulativa, base de cálculo para a aplicação e recolhimento das respectivas alíquotas não-cumulativas, também não integram o montante da receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa utilizado na definição do percentual para o método do rateio proporcional, porque, de fato, sobre referidas receitas não há incidência e recolhimento, efetivo, da COFINS. Essas receitas também não integram o montante da receita bruta total, auferidas em cada mês, para efeito de estabelecimento do percentual existente entre ambas as receitas, a ser aplicado na apuração de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. Chega-se assim, ao entendimento de que o montante da receita bruta total, auferida em cada mês, para efeito de determinação do percentual existente entre as espécies de Fl. 552DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 receitas, para fins de apuração de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele encontrado após o somatório dos valores das receitas que foram, efetivamente, oferecidos às incidências e recolhimentos da citada contribuição, no regime da não-cumulatividade. Essa interpretação evita distorções no estabelecimento do percentual do rateio calculado sobre os custos, despesas e encargos comuns utilizado no método do rateio proporcional de créditos a serem descontados da COFINS, ou seja, o percentual encontrado decorre, exatamente, do somatório de receitas que foram, efetivamente, tributadas com as incidências e recolhimentos das mencionadas contribuições no regime da não- cumulatividade. (...) CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS COM SUSPENSÃO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS A interessada alega que tem direito ao crédito presumido de acordo com a legislação que cita (de acordo com o período de apuração), já que é produtora de mercadorias de origem vegetal, adquirindo bens diretamente de pessoas físicas residentes no país e efetuando o processo de produção/industrialização, na modalidade de beneficiamento. Conforme informou, a cooperativa, em seu processo produtivo, submete os produtos agrícolas às seguintes etapas: 1) recebimento e classificação; 2) descarga das mercadorias; 3) pré-limpeza dos grãos; 4) secagem; 5) pós-limpeza; 6) armazenagem e controle de qualidade; 7) expedição, o que caracterizaria atividade produtiva. Além disso, afirmou que apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias. Entendeu que as vendas feitas com suspensão geraram direito creditório que teve expressamente autorizado o ressarcimento/compensação, de acordo com as Leis nºs 11.033, de 2004, e 11.116, de 2005. (...) O termo produzir constante do caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, foi empregado no sentido de dar nascimento ou origem; dar o ser a; fazer existir; criar, gerar, fabricar, manufaturar. Envolve, pois, todo o processo de elaboração do produto em todas as etapas, ou seja, a transformação, a industrialização, o acondicionamento e o processo de embalagem, de forma que o produto final esteja em condições de comercialização. Consoante sua própria explicação, a cooperativa atua em várias operações como cerealista (exerce cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos), sendo que para os casos em que desenvolve atividade agroindustrial (fabricação de rações; moinhos de milho e trigo) a Fiscalização atestou/reconheceu a apuração dos créditos: (...) Examinada a legislação transcrita e observado o Termo de Constatação Fiscal, verifica- se que: a) no que tange ao crédito presumido e à suspensão, existe vedação específica para apuração de créditos do PIS e da COFINS (§ 4º, inciso I e II do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004); b) o § 1º, incisos I e III, do art 8º da Lei nº 10.925, de 2004, diz respeito a pessoas jurídicas que vendam a outras pessoas jurídicas enquadradas no caput do mesmo artigo. Nestas vendas pode ou não ocorrer a suspensão da exigibilidade das contribuições, mas Fl. 553DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 independentemente desta condição, não há o direito de aproveitamento do crédito presumido estipulado pelo artigo, tendo em vista o disposto no inciso I do § 4º; c) o aproveitamento do crédito presumido, que deve ser calculado sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda, adquiridos de pessoas físicas residentes no País, na apuração do valor da contribuição pela sistemática da não-cumulatividade, se restringe às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal; d) que pese as alegações postas pela interessada, o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 foi claro e específico ao estabelecer que o crédito presumido decorrente das aquisições que menciona somente pode ser deduzido do valor devido da contribuição, não havendo a possibilidade de efetivar-se ressarcimento do mesmo (a título ilustrativo, observa-se que, para determinado tipo de insumo adquirido, a possibilidade de utilização dos créditos presumidos da agroindústria com vistas a sua compensação com os demais tributos e contribuições ou o seu ressarcimento, passou a ter previsão legal somente com edição da Lei nº 12.058, de 2009 – arts. 36 e 37). Portanto, não sendo possível ampliar a definição do termo produzir, trazido pela legislação, para a atividade de beneficiamento, ou seja, atividade de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos, entende-se correto o posicionamento da Fiscalização para o período alcançado pela auditoria fiscal. OUTROS CRÉDITOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ESTOQUE DE ABERTURA. FORMA DE UTILIZAÇÃO (...) Verificada a legislação transcrita, entende-se que, quanto a este item, tem razão a manifestante, devendo o Órgão de origem adotar os necessários procedimentos para efetivar o ressarcimento do direito creditório reconhecido. COFINS. COOPERATIVAS. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES INDEVIDAS A base de cálculo da COFINS, no regime não-cumulativo, é apurada a partir da totalidade das receitas da sociedade cooperativa, com as exclusões permitidas pela legislação, conforme disposto nos arts. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, e 6°, 7°, 8°, 9º e 11 da IN SRF nº 635, de 2006. Efetuada a necessária auditoria, assentou o agente fiscal em seu Termo de Constatação Fiscal (excertos): (...) Consoante as anotações feitas no Termo de Constatação Fiscal e planilhas anexas, foram procedidos ajustes que visaram restabelecer o correto valor dos créditos passíveis de ressarcimento por parte da cooperativa, estando de acordo com a legislação em vigor. Ademais, ao contrário do que entende a manifestante, as exclusões foram admitidas proporcionalmente ao montante utilizado para formação da base de cálculo de cada espécie de receita (créditos vinculados a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não-incidência - e exportação), donde correto entendimento do agente fiscal. NÃO-CUMULATIVIDADE. DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. No âmbito tributário, o que se observa é a incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) que se presta à indenização da mora em que Fl. 554DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 pode incorrer o sujeito passivo, em relação à satisfação de seus débitos, e à Fazenda Nacional, quanto à restituição dos indébitos ou aos ressarcimentos. A partir da protocolização do pedido de ressarcimento até o efetivo pagamento (ou compensação pleiteada), tem-se caracterizada a mora da Administração, donde seria cabível a incidência da SELIC nesse espaço de tempo. Ocorre que, tratando-se de ressarcimento de COFINS não-cumulativa, o art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente determina que, nessa hipótese, não há que se falar em atualização monetária ou em incidência de juros sobre os respectivos valores, conforme a seguinte prescrição: (...) III – Do Recurso Voluntário A recorrente, contra a decisão de primeiro grau, retoma a argumentação expedida em sede de recurso à primeira instância do julgamento administrativo, destacando-se os seguintes pontos: 2.1 – DO CRITÉRIO DE RATEIO PARA APROPRIAÇÃO DOS CRÉDITOS APURADOS PROPORCIONAIS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES, RECEITAS NO MERCADO INTERNO TRIBUTADAS E NÃO TRIBUTADAS 2.2 – DAS VENDAS COM SUSPENSÃO DO PIS E COFINS – ILEGÍTIMA RESTRIÇÃO AO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS 2.3 - CRÉDITO PRESUMIDO – ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL - PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM 2.4 – DA APURAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL DO PIS E COFINS – EXCLUSÕES PERMITIDAS ÀS SOCIEDADES COOPERATIVAS 2.5 – PREVISÃO LEGAL PARA A INCIDÊNCIA DA SELIC A recorrente cita doutrina, legislação e jurisprudência e, ao final, pede: a) Recebimento e processamento do presente Recurso Voluntario; b) A reforma total da decisão ora combatida, pelas razoes de fato e de direito ofertados nesta; c) Outrossim, requer-se: 1) Manutenção do método de Rateio Proporcional, para a vinculação de seus créditos apurados na forma do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833, identificando assim a proporcionalidade destes, em relação as Receitas de Exportação, Receitas no mercado interno tributadas e Receitas no mercado interno não tributadas (suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência), considerando a Receita Operacional Bruta da não-cumulatividade, em conformidade com o disposto no art. 1º das Leis 10.637 e 10.833, e § 3o do art. 6o da lei 10.833/2003 combinado com o § 8o do art. 3o da lei 10.833/2003; 2) Manutenção dos créditos acumulados pelas aquisições no mercado interno, na proporção das receitas efetuadas com suspensão do PIS e da Cofins; 3) Reconhecimento do processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM, relacionadas § 10 do Art. 3o da Lei 10.637/2002, no Fl. 555DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 § 5o do art. 3o da Lei 10.833/2003 e no caput do art. 8o da Lei 10.925/2004 desempenhado pela recorrente e, caso a autoridade julgadora entender necessário 17a realização de diligencias no sentido de confirmar o processo produtivo 4) Manutenção do crédito presumido na plenitude da lei, considerando o processo produtivo desempenhado, e ao final, havendo saldo credor, permitido sua compensação com demais débitos do contribuinte junto a RFB e/ou ressarcimento em dinheiro; 5) Considerar as exclusões da base de calculo referente os valores repassados aos associados na plenitude em conformidade com o art. 15 da Medida provisória 2.158-35/2001; 6) Considerar as exclusões da base de calculo referente as vendas efetuadas a associados na plenitude em conformidade com o art. 15 da Medida provisória 2.158-35/2001; 7) Considerar as exclusões da base de calculo referente a receita da industrialização da produção do associado em conformidade com o art. 15 da Medida provisória 2.158-35/2001; 8) Considerar as exclusões da base de calculo referente ao custo agregado ao produto agropecuário do associado em conformidade com o art. 17 da Lei 10.684/2003; 9) Correção e ressarcimento dos valores pleiteados com a incidência da taxa SELIC a partir de cada período de apuração. Voto Conselheiro Ronaldo Souza Dias, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; assim, dele conheço. MÉRITO I – Do Rateio Proporcional A Recorrente alega que “em conformidade com a legislação, ao contrário do entendimento adotado pelo agente fiscal e, pela 2a Turma de julgamento da DRJ/POA, todos os créditos apurados sobre os custos, despesas e encargos elencados no art. 3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser rateados proporcionalmente em relação ao total da receita bruta auferida sem ajustes”. Por outro lado, a Fiscalização argumenta a favor da aplicação do rateio proporcional apenas em relação aos encargos comuns, não em relação a todos os encargos. O primeiro ponto a ser observado no tema diz respeito ao fato de que no regime cumulativo não há obviamente falar de créditos, vale dizer, créditos de PIS/COFINS somente podem ser apropriados em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes, ou seja, cumulativo e não cumulativo, o crédito deverá Fl. 556DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 ser apurado de acordo com o disposto nos artigos 3º, §§7º a 9º da Lei nº 10.833/2003 (e equivalentemente na Lei nº 10.637/2002); que disciplinam: Lei nº 10.833/03 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. É relevante desde já assentar que a disciplina acima aplicada ao caso em que coexistem os dois regimes (cumulativo e não-cumulativo), também se aplica ao caso em que o contribuinte apura receitas simultaneamente de venda no mercado interno e de exportação, por força do que determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003: Art. 6 o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de:(Produção de efeito) I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1 o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3 o , para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 § 2 o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1 o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3 o O disposto nos §§ 1 o e 2 o aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8 o e 9 o do art. 3 o . E, da mesma forma, quando há venda tributada, e venda não-tributada no mercado interno, o montante de cada espécie de crédito é, então, determinado pelo critério definido nos §§8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Neste sentido, a Fiscalização adotou o mencionado critério para os encargos comuns, reservando a apropriação direta para encargos específicos vinculados a certas espécies de receita malgrado o entendimento da Recorrente, que propõe o uso do rateio para todos os encargos. A questão; quando enfrentada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/CARF), no Processo nº 11070.002343/2009-48; relativo ao mesmo contribuinte, com pleito exatamente de mesma natureza, ressarcimento de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições (PIS/Cofins), submetido à mesma fiscalização, que resultou em um único Termo de Constatação Fiscal, diferindo apenas no período examinado (4º trimestre de 2004); obteve da 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303-007.631, a decisão conforme ementado abaixo: REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa da COFINS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e não incidência e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Reproduz-se na sequência a fundamentação do voto do Relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos, dada a clareza e o didatismo em que fora exposta: (...) Restou o litígio apenas em relação ao critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas do mercado interno tributadas e receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência). Interessante salientar que tanto o acórdão recorrido, quanto a decisão da DRJ que manteve o critério de rateio utilizado pela fiscalização se estribaram na mesma legislação e instruções da RFB para a chegar a conclusões opostas. O acórdão a quo afirma que se deveria adotar exclusivamente o método de rateio proporcional, independentemente de haverem custos identificáveis como vinculados Fl. 558DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 tanto às receitas de exportação (por não incidir a Cofins sobre elas) como às do mercado interno. Entendeu que haveria uma distinção pela fiscalização que a lei não autorizaria. A situação discutida no recorrido se vincula às receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência), que geravam direito a crédito, tendo estas o rateio pelo mesmo tratamento das receitas de exportação. Por outro lado, o acórdão paradigma é expresso em restringir o rateio aos custos comuns, não havendo falar em rateio de custos específicos. Esse tema foi recentemente enfrentado pela Solução de Consulta Cosit n° 293, de 2017, que é expressa em seu item 2.1, restringindo o rateio aos custos comuns, nos seguintes termos: 21. Como já mencionado, a interessada opta pelo método de rateio proporcional para calcular seus créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados à exportação. 21.1. O método de rateio proporcional, na literalidade do inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser aplicado naquelas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições. 21.2. E sobre o valor daqueles custos, despesas e encargos comuns, a pessoa jurídica sujeita à incidência parcial da não cumulatividade das contribuições em epígrafe, deve aplicar o seguinte percentual para obter os montantes dos créditos de tais contribuições relativos àqueles dispêndios: Receita Bruta Sujeita à Não Cumulatividade/Receita Bruta Total (grifos na transcrição) Para exemplificar numericamente a linha de raciocínio aqui traçada, peço vênia para apresentar didaticamente uma situação muito simples, de: receitas de exportação, no mercado internas tributadas e no mercado interno não tributadas, cada uma delas no valor de R$ 1.000,00 e custos totais de R$ 1.400,00, distribuídos conforme tabela abaixo: Custos Valor Vinculados à Exportação 200,00 Vinculados a operações no mercado interno tributadas 800,00 Vinculados a operações no mercado interno não tributadas 200,00 Comuns 200,00 Total 1.400,00 A memória de Cálculo a seguir ilustra a diferença entre o rateio dos custos comuns e do total de custos. Receitas Custos Valor % Valor Rateio ‐ Total Rateio ‐ Custos Comuns Exportação 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Fl. 559DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Internas tributadas 1.000,00 0,33 800,00 466,67 866,67 Internas não trib. 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Custos comuns n/a n/a 200,00 n/a n/a Total 3.000,00 1.400,00 Repare que, em se considerando o rateio do total de custos, os custos atribuídos à exportação passariam a ser de R$ 466,00, ou seja, superiores ao somatório dos custos próprios e dos custos comuns (R$ 200,00 + R$ 200,00), que somente alcançariam o valor de R$ 400,00. Em outras palavras, créditos inequivocamente relativos a operações internas tributadas seriam tratados como vinculados à exportação. Penso que esse seja o ponto que remanesce sob questão no aresto ora contestado e entendo que a lógica da apuração da decisão de primeira instância esteja escorreita. Dessarte, deve ser provido o recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Verifica-se apenas no excerto acima, erro de digitação quanto ao número da Solução de Consulta citada, o certo é Solução de Consulta Cosit n° 193, de 2017. Assim, o rateio proporcional não pode ser utilizado para os créditos que são vinculados de forma induvidosa a uma certa receita, neste caso, apropria-se diretamente a ela, conforme aludido pela Fiscalização: “Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem”. Tal é o entendimento desta Turma, conforme se verifica nos acórdãos unânimes: nº 3401-008.442 (Rel. Carlos Henrique de Seixas Pantarolli), nº 3401-008.669 (Rel. Oswaldo Goncalves de Castro Neto), nº 3401.009.519 (Rel. Fernanda Vieira Kotzias); todos com a mesma ementa: MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. “Os índices de rateio proporcional entre receitas de exportação e do mercado interno aplicam-se apenas aos custos, despesas e encargos que sejam comuns”. Desta forma, as questões relativas ao rateio encontram solução na combinação dos critérios mencionados, apropriação direta e rateio, entendendo-se como correto o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal (AFRFB): Com base na natureza das aquisições de bens e serviços os créditos do PIS e a COFINS foram vinculados em uma das situações acima descritas, sendo o valor da aquisição de Bens para Revenda, Aquisição de insumos e Serviços Utilizados com Insumos imputados pela fiscalização na coluna de operações do mercado interno tributadas, cujo crédito do PIS e da COFINS somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição devida, haja vista as operações de revenda das mercadorias e venda de produtos serem tributadas no mercado interno em relação ao PIS e a COFINS. Já as Despesas de energia elétrica, despesas financeiras e créditos do imobilizado, foram alocadas com base na proporção da receita auferida, em: mercado interno tributada, Fl. 560DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 mercado interno não tributada (isenção, alíquota zero e não incidência), mercado interno não tributada (suspensão) e exportação. Portanto, nega-se provimento ao recurso neste ponto. II - Das vendas com suspensão do PIS/Cofins, Ilegítima restrição A Recorrente argumentou que “a restrição contida Inciso II do Parágrafo 4º do art. 8 da lei 10.925/2004 quanto a manutenção do crédito de PIS e Cofins vinculados as receitas com suspensão das contribuições, foi revogada com a edição da nova lei (art. 17 lei 11.033/2004)”, assim, entende que a cooperativa teria direito aos créditos relativos às receitas de vendas com suspensão no período sub examine, em conformidade com o art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Lei nº 11.033/2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e10.833, de 29 de dezembro de 2003,e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004,poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. O ponto fora apreciado no Acórdão nº 3402-003.973, no citado Processo nº 11070.002343/2009-48, que fora reformado, mediante Acórdão nº 9303-007.631 – 3ª Turma da CSRF, apenas quanto ao rateio acima citado, sublinhando-se novamente que o processo nº 11070.002343/2009-48, é em tudo semelhante ao atual, relativo ao mesmo contribuinte e pleito exatamente de mesma natureza (ressarcimento de créditos de Cofins), alterando-se apenas o período (4º trimestre de 2004). Em decisão unânime neste ponto, aquele Colegiado (TO 3402) argumentou: No entanto, a norma genérica, que permite a manutenção dos créditos nas vendas com suspensão, não derroga a norma específica que veda expressamente o crédito presumido para as pessoas especificadas, em consonância com o disposto no art. 2º, §2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Fl. 561DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Art.2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3401-01.255– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 28 de fevereiro de 2011, em votação unânime: (...) Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§4 o , do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004), traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1 o , do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as cooperativas de produção agropecuária. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra específica. Portanto, a vedação do §4º, também do artigo 8º permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito, por essas cooperativas, em ralação a vendas com tributação suspensa, não tributadas ou isentas. (...) Assim, a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. Exatamente nesta linha fora expresso o entendimento da Fiscalização nestes autos, conforme sintetizado abaixo: Para as pessoas jurídicas que efetuam as operações de venda com o beneficio da suspensão do PIS e da COFINS a legislação vedou à apuração de créditos presumidos e básicos, de acordo como disposto no § 4o, incisos I e II do art. 8o da lei n° 10.925/2004 , tendo em vista que as pessoas jurídicas que adquiram mercadorias com o beneficio da suspensão apuram crédito presumido sobre o valor de tais compras. A leitura da nova sistemática de apuração do crédito presumido do PIS e da COFINS (art. 8o da lei n° 10.925/2004) deve ser feita em conjunto com o art. 9o do mesmo diploma legal que determina a sistemática de aplicação da suspensão das contribuições em comento. Assim, o argumento do Recorrente (de que a restrição contida no Inciso II do Parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004 foi revogada com a edição do art. 17 lei 11.033/2004, não prevalece, e o dispositivo (abaixo citado) continua a produzir os seus efeitos: Lei 10.925/2004 Art. 8º (...) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Fl. 562DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Com base nos fundamentos expostos, mantém-se a decisão recorrida neste ponto. III - Crédito presumido Atividade agroindustrial produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM A Recorrente, no tópico, argumenta em síntese que: A Contribuinte diante de mecânica do PIS e da COFINS não-cumulativa, para o período, apurou credito presumido de PIS e Cofins sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão; utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, fundamentado, no inciso II do artigo 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Certos de que a Recorrente faz jus aos créditos em tela, a inconformidade da Contribuinte reside, no posicionamento da fiscalização que, equivocadamente, contrariando a legislação e as próprias normas da RFB (instrução normativa 660/2006), desconsiderou o processo produtivo desempenhado pela contribuinte relativo as mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 elencados no caput do artigo 8o da lei 10.925/2004. Argumenta o agente fiscal que a contribuinte não faria jus ao credito presumido, em virtude de suas atividades se enquadrarem como de cerealista, ignorando para fins de apuração do credito, que a contribuinte se trata de empresa produtora das mercadorias, caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Entretanto, o posicionamento adotado pelo agente fiscal em não reconhecer o direito ao credito presumido de PIS e Cofins, por desconsiderar o processo produtivo/beneficiamento do milho, trigo e soja, não é razoável. Vale citar novamente o Acórdão nº 3402-003.973, por razões já expostas. Quanto ao ponto, aquele Colegiado (TO 3402) argumentou: (...) Período de agosto/2004 a dezembro/2008: Relativamente a este período, entendeu a fiscalização autuante que: "A partir de agosto/2004 o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, as quais apuram o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e recebimentos de pessoas físicas (associados de cooperativas), bem como em relação às aquisições de pessoas jurídicas cuja operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria". A Lei nº 10.925/2004 trouxe alteração legislativa ao crédito presumido, permitindo-o a partir de agosto de 2004 somente à agroindústria, no caput do art. 8º, para as aquisições de insumo (bens) de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, e no seu §1º, para as aquisições de cerealistas (inciso I) e outras pessoas jurídicas específicas (incisos II e III): (...) A partir de então, não mais há a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido pelo cerealista, como antes havia no §11, [do art. 3º], da Lei 10.833/2003, ou pelas pessoas jurídicas descritas nos incisos II e III do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, bem como o crédito em relação às receitas de vendas com Fl. 563DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 suspensão efetuadas a essas pessoas, em face da vedação expressa no §4º do referido art. 8°: § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Alega a recorrente que teria direito a crédito presumido já que é produtora de mercadorias de origem vegetal, adquirindo bens diretamente de pessoas físicas residentes no país e efetuando o processo de produção/industrialização, sob a modalidade de beneficiamento. Ocorre, no entanto, que a fiscalização concedeu o crédito presumido para esse período nas atividades em que a contribuinte atuou efetivamente como agroindústria, somente excluindo as atividades de cerealista da empresa, na qual exerceu cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados no inciso I do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, conforme extrato abaixo do Termo de Constatação: (...)Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria. O crédito presumido apurado pela fiscalização na COTRISA se refere ao valor das transferências internas de produtos agrícolas (soja, milho e trigo) para a industrialização na fábrica de ração e nos moinhos de milho e trigo. Das transferências realizadas para fábrica de ração excluímos a transferência de farelo de soja (produto industrializado), cujo crédito foi apurado quando da aquisição de pessoas jurídicas. (...) Com relação ao alegado processo de industrialização por "beneficiamento" dos grãos, entendo que ele não se caracteriza como industrialização, como bem esclarecido pelo Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento em voto vencedor no Acórdão nº 3302003.301–3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 23 de agosto de 2016, abaixo transcrito: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: (...) ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. VOTO VENCEDOR (...) Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de Fl. 564DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010) [também no RIPI/2002 vigente à época dos fatos deste processo], porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Mas, independentemente da abrangência do termo "pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias (...)", veiculado pelo caput do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, é certo que dentre essas pessoas não se incluem aquelas especificadas no §1º desse dispositivo, expressamente ressalvadas da dedução do crédito presumido pelo §4º do art. 8° da Lei nº 10.865/2004. De forma que não assiste razão à recorrente no pleito do crédito presumido sobre as atividades especificadas no §1º do dispositivo. No que concerne à forma de utilização do crédito presumido da agroindústria, previstos nos art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004, por opção do legislador ordinário, o seu aproveitamento pode ser apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzi-los das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não-cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e Fl. 565DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não-cumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. [grifos da Relatora] Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/ SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa segue abaixo, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerando-se, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicando-se o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 3401-001.716–4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: Fl. 566DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...],destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” (grifei) Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressalte-se, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3o. Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Assim, no que concerne ao crédito presumido, nada há a reformar na decisão recorrida. Adota-se os mesmos fundamentos para manter a decisão recorrida no ponto. IV - Da apuração da base tributável do PIS e Cofins - Exclusões permitidas às Sociedades Cooperativas Argumenta a Recorrente, no item, entre outros, que: “para determinar a base de cálculo a ser tributada pelo PIS e Cofins, além das exclusões da base de cálculo possíveis a todas as pessoas jurídicas sujeitas a não cumulatividade (receitas de exportação, receitas no mercado interno sujeitas a alíquota zero, suspensão. etc..), é permitido às sociedades cooperativas, devido ao seu tratamento diferenciado, realizar mais algumas exclusões conforme os seguintes dispositivos legais (...)”. Vale citar novamente o Acórdão nº 3402-003.973 por razões já expostas. Na citada decisão, aquele Colegiado (TO 3402) argumentou: Alega a recorrente que teria direito às exclusões da base de cálculo tributável pleiteadas sem nenhuma condicionante, nos termos do art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/ 2001 e art. 11 da IN SRF nº 635/2006, que assim dispõem: Fl. 567DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I - a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II - serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I - exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II - exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; III - exclusão das receitas decorrentes da prestação, ao associado, de serviços especializados aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; V - dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; VI - exclusão das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos, na hipótese de apuração das contribuições no regime cumulativo; e VII - dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fl. 568DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º Para os fins do disposto no inciso I do caput: I - na comercialização de produtos agropecuários realizados a prazo, assim como aqueles produtos ainda não adquiridos do associado, a cooperativa poderá excluir da receita bruta mensal o valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e, II - os adiantamentos efetuados aos associados, relativos à produção entregue, somente poderão ser excluídos quando da comercialização dos referidos produtos. § 2º Para os fins do disposto no inciso II do caput, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa, e serão contabilizadas destacadamente pela cooperativa, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. § 3º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput: I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. § 4º O disposto no inciso VII do caput aplica- se aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. § 5º As sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos fundos a que se refere o inciso VII do caput, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a ele creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 6º A sociedade cooperativa de produção agropecuária, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções de que tratam os incisos I a VII do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. § 7º A entrega de produção à cooperativa, para fins de beneficiamento, armazenamento, industrialização ou comercialização, não configura receita do associado. § 8º Considera- se custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima, mão- de-obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. § 9º A dedução de que trata o inciso VII do caput poderá ser efetivada a partir do mês de sua formação, devendo o excesso ser aproveitado nos meses subsequentes. Fl. 569DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 A fiscalização considerou indevidas algumas parcelas das exclusões da base de cálculo tributável das contribuições pela cooperativa, nesses termos: (...) 10.1 Repasse aos Associados Analisando o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/ 2001, verificamos que tal dispositivo autorizou excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins, os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização dos produtos por eles entregues à cooperativa. A interpretação que temos desse dispositivo é que nas operações em que foi excluída a integralidade da receita, por se tratar de venda sujeita a suspensão do PIS e da COFINS ou exportação, não há que se falar em excluir os valores repassados aos associados, proporcional a essas receitas, tendo em vista que a base de cálculo do PIS e da COFINS foi zerada pela exclusão da integralidade da receita. Considerando que na venda de produtos agrícolas com suspensão ou exportação a receita foi integralmente excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, os repasses aos associados, foram ajustados pela fiscalização, permitido a exclusão do repasse aos associados, proporcional, a receita de venda de produtos agrícolas, somada a receita de venda de bens de fabricação própria tributadas no mercado interno, pela soma da receita total da venda de produtos agrícolas com a venda de bens de fabricação própria. 10.2 Venda de Mercadorias aos Associados (...) Período: agosto/2004 a dezembro/2008 A partir do mês de agosto/2004 os insumos e sementes vendidos aos associados tiveram as alíquotas para o PIS e a COFINS reduzidas a zero, portanto, a receita foi excluída a título de venda de mercadorias alíquota zero, tendo anulado (zerado) as bases de cálculo da venda de mercadorias aos associados. (...) as bases de cálculo do PIS e da COFINS foram zeradas pela exclusão da receita sujeita a alíquota zero, não tendo como excluir outra vez, pois, irá afetar a base de cálculo da receita dos demais setores sujeitos a tributação. Com isto, estamos glosando o valor das mercadorias aos associados a partir do mês de agosto/2004, haja vista a contribuinte ter informado na resposta ao termo de intimação fiscal n° 0003, tratarse de venda de insumos e sementes que tiveram as alíquotas para o PIS e COFINS reduzidas a zero. 10.3 Receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados. (...) Em nenhum aspecto da legislação verificamos que a legislação autorizou a exclusão da receita de venda de produtos industrializados pela cooperativa, a título de receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados. Na resposta ao termo de intimação fiscal n° 0003, a contribuinte informa que os valores das receitas excluídas a título de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados é originária da comercialização de produtos industrializados pela cooperativa, por sua conta e risco, adquiridos dos associados. (...) Fl. 570DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 10.4 Custos Agregados (...) os mesmos somente podem ser considerados se existe base de cálculo tributável pelo PIS e COFINS, no mesmo sentido do valor dos repasses aos associados. O valor do custo agregado foi ajustado de forma proporcional à receita de venda de produtos agrícolas tributados pelo PIS e COFINS. (...) Como se observa no trecho acima, no caso do Repasse aos Associados, Vendas de produtos aos associados e Custos agregados, essas exclusões da base de cálculo das contribuições, específicas das cooperativas, somente são permitidas se a cooperativa apresentar base de cálculo positiva após as exclusões da receita bruta. Conforme já tinha esclarecido a fiscalização à contribuinte no Termo de Intimação nº 001, "Caso a receita bruta da cooperativa tenha sofrido exclusões com base no que determina a legislação que trata das isenções do PIS e da Cofins nas operações de venda no mercado externo (exportação); venda com suspensão, alíquota zero e substituição tributária das mencionadas contribuições, não há que se falar nas exclusões específicas aplicadas às cooperativas (art. da MP 2.15835/ 2001 e art. 17 da Lei nº 10.684/2003), pois, se a base de cálculo foi zerada não há mais o que ser excluído". No caso, a contribuinte efetuou as exclusões da base de cálculo específicas para as cooperativas sem levar em consideração que já tinha excluído da receita bruta as receitas de exportações e as receitas de venda de produtos com suspensão, alíquota zero ou substituição tributária; ocorrendo a exclusão em duplicidade das mesmas receitas, tanto na receita bruta total como na base de cálculo das contribuições. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela fiscalização. Quanto à exclusão da receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados, ela não foi permitida, pois conforme informado pela própria contribuinte, na verdade, tratavam-se de receitas obtidas na comercialização de produtos industrializados pela cooperativa, o que não encontra amparo na legislação, nem no inciso IV (receitas de beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado) ou no inciso II (receitas de vendas aos associados) do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, nem em outro dispositivo legal. De forma que não cabe reforma na decisão recorrida nesta parte, relativamente às exclusões das bases de cálculo das contribuições. A partir destes fundamentos conclui-se pela manutenção da decisão de 1º grau no item. V - Da previsão legal para a incidência da Selic Por último, a Recorrente alega que “os créditos da recorrente merecem ser corrigidos pela SELIC, nos termos do § 4º, do art. 39 da Lei 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado”. A norma invocada pelo Recorrente para respaldar o pedido de correção pela Selic, não se aplica ao caso, pois não abrange o ressarcimento, limitando-se à compensação e à restituição: Fl. 571DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.(Vide Lei nº 9.532, de 1997) (gn). Além disso, os artigos 13 e 15, inciso VI, da Lei nº 10.833/03 dispõem em sentido contrário ao pleiteado pelo Recorrente, verbis: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4 o do art. 3 o , do art. 4 o e dos §§ 1 o e 2 o do art. 6 o , bem como do § 2 o e inciso II do § 4 o e § 5 o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI - no art. 13 desta Lei. Para arrematar, especificamente para as contribuições do PIS e da COFINS, este e. CARF expediu súmula que afasta a aplicação de correção monetária ou de juros em valores a ser ressarcidos: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Porém, o pedido deve ser apreciado ainda nos termos do artigo 24 da Lei nº. 11.457, de 2007, e do conceito de “resistência ilegítima” desenvolvido pela jurisprudência: Lei nº. 11.457, de 2007 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Por outro lado, tomando por base a disciplina legal citada, o REsp nº 1.767.945/PR, julgado em 12/02/2020 pelo STJ, sob o rito dos recursos repetitivos, com Acórdão publicado em 06/05/2020, transitado em Julgado em 28/05/2020, produziu interpretação vinculante para esta instância de julgamento administrativo - por força do art. 62, §2º, da Portaria MF 343/15 (RICARF) - definindo o prazo superior a 360 dias para análise do pedido como resistência ilegítima da administração. Fl. 572DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 3401-010.488 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.002344/2009-92 Aponta no mesmo sentido, o acórdão desta turma 3401-008.364, de 21/10/20, em votação unânime, relatoria do Cons. Lázaro Antônio Souza Soares, cuja ementa (parte) se transcreve: PEDIDO DE RESSARCIMENTO COM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO VINCULADA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA. SÚMULA CARF Nº 125. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo, permitindo, dessa forma, a correção monetária inclusive no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas. A Súmula CARF nº 125 deve ser interpretada no sentido de que, no ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros apenas enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, a desnaturar a característica do crédito como meramente escritural. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, o termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. No caso ora em exame, por ter sido o prazo legal ultrapassado para apreciação do pedido de ressarcimento, o crédito reconhecido remanescente deve ser atualizado pela Selic, após o escoamento do prazo de 360 dias da data do protocolo da Per/Dcomp. Do exposto, VOTO por conhecer e dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito à atualização do crédito reconhecido pela taxa Selic, a contar do 361º dia da data do protocolo do pedido até a data do efetivo ressarcimento. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Fl. 573DF CARF MF Documento nato-digital

score : 1.0
4752583 #
Numero do processo: 12963.000388/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2006 NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº .212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-002.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período pelo artigo 173, I do CTN e para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 22 09:00:03 UTC 2022

anomes_sessao_s : 201205

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2006 NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº .212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual deve haver o recálculo da multa imposta. Recurso voluntário provido em parte.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 12963.000388/2007-24

anomes_publicacao_s : 201205

conteudo_id_s : 5151800

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 18 00:00:00 UTC 2022

numero_decisao_s : 2402-002.698

nome_arquivo_s : 2402002698_12963000388200724_201205.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES

nome_arquivo_pdf_s : 12963000388200724_5151800.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período pelo artigo 173, I do CTN e para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.

dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2012

id : 4752583

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 22 11:34:27 UTC 2022

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1722654512628367360

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1710; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 430          1 429  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12963.000388/2007­24  Recurso nº  000.000   Voluntário  Acórdão nº  2402­02.698  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de maio de 2012  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES  Recorrente  SOBERANA ADM. E CORRETORA DE SEGUROS S/C  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2006  NÃO  RECOLHIMENTO  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  ART.  45  DA  LEI  Nº  8.212/1991.  DECADÊNCIA.  SÚMULA  VINCULANTE Nº 8 DO STF.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  em  Sessão  Plenária  do  dia  11/06/2008,  declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando,  posteriormente,  a  Súmula  Vinculante  nº  8,  a  qual  vincula  a  aplicação  da  referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta,  nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103­A da CF/88,  motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.  RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.  O art. 79 da Lei nº 11.941/2009 revogou o art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991  e trouxe penalidade mais benéfica para a presente infração, motivo pelo qual  deve haver o recálculo da multa imposta.  Recurso voluntário provido em parte.         Fl. 430DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período pelo artigo 173, I do CTN  e  para  adequação  da  multa  remanescente  ao  artigo  32­A  da  Lei  n°  8.212/91,  caso  mais  benéfica.    Júlio César Vieira Gomes ­ Presidente.     Nereu Miguel Ribeiro Domingues ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Julio  César  Vieira  Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo  de Lima Macedo,  Igor Araujo Soares, Ewan Teles Aguiar.  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12963.000388/2007­24  Acórdão n.º 2402­02.698  S2­C4T2  Fl. 431          3   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  lavrado  para  exigir  multa  em  razão  da  Recorrente ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes a todos os fatos geradores  das contribuições previdenciárias, relativamente ao período de 03/1999 a 04/2006.  Este  Conselho,  ao  analisar  o  processo  (fls.  378/381),  determinou  fosse  realizada  diligência,  a  fim  de  verificar  os  andamentos  e  os  desfechos  das  NFLD’s  nº  37.081.642­0  e  37.081.643­9,  por  motivos  de  conexão  entre  as  matérias  veiculadas  nas  referidas notificações e a presente autuação.  A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT (fls. 422/423),  em  resposta,  informou  que:  (i)  a  NFLD  nº  37.081.643­9  se  encontra  arquivada  na  Superintendência  da  Administração  do  Ministério  da  Fazenda  –  SAMF/MG,  após  ter  sido  julgada  improcedente  pela  6ª  Turma  da  DRJ  em  Juiz  de  Fora/MG;  e  (ii)  a  NFLD  nº  37.081.642­0 abrange os mesmos fatos geradores cuja omissão em GFIP originou o presente  lançamento,  bem como que, nos  termos do  acórdão nº 2803­00.460  (fls.  411/421),  teve  seus  créditos  tributários  parcialmente  exonerados,  em  virtude  da  decadência  das  competências  anteriores a 11/2002, inclusive, conforme prevê a Súmula Vinculante nº 08 do STF.  A Recorrente  foi  intimada da diligência realizada (fls. 424/425), porém não  apresentou manifestação.  É o relatório.  Fl. 432DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES     4 Voto             Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator  Primeiramente,  cabe  mencionar  que  o  presente  recurso  é  tempestivo  e  preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento.  Analisando  o  despacho  de  fls.  422/423,  verifica­se  que  as  contribuições  previdenciárias  cujos  fatos  geradores  culminaram  na  lavratura  da  presente  autuação  foram  exigidas por meio da NFLD nº 37.081.642­0, a qual foi  julgada parcialmente procedente, em  vista da aplicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF. Veja­se trecho da diligência:  “6.  Em  consulta  aos  autos  da  NFLD  nº  37.081.642­0,  constatamos os levantamentos “HPG” (competência 07/2001) e  “HFG”  (demais  competências)  reportam­se  aos mesmos  fatos  geradores  cuja  omissão  em  GFIP  originaram  o  presente  AI  37.081.650­1, como se infere do Relatório de Lançamentos – RL  (cópias  juntadas  às  fls.  377/381).  Maiores  explicações  acerca  dos  referidos  levantamentos  constam  do  Relatório  Fiscal  daquela NFLD, juntado em cópia às fls. 382/387.  7.  Prosseguindo  no  atendimento  à  diligência  requerida  pela  2ª  Seção de Julgamento do CARF, constatamos ter sido proferido,  nos autos da NFLD nº 37.081.642­0, o Acórdão nº 2803­00.460,  sessão  de  07  de  fevereiro  de  2011  (cópia  às  fls.  388/393).  Em  síntese, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, tendo  sido reconhecida, de ofício, a aplicação da Súmula Vinculante nº  08/2008,  do  Supremo  Tribunal  Federal.  Especificamente  com  relação  aos  levantamentos  “HFG”  e  “HPG”,  determinou­se a  exclusão das competências anteriores a 11/2002,  inclusive.”  –  destacou­se  Em  vista  disso,  tem­se  que  o  presente  lançamento  possui  conexão  com  a  NFLD nº 37.081.642­0, devendo seguir a mesma sorte desta.  Assim,  é  mister  que  os  valores  exigidos  nas  competências  anteriores  a  11/2002 (inclusive), sejam prontamente extintos, em virtude de decadência, nos termos do art.  173, inc. I, do CTN, e da Súmula Vinculante nº 08 do STF.  Outrossim,  em  relação  às  competências  remanescentes,  concluo  que  essas  devem  ser  julgadas  procedentes  no mérito,  sob  pena  de  se  proferir  decisões  conflitantes  em  matérias intrinsecamente relacionadas.  Não  obstante,  verifica­se  ainda  que  as  penalidades  consubstanciadas  nas  competências remanescentes devem ser recalculadas, em atenção ao princípio da retroatividade  benigna. Isto porque, a penalidade anteriormente prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991,  passou a ser regulamentada pelo art. 32­A, inc. I, da Lei nº 8.212/19911.                                                              1 “Art. 32­A.  O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do  art. 32 desta Lei no prazo  fixado ou que a apresentar com  incorreções ou omissões será  intimado a  apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:   I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...)”  Fl. 433DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12963.000388/2007­24  Acórdão n.º 2402­02.698  S2­C4T2  Fl. 432          5 Tal norma leva em consideração somente a quantidade de erros formais que o  contribuinte comete ao preencher suas declarações acessórias (R$ 20,00 para cada grupo de 10  informações  incorretas  ou  omitidas)  e  não  o  montante  que  deixou  de  ser  informado,  como  ocorria durante a vigência da legislação anterior.  Sendo assim, a fim de que seja dado o efetivo cumprimento à retroatividade  benigna de que trata o art. 106, inc. II, “c”, do CTN, é mister que a multa seja recalculada, a  fim de que seja imposta a penalidade mais benéfica ao contribuinte.   Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais:  “(...)  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­  PENALIDADE  ­  GFIP  ­  OMISSÕES ­ INCORREÇÕES ­ RETROATIVIDADE BENIGNA.  A  ausência  de  apresentação  da  GFIP,  bem  como  sua  entrega  com  atraso,  com  incorreções  ou  com  omissões,  constitui­se  violação à obrigação acessória prevista no artigo32, inciso IV ,  da  Lei  nº  8.212/91  e  sujeita  o  infrator  à  multa  prevista  na  legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória  n°  449/2008,  convertida  na  Lei  n°  11.941/2009,  a  penalidade  para  tal  infração, que até então constava do §5°  ,do artigo 32,  da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo32­A da Lei  n°  8.212/91,o  qual  é  aplicável  ao  caso  por  força  da  retroatividade  benigna  do  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  Código Tributário Nacional.Recurso especial provido em parte.”  (CARF,  CSRF,  2ª  Turma,  PAF  nº  36378.002129/2006­15,  Acórdão  nº  9202­01.636,  Red.  Des.  Gonçalo  Bonet  Allage,  Sessão de 25/07/2011)  Diante  do  exposto,  voto  pelo CONHECIMENTO  do  recurso  para DAR­ LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que os valores relativos à multa que tiverem por  base  os  fatos  geradores  ocorridos  anteriormente  a  11/2002  (inclusive),  sejam  prontamente  extintos  pela  decadência,  bem  como  para  que  haja  o  recálculo  da  multa  aplicada  nas  competências  remanescentes,  nos  termos  do  artigo  32­A da Lei  n°  8.212/91,  e  que  seja  este  valor exigido do contribuinte em cada competência, caso mais benéfico.  É o voto.  Nereu Miguel Ribeiro Domingues                                                                                                                                                                                                                          Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES

score : 1.0
9131033 #
Numero do processo: 11050.000333/2010-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Jan 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005, 25/02/2005 MULTA ADUANEIRA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 184 De acordo com a Súmula CARF nº 184, “O prazo decadencial para aplicação de penalidade por infração aduaneira é de 5 (cinco) anos contados da data da infração, nos termos dos artigos 138 e 139, ambos do Decreto-Lei n.º 37/66 e do artigo 753 do Decreto n.º 6.759/2009.” Portanto, na data da ciência do auto de infração, 01/02/2011, já havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário concernente às multas aduaneiras cujos fatos geradores ocorreram nos dias 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005 e 25/02/2005.
Numero da decisão: 3001-002.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência e dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: Marcelo Costa Marques d'Oliveira

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 15 09:00:04 UTC 2022

anomes_sessao_s : 202112

ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005, 25/02/2005 MULTA ADUANEIRA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 184 De acordo com a Súmula CARF nº 184, “O prazo decadencial para aplicação de penalidade por infração aduaneira é de 5 (cinco) anos contados da data da infração, nos termos dos artigos 138 e 139, ambos do Decreto-Lei n.º 37/66 e do artigo 753 do Decreto n.º 6.759/2009.” Portanto, na data da ciência do auto de infração, 01/02/2011, já havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário concernente às multas aduaneiras cujos fatos geradores ocorreram nos dias 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005 e 25/02/2005.

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jan 11 00:00:00 UTC 2022

numero_processo_s : 11050.000333/2010-40

anomes_publicacao_s : 202201

conteudo_id_s : 6542214

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 11 00:00:00 UTC 2022

numero_decisao_s : 3001-002.130

nome_arquivo_s : Decisao_11050000333201040.PDF

ano_publicacao_s : 2022

nome_relator_s : Marcelo Costa Marques d'Oliveira

nome_arquivo_pdf_s : 11050000333201040_6542214.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência e dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa.

dt_sessao_tdt : Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2021

id : 9131033

ano_sessao_s : 2021

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 22 11:34:54 UTC 2022

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1722654512634658816

conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-29T14:55:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-12-29T14:55:16Z; Last-Modified: 2021-12-29T14:55:16Z; dcterms:modified: 2021-12-29T14:55:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-29T14:55:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-29T14:55:16Z; meta:save-date: 2021-12-29T14:55:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-29T14:55:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-12-29T14:55:16Z; created: 2021-12-29T14:55:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2021-12-29T14:55:16Z; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-29T14:55:16Z | Conteúdo => S3-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11050.000333/2010-40 Recurso Voluntário Acórdão nº 3001-002.130 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 08 de dezembro de 2021 Recorrente AGENCIA DE VAPORES GRIEG SA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005, 25/02/2005 MULTA ADUANEIRA. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 184 De acordo com a Súmula CARF nº 184, “O prazo decadencial para aplicação de penalidade por infração aduaneira é de 5 (cinco) anos contados da data da infração, nos termos dos artigos 138 e 139, ambos do Decreto-Lei n.º 37/66 e do artigo 753 do Decreto n.º 6.759/2009.” Portanto, na data da ciência do auto de infração, 01/02/2011, já havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário concernente às multas aduaneiras cujos fatos geradores ocorreram nos dias 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005 e 25/02/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência e dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Marcelo Costa Marques d’Oliveira e Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Transcrevo trechos do auto de infração: “(. . .) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 03 33 /2 01 0- 40 Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.130 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11050.000333/2010-40 “(. . .) Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.130 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11050.000333/2010-40 (. . .)” Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, em que pediu o cancelamento do auto de infração, em decorrência de decadência, denúncia espontânea, ilegitimidade passiva e não subsunção do fato ao dispositivo legal onde a multa foi capitulada ou, alternativamente, a aplicação de uma só multa de R$ 5.000,00, posto que trata-se de “infração continuada”, instituto do direito penal que deve ser também adotado no âmbito tributário. A DRJ julgou a impugnação improcedente. O Acórdão nº 12-101.718 não foi ementado. Reproduzo o voto condutor: Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.130 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11050.000333/2010-40 O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos incluídos na impugnação e acrescenta os seguintes: i) foram revogados os dispositivos da IN RFB nº 800/07 que tratavam da infração e penalidade; e ii) não houve prestação de informação em atraso, porém alteração/inclusão de dados, o que não estava sujeito à multa, de acordo com a SC COSIT nº 02/16. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata-se de auto de infração, para cobrança de quatro multas de R$ 5.000,00, total de R$ 20.000,00, por atrasos na prestação de informações sobre embarques de exportação. Os fatos geradores das multas ocorreram nos dias 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005 e 25/02/2005 (fl. 11) e a recorrente tomou ciência da autuação em 01/02/11 (fl. 47). Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.130 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11050.000333/2010-40 De acordo com a Súmula CARF nº 184, “O prazo decadencial para aplicação de penalidade por infração aduaneira é de 5 (cinco) anos contados da data da infração, nos termos dos artigos 138 e 139, ambos do Decreto-Lei n.º 37/66 e do artigo 753 do Decreto n.º 6.759/2009.” Portanto, na data da ciência do auto de infração, 01/02/2011, já havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário concernente às multas aduaneiras, cujos fatos geradores ocorreram nos dias 04/02/2005, 10/02/2005, 18/02/2005 e 25/02/2005. Saliento que a matéria em questão – decadência do lançamento de ofício – não foi levantada pela recorrente, porém, como se trata de matéria de ordem pública, está sendo suscitada por este relator. Voto por acatar a preliminar de decadência e dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d’Oliveira Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital

score : 1.0
9144279 #
Numero do processo: 12267.000134/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 20 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/09/2007 PRAZO DECADENCIAL. Súmula CARF 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CFL 38. Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir os documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. A infração que possui valor único e indivisível. Dessa forma, é irrelevante que parte da falta apontada tenha sido cometida em período atingido pela decadência. Isso porque, a decadência de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente.
Numero da decisão: 2401-010.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Andrea Viana Arrais Egypto

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 22 09:00:03 UTC 2022

anomes_sessao_s : 202112

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/09/2007 PRAZO DECADENCIAL. Súmula CARF 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CFL 38. Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir os documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. A infração que possui valor único e indivisível. Dessa forma, é irrelevante que parte da falta apontada tenha sido cometida em período atingido pela decadência. Isso porque, a decadência de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jan 20 00:00:00 UTC 2022

numero_processo_s : 12267.000134/2008-44

anomes_publicacao_s : 202201

conteudo_id_s : 6545834

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 21 00:00:00 UTC 2022

numero_decisao_s : 2401-010.131

nome_arquivo_s : Decisao_12267000134200844.PDF

ano_publicacao_s : 2022

nome_relator_s : Andrea Viana Arrais Egypto

nome_arquivo_pdf_s : 12267000134200844_6545834.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2021

id : 9144279

ano_sessao_s : 2021

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 22 11:35:55 UTC 2022

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1722654512669261824

conteudo_txt : Metadados => date: 2022-01-10T19:14:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-01-10T19:14:50Z; Last-Modified: 2022-01-10T19:14:50Z; dcterms:modified: 2022-01-10T19:14:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-01-10T19:14:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-01-10T19:14:50Z; meta:save-date: 2022-01-10T19:14:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-01-10T19:14:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-01-10T19:14:50Z; created: 2022-01-10T19:14:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2022-01-10T19:14:50Z; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-01-10T19:14:50Z | Conteúdo => S2-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12267.000134/2008-44 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-010.131 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2021 Recorrente VERTICE CONSULTORIA EM RECURSOS HUMANOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/09/2007 PRAZO DECADENCIAL. Súmula CARF 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CFL 38. Constitui-se infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir os documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. A infração que possui valor único e indivisível. Dessa forma, é irrelevante que parte da falta apontada tenha sido cometida em período atingido pela decadência. Isso porque, a decadência de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 01 34 /2 00 8- 44 Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.131 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000134/2008-44 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araújo, Rayd Santana Ferreira, Gustavo Faber de Azevedo, Matheus Soares Leite, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I - RJ (DRJ/RJOI) que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 12-19.055 (fls. 54/65): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO. SEM FORMALIDADES LEGAIS. Constitui infração apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas conforme art. 33, § 2°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores c/c art. 233 § único do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos com fulcro no art. 45, I e II, da Lei n° 8.212/91. Lançamento Procedente O presente processo trata do AI - Auto de Infração DEBCAD nº 37.079.699-3 (fls. 02/08), consolidado em 26/09/2007, que aplica uma Multa no valor total de R$ 11.951,21, em razão de a empresa ter deixado de exibir os seguintes documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, infringindo o art. 33, §§2° e 3°, da Lei 8212/91, c/c art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 04), os documentos que o contribuinte deixou de apresentar foram:  Livro Diário/Razão de 12/1997 a 12/2001;  Folhas de pagamento de Honorários da Diretoria (Pró-labore) de 12/1997 a 12/2001;  Folhas de pagamento dos empregados da administração nas competências 12/1997 a 05/1999, 07/1999, 02/2000 a 04/2000, 06/2000 a 11/2000, 04/2001, 11/2001 e 12/2001;  Notas Fiscais de serviços emitidas pela empresa nas competências 12/1997, a partir da n° 1001, a 01/1999, até a n° 1600. O contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, pessoalmente, em 26/09/2007 (fl. 02) e, em 25/10/2007, apresentou tempestivamente sua Impugnação de fls. 36/48, cujos argumentos estão sumariados no relatório do Acórdão recorrido. O Processo foi encaminhado à DRJ/RJOI para julgamento, onde, através do Acórdão nº 12-19.055, em 29/04/2008 a 11ª Turma julgou no sentido de considerar a Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.131 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000134/2008-44 AUTUAÇÃO PROCEDENTE em razão desta ter sido lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/RJOI, via Correio, em 17/08/2009 (fl. 67) e, inconformado com a decisão prolatada, em 28/08/2009, tempestivamente (fl. 82), apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 68/79 onde, em síntese, alega que a documentação não poderia ser cobrada devido à prescrição e a decadência, cita a Súmula Vinculante nº 8 acerca da inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Exigência da multa e decadência Trata o presente processo da exigência de multa por ter deixado a empresa de exibir os documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, do período de 12/1997 a 12/2001. Nos termos do Dispositivo Legal da Multa Aplicada, a penalidade imposta foi no valor de R$ 11.951,21 nos termos do art. 283, II, “j” e art. 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/88. A contribuinte afirma que a documentação não poderia ser cobrada devido à prescrição e a decadência. Cita a Súmula vinculante nº 8 acerca da inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991. Inicialmente, cabe ressaltar que o lançamento foi realizado de acordo com os preceitos do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), atende os requisitos legais, e a multa foi aplicada nos termos dos preceitos contidos na legislação de regência, de acordo com o que se verifica do Relatório Fiscal da Infração e Relatório Fiscal da Multa Aplicada. Destaque-se ainda que toda a argumentação da Recorrente gira em torno da prescrição e decadência. A abordagem colacionada na linha de defesa é carreada às prejudiciais de mérito, mais especificamente na matéria relacionada à decadência. No que tange à prescrição, cabe esclarecer que, durante o processo administrativo permanece suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não se iniciando o prazo prescricional. Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.131 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000134/2008-44 Isso porque, nos exatos termos do art. 151, inciso III do CTN, a interposição de defesa administrativa, suspende a exigibilidade do crédito tributário em razão da pendência de decisão definitiva no curso do processo administrativo. Assim, não há que se falar em prescrição. Destaca-se a seguir o teor da Súmula CARF Vinculante nº 11 que assim dispõe: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Com relação à decadência, o Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do prazo decenal do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o que resultou na expedição da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20/6/2008, verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A partir de tal entendimento, a contagem do prazo decadencial deve ser interpretada em consonância com os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional. Importante ressaltar que no caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN. Nesse caso, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos das Súmulas CARF nº 148 e nº 101, conforme a seguir destacado: Súmula CARF nº 101 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 148 No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Nesse contexto, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Registre-se que a infração CFL 38 é de consumação instantânea e se aperfeiçoa no vencimento do prazo consignado pela fiscalização para a apresentação dos documentos, no caso do lançamento, em09/2007. Há ainda que se ressaltar que a multa possui valor único e indivisível. Dessa forma, é irrelevante que parte da falta apontada se refira à exibição de documentos e livros atinentes a fatos geradores de período atingido pela decadência. Isso porque, a decadência de parte dos fatos geradores da infração não altera seu valor, pois a infração continua existindo, mesmo que parcialmente, e, como se viu, com aplicação de multa em valor único. Assim, considerando que o último período de 2001, em que a Recorrente cometeu a infração, não está decaído, e a multa foi aplicada em valor fixo e sem variação, levando-se em consideração a quantidade de meses em que se cometeu a falta, não há que se falar em decadência da presente autuação, devendo ser mantido o lançamento tributário. Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.131 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000134/2008-44 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital

score : 1.0
9130054 #
Numero do processo: 15983.720380/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022
Numero da decisão: 2202-000.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. (Assinado digitalmente). Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro - Redator Designado. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.337.599-9, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP - DEBCAD 37.337.600-6, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados – parte descontada dos trabalhadores, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP - DEBCAD 37.337.601-4, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, como também, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.337.602-2 – CFL.68, por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 60 a 68, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 75 e 76. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 18/11/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 03; 23 e 37, e, da Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 52. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 115 a 165, recebidas, em 15/12/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 166 a 221. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 225; 243 e 244. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 05-40.852 - 9ª, Turma DRJ/CPS, em 27/06/2013, fls. 227 a 241. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 26/07/2013, conforme AR, de fls. 246. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 249, com razões recursais, as fls. 250 a 312, recebido em, SEM DATA DE RECEPÇÃO, acompanhado dos documentos, de fls. 313 a 315. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Preliminarmente. que a Lei 9.784/99 aplica-se ao caso em tela o que foi ignorado pelo julgador a quo, sobrepondo-se a citada lei ao Decreto 70.235/72, pois este lhe é de hierarquia inferior; que a decisão administrativa é nula por violação ao artigo 50, da Lei 9.784/99, por ausência de motivação, estando o ato eivado de nulidade insanável, pois não respeitou os princípios da legalidade; motivação; proporcionalidade e razoabilidade, haja vista que não respeitou a dosimetria da sanção prevista no Decreto 3.048/99, deixando de observar a classificação da infração em leve, média ou grave, bem como o porte econômico da recorrente; que a decisão não contém motivação explícita, clara e congruente, não sabendo a recorrente os motivos da autoridade para a prática do ato, necessitando o ato de conexão lógica entre fato e fundamento jurídico, não preenchendo esse requisito a simplória citação da legislação aplicável; que a recorrente tem direito subjetivo a fixação da multa mínima, pois não há nos autos, comprovação da prática de outras infrações e nem de sua condição econômica, não respeitando o lançador o limite de sanção imposta por lei, padecendo a multa de razoabilidade, sendo desproporcional, ante a ausência de critério aferível para a valoração da multa, tendo sido a multa imposta sem qualquer critério, devendo ser declarada a nulidade da decisão, visando que a autoridade administrativa diga claramente os motivos pelos quais não acolheu as teses da impugnante ora recorrente; que a decisão de primeiro grau deve ser declarada nula para que outra seja prolatada, pois operou em flagrante cerceamento de defesa, uma que a recorrente requereu a produção de provas documental e testemunhal, artigo 38, 39 e 41, da Lei 9.784/99 no que não foi atendido, ocorrendo desrespeito do artigo 38 da citada lei, sendo a empresa surpreendida pelo indeferimento da produção de prova durante a instrução processual em violação o seu direito constitucional, assim a decisão deve ser cassada e oportunizada a recorrente a realização da instrução probatória; que a autoridade administrativa não analisou todos os argumentos da defesa, o que caracteriza violação a ampla defesa, contraditório e devido processo legal, uma vez que a autoridade deixou de lado todos os argumentos de fato e de direito apresentados pela defesa; que é obrigatório nos termos do artigo 42, da Lei 9.784/99 que a PGFN emita parecer jurídico, visando a motivação da decisão, contudo inexiste tal parecer nos autos, por esses motivos o processo deve ser declarado nulo; que o julgamento dos autos de infração deve ser suspenso, pois a recorrente está contestando sua exclusão do SIMPLES FEDERAL e NACIONAL, aplicação do artigo 265, IV, “a”, do CPC por analogia, sendo patente a prejudicialidade entre os processos, sendo a prejudicial anterior; que deve ser declarado a nulidade do processo administrativo, tendo em vista que a recorrente não foi cientificada do laudo contábil no qual os valores foram apurados, nos termos do artigo 26, §5º, da Lei 9.784/99, pois conforme se vê dos autos do processo e do discriminativo de débito a recorrente não compareceu nos atos administrativos praticados pelo agente fiscal, devendo o processo administrativo ser declarado nulo, com fundamento no artigo 25 e 26, §3º, da Lei 9.784/99, assim, não tendo sido o contribuinte intimado com prazo mínimo de antecedência todo o processo administrativo é nulo, com a prova tendo sido obtida por meio ilegal, viciando todo o processo e causando-lhe nulidade, pois nos termos do artigo 28, da Lei 9.784/99 atos de imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições de direitos devem ser objeto de intimação; O tópico denominado pelo contribuinte de “Do SIMPLES FEDERAL – Revogação pela LC nº 123/06 – Da violação ao princípio da legalidade – Nulidade do ADE – Inexistência de motivação legal”, não será objeto de sumario ou análise, pois é questão a ser discutida nos autos próprios de exclusão do Sistema Simples proc: 15983.720152/2011-44 de competência da Primeira Seção de Julgamento, estando os autos aguardando distribuição, conforme tela anexa, ao final. (grifo meu). Aplicar-se-á idêntica disposição aos tópicos “Da violação ao princípio da legalidade – Barreira legal ao dever de invalidade do ato administrativo – Observância do Termo de Intimação Fiscal nº 0002/2011”, e, ainda, ao tópico “Da inexistência de motivo de fato da infração ao regime do SIMPLES FEDERAL – Débito apurado no termo de intimação nº 0002/2011 devidamente parcelado – Inexistência de pratica reiterada de infração à legislação tributária.”, pois de iguais modo ao anterior esses dois tópicos dizem respeito a validade da permanência no sistema Simples e a validade do ADE nº 57, o que não é competência dessa seção e a discussão não se operar nesses autos, mas sim em autos apartados já identificado. Outra sorte não se apresenta ao tópico “Da ofensa ao devido processo legal – Indeterminação dos fatos descritos no ADE – Ausência de indicação precisa de qual foi a prática reiterada à legislação tributária.” Ocorre o mesmo com os tópicos “Da violação ao princípio da legalidade – Barreira legal ao dever de invalidação do ato administrativo – Observância da COMUNICAÇÃO SECAT nº 533/2010.” e “Da inexistência de motivo de fato da infração ao regime do SIMPLES NACIONAL – Débito apurado no temo de intimação nº 0002/2011 devidamente parcelado – Inexistência de prática reiterada de infração à legislação tributária e falta de escrituração do livro caixa.”, bem como “Da ofensa ao devido processo legal – Indeterminação dos fatos descritos no ADE – Ausência de indicação precisa de qual foi a prática reiterada à legislação tributária.”, Aplica-se, também, a solução acima ao tópico “Impossibilidade de retroagir os efeitos dos ADEs, expedidos pela SRF – Aplicação do artigo 24 inciso IV da IN SRF 608/2006 – Do fato gerador e os valores cobrados – Dever de compensação com os valores recolhidos pela sistemática do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL.” (exceto quanto a parte final). que a recorrente apenas tomou ciência do ADE em 13/10/2011, assim os efeitos da exclusão só se operam em 11/2011 e assim não podem ser exigidas contribuições previdenciárias para o ano de 2007; que os valores lançados estão fora da realidade, pois incluem a remuneração do avulsos, autônomos e pró-labore dos empregados, sendo que o fato gerador da contribuição é a folha de salários, devendo tais valores serem excluídos e ainda aproveitados os valores de contribuição previdenciária recolhida na sistemática do simples, cita precedente do CARF; A questão da multa por descumprimento de obrigação acessória ausência de declaração de fatos geradores em GFIP, não será sumariado, o que se explicará no voto. Dos pedidos e requerimentos: - a) recebimento e processamento do recurso, julgando-o procedente, reformando-se a decisão guerreada integralmente com a declaração de insubsistência de todos os DEBCAD’s ; b) requer a produção de todas as provas em direito admitidas; c) requer, ainda, a oportunidade de realizar sustentação oral. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 318. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote 03, fls. 320. É o Relatório.
Nome do relator: Não se aplica

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jan 15 09:00:04 UTC 2022

anomes_sessao_s : 201512

camara_s : Segunda Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022

numero_processo_s : 15983.720380/2011-14

anomes_publicacao_s : 202201

conteudo_id_s : 6541904

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022

numero_decisao_s : 2202-000.620

nome_arquivo_s : Decisao_15983720380201114.PDF

ano_publicacao_s : 2022

nome_relator_s : Não se aplica

nome_arquivo_pdf_s : 15983720380201114_6541904.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015

id : 9130054

ano_sessao_s : 2015

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. (Assinado digitalmente). Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro - Redator Designado. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.337.599-9, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP - DEBCAD 37.337.600-6, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados – parte descontada dos trabalhadores, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP - DEBCAD 37.337.601-4, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, como também, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 37.337.602-2 – CFL.68, por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 60 a 68, com período de apuração de 01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 75 e 76. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 18/11/2011, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 03; 23 e 37, e, da Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 52. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 115 a 165, recebidas, em 15/12/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 166 a 221. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 225; 243 e 244. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 05-40.852 - 9ª, Turma DRJ/CPS, em 27/06/2013, fls. 227 a 241. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 26/07/2013, conforme AR, de fls. 246. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 249, com razões recursais, as fls. 250 a 312, recebido em, SEM DATA DE RECEPÇÃO, acompanhado dos documentos, de fls. 313 a 315. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Preliminarmente. que a Lei 9.784/99 aplica-se ao caso em tela o que foi ignorado pelo julgador a quo, sobrepondo-se a citada lei ao Decreto 70.235/72, pois este lhe é de hierarquia inferior; que a decisão administrativa é nula por violação ao artigo 50, da Lei 9.784/99, por ausência de motivação, estando o ato eivado de nulidade insanável, pois não respeitou os princípios da legalidade; motivação; proporcionalidade e razoabilidade, haja vista que não respeitou a dosimetria da sanção prevista no Decreto 3.048/99, deixando de observar a classificação da infração em leve, média ou grave, bem como o porte econômico da recorrente; que a decisão não contém motivação explícita, clara e congruente, não sabendo a recorrente os motivos da autoridade para a prática do ato, necessitando o ato de conexão lógica entre fato e fundamento jurídico, não preenchendo esse requisito a simplória citação da legislação aplicável; que a recorrente tem direito subjetivo a fixação da multa mínima, pois não há nos autos, comprovação da prática de outras infrações e nem de sua condição econômica, não respeitando o lançador o limite de sanção imposta por lei, padecendo a multa de razoabilidade, sendo desproporcional, ante a ausência de critério aferível para a valoração da multa, tendo sido a multa imposta sem qualquer critério, devendo ser declarada a nulidade da decisão, visando que a autoridade administrativa diga claramente os motivos pelos quais não acolheu as teses da impugnante ora recorrente; que a decisão de primeiro grau deve ser declarada nula para que outra seja prolatada, pois operou em flagrante cerceamento de defesa, uma que a recorrente requereu a produção de provas documental e testemunhal, artigo 38, 39 e 41, da Lei 9.784/99 no que não foi atendido, ocorrendo desrespeito do artigo 38 da citada lei, sendo a empresa surpreendida pelo indeferimento da produção de prova durante a instrução processual em violação o seu direito constitucional, assim a decisão deve ser cassada e oportunizada a recorrente a realização da instrução probatória; que a autoridade administrativa não analisou todos os argumentos da defesa, o que caracteriza violação a ampla defesa, contraditório e devido processo legal, uma vez que a autoridade deixou de lado todos os argumentos de fato e de direito apresentados pela defesa; que é obrigatório nos termos do artigo 42, da Lei 9.784/99 que a PGFN emita parecer jurídico, visando a motivação da decisão, contudo inexiste tal parecer nos autos, por esses motivos o processo deve ser declarado nulo; que o julgamento dos autos de infração deve ser suspenso, pois a recorrente está contestando sua exclusão do SIMPLES FEDERAL e NACIONAL, aplicação do artigo 265, IV, “a”, do CPC por analogia, sendo patente a prejudicialidade entre os processos, sendo a prejudicial anterior; que deve ser declarado a nulidade do processo administrativo, tendo em vista que a recorrente não foi cientificada do laudo contábil no qual os valores foram apurados, nos termos do artigo 26, §5º, da Lei 9.784/99, pois conforme se vê dos autos do processo e do discriminativo de débito a recorrente não compareceu nos atos administrativos praticados pelo agente fiscal, devendo o processo administrativo ser declarado nulo, com fundamento no artigo 25 e 26, §3º, da Lei 9.784/99, assim, não tendo sido o contribuinte intimado com prazo mínimo de antecedência todo o processo administrativo é nulo, com a prova tendo sido obtida por meio ilegal, viciando todo o processo e causando-lhe nulidade, pois nos termos do artigo 28, da Lei 9.784/99 atos de imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições de direitos devem ser objeto de intimação; O tópico denominado pelo contribuinte de “Do SIMPLES FEDERAL – Revogação pela LC nº 123/06 – Da violação ao princípio da legalidade – Nulidade do ADE – Inexistência de motivação legal”, não será objeto de sumario ou análise, pois é questão a ser discutida nos autos próprios de exclusão do Sistema Simples proc: 15983.720152/2011-44 de competência da Primeira Seção de Julgamento, estando os autos aguardando distribuição, conforme tela anexa, ao final. (grifo meu). Aplicar-se-á idêntica disposição aos tópicos “Da violação ao princípio da legalidade – Barreira legal ao dever de invalidade do ato administrativo – Observância do Termo de Intimação Fiscal nº 0002/2011”, e, ainda, ao tópico “Da inexistência de motivo de fato da infração ao regime do SIMPLES FEDERAL – Débito apurado no termo de intimação nº 0002/2011 devidamente parcelado – Inexistência de pratica reiterada de infração à legislação tributária.”, pois de iguais modo ao anterior esses dois tópicos dizem respeito a validade da permanência no sistema Simples e a validade do ADE nº 57, o que não é competência dessa seção e a discussão não se operar nesses autos, mas sim em autos apartados já identificado. Outra sorte não se apresenta ao tópico “Da ofensa ao devido processo legal – Indeterminação dos fatos descritos no ADE – Ausência de indicação precisa de qual foi a prática reiterada à legislação tributária.” Ocorre o mesmo com os tópicos “Da violação ao princípio da legalidade – Barreira legal ao dever de invalidação do ato administrativo – Observância da COMUNICAÇÃO SECAT nº 533/2010.” e “Da inexistência de motivo de fato da infração ao regime do SIMPLES NACIONAL – Débito apurado no temo de intimação nº 0002/2011 devidamente parcelado – Inexistência de prática reiterada de infração à legislação tributária e falta de escrituração do livro caixa.”, bem como “Da ofensa ao devido processo legal – Indeterminação dos fatos descritos no ADE – Ausência de indicação precisa de qual foi a prática reiterada à legislação tributária.”, Aplica-se, também, a solução acima ao tópico “Impossibilidade de retroagir os efeitos dos ADEs, expedidos pela SRF – Aplicação do artigo 24 inciso IV da IN SRF 608/2006 – Do fato gerador e os valores cobrados – Dever de compensação com os valores recolhidos pela sistemática do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL.” (exceto quanto a parte final). que a recorrente apenas tomou ciência do ADE em 13/10/2011, assim os efeitos da exclusão só se operam em 11/2011 e assim não podem ser exigidas contribuições previdenciárias para o ano de 2007; que os valores lançados estão fora da realidade, pois incluem a remuneração do avulsos, autônomos e pró-labore dos empregados, sendo que o fato gerador da contribuição é a folha de salários, devendo tais valores serem excluídos e ainda aproveitados os valores de contribuição previdenciária recolhida na sistemática do simples, cita precedente do CARF; A questão da multa por descumprimento de obrigação acessória ausência de declaração de fatos geradores em GFIP, não será sumariado, o que se explicará no voto. Dos pedidos e requerimentos: - a) recebimento e processamento do recurso, julgando-o procedente, reformando-se a decisão guerreada integralmente com a declaração de insubsistência de todos os DEBCAD’s ; b) requer a produção de todas as provas em direito admitidas; c) requer, ainda, a oportunidade de realizar sustentação oral. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 318. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote 03, fls. 320. É o Relatório.

atualizado_anexos_dt : Sat Jan 22 11:34:51 UTC 2022

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1722654512677650432

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 323          1 322  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15983.720380/2011­14  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2202­000.620  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  10 de dezembro de 2015  Assunto  CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA ­ EXCLUSÃO DO  SIMPLES FEDERAL E NACIONAL.  Recorrente  AUTO MOTO ESCOLA RALLYE S/C LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  Por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA. Foi designado  para redigir o voto vencedor o Conselheiro PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO.  (Assinado digitalmente).  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente.  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira ­ Relator.  (Assinado digitalmente).  Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro ­ Redator Designado.  Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa  (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de  Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa  (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .7 20 38 0/ 20 11 -1 4 Fl. 323DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 324          2 O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de  Obrigação  Principal  –  AIOP  –  DEBCAD  37.337.599­9,  que  objetiva  o  lançamento  da  contribuição  social  previdenciária,  decorrente da  remuneração  paga,  devida ou  creditada  aos  trabalhadores  da  categoria  de  empregados,  relativamente,  a  cota  patronal  e  ao  SAT/RAT,  e,  ainda, da retribuição ao contribuinte individual – cota patronal, assim como o Auto de Infração  de  Obrigação  Principal  –  AIOP  ­  DEBCAD  37.337.600­6,  que  objetiva  o  lançamento  da  contribuição  social  previdenciária,  decorrente da  remuneração  paga,  devida ou  creditada  aos  trabalhadores da categoria de empregados – parte descontada dos trabalhadores, bem como o  Auto  de  Infração  de Obrigação  Principal  – AIOP  ­ DEBCAD  37.337.601­4,  que  objetiva  o  lançamento  da  contribuição  destinada  a  outras  entidades  e  fundos  –  terceiros,  decorrente  da  remuneração paga, devida ou  creditada aos  trabalhadores da  categoria de  empregados,  como  também,  o  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  –  AIOA  –  DEBCAD  37.337.602­2  –  CFL.68, por apresentar a empresa o documento a que se  refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art.  32,  inciso  IV,  parágrafo  3º,  acrescentados  pela  Lei  n.  9.528,  de  10.12.97,  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  conforme  previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei  9.528,  de  10.12.97,  combinado  com  o  art.  225,  IV  e  parágrafo  4º.,  do  Regulamento  da  Previdência Social  – RPS,  aprovado pelo Decreto n.  3.048, de 06.05.99,  conforme Relatório  Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 60 a 68, com período de apuração de  01/2007 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 75 e 76.  O  sujeito  passivo  foi  cientificado  dos  lançamentos,  em  18/11/2011,  conforme  Folha  de Rosto  do Auto  de  Infração  de Obrigação Principal  – AIOP,  fls.  03;  23  e  37,  e,  da  Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 52.   O  contribuinte  apresentou  sua  defesa/impugnação,  petição  com  razões  impugnatórias,  acostadas,  as  fls.  115  a  165,  recebidas,  em  15/12/2011,  acompanhada  dos  documentos, de fls. 166 a 221.  A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 225; 243 e 244.  O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 05­40.852 ­ 9ª, Turma  DRJ/CPS, em 27/06/2013, fls. 227 a 241.  A impugnação foi considerada improcedente.  O  contribuinte  foi  cientificado  desse  decisório,  em 26/07/2013,  conforme AR,  de fls. 246.  Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição,  as fls. 249, com razões recursais, as fls. 250 a 312, recebido em, SEM DATA DE RECEPÇÃO,  acompanhado dos documentos, de fls. 313 a 315.  As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada.   Preliminarmente.  que a Lei 9.784/99 aplica­se ao caso em tela o que foi ignorado pelo julgador a  quo, sobrepondo­se a citada lei ao Decreto 70.235/72, pois este lhe é de hierarquia inferior;  Fl. 324DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 325          3 que a decisão administrativa é nula por violação ao artigo 50, da Lei 9.784/99,  por ausência de motivação, estando o ato eivado de nulidade insanável, pois não respeitou os  princípios  da  legalidade;  motivação;  proporcionalidade  e  razoabilidade,  haja  vista  que  não  respeitou  a  dosimetria  da  sanção  prevista  no  Decreto  3.048/99,  deixando  de  observar  a  classificação da infração em leve, média ou grave, bem como o porte econômico da recorrente;  que a decisão não contém motivação explícita, clara e congruente, não sabendo  a  recorrente  os motivos  da  autoridade  para  a  prática  do  ato,  necessitando  o  ato  de  conexão  lógica entre fato e fundamento jurídico, não preenchendo esse requisito a simplória citação da  legislação aplicável;  que a  recorrente  tem direito  subjetivo a  fixação da multa mínima, pois não há  nos autos, comprovação da prática de outras infrações e nem de sua condição econômica, não  respeitando o lançador o limite de sanção imposta por lei, padecendo a multa de razoabilidade,  sendo  desproporcional,  ante  a  ausência  de  critério  aferível  para  a  valoração  da multa,  tendo  sido  a  multa  imposta  sem  qualquer  critério,  devendo  ser  declarada  a  nulidade  da  decisão,  visando que a autoridade administrativa diga claramente os motivos pelos quais não acolheu as  teses da impugnante ora recorrente;  que  a  decisão  de  primeiro  grau  deve  ser  declarada  nula  para  que  outra  seja  prolatada, pois operou em flagrante  cerceamento de defesa, uma que a  recorrente  requereu  a  produção de provas documental e testemunhal, artigo 38, 39 e 41, da Lei 9.784/99 no que não  foi atendido, ocorrendo desrespeito do artigo 38 da  citada  lei,  sendo a  empresa  surpreendida  pelo  indeferimento  da  produção  de  prova  durante  a  instrução  processual  em  violação  o  seu  direito constitucional, assim a decisão deve ser cassada e oportunizada a recorrente a realização  da instrução probatória;  que a autoridade administrativa não analisou todos os argumentos da defesa, o  que caracteriza violação a ampla defesa, contraditório e devido processo legal, uma vez que a  autoridade deixou de lado todos os argumentos de fato e de direito apresentados pela defesa;  que é obrigatório nos  termos do artigo 42, da Lei 9.784/99 que a PGFN emita  parecer  jurídico, visando a motivação da decisão, contudo  inexiste  tal parecer nos autos, por  esses motivos o processo deve ser declarado nulo;  que o julgamento dos autos de infração deve ser suspenso, pois a recorrente está  contestando  sua  exclusão  do  SIMPLES FEDERAL  e NACIONAL,  aplicação  do  artigo  265,  IV,  “a”,  do CPC  por  analogia,  sendo  patente  a  prejudicialidade  entre  os  processos,  sendo  a  prejudicial anterior;  que  deve  ser  declarado  a  nulidade  do  processo  administrativo,  tendo  em  vista  que a recorrente não foi cientificada do laudo contábil no qual os valores foram apurados, nos  termos  do  artigo  26,  §5º,  da Lei  9.784/99,  pois  conforme  se  vê  dos  autos  do  processo  e  do  discriminativo de débito a recorrente não compareceu nos atos administrativos praticados pelo  agente fiscal, devendo o processo administrativo ser declarado nulo, com fundamento no artigo  25 e 26, §3º, da Lei 9.784/99, assim, não tendo sido o contribuinte intimado com prazo mínimo  de antecedência todo o processo administrativo é nulo, com a prova tendo sido obtida por meio  ilegal, viciando todo o processo e causando­lhe nulidade, pois nos termos do artigo 28, da Lei  9.784/99  atos  de  imposição  de  deveres,  ônus,  sanções  ou  restrições  de  direitos  devem  ser  objeto de intimação;  Fl. 325DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 326          4 O  tópico  denominado  pelo  contribuinte  de  “Do  SIMPLES  FEDERAL  –  Revogação pela LC nº 123/06 – Da violação ao princípio da legalidade – Nulidade do ADE –  Inexistência de motivação  legal”, não será objeto de sumario ou análise, pois é questão a ser  discutida nos autos próprios de exclusão do Sistema Simples proc: 15983.720152/2011­44 de  competência  da  Primeira  Seção  de  Julgamento,  estando  os  autos  aguardando  distribuição,  conforme tela anexa, ao final. (grifo meu).  Aplicar­se­á  idêntica  disposição  aos  tópicos  “Da  violação  ao  princípio  da  legalidade  –  Barreira  legal  ao  dever  de  invalidade  do  ato  administrativo  –  Observância  do  Termo de  Intimação Fiscal nº 0002/2011”, e, ainda, ao  tópico “Da inexistência de motivo de  fato da infração ao regime do SIMPLES FEDERAL – Débito apurado no termo de intimação  nº 0002/2011 devidamente parcelado – Inexistência de pratica reiterada de infração à legislação  tributária.”,  pois  de  iguais modo  ao  anterior  esses  dois  tópicos  dizem  respeito  a validade  da  permanência no sistema Simples e a validade do ADE nº 57, o que não é competência dessa  seção e a discussão não se operar nesses autos, mas sim em autos apartados já identificado.  Outra  sorte não  se  apresenta  ao  tópico  “Da ofensa ao devido processo  legal  –  Indeterminação  dos  fatos  descritos  no  ADE  –  Ausência  de  indicação  precisa  de  qual  foi  a  prática reiterada à legislação tributária.”  Ocorre  o  mesmo  com  os  tópicos  “Da  violação  ao  princípio  da  legalidade  –  Barreira  legal  ao  dever  de  invalidação  do  ato  administrativo  –  Observância  da  COMUNICAÇÃO SECAT nº 533/2010.” e “Da inexistência de motivo de fato da infração ao  regime  do  SIMPLES  NACIONAL  –  Débito  apurado  no  temo  de  intimação  nº  0002/2011  devidamente parcelado – Inexistência de prática reiterada de infração à legislação tributária e  falta  de  escrituração  do  livro  caixa.”,  bem  como  “Da  ofensa  ao  devido  processo  legal  –  Indeterminação  dos  fatos  descritos  no  ADE  –  Ausência  de  indicação  precisa  de  qual  foi  a  prática reiterada à legislação tributária.”,  Aplica­se,  também, a solução acima ao tópico “Impossibilidade de retroagir os  efeitos dos ADEs, expedidos pela SRF – Aplicação do artigo 24 inciso IV da IN SRF 608/2006  – Do fato gerador e os valores cobrados – Dever de compensação com os valores  recolhidos  pela sistemática do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL.”  (exceto quanto a parte  final).  que a recorrente apenas tomou ciência do ADE em 13/10/2011, assim os efeitos  da  exclusão  só  se  operam  em  11/2011  e  assim  não  podem  ser  exigidas  contribuições  previdenciárias para o ano de 2007;  que os valores lançados estão fora da realidade, pois incluem a remuneração do  avulsos, autônomos e pró­labore dos empregados, sendo que o fato gerador da contribuição é a  folha  de  salários,  devendo  tais  valores  serem  excluídos  e  ainda  aproveitados  os  valores  de  contribuição previdenciária recolhida na sistemática do simples, cita precedente do CARF;  A  questão  da  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  ausência  de  declaração de fatos geradores em GFIP, não será sumariado, o que se explicará no voto.  Dos  pedidos  e  requerimentos:  ­  a)  recebimento  e  processamento  do  recurso,  julgando­o procedente, reformando­se a decisão guerreada integralmente com a declaração de  insubsistência de  todos  os DEBCAD’s  ;  b)  requer  a produção de  todas  as provas  em direito  admitidas; c) requer, ainda, a oportunidade de realizar sustentação oral.  Fl. 326DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 327          5 A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso.  Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 318.  Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote  03, fls. 320.  É o Relatório.  Fl. 327DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 328          6 VOTO VENCIDO.  Conselheiro Eduardo de Oliveira.  O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais  requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado.   Retenção.  O  presente  processo  ficou  retido  e  sua  solução  foi  retardada  em  razão  dos  recentes  acontecimentos  que  afetaram  o  normal  funcionamento  do  CARF,  situação,  absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro.  Delimitação da Lide.  O presente PAF é composto por quatro autos de infrações distintos, sendo que  dois  que  visam  exigir  as  contribuições  previdenciárias  parte  patronal  e  SAT  e  a  parte  descontada  dos  segurados  DEBCAD  37.337.599­9  e  DEBCAD  37.337.600­6,  sendo  que  o  terceiro  visa  arrecadar  as  contribuições  destinadas  a  outras  entidades  e  fundos  –  terceiros  37.337.601­4,  finalmente  o  quatro  reparta­se  ao  lançamento  de  multa,  em  razão  do  descumprimento  de  ver  instrumental  ­ DEBCAD 37.337.602­2  – CFL.68,  todos  lançados  na  mesma ação fiscal e integrantes desse PAF, os quais serão julgados em conjunto.  Todavia,  apenas  nas  teses  que  se  reportam,  exclusivamente,  aos  lançamentos  afastada qualquer análise em razão das teses referentes a exclusão do SIMPLES FEDERAL E  NACIONAL, pois essas estão sendo questionadas em outros autos e não são de competência da  Segunda  Seção  de  Julgamento  do CARF,  estando  tais  teses  que  não  comportam  julgamento  identificadas no relatório na parte do sumário das teses recursais.   A  recorrente  engana­se  ao  lastrear  suas  alegações  na Lei 9.784/99, pois  tal  lei  não se aplica ao PAF, uma vez que este é regulado pelo Decreto 70.235/72.  Aliás,  a  própria  Lei  9.784/99  deixa  isso  claro,  pois  em  seu  artigo  69,  dispõe  como a seguir transcrito.  Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger­ se  por  lei  própria,  aplicando­se­lhes  apenas  subsidiariamente  os  preceitos desta Lei.  Não fosse isso suficiente a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ,  também,  entende pela  inaplicabilidade da Lei 9.784/99 ao PAF, pois  esse é  regulado por  lei  específica, observe­se os arestos.  EMEN:  REFIS.  EXCLUSÃO  DE  CONTRIBUINTE.  INTIMAÇÃO  PELO DIARIO OFICIAL DA UNIÃO E  POR  SÍTIO DA  INTERNET.  POSSIBILIDADE.  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  ART.  5º  DA  PORTARIA 9/2001 DO COMITÊ GESTOR. INOCORRÊNCIA.  I  ­ Na  esteira  da  firme  jurisprudência  deste  colendo  Tribunal,  "a  Lei  9.784/99,  que  regula  o  processo  administrativo  da  Administração  Fl. 328DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 329          7 Pública Federal  prevê  em  seu  art.  69,  que  suas  normas  somente  se  aplicam  subsidiariamente,  nos  procedimentos  regulados  por normas  específicas. A legislação do Programa de Recuperação Fiscal ­ REFIS,  'regime  especial  de  consolidação  e  parcelamento  dos  débitos  fiscais'  (Lei  9.964/00,  art.  2º),  ao  qual  o  contribuinte  adere  mediante  'aceitação  plena  e  irretratável  de  todas  as  condições'  (art.  3º,  IV),  prevê a notificação da exclusão do devedor por meio do Diário Oficial  e da Internet (Lei 9.964/00, art. 9º, III, c/c art. 5º da Resolução 20/2001  do  Comitê  Gestor)"  (REsp  nº  601.208/PR,  Relator  Ministro  TEORI  ALBINO ZAVASCKI, DJ de 23/08/2004, p. 137).  II  ­ No pertinente à  inconstitucionalidade  alegada,  observo  que  a  recorrente  eleva  a  Lei  9.784/99  como  a  lei  respeitadora  do  devido  processo  legal,  do  contraditório e da ampla defesa porque essa lhe é mais benéfica que a  Lei  9.964/00  e  suas  portarias  regulamentadoras.  Vislumbro  que  as  combatidas portarias realmente trazem um processo mais célere para a  comunicação  dos  atos,  mas  isso  não  quer  dizer  que  não  respeitem  o  devido  processo  legal. Destarte,  não  vislumbro  ofensa  aos  princípios  citados que  enseje argüição  de  inconstitucionalidade  para  a Colenda  Corte.  III  ­  Agravo  regimental  improvido.  EMEN:  (AGRESP  200700543481,  FRANCISCO  FALCÃO,  STJ  ­  PRIMEIRA  TURMA,  DJE DATA:27/08/2008 ..DTPB:.) (destaquei).  EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C,  DO  CPC.  DURAÇÃO  RAZOÁVEL  DO  PROCESSO.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO  DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO  PÚBLICA.  APLICAÇÃO  DA  LEI  9.784/99.  IMPOSSIBILIDADE.  NORMA  GERAL.  LEI  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  DECRETO  70.235/72.  ART.  24  DA  LEI  11.457/07.  NORMA  DE  NATUREZA  PROCESSUAL.  APLICAÇÃO  IMEDIATA.  VIOLAÇÃO  DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA.  1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e  direito  fundamental  pela  Emenda  Constitucional  45,  de  2004,  que  acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis:  "a  todos,  no  âmbito  judicial  e  administrativo,  são  assegurados  a  razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de  sua tramitação."  2.  A  conclusão  de  processo  administrativo  em  prazo  razoável  é  corolário  dos  princípios  da  eficiência,  da  moralidade  e  da  razoabilidade.  (Precedentes:  MS  13.584/DF,  Rel.  Ministro  JORGE  MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009;  REsp  1091042/SC,  Rel.  Ministra  ELIANA  CALMON,  SEGUNDA  TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel.  Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO,  julgado  em  29/10/2008,  DJe  07/11/2008;  Resp  690.819/RS,  Rel.  Ministro  JOSÉ  DELGADO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  22/02/2005, DJ 19/12/2005)  3.  O  processo  administrativo  tributário  encontra­se  regulado  pelo  Decreto  70.235/72  ­  Lei  do  Processo  Administrativo  Fiscal­,  o  que  afasta  a  aplicação  da  Lei  9.784/99,  ainda  que  ausente,  na  lei  Fl. 329DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 330          8 específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para  a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do  contribuinte.  4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal,  quiçá  fosse  possível  a  aplicação  analógica  em  matéria  tributária,  caberia  incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, §  2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis:  "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724,  de 2001)  I ­ o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente,  cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto;  II ­ a apreensão de mercadorias, documentos ou livros;  III ­ o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada.  §  1°  O  início  do  procedimento  exclui  a  espontaneidade  do  sujeito  passivo  em  relação  aos  atos  anteriores  e,  independentemente  de  intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.  § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I  e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente,  por  igual  período,  com  qualquer  outro  ato  escrito  que  indique  o  prosseguimento dos trabalhos."  5.  A  Lei  n.°  11.457/07,  com  o  escopo  de  suprir  a  lacuna  legislativa  existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida  decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta)  dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris:  "Art.  24.  É  obrigatório  que  seja  proferida  decisão  administrativa  no  prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo  de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte."  6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual  fiscal,  há  de  ser  aplicado  imediatamente  aos  pedidos,  defesas  ou  recursos administrativos pendentes.  7.  Destarte,  tanto  para  os  requerimentos  efetuados  anteriormente  à  vigência  da  Lei  11.457/07,  quanto  aos  pedidos  protocolados  após  o  advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias  a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07).  8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora  sucintamente, pronuncia­se de forma clara e suficiente sobre a questão  posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a  rebater,  um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos  utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.  9.  Recurso  especial  parcialmente  provido,  para  determinar  a  obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub  judice.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  art.  543­C  do  CPC  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  RESP  1.138.206  –  RS.  Min.  Relator  Luiz  Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu).  Fl. 330DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 331          9 Novamente,  equivoca­se  a  recorrente  a  Lei  9.784/99  não  é  hierarquicamente  superior ao Decreto 70235/72, pois, embora, denominado de decreto, isso só se dá no aspecto  formal,  pois  no  aspecto  material  tal  decreto  é  em  verdade  uma  lei,  assim  se  pronunciou  o  extinto Tribunal Federal de Recursos, veja a decisão.  DECRETO  N.°  70.235/1972  ­  STATUS  LEGAL  ­  O  Tribunal  Federal de Recursos, através da AMS 106.747­DF, estabeleceu que o  Decreto  n.°  70.235/1972  tem  status  de  Lei.  O  voto  proferido  pelo  eminente  Ministro  limar  Galvão,  no  referido  julgamento,  resume  a  posição adotada por aquela Corte: (grifei).  "Cabe,  aqui,  portanto,  a  reprodução  dos  argumentos  que  foram  por  mim expendidos na AMS 106.307­ DF, onde a questão da competência  do Presidente da República para editar normas de processo foi assim  enfocada: "O Decreto­lei n.° 822, de 05/09/69, editado pelos Ministros  Militares, com base nos Atos Institucionais n.os 5 e 12, delegou, em seu  artigo  2.°  (fl.  12),  ao  Poder  Executivo,  competência  para  regular  o  processo  administrativo  de  determinação  e  exigência  de  créditos  tributários federais.  Achava­se  o  País  sob  o  império  de  duas  ordens  jurídicas:  uma  constitucional  e  outra  institucional.  Ambas  co­exístíam,  cada  qual  operando em seu setor próprio.  Entre  os  poderes  atribuídos  ao  Presidente  da  República  pelo  Ato  Institucional n.° 5, de 13/12/68, encontrava­se o de legislar em todas as  suas matérias,  decretado que  fosse o  recesso parlamentar  (art.  2.°,  §  1.°),  medida  que  se  concretizou  com  o  Ato Complementar  n.°  38,  de  13/12/68.  No  exercício  dessas  atribuições  legislativas,  editaram  os  Ministros  Militares, 05/09/69  (quando  investidos  temporariamente da  função de  Presidente  da  República,  por  força  do  Ato  Institucional  n.°  12,  de  31/08/69), o Decreto­lei n.° 822 que, em seu art. 2.°, delegou ao Poder  Executivo  a  competência  para  regular  o  processo  administrativo  de  determinação e exigência de créditos tributários federais.  Em  17  de  outubro  de  1969,  as  mesmas  autoridades  promulgaram  a  Emenda  Constitucional  n.°  01,  que  entrou  em  vigor  no  dia  30  do  mesmo mês.  Em seu art. 181, III, a aludida emenda aprovou e excluiu de apreciação  judicial,  entre  outros  atos,  os  de  natureza  legislativa  expedidos  com  base nos atos institucionais e complementares indicados no item 1.  Vale  dizer  que,  conquanto  haja  a  nova  Constituição  vedado  a  delegação de atribuições (artigo 6.°, parágrafo único) e reservado á lei  federal  toda a matéria de Direito Processual  e de Direito Financeiro  (art.  18,  §  1.°),  permaneceu,  como  se  viu,  com  plena  vigência  o  Decreto­lei n.° 822, de 1969.  Invocando  a  delegação  contida  neste  diploma  legal,  baixou  o  Presidente da República, em 06/03/72, o Decreto n.° 70.235, (...)"Não  é por outro motivo que  todas as atualizações,  inclusões  e  revogações  em tal decreto são realizadas por MP ou Lei propriamente dita.  Fl. 331DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 332          10 Não é por outro motivo que todas as atualizações, inclusões e revogações em tal  decreto são realizadas por MP ou Lei propriamente dita.  Assim  sendo,  todos  as  alegações  fundamentadas  na  Lei  9.784/99  são  impertinentes, pois não se coadunam com a legislação de regência do lançamento, ocorrendo  divórcio  ideológico  entre  o  que  dos  autos  consta  e  as  teses  defesa  o  que  inviabiliza  o  acolhimento  do  recurso,  pois  falta  pertinência  temática,  observe­se  o  aresto  do  Supremo  Tribunal Federal – STF.  Decisão do STF.  E  M  E  N  T  A:  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  ­  AUSÊNCIA  DE  IMPUGNAÇÃO  DOS  FUNDAMENTOS  EM QUE  SE  ASSENTOU  O  ATO  DECISÓRIO  QUESTIONADO  ­  IMPUGNAÇÃO  RECURSAL  QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM  QUE  SE  ASSENTOU  O  ATO  DECISÓRIO  QUESTIONADO  ­  OCORRÊNCIA  DE  DIVÓRCIO  IDEOLÓGICO  ­  INADMISSIBILIDADE  ­  RECURSO  IMPROVIDO.  O  RECURSO DE  AGRAVO  DEVE  IMPUGNAR,  ESPECIFICADAMENTE,  TODOS  OS  FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. ­ O recurso de agravo a  que  se  referem  os  arts.  545  e  557,  §  1º,  ambos  do CPC,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  9.756/98,  deve  infirmar  todos  os  fundamentos  jurídicos  em  que  se  assenta  a  decisão  agravada.  O  descumprimento  dessa obrigação processual, por parte do recorrente,  torna inviável o  recurso de agravo por  ele  interposto. Precedentes.  ­ A ocorrência de  divergência  temática  entre  as  razões  em  que  se  apóia  a  petição  recursal,  de  um  lado,  e  os  fundamentos  que  dão  suporte  à  matéria  efetivamente  versada  na  decisão  recorrida,  de  outro,  configura  hipótese  de  divórcio  ideológico,  que,  por  comprometer  a  exata  compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante  a  ausência  de  pertinente  impugnação,  o  acolhimento  do  recurso  interposto. Precedentes.(AI­AgR 440079, CELSO DE MELLO, STF)  Não  cabe  ao  julgador  administrativo  pronunciar­se  sobre  questões  de  inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita.  Decreto  70.235/72  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.(Redação  dada  pela  Lei  nº  11.941, de 2009)  RICARF  PT/MF  256/2009  Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento  de inconstitucionalidade.  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  A  razão  é muito  simples  no  Poder Executivo  – Administração  Pública  vige  o  princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a  quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência  de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a  Fl. 332DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 333          11 norma  no  mundo  jurídico,  dando­lhe  existência,  estipulando  sua  vigência  e  atribuindo­lhe  eficácia.  Logo, não é cabível que um servidor que  lhe é subordinado e subalterno e  lhe  deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim  estaríamos subvertendo o regime.  Além do  que,  a  própria CRFB/88 no  artigo  102,  caput,  estabeleceu  que  o  seu  guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF.  Assim  cabe  exclusivamente  ao  órgão maior  do  judiciário  brasileiro  o  controle  concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso.  A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele  qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis.  Ademais,  todas  as  normas  que  passam  pelo  processo  legislativo  constitucionalmente  estabelecido  gozam  de  presunção  de  constitucionalidade  e  assim  devem  ser  respeitadas,  afinal  de  contas  é  a  própria  CRFB/88  em  seu  artigo  5º,  inciso  LVII,  diz:  “ninguém  será  considerado  culpado  até  o  trânsito  em  julgado  de  sentença  penal  condenatória;”,  “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça.  Por fim, apenas para sedimentar de vez a impossibilidade do reconhecimento de  inconstitucionalidade  por  órgão  administrativo,  basta  ler  o  que  disse  o  Supremo  Tribunal  Federal – STF ao tratar da competência do Conselho Nacional de Justiça – CNJ que apesar de  órgão da estrutura do judiciária exerce competência administrativa e não judicial, artigo 103­B,  parágrafo 4º, da CRFB/88.  CONSELHO  NACIONAL  DE  JUSTIÇA.  CONTROLE  DE  CONSTITUCIONALIDADE.  INADMISSIBILIDADE.  ATRIBUIÇÃO  ESTRANHA  À  ESFERA  DE  COMPETÊNCIA  DESSE  ÓRGÃO  DE  PERFIL  ESTRITAMENTE  ADMINISTRATIVO.  ATUAÇÃO  ULTRA  VIRES.  LEGITIMIDADE  DO  CONTROLE  JURISDICIONAL.PRECEDENTES  DO  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL  (PLENO).  AUTOGOVERNO  DA  MAGISTRATURA,  PRERROGATIVA  INSTITUCIONAL DOS TRIBUNAIS  JUDICIÁRIOS  E  AUTONOMIA  DOS  ESTADOS­MEMBROS:  LIMITAÇÕES  CONSTITUCIONAIS QUE NÃO PODEM SER DESCONSIDERADAS  PELO  CONSELHO  NACIONAL  DE  JUSTIÇA.  LIMINAR  MANDAMENTAL  E  A  QUESTÃO  DA  INVESTIDURA  APARENTE.  PRINCÍPIOS  DA  SEGURANÇA  JURÍDICA,  DA  PROTEÇÃO  DA  CONFIANÇA  E  DA  BOA­FÉ  OBJETIVA.  CONSEQUENTE  SUBSISTÊNCIA  DOS  ATOS  ADMINISTRATIVOS  E/OU  JURISDICIONAIS  PRATICADOS  EM  DECORRÊNCIA  DO  PROVIMENTO  CAUTELAR,  AINDA  QUE  EVENTUALMENTE  DENEGADO  O  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  DOUTRINA.  JURISPRUDÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA.   D.2. Indevido exercício da atividade de controle de constitucionalidade  e  descumprimento  do  dever  de  zelar  pelo  cumprimento  da  LOMAN.  Essa  Suprema Corte,  por  diversas  vezes,  já  declarou  ser  vedado  ao  CNJ o exercício de atividade de controle de constitucionalidade, por  tratar­se  o  Conselho  de  órgão  com  natureza  administrativa.  Nesse  Fl. 333DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 334          12 sentido, em recente decisão, proferida nos autos da medida cautelar no  MS  32582,  deixou  claro  o Ministro  Celso  de Mello  que  o  CNJ  não  dispõe de competência para exercer o controle incidental ou concreto  de constitucionalidade (muito menos o controle preventivo abstrato de  constitucionalidade)  dos  atos  do  Poder  Legislativo.  Inobstante,  na  hipótese presente,  como  já  referido, para a prolação da decisão aqui  combatida,  o CNJ afastou  do  ordenamento  jurídico pátrio  o  disposto  no artigo 99 da LOMAN que, conforme esclarecido adiante, chancela  de  forma  explícita  a  correção  da  atuação  do  primeiro  impetrante  ,  declarando uma suposta inconstitucionalidade do mesmo dispositivo e  negando efeitos à  sua vigência. Ademais, além do exercício  indevido  de atividade de controle de constitucionalidade, ao negar vigência a  dispositivo da LOMAN, deixou o CNJ, ainda, de exercer competência  indelével de zelar pelo cumprimento daquele estatuto, competência esta  que lhe é conferida, também de forma explícita, pelo disposto no artigo  103­B, § 4, inciso I, da Constituição: (STF ­ MS: 32865 DF , Relator:  Min. CELSO DE MELLO, Data  de  Julgamento:  02/06/2014, Data  de  Publicação: DJe­108 DIVULG 04/06/2014 PUBLIC 05/06/2014)  Evidente, assim, que o CARF apesar de órgão  judicante, mas por exercer essa  competência  apenas  na  função  administrativa  e  não  judicial  não  detém  competência  para  o  controle de constitucionalidade seja ele difuso ou concentrado.  Assim  sendo,  todas  as  argumentações  ligadas  a  questão  de  inconstitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação  legal expressa, que se impõe.  Com  os  esclarecimentos  acima  fica  definidos  os  teses  que  não  comportam  julgamento nesse PAF e assim não serão apreciadas.  Preliminares.  O Decreto 3.048/99 não define as infrações em leves, médias ou graves, apenas  no artigo 283, I e II, ele agrupa as infrações por tipos que específica, estando a sistemática de  cálculo das infrações relacionadas a GFIP como no caso do autos estabelecida no artigo 284,  daquele diploma em repetição à lei.  Contudo,  a  única  sanção  aplicada  nesse  PAF  e  que  está  representada  pelo  DEBCAD 37.337.602­2 – CFL.68, está definida e tem sua aferição e mensuração definida no  artigo 32,  IV, §3º, 4º e 5º, da Lei 8.212/91, como esclarecido pelo agente  fiscal  lançador em  seu REFISC, fls. 61, que a seguir transcrevo.  Fl. 334DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 335          13   O  porte  econômico  não  é  critério  estabelecido  na  lei  para  a  fixação  da  multa  no  caso  de  omissão de fatos geradores em GFIP.  Assim sendo, a preliminar deve ser rejeitada, pois improcedente.  Ao compulsar os autos e mais especificamente o Relatório Fiscal – REFISC, de  fls. 60 a 68, e o Acórdão da DRJ, fls. 227 a 241, percebe­se que ambos trazem de forma clara,  objetiva e explicita, os motivos, critérios, bases e provas para a realização do lançamento e sua  manutenção, estando externada as  razões e conclusões a que chegaram lançador e  julgador a  quo, com citação e transcrição de fundamentos jurídicos e doutrinários.   A questão da  fixação do valor da multa não  será detalhada nesse momento, o  que  explicará  mais  adiante  nesse  voto,  ficando  para  a  outro  momento  o  esclarecimento  em  razão  do  direito  subjetivo  a multa mínima;  ser  a  recorrente  primária,  condição  econômica  e  critérios para fixação da multa postergados para outro momento.  A  autoridade  julgadora  de  primeiro  grau  motivou  e  explicitou  suas  razões  e  motivos no  acórdão que prolatou  se  forma clara,  simples  e objetiva  inexistindo base para  se  anular aquele ato decisório, pois os requisitos legais foram atendidos.  Inexiste  cerceamento  de  defesa  em  razão  do  indeferimento  do  pedido  de  produção  de  provas  posteriores,  haja  vista  que  no  devido  processo  legal  estabelecido  pelo  artigo  16,  IV,  do Decreto  70.235/72  todo  o  conjunto  probatório  que  o  contribuinte  pretende  utilizar  para  lastrear  suas  alegações  deve  ser  juntado  no  momento  da  apresentação  da  impugnação,  precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  outro  momento  salvo  as  exceções  legais.  Embora, esse conselho tenha olhado para essa regra com temperamentos e venha aceitando e  analisando as provas juntadas depois da fase inaugural do contencioso administrativo.  Não obstante, em que pese o direito constitucional do contraditório e  da  ampla  defesa,  conforme  o  disposto  no  art.16,  §  4º  do Decreto  nº  70.235/72,  com  redação  dada  pela  Lei  nº  9.532/97,considera­se  precluso o direito de juntar documentos quando o sujeito passivo não  Fl. 335DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 336          14 requerer  em primeira  instância a  juntada posterior e nem apresentar  uma das justificativas legais para tanto.  Nestes  termos,  a  defesa  do  contribuinte  também  deve  trazer  os  documentos comprovadores de seus argumentos, sendo “vedado”, num  primeiro  momento,  fazê­lo  posteriormente.  Exceção  a  essa  regra  decorrer  das  situações  em  que  a  prova  documental  deixou  de  ser  juntada, tempestivamente, em razão de força maior, ou seja, necessária  em virtude de fatos ou argumentos supervenientes.  Nesse  caso,  a  apresentação  da  prova  deve  ser  acompanhada  de  justificativa  que  demonstre  a  ocorrência  de  uma  das  condições  excepcionais,  sendo  o  deferimento  da  juntada  intempestiva  sujeita  á  apreciação  da  autoridade  julgadora.  Acolhido  o  pedido  do  contribuinte,  as  novas  provas  passarão  a  integrar  os  autos,  devendo  ser valoradas e avaliadas por ocasião do  julgamento. Se preenchidos  os requisitos legais, as novas provas são admitidas mesmo se já houver  sido proferida decisão de primeira instância, podendo ser examinadas  na fase recursal.  Assim  é  que  o  direito  à  prova,  assegurado  constitucionalmente  pela  previsão do devido processo legal e da ampla defesa, não se apresenta  irrestrito ou  infinito. Aliás,  inexiste direito com tais características. A  própria Constituição estabelece os contornos da liberdade de produção  probatória,  a  principiar  pelo  veto  às  provas  obtidas  por meio  ilícito.  Falar em direito à prova, portanto, é falar em direito à prova legítima,  a ser exercido segundo os procedimentos regulamentados pela lei1.  A prova é um ônus da parte cabendo a ela atender as determinações  legais de  sua  produção,  não  havendo  violação  de  direito  quando  a  própria  parte  de  exercê­lo  no  momento que lhe é determinado em lei.  A exemplo da peça  recursal a peça  impugnatória está dividida em  tópicos, até  porque a peça recursal é uma composição da peça anterior.  Contudo, a decisão proferida pela autoridade julgadora a quo diferentemente do  que diz o recorrente, pois afirma este que a autoridade deixou de lado todos os argumentos de  fato  e  de  direito  apresentados  pela  defesa,  demonstra  de  forma  articulada  e  lógica  os  seus  fundamentos e conclusões apenas aglutinando vários tópicos da defesa em um único tópico do  acórdão  como  é  o  caso  dos  trechos  denominados  “Das  exclusões  do  SIMPLES”  ou  “Da  intimação e dos princípios constitucionais”, destaque do original, não havendo que se falar  em falta e análise do argumentos da defesa.  Não fosse isso suficiente o julgador não está adstrato a julgar a causa do forma e  modo que quer e pretende a parte, pois a ele cabe exercer o seu livre convencimento motivado.  EMEN:  PROCESSO  CIVIL  ­  AGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL  ­  EMBARGOS  À  EXECUÇÃO  FISCAL  ­  PARCELAMENTO  ­                                                              1  MENDONÇA,  Mauritânia  Elvira  de  Sousa.  Processo  administrativo  fiscal:  alguns  aspectos  importantes.  In:  Âmbito  Jurídico,  Rio  Grande,  XV,  n.  104,  set  2012.  Disponível  em:  <http://www.ambito­ juridico.com.br/site/index.php/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=12252&revista_caderno=26>.  Acesso  em mar 2015.  Mestranda  em  Direito  Tributário  pela  PUC­SP.  Especialista  em  Direito  Tributário  pelo  IBET.  Professora  do  IBET­ Instituto Brasileiro de Estudos Tributários e Advogada em Florianópolis/SC  Fl. 336DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 337          15 VIOLAÇÃO DO ART. 535, II DO CPC ­ INOCORRÊNCIA. 1. Não há  violação do art. 535, II, do CPC quando o tribunal de origem analisa  deforma  adequada  e  suficiente  a  controvérsia  apresentada.  2.  Em  nosso  sistema  processual,  o  juiz  não  está  adstrito  aos  fundamentos  legais  apontados  pelas  partes.  Exige­se  apenas  que  a  decisão  seja  fundamentada,  aplicando  o  julgador  a  solução  por  ele  considerada  pertinente  ao  caso  concreto,  segundo  o  princípio  do  livre  convencimento  fundamentado,  positivado  no  art.  131  do  CPC.  3.  Agravo  regimental  não  provido.  ..EMEN:  AGARESP  201303393860  AGARESP  ­  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL – 407494 ELIANA CALMON STJ SEGUNDA TURMA DJE  DATA:13/12/2013  EMEN:  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL.  RECURSO  ESPECIAL.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  SAT. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO.  INEXISTÊNCIA.  I  ­  Consoante  se  verifica  dos  autos,  foi  dada  vista  à  impetrante  para  apresentar  contra­razões  à  apelação  interposta  pelo  INSS,  transcorrendo, contudo, o prazo sem qualquer manifestação da parte.  Inexistem provas da alegada falsidade da certidão e não é este o meio  processual  próprio  para  tal  finalidade.  II  ­  Uma  vez  reconhecida  a  constitucionalidade da contribuição para o SAT, o órgão judicante não  está adstrito a responder a  todos os  fundamentos aduzidos pela parte  no  sentido  da  inconstitucionalidade  da  exação. Como  é  de  sabença  geral,  o  julgador  não  é  obrigado  a  discorrer  sobre  todos  os  regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes,  mas  sim  decidir  a  contenda  nos  limites  da  litis  contestatio,  fundamentando  o  seu  proceder  de  acordo  com  o  seu  livre  convencimento,baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice  e  com  a  legislação  que  entender  aplicável  ao  caso  concreto.  III  ­  Agravo  regimental  improvido.  AGRESP  200500187265  AGRESP  ­  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL  –  723049  FRANCISCO FALCÃO STJ PRIMEIRA TURMA DJ DATA:23/05/2005  PG:00176  PRIMEIRA  TURMA  DJ  DATA:23/05/2005  PG:00176  (realcei os dois).  A  competência  para  o  lançamento  este  definida  na  Lei  10.593/2002  e  tal  lançamento se dá sob a determinação do artigo 142, parágrafo único, da Lei 5.172/66, sendo  prescindível qualquer participação da PGFN na fase do procedimento fiscal, pois o lançamento  tributário,  na  modalidade  de  ofício,  é  direito  potestativo  do  fisco  e  o  contribuinte  não  tem  participação em sua produção, assim diz a lei, a jurisprudência e a doutrina, veja as transcrições  abaixo.  Lei  5.172/66  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a  matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação  da  penalidade  cabível.  Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada  e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifei).  xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx  TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  Fl. 337DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 338          16 DECLARAÇÃO.  ERRO  MATERIAL.  PIS.  OMISSÃO  DE  RECEITA  OPERACIONAL.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  DECADÊNCIA.  ATO  FINAL.  LAVRATURA DO  AUTO DE  INFRAÇÃO  E  NOTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO.  1.  Nos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação, quando o  sujeito passivo omite­se no cumprimento dos  deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal  proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciando­se o prazo  decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se  a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo  de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em  decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito  de  lançar  é  potestativo.  Logo,  iniciado  o  procedimento  fiscal  com  a  lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da  obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial.  4.  Súmula TFR  153:  "Constituído,  no  qüinqüênio,  através  de  auto  de  infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há que  se  falar  em  decadência,  fluindo,  a  partir  daí,  em  princípio,  o  prazo  prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até que sejam decididos  os  recursos  administrativos".  5.  Embargos  de  declaração  acolhidos  com  efeitos  infringentes,  para  dar  provimento  ao  recurso  especial.(EDRESP 200900655845, CASTRO MEIRA, STJ ­ SEGUNDA  TURMA, 14/02/2011)  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  MATÉRIA  DECIDIDA  NO  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA  N°  973.733/SC.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  PRESCRIÇÃO  DO  DIREITO  DE  COBRANÇA  JUDICIAL  PELO  FISCO.  PRAZO  QÜINQÜENAL.  TRIBUTO  SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA.  1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa  extintiva  do  crédito  tributário,  assim  estabelece  em  seu  artigo  173:  "Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  5  (cinco)  anos,  contados:  I  ­  do  primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado; II ­ da data em que se tornar definitiva a decisão que houver  anulado,  por  vício  formal,  o  lançamento  anteriormente  efetuado.  Parágrafo  único.  O  direito  a  que  se  refere  este  artigo  extingue­se  definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida  preparatória  indispensável  ao  lançamento."  2.  A  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas  gerais  e  abstratas,  quais  sejam:  (i)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento  por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em  Fl. 338DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 339          17 que notificado o  contribuinte de medida preparatória do  lançamento,  em  se  tratando  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  de  ofício  ou  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  em  que  inocorre  o  pagamento antecipado;  (iii) regra da decadência do direito de lançar  nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que  há parcial pagamento da exação devida;  (iv) regra da decadência do  direito  de  lançar  em que  o  pagamento  antecipado  se  dá  com  fraude,  dolo  ou  simulação,  ocorrendo  notificação  do  contribuinte  acerca  de  medida  preparatória;  e  (v)  regra  da  decadência  do  direito  de  lançar  perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição  no  Direito  Tributário,  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  3ª  Ed.,  Max  Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento  do  REsp  973.733/SC,  sujeito  ao  regime  dos  recursos  repetitivos,  reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do  fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos  nos  artigos  150,  §  4º,  e  173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Brasileiro",  10ª  ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad,  São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado em  FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia  legal,  publicado  o  acórdão  do  julgamento  do  recurso  especial,  submetido  ao  regime  previsto  no  artigo  534­C,  do  CPC,  os  demais  recursos  já  distribuídos,  fundados  em  idêntica  controvérsia,  deverão  ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I,  da  Res.  STJ  8/2008).  5.  In  casu:  (a)  cuida­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento por homologação;  (b) a obrigação ex  lege de pagamento  antecipado  de  contribuição  social  foi  omitida  pelo  contribuinte  concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante  consignado  pelo  Tribunal  a  quo;  (c)  o  prazo  do  fisco  para  lançar  iniciou  a  partir  de  01.01.1996  com  término  em  01.01.2001;  (d)  a  constituição  do  crédito  tributário  pertinente  ocorreu  em  15.07.2004,  data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os  créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente  em 21.03.2005. 6. Destarte, revelam­se caducos os créditos tributários  executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Agravo  regimental  desprovido.  (AGRESP 201001395597, LUIZ FUX,  STJ ­ PRIMEIRA TURMA, 24/11/2010)  TRIBUTÁRIO  ­  IOF  ­  DECADÊNCIA  ­  TERMO  INICIAL  ­  FATO  GERADOR  ­  DRAWBACK  ­  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  ­  IRRELEVÂNCIA  PARA  O  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  POTESTATIVO AO LANÇAMENTO. 1. O IOF não é tributo inerente  à  atividade  de  importação/exportação  e  não  integra,  em  regra,  o  Termo  de  Compromisso,  forma  de  constituição  do  crédito  tributário  prevista  na  legislação  aduaneira.  2.  O  fato  gerador  do  IOF  na  Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 340          18 operação  de  câmbio  é  a  a  sua  efetivação  pela  entrega  de  moeda  nacional  ou  estrangeira,  ou  de  documento  que  a  represente,  ou  sua  colocação  à  disposição  do  interessado  em  montante  equivalente  à  moeda  estrangeira  ou  nacional  entregue  ou  posta  à  disposição  por  este,  nos  termos  do  art.  63,  II,  do  CTN.  3.  A  decadência,  direito  potestativo, não se interrompe, nem se suspende, de modo que o regime  aduaneiro  de  drawback  é  irrelevante  na  fixação  do  termo  inicial  do  prazo  para  a  constituição  do  crédito  tributário.  4.  Recurso  especial  provido.(RESP  200702726133,  ELIANA CALMON,  STJ  ­  SEGUNDA  TURMA, 18/02/2009) (realcei nos três).  xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx  Para  uma melhor compreensão, pode­se citar o estado de sujeição em que se  encontra  o  contribuinte  ao  lançamento  tributário,  não  lhe  sendo  possível  impedir  o  direito  de  a  Fazenda  Pública  lançar  o  tributo.  Efetuado  o  lançamento,  no  entanto,  o  sujeito  passivo  poderá  simplesmente não realizar o pagamento, frustrando, então, a pretensão  da Fazenda.  Nesse  caso,  o  prazo  para  o  Fisco  efetuar  o  lançamento  tributário  (direito potestativo), segundo essa tese, seria de decadência. Já o prazo  para  a  cobrança  do  crédito  tributário  não  pago  (direito  a  uma  pretensão)  de  prescrição.  2  xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx  O  processo  de  determinação  e  exigência  do  crédito  tributário,  ou  processo  de  acertamento,  ou  simplesmente  o  lançamento  tributário,  dividi­se  em  duas  fase:  (a)  unilateral  ou  não  contenciosa  e  (b)  bilateral, contenciosa ou litigiosa.  Este processo também tem recebido a denominação de ação fiscal.  A fase não contenciosa é essencial no lançamento de ofício de qualquer  tributo.  A  fase  não  contenciosa  ou  unilateral  termina  com  o  termo  de  encerramento  de  fiscalização,  que  será  acompanhado  de  um  auto  de  infração  nos  casos  em  que  alguma  infração  da  legislação  tributária  tenha sido constatada.  Denomina­se  auto  de  infração  o  documento  no  qual  o  agente  da  autoridade  da  Administração  tributária  narra  a  infração  ou  as  infrações da legislação tributária atribuídas por ele ao sujeito passivo  da obrigação tributária, no período abrangido pela ação fiscal. 3 (todos  os grifos são meus).  O  fato  do  contribuinte  estar  nos  autos  próprios  contestando  a  exclusão  do  SIMPLES FEDERAL e NACIONAL é irrelevante para os deslinde dos lançamentos, pois uma                                                              2 HABLE,  José. Decadência e prescrição no direito civil  em confronto com o direito  tributário.  Jus Navigandi,  Teresina, ano 13, n. 1941, 24 out. 2008. Disponível em: http://jus.uol.com.br/revista/texto/11878.  Auditor  tributário  da  Secretaria  de  Fazenda  do  Distrito  Federal,  graduado  em  Agronomia  pela  UFPR,  Administração de Empresas pela FAE e em Direito pela CEUB, pós­graduado em Direito Tributário pelo ICAT,  mestre  em  Direito  Internacional  Econômico  pela  UCB,  professor  de  Direito  Tributário  é  autor  do  livro:  "A  Extinção do Crédito Tributário por Decurso de Prazo"    3 Machado, Hugo de Brito ­ Curso de Direito Tributário ­ 13 Edição ­ Editora Malheiros ­ 1998, pág. 336 e 337.  Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 341          19 fez impugnados sua exigibilidade está suspensa e não podem se praticados atos executivos,mas  não impede que o fisco lança o tributo direito potestativo e dê vazão ao processo administrativo  fiscal, pois, assim, estará dando função ao princípio da celeridade processual e da eficiência da  Administração, ambos, de índole constitucional.  Aliás, essa, matéria está sumulada no CARF veja a transcrição.  Súmula CARF  nº  77:  A  possibilidade  de  discussão  administrativa  do  Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede  o  lançamento  de  ofício  dos  créditos  tributários  devidos  em  face  da  exclusão.   Ficou  esclarecido  em  passagens  precedente  que  não  se  aplica  ao  PAF  a  Lei  9.784/99  e  que o  lançamento  fiscal  e  direito  potestativo  do  fisco  do  qual  o  contribuinte  não  participa, salvo, quando ao dever de tolerar o empreendimento fiscal, assim inexiste qualquer  nulidade no lançamento.  No  que  tange  ao  pedido  de  aproveitamento  dos  valores  recolhidos  a  título  de  CPP na sistemática do SIMPLES assiste razão ao contribuinte, tais valores devem ser abatidos  desse  lançamento  nos  percentual  e  valores  e  na  mesma  espécie  de  contribuição,  a  Súmula  CARF transcrita deixa isso claro.  Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de  ofício  para  cada  tributo,  após  a  exclusão  do  Simples,  devem  ser  deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa  sistemática,  observando­se  os  percentuais  previstos  em  lei  sobre  o  montante pago de forma unificada.  A data da ciência do ADE é irrelevante para o fim de fixação da data inicial de  exigência  de  contribuições  devidas,  pois  a  exclusão  retroativa  e  admitida  na  legislação  de  regência da sistemática da contribuição favorecida, assim, deve prevalecer a data do início dos  efeitos da exclusão.  EMEN:  TRIBUTÁRIO.  INSTITUIÇÃO  DE  ENSINO.  OPÇÃO  PELO  SIMPLES  À  ÉPOCA  DA  VEDAÇÃO  DA  LEI  N.  9.317/96.  IMPOSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  N.  10.034/00.  SÚMULA  N.  448/STJ.  ENTENDIMENTO  ADOTADO  EM  SEDE DE RECURSO REPETITIVO. EFEITO RETROATIVO DO ATO  DE EXCLUSÃO DO SISTEMA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1.  A  jurisprudência desta Corte  já  se manifestou, quando do  julgamento  do  REsp  n.  1.021.263/SP,  na  sistemática  do  art.  543­C,  do  CPC,  no  sentido de que a Lei n. 10.034/00, que possibilitou que instituições de  ensino optassem pelo SIMPLES não pode  ter efeitos retroativos, visto  que  ela  não  se  enquadra  em  nenhuma  das  hipóteses  do  art.  106  do  CTN. 2. No caso, a dívida  constante do  título executivo  é do período  compreendido entre janeiro de 1997 e fevereiro de 1998, época em que  a  ora  recorrida  não  poderia  ter  optado  pelo  SIMPLES,  haja  vista  a  vedação da Lei n. 9.317/99. Assim, é de se reconhecer a possibilidade  de  atribuição  de  efeito  retroativo  ao  ato  que  exclui  a  sociedade  do  SIMPLES,  visto  que  desde  a  época  da  opção  ela  não  preencheu  os  requisitos  para  aderir  ao  sistema.  Precedentes.  3.  Recurso  especial  provido.  EMEN:(RESP  201000889514,  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  STJ  ­  SEGUNDA  TURMA,  DJE  DATA:01/09/2010  .  (realcei)  Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 342          20 O fato gerador da contribuição previdenciária não é a folha de salários, mas sim  a prestação do serviços, nos termos do Parecer/CJ Nº 2.952 a seguir transcrito pela ementa.  PARECER/CJ  Nº  2.952  ASSUNTO:  Fato  Gerador  da  Contribuição  Previdenciária.  Aprovo. Publique­se.  Em, 16 de janeiro de 2003.  RICARDO  BERZOINI  EMENTA:  SEGURIDADE  SOCIAL.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  DA  EMPRESA  E  CONTRIBUIÇÃO  DO  EMPREGADO.  FATO  GERADOR.  OCORRÊNCIA  COM  A  EFETIVA  PRESTAÇÃO  DO  SERVIÇO.  O  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  da  empresa  incidente  sobre  a  folha  de  salários e demais rendimentos e contribuição do empregado sobrevém  com a  efetiva  prestação  do  serviço,  quando  surge  para  a  empresa  o  dever de remunerar o trabalhador. Inteligência dos artigos 22, inciso I,  28 e 30, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (reforcei).  A  folha  de  salário  é  apenas  uma  das  vertentes  da  expressão  econômica  da  exação.  Os  valores  lançados  estão  dentro  do  que  determina  a  lei  de  custeio  da  Previdência Social, pois a contribuição é devida sobre a remuneração de empregados e avulsos,  caput¸do artigo 22, da Lei 8.212/91.  No  que  se  refere  ao  autônomo  ou,  hoje,  contribuinte  individual  a  exação  está  determinada  no  inciso  III,  do  artigo  22,  da Lei  8.212/91,  relativamente,  a  parte  patronal  e  o  artigo 4º, caput, da Lei 10.666/2003 na partes descontada do trabalhador.  O empregado não tem pró­labore essa espécie de retribuição não se aplica a esse  tipo de trabalhador.  Desta forma, não há razão para qualquer exclusão do lançamento a esse título.  Ocorre  que  antes  da  apresentação  dos  autos  para  julgamento  o  ordenamento  jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos  artigo 48 a 50, na data de publicação da citada lei.  O artigo 49 abaixo reproduzido dá expressa anistia as multas previstas no artigo  32 – A, da Lei 8.212/91.  Art.  49.  Ficam  anistiadas  as multas  previstas  no  art.  32­A  da  Lei  no  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  lançadas  até  a  publicação  desta  Lei,  desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da  Lei  no  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  tenha  sido  apresentada  até  o  último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega.  O artigo 32 – A citado  acima prevê  as  seguintes  infrações,  observe­se o  texto  legal transcrito.  Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que  trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a  Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 343          21 apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes  multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).   I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações  incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).   II  –  de  2%  (dois  por  cento) ao mês­calendário  ou  fração,  incidentes  sobre  o  montante  das  contribuições  informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração  ou  entrega após  o  prazo,  limitada a  20%  (vinte  por  cento),  observado o  disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  Da leitura do texto legal supramencionado verifica­se que três são as  infrações  possíveis:  apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas, caput do artigo 32 e  parágrafo I;  deixar de apresentar GFIP, caput do artigo 32 e parágrafo II;  apresentar GFIP fora do prazo, caput do artigo 32 e parágrafo II;  No caso vertente  a  recorrente  foi  autuada por  ter praticado  a conduta  a  seguir  descrita:  apresentar  a  empresa  o  documento  a  que  se  refere  a  Lei  8.212,  de  24.07.91,  art.  32,  inciso  IV,  parágrafo  3º,  acrescentados  pela  Lei  n.  9.528,  de  10.12.97,  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto  na  Lei  n.  8.212,  de  24.07.91,  art.  32,  IV,  parágrafo  5º.,  também,  acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225,  IV  e  parágrafo  4º.,  do  Regulamento  da  Previdência  Social  –  RPS,  aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99.  Com a entrada em vigor do artigo 32 – A como acima citado a infração passou a  ter esse descrição:  apresentar  a  empresa  a  declaração  a  que  se  refere  a  Lei  8.212,  de  24.07.91,  art.  32,  inciso  IV,  acrescentado  pela  Lei  n.  9.528,  de  10.12.97,  e  redação da MP 449,  de  03.12.2008,  convertida  na Lei n.  11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas.  Observe­se  que  a  diferença  básica  está  na  citação  “dados  não  correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. Ora  evidente que se nem todos os dados referentes aos fatos geradores foram declarados é porque  houve omissão em relação a alguns deles.   Evidencia­se,  assim,  que  a  infração  anterior  é  idêntica  a  nova  infração,  mas  apenas com uma outra roupagem e descrição.  Desta forma, penso que a multa sobejante desse auto de infração está abarcada  pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 – A e várias  são as razões que me levam a essa conclusão.  Fl. 343DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 344          22 A uma, porque o artigo 108, I, da Lei 5.172/66 admite o empregado da analogia  em matéria tributária, pois como diz o Supremo Tribunal Federal – STF, no AI 835.442 – RJ,  09/04/2013, R. Ministro Luiz Fux.  2.  As  transcrições  revelam  similaridade  entre  este  caso  e  aquele  que  está  com  repercussão  geral  reconhecida.  Aplicação  das  regras  de  hermenêutica jurídica segundo as quais: Ubi eadem ratio ibi idem jus  (onde  houver  o  mesmo  fundamento  haverá  o  mesmo  direito)  e  Ubi  eadem legis ratio ibi eadem dispositio (onde há a mesma razão de ser,  deve prevalecer a mesma razão de decidir).  A  duas,  porque  o  contribuinte  não  se  defende  do  dispositivo  legal  infringido,  mas sim da imputação a ele feita e no caso como demonstrado a imputação é a mesma apenas o  dispositivo legal é outro, veja­se.  DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL.  DIREITOTRIBUTÁRIO.ANULATÓRIA  DE  DÉBITO.  MULTA.  APELAÇÃO  CONHECIDA  PARCIALMENTE.  AUSÊNCIA  DE  ENTREGA  DE  DCTF'S.  OMISSÃO.  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO.  REGULARIDADE. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. ARTIGO 115 DO  CTN.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  DESCUMPRIMENTO.  MULTA.  VALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. 1. A apelação da autora merece  ser conhecida apenas em parte, pois, veicula, em suas razões, questão  dissociada  do  quanto  decidido  ao  pugnar  pela  redução  do  valor  da  multa, assunto não ventilado no pedido inicial e que refoge aos limites  da lide posta. 2. No caso dos autos, a ação foi ajuizada visando a obter  a  decretação  de  nulidade  da NFLD que  aplicou  à  autora multa  pela  falta  de  entrega  de  DCTF's,  em  dado  período,  bem  como  para  determinar a devolução de qualquer valor indevidamente pago a esse  título.  3. O CTN  admite,  no  art.  115,  que  a  lei  pode  estabelecer,  no  interesse  da  administração  tributária,  obrigações  acessórias  a  serem  cumpridas  pelo  contribuinte  no  sentido  de  praticar  ou  não  condutas  outras,  além  da  obrigação  principal,  consistente  no  dever  legal  de  recolher  o  tributo  devido,  uma  vez  ocorrido  o  fato  gerador  dessa  obrigação.  4. Em  face  disso,  o Decreto­lei  nº  2.065/1983,  no  art.  11,  impôs ao contribuinte a obrigação de informar ao Fisco, por meio de  declaração constante de formulário padronizado, no caso, denominado  de DCTF, quanto aos seus créditos ou débitos tributários, sob pena de  sujeitar­se  à  multa  por  informação  inexata,  incompleta  ou  omitida.  5.Na verdade, referido dever legal já decorria do disposto no Decreto­ lei nº 1.968/1982,  tendo, posteriormente, o Decreto­lei nº 2.124/1984,  autorizado  o  ministro  da  Fazenda  a  eliminar  ou  instituir  outras  obrigações acessórias relativas a tributos federais. 6. Verifica­se, pois,  da breve remissão legislativa, que a DCTF não foi instituída por meio  da  Instrução  Normativa  nº  73/1994,  ou  qualquer  outra  subseqüente,  pois, como não poderia deixar de ser, esta apenas baixou normas para  esclarecer  e  orientar  os  contribuintes  quanto  ao  preenchimento  dos  formulários com as informações a serem prestadas, inclusive por meio  eletrônico.  Assim  sendo,  resta  claro  que  a  obrigação  de  prestar  informações  ao  Fisco,  por  meio  das  DCTF's,  decorre  de  lei,  não  havendo  falar  em  vulneração  do  princípio  da  legalidade.  7.  Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte Regional. 8.  No caso dos autos, a notificação de lançamento,emitida em 23.09.1998,  não registra vícios, falhas ou irregularidades, posto que a fiscalização  Fl. 344DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 345          23 foi minuciosa ao elencar as razões de fato e de direito que ensejaram a  lavratura,  inclusive  com  o  demonstrativo  da  apuração  do  crédito  tributário,estando  suficientemente  motivado  a  fim  de  possibilitar  a  defesa da autora, que não  teve dificuldade  em impugnar a  exigência,  não  havendo  falar  ofensa  aos  princípios  da  legalidade,  da  ampla  defesa,  do  contraditório  e  do  devido  processo  legal,  nem  tampouco  configurado  qualquer  prejuízo  ao  contribuinte.  9.  Frise­se,  por  relevante no caso, que a indicação da base legal da multa ainda que  inadequada,  incompleta  ou  até  errônea,  não  invalida  o  lançamento  quando os fatos estiverem devidamente narrados, pois o contribuinte  se  defende  dos  fatos  e  não  da  capitulação  constante  da  autuação.  Ademais,  sequer  exige  fundamentação  exaustiva  quando  restar  claro,  como  no  caso  em  tela,  que  a  multa  imposta  decorreu  do  descumprimento  da  obrigação  acessória  consistente  na  entrega  das  declarações,  portanto,  aplicada  dentro  dos  parâmetros  legais.  10.  Ademais,  a autuação  fiscal  constituiu­se  em ato  administrativo  e  este  goza  da  presunção de  legalidade  e  veracidade  que  somente  pode  ser  afastada mediante prova robusta a cargo do administrado, e, no caso,  não logrou este provar as suas alegações. 11. Em suma, a prestação de  informações ao fisco por meio de DCTF's é dever legal, constituindo­se  em obrigação acessória que, uma vez descumprida, sujeita os omissos  ao pagamento de multa,  impondo­se, pois, a manutenção da sentença  que julgou improcedente o pedido. 12. Conheço em parte da apelação e  na parte conhecida, nego­lhe provimento. AC 00022008319994036114  AC  ­  APELAÇÃO  CÍVEL  –  786915  JUIZ  CONVOCADO  VALDECI  DOS  SANTOS  TRF3  TERCEIRA  TURMA  e­DJF3  Judicial  1  DATA:31/08/2012.   TRIBUTÁRIO.EMBARGOS  À  EXECUÇÃO  FISCAL.  CDA  ­  PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ NÃO ABALADA. 1 ­ O fato  de  não  constar  os  dispositivos  legais  na  NFLD  não  a  invalida,  pois  que,  conforme  informado  fls.  16,  estava  acompanhada  do  relatório  fiscal no qual  relacionados os dispositivos  infringidos. Além disso, os  fatos  imputados  foram  devidamente  descritos,  possibilitando,  assim  a  defesa,o  exercício  do  contraditório  na  via  administrativa. Registra­se  que  no  âmbito  administrativo  houve  recurso  até  a  segunda  esfera  recursal.  2  ­  Como  bem  anotado  na  sentença,  sobre  ser  Associação  Cultural e Recreativa sem fins lucrativos, referida alegação não passou  do campo das meras alegações, vez que não cuidou sequer de juntar a  documentação  a  tal  respeito.  Aliás,  registre­se,  que  ao  defender  participação de  funcionários  nos  fulcros  e mesmo  sem  resultados  ele  está  justamente  contradizendo  a  sua  afirmação  de  não  ter  fins  lucrativos.  3  ­  No  tocante  à  afirmativa  da  embargante  de  que  nada  deve, é ver que, assim como vislumbrado no parágrafo antecedente, ela  não fez prova contraria á presunção de certeza e  liquidez da certidão  de  divida  ativa,  assim não  se  desincumbindo de  ônus  probatório  que  era seu, conforme artigo 333, I, do CPC. 4 ­ Apelação improvida. AC  864106719984010000  AC  ­  APELAÇÃO  CIVEL  –  864106719984010000.  JUIZ  FEDERAL  GRIGÓRIO  CARLOS  DOS  SANTOS.  TRF1.  5ª  TURMA  SUPLEMENTAR.  e­DJF1  DATA:05/10/2012 PAGINA:1894 (promovi os realces).  A três, porque segundo a doutrina citada abaixo a anistia exclui a infração e não  a capitulação legal imposta.  Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 346          24 “A  anistia  não  se  confunde  com  a  remissão.  Esta  pode  dispensar  o  tributo,  ao  posso  que  a  anistia  fiscal  é  limitada  à  exclusão  das  infrações cometidas anteriormente à vigência da lei, que a decreta.” 4  Aliás,é isso que diz o artigo 180, da Lei 5.172/66, a seguir transcrita.  Art.  180.  A  anistia  abrange  exclusivamente  as  infrações  cometidas  anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando:  A quatro, porque além disso temos que observar o que diz o artigo 112, III e IV,  da Lei 5.172/66, ou seja, dúvida quanto a imputabilidade e a natureza da penalidade aplicável,  assim  como  a  “anistia  é  perdão  da  falta,  da  infração,  que  impede  o  surgimento  do  credito  tributário correspondente à multa respectiva [Hugo de Brito, 2006: 248].  Não  há  razão  jurídica  para  se  aplicar  a  anistia  a  uma  infração  e  não  a  outra  apenas porque o dispositivo legal é outro.  Lembro,  ainda,  que  em  verdade  o  dispositivo  legal  a  prevalecer  não  seria  o  antigo,  artigo  32,  IV,  §5º, mas  sim  o  artigo  32  – A –  I,  da  Lei  8.212/91  na  redação  da Lei  11.941/2009,  uma  vez  que  o  artigo  106,  II,  “c”,  da  Lei  5.172/66  determina  a  aplicação  da  legislação  que  comine  penalidade menos  severa  e  isso  vem  sendo  aplicado  sistemática  pelo  menos na 3ª TE/3ª Câmara/2ª Seção/CARF.  Destarte, ainda, que por ricochete cabe a aplicação da anistia, pois a  infração a subsistir seria a do artigo 32 ­ A – I, conforme consagrada  jurisprudência dessa casa.   Com esses esclarecimentos, entendo aplicável ao caso a anistia, que em verdade  é remissão.  Essa  é  a  razão  pela  qual  não  sumariei  no  relatório  as  razões  recursais  desse  tópico.  Destarte,  com os esclarecimentos acima afasto parte dos pedidos da recorrente  considerando­os improcedentes, salvo quanto o recebimento e processamento do recurso, bem  como  a  determinação  de  aproveitamento  das  contribuições  recolhidas  a  título  de  CPP,  na  sistemática  do  SIMPLES  FEDERAL  e  NACIONAL,  considerando­se  as  porcentagens  e  rubricas  legais,  bem  como  pela  exclusão  do  lançamento  representado  pelo  DEBCAD  37.337.602­2 – CFL.68 , em razão da anistia da Lei 13.097/2015.                                                              4 Direito Tributário Brasileiro. 7a edição. Rio de Janeiro. 1975, p. 533.  Fl. 346DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 347          25 CONCLUSÃO:  Pelo exposto, voto pelo conhecimento parcial do recurso, para no mérito dar­lhe  provimento parcial para determinar:  I – o aproveitamento do valores recolhidos a título de CPP pela sistemática dos  SIMPLES Nacional e Federal, dentro das rubricas e porcentuais admitidos pela lei;   II  –  a  exclusão  do  multa  do  Auto  de  Infração  DEBCAD  37.337.602­2  –  CFL.68, em razão da anistia da Lei 13.097/2015.  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira.  Fl. 347DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 348          26 VOTO VENCEDOR.  Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro ­ Redator Designado.   Não obstante o posicionamento do Ilustre Relator, em relação à desnecessidade  de  se  verificar  o  resultado  do  processo  de  exclusão  do  simples  no.  15983.720152/2011­44,  divirjo do mesmo.  Conforme  o  Relatório  apresentado  pelo  I.  Relator,  o  presente  processo  é  composto  por  quatro  autos  de  infrações  distintos,  sendo  que  dois  que  visam  exigir  as  contribuições  previdenciárias  parte  patronal  e  SAT  e  a  parte  descontada  dos  segurados  DEBCAD  37.337.599­9  e  DEBCAD  37.337.600­6,  sendo  que  o  terceiro  visa  arrecadar  as  contribuições  destinadas  a  outras  entidades  e  fundos  –  terceiros  37.337.601­4,  finalmente  o  quatro reparta­se ao lançamento de multa, em razão do descumprimento de ver instrumental ­  DEBCAD 37.337.602­2  – CFL.68,  todos  lançados  na mesma  ação  fiscal  e  integrantes  desse  PAF, os quais serão julgados em conjunto.  O  I.  Relator  se  refere  ao  processo  de  exclusão  do  SIMPLES,  processo  no.  15983.720152/2011­44, de competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF:  O tópico denominado pelo contribuinte de “Do SIMPLES FEDERAL –  Revogação pela LC nº 123/06 – Da violação ao princípio da legalidade  – Nulidade do ADE – Inexistência de motivação legal”, não será objeto  de  sumario  ou  análise,  pois  é  questão  a  ser  discutida  nos  autos  próprios de exclusão do Sistema Simples proc: 15983.720152/2011­44  de  competência  da  Primeira  Seção  de  Julgamento,  estando  os  autos  aguardando distribuição, conforme tela anexa, ao final. (grifo meu).  (...)  Todavia,  apenas  nas  teses  que  se  reportam,  exclusivamente,  aos  lançamentos afastada qualquer análise em razão das teses referentes a  exclusão  do  SIMPLES  FEDERAL  E  NACIONAL,  pois  essas  estão  sendo  questionadas  em  outros  autos  e  não  são  de  competência  da  Segunda  Seção  de  Julgamento  do  CARF,  estando  tais  teses  que  não  comportam julgamento identificadas no relatório na parte do sumário  das teses recursais.  Do processo de exclusão do SIMPLES Federal Nos autos do presente processo,  informa­se que, no processo nº 15983.720152/2011­44, o sujeito passivo foi excluído de ofício  do SIMPLES Federal com base na Representação Fiscal para exclusão de ofício do SIMPLES.  De  acordo  com  o Ato Declaratório Executivo DRF/STS  n.  57,  de  08.08.2011,  os  efeitos  da  exclusão do SIMPLES Federal ocorrem a partir de 01.02.2007.   Nos  autos  do  processo  nº  15983.720152/2011­44,  colacionou­se  o  referente  processo  de  exclusão  do  SIMPLES  Federal  na  qual  houve  julgamento  em  1º  grau  com  o  Acórdão  de Manifestação  de  Inconformidade  confirmando  a  exclusão  e  seus  efeitos  do Ato  Declaratório Executivo DRF/STS n. 57, de 08.08.2011.  Em consulta ao sistema MF/RFB/PGFN/CARF/e­processo, em 14.12.2015, tem­ se que o processo nº 15983.720152/2011­44, de exclusão do SIMPLES Federal, encontra­se na  Seção SECOJ do CARF para distribuição.  Fl. 348DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 349          27 Do  processo  de  exclusão  do  SIMPLES  Nacional  Outrossim,  nos  autos  do  presente processo informa­se que, no processo nº 15983.720151/2011­08, o sujeito passivo foi  excluído de ofício do SIMPLES Nacional com base na Representação Fiscal para exclusão de  ofício  do  SIMPLES.  De  acordo  com  o  Ato  Declaratório  Executivo  DRF/STS  n.  74,  de  16.09.2011, os efeitos da exclusão do SIMPLES Nacional ocorrem a partir de 01.07.2007.   Nos  autos  do  processo  nº  15983.720151/2011­08,  colacionou­se  o  referente  processo  de  exclusão  do  SIMPLES  Federal  na  qual  houve  julgamento  em  1º  grau  com  o  Acórdão  de Manifestação  de  Inconformidade  confirmando  a  exclusão  e  seus  efeitos  do Ato  Declaratório Executivo DRF/STS n. 74, de 16.09.2011.  Em consulta ao sistema MF/RFB/PGFN/CARF/e­processo, em 14.12.2015, tem­ se que o processo nº 15983.720151/2011­08, de exclusão do SIMPLES Nacional, encontra­se  na Seção SECOJ do CARF para distribuição.  DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerando­se  os  princípios  da  celeridade,  efetividade  e  segurança  jurídica,  surge  a  prejudicial  de  se  determinar o resultado do julgamento do processo administrativo nº 15983.720152/2011­44, de  exclusão  do  SIMPLES  Federal,  bem  como  o  resultado  do  julgamento  do  processo  administrativo  nº  15983.720151/2011­08,  de  exclusão  do  SIMPLES Nacional,  posto  que  tal  processo produz efeitos diretamente no presente processo nº 15983.720380/2011­14.  Anote­se ainda que a competência para o julgamento de processo de exclusão do  SIMPLES Nacional é da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme se depreende do art. 2º,  V,  do  Anexo  II,  Regimento  Interno  do  CARF  –  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  343/2015:  Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício  e  voluntário  de  decisão  de  1ª  (primeira)  instância  que  versem  sobre  aplicação da legislação relativa a:  I ­ Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ);  II ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);  III ­ Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar  de antecipação do IRPJ;  IV ­ CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizados  com base nos mesmos elementos de prova em um  mesmo Processo Administrativo Fiscal;  V ­ exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação  da  legislação  referente  ao  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno Porte  (Simples) e ao  tratamento diferenciado e  favorecido a  ser  dispensado  às  microempresas  e  empresas  de  pequeno  porte  no  âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos  Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições  da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante  regime único de arrecadação (Simples­ Nacional);  Fl. 349DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 350          28 VI ­ penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas  pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e  VII  ­  tributos,  empréstimos  compulsórios,  anistia  e matéria  correlata  não incluídos na competência julgadora das demais Seções.  Outrossim,  com  fundamento  no  art.  6º  §  5º,  Anexo  II  do  RICARF,  deve  ser  observada a necessidade de Diligência Fiscal no caso do processo principal estar localizado em  Seção diversa do CARF:  Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados  observando­se a seguinte disciplina:  (...)  §  5º  Se  o  processo  principal  e  os  decorrentes  e  os  reflexos  estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá  converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos  autos  e  o  sobrestamento  do  julgamento  do  processo  na  Câmara,  de  forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo  principal.  Fl. 350DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15983.720380/2011­14  Resolução nº  2202­000.620  S2­C2T2  Fl. 351          29  CONCLUSÃO :  CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, com fundamento no art.  6º § 5º, Anexo II do RICARF, para que a Secretaria da 1a Seção do CARF informe à Secretaria  da 2a Câmara da 2a Seção do CARF o resultado final do julgamento:   (i)  do  processo  administrativo  nº  15983.720152/2011­44,  de  exclusão  do  SIMPLES Federal, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF.   (ii)  do  processo  administrativo  nº  15983.720151/2011­08,  de  exclusão  do  SIMPLES Nacional, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF.  É como voto.  Paulo Maurício Pinheiro Monteiro ­ Redator Designado.      Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital

score : 1.0