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Numero do processo: 10980.007525/2003-94
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1998
DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE 08/STF.
Restou decidido pelo STF em sede de súmula vinculante que é inconstitucional o prazo decenal para constituir o crédito tributário conforme previsto na Lei 8.212/1991.
Numero da decisão: 1803-001.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário a fim de manter o lançamento apenas no período de 02/1.998, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizaman, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1998 DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE 08/STF. Restou decidido pelo STF em sede de súmula vinculante que é inconstitucional o prazo decenal para constituir o crédito tributário conforme previsto na Lei 8.212/1991.
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CONST. E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 DECADÊNCIA. CSLL. SÚMULA VINCULANTE 08/STF. Restou decidido pelo STF em sede de súmula vinculante que é inconstitucional o prazo decenal para constituir o crédito tributário conforme previsto na Lei 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário a fim de manter o lançamento apenas no período de 02/1.998, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizaman, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 75 25 /2 00 3- 94 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10980.007525/200394 Acórdão n.º 1803001.478 S1TE03 Fl. 111 2 Relatório Trata o processo de autos de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, referente aos períodos de apuração 02/1998, 04/1998, 05/1998 e 06/1998. Na oportunidade da impugnação a Recorrente alegou preliminarmente a extinção do crédito tributário pela decadência e também pelo seu pagamento. Em sede de cognição ampla a DRJ manteve em parte o lançamento impugnado face a constatação de parte do pagamento do crédito tributário. Inconformada com a r. decisão, a autuada interpôs Recurso Voluntário sustentando que não se aplica o prazo decenal previsto na lei ordinária face o que dispõe o artigo 146, III da CF. É o simples relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10980.007525/200394 Acórdão n.º 1803001.478 S1TE03 Fl. 112 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator A questão gira em torno da discussão sobre a aplicabilidade do prazo decadencial prevista na Lei 8.212/91 frente o prazo previsto no CTN. Pois bem, sobre o prazo decadencial, o STF decidiu de forma definitiva resultando na edição da súmula vinculante 08, cuja redação é a seguinte: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei n. 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário”. No tocante o lançamento referente o período de 02/1.998 por se tratar de valor não recolhido, temse que por se tratar de tributo não recolhido, a regra a ser aplicada é do artigo 173, I do CTN, razão pela qual, temse como tempestiva a constituição do crédito tributário. Já com relação ao período referente a 05/1.998, temse como intempestivo o lançamento, uma vez tratarse de pagamento parcial, motivo pelo qual, a regra a ser aplicada é do artigo 150, parágrafo 4º do CTN. Em virtude do exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário a fim de manter o lançamento apenas no período de 02/1.998. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 76DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002354/2004-59
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA - Sujeita-se o rendimento do imposto de renda retido na
fonte ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º do CTN), devendo O prazo decadencial ser contado do fato gerador, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9304-000.152
Decisão: ACORDAM os Membros da 4ª TURMA da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Ivete Malaquias Pesoa Monteiro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 1999 DECADÊNCIA - Sujeita-se o rendimento do imposto de renda retido na fonte ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º do CTN), devendo O prazo decadencial ser contado do fato gerador, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - • CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 19515.002354/2004-59 Recurso n° 104-154286 Especial do Procurador Acórdão n° 9304-00.152 — 4° Turma Sessão de 05 de maio de 2009 Matéria IRF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PARMALAT BRASIL S/A - INDÚSTRIA DE ALIMENTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 1999 DECADÊNCIA - Sujeita-se o rendimento do imposto de renda retido na fonte ao lançamento por homologação (art. 150, § 40 do CTN), devendo O prazo decadencial ser contado do fato gerador, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 4' RMA da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, Por unanimidade de votos, EGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que pass a integrar o resente julgado. CARLOS ALBER B TO Presi rife , I E M LAQU .t 'S PESSOA MONTEIRO Rela ora FORMALIZADO EM: 0 4 DEI 2009 Processo n° 19515.002354/2004-59 CSRF-T4 Acórdão n.° 9304-00.152 Fl. 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Moisés.Giacomelli Nunes da Silva, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Gonçalo Bonet Allage, Ana Neyle Olímpio Holanda, Gustavo Lian Haddad, Antonio Carlos Guidone Filho e Carlos Alberto de Freitas Barreto. Relatório Inconformada com o decidido através do Acórdão N° 104-22.240, fls.6341659, a Fazenda Nacional apresenta o Recurso Especial de fls.662/673, admitido através do despacho 104-299/2007, de fls.676/678. O acórdão está assim decidido e ementado: Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência relativamente aos fatos geradores até setembro de 1999, vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa referente às operações de mútuo entre empresas coligadas. Designado para redigir o voto vencedor quanto à decadência o Conselheiro Nelson Mallmann. Ausentes justificadamente os Conselheiros Heloísa Guarita Souza e Gustavo Lian Haddad. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRFAno- calendário: 1999Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do C7'N, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vicio prejudicial, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscaLAÇÃO JUDICIAL - CONCOMITÂNCIA COM INSTANCIA ADMINISTRATIVA — RENÚNCIA - Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula 1° CC n°1, DOU Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006).PAF - DILIGÊNCIA - CABIMENTO - A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de oficio ou a requerimento do impugnante, quando entendê-la necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implica na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas.DECADÊNCL4 - IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O 2 ' Processo n° 19515.002354/2004-59 CSRF-T4 Acórdão n.° 9304-00.152 Fl. 3 imposto de renda na fonte tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amolda-se à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 40 do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato geradorCRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSO POR LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE OFICIO — No caso de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por liminar em mandado de segurança, poderá a autoridade administrativa proceder ao lançamento para prevenir a decadência, não sendo exigível, entretanto, a multa de oficio.Preliminar acolhida.Recurso de oficio negado.Recurso voluntário parcialmente provido. Na peça recursal, a Fazenda Nacional, em síntese, fundamenta que o julgado, ao adotar como regra para contagem da decadência aquela constante no artigo 150, § 4°, do CTN, contrariou as disposições dos artigos 149 e 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, argüindo que o sujeito passivo ao deixar de recolher valores, somente constatados através de ação fiscal, não poderia contar a decadência por outro dispositivo que não fora aquele do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Contra-razões às fls.720/734, reitera as razões do voluntário e se contrapõe à Fazenda Nacional dizendo que a tese só prosperaria se não houvesse realizado qualquer recolhimento para este tributo, o que não ocorreu. Pede a manutenção do acórdão combatido. E' o Relatório. ,r7; 3 Processo n° 19515.002354/2004-59 CSRF-T4 Acórdão n.° 9304-00.152 Fl. 4 Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Trata-se de exigência de imposto de renda retido na fonte de pessoa jurídica, contabilizados mensalmente pela Interessada "na conta contábil 2.01.01.02.02.002 — IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DE PESSOAS JURÍDICAS referente às retenções de imposto de renda sobre encargos financeiros decorrentes de contratos de empréstimos firmados com pessoas jurídicas, os quais não foram recolhidos e nem informados em DCTF's como imposto a pagar, durante o ano calendário de 1999." A parte objeto do especial diz respeito ao acolhimento da preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro de 1999, pois a notificação se deu, somente, em 25/10/2004. Os fundamentos do voto vencedor do acórdão vergastado, da lavra do i.Conselheiro Nelson Mallmann , bem esclarecem a matéria: (.) O Conselheiro Relator defende a tese de que o § 40 do art. 150, do CTN estabelece prazo para que a Fazenda Pública examine a consonância do ato de apuração e pagamento do imposto, realizado pelo contribuinte, sob pena de restarem estes tacitamente homologados, e não sobre decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelo lançamento de oficio, matéria disciplinada no art. 173, I do Na sua opinião, nos casos de omissão de rendimentos ou de falta de recolhimento e de declaração de imposto retido pela fonte pagadora, não há que se falar em homologação. Não há dúvidas, que a discussão nestes autos abrange a incidência de imposto de renda na fonte. Nota-se, do relatório, que a recorrente alega a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores até setembro de 1999, sob o entendimento de que quando se tratar de imposto de renda na fonte, por ser tributação definitiva, há o dever do sujeito passivo de efetuar o pagamento sem o prévio exame da autoridade administrativa, o que se configura como lançamento por homologação e neste caso o decurso do prazo decadencial de cinco anos se verificará entre a data da ocorrência do fato gerador e a data da ciência do lançamento procedido mediante o Auto de Infração, ao amparo do artigo 150, § 4° do CTN. op 4 Processo n° 19515.002354/2004-59 CSRF-T4 Acórdão n.° 9304-00.152 Fl. 5 Nunca tive dúvidas, que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. No caso dos autos, ou seja, quando se tratar de imposto de renda na fonte, a sua apuração deve ser realizada na ocorrência do fato gerador e o recolhimento do imposto se processa na mesma data. Razão pela qual têm característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amolda-se à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como temo inicial à data da ocorrência do fato gerador. Ou seja, transcorridos cinco anos a contar do fato gerador, quer tenha havido homologação expressa, quer pela homologação tácita, está precluso o direito da Fazenda de promover o lançamento de oficio, para cobrar imposto não recolhido, exceto nos casos de evidente intuito de fraude devidamente comprovado pelo fisco, onde a contagem do prazo decadencial fica na regra geral, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, embora respeite a posição daqueles que assim não entendem, tenho para mim que está extinto o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário relativamente aos fatos geradores até setembro de 1999. Como se sabe, a decadência é na verdade a falência do direito de ação para proteger-se de uma lesão suportada; ou seja, ocorrida uma lesão de direito, o lesionado passa a ter interesse processual, no sentido de propor ação, para fazer valer seu direito. No entanto, na expectativa de dar alguma estabilidade às relações, a lei determina que o lesionado dispõe de um prazo para buscar a tutela jurisdicional de seu direito. Esgotado o prazo, o Poder Público não mais estará à disposição do lesionado para promover a reparação de seu direito. A decadência significa, pois, uma reação do ordenamento jurídico contra a inércia do credor lesionado. Inércia que consiste em não tomar atitude que lhe incumbe para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de ação, até que ele se perca — é afluência do prazo decadenciaL Em outras palavras, a Fazenda Pública dispõe de um determinado prazo legal para efetuar o ato jurídico administrativo do lançamento. Transcorrido tal prazo, decai o ente público tributante do direito de efetuá-lo, pois a decadência é fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu não-exercício durante certo lapso de tempo. Deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são 5 Processo n° 19515.002354/2004-59 CSRF-T4 Acórdão n.° 9304-00.152 Fl. 6 aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa fisica, apurado no ajuste anual. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constitui-se o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo verifica-se tão somente obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplica-se o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrando-se as insuficiências ou apurando-se os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos temos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos — lançamento por declaração, hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nade deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na 'ori` 6 Processo n° 19515.002354/2004-59 CSRF-T4 Acórdão n.° 9304-00.152 Fl. 7 forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo — lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declara-se à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Por decadência entende-se a perda do direito de o fisco constituir o crédito tributário, pelo lançamento. Neste aspecto a legislação de regência diz o seguinte: Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos": (.) VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (.) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (.) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito 7 (#14 j Processo n° 19515.002354/2004-59 CSRF-T4 Acórdão n.° 9304-00.152 Fl. 8 tributário pela nogcaçã o, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. ". Depreende-se, desse texto, que o prazo decadencial é único, ou seja, de cinco anos e o tempo final é um só, o da data da notificação regular do lançamento, porém, o termo inicial, ou seja, a data a partir da qual flui a decadência é variável, como se observa abaixo: - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, item I); II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal o lançamento anteriormente efetuado (cTN, art. 173, item II); III - da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (CTN, art. 173, parágrafo único); IV - da data da ocorrência do fato gerador, nos tributos cujo lançamento normalmente é por homologação (CTN, art. 150, § 4°)• V - da data em que o fato se tornou acessível para o fisco, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o lançamento normal do tributo é por homologação (CIN, art. 149, inciso VII e art. 150, § 40). Pela regra geral (art. 173, I), o termo inicial do lustro decadencial éo 1° dia do exercício seguinte ao exercido em que o lançamento poderia ter sido efetuado (ocorrência de dolo, fraude ou simulação (evidente intuito defraude)). O parágrafo único do artigo 173 do CTN altera o termo inicial do prazo para a data em que o sujeito passivo seja notificado de qualquer medida preparatá ria indispensável ao lançamento. É claro que esse, parágrafo sá tem aplicação quando a notificação da medida preparatória é efetivada dentro do 1° exercício em que a autoridade poderia lançar, Já pelo inciso lido citado artigo 173 se cria uma outra regra, segundo a qual o prazo clecadencial começa a contar-se da data da decisão que anula o lançamento anterior, por vicio deforma. Assim, em síntese, temos que o lançamento só pode ser efetuado dentro de 5 anos, contados de 1° de janeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a menos que nesse dia o prazo já esteja fluindo pela notificação de medida preparatória, ou o lançamento tenha sido, ou venha a ser, anulado por vício formal, hipótese em que o prazo fluirá a partir da data de decisão. Se tratar de revisão de lançamento, ela há de se dar dentro do mesmo qüinqüênio, por força da norma inscrita no parágrafo único do artigo 149. 4.74 8 Processo n° 19515.002354/2004-59 CSRF-T4 Acórdão n.° 9304-00.152 Fl. 9 É inconteste que o Código Tributário Nacional e a lei ordinária asseguram à Fazenda Nacional o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário. Como se vê a decadência do direito de lançar se dá, pois, com o transcurso do prazo de 5 anos contados do termo inicial que o caso concreto recomendar. Há tributos e contribuições cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento antes que a autoridade o lance. O pagamento se diz, então, antecipado e a autoridade o homologará expressamente ou tacitamente, pelo decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CIN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. E o que está expresso no § 4 0, do artigo 150, do C7'N. Ora, próprio CT1V fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da Administração Tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo, determinou o art. 173 do C7'N, que o prazo qüinqüenal teria início a partir "do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, preparando o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. Não me restam dúvidas, de que o tributo oriundo de imposto de renda na fonte, se encaixa nesta regra, onde a própria legislação aplicável atribui aos remetentes o dever, quando for o caso, de calcular e recolher os impostos, sem prévio exame da autoridade administrativa, ou seja, eles não devem aguardar o pronunciamento da administração para saber da existência, ou não, da obrigação tributária, pois esta já está delimitada e prefixada na lei, que impõe ao sujeito passivo o dever do recolhimento do imposto em questão. Da mesma forma, o Código Tributário Nacional, como norma complementar à Constituição, é o diploma legal que detém legitimidade para fixar o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários pelo Fisco. Inexistindo regra específica, no tocante ao prazo decadencial aplicável aos casos de evidente intuito de fraude (fraude, dolo, simulação ou conluio) deverá ser adotada a regra geral contida no artigo 173 do CTN, tendo em vista que nenhuma relação jurídico-tributária poderá protelar-se indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica. q) 9 Processo n° 19515.002354/2004-59 CSRF-T4 Acórdão n.° 9304-00.152 Fl. 10 Como, também, refuto o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de oficio, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do CIN. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CIN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que "o lançamento por homologação (..) opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da Administração Tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário senso, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao "conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CTN". Faz-se necessário lembrar, que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha à fiscalização federal. Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo período-base, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento. É da essência do instituto da decadência a existência de um direito não exercitado pela inércia do titular desse direito, num período de tempo determinado, cuja conseqüência é a extinção desse direito. Decorrido o prazo de decadência desaparece a obrigação tributária, ou seja, a Fazenda Pública perde o direito de io .14 Processo n° 19515.002354/2004-59 CSRF-T4 Acórdão n.° 9304-00.152 Fl. 11 constituir o crédito tributário, ficando o sujeito passivo liberado com relação a esta obrigação tributária. É inconteste que, no caso em questão, o início da contagem do prazo decadencial começou no dia do fato gerador (pagamento de valores com retenção na fonte), ou seja, no caso dos autos os fatos geradores (retenção) identificados pelo fisco ocorreram durante o ano de 1999. Logo, a contagem do primeiro prazo decadencial inicia-se, por exemplo, em janeiro de 1999, encerrando-se em janeiro de 2004 e assim por diante. Sendo a data da ciência do auto de infração pela suplicante em 25/10/04, os fatos geradores até setembro de 1999 estavam decadentes. Diante do exposto, e por ser de justiça, voto no sentido de ACOLHER a preliminar de decadência para declarar extinto o direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativamente aos fatos geradores até setembro de 1999(..) Com a devida vênia do nobre relator do voto acima transcrito, incorporo esses fundamentos ao voto e NEGO provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 05 de maio de 2009 10A.441• *INIA., PESSOA MONTEIRO j i
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Numero do processo: 11516.003315/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O mero inconformismo da parte quanto aos argumentos e fundamentos de decidir do v. acórdão de primeira instância não tem o condão de caracterizar o cerceamento de seu direito de defesa.
AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO NÃO IMPUGNADO. PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente deixou de insurgir-se contra o mérito do lançamento contra em si efetuado, outra não pode ser a conclusão, senão pela sua manutenção, sobretudo quando a sua alegação de que os valores cobrados já foram objeto de pagamento não ter sido comprovada de forma cabal nos autos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O mero inconformismo da parte quanto aos argumentos e fundamentos de decidir do v. acórdão de primeira instância não tem o condão de caracterizar o cerceamento de seu direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO NÃO IMPUGNADO. PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente deixou de insurgir-se contra o mérito do lançamento contra em si efetuado, outra não pode ser a conclusão, senão pela sua manutenção, sobretudo quando a sua alegação de que os valores cobrados já foram objeto de pagamento não ter sido comprovada de forma cabal nos autos. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O mero inconformismo da parte quanto aos argumentos e fundamentos de decidir do v. acórdão de primeira instância não tem o condão de caracterizar o cerceamento de seu direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO NÃO IMPUGNADO. PAGAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente deixou de insurgirse contra o mérito do lançamento contra em si efetuado, outra não pode ser a conclusão, senão pela sua manutenção, sobretudo quando a sua alegação de que os valores cobrados já foram objeto de pagamento não ter sido comprovada de forma cabal nos autos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 33 15 /2 01 0- 03 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003315/201003 Acórdão n.º 2401003.724 S2C4T1 Fl. 414 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA em face do acórdão de fls. 368/378 que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.263.2904 lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, descontadas de empregados e contribuintes individuais, cuja informação fora omitida em GFIP. O relatório fiscal apontou que a recorrente foi objeto de verificações Preliminares Obrigatórias sendo que, no cotejo declaração versus escrituração, com o auxilio do sistema Contágil, foi apurada a ocorrência de discrepâncias em relação a pagamentos efetuados a empregados e a trabalhadores autônomos, conforme abaixo: (i)Verificouse na escrita contábil a ocorrência de pagamentos a contribuintes individuais, a titulo de serviços de terceiros, sem a inclusão desses profissionais em folha de pagamentos de acordo com as normas e padrões estabelecidos pela legislação; (ii) Verificouse, também, que as folhas de pagamento apresentadas continham incorreções quanto ao pagamento de salário família, pagamento de férias, pagamento de rescisões de contrato de trabalho e do décimo terceiro salário. (iii)Verificouse ainda que uma parcela desses pagamentos (segurados empregados e contribuintes individuais) deixou de ser declarada em GFIP. A recorrente foi então intimada a apresentar esclarecimentos sobre as divergências de base de cálculo verificadas no confronto GFIP versus Folha de Pagamentos em relação à remuneração de empregados e de contribuintes individuais, bem como em relação aos descontos de contribuições dos respectivos segurados, bem como para apresentar GFIP com as remunerações não declaradas no período de 10/2005 a 13/2007. Mesmo prestados os esclarecimentos requeridos, a recorrente deixoud e apresentar as GFIP’s retificadoras, motivo pelo qual foram considerados como fatos geradores do lançamento em análise LEVANTAMENTO D1 — DIFERENÇA DE BC MULTA DE OFICIO referese as diferenças de contribuições a cargo da empresa relativas aos fatos arrolados nos itens 5 a 9 acima, destinadas à seguridade social e as contribuições para financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos' ambientais do trabalho (SAT/RAT) incidentes sobre as remunerações devidas ou creditadas a qualquer titulo aos empregados e/ou contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nas competências de 10/2005 e 13/2005; 01/2006 a 09/2006; 11/2006 a 02/2007; 04/2007 a10/2007; 12/2007 e 13/2007. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 LEVANTAMENTO D2 — DIFERENÇA DE BC MULTA DE MORA referese as diferenças de contribuições a cargo da empresa relativas aos fatos arrolados nos itens 5 a 9 acima, destinadas a seguridade social e às contribuições para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT) incidentes sobre as remunerações devidas ou creditadas a qualquer titulo aos empregados e/ou contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nas competências de 11/2005 e 12/2005; 10/2006; 03/2007 e 11/2007. O período apurado compreende a competência de 10/2005 a 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 15/09/2010 (fls. 01). O lançamento foi impugnado, todavia, em sua peça a recorrente, dentre outros fundamentos, reconheceu a procedência do lançamento efetuado, todavia, defendendo se no sentido de que as diferenças apontadas no relatório fiscal foram devidamente quitadas, quando o mesmo fora intimado a apresentar esclarecimentos acerca das diferenças apuradas. Em seu recurso, sustenta o cerceamento de seu direito de defesa originado do fato do v. acórdão de primeira instância ter denegado o seu pedido de produção de provas para que os recolhimentos das diferenças por ela efetuados fossem objeto de apropriação, mesmo quando o julgamento de primeira instância veio a reconhecer que esta efetuou recolhimentos a maior. Acrescenta que a presente autuação pretende modificar matéria já discutida no Poder Judiciário, que em todas as instâncias reconheceu o seu direito de não efetuar os pagamentos de contribuições sobre o salárioeducação e INCRA. Que a realização de novo lançamento, quando já existente coisa julgada pelo Judiciário caracteriza o crime de excesso de exação. Defende ser entidade que goza de imunidade tributária, de acordo com o art. 195, 7o da CF/88, além de serem indevidas as contribuições ao INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO. Finaliza argumentando que a multa aplicada possui caráter confiscatório. Na assentada de 18 de setembro de 2013, esta Eg. Turma determinou a conversão do julgamento em diligência, para que viessem aos autos informações acerca dos pagamentos das diferenças lançadas no presente processo e que a recorrente sustenta ter efetuado o pagamento. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003315/201003 Acórdão n.º 2401003.724 S2C4T1 Fl. 415 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Em sede preliminar a recorrente sustenta a que o seu direito de defesa restou cerceado pelo v. acórdão de primeira instância , na medida em que este indeferiu o seu pedido de perícia, entendendo pela não apropriação dos pagamentos que efetuou, apesar de ter reconhecido que os mesmos ocorreram. Sem razão. O fato do julgamento de primeira instância ter deixado de apropriar os pagamentos efetuados, em nenhum momento pode vir a ser considerado como motivo que ensejou o cerceamento do direito de defesa da recorrente, pois a negativa na apropriação e do afastamento do pedido de perícia fora devidamente fundamentada pelo julgador, quando expôs os motivos pelos quais entendia que a tese levantada na impugnação da recorrente, deveria ser afastada. O mero inconformismo da parte relativamente ao resultado do julgamento de primeira instância, por si só, não autoriza o reconhecimento do cerceamento de seu direito de defesa, de modo a justificar a declaração de nulidade do julgamento a quo. Assim, rejeito a preliminar de nulidade. MÉRITO Quanto as diferenças apuradas no presente auto de Infração, a recorrente sequer contestou o lançamento. Ao contrário, com ele concordou, todavia, sustentando ter efetuado o pagamento das mesmas, de sorte que outra não poderia ser a conclusão, senão pela anulação do Auto de Infração em decorrência do pagamento. Ao levar a efeito o cumprimento do resultado de diligência solicitado, o ilustre auditor fiscal levou a efeito intimação da recorrente para que apresentasse planilha apontando as divergências entre os recolhimentos efetuados a maior e os valores declarados em GFIP, juntamente com a respectiva GFIP retificadora. Vejamos o que constou do pedido: 9. A pedido deste Auditor Fiscal, foi comandando Procedimento Fiscal de Diligência DRF 0951146, consubstanciado no Fl. 417DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Mandado de Procedimento Fiscal MPF 09.20100.2014.00334, sendo emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, em 23/04/2014, recepcionado pelo Coordenador do Contencioso –DIJUR – FIESC, Dr. André Luiz de Carvalho Cordeiro, as 16:30 horas do dia 24/04/2014. A Diligência transcorreu da seguinte forma: 9.1. No referido TIPF constou a solicitação para apresentação dos seguintes documentos: Planilha de Cálculo demonstrando valores recolhidos a maior em relação àqueles declarados em GFIP, por competência, discriminados por estabelecimento; GFIP retificadora, com declaração dos valores corretos, para inclusão dos valores recolhidos à maior, por competência, de cada estabelecimento E a recorrente, em resposta apresentou dois CDS, sobre os quais, após analise, concluiuse o seguinte: 10. Em que pese a afirmação do SESI, em seu Ofício de encaminhamento dos arquivos digitais, que teria atendido as solicitações da Fiscalização, a realidade passou bem longe disso. Os dois (2) CDS entregues contem, cada um deles, três (3) arquivos digitais relativos aos períodos fiscalizados de 2005, 2006 e 2007, respectivamente. Entretanto, as planilhas constantes dos referidos arquivos referemse apenas ao desmembramento das Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS) de cada período. 11. Não houve, portanto, atendimento por parte do contribuinte às informações solicitadas pela fiscalização. Em face do não atendimento das solicitações do auditor, finalizou sua resposta no sentido da impossibilidade de atendimento ao que requerido por esta Turma, apontando não ter sido comprovada a existência dos recolhimentos relacionados com à míngua da existência de provas dos recolhimentos e esclarecimentos não prestados pelo contribuinte. Da análise de sua resposta, percebo que desta vez o mesmo levou a efeito as providências necessárias para efetuar a correlação entre eventuais pagamentos a maior e o objeto do presente lançamento, sem êxito, no entanto em efetuar tal correlação, diante do fato da própria recorrente não ter apresentado documentação dos recolhimentos a maior e esclarecimentos sobre as diferenças. Ressalto que as conclusões do fiscal também não foram especificadamente contestadas pela recorrente. Logo, realmente não restou possível efetuar eventual correlação no presente caso, de modo que entendo por não comprovada de forma cabal a existência de recolhimentos a maior que possam ou deveriam ter sido aproveitados no presente lançamento. Assim, considerando que a recorrente, deixou de impugnar a exigência fiscal, defendose sobre o mérito do lançamento tão somente no sentido de que teria efetuado o recolhimento dos valores lançados, outra não pode ser a conclusão senão pela sua manutenção. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003315/201003 Acórdão n.º 2401003.724 S2C4T1 Fl. 416 7 Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araujo Soares. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 03/11/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 10183.003252/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001.
ENTREGA DE DOCUMENTOS POSTERIOR A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MANUTENÇÃO DO LUCRO ARBITRADO.
A entrega posteriormente ao lançamento de livros e documentos imprescindíveis à apuração do crédito tributário não desqualifica o arbitramento levado a efeito pela Autoridade Lançadora, em conformidade com a Súmula CARF nº 59: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Demonstrado o intuito de fraude, e constata-se que os fatos tributáveis não decorrem de mera presunção legal de omissão de receitas, ou de simples apuração de omissão de receitas, a multa qualificada deve ser mantida.
SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO QUINQUENAL. ART. 173 DO CTN. RECURSOS REPETITIVOS (STJ). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF (ART. 62-A DO RI-CARF).
A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC e Resolução 8/2008 do STJ), consolidou entendimento segundo o qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que não ocorre pagamento antecipado, ou na constatação de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial rege-se pelas disposições do art. 173, inciso I, do CTN, e constatado pagamento, aplicável a regra prevista no art. 150, § 4º do CTN.
As decisões do colendo STJ, proferidas de acordo com os recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), devem ser reproduzidos nos julgamentos deste CARF, por força do art. 62-A do RI-CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU 22/12/2010).
AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
TAXA SELIC. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Indícios convergentes e coerentes no sentido de que a responsável tributária e a autuada compartilharam das mesmas atividades, de ao mesmo parte de seus estabelecimentos e veículos, apresentando-se aos fornecedores e aos clientes como uma única empresa, são suficientes para afirmar a confusão patrimonial e, por conseqüência, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador das exigências questionadas.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1101-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1) relativamente à arguição de nulidade, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 2) em relação à arguição de decadência, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente aos fatos geradores ocorridos anteriormente ao 4º trimestre/2001; 3) relativamente à legalidade do lançamento, inclusive no que tange à obtenção de informações financeiras, por unanimidade de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à qualificação da penalidade, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 5) relativamente aos juros de mora, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 6) relativamente à responsabilidade tributária imputada a Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, (relator) e Joselaine Boeira Zatorre. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que também fez declaração de voto. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. ENTREGA DE DOCUMENTOS POSTERIOR A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MANUTENÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. A entrega posteriormente ao lançamento de livros e documentos imprescindíveis à apuração do crédito tributário não desqualifica o arbitramento levado a efeito pela Autoridade Lançadora, em conformidade com a Súmula CARF nº 59: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Demonstrado o intuito de fraude, e constata-se que os fatos tributáveis não decorrem de mera presunção legal de omissão de receitas, ou de simples apuração de omissão de receitas, a multa qualificada deve ser mantida. SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO QUINQUENAL. ART. 173 DO CTN. RECURSOS REPETITIVOS (STJ). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF (ART. 62-A DO RI-CARF). A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC e Resolução 8/2008 do STJ), consolidou entendimento segundo o qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que não ocorre pagamento antecipado, ou na constatação de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial rege-se pelas disposições do art. 173, inciso I, do CTN, e constatado pagamento, aplicável a regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. As decisões do colendo STJ, proferidas de acordo com os recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), devem ser reproduzidos nos julgamentos deste CARF, por força do art. 62-A do RI-CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU 22/12/2010). AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. TAXA SELIC. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Indícios convergentes e coerentes no sentido de que a responsável tributária e a autuada compartilharam das mesmas atividades, de ao mesmo parte de seus estabelecimentos e veículos, apresentando-se aos fornecedores e aos clientes como uma única empresa, são suficientes para afirmar a confusão patrimonial e, por conseqüência, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador das exigências questionadas. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. ENTREGA DE DOCUMENTOS POSTERIOR A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MANUTENÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. A entrega posteriormente ao lançamento de livros e documentos imprescindíveis à apuração do crédito tributário não desqualifica o arbitramento levado a efeito pela Autoridade Lançadora, em conformidade com a Súmula CARF nº 59: “Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 32 52 /2 00 7- 28 Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.034 2 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Demonstrado o intuito de fraude, e constatase que os fatos tributáveis não decorrem de mera presunção legal de omissão de receitas, ou de simples apuração de omissão de receitas, a multa qualificada deve ser mantida. SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO QUINQUENAL. ART. 173 DO CTN. RECURSOS REPETITIVOS (STJ). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF (ART. 62A DO RICARF). A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC e Resolução 8/2008 do STJ), consolidou entendimento segundo o qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que não ocorre pagamento antecipado, ou na constatação de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pelas disposições do art. 173, inciso I, do CTN, e constatado pagamento, aplicável a regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. As decisões do colendo STJ, proferidas de acordo com os recursos repetitivos (art. 543C do CPC), devem ser reproduzidos nos julgamentos deste CARF, por força do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU 22/12/2010). AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. TAXA SELIC. Súmula CARFnº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Indícios convergentes e coerentes no sentido de que a responsável tributária e a autuada compartilharam das mesmas atividades, de ao mesmo parte de seus estabelecimentos e veículos, apresentandose aos fornecedores e aos clientes como uma única empresa, são suficientes para afirmar a confusão patrimonial e, por conseqüência, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador das exigências questionadas. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.035 3 ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, 1) relativamente à arguição de nulidade, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 2) em relação à arguição de decadência, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente aos fatos geradores ocorridos anteriormente ao 4º trimestre/2001; 3) relativamente à legalidade do lançamento, inclusive no que tange à obtenção de informações financeiras, por unanimidade de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à qualificação da penalidade, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 5) relativamente aos juros de mora, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 6) relativamente à responsabilidade tributária imputada a Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, (relator) e Joselaine Boeira Zatorre. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que também fez declaração de voto. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Em razão da clareza e objetividade adoto o relatório do despacho de sobrestamento de fls. 1028/1031, prolatado pela i. Conselheira e Presidente da 2ª TO desta mesma Câmara e Seção, Albertina Silva Santos de Lima, relatora a quem foi sorteado inicialmente o presente processo, nos seguintes termos: Tratase de lançamento da CSLL, do anoscalendário de 2001, efetuado no regime do lucro arbitrado, em decorrência da infração de omissão de receitas da atividade. A ciência do auto de infração à Impelco se deu em 14.08.2007 e à empresa Vesle, em 13.08.2007. O acórdão da Turma Julgadora rejeitou as preliminares de nulidade e decadência, indeferiu pedido de exclusão da responsabilidade solidária e, no mérito, considerou o lançamento procedente em parte, para desagravar a multa de ofício, passando esta de 225% para 150%, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.036 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Observados os preceitos do art. 10 do Decreto n. 70.235/72 e tendo sido a contribuinte intimada de todo o procedimento realizado, abrindoselhe prazo para manifestação, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. O prazo de decadência das contribuições para a seguridade social é de dez anos. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Demonstrada a sucessão de fato, a sucessora se constitui em responsável solidária pelas obrigações da sucedida. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO ARBITRADO. Identificadas as omissões de receitas pelo confronto entre os valores dos depósitos e os documentos relativos aos fechamentos de caixa dos estabelecimentos, procedese ao arbitramento do lucro em face da impossibilidade da apuração do Lucro Real. UTILIZAÇÃO DE DADOS OBTIDOS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A Lei n. 10.174/2001 tem eficácia retroativa. Relativamente aos fatos geradores ocorridos em 2001, a incidência desse instrumento normativo não ocorre de forma retroativa, uma vez a sua aplicação imediata. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva estabelecida em lei. O principio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicadordaleique a ela deve obediência. MULTA AGRAVADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DO EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Não caracterizado o embaraço à fiscalização, exonerase o lançamento do percentual da multa agravada. JUROS. TAXA SELIC. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.037 5 Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento, por expressa determinação legal. Lançamento Procedente em Parte Consta ainda que o auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido dos trimestres do anocalendário 2001, se deram em face de falta de recolhimento da CSLL sobre receitas não declaradas, cuja apuração ocorreu segundo a sistemática do "Lucro Arbitrado", conforme autorização de fls. 326 e 327, conforme autoriza o art. 530 do RIR/99: A ciência à decisão de primeira instância à empresa Impelco (primeira recorrente) foi dada em 18.03.2008, e o recurso voluntário foi postado, via sedex, em 17.04.2008. A ciência à empresa responsável solidária (segunda recorrente) se deu em 02.05.2008 (fls. 931), com a interposição de recurso voluntário em 15.05.2008. Recorrem, alegando, em síntese, o seguinte: 1 DAS PRELIMINARES A Recorrente solicita preliminarmente suspensão temporária do presente processo, para que se aguarde a conclusão do julgamento dos processos n° 10183.003252/200728 (CSLL 2001) e n.° 10183.003264/200705 (COFINS 2001), os quais correspondem ao mesmo período anocalendário 2001, sendo reflexos de Autuação de IRPJ, evitando com isto a possibilidade de haver decisões conflitantes com prejuízos irreparáveis à parte. 2 — DA DECADÊNCIA Alega a insubsistência da pretensão fiscal pela ocorrência da decadência, em conformidade com os arts. 150 ou 173, do CTN, pugna pela inaplicabilidade do art. 45, da Lei nº 8.212/91, cita decisões administrativas e judiciais sobre o assunto. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.038 6 Em relação ao mérito, discorda dos valores apurados através da movimentação bancária, diz que, os depósitos bancários em si mesmo não constituem disponibilidade econômica ou jurídica de renda, não gerando consequentemente o Imposto de Renda, nos precisos termos do Art. 43 do CTN. Deste modo é indispensável que o fisco prove o vínculo do valor depositado com a renda não declarada, não contabilizada, para que possa considerála omitida, sob pena de ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. Quanto à responsabilidade prevista no inciso II, do art. 124 do CTN, alega que a ordem jurídica vigente não abriga a chamada responsabilidade solidária objetiva. Para que isso ocorra é indispensável à configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. Quando se aborda a questão da solidariedade entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico é preciso tomar cuidado para não confundir interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador de que cuida o inciso I, do art. 124 do CTN, com o interesse econômico no resultado que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Uma coisa é as empresas coligadas terem interesse econômico comum na exploração da atividade. Seguindo esse entendimento, no acórdão lavrado pelos Nobres Julgadores a quo, os mesmos reconhecem que: "Não há, de fato, nenhum documento que apresente de forma explicita a sucessão da autuada pela Vesle." 3 DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA Afirma que a multa exigida Pelo Auto de Infração é manifestamente ofensiva ao princípio constitucional do nãoconfisco, consagrado implicitamente pela Constituição, em seu Artigo, 5º, XXII. Com efeito, as infrações imputadas à Recorrente, se vierem a ser mantidas, não podem elevar o gravame de 75%, uma vez que elas próprias (as infrações) foram apuradas por presunção, especialmente pelo fato de que não há sequer prova da omissão de receitas (o que há é presunção de omissão), como falar que a omissão foi cometida com dolo? Enfatiza que a multa de 150% pressupõe a existência de embaraço, máfé e dolo, o que restou comprovada quando da impugnação que tais alegações não ocorreram, conforme relatado pelos Nobres Julgadores a quo. Conclui afirmando que a multa aplicada em hipótese alguma poderia ser superior a 75% conforme preceitua o inciso I do art. 44 da Lei n.° 9.430/96, sobre o principio constitucional do nãoconfisco. 4 DA ILEGALIDADE DOS JUROS COBRADOS As taxas, divulgadas pelo Sr. Coordenador Geral do Sistema de Arrecadação, através de Atos Declaratórios mensais, é acumulada mensalmente e é muito superior ao permitido pelo art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional. 5 – DEMAIS ARGUMENTOS DE MÉRITO Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.039 7 Requer seja exonerado a totalidade do Crédito Tributário pela falta de Origem de valores a Tributar, uma vez restou devidamente suprida e comprovada a totalidade de disponibilidades correspondente à Receitas Operacionais, Duplicatas e demais Créditos à receber inclusive saldos em Caixa no valor de R$ 82.095.156,59, contra os Depósitos a Comprovar no valor de R$ 69.833.088,24, apurando a sobra de Origem devidamente comprovada a maior de R$12.262.068,35, em não concedendo este; Seja julgada extinta a punibilidade por omissão de receita com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, com base na Lei 10.174/2001, mais Acórdãos e Ementas julgados pela própria DRJ, e Conselho de Contribuintes; Seja desvinculada a Empresa VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, da Sujeição Passiva do Rol de Responsabilidade Solidária, por tratarse de Titularidades distintas e pela inexistência de Vinculo, anteriormente comprovado, nos termos do art. 124 da Lei n.° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional); Por fim, seja exonerada a totalidade do presente Auto de Infração, ou seja, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e seus Reflexos: Multa e Juros. 6 – RECURSO DA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA (VESLE) O recurso da empresa responsável solidária (VESLE) consta os mesmos argumentos expendidos pela primeira Recorrente, acrescentando que não é nem nunca foi sucessora da empresa IMPELCO LTDA, porque ausente os requisitos para a sua configuração da sucessão empresarial, que somente se opera em situações de transferência de unidades econômicojurídica, isto é, transferência de universalidades, cuja prova não se desincumbiu a fiscalização, não sendo válidas e suficientes as provas carreadas aos autos. À mingua de documentos de que fato comprovem a existência de forma explica de sucessão da empresa autuada (digase de passagem ativa) pela Recorrente, viola não só a finalidade da norma legal contida nos artigos 132 e 133 do código Tributário Nacional, bem como os princípios que devem reger a ordem econômica nacional, elencados pelo legislador constituinte nos art. 170 e 174, tendo em vista que mantença a qualquer custo e de forma ilegal da Recorrente como sucessora da empresa autuada em questão pode acarrear o encerramento das atividades da empresa, com grande prejuízo para o setor em que atua e aumento significativo da taxa de desemprego no Estado e não se desincumbindo a fiscalização de fazer a prova da sucessão empresarial nos termos do artigo 132 e 133 do Código Tributário Nacional, e nos termos da prova ora produzidas pela Recorrente com a juntada dos contratos sociais e contratos de locação, requerse que seja reconhecida a preliminar de Ilegitimidade passiva da Recorrente, excluindoa do auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.040 8 Os recursos são tempestivos e encontramse revestidos das demais formalidades legais, devendo serem conhecidos. A preliminar de nulidade por suposto cerceamento do direito de defesa deve ser rejeitado, porquanto a Recorrente foi reiteradamente intimada a apresentar os documentos e livros fiscais que pudessem justificar a movimentação bancária sem que tivesse atendido de forma satisfatória. Ademais disto, ambas as Recorrentes impugnaram a autuação, bem como foi possível apresentarem recursos de forma satisfatória, demonstrando terem tomado conhecimento dos fatos a elas imputados. Conforme relatado, tratase de auto de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido dos trimestres do anocalendário 2001, em face de falta de recolhimento da CSLL sobre receitas não declaradas, cuja apuração ocorreu segundo a sistemática do "Lucro Arbitrado", conforme autoriza o art. 530 do RIR/99 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Em relação à preliminar de decadência, por força da Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 anos, nos seguintes termos: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente (DOU nº 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) Em razão de tratarse de exigência por falta de recolhimento, bem como pelo fato de ter sido constada indícios de fraude, inclusive com a manutenção da multa aplicada no percentual de 150%, deve ser aplicada a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 173 (“primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”), do Código Tributário Nacional, em conformidade, inclusive, com a jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça, inclusive em sede de recursos repetitivos, aplicados aos Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.041 9 julgamentos do CARF, por força do art. 62A do RICARF, quer seja porque não houve pagamento antecipado, quer seja porque houve intuito de fraude. (RESP 973.733): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.042 10 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Extraise do v. voto condutor do r. acórdão acima citado, o seguinte trecho bastante elucidativo: Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No mesmo sentido (com a constatação de dolo, fraude ou simulação): TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. DECADÊNCIA. OMISSÃO. QUESTÕES FUNDAMENTAIS PARA A ANÁLISE DO INSTITUTO. ENTREGA DE DECLARAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. ATO QUE CONSTITUI O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS QUE AFETAM O TERMO INICIAL. 1. Cuidase, na origem, de Ação Anulatória de crédito tributário oriundo de contribuições previdenciárias cujos fatos geradores teriam ocorrido no período de janeiro de 1993 a outubro de 1998. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.043 11 2. No Recurso Especial, além da preliminar de violação do art. 535 do CPC, a Fazenda Nacional busca afastar a decadência do crédito tributário oriundo de fatos geradores ocorridos no ano de 1998. 3. O instituto da decadência não foi apreciado de maneira completa, tendo persistido omissão quanto a circunstâncias fundamentais para a correta prestação jurisdicional. 4. Conforme sustentado pela recorrente nos Embargos de Declaração opostos (fls. 644656) e por ela reiterado no Recurso Especial (fls.668673), a análise dessa causa extintiva não dispensa o enfrentamento dos seguintes pontos: a) se ficou evidenciada a existência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte; b) se, em relação ao período sob controvérsia, parte do crédito anulado já tinha sido constituído previamente pela entrega de declaração pelo sujeito passivo. 5. Sobre o primeiro ponto, de acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 150, § 4°, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento parcial antecipado, sem que se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. À luz do art.173, I, do CTN, o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, tal não ocorre, inexistindo declaração prévia do débito (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). 6. No tocante aos créditos relativos ao ano de 1998 (até o mês de outubro), se fosse o caso de incidir a regra do art. 173, I, do CTN, o termo inicial da decadência teria sido 1° de janeiro de 1999. Como a notificação do lançamento ocorreu em 26.6.2003 (fl. 633), nesse instante ainda não se teria atingido o prazo quinquenal. 7. Além disso, deve ser apreciado se o provimento judicial anulatório alcançou créditos já constituídos previamente pela entrega da declaração pelo contribuinte, uma vez que, confirmada a hipótese, não existiria mais prazo decadencial em curso, mas sim a prescrição (REsp 1.120.295/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 21.5.2010, submetido ao art. 543 C do CPC). 8. Como se percebe, as questões que não foram analisadas são fundamentais para o deslinde da controvérsia e, por se tratar de matéria de ordem pública, devem ser conhecidas até mesmo de ofício nas instâncias ordinárias. 9. Recurso Especial parcialmente provido para anular o acórdão recorrido. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.044 12 (REsp 1340386/PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/02/2013, DJe 08/03/2013) No caso em apreço, todas as competências anteriores a outubro de 2001, inclusive, encontramse fatalmente fulminadas pela decadência, porquanto a ciência ao auto lançamento da CSLL, relativamente ao anocalendário de 2001, à Impelco ocorreu em 14.08.2007 e à empresa Vesle, em 13.08.2007, pois, considerando a regra contida no repetitivo (RESP 973733/SC) ("primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível), a contagem do prazo decadencial fora iniciado em 01.01.2002, completando o quinquênio legal em 31.12.2006. Assim sendo, considerando a CSLL consistir em tributo sujeito a lançamento por homologação, sujeita aos prazos decadenciais previstos nos arts. 150 e 173, do CTN, no caso, pelo fato de não ter ocorrido pagamento antecipado, aplicável o art. 173, I, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, restando decaídos os fatos geradores ocorridos até outubro de 2001 (os quais poderiam ser exigíveis ainda em 2001, com início da contagem do prazo decadencial em 1.1.2002, fulminando perepemtoriamente em 1.1.2007). Exigência estribada em extratos bancários (Lei nº 10.174/2001) Reservo meu entendimento pessoal sobre a inconstitucionalidade da utilização de informações bancárias para a constituição de crédito tributário, por entender que o sigilo bancário constitui direito fundamental, o qual certamente será confirmado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Entretanto, no âmbito deste colendo CARF, e mormente deste colegiado, esse assunto tem sido reiteradamente debatido, sendo que tese majoritária tem sido desfavorável aos contribuintes. No caso concreto a exigência não se deu exclusivamente com base em extratos bancários, tendo sido feita a comparação entre os depósitos bancários e os documentos de Caixa dos estabelecimentos da empresa autuada, constatandose ainda a identificação de “depósitos como liquidação de cobrança, venda com cartão de crédito, recebimento por fornecimento, FEDERALCARD, crédito eletrônico, crédito REDE SHOP e cartão VISA ELECTRON.” Ademais disto, as recorrentes não contestam, em nenhum momento, que o total dos depósitos bancários não se referem às receitas da atividade, pelo contrário, corroboram essa afirmação do Auditor Fiscal. Com efeito, a despeito de ainda não haver decisão definitiva pelo STF, com repercussão geral, o assunto também foi objeto de julgamento definitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos a que se refere o art. 543C do CPC, o que, igualmente, determina a reprodução da decisão nos julgamentos deste colendo CARF. Nesse sentido peço vênia para transcrever o Boletim Informativo nº 0417 Período: 23 a 27 de novembro de 2009, da Primeira Seção do STJ, informando que o assunto foi julgado em sede de recurso repetitivo, inclusive no que se refere à possibilidade de aplicação retroativa dos efeitos da Lei Complementar nº 105/2001, in verbis: Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.045 13 RECURSO REPETITIVO. SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO. No recurso representativo de controvérsia (art. 543C do CPC e Res. n. 8/2008STJ), a Seção reiterou que a quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei n. 8.021/1990 e pela LC n. 105/2001, normas procedimentais de aplicação imediata. Com efeito, o art. 145, § 1º, da CF/1988 faculta à administração tributária, nos termos da lei, criar instrumentos ou mecanismos que lhe possibilitem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente para conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva. Destarte, o sigilo bancário não tem caráter absoluto, cedendo ao princípio da moralidade, aplicável, de forma absoluta, às relações de direito público e privado e, ainda, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias denotam ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Em que pese o direito adquirido de obstar a fiscalização tributária, ele não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. No caso, a autoridade fiscal pretende utilizar dados da CPMF para apuração do imposto de renda (1998), tendo instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. Precedentes citados: EREsp 806.753RS, DJe 1º/9/2008; EREsp 726.778PR, DJ 5/3/2007; EREsp 608.053RS, DJ 4/9/2006; AgRg nos EREsp 863.702RN, DJe 27/5/2009; AgRg no Ag 1.087.650SP, DJe 31/8/2009; AgRg no REsp 1.078.878SP, DJe 6/8/2009; AgRg no REsp 1.084.194SP, DJe 26/2/2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223RS, DJe 24/11/2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637MG, DJe 21/5/2008, e AgRg nos EDcl no REsp 970.580RN, DJe 29/9/2008. REsp 1.134.665SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/11/2009 Transcrevo, abaixo, a ementa do recurso representativo da controvérsia: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringirseiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.046 14 contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel.Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.047 15 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.048 16 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1134665/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Logo, enquanto o STF não julgar o mérito do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, nenhum recurso subirá à Egrégia Corte, e consequentemente a questão constitucional envolvida no REsp 1134665/SP (discutida no RE correspondente) ficará sobrestada no STJ, vigorando assim o efeito repetitivo atribuído ao mesmo. Assim sendo, em razão do disposto no art. 62A do RICARF, e considerando que o STJ ao julgar o REsp 1134665/SP, submeteu o v. Acórdão ao regime do art. 543C do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, deve ser reputada plenamente válida a utilização de dados bancários para a apuração da omissão de receita. No âmbito deste colendo CARF, foi aprovada a Súmula nº 35, referindose à utilização de depósitos bancários para a apuração de omissão de receita (ainda que se refiram, respectivamente à possibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula Vinculante aprovada pela Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010). Desta forma deve ser mantida a higidez do lançamento mesmo tendo sito utilizada a movimentação bancária do contribuinte para no cotejo da documentação apresentada, incompleta por sinal, ensejando a apuração da CSLL com base nos critérios do lucro arbitrado. Além disso, no caso em apreço grande parte dos documentos solicitados foram entregues posteriormente ao lançamento, ensejando a aplicação da Súmula CARF nº 59, que assim dispõe expressamente: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Assim sendo, deve ser mantida a exigência (na parte não decaída), ainda que a apuração da CSLL tenha ocorrido através da utilização de dados bancários, os quais foram utilizados para o arbitramento do lucro, em conformidade com o art. 530 do RIR/99. Multa de Ofício Agravada (150%) A decisão recorrida fez um relato dos fatos que ensejaram o arbitramento do lucro, que em síntese pode ser expresso através da movimentação bancária incompatível com os registros contábeis e documentais decorrentes da atividade empresarial exercida pela recorrente, tendo verificado, contudo que “... a contribuinte não tentou deliberadamente causar embaraço à fiscalização, prestando os esclarecimentos que lhe eram possíveis.”, tendo conseqüentemente reduzido o agravamento da multa, mantendo o percentual de 150% Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.049 17 (“tendose em vista o evidente intuito de fraude conforme bem demonstrado pelo auditor e não refutado pela autuada”). Mantendose, por fim a multa de ofício pelo fato de tratarse de lançamento de ofício (“Desse modo, em se tratando de lançamento de oficio, deve ser mantida a multa de igual natureza prevista expressa e especificamente pela legislação tributária”.). Não vislumbro, todavia, pelas circunstâncias narradas pela Fiscalização, ter ocorrido ação dolosa da Recorrente com a intenção de impedir o conhecimento dos fatos por ela praticados, conforme previsto no art. 71, da Lei nº 4.502/64, in verbis: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Ao contrário, a decisão recorrida manteve a multa de ofício em 150%, pelo fato da receita ter sido apurada de forma arbitrada (“de igual natureza”), o que, ao meu ver, contraria entendimento já firmado por este colendo CARF através da Súmula Vinculante nº 25, a qual, nesses casos: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula Vinculante aprovada pela Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010). Igualmente preconizam as Súmulas CARF nº 14 e 96, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Importante registrar a doutrina balizadora de Hiromi Higuchi (in Imposto de Renda das Empresas Interpretação e Prática, 39ª Edição, IR Publicações, São Paulo, 2014, p. 117): O art. 538 do RIR/99 dispõe que o arbitramento do lucro não exclui a aplicação das penalidades cabíveis. Isso significa que o arbitramento de lucro é uma forma ou regime de tributação, não constituindo em penalidade. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.050 18 Desta forma deve ser mantida a multa de ofício, em relação ao crédito tributário não decaído, no percentual de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS SELIC Afasto, por fim, o pleito contra a atualização do crédito tributário pela Taxa Selic, conforme autoriza a Súmula CARF nº 4: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sujeição passiva solidária. Peço vênia para transcrever o seguinte trecho do acórdão recorrido relativamente à constatação de relações espúrias entre a Recorrente (IMPELCO) e a VESLE (responsável solidária): Contudo, no sistema CNPJ os estabelecimentos matriz e filiais de IMPELCO continuam ativos, em vários dos mesmos endereços da empresa sucessora/solidária, além de haver movimentação financeira em 2002 no valor de R$ 49.283.060,04, de R$ 42.620.634,83 em 2003, de R$ 11.790.083,53 em 2004 e de R$ 58.836,41 em 2005, não havendo entrega de declarações também para esses anos, confirmando a assertiva de que IMPELCO foi "substituída" paulatinamente por VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA., aberta em 06/06/2000, considerando que a marca GR ELETRO continuou no mercado, inclusive com inserções na mídia televisiva e propaganda contínua em listas telefônicas, sendo mais recentemente substituída pela marca FACILAR, adotada no início de 2007 por VESLE. As informações financeiras são a única fonte de informação para que a fiscalização determine a matéria tributável, integralmente, de vez que somente parte dos livros fiscais de 2001 foram apresentados, donde se extraiu uma receita operacional de R$ 32.574.570,52 (fl. 332), contra R$ 69.833.088,24 movimentados em 07 (sete) instituições financeiras, sem que IMPELCO tenha demonstrado a conexão dessas receitas com o total de recursos havidos em suas contas bancárias. Recursos estes no montante de R$ 63.996.592,45, como descrito no Termo de Intimação de 13/11/2006. Há que se considerar ainda que o acesso às informações financeiras propiciou mais elementos indicativos da sucessão e solidariedade tributárias pela empresa que lhe sobreveio (VESLE MÓVEIS). () Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.051 19 As provas do recebimento de receitas da atividade são os valores creditados em contas mantidas junto a instituições financeiras, cujas informações foram consolidadas e entregues à contribuinte em meio magnético e posteriormente em papel atendendo a pedido (fls. 319 a 322). Apesar de constar que o acesso às informações bancárias “propiciou mais elementos indicativos da sucessão e solidariedade tributárias pela empresa que lhe sobreveio (VESLE MÓVEIS)”, contudo, o voto condutor do acórdão é taxativo em afirmar não haver de fato, “...nenhum documento que apresente de forma explícita a sucessão da autuada pela Vesle”. Todos os fatos narrados pela Fiscalização, ligando as duas empresas, como proximidade de endereço ou ainda a utilização simultânea de um mesmo imóvel, constituem indícios que deveriam ter sido melhor investigados e apurados, não justificando a atribuição de responsabilidade solidária só através de indícios. Não vislumbro, no caso, a comprovação das circunstâncias previstas no art. 124, I, do CTN (“I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”), nem tampouco aquelas previstas no art. 133 do mesmo diploma legal, que pressupõe a necessidade de aquisição de fundo de comércio, com o encerramento das atividades da alienante, em havendo a continuidade das atividades haverá atribuição de responsabilidade subsidiaria e não solidária. Logo, ainda que os fatos carreados aos autos permitissem atribuir responsabilidade tributária a terceiros, esta seria de natureza subsidiaria e não solidária, para a qual exigiria requisitos específicos, conforme reiterada jurisprudência do colendo STJ: 8. No que concerne à responsabilidade tributária, o artigo 128, do CTN, preceitua que: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." 9. A responsabilidade tributária (cujo principal escopo é facilitar o cumprimento da prestação pecuniária devida ao Fisco) tanto pode advir da prática de atos ilícitos (artigos 134, 135 e 137, do CTN), como também da realização de atos lícitos (artigos 129 ao 133, do CTN), sendo certo, contudo, que a sua instituição reclama o atendimento dos requisitos impostos pelo Codex Tributário, quais sejam: (i) a existência de previsão legal; (ii) a consideração do regime jurídico do contribuinte para fins de aferição da prestação pecuniária devida; e (iii) a existência de "vínculo jurídico entre o contribuinte e o responsável que permita a este cumprir sua função de auxiliar do Fisco no recebimento da dívida do contribuinte, sem ter seu patrimônio comprometido" (Octávio Bulcão Nascimento, in "Curso de Especialização em Direito Tributário: Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, pág. 818). Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.052 20 10. Quanto à extensão do dever jurídico imposto ao terceiro, a responsabilidade tributária distinguese em solidária ou subsidiária (em havendo coobrigados) e pessoal, como bem elucida doutrina abalizada: "Será pessoal se competir exclusivamente ao terceiro adimplir a obrigação, desde o início (responsabilidade de terceiros, por infrações e substituição). Será subsidiária se o terceiro for responsável pelo pagamento da dívida somente se constatada a impossibilidade de pagamento do tributo pelo devedor originário. E, finalmente, será solidária se mais de uma pessoa integrar o pólo passivo da relação permanecendo todos eles responsáveis pelo pagamento da dívida." (Maria Rita Ferragut, in "Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002", 2ª ed., 2009, Ed. Noeses, págs. 34/35). 11. Acerca da obrigação tributária solidária, forçoso ressaltar que é de sua essência a unicidade da relação jurídica tributária em seu pólo passivo, o que autoriza a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer um dos coobrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si, ou contribuinte e responsável), que responderá in totum et totaliter pelo débito fiscal. 12. Destarte, exsurge a necessidade de exame dos diplomas legais que regem (ou regeram) as relações jurídicas tributárias sub examine (atinentes a fatos imponíveis ocorridos entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999), a fim de se identificar o(s) sujeito(s) passivo(s) eleito(s) pelo ente tributante legiferante e o grau da responsabilidade instituído entre os coobrigados (contribuinte ou responsável). (REsp 719.350/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2010, DJe 21/02/2011) Desta forma, encaminho meu voto no sentido de determinar a exclusão da recorrente Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda, como sujeito passivo relativamente ao crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração objeto do presente processo, por ausência de elementos materiais que pudessem comprovar a sua responsabilidade pelo crédito tributário exigido no presente processo. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da primeira Recorrente (Impelco), para acolher a preliminar de decadência relativamente ás competências 01/2001 a 10/2001, inclusive, mantendo o crédito tributário relativamente às demais competências, com a redução da multa de ofício para o patamar de 75% e dar provimento ao recurso da segunda Recorrente Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda. Sala das Sessões, em 29 de julho de 2014 (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.053 21 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada. No que se refere à multa de ofício mantida no percentual de 150%, cumpre ter em conta que a base de cálculo autuada decorre da constatação de receitas auferidas no período fiscalizado, mediante confronto dos depósitos bancários com os documentos apresentados pela contribuinte durante o procedimento fiscal, a partir dos quais foi possível constatar que apenas parte das operações foram contabilizadas pela autuada, e que nem mesmo em relação a esta parcela foram declarados ou recolhidos os valores devidos. Diante deste contexto, a autoridade lançadora expôs que: No que concerne à aplicação da multa proporcional ao valor do imposto, a mesma foi de 150%, por prática, em tese, de infração qualificada como: 1 – Sonegação (art. 71 da Lei n° 4.502/1964), tendo em vista que a contribuinte agiu e omitiu com dolo para impedir e retardar totalmente em relação ao anocalendário 2001 o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1.1 – Da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal – CSLL (não entregou a DIPJ, deixando de informar o resultado do exercício, a base de cálculo e o regime de tributação; não informou nenhum valor nas DCTF; não apresentou a escrituração comercial para que houvesse possibilidade de apuração da base de cálculo; não comprovou a origem dos créditos em contas mantidas em instituições financeiras, tendo cabido tal tarefa à fiscalização, tudo evidenciando o intuito de omitir informações, com o fito de eximirse do pagamento da contribuição); 1.2 – Das suas condições pessoais, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal e o crédito tributário correspondente (na condição de rede de lojas na exploração do comércio varejista de móveis e eletrodomésticos, deixou de informar o total das receitas típicas da atividade, inclusive deixando de apresentar declarações, como se não mais estivesse em atividade, sem se importar em esclarecer se os créditos em suas contas bancárias se referiam a esse tipo de atividade ou a outra, levando a fiscalização a apurar os valores pelo regime de lucro arbitrado; ainda; passou toda a rede de lojas a empresa sucessora que, como demonstrado nos anexos, muitas vezes é solidária, ao passo que ambas operaram nos mesmos estabelecimentos comercias às mesmas épocas; nesse sentido, despiuse de todo seu patrimônio, reduzindo a ampla rede a apenas um pequeno estabelecimento no endereço constante do cabeçalho). Acrescentese a esta acusação as referências, também trazidas pela Fiscalização, acerca da reiteração desta conduta omissiva por parte da pessoa jurídica SANTEX que, antes da autuada (IMPELCO), foi constituída para operação da marca GR ELETRO: No ano de 2000 foi requisitado procedimento de fiscalização pelo Ministério Público Federal, onde foi constatada a sucessão de SANTEX por IMPELCO – processos números 10183.004979/0011 (arquivado por decadência) e 10183.002620/200125 (créditos inscritos na Dívida Ativa da União). Em ambas as ocasiões os procedimentos de fiscalização foram precedidos de ações policiais de busca e apreensão nos estabelecimentos da contribuinte, que sempre Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.054 22 usa a marca GR ELETRO, mudando apenas o CNPJ dos estabelecimentos e abandonando o anterior, categoria em que se inclui IMPELCO, furtandose ao cumprimento das obrigações tributárias. Contudo, no sistema CNPJ os estabelecimentos matriz e filiais de IMPELCO continuam ativos, em vários dos mesmos endereços da empresa sucessora/solidária, além de haver movimentação financeira em 2002 no valor de R$ 49.283.060,04, de R$ 42.620.634,83 em 2003, de R$ 11.790.083,53 em 2004 e de R$ 58.836,41 em 2005, não havendo entrega de declarações também para esses anos, confirmando a assertiva de que IMPELCO foi "substituída" paulatinamente por VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA., aberta em 06/06/2000, considerando que a marca GR ELETRO continuou no mercado, inclusive com inserções na mídia televisiva e propaganda contínua em listas telefônicas, sendo mais recentemente substituída pela marca FACILAR, adotada no início de 2007 por VESLE. Considerando a forma de apuração, nestes autos, dos fatos tributáveis, não são aplicáveis as Súmula CARF nº 14 e 25, porque não se trata de presunção legal de omissão de receitas, ou de simples apuração de omissão de receitas, e ainda que tenha havido arbitramento dos lucros, outras evidências foram agregadas para demonstração do intuito de fraude. Observese, ainda, que a recorrente limitase a argumentar que não houve embaraço à fiscalização (aspecto excluído do litígio em razão da redução da multa de ofício de 225% para 150%, de forma definitiva, na decisão de 1a instância), e nega a existência de dolo apenas em razão da autuação de fundar em presunção. No mais, afirma confiscatória a penalidade subsistente, ao final pleiteando sua redução para 75% uma vez que reconhecida pelos Nobres Julgadores a quo que: “a contribuinte não causou embaraço à fiscalização, prestando os esclarecimentos que lhe eram possíveis”. Ocorre que o percentual de 150% está previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 para as exigências de ofício nas quais restar caracterizado o intuito de fraude, aqui presente em razão das evidências reunidas pela Fiscalização acerca da deliberada intenção da contribuinte de, reiteradamente praticando fatos jurídicos tributáveis, deixar de escriturálos adequadamente de modo a subtraílos da incidência tributária. O contexto fático assim compreendido impõe, também, a manutenção da responsabilidade tributária imputada a Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda. As recorrentes argumentam que para caracterização da solidariedade tributária não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, ou a interdependência entre as empresas, caracterizada pela composição do capital ou pela identidade de pessoas que compõe as sociedades. E destacam que a própria autoridade julgadora de 1a instância reconheceu que não há, de fato, nenhum documento que apresente de forma explícita a sucessão da autuada pela Vesle. Contudo, na forma da doutrina referida pelas recorrentes, há interesse comum imediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficiam diretamente com sua ocorrência, e o benefício decorrente do fato gerador é compartilhado pelas pessoas jurídicas quando há confusão patrimonial revelada, no caso, pela atuação conjunta da autuada e de Vesle Móveis e Eletrodomésticos nas atividades verificadas no período fiscalizado. As recorrentes transcrevem ementas de julgados que afastam a solidariedade decorrente da participação relevante de uma pessoa jurídica no capital de outra, ou da caracterização de grupo econômico entre empresa arrendadora e instituição bancária, mas tais circunstâncias são totalmente distintas daquelas presentes nestes autos. Como visto, os fatos Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.055 23 jurídicos tributários foram constatados ao longo do anocalendário 2001, ao passo que Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda iniciou suas atividades em 06/06/2000, como demonstram as recorrentes, e durante o procedimento fiscal a autoridade lançadora constatou que: Verificase que a contribuinte foi instada a comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea a origem das operações que deram causa a depósitos e créditos nas contas bancárias da ordem de R$ 63.996.592,45. Na seqüência, a partir das mencionadas cópias de cheques, foram intimados diversos fornecedores (fls. 228 a 277) para esclarecerem as operações advindas dos pagamentos, com quem as operações haviam sido firmadas no estabelecimento da contribuinte ou de outra empresa, onde os objetos das operações haviam sido entregues e se os sócios da contribuinte avalizaram operações de terceiros, sobremaneira de empresa tida como sucessora e devedora solidária (VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA. — adiante denominada VESLE). As respostas formam o ANEXO II (DOIS) deste processo administrativo. No fim do ANEXO (fls. 227 a 230) consta relatório que compila as estreitas ligações entre a contribuinte (de agora em diante denominada IMPELCO) e VESLE, ficando evidente que as duas empresas, por meio de seus sócios, concorrem para os mesmos objetivos até que uma suceda a outra. Já pelos documentos, planilhas e análises do ANEXO III (TRÊS) deste processo administrativo, além das evidências de que as duas empresas trabalharam em conjunto na realização de suas atividades sociais, fica também caracterizada a sucessão de IMPELCO por VESLE, em síntese, como segue: PLANILHA 01 (fls. 21 e 22 do ANEXO): demonstra as coincidências dos endereços constantes dos livros fiscais entregues à fiscalização em 25/04/2006 com os endereços constantes dos cadastros bancários, do CNPJ e do CNPJ de VESLE. PLANILHA 02 (fls. 23 e 24 do ANEXO): compila os endereços constantes dos cadastros bancários e cruzaos com livros fiscais, CNPJ de VESLE e CNPJ de IMPELCO. PLANILHA 03 (fls. 25 a 30 do ANEXO): identifica as coincidências de vários endereços de IMPELCO e VESLE com base nos dados informados pelas mesmas no CNPJ, cujas pesquisas estão ordenadas na seqüência da planilha em questão. PLANILHA 04 (fls. 153 a 155 do ANEXO): indica as coincidências de datas e endereços na utilização de endereços por IMPELCO e VESLE, segundo dados do CNPJ identificando ainda endereços vizinhos e intervalos em que uma supostamente mudouse de um determinado endereço e outra começou a atividade logo depois; também está demonstrado o envolvimento de mais 05 (cinco) empresas de compõem a cadeia de sucessão até culminar em VESLE. LISTAS TELEFÔNICAS (fls. 156 a 205): de Mato Grosso (2001 a 2006) e obtidas na internet (28/11/2006) confirmam as evidências de sucessão de IMPELCO por VESLE e de solidariedade tributária entre VESLE e IMPELCO; os fatos constam da ANÁLISE DOS DADOS OBTIDOS, item "5". ANÁLISE DOS DADOS (fls. 206 a 214): evidencia de forma inequívoca as estreitas ligações operacionais de IMPELCO e VESLE, abordando os dados compilados nas PLANILHAS e LISTAS TELEFÔNICAS. PROCESSO JUDICIAL (fls. 215 a 284): ao final do ANEXO em comento, consta peça que tramitou na 3ª Vara da Seção Judiciária do Acre, onde se vê que as investigações sobre sucessão e solidariedade entre IMPELCO e VESLE corroboram de forma sólida os fatos levantados pela fiscalização, sobretudo pela riqueza de provas, identificação de novos endereços utilizados pelas duas empresas, Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.056 24 identificação de que veículos registrados em nome de IMPELCO eram utilizados por estabelecimentos de VESLE, confirmação da logomarca GR ELETRO por ambas as empresas (já evidenciado no CNPJ, inclusive das cinco outras empresas citadas — PLANILHA 04). As recorrentes reproduzem estas constatações para afirmar que estes fatos além de não caracterizar a solidariedade do artigo 124, como quer o Auditor, não correspondem às provas exigidas pelo artigo 132 e 133 do Código Tributário nacional, para se ter sucessão empresarial. E, sob esta última vertente, reproduzem ementas de julgados contra a caracterização de sucessão sem a prova de uma relação jurídica entre o alienante e o adquirente, ou sem a acusação, anterior à penhora, da ocorrência de sucessão ou confusão entre as empresas. Citam, ainda, julgado proferido em face de embargos à execução opostos por Velse Móveis e Eletrodomésticos Ltda, no qual foi afastada a aplicação do art. 133 do CTN em razão das evidências de que IMPELCO permanecia ativa, embora constatado que a embargante possuía loja com o nome fantasia GR ELETRO. Concluem, assim, que não houve sucessão porque ambas empresas permanecem ativas, não há plena identidade entre os endereços das filiais e não há prova de aquisição do fundo de comércio. Arrematam reportandose aos efeitos danosos que a responsabilidade tributária acarretaria a suas atividades, e indicando ofensa a dispositivos constitucionais. Ocorre que as circunstâncias que ensejam a responsabilidade tributária foram apuradas pela autoridade lançadora no plano fático, e não jurídico, impossibilitando a afirmação de que teria ocorrido uma circunstâncias previstas nos arts. 132 e 133 do CTN. Assim, antes da sucessão, a autoridade lançadora claramente afirma que os elementos juntados ao Anexo III evidenciam que as duas empresas trabalharam em conjunto na realização de suas atividades sociais. E isto porque, junto a fornecedores foram coletadas informações acerca do intermediário das operações firmadas no estabelecimento da contribuinte ou de outra empresa, do local onde os objetos das operações haviam sido entregues e da atuação de sócios da contribuinte avalizando operações de terceiros, sobremaneira de VESLE, em razão das quais concluiuse que as duas empresas, por meio de seus sócios, concorrem para os mesmos objetivos, e trabalharam em conjunto na realização de suas atividades sociais, aspecto inclusive que desmerece a alegação de que as pessoas jurídicas teriam quadros societários distintos. Logo, a Fiscalização não se prendeu apenas à coincidência entre endereços nos quais as pessoas jurídicas exerciam suas atividades, e inclusive constatou que veículos registrados em nome de IMPELCO eram utilizados por estabelecimentos de VESLE e ambas compartilhavam a logomarca GR ELETRO. As recorrentes, por sua vez, não enfrentam estas acusações. Daí a conclusão da autoridade julgadora de 1a instância no sentido de que, apesar de inexistir documento que apresente de forma explícita a sucessão da autuada pela Vesle, o Anexo III a estes autos reúne evidências suficientes para ensejar a solidariedade prevista no art. 124, I do CTN. Em tais condições, o fato de ambas as empresas estarem em atividade no período autuado somente reforça a solidariedade constatada pela autoridade lançadora. Assim, apesar de a acusação fiscal se basear em indícios, eles são convergentes e coerentes no sentido de que IMPLECO e VESLE compartilharam das mesmas atividades, de ao mesmo parte de seus estabelecimentos e veículos, apresentandose aos fornecedores e aos clientes como uma única empresa, circunstâncias suficientes para afirmar a confusão patrimonial e, por conseqüência, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da presente exigência, hábil a justificar a imputação de responsabilidade solidária na forma do art. 124, I do CTN. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.057 25 Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange ao acréscimo da multa qualificada de 150%, bem como à imputação de responsabilidade solidária a Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.058 26 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Observo no relato fiscal que a contribuinte não apresentou DIPJ para o ano calendário 2001, tampouco confessou os valores devidos a título de CSLL em DCTF, ou efetuou pagamentos. Também não apresentou à Fiscalização os livros da escrituração comercial, mas somente o Livro Diário parcialmente escriturado. Inexistindo, portanto, qualquer conduta sujeita a homologação na forma do art. 150 do CTN, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, I CTN, de modo que o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, independentemente da caracterização do intuito de fraude que motivou a qualificação da penalidade. Na medida em que a contribuinte não optou pela apuração anual dos tributos incidentes sobre o lucro, o lançamento dos valores devidos do 1o ao 3o trimestres de 2001 já era possível no próprio anocalendário, de modo que a contagem do prazo decadencial tem início em 01/01/2002 e término em 31/12/2006. Já o lançamento da contribuição devida no 4o trimestre de 2001, encerrado em 31/12/2001, somente era possível no anocalendário 2002, de modo que o prazo decadencial tem início apenas em 01/01/2003 e término em 31/12/2007. Por tais razões, acompanho o I. Relator no sentido de declarar a decadência dos créditos tributários pertinentes ao 1o, 2o e 3o trimestres de 2001. Registro que, no mérito, acompanho o I. Relator em suas conclusões acerca da validade da prova constituída a partir de extratos bancários requeridos pela autoridade fiscal junto às instituições financeiras, e acrescento a abordagem, contida na decisão recorrida, acerca da acusação fiscal que, no caso, não se limitou a presumir omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, mas sim confrontouos com os documentos que, embora não contabilizados, foram apresentados à Fiscalização, concluindo que os valores computados na acusação correspondiam a receitas da atividade: Relativamente à omissão de receitas, fato motivador do lançamento de ofício, são transcritos abaixo trechos do Termo de Verificação Fiscal, que evidenciam a forma como procedeu o Auditor Fiscal: Em 28/02/2007 a fiscalização compareceu ao estabelecimento de IMPELCO para verificar a documentação disponibilizada, com vistas a comprovar as origens dos depósitos e demais créditos listados no Termo de Intimação de 13/11/2006. Naquela oportunidade, após a análise da documentação, foi emitido o Termo de Intimação de mesma data (fls. 291 a 297 e verso), indicando que: 1 – Não foi prestado nenhum esclarecimento sobre a questão, mas apenas apresentação de parte de livros fiscais e do livro Diário integral, sem demonstrações contábeis e sem plano de contas; 2 – A documentação disponibilizada, de grande volume, estava separada por fechamentos de caixa das lojas, evidenciando que os depósitos listados no supradito Termo de Intimação se referem a receitas da atividade da empresa, sem, contudo, haver um controle efetivo para conciliação com a escrituração comercial; 3 – Para confirmação dessa assertiva foram selecionados os maiores créditos em cada uma das contas bancárias para que os documentos fossem separados, a fim de que a fiscalização os analisasse; Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.059 27 4 – Com base nesses mesmos valores selecionados a fiscalização constatou que muitos deles não constavam do livro Diário apresentado. (...) Em 07/03/2007 os documentos disponibilizados em atendimento ao Termo de 28/02/2007 foram retidos por Termo próprio (fls. 303 e 304), onde se vê que: 1 – Parte dos depósitos e créditos encontrados no Diário têm consonância com os comprovantes; 2 – Parte dos depósitos e créditos não encontrados no Diário tiveram os comprovantes apresentados (indicando que nem todas as operações foram devidamente escrituradas); 3 – Parte dos depósitos e créditos identificados como transferências entre contas bancárias no Diário não tiveram os comprovantes apresentados; 4 – Parte dos depósitos e créditos não foram encontrados no Diário e não tiveram os comprovantes apresentados (indicando novamente que nem todas as operações foram devidamente escrituradas ou que não há controles que certifiquem os dados constantes da escrituração). Com base nessa amostragem, ficou evidente que os depósitos e créditos havidos nas contas bancárias de IMPELCO se referem a receitas de sua atividade, sobremaneira nos que são especificamente identificados como tal (liquidação de cobrança, venda com cartão de crédito, recebimento por fornecimento, FEDERALCARD, crédito eletrônico, crédito REDE SHOP e cartão VISA ELECTRON). Dessa forma, elaborouse o Termo de Constatação de 09/03/2007 (fls. 307 a 317) acerca das circunstâncias acima, bem assim das bases de cálculo de tributos e contribuições relativos ao anocalendário 2001, além de abrir prazo para manifestações pertinentes e indicação do regime de tributação (lucro real anual ou lucro real trimestral) no caso de apresentação de escrituração comercial completa dentro do prazo concedido. Logo após a análise dos documentos de caixa os mesmos foram devolvidos em 12/03/2007, de acordo com Termo próprio (fl. 318). Não houve manifestação acerca do Termo de Constatação de 09/03/2007. (...) As informações financeiras são a única fonte de informação para que a fiscalização determine a matéria tributável, integralmente, de vez que somente parte dos livros fiscais de 2001 foram apresentados, donde se extraiu uma receita operacional de R$ 32.574.570,52 (fl. 332), contra R$ 69.833.088,24 movimentados em 07 (sete) instituições financeiras, sem que IMPELCO tenha demonstrado a conexão dessas receitas com o total de recursos havidos em suas contas bancárias. Recursos estes no montante de R$ 63.996.592,45, como descrito no Termo de Intimação de 13/11/2006. (...) As provas do recebimento de receitas da atividade são os valores creditados em contas mantidas junto a instituições financeiras, cujas informações foram consolidadas e entregues à contribuinte em meio magnético e posteriormente em papel atendendo a pedido (fls. 319 a 322). Nesse ínterim, as informações foram confrontadas, por amostragem, com documentos apresentados mediante intimação, ficando constatado que se tratavam de receitas da atividade. De plano, verificase que a autuação não está baseada na presunção de omissão de receitas conforme o disposto no art. 42 da Lei n. 9.430/1996. O que ocorreu foi a comparação entre os depósitos bancários e os documentos de Caixa dos estabelecimentos da empresa autuada, inclusive havendo a identificação de depósitos como liquidação de cobrança, venda com cartão de crédito, recebimento Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.060 28 por fornecimento, FEDERALCARD, crédito eletrônico, crédito REDE SHOP e cartão VISA ELECTRON. Não há que se falar, pois, em presunção de omissão de receitas ou mesmo de lançamento baseado exclusivamente em depósitos bancários. Prejudicadas estão, portanto, as alegações nesse sentido, bem como as baseadas na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, ou mesmo aquelas em que a fundamentação é a de que meros depósitos bancários não se caracterizam como receita. Com relação especificamente a esse tópico, são as seguintes as argumentações expendidas pelas impugnantes: 10 Sobre o levantamento dos depósitos e créditos bancários o qual apurou o valor de R$ 63.996.592,45, o Auditor Fiscal intimou a Impugnante para que comprovasse a efetiva Origem de Disponibilidades dos depósitos, como na época a contribuinte não pode prestar esclarecimentos, pela falta de documentos o está fazendo neste ato a devida comprovação, conforme demonstrado a seguir no item 24; (...) 23 Restando o Auto de Infração sobre as informações financeiras totalmente equivocadas; o Senhor Auditor Fiscal quando diz que lavrou o presente Auto de Infração sobre a movimentação financeira apresentada em 07 (sete) instituições financeiras, no valor de R$ 69.833.088,24, contra uma receita operacional de R$ 32.574.570,52; seguindo a mesma linha de raciocínio, do Senhor Auditor, o valor correspondente a base de cálculo, para o presente Auto de Infração seria de R$ 37.258.517,72, no entanto devemos nos ater ao valor consignado no Demonstrativo de Apuração de Débito, em apenso (Doc. Fl. 63), o qual foi notificado sobre o valor base de R$ 63.707.243,49 cabendo ser analisado o que segue: A – No valor correspondente as operações financeiras, não foram deduzidas: os valores correspondentes aos cheques devolvidos; empréstimos bancários, ou até mesmo estornos de créditos; não concordando a Impugnante com o valor apurado com a soma dos depósitos Bancários; B A Impugnante discorda dos valores apurados pelo Senhor Auditor e apresentados como contrapartida dos Depósitos Bancários, pois o mesmo simplesmente apurou somente, o valor correspondente à Receita efetivada no ano base, esquecendose de acrescentar os valores correspondentes as Duplicatas a Receber existentes em 31.12.2000, bem como os valores consignados no mesmo balanço tais como saldo positivo das contas Bancárias e o Saldo representado em Caixa; C Pelo que consta, no relato do Senhor Auditor Fiscal, o mesmo não é digno de fé, pois o mesmo está completamente equivocado, pois analisese: (+) A movimentação bancária apurou um resultado de R$ 69.833.088,24 () Receita Operacional ano base 2001 R$ 32.574.570,52 (=) Valor Total a Notificar R$ 37.258.517,72 a) Fica pela presente devidamente suprida a comprovação da EFETIVA ORIGEM dos DEPÓSITOS a COMPROVAR de acordo com o que preceitua as normas Legais pertinentes à Comprovação de Origem e Disponibilidades: (+) Receita Operacional ano base 2001 R$ 32.574.570,52 (+) Saldo Duplicatas a Receber em 31.12.2000 R$ 50.099.923,73 () Saldo Negativo de Bancos em 31.12.2000 R$ 579.337,66 (=) TOTAL DISPONIBILIDADES R$ 82.095.156,59 () DEPÓSITOS A COMPROVAR Lev. Fiscal R$ 69.833.088,24 (=) SOBRAS DE DISPONIBILIDADES R$ 12.262.068,35 O Demonstrativo supra corresponde as provas documentais: Balancetes e Balanço de contabilidade (Docs. Fls. 74 a 84 em apenso). Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.061 29 24 Segundo o Auditor fiscal menciona em seu Auto de Infração, quanto à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal correspondente a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), alegando o contador não haver informado nas DCTFs, ano base de 2001, e que as DCTFs, também não haviam sido entregues; Para comprovar que as mesmas foram entregues estamos apensando cópia em anexo (Doc. Fls. 27 a 73), e para esclarecer que não foram informados valores a Recolher para esta Contribuição tendo em vista o Balanço ser apurado pelo Lucro Real e por Suspensão, apresentado para este exercício, Prejuízo Fiscal, conforme provas documentais em apenso (Doc. Fls. 74 a 82), não havendo, portanto, o que se falar em recolhimento de CSLL. Pelo que se pode verificar de toda essa argumentação, as impugnantes não contestam, em nenhum momento, que o total dos depósitos bancários não se referem às receitas da atividade, pelo contrário, corroboram essa afirmação do Auditor Fiscal. Quanto a no valor dos depósitos considerados pelo Fisco estarem incluídos os correspondentes a cheques devolvidos; empréstimos bancários e estornos de créditos, como pode ser visto no Termo de Intimação de f. 221, isso não procede. Transcrevese excerto desse termo que comprova a improcedência desse argumento: 4 – DOS VALORES A COMPROVAR foram excluídos todos os valores a créditos que não representam efetivas entradas de recursos nas contas verificadas, especialmente os relativos a: 4.1 – Transferências, DOC e depósitos entre contas, desde que com correspondência de débito e crédito entre duas contas; 4.2 – Empréstimos; 4.3 – Estornos e acertos; 4.4 – Devoluções de cheques depositados; 4.5 – Cheques emitidos e devolvidos; 4.6 – Crédito de CPMF; 4.7 – Redução de Saldo Devedor. Por fim, quanto à apuração de “Sobras de Disponibilidades” levando em conta Duplicatas a Receber e Saldo Negativo de Bancos, com base em provas documentais, Balancetes e Balanço de contabilidade, bem como ainda que não houve pagamentos em face de apuração de prejuízo, no caso, base de cálculo negativa da CSLL, vêse que as impugnantes, em especial a autuada, pretende que seja efetuada a apuração do lucro segundo a sistemática “Lucro Real”. Entretanto, diferentemente do que alegam as impugnantes, a legislação prescreve que, não havendo a possibilidade da apuração do “Lucro Real”, o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado. E, conforme pode ser visto nos documentos constantes nos autos (intimações e respostas, em especial a Solicitação de Autorização para Arbitramento do Lucro de f. 326 e 327), a contribuinte enquadrase em vários dos motivos elencados no referido art. 530: incisos I, II, III e VI. Não merece reparo, nesse ponto, o procedimento efetuado pelo auditorfiscal. A defesa apresentada em recurso voluntário guarda os mesmos contornos daquela veiculada em impugnação. E em ambas constatase a pretensão da contribuinte de enaltecer sua precária escrituração comercial, confrontando grandezas globais para tentar atribuir outra natureza aos valores identificados pela Fiscalização como decorrentes de receita Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003252/200728 Acórdão n.º 1101001.145 S1C1T1 Fl. 1.062 30 da atividade. Parte do pressuposto de que suas receitas são apenas aquelas escrituradas e assim se omite sobre os depósitos bancários que a autoridade fiscal, depois de confrontar com seus fechamentos de caixa, constatou não estar escriturados. Eventualmente a Fiscalização pode ter interpretado equivocadamente os documentos que lhe foram apresentados. Mas o fato é que a desídia da contribuinte no cumprimento de suas obrigações acessórias impôs a conclusão fiscal de que as informações financeiras são a única fonte de informação para que a fiscalização determine a matéria tributável, integralmente, de vez que somente parte dos livros fiscais de 2001 foram apresentados, donde se extraiu uma receita operacional de R$ 32.574.570,52 (fl. 332), contra R$ 69.833.088,24 movimentados em 07 (sete) instituições financeiras, sem que IMPELCO tenha demonstrado a conexão dessas receitas com o total de recursos havidos em suas contas bancárias. Frente a tal contexto, a desconstituição das receitas imputadas pela Fiscalização à contribuinte, suportada no confronto de seus extratos bancários com seus documentos de fechamento de caixa, exigiria a apresentação de uma prova documental robusta, consistente na reconstituição da escrituração comercial, para que esta passasse a abranger toda a movimentação financeira do período fiscalizado, e permitisse estabelecer a correspondência dos depósitos bancários com outras origens que não as receitas do período fiscalizado. A mera confrontação de saldos de contas contábeis extraídos de uma escrituração precária, como demonstrado pela Fiscalização, em nada favorece a contribuinte fiscalizada, mormente tendo em conta que a maior parte das origens apontadas decorreriam de saldo de duplicatas a receber ao final do anocalendário 2000, e a exigência remanescente nestes autos, em razão da declaração da decadência, corresponde apenas ao 4o trimestre de 2001. Idêntica irrelevância se mostra, também, na alegação de que as DCTF teriam sido apresentadas, mas sem informação de débitos de CSLL em razão da apuração de prejuízos nos períodos fiscalizados, com base naquela mesma escrituração precária. Por estas razões também acompanho o I. Relator quanto à validade do arbitramento dos lucros, apenas observando que embora a Súmula CARF nº 59 não autorize a reversão do arbitramento dos lucros em razão da apresentação dos livros e documentos sonegados à fiscalização, a escrituração comercial reconstituída depois do lançamento, acompanhada de sua documentação de suporte, poderia ser admitida, mas apenas como prova de que os depósitos bancários vinculados pela autoridade lançadora a receitas da atividade teriam outra origem, não sujeita a tributação no período autuado, reduzindo, assim, a base de cálculo sobre a qual foi aplicado o coeficiente de arbitramento dos lucros. É como voto, relativamente a estes pontos do litígio. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10920.909601/2012-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 96 01 /2 01 2- 01 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909601/201201 Acórdão n.º 3801002.752 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909601/201201 Acórdão n.º 3801002.752 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909601/201201 Acórdão n.º 3801002.752 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909601/201201 Acórdão n.º 3801002.752 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909601/201201 Acórdão n.º 3801002.752 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909601/201201 Acórdão n.º 3801002.752 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909601/201201 Acórdão n.º 3801002.752 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10660.725061/2010-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado.
Numero da decisão: 2102-003.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 Ementa: IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1894; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 284 1 283 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.725061/201043 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.098 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de setembro de 2014 Matéria IRPF, Acréscimo Patrimonial a Descoberto Recorrente ROBERTO SARTORI Recorrida UNIÃO FEDERAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 Ementa: IRPF. OMISSÃO. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. Meras alegações, desacompanhadas da documentação que as suportem, não podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 50 61 /2 01 0- 43 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/12, apurandose o valor total do crédito tributário no importe de R$459.712,11 (quatrocentos e cinquenta e nove mil, setecentos e doze reais e onze centavos), já acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, tendo em vista a instauração de Procedimento Fiscal com o objetivo de apurar a ocorrência de eventuais acréscimos patrimoniais, por ter sido observado elevada variação patrimonial do Contribuinte neste período. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constantes no respectivo Auto de Infração, constatase que a autuação é decorrente dos seguintes fatos: “Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme Termo de Verificação Fiscal”. A ação fiscal encontrase minudenciada no mencionado Termo de Verificação, às fls. 9/12, e quadros de fls. 13/15. Deuse, ainda, a Representação Fiscal para Fins Penais, abrigada no processo nº 10660.725717/201028. Cientificado do lançamento fiscal e inconformado, o Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 168/196, por meio da qual, resumidamente, expõe que: a Impugnação é parcial e referese exclusivamente à fração correspondente aos recursos em moeda corrente declarados tempestivamente em sua DIRPF/2006, no valor de R$230.000,00 (existente em 31/12/2005), desconsiderado pela Fiscalização; quanto à parte da exigência fiscal admitida, o Contribuinte requereu o parcelamento do débito correspondente; com a inserção do mencionado valor entre os recursos, o valor tributável atinente a janeiro/2006 assume a monta de R$ 89.469,04, em vez da apurada pela Fiscalização (R$ 319.469,04); o Contribuinte possuía disponibilidade financeira no início de 2006 e sobre ela não se admite contestação, porquanto o IRPF é tributo sujeito à homologação e, em assim sendo, somente se provada alguma irregularidade acerca da DIRPF/2006 — o que não houve — é que se poderia desconsiderar a disponibilidade consignada tempestivamente; esta é a tônica da jurisprudência dominante, tanto no antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, quanto do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda — CARF; nesse propósito, o interessado colacionou os exemplos de fls. 178/184; Fl. 285DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10660.725061/201043 Acórdão n.º 2102003.098 S2C1T2 Fl. 285 3 dispôs o sujeito passivo sobre a impropriedade do agravamento da multa e de seu efeito confiscatório; no caso da multa, alegou que somente poderia ser aplicada no patamar de 150% se restasse evidenciado o intuito de fraude, dolo ou simulação; mas, segundo entende, nada disso ocorreu, porquanto houve o levantamento de acréscimo patrimonial a descoberto, utilizandose da apuração de base de cálculo mensal, ao contrário da anual, sendo que inexiste legislação que determine a escrituração mensal ou apuração nessas mesmas circunstâncias para as pessoas físicas; o Contribuinte expressou que o CARF tem admitido a hipótese de apuração mensal nos lançamentos, e apenas por esta razão, evidenciouse a ocorrência de evolução patrimonial a descoberto, mas a Fiscalização não apurou nenhuma atitude do Contribuinte que pudesse ser caracterizada como dolo, máfé ou simulação; em face disso expôs o interessado, as fls. 185/187, ementas do Conselho do Contribuintes, e, em continuidade, às fls. 187/191, arrazoado sobre a inaplicabilidade da multa agravada; por fim, o Contribuinte pleiteia pela improcedência do respectivo lançamento fiscal, relativamente ao Imposto de Renda – Pessoa Física e acréscimos legais (multa e juros) correspondentes à incidência sobre a base de cálculo de R$230.000,00 considerada em relação à data de 31.01.2006, uma vez que a referida importância teria sido lançada como disponibilidade financeira em moeda corrente na DIRPF do Exercício de 2006, anocalendário 2005, tempestivamente entregue à repartição fiscal. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 4ª Turma da DRJ/JFA decidiram, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação naquilo em que combateu o lançamento, para exigir do interessado o recolhimento do imposto equivalente a R$63.250,00 (sessenta e três mil e duzentos e cinquenta reais), acrescido dos juros de mora a serem atualizados na data do efetivo pagamento e da multa proporcional de 75% (passível de redução), em substituição à de 150%, de acordo com o exposto no voto condutor do julgado. Daquele julgado é possível extrair a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. O mero registro de saldo dinheiro em espécie na declaração de bens e direitos, sem a devida comprovação, não se presta para justificar acréscimo patrimonial observado. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2007 PENALIDADES. MULTA MAJORADA. REGISTRO DE DINHEIRO EM ESPÉCIE NA DIRPF. A declaração de saldo de numerário ao término do ano calendário antecedente, sem que se denote vínculo direto desse com o acréscimo patrimonial não justificado apurado, não se constitui em hipótese para a aplicação da multa de 150% sobre a parcela do imposto em discussão. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Destacase a ausência de contraditório em relação à parte do lançamento, consistente no acréscimo patrimonial não justificado apurado nos meses de janeiro (parcial), fevereiro e março/2006, razão pela qual o respectivo crédito tributário fora transferido para outro processo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A parcela do crédito tributário não contraditada foi transferida deste para o processo nº 10660.720193/201160, conforme termo de fl. 163. O Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 241/263, pelo qual o Contribuinte se limitou a reiterar integralmente e exaustivamente as mesmas alegações contidas em sua Impugnação. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo (cf. certidão de fls. 283) e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento relativo à omissão de IRPF decorrente da apuração de variação patrimonial a descoberto, apurada nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006. O Recorrente impugnou apenas parcialmente o lançamento, não tendo se conformado com o fato de a Fiscalização não ter aceito os R$ 230.000,00 que o mesmo mantinha em espécie como origem para seus dispêndios no mês de janeiro. A decisão recorrida deu parcial provimento à sua Impugnação, tendo determinado a desqualificação da multa de ofício. Assim, a única questão trazida a julgamento em sede deste Recurso Voluntário diz respeito à possibilidade de aproveitamento do referido valor (R$ 230.000,00) como origem para os dispêndios efetuados no mês de janeiro de 2006. O que motivou a fiscalização a desconsiderar este valor na apuração da variação patrimonial a descoberto foi: Considerando que o contribuinte informou em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda — DIRPF, exercício 2007, ter um valor de R$230.000,00, a titulo de RESERVAS E DISPONIBILIDADE, em 31/12/2005, intimeio a comprovar sua origem, mediante documentação hábil e idônea e a justificar sua Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10660.725061/201043 Acórdão n.º 2102003.098 S2C1T2 Fl. 286 5 permanência em caixa sem remuneração, caso desejasse que fossem considerados como lastro para eventuais acréscimos patrimoniais em meses subseqüentes (doc. fls. 124 e 119 e 120). Ao responder, o contribuinte alegou que o valor se referia a saldo resultante apurado em declarações anteriores, não comprovando a efetividade da posse destes recursos no último dia do ano calendário de 2005 (doc. fl. 121). A respeito do assunto, várias decisões das Delegacias de Julgamento e do Conselho de Contribuintes têm afirmado que o valor do acréscimo patrimonial deve ser justificado pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Valores declarados como disponibilidade financeira em espécie só podem ser aceitos para acobertar acréscimos patrimoniais quando for apresentada prova inconteste de sua existência no último dia do ano em que se alega sua posse. Já a decisão recorrida manteve este entendimento, utilizandose ainda dos seguintes argumentos: Afastada a assertiva da "homologação" alusiva ao dinheiro em espécie que o interessado consignou como disponível ao término do anocalendário 2005, é de se expor o comando presente no art. 806 do RIR11999: "Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importareim, em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei n. 4.069, de 1962, art. 51, § 1°)." O mero registro na DIRPF de disponibilidade de numerário em mão, sobretudo considerada a magnitude do valor — R$ 230.000,00 —, carece de prova inconteste de sua existência, a qual não fora apresentada pelo contribuinte. Não se pode negar dificuladade material, nos moldes arguidos pelo interessado, para a comprovação do numerário em foco; contudo, a legislação não comporta qualquer exceção no tocante à demonstração da origem dos bens e direitos, quando requerida pela autoridade fiscal. No caso em concreto, sequer o interessado apresentou algum indicio ou evidencia que permitisse tal inferência, como por exemplo: um saque realizado; uma venda de imóvel; ou outra operação que indicasse a percepção do valor em espécie em momento próximo a 31/12/2005. Corrobora a compreensão da inexistência desse valor em espécie a sua pretensa destinação para parte de adiantamentos para o aumento de capital da pessoa jurídica Auto Veículos Jacutinga Ltda, discriminado à fl. 106, no que concerne ao período em discussão (janeiro/2006): 03/01/2006 — R$ 25.063,00; 16/01/2006 — R$ 23.720,00; 16/01/2006— R$ 42.550,00; 27/01/2006 — R$ 30.925,66; 27/01/2006 — R$ Fl. 288DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 33.697,00; 27/01/2006 — R$ 34.348,00; 30/01/2006 — R$ 27.055,65; 30/01/2006 — R$ 26.967,42; e 31/01/2006 $ 15.000,00. Por certo, não se denota qualquer expectativa de verossimilhança e de probabilidade o fato de uma pessoa fisica, detentora de dinheiro em espécie, na monta de R$ 230.000,00, em 31/12/2005, realizar tais adiantamentos na forma anunciada. Não obstante a incredibilidade da situação sustentada pelo impugnante, a menção à existência de Acórdãos do Conselho de Contribuintes ou, atualmente, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quanto A. validade de informações presentes em tempestiva declaração de bens e direitos, também não lhe presta amparo, porquanto somente quando é atribuida eficácia normativa a tais decisões, essas podem se caracterizar como legislação tributária, nos termos do art. 96 c/c o art. 100 do CTN. (...) Como se vê, tanto a autoridade fiscal lançadora quanto a decisão recorrida trouxeram bons e fundamentados argumentos para refutar a pretensão do Recorrente de utilizar os R$ 230.000,00 alegadamente mantidos em espécie como origem para os dispêndios efetuados no mês de janeiro de 2006. Contraditando tais argumentos, o Recorrente se limita a afirmar que não há vedação a que assim seja feito por ele, e a reiterar a tese da homologação das informações constantes de sua DIRPF 2005 – questionamentos que já foram afastados através da decisão recorrida. Em face destes argumentos utilizados para rejeitar sua pretensão, o Recorrente nada trouxe de novo. De fato, não há qualquer vedação a que se realizem operações com moeda em espécie (como alega o Recorrente ter feito). No entanto, quando se analisa variação patrimonial a descoberto é imprescindível – como bem salientado na decisão recorrida – que restem demonstrados efetivamente o dispêndio e a origem para acobertálo. Vale dizer que, além de comprovar que houve uma “sobra” de recursos no ano anterior, é necessário comprovar que esta sobra foi mantida em espécie e que foi utilizada para dar suporte ao dispêndio considerado na apuração da variação patrimonial. Sem uma prova irrefutável de sua existência, não pode o mesmo ser acolhido, por todas as razões expostas na decisão recorrida. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 289DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10660.725061/201043 Acórdão n.º 2102003.098 S2C1T2 Fl. 287 7 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 09/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679921/2009-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/02/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE.
A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
Numero da decisão: 3803-006.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 08/02/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
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NÃO HOMOLOGADA DCTF RETIFICADORA. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO. EFEITO. INEXISTENTE. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS. CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 21 /2 00 9- 31 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de Cofins Importação, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/ indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, PISImportação e CofinsExportação, em valores que teria utilizado para quitar débitos de Cofins, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PeR/DComp; b) juntamente com o Despacho Decisório eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete, todos decidindo pela não homologação de compensações declaradas pela Contribuinte; c) deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE PISImportação e CofinsExportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; d) mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; f) o Despacho Decisório carece de fundamentação, em violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando, ainda, que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida na dita decisão, entendendo ser nulo o ato ora impugnado; g) o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, pelo que reclamou que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" ; h) qualquer agente fiscal que " ... analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada"; i) declarara em DCTF débito que fora pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inexigível a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; j) à luz dos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material não admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alegou, além de acórdão do Conselho de Contribuintes; Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679921/200931 Acórdão n.º 3803006.308 S3TE03 Fl. 151 3 k) foi exíguo o prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informou que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito; Por fim. requereu a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PeR/DComp, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento à manifestação de inconformidade, fls. 72/76, informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande argumentou que: a) ao contrário do que alegara a Manifestante, o despacho decisório neste processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções, sem preterimento do direito de defesa, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72; b) deveria ser óbvio para a Contribuinte que se ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito, em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior. Estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório, a Contribuinte pôde se defender amplamente, como o fez; c) quanto aos erros cometidos no preenchimento da DCTF e que uma vez sanados haveria o crédito que utilizou nas DComps, observou que a Contribuinte limitouse a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova; d) a retificação da DCTF para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida como argumento de defesa; e) a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, feita com base nas informações constantes dos Sistemas da Receita Federal prestadas pelos próprios contribuintes através das declarações fiscais. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 08/02/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF A1 PÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 despacho deciSório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 24 de janeiro de 2011, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 23 de fevereiro de 2011, em que reiterou todos os termos da manifestação de inconformidade, destacandose as alegações: a) de carência de fundamentação do despacho decisório; b) da violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade; e c) de ter executado um escorreito procedimento de compensação. Ao fim, requer que seja declarado nulo o Despacho Decisório ante a patente carência de fundamentação, caso assim não se entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a sua escrita fiscal, confirmandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente reconhece que o valor dos pagamentos do débito em DARF estava de acordo com o débito declarado em DCTF. Na sequência, sustenta que o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil, antes da transmissão das compensações, não pode lhe subtrair o direito ao crédito. Correta está a Recorrente em sua afirmação. Ocorre que a Administração Tributária somente veio a ter ciência de erro no preenchimento das DCTFs na manifestação de inconformidade. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.679921/200931 Acórdão n.º 3803006.308 S3TE03 Fl. 152 5 Declaração de Compensação (DComp), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. O Despacho Decisório emitido em resultado do procedimento eletrônico fez então registrar: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.012,94 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não há previsão legal para a existência de contraditório no itinerário entre a transmissão da DComp, pelo contribuinte, e a análise do crédito e subsequente decisão administrativa, pois os procedimentos dãose em torno de dados do sistemas, alimentados pelo próprio contribuinte. O contraditório e o exercício da ampla defesa, segundo previsto no Decreto nº 70.235/72, ocorrem a partir do processo, que somente surge com a Manifestação de Inconformidade. O texto do Despacho Decisório possui clareza suficiente na descrição do fato verificado, de sorte que permite a sua compreensão por qualquer técnico de inteligência mediana que opera com DCTF, DARF, PERD/COMP, sendo elementar que sobre tal fato esta Contribuinte haveria de construir a sua ampla defesa. Reiterese que a declaração antes prestada pela Contribuinte, no exercício do seu ofício legal de apurar e antecipar o pagamento de tributos, no regime de lançamento por homologação procedimento que supre de dados os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) , é o que a impediu de lograr êxito no seu procedimento de compensar débitos utilizando parcela de pagamento em DARF já alocado integralmente a outro débito, por si declarado. A declaração de compensação que o contribuinte transmite configura o uso de um direito potestativo, que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, apura a existência de crédito perante a RFB. Pela natureza jurídica deste direito é que a compensação extingue o crédito tributário, independentemente de apreciação prévia do órgão fazendário, nada obstante sob a condição resolutiva de ulterior verificação da legitimidade do procedimento, no prazo de cinco anos. Uma demonstração da veracidade deste efeito é a possibilidade de o contribuinte extrair certidão negativa de débito momentos após a transmissão da DComp. Dada esta feição das relações FiscoContribuinte, neste particular, é que ao transmitir a compensação o contribuinte extingue o seu débito, mas o faz por conta e risco seu. Noutra vertente, outro efeito a compensar o ganho do contribuinte na agilidade da extinção do seu débito é que ao malograr no seu intento por se verificar inexistência de crédito é ele que tem que provar que possui o crédito com que quitara o seu débito. Não é a Fazenda que tem que ir lá esquadrinhar a sua contabilidade para buscar a verdade material do seu crédito. Não. Não nesta hipótese. Em auto de infração, por meio do qual a Fazenda acusa, sim. Neste caso, o dever de ir em busca da verdade dos fatos é da Fazenda. E assim dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 16, verbis: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Pelo que foi dito acima, não é nulo o despacho decisório e a Contribuinte não foi obstada no seu direito ao contraditório e à ampla defesa. A decisão de primeira instância, à míngua de provas que deveriam ter sido carreadas junto com a manifestação de inconformidade, consideroua improcedente e indeferiu a solicitação. E foi específica e pontual ao dizer que “Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa”. Entre ser verdadeira a afirmação da Contribuinte, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações , não lhe pode subtrair o direito ao crédito, e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário contaria com a possibilidade de seu acolhimento em segunda instância. Ressaltese que, um ano e meio entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não lhe bastaram para conseguir coligir tais provas. Por fim, em nada repercute apenas proceder à retificação a destempo da DCTF, ausente dos documentos e demonstrações que a supriram de novos dados. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10930.720299/2011-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ADESÃO A PARCELAMENTO ESPECIAL.
O contribuinte ao aderir à parcelamento especial reaberto na Lei 11.941/2009 renuncia ao contencioso administrativo, ocasionando a perda de objeto do Recurso Voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em função da adesão do contribuinte a Parcelamento Especial reaberto na Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O contribuinte ao aderir à parcelamento especial reaberto na Lei 11.941/2009 renuncia ao contencioso administrativo, ocasionando a perda de objeto do Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em função da adesão do contribuinte a Parcelamento Especial reaberto na Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 02 99 /2 01 1- 36 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 06.33930 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.301.5313 (parte patronal) e também o AIOP nº 37.301.5321 (Terceiros). Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: O presente foi instruído após a lavratura dos Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP (DEBCAD acima citados) em que se exige da contribuinte acima identificada os créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias da empresa, parte patronal, incidentes sobre remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos (terceiros): 1. Referente à parte patronal, foi constituído o valor total de R$ 424.095,30, sendo R$ 181.242,63 de Contribuições Previdenciárias devidas pela empresa, R$ 47.964,95 de juros de mora e R$ 194.887,72 de multa de ofício, conforme discriminado no demonstrativo Discriminativo do Débito DD, às fls. 135/167, relativo ao período de 01/2006 a 12/2009. 2. Referente às entidades e fundos denominados “terceiros”, foi constituído o valor total de R$ 48.876,74, sendo R$ 7.923,75 de Contribuições Previdenciárias devidas pela empresa, R$ 2.918,88 de juros de mora e R$ 27.574,73 de multa de ofício, conforme discriminado no demonstrativo Discriminativo do Débito DD, às fls. 181/190, relativo ao período de 01/2006 a 12/2009. Os créditos tributários foram constituídos em virtude da exclusão da ora impugnante da sistemática do Simples Federal, bem como do Simples Nacional, por meio dos Atos Declaratórios Executivos (ADE) nº 14 e 15, de 18/03/2011, de emissão do Delegado da Receita Federal em MaringáPR, com efeitos a partir de 09/03/2000 e 01/07/2007, respectivamente. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 109 a 131: 1. A empresa estava inscrita no Simples Federal desde 09/03/2000, e a partir de 01/07/2007, no Simples Nacional; 2. No entanto, ficou demonstrado que a impugnante era constituída por interpostas pessoas, ocultando o sócio de fato, conforme amplamente demonstrado na Representação Fiscal que embasou a decisão de exclusão do Simples/Simples Nacional; 3. Tal situação é impeditiva para a opção por este sistema diferenciado de tributação, constituindo afronta ao disposto no inciso IV do Fl. 352DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Acórdão n.º 2403002.642 S2C4T3 Fl. 352 3 artigo 14 da Lei nº 9.317, de 1996 e, Lei Complementar nº 123, de 2006, artigo 16 e artigo 29, incisos IV; 4. A empresa, indevidamente inscrita no Simples/Simples Nacional, não efetuava os recolhimentos previdenciários da parte patronal e de outras entidades e fundos (terceiros) e, como conseqüência, foi lavrado o respectivo auto de infração para os lançamentos dos tributos devidos; 5. quanto ao recolhimento de contribuições previdenciárias descontadas dos segurados sob responsabilidade do sujeito passivo, estas foram declaradas em GFIP com o código de empresa pertencente ao Simples e Simples Nacional, ensejando a incidência de multa por descumprimento de obrigação acessória; 6. comparandose as multas incidentes às competências 01/2006 a 11/2008, onde foram entregues as GFIP com omissão de fatos geradores, aplicouse a mais benéfica ao contribuinte, que é, no caso, de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96 (Anexo IV planilha comparativa); 7. Havendo elementos de prova suficientes do intuito sonegador e da evidente intenção de fraude, conforme representação fiscal que é parte integrante dos autos de infração, nas competências com créditos tributários a partir de 12/2008, a multa de 75% foi duplicada, totalizando 150%, conforme determinações contidas no Inciso I e § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96; 8. em virtude das ocorrências verificadas durante o procedimento fiscal, restou caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos dos art. 124, 134 e 135 do CTN, resultando na lavratura de Termos de Sujeição passiva Solidária em nome de João Roberto Viotto e Ângela Fernandes Viotto. O Relatório Fiscal, informa que o sujeito passivo foi excluído do SIMPLES FEDERAL bem como do SIMPLES NACIONAL pelos Atos Declaratórios Executivo nº 14 e 15, de 18/03/2011, com efeitos a partir de 09/03/2000 e 01/07/2007, respectivamente. Em relação ao cálculo da multa, informa o Relatório Fiscal, que foi realizado o comparativo de multas, conforme as alterações advindas da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, com a incidência da mais benéfica ao contribuinte: O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 01/2006 a 12/2009. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 24.03.2011,, via Aviso de Recebimento, conforme o relatório da decisão de primeira instância. A Recorrente apresentou Impugnação, com as seguintes alegações, principalmente a de que o processo administrativo nº 10930.720.282/201189, de exclusão do SIMPLES encontrase em fase de Recurso no âmbito do CARF: Em 24/03/2011, o contribuinte foi cientificado do lançamento por via postal vindo a impugnálo em 05/04/2011, alegando, em síntese, que a empresa foi excluída do regime diferenciado de tributação – Simples/Simples Nacional – e, por conseqüência, mediante lançamento de ofício foi exigida a diferença de Contribuições Previdenciárias e demais reflexas. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Informa que não há possibilidade de se constituir o crédito tributário enquanto não julgado o processo de exclusão do regime diferenciado de tributação, pois, caso a impugnante saia vencedora da situação em litígio, cairá por terra o lançamento de ofício e seus argumentos; Alega, ainda, a interessada, a nulidade da exclusão por ausência de provas quanto às situações jurídicas descritas e, por inaplicabilidade dos dispositivos legais mencionados, sendo que a autoridade fiscal intentou uma sanha desenfreada contra as empresas onde João Roberto Viotto e Ângela Fernandes Viotto são procuradores mandatários. Sustenta que ao fisco cabe provar a ocorrência dos fatos que afirma e que a outorga de procurações para que gerissem as diversas empresas do grupo não traduzem, nem induzem a interposição de pessoas. Argumenta que a conclusão da autoridade fiscal é desarrazoada e paradoxal já que inexiste impedimento à outorga do mandato, não havendo que se alegar acerca de interposição de pessoas; que não se pode esquecer que a interposição de pessoas somente se descortina quanto à finalidade, cujos efeitos recaem na supressão do pagamento de impostos, fato não caracterizado no presente caso. Afirma que no caso em análise não restou caracterizada a omissão de receitas e que o fato de outros gerirem a empresa não caracteriza a participação societária indireta ou oculta, pois os atos praticados representam mera gestão de negócios, o que encontra respaldo no artigo 653 do Código Civil Brasileiro de 2002. Fala na transferência da responsabilização solidária (art.135,II do CTN) e sustenta ter o fisco pecado ao transferir a responsabilidade aos procuradores a fim de excluir a pessoa jurídica do Simples, posto que não restou configurada eventual omissão de receitas e que, os fatos relatados constituem situações factuais não passíveis de sujeição tributária; que os desígnios traçados pelo legislador foi responsabilizar fatos jurídicos e não meramente econômicos; o que os procuradores fizeram foi dar fiel cumprimento ao mandato que lhes foi outorgado; que é inconcebível imputar a responsabilidade subsidiária a terceiro para alcançar o intento expropriatório. Transcreve vasta manifestação jurisprudencial e doutrinária sobre prova na responsabilidade de terceiros com base no artigo 135 do Código Tributário Nacional. Na seqüência, procede à análise da responsabilidade tributária espelhada no artigo 124 do mesmo diploma legal, também acompanhada de jurisprudência e doutrina e, conclui que a exclusão da requerente ao Simples desprezou as balizas traçadas para desferir a titularidade plurisubjetiva de contribuintes, onde a eleição coparticipativa é natimorta na sua essência, uma vez que não houve o cometimento do dolo, fraude ou simulação na constituição empresarial, inexistindo qualquer interposição de pessoas (sócios ocultos), mas tão somente outorga representativa de mandado, conforme as leis civis, não havendo espaço jurídico para a aplicação do artigo 124, I do Código Tributário Nacional, tampouco os artigos 14, inciso IV da Lei nº 9.317, de 1996 e, artigo 29, inciso IV da Lei Complementar nº 123, de 2006. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Acórdão n.º 2403002.642 S2C4T3 Fl. 353 5 Impugna a qualificação da multa, haja vista não terem sido detectadas ou vislumbradas quaisquer omissões de receitas tributáveis, especialmente, as situações descritas no art. 957 do RIR/99. Justifica a afirmação dizendo que o lançamento versou apenas sobre as diferenças de valores das contribuições previdenciárias relativas à exclusão da impugnante do regime do Simples, e isto, por si só, não autoriza a qualificação da multa. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 06.33930 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 AIOP 37.301.5313 Patronal AIOP 37.301.5321 Terceiros EXCLUSÃO DO SIMPLES E CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO CONCOMITANTE. NULIDADE Efeito imediato da exclusão da empresa do SIMPLES é sua tributação pelas regras aplicáveis às empresas em geral, de maneira que ao Fisco, tendo conhecimento da exclusão e da existência de créditos tributários não constituídos, resta obrigatória a sua constituição pelo lançamento. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Os elementos de prova que constam nos autos da intenção de ocultar a real situação do sujeito passivo perante o Fisco a fim de se beneficiar de regime de tributação diferenciado são suficientes para demonstrar fato que evidencia sonegação e implica qualificação da multa de ofício. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS. A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 355DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação, em síntese: (i) Nulidade do lançamento prejudicialidade externa exclusão do Simples Nacional suspensão dos efeitos (ii) Ausência de sujeição passiva solidária inaplicabilidade do art. 124, I, CTN (iii) Inaplicabilidade de multa qualificada ausência de omissão de receitas diferença simples Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. Em Sessão de Julgamento realizada em 24.01.2013, esta Colenda Turma de Julgamento resolveu baixar o processo em diligência nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe o resultado final do julgamento do processo administrativo nº 10930.720.282/201189, de exclusão do SIMPLES, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como, também informe se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. A Diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, às fls. 341, é encaminhada ao CARF nestes termos: Em atendimento à solicitação do CARF (fls. 292/300), anexamos o acórdão da DRJ e o recurso voluntário apresentado, constantes do processo nº 10930.720282/201189, que está pendente de análise pela 1ª SEJUL/CARF desde junho de 2011. Em pesquisa, não foram encontrados processos judiciais da recorrente com o mesmo objeto do presente processo. Assim, proponho o retorno à Segunda Seção de Julgamento do CARF. Às fls. 342, os autos são encaminhados no CARF a este Relator. Outrossim, a Recorrente, às fls. 344 e comprovantes às fls. 346 a 349, atravessou petição informando que procedeu o parcelamento dos créditos do presente Fl. 356DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Acórdão n.º 2403002.642 S2C4T3 Fl. 354 7 Auto de Infração em função da adesão ao parcelamento especial reaberto na Lei 11.941/2009: NEGA VÁ COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA, já qualificados nos Autos retro epigrafados vem respeitosamente a presença de V. Sa. Comunicar que utilizandose dos favores legais da Lei 11.941/2009, procedeu o parcelamento dos créditos constantes do auto de infração retro consoante requerimentos e comprovantes de pagamento da 1a parcela em anexo. Com efeito, o parcelamento de um lado, representou confissão irretratável por parte da autuada e, ç/e outro a renúncia do direito de manutenção do auto de infração. Requer, diante disso, seja o presente auto de infração extinto, vez que com o parcelamento do crédito o mesmo perdeu seu objeto, havendo de ser extinto. É o Relatório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Do enquadramento em Parcelamento Especial reaberto na Lei 11.941/2009 Analisemos. A Recorrente, às fls. 344 e comprovantes às fls. 346 a 349, atravessou petição informando que procedeu o parcelamento dos créditos do presente Auto de Infração em função da adesão ao parcelamento especial reaberto na Lei 11.941/2009: NEGA VÁ COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA, já qualificados nos Autos retro epigrafados vem respeitosamente a presença de V. Sa. Comunicar que utilizandose dos favores legais da Lei 11.941/2009, procedeu o parcelamento dos créditos constantes do auto de infração retro consoante requerimentos e comprovantes de pagamento da 1a parcela em anexo. Com efeito, o parcelamento de um lado, representou confissão irretratável por parte da autuada e, ç/e outro a renúncia do direito de manutenção do auto de infração. Requer, diante disso, seja o presente auto de infração extinto, vez que com o parcelamento do crédito o mesmo perdeu seu objeto, havendo de ser extinto. Conforme o posicionamento da unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, às fls. 347, ocorreu o enquadramento da Recorrente no Parcelamento Especial instituído pela Lei 11.941/2009, com a cópia do DARF às fls. 349: RECIBO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO DA REABERTURA DA LEI 11.941 DE 27 DE MAIO DE 2009 A pessoa jurídica acima identificada solicitou o parcelamento de débitos da Reabertura da Lei n° 11.941/ de 2009 RFB Débitos Previdenciários Parcelamento de Dividas Não Parceladas Anteriormente Art. 1º de que trata à Lei nº 11.941 de 2009. Este pedido de parcelamento somente produzirá efeitos com o correspondente pagamento da primeira prestação, em valor não inferior ao estipulado no art. 4o da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 7, de 2013, que deve ser efetuado até o último dia útil de 11/2013, com código de receita 3870. O DARF para pagamento da Iªo prestação está disponível para impressão nas páginas da Secretaria da Receita Federai do Brasil ou da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional na Internet. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10930.720299/201136 Acórdão n.º 2403002.642 S2C4T3 Fl. 355 9 Confirmação recebida via Internet Peio Agente Receptor SERPRO em 13/11/2013 às 16:39:35 (horário de Brasília) Recibo: 00065399899367714730 Efetuado com código de acesso CNPJ: 03.685.422/000136 Então, na hipótese aplicase o art. 5º da Lei 11.941/2009 na qual a adesão ao parcelamento especial da Lei 11.941/2009 importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo: Art. 5o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. (Vide Lei nº 12.865, de 2013) Diante do exposto, o Recurso Voluntário perde o seu objeto diante da confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome da Recorrente, conforme o o art. 5º da Lei 11.941/2009. CONCLUSÃO Voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário em função da adesão do contribuinte a Parcelamento Pspecial reaberto na Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 359DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13675.000066/2004-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
COFINS - NÃO CUMULATIVA - COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS - APROPRIAÇÃO DOS CRÉDITOS - POSSIBILIDADE.
A apropriação dos créditos de COFINS, nos termos autorizados pela legislação, é possível quando restarem comprovadas as despesas incorridas pelo sujeito passivo. A transferência dos valores a terceiros, em atendimento a pedido expresso do beneficiário, não retira o direito creditório.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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A apropriação dos créditos de COFINS, nos termos autorizados pela legislação, é possível quando restarem comprovadas as despesas incorridas pelo sujeito passivo. A transferência dos valores a terceiros, em atendimento a pedido expresso do beneficiário, não retira o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 5. 00 00 66 /2 00 4- 41 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Belo Horizonte (MG), abaixo transcrito: A contribuinte acima qualificada apurou créditos da Cofins não cumulativa, referentes ao mês de abril de 2004, no montante de R$122.956,71 (conforme fls. 26 e 178), sendo R$108.343,63 relativo ao mercado externo. Em razão disso buscou compensálos com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, por intermédio de declarações de compensação constantes do presente processo. Com o objetivo de verificar a procedência dos créditos declarados, a contribuinte foi submetida a ação fiscal, que resultou em reconhecimento parcial do direito creditório, conforme demonstrativos de fls. 166/175 e 177/178 e relatório fiscal de fls. 179/180, além do demonstrativo de fl. 176. Segundo o relatório fiscal (fls. 179/180), a diferença apurada resultou de glosas de créditos relativos a aquisições não comprovadas de couro bovino. Diante disto, a DRF/Divinópolis exarou o despacho decisório de fl. 181, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido pela fiscalização de R$89.356,76. Cientificada da decisão em 12/12/2007 (fl. 193), a contribuinte manifestou sua inconformidade em 10/01/2008, às fls. 194/204, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: . não tem responsabilidade sobre os valores declarados por seus fornecedores de couro ao fisco estadual ou federal; . instada a comprovar os pagamentos efetuados nas aquisições de couro, demonstrou, conforme documentação apresentada nos autos, que as compras efetuadas têm em contrapartida um pagamento; . as aquisições de couro estão demonstradas com as devidas notas fiscais, o que comprova a aquisição e seu respectivo custo; . está obrigada a se submeter a algumas exigências de seus fornecedores no que tange A. forma de pagamento, conforme demonstrado, por exemplo, nas cópias de fax do fornecedor Empral Empresa Indústria de Alimentos Ltda; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13675.000066/200441 Acórdão n.º 3801003.993 S3TE01 Fl. 12 3 . exigirse que o pagamento da aquisição de couro bovino seja feito de uma forma ou de outra, extrapola à exigência do que reza a lei, e, como aqui se discute o direito ao crédito de PIS nãocumulativo, a forma em que se dá o pagamento de tais aquisições (que geram direito ao referido crédito) é irrelevante. . ao se observar a apuração do crédito de PIS realizada pelo fisco no Demonstrativo 06, verificase que o mesmo não considerou o custo integral de depreciações, no mês de abril/2004, conforme determina a Lei 10.833/03. 0 valor correto é o utilizado pela contribuinte, conforme demonstra cópias das páginas do balancete de fls. 224/225. É o relatório. Analisando as razões lançadas na impugnação pelo Recorrente, bem como os documentos acostados aos autos, a DRJ em Belo Horizonte entendeu por bem dar parcial provimento à Impugnação, reconhecendo quase que a totalidade dos créditos indicados pelo ora Recorrente. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 COFINS NÃO CUMULATIVIDADE – CRÉDITOS DESPESAS COMPROVADAS. É cabível a apuração de créditos decorrentes de despesas incluídas nas hipóteses legais, quando documentalmente comprovadas pelo sujeito passivo. Solicitação Deferida em Parte O contribuinte apresentou, então, recurso voluntário, no qual sustenta, em síntese, que não lhe pode ser retirado o direito creditório, pelo simples fato de os pagamentos realizados terem sido realizados para terceiros. Argumenta que as obrigações fiscais e legais foram integralmente cumpridas e que a legislação não traz nenhum tipo de vedação quanto ao pagamento a terceiros. Requer, assim, seja dado provimento ao Recurso Voluntário, para que o acórdão recorrido seja parcialmente reformado. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Devese ressaltar, de pronto, que a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais só foi devolvida a matéria com relação à glosa dos créditos relativos aos pagamentos realizados, pelo Recorrente, à empresa Leather – Comércio e Beneficiamento de Couro Ltda. Os demais itens glosados pela fiscalização foram reconhecidos no acórdão recorrido e não são mais objeto de litígio. Pois bem. Primeiramente, é importante trazer à baila o dispositivo da legislação que permite, aos contribuintes, se apropriarem dos créditos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Inferese, do dispositivo citado, que, uma vez comprovado a aquisição dos bens e serviços, nascerá o direito creditório do contribuinte. Não há, na lei, qualquer tipo de limitação com relação à forma de pagamento dos bens e serviços. O que deve restar comprovado é a aquisição destes. No presente caso, o acórdão recorrido, ao indeferir o pleito do Recorrente, trouxe a seguinte argumentação: “Leather. Para as oito Notas Fiscais de abril/2004 no montante de R$131.850,00, não constam pagamentos específicos. A interessada apresenta, entretanto, comprovantes de transferências feitas para terceiros, no mês, as fls. 114v/120v. Não há como se confirmar que tais transferências, feitas para terceiros estranhos às operações, sejam para pagamento das compras de couros da interessada. Desta forma, a documentação apresentada pela intimada não atesta a efetividade dos pagamentos, conforme já considerado pela Fl. 401DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13675.000066/200441 Acórdão n.º 3801003.993 S3TE01 Fl. 13 5 fiscalização e corroborado pela autoridade administrativa que analisou o direito creditório. A interessada, mesmo após a glosa efetuada e sabedora de sua motivação, não trouxe qualquer documento que ensejasse a sua efetiva comprovação. Ou seja, aos olhos dos ilustres julgadores de 1ª instância, não houve comprovação dos pagamentos realizados pelo Recorrente, uma vez que estes foram realizados em nome de terceiros. Contudo, data venia, ouso em discordar deste entendimento. Pela documentação juntada aos autos, o Recorrente demonstrou que as Notas Fiscais foram devidamente quitadas e, a pedido do fornecedor dos seus insumos, os créditos foram realizados em nome de terceiros (as solicitações neste sentido estão acostadas aos autos – fls. 278 a 290). Entretanto, a realização de créditos em nome de terceiros em nada altera a natureza da operação. O que importa no presente caso é que o Recorrente comprovou a quitação dos valores, através de comprovantes de transferência bancária, que estão devidamente lastreados com as Notas Fiscais emitidas pelo fornecedor dos insumos. Por outro lado, restou comprovado nos autos que as Notas Fiscais foram devidamente contabilizadas pelo Recorrente. Ora, caso a fiscalização tivesse alguma dúvida da idoneidade dos documentos, poderia ter intimado os fornecedores para comprovar ou não a operação, o que não foi feito. Como se não bastasse, não foi comprovado pela fiscalização que os bens adquiridos pelo Recorrente não seriam insumos necessários ao seu processo produtivo. Pelo contrário: neste ponto, não houve qualquer questionamento por parte da fiscalização. Por tudo, uma vez comprovado o pagamento dos insumos pelo Recorrente, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 402DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.004695/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ ALBERTO SPITZ. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 04 69 5/ 20 09 -1 1 Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.508 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, LUIZ ALBERTO SPITZ, lavrouse contra o epigrafado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao ano calendário de 2005, fls. 296 a 302, exigindo R$ 768.198,09 de imposto e R$ 576.148,56 de multa de ofício de 75%, além dos juros de mora, em razão da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Notase, da análise cuidadosa do processo, que os depósitos bancários em análise foram sido obtidas as informações mediantes RMFs de fls. 78. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.508 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.508 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.508 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.004695/200911 Resolução nº 2202000.508 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/09/201 3 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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