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Numero do processo: 10855.004882/2003-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 01/01/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Em não restando caracterizada a contradição e a obscuridade apontadas, rejeita-se os embargos.
Numero da decisão: 3201-001.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 01/01/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Em não restando caracterizada a contradição e a obscuridade apontadas, rejeita-se os embargos.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 01/01/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. Em não restando caracterizada a contradição e a obscuridade apontadas, rejeitase os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os embargos nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos pela METSO MINERALS BRASIL LTDA.em face do acórdão nº 3201 001.391, proferido por esta turma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 48 82 /2 00 3- 36 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 na sessão de 21 de agosto de 2013, no qual este colegiado decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. A embargante sustenta que o acórdão embargado incorre em contradição no tocante a questão da decadência, posto, mesmo restando confirmado o pagamento antecipado, ter adotado a contagem do prazo decadencial na forma do artigo 173 do Código Tributário Nacional e não conforme artigo 150, § 4º , do mesmo diploma. Afirma ainda que o julgado é obscuro, aduzindo que: O que sustentou a Embargante e aparentemente restou acolhido no v. acórdão, mas de forma obscura, é que insumo pode compor diferentes máquinas, mas, o que importa para cumprimento do regime, não é a máquina que receberá o insumo, mas sim a efetiva exportação do insumo importado, tal como consta do v. acórdão embargado e como ocorreu no caso concreto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto A embargante afirma que o acórdão incorre em contradição ao julgar a questão posta referente a decadência do lançamento. A embargante, contudo, mostrase equivocada. O voto é claro ao estabelecer que a regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN não se aplica em se tratando do regime drawback, modalidade suspensão. Colecionase, abaixo, trecho do acórdão que ilustra a ausência da contradição alegada: Em atenção ao arguido, observase que, de fato, os tributos exigidos sujeitamse à lançamento por homologação, e o disposto no § 4º do art. 150 do CTN determina que a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos tem início no dia da ocorrência do fato gerador e término 5 (cinco) anos após a referida data. Esse procedimento de contagem do prazo decadencial, em regra, aplicase aos tributos devidos na operação de importação que, por determinação legal, estão sujeitos ao pagamento antecipado, sem prévio exame da autoridade fiscal, conforme estabelecido no caput do art. 150 do CTN. Constatase, todavia, que, no âmbito dos referidos tributos, esse procedimento geral tem aplicação apenas em relação às operações de importação realizadas submetidas ao regime de importação comum, que se caracteriza pelo pagamento dos tributos devidos previamente ao início do despacho aduaneiro, isto é, antes do registro da Declaração de Importação (DI). Em se tratando de regime suspensivo de tributação ou regime aduaneiro especial suspensivo, contudo, tal regramento abre Fl. 457DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10855.004882/200336 Acórdão n.º 3201001.786 S3C2T1 Fl. 457 3 exceção para a aplicação dos critérios atinentes ao lançamento de ofício, previstos no inciso I do art. 173 do CTN. (grifo nosso) No tocante a alegada obscuridade, da mesma forma, mostrase sem razão a embargante. O acórdão é claro ao definir que, para que seja considerado como cumprido o Ato Concessório do Drawback, é imprescindível que os produtos nele previstos sejam efetivamente exportados, independentemente do fato de os insumos terem sido efetivamente exportados em produtos diversos. Neste sentido, transcrevese abaixo trechos do acórdão embargado: A contribuinte alega ter cumprido as disposições contidas no Ato Concessório do Drawback, com a efetiva exportação dos bens importados. Em que pese o alegado, verificase que o Ato Concessório n° 019196/00178, emitido em 18/03/1996, concedia a contribuinte o direito de usufruir do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, na importação de peças para complementação de montagem de 40 Rolos Compressor, sendo 30 unidades do Modelo CP132 e 10 unidades do Modelo CS 14. Posteriormente, por meio do Aditivo ao Ato Concessório n° 019197/0001223, emitido em 09/09/1997, foi definido como o prazo limite para a exportação dos produtos a data de 13/03/1998. Constatase que, mesmo com a dilação do prazo, a contribuinte não logrou proceder com a exportação de todas as mercadorias constantes do citado Ato Concessório n° 019196/00178, restando como exportados apenas 21 unidades do modelo CP132, e as 10 unidades do modelo CS 15. A recorrente, entretanto, informou no Relatório de Comprovação do Drawback ter utilizado os insumos em produtos exportados que divergem do especificado no ato concessório em tela. Este fato foi confirmado pela contribuinte em sua peça recursal, todavia a mesma entende que o fato de ter exportado mercadorias distintas daquelas constantes do Ato Concessório não invalida a isenção dos tributos incidentes na importação dos insumos utilizados nos bens exportados. Em que pese o entendimento da contribuinte, o artigo 43, inciso I, da Portaria SECEX 4/97, é claro ao definir as condições para a liquidação do compromisso de exportação, que ensejaria na isenção dos tributos suspensas: Art. 43 — O compromisso de exportação vinculado ao Regime de Drawback modalidade, suspensão, será liquidado mediante a comprovação de uma das condições a seguir: Fl. 458DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 I – exportação efetiva dos produtos previstos no Ato Concessório de Drawback nas quantidades, valores e prazo nele fixados; (grifo nosso) Desta forma, para que seja considerado liquidado é necessária a exportação efetiva dos produtos previstos no Ato Concessório, não sendo passível de comprovar o cumprimento a exportação de bens diversos daqueles definidos no Ato. Destarte, voto por rejeitar os embargos. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 459DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 04/11/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.002444/2004-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.011
Decisão: ASSUNTO: COFINS. BASE DE CÁLCULO.
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2002
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62-A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, e Recurso Extraordinário 638.7109/RS.
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente Substituto da 3ª T da CSRF
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator.
EDITADO EM: 02/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto)..
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : ASSUNTO: COFINS. BASE DE CÁLCULO. Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2002 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62-A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, e Recurso Extraordinário 638.7109/RS. Valmar Fonseca de Menezes - Presidente Substituto da 3ª T da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator. EDITADO EM: 02/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto)..
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ASSUNTO: COFINS. BASE DE CÁLCULO. Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2002 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, e Recurso Extraordinário 638.7109/RS. Valmar Fonseca de Menezes Presidente Substituto da 3ª T da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator. EDITADO EM: 02/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto).. Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida: Tratase da exigência de Cofins dos períodos de apuração de 28/02/1999 a 31/12/2002, cuja notificação aconteceu em 28/04/2004. Conforme consta do Relatório da Ação1Fiscal, o auto de infração decorreu do fato de que ‘a fiscalizada deixou de oferecer à tributação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 02 44 4/ 20 04 -9 5 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 11080.002444/200495 Resolução nº 9303000.011 CSRFT3 Fl. 535 2 do PIS e da Cofins determinadas receitas de variação cambial .’ (fl. 278). Na impugnação a contribuinte sustentou, em síntese, que: (a) é beneficiária da imunidade prevista na Emenda Constitucional nº 33/2001, a qual incluiu o § 2º, I, ao art. 149 da Constituição, estabelecendo que as contribuições sociais não incidem sobre receitas decorrentes de exportação, de modo que seria indevida a exigência da Cofins sobre as variações cambiais, porquanto se referem às exportações promovidas pela recorrente; e (b) as receitas financeiras não podem ser submetidas à incidência da contribuição ao PIS e da Cofins, porque tais contribuições apenas poderiam incidir sobre a receita da venda de bens e serviços. A DRJ Porto Alegre RS negou provimento à impugnação, mantendo a exigência fiscal pelos seguintes fundamentos (Acórdão nº 5.401, de 17 de março de 2005): ‘ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2002 Ementa: COFINS. VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE COMPETÊNCIA As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira compõem a base de cálculo da Cofins e, se tributadas pelo regime de competência, conforme opção do contribuinte, devem ser reconhecidas a cada mês, independente da efetiva liquidação das operações correspondentes. COFINS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. ISENÇÃO A isenção das receitas de exportação do pagamento da Cofins não alcança as correspondentes variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, compor a base de cálculo daquela contribuição. Lançamento Procedente’. A empresa, então, apresentou recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes, lançando mão das mesmas razões contidas na impugnação. É o relatório. A ementa do julgado recorrido foi consubstanciada nos seguintes termos: COFINS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, compreendido como a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por decisão proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 11080.002444/200495 Resolução nº 9303000.011 CSRFT3 Fl. 536 3 VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. As variações cambiais não configuram receita da venda de bens e serviços, não se submetendo à incidência de PIS e de Cofins. Recurso provido. Irresignada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial às fls. 459/478, no qual se insurge contra a exclusão das receitas financeiras (variações cambiais ativas) da base de cálculo do PIS e da Cofins, alegando divergência com outras decisões administrativas. O recurso foi admitido pelo presidente da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 490. A contribuinte apresentou contrarrazões. Voto Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência referente à COFINS, relativo aos períodos de apuração 28/02/1999 a 31/12/2002, por conta da não inclusão, na base de cálculo, da receita decorrente da variação cambial. No período em que o lançamento se refere, 28/02/1999 a 31/12/2002, a Lei nº 9.718, de 27/11/1998, assim dispunha quanto à base de cálculo Da COFINS: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Fl. 610DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 11080.002444/200495 Resolução nº 9303000.011 CSRFT3 Fl. 537 4 Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo (revogado pela MP nº 2.15835, de 24/08/2001; IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...).” Ora, segundo estes dispositivos legais, a base de cálculo da COFINS é o faturamento mensal da pessoa jurídica correspondente a sua receita bruta, assim entendida o total de suas receitas independentemente de suas naturezas e classificação contábil adotada, deduzidos os valores expressamente discriminados. No entanto, especificamente quanto a outras receitas, ou seja, receitas não operacionais – ampliação da base de cálculo – o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito dos Recursos Extraordinários nºs 357.950 e 358.273, com decisões transitadas em julgado em 5 de setembro de 2006, considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins, promovidas pela Lei nº 9.718, de 27/11/1998, art. 3º, §1º. BASE DE CÁLCULO DA COFINS INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3 º § 1º, DA LEI 8.718/98 O Tribunal resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência da Corte acerca da inconstitucionalidade do § 1' do art. 3° da Lei 9.718198, que ampliou a base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, e negar provimento a recurso extraordinário interposto pela União. Vencido, parcialmente, o Min. Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Min. Cezar Peluso, relator, para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões. Vencido, também nesse ponto, o Min. Marco Aurélio, que se manifestava no sentido da necessidade de encaminhar a proposta à Comissão de Jurisprudência.Leading case: RE 585.235 QO, Min. Cezar Peluso. Por força do art. 62 do RICARF, há que se seguir a decisão do STF acima referida. Também, o próprio Poder Executivo, levandose em conta estas decisões, revogou, por meio da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 79, inciso XII (MP nº 449, de 03/12/2008), aquele parágrafo primeiro que determinava a ampliação da base de cálculo dessas contribuições. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 11080.002444/200495 Resolução nº 9303000.011 CSRFT3 Fl. 538 5 Porém, conforme dispõe o art. 30 da Medida Provisória 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a partir de 10 de janeiro de 2000, há que se admitir essa receita como base de cálculo do PIS e da COFINS. Confirase o caput do dispositivo: Art.30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. A Medida Provisória 2.15835/2001, com força de lei, e que foi editada posterior posteriormente à Emenda Constitucional n. 20/1998, sendo, portanto inoponível às decisões do STF que levaram em conta a redação anterior do art. 195, inciso I, “b” da Constituição e que coartaram a suposta ampliação da base de cálculo da COFINS pela Lei 9.718/1998. Assim não vejo nenhum óbice na aplicação da referida Medida Provisória no sentido de considerar receitas passíveis de tributação as receitas decorrentes de variação cambial, o que se adéqua perfeitamente ao caso presente em relação ao período que vai de 01/01/2000 a 31/01/2002, estando o período de 28/02/1999 a 31/12/1999 desonerado desta incidência. Vejase que todos os fatos geradores ocorreram antes da vigência da Lei n. 10.833/2003. Porém, ocorre que o tema da inclusão da variação cambial na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 638.710/RS. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 638.710 RIO GRANDE DO SUL RELATOR :MIN. JOAQUIM BARBOSA RECTE.(S) :UNIÃO PROC.(A/S)(ES):PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S):MASTER SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA E OUTRO(A/S) DECISÃO: O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o RE 540.41000, Rel. Min. Cezar Peluso, acolheu questão de ordem no sentido de “determinar a devolução dos autos, e de todos os recursos extraordinários que versem a mesma matéria, ao Tribunal de origem, para os fins do art. 543B do CPC” (Informativo 516, de 27.08.2008). Decidiuse, então, que o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil também se aplica aos recursos interpostos de acórdãos publicados antes de 03 de maio de 2007 cujo conteúdo verse sobre tema em que a repercussão geral tenha sido reconhecida. No presente caso, o recurso extraordinário trata sobre temas (termo a quo do prazo prescricional da ação de repetição de indébito relativa a tributos sujeitos a lançamento por homologação arts. 3º e 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005; exportação incidência do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva Temas 4 e 329) em que a repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 566.621RG e RE 627.815RG, rel. min. Ellen Gracie). Fl. 612DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 11080.002444/200495 Resolução nº 9303000.011 CSRFT3 Fl. 539 6 Do exposto, nos termos do art. 328 do RISTF (na redação dada pela Emenda Regimental 21/2007), determino a devolução dos presentes autos ao Tribunal de origem, para que seja observado o disposto no art. 543B e parágrafos do Código de Processo Civil. Publiquese. Brasília, 4 de outubro de 2012. Ministro JOAQUIM BARBOSA Relator. Considerando que o Supremo Tribunal Federal determinou expressamente o sobrestamento de todos os recursos sobre o tema, aplico o art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, para sobrestar o presente recurso voluntário até que esteja transitado em julgado o acórdão a ser proferido no recurso extraordinário acima mencionado. É como voto. Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 613DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
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Numero do processo: 10920.907155/2012-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 71 55 /2 01 2- 92 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907155/201292 Acórdão n.º 3801002.688 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907155/201292 Acórdão n.º 3801002.688 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907155/201292 Acórdão n.º 3801002.688 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907155/201292 Acórdão n.º 3801002.688 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907155/201292 Acórdão n.º 3801002.688 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907155/201292 Acórdão n.º 3801002.688 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907155/201292 Acórdão n.º 3801002.688 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720284/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente em exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente em exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fábio Brun Goldschmidt, Márcio de Lacerda Martinez (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 02 84 /2 00 8- 58 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 253 e seguintes), interposto em 18 de janeiro de 2012, contra o acórdão de fls. 223 a 240, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (DRJ/BEL), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face do auto de infração de fls. 124 a 132, lavrado em 14 de novembro de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada nos anos calendário de 2004 e 2005. Ao julgar a impugnação do contribuinte, a DRJ/BEL afirmou que a autoridade administrativa não possui atribuição pra apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. Entendeu que não ocorreu nenhuma nulidade no procedimento fiscalizatório, tendo a requisição de informações bancárias obedecido às normas legais. Concluiu que o contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários e, assim, o lançamento com base na presunção legal, prevista no artigo 42 da Lei nº 9430/97, foi regular. Porém, reduziu a multa de ofício agravada de 112,5% para 75% em virtude de não ter ocorrido firme recusa contribuinte em desatender ao Fisco. O recorrente teve ciência do acórdão da DRJ/BEL em 14 de dezembro de 2011 (fl. 252). Não se conformando, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs o recurso voluntário de fls. 253 e seguintes, no qual alega, inicialmente, que há de ser considerada a tempestividade do recurso, pois ele somente tomou conhecimento da decisão de primeira instância em 20 de dezembro de 2011, uma vez que é piloto de aviação comercial e estava em viagem a trabalho. No mérito, argumenta que o lançamento é nulo em virtude de que o Mandado de Procedimento Fiscal é ilegítimo, pois fora renovado por sete vezes, ferindo as normas que o regem. Aduz que houve quebra ilegal do sigilo bancário, com violação de seus direitos constitucionais, além de que o procedimento adotado pela fiscalização está em desacordo com a Lei Complementar nº 105/2001 e a Lei nº 10.174/2001. Ao final, requer a total improcedência da penalidade imposta, por ser ilegal desde a sua origem. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a impugnação, apenas para reduzir a multa de ofício de 112,5% para 75%. Cabe, inicialmente, a análise da tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10215.720284/200858 Acórdão n.º 2202002.844 S2C2T2 Fl. 297 3 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 14 de dezembro de 2011 (quartafeira), conforme A.R. (Aviso de Recebimento) de fl. 252. Assim, ao apresentar o recurso voluntário (fls. 253 e seguintes) somente no dia 18 de janeiro de 2012 (quartafeira), estava exaurido o prazo legal de trinta dias, que se venceu em 13 de janeiro de 2012 (sexta feira). O recorrente alega que somente tomou conhecimento da decisão em 20 de dezembro de 2011, pois a intimação foi recebida em sua casa pela senhora Betânia, uma vez que estava ausente do município em virtude de ser piloto de aviação comercial e estava em viagem a trabalho. Afirma que, assim que tomou conhecimento da correspondência, compareceu à Delegacia da Receita Federal e requereu cópias do processo, mas somente as recebeu naquela data. Entretanto, não existe previsão legal para se adiar o prazo em virtude da ausência do contribuinte de seu domicílio fiscal. Quanto à ciência da decisão realizada por outra pessoa, assim dispõe a Súmula CARF nº 9: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário”. Portanto, o recurso foi interposto após o prazo legal, carecendo do pressuposto processual da tempestividade, razão pela qual não merece ser conhecido. Em face ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 298DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10240.721190/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito.
MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo.
Ainda que ocorram problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, que não é o caso dos autos, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO.
A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei.
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE DOLO.
Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nas hipóteses em que não restar configurado o intuito doloso, aplica-se a penalidade de 75%, agravada em 50% pelo não atendimento as intimações lavradas no decorrer do procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1402-001.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 112,50%. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez, Rogério Aparecido Gil (suplente convocado) e Sergio Luiz Bezerra Presta (suplente convocado).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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M. DE ANDRADE ME (CONTRIBUINTE), OSVALDINO RODRIGUES DE SOUZA (COOBRIGADO) e ILDIVALDO RODRIGUES DE SOUZA (COOBRIGADO) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 FASE PROCEDIMENTAL. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. INÍCIO DE FASE LITIGIOSA. Durante o procedimento fiscal, em regra, não há que se falar em direito à ampla defesa e ao contraditório. O litígio instaurase com a apresentação de impugnação, momento a partir do qual deve ser observado o amplo direito à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 11 90 /2 01 2- 75 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.024 2 defesa e ao contraditório. O auto de infração que descreve corretamente os fatos que ensejam a conclusão quanto à ocorrência do fato gerador da obrigação principal, das penalidades cominadas e atribuição de corresponsabilidade tributária não pode ser tachado de imotivado. Ausente prejuízo ao contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Ainda que ocorram problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, que não é o caso dos autos, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE DOLO. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nas hipóteses em que não restar configurado o intuito doloso, aplicase a penalidade de 75%, agravada em 50% pelo não atendimento as intimações lavradas no decorrer do procedimento fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.025 3 responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 112,50%. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez, Rogério Aparecido Gil (suplente convocado) e Sergio Luiz Bezerra Presta (suplente convocado). Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.026 4 Relatório C. M. DE ANDRADE – ME, OSVALDINO RODRIGUES DE SOUZA e ILDIVALDO RODRIGUES DE SOUZA recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0945.900 da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, que lhe exigem um crédito tributário relativo ao anocalendário de 2008, no valor total de R$ 1.609.428,25, com juros de mora calculados até outubro de 2012. Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante dos autos de Infração, foram constatadas as seguintes infrações: IRPJ 0001 OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CSLL 0001 OMISSÃO DE RECEITA FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE OMITIDAS COFINS 0001 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS PIS/PASEP 0001 INCIDÊNCIA CUMULATIVA PADRÃO OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP No Termo de Verificação Fiscal – TVF, anexo aos autos de infração, consta, em síntese, que a autoridade lançadora, após um relato detalhado dos fatos, apurou práticas e infrações que implicaram no arbitramento do lucro (art. 3º da Lei n.º 9.249/95; art. 42 da Lei n.º 9.430/96 c/c art. 537do RIR/99; art. 47 da Lei n.º 8.981/95; e art. 530, inciso III, do RIR/99), sendo constituído crédito tributário de IRPJ e seus reflexos, CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep, além da aplicação de multa de ofício, qualificada e agravada, no percentual total de 225% (art. 44, §§ 1º e 2º, da Lei n.° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n.° 11.488/07), e juros de mora à taxa SELIC (art. 61, § 3º, da Lei n.º 9.430/96). Além disso, ficou caracterizada a sujeição passiva solidária dos Srs. Osvaldino Rodrigues de Souza e Ildivaldo Rodrigues de Souza, em face do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa, consoante relatado no TVF. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.027 5 Registrese que os responsabilizados pelo crédito tributário constituído, Srs. Osvaldino Rodrigues de Souza e Ildivaldo Rodrigues de Souza, apresentaram impugnações em separado da empresa autuada, valendose de seu direito de defesa conferido constitucionalmente. Não obstante isso, exceto pelo fato de ambos questionarem a sujeição passiva solidária a eles atribuída, os termos, expressões, argumentos e pedidos contidos em suas razões de defesa e as da empresa autuada, guardam identidade de conteúdo e de forma entre si, ou seja, são idênticos. Disso resulta que a análise aqui a ser feita servirá, ao mesmo tempo, para todas as impugnações apresentadas. A contribuinte, por sua vez, através dos seguintes tópicos, em suma, assim se defendeu: 1. OS FATOS; 2. DA PRELIMINAR DE NULIDADE PELA NÃO TRIBUTAÇÃO DOS VALORES PRESUMIDOS LEGALMENTE PELA AUTORIDADE TRIBUTÁRIA; 3. DO ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL; 4. O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE; 5. O PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO – FALTA DOS MOTIVOS DE DIREITO; 6. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO MPF POR VÍCIO FORMAL; 7. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA; 8. DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA; 9. DA IMPROCEDÊNCIA E DA ILEGALIDADE DOS LANÇAMENTOS EFETUADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS; 10. DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE DA MULTA APLICADA – DO AFRONTO AO PRINCÍPIO DA PROIBIÇÃO DE CONFISCO; 11. DA OFENSA À CAPACIDADE CONTRIBUTIVA; 12. DA PROVA ILÍCITA; 13. DA MULTA AGRAVADA; 14. DO PEDIDO. Registrese que, nas defesas apresentadas, os sujeitos passivos se utilizaram, por diversas ocasiões, de posicionamentos doutrinários e Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.028 6 jurisprudenciais (administrativos e judiciais), para fundamentar seu entendimento. Ver datas intimações e apresentações de recursos. Os recursos apresentados possuem o mesmo conteúdo, repetindo argumentos utilizados nas respectivas impugnações. É o relatório. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.029 7 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator Os recursos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Tratase de analisar lançamento referente ao IRPJ e reflexos, cujo substrato decorre de omissão de receitas, decorrente de depósitos bancários sem origem justificada, da qual se obteve a base para o arbitramento do lucro. Houve aplicação de multa qualificada e agravada (225%) e foi cominada responsabilidade tributária aos coobrigados indicados nos termos competentes. Passo à análise das questões controvertidas. 1 PRELIMINARES 1.1 SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. NULIDADE Entre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Entre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da Recorrente, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso, com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. O ponto principal do recurso em que se baseia o recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. Mais, além desta indagação há que se verificar se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afetas à constitucionalidade das leis. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.030 8 Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o Estado Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não desconheço que em 15/12/2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.031 9 Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Ainda em relação ao tema, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. Neste sentido, quer da análise do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, ou do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não se identifica decisão definitiva do STF reconhecendo a inconstitucionalidade das normas invocadas pela recorrente. Quanto ao procedimento para acesso às informações bancárias diretamente pela Receita Federal, convém tecer alguns comentários adicionais. A respeito da suposta quebra de sigilo bancário, convém reforçar que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as informações e documentos obtidos pela RFB junto às instituições financeiras serão conservados em sigilo. No mesmo sentido, o mesmo diploma legal estabelece em seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. Para preservar a inviolabilidade do direito constitucional que as pessoas têm à intimidade e à privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º da precitada LC que: "As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor". Relativamente ao sigilo fiscal, vigora o art. 198 do Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: "Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades". Portanto, as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.032 10 Argumenta também a Recorrente que o procedimento fiscal seria nulo em razão de suposta “quebra” de seu sigilo bancário, bem como cerceamento do seu direito de defesa em razão dos exíguos prazos para apresentação da documentação referente aos depósitos bancários. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A despeito do já exposto, no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. A respeito dos supostos prazos exíguos para comprovação dos depósitos, melhor sorte não lhe socorre. Isso porque, compulsando os autos, não se encontra qualquer prorrogação de prazo requerida pelo sujeito passivo, esquivandose da apresentação de documentação que poderia, em tese, comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias. Não há qualquer indicação de que a ausência de apresentação de documentos tenha qualquer relação com os prazos fixados pela autoridade fiscal. Tanto que em sede de impugnação e recurso voluntário também não se anexou um só documento que infirmasse as conclusões fiscais. Ademais, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase inquisitorial do procedimento fiscal, uma vez que a fase litigiosa somente se inicia com a apresentação da impugnação (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972), momento a partir do qual o contraditório e a ampla defesa devem ser observados de forma ampla. No decorrer do procedimento de fiscalização o agir da autoridade fiscal se deu em estrito cumprimento das normas estabelecidas, inclusive quanto à intimação prévia para comprovação da origem dos Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.033 11 créditos bancários, conforme estatui o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Quisesse o contribuinte poderia ter solicitado prorrogação de prazo, ou apresentado a documentação pertinente em sede de impugnação, ou até mesmo, acompanhando seu recurso voluntário. Mas assim não o fez. 1.2 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Em relação à arguição de nulidade em razão de supostos vícios no Mandado de Procedimento Fiscal, mais uma vez não se pode acolher os argumentos entabulados pelos Recorrentes. À época do início do procedimento fiscal, relativamente ao planejamento das atividades fiscais e execução de procedimentos fiscais no âmbito da Receita Federal do Brasil, vigia a Portaria RFB nº 11.371, de 2007. Na data da lavratura dos autos de infração (30 de agosto de 2011), a norma que regulava o tema, em especial as regras para expedição e prorrogação de Mandados de Procedimento Fiscal, era a Portaria RFB nº 3.014, de 19 de junho de 2011. Por meio das normas antes referidas se disciplinou a expedição do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. Eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária tanto para fins de controle interno, quanto para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, assegurando ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o AuditorFiscal está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com emissão ou a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada ao autor ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática daquele ato. Assim, legitimado o AuditorFiscal para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta de prorrogação do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. A não prorrogação do MPF ou a sua não ciência ao contribuinte, por si só não gera nulidade do lançamento. Ademais, no caso concreto, o procedimento fiscal transcorreu absolutamente nos moldes estabelecidos pelas normas infralegais que regem a matéria. Como bem asseverou a decisão recorrida, “Não obstante o anteriormente exposto, tendo por base os documentos fiscais anexados aos autos, podese afirmar que foram observados todos os quesitos atinentes à correta instauração do procedimento fiscal e à formalização da exigência, não tendo sido evidenciada nenhuma irregularidade no que diz Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.034 12 respeito à aplicação das disposições contidas nas Portarias RFB n.ºs 11.371, de 12/12/2007, e 3.014, de 29/06/2011”. Por tais razões, rejeito também a arguição de nulidade do lançamento sustentada em vícios no Mandado de Procedimento Fiscal. 1.3 CONCLUSÕES QUANTO ÀS ARGUIÇÕES DE NULIDADE No que tange aos demais pontos levantados, quais sejam, falta de motivação da descrição exata e precisa dos motivos de fato e de direito que serviram de fundamento para o lançamento, e discussões a respeito da validade do lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelos Recorrentes, outra sorte não lhes merece. A descrição dos fatos foi elaborada de maneira satisfatória pela autoridade autuante, descrevendo perfeitamente qual a motivação para considerarse ocorrido o fato gerador da obrigação principal, bem como em relação à penalidade cominada e aos pressupostos da responsabilidade tributária atribuída aos coobrigados. Especificamente em relação aos demais pontos a respeito do lançamento com base em depósitos bancários, tratase de matéria afeta ao mérito da exigência, sendo analisada em ponto específico deste voto. Assim sendo, voto rejeitar as arguições de nulidade. 2 MÉRITO 2.1 OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS A Recorrente (contribuinte) é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.035 13 IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.036 14 Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Para a turma julgadora de primeira instância, não houve comprovação da origem dos créditos em suas contas, uma vez que meras alegações não possuem o condão de comprovar a origem dos valores depositados ou creditados em suas contas bancárias. Em sede de recurso voluntário não foram apresentados quaisquer elementos adicionais. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.037 15 autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.038 16 Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” A respeito da Súmula 182 expedida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ante o exposto, confirmase a omissão de receita apontada pelo Fisco. 2.2 ARBITRAMENTO DE LUCROS No que tange ao arbitramento de lucros, a Recorrente (contribuinte), devidamente intimada, deixou de apresentar os documentos e livros comerciais e fiscais solicitados. Nesse cenário, a autoridade lançadora considerou como receita bruta o valor de receitas omitidas apurado durante o procedimento fiscal, procedendo ao arbitramento de lucros. Não há reparos a fazer ao lançamento e à decisão recorrida, isso porque o art. 530, III, do RIR/1999 assim determina: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º) [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifou se) Assim sendo, correta também a forma de apuração de lucro levada a efeito pelo lançamento, que merece ser integralmente mantido nesse ponto. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.039 17 2.3 LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Lucro Arbitrado) foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispões o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, que assim dispõe: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assim, como a omissão de receita foi mantida parcialmente, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências nas mesmas condições, ante a íntima relação e causa e efeito. 2.4 DAMULTA DE OFÍCIO Os Recorrentes questionam a aplicação da multa no percentual de 150% embora a penalidade cominada tenha sido de 225%. Aduzem, em síntese, que a multa de 150% seria desproporcional e que a Constituição Federal veda, expressamente, a utilização de qualquer tributo com efeito confiscatório. Alega ainda que a autoridade fiscal não comprovou o evidente intuito de fraude, simulação ou o conluio, elementos necessários à qualificação da penalidade. Conforme bem evidenciado pela decisão recorrida, “esclareçase à interessada que o agravamento da penalidade tem natureza diversa de sua qualificação. A aplicação da multa qualificada no percentual de 150% tem fundamento legal no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430/96. Segundo o inciso I, a multa proporcional é aplicada no percentual de 75% nos casos de mera falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Todavia, a majoração/qualificação do percentual da multa para 150%, conforme determina o § 1º, ocorre nos casos de condutas dolosas do sujeito passivo previstos nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, ou seja, sonegação, fraude ou conluio. Já o agravamento encontra amparo no art. 44, parágrafo 2º, da Lei n.º 9.430/1996, e decorre do não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos”. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.040 18 Vêse, assim, que o Recurso voluntário limitase a discutir a qualificação da penalidade, deixando de atacar o agravamento da penalidade. Embora mostrese perfeito agravamento da multa em face da ausência de respostas às intimações ao longo de todo o procedimento fiscal, deixo de esmiuçar a questão em razão da ausência de lide sobre a matéria. No que atine aos princípios da proporcionalidade e confisco, o tema já foi alvo de análise no item “1” deste voto (“preliminares”), que em sua, reafirma a validade e presunção de constitucionalidade das leis vigentes. Resta, portanto, a análise quanto à qualificação da penalidade. A decisão recorrida assim asseverou sobre a matéria: No presente caso, consoante consta do TVF, a qualificação e o agravamento da multa de ofício se deram em razão das seguintes justificativas: 61. A multa agravada justificase pelas evidências da interposição de pessoas na empresa fiscalizada, e por ter ela declarado à autoridade fazendária receita bruta em valor inferior a R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), tendo sido verificado pela fiscalização uma receita bruta em valor superior a R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais), fatos que configuram a ocorrência, em tese, de sonegação. O contribuinte também não compareceu para prestar os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, apesar de ter sido reiteradamente intimado. Frisese que as circunstâncias que demonstram o dolo na omissão de receitas estão fartamente comprovadas nos autos, como omissão de vultosos valores movimentados em suas contas bancárias (sonegação), interposição de pessoas (fraude/conluio), não atendimento reiterado a diversas intimações para prestar esclarecimentos/apresentar documentação (embaraço à fiscalização) etc. Senão vejamos: 1. Em 19/10/2011, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 02.5.01.00 2011 005584, com o intuito de verificar o cumprimento, por parte da empresa contribuinte, da legislação tributária do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica. A empresa possui situação cadastral "baixada" no CNPJ. 2. Em 10/11/2011 foi emitido o Termo de Início de Procedimento Fiscal relativo ao MPF 02.5.01.00 2011005584, encaminhado via postal ao endereço do CPF do titular Claudionil Matias De Andrade, CPF 015.397.75909, Av. Ayrton Senna, 435, Buritis/RO. Recebeu o Termo, em 28/11/2011, a Sra. Maria Augusta de Oliveira, RG 4.407.5081, conforme consta no Aviso de Recebimento emitido pelos CORREIOS. 3. O Termo de Início de Procedimento Fiscal tinha como objetivo intimar o contribuinte a apresentar o Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.041 19 seguintes documentos relativos ao Anocalendário de 2008, no prazo de 20 (vinte) dias: 3.1. Registros contábeis em arquivos digitais; 3.2. Livros Diário e Razão; 3.3. Livro Registro de Entrada e Saída; 3.4. Livro de Apuração do ICMS; 3.5. Extratos Bancários. 4. O contribuinte não se manifestou, não apresentou os documentos solicitados no Termo, nem qualquer tipo de esclarecimento para seu não atendimento. 5. Em 28/11/2011 foi emitido o Termo de Intimação n° 01/2011, intimando o contribuinte a apresentar seu Contrato Social e Alterações. Também foi encaminhado via postal ao endereço do CPF do titular, Claudionil. No entanto, este Termo foi devolvido pelos CORREIOS à fiscalização, pelo motivo de o destinatário ter se mudado. 6. Em 11/01/2012 foi emitido o Termo de Reintimação n° 01/2012, encaminhado via postal ao endereço do CPF do titular Claudionil. O Termo foi devolvido pelos CORREIOS à fiscalização pelo motivo de ter sido recusado o seu recebimento. 7. O Termo de Reintimação n° 01/2012 tinha como objetivo reintimar o contribuinte a apresentar os documentos solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal. 8. Assim, visando constatar o correto endereço de Claudionil, a fiscalização compareceu ao endereço de seu cadastro no CPF, sendo o mesmo endereço de cadastro no CNPJ da empresa fiscalizada, onde foi lavrado o Termo de Constatação n° 01/2012, em 25/01/2012, com os fatos e depoimentos abaixo: 8.1. No endereço diligenciado funciona a empresa O R DE SOUZA CEREAIS ME, CNPJ 04.284.297/0001 15, nome fantasia AGRÍCOLA SAFRA. 8.2. O Sr. OSVALDINO RODRIGUES DE SOUZA, CPF 536.953.21920, afirmou: a) Ser o proprietário da O R DE SOUZA CEREAIS ME desde 2001. b) Que sua empresa sempre funcionou naquele local. c) Não possuir contato pessoal ou comercial com o Sr. Claudionil, proprietário da C. M. DE ANDRADE ME, conhecendoo apenas pessoalmente. d) Não ter conhecimento de uma mesma empresa cadastrada naquele endereço e com o mesmo nome fantasia da O R DE SOUZA CEREAIS ME. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.042 20 e) Que sua esposa, Maria Augusta de Oliveira, recebeu por engano o Termo de Início de Procedimento Fiscal encaminhado àquele endereço. í) Que já fez transações comerciais da C. M. DE ANDRADE ME com terceiros. g) Que abriu a empresa C. M. DE ANDRADE ME em nome do cunhado de seu irmão. h) Que o nome de seu irmão é Ildivaldo Rodrigues de Souza. 9. Tendo em vista o depoimento contradizente do Sr. Osvaldino Rodrigues de Souza, foi encaminhado a ele via postal, em 06/02/2012, o Termo de Solicitação de Esclarecimentos n° 02/2012, cuja ciência se deu em 27/03/2012 mediante Aviso de Recebimento emitido pelos CORREIOS. 10. Em 06/02/2012 também foi lavrado o Termo de Solicitação de Esclarecimentos n° 01/2012, encaminhado via postal ao endereço constante no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) do titular Claudionil Matias de Andrade, Av. Ayrton Senna, 1271, Centro, Buritis/RO, CEP 76.880000, em mais uma tentativa de encontrálo. O Termo foi devolvido pelos CORREIOS à fiscalização pelo motivo destinatário desconhecido. 11. Em 07/02/2012 foi lavrado o Termo de Reintimação n° 02/2012 ao contribuinte para apresentação, no prazo de 20 (vinte) dias, dos documentos já exigidos no Termo de Início de Procedimento Fiscal. A ciência se deu em 22/02/2012, 15 (quinze) dias após a publicação do Edital de Intimação n° 04/2012 na Delegacia da Receita Federal em Porto Velho/RO (DRF/PVO), em 07/02/2012. 12. O contribuinte não se manifestou, não apresentando os documentos solicitados no Termo de Reintimação n° 02/2012, nem qualquer tipo de esclarecimento para seu não atendimento. 13. Na tentativa de se encontrar o titular Claudionil, também foram enviados, em 07/02/2012: 13.1. O Ofício n° 20/2012/GAB/IRF/GUM ao Ofício de Registro Civil e de Notas de Buritis, solicitando cópias autenticadas das procurações arquivadas naquele tabelionato, emitidas por e/ou para o titular Claudionil Matias de Andrade e por e/ou para a empresa C. M. DE ANDRADE ME. 13.2. O Ofício n° 23/2012/GAB/IRF/GUM à Junta Comercial do Estado de Rondônia (JUCER), solicitando fotocópias autenticadas do Contrato Social e Alterações, assim como quaisquer procurações e documentos arquivados naquele órgão, relativos à empresa C. M. DE ANDRADE ME. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.043 21 14. Em atendimento ao Ofício n° 23/2012/GAB/IRF/GUM, a JUCER entregou à fiscalização os seguintes documentos referentes ao contribuinte: 14.1. Requerimento de inscrição da empresa. 14.2. Comunicação de enquadramento na situação de microempresa. 14.3. Requerimento de extinção da empresa. 15. Em atendimento ao Ofício n° 20/2012/GAB/IRF/GUM, o Ofício de Registro Civil e de Notas de Buritis entregou à fiscalização os documentos arquivados naquele tabelionato, abaixo: 15.1. PROCURAÇÃO bastante que faz: C. M. DE ANDRADE ME a Favor de OSVALDINO RODRIGUES DE SOUZA E OUTRO, Livro n° 31P, Folha n° 085. 15.2. PROCURAÇÃO bastante que faz C. M. DE ANDRADE ME a Favor de OSVALDINO RODRIGUES DE SOUZA E OUTRO, Livro n° 23P, Folha n° 004. 16. Com base nas procurações acima, constatouse que os Srs. Osvaldino Rodrigues de Souza e Ildivaldo Rodrigues de Souza possuíam amplos poderes para administrar a C. M. DE ANDRADE ME, inclusive em relação ao controle das contas bancárias da empresa. Tais informações divergiram das declarações prestadas inicialmente por Osvaldino Rodrigues de Souza de que o mesmo manteve pouco relacionamento com a empresa fiscalizada. 17. Prosseguindo com os procedimentos de fiscalização, foi solicitada a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), em 16/03/2012: 17.1. Por ter o contribuinte deixado de entregar os livros e documentos fiscais solicitados, apesar de intimado, visando embaraçar a fiscalização (art. 3º, inciso VII, Decreto 3.724/01, c/c art. 33, inciso I, Lei 9.430/96). 17.2. Por terem sido outorgadas procurações pela C. M. DE ANDRADE em favor de Osvaldino Rodrigues de Souza e de Ildivaldo Rodrigues de Souza, fato não revelado por Sr. Osvaldino no Termo de Constatação n° 01/2012, evidenciando assim a interposição de pessoas na empresa (art. 3º, inciso VII, Decreto 3.724/01, c/c art. 33, inciso III, Lei 9.430/96). 18. Em 16/03/2012 foram emitidas as Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira para as seguintes instituições: Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.044 22 18.1. RMF 02.5.01.002012000039, para o BANCO DA AMAZONIA S/A, CNPJ 04.902.979/000144. 18.2. RMF 02.5.01.002012000047, para a COOPERATIVA DE CREDITO RURAL DE BURITIS, CNPJ 05.203.605/000101. 19. Foram requisitadas as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias: 19.1. Codificação adotada pela Instituição Financeira para especificar a natureza dos lançamentos, em papel. 19.2. Dados constantes da ficha cadastral do sujeito passivo, em papel. 19.3. Depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança, em meio magnético. 19.4. Emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados, em meio magnético. 19.5. Extrato de aplicações financeiras, em meio magnético. 19.6. Extrato de movimentação de contacorrente, em papel e em meio magnético. 19.7. Instrumento de Procuração outorgando poderes para terceiros movimentar a contacorrente, em papel. 19.8. Pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheque, em meio magnético. 20. Paralelamente ao procedimento de fiscalização, constatouse que o contribuinte foi fornecedor da empresa COMPANHIA CACIQUE DE CAFÉ SOLÚVEL, CNPJ 78.588.415/000115. Em razão disto, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal Diligência 02.5.01.002011006114, em 05/12/2011, com o propósito de coletar informações e documentos destinados a subsidiar os procedimentos de fiscalização. 21. Em cumprimento ao MPFDiligência, foi lavrado em 06/12/2011 o Termo de Intimação Fiscal n° 01/2011 à empresa CACIQUE intimandoa a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os esclarecimentos e documentados listados abaixo: 21.1. Informações sobre as Notas Fiscais de Entrada (número, data de emissão e valor) emitidas pela empresa C. M. DE ANDRADE ME, CNPJ 08.422.427/000190, no anocalendário de 2008, em favor do diligenciado. 21.2. Cópia das Notas Fiscais de Entrada referentes ao mês de emissão em que se consolide o maior valor em "R$" de mercadorias adquiridas da empresa C. M. DE ANDRADE ME. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.045 23 a) Cópia dos conhecimentos de transporte referentes a estas Notas Fiscais de Entrada. b) Cópia dos comprovantes de pagamento destas Notas Fiscais de Entrada. 21.3. Identificação da pessoa responsável pela C. M. DE ANDRADE ME que intermediou os negócios de compra e venda com o contribuinte. 22. Em 23/12/2011 a CACIQUE solicitou prorrogação de prazo para a entrega dos documentos solicitados no Termo de Intimação n° 01/2011 da Diligência Fiscal. O prazo foi prorrogado em 20 (vinte) dias. 23. Em 11/01/2012, apresentou as notas fiscais emitidas em seu favor pelo contribuinte fiscalizado no mês de maior valor consolidado de aquisições, maio de 2008, bem como os respectivos conhecimentos de transporte, comprovantes de pagamento e contratos de corretagem, informando ainda que: 23.1. Adquiriu mercadoria do contribuinte fiscalizado sendo café cru para industrialização no montante de R$ 2.529.335,80 (dois milhões e quinhentos e vinte e nove mil e trezentos e trinta e cinco reais e oitenta centavos); 23.2. A corretagem foi realizada pela empresa O R DE SOUZA CEREAIS ME, de propriedade de Osvaldino Rodrigues de Souza. 24. As informações prestadas pela CACIQUE se somaram aos indícios antes coletados no sentido de ser Osvaldino Rodrigues de Souza o verdadeiro titular da empresa fiscalizada. Assim, visando esclarecer os fatos, Osvaldino foi intimado mediante Termo de Solicitação de Esclarecimentos, tendo comparecido à DRF/PVO e prestado os esclarecimentos abaixo, constantes do Termo de de Esclarecimentos lavrado em 05/04/2012: 24.1. Que reside à Rua Vale do Paraíso, no. 2279, Buritis/RO, há onze anos. 24.2. Que o endereço foi incorretamente declarado à Av. Ayrton Senna, no. 100, Buritis/RO. 24.3. Que exerce a atividade de comerciante proprietário da empresa O R DE SOUZA CEREAIS ME desde 2001. 24.4. Que a O R DE SOUZA CEREAIS ME estabeleceuse à Av. Ayrton Senna, no. 100, até 16/11/2009. 24.5. Que a partir de 17/11/2009 até 25/01/2012 a empresa mantevese estabelecida a Av. Ayrton Senna, no. 435, em Buritis/RO. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.046 24 24.6. Que assinou o Termo de Constatação lavrado pelo AFRFB Michel Lopes em 25/01/2012. 24.7. Que em relação aos esclarecimentos prestados ao AFRFB Michel, esclarece que tinha conhecimento de que o proprietário da empresa C. M. DE ANDRADE ME abriu a empresa até a regularização de sua situação no Paraná, salvo engano. 24.8. Que conheceu o proprietário porque o mesmo era cunhado de Ildivaldo Rodrigues de Souza, seu irmão. 24.9. Que por ocasião da alteração de endereço da O R DE SOUZA CEREAIS ME do no. 100 para o no. 435, a empresa C M DE ANDRADE já se encontrava fechada e o proprietário já tinha ido embora da cidade. 24.10. Que adquiriu o imóvel localizado no no. 435 mediante compra no valor de R$40.000,00 (quarenta mil reais) da pessoa identificada por Francisco, salvo engano. 24.11. Que sua empresa, a O R DE SOUZA CEREAIS ME sempre manteve empregados. 24.12. Que não tinha nada a esclarecer sobre o fato de a O R DE SOUZA CEREAIS ME e a C. M. DE ANDRADE ME terem informado à Receita Federal o mesmo telefone. 24.13. Que não tinha nada a esclarecer sobre o fato de a O R DE SOUZA CEREAIS ME e a C. M. DE ANDRADE ME terem informado na GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social o mesmo telefone. 24.14. Que a empresa O R DE SOUZA CEREAIS esteve em funcionamento no anocalendário de 2009, mediante compra e venda de cereais. 24.15. Que não tem conhecimento se a empresa C. M. DE ANDRADE ME esteve em atividade durante o anocalendário de 2009. 24.16. Que sobre as procurações outorgadas por Claudionil Matias de Andrade, proprietário da C. M. DE ANDRADE ME, esclarece que tem conhecimento das outorgas e exerceu os poderes nela contidos mediante a emissão de cheques para pagamento de fornecedores. 24.17. Que Ildivaldo Rodrigues de Souza é seu irmão. 24.18. Que conhece a empresa I. R. DE SOUZA CEREAIS ME, pois a mesma é propriedade de seu irmão Ildivaldo Rodrigues de Souza. 24.19. Que a empresa O R DE SOUZA CEREAIS ME, ao sair do endereço sito à Av. Ayrton Senna, no. 100, Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.047 25 em 16/11/2009, já havia a empresa I. R. DE SOUZA CEREAIS ME desde 2008. 24.20. Que alterou o endereço e o nome fantasia da empresa O R DE SOUZA CEREAIS ME após o início da fiscalização na empresa C. M. DE ANDRADE ME, para sua empresa não sofrer consequências pelo fato de estarem no mesmo endereço e possuírem o mesmo nome fantasia. 24.21. Que não tem conhecimento de onde se encontram os documentos da empresa C. M. DE ANDRADEME. 25. Em 05/04/2012 o BANCO DA AMAZÔNIA S/A encaminhou à fiscalização os documentos solicitados na RMF 02.5.01.002012000039, exceto as cópias dos extratos em meio físico (papel), bem como dos depósitos à vista e a prazo ali registrados. 26. Em 16/04/2012 a COOPERATIVA DE CREDITO RURALDE BURITIS encaminhou à fiscalização os documentos solicitados na RMF 02.5.01.002012 000047. 27. Em 02/05/2012 foi lavrado o Termo de Intimação n° 01/2012, cuja ciência se deu em 17/05/2012, 15 (quinze) dias após a publicação do Edital de Intimação n° 12/2012 na DRF/PVO, em 02/05/2012. 28. O Termo de Intimação n° 01/2012 teve como objetivo intimar o contribuinte a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os documentos e esclarecimentos especificados abaixo: 28.1. Apresentar todas as Notas Fiscais emitidas no anocalendário de 2008, de entrada e de saída. 28.2. Comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos créditos identificados nos anexos I e II daquele Termo, referentes às transações efetuadas nas contas bancárias mantidas no BANCO DA AMAZÔNIA S/A e na COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE BURITIS. 28.3. Comprovar, mediante documentação hábil e idônea, os beneficiários dos pagamentos, depósitos, TED's, transferências e cheques identificados nos anexos III e IV daquele Termo, referentes às transações efetuadas nas contas bancárias mantidas no BANCO DA AMAZÔNIA S/A e na COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DE BURITIS. 29. O contribuinte não se manifestou, não apresentando os documentos solicitados no Termo de Intimação n° 01/2012, nem qualquer tipo de esclarecimento para seu não atendimento. 30. Tendo em vista a outorga de poderes ilimitados pela empresa fiscalizada também à pessoa de ILDIVALDO RODRIGUES DE SOUZA, CPF Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.048 26 585.489.04968, foi então lavrado o Termo de Solicitação de Esclarecimentos contra o próprio em 16/05/2012, sob o respaldo do MPF Diligência no. 02.5.01.00/2012/002844, e encaminhado via postal ao endereço constante do CPF. O Termo foi devolvido pelos CORREIOS à fiscalização pelo motivo de o destinatário ter mudado de endereço. 31. Em 22/06/2012 foi lavrado novo Termo de Solicitação de Esclarecimentos para o Sr. Ildivaldo Rodrigues de Souza, cuja ciência se deu em 09/07/2012, 15 (quinze) dias após após a afixação do Edital de Intimação n° 19/2012 na DRF/PVO, em 22/06/2012. O Termo tinha como objetivo solicitar o comparecimento do intimado à DRF/PVO para os esclarecimentos sobre a empresa C. M. DE ANDRADE ME. 32. O Sr. Ildivaldo Rodrigues de Souza não compareceu para prestar os esclarecimentos solicitados pela fiscalização. 33. Com base nas informações prestadas pelo contribuinte fiscalizado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e nas prestadas pelas instituições financeiras em que o contribuinte manteve movimentação bancária, constatouse a existência de créditos nas contas de depósito ou de investimento mantidas junto a estas instituições. 34. O contribuinte, regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações, fato que configura a infração fiscal de omissão de receitas e autoriza o lançamento do imposto de renda e do adicional nos termos e fundamentos legais expressos abaixo e no decorrer deste Termo e do Auto de Infração. (...) 35. O contribuinte, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, tem o dever de manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, nos termos do art. 45, inciso I da Lei 8.981/95. 36. Tendo em vista a obrigação supra, foram solicitados ao contribuinte os documentos abaixo, relativos ao anocalendário de 2008. As ciências das intimações se deram via edital, por não ter sido localizado o proprietário da empresa, já baixada, nos endereços cadastrados no CPF e no CNIS. 36.1. Contrato Social e alterações; 36.2. Registros contábeis em arquivos digitais; 36.3. Livros Diário e Razão; Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.049 27 36.4. Livro Registro de Entrada e Saída; 36.5. Livro de Apuração do ICMS; 36.6. Extratos Bancários. 37. O contribuinte e seu proprietário, apesar de terem sidos intimados reiteradamente a apresentar os documentos solicitados, não os apresentaram, não alegaram o(s) fato(s) que os impediram de apresentá los, nem prestaram qualquer tipo de esclarecimento. 38. Diante da inércia do contribuinte e tendo em vista o disposto na Lei 8.981/95, desconsiderouse a opção pelo lucro presumido e arbitrouse o lucro auferido no anocalendário de 2008. Diante dos fatos evidenciados e das circunstâncias, não se concebe que outra tenha sido a intenção do sujeito passivo que não a de ocultar do Fisco a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, de modo a evitar o seu conhecimento e, por conseguinte, o seu pagamento, o que denota o evidente intuito de fraude, sonegação e conluio, obrigando à qualificação e o agravamento da penalidade. No que toca ao agravamento da penalidade, importa observar que, além de não ter prestado os esclarecimentos solicitados via intimação, os sujeitos passivos não apresentaram os livros fiscais e demais documentos de escrituração da empresa, sem nenhuma justificativa plausível, apesar de reiteradamente intimados. É certo que a Fiscalização necessitaria desses documentos fiscais qualquer que fosse a forma de autuação a ser adotada, portanto, ao deixar de apresentar tais documentos os sujeitos passivos incorreram na mesma conduta vedada pelo art. 44, § 2o, da Lei 9.430/1996, já anteriormente citado. Assim, diante do contexto do presente julgado e da eficácia dos dispositivos legais que respaldam as multas aplicadas, deve ser mantido o feito fiscal no que concerne a estes itens. No que concerne à alegação de que a multa de 150% é confiscatória, como já dito no início deste voto, cumpre considerar que o princípio insculpido no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, relativo à vedação ao confisco, antes de mais nada, é dirigido ao legislador. Tal princípio orienta a elaboração legislativa, que deve observar a capacidade econômica do contribuinte (art. 145, § 1o da CF), bem como não pode dar ao tributo conotação de confisco. Ressaltese, novamente, que o contencioso administrativo não é o foro próprio para examinar questões de tal natureza. Vale esclarecer que não cabe às autoridades administrativas se manifestarem sobre matéria do ponto de vista constitucional, excetuado os casos em que houver declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal de lei, de tratado ou de ato normativo, situação em que é permitido às autoridades fiscais a quo afastar a sua aplicação (Art. 26A do Decreto 70.235/72, Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, e Parecer da PGFN/CRE n.º 948, de 2 de junho de 1998). Por todo o exposto, devem ser mantidos a qualificação e o agravamento da multa de ofício. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.050 28 Entendo que tal entendimento não deve prevalecer. A infração objeto de lançamento baseouse única e exclusivamente em presunção legal, sem qualquer aprofundamento que pudesse dar à ocorrência do fato gerador contornos de dolo, quer por meio de sonegação, fraude ou conluio a que dizem respeito, respectivamente, os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O fato de a empresa encontrarse formalmente titularizada por interpostas pessoas em nada interfere com a ocorrência do fato, especialmente porque as contas bancárias que deram origem aos depósitos considerados como renda encontravamse em nome da própria pessoa jurídica. Sobre tal irregularidade, seus reflexos devem se dar no âmbito da responsabilidade tributária, tema a ser abordado no próximo item deste voto. Entendo que a circunstância a ser levada em conta para qualificação da multa deve dizer respeito à ocorrência do fato gerador. E, conforme explanado, não há nada nos autos que demonstre a atitude dolosa da Recorrente em relação à auferição de receitas. Por mais que os volumes movimentados sejam vultosos e incompatíveis com a receita declarada, não se altera o panorama da simples presunção de omissão de receitas, haja vista a ausência de elementos que comprovem o dolo da Interessada. Nesse cenário, impõese a aplicação da Súmula CARF nº 14, assim vazada: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim sendo, considerando que foi aplicada multa de 225%, a duplicação no percentual a que alude o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não deve prevalecer, devendo a penalidade ser reduzida a 112,5%. 2.5 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A esse respeito, a decisão recorrida descreve com precisão e conclui de forma precisa no mesmo sentido de meu entendimento sobre o tema: os titulares de fato de pessoas jurídicas possuem interesse comum na ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 124, I, do CTN, agindo em paralelo com a pessoa jurídica na obtenção de renda, devendo responder solidariamente com o contribuinte em relação ao crédito tributário por este devido. Desse modo, a fim de evitarse tautologia, e com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, adoto como fundamento de meu voto sobre a matéria as razões de decidir do aresto recorrido, transcrevendoas a seguir: Os sujeitos passivos solidariamente responsabilizados pelo crédito tributário constituído requerem a nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária – TSPS, por entenderem, em síntese, “... que o “Termo de Solidariedade Passiva” objetivando a imputação da responsabilidade a terceiros é nulo, vez que lavrado por autoridade incompetente, no caso, o agente fiscal, face à competência exclusiva da Procuradora da Fazenda Nacional.”. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.051 29 Esclareçase, inicialmente, que o crédito tributário foi constituído em relação à empresa em epígrafe, na condição de contribuinte, conforme definido no parágrafo único do art. 121, inciso I, do CTN. Entretanto, tendo em vista as circunstâncias desvendadas no trabalho fiscal e a finalidade do lançamento, que visa não só a constituição do crédito tributário, mas em última análise o seu recolhimento ao Tesouro Nacional, a Fiscalização arrolou outras pessoas como responsáveis, sobre as quais incide a responsabilização para fins de cobrança do crédito constituído. Nesse sentido dispõe a Portaria RFB n.º 2.284, de 29 de novembro de 2010: Art. 1 º Os processos de determinação e exigência de créditos tributários relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nas hipóteses em que houver pluralidade de sujeitos passivos, serão disciplinados conforme o disposto nesta Portaria. Art. 2 º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1 º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2 º Na hipótese de que trata o caput , não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Art. 3 º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput , o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Art. 4 º O pagamento efetuado por um dos autuados aproveita aos demais. Parágrafo único. Na hipótese de pagamento integral, perdem o objeto as impugnações ou recursos apresentados pelos demais autuados. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.052 30 Art. 5 º O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1 º O parcelamento impede a apreciação de impugnações ou recursos apresentados pelos demais autuados. § 2 º Rescindido o parcelamento, o julgamento das impugnações ou recursos segue o curso normal do processo, aplicandose o disposto no art. 7 º . Art. 6 º A compensação declarada por um dos autuados, na forma do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , extingue o crédito tributário lançado sob condição resolutória de sua ulterior homologação, para todos os autuados. § 1 º O disposto no caput impede a apreciação de impugnações ou recursos apresentados pelos demais autuados. § 2 º Homologada a compensação declarada por um dos autuados, a extinção definitiva do crédito tributário aproveita aos demais, perdendo o objeto as impugnações ou recursos apresentados pelos demais autuados. § 3 º As impugnações e os recursos apresentados contra o lançamento do crédito tributário somente deverão ser encaminhados a julgamento após o trânsito em julgado da decisão que não homologar total ou parcialmente a compensação ou a considerar não declarada, observado o disposto no art. 7 º . Art. 7 º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1 º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. § 2 º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3 º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.053 31 responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. § 4 º A desistência de impugnação ou recurso não prejudica os demais autuados que também impugnaram ou recorreram. § 5 º A decisão definitiva que afasta o vínculo de responsabilidade opera efeitos imediatos. § 6 º Se um dos autuados pedir parcelamento ou compensação do crédito tributário lançado, aplicase o disposto no art. 5 º ou no art. 6 º , respectivamente. Art. 8 º Na hipótese de diligência ou de perícia, de que trata o art. 18 do Decreto n º 70.235, de 6 de março de 1972, todos os autuados que impugnaram ou recorreram do crédito tributário serão cientificados do resultado, sendolhes concedido prazo para manifestação. § 1 º Aplicase o disposto no caput, também, aos que impugnaram ou recorreram quanto ao vínculo de responsabilidade, se a diligência ou a perícia versar sobre esta matéria. § 2 º Se da perícia ou da diligência resultar agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, todos os autuados serão cientificados, devolvendose o prazo para impugnação da matéria alterada. Art. 9 º Não cumprida a exigência e nem impugnado o crédito tributário lançado, será declarada a revelia para todos os autuados. Parágrafo único. No caso de impugnação apenas do vínculo de responsabilidade, a revelia se opera em relação aos demais que não impugnaram o lançamento. Art. 10. O crédito tributário será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa, somente após o término do prazo de cobrança amigável para todos os obrigados. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que houver pendência de julgamento exclusivamente quanto ao vínculo de responsabilidade, caso em que o Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.054 32 encaminhamento deverá ocorrer em relação aos autuados que não discutem o vínculo. Art. 11. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Assim, o lançamento de ofício deve ser efetuado contra o contribuinte e todos os responsáveis tributários sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, forem identificadas hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos. O art. 124 do CTN comporta dois tipos de responsabilidade solidária: a de fato (art. 124, I), que exige interesse comum, e a de direito (art. 124, II). Visualizase interesse comum, por exemplo: nos grupos econômicos, se constatadas situações de confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores; nas sociedades em comum, nas sociedades extintas de fato que continuam a exercer suas atividades por meio dos sócios (em relação aos fatos geradores ocorridos após a extinção) e nas sociedades conjugais, quando a apuração é feita em conjunto ou, em relação aos rendimentos de bens comuns, quando o regime de bens é o da comunhão. Nunca é demais lembrar, mais uma vez, que a atividade do lançamento é vinculada, cabendo à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo, seja ele contribuinte ou responsável (arts. 142 e 121 do CTN). Outrossim, determina o art. 202, inciso I, do CTN que o termo de inscrição da dívida ativa deve indicar obrigatoriamente o nome do devedor e, sendo o caso, o dos coresponsáveis. Assim, para a execução atingir terceiros que não a autuada, é importante que esses sejam indicados no procedimento fiscal, subsidiando o trabalho da Procuradoria da Fazenda Nacional quando da execução fiscal De mais a mais, é pacífico na esfera administrativa, tanto em primeira quanto em segunda instância, que cumpre a autoridade tributária arrolar os responsáveis tributários na autuação, os quais são partes legítimas para impugnar e recorrer da exigência do crédito. Nesse sentido dispõe a súmula 71 do CARF: “Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Acórdãos precedentes: 1402 00.423, de 28/01/2011; 1201 00.267, de 20/05/2010; 140200.093, de 26/01/2010; 1103 00.043, de 01/10/2009; 140100.047, de 13/05/2009; 10197.107, de 04/02/2009; 103 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.055 33 23.649, de 18/12/2008; 10323.364, de 24/01/2008.” No caso especifico, o que sobressai do exame dos autos é que os sujeitos passivos responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário são, de fato, os verdadeiros sócios da empresa autuada. Além dos fatos narrados no TVF e já aqui parcialmente transcritos, item DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA, a fiscalização houve por bem concluir da seguinte forma, também no TVF, item DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: (...) 50. Além das receitas omitidas, foram constatadas diversas evidências da interposição de pessoa na empresa, com objetivo de ocultar os administradores de fato e, por conseguinte, fugir ao cumprimento das obrigações tributárias e | dificultar o conhecimento e a exigência dos créditos tributários devidos. Em síntese, citamos abaixo os principais indícios. 51. A fiscalização compareceu ao endereço do CPF do titular Claudionil Matias de Andrade, mesmo endereço do CNPJ da empresa fiscalizada quando esta ainda estava ativa. Restou comprovado, portanto, mediante registro no Termo de Constatação n° 01/2012, que no endereço cadastral da CM de Andrade também havia em concomitância atividades da empresa O R DE SOUZA CEREAIS ME, CNPJ 04.284.297/000115, ambas como o mesmo nome fantasia de "AGRÍCOLA SAFRA". 52. O proprietário da O R DE SOUZA CEREAIS ME, Sr. Osvaldino Rodrigues de Souza, prestou depoimento contradizente. Inicialmente, declarou não ter mantido contato pessoal ou comercial com o titular da empresa fiscalizada, sequer sabia que exista outra empresa em atividade no mesmo local da O R de Souza. Após ser intimado a prestar esclarecimentos na DRF/PVO/RO e à vista da procuração que lhe fora outorgada, confessou ter realizado transações comerciais, inclusive bancárias, em nome da C. M. DE ANDRADE ME com terceiros. 53. Confessou conhecer a pessoa de Claudionil como sendo cunhado de seu irmão identificado por Ildivaldo Rodrigues de Souza, também procurador da empresa fiscalizada e detentor de poderes ilimitados para administrála e movimentar conta bancária, além de ser proprietário da empresa I. R. DE SOUZA CEREAIS ME. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.056 34 54. Declarou que sua empresa mudou de endereço do no. 100 para o no. 435 da Av. Ayrton Senna, em 16/11/2009, contradizendo o que havia dito inicialmente no sentido de que sua empresa sempre exerceu atividades no mesmo local da empresa fiscalizada, ou seja, a Av. Ayrton Senna, no. 435, e tendo jamais havido outra empresa naquele local. 55. Negou esclarecimentos quanto ao fato de as empresas C. M. DE ANDRADE ME, O R DE SOUZA CEREAIS ME e I. R. DE SOUZA CEREAIS ME, esta de propriedade de seu irmão, terem informado o mesmo telefone na GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e informações a Previdência Social. 56. Além dos indícios levantados a partir das declarações de Osvaldino, as PROCURAÇÕES obtidas junto ao Registro Civil e de Notas de Buritis comprovam o total envolvimento e os amplos poderes conferidos à Osvaldino Rodrigues de Souza e Ildivaldo Rodrigues de Souza para gerir a empresa CM. DE Andrade, conforme segue: a) Livro n° 31P, Folha n° 085: Na procuração acima a empresa Outorgante, C. M. DE ANDRADE ME, constitui seu bastante procurador, OSVALDINO RODRIGUES DE SOUZA, ao qual confere "amplos e gerais poderes para o fim especial de gerir e administrar todos os bens, negócios e interesses da Empresa ora Outorgante (...) ". b) Livro n° 23P, Folha n° 004: Na procuração acima a empresa Outorgante, C. M. DE ANDRADE ME constitui seus bastantes procuradores, OSVALDINO RODRIGUES DE SOUZA e ILDIVALDO RODRIGUES DE SOUZA, aos quais confere "amplos, gerais e ilimitados poderes, para o fim especial de representar a Outorgante, perante ao BANCO DO BRASIL S/A, BANCO DA AMAZÔNIA S/A e COOPERATIVA DE CRÉDITO DE BURITIS SICOOB/BURITIS (...) ". 57. Das informações prestadas pelas instituições financeiras nas quais a empresa fiscalizada possuiu movimentação, verificouse que: 57.1. Em relação ao Banco da Amazônia S/A: Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.057 35 a) A instituição possui cópia da já citada procuração que confere amplos, gerais e ilimitados poderes para que os Srs. Osvaldino e Ildivaldo Rodrigues de Souza representem a empresa fiscalizada perante ao Banco da Amazônia S/A, dentre outros. b) A contacorrente foi aberta em 07/08/2008 pelo procurador da empresa, Sr. Ildivaldo Rodrigues de Souza. c) A empresa O R DE SOUZA CEREAIS ME, de propriedade do Sr. Osvaldino Rodrigues de Souza, consta como sendo referência comercial do contribuinte fiscalizado. 57.2. Em relação a Cooperativa de Crédito Rural de Buritis: a) A instituição possui cópia da já citada procuração que confere amplos, gerais e ilimitados poderes para que os Srs. Osvaldino e Ildivaldo Rodrigues de Souza representem a empresa fiscalizada perante a Cooperativa de Crédito Rural de Buritis, dentre outros. b) Na Ficha Cadastral Pessoa Jurídica, no campo "1 DADOS PESSOAIS Resumo Contrato Social / Administração / Objeto", consta a seguinte descrição da empresa: "Sociedade firma individual (...) sendo administrada pelos outorgados: Osvaldino Rodrigues de Souza e Ildivaldo Rodrigues de Souza." c) Na Ficha Cadastral Pessoa Jurídica, no campo "3 ADMINISTRADORES", constam como administradores outorgados os Srs. Osvaldino e Ildivaldo Rodrigues de Souza. 58. Ressaltase que a empresa diligenciada CACIQUE DE CAFÉ SOLÚVEL, intimada a identificar a pessoa responsável pela intermediação dos negócios de compra e venda pela C. M. DE ANDRADE ME, informou que a corretagem fora realizada pela empresa O R DE SOUZA CEREAIS ME, de propriedade de Osvaldino Rodrigues de Souza. 59. Restou, portanto, caracterizada a Sujeição Passiva Solidária dos Srs. OSVALDINO RODRIGUES DE SOUZA, CPF 536.953.21920, e ILDIVALDO RODRIGUES DE SOUZA, CPF 585.489.04968, em face do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa C. M. DE ANDRADE ME, haja Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10240.721190/201275 Acórdão n.º 1402001.819 S1C4T2 Fl. 1.058 36 vista o exercício efetivo de gerência e administração sobre os negócios da empresa, constatado durante o período em que foram verificadas as infrações descritas nesse Termo de Verificação e Constatação Fiscal. Tal situação, tipificada no art. 124, Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), foi materializada em Termo de Sujeição Passiva Solidária. (...) De uma leitura detalhada do texto, fica patente que os impugnantes tinham interesse comum nos negócios da autuada, uma vez que, conforme demonstrado, em maior ou menor grau, deles se beneficiaram. Portanto, independentemente de lei específica nesse sentido, os impugnantes são solidariamente obrigados nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. Assim, não há como dar razão às recorrentes. Isso posto, voto por manter a responsabilidade tributária atribuída aos coobrigados. 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar as arguições de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial aos recurso voluntários, reduzindo a penalidade aplicada a 112,5%, mantendo, ainda a responsabilidade tributária atribuída aos coobrigados. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13855.002762/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando o Termo de Encerramento Fiscal apresenta descrição detalhada do procedimento com devido respaldo e vinculação ao enquadramento legal mencionado.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada.
A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITA.
Mantém-se o lançamento decorrente de omissão de receita apurada com base em informações constantes nos extratos bancários quando não elidida pela contribuinte.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1301-001.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente temporariamente o Presidente Valmar Fonsêca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) e na presidência pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando o Termo de Encerramento Fiscal apresenta descrição detalhada do procedimento com devido respaldo e vinculação ao enquadramento legal mencionado. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITA. Mantémse o lançamento decorrente de omissão de receita apurada com base em informações constantes nos extratos bancários quando não elidida pela contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 27 62 /2 00 8- 05 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente temporariamente o Presidente Valmar Fonsêca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) e na presidência pelo Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13855.002762/200805 Acórdão n.º 1301001.588 S1C3T1 Fl. 34 3 Relatório Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado foi apurada, no anocalendário de 2005, omissão de receitas da atividade sem emissão de notas fiscais. Em conseqüência foram lavrados os autos de infração exigindo os seguintes valores: R$ 269.939,59 de IRPJ; R$ 173.232,97 de CSLL; R$ 105.181,06 de PIS e R$ 485.451,66 de COFINS, incluindo juros de mora e multa de ofício de 75%. Consta no Termo de Verificação Fiscal (TVF) que a contribuinte foi intimada a apresentar os extratos bancários de todas as suas contascorrentes, poupanças e investimentos, dentre elas as mantidas na Coonai, os livros Caixa ou Diário e Razão, Apuração do ISS e notas fiscais de serviços prestados. Tendo a contribuinte apresentado os extratos da conta corrente mantida na Coonai, foi intimada a justificar os valores depositados nessa conta e apresentou notas fiscais de saída e comprovantes de empréstimos contraídos. Dessa forma, os valores da omissão de receitas foram obtidos a partir do total da movimentação financeira diminuída dos valores dos empréstimos bancários. Além disso, a fiscalização constatou que a alíquota correta é 8% e não 16% como usada pela contribuinte. Notificada da autuação a contribuinte, representada pelo sócio Douglas Antônio Fernandes (fls.707 a 718), ingressou com a impugnação de fls.349 a 360, na qual alega: ∙ Não sabe ao certo do que está sendo acusado pela confusão existente no auto de infração e no TVF. O enquadramento legal apontado no auto de infração não configura fundamento hábil a tipificar a infração correspondente à omissão de receita, já que apenas disciplina o conseqüente do ato de omitir receita como forma de determinar a base de cálculo do tributo correspondente. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração a contribuinte teria omitido receita sem emissão da correspondente nota fiscal. Todavia, não há qualquer elemento de prova nos autos que corrobore essa afirmação; ∙ Pelos documentos que integram o processo, o indício de omissão de receita foi apurado em virtude da movimentação financeira incompatível com a renda declarada em DIPJ. Mas, depois da intimação para justificativa dos valores creditados em conta bancária da contribuinte, ficou comprovado que a quase totalidade desses valores correspondia a notas fiscais de venda de café e a empréstimos tomados junto à Cooperativa de Crédito Coonai; ∙ Sem analisar a natureza das notas fiscais, sem realizar qualquer confrontação dessas notas com os valores creditados em conta bancária e sem analisar mais detidamente a justificativa que foi feita pela contribuinte (fls. 289/301), o fiscal considerou apenas alguns itens da relação de depósitos bancários foram identificados como recebimentos de notas fiscais. Quanto aos empréstimos, a despeito de ter aduzido que eles foram Fl. 429DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 efetivamente comprovados pelos documentos emitidos pela própria instituição financeira, na realidade nem todos foram retirados da base de cálculo do lançamento de ofício; ∙ O auditor aponta que a movimentação financeira da empresa em 2005 montou em R$ 9.055.097,39, conforme quadro de fl. 49, e o total dos empréstimos em R$ 1.622.964,56, conforme planilha de fls. 304/305. Assim, o valor da base de cálculo só poderia corresponder a R$ 7.432.132,83 e não a R$ 7.497.780,83, como foi utilizada neste lançamento de ofício (fls. 05/06). Outrossim, o total dos empréstimos constante das planilhas de fls. 304/305 não confere com o total informado pelo próprio banco (fls. 314). E as diferenças e inconsistências continuam aparecendo, como se observa, por exemplo, ao confrontarmos a documentação que apresenta operações a título de estorno de juros, reapresentação de cheques devolvidos, liberação de depósitos bloqueados, novos depósitos de cheques bloqueados, desconto de cheques, devolução de cheques depositados etc. Daí a precariedade da base de cálculo utilizada pelo fisco. Aliás, a própria base de cálculo por ele explicada não tem explicação; ∙ As inconsistências prejudicam e limitam o seu direito de defesa, que não consegue identificar se a omissão de receita foi considerada com base em presunção legal, já que não consta qualquer menção à referida figura no auto de infração ou se foi em razão de receita comprovadamente omitida e, nesse caso, se foi apurada com base nas notas fiscais de venda ou em qualquer outro elemento, já que a infração apontada referiuse à falta de emissão de notas fiscais; ∙ Cotejandose a descrição dos fatos com o enquadramento legal e com o termo de verificação fiscal, não se consegue vislumbrar o fundamento da autuação. Portanto, o lançamento de oficio ora impugnado encontrase eivado de vício insanável que o torna nulo em face do desrespeito ao princípio da legalidade que norteia os atos da administração pública; ∙ O que se denota pela análise dos autos é que a documentação apresentada pelo autuado durante a fiscalização não foi analisada, sobretudo as notas fiscais, mas simplesmente desconsideradas sem qualquer fundamentação, como constou no nº 5 do item III, do TVF. Observase que as notas fiscais n° 295, 296 e 316, constantes às fls. 213, 214 e 234, respectivamente, referemse às vendas com fins específicos para a exportação à empresa Exportadora de Café GUAXUPÉ Ltda. Para comprovação da exportação, estão sendo juntados os Memorandos de Exportação, as notas fiscais emitidas pela exportadora que fazem menção ao documento fiscal de emissão do autuado, bem como os registros e comprovantes de exportação emitidos através do Siscomex; Embora estejam sendo apresentadas as comprovações de exportação apenas em relação a essas notas, outras vendas foram realizadas da mesma forma, assim como vendas internas, equiparadas á exportação, realizadas a empresas preponderantemente exportadoras. Todavia, não foi possível obter a documentação comprobatória até o momento, diante de várias dificuldades enfrentadas; Também a nota fiscal de número 309 (fl. 229), no valor de R$ 48.000,00 (quarenta e oito mil reais) referese à venda de ativo imobilizado do contribuinte, de forma que não poderia ter sido considerada no conjunto das receitas supostamente omitidas; No tocante às vendas às empresas comerciais exportadoras, a legislação prevê a isenção do produto da venda em relação às contribuições para o PIS, Cofins e CSLL. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13855.002762/200805 Acórdão n.º 1301001.588 S1C3T1 Fl. 35 5 A DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP, decidiu a matéria por meio do Acórdão 14 39.965, de 17/01/2013 (fl. 391), julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITA. Mantémse o lançamento decorrente de omissão de receita apurada com base em informações constantes nos extratos bancários quando não elidida pela contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Incabível a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, quando a infração apurada e o fundamento legal estiverem claramente descritos no TVF e constarem no processo todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. É o relatório. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Após repisar os argumentos da inicial (impugnação), aduz a ora recorrente que o fundamento legal apontado como infringido, no entender da fiscalização foi o art. 528 do RIR/1999 que, por sua vez, dispõe que “Verificada a omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de calculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei 9.249, de 1995, art. 24)”. Prossegue em sua defesa argumentando que: “Portanto, pela leitura do auto de infração, a conduta do contribuinte teria sido a omissão de receita com a não emissão das notas fiscais. Ou seja, entendeu a fiscalização que o contribuinte, no exercício de sua atividade de venda de café, deixou de emitir as notas fiscais e de oferecer as receitas auferidas com essas vendas à tributação do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Todavia, não há nos autos a prova dessa omissão de receitas pela falta de escrituração e emissão de notas fiscais. Não há prova dos livros fiscais que pudesse demonstrar a omissão tal como apontada no auto de infração e o contribuinte, após intimação, prontamente apresentou as notas de vendas por ele emitidas durante o período da fiscalização. Portanto, inexistente a infração tal como constou no auto de infração, no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal.” Analisandose o Termo de Verificação Fiscal (fls. 33/51) que integra os lançamentos do presente auto de infração, após os tópicos “Histórico, Objeto da Auditoria e Verificações Efetuadas”, observo o seguinte, transcrevese: “Foi, então, expedido o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização, do qual o contribuinte tomou ciência, juntamente com o Termo de Intimação e Inicio de Fiscalização, em 25/04/2008. De acordo com os documentos entregues, estava o sujeito passivo da obrigação tributária intimado a, no prazo de 20 (vinte) dias contados da data do recebimento do referido Termo, apresentar os seguintes elementos/esclarecimentos: • AnoCalendário 2005: 1 Apresentar os extratos bancários de todas as contascorrentes. poupanças e investimentos, mantidos em nome da empresa, no Brasil e no exterior, dentre elas as mantidas na Cooperativa de Credito Rural COONAI. no período a ser fiscalizado. No mesmo Termo de Intimação e Início de Fiscalização o contribuinte foi esclarecido de que, com a publicação da Lei n° 9.430/96, de 27.12.1996 e acréscimos do art. 58 da Medida Provisória n° 66, de 29/08/02, convalidada pela Lei n° 10.637/02, a partir do anocalendário de 1997 os valores depositados em contas correntes ou de investimentos, no Brasil e no exterior, estão sujeitos a comprovação Fl. 432DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13855.002762/200805 Acórdão n.º 1301001.588 S1C3T1 Fl. 36 7 da origem dos recursos utilizados nessas operações, dentro dos limites e condições estabelecidos no art. 42 da supracitada Lei. Constatase, ainda, pelo TERMO DE INTIMAÇÃO 02, que a autuada fora notificada a apresentar justificativas, item a item, com a apresentação dos devidos comprovantes, dos valores depositados na conta bancária mantida na Cooperativa de Crédito Rural COONAI, conforme relação em anexo a este Termo, totalizando, no anocalendário de 2005, um valor de R$ 9.055.097,39 (item 5). Registrese que, novamente, precede ao solicitado os seguintes termos, verbis: Com a publicação da Lei n° 9.430/96, de 27.12.1996 e acréscimos do art. 58 da Medida Provisória n° 66, de 29/08/02, convalidada pela Lei n° 10.637/02, a partir do anocalendário de 1997 os valores depositados em contascorrentes ou de investimentos, no Brasil e no exterior, estão sujeitos a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, dentro dos limites e condições estabelecidos no art. 42 da supracitada Lei. Como bem assentado na decisão recorrida consta, ainda, no TVF o relato das intimações feitas durante a fiscalização, dos documentos apresentados pela contribuinte e da conclusão a que chegou o autuante depois da análise de toda a documentação juntada ao processo, conforme a seguir transcrito: 2) Ao verificarmos a movimentação financeira da empresa chegamos a valores que se distanciam muito do declarado na respectiva DIPJ. Com base nos extratos bancários, observamos créditos na contacorrente da empresa mantida na COONAI nos seguintes montantes: (...) 3) Ao questionarmos a empresa sobre a justificativa para tais valores, foram nos apresentadas diversas notas fiscais de saída e, além disso, foi pedido, item a item, que se justificasse o motivo pelo qual tais créditos foram efetuados em conta corrente. Conforme planilha elaborada pela própria empresa apenas alguns poucos itens foram identificados como recebimentos de algumas notas fiscais de saída e outros como "empréstimos". 4) Com relação a esses empréstimos, foram apresentados comprovantes emitidos pela própria instituição financeira que atestaram a efetividade dos mesmos. 5) Desta forma, os valores conclusos sobre o real montante da omissão de receitas foi obtido a partir do total da movimentação financeira observada através dos extratos bancários diminuindose deste valor os referentes aos empréstimos bancários. (ressaltei) Verificase, assim, que consta claramente no TVF como foi apurada a base de cálculo dos tributos lançados, ou seja, a movimentação financeira diminuída dos valores referentes aos empréstimos bancários comprovados, tal como previsto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. No auto de infração consta como infração a omissão de receita sem emissão da correspondente nota fiscal, que, como se vê no TVF, foi apurada com base na movimentação financeira, cuja origem não foi comprovada. Cada um dos depósitos tributados foram discriminados em planilha anexada ao processo pelo autuante. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 A própria contribuinte afirma na impugnação que “pelos documentos que integram o processo, o indício de omissão de receita foi apurado em virtude da movimentação financeira incompatível com a renda declarada em DIPJ”. Logo, totalmente improcedente a alegação da interessada de que “conforme aduzido na impugnação, nem o auto de infração, nem o Termo de Verificação Fiscal apontaram como fundamento do lançamento de ofício a norma do artigo 42 da Lei 9.430/96, que trata da presunção legal de omissão de receitas”. O Termo de Encerramento Fiscal possui 18 (dezoito) folhas com descrição detalhada do procedimento e das razões que levaram ao entendimento do Fisco pela ocorrência das irregularidades apuradas. Quanto ao enquadramento legal, os dispositivos mencionados dão total cobertura à ação fiscal não se justificando o questionamento aventado. Foram citadas normas que tratam da omissão de receitas e dos efeitos daí decorrentes, da tributação com base nos depósitos bancários e da imputação das multas e dos lançamentos decorrentes. Vejo, então, que o presente lançamento foi confeccionado em consonância com as normas que disciplinam a constituição do crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. Percebo que o fisco indicou os elementos examinados para chegar a conclusão de que houve a omissão de receitas com base em presunção legal, depósitos bancários não justificados. Nesse sentido, concluo que a notificação e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a constituição dos fatos geradores praticados pela empresa. Assim, não há o que se falar em nulidade do ato administrativo de lançamento se inexistiu prejuízo explícito ou aparente para o fiscalizado. Nesse sentido, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essenciais do lançamento, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa, afasto as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito da autuação, a recorrente insurgese, aduzindo que: “Ademais, se a acusação de omissão de receitas decorreu da presunção legal prevista no artigo 42 da Lei 9.430/96, tal como afirmado pela r. decisão recorrida, o que se conclui é que também não houve observância à melhor interpretação dessa norma”. Alega em suma, neste item, “que as notas fiscais de venda de café apresentadas foram simplesmente desconsideradas e, grande parte das receitas auferidas foram decorrentes de vendas realizadas com fim específico de exportação (exemplos das notas Fl. 434DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13855.002762/200805 Acórdão n.º 1301001.588 S1C3T1 Fl. 37 9 295, 296, 309 e 316)”. Entende que, no caso, caberia a fiscalização aprofundar as investigações para conhecer a verdade material. Tal entendimento já foi superado desde o advento da Lei nº 9.430, de 1996 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Em relação à natureza dos depósitos, as alegações do sujeito passivo são vagas e até mesmo contraditórias. Se, como afirmou, são oriundos de receita de sua atividade (venda de café), dá razão ao Fisco de tributálos naquilo que superar os valores declarados, como efetivamente foi realizado. Em relação às transferências, foram devidamente excluídas como bem esclareceu a Fiscalização. Vejamos o teor da decisão combatida da qual reproduzo os trechos: Citado art.42 da referida lei estabeleceu uma presunção legal relativa de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Referida presunção legal relativa (juris tantum) provoca a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo à contribuinte provar que o fisco está equivocado. A comprovação da origem dos valores depositados em conta corrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. No caso presente, a contribuinte, sendo intimada a comprovar, individualizadamente, a origem de cada depósito efetuado na conta existente junto à Coonai, comprovou empréstimos contraídos e apresentou notas fiscais de saída, em relação às quais a fiscalização não conseguiu estabelecer vínculo com os valores questionados. Não se pode, portanto, falar em falta de análise dos documentos apresentados. Relativamente aos créditos que se diz relativos a reapresentação de cheques devolvidos, liberação de depósitos bloqueados, novos depósitos de cheques bloqueados, desconto de cheques, devolução de cheques depositados, etc., a contribuinte não especifica a quais depósitos se refere, nem se vislumbra, analisando o demonstrativo dos valores tributados (fls.326 a 337), qualquer valor com esse histórico que tenham sido tributados em duplicidade. Cumpre esclarecer que a devolução de cheques depositados não descaracteriza o auferimento da receita, não importando que tenha ou não sido efetivamente recebido o seu valor. Referida devolução apenas indica o não recebimento de determinada receita. Quanto à reapresentação de cheques devolvidos, verificase que não foram anexados ao processo quaisquer documentos que comprovem essa alegação. Ademais, devese deixar claro que, para evitar a consideração de créditos em duplicidade, a lógica consiste em excluir da base de cálculo a segunda e demais apresentações de cheque, quando tal fato pode ser identificado nos extratos ou é Fl. 435DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 comprovado pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea. Obviamente, abater a devolução referente à primeira apresentação de cheque significa desconsiderar sua primeira apresentação e o faturamento dela decorrente. E o faturamento de fato ocorreu, não podendo ser desconsiderado simplesmente porque o cliente não honrou com sua obrigação de pagar. Devese ressaltar que, diante da relação individualizada dos depósitos tributados pelo fisco, é ônus da contribuinte a apresentação das provas de sua origem. Não basta a impugnante questionar os valores totais tributados. Cumprelhe comprovar, fundada em documentos hábeis e idôneos, especificamente a origem de cada um dos depósitos tributados, o que não foi feito. Com relação à diferença entre o total dos empréstimos contraídos (R$ 1.647.852,33) e o total considerado pelo fisco (R$ 1.622.964,56), temse que é relativa aos seguintes itens: a) mês de julho/2005 (contratos nºs 199065, de R$ 10.000,00, e 199284, de R$ 16.890,00, fl.313): os valores dos referidos contratos não estavam sendo questionados pela fiscalização, como se pode ver na planilha relativa ao Termo de Intimação 02, à fl. 162. Por isso não foram considerados no somatório dos empréstimos comprovados; b) mês de fevereiro (R$ 108,00) e mês de abril (R$ 266,98, R$ 165,98, R$ 1.165,00, R$ 236,51, R$ 59,76): tais valores não estão incluídos no total de R$ 1.647.852,33, pois não são relativos a empréstimos, mas sim a estorno de juros s/empréstimos. Entretanto, estão incluídos no somatório de R$ 1.622.964,56, como se vê às fls.306/307, e, com exceção do valor relativo ao mês de fevereiro/2005 (R$108,00) não foram tributados (fl.329). Quanto à alegação de que as notas fiscais n° 295, 296, 316 e 309, constantes às fls. 213, 214, 234 e 229, respectivamente, não poderiam ser tributadas, cabe repisar que não se está tributando a receita correspondente a essas notas fiscais, mas aquela apurada por meio de presunção legal com base nos valores creditados em conta de depósito cuja origem não foi comprovada com documentação hábil e idônea. A contribuinte não conseguiu comprovar que os valores tributados estão vinculados a qualquer uma das notas fiscais apresentadas durante o procedimento fiscal, razão pela qual não se pode falar que se trata de receita de exportação. Concluindo, entendo que os fundamentos trazidos na peça recursal não lograram afastar as conclusões da fiscalização e mantidas pela decisão recorrida, cujos fundamentos são aqui adotados como razão de decidir, com a permissão do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, para manter a autuação, verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [...] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13855.002762/200805 Acórdão n.º 1301001.588 S1C3T1 Fl. 38 11 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 437DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 11543.000969/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível o lançamento apenas para prevenção da decadência, e a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o imposto suplementar remanescente para R$10.719,43, cuja cobrança deve ser mantida suspensa enquanto houver depósito ou medida judiciais suspensivos, mantendo-se os demais aspectos do lançamento.
Assinado digitalmente.
José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 03/06/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível o lançamento apenas para prevenção da decadência, e a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o imposto suplementar remanescente para R$10.719,43, cuja cobrança deve ser mantida suspensa enquanto houver depósito ou medida judiciais suspensivos, mantendose os demais aspectos do lançamento. Assinado digitalmente. José Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 03/06/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 09 69 /2 00 7- 44 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.000969/200744 Acórdão n.º 2102002.331 S2C1T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 46 a 49: Tratase de Notificação de Lançamento expedida em nome do contribuinte em epígrafe, relativa ao exercício de 2005 , anocalendário 2004, para cobrança de crédito tributário, no valor de R$ 24.127,79, já acrescido de multa e juros de mora, calculados de acordo com a legislação aplicável. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício em questão, onde foi constatada a seguinte infração: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE no valor de R$ 5.944,76 relativo à fonte pagadora Cia. Siderúrgica de Tubarão CNPJ 27.251.974/000102 e do valor de R$ 10.719,43 relativo à Fundação de Seguridade Social dos Empregados da CST CNPJ 31.787.625/000179, totalizando R$ 16.664,19. Encontramse identificados nos demonstrativos de fls. 8/11 o enquadramento legal das infrações, as alterações na base de cálculo, bem como o valor do imposto suplementar apurado. Na impugnação apresentada, o impugnante alega em suma que efetivamente sofreu a retenção do valor de R$ 5.944,76 conforme documento que anexa à fl. 23. Com relação ao valor de R$ 10.719,43 afirma que havia e ainda há dúvida no que se refere à tributação dos rendimentos recebidos a título de bônus e elaborou a declaração de ajuste do imposto de renda segundo orientação recebida da FUNSSEST por meio do Informe de 13.04.2007. Colaciona diversos dispositivos da legislação tributária para concluir que tem direito à compensação pleiteada. Finalmente solicita o acolhimento da impugnação para cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, não conhecendo da impugnação no que se refere à compensação do imposto de R$ 10.719,43, depositado judicialmente, referente à fonte pagadora Fundação de Seguridade Social dos Empregados da CST, declarando definitiva na esfera administrativa a exigência fiscal, e julgando pela procedência da impugnação em relação ao valor de R$ 5.944,76 relativo à fonte pagadora Cia. Siderúrgica de Tubarão , cuja retenção foi comprovada., resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.000969/200744 Acórdão n.º 2102002.331 S2C1T2 Fl. 4 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM A ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto, implica em renúncia às instâncias administrativas e eventual petição do contribuinte sobre a matéria não será apreciada. GLOSA DE FONTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos até o montante retido se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 55 a 63, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Não houve concomitância de ação judicial com a esfera administrativa para discutir o mesmo mérito. Por conseqüência, não houve subsunção do fato à norma prevista no ADN COSIT n° 3/96 no qual fundamenta a DRJ/BSB. Mesmo que, por hipótese, Impugnação versasse sobre a matéria de mérito, caberia a DRJ/BSB também glosar (excluir), da Declaração de Ajuste, o valor do rendimento de R$ 38.979,74 correspondentes ao valor do IRRF de R$ 10.719,43, o que não feito. Diante do atual estágio em que se encontra o processo, o Recorrente submete à apreciação o seguinte procedimento: "Excluir da Declaração de Ajuste Anual apresentada pelo Recorrente o valor do rendimento de R$ 38.979,74 (relativo ao Bônus) e o correspondente valor do IRRF de R$ 10.719,43, vez que, ambos são objeto de ação judicial" e II. O valor de R$ 4.705,00 referente ao Imposto de Renda Complementar (mensalão) foi desconsiderado, sem justificativa, pela DRJ/BSB em seu Acórdão, não procede, diante da prova em contrário anexa (docs.7 a 11). Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. CONCOMITÂNCIA DO VALOR DO IRRF DE R$ 10.719,43. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.000969/200744 Acórdão n.º 2102002.331 S2C1T2 Fl. 5 4 Como se conclui da leitura do relatório, o Recorrente levou a matéria objeto do presente lançamento à apreciação do judiciário, como está comprovado no final do Comprovante de rendimentos de fl. 22: O próprio RECORRENTE afirma em seu recurso voluntário, fl. 58: Diante do atual estágio em que se encontra o processo, o Recorrente submete à apreciação o seguinte procedimento: "Excluir da Declaração de Ajuste Anual apresentada pelo Recorrente o valor do rendimento de R$ 38.979,74 (relativo ao Bônus) e o correspondente valor do IRRF de R$ 10.719,43, vez que, ambos são objeto de ação judicial". Conforme Súmula nº 01 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Portanto, toda a matéria exposta no recurso voluntário, que debate a incidência do imposto sobre rendimentos recebidos não pode ser analisada pelo CARF. Deste modo, entendo que não deve ser conhecido o recurso, em virtude da concomitância com a esfera judicial. Como bem reconheceu o Poder Judiciário, os procedimentos administrativos não podem ser paralisados, em razão do que determina o art. 142 do CTN. Esclareçase que a interposição de ação judicial, seja qual for sua modalidade, não têm o condão de impedir o lançamento de oficio, vez que se trata de atividade vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos do art. 142 e § único do CTN, abaixo transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do falo gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.000969/200744 Acórdão n.º 2102002.331 S2C1T2 Fl. 6 5 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Dessa forma correto o lançamento, para prevenção da decadência, sem multa de ofício, da omissão referente ao valor do rendimento de R$ 38.979,74 correspondentes ao valor do IRRF de R$ 10.719,43, depositado judicialmente. VALOR DE R$ 4.705,00 REFERENTE AO IMPOSTO DE RENDA COMPLEMENTAR (MENSALÃO) Reclama o recorrente que o valor de R$ 4.705,00 referente ao Imposto de Renda Complementar (mensalão) foi desconsiderado, sem justificativa, pela DRJ/BSB em seu Acórdão. Bem, o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO anexo ao auto de Infração, mostra o seguinte: Observo que no valor de R$ 25.884,99 já está incluído o valor do imposto complementar de R$ 4.705,00, conforme mostra a DIRPF de fl. 16: Por sua vez, o Acórdão DRJ não conheceu da impugnação no que se refere à compensação do imposto de R$ 10.719,43, depositado judicialmente, referente à fonte Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11543.000969/200744 Acórdão n.º 2102002.331 S2C1T2 Fl. 7 6 pagadora Fundação de Seguridade Social dos Empregados da CST, declarando definitiva na esfera administrativa a exigência fiscal, e julgou pela procedência da impugnação em relação ao valor de R$ 5.944,76 relativo à fonte pagadora Cia. Siderúrgica de Tubarão , cuja retenção foi comprovada, consubstanciando o seu julgado na seguinte planilha de fl. 49: Contudo, conforme se verifica na tabela supra, faltou no cálculo da DRJ o valor de R$4.705,00 como imposto complementar, considerando isso, voto para reduzir o Saldo do Imposto Suplementar remanescente para o valor de R$ 10.719,43 (14.829,37 4.705,00+595,06). CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, reduzindo o imposto suplementar remanescente para R$ 10.719,43, cuja cobrança deve ser mantida suspensa enquanto houver depósito ou medida judiciais suspensivos, mantendose os demais aspectos do lançamento Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 03/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10768.051120/93-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1988
DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PROFISSIONAIS LIBERAIS. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte fazer prova da natureza, necessidade e efetividade das despesas contabilizadas para fins de dedução do lucro real. A simples apresentação dos RPA (Recibos de Pagamento de Autônomos) é insuficiente para esse fim, mormente quando a empresa foi regularmente intimada durante o procedimento fiscal a apresentar relatórios, laudos, estudos e quaisquer outros elementos comprobatórios desses serviços.
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9101-001.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plinio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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GLOSA DE DESPESA. COMPROVAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO BRASCAN S/A (Nova denominação do Banco Capitaltec S/A) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1988 DESPESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PROFISSIONAIS LIBERAIS. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte fazer prova da natureza, necessidade e efetividade das despesas contabilizadas para fins de dedução do lucro real. A simples apresentação dos RPA (Recibos de Pagamento de Autônomos) é insuficiente para esse fim, mormente quando a empresa foi regularmente intimada durante o procedimento fiscal a apresentar relatórios, laudos, estudos e quaisquer outros elementos comprobatórios desses serviços. Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso ao Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plinio Rodrigues de Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 05 11 20 /9 3- 11 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10768.051120/9311 Acórdão n.º 9101001.508 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL cientificada do Acórdão 10808.359, proferido na sessão de 15/06/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 5o, inciso I do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, vigente à época da aludida decisão. Aludido Recurso, protocolado em 17/01/2006,fls. 296 e seguintes, teve seguimento conforme Despacho 108009/2006 (fl. 301), assim redigido (verbis): “(...) O acórdão recorrido, no particular, está assim ementado (f. 275): GLOSA DE DESPESAS Somente são dedutíveis custos e despesas que, além de comprovados por documentação hábil e idônea, preencham os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade. A Fazenda Nacional pretende restabelecer as exigências em relação à glosa de remuneração por serviços prestados, que foram afastadas em decisão não unânime, por entender que a decisão aceitou como provada realização de despesas não provadas. Tendo em vista que a Decisão não foi unânime e a alegação de contrariedade da decisão às provas dos autos, confirmo o cabimento ao recurso especial nos termos do art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes.(...)” (Grifei). Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões em 21/12/2006, às fls. 309 e seguintes. O processo foi sorteado ao então conselheiro da CSRF Jose Carlos Passuelo, que deixou o colegiado sem indicálo a pauta. Em Julho de 2007 o processo retornou à Unidade de Origem, para saneamento de questão alheia à matéria em litígio na CSRF, em face de pleito do sujeito passivo (fls 373 e seguintes). Os autos foram volvidos ao CARF e o processo novamente distribuído, desta feita a este Relator. É o breve relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10768.051120/9311 Acórdão n.º 9101001.508 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator. O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, vigentes a época da sua interposição, logo deve ser admitido e apreciado. Conforme relatado, tratase de recurso em face de decisão quanto a matéria que não alcançou unanimidade no colegiado ordinário. Ao fim e ao cabo, espera a Fazenda Nacional que as provas sejam reapreciadas pela Câmara Superior, sendo este o escopo do recurso disciplinado pelo art. 5o., inciso I, do Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria MF 55/1998, Vejamos os fundamentos do acórdão recorrido quanto a matéria em litígio, às fls. 289/290: "4) Remuneração por prestação de serviços. O tópico em referência vinculase aos itens 2.3 e 2.4 do Auto de Infração, e serão apreciados conjuntamente nesta oportunidade, porquanto se referem basicamente aos mesmos fatos. Em breve relato, aduz a fiscalização a impossibilidade de ser reduzido do lucro líquido verificado ao final de 1988 os gastos incorridos no pagamento da prestação de serviços, dada a ausência de comprovação quanto a efetiva prestação dos mesmos, porquanto foram apresentados apenas Recibos de Pagamento a Autônomos RPA's desacompanhados de relatórios, contratos, ou outros documentos que servissem para demonstrar a realização dos serviços contratados. Entendo que, pelo menos em parte, merece ser, dado provimento. Às alegações da recorrente. Primeiramente, esclareçase que, a despeito da não apresentação dos RPA's pelo Contribuinte, deve ser aceita a alegação quanto à existência dos mesmos, na medida em que a própria fiscalização afirma terem sidos apresentados ao Fisco durante o procedimento fiscal. A legislação de regência não impõe qualquer vedação à comprovação das despesas incorridas a partir da apresentação de recibos de pagamento, notas físcais simplificadas, ou cupons de máquinas registradoras, desde que acusem a natureza do serviço prestado, possibilitando à Administração Fazendária aferir sua qualidade de dedutível, ou não, A exigência para apresentação de , relatórios ou outros documentos que evidenciem a prestação dos serviços é descabida, mormente se considerada a falta de amparo legal para tanto. Ademais, ressaltese que, consoante já exposto , no início deste voto, a apresentação de tais documentos pelo contribuinte nem sempre é Fl. 520DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10768.051120/9311 Acórdão n.º 9101001.508 CSRFT1 Fl. 5 4 possível, haja vista que nem toda prestação de serviço gera resultados materiais, que possam ser apresentados à fiscalização. Com efeito, já decidiu este Primeiro Conselho de Contribuintes que a comprovação quanto a não execução do serviço contratado cabe exclusivamente à fiscalização (isto, é claro, desde que a natureza do serviço seja necessária e usual à empresa), sendo certo que, na ausência desta, os documentos mantidos pelo contribuinte, inclusive recibos de pagamento, fazem prova a seu favor. Vejase, a propósito, ementa da decisão relativa ao Acórdão n° 1054624/90: (...) Pelo exposto, considerando ter o contribuinte apresentado documentos suficientemente hábeis a demonstrar os pagamentos e efetiva Prestação dos serviços; entendo que deve ser cancelada a glosa dos Valores. relacionados nos itens 2.3 e 2.4:do Auto de Infração, exceto no que se refere às despesas vinCuladas à serviços, de arquitetura e aulas de inglês;porquanto não justificada pela Recorrente à necessidade da contratação de tais serviços, os quais, por sua natureza, não estão ligados à sua atividade.” (Grifei) Em seu recurso especial, a PFN enfatiza que o entendimento majoritário neste Conselho é de que o contribuinte sempre deve faze prova da efetividade da prestação de serviços em consonância com a legislação de regência, confirmada em diversos acórdãos, a exemplo do 10318.112 (fl. 298). Pela análise do acórdão recorrido evidenciase que o litígio cingese mesmo à apreciação de provas, sendo que os três conselheiros vencidos firmaram entendimento no sentido de que o ônus da prova é da contribuinte, e que os documentos apresentados foram insuficientes à comprovação. Compulsando os autos verificase que a única prova apresentada em relação a essas despesas foram os Recibos de Pagamento de Autônomos (RPA), que aliás não foram juntados aos autos. Ocorre que, desde a auditoria fiscal foi solicitados ao contribuinte elementos para comprovar a efetividade da prestação desses serviços. Porém nada, absolutamente nada mais foi apresentado, seja junto a peça impugnatória, seja com o recurso voluntário. Aduz a recorrente que seria profissionais renomados e que nos pagamentos efetuou as retenções de IR Fonte. Ora a Fiscalização deixou claro que estava glosando integralmente o valor do item “tendo em vista que a empresa apresentou somente Recibos de Pagamento a Autônomos RPA's, relativos a supostas prestações de serviços de "Assessoria Financeira”, desacompanhadas de relatórios, estudos ou quaisquer documentos que fizessem prova da efetiva prestação destes serviços. A Fiscalização identificou, ainda, que estes serviços teriam sido realizados por Angelo F. Neto, Charles W. Maia, José Rodrigues Fernandes e Carlos Garcia, entre outros. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10768.051120/9311 Acórdão n.º 9101001.508 CSRFT1 Fl. 6 5 Ao contrário da Ilustre Conselheira Relatora Karem Jureidini Dias, à luz do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), cuja matriz legal é a mesma desde 1964 (art. 47 da Lei 4.506), entendo que ônus da prova da efetividade da prestação de serviços profissionais é do contribuinte, sendo que o RPA constitui prova do pagamento e não da prestação do serviço propriamente dita. É certo que, diante da apresentação de documentos comprobatórios usuais desses serviços caberia à Fiscalização fazer prova da imprestabilidade dos mesmos. Porém, no presente caso, nada além dos RPA foi apresentado. Logo, sequer é possível verificar se tais despesas, ainda que pagas, foram mesmo necessárias à atividade da empresa. Conclusão. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e restabelecer as glosas de despesas relativas aos itens 2.3 e 2.4 do Auto de Infração. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 522DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001665/2002-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1º -
Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1º - Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar a preliminar Recurso negado.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 POSSIBILIDADE ART 144, § 1º Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 65 /2 00 2- 39 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Rejeitar a preliminar Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Fl. 402DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001665/200239 Acórdão n.º 2202002.801 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, RONALDO MARQUES PASSOS, Infração de fls. 258/259, acompanhado dos demonstrativos de fls. 02, 260/261, do Termo de Verificação Fiscal de fls. 249/257 e do Termo de Encerramento de fls. 262, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 1997, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 504.289,70 (quinhentos e quatro mil, duzentos e oitenta e nove reais e setenta centavos), sendo R$ 191.686,83 referentes ao imposto, R$ 143.765,12, à multa proporcional, e R$ 168.837,75, aos juros de mora (calculados até 29/11/2002). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 259), o procedimento teve origem na apuração da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários Não Comprovados. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de deposito ou de investimento, mantida(s) em instituição(Oes) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Cientificado da autuação em 04/12/2002 (fls. 263), o contribuinte protocolizou, em 23/12/2002, a impugnação de fls. 265/278, alegando, em resumo, o que segue: Da Ilegalidade da Quebra do Sigilo Bancário. 4.1. No ano em que ocorreu a movimentação bancária, a legislação especifica (art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311, de 24/10/1996) proibia a utilização de informações relativas à. CPMF como base para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos; 4.2. Assim, não se pode permitir que a Lei Complementar n° 105, de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/2001, que permite a requisição, acesso e uso pela Secretaria da Receita Federal e seus agentes, de informações referentes a contas de depósitos e aplicações das instituições financeiras, seja utilizada em desfavor do contribuinte, dando ensejo à constituição de crédito tributário relativo a um período em que a mencionada legislação sequer existia; 4.3. A lei não pode retroagir no tempo, aniquilando a segurança jurídica de um Estado de Direito. Transcreve entendimento do consagrado professor Roque Antônio Carraza (in Curso de Direito Constitucional Tributário, 11 ed., São Paulo — Editora Malheiros, 1998, pp. 230/233) sobre o assunto; 4.4. Se a Lei Complementar n° 105/2001 não pode retroagir em prejuízo do contribuinte, resta evidente a impossibilidade da quebra do sigilo bancário, a qual somente poderia ter sido efetivada se autorizada judicialmente e em casos extremamente excepcionais; Fl. 403DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 4.5. Da maneira como foi realizada a quebra do sigilo bancário do contribuinte pela auditora fiscal, restou caracterizado o total desrespeito e intromissão aos direitos constitucionais e invioláveis do indivíduo, à intimidade e vida privada (art. 5°, X da CF), no qual o sigilo bancário se vê incluído. Reproduz parcialmente o voto do Ministro Relator do ST.1, Garcia Vieira, no Recurso Especial Da Impossibilidade dos Lançamentos Bancários Constituírem Base para o Lançamento de Impostos. 4.6. A teor do que estabelece a Sumula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, é ilegítimo o lançamento de imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, podendose concluir que as informações advindas da Receita Federal obtidas coM base em movimentação bancária financeira, no ano de 1997, nunca gerarão crédito tributário e, por conseguinte, não haverá responsabilidade tributária; 4.7. Portanto, os depósitos ou extratos bancários são imprestáveis para o Fisco proceder ao lançamento do imposto de renda, mesmo porque depósito em conta bancária não pode ser considerado como auferimento de renda. Traz à colação jurisprudõncia administrativa e judiciária nesse sentido; 4.8. Como já exposto, não se pode afirmar que o recolhimento de urn valor a titulo de CPMF possa representar rendimento de valor "Y", pelo simples fato de a CPMF ser urn tributo cumulativo que onera, por diversas vezes, o mesmo capital. Dessa forma, um mesmo valor pode ingressar e sair por muitas vezes, numa mesma conta, gerando débitos a titulo de CPMF em todas estas saídas, sem que haja acúmulo de receitas; 4.9. De igual maneira, a Movimentação financeira representada por créditos bancários em contacorrente também não .se traduz necessariamente em renda, e, sim, tão somente, em movimentação de créditos, pois não há como negar a possibilidade de valores serem creditados temporariamente em uma conta corrente, seja porque servirão para pagamentos de contas de terceiros, seja porque foram creditados por equívocos bancários. Assim, por existirem inúmeras possibilidades a justificar tais depósitos, é que não se pode atribuir a eles constituição de renda; 4.10. Destarte, descabida, equivocada e precipitada a autuação da AFTN, que considerou como omissão de rendimentos tributáveis os recursos provenientes de depósitos bancários efetuados nas contascorrentes do contribuinte ou ainda em aplicações financeiras automáticas, o quanto o bastante para macular e tornar sem efeito o auto de infração. A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1997 PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001665/200239 Acórdão n.º 2202002.801 S2C2T2 Fl. 4 5 É licito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, independentemente de autorização judicial, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. PRELIMINAR. RETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente a ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. JULGAMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Compete a autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove. mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Lançamento Procedente Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Da quebra do sigilo bancário e a impossibilidade de autuação com base na CPMF; Da preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa; Da irretroatividade da LC 105/2001 Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários; Da multa confiscatória. É o relatório. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado do pressuposto legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001665/200239 Acórdão n.º 2202002.801 S2C2T2 Fl. 5 7 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 407DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da Irretroatividade da LC 105/2001 e da Lei nº 10.174/2001. O contribuinte se mostrou inconformado com a aplicação retroativa da Lei Complementar 105/2001 e da Lei 10.174/2001. Entendeu que ao proceder com base em tais instrumentos legais o Fisco acabou por obter provas de origem ilícita. Não procede tal argumento. O parágrafo 1º do art. 144 do CTN permite a aplicação de legislação posterior à ocorrência do fato gerador, que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização e ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas. Desta forma é notória a possibilidade de aplicação dos mencionados instrumentos legais de forma retroativa, uma vez que, tão somente, ampliam os poderes de investigação do Fisco. O STJ já manifestou o seu entendimento neste sentido no RESP 529818/PR e no ERESP 726778/PR. De igual modo o CARF já consolidou a posição sobre a suposta irretroatividade: Fl. 408DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001665/200239 Acórdão n.º 2202002.801 S2C2T2 Fl. 6 9 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF No. 35). Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). Fl. 409DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas Fl. 410DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001665/200239 Acórdão n.º 2202002.801 S2C2T2 Fl. 7 11 demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Inconstitucionalidade das Normas – Multa Confiscatória No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que determinariam a aplicação de multas e juros de natureza confiscatória, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio.Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 411DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10670.001583/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 03/11/2003 a 31/05/2004
GESTOR DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO.
A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico - tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESPONSABILIDADE. ART. 41 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. A Lei 11.941/09 revogou o disposto no artigo 41 da Lei 8.212/91, de modo que, a teor da disposição contida no art. 106, II, do CTN, a lei nova retroage para que sejam excluídos da relação jurídico tributária os dirigentes de órgãos públicos como responsáveis pelas multas decorrentes infrações à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 15 83 /2 00 7- 31 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.001583/200731 Acórdão n.º 2401003.705 S2C4T1 Fl. 501 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a pessoa física acima identificada, à qual foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. Tendo sucumbido no julgamento administrativo de primeira instância, o autuado recorreu ao CARF. É o relatório. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A exclusão da responsabilidade do gestor Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos devese hodiernamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449, de 04/12/2008. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; (...) Vêse que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, devese aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelandose, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não podemos deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, até o momento não aprovado pelo Ministro da Fazenda, mas que já dá o tom de qual entendimento será adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplicase a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.001583/200731 Acórdão n.º 2401003.705 S2C4T1 Fl. 502 5 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Conclusão Voto pelo provimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/09 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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