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Numero do processo: 13227.000580/2004-64
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL— ITR
Exercício: 1999
DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - INCIDÊNCIA DO DISPOSTO NO ART. 150, § 4º, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Área lindeira a reserva ecológica - limitação à sua utilização
econômica que promana de disposição legal.
Apresentação do ato declaratório ambiental quando da declaração
do imposto pelo contribuinte - desnecessidade.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 392-00.008
Decisão: ACORDAM os membros da segunda turma especial do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência argüida pelo recorrente e no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: FRANCISCO EDUARDO ORCIOLI PIRES E ALBUQUERQUE PIZZOLANTE
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Area lindeira a reserva ecológica - limitação à sua utilização econômica que promana de disposição legal. Apresentação do ato declaratório ambiental quando da declaração do imposto pelo contribuinte - desnecessidade. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda turma especial do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência argüida pelo recorrente e no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. JUDITH DO CAA CY\n'\ ARCONDES ARMANDO - Presidente FRANCISCO EDUARDO oRcIoLr PIRES E ALBUQUERQUE PIZZOLANTE - Relator Participou, ainda, do presente julgamento, a Conselheira: Maria de Fátima Oliveira Silva. Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. • Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CC03/T92 Fls. 176 Participou, ainda, do presente julgamento, a Conselheira: Maria de Fátima Oliveira Silva. Ausente o Conselheiro Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado. • 2 Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CC03/T92 Fls. 177 Relatório Cuida, o presente, de recurso voluntário interposto por NELIO NILTON NIERO em face da decisão prolatada pela DRJ — Recife/PE, que julgou 'procedente o lançamento tributário referente ao Imposto Territorial Rural — ITR sobre o imóvel constituído pela área 02 do SERINGAL BELA VISTA, exercício 1999, no valor de R$ 56.550,24 (cinqüenta e seis mil, quinhentos e cinqüenta e cinco Reais e vinte e quatro centavos). 0 processo teve inicio com a intimação, datada de 04 de março de 2004, pela Secretaria da Receita Federal em Ji — Paraná, RO, determinando ao contribuinte, ora recorrente, a apresentação dos seguintes documentos, para análise de sua declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1999: a) CPF; b) Carteira de identidade; c) Certidão IBAMA/ Órgãos ligados à preservação ambiental; d) Certidão de matricula atualizada do registro imobiliório; e) Reconhecimento de posse expedida por órgão Público; fi Laudo tccnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal. Encaminhada tal intimação pelo Correio, foi recebida em 12.03.2004 (fls. 04). Em 30.04.2004, o contribuinte, ora recorrente, protocolizou junto à Receita Federal, os seguintes documentos: a) Cópias de seus documentos pessoais; b) Cópia Ato Declaratório Ambiental — ADA; c) Cópia da Matricula atualizada do imóvel, tendo requerido dilação do prazo para a entrega dos demais documentos por trinta dias (fls. 06/10). Posteriormente, agora em 19 de maio de 2004, faz juntada de outros documentos, entre os quais: a) cópia do termo de solicitação de esclarecimentos e documentos (fls. 15); b) procuração outorgada a seu advogado (fls. 12); c) nova cópia de seus documentos pessoais (fls. 14); d) nova cópia do Ato Declaratório Ambiental, este lavrado em 30 de dezembro de 1997. Importante referir que o já mencionado ato declaratório, lavrado pelo IBAMA, estabelece corno área de utilização limitada a extensão de 17.337,1 hectares, do total de 21.671,4 que compõem o imóvel objeto do lançamento ora impugnado, conforme se depreen4/,. de fls. 14. 3 Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.°392-00.008 CC03/T92 Fls. 178 Após isso, em 28.07.2004, foi lavrado novo termo de solicitação de esclarecimentos e documentos (fls. 15), onde se reitera o requerimento de: a) ADA das áreas de preservação permanente e de reserva legal; b) matricula atualizada do imóvel com averbação de reserva legal; c) idem para área de preservação permanente; d) laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal; e) ato do poder Público que assim o declare; f) certidão do IBAMA ou de outro órgão público ligado à preservação ambiental. As fls. 17 dos presentes autos, torna o ora recorrente a responder, tempestivamente (24.08.2004) à intimação, desta vez dando conta da invasão do imóvel objeto do lançamento ora recorrido, pelo que não pôde apresentar a documentação exigida, vez que ela não prescindiria de trabalho de apuração local, que resta impossível em razão da ausência da posse pelo contribuinte. Com efeito, ás fls. 20, encontra-se declaração de "Síntese da situação do TD Bela Vista", chancelada pelo responsável pela Reserva Biológica do Jaru, lavrada nos termos seguintes: unia faixa de terra existente entre o rio Machado e a divisa da Reserva Biológica do Jain Dentro do contexto do Zoneamento, está inscrita na chamada zona 03 e representa uma importante faixa de segurança para manutenção da integridade da Reserva Biológica do Jaru. Pois está inserida na RESOLUÇÃO/CONAMA/N° 013 de 06 de dezembro de 1990, em seu art. 2° onde esclarece que nas áreas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa *tar a biota, deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente. - Sem que tenha ocorrido nenhum posicionamento do INCRA, IBAMA e Governo do Estado no que concerne uni possível estudo de ocupação. 0 local foi gradativamente sendo objeto de invasão. No que pese aos trabalhos que o IBAMA vein realizando, esclarecendo que no atual momento aquelas invasões são totalmente irregulares e ao arrepio da lei, aliado as três reuniões que já aconteceram, onde o INCRA não deu nenhuma esperança de legalização fundiária, a cada dia a situação fica mais complicada e tensa. Isso é perfeitamente notado, quando servidores da Reserva procuram dialogar coin os posseiros e esses continuamente fazem os mais diversos tipos de ameaças aos funcionários do IBAMA, ampliam suas marcações, tanto na faixa marginal quanto no interior da Reserva. De acordo com informes de pessoas ligadas aos posseiros existem muitas especulações imobiliárias com marca cães custando entre R$ 500,00 a 1.000,00, e o mais curioso é que, 90% das pessoas que estão praticando esse tipo de invasão são funcionários públicos, comerciantes, pessoas que já possuem terra e que vivem na cidade, pouquíssimos são os que realmente precisani da terra para sobreviver e dar sustentação as suas famílias, caracterizando assim puro e simplesmente a chamada especulação". As fls. 21 encontra-se oficio dirigido ao Excelentíssimo Juizo de Direito de Ouro Preto do Oeste/RO, da lavra, ainda, do Ilustríssimo senhor responsável pela ReservX Biológica Jam que, textualmente, dispõe: 4 Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CC03/T92 Fls. 179 "Ent cumprimento ao Oficio n° 100/2002/JE, de 14 de junho cie 2002, temos a informar que o IBAMA não conhece área sob cuidados da Associação Aspor Verde Vale, o que relatamos e que esta área denominada Fazenda — TD — Bela Vista, que se limita com a Reserva Biológica do Jaru/IBAMA, e que faz parte do entorno da Reserva, foi completamente invadida, tendo como principal líder o Sr. Azuil Pacheco de Oliveira. Informamos ainda, que já foram realizadas 03 (três) operações de retirada de invasores juntamente coin a Policia Federal, mas os mesmos retornaram com incentivos de politicos locais. Vale salientar que ncio foi dada nenhuma autorização para adentrarem a área por parte (testa Reserva Biológica do Jaru/IBAMA". As fls. 22 encontra-se impresso de correio eletrônico encaminhado, pelo sr. Jailton Dias, responsável pela Reserva Biológica do Jaru, corn que o TD Bela Vista é lindeiro, afirmando que: "Diante do exposto, creio que, mais do que nunca, a melhor saída é vocês fazerem a negociação com o IBAMA, onde eu imagino que não haveria prejuízo para vossa parte, pois estariam negociando 83 mil hectares e não 60 mil, como será para (ilegível) a ASPROR Verde Vale. Consultamos junto à Procuradoria Jurídica do IBAMA sobre a possibilidade de interpelar a negociação do TD Bela Vista com a ASPROR Verde Vale, e fomos informados de que não há base jurídica para isto. Trata-se de uma propriedade particular que pode ser negociada com quem os proprietários quiserem. Entretanto, estamos estudando tuna outra forma de fazer essa interpelação ". As fls. 24 encontra-se requerimento, chancelado pelo ora recorrente, da averbação das áreas de reserva legal, no percentual de 80%, protocolizado junto ao Oficio do Registro de Imóveis da situação deste ora sob litígio, em 01.03.2004. As fls. 30 encontra-se o auto de infração, cuja lavratura se deu em 28.10.2004, bem como seus consectdrios Demonstrativo de Apuração do Imposto (fls. 35/37) e Termo de Encerramento (fls. 38). Da lavratura do referido auto de infração, o ora requerente foi intimado, por AR, no dia 08.11.2004, tendo sido apresentada a sua impugnação em 08.12.2004, fls. 43/61, que veio acompanhada dos documentos de fls. 62/86. Em suas razões de impugnação sustenta o ora recorrente, em breve síntese: i) o lançamento de oficio promovido pela Receita Federal é nulo, vez que se funda na exigência de apresentação da averbação da área de reserva legal junto ao registro de imóveis, o que, em seu entendei; a lei não obriga; invocando o disposto nos artigos 142 c/c 150, ,sg 4" do Código Tributário Nacional, requer a declaração da decadência na cobrança do tributo, aduzindo, para tanto, ter o fato gerado% 5 Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CC03/T92 Fls. 180 impugnado ocorrido em 01/01/1999, quando a lavratura do auto de infração se dá apenas em 28/10/2004, com ciência no in& de novembro c/c 2004, portanto quando já decorridos cinco anos e dez meses, contados da data do fato gerador; iiO Aduz a inexegibilidade do Ato Declaratório Ambiental, reiterando a inexegibilidade, ainda, da averbação das áreas não tributáveis, vez que entende ineficazes as Instruções Nor/nativas da Secretaria da Receita Federal de n° 43/97 e 67/97, por entender que a imposição da obrigação tributária acessória por ato infra-legal vulnera o principio da hierarquia entre as normas jurídicas, já que tal imposição deve ser estabelecida por força de lei,. iv) 1111'ot-ilia, ainda, que a utilização econômica da área ora sob comento sempre esteve obstada, como dá conta a Resolução CONAMA 17 °13, de 06/12/1990, tornando, por form legal, área de preservação permanente, de conformidade com o artigo 30, alínea "e" da Lei n° 4.771/65. Entre a documentação trazida aos autos pelo ora recorrente, destacam-se: a) parecer técnico de viabilidade, lavrado pelo responsável pela Reserva Biológica de Jam (fls. 75/81), que, expressamente, reconhece: "Pela sua localização, isto 6, por margear o Rio Machado enz quase toda a sua extensão, trata-se de unia ái-ea de importância incomensurável para a biodiversidade, sobretudo por alagar considerável faixa marginal no período das cheias, assim z como por permanecer como ban-eiros por importante período do ano. Em observação feita por imagens de satélite, assim z como pelas inúmeras visitas feitas in loco, em alguns trechos, veri fica-se que esta faixa de inundação pode atingir até mais de 2 kin de largura em área florestada, dentro do TD Bela Vista, revelando a . existência de uma ampla área de preservação permanente. Um ambiente com estas características abriga, consequentemente, diversos ecossistemas constituídos de nichos ecológicos muito específicos, de importância fundamental para preservação da biodiversidade e para pesquisas cientificas. Ao mesmo tempo, para a ictiofauna estes ambientes constituem sítios de alimentação e de reprodução, destacando-se C01170 importantes refúgios de alevinos nos períodos das cheias. Em contrapartida, sendo o TD Bela Vista uma propriedade privada, corre o risco de ser ocupada com atividades que venham comprometer a riqueza ecossistdmica ali presente, bem como aquela da Unidade de Conservação vizinha, algo que já é fato, uma vez que a área encontra- se parcialmente invadida, dado o abandono da referida propriedade pelos seus proprietários desde alguns anos. Dos seus aproximados 83.000 hectares, até 2003 registrou-se, via imagens de satélite, desmatamentos ilegais de aproximadamente 3.500 hectares, atribuídos aos invasores da área que, salvo raras exceções, derrubam porções de floresta exclusivamente como meio de evidenciar a posse dos lotes. Embora os crimes ambientais praticados pelos invasores sejam graves, para o universo da propriedade, os valores computados até agora acabam dissipando-se e, sem dúvida, não invalidam a transformagão/f, 4 1 6 Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CC03/T92 Fls. 181 da area em Unidade de Conservação integral. Por outro lado, uma ocupação efetiva constituiria em perdas irreparáveis pai-a o ecossistema local e para aquele que compõe a Reserva Biológica do Jai-u. Dada a expansão da pressão por parte dos invasores, inclusive com especulações sobre a possibilidade de aquisição das terras, este é o nzomento de impedir a completa degradação ambiental da área, incorporando-a à Reserva Biológica do Jaru. Vale lembrar que, em se tratando de invasões organizadas, como é o caso da que ocorre na referida área, o desrespeito a legislação ambiental é acintoso e, por extensão, dificilmente controlável por parte do Podei- Público. importante ressalvar que tais invasores atingiram, também, o interior da Reserva Biológica do Jam, fato este explicado, especialmente, pela própria existência da faixa de terras que a separa de sai principal via de acesso, o Rio Machado, tornando-se um empecilho para as equipes de fiscalização ao longo dos 88,9 knis da linha seca que separa a Unidade de Conservação do TD Bela Vista. Outros fatores contribuiranz, igualmente, para o avanço das invasões, como o abandono das terras poi- pane de seus proprietários durante mais de uma década,- a ausência de demarcação dos limites entre as propriedades TD Bela Vista e a Reserva Biológica do Jaru logo após a sua cria cão, trabalho este reali:ado apenas em 2003. Nesta mesma linha que aponta para a importância da integração do TD Bela Vista a Reserva Biológica do Jaru, está o Zoneamento Ecológico — Econômico do Estado de Rondônia que classificou a area como imprópria para outro tipo de exploração que não seja o extrativismo, não se prestando para a implantação de atividades agro- pastoris, dada a baixa fertilidade natural das terras e a fragilidade dos ecossistemas (subzona L3). Ademais, após estudos efetuados pelo INCRA, a área também foi classificada como imprópria para efeito de assentamento rural, sobretudo por compor-se de area de .floresta primária, em acordo coin o artigo 37", Parágrafo 6", da Lei 4.771/65. A Resolução CONAMA n° 013/90 que regulamenta o artigo 27 do Decreto 99.274/90, que trata das normas referentes ao entorno das Unidades de Conservação destaca, ainda, que "Nas areas circundantes das Unidades de Conservação, num raio de dez quilômetros, qualquer atividade que possa afetar a biota deverá ser obrigatoriamente licenciada pelo órgão ambiental competente". Certamente, uma exploração econômica desta área traria enormes prejuízos para aflora e, notadamente, para a fauna, uma ye: que a presença de animais domésticos, sobretudo de cães caçadores, comuns na região, afugenta os animais silvestres. Num cenário como este, o TD Bela Vista, enquanto uma estreita faixa de terras entre a Reserva Biológica do Jaru e o Rio Machado, estaria funcionando como uma barreira circulação da fauna e o acesso da mesma c‘i principal fonte de água da região, afora a integridade cia referida Unidade cie Conservação que estaria constantemente ameaçada. A Reserva Biológica do Jaru é ulna das Unidades de Conservação contempladas pelo Projeto Áreas Protegidas da Amazônia — ARPA, que visa financiar a criação e implementação de Unidades de Conservação na sua area de atuação. Para tanto, unia das contrapartidas do Governo brasileiro é o compromisso de criação de4 7 Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CC03/T92 Fls. 182 novas áreas protegidas nos próximos anos, o que, dentro dessa política, justificaria, uma vez mais a transformação da propriedade em enfoque em área de proteção federal. E para isto, há interesse, por parte dos proprieiários, o que constitui uma facilidade em favor da negociação, não se caracterizando C01110 área de litígio. Outro ponto positivo que se tem a favor é que o TD Bela Vista possui documentação regularizada. A integração da referida área á Reserva Biológica do fora estaria criando um limite natural para a Unidade de Conservação, isto é, o Rio Machado que margearia quase 50% de sei perímetro. Em sua parte sul e leste, a Reserva Biológica do Jura encontra-se protegida, delimitando-se, respectivamente com a Terra Indígena Igarapé Lourdes e com as serras que constituem o divisor de águas que delimita os Estados de Rondônia e de Mato Grosso. ( .) Nestes termos, 171a17iftstalllos nossa C01114C00 de haver bem demonstrado técnica, cientifica e anzbientahnente a imprescindibilidade da integração da propriedade TD Bela Vista it Reserva Biológica do Jaru". A decisão ora recorrida, de fls. 108/128, rebate as razões da impugnação, sopesando o seu entendimento da in-etroatividade da norma posterior, que prescindiu da apresentação do ato declaratório do IBAMA, bem corno teceu considerações acerca da ausência da nulidade no lançamento tributário, defendendo a sua adequação ao disposto no Código Tributário Nacional e nos demais Diplomas Legais norteadores do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, rechaçando, ainda, a verificação da decadência do crédito tributário ora sob análise. 0 recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido, • o relatório./ 8 Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CC03/T92 Fls. 183 Voto Conselheiro Francisco Eduardo Orcioli Pires E Albuquerque Pizzolante, Relator A análise da questão trazida corn o presente recurso demanda a verificação da decadência do lançamento do crédito tributário, assim também a obrigatoriedade na apresentação do ato declaratório da situação ambiental das áreas de reserva legal, que não se exaure com a discussão acerca da legalidade na exigência da averbação A margem do titulo imobiliário, outrossim importa na consideração da própria natureza da propriedade do ora recorrente — de que ele, comprovadamente, não detém a posse — que, como se depreende dos elementos de prova trazidos aos autos, desde antes do exercício fiscal ora sob comento, encontra-se sob impossibilidade de utilização econômica plena. Quanto à alegação de decadência do crédito tributário, importante referir que o ITR é tributo lançado por homologação, sendo certo que o Código Tributário Nacional estabelece como prazo decadencial para o exercício da faculdade de questionar o lançamento operado pelo contribuinte o prazo de cinco anos, contado na forma do disposto no artigo 150, que, textualmente, determina: Art. 150 — O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legisla cão atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4" - Se a lei não fixar pra.:o a homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirando esse pra:-.-o sem que a Fa.:enda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Importante ressalvar que, no presente caso, a demora na operacionalização do lançamento tributário não pode ser atribuida a qualquer tipo de óbice porventura imposto pelo contribuinte para a verificação dos dados de sua declaração, pela Receita Federal, outrossim, deveu-se inteiramente à inércia na tornada das providencias depois realizadas a destempo. evidente que uma das partes na relação tributária não pode quedar indefinidamente sujeita à possibilidade de, se e quando isso ocorrer, tornar-se devedora, mesmo passado o período decadencial. Irrelevante, em meu entender, a questão de ter ou não havido qualquer adimplemento de parte do ora recorrente, já que entendo não existir diferença, de fato, entre a homologação de um valor efetivamente adimplido e a homologação de urn valor declarado, ao cabo do qual a pretensão da Receita Federal há que limitar-se Aquele montante, pelo decurso do prazo decadencial tornado perfeito. / 9 Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CCO3fT92 Fls. 184 Não se pode pretender, corno entende por bem em sustentar a ora recorrida, que inexistem limites temporais para a prática dos atos que entende por bem em operar; dessa forma, conheço da preliminar suscitada pelo ora recorrente, declarando a decadência do crédito tributário, e, consequentemente, determinando a inexistência do lançamento objeto do presente. No mérito, as razões do ora recorrente merecem acolhimento, já que se coadunam corn a melhor exegese dos dispositivos legais norteadores da matéria, sendo vejamos: Quanto à necessidade na apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, para validação da isenção das Areas de reserva legal, reitero o meu entendimento pela sua desnecessidade, corn o que me filio à jurisprudência majoritária do Egrégio Superior Tribunal de justiça. O cerne da questão se refere a retroatividade do § 7" do artigo 10 e artigo 14 da lei 9393/96, ante a exegese do artigo 106,1, do Código Tributário Nacional. E que o ora recorrente não apresentou, a tempo, o Ato Declaratório, expedido pelo IBAMA, documento que lhe é exigido para o reconhecimento, pela Receita Federal, das áreas como sendo de preservação permanente ou uso limitado. O dispositivo do artigo 106 do Código Tributário Nacional expressamente determina: Art. 106— A lei aplica-se a ato ou fato pretérito. I — em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; — tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de trata-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. O dispositivo constante do § 7° do artigo 10 da lei 9393/96, com a redação dada pela Medida Provisória n°2.166-67, de 24 de agosto de 2001, prevê: Art. 10 — A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independenteniente de prévio procedimento da administração tributária, nos pra:os e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. ,sç 1 0 - Para os. efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á; II — área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas7 J1- Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CC03/T92 Fls. 185 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; §7° - A declaração para fim de isenção do ITR relativa as areas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § I, deste artigo, não está sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Ora, resta evidenciado que o citado § 7°, incluído no bojo do artigo 10 da Lei 9393/96 pela Medida Provisória de n° 2.166-67, prevê a dispensa de prévia apresentação, pelo contribuinte, do ato declaratório expedido pelo IBAMA, revelando-se, destarte, o seu caráter de lei mais favorável. E, portanto, considerando a superveniência de lei mais benéfica, que passou a prescindir da apresentação de tal ato pelo contribuinte, há que se aplicar o disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional. Na hipótese ora sob análise, o excesso de formalismo que redundou na imposição do crédito tributário manifestamente desrespeitou o disposto no § 7" do art. 10 da Lei 9393/96, cujo caráter é de lei mais benéfica ao contribuinte e, por isso mesmo, jamais poderia ter sua incidência afastada. Nesse sentido têm decidido o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, consoante de pode depreender dos v. Acórdãos ora destacados: RECURSO ESPECIAL N° 812.104 — AL (2006/0014999-8) RELATORA: MINISTRA DENISE ARRUDA EMENTAPROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO DA AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARA TÓRIO DO IBAMA. I. A orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural — ITR é tributo sujeito a lançamento por homologa cão que, nos termos da Lei 9393/96, permite a exclusão da sua base de cálculo a area de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, 2" Turma, ReL Mimi. Ellana Calmon, DJ de. 5.2.2007). No mesmo sentido: REsp 587.429/AL, I" Turma, Rd Min. Luiz Fux, DJ e 2.8.2004. Recurso Especial d°. desprov I• ' *** 11 • Processo n° 13227.000580/2004-64 AcOrdiio n.° 392-00.008 RECURSO ESPECIAL N° 665.123 — PR (2004/0081897 -1) RELATORA: MINISTRA ELIANA CALMON EMENTA TRIBUTÁRIO — IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — BASE DE CÁLCULO — EXCLUSÃ 0 DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE — DESNECESSIDADE DE ATO DECLARA T61210 AMBIENTAL DO IBAMA. I. 0 Imposto Territorial Rural — ITR é tributo sujeito a lançamento poz- homologação que, nos termos da Lei 9393/96, permite a exclusão da sua base de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA. 2. Recurso Especial Provido. * ** RECURSO ESPECIAL N° 668.001— RN (2004/0099865-0) RELATOR: MINISRO LUIZ FUX EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IT)?. ÁREA DE PRESERVAÇÃ 0 PERMANENTE. EXCLUSA - O. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARA TÓRIO DO IBAMA. MP 2.166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÃNCIA DA LEX MITIOR. 1. Autuação fiscal calcada no fato objetivo da exclusão da base de cálculo do ITR da área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorLação da norma intopretativa de eficácia ex tune consistente na Lei 9393/96. 2. A MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, ao inserir o ,sç 7" ao art.] 0, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratódo do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo C0171 o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicar-se a fatos pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração do contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante ,sç 7°, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor do disposto nos incisos do art. 106, clo CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperáncia da lex znitior. Recurso Especial parciahnente conhecido e provido/ -Ir * ** CCONT92 Fls. 186 12 Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CC03/T92 Fls. 187 Tratando-se, o Imposto Territorial Rural, de tributo lançado sob a forma de homologação, resta claro que o sistema concebido pela Lei 9393/96, com as modificações que lhe foram acrescidas, torna desnecessária a anexação do Ato Declaratório quando da declaração, porém, restando a mesma sujeita A posterior averiguação técnica da sua veracidade; apenas em não se constatando serem verazes as declarações, estaria o contribuinte sujeito à glosa das áreas declaradas, bem como ao lançamento do imposto, da multa e demais cominações legais. Também parece evidente que a verificação da ausência de veracidade na declaração apresentada pelo contribuinte não pode ser caracterizada tão somente pela ausência da apresentação do Ato Declaratório em tempo hábil, mas tem de ser objetiva, tem de comprovar, de fato, que as áreas lançadas como sendo isentas de tributação não se prestam, na realidade de cada caso, A preservação, estando degradadas, exploradas, ou não se conformam com a utilização limitada, encontrando-se empregadas em utilização econômica, ou ao menos podendo assim ocorrer. No mais, o entendimento da decisão ora recorrida, de que, em se tratando de exercício fiscal anterior à edição da Medida Provisória n° 2.166-67, não há que se falar na desnecessidade da apresentação do ADA, viola não apenas o principio disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, como também o dispositivo da própria lei invocada para justificar o lançamento — que foi operado, como já mencionado, em 2003, portanto em momento posterior à edição da MP retro aduzida, e em curso de sua vigência que não permitia essa interpretação. Ainda quanto a isenção tributária devida pela impossibilidade na utilização das áreas de reserva legal, imperioso destacar que tal limitação se encontra na própria natureza da propriedade do ora recorrente, o que a torna, por ficção legal, antes mesmo que de qualquer tipo de ato declaratório de repartição pública, urna área de utilização limitada — aliás, limitadíssima, posto que qualquer destino que se lhe queira emprestar não prescinde da anterior autorização do IBAMA. Ora, sendo este mesmo IBAMA o órgão incumbido do fornecimento do indigitado ADA, não me parece razoável admitir-se que, sendo imprescindível para qualquer uso da referida propriedade a sua prévia autorização, pudesse, eventualmente, negá-lo, porquanto isso seria a própria negação do estado de coisas concebido pela lei. De fato, conforme fazem prova os documentos de fls., em sendo a propriedade do ora recorrente lindeira A Reserva Biológica Jaru, por força do disposto no artigo 10, § 1 0, II, letra 'h' da Lei 9393/96, bem corno do disposto no art. 10, V do Decreto n°4382, de 19/02/2002, torna-se uma área cujo aproveitamento econômico e, manifestamente, limitado. Finalmente, quanto A utilização da propriedade de parte do ora recorrente, julgo oportuna mais uma consideração. Em que pese ser ele o proprietário formal do Seringal Bela Vista área 02, e cediço que a mesma se encontra invadida, portanto, é de elementar dedução, que o ora recorrente não detém a posse da área tributada. Essa realidade, reconhecida até mesmo pelos funcionários da Reserva Biológica de Jam, conforme comprovam os documentos anteriormente referidos e acostados aos autos do presente, em meu entender, por sua própria natureza, impedem a validade do lançamento do crédito tributário objeto de análise, já que se encontra descaracterizado um dos seus elementov (14` 13 O Processo n° 13227.000580/2004-64 Acórdão n.° 392-00.008 CC03/T92 Fls. 188 essenciais, qual seja, o próprio fato gerador da hipótese de incidência da relação tributária, a saber o domínio sobre a área, para que sobre ela possa ser exercida qualquer destinação econômica. Por tais razões, entendo por bem em conhecer da preliminar suscitada pelo ora recorrente, lhe dando provimento para declarar a decadência do crédito tributário de que cuida o lançamento ora sob análise, e, no mérito, julgo o presente recurso procedente, corn o conseqüente cancelamento do lançamento. como Voto. Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2008 FRANCISCO EDUARDO ORCICIYI-1T'IRES E ALBUQUERQUE PIZZOLANTE - Relator • 14
score : 1.0
Numero do processo: 12269.001863/2008-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 07 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Oct 21 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
ARBITRAMENTO.
A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a empresa não apresenta sua contabilidade, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-008.497
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o cálculo da multa em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araújo, Matheus Soares Leite, André Luís Ulrich Pinto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a empresa não apresenta sua contabilidade, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. SÚMULA CARF Nº 119. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o cálculo da multa em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora e Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 18 63 /2 00 8- 06 Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-008.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12269.001863/2008-06 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Rodrigo Lopes Araújo, Matheus Soares Leite, André Luís Ulrich Pinto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração - AI, lavrado contra a empresa em epígrafe, no período de 01/2004 a 01/2008, referente a diferenças de acréscimos legais (levantamento DAL) e contribuição social previdenciária correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, apurada por aferição indireta (levantamento L05), fato gerador originado do cálculo de 40% sobre o valor total das notas fiscais de prestação de serviços menos o salário de contribuição do AI emitido referente diferença entre os valores informados em GFIP e folha de pagamento e o salário de contribuição declarado em GFIP, conforme Relatório Fiscal, fls. 110/114, pois a empresa não apresentou o Livro Diário no período de 01/2004 a 10/2007, tendo, por isso, sido lavrado o AI debcad 37.168.074-3 e as contribuições aferidas indiretamente. Consta ainda do Relatório Fiscal que: Foi efetuado comparativo entre o total da remuneração da folha de pagamento e o somatório do salário-de-contribuição aferido indiretamente com base nas notas fiscais de prestação de serviço (40% da nota fiscal), conforme Planilha de Salário de Contribuição Faturamento (Planilha 1). Quando deste comparativo resultou que o valor da remuneração da folha de pagamento foi superior a este somatório adotou-se como base de cálculo o valor constante da folha de Pagamento, uma vez que a Instrução Normativa citada anteriormente, determina que a remuneração da mão-de-obra seja no mínimo de 40% do valor da nota fiscal de prestação de serviço. No lançamento da base de cálculo da aferição indireta constante deste processo (L05) foi deduzido o valor da remuneração das Folhas de Pagamento. Em impugnação de fls. 128/144, a empresa aponta vícios no MPF, diz que não há suporte válido para o lançamento, questiona a multa aplicada e juros à taxa Selic. Foi proferido o Acórdão 09-32.013 - 5ª Turma da DRJ/JFA, fls. 168/179, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2008 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO FPAS E SAT. CONSTITUIÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS - DAL. MULTA. TAXA SELIC. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. PROVA DOCUMENTAL E PERÍCIA A empresa é obrigada a recolher a contribuição destinada à Seguridade Social para o FPAS (20%) e SAT (3%), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-008.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12269.001863/2008-06 da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. As contribuições previdenciárias e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, pagas em atraso, com valores de acréscimos legais a menor, ficam sujeitas à cobrança desta diferença. Por força de lei, os créditos previdenciários sujeitam-se ao cômputo de Multas e Juros equivalentes à taxa SELIC, aplicados em caráter irrelevável. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo, por inconstítucionalidade ou ilegalidade. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentá-la em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente, ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. Considera-se não formulado o requerimento genérico de realização de perícia, sem o atendimento de requisitos legalmente previstos. A prova pericial destina-se ao julgador que, quando considerá-la imprescindível, poderá determiná-la de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 21/1/11 (Aviso de Recebimento - AR de fl. 181), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/2/11, fls. 182/185, que contém, em síntese: Suscita a nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa, pois foi indeferida a prova juntada, bem como o requerimento de produção de prova pericial. Afirma que o lançamento não possui amparo legal na medida em que não deve ser exigida a contribuição que não tenha sido paga ou creditada, eis que a expressão “devida” do art. 22, I, da Lei 8.212/91 é inconstitucional. Acrescenta que não deve incidir contribuição sobre remunerações aferidas de forma indireta, por meio de notas fiscais. Aduz que a multa imposta é excessiva e viola a CR/88. Requer a reforma do acórdão recorrido e improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. DECISÃO RECORRIDA Suscita o recorrente a nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa, mas se refere ao indeferimento de produção de provas no acórdão recorrido. Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-008.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12269.001863/2008-06 Desta forma, aparentemente, ele se refere, na verdade, à nulidade do acórdão de impugnação, alegando que a decisão recorrida é nula por ter indeferido a juntada de provas e o requerimento de produção de prova pericial. Sobre a questão, assim consta no acórdão de impugnação: Com relação à juntada posterior de provas, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, dispõe no caput do artigo 15 e nos §§ 4° a 60 do artigo 16, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. § 4°A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 199 7) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei n'9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei no 9.532, de 199 7) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de unia das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 199 7) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997) (g. n.) A verificação da ocorrência de uma das hipóteses de aceitação de provas, entregue posteriormente à defesa, somente é possível com o exame de documentos efetivamente entregues após o prazo da impugnação, não sendo possível que esse órgão julgador acolha ou indefira juntada posterior de documentos que ainda não ocorreu, nos termos do § 5° do mesmo artigo 16. Quanto ao pedido de produção de prova testemunhal, não especificada pelo impugnante, cabe mencionar a lição de Paulo Celso B. Bonilha (in Da Prova no Processo Administrativo Tributário, Editora LTr, 1992, pág. 101), segundo a qual, "no processo administrativo tributário, por sua feição peculiar, predominam, substancialmente, a prova documental, a prova pericial e a prova indiciária, não se utilizando, senão acidentalmente, a prova testemunhal e a inspeção ocular da autoridade julgadora ". Desse modo, além de ser reduzido o valor probante da prova testemunhal no processo administrativo fiscal e não demonstrada a necessidade ou conveniência da realização de diligência para oítíva de testemunhas, deve ser indeferido tal pedido. No tocante ao genérico requerimento de produção de prova pericial, vale transcrever o que dispõe o artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) (g.n.) Assim, é de se firmar como não formulado o pedido de perícia. Acrescente-se que a perícia e a diligência são provas de caráter especial, cabíveis nos casos em que a interpretação dos fatos demanda juízo técnico. Todavia, elas não Fl. 494DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-008.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12269.001863/2008-06 integram o rol dos direitos subjetivos do autuado, destinando-se à formação da convicção do julgador, podendo este determiná-la de ofício, caso sejam imprescindíveis ao adequado julgamento do lançamento. A jurisprudência administrativa, de forma reiterada, confirme este entendimento, como exemplificam os acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementados: PERÍCIA — REALIZAÇÃO DISPENSÁVEL — Não constitui ilegalidade o indeferimento do pedido de realização de perícia, pela autoridade de primeira instância, quando as provas juntadas ao processo são suficientes para o deslinde da causa (Acórdão n° 104-17.019, de 16104199) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADES — PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS — CAPITULAÇÃO DO LANÇAMENTO — Porque o indeferimento ou deferimento do pedido de realização de perícia ou diligência depende do livre convencimento da autoridade preparadora julgadora, nos termos da processualística fiscal, o seu indeferimento não implica em nulidade da decisão, sobretudo quando os autos estão a demonstrar a sua prescindibilidade. (Acórdão nº 107-1.975, de 07/01/1997). Vê-se, portanto, que foi apreciado o pedido de juntada posterior de provas e de produção de prova pericial, contudo, tal pedido foi negado em decisão suficientemente fundamenta, não havendo que se falar em nulidade da decisão recorrida. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Alega o recorrente que a expressão “devida” do art. 22, I, da Lei 8.212/91 é inconstitucional. Afirma também que a multa é excessiva e viola a CR/88. Tais argumentos não podem ser apreciados em processo administrativo. A validade ou não da lei, em face de suposta ofensa a princípio de ordem constitucional escapa ao exame da administração, pois se a lei é demasiadamente severa, cabe ao Poder Legislativo, revê-la, ou ao Poder Judiciário, declarar sua ilegitimidade em face da Constituição. Assim, a inconstitucionalidade ou ilegalidade de uma norma não se discute na esfera administrativa, pois não cabe à autoridade fiscal questioná-la, mas tão somente zelar pelo seu cumprimento, sendo o lançamento fiscal um procedimento legal a que a autoridade tributária está vinculada. Ademais, o Decreto 70.235/72, dispõe que: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. E a Súmula CARF nº 2 determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO Quanto ao lançamento, sem razão o recorrente ao afirmar que não pode ser apurado por aferição indireta, conforme valores constantes em notas fiscais de prestação de serviços. Conforme suficientemente esclarecido no relatório fiscal e no acórdão recorrido, o lançamento realizado ocorreu porque, apesar de intimado, o sujeito passivo não apresentou o Livro Diário no período de 01/2004 a 10/2007. Fl. 495DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-008.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12269.001863/2008-06 Diante disso, o lançamento foi efetuado por aferição indireta, nos termos da Lei 8.212/91, art. 33: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. [...] § 3 o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. No caso, o salário de contribuição foi determinado em 40% do valor dos serviços constantes em nota fiscal, conforme dispõe a Instrução Normativa – IN SRP nº 3, de 14/7/05, vigente à época dos fatos geradores (o mesmo conteúdo consta na Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003, anterior e revogada pela IN nº 3/05): Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mão-de-obra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I - quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; Observe-se, conforme relatado, que foram deduzidos da base de cálculo apurada por aferição os valores constantes nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa. Portanto, correto o lançamento e a aferição efetuados. MULTA Diante da alteração da Lei 8.212/91, promovida pela Lei 11.941/09, a multa deverá ser reavaliada, por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário, devendo ser calculada a multa mais benéfica, considerando os autos de infração conexos, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09 e Súmula CARF nº 119. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo da multa em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 496DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-008.497 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12269.001863/2008-06 Fl. 497DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722879/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2301-000.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora junte aos autos o aviso de recebimento ou outro comprovante da ciência do acórdão recorrido
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 11516.722784/2016-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2016
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. ATIVIDADE IMPEDITIVA. ERRO ESCUSÁVEL.
Cancela-se a exclusão do Simples Nacional quando as evidências revelam que o contribuinte incorreu em erro absolutamente escusável na alteração contratual que inseriu atividade impeditiva.
Numero da decisão: 1302-004.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, com exceção do conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo que votou pelas conclusões do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ALTERAÇÃO CONTRATUAL. ATIVIDADE IMPEDITIVA. ERRO ESCUSÁVEL. Cancela-se a exclusão do Simples Nacional quando as evidências revelam que o contribuinte incorreu em erro absolutamente escusável na alteração contratual que inseriu atividade impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, com exceção do conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo que votou pelas conclusões do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cléucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por ELEKT INNOVATIONS LTDA - EPP contra acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada diante de sua exclusão do regime do SIMPLES NACIONAL promovida pela DRF/Florianópolis. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 27 84 /2 01 6- 11 Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.800 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.722784/2016-11 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/09/2016, efetuada através de registro de atividades incompatíveis com o referido regime. Conforme Histórico da Empresa, anexado ao processo (obtido no Portal do Simples Nacional), a exclusão em tela foi registrada em 09/08/2016 (fl. 19). Cientificada do Despacho Decisório (fls. 18 a 21) via Postal, com Aviso de Recebimento, em 19/04/2017 (fl. 38), a contribuinte apresentou, em 10/05/2017, a Manifestação de Inconformidade de fl. 41 a 44, solicitando o reenquadramento da empresa no Simples Nacional, sob a alegação de erro na alteração contratual que foi registrada na Junta Comercial, informando equivocamente que exercia ou exerceria a atividade de Geração de Energia, CNAE 3511-5/01. Argumenta que as atividades impeditivas foram retiradas do contrato social, alegando que nunca as exerceu. A DRJ/Ribeirão Preto-SP proferiu, então, acórdão cuja ementa assim figurou: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 08/08/2016 SIMPLES NACIONAL. ALTERAÇÃO NO CNPJ. EXCLUSÃO. A alteração de dados no CNPJ, para inclusão de atividade vedada à opção pelo Simples Nacional, equivale à comunicação obrigatória de exclusão do regime simplificado de tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Cumpre esclarecer que a instância a quo considerou ser irrelevante se a empresa exerceu ou não a atividade impeditiva. Inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, repete as alegações da manifestação de inconformidade. Reforça, entretanto, a alegação de que incorreu em mero erro de fato, nunca exerceu a atividade de geração de energia e que procedeu à retificação do objeto social e o seu registro na junta comercial tão logo foi comunicada da exclusão do regime. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Pelo que consta nos autos, tudo indica que houve desinformação quanto aos efeitos da inclusão de atividade impeditiva no contrato social da empresa. Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.800 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.722784/2016-11 Com efeito, com o protocolo da primeira alteração do seu contrato social (fls. 21 a 33), registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 08/08/2016 (fls. 45 a 53), a “geração de energia elétrica fotovoltaica” foi incluída no seu objeto social. Tão logo soube da exclusão do regime, a interessada promoveu a segunda alteração daquele contrato, retirando a referida atividade, a qual foi registrada em 14/09/2016 (fls. 7 a 15). A recorrente alega que havia se equivocado naquela primeira alteração e que retificou o objeto social para pleitear o ajuste das informações cadastrais em todos os órgãos, incluindo a Receita Federal e o Simples Nacional. Afirma que apurou todos os tributos e cumpriu suas obrigações acessórias, para o ano de 2016, segundo a sistemática do Simples. A exclusão desse regime lhe acarretaria graves e consideráveis prejuízos financeiros sem que tenha auferido qualquer ganho econômico que justificasse tal medida. Assegura também que é evidente que nunca exerceu a atividade de geração de energia dado o seu perfil e o conjunto de suas atividades. Seria formada por pesquisadores que intencionam tão somente trabalhar com consultoria, treinamentos e comercialização de equipamentos para os sistemas de energias na sua maioria sustentáveis e renováveis. Outra evidência nesse sentido é o fato de sua sede estar situada numa sala comercial em movimentado bairro misto da capital catarinense, local este que seria impossível para a produção e geração de qualquer tipo de energia comercial. Como se vê, há elementos suficientes para endossar o argumento de que a empresa não exerceu a atividade impeditiva. A exclusão do regime foi processada de forma automática com a informação de que houve uma alteração contratual inserindo a referida atividade. Porém, quando soube que essa circunstância havia resultado na sua exclusão do regime, o contribuinte rapidamente promoveu a sua reversão. Não houve e aparentemente não havia condições estruturais para o exercício da atividade. Mesmo que não tenha ocorrido um erro de fato e houvesse a intenção de exercer a atividade de geração de energia no futuro, a ideia parece ter sido prontamente abortada. Observe-se, também, que a jurisprudência do CARF, posto que para as exclusões de ofício propostas pela fiscalização ainda nos casos do Simples Federal (vigente até o primeiro semestre de 2007), caminhou no sentido de exigir a efetiva execução da atividade vedada para justificar a manutenção do procedimento. Veja-se, sobre isto, a Súmula CARF nº 134: A simples existência, no contrato social, de atividade vedada ao Simples Federal não resulta na exclusão do contribuinte, sendo necessário que a fiscalização comprove a efetiva execução de tal atividade. Ademais, por oportuno, alerte-se que esta mesma turma, mediante caso julgado em 14/07/2020, deu provimento a recurso voluntário que também discutia a exclusão do regime por atividade vedada na qual restou não devidamente comprovado o seu efetivo exercício. Confira-se, neste sentido, o seguinte trecho da ementa do Acórdão nº 1302-004.594: SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA POR COMUNICAÇÃO. PROVA Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.800 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.722784/2016-11 EM CONTRÁRIO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. ADMISSIBILIDADE Em analogia com o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, em decorrência do exercício de atividade vedada, no caso da exclusão por comunicação realizada pelo contribuinte, a impossibilidade de recolhimento dos tributos pelo regime beneficiado não decorre de uma constatação do Fisco, mas de uma informação prestada pelo próprio contribuinte, de modo que recai sobre este o ônus de comprovar as atividades efetivamente desempenhadas. O fato de o contribuinte comunicar que exerce atividade vedada, conforme código de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), constitui um elemento de prova por ele próprio construída em seu desfavor, sendo, porém, plenamente admissível que ocorram equívocos na referida comunicação, de modo que possa haver a revisão da exclusão automática, mediante a apresentação de provas cabais por parte do contribuinte. Apesar de o redator designado para o voto vencedor naquele caso ter feito considerações acerca da necessidade de o contribuinte trazer aos autos a prova negativa do exercício da atividade vedada, no caso presente, considero desnecessária esta exigência porque as evidências revelam que a interessada incorreu em erro absolutamente escusável na alteração contratual que inseriu atividade impeditiva. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o ato de exclusão do regime. (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001473/2007-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II,
"j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS,
aprovado pelo Decreto n.3.049/1999.
Recurso Voluntário Negado Crédito
Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-000.981
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a)Relator(a).
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a)Relator(a). (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 14485.001473/200718 Acórdão n.º 280300.981 S2TE03 Fl. 2 2 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls. 7193 do autos físicos) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 6265), que manteve parcialmente o crédito tributário oriunda da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei n. 8.212 1991, por ter deixado de apresentar e exibir Livros Diário e Razão, Balanços Patrimoniais, Relação de Anual de Informações Sociais, Guia de Recolhimento FGTSGRE de 1996 a 2000. Os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD´s foram entregues 09.12.2005 e 10.11.2005. A cientificação do auto foi em 28.12.2005. De resto, o presente relatório remetese ao exaustivo relatório do acórdão recorrido. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: a dispensa de depósito recursal prévio, prescrição qüinqüenal, que alguns dos documentos solicitados foram disponibilizados, mas alguns eram indisponíveis, mas não demonstrou o motivo da indisponibilidade, , inconstitucionalidade da penalidade imposta, por ausência de previsão e tipicidade imposta por lei em sentido estrito, inexigibilidade conduta diversa. Esse é o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 14485.001473/200718 Acórdão n.º 280300.981 S2TE03 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Preliminarmente, quanto à alegação de prescrição da aplicação da multa sob título do art. 5º do Decreto20.910/1932, devese atentar que as sanções impostas por descumprimento de normas tributárias instrumentais são regidas pelo Direito Tributário, não pelo Direito Administrativo, havendo previsão legal expressa pelo artigo113, do Código Tributário Nacional. Ao caso, o ato infracional ocorreu pela não apresentação documentos com informações de fatos geradores de obrigações tributárias não decaídas, em especial do ano de 2000 (art. 173, I, do CTN), depois de intimado pela autoridade fiscal, incorrendo na desobediência ao art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei n. 8.212/1991. Haveria decadência (não prescrição), caso o TIAD tivesse requerido apresentação de documentos referentes à fatos geradores ocorridos antes do ano de 1º de janeiro de 2000 (art. 173, I, do CTN), contudo a recorrente deixou de apresentar documentos referentes a fatos geradores não decadentes, configurando infração a partir da data de término do prazo deferido para apresentação dos mesmo. Essa é a data da ocorrência da infração, e do surgimento da obrigação sancionatória e posterior constituição do crédito tributário oriundo da sanção. Conforme supra mencionado, mesmo que os documentos referentes aos exercícios anteriores à 2000 não pudessem ser mais exigidos, bastaria um documento exigível e não entregue para configurar infração do art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, como efetivamente ocorreu. Logo, não assiste razão a recorrente. Está correto Auto de Infração, por subsistir o dever de apresentar os documentos do ano de 2000, a obrigação de apresentar os documentos requisitados pela fiscalização como estabelecido art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Quanto à suposta inconstitucionalidade por atipicidade e previsão legal da aplicação da sanção em face do principio de vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Ao fato do cumprimento das solicitações, o mesmo foi exaustivamente combalido nos autos, tanto que a fiscalização intimou a contribuinte duas vezes para apresentar os documentos, bem como ela deixou de apresenta os motivos e provas que justificassem a sua apresentação e impossibilidade de cumprir a requisição. Inclusive esse é o ônus da prova da parte recorrente (art. 16, do Dec. 70235/1972). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 14485.001473/200718 Acórdão n.º 280300.981 S2TE03 Fl. 4 4 Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE O PROVIMENTO. Sala de Sessões, 24 de agosto de 2011. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por GUSTAVO VETTORATO
score : 1.0
Numero do processo: 13829.000213/2005-62
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Na descrição do fato gerador, deve a autoridade lançadora fundamentar sua conclusão de existência de dúvidas quanto à idoneidade dos comprovantes utilizados pelo Contribuinte para fins de dedução de despesas médicas, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 2802-001.304
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Na descrição do fato gerador, deve a autoridade lançadora fundamentar sua conclusão de existência de dúvidas quanto à idoneidade dos comprovantes utilizados pelo Contribuinte para fins de dedução de despesas médicas, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Recurso a que se dá provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
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AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Na descrição do fato gerador, deve a autoridade lançadora fundamentar sua conclusão de existência de dúvidas quanto à idoneidade dos comprovantes utilizados pelo Contribuinte para fins de dedução de despesas médicas, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 21/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/ 06/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de fls. 05/08 lavrado contra o contribuinte, para restituição de IRPF do exercício 2003, anocalendário 2002, decorrente de revisão de declaração de ajuste anual, tendo em vista a prática de dedução indevida de despesas médicas, ocorrida por falta de comprovação de pagamento efetivo. Devidamente cientificado fls. 09, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 01/04, acompanhado de documentos, relatando seus problemas de saúde, bem como aduzindo que sempre efetuou os pagamentos de suas despesas médicas em dinheiro. Por derradeiro, o Contribuinte afirma que a legislação não impõe a apresentação de outros documentos além de recibos para a comprovação de despesas, tal como exigiu a Autoridade Fiscal. Ato contínuo, os autos foram remetidos para julgamento a 7ª Turma da DRJ/BSA, em sessão realizada no dia 17/07/2008, resultando no Acórdão n.º 0325.863, que, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por considerar que o contribuinte, quando intimado, não fez prova adicional aos recibos apresentados, atendose apenas a informar que as despesas médicas foram pagas em dinheiro, argumento não acolhido pela C. Colenda Turma, que determinou a manutenção do lançamento. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 29, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 31/36), repisando os argumentos consubstanciados em sua Impugnação, requerendo o arquivamento do procedimento fiscal em virtude da validade das despesas médicas efetuadas. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Com a devida vênia ao Órgão prolator da decisão recorrida, cuja decisão deve ser enaltecida em sua tese, o caso concreto é de, s.m.j., resolução simples, na medida em que o lançamento de ofício impugnado se desincumbe do dever de motivar seu ato administrativo de efeito concreto (lançamento de ofício), pois não desvela os fundamentos que o levou a asseverar no auto de infração (fls. 06) restar dúvidas quanto a idoneidade dos recibos apresentados pelo ora Recorrente. Ora, que dúvidas seriam estas? É certo que o Recorrente apresentou recibos, mas em nenhum momento consta do auto de infração os motivos que direcionaram a conclusão de inidoneidade dos mesmo, restando absolutamente impróprio o auto de infração utilizar uma espécie de “acusação geral”, em perfeito contraponto à imprestabilidade de eventual “negativa geral”, com a qual se eventualmente depara o Órgão Judicante. Caberia, pois, à autoridade autuante dizer exatamente o por quê de sua recusa aos comprovantes apresentados pelo ora Recorrente para justificar a dedução das despesas Fl. 42DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/ 06/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO Processo nº 13829.000213/200562 Acórdão n.º 280201.304 S2TE02 Fl. 39 3 médicas objeto de glosa, assim como no mesmo sentido não possui competência a DRJ para agravar o lançamento inovando em seus fundamentos, atribuindo motivação complementar ao auto de infração diante dos argumentos de defesa deduzidos pelo Recorrente em sua impugnação. Entretanto, deve ser pontuado que somente o ato administrativo que se reveste de todas as suas formalidades, mormente para o lançamento tributário, o qual não deixa nenhuma margem de discrionariedade para o agente público, possui o condão de inverter o ônus da prova, eis que, possuindo este ato a presunção de legitimidade, cabe ao contribuinte a contraprova de um fato nele consignado. Ora, o próprio auto de infração consigna que a prova do pagamento ou da efetiva prestação dos serviços são exigíveis quando restar dúvid quanto á idoneidade dos comprovantes apresentados pelo contribuinte, mas que dúvidas seriam estas? Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar integralmente a exigência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/ 06/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO 4 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/ 06/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO Processo nº 13829.000213/200562 Acórdão n.º 280201.304 S2TE02 Fl. 40 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13829.000213/200562 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 21 de junho de 2012. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 45DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/ 06/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002205/2008-57
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DEPENDENTES. FILHOS DE PAIS SEPARADOS.
A possibilidade de deduzir valor relativo a dependente é exclusiva do cônjuge que detém a guarda dos filhos, é afastada quando estes apresentam Declaração de Ajuste Anual em separado. O alimentante não pode deduzir como dependentes filhos que ficaram sob a guarda do ex-cônjuge.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. GLOSA.
O direito à dedução está condicionado à comprovação de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como do efetivo pagamento. Em face da não apresentação de documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento, é de ser manter a glosa.
PLANO DE SAÚDE DE EX-CÔNJUGE. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA.
O alimentante pode deduzir em sua DIRPF, como despesa médica, o valor por ele pago a titulo de plano de saúde de seu ex-cônjuge
quando assim o fizer em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ausente essa obrigatoriedade, trata-se
de liberalidade do contribuinte, não passível de dedução.
MULTA. CONFISCO
Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-001.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO. DEPENDENTES. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. A possibilidade de deduzir valor relativo a dependente é exclusiva do cônjuge que detém a guarda dos filhos, é afastada quando estes apresentam Declaração de Ajuste Anual em separado. O alimentante não pode deduzir como dependentes filhos que ficaram sob a guarda do ex-cônjuge. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. GLOSA. O direito à dedução está condicionado à comprovação de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como do efetivo pagamento. Em face da não apresentação de documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento, é de ser manter a glosa. PLANO DE SAÚDE DE EX-CÔNJUGE. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. O alimentante pode deduzir em sua DIRPF, como despesa médica, o valor por ele pago a titulo de plano de saúde de seu ex-cônjuge quando assim o fizer em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ausente essa obrigatoriedade, trata-se de liberalidade do contribuinte, não passível de dedução. MULTA. CONFISCO Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado
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DEPENDENTES. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. A possibilidade de deduzir valor relativo a dependente é exclusiva do cônjuge que detém a guarda dos filhos, é afastada quando estes apresentam Declaração de Ajuste Anual em separado. O alimentante não pode deduzir como dependentes filhos que ficaram sob a guarda do excônjuge. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. GLOSA. O direito à dedução está condicionado à comprovação de que a pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente ou sentença judicial, bem como do efetivo pagamento. Em face da não apresentação de documentação hábil a comprovar o efetivo pagamento, é de ser manter a glosa. PLANO DE SAÚDE DE EXCÔNJUGE. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. O alimentante pode deduzir em sua DIRPF, como despesa médica, o valor por ele pago a titulo de plano de saúde de seu excônjuge quando assim o fizer em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Ausente essa obrigatoriedade, tratase de liberalidade do contribuinte, não passível de dedução. MULTA. CONFISCO Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: German Alejandro San Martín Fernández, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Versam os autos sobre lançamento de ofício decorrente de revisão de Declaração de Ajuste Anual, exercício 2005, ano calendário 2004, tendo em vista a dedução indevida de pensão alimentícia no valor de R$ 59.104,65; dependentes no valor de R$ 3.816,00 e despesas médicas no valor de R$ 5.198,32, perfazendo o IRPF suplementar o total de R$ 18.732,72, acrescido da respectiva multa de ofício e juros de mora (fls. 10/13). Intimado, o Recorrente apresentou Impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos documentos de fls. 14/28, alegando que o valor deduzido a título de despesas médicas, embora pago a sua exesposa, correspondem a gastos efetuados com seus filhos em razão de acordo judicial (fls. 19), por isso, dedutíveis. Quanto às deduções referentes à pensão alimentícia, correspondem aos valores entregues a sua exesposa conforme acordo judicial, mediante recibo, pois em decorrência de problemas bancários, não foi possível a forma de depósito judicial imposta na sentença de homologação. Argumentou que o fato dos filhos terem entregue declaração em separado, não lhes retira a condição de dependentes, mesmo estando sob a guarda da mãe. Por fim, requereu a redução da multa para o patamar de 20%, face à vedação constitucional ao confisco. A decisão de 1ª instância (fls. 31/42) considerou procedente o lançamento, sob fundamento de que o Recorrente não poderia inserir os filhos no rol de dependentes para fins de imposto de renda, porque tal providência de início, só poderia ser adotada pela Sra. Rita guardiã dos filhos do casal, no entanto, ela renunciou a tal prerrogativa quando observou a regra geral, providenciando a apresentação de Declaração de Ajuste Anual dos filhos menores, razão pela qual, por conseqüência, as despesas médicas relativas a eles também não poderiam ter sido deduzidas. Quanto à dedução de pensão alimentícia judicial, a glosa foi mantida, sob o fundamento da falta de comprovação do pagamento, cujo documento hábil seriam os comprovantes de depósito bancário, não sendo suficientes os recibos apresentados. Nas razões de Voluntário, o Recorrente reiterou os argumentos da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.002205/200857 Acórdão n.º 280201.553 S2TE02 Fl. 66 3 Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Sem preliminares, passo ao mérito. Despesas a titulo de pensão alimentícia Foi glosada a dedução de R$ 59.104,65, em razão de os recibos apresentados pelo contribuinte não serem documentos hábeis para comprovar os pagamentos de pensão alimentícia judicial, por restar estipulado, em acordo judicial que os pagamentos seriam mensalmente depositados na contacorrente da separanda e que o comprovante de depósito serviria como recibo de pagamento. De acordo com as razões recursais, o Recorrente alega que: (...) ditos valores pensionais foram rigorosamente repassados, a titulo de "efetivo pagamento" à exmulher na forma de recibos, em vez de depósitos judiciais, já porque ela (exmulher) teve suas contascorrente encerradas nas agências com as quais mantinha relações negociais, por conta de restrições administrativas dos próprios bancos. (...) Repetese que o Recorrente fora compelido a alterar a forma de pagamento das pensões — sem alterar a obrigação — devidas A exmulher RITA DE CASSIA em decorrência de problemas pessoais dela para com o sistema financeiro e bancário, pensionandoa via recibos de pagamento mensais, o que em absolutamente nada altera o cumprimento obrigacional, seja perante a Justiça Pública, seja perante o Fisco. Ainda que seja factível a alegação de que a exconjuge se encontrava com as suas contas bancárias bloqueadas, não juntou o Recorrente os tais recibos que em tese comprovariam os dispêndios com a pensão alimentícia paga, de sorte a impedir o reconhecimento da dedutibilidade da despesa glosada. Da dedução de dependentes Foi glosada dedução de dependentes no valor de R$ 3.816,00, referentes aos filhos Carolina Miranda Fontes, Palmeirindo Fontes Neto e Lourenço Miranda Fontes, que apresentaram Declaração de Ajuste Anual e que por ocasião da separação judicial, ficaram sob a guarda da mãe. Correta a glosa, em virtude do disposto no §4º do inciso VII do art. 77 do RIR, cujas disposições apenas permitem a dedução de filhos de pais separados que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO 4 No caso dos autos, em virtude da guarda dos filhos se encontrar a cargo da exconjuge, acertada a decisão da DRJ. Despesas médicas Foi glosado o total de R$ 5.198,32, por referirse a despesas médicas de não dependente (exesposa). Ainda que haja declaração da excônjuge de não utilização dos dispêndios pagos à UNIMED por plano de saúde da qual é beneficiária para fins de dedutibilidade própria, por se tratar de despesas de saúde de não dependente, acertada a decisão da DRJ, em virtude do disposto no artigo 80, inciso II do RIR. A ausência de prova quanto à parcela desses valores se referir a despesas com plano de saúde dos filhos, diante da declaração da excônjuge de que o plano estaria em seu nome como titular por mera comodidade, impedem o reconhecimento da dedutibilidade de parte desses valores, que em tese seriam dedutíveis por se encontrarem tais despesas previstas no acordo judicial. Mantenho, pois, a glosa. Confiscatoriedade da multa Rejeito a alegação quanto à confiscatoriedade da multa de 75% aplicada e da violação ao conceito constitucional de renda e proventos de qualquer natureza, diante da vedação imposta a este órgão judicante pelo art. 26A do Decreto n. 70.235/72 e pela Súmula CARF n. 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Pelo exposto, conheço e nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 75DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente e m 31/05/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERN, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por JORGE CLA UDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000849/2004-78
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.416
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem para aguardar o trânsito em julgado do processo 10930.002052/2004-24, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-10T12:23:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-10T12:23:16Z; Last-Modified: 2013-10-10T12:23:16Z; dcterms:modified: 2013-10-10T12:23:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:78db5ebf-a96d-4d55-a988-67cea7b52b77; Last-Save-Date: 2013-10-10T12:23:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-10T12:23:16Z; meta:save-date: 2013-10-10T12:23:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-10T12:23:16Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-10T12:23:16Z; created: 2013-10-10T12:23:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2013-10-10T12:23:16Z; pdf:charsPerPage: 931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-10T12:23:16Z | Conteúdo => CC03/CO3 Fls. 376 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA 10930.000849/2004-78 137932 Solicitação de Diligência 303-01.416 24 de abril de 2008 UNIÃO NORTE DO PARANÁ DE ENSINO S/C LTDA. DRJ-CAMPO GRANDE/MS Processo n° Recurso n° Assunto Resolução n° Data Recorrente Recorrida RESOLUÇÃO IN2 303-01.416 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem para aguardar o trânsito em julgado do processo 10930.002052/2004-24, nos termos do voto do relator. ANEL E DAU PT PRIETO Presid te ,4)2 N TON LU ARTOLI elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Celso Lopes Pereira Neto e Tardsio Campelo Borges. Ausente Heroldes Bahr Neto. 1 Processo n.° 10930.000849/2004-78 Resoluçiio n.° 303-01.416 CC03/CO3 Fls. 377 RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração (55/66), pelo qual se exige pagamento da diferença no pagamento do Imposto Territorial Rural, multa de oficio e juros moratórios, exercício 1999 e 2000 em razão de suspensão de imunidade nos exercícios considerados, referente ao imóvel rural "Fazenda Experimental da Unopar — unificado com a Fazenda Álamo", localizado no município de Taramara/PR". Iniciou-se o presente recurso na intimação do contribuinte no Termo de Ação Fiscal as fls. 03/04 a apresentar os documentos solicitados, e a expedição do Ato Declaratório Executivo n° 59 de 07/11/2003 (fl. 16) no qual a autoridade fiscal suspende a imunidade do contribuinte com fulcro no inciso VI, alínea "C" combinado com §4 0 do artigo 150 da Constituição Federal; no artigo 90, § 1 0 e artigo 14 e seus inciso I, II e § 1 0 do CTN; nos §§2° e suas alíneas "a" e "b", e 3° do artigo 12 e nos artigos 13 e 14 da Lei 9.532 de 1997, combinado com o artigo 32 da lei 9.430 de 1996 e nos artigos 4°, 5°, 12, 13, 14 da IN/SRF n 113/1998, protocolado sob o n. 10.930.002052/2003-24. Ás fls. 17 o contribuinte foi intimado a informar nos anos calendário de 1998, 1999 e 2000, a opção de regime de tributação a ser adotada pela empresa, a base de cálculo das contribuições PIS e CONFINS e os dados de exploração dos imóveis rurais cadastrados na Receita Federal NIRF 4.917.243-3, Fazenda Alamo e fazenda experimental Unopar, preenchendo as informações contidas no DIAT — relativos aos anos-calendários de 1998 a 2000. Solicitou, em sua resposta, o contribuinte a dilação do prazo, sendo concedido o prazo de cinco dias para o calendário de 1998 e trinta dias para os anos de 1999 e 2000. Requereu em 15 de dezembro de 2003 efeito suspensivo em relação as intimações, sob a alegação de que enquanto não for apreciado seu recurso de impugnação deixaria de ser solicitado nas referidas informações, sendo este indeferido no despacho de fls. 22/23, Ciente do indeferimento de sua solicitação apresentou os dados solicitados na intimação fiscal., contudo em análise dos documentos solicitados, resolveu a autoridade fiscal em realizar o lançamento de oficio através do auto de infração. Capitulou-se a exigência na Lei n° 4.771/65, corn redação dada pela Lei n° 7.803/89; art. 1 0 , II, da Lei n° 7.803/89; arts. 1°, 7°, 9°, 10 0, 11 0 e 14° da Lei n° 9.393/96; Decreto n°4.382/02; IN/SRF n°73/97 e IN/SRF n°67/97, IN/SRF n°60/2001. 7 Fundamentou-se a cobrança da multa proporcional no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, c/c art. 14, §2°, da Lei n° 9.393/96. No que concerne aos juros de AI mora, fundamentou-se o cálculo no art. 61, §3°, da Lei n° 9.430/96. Processo n.° 10930.000849/2004-78 Resolução n.° 303-01.416 CC03/CO3 Fls. 378 Ciente do Auto de infração o(AR fls.63), o contribuinte apresentou impugnação de fls. 66/88, no qual em síntese afirma: 0 presente Ato Administrativo é nulo por não considerarem que o contribuinte é imune, cujo ato de sua suspensão não é definitivo, além de pender pedido de suspensão, além de não observar que o lançamento e a imposição de penalidade (auto de infração), pressupõem a verificação do fato tributável, conforme dispõe o artigo e não sua mera possível ocorrência, se não fosse a alteração dos créditos jurídicos fixados à Notificação Inaugural (PAF n° 10930.002050/2003-24), que contraia e nega vigência principio da legalidade, informação, direito de propriedade, principio de tipicidade, principio do devido processo legal, contraditório e ampla defesa e moralidade administrativa; Afirma que sempre cumpriu seus deveres instrumentais, fato que ilide a aplicação da multa de oficio, ou seja nunca deixou de cumprir seus deveres tributários 0 Cumprimento dos deveres apresentação de DCTF, DIRPJ e DIAC não autorizam o lançamento de oficio; Cita o artigo 149 do CTN, concluindo que não hi que se falar em lançamento de oficio com multa de oficio de 75%; incabível a imposição de multa de oficio sobre valores declarados, contrariando os incisos II e III do artigo 149 e 150 do CTN; Portanto, é nulo o auto de infração por ausência de previsão legal; Devido a alínea "c", do inciso VI, do artigo 150 da Constituição Federal, o contribuinte esta desobrigado a recolher ITR; Os juros não podem exceder um por cento ao mês, nos termos do artigo 161 do Código Tributário Nacional; Para corroborar seus argumentos colaciona respeitável jurisprudência e doutrina. Por fim requer o cancelamento ou anulação do lançamento. Instruem a impugnação os documentos de fls.89/267 dentre estes extrato do estatuto do impugnante, despacho decisório da DRF no processo n. 10930.002052/2003- 24;DCTF ano 1999e 2000; Declaração de IRPJ de 2000 e 2001, DITR 1999 e 2000. Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, a qual julgou procedente o Auto de Infração (fls. 280/292), consoante os termos da seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural-ITR Exercício: 1999,2000 Processo n.° 10930.000849/2004-78 ResoluvAo n.° 303 -01.416 CC03/CO3 Fls. 379 Ementa: NULIDADE. Improcedente a argüição de nulidade quando cumpridos os requisitos contidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e ausente as hipóteses de seu art. 59. Matérias alheias à contidas nesses dispositivos comportam decisão de mérito. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. Declarada a suspensão de imunidade pela autoridade competente, o contribuinte esta sujeito á incidência dos tributos e contribuições. APLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. São cabíveis as incidências de multa de oficio, por falta de recolhimento de tributo, quando apurado em procedimento fiscal, e de juros equivalentes taxa referencial do sistema especial de Liquidação e Custódia- SELIC, por expressa previsão legal , não cabendo ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de Leis ou Atos Normativos da Secretaria da receita Federal. Lançamento Procedente" Irresignado com a decisão de primeira instância (AR fls. 298), o contribuinte interpôs tempestivo Recurso Voluntário de fls. 299/338, instruido com os documentos de fls. 340/371, reiterando todos os argumentos, fundamentos e pedidos apresentados em sua peça impugnatória, e acrescentando o processo administrativo n° 10.930.002.2003/24, número do recurso 143385 foi julgado pela Terceira Câmara do Colendo Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário o contribuinte, revogando integralmente o ADE n° 59/2003, restabelecendo o direito a imunidade. Por fim, requer a nulidade e a improcedência do Lançamento contido no Auto de Infração. Em garantia ao seguimento do Recurso Voluntário apresenta arrolamento de bens, conforme documentos de fls. 343 e informação de fls. 344. No tocante ao arrolamento de bens e direitos efetuado, consigne-se que este não é mais exigido como condição para seguimento do recurso voluntário, haja vista o que dispõe o Ato Declaratôrio n° 9, de 05/06/07, com fulcro na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1976 do STF. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, em dois volumes constando numeração ate As fls. 372, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n° 314, de 25/08/99. o relatório. Processo n.° 10930.000849/2004-78 ResoluçAo n.° 303-01.416 CC03/CO3 Fls , 380 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo, por estar devidamente garantido e por conter matéria de competência deste Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes. Cinge-se a controvérsia a exigência de ITR, multa e juros, através do Auto de Infração de fls. 55/61, lavrado em razão da expedição do Ato Declaratório n° 59, de 07/11/2003 (fl.16), que declarou suspensa a imunidade da Recorrente nos anos de 1998 a 2000, no processo administrativo n° 10930.002052/2004-24. A decisão, ora recorrida indeferiu o pleito da Recorrente, mantendo a suspensão da imunidade e o lançamento de oficio, independente de esta ser recorrível, afastando a preliminar de nulidade e mantendo a aplicabilidade da multa de oficio e da taxa SELIC. Ex positis, se faz imperioso analisarmos para solução do presente o processo n° 10930.002052/2004-24, acerca da suspensão da imunidade da Recorrente, cuja ementa de decisão obtida no âmbito do Conselhos de Contribuintes abaixo transcrevo: Número do Recurso: Câmara: Número do Processo: Tipo do Recurso: Matéria: Recorrente: Recorrida/Interessado: Data da Sessão: Relator: Decisão: Resultado: Texto da Decisão: Ementa: 143385 TERCEIRA CÂMARA 10930.002052/2003-24 VOLUNTÁRIO IRPJ UNIÃO NORTE DO PARANÁ DE ENSINO SIC LTDA. 1a TURMA/DRJ-CURITIBA/PR 19110/2006 00:00:00 Paulo Jacinto do Nascimento Acórdão 103-22681 DPM - DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Flavio Franco Corrêa que negou provimento ao recurso. 0 Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que negou provimento. A contribuinte foi defendida pelo Dr. Romeu Saccani, inscrição OAB/PR n° 3.356. A Fazenda Nacional foi defendida por seu procurador, Dr. Sérgio de Moura. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE - ATO DECLARATORIO — RECURSO - EFEITO SUSPENSIVO — INEXISTÊNCIA - "A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado" (Lei n° 9.430/96, art. 32, § 8°). ATO DECLARATÓRIO - EXIGÊNCIA DE CREDITO TRIBUTÁRIO — IMPUGNAÇÕES — REUNIÃO - A reunião das impugnações em urn Processo n.° 10930.000849/2004-78 Resolução n.° 303 -01.416 CC03/CO3 Fls. 381 único processo, para serem decididos simultaneamente, longe de contrariar ou negar vigência à lei processual, a prestigia, porquanto determinada pelo art. 32, § 9°, da Lei n° 9.430/96. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO - Não importa em alteração do critério jurídico do lançamento o fato do Despacho Decisório apontar o fundamento legal de Instrução Normativa considerada vulnerada na Intimação Fiscal. NORMAS DE VIGÊNCIA - SUSPENSÃO PELO STF - LIMINAR EM ADIN - A referência a normas cuja vigência se ache suspensa por liminar concedida pelo STF em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade não invalida o Despacho Decisório e o Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade, se alicerçados também em outras normas em plena vigência. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU - NULIDADE — INEXISTÊNCIA - A falta de menção ao período alcançado pela suspensão da imunidade não tem o condão de nulificar a decisão que alcance todo o período fixado no Despacho Decisório e no Ato Declaratório. INSTITUIÇÃO DE ENSINO - SUSPENSÃO DA NULIDADE TRIBUTARIA - OFENSA AO ART. 14, I, DO CTN - NÃO CARACTERIZAÇÃO - 0 pagamento regular de salários aos dirigentes de instituição de ensino sem fins lucrativos, que, como empregados com provadamente exercem as funções de reitor e vice- reitor, não configura infração ao disposto no art. 14, inciso I. do Código Tributário Nacional. INSTITUIÇÃO DE ENSINO - SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTARIA - NORMA INFRA LEGAL — IMPOSSIBILIDADE - Não sustenta a suspensão da imunidade tributária por desatendimento a exigência prevista na instrução normativa, por ofensa a principio de estrita legalidade tributária. INSTITUIÇÃO DE ENSINO - SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTARIA - DESPESA DEDUTÍVEL - E dedutivel a despesa de viagem realizada com o objetivo de aperfeiçoamento pedagógico, cientifico e educacional, através do intercâmbio com outra universidade, porque necessária ao desempenho das atividades da entidade. INSTITUIÇÃO DE ENSINO - SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTARIA - DISTRIBUIÇÃO INDEVIDA DO PATRIMÔNIO - Os ressarcimentos a professores dos gastos com combustível e os adiantamentos feito a empresas prestadoras de serviços e fornecedores de bens, ainda que ligadas, não constituem distribuição indevida do patrimônio da entidade. Recurso provido. Publicado no D.O.U. no 225 de 24/11/2006. No entanto, observa-se que o referido processo foi enviado A Camara Superior de Recursos Fiscais, na qual ainda se encontra pendente de julgamento: Número do Recurso: 103-143385 Tipo do Recurso: RECURSO DO PROCURADOR Data de Entrada: 03/03/2008 Número do Processo: 10930.002052/2003-24 Processo n.° 10930.000849/2004-78 Resolução n.° 303-01.416 CC03/CO3 Fls. 382 Nome do Recorrente: FAZEN DA NACIONAL Nome do Interessado(a): UNIÃO NORTE DO PARANÁ DE ENSINO S/C LTDA. Nome do Contribuinte: FAZENDA NACIONAL / UNIÃO NORTE DO PARANÁ DE ENSINO S/C LTDA. Matéria: IRPJ Andamentos: 03/03/2008 - Aguardando Distribuição Para A Turma 28/03/2008 - Distribuição para Turma: PRIMEIRA TURMA 08/04/2008 - Aguardando Sorteio Para Relator, Seção: SECRETARIA Sendo, portanto, interdependentes os processos em questão, não há como analisar-se o presente sem que haja decisão final a respeito no processo n°10930.002052/2004- 24. Nestes termos, entendo por converter o julgamento em diligência à repartição de origem para aguardar o trânsito ern julgado do processo n° 10930.002052/2004-24, quando, acompanhados destes últimos, os presentes autos deverão retornar para análise no âmbito deste Eg. Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2008. 7N.11TON L BARTOL Relator • 7
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Numero do processo: 13973.000649/2007-50
Data da sessão: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Aug 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2005
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA
PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO,
Os valores mínimos de multas estabelecidos no art. 283, do Regulamento da Previdência Social (Dec. 3048/1999), são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social (art. 357).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-000.184
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a),
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2005 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO, Os valores mínimos de multas estabelecidos no art. 283, do Regulamento da Previdência Social (Dec. 3048/1999), são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social (art. 357). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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Recorrente CONFECÇÕES BRULIMAR LTDA-EPP Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/10/2005 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO, Os valores mínimos de multas estabelecidos no art. 283, do Regulamento da Previdência Social (Dec, 3048/1999), são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social (art. 357). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), HELT-01'çrCARLe • LIMA — Presidente Oseas rotrl paarrualmi n ad os i qpresenteuei ra ju unitge iarnoiedrietoA iolds r aedo s eAl BEldrue aa rdi úon ¡deor, OcItilvs et ai rva,o Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). (G,.,(.10,&-1/(faXele/IX1 ' 'AVO VETTORATO- Relato].aaa • n.-r • a-• a a n.-• . Relatório O presente processo administrativo diz respeito de Auto de Infração quanto à aplicação e cobrança de sanção por deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8112, de 24.07.91, ou apresentar documento ou' livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. A Recorrente teria alterado, falsificado vias de Notas Fiscais de Prestação de Serviço que iram à Contabilidade, preenchidas de valores dos serviços prestados declarados a menor do realmente cobrado de seu cliente Lunender SA, a partir de 01/2001. Ato conhecido como "calçar nota", Os fatos fora apurados pelo cruzamento de informações entre às vias das Notas Fiscais destinadas à cliente, e as que eram destinadas à contabilidade da contribuinte. O Relatório fiscal explicita que o prejuízo da Previdência Social estaria na redução cio valor pago pela recorrente no regime de apuração do Simples, ao qual era optante desde 01/1997, em que dos valores apurados são destinados à previdência social (artigo 3°, § I°, item "r da Lei N°9317/1996). O Auto de Infração foi lavrado constituindo o crédito tributário no valor de R$ 31052,41 (Trinta e Três Mil, Cinquenta e Dois Reais e Quarenta e Um Centavos), com fundamento de descumprimento ao disposto no art, 33, §§ 2" e 3", da Lei n. 8112/1991, c/c com os arts. 232 e 233, do Regimento da Previdência Social - RPS (Dec. 3048/1999), aplicando-lhe a sanção dos artigos 92 e 102 , 283, II, 1 e 373, e com gradação da mulga conforme o art. 292, II, todos do mesmo diploma..(fis. 01) Em impugnação apresentada indiferentemente de intimação da lavratura do Auto de Infração, suprindo a necessidade desse ato, sendo declarado tempestivo (fls. 46). O Recorrente alegou a nulidade do procedimento por Mandado de Procedimento Fiscal direcionado à Lunender S..A ter sido recebido pelo contador sem poderes para recebê-lo, bem como que a multa aplicada e a sua gradação seriam inconstitucionais. Os autos foram encaminhados à Delegacia de Receita Previdenciária de Blumenau que decidiu pela procedência do lançamento, não acolhendo a preliminar de nulidade cio Al em razão do MPF direcionado à Luneder S.A. Ter sido recebido por procurador sem poderes para tanto, pois se tratava de pessoa juridica diversa da recorrente que teve seu MPF recebido pelos sócios.. Ainda, a decisão a quo entendeu como precedente a aplicação da multa e sua gradação, por estarem os fatos relatados em plenamente tipificados nos dispositivos que fundamentam o AI, e seus valores estarem atualizado pela Portaria MPS n. 822/2005. Após a ciência da decisão a quo, o Recorrente apresentou tempestivamente Recurso Voluntário ao Conselho de Recursos da Previdência Social, o qual teve as competências transferidas à 2" Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF/MF. Na época não foi admitido na instância inferior em razão da ausência do depósito recursal prévio de 30%, o que foi revertido em face de ordem judicial emanada pelo Mandado de Segurança n. 2007,72.05,0001-3/SC.. Em suas razões, argüiu a apenas a nulidade da gradação e atualização da multa aplicada, requerendo a sua redução ao valor de R$ 6.361,73.. Após isso, os autos vieram à presente Turma Especial para julgamento. 2 Esse é o apertado relatório. 3 Processo r1 0 13973•000649/2007-50 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00184 F I 2 Voto Conselheiro GUSTAVO VETTORATO, Relator O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. O auto de infração foi lavrado e teve lavrada multa conforme o ao disposto no art. 33, §§ 2' e 3', da Lei n. 8212/1991, c/c com os arts, 232 e .23.3, do Regimento da Previdência Social - RPS (Dec. 3048/1999), aplicando-lhe a sanção dos artigos 92 e 102 , 283, II, .1 e 37.3, e com gradação da multa conforme o art. 292, II, todos do mesmo diploma, sendo os seus valores atualizados por Portaria Ministerial, na época pela Portaria MPS n. 822/2005. Os artigos 92 e 102, da Lei rr 8.212/1991, autorizam ao Poder Executivo Federal, mediante Decreto, cominar as penalidades às infrações aos dispositivos do mesmo diploma legal, que não tenham previsão de sanção específicas, respeitados os valores 'máximos e mínimos nele estabelecidos. Tais valores ainda podem e devem ser atualizados por portaria ministerial. É prerrogativa dos auditores fiscais federais zelar pelo recolhimento das contribuições prevideneiárias, ficando o contribuinte obrigado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados, bem como, exibir todos os documentos e livros. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, sem prejuízo da penalidade cabível (auto de infração), o fisco pode lançar de ofício a importância devida por intermédio do lançamento, nos termos do art.. 33, §§ 1" a 3'. e § , e art, .37, da Lei n 8_212/1991, bem como, disposto no art. 113, §§ 2 `) . e 3', do CTN. Sob a mera alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade de tais dispositivos legais que fundamentam o auto de infração não tem o condão de autorizar ao Administrador Público, agente fiscal ou julgador do contencioso administrativo, de afastar a sua aplicação. No caso dos conselheiros do CARF, tal impedimento está disposto no art. 62, do seu Regimento Interno, Dessa forma, salvo exceções estabelecidas no mesmo dispositivo. Ainda, quanto à atualização dos valores o Recorrente desconsiderou a ordem do art. .373, do Regulamento da Previdência Social: Art 373. Os valores expressas em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Ou seja, os valores do Auto de Infração foram lançados em conformidade o art. 28.3, II, j, do RPS, estão reajustados conforme o art. 373 do mesmo diploma, e da forma como está consignado no art. 357, da Instrução Normativa n. 971/2009 da Secretária da Receita Federal do Brasil. /D'" Assim, entende-se que se deve ser conhecido o recurso, mas, no mérito, deve- se NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo-se a decisão a quo inalterada, Esse é o meu voto. 4
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Numero do processo: 10530.904157/2009-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/08/2007
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2007 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Ausente o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Relatório Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Salvador/BA (fls. 48 a 49) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 1 a 3) apresentada pelo contribuinte para contestar o teor do despacho decisório denegatório da compensação pleiteada (fl. 11), com fundamento no fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do sujeito passivo. O Pedido de Restituição ou Ressarcimento e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) haviam sido transmitidos à Receita Federal em 20 de novembro de 2007 com o fito de se compensar o crédito decorrente de pagamento a maior efetuado pelo sujeito passivo com débito da Cofins. Cientificado do despacho decisório desfavorável a sua pretensão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, requereu a homologação da compensação e alegou que teria havido um equívoco entre os valores recolhidos e aqueles declarados em DCTF, o que poderia ser comprovado no Dacon do mês de agosto de 2007. Segundo ele, após a ciência do despacho decisório, providenciou as retificações devidas, de forma a fazer constar da DCTF o valor correto da Cofins, no montante de R$ 126.319,84, e não de R$ 149.048,58, que corresponderia ao valor recolhido a maior, cuja diferença pretendiase compensar. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia do Dacon retificador, transmitido em 08/11/2007, e das DCTFs original e retificadora, esta transmitida em 06/11/2009. A DRJ Salvador/BA não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2007 COMPENSAÇÃO. INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. Incabível reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório,. tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que o interessado não trouxe aos autos, para fins de apuração da liquidez e certeza, quaisquer registros contábilfiscais, efetuados com base na documentação pertinente, que pudessem evidenciar a efetiva ocorrência do erro de declaração apontado. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho e, amparandose no princípio da verdade material, reitera seu pedido, repisa os argumentos de defesa e reproduz decisões do CARF no sentido de que os erros no preenchimento de declaração não invalidam o direito à compensação, sob pena de enriquecimento ilícito. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10530.904157/200918 Acórdão n.º 380303.062 S3TE03 Fl. 2 3 Junto ao recurso, o contribuinte traz mais uma vez aos autos cópias da DCTF retificadora, do PER/DCOMP e do Dacon. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, registrese que o despacho decisório foi emitido com base nas informações constantes da DCTF então presentes nos sistemas internos da Receita Federal. O PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte referese ao período de apuração de agosto de 2007 e informa a existência de um saldo credor de R$ 22.728,74, referente à Cofins recolhida a maior no montante de R$ 149.048,58, quando o valor devido seria de R$ 126.319,84, conforme comprovaria, segundo o Recorrente, o Dacon entregue anteriormente ao PER/DCOMP e, por conseguinte, ao despacho decisório. Com base nos documentos presentes nos autos, constatase que inexiste vício no despacho decisório a reclamar por sua anulação, uma vez que exarado em conformidade com os valores informados pelo sujeito passivo no PER/DCOMP e na DCTF. Registrese que a DCTF, e não o Dacon, é o documento eficaz à constituição do crédito tributário, sendo ela o suporte das informações que servirão de base para o cruzamento com os dados relativos a pagamentos. No presente caso, o valor recolhido de R$ 149.048,58 corresponde ao valor declarado originariamente em DCTF. Somente após a ciência do despacho decisório, o contribuinte apresentou a DCTF retificadora, no sentido de ajustála à sua linha de defesa. Nem mesmo após o relator a quo ter alertado acerca da necessidade de o interessado apresentar os registros contábilfiscais, efetuados com base na documentação pertinente, para fins de comprovar a efetiva ocorrência do erro de declaração, o Recorrente se predispôs a trazer aos autos a documentação reclamada. Junto à sua peça recursal, limitase a trazer, mais uma vez, cópias do PER/DCOMP, do Dacon e da DCTF retificadora, documentos esses que já constavam dos presentes autos. Ora, a pessoa que alega ser detentora de um direito tem o dever de comprovar a sua pretensão. A defesa genérica desprovida de provas não é apta a favorecer a tese defendida pelo ora Recorrente. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação da declaração apresentada. Referido dispositivo assim dispõe: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) No presente caso, nem na fase de Manifestação de Inconformidade, nem no Recurso Voluntário, o interessado se predispôs a demonstrar de forma inequívoca o direito pleiteado. Ele poderia ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação, os documentos necessários à demonstração do direito creditório. Contudo, assim não se portou, persistindo não comprovado o direito creditório pleiteado. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10530.904157/200918 Acórdão n.º 380303.062 S3TE03 Fl. 3 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10530.904157/200918 Interessada: SANTANA MARTINS & CIA. LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.062, de 24 de maio de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de maio de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/05/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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