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Numero do processo: 13603.722445/2011-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados.
As parcelas pagas a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00, por não respeitar o lapso temporal legal, sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.839
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para excluir da base de cálculo os valores recolhidos em agosto/08 e janeiro/09, referente a participação nos lucros.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As parcelas pagas a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00, por não respeitar o lapso temporal legal, sujeitamse às contribuições devidas à seguridade social. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para excluir da base de cálculo os valores recolhidos em agosto/08 e janeiro/09, referente a participação nos lucros. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 24 45 /2 01 1- 68 Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13603.722445/201168 Acórdão n.º 2803003.839 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13603.722445/201168 Acórdão n.º 2803003.839 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrada, referente a participação nos lucros e resultados. Reproduzo excerto do relatório da r decisão: De acordo com esse Relatório Fiscal, os Levantamentos apurados referemse a: CI1 – Pagamentos a Contribuintes Individuais: contribuições previdenciárias correspondentes a pagamentos efetuados a contribuintes individuais não declaradas em GFIP; PL1 e PL2 – Pagamentos referentes a Participação nos Lucros: contribuições previdenciárias e contribuições para Terceiros correspondentes a remuneração paga aos segurados empregados a título de Participação no Lucro e/ou Resultado da empresa não declaradas em GFIP, extraídas das folhas de pagamento; PP1 e PP2– Pagamento relativo a Previdência Privada: contribuições previdenciárias correspondentes a pagamento aos sócios da empresa a título de Previdência Privada, extraído da conta no Razão Despesas com Previdência Privada, não declaradas em GFIP. ... Concorda com a incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento aos sócios da Empresa, a título de Previdência Privada, não declaradas em GFIP, e sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais não declarados em GFIP, com exceção de Ivanir Geraldo da Silva – ME O r. acórdão – fls 1737 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, a não incidência de contribuições sobre valores pagos a título de PLR, requerendo o provimento do recurso apresentado. É o relatório. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13603.722445/201168 Acórdão n.º 2803003.839 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS A lei 10.101/00 veio a efetivar a previsão constitucional trazida no art. 7º, XI, referente à participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. Complementando, a lei 8.212/91 em seu art. 28 § 9º, exclui a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com a lei 10.101/00, do conceito de salário de contribuição. O Relatório fiscal informa que houve distribuição prevista em convenção coletiva, em agosto/2008, em novembro/2008 e em janeiro/2009, infringindo assim a lei 10.101/00 art. 3º, §2º. Art. 3º ... § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. O tema trazido é tem tido ampla discussão neste Colegiado, tendo decisões em diversas direções, como abaixo exemplificamos. Ressaltese que a corrente que defende a contribuição somente sobre os pagamentos efetuados após a segunda parcela distribuída precedentes acórdãos nsº 2402.02.505, 240102.139, ainda é minoritária neste Colegiado. ... PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM CONFORMIDADE COM A NORMA DE REGÊNCIA. PAGAMENTO DE PARCELA NÃO PREVISTA NO PLANO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES APENAS SOBRE OS VALORES REPASSADOS IRREGULARMENTE. Os pagamentos de parcelas sob a denominação de Participaçã o nos Lucros e Resultados, que não estejam previstas no plano relativo a esse benefício, devem sofrer incidência de contribuições, sem que, no entanto, venham a desnaturar as parcelas fornecidas em consonância com a norma de regência, que devem ficar de fora da tributação .... Acórdão Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13603.722445/201168 Acórdão n.º 2803003.839 S2TE03 Fl. 6 5 240102.139, sessão de 01.12.2011. 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Somente não integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos pago s, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destina dos a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou toma dor de serviços. As exceções são exclusivamente as previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. Acórdão nº 2403002.439 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, sessão de 18.02.2014 O parecer PGFN/CAT/Nº 2536/2012 conclui que "... o descumprimento dos parâmetros normativos, a tributação ocorrerá sobre todas as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados." Reservome a análise do caso concreto trazido à julgamento, sem firmar tese geral, onde foi prevista em convenção 03(três) pagamentos a título de PLR ano 2008 e 2009. Entendo que a irregularidade apontada um pagamento em período inferior a seis meses não é suficiente a desnaturar por completo toda a distribuição ocorrida, sobretudo em razão da alteração, pela lei 12.832/13, da lei 10.101/00, que ficou com a seguinte redação: § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) Seguindose a atual redação legal, sequer poderseia falar em ofensa ao normativo, via de consequência, não haveria fato gerador. Tenho que a solução que melhor vai ao encontro do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal, que traz regra imunizante, permitindo assim interpretação ampla, ao contrário da isenção, com literal interpretação art. 111 do CTN, é no sentido de considerar apenas a parcela distribuída em novembro/2008 como fato gerador de contribuição previdenciária. Assim, alcançamos a finalidade da norma sem afastar a devida ação do fisco no desvio cometido. Arredando tal parcela, temos assim duas distribuições em acordo com a lei então vigente, em agosto/2008 e janeiro/2009, atingindo assim os devidos consectários legais. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13603.722445/201168 Acórdão n.º 2803003.839 S2TE03 Fl. 7 6 Vejamos jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÍNIMA DE SEIS MESES. ART. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (CONVERSÃO DA MP 860/1995) C/C O ART. 28, § 9º, "j", DA LEI 8.212/1991. REDUÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. ART. 27, § 2º, DA LEI 9.711/1998. EXIGÊNCIA DE PAGAMENTO INTEGRAL. ART. 35 DA LEI 8.212/1991. REDAÇÃO DADA PELA LEI 9.528/1997. DISCUSSÃO ACERCA DA CONSTITUCIONALIDADE. NÃOCONHECIMENTO. 1. Hipótese em que se discute a incidência de contribuição previdenciária sobre parcelas distribuídas aos empregados a título de participação nos lucros e resultados da empresa. 2. O Banco distribuiu parcelas nos seguintes períodos: a) outubro e novembro de 1995, a título de participação nos lucros; e b) dezembro de 1995 a junho de 1996, como participação nos resultados. 3. As participações nos lucros e resultados das empresas não se submetem à contribuição previdenciária, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991, à luz do art. 7º, XI, da CF). 4. O art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) fixou critério básico para a nãoincidência da contribuição previdenciária, qual seja a impossibilidade de distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses. 5. Caso realizada ao arrepio da legislação federal, a distribuição de lucros e resultados submetese à tributação. Precedentes do STJ. 6. A norma do art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995), que veda a distribuição de lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses, tem finalidade evidente: impedir aumento salarial disfarçado cujo intuito tenha sido afastar ilegitimamente a tributação previdenciária. 7. O Banco realizou pagamentos aos empregados de modo absolutamente contínuo durante nove meses, de outubro de 1995 a junho de 1996, o que implica submissão à contribuição previdenciária, nos termos do art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) c/c o art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991. 8. Irrelevante o argumento de que as parcelas de outubro e novembro de 1995 referemse à participação nos lucros, e as demais, nos resultados. 9. As expressões "lucros" e "resultados", ainda que não indiquem realidades idênticas na técnica contábil, referemse igualmente a ganhos – percebidos pelo empregador em sua Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13603.722445/201168 Acórdão n.º 2803003.839 S2TE03 Fl. 8 7 atividade empresarial –que, na forma da lei, são compartilhados com seus empregados. 10. Para fins tributários e previdenciários, importa o percebimento de parcela do ganho empresarial pelos funcionários, seja ela contabilizada como lucro ou como resultado. 11. Ademais, in casu, ainda que houvesse distinção entre a participação nos lucros (outubro e novembro de 1995) e a participação nos resultados (dezembro de 1995 a junho de 1996), ocorreram múltiplos pagamentos em periodicidade inferior a seis meses em ambos os casos, o que afasta o argumento recursal. 12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). 13. O Recurso do Banco deve ser parcialmente provido, exclusivamente para afastar a tributação sobre o pagamento realizado em abril de 1996. O Recurso do INSS deve ser parcialmente provido para reconhecer a incidência da contribuição sobre aquele ocorrido em novembro de 1995. ... RESP 496949/PR, DJ 31.08.2009 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do presente recurso e doulhe parcial provimento para excluir da base de cálculo os valores recolhidos em agosto/08 e janeiro/09, referente a participação nos lucros. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 13603.722445/201168 Acórdão n.º 2803003.839 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15504.722979/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE MATÉRIA TRAZIDA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar matéria contra a qual o contribuinte se insurgiu expressamente, por cerceamento do direito de defesa, a teor do disposto no art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Precedentes.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE MATÉRIA TRAZIDA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar matéria contra a qual o contribuinte se insurgiu expressamente, por cerceamento do direito de defesa, a teor do disposto no art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Precedentes. Decisão Recorrida Nula.
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ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO APRECIAÇÃO DE MATÉRIA TRAZIDA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar matéria contra a qual o contribuinte se insurgiu expressamente, por cerceamento do direito de defesa, a teor do disposto no art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Precedentes. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 29 79 /2 01 2- 19 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por FUNDAÇÃO FORLUMINAS DE SEGURIDADE SOCIAL FORLUZ, irresignada com o acórdão de fls., por meio do qual fora mantida a integralidade dos seguintes Autos de Infração: a) AI 37.350.0084, lavrado para a cobrança de contribuições parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados; b) AI 37.350.0092, lavrado para a cobrança de contribuições parte do segurado, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados; c) AI 37.350.0106, lavrado para a cobrança de contribuições destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados; d) AI n. 37.350.0076, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP sem a informação de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias; Consta do relatório fiscal que os fatos geradores das contribuições lançadas fora o pagamento de (i) Participação nos Lucros e Resultados aos empregados, uma vez que o Acordo Coletivo que previa o pagamento da verba aos trabalhadores continha um valor mínimo garantido de participação por período independentemente de qualquer meta ou resultado; que o acordo não possuía a previsão de metas; que dele também não constavam critérios objetivos; que o pagamento da PLR fora assinado um mês antes do pagamento, ao final do ano que se referia; situações estas que geraram a ofensa ao disposto na Lei 10.101/00. O lançamento compreende o período de 01/2007 a 12/2008, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 30/03/2012 (fls. 01). Em seu recurso, sustenta a ilegalidade da indicação dos diretores como corresponsáveis pelo débito lançado, eis que não estão presentes os requisitos do art. 135 do CTN, devendo os mesmos serem excluídos do presente Auto de Infração. Defende que a imunidade dos pagamentos de PLR, prevista no art. 7o, inciso XI, da Constituição Federal deve ser auto aplicável, pois se trata de norma constitucional de eficácia plena. Que o acordo coletivo da FORLUZ e seus funcionários continha regra bastante clara a respeito do direito e extensão do pagamento a ser feito a título de PLR, qual seja, o atingimento das metas de rentabilidade mínima e das previstas no acordo de gestão FORLUZ, não havendo qualquer margem para incertezas ou dúvidas. Que ao acordo é claro em relação à periodicidade do pagamento. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.722979/201219 Acórdão n.º 2401003.627 S2C4T1 Fl. 275 3 Que o acordo coletivo foi registrado na entidade sindical. No caso das entidades fechadas de previdência complementar, para a satisfação dos requisitos constantes na Lei 10.101, basta que a Entidade cumpra com o que já está disposto na sua própria norma de regência e atinja, como deve ser, as metas atuariais fixadas. Repitase, no universo das entidades fechadas de previdência complementar, a verificação, do sucesso ao atingir as metas atuariais é contínua. Observandose este critério, a Impugnante criou uma rotina de pagamento de participação nos resultados. Os empregados sempre souberam a meta que deveria ser atingida para fins de percepção da participação nos resultados, uma vez que a meta atuarial está atrelada ao próprio funcionamento de uma entidade fechada de previdência complementar. Não bastasse todo o exposto, vale frisar que não há qualquer imposição da legislação a respeito de eventual período mínimo para preceder o pagamento da PR, especialmente no caso da Impugnante, em que a meta atuarial é fixada prévia e anualmente pela Entidade. No caso concreto, o pagamento a título de PR foi feito posteriormente à estipulação da meta atuarial e, principalmente, após a formalização do Acordo Coletivo. Nada foi pago sem que fossem anteriormente definidas as regras para o pagamento. Por fim, aduz que são meramente exemplificativos os critérios e condições para pagamento da PLR, previstos no art. 2o, §1°, I e II, da Lei 10.101/2000 e que é ilegal a cobrança da contribuição ao INCRA e que o processo está eivado de nulidades. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o necessário relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARMENTE Antes mesmo de adentrar ao mérito do presente recurso, tenho que existe questão preliminar a ser analisada, que diz respeito a necessária garantia do contribuinte ao devido processo legal e pleno exercício de seu direito de defesa. Conforme já relatado, o presente lançamento busca a cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a título de PLR, os quais o fiscal autuante entendeu terem sido realizados sem a observância daquilo o que determinado pela Lei 10.101/00, pois apurou as seguintes irregularidades: (i) o Acordo Coletivo que previa o pagamento da verba aos trabalhadores continha um valor mínimo garantido de participação por período independentemente de qualquer meta ou resultado; (ii) que o acordo não possuía a previsão de metas; que (iii) dele também não constavam critérios objetivos; e, por fim, (iv) que o pagamento da PLR fora assinado um mês antes do pagamento, ao final do ano que se referia Em face de referidas imputações, a ora recorrente impugnou o lançamento, contrapondose a cada um dos itens que a fiscalização entendeu como descumpridos relativamente ao pagamento da PLR, trazendo a lume argumentos de fato e de direito que entendeu hábeis a desconstituir a imposição fiscal que lhe fora imputada, notadamente, esclarecendo e justificando que o acordo possuía metas e que o valor mínimo garantido era uma meta específica das empresas que atuam como entidades fechadas de previdência complementar. No entanto, ao analisar o v. acórdão de primeira instância, verifiquei que o seu voto condutor, em nenhum momento analisou a tese de defesa trazida em sede de impugnação, tendo o julgamento se resumido a única e exclusivamente em transcrever o inteiro teor do relatório fiscal da autuação, sem nada acrescentarlhe, mas simplesmente apontando que de acordo com o fiscal autuante, houve o descumprimento daquilo o que disposto na Lei 10.101/00. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.722979/201219 Acórdão n.º 2401003.627 S2C4T1 Fl. 276 5 Dessa forma, o julgamento de primeira instância passou ao largo na análise da tese de defesa objeto da impugnação e agora trazida a este Conselho em sede de Recurso Voluntário. O acórdão simplesmente não se manifestou sobre qualquer dos argumentos de defesa constantes na impugnação acerca da regularidade dos pagamentos da PLR, motivo pelo qual entendo houve no presente caso o cerceamento do direito de defesa da parte recorrente. Ora, fato é que a todo o momento pode o julgador utilizarse dos fundamentos constantes no relatório fiscal para justificar a manutenção da exação fiscal, mas simplesmente reproduzilos, sem ao menos analisar as razões trazidas em sede de impugnação e que se contrapõem a tais argumentos, a meu ver, se trata de situação que merece o devido reparo por parte deste Eg. Conselho, em respeito aos princípios do devido processo legal e do pleno exercício do direito de defesa e do contraditório. A meu ver, analisar a tese de defesa da recorrente neste momento, significa até mesmo a supressão de instância administrativa, tendo em que vista que em momento algum o julgamento de primeira instância sobre ela se debruçou. Sobre o assunto, o Decreto 70.235/72, em sua Seção VI, que trata do julgamento de primeira isntância, garante ao contribuinte que toda a sua matéria de defesa deve ser objeto de análise por parte da autoridade julgadora. É o que se verifica de seu art. 31, a seguir: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Por sua vez, o mesmo Decreto aponta que as decisões tomadas com preterição do direito de defesa de qualquer das partes envolvidas no processo administrativo fiscal é nula de pleno direito, conforme preconiza o art. 59, II, vejamos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, tenho que outra não possa ser a solução a ser dada ao presente caso, sobretudo para que se evite supressão de instância administrativa, senão por reconhecer a nulidade do julgamento ocorrido em primeira instância em homenagem ao direito do pleno exercício do direito de defesa, conforme precedentes dessa casa. Ante todo o exposto, voto no sentido de ANULAR O ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, determinando a baixa dos autos, para que um novo venha a ser proferido, agora com a análise da tese de defesa constante na impugnação no que se refere à Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 PLR, com a posterior intimação da parte, para se for o caso, interpor novo recurso voluntário no prazo legal. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 27/10/2 014 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10880.979339/2009-72
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/10/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 39 /2 00 9- 72 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979339/200972 Acórdão n.º 3801004.568 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 13,70, ocorrido em 15/10/2001, com débito próprio de PIS cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 02/12/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 15734. 78307141105. 1.2. 043720, relativo ao período de apuração set/2001. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979339/200972 Acórdão n.º 3801004.568 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 2.107,90,, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2001 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979339/200972 Acórdão n.º 3801004.568 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979339/200972 Acórdão n.º 3801004.568 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900978/2009-44
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do Acórdão 01-21.965 da 3ª Turma da DRJ/BEL em 13.07.2011, consoante AR à fl. 34 e considerando a lavratura do termo de perempção pela DRF de Manaus, é de ser inadmitido o Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1803-001.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do Acórdão 01-21.965 da 3ª Turma da DRJ/BEL em 13.07.2011, consoante AR à fl. 34 e considerando a lavratura do termo de perempção pela DRF de Manaus, é de ser inadmitido o Recurso Voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
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score : 1.0
Numero do processo: 11516.002907/2002-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
LUCRO INFLACIONÁRIO - REALIZAÇÃO INTEGRAL - DECADÊNCIA.
Conforme enuncia a Súmula CARF nº 10, o prazo decadencial de constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período em que foi realizado ou em que, em face da legislação de regência, deveria ter sido realizado.
A tributação favorecida veiculada pelo art. 31, V, da Lei nº 8.541/1992 não admite realização parcial, devendo incidir sobre o saldo integral do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF.
O ano calendário em que foi exercida a opção pela tributação favorecida, mediante pagamento do imposto correspondente em quota única, representa o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado o saldo integral do lucro inflacionário diferido e do saldo credor da diferença IPC/BTNF. Eventuais diferenças só poderiam ser exigidas pelo fisco dentro do quinquênio legal previsto para realização do lançamento tributário, em conformidade com o art. 150, § 4°, do CTN.
Numero da decisão: 9101-002.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso provido. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada).
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araujo, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997, 1998, 1999 LUCRO INFLACIONÁRIO - REALIZAÇÃO INTEGRAL - DECADÊNCIA. Conforme enuncia a Súmula CARF nº 10, o prazo decadencial de constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período em que foi realizado ou em que, em face da legislação de regência, deveria ter sido realizado. A tributação favorecida veiculada pelo art. 31, V, da Lei nº 8.541/1992 não admite realização parcial, devendo incidir sobre o saldo integral do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF. O ano calendário em que foi exercida a opção pela tributação favorecida, mediante pagamento do imposto correspondente em quota única, representa o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado o saldo integral do lucro inflacionário diferido e do saldo credor da diferença IPC/BTNF. Eventuais diferenças só poderiam ser exigidas pelo fisco dentro do quinquênio legal previsto para realização do lançamento tributário, em conformidade com o art. 150, § 4°, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso provido. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araujo, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998, 1999 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO INTEGRAL DECADÊNCIA. Conforme enuncia a Súmula CARF nº 10, o prazo decadencial de constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período em que foi realizado ou em que, em face da legislação de regência, deveria ter sido realizado. A tributação favorecida veiculada pelo art. 31, V, da Lei nº 8.541/1992 não admite realização parcial, devendo incidir sobre o saldo integral do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF. O ano calendário em que foi exercida a opção pela tributação favorecida, mediante pagamento do imposto correspondente em quota única, representa o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado o saldo integral do lucro inflacionário diferido e do saldo credor da diferença IPC/BTNF. Eventuais diferenças só poderiam ser exigidas pelo fisco dentro do quinquênio legal previsto para realização do lançamento tributário, em conformidade com o art. 150, § 4°, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, recurso provido. Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior sendo substituído pela Conselheira Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada). (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 29 07 /2 00 2- 90 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.002907/200290 Acórdão n.º 9101002.001 CSRFT1 Fl. 3 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araujo, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Em sessão plenária de 05 de novembro de 2009 a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, mediante Acórdão 140100.117, negou provimento ao recurso do contribuinte Emecon Engenharia Ltda., e não reconheceu a decadência suscitada, conforme explicita a ementa: Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO DECADÊNCIA REALIZAÇÃO INCENTIVADA. O diferimento do lucro inflacionário é uma faculdade, assim como o valor a tributar em cada período pode ser maior que o mínimo exigido. A realização antecipada a menor do lucro inflacionário, com tributação reduzida, permitida pelo art. 31 da Lei nº 8.541/92, quando considerada o usufruto do incentivo proporcional ao valor quitado, não constitui nenhuma infração, ensejando apenas a tributação em períodos subsequentes do saldo remanescente não totalmente quitado, mormente quando; a recorrente..nem ao menos declara na DIPJ a opção pelo usufruto do benefício, motivo pelo qual o momento da realização incentivada do lucro inflacionário não deve ser usado como marco inicial da contagem do prazo decadencial. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso especial aduzindo haver interpretação divergente conferida à lei tributária pela Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada em julgados eleitos como paradigmas, que se referem a autos de infração também decorrentes de realização a menor do lucro inflacionário acumulado do próprio recorrente, que receberam as seguintes ementas: LUCRO INFLACIONÁRIO — REALIZAÇÃO — ALÍQUOTA: BENEFICIADA — LEI 8.541/92, ARTIGO 31 — DECADÊNCIA — Só pode correr o prazo, decadencial quando possa ser exercido o poder/dever de constituir o crédito tributário. Quando do recolhimento incentivado do IRPJ, à alíquota de 5%, sobre a realização do saldo acumulado de lucro inflacionário em 31/12/92, o Fisco possuía informações suficientes a identificar Fl. 352DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.002907/200290 Acórdão n.º 9101002.001 CSRFT1 Fl. 4 3 um recolhimento a menor, e, portanto, exigir a parcela faltante, sendo certo que a opção implicava em realização integral daquele saldo acumulado. Preliminar de decadência acolhida. (Acórdão n°10807.582, de 04/11/03) LUCRO INFLACIONÁRIO — REALIZAÇÃO — ALÍQUOTA BENEFICIADA — LEI 8.541/92, ARTIGO 31 — DECADÊNCIA — Só pode correr o prazo decadencial quando possa ser exercido o poder/dever de constituir o crédito tributário. Quando do recolhimento incentivado do IRPJ, à aliquota de 5%, sobre a realização do saldo acumulado de lucro inflacionário em 31/12/92, o Fisco possuía informações suficientes a identificar um recolhimento a menor, e, portanto, exigir a parcela faltante, sendo certo que a opção implicava em realização integral daquele saldo acumulado. Preliminar de decadência acolhida. (Acórdão 10807.522, de 10/09/03) Caracterizada a identidade fática e divergência de interpretação, ao propor a admissão do recurso, o signatário da informação registrou não desconhecer o teor do Enunciado n° 10 da súmula de jurisprudência dominante no CARF, inclusive com efeitos vinculantes conferidos pela Portaria MF n° 383/2010 ("0 prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos"), o que poderia inviabilizar o manejo do recurso especial à luz do art.67, §2°, primeira parte, do Anexo II do Regimento Interno do CARF ("Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância'). Contudo, assentou que os acórdãos considerados como paradigmas de tal enunciado' (nºs 10514773, 10708137, 10321903 e 10808208), salvo prova em contrário, não trataram da hipótese fática de existir recolhimento da realização única do lucro inflacionário na forma incentivada, reduzida. Em contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional postulou pelo não recebimento do recurso, tendo em vista a Súmula 10, acrescentado que, ademais, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes corrobora o entendimento firmado pelo julgado recorrido, mencionando os Acórdãos 10196.070, 19800.058 e 10517288. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Conforme se depreende dos autos, a matéria a ser definida é o termo inicial para a contagem da decadência do direito de a Fazenda Pública lavrar auto de infração para exigir tributo sobre a realização do lucro inflacionário diferido. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.002907/200290 Acórdão n.º 9101002.001 CSRFT1 Fl. 5 4 Os julgados (recorrido e paradigmas) tratam de autos de infração lavrados contra o recorrente, resultantes de revisão de declaração (malha), em que se constatou que nas declarações relativas aos anos calendário de 1997, 1998 e 1999, não foi observado o percentual de realização mínima do lucro inflacionário acumulado. A ciência dos autos de infração ocorreu em 27 de dezembro de 2002. O recurso deve ser conhecido. O dissídio jurisprudencial restou perfeitamente identificado no parecer do ilustre Conselheiro Eduardo Neiva Monteiro, que examinou as condições de admissibilidade do recurso. Em contestação, o contribuinte alegou ter tributado todo saldo existente de lucro inflacionário, em 31 de dezembro de 1992, à alíquota de 5% (cinco por cento), aproveitando o benefício instituído pelo artigo 31 da Lei 8.541/92. Dispõe o art. 31 da Lei nº 8.541/92: Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. § 1° O lucro inflacionário acumulado realizado na forma deste artigo será convertido em quantidade de Ufir diária pelo valor desta no último dia do períodobase. § 2° O imposto calculado nos termos deste artigo será pago até o último dia útil do mês subsequente ao da realização, reconvertido para cruzeiro, com base na expressão monetária da Ufir diária vigente no dia anterior ao do pagamento. § 3° O imposto de que trata este artigo será considerado como de tributação exclusiva. § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. Compulsando os autos, verificase que o recolhimento foi efetivamente confirmado, inclusive sob o código de receita aplicável à espécie. Porém, no entendimento da administração tributária, o valor pago foi insuficiente para quitar o imposto relativo ao saldo do Fl. 354DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.002907/200290 Acórdão n.º 9101002.001 CSRFT1 Fl. 6 5 lucro inflacionário existente em 31/12/1992. É o que atesta a decisão de primeira instância, vejamos: “De início é de se ressaltar que o recolhimento do valor do tributo demonstrado na impugnação (Cr$ 3.436.046.196,75), foi devidamente confirmado em pesquisa levada a efeito no Sistema SINAL 09,1RPE (CONSULTA PAGAMENTO), mantido por esta Secretaria da Receita Federal (SRF), tendo sido efetuado com o código aplicável a. espécie (3320), conforme cópia acostada aos presentes autos. Assim, é incontroverso o fato de que a Contribuinte buscou, naquela oportunidade, quitar o imposto relativo ao saldo do lucro inflacionário a seu ver existente em 31/12/1992 (Cr$ 23.255.423.678,00), valendose do incentivo fiscal para antecipar a sua realização, preconizado no artigo 31, da Lei n°8.541, de 1992. Entretanto, cotejandose esse valor com o controlado no sistema SAPLI, mantido pela SRF e alimentado com os dados declarados pelo sujeito passivo, concernentes à apuração, diferimento, atualização e realização do lucro inflacionário, observase uma divergência no saldo existente em 31/12/1992, que deveria ser objeto do recolhimento do IRPJ antecipado pela realização incentivada de que trata o dispositivo legal, e que explica o fato de remanescer valor a ser tributado após o recolhimento efetuado.”. Em 27/12/2002 o contribuinte foi notificado de exigência de crédito tributário correspondente à não tributação da parcela de realização mínima, nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, do saldo remanescente de lucro inflacionário não realizado. De acordo com a interpretação abraçada pelo acórdão recorrido, o lançamento não estava alcançado pela decadência, descabendo, no caso, tomar o momento da realização incentivada do lucro inflacionário como marco inicial da contagem do prazo decadencial. Com o devido respeito, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deixou de aplicar a Súmula CARF nº 10, que enuncia: “O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos." Nos termos do entendimento sumulado, é irrelevante, para fins de contagem do prazo decadencial, o período em que o lucro inflacionário foi diferido, sendo relevante apenas o período em foi realizado ou em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado. A tributação favorecida veiculada pela Lei nº 8.451/92 não admite a realização parcial, devendo obrigatoriamente ser recolhido o tributo sobre o saldo total. No caso concreto, o período de realização do saldo integral do lucro inflacionário, por força de opção legal exercida pelo contribuinte, foi o anocalendário de 1993. Se o recolhimento se deu Fl. 355DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 11516.002907/200290 Acórdão n.º 9101002.001 CSRFT1 Fl. 7 6 por valor inferior, eventuais diferenças só podem ser exigidas pela Fazenda Nacional enquanto não alcançada pela decadência. Nos termos do que enuncia a Súmula CARF nº 10, o prazo decadencial é contado do período em que, por força da opção legal exercida pelo Recorrente, o lucro inflacionário deveria ter sido realizado na sua integralidade, no caso concreto, o anocalendário de 1993. Por conseguinte, em 27 de dezembro de 2002, quando aperfeiçoado o lançamento pela ciência do sujeito passivo, encontravase o crédito extinto pela decadência. Pelas razões expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 21 agosto de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 356DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10240.006941/99-64
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1997
OMISSÃO DE RENDIMENTOS E DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL.
Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos e dedução indevida de contribuições à previdência oficial quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com as informações consideradas verdadeiras pela fonte pagadora.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações errôneas prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de compensação de imposto de renda retido na fonte e excluir do lançamento a multa de ofício em relação às infrações de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e dedução indevida de contribuição previdenciária oficial, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos e dedução indevida de contribuições à previdência oficial quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com as informações consideradas verdadeiras pela fonte pagadora. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações errôneas prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de compensação de imposto de renda retido na fonte e excluir do lançamento a multa de ofício em relação às infrações de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e dedução indevida de contribuição previdenciária oficial, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 69 41 /9 9- 64 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10240.006941/9964 Acórdão n.º 2801003.569 S2TE01 Fl. 132 2 Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo parte do Despacho de Diligência da DRJ de Belém (fls. 66/69 deste processo digital) como parte deste Relatório: Versa o presente processo sobre autuação contra a contribuinte em epígrafe, conforme auto de infração de fls. 06/10, onde lhe é cobrado o Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao Exercício de 1997, anocalendário 1996, no valor de R$ 3.691,49 (três mil, seiscentos e noventa e um reais e quarenta e nove centavos), a ser acrescido da multa de ofício de 75% mais juros de mora. 2. As infrações constantes da peça de autuação, como discriminadas no campo "Demonstrativo das Infrações" da peça impositiva de fl. 08 são as seguintes: a) Omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Jamari, CNPJ 63.761.936/000155, alterando o seu valor para R$ 67.950,00; b) Dedução indevida de Contribuição à Previdência Oficial; c) Dedução indevida da dependente Sabrina de Sá Pitangui, irmã, alterando o seu valor para R$ 3.240,00; d) Dedução indevida de despesas com instrução, alterando o seu valor para R$ 700,00; e) Dedução indevida de despesas médicas, alterando o seu valor para R$ 1.844,01; f) Dedução indevida de imposto retido na fonte. 3. Conforme despacho da unidade preparadora, de fl. 57, não foi localizado o Aviso de Recebimento AR. Em 10/11/1999, a contribuinte ingressa com sua impugnação de fls. 01/04, onde apresenta seus argumentos e aduz que o valor apurado pela fiscalização como percebido da Prefeitura Municipal de Jamari não corresponde ao efetivamente pago, assim como não foi considerada a Contribuição à Previdência Oficial de R$ 985,58 descontada pela mesma fonte pagadora. Anexa os documentos de fls. 18/36, que trazem informações sobre o imposto de renda retido na fonte. 4. Não contesta as glosas de dependentes, despesas médicas e despesas com instrução, sendo estas, portanto, matérias não expressamente impugnadas pelo contribuinte, nos termos do art . Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10240.006941/9964 Acórdão n.º 2801003.569 S2TE01 Fl. 133 3 17, do Decreto n° 70.235 , de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores. O julgamento foi convertido em diligência pela Autoridade julgadora de 1ª instância, a fim de que a DRF de origem tomasse as seguintes providências, dentre outras: b) intimar a fonte pagadora Prefeitura Municipal de Jamari, CNPJ 63.761.936/000155 a informar o montante dos rendimentos tributáveis pagos e do imposto de renda retido na fonte para a contribuinte, durante o ano de 1996, e se for o caso, a apresentação de DIRF original ou retificadora com a inclusão/correção desses valores; c) informar se a Prefeitura Municipal de Itapuã do Oeste e a Prefeitura Municipal de Jamari são a mesma pessoa jurídica , em face dos documentos de fls. 20/21, onde constam com o mesmo número de CNPJ, mas com valores divergentes; Por intermédio do Ofício de fl. 91 a Prefeitura Municipal de Itapuã do Oeste prestou as informações solicitadas e anexou cópia da Lei Estadual nº 747, de 24 de outubro de 1997. O DRJ de Belém julgou o lançamento procedente (acórdão às fls. 102/106). Entenderam os julgadores da instância de piso que as glosas com dependentes, despesas médicas e com instrução não foram impugnadas, devendo ser apartada esta parte do lançamento. As demais infrações foram mantidas em sua integralidade. Conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário, à fl. 109 deste processo digital, a parcela não impugnada foi transferida para o processo nº 10240.001646/200710. A contribuinte foi intimada por edital e apresentou o recurso de fls. 117/123, acompanhado dos documentos de fls. 124/127.. Na peça recursal reitera as alegações da impugnação e aduz, em complemento, que: Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídicas Os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas foram: a) da Prefeitura Municipal de Cacaulândia, CNPJ 63.762.058/0001 92, R$ 20.550,00; b) da Prefeitura Municipal de Jamari, CNPJ 63.761.936/000155, R$ 33.560,96. A Delegacia da Receita Federal, ao lavrar o Auto de Infração, considerou como rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Jamari o valor de R$ 47.400,00, o que não ocorreu, pois os valores recebidos foram os declarados, consoante faz prova o Comprovante de Rendimentos fornecido por aquela Prefeitura. Deduções com Contribuições à Previdência Oficial A fiscalização desconsiderou os valores deduzidos a título de contribuições para a previdência oficial. A Prefeitura Municipal de Jamari efetuou descontos no valor de R$ 985,58, valor que foi declarado corretamente e pode ser comprovado pelo Comprovante de Rendimentos fornecido pela Prefeitura, em anexo. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10240.006941/9964 Acórdão n.º 2801003.569 S2TE01 Fl. 134 4 Pedidos Requer o cancelamento do Auto de Infração. Alternativamente, pleiteia seja cobrado do Município de Jamari (Itapuã do Oeste) os juros e a multa de mora. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Cingese à controvérsia à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, à dedução indevida de contribuição à Previdência oficial e à dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, uma vez que o valor relativo às glosas das deduções de dependente, despesas médicas e despesas com instrução foi transferido para o processo nº 10240.001646/200710, por não terem sido tais glosas impugnadas em primeira instância de julgamento. Assim, os documentos acostados ao recurso (fls. 124/127), relativos à justificação judicial da relação de dependência financeira de Sabrina de Sá Pitangui, irmã da Recorrente, não serão levados em consideração neste voto, uma vez que a glosa de dependente não é mais objeto de discussão neste processo. Demais disso, a relação de dependência objeto da justificação judicial foi requerida a partir de 1998 (fl. 124), ao passo que as infrações apuradas neste lançamento referemse ao anocalendário de 1996. Pois bem. Em atendimento à diligência fiscal proposta pela DRJ de Belém, a Prefeitura Municipal de Itapuã do Oeste expediu o Ofício nº 009/SEFAPLAN/07 (fl. 91) com o seguinte teor: Reportandonos ao seu Oficio n°. 018/2007/DRF/PVO/SAFIS, datado de 22/03/2007 e, em conformidade com informações fornecidas por nossa Coordenadoria de Recursos Humanos (MEM N° 033/CRHSEFAPLANPMIO/07, desta data), esclarecemos que os dados solicitados no referido oficio, devidamente corretos, são os contidos no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte emitido em 05/08/1998, ou seja, Total de Rendimentos =R$. 47.400,00 Imposto Retido na Fonte = R$. 8.070,00. Outrossim, estamos enviando cópia da Lei Estadual nº 747 de 24/10/1997, que dá nova denominação ao Município de Jamari.. Sem mais para o momento, firmamonos. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10240.006941/9964 Acórdão n.º 2801003.569 S2TE01 Fl. 135 5 O motivo da diligência fiscal foi que a Recorrente tinha apresentado, por ocasião da impugnação, um comprovante de rendimentos da Prefeitura Municipal de Itapuã do Oeste, emitido em 05/08/1998, e outro comprovante de rendimentos da Prefeitura Municipal de Jamari, emitido em 28/04/1997, lançando em sua declaração os rendimentos tributáveis de menor valor, vale dizer, aqueles que constavam do comprovante da Prefeitura de Jamari. As informações prestadas pela Prefeitura do Município de Itapuã do Oeste, antigo Município de Jamari (conforme Lei Estadual nº 747/1997, à fl. 92), no bojo da diligência fiscal revelam, no entanto, que os rendimentos tributáveis pagos ao Interessado, no anocalendário de 1996, são aqueles que constam do comprovante da Prefeitura de Itapuã do Oeste e que foram considerados pela Fiscalização na apuração da infração de omissão de rendimentos, de modo que nenhum reparo deve ser feito no lançamento em relação à referida infração. Embora conste no comprovante da Prefeitura de Jamari contribuição previdenciária oficial no valor de R$ 985,58, no comprovante da Prefeitura de Itapuã do Oeste (fls. 26/27), considerado o correto pela municipalidade em resposta à diligência fiscal, não consta nenhum valor a esse título, motivo pelo qual entendo que deve ser mantida a glosa de contribuição à previdência oficial. Observo, todavia, que o comprovante da Prefeitura de Jamari foi emitido em 28 de abril de 1997, antes da data limite para entrega da declaração, e que o comprovante da Prefeitura de Itapuã do Oeste foi emitido em 05 de agosto de 1998, após o prazo limite para cumprimento da obrigação acessória. Nesse cenário, penso ser incabível a exigência da multa de ofício em relação às infrações de omissão de rendimentos e de dedução indevida de contribuição previdenciária oficial, porquanto a contribuinte foi induzida pelas informações prestadas pela fonte pagadora antes do prazo para a entrega da declaração, incorrendo, deste modo, em erro escusável. A infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, por seu turno, deve, em meu entendimento, ser cancelada, já que a municipalidade informou que houve a retenção no valor de R$ 8.070,00, valor este que coincide com aquele lançado da declaração de ajuste anual e que fora glosado pela Fiscalização. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de compensação de imposto de renda retido na fonte e para excluir do lançamento a multa de ofício em relação às infrações de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e de dedução indevida de contribuição previdenciária oficial. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10240.006941/9964 Acórdão n.º 2801003.569 S2TE01 Fl. 136 6 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10783.000883/96-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1991, 1992, 1993
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA.
O recurso especial é interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Não se conhece de Recurso Especial, quando a divergência de interpretação da lei tributária não for demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (Regimento Interno do CARF, art. 67, caput e § 6°).
Numero da decisão: 9101-001.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso especial. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado).
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DA DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. O recurso especial é interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Não se conhece de Recurso Especial, quando a divergência de interpretação da lei tributária não for demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido (Regimento Interno do CARF, art. 67, caput e § 6°). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso especial. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias sendo substituída pelo Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado). (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente). MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 00 08 83 /9 6- 85 Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls.1260 a 1265) interposto pela Fazenda Nacional em 07/03/2012, com fundamento no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 256, de 22/06/2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial quanto à caracterização de disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios cotistas, para efeito do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do CTN, e exigência do Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido, instituída pelo art. 35 da Lei nº 7.713/88. 2. A Recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 10809.747, de 16/10/2008, por meio do qual a Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, cancelando, entre outros itens, o lançamento do IRFONTE. 3. O Acórdão Recorrido foi assim ementado, na parte pertinente: "IMPOSTO DE RENDA FONTE ART. 35 DA LEI N° 7.713/88 DECORRÊNCIA É indevida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido, instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando inexistir no contrato social cláusula de sua automática distribuição no encerramento do períodobase. Entendimento do Supremo Tribunal Federal (RE n° 1720581 SC, de 30/06/95), normatizado pela administração tributária por meio da IN SRF n° 63/97." 4. Foi apresentado pela Recorrente como primeiro paradigma o Acórdão nº 102 48.049, de 09/11/2006, oriundo da Segunda Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado que parte que diz respeito ao caso: "REPETIÇÃO DE INDÉBITO ILL SOCIEDADE LIMITADA. A existência de cláusula no contrato social de distribuição do lucro caracteriza, por si só, a disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios quotistas, para efeito do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, uma vez que somente [com]1 a deliberação expressa dos sócios o lucro poderia ter outra destinação." 5. Foi apresentado pela Recorrente como segundo paradigma o Acórdão nº 102 47.318, de 25/01/2006, oriundo também da Segunda Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: "IMPOSTO NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ILL A existência de cláusula no contrato social de distribuição do lucro caracteriza, por si só, a disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios quotistas, para efeito do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, uma vez que somente [com]2 a deliberação expressa dos sócios o lucro poderia ter outra destinação." 6. A Recorrente defendeu o cabimento do Recurso Especial com base nos paradigmas já indicados e apresentou as seguintes razões para a reforma do acórdão recorrido: " II DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL ... No caso dos autos, a Cláusula Décima do contrato social vigente à época (fls. 1208/1228), de conteúdo idêntico àquela analisada no paradigma 10247.318, é indicativa da disponibilização jurídica imediata dos lucros aos sócios cotistas. ... 1 Preposição ausente. 2 Preposição ausente. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10783.000883/9685 Acórdão n.º 9101001.970 CSRFT1 Fl. 2.296 3 ... III DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO DO ILL ... ... Depreendese da ementa acima transcrita, que a decisão da e. Câmara norteouse pelo acórdão do STF que declarou a inconstitucionalidade do art. 35 da Lei n° 7.713/88, pela Instrução Normativa n° 63, de 1997 e pelo Contrato Social juntado às fls. 337/340. Quanto a declaração de inconstitucionalidade proferida no RE 172.058/SC, desponta o fato de acórdão do Supremo Tribunal Federal resumir a inconstitucionalidade apenas aos "acionistas", remodulando seus efeitos para acolher, também, "o sócio cotista", salvo quando, segundo o contrato social, não dependa do assentimento de cada sócio a destinação do lucro líquido a outra finalidade que não a de distribuição" (Min. Marco Aurélio de Mello reprodução de trecho colhido à fl. 92). Do modo como foi construída a jurisprudência do STF, a inconstitucionalidade somente abrangerá os sócios quotistas quando o contrato social for omisso sobre a distribuição de lucros, não se permitindo interpretação extensiva nesse ponto. O acolhimento administrativo da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal foi preconizado pela Instrução Normativa n° 63, de 1997, que dispõe: "Art. 1º Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do períodobase de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado." Como um ato infraconstitucional, no caso, a IN nº 63/97, deve ser interpretado à luz do RE 172.058/SC sob pena de incorrer em vício de patente inconstitucionalidade se, indevidamente, estender ou restringir a jurisprudência da Corte Constitucional. Data máxima vênia, a e. Câmara a quo incorreu nesse vício ao interpretar extensivamente o acórdão constitucional, relegando os votos dos Ministros prolatados do RE 172.058/SC em prol da IN nº 63/97. Tal doutrina não pode prevalecer diante da força normativa que a Resolução nº 82, de 1996, do Senado Federal, deu ao RE 172.058/SC, que não restringe a inconstitucionalidade à disponibilidade jurídica imediata ou não, mas ao fato de constar ou não, no contrato social, cláusula a respeito de distribuição de lucros. Nessa esteira, convém reproduzir trecho do voto do eminente Ministro Celso de Mello, no RE 198.1431, julgado em 25/03/97: "Cumpre observar neste ponto, por necessário, que existe, em princípio, no que concerne aos sóciosquotistas, uma hipótese de plena disponibilidade tributável. Os sóciosquotistas titularizam, ordinariamente, situação configuradora de disponibilidade jurídica de rendimentos, pois a percepção do lucro apurado no balanço constitui direito de que se acham irrecusavelmente investidos. Assim, os sóciosquotistas, ressalvada disposição convencional em sentido contrário, possuem, no contexto ora em análise, um crédito revestido de liquidez e certeza. Esse direito somente não se materializará, inviabilizando, em conseqüência, a possibilidade de válida incidência do art. 35 da Lei 7.713/88, se o sócio quotista, em virtude de cláusula expressa constante do contrato social ou em decorrência da aplicação supletiva da legislação concernente às sociedades por ações, não for, ele próprio, o destinatário imediato do lucro líquido, Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 hipótese em que não será lícito reconhecer, quanto a ele, a existência de situação caracterizadora de imediata disponibilidade jurídica ou econômica do lucro líquido apurado." ... ... o CTN elegeu, como hipótese de incidência do imposto de renda, a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza. Neste contexto, ocorre um acréscimo no patrimônio do contribuinte, acréscimo esse que pode ser econômico ou simplesmente jurídico. Além disso, pela simples cláusula contratual não se pode descartar a idéia de que a sociedade tenha, de fato, realizado distribuição automática de lucros. ... Desse modo, consoante a própria jurisprudência do e. Supremo Tribunal Federal, para que seja devido o ILL pela sociedade de responsabilidade limitada, basta que exista, no contrato social, a cláusula que preveja a distribuição dos lucros aos sócios, como acontece no caso. Assim, impõese a manutenção da exigência lançada com fundamento no art. 35 da Lei n° 7.713/88." (Suprimidos os grifos do original) 7. Quando do Exame de Admissibilidade do Recurso Especial (fls.2267 e 2268), o Presidente da 2a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso. 8. O Contribuinte apresentou Contrarrazões (fls.2274 a 2283), requerendo "que o recurso especial interposto pela D. PFN não seja conhecido, em virtude da ausência do preenchimento dos requisitos para sua admissibilidade, e, se assim não entender esta Colenda CSRF, que seja então negado provimento ao mesmo, visto que os elementos de prova acostados e examinados no âmbito do acórdão n° 10809.747, afastam por completo a exigência fiscal no tocante ao ILL". Eis trechos das Contrarrazões: " ... o que efetivamente se vislumbra é que o recurso especial interposto pela ilustre representante da PFN, sob o pretexto de indicar supostas divergências entre o acórdão recorrido, e aqueles indicados como paradigmas, na verdade está objetivando um indevido reexame de matéria de cunho eminentemente probatório, o que é totalmente descabido na atual fase processual. ... E para justificar a divergência das ementas dos acórdãos acima reproduzidos, em face do v. acórdão nº 10809.747, a D. PFN argumentou que o exame da "Cláusula Décima do contrato social vigente à época (fls. 1208/1228), de conteúdo idêntico àquela analisada no paradigma 10247.318", seria "indicativa" da "disponibilização jurídica imediata dos lucros aos sócios cotistas". (sic). Ocorre que, pelo exame dos argumentos expostos pela D. PFN em seu recurso especial, verificase claramente que esta não busca caracterizar a divergência nos moldes como previsto no caput do artigo 67, do Regimento Interno deste Egrégio Conselho, ou seja, em face de "decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF". Na verdade, a D. PFN almeja que a divergência seja caracterizada simplesmente pelo fato de discordar do exame de cláusula décima do Contrato social da ora Recorrida, efetuado por parte da Colenda Oitava Câmara Do Primeiro Conselho de Contribuintes, ou seja, equivocadamente pretende vincular o exame da prova realizado nestes autos, com a avaliação documental acerca de cláusulas contratuais realizada em processos de outros contribuintes, sob o argumento de que o entendimento manifestado naqueles processos deveria prevalecer. Data máxima venia, é notório que não cabe a esta Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais reexaminar elementos de prova, quando estes já foram objeto de exame na instância julgadora administrativa anterior. E justamente é este indevido reexame de prova que objetiva a D. PFN através do recurso especial ora contraarrazoado. Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10783.000883/9685 Acórdão n.º 9101001.970 CSRFT1 Fl. 2.297 5 Até mesmo porque, o exame de cláusula décima do Contrato Social da ora Recorrida foi devidamente efetuado nestes autos, inclusive, através de diligência específica determinada no âmbito da antiga Oitava Câmara do Conselho de Contribuintes. ... Significa, dizer, então, que no julgamento do presente feito pela 2a instância administrativa, realizado após a realização da competente diligência, foram analisados todos os contratos sociais acostados aos autos, juntamente com os demais elementos de prova, sendo então determinado, por unanimidade de votos, o cancelamento da exigência fiscal no tocante ao ILL, justamente por ter sido verificada a inaplicabilidade do artigo 35, da Lei n° 7.713/88, posicionandose a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes por prestigiar a documentação trazida pela contribuinte. Inclusive, sequer a D. PFN utilizouse do recurso cabível, no caso, os embargos de declaração, como instrumento processual para dirimir eventual omissão e/ou obscuridade no tocante ao exame da prova, em especial da referida cláusula décima do Contrato Social da ora Recorrida. Portanto, não cabe à CSRF reexaminar toda a instrução probatória que já fora apreciada peio órgão julgador administrativo competente, pois, frisese, sequer esta é a função que consta do seu regimento interno, sob o risco de se originar um precedente capaz de permitir a rediscussão de toda a prova examinada nas instâncias anteriores. ... Ressaltese, ainda, por pertinente, que a mera previsão contratual da distribuição dos lucros aos sócios, jamais poderia ser considerada como condição automática para a configuração do fato gerador do Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido, ao contrário do defendido pela D. PFN em seu recurso especial. Isto porque, é plenamente cabível a possibilidade de existir lucro apurado no encerramento do exercício, e este não ser distribuído aos sócios, mas sim, utilizado em investimentos necessários à atividade praticada pela pessoa jurídica, ou mesmo no aumento do capital social. ... Há que se esclarecer, ainda, que não houve por parte da fiscalização qualquer preocupação em verificar na contabilidade da Recorrida eventual distribuição de lucros, o que até se justifica, na medida em que relativamente ao período objeto do auto de infração, o documentário fiscal/contábil acostado aos autos demonstra que foi apurado prejuízo, porquanto não haveria como se exigir o cumprimento de uma obrigação inexistente, já que não se apurou sequer lucro tributável. ... Na hipótese dos presentes autos, o próprio acórdão recorrido claramente se posicionou por rejeitar a exigência fiscal inerente ao ILL, por considerar que os elementos de prova acostados aos autos pela Recorrida seriam suficientes para afastar a aplicação do artigo do artigo 35, da Lei n° 7.713/88, ou seja, afastou por completo os indícios apontados pela fiscalização quanto a uma aventada distribuição imediata dos lucros. Nestes termos, como já afirmado, na medida em que a matéria em debate é de cunho eminentemente probatório, e, como bem verificado pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Recorrida trouxe ao presente feito os elementos necessários para afastar a imputação fiscal a título de ILL, não se torna possível caracterizar qualquer divergência para fins de possibilitar a interposição de recurso especial sobre tal fundamento, pois conclusões tomadas com base na análise de elementos de prova distintos, os quais foram objeto de apreciação em processos administrativos de outros contribuintes, jamais poderão servir para este propósito. Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Não restam dúvidas, portanto, que acaso afastada a hipótese de não conhecimento do recurso especial, o que se cogita apenas como argumento, ainda assim o recurso especial ora contraarrazoado, no entender da ora Recorrida, deverá ser julgado improcedente, haja vista que qualquer ulterior julgamento a ser proferido nestes autos, por parte desta Colenda CSRF, consequentemente levará ao reexame das provas acostadas pela Recorrida, o que é inviável nesta derradeira instância administrativa. ..." (Suprimidos os grifos do original) 9. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. O recurso é tempestivo, mas a divergência jurisprudencial não restou configurada pelos motivos que passo a expor na seqüência. 3. Consultandose as ementas, no acórdão recorrido se lê que "É indevida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido, instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, quando inexistir no contrato social cláusula de sua automática distribuição no encerramento do períodobase.", e nos paradigmas se lê que "A existência de cláusula no contrato social de distribuição do lucro caracteriza, por si só, a disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios quotistas, para efeito do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, uma vez que somente [com] a deliberação expressa dos sócios o lucro poderia ter outra destinação.". 4. Do cotejo entre as ementas dos acórdãos recorrido e paradigma não se vislumbra conflito de interpretações, todos os Acórdãos estão harmônicos ao entender que: a exigência do ILL se configura com a existência, no contrato social, de cláusula de distribuição enquanto que a ausência de cláusula com essa previsão implica na não exigência do ILL. Não obstante, para estar seguro nesse sentido, aprofundo o estudo dos votos condutores dos acórdãos recorrido e paradigma. 5. Extraise do voto condutor do acórdão recorrido o seguinte: "Da análise dos autos e dos elementos contidos no processo e do resultado da diligência com a juntada do contrato social vigente à época, fls. 1208/1228, vejo que o lançamento não reúne as condições para que prospere a exigência, porque a incidência do Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido já foi submetida ao crivo do Supremo Tribunal Federal que, em decisão de seu pleno, no julgamento do RE n° 172.0581/SC, considerou ser o art. 35 da Lei n° 7.713/88 inconstitucional para as sociedades anônimas e, quando não ocorrer a automática distribuição de lucros, para as sociedades por cotas de responsabilidade limitada. Cabe aqui transcrever a síntese conclusiva, constante do voto do Ministro MARCO AURELIO, relator de tal Recurso Extraordinário no Tribunal Pleno, seção de 30/06/95: "Diante das premissas supra, concluo: a) o artigo 35 da Lei n° 7.713/88 confita com a Carta Política da República, mais precisamente com o artigo 146, III, a, no que diz respeito às sociedades anônimas e, por isso, tenho como inconstitucional a expressão "o acionista" nele contida; b) o artigo 35 da Lei n° 7.713/88 é harmônico com a Carta, ao disciplinar o desconto do imposto de renda na fonte em relação ao titular da empresa individual, uma vez que o fato gerador está compreendido na disposição do artigo 43 do Código Tributário Nacional, recepcionado como lei complementar; Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10783.000883/9685 Acórdão n.º 9101001.970 CSRFT1 Fl. 2.298 7 c) o artigo 35 da Lei n° 7.713/88 guarda sintonia com a Lei Básica Federal, na parte em que disciplinada situação do sócio cotista, quando o contrato social encerra, por si só, a disponibilidade imediata, quer econômica, quer jurídica, do lucro líquido apurado. Caso a caso, cabe perquirir o alcance respectivo." No caso em tela, a autuada é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, não constando dos contratos sociais da recorrente juntados aos autos qualquer cláusula atribuindo disponibilidade imediata dos lucros aos sócios cotistas. A própria administração tributária, por meio da IN SRF n° 63/97, admitiu, normatizando o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal no RE n° 172058 1, de 30/06/95, a revisão dos lançamentos do Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido, nas hipóteses de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, quando não restar provado que o contrato social da empresa atribua disponibilidade imediata do lucro aos sócios no término do períodobase. Do exposto, impõese o cancelamento da exigência lançada a título de Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido prevista no art. 35 da Lei n° 7.713/88." 6. Seguem trechos do voto vencedor do primeiro paradigma: "O Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, declarou a inconstitucionalidade da exigibilidade contida no artigo 35 da Lei n.° 7.713/88, para as sociedades anônimas, já que a distribuição de lucros depende, principalmente, da manifestação da assembléia geral, bem como para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada, quando não há, no contrato social, cláusula para a destinação e distribuição do lucro apurado. Portanto, a improcedência da exigência do Imposto sobre o Lucro Líquido só se aplica a determinados casos. Sendo que para as sociedades por quotas de responsabilidade limitada o imposto sobre o lucro líquido somente não era devido, quando o contrato social, de forma clara, não previa a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro líquido apurado na data de encerramento do períodobase. ... Ora, no caso em tela, é cristalino que o instrumento contratual vigente á época dos fatos, juntado aos autos às fls. 2430, previa a distribuição imediata dos lucros, anualmente, quando da elaboração das demonstrações contábeis, em 31 de dezembro, conforme transcrição da cláusula sexta, ... ... É de clareza solar o texto acima ... os lucros apurados em balanço serão creditados aos sócios, o que configura a disponibilidade jurídica dos rendimentos. O comando seguinte da aludida cláusula, ..., trata do pagamento desse lucro aos sócios, que somente poderia ser feito havendo recursos no caixa da empresa e com a concordância de todos os sócios. Frisese que a clausula não dispõe sobre outras destinações do lucro (reservas, investimentos, etc), dispõe apenas sobre a apuração, creditamento aos sócios e estabelece condições para pagamento desses lucros. Repito: a cláusula sexta do contrato social da empresa se amolda à hipótese de incidência do art. 35 da Lei 7.713/1988, considerada constitucional pelo STF. Os lucros apurados pela Silcom deviam sempre ser creditado aos sócios, que não poderiam deliberar sobre outras destinações deste, apenas sobre o momento do pagamento. (...) Portanto, mesmo não tendo sido pago, apenas creditado, o lucro apurado pela empresa é renda dos sócios, passível de incidência do imposto, o que ocorria à época na vigência do artigo 35 da Lei 7.713 de 1988. Registre que é irrelevante o fato de tais lucros não terem sido distribuídos e permanecido na empresa em conta de lucros, conforme alegado pela recorrente. Ao adotar tal procedimento a empresa agiu em desacordo com seu contrato social. Bastava um simples instrumento particular de alteração contratual para incorporar tais Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 lucros ao capital. Em verdade, o fato desses valores tendo permanecido sob a guarda empresa, não prejudicou sua disponibilidade jurídica aos sócios." 7. Cumpre transcrever partes do voto condutor do segundo paradigma: "No enfrentamento da matéria a autoridade julgadora de primeira instância concluiu que o contrato social da empresa previa a distribuição automática dos lucros conforme cláusula quinta (fl. 07). Aos fundamentos do voto condutor do Acórdão recorrido, abaixo transcritos, nada tenho a reparar e peço vénia para adotálos. Consignou a decisão a quo, verbis: "(...)Portanto, em síntese, toda a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido de que somente será inconstitucional a exigência do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido quando o contrato social for omisso sobre a distribuição dos lucros, pois no caso aplicarseá o Código Comercial, e por decorrência a solução adotada para a expressão "os acionistas", ou quando o contrato preveja, destinação dos lucros, independentemente da manifestação dos sócios, outra que não a sua distribuição. 18. Contudo, quando o contrato social preveja que a destinação do lucro líquido depende de disposição dos sócios a respeito, dáse a situação configuradora da disponibilidade jurídica dos rendimentos, como bem apontou o Ministro Celso de Mello. 19. É exatamente esse o caso da contribuinte, no qual a Cláusula Quinta do Contrato Social, dispunha que o "Os lucros ou prejuízos serão distribuídos ou suportados proporcionalmente ao capital de cada sócio" (fl.7). Ou seja, possuíam eles a disponibilidade jurídica sobre os lucros da empresa. 20. Observese que é nesse sentido que se deve interpretar o disposto no parágrafo único do art. 1º da IN SRF 63/97, haja vista que essa instrução normativa, com dito alhures, apenas veio dar maior eficácia à decisão do STF, prevenindo litígios, ou seja, não pretendeu, em nenhum momento, dispor contra a decisão da Corte Maior. 21. Deve ser afastada, então, a interpretação que altera a apreciação do Supremo Tribunal Federal sobre a questão, ampliando inadvertidamente a inconstitucionalidade declarada com alcance mais estreito, cabendo lembrar, ainda, que Instrução Normativa não pode inovar no mundo jurídico para dispensar a exigência de tributo devido, máxime quando já declarada a constitucionalidade da exação. 22. Registre, por fím, tendo em vista o argumento da interessada de que os lucros jamais teriam sido distribuídos para os sócios, que, conforme já ressaltado no item 13 deste voto, o Supremo Tribunal Federal já deixou assentado ser desimportante a disponibilidade econômica dos lucros, haja vista bastar a disponibilidade jurídica, sendo que, como transcrito no aludido item 13, "Os sóciosquotistas titularizam, ordinariamente, situação configuradora de disponibilidade jurídica de rendimentos, pois a percepção do lucro apurado no balanço constitui direito de que se acham irrecusavelmente investidos. Assim, os sóciosquotistas, ressalvada disposição convencional em sentido contrário, possuem, no contexto ora em análise, um crédito revestido de liquidez e certeza."" 8. Da leitura dos votos transcritos anteriormente, constatase que, em momento algum, o acórdão recorrido defendeu que a existência de cláusula no contrato social de distribuição do lucro não caracteriza a disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios quotistas, para efeito de afastar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, nos termos do artigo 43 do CTN, e, conseqüentemente, entender indevida a exigência do Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido, instituída pelo art. 35 da Lei n° 7.713/88, o que poderia ser considerado uma situação de divergência. 9. Outra possível situação de divergência de entendimentos seria se houvesse paradigma que entendesse que mesmo quando inexistir no contrato social cláusula de distribuição do lucro caracterizada está a disponibilidade jurídica dos lucros para os sócios quotistas, ocorrido o fato gerador e devida a exigência do ILL, constante no art. 35 da Lei nº 7.713/88, mas não foi este o entendimento dos paradigmas citados, conforme se comprova também da leitura dos votos anteriormente reproduzidos. Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10783.000883/9685 Acórdão n.º 9101001.970 CSRFT1 Fl. 2.299 9 10. Do exame dos fatos e fundamentos apresentados no recurso especial e nas contrarrazões verificouse que existe uma cláusula que dispõe sobre o lucro no contrato social da recorrida, o que é objeto de desentendimento entre a recorrente e a recorrida é sobre a interpretação dessa cláusula, se pode ou não ser entendida como distribuição do lucro. A recorrente defende que sim, a recorrida afirma que não, o acórdão recorrido entendeu que não (e como a cláusula que existe não é de distribuição de lucro, conseqüentemente, inexiste cláusula de distribuição de lucro, assim foi a conclusão lógica do voto condutor do a. recorrido). Questiono se esta peleja deve ser debatida no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). O regimento interno responde. Examino o caput e parágrafos do art. 67 do Regimento Interno do CARF (RICARF): "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. ... § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. ..." 11. Conforme o caput do art. 67 do RICARF, o recurso especial é interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente, e segundo o § 6° do mesmo artigo a divergência de interpretação da lei tributária deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. No presente caso, a lei tributária foi marginalizada (já que o entendimento do recorrido e dos paradigmas é o equivalente) em detrimento da interpretação de uma cláusula contratual. 12. Ou seja, não se deve conhecer de Recurso Especial, quando a divergência de interpretação da lei tributária não for demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. 13. Portanto, não conheço do Recurso Especial, em razão de não observância da preliminar essencial de demonstração da divergência arguída. 14. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11610.005709/2003-91
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
IRRF. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. SÓCIO DA FONTE PAGADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.
A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios e ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova, mediante documentação hábil e idônea, da retenção em nome do contribuinte e do seu efetivo recolhimento.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1998 IRRF. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. SÓCIO DA FONTE PAGADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios e ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova, mediante documentação hábil e idônea, da retenção em nome do contribuinte e do seu efetivo recolhimento. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. SÓCIO DA FONTE PAGADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios e ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova, mediante documentação hábil e idônea, da retenção em nome do contribuinte e do seu efetivo recolhimento. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 57 09 /2 00 3- 91 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11610.005709/200391 Acórdão n.º 2801003.534 S2TE01 Fl. 94 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1a Turma da DRJ/FOR, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o sujeito passivo, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração, fls. 20/23, extratos de fls. 30/31, relativo ao ano calendário de 1998, exercício 1999, para exigência de imposto de renda pessoa física suplementar no valor de R$ 9.980,00, multa de ofício de 75% e juros de mora. A infração apurada pela fiscalização e relatada no Demonstrativo das Infrações, fls. 22, foi dedução indevida de imposto de renda na fonte, no valor de R$ 12.180,00, referente a rendimento de prólabore recebido da empresa OGC Molas Industriais Ltda, CNPJ n° 56.997.471/000170. Da revisão procedida na referida Declaração resultou modificada a situação de saldo de imposto a restituir no valor de R$ 2.200,00 para saldo de imposto suplementar a pagar, no valor R$ 9.980,00. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse discriminados às fls. 22/23. Inconformada com a exigência, da qual tomou conhecimento em 03/04/2003, AR fls. 27, a contribuinte apresentou impugnação, em 24/04/2003, fls. 01/14, por meio de instrumento procuratório, fls. 16, alegando, em síntese: • Declarou no exercício de 1999, anocalendário 1998, através de sua DIRPF/99 seus rendimentos de prólabore recebidos da empresa OGC Molas Industriais Ltda, CNPJ n° 56.997.471/000170, no valor de R$ 60.000,00. • O presente Auto de Infração visa à cobrança do Imposto de Renda relativo àquele rendimento, que deveria ter sido recolhido na fonte pela empresa pagadora, conforme dispõem os art. 620 e seguintes do Decreto n° 3.000 de 1999, e inciso II, §3° do art. 9°, da Lei n° 9.249/95, uma vez que a lei atribuiu a ela a condição de responsável da obrigação tributária. • Não é o sujeito passivo da obrigação tributária, porquanto, o art. 45 do Código Tributário Nacional em seu parágrafo único determina que "A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam". Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11610.005709/200391 Acórdão n.º 2801003.534 S2TE01 Fl. 95 3 • O art. 121, do mesmo diploma legal, prescreve que "o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária". • No presente caso, o sujeito passivo da obrigação principal de recolher aos cofres públicos o imposto cobrado no Auto de Infração é a empresa OGC Molas Industriais Ltda, e jamais, a impugnante. • É indevida a cobrança cumulativa de multa de oficio e de multa de mora sob pena de desobediência aos princípios da legalidade, do não confisco e, especificamente, da moralidade administrativa. • A taxa Selic não é índice juridicamente válido para ser aplicado a título de juros moratórios, uma vez que possui indisfarçável natureza financeira. Para corroborar o entendimento expresso na peça de defesa, a impugnahte, na figura de seu procurador, menciona o entendimento de renomados Professores, do Conselho de Contribuintes e do Supremo Tribunal Federal. Passo adiante, a 1a Turma da DRJ/FOR entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DIRF. Na ausência de prova documental hábil e idônea em contrário, deve ser mantida a glosa do imposto de renda retido na fonte. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, deve ser mantida a glosa do valor do imposto retido na fonte, quando restar comprovado que o valor não foi recolhido e que o contribuinte é sócio da fonte pagadora dos rendimentos. JUROS MORATÓRIOS.TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Selic, decorre de expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 EXAME DA LEGALIDADE E DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não compete à autoridade administrativa o exame da legalidade/constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11610.005709/200391 Acórdão n.º 2801003.534 S2TE01 Fl. 96 4 SENTENÇAS JUDICIAIS E DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. A Recorrente interpondo Recurso Voluntário em 17/01/2008 (fls. 57 a 79), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Por não se conseguir visualizar a data da ciência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil DERAT SPO / DICAT / EQCOB, em/8/5/2008, (Fls. 89) infirmou: Em virtude do extravio do A.R. e de não haver comprovação da entrega da intimação à agência postaltelegráfica, não se consegue precisar a data da ciência. No entanto, se considerarmos que a intimação foi entregue à agência postal telegráfica em 10/12/2007 — data de emissão e assinatura da intimação — e considerandose também o estabelecido no Art.23, § 2°, inciso II, da Lei 70.235/72, abaixo reproduzido, teremos que a data da ciência do julgamento é 26/12/2007. 22 Considerase feita a intimação: II na data do recebimento, por via postal ou telegráfica; se a data for omitida, quinze dias após a entrega da intimação à agência postaltelegráfica; Dessa forma, é tempestivo o Recurso apresentado. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Primeiramente, cumpre esclarecer que o lançamento não trata da cobrança de IRRF em virtude de responsabilidade solidária; mas sim da glosa da compensação de IRRF em virtude da falta de recolhimento do mesmo pela fonte pagadora. Assim, o litígio trata da glosa da compensação do IRRF pela falta do recolhimento, uma vez que se tratava de sócia da fonte pagadora. A contribuinte não contesta a falta de recolhimento tempestivo, porém sustenta que o valor foi cobrado da fonte pagadora pela Receita Federal do Brasil RFB. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11610.005709/200391 Acórdão n.º 2801003.534 S2TE01 Fl. 97 5 Como bem esclarecido no acórdão recorrido, nos casos em que o contribuinte é sócio da pessoa jurídica e não houve o devido recolhimento do IRRF pela respectiva fonte pagadora, deve ele ser responsabilizado solidariamente pela ausência do recolhimento do tributo, nos termos dos arts. 124, II, e 134, III, do CTN, e 723, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 – RIR/99. Ademais, consolidouse jurisprudência neste Conselho no sentido de que é legítima a glosa do IRRF não recolhido aos cofres públicos pela fonte pagadora que incidiu sobre os rendimentos auferidos por sócio. Este entendimento vem desde o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes como se depreende dos precedentes abaixo: IRPF – SÓCIO – GLOSA DE FONTE –RESPONSABILIDADE – Por força do princípio da responsabilidade tributária solidária, sendo o contribuinte sócio da empresa (fonte pagadora), incabível a compensação do LR. Fonte quando comprovada a inexistência do recolhimento do tributo retido. Acórdão 10420394 de 02/12/2004. IRPF – GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, deve ser mantida a glosa do valor do imposto retido na fonte, quando restar comprovado que o valor não foi recolhido e que o contribuinte é diretor da fonte pagadora dos rendimentos. Aplicabilidade do art. 723 e parágrafo único do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99). Acórdãos 10246632 e10246658 emitidos em 25/02/2005. IRPF – GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, deve ser mantida a glosa do valor do imposto retido na fonte, quando restar comprovado que o valor não foi recolhido e que o contribuinte é sócio gerente da fonte pagadora dos rendimentos. Acórdão n° 10248339 de 29/03/2007. Os mais recentes acórdãos do CARF consolidam esse entendimento. Podese ilustrar com o Acórdão 2201002.225, de 15/08/2013, cuja ementa é reproduzida abaixo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRRF. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. SÓCIO DA FONTE PAGADORA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO E DO RESPECTIVO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A compensação de IRRF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretores, gerentes, sócios e ou representantes legais da pessoa jurídica, fonte pagadora dos rendimentos, pressupõe a prova, mediante documentação hábil e idônea, da retenção em nome do contribuinte e do seu efetivo recolhimento. Recurso Voluntário Negado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11610.005709/200391 Acórdão n.º 2801003.534 S2TE01 Fl. 98 6 No mesmo senti do: Acórdãos 210201.069, de 10/02/2011, 280102.102, de 30/11/2011, 210201.501, de 24/08/2011 e 2801003001, de 17/04/2013. O entendimento baseiase na solidariedade do sócio gerente pelo crédito tributário não recolhido referente ao imposto descontado (art. 128 do CTN c/c Decreto Lei n° 1.736, de 20/12/1979, este último reproduzido no art. 723 do RIR1999). Não se nega que há quem argumente que a distinção entre personalidade da pessoa jurídica não se confunde com a dos sócios e que a solidariedade aqui existente autorizaria exigir o tributo da empresa pelos meios próprios e não glosar o imposto retido na DIRPF do sócio. Os que pensam assim, privilegiam a interpretação literal do inciso V do art. 12 da Lei n° 9.250/1995, que autoriza a dedução do imposto retido e o formalismo da distinção das personalidades jurídicas do sócio e da respectiva sociedade que administra. Porém, esta não é a melhor interpretação. Este dispositivo legal não pode ser interpretado isoladamente e de forma exclusivamente literal. Não faz sentido atribuir responsabilidade solidária ao sócio gerente pelo não recolhimento do tributo descontado, exigir pessoalmente do sócio a dívida e imputar, inclusive, responsabilidade criminal (inciso II do art. 2° da Lei 8.137/1990) e, ao mesmo tempo, prender se a uma interpretação formalista para permitir ao mesmo sócio apropriarse do valor do imposto retido por meio da sua Declaração de Ajuste Anual. Aplicase também o princípio lógico da não contradição. A recorrente era diretora da empresa à época dos fatos, situação que autoriza ao Fisco exigir não só o comprovante de rendimentos, mas também a prova da retenção. Analisada a questão jurídica da necessidade de comprovação do recolhimento pela fonte pagadora do IRRF informado em DIRF, para que possa ser possível a compensação do mesmo pela contribuinte, passo a discorrer sobre a alegação de que o IRRF está sendo cobrado da fonte pagadora pela RFB. Neste ponto, percebo que a contribuinte não anexou documentos que comprovassem que este IRRF realmente está sendo cobrado pela RFB. Os documentos anexados pela mesma até informam que a empresa está sendo cobrada para pagamento de IRRF; porém não se sabe de tal IRRF é o mesmo o objeto deste lançamento. Razões pelas quais entendo que a glosa da compensação do IRRF deve ser mantida. Melhor sorte não resta ao pedido de improcedência da aplicação da taxa SELIC. É que a Súmula CARF n° 4, de aplicação obrigatória para os Conselheiros do CARF, assim estabeleceu: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11610.005709/200391 Acórdão n.º 2801003.534 S2TE01 Fl. 99 7 Súmula CARF N° 4 – A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia –SELIC para títulos federais. Assim, confirmada a glosa da compensação do IRRF, com o conseqüente reajuste da DIRPF restando IRPF a pagar, é cabível a aplicação de juros moratórios. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 13629.901755/2009-34
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Adiado o julgamento para o dia 18 de setembro a pedido da recorrente.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 90 17 55 /2 00 9- 34 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13629.901755/200934 Acórdão n.º 3801004.288 S3TE01 Fl. 10 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Adiado o julgamento para o dia 18 de setembro a pedido da recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13629.901755/200934 Acórdão n.º 3801004.288 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo, contra o acórdão julgado na sessão de 14 de abril de 2011, pela 3ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Por meio de Despacho Decisório eletrônico acostado aos autos, foi nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP,∙ relativa a crédito de pagamento indevido ou a maior de Cofins não cumulativa. A não homologação da compensação teve por fundamento o fato de o DARF discriminado no PER/DCOMP supracitado já ter sido, utilizado para quitação de débitos da interessada, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A interessada apresentou manifestação de inconformidade pedindo o "DEFERIMENTO da compensação", em resumo, em razão dos seguintes argumentos: a DCTF e o Dacon originais não espelhavam a real situação do tributo e foram retificados para refletir o pagamento a maior; nos termos das IN RFB n.° 903/2008 e n.° 940/2009, a DCTF e o Dacon retifícadores têm a mesma natureza dos originais, substituindoos integralmente e servindo para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos; apesar de ter identificado o pagamento a maior e ingressado com o pedido de compensação, uma vez que não há prazo para a retificação, não procedeu às retificações, o que ocasionou o não reconhecimento do crédito pela RFB. É o relatório. A DRJ de Juiz de Fora decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIR EIT O TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13629.901755/200934 Acórdão n.º 3801004.288 S3TE01 Fl. 12 4 Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas peio interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando o contraditório e da ampla defesa. No mérito, alegou eventual erro de preenchimento de DCTF, tendo em vista que a DCTF original não refletia a real situação da empresa, motivando a retificadora, acostando às razões nada mais que a DCTF e retificadora, assim como fez em sede de manifestação de inconformidade. É o sucinto relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13629.901755/200934 Acórdão n.º 3801004.288 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificadas, nem transmitidas no programa da RFB, sendo este o motivo pelo do indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 15/05/2009, ou seja, após a ciência do despacho decisório que ocorreu em 30/04/2009, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Portanto, temse que não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificadas constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, por não ter apresentado em suas razões recursais nada a respeito, com as seguintes assertivas da DRJ de Belo Horizonte: i) que a retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) que a alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; bem como, iii) que é necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13629.901755/200934 Acórdão n.º 3801004.288 S3TE01 Fl. 14 6 despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável à apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, carreando aos autos tão somente a DCTF retificadora, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13629.901755/200934 Acórdão n.º 3801004.288 S3TE01 Fl. 15 7 “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” São exemplos deste entendimento os Acórdãos 380201.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. No Acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes, igualmente desta 1ª Turma Especial, também foi compreendido como admissível a DCTF retificadora ser apresentada após a ciência do despacho decisório. Contudo, desde que mediante demonstração e comprovação do erro. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior, consoante se verifica pelos arestos abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13629.901755/200934 Acórdão n.º 3801004.288 S3TE01 Fl. 16 8 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF RETIFICADA. OBRIGATORIEDADE. No âmbito do processo de compensação, admitese a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, desde que o sujeito passivo apresente a documentação adequada e suficiente que demonstre que houve pagamento indevido ou maior. DIREITO CREDITÓRIO. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO CONFESSADO APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO ERRO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O reconhecimento do direito creditório proveniente de pagamento a maior informado na DCTF retificadora, entregue após a ciência do Despacho Decisório, limitase a parcela da redução do débito devidamente comprovada com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte. São reputados documentos hábeis e idôneos, para fim de comprovação da certeza e liquidez do crédito proveniente da retenção e recolhimento indevidos da CPMF, os extratos bancários, carreados aos autos pela instituição financeira, contendo o registro dos valores das operações bancárias não tributadas, das retenções indevidas da CPMF e dos estornos dos valores devolvidos aos clientes, acompanhados de declaração de devolução dos valores indevidamente retidos, prestada pelo contribuinte que suportou o ônus da indevida retenção. (Acórdão n° 3802001.326 – 2ª Turma Especial. Sessão de 25 de setembro de 2012) Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração retificadora posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, e não trazendo aos autos nenhum elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de crédito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13629.901755/200934 Acórdão n.º 3801004.288 S3TE01 Fl. 17 9 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19647.010760/2006-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1803-002.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 60 /2 00 6- 51 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 150 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 32208.16963.150104.1.3.048068, em 15.01.2004, fls. 0207, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, no valor de R$133.338,68 recolhido em 31.03.2002, referente ao período de apuração de fevereiro de 2002, apurado pelo lucro real para fins de compensação do débito ali confessado. No Relatório de Informação Fiscal, fls. 0809, consta: 1. Consiste o presente processo de Declaração(ões) de Compensação (DCOMP) impetrada(s) pela empresa interessada, de supostos créditos de Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ no valor R$133.338,68, [...]. 2. Na(s) Declaração(ções) de Compensação — DCOMP, constantes do Anexo III do processo n.° 19647.004738/200591, estão discriminado(s) o(s) débito(s) compensados com o referido crédito. 3. Pelo que cabe a esta fiscalização, buscamos diligenciar a contabilidade da empresa com vistas a informar no presente processo o montante do crédito a ser acatado pela SRF. [...] 4. Como podemos observar no item "1" acima, o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. 5. Conforme preceitua o artigo 10 IN SRF n° 600 de 28.12.2005, a pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. 6. Portanto, o valor dito como sendo de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal, referido no item "1" acima, não poderá ser utilizado como crédito em Declaração de Compensação DCOMP de natureza de "PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR" para compensação de débitos. [...] 7. Em face do exposto, entendemos INEXISTENTE o direito creditório pleiteado pelo contribuinte para ser utilizado nas compensações dos débitos fiscais do contribuinte informados nas Declarações de Compensações, discriminados no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal IRPJ do Mês de Fevereiro de 2002 (parte B), em anexo. Está registrado no Despacho Decisório, fl. 12: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 151 3 No uso da competência delegada pelo inciso XXI do art. 250 do Anexo da Portaria MF n.° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e concordando com os fundamentos expostos no Relatório de Informação Fiscal [...], que passa integrar este ato, conforme o artigo 5º, § 1º, da Lei n.° 9.784/99: 1. NÃO HOMOLOGO as compensações efetuadas através das DCOMP’s discriminadas no Demonstrativo da Compensação do Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de Estimativa Mensal IRPJ do mês de fevereiro de 2002, que encontrase anexo ao referido Relatório de Informação Fiscal; 2. DETERMINO a cobrança dos débitos cujas compensações declaradas foram consideradas indevidas pela inexistência de crédito. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 1729, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos suscitando que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas (não havia nenhuma informação, fundamento, documento ou prova para embasar as exigências), o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. Por tal razão, excluíra do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica — IRPJ a maior, em 31.03.02, referente ao período de apuração de 28.02.02, no valor de R$133.338,68. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débito de COFINS. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou as compensações efetuadas, com fundamento em Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa no 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devida ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 152 4 Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizado como crédito em DCOMP. Por essa razão, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Ocorre que as razões apresentadas pela DRF/Recife não representam o melhor direito e merecem ser reformadas pela Delegacia Regional de Julgamento. I Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de IRPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 153 5 IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. No entanto, ainda há mais. II Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia Mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. A.sim é porque, quando da compensação realizada pela contribuinte, ainda não existia, no Ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — IN SRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e INSRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460, no ano de 2004, e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05. A DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar as compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê Constituição ("a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a co a julgada; (...)" — art. 5º, XXXVI), seja em razão do Código Tributário Nacional em suas regras sobre vigência e aplicação da legislação tributária. [...] O artigo 105 do CTN, a propósito da aplicação da legislação tributária, prevê que a lei (nem sequer se refere a atos administrativos) se aplica imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Essa é a regra. A retroatividade é medida excepcional possível apenas nos casos do artigo 106 [...]. O artigo 10 da INSRF 600/05 e o anterior artigo 10 da INSRF 460/04 nada têm de expressamente interpretativos. Trazem novas normas, inexistentes anteriormente, tanto é assim que, como visto, foi prevista a entrada em vigor com a data da publicação das duas IN’s. Fossem interpretativas, isso deveria estar e expresso, nos termos do artigo 106, I, do CTN, inclusive na previsão da data da entrada e vigor das regras. Por fim, o Despacho Decisório da DRF/Recife ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN [...]. O tratamento dado pelo Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 154 6 artigo 10 da INSRF 600/05 (originalmente contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. É mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação da compensação realizada. III Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de fevereiro de 2002 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Por fim, mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada pela contribuinte. Conforme os termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados [...]. Portanto, foi exatamente o que ocorreu, pois o IRPJ de fevereiro de 2002 recolhido a maior foi transformado em, saldo negativo de IRPJ, informação essa, prestada na DIPJ, e, passível de compensação com qualquer tributo a partir do ano calendário subsequente, ou seja, janeiro do ano de 2003. Neste caso, haveria apenas um erro na informação, da origem do crédito, pois o saldo negativo apurado no final ao ano seria suficiente para suportar as compensações efetuadas. Possivelmente — o Despacho Decisório não contém nenhuma fundamentação e o Relatório de Informação Fiscal é bastante lacônico — tal decisão não foi adotada em parte em razão de a DRF/Recife julgar que a contribuinte, a, o final do ano, teria saldo negativo de IRPJ inferior ao apurado pela contribuinte. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento da presente Manifestação de Inconformidade — decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará a dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a Impugnação apresentada pela contribuinte. Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento desta Manifestação de Inconformidade será um imperativo. Desse modo — insistase: somente na hipótese de discordância com as razões anteriormente expostas —, requerse que seja reformado o Despacho Decisório recorrido, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à Impugnação apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. IV Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 155 7 administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Segundo consta do Relatório de Informação Fiscal, referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela solução de consulta interna n° 18. Essa solução de consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo ° 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valore . de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 156 8 Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRF/Recife atentou contra o artigo 146 do CTN por pretender aplicar o novo critério jurídico — que representa um aumento na carga tributária global — para um contribuinte em relação a fatos geradores passados isso não ,pode ser aceito. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previstos pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebido s pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. V Conclusão O Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife de e ser reformado, homologandose integralmente a compensação realizada pois: a) A previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não te amparo em lei. b) Quando da compensação realizada pela contribui te a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia. c) Se a compensação do IRPJ de fevereiro de 2002 recolhido a maior não fosse realizada, haveria saldo negativo ao final do ano, passível de ser compensado com outros débitos fiscais e suficientes para suportar as compensações efetuadas. d) O Despacho Decisório da DRF/Recife é fruto de uma revisão de ofício de lançamento realizado, que aumentou o valor total da exigência (quando são considerados todos os Despachos Decisórios proferidos pela DRF), o que configura uma violação ao artigo 149 do CTN. Por todos esses motivos, deve ser dado o provimento à presente Manifestação de Inconformidade, para homologar integralmente as compensações realizadas pelo contribuinte. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/REC/PE nº 11 28.120, de 23.11.2009, fls. 98107: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ESTIMATIVAS MENSAIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção a maior de imposto de renda sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto, ou efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ devido Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 157 9 ao final do correspondente período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONAL1DADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 30.06.2010, fl. 110, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.07.2010, fls. 111126, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Em outubro de 2006, a contribuinte recebeu Autos de Infração, de IRPJ e de CSLL, envolvendo diversas supostas infrações, que deram origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Entre elas constavam os itens (6) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (7) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal. Tais exigências, porém, não foram devidamente fundamentadas, o que impedia a adequada defesa pela contribuinte. Em março de 2007, a Delegacia da Receita Federal em Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal [...]. Nele, os fiscais responsáveis informam que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização. [...] Por tal razão, foram excluídos do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem o recolhimento de IRPJ a maior em março de 2002. Por isso, a Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 158 10 contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor recolhido a maior com débitos de COFINS. A Delegacia da Receita Federal em Recife não homologou a compensação efetuada, com fundamento em outro Relatório de Informação Fiscal. Nesse breve Relatório, é afirmado que o crédito pleiteado para compensação referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ a título de estimativa mensal, efetuado por pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. Entretanto, conforme o artigo 10 da Instrução Normativa n° 600, de 28.12.05, da Secretaria da Receita Federal, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago (indevido ou a maior) de IRPJ, a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o prejuízo fiscal do período. Desse modo, o crédito da contribuinte, referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, não poderia ser utilizálo como crédito em DCOMP. Assim, o direito creditório pleiteado foi considerado inexistente e a compensação não foi homologada. Apresentada a competente manifestação de inconformidade, houve por bem a DRJ não homologar a compensação efetuada, ratificando o procedimento da DRF/Recife de cobrar os débitos. Entretanto, a exigência fiscal em tela não pode subsistir, devendo ser integralmente cancelada. É o que se passa a demonstrar. I A premissa adotada pela DRJ implica a apuração de saldo negativo de IRPJ pelo contribuinte em 2002, passível de compensação com os débitos Preliminarmente, a despeito dos termos do Relatório de Informação Fiscal anteriormente transcrito [...], tornase necessário ressaltar o entendimento adotado pela DRJ, que refuta qualquer influência do processo administrativo n° 19647.009690/200699 no presente pleito de compensação. Aceitandose essa premissa — ausência de vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 — o julgador administrativo, necessariamente, deverá analisar o presente litígio, aceitando o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$2.628.838,20 apurado pela contribuinte no anocalendário de 2002 (conforme a ficha 12A da DIPJ/2003 [...]). Isso porque, de acordo com o posicionamento adorado pela DRJ, não existe qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do IRPJ do anocalendário de 2002 e que, eventualmente, pudesse alterar o saldo negativo apurado. Assim, a apuração do saldo negativo de IRPJ, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não pode ser contraditado pelo julgador administrativo, cujo montante é passível de compensação com tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. No caso concreto, portanto, percebese a licitude do procedimento efetuado pela contribuinte, que utilizou apenas parte do saldo negativo de IRPJ de 2002 para compensar com os débitos em questão. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 159 11 Por outro lado, no que se refere aos óbices opostos pela Fiscalização para a compensação ora em análise, os mesmos não podem prosperar, sendo fruto de uma interpretação equivocada da legislação. Senão vejamos. II Previsão do artigo 10 da INSRF 600/05 não tem amparo em lei [...] Tal regra — segundo a interpretação dada pela DRF/Recife — limitaria a possibilidade de compensação de créditos fiscais do contribuinte, ao prever que certos recolhimentos indevidos ou a maior de 1RPJ ou de CSLL só poderiam ler uma certa utilização. Com isso, o artigo 10 teria vedado o direito do contribuinte de compensar certos valores de IRPJ e de CSLL recolhidos a maior. Tais valores apenas poderiam ser utilizados para deduzir o IRPJ ou a CSLL devidos ao final do período/de apuração ou para compor o saldo negativo do período desses tributos. Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê de forma genérica o direito de compensação, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 [...]. Se o contribuinte apurou crédito fiscal, o que ocorre quando há o recolhimento indevido ou a maior de tributo, ele pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios. O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada. Assim, entre outras hipóteses previstas no § 3º, consta que o saldo a restituir apurado na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física não pode ser compensado com outros tributos devidos pelo contribuinte. O § 12 do artigo 74 também previu as hipóteses em que a compensação seria considerada não declarada, entre as quais estavam aquelas em que o crédito do Contribuinte refirase a crédito prêmio de IPI ou que seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Percebese, então, que o legislador concedeu um direito genérico de compensação de tributos recolhidos a maior ou indevidamente pelo contribuinte e já estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu a compensação do IRPJ e e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do período de apuração desses tributos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei. Ela poderia apenas regulamentar os procedimentos para I exercício dos direitos previstos na Lei. Daí a previsão do § 14 do mesmo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...]. Disciplinar os direito previstos em lei não leva à permissão para restringilos, vedálos, mas tãosomente estabelecer procedimentos e explicitar o que já consta de norma superior. Dessa maneira, a questão que remanesce é apenas se o IRPJ e a CSLL recolhidos a longo do ano podem se qualificar como tributo indevido ou recolhido a maior. A resposta, indubitavelmente, deve ser afirmativa. Tais tributos possuem regras para recolhimento ao longo do ano e sempre que for verificado que o montante já recolhido supera o que deveria ter sido recolhido com base em tais regras, estará configurada a situação de recolhimento indevido ou a maior. Isso é uma decorrência do sistema de tributação do IRPJ e da CSLL. É o que ocorre, por exemplo, em razão da retenção de imposto sobre a renda na fonte — IRRF. Como a retenção ocorre independentemente do total de lucro — estimado, real ou presumido —apurado no período, pode ocorrer que o IR recolhido por meio da retenção na fonte supere o valor que deveria ser recolhido com base no lucro estimado, real ou presumido. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 160 12 Podese imaginar que o legislador poderia ter estabelecido uma regra especial para essa situação peculiar, de configurarse um recolhimento a maior de tributo sem que todo o seu período de apuração tenha transcorrido. No entanto, se ele não o fez, a Secretaria da Receita Federal, por meio de uma instrução normativa, não pode fazêlo. Ademais, não se deve alegar, como fez o acórdão recorrido, que se trata de arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, o que impediria a DRJ de apreciar os argumentos apresentados. No caso em tela, impõese a apreciação da questão, pois, diferentemente do entendimento exposto pela DRJ, esta envolve apenas a impossibilidade de mera Instrução Normativa inovar na ordem jurídica, estipulando vedações não previstas em lei. A DRJ tergiversa sobre o assunto e afirma que o disposto no artigo 10 da IN/SRF n° 600/2005 guarda consonância com o quanto disciplinado por atos infra legais. Equivocase a DRJ. Em primeiro lugar, devese esclarecer que o dispositivo legal que disciplina a compensação de tributos administrados pela atual RFB é o art. 74 da Lei nº 9.430/96 e não os dispositivo citados pela DRJ, que tratam da forma de pagamento apuração do imposto calculado por estimativa. Ora, conforme já demonstrado, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, podem se compensados os tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, passíveis de restituição ou de ressarcimento. Assim, o procedimento adotado pela contribuinte guarda consonância também com o quanto disciplinado pelos citado atos infralegais, na medida em que houve o recolhimento a maior de IRPJ em março de 2002 (portanto, passível de restituição) e que foi compensado com débitos de COFINS. Ou seja, os citados dispositivos infralegais, quando interpretados em conjunto com o art. 74 da Lei n° 9.430/96, como devem sêlo, ao invés de serem contrários ao procedimento efetuado pela contribuinte, na verdade o corrobora, reafirmando a impossibilidade de a Administração Fiscal restringir o direito de compensação ora em comento com base em mera instrução normativa da antiga da SRF (atual RFB). Em síntese, o artigo 10 da INSRF 600/05 não poderia ter estabelecido uma restrição ao direito de compensação do contribuinte que já não estivesse previsto em lei. Apenas por tal razão, o Despacho Decisório da DRF/Recife já deve ser alterado, a fim de que seja homologada a compensação realizada pela contribuinte. No entanto, ainda há mais. III Quando da compensação realizada pela contribuinte a regra do artigo 10 da INSRF 600/05 ainda não existia Mesmo que, por absurdo, se entenda legal o artigo 10 da INSRF 600/05, ainda assim o Despacho Decisório deve ser reformado. A.sim é porque, quando da compensação realizada pela contribuinte, ainda não existia, no Ordenamento jurídico nacional, a regra estabelecida no referido artigo 10. De fato, a INSRF 600/05 é datada de 28.12.05. Antes dela, a Instrução Normativa anterior sobre o tema de restituição e compensação de tributos — IN SRF 460/04 — trazia regra semelhante igualmente no artigo 10. Essa IN é datada de 18.10.04. No entanto, as mais antigas, INSRF 210/02 e INSRF 21/97, não traziam uma norma nos termos do artigo 10. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 161 13 Ora, a contribuinte realizou as compensações objeto do presente processo em dezembro de 2003 e janeiro de 2004, quando vigia a INSRF 210/02 que, como visto, não previa a restrição ao direito de compensação do contribuinte trazida pela INSRF 460, no ano de 2004, e repetido no artigo 10 da INSRF 600/05. A DRF/Recife, portanto, ao decidir não homologar as compensação pleiteada pela contribuinte com base em sua interpretação do artigo 10 da INSRF 600/05 efetuou uma aplicação retroativa de dispositivo fiscal restritivo ao direito do contribuinte. Isso não pode ser feito, seja em razão do que prevê Constituição ("a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a co a julgada; (...)" — art. 5º, XXXVI), seja em razão do Código Tributário Nacional em suas regras sobre vigência e aplicação da legislação tributária. [...] O artigo 105 do CTN, a propósito da aplicação da legislação tributária, prevê que a lei (nem sequer se refere a atos administrativos) se aplica imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes. Essa é a regra. A retroatividade é medida excepcional possível apenas nos casos do art go 106 [...]. O artigo 10 da INSRF 600/05 e o anterior artigo 10 da INSRF 460/04 nada têm de expressamente interpretativos. Trazem novas normas, inexistentes anteriormente, tanto é assim que, como visto, foi prevista a entrada em vigor com a data da publicação das duas INs. Fossem interpretativas, isso deveria estar e expresso, nos termos do artigo 106, I, do CTN, inclusive na previsão da data da entrada e vigor das regras. Por fim, o Despacho Decisório da DRF/Recife ao aplicar retroativamente a INSRF 600/05, também contraria o artigo 146 do CTN [...] O tratamento dado pelo artigo 10 da INSRF 600/05 (origina1mentt contido no art. 10 da INSRF 460/04) é uma novidade antes inexistente no ordenamento jurídico, representando, por isso, uma modificação, introduzida de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa. Logo, só pode ser efetivada para o futuro. A conclusão que se chega é que a manifesta aplicação retroativa do artigo 10 da INSRF 600/05, pelo Despacho Decisório ora recorrido, contraria a legislação tributária, notadamente o CTN, em diversos de seus dispositivos. É mais uma razão, independente das demais, para concluir pela reforma do referido Despacho e a homologação da compensação realizada. IV Se não fosse realizada a compensação do IRPJ de fevereiro de 2002 recolhido a maior, haveria compensação com saldo negativo apurado ao final do ano Mesmo que se houvesse por bem discordar das razões postas até aqui (o que se admite novamente apenas para argumentar), existiria mais um motivo para dar provimento a esta Manifestação de Inconformidade, homologando a compensação realizada pela contribuinte. Ora, o IRPJ de fevereiro de 2002 recolhido a maior foi utilizado, como já visto, em compensação com débitos de COFINS. A decisão proferida pela DRF/Recife é arbitrária, pois, à partir dos termos do artigo 10 da INSRF 600/05, o IRPJ e a CSLL recolhidos a maior ou indevidamente ao longo do ano somente podem ser utilizados ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. No máximo, portanto, haveria uma antecipação na utilização de um direito de crédito previsto pelo próprio artigo 10 da IN SRF n°600/05, pois o IRPJ de fevereiro de 2002 recolhido a maior transformarseia em saldo negativo, passível de compensação com qualquer tributo a partir do final desse ano. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 162 14 Com a devida vênia, o indeferimento procedido pela DRJ não pode prosperar, tendo em vista que não pode ser nega o um direito de crédito que se materializou no tempo. Ademais, o que importa é o reconhecimento de que aquela parcela tratada como um recolhimento a maior na escrituração fiscal do contribuinte em determinado período veio a se confirmar como um indébito no futuro (saldo negativo de IRPJ), a materializar um efetivo direito de crédito. Isso leva à conclusão de que é irrelevante o fato do crédito de IRPJ ter sido utilizado antes do encerramento do anocalendário de 2002, se o recolhimento se revelar efetivamente a maior ao final do período de apuração. V Da vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699 A DRJ refuta a existência de qualquer vinculação entre o presente pleito de compensação e o processo administrativo n° 19647.009690/200699. Assim, o presente argumento, bem como o seguinte, sustentase apenas na hipótese desse Conselho de Contribuintes entender de forma contrária e confirmar a vinculação entre os processos. Com efeito, a decisão pelo reconhecimento de que ao final do anocalendário de 2002 houve recolhimento a maior de IRPJ, passível de compensação com os débitos em questão, não foi adotada em parte em razão da DRF/Recife julgar que a contribuinte, ao final do ano, não teria saldo negativo de IRPJ. Assim teria concluído em razão de Auto de Infração lavrado em 2006, que deu origem ao já referido processo administrativo n° 19647.009690/200699, no qual a amortização de ágio realizada pela contribuinte sucedida pela TIM Nordeste S/A foi considerada indedutível. Isso teria alterado os resultados finais das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL dos anos envolvidos. Se assim for — e apenas na hipótese de se considerar improcedentes as razões anteriormente apresentadas, suficientes, por si sós, para levar ao provimento do presente recurso —, a decisão final a ser proferida neste processo administrativo de compensação ficará na dependência do destino a ser dado ao referido processo n° 19647.009690/200699, após a defesa administrativa apresentada pela contribuinte (o recurso voluntário já foi apresentado em 20 de novembro p.p. e aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes). Se a decisão vier a ser pelo cancelamento do Auto de Infração, o provimento deste recurso voluntário será um imperativo. Desse modo, requerse que seja reformada a decisão recorrida, homologando a compensação realizada, na medida em que seja dado provimento à defesa ad/ninistrativa apresentada ao Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.009690/200699. Quando menos, a cobrança decorrente do presente pleito de compensação deverá ficar sobrestada até a decisão final a ser proferida no processo administrativo n° 19647.00690/200699. VI Indevida revisão de lançamento Como relatado, o Despacho Decisório proferido neste processo decorre de uma revisão de lançamento perpetrada pela autoridade fiscal nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699, lavrado contra a TIM Nordeste S/A (sucessora da TELEPISA Celular S/A). Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 163 15 Conforme já demonstrado com a transcrição de trecho do Relatório de Informação Fiscal [...], referida revisão de oficio decorreu da verificação de que a metodologia de cálculo utilizada para realizar as autuações fiscais estaria em desacordo com a interpretação dotada pela Solução de Consulta Interna n° 18. Essa Solução de Consulta, datada de 13.10.06, é posterior aos Autos de Infração lavrados, datados de 09.10.06. Por tal razão, continua o Relatório, a revisão de oficio seria indispensável [...]. Assim, foi apartado do processo administrativo 19647.009690/200699 parte do crédito tributário apurado nos Autos (alguns valores de IRPJ, CSLL e de multa isolada de ambos os tributos, relacionados aos itens 6 e 7 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal). Essa parte do crédito passaria a ser tratada nos processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Como decorrência desse desmembramento, a contribuinte foi intimada de 30 despachos decisórios (atinentes apenas à empresa sucedida TELEPISA), a maioria fruto de supostas compensações indevidas, com a cobrança s e valores a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, o novo valor total exigido por intermédio dos 30 despachos decisórios recebidos pela contribuinte é superior ao valor diminuído pela revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009691/200699. De fato, o valor apartado do processo administrativo n° 19647.009690/2006 99 é de R$4.229.642,21, em relação à Telepisa, conforme quadro resumo constante do Relatório de Informação Fiscal [...]. Já o valor total exigido pelos despachos decisórios recebidos para contribuinte é de R$5.719.025,18 (conforme planilha preparada pela contribuinte [...]. Portanto, concluise que se está diante de uma revisão de ofício que propiciou um aumento do crédito tributário original, sendo irrelevante que a nova exigência esteja dividida em 30 processos específicos diferentes. Tratase, portanto, de uma indevida alteração no lançamento regularmente notificado que não se coaduna com a legislação de regência (artigos 145 a 149 do CTN). [...] O lançamento é o procedimento que tem por finalidade constituir o crédito tributário e se encerra com a notificação feita ao sujeito passivo. A partir desse momento, o lançamento tornase definitivo e o crédito tributário constituído. A alteração só pode ocorrer em razão dos motivos previstos na lei. No caso concreto houve afronta a esse dispositivo. Na constituição do crédito tributário original foram exigidos da contribuinte valores a título de principal (IRPJ e CSLL) e de multa isolada. Entretanto, face a revisão de oficio fruto de uma alteração de entendimento da própria Administração, a contribuinte é intimada da redução do crédito tributário em um processo administrativo já instaurado contra si, mas, em contrapartida, é surpreendida com o recebimento de 30 novos processos específicos diferentes com a cobrança de um valo total maior do que aquele que fora exonerado. O que ocorreu foi a migração de certos valores constantes em um processo para 30 outros processos, com um aumento de exigência total. Ou seja, a Administração Fiscal, ao rever os seus atos pretéritos, impõe uma exigência ainda maior, sem que nenhuma das hipóteses de alteração do lançamento estivesse preenchida. Por esse prisma, é ilegal o procedimento da fiscalização. A alteração não se deu em, razão da impugnação do sujeito passivo (que leva à diminuição do valor total da exigência), de recurso de oficio, ou mesmo por uma das hipóteses do artigo Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 164 16 149 do CTN, que justificassem a alteração no lançamento Como o próprio Relatório deixa claro, a revisão se deu devido a uma alteração d procedimento com base em uma solução de consulta interna. Além da contrariedade aos artigos 145 e 149 do CTN, também restou violado o artigo 146. Com efeito, devido à solução de consulta interna n° 18, de 13.10.06, posterior aos Autos de Infração, de 09.10.06, foi introduzida de oficio uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento. Em tal caso, tal modificação somente pode ser efetivada em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A DRJ não se manifestou sobre o assunto, pois supostamente ele seria pertinente a um outro processo administrativo não interferindo na presente lide. Tratase, entretanto, de alegação que não enfrenta o cerne da questão. Conforme já comentado, a ora recorrente teve auto de infração lavrado contra si, em 2006, por intermédio do qual foram feitas cobranças relacionadas as compensações realizadas pela empresa sucedida pela Recorrente. Após, tais valores foram excluído do PA derivado do AI e transferidos para o presente processo. [...] Ademais, existe uma pertinência lógica entre os fatos (atos cronologicamente concatenados), a comprovar a vinculação entre os processos: as declarações de compensação foram transmitidas em 2003 e 2004 e, posteriormente, em 2006, houve a lavratura do auto de infração do ágio, o que acarretou o indeferimento das compensações efetuada (os despachos decisórios são datados de 2007). Assim, demonstrase a fragilidade do argumento da DRJ, que não enfrenta o mérito da questão. Resta provado, por conseqüência, que não houve motivo, dentre aqueles previsto pelo CTN, para uma revisão do lançamento que aumente o valor total dos supostos débitos da contribuinte. Além disso, o artigo 146 não permite a aplicação retroativa de critérios jurídicos que levem a um aumento de exigência fiscal. Ao assim proceder, a DRF/Recife violou a legislação de regência. Tal situação, leva à necessidade da anulação de todos os Despachos Decisórios recebidos pela contribuinte, para que em todos ocorra a homologação das compensações realizadas. VII Conclusão Ante todo o exposto, o Despacho Decisório proferido pela DRF/Recife deve ser reformado, homologandose integralmente as compensações realizadas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 165 17 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Preliminarmente, tem cabimento examinar a alegação da Recorrente de que há nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e os presentes autos. O instituto da conexão está originalmente previsto no Código de Processo Civil, que prevê: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Há conexão pelo objeto quando existe identidade de pedido mediato, ou seja, afirmação de um direito, que é o bem da vida pleiteado em dois ou mais processos. O objeto é o pedido, a pretensão material deduzida pelo sujeito passivo. Por outro lado, são conexos pela causa de pedir, dois ou mais processos, quando lhes são comuns os fundamentos de fato e de direito. A causa de pedir constitui premissa para o correto entendimento do pedido e deve estar com ela correlacionada em circunstância de causa e efeito. Surge portanto a necessidade da narração dos fatos e da fundamentação jurídica das situações que ocorreram em determinado período de tempo causando determinadas consequências jurídicas e que foram projetados para o processo. Sobre a matéria, o Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, prevê: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos acrescentados) Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 166 18 Consultando o eprocesso, temse que contra a Tim Nordeste S/A foram formalizados, no processo nº19647.009690/200699, os Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, fls. 424463 (numeração daquele processo), referentes aos anoscalendário de 2001 a 2004, que se encontram pendentes de julgamento na 2ª TO/4ª Câmara/1ª Sejul/CARF1. Ressaltese que a referida pessoa jurídica é decorrente da incorporação da Telasa Celular S/A, da Teleceará Celular S/A, da Telern Celular S/A, da Telepisa Celular S/A, da Telpa Celular S/A e da Telpe Celular S/A, de acordo com o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 482538 (numeração daquele processo). Ainda, naquele processo em que foram apuradas infrações consolidadas e acompanhadas com demonstrativos referentes a cada pessoa jurídica incorporada, também foram analisados todos os fatos que as circunstanciam, inclusive os créditos utilizados para extinção de débitos mediante Per/DComp da Telepisa Celular S/A, em conformidade com as Tabelas abaixo. Tabela 1 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo do IRPJ Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [AnoCalendário 2001] Jan 786.291,52 335.741,71 22.481,46 1.144.514,69 Fev 191.119,93 335.741,71 22.481,46 907.566,27 Mar (178.575,67) 335.741,71 22.481,46 896.093,84 Abr (165.474,45) 335.741,71 22.481,46 1.267.418,23 Mai (73.922,84) 335.741,71 22.481,46 1.717.193,01 Jun 4.261.866,50 335.741,71 22.481,46 6.411.205,52 Jul 4.857.980,09 335.741,71 22.481,46 7.365.542,28 Ago 5.580.128,09 335.741,71 22.481,46 8.445.913,45 Set 7.007.956,00 335.741,71 22.481,46 10.231.964,53 Out 7.367.257,71 335.741,71 22.481,46 10.949.489,41 Nov 7.837.703,15 335.741,71 22.481,46 11.778.158,02 Dez 8.112.338,49 335.741,71 22.481,46 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 1 Disponível em:<http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProces suais.jsf>. Acesso em: 21 afo. 2014. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 167 19 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Dez 12.377.422,05 335.741,71 269.777,51 16.676.100,08 [AnoCalendário 2003] Jan 1.232,501,24 335.741,71 22.481,46 1.590.724,41 Fev 2.225.713,41 335.741,71 22.481,46 2.942.159,75 Mar 3.643,483,71 335.741,71 22.481,46 4.718.153,22 Abr 4.468.895,52 335.741,71 22.481,46 5.901.788,20 Mai 5.465.943,78 335.741,71 22.481,46 7.257.059,63 Jun 6.250.062,16 335.741,71 22.481,46 8.399.401,18 Jul 7.862.905,69 335.741,71 22.481,46 10.370.463,88 Ago 8.468.686,75 335.741,71 22.481,46 11.334.472,11 Set 9.851.955,08 335.741,71 22.481,46 13.075.963,61 Out 11.583.674,57 335.741,71 22.481,46 15.165.906,27 Nov 15.933,181,74 335.741,71 22.481,46 19.873.636,61 Dez 13.183.531,88 335.741,71 22.481,46 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 972974 (eprocesso) Tabela 2 Demonstrativo do IRPJ e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do IRPJ – Lucro Real Apurado [A] IRPJ Devido [B] [IRPJ Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 284.128,67 204.524,82 39.801,93 Fev 907.566,27 (61.237,10) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (66.105,21) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 24.725,88 0,00 12.362,94 Mai 1.717.193,01 110.443,70 0,00 55.221,85 Jun 6.411.205,52 1.171.503,13 882.664,00 144.419,57 Jul 7.365.542,28 236.584,19 152.648,76 41.967,72 Ago 8.445.913,45 268.092,80 184.157,36 41.967,72 Set 10.231.964,53 444.512,76 397.518,30 23.497,23 Out 10.949.489,41 177.381,22 93.445,79 41.967,72 Nov 11.778.158,02 205.167,15 121.231,72 41.967,72 Dez 12.411.016,52 156.214,63 72.210,24 42.002,20 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 216.388,79 216.388,79 0,00 Fev 2.431.985,09 188.603,43 188.603,43 0,00 Mar 4.426.633,17 373.530,32 373.530,32 0,00 Abr 6.422.880,33 344.420,46 344.420,46 0,00 Mai 7.558.411,55 167.101,96 167.101,96 0,00 Jun 8.835.800,72 52.372,61 52.372,61 0,00 Jul 9.421.279,16 56.492,06 56.492,06 0,00 Ago 10.975.053,49 192.506,71 192.506,71 0,00 Set 13.397.733,78 358.272,43 358.272,43 0,00 Out 15.232.055,22 312.504,31 312.504,31 0,00 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 168 20 Nov 17.398.480,95 317.084,92 317.084,92 0,00 Dez 16.676.100,08 0,00 0,00 0,00 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 261.919,05 (261.919,05) 0,00 Fev 2.942.159,75 245.837,00 245.837,00 0,00 Mar 4.718.153,22 251.508,73 251.508,73 0,00 Abr 5.901.788,20 236.002,13 209.689,47 17.156,33 Mai 7.257.059,63 241.400,21 (44.744,88) 98.327,67 Jun 8.399.401,18 85.299,68 0,00 42.649,84 Jul 10.370.463,88 258.707,57 0,00 129.353,79 Ago 11.334.472,11 216.958,14 (5.425,48) 105.766,33 Set 13.075.963,61 289.086,21 (97.716,79) 95.684,71 Out 15.165.906,27 383.621,88 0,00 191.810,94 Nov 19.873.636,61 623.326,70 (245.124;,60) 189.101,05 Dez 17.482.209,92 (675.468,67) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 3 Demonstrativo do Saldo a Pagar de IRPJ Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 IRPJ Devido 3.078.754,13 4.145.025,02 4.346.552,48 () Incentivos Ficais (0,00) (1.838.659,44) (1.928.353,85) () IRRF (0,00) (52.745,51) (168.659,61) () IRPJ Determinado sobre a Base de Cálculo Estimada (1.506.106,02) (2.579.278,00) (1.361.966,00) (=) IRPJ a Pagar Calculado de Ofício 1.572.648,11 (325.657,93) 887.573,02 IRPJ Declarado (DCTF) 0,00 0,00 0,00 IRPJ a Restituir Glosado (67.375,42) (2.303.180,35) (899.434,37) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10041010 (eprocesso) Tabela 4 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Saldo Negativo 19542.92958.221203.1.3.023306 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 23436.76063.221203.1.7.023999 Compensação Admitida Totalmente Saldo Negativo 18426.59977.261203.1.3.029710 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$14.506,65 [AnoCalendário 2003] 17015.64529.251104.1.3.026930 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 06862.83890. 151204.1.3.028699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 169 21 Tabela 5 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a IRPJ Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de IRPJ Determinado Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 21225.67935.291203.1.3.047407 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$67.046,91 Janeiro 32706.28238.150104.1.3.040130 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 32208.16963.150104.1.3.048068 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$166.356,90 20526.53890.150104.1.3.040956 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$12.825,71 25933.61227.290104.1.3.042601 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 11479.90392.130204.1.3.040761 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 30792.09958.130204.1.3.049400 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$29.710,44 Abril 37661.02703.250204.1.3.045331 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40686.21854.250204.1.3.04 2061 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96) Maio 08799.47925.120304.1.3.049770 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Junho 19229.48833. 120304.1.3.046328 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$83.632,96 Julho 01020.51908.120304.1.3.049703 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Agosto 35683.30933.120304.1.3.048676 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$234.310,91 32497.99089.120304.1.3.041202 Compensação Admitida Totalmente Setembro 03378.18349.140404.1.3.042791 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$148.899,04 34345.60137.140404.1.3.046200 Compensação Admitida Totalmente Outubro 26001.93432.111104.1.3.040208 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$147.434,15 Novembro 02424.80411.111104.1.3.042461 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$10.785,31 [AnoCalendário 2003] Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 170 22 05649.33488.300104.1.3.049906 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$73.339,12 Janeiro 22301.19695.300104.1.3.042420 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 32105.03389.300104.1.3.040477 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$103.647,82 Fevereiro 01316.48575.300104.1.3.048740 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 13938.02879.300104.1.3.04 6325 Compensação Admitida Parcialmente Valor Glosado R$28.046,84 Março 35705.65852.300104.1.3.046240 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 40787.06362.300104.1.3.045692 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 21453. 03816.151204.1.3.040941 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10161061 (eprocesso) Tabela 6 Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo da CSLL Valor Declarado pelo Contribuinte no Lalur [R$] Infrações Apuradas [Antes da] Base de Cálculo [R$] Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo da CSLL Lucro Real Falta de Adição de Despesa Não Dedutível no Mês (Ágio Amortizável) Exclusão Indevida no Mês Lalur Base de Cálculo do CSLL Apurada [AnoCalendário 2001] Jan 788.991,48 335.741,71 19.781,50 1.144.514,69 Fev 196.519,85 335.741,71 19.781,50 907.566,27 Mar (170.475,79) 335.741,71 19.781,50 896.093,84 Abr (154.674,61) 335.741,71 19.781,50 1.267.418,23 Mai (60.423,04) 335.741,71 19.781,50 1.717.193,01 Jun 4.278.066,26 335.741,71 19.781,50 6.411.205,52 Jul 4.876.879,81 335.741,71 19.781,50 7.365.542,28 Ago 5.601.727,77 335.741,71 19.781,50 8.445.913,45 Set 7.032.255,64 335.741,71 19.781,50 10.231.964,53 Out 7.394.257,31 335.741,71 19.781,50 10.949.489,41 Nov 7.867.402;71 335.741,71 19.781,50 11.778.158,02 Dez 8144.738,05 335.741,71 19.781,50 12.411.016,52 [AnoCalendário 2002] Jan 955.208,37 335.741,71 0,00 1.290.950,08 Fev 1.760.501,67 335.741,71 0,00 2.431.985,09 Mar 3.419.408,04 335.741,71 0,00 4.426.633,17 Abr 5.079.913,49 335.741,71 0,00 6.422.880,33 Mai 5.879.703,00 335.741,71 0,00 7.558.411,55 Jun 6.821.350,46 335.741,71 0,00 8.835.800,72 Jul 7.071,087,19 335.741,71 0,00 9.421.279,16 Ago 8.289.119,81 335.741,71 0,00 10.975.053,49 Set 10.376.058,39 335.741,71 0,00 13.397.733,78 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 171 23 Out 11.874,638,12 335.741,71 0,00 15.232.055,22 Nov 13.705.322,14 335.741,71 0,00 17.398.480,95 Dez 12.409.821,61 335.741,71 237.377,95 16.676.100,08 [AnoCalendário 2003] Jan 1.235.201,20 335.741,71 19.781,50 1.590.724,41 Fev 2.231.113,33 335.741,71 19.781,50 2.942.159,75 Mar 3.651.583,59 335.741,71 19.781,50 4.718.153,22 Abr 4.479.695,36 335.741,71 19.781,50 5.901.788,20 Mai 5.479.443,58 335.741,71 19.781,50 7.257.059,63 Jun 6.266.261,92 335.741,71 19.781,50 8.399.401,18 Jul 7.881.805,41 335.741,71 19.781,50 10.370.463,88 Ago 8.490.266,43 335.741,71 19.781,50 11.334.472,11 Set 9.876.254,72 335.741,71 19.781,50 13.075.963,61 Out 11,610.674,17 335.741,71 19.781,50 15.165.906,27 Nov 15.962.881,30 335.741,71 19.781,50 19.873.636,61 Dez 13.215.931,40 335.741,71 19.781,50 17.482.209,92 Notas : Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10811083 (eprocesso) Tabela 7 Demonstrativo da CSLL e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal Valores Apurados pelo Fisco [R$] Mês Base de Cálculo do CSLL Apurada [A] CSLL Devida [B] [CSLL Estimativa Declarado pela Contribuinte Considerada De Ofício] [C] Multa Por Não Recolhimento da Estimativa [D=(BC)*50%] [AnoCalendário 2001] Jan 1.144.514,69 103.006,32 74.348,94 14.328,69 Fev 907.566,27 (21.325,36) 0,00 0,00 Mar 896.093,84 (22.357,87) 0,00 0,00 Abr 1.267.418,23 11 .061,32 0,00 5.530,66 Mai 1.717.193,01 11.061,32 0,00 20.239,87 Jun 6.411.205,52 422.461,13 29.817,77 196.321,68 Jul 7.365.542,28 85.89031 55.673,56 15.108,38 Ago 8.445.913,45 97.233,40 34.296,34 31.468,53 Set 10.231.964,53 160.744,60 13.171,44 73.786,58 Out 10.949.489,41 64.577,21 0,00 32.288,62 Nov 11.778.158,02 74.580,17 30.627,27 21.976,45 Dez 12.411.016,52 56.957,37 26.565,50 15.195,89 [AnoCalendário 2002] Jan 1.290.950,08 116.185,51 85.968,75 15.108,38 Fev 2.431.985,09 102.693,15 72.312,84 15.190,16 Mar 4.426.633,17 179.518,33 148 .972,46 15.272,94 Abr 6.422.880,33 179.662,34 148.987,96 15.337,14 Mai 7.558.411,55 102.197,81 83 936,69 9.130,56 Jun 8.835.800,72 114.965,02 83.888,50 15.538,26 Jul 9.421.279,16 52.693,06 21.199,14 15.746,96 Ago 10.975.053,49 139.839,69 113.575,10 13.132,30 Set 13.397.733,78 218.041,23 186.332,70 15.854,27 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 172 24 Out 15.232.055,22 165.088,93 132.745,29 16.171,82 Nov 17.398.480,95 194.978,32 162.383,99 16.297,17 Dez 16.676.100,08 (65.014,28) 0,00 0,00 [AnoCalendário 2003] Jan 1.590.724,41 143.165,20 112875,80 15.144,70 Fev 2.942.159,75 121.629,18 91.359,77 15.131,71 Mar 4.718.153,22 159.839,41 129.378,77 15.330,32 Abr 5.901.788,20 106.527,15 76.251,25 15.137,95 Mai 7.257.059,63 121.974,43 0,00 60.987,22 Jun 8.399.401,18 102.810,74 0,00 51.405,37 Jul 10.370.463,88 102.810,74 0,00 88.698,00 Ago 11.334.472,11 86.760,38 0,00 13.380,19 Set 13.075.963,61 156.734,23 0,00 15.998,55 Out 15.165.906,27 188.094,84 0,00 94.047,42 Nov 19.873.636,61 423.695,73 0,00 198.000,51 Dez 17.482.209,92 (215,228,40) 0,00 0,00 Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 8 Demonstrativo do Saldo a Pagar de CSLL Descrição AnoCalendário 2001 AnoCalendário 2002 AnoCalendário 2003 CSLL Devida 1.116.991,49 1.500.849,01 1.573.398,89 () Incentivos Ficais (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Retida na Fonte (0,00) 0,00 0,00 () CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada (264.500,82) (1.240.303,42) (562.297,45) (=) CSLL a Pagar Calculada de Ofício 852.490,67 260.545,59 1.011.101,44 CSLL Declarada (DCTF) 0,00 0,00 0,00 CSLL a Restituir Glosado (23.188,08) (124.384,28) (247.225,49) Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10851091 (eprocesso) Tabela 9 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2001] Saldo Negativo 29766.65071 .201203.1.3.037904 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2002] 26783.96027.201203.1.3.039636 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Saldo Negativo 01638.29859.201203.1.3.030593 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Saldo Negativo 02451 .41354.151204.1.3.034073 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10931121 (eprocesso) Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 173 25 Tabela 10 Demonstrativo de Compensações de Crédito Relativo a CSLL Passível de Restituição com Débitos Próprios Origem do Crédito Pagamento a Maior de CSLL Determinada Sobre a Base de Cálculo Estimada Nº do Per/DComp Resultado [AnoCalendário 2002] 37900.64064.300104.1.3.045466 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Maio 08532.74624.300104.1.3.043556 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito [AnoCalendário 2003] Janeiro 41857.05167.300104.1.3.040699 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Fevereiro 37551.63064.300104.1.3.040887 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Março 37992.53567.30010.1.1.3.043087 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito 05501.34033.300104.1.3.040293 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Abril 05750.76066.151204.1.3046840 Compensação Não Admitida Insuficiência de Crédito Nota: Dados extraídos do processo 19647.009690/200699, fls. 10921121 (eprocesso) Caracterizado está o nexo de causalidade entre o processo nº 19647.009690/200699 de formalização dos Autos de Infração de IRPJ e de CSLL dos anos calendário de 2001 a 2004 e o presente processo conexo. Superada essa preliminar, tem cabimento examinar o argumento da Recorrente no sentido de que tem aplicação ao presente caso o enunciado da Súmula CARF nº 84. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 174 26 submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 175 27 caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência5. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, desde que comprovado erro, em conformidade com a Súmula CARF nº 84. Na decisão de primeira instância de julgamento afastou a possibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito e assim não foi analisada a efetiva existência do direito creditório pleiteado. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19726. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso7. Em assim sucedendo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e determinar o retorno dos autos à autoridade julgadora para apreciar o mérito do litígio e ainda para reconhecer a possibilidade de formação de 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 6 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19647.010760/200651 Acórdão n.º 1803002.331 S1TE03 Fl. 176 28 indébito de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2362, no valor de R$133.338,68 recolhido em 31.03.2002, referente ao período de apuração de fevereiro de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso8. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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