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Numero do processo: 18471.001678/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
IRPF. DECADÊNCIA.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
PROVAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR.
Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos pela polícia científica com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público dos EUA, onde consta o contribuinte como titular das remessas de numerário. Além do mais, não tendo o suplicante logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento.
MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PENALIDADE MANTIDA.
A falta de atendimento de reiteradas solicitações e intimações da auditoria fiscal enseja o agravamento da penalidade aplicada. Reiterados pedidos de dilação de prazo, sem que ao final dos prazos prorrogados sejam apresentados os esclarecimentos solicitados, não caracterizam atendimento de intimação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para incluir na planilha de APD o valor de R$ 110.000,00 em 07/02/2002, vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial para também excluir da planilha de dispêndios do APD as transferências ao exterior, além de reduzir o percentual da multa de ofício para 75% e o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Realizou sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 98.035.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Redator Designado.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: Carlos César Quadros Pierre
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DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. PROVAS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos pela polícia científica com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público dos EUA, onde consta o contribuinte como titular das remessas de numerário. Além do mais, não tendo o suplicante logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PENALIDADE MANTIDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 78 /2 00 5- 41 Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.143 2 A falta de atendimento de reiteradas solicitações e intimações da auditoria fiscal enseja o agravamento da penalidade aplicada. Reiterados pedidos de dilação de prazo, sem que ao final dos prazos prorrogados sejam apresentados os esclarecimentos solicitados, não caracterizam atendimento de intimação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para incluir na planilha de APD o valor de R$ 110.000,00 em 07/02/2002, vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial para também excluir da planilha de dispêndios do APD as transferências ao exterior, além de reduzir o percentual da multa de ofício para 75% e o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial em menor extensão. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Realizou sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 98.035. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Redator Designado. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/RJOII (Fls. 1084), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 107 a 115 e 720 dos anoscalendário 2000 a 2003 em virtude da apuração da seguinte infração: a) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.144 3 Termo de Verificação Fiscal e Demonstrativos de Variação Patrimonial de fls. 88 a 106. O enquadramento legal consta às fls. 109 e 115. Sobre o imposto apurado, no montante de R$ 329.818,62, foram aplicadas multas de 75%, 112,5% e juros de mora regulamentares, alcançando um total de R$ 855.379,68. Após cientificado do Auto de Infração em referência, em 22/11/05 (fl. 719), o interessado apresentou a impugnação de fls. 722 a 734, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) inicialmente afirma que sua impugnação é tempestiva e descreve em sua peça defensória o resumo do procedimento fiscal; 2) entende que o lançamento foi efetuado com total ausência de fundamentação legal. Durante a fiscalização afirmou desconhecer as operações de remessas ao exterior. Apesar do Fisco argumentar que os elementos de prova foram incontestes, o impugnante jamais teve acesso a tais documentos; 3) todavia, a Constituição Federal garante a todos os cidadãos a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes; 4) no intuito de corroborar os seus argumentos, cita várias decisões administrativas, bem como diversos entendimentos doutrinários; 5) caberia ao Fisco o ônus da prova e não apenas afirmar que o recorrente efetuou remessas de divisas ao exterior. O impugnante não pode fazer prova negativa da autoria. Para demonstrar a nulidade da fundamentação, o Fisco utilizouse do fato de ter constado o nome do recorrente na mídia e nos documentos que se prestaram para lavratura, como, também, "que não existe no banco de dados da Receita Federal qualquer outro nome com a mesma grafia"; 6) de acordo com as justificativas nos itens 24 a 27 de sua impugnação, os fundamentos da fiscalização estariam completamente equivocados; 7) nos documentos que embasaram o lançamento, não consta qualquer outro dado sobre o ordenante, como número do passaporte, da identidade, endereço ou qualquer um que coincida com os do impugnante; 8) a fiscalização poderia intimar o Citibank, solicitando os documentos das supostas remessas da conta n° 52145328, embora com certeza nenhum documento será enviado pelo banco, pois essas remessas nunca existiram; 9) houve o total desrespeito ao princípio da legalidade, devendo a exigência fiscal ser declarada nula; Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.145 4 10) alega a decadência dos meses de maio a outubro de 2000, tendo em vista que o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, conforme parágrafo 4o, do art. 150, do CTN; 11) quanto à remessa de divisas, nada pode dizer devido ao cerceamento de defesa pelo desconhecimento dos documentos que fundamentaram a exigência; 12) a planilha de apuração do acréscimo deve ser alterada da seguinte forma: 12.1 extraindo o valor de R$ 107.282,00 de junho de 2000, pois não se relaciona a qualquer outro fato do processo; 12.2 extraindo todo o valor originado do banco HSBC, tendo em vista que nunca possuiu conta neste banco; 12.3 seja extraída a glosa do empréstimo de R$ 110.000,00, recebido de Romeu Cortes Domingues, utilizado em 07/02/02, como parte do pagamento pela compra do imóvel da Estrada Almeida Mário Mendonça, 1050, Petrópolis, RJ, pois o número do cheque consta na escritura de compra e venda. Com os documentos, em anexo, restou comprovada a coincidência de número, valor, e que foi emitido em favor do vendedor, por conta e ordem mutuante, informado na DIRPF; 12.4 há que ser extraído o valor de R$ 40.000,00 utilizado, em 07/02/02, para pagamento do restante do preço de compra do referido imóvel, constante da escritura, sacado da conta conjunta com sua esposa no banco Real, protestando pela juntada posterior da respectiva prova, pois ainda não recebeu do banco a sua cópia reprográfica. 13) descabe o agravamento da multa de ofício para 112,5%, haja vista que após as respostas à primeira e segunda intimações, face a fiscalização não aceitar a afirmação do contribuinte de que desconhecia as remessas, nada mais o recorrente poderia responder, pois como já havia negado a autoria dos fatos, não poderia se manifestar sobre a sua aplicação; 14) entende que o Fisco queria a sua confissão de que as planilhas correspondiam à verdade dos fatos. Portanto, descabe o agravamento da multa, pois não se pode obrigar alguém a confessar algo que não praticou e ainda que tivesse praticado, ninguém pode ser punido por não efetuar prova contra si. Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/RJOII entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: NULIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.146 5 nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I) CITAÇÕES DOUTRINÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações mediante juízos subjetivos, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis declarados, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ILEGITIMIDADE PASSIVA NEGADA. REMESSAS DE RECURSOS EFETUADAS AO EXTERIOR. PROVAS CONSTANTES DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS ENVIADOS LEGALMENTE PARA O BRASIL. Os dados constantes de arquivos magnéticos e documentos, legalmente enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, periciados e objeto de laudo conclusivo pela Polícia Federal e fielmente reproduzidos no processo, constituemse em elementos de prova incontestes de que o sujeito passivo efetuou remessas de recursos, ao exterior. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.147 6 MULTA AGRAVADA. É cabível a aplicação da multa agravada em respeito ao art. 44, § 2o, da Lei n° 9.430/96.. Cientificado em 24/10/2008 (Fls. 1104), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/11/2008 (fls. 1106 a 1123), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conforme se verifica nos autos, o litígio se refere a acréscimo patrimonial a descoberto, caracterizada pelas transferências de recursos no exterior, nos anos de 2000, 2001, e pela compra de um imóvel no ano calendário de 2002. O Recorrente preliminarmente a decadência de parte do lançamento (janeiro a outubro de 2000), que não possuí constas bancárias no exterior, que nunca movimentou tais valores, e que o pagamento do imóvel se deu com empréstimo e com dinheiro de sus esposa, e que não há motivos para aplicação do agravamento da multa. Quanto a apuração do Imposto em 31 de dezembro de 2000, e não de forma mensal, cumpre esclarecer que, no lançamento, os valores relativos a dispêndios e origens foram apurados mensalmente, com a definição do fato gerador em 31 de dezembro de cada ano base. Tal procedimento é acatado amplamente pelo CARF, conforme se verifica na Súmula CARF n 38, de aplicação obrigatória por este Conselheiro, que, embora trate de depósitos bancários de origens não comprovadas, define a data do fato gerador do IRPF; in verbis: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, incabível acatar a tese da Recorrente que pretende contar o prazo decadencial, no caso, mensalmente. Dentro deste parâmetro, cabe analisar a decadência relativa ao ano calendário 2000; portanto, com fato gerador em 31/12/2000. O IRPF obedece ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.148 7 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.149 8 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do IRPF deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, o lançamento relativo ao ano calendário de 2000 poderia ser realizado até 31 de dezembro de 2005. Tendo sido cientificado o contribuinte em 22 de novembro de 2005, o foi dentro do período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, não encontravase decaído o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.150 9 Razão pela qual entendo ultrapassada a preliminar argüida. Passo a análise do mérito. Alega o Recorrente a ilegitimidade passiva com referencia as transferências de valores no exterior nas seguintes datas e valores: 17.11.2000 US$ 65.000,00 16.01.2001 US$ 50.000,00 25.07.2000 US$ 50.000,00 22.05.2000 US$ 40.000,00 17.08.2000 US$ 60.000,00 28.07.2000 US$ 10.000,00 03.10.2000 US$ 50.000,00 04.05.2001 US$ 40.000,00 06.09.2000 US$ 30.000,00 Segundo o Recorrente tais valores deveriam ser excluídos da planilha do APD, posto que o mesmo nunca possuiu contas no exterior, nem mesmo realizou tais transferências de valores. O Código Tributário Nacional CTN, ao tratar do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, estabelece: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, (g.n.) I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1° A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001) § 2° Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.151 10 condição ao possuidor, a qualquer titulo, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A questão do acréscimo patrimonial está regulamentada nos artigos 55, inciso XIII, 806 e 807 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n.° 3.000/1999: Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei n 7.713, de 1988, art. 3°, § 4°, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 24, § 2° inciso IV, e 70, § 3°, inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. (Lei n° 4.069/1962, art. 51, § 1o) Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte, (g.n.) A leitura dos dispositivos legais acima é suficiente para a conclusão que os dispêndios dos contribuintes devem ser amparados nos rendimentos declarados, sob pena de serem considerados acréscimos patrimoniais à descoberto, sujeitos à incidência do IRPF. Contudo, entendo que cabe a fiscalização, em primeiro lugar, comprovar a realização dos dispêndios apontados na planilha do APD. Neste ponto, faço minhas as palavras da Conselheira Nubia Matos Moura, proferidas em processo semelhante a este em tela. Para o estudo da questão, vale destacar que o art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972, abaixo transcrito, estabelece que a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Art. 9.°. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.152 11 formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pelo art. 1 °da Lei n.°8.748/1993) Devese, ainda, observar que o direito probatório brasileiro consagra a possibilidade de uso da prova indiciária. Entretanto, no caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar a inequívoca conduta ilícita do contribuinte. Se do cruzamento dos elementos de prova coletados não resultar como possível apenas aquele resultado afirmado pelo agente fiscal, sem vigor restará o cenário construído, o que, via de regra, demanda aprofundamento da investigação. No Acórdão Recorrido o relator afirma que não resta dúvida de que o Recorrente fez as remessas de recursos para o exterior, dada a coincidência do nome completo e do endereço do mesmo. Entretanto, do exame dos documentos que compõe o processo verificase que o nome do Recorrente somente é mencionado na Representação Fiscal, e na relação das operações, documentos estes elaborados pela Equipe Especial de Fiscalização, constituída pela Portaria SRF n° 463/04 Ora, tal Representação e seu anexo (relação das operações), em que pese ter sido elaborada por Equipe Especial de Fiscalização, constituída por Portaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não é prova suficiente de que o Recorrente de fato tenha realizado a operação ali indicada. Sabese que as informações constantes da referida relação elaborada pela Equipe Especial de Fiscalização foram extraídas das planilhas eletrônicas recebidas das autoridades americanas, nas quais constam os movimentos a débito e a crédito das contas e subcontas da Beacon Hill Service Corporation. Temse, portanto, como certo que o nome do Recorrente foi de fato mencionado como ordenante da remessa de recurso ao exterior, nos documentos que se encontram transcritos nas planilhas eletrônicas encaminhadas ao governo brasileiro pelas autoridades americanas. É certo, ainda, que nas mencionadas planilhas eletrônicas o nome do Recorrente vinha acompanhado de endereço, que coincide com o indicado em suas Declarações de Ajuste Anual, de modo que são fortes os indícios de o Recorrente ter realizado a remessa de recurso indicada no Auto de Infração. No entanto, tais fatos são apenas indiciários. Não se pode descartar a possibilidade de uso indevido do nome do contribuinte. Vale ressaltar que não foram acostados aos autos documentos assinados pelo Recorrente ou mesmo fornecidos por instituições financeiras brasileiras ou americanas, os quais indicassem o Recorrente como ordenante de recursos ao exterior. O nome do Recorrente aparece nas ordens de pagamentos por indicação dos titulares das contas e subcontas da Beacon Hill Service Corporation (doleiros). Tais informações não são inteiramente confiáveis, dado que os doleiros poderiam, na intenção de encobrir o verdadeiro titular dos recursos, mencionar um nome qualquer. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.153 12 Desta forma, temse que os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não são suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que o Recorrente realizou as remessas de recursos ao exterior, de modo que tais valores correspondentes à remessa de recursos ao exterior , devem ser excluídas do demonstrativo de variação patrimonial a descoberto. Destaquese, ainda, que exigir que o Recorrente trouxesse aos autos documentos que atestassem a impossibilidade de sua sujeição passiva equivale a exigir a apresentação de prova negativa, sendo certo que não se pode esquecer que o ônus da prova, quando da imputação de infração de omissão de rendimentos, é da autoridade fiscal. Ou seja, não é o caso de o contribuinte ter que provar que não fez a remessa de recursos para o exterior e sim de a autoridade fiscal demonstrar, de forma inequívoca, que a remessa foi realizada pelo contribuinte. E mais, ainda que se admitisse que o Recorrente efetivamente tivesse realizado as remessas de recursos ao exterior, estarseia diante da hipótese prevista na Súmula CARF n° 68, de aplicação obrigatória por este Conselheiro, abaixo transcrita: Súmula CARF n° 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Veja que a remessa de recursos ao exterior equivale a uma transferência bancária, de modo que sua inclusão em demonstrativo de apuração de acréscimo patrimonial somente poderia ser admitida, caso restasse comprovado nos autos a destinação dos recursos remetidos ao exterior. Ou seja, a autoridade fiscal teria ainda que demonstrar que tal remessa foi consumida em gastos, aquisições ou aplicações. Sem tal comprovação, a remessa de recursos ao exterior não pode compor planilha de apuração de acréscimo patrimonial. Nestes termos, voto por excluir da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto (APD), as seguintes remessas de recursos ao exterior: 17.11.2000 US$ 65.000,00 16.01.2001 US$ 50.000,00 25.07.2000 US$ 50.000,00 22.05.2000 US$ 40.000,00 17.08.2000 US$ 60.000,00 28.07.2000 US$ 10.000,00 03.10.2000 US$ 50.000,00 04.05.2001 US$ 40.000,00 06.09.2000 US$ 30.000,00 Neste ponto, esclareço que o valor de R$107.282,00, que o contribuinte alega não se relacionar a qualquer outro fato do processo, se refere ao somatório da remessa de Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.154 13 US$50.000,00 (R$89.454,00) em 25/07/00 e US$10.000,00 (R$17.828,00) em 28/07/00, fls 127 e 128. Tais valores, pelos motivos acima expostos, já foram excluídos da apuração do APD; não havendo mais que se falar em nova exclusão destes valores. Pede ainda o Recorrente que seja extraída a glosa do empréstimo de R$ 110.000,00, que teria recebido de Romeu Cortes Domingues e do valor de R$ 40.000,00, sacado da conta conjunta com sua esposa no banco Real, todos utilizados para pagamento do preço de compra do imóvel da Estrada Almeida Mário Mendonça, 1050, Petrópolis, RJ. A DRJ, por sua vez, assim se manifestou acerca desta alegação; in verbis: "Da mesma forma o interessado requer que seja extraída a glosa do empréstimo de RS 110.000,00, que teria recebido de Romeu Cortes Domingues, utilizado em 07/02/02, como parte do pagamento pela compra do imóvel da Estrada Almeida Mário Mendonça, 1050, Petrópolis, RJ, pois o número do cheque consta na escritura de compra e venda. Com os documentos, em anexo, restaria comprovada a coincidência de número, valor, e que foi emitido em favor do vendedor, por conta e ordem do mutuante, informado na DIRPF. Entretanto, no que diz respeito ao suposto empréstimo, importa ressaltar que o fato de contar na escritura, de fls. 736 e 737, o cheque em nome de Romeu Cortes Domingues, não tem o condão de comprovar que este tenha emprestado ao impugnante tal quantia. Sem que haja um contrato entre as partes, devidamente registrado, para que possa fazer prova perante terceiros, não há como concluir se tratar de um mútuo. O cheque administrativo de fl. 742 e a referida escritura comprovam que o Sr. Romeu Cortes Domingues foi quem efetivamente pagou parte do imóvel, porém não há como se inferir a que título ele realizou o mencionado pagamento. É imperativo destacar que não há nos autos qualquer contrato de mútuo entre o contribuinte em epígrafe e o Sr. Romeu Cortes Domingues. Além disso, ainda que o hipotético emprestimo restasse comprovado, também deveria ser considerado, para efeito de apuração do acréscimo patrimonial, o valor de liquidação do suposto empréstimo, haja vista que todo pagamento utilizado para liquidar um determinado mútuo, caracteriza um dispêndio na planilha de acréscimo patrimonial a descoberto. Sendo assim, o argumento do contribuinte não pode ser abarcado por esta instância de julgamento.(doc. pág. 1097 e 1098) Como se observa, a própria DRJ afirma que o valor de R$ 110.000,00, parte do valor do imóvel de R$150.000,00 que faz parte da planilha de dispêndios do APD, foi efetivamente pago através de um cheque administrativo do Sr. Romeu Cortes Domingues. Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.155 14 Ora, a escritura de compra e venda do imóvel informa que parte do pagamento, R$110.000,00, se dará com o referido cheque, foi comprovado que o pagamento realmente se deu com este cheque, e o Recorrente declarou, em tempo oportuno, a existência do débito referente a este empréstimo. Desta forma, entendo que resta sobejamente comprovado o empréstimo que deu suporte a esta parte do pagamento. Ademais, penso ainda que, se comprovado que o pagamento de R$110.000,00, foi efetivamente realizado pelo Sr. Romeu Cortes Domingues,não haveria como incluir este valor na planilha de dispêndios do Recorrente. Razões pelas quais entendo que o empréstimo de R$110.000,00 deve ser incluso na planilha do APD como recurso/origem. Quanto ao valor de R$40.000,00, que o Recorrente alega ter origem em conta conjunta com sua esposa no banco Real, entendo não ser possível acatar esta alegação. É que, como já afirmado pela DRJ, o Contribuinte não comprova a sua alegação; in verbis: O sujeito passivo deseja que seja extraído o valor de R$ 40.000,00 utilizado, em 07/02/02, para pagamento do restante do preço de compra do referido imóvel, constante da escritura, sacado da conta conjunta com sua esposa no banco Real, protestando pela juntada posterior da respectiva prova, pois ainda não recebeu do banco a sua cópia reprográfica. Importa relembrar que o artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 dispõe que a prova documental será apresentada na impugnação. Dessa forma, restou caracterizado que o impugnante teve o prazo previsto em lei para juntar os seus elementos de prova. Apesar do que foi relatado acima, importa frisar que já decorreu um prazo superior a dois anos e seis meses,1 entre a impugnação e a data deste julgamento. Assim, verificase que o interessado já teve tempo suficiente para que pudesse trazer ao processo toda a documentação que julgasse essencial, sem que todavia tenha efetuado tal juntada. Cabe ressaltar que em respeito ao princípio da verdade material, caberiam ser analisados todos os documentos anexados aos autos pelo interessado. Inclusive o direito de petição é assegurado na Constituição Federal, cabendo ao impugnante anexar toda a documentação comprobatória que fosse do seu interesse. Ademais, é dever esclarecer que a fiscalização tratou de colocar na planilha de origens os valores declarados pela esposa do Recorrente. Deste modo, o fato do valor ter sido ou não sacado de uma conta corrente conjunta com a esposa do Recorrente somente confirma como aplicação de recursos o valor de Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.156 15 R$ 40.000,00, já inserido na planilha de fl. 98, como aquisição de bens e direitos, no mês de fevereiro, fazendo parte do montante de R$ 150.000,00 (R$ 110.000,00 + RS 40.000,00). Quanto à multa de ofício, observase que, na espécie, o agravamento da penalidade ao percentual de 112,5% não se coaduna com as disposições legais, porquanto, neste caso, a fiscalização já tinha conhecimento das informações que permitiam a autuação do contribuinte. Registrese que a jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associada a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o Fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. É evidente, portanto, que a não apresentação das origens dos recursos ou a falta de apresentação de justificativa hábeis e idôneas pela falta de declaração dos valores dispendidos não obstaram o procedimento fiscal, pelo contrário, tal conduta autorizou o lançamento de ofício. Ademais, quando da intimação referente ao ano base 2000, o contribuinte tratou de informar que não havia o que justificar, afora o que já havia justificado; mantendose, portanto, silente, quanto aos demais anos. Assim, no tocante à multa de ofício, não cabe ser exigida com o agravamento aplicado, devendo o percentual da penalidade ser reduzido de 112,5% para 75%. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da planilha de dispêndios do APD os valores de 17/11/2000 US$ 65.000,00, 16/01/2001 US$ 50.000,00, 25/07/2000 US$ 50.000,00, 22/05/2000 US$ 40.000,00, 17/08/2000 US$ 60.000,00, 28/07/2000 US$ 10.000,00, 03/10/2000 US$ 50.000,00, 04/05/2001 US$ 40.000,00, 06/09/2000 US$ 30.000,00, para incluir na planilha de recurso/origens do APD o valor de R$110.000,00 em 07/02/2002, e para reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator designado Não obstante o voto proferido pelo Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, peço vênia para discordar de seu entendimento, relativamente à exclusão das transferências ao exterior na planilha do APD, bem como ao desagravamento da multa de ofício. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.157 16 Em que pese procure o recorrente, sem sucesso digase, desqualificar as provas dos autos, penso que o tipo de operação praticada objetivava ocultar das autoridades fiscais brasileiras recursos no exterior e, dessa feita, a prova produzida pela fiscalização dificilmente seria obtida por meio de registros contábeis do contribuinte ou em documento por ele assinado. Ademais, a maioria dessas transações financeiras era efetuada por ordens verbais ou eletrônicas, portanto o convencimento probatório é formado por um conjunto de elementos que convergem no sentido de revelar a ocorrência de determinados fatos envolvendo certos agentes. Os documentos e/ou informações repassadas pela Polícia Federal, por ordem do juiz Sérgio Fernando Moro, da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR), identificando as remessas efetuadas pelo contribuinte por meio da mencionada subconta ELEVEN, mantida ou administrada por “Beacon Hill Service Corporation BHSC”, com os quais embasou o Laudo Pericial, fls. 130 a 140, foram fornecidas por instituições financeiras, a princípio, idôneas, de sorte que tais informações valem como verdadeiras, surtindo, pois, os efeitos jurídicos pretendidos no feito fiscal em apreço. Com efeito, o laudo identifica como material examinado o dossiê da conta analisada, contendo cópias reprográficas de documentos bancários e mídias computacionais apresentadas pela promotoria do Distrito de Nova Iorque abrangendo a movimentação financeira na conta Beacon Hill Service Corporation BHSC. Registrese, ainda, que o nome do recorrente relacionado nas mídias está acompanhado de endereço, que coincide com o indicado em suas Declarações de Ajuste Anual. Ademais, até prove em contrário, o contribuinte não possui homônimos, razão pela qual considerando todas as cautelas que cercam as operações dessa natureza, não há nenhum indício concreto que possa levar à conclusão de que alguém tivesse se enganado, consciente ou inconscientemente, quanto ao nome da contribuinte ou estivesse tentando encobrindo terceiros. Portanto, neste ponto, deve ser mantida a exigência na forma preconizada pela autoridade fiscal. Quanto ao agravamento da exigência, verificase que a autoridade fiscal aplicou a penalidade em razão do não atendimento das intimações, no prazo marcado, para prestar esclarecimentos e/ou apresentar documentos. In casu, entendo que a falta de atendimento de reiteradas solicitações e intimações da fiscalização enseja o agravamento da penalidade aplicada. Para demonstrar a conduta do recorrente nos autos, transcrevo trecho do Termo de Verificação Fiscal, fl. 93, que retrata bem a indiferença do contribuinte em atender a determinação da autoridade autuante: O contribuinte foi cientificado dos valores apurados por esta fiscalização, entretanto não apresenta qualquer prova, ou responde às intimações, ficando assim configurada a omissão de rendimentos, apurado conforme art. 55, inciso XII, 806 e 807 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, Decreto n° 3000/1999. (...) Cumpre ressaltar que as intimações foram enviadas para o endereço de residência do contribuinte, e recebidas, Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.001678/200541 Acórdão n.º 2201003.076 S2C2T1 Fl. 1.158 17 muitas destas, pela sua própria esposa, conforme Avisos de Recebimento anexados ao processo administrativo. (grifei) Pelo que se vê, o contribuinte, no momento em que se recusou a fornecer documentos que sabidamente detinha a guarda, proporcionou a mora na verificação da auditoria fiscal, além de maiores ônus à Administração Tributária. Não se pode perder de vista que reiterados pedidos de dilação de prazo, sem que ao final dos prazos prorrogados sejam apresentados os esclarecimentos solicitados, não caracterizam atendimento de intimação. Por fim, quanto às demais alegações suscitadas pelo contribuinte em seu apelo, acompanho integralmente o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, inclusive no que tange à inclusão do empréstimo de R$110.000,00 como recurso/origem na planilha do APD. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para incluir na planilha do APD como origem de recursos em 07/02/2002 o valor de R$ 110.000,00. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator designado Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 05/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 13974.000102/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF.
O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Esse entendimento por força regimental deve ser reproduzido no julgamento dos recursos.
FRETE. CUSTO DA MERCADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
Para fazer jus ao creditamento, a despesa com frete deve fazer parte do custo de aquisição da matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, devidamente comprovado com as notas fiscais e CTRC vinculados.
DUPLICIDADE DE GLOSAS.
Restando comprovado, por meio de diligência fiscal, que a autoridade fiscal procedeu glosas em duplicidade, a decisão de primeira instância deve ser reformada para o fim de sanar tais irregularidades.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a glosa em duplicidade do valor do frete, conforme apurado na diligência fiscal, e o direito a crédito nas aquisições de insumos realizadas de pessoas físicas.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 28/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. POSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Esse entendimento por força regimental deve ser reproduzido no julgamento dos recursos. FRETE. CUSTO DA MERCADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Para fazer jus ao creditamento, a despesa com frete deve fazer parte do custo de aquisição da matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, devidamente comprovado com as notas fiscais e CTRC vinculados. DUPLICIDADE DE GLOSAS. Restando comprovado, por meio de diligência fiscal, que a autoridade fiscal procedeu glosas em duplicidade, a decisão de primeira instância deve ser reformada para o fim de sanar tais irregularidades. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 01 02 /2 00 3- 11 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a glosa em duplicidade do valor do frete, conforme apurado na diligência fiscal, e o direito a crédito nas aquisições de insumos realizadas de pessoas físicas. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 28/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da Resolução nº 383000.625 de fls. 417422: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação de Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação apresentados pela contribuinte e autuados no presente processo. Inicialmente, a contribuinte apresentou, em 01/04/2003, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação em formulário às fls. 001/002, por meio dos quais requereu o reconhecimento do crédito no valor de R$ 87.618,49 e a compensação parcial do mesmo em débitos do estabelecimento no valor total de R$ 82.000,00. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em crédito presumido, com base na Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, referentes ao 2º trimestre de 2002. Posteriormente, em 27/07/2006, a contribuinte solicitou a alteração do valor do pedido de ressarcimento original para R$ 141.524,75, por meio de requerimento, de Pedido de Ressarcimento em formulário e de documentos anexos (fls. 003/047), alegando a necessidade de incluir valores integrantes da base de cálculo do crédito presumido e indicando os critérios utilizados. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville SC, que, em 17/03/2009, emitiu Despacho Decisório (fls. 155/159), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R$ 75.460,39 e homologou apenas em parte as compensações no limite do crédito reconhecido, em virtude da exclusão da base de cálculo do crédito presumido de valores de gastos com frete e de aquisições de pessoas físicas, da dedução do IPI devido na matriz no período e da escrituração Fl. 688DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13974.000102/200311 Acórdão n.º 3302003.109 S3C3T2 Fl. 3 3 de parte do crédito presumido em trimestre calendário posterior ao do pedido de ressarcimento. Cientificada do Despacho Decisório, em 24/03/2009 (fl. 167), a contribuinte ingressou, em 22/04/2009, com Pedido de Ressarcimento, por meio de requerimento em papel (fls. 168/171) e formulário (fl. 185), no qual peticiona pela homologação da parcela de R$ 59.524,75 do crédito presumido relativo ao 2º trimestre de 2002 e escriturado no 2º trimestre de 2006, e com a manifestação de inconformidade de fls. 240/249 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Alega terem sido excluídos em duplicidade os valores dos fretes prestados por pessoas físicas, conforme procura demonstrar. 2. Insurgese contra a exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos valores dos fretes, trazendo a lume que o art. 18 da IN SRF nº 69/2001, posteriormente revisto pela IN SRF nº 315/2003 e pela IN SRF nº 420/2004, estabelece que o valor do frete não será excluído do cálculo. Reforça afirmando que o frete compõe o custo de aquisição da matéria prima. 3. Discorda também da exclusão da base de cálculo dos valores das aquisições de pessoas físicas, pois a Lei nº 10.276/2001 referese ao “valor total das aquisições”e não somente àquelas em que o fornecedor é contribuinte de PIS/COFINS. Alega ainda que a alíquota do crédito presumido já foi elevada para 5,37% por meio da MP nº 948/1995 a fim de incluir as etapas do processo produtivo anteriores à última; assim, todas as aquisições de insumos devem ser computadas na base de cálculo do crédito presumido, independentemente de ser o fornecedor contribuinte ou não de PIS/COFINS. Traz decisões administrativas. 4. Afirma terse adequado à condição apresentada no Despacho Decisório para o reconhecimento da parcela complementar do crédito presumido somente no trimestrecalendário da sua escrituração por meio do novo Pedido de Ressarcimento formulado. Requer que o mesmo seja analisado em conjunto com a revisão do Despacho Decisório, por se tratar de crédito presumido do mesmo período. Conclui a referida manifestação de inconformidade requerendo a procedência do pedido para alterar o saldo do crédito do Despacho Decisório para R$ 106.173,35, homologar as compensações efetuadas, incluir na base de cálculo os valores de R$ 204.251,81 (aquisição de serviços de transporte) e R$ 134.359,25 (aquisição de matérias primas de pessoas físicas) e analisar o Pedido de Ressarcimento complementar do crédito presumido escriturado no 2º trimestre de 2006. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1ª instância nas situações expressamente previstas na legislação. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO 4 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS DE FRETE. O frete só será considerado como integrante do custo de aquisição de insumos (MP, PI e ME) com o fim de integrar a base de cálculo do crédito presumido se contratado pelo fornecedor e incluído no preço do produto ou se contratado pelo adquirente de terceiro pessoa jurídica (contribuinte do PIS/Pasep e Cofins), nesse último caso comprovado por Conhecimento de Transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Em petição de fls 294/297, a recorrente requer o cumprimento da decisão judicial, transitada em julgado, nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.72.01.0044689/SC, ajuizado em 08/11/2006, que determinou a imposição da taxa Selic aos valores requeridos nos Pedidos de Ressarcimento em dinheiro, apresentados pelo contribuinte, a título de crédito presumido do IPI, e não analisados em até 120 (cento e vinte) dias anteriores a impetração do Mandado de Segurança. Ato seguido, é prolatado o despacho decisório respectivo pelo INDEFERIMENTO do pedido formulado pelo contribuinte para aplicação da taxa Selic ao Pedido de Ressarcimento, objeto deste processo, vez que o crédito reconhecido foi utilizado na sua totalidade, para compensar parte dos débitos discriminados nas Declarações de Compensação apresentadas pelo interessado à Secretaria da Receita Federal. E apontando o direito a recurso, no prazo de 10 (dez) dias, conforme dispõe os artigos 56 a 65, da Lei 9.784/94, e encaminhando o expediente à ARF Mafra, para ciência do despacho decisório e do julgado da DRJ Ribeirão Preto. Discordando da decisão de primeira instância, o interessado apresentou recurso voluntário, onde preliminarmente requer o julgamento comum deste processo e o de nº 10920.001534/200971, pois este trata da extensão e validade do crédito buscado naquele outro, ou, sucessivamente, a aplicação da decisão deste naquele outro; por cautela, repisa os mesmos argumentos esgrimidos em primeira instância quanto às glosas em seu direito creditório; ao final, requer deferimento do recurso voluntário sub analisis, para sanar a duplicidade de glosas de aquisições de pessoas fisicas (que incluem fretes de pessoa física) e inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos fretes e aquisições de pessoas físicas. O voto proferido na referida Resolução, por unanimidade, foi no sentido de converter o julgamento em diligência para"...que a autoridade preparadora neste expediente verifique junto à escrituração fiscal da recorrente e em cotejo com os valores glosados pela auditoria fiscal, se, de fato, os fretes praticados por pessoas físicas constaram das glosas a título de fretes e das glosas a título de aquisições de pessoas físicas, consubstanciando duplicidade das glosas, elaborando Informação fiscal conclusiva a respeito da questão proposta." Fl. 690DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13974.000102/200311 Acórdão n.º 3302003.109 S3C3T2 Fl. 4 5 Em resposta a solicitação de diligência, a Receita Federal do Brasil (fls. 603 610) prestou as seguintes informações: Como consta nos Despachos Decisórios emitidos em 2009, os valores de crédito presumido de IPI referentes ao 2.° e ao 3.° trimestres de 2002 foram reduzidos em decorrência da alteração das Compras no mês com direito ao crédito e das Compras totais no mês, ambas em virtude de glosas nas despesas com frete e aquisições de pessoa física. À época, a auditoria extraiu os valores de frete das planilhas MAPA N° 02 CUSTOS DE PRODUÇÃO (fls. 26 e 29 dos processos n.° 13974.000.102/200311 e 13974.000.103/200365) protocoladas pelo contribuinte juntamente com os pedidos de ressarcimento. Quanto às aquisições de pessoas físicas, não havia informação disponível nos processos para análise, razão pela qual o contribuinte foi intimado em 28/10/2009 (Intimação n.° 678/2008, fls. 53/55 e 62/64) a apresentar "informações ... nas hipóteses de ... aquisições de produtos de pessoas físicas". Em resposta, o contribuinte trouxe as tabelas "ANEXO III PRODUTOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES DO PIS/PASEP E COFINS" (fls. 126 e 136/137). Vêse que as glosas foram baseadas em informações prestadas pelo próprio contribuinte à Fiscalização, que solicitou literalmente lista de aquisições de produtos e obteve resposta também literal quanto a produtos. Ciente das decisões, veio o interessado afirmar em manifestação de inconformidade que ambas as glosas tiveram a mesma origem, ou em duplicidade, mas sem trazer nenhum elemento que provasse sua alegação. Mesmo argumento foi posto nos recursos voluntários, ainda desacompanhado de qualquer documento probatório. Diante disso, baixado em diligência pelo órgão julgador, restou à autoridade preparadora inquirir o interessado a apresentar comprovantes das operações constantes naquelas tabelas, a fim de identificar a que se referiam. Em resposta, o contribuinte trouxe "todos os comprovantes originais das aquisições junto a pessoas físicas" (fls. 445/556 e 494/605) e "cópia das páginas do livro diário em que foram realizados os lançamentos contábeis " (fls. 557/602 e 606/651). A informação sobre fretes disponível no livro RAIPI e nos arquivos digitais LRE entregues pelo contribuinte em resposta ao item 1 da mesma Intimação n.° 678/2008 está consolidada abaixo: Despesa com Fretes abr/02 mai/02 jun/02 Total jul/02 ago/02 set/02 Total RE 53.234,32 52.758,44 42.112,74 148.105,50 65.445,17 60.703,59 49.473,11 175.621,87 RAIPI CFOP 1.62 39.352,81 39.194,33 29.247,63 50.929,35 56.836,24 35.474,77 143.240,36 107.794,77 CFOP 2.62 13.881,51 13.564,11 12.865,11 14.515,82 3.867,35 13.998,34 32.381,51 40.310,73 Total 53.234,32 52.758,44 42.112,74 65.445,17 60.703,59 49.473,11 175.621,87 148.105,50 Segundo as planilhas MAPA N° 02 e o recurso voluntário, a despesa com fretes utilizada no cálculo do crédito presumido era composta tanto por prestadores pessoas jurídicas como pessoas físicas, vejase: Despesa com Fretes abr/02 mai/02 jun/02 Total jul/02 ago/02 set/02 Total Mapa 2 75.295,44 63.070,51 65.885,86 204.251,81 88.548,57 62.050,58 61.540,79 212.139,94 Recurso Voluntári o P. Físicas 52.936,08 35.535,27 45.887,90 57.151,70 46.230,43 41.497,46 144.879,59 134.359,25 P.JurÍdicas 22.359,36 27.535,24 19.997,96 31.396,87 15.820,15 20.043,33 67.260,35 69.892,56 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO 6 Total 75.295,44 63.070,51 65.885,86 88.548,57 62.050,58 61.540,79 212.139,94 204.251,81 Considerando que os valores informados como de contratação de pessoas jurídicas são inferiores aos registrados no livro RAIPI, resta saber quanto à outra parcela se (a) são despesas de fretes (b) prestados por pessoas físicas. Para tanto, a análise voltase às tabelas ANEXO III, razão pela qual intimou se o interessado a apresentar os comprovantes daquelas operações, segundo os quais algumas daquelas despesas eram de compra de matériaprima junto a pessoas físicas, listadas abaixo: Data Documento CPF Fornecedor Valor 29/08/2002 6307 585.458.679.72 Silvio Farias 980,00 31/08/2002 6334 585.458.679.72 Silvio Farias 951,60 04/09/2002 6355 585.458.679.72 Silvio Farias 2.037,20 05/09/2002 6375 585.458.679.72 Silvio Farias 1.088,80 23/09/2002 6513 585.458.679.72 Silvio Farias 2.161,60 23/09/2002 6514 163.925.749.72 Ricardo Doege Junior 2.120,00 25/09/2002 6545 163.925.749.72 Ricardo Doege Junior 720,00 28/09/2002 6573 163.925.749.72 Ricardo Doege Junior 1.600,00 28/09/2002 6574 585.458.679.72 Silvio Farias 990,40 28/09/2002 6576 585.458.679.72 Silvio Farias 1.013,20 30/09/2002 6590 163.925.749.72 Ricardo Doege Junior 820,00 Desconsideradas estas operações, a priori, os totais mensais conferem com os valores alegados nos recursos voluntários como de fretes prestados por pessoas físicas, corroborados pelos comprovantes trazidos, não restando dúvidas quanto à duplicidade na glosa que o contribuinte alega. Ocorre que, baseada na simples análise dos documentos entregues, esta autoridade preparadora não pode se furtar de levantar fortes suspeitas sobre tais despesas pois há irregularidades em todos eles, sintetizadas abaixo: nenhum dos comprovantes está vinculado a uma nota fiscal de aquisição, há somente referências genéricas ao item transportado, quantidade, preço, local de carga e descarga; alguns documentos sequer mencionam o estabelecimento do contribuinte como destino da carga, mas sim outras localidades, portos de ParanaguáPR e ItajaíSC ou conhecidas empresas da região (Rigesa, Tafisa), indicando se tratar de frete na venda de produtos; a maioria dos documentos sequer está assinada pelo suposto prestador do serviço; alguns documentos contém assinatura, mas de pessoa diversa daquela descrita no recibo; apesar da obrigação de retenção na fonte de imposto de renda sobre pagamentos por pessoas jurídicas a pessoas físicas pela prestação de serviços de transporte (RIR/99, arts. 628 e 629) em valores superiores a R$ 1.058,00, conforme tabela progressiva de 2002, localizouse apenas um recibo em que efetuada a retenção, em nenhum outro consta, tampouco no livro diário há lançamento a respeito. As irregularidades verificadas em cada um dos recibos estão sintetizadas no Anexo a este Relatório, do qual é parte integrante. Conclusão Isto posto, concluise a presente diligência nos termos acima, certificandose que houve glosa em duplicidade nas aquisições de pessoa física e fretes, porém a documentação apresentada a comprovar estas despesas não é hábil e idônea. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13974.000102/200311 Acórdão n.º 3302003.109 S3C3T2 Fl. 5 7 Cientifiquese o contribuinte deste Relatório de Diligência, com prazo de 30 dias para manifestação. Após, retornese os autos ao CARF. Devidamente intimada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 431602) reiterando, em síntese, os argumentos apresentados em sede de recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator. O recurso voluntário é tempestivo e merece ser apreciado. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou recurso voluntário requerendo em sede preliminar o julgamento em conjunto com o processo administrativo de nº 10920.001534/200971, pois este trata da extensão e validade do crédito buscado naquele outro, ou, sucessivamente, a aplicação da decisão deste naquele outro; no mérito pleiteou o provimento do recurso para: (i) sanar a duplicidade de glosas de aquisições de pessoas físicas (que incluem fretes de pessoa física); e (ii) incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI os valores pagos a título de fretes e aquisições de pessoas físicas. Em resumo, são esses os pontos que devem ser analisados. 1. O pedido de reunião do processos julgamento em conjunto Não há dúvida que a decisão proferida neste processo, no qual se discute a exclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI relativos aos valores gastos com frete e de aquisições de pessoas físicas repercutirá no objeto do processo nº 10920.001534/200971. Neste ponto, transcrevo parte do voto de piso que esclarece a questão envolvendo a conexão dos processos: No caso em tela, as decisões da unidade de origem registradas no Despacho Decisório e no despacho ao pedido de revisão (fl.265) conformaram a seguinte situação processual para o crédito presumido originado no 2º trimestre de 2002: o valor originalmente apurado, escriturado no 3º dec04/2003, permaneceu sendo tratado no processo nº 13974.000102/200311; e a parcela complementar, decorrente da nova apuração e escriturada em 06/2006, deixou de ser tratada no processo nº 13974.000102/200311 e foi transferida pela Administração para o processo nº 10920.001534/200971, exatamente por ser referir a escrituração feita em outro trimestrecalendário e que a própria contribuinte, reconhecendo esse fato, incluiu em novo pedido de ressarcimento. Dito isso, concluise que o objeto que permanece para o presente processo é o pedido de ressarcimento da parcela do crédito presumido do 2º trimestre de 2002 escriturado no 3º decêndio de abril de 2003, no valor de R$ 101.037,28. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO 8 O Despacho Decisório exarado pela autoridade competente deferiu somente parte desse valor, no montante de R$ 75.460,39, em virtude de revisão efetuada no cálculo do crédito presumido, na qual excluiu parcelas da base de cálculo. Ocorre que essa revisão afetou todo o valor do crédito presumido requerido pela contribuinte e, portanto, produziu reflexos tanto no ressarcimento correspondente à parcela escriturada no 3º decêndio de abril de 2003, quanto no ressarcimento correspondente à parcela escriturada em junho de 2006. Ou seja, a apreciação dos argumentos da contribuinte em contestação à revisão do cálculo do presumido irá também produzir efeitos no processo referente ao valor escriturado em junho de 2006. Portanto, a decisão aqui prolatada sobre tais matérias deverá ser observada em futuras decisões aplicadas no processo nº 10920.001534/200971. Por todo o exposto, voto pelo conhecimento parcial da manifestação de inconformidade limitada no escopo aos pedidos referentes ao ressarcimento do crédito escriturado no 3º decêndio de abril de 2003, considerando que a mesma atende aos demais requisitos gerais de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Em decorrência, não será conhecido o pedido referente ao ressarcimento do crédito escriturado em junho de 2006, por se tratar de objeto do processo nº 10920.001534/200971. Todavia, não há como reunir este processo para julgamento conjunto com o processo nº 10920.001534/200971, pois encontramse em fases processuais totalmente distintas. Os autos nº 10920.001534/200971 já foi definitivamente julgado e, atualmente encontrase arquivado, conforme se verifica na pesquisa realizada junto ao sítio da Receita Federal do Brasil: Dados do Processo Número : 10920.001534/200971 Data de Protocolo : 23/04/2009 Documento de Origem : DRFJOISAORT Procedência : FEV1316 Assunto : RESSARCIMENTOIPI Nome do Interessado : MADEIREIRA EK LTDA CNPJ : 75.025.734/000124 Tipo: Digital Sistemas Profisc: Não EProcesso :Sim SIEF:Controlado pelo SIEF Localização Atual Órgão Origem : COORD GERAL ARRECADACAO COBRANCARFBMF Órgão : ARQUIVO DIGITAL ORGAOS CENTRAISRFBMF Movimentado em : 08/01/2014 Sequencia : 0010 RM : 10995 Situação : ARQUIVADO UF : DF Fl. 694DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13974.000102/200311 Acórdão n.º 3302003.109 S3C3T2 Fl. 6 9 Tal fato, inclusive, pode ser confirmado nos autos do processo administrativo nº 13974.000101/200376, envolvendo o mesmo contribuinte e matéria aqui discutida, onde restou consignado que o processo 10920.001534/200971 já foi definitivamente julgado e teve o direito creditório devidamente reconhecido, conforme se extrai do voto proferido pelo relator daquele processo Conselheiro Corintho Oliveira Machado, a saber: Em consulta ao sistema eprocesso da Administração Tributária, verificouse que o expediente nº 10920.001534/200971 encontra se arquivado, por lá ter a recorrente obtido compensação e restituição consoante Termo de ciência de efl.278, fl. 232 do processo papel. Deste modo, não há como acolher o pedido de reunião dos processos pleiteado pela Recorrente. 2. A glosa em duplicidade (fretes de pessoa física) Em sede de manifestação de inconformidade a Recorrente alegou haver duplicidade de glosas de aquisições de pessoas físicas (que incluem fretes de pessoa física), sendo que tal matéria mereceu o seguinte tratamento na decisão recorrida: Inocorrência de duplicidade nas exclusões da base de cálculo Afirma a contribuinte ter havido duplicidade na glosa de valores efetuada pela fiscalização, que teria considerado duplamente o valor dos fretes contratados de pessoas físicas: na glosa de valores de fretes e na glosa de valores de aquisições de pessoas físicas. No entanto, como será demonstrado, tal afirmação não procede. Por um lado, os valores de fretes e de aquisições são computados em itens de custo distintos, conforme pode ser observado à fl. 022 no demonstrativo de Custos de Produção elaborado pela contribuinte, onde se identifica claramente no item b) os subitens "Compras de Matérias Primas " e "Fretes s/Compras de MP/PI/ME". Por seu turno, os valores das aquisições de pessoas físicas são informados também pela própria contribuinte à fl. 119, onde estão relacionados os fornecedores pessoa física, que foram exatamente os valores utilizados na glosa pela fiscalização. Portanto, para que houvesse duplicidade, necessário seria que os valores apresentados pela contribuinte a título de aquisições de pessoas físicas se referissem a valores de serviço de frete, o que não é corroborado por nenhum elemento dos autos. O valor informado à fl. 119 respondeu ao questionamento do item 8 da Intimação 678/2008, que perquiriu especificamente acerca de "aquisições de produtos de pessoas físicas", portanto não faria sentido que a resposta se referisse a serviço de transporte. Ainda, a contribuinte não traz nenhum documento que comprove ou sequer dê indícios de que tenha havido a alegada confusão entre valores de insumos e de fretes, como, por exemplo, um documento fiscal emitido por qualquer dessas pessoas físicas a título de prestação de serviços de transporte. Outrossim, tal alegação de duplicidade é incompatível com o próprio cálculo efetuado pela contribuinte, que sempre considerou em parcelas distintas e independentes as aquisições de matérias primas e os fretes associados. Portanto, não procede a alegação de duplicidade nas glosas efetuadas pela fiscalização. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO 10 Já em sede recursal, a Recorrente apresentou quadros pormenorizados envolvendo "períodos", valores de "fretes" e "aquisições de pessoas fisicas", que teriam configurado duplicidade das referidas glosas e afirmando taxativamente que as aquisições de pessoas físicas, na verdade, referemse exclusivamente a serviços de transporte e não a aquisições de produtos. Diante de tais fatos, o processo foi convertido em diligência para esclarecer se, de fato, os fretes praticados por pessoas físicas constaram das glosas a título de fretes e das glosas a título de aquisições de pessoas físicas, consubstanciando, assim, duplicidade das glosas. No retorno da diligência, a autoridade fiscal apresentou informações nos seguintes termos: (...) Diante disso, baixado em diligência pelo órgão julgador, restou à autoridade preparadora inquirir o interessado a apresentar comprovantes das operações constantes naquelas tabelas, a fim de identificar a que se referiam. Em resposta, o contribuinte trouxe "todos os comprovantes originais das aquisições junto a pessoas físicas" (fls. 445/556 e 494/605) e "cópia das páginas do livro diário em que foram realizados os lançamentos contábeis " (fls. 557/602 e 606/651). A informação sobre fretes disponível no livro RAIPI e nos arquivos digitais LRE entregues pelo contribuinte em resposta ao item 1 da mesma Intimação n.° 678/2008 está consolidada abaixo: (...) Segundo as planilhas MAPA N° 02 e o recurso voluntário, a despesa com fretes utilizada no cálculo do crédito presumido era composta tanto por prestadores pessoas jurídicas como pessoas físicas, vejase: (...) Desconsideradas estas operações, a priori, os totais mensais conferem com os valores alegados nos recursos voluntários como de fretes prestados por pessoas físicas, corroborados pelos comprovantes trazidos, não restando dúvidas quanto à duplicidade na glosa que o contribuinte alega. Conclusão Isto posto, concluise a presente diligência nos termos acima, certificandose que houve glosa em duplicidade nas aquisições de pessoa física e fretes, porém a documentação apresentada a comprovar estas despesas não é hábil e idônea. Entretanto, independente da existência ou não de documentos que dão suporte aos lançamentos contábeis, fato é que a confissão da própria autoridade fiscal no sentido de haver duplicidade de glosas, é deveras suficiente para acolher o pedido da Recorrente. Com efeito, o equivoco cometido pela autoridade fiscal certamente não pode subsistir, posto que a manutenção da glosa em duplicidade reduzirá indevidamente o crédito buscado pela Recorrente, fato este que não encontra respaldo no ordenamento jurídico. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13974.000102/200311 Acórdão n.º 3302003.109 S3C3T2 Fl. 7 11 Desta forma, constatado a existência de duplicidade de glosas, a decisão de primeira instância deve ser reformada para o fim de sanar as irregularidades apuradas na diligência fiscal. 2. Insumos adquiridos de pessoa física Inicialmente, destacase que tanto o Despacho Decisório quanto a decisão proferida pela Delegacia Regional de Julgamento indeferiram o pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente, por ausência de previsão legal que conferisse direito ao Crédito Presumido do IPI relativo a aquisição de insumos de pessoas físicas. Não há questionamento sobre a ausência de comprovação da origem dos créditos pleiteados pela Recorrente, restringindo o direito de crédito unicamente porque os fornecedores são pessoas físicas. Quanto à análise do direito creditório propriamente dito, o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (REsp. nº 993.164/MG), recursos repetitivos, que consolidou jurisprudência em prol dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: EMENTA 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas Fl. 697DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO 12 complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade. [...] 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS.(grifei). Não obstante o presente processo trate de crédito presumido apurado pelo regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276, de 2001 e não da hipótese prevista na Lei nº 9.363, de 1996, o entendimento do STJ exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG é totalmente aplicado ao caso em comento, considerando que não há impedimento ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas na referida Lei nº 10.276, de 2001. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, §2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13974.000102/200311 Acórdão n.º 3302003.109 S3C3T2 Fl. 8 13 1. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n. 993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, §2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação.(grifei). 2. O tema da correção monetária dos créditos escriturais de IPI é matéria sumulada neste STJ (Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco") e já foi objeto de julgamento pela sistemática para recursos repetitivos prevista no artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. Nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 3. Consoante precedente julgado em sede de Recurso Representativo da Controvérsia (REsp. n. 1.138.206/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os pedidos protocolados antes de sua vigência. Sendo assim, o Fisco deve ser considerado em mora somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido. (STJ, REsp 1313043 / RS, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 02/10/2012, DJe 08/10/2012) Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o §2º, do artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos, a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste ponto, deve ser reconhecido o direito creditório da Recorrente. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO 14 3. Inclusão do frete no cálculo do crédito presumido No que se refere ao direito de creditamento decorrente do pagamento de frete a terceiros, entendo que a mera aquisição de prestação de serviço de transporte não se enquadra nas hipóteses de incidência, definidas no artigo 2º, da Lei nº 9.363/96, para fins de apuração do crédito presumido do IPI. Porquanto, não se trata de aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para serem utilizados no processo produtivo. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante aplicação de um percentual sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens. Para fazer jus ao crédito decorrente de custo com o pagamento de frete, seria necessário que tal custo compusesse o preço do insumo (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens). Portanto, se o valor do frete for arcado pelo adquirente, fica embutido no custo da mercadoria e faz parte da base de cálculo do benefício. Nesse caso, o frete estará destacado na Nota Fiscal ou o Conhecimento de Transporte estará vinculado única e exclusivamente à Nota Fiscal de aquisição. Contudo, se for custeado pelo fornecedor ou não foi vinculado ao insumo em questão, o frete não poderá entrar no cálculo do benefício, pois não se subsumirá aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou de material de embalagem. Em resumo, temos que o frete, quando não vinculados às notas fiscais, ou não cobrados ao adquirente diretamente pelo fornecedor, não integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI, conforme vasta jurisprudência deste Conselho Administrativo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 (...) CRÉDITO PRESUMIDO. FRETES. Os fretes não cobrados ou debitados nas notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem estão expressamente excluídos da apuração do crédito presumido por força do disposto no art. 3° da Lei n° 9.363/96. (CARF. 3a Seção de Julgamento. 4a Câmara / 3aTurma Ordinária. Processo n° 10920.002262/200170. Acórdão n° 3403001.577. Sessão de 26 de abril de 2012. Conselheiro Presidente e Relator Antônio Carlos Atulim) *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 (...) DESPESAS COM FRETES. Não compõem a base de cálculo do crédito presumido do IPI as despesas com fretes que caracterizam mera prestação de serviços. (...) " (CARF. 3a Seção de Julgamento. 2a Câmara / 2aTurma Ordinária. Processo n° 13971.000930/200389. Acórdão n° 3202 000.804. Sessão de 26 de junho de 2013. Conselheiro Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri) *** "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de Apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 (...) CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS ADQUIRIDOS. Compõe a base de cálculo do crédito Fl. 700DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 13974.000102/200311 Acórdão n.º 3302003.109 S3C3T2 Fl. 9 15 presumido de IPI o frete utilizado no fornecimento/aquisição de insumos utilizados na industrialização dos produtos, quando cobrado ao adquirente." (CARF. 3a Seção de Julgamento. 1a Câmara Acórdão n° 310101.190. Sessão de 18 de julho de 2012. Conselheiro Relator Luiz Roberto Domingo) No caso dos autos, a Recorrente não demonstrou a vinculação entre o frete pago e a mercadoria adquirida, mediante a juntada de documentação idônea e suficiente a comprovála. É o que se extrai da decisão piso: "A impugnante afirma simplesmente que "sendo o frete custo de aquisição de insumos, contabilizado inclusive na conta estoques e contido na nota fiscal, não poderá ser excluído". No entanto, não traz aos autos nenhum documento que comprove os custos registrados nos cálculos e os fretes efetivamente incorridos vinculados às aquisições realizadas no período. Ressaltase que os únicos anexos à manifestação de inconformidade são o instrumento de mandato, o contrato social, o comprovante de CNPJ e o pedido de ressarcimento complementar, conforme relação à fl. 249, não constando aí nenhum documento fiscal ou de conhecimento de transporte. Concluise, assim, que, a aquisição de serviços de transporte, isoladamente considerada e sem a manifesta vinculação com os insumos utilizados na industrialização, não é passível de integrar a base de cálculo do crédito em questão." (Sublinhado) Portanto, não há que se falar no aproveitamento de créditos oriundos de fretes não realizados nos termos da Lei n° 9.363/96, por total ausência de documentos comprobatórios. Ante o exposto, voto pelo parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a glosa em duplicidade, conforme apurado na diligência fiscal, e o direito a crédito nas aquisições de insumos realizados de pessoas físicas. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 701DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 11516.724153/2013-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 24 15 3/ 20 13 -8 5 Fl. 15605DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.605 2 O processo trata de Autos de Infração por meio dos quais estão sendo exigidas da impugnante, acima qualificada, as quantias de R$ 62.891.568,85 e R$ 13.654.081,16 a título de, respectivamente, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, não cumulativas, correspondentes a fatos geradores ocorridos em 01/01/2009 a 30/06/2009, 31/12/2006. A essas importâncias foram acrescidos multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora. Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL verificase que a infração consiste de CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. Do Relatório Fiscal A Autoridade Fiscal informa: a empresa SADIA S.A., CNPJ nº 20.730.099/000194, subsidiária integral da BRF Brasil Foods S.A., foi incorporada pela BRF S.A., nova denominação social da BRF – Brasil Foods S.A.; a incorporação foi oficializada pela Assembléia Geral Extraordinária da Sadia S.A. realizada em 31 de dezembro de 2012, registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 10/01/2013; na ata da assembléia consta que: “...foi aprovada a incorporação da Companhia pela BRF – Brasil Foods, com a sua consequente extinção de pleno direto, sendo sucedido a título universal, nos termos da lei, em todos os seus direitos e obrigações pela BRF – Brasil Foods S.A. Conclui que em virtude da incorporação caracterizase a responsabilidade tributária por sucessão, consoante art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional e que, no caso em tela, é aplicável a Súmula CARF nº 47. Relata, que os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fazem parte da verificação de ofício da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como dos PER/Dcomp apresentados pela contribuinte, no período entre 2006 e 2010, sendo que o presente processo referese à apuração de janeiro a junho de 2009. Nos autos de infração de que aqui se trata foram lançadas as contribuições declaradas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, que restaram inadimplidas em razão de glosas de créditos objeto de pedidos de ressarcimento, tratadas nos processos 10925.902580/201245, 10925.902581/201290, 10925.902582/201234, 10925.902583/201289. Tendo em vista que os pedidos de ressarcimento foram transmitidos na vigência da Lei nº 12.249/2010, foram lavrados os autos de infração para exigência de multa isolada correspondentes, tratados nos processos números 11516.724149/201317, 11516.724150/201341, 11516.724151/2013 96 e 11516.724152/201331. Cópias dos PER/DCOMP, Relatórios Fiscais e Despachos Decisórios proferidos nos autos dos processos 10925.902580/201245, 10925.902581/201290, 10925.902582/201234, 10925.902583/2012 89 foram inseridos nos autos do presente processo, às folhas 6668 a 6725, 6726 a 6840, 14325 a 14396 e 14397 a 14473. Sobre a análise dos créditos e dos débitos informados no período a Autoridade Fiscal informa que, tendo em vista as correções realizadas nas Fichas 6A e 6B (Contribuição para o PIS/Pasep ) e nas Fichas 16A e 16B (Cofins) dos Dacon de janeiro a junho de 2009, conforme Despachos Decisórios reproduzidos neste processo, alterou os valores da Ficha 15B Resumo Contribuição para o PIS/Pasep Regime Não Fl. 15606DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.606 3 Cumulativo e Ficha 25B Resumo Cofins Regime Não Cumulativo, alterando os valores dos créditos utilizados para desconto ajustandoos às glosas realizadas; os créditos disponíveis foram completamente consumidos no desconto dos débitos informados nas fichas 7A e 17A, restando saldo a pagar a ser lançado em auto de infração, tratado neste processo. Aquisições no mercado interno Conforme relatado nos mencionados Despachos Decisórios, juntados aos autos pela autoridade fiscal, a redução dos créditos a descontar se deu em razão da exclusão, da base de cálculo dos créditos, dos seguintes valores informados nas Fichas 06A e 16A do Dacon: 1. Linhas 02 Bens Utilizados como Insumos Foram glosados, por não se enquadrarem nas hipóteses de geração de crédito previstas na legislação de regência, qual seja, Leis n.o 10.637/2002 n.º 10.833/2003 e Instruções Normativas SRF n.o 247/2002 e n.o 404/2004: os valores das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo; aquisições efetuadas junto a pessoas físicas; despesas com fretes de transferência de produtos; aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; os valores das notas fiscais cujo Cfop não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito, os valores das notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins. Para o segundo trimestre, foram glosados também, no Dacon do mês em curso, os créditos de meses anteriores que não foram informados no Dacon do respectivo mês. 2. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumos Linha 03 Foram glosados, por não se enquadrarem nas hipóteses de geração de crédito previstas na legislação de regência, qual seja, Leis n.o 10.637/2002 n.o 10.833/2003 e Instruções Normativas SRF n.o 247/2002 e n.o 404/2004: os valores referentes a despesas com serviços que não se enquadram no conceito de insumo; que não geram crédito na linha 3, pois não representam a aquisição de serviços utilizados como insumos; cujos Cfop das notas fiscais não representa aquisição de bens ou serviços e nem outra operação com direito a crédito; serviços sujeitos à alíquota zero; pagos a pessoas físicas. 3. Linha 04 Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, inclusive sob a forma de vapor Foram glosados, por não se referirem energia consumida, os valores relativos as despesas com serviços de gerenciamento de energia elétrica e agenciadora de energia elétrica, pagos à empresa COMERC ENERGIA S/A e as despesas com serviço de medição de motores elétricos pagos à empresa GRAPHUS ENGENHARIA E CONSERVAÇÃO, 4. Linha 05 Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Linha 05 Foram glosados dos valores informados relativos a aluguéis pagos a pessoa física e pagamentos relativos a arrendamento de granja avícola, gastos que não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003. Fl. 15607DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.607 4 5. Linha 06 Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Linha 06 Foram glosados dos valores informados relativos a gastos que não se enquadram no art. 3º, inciso IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que somente contempla “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica utilizados nas atividades da empresa”. 6. Linha 07 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosados os valores relativos a fretes pagos a pessoa física, além de serviços de movimentação de produtos que não se enquadram no conceito de fretes, definido no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. As notas fiscais glosadas estão individualizadas no relatório Linha 7 – NF Glosadas Fretes. 7. Linha 09 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação) No primeiro trimestre, foram glosados os valores referentes a bens com data de incorporação ao ativo imobilizado anterior a 1º/05/2004, para os quais o contribuinte pretende descontar créditos nos meses de janeiro e fevereiro de 2009. Também foi glosado dessa linha o valor de R$ 249.503.927,60, referentes a créditos retroativos a janeiro/2007 apropriados no mês de março/2009, por não ter, a contribuinte, mesmo intimada para tanto, apresentado os esclarecimentos necessários que possibilitassem o correto entendimento da forma de apropriação dos encargos de depreciação dos bens constantes na memória de cálculo apresentada, de forma que todos os valores foram glosados por impossibilidade de análise. Foram gerados dois relatórios com os valores glosados: Linha 9 – ValoresGlosados Encargos de Depreciação; Linha 9 – Valores Glosados Enc. Deprec. Março 2009, que reproduz somente a primeira parte da planilha apresentada pela contribuinte. No segundo trimestre não houve glosa de valores da Linha 09 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação). 8. Linha 10 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) Por não ser possível a utilização do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 no desconto de créditos relativos a edificações e benfeitorias, foram glosados os valores referentes a: (i) diferenças entre as depreciações calculadas pelo contribuinte para as edificações e benfeitorias (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 1”) e a depreciação correta, conforme o disposto na IN SRF nº 162/1998, Anexo II prazo de 300 meses para edificações e benfeitorias; (ii) diferenças entre as depreciações de itens relacionados a materiais de construção utilizados em edificações e benfeitorias calculadas pelo contribuinte (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 2”) e a depreciação correta (IN SRF nº 162/1998); (iii) depreciação de bens (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 3”), para os quais a interessada, instada para tanto, não apresentou a descrição detalhada de sua natureza e aplicação, o que impossibilitou a aferição pela fiscalização do direito ao crédito; Fl. 15608DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.608 5 Foram gerados quatro relatórios contendo os cálculos das glosas referentesà Linha 10 do DACON: Linha 10 – EDIFICAÇÕES; Linha 10 – Material de Construção; Linha 10 – Impossibilidade de Análise. 9. Linha 11 – Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias Em relação ao primeiro trimestre, a Autoridade Fiscal informa que os relatórios contendo os cálculos das glosas referentes à Linha 11 do Dacon são os mesmos relatórios das glosas da Linha 10, pois se referem ao mesmo tipo de crédito, sendo que a contribuinte utilizou a Linha 11 do Dacon apenas para informar os créditos do mês de março. No segundo trimestre, a Autoridade Fiscal glosou todos os créditos da Linha 11 do Dacon, por impossibilidade de análise com base nas informações prestadas pela contribuinte até então. 10. Linhas 25 e 26 Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais A Autoridade Fiscal reduziu o valor do crédito apurado pela contribuinte ajustando a alíquota erroneamente utilizadas pela interessada, considerando na escolha da alíquota aplicável a natureza os insumos adquiridos, conforme previsto no inciso I do §3º do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. Da base de cálculo do crédito, foram glosados os valores das aquisições cujos CFOP das notas fiscais não representam aquisições de insumos, perfeitamente identificados na listagem individualizada e das notas fiscais das aquisições de bens para revenda. Autoridade Fiscal traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa (na coluna Alíquota PIS correta consta a informação Não se aplica ou zero), totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas na listagem Credito presumido – detalhe. Aquisições no mercado externo Da base de cálculo dos créditos informados nas Fichas 06B e 16B foram glosados, da Linha 02 Bens Utilizados como Insumos: os valores das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art.8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004; aquisições bens sujeitos à alíquota zero da contribuição. Manifestação de inconformidade Inicialmente, a Recorrente defende que a impugnação ora apresentada deverá ser julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade apresentadas nos autos dos Processos Administrativos de números 10925.902580/201245, 10925.902581/201290, 10925.902582/201234 e 10925.902583/201289, bem como com as impugnações relativas aos Processos Administrativos de números 11516.724149/2017, 11516.724150/201341, 11516.724151/201396 e 11516.724152/201331. Destaca que todos esses processos administrativos possuem origem no mesmo MPF, instituído com o fim de verificar a existência e higidez de diversos créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, apurados na sistemática não cumulativa no período compreendido entre 2006 e 2010. E, considerando que o que Fl. 15609DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.609 6 restar decidido nos autos de um processo administrativo terá efeitos diretos nos demais casos em discussão, defende que, para que seja dado um melhor tratamento à questão, todos os processos devem ser apreciados pelo mesmo órgão julgador dessa Delegacia de Julgamento. Nulidade dos Autos de Infração Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, a glosa “com base na natureza da conta contábil na qual o bem foi registrado”, a glosa dos créditos apropriados à razão de 1/48, sobre as despesas com depreciação de bens do ativo imobilizado, “sob a lacônica justificativa de que tais despesas não se referem a máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, mas sim a despesas com construções, edificações ou benfeitorias” e a glosa “sob a justificativa de que o Código Fiscal de Operações e Prestações ("CFOP") referese à aquisição de bens que não geraram direito a créditos”, foram realizadas sem a análise da aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, o que “demonstra a nulidade da decisão ora atacada”, pois, ao assim proceder, a Fiscalização acabou por glosar diversas despesas que, notoriamente, caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente Auto de Infração não pode subsistir, devendo ser cancelado. Conceito de insumo No tópico III.2 Da Sistemática NãoCumulativa da Contribuição ao PIS e da Cofins / Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Requerente, a fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Diz, inicialmente, que, da combinação dos incisos e parágrafos do artigo 3º das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 com o artigo 195, inciso I, alínea V, e § 12, da Constituição Federal, temse que o critério de escolha legislativa dos custos e despesas que conferem direito de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é a relação de inerência de tais dispêndios com a formação da receita, critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. Defende, que o conceito de insumo, na sistemática não cumulativa dessa contribuições é muito mais abrangente do que o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados ao processo produtivo e, assim, à obtenção de receita. Aduz, com base em jurisprudência do CARF, que o conceito de insumo aplicável ao caso deve ser o mesmo aplicável ao imposto de renda, já que a Fl. 15610DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.610 7 materialidade dessas contribuições (a receita) é muito mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ, do que daquela prevista para o IPI. E, por fim, destaca que o conceito de insumo previsto na IN SRF n° 404/2004 não é o mesmo previsto na lei, o que implica em sua ilegalidade e menciona que os Tribunais Federais têm se firmado nesse sentido, exatamente em razão de a IN ultrapassar sua função de interpretação e exequibilidade da lei, ao pretender restringir o conceito de insumo. Bens e serviços utilizados como insumo No tópico III.2.2 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Linhas 02 e 03 da Ficha 06 da DACON), a Recorrente, inicialmente, destaca que o erro quanto à linha da ficha de créditos da Dacon em que foram lançados os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, não justifica a glosa dos referidos créditos. Menciona que tal entendimento, inclusive, foi corroborado em recente decisão proferida pelo CARF em outro processo da própria Requerente. E na sequência, a requerente passa a colocar os fatos e as razões de direito, pelos quais entende que faz jus aos créditos glosados. Glosa dos valores dos itens que não se enquadram no conceito de insumos Em relação à Indumentária e Itens de Uso Obrigatório, a Recorrente, em síntese, alega que a indumentária dos colaboradores que trabalham em suas plantas industriais, itens tais como botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis e toucas, bem como os itens de proteção de uso obrigatório, são exigidos por norma emanada da autoridade reguladora, sendo essenciais ao processo produtivo, sem os quais ela nem ao menos poderá exercer a sua atividade. Corroborando esse entendimento cita acórdão do CARF. Quanto aos Pallets, explica que consistem em estruturas de madeira, cuja principal função é facilitar o transporte de insumos e mercadorias dentro do estabelecimento e que também servem para evitar o contato de tais materiais com qualquer superfície, impedindo contaminações que poderiam colocar em risco a integridade dos produtos industrializados. Adicionalmente, cita decisão do CARF que autorizou o creditamento sobre as despesas incorridas com os chamados "materiais para acondicionamento para transporte", por configuram despesas com armazenagem, expressamente prevista como apta para gerar crédito no inciso IX, do art. 3º, da Lei n.° 10.833/03. Diz que o mesmo ocorre com relação às caixas plásticas (Doc. 12 — nota fiscal de aquisição desse item), que “são utilizadas, não apenas para separação das partes dos cárneos, ..., mas também para transportar e armazenar produtos dentro e fora das plantas da Requerente”. Conclui, então, que as glosas devem ser canceladas, por se tratarem, os pallets e as caixas, de material indispensável no processo produtivo, além de configurar uma clara despesa com armazenagem, tal como já decidido pelo CARF. Fl. 15611DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.611 8 A título de Materiais e Equipamentos, defende o direito a crédito em relação a itens que cita – lâmpadas, reatores, detergentes, lubrificantes, fusíveis, anticongelantes, correias, rolamentos, mangueiras, estatores, bombas, dentre outros que, segundo alega, teriam sido empregados no processo produtivo, estando diretamente relacionados à geração de receitas, caracterizando, assim, como insumos. Explica que: As lâmpadas são utilizadas nas incubadoras de ovos e para aquecimento dos pintos de 1 dia; Os reatores, por sua vez, são equipamentos auxiliares, utilizado em conjunto com as lâmpadas de descarga e que objetivam limitar a corrente na lâmpada e fornecer as características elétricas adequadas, evitando o efeito estroboscópio/flicker (cintilação) nas lâmpadas e proporcionando elevada economia de energia; Os detergentes industriais são utilizados na higienização e limpeza das máquinas e pisos do estabelecimento industrial, atendendo, obviamente, às rigorosas regras emanadas pelas autoridades regulatórias; Já os lubrificantes e os fusíveis, são indispensáveis ao bom funcionamento das máquinas e equipamentos pertencentes ao processo produtivo; O inibidor de corrosão, por sua vez, é composto por substâncias químicas que retardam ou inibem por completo o processo corrosivo de tubulações e caldeiras, a fim de que seja prolongada a vida útil das máquinas e equipamentos, com a prevenção de paradas não programadas e de fraturas. Referida substância age de modo a retirar as incrustações das paredes dos equipamentos, sem atacar as partes estruturais essenciais para o bom desempenho técnico. O inibidor atua em três etapas: i) adsorção à superfície metálica; ii) formação de película de óxido protetor do metal base; e iii) reação com o componente potencialmente corrosivo presente no meio aquoso; O anticongelante propilenoglicol é utilizado nos compressores que produzem o ar frio para congelar as matérias primas e produtos acabados produzidos pela Requerente (bovinos, aves ou suínos). Além disso, esse item pode ser utilizado na manutenção da temperatura adequada nos ambientes em que realizado o processo produtivo da Requerente. Ainda, as correias (Doc. 15 — nota fiscal de aquisição desse item) são utilizadas em diversas máquinas da Requerente e são responsáveis por efetuar a tração entre os motores elétricos e as máquinas responsáveis por diversas funções ao longo do processo produtivo, tais como as embaladeiras, moedeiras, misturadoras, embutideiras, grampeadeiras, fatiadeiras, esteiras transportadoras, etc. As correias também são utilizadas para a transmissão de tanques de mistura de molhos e nas peças de retirada de pele dos animais. Os rolamentos (Doc. 16 — nota fiscal de aquisição desse item) são materiais que possibilitam o movimento controlado entre duas ou mais partes da máquina. Referidos corpos rolantes estabilizam o desempenho das peças estruturais das máquinas utilizadas no processo produtivo da Requerente. Além disso, os rolamentos são empregados em equipamentos como arrancador de pescoço stork, pertencente ao frigorifico de frangos. Fl. 15612DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.612 9 As mangueiras (Doc. 17 — nota fiscal de aquisição desse item) consistem em instrumento condutor de água que possibilita o resfriamento dos motores e bombas, com a introdução do líquido nas câmaras de resfriamento e sua posterior retirada.(...) O polímero é utilizado no tratamento de água e efluentes, com o objetivo de remover a turbidez e as partículas sólidas da água. O estator para bomba (Doc. 18 — nota fiscal de aquisição desse item) é a parte da bomba que conduz o fluxo magnético e proporciona sua rotação. Em outras palavras, neste equipamento é produzida a corrente que fornece energia aos diversos circuitos elétricos do equipamento. A bomba, por sua vez, tem participação fundamental no processo produtivo da Requerente, pois é a máquina que mistura o leite antes de sua introdução nas embalagens, propiciando a homogeneidade de temperatura do produto armazenado. Conclui que, pelas breves descrições, é inegável que todos esses itens estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo, pois seria impossível realizar a sua atividade sem tomar as precauções relativas à higienização ou preservação e bom funcionamento de suas máquinas bem como à manutenção da temperatura ideal em suas câmaras frigoríficas e plantas fabris. Em relação a estas, cita recente Acórdão proferido pelo CARF, em processo da própria requerente, por meio do qual restou reconhecido o direito ao crédito sobre as aquisições de ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos de sua atividade fabril. Contesta a glosa dos valores relacionados a Serviços Realizados por "Operador Logístico", alegando que a movimentação das mercadorias é inerente à sua atividade, pela impossibilidade de comercialização de seus produtos na ausência de tais serviços, que são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete das mercadorias produzidas. Conclui que, dada à imprescindibilidade dos serviços relacionados à movimentação de mercadorias, associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as despesas de frete de vendas, devem as glosas em referência ser integralmente canceladas. Afirma que os serviços de Análise Laboratoriais consistem de insumo, tendo em vista que os produtos fabricados são destinados ao consumo humano e que, portanto, devem ser constantemente avaliados e testados, de modo a preservar sua qualidade e integridade. Passa a defender o direito a crédito em relação a outros itens glosados da planilha NF Glosadas — Não Representam Aquisição de Insumos" como segue: ... fluído térmico que é um fluído de transmissão de calor dotado de grande estabilidade térmica (Doc. 20 — nota fiscal de aquisição desse item"), utilizado no processamento de alimentos, que requer grandes variações de temperatura e pressão. O ácido clorídrico (Doc. 21 — nota fiscal de aquisição desse item) concentrado, por sua vez, é utilizado na hidrólise de proteínas e de amido para o processamento de produtos industrializados produzidos pela Requerente. Ainda, é empregado na análise de minerais, cálcio e fosfato. Outro item importante é o mangote descartável de polietileno, que consiste em utensílio de higiene, necessariamente descartável, idêntico ao de uso hospitalar, utilizado no processo produtivo da Requerente para impedir que os produtos alimentícios tenham contato com a pele Fl. 15613DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.613 10 dos funcionários que atuam na linha de produção. Destaquese que o avental possui a mesma função. Por sua vez, a chapa industrial de inox é utilizada para escorrer o leite que é retirado da ordenheira automática, bem como para apoiar os produtos no momento da fabricação. As termorresistências são instrumentos que permitem medir, com elevada exatidão, a temperatura do meio ambiente por meio da relação entre a resistência elétrica do material e sua temperatura (Doc. 23 observese nota fiscal de aquisição desses itens). Os termorresistores são usados, principalmente, para controlar refrigeração de alimentos, procedimento indispensável para sua correta conservação e armazenagem. Os serviços florestais são contratados para efetuar a derrubada de árvores no campo, sendo que tais árvores serão o material necessário ao abastecimento das caldeiras. Contesta a glosa das despesas com locação de empilhadeiras ("equipamento locado Udia empilhadeiras"), que não foram informadas na Linha 6 da Dacon, relativa à locação de máquinas e equipamentos, alegando que o simples equívoco nas informações prestadas em obrigação acessória não justifica a glosa dos créditos de Contribuição ao PIS, entendimento esse, inclusive, corroborado pelo próprio CARF no Acórdão 33020002.027, de 23.04.2013. Acrescenta que a essencialidade das empilhadeiras locadas no processo produtivo é inconteste, já que consiste em máquina para carregar e descarregar mercadorias em pallets, possibilitando a célere movimentação da carga dentro e fora dos galpões de produção, o que é imprescindível às atividades da Requerente. Glosa dos valores de itens contabilizados em contas contábeis que não se referem a itens que geram créditos Inicialmente, destaca a superficialidade da Autoridade Fiscal na busca da verdade material, tendo em conta que esta considerou que todos os bens e serviços contabilizados em determinadas contas contábeis não dariam direito a crédito em razão da nomenclatura da conta, sem que fosse realizada uma auditoria profunda nos bens e serviços adquiridos e contabilizados nessas contas. Diz que tal fato é suficiente para que se entenda pela improcedência do Despacho Decisório quanto a este tópico. Não obstante, defende o direito ao crédito em relação a vários itens, conforme segue: Analisando as despesas relativas à conta 3350576 "PRD DIFERENÇAS DE PREÇOS MATERIAL IMPRODUTIVO", verificase que há diversos insumos utilizados no processo produtivo da Requerentee que foram glosados de forma arbitrária, tais como: (i) equipamento de indumentária de uso obrigatório segundos as normas da ANVISA, já abordados no item anterior, tais como luvas, máscaras, botinas, sapatos, botas, calças, dentre outros; (ii) e materiais utilizados em máquinas e equipamentos, como, por exemplo, rolamentos, correias, retentores, abraçadeiras, mangueiras, etc., que também foram objeto de análise acima. A conta contábil 3432262 "GFT — CONSERV. MANUT. MAQ. E EQUIP. MANUT. GERAL MAT/PEC" é a conta na qual são contabilizados os custos das peças para manutenção de máquinas e Fl. 15614DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.614 11 equipamentos utilizados no processo produtivo da Requerente, tais como: arruela, rolamento, retentor, esferas, válvulas, correias, bobina, abraçadeira. Frisese, uma vez mais, que tais bens são utilizados no processo produtivo da Requerente, isto é, estão diretamente relacionados à geração de receitas e, por esses motivos, caracterizam se como insumos passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS. A conta contábil 3432211 "GFT CONSERV. MANUT. PREDIAL SERVIÇOS" diz respeito aos serviços de manutenção das máquinas e equipamento, que tem por objetivo melhorar o desempenho desses itens, além de aumentar a vida útil. Dentre essas despesas com manutenção merecem destaque os serviços de substituição de painéis frigoríficos (câmaras, túneis de congelamento e ambientes climatizados), substituição de portas frigoríficas motorizadas, dentre outras. A conta contábil 3432025 "GFT BENS DE NATUREZA PERMANENTE" referese a gastos gerais, tais como gastos com ferramentas, termômetro (utilizado para medição da temperatura do processo produtivo), salômetro, cronometro, sendo que todos esses itens são essenciais ao processo produtivo da Requerente. A conta contábil 1970674 "TRANSITÓRIA ATIVO PERMANENTE DESEMB DE IMPORTAÇÃO", por sua vez, possui diversas despesas relacionadas com os desembaraço aduaneiro de insumos importados, tais como: despesas com armazenagem, armazenagem e vistoria container, serviços de despachante, serviços de frete, dentre outros. Além disso, contém serviços realizados por operador logístico (carga e descarga de mercadorias, por exemplo), que, conforme já visto, são passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS. Conclui que as glosas efetuadas em razão, unicamente, da contabilização das despesas correlatas nas contas 3350576, 3432262, 3432211, 3432025, e 1970674, que, supostamente, não representam operação com direito a crédito, não devem subsistir, tendo em vista a caracterização dos itens glosados como insumos essenciais ao processo produtivo. Glosa dos valores de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas Defende que faz jus ao créditos em relação aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, seja porque tais despesas estão relacionadas à geração de receitas, caracterizandose como insumos, seja porque o CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos. No mais, alega que faz jus, no mínimo, aos créditos presumidos sobre tais compras, na forma do art. 8º da Lei n° 10.925/2004. Glosa dos valores de fretes de Insumos e de Produtos Acabados Alega que o creditamento sobre as despesas com fretes, sejam ou não relacionadas à operação de venda, está em consonância com a legislação vigente e com a mais recente jurisprudência administrativa sobre a matéria. Explica que, diante das diversas etapas do processo produtivo, aliado à sua extensa quantidade de plantas industriais, é notório que o frete de matérias primas e produtos semiacabados é inerente à atividade da empresa e imprescindível ao mencionado processo produtivo, devendo Fl. 15615DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.615 12 os seus gastos serem considerados para fins de creditamento. Defende o crédito decorrentes de despesas de frete relacionadas: aos transporte de ração para os integrados, responsáveis pela criação de aves, e transferência de ovos para incubadora; e ao transporte de produtos acabados, em relação ao qual aduz que o frete dos estabelecimentos industriais aos centros de distribuição nada mais é do que uma parcela do frete destinado à venda. Glosa dos valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero A Recorrente inicialmente contesta a glosa das aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, realizada com base no art. 3º, § 2º, das Leis n.° 10.637/2002 e nº 10.833/03, alegando que as aquisições cujos valores foram glosados não se subsumem a estas normas. Argumenta que as aquisições em apreço, distintamente do que preleciona as mencionadas normas, não se referem a bens cuja receita não se encontra sujeita à contribuição, mas a bens que se encontram no campo de incidência da contribuição e que tiveram a alíquota reduzida a zero pelo legislador; afirma que, portanto, o fato de não haver um efetivo dispêndio pelo contribuinte que forneceu os bens não implica que tal bem não está sujeito à contribuição. Entretanto, defende que, caso não se acolha o entendimento acima, é aplicável aos valores glosados a segunda parte do referido dispositivo legal. Isso por que, segundo alega, é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta. Glosa dos valores das aquisições cujo Cfop da nota indica operação sem direito de crédito Já em relação às Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos, reclama da superficialidade da análise da Autoridade Fiscal que não cuidou de verificar se os bens adquiridos são insumos do processo produtivo. Alega que uma simples análise da planilha elaborada pelo Fisco permite verificar que diversos bens glosados consistem de insumo com base nas justificativas já aduzidas na presente manifestação, tais como as despesas com materiais e equipamentos (retentor, arruela, barra, rebolo, dentre outros), despesas com fretes, despesas com óleos empregados nas máquinas do processo produtivo, dentre outras. Reclama ter sido arbitrário o procedimento adotado pela Fiscalização de glosar bens cujo Cfop diz respeito a mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (CFOP 1407 e 2407), sem sequer analisar a natureza do insumo adquirido e o seu emprego no processo produtivo. E aponta como mais grave ainda a situação que se refere ao Cfop cuja descrição é outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada, ou mesmo de material de uso ou consumo (Cfop 1949), pois é impossível a Fiscalização saber de qual insumo se trata apenas com base na mera redação do Cfop. Destaca que a Fiscalização glosou diversas despesas com fretes de mercadorias sob o Cfop 1360, relativas à "aquisição de serviço de transporte por contribuinte substituto em relação ao serviço de transporte", para a entrega de mercadorias, por Fl. 15616DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.616 13 exemplo, o que, evidentemente, deve ser compreendido como um insumo da Requerente. Glosa dos valores das aquisições com suspensão das contribuições Contra às glosas das aquisições de insumos com suspensão das contribuições, a Recorrente alega que as alegações trazidas pela Fiscalização não merecem prosperar, pois os insumos foram adquiridos sem a suspensão da Cofins. Defende que, em assim sendo, não há o que se falar em aplicação do mencionado art. 9º da Lei n° Lei n° 10.925/2004, mas sim do conceito de insumo previsto no já mencionado art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Nesse sentido, ressalta, ainda, que no período objeto de análise, vigia a Instrução Normativa RFB n° 660/2006, que dispunha sobre a suspensão da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins nas aquisições de que trata o art. 9º da Lei n° 10.250/2004, sem, contudo, tecer quaisquer comentários quanto à obrigatoriedade da suspensão de tributos nas operações; alega que tal obrigação somente surgiu com a publicação da IN RFB n° 977/2009. Despesas de energia elétrica No tópico III.2.3 — Das Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a Forma de Vapor (Linha 04 da Ficha 06 da DACON) a interessada contesta a glosa dos valores dos serviços de gerenciamento de energia elétrica e agenciadora de energia elétrica, pagos à COMERC ENERGIA S/A, bem como os serviços de mediação de motores elétricos, pagos à GRAPHUS ENGENHARIA e CONSERVAÇÃO alegando que esses serviços caracterizamse como insumos inerentes ao processo produtivo da Requerente e foram equivocadamente informados na Linha 4, da Ficha 06, da Dacon, e defende que o erro no preenchimento da Dacon não representa um óbice ao aproveitamento de créditos. Despesas de aluguéis de prédios No tópico III.2.4 — Das Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoas Jurídicas (Linha 05 da Ficha 06 da DACON), contesta a glosa dos os valores pagos pelo arredamento da "Granja Avicola Nicolini Ltda" alegando que em sendo a sua atividade eminentemente agroindústria, a principal "área" que poderia locar para exercer a primeira etapa de sua atividade, no caso, a criação dos animais, seria justamente uma granja, razão pela qual, ao contrário do que afirma o Fisco, se aplica ao caso o art. 3º, inciso IV, da Lei n.° 10.637/2002. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Contra à glosa dos alugueis de veículos, no tópico III.2.5 — Das Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas (Linha 06 da Ficha 06 da DACON), a Recorrente alega que os veículos tais veículos são, em sua grande maioria, verdadeiras máquinas, devendo o seu aluguel ser considerado como tal, por serem essenciais ao processo produtivo da Requerente. Explica: Fl. 15617DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.617 14 Notase, dessa forma, que, mais que um veículo, o referido caminhão "Munck" possui, predominantemente, a função de guindaste, sendo a característica "motora" ou seja, de veículo terrestre tão somente uma questão de praticidade, de modo que o referido guindaste possa se locomover mais facilmente dentro e entre os estabelecimentos da Requerente. Adicionalmente, os demais veículos listados na mencionada planilha e que foram objeto da presente glosa, igualmente, devem ser considerados por essa E. Turma Julgadora. Com efeito, tais veículos são utilizados para movimentar os animais e os materiais essenciais ao processo produtivo da Requerente. E, justamente, os dispêndios com os alugueis de veículos que possuem essas características têm sido amplamente aceitos como passíveis de creditamento. (...) Tais "veículos de passeio", ainda que não se enquadrem como máquinas e equipamentos, o que se admite apenas por epítrope, são essenciais ao processo produtivo da Requerente, já que os vendedores dependem de tais veículos para negociar com os compradores e, assim, levar os produtos comercializados ao consumidor final. Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda No tópico III.2.6 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Linha 07 da Ficha 06 da DACON), defende que faz jus ao créditos em relação aos fretes pagos às pessoas físicas, seja porque tais despesas estão relacionadas à geração de receitas, caracterizandose como insumos, seja porque o CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos. Quanto às glosas com os serviços de movimentação de produtos, alega que faz jus aos créditos dada à imprescindibilidade desses serviços relacionados à movimentação de mercadorias, associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as despesas de frete de vendas, tal como explicado no item "Serviços Realizados por "Operador Logístico", contido no tópico “III.2.2.a — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos". Despesas com bens do Ativo Imobilizado No que se refere a bens do Ativo Imobilizado, a interessada, no tópico III.2.7 — Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado — Encargos de Depreciação (Linha 09 da Ficha 06 DACON), contesta às glosas efetuadas sobre os créditos relativos a bens adquiridos até 30/04/2004 com fundamento no art. 31 da Lei 10.865104, alegando que a limitação dos créditos sobre a depreciação de bens já adquiridos e incorporados ao seu patrimônio representa uma afronta ao direito adquirido sobre esses créditos, considerando que afetou a apropriação de créditos cuja origem está assentada nas aquisições anteriores à vigência da mencionada Lei. Cita decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região no Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na Apelação em Mandado de Segurança n° 2005.70.00.0005940/PR, que determinou a inconstitucionalidade do art. 31 da Lei n° 10.865104. Fl. 15618DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.618 15 Quanto às glosas sobre os créditos relativos as despesas de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, que foram aproveitados de forma extemporânea, reconhece que de fato apenas informou os créditos extemporâneos no período em que se apropriou deles para reduzir a base de cálculo das contribuições, no caso, em março de 2009, e explica que se aproveitava dos créditos conforme as taxas de depreciação das próprias edificações e que, após verificar a possibilidade de se aproveitar dos créditos das contribuições à razão de 1/24, com base no art. 6º da Lei n° 11.48810727, passou a se aproveitar de todos os créditos extemporâneos que deixaram de ser aproveitados desde janeiro de 2007. Afirma que os créditos oriundos de dispêndios legítimos e que efetivamente ocorreram devem ser reconhecidos pela Autoridade Fiscal, mesmo que extemporaneamente, uma vez que houve mero equívoco ao declarálos no mês de março de 2009, sem retificar as declarações acessórias anteriores. Acrescenta que: como se trata de simples erro material, pode a Autoridade Fiscal retificálo de ofício, sem qualquer prejuízo ao direito creditório ou ao Fisco, em conformidade aos ditames do princípio da verdade material, sendo exatamente o disposto no artigo 147, § 2º, do CTN; o art. 3º, § 4º, da Lei n° 10.63712002 prevê expressamente a possibilidade de utilização de créditos extemporâneos; a retificação da Dacon é desnecessária para a apropriação de créditos extemporâneos; a retificação é apenas uma das formas que o contribuinte pode adotar para apropriarse de créditos extemporâneos, pois há, também, a possibilidade de o contribuinte não retificar a Dacon e apropriarse do crédito no mês corrente. Por fim, destaca que o fato de ter informado os créditos extemporâneos na linha errada da Ficha 06 da Dacon não representa um óbice ao aproveitamento dos créditos (a requerente informou esses créditos na Linha 09, enquanto que o correto seria na Linha 10), conforme já abordado na presente peça por diversas oportunidades. Já no tópico III.2.8 Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado Valor de Aquisição ou de Construção (Linha 10 da Ficha 06 da DACON), contesta a glosa dos créditos apropriados a razão de 1/48 sobre despesas de depreciação com edificações e benfeitorias do seu ativo imobilizado alegando que os créditos glosados referemse, efetivamente, a despesas com a depreciação de itens do ativo imobilizado, mais especificamente, a máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Nesse sentido argumenta: Analisando a planilha com as glosas efetuadas pela Fiscalização, observase que diversas despesas referemse às máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Requerente, tais como: (i) despesas com abates bovinos, que evidentemente referemse ao equipamento utilizado para o abate desses animais; (ii) despesas com caldeiras, que são máquinas e equipamentos do processo produtivo; (iii) despesas com desossas, que se referem às máquinas e equipamentos relativos às desossas dos animais; (iv) despesas com higienização, que se caracterizam como insumos no processo produtivo; (v) despesas com manutenção de máquinas e equipamentos em geral, que são essenciais ao regular funcionamento desses itens.Inclusive, Fl. 15619DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.619 16 diversas dessas despesas referemse a máquinas e equipamentos mencionados no processo produtivo da Requerente descrito no item III.I "Breve Descritivo das Atividades da Requerente", pois tal processo envolve as operações de abates, desossas, incubadoras, pendura, tratamentos de água quente, para as quais são necessárias as máquinas e equipamentos que originaram os gastos ora analisados. Com base no exposto e levando em consideração as despesas glosadas, resta evidente que os créditos de Contribuição ao PIS ora glosados pela Fiscalização referemse a despesas com manutenção de máquinas e equipamentos pertencentes ao processo produtivo da Requerente, devendo essa C. Turma de Julgamento determinar o cancelamento do lançamento fiscal. No tópico III.2.9 — Das Despesas com Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias (Linha 11 da Ficha 06 da DACON), afirma que os valores glosados referemse, efetivamente, a despesas com depreciação de itens do ativo imobilizado, mais especificamente, máquinas e equipamentos do processo produtivo e remete às razões de contestação postas no item III.2.8 da impugnação. Crédito presumido da agroindústria Quanto crédito presumido da agroindústria, no tópico III.2.10 Créditos Presumidos (Ficha 06A Linhas 25 e 26 do DACON),inicialmente a Recorrente coloca que o itens descritos como "milho em grão', "farelo de trigo", "soja em grão', "pinto de 1 dia", "leitão recria", dentre outros constantes do Despacho Decisório consistem de insumo. Explica que: o milho em grão, o farelo de trigo e a soja em grão são elementos essenciais na produção da ração dos animais; os pintos de 1 dia e os suínos para recria, por sua vez, são essenciais ao processo produto das aves e suínos. No que se refere às glosas efetuadas em relação aos percentuais aplicados para cálculo do crédito presumido, alega que o método para o cálculo do crédito presumido está no próprio art. 8º da Lei n° 10.925/2004, em seu parágrafo 3º, o qual fazendo remissão ao caput, vincula, assim, o cálculo do crédito presumido ao produto produzido e, por outro lado, arrola como base de cálculo do crédito o valor da aquisição do insumo. Acrescenta que tal é o entendimento que se chega a partir de uma interpretação literal, lógica e finalística da legislação e que o CARF assim também vem decidindo. Por fim, afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, põe fim a qualquer dúvidas sobre a questão pois não dá margem à dúvida: o direito à aplicação do percentual de 60% decorre da natureza do produto resultante da atividade agroindustrial e não da natureza dos insumos empregados, pois, do contrário, não ditaria tal dispositivo que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos em questão. Diz que a tal dispositivo, enquanto interpretativo, deve ser dada eficácia retroativa nos termos do art. 106 do CTN. Multa de ofício Fl. 15620DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.620 17 A impugnante alega: impossibilidade de sucessão da responsabilidade por infrações tributárias de sua incorporada, nos termos dos artigos 129 e seguintes do CTN; que apesar de ser sucessora por incorporação da Sadia S.A., segundo se infere do artigo 132 do CTN, somente possui responsabilidade pelos tributos devidos por aquela até a data da incorporação, que ocorreu em 31 de dezembro de 2012. Aduz que não se aplica ao caso a Súmula n° 47 do CARF que, segundo alega, autoriza a imputação da penalidade pecuniária à pessoa jurídica sucessora caso esta e a sucedida estivessem sobre controle comum ou pertencessem ao mesmo grupo econômico, evidentemente à época dos fatos geradores. Informa que, se verifica da Ata da Assembleia Geral Extraordinária da Impugnante, realizada em 18 de agosto de 2009, e da Ata Sumária da Assembleia Geral Extraordinária da Sadia, realizada na mesma nada (Doc. 27), cujos registros na Junta Comercial encontramse na última folha de cada documento, a Impugnante e a Sadia apenas passaram a fazer parte do mesmo "grupo econômico" em agosto de 2009. Conclui que antes de 19/08/2009, a Impugnante a Sadia não estavam sob controle comum ou participavam do mesmo "grupo econômico" e acrescenta que até pouco tempo antes dessa data, ainda denominavase Perdigão Agroindustrial S/A e era concorrente da Sadia. Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício alega que: nos termos do que estabelece o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96, somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias; os juros não podem incidir sobre a multa, já que essa penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte; a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio constitucional do nãoconfisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitantes sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada. Pedido de perícia e diligência A Recorrente pugna pela realização de perícia, que se justificaria, segundo alega, pela necessidade de trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os detalhes e particularidades dos seus processos produtivos, permitindolhe entender a específica natureza de cada despesa glosada pela Fiscalização e analisar sua pertinência e relação com o processo produtivo. Indica um perito a quem caberia: descrever de forma detalhada os seus processos produtivos; descrever de forma detalhada cada despesa glosada pela Fiscalização; esclarecer qual a relação das despesas glosadas pela Fiscalização com o processo produtivo; demonstrar quais despesas de frete são relacionadas à venda de mercadorias e produtos e quais são relacionadas à transferência entre estabelecimentos; demonstrar o valor do crédito Fl. 15621DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.621 18 extemporâneo, calculado a partir de janeiro de 2007, ao qual faz jus a Requerente, para aproveitamento em março de 2009. Em razão de a auditoria fiscal, segundo alega, ter sido superficial na análise de seu processo produtivo, a Recorrente também pugna pela realização de diligência fiscal para que o auditor fiscal esclareça: se os bens e serviços caracterizados como insumos pela Requerente em sua Dacon são utilizados no processo produtivo e efetivamente guardam relação intrínseca com a geração de receitas, em conformidade com o disposto no art. 3º, inciso II, da Lei n° 10.637/2002; se as despesas com alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, são utilizados para a consecução das atividades da Requerente, em consonância com o art. 3º, inciso IV, da Lei n° 10.637/2002, ou, ao menos, podem caracterizar se como insumos, nos termos do art. 3º,inciso II, da Lei n° 10.637/2002; se as despesas com itens relativos a edificações e benfeitorias, referemse efetivamente a gastos incorridos com edificações e benfeitorias, ou referemse a gastos incorridos com máquinas e equipamentos do ativo imobilizado utilizados no processo produtos da Requerente, conforme dispõe o art. art. 3º, inciso VI, da Lei n° 10.637/2002. Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua manifestação de inconformidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. Em estando comprovado que à data da infração cometida pela sucedida as empresas já se encontravam sob controle comum, cabível é a imputação da multa de ofício à sucessora. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 Fl. 15622DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.622 19 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. INTIMAÇÃO FISCAL. ANÁLISE DO CRÉDITO. O contribuinte, ao não atender à intimação do Fisco para apresentar as informações necessárias à análise do direito ao crédito pleiteado, inviabiliza o reconhecimento deste. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. Escrituração contabilidade da empresa faz prova das operações comerciais da empresa para fins de apuração dos tributos incidentes sobre as receitas geradas; somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos fiscais hábeis e idôneos. NOTA FISCAL. FORÇA PROBANTE. As Notas Fiscais fazem prova perante o fisco das operações comerciais das empresas na medida em que gozam de presunção de veracidade, presunção esta somente afastada por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO. DACON. DCTF. RETIFICAÇÃO. A alteração pelo contribuinte da apuração dos créditos relativos a determinado período há que ser efetivada através da entrega do Dacon retificador e da DCTF retificadora, se houver alteração de valores que tenham sido informados em DCTF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. Fl. 15623DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.623 20 No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. CRÉDITO REGULAR. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado à alíquota normal da contribuição sobre os custos dos bens adquiridos de pessoas físicas. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARRENDAMENTO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A hipótese de tomada de crédito prevista no inciso IV do art. 3º, da Lei n.° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 é específica para despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos e não se aplica a pagamentos de arrendamento. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESA COM LOCAÇÃO DE VEÍCULO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado sobre despesa com locação de veículos. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VEDAÇÃO. É vedada, por expressa determinação legal, a apropriação, a partir de 01/08/2004, de créditos da Contribuição para o PIS calculados sobre os encargos de depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30/04/2004. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Fl. 15624DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.624 21 No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. CRÉDITO REGULAR. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado à alíquota normal da contribuição sobre os custos dos bens adquiridos de pessoas físicas. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Cofins a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Cofins passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. Fl. 15625DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.625 22 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARRENDAMENTO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A hipótese de tomada de crédito prevista no inciso IV do art. 3º, da Lei n.° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 é específica para despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos e não se aplica a pagamentos de arrendamento. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESA COM LOCAÇÃO DE VEÍCULO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado sobre despesa com locação de veículos. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VEDAÇÃO. É vedada, por expressa determinação legal, a apropriação, a partir de 01/08/2004, de créditos da Cofins calculados sobre os encargos de depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30/04/2004. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Fl. 15626DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.626 23 Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Fl. 15627DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11516.724153/201385 Resolução nº 3201000.686 S3C2T1 Fl. 15.627 24 Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 15628DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 15540.720447/2014-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que os coobrigados sejam intimados da decisão de primeira instância, retomando-se o rito processual a partir daí, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, DEMETRIUS NICHELE MACEI, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que os coobrigados sejam intimados da decisão de primeira instância, retomandose o rito processual a partir daí, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, DEMETRIUS NICHELE MACEI, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 44 7/ 20 14 -7 2 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 806 2 Relatório INDUSTRIA DE ALIMENTOS PATA NEGRA LTDA EPP recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em ação fiscal procedida na contribuinte acima identificada foi constatada OMISSÃO DE RECEITA oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada. Foi lavrado Auto de Infração (AI) para exigência do IRPJ e, em decorrência, os AI(s) que exigem CSLL, PIS e Cofins, totalizando crédito tributário no montante de R$ 52.607.389,08, conforme demonstrativo a seguir: Tributo Valor do tributo Juros de mora (cálculo válido até dez/2014) Multa de ofício 150% Total IRPJ 10.149.191,12 5.006.372,81 15.223.786,68 30.379.350,61 CSLL 3.657.661,61 1.804.320,85 5.486.492,43 10.948.474,89 PIS 670.593,67 335.546,04 1.005.890,54 2.012.030,25 Cofins 3.088.795,16 1.545.545,40 4.633.192,77 9.267.533,33 Relatou o autuante no Termo de Constatação Fiscal TCF (fls. 8/24): PARTE I DA IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Durante os procedimentos de fiscalização da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda foi apurado que todos os seus sócios, desde os fundadores até os atuais, não apresentam condições nem econômica e nem financeira de serem donos de uma indústria de elevada movimentação financeira, da ordem de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) mensais. Apurouse também que essas pessoas, ou têm vínculo familiar ou empregatício com Fernando Moutinho Thoni ou Reinaldo Pereira Fialho, e que alguns deles tiveram seus nomes usados duas ou mais vezes na elaboração de Contrato Social de empresas fundadas em nome de interpostas pessoas. Como exemplo, temos o caso de João da Silva Sobrinho, sogro de Reinaldo Pereira Fialho, que além de constar como sócio fundador da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, teve o seu nome usado na composição do quadro societário das empresas Frigorífico Industrial do Laranjal Ltda, RPF 81 Indústria e Comércio de Carnes Ltda e Nova Monterey Indústria e Comércio Ltda, conforme provam os Contratos Sociais e suas Alterações, anexadas ao processo. Diante desses fatos e aprofundandose a investigação dessa situação, foi apurado que nos últimos 10 anos Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho fundaram empresas em nome de interpostas pessoas, para exercerem a mesma atividade econômica fabricação de produtos de carne (CNAE: 1013901), com sede nos mesmos imóveis (sendo dois deles de suas propriedades) e usando sempre os serviços do Escritório Contábil Freitas Ltda, situado na Rua Aurelino Leal, n° 52, apartamento 201, Centro, Niterói, RJ, endereço utilizado por Reinaldo Pereira Fialho, até agosto de 2013, como seu domicílio fiscal. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 807 3 O procedimento de caráter doloso, consiste em fundar empresa em nome de interpostas pessoas, desprovidas de condições financeiras e patrimoniais, funcionar durante um certo período e depois extinguíla, criando outra em seu lugar para continuar exercendo as mesmas atividades econômicas, usando os mesmos imóveis e a mesma estrutura operacional. A intenção é de se excluírem de responsabilidades decorrentes de obrigações assumidas pelas empresas perante a terceiros, inclusive o Tesouro Nacional. Tudo começou em 25/06/2001 com a fundação da Nova Monterey Indústria o Comércio Ltda, CNPJ: 04.530.542/000127, em nome do João da Silva Sobrinho (sogro Reinaldo Pereira Fialho) e de Demilce Lourenço, sendo este substituído em 15/05/2003 por Marcelo Luis de Souza. A empresa funcionou na Rua Cardeal Arco Verde, n° 23, Laranjal, São Gonçalo e em 26/10/2006 foi dada baixa da mesma na Junta Comercial, através do Distrato Social assinado em 03/05/2006. Para prosseguir com as atividades comerciais que eram realizadas pela Nova Monterey Indústria e Comércio Ltda, Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho criaram em 16/03/2005 a Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda, em nome de Jovelina de Souza da Silva (sogra Reinaldo Pereira Fialho) e de Zózimo Luiz Fereguetti Braga (trabalhou na Nova Monterey Indústria e Comércio Ltda). A sede da nova empresa inicialmente era na Rua Gomes Teixeira n° 28, Laranjal, São Gonçalo e em 10/11/2006 foi transferida para a Rua Cardeal Arco Verde n° 23, Laranjal, São Gonçalo, imóvel onde também funcionou a extinta Nova Monterey Indústria e Comércio Ltda. Em 13/06/2006 criou uma filial, que permaneceu em atividade até 03/12/2007 no depósito existente na Rua Gomes Teixeira n° 260, Laranjal, São Gonçalo. Em 04/05/2009, os sócios assinaram um Distrato Social, dando por encerrada as atividades da empresa. Antes de oficializar o fim da Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda e, para dar continuidade as suas atividades econômicas, fundaram em 11/07/2008 a empresa Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, voltando a usar os nomes de João da Silva Sobrinho e de Marcelo Luiz de Souza, que como relatado anteriormente, foram sócios na Nova Monterey Indústria e Comércio Ltda. Esta empresa ainda está ativa e funciona na Rua Gomes Teixeira n° 260, Laranjal, São Gonçalo. Como prova da mudança simulada dos nomes dessas empresas, temos os documentos apresentados a seguir, anexados ao processo: · as páginas 15 a 16 da Carteira de Trabalho de Jorge Luiz Nunes provam que este funcionário trabalhou nessas três empresas; · as páginas 12 e 13 da Carteira de Trabalho de Moyses Velasco de Oliveira Ribeiro mostra que esta pessoa trabalhou, após ser demitido da Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda em 18/12/2008, foi admitido na Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, em 15/01/2009; · nas páginas 14 a 16 da Carteira de Trabalho de Reinaldo Pereira Fialho verificase que este dono de fato da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda trabalhou nessas três empresas no cargo de Gerente de Produção; · dos nove caminhões pertencentes à Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, seis vieram da Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda, como provam os documentos apresentados pela fiscalizada em atendimento ao Termo de Intimação n° 2 (cópia em anexo).Diante Fl. 807DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 808 4 dos fatos acima relatados e comprovados na Parte II do presente Termo, fica evidente que o que está escrito no Contrato Social da indústria de Alimentos Pata Negra Ltda não corresponde integralmente à realidade, ou seja, estamos diante daquela situação em que a realidade fática prevalece sobre qualquer instrumento formal, isto é, os verdadeiros donos e administradores da empresa não são as pessoas que constam no Contrato Social e Alterações como sendo os sócios da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, e sim Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho. Portanto, caracterizada a utilização de forma dolosa, fraudulenta e simulada de "laranjas" com a intenção de ocultar os verdadeiros sócios, administradores e beneficiários econômicos das atividades exercidas pela empresa, fugindo desta maneira do cumprimento das obrigações tributárias e dificultando o conhecimento e a exigência por parte do Fisco dos créditos tributários devidos, a fiscalização, com base nos termos do artigo 167 do Código Civil e dos artigos 135, 136, 137 e 149 (inciso VII) do Código Tributário Nacional, imputou a Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho a responsabilidade tributária pela Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. Acrescentese ainda que, em virtude da ocorrência de fatos que em tese, configuram crimes contra a ordem tributária, definidos pelos arts. 1o e 2° da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será lavrada a competente Representação Fiscal Para Fins Penais, em cumprimento ao disposto no art. 1o do Decreto n° 2.730, de 10 de agosto de 1998 e no art. 1o da Portaria SRF n° 2.439, de 21 de dezembro de 2010, alterada pela Portaria RFB n° 3.182, de 29de julho de 2011. PARTE II DA COMPROVAÇÃO DOS DONOS DE FATO 1. DOS IMÓVEIS USADOS PELA EMPRESA No desempenho de suas atividades econômicas, a Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda utiliza dois imóveis próximos, localizados no Bairro de Laranjal, São Gonçalo, RJ, descritos a seguir: 1.1 RUA CARDEAL ARCO VERDE, LOTE 23, QUADRA 83 Segundo Certidão em anexo, emitida em 12/06/2014 pelo Cartório de Registro de Imóveis da 2a Circunscrição da Comarca de São Gonçalo, RJ, este imóvel, desde abril do ano 2000, pertence em condomínio a Fernando Moutinho Thoni (14%), Reinaldo Pereira Fialho (30%) e Walter Bonifácio de Freitas (56%). O contribuinte, através do item 2 do Termo de Intimação n° 6 em anexo, foi intimado em 02/06/2014, a apresentar o Contrato de Locação deste imóvel. Em resposta entregue a fiscalização em 01/07/2014, o mesmo informou que "a empresa utiliza o espaço em caráter documental precário, tendo em vista a não localização do contrato que dá respaldo a ocupação". Diante da informação acima, o proprietário Walter Bonifácio de Freitas, detentor de mais de 50% do imóvel, por meio do Termo de Intimação recebido em 05/08/2014, foi intimado a apresentar o Contrato de Locação. Compareceu à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói e informou "que não possui a Contrato de Locação, pois ha muito tempo não vai no imóvel e que o mesmo é administrado pelo Reinaldo Pereira Fialho", conforme consta no Termo de Declaração assinado pelo mesmo em 27/08/2014 (documento em anexo). Fl. 808DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 809 5 Foi então solicitado ao contribuinte, no item 2 do Termo de Intimação n° 8 recebido em 16/10/2014, que apresentasse à fiscalização os recibos de pagamentos dos aluguéis deste imóvel. Em sua resposta entregue em 12/11/2014, o mesmo declarou que "Não dispomos de aludidos recibos, uma vez que não efetuamos qualquer pagamento referente ao imóvel citado". Dos fatos apurados acima, devidamente documentados, provam que este imóvel é cedido gratuitamente para a Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda desenvolver as suas atividades econômicas, em virtude da mesma pertencer efetivamente a Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho. 1.2 RUA GOMES TEIXEIRA, N° 260 Este imóvel, de acordo com as informações contidas na Certidão em anexo, emitida em 12/06/2014 pelo Cartório de Registro de Imóveis da 2a Circunscrição da Comarca de São Gonçalo, RJ, pertenceu a empresa Repla Indústria e Comércio de Plásticos Ltda, até o início de janeiro de 2013. Foi solicitado ao contribuinte no item 2 do Termo de Intimação n°4 recebido em 15/08/2013, que apresentasse à fiscalização o contrato de locação deste imóvel. Em sua resposta entregue à fiscalização em 18/09/2013, o contribuinte informou no item 4 que este imóvel é usado gratuitamente pela empresa, apresentando como prova um Contrato Particular de Comodato e uma Cessão e Transferência de Contrato de Comodato. Do exame do Contrato Particular de Comodato assinado em 01/11/2005 (cópia em anexo), verificase que o imóvel foi cedido gratuitamente, pelo prazo de 10 anos, à empresa Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda, e que Reinaldo Pereira Fialho assinou este documento na condição de segunda testemunha, como consta no carimbo de reconhecimento de firma feita pelo Cartório de Itaipu, Niterói, RJ. Em 01/09/2008 foi assinado o Contrato de Cessão e Transferência de Contrato de Comodato (cópia em anexo), em que o Contrato Particular de Comodato é transferido pela Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda para a Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. Este documento é um dos que provam que os fatores de produção usados pela Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda foram transferidos para a Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. Além disso, Zózimo Luiz Feregueti Braga, o sócio da Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda que representou a empresa neste documento, se tornou empregado da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, de acordo com as informações contidas no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, anexado ao processo. Este imóvel, em 08/01/2013, foi arrematado por Antônio Manuel Correia dos Reis e Willian de Souza Leão Mateik, conforme a já citada Certidão do Registro de Imóveis da 2a Circunscrição da Comarca de São Gonçalo (cópia em anexo). Em decorrência, foi solicitado ao atual proprietário Antônio Manuel Correia dos Reis, por meio do Termo de Intimação recebido em 31/07/2014, o atual Contrato de Locação. Do exame do Contrato de Locação apresentado pelo novo proprietário em atendimento à fiscalização e anexado ao processo, verificase que o imóvel foi cedido em locação à Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, pelo prazo de 5 anos a partir de 01/03/2013 mediante o pagamento de aluguel no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) Fl. 809DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 810 6 mensais, tendo como fiador Fernando Moutinho Thoni e como testemunhas, Reinaldo Pereira Fialho (CPF: 407.888.817/87) e Lauro Moutinho (CPF: 025.454 20778), pai de Fernando Moutinho Thoni. Este Contrato de Locação é mais um documento de prova de que a empresa Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda pertence de fato a Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho, pois foram estas pessoas e o pai da primeira que viabilizaram a uso deste imóvel. Acrescentese ainda que a fiscalização, através do exame dos Contratos Sociais e suas Alterações, apurou que deste de junho de 2001, estes dois imóveis também foram usados pela Nova Monterey Indústria e Comercio Ltda. Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda, Salgados Carangola Indústria e Comércio Ltda, empresas, que como dito anteriormente, foram fundadas por Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho usando interpostas pessoas, para exercerem a mesma atividade econômica da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. 2. DAS DECLARAÇÕES DE EXEMPREGADOS DA EMPRESA Diante dos fortes indícios de uso de interpostas pessoas no quadro societário da empresa, apurados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, algumas pessoas que trabalharam na Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda foram intimadas a prestarem esclarecimentos sobre o funcionamento da mesma. Dos depoimentos prestados por esses exfuncionários à fiscalização, foram lavrados os competentes Termos de Declaração, anexados ao processo, e que terão os seus conteúdos apresentados a seguir, de forma resumida. 2.1 ANSELMO PESSOA DA ROCHA Trabalhou no cargo de motorista na Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda no período de 01/12/2009 a 12/03/2012, como provam as folhas da sua Carteira de Trabalho (cópias em anexo). Intimado em 04/07/2013, prestou as informações abaixo, declarando que: · dirigia os caminhões da empresa na operação de distribuição dos seus produtos a supermercados, açougues, etc. · o dono da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda é Reinaldo Pereira Fialho, segundo o comentário entre os empregados da empresa. · não conheceu e nunca ouviu falar nos sócios João da Silva Sobrinho e Gesse Valença. · o sócio Marcelino Pereira Fialho aparecia eventualmente na empresa e era dono de uma fábrica de massa de pastéis situada no município de Nilópolis. · Marcelo Luiz de Souza, que no Contrato Social consta como sócio, trabalhava na empresa colocando etiquetas identificadoras dos produtos produzidos pela Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. 2.2 JORGE LUIZ NUNES DA SILVA Segundo as anotações na sua Carteira de Trabalho (cópia em anexo), foi funcionário da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda no período de 06/03/2009 a Fl. 810DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 811 7 11/04/2011, ocupando o cargo de motorista de caminhão. Verificase nas folhas 15 e 16 de sua Carteira de Trabalho que também foi empregado da Nova Monterey Indústria e Comércio Ltda e Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda. empresas antecessoras da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. Em atendimento ao Termo de Intimação recebido em 03/07/2013, compareceu na Receita Federal em 09/07/2013, declarando que: · trabalhou na empresa dirigindo caminhões na operação de distribuição dos seus produtos a supermercados, açougues, etc. · o dono da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda è Reinaldo Pereira Fialho. · não conhece os sócios João da Silva Sobrinho e Gesse Valença. · o sócio Marcelino Pereira Fialho trabalhou na empresa aproximadamente uns 3 meses, tendo saído para ir trabalhar numa fábrica de massa de pastéis. · conhece o sócio Marcelo Luiz de Souza, que trabalhava na empresa recebendo mercadorias dos fornecedores da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. 2.3 JORGE LUIZ DA SILVA CARVALHO De acordo com as informações contidas na sua Carteira de Trabalho (cópia em anexo), foi contratado pela Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda em 12/04/2011 para o cargo de serviços gerais, tendo trabalhado até 02/09/2011. Em 30/04/2013 compareceu ao Serviço de Fiscalização, atendendo ao Termo de Intimação recebido em 11/04/2013. declarando que: · a sua atividade na empresa era descarregar carcaça de suínos dos caminhões e salgálas numa máquina giratória. · o dono da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda é Reinaldo Pereira Fialho. · não conhece e nunca ouviu falar em Gesse Valença. · conheceu Marcelino Pereira Fialho na empresa, que também ajudava a descarregar os caminhões. 2.4 MOYSÉS VELASCO DE OLIVEIRA RIBEIRO De 15/01/2009 a 03/02/2011 ocupou o cargo de ajudante de caminhão na Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, como está registrado em sua Carteira de Trabalho (cópia em anexo). Como se verifica nas anotações da folha 12 de sua Carteira de Trabalho, também foi funcionário da Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda. empresa quer foi transformada na atual Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. Atendendo ao Termo de Intimação recebido em 05/07/2013. compareceu a DRF/Niterói em 09/07/2013, prestando as seguintes informações: Fl. 811DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 812 8 · trabalhou na empresa como ajudante de caminhão na entrega de produtos da empresa · o dono da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda é Reinaldo Pereira Fialho. · não conhece os sócios João da Silva Sobrinho. Marcelo Luiz de Souza e Gesse Valença. · conhece o sócio Marcelino Pereira Fialho, pois algumas vezes esta pessoa ia na Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda para acertar a entrega de produtos da empresa para uma fábrica de massa de pastéis localizada no Município de Olinda. 3. DA TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS PARA OS DONOS DE FATO Nos extratos da conta corrente n° 148.5105 (cópia em anexo), mantida pela Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda na agência 3375 do Banco BRADESCO S/A, existem inúmeras transferências financeiras para o Posto Jardim Ubá Ltda. A fiscalização, examinando a Oitava Alteração Contratual desta empresa, anexada ao processo, apurou que desde abril de 2003 a mesma pertence a Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho. Foi apurado também, que esta empresa é um posto de gasolina, localizado na Estrada Francisco da Cruz Nunes. n° 5.874, Itaipu. Niterói, RJ, a cerca de 26 quilômetros da sede da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. e consequentemente, os seus caminhões para se abastecerem de combustível no Posto Jardim Ubá Ltda teriam que percorrer cerca de 52 quilômetros de ida e volta, levando aproximadamente uma hora para realizarem esse percurso. Considerando as informações acima e tendo em vista que a Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda fica a cerca de 700 metros da Estrada RJ 104, também conhecida como Rodovia Niterói Manilha, onde existem inúmeros postos de gasolina bem mais próximos, concluise que o abastecimento no Posto Jardim Ubá Ltda seria totalmente irracional do ponto de vista econômico e operacional. Dos fatos acima apurados e considerando as informações contidas em outros tópicos deste Termo de Constatação Fiscal, concluise que as transferências financeiras da Indústria de Alimentos Pata Negra Lida para o Posto Jardim Ubá Ltda, representa um artificio usado por Fernando Moutinho Thoní e Reinaldo Pereira Fialho para retirarem recursos, em beneficio próprio, da empresa que fundaram em nome de interpostas pessoas. Desta forma, como provam as TEDT emitidas pela Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda a favor do Posto Jardim Ubá Ltda. relacionadas por datas e valores na tabela apresentada a seguir. Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho receberam no ano de 2009 através desse esquema, a importância de R$ 1.074.653.00 (um milhão, setenta e quatro mil. seiscentos e cinquenta e três reais). Fl. 812DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 813 9 Além dessas TED, a amostra aleatória de 19 (dezenove) cópias de cheques solicitadas pela fiscalização ao Banco BRADESCO S/A revelaram que 4 (quatro), ou seja, 21% foram destinados direta ou indiretamente para essas pessoas. Assim, o cheque n° 002968 de 03/12/2009 no valor de R$ 30.000,00 (cópia em anexo) foi emitido em nome do Posto Jardim Ubá Ltda. Já os 3 (três) cheques relacionados abaixo (cópia em anexo), tendo como beneficiário Fernando Moutinho Thoni, provam que só em outubro de 2009 recebeu diretamente da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, a importância de R$ 398.000,00 (trezentos e noventa e oito mil reais). cheque n° 002433 de 09/10/2009 R$ 163.000,00 cheque n° 002438 de 13/10/2009 R$ 137.000,00 cheque n° 002518 de 16/10/2009 R$ 98.000,00 Total R$398.000,00 4. DOS SUPOSTOS SÓCIOS DA EMPRESA Segundo o Contrato Social e suas Alterações, anexados ao processo, a Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda teve até a presenta data 6 (seis) sócios, relacionados a seguir: 4.1 SÓCIOS FUNDADORES: A) JOÃO DA SILVA SOBRINHO Conforme a Cláusula Segunda do Contrato Social assinado em 10/06/2008, esta pessoa, que é sogro de Reinaldo Pereira Fialho, teria investido a importância de R$ 45.000,00 na integralização de 95% do Capital Social da empresa. Todavia, as informações contidas na Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2009, AnoCalendário de 2008 (cópia em anexo), a última Declaração que entregou à Receita Federal, revelam que ele não dispunha de recursos de natureza econômica e financeira para fazer essa aplicação. Assim, essa Declaração mostra que nesse ano os seus rendimentos foram de apenas RS 6.515,00 e o seu patrimônio era formado apenas por "dinheiro em espécie", que no início de 2008 era de RS 35.840,00 e ao final do ano aumentou para R$ 37.000,00. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 814 10 Outra irregularidade do Contrato Social é o endereço da residência de João da Silva Sobrinho. Neste documento está escrito que João da Silva Sobrinho reside na Rua Pedro Ferreira, lote 14, quadra 126, Santa Luzia, São Gonçalo, RJ, pertinho da sede da empresa. Porém, o Termo de Intimação enviado para este local, voltou com o envelope carimbado pelos Correios com a informação de que "não existe o número indicado". Em declaração à fiscalização, a sua esposa, Jovelina de Souza da Silva, informou que residem a muitos anos numa casa simples no município de Santo Antônio de Pádua, Estado do Rio de Janeiro, situada na Rua Picando de Abreu, s/°, no Bairro de Monte Alegre e que o seu esposo faleceu em junho de 2013. Declarou também que era muito comum o seu genro, Reinaldo Pereira Fialho, usar os seus nomes na confecção de Contratos Sociais visto que eles não correriam nenhum risco em decorrência do que viesse acontecer com as empresas em virtude de não possuírem nenhum patrimônio. Assim, o seu nome foi usado para compor o quadro societário da empresa Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda e do seu esposo, João da Silva Sobrinho, foi usado nas empresas Frigorífico Industrial do Laranjal Ltda de 15/06/1998 a 03/03/2000, RPF 81 Indústria e Comércio de Carnes Ltda de 30/11/1999 a 01/04/2002, Nova Monterey Indústria e Comércio de Carnes Ltda de 25/06/2001 a 26/10/2006, Frigorífico Pata Negra Ltda de 03/04/2008 a 09/07/2008 e Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda de 11/07/2008 a 05/05/2010, conforme provam as fichas cadastrais e Contrato Sociais em anexo. Outra inverdade contida no Contrato Social da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda é o que está escrito na Quarta Cláusula, que diz que "A administração dos negócios da sociedade será exercida pelo sócio João da Silva Sobrinho, isoladamente . Esta tarefa é humanamente impossível para uma pessoa residente em Santo Antônio de Pádua, cidade situada a cerca de 250 quilômetros da sede da empresa, ou seja, para ir da sua residência a sede da empresa e voltar para casa, este sócio administrador, na época com 80 anos (nasceu em 08/10/1928), gastaria aproximadamente 7 horas por dia. B) MARCELO LUIZ DE SOUZA Consta como sendo o outro sócio fundador da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, possuindo os restantes 5% do Capital Social. Segundo informações contidas no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS anexada ao processo, no período de 10/06/1996 a 13/09/1999 trabalhou na empresa Frigorífico Industrial do Laranjal Ltda. Em 19/10/1999, um mês após sair da empresa anterior, foi admitido na RPF 81 Indústria e Comércio de Carnes Ltda, onde trabalhou até 10/09/2002. Estas empresas pertencem de fato a Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho, porém com quadro societário constituído por interpostas pessoas. Em 10/10/2002, um mês após sair da RPF 81 Indústria e Comércio de Carnes Ltda, deixou de ser empregado e virou empresário, passando a constituir, juntamente como João da Silva Sobrinho, o outro sócio fundador da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, o quadro societário da Nova Monterey Indústria e Comércio Ltda. Tratase de pessoa de baixo poder aquisitivo, que desde o Exercício de 2007, não tem apresentado as Declarações de Ajuste Anual, segundo os dados cadastrais em anexo. Na última Declaração entregue à Receita Federal, a do Exercício de 2006 (cópia em anexo), está informado que no anocalendário de 2005 os seus rendimentos foram de R$ 7.060,00 e o seu patrimônio era de R$ 10.000,00, referente a 20% das cotas do Capital Social da Nova Monterey Indústria e Comércio Ltda. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 815 11 No Contrato Social da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda consta que este sócio também reside na Rua Pedro Ferreira, lote 14, quadra 126, Santa Luzia, São Gonçalo, RJ, ou seja, de acordo com o documento de constituição da empresa os dois sócios fundadores e seus familiares moram na mesma casa. Tratase de mais uma inverdade escrita no documento de fundação da empresa pois, de acordo com informações contidas no Cadastro da Receita Federal e no Cadastro Nacional de Informações Sociais (documentos em anexo), esta pessoa reside a muito tempo em Magé, na Rua 08 de Dezembro, no Bairro Parque Azul. O seu nome também foi usado em 03/04/2008 para compor o quadro societário da empresa Frigorífico Pata Negra Ltda, conforme dados cadastrais em anexo. 4.2 SEGUNDA GERAÇÃO DE SÓCIOS A) GESSE VALENÇA De acordo com a Primeira Alteração Contratual assinada em 24/02/2010 (cópia em anexo), comprou por R$ 45.000,00 todas as 4.500 cotas que pertenciam a João da Silva Sobrinho. Este novo sócio, como provam as informações contidas no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS em anexo, desde agosto de 2006 é empregado com vínculo rural de Lauro Thoni, pai de Fernando Moutinho Thoni, um dos donos de fato da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. No período de junho de 2009 a janeiro de 2011, o seu nome também foi usado para compor o quadro societário da empresa Salgados Carangola Indústria e Comércio Ltda, conforme Contrato Social em anexo. A sede desta empresa é na Rua Cardeal Arco Verde, Lote 23, Quadra 83, Laranjal, São Gonçalo, imóvel que também é usado pela Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. O outro sócio da Salgados Carangola Indústria e Comércio Ltda é Zózimo Luiz Fereguetti Braga, pessoa que virou empregado da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, segundo informações contidas no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, anexada ao processo. Uma outra irrealidade da Primeira Alteração do Contrato Social da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda é a que estabelece que "A administração da sociedade será exercida pelo sócio Gesse Valença" . É uma função impossível para uma pessoa que reside a muitos anos em Macaé, cidade situada a cerca de 170 quilômetros da sede da empresa. Assim, para este sócio, diariamente, sair da sua residência e ir administrar a empresa em Laranjal e voltar para casa, gastaria aproximadamente 5 horas por dia. B) MACELINO PEREIRA FIALHO Segundo as informações contidas no cadastro da Receita Federal em anexo, esta pessoa é filho de Geni de Matos Navarro Fialho, mãe de Reinaldo Pereira Fialho, ou seja, é o irmão do dono de fato da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda e que teve o seu nome usado para compor o quadro societário da empresa. De acordo com a Segunda Alteração Contratual (cópia em anexo), assinada em 10/05/2010, teria adquirido pela importância de R$ 5.000,00, todas as 5000 cotas que estavam em nome do sócio fundador Marcelo Luis de Souza. 4.3SÓCIOS ATUAIS A) JOSÉ EDUARDO PLATNER CESÁRIO Fl. 815DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 816 12 Foi empregado da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda durante nove meses, tornandose sócio da empresa após esse período. De acordo com os dados contidos na Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS (cópia em anexo), começou a trabalhar na empresa em 06/12/2012 e foi demitido em 02/09/2013. Neste mesmo dia assinou a Quinta Alteração Contratual da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda (cópia em anexo), onde consta que teria adquirido todas as cotas do Capital Social que pertenciam a Marcelino Pereira Fialho, o irmão de Reinaldo Pereira Fialho. B) LUIS CARLOS CORRÊA BARBOSA Em 02/09/2013, assinou a Quinta Alteração Contratual da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, tornandose sócio majoritário, com 90% do Capital Social, ao adquirir por R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), as 4.500 cotas pertencentes a Gesse Valença, conforme o disposto na cláusula primeira. Todavia, as informações contidas na Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2014 (cópia em anexo) e na DIRF apresentada pelo Bom Market Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda (cópia em anexo), empresa onde trabalhou até 18/09/2013, conforme dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS (cópia em anexo), mostram que esta pessoa não dispunha de recursos financeiros para adquiriras 4.500 cotas da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. O exame desses documentos revelam que até setembro de 2013 este novo sócio recebeu da Bom Market Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda o montante de RS 33.283,04, referente a salários e décimo terceiro, conforme demonstrado a seguir: salário brutoRS 35.002,77 décimo terceiro líquidoR$ 2.289,34 imposto de renda retido na fonteR$ (918,07) contribuição à previdência oficialR$ (3.091.00) R$ 33.283,04 Se adicionarmos a essa importância os rendimentos recebidos da caderneta de poupança (R$ 355,86) e mais o saldo que tinha em 01/01/2013 na Poupança do Banco Itaú Unibanco S/A, no valor de R$ 8.834,05, concluise que o total de recursos financeiros disponíveis por esta pessoa era de R$ 42.472,95. Como parte desse dinheiro foi consumido com alimentação, transporte, luz, telefone, água e outros gastos pessoais durante os meses de janeiro a agosto de 2013, fica evidente que Luis Carlos Corrêa Barbosa não dispunha de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais) para comprar as 4.500 cotas da empresa, como está escrito na cláusula primeira Quinta Alteração Contratual da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. Outro fator agravante a ser levado em consideração é que uma empresa do porte da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda com movimentação bancária mensal da ordem de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) segundo informações contidas nas DIMOF apresentadas pelo Banco BRADESCO S/A e que tem uma folha de pagamento anual de R$ 1.194.738,42 referente a 52 funcionários, conforme informações da DIRF/2013 em anexo, nunca seria vendida pelo valor irrisório de RS 50.000,00 (cinquenta mil reais) como estabelecido na Quinta Alteração Contratual. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 817 13 Diante dos fatos apresentados acima, fica provado que Luis Carlos Corrêa Barbosa não tinha condição econômica para comprar 90% da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. 5. DOS DONOS DE FATO DA EMPRESA Fernando Moutinho Thoni e Reinaldo Pereira Fialho também têm diversos relacionamentos empresariais legalizados que, segundo informações levantadas pela fiscalização, já existem a pelo menos 15 (quinze) anos, e que estão citados abaixo: Em 31/07/1999, segundo a Certidão da matrícula n° 30.688 (cópia em anexo), emitida em 12/06/2014 pelo Cartório de Registro de Imóveis da 2a Circunscrição da Comarca de São Gonçalo, RJ, tornaramse proprietários de um galpão para comércio com 384 (trezentos e oitenta e quatro) metros quadrados, edificado num terreno com 600 (seiscentos) metros quadrados, situado no n° 384 da rua Gomes Teixeira, Laranjal, São Gonçalo, RJ. Em 10/04/2000, de acordo com as informações contidas na Certidão da matrícula n° 43.040 (cópia em anexo), emitida em 12/06/2014 pelo Cartório de Registro de Imóveis da 2a Circunscrição da Comarca de São Gonçalo, RJ, adquiriram o imóvel situado na Rua Cardeal Arco Verde, Lote 23, Quadra 83, Laranjal, São Gonçalo, RJ, que possui 600 (seiscentos) metros quadrados. Em 01/04/2003, se tornaram sócios de um posto de gasolina, conforme a Segunda Alteração Contratual (cópia em anexo) da empresa Auto Posto Arrastão Ltda. Na mesma data, 01/04/2003, adquiriram outro posto de gasolina, nas condições estabelecidas na Oitava Alteração Contratual (cópia em anexa) da empresa Posto Jardim Ubá Ltda. A fiscalização também apurou que estas duas pessoas apresentam condições econômicas e financeiras mais do que suficientes para criar e colocar em funcionamento empresa com a dimensão da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, o que, como provado anteriormente, não ocorre com as pessoas que tiveram seus nomes usados para compor o quadro societário da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda e das empresas que a antecederam. Do exame da Declaração de Ajuste Anual Simplificada do Exercício de 2009 de Fernando Moutinho Thoni (cópia em anexo), constatase que em 2008, ano de fundação da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, esta pessoa auferiu rendimentos no total de R$ 1.016.961,06 e seu patrimônio declarado aumentou de R$ 2.638.045,97 em 01/01/2008 para R$ 3.608.628,86 em 31/12/2008. Como consequência da elevada condição econômica, Fernando Moutinho Thoni é o dono capitalista da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda, como se verifica do exame do Contrato de Locação (cópia em anexo) do imóvel situado na Rua Gomes Teixeira, n° 260, Laranjal, São Gonçalo, RJ, sede da empresa. Neste documento ele participa como fiador que, nos termos da cláusula XVI, é o "principal pagador e responsável pelo fiel cumprimento do presente contrato, sem exceção de quaisquer cláusulas, mesmo que o contrato passe a vigorar por tempo indeterminado". Da mesma forma, Reinaldo Pereira Fialho, também dispunha de condições financeiras e patrimoniais para ser dono de verdade da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. A análise da sua Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2009 (cópia em anexo) mostra que o mesmo também recebeu em 2008 rendimentos significativos, no Fl. 817DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 818 14 montante de RS 918.209.95. além de ter feito uma doação de RS 750 000,00 para sua esposa Norma Sueli Sirva Fialho. Já o patrimônio do casal aumentou de RS 2.217.416,05 para RS 3.105 991,80 durante o ano de 2008. A função deste outro dono da Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda era de administrar a empresa. Para tanto, se passava por empregado da mesma, ocupando o cargo de Gerente de Produção, como prova a cópia da página 16 da sua Carteira de Trabalho e Previdência Social em anexo. Este mesmo procedimento foi adotado nas empresas que antecederam a Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda. Nas páginas 14 e 15 da Carteira de Trabalho (cópia em anexo) estão os Contratos de Trabalho de Reinaldo Pereira Fialho com a Nova Monterey Indústria e Comércio Ltda e a Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carne Ltda, onde ocupou também o cargo de Gerente de Produção. PARTE III DA OMISSÃO DE RECEITA No ano de 2009 a Indústria de Alimentos Pata Negra Ltda realizou movimentações financeiras no montante de R$ 56.965.170,71, segundo as DIMOF apresentadas pelo Banco Bradesco S/A. Por outro lado. o contribuinte informou na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do exercício de 2010, anexada ao processo, que a receita bruta da empresa em 2009 foi de RS 16.277.889,35. valor bem inferior ao da movimentação financeira no período. Visando identificar a origem da diferença apontada acima, o contribuinte, através do Termo de Início de Fiscalização recebido em 21/11/2011, foi intimado a apresentar os Livros Diário e Razão referentes à escrituração do ano de 2009, bem como os extratos bancários das movimentações financeiras que a empresa realizou nesse ano. Em 08/12/2011, o contribuinte entregou â fiscalização uma carta, anexada ao processo, solicitando prorrogação de prazo de 20 dias para poder apresentar os extratos bancários solicitados no item 2 do Termo de Inicio de Fiscalização, o que foi concedido, em observância às garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Em 17/01/2012. o contribuinte entregou à fiscalização os extratos bancários solicitados, bem como uma cópia do recibo de entrega dos Livros Diário e Razão em meio digital, atendendo desta forma as solicitações feitas no Termo de Início de Fiscalização. Do exame dos extratos bancários apresentados pela empresa, anexados ao processo, foram identificados inúmeros depósitos, relacionados no anexo ao Termo de Intimação N° 7 recebido pelo contribuinte em 01/09/2014, intimandoo a comprovar com documentos hábeis e idóneos, a origem desses recursos depositados na conta corrente da empresa, e que estão consolidados por totais mensais no Quadro I apresentado a seguir. QUADRO I; DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM 2009 DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA Fl. 818DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 819 15 Cientificado o contribuinte através do Termo de Intimação n° 7 que a não comprovação com documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nessas operações caracteriza OMISSÃO DE RECEITA, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430. de 27/12/1996 e, não tendo o contribuinte até a presente data comprovado, mediante documentação hábil e idônea a efetiva origem dos recursos utilizados nesses depósitos, a fiscalização, com fulcro no art. 24 da Lei 9.249, de 1995 e no art. 42 da Lei 9 430/1996, caracterizou esses recursos como receitas auferidas pela empresa no ano de 2009. Da análise da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do Exercício de 2010 (cópia em anexo) e das Fichas 07A do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON dos meses de janeiro a dezembro de 2009, anexadas ao processo, foi apurado que o contribuinte ofereceu a tributação as receitas relacionadas na tabela seguinte: QUADRO II RECEITA DECLARADA EM 2009 Considerando as informações acima, as receitas mensais omitidas pelo contribuinte a serem lançadas no Auto de Infração serão determinadas pelas diferenças positivas entre as receitas apuradas por presunção legal, em virtude da não comprovação da origem de recursos creditados em sua conta corrente, totalizados por mês no Quadro I Depósitos Bancários em 2009 de Origem Não Identificada e as receitas declaradas pelo contribuinte, listadas no Quadro II Receita Declarada em 2009, valores que estão demonstrados no Quadro III Apuração da Receita Omitida a ser tributada em 2009, apresentado a seguir: QUADRO III: APURAÇÃO DA RECEJTA OMITIDA A SER TRIBUTADA EM 2009 Fl. 819DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 820 16 A empresa foi cientificada do lançamento em 10/12/2014 e os responsáveis solidários em 16/12/2014. A autuada, o Sr. FERNANDO MOUTINHO THONI e o Sr. REINALDO PEREIRA FIALHO ingressaram em 08/01/2015 com a impugnação de fls. 660/674, na qual refutam o lançamento sob as seguintes alegações: IMPUGNAÇÃO Nulidade do auto de infração. Consta do art. 5° da Constituição Federal, o Princípio da ampla Defesa e do Contraditório desdobramento do Devido Processo legal onde é assegurado às partes litigantes o direito de requerer a produção de provas e participarem de sua realização, ainda, se pronunciarem a respeito de seu resultado. As provas devem ser produzidas por quem alega, e a busca da verdade real deve permanecer, principalmente quando da existência de requerimento da interessada, não gerando qualquer óbice e tampouco omitindo relações bancárias. O Fisco deve sempre buscar a realidade dos fatos. Em se tratando da desconsideração da pessoa jurídica deveria o Fisco ter intimado os sócios da empresa para prestar informações necessárias ao deslinde da causa. Todavia a Administração Pública desconsiderou a personalidade jurídica da empresa e inseriu o Recorrente como responsável Tributário atingindo inclusive o seu patrimônio, sem a sua participação, afrontando as garantias previstas na Carta Magna. Além disso, para que seja admitida a desconsideração da pessoa jurídica no âmbito do Direito Tributário e, conforme análise do CTN e do Código Civil, fazse necessária intervenção judicial para esse fim. Omissão de Receita. Bis in idem. A autuação ocorreu porque teria deixado de recolher PIS Cofins, IRPJ e CSLL, por suposta omissão de recita de depósitos bancários. Todavia entendem os impugnantes "ao contrário do que afirma o Sr. Auditor que as receitas oriundas demonstradas foram debitadas e posteriormente creditada na mesma conta de titularidade da Empresa Autuada, o que não caracteriza fato gerador para a tributação." Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal todos os documentos solicitados pela Receita Federal foram prontamente fornecidos a fim de elucidar Fl. 820DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 821 17 quaisquer dúvidas que por ventura pairavam sobre a fiscalização. Resta portanto caracterizada a violação dos Princípios Constitucionais da Ampla Defesa, do Contraditório e do Devido Processo Legal, ensejando graves consequências ao recorrente. Assim, entendem os impugnantes ao contrário do que afirma o Sr. Auditor que as receitas demonstradas foram debitadas e posteriormente creditadas na mesma conta de titularidade da empresa, o que não caracteriza fato gerador para tributação. A Administração Fiscal incorreu em erro ao utilizar como base de cálculo o mesmo fato gerador (movimentação financeira realizada em uma única conta corrente do mesmo titular). Levandose em consideração que as transações discriminadas foram oriundas da própria empresa, não se cogita tributálas. O que a Administração Fiscal pretende é inconstitucional, é tributar duas vezes o sujeito passivo pelo mesmo fato gerador, um bis in idem o que é inaceitável. Portanto, o auto de infração deve ser considerado improcedente. Da ilegalidade e inconstitucionalidade dos atos praticados. Para autuar a empresa o Fisco utilizouse de informações extraídas das administradoras financeiras e Bancos, imputandoa como omissão de receita referente a saída de mercadorias e extratos bancários. A quebra do sigilo bancário pelo Fisco afronta o inciso XII, do art. 5° da Constituição Federal de 1988, que dispõe a inviolabilidade dos dados e informações. Tais informações obtidas são eivadas de vícios de ilegalidade e inconstitucinalidade, pos tratamse de informações protegidas por sigilo bancário e para acessálas seria imprescindível a autorização judicial. Atribuição de responsabilidade de supostos sócios. De acordo com a legislação são atribuidos aos sócios que concorrenram para a suposta infração, a responsabilidade solidária tributária, incluindo as contribuições previdenciárias. No período que ensejou o presente auto de infração, estava a Empresa impugnante sob a gerência e comando dos sócios GESSE VALENÇA e MARCELINO PEREIRA MILANO, conforme o contrato social da empresa, ainda que se constate eventual irregularidade para a Receita federal, a responsablidade recairia sobre os referidos, por força dos dispositivos legais. De acordo com o art. 121 do CTN, a responsabilidade é atribuída aos sócio que concorreu para a suposta infração. Ainda, as alegações de que 21% da receita da empresa foi destinada a contas dos supostos sócios de fato, ora impugnantes, não merecem prosperar pois sequer foi comprovado com documentos hábeis tais transações. Apenas demonstrados por planilhas. O fato de todos os sócios serem próximos ou até mesmo da mesma família do SR. Reinaldo ou Do Sr. Fernando não possui o condão de imputar responsabilidade tributária e muito menos a condição de sócio de fato da empresa. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 822 18 Não assiste razão para os recorrentes figurarem no pólo passivo, devendo, portanto, serem excluídos, tendo em vista a comprovação do alegado anteriormente e os documentos acostados ao presente recurso. Multa de ofício A multa imposta revelase de total incapacidade de pagamento, quer pelo patrimônio empresarial, quer pelo patrimônio pessoal, enfatizando prática vedada pela Constituição federal de ofensa aos direitos dos contribuintes preconizada no art. 150 da Constituição Federal, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco. O auto de infração informa apenas os valores das multas formais, não informando o valor que teve como base de cálculo para arbitrar a multa, criando assim uma capitalização indevida. Juros de mora Os juros de mora atingem o valor corrigido da obrigação tributária acrescido da multa, restando visível que foram praticados em excesso, pois de acordo com o Código Tributário Nacional deveria ser de 1% (um por cento) ao mês. O somatório das multa e dos juros é superior ao da dívida principal, caracterizando o efeito confiscatório das obrigações acessórias. A empresa impugnante nunca se esquivou de declarar e tampouco pagar ao Fisco. O que ocorreu foi que, em razão de um equívoco, o Fisco disse existir omissão de receita. Restou caracterizado a contradição e o equívoco incorrido pelo Fisco ao não levar em consideração que as operações de créditos e débitos foram realizadas na mesma conta bancária. Assim requer que a nulidade do auto de infração em razão da multa confiscatória, que as transações foram ralizadas atavés da mesma conta bancária, e que se assim não for entendido, que seja reduzida a base de cálculo do imposto e do valor da multa aplicada arbitrariamente, reduzindose os valores a serem pagos pela contribuinte, principalmente no tocante à multa e juros, pois seria constitucionalizar o efeito de confisco. Decadência Posteriormente, após o prazo para impugnação apresentou aditamento à impugnação alegando que por tratarse de matéria de ordem publica, a decadência pode ser suscitada pelos julgadores sem provocação. Aduziu que tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, conforme o disposto no art. 150, § 4 do CTN, o prazo para o lançamento seria de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador e se inexistente pagamento do tributo teria início o prazo decadencial a partir do exercício financeiro subseqüente, conforme art. 173, I, do CTN. Todavia no presente caso, foi efetuado pagamento a menor, logo o prazo iniciouse em janeiro de 2009. Ocorre que a ciência do AI se deu no final do mês de dezembro de 2014. Portanto, requereu a nulidade do auto de infração em razão da multa confiscatória e porque as transações foram realizadas através da mesma conta bancária. Caso se iten a ao contrário, que seja reduzida a base de cálculo do imposto e do valor da multa aplicada arbitrariamente, reduzindose os valores a serem pagos pelo Fl. 822DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 823 19 contribuinte, 0"incipalmente no tocante à multa e juros, pois não pode a Administração Pública "constitucionalizar o efeito de confisco dos tributos." É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 1459.260 (fls. 738765) de 30/07/2015, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os depósitos em contacorrente da empresa, cujas operações que lhes deram origem não foram comprovadas, presumem se advindos de receitas omitidas, obtidas à margem da escrituração. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, não há que se cogitar sobre a nulidade do lançamento. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase à tributação reflexa da CSLL, PIS e Cofins idêntica solução dada ao lançamento principal, do IRPJ, em face da estreita relação da causa e efeito. SIGILO BANCÁRIO. A obtenção de extratos bancários pelo Fisco não constitui quebra de sigilo, nem meio ilícito de obtenção de provas, porquanto é um procedimento fiscal amparado legalmente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. FRAUDE. Verificada a ocorrência de fraude, o direito de a Fazenda Pública constituir 0 crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 824 20 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado, as pessoas que tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador e os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado que cometem infração de lei.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 27/08/2015 (A.R. de fl. 775) a interessada interpôs recurso voluntário em 18/09/2015 (fls. 791801) onde repisa parte dos argumentos apresentados em sua impugnação, que são enfrentados no voto deste acórdão. Não houve apresentação de recursos dos coobrigados. É o relatório. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15540.720447/201472 Resolução nº 1402000.354 S1C4T2 Fl. 825 21 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De plano, há que se consignar que os coobrigados, Sr. FERNANDO MOUTINHO THONI e Sr. REINALDO PEREIRA FIALHO, não foram intimados da decisão contida no Acórdão da DRJ nº 1459.260 (fls. 738765) de 30/07/2015. Uma vez que aquela decisão manteve esses coobrigados no pólo passivo da obrigação tributária, há que cientificálos daquele decisum, dandolhes o direito a interposição de recurso voluntário no prazo legal, sob pena de nulidade do procedimento por cerceamento do direito de defesa dos acusados. Por todo o exposto, Voto por converter o julgamento em diligência para que se retorne os autos à Unidade de origem para que os aludidos coobrigados sejam intimados da decisão de primeira instância, retomandose o rito processual a partir daí. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 825DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720509/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS. ERRO FORMAL.
Cabível os embargos de declaração para corrigir erro formal. Constatado o erro, cabe sua reparação, incluindo na decisão do colegiado, que foi dado provimento ao recurso voluntário também em relação à rubrica 165, a qual não foi citada no Acórdão, apesar de constar no dispositivo.
Embargos Parcialmente Acolhidos
Numero da decisão: 2301-004.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e acolher parcialmente os embargos de declaração opostos, para rerratificar o Acórdão fazendo constar no item III-C "Dar provimento ao recurso na questão da rubrica 165, nos termos do voto do Relator".
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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PREV. ABONOS E VERBAS INDENIZATÓRIAS Embargante ALL AMERICA LATINA LOGISTICA MALHA PAULISTA S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 EMBARGOS. ERRO FORMAL. Cabível os embargos de declaração para corrigir erro formal. Constatado o erro, cabe sua reparação, incluindo na decisão do colegiado, que foi dado provimento ao recurso voluntário também em relação à rubrica 165, a qual não foi citada no Acórdão, apesar de constar no dispositivo. Embargos Parcialmente Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e acolher parcialmente os embargos de declaração opostos, para rerratificar o Acórdão fazendo constar no item IIIC "Dar provimento ao recurso na questão da rubrica 165, nos termos do voto do Relator". (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 09 /2 01 1- 61 Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de embargos de declaração tempestivamente opostos pelo contribuinte (fls. 1748/1790), em face do Acórdão nº 2301.003.209, da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, de 21/11/2012, constante às fls.1647/1676, com fulcro no art. 65, do RICARF, Portaria 343, de 9 de junho de 2015 e alterações posteriores: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A Embargante aponta que houve um erro formal, duas omissões e uma contradição no decisório. Quanto ao erro formal, foi assim apontado: "(...) a Embargante notou que houve um equívoco na redação de sua ementa, visto que não constou a informação que foi dado provimento ao seu Recurso Voluntário com relação à rubrica 165 e, ao mesmo tempo, constou duas vezes a informação de que foi provido o referido Recurso no tocante às rubricas 161 e 391." A primeira omissão diz respeito a um dos argumentos em relação à ajuda de custo: "Contudo, o referido acórdão foi omisso quanto a um dos argumentos trazidos pela Embargante em seu Recurso Voluntário sobre este tema, no item "III.2.c". [...] Em síntese, demonstrouse que os valores pagos não se adequavam às hipóteses taxativas de incidência das contribuições previdenciárias, fato que, se apreciado, seria certamente reconhecido e levaria à completa irrelevância da questão se a Embargante estaria ou não enquadrada na hipótese de isenção." A segunda omissão existiria no tratamento das rubricas 283 e 286, tendo em conta que não foi observado o argumento de que os pagamentos não configurariam fato gerador dos tributos. A contradição diz respeito à decadência e a consideração de pagamentos em relação aos fatos geradores que interessam para a caducidade. O relator do Acórdão, Conselheiro Mauro José Silva, ao analisar os embargos interpostos, em fls. 1829/1831, se posicionou no sentido de que assistia, em parte, razão a embargante, nos seguintes termos: Na análise do acórdão proferido verificamos que há razão na oposição dos embargos em relação a um dos seus fundamentos. O erro formal, à toda vista, existiu, merecendo sua reparação, tendo em conta que os itens IIIb e IIIC são idênticos e a Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301004.740 S2C3T1 Fl. 1.836 3 rubrica 165 não foi citada no Acórdão, apesar de constar em nosso dispositivo. No entanto, inexistem as omissões e a contradição apontada. Os argumentos da embargante referemse, na realidade, ao mérito do voto, devendo ser objeto de Recurso Especial, se cabível. Em razão da presença do erro formal acima admitido, entendo que devam ser acatados os embargos opostos de forma parcial. O despacho de admissibilidade, do Sr. Presidente Dr. Marcelo Oliveira, fl. 1831, admitiu os embargos acolhendo as colocações do relator: Acato o pronunciamento do relator, apresentado em conformidade com o §2º do art. 65 do RICARF, para admitir os Embargos de Declaração apresentados. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi Os Embargos preenchem os requisitos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, portanto devem ser apreciados. Passo a analisar os embargos no que tange ao erro formal, parte admitida do recurso. Conforme mencionado, tratase de embargos de declaração interposto pela ALL AMERICA LATINA LOGISTICA MALHA PAULISTA S.A, contra Acórdão com a seguinte decisão do colegiado: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da incidência de contribuição na rubrica 283 e 286, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em excluir do lançamento o primeiro pagamento da rubrica 230, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que negavam provimento ao recurso nesta questão e o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que dava provimento integral ao recurso nesta questão; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator; c) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 161 e 391, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa acompanhou a votação por suas conclusões; d) em dar provimento ao recurso, na questão das rubricas 233, nos termos do voto do Relator; e) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Sustentação oral: Caio Alexandre Taniguchi Marques. OAB: 242.279/SP Analisando o Acórdão proferido verificamos que há razão na oposição dos embargos. O erro formal, à toda vista, existiu, merecendo sua reparação, tendo em conta que os itens IIIb e IIIC são idênticos e a rubrica 165 não foi citada no Acórdão, apesar de constar no voto e dispositivo: Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a determinar que: (a) sejam excluídas do lançamento as Rubricas 161, 391, 165 e 233; (b) seja afastada do lançamento a primeira parcela paga a cada empregado em relação à Rubrica 230; (c) nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; (d) nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91.(grifei) Nas demais alegações no que concerne às omissões e contradição apontadas, em verdade se referem a inconformidades em relação ao mérito do voto, não cabendo a oposição de embargos. Assim, verificase que de fato assiste razão ao contribuinte em embargar o citado acórdão visto que o resultado do julgamento nele formalizado não fez referência à rubrica 165, mesmo constando no voto e na parte dispositiva do julgado. Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.720509/201161 Acórdão n.º 2301004.740 S2C3T1 Fl. 1.837 5 Diante do exposto, voto por conhecer e acolher parcialmente os embargos de declaração opostos, para rerratificar o Acórdão fazendo constar no item IIIC "Dar provimento ao recurso na questão da rubrica 165, nos termos do voto do Relator". (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10886.720459/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO OS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.
Comprovado que não houve omissão de rendimentos no período considerado, cancela-se a majoração dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas em função da interposição de reclamação trabalhista.
GLOSA DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. FALTA DE PROVAS.
Na medida em que não restou comprovado o pagamento de pensão e das despesas com saúde objeto do recurso, mantêm-se as referidas glosas.
Numero da decisão: 2301-004.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e manter as glosas referentes à dedução de despesas com saúde e com pensão judicial.
João Bellini Júnior Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 OMISSÃO OS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Comprovado que não houve omissão de rendimentos no período considerado, cancela-se a majoração dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas em função da interposição de reclamação trabalhista. GLOSA DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. FALTA DE PROVAS. Na medida em que não restou comprovado o pagamento de pensão e das despesas com saúde objeto do recurso, mantêm-se as referidas glosas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e manter as glosas referentes à dedução de despesas com saúde e com pensão judicial. João Bellini Júnior Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
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RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Comprovado que não houve omissão de rendimentos no período considerado, cancelase a majoração dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas em função da interposição de reclamação trabalhista. GLOSA DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. FALTA DE PROVAS. Na medida em que não restou comprovado o pagamento de pensão e das despesas com saúde objeto do recurso, mantêmse as referidas glosas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e manter as glosas referentes à dedução de despesas com saúde e com pensão judicial. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 04 59 /2 01 3- 91 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1262.118, de 12/12/2013, (fls. 89 a 97). Por notificação de lançamento (efls. 40 a 47) foi imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) correspondente ao exercício 2012 (anocalendário 2011), que majorou os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, no valor de R$41.637,44 (fls. 42, 46, 62 e 65), bem como glosou as deduções de pensão alimentícia judicial e de despesas médicas, nos valores de R$21.600,00 e R$4.440,00, respectivamente (fls. 43 a 46 e 65), apurando, ao final, imposto suplementar de R$178,04, multa de ofício de R$133,53 e juros de mora de R$ 10,68. Na impugnação (fl. 02), o contribuinte requereu a retificação do lançamento, apresentando, para embasar seu pleito, os documentos das efls. 11 a 32. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, reconhecendo parte das despesas médicas, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 MAJORAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. Mantémse a majoração dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas em função da interposição de reclamação Trabalhista, uma vez não constar dos autos nenhum elemento capaz de ilidila. GLOSA DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Na medida em que o Impugnante não comprovou o pagamento de pensão alimentícia judicial, objeto de glosa no lançamento, é de se manter a referida glosa. GLOSA DA DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Face aos comprovantes constantes dos autos, restabelecese, em parte, a dedução de despesas médicas glosada no lançamento. A ciência dessa decisão ocorreu em 18/09/2013 (fl. 82). Em 08/10/2013, foi apresentado recurso voluntário (fl. 83), por ocasião da qual a interessada juntou aos autos comprovantes de pagamentos dos honorários advocatícios, comprovante do levantamento judicial (crédito em sua conta corrente), bem como comprovantes de despesa com saúde (fls. 84 a 118). Alegou que houve erro da Caixa Econômica Federal em declarar em DIRF que os valores recebidos por conta da reclamatória trabalhistas teriam sido recebidos em 2011, quando o foram, na realidade, em 2010. O pedido consiste no reconhecimento de imposto a restituir no valor de R$18.433,26. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10886.720459/201391 Acórdão n.º 2301004.757 S2C3T1 Fl. 124 3 Voto Conselheiro João Bellini Júnior, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. DOS VALORES RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DA RECLAMATÓRIA TRABALHISTA O comprovante de depósito judicial (efl. 87) demonstra que o valor de R$53.509,46 foi recebido em 19/08/2010, após a expedição do alvará, em 17/08/2010 (efl. 86), e não, como declarou em DIRF a Caixa Econômica Federal (efl. 70), em junho 2011. Desse modo, deve ser cancelado o lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica,, que tem como pressuposto a omissão dos referidos R$53.509,46 em 2011. DA GLOSA DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Em que pese a ata da sessão de conciliação (efl. 20), pela qual o recorrente, em 09/06/2010, se compromete a depositar, a cada dia 20 do mês, 30% de seu rendimento bruto declarado de R$6.000,00, sendo 10% para sua esposa Zeli Ivete (R$600,00), e 10% para cada um de seus filhos Henrique e Ayrton, os extratos juntados às fls. 90 a 117 não permitem identificar nem os destinatários de transferências bancárias, nem transferências bancárias em montantes semelhantes ao que constam no instrumento do acordo judicial de pensão, pelo que devem ser mantida a glosa da pensão alimentícia judicial. DA GLOSA DA DEDUÇÃO DAS DESPESAS DE SAÚDE No tangente à glosa por dedução das despesas médicas, o recorrente juntou aos autos o recibo da efl. 118, correspondente à despesa com fisioterapia, no valor de R$1.620,00. Ocorre que este recibo, já juntado aos autos à efl. 27, já foi admitido pela decisão recorrida, da qual transcrevo (ressalto que o valor considerado foi de R$20,00 a mais do que consta no recibo, o que acabou por beneficiar o contribuinte): Face ao acima exposto, e tendo em vista a documentação apresentada pelo Impugnante, há que se computar as seguintes despesas médicas, devidamente comprovadas:R$ 1.640,00 (fl. 27); R$ 60,00 (fl. 27); R$ 100,00 (fl. 28); R$ 120,00 (fl. 28); R$ 650,00 (fls. 30 e 31) e R$ 250,00 (fl. 32), que perfazem o montante de R$ 2.820,00. (Grifouse.) Conclusão Voto por conhecer do recurso voluntário e lhe dar PROVIMENTO PARCIAL, para cancelar o lançamento decorrente de omissão de rendimentos recebidos de Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 pessoa jurídica e manter as glosas referentes à dedução de despesas com saúde e com pensão judicial. João Bellini Júnior – relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904895/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2013
CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RECURSO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 2201-003.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto.
assinado digitalmente
IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relator.
EDITADO EM: 03/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2013 CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO NÃO CONHECIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto. assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO - Relator. EDITADO EM: 03/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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RECURSO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com a ação judicial. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente Substituto. assinado digitalmente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Relator. EDITADO EM: 03/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 48 95 /2 01 4- 17 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10680.904895/201417 Acórdão n.º 2201003.007 S2C2T1 Fl. 123 2 STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de recurso contra acórdão 0437.111 da 4ª Turma da DRJ/CGE, de 16 de outubro de 2014, fls.29/37, que julgou improcedente sua manifestação de conformidade oferecida contra pedido de restituição, no valor de R$ 14.419,41 Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: A contribuinte acima identificada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 02, discordando do Despacho Decisório de fls. 07, exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG, em 07/08/2014, que indeferiu o pedido de restituição, no valor total de R$ 14.419,41, por inexistência do crédito. A interessada tomou ciência do indeferimento, em 18/08/2014, via postal,conforme fls. 10, e ingressou com a manifestação de inconformidade, em 25/08/2014, na qual alega, em síntese, que: a) é portadora de moléstia grave, conforme laudo pericial anexado, desde 01/07/1999, sendo isenta do imposto de renda nos termos da lei; b) os valores recolhidos indevidamente correspondem tão somente aos valores pagos através de Darf (quotas do IRPF); c) os valores a serem restituídos precisam ser atualizados até o dia do efetivo pagamento, conforme os índices da RFB. Juntouse cópia da DIRPF/2012 (fls. 20/25) e extratos do sistema DIRF (fls. 26/28). Ciente da decisão em 31 de outubro de 2014, conforme fls.40, oferece as razões de recurso , às fls. 43/44 onde comenta que já teve reconhecida pela decisão de primeiro grau, sua condição de portadora de moléstia grave. E que para concluir favoravelmente ao seu pedido restaria saber se os rendimentos são oriundos de aposentadoria. Repisa que é aposentada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo e pensionista no Comando da Marinha e no Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo, conforme Comprovantes de Rendimentos Pagos (natureza salarial/pensão)do período e documentos anexos das tres unidades pagadoras. Como preenche todos os requisitos impostos caracterizase o ato jurídico perfeito neste processo administrativo e portanto solicita a atualização e devolução dos valores pagos no PERDCOMP Nº09658.29185.020714.2.2.046424, transmitido em 02/07/2014. Reitera o pedido de reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10680.904895/201417 Acórdão n.º 2201003.007 S2C2T1 Fl. 124 3 Às fls. 67 consta ofício 9289/2014/MRFS/PFNES, de 05 de dezembro de 2014, comunicando a decisão judicial no processo 01081047220134025001, (2013.50.01.1081043)2ª Vara Federal Cível de VitóriaES que reconheceu o direito à isenção do imposto de renda da recorrente, por doença grave, desde 1999. Cópia da decisão nas fls. seguintes. Às fls. 107 consta Solicitação de Juntada dos documentos seguintes ao processo: 1. Termo de ciência e notificação de 23 de junho de 2015, no qual informase o pagamento das restituições dos exercícios de 2010 a 2015. Verificase que foi reconhecida e já pago em conta os valores das restituições do período.No entanto, não foi pago o PERDCOMP desse processo ainda por estar em curso. Corresponde a apuração das mesmas fontes pagadoras, mesmo período, o qual a contribuinte é isenta por laudo pericial nos autos. 2. Pedido de celeridade processual pela contribuinte ter idade avançada, 83 anos de idade e ser portadora de moléstia grave. Através do Despacho de fls.121 recebo o processo. É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Como anteriormente relatado ,TERESINHA XAVIER SALIBA, recorre do acórdão que indeferiu o pedido de restituição realizado através da PER/DCOMP 09658.29185.020714.2.2.046424, no valor de R$ 14.419,41, fls.11/14 A decisão de primeiro grau indeferiu o pedido porque não entendeu comprovada a natureza da restituição pretendida , como se vê na transcrição abaixo: (fls.31/32) (...) Conforme laudo médico de fls. 06, emitido pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo, a manifestante é portadora de cardiopatia grave,desde 01/07/1999. No entanto, não consta dos presentes autos a comprovação dos atos de concessão de aposentadoria, reforma ou pensão, das fontes pagadoras indicadas na DIRPF/2011: (...) Notese que pela idade da contribuinte seria possível presumir que ela estaria aposentada, mas a comprovação documental é Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10680.904895/201417 Acórdão n.º 2201003.007 S2C2T1 Fl. 125 4 necessária, pois para o reconhecimento de isenção devese interpretar a legislação de forma literal e restritiva. Portanto, a contribuinte não comprovou o atendimento a uma das condições acima elencadas, razão porque a sua manifestação não pode ser deferida. A recorrente no curso do processo, ingressou com a ação judicial, processo 01081047220134025001(2013.50.01.1081043)2ª Vara Federal Cível de VitóriaES cuja causa de pedir é a isenção do imposto de renda por ser portadora de doença grave. Ofício nº9289, de 05 de dezembro de 2014, fls.67 enviado ao delegado da unidade jurisdicionante, informa: (...)"foi proferida sentença julgando procedente o pedido autoral para condenar a União a conceder a autora a isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria, com efeitos retroativos à data do início da cardiopatia grave em 01/07/1999, respeitada a prescrição quinquenal, bem como restituir os valores pagos indevidamente a este título, devidamente corrigidos pela SELIC, deduzindose o montante já restituído administrativamente.Asentença deferiu ainda antecipação dos efeitos da tutela, para determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário questionado(imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria da autora), até o transito em julgado da ação (cópia anexa). Nesse contexto, encaminho a referida informação para as providências que entender cabíveis. Ressalto, por fim , que a sentença não será objeto de recurso, pois consta dos autos judiciais laudo médico oficial emitido pela junta médica do IPAJM (Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo),concedendo a isenção de IRPF de forma definitiva à autora, na forma do artigo 6º,XIV, da Lei 7713/88, por considerála portadora de cardiopatia grave desde 1999. Portanto, como a discussão judicial do crédito tributário, sob qualquer modalidade de ação, antes ou posteriormente à autuação, importa na renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, mais ainda, quando há perfeita identidade entre o objeto do processo administrativo e o objeto do processo judicial, nada mais há a responder a Recorrente. Porque, ao questionar judicialmente o crédito tributário objeto de lançamento fiscal, ela perdeu o direito de vêlo conhecido na esfera administrativa. A utilização concomitante das vias administrativa e judicial, com o mesmo objetivo, afigurase juridicamente impossível, em razão da primazia das decisões judiciais sobre as decisões administrativas. Neste sentido a Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10680.904895/201417 Acórdão n.º 2201003.007 S2C2T1 Fl. 126 5 lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nessa conformidade, como não há matéria diversa a ser apreciada, não conheço do recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa MonteiroIvete 3"#)*#()$,%,3"0 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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Numero do processo: 11516.000581/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007
DEPÓSITO BANCÁRIO. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS.
É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001 e decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em que prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, na medida em que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Os depósitos bancários, por si só, não refletem a existência de lucro. Entretanto, por força do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO ENTREGA DE LIVROS. A falta de apresentação dos livros contábeis, apesar de reiteradas intimações ao contribuinte, constitui hipótese de arbitramento do lucro.
EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI: Súmula CARF No - 2º
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.
CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA.
Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicasse no que couber o que foi decidido em relação àquele.
Numero da decisão: 1302-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a qualificação da multa, reduzindo-a para 75%.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Marcelo Calheiros Soriano.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001 e decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) em que prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, na medida em que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Os depósitos bancários, por si só, não refletem a existência de lucro. Entretanto, por força do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO ENTREGA DE LIVROS. A falta de apresentação dos livros contábeis, apesar de reiteradas intimações ao contribuinte, constitui hipótese de arbitramento do lucro. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI: Súmula CARF No 2º AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 05 81 /2 01 0- 76 Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicasse no que couber o que foi decidido em relação àquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a qualificação da multa, reduzindoa para 75%. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix e Marcelo Calheiros Soriano. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão Proferido nestes autos pela 3ª Turma da DRJ/FNS. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 3 Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da Delegacia de Julgamento, complementandoo ao final, verbis: Por meio dos autos de infração, fls. 106 a 166, são exigidas da contribuinte acima identificada as importâncias relacionadas na seguinte tabela, referente ao anocalendário 2007, apuradas em conformidade com o regime de apuração do lucro arbitrado, acrescidas de multa de ofício de 75% ou 150%, conforme a natureza da infração, e de juros de mora. TRIBUTO VALOR (R$) Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ 528.869,20 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 242.356,53 Contribuição para o PIS/Pasep 144.891,04 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS 668.728,09 O lançamento do IRPJ decorre de: (i) Receita escriturada e não declarada – Receita Operacional Omitida – Receita de transporte (arts. 532 e 537 do RIR/99) multa de 150%. (ii) Receita omitida por conta de depósitos bancários de origem não justificada – (Omissão de receitas não declaradas e não escrituradas), com base nos arts. 27, I e 42 da Lei nº 9.430/96 e arts. 532 e 537 do RIR/99 multa de 150%. (iii) Receita Operacional Omitida – Receita declarada em DIPJ Receita de transporte (arts. 532 do RIR/99) multa de 75%. Como lançamentos decorrentes da matéria tributável apontada no lançamento de IRPJ, foram lavrados também autos de infração a título de Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 4 Contribuição para o PIS, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, conforme descrito no Auto de Infração e detalhado no Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, parte integrante do Auto. 1. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL De acordo com o relato da autoridade autuante, fls. 91/105, a fiscalizada: · Entregou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica/SIMPLES para o primeiro semestre do Anocalendário 2007 e Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com a opção de tributação pelo Lucro Presumido para o segundo semestre do mesmo anocalendário. · Declarou no anocalendário de 2007 a quantia de R$ 1.185.401,39. · Apresentou cópia dos Livros de Saída que indicavam uma receita de R$ 10.574.124,00. · Omitiu a receita de R$ 9.388.722,61 (receita escriturada de R$ 10.574.124,00 – receita declarada de R$ 1.185.401,39). · Apresentou os extratos bancários de 2007, cujos créditos em contas correntes somaram R$ 23.476.339,75 Em seqüência, a autoridade fiscal aduz que, fls. 95/97: Destaquese que dos créditos em contas correntes foram excluídos todos os valores de cheques devolvidos ou estornados e TEDs, DOCs ou transferências entre contas correntes da própria fiscalizada e cuja origem poderia ser identificada com o simples exame do histórico. Nesta última hipótese, por exemplo, todos os créditos na conta corrente 13.5038 do Banco do Brasil, são oriundos de transferências da conta corrente 10.9444 do mesmo banco. Foram excluídos, portanto, do somatório de créditos. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 5 Foram considerados (e conseqüentemente deduzidos) todos os valores debitados com os históricos "Reembolso Tit. Descont" do HSBC e "Déb Desconto duplicatas" do Bradesco. [...] No Termo de Constatação e Intimação Fiscal 002, entregue em 29/01/2010, destacamos as diferenças anteriormente citadas e intimamos a fiscalizada a: a) Justificar a diferença entre o somatório de todos os depósitos e créditos constantes relacionados no demonstrativo “Créditos em Conta Corrente — 2007” e os escriturados nos Livros Registro de Saídas; b) Justificar a diferença entre os valores escriturados nos Livros Registro de Saídas e os valores constantes nas Declarações do SIMPLES/Lucro Presumido; c) Comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos dos lançamentos a crédito nas contas bancárias e listados no demonstrativo “Créditos em Conta Corrente — 2007” que não se constituam de Receitas Operacionais da empresa; d) Manifestarse sobre os títulos cobrados através das instituições bancárias ou negociados com as mesmas, comprovando, com documentação hábil e idônea, a parcela daqueles que não possuem origem no faturamento da empresa; e) Ratificar ou retificar os valores de Omissão de Receitas verificados pela fiscalização. A contribuinte responde a intimação à fls. 60 e 61. Nesta resposta destaca que: “Os valores constantes e lançados na movimentação estão corretos, consoante há que se ressaltar que aproximadamente 15% por valores lançados são Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 6 correspondentes a fretes em que outras empresas terceirizam os caminhões da TDAGO”. Não apresenta, no entanto, documentos que comprovem a forma dessa alegada terceirização. Como não apresentou uma escrituração contábil que permitisse a verificação, mesmo que superficial, da alegação apresentada, os argumentos da fiscalizada não foram considerados na obtenção das Bases de Cálculo tributáveis alcançadas por esse procedimento fiscal. A Autoridade Autuante, relata, também, que a fiscalizada não apresentou Livros Diário, Razão e/ou Livro Caixa e que no curso da ação fiscal foram apuradas as seguintes infrações: 1.1 Omissão de receitas escrituradas. A fiscalizada declarou nas DIPJs (SIMPLES e Lucro Presumido) o montante de Receitas Tributáveis de R$1.185.401,39 (um milhão, cento e oitenta e cinco mil, quatrocentos e um reais e trinta e nove centavos), embora constem nos seus livros Registro de Saídas o volume total de R$10.574.124,00 (Dez milhões, quinhentos e setenta e quatro mil, cento e vinte e quatro reais). 1.2 Omissão de receitas – Movimentação de receitas não declaradas e não escrituradas. A empresa declarou como receitas tributáveis anuais R$1.185.401,39, escriturou R$10.574.124,00, mas o total líquido de créditos movimentado em contas correntes alcançam R$23.476.339,75 (vinte e três milhões, quatrocentos e setenta e seis mil, trezentos e trinta e nove reais e setenta e cinco centavos). Intimada, a empresa não comprova a origem destes recursos e também não apresenta documentos que comprovem a alegação de que parcela desta movimentação (aproximadamente 15% quinze por cento) constituise de receitas de outras transportadoras. 1.3 Omissão de receita operacional – Receita declarada em DIPJ. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 7 Não sendo apresentados os Livros Diário/Razão, e/ou o Livro Caixa, tornase inevitável o ARBITRAMENTO do lucro da empresa. O mesmo recai sobre as receitas conhecidas e também as omitidas. Referente à infração RECEITA DE TRANSPORTE — Declarada em DIPJ, esta fiscalização considerou, como conhecidas, aquelas constantes na Declaração do SIMPLES (1 °. semestre) e na DIPJ — Lucro Presumido (2°. semestre). 2. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Sobre essa questão, assim se posicionou a Autoridade Autuante, fls. 102/103. Como relatado, a contribuinte não apresentou Livros Diário e Razão e/ou Livro Caixa. Não informou ainda, nas declarações apresentadas à SRF, nem mesmo as receitas tributáveis escrituradas nos seus Livros Registros de Saídas. Mesmo a receita escriturada nos Livros Registro de Saídas acentuadamente inferior à movimentação financeira constantes em suas contas correntes e a contribuinte não comprova a origem destes recursos. A não apresentação dos livros contábeis, bem como o não reconhecimento na, DIPJ, de receitas escrituradas em livros fiscais, constituise numa simulação com o claro e objetivo de sonegar tributos. Essa prática constitui crime contra a ordem tributária conforme definição na Lei 8.137/90. O seu artigo primeiro assim expressa: “Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: ...... II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal”. O artigo 2° do mesmo diploma legal ordena: “Art. 22 Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo”. Com base nos termos da legislação acima referida, fica a contribuinte cientificada que será efetuada pelo autor desse procedimento fiscal, Representação Fiscal Para Fins Penais perante o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/ SC, em conformidade com o que determina a Portaria SRF n.° 665, de 24 de abril de 2008. Esta representação será protocolizada nesta DRFB sob o nº 11516.000726/201039. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 8 Por fim, às fls. 102, a Autoridade Fiscal noticia que: O lançamento em autos de infração distintos possibilitou a compensação dos valores recolhidos como SIMPLES e que correspondem ao rateio previsto no Art. 23 da Lei 9317/96, conforme demonstrativo à fl. 64. 3. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 168 a 298, aduzindo, em síntese que: 3.1 Em Preliminar. · Há que se anular desde logo, o ato fiscal, por dúvida quanto a matéria de fato, eis que os elementos que embasaram a notificação foram extraídos ilegalmente de extratos bancários. 3.2 Da Base de Cálculo. · O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica foi calculado com base na receita presumida ou arbitrada, apurada única e exclusivamente sobre o montante dos depósitos bancários. 3.3 Do Lucro Presumido. · A receita bruta da autuada era conhecida através de lançamentos escriturados no seu livro de registro de saída, e que de acordo com informações prestadas pelo digno autor do lançamento somava no ano calendário de 2007 a quantia de R$ 10.574.124,00 (dez milhões, quinhentos e setenta e quatro mil, cento e vinte e quatro reais). · Desse faturamento anual, foi declarado à Receita para fins de tributação, apenas a quantia de R$ 1.185.401,39 (um milhão, cento e oitenta e cinco mil, quatrocentos e um reais e trinta e nove centavos). Logo a diferença a tributar com base no lucro presumido, passa a ser de apenas e tão somente R$ 9.388.722,61 (nove milhões, trezentos e oitenta e oito mil, setecentos e vinte e dois reais e sessenta e um centavos). Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 9 · O lucro presumido deverá ser calculado na base de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta escriturada no livro próprio (R$ 10.574.124,00), após deduzido o valor declarado (R$ 1.185.401,39). 3.4 Do Lucro Arbitrado. · O arbitramento do lucro, com base em extratos bancários, não autoriza o lançamento do imposto de renda, por mera presunção de omissão de receita. · O lançamento deixou de abater do seu demonstrativo da base de cálculo, o montante das receitas contabilizadas no livro registro de saídas no valor de R$ 10.574.124,00, além dos cheques devolvidos ou estornados e TEDs, DOCs ou transferências entre contas correntes da própria fiscalizada pelo valor de R$ 4.368.748,79. · O extrato de conta bancária não pode ser utilizado como forma de arbitramento do lucro da pessoa jurídica. 3.5 Da Multa. · Em nenhum momento do processo o Digno autor do lançamento constatou a existência de sonegação fiscal a que se refere o artigo 71 da Lei n.° 4.502/64, e tão pouco, indícios de fraude ou conluio (artigos 72 e 73 da mesma Lei), mesmo porque toda a receita da autuada encontrase devidamente contabilizada no seu livro registro de saída. · Não há como justificar a aplicação em dobro da multa prevista no § 1 do artigo 44 da Lei 9.430/96. 3.6 Do Requerimento. · Diante do exposto, e considerando as teses aqui defendidas, a Autuada Requer a V. Exª julgue procedente sua impugnação para cancelar em sua totalidade o débito constante do auto de infração em apreço, como medida de JUSTIÇA. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 10 Ao apreciar a impugnação, a Delegacia de Julgamento, decidiu, por maioria, julgar improcedente a impugnação, mantendo na integralidade o crédito tributário exigido, divergindo a turma somente em relação a aplicação ou não a multa qualificada. Vejamos a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. BASE DE CÁLCULO. Quando a receita bruta conhecida for utilizada como base de cálculo do Lucro Arbitrado, ao coeficiente de presunção aplicável deve ser acrescido o percentual de vinte por cento (20%). Reputase correta a base de cálculo do lucro arbitrado quando considerada a receita informada na DIPJ e a presunção legal de omissão de receita por falta de comprovação dos créditos bancários. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. CRITÉRIOS. O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial, ou o Livro Caixa, com a inclusão de toda a movimentação financeira, no caso da opção pelo lucro presumido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício. Legitimidade. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 11 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS. SOLICITAÇÃO REGULAR. Se o contribuinte espontaneamente, em atendimento à intimação fiscal, apresenta seus extratos bancários, não há que se cogitar de quebra de sigilo bancário. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É válido o auto de infração lavrado em conformidade com o disposto nos artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL/PIS/COFINS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, a Recorrente em sede de Recursos Voluntário traz, no essencial, os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, reforçando apenas a tese da impossibilidade do arbitramento perpetrado pela autoridade lançadora e mantido pela decisão recorrida, portanto, desnecessário repetilos. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR Preliminarmente, protesta a recorrente pela nulidade do feito fiscal, em razão de dúvida quanto a matéria de fato. Entende que os elementos que embasaram a autuação Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 12 foram extraídos ilegalmente de extratos bancários. Com este fundamento foram impugnados o IRPJ, a CSLL, o Pis/Pasep e a Cofins. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal anexado as fls. 91/105, foram apurados depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada. Instado a apresentar documentação hábil e idônea, a fim de afastar a presunção de omissão de receita, o contribuinte entregou os extratos bancários referente ao ano de 2007. Após a obtenção das informações bancárias da recorrente, a autoridade fiscal intimou a recorrente para que comprovasse a origem dos valores depositados na conta corrente de sua titularidade. Segundo o Termo de Constatação e Intimação Fiscal 002, entregue em 29/01/2010 a recorrente, ela foi intimada para: a) Justificar a diferença entre o somatório de todos os depósitos e créditos constantes relacionados no demonstrativo “Créditos em Conta Corrente — 2007” e os escriturados nos Livros Registro de Saídas; b) Justificar a diferença entre os valores escriturados nos Livros Registro de Saídas e os valores constantes nas Declarações do SIMPLES/Lucro Presumido; c) Comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos dos lançamentos a crédito nas contas bancárias e listados no demonstrativo “Créditos em Conta Corrente — 2007” que não se constituam de Receitas Operacionais da empresa; d) Manifestarse sobre os títulos cobrados através das instituições bancárias ou negociados com as mesmas, comprovando, com documentação hábil e idônea, a parcela daqueles que não possuem origem no faturamento da empresa; e) Ratificar ou retificar os valores de Omissão de Receitas verificados pela fiscalização. A recorrente responde a intimação à fls. 60 e 61 destacando que “os valores constantes e lançados na movimentação estão corretos, consoante há que se ressaltar que aproximadamente 15% por valores lançados são correspondentes a fretes em que outras empresas terceirizam os caminhões da TDAGO”. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 13 Na oportunidade, o contribuinte não entregou nenhuma documentação que comprovasse a forma dessa alegada terceirização, como também não comprovou a origem dos créditos bancários efetuados nas contas correntes de sua titularidade. Assim, com fulcro no art. 42, da Lei nº 9.430/96, os depósitos bancários foram considerados receita omitida sendo lavrados Autos de Infração de IRPJ, PIS, CSLL, COFINS. Apesar da alegação da Recorrente, o conhecimento que se tem é que, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros, e que, a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. O acórdão do Recurso Extraordinário que serviu de paradigma para a discussão suso mencionada, ficou ementado da seguinte forma: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Ademais, a norma contida na Lei Complementar 105/01, permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de credito tributário, e, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula nº 02, verbis: “Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desta forma, cumprindo o disposto no artigo 62 do RICARF, fundamento este já previamente atribuído à fundamentação deste decisum, reitero os efeitos da decisão de mérito da Suprema Corte declarando a licitude das informações obtidas pelo fisco, mantenho a Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 14 autuação fiscal em todos os seus termos em relação a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. Registrese que o decidido quanto ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e Cofins), tendo em vista que se originam dos mesmos elementos de prova. DO MÉRITO A Recorrente alega que o arbitramento do lucro é medida extrema, devendo ser efetivamente demonstrada e justificada a necessidade de sua adoção pela autoridade fiscal. Aduz ainda que o arbitramento do lucro, com base em extratos bancários, não autoriza o lançamento do imposto de renda, por mera presunção de omissão de receita, bem como O lançamento deixou de abater do seu demonstrativo da base de cálculo, o montante das receitas contabilizadas no livro registro de saídas no valor de R$ 10.574.124,00, além dos cheques devolvidos ou estornados e TEDs, DOCs ou transferências entre contas correntes da própria fiscalizada pelo valor de R$ 4.368.748,79. Conclui que por tal motivo deve o presente lançamento ser cancelado, em razão de ilegal arbitramento do lucro promovido pela autoridade fiscal, ao arrepio da legislação, distorcendo a realidade fática para adequála a sua livre opção. Contudo, entendo que não merece reparo a decisão recorrida. A situação irregular da empresa sob ação fiscal foi bem delineada pela autuante no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, que ao tratar dos fundamentos informa que a empresa não apresentou sua contabilidade (livro razão e diário) quando devidamente intimada. É sabido que os depósitos bancários, por si só, não refletem a existência de lucro. Entretanto, por força do artigo 42, da Lei n. 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da omissão de receita e da consequente caracterização do fato gerador do imposto de renda, não se da pela constatação de depósito bancário, considerado isoladamente. A presunção de omissão de receita, nestes casos, está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos valores depositados em contas bancárias. O fato gerador do imposto de renda não está vinculado ao mero crédito efetuado na conta bancária, pois, se o valor tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, não cabe falar em receita caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada, no caso do artigo 42, da Lei n. 9.430, de1996, se está diante de presunção legal. No Termo de Verificação Fiscal consta o detalhamento dos procedimentos fiscais e das infrações apuradas pela fiscalização. A autuação decorre de arbitramento do lucro tendo em vista que o contribuinte deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas a não Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 15 apresentação à autoridade tributária dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal relativa ao período fiscalizado. A jurisprudência administrativa é pacifica quanto ao entendimento de que o arbitramento não pode ser desconstituído pela apresentação dos livros e documentação após a realização do lançamento pois sendo um procedimento vinculado à lei, nos termos do artigo 142, do CTN, não está condicionado ao sabor dos interesses do sujeito passivo. Logo, não existe a figura do lançamento condicional conforme jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, ora consolidada da Súmula 59, cujo teor abaixo se reproduz: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Acertada a decisão recorrida ao afirmar que (vide fls.1.306): Como presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Trata se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Reiterese, portanto, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, até mesmo porque, depósito bancário não configura disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Mas, pelo contrário, a caracte riz ação está li gad a à falta de escl are cimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta provém de rendimentos que foram omitidos do fisco. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. Consoante Termo de Intimação Fiscal 002 (fls.34 a 36), acompanhado de planilhas anexas, fls. 37/57 o contribuinte foi intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento mantidas junto às instituições financeiras ali indicadas. Tendo em vista que os créditos bancários restaram sem Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 16 comprovação, o art.42 da Lei nº 9.430/96 (base legal do lançamento) definiu que os depósitos bancários, de origem não comp rovada , caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão. Nestes termos, cumprido o ônus atribuído à Fazenda Pública, que era o de identificar os depósitos bancários de origem não comprovada e de intimar o contribuinte a sobre eles se manifestar, e não tendo o mesmo contribuinte logrado afastar totalmente tal presunção juris tantum, há que se manter integralmente o presente lançamento. Cabe ressaltar, que no auto de infração, a autuante esclarece as circunstâncias ocasionadas pelo contribuinte que fundamentaram o arbitramento do lucro (vide fls. 100/104), verbis: Não sendo apresentados os Livros Diário/Razão, e/ou o Livro Caixa, tornase inevitável o ARBITRAMENTO do lucro da empresa. O mesmo recai sobre as receitas conhecidas e também as omitidas. Referente à infração RECEITA DE TRANSPORTE — Declarada em DIPJ, esta fiscalização considerou, como conhecidas, aquelas constantes na Declaração do SIMPLES (1 ° semestre) e na DIPJ — Lucro Presumido (2°. semestre). Ora, o ônus de apresentar a escrituração é do contribuinte, não havendo, em contrapartida, previsão legal de atuação da fiscalização na (re)constituição da escrituração do fiscalizado, quando ela se revelar inservível para a determinação do lucro premido. A hipótese legal para a realização do arbitramento do lucro se faz presente no caso concreto, já que o contribuinte não apresentou livro e documentos de sua escrituração (art.530, III,do RIR/99). Cumpre enfatizar que a tributação com base no lucro arbitrado não é medida tomada com o fim de apenar o contribuinte; tratase, tão somente, de forma suplementar de apuração dos resultados, quando se verifica a impossibilidade de se aferir o lucro real da empresa. É esta a situação com a qual a autoridade lançadora se defrontou, impondolhe vinculadamente o arbitramento do lucro com base na receita bruta levantada a partir dos depósitos bancários. Noutra banda, defende a Autuada que na apuração do lucro presumido sobre a receita conhecida deve incidir tão somente o percentual de 8%. Enganase a recorrente. Consoante disposto no art. 532 do RIR/99, abaixo colacionado, ao percentual de presunção deve ser acrescido vinte por cento. No caso, o percentual de 9,6% utilizado pela fiscalização está em perfeita consonância com o que dispõe a legislação. Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 17 Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Nesse aspecto, portanto, nenhum reparo deve ser feito ao trabalho fiscal. Por fim, quanto ao argumento da recorrente que o lançamento deixou de abater do seu demonstrativo da base de cálculo, o montante das receitas contabilizadas no livro registro de saídas no valor de R$ 10.574.124,00, além dos cheques devolvidos ou estornados e TEDs, DOCs ou transferências entre contas correntes da própria fiscalizada pelo valor de R$ 4.368.748,79, entendo que nenhum reparo deve ser feito. O Termo de Verificação Fiscal é preciso ao afirmar que não sendo apresentados os Livros Diário/Razão, e/ou o Livro Caixa, tornase inevitável o ARBITRAMENTO do lucro da empresa. O mesmo recai sobre as receitas conhecidas e também as omitidas. Referente à infração RECEITA DE TRANSPORTE — Declarada em DIPJ, esta fiscalização considerou, como conhecidas, aquelas constantes na Declaração do SIMPLES (1 °semestre) e na DIPJ — Lucro Presumido (2°semestre), ou seja, reconheceu a receita tributada pelo contribuinte no montante de R$ 1.185.401,39, como também tributou a diferença entre a receita escriturada e a tributada, conforme tabela acostadas as fls. 97/100 dos autos que abaixo reproduzimos: Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 18 Uma vez que os lançamentos de Pis, Cofins e CSLL decorreram dos mesmos elementos de prova que nortearam o do IRPJ, evidenciase o caráter reflexivo, impondose a eles a mesma decisão firmada no lançamento principal. MULTA QUALIFICADA Segundo a recorrente “em nenhum momento do processo o digno autor do lançamento constatou a existência de sonegação fiscal a que se refere o artigo 71 da Lei n.° 4.502/64, e tão pouco, indícios de fraude ou conluio (artigos 72 e 73 da mesma Lei), mesmo porque toda a receita da autuada encontrase devidamente contabilizada no seu livro registro de saída.” Compulsando os autos, constatamos que a Autoridade Fiscal qualificou a multa relativa as seguintes infrações: (i) Receita escriturada e não declarada – Receita Operacional Omitida – Receita de transporte (arts. 532 e 537 do RIR/99). (ii) Receita omitida por conta de depósitos bancários de origem não justificada – (Omissão de receitas não declaradas e não escrituradas), com base nos arts. 27, I e 42 da Lei nº 9.430/96 e arts. 532 e 537 do RIR/99. A fundamentação para a referida qualificação se encontra no item 6 – Representação Fiscal Para Fins Penais – do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 70/71, podendose extrair, em síntese: 1. A contribuinte não apresentou Livros Diário e Razão e/ou Livro Caixa. 2. Não informou nas declarações apresentadas à SRF nem mesmo as receitas tributáveis escrituradas nos seus Livros Registros de Saídas. 3. A receita escriturada nos Livros Registro de Saídas é acentuadamente inferior à movimentação financeira constantes em suas contas correntes. 4. A contribuinte não comprovou a origem destes recursos. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 19 5. A não apresentação dos livros contábeis, bem como o não reconhecimento, na DIPJ, de receitas escrituradas em livros fiscais, constituise numa simulação com o claro objetivo de sonegar tributos. Como se observa, a receita omitida e tributada pela fiscalização tomou por base valores escriturados na contabilidade do contribuinte, bem como depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas, que o termo sonegação, no sentido da legislação tributária reguladora do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, “é toda ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Porém, para a legislação tributária reguladora do Imposto de Renda, o conceito acima integra, juntamente com o de fraude e conluio, o de "evidente intuito de fraude". Como se vê a legislação tributária, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente ocultála. Acumularamse duas premissas na decisão recorrida: a primeira que foi a de omissão de receitas sejam elas escrituradas e não declaradas, seja por conta de depósitos bancários de origem não comprovada; a segunda que a declaração a menor destas receitas estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar os tributos federais. Assim agindo, aplicou, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, prevalecendo à imposição, a toda evidência não há, nos autos, provas de que tenha tal infração o evidente intuito de fraudar. A prova neste aspecto deve ser material, evidente como diz a lei! Com efeito, a qualificação da multa importaria em equiparar uma simples infração fiscal, que no caso dos autos é a declaração a menor de receitas auferidas, facilmente detectável pela fiscalização em virtude do livro registro de saídas e pela movimentação bancária da recorrente, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, em casos como dos autos, importaria em equiparar uma prática claramente identificada, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, em que o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo de: adulteração de comprovantes, nota fiscal inidônea, falsificação documental, documento a título gracioso, falsidade ideológica, nota fiscal calçada, notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), notas fiscais paralelas, etc. O fato de alguém pessoa jurídica – escriturar e não declarar parte de suas receitas, como também manter depósitos bancários sem origem comprovada, pode ser considerado de plano com evidente intuito de fraudar ou sonegar tributos? Obviamente que não. Ora, se nesta circunstância, ou seja, a simples declaração a menor não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 20 Por que não se pode reconhecer na simples omissão, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples, tal como acontece no presente processo. É porque existe a de omissão de receita, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, já que nos documentos acostados aos autos inexistem as fraudes. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. Enfim, não há no caso a prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar os tributos federais, ainda que exista a prova da omissão de receita. Se a premissa da fiscal autuante fosse verdadeira, ou seja, que a falta de declaração de alguma receita auferida, através de emissão de nota fiscal, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de oficio normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo, ganho de capital, acréscimo patrimonial a descoberto, etc. Neste sentido é a súmula CARF n.º 25, litteris: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. É principio geral de direito universalmente conhecido de que multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Tratase de aplicar uma sanção e neste caso o direito faz com cautelas para evitar abusos e arbitrariedades. Acresce ainda, que de qualquer forma, não poderia a fiscalização impor multa aplicável somente aos casos de fraude, haja vista que esta pressupõe a responsabilidade pessoal do agente, o que não se verifica no presente caso. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Tirando toda a subjetividade dos argumentos apontados, resta apenas de concreto a simples presunção de omissão de rendimentos. Da análise dos documentos constantes dos autos e das suposições da autoridade administrativa lançadora e da decisão recorrida, não se pode dizer que houve o "evidente intuito de fraude" que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada (agravada). Não bastam meros indícios, seria necessário que estivessem perfeitamente identificadas e comprovadas as circunstâncias materiais do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de fraude, praticado pela recorrente com relação à declaração a menor de suas receitas. Há pois, neste processo, a ausência, inegável, do elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO 21 Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder desta ou daquela forma para alcançar tal ou qual finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista, ao agir. No caso em julgamento a ação que levou a autoridade lançadora a entender ter o recorrente agido com fraude está apoiado, no fato do contribuinte ter declarado a menor suas receitas no anocalendário de 2007, entendendo que a não apresentação dos livros contábeis, bem como o não reconhecimento, na DIPJ, de receitas escrituradas em livros fiscais, constituise numa simulação com o claro objetivo de sonegar tributos. Ora, o evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Enfim, não há no caso a prova material suficiente da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Não há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos, pelo contrário, todos os dados obtidos pela fiscalização para quantificação dos tributos aqui exigidos foram extraídos da própria contabilidade da recorrente como de seus extratos bancários. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar a qualificação da multa, reduzindoa para o patamar de 75%. É como voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 04/08/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.723842/2011-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO JUDICIAL. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda por moléstia grave abrange os rendimentos decorrentes de ação judicial, posto que correspondem a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente VENINA BORTOLINI VALADÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AÇÃO JUDICIAL. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda por moléstia grave abrange os rendimentos decorrentes de ação judicial, posto que correspondem a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 38 42 /2 01 1- 09 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente em parte a sua impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo. Segundo o fisco, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial na Justiça Federal e acrescentou: "Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de Ação da Justiça Federal Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal constatouse a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$122.602,72 auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto retido na fonte sobre os rendimentos omitidos no valor de R$0,00. Complementação da descrição dos fatos: Omissão de rendimentos oriundo de decisão judicial. De acordo com os documentos apresentados, o rendimento a ser oferecido à tributação foi assim apurado: Rendimento Tributável – honorários advocatícios = R$136.225,25 –R$13.622,53 = R$122.602,72." A interessada apresentou impugnação juntada às fls. 2/4, na qual alega que é isenta de pagamento de imposto de renda pessoa física por ser portadora de cardiopatia grave, conforme Laudo Médico Pericial emitido em 30/09/2008 pela Secretaria de Estado de Defesa Social, com validade permanente e indeterminada. Aduz que no ano calendário de 2008 recebeu em virtude de ação judicial movida contra o Estado de Minas Gerais, Precatório 621/2003, a quantia de R$122.602,73. A DRJ determinou a realização de diligência para que a contribuinte fosse intimada a apresentar cópia da sentença judicial e/ou outras peças do processo que demonstrassem a natureza dos valores recebidos. Efetuada a cientificação por edital, não houve manifestação. A DRJ, então, julgou improcedente a impugnação, sob o fundamento de que não tendo sido comprovada a origem dos valores envolvidos no lançamento, não se poderia reconhecer a isenção por moléstia grave, uma vez que este benefício restringese a rendimentos do trabalho, aposentadoria e pensão. Cientificada da decisão em 15/10/2012, fl. 58, a contribuinte interpôs, em 30/10/2012, o recurso voluntário de fls. 60/61, acompanhados dos documentos de fls. 62/147, onde alega que a DRJ considerou cumprido o requisito da moléstia grave, porém deixou de observar que os rendimentos referemse à pensão recebida do Governo de Minas Gerais. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.723842/201109 Acórdão n.º 2402005.284 S2C4T2 Fl. 151 3 Afirma que com a juntada de cópia do Precatório n.° 621, de natureza alimentar, comprovase que os rendimentos referemse a vencimentos ou proventos devidos ao falecido marido. Assim, defende que diante desses documentos está comprovado o direito à isenção, não restando mais nenhum requisito legal a ser satisfeito. Pede a reforma da decisão a quo. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. Natureza dos rendimentos isenção Acerca do direito à isenção para os portadores desta moléstia, a Lei n.° 7.713/1988 assim dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004). A existência da moléstia grave não foi objeto do recurso, posto que o órgão de primeira instância já havia acatado o laudo apresentado à fl. 08, como se pode ver de excerto do voto condutor do acórdão da DRJ: " No caso em exame, foi juntado à fl. 08 dos autos cópia de Laudo Pericial emitido pelo Hospital da Polícia Civil que atesta a condição da contribuinte de portadora de moléstia (cardiopatia grave) enquadrada nas Leis nº 7.713/88, art. 6º, inciso XVI e XXI; Lei nº 8.541/92, art. 47 e Lei nº 9.250/95, art. 30, parágrafo 2º, CID I25, desde 05/12/97. Conforme consta do documento, o Laudo tem validade indeterminada." Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.723842/201109 Acórdão n.º 2402005.284 S2C4T2 Fl. 152 5 Acerca da natureza dos rendimentos, pareceme que o documento acostado no recurso (Auto da Ação Ordinária n.° 050.3888/5) comprova cabalmente tratarse de valores relativos à pensão, posto que na sentença que concedeu o direito a receber a parcela é facilmente identificável que se trata de demanda coletiva em que pensionista do Instituto de Previdência do Estado de Minas Gerais postulam revisão nos valores de suas pensões. Sobre a validade desta prova, entendo que o princípio da verdade material impõe o seu conhecimento. A jurisprudência do CARF tem se manifestado majoritariamente neste sentido. Eis um julgado que privilegia o referido princípio: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 IRPF. DESPESAS. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Como todas as deduções, a dedução de despesas com honorários advocatícios está sujeita a comprovação. No presente caso o contribuinte apresentou documento hábil (recibo e Alvará) para comprovar as deduções pretendidas (honorários advocatícios em processo judicial — reclamatória trabalhista). Da mesma forma, apresentou documentos que demonstram ter efetuado doações declaradas a Conselho Municipal da Criança e Adolescente. ACEITAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastando se a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte." (Acórdão n. 2801003.925, de 20/01/2015. Desse modo, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos pela contribuinte no anocalendário notificado estão alcançados pela isenção do IRPF, haja vista que o laudo indica que a moléstia. Encaminho, então, pelo provimento do recurso, para que se reconheça a isenção do IRPF sobre os rendimentos em questão. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720461/2012-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, , por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, , por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 04 61 /2 01 2- 94 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, , por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720461/201294 Acórdão n.º 9202003.921 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório O presente processo envolve a lavratura de Auto de Infração de Obrigação Acessória, (AI) DEBCAD n° 37.352.3572, em desfavor do recorrente, que tem por objeto o lançamento de multa decorrente da apresentação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs da competência novembro de 2008, sem os valores correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (Código de Fundamento Legal CFL 68), mais especificamente, sem as bases de cálculo correspondentes à totalidade das remunerações pagas a segurados contribuintes individuais (sócios).O lançamento compreende multa para o período compreendido entre 06/2007 a 12/2008. Conforme o Relatório Fiscal, fls. 18/22, a autoridade lançadora esclarece que os fatos geradores das contribuições sociais lançadas ocorreram com o pagamento de valores a segurados contribuintes individuais, valores estes que, embora contabilizados como distribuição de lucros, foram considerados como remuneração (prólabore). Em observância ao contido no art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional CTN, foi feito comparativo da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme itens 15 e seguintes do Relatório fiscal, haja vista a alteração da legislação pela Lei nº 11.941/2009, no que se refere à aplicação de penalidade. Em sessão plenária de 18/02/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803003.018 (fls. 649 a 655), assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 10/03/2014, fls. 656. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 20/03/2014, o Recurso Especial. Em seu recurso visa restabelecer a multa aplicada nos termos da autuação, considerando que a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, devese considerar o disposto no art. 35A da Lei 8.212/91, porquanto houve lançamento de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 657 a 668 O recorrente traz como alegações: · Com o advento da MP 449/2008, instituiu‑ se uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32‑ A e artigo 35‑ A, ambos da Lei 8.212/91. · A leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). · Por certo, deve‑ se privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, tem‑ se que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão‑ somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. · Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35‑ A da Lei 8.212/91. Devidamente cientificado em 24/11/2015, o sujeito passivo apresenta contrarazões às fls. 677 a 680, onde alega, · A ação fiscal foi julgada improcedente, onde na pretensão da RFB o contribuinte, recorrida, deveria recolher Contribuição Social sobre a retirada dos sócios, tomandoas como se fosse prólabore pago ou creditado. Entretanto, restou provado que não houvera efetiva prestação de serviço e que os créditos eram direcionados ao espólio Fl. 687DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720461/201294 Acórdão n.º 9202003.921 CSRFT2 Fl. 4 5 dos sócios falecidos, pondo em solo a exação perseguida pelo órgão fiscalizador. · Nessa hipótese incide a aplicação da multa capitulada no art. 32A, da lei 8212/91, a título de infração por obrigação acessória por falta ou inconsistência na formatação da GFIP. · A incidência da multa prevista no art. 35A da lei 8212/91, como pretende a recorrente somente pode suceder quando houver lançamento de tributo. · Suplica pelo não conhecimento do Resp da Fazenda, porém caso seja admitido, suplica pela improcedência face ausência de acórdão paradigma, não se desincumbido do ônus de provar a divergência ao deixar de colacionar no mínimo 2 decisões que dessem ao fato interpretação diversa. É o relatório. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, razão pela qual passemos a analisar os demais pressupostos, já que suscitado pelo recorrente que a PGFN não se desincumbiu de demonstrar a divergência. Ao reapreciar as razões descritas no despacho que admitiu o recurso e o próprio recurso apresentado pela PGFN, entendo que razão não assiste ao sujeito passivo para o não conhecimento do recurso. Em seu recurso, fls. 657 e seguintes a ilustre procuradora indica de forma objetiva os acórdãos que entende tiveram decisão diversa do acórdão recorrido, senão vejamos: No presente caso, há nítida divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos ora adotados como paradigmas, proferido pela então 6ª Câmara do2º Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 206‑ 01.782) e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão nº 2401‑ 00.127). Nos termos da norma regimental, far‑ se‑ á uso aqui da alternativa prevista no § 9º do art. 67, do RI‑ CARF, segundo o qual, “As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade”. Logo, em atenção ao ali disposto, as ementas foram transcritas nesta peça em sua inteireza. Confira‑ se: [...] Em que pese não restar consignado nas ementas qual o dispositivo legal aplicável à espécie, em seus votos os eminentes relatores dos acórdãos consignam que: [...] Naquela ocorrência, consignou‑ se que o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35‑ A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei 9.430/96, e não o art. 32‑ A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a e. Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35‑ A, da Lei 8.212/91, sob pena de bis in idem. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720461/201294 Acórdão n.º 9202003.921 CSRFT2 Fl. 5 7 Conforme demonstrado, tratamse de situações semelhantes, qual seja lavratura de auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória, onde o colegiado determinou a aplicação da regra esculpida no art. 35A, assim, como o fez a autoridade lançadora. Assim, concordo com o despacho que determinou seguimento do Resp da PGFN, razão pela qual conheço do recurso. DO MÉRITO APLICAÇÃO DA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Primeiramente, como se trata de obrigação acessória, lavrada em função da não informação em GFIP de fatos geradores inclúidos no AIOP nº 37.352.3580, Processo 11040.720462/201239, importante destacar que o referido auto fora incluído em parcelamento especial, implicando desistência do recurso e procedência dos fatos ali lançados, mesmo resultado aplícavel ao presente AI de obrigação acessória no que diz ao mérito. Embora não esteja em julgamento, dito fato é relevante, pois em apenas em sendo mantido o lançamento da obrigação principal, poderemos determinar o cálculo da multa da obrigação acessória. Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal, entendo que razão assiste ao recorrente. No que toca à multa, a autoridade fiscal registrou em seu relatório, fls. 18 e seguintes, que foram efetuados cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparandose a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35 A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. Ainda, no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos: Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 691DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11040.720461/201294 Acórdão n.º 9202003.921 CSRFT2 Fl. 6 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório decorrente da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o comparativo foi lavrada multa de 24% e o AIOA, justamente por que no comparativo das multas, chegouse a conclusão que a sistemática anterior, para algumas competências era a mais favorável ao contribuinte. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ou seja, 24% e No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 692DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância com os normativos vigentes, bem como refletem de forma mais adequada a natureza da multa aplicada. Notese que a aplicação do somatório das multas para efeitos de apuração da multa mais benéfica, impossibilita a aplicação da regra vertida no art. 32A, pois se essa fosse a sistemática adotado pelo auditor, teriam sido lançada multa em relação a todas as competências anteriores, o que na tese aqui descrita implica bis in idem. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 693DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/04/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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