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Numero do processo: 19515.004086/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.363
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 437 1 436 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004086/201058 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.363 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de junho de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SAO PAULO COOPERTRANSE Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 08 6/ 20 10 -5 8 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 06/11/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004086/201058 Resolução nº 2402000.363 S2C4T2 Fl. 438 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela COOPERTRANSE – COOPERATIVA DOS DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SAO PAULO COOPERTRANSE, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.309.0200, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar mensalmente a RFB, por intermédio do documento a que se refere o art. 32, inc. IV, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da mesma Consta do relatório fiscal que a recorrente deixou de apresentar GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social) em meio impresso ou digital dos anos de 2006 e 2007. O lançamento da multa compreende o período de 01/2006 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 03/12/2010. Inicialmente fora apresentada impugnação na qual se alegou exclusivamente o seguinte: Com a entrega da gfip de ausência de fato gerador (anexa) e a entrega da rais negativas dos anos de 2006 e 2007 anexas) entendemos que não há o que se informar mensalmente, injustificase a cobrança das multas.” Todavia, ainda dentro do prazo de impugnação, a recorrente juntou aos autos razões aditivas, através das quais combateu a integralidade do lançamento levado a efeito nos autos dos processos principais. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, de forma sintética, as alegações de suas razões aditivas de impugnação, a seguir elencadas : 1. que o acórdão recorrido está equivocado quando fez a assertiva no sentido de que a recorrente, na qualidade de empresa, remunerou os contribuintes individuais cooperados ou não, tendo em vista que a Lei 8.212/91 não trata especificadamente de cooperativa nos moldes da recorrente, pois em 1991 (data da edição da Lei) não havia no mundo dos fatos igual a da recorrente e que permitisse o legislador vir a regulála por Lei; 2. que em não havendo legislação específica que regule a relação fática havida entre as partes, o auto de infração não pode ser mantido da forma em que redigido; 3. que a recorrente está sendo julgada como uma empresa normal, e não o é; Fl. 438DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 06/11/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004086/201058 Resolução nº 2402000.363 S2C4T2 Fl. 439 3 4. que não havia como se elaborar folha de pagamentos, tendo em vista que os cooperados não eram funcionários da mesma; 5. que inexiste lei para regular a situação jurídica da recorrente; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 06/11/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004086/201058 Resolução nº 2402000.363 S2C4T2 Fl. 440 4 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de analisar os argumentos de defesa trazidos nos autos do presente processo, aponto que o presente Auto de Infração originase de fiscalização na qual também foram lavrados autos de infração de obrigação principal resultantes nos seguintes processos administrativos: 19515.004081/201025 e19515.004082/201017. Em referidos processos, ressaltese nos quais o presente Auto de Infração estã apensado, foi determinada a realização de diligência com o fito de se apurar se a documentação apresentada pelo contribuinte teria o condão de modificar o lançamento das obrigações principais lançadas. De fato o presente Auto de Infração trata da conduta omissiva do contribuinte de deixar de enviar as GFIP´s para a SRFB, tida, também como um dos fundamentos do lançcamento das obrigações principais nos processos supra citados por aferição indireta. Dessa forma, entendo que mesmo em não se tratando de um Auto de Infração correlacionado com o lançamento das obrigações principais, que o julgamento do presente devase dar em conjunto com o dos demais lançcamentos efetuados em desfavor da recorrente, para uma melhor análise de toda a matéria de defesa, motivo pelo qual, voto no sentido de CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o presente processo continue apensado aos processos 19515.004081/201025 e19515.004082/201017 e sejam baixados, juntamente com os mesmos, para que se aguarde a realização da diligência neles solicitada, sendo então, posteriormente, enviados a este Conselho para julgamento conjunto. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 06/11/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000120/2010-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007,2008
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SIGILO BANCÁRIO.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007,2008 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 20 /2 01 0- 00 Fl. 799DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 765 2 Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 621629, com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.587,60, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições Fl. 800DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 766 3 das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006 e de janeiro a junho do anocalendário de 2007 em conformidade com o Relatório de Ação Fiscal, fls. 696711. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados: na contacorrente nº 1137375 da agência nº 258 do Unibanco S/A, fls. 14 48 e 105141; e na contacorrente nº.0002 991 da agência nº 0389 da Caixa Econômica Federal S/A, fls. 142196. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 99103 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), do período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006 e de janeiro a junho do anocalendário de 2007, fls. 5089. Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do ao período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006 e de janeiro a junho do anocalendário de 2007, fls. 50 89. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 630641 com a exigência do crédito tributário no valor de R$13.644,81 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III O Auto de Infração às fls. 642650 com a exigência do crédito tributário no valor de R$6.111,38 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo Fl. 801DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 767 4 único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 651662 com a exigência do crédito tributário no valor de R$40.630,25 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 663674 com a exigência do crédito tributário no valor de R$103.461,82 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada em 12.04.2010, fl. 714, a Recorrente apresenta a impugnação em 12.05.2010, fls. 716735, com as alegações abaixo sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal ressaltando que a impugnação decorre dos princípios do contraditório e da ampla defesa inciso LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal, bem como art. 14 e art. 15 do Decreto nº 70.235. de 06 de março de 1972). Em relação à nulidade formal do Auto de Infração, diz que: O Auto de Infração contém vícios irreparáveis, os quais o cravam de nulidade formal. O Decreto 70.235/72, em seu art. 10 estabelece os seus requisitos obrigatórios. [...] Consta no Auto de Infração que o local da lavratura é a Secretaria da Receita Federal em Ponta Grossa, (Av.. Visconde de Taunay, 1051, Centro, Ponta Grossa) e não o endereço do autuado. [...] A lavratura em lugar diverso do local onde se constatou a suposta infração, gera a nulidade do Auto de Infração. [...] Deduzse da locução do citado artigo, que o Auto de Infração será lavrado no momento e local em que for verificada a infração a legislação tributária. Se houvesse infração, ela deveria ser constatada no domicilio do autuado, ou no local onde foi constatado o descumprimento a norma tributaria. [...] Incabível o argumento de que o levantamento foi efetuado na repartição fiscal, pois se assim fosse, a pega básica do Processo Administrativo Fiscal de Instrução Contraditória seria a Notificação de Lançamento, conforme estabelece o art. 11 do Decreto no 70.235/72. [...] Como o Auto de Infração foi lavrado fora do domicilio do autuado, o mesmo é nulo, pois não cumpre requisito obrigatório para a sua validade. [...] Não cabe a alegação de que não causa prejuízo ao autuado, pois claramente ocasiona prejuízos. [...] Fl. 802DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 768 5 No que se refere à extrapolação do prazo máximo para conclusão dos trabalhos fiscais, alega que: A fiscalização foi iniciada no dia 30 de Setembro de o recebimento do Termo de Fiscalização n° 580/2009, o Sr. fiscal concluiu suas atividades em 07 de abril conforme termo de encerramento das atividades fiscalizatórias. [...] Ou seja, passaramse 187 dias sem que o MPF fosse prorrogado e o contribuinte tivesse ciência formal de sua prorrogação. [...] O prazo previsto peia Portaria RFB no 4.066/2007, nos artigos 12 e 13, de duração da fiscalização é de 120 dias, podendo ser prorrogado per mais 60 dias e assim sucessivamente, desde que o contribuinte seja cientificado. [...] No período de 01.02.2010 ate 07.04.2010 (prazo de 67 dias), peio fato de não ter sido prorrogado o ato administrativo (auto de infração), toda a ação do fisco é considerada nula. [...] O contribuinte deve ter ciência por escrito do ato administrativo prorrogando a fiscalização por tempo igual a 60 dias. Como não fo1 cumprida a tal determinação, não pode prosperar este Auto de Infração. [...] Em de 30.01.2010 (prazo limite do final da fiscalização 120 dias), não houve prorrogação por mais 60 dias, vindo a fiscalização apenas no dia 07.04.2010, 67 dias de hiato sem manifestação do fisco, prazo superior aos 60 dias estipulado pelo art. 13 da Portaria RFB nº 4.066/2007. [...] A atuação deve observar os prazos legais previstos para inicio e encerramento, bem como a ciência do contribuinte para a prorrogação do MPF, seguindo assim padrões éticos de probidade, decoro e boafé, princípios estipulados pela Lei 9.784/99, art. 145 da CF/88, art. 196 do CTN, fato que vem requerer a nulidade do Auto de Infração por flagrante desrespeito às leis e aos direitos no contribuinte. Atinente à não aplicação de tratamento jurídico diferenciado e simplificado, procura demonstrar que: O contribuinte encontrase enquadrado no Sistema Integrado de Imposto e Contribuições das Microempresa e das Empresas de Pequeno Porte, dispondo sobro o Tratamento jurídico diferenciado, simplificado e favorecido previsto nos arts. 170 e 179 da Constituição Federal. [...] Um tratamento jurídico diferenciado e indispensável a ser aplicado pela fiscalização é a o da dupla visita nas fiscalizações trabalhistas e previdenciárias, ou seja, procede uma visita inicial, consta o erro e dá certo prazo para que o contribuinte regularize a situação. A partir dai é que a empresa, se não atendeu a solicitação de regularização, deve ser autuada. [...] Primeiro a orientação e depois a lavratura do Auto de Infração, motivo pelo qual requer a nulidade do presente Auto de Infração. A respeito da suposta omissão de receitas, explica que: O depósito bancário em si não relevância nenhuma se não houver lei que determine a obrigação do pagamento do tributo, o fato gerador, a base de cálculo (principio da legalidade). [...] Fl. 803DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 769 6 Dessa forma, o ato administrativo (auto de infração) que não estiver baseado em lei está totalmente viciado e deve ser declarado nulo, ate pelo fato que o fiscal tem a discricionariedade de aplicar a lei e ao aplicála incorretamente anula o seu próprio ato. [...] O presente caso, o Auto de Infração é confuso desde seu início por não atender o disposto no art. 10, inciso III e IV, do DecretoLei 70.235/72 que trata dos requisitos da lavratura do auto de infração, ato pelo qual se formaliza a exigência do crédito tributário. Isto porque não permite ao contribuinte precisar exatamente a infração cometida, vedando o pleno exercício ao seu direito ao contraditório e a ampla defesa. [...] A incorreção da disposição legal infringida de forma clara e precisa impossibilita a ampla defesa por parte da reclamante e invalida o Auto de Infração. [...] A disposição legal infringida é incorreta e confusa. O enquadramento legal é que da o condão à fiscalização e o autoriza a lançar o crédito tributário, devendo existir nexo causal entre a presunção de receita (depósito bancário) e a lei, a qual prevê a cobrança tributária. Ha ausência da disposição legal infringida de forma clara e precisa, pelo que vem requerer a improcedência do auto de infração. [...] Evidente ilegalidade e insubsistência do auto de infração se não for lavrado com base em lei, contrariando por completo o principio da legalidade, conforme doutrina, jurisprudência e princípios gerais do direito tributário. Tal dispositivo, por falta de previsão em lei, pode sim beneficiar o contribuinte, mas nunca ser exigido o tributo em função dele. [...] O que se verifica no presente caso, é que a autoridade fiscalizadora extrapolou os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento. [...] Fato é que improcede a autuação com base em omissão de receitas por existência de depósitos bancários não contabilizados quando a fiscalização não logra demonstrar cabalmente a existência da omissão. Não cabe autuação baseada em meros indícios. Para efeito de determinação da receita omitida, neste caso, os créditos devem analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outros contas da própria pessoa jurídica. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic, inclusive cumulada da correção monetária com juros calculados pela taxa Selic, e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Decorre dos fatos e fundamentos jurídicos acima ventilados, que o Auto do Infração lavrado contra o Impugnante carece de legitimidade, importando em declaração de nulidade do ato administrativo e desconstituição do débito tributário. Diante do acima exposto, e considerando: i. Lavratura em local diverso do domicilio do autuado; Fl. 804DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 770 7 ii. Superação do prazo máximo para conclusão dos trabalhos; iii. Tratamento diferenciado as empresas do Simples; iv. Cerceamento do direito de defesa do autuado, requerse: a) Dignese a Autoridade Pública, por meio do órgão competente a receber e processar a presente impugnação, nos termos da legislação de regência, julgandoa procedente em todos os seus termos, a fim de que seja preservado o direito do Impugnante, em razão dos vícios que permeiam o auto guerreado; b) Sejam excluídos os valores lançados a títulos de multa e multa isolada, devido não ser comprovado intenção ou colo do impugnante em lesar o fisco e devido ao seu caráter confiscatório; c) Que sela excluída as correções realizadas com base na Taxa SELIC; d) A anulação do valor do débito lançado ou a sua redução diante de todo o exposto, com as exclusões pertinentes. Nestes termos Pede e Espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0632.384, de 22.06.2011, fls. 747767: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. LOCAL DA LAVRATURA. É legitima e não é nula a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPFF E PRORROGAÇÕES. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Improcede o pleito de nulidade da autuação ao argumento de não ter sido cientificado o contribuinte do MPFF e respectivas prorrogações, que comprovadamente foram emitidos e disponibilizados ao contribuinte na internet, mediante senha fornecida e que se estendem até data posterior ao encerramento da ação fiscal. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPFF. NULIDADE. Mesmo em caso de ausência de MPFF, não é nulo auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da lei, possui competência para tanto, por se tratar de instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 771 8 DUPLA VISITA O direito h. dupla visita do art. 12 da Lei n° 9.841, de 1999, referente às fiscalizações trabalhistas, não alcança a fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, por falta de descrição do fato e de disposição legal infringida e a penalidade aplicável, se estas constam claramente do auto de infração e do Relatório de Ação Fiscal, devidamente cientificados ao contribuinte ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ONUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL. Exigemse juros de mora sobre os impostos e contribuições exigidos de oficio, apurados segundo a variação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic, por expressa previsão legal. CORREÇÃO MONETÁRIA. Não foi aplicada correção monetária sobre os débitos tributários exigidos, sendo descabida a reclamação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 772 9 Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS, CSLL E INSS SIMPLES. Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Notificada em 21.07.2011, fl. 768, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.08.2011, fls. 769789, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo (Despacho de 28.03.2012 da 1ª TE/3ª Câmara/1ª SJ/CARF, fls. 792797), vale esclarecer que a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC). Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do Fl. 807DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 773 10 crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o MPF de instauração do procedimento fiscal contém vício. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O procedimento fiscal pode ser instaurado mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. As decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição da autoridade fiscal, bem como dos tributos a serem examinados ou do período de apuração são procedidas mediante emissão de ato complementar. Verificado que o fato ilícito também é uma situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência de fato gerador de tributos diversos e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF tem validade por 120 (cento e vinte) dias prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 (sessenta) dias, cujas informações ficam disponíveis da pessoa jurídica na internet independentemente notificações sucessivamente formalizadas. A sua extinção ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio. Este ato é interna corporis de controle interno e eventuais vícios 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 774 11 são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade do crédito constituído pelo lançamento de ofício2. Em relação ainda do procedimento fiscal, vale esclarecer que esse tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. Nessa oportunidade a espontaneidade do sujeito passivo está excluída em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Esse ato vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos3. Consta no Relatório de Ação Fiscal, fls. 696711, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Tratase se de fiscalização levada a efeito por meio do MPF Fiscalização no 09.1.04.00 2009004080 no empresário individual Celso Neri Giacomitti, CNPJ n° 00.153.633/000130, com sede a R. Antônio Losso, 1330, Guarapuava — PR, CEP 85.055 310, [...]. Conforme determinado pelo MPF, a presente fiscalização contemplou os anos calendário de 2006 a 2007. No período de 01/2006 a 06/2007, o regime de tributação utilizado pelo fiscalizado foi pelo Sistema Integrado de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal), sendo objeto dos presentes Autos de Infração, os quais deram origem ao processo administrativo fiscal n° 12571.000120/201000. No período de 07/2007 a 12/2007, o fiscalizado optou pelo lucro presumido (fl. 60), assim foram apurados os tributos: Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), os quais resultaram em outros autos de infração, sendo estes tratados no processo administrativo fiscal n° 12571.000121/201046. [...] O procedimento fiscal teve inicio em 30 de setembro de 2009, com o recebimento do Termo de Inicio de Fiscalização n° 580/2009 (fls. 02 a 04) pelo fiscalizado por via postal, conforme Aviso de Recepção — AR (fl. 05). [...] Em 02/09/2009, o fiscalizado apresentou os documentos acima (fl. 06), os quais foram insuficientes para a análise fiscal. Por conta disso, por meio do termo de intimação ri° 667/2009 (fls. 90 e 91), também foram solicitados ao fiscalizado o livro de registro de entradas e todas as notas fiscais de saída em relação ao período fiscalizado. Tal solicitação foi atendida pelo fiscalizado em 16/11/2009 (fl. 93). [...] O fiscalizado apresentou resposta A solicitação em 29/03/2010, apresentado suas justificativas (fls. 215). No presente caso, o procedimento está regular, uma vez que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa/PR expediu o MPF nº 09.1.04.00 2009004080. 2 Fundamentação legal: art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e Instrução Normativa SRF nº 180, de 01 de fevereiro de 2001. 3 Fundamentação legal: art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 775 12 A Recorrente foi notificada: (a) em 14.09.2009 do Termo de Início de Fiscalização, fls. 0406, (b) em 29.10.2009 do Termo de Intimação, fls. 9395, (c) em 06.01.2010 do Termo de Continuação de Procedimento Fiscal, fls. 197198, (d) em 09.03.2010 do Termo de Intimação, fls. 199218. Finalmente foi cientificada em 12.04.2010 dos lançamentos. Assim o lapso de 60 (sessenta) dias foi observado entre cada uma das notificações de modo que em momento algum a Recorrente recuperou a espontaneidade. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador4. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 776 13 É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração5. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade 5 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 777 14 administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada6. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo7. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade8, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase na omissão de receitas de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 1137375 da agência nº 258 do Unibanco S/A, fls. 1448 e 105 141 e na contacorrente nº.0002 991 da agência nº 0389 da Caixa Econômica Federal S/A, fls. 142196. Em relação a esses valores a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 99103 e as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), do ao período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006 e de janeiro a junho do anocalendário de 2007, fls. 50 89. 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 7 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 8 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 778 15 Está registrado no Relatório de Ação Fiscal, fls. 696711, cujas informações podem ser comprovadas nos autos: Em sua resposta para justificar a movimentação financeira à fl. 215, o fiscalizado apresentou relatório do livro de registro de saídas com cópias das notas fiscais que originaram os lançamentos no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007. Como comprovantes da tributação, apresentou cópias das declarações DSPJ anos calendário 2006 e 2007 e DIPJ ano calendário 2007. Também alegou que não há possibilidade de informar individualmente cada depósito, pois, no recebimento dos valores referentes As vendas, os clientes efetuam o pagamento com diversos cheques, os quais não são compatíveis com as vendas e também pelo fato de os depósitos serem efetuados em datas distintas às entradas. Os valores considerados como base de cálculo para fins de apuração dos tributos estão individualizados nos Demonstrativos, fls. 72 e 8390, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2004 Mês (A) Valores Creditados na Instituições Financeiras R$ (B) Valores DSPJ R$ (C) Valores Omissão Receita R$ (D = BC) AnoCalendário 2006 Janeiro 122.822,24 4.536,34 118.285,90 Fevereiro 72.980,40 6.937,24 66.043,16 Março 116.432,62 10.059,65 106.372,97 Abril 62.912,50 13.103,39 49.809,11 Maio 90.812,92 10.988,48 79.824,44 Junho 89.109,54 8.554,66 80.554,88 Julho 75.043,29 30.377,53 44.665,76 Agosto 88.640,43 16.596,36 72.044,07 Setembro 84.427,77 26.025,20 58.402,57 Outubro 35.986,28 6.344,85 29.641,43 Novembro 89.205,08 3.358,73 85.846,35 Dezembro 70.904,50 9.903,81 61.000,69 AnoCalendário 2007 Janeiro 67.935,95 0,00 67.935,95 Fevereiro 50.455,42 3.843,05 46.612,37 Março 76.225,04 5.161,15 71.063,89 Abril 87.047,44 5.342,15 81.705,29 Maio 74.667,58 7.517,83 67.149,75 Junho 64.336,51 4.409,99 59.926,52 Está registrado no Relatório da Ação Fiscal, fls. 697711, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em 02/09/2009, o fiscalizado apresentou os documentos acima (fl. 06), os quais foram insuficientes para a análise fiscal. Por conta disso, por meio do termo de intimação ri° 667/2009 (fls. 90 e 91), também foram solicitados ao fiscalizado o Fl. 813DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 779 16 livro de registro de entradas e todas as notas fiscais de saída em relação ao período fiscalizado. Tal solicitação foi atendida pelo fiscalizado em 16/11/2009 (fl. 93). Considerando que os extratos bancários apresentados pelo fiscalizado não eram totalmente compatíveis com as informações constantes nos sistemas da RFB, conforme informações fornecidas pelas instituições financeiras, e que a movimentação financeira do fiscalizado não é compatível com seus documentos fiscais e contábeis, com base no Art. 6° da Lei complementar n° 105/2001, foi requisitada a movimentação financeira do fiscalizado diretamente as instituições financeiras com as quais ele operou, corn base na CPMF recolhida e informada por estas instituições. As fls. 96 e 97, estão anexadas as respectivas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira encaminhadas As seguintes instituições: Caixa Econômica Federal — CEF e Unibanco — Unido de Bancos Brasileiros S/A. O Unibanco apresentou as informações em 12/11/2009 (fl. 100), informando que a conta movimentada pelo fiscalizado foi a de n° 1137375, estando o extrato desta anexado As fls. 102 a 138. As informações solicitadas foram apresentadas pela CEF em 23/11/2009 (fls. 139 e 140), sendo informado que a conta movimentada pelo fiscalizado foi a de n° 0389.003.000029913, estando os respectivos extratos e depósitos anexados as fls. 139 a 193. Corn base nestes extratos, encaminhouse ao fiscalizado o Termo de Intimação n° 83/2010 (fls. 196 a 197). Anexo a este termo, foi encaminhada uma planilha (fls. 198 a 213), a qual havia sido elaborada com base nos extratos fornecidos pelas instituições financeiras e relacionava todos os créditos lançados nas contas bancárias do fiscalizado. Foi solicitado no referido termo que o fiscalizado analisasse esta planilha e apontasse individualmente, em relação a cada crédito, a origem dos recursos que possibilitaram a realização destas operações, apresentando a correspondente documentação comprobatória hábil e idônea. 0 fiscalizado apresentou resposta A solicitação em 29/03/2010, apresentado suas justificativas (fls. 215). 2.1 Análise fiscal Inicialmente cumpre esclarecer que a fiscalização de omissão de receitas relativa a depósitos bancários é disciplinada pelo Art. 42 da Lei IV 9.430/1996, transcrito a seguir. Segundo dispõe este dispositivo legal, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta mantida junto a instituição financeira, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, o citado dispositivo inverte o ônus da prova, devendo o contribuinte fiscalizado, e não a fiscalização, provar que não houve omissão de receitas. [...] Em sua resposta para justificar a movimentação financeira à fl. 215, o fiscalizado apresentou relatório do livro de registro de saídas com cópias das notas fiscais que originaram os lançamentos no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007. Como comprovantes da tributação, apresentou cópias das declarações DSPJ anos calendário 2006 e 2007 e DIPJ ano calendário 2007. Também alegou que não Fl. 814DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 780 17 há possibilidade de informar individualmente cada depósito, pois, no recebimento dos valores referentes As vendas, os clientes efetuam o pagamento corn diversos cheques, os quais não são compatíveis com as vendas e também pelo fato de os depósitos serem efetuados em datas distintas As entradas. Tal justificativa não merece prosperar. Mesmo os clientes efetuando os pagamentos com vários cheques, a somatória destes deveria ser compatível com a respectiva compra, o que deveria ter sido apontado pelo fiscalizado. Também é de ser estranhar que, em dois anos de vendas, não haja sequer um depósito compatível com uma venda. Mas a principal inconsistência desta justificativa é que os valores dos créditos bancários, como será visto posterionnente, são bem superiores aos valores mensais da receita bruta declarada pelo fiscalizado. A única justificativa para tal discrepância é a obtenção de receita sem a correta escrituração fiscal e contábil. Contudo, embora o fiscalizado não tenha apresentado a justificativa individual para cada credito bancário, há que se considerar que, pelo menos, parte de sua movimentação financeira não justificada foi tributada, uma vez que a atividade do fiscalizado obviamente gerou impacto nas contas analisadas. Considerando que o fiscalizado apresentou declarações simplificadas da pessoa jurídica DSPJs, há de entender que houve tributação, ainda que bem aquém da realidade. Assim, para se evitar qualquer possibilidade de dupla tributação, não se considerou todos os valores de créditos bancários não justificados como omissão de receitas, tendo se subtraído os valores declarados pelo fiscalizado nas DSPJs (fis. 217 e 218). Outros créditos bancários também não foram considerados como omissão de receitas. É o caso dos créditos no Unibanco em que o histórico é "ESTORNO DE CPMF", "ESTORNO DE JUROS" e "DEVOLUÇÃO DE CHEQUES COMPENSADOS". Isso porque se tratam de operações bancárias que não configuram receita tributável. Também foram excluídos os créditos da tabela a seguir, uma vez que o §3° do Art. 42 da Lei 9.430/1996 determina que não serão considerados os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. No caso em questão, tais créditos foram provenientes de transferências da conta do próprio fiscalizado na CEF, como diz o próprio texto do histórico. Além disso, foi constatado que, na conta do fiscalizado na CEF, havia o respectivo débito coincidente com a data do crédito, conforme extrato bancário apresentado por esta instituição às fls. 169 a 193. [...] Todos os demais créditos bancários estão presentes no anexo aos autos de infração e foram considerados não justificados. Considerando o disposto no § 3º do art. 42 da Lei 9.430/1996, apurouse a omissão de receitas mensal no período em questão, descontandose dos créditos bancários não comprovados os valores declarados nas DSPJ, conforme já comentado. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 781 18 Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês9. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200910 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF11. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos12. 9 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 11 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 12 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 782 19 No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso13. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade14. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 13 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 14 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12571.000120/201000 Acórdão n.º 1801001.874 S1TE01 Fl. 783 20 Fl. 818DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904585/2012-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/11/2007
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 85 /2 01 2- 93 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904585/201293 Acórdão n.º 3801002.377 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904585/201293 Acórdão n.º 3801002.377 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904585/201293 Acórdão n.º 3801002.377 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904585/201293 Acórdão n.º 3801002.377 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13984.901365/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 108 1 107 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.901365/200915 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.481 – 2ª Turma Especial Data 10 de abril de 2014 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente ALMIR RODRIGUES & CIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 84 .9 01 36 5/ 20 09 -1 5 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901365/200915 Resolução nº 1802000.481 S1TE02 Fl. 109 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação de suposto pagamento a maior do tributo devido pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, apurado em 30/09/2004, através da DCOMP 08350.12215.190606.1.3.045144, com débitos de igual natureza, do período de apuração de 30/04/2006, no valor de R$ 12,25. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/FNS, através do Acórdão n° 07 26.479, constante às efls. 42: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada nãohomologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior. O pagamento indicado pela contribuinte como indevido ou a maior referese a Darf com código de receita 6106 (PAGAMENTO DE MICROEMPRESA E EMPRESA DE PEQUENO PORTE — SIMPLES). Na fundamentação do referido despacho, consta que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignada, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega que: DOS FATOS [...] Ocorre que quando da verificação dos valores recolhidos a maior, as Declarações Simplificadas de Imposto de Renda Pessoa Jurídica não haviam sido retificadas com os valores corretos do Imposto. Procedemos então a entrega das devidas declarações retificadoras, mostrando a origem dos créditos utilizados nas compensações. [...] Como prova da verdade, anexamos cópia da declaração retificadora do ano de 2004; [...] Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901365/200915 Resolução nº 1802000.481 S1TE02 Fl. 110 3 Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora pela carência na comprovação das alegações do contribuinte, concluiu pela manutenção do Despacho Decisório que não homologou a compensação intentada pelo contribuinte, conforme o voto que colaciono a seguir (efls 42/43): [...] Como se infere da manifestação de inconformidade, somente após notificada do Despacho Decisório, a interessada concluiu pela necessidade de retificar a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica DSPJ. Constatase, entretanto, qup não há nos autos comprovação inequívoca da existência de pagamento indevido ou a maior. Como está disposto de forma literal no art. 170 do CTN, a compensação, para ser válida, pressupõe a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. A comprovação da existência desse crédito é ônus da interessada, mas no caso que aqui se tem, ela não trouxe aos autos qualquer elemento de prova do suposto erro cometido no preenchimento da DSPJ. A declaração retificadora, por si só, não é prova hábil a demonstrar qual o efetivo montante do débito, mormente quando apresentada após ciência do Despacho Decisório. Deste modo, o crédito indicado no Per/Dcomp pela interessada não goza da liquidez e da certeza que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de compensação. Ante o exposto, manifestome pela improcedência da manifestação de inconformidade. [...] Intimada do Acórdão em 23/11/2011, mostrouse irresignada pelo que interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2011, onde alega que no anocalendário em referência recolheu tributo equivocadamente à alíquota de 4,5%, quando na verdade deveria ser 3,00%, sendo a comprovação de suas alegações perfeitamente identificadas pela DIPJ Simplificada retificadora. É o relato do essencial. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901365/200915 Resolução nº 1802000.481 S1TE02 Fl. 111 4 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade pelo que merece ser conhecido. Como se extrai dos autos, o contribuinte intentou se utilizar de suposto crédito por pagamento a maior do SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte) para compensar débitos tributários apurados para o mesmo tributo, vincendos. Discorre o contribuinte no sentido de que o recolhimento a maior se deu pela adoção equivocada de alíquota na aplicação do tributo. É enxerto de seu Recurso Voluntário (efls 48): No ano calendário de 2004 e 2005, o imposto Simples Federal foi calculado erroneamente à alíquota de 4,5% sendo que o correto seria ser calculado à alíquota de 3%. Quando observado o erro, os Darfs (sic), já haviam sido recolhidos. Foram feitas então as Declarações de Compensações (sic), compensando débitos de 2006 com as diferenças dos recolhimentos feitos a maior, e retificada (sic) as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simplificada referentes aos anos de 2004 e 2005, corrigindo os valores dos débitos, comprovando assim a diferença dos recolhimentos a maior que geraram os respectivos créditos para compensação. Ora, a aplicação da alíquota para o SIMPLES depende de vários fatores, entre os quais, o enquadramento e especialmente o faturamento contraído pela pessoa jurídica no ano calendário anterior. Na análise do reclamo do contribuinte, observase que tais questões não foram sequer enfrentadas pela turma julgadora a quo, fixandose esta em seus motivos de não homologação, à suposta carência na comprovação do pleito do contribuinte. Tais razões para não homologação do crédito pleiteado pelo contribuinte não são satisfatórias, especialmente porque, as sociedades empresárias optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES possuem escrituração contábil e fiscal igualmente simplificadas. É certo que a administração tributária possui mais dados e provas a serem apresentadas para atestar a existência do direito creditório do que o próprio contribuinte. Assim, em atenção ao art. 333, II, do Código de Processo Civil, por não homologar a compensação requerida pelo contribuinte, deve a administração tributária apresentar os Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13984.901365/200915 Resolução nº 1802000.481 S1TE02 Fl. 112 5 elementos de prova que motivem a decisão denegatória – “fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Isso não dispensa por óbvio o contribuinte de comprovar igualmente seu pleito, através de seu balanço contábil do anocalendário, ou, no mínimo, com cópia das notas fiscais que demonstrem inequivocamente o faturamento contraído no período. Isto posto, converto o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: emita relatório circunstanciado com base nas informações constantes nos sistemas da Receita Federal acerca (a) do enquadramento da sociedade empresária para os anoscalendário de 2004 e 2005, (b) a atividade e ainda, (c) demonstrando a evolução de seu faturamento desde o anocalendário de 2003, concluindo ao final com a aplicação da alíquota do tributo a ser levada a efeito pelo contribuinte com base nas informações e na legislação da época; intime o contribuinte a trazer aos autos, cópia do balanço contábil e/ou cópia de todas as notas fiscais emitidas no anocalendário 2005 ou ainda livro registro de saídas autenticado capazes de comprovar o faturamento declarado em obrigação acessória. A não comprovação por parte do contribuinte, poderá determinar a não homologação da compensação. Após a diligência, retornemse os autos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006651/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2004
COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-002.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (Suplente), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, as conselheiras NAYRA BASTOS MANATTA e SILVIA DE BRITO OLIVEIRA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 66 51 /2 00 8- 85 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (Suplente), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, as conselheiras NAYRA BASTOS MANATTA e SILVIA DE BRITO OLIVEIRA. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11516.006651/200885 Acórdão n.º 3402002.341 S3C4T2 Fl. 133 3 Relatório Versam estes autos de Auto de Infração, que constituiu crédito tributário no valor de R$ 20.321,04 (vinte mil, trezentos e vinte um reais e quatro centavos) contemplando 75% de multa de ofício, a contribuição e juros de mora, referente à Cofins, com fato gerador em janeiro de 2004. O referido Auto decorre de falta/insuficiência de recolhimento da Cofins, cujos valores foram apurados conforme esclarecimentos constantes do Termo de Verificação Fiscal, nos seguintes termos: “Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 – COFINS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Diferença constatada entre o valor declarado/pago e o escriturado pelo sujeito passivo, infração caracterizada na forma das circunstâncias fáticas expendidas no Termo de Verificação Fiscal lavrado no encerramento dos trabalhos, precisamente no subitem "2.2 Infrações no Âmbito das Verificações Obrigatórias Declaração e/ou Recolhimento a Menor da COFINS", ato fiscal que passa a integrar o presente Auto de Infração de constituição da exação.”. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, em 24/09/2008, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 23/10/2008, impugnação (fls. 63 a78 n.e.) acompanhada de documentos juntados nos autos, aduzindo em apertada síntese que o artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91, instituidor da Cofins, alterou o conceito de faturamento previsto na Constituição Federal quando determinou como base de cálculo o faturamento mensal das pessoas jurídicas deixando de excluir o ICMS, determinando que a contribuição incida não somente sobre o faturamento, mas também sobre o que é tributo. Defende a inconstitucionalidade da incidência da COFINS sobre o valor do ICMS. Aduz ainda que a multa de ofício aplicada possui caráter confiscatório e, por fim, que a aplicação da Taxa Selic para correção monetária é inconstitucional e ilegal. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), houve por bem em considerar improcedente a impugnação apresentada, proferido Acórdão nº. 0719.538, que deixou de ementar com fundamento na Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entende que não merece prosperar o argumento da Recorrente de que o ICMS não compõe as bases de cálculo do PIS e da Cofins, vez que a base legal para exigência da Cofins é a Lei nº 9.718/98 e não Fl. 134DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 mais LC 70/91, sendo que a Lei mais recente não fez qualquer menção quanto a exclusão do ICMS da receita bruta. Quanto a alegação de inconstitucionalidade, a DRJ houve por bem não apreciar, pois que não tem competência para julgar matérias que versem sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade. Por fim, manteve a multa de ofício em 75%, bem como não afastou a aplicação da Taxa Selic como índice de correção monetária. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 21/05/2010, conforme AR de fls. 100 – n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 101/111) em 21/06/2010, repisando os mesmos argumentos já levantados em sede de Manifestação de Inconformidade, que por respeito à brevidade, não os repetirei, deixando apenas de recorrer da aplicação da Taxa Selic. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 126 (cento e vinte e seis), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11516.006651/200885 Acórdão n.º 3402002.341 S3C4T2 Fl. 134 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A discussão que emana dos autos, diz respeito a possibilidade, defendida pela Recorrente, ou à vedação, sustentada pela Administração (através do Auto de Infração e da decisão recorrida), de se excluir da base de cálculo da Contribuição à COFINS, os valores relativos ao ICMS incidentes sobre as operações de venda, sob o fundamento de que tais valores, na realidade, constituirseiam em receitas pertencentes ao Estado e não ao contribuinte. Adentrando ao mérito da questão, sabese que a matéria é objeto de discussão no âmbito do STF, em sede de Recurso Extraordinário n° 240.7852/MG, em curso de julgamento desde 1999, que discute a incidência no âmbito da Lei n° 9.718/98. Em referido RE o “score” está 6x1 em favor do contribuinte, tendo sido publicado o seguinte resultado de julgamento: "O TRIBUNAL, POR MAIORIA, CONHECEU DO RECURSO, VENCIDOS A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA E O SENHOR MINISTRO EROS GRAU. NO MÉRITO, APÓS OS VOTOS DOS SENHORES MINISTROS MARCO AURÉLIO (RELATOR), CÁRMEN LÚCIA, RICARDO LEWANDOWSKI, CARLOS BRITTO, CEZAR PELUSO E SEPÚLVEDA PERTENCE, DANDO PROVIMENTO AO RECURSO, E DO VOTO DO SENHOR MINISTRO EROS GRAU, NEGANDOO, PEDIU VISTA DOS AUTOS O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES. AUSENTES, JUSTIFICADAMENTE, OS SENHORES MINISTROS CELSO DE MELLO E JOAQUIM BARBOSA. FALARAM, PELA RECORRENTE, O PROFESSOR ROQUE ANTÔNIO CARRAZA E, PELA RECORRIDA, O DR. FABRÍCIO DA SOLLER, PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL. PRESIDÊNCIA DA SENHORA MINISTRA ELLEN GRACIE. PLENÁRIO, 24.08.2006". Sabese também, no entanto, que houve a apresentação da Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 18, na qual foi concedido provimento judicial para que se sobrestassem os julgamentos de matérias similares a esta até o julgamento final da lide pela Corte Suprema, sendo em razão desta liminar que tais demandas aguardam o pronunciamento do STF, inclusive as que estavam pendentes perante este Conselho por força da Portaria MF n° nº 256, de 22 de junho de 2009, revogada através da Portaria MF n° 545, de 18 de novembro de 2013. Tenho, no entanto, que a matéria está muito longe de restar pacificada mesmo com eventual decisão do STF favorável aos contribuintes, pois que dela emanariam efeitos que alterariam premissas firmadas há décadas a respeito do ICMS, inclusive de ordem criminal (por Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 ser imposto próprio ou de terceiro, p. ex.) e que acabariam por não resolver, também, as demandas que poderiam se originar nos períodos em que as contribuições ao PIS e à COFINS passaram a ser apuradas sob o regime da não cumulatividade, pois que viria à toma o questionamento sobre o direito de se tomar crédito sobre a parcela do ICMS incluído no custo das mercadorias para revenda ou dos insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens. Firmouse a premissa de que o ICMS é um “imposto próprio”, ou seja, seu ônus é do próprio contribuinte, e seu mecanismo de incidência não comporta a transferência jurídica do encargo ao adquirente da mercadoria (diferentemente do IPI, no qual se fatura o preço do produto e o preço do IPI, separadamente). Daí surgem efeitos primeiramente no art. 166, do CTN, para fins de eventual indébito e demandas por créditos, e também no âmbito criminal, pois que a simples falta de pagamento de ICMS poderá passar a ser considerada “apropriação indébita”, pois que o contribuinte passaria a ser mero depositário do tributo, para repassálo ao ente arrecadador estadual. Daí porque já no final da década de 1980 e início da de 1990, o Superior Tribunal de Justiça editou as Súmulas n°s. 68 e 94, com os seguintes teores: Súmula 68. A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Súmula 94. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Sabese que o FINSOCIAL foi substituído pela COFINS com a edição da Lei Complementar n° 70/91, tanto que no início acabou recebendo a alcunha de “novo Finsocial”, acomodando com isso as diversas discussões quanto à sua constitucionalidade que pairavam no Brasil pós Constituição de 1988. A digressão história anterior foi necessária para dizer que a análise jurídica da exclusão do ICMS das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS passam pela análise da constitucionalidade do art. 13, da Lei Complementar n° 87/96 (Lei Kandir), que determina que o ICMS seja calculado “por dentro”, e que lhe concede todo esse contorno de “imposto próprio”, como mencionado alhures. E essa competência para declarar a inconstitucionalidade de Lei tributária não cabe aos julgadores do CARF, nos termos da Súmula CARF n° 2. Tratase de uma função que compete ao STF e que o fará com o julgamento da ADC n° 18. Até lá, temse a presunção de constitucionalidade da Lei, tanto do art. 13 da LC 87/96, como da Lei n° 9.718/98 questionada em sede de STF, e que não preveem a hipótese de exclusão da receita bruta de vendas ou do faturamento, os valores relativos ao ICMS incidente sobre as vendas, de modo que não merece amparo o pleito recursal. Finalmente, trago à colação parte do voto do ilustre Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, que ao julgar o Processo n° 13851.001210/200640 (sessão de janeiro de 2014, pendente de publicação), com maestria pontuou: ...em relação à inclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, pois como acertadamente ressaltou a r. decisão recorrida, ao contrário do que ocorre com o IPI, o ICMS, por expressa disposição do art. 13 da LC nº 87/96, integra o preço da mercadoria faturado que é apurado “por dentro”, não havendo previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS contrariamente ao que ocorre no caso do IPI (art. 3º da Lei nº 9.715/98). Nesse sentido Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11516.006651/200885 Acórdão n.º 3402002.341 S3C4T2 Fl. 135 7 anoto que a matéria já se pacificou, no âmbito do STJ, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. 1. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo da COFINS e do PIS, ante a ratio essendi das Súmulas 68 e 94 do STJ. 2. Precedentes jurisprudenciais do STJ: Ag 666548/RJ, desta relatoria, DJ de 14.12.2005; RESP 496.969/RS, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 14/03/2005; RESP 668.571/RS, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/12/2004 e RESP 572.805/SC, Relator Ministro José Delgado, DJ de 10/05/2004. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar o erro material e negar provimento ao recurso especial interposto por Irmãos Amalcaburio Ltda e Outros (fls. 564/592).” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no EDcl no AgRg no REsp 706766RS, Reg. nº 2004/01685982, em sessão de 18/05/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 29/05/06 p. 169) Finalmente releva notar que no caso excogitado (pretensão de exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo “os magistrados e Tribunais – que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o benefício da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado. Em tema de controle de constitucionalidade de atos estatais, o Poder Judiciário só atua como legislador negativo (RTJ 146/461, Rel. Min. Celso de Mello). (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Agr. Reg. no AI nº 171.733SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ vol. 188/237) Com efeito, na esteira das considerações acima, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 12096.720011/2013-08
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.220
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, a fim de que a autoridade local da DRF Origem promova o cumprimento do solicitado nos itens 1 a 5, constantes do acórdão.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, a fim de que a autoridade local da DRF Origem promova o cumprimento do solicitado nos itens 1 a 5, constantes do acórdão. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanel Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12096.720011/201308 Resolução n.º 2803000.220 S2TE03 Fl. 210 2 O presente Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação PER/DCOMP 4.6, fls. 05 a 32, objetiva a restituição de valores retidos em razão da prestação de serviços com cessão de mão de obra, nas competências 12/2008; 12/2009; 12/2010; 07/2011. A recorrente a fim de ver seu pedido administrativo analisado impetrou MS Nº 505127228.2012.404.7000PR, no qual foi obtida liminar, fls. 20 a 04, determinando a análise do pedido de restituição. Junto ao requerimento a empresa apresentou os documentos, de fls. 02 a 26. A DRF de Curitiba – PR emitiu a intimação, de fls. 33 e 34. Consta, as fls. 35 a 63; 65; 67 a 90; 92 a 101; 103 a 160, um rol de documentos apresentados pela requerente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba emitiu o Despacho Decisório Nº 009/2013, em 22/01/2013, no qual foram deferidas parcialmente as restituições das competências 12/2008; 12/2009 e 12/2010 e indeferida a da competência 07/2011, conforme trecho a seguir transcrito. 20. No uso das atribuições que me foram conferidas pelo inciso I, do art. 1º da Portaria de Delegação de Competência DRF/CTA nº 104, de 15/06/2012, DEFIRO PARCIAL os pedidos referentes aos PER/DCOMPs listados abaixo, no valor originário de R$ 21.329,93 (vinte e um mil, trezentos e vinte e nove reais e noventa e três centavos), acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, nos termos da legislação vigente: PER/DCOMP Nº Competência 31541.82281.090811.1.2.150103 dez/08 09133.26729.090811.1.2.159993 dez/09 34452.99922.090811.1.2.150220 dez/10 21. INDEFIRO os pedidos referentes aos PER/DCOMPs listados abaixo, pelo motivo de não ter havido declaração da retenção em GFIP, conforme dispõe o art. 17, da Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20/11/2012: PER/DCOMP Nº Competência 18361.00483.090811.1.2.156312 07/2011 (grifos do original) A requerente foi cientificada do DD por edital, fls. 170, uma vez que a correspondência, de fls. 167 e 168, foi devolvida, em razão do número ser inexistente. Foi autorizada a emissão do pagamento pelo despacho, de fls. 176, bem como consta, as fls. 177, consulta a ordem bancária do SIAFI. A recorrente foi intimada do DD, em 26/01/2013, conforme despacho, de fls. 178. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12096.720011/201308 Resolução n.º 2803000.220 S2TE03 Fl. 211 3 O requerente apresentou Manifestação de Inconformidade, as fls. 182, acompanhada pelos documentos, de fls. 183 a 195. A manifestação de inconformidade foi considerada tempestiva, fls. 196. A Delegacia da Receita de Julgamento em Curitiba – DRJ/CTA, as fls. 197 a 199, expediu o Acórdão Nº 06.40546 5ª Turma, datado, de 25/04/2013, onde considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o argumento abaixo citado. 6. A não declaração da retenção em GFIP até a data de 26/02/2013 é fato incontroverso nos autos. 7. A retificação da GFIP durante o prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade (em 26/02/2013, fls. 183/195) não altera essa situação. Pelo contrário, prova o pressuposto de fato invocado no Despacho Decisório para o deferimento parcial do pedido, sem análise de mérito da matéria indeferida. 8. Impõese, portanto, o reconhecimento da validade e eficácia do Despacho Decisório, cabendo à empresa formular novo pedido de restituição, observado o prazo prescricional. 9. Isso posto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. O contribuinte foi cientificado desta decisão pelo AR, de fls. 201, recebido, em 25/05/2013. Inconformado com a nova negativa a requerente impetrou recurso voluntário, petição de interposição, as fls. 203, recebido em 21/06/2013, com razões, as fls. 204 a 206, onde alega em síntese, o que a seguir se expõe. Mérito. • que a retificação da GFIP foi oportuna e que as normas da receita federal assim o admitem; • que a retenção e a correção da GFIP estão comprovadas e a correção da GFIP é admitida pelo judiciário em casos análogos e permitida pela Portaria MPAS nº 133/2006; • requer por fim: a) acolhimento para deferir a restituição efetivada pela PER/DCOMP nº 18.361.00483.090811.1.2.156312 – comp 07/2011. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do Recurso Voluntário. Os autos subiram ao CARF, fls. 208. É o Relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12096.720011/201308 Resolução n.º 2803000.220 S2TE03 Fl. 212 4 Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Entretanto, não é possível a este Colegiado órgão da estrutura do Ministério da Fazenda em igualdade com a SRFB acessar os bancos de dados desta para a verificação da regularidade das informações prestadas pelas supostas GFIP’s retificadoras, acostadas, as fls. 183 a 195, bem como se não há outras razões impeditivas do reconhecimento do direito creditório da competência 07/2011, haja vista que o mérito do direito nesta competência não foi analisado. Todavia, a não aceitação da retificação da GFIP para fins de restituição não tem justificativa legal, a legislação não veda esta prática pelo contrário a admite artigo 147, parágrafo primeiro, desde que não vise a reduzir tributos e antes do lançamento. No presente caso não se verifica nenhuma das duas situações impeditivas. Exigir do contribuinte que faça novo pedido de restituição em razão de mera obrigação acessória já cumprida é deixar a mingua o principio da eficiência da Administração e o da celeridade processual. Assim sendo, entendo que a limitação da análise do pedido de restituição em razão da na declaração em GFIP da retenção deve ser afastada, tendo em vista que supostamente houve apresentação de GFIP retificadora. Desta forma, a DRF origem deve tomar as seguintes providências. 1. verificar se as novas GFIP’s foram transmitidas e recepcionadas devidamente pelos sistemas e se estas sanearam as falhas apontadas anteriormente; 2. Caso fique comprovado esta situação, se o contribuinte faz jus a restituição nos moldes do pedido original e sua manifestações posteriores; 3. Emitir despacho fundamentado e conclusivo quanto a possível existência de direito creditório e seu quantum; 4. Cientificar o contribuinte deste despacho abrilhe prazo de trinta dias para manifestação; 5. Restituir os autos ao CARF, findo o prazo acima citado com o sem a manifestação do contribuinte para conclusão do julgamento. Tão logo, cumprida a diligência restitua os presentes autos a este colegiado para finalização do julgamento. CONCLUSÃO: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12096.720011/201308 Resolução n.º 2803000.220 S2TE03 Fl. 213 5 Pelo exposto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade local da DRF Origem promova o cumprimento do solicitado nos itens 1 a 5, supramencionado. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13656.901496/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. RECONHECIMENTO.
Admite-se a existência de direito creditório da Recorrente, na parte em que, após haver retido e recolhido o tributo correspondente, efetuou, com recursos próprios, depósitos à conta da Justiça, em cumprimento de liminar judicial nesse sentido, depósitos, esses, após o trânsito em julgado da ação, total ou parcialmente convertidos em renda da União e/ou parcial ou totalmente levantados pelo impetrante empregado, conforme considerado pelo Judiciário exigível, parcialmente exigível ou inexigível o tributo questionado.
Numero da decisão: 1803-001.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Marcos Antonio Pires.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005 PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. RECONHECIMENTO. Admite-se a existência de direito creditório da Recorrente, na parte em que, após haver retido e recolhido o tributo correspondente, efetuou, com recursos próprios, depósitos à conta da Justiça, em cumprimento de liminar judicial nesse sentido, depósitos, esses, após o trânsito em julgado da ação, total ou parcialmente convertidos em renda da União e/ou parcial ou totalmente levantados pelo impetrante empregado, conforme considerado pelo Judiciário exigível, parcialmente exigível ou inexigível o tributo questionado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Marcos Antonio Pires.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13656.901496/200914 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.905 – 3ª Turma Especial Sessão de 09 de outubro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente ALCOA ALUMÍNIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. RECONHECIMENTO. Admitese a existência de direito creditório da Recorrente, na parte em que, após haver retido e recolhido o tributo correspondente, efetuou, com recursos próprios, depósitos à conta da Justiça, em cumprimento de liminar judicial nesse sentido, depósitos, esses, após o trânsito em julgado da ação, total ou parcialmente convertidos em renda da União e/ou parcial ou totalmente levantados pelo impetrante empregado, conforme considerado pelo Judiciário exigível, parcialmente exigível ou inexigível o tributo questionado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 14 96 /2 00 9- 14 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13656.901496/200914 Acórdão n.º 1803001.905 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Marcos Antonio Pires. Relatório Tratase o presente feito de DCOMP eletrônica, transmitida em 30/11/2005, que visou declarar a compensação de débito do Imposto de Renda Retido na Fonte, código 0561, apurado na 4ª semana de outubro de 2005, com crédito proveniente de pagamento a maior do mesmo tributo e código de receita, atinente a 4ª semana do mês de março do ano calendário de 2005, no valor de R$ 2.005,43. O Despacho Decisório não homologou a compensação, tendo em vista a demonstração da inexistência do crédito declarado defronte a negativa de disponibilidade de valor associados ao DARF repostado na declaração de compensação, cujo pagamento no valor R 27.321,44, denotase integralmente vinculado para fins de quitação de débito de IRRF código de receita 0561, atinente a apuração da 4ª semana de março do ano calendário de 2005. Devidamente cientifica do Despacho, a empresa recorrente apresenta suas razões, contrapondose à decisão e referindo que o crédito informado na Declaração de Compensação, transmitida em 30.11.2005, decorre de pagamento indevido no valor de R$2.005,43, relativo ao IRRF incidente sobre a rescisão trabalhista da exfuncionário Cezar Negozzeky (Mandado de Segurança n° 2005.61.00.0039134) apurado em 26/03/2005, posto que em cumprimento à decisão liminar, efetuou o depósito judicial do valor a título de Imposto de Renda descontado, no montante de R$2.005,43, a título de verbas indenizatórias. Em ato contínuo, a empresa prossegue aduzindo que ao verificar o equívoco comentido na declaração do valor do débito apurado, retificou sua DCTF, fazendo passar a constar a informação do débito de IRRF do período de março de 2005 (4ª semana), no valor total de R$ 15.432,57, o qual foi quitado através de dois DARF's: um no valor de R$ 27.321,44. A empresa esclarece que o exfuncionário ajuizou medida judicial objetivando assegurar a obtenção do direito de não recolher o imposto de renda na fonte, retido sobre as verbas indenizatórias, pagas a título de férias vencidas e proporcionais, acrescidos do terço constitucional, gratificação, gratificação por liberalidade e aviso prévio previsto em acordo coletivo. Ressalta, da mesma forma, que a empresa identificou corretamente, na respectiva DCTF retificadora, o débito no valor de R$ 15.432,57, a título de IRRF, do período de apuração de março de 2005 (4ª semana), o que evidenciaria o crédito do requerente no valor de R$11.888,87 o qual foi utilizado na referida compensação somente o montante de R$ 2.005,43. Por fim, requer que seja reformado o Despacho Decisório recorrido, com a finalidade de ser integralmente reconhecido o seu direito creditório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13656.901496/200914 Acórdão n.º 1803001.905 S1TE03 Fl. 113 3 A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a glosa efetuada. Argumenta que a compensação é forma de extinção do crédito tributário previsto no art. 156, II, do CTN, cuja faculdade de aplicação desse instrumento, a título de fruição de um direito, fazse necessário que o crédito reclamado pelo sujeito passivo esteja dotado de certeza e liquidez, consoante definido no caput do art. 170 do CTN. Afere que com o advento do art. 74 da Lei 7.430/96, redações dadas pelas Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, instituise a matriz legal que preceitua as condições e garantias concernentes à compensação de créditos do sujeito passivo com débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuintes sob a administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que norteiam as formalidades e prazos de homologação da compensação declarada. Prossegue o julgador a quo aduzindo que cabe à autoridade administrativa verificar se os créditos que o interessado alega possuir atendem às premissas firmadas pelo diploma legal, sendo de incumbência do contribuinte comprovar ter recolhido o imposto de forma indevida ou a maior que o apurado, em conformidade com as hipóteses disciplinadas no art. 165 do CTN, assim como atestar a certeza e liquidez dos pretensos créditos, baseandose no pressuposto legal firmado no caput do art. 170 do CTN. Afirma o julgador de primeira instância que sob esse prisma, compete elucidar que a hipótese de pagamento indevido ou a maior circunstanciada nos autos, respeitado os pressupostos legais firmados pelo art. 74 da Lei 9.430/96 e alterações supervenientes, também encontra alicerce em preceito admitido pelo §3°, inciso I, do art. 890 do RIR/99. Ademais, ressalta a decisão a quo que a fonte pagadora qualificase, por expressa disposição legal, como responsável pelo imposto de renda incidente sobre os rendimentos de trabalho assalariado, cabendolhe efetuar a retenção e providenciar o recolhimento do tributo incidente sobre os valores pagos e/ou creditados aos respectivos beneficiários, na qualidade de substituto ou responsável tributário. Ainda, aduz que a empresa recorrente restringe a presente controvérsia tão somente a ratificar a legitimidade da existência de disponibilidade dos créditos reportados na DCOMP. Busca comprovar seus argumentos juntando cópia da liminar concedida em Mandado de Segurança (Autos n°2005.61.00.0039134). em 29/03/2005, impetrado contra o Delegado da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo (DERAT) na qual determina que a empresa pagadora não recolha o valor relativo ao IRRF, referente ao montante a ser pago à impetrante, a título de férias vencidas e proporcionais, acrescidas do terço constitucional, ressalvando que quanto à exação incidente sobre ''gratificação, "gratificação liberalidade" e "aviso prévio previsto em acordo coletivo" deverá ser colocada à disposição do Juízo. De igual modo, junta cópia Cópia do DARF relacionado à DCOMP eletrônica objeto do despacho decisório em litígio no valor de R$27.321,44, cópia do documento para Depósitos Judiciais ou Extrajudiciais no valor de R$ 2.005,43; Cópia parcial da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadora inerente ao mês de março de 2005, transmitida, via internet, em 03/07/2009. Ainda, cópia simples da Folha de Pagamento do mês de abril de 2005, emitida em 22/04/2005, atinente aos dispêndios de rendimentos de trabalho assalariado assumidos pela empresa em relação ao funcionário Cezar Negozzeky e cópia do Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho do funcionário em comento. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13656.901496/200914 Acórdão n.º 1803001.905 S1TE03 Fl. 114 4 No entanto, a autoridade de primeiro grau entende que ante o recibo de entrega da DCTF (fls. 60), fica patente que, paralelamente, a empresa promoveu a transmissão de DCTF Retificadora após a ciência do despacho decisório exarado em conformidade com as informações prestadas pelo sujeito passivo através da última declaração constante da base de dados da RFB, cujos dados foram levados a efeito à época da análise das circunstâncias inerentes à referida DCOMP. Salienta que no interregno de tempo que a empresa manteve para si a espontaneidade e a faculdade de exercer a retificação da respectiva DCTF, independentemente de permissão da autoridade administrativa, este não se utilizou dos instrumentos hábeis e legais para fins de impulsionar a comunicação das aparentes inconsistências reportadas na manifestação de inconformidade; aliás, pelo contrário, conservouse silente e inerte em relação ao pretenso erro de fato correlato à confissão do débito de IRRF, ora vinculado ao pagamento reportado na lide. Assim, de posse dos dados originais confessados pela própria recorrente, a decisão administrativa certificou razões que ensejaram não homologar a compensação declarada, defronte a caracterização da inexistência de importâncias disponíveis em relação ao pagamento consignado na DCOMP, porquanto restar configurado sua vinculação integral em débito confessado na DCTF do mês de abril de 2005, cenário que torna inaceitável a alusão de ocorrência de inconsistência nos fundamentos e inferências constantes do aludido Despacho Decisório. Atenta a autoridade de primeira instância que as informações prestadas em DCTF possuem o caráter de confissão de dívida e tem seus efeitos determinados com fulcro no art. 5° do Decreto Lei 2.124/84. E acentua que após a lavratura e ciência do despacho decisório, transferese ao contribuinte o ônus probante, objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados na DCTF. Frisa que as contrarazões apresentadas deveriam estar apoiadas em fatos que evidenciassem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração, cujas provas oferecidas à exame perante órgão julgador devem corroborar plenamente no escopo de viabilizar a formação da convicção acerca da certeza e liquidez do crédito reclamado. Atenta que os elementos carreados na manifestação de inconformidade por si só não perfazem prova suficiente da presença de erro de fato na elaboração da DCTF tendo em conta que não possuem o condão de suprir prova documental que abrigue alteração dos importes que forem levados a efeitos para fins de constituição definitiva do imposto sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração primitiva serviu de base para certificação da inexistência de créditos tipificados na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Prossegue o julgador referindo que a empresa aduz que teria efetuado o depósito judicial do valor a título de Imposto de Renda no montante de R$ 2.005,43em cumprimento à decisão concedida em caráter liminar no Mandando de Segurança n° 2005.61.00.0039134. E frente a trecho da liminar entende que a empresa recorrente encontravase obrigada a efetuar o pagamento integral das verbas rescisórias, sem incidência do imposto de renda retido na fonte. Ressalta que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre as verbas rescisórias pagas pela Alcoa Alumínio S/A à exempregada Vanda Maria Vaz não era indevido na data do efetivo recolhimento (30/03/2005), vez que não consta dos autos que a empresa tenha sido cientificada, até a data do recolhimento, do descabimento deste IRRF. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13656.901496/200914 Acórdão n.º 1803001.905 S1TE03 Fl. 115 5 Lembra que o depósito judicial de fls.59 não comprova o indébito da empresa recorrente, uma vez que o processo judicial encontrase em andamento e do valor depositado em juízo, somente será convertido em renda da União a parcela correspondente ao tributo devido, pois o excedente, havendo, será levantado pela impetrante. Atenta, de igual modo, que a comprovação dos eventos arguidos pela defesa devem ser acompanhados de prova inequívoca, hábil e idônea, devidamente conjugada com a escrituração contábil e demonstrações financeiras registradas nos órgãos competentes à época dos fatos na conformidade do disposto no art. 195 do CTN. Registra que tais provas já deveriam constar desde a instauração da fase litigiosa do procedimento, objetivando a exequibilidade da formação da convicção de certeza e liquidez dos pretensos créditos pleiteados pela empresa, bem como a efetiva disponibilidade dos montantes declarados, mais especificamente, comprovar e ratificar os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, cujo teor se resume a reafirmar a autenticidade dos importes objetos da lide. Cita os artigos 15 e 16 do Decreto 70.235/72 e jurisprudências desse Egrégio Conselho. Afere a autoridade de primeira instância que as jurisprudências colacionadas pela empresa recorrente não têm força normativa, razão pela qual não se prestam para o presente processo. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário de forma tempestiva arguindo, em apertada síntese, o já disposto na manifestação de inconformidade. É o relatório Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de DCOMP eletrônica, transmitida em 30/11/2005, que visou declarar a compensação de débito do Imposto de Renda Retido na Fonte, código 0561, apurado na 4ª semana de outubro de 2005, com crédito proveniente de pagamento a maior, do mesmo tributo e código de receita, atinente a 4ª semana do mês de março do ano calendário de 2005, no valor de R$2.005,43. Cumpre informar que o crédito, informado na Declaração de Compensação, transmitida em 30.11.2005, decorre de pagamento indevido no valor de R$ 2.005,43, relativo ao IRRF incidente sobre a rescisão trabalhista do exfuncionário Cezar Negozzeky (Mandado de Segurança n° 2005.61.00.0039134) apurado em 26/03/2005, posto que em cumprimento à Fl. 232DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13656.901496/200914 Acórdão n.º 1803001.905 S1TE03 Fl. 116 6 decisão liminar, efetuou o depósito judicial do valor a título de Imposto de Renda descontado, no montante de R$2.005,43, a título de verbas indenizatórias. A ora Recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em que pleiteia, como crédito, valor decorrente de parcelas do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), por ela retidas e recolhidas a título de Rendimentos do Trabalho Assalariado, tendo sido obrigada, por decisões liminares proferidas em mandados de segurança, a se abster de reter e recolher, depositando esses valores à disposição do Juízo. Assim, resta evidente que a empresa recorrente pretende que seja considerado direito creditório seu, valor que reteve e recolheu a título de rendimentos do trabalho assalariado. Mas, temse que tal não é legítimo. Resta estabelecido em lei ser da fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento do tributo em detrimento do seu funcionário. Porém, não é a fonte pagadora a contribuinte ou a responsável, razão pela qual pode o fisco no ano calendário subsequente, após o ajuste fiscal cobrar exclusivamente do beneficiário e não da fonte pagadora e pelo descumprimento da obrigação acessória apenas uma multa. Ademais, a fonte também não pode requerer a restituição desses valores ou mesmo impugnar a exigência fiscal. Assim, seguindo essa linha de raciocínio, não há com prevalecer a presente cobrança, posto que o direito creditório pleiteado, direito somente passível de cobrança pelo sujeito passivo que sofreu a retenção do imposto, não alcança à recorrente. Porém, há que se ater ao fato de que assiste direito creditório à empresa recorrente quando a mesma, após a retenção e recolhimento do tributo correspondente, efetuou, com valores e recursos próprios, depósito do valor correspondente ao imposto na contacorrente do exfuncionário, no caso presente Sr. Cezar Negozzeky, em cumprimento de ordem judicial (liminar judicial). Atentemos para o fato de que o determinante exposto na liminar requeria que a empresa expressamente assim o fizesse: depositasse os valores. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer como direito creditório pleiteado o valor do depósito correspondente ao imposto na contacorrente do Sr. Cezar Negozzeky (exfuncionário), em cumprimento de liminar judicial nesse sentido. No entanto, esclareçase que o referido direito creditório deverá ser objeto de compensação, procedida pelo órgão de origem, com o débito declarado em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Compensação (Per/Dcomp), objeto de cobrança neste processo. É como voto (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 233DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 13656.901496/200914 Acórdão n.º 1803001.905 S1TE03 Fl. 117 7 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 14041.000155/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL.
Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1996 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 55 /2 00 9- 11 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000155/200911 Acórdão n.º 2402003.765 S2C4T2 Fl. 121 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrada em 18/02/2009, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição dos segurados, no período de 01/03/1996 a 31/12/1996. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 27/35), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 41/70) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF, ao analisar o presente caso (fls. 74/85), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário; e (viii) ao final deve ser comparada a multa aplicada com a prevista na Lei nº 11.941/2009 para verificar qual é a mais benéfica. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 88/98) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. Analisando o recurso interposto, este Conselho determinou a conversão em diligência (fls. 105/107), requerendo a juntada de (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em resposta à determinação formulada por este Conselho (fls. 116/117), a autoridade fiscal informou que não localizou os documentos solicitados por ocasião da conversão em diligência. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II, do CTN é de 5 anos a contar da data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior (31/10/2003), e não da data de intimação da referida decisão (18/02/2004). Isso porque, segundo o contribuinte, desta decisão não caberia mais recurso, sendo, portanto, definitiva desde a sua lavratura. Afirma, consequentemente, que o crédito tributário está decaído, posto que o presente lançamento só foi constituído em 18/02/2009, com a intimação do sujeito passivo. No entanto, sem razão a Recorrente no ponto. Analisando o art. 173, II, do CTN, verificase que o prazo decadencial para o Fisco substituir o lançamento anulado por vícioformal é de 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. Para que se possa averiguar se a decisão que anulou o lançamento anterior é definitiva é necessário analisar a legislação atinente ao processo administrativo. Em primeiro lugar, o artigo 42, II, do Decreto 70.235/1972 considera uma decisão definitiva quando dela não couber mais recurso ou quando transcorrido o prazo para a sua interposição. Vejase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Verificado o não cabimento de recurso ou então o transcurso do prazo para sua interposição, poderia até se considerar que aquela decisão seria definitiva. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000155/200911 Acórdão n.º 2402003.765 S2C4T2 Fl. 122 5 Contudo, a decisão somente pode ser considerada definitiva, para qualquer finalidade, se ela for válida. A decisão, para que seja válida e produza seus efeitos, como todo ato administrativo,está sujeita à publicidade, nos termos do artigo 37, caput, da Constituição Federal e do artigo 2º, parágrafo único, V, da Lei 9.784/1999: CF Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: Lei 9.784/1999 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; No entanto, não basta apenas a publicidade dos atos administrativos pelos meios oficiais. Deve haver a publicação restrita às partes que integram o processo administrativo. Os artigos 26 a 28 da Lei 9.784/1999 determinam a obrigatoriedade da intimação dos interessados acerca de todos os atos do processo administrativo: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Neste sentido, as intimações expedidas no processo administrativo se materializam com a ciência do sujeito passivo, de acordo com o que prevê o artigo 23 do Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 6 Verificase, portanto, que a decisão, para que seja considerada perfeita, válida e eficaz precisa necessariamente cumprir todos os requisitos de validade previstos na legislação, quais sejam, (i) publicidade, (ii) intimação do interessado e (iii) prova de que o sujeito passivo foi cientificado do seu teor. Somente com o cumprimento desses requisitos é que se pode afirmar que a decisão é válida e, portanto, no presente caso, definitiva. Deste modo, entendo que a data de início da contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, II, do CTN é a data da ciência do sujeito passivo da decisão que anulou o lançamento anterior e não a data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior, como afirma a Recorrente. Muito embora não vingue o entendimento do contribuinte neste ponto, entendo que, por outro motivo, deve o presente recurso ser julgado procedente. Explicase. No presente caso, como já mencionado, este Conselho determinou a conversão do julgamento em diligência, para que restasse comprovada a expedição da intimação da Recorrente, por meio de cópia da carta encaminhada à parte, a respeito das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087, bem como cópia do AR assinado pela Recorrente, comprovando a sua ciência dessas decisões. No entanto, a autoridade fiscal informouque não localizou os documentos solicitados. Ou seja, a autoridade fiscal não comprovouo marco inicial do prazo decadencial parao lançamento substituto, qual seja, a data da intimação da Recorrente das decisões que anularam os lançamentos anteriores.Consequentemente, não restou comprovado que o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, II, do CTN. Importa salientar que a previsão do artigo 23, II, §2º, II do Decreto 70.235/1972 não se aplica ao presente caso. Isso porque, o objetivo do referido dispositivo é fixar a data de recebimento quando há prova inequívoca de que a intimação do sujeito passivo foi expedida. No entanto, no presente caso, a autoridade fiscal sequer fez prova da expedição da intimação. Assim, considerando que o Fisco deixou de fundamentar no relatório fiscal,bem como por ocasião das demais oportunidades concedidas pelo órgão julgador, o termo inicial do prazo decadencial para efetuar o lançamento substituto,verificase que houve desrespeito ao artigo 50 da Lei 9.784/1999, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados e, consequentemente, ofensa ao artigo 5°, LV, da Constituição Federal, que garante ao sujeito passivo o contraditório e a ampla defesa, requisitos indispensáveis para a validade da autuação. Sendo assim,entendo que a atuação padece de vício material, ante a deficiência de conteúdo do lançamento, em razão de não ter sido demonstrado pela fiscalização o termo inicial para contagem da decadência, para se verificar se o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo ou não, devendo ser a autuação anulada com base no artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972. Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, comprovação de que o lançamento foi efetuado dentro do prazo decadencial), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente, importando na existência de um vício material. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000155/200911 Acórdão n.º 2402003.765 S2C4T2 Fl. 123 7 Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PROVIMENTO, a fim de que o presente lançamento seja anulado por vício material. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004286/2005-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2004
PRECLUSÃO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
0 percentual da multa de oficio aplicada está de acordo com a legislação de regência, sendo incabível à instância administrativa manifestar-se a respeito da alegação de afronta ao principio do não confisco.
TAXA SELIC.
Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, porque se encontra amparada em lei, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 26/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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CONFISCO. 0 percentual da multa de oficio aplicada está de acordo com a legislação de regência, sendo incabível à instância administrativa manifestarse a respeito da alegação de afronta ao principio do não confisco. TAXA SELIC. Procede a cobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, porque se encontra amparada em lei, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 42 86 /2 00 5- 24 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 26/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Pedro Sousa Bispo, Jonathan Barros Vita e Mônica Elisa de Lima. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro II: 1. Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, pertinente à falta de recolhimento da Contribuição para o Pis (PIS) janeiro/2002 a agosto/2004, conforme elementos acostados às fls. 06 a 09 no valor de R$ 15.810,31, incluindo principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 29/07/2005. 2. Na Descrição dos Fatos (fl. 07), a autoridade fiscal que procedeu aos trabalhos de apuração do lançamento esclarece que durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os escriturados. Informa que a contribuinte teria apresentado à fiscalização os Demonstrativos das Bases de Cálculo da COFINS, com a declaração das receitas auferidas no período de janeiro de 2002 a agosto de 2004, sem ter efetuado qualquer recolhimento da contribuição em tela. A empresa teria efetuado recolhimentos através do SIMPLES, com código de recolhimento diferente do autuado. 3. No Termo de Constatação Fiscal, de fls. 10 a 13, consta, em resumo, que: 3.1 Para o período de janeiro/2002 a dezembro/2003, a empresa apresentou as DIPJ em branco, com opção pelo Lucro Real e apresentou demonstrativos contendo as receitas correspondentes ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, sem, contudo, ter efetuado qualquer recolhimento desses tributos. Foram efetuados recolhimentos através do SIMPLES, com código de recolhimento diferente do tributo autuado. 3.2 Para o período de janeiro/2004 a agosto/2004, a empresa fez a opção pelo lucro presumido e, apresentou demonstrativos contendo a base de cálculo do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, sem, contudo, ter efetuado qualquer recolhimento desses tributos. Foram efetuados recolhimentos através do SIMPLES, com código de recolhimento diferente do tributo autuado 4. O enquadramento legal da presente autuação encontrase às fls. 09. 5. Irresignado com o lançamento consubstanciado no Auto de Infração em comento, o interessado apresentou a peça impugnatória de fls. 112 a 132. Alegou, em síntese: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10730.004286/200524 Acórdão n.º 3302002.351 S3C3T2 Fl. 240 3 A impossibilidade de tributação via presunção, por ser inconcebível aplicar o arbitramento do lucro quando não demonstrada cabalmente péla fiscalização a imprestabilidade da escrituração comercial, com a conseqüente impossibilidade de apuração do lucro real ou presumido. Que a doutrina se posiciona contrariamente ao arbitramento do lucro e que as presunções em matéria tributária devem ser encaradas com cautela, sob pena de se desrespeitar os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada que norteiam o Direito Tributário Brasileiro. Que a jurisprudência é tranqüila em não admitir a mera presunção como meio de tributação. Que o lançamento da multa equivalente a 75% corresponde a manifesta ofensa ao princípio constitucional do não confisco. E se a multa efetivamente deva ser aplicada, a mesma não poderia ultrapassar 20%. A inaplicabilidade da taxa Selic. Ao final requer seja julgada improcedente a autuação fiscal. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem manter em parte o credito tributário lançado, em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2004 Ementa:ARBITRAMENTO DO LUCRO Não procedem alegações de tributação por presunção em lançamento de contribuição social pautado em demonstrativos de base de cálculo fornecidos pelo próprio contribuinte. SIMPLES Deve ser exonerada a parcela correspondente ao tributo lançado que houver sido recolhida via sistemática do Simples. MULTA DE OFÍCIO VEDAÇÃO AO CONFISCO. A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não havendo que se falar na vedação constitucional à instituição de tributo com efeito confiscatório prevista no artigo 150, inciso IV, da Constituição. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 241DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na Impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, contra a Recorrente foi lavrado auto de infração em decorrência da constatação de divergências entre os valores escriturados e os valores declarados como devidos. Para o período de 01/2002 a 12/2003, a Recorrente teria optado pela apuração pelo Lucro Real com entrega de DIPJ em branco. No período citado houve pagamentos a titulo de SIMPLES que já foram, inclusive, deduzidos do crédito total apurado. Já para as competências 01/2004 a 08/2004 consta a opção pelo Lucro Presumido, porém sem recolhimento de tributos. Neste período há recolhimentos para o SIMPLES que também foram deduzidos do credito final lançado. Os valores apurados foram obtidos por meio das informações apresentadas pelo próprio contribuinte. Em sua defesa, alega a impossibilidade de arbitramento do lucro por meio de presunções. A matéria é totalmente estranha aos autos, que trata de PIS e COFINS, contribuições cuja base de calculo é a receita bruta auferida no período, e não a renda ou lucro. Aplicável ao caso o que determina o art. 17 do Decreto Lei nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Diante da ausência de insurgência expressa quanto aos montantes apurados, mantenho a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, nos termos do art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99. Quanto a multa, também não merece reparos a decisão recorrida posto que esta se encontra prevista em lei em pleno vigor, sendo vedado, como já dito, ao julgador administrativo afastála por ilegalidade ou inconstitucionalidade. (art. 26A do Decreto 70.235/72 e 62 do Regimento Interno do CARF.) Da mesma forma, são improcedentes os argumentos contrários a aplicação dos juros SELIC, matéria também já sumulada, senão vejamos: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Fl. 242DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10730.004286/200524 Acórdão n.º 3302002.351 S3C3T2 Fl. 241 5 pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Merece destaque o fato que, a teor do que dispõe o art. 721 do RICARF, as súmulas editadas pelo CARF são de aplicação obrigatória pelos julgadores administrativos. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima exarado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10980.720685/2008-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
NULIDADE. PRESSUPOSTOS. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre nulidade quando o lançamento foi efetuado com base na legislação vigente, permitindo o conhecimento das razões e fundamentos da autuação, o estabelecimento do contraditório e o exercício da ampla defesa.
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES.
Apenas o recibo de prestação de serviços não é documento hábil a comprovar a efetividade de despesas médicas efetuadas pelos contribuintes. Caso a fiscalização exija outros elementos de prova da efetividade dos serviços, o contribuinte está obrigado a apresentá-las.
Numero da decisão: 2102-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente
Assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator
EDITADO EM: 13/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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PRESSUPOSTOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre nulidade quando o lançamento foi efetuado com base na legislação vigente, permitindo o conhecimento das razões e fundamentos da autuação, o estabelecimento do contraditório e o exercício da ampla defesa. IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Apenas o recibo de prestação de serviços não é documento hábil a comprovar a efetividade de despesas médicas efetuadas pelos contribuintes. Caso a fiscalização exija outros elementos de prova da efetividade dos serviços, o contribuinte está obrigado a apresentálas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 06 85 /2 00 8- 37 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.720685/200837 Acórdão n.º 2102002.939 S2‐C1T2 Fl. 57 2 CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator EDITADO EM: 13/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vicepresidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 47 a 53, interposto contra decisão da DRJ em Curitiba/PR, de fls. 35 a 42, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 18 a 22, relativo ao anocalendário 2004, lavrado em 10/11/2008, com ciência do RECORRENTE em 20/11/2008 (fl. 31). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 7.116,25, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício aplicada no percentual de 75%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 20, o presente lançamento decorreu da glosa de deduções relativas a despesas médicas, no valor de R$ 11.600,00, por falta de comprovação. Ainda de acordo com a autoridade lançadora, o RECORRENTE declarou em sua DIRPF o valor de R$ 16.476,02 de despesas médicas. Intimado, apresentou comprovantes acatados pela fiscalização na importância de R$ 4.876,02. Assim, foram glosadas as seguintes despesas, todas por falta de comprovação do efetivo pagamento: R$ 4.000,00 com o Dr. Márcio Sadao Isobe; R$ 4.100,00 com o Dr. José Maria Simon Mosimann; e R$ 3.500,00 com o Dr. Oneide Luiz Diedrich. DA IMPUGNAÇÃO O RECORRENTE apresentou a impugnação de fls. 02 a 10, atestada como tempestiva pela DRF de origem, de acordo com a certidão de fl. 34. Em suas razões, afirmou o seguinte: I. Em preliminar, argumentou que o lançamento não continha a assinatura da autoridade lançadora, sendo tal requisito obrigatório nos termos do Fl. 57DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.720685/200837 Acórdão n.º 2102002.939 S2‐C1T2 Fl. 58 3 art. 11, IV, do Decreto nº 70.235/72, haja vista o lançamento não ter ocorrido por processo eletrônico; II. Afirmou que não pode ser exigidas simultaneamente duas forma de comprovação do pagamento das despesas médicas, quais sejam, os recibos e a apresentação do comprovante do efetivo pagamento (cheques, etc.), uma vez que o art. 80, §1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) permite a comprovação das despesas por meio de cheque na hipótese de falta de documentação (recibo); III. Que não haveria falta de documentação no caso concreto, pois os recibos comprovariam as despesas médicas. Assim, os recibos de pagamento de fls. 11 a 15 tornam desnecessária e ilegal a exigência de prova do cheque nominativo; IV. A manutenção da glosa torna a autuação discricionária e discriminatória, pois estaria em afronta ao disposto no art. 80, §1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99); V. Afirmou que poderia efetuar o pagamento por todos os meios admitidos em direito, e que não estaria obrigado a produzir prova impossível, sobretudo quando os arts. 319 e 320 do Código Civil, aplicada supletivamente à lei fiscal (art. 110 do CTN), considera como prova de pagamento o recibo de quitação; VI. Afirmou que a sua boafé estaria evidente, pois, por ser uma pessoa de idade avançada, necessita de constante tratamento odontológico, como retratam os recibos de pagamento. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 35 a 42 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre nulidade quando o lançamento foi efetuado com base na legislação vigente, permitindo o conhecimento das razões e fundamentos da autuação, o estabelecimento do contraditório e o exercício da ampla defesa. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ELETRÔNICA. DISPENSA DE ASSINATURA. PREVISÃO LEGAL. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.720685/200837 Acórdão n.º 2102002.939 S2‐C1T2 Fl. 59 4 A dispensa da assinatura do chefe do órgão local da Receita Federal no lançamento está explícita na legislação para os casos de notificação de lançamento eletrônica. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe à contribuinte o ônus da prova. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, intimado da decisão em 13/10/2011, conforme AR de fl. 46, apresentou recurso voluntário de fls. 47 a 53, em 28/10/2011. Em sua defesa, o RECORRENTE reiterou o alegado em sua impugnação. Adicionalmente, argumentou que a ficha médica referente ao atendimento de um paciente seria sigiloso, somente podendo ser obtida por através de ordem judicial ou ofício da administração pública. Assim, requereu a nulidade do julgamento, pois a fiscalização deixou de solicitar a ficha médica do RECORRENTE. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De início, importante salientar que o RECORRENTE aponta em seu recurso despesas médicas diversas das objeto do presente lançamento, que totalizam R$ 10.000,00. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.720685/200837 Acórdão n.º 2102002.939 S2‐C1T2 Fl. 60 5 Tais despesas referemse a uma outra autuação sofrida pelo RECORRENTE, de nº quase similar ao presente processo (10980.720686/200881). No entanto, toda a sua defesa é baseada na possibilidade de comprovação das despesas médicas através dos recibos já acostados aos autos. Portanto, entendo que a mera indicação de despesas estranhas ao lançamento não maculam a sua defesa. Preliminar de Nulidade. Ausência de intimação de terceiros O RECORRENTE afirma que o lançamento seria nulo pois a autoridade julgadora teria deixado de solicitar a ficha médica (em que consta os procedimentos realizados) para comprovação da efetividade dos serviços, violando o disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972. No entanto, de acordo com o exposto pelo art. 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, sendo uma faculdade sua determinar as diligências que entender necessárias para esclarecimentos: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ou seja, caso a autoridade julgadora já tenha convicção acerca da documentação comprobatória acostada aos autos, não está ela obrigada a determinar a realização de diligências. Ademais, caso o RECORRENTE reputasse fundamental a realização de diligências, deveria têla requerido em sua impugnação, conforme prevê o art. 16, IV, c/c o seu §4º do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.720685/200837 Acórdão n.º 2102002.939 S2‐C1T2 Fl. 61 6 Ademais, os casos de nulidade do lançamento encontramse previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e, adicionalmente, o art. 60 do mesmo Decreto prevê que quaisquer outras irregularidades diversas das prevista no art. 59 não importarão em nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por todo o exposto, não verifico qualquer razão para declarar a nulidade do lançamento ou da decisão proferida pela DRJ de origem, visto que o contribuinte pôde exercer seu direito de defesa. Assim, indefiro a preliminar suscitada. Ultrapassada as razões preliminares, passo a analisar o mérito da questão. Da dedução de despesas médicas O presente caso resumese à aceitação dos documentos apresentados pelo RECORRENTE como prova dos serviços odontológicos prestados pelo Dr. José Maria Simon Mosimann (CPF 000.034.92915) no valor de R$ 4.100,00, e pelo Dr. Márcio Sadao Isobe (CPF 724.084.05904) no valor de R$ 4.000,00, bem como os serviços de psicologia prestados pelo Dr. Oneide Luiz Diedrich (CPF 020.738.28914) no valor de R$ 3.500,00, durante o ano calendário 2004. Sobre as deduções da base de cálculo na declaração de ajuste anual, o Decreto nº 3.000/99, em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.720685/200837 Acórdão n.º 2102002.939 S2‐C1T2 Fl. 62 7 § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, os recibos foram rejeitados pela fiscalização tendo em vista que o RECORRENTE deixou de apresentar comprovação da efetividade dos serviços, bem como a efetiva realização dos pagamentos correspondentes através de cópias de cheques ou extratos bancários que atestassem a despesa realizada. Feitos os esclarecimentos acima, passo a analisar o caso em tela. Conforme preceitua o art. 73 do RIR/99, as deduções pleiteadas em declaração de ajuste anual estão sujeitas à comprovação do contribuinte. Nessa comprovação, o contribuinte está obrigado a apresentar elementos outros, além do recibo, que comprove a efetividade dos serviços, tais como: prescrições médicas, exames, comprovantes de quadros clínicos, laudos, cópias de cheques ou saques para pagamento etc. É conhecimento comum que simples indicação na Declaração de Ajuste Anual das despesas médicas por si só não autoriza a dedução, mormente quando o contribuinte, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.720685/200837 Acórdão n.º 2102002.939 S2‐C1T2 Fl. 63 8 sob procedimento fiscal, deixa de apresentar a documentação hábil e idônea que comprove que cumpriu os requisitos determinados pela legislação de regência. Nessa linha, estão os precedentes do CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. GLOSA. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não impugnada na decisão recorrida. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Negado. (Processo nº 10735.003315/200833, julgado em 18 de março de 2014) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS NOS RECIBOS. INTIMAÇÃO FISCAL. ÔNUS DE COMPROVAÇÃO ATRIBUÍDO AO CONTRIBUINTE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são, em regra, documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas. Entretanto, todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Hipótese em que a contribuinte traz documento que supre as lacunas apontadas no recibo e atesta a efetividade do tratamento e do valor pago. Recurso Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.720685/200837 Acórdão n.º 2102002.939 S2‐C1T2 Fl. 64 9 Voluntário Provido. (Processo administrativo nº 11080.722546/200935, julgado em 20 de fevereiro de 2014) Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 14/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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