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Numero do processo: 13005.721789/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO. FALHA NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE QUALIFICAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA SANEAMENTO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Intimado a sanear o vício de representação processual, de acordo com o exigido no inciso II do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, não houve manifestação do interessado, de modo que não se conhece do recurso do sujeito passivo solidário. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO PRINCIPAL PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO NO INTERESSE DE SÓCIOS. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ARTIGO 543C DO CPC. A pessoa jurídica não tem legitimidade para representar nenhum dos sócios pessoas físicas arrolados como responsáveis solidárias, posicionamento exarado pelo STJ nos autos do Recurso Especial n° 1.347.627 (Relatoria do Ministro Ari Pargendler - DJe de 21/12/23013), exarado na sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. PAGAMENTOS DE DESPESAS DE TERCEIROS. FALTA DE INVESTIGAÇÃO DO FISCO PARA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É dever do sujeito passivo a comprovação, com documentos hábeis e idôneos, a identificação e a comprovação dos destinatários e o motivo de pagamentos não escriturados constatados pela Fiscalização. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DOLO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. EXONERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 130. Mesmo em se tratando de ilícito no qual se constata a responsabilidade pessoal dos administradores, de acordo com o artigo 135 do CTN, não se pode eximir a sujeição passiva da pessoa jurídica, conforme inteligência da Súmula CARF vinculante n° 130. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. EXTRATO BANCÁRIO COMO PROVA DA INCOMPATIBILIDADE. O extrato bancário é um documento emitido pelas instituições financeiras para demonstrar ao titular da conta bancária os lançamentos realizados a débito e a crédito e o saldo, para fins de conhecimento e acompanhamento pelo seu titular. É com base no extrato bancário que a empresa faz a conciliação dos lançamentos da conta “banco” da contabilidade, portanto é um documento que fundamenta os lançamentos havidos na contabilidade, dvendo ser mantido para fins de comprovação dos lançamentos contábeis, nos termos do inciso III do artigo 527 do RIR/99. ARTIGO 42 DA LEI 9.430. CONTRARIEDADE COM O DISPOSTO NO ARTIGO 142 DO CTN. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade do artigo 42 da lei n° 9.430/96 ou tampouco que este dispositivo legal contraria o determinado no artigo 142 do CTN, eis que este dispositivo legal estabelece a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário. Foi o Auditor Fiscal, autoridade competente quem lavrou o Auto de Infração, com base em disposição expressa na lei, artigo 42 da lei n° 9.430/96. Correto, portanto, o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal que intimou a Recorrente a comprovar a origem dos depósitos efetuados nas suas contas bancárias. Por não ter comprovado a origem dos recursos depositados em contas bancárias de susa titularidade, correta a aplicação da presunção de omissão de receita, nos exatos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. VÍCIO E ERROS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento foi decorrente da constatação pela autoridade fiscal que a escrituração contábil continha indícios de fraude, vícios e erros, sobejamente demonstrados no processo, que a tornavam imprestável para a determinação do lucro real ou identificação da efetiva movimentação financeira, conforme dispunha o artigo 520 do RIR/99, então vigente. RECEITA CONTABILIZADA E NÃO DECLARADA. OMISSÃO DE RECEITA. A autoridade fiscal constatou receitas escrituradas e declaradas à Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, mas não declaradas ao FISCO federal. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. PAGAMENTOS DE DESPESA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA.. A confissão de que os pagamentos não escriturados foram de despesas de terceiros já seria suficiente para considerar como omissão de receita. Os documentos apresentados pelo sujeito passivo não são hábeis, idôneos e convergentes com os pagamentos realizados. SUPRIMENTO DE CAIXA REALIZADA POR SÓCIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA ENTREGA DE RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. O sujeito passivo não comprovou a origem dos recursos depositados em contas bancárias de sua titularidade, alegou, mas não comprovou que a movimentação financeira pertenciam a pessoa física representante de sua ex-sócia. REVENDA DE COMBUSTÍVEL. TRIBUTAÇÃO POR SUBSTITIÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DA INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE. O argumento da Recorrente que não se poderia caracterizar omissão de receita da atividade operacional porque a atividade da Recorrente é a venda de combustível, e na sistemática de substituição tributária é tributada na origem, não é hábil para afastar os lançamentos por omissão de receita. A substituição tributária se refere a tributação sobre o consumo (ICMS), de competência dos estados, e não tem a ver com a tributação sobre lucro, de competência da União. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. A multa de ofício duplicada foi aplicada com base no artigo 44, Inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96, por terem sido constatados pela Autoridade Fiscal e sobejamente comprovados ao longo de todo o processo a prática dolosa de fraude e sonegação previstas nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. ART. 8º DA LEI N° 14.689/23. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO PARA 100%. Com base na retroatividade benigna, art. 106, II, “c” do CTN e do artigo 8º da Lei n° 14.689/23, a multa qualificada que fora aplicada no percetual de 150%, de acordo com a regra vigente à época do lançamento, deve ser reduzida para o percentual de 100%. CSLL, PIS E CONFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Os autos de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para o Programa de Integração Social foram decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicando-se o que foi decido em relação ao mérito relativo àquele tributo.
Numero da decisão: 1302-007.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) em não conhecer do recurso voluntário apresentado por Bayard Ollé Fischer dos Santos; (ii) em conhecer parcialmente do recurso voluntário apresentado por Posto Chimarrão do Brasil Ltda-ME, deixando de conhecer das alegações relacionadas à responsabilidade tributária do sócio Rodrigo Fischer; e, (iii) em relação à parcela conhecida, em rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas, para reduzir o valor da multa de ofício qualificada ao percentual de 100% (cem por cento), nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó votou pelas conclusões do relator quanto ao não conhecimento do recurso voluntário apresentado por Bayard Ollé Fischer dos Santos. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocada), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA

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PAGAMENTOS DE DESPESAS DE TERCEIROS. FALTA DE INVESTIGAÇÃO DO FISCO PARA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É dever do sujeito passivo a comprovação, com documentos hábeis e idôneos, a identificação e a comprovação dos destinatários e o motivo de pagamentos não escriturados constatados pela Fiscalização. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DOLO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. EXONERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 130. Mesmo em se tratando de ilícito no qual se constata a responsabilidade pessoal dos administradores, de acordo com o artigo 135 do CTN, não se pode eximir a sujeição passiva da pessoa jurídica, conforme inteligência da Súmula CARF vinculante n° 130. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. EXTRATO BANCÁRIO COMO PROVA DA INCOMPATIBILIDADE. O extrato bancário é um documento emitido pelas instituições financeiras para demonstrar ao titular da conta bancária os lançamentos realizados a débito e a crédito e o saldo, para fins de conhecimento e acompanhamento pelo seu titular. É com base no extrato bancário que a empresa faz a conciliação dos lançamentos da conta “banco” da contabilidade, portanto é um documento que fundamenta os lançamentos havidos na contabilidade, dvendo ser mantido para fins de comprovação dos lançamentos contábeis, nos termos do inciso III do artigo 527 do RIR/99. ARTIGO 42 DA LEI 9.430. CONTRARIEDADE COM O DISPOSTO NO ARTIGO 142 DO CTN. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade do artigo 42 da lei n° 9.430/96 ou tampouco que este dispositivo legal contraria o determinado no artigo 142 do CTN, eis que este dispositivo legal estabelece a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário. Foi o Auditor Fiscal, autoridade competente quem lavrou o Auto de Infração, com base em disposição expressa na lei, artigo 42 da lei n° 9.430/96. Correto, portanto, o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal que intimou a Recorrente a comprovar a origem dos depósitos efetuados nas suas contas bancárias. Por não ter comprovado a origem dos recursos depositados em contas bancárias de susa titularidade, correta a aplicação da presunção de omissão de receita, nos exatos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. VÍCIO E ERROS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento foi decorrente da constatação pela autoridade fiscal que a escrituração contábil continha indícios de fraude, vícios e erros, sobejamente demonstrados no processo, que a tornavam imprestável para a determinação do lucro real ou identificação da efetiva movimentação financeira, conforme dispunha o artigo 520 do RIR/99, então vigente. RECEITA CONTABILIZADA E NÃO DECLARADA. OMISSÃO DE RECEITA. A autoridade fiscal constatou receitas escrituradas e declaradas à Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, mas não declaradas ao FISCO federal. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. PAGAMENTOS DE DESPESA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA.. A confissão de que os pagamentos não escriturados foram de despesas de terceiros já seria suficiente para considerar como omissão de receita. Os documentos apresentados pelo sujeito passivo não são hábeis, idôneos e convergentes com os pagamentos realizados. SUPRIMENTO DE CAIXA REALIZADA POR SÓCIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA ENTREGA DE RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. O sujeito passivo não comprovou a origem dos recursos depositados em contas bancárias de sua titularidade, alegou, mas não comprovou que a movimentação financeira pertenciam a pessoa física representante de sua ex-sócia. REVENDA DE COMBUSTÍVEL. TRIBUTAÇÃO POR SUBSTITIÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DA INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE. O argumento da Recorrente que não se poderia caracterizar omissão de receita da atividade operacional porque a atividade da Recorrente é a venda de combustível, e na sistemática de substituição tributária é tributada na origem, não é hábil para afastar os lançamentos por omissão de receita. A substituição tributária se refere a tributação sobre o consumo (ICMS), de competência dos estados, e não tem a ver com a tributação sobre lucro, de competência da União. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. A multa de ofício duplicada foi aplicada com base no artigo 44, Inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96, por terem sido constatados pela Autoridade Fiscal e sobejamente comprovados ao longo de todo o processo a prática dolosa de fraude e sonegação previstas nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. ART. 8º DA LEI N° 14.689/23. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO PARA 100%. Com base na retroatividade benigna, art. 106, II, “c” do CTN e do artigo 8º da Lei n° 14.689/23, a multa qualificada que fora aplicada no percetual de 150%, de acordo com a regra vigente à época do lançamento, deve ser reduzida para o percentual de 100%. CSLL, PIS E CONFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Os autos de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para o Programa de Integração Social foram decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicando-se o que foi decido em relação ao mérito relativo àquele tributo.

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FALHA NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE QUALIFICAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA SANEAMENTO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Intimado a sanear o vício de representação processual, de acordo com o exigido no inciso II do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, não houve manifestação do interessado, de modo que não se conhece do recurso do sujeito passivo solidário. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO PRINCIPAL PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO NO INTERESSE DE SÓCIOS. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ARTIGO 543C DO CPC. A pessoa jurídica não tem legitimidade para representar nenhum dos sócios pessoas físicas arrolados como responsáveis solidárias, posicionamento exarado pelo STJ nos autos do Recurso Especial n° 1.347.627 (Relatoria do Ministro Ari Pargendler - DJe de 21/12/23013), exarado na sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. PAGAMENTOS DE DESPESAS DE TERCEIROS. FALTA DE INVESTIGAÇÃO DO FISCO PARA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É dever do sujeito passivo a comprovação, com documentos hábeis e idôneos, a identificação e a comprovação dos destinatários e o motivo de pagamentos não escriturados constatados pela Fiscalização. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DOLO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. EXONERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 130. Mesmo em se tratando de ilícito no qual se constata a responsabilidade pessoal dos administradores, de acordo com o artigo 135 do CTN, não se pode eximir a sujeição passiva da pessoa jurídica, conforme inteligência da Súmula CARF vinculante n° 130. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 17 89 /2 01 1- 07 Fl. 1650DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. EXTRATO BANCÁRIO COMO PROVA DA INCOMPATIBILIDADE. O extrato bancário é um documento emitido pelas instituições financeiras para demonstrar ao titular da conta bancária os lançamentos realizados a débito e a crédito e o saldo, para fins de conhecimento e acompanhamento pelo seu titular. É com base no extrato bancário que a empresa faz a conciliação dos lançamentos da conta “banco” da contabilidade, portanto é um documento que fundamenta os lançamentos havidos na contabilidade, dvendo ser mantido para fins de comprovação dos lançamentos contábeis, nos termos do inciso III do artigo 527 do RIR/99. ARTIGO 42 DA LEI 9.430. CONTRARIEDADE COM O DISPOSTO NO ARTIGO 142 DO CTN. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade do artigo 42 da lei n° 9.430/96 ou tampouco que este dispositivo legal contraria o determinado no artigo 142 do CTN, eis que este dispositivo legal estabelece a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário. Foi o Auditor Fiscal, autoridade competente quem lavrou o Auto de Infração, com base em disposição expressa na lei, artigo 42 da lei n° 9.430/96. Correto, portanto, o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal que intimou a Recorrente a comprovar a origem dos depósitos efetuados nas suas contas bancárias. Por não ter comprovado a origem dos recursos depositados em contas bancárias de susa titularidade, correta a aplicação da presunção de omissão de receita, nos exatos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. VÍCIO E ERROS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento foi decorrente da constatação pela autoridade fiscal que a escrituração contábil continha indícios de fraude, vícios e erros, sobejamente demonstrados no processo, que a tornavam imprestável para a determinação do lucro real ou identificação da efetiva movimentação financeira, conforme dispunha o artigo 520 do RIR/99, então vigente. RECEITA CONTABILIZADA E NÃO DECLARADA. OMISSÃO DE RECEITA. A autoridade fiscal constatou receitas escrituradas e declaradas à Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, mas não declaradas ao FISCO federal. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. PAGAMENTOS DE DESPESA DE TERCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA.. A confissão de que os pagamentos não escriturados foram de despesas de terceiros já seria suficiente para considerar como omissão de receita. Os Fl. 1651DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 documentos apresentados pelo sujeito passivo não são hábeis, idôneos e convergentes com os pagamentos realizados. SUPRIMENTO DE CAIXA REALIZADA POR SÓCIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA ENTREGA DE RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. O sujeito passivo não comprovou a origem dos recursos depositados em contas bancárias de sua titularidade, alegou, mas não comprovou que a movimentação financeira pertenciam a pessoa física representante de sua ex-sócia. REVENDA DE COMBUSTÍVEL. TRIBUTAÇÃO POR SUBSTITIÇÃO TRIBUTÁRIA. EXCLUSÃO DA INFRAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE. O argumento da Recorrente que não se poderia caracterizar omissão de receita da atividade operacional porque a atividade da Recorrente é a venda de combustível, e na sistemática de substituição tributária é tributada na origem, não é hábil para afastar os lançamentos por omissão de receita. A substituição tributária se refere a tributação sobre o consumo (ICMS), de competência dos estados, e não tem a ver com a tributação sobre lucro, de competência da União. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. A multa de ofício duplicada foi aplicada com base no artigo 44, Inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96, por terem sido constatados pela Autoridade Fiscal e sobejamente comprovados ao longo de todo o processo a prática dolosa de fraude e sonegação previstas nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. ART. 8º DA LEI N° 14.689/23. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO PARA 100%. Com base na retroatividade benigna, art. 106, II, “c” do CTN e do artigo 8º da Lei n° 14.689/23, a multa qualificada que fora aplicada no percetual de 150%, de acordo com a regra vigente à época do lançamento, deve ser reduzida para o percentual de 100%. CSLL, PIS E CONFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Os autos de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para o Programa de Integração Social foram decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicando-se o que foi decido em relação ao mérito relativo àquele tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) em não conhecer do recurso voluntário apresentado por Bayard Ollé Fischer dos Santos; (ii) em conhecer parcialmente do recurso voluntário apresentado por Posto Chimarrão do Brasil Ltda-ME, deixando de conhecer das alegações relacionadas à responsabilidade tributária do sócio Rodrigo Fl. 1652DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Fischer; e, (iii) em relação à parcela conhecida, em rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas, para reduzir o valor da multa de ofício qualificada ao percentual de 100% (cem por cento), nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó votou pelas conclusões do relator quanto ao não conhecimento do recurso voluntário apresentado por Bayard Ollé Fischer dos Santos. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Savio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocada), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente) Relatório O presente processo decorre de Auto de Infração com exigência de R$ 448.755,02 de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), R$ 556.303,45de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), R$ 110.934,20 de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e R$ 24.035,84 de Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), incluindo multa de ofício de 150% e juros moratórios, relativos aos anos-calendário 2006, 2007 e 2008. O lançamento decorre do arbitramento do lucro por falhas na escrita contábil e fiscal e omissão de receita decorrente de falta de comprovação da origem dos depósitos bancários e de pagamentos efetuados e não escriturados. Reproduzo excerto do acórdão que detalha as infrações: O contribuinte apresentou declarações de rendimentos com todos os campos zerados nos anos-calendário 2006 (fls. 168 a 179) e 2007 (fls. 180 a 193). Essas declarações indicavam opção pela tributação consoante a sistemática do lucro presumido. Quanto ao ano-calendário 2008 (fls. 194 a 202), o interessado declarou-se imune relativamente ao IRPJ. De fato, entretanto, o contribuinte auferiu receitas nos três períodos e as reconheceu na escrita (fls. 4, 7 e 8). No curso da fiscalização, os agentes do fisco solicitaram diversos documentos, dentre os quais a escrita comercial e os extratos bancários. Ao cotejar os dois últimos, as autoridades administrativas identificaram omissões na escrita comercial. Em razão disso, houve a solicitação de esclarecimentos objeto das intimações constantes das folhas 156/7 e 162/3. Confira-se trecho da intimação levada a efeito no dia 27 de junho de 2011 (fl. 162): Fl. 1653DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 “1 – No período de 2008 a empresa registrou na conta caixa de sua contabilidade a emissão de diversos cheques dos quais não encontramos contrapartida de pagamentos efetuados e/ou seus favorecidos. A empresa deverá justificar por escrito e anexar os documentos emitidos pelos favorecidos dos pagamentos. Anexamos à presente intimação um demonstrativo em duas páginas onde relacionamos os cheques emitidos sem pagamentos correspondentes. 2 – No período de 27 de março a 15 de julho de 2008 a empresa não registrou movimento econômico em suas atividades. Especialmente em relação a este período a empresa deverá justificar, com documentos hábeis e idôneos, a movimentação efetuada em suas conta bancárias, a origem do numerário dos depósitos e os favorecidos dos cheques emitidos.” Confira-se parte da resposta oferecida em 11 de julho de 2011 (fl. 167): “1) Sobre os cheques do Banco Sicredi relacionados: o administrador somente apresentou para contabilização as cópias de cheques, sem contrapartida. Não foi apresentada nenhuma justificativa para a emissão dos mesmos. Sobre os cheques do Banco Bradesco, a emissão era feita pelo administrador Bayard Ollé Santos Fischer, que nunca apresentou nem cópia de cheque nem justificativa para a emissão. Sobre o lançamento em 30/05/2008 no Banco Bradesco, no valor de R$ 53.570,86, ocorre que o responsável por esta conta não entregava todos os extratos para que fossem contabilizados. Esta lançamento foi feito para regularizar o saldo contábil desta conta, por motivo de lacuna entre os extratos apresentados.” Diante de uma escrita que não refletia a movimentação financeira da sociedade, bem como do registro de transações reiteradas e habituais sem a identificação dos favorecidos pelos pagamentos efetuados (fl. 6), os agentes do fisco adotaram a sistemática do lucro arbitrado prevista nos arts. 530 e 532 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). A base de cálculo foi, inicialmente, aquela registrada nos livros comerciais (resumida no quadro das folhas 7 e 8). Às receitas contabilizadas foram agregadas outras, que restaram identificadas em função de depósitos de origem não comprovada e de pagamentos não escriturados. Passo a detalhar essas receitas. A fiscalização identificou na escrita o registro de empréstimos que teriam sido concedidos pelo sócio uruguaio Munster Trading Corp. Sociedad Anônima. O valor total hipoteticamente emprestado montou R$ 934.600,33. Examinada a movimentação financeira, restou comprovado que os valores não tinham origem no sócio uruguaio, mas em “empresas nacionais, de pessoas físicas ou de depósitos em cheques, não oriundos da sócia Munster Trading Corp. Sociedad Anônima” (fl. 8). Os ingressos se deram, a maior parte, por via da conta bancária mantida pelo contribuinte perante o Banco Bradesco, mais Fl. 1654DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 especificamente em conta mantida junto à agência da instituição financeira localizada à rua Dr. Florêncio Ygartua em Porto Alegre, RS. O contribuinte, intimado a respeito, informou que a “conta no Bradesco era movimentada pelo Sr. Bayard Ollé Fischer dos Santos, que nunca teria apresentado cópias dos cheques ou justificativas para as emissões” (fl. 9). Como o interessado, intimado, não comprovou a origem dos recursos, a fiscalização, forte nos termos dos arts. 282 e 287 do RIR/99, considerou-os receita omitida, agregando-os à base de cálculo. As receitas omitidas restaram submetidas ao percentual de arbitramento mais elevado, que é o de serviços, atividade exercida pelo contribuinte, consoante disposto no art. 24, § 1º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Os agentes do fisco identificaram diversos cheques emitidos pelo contribuinte (saídas efetivas de numerário das contas bancárias) que não estavam contabilizados ou que a contabilização não apontava o beneficiário. Instado a comprovar as referidas movimentações financeiras, o interessado apresentou notas fiscais de aquisição de bens para a sua atividade, esclarecendo que em relação aos demais (parte dos cheques não justificada) “aguardava retorno dos antigos administradores” (fl. 10). A fiscalização, mesmo diante da resposta oferecida pelo contribuinte, foi adiante, identificando que “grande parte se destinavam a pagamentos à Petrobrás e Peteba” (fl. 11), deixando claro quem era Peteba. Confira-se (fl. 11): “Apurou-se que Peteba era outro posto de abastecimento de combustíveis localizado em Encantado que, de acordo com os contratos sociais apresentados, de direito, não seria de propriedade do sujeito passivo, mas a toda evidência, por ele era operado, tal a freqüência e valores dos pagamentos, sem que fosse registrada corretamente a movimentação financeira.” Assim, como o interessado não escriturou os pagamentos, a fiscalização considerou esse fato como omissão de receitas, tendo em vista os termos do art. 281 do RIR/99. A omissão restou mensurada com base nos “cheques cujos valores eram superiores aos pagamentos registrados na contabilidade descontando os valores dos pagamentos identificados na contabilidade, conforme Anexo III” (fl. 11). No lançamento houve a exigência de multa de ofício duplicada (150%) em relação a todos os tributos “tendo em vista a conduta do contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco durante anos consecutivos, (zerando seus campos ou indicando ser imune ao IRPJ), o que denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada pela ocorrência de sonegação e fraude” (fl. 13). O norma aplicada foi o art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Os conceitos de sonegação e fraude estão legalmente definidos, respectivamente, nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. O ato administrativo contemplou, também, a responsabilidade solidária dos sócios e administradores tendo em vista a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei nos termos do art. 135, III, da Lei nº 5.172, de 25 de Fl. 1655DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 outubro de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN). Excepcionaram, exclusivamente, o administrador Rogério Fischer. Foram lavrados Termos de sujeição passiva solidária contra os sócios e administradores Rodrigo Fischer, Davi Cristiano Dannebrock, Luiz Antonio Villa e Bayard Ollé Fischer dos Santos com fundamento no inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional. A DRJ relata que o sujeito passivo apresentou impugnação (juntada às e-fls. 568 a 622) com os seguintes argumentos: O impugnante abre sua manifestação reclamando do efeito confiscatório, constitucionalmente vedado, do arbitramento. Protesta, também, pelo dever do fisco investigar a entrada e saída de recursos do país frente aos empréstimos concedidos ao impugnante por sociedade uruguaia. Defende que a movimentação financeira levada a efeito por via da conta bancária mantida perante o banco Bradesco era de responsabilidade exclusiva do ex-sócio Bayard Ollé Fischer dos Santos, que teve por meta “lavar e dar origem as remessas advindas da sus profissão como médico, junto ao Instituto de Andrologia” (fl. 570). Alega que a presunção de omissão de receita fere direitos fundamentais do contribuinte. Quanto aos cheques pagos sem destinatário, afirma que seriam , em boa parte (R$ 685 mil), destinados à Rede Peteba. O contribuinte junta cópias das duplicatas pagas em favor da Rede Peteba, protestando pela investigação perante o terceiro (Rede Peteba). Confira-se (fl. 570): “Em tempo, não pode o contribuinte arcar por aquilo que não lhe compete provar. A Receita tem o dever de solicitar inclusive documentação contábil de terceiro a fim de comprovar inequivocamente eventual existência de omissão de receita o que, gize-se, não é o presente caso, visto que se comprova a destinação dos cheques pagos na compra de combustível da Rede Peteba, conforme duplicatas em anexo. A comprovar os demais cheques, basta mero ofício ao guardião dos livros daquela rede, a fim de se apurar que os demais cheques também estão embasados nas duplicatas daquele posto.” Afirma que os administradores anteriores se negaram a fornecer a documentação contábil, fato que dificultou o oferecimento dos documentos ao fisco. O contribuinte, então, elenca todas as notas fiscais de compra de combustível por ano (2006, 2007 e 2008, fls. 627, 632 e 636, respectivamente). Depois, compara essas compras com o resultado apurado nos seus livros comerciais, indicando que o lucro seria compatível com as compras e consequentes vendas, tendo em vista que a Petrobrás Distribuidora S/A é a única fornecedora (fl. 572). Defende, então, a ilegitimidade passiva dos sócios Rodrigo e Rogério Fischer. O primeiro por se ter ingressado na sociedade em maio de 2010, consoante alteração contratual nº 4. O segundo já teve sua exclusão do pólo passivo Fl. 1656DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 reconhecida pelo fisco. Alega, ainda, que o Posto Chimarrão não sucedeu tributariamente o agente da omissão, posto que a “omissão de receitas que foge à operacionalidade do fundo de comércio” (fl. 573). Indica, mais uma vez, os resultados de Munster Trading do Brasil Ltda. consoante livros comerciais. Deseja seja reconhecida a responsabilidade de Bayard Ollé Fischer dos Santos e David Danebroch, anteriores administradores. O Posto Chimarrão não deveria constar do pólo passivo da exigência. Defendeu a aplicabilidade ao caso da regra constante do art. 133 do CTN, ou seja, que no caso dos autos teria havido simples aquisição do fundo de comércio consubstanciado em posto de gasolina que comercializa combustíveis. O impugnante defende a responsabilidade de Bayard Ollé Fischer dos Santos, que seria o proprietário da sociedade uruguaia Munster Trading Sociedad Anônima. Retomou a obviedade das suas receitas, decorrentes de compras diretas perante a Petrobrás, para afirmar que as receitas omitidas não decorreram do negócio por ela explorado. As presunções fiscais seriam um abuso. Demonstra, com dados econômicos, a evolução da sua receita e da consequente carga tributária. Os valores estranhos ao negócio entraram na sociedade por via de empréstimos concedidos pelo sócio uruguaio. Mais adiante, esses mesmos valores retornaram ao emprestador. O fisco deveria ter aprofundado seus exames, porquanto os extratos bancários são claros a esse respeito (fl. 580). Os valores são da pessoa física (Bayard Ollé Fischer dos Santos) e não da sociedade. Como poderia a pessoa jurídica comprovar depósitos que não lhe dizem respeito? O fisco deveria ter rastreado a origem dos depósitos. O pessoa jurídica não tem legitimidade para figurar no pólo passivo da exigência, posto que “o sucessor só responde por atos exclusivamente praticados pela pessoa jurídica que estiver adquirindo, mas, jamais, por atos praticados em nome da pessoa física dos seus sócios” (fls. 579 e 580). Defendeu, então, inutilidade dos extratos bancários, nos seguintes termos (fl. 582/3): “Os extratos não são documentos no sentido legal do termo. Não há lei que obrigue o contribuinte a conservá-los. Aliás, desses papéis invariavelmente consta a expressão “extrato para simples conferência”, o que por si só revela que se trata de um papel que não cria obrigações nem gera direitos. Tanto assim, que se alguém tiver um lançamento em seu extrato feito de forma equivocada, isso não o transforma em credor ou devedor da quantia lançada. É consagrada a idéia de que as pessoas jurídicas não fazem contabilidade com base em extratos, mas tão somente através de documentos, sejam cópias de cheque, comprovantes de depósito, avisos de lançamento, etc.” O contribuinte entende que apresentou todos os documentos que lhe foram solicitados, não sendo cabível o lançamento, consoante previsto nos arts. 841 e 844 do RIR/99. Os arts. 904, 911 e 927 do RIR/99 não obrigam o sujeito passivo a apresentar extratos bancários. Ademais, se houvesse essa obrigação, ela estaria voltada ao procurador da ex-sócia uruguaia (Munster Trading Sociedad Anônima). Da Fl. 1657DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 mesma forma, a obrigação constante do art. 928 do RIR/99 não se confunde com a “de entregar extratos bancários ou comprovar supostos depósitos” (fl. 585). Resume assim seu ataque (fls. 585/6): “Proceder auto de infração contra sucessora do fundo de comércio a valores atinente a movimentação que não fazia parte da contabilidade da empresa adquirida é promover verdadeiro confisco, colidindo com o artigo 150, IV da CF/88. Assim, forte no artigo 133, do CTN, bem como no artigo 5º, 150, IV e 170 da Constituição Federal, bem como, 841, 844, 904, 911, 927 e 928 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99), requer seja excluída da base de lançamento os valores movimentados pelo procurador da ex-sócia Munster Trading Sociedad Anônima, senhor Bayard Fischer dos Santos, que giravam na pessoa jurídica sob rubrica “empréstimos sócios”, devendo ser recalculada a base da autuação, redirecionando tal autuação à ex-sócia Munster Trading Sociedad Anônima e para o seu procurador no Brasil, senhor Bayard Fischer dos Santos.” Alega que valores oriundos de Bayard Ollé Fischer dos Santos ingressavam na sociedade por meio de empréstimos, não se tendo idéia da origem desses valores. Não se tratava, na realidade, de empréstimos, mas “dinheiro oriundo da pessoa física de Bayard Fischer dos Santos” (fl. 587). O depósito era feito em conta mantida perante o banco Bradesco. Mais adiante esses valores eram repassados para a conta mantida perante o banco Sicredi. Essas contas eram da antiga proprietária do posto contribuinte. Os valores, por óbvio, não diziam respeito à atividade operacional do posto de gasolina. Se alguma sonegação houve, foi na pessoa física, não cabendo essa imputação ao contribuinte (fl. 587). Indica que a fraude levada a efeito pelo então procurador da Munster Trading do Brasil Ltda. era tão grosseira que ele fazia constar de uma única folha de papel recibos da quitação parcial do empréstimo com datas distantes quase dois anos (fls. 877 a 885, em especial a primeira). Seriam , portanto, documentos “fabricados”. E arremata: “são questões que o Fisco deve buscar junto aos ex-sócios” (fl. 588). Esses elementos conduziriam a que a fiscalização investigasse a pessoa física do procurador do ex-sócio, e não o impugnante. Ainda quanto aos pretensos empréstimos, o interessado reclama da fiscalização que não diligenciou perante do Banco Central do Brasil para verificar a efetividade da movimentação internacional de recursos. O impugnante aponta que não existe a obrigatoriedade da entrega de extratos bancários. Como ninguém é obrigado a nada que não esteja previsto em lei, a exigência além de ilegal é inconstitucional por força dos arts. 5º e 37 da Carta Magna. O art. 911 do RIR/99 trata da escrita, não abrangendo os extratos bancários. A exigência em pauta violaria o Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994, que trata do Código de Ética do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. Ademais, se o contribuinte não sabia da movimentação financeira levada a efeito pelo procurador da ex-sócia, como pode ilegalmente ser compelido a justificá-las, sofrendo a inferência de omissão de receitas? É dever do fisco provar a omissão de receitas e não do contribuinte, que não teria “como adivinhar o real propósito sobre movimentações transitórias ocorridas antes da aquisição do negócio” (fl. 591). Fl. 1658DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Cabe os fisco o ônus da prova do fato gerador. Os depósitos só serviriam para lastrear o lançamento se restassem confirmados por outros elementos. Ademais, a quebra do sigilo bancário somente é admissível quando autorizada judicial, sendo inadmissível a prova ilícita (art. 5º, LVI, da Constituição Federal). Isso, por si só, torna nulo o auto de infração. O contribuinte junta doutrina e jurisprudência em seu favor. Mais adiante, o impugnante defende que os valores exigidos não lhe dizem respeito, uma vez que o posto de gasolina teria recolhido os tributos que lhe tocavam. Realiza vários cálculos financeiros com esse desiderato. Aponta, ainda, que identificou as saídas de recursos “para pagamento de duplicatas emitidas pela Rede Peteba de Postos, por compra de combustível” (fl. 601). Teria ocorrido um simples erro formal na escrita, que não indicou os destinatários dos cheques. A amostragem efetuada pelo contribuinte atingiu R$ 685.901,19 do valor apurado pela fiscalização (R$ 5.489.613,91 – fls. 21 a 24). Afirma, ainda, o seguinte quanto aos elementos por ele (contribuinte) obtidos (fl. 604): “Notar que o ano de 2007 a empresa não conseguiu alcançar a documento junto a administração do Posto Peteba, contudo, pela verossimilhança das provas juntadas, é necessário que a própria Receita oficie aquele Rede de Postos a apresentarem as duplicatas referentes aos meses de novembro de 2006 a novembro de 2007.” Segundo o impugnante, o ônus da prova é sempre do fisco, não sendo viável que ele responda por fatos anteriores à aquisição do fundo de comércio ínsito ao posto de gasolina. Uma lei ordinária (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) não poderia contrariar uma lei complementar (art. 142 do CTN), não poderia inverter o ônus da prova que seria sempre do fisco. Esse seria o sentido da súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. Somente a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, devidamente comprovada pelo fisco, pode dar ensejo à tributação. Frente aos termos do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, em especial do seu § 6º, que determina a consideração no lançamento da modalidade de arbitramento que mais beneficie o contribuinte. Em outras palavras, ele deseja que o arbitramento seja efetuado com base em sinais exteriores de riqueza, e não com base em depósitos bancários. Após, elenca diversas garantias constitucionais que teriam sido vilipendiadas: direito de propriedade, vedação do tributo com efeito de confisco, legalidade e isonomia tributárias. Refere, também, que nenhuma das hipóteses ensejadoras do arbitramento (saldo credor de caixa, falta de escrituração de pagamentos ou manutenção de obrigações pagas ou inexigíveis no passivo) restou comprovada nos autos. Por tal motivo, a autuação seria um equívoco. Refere farta jurisprudência. O contribuinte indica ter apurado prejuízos por via da sua escrita comercial em todos os períodos objeto do lançamento (fls. 616/7), bem como bases de cálculo do IRPJ e da CSLL negativas (fl. 618). Por fim, ataca a inconstitucionalidade e abusividade da multa de 150%. Fl. 1659DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Primeiro por não ter restado comprovada a sonegação. Depois, por ter sido comprovado que as receitas efetivas do negócio (posto de gasolina) são inferiores às arbitradas. Além disso, a aplicação da multa de 150% sobre fato não provado conduziria ao confisco patrimonial vedado. Além disso, não haveria dolo por parte do interessado, posto que apenas adquiriu fundo de comércio. Sem provas, a aplicação da penalidade foi subjetiva, sendo, por consequência, ilegal, inconstitucional e desproporcional. O ato do lançamento seria nulo por estar desvinculado da lei, nos termos dos arts. 7º e 142 do CTN, sem contar que não levou em consideração o art. 112 do mesmo código, que assegura a interpretação mais favorável ao acusado em caso de dúvida. Finaliza sua petição nos seguintes termos (fls. 621/2): “Diante do exposto requer seja julgada totalmente procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte Posto Chimarrão do Brasil Ltda., anulando o auto de infração ora impugnado, recalculando a base de cálculo diante da flagrante inconstitucionalidade e ilegalidade do presente lançamento, reconhecendo pela descaracterização da omissão de receita, afastando a multa de 150%. Requer ainda, diante da comprovação por amostragem de duplicatas pagas ao Posto Peteba, seja aquela Rede oficiada a apresentar as duplicatas referentes ao ano de 2007 que a contribuinte não logrou êxito buscar. Porém, ao que lhe estava em alcance, logrou comprovar e afastar as acusações de omissão de receita e saídas sem identificação.” O sujeito passivo solidário Bayrad Ollé Fischer dos Santos apresentou impugnação às e-fls. 973 a 1078, que foi considerada intempestiva pela DRJ. Os demais sujeitos passivos solidários não apresentaram impugnação. O acórdão da 1ª Turma da DRJ/POA restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 LUCRO ARBITRADO. O arbitramento não é uma opção da autoridade administrativa, mas uma imposição legal. A adoção da sistemática do arbitramento se impõe diante da comprovação de que a escrita é imprestável para (a) identificar a movimentação financeira ou (b) determinar o lucro real, bem como quando revela evidentes indícios de fraude. INTIMAÇÃO POR EDITAL. Desde 22 de novembro de 2005, para que seja válida a intimação por edital, basta a demonstração de que foi improfícua a tentativa de intimação por apenas um dos meios ordinários (pessoal, postal ou eletrônico), sem ordem de preferência. Considera-se efetuada a intimação 15 (quinze) dias após a afixação ou publicação do edital, que, por sua vez, pode ser feita no endereço da administração tributária na internet, em dependência, franqueada ao público, do Fl. 1660DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 órgão encarregado da intimação, ou uma única vez, em órgão da imprensa oficial local, também sem ordem de preferência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A DRJ rejeitou o argumento do contribuinte de que ocorreu alienação de fundo de comércio e que seria indevido a atribuição das infrações ao contribuinte Posto Chimarrão do Brasil Ltda – ME, entendendo como descabido suas razões de defesa, sendo dele, POSTO CHIMARRAO DO BRASIL LTDA, como contribuinte, a responsabilidade pelos créditos tributários lançados. uma vez que se observou apenas alterações no quadro societário e de administradores ao longo do tempo. A DRJ considerou correto o arbitramento pelo fato da escrituração a que o contribuinte estava obrigado conter evidentes indícios de fraude, erros e deficiências que a tornavam imprestável para a determinação do lucro real. Quanto a omissão de receita por presunção legal, a DRJ a manteve porque os documentos apresentados pelo contribuinte não atestavam que os valores movimentados por meio das contas bancárias pertenciam a terceiros conforme alegara. Quanto a omissão de receita por falta de escrituração de pagamentos, a DRJ considerou que a justificativa apresentada pela contribuinte, de que se tratavam de pagamentos de despesas de terceiros não justificaria a falha na escrituração do referido pagamento pelo impugnante, antes reforçaria a acusação fiscal. Foram juntados às e-fls. 1546 a 1625 recurso voluntário supostamente do responsável solidário Bayard Ollé Fischer Santos, porém sem a identificação do autor ou de eventual patrono, o que suscitou a emissão por parte 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF de despacho de saneamento juntado às e-fls. 1630 a 1631, determinado o retorno dos autos à Unidade de Origem para que fosse intimado o sujeito passivo solidário a sanar a irregularidade na representação processual, no termos da Súmula CARF n° 129. Conforme se constata no despacho à e-fl. 1645, o responsável solidário Bayard Ollé Fischer Santos foi intimado a apresentar documento de identificação, mas não apresentou a documentação solicitada. O contribuinte principal Posto Chimarrão do Brasil Ltda –ME, ora Recorrente, apresentou recurso voluntário às e-fls. 1164 a 1225, basicamente com os mesmos argumentos trazidos na impugnação e acrescentando que houve cerceamento de defesa da recorrente Posto Chimarrão do Brasil Ltda porque requereu que “a Receita Federal abrisse investigação para apurar a contabilização das receitas lá pagas o que foi negado, cerceando a defesa da contribuinte cujos atuais gestores nenhuma relação possuem com os fatos narrados. Do julgamento da impugnação afere-se abuso de poder por parte do Fisco ao imputar produção de prova a quem não compete.” A Recorrente insiste no seu entendimento que seria ônus do FISCO a busca de documentação contábil junto a terceiros afim de comprovar a existência de omissão de receita: Fl. 1661DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 A Receita tem o dever de solicitar inclusive documentação contábil de terceiro a fim de comprovar eventual existência de omissão de receita. A prova mínima para arredar a suposta omissão de receita apontada pela Receita foi produzida pela contribuinte no que tange à juntada das duplicatas que geraram os pagamentos a rede de Postos Peteba. Renova-se que é necessário ofício ao guardião dos livros daquela rede, a fim de se apurar que os demais cheques também estão embasados nas duplicatas daquele posto. Em impugnação fora comentado que os atuais gestores têm dificuldade na obtenção da documentação fiscal do passado em razão dos antigos gestores se negarem a entregar. Requereu ao final: a) Assim, em face dos artigos 5, 150, I, II e IV, ambos da CF/88 c/c artigos 121 e 122, 133, 135 e 137, todos do Código Tributário Nacional, requer seja reconhecida a ilegitimidade passiva do contribuinte Postos Chimarrão e do Sócio Rodrigo Fischer, devendo-se arredar qualquer autuação que não diga respeito estritamente a Receitas Operacionais e não operacionais, por força do artigo 133, também do mesmo Diploma Legal; b) Alternativamente, requer seja reconhecida a ilegitimidade passiva do Contribuinte Posto Chimarrão do Brasil Ltda, e, exclusão da responsabilidade do sócio Rodrigo Fischer, por atos praticados a partir de novembro de 2006 até dezembro de 2008, por conta de sua retirada da sociedade em novembro de 2006; c) Assim, forte no artigo 133, 135 e, 137, todos do CTN, c/c artigo 5°, 150, IV e 170, da Constituição Federal, bem como, 841, 844, 904, 911, 927 e 928 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99), requer seja excluída da base de lançamento os valores movimentados pelo procurador da ex-sócia Munster Trading Sociedad Anonima, senhor Bayard Fischer dos Santos, contabilizados sob rubrica "empréstimos sócios", devendo ser recalculada a base de autuação; d) Logo, sob pena de transitar em flagrante confisco ao patrimônio da contribuinte autuada, excluir da base de tributação da receita apontada como omissão de faturamento, tendo em vista a impossibilidade de sucessão tributária nestes casos, forte no artigo 133, 135 e 137, do CTN, bem c/c art. 150, IV, outrossim, dos artigos 841, 844, 904, 911,927 e 928 do vigente RIR/99 (Decreto 3.000/99); e) Forte nos artigos 5, II, LIV, LV, LVI, 37, 150, I, II e IV, todos da Constituição Federal, bem como a previsão do artigo 332, do CPC c/cart. 157, do CPP, c/c os artigos 841, 844, 904, 911, 927 e 928 do vigente RIR (Decreto 3.000/99), seja excluído da base de tributação por arbitramento os valores apontados como omissão de receita baseados tão somente em extratos bancários, sob pena de nulidade do auto de infração, devendo ser recalculada a base de cálculo da autuação; f) Assim sendo, por força dos artigos 5°, XXII, LIV, LV, 60, §4°, 150, I, II, IV, todos da CF/88, c/c os artigos 42, 142, 148, 201 e 204, todos do Código Tributário Nacional, bem como pelo art. 42, da Lei 9.430 e, art. 6°, 6° da Lei n° 8.021/90, requer o afastamento do arbitramento ao menos em relação à contribuinte e ao sócio Rodrigo Fischer, estando ausentes os requisitos inarredáveis a darem ensejo para tal atuação do Fisco; Fl. 1662DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 g) Em consoante ao pedido, em sendo remanescente a descaracterização da escrita, e a tomada do arbitramento, que a base da tributação seja calculado apenas sob a base de sua receita operacional bruta majorada em 20% conforme já apurado; h) Por fim, por força dos artigos 7°, 97, 133, 135 e 137, 142, todos do CTN c/c artigo 150, da Constituição Federal, requer seja excluída a multa punitiva de150% em relação à contribuinte Posto Chimarrão do Brasil ltda., remanescendo se for o entendimento, com relação aos demais autuados; i) Alternativamente, em caso de remanescer a multa, que seja minorada em 75%, por conta da ausência de conduta dolosa por conta da contribuinte com relação à suposta movimentação sem origem; É o Relatório. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator. 1.Recurso Voluntário Bayard Ollé Fischer Santos Como apontado no Relatório, o documento juntado às e-fls. 1546 a 1625 como recurso voluntário supostamente apresentado pelo sujeito passivo solidário Bayard Ollé Fischer Santos foi devolvido pelo CARF à Unidade de Origem para que fosse saneado, tendo em vista não ter sido juntado nenhum documento de identificação que comprovasse a legitimidade da representação processual. Como se verifica pelo despacho da autoridade administrativa à e-fl. 1645, o sujeito passivo solidário Bayard Ollé Fischer Santos foi intimado a apresentar documentos de identificação para comprovação da legitimidade do recurso, mas não se manifestou. Destarte, tendo em vista que o recorrente não foi devidamente qualificado, de acordo com o exigido no inciso II do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 1 , o documento juntado às e-fls. n° 1546 a 1625 não deve ser conhecido. 2.Recurso Voluntário Posto Chimarrão do Brasil Ltda-ME Quanto ao sujeito passivo principal Posto Chimarrão do Brasil Ltda-ME, a ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 04/11/2014, conforme AR juntado à e-fl. 1163, e o recurso voluntário (juntado às e-fls. 1164 a 1226), foi protocolado em 26/11/2014 na Agência da Receita 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; (...) Fl. 1663DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Federal de Encantado/RS, conforme carimbo de recebimento à e-fl. 1164, portanto dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O recurso está assinado por procurador da pessoa jurídica, devidamente constituído à e-fl. 1226. No recurso voluntário do sujeito passivo principal Posto Chimarrão do Brasil Ltda-ME, procurou eximir a sua responsabilidade pelo crédito tributário lançado e a responsabilidade solidária do sócio Rodrigo Fischer, como se verifica nos excertos abaixo (realces no original): DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DA CONTRIBUINTE E DO SÓCIO RODRIGO FISCHER. Não merece prosperar o Acórdão exarado pela 1a Turma da Delegacia da Receita em Porto Alegre quanto à manutenção do sócio Rodrigo Fischer, inscrito no CPF n° 806.710.800-59, no polo passivo da exigência tributária por sucessão. Impende lembrar que os supostos atos faltosos datam de 2006 até 2008, conforme fls. 02, do Acórdão supracitado. O sócio Rodrigo figurou como sócio da empresa de 05.05.05 até 1.11.06. Posteriormente, retomou a titularidade do capital social da empresa em 06.05.10, permanecendo até o momento. Neste período primeiro período, detinha apenas 1% do capital social da empresa. Como se vê, não há falar-se em imputação do sócio Rodrigo Fischer pelos atos praticados por outros gestores e antigos sócios pela mesma motivação que se excluiu o administrador Rogério Fischer, pois em nada contribuíram para a suposta omissão de receita havida por outro administrador que supostamente utilizou-se das contas bancárias do Fundo de Comércio, à época, para circular riquezas oriundos de sua profissão enquanto pessoa física, a fim, possivelmente, de evitar a tributação. (...) Logo, inarredável o reconhecimento da ilegitimidade passiva do contribuinte Posto Chimarrão e do sócio Rodrigo Fischer, leia-se a nova administração a partir de maio de 2010, devendo-se reconhecer a responsabilidade direta dos ex- sócios Munster Trading Sociedad Anonima, bem como do seu procurador, senhor Bayard Fischer Santos e do outro administrador sr. David Danenbroch, bem como do antigo sócio Luiz Antônio Villa e demais Gestores que participaram da Gestão no período apontado. Assim, em face dos artigos 5, 150, I, II e IV, ambos da CF/88 c/c artigos 121 e 122, 133, 135 e 137, todos do Código Tributário Nacional, requer seja reconhecida a ilegitimidade passiva do contribuinte Postos Chimarrão e do Sócio Rodrigo Fischer, devendo-se arredar qualquer autuação que não diga respeito estritamente a Receitas Operacionais e não operacionais, por força do artigo 133, também do mesmo Diploma Legal. Alternativamente, requer seja reconhecida a ilegitimidade passiva do Contribuinte Posto Chimarrão do Brasil Ltda., e, exclusão da responsabilidade do sócio Rodrigo Fischer, por atos praticados a partir de novembro de 2006 até dezembro de 2008, por conta de sua retirada da sociedade em novembro de 2006. Fl. 1664DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Os responsáveis solidários no processo administrativo tributário tem legitimidade para recorrer, procurando afastar a sua responsabilidade pelas infrações apuradas, em concretização às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Contudo, nenhum dos responsáveis tributários solidários apresentou recurso, a exceção de recurso supostamente apresentado por Bayard Ollé Fischer Santos, que não foi conhecido por falta da devida qualificação, como visto acima. O sujeito passivo principal Posto Chimarrão do Brasil Ltda-ME, no recurso voluntário, procurou afastar a responsabilidade tributária solidária do sócio Rodrigo Fischer, contudo a pessoa jurídica não tem legitimidade para representar nenhum dos sócios pessoas físicas arrolados como responsáveis solidárias. Tal posicionamento já foi referendado pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial n° 1.347.627, de Relatoria do Ministro Ari Pargendler (DJe de 21/12/23013), que entendeu pela ilegitimidade da pessoa jurídica para interpor recurso em defesa de interesse dos seus sócios. A ementa do julgado foi assim vazada: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DO DEVEDOR. A pessoa jurídica não tem legitimidade para interpor recurso no interesse do sócio. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, considerando o a decisão prolatada pelo STJ na sistemática do artigo 543C do CPC, e aplicando o que determina o art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, já se manifestou no sentido da ilegitimidade da pessoa jurídica representar o interesse dos seus sócios, conforme se verifica na ementa do acórdão 9101- 005.303, abaixo transcrito, de Relatoria da I. Conselheira Edeli Pereira Bessa: RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. QUESTIONAMENTO PELA CONTRIBUINTE. LEGITIMIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. A pessoa jurídica não pode pleitear, em nome próprio, a exclusão de terceiros do polo passivo da obrigação tributária. Portanto, considerando que o recurso voluntário da Recorrente preenche os requisitos de admissibilidade, com exceção do afastamento da responsabilidade do sócio Rodrigo Fischer, dele conheço parcialmente. 3. Da arguição de cerceamento de defesa A Recorrente alega que houve cerceamento de defesa porque requereu que fosse aberto investigação para comprovar o pagamento que fizera de despesa de terceiro, inclusive requerendo a documentação contábil deste terceiro. Alegou que não tinha posse de documentos fiscais porque seus antigos administradores se negaram a entregá-los. Não assiste razão à Recorrente. Fl. 1665DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Mais adiante vai ser visto que os documentos juntados pela Recorrente não comprovam os pagamentos não contabilizados. Se fosse verdade que os pagamentos não contabilizados foram para aquisição de combustíveis da Rede Peteba, a Recorrente deveria apresentar as notas fiscais emitidas em seu nome por aquela empresa. O documento comprobatório (boletos bancários de cobrança), como se verá , não são hábeis para comprovar os pagamentos. A Fiscalização constatou pagamentos não escriturados. É dever do contribuinte, e não do FISCO, identificar e comprovar, com documentos hábeis e idôneos o destinatário e o motivo dos pagamentos, o que não fez a Recorrente. Portanto rejeito a arguição de cerceamento de defesa. 4.Mérito Com o objetivo de subsidiar adequadamente o julgamento do presente processo convém detalhar a acusação fiscal e os argumentos de defesa. 4.1 Das declarações fiscais dos anos-calendários 2006, 2007 e 2008 De acordo com o Contrato de Constituição da Sociedade Munster Trading do Brasil Ltda (antiga razão social da recorrente Posto Chimarrão Brasil Ltda) juntada às e-fls. 118 a 123 a empresa iniciou suas atividades em 09/03/2005 e seu objeto social seria o “COMÉRCIO VAREJISTA E ATACADISTA DE COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO ÓLEOS, LUBRIFICANTES, PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA VEÍCULOS; PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM BORRACHARIA E LAVAGEM DE VEÍCULOS; TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS EM GERAL, INTERMUNICIPAL, INTERESTADUAL E INTERNACIONAL; LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS". Não houve alteração do objeto social até a última alteração do Contrato Social (a 5ª Alteração do Contrato Social), datada de 09/07/2010 e juntada às e-fls. 143 a 147. Trata-se portanto de comércio de derivados de petróleo e prestação de serviços, típico de um posto de combustível. A autoridade fiscal relata que a Recorrente apresentou a DIPJ dos anos- calendários de 2006 e 2007 “zeradas” e na DIPJ do ano-calendário 2008 declarou-se imune à tributação do IRPJ e desobrigada da apuração da CSLL. A Recorrente não contesta essas afirmações, portanto presumem-se verdadeiras. De acordo, ainda, com o que consta no Relatório do Procedimento Fiscal, a empresa não efetuou nenhum pagamento a título de IRPJ ou CSLL, tampouco declarou a compensação de débitos relativos a estes tributos. Também quanto a essa afirmação, não houve contestação da Recorrente. 4.2 Das infrações A autoridade fiscal analisou os Livros Dário e Razão do período fiscalizado apresentados pela Recorrente, e comparando-os com os extratos bancários dos bancos Bradesco e SICREDI, concluiu que a escrituração contábil não retratava adequadamente a movimentação financeira. Também constatou que houve um período no qual não houve registro de venda de Fl. 1666DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 combustível, mas houve movimentação financeira em suas contas bancárias. Por considerar que a escrituração revelava evidente indícios de fraude, vícios, erros e deficiências que a tornavam imprestável para a determinação do lucro ou identificação da efetiva movimentação financeira, a autoridade fiscal arbitrou o lucro, com fundamento no artigo 530 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. 4.2.1 Omissão de receita na revenda de mercadorias, combustíveis e prestação de serviços Com base em valores escriturados em Livros Fiscais, a Autoridade Fiscal constatou omissão de receita na revenda de mercadorias (Infração 1), omissão de receita na prestação de serviços (Infração 2), omissão de receita na revenda de combustível (Infração 3). Os valores das omissões estão discriminados mensalmente no Auto de Infração e consolidados por trimestre na tabela que consta no Relatório de Procedimento Fiscal às e-fls. 7 e 8 e abaixo reproduzido: As informações das receitas acima constam em documentos fiscais juntados pela própria Recorrente às e-fls. 1243 a 1253. Trago à colação, a título de exemplo, os Relatório de Faturamento do ano-calendário de 2006 e o documento fiscal do mesmo período encaminhado à Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul: Fl. 1667DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Fl. 1668DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Quanto a essas omissões de receita, a Recorrente parece concordar, pelo que se depreende do excerto abaixo do recurso voluntário. Inclusive, em sendo mantida a desclassificação da sua escrita fiscal, entende cabível o arbitramento baseado na receita bruta: DA CORRETA BASE PARA EVENTUAL ARBITRAMENTO. DA INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. Ademais, conforme acima mencionado, a atividade é tributada por substituição, o seja, na origem. Conforme o demonstrativo de resultado que abaixo se apresenta, a correta base de cálculo está demonstrada em anexo. O arbitramento até poderia ter lugar, mas de acordo com as bases que se apresenta, vide que a atividade possui margem de lucro extremamente apertada e, por tal razão cabível o arbitramento. Ao que parece, nem mesmo a base do tributação apresentada pelo Fisco parece correta, pois por todos os cálculos, o contribuinte não consegue alcançar o montante apurado pela Receita Federal. Cumpre novamente destacar que é Fl. 1669DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 inarredável a exclusão das movimentações bancárias da conta Bradesco por não se tratar de circulação de riqueza oriunda na atividade, bem como, deve ser excluída a movimentação bancária por conta da circulação de trocas de cheques, cartas de frete entre outras movimentações que não se traduzem em receita ou faturamento. Segue o já demonstrado quadro de receitas brutas operacionais e respectivos valores apurados pelo contribuinte, no caso da desclassificação da escrita dos anos em comento, e sua base de cálculo conforme ampla jurisprudência; Indiscutível que a antiga administração ao que parece, não pagou os tributos decorrentes da atividade o que, aí sim, permitiria hoje o arbitramento baseado em sua receita operacional bruta, como demostrado no quadro acima ou, a cobrança destes amparados na base de tributação oferecida ao Fisco e que, não obstante às alegações de suposta omissão de receita, não logrou a Fiscalização efetivamente desqualificar a escrita com prova substancial de movimentações financeiras incompatíveis com o faturamento do Fundo de Comércio. (grifei) A questão da desqualificação da escrita contábil será enfrentada mais adiante. Além das infrações de omissão de receita acima descritas, a autoridade fiscal imputou mais duas infrações à Recorrente decorrente de presunção legal: omissão de receita por falta de escrituração de pagamentos efetuados (infração 4) e suprimento de caixa por sócios e administradores (infração 5). 4.2.2 Omissão de receita por falta de escrituração de pagamentos A DRJ concluiu que o argumento da Recorrente, que o ex-sócio Bayard Ollé Fischer dos Santos não apresentou as cópias dos cheques emitidos nem a justificativa para tanto no que diz respeito ao movimento financeiro perante o banco Sicredi, não afastava a presunção legal de omissão de receita por falta de escrituração de pagamentos efetuados e que a justificativa de que os pagamentos eram despesas de terceiros não justificava a falha na escrituração, e rejeitou o pedido da Recorrente para que se diligenciasse o terceiro para confirmar o pagamento de suas despesas. Confira-se o fundamento da decisão da DRJ: Fl. 1670DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Já a segunda presunção tem como fato indiciário a não escrituração de pagamentos efetuados, nos termos do art. 12, § 2º, do Decreto-lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, combinado com o art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996. Confira-se: “Art 12 - A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. ... § 2º - O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.” “Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita.” O fundamento dessa presunção repousa na inferência legal de que a não contabilização de pagamentos efetuados teve por meta ocultar pagamentos realizados com recursos mantidos à margem da escrituração, ou seja, com recursos não tributados (omissão de receitas). No caso dos autos, o impugnante alegou que o administrador Bayard Ollé Fischer dos Santos não apresentou as cópias dos cheques emitidos nem a justificativa para tanto no que diz respeito ao movimento financeiro perante o banco Sicredi (fl. 167). Não provou, portanto, a incorreção da inferência legal. Analisando os documentos constantes dos autos é possível verificar a pertinência da conclusão fiscal. Tomo como exemplo o cheque nº 731686 emitido perante o banco Sicredi no dia 9 de abril de 2006, apontado na relação da folha 21, no valor de R$ 32.550,00. Segundo a cópia de cheque constante da folha 461, o referido valor teve como beneficiário Peteba. A escrita do contribuinte, entretanto, não indica esse destino (folha 232). Depois de efetuado o suprimento do caixa com o referido valor, a conta caixa registra diversas outras saídas que não aquela apontada na cópia do cheque. No curso de três anos, a fiscalização identificou o montante de R$ 5.489.613,91 movimentado com pagamentos desse jaez. Como a conta caixa manteve um saldo estável no período com valor máximo em torno de R$ 230 mil, de onde teriam vindo os recursos que deram lastro aos referidos pagamentos? Em linha com a presunção legal, tiveram origem na omissão de receitas. O contribuinte não provou o contrário. Não bastasse isso, qual a alegação principal do impugnante quanto a esse ponto? Que os cheques eram destinados à Rede Peteba. Que o interessado pagava o combustível que seria vendido por aquela rede de postos, um terceiro. Observe-se que os documentos juntados aos autos indicam a quitação de dívida do “P.Combs. Peteba Ltda.”, com endereço na “Rod. RS 129 KM 73, 6930”. O endereço da entidade antes referida é o mesmo da filial criada por Munster Trading do Brasil Ltda. em 1º de novembro de 2006. Os documentos que constam das folhas 641 a 745 são anteriores àquela data. O pagamento de Fl. 1671DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 despesas de terceiros é uma outra irregularidade que não justifica a falha na escrituração do referido pagamento pelo impugnante. Pelo contrário, a fortalece. Assim, sem qualquer propósito o pedido do contribuinte para que se busque perante o terceiro a prova do pagamento que teria sido efetuado pelo contribuinte em favor desse terceiro. No recurso voluntário, a Recorrente reprisou seus argumentos apresentados na impugnação, ratificando que os pagamentos foram realizados para a Rede de Postos Peteba, Alega que adquiriu o fundo de comércio daquela rede de postos em Venâncio Aires, bem como da filial localizada no município de Encantando, e que a venda de combustíveis foram registradas nos livros diários, tendo sido escrituradas na então Munster Trading do Brasil (antiga razão social da Recorrente): Ressalta-se que houve a compra do fundo de comércio desta antiga rede em Venâncio Aires assim como da unidade de Encantado quando migrou no ano de 2008, encerrando a atividade em Venâncio Aires. Ainda, a venda de combustíveis de todas as compras através da Rede Peteba está registrado nos livros diários e todas as vendas de combustíveis saíram pela então Munster Trading do Brasil Ltda (reduções z), e fazem parte da Receita Bruta operacional, portanto não há de se falar em omissão de receitas quanto a todas estas compras A Recorrente aduz que o FISCO se utilizou da presunção de omissão de receita por pagamento não escriturado porque teria “deixado no ar” que a Recorrente compraria combustível através da Rede Peteba e venderia através de seus estabelecimentos, dessa forma caracterizando omissão de receita: Houve erro de autuação quando o Fisco se utilizou de pagamentos feito a rede Peteba, assim como outros pagamentos baseado nos extratos bancários como omissão de receitas operacionais. Ou seja, como o exemplo dos pagamentos ao Peteba, tentam ensejar e deixar "no ar" que o ora impugnante, compraria combustível através desta rede Peteba e venderia através de seu estabelecimento, assim caracterizando omissão de receitas, e desta forma majoraram a base de tributação em cima da receita bruta operacional como se todo e qualquer cheque que não foi conseguido explicar o seu destino fosse "omissão de receita". A Recorrente justifica os pagamentos das despesas da Rede Peteba com o argumento de que foi um procedimento adotado pelos antigos administradores para início de atividade da empresa até a outorga de alvarás e registro junto aos fornecedores, e que não houve omissão de receita porque a tributação ocorreu na pessoa jurídica até então existente e que foi sucedida: Pelo que se denota do depoimento do então sócio Luiz Antônio Villa, a compra de combustíveis em nome da rede incorporada "Postos PETEBA" foi procedimento adotado pelos antigos administradores para início das atividades até a outorga dos alvarás e registros junto aos fornecedores. Neste caso, não houve omissão, pois houve tributação na pessoa jurídica até então existente a qual foi sucedida. Fl. 1672DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Segundo a Recorrente, ela conseguiu identificar pagamentos citados pela Fiscalização no Anexo III da autuação, que correspondiam a compra de combustível junto à Rede de Posto Peteba: A descaracterizar a presunção da Receita é o fato de que na impugnação. a contribuinte sucessora logrou identificar, por amostragem, duplicatas que constavam no anexo III da autuação. Todas correspondiam a compra de combustível junto à Rede PETEBA. Ora, a revenda de combustível não é ilegal. A contribuinte em esforço hercúleo identificou pagamentos apontados pela Receita no citado anexo, que chegam a R$ 685.901,19.. A Recorrente defende que os pagamentos foram realizados à Rede Peteba para pagamento de combustíveis então comprados daquele rede de Postos, comprovados com cópia das duplicatas juntadas aos autos, até o momento da aquisição de fato do “Fundo de Comércio”, tanto que posteriormente o local passou a ser filial da Munster Trading do Brasil Ltda: Nitidamente, a autuação passou por uma presunção, por um -achometro" da Receita. Pois além de presumir, a Receita se omitiu no seu dever de fiscalização de Oficio quando a contribuinte requereu sua atuação para perquirir a prova complementar que arredaria totalmente a tese de omissão nos pagamentos realizados a Rede de Postos PETEBA. O Relator comenta sobre o cheque n° 731686 que paga pagamento do referido Posto. O próprio Fisco aponta o destino. (grifos no original) Então, não há pagamento inominado, mas sim, erro formal na ausência de escrituração destino, mas não, omissão de receita, pois este pagamento esteve registrado. Neste caso, não há pagamento de despesas de terceiro, mas sim, despesas da própria atividade, pois até a regularização dos registros, já havia se dado a aquisição de fato do Fundo de Comércio anteriormente intitulado Posto PETEBA, pela então sócia da contribuinte, Munster Trading. Tanto é que posteriormente, foi regularizada a situação passando aquele local a ser filial da Munster Trading do Brasil Ltda. Entendo que os fatos e os documentos juntados pela própria Recorrente não corroboram seus argumentos. Explico. Os cheques emitidos sem o registro dos pagamentos na contabilidade foi confirmado pela própria Recorrente, que alega que teriam sido emitidos para pagamento de despesa de terceiros (Rede de Postos Peteba). A confissão de que os pagamentos não escriturados foram de despesas de terceiros já seria suficiente para considerar como omissão de receita, pois de onde teria vindo a receita para tais pagamentos? Por outro lado, a Recorrente juntou boletos de pagamento às e-fls. 641 a 807, tentando comprovar que seriam correspondentes aos cheques sem identificação de pagamento relacionados no Anexo III da Fiscalização e que teriam sido destinados à pagamento pela compra de combustível da Rede Peteba. Primeiramente, a Recorrente não apresentou nenhum documento que relacionasse os boletos com os cheques emitidos sem identificação na contabilidade (Anexo III). Fl. 1673DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Segundo, este Relator tentou verificar, de forma aleatória e por amostragem, se havia correspondência entre os valores dos cheques emitidos (anexo III) e os boletos, não encontrando nenhuma relação. Os boletos foram juntados sem nenhum preocupação em verificar se tinham relação com a Rede de Combustíveis Peteba, como pode ser visto na cópia do boleto abaixo, juntado à e-fl. 667, cujo pagamento foi realizado pela Farmácia Ironi (CNPJ 06.257.978/0001- 10), com pagamento realizado em dinheiro: Há também documento juntado com comprovante de pagamento do boleto realizado no Banco do Brasil, e portanto não poderia ter sido por cheque emitido de um dos bancos onde a Recorrente mantinha conta e relacionados no Anexo III (Bradesco, Banrisul e SICREDI), conforme se verifica de cópia do documentos juntado à e-fl. 646: Há que recordar que a Recorrente afastou a hipótese de que compraria combustível da Rede Peteba e os venderia através de seu estabelecimento e que foi por esse motivo que a Receita teria considerado os pagamentos como omissão de receita: Fl. 1674DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Houve erro de autuação quando o Fisco se utilizou de pagamentos feito a rede Peteba, assim como outros pagamentos baseado nos extratos bancários como omissão de receitas operacionais. Ou seja, como o exemplo dos pagamentos ao Peteba, tentam ensejar e deixar "no ar" que o ora impugnante, compraria combustível através desta rede Peteba e venderia através de seu estabelecimento, assim caracterizando omissão de receitas, e desta forma majoraram a base de tributação em cima da receita bruta operacional como se todo e qualquer cheque que não foi conseguido explicar o seu destino fosse "omissão de receita". Mera análise da capacidade de armazenagem dos tanques de combustível do estabelecimento, com o volume total comprado mensalmente nos período em questão, lançados nos obrigatórios livros LMC, afastaria a tese sem fundamento lançada pelo Fisco acerca da suposta omissão de receita da atividade fim, de que nunca houve uma compra maior que a capacidade física de armazenamento de combustíveis do estabelecimento e, portanto, não houve a omissão de receitas operacionais quanto a atividade fim ou para a atividade fim, a venda de combustíveis. Ora, se de fato a Recorrente adquiriu combustível da Rede Peteba, então a comprovação seria através de nota fiscal emitida em seu nome pela Rede Peteba. A nota fiscal deveria estar de posse e em boa guarda pela Recorrente para eventual apresentação quando exigido pelo FISCO. Não há que se falar em obrigação do FISCO em abrir procedimento para confirmar os pagamentos à Rede Peteba alegado pela Recorrente. O ônus de comprovar a alegação que adquiriu combustíveis da Rede Peteba é da Recorrente. Conclui-se, portanto, que a Recorrente não logrou comprovar os pagamentos realizados sem a devida escrituração, devendo ser mantida a presunção de omissão de receita. 4.2.3 Omissão de receita por suprimento de caixa por sócios e administradores A infração 5 (omissão de receita por suprimento de caixa por sócios e administradores) foi decorrente da falta de comprovação da efetiva entrega de recursos à Recorrente, escriturado como empréstimos recebidos da então sócia Munster Trading Corp. sociedade Anonima. Transcrevo o fundamento fático e jurídico da autuação, de acordo com o descrito no Relatório de Procedimento Fiscal ( 7.2 Dos empréstimos contabilizados da sócia Munster Trading Corp. Sociedad Anônima. A partir de janeiro de 2007 a empresa contabilizou supostos empréstimos efetuados junto a sua sócia em epígrafe, com sede no Uruguai, mediante lançamentos contábeis de entrada no Caixa. Referidos empréstimos foram registrados na conta "2.1.3.1.004 TITULOS A PAGAR", cujo saldo em 31/12/2007 era de R$ 934.600,33, permanecendo inalterado durante o ano de 2008 (cópias anexas). Intimada a apresentar os documentos que lastrearam estes lançamentos contábeis, a empresa silenciou. Examinando mais atentamente a contabilidade e cotejando-a com as contas bancárias, conseguimos identificar que grande parte dos ditos empréstimos Fl. 1675DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 ingressaram na empresa por meio da conta bancária mantida no Bradesco, Agência Florencio Ygartua, em Porto Alegre. A título de exemplo, por ser mais significativo, elencamos o suposto empréstimo contabilizado em 11.04.2007, no valor de R$ 310.000,00 (trezentos e dez mil reais), de fato, segundo o histórico existente no extrato da conta corrente, trata-se de um TED-transferência eletrônica cujo remetente é a empresa Comércio C. Volken. Portanto, não tem origem na sócia em epígrafe. Deste depósito, no dia seguinte, em 12.04.2007, o valor de R$ 305.000,00 (trezentos e cinco mil reais) foi aplicado em conta de investimentos (ver extrato da conta corrente e de investimentos do Bradesco). Da mesma forma, foi possível identificar nos extratos da conta corrente do Bradesco que parte dos supostos empréstimos contabilizados, na verdade, eram transferências originadas de outras empresas nacionais, de pessoas físicas ou de depósitos em cheques, não oriundos da sócia Munster Trading Corp. Sociedad Anônima, que como referido acima é uma empresa com sede no Uruguai. Exemplificamos: Note-se que na resposta com data de 11.07.2011, a empresa informa que esta conta no Bradesco era movimentada pelo Sr. Bayard 011é Fischer Santos, que nunca teria apresentado cópias dos cheques ou justificativas para as emissões. Não tendo a empresa comprovado com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a efetiva entrega pela sócia dos recursos à empresa ora fiscalizada e, acrescentando os fatos expostos acima, ou seja, de que os recursos se originavam de outras pessoas jurídicas e físicas que não da sócia, configura-se a ocorrência de omissão de receita prevista nos artigos 282 e 287 do RIR/99, acarretando o lançamento de ofício dos valores contabilizados como empréstimos, os quais estão relacionados no ANEXO II: (...) De acordo com o artigo 537 do RIR/99, verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei no 9.249, de 1995, art. 24). O parágrafo único, estabelece, ainda, que no caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que Fl. 1676DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei no 9.249, de 1995, art. 24, § 10). A empresa além da venda de combustíveis, revendia outros produtos, assim como prestava serviços enumerados no item 5 deste. Cada atividade com alíquotas diferentes para apuração da base de cálculo. Sendo assim, com fundamento no parágrafo único do artigo 537, a receita omitida será tributada utilizando-se o percentual mais elevado, ou seja, o de prestação de serviços. Na impugnação a Recorrente alegou que a responsabilidade pela movimentação financeira era do procurador da ex-sócia Munster Trading Sociedad Anomima, Bayrad Ollé Fischer dos Santos, que utilizava as contas bancarias para movimentar recursos que tinham origem em sua atividade como médico em clínica de sua propriedade. A DRJ manteve a presunção de omissão de receita porque a Recorrente não comprovou o que havia alegado, i.e, que a movimentação em contas bancárias de sua titularidade eram na verdade movimentação financeira de terceiro: Esses extratos apontam a movimentação financeira do contribuinte (Munster Trading do Brasil Ltda. e depois renomeada para Posto Chimarrão do Brasil Ltda. – ME) perante a instituição financeira, sendo obrigação dele o conhecimento e a justificação dessa movimentação. Não se pede que o contribuinte “adivinhe” o propósito da movimentação financeira de um terceiro, mas que esclareça a movimentação realizada em seu nome perante uma instituição financeira. Presumida a omissão de receita, cabe ao contribuinte provar que a movimentação era de terceiro, não ao fisco. Os documentos apresentados não atestam que os valores movimentados por meio das contas bancárias de titularidade do impugnante diziam respeito a terceiro, consoante alegado. Cálculos econômicos não se consubstanciam em provas para fins de elidir a presunção, pois não apontam para o pretenso beneficiário da movimentação financeira. No recurso voluntário, a Recorrente ratifica que a responsabilidade pela fraude na escrituração de empréstimo inexistente da ex-sócia Munster Tradins Sociedad Anonima ao sr. Bayrad Ollé Fischer dos Santos: Os fatos apurados pela Receita dão conta de suposta omissão de receitas não operacionais, não relacionadas ao Fundo de Comércio, praticada, segundo depoimentos testemunhas e provas documentais colhidas pelos ex-sócios ou representantes de ex-sócios e ex-administradores. Ora, se houve conduta subjetiva e, ao que parece houve pelas provas colhidas pelo Fisco, pressupõe-se uma conduta dolosa no intuito de fraudar. Aliás, salutar trazer à luz comentário do relator ao reconhecer a inexistência de empréstimos realizados pelo sócio estrangeiro que, em verdade, tratava-se de estratagema do antigo procurador do sócio estrangeiro e, verdadeiro administrador da contribuinte recorrente no período apontado no auto de infração, para dar origem a recursos pessoais, advindos do exercício regular e legal, de sua atividade como médico. Não se pode olvidar que estamos tratando da responsabilidade por infrações, diferente do tratamento dado pela Receita no julgamento do Acórdão supracitado pela 13 Turma da DRJ/P0A. Neste ponto, cumpre trazer alguns Fl. 1677DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 conceitos atinentes ao tema em estudo. Nessa seara impossível deixar de mencionar o mestre Rubens Requião tocante ao conceito de fundo de comércio, in verbis: "O fundo de comércio ou estabelecimento comercial é o instrumento da atividade do empresário. Com ele o empresário comercial aparelha-se para exercer sua atividade. Forma o fundo de comércio a base física da empresa constituindo um instrumento da atividade empresarial. O Código italiano o define como o complexo dos bens organi:ados pelo empresário, para o exercício da empresa. (..) Compõe-se o estabelecimento comercial de elementos corpóreos e incorpóreos, que o empresário comercial une para o exercício de sua atividade." A celeuma para análise da transferência da responsabilidade tributária nasce da autuação sobre receitas não operacionais, leia-se, estranhas ao Fundo de Comércio, que dele não advém, direta ou indiretamente. Para tanto, impende destacar que a fiscalização se baseou em documento tido como inidôneo pela jurisprudência para fundamentar a presunção de omissão de receita, qual seja extrato bancário. Tal conduta além de arbitrária comprova que a base supostamente apurada é estranha ao Fundo de Comércio. As movimentações bancárias inominadas ou não identificadas como se apurou, provém de movimentações exclusivamente praticadas pelo então procurador da ex-sócia Munster Trading Sociedad Anonima, senhor Bayard 011é F. dos Santos, movimentações estas que dava-se estritamente em sua pessoa física, mas que eram jogadas para a jurídica da qual sua constituinte era sócia, possivelmente, para ocultar receita ou escapar do Fisco. Diante a ausência de aferição da Receita Federal que detinha o poder integral para assim agir, não há como remeter ao contribuinte recorrente o peso da sucessão tributária por atos de suposta sonegação fiscal de receitas não operacionais, diga-se, receitas estranhas ao Fundo de Comércio. Ora, ao se fazer isto, em verdade, a recorrente estará quitando Imposto de Renda sobre valores que não são e nunca foram oriundos de seu faturamento. Renova-se o fato de que o ramo de atividade do Fundo de Comércio é tributado pela sistemática da substituição. É a chamada substituição para frente onde o substituto antecipa o pagamento por fato gerador futuro. Logo, os combustíveis são tributados na origem. Logo, como conceber omissão de receita operacional sem que tenha ingressado nos tanques do contribuinte, o produto para revenda? O próprio Supremo Tribunal Federal consolidou posição no sentido de que, na substituição para frente, uma vez realizado o fato gerador "presumido", a base de cálculo presumida torna-se definitiva, não cabendo devolução de eventuais diferenças entre o tributo que foi pago e o tributo que seria devido se o calculo fosse feito com base no valor real da operação (AD1MC 1851-AL e RE 213.396/SP). Assim sendo, em casos de possível ou suposta de omissões de receitas, causa alta indagação a atuação com dolo do agente que pretende praticar ato faltoso do ponto de vista fiscal. Logo, tratando-se de uma conduta subjetiva, não há dúvidas do cabimento da aplicação das exceções dos artigos 135 e 137 do CTN que estão previstos para casos desta natureza. Fl. 1678DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Como se verifica , também no recurso voluntário a Recorrente não comprovou a origem dos recursos depositados e escriturados como empréstimo de sócios, alegando que a movimentação financeira era realizada pelo representante de sua ex-sócia e a ele pertenciam, mas não apresentou comprovação do que alegou. Além das razões de defesa acima detalhados e analisados, a Recorrente apresenta outros argumentos em extenso e prolixo arrazoado ao longo de todo o recurso voluntário, que podem ser assim resumidos: 1 – ratifica que a movimentação financeira constatada nas contas bancárias de titularidade da Recorrente eram, na verdade, movimentação de recursos do procurador da ex- sócia Munster Trading Sociedad Anonima, e que por se ter sido constatada conduta dolosa de ex- sócios e administradores, com nítido caráter pessoal do agente, não caberia a atribuição de responsabilidade da empresa Recorrente; 2 – aduz que os extratos bancários utilizados pela Fiscalização para fundamentar a presunção de omissão de receita não são documentos idôneos para sustentar o lançamento; 3 – afirma que não sabia da movimentação financeira levada a efeito pelo procurador da ex-sócia Munster Trading Sociedad Anonima, de modo que não poderia ser compelido a justificá-la, sendo que seria do FISCO o ônus de provar a omissão de receita por presunção; 4 – defende que não se poderia caracterizar omissão de receita da atividade operacional da Recorrente, tendo em vista que a atividade da Recorrente é a venda de combustível, que na sistemática de substituição tributária é tributada na origem. 5 – Irresigna-se contra o arbitramento do lucro afirmando que tem efeito confiscatório, o que é vedado constitucionalmente; que em vez de utilizar depósitos bancários como base para o arbitramento deveria considerar como base sinais exteriores de riqueza; que nenhuma das hipóteses que ensejam a apuração do lucro por arbitramento (saldo credor de caixa, falta de escrituração de pagamentos ou manutenção de obrigações pagas) fora comprovada nos autos; que o lucro poderia ser apurado a partir de documentos fiscais (“redução z” emitidos pelos emissores de cupons fiscais) e que o FISCO utilizou como se fosse receita de serviços a base de cálculo do lucro para ampliá-lo. Passo a analisar cada um dos argumentos. Em relação ao argumento de que os recurso movimentados em contas bancárias de titularidade da Recorrente eram na verdade da pessoa física do sr. Ollé Fischer dos Santos, a Recorrente não comprova a sua alegação, como já afirmado anteriormente. As cópias de cheques juntadas às e-fls. 1266 a 1390 apenas indicam que os cheques teriam sido provavelmente assinados pelo então procurador da ex-sócia Munster Trading Sociedad Anonima, nada além disso. Não há nenhuma comprovação de que os cheques seriam movimentação pessoal do sr. Bayard. O sr. Luiz Antonio Villa foi sócio-administrador no período de 17/11/2006 a 10/06/2008 , foi quem assinou como sócio os livros contábeis e quem assinou o Termo de Início Fl. 1679DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 de Procedimento Fiscal em 15/10/2010 e assinou também a procuração outorgada ao sr. Bayard para administração da Recorrente, conforme cópia juntada às e-fls. 137 a 139. Portanto sabia, ou devida saber que a escrituração contábil não traduzia a real movimentação bancária da empresa. A Recorrente defende que por ter sido caracterizado conduta dolosa pessoal dos ex-sócios e ex-administradores, nos termos do artigo 35 e 137 do CTN, então deferia ser afastada a sujeição passiva da empresa Recorrente: Ora, os fatos apurados denotam condutas tipicamente subjetivas o que impossibilita a transposição da obrigação tributária aos novos sócios e gestores. São questões que estavam ocultas na contabilidade e não podiam ser apuradas de plano pelos sucessores quando da recompra da sociedade em maio de 2010, pelo sócio Rodrigo Fischer, pois conforme confessado, a contabilidade fora maquiada. Com base no citado artigo, somado à farta prova documental e testemunhal, ambas inequívocas, inarredável se queda a aplicação da previsão do artigo 135, do CTN que traz a responsabilidade por substituição pessoal, em face de suposta e possível atuação irregular afastando-se o contribuinte direto e original, que seria a empresa recorrente, para o ingresso dos sócios à época dos fatos, diretores, gerentes da empresa, para que respondam com seu próprio patrimônio. No caso, é aplicável a regra do artigo 50° do Código Civil Brasileiro com relação à desconsideração da personalidade jurídica ante eventual ato doloso praticado contra terceiros, no caso, contra o Fisco Nacional devendo a obrigação tributária recair sobre aqueles assim praticaram. Estamos diante de um caso de exceção. Desta feita, a responsabilidade "pessoalizada" do art. 135, CTN deve ser provada. O art. 135, CTN prevê a responsabilização por atos ilícitos. Os atos omissivos, apenas a título de exemplo, aparecem no caput e incisos do art. 134, CTN podendo a omissão ser lícita no caso de admitirmos o beneficio de ordem. Se a omissão foi ilícita, pode, ainda, ser apenas culposa. O art. 135, CTN, todavia, é nítido caso de responsabilidade dolosa e comissiva por substituição pessoal. Outrossim, também inarredável colacionar a previsão do artigo 137, do CTN: (...) Observe-se que é a Recorrente quem está tentando imputar a terceiro crédito tributário próprio. Os ilícitos constatados pela Fiscalização com base na escrituração contábil e nos extratos bancários não foram ilididos pela Recorrente. Se havia ou não conhecimento dos supostos ilícitos, que a Recorrente atribui a terceiros, por parte dos então sócios e administradores é fato que não compete ao FISCO apurar. E não se pode atribuir a terceiro a responsabilidade que é da Recorrente, nos termos do artigo 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas Fl. 1680DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes." Mesmo em se tratando de ilícito no qual se constata a responsabilidade pessoal dos administradores, de acordo com o artigo 135 do CTN, não se pode eximir a sujeição passiva da pessoa jurídica, conforme inteligência da Súmula CARF vinculante n° 130: Súmula CARF nº 130 A atribuição de responsabilidade a terceiros com fundamento no art. 135, inciso III, do CTN não exclui a pessoa jurídica do pólo passivo da obrigação tributária. Acórdãos Precedentes: 9101-002.605, 1202-00.740, 1302-002.549, 1302-002.788, 1302-003.215, 1401-002.049, 1401-002.888, 2802-00.641 e 3201-002.186. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). Quanto ao argumento da Recorrente que o extrato bancário utilizado pela Fiscalização para fundamentar a presunção de omissão de receita não são documentos idôneo para sustentar o lançamento não lhe assiste razão. O extrato bancário é um documento emitido pelas instituições financeiras para demonstrar ao titular da conta bancária os lançamentos realizados a débito e a crédito e o saldo, para fins de conhecimento e acompanhamento pelo seu titular. É com base no extrato bancário que a empresa faz a conciliação dos lançamentos da conta “banco” da contabilidade. Portanto sendo o extrato bancário o documento que fundamenta os lançamentos havidos na contabilidade, deve ser mantido para fins de comprovação dos lançamentos, nos termos do inciso III do artigo 527 do RIR/99, então vigente: Art. 527.A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I - escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II - Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano-calendário; III - em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Portanto rejeito o argumento de inidoneidade do extrato bancário para comprovação da movimentação financeira. Fl. 1681DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Também aqui não assiste razão à Recorrente quanto ao argumento de que não sabia da movimentação financeira levada a efeito pelo procurador da ex-sócia Munster Trading Sociedad Anonima, e que caberia ao FISCO o ônus de comprovar a omissão de receita decorrente daquelas movimentações. A movimentação financeira constata pela Autoridade Fiscal, do que decorreu a presunção de omissão de receita, foram realizadas em contas bancárias de titularidade da Recorrente. Não há dúvida nenhuma deste fato, e a Recorrente não contesta. Apenas alega que teria sido movimentada pelo procurador Baylard, da ex-sócia sem seu conhecimento. Ora, as contas bancárias eram de titularidade da Recorrente, as movimentações foram realizadas pelo ex-sócio e administrador, ou então com procuração legalmente outorgada, de modo que não pode ser afastada a responsabilidade da pessoa jurídica titular das contas bancárias. Foi correto o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal que intimou a Recorrente a comprovar a origem dos depósitos efetuados nas suas contas bancárias, escriturados como empréstimos da sócia Munster Trading Sociedad Anonima. Em resposta à intimação a Recorrente afirmou que “esta conta no Bradesco era movimentada pelo Sr. Bayard 011é Fischer Santos, que nunca teria apresentado cópias dos cheques ou justificativas para as emissões” Neste caso, a Autoridade Fiscal constatou movimentação financeira incompatível com a escrituração contábil, invertendo-se o ônus da prova, cabendo à contribuinte a comprovação da origem dos recursos. Não tendo comprovado a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, o art. 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receita, verbis: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não há que se falar em ilegalidade do artigo 42 da lei n° 9.430/96 ou tampouco que este dispositivo legal contraria o determinado no artigo 142 do CTN, eis que este dispositivo legal estabelece a competência da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário. Foi o Auditor Fiscal, autoridade competente quem lavrou o Auto de Infração, com base em disposição expressa na lei, artigo 42 da lei n° 9.430/96. Quanto ao argumento da Recorrente que não se poderia caracterizar omissão de receita da atividade operacional porque a atividade da Recorrente é a venda de combustível, e na sistemática de substituição tributária é tributada na origem, também não é hábil para afastar os lançamentos por omissão de receita. É que a substituição tributária a que a Recorrente se refere se trata de tributação sobre o consumo (ICMS), de competência dos estados e não tem a ver com a tributação sobre lucro, de competência da União. Fl. 1682DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Fica evidente que a Recorrente declarou e eventualmente houve a tributação sobre os combustíveis por substituição tributária, de acordo com as declarações encaminhadas à Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, conforme cópia daquelas declarações juntadas às e-fls. 1243 a 1251. Contudo as declarações encaminhadas pela Recorrente à Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul reforça que em relação a receita da venda desses combustíveis não houve o oferecimento à tributação do tributos sobre o lucro e das contribuições sociais. Portanto, não tendo sido comprovada o suprimento de caixa escriturado na contabilidade e não comprovada da origem dos recursos depositados nas contas bancárias da Recorrente, há que ser mantida a presunção de omissão de receita com fundamento nos artigos 282 e 287 do RIR/99. Finalmente, quanto a irresignação da Recorrente com o arbitramento, insta salientar que o arbitramento foi decorrente da constatação pela autoridade fiscal que a escrituração contábil continha indícios de fraude, vícios e erros que a tornavam imprestável para a determinação do lucro real ou identificação da efetiva movimentação financeira, conforme dispunha o artigo 520 do RIR/99, então vigente. Vale consignar que, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi fartamente constatado a falta de escrituração de pagamentos realizados e a fraude com a escrituração de entrada fictícia de recurso de empréstimos de sócio, o que, de per si, já seria suficiente para justificar o arbitramento do lucro. E também não há fundamento legal que autorize o arbitramento do lucro com base em sinais exteriores de riqueza como defende a Recorrente. E parece que a própria Recorrente parece concordar com o arbitramento do lucro, caso seja desclassificada sua escrita contábil (o que de fato está ocorrendo), concordando que suas administrações anteriores não teriam pago os tributos devidos. A Recorrente oferece apuração pelo lucro arbitrado, conforme se verifica à e-fl. 1219: Segue o já demonstrado quadro de receitas brutas operacionais e respectivos valores apurados pelo contribuinte, no caso da desclassificação da escrita dos anos em comento, e sua base de cálculo conforme ampla jurisprudência; Fl. 1683DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 Indiscutível que a antiga administração ao que parece, não pagou os tributos decorrentes da atividade o que, aí sim, permitiria hoje o arbitramento baseado em sua receita operacional bruta, como demostrado no quadro acima ou, a cobrança destes amparados na base de tributação oferecida ao Fisco e que, não obstante às alegações de suposta omissão de receita, não logrou a Fiscalização efetivamente desqualificar a escrita com prova substancial de movimentações financeiras incompatíveis com o faturamento do Fundo de Comércio. (grifei) A Recorrente alega que o FISCO alargou a base de cálculo por considerar como receita de prestação de serviço, cuja alíquota é maior do que a revenda de combustível. Sem razão a Recorrente. A Autoridade Fiscal utilizou como base para o arbitramento informações que constavam no demonstrativo de resultados da Recorrente, nos quais estavam identificados as receitas na venda de combustível, na revenda de mercadorias e na prestação de serviços, conforme consta no Anexo I (e-fl. 16), abaixo reproduzido: No caso de omissão de receita, a aplicação de percentual diferenciado para apuração da base de cálculo decorre do exercício de atividade diversificada da Recorrente, e por não se identificar qual atividade se refere a receita omitida, o percentual utilizado para apuração da base de cálculo foi a da maior atividade, nos termos dos artigos 532 e 537 do RIR/99, conforme o excerto abaixo do Relatório de Procedimento Fiscal: Não tendo a empresa comprovado com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a efetiva entrega pela sócia dos recursos à empresa ora fiscalizada e, acrescentando os fatos expostos acima, ou seja, de que os recursos se originavam de outras pessoas jurídicas e físicas que não da sócia, configura-se a ocorrência de omissão de receita prevista nos artigos 282 e 287 do RIR/99, acarretando o lançamento de ofício dos valores contabilizados como empréstimos, os quais estão relacionados no ANEXO II: Fl. 1684DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 (...) De acordo com o artigo 537 do RIR/99, verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 532 (Lei no 9.249, de 1995, art. 24). O parágrafo único, estabelece, ainda, que no caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei no 9.249, de 1995, art. 24, § 10). A empresa além da venda de combustíveis, revendia outros produtos, assim como prestava serviços enumerados no item 5 deste. Cada atividade com alíquotas diferentes para apuração da base de cálculo. Sendo assim, com fundamento no parágrafo único do artigo 537, a receita omitida será tributada utilizando-se o percentual mais elevado, ou seja, o de prestação de serviços. Considerando que no caso do arbitramento a base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal foi com base no demonstrativo de resultado elaborado pela própria Recorrente e no caso de omissão de receita por presunção legal, a alíquota utilizada foi a de serviços, por não ser possível identificar a qual das atividades de referia a receita omitida, com fundamento nos artigos dos artigos 532 e 537 do RIR/99, correto o procedimento da Fiscalização. 5. Da multa qualificada Foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, prevista no art. 44, Inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96 (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007), pelo fato da contribuinte não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco durante anos consecutivos, (zerando seus campos ou indicando ser imune ao IRPJ), tendo a Autoridade Fiscal considerado como prática dolosa a ensejar a aplicação de multa de ofício duplicada pela ocorrência de sonegação e fraude previstas nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964. Em sua defesa a Recorrente alega que a conduta dolosa não foi praticada pela empresa, mas por ex-sócios com intuito de fraude e reclama de inconstitucionalidade e abusividade da multa. Ficou sobejamente comprovado no decorrer do voto as fraudes e a prática de conduta dolosa, e a Recorrente reconhece as fraudes constatadas., Ocorre, porém, que em setembro de 2023 houve alteração legislativa em relação à qualificação da multa, que alterou o percentual da multa qualificada, reduzindo-a para 100%, no termos do art. 8º da Lei n° 14.689/23, segundo a redação abaixo transcrita: Art. 8º O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 44. ................................................................................. ......................................................................................................... § 1ºO percentual de multa de que trata o inciso I docaput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 1685DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 1302-007.049 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13005.721789/2011-07 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: ......................................................................................................... VI –100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; Por tratar-se de penalidade e em decorrência da retroatividade benigna, prevista no art. 106, II, “c” do CTN, a multa qualificada aplicada deve ser reduzida para o patamar de 100%. Quanto a arguição de inconstitucionalidade da multa, o CARF não tem competência para pronunciar-se, nos termos da Súmula CARF n° 2 2 . 6. Tributação reflexa de CSLL, PIS e COFINS Por se tratar de lançamentos de ofício decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplica-se o decido em relação ao mérito relativo àquele tributo. Conclusão Por todo o exposto, não conheço do recurso apresentado por Bayard Ollé Fischer dos Santos por deficiência na representação processual, conheço parcialmente o recurso voluntário apresentado por Posto Chimarrão do Brasil Ltda-ME, deixando de conhecer das alegações relacionadas à responsabilidade tributária do sócio Rodrigo Fischer; e, em relação à parcela conhecida, em rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas, para reduzir o valor da multa de ofício qualificada ao percentual de 100% (cem por cento). (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama 2 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1686DF CARF MF Original

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4609537 #
Numero do processo: 13805.010816/97-51
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS COM DÉBITOS DE PIS E DE COFINS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O transcurso do prazo de 05 (cinco) anos entre a data dos pedidos de restituição e declarações de compensação de créditos e a decisão administrativa que não as homologa implica no reconhecimento de ofício das compensações. Recurso provido.
Numero da decisão: 204-00.072
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: FLAVIO DE SÁ MUNHOZ

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Dia,io OficJal r' '~ó de ,:j,5 I l11F 1-'R_ ~Ld Recorrente Recorrida LEMAR S.A. COMÉRCIO E SERVIÇOS DE AUTOMÓVEIS DRJ em São Paulo - SP -,--,-"-,---~-""_..,--..,,---:,':-:,~-1 ." .. ~~,, '" I." : - , _ ...•••.-......" ~~-~.~'.,. "'-""""'._".~_.~,w.' B~~lir;Ei~;:.rW; O q"Gli'lf<c i_-~~LJ-ah:J PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE PIS COM DÉBITOS DE PIS E DE COFINS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O transcurso do prazo de 05 (cinco) anos entre a .data dos pedidos de restituição e declarações de compensação de créditos e a decisão administrativa que não as homologa implica no reconhecimento de oficio das compensações. Recurso provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: LEMAR S.A. COMÉRCIO E SERVIÇOS DE AUTOMÓVEIS. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de abril de 2005 ,~ .~<- ;?,-4q,w~,,-?'. Henrique Pinheiro Torres presidente 't~ F:áViOde Sá Munhoz "f/ relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. Imp/fclb ., • Processo nºRecurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda SegundoConselhodeContribuintes 13805.010816/97-51 128.002 204-00.072 ---"., .•." «"~.".•.•", 21.!.~.~;~_f!:;«';:. :,,;; :.~A.=~~'j~J;f''{KJ VISTO'.-- I "CCM' IFI. Recorrente LEMAR S.A. COMÉRCIO E SERVIÇOS DE AUTOMÓVEIS RELÀTÓRIO • A Recorrente protocolou, em 13/10/1997, pedidiY"é1erestituição aéompanhado de pedido de compensação (fls. 01, 02 e 41) em decorrência de recolhimentos indevidos procedidos a título de Contribuição ao PIS, nos períodos de apuração de julho de 1988 a dezembro de 1991. o pedido de restituição se refere aos pagamentos realizados pela contribuinte com base nos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, cuja execução foi suspensa pela Resolução do Senado Federal n° 49/95, publicada no Diário Oficial em 10 de outubro de 1995. As parcelas de PIS e Cofins recolhidas mediante compensação se referem aos períodos de apuração de 09/1997 e 10/1997. A autoridade administrativa indeferiu o pleito de restituição (fl. 324), através de decisão proferida em 28/1112002, com base no Despacho Decisório (fls. 315/323), sob o fundamento de que "o direito de pleitear. a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário ". Além disso, a decisão proferida afirmou que "contribui para a invalidação do pedido ofato de que a partir da edição da Lei nO 7.691/88, não mais subsiste o prazo de seis meses entre o fato gerador e o pagamento da contribuição ao PIS". Referida decisão adotou, portanto, em relação ao prazo para a repetição do indébito tributário, o disposto no Ato Declaratório SRF n° 096/1999. Intimada da decisão, a ora recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que, "tratando-sede tributo cujo recolhimento indevido se funda na suspensão da execução da legislação regente por Resolução do Senado Federal (Resolução nO 49, de 10/10/95), o termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedir restituição/compensação dos valores é de cinco anos contados da data em que o contribuinte viu o seu direito reconhecido, ou seja, da publicação da Resolução referida (10/10/95) ", conforme decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes. Os débitos compensados foram transferidos para o processo n° 13807.001171/2003-73 (fl. 344). Posteriormente, o processo foi encaminhado para aprecIaçao da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, que manteve o.indeferimento -do pedido de restituição, ao entendimento de que o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado a partir I( 2 J Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13805.010816/97-51 128.002 204-00.072 • dos recolhimentos indevidos, e que não havia valor a ser restituido posto que a base de cálculo do PIS não seria o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Contra esta decisão, a contribuinte interpôs competente recurso voluntário, reiterando suas razões no sentido de que, ainda que o prazo para a repetição do indébito fosse de cinco anos, o início de sua contagem seria a data de publicação da Resolução nO49/95, conforme decisões proferidas por este Eg. Segundo Conselho de Contribuintes. A contribuinte requereu a aplicação de correção monetária dos saldos com base na OTN, BTN, FAP e UFIR, sucessivamente (fi. 126). É o relatório ../ 3 2.QCC-MF FI. • VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FLÁVIO DE SÁ MUNHOZ O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Primeiramente é importante ressaltar que a Recorrente protocolou pedido de restituição em 13/10/1997, o qual só foi apreciado pela autoridade administrativa competente em 28/11/2002, ou seja, após cinco anos do protocolo. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa passaram a ser considerados como declarações de compensação desde o seu protocolo, nos termos do disposto no art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 29/8/2002, que acrescentou o S 4° ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, assim redigido: "s 4° Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previ,stos neste artigo". A Medida Provisória nO 66, de 29/8/2002, foi convertida na Lei n° 10.637, de 30/11/2002, sendo mantida a redação original, acima transcrita. Posteriormente, foi editada a Lei nO10.833, de 29/12/2003, a qual alterou o art. 74 da Lei n° 9.430/96, estabelecendo no S 5° que "o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação". Não resta dúvida que os pedidos de compensação da Recorrente tomaram-se declarações de compensação para efeito do disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, uma vez que se encontravam pendentes de apreciação quando da entrada em vigor da Medida Provisória nO 66, de 19/8/2002. Assim, o prazo para a homologação das referidas compensações esgotou-se em 13/10/2002, antes, portanto, da decisão que não as homologou. Ante ao exposto, os créditos tributários objeto das compensações administrativas declaradas à Receita Federal pela recorrente foram extintos, nos termos do disposto no art. 156, inciso II do CTN, haja vista a homologação tácita das compensações. Com estas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso para declarar a extinção do crédito tributário exigido no presente lançamento, em razão da homologação tácita da compensação declarada à Receita Federal, nos termos do S 4° ao ar!. 74, !1 4 • Processo nºRecurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13805.010816/97-51 128.002 204-00.072 I "CCM, ! FI. da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória n° 66/02, conforme disposto no S 5° do art. 74, da Lei nO9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03. É como voto. • =f1 FLÁVIO E SÁ MUNHOZ .If 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005

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7808566 #
Numero do processo: 10980.001061/2006-55
Data da sessão: Fri Mar 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 7/06/2004 Ementa: MULTA ISOLADA. REVOGAÇÃO. A multa isolada estabelecida pelo art. 44, §1º, inciso II, da Lei nº. 9.430/1996, foi revogada pela nova redação dada a esse artigo pelo art. 14 da Medida Provisória nº. 351/2007. Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3101-000.376
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO

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Numero do processo: 13819.001939/2003-70
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/01/1993 a 30/06/1994 IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Tratando - se de pedido de restituição de créditos oriundos de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF, deve-se declinar competência para a 2a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para analisar a matéria, nos termos do artigo 3° , inciso II, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009). Período de apuração: 15/01/1993 a 30/06/1994 IPI - PIS - COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM REGRESSIVA DO PRAZO DE 10 ANOS (5+5) A PARTIR DA PROTOCOLIZAÇÃO DO PEDIDO. Não há que se falar em decadência quando não se tenha operado "homologação do lançamento" pelo Fisco. 0 prazo qüinqüenal de decadência (artigo 168, inc.I, do CTN) conta-se a partir da ocorrência do fato gerador, que esgotado dá ensejo a contagem do qüinqüênio conferido para que a Fazenda Pública homologue o lançamento realizado pelo Contribuinte (§4° do artigo 150 do CTN). Decadência operada em parte do direito postulado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3101-000.304
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, I- Por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso quanto ao imposto de renda retido na fonte, declinando a competência de julgamento para a Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: II: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recursos quanto a decadência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Tarásio Campelo Borges.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE

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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/01/1993 a 30/06/1994 IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Tratando - se de pedido de restituição de créditos oriundos de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF, deve-se declinar competência para a 2a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para analisar a matéria, nos termos do artigo 3° , inciso II, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009). Período de apuração: 15/01/1993 a 30/06/1994 IPI - PIS - COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM REGRESSIVA DO PRAZO DE 10 ANOS (5+5) A PARTIR DA PROTOCOLIZAÇÃO DO PEDIDO. Não há que se falar em decadência quando não se tenha operado "homologação do lançamento" pelo Fisco. 0 prazo qüinqüenal de decadência (artigo 168, inc.I, do CTN) conta-se a partir da ocorrência do fato gerador, que esgotado dá ensejo a contagem do qüinqüênio conferido para que a Fazenda Pública homologue o lançamento realizado pelo Contribuinte (§4° do artigo 150 do CTN). Decadência operada em parte do direito postulado. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Tratando - se de pedido de restituição de créditos oriundos de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF, deve-se declinar competência para a 2a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para analisar a matéria, nos termos do artigo 3° , inciso II, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009). Período de apuração: 15/01/1993 a 30/06/1994 IPI - PIS - COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM REGRESSIVA DO PRAZO DE 10 ANOS (5+5) A PARTIR DA PROTOCOLIZAÇÃO DO PEDIDO. Não há que se falar em decadência quando não se tenha operado "homologação do lançamento" pelo Fisco. 0 prazo qüinqüenal de decadência (artigo 168, inc.!, do CTN) conta-se a partir da ocorrência do fato gerador, que esgotado dá ensejo a contagem do qüinqüênio conferido para que a Fazenda Pública homologue o lançamento realizado pelo Contribuinte (§4° do artigo 150 do CTN). Decadência operada em parte do direito postulado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I- Por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso quanto ao imposto de renda retido na fonte, declinando a competência de julgamento para a Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: II: Por E maioria de votos, em dar provimento parcial ao recursos quanto a decadência. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Tarásio Campelo Borges. Henrique Pinheiro Torres - Presidente V nessa A buciuerque Va ente - Relatora EDITADO EM: 08/04/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tardsio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da autoridade julgadora de primeira instância, que passo a transcrever: "Trata-se de pedido protocolizado em 04/07/2003 (11.01) solicitando a restituição do valor de R$ 36.805.572,36, apontando o seguinte MOTIVO DO PEDIDO: Recolhimentos de tributos no período de janeiro/1993 a junho/1994 na sistemática da Lei n° 8.393/91 ao invés da Lei n° 8.541/92. A peticionaria inicialmente esclarece its fls. 02/05 não ter sido possível utilizar o Programa Gerenciador do PER/DCOMP, nos termos da IN SRF n° 320, de 11/04/2003, em virtude de interrupção do preenchimento do item "data de arrecadação ",sendo gerada a informação: DARF apresenta data de arrecadação com mais de cinco anos com relação a data de criação (Artigo 168 do CM. As fls. 08/24 o pedido é fundamentado na incorreção da contribuinte quando da conversão dos valores dos tributos devidos com base na UFIR na data do pagamento ( Lei n°8.393, de 1991) quando deveria observar o previsto na Lei n° 8.541, de 1992, que determinava a conversão pela UFIR do dia anterior ao efetivo pagamento, gerando assim, diferenças pagas a maior que o montante devido, as quais tornam-se assim, passíveis de serem restituídas/compensadas nos termos da IN SRF n°210, de 30/09/2002 . Constam, ainda, dos autos, as planilhas de cálculo — Resumo dos critérios — Diferença em UFIR, relacionando valores recolhidos de IPI, PIS, COFINS e IRRF, fls. 64/84, bem como cópias de DARF its fls. 241/419. (4 Processo n° 13819.001939/2003-70 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.304 Fl. 2 Por meio do Despacho Decisório n°327, de 2007, proferido pela autoridade administrativa da DRF Selo Bernardo do Campo/SP em 01/08/2007, fls. 440/445, a solicitação de restituição foi indeferida e não homologadas eventuais compensações realizadas com base no crédito tributário pleiteado, conforme ementa adiante reproduzida: RESTITUIÇÃO DE IPI — PIS —COFINS — IRRF REPETIÇÃO DE INDÉBITOS. PRAZOS. Período de janeiro de 1993 a junho de 1994. Lei 5.172, de 25/10/1966, art. 165 e 168 Parecer PGFN/CAT 1.538/99 Ato Declaratório SRF 096 de 26/11/1999. Não cabe apreciação de restituição decorridas cinco anos da extinção do crédito tributário. Pedido Indeferido. Tendo tomado ciência da decisão em 13/08/2007 por via postal, Aviso de Recebimento — AR à ft. 448, a peticionaria interpôs em 06/09/2007 a manifestação de inconformidade de fls. 452/484, assinada por seu procurador (procuração a ft. 487), apresentando as razões de fato e de direito adiante sintetizadas. Preliminarmente contesta a extinção do direito de pleitear a restituição declarada pela autoridade administrativa, com relação aos recolhimentos efetuados no período de fevereiro, com base nos artigos 165, inc. I, e 168, inc. I, do CTN. Assevera a manifestante que a decadência alegada no despacho recorrido ainda não ocorreu conforme entendimento já firmado pelo Superior Tribunal de Justiça de ser o prazo para restituição de 10 (dez) anos, ou seja 05 (cinco) anos contados a partir da homologação expressa ou tácita das informações declaradas pelo contribuinte, prazo prescricional, portanto, do direito do contribuinte para reaver tributo pago a maior e/ou indevidamente (Art. 168, I, do CTN). Discorre sobre o lançamento por homologação e transcreve jurisprudência judicial e administrativa, bem como doutrinadores, com o objetivo de afastar o caráter meramente interpretativo atribuído à Lei Complementar n° 118, sendo inaplicável ao caso presente, pois, segundo entendimento que impera no Conselho de Contribuintes, o prazo de cinco anos para pleitear a restituição restringe-se aos pedidos iniciados após a sua vigência em 10/06/2005. Quanto a não aplicabilidade do art. 138 do CTN em que se fundamenta o mérito do despacho decisório, afirma ser descabida a distinção feita entre multa fiscal moratória e multa fiscal punitiva, uma vez que a função da multa moratória é e 3 sempre foi, de fato, punir o inadimplemento e não remunerar o capital, que seria função dos juros, nem, muito menos recompor o valor real da moeda — o que viria a ser feito pela correção monetária. Cita doutrinadores. Tece arrazoado sobre a sistemática da aplicação da UFIR que gerou o pedido de restituição, reproduzindo os dispositivos legais contidos nas Leis n° 3.383, de 991 e n° 8.541, de 1992, visando demonstrar que, por equivoco da pessoa jurídica, foram recolhidas importâncias de tributos em montante maior que o devido, resultante da diferença de UFIR de um dia na atualização dos valores na data do recolhimento. Por fim, requer seja reformado o despacho decisório n° 327/2007 a fim de garantir o direito liquido e certo da contribuinte, uma vez que o pleito não estaria alcançado pela decadência/prescrição, devendo os valores indevidamente recolhidos serem restituídos a interessada, por ser medida de justiça. Os autos foram encaminhados A. Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas - SP, a qual indeferiu o pedido da Contribuinte, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/01/1993 A 30/06/1994. EXTINÇÃO DO DIREITO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. 0 direito de pleitear o recolhimento do indébito tributário, para fins de fundamentação do direito a restituição ou a compensação, extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido, nos termos do art. 168 do CTN. Solicitação Indeferida" Ciente da decisão de la Instância, em 13 de fevereiro de 2008, a Contribuinte, em 29 de fevereiro de 2008, interpôs Recurso Voluntário (fls. 529/553), no qual reitera todos os argumentos e fundamentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, requerendo, por sua vez, quando DO PEDIDO: "Diante de todo o exposto, requer que seja REFORMADO o presente acórdão n°05-20.794-2° Turma DRJ/CPS, de 11 de janeiro de 2008, dando PROVIMENTO ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para que seja garantido o incontroverso direito da Recorrente ( VOLKSWAGEN) decorrente da não incidência da decadência em face de tudo o que foi exposto, A FIM DE GARANTIR 0 DIREITO LÍQUIDO E CERTO PARA QUE SEJAM RESTITUÍDOS À INTERESSADA, OS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR A TITULO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS, no período compreendido entre Processo n° 13819.001939/2003-70 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.304 Fl. 3 janeiro de 1993 a junho de 1994, tudo por medida de JUSTIÇA!" o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, Relatora Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da DRJ/CPS n.° 05-20.794, de 11 de janeiro de 2008, que indeferiu o Pedido de Restituição relativo a créditos de IPI, PIS, COFINS e IRRF, de valores recolhidos a maior pela Recorrente, no período de janeiro de 1993 a junho de 1994, no montante de R$ 36.805.572,36 ( trinta e seis milhões, oitocentos e cinco mil, quinhentos e setenta e dois reais, trinta e seis centavos). Preliminarmente, analiso a questão da competência para apreciar o presente recurso, vez que a competência para julgamento de recursos relativos a créditos oriundos de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF é da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos fiscais, consoante disposição do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF. Com efeito, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais(CARF), baixado pelo Anexo II da Portaria MF 256, de 23 de junho de 2009, ao especificar as suas competências, dispõe em seu art. 30, verbis: "Art. 3 0. À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instancia que versem sobre aplicação da legislação de: I — Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); Imposto Territorial Rural (ITR); IV — Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a titulo de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n.° 11.457, de 16 de março de 2007; e V — penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas fisicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo." No presente caso, cumpre esclarecer, que não compete a este Colegiado apreciar matéria relativa h. "Pedido de Restituição" cujo direito creditório seja oriundo de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), por ser esta matéria de competência da Segunda Seção do CARF. Nesse diapasão, no que concerne ao Pedido de Restituição relativo a créditos de IRRF, voto no sentido de DECLINAR A COMPETÊNCIA para julgamento à Segunda Gp5 Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão que atualmente detem a necessária competência para julgamento da matéria. Quanto as demais questões, o presente Recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Conforme se verifica, a questão apresentada a este Colegiado limita-se, de fato, a controvérsia em relação A. ocorrência ou não de decadência do direito de o Contribuinte pleitear a "Restituição" dos valores recolhidos a maior a titulo de IPI — PIS - COFINS — IRRF, uma vez que existem diferentes teses defendidas no âmbito deste Conselho quanto A. data de inicio da contagem do prazo decadencial. Como se vê, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pleito com base na decadência do direito de pedir a restituição e, por conseguinte, na inexistência do indébito postulado. No caso em apreço, merece exame a suscitada decadência do direito do Fisco de lançar os créditos referentes ao período de janeiro de 1993 a junho de 1994, eis que o pedido de restituição em discussão foi protocolado, pela Recorrente, em 04 de julho de 2003. Na espécie, no que tange aos prazos decadenciais para se pleitear a restituição de tributos, o Código Tributário Nacional estabelece as seguintes regras: "Art. 165. 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, a restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no §4° do art. 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II — erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória." "Art. 168 — 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; II — na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." Note-se, na reprodução do dispositivo acima, o prazo para pleitear a restituição do valor pago indevidamente é de 5 (cinco) anos a contar da extinção do crédito tributário. zee‘p Processo n° 13819.001939/2003-70 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.304 Fl. 4 Com efeito, o Código Tributário Nacional estatui a extinção do crédito tributário pela decadência, fixando que o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento falece após cinco anos contados, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, da ocorrência do fato gerador, consoante dispõe o § 4° do art. 150, do mesmo diploma legal: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Na presente questão, data vênia, o entendimento esposado pelo órgão julgador a quo, assim como, a tese de defesa apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, entendo de forma divergente, no que concerne ao termo inicial da contagem do prazo decadencial em relação aos tributos lançados por homologação cuja lei determina ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, pois acompanho a jurisprudência do STJ no sentido que o prazo decadencial do IPI-PIS-COFINS é de 10 anos ( cinco+cinco). Segundo a teoria dos "cinco mais cinco", a restituição dos tributos constituídos por lançamento por homologação obedece a um prazo de 10 anos, ou seja, 5 anos para homologação ( art. 150, § 4° c/c art. 156, VII, ambos do CTN) e outros 5 anos para a prescrição da ação (art. 168, I, do CTN). Portanto, o termo a quo para a contagem do prazo de restituição dar-se-á com a data da homologação (seja expressa ou tácita). Nesse sentido, veja-se, in verbis, jurisprudência do STJ: "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. COMPENSAÇÃO. PIS. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. INÍCIO DO PRAZO. PRECEDENTES. I. Está uniforme na 1' Seção do ST.I que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silencio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2. Não ha que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissivel, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos moldes pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. 3. A ação foi ajuizada em 23/03/2001. Valores recolhidos, a titulo de PIS, no período de 12/89 a 04/96. Não transcorreu, entre o prazo de recolhimento (contado a partir de 03/1991), e o do ingresso da ação em juizo, o prazo de 10(dez) anos. Inexiste rescri ão sem ue tenha havido homolo a ão ex ressa da Fazenda atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5+5), a partir de cada fato gerador da exacdo tributária, contados para trás, a partir do ajuizamento da ação. 4. Precedentes esta Corte Superior. 5. Embargos de divergência parcialmente acolhidos para, com base na jurisprudência predominante da Corte, declarar a prescrição, apenas, das parcelas anteriores a 03/91, concedendo as demais, nos termos do voto". (EResp. n.° 500.23 I/RS. 1' Seção. Rel. MM. José Delgado. Julgado em 10/11/2004. DJU 17/12/2004— grifo da transcrição). Sobre a matéria em tela, é do entendimento dessa relatora que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo qüinqüenal de decadência (artigo 168, I, do CTN) conta-se a partir da ocorrência do fato gerador, que esgotado dá ensejo 6. contagem do qüinqüênio conferido para que a Fazenda Pública homologue o lançamento realizado pelo Contribuinte (§4° do artigo 150 do CTN). Ou seja, comungo com o entendimento de que caso o contribuinte tenha efetuado algum pagamento, o prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4°, do CTN começa a fluir a partir da data da homologação do lançamento. Se a homologação for expressa, os cinco anos do prazo de decadência contam-se a partir desta data. Se for tácita, contam-se os cinco anos a partir do exaurimento do qüinqüênio previsto no art. 150, § 4° do CTN. Tese esta defendida pelo ilustre Prof. Hugo de Brito Machado. In casu, se não se operou a homologação expressa, deflui dai a consumação tácita de tal expediente administrativo, que depende do transcurso de 5(cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo considerado para ser materializado. Assim, antes de esgotados os prazos referidos (5+5) não se pode cogitar de prescrição( sequer decadência), sobretudo porque não transcorrido o período hábil a constatação formal, pela Fazenda Pública, de que o contribuinte promoveu pagamentos indevidos. Na situação Mica sub examen, considerando que a restituição pretendida está lastreada em diferenças recolhidas a maior, pela Recorrente, a titulo de PIS, COFINS e IPI, no período de janeiro/1993 à junho/1994, destas procede-se h. contagem dos 5(cinco) anos aludidos no § 4° do artigo 150 dO CTN, que esgotados abrem, então, o transcurso dos outros 5 (cinco) anos aventados no artigo 168, I, do mesmo texto normativo. Neste diapasão, observando-se tal sistemática conclui-se que, no caso, a pretensão da Recorrente foi atingida em parte pela decadência, ou seja, somente quanto aos "09 Qo 8 Processo n° 13819.001939/2003-70 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.304 Fl. 5 valores recolhidos a maior no período de janeiro à junho de 1993, pondo-se em relevo, nesta assertiva, a data da protocolização do Pedido de Restituição, isto 6, 04 de julho de 2003 (fl.01). Em face de todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO EM PARTE ao Recurso Voluntário interposto, para admitir que os créditos alegados pela Recorrente referentes ao período de julho/1993 à junho/1994 não foram atingidos pela decadência, e determinar o retorno dos autos A. 2a Turma da DRJ de Campinas/SP para o enfrentamento das questões de mérito. Vanesá'kbuquerque Va ente 9

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Numero do processo: 10166.002802/2009-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 da Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2003-006.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente).

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RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 da Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado(a)), Wilderson Botto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 69 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 51 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 04 e ss.), lavrada pela constatação de Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica. Por retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 04/08), referente ao exercício 2006, ano-calendário 2005. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício) 55,23 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 28 02 /2 00 9- 61 Fl. 79DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-006.381 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.002802/2009-61 Multa de Ofício (passível de redução) 41,42 Juros de Mora (calculado até 28/11/2008) 17,11 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 0,00 Multa de Mora (não passível de redução) 0,00 Juros e Mora (calculado até 28/11/2008) 0,00 Total do Crédito Tributário 113,76 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, relativo ao exercício 2006, ano-calendário 2005. Fonte Pagadora: Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (CNPJ 33.754.482/0001-24). Valor: R$ 5.280,62. IRRF: R$ 190,32. A base legal do lançamento encontra-se descritas às fl. 06 e 08. A ciência do lançamento ocorreu em 19/02/2009 (fls. 46) e, em 19/03/2009, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 01 e 02 alegando, em síntese, que: - no ano de 2003, a contribuinte desligou-se do quadro de funcionários do Banco do Brasil e, conseqüentemente, da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil – Previ; - em decorrência do desligamento da PREVI, passou a ter direito ao resgate das contribuições que havia feito àquela Entidade ao longo dos anos, o que foi realizado em duas partes: um valor à vista (Saldo DR) e o restante (Saldo da DRM) dividido em 120 (cento e vinte) parcelas mensais, iniciando-se em julho/2003, conforme Anexo II; - registra-se que, tanto o valor restituído à vista quanto ao montante a ser parcelado já eram os totais líquidos, ou seja, sofreram, em 2003, as devidas retenções legais, em especial a do imposto de renda retido na fonte, conforme Anexo II. - ressalta que todos os rendimentos acima mencionados e as respectivas retenções tributárias foram lançadas na Declaração de Ajuste Anual exercício 2004, ano-calendário 2003, conforme Anexo III; - desde então, a contribuinte vem recebendo, até a presente data, as parcelas líquidas mensais, as quais sofreram correção monetária anual. Da mesma forma, desde o ano de 2004, tais rendimentos são lançados em suas declarações sob a rubrica de já tributados na origem; - efetivamente, por um lapso, tais rendimentos, num total de R$ 5.280,62, não foram lançados na Declaração de Ajuste Anual exercício 2006, assim como também não foi lançado o valor de R$ 190,32 indevidamente retido pela PREVI, naquele ano, a título de Imposto Retido na Fonte, Anexo IV. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 RESGATE DE VALORES PAGOS A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Mantém-se a omissão de rendimentos apurada, quando o impugnante não logra infirmar as informações constantes em DIRF emitida pela fonte pagadora. Fl. 80DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-006.381 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.002802/2009-61 Cientificado da decisão de primeira instância em 16/02/2012 (e-fl. 61), o sujeito passivo interpôs, em 30/07/2012 (e-fls. 69), Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, preliminar de tempestividade (mudança de endereço, endereço presente em sistemas governamentais, busca pessoal do resultado do Acórdão) e que o crédito tributário em cobrança no presente processo já foi extinto, ocorrência de bitributação e que os rendimentos tributáveis e a retenção de imposto de renda declarados estão comprovados nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator Inicie-se então com análise da tempestividade e da admissibilidade do recurso. De pronto deve ser ressaltado que as intimações ao contribuinte são realizadas no endereço tributário eleito pelo sujeito passivo e atualizado pelo mesmo nos bancos de dados da Administração Tributária, conforme destacado pelo artigo 23, inciso II, do Decreto no. 70.235, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, abaixo transcrito: Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Redação da Lei 9532/97) (grifei) Portanto, totalmente descabida qualquer pretensão do interessada em eximir-se de sua própria obrigação de indicar seu endereço tributário logo quando cabível. Ademais indique- se que no Direito Tributário, via de regra, a responsabilidade por infrações à legislação fiscal é de ordem objetiva, pois independe da vontade do agente ou responsável ou de suas condições e dificuldades pessoais, e desnecessária a prova contundente pelo Fisco para seu afastamento. Nesse sentido, cite-se o Código Tributário Nacional, que ao tratar da responsabilidade por infrações, determina em seu artigo 136: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (...) Assim, nos termos do art. 23, do Decreto nº 70.235/1972 – PAF , foi publicado o Edital DICAT/DRF/BSB 001/2012 (e-fl. 61), afixado em 01/02/2012, com ciência consumada em 16/02/2012. De acordo com os artigos 5º e 33 do PAF, o prazo de trinta dias para a interposição de recurso voluntário é contínuo, excluindo na sua contagem, o dia de início, e incluindo o do vencimento. Como o recurso voluntário foi interposto somente em 30/07/2012 (e- fls. 69), conclui-se por sua intempestividade, não podendo ser o mesmo conhecido. As datas referenciadas podem ser constatadas também no Extrato do Processo juntado aos autos (e-fl. 63). Dessa forma, verifica-se que o recurso não deve ser conhecido em nenhum de seus aspectos, por claramente intempestivo, caracterizando-se como perempto. Complemente-se indicando que o acompanhamento pretendido de Sessões de Turmas Extraordinárias já tem previsão e está garantida no Regimento Interno deste CARF, Fl. 81DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-006.381 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.002802/2009-61 aprovado pela Portaria MF no 343/15 do Ministério da Fazenda, com suas alterações subsequentes, em seu artigo 61-A, sendo então inócua a necessidade de seu pedido. E não há intimação específica por parte da Administração para tal fim, o que se verifica é a publicação da pauta da sessão de julgamento, consoante Diário Oficial da União (Artigo 55, §§ 1.º e 2.º do Anexo II, do RICARF). Dispositivo Isso posto, voto em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 82DF CARF MF Original

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10364472 #
Numero do processo: 10530.721119/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO. VINCULAÇÃO INEQUÍVOCA. A apropriação de recolhimento demanda que o contribuinte apresente justificativa a afastar a configuração do indébito tributário, ou seja, de que reconheça as contribuições como devidas e o recolhimento como antecipação de pagamento a ser vinculado de forma inequívoca às contribuições objeto do procedimento fiscal, restando configurada tal vinculação inequívoca quando a própria fiscalização a reconhece. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CÓDIGO DE FUNDAMENTO LEGAL 38. A existência de recolhimento em relação à obrigação principal a ser apropriado não tem o condão de infirmar o descumprimento da obrigação acessória do art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212, de 1991.
Numero da decisão: 2401-011.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja excluído na competência 02/2006 do AIOP n° 37.269.433-0 o valor de R$ 9.477,93 e na competência 02/2006 do AIOP n° 37.145.546-4 o valor de R$ 619,20. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Jose Marcio Bittes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO

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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO. VINCULAÇÃO INEQUÍVOCA. A apropriação de recolhimento demanda que o contribuinte apresente justificativa a afastar a configuração do indébito tributário, ou seja, de que reconheça as contribuições como devidas e o recolhimento como antecipação de pagamento a ser vinculado de forma inequívoca às contribuições objeto do procedimento fiscal, restando configurada tal vinculação inequívoca quando a própria fiscalização a reconhece. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CÓDIGO DE FUNDAMENTO LEGAL 38. A existência de recolhimento em relação à obrigação principal a ser apropriado não tem o condão de infirmar o descumprimento da obrigação acessória do art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212, de 1991.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja excluído na competência 02/2006 do AIOP n° 37.269.433-0 o valor de R$ 9.477,93 e na competência 02/2006 do AIOP n° 37.145.546-4 o valor de R$ 619,20. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Jose Marcio Bittes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier.

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APROPRIAÇÃO. VINCULAÇÃO INEQUÍVOCA. A apropriação de recolhimento demanda que o contribuinte apresente justificativa a afastar a configuração do indébito tributário, ou seja, de que reconheça as contribuições como devidas e o recolhimento como antecipação de pagamento a ser vinculado de forma inequívoca às contribuições objeto do procedimento fiscal, restando configurada tal vinculação inequívoca quando a própria fiscalização a reconhece. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CÓDIGO DE FUNDAMENTO LEGAL 38. A existência de recolhimento em relação à obrigação principal a ser apropriado não tem o condão de infirmar o descumprimento da obrigação acessória do art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212, de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja excluído na competência 02/2006 do AIOP n° 37.269.433-0 o valor de R$ 9.477,93 e na competência 02/2006 do AIOP n° 37.145.546-4 o valor de R$ 619,20. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Jose Marcio Bittes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 11 19 /2 01 1- 46 Fl. 1266DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-011.572 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721119/2011-46 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 1146/1151) interposto em face de decisão (e-fls. 1126/1136) que julgou improcedente impugnação contra os seguintes Autos de Infração: AIOP n° 37.269.433-0 (e-fls. 10/17), a envolver a rubrica "11 Segurados " (levantamento: RE1 - REMUNERACAO DE EMPREGADO – contribuições não descontadas e não recolhidas) e competências 02/2006 a 12/2006; AIOP n° 37.145.546-4 (e-fls. 18/25), a envolver a rubrica "15 Terceiros" (levantamento: RE1) e competências 02/2006 a 12/2006; e AIOA n° 37.269.435-7 (e-fls. 26) lavrado por deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições da Lei n° 8.212, de 1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira (Código de Fundamento Legal – CFL 38). Todos os AIs foram cientificados em 09/03/2011 (e-fls. 53). O Relatório Fiscal consta das e-fls. 27/36 e esclarece a apuração de pagamentos não declarados nas GFIP detectados em recibos com o histórico “pago por fora” efetuados por produtor rural pessoa física (FPAS 604), bem como que se deixou de exibir “todos os documentos financeiros, contábeis relacionados com as contribuições previdenciárias, inclusive recibos de pagamentos relacionados por segurados, não atendendo à intimação feita através do TIPF - Termo de Inicio de Procedimento Fiscal”. Na impugnação (e-fls. 834/837), argumenta-se que o lançamento é integralmente inconsistente por não representar a realidade do impugnante, ainda mais diante do recolhimento das contribuições antes do Termo de Início de Procedimento Fiscal (GPSs e GFIPs, e-fls. 840/1112). A seguir, transcrevo do Acórdão de Impugnação (e-fls. 1126/1136): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01 02.2006 a 31.12 2006 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A entidade deve arrecadar as contribuições dos segurados a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos, conforme prevê o art. 30. inciso I. alíneas "a" e ""b". da Lei n.0 8.212, de 1991. CONTRIBUIÇÃO DE TERCEIROS. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a Terceiros (Entidades e Fundos), conforme preconiza o art. 3o, da Lei n.° 11.457, de 2007. RECOLHIMENTOS. APROPRIAÇÃO. Os recolhimentos contidos nos documentos apresentados pelo sujeito passivo na defesa são prioritariamente apropriados aos valores declarados em GFIP pelo contribuinte, que não foi objeto do lançamento fiscal em questão. Fl. 1267DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-011.572 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721119/2011-46 ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. A lei aplica-se a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizar-se quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14. de 04.12 2009. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide. indefere-se. por prescindível, o pedido de perícia e diligência. Além disso, não foram observadas as exigências formais contidas no art. 16. IV, do Decreto 70.235, de 1972. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 NÃO EXIBIÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. MULTA. Constitui infração deixar a entidade de exibir qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições da Seguridade Social, conforme previsto no § 2º, art. 33, da Lei n.º 8.212/91. O valor da multa está em consonância com o disposto no art. 283, inciso II, “j” e art. 373 do Decreto nº 3.048/99. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Acórdão de Impugnação foi cientificado em 12/12/2012 (e-fls. 1138/1140) e o recurso voluntário (e-fls. 1146/1151) interposto , em síntese, alegando: (a) Defesa. Foi apresentada defesa administrativa especificando fatos e fundamentos para o julgamento pela improcedência dos Autos de Infração. (b) Nulidade da autuação pelo recolhimento das contribuições antes do Termo de Início do Procedimento Fiscal. O recorrente refuta a integralidade do lançamento, pois efetivou o recolhimento das contribuições antes do Termo de Início da Fiscalização, conforme GPSs já anexadas aos autos. Por consequência, falta objeto para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo restado demonstrado que os débitos foram devidamente recolhidos. Por força da Resolução n° 2403-000.179, de 18 de julho de 2013 (e-fls. 1156/1163), o julgamento foi convertido em diligência, tendo sido emitida a Informação Fiscal de e-fls. 1169/1172 opinando pela retificação parcial do lançamento e, após intimação, o contribuinte carreado aos autos cópias de GPSs do ano de 2006 (e-fls. 1178/1200). Por força da Resolução n° 2401-000.662, de 10 de maio de 2018 (e-fls. 1204/1208), o julgamento foi novamente convertido em diligência, tendo sido emitido o Relatório de Diligência Fiscal de e-fls. 1213/1224 opinando pela retificação parcial do lançamento em extensão diversa, cientificada por Edital (e-fls. 1225). Fl. 1268DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-011.572 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721119/2011-46 Não mais integrando a conselheira relatora nenhum dos colegiados da Seção, o processo me foi redistribuído por sorteio (e-fls. 1229). Diante de Despacho de Saneamento (e-fls. 1230), foi documentada nos autos a premissa fática da intimação por Edital (e-fls. 1235/1238) do Relatório de Diligência Fiscal de e- fls. 1213/1224, tendo, de qualquer forma, a fiscalização emitido novo Relatório de Diligência Fiscal (e-fls. 1249/1258) a reiterar o Relatório de Diligência Fiscal de e-fls. 1213/1224 e a agregar disposição expressa no sentido da abertura de prazo para manifestação do recorrente. Cientificado o contribuinte do resultado da diligência (e-fls. 1259), não consta dos autos manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 12/12/2012 (e-fls. 1138/1140), o recurso interposto é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Defesa. Nulidade da autuação pelo recolhimento das contribuições antes do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Desde a impugnação o contribuinte sustenta o recolhimento das contribuições antes do início do procedimento fiscal, tendo instruído a defesa com as cópias de Guias da Previdência Social – GPSs de e-fls. 840/844. Em face da Resolução n° 2403-000.179, de 18 de julho de 2013, o recorrente carreou aos autos conjunto diverso de cópias de GPSs e a contemplar todo o período objeto do lançamento (e-fls. 1178/1200). No Relatório de Diligência Fiscal de e-fls. 1249/1258, a fiscalização confirma a presença de recolhimentos no sistema informatizado em relação às competências objeto do lançamento, contudo assevera que parte dos recolhimentos foi realizada após o início do procedimento fiscal, não se tratando de recolhimento passível de apropriação no lançamento. Além disso, o Relatório de Diligência Fiscal de e-fls. 1249/1258 evidencia que, quando se considera os valores de contribuição declarados em GFIP ao tempo do início do procedimento fiscal, há valor a ser apropriado no lançamento tão-somente em relação à competência 02/2006. Para a competência 02/2006, o contribuinte carreou aos autos duas GFIPs de mesma chave (CNPJ/CEI do empregador/contribuinte – competência – código de recolhimento – FPAS): GFIP de GRF gerada em 02/02/2011 de N° ARQUIVO: E5ikQqSJeiK0000-7 e N° CONTROLE: NBf3gbXGEy10000-1 (e-fls. 845/887); e GFIP de GRF gerada em 09/02/2011 de N° ARQUIVO: FOp2GSsacA50000-6 e de N° DE CONTROLE: KhLsGYi0iKx0000-3 (e-fls. 888/927). Logo, esta segunda GFIP substituiu a primeira. Fl. 1269DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-011.572 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721119/2011-46 Essa circunstância se confirma no Relatório de Diligência Fiscal de e-fls. 1249/1258, uma vez que a fiscalização acusa o valor de R$ 242.205,72 como remuneração declarada em GFIP ao tempo do início do procedimento fiscal (TIF cientificado em 12/02/2011, e-fls. 39), valor este resultante do somatório dos campos BASE CAL PREV SOC e BASE CÁL 13° PREV SOC DOS RESUMOS DE FECHAMENTO – EMPRESA nas modalidades “BRANCO” e “9”, a gerar um total a recolher de R$ 23.712,06 (VALOR DEV PREV SOC CALCULADO SEFIP), já descontado “Sal. Familia/Sal. Maternidade”, valor este considerado no Relatório de Diligência Fiscal de e-fls. 1249/1258 como o de contribuição devida em face da GFIP vigente ao tempo do início do procedimento fiscal. Considerando que as GPSs recolhidas ao tempo do início do procedimento fiscal para a competência 02/2006 ensejavam um valor de contribuição líquido de R$ 33.809,19 e considerando que a fiscalização reconheceu haver vinculação inequívoca do recolhimento em questão para com os valores lançados, tanto que opinou pela apropriação do valor de R$ 13.324,65, considero cabível a apropriação em relação à competência 02/2006. Nesse ponto, destaco que a apropriação de recolhimento demanda que o contribuinte apresente justificativa a afastar a configuração do indébito tributário, ou seja, de que reconheça as contribuições como devidas e o recolhimento como antecipação de pagamento a ser vinculado de forma inequívoca às contribuições objeto do procedimento fiscal, sendo admissível tal vinculação, independentemente da confissão em GFIP, quando a própria fiscalização reconhece haver vinculação inequívoca. Assim, temos de ter em mente que, na competência 02/2006 se apurou uma contribuição rubrica 11 – Segurados líquida de R$ 11.031,65 (e-fls. 12) e uma contribuição rubrica 15 – Terceiros líquida de R$ 9.452,89 (e-fls. 20), a totalizar os R$ 20.484,54 apontados no Relatório de Diligência Fiscal de e-fls. 1249/1258, e que, do total a recolher declarado de R$ 23.712,06 (VALOR DEV PREV SOC CALCULADO SEFIP), o VALOR A RECOLHER - PREVIDÊNCIA SOCIAL era de R$ 17.172,51 e o VALOR A RECOLHER - OUTRAS ENTIDADES era de R$ 6.539,55 (e-fls. 889). Por outro lado, na competência 02/2005, as GPSs a gerar o valor de contribuição líquido de R$ 33.809,19, revelam os seguintes recolhimentos: e-fls. INSS Terceiros Total 1180 15.014,42 5.208,57 20.222,99 1180 27,53 0 27,53 1181 2.130,55 1.331,00 3.461,55 840 9.477,94 619,18 10.097,12 Total 26.650,44 7.158,75 33.809,19 Diante dessa situação, impõe-se a seguinte apropriação a ser empreendida no lançamento: Comp. Contribuições Declarado Recolhido Saldo a ser apropriado Lançado Mantido após apropriação 02/2006 11 Segurados 17.172,51 26.650,44 9.477,93 11.031,65 1.553,72 15 Terceiros 6.539,55 7.158,75 619,20 9.452,89 8.833,69 Total 23.712,06 33.809,19 10.097,13 20.484,54 10.387,41 Fl. 1270DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-011.572 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10530.721119/2011-46 No que toca ao Auto de Infração CFL 38, cabe ponderar que a existência de recolhimento em relação à obrigação principal a ser apropriado não tem o condão de infirmar o descumprimento da obrigação acessória do art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei n° 8.212, de 1991. Isso posto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL PARA excluir na competência 02/2006 do AIOP n° 37.269.433-0 o valor de R$ 9.477,93 e na competência 02/2006 do AIOP n° 37.145.546-4 o valor de R$ 619,20. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 1271DF CARF MF Original

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10361172 #
Numero do processo: 13051.000230/2001-12
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 204-00.672
Decisão: RESOLVEM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA

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Recorrida DRJ em Porto Alegre/RS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da QUARTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, com ert4 o julgamento: do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselh8,iros Túlio César Alves Ramos, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Nayra Bastos Manatta, Ali I Zrailc Júnior, Marcos t Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan. - SEGUNDO. CONSFLHO DE CONTRIBUINTE Processo n.° 13051.000230/2001-12 1 CONFERE COM O ORIGINAL Brasiiia .2 5— ___I 0 3 1/A Necy Bausta os Reis Mat. Siapc 91806 wftimIl1. 111••••••••■••■•■•■••••••■•••• Relatório ResolutAo n.° 204-00.672 CCO2/C04 Fls. 511 , 1 1 . A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo iiroto'colizou, em 15 de outubro de 2001, pedido de ressarcimento, cumulado com pedido de coAwensação, de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao terceiro ti,ime4tre de 2001, com fundamento no art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. i I Conforme despacho exarado A fl. 74 e Nota de Compens ção! emitida em 16 de novembro de 2001, à. fl. 79, por ter-se constatado que a empresa mantin f la e§ciituração regular e correta das transações e fazia jus aos créditos sem nenhuma glosa, a corhpensações foram imediatamente realizadas para verificação da legitimidade dos créditos ei'n ddigi:'ncia posterior. 1 ; i Posteriormente, realizada a diligência, foi produzido, o Terrtio de.Verificação Fiscal (TVF) constante da fl. 85, com proposta de glosa da totalidade dos' créditos pleiteados, manifestando-se a fiscalização nos seguintes termos: Trata-se de pedido complementar referente ao 3" trimestre ;do cino- calencMrio de 2001. A empresa junta planilha com listagem .fiscais de alguns fornecedores com respectivo IPI crediuido, iTIOS 1 períodos de apuração de 1999, 2000, até agosto de 2001. I Ocorre que, nos períodos citados, tais fornecedores encAtraiii-se registrados ern relação de notas fiscais de entradas de matérias pri bias e houve, nesses mesmos períodos, a regular escrituração lo Livro Registro de Apuração de IPI, com registro de créditos d 113.1 e, inclusive, solicitação de ressarcimento com base no art. 11 da Lei n" 9.779/99. . I Com base nisso, lido resta provado o não registro opolno ¡dos a éditos de IPI ora pleiteados. j Corn fundamento nessa informação hscal, foi proferidd o despacho decisório da fl. 90, por meio do qual decidiu-se negar o direito ao ressarciment e, onseqüentemente i não homologar as compensações declaradas. Contra essa decisão, foi apresentada manifestação de inconfotmidade apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre-RS (DRJ/POA), que manteve o indeferimento, conforme voto condutor do Acórdão Ili' 10414.256, de 09 de novembro de 2007, assim ementado: I CRÉDITOS BÁSICOS DO IPI. RESSARCIMENTO. O ! I : direito ao ressarcimento complementar dos créditos basicosido ipi só pode ser reconhecido se comprovado, suficientemente, qUe evses créditos deixaram de ser registrados em época própria. Solicitação Indeferida. 2 „ atIF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE CM O ORIGINAL I Processo n.°13051.000230/2001-12 Brasa, 425— 1 0L,2e;o.,,,' 1 Resolução n.° 204-00.672 I d ! Necy Bati i st' dos Reis Mai Slaw 91806 1 , A contribuinte foi cientificada dessa decisão em 4 de derzembro de 2007 e„ em 27 de dezembro de 2007, interpôs recurso voluntário a este iegunclo Conselho . de Contribuintes, As fls. 350 e 351, para alegar, em síntese, i • : I. — a fiscalização ignorou a natureza complemeritar .Fdesse ; pedido 1 de ressarcimento e o indeferiu apenas porque havia pedidos anteriore relativos ao mesmo período. Ocorre que, sendo complementar o pedido, é evidente que hAvia pedidos áriteriore do mesmo período de apuração; II — a decisão recorrida partiu da premissa de qu a Contribuinte agira ilicitamente; e 111 — havendo dúvidas quanto ao direito aos créditos, ao invN de firmar-se na premissa de que a contribuinte apurou ilicitamente os créditos, deve-se bai jar o processo em diligência para que a fiscalização, que ignorou a natureza complementár do l pedido, verifique sua legitimidade. Ao concluir, a recorrente solicitou o provimento Flo eu recurso para reconhecer o direito aos créditos e homologar as compensações at o aimite do crédito reconhecido. o Relatório. CCO2/C041 Fls. 512 3 Sala da )Sessões, em 03 de dezembro de 2008. SjtV AD -BRITO OL Processo n.° 13051.00O23012001-12 Resolução n.° 204-00.672 Voto iftF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O OR!GINAL Brasa, „25— / 3 /.2.7 Necy13 os Reis 4a a e. st' Mat. Siape 9l XO6 CCO2/C04: Fls513 ; Conselheira SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA, Relatora 0 recurso é tempestivo, por isso deve ser conhecido. A recorrente trouxe aos autos, As fls. 363 a 506, cópia do livro registro de entradas do período de janeiro de 1999 a agosto de 2001, corn destaque da Notas Fiscais de aquisição que instruem o seu pleito, e planilha demonstrativa dos créditos ;extemporâneos As fls. 359 a 362. Todavia, tais documentos, por si sós, não se prestam cornprovar a questão central do litígio instaurado neste processo, que é a acusação fiscal de quo': os créditos estão sendo pleiteados em duplicidade. Uma vez que também a acusação fiscal está destituída de B irovas: a meu Ver, imprescindíveis, mormente A. vista do procedimento adotado consistrite Ina efetivação do ressarcimento e da compensação para posterior verificação da legilimidade do pleito da contribuinte, entendo que, ao invés de se exigir prova negativa da coniribuinte - não registro oportuno dos créditos de IPI pleiteados -, deveria a fiscalização demoristraii a duplicidade do pedido, corn elementos que comprovam que os créditos do IPI decorrentes idas aquisições de matéria-prima, produto intennediArio ou material de embalagem destacados nas notas fiscais que instruem estes autos já haviam sido considerados na apuração do taldo credor do IPI: do mesmo ou de outros períodos objeto de pedido de ressarcimento. Em face disso, voto por converter o julgamento do tecurso voluntário em diligência para que a fiscalização instrua os autos com elementos coMproliatórios de que os créditos em questão foram computados na apuração de saldo credoi objeto de pedido de ressarcimento ou de compensação anterior. Por fim, cumpre lernbrar que dessa diligência e do seu resulthdo deve ser dada ciência à recorrente para que se manifeste, no prazo regulamentar. É como voto. 4

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10360669 #
Numero do processo: 11080.722907/2009-43
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 29 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 2003-000.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta (i) informe se os valores declarados em DIRF “código 0588” pelas empresas Multiprodutos Indústria e Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. e Moinho Popular S/A, relativo ao ano-calendário de 2006, foram, de fato, incluídos mesmo que parcialmente no noticiado parcelamento, bem como (ii) certifique se houve quitação integral ou parcial dos débitos objeto do presente feito, vinculando os pagamentos porventura realizados aos períodos de apuração devidos. Após, (iii) intime a contribuinte do resultado desta nova diligência para, querendo, se manifestar no prazo legal. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado) e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta (i) informe se os valores declarados em DIRF “código 0588” pelas empresas Multiprodutos Indústria e Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. e Moinho Popular S/A, relativo ao ano-calendário de 2006, foram, de fato, incluídos mesmo que parcialmente no noticiado parcelamento, bem como (ii) certifique se houve quitação integral ou parcial dos débitos objeto do presente feito, vinculando os pagamentos porventura realizados aos períodos de apuração devidos. Após, (iii) intime a contribuinte do resultado desta nova diligência para, querendo, se manifestar no prazo legal. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado) e Wilderson Botto.

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta (i) informe se os valores declarados em DIRF “código 0588” pelas empresas Multiprodutos Indústria e Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. e Moinho Popular S/A, relativo ao ano-calendário de 2006, foram, de fato, incluídos mesmo que parcialmente no noticiado parcelamento, bem como (ii) certifique se houve quitação integral ou parcial dos débitos objeto do presente feito, vinculando os pagamentos porventura realizados aos períodos de apuração devidos. Após, (iii) intime a contribuinte do resultado desta nova diligência para, querendo, se manifestar no prazo legal. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ricardo Chiavegatto de Lima (Presidente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Thiago Alvares Feital (suplente convocado) e Wilderson Botto. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 45/47): A contribuinte acima qualificada entregou declaração de ajuste anual do exercício de 2007, ano-calendário 2006, indicando saldo de imposto de renda a pagar no valor de R$ 24.910,68, conforme DAA às fls. 20/24. Em virtude da constatação de irregularidades foi lavrada Notificação de Lançamento, às fls. 10/13, exigindo-se o crédito tributário no valor de R$ 18.234,29, calculado até 30.09.2009. A fiscalização informa que glosou compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 12.416,11 por falta de comprovação do seu recolhimento pelas fontes pagadoras, das quais a notificada é sócia, administradora e responsável legal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 22 90 7/ 20 09 -4 3 Fl. 318DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2003-000.145 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.722907/2009-43 A contribuinte interpôs impugnação, às fls. 02/04, alegando que as fontes pagadoras destacaram e retiveram o IRRF declarado, conforme DIRF’s que anexa. É o relatório. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. RESPONSABILIDADE. Em observância ao princípio da responsabilidade tributária solidária, o IRRF pela fonte pagadora da qual o interessado é sócio só pode ser compensado se comprovado o seu efetivo pagamento. Cientificada da decisão, em 21/10/2011 (fls. 51/52), a contribuinte, por procuradores habilitados interpôs, em 18/11/2011, recurso voluntário (fls.53/58), insurgindo-se contra a manutenção da autuação, alegando, em brevíssima síntese, que as fontes pagadoras incluíram no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009, a totalidade os débitos devidos e que atendiam os requisitos da lei, dentre eles os IRRF objeto do presente feito, os quais estão sendo regularmente adimplidos. Logo, estando os débitos com sua exigibilidade suspensa, ao teor do art. 151, VI do CTN, não subsiste fundamento para manutenção da autuação, diante do parcelamento ora noticiado. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 59/94. Em 27/04/2021, o julgamento foi convertido em diligência, determinando à unidade origem que informe se os valores totais declarados sob o código 0561 em DIRF relativa ao ano de 2006 das fontes pagadoras Multiprodutos Indústria e Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. e Moinho Popular S/A, foram incluídos em parcelamento e a situação das declarações, informando ainda sobre a existência de eventuais recolhimentos sob esse código efetuados na época própria, com posterior intimação da recorrente para, querendo, manifestar em relação à informação fiscal produzida (fls. 97/98), cuja diligência restou efetivamente cumprida em 06/04/2022 (fls. 104/300). Em 06/05/2022, a contribuinte, por seu procurador, peticionou manifestando-se acerca da diligência realizada, alegando, em apertada síntese, acerca da ocorrência da prescrição intercorrente diante do longo tempo de tramitação processual, violando os princípios da eficiência e da razoável douração do processo, ao teor do art. 1º, § 1º da Lei nº 9.873/99, bem como da insuficiência das informações prestadas na diligência realizada, sobretudo diante da divergência dos códigos de arrecadação dos valores declarados, sendo certo que a totalidade dos débitos devidos pelas fontes pagadoras foram pagos em DARF ou quitados pelo parcelamentos realizados, não mais subsistindo pendências tributárias, sobretudo em relação ao débito fiscal reclamado (fls. 313/313). Em 21/03/2023, em face da extinção do mandato da conselheira relatora, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, ocorrida em 13/02/2023, o processo foi enviado para novo sorteio, sendo-me distribuído em 28/09/2023, para prosseguimento do julgamento (fls. 317). É o relatório. Voto Fl. 319DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2003-000.145 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11080.722907/2009-43 Conselheiro Wilderson Botto - Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. O litígio recai sobre a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 12.416,11, apurado em sede de revisão da DAA/2007, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do acatamento da dedução integral declarada. Visando suprir o ônus que lhe competia, instrui a peça recursal, dentre outros e em especial, com o recibo de declaração de inclusão da totalidade dos débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009 e documentos que o instrui, formulados pelas fontes pagadoras Multiprodutos Indústria e Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. e Moinho Popular S/A, incluídos aí os débitos de IRRF código 588 (fls. 59/94). Pois bem. A controvérsia recursal está ancorada na constatação da ocorrência do efetivo pagamento dos débitos de IRRF sob o “código 0588 - rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício”, parcelados das empresas Multiprodutos Indústria e Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. e Moinho Popular S/A, dos quais a Recorrente responde solidariamente na qualidade de sócia responsável e representante legal das aludidas fontes pagadoras. De fato, da diligência realizada, constato que somente foram prestadas informações e apuradas eventuais ocorrências de arrecadação exclusivamente sobre o “código 0561” em DIRF, nada tendo sido apurado em relação ao “código 588”, sendo certo que tal código efetivamente consta das DIRF apresentadas. Portanto, considero imprescindível verificar se realmente houve a indicação ao parcelamento informado (fls. 59/94) do IRRF declarado em DIRF “código 0588” pelas fontes pagadoras (fls. 295 e 275), e se realmente tais débitos foram regularmente quitados ou parcelados, mesmo que parcialmente, cuja informação entendo ser de suma importância ao deslinde da controvérsia recursal instaurada. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem (i) informe se os valores declarados em DIRF “código 0588” pelas empresas Multiprodutos Indústria e Comércio de Gêneros Alimentícios Ltda. e Moinho Popular S/A, relativo ao ano-calendário de 2006, foram, de fato, incluídos mesmo que parcialmente no noticiado parcelamento, bem como (ii) certifique se houve quitação integral ou parcial dos débitos objeto do presente feito, vinculando os pagamentos porventura realizados aos períodos de apuração devidos. Após, (iii) intime a contribuinte do resultado desta nova diligência para, querendo, se manifestar no prazo legal. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 320DF CARF MF Original

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Numero do processo: 15504.729918/2014-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010, 2011 CONTRADIÇÃO Devem ser conhecidos e providos os embargos, no caso de contradição entre o dispositivo do acórdão e o voto vencedor.
Numero da decisão: 9101-006.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de inominado para sanar o vício apontado no dispositivo do acórdão, com efeitos infringentes, para suprimir a parte relativa às multas isoladas das estimativas de IRPJ, e para dar provimento integral, por maioria de votos, para afastar as multas isoladas atinentes às estimativas de CSLL, alterando-se a redação do dispositivo original do Acórdão nº 9101-006.618, que passa a ser: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à matéria “concomitância da multa de ofício com a multa isolada sobre as estimativas apuradas”. No mérito, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, deu-se provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gustavo Guimarães da Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes”. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, José Eduardo Dornelas Souza (substituto), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Jeferson Teodorovicz (substituto) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Ausentes o Conselheiro Luciano Bernart, substituído pelo Conselheiro Jeferson Teodorovicz, e a Conselheira Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, substituída pelo Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES

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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010, 2011 CONTRADIÇÃO Devem ser conhecidos e providos os embargos, no caso de contradição entre o dispositivo do acórdão e o voto vencedor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de inominado para sanar o vício apontado no dispositivo do acórdão, com efeitos infringentes, para suprimir a parte relativa às multas isoladas das estimativas de IRPJ, e para dar provimento integral, por maioria de votos, para afastar as multas isoladas atinentes às estimativas de CSLL, alterando-se a redação do dispositivo original do Acórdão nº 9101-006.618, que passa a ser: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à matéria “concomitância da multa de ofício com a multa isolada sobre as estimativas apuradas”. No mérito, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, deu-se provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gustavo Guimarães da Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes”. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, José Eduardo Dornelas Souza (substituto), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Jeferson Teodorovicz (substituto) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Ausentes o Conselheiro Luciano Bernart, substituído pelo Conselheiro Jeferson Teodorovicz, e a Conselheira Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, substituída pelo Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 99 18 /2 01 4- 44 Fl. 5043DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-006.857 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15504.729918/2014-44 Relatório Trata-se de EMBARGOS INOMINADOS DE CONSELHEIRO em face do Acórdão em face do Acórdão nº 9101-006.618, de 14 de junho de 2023, nos seguintes termos: A parte dispositiva do referido acórdão assim prescreve relativamente ao tema da concomitância das multas isoladas com as multas de ofício para o IRPJ e para a CSLL: No mérito, acordam em: (i) relativamente às multas isoladas referentes ao IRPJ, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, deu-se provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado , Gustavo Guimarães da Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões do voto do relator o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes; (ii) relativamente às multas isoladas de CSLL, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, deu-se provimento parcial ao recurso para cancelar parcialmente a exigência de multas isoladas na parte em que as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício forem coincidentes, vencidos os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gustavo Guimarães da Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar-lhe provimento. Já o voto condutor do acórdão, também na sua parte dispositiva, afastou, de um lado, integralmente, as multas isoladas relativas às estimativas de CSLL e, de outro, foi silente quanto às multas isoladas de IRPJ. O referido voto assim se posicionou, conforme seus fundamentos, em razão de ter verificado o afastamento integral das multas isoladas relativas ao IRPJ já por força da decisão de piso, bem como por ter verificado a integral absorção das multas isoladas atinentes à CSLL. De todo modo, há clara inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão. Enquanto o acórdão afastou parcialmente as multas isoladas de IRPJ e de CSLL, o voto condutor reconheceu que as multas isoladas de IRPJ já haviam sido totalmente afastadas pela decisão em recurso voluntário e decidiu pelo afastamento integral das multas isoladas de CSLL. Em conclusão, pedimos o conhecimento destes embargos inominados para retificar a decisão recorrida com o fito de eliminar o lapso. O despacho de fls. 5.039-5.041 deu seguimento ao recurso. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Relator. Fl. 5044DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-006.857 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15504.729918/2014-44 Conhecimento O despacho que deu seguimento ao recurso assim assinalou: O recurso preenche os requisitos formais elencados nos arts. 65 e 66, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15 e posteriores alterações, eis que a autoridade arguente detém legitimidade para o pleito (art. 65, § 1º, I), bem assim, foi objetivamente assinalada a inexatidão material correspondente. (...) Pois bem, o singelo cotejo entre a conclusão do voto vencedor, consoante o qual afastou-se, por concreta absorção, as multas isoladas sobre estimativas de CSLL, e a parte dispositiva do aresto, onde se averbou o provimento integral e parcial do recurso especial do sujeito passivo em relação às multas isoladas de IRPJ e CSLL, respectivamente, já é suficiente para atestar a existência de discrepância em relação ao efetivo conteúdo do julgamento e justificar o seguimento ao recurso aclaratório. Nesse compasso, despicientes maiores averiguações e indagações, nesta análise perfunctória, sobre as referências e conclusões acerca do conteúdo das planilhas de e- fls. 4.813/4.817, confeccionadas pela unidade preparadora da RFB, e que embasaram o voto condutor do julgado embargado. Outrossim, por pertinente, vale mencionar o questionamento endereçado a este Conselho Administrativo, através do Despacho nº 497/2023-RFB/DEVAT/ECOA, de 18/08/2023, à e-fl. 5.031, pela unidade responsável pela liquidação do acórdão, que, conquanto não possa ser acolhido na condição de embargo, por inobservância da legitimidade recursal, tampouco pode ser simplesmente ignorado na oportunidade do julgamento dos embargos sub examine, devendo-se prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários. Em síntese, é possível divisar a ocorrência de inexatidão material a inquinar o julgado e requerer integração pela turma julgadora. Em face de todo o exposto, DOU SEGUIMENTO aos embargos inominados para apreciação plenária e determino o encaminhamento à 1ª Turma/CSRF, para distribuição ao Conselheiro Redator Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, com subsequente inclusão em pauta de julgamento e adoção de outras providências cabíveis. Acolho os fundamentos do despacho e conheço dos embargos. Mérito O lapso manifesto do acórdão é apontado também pela Unidade Preparadora por meio do despacho de fls. 5.031: Em relação ao Acórdão de Recurso Especial nº 9101-006.618, de fls. 5002-5025, constatamos o seguinte: A tabela constate das fls. 5024 do referido Acórdão demonstra que o total das estimativas mantidas da CSLL no ano-calendário 2011 a ensejar a manutenção das multas isoladas é de R$ 8.577.529,81, valor inferior ao valor total da CSLL devida mantida, que é de R$ 11.030.432,50 . Verificando a tabela de fls. 146, que representa o cálculo original do Auto de Infração das multas isoladas de CSLL no ano-calendário 2011, a somatória das diferenças de CSLL a pagar é de R$ 17.155.059,60. Já na tabela de fls. 4817, que representa o cálculo das multas isoladas de CSLL no ano-calendário 2011 após o Acórdão de Recurso Voluntário, o somatório é de R$ 15.942.407,09. Em Fl. 5045DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-006.857 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15504.729918/2014-44 suma, de acordo com essas duas tabelas, o total das estimativas mantidas da CSLL no ano-calendário 2011 a ensejar a manutenção das multas isoladas é superior ao valor de R$ 11.030.432,50. Considerando os fatos expostos, retornamos o processo ao CARF, para verificação e providências que julgar necessárias. O voto vencedor da decisão embargada verificou que as multas isoladas relativas às estimativas de IRPJ já haviam sido afastadas pela decisão de piso e, valendo-se das premissas de concomitância concreta (em que se comparam as bases de cálculo das multas isoladas), afastou integralmente as multas isoladas relativas às estimativas da CSLL. Abaixo, reproduzo o voto nessa parte: No presente feito, com relação às estimativas de IRPJ, foram integralmente afastadas as multas isoladas pela aplicação da decisão de piso, conforme podemos constatar pela planilha de fl. 4.814. Já em relação à CSLL, as planilhas de fls. 4.815 a 4.817 demonstram os valores remanescentes de multas de ofício e isoladas pelo não recolhimento de estimativas. Por meio dessas planilhas, é possível constatar a concomitância concreta entre os dois tipos. Para o ano-calendário de 2010, o total da CSLL devida mantida foi de R$ 18.921.330,83, que corresponde à base de cálculo da multa de ofício. Já o total das estimativas mantidas a ensejar a manutenção das multas isoladas foi de R$ 18.683.280,57, conforme planilha abaixo: Meses Estimativas Janeiro R$ 1.724.602,99 Fevereiro R$ 1.434.235,93 Março R$ - Abril R$ - Maio R$ - Junho R$ - Julho R$ 9.020.631,20 Agosto R$ 1.669.880,90 Setembro R$ - Outubro R$ 3.371.490,17 Novembro R$ 1.462.439,38 Dezembro R$ - Total R$ 18.683.280,57 Fl. 5046DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-006.857 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15504.729918/2014-44 Como a base de cálculo das multas isoladas para o ano-calendário de 2010 é menor que o valor de CSLL lançado de ofício e que ensejou a aplicação da multa de ofício, as multas isoladas são integralmente absorvidas. Já para o ano-calendário de 2011, o total da CSLL devida mantida foi de R$ 11.030.432,50. Por sua vez, o total das estimativas mantidas a ensejar a manutenção das multas isoladas foi de R$ 8.577.529,81, conforme planilha a seguir: Meses Estimativas Janeiro R$ 1.036.548,91 Fevereiro R$ 823.355,92 Março R$ 1.614.934,66 Abril R$ 1.404.179,61 Maio R$ 936.661,71 Junho R$ 879.034,62 Julho R$ 1.285.947,66 Agosto R$ 71.994,53 Setembro R$ - Outubro R$ 302.322,22 Novembro R$ 222.549,97 Dezembro R$ - Total R$ 8.577.529,81 Assim, uma vez que a base de cálculo das multas isoladas para o ano-calendário de 2011 também é menor que o valor de CSLL lançado de ofício e que ensejou a aplicação da multa de ofício, as multas isoladas são igualmente absorvidas na sua totalidade. Dessa arte, o acórdão deve ser retificado para suprimir a parte relativa às multas isoladas das estimativas de IRPJ, uma vez que estas já haviam sido integralmente afastadas pela decisão de piso e para dar provimento integral, por maioria de votos, para afastar as multas isoladas atinentes às estimativas de CSLL. É como voto. (documento assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 5047DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-006.857 - CSRF/1ª Turma Processo nº 15504.729918/2014-44 Fl. 5048DF CARF MF Original

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Numero do processo: 11050.000031/2007-76
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-II Data do fato gerador: 04/01/2007 SUBFATURAMENTO. FRAUDE. PENALIDADES APLICÁVEIS. Comprovado que os valores registrados nas declarações de importação não correspondem aos efetivamente pagos, sendo mais baixos que os reais, caracteriza-se o subfaturamento, procedimento doloso com intuito de fraude. Aplicam-se as penalidades por infração ao controle administrativo das importações, calculada sobre a diferença entre os valores das mercadorias, bem como a multa de oficio agravada (150%) incidente sobre a diferença de tributos e contribuições não pagos, em virtude da fraude. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.299
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO

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Recorrida DRJ-FLORIANOPOLIS/S C ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Data do fato gerador: 04/01/2007 SUBFATURAMENTO. FRAUDE. PENALIDADES APLICÁVEIS. Comprovado que os valores registrados nas declarações de importação não correspondem aos efetivamente pagos, sendo mais baixos que os reais, caracteriza-se o subfaturamento, procedimento doloso com intuito de fraude. Aplicam-se as penalidades por infração ao controle administrativo das importações, calculada sobre a diferença entre os valores das mercadorias, bem como a multa de oficio agravada (150%) incidente sobre a diferença de tributos e contribuições não pagos, em virtude da fraude. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. enrique Pinheiro Torres - Presidente (Á-- Valdete Aparesie a Man eiro - Relatora EDITADO EM: 30/11/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges, Corintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. i Relatório Por bem relatar, adota-se o Relatório de fls.311 a 313 dos autos emanados da decisão DRJ/FNS, por meio do voto do relator Rui Kenji Opta, nos seguintes termos: "Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$ 492.283,34 referente a Imposto de Importação, PIS/PASEP e Cofins incidentes sobre importações, multas de oficio, multa do controle administrativo (subfaturamento) e juros de mora, em função da constatação de subfaturamento na importação. Depreende-se da "descrição dos fatos e enquadramento legal" dos autos de infração, que a interessada submeteu a despacho de importação mercadorias descritas como "tripas naturais salgadas de suínos" e "tripas de porco originais descalibradas, material para processamento", classificadas na NCM 0504.13.00, amparadas pelas Declarações de Importação (D1) n°. 06/0844656-9 e n". 06/0850593-0. Ainda no curso do despacho aduaneiro, a fiscalização promoveu diligência na sede do importador, sendo colhidos documentos que comprovaram a prática de subfaturamento dos preços praticados na importação. A interessada foi enquadrada nos procedimentos especiais da IN SRF n°. 206/2002 em função de indícios de falsa declaração de conteúdo das mercadorias importadas. Todavia, verificada a impossibilidade técnica de se identificar as mercadorias, os procedimentos foram finalizados sem proposta de pena de perdimento. Em relação à DI n°. 06/0844656-9 foi constatado que o preço efetivo praticado foi de R$ 149.445,00, enquanto que a autuada declarava C 9.225,00. Comprova o valor praticado uma mensagem eletrônica enviada pelo agente que intermediava as . operações, Valton Carlos Werner Jr., à autuada, onde conta uma planilha que discrimina valores de R$ 25.830,00 sob a rubrica "câmbio" e R$ 123.615,00 sob a rubrica "diferença de câmbio", que somados perfazem o total de R$ 149.445,00. Com relação à DI n°. 06/0850593-0 foi constatado que o preço efetivo praticado foi de C 70.735,50, enquanto que o preço declarado foi de C 10.618,80. Comprova o valor praticado uma mensagem eletrônica, com seus anexos, enviada pelo agente que intennediava as operações, Valton Carlos Werner Jr., à autuada onde consta a informação de que o total era de C 70.735,50, via banco ---- €10.618,80 e via Zeca = C 60.116,70. Um dos anexos da mensagem se refere à fatura comercial F-60618, de mesma numeração da utilizada no despacho de importação, porém com valor de 6' 70.735,50, comprovando ser este o valor real da transação. Outros documentos coletados na diligência comprovam que a empresa reiteradamente praticava o subfaturamento nas importações. 2 Processo n° 11050.000031/2007-76 S3-C1T1 Acórdão ri.° 3101-00.299 Fl. 345 À vista do Acordo de Valoraçã o Aduaneira e dos documentos coletados, que identificam o verdadeiro valor das operações, a fiscalização valorou as mercadorias com base no primeiro método de valoraçã o, qual seja, o real valor de transação. Em função da constatação da prática de subfaturamento, a fiscalização lavrou autos de infração para exigência da difèrença do imposto de importação, do PIS/PASEP e da Cofins incidentes nas importações, bem como da multa de oficio de 150% sobre a diferença dos tributos, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n". 9.430/1996, e da multa de 100% sobre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação, prevista no artigo 88, parágrafo único da Medida Provisória n°. 2.158-35/2001, regulamentada pelo artigo 633, inciso I, do Decreto 71°. 4.543/2002, além de juros de mora. A interessada impetrou mandado de segurança, sendo-lhe concedida liminar determinando o prosseguimento do despacho aduaneiro e posterior liberação das mercadorias. Regularmente intimada dos autos de infração, por via postal (AR à fl. 181), a interessada apresentou impugnação tempestiva às folhas 185 a 213, anexando documentos às folhas 214 a 303. A impugnante alega erro na base de cálculo utilizada pela fiscalização, por entender que o preço declarado de 6 9.225,00, convertido à taxa cambial de R$ 2,80, perfaria a soma de R$ 25.830,00 sobre a qual já havia sido recolhido os tributos. Dessa forma a diferença de câmbio perfaria R$ 123.615,00 e não R$ 149.445,00 como apontou a fiscalização. Por esse motivo defende a nulidade do auto de infração. Faz considerações sobre dolo e culpa, para concluir que, no caso, houve no máximo, culpa consciente. Nesse contexto defende que para que haja efetivamente o dolo a que se encontrar na ação do agente dois elementos: o conhecimento (elemento intelectual) e a vontade (elemento volitivo). Já, na culpa consciente o agente, mesmo prevendo o resultado, não o aceita, nem assume o risco de produzi-lo. Assim, apesar de prevê-lo, confia o agente em sua não produção. A impugnante defende que não houve dolo em na conduta pois, não poderia estar planejando dolosamente efetuar conduta ilícita quando, efetivamente, guardava documentação completa de todas as transações pertinentes à sua atividade comercial na própria empresa, detalhadamente montadas (...) O acima exposto se verifica pela assunção, pela própria administradora, da prática de subfaturamento, confessando os valores complementares de importação.(...)Há culpa consciente quando o agente, prevendo o resultado antijurídico, espera sinceramente que o mesmo não aconteça. Com base na tese antes defendida, de que não houve dolo, alega incorreta a aplicação da multa prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n". 9.430/1996, em percentual de 150% sobre a diferença de tributos não pagos. /1 çlfl 3 Insurge-se contra a multa do controle administrativo — subfaturamento, calculada com base na diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação. Defende que a multa teria por base o valor do tributo calculado com base na diferença. Entende que a multa aplicada tem caráter confiscatório e, portanto, é inconstitucional. Cita decisões judiciais que amparam sua tese de que a justiça pode, constatando que a multa é confiscatória, interferir no lançamento e adequá-la aos princípios constitucionais. Transcreve ainda o artigo 2' da Lei n o. 9.784/99, para discutir a obrigação da Administração Pública ao seguimento dos princípios ali determinados, em especial os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer a declaração de nulidade do auto de infração e em caso negativo, que seja excluída as multas exigidas. Em caso do entendimento pela não-nulidade das multas, requer que a multa prevista no art. 44, inciso II, da Lei n". 9.430/1996 seja reclassificada para a prevista no art. 61 § 2", ou, ao menos, dentro do patamar preconizado no art. 44, inciso I, todos da mesma lei, e que a multa do controle administrativo seja - calculada sobre a diferença do valor do tributo recolhido e aquele efetivamente devido na operação e não sobre a diferença de valores das mercadorias. Requer também a manifestação expressa em relação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, e o recebimento e apreciação de todos os meios de prova admitidos em direito." A decisão recorrida emanada do Acórdão n°. 07-9.735 de fls. 310 traz a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Importação -II Data do fato gerador: 04/01/2007 SUBFATURAMENTO. FRAUDE. PENALIDADES APLICÁVEIS. Comprovado que os valores registrados nas declarações de importação não correspondem aos efetivamente pagos, sendo mais baixos que os reais, caracteriza-se o subfaturamento, procedimento doloso com intuito de fraude. Aplicam-se as penalidades por infração ao controle administrativo das importações, calculada sobre a diferença entre os valores das mercadorias, bem como a multa de ofício agravada (150%) incidente sobre a diferença de tributos e contribuições não pagos, em virtude da fraude. Lançamento Procedente em parte" Irresignando , o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho — CARF (fls. 322 a 340), onde alega em suma o seguinte: I — Preliminar — deixa de efetuar arrolamento de bens na forma do Ato Declaratório Interpretativo RFB n°. 9, de 05 de junho de 2007 DOU de 06.06.2007. 411 Processo n° 11050.000031/2007-76 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.299 Fl. 346 II — Dos fatos; III — Do Direito: a) Da diferença entre dolo e culpa — destacando: "não basta a previsão do resultado, é necessário ainda o desejo de realizá-lo."; "Não resta comprovada (...) vez que (...) acabavam por pagar mais tributos que o devido"; "(...) o Estado recebeu, ainda de que de forma indireta, todos os tributos que lhe eram devido (...)"; "(...) em nenhum momento obtiveram vantagem tributária(...)", "(...) na dúvida, ter-se-á de concluir pela ocorrência de culpa neste caso, e não de dolo, em face do princípio universal de que na dúvida se há de decidir a favor do réu." b) Da Multa — b.1) Da impossibilidade da aplicação da multa de 150%; b.2) Da multa do controle administrativo Subfaturamento; b.3) Dos princípios constitucionais tributários que regem a correta aplicação das multas e demais penalidade. — destacando: "Multa desproporcional, além de caracterizar Confisco, de tão distante do caráter educativo e punitivo que deveria ter, pode levar a recorrente a uma condição de total impossibilidade de cumprir com suas prerrogativas, causando sérios danos à sociedade."; (...) todos os princípios e vedações ao poder de tributar pertinentes ao tributo também terão incidência sobre a multa de natureza tributária, razão pela qual estabelecer penalidade pecuniária em percentual, superior ao próprio tributo seria encerrar caráter totalmente confiscatório." IV — Princípio da Razoabilidade; V — Princípio da Proporcionalidade; VI — Dos Pedidos — requer: a) a mesma da preliminar argüida para que se deixe de exigir o arrolamento de bens e direitos; b) seja julgada totalmente procedente o presente recurso para os fins de excluir a aplicação tanto da multa de 150%, bem como da multa de controle administrativo — subfaturamento — sob pena de ferir os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Finalizando o presente processo contém um anexo que trata da representação fiscal para fins penais — aduaneiro. É o relatório. Voto Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, pois, preenche as condições de admissibilidade, mas deixo de acatar a preliminar argüida, por superada, pelos próprios argumentos apresentados pelo Recorrente, ou seja, decisão do STF quanto à exigência do depósito prévio. O objeto da lide nos presentes autos é a exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, PIS/PASEP e COFINS incidente sobre importações, multas 171 5 e de oficio, multa de controle administrativo (subfaturamento) e juros de mora, em função da constatação de subfat-uramento na importação. Nesse grau de recurso, a Recorrente recorre da manutenção das multas aplicadas, ainda que retificadas em voto condutor da decisão recorrida - Passando ao mérito do contencioso, a decisão recorrida fundamentada pelo voto/relator de fis. 313 a 317 é esclarecedor e dele destacamos algumas assertivas fundamentais para a solução da questão, ou seja: "Depreende-se dos autos que a autuada, ao realizar importações, declarou valores subfaturados das mercadorias. Tal fato foi comprovado pela fiscalização, por meio de diversos documentos encontrados em poder da autuada bem como confirmado pela própria autuada. Tal fato também não foi contestado na presente impugnação, ao contrário foi confirmado em diversas passagens da peça contestatória." "No caso em tela, o importador declarou ao fisco valores das mercadorias importadas mais baixos que os reais, de forma que a alí quota aplicada sobre esses valores acarretou em tributos e contribuições em valor inferior aos devidos." "Não há como admitir que utilizar faturas com valores irreais, subfaturados, com o intuito de pagar impostos em valores 'inferiores àqueles devidos possa ser enquadrado como "culpa consciente". O dolo é evidente. Ao declarar valores subfaturados e ao utilizar conscientemente faturas ideologicamente falsas, a autuada tinha a intenção clara de reduzir o montante de tributos a serem pagos, fato que efetivamente ocorreu. O resultado da ação da autuada, além de ser desejado, era o esperado, pois seu intuito era de efetivamente pagar menos tributos. O resultado que podemos admitir que não fosse desejado ou esperado pela autuada era o de a fiscalizaçã o descobrir a fraude e autuá-la." "Assim, caracterizada a fraude, haja vista que a alteração de forma dolosa de uma característica essencial das mercadorias, o valor, reduziu o montante de tributos devidos, como definido no dispositivo legal transcrito, é de se concluir como correta a aplicação da multa prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430/96." Quanto a essa capitulação, artigo 44, Inciso I e § 1°, da Lei 9.430/96, ainda que alterado pelo artigo 14 da Lei 11.448 de 15/06/2007 , aplica-se perfeitamente ao caso, quando dispõe: "Art. 14 — O artigo 44 da Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação transformando-se as alíneas a, b, e c do § 2° nos inciso I, II e III: "A ri. 44 — Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 — de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento,de falta de declaração e nos de declaração inexata; 6 Processo n° 11050.000031/2007-76 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.299 Fl. 347 — de 50% (cinqüenta por cento) exigida isoladamente sobre o valor do pagamento mensal; a) na forma do art.8° da Lei n°. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda, que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de --pessoa física; b) na forma do art. 2' desta lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1 0 0 percentual de multa de que trata o inciso 1 do Caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. • (NR)" Ainda, destacamos: "A multa do controle administrativo, por subfaturamento, está prevista no parágrafo único, do artigo 88, da Medida Provisória n°. 2.158-35 de 2001, regulamentado pelo inciso 1, do artigo 633, do Decreto n". 4.543/02, in verbis: MP n°. 2.158-35/2001: Art.88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: (.) Parágrafo único. Aplica-se a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n g- 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Decreto e. 4.543/2002: Art. 633. Aplicam-se, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decreto-lei re- 37, de 1966, art. 169 e § 6, com a redação dada pela Lei dl 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 25: 1- de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço eflA 7 declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória n 2.158-35, de 2001, art. 88, parágrafo único); "Dos dispositivos legais acima transcritos se depreende que, no caso de haver diferença entre os preços declarados e aqueles efetivamente praticados na importação, há que se lançar a multa. Pois bem, a prática do subfaturamento, ou seja, a declaração de preços irreais, mais baixos que os verdadeiramente pagos pelo importador, sequer foram contestados, ao contrário, foram confirmados tanto pelos documentos encontrados em posse da autuada, como por ela mesma, quando da resposta à intimação feita pela fiscalização. Também nesta instância de julgamento não houve contestação quanto à cobrança da diferença de tributos, o que, mais uma vez, confirma a confissão da prática do subfaturamento. De se concluir, portanto, que é pacífica a aplicação da multa em comento." "O texto do parágrafo único, do artigo 88 da MP n". 2.158-35 de 2001 é claro quando determina a aplicação da multa sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Assim também dispõe o 4°, 1, do art. 633 do Decreto n°. 4.543/2002, in verbis: sç 42 A aplicação das penas referidas neste artigo (Decreto-lei rz(2 37, de 1966, art. 169, 5', com a redação dada pela Lei n2 6.562, de 1978, art. 2): 1 - não exclui o pagamento dos tributos devidos, nem a imposição de outras penas, inclusive criminais, previstas em legislação especifica; e "A impugnante alega inconstitucionalidade da multa por considerá-la confiscató ria. Discorre sobre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, solicitando ao fim manifestação expressa desta autoridade julgadora sobre a infringência a esses princípios." "O Parecer Normativo da Cosit/SRF de n°329/70 assim dispõe: Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional." "Extrai-se do parecer referido que a autoridade julgadora administrativa está adstrita a se submeter às normas vigentes e impedida de afastá-las por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Sua apreciação processual é feita estritamente dentro da ótica da existência de legislação que embase o feito fiscal e sua adequação a ela e não se tais normas são ilegais ou inconstitucionais. Como bem disse a impugnante, cabe ao Poder Judiciário a análise da matéria." E para finalizar, o lúcido voto conclui: Processo n° 11050.000031/2007-76 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.299 Fl. 348 -Diante dos fatos acima expostos, voto no sentido de considerar parcialmente procedentes os lançamentos constantes do presente processo, retificando as multas do controle administrativo das importações, previstas no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n". 2.158-35/2001, regulamentadas pelo art. 633, inciso I, do Decreto n o. 4.543/2002, mantendo o crédito tributário referente às mesmas no valor de R$ R$ 123.615,00, 1 para a DI n'. 06/0844656-9 e no valor de R$ 165.194,08, para a DI n°. 06/0850593-0. Os demais valores ficam mantidos inalterados, perfazendo um total de R$ 437.274,05, ou seja, foram exonerados R$ 55.009,29." Assim, a decisão recorrida não merece reparos eis que exarada em perfeita consonância com a lei. Diante do exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida, portanto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. • Valde e A recid arinheiroC . ./4 ' - • 9

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