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Numero do processo: 10783.902696/2008-60
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade sem a existência de prévio e expresso ajuste com o Anunciante para repasse da importância correspondente ao Desconto-Padrão, consoante regra legal.
Numero da decisão: 3803-005.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO| PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins, por falta de previsão legal, o valor devido às agências de publicidade sem a existência de prévio e expresso ajuste com o Anunciante para repasse da importância correspondente ao “DescontoPadrão”, consoante regra legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 26 96 /2 00 8- 60 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902696/200860 Acórdão n.º 3803005.101 S3TE03 Fl. 85 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase de recurso contra a decisão da DRJ do Rio de Janeiro, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte. Assim, por considerar que o relatório elaborado pela DRJ abordou as questões principais discutidas no PAF, peço licença para reproduzilo. Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 36027.15266.1308.04.1.3.049544, em 13/08/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/10/2004, a título de Cofins com débito da mesma contribuição relativo a agosto de 2004, no valor original de R$1.399,99. A DRF de Vitória, por meio do despacho decisório de fl. 31, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados (fl. 111). Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do "faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo Io das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 3o, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902696/200860 Acórdão n.º 3803005.101 S3TE03 Fl. 86 3 faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. E imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4a Região Fiscal da Receita Federal do Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP de n.º 36027.15266.1308.04.1.3.04 9544, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902696/200860 Acórdão n.º 3803005.101 S3TE03 Fl. 87 4 tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente] dos valores recebidos no período autuado; e queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos! contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor) informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 107 a 109 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. Às fls. 118/127 a DRJ negou provimento ao recurso, sob o pressuposto de que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da COFINS o valor devido às agências de publicidade, em razão da falta de previsão legal. Alegam os julgadores de piso que o contribuinte sustenta o seu direito na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17/2007, elaborada com fundamento no Parecer COSIT n° 08/2001. Entretanto, o citado parecer teve a parte conclusiva alterada pela Consulta Interna Cosit n° 21/2008. Assim, a interpretação que vigora é a de que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo das contribuições o valor devido às agências de publicidade, por falta de previsão legal. A DRJ citou também dispositivos da Lei n.º 4.680/65, Decreto n° 57.690/66 para fundamentar o entendimento de que os pagamentos são efetuados pelos anunciantes diretamente à TELEVISÃO VITÓRIA S.A pelo valor bruto da fatura. Os julgadores concluíram ainda que somente em momento “posterior” ao pagamento pelos anunciantes, a Recorrente paga à agência o valor denominado "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra o veículo de divulgação. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902696/200860 Acórdão n.º 3803005.101 S3TE03 Fl. 88 5 Já às fls. 133/150 o contribuinte apresenta Recurso Voluntário contra a decisão exarada pela DRJ do RJ2 e alegou: a) Nos termos das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03 as contribuições sociais não podem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica,; b) a doutrina defende que somente configura hipótese de incidência o faturamento de valores que ingressem ao patrimônio da empresa e não meros ingressos de valores que transitam por sua contabilidade; c) os valores recebidos pela cessão de espaço não integra a base de cálculo das contribuições, pois além de terem sido transferidos para às agências de publicidade, não agregam ao seu patrimônio; d) o Segundo Conselho de Contribuintes Federal, 1a Câmara, Processo n° 10950.002334/9919, já decidiu que não configura receita os valores recebidos pelas empresas de telefonia a título de “roaming”, por não se tratar de receita própria, mas sim de terceiro; e) o fato de o entendimento da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17/2007 e do Parecer COSIT n° 08/2001, ter sido alterado pela Consulta Interna Cosit n° 21/2008, não pode gerar efeitos retroativos. Além do que, destaca que a compensação foi realiza na vigência das consulta que assegurava o direito a dedução reclamada. Por fim, requer diligência para que o perito aponte, a partir dos documentos contábeis existentes no PAF n.º 10783.902198/200817, os valores repassados às agencias de publicidade, bem como extinção do crédito tributário exigido e seja homologada a compensação apresentada. Alertase ainda que o Recorrente requer também a suspensão do crédito discutido no PAF 10783.902213/200827. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani Relator O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente é preciso dizer que este conselheiro já havia votado, em julgamento de outro processo pertencente ao mesmo contribuinte, no sentido de que os veículos de divulgação não poderiam excluir da base de cálculo das contribuições o valor devido às agências de publicidade em razão da falta de previsão na legislação. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902696/200860 Acórdão n.º 3803005.101 S3TE03 Fl. 89 6 Entretanto, agora compulsando melhor os autos e refletindo a respeito dos argumentos de defesa apresentados pela Recorrente, conclui que o contribuinte possui razão. A questão ora em deslinde limitase em saber se as verbas recebidas pelo veículo de comunicação em sua totalidade representam a base de cálculo para o recolhimento do PIS e da COFINS, inclusive as que são repassadas para as agências Em verdade, o próprio Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, por compreender por “receita bruta” a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Neste sentido, o STF ao declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou amparado no fato de que ao ser ampliado o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita violouse a noção de faturamento pressuposto no art. 195, I, "b" da CF/88, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Assim, em que pese a falta de previsão expressa nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/033, visto que nelas há a disposição de que se compreende por faturamento a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, ainda assim, compreendo que o pleito do contribuinte deve ser acolhido. É preciso compreender que apesar da empresa registrar na contabilidade o ingresso de numerários, estes valores apenas transitando graficamente pela contabilidade do veículo de comunicação, não integram seu patrimônio e, por conseqüência, tais entradas de dinheiro são incapazes de exprimir o contorno de sua capacidade contributiva, conforme exige o art. 145 da Constituição Federal. Data vênia, entendimento contrário, compreendo que todo o veículo de divulgação, ou seja, rádio e televisão, jornais e revistas figura apenas como mero intermediário dos serviços prestados pelas agências de publicidade, logo neste caso o valor transferido às agências não configura despesa do veículo, pois não se trata de insumo dos seus serviços. A Segunda Turma do TRF 5ª Região já apreciou recentemente esta matéria e decidiu em negar provimento a apelação da Fazenda Nacional que pretendia afastar a pretensão do contribuinte. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VALORES REPASSADOS ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE PELOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...) O colendo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE nº 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº Fl. 166DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902696/200860 Acórdão n.º 3803005.101 S3TE03 Fl. 90 7 9.718/98, que entende "por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas." Esta discussão hoje resta superada com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/033, após a alteração do referido dispositivo constitucional, sendo a definição de faturamento a mais ampla, a saber, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. In casu, todavia, não se pode concluir que as verbas que ingressam na contabilidade do veículo de comunicação para pagamento das agências de publicidade, nos termos do art. 11 da Lei nº 4.680/65, podem ser caracterizadas como receitas auferidas por aquela pessoa jurídica. Tais valores apenas transitam nas contas das empresas de comunicação com a finalidade de pagamento das agências de publicidade, não se podendo falar em faturamento a ensejar a tributação do PIS e da COFINS. Ademais, temse que as agências de publicidade agem como mandatárias da empresa anunciante, perante o veículo de divulgação e, por sua vez, as quantias por elas recebidas decorrem dessa mediação. Cabível a restituição ou compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente com a incidência dos consectários legais nos termos do Manual de Cálculos da Justiça Federal, obedecida a limitação do art. 170A do CTN. Precedente desta eg. Corte: (APELREEX12164/PE, DES. FEDERAL FRANCISCO BARROS DIAS, Segunda Turma, DJE 02/12/2010). Apelação improvida e remessa parcialmente provida. (grifo) (TRF 5ª Região Apelação / Reexame Necessário n.º 00009715220114058300, Data de Julgamento: 16.10.2012). No mesmo sentido, acerta o contribuinte ao colacionar aos autos julgado do antigo Conselho de Contribuintes referente a não incidência das contribuições sobre os valores recebidos pelas empresas de telefonia denominados “roaming”. Neste caso o colegiado compreendeu, ainda que por maioria, que a base de cálculo da COFINS é a receita própria, não o mero ingresso de valores globais. Com efeito, embora o contribuinte tenha citado em seu Recurso Voluntário o julgamento ocorrido no PAF n° 10950.002334/9919, verificase em rápida pesquisa junto ao “site” do CARF que há outras decisões neste sentido, como por exemplo, Acórdão nº 40202218 do Processo 10166000888200131 e Acórdão nº 40202223 do Processo 10166005507200291 , ambos julgados na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como se não bastasse os argumentos aqui apresentados no sentido de admitir a exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores transferidos às agências de publicidade, ainda não se pode ignorar o fato de que a Consulta Interna Cosit n° 21/2008 somente pode gerar efeitos para o futuro e jamais alcançar fatos pretéritos, pois como bem se sabe o art. 100 do CTN dispõe que os atos normativos expedidos pela Administração são complementares às leis. Além do que, é importante mencionar que discussão semelhante já ocorreu no STJ em relação a definição de receita para a base de cálculo do ISS. Neste caso, Fl. 167DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902696/200860 Acórdão n.º 3803005.101 S3TE03 Fl. 91 8 compreendeu o tribunal, por meio do Resp n.º 77771/MG, que a base de cálculo do ISS deve ser reduzida nos serviços de locação de mãodeobra, passando o imposto a incidir somente sobre o valor da “taxa de administração” que é cobrada pela empresa prestadora de serviços em razão do trabalho de intermediação entre o contratante e os trabalhadores contratados. Por fim, uma vez verificado que o contribuinte possui direito a exclusão pretendida, sugiro que os autos sejam encaminhados para a repartição de origem a fim de que seja auditada a contabilidade acostada ao PAF n.º 10783.902198/200817, uma que nestes neste processo constam as provas dos valores transferidos às agências de publicidade. Destarte, é verdade que o mais adequado talvez fosse elaborar uma resolução para primeiramente reconhecer o direito conforme requerido pelo sujeito passivo. Depois, num segundo momento os autos seriam encaminhados para a repartição de origem a fim de que esta se pronunciasse, exclusivamente, quanto as provas, isto é, apontasse quais valores a empresa efetivamente repassou às agência de publicidade. Todavia, em que pesem estas considerações, optei em adotar uma decisão para o caso em exame, ainda que esta decisão tenha sido proferida de forma ilíquida, devido ao fato de que não há no presente PAF as provas necessárias para apurar os créditos pleiteados. Ante o exposto dou provimento. É como voto. Sala das sessões, 28 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa – Redator desingado O fato jurídico em torno do qual a Contribuinte disputa o direito de não incluir seus valores na base de cálculo da contribuição é no seu dizer cessão de seu espaço para agências de publicidade, sob o argumento de que tais valores não permanecem em seu patrimônio, sendo a estes repassados àquelas. A Recorrente é lacônica na exposição desse fato constitutivo do seu direito, deixando de referir acerca da sua dinâmica operacional envolvendo as agências e os anunciantes, de sorte a se poder identificar no desenvolvimento da sua defesa o seu liame com direito aplicável no campo privado das relações jurídicas e, via de consequência, a regra matriz da incidência tributária para a espécie. A falta dessa menção impelenos a considerar o que regem as NormasPadrão da Atividade Publicitária, expedidas pelo Conselho Executivo de NormasPadrão[1] [2] , órgão 1 O Conselho Executivo das NormasPadrão CENP é uma entidade criada por entidades de classe do mercado publicitário para zelar pela observância das NormasPadrão da Atividade Publicitária, documento básico com recomendações e princípios éticos que buscam assegurar as melhores práticas comerciais no relacionamento mantido entre os principais agentes da publicidade brasileira. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902696/200860 Acórdão n.º 3803005.101 S3TE03 Fl. 92 9 privado de regulação das práticas no tópico Das Relações entre Agências, Anunciantes e Veículos, em disciplina ao que dispõem a Lei nº 4.680/65 e os Decretos nº 57.690/66 e 4.563/02: 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2 Compete ao Conselho Executivo das NormasPadrão ou simplesmente CENP: a) avaliar e propor eventuais alterações a este instrumento e a seus anexos, face à dinâmica da evolução da atividade; b) esclarecer os interessados sobre o sentido de suas regras; c) outorgar os “Certificados de Qualificação Técnica” de que trata o item 2.5.1 deste instrumento; d) credenciar os institutos de pesquisa e seus respectivos serviços e informações, conforme previsto no item 2.5.4 deste instrumento; e) promover em conjunto com as Entidades participantes deste acordo o permanente aperfeiçoamento dos padrões qualitativos do mercado nos seus três segmentos, inclusive no que toca à ativa e leal concorrência dos que nele atuam. 7.2 O Fl. 169DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902696/200860 Acórdão n.º 3803005.101 S3TE03 Fl. 93 10 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. Sob o lume das disposições acima, vêse que a relação jurídica negocial se dá entre o anunciante e o veículo de comunicação, sendo deste para o primeiro a fatura do valor bruto, sendo o pagamento correspondente contabilizado como receita própria do veículo. Isso se depreende da inteligência do item 2.4.2, como se verá. A figura do repasse de receita de terceiros se dá, em regra, da agência para o veiculo de comunicação, dos valores que lhe são entregues pelo anunciante, sendo a agência a depositária desses recursos, conforme itens 2.4.1.1, 2.4.1.2 e 2.4.1.3. Na hipótese, os valores assim repassados ao veículo é receita deste, integralmente. Excepcionalmente, o pagamento da agência de publicidade pelo anunciante podese dar por meio do veículo de comunicação, que se encarregará de repassar à agência o valor correspondente ao “DescontoPadrão, contudo não sem prévio e expresso ajuste,. Neste caso, o valor do “DescontoPadrão” não compõe o valor faturado e, consequentemente, receita do veículo, segundo o dispositivo regulamentar no item 2.4.2. Nestes autos, além de a Recorrente não expor a forma como se processam essas relações, não houve demonstração de que tivesse ocorrido o referido ajuste prévio e expresso. Sem que restasse demonstrado que as relações se deram na forma excepcional acima mencionada, sobressai a forma básica prevista, pela qual o que o veículo recebe é faturamento. Assim, a exclusão da base de cálculo de valores pagos à agência há de ser o que expressamente está autorizado pela lei tributária, o que se verifica não haver no texto da Lei nº 9.718/98, regente da matéria ao tempo do fato gerador. Decerto, é pela falta da previsão legal para a exclusão que a Recorrente vem de ser sucinta na descrição do fato e parcimoniosa no fundamento jurídico, erigindo o seu argumento em torno da digressão sobre o alcance da expressão receitas auferidas, conquanto este seja conceito da base tributária tratado nas leis nºos 10.637/02 e 10.833/03, o que torna imprópria a discussão no quadrante do objeto destes autos. Quanto às soluções de consulta lembro que elas vinculam a Administração Tributária apenas ao consulente, e que elas não compõem o acervo da legislação tributária nos termos do art. 96 do Código Tributário Nacional, estando inviabilizado o argumento que invoca a Solução de Consulta nº 17, de 30 de abril de 2007, da SRRF 4ª RF/Disit. Enfim, bem andou a decisão recorrida, não merecendo reparo, pelo que corroborando os fundamentos ali fixados nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 28 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 170DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10783.902696/200860 Acórdão n.º 3803005.101 S3TE03 Fl. 94 11 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 03/01/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10830.009188/97-57
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 91 88 /9 7- 57 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 28/06/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, ora Recorrente (fls. 136 a 154), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 124 a 132) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial, considerando devida a contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indébito a partir da data da norma emanada do Poder Executivo que reconheceu a inconstitucionalidade do FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5%, no caso, a Medida Provisória nº 1.110, de 31 de agosto de 1995. Verificase que os pagamentos objeto do pedido de compensação ocorreram entre outubro de 1989 e março de 1992 (fls.23 a 25). Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao extraordinário, é o seguinte, verbis: Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 28/06/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.009188/9757 Acórdão n.º 9900000.621 CSRFPL Fl. 169 3 “A Fazenda Nacional interpõe recurso especial, com fulcro no inciso II do artigo 5° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face de decisão tomada pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 16/06/2005, que, por maioria de votos, rejeitou a argüição de decadência do direito de a contribuinte pleitear a restituição da Contribuição para o Finsocial paga a maior e, por unanimidade de votos, determinou a devolução do processo à autoridade julgadora de primeira instância competente para apreciar as demais questões de mérito e recebeu a seguinte ementa: ‘FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 0 prazo decadencial para que o sujeito passivo requeira restituição ou compensação de créditos tributários relativos a pagamentos de contribuições FINSOCIAL efetuados com base em alíquota posteriormente considerada inconstitucional inaugurase com a edição da Medida Provisória no. 1.110, de 31 de agosto de 1995.’ O Procurador alega que o entendimento da Câmara foi diverso do contido no Acórdão n° 30235782, que recebeu a seguinte ementa: ‘FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO, (...) DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional), NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.’ O recorrente aduz que o marco inicial do referido prazo prescricional é a data da extinção do crédito tributário leiase data do pagamento para o caso em tela'. Semelhante entendimento tem fulcro nos arts. 165, inciso I', e 168, inciso I 3 , ambos do Código Tributário Nacional; tal acepção também é constante do Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal n° 96/99. Afirma ainda que não há nada a justificar a adoção da data da edição da MP n° 1.110/95 como teimo inicial para contagem do prazo em tela. Isto porque no dia seguinte ao do recolhimento do tributo o contribuinte já poderia ter buscado a tutela do Poder Judiciário para pleitear a restituição dos valores. Alega ainda que não havia motivos para aguardar a decisão da Suprema Corte para tal fim , uma vez que no Brasil também é admitido o controle constitucional difuso, que se caracteriza pela permissão a todo e qualquer juiz ou tribunal de realizar, no caso concreto, a análise sobre a compatibilidade do ordenamento jurídico com a Constituição Federal. Assim, requer quer seja cassado o acórdão recorrido e restaurada a decisão de primeira instância. Esta Conselheira, como Presidente da Câmara recorrida, deu seguimento ao recurso especial. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 28/06/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Intimado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões (fls. 115/121), argüindo que o prazo inicial para contagem do direito a restituição /compensação é de cinco anos a partir da homologação tácita, conforme o art. 150, §§ 1° e 4° do Código Tributário Nacional (tese dos "cinco mais cinco"). Aduz que o Superior Tribunal de Justiça também firmou entendimento no sentido de que para tributo sujeito a homologação deve ser aplicada a mesma tese. Assim, requer que seja negado provimento ao recurso especial e mantida a decisão recorrida. É o relatório.” A ementa do julgado ora recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. É entendimento deste Colegiado que o prazo para pleitear a restituição dos valores pagos a título de Contribuição para o Finsocial com alíquotas superiores a 0,5% é de cinco anos contados da data da edição da MP n° 1.110, em 31/08/95. Recurso especial negado.” Irresignada, insurgese a Recorrente contra o acórdão a quo por meio do presente recurso extraordinário. Junta a Recorrente julgados deste Colegiado, satisfazendo assim, os requisitos para viabilizar seu apelo. Aponta, em síntese, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos, contandose o referido prazo a partir da data do pagamento indevido. O contribuinte apresentou contrarrazões, conforme as fls. 160 a 165. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao termo inicial do prazo decadencial para a repetição de indébito tributário. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 157 /158. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 28/06/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.009188/9757 Acórdão n.º 9900000.621 CSRFPL Fl. 170 5 No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 28/06/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 28/06/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.009188/9757 Acórdão n.º 9900000.621 CSRFPL Fl. 171 7 tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 28/06/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 28/06/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.009188/9757 Acórdão n.º 9900000.621 CSRFPL Fl. 172 9 tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 28/06/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição/compensação formulado em 23/12/1997 (fls. 1/25), de FINSOCIAL indevidamente pago entre de outubro de 1989 e março de 1992. Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do direito de restituição/compensação seria em 1999 e 2002, respectivamente. Como o pedido de restituição/compensação ora em apreço foi apresentado em 23/12/1997, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional para considerar o pedido de restituição/compensação tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 28/06/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13003.000439/2002-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/10/1988 a 30/04/1990
CONCOMITÃNCIA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ N. 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Sentença judicial que reconhece substituição no polo passivo em relação a crédito decorrente de outra ação transitada em julgado permite ao substituto optar entre a restituição via precatório e a compensação, cf. Súmula STJ n. 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial.
Numero da decisão: 3403-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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JUDICIAL Recorrente SYNTEKO PRODUTOS QUÍMICOS SA (GPC QUÍMICA SA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/10/1988 a 30/04/1990 CONCOMITÃNCIA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ N. 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Sentença judicial que reconhece substituição no polo passivo em relação a crédito decorrente de outra ação transitada em julgado permite ao substituto optar entre a restituição via precatório e a compensação, cf. Súmula STJ n. 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 3. 00 04 39 /2 00 2- 24 Fl. 3983DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Originase o presente em Pedido de Restituição (fl. 21) apresentado em 11/11/2002, no valor original de R$ 10.993.381,82, referente ao trânsito em julgado da Ação no 91.00079642, que tramitou perante a 2a Vara Federal de Belo Horizonte. Na ação (inicial às fls. 44 a 55), movida pela Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (doravante Cooperativa), demandase a restituição de “quotas de contribuição” (fundadas no Decretolei no 2.295/1986) pagas no período de 1987 a 1990. Na sentença de primeiro grau o pedido foi julgado improcedente (fls. 1893 a 1905). No TRF1 (fls. 1926 a 1932), dáse provimento parcial à apelação, para declarar indevida a exigência da “cota de café” após a Constituição Federal de 1988, reformandose apenas a forma de correção em sede de embargos declaratórios (fls. 1940 a 1944). O trânsito em julgado ocorre em 12/12/2000 (fl. 1947). A autora da ação então cede à empresa INVENSYS Appliance Controls LTDA (fls. 1987 a 2095) parte dos créditos de que é titular em função da referida ação judicial, medida à qual se opõe a PGFN (fls. 2096 a 2126), tendo em vista incorreção na atualização dos valores (o valor cedido é superior ao crédito total apurado pela Fazenda) e o fato de o instrumento de cessão não ser público. A cessão é, então, rechaçada pelo Poder Judiciário (fls. 2141 e 2142). Após a decisão, há desistência da cessão por parte das contratantes/distratantes (fls. 2145 e 2153). Em 13/05/2002, a Cooperativa desiste do pedido de execução do julgado (fl. 2154), “sem prejuízo de promover futura execução e sem que a desistência destrua o título judicial que tem a seu favor”, desistência homologada em juízo em 20/05/2002 (fl. 2156). Em 17/06/2012, a Cooperativa cede a integralidade do crédito decorrente da citada ação à recorrente (SYNTEKO Produtos Químicos S.A. doravante recorrente), por instrumento público, postulando em juízo ao ingresso da cessionária no polo ativo da ação (fls. 2159 a 2162). A Fazenda manifestase contrariamente (fls. 2194 a 2197), por não haver precatório em discussão, e por não estarem cumpridas as determinações da Lei no 9.469/1997 (art. 3o), mas o pedido da Cooperativa é aceito judicialmente (fls. 2209 a 2211). A recorrente então apresenta declarações de compensação (autuadas no processo administrativo no 13003.000440/200259 fls. 2215 a 2279, juntados ainda os processos no 13003.000441/200201 fls. 2280 a 2318; e no 13003.000442/200248 fls. 2319 a 2396). A recorrente, na qualidade de titular do título executivo, peticiona judicialmente em Mandado de Segurança no 200371000301832 (fls. 2637 a 2648), informando que opta pela compensação administrativa, desistindo da execução via precatório, mas demandando a inclusão de expurgos inflacionários (excluídos na via administrativa), determinado o TRF4 (fls. 2795 e 2796, e fls. 2827 e 2829) que o Fisco “se abstenha de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3984DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13003.000439/200224 Acórdão n.º 3403002.534 S3C4T3 Fl. 3.984 3 decidir/homologar o processo administrativo de compensação até o julgamento final do writ”. Na sentença de primeira instância do MS (fls. 2914 a 2916), concedese a segurança para “determinar à autoridade impetrada que, na correção monetária dos créditos da impetrante a serem compensados com débitos relativos a tributos exigidos pela Receita Federal, sejam incluídos os expurgos inflacionários relativos a janeiro de 1989 (42,72%), março de 1990 (30,46%), abril de 1990 (44,90%), maio de 1990 (2,36%) e fevereiro de 1991 (13,89%)”. Na via administrativa, a recorrente solicita o cancelamento de diversos pedidos de compensação (fls. 2657 a 2750), o que é indeferido pelo Fisco (conforme despacho decisório de fls. 2788 a 2793, emitido em 22/10/2003) por falta de amparo normativo. Em manifestação de inconformidade (fls. 2803 a 2810), aduz que não há qualquer comando legal que proíba a desistência, e esta foi exercida para fins de inclusão no PAES em 29/08/2003. A DRJ de Porto Alegre, em 16/04/2004 (despacho de fls. 2819 e 2820), declarase incompetente para análise da matéria (desistência de compensação). Contudo, é compelida, por força da sentença judicial de fls. 2983 a 2984, de 21/10/2004, a apreciar a manifestação de inconformidade, endossada pelo “recurso” de fls. 3075 a 3095. No despacho referente à opção pelo PAES (emitido em 19/01/2004, no processo administrativo no 13003.000165/200354 fls. 3128 a 3131), deferese o pedido de desistência das DCOMP, para os débitos vencidos até 28/02/2003, permitindo sua inclusão no PAES. Em relação aos demais débitos, deve haver sua liquidação à vista, sob pena de exclusão do programa. No mérito, a unidade local (DRF Porto Alegre) decide em 20/08/2004 (fls. 2926 a 2938) pela não homologação das compensações (informando já ter transitado em julgado o MS, em 10/11/2003), por serem estas efetivadas com base em créditos de terceiros (o que é normativamente vedado), e por não serem tributos as “quotas de contribuição sobre a exportação de café”, informando não haver na decisão qualquer ofensa à coisa julgada (ao dispositivo da sentença). Cientificada em 27/09/2004 da decisão da unidade local (AR à fl. 2980), a recorrente apresente manifestação de inconformidade em 26/10/2004 (fls. 3002 a 3019), especificamente em relação à parte do despacho decisório que nega a homologação das compensações, sustentando: (a) que há nulidade, por descumprimento de decisão judicial transitada em julgado, visto que a análise da homologação ocorreu antes da decisão final no processo referente ao Mandado de Segurança impetrado (cf. doc. de fl. 3051); (b) o texto do art. 74 da Lei no 9.430/1996 (com a redação dada pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003) não obsta compensação com crédito de terceiros (e se obstasse, não poderia a norma infralegal permitir a compensação com créditos de terceiros no âmbito do REFIS), sendo a limitação puramente infralegal (e, portanto, ilegal); e (c) reiteradas decisões do STF sobre a “quota de contribuição do café” a consideram tributo, e tal quota é administrada pela Receita Federal, conforme art. 16 da Lei no 7.739/1989. Em 17/02/2005, é proferida a decisão de primeira instância, tanto em relação à matéria da competência da DRJ, quanto no que se refere à questão que o colegiado analisa por determinação judicial (fls. 3155 a 3165), na qual se acorda unanimemente que: (a) é nula a decisão administrativa na parte em que apreciou pedidos de compensação apresentados pela contribuinte, por restar comprovada a existência de decisão judicial transitada em julgado que impede a manifestação do Fisco sobre tais pedidos até que o Poder Judiciário se pronuncie em definitivo sobre a matéria; e (b) a solicitação de desistência das compensações deve ser Fl. 3985DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 acolhida, com fulcro no art. 10 da Instrução Normativa no 360/2003. A ciência da decisão de primeira instância ocorre em 19/07/2005 (AR à fl. 3192), determinando à autoridade local a inclusão no PAES dos débitos decorrentes da desistência das compensações em 29/11/2005 (fl. 3194). Na apreciação da apelação no Mandado de Segurança, pelo TRF4, decidese que “diante da expressa vedação legal quanto à compensação, incabível a apreciação do pedido de inclusão dos expurgos inflacionários nos valores pretendidos pela Impugnante” (fls. 3382 e 3383). Após a interposição de embargos declaratórios, acolhidos, há, contudo, concessão total da segurança, decidindose que devem ser incluídos na correção monetária os expurgos inflacionários de fevereiro de 1989 (fl. 3392 a 3403). Diante da impossibilidade de análise das compensações restantes até a manifestação judicial definitiva (noticiandose que o processo judicial Mandado de Segurança no 2003.71.00.0301832 encontrase no STJ, com decisão em REsp favorável à União, vedando a compensação com créditos de terceiros), e diante da iminência de homologação tácita, emitese, em 15/01/2008, o despacho de fls. 3410 e 3411, no qual se determina a constituição do crédito tributário, com manutenção da suspensão da exigibilidade, no valor originário de R$ 5.375.486,49 (detalhado na planilha de fl. 3423), tarefa que se comunica ter sido efetuada em 13/02/2008, conforme documento de fl. 3422 (nos processos administrativos no 11080.001461/200839; no 11080.001457/200871; no 11080.001459/200860; e no 11080.001456/200826). No citado Resp (de no 962.096RS), o STJ denega a segurança, impedindo a compensação tributária com créditos de terceiro, por expressa vedação legal (fls. 3427 a 3443). São ainda rejeitados os embargos de declaração apresentados (fls. 3444 a 3449). Não havendo qualquer efeito suspensivo nas decisões do STJ, a autoridade administrativa emite, assim, em 25/06/2008, o despacho decisório de fls. 3465 a 3475, indeferindo o pedido de restituição, e, por consequência, não homologando as compensações pleiteadas, por impossibilidade de utilização de crédito de terceiros, em função de vedação legal. Informase ainda que os débitos parcelados no PAES (planilha de fl. 3360), por serem considerados confissão de dívida, serão tratados no âmbito daquele parcelamento. As DCOMP em papel para as quais não houve desistência estão detalhadas na planilha de fl. 3361, e as DCOMP eletrônicas na mesma situação, à fl. 3362. Tendo em vista que as DCOMP apresentadas de 29/05/2003 a 30/10/2003 (todas as DCOMP em papel e 6 DCOMP eletrônicas) foram objeto de lançamento de ofício, restariam a ser analisadas no presente processo 19 DCOMP eletrônicas, apresentadas de 31/10/2003 a 15/10/2004). Por fim, determinase o lançamento de ofício da multa isolada em relação a estas 19 DCOMP. Cientificada do despacho decisório em 26/07/2008 (AR à fl. 3482), a recorrente, já sob o nome de GPC Química S.A., apresenta sua Manifestação de Inconformidade em 27/08/2008 (fls. 3488 a 3508), repisando que a base legal apontada não veda a compensação com créditos de terceiros (vedação esta que foi inaugurada com a Lei no 11.051/2004), o que é inclusive acolhido pelo próprio Fisco (em soluções de consulta) e pelo CARF (então Conselho de Contribuintes), e que obteve decisão judicial transitada em julgado reconhecendo o crédito (que, no momento da compensação, já não eram de terceiros, mas de sua titularidade). Destaca, adicionalmente, que a análise do pedido de restituição e das compensações estava expressamente vedada até o trânsito em julgado do MS, o que ainda não ocorreu (tendo a recorrente interposto novos embargos de declaração ao Acórdão do STJ). Em 19/12/2008, a DRJ se declara incompetente para a análise da manifestação de inconformidade apresentada, por entender que as “quotas de contribuição Fl. 3986DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13003.000439/200224 Acórdão n.º 3403002.534 S3C4T3 Fl. 3.985 5 sobre exportação de café” não são “contribuições exigidas quando do despacho aduaneiro de mercadorias”, matéria de sua competência regimental (fl. 3740). Em 13/05/2010, a unidade local encaminha à DRJ notícia de que houve o trânsito em julgado do MS da recorrente, pelo STJ (REsp no 962.096RS). Em 05/08/2011 a DRJ efetua o julgamento de primeira instância (fls. 3757 a 3773), apreciando a manifestação de inconformidade da recorrente, acordando unanimemente que há expressa vedação legal (art. 74, § 2o, II, “a” da Lei no 9.430/1996) à utilização de créditos de terceiros para compensação; e que somente o sujeito passivo da obrigação tributária tem direito à restituição de tributo considerado indevido. Apesar de não constar no processo a ciência da recorrente à decisão de primeira instância, como atesta a própria unidade preparadora (fl. 3981), houve a interposição de Recurso Voluntário a este CARF, datado de 03/11/2011, no qual se informa que a ciência ocorreu em 10/10/2011. Assim, encaminhouse o recurso, como tempestivo, para julgamento. No Recurso Voluntário (fls. 3785 a 3816), alegase que houve equívoco por parte da 1a Turma do STJ na denegação da segurança à recorrente, pois, além de não enfrentar o pedido feito (possibilidade de inclusão de expurgos inflacionários), julgou extra petita, negando o próprio direito de compensação, em afronta aos arts. 128 e 460 do CPC. E visando sanar tal equívoco, foi ajuizada a Ação Rescisória no 4.679, pendente de decisão, e que objetiva a desconstituição do referido julgado. Assim, não merecem prosperar os argumentos da decisão recorrida no sentido do trânsito em julgado do MS, vez que a ação rescisória reabre a discussão da matéria no âmbito judicial. Solicitase, destarte, a suspensão do julgamento deste recurso voluntário até a decisão final da mencionada ação rescisória. Alegase ainda erro na fundamentação do Acórdão da DRJ, que invoca, no julgamento de compensações formuladas em 2002 e 2003, norma que entrou em vigor em 2004 (Lei no 11.051/2004), além de suscitar equivocadamente as disposições dos arts. 111 e 170 do CTN, não havendo, assim, à época dos pedidos de compensação, qualquer vedação legal à utilização de créditos de terceiro (repisando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade). Por fim, aduz que tem direito à restituição do crédito, com fundamento no art. 165 do CTN, e que tal direito é disponível (cf. art. 286 do Código Civil), e já foi acolhido em decisão deste CARF (Acórdão no 30134.371). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Partindo do pressuposto de que a autoridade preparadora (por falha em seus controles) assumiu como tempestivo o recurso voluntário, por não mais ter meios de verificar a tempestividade, assumese que o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No presente processo, pouco resta a discutir em sede de recurso voluntário, visto que a quase integralidade das questões tratadas já foi objeto de manifestação judicial definitiva. E na última decisão transitada em julgado, no STJ, acordouse que: Fl. 3987DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 “TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITOS SEM A PARTICIPAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL. NEGÓCIO JURÍDICO ENTRE PARTICULARES. 1. O § 12, II, a do artigo 74 da Lei n. 9.430 de 1996, veda expressamente a utilização de créditos de terceiro para fins de compensação. 2. O art. 123 do CTN nega validade aos negócios jurídicos entre particulares para produzir efeitos sobre os fenômenos da responsabilidade pelo pagamento de tributos. 3. A Lei n. 10637, de 2002, por seu art. 49, somente permite a compensação de débitos próprios do sujeito passivo com créditos seus. 4. Não há lei autorizando a compensação tributária com crédito de terceiros. Há, portanto, de se homenagear o princípio da legalidade. 5. No REsp 803.629, a Primeira Turma assentou que a cessão de direitos de créditos tributários só tem validade para fins tributários quando do negócio jurídico participa a Fazenda Pública. Precedente: REsp 653553/MG, Rel. Denise Arruda. 6. Recurso da Fazenda Nacional provido para denegar a segurança, impedindose, consequentemente, a compensação tributária com créditos de terceiros.” (REsp 962096/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/10/2007, DJ 29/10/2007, p. 198) (grifo nosso) Apresentados embargos por duas vezes à referida decisão do STJ, assim se manifestou em caráter final aquela corte: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. ARGUMENTO NÃO SUSCITADO NO PRIMEIRO RECURSO INTEGRATIVO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PEDIDO DE INCLUSÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. EXTINÇÃO DO PROCESSO POR ILEGITIMIDADE. CRÉDITOS DE TERCEIROS. JULGAMENTO EXTRA PETITA. NULIDADE NÃOVERIFICADA. EMBARGOS REJEITADOS. 1. Inviável se mostra a oposição de novos embargos de declaração fundados em questões não suscitadas no primeiro recurso integrativo, porquanto atingidas pela preclusão consumativa. Precedentes do STJ. 2. “O Tribunal de origem, ao apreciar apelação em mandado de segurança, está autorizado a verificar as condições da ação e os pressupostos de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo, sem que isso importe em decisão extra petita ou omissão, por não ter sido analisado o mérito da demanda” (REsp 591.829/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26/10/06). Fl. 3988DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13003.000439/200224 Acórdão n.º 3403002.534 S3C4T3 Fl. 3.986 7 3. Embargos rejeitados.” (EDcl nos EDcl no REsp 962096/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2008, DJe 26/11/2008) (grifo nosso) Assim, sobre a alegação de que houve equívoco por parte da 1a Turma do STJ na denegação da segurança à recorrente, pois, além de não enfrentar o pedido feito (possibilidade de inclusão de expurgos inflacionários), julgou extra petita, negando o próprio direito de compensação, em afronta aos arts. 128 e 460 do CPC, nada se pode opor administrativamente, visto que é cediço que os tribunais administrativos não possuem competência para revisão de decisões judiciais. Ademais, já é historicamente assentada no CARF (a ponto de se refletir na primeira súmula do tribunal), que: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (grifo nosso) Não se pode, assim, discutir no presente processo a eventual possibilidade de compensação com o crédito de terceiro, visto que essa matéria é expressamente tratada no processo judicial. E se foi tratada no processo judicial à revelia do pedido da recorrente, falece a esta corte administrativa competência para discutir tal assunto, sendo o instrumento cabível a Ação Rescisória. E foi essa exatamente a medida adotada pela recorrente, que ajuizou a Ação Rescisória no 4.679, pendente de decisão, e que objetiva a desconstituição do citado julgado. Na referida ação, pedese antecipação dos efeitos da tutela (fl. 3868), para determinar: “ao Réu que se abstenha de concluir o processo administrativo restituição c/c compensação n. 13003. 000439/200224 até a decisão final a ser proferida nos presentes autos, tendo em vista que o v. acórdão rescindendo não poderia ter impedido a compensação administrativa pleiteada pela autora naqueles autos”. (grifo nosso) Sobre o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, já houve manifestação do STJ, no sentido de que: “PROCESSO CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. ANTECIPAÇÃO DA TUTELA. CARÁTER EXCEPCIONAL. HIPÓTESES DO ART. 273, DO CPC. AUSÊNCIA. MEDIDA INDEFERIDA. 1. A antecipação dos efeitos da tutela na ação rescisória é providência de caráter excepcional, pois representa a suspensão liminar de uma decisão judicial transitada em julgado. Nesse contexto, cabe ao autor comprovar a presença dos requisitos do art. 273, do CPC e ao magistrado avaliar se a relevância dos argumentos suscitados e as peculiaridades do caso concreto autorizam a mitigação dos efeitos do decisum protegido pela coisa julgada. Precedentes. Fl. 3989DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 2. Na hipótese, não é possível a suspensão liminar do processo administrativo, pois nada impede que se prossiga na análise do feito e seja indeferido o pedido de restituição c/c compensação com base em outros fundamentos não suscitados pela decisão albergada pela coisa julgada. Por outro lado, não havendo nenhum ato concreto que indique a exigência de tributo pelo ente fazendário, nem resistência à expedição de certidões negativas em razão desse fato, está afastado o perigo de dano irreparável ao autor da rescisória, caso essa prossiga sem a concessão da tutela antecipada. 3. Pedido de antecipação da tutela indeferido.” (Ação Rescisória n. 4.679RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, julgado em 03/06/2011, DJe 08/06/2011) Em que pese o posicionamento judicial contrário à antecipação da tutela, solicitase agora no Recurso Voluntário, de forma semelhante, que haja a suspensão do julgamento até a decisão final da mencionada ação rescisória. Recordese que a suspensão da apreciação administrativa das compensações até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança era expressa na decisão judicial obtida pela recorrente. Contudo, tendo havido o trânsito em julgado, verdadeira “norma jurídica individual e concreta” que define um “esquema de agir” entre Estado e contribuinte na feliz expressão de Tércio Sampaio Ferraz Jr.2, e tendo sido impetrada Ação Rescisória após tal trânsito em julgado, na qual se indefere o pedido de antecipação dos efeitos da tutela que buscava obstar a análise administrativa, sucumbem os argumentos impeditivos do prosseguimento do processo administrativo, seja porque tal direito não obteve guarida judicial, seja porque não está legalmente assegurado, ou ainda porque a discussão de mérito sobre o cabimento da compensação com crédito de terceiro está agora, na Ação Rescisória, sendo travada judicialmente, o que configura a concomitância referida na Súmula CARF n. 1. E estando tal discussão sobre o cabimento da compensação em relação a crédito de terceiro sub judice, ainda que em sede de ação rescisória (após trânsito em julgado de sentença que denegava tal compensação), incabível a análise administrativa dessa matéria (vedação à compensação com créditos de terceiro e dos argumentos expressos no Recurso Voluntário em relação a ela) pelo CARF, sob pena de ferirse a unidade de jurisdição. Resta assim analisar tãosomente a matéria que não é diretamente objeto da discussão judicial: o pleito alternativo de restituição do crédito, com fundamento no art. 165 do CTN, e na disponibilidade de tal direito, pleito esse que se informa já ter sido acolhido em decisão anterior deste CARF (Acórdão no 30134.371). Tal acórdão foi assim ementado: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 22/12/1987 a 02/06/1988. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE TERCEIROS. É vedada a compensação de tributos e contribuições federais com créditos adquiridos de terceiros, descabendo a homologação das compensações efetuadas sob essa égide (art. 74 da Lei no 9.430/96 e IN SRF no 41/2000). Deferida a substituição de parte, motivada na cessão de crédito de terceiros, no polo ativo de ação ordinária já transitada em julgado, de forma a que nele venha a constar a recorrente, e não tendo sido estabelecida nem referida no despacho judicial a permissão para compensação de 2 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3990DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13003.000439/200224 Acórdão n.º 3403002.534 S3C4T3 Fl. 3.987 9 tributos, há que se entender o direito como hábil para qualquer outra modalidade de aproveitamento, exceto aquela decorrente do instituto de compensação previsto no art. 170 do CTN. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Não existindo na legislação de regência qualquer proibição a que o crédito da substituinte de parte no polo ativo da ação, fundada na cessão de crédito de terceiros, seja objeto de deferimento por meio de processo de restituição, desde que atendidos os requisitos disciplinares estabelecidos nos atos administrativos da RFB, é lícito o reconhecimento do direito creditório e a restituição do valor do crédito pleiteado. RECURSO PROVIDO EM PARTE.” (Relator José Luís Novo Rossari, qualidade, Sessão de 23/04/2008) Compulsando a íntegra do acórdão, contudo, não se visualiza no caso analisado pelo antigo Terceiro Conselho de Contribuintes a situação de trânsito em julgado de ação posterior no sentido de que o “art. 123 do CTN nega validade aos negócios jurídicos entre particulares para produzir efeitos sobre os fenômenos da responsabilidade pelo pagamento de tributos”, nem a existência de Ação Rescisória. Assim, sensivelmente diferentes são os casos. Ademais, mesmo que presentes idênticas circunstâncias, o julgamento efetuado em um processo (seja em casos nos quais a decisão ocorre por voto de qualidade, como no presente, ou por unanimidade) não possui qualquer força vinculativa em relação a outros julgamentos por turmas diversas (ou até pela mesma turma) do CARF. No presente processo, há decisão judicial transitada em julgado assegurando o crédito à Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé. E isso não é objeto de questionamento. Intocável assim o crédito judicialmente assegurado em definitivo à empresa. O crédito é então cedido à recorrente. Em que pese a expressa oposição da Fazenda Nacional (fls. 2194 a 2197), por não haver precatório em discussão, e por não estarem cumpridas as determinações da Lei no 9.469/1997 (art. 3o), a cessão é deferida judicialmente (fls. 2209 a 2211), no seguinte sentido: “DEFIRO o PEDIDO de inclusão da cessionária SYNTEKO PRODUTOS QUÍMICOS S.A. no polo ativo desta ação, em substituição COOPERATIVA REGIONAL DE CAFEICULTORES EM GUAXUPÉ LTDA”. A decisão é autorizadora da substituição no polo passivo da Ação Judicial. Naquele momento, o contribuinte optou pela compensação, opção esta que está assentada na Súmula STJ n. 461. “Súmula STJ no 461 O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado”. (grifo nosso) Vejase que a Súmula n. 461 do STJ (derivada da aplicação do art. 66, § 2o da Lei no 8.383/91, quando invocada a tutela jurisdicional) não assegura o direito à restituição administrativa, garantindo apenas a possibilidade de recebimento via precatório (com execução judicial da sentença) ou compensação. Esse reconhecimento é patente na própria inicial da ação judicial da recorrente (fl. 2638): Fl. 3991DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 “2. A documentação ora trazida à colação (doc. 04/05), demonstra que a Impetrante figura no polo ativo de uma ação judicial de repetição de indébito tributário, ora transitada em julgada, em decorrência da qual é titular de um direito de crédito contra a União Federal, resultante do titulo executivo originado da referida ação, o qual lhe confere o direito de promover a execução do julgado. (...) 4. Em vista disso, dispõe o contribuinte da faculdade de optar, no momento de iniciar a execução do julgado, se prefere receber seu crédito via precatório, ou via compensação. 5. Esta é, inclusive, a orientação do Egrégio Tribunal Regional Federal da 4 Região: (...) EMENTA: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. OPÇÃO ENTRE COMPENSAR E RESTITUIR. REMESSA OFICIAL. É facultado ao contribuinte manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio de precatório regular ou mediante compensação. A opção por um ou outro tipo de repetição, importa que o exequente desista expressamente do outro”. Vejase que o pedido é totalmente alinhado ao entendimento jurisprudencial sobre a matéria, externado na referida Súmula STJ n. 461. Um dos julgamentos paradigmáticos em relação a tal súmula é o REsp no 1.114.404/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC, constituindo julgado de observância obrigatória por este CARF, por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do colegiado), e que apresenta a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO POR VIA DE PRECATÓRIO OU REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR. FACULDADE DO CREDOR. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1."A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, do valor devido" (REsp n. 614.577/SC, Ministro Teori Albino Zavascki). 2. A opção entre a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação que teve a eficácia de declarar o indébito. Precedentes da Primeira Seção: REsp.796.064 RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22.10.2008; EREsp. Nº 502.618 RS, Primeira Seção, Rel. Fl. 3992DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13003.000439/200224 Acórdão n.º 3403002.534 S3C4T3 Fl. 3.988 11 Min. João Otávio de Noronha, julgado em 8.6.2005; EREsp. N. 609.266 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 23.8.2006. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 1114404/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 10/02/2010, DJe 01/03/2010)” (grifo nosso) Unânime, destarte, o posicionamento no sentido de que se apresenta como alternativa à compensação em decorrência de sentença judicial transitada em julgado o direito de repetição via precatório. Tanto o STJ (Súmula n. 461) quanto a recorrente o reconhecem. Da mesma forma que não se pode confundir restituição com compensação, não se pode confundir restituição administrativa em virtude de sentença judicial com repetição de indébito via precatório (que está sujeita a atributos orçamentários próprios). O que busca a interessada com a restituição administrativa guarda características de uma execução administrativa da sentença judicial. O posicionamento aqui externado é endossado por precedente de substancial similitude neste tribunal administrativo. Vejase o voto condutor (unânime em relação ao tópico analisado) do Acórdão no 20402.110: “Verificase que a sentença e o acórdão da apelação cível se limita (sic) a autorizar a compensação do PIS recolhido a maior com o próprio PIS ou outros tributos administrados pela SRF, sem sequer mencionar o direito à restituição. Não poderia ser diferente, haja vista o motivo pelo qual a contribuinte ajuizou a préfalada ação judicial, detalhado pelo acórdão recorrido, confirase (fl. 698): (...) Assim, falece competência à autoridade administrativa para autorizar a restituição quando a decisão judicial ordenou a compensação dos seus créditos. Esclareçase, não se está negando direito ao referido crédito, mas tão somente afirmando que deve exercêlo dentro dos limites impostos pela decisão judicial transitada em julgado na Apelação Cível 9604589865, que lhe autorizou apenas o direito à compensação com o próprio PIS, conforme se verifica às fls. 521/522 dos autos.” (Conselho de Contribuintes, Acórdão 20402.110, Relator Cons. Rodrigo Bernardes de Carvalho, maioria, sessão de 24.jan.2007) (grifo nosso) No mesmo sentido já decidiu unanimemente esta Terceira Turma por meio do Acórdão n. 3403001.832, em 27/11/2012. Improcedente, assim, a argumentação da recorrente no que se refere à restituição administrativa da contribuição. Fl. 3993DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 12 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 3994DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 11516.003314/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 03 31 4/ 20 10 -5 1 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003314/201051 Resolução nº 2401000.320 S2C4T1 Fl. 503 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA em face do acórdão de fls. 368/378 que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.263.2904 lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa e destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. O relatório fiscal apontou que a recorrente foi objeto de verificações Preliminares Obrigatórias sendo que, no cotejo declaração versus escrituração, com o auxilio do sistema Contágil, foi apurada a ocorrência de discrepâncias em relação a pagamento efetuados a empregados e a trabalhadores autônomos, conforme abaixo: (i) Verificouse na escrita contábil a ocorrência de pagamentos a contribuintes individuais, a titulo de serviços de terceiros, sem a inclusão desses profissionais em folha de pagamentos de acordo com as normas e padrões estabelecidos pela legislação; (ii) Verificouse, também, que as folhas de pagamento apresentadas continham incorreções quanto ao pagamento de salário família, pagamento de férias, pagamento de rescisões de contrato de trabalho e do décimo terceiro salário. (iii) Verificouse ainda que uma parcela desses pagamentos (segurados empregados e contribuintes individuais) deixou de ser declarada em GFIP. A recorrente foi então intimada a apresentar esclarecimentos sobre as divergências de base de cálculo verificadas no confronto GFIP versus Folha de Pagamentos em relação à remuneração de empregados e de contribuintes individuais, bem como em relação aos descontos de contribuições dos respectivos segurados, bem como para apresentar GFIP com as remunerações não declaradas no período de 10/2005 a 13/2007. Mesmo prestados os esclarecimentos requeridos, a recorrente deixou de apresentar as GFIP’s retificadoras, motivo pelo qual foram considerados como fatos geradores do lançamento em análise: LEVANTAMENTO D1 — DIFERENÇA DE BC MULTA DE OFICIO referese as diferenças de contribuições a cargo da empresa relativas aos fatos arrolados nos itens 5 a 9 acima, destinadas à seguridade social e as contribuições para financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos' ambientais do trabalho (SAT/RAT) incidentes sobre as remunerações devidas ou creditadas a qualquer titulo aos empregados e/ou contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nas Fl. 503DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003314/201051 Resolução nº 2401000.320 S2C4T1 Fl. 504 3 competências de 10/2005 e 13/2005; 01/2006 a 09/2006; 11/2006 a 02/2007; 04/2007 a10/2007; 12/2007 e 13/2007 LEVANTAMENTO D2 — DIFERENÇA DE BC MULTA DE MORA referese as diferenças de contribuições a cargo da empresa relativas aos fatos arrolados nos itens 5 a 9 acima, destinadas a seguridade social e às contribuições para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT) incidentes sobre as remunerações devidas ou creditadas a qualquer titulo aos empregados e/ou contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nas competências de 11/2005 e 12/2005; 10/2006; 03/2007 e 11/2007. O período apurado compreende a competência de 10/2005 a 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 15/09/2010 (fls. 01). O lançamento foi impugnado, todavia, em sua peça a recorrente, dentre outros fundamentos, reconheceu a procedência do lançamento efetuado, todavia, defendendose no sentido de que as diferenças apontadas no relatório fiscal foram devidamente quitadas, quando o mesmo fora intimado a apresentar esclarecimentos acerca das diferenças apuradas. Em seu recurso, sustenta o cerceamento de seu direito de defesa originado do fato do v. acórdão de primeira instância ter denegado o seu pedido de produção de provas para que os recolhimentos das diferenças por ela efetuados fossem objeto de apropriação, mesmo quando o julgamento de primeira instância veio a reconhecer que esta efetuou recolhimentos a maior. Acrescenta que a presente autuação pretende modificar matéria já discutida no Poder Judiciário, que em todas as instâncias reconheceu o seu direito de não efetuar os pagamentos de contribuições sobre o salárioeducação e INCRA. Que a realização de novo lançamento, quando já existente coisa julgada pelo Judiciário caracteriza o crime de excesso de exação. Defende ser entidade que goza de imunidade tributária, de acordo com o art. 195, 7o da CF/88, além de serem indevidas as contribuições ao INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO. Finaliza argumentando que a multa aplicada possui caráter confiscatório. Na assentada de 11 de julho de 2012 esta Eg. Turma converteu o julgamento em diligência, de acordo com o seguinte dispositivo: Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam os autos baixados à origem, de modo que o fiscal autuante informe a este Colegiado se os valores de recolhimento efetuados a maior pela recorrente e assim reconhecidos pelo v. acórdão de primeira instância (i) foram efetuados antes ou após o lavratura do presente Auto de Infração e em que datas; (ii) se tais recolhimentos se identificam com os valores das diferenças lançadas no presente Auto de Infração e (iii) se foram recolhidos acompanhados de juros e multa, sendo suficientes Fl. 504DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003314/201051 Resolução nº 2401000.320 S2C4T1 Fl. 505 4 à quitar totalmente a imposição tributária objeto do presente Auto de Infração. Sobreveio resposta às fls. 488/493, que em conclusão apontou o seguinte: 10. É forçoso concluirse, portanto, com base na legislação pertinente, que qualquer recolhimento realizado pelo sujeito passivo após início do procedimento fiscal não deve ser considerado pelo auditor fiscal em razão da perda da espontaneidade e que, a exceção prevista de aproveitamento de quaisquer recolhimentos anteriores ao procedimento fiscal, depende, necessariamente, do atendimento do contribuinte à intimação (obrigatória) da fiscalização para apresentação de GFIP retificadora Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003314/201051 Resolução nº 2401000.320 S2C4T1 Fl. 506 5 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares Relator Ao analisar atentamente o resultado da diligência requerida por esta Eg. Turma na assentada de 11 de julho de 2012, verifico que a ilustre auditora, em que pesem seus argumentos, manifestouse no sentido de simplesmente contraporse aos fundamentos da diligência requerida, sem, no entanto, cumprir aquilo o que veio a ser requerido por esta Eg. Turma. Da análise de sua resposta esta resumese a justificar a impossibilidade de apropriação de pagamentos eventualmente realizados a maior pela contribuinte, bem como que seria ônus desta em demonstrar eventual recolhimento a maior do que o efetivamente declarado em GFIP. Utilizou para fundamentar sua posição os próprios argumentos constantes no v. acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação. No entanto, com a devida vênia, ressalto, mais uma vez, que a existência de pagamentos superiores aos declarados, fora, inclusive, objeto de reconhecimento pelo acórdão de primeira instância, conforme se percebe do seguinte trecho que inclusive constou da resposta ao pedido de diligência. Vejamos: Deste modo, embora da analise dos recolhimentos vinculados à autuada na base de dados da Receita Federal do Brasil, observarse que em grande parte do período abrangido pela ação fiscal em comento, houve, de fato, recolhimentos, em valor superior aos declarados em GFIP, não tendo a autuada efetuado a correção das informações em GFIP, ante a ausência de qualquer instrumento constitutivo do crédito relativo às diferenças devidas pela empresa, é incabível considerar as contribuições recolhidas antes do inicio da ação fiscal.” Resta claro, a meu ver, que a conclusão acerca da existência de recolhimentos a maior que os declarados fora extraída dos próprios sistemas informatizados da SRFB, conforme restou verificado pelos julgadores de primeira instância. Logo, verifico da resposta ao pedido de diligência, que este não fora cumprido, sequer em parte, pois resumiuse a ilustre auditora a rebater os fundamentos eu justificaram o pedido.Tanto é assim que a sua conclusão foi a seguinte: 10. É forçoso concluirse, portanto, com base na legislação pertinente, que qualquer recolhimento realizado pelo sujeito passivo após início do procedimento fiscal não deve ser considerado pelo auditor fiscal em razão da perda da espontaneidade e que, a exceção prevista de aproveitamento de quaisquer recolhimentos anteriores ao procedimento fiscal, depende, necessariamente, do atendimento do contribuinte à intimação (obrigatória) da fiscalização para apresentação de GFIP retificadora. Entendo, pois, que a diligência requerida às fls. 477/482, deve ser renovada, por não ter sido cumprida nos seus exatos termos, de modo que a fiscalização venha a responder de forma objetiva, justificada e pontual os questionamentos efetuados. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 11516.003314/201051 Resolução nº 2401000.320 S2C4T1 Fl. 507 6 Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os autos baixem a origem e o fiscal autuante informe a este colegiado se os valores de recolhimento efetuados a maior pela recorrente e assim reconhecidos pelo v. acórdão de primeira instância (i) foram efetuados antes ou após o lavratura do presente Auto de Infração e em que datas; (ii) se tais recolhimentos se identificam com os valores das diferenças lançadas no presente Auto de Infração e (iii) se foram recolhidos acompanhados de juros e multa, sendo suficientes à quitar totalmente a imposição tributária objeto do presente Auto de Infração. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 11080.006634/2009-96
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE EXTENSÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73).
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Ricardo Anderle acompanhou a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Ricardo Anderle. Ausentes Justificadamente: German Alejandro San Martin Fernandez e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73). Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Ricardo Anderle acompanhou a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 66 34 /2 00 9- 96 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Ricardo Anderle. Ausentes Justificadamente: German Alejandro San Martin Fernandez e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 02//06 e 23/26, foi efetuado o lançamento de Imposto de Renda Pessoa do anocalendário 2005, 2006 e 2007, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 54.403,94, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Intimado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação, fls. 132/158. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 484/487): “ As considerações que embasam o lançamento, na análise feita pela AFRF autuante, desconsidera total e definitivamente, as razões que conduzem ao entendimento da fonte geradora Fundação Médica do Rio Grande do Sul que tais rendimentos são, realmente, BOLSAS DE EXTENSÃO ou PESQUISA, conclusão que deflui, inarredavelmente, do que estabelecem os artigos 1°, combinado com o parágrafo 1º do artigo 4º , da Lei 8.958. de 20/12/1994, assim como o artigo 1º , c/c o art. 5º , par. 2º , do Decreto n° 5.205, de 14/09/2004, que regulamenta a lei antes referida. Neste contexto, ademais, podese concluir, que a conclusão do fisco federal destoa, frontalmente, do objetivo precípuo e fundamental dessas normas legais, as quais surgiram no mundo jurídico brasileiro exatamente para propiciar um ambiente adequado ao exercício, por funcionários públicos, como os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no desenvolvimento das atividades de uma Fundação de Apoio, umbilicalmente ligada a um HOSPITAL ESCOLA (HCPA), e que exerce o grande papel de impulsionador da pesquisa científica, na área médico assistencial, desse modo propiciando aos profissionais das áreas da saúde o aperfeiçoamento e continuidade de sua formação, com Bolsas de Extensão, mormente na coordenação de ações de formação profissional dos Médicos Residentes. A UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS), prevê, conforme seu Estatuto (Anexo 03), conforme seu artigo 3º, inc. VII: indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o que é confirmado, como finalidade precípua, no seu artigo quinto. E, conforme estabelece seu artigo 7º, inc. II, faz parte de sua estrutura o HOSPITAL UNIVERSITÁRIO. Neste aspecto, convém ressaltar que o dito "hospital universitário" se consubstancia no HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE (HCPA), o qual, diversamente da totalidade ou maioria dos casos constatados pelo Brasil afora, não é uma entidade componente da própria universidade, mas uma EMPRESA PÚBLICA de direito privado, criada pela Lei n°. 5.604, de 02/09/1970, com patrimônio próprio e autonomia Fl. 562DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006634/200996 Acórdão n.º 2802002.586 S2TE02 Fl. 3 3 administrativa, vinculada à supervisão do Ministério da Educação. (Grifos do original). Com a realização das metas dos programas de extensão universitária, voltados, precipuamente, para a preceptoria dos médicos residentes com as Bolsas de Extensão patrocinadas pela Fundação Médica a seus membros (médicos e professores da UFRGS), a Fundação Médica do RGS, atuando junto ao Hospital de Clínicas, faz irradiar para a população por este atendida, a qualificação técnica e cientifica permanente desses profissionais, pois que esta qualificação, decorrente dos programas de extensão, traduzse melhor assistência, maiores e indiscutíveis benefícios à saúde pública e ao tratamento dos pacientes do Sistema Único de Saúde. A Fundação Médica do Rio Grande do Sul e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre firmaram Convênios Operacionais para disciplinar as atividades de apoio ao ensino e à extensão. Neste contexto, desde a sua criação e com a sua evolução, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, com a colaboração de seus membros, entre os quais se insere o impugnante, cumpre importante papel educacional e principalmente social, colaborando com o cumprimento da obrigação constitucional cabível ao Estado, de promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica, na forma do disposto no Capítulo IV "Dá Ciência e Tecnologia", do Título VIII DA ORDEM SOCIAL, especialmente, no artigo 218 e seus parágrafos, da Constituição da República Federativa do Brasil. Para a realização/consecução de Convênios e seus respectivos programas, portanto, inserese a atuação dos membros da Fundação Médica do R. G. do Sul, que são professores da UFRGS, e que se adaptam ao sistema de bolsistas, uma vez, como funcionários públicos, auferem a sua remuneração com tal vínculo com a Universidade Federal, muitos deles com dedicação exclusiva, não podendo, portanto, manter outros vínculos trabalhistas. Aí se inserem as disposições trazidas pela Lei 8.958/94, especialmente em seu artigo 4o c parágrafos, que define a inexistência de vinculo empregatício de qualquer natureza,... "podendo as fundações contratadas, para sua consecução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão". Como se vê, o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizado como contraprestação de serviços, sugerida pelo Auto de Infração ora impugnado, visto se tratar de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico. Não é compreensível, do ponto de vista da repercussão social de uma atividade eminentemente socializante, voltada ao bem comum, como é a do HCPA, atuando em conjunto com a Fundação Médica, que o fisco federal envide esforços no sentido de obter, junto a esta entidade que não possui fins lucrativos, a arrecadação de importâncias de vulto, desfalcando a Fundação Médica daqueles mesmos recursos que advêm do Governo Federal. É o Poder Fl. 563DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Central dando com uma mão e tirando com a outra, como se discorre popularmente. Não há como se aceitar a informação, trazida pelo Auditor Fiscal, de que a atividade dos bolsistas se volta, diretamente, aos pacientes do Hospital de Clínicas. A atividade dos bolsistas alcança e beneficia, indiretamente, os pacientes do HCPA, através da Fundação Médica, irradiando, através do aperfeiçoamento dos profissionais e otimização dos serviços do Hospital, o bem estar da sociedade. Neste contexto, não há BENEFÍCIO PARA A FUNDAÇÃO MEDICA, ou para o HCPA, como afirma o autuante, mas benefício para os pacientes do hospital de Clínicas e para todos os que, de algum modo, se beneficiam dos reflexos desta atividade eminentemente de cunho social. (Grifos do original). A Lei n° 8.958/94 e o Decreto n° 5.205/2004 que a regulamentou, (Anexo 16), deferem amplo amparo à participação do servidor das IFES (Instituição Federal de Ensino Superior) na consecução de projetos de pesquisa, ensino e extensão gerenciados pelas fundações de apoio. Essa participação do servidor proporciona o recebimento de bolsas como incentivos a esses servidores, ou seja, aos funcionários da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que, como professores participam, na qualidade de membros da Fundação Médica, dos projetos de pesquisa e de extensão. Destarte, para a execução desses contratos ou convênios, no qual denominamos projetos, lícita é a utilização de pessoal da UFRGS, onde se insere o impugnante, corroborado inclusive pelo art. 4o,§ 1º , da lei n° 8.958/94, autorização esta repetida no decreto regulamentar. A legislação em foco é cristalina e terminantemente expressa, ao determinar que as bolsas concedidas pelas fundações de apoio são ISENTAS da exação de Imposto de Renda, mostrandose, dessa forma, correto o procedimento do impugnante ao declarar a bolsa de extensão como rendimento não tributável. Ainda que, num conceito mais amplo, a atividade dos médicos membros da Fundação Médica, como o autuado, possa ser entendida como prestação de serviço, visto que a atividade pessoal de qualquer profissional, em qualquer contexto e em qualquer circunstâncias assim possa ser entendida, seja pelo esforço mecânico, seja pelo intelectual, esta precípua prestação se insere num contexto estreito e especifico de realização de PROGRAMAS DE FORMAÇÃO EXTENSIVA, que pode ser vista como CURSOS DE PÓSGRADUAÇÃO, somente definidos, em sua essência, em função das normas e dos motivos que lhe dão forma e sustento. E mais, devese gizar e repisar, esta prestação mesmo que consigne a existência de um CONTRATO, como plasmado no nosso Código civil, arts. 538 e seguintes não representa benefício para o doador, de maneira alguma, muito embora a doação pressuponha o exercício de uma atividade do profissional beneficiado (contratante), e muito embora a Fundação Médica não tenha qualquer interesse próprio ou exclusivo nesta DOAÇÃO, ou na sua contrapartida, mesmo porque os recursos que viabilizam tais bolsas advém do Hospital de Clínicas e, de certo modo, representam verbas federais. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006634/200996 Acórdão n.º 2802002.586 S2TE02 Fl. 4 5 Ora, o impugnante, na condição de bolsista, recebe os valores transferidos pela Fundação Médica a título de doação, como prescreve a lei civil, realizando a doação como forma de incentivar a pesquisa e extensão que serão empregadas em benefício da sociedade como um todo, pois a transferência de conhecimento e treinamento aos alunos (médicos residentes) feitos através do desenvolvimento do programa de extensão resultará em um melhor atendimento assistencial a pacientes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, justificandose usufruir o benefício da isenção específica criada para o caso inexistindo qualquer benefício ou contraprestação em favor da Fundação Médica. Mais, ainda, constatase que a concessão de bolsas não representa, em contrapartida, benefício para o doador, a Fundação, vez que esta está apenas repassando verbas públicas, de cunho orçamentário, e que possuem, a priori, esta destinação específica e integral de cobertura para realização dos programas de extensão universitária. A contraprestação de serviço não está presente, no conceito aplicado pela fiscalização da Receita Federal, pois que o beneficiário da bolsa constituise em mera peça de uma grande engrenagem, inserido no sistema de gerenciamento e realização dos projetos de educação e extensão, vinculados a residência médica, refletindo o interesse do Governo Federal (Comissão Nacional de Residência Médica Resolução n° 02/2006, de 17 de maio de 2006), através do HCPA, mas com a participação permanente e indispensável da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, como a Fundação de Apoio que gerencia a consecução dos programas de extensão da Universidade. Ante todos os argumentos expostos, confiando no elevado senso de justiça dos julgadores no âmbito do processo administrativofiscal da Receita Federal do Brasil, acreditandose que a presente impugnação será amplamente analisada, temos que é difícil concluirse de forma diversa à argumentação exposta, em face à clareza da norma que ampara o impugnante. Sendo assim, requer o impugnante seja recebida e conhecida a presente Impugnação, propugnando pela sua integral acolhida, tornando nulo ou insubsistente o Auto de Infração acima referido, isentando o impugnante ao pagamento do Imposto de Renda e seus acréscimos legais lançados, ante a prova cabal de que se trata de rendimentos isentos ao imposto. Requer ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitido, especialmente, até mesmo a prova pericial, se assim entender necessário ou útil a essa Turma de Julgamento, para se confirmar e consagrar a inexigibilidade da inclusão da bolsa de extensão na apuração tributável do Imposto de Renda, daí decorrendo a desconstituição do crédito tributário objeto do Auto de Infração. Buscando corroborar suas razões de defesa, cita ao longo de sua peça contestatória, ementas de decisões administrativas e judiciais exaradas sobre os temas que desenvolve. A 4ª Turma da DRJ Porto Alegre RS manteve o auto de infração por meio do Acórdão nº. 1030.414, de 20 de abril de 2011, com a seguinte ementa (fls. 483): Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS BOLSAS DE EXTENSÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A bolsa de estudo e pesquisa isenta do imposto de renda é aquela recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação por serviços prestados pelo beneficiário do rendimento. Os valores recebidos por pessoa física a título de bolsa de extensão que importem contraprestação de serviços são tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente notificada do Acórdão em 13/05/2011, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls.501/522, em 13/05/2011, aduzindo, em síntese: 1. é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS em Porto Alegre/RS, e que nesta condição, tornouse membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, apto a desempenhar as atividades complementares à docência, sob a forma de atividade de extensão, nos termos da Resolução 02/94 do COCEP, desenvolvendo as atividades lastreadas em "TERMO DE COMPROMISSO PARA CONCESSÃO DE BOLSA DE EXTENSÃO"; 2. após levar a cabo auditoria fiscal junto à Fundação Médica do Rio Grande do Sul, a Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre, por seus auditores, houve por bem penalizar (Auto de Infração) a entidade em face à não retenção de Imposto de Renda sobre os valores que repassa a seus associados, a título de BOLSAS DE EXTENSÃO. Concomitantemente, iniciou procedimentos de auditoria junto a diversos médicos, membros da Fundação, revisando as Declarações de Ajuste Anuais de Imposto de Renda e promovendo lançamentos suplementares, a partir da consideração de se tratar de rendimentos tributáveis; 3. a conclusão do Fisco destoa da natureza isenta das bolsas de extensão ou pesquisa, nos termos do artigo 1º, combinado com o parágrafo lº Fl. 566DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006634/200996 Acórdão n.º 2802002.586 S2TE02 Fl. 5 7 do artigo 4º, da Lei no 8.958, de 20/12/1994, assim como o artigo 1º, c/c o art. 5º, § 2º, do Decreto n° 5.205, de 14/09/2004; 4. o objetivo precípuo e fundamental dessas normas legais foi o de propiciar um ambiente adequado ao exercício, por funcionários públicos, como é o caso dos professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, do adequado desenvolvimento das atividades de uma Fundação de Apoio, umbilicalmente ligada a um HOSPITAL ESCOLA (HCPA), que exerce um grande papel impulsionador da pesquisa científica, na área médico assistencial. Atuação esta que propicia aos profissionais da área da saúde o aperfeiçoamento e a continuidade de sua formação, com Bolsas de Extensão, mormente de formação profissional dos Médicos Residentes; 5. a Fundação Médica do Rio Grande do Sul é uma fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que é o hospital escola da UFRGS e que teve sua imunidade tributária reconhecida na Ação Ordinária no 2002.71.00.0460139, da Justiça Federal; 6. os membros dessa fundação, na condição de professores da UFRGS, atuam como preceptores na formação complementar dos médicos residentes que participam dos programas de extensão universitária da UFRGS, beneficiando a população que busca o atendimento médico ambulatorial do hospital escola; 7. a Lei nº 6.932, de 07/07/1981, que dispõe sobre as atividades do médico residente, prevê, no seu artigo primeiro, que a residência médica constitui modalidade de ensino de pós graduação; 8. com o advento da Lei nº 8.958/94, que criou o modelo de operacionalidade para o relacionamento das instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul providenciou sua adaptação estatutária à nova regra, tornandose FUNDAÇÃO DE APOIO credenciada perante o Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia; 9. como fundação de apoio, é rigorosamente fiscalizada pelo TCU e pelo Ministério Público, que garantem o cumprimento das seguintes características: natureza privada (que lhe confere autonomia), a finalidade não lucrativa (pelo desempenho de funções públicas) e administração profissionalizada (que lhe confere eficiência); 10. o TCU, nº Acórdão nº 5682/2010 2ª Câmara, reconheceu o atendimento dos requisitos da lei, e portanto a legitimidade do sistema de concessão de bolsas de extensão aos membros da Fundação Médica, confirmando que não há vínculo empregatício; 11. os professores bolsistas são funcionários da UFRGS e só com ela mantêm vínculo empregatício. Muitos deles, inclusive, atuam no Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 regime de dedicação exclusiva e não podem manter outros vínculos trabalhistas; 12. neste contexto, o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizado como contraprestação de serviços, como sugerido pelo Auto de Infração ora em grau de recurso, visto se tratarem de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico; 13. as autuações do Fisco estão, de certo modo, tornando inviável a própria atividade da Fundação Médica, podendo ocasionar sérias repercussões sociais; 14. o fato das bolsas de extensão se repetirem, para o mesmo membro da Fundação Médica, em anos sucessivos, não desvirtua a sua natureza, pois os programas e projetos se renovam anualmente; 15. . as atividades dos bolsistas não beneficiam a Fundação Médica, mas, indiretamente, os pacientes do hospital escola, através do aperfeiçoamento dos profissionais e da otimização dos serviços; 16. o HCPA possui corpo próprio e plenamente satisfatório de funcionários, principalmente de médicos, de modo que, a participação dos membros da Fundação Médica representa mera complementação, justamente por se tratar de programas de extensão da UFRGS, com os objetivos traçados no Estatuto desta Fundação; 17. as atividades de extensão dos professores médicos vinculados à Fundação Médica do Rio Grande do Sul, na consecução dos programas derivados dos convênios com o HCPA, estão definidas na Resolução no 02/94, do Conselho de Coordenação do Ensino e da Pesquisa da UFRGS, especialmente no seu item 2.3, quando se refere às atividades de extensão, referentes ao “PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE DE DOCÊNCIA EM RESIDÊNCIA MÉDICA” e ao projeto de extensão “ATIVIDADES DIDÁTICAS COMPLEMENTARES EM GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTENCIAL NO HCPA”; 18. a jurisprudência administrativa e judicial corroboram com esse entendimento, já existindo diversas decisões judiciais com trânsito em julgado. Junta aos autos memorial de julgamento, dando enfoque nos seguintes argumentos: a) Como ente da relação que seleciona os membros dos projetos que vão receber as bolsas, é evidente o papel da FMRS enquanto doadora, e não mera repassadora, conforme descrito pelo auto; b) Inexiste contraprestação de serviço ou vantagem econômica para o suposto doador; c) Menciona a existência de vasta Jurisprudência Favorável; d) Invoca a aplicação da Súmula Nº 73 do CARF sob o argumento que conforme verificado às fls. 38 e 84, os informes de rendimentos entregues pela fonte pagadora indicavam as bolsas em questão Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006634/200996 Acórdão n.º 2802002.586 S2TE02 Fl. 6 9 como rendimentos isentos e/ou não tributáveis, motivo pelo qual foram lançados dessa maneira pelo recorrente. Ou seja, fica clara a necessidade de se excluir a multa de ofício lançada;e) Finaliza requerendo a extinção. integral do crédito tributário e, alternativamente, não acolhido o pedido anterior, a exclusão da multa punitiva aplicada. Na sustentação oral o patrono reforça os argumentos apresentados, relativos as seguintes questões: a) Da inexistência de contraprestação de Serviços; b) Inexistência de Vantagem Econômica; c) Aplicação da Súmula 73 do CARF. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. No mérito, o ponto fulcral da controvérsia reside em determinar se os rendimentos recebidos pelo contribuinte, a título de “Bolsa de Estudo e Pesquisa” são doações, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96, como assevera a recorrente; ou constituem rendimento tributável, por consistirem em retribuição à contraprestação de serviços, conforme entendimento da autoridade lançadora, referendado pelo julgamento de primeira instância. A legislação de regência determina no art. 26 da Lei nº 9.250/95, que para a bolsa de estudo e de pesquisa ser enquadrada como rendimento isento é indispensável que a mesma seja recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas, que os resultados de tais atividades não representem vantagem para o doador e que não importem em contraprestação de serviços. De pronto, cabe esclarecer que não restam dúvidas sobre a importância dos serviços prestados pelo contribuinte e seus colegas em um setor tão castigado no nosso País. Entretanto, a presente análise versa exclusivamente sobre o aspecto tributário de incidência do imposto de renda sobre as referidas verbas. No presente caso, resta evidente que a remuneração recebida pelo recorrente não atende aos requisitos legais. Neste sentido, valhome das bem lançadas razões apresentadas por vasta jurisprudência, deste colegiado, ao analisar Recursos Voluntários de outros professores da UFRGS, que versam sobre matéria idêntica., (Acórdãos nº 2101002.043 de 24 de janeiro de 2013, Acórdão nº 2201001.925 de 22 de janeiro de 2013, Acórdão nº 2802002.510, de 18 de setembro de 2013, Acórdão nº 2102001.216 de 13/04/2011, etc..), que assim dispõem: “Legislação de regência: Segundo o art. 3º, §1º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer Fl. 569DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Por sua vez, o § 4º do mesmo artigo determina que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Ademais, o próprio Código Tributário Nacional CTN estabelece que são irrelevantes para qualificar a natureza jurídica específica do tributo a denominação e demais características formais adotadas pela lei (seu art. 4º). Por outro lado, o art. 176 do CTN determina que a isenção é sempre decorrente de lei, e seu art. 111, inciso II, exige que a sua outorga deve ser interpretada literalmente. Do mesmo modo, o §6º do art. 150 da Constituição Federal exige que qualquer isenção de impostos só possa ser concedida mediante lei específica. Assim, quando a renda auferida pelo contribuinte for enquadrada no conceito de rendimento tributável, tornase irrelevante a denominação que lhe foi dada, somente sendo lícito se falar em isenção quando esta for concedida de forma expressa pela lei. Para o pagamento em discussão, o art. 43 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda, fazendo um apanhado da legislação federal, determina a tributação das bolsas de estudo e de pesquisa (inciso I). Entretanto, o art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, traz os requisitos para que tais verbas possam ser consideradas isentas. Transcrevese o texto legal: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Parágrafo único. Não caracterizam contraprestação de serviços nem vantagem para o doador, para efeito da isenção referida no caput, as bolsas de estudo recebidas pelos médicoresidentes.(Incluído pela Lei nº 12.514, de 2011) Desta forma, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006634/200996 Acórdão n.º 2802002.586 S2TE02 Fl. 7 11 Assim, devese verificar se as verbas em discussão atendem, cumulativamente, a todos os requisitos acima elencados. Basta que um deles não ocorra no caso concreto, para que prevaleça a regra geral de tributação. Acrescentese que o simples fato dos rendimentos pagos se denominarem de bolsas de extensão não afasta a aplicação da isenção legal para bolsas de estudo e de pesquisa, desde cumpridos os mesmos requisitos. Neste processo, a recorrente foi remunerada por meio de bolsa de estudo e pesquisa conforme a Lei n° 8.958, de 20 de dezembro de 1994. Assim, para a correta compreensão do caso, é necessário se conhecer o conteúdo de parte dessa lei, com a redação vigente por ocasião da ocorrência dos fatos geradores, bem como do Decreto n° 5.204, de 14 de setembro de 2004, que a regulamentou, como a seguir transcrevo: Lei n° 8.958, de 1994 Art. 1º As instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica poderão contratar, nos termos do inciso XIII do art. 24 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e por prazo determinado, instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico de interesse das instituições federais contratantes. (...) Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. (...) Decreto n° 5.204, de 2004: Art.5o A participação de servidores das instituições federais apoiadas nas atividades previstas neste Decreto é admitida como colaboração esporádica em projetos de sua especialidade, desde que não implique prejuízo de suas atribuições funcionais. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 (...) §2o A participação de servidor público federal nas atividades de que trata este artigo não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo a fundação de apoio conceder bolsas nos termos do disposto neste Decreto. Art.6o As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) §3o A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. §4o Somente poderão ser caracterizadas como bolsas, nos termos deste Decreto, aquelas que estiverem expressamente previstas, identificados valores, periodicidade, duração e beneficiários, no teor dos projetos a que se refere este artigo. (...) Art.7o As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Assim, é fato que a legislação que criou e regulamentou as fundações de apoio às instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica determinou que as bolsas de ensino, pesquisa e extensão pagas aos professores daquelas instituições deveriam atender aos requisitos da lei isentiva, e portanto não seriam tributadas pelo imposto de renda. Entretanto, na situação sob análise, concordo com a conclusão do lançamento e do acórdão a quo de que os pagamentos decorreram da contraprestação de serviços, como passo a esclarecer. Caso concreto: O recorrente é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e participou de projeto firmado entre a universidade e sua fundação de apoio, a FUNDAÇÃO Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006634/200996 Acórdão n.º 2802002.586 S2TE02 Fl. 8 13 MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL, sendo remunerado por meio de bolsas de estudo e pesquisa. Foram esses os projetos que originaram as bolsas: Projeto de Cirurgia e especialidades cirúrgicas Projeto de Ginecologia e Obstetrícia Projeto de Medicina Interna e especialidades clínicas, Projeto de Medicina Social:, Projeto de Otorrinolaringologia e Oftalmologia, Projeto de Patologia, Projeto de Psiquiatria:Projeto de Pediatria: A simples descrição das atividades realizadas pelo recorrente, demonstra seu nítido caráter de contraprestação de serviços. Como bem destacado no acórdão de primeira instância: “ Os documentos sob exame, não obstante denominados de "Termo de Compromisso", tratam, na verdade, de acordos de vontades contratos estipulados entre a Fundação e o impugnante, determinando direitos e deveres para ambas as partes. A prestação das atividades de preceptoria e coordenadoria, obrigação do contribuinte, corresponde a obrigação da Fundação de pagamento da "bolsa de extensão", durante a vigência do contrato, obrigação essa que possui o nítido caráter de contraprestação. Os projetos realizados, de acordo com o contrato, propiciam ao professor da UFRGS, instituição à qual o HCPA está vinculado, o desempenho de atividades complementares à docência, sob a forma de preceptoria e/ou coordenadoria. Essas atividades se consubstanciam, na realidade, em efetiva prestação de serviços educacionais, médicos ou de consultoria. O Convênio Operacional n° 01/2004 (fls. 304/318), firmado entre o HCPA e a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, trata desse programa os posteriores Convênios a ele relacionados simplesmente reiteram os seus termos. Pelo referido Convênio, de acordo com seu item "7", a Fundação Médica tem como obrigação "desenvolver programa de extensão de preceptoria em residência médica mediante assistência pelos professores e médicos residentes aos pacientes do SUS Sistema Único de Saúde, em nível ambulatorial, hospitalar e de diagnósticos, perante o HCPA" (Grifei). Destarte, o Convênio deixa inequívoco que o "preceptor" realiza suas atividades de preceptoria mediante "orientação de médicos residentes no seu treinamento médico" a pacientes do SUS no HCPA. Além disso, importa notar que a Fundação em comento como a leitura dos itens "5" e "7", alínea "e" do Convênio Operacional n° 01/2004 elucida utiliza recursos do SUS para o custeio do Programa em foco, por meio de repasse da instituição apoiada, o HCPA. Desse modo, as "bolsas de extensão" relativas a esse projeto são pagas pelo HCPA ao recorrente com recursos do SUS, atuando a Fundação, na prática, como pessoa interposta na mediação desses recursos. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 Destaquese que o HCPA é diretamente beneficiado com o pagamento das "bolsas de extensão" pela Fundação, pois a atividade do recorrente contribui tanto para que o Hospital realize a prestação de serviços médicos para os pacientes do SUS (do qual recebe verbas federais), quanto para que o HCPA atue como hospital escola da UFRGS. Tais benefícios à pessoa doadora (HCPA) têm, indubitavelmente, clara faceta econômica, desnaturando, conjuntamente com o caráter de prestação de serviços das atividades desenvolvidas sob o programa, a pretensão à isenção com relação às "bolsas de extensão" concedidas pela Fundação ao contribuinte. No que diz respeito ao documento emitido pelo TCU, relativo ao processo 001.622/20102, juntado aos autos pelo interessado, constatase que o mesmo informa que os pagamentos efetuados pela Fundação Médica a seus associados, em forma de bolsas de extensão e pesquisa, referente aos convênios ou contratos celebrados, caracterizamse como bolsas, não criando vínculo empregatício de qualquer natureza. Destarte, o fato de inexistir vínculo empregatício entre a Fundação Medica e os professores bolsistas não tem o condão de classificar as referidas bolsas como rendimentos isentos, não sujeitos à incidência do imposto de renda. Acrescentese, mais uma vez, que a isenção depende de lei específica, conforme estabelece o § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 17/03/93. Apesar do esforço retórico, não consigo vislumbrar essa atividade eventual nos serviços descritos no "Termo de Compromisso”. Ao contrário, os documentos descrevem um serviço técnico, prestado em caráter duradouro por um longo período, e com obrigações e direitos para todas as partes. Desta forma, entendo que os valores pagos na forma de bolsa de estudos e pesquisa ao contribuinte constituem pagamento pelos serviços técnicos prestados em favor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de sua fundação de apoio, a Fundação Médica do RGS. No mais, quanto aos argumentos trazidos na sustentação oral – retroatividade benigna em função da Lei 12871/13 cumpre destacar que a LEI Nº 12.871, DE 22 DE OUTUBRO DE 2013: , não é expressamente interpretativa, portanto não se enquadra nas exceções previstas no art. 106 do CTN por isso, não pode retroagir. Decisões administrativas e judiciais: O recorrente afirma que a jurisprudência administrativa e judicial corrobora o entendimento de que as bolsas de estudo e extensão possuem natureza isenta. As decisões do Conselho de Contribuintes indicadas não se aproveitam ao caso, pois trataram de bolsas de estudo e pesquisa que não representavam vantagem para o doador, nem importavam contraprestação de serviços. De modo contrário, recentes decisões desta 2ª Seção de Julgamento têm confirmado a natureza tributável de verbas semelhantes. Dentre muitas, transcrevo a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006634/200996 Acórdão n.º 2802002.586 S2TE02 Fl. 9 15 BOLSAS DE EXTENSÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. Hipótese em que as bolsas de extensão pagas correspondiam à contraprestação dos serviços de ensino, coordenação e consultoria prestados em favor da Fundação Médica do Rio Grande do Sul e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73) Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº2201001.925, 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, sessão de 22 de janeiro de 2013, relatora RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA) Quanto à esfera judicial, de fato o recorrente demonstra a existência de diversas decisões da Justiça Federal de Santa Maria/RS que consideraram bolsas de estudo semelhantes como isentas. Salvo melhor juízo, um dos principais fundamentos desses julgados é que não houve produção de vantagens para a fundação que concedeu as bolsas, a não ser pela consecução de seus objetivos estatutários. Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a Fundação Médica do RGS, entidade que concedeu a bolsa, mas sim a UFSM, e logo o resultado não se daria em proveito o doador. Com todo respeito que o argumento merece, penso que não se sustenta a uma análise mais aprofundada. A uma, porque os recursos que financiaram as bolsas derivam das entidades que se beneficiaram diretamente com os serviços. E a duas, porque o art. 6º do Decreto n° 5.204, de 2004, determina que os resultados das bolsas de ensino, pesquisa e extensão não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta. Se o argumento fosse correto, estaria aberta uma verdadeira avenida para a supressão de tributos sobre verbas remuneratórias, bastando repassar os valores a serem pagos Fl. 575DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 primeiro a uma fundação de apoio, que pagaria as quantias na forma de bolsas que atendessem às determinações de seus estatutos. Quanto a Multa de Ofício Conforme se verifica dos autos, o pagamento das referidas verbas foi feito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sem retenção do imposto de renda na fonte, fls. 36 e 81, que partindo do entendimento de que as referidas verbas eram referentes a bolsas de estudos, e assim tinham caráter indenizatório. Pela forma que as verbas foram pagas, entendo que se trata de situação em que o recorrente pode ter sido induzido a erro quanto ao tratamento tributário dos referidos rendimentos, pois, como a DIPF é feita com base na Declaração de Rendimentos recebida da fonte pagadora e esta apresentava estes rendimentos como não tributáveis, provavelmente o contribuinte assim os declarou. Tratase, portanto de situação de erro escusável, como já decidido em inúmeros precedentes do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme jurisprudência abaixo elencada: MULTA DE OFÍCIO DADOS CADASTRAIS O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. (CSRF/014.825, j. 16.02.2004, Rel. Antonio de Freitas Dutra) IRPF RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO NA FONTE ANTECIPAÇÃO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada,exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação no ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO DADOS CADASTRAIS O lançamento efetuado com dados cadastrais espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comporta multa de ofício. Recurso especial parcialmente provido.” (CSRF/0400.058, j.21.06.2005, Rel. Remis Almeida Estol). Assim, entendo que não se trata de verba isenta ou não tributável, mas que o contribuinte pode ter sido induzido a erro, pelas informações prestadas pela fonte pagadora, configurando, portanto, erro escusável. Situação na qual, devem ser tributados os rendimentos, mas afastada a multa de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento PARCIAL ao recurso apenas para afastar a multa de oficio sobre os rendimentos recebidos a título de “bolsa de estudos”. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.006634/200996 Acórdão n.º 2802002.586 S2TE02 Fl. 10 17 (Assinado Digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 577DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.923060/2009-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira E Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira E Corintho Oliveira Machado (Presidente). A contribuinte alegou que no exercício de 2002 apurou e recolheu valores atinentes a contribuições sociais de PIS e Cofins sobre outras receitas, que não o faturamento, com base na Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do seu artigo 3º foi declarado inconstitucional pelo STF, quando do julgamento do RE 346.084/PR, em 09/11/95. Em face desse fato deduziu pelos recolhimentos de valores de PIS e Cofins efetuados a maior/indevidamente, buscando então a sua compensação perante a repartição fiscal de sua circunscrição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 23 06 0/ 20 09 -2 0 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.923060/200920 Resolução nº 3803000.298 S3TE03 Fl. 6 2 Por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº 848671554, de 07/10/09 (fls. 49/52), emitido pelo Sistema de Controle de Crédito da RFB, a autoridade administrativa que analisou o limite do crédito original informado em PER/DComp nº 09138.10847.160707.1.3.046741, transmitida em 16/07/07, constatou que o referido crédito foi utilizado integralmente para a quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando saldo credor disponível para a compensação dos débitos informados na DComp, pois de acordo com o detalhamento da compensação, os valores devedores e emissão de DARF assinala que o valor declarado na DComp é o mesmo que o saldo devedor apurado para compensação de R$ 34.573,65. Irresignada com o teor do despacho retromencionado o sujeito passivo manifestou a sua inconformidade deduzindo sucintamente acerca da legitimidade do seu direito de realização da compensação informada, cujo crédito originouse a partir da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que propiciou o alargamento da base de cálculo do PIS e Cofins, defendendo inclusive pela atualização dos valores indevidamente recolhidos, nos moldes previstos no artigo 39, § 4o, da Lei nº 9.250/95, ou seja, mediante incidência da taxa Selic para requerer pela insubsistência do despacho guerreado e o seu posterior arquivamento. Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 8ª Turma da DRJ/CPS, quando em sessão realizada em 08/02/12, proferiram decisão por meio do Acórdão nº 05 36.844, cuja ementa encontrase adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 Compensação. Créditos. Comprovação. É requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do credito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão em questão partiu do pressuposto de que a DComp tem a finalidade de formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, cabendo àquela a responsabilidade pelas informações acerca dos créditos e os débitos, e à autoridade administrativa a necessária verificação e validação/homologação, se for o caso, confirmando a extinção do crédito, ou invalidando as informações prestadas. Ou seja, o reconhecimento do direito creditório oponível à Fazenda Nacional depende de prova, a ser produzida pelo interessado. Assinalou o referido acórdão que a contribuinte, a título de elemento probante do alegado, fez colação aos autos da DComp, da DCTF e de DARF, bem assim que o exame realizado acerca dos débitos e créditos por ela informados à Administração, revelou como causa da não homologação, a utilização integral do crédito original para a extinção anterior de outros débitos, ou seja, não existia o crédito utilizado para a compensação não existia. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.923060/200920 Resolução nº 3803000.298 S3TE03 Fl. 7 3 A decisão de primeira instância reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pela Lei nº 9.718/98, a partir do julgamento dos RE nos 390.840, 346.084 e 358.273, bem assim do RE 585.2351, quando decidiu o STF reconhecer a repercussão geral da questão constitucional em tela, em acórdão proferido em sessão de 10/09/2008, publicado no DJE no 227 de 28/11/2008, e transitado em julgado em 12/12/2008. Isto tudo com base no Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, c/c o art. 26 A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o procedimento administrativo fiscal no âmbito da RFB, na alteração promovida pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como de acordo com a edição pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, do Parecer PGFN/CRJ/N° 492, de 22/03/2010 e a Portaria PGFN n° 294, de 2010, que veio a prever a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, em determinados casos dentre os quais se incluiu o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3°, §1° da Lei n. 9.718/98. Concluiu que o reconhecimento da não incidência não implica, necessariamente, o reconhecimento de direito creditório, pois tal fato exige do pleiteante que demonstre a existência e a magnitude de parcelas indevidas nos recolhimentos que fez. Nenhum elemento nesse sentido existe nos autos e a contribuinte não logrou comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado, condição para a homologação da compensação declarada. A ciência eletrônica por decurso de prazo/disponibilização do teor da decisão de primeira instância na caixa postal da contribuinte ocorreu em 16/04/12, com previsão para o vencimento dessa ciência em 01/05/12. Ocorre que mesmo não se encontrando expressa a data de interposição do recurso voluntário nos autos, a data de emissão do despacho de encaminhamento pela repartição preparadora dos autos do processo em sede de recurso voluntário para o CARF, nele incluso o respectivo recurso, efetivouse em 22/05/12, portanto antes do vencimento do prazo estabelecido para ciência pela contribuinte. A recorrente reafirmou minudentemente os argumentos expendidos na exordial para requerer: (i) a reforma da decisão hostilizada; (ii) o reconhecimento da legitimidade do crédito pleiteado e a incidência da taxa Selic até a data da efetiva homologação; (iii) a anuência para a juntada dos documentos em anexo (DCTF, DIPJ/2004, Razão analítico – de 01 a 30/04/03, Planilha de Cálculo do PIS/Pasep e Cofins, conforme decisão do STF de 09/11/05, DARF – Cód. receita 2172 e PA 04/03), em respeito ao princípio da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.923060/200920 Resolução nº 3803000.298 S3TE03 Fl. 8 4 Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios no período de apuração do 2º trimestre/2003, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico (fls. 49/52), bem assim na listagem de créditos e saldos remanescentes (fl. 57/58) e no Demonstrativo Analítico de Compensação (60), ambos de lavra da Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança da Receita Federal do Brasil – CODAC, que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. A referida decisão também reconheceu a origem do crédito apresentado pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que havia instituído o conceito que culminou alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Ademais disso há o pleito para o acolhimento de documentos acostados aos autos inoportunamente. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo quando assinalou que cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém à homologação confirmando a extinção da obrigação tributária. Em relação ao pleito formulado pela contribuinte para o acolhimento de documentos colacionados aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário, a título de dar cumprimento aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa temse a observar. A dinamicidade do Direito possibilitou a aplicação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do processo administrativo tributário, como subsídio na busca e para a formação da convicção do juízo do julgador por ocasião de seu pronunciamento, tendo em vista o deslinde da querela. Consubstanciado no conjunto de provas que lhe são apresentadas, inclusive aquelas entregues a extemporaneamente, este princípio também permite ao julgador ir para além da formalidade processual, pontuada por alguns limites temporais ou materiais, para lhe propiciar a busca pela verossimilhança, por uma ordem de maior aproximação da verdade, em tempo razoável. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.923060/200920 Resolução nº 3803000.298 S3TE03 Fl. 9 5 A complexidade das matérias e o dever de decidir nos processos administrativos vinculado à força probante, tornou possível a interação entre a verdade formal e a material, bem assim a prevalência desta sobre aquela, suplantando a dicotomia de prevalência da forma sobre o conteúdo, eis que a verdade absoluta ainda reside na utopia, no ideal. Com isso, na busca de seu convencimento a autoridade julgadora pode e deve se utilizar de ferramentas que confiram segurança jurídica naquilo que lhe é ambíguo, inclusive do instituto da diligência. Inobstante a legitimidade do lançamento e das provas acostadas aos autos sob exame, oportunamente, a juntada de novas provas ainda que extemporâneas, não compromete o devido processo legal, impossibilitará a alegação de cerceamento de defesa, não trará prejuízo às litigantes, e dará mais elementos com vistas ao fortalecimento da convicção do julgador. Com estas observações acolho o pleito da recorrente para anuir afirmativamente à juntada da documentação trazida aos autos juntamente com o recurso voluntário e, para que não se venha porventura a alegar a supressão de instância, proponho pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa competente se certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. É como voto. Sala de Sessões de 25 de junho de 2013 (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/11/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.031186/94-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1992, 1993
NULIDADE DE LANÇAMENTO
Em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim como não enseja nulidade de auto de infração quando lavrado por agente capaz, contendo os requisitos exigidos pelo art. 10, do mesmo decreto.
PIS.CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO
É válida a exigência formalizada com base nos Decretos-Leis n°s 2445 e 2449/88, declarados inconstitucionais, quando não exceder a contribuição devida com base na Lei Complementar n° 7/70 e alterações.
Numero da decisão: 3201-001.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Assim como não enseja nulidade de auto de infração quando lavrado por agente capaz, contendo os requisitos exigidos pelo art. 10, do mesmo decreto. PIS.CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO É válida a exigência formalizada com base nos DecretosLeis n°s 2445 e 2449/88, declarados inconstitucionais, quando não exceder a contribuição devida com base na Lei Complementar n° 7/70 e alterações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 11 86 /9 4- 70 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “DA AUTUAÇÃO De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 02), foi constatado pela fiscalização que a empresa, no período de 01/1992 a 12/1993, não recolheu nem declarou em DCTF as contribuições ao Programa de Integração Social – PIS. Em razão da falta apurada, foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo, em 03/08/1994, o seguinte auto de infração: Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 13/14): Crédito tributário no valor de 155.829,61 UFIR (cento e cinquenta e cinco mil, oitocentas e vinte e nove unidades fiscais de referência e sessenta e um centésimos), incluídos tributo, multa e juros de mora calculados até 01/08/1994, com enquadramento legal descrito às fls. 14, cujos demonstrativos se encontram nas fls. 03/12. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a presente autuação, a empresa acima identificada, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 17/19, acompanhada dos documentos de fls. 20/41, alegando, em síntese, que: O auto de infração deve ser anulado. Foi solicitada tutela jurisdicional por meio de medida cautelar e ação ordinária para recolher a contribuição em questão de acordo com a Lei Complementar nº 7/1970 e alterações posteriores sem as exigências dos Decretoslei nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988 e de multas, juros e correção monetária. Obteve liminar em 09/12/1988 para recolher o PIS nos termos da referida lei complementar, e depositou o montante em litígio, o que impede a imposição de qualquer penalidade. Ademais, foram proferidas decisões judiciais favoráveis e definitivas nas ações propostas. Na medida cautelar, discutese apenas a verba honorária (doc. 2 – fls. 20/24) e, na ação ordinária, foi reafirmada a inconstitucionalidade dos referidos decretoslei, com trânsito em julgado e encaminhamento à vara de origem em 29/08/1994 (doc. 3 – fls. 25/32). Portanto, nulo o auto de infração. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.031186/9470 Acórdão n.º 3201001.499 S3C2T1 Fl. 212 3 Ainda que subsistisse a contribuição, a multa aplicada de 100% é ilegal, pois havia dispensa de apresentação de DCTF relativa a 1992 (Instruções Normativas nº 20/1993 e nº 68/1993). Ademais, não foi observado o disposto no art. 1º da Lei nº 8.696/1993. Diante do exposto, requer a nulidade do auto de infração. Posteriormente, foram anexados aos autos os documentos de fls. 44/74. Em 09/11/1998, o presente processo foi encaminhado à DRF/SPO/ECCOB/SP para intimar o contribuinte a apresentar Certidão de Objeto e Pé do processo nº 88.00489265 (fls. 75). Em atenção a esta solicitação, foram feitas algumas considerações relativas ao processo nº 88.00489265, bem como foi providenciada a juntada aos autos dos documentos de fls. 77/81, nos termos do despacho de fls. 82. É o relatório.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1625.948, de 07/07/2010, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1992, 1993 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial em face da Fazenda Nacional com o mesmo objeto, antes ou posteriormente à autuação, importa em renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR A DECADÊNCIA. O crédito tributário não declarado/recolhido que seja objeto de discussão judicial ainda não superada por decisão definitiva deve ser lançado de ofício a fim de prevenir a decadência. MULTA DE MORA. A multa de mora se aplica somente ao crédito tributário exigido por meio do procedimento de cobrança administrativa domiciliar e nos pagamentos espontâneos efetuados intempestivamente. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. (art. 106, II, “c”, do CTN). MULTA DE OFÍCIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A multa de ofício não é devida somente nas hipóteses em que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa antes de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEPÓSITO JUDICIAL. A existência de depósitos judiciais não afasta a exigência dos juros moratórios e correção monetária. Porém, na conversão em renda da União, os valores convertidos devem extinguir o respectivo crédito tributário na data dos depósitos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1992, 1993 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto nº 70.235/1972. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. Não trazendo aos autos documentos hábeis e idôneos que sustentem as alegações aduzidas, mantémse o lançamento efetuado no tocante a estas alegações. Impugnação Improcedente Crédito tributário mantido em Parte. O julgamento foi no sentido de tornar a impugnação procedente em parte, apenas para aplicar o percentual de 75% à multa de ofício, por conta da retroatividade benigna e manter o restante do crédito tributário. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz, basicamente, as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta, dentre outros, pedido de cancelamento dos autos, tendo em vista o inciso X do art. 156 do CTN (decisão judicial passada em julgado). Bem como, rebate: sobre a aplicação da multa de 75%, tendo em vista hipótese de suspensão da exigibilidade do tributo, pois há depósito judicial do valor do tributo exigido; e que o auto de infração foi lavrado em 03/08/94 e destituído das observações do art. 142 do CTN. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o processo de auto de infração do Programa de Integração Social – PIS, relativas ao períodos de 01/1992 a 12/1993, não recolhidas nem declaradas em DCTF . Com início do procedimento fiscal em 20/04/93, com ciência na mesma data pelo Sr. Antônio Fl. 219DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.031186/9470 Acórdão n.º 3201001.499 S3C2T1 Fl. 213 5 dos Santos Marques Pereira. Formalizado o Auto de Infração em 03/08/94. Com base no Art 3°,, alínea b da Lei Complementar n° 7/70 c/c art 55, §único de Lei Complementar n° 17/73, e, art. 1° do Decreto Lei 2.1445/88 c/c art l° do Decreto Lei 2.449/88 Inicialmente, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por tudo que foi exposto, sendo improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, não deve ser acolhida a preliminar com esse fundamento. Quanto a necessidade da lavratura do auto de infração, temse que a constituição do crédito tributário depende do lançamento. O crédito passa a existir com esse procedimento com a exigibilidade suspensa ou não. De acordo com o art. 142 do Código Tributário Nacional, surgida a obrigação tributária, nasce também para a Administração Tributária e seus agentes o dever de realizar o lançamento correspondente, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI 6 Destarte, constatada a falta de pagamento de PIS, ainda que, eventualmente, tivesse sido efetuado o depósito de seu montante integral, porém, não convertido em renda, determinase o lançamento fiscal para a constituição do crédito tributário, pois caso não se faça o lançamento, ultrapassado o prazo decadencial previsto no CTN, a Administração Tributária perderá o direito de formalizar o crédito tributário e não poderá alegar que não o fez em virtude da suspensão de sua exigibilidade ou devido ao fato de a matéria estar sub judice, pois o prazo de decadência não se suspende nem se interrompe. Passando ao enfrentamento do mérito, o contribuinte ingressou em juízo com a Medida Cautelar Inominada nº 88.00463827 em face da União, distribuída em 06/12/1988 (fls. 83), com a finalidade de efetuar depósitos relativos ao PIS, sem submeterse às alterações dos Decretoslei nº 2.445/1988 e nº 2.449/1988, os quais teriam majorado excessivamente a referida contribuição (fls. 88/89). A cautelar foi julgada procedente (fls. 89) e, após a apelação da União, foi prolatado o acórdão de fls. 88/95, que não conheceu desta apelação em razão da ausência de razões do recurso e deu provimento parcial à remessa oficial para condenar a requerida no pagamento de honorários advocatícios (fls. 88). Inconformada, a União interpôs Recurso Especial (fls. 20/24) “para o fim de ser reformada a decisão recorrida, na parte em que efetuou a instituição ou a majoração da verba honorária, para restaurar, neste ponto, a sentença de primeira Instância” (fls. 24). O Egrégio Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso nos termos do acórdão de fls. 98/101, cujo trânsito em julgado ocorreu em 24/05/1995 (fls. 96). Em 06/06/1995, foi dada a baixa definitiva à seção judiciária de origem (fls. 86). A empresa ajuizou também a Ação Ordinária nº 88.00489265 (fls. 58/74), distribuída em 09/01/1989 (fls. 102), visando, dentre outros pedidos, à declaração de inexistência da relação jurídica que a obrigasse a recolher o PIS nos moldes dos citados decretoslei, bem como a devolução dos valores depositados judicialmente (fls. 74). Por meio da sentença de fls. 56/57, foi julgado procedente o pedido para declarar o direito da autora de efetuar o pagamento do PIS nos termos da legislação anterior aos mencionados decretoslei (fls. 57). Inconformada, a União apelou desta decisão, sendo a ação ordinária julgada em 13/04/1994 pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região nos termos do acórdão de fls. 78/81, que não conheceu da apelação e negou provimento à remessa oficial, mantendo a sentença (fls. 78). Em 29/08/1994 (fls. 77), ocorreu o trânsito em julgado. Pelos fatos acima, percebese claramente o litígio se há possibilidade da aplicação da forma de cálculo do PIS/PASEP com base na Lei Complementar 7/70, tendo em vista que, no momento do lançamento, foi utilizado o método de cálculo estabelecido pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF. Transcrevese parte do voto do acórdão 9303002.625 de 12/11/2013 (processo 10880.032212/9332) da 3ª Turma da CSRF, de relatoria de Joel Miyazaki, por se aplicável ao caso: O cerne do debate aqui trazido pelo especial fazendário diz respeito à possibilidade (ou não) da aplicação da forma de cálculo do PIS/PASEP com base na Lei Complementar 7/70, tendo em mente que, no momento do lançamento, foi utilizado o Fl. 221DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.031186/9470 Acórdão n.º 3201001.499 S3C2T1 Fl. 214 7 método de cálculo instituído pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF. Nesta questão, alinhome àqueles que consideram que, afastada as referidas normas do ordenamento jurídico, impõese a aplicação da Lei Complementar 7/70, tal como, estabelece a Súmula 15 deste Tribunal Administrativo. A este respeito, peço vênia para transcrever excerto de brilhante voto da Conselheira Nanci Gama, no acórdão 9303001.750, de 09 de novembro de 2011, que nos esclarece sobremaneira a questão posta em debate: A decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou aludidas normas impositivas como sendo inconstitucionais foi assertiva ao determinar que deveria ser aplicada a Lei Complementar 7/70. Além disso, o ordenamento jurídico brasileiro ampara o princípio do da mihi factum, dabo tibi ius, o qual consiste no princípio do dáme os fatos, que lhe darei o direito e, por sua vez, consubstancia exatamente a necessidade de que seja dado o direito para os fatos que tenham sido devidamente esclarecidos, como é o caso dos presentes autos. Além disso, mister se faz considerar que cabe ao julgador administrativo zelar, de forma precípua, pelo princípio da verdade material, aplicando ao caso concreto a totalidade da lei pertinente. Nesse sentido, inclusive, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça em diversos julgados como os acórdãos proferidos nos Recursos Especiais de nos 873.364, 939.335 e 759.213, ao entender que “não se configura decisão extra petita o fato de o Tribunal de origem entender que o PIS é devido nos moldes da LC 7/70”. E, inclusive, no julgamento do recurso especial repetitivo de nº 1.136.210, restouse definitivamente entendido, pelo STJ, que “o reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, da inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 (RE 148.754, Rel. Ministro Carlos Velloso, Rel. p/ Acórdão Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, julgado em 24.06.1993, DJ 04.03.1994) teve o condão de restaurar a sistemática de cobrança do PIS disciplinada na Lei Complementar 7/70”.(Negrito nosso) Pelo exposto, observase a descrição da fundamentação legal do auto de infração, ou seja, a Lei Complementar 7/70, o que não poderia ser diferente, pois a contribuição do PIS foi instituída por aquela e não pelos decretosleis, que vieram introduzir alterações na forma de cálculo. Então, tendo em vista terem sido declarados inconstitucionais os decretos leis, fica restabelecida a sistemática da LC n° 7/70. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI 8 Portanto, o lançamento não fica prejudicado, pois não há alteração da base de cálculo e sim, alteração quantitativamente, já que foram observadas as formalidades legais exigidas. Devese, no auto de infração, ser realizada adequação de valor, limitandoo ao calculado na forma da Lei Complementar 7/70 (nos termos judiciais), qual seja, aplicando se a alíquota respectiva ao caso sobre o faturamento do sexto mês anterior ao do mês do fato gerador, nos termos da Súmula n° 15 do CARF. Por derradeiro, quanto á cobrança da multa de ofício no percentual de 75%, por conta da retroatividade benigna, percebi que a decisão a quo ressaltou que: Assim, a melhor exegese do art. 63 da Lei nº 9.430/1996 é no sentido de que também não cabe lançamento de multa de ofício no caso de depósito do montante integral (art. 151, II, do CTN). A Impugnante alegou ter efetuado o depósito do valores discutidos em juízo em razão de ter obtido liminar em 09/12/1988 (fls. 18). No entanto, não trouxe aos autos nem as guias de depósito judicial nem a referida liminar que, eventualmente, permitisse averiguar se o crédito tributário apurado pela fiscalização encontravase com a exigibilidade suspensa ou por força da suposta liminar ou em razão de seu depósito integral. Neste sentido, manifestase com precisão Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em sua obra Processo Administrativo Tributário, Malheiros Editores, 2000, pg. 184 185: "As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguramse e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal.” Portanto, não tendo sido demonstrada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, deve ser mantida a multa de ofício no percentual de 75% nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Pois bem, a multa foi aplicada decorrente da falta de pagamento da contribuição, independente, inclusive, quando da dispensa de apresentação de DCTF. No caso, a recorrente argumenta que realizou o depósito do valores discutidos em juízo em razão da liminar em 09/12/1988. Malgrado, não trouxe aos autos a comprovação das guias de depósito judicial para atestar o depósito integral. Verificase que a recorrente não aduz provas relativas à materialidade do que afirma. Enfim, não foram acostadas aos autos prova documental que dá suporte ao seu pleito. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação Fl. 223DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10880.031186/9470 Acórdão n.º 3201001.499 S3C2T1 Fl. 215 9 processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifouse) Concluise, pois, que cabe ao recorrente trazer aos autos todos os dados que entende comprovadores dos fatos que alega e que entende como suficientes para reformar o lançamento. De forma contrária, o mesmo alega, mas não prova, daí a manutenção da multa de ofício, nos termos do art. 44, inc I da Lei de n° 9.430/96. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário; prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 224DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 2/01/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910097/2011-05
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 97 /2 01 1- 05 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 33, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910097/201105 Acórdão n.º 3802002.224 S3TE02 Fl. 44 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 29/04/2013 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 15/05/2013 (fls. 33). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 15374.928832/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Joel Miyazaki.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano Damorim, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
http://decisoes-w.receita.fazenda/pesquisa.asp
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, converter o processo em diligência. Vencido o Conselheiro Joel Miyazaki. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano Damorim, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. http://decisoesw.receita.fazenda/pesquisa.asp Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de lide administrativa, instaurada por meio da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte (fls. 1017) contra o despacho decisório que indeferiu compensação pleiteada (fl. 08). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 28 83 2/ 20 09 -6 8 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 15374.928832/200968 Resolução nº 3201000.458 S3C2T1 Fl. 135 2 Há nos autos pedido de restituição de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social – PIS somando o valor de R$ 9.715,57, combinado com pedido de compensação de débitos vincendos de IRRF PERDCOMP nº 04519.76496.220708.1.7.040433. Instruem o processo a declaração de suposto pagamento indevido de fl. 03, referente ao período de 01/2000, os pedidos de compensação de fls. 0206, certidão emitida pelo Conselho Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (fls. 33 35), recibo de entrega da DIPJ 2001, espelhos do SIEF contendo pedido de restituição (fls. 3639). A DERAT da DRF/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 08, indeferiu a solicitação do contribuinte em razão de que “foram localizados um ou mais pagamentos”, mas “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados”. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 1017, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição do PIS, cumulada com a compensação de débitos de PIS/PASEP, alegando, em resumo, o seguinte: O débito a que alude o despacho decisório é o próprio PIS, equivocadamente declarado em DCTF como devido, erro esse decorrente do fato de a requerente fazer jus à imunidade e à isenção ao PIS, nos termos do art. 195, § 7º da Constituição Federal e do art. 55 da Lei 8.212/91. A contribuição para o PIS é uma contribuição social para a seguridade social, na medida em que a finalidade que lhe é atribuída pelo art. 239 da Constituição se situa no âmbito da seguridade social, que, segundo o art. 194, compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade destinados a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Segundo o art. 239 e §§, o PIS se destina a financiar o programa do segurodesemprego e o abono anual de um salário mínimo devido aos empregados que percebam remuneração mensal de até dois salários mínimos, um dos objetivos da previdência e assistência social. Quanto ao segurodesemprego, isto se revela de forma evidente, na medida em que o artigo 201, III prevê como sendo um dos objetivos da previdência social a proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário. No que se refere ao abono anual de um salário mínimo, apesar de o artigo 203 não mencionálo expressamente, a relação de inclusão se evidencia pelo fato de tratarse de benefício de caráter marcadamente assistencial. O STF tem afirmado a natureza jurídica de contribuição social para a seguridade social do PIS. Em precedente transcrito, este tribunal Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 15374.928832/200968 Resolução nº 3201000.458 S3C2T1 Fl. 136 3 reconheceu que se trata de contribuição social para a seguridade social, se lhe aplicando, pois, a anterioridade mitigada prevista no art. 195, § 6º da Constituição, aplicável apenas às contribuições cuja finalidade é financiar a seguridade social. Nos termos do art. 195, § 7º, “são isentas da contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Referido dispositivo é regulamentado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. A requerente é uma sociedade civil sem fins lucrativos, registrada como entidade de assistência social no Conselho Nacional de Assistência Social, sendo, no período em referência, portadora do antigo certificado de entidade de fins filantrópicos. Ainda como prova de que preenche os quesitos legais e faz jus à imunidade tributária, a requerente apresenta os recibos da DIPJ relativos aos exercícios em questão, onde consta que é imune ao imposto sobre a renda e dispensada do recolhimento das contribuições sociais para a seguridade social. No período em questão, o contribuinte não teve sua condição de imune questionado pela RFB, que não instaurou para este fim o procedimento de suspensão de imunidade, nos termos do art. 32 da Lei 9.430/96. Pede, por fim, que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ indeferiu o pedido, conforme decisão DRJ/RJ2 n.º 32.498, de 30/11/2010: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Sujeitamse normalmente à incidência da PIS/PASEP as receitas decorrentes da prestação de serviços de ensino, conforme descrito na hipótese de incidência tributária. IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL O usufruto do benefício da imunidade das contribuições para a seguridade social só pode efetivarse mediante o atendimento cumulativo das condições expressamente previstas em lei. PROVA ADMINISTRATIVA. O ônus da prova de que o contribuinte atende a benefício pleiteado, cumprindo os requisitos dispostos em lei regulamentar, devem ser trazidos junto com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 15374.928832/200968 Resolução nº 3201000.458 S3C2T1 Fl. 137 4 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Como bem se verifica do processo, a recorrente busca utilizarse de crédito de PIS pago a maior, o qual foi indeferido sob alegação de que, quando do pedido de compensação, a recorrente não atendia aos requisitos legalmente exigidos para a imunidade, nestes termos: Compulsandose os autos, verificase que a certidão emitida pelo conselho Nacional de Assistência Social trazida aos autos já se encontrava vencida por ocasião do protocolo do presente processo. A recorrente, ainda, comprova em sua defesa que, quando do pagamento realizado, possua a referida certidão. A questão debatida no presente caso é: em que momento se verifica a necessidade de existência da referida certidão. Para a recorrente, quando do pagamento indevido. Para a fiscalização, quando do pedido de compensação. Entretanto, para a solução da lide, entendo que devam ser juntados aos autos documentos, os quais serão necessários para o julgamento. Assim, voto por baixar este processo em diligência para que: A autoridade preparadora: Informe se, à época do recolhimento indevido, a recorrente era entidade imune perante a RFB e INSS? Informe ainda, caso positivo a resposta anterior, quando foi publicado o ato no DOU. Informe se houve a publicação de algum ato cancelatório de isenção e, se positivo, quando foi. Informe se o valor recolhido de PIS e pretendido de utilização é todo o montante pago de PIS ou apenas a diferença entre o calculado sobre a folha e o faturamento? O contribuinte: Junte aos autos o comprovante de reconhecimento de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 15374.928832/200968 Resolução nº 3201000.458 S3C2T1 Fl. 138 5 Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 27 de novembro de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 10882.900451/2008-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2002
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2002 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 51 /2 00 8- 80 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900451/200880 Acórdão n.º 9303002.472 CSRFT3 Fl. 155 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em direito creditório oriundo de suposto pagamento efetuado a maior. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou Fl. 155DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900451/200880 Acórdão n.º 9303002.472 CSRFT3 Fl. 156 3 IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o DecretoLei nº 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar nº 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900451/200880 Acórdão n.º 9303002.472 CSRFT3 Fl. 157 4 determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do nº288/67. Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial foi admitido pelo presidente da câmara recorrida, em relação às duas questões trazidas no recurso, quais sejam: i) a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, o sujeito passivo não fez prova de que as mercadorias foram remetidas à Zona Franca de Manaus, e a ele caberia esse ônus. Ainda, de acordo com a PGFN, as remessas para a ZFM não estavam isentas das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900451/200880 Acórdão n.º 9303002.472 CSRFT3 Fl. 158 5 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900451/200880 Acórdão n.º 9303002.472 CSRFT3 Fl. 159 6 Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900451/200880 Acórdão n.º 9303002.472 CSRFT3 Fl. 160 7 impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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