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Numero do processo: 13136.721920/2022-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2018
NÃO CONHECIMENTO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº2, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. LIMITES.
CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS.
A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Quando a realidade demonstra estarem presentes as características previstas no art. 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder/dever de lançar os tributos devidos.
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO.
A prática de simulação, caracterizada pela utilização de interposta pessoa, para dissimular o recebimento de rendimentos pelo sujeito passivo, enseja a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2302-004.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, em afastar as preliminares e a prejudicial de mérito para, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial no sentido de reduzir a multa qualificada ao novo patamar de 100%, nos termos da Lei nº 14.689/2023. Vencidos os conselheiros Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo e Roberto Carvalho Veloso Filho que votaram por dar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo manifestou o interesse em fazer declaração de voto.
Sala de Sessões, em 4 de novembro de 2025.
Assinado Digitalmente
Alfredo Jorge Madeira Rosa – Relator
Assinado Digitalmente
Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Roberto Carvalho Veloso Filho, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: ALFREDO JORGE MADEIRA ROSA
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ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº2, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS. A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Quando a realidade demonstra estarem presentes as características previstas no art. 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder/dever de lançar os tributos devidos. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. A prática de simulação, caracterizada pela utilização de interposta pessoa, para dissimular o recebimento de rendimentos pelo sujeito passivo, enseja a qualificação da multa de ofício. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, em afastar as preliminares e a prejudicial de mérito para, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial no sentido de reduzir a multa qualificada ao novo patamar de 100%, nos termos da Lei nº 14.689/2023. Vencidos os conselheiros Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo e Roberto Carvalho Veloso Filho que votaram por dar provimento ao Fl. 6481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 2 Recurso Voluntário. A conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo manifestou o interesse em fazer declaração de voto. Sala de Sessões, em 4 de novembro de 2025. Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa – Relator Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Roberto Carvalho Veloso Filho, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos contidos nos autos, seguem trechos do relatório do acórdão recorrido. RELATÓRIO 1. DA AUTUAÇÃO Trata-se de Autos de Infração de contribuições previdenciárias patronais (código 2141), incluindo aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT- código 2158), de contribuições dos segurados (código 2096) e de contribuições devidas a outras entidades e fundos (códigos vários), apuradas para o período de 01/2017 a 12/2018, de acordo com os demonstrativos abaixo: (...) O Relatório Fiscal de fls. 6174 informa que a Auditoria foi iniciada na empresa CENTRO MÉDICO KERALTY, CNPJ 17.298.761/0001-74, que modificou seu nome para CENTRO MÉDICO NDIS MG LTDA, a qual foi incorporada pelo sujeito passivo da presente autuação, NOTRE DAME INTERMEDICA MINAS GERAIS SAÚDE S/A, conforme Protocolo de Incorporação e Justificação de 01/10/2021, com ata registrada em 07/04/2022 na Junta Comercial de Minas Gerais. Em Fl. 6482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 3 consequência, houve a extinção da incorporada e a baixa de seu CNPJ. Essas empresas pertenciam ao mesmo grupo econômico. De acordo com o seu Estatuto, a entidade é uma sociedade por ações de capital fechado, que tem por nome fantasia “GNDI MINAS”, com sede na cidade de São Paulo e duas filiais localizadas em Belo Horizonte. Seu objeto social é a “operação de planos privados de assistência à saúde, coletivos, individuais e familiares, a prestação de serviços médicos, ambulatoriais, clínicos, hospitalares e terapêuticos e a prestação de serviços de diagnóstico aos beneficiários dos referidos planos de saúde que, quando necessários, serão realizados também por meio de serviços contratados com terceiros.” No cadastro da RFB, a empresa tem, além da matriz, mais 21 (vinte e uma) filiais ativas, em municípios de São Paulo e Minas Gerais. No Relatório Fiscal, a Auditoria aponta a legislação que fundamenta a apuração dos créditos, apresenta uma descrição dos fatos e sua análise, conforme abaixo: V – ANÁLISE: 13. A partir de cruzamentos das informações extraídas apuramos que a Contribuinte, em 2017 e 2018, registrou na conta de Despesas Operacionais, 00148 – Honorários Médicos, uma grande quantidade de prestação de Serviços com assiduidade. 14. Solicitamos as cópias dos Contratos de Prestação de Serviços e Notas Fiscais sendo apresentados em sua maioria, faltando poucos contratos. 15. Análise dos contratos: 15.1. Os contratos são praticamente iguais, com mesmo conteúdo (incluindo os mesmos erros de português, a mesma testemunha, quando tem, a maioria não tem), cláusulas comuns e descrição do objeto de forma genérica, alterando só o nome da contratada e valores. 15.2. De acordo com os contratos, verificamos que: O objeto dos contratos é o mesmo: “a prestação de serviços de assistência à saúde médicos pelo(a) CONTRATADO(A), ambulatorial, aos pacientes do(a) CONTRATANTE, na(s) especialidade(s) discriminada(s) e no(s) regime(s) de atendimento apontado(s) no Anexo I. 15.3. Os serviços são prestados nas dependências da contratante. 15.4. Toda a infraestrutura é da contratante que é obrigada a: “Vii Manter todas as condições necessárias à prestação dos serviços médicos contratados, tais como instalações limpas e adequadas ao Fl. 6483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 4 atendimento dos pacientes, disponibilidade de equipamentos e manutenção dos mesmos, materiais e medicamentos necessários aos atendimentos; Viii Responsabilizar-se pelos acidentes decorrentes de falta de manutenção dos equipamentos e falha no provimento dos materiais necessários à prestação dos serviços médicos contratados”; 15.5. Também é obrigada a: “Orientar formalmente o(a) CONTRATADO(A) a respeito de qualquer alteração nas normas internas, técnicas e administrativas que possam, porventura, ter reflexo na prestação de serviços.” 15.6. O(A) Contratada se obriga a: “i. Atender os pacientes da Contratante com observância de suas necessidades, especialmente os casos de urgência/emergência, pessoas com 60 (sessenta) anos de idade ou mais, às gestantes, às lactantes, aos lactentes e às crianças até 05 (cinco) anos de idade e, ainda, aos idosos maiores de 80 (oitenta) terão preferência especial sobre os demais idosos, exceto em caso de emergência; ii. Atender todos os pacientes da Contratante com o cuidado necessário, realizando a prestação dos serviços contratados com padrões técnicos e de conforto material sem qualquer distinção; iii. Executar o serviço em observância às normas internas, técnicas e administrativas atinentes ao funcionamento do CONTRATANTE e aquelas relativas ao objeto do presente Contrato, inclusive no que tange às questões éticas e de sigilo/confidencialidade médica profissional. ... XI Não transferir, subcontratar ou ceder as obrigações contidas neste Contrato a terceiros, sem autorização expressa do(a) CONTRATANTE.” 15.7. Todos os contratos são por prazo indeterminado. 15.8. Os pagamentos são por serviços prestados, medidos e pagos mensalmente e reajustados a cada 12(doze) meses. 15.9. O contratado autoriza a contratante a divulgar seu nome, endereço profissional e especialidade em todos os meios de comunicação dirigidos aos pacientes. A Auditoria passa a discorrer sobre as diligências realizadas: 16. Das Diligências efetuadas: Fl. 6484DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 5 16.1. Em 04/08/2021, o Auditor Fiscal Rogério Leite Barbosa compareceu à Rua Turquesa, 734, sala 04, bairro São Joaquim, Contagem (MG), CEP 32113-050. Esse é o endereço cadastrado como sede de três empresas prestadoras de serviço: ➢ Sociedade Médica de Profissionais Afins Ltda, CNPJ 04.162.447/0001-18; ➢ SOMEPAS SR Ltda – Sociedade Médica de Profissionais da Área de Saúde Ltda, CNPJ 04.162.454/0001-10, e; ➢ Northmed Serviços Médicos Ltda, CNPJ 17.085.627/0001-95. Na Diligência ficou constatado que no endereço não funciona nenhuma dessas empresas e sim a Coopercon – Cooperativa de Trabalho Médico de Minas Gerais, CNPJ 02.556.125/0001-90, que também presta serviços à Autuada, e há consultórios médicos e médicos atendendo. Estas 3 (três) empresas continuam ativas no cadastro da RFB. Nelas, transitam/transitaram 306 (trezentos e seis) médicos. 16.2. Nesta mesma data, o Auditor compareceu na sede da empresa Sociedade Médica de Profissionais da Ciência da Saúde Ltda, CNPJ 10.605.211/0001-01, à Av. João Cesar de Oliveira, 2705, sala 203, bairro Eldorado, Contagem (MG), CEP 32310- 000 e constatou que, apesar da empresa ter 98 (noventa e oito) sócios, no local funciona apenas um escritório com 2 (dois) funcionários, sendo recebido pelo sr. Denilson de Souza Ferreira que confirmou que a empresa diligenciada realmente tem sede no local e assinou a intimação. 16.3. Em 11/08/2021 compareceu ao endereço de sede da empresa Alt Serviços Médicos Ltda, CNPJ 18.276.672/0001-90, à Av. Governador Valadares, 199, sala 301, Centro, Betim (MG) e constatou que apesar da empresa ainda manter-se ativa no cadastro da RFB e possuir 90 (noventa) sócios, não tinha ninguém no imóvel da sede e tinha uma placa com o nome MG PARTHNER, soluções em Contabilidade. O porteiro informou que nunca funcionou nenhuma clínica no local, sempre foi escritório de contabilidade. 16.4. Foi feito também uma diligência à Rua João Rosa, 307, sala 206, Centro, Igarapé(MG). Esse endereço está cadastrado como sede das empresas RCVMED Serviços Médicos, CNPJ 23.148.780/0001-17 (baixada em 03/2022) e MCVMED Serviços Médicos, CNPJ 22.760.098/0001-18 (baixada em 12/2020). Apesar das duas empresas terem 43 sócios, está cadastrado no endereço apenas a sala 206 e não há nada no local. Fl. 6485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 6 As fotos das diligências estão anexadas no processo. 16.5. Grupo de empresas SMR – Sociedades Médicas Reunidas: 16.5.1. Entre as Prestadoras de Serviço lançadas no Razão, encontramos um grupo de empresas com situação bem peculiar: São 40 empresas, cuja Razão Social é SMR – Sociedades Médicas Reunidas, seguida de um algarismo romano. Essas empresas têm sede em dois endereços em Jenipapo de Minas, Minas Gerais CEP: 39.645-000, à Rua Monsenhor Bernardino nº 723 e à Rua Minas Novas, 170. Vale destacar que a cidade de Jenipapo de Minas, fica à 576 km de Belo Horizonte, onde são prestados os serviços e onde mora a maioria dos sócios. Esse grupo de empresas têm como sócios majoritários os srs. Natalino Lisboa Filho, CPF 715.281.646-87 e seu filho Matheus de Castro Lisboa, CPF 103.340.886-74, ambos com residência em Belo Horizonte(MG). Além desses sócios majoritários, transitam/transitaram 768 (setecentos e sessenta e oito) sócios minoritários, quase todos médicos, nenhum com residência em Jenipapo de Minas, dos quais 431 (quatrocentos e trinta e um) moram na região metropolitana de Belo Horizonte (BH, Contagem e Nova Lima). 16.5.2. Os senhores Natalino Lisboa Filho e Mateus de Castro Lisboa também são sócios majoritários da empresa Imagerie Diagnóstico por Imagem, outra prestadora de serviços para a Contribuinte, cujo endereço é o mesmo da residência da senhora Teresa Cristina de Oliveira Menezes sócia da empresa. 16.5.3. Em outra Auditoria Fiscal constatamos que esse grupo (SMR) também prestava serviços à empresa auditada. Na ocasião, intimamos esse grupo de empresas, solicitando: “1. Registro de empresa e anotação dos profissionais legalmente habilitados, delas encarregados nas entidades competentes para a fiscalização do exercício das diversas profissões, conforme Lei 6.839, de 30/10/80 e Resolução CFM 1.971/2011; 2. Comprovante de endereço da Empresa, podendo ser cópia da Conta de energia, água ou telefone, desde que em nome da empresa; 3. Procuração e documentação do outorgante e outorgado (se for o caso); 4. Cópia do contrato de aluguel ou escritura do imóvel onde funciona a empresa conforme cadastrado no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - CNPJ. Em resposta, a empresa apresentou o Alvará de funcionamento de 2020, cópia em anexo e justificou a não apresentação do comprovante de endereço da empresa, conforme se segue: Fl. 6486DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 7 “SMR CXXV – Sociedades Médicas Reunidas CXXV Ltda, pessoa jurídica inscrita no CNPJ nº 27.002.352/0001-32, com sede no endereço Rua Monsenhor Bernardino, 723, Centro em Jenipapo de Minas – MG, CEP 39.645-000, neste ato representada na forma de seu contrato social por meio de seu sócio administrador, Matheus de Castro Lisboa, brasileiro, casado, administrador de empresas, carteira de identidade nº MG-14.671.796 expedida pela Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais, CPF 103.340.886-74, residente e domiciliado a Rua João Junqueira, 84, apto 202, Santo Antônio, Belo Horizonte – MG, vem, respeitosamente, em atendimento à intimação, apresentar os documentos solicitados e manifestar o que se segue. Conforme apresentado na intimação, foram solicitados os seguintes documentos: Registro da empresa e anotação dos profissionais legalmente habilitados, Comprovante de endereço da empresa, Cópia do contrato de aluguel ou escritura do imóvel onde funciona a empresa. Atualmente, a alteração contratual com mudança de endereço para Rua Monsenhor Bernardino, 723, Centro em Jenipapo de Minas – MG, CEP 39.645-000, está em fase de registro no cartório. O estabelecimento comercial, localizado no endereço informado anteriormente, é objeto de cessão familiar, o qual consta como titular das contas de cobrança a tia do sócio administrador. Sendo assim, a empresa não possui comprovante de endereço em seu próprio nome, nem mesmo contrato de aluguel. Por fim, segue em anexo o alvará de funcionamento da empresa, bem como o contrato social e a última alteração consolidada. Por gentileza, confirmar o recebimento.” Apresentou essa mesma resposta para todas as empresas do grupo, mudando apenas no nome e CNPJ. 16.5.4. Assim, intimamos novamente o grupo solicitando: 1. Registro de empresa e anotação dos profissionais legalmente habilitados, delas encarregados nas entidades competentes para a fiscalização do exercício das diversas profissões, conforme Lei 6.839, de 30/10/80 e Resolução CFM 1.971/2011, no período de 2017 e 2018; 2. Comprovante de endereço da Empresa, podendo ser cópia da Conta de energia, água ou telefone, independente do titular do comprovante; 3. Procuração e documentação do outorgante e outorgado (se for o caso); 4. Cópia do cadastro do IPTU referente ao imóvel onde funciona a empresa, independente do nome do titular proprietário do imóvel, apresentando cópia da Carteira de Identidade e CPF do titular proprietário do imóvel. Fl. 6487DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 8 Em resposta, o sócio apresentou cópia da Guia de IPTU do imóvel, ano 2021 e cópia da Carteira Nacional de Habilitação da pessoa que consta como titular do imóvel. Pela guia do IPTU, o imóvel é uma casa com apenas 88,14 m2 de área construída. 16.5.5. Com relação ao registro da empresa e anotação dos profissionais legalmente habilitados, delas encarregados nas entidades competentes para a fiscalização do exercício das diversas profissões, conforme Lei 6.839/80 e Resolução CFM 1.971/2011, apresentou a seguinte explicação: “Com relação ao primeiro documento requerido, a empresa SMR CLI – Sociedades Médicas Reunidas CLI Ltda não possui esse registro, por não se enquadrar como estabelecimento de saúde. Entende-se por estabelecimento de Saúde o espaço físico delimitado e permanente onde são realizadas ações e serviços de saúde humana sob responsabilidade técnica, nos termos da Portaria nº 2.022/2017. De acordo com o Anexo da referida Portaria, os critérios mínimos para caracterização como um estabelecimento de saúde são: a) existência de infraestrutura necessária para se considerar um espaço como estabelecimento de saúde, b) se há intenção de funcionamento com foco direto na saúde humana, c) o desempenho dos serviços deve ser realizado sob a responsabilidade de uma pessoa física legalmente habilitada para tal. No caso não há o preenchimento de tais requisitos, uma vez que a SMR CLI – Sociedades Médicas Reunidas CLI Ltda, é uma sociedade que presta serviços médicos por meio de seus sócios, habilitados como médicos, os quais detêm integral autonomia para decidir onde e como realizar suas atividades. A sede da empresa funciona como escritório administrativo para o recebimento de correspondências e cumprimento das obrigações legais e tributárias. Nenhum serviço é prestado no referido local. Sendo assim, com base na legislação vigente, a SMR não cumpre os requisitos exigidos para se enquadrar como estabelecimento de saúde. Denota-se que os contratantes dos profissionais, no caso, os hospitais e clínicas em que os sócios prestam eventualmente serviço, detém tal enquadramento e o referido registro no CNES. Finalmente, ressalta-se, tal como informado adrede, que o estabelecimento comercial onde a empresa funciona é objeto de cessão familiar, no qual consta como titular das contas das concessionárias de serviços públicos a tia do sócio administrador, sendo esta a única razão para que a empresa não possuir tais comprovante de endereço em seu próprio nome. Por fim, em atendimento à solicitação, segue em anexo a cópia do cadastro do Fl. 6488DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 9 IPTU referente ao imóvel onde funciona a empresa e Carteira de identidade/CPF do proprietário do imóvel, conforme solicitado.” Essa explicação foi feita para todas as empresas do grupo, só alterando o nome e CNPJ. Em suma, o Relatório Fiscal explica o seguinte: 16.5.6.1. As empresas não transmitem as GFIP’s e quando transmitem o fazem “sem movimento”, conforme demonstrado nos Anexos VII, XI e XIII; 16.5.6.2. Todos os serviços são prestados pelos sócios; 16.5.6.3. Nenhum serviço é prestado na sede das empresas, um imóvel pequeno, sem nenhuma estrutura operacional, de propriedade da tia do sócio majoritário, situado a mais de 500 km do local de trabalho e residência dos sócios; Fica a pergunta: Por que o cumprimento das obrigações legais e tributárias (e a correspondência) seriam feitos(entregues) tão longe do local de residência e trabalho do profissional? 16.5.7. Com o objetivo de otimização, racionalidade e eficiência, utilizamos essas informações produzidas em outro processo para a constatação de que essas circunstâncias descritas e comprovadas com documentação juntadas são fortes indícios de tratar-se de empresas de “prateleira”, ou “noteiras” que não existem de fato, no presente caso, simulação de existência de PJ para ocultar uma contratação de PF. 17. Sobre a estrutura das demais empresas prestadoras: 17.1. Das 196 empresas que prestam serviço à Contribuinte, 25 funcionam no mesmo endereço da residência do titular e/ou sócio. No Anexo VI informamos essas empresas. 17.2. Listamos no ANEXO XVI as empresas que não possuem sede própria verificado pelos motivos expostos. Informamos nome e CNPJ da empresa, endereço do cadastro, seus sócios com endereços residenciais e percentual do capital social de cada sócio. Totalizam 66 (sessenta e seis) empresas com 1.464 (hum mil, quatrocentos e sessenta e quatro) sócios. O Relatório Fiscal apresenta então a análise das Guias de Recolhimentos do FGTS e de Informações à Previdência Social - GFIPs das empresas prestadoras de serviços: 18.1. Dezessete prestadoras de serviços apresentaram GFIP SEM MOVIMENTO no mesmo período que emitiram Notas Fiscais de prestação de serviços. Demonstramos no ANEXO VII essas Fl. 6489DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 10 prestadoras, informando, por competência, nome e CNPJ da prestadora, Código de controle da GFIP SEM MOVIMENTO e no ANEXO VIII listamos os lançamentos na ECD dessas empresas nas competências que apresentaram GFIP SEM MOVIMENTO. 18.2. Cento e cinquenta empresas não transmitiram GFIP, listadas no Anexo XI por competência. No Anexo X, listamos os lançamentos, com competência, data, nome e CNPJ da prestadora, histórico do lançamento, nome do prestador de serviço, número da nota fiscal, e valor do lançamento. 18.3. Há ainda 19 (dezenove) empresas que não apresentaram contrato nem Nota Fiscal, portanto sem condições de verificarmos se houve a apresentação da GFIP. Estão listadas no Anexo XII. No Anexo XVII listamos os lançamentos referente a essas empresas. 18.4. No Anexo IX demonstramos as GFIPs das 27 (vinte e sete) empresas que apresentaram, informando competência, empresa, CNPJ, código de controle, trabalhadores, categoria, Base de Cálculo Mensal, Base de Cálculo 13º e Contribuição dos segurados. 18.5. No Anexo XIII demonstramos os valores de lançamentos mensais na ECD mensais e as Bases de Cálculo declaradas nas GFIPs. A respeito da inscrição das empresas no Conselho Federal de Medicina, o Relatório Fiscal assim dispõe: 19.3. Em consulta ao Conselho Federal de Medicina é possível verificar que as empresas a seguir não possuem diretor técnico cadastrado, ou estão com o cadastramento vencido, assim, tratam de meras fornecedoras de mão de obra especializada, onde os profissionais estão subordinados a gestão técnica do diretor técnico do hospital. (listagem das empresas) Sobre os riscos da atividade econômica, o Relatório Fiscal explica: 20.3. Não há que se falar em autonomia de gestão do negócio, caso os riscos são assumidos pela tomadora dos serviços. 20.4. Com o auxílio do Contágil (programa da Receita Federal do Brasil que permite a importação e manipulação de arquivos com informações de contabilidade, cadastro, etc), emitimos dois relatórios (ANEXOS XIV e XV) onde informamos detalhadamente as empresas prestadoras de serviços, os diversos relacionamentos com as pessoas físicas, endereço das empresas, dos sócios atuais e excluídos, data de início e fim da relação, representantes legais, percentual do capital social e valores individuais. Como pode ser Fl. 6490DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 11 visto os percentuais e valores dos capitais sociais da maioria das empresas são irrisórios. Das 2.215 informações, metade o capital social individual é abaixo de R$2.000,00 (dois mil reais). A Auditoria conclui o seguinte: VI - CONCLUSÃO: 21. Listamos a seguir os fatos identificados que, de forma geral, caracterizam a prática de “pejotização” na empresa auditada: ➢ As empresas prestadoras de serviço não possuem estrutura empresarial para funcionar, sendo que parte delas tem fortes indícios de serem empresas “noteiras”; ➢ Grande parte não entregam GFIP ou entregam SEM MOVIMENTO, ➢ Grande parte não tem diretor responsável e tem capital social irrisório; 21.1. Portanto, as empresas: ➢ Não assumem os riscos da atividade econômica; ➢ Prestam serviços nas dependências da contratante que detém o poder de controle e gerência demonstrando a subordinação dos profissionais à estrutura do hospital; ➢ A remuneração mensal, portanto, não eventual. 21.2. Assim, constatamos a presença dos cinco elementos fático jurídicos da relação de emprego: ➢ trabalho prestado por pessoa física, ➢ de forma pessoal, ➢ não eventual, ➢ onerosa, ➢ subordinada 22. Independentemente da figura contratual adotada, uma vez ausente a autonomia organizacional do trabalho do prestador de serviços, com o exercício da sua atividade laboral de forma pessoal e sob a direção do tomador, e sem a propriedade dos meios de produção e responsabilidade pelos riscos do empreendimento, está-se diante de típica de relação de emprego/segurado empregado. 23. Portanto, caracterizados estão os pressupostos para a configuração da relação de emprego, dispostos nos artigos 2º e 3º Fl. 6491DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 12 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), aprovada pelo Decreto- Lei n° 5.452 de 01/05/1942, transcritos a seguir: (...) 24. Sobre a definição de segurado empregado na Lei 8.212/91: (...) 25. Configurados os elementos da relação de emprego, o fisco fazendário possui competência para alcançar o real fato tributável da fiscalizada, sem depender de autorização da Justiça Comum, ou Federal, ou Trabalhista, aplicando aqui a legislação a seguir: (...) 26. Por todo exposto e embasado na legislação citada, efetuamos o Lançamento de Ofício de fatos geradores de Contribuição Previdenciária no sujeito passivo auditado, período de 01/2017 a 12/2018 referente à prestação de serviços por pessoas físicas, transvestidas de pessoas jurídicas em nítida relação de emprego previsto nos arts. 2º e 3º da CLT cc art. art. 12, inciso I, “a”, o art. 28, inciso I, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. 27. Conforme verificado, trata-se de serviços de medicina. Considerando que os serviços foram prestados na empresa tomadora, que forneceu toda a estrutura necessária, física, material e equipamentos, constatamos que o custo da prestação de serviços foi apenas o da hora laborada, típica desse tipo de serviço, não havendo nenhum outro custo pela suposta empresa prestadora que não tem estrutura operacional. Assim, as Bases de Cálculo utilizadas foram os valores dos serviços prestados constantes nas Notas Fiscais apresentadas, constantes no Anexo III e lançadas na Conta Despesas Operacionais, 00148 – Honorários Médicos, sendo o 13º (décimo terceiro salário) calculado à base de 1/12(um doze avos mensal). A Auditoria discorre acerca da aplicação da multa qualificada: 28. A multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) prevista no parágrafo primeiro do artigo 44, inc. I, §1º da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.488/2007, foi duplicada pela ocorrência de fatos que se subsumam ao previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964, totalizando a alíquota de 150% (cento e cinquenta por cento). (...) 29. A fraude é a ação ou omissão que tenta mascarar o fato gerador. O sujeito passivo, agindo de má-fé e, mediante o uso de um ardil, de uma mentira, adultera o fato gerador, fazendo-o parecer algo sem relevância fiscal ou fato com menor incidência tributária. A forma mais comum de fraude é a simulação, cujo conteúdo consiste numa declaração de vontade distinta da vontade real, com a concordância de ambas as partes(conluio) e visando, geralmente, fugir de obrigações/imperativos legais e prejudicar o Fl. 6492DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 13 fisco. Os planejamentos tributários abusivos e, portanto, ilícitos, tem sido historicamente entendidos como situações simuladas, nas quais afloram operações fictícias visando modificar as características essenciais do negócio jurídico pretendido e praticado, de modo a reduzir o montante do tributo devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 30. Outro ponto fundamental a abordar é a caracterização do dolo do sujeito passivo sonegador ou fraudador. De acordo com o art. 18, inc. I, do Código Penal, diz-se que uma conduta é dolosa "quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi- lo". Notemos que a norma penal traz duas espécies de dolo, o dolo direto, quando o agente "quis" o resultado e o dolo indireto, quando o agente assumiu o risco de produzir o ilícito. 31. Por todo exposto, fica caracterizado a presença da fraude, do dolo e do conluio. 32. Sobre a responsabilidade do sucessor. 32.1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão, independentemente de esse crédito ser formalizado, por meio de lançamento de ofício, antes ou depois do evento sucessório.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). 32.2. Por se tratar de sucessora e sucedida integrantes do mesmo grupo econômico a sucessora responde também pela multa qualificada. (Nota Técnica GT Responsabilidade Tributária, de 17/12/2010, itens 32 e 161, letra “g”). Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação de lançamento na qual alega: - PRELIMINARMENTE - Da nulidade dos Autos de Infração em razão do vício de motivação dos atos administrativos; - Prejudicial de mérito - Decadência Parcial Do Crédito Tributário; - Da Regularidade Da Contratação De Médicos Por Meio De Pessoas Jurídicas Pela Impugnante; - Vício Na Apuração Da Base De Cálculo – Da Iliquidez E Incerteza Dos Autos De Infração; - Necessidade Do Cancelamento Das Multas Cominada – Da Inaplicabilidade Da Multa Qualificada De 150% - Da Inexistência De Fraude Fl. 6493DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 14 Acordaram os membros da 15ª TURMA/DRJ06 de Julgamento, por unanimidade de votos, JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário em litígio. O acórdão de DRJ apresentou a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2018 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS. A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Quando a realidade demonstra estarem presentes as características previstas no art. 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder/dever de lançar os tributos devidos. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. A prática de simulação, caracterizada pela utilização de interposta pessoa, para dissimular o recebimento de rendimentos pelo sujeito passivo, enseja a qualificação da multa de ofício. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivo no qual alega: - Preliminarmente - Nulidade da Decisão da DRJ por Vício de Fundamentação; - Nulidade dos Autos de Infração em razão do vício de motivação dos atos administrativos; - Prejudicial de Mérito - Decadência Parcial do Crédito Tributário – Da inteligência do artigo 150, §4º do CTN; - No mérito - Regularidade da Contratação de Médicos por meio de pessoas jurídicas pela Recorrente; - Vício na Apuração da Base de Cálculo das Contribuições Previdenciárias – Da iliquidez e incerteza dos Autos de Infração; Fl. 6494DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 15 - Necessidade do Cancelamento das Multas Cominadas – Da Inaplicabilidade da Multa Qualificada de 150% - Da inexistência de dolo, fraude ou simulação; É o relatório. VOTO Conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa, Relator. 1 CONHECIMENTO O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço em parte. Não conheço das alegações de inconstitucionalidade, por força da Súmula CARF nº2. 2 PRELIMINARES 2.1 DA NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ POR VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO E DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO EM RAZÃO DO VÍCIO DE MOTIVAÇÃO DOS ATOS ADMINISTRATIVOS Em face da conexão dos argumentos, as alegações de nulidade do auto de infração e do acórdão de DRJ serão tratadas conjuntamente. Alegou o contribuinte em sede de impugnação que as alegações do auto de infração foram genéricas, não havendo a “análise concreta das atividades exercidas pelos médicos” (e- fl.6232). Informa que conjuga tanto a operação de plano de saúde quanto a prestação de serviços médicos aos beneficiários de seus planos, adotando “todos os procedimentos e parâmetros legalmente válidos para a contratação dos serviços médicos” (e-fl.6233). Nega que ocorra situação de “pejotização” ou de empregados no presente caso. As alegações são repisadas no Recurso Voluntário, repetindo o principal fundamento do descumprimento do art. 142 do CTN, o que ensejaria a nulidade do auto de infração. Fl. 6495DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 16 Em relação à alegada nulidade do acórdão de DRJ, aduz que este não teria analisado os principais argumentos da impugnação, tendo reiterado as alegações da fiscalização, carecendo de motivação, o que implicaria nulidade do acórdão. Fundamenta suas alegações no “art. 59, inciso II, da Lei nº 9784/99 e art. 489, § 1º, inciso IV, do CPC”(e-fl.6403). Dispõe o art. 142 do CTN: Lançamento Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Os autos de infração foram lavrados em consonância com o dispositivo legal. Os autos de infração, o Relatório Fiscal, e respectivos anexos, apresentam de forma clara os fundamentos legais que os subsidiam, trazem expressos os elementos que representam os requisitos legais expostos no artigo 142 supra, e juntam provas que a fiscalização entendeu corroborar sua tese. Não há carência de motivação por parte da fiscalização, e sim discordância da autuação por parte do recorrente, o qual está exercendo livremente seu direito ao contraditório e à ampla defesa. O acórdão de DRJ, por sua vez, também entendeu serem as provas carreadas aos autos, pela fiscalização, suficientes à demonstração das infrações apontadas. A instância a quo acolheu os argumentos da fiscalização, utilizando-os como razão de decidir. Igualmente não houve carência de motivação, o acórdão recorrido entendeu pela procedência da tese da fiscalização, sua fundamentação e elementos probatórios. Aqui novamente o que houve foi discordância do recorrente em relação à motivação da autuação e, consequentemente, em relação aos motivos mantidos pelo acórdão. Pela fundamentação do acórdão de DRJ verifica-se que não procede a alegação de que o colegiado a quo não teria apreciado as principais alegações do contribuinte. O colegiado apenas não acolheu as alegações do impugnante. Ademais, está consolidada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o entendimento de que o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Pelo exposto, ficam afastadas as preliminares, não estando presente nenhuma das situações de nulidade elencadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 6496DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 17 3 PREJUDICIAL DE MÉRITO 3.1 DA DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – DA INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 150, §4º DO CTN Alega a recorrente a decadência parcial do crédito tributário referente aos períodos de 01/2017 a 10/2017. Para o reconhecimento, ou não, da alegada decadência, é indispensável que se analise se houve ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Esta análise será feita próximo item, quando da análise do mérito. 4 MÉRITO No presente caso, cumpre analisar inicialmente a ocorrência da simulação. Havendo simulação, é afastada a premissa de regularidade das operações e compatibilidade dos registros formais com a realidade fática, a qual norteia normalmente toda análise jurídica. A fiscalização fez extenso trabalho na qual identificou, inicialmente, a contabilização em despesas operacionais – honorários médicos – uma grande quantidade de prestação de serviços com assiduidade. Os fatos descritos no TVF, reproduzidos no acórdão de DRJ e parcialmente colados no relatório deste acórdão indicam robusto quadro indiciário de inexistência de fato das pessoas jurídicas contratadas, simulando a existência de pessoas jurídicas para ocultar a contratação de pessoas físicas. Retomem-se algumas das conclusões da fiscalização após cruzamentos de dados, análise de contratos, e várias diligências nos endereços declarados: ➢ As empresas prestadoras de serviço não possuem estrutura empresarial para funcionar, sendo que parte delas tem fortes indícios de serem empresas “noteiras”; ➢ Grande parte não entregam GFIP ou entregam SEM MOVIMENTO; ➢ Grande parte não tem diretor responsável e tem capital social irrisório; 21.1. Portanto, as empresas: ➢ Não assumem os riscos da atividade econômica; ➢ Prestam serviços nas dependências da contratante que detém o poder de controle e gerência demonstrando a subordinação dos profissionais à estrutura do hospital; ➢ A remuneração mensal, portanto, não eventual. 21.2. Assim, constatamos a presença dos cinco elementos fático jurídicos da relação de emprego: ➢ trabalho prestado por pessoa física, ➢ de forma pessoal, Fl. 6497DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 18 ➢ não eventual, ➢ onerosa, ➢ subordinada 22. Independentemente da figura contratual adotada, uma vez ausente a autonomia organizacional do trabalho do prestador de serviços, com o exercício da sua atividade laboral de forma pessoal e sob a direção do tomador, e sem a propriedade dos meios de produção e responsabilidade pelos riscos do empreendimento, está-se diante de típica de relação de emprego/segurado empregado. 23. Portanto, caracterizados estão os pressupostos para a configuração da relação de emprego, dispostos nos artigos 2º e 3º da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), aprovada pelo Decreto- Lei n° 5.452 de 01/05/1942, transcritos a seguir: (...) 24. Sobre a definição de segurado empregado na Lei 8.212/91: (...) 25. Configurados os elementos da relação de emprego, o fisco fazendário possui competência para alcançar o real fato tributável da fiscalizada, sem depender de autorização da Justiça Comum, ou Federal, ou Trabalhista, aplicando aqui a legislação a seguir: (...) As constatações estão lastreadas em farta documentação juntada aos autos do processo administrativo quando da autuação fiscal e foram confirmadas na decisão de DRJ. Em sua defesa, para afirmar a regularidade de suas contratações por meio de pessoas jurídicas, o recorrente levanta várias questões. 4.1 DA REGULARIDADE DA CONTRATAÇÃO DE MÉDICOS POR MEIO DE PESSOAS JURÍDICAS PELA RECORRENTE 4.1.1 DA PRÁTICA CONSOLIDADA NA ÁREA MÉDICA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR MEIO DE PESSOA JURÍDICA AUTÔNOMA Não tratou a autuação de afirmar que haveria, de modo geral, alguma irregularidade na contratação de médicos por meio de pessoas jurídicas ou, tampouco, não reconhecer as práticas consolidadas na área médica. A fiscalização se ateve a constatar a irregularidade existente em contratações realizadas no presente caso, restrito ao presente sujeito passivo e respectivos contratados, e ao período da fiscalização. Este foi o escopo da fiscalização e correspondente autuação, cujos fatos o recorrente buscou contestar. Fl. 6498DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 19 Afirmar que esse tipo de contratação é prática comum e generalizada na área médica não afasta as irregularidades concretas trazidas aos autos. À e-fl. 6408 o Recurso Voluntário afirma: A prestação do serviço médico por meio de sociedade é a forma mais comum na área médica, pois auxilia o profissional na organização do serviço, conferindo ao médico maior autonomia/flexibilidade. Ele mesmo quem definem se e quando realizarão suas atividades de acordo com sua agenda, que pode incluir prestação de serviço em diversos hospitais/clínicas/consultórios. Não se questiona tal afirmativa. Ocorre que, para que ocorra o mencionado auxílio, faz-se necessário que exista realmente a sociedade. Que ela não exista apenas de direito, mas também de fato, com capacidade operacional para executar alguma atividade que proporcione o referido auxílio. Não foi o que a fiscalização identificou. O que foi identificado pela fiscalização foi: (...) prestação de serviços por pessoas físicas, transvestidas de pessoas jurídicas em nítida relação de emprego previsto nos arts. 2º e 3º da CLT cc art. art. 12, inciso I, “a”, o art. 28, inciso I, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. O quadro apresentado à e-fl. 6410, como sendo a praxe na área médica, contradiz a possibilidade de auxílio ao profissional, que o recorrente alega ser proporcionado pela prestação de serviços por meio de sociedades. Afirma àquela e-fl.: Verifica-se, portanto, que na área médica, é de praxe: (i) que os médicos constituam sociedade para a prestação do serviço médico, o qual continua a ser prestado de forma pessoal, e (ii) que essa sociedade não seja empresária nem sua atividade constitua elemento de empresa. Destaca-se novamente que, como os médicos podem prestar serviço no estabelecimento de terceiros e o serviço é prestado de forma pessoal, sequer há necessidade de possuírem sede/estabelecimento próprio para atendimento, nem quadro de funcionários. Ora, se a prestação do serviço é dada pessoalmente pelo médico, no estabelecimento do hospital, não possuindo estabelecimento próprio para atendimento, ou mesmo funcionários, qual seria o auxílio possibilitado pela sociedade formada? Conforme ressalta a autuação, é uma prestação de serviço prestada por pessoas físicas travestidas de pessoa jurídica. A única vantagem que aflora dessa estrutura é a tributária, decorrente da lesão ao fisco por meio de uma simulação. Na autuação são listadas sociedades empresárias e sociedades simples, contudo, nem umas, nem outras, apresentam uma estrutura mínima a possibilitar o alegado auxílio ao profissional. Também não foi identificada a relatada liberdade de agenda, exceto em casos pontuais e que não constaram da autuação, pelo contrário: Fl. 6499DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 20 27. Conforme verificado, trata-se de serviços de medicina. Considerando que os serviços foram prestados na empresa tomadora, que forneceu toda a estrutura necessária, física, material e equipamentos, constatamos que o custo da prestação de serviços foi apenas o da hora laborada, típica desse tipo de serviço, não havendo nenhum outro custo pela suposta empresa prestadora que não tem estrutura operacional. Assim, as Bases de Cálculo utilizadas foram os valores dos serviços prestados constantes nas Notas Fiscais apresentadas, constantes no Anexo III e lançadas na Conta Despesas Operacionais, 00148 – Honorários Médicos, sendo o 13º (décimo terceiro salário) calculado à base de 1/12(um doze avos mensal). O recorrente discorre longamente sobre como deve ser formalmente uma sociedade simples, e que esta forma societária seria utilizada por médicos com frequência. Todavia, os anexos da autuação, em especial os anexos II e XIV, trazem diferentes formas de sociedade. Ainda que todas fossem sociedades simples, como sugere o recorrente, não foram esclarecidas as inconsistências apontadas pelo auto de infração. As referências à ADPF nº324 e ao Tema STF nº 725 RG (RE nº 958.252) também não são hábeis a socorrer o recorrente. Não se questiona a licitude de se terceirizar atividades, esta questão já foi pacificada pelo STF. O que foi questionado pela autuação foi a estrutura simulada existente, e tais estruturas por certo não são acolhidas por nenhumas das duas decisões do STF, posto que são estruturas contrárias ao direito. Destaque-se trecho do voto do Ministro Alexandre de Moraes na decisão do RE nº 958.252 MG: Obviamente, essa opção será lícita e legítima desde que não proibida ou colidente com o ordenamento constitucional; bem como, desde que, durante a execução dessa opção – na hipótese de terceirização –, as empresas “tomadoras” e “prestadoras” não violem direitos sociais e previdenciários do trabalhador e a primazia dos valores sociais do trabalho, que, juntamente com a livre iniciativa, tem assento constitucional como um dos fundamentos do Estado Democrático brasileiro. Em sede do acórdão dos Terceiros e Quartos Embargos de Declaração do RE nº 958.252 MG, embora vencida, a Ministra Rosa Weber faz a seguinte síntese dos entendimentos expostos nos votos vencedores: 9. Como dito, o Plenário desta Corte consagrou vencedora a tese que reconhece a validade jurídico-constitucional da contratação de mão-deobra terceirizada tanto para a prestação de serviços relacionados à atividade-meio (como autorizado nos termos da Súmula nº 331/TST) como também em relação às atividades-fim da empresa. Fl. 6500DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 21 10. Isso não significa, contudo, como diversos dos Ministros que compuseram a maioria fizeram constar expressamente nos seus votos, mostrar-se lícito ao empregador a burla à legislação trabalhista e previdenciária vigente, por meio da adoção, meramente formal, do regime de terceirização, nas hipóteses em que se achem presentes, no caso concreto, todos os requisitos da relação de emprego (trabalho por pessoa física, com subordinação, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade). Frise-se que, conforme o próprio recorrente transcreveu, a ADPF nº324 ressalva ser responsabilidade do contratante, na terceirização: “verificar a idoneidade e a capacidade econômica da terceirizada”. A inexistência das pessoas jurídicas contratadas atesta a negligência quanto a essa questão por parte da autuada. 4.1.2 DA INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO Afirma o recorrente que “não estão presentes no caso os elementos caracterizadores da relação de emprego, haja vista que as pessoas jurídicas foram constituídas por mera liberalidade dos médicos que atuam com total autonomia, sem subordinação e exclusividade”. Não cabe ao recorrente, na condição de contratante, buscar se eximir da responsabilidade quanto à idoneidade e capacidade econômica, das pessoas jurídicas com as quais pretendeu conferir uma aparência de terceirização. A própria ADPF nº 324, invocada no Recurso Voluntário, reitera essa responsabilidade. Também não prospera a alegação de que a fiscalização teria efetuado uma desconsideração das pessoas jurídicas. Não houve tal desconsideração. O que houve foi o afastamento da eficácia de negócios jurídicos frente ao fisco, por meio da desconsideração de atos e negócios jurídicos, em prevalência da substância sobre a forma, conforme descrito no Relatório Fiscal. Em mesmo sentido, também não buscou a autuação reconhecer vínculo empregatício entre as partes, conforme alega o recorrente à e-fl. 6421. O que houve foi a identificação de relações que configuram a condição de segurado empregado para fins da legislação previdenciária. O auto de infração demonstrou, inclusive por meio de diligências nos endereços declarados, que uma série de contratadas não existiam de fato. Sobre este fato o recorrente não se manifestou. O Relatório Fiscal aponta mais de uma centena de contratadas que não possuem sequer um diretor técnico cadastrado, conforme determinado pela regulamentação aplicável e Fl. 6501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 22 explicitada no Relatório Fiscal. Os profissionais que prestaram serviços ao recorrente, sob estes CNPJs, ficaram subordinados à gestão técnica do diretor técnico do hospital (e-fls. 6187/6189). Possuir capacidade econômica, operacional, e assumir os riscos da atividade, de modo a ser possível a autonomia do prestador, são elementos essenciais a viabilizar uma real terceirização de serviços. No presente caso o Relatório Fiscal e anexos demonstra que não há essa autonomia por parte das contratadas. O que há é a subordinação jurídica estrutural dos profissionais que prestem efetivamente os serviços, dada a total incapacidade operacional das pessoas jurídicas contratadas. A subordinação jurídica, quando vista sob o prisma estrutural, pode ser assim entendida, segundo Maurício Godinho Delgado, um dos precursores do conceito: A conjugação dessas três dimensões da subordinação – que não se excluem, evidentemente, mas se completam com harmonia – permite superaramse as recorrentes dificuldades de enquadramento dos fatos novos do mundo do trabalho ao tipo jurídico da relação de emprego, retomando-se o clássico e civilizatório expansionismo do Direito do Trabalho. Na essência, é trabalhador subordinado desde o humilde e tradicional obreiro que se submete à intensa pletora de ordens do tomador ao longo de sua prestação de serviços (subordinação clássica ou tradicional), como também aquele que realiza, ainda que sem incessantes ordens diretas, no plano manual ou intelectual, os objetivos empresariais (subordinação objetiva), a par do prestador laborativo que, sem receber ordens diretas das chefias do tomador de serviços, nem exatamente realizar os objetivos do empreendimento (atividades-meio, por exemplo), acopla- se, estruturalmente, à organização e dinâmica operacional da empresa tomadora, qualquer que seja sua função ou especialização, incorporando, necessariamente, a cultura cotidiana empresarial ao longo da prestação de serviços realizada (subordinação estrutural).1 À e-fl. 6189 destaca o auto de infração: 20.2. E, o art. 2º da CLT: “considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços”. 20.3. Não há que se falar em autonomia de gestão do negócio, caso os riscos são assumidos pela tomadora dos serviços. Os elementos pessoalidade, não eventualidade e onerosidade, que são de mais fácil caracterização, também estão presentes na relação entre o contratante e os profissionais que prestam serviços sob os CNPJs das contratadas. 1 DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de direito do trabalho. 11ª ed. São Paulo: LTr, 2012, p. 298. Fl. 6502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 23 O Relatório Fiscal aponta os elementos que caracterizam a condição de segurado empregado por variados meios. São indicadas mais de uma centena de pessoas jurídicas, em diferentes conformações de sociedade, que foram contratadas como prestadoras de serviço. Reitera o acórdão a quo , cujos argumentos acolho como razão de decidir, que: Isso porque os elementos comprobatórios desses requisitos, quais sejam, pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação, foram apontados no Relatório Fiscal, conforme o entendimento fiscal. Nesse sentido, pode-se citar a utilização de instrumentos de contrato “padrão” na contratação das pessoas jurídicas; a realização da prestação de serviços nas dependências da contratante, com utilização da infraestrutura por ela oferecida; a orientação das contratadas quanto às normas internas, técnicas e administrativas; a vigência dos contratos por prazo indeterminado, com reajuste anual; a não transferência das obrigações previstas no contrato a terceiros, sem prévia comunicação à Impugnante; e a não assunção dos riscos do negócio pelos prestadores de serviço. Além disso, a Auditoria verificou diversas irregularidades e inconsistências das pessoas jurídicas contratadas. Nesse sentido, observou que muitas delas não foram localizadas no endereço cadastral; informaram como endereço o mesmo do sócio ou titular; ou informaram endereço em localidade muito distante do local da prestação dos serviços e dos endereços dos sócios; muitas delas não transmitiram GFIP ou transmitiram essa declaração com a informação “sem movimento”, mesmo em competências em que houve emissão de notas fiscais; os serviços foram prestados pelos próprios sócios; a maioria possui capital social em valor ínfimo; muitos profissionais participaram dessas sociedades como sócios ao longo dos anos; algumas sociedades não apresentaram nem contrato nem notas fiscais; e algumas sociedades não possuíam diretor técnico cadastrado junto ao Conselho Federal de Medicina, subsumindo-se assim à direção técnica do estabelecimento contratante. Conforme destacado pelo Relatório Fiscal e ratificado pelo acórdão recorrido, as pessoas jurídicas não possuem estrutura empresarial para funcionar, grande parte não apresenta sequer a GFIP ou a apresentam sem movimento. Grande parte não possui diretor responsável e tem capital social irrisório. Já destacado no relatório deste acórdão e no início deste voto, assevera o Relatório Fiscal: 21.1. Portanto, as empresas: ➢ Não assumem os riscos da atividade econômica; ➢ Prestam serviços nas dependências da contratante que detém o poder de controle e gerência demonstrando a subordinação dos profissionais à estrutura do hospital; ➢ A remuneração mensal, portanto, não eventual. Fl. 6503DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 24 O que se vê é um quadro probatório com indícios vários e concordantes, situação corriqueira quando se trata de fraude e simulação. De longa data que o STF reconhece que indícios vários e concordantes são prova, até mesmo quando se trata de direito penal. Já em 1969, o Ministro Aliomar Baleeiro, relator do acórdão do Recurso Extraordinário nº 68.006/MG, afirmava em seu voto: “Indícios são provas se vários, convergentes e concordantes.” Em mesmo sentido se manifestou recentemente o atual Ministro STF Flávio Dino, repetindo o ensinamento de Aliomar Baleeiro. O mesmo se pode dizer do acórdão n°01-02.743, da CSRF. Especificamente sobre terceirização, em seu voto no RE 958252 / MG (Tema STF nº 725), assim se pronunciou o Ministro Alexandre de Moraes: Da mesma maneira, caso a prática de ilícita intermediação de mão de obra, com afronta aos direitos sociais e previdenciários dos trabalhadores, se esconda formalmente em uma fraudulenta terceirização, por meio de contrato de prestação serviços, nada impedirá a efetiva fiscalização e responsabilização, pois o Direito não vive de rótulos, mas sim da análise da real natureza jurídica dos contratos. (grifo do relator) A fala do ministro reafirma que situações de fraudulenta terceirização, como a do caso em tela, não estão albergadas sob a licitude prevista no Tema STF nº725. Tal entendimento tem sido respeitado pela CSRF deste CARF, como por exemplo no acórdão de nº 9202-011.423, de 22 de agosto de 2024, cuja ementa assentou os seguintes entendimentos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. PRESENÇA DOS ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. ANÁLISE DOS ELEMENTOS FÁTICOSPROBATÓRIOS. Demonstrada nos autos, a partir dos elementos probatórios apresentados pela autoridade fiscal, a interposição de pessoas jurídicas na contratação de serviços, mediante averiguação quanto à presença dos requisitos da relação de emprego, correto o procedimento fiscal ao enquadrar as pessoas físicas, contratadas em tais condições, como segurados empregados do tomador. CONTRATAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. “PEJOTIZAÇÃO”. TERCEIRIZAÇÃO DE ATIVIDADE-FIM. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE PELA FISCALIZAÇÃO. ART. 129 DA LEI 11.196/05. É lícita a terceirização entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, sendo possível terceirizar a atividade-fim sem que essa circunstância, por si só, gere vínculo de segurado empregado. Entretanto, a opção pela contratação de pessoa jurídica para a prestação de serviços intelectuais, conforme autorizado pelo art. 129 da Lei nº 11.196/2005, Fl. 6504DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 25 está submetida à avaliação de legalidade e regularidade pela Administração Tributária, por inexistirem no ordenamento constitucional garantias ou direitos absolutos, acorde decidido pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto da e. Ministra Carmen Lúcia, na Ação Declaratória de Constitucionalidade 66/DF. Merece destaque o seguinte trecho do voto vencedor do referido acórdão nº 9202- 011.423 da CSRF. Conforme bem apontado no Voto condutor da decisão recorrida, não é a autonomia intelectual e científica do prestador dos serviços que seria limitada na relação com o Hospital, mas sim a autonomia operacional dos prestadores, que restou devidamente demonstrada, uma vez que os profissionais se encontravam sujeitos às diretrizes e ao poder de comando da Recorrente. Deve ser novamente destacado, não somente a sujeição às diretrizes do Hospital, assim como: o fato de observância a horários pré-definidos, conforme escala de trabalho determinada pelo tomador dos serviços; (...) Por todo o exposto, não assiste razão ao recorrente quanto à regularidade da estrutura existente no caso concreto, para o período autuado. 4.2 DO VÍCIO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – DA ILIQUIDEZ E INCERTEZA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Neste ponto, já explicou o acórdão recorrido que: Ocorre que, em razão da situação descrita pela Auditoria, de contratação de profissionais médicos por meio de interpostas pessoas jurídicas, foi necessário realizar o arbitramento da remuneração dos profissionais, nos termos do art. 33, §3º da Lei nº 8.212, de 1991, a partir dos dados existentes, quais sejam, os valores das notas fiscais de prestação de serviços, lançados na conta Despesas Operacionais, sob o código 00178 – Honorários Médicos. O recorrente se insurge contra o arbitramento e alega iliquidez e incerteza do lançamento. Invoca no Recurso Voluntário o disposto no art. 148 do CTN. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. (grifo do recorrente) Fl. 6505DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 26 O trecho grifado pelo recorrente é especialmente caro à presente situação. Em que pese o recorrente tenha demonstrado contrariedade com os valores, não apresentou nenhuma avaliação contraditória ou método alternativo que defendesse ser mais adequado. O recurso voluntário traz apenas a alegação genérica de iliquidez e incerteza, sem apontar quais seriam exatamente os erros de cálculo, ou qual seria seu cálculo alternativo que deveria prevalecer sobre o encontrado pela fiscalização por arbitramento. A dificuldade de se obter outra forma de arbitramento é inerente à estrutura fraudulenta engendrada, restando apenas notas fiscais emitidas e as contabilizações como parâmetro objetivo. O anexo V, por exemplo, discrimina todos os lançamentos da ECD das empresas que não foram apresentadas a documentação, informando competência, data, empresa, histórico, número da NF e valor da Base de Cálculo. O anexo IX, por sua vez, discrimina as GFIP’s apresentadas, informando competência, empresa, CNPJ, código de controle, categoria de segurado, cargo, nome do trabalhador, Base de Cálculo Mensal e do décimo terceiro e a contribuição do segurado. Diferentemente do que sugere o Recurso Voluntário, e-fl. 6434, os valores de décimo terceiro não foram supostos pela Auditora-Fiscal, foram retirados de GFIP entregues pelo autuado. Alega equivocadamente o recorrente. Somado a isso, o Sr. Auditor Fiscal realizou o lançamento de um suposto “13º salário”, calculado à base de 1/12 (um doze avos mensal) apurada a partir da Conta Despesa Operacional. Contudo, tal valor nunca foi pago e sequer é devido pela Recorrente. Portanto, não assiste razão ao recorrente quanto a alegada iliquidez e incerteza do lançamento. 4.3 DA NECESSIDADE DO CANCELAMENTO DAS MULTAS COMINADAS – DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA DE 150% - DA INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO Não se vislumbrando a ocorrência de ilícita intermediação de mão de obra, a situação se amoldaria à decidida pelo STF no Recurso Extraordinário nº 958.252/MG, Tema 725 de Repercussão Geral, no qual ficou assente a seguinte tese: TEMA STF nº725- RG É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante. Fl. 6506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 27 Em mesmo sentido decidiu a ADPF nº324, cujo trânsito em julgado se deu em 28/09/2021. Entretanto, o que se vislumbra nos autos do processo é uma situação de fraudulenta terceirização, não estando acobertada pela licitude apontada nas decisões do STF. As empresas contratadas eram inexistentes de fato, ou não possuíam estrutura e capacidade operacional para fazer frente à prestação dos serviços para as quais foram contratadas. Os serviços eram prestados necessariamente pelas pessoas físicas vinculadas às empresas contratadas. Serviços esse prestados com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Não se tratou de 1 caso isolado, que pudesse ser entendido como um erro escusável. Foram relacionadas mais de uma centena de empresas e suas enumeradas inconsistências, demonstrando uma forma de contratação de prestadores de serviços médicos. Essa forma de contratação negligenciava a responsabilidade do contratante, reafirmada na ADPF nº324, conforme já exposto neste voto. Todo quadro probatório, formado por extenso conjunto de indícios convergentes e concordantes, aponta para o dolo do agente. Explica o Relatório Fiscal que: 29. A fraude é a ação ou omissão que tenta mascarar o fato gerador. O sujeito passivo, agindo de má-fé e, mediante o uso de um ardil, de uma mentira, adultera o fato gerador, fazendo-o parecer algo sem relevância fiscal ou fato com menor incidência tributária. A forma mais comum de fraude é a simulação, cujo conteúdo consiste numa declaração de vontade distinta da vontade real, com a concordância de ambas as partes(conluio) e visando, geralmente, fugir de obrigações/imperativos legais e prejudicar o fisco. Os planejamentos tributários abusivos e, portanto, ilícitos, tem sido historicamente entendidos como situações simuladas, nas quais afloram operações fictícias visando modificar as características essenciais do negócio jurídico pretendido e praticado, de modo a reduzir o montante do tributo devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 30. Outro ponto fundamental a abordar é a caracterização do dolo do sujeito passivo sonegador ou fraudador. De acordo com o art. 18, inc. I, do Código Penal, diz-se que uma conduta é dolosa "quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo". Notemos que a norma penal traz duas espécies de dolo, o dolo direto, quando o agente "quis" o resultado e o dolo indireto, quando o agente assumiu o risco de produzir o ilícito. 31. Por todo exposto, fica caracterizado a presença da fraude, do dolo e do conluio. Fl. 6507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 28 Reforça o acórdão recorrido, cujos argumentos transcrevo e acolho como razão de decidir, que: Nos termos da descrição feita pela Fiscalização, verifica-se que o contribuinte lançou mão da contratação de interpostas pessoas (pessoas jurídicas) para, mediante simulação, descaracterizar a ocorrência do fato gerador das contribuições sociais e reduzir indevidamente o montante tributável. O propósito deliberado de transmudar a natureza dos rendimentos pagos às pessoas físicas e, com isso, produzir uma redução do tributo devido, através da sonegação de tributos (no caso, as contribuições previdenciárias e as devidas a terceiros), mediante fraude e conluio entre o contratante e os contratados, impõe a aplicação da qualificadora prevista no §1º do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Logo, não assiste razão ao recorrente, devendo ser mantida a multa qualificada. Todavia, seu percentual deve ser reduzido ao novo teto legal de 100%. 4.4 DA DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – DA INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 150, §4º DO CTN Demonstrada a fraude e o dolo, despiciendo se alongar quanto à aplicação ou não da regra decadencial do art. 150, §4º do CTN, invocado pelo recorrente. Transcrevo e acolho como razão de decidir os argumentos colocados no acórdão de DRJ. Considerando a aplicação da multa de 150% em decorrência da verificação da ocorrência de simulação, como já explicitado, não cabe a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, §4º, do CTN, como sugerido pela Impugnante. No caso, o prazo decadencial deve observar o disposto no art. 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda constituir o crédito fica extinto após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desse modo, não há que se falar em decadência no caso, visto que a ciência do lançamento se deu em 29/11/2022, em relação ao período de apuração a partir de 01/2017. Não assiste razão ao recorrente. 5 CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço em parte do Recurso Voluntário, afasto as preliminares e prejudicial de mérito para, no mérito, dar provimento parcial no sentido de reduzir a multa qualificada ao novo patamar de 100%. Fl. 6508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 29 Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo. A presente declaração de voto visa esclarecer a razão que divirjo do entendimento exposto pelo Ilmo. Conselheiro Relator. Como se vê, a questão central da autuação é o enquadramento, como segurados empregados, para a Previdência Social, dos profissionais de saúde que prestaram serviços no Hospital, através de pessoas jurídicas por ele contratadas. Como reconhecido pelo próprio relator, o Supremo Tribunal Federal (STF), no Tema 725 (RE 958.252), com repercussão geral, reconheceu a licitude da terceirização em todas as atividades de produção, bem como a possibilidade de outras formas de divisão do trabalho. É ver a compreensão firmada: “É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante”. No julgamento da ADPF 324, por sua vez, assentou-se a constitucionalidade da terceirização da atividade-fim ou meio, mediante a fixação da seguinte tese: 1. É lícita a terceirização de toda e qualquer atividade, meio ou fim, não se configurando relação de emprego entre a contratante e o empregado da contratada. 2. Na terceirização, compete à contratante: i) verificar a idoneidade e a capacidade econômica da terceirizada; e ii) responder subsidiariamente pelo descumprimento das normas trabalhistas, bem como por obrigações previdenciárias, na forma do art. 31 da Lei 8.212/1993. No julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade 66/DF (ADC 66), o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade do artigo 129 da Lei n. 11.196/05, o qual determina: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão-somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da Fl. 6509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 30 observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil. (Vide ADC 66) Ambas as Turmas do STF adotaram, recentemente, posicionamento semelhante ao analisar diversas Reclamações Constitucionais, aplicando o entendimento vinculante e cassando as decisões proferida anteriormente por Tribunal Regionais do Trabalho, que reconheciam o vínculo empregatício. Merece destaque o caso do julgamento da RCL n. 60.620, em que a 2ª Turma, por maioria de votos, julgou a Reclamação Constitucional procedente, nos termos do voto do Ministro Gilmar Mendes. No caso, restou expresso que a denominada “pejotização”, isto é, a contratação de trabalhador pessoa física por meio de pessoa jurídica está abarcada pelo decidido nos Temas 725 e ADPF 324. É ver trecho do voto do Ministro: Pois bem. No caso dos autos, a autoridade reclamada, por sua vez, descaracterizando a relação contratual autônoma, reconheceu vínculo de emprego entre as partes, não obstante a avença firmada entre elas . Assim, verifica-se que a controvérsia trazida pela parte reclamante corresponde à licitude da “terceirização” da atividade-fim da empresa tomadora através de contratos de prestação de serviços profissionais por meio de pessoas jurídicas ou sob a forma autônoma, a chamada “pejotização”. Tendo em vista o entendimento firmado no julgamento da ADPF 324, conclui-se que não se configura relação de emprego entre a contratante e o empregado da empresa contratada na terceirização, também não há como se reconhecer o vínculo empregatício entre os empresários individuais, sócios de pessoa jurídica contratada para a prestação de serviços, prestadores de serviços autônomos ou figurantes de relações jurídicas de natureza cível/empresarial e a empresa contratante . Assim, reafirmo que o Tribunal reclamado, ao reconhecer, na reclamação trabalhista originária, a existência de vínculo empregatício entre as partes, violou o entendimento firmado na ADPF 324. Como se vê, o Tribunal Supremo tem reforçado o posicionamento no sentido de que há um contexto mundial de flexibilização das normas trabalhistas e que a Constituição Federal não impõe um modelo específico de produção. O modelo verticalizado, fordista, vai na contramão de um movimento global de descentralização. O decidido ADC n. 48 e na ADI n. 3.961 reforça o entendimento no sentido de que os agentes econômicos têm liberdade para se organizar e nem sempre esta será uma relação de emprego. No voto do Min. Roberto Barroso restou consignado o seguinte: 2. É legítima a terceirização das atividades-fim de uma empresa. Como já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, a Constituição não impõe uma única forma de estruturar a produção. Ao contrário, o princípio constitucional da livre iniciativa garante aos agentes econômicos liberdade para eleger suas estratégias Fl. 6510DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 31 empresariais dentro do marco vigente (CF/1988, art. 170). A proteção constitucional ao trabalho não impõe que toda e qualquer prestação remunerada de serviços configure relação de emprego (CF/1988, art. 7º). – grifou-se. Em análise à jurisprudência dos Tribunais Superiores, verifica-se que o entendimento majoritário dos Ministros converge na linha de que não é plausível obrigar as empresas a um determinado modelo de organização, submetendo-as necessariamente à celebração de contrato de trabalho com os seus prestadores. O postulado da livre iniciativa conduz à conclusão de que empresas têm a liberdade de se estruturarem de acordo com as suas estratégias de mercado e não descabe ao Estado obrigá-las a um modelo de contratação. São valiosas as lições trazidas no voto da Ministra Relatora Carmem Lúcia (ADC 66): A controvérsia que permeia a presente ação é determinada pela incerteza gerada por prestadores de serviços intelectuais e para os tomadores desses serviços sobre eventual desconsideração de sua relação jurídica pela Administração Pública ou pelo Poder Judiciário que, a pretexto de coibir fraudes e simulação em favor da primazia da realidade, possa a eles impor regramento previdenciário e fiscal mais gravoso que aquele destinado às pessoas jurídicas ou, ainda, reconhecer a formação de vínculo empregatício entre a pessoa física do prestador e a tomadora dos serviços. O receio sobre a eficácia das escolhas empresariais e a dúvida sobre os limites dos compromissos assumidos comprometeria a segurança jurídica, mais ainda, o equilíbrio das relações firmadas, sem que não se tem como garantido o livre exercício da atividade empresarial e o pleno desenvolvimento econômico. (...) 11. A valorização do trabalho humano e a livre iniciativa conjugam-se para fundamentar a ordem econômica e dirigem-se a atingir os objetivos fundamentais descritos no art. 3º da Constituição da República, pelo que são elementos indissociáveis para a compreensão e o desate da presente controvérsia jurídica. (...) Em linha com esse entendimento, que, apoiado no dinamismo das transformações econômicas e sociais, reafirma a necessidade de se assegurar ampla liberdade às empresas para definir suas escolhas organizacionais e os modelos de negócio com vistas a assegurar sua competitividade e subsistência (...) 13. Sob essa mesma perspectiva de densificação da liberdade de organização da atividade econômica empresarial, dotando-a da flexibilidade e da adequação atualmente exigidas, e da necessária compatibilização com os valores sociais do trabalho, há de se concluir que a norma objeto desta ação não apresenta vício de inconstitucionalidade. Compatibiliza-se a norma com a normatividade Fl. 6511DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 32 constitucional que abriga a liberdade de iniciativa como fundamento da República. – grifou-se. Além disso, há a comprovação de tratar-se de profissionais graduados e qualificados, do ramo da medicina, tratando-se de profissionais especialistas em suas áreas de atuação, caracterizados pelo art. 444 da CLT como hipersuficientes. Não há, ainda, comprovação de que as pessoas físicas sócias das empresas contratadas tenham sido coagidas a constituir pessoas jurídicas para prestarem serviços à recorrente. Nesse sentido, o STF tem julgado vários casos desse tipo (Rcl 56285 AgR), reafirmando que, quando o reclamante não se trata de trabalhador hipossuficiente, é capaz de fazer uma escolha esclarecida sobre sua contratação, de modo que deve ser respeitada a forma de contratação formalizada. A não ser que exista elemento concreto de que tenha ocorrido coação na contratação celebrada. De modo ainda mais específico, a corroborar com o racional exposto, ainda no ano de 2023, a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal reconheceu, no julgamento da Reclamação Constitucional (RCL) n. 57.917, a legalidade da contratação de um médico, como pessoa jurídica. Prevaleceu o voto divergente do ministro Dias Toffoli, no sentido de julgar procedente a Reclamação e, com isso, cassar a decisão proferida anteriormente pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, que reconhecia o vínculo entre o médico e um grupo hospitalar. O STF adotou posicionamento semelhante, inclusive, no julgamento da RCL n. 47.843, de forma que a 1ª Turma, por maioria de votos, julgou outra Reclamação Constitucional procedente nos termos do voto do ministro Alexandre de Moraes: Aliás, em caso análogo, também envolvendo, na questão de fundo, discussão sobre ilicitude na terceirização por 'pejotização', por meio da contratação de pessoa jurídica formada por médicos prestadores de serviços terceirizados a hospital tomador de serviços, a 1ª Turma já decidiu em conformidade com o aqui proposto: trata-se da Rcl 39.351 AgR (relatora ministra ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 11/5/2020). No âmbito deste Eg. Conselho, já foram proferidos diversos acórdãos que compreenderam pela licitude da terceirização ao analisar situações semelhantes, relativas à pessoas jurídicas atuantes na área de saúde médica/hospitalar (não entidades beneficentes). É ver, exemplificativamente: Acórdão n. 2402-012.457 (Rede D’or) TERCEIRIZAÇÃO DA ATIVIDADE-FIM. PEJOTIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante. Aplicação do Tema 725 do Supremo Tribunal Federal. Acórdão n. 2101-002.963 (Hospital Mater Dei) Fl. 6512DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 33 CONTRATOS DE PARCERIA. TERCEIRIZAÇÃO DA ATIVIDADE-FIM. PEJOTIZAÇÃO. POSSIBILIDADE. É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante. Aplicação do Tema 725 do Supremo Tribunal Federal. Como se sabe, essa é uma peculiaridade do ramo de atuação da recorrente. Na área de saúde mostra-se, inclusive, de interesse dos próprios médicos a contratação via pessoa jurídica, os quais, frequentemente, prestam serviços médicos para outros tomadores. Além disso, da análise dos autos, entendo que não há comprovação de fraude/simulação apta a infirmar a compreensão pela licitude da contratação via pessoa jurídica, atraindo a tributação pelas contribuições previdenciárias sobre a remuneração de segurado empregado. Em que pese a longa diligência efetivada pelo fiscal junto aos prestadores, destacada à saciedade no voto vencedor, entendo que essas razões não são suficientes à atestar a existência de relação empregatícia, atraindo a tributação das verbas pelas contribuições previdenciárias. Não é razoável admitir ou presumir-se fraude ou simulação pelo simples fato de que havia prestadores situados formalmente em endereço pessoal dos sócios, a ausência de prestadores no endereço indicado por tais pessoas jurídicas ou, até mesmo, a ausência e incompletude de obrigações acessórias por parte das pessoas jurídicas terceirizadas. Caso apuradas infrações tributárias por parte desses, caberia à fiscalização constituir o crédito tributário devido. Por exemplo, caso constatada o pagamento de pro labore sob a forma de dividendos, fato comum apreciado por essa turma, caberia autuá-las, ou exigir a multa por descumprimento de obrigação acessória. O ponto é que essa seria uma infração autônoma, diversa da presente, o sujeito passivo seria diverso, não sendo hábil e razoável admitir- se que tais fatos “alheios” à recorrente (inclusive considerando a autonomia empresarial e a ausência de relação entre sócios dessas com aquelas) seriam sua responsabilidade. É dizer, não há liame entre tais constatações e a existência dos requisitos previstos pela legislação previdenciária para a efetivação do lançamento. Veja-se: Art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei n. 8.212/91 (art. 9, inciso I do RPS) Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I - como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Fl. 6513DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 34 Nesse particular, destaco, em especial que há um vácuo argumentativo no que tange à existência de subordinação. Ao analisar o Relatório Fiscal, verifica-se que as únicas razões mencionadas pela Autoridade Fiscal para constatar a suposta existência de subordinação são, conforme transcrito do próprio Relatório Fiscal (e-fls. 6174 e seguintes): 19.3. Em consulta ao Conselho Federal de Medicina é possível verificar que as empresas a seguir não possuem diretor técnico cadastrado, ou estão com o cadastramento vencido, assim, tratam de meras fornecedoras de mão de obra especializada, onde os profissionais estão subordinados a gestão técnica do diretor técnico do hospital. (...) 21.1. Portanto, as empresas: ➢ Prestam serviços nas dependências da contratante que detém o poder de controle e gerência demonstrando a subordinação dos profissionais à estrutura do hospital; Por óbvio, o fato de prestarem os serviços no estabelecimento da recorrente não é suficiente para atestar a subordinação. Como demonstrado, e, entendo, sequer mencionado pelo Auditor Fiscal, havia previsão, inclusive contratual, a autonomia de gerenciamento de “agenda” dos profissionais. Conforme demonstrado nos autos: Confira-se a título exemplificativo o contrato de prestação de serviços médicos celebrado entre a Recorrente e a empresa Guimarães Valle Serviços Médicos Ltda – ME, donde é possível verificar a expressa liberalidade e autonomia do exercício das atividades contratadas (fls. 2578/2591 dos autos): Além disso, a ausência de registro no Conselho Federal de Medicina é falta, no máximo, regulatória, não tendo o condão de alcançar qualquer conclusão atinente à suposta existência de vínculo empregatício, como pretendeu a fiscalização. O suposto aspecto de cunho regulamentar não conduz a nenhuma conclusão automática. Ao contrário, caberia a fiscalização ter demonstrado a exclusividade dos prestadores com os serviços prestados à recorrente, aspectos constantes nos manuais de procedimentos que indicariam eventual ausência de “liberdade de agenda” ou necessidade de seguir ordens expressas e diretrizes de chefes e superiores diretos. Contudo, isso não ocorreu. Sendo assim, ante a ausência de argumentos e provas hábeis que nos conduzam à conclusão pela existência de subordinação, bem como considerando o entendimento atual do Fl. 6514DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.212 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.721920/2022-95 35 Tribunal Superior sobre a matéria (de observância obrigatória nos termos do art. 98 do RICARF), entendo que o lançamento deveria ser cancelado. Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo. Fl. 6515DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 CONHECIMENTO 2 PRELIMINARES 2.1 da Nulidade da Decisão da DRJ por Vício de Fundamentação e da Nulidade dos Autos de Infração em razão do vício de motivação dos atos administrativos 3 PREJUDICIAL DE MÉRITO 3.1 Da Decadência Parcial do Crédito Tributário – Da inteligência do artigo 150, §4º do CTN 4 MÉRITO 4.1 Da Regularidade da Contratação de Médicos por meio de pessoas jurídicas pela Recorrente 4.1.1 Da Prática Consolidada na Área Médica de Prestação de Serviço por meio de Pessoa Jurídica Autônoma 4.1.2 Da Inexistência de Comprovação dos Requisitos da Relação de Emprego 4.2 Do Vício na Apuração da Base de Cálculo das Contribuições Previdenciárias – Da iliquidez e incerteza dos Autos de Infração 4.3 Da Necessidade do Cancelamento das Multas Cominadas – Da Inaplicabilidade da Multa Qualificada de 150% - Da inexistência de dolo, fraude ou simulação 4.4 Da Decadência Parcial do Crédito Tributário – Da inteligência do artigo 150, §4º do CTN 5 CONCLUSÃO Declaração de Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10875.004812/00-44
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DE DECISÃO. A teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, não é nula a decisão que não cerceie o direito do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa. Tendo a decisão enfrentado o argumento único a ela oposto pelo defendente, descabe anulá-la apenas por erros formais.
IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DECORRENTES DE DEVOLUÇÃO OU RETORNO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Apenas dá direito ao ressarcimento o valor do crédito de IPI decorrente do retorno ou devolução de mercadoria quando restar inequivocamente demonstrado o cumprimento dos requisitos regulamentares quanto à efetividade da devolução ou retorno, bem como a incidência de novo imposto na nova saída promovida.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-10.950
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Ministério da Fazenda•ct n. 7 fr.,-tzt ,( Segundo Conselho de Contribuintes j os cordato" miF -sinta" Encalril ondel »Sitt_ Processo n2 : 10875.004812100-44 Pir Recurso n2 : 130.620 Rric. Acórdão n2 : 203-10.950 Recorrente : VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DE DECISÃO. A• teor do art. 60 do Decreto n° 70.235/72, não é nula a decisão que não cerceie o direito do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa. Tendo a decisão enfrentado o argumento único a ela oposto pelo defendente, descabe anulá-la apenas por erros • formais. IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DECORRENTES DE DEVOLUÇÃO OU RETORNO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Apenas dá direito ao ressarcimento o valor do crédito de IPI decorrente do retomo ou devolução de mercadoria quando restar inequivocamente demonstrado o cumprimento dos requisitos regulamentares quanto à efetividade da devolução ou retomo, bem como a incidência de novo imposto na nova saída promovida. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2006. C Antonio j?:‘ rra Neto Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Cesar Piantavigna, Silvia de Brito Oliveira, Antonio Ricardo Accioly Campos (Suplente), Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Eric Moraes de Castro e Silva e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valdemar Ludvig e Odassi Guerzoni Filho. Eaal/inp ' @ITLEIM.,l9190MFOSIENDA :Wingt9dtagoGgittateias : EM 60.:/ O ORIGINAI. fifaiitS;___CV o o 6 Y 1 4 e . .... DA FAZENDA Cntreibulates At •. • zr ,h, '4% 2° Cu:molho da. C, OR 22 CC-MF ••••,--. ;,.. Ministério da Fazenda CONF h"R iwt: COM . r i'.* –... Fi. tf I ,:, ...: e .41' i t . Segundo Conselho de Contribuintes MINBrasISTÉRIO t €9 c 10 .Ç..-- 4'.=. .:/7.4 . i. Ilig .19,--.--- —--, 4 Processo n2 : 10875.004812/00-44 — .----S--- Recurso n' : 130.620 Acórdão n2 : 203-10.950 Recorrente : VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto – SP que deferiu apenas parcialmente pleito de ressarcimento, cumulado com compensação, de créditos básicos de IPI da recorrente, referentes ao saldo credor acumulado no final do terceiro trimestre de 2000. _ . O ressarcimento foi parcialmente deferido pela DRF em Guarulhos – SP que, em despacho fundamentado, demonstrou que a empresa incluiu parcelas de créditos cujo ressarcimento, em seu entender, não se encontra autorizado pela legislação, visto não se enquadrarem no conceito de aquisição de matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem, mas sim no de outras entradas, segundo o código fiscal de operações (CFOP) indicado na escrita fiscal da empresa: 1.99, 2.99. Dessa forma, excluiu-se o montante de 126.870,27 referentes a tais códigos que não foram comprovados pelo documento anexo à fl. 453 (esclarecimentos da pessoa jurídica). A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 522 a 525, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou o que se segue: a) A glosa no reconhecimento do crédito foi de R$ 126.959,67, todavia, o darf emitido apresenta como valor do débito principal a vultuosa quantia de R$ 1.906.997,56, quantia 15 vezes superior. b) Os créditos analisados pela fiscalização cuja conclusão, constante do próprio despacho decisório, foi pelo deferimento irrestrito do pleito, atestando sua legitimidade. c) Não é a simples codificação fiscal da operação que autoriza ou não o crédito do IPI, mas sim, a aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade. De acordo com o referido princípio, se um contribuinte recebe produto cuja saída do estabelecimento remetente foi onerada pelo imposto e sendo tributada a subseqüente saída, terá este o direito ao crédito. Desta forma a empresa tem o direito ao crédito nas hipóteses de devoluções e retornos de produtos quando a saída subseqüente for tributada. É o caso típico de produtos enviados ao contribuinte em decorrência de garantia outorgada e retornos de produtos submetidos a testes. Por força da garantia outorgada, o distribuidor efetua a troca e remete o bem danificado para o fabricante indicando o valor do IPI na nota fiscal, do qual o fabricante/contribuinte fará o respectivo crédito, uma vez que o produto será reparado e, posteriormente, vendido ao mesmo ou a outro distribuidor. O mesmo entendimento se aplica às operações de remessa/retomo de produtos para testes, pois, pelo princípio da não-cumulatividade , o fabricante, por ocasião do produto testado, terá direito de recuperar o imposto destacado na remessa para teste, sempre e quando tal produto vier a ter subseqüente saída tributada pelo IP'. Se fosse vedado ao contribuinte efetuar o crédito de IPI nessas f/ 2 MINISTERO DA FAZENDA CC.MF;;;;; Ministério da Fazenda 2° (Q;: '!h; ..-,emtn 2. R. Vriirl Segundo Conselho de Contribuintes CONFL:(E: COMO 0 GiNAL BrazIL:, og 06 Processo n2 : 10875.004812/00-44 Recurso n2 : 130.620 CTS i0 Acórdão n2 : 203-10.950 operações, o valor do imposto não recuperado tornar-se-ia custo do produto e se estaria tomando cumulativo um tributo cuja característica de não-cumulatividade é regra constitucional. A manifestante também contestou o valor de R$ 185.228,79, apontado no despacho decisório, alegando que se refere a um corpo estranho já que não se refere aos autos. Para comprovação de suas alegações elaborou planilha (fis. 585/594) que discrimina, nota a nota, as devoluções e retornos em questão, bem como juntou cópias das mesmas (575/584), por amostragem. Assegura, por fim, dispor das vias originais para exame se for necessário. A decisão da DRJ em Ribeirão Preto — SP não acatou o argumento da empresa de que haveria direito de ressarcimento dos créditos originados de devolução ou retorno. Segundo aquela decisão, o simples fato de não serem os créditos provenientes da aquisição de matérias primas, material de embalagem ou produto intermediário contraria o art. 11 da Lei n° 9.779/99, não dando direito ao ressarcimento pleiteado. Em seu recurso, a empresa postula, preliminarmente, a nulidade da decisão de primeira instância, a qual, segundo ela teria descumprido três mandamentos do art. 31 do Decreto n° 70.235/72: (1) ausência de conclusão; (2) ausência de intimação; e (3) falta de referência expressa às razões de defesa suscitadas. Dessas omissões restou prejudicado o seu direito ao contraditório e à ampla defesa assegurados pela própria Constituição Federal aos litigantes em processo administrativo. Configurar-se-ia, destarte, o cerceamento do direito amplo de defesa da recorrente. Fundamenta esse entendimento com decisões deste Conselho que declararam nulas decisões de primeiro grau que violaram o art. 31 do PAF. No mérito, afirma que os créditos glosados não se referem a outras entradas não especificadas, mas sim correspondem ao IPI indicado nas notas fiscais de devoluções e retornos de produtos fabricados e saídos do estabelecimento, com destaque do imposto, pela contribuinte. As devoluções se originam da constatação de defeitos pelos compradores, sendo feita a substituição em virtude de garantia dada pela fabricante ou de retornos de testes a que são submetidos fora do estabelecimento e cujas saídas também são feitas com destaque do imposto, uma vez que foram por ela recondicionados e revendidos. A empresa afirma ainda que somente escritura como crédito o IPI indicado nas notas fiscais recebidas quando constata a possibilidade de nova saída tributada do produto devolvido ou retornado. Defende aqui, como já o fizera em sua manifestação de inconformidade ser este o seu caso, mas junta como comprovação apenas a mesma planilha já elaborada outrora bem como as mesmas cópias de notas fiscais de devolução e retomo já colacionadas na primeira instância. Em suas razões adicionais às fls. 630/634, repisa todos os argumentos já expendidos por ocasião do Recurso original, que convergem no sentido de que se anule a decisão por falta de motivação da decisão administrativa, bem assim que se considere passíveis de ressarcimento os créditos decorrentes de devolução ou retomo sempre que os produtos 0, 3 29 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. .P.'p -.s t Segundo Conselho de Contribuintes, . Processo n2 : 10875.004812100-44 Recurso n2 : 130.620 Acórdão n2 : 203-10.950 devolvidos ou retomados venham a sair novamente do estabelecimento em operação tributada pelo imposto (recondicionamento). É o relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA r Con,enlhod. Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, og /o?! o 6 cCr. VISTO 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA ;.? r Com: 'lho da Contribuintes 1;19t, •••• ;1.:,. r4 Ministério da Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL 22 CC-MF % ^zp ---sx" Segundo Conselho de Contribuintes Brasí lia n 1v' 1 O 6 Fl.• , 7` • *, )`nnfe.°4 Processo n2 : 10875.004812/00-44 VISTO Recurso n2 : 130.620 Acórdão n2 : 203-10.950 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO BEZERRA NETO O recurso voluntário cumpre os requisitos legais necessários para o seu conhecimento. Cumpre iniciar o exame pelo requerimento de nulidade da decisão de primeira instância. Alega a empresa ter havido a omissão de elementos formais essenciais a sua validade, previstos no art. 31 do Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal (PAF). Sobredito artigo assinala que "A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências". Por outro lado, a teor do art. 60 do Decreto n° 70.235/72, é cediço que a presença de omissões sanáveis no curso do processo e que não obstem a plena defesa do contribuinte devem ser sanadas pela autoridade julgadora, em respeito ao princípio maior que rege o processo administrativo, isto é, a verdade material. A este se junta o da eficiência, que desaconselha o retardamento da decisão em vista de mera formalidade não prejudicial ao deslinde da controvérsia. Assim, a nulidade somente deve ser declarada quando restar claro o prejuízo à defesa do contribuinte ou impedir a solução do litígio pela autoridade seguinte. No caso presente, observa-se que a decisão não possui um tópico específico intitulado "conclusão". E incontroverso, porém, que existe, sim, conclusão no voto relator, expresso nos últimos parágrafos, bem como que houve a intimação da contribuinte, tanto que ela vem opor o seu recurso. Entendo que não adveio para a recorrente qualquer prejuízo do fato de a decisão não ter destacado em tópico próprio a sua conclusão, isto porque a empresa, apenas contestou em sua manifestação de inconformidade a parcela dos créditos glosados, apresentando os motivos que justificariam a sua inclusão no pedido de ressarcimento. E essa única matéria, posta ao exame da autoridade julgadora, foi por ela apreciada. Analisando-se a decisão, vê-se que a autoridade julgadora a examinou. Com efeito, deu ela o seu entendimento de que qualquer que seja o motivo do registro da aquisição no CFOP 1.99, 2.99 não dá ela direito a ressarcimento por não se constituir em aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Não julgou necessário adentrar o mérito de se devoluções podem ou não ser classificadas naqueles CFOP, pois, de qualquer maneira, aquele registro seria de um produto acabado que estava retomando e não de um insumo que estava sendo adquirido para uso no processo produtivo. Pretender-se a declaração de nulidade por esse aspecto, pois, corresponde a pretender anular decisão que divirja do ponto de vista do defendente. No mesmo sentido, a alegada ausência de intimação à defendente. Ora, tendo ela comparecido ao processo, como se pode presumir não ter sido intimada daquela decisão? O foi. Aliás, consta do próprio acórdão a ordem para "ciência" do interessado. Por fim, também não procede a alegação de falta de conclusão do julgado. Pelo contrário, está ela adequadamente formulada naquele decisum, pouco ou nenhuma relevância 5 , ..?:>-%.. MINISTÉRIO DA FAZENDA 2a CC-MF Ministério da Fazenda cif I tt;:, s r Conselho da Cena/Coleta Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAI. Brasília, nfs 1o'? IOC Processo n2 : 10875.004812/00-44 6-2.-Recurso n2 : 130.620 Acórdão n2 : 203-10.950 VIGTO tendo o fato de não constar como um tópico específico com título em destaque. O que importa é que se possa dela extrair o que ficou assentado na decisão e sobre isso não cabe dúvida. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão e passo ao exame do mérito. Mérito A decisão da DRJ em Ribeirão Preto — SP não acatou o argumento da empresa de que haveria direito de ressarcimento dos créditos originados de devolução ou retorno. Segundo aquela decisão, o simples fato de não serem os créditos provenientes da aquisição de matérias primas, material de embalagem ou produto intermediário contraria o art. 11 da Lei n° 9.779/991 não dando direito ao ressarcimento pleiteado. Data vênia, não partilho do entendimento da DRJ de que o art. 11 da Lei n° 9.779/99 deva ser interpretado literalmente para apenas deferir o ressarcimento do crédito diretamente decorrente da aquisição de insumos. Isso porque os créditos originados de uma devolução ou retomo não seriam créditos na acepção restrita da palavra, mas sim estorno de débitos. Um verdadeiro ajuste contábil/fiscal. Dessa forma, assim como os débitos entram no confronto com os créditos para formação ou não do saldo credor, os estornos de débitos também deveriam entrar, no caso, aumentando o saldo credor, sem comprometer a regra de que os créditos de forma restrita se restringiriam aos oriundos dos insumos aplicados na industrialização de produtos inclusive isento, tributado à alíquota zero ou imune. Acredito que essa seja a interpretação mais razoável. Dessa forma, embora a DRJ não tenha julgado necessário adentrar o mérito dessas devoluções, em função da natureza da fundamentação utilizada, essa autoridade julgadora pensa o contrário a esse respeito, por achar que o ressarcimento do art. 11 da Lei n° 9.779/99 ensejaria o aproveitamento daqueles créditos originados de devolução ou retorno desde que atendidas as condições legais. A recorrente alega que deixou de ser considerados os créditos oriundos dos Códigos Fiscais (1.99, 2.99). Tais créditos glosados, segundo a mesma, não se refeririam a outras entradas não especificadas, mas sim a devoluções que se originaram da constatação de defeitos pelos compradores, sendo feita a substituição em virtude de garantia dada pela fabricante ou de retornos de testes a que são submetidos fora do estabelecimento e cujas saídas também são feitas com destaque do imposto, uma vez que foram por ela recondicionados e revendidos. Por outras palavras, considera passíveis de ressarcimento os créditos decorrentes de devolução ou retomo sempre que os produtos devolvidos ou retomados venham a sair novamente do estabelecimento em operação tributada pelo imposto (recondicionamento). É de se rechaçar a princípio a tese de que o crédito seria devido por se tratar de matéria-prima novamente, sob o argumento de que o produto foi levado novamente a linha de produção sob a forma de recondicionamento. Comete aqui a mesma confusão feita pela DRJ, ao confundir crédito oriundo dos insumos com o crédito oriundo de um estorno de débito. O que tem que se provar no caso em questão seria o efetivo retorno ou devolução; bem assim o não enquadramento na ressalva disposta no parágrafo único do art. do art. 152 do RIPI198, adiante transcrito. Por outras palavras, a operação de devolução ou retomo deve ser efetivamente 7comprovada. Releva ressaltar que não é a simples saída subseqüente do produto que autoriza o 6 • MINISTÉRIO DA FAZENDA Ministério da Fazenda r Conselho de C•ntribuIntas 22 CC-NIF-":".-":171,• rtt 'TR.::: Ir Segundo Conselho de Contribuintes CON:,ERE Ctki O ORIGINAL Fl. Brználb, oç / tY:2 / o 6 Processo n2 : 10875.004812/00-44 (5:4) Recurso n2 : 130.620 VISTO Acórdão n2 : 203-10.950 registro de crédito na devolução. É a comprovação de que a operação foi de fato desfeita, o que se processa pela demonstração de que o valor da operação foi devolvido ao comprador ou que lhe foi entregue outra mercadoria em substituição da original. Além disso, a entrada efetiva da mercadoria no estabelecimento beneficiário do crédito há de estar documentada em seus livros de entrada e de controle da produção e do estoque. Vejam-se, a propósito, as disposições do Regulamento do IPI vigente à época — Decreto n° 2.637/98: Dos Créditos por Devolução ou Retomo de Produtos Devolução ou Retomo Art. 150. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditar- se do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retomo, total ou parcial (Lei n°4.502, de 1964, art. 30). Art. 151. Omissis. Procedimentos An. 152. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências: I - pelo estabelecimento que fizer a devolução, emissão de nota fiscal para acompanhar o produto, declarando o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem assim indicando o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; - pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: a) menção do fato nas vias das notas fiscais originárias conservadas em seus arquivos; b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 364; c) prova, pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, do ressarcimento do valor dos produtos devolvidos, mediante crédito ou restituição do mesmo, ou substituição do produto, salvo se a operação tiver sido feita a título gratuito Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à volta do produto, pertencente a terceiros, ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, exclusivamente para conserto. Por outro lado, se faz mister a necessidade de estorno do crédito original sempre que o produto devolvido não vier a ser objeto de nova saída tributada consta expressamente no RIPI/98 em seu art. 174, inciso VI, in verbis: An. 174 Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: V — relativo a MP, PI, ME empregados na fabricação de produtos que voltem ao estabelecimento remetente com direito ao crédito do imposto nos casos de devolução ou retomo e não devam ser objeto de nova saída tributada. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA Ministério da Fazenda 2° Ccr villa da CersidbuIntea 22 CC-MF t CONFF.rilt. C3 . " o ORIGINAL 1.2)7.<-'.g" Segundo Conselho de Contribuintes ig I , ; <ftn`i. Brasl'ia O Processo n2 : 10875.004812/00-44 (a? Recurso n2 : 130.620 VISTO-- Acórdão n2 : 203-10.950 No entanto, nenhuma prova foi juntada pela empresa quanto a aqueles aspectos fundamentais, exigidos pelos arts. 152 e 174 do RIP1198. Com efeito, limitou-se a juntar como comprovação tão-somente a mesma planilha já elaborada outrora bem como as mesmas cópias de notas fiscais já colacionadas na primeira instância. Na verdade o que se constata dos autos é que o fiscal considerou todas devoluções que estavam consignada nos CFOP relacionados (1.31 e 2.31). A análise do crédito a ressarcir teve como ponto de partida documentos fiscais emitidos pelo próprio contribuinte, mais precisamente, o Registro de Apuração de 11)1, em que as outras entradas não especificadas em regra não dão direito ao crédito. Embora se estranhe por que motivo a recorrente escriturou nos CFOP indevidos (1.99 e 2.99) quando existia códigos específicos para essas situações (1.31 e 2.31)., vamos partir da premissa de que houve um erro por parte da recorrente que merece ser reparado. Neste caso, estaríamos diante de uma inversão do ônus da prova, nos termos do inciso II do art. 333 do Código de Processo Civil, por se estar diante da existência de um fato modificativo ou extintivo do direito do autor (autoridade fiscal), incubindo o ônus da prova no caso, ao contribuinte, por este fato modificativo alegado (erro no CFOP). Dessa forma, caberia à recorrente então fazer a prova de que cometera um erro de classificação na codificação do Livro de Apuração do IPI, trazendo aos autos todas as provas necessárias e suficientes para comprovação de suas alegações, mormente em se tratando de que o pedido é de seu exclusivo interesse e foi proposto por sua livre iniciativa e decisão, de forma que a documentação probante deveria estar disponível no momento em que lhe foi solicitado ou trazido juntamente com a impugnação, porquanto é neste momento que deveriam ser apresentados, consoante preconiza o § 4° do art. 16 do PAF. E o que trouxe a contribuinte aos autos? Uma mera planilha gerencial e Notas Fiscais com CFOP (5.99 e 6.99). Mas, esses Códigos Fiscais são de "Outras Saídas não especificadas", algumas com destaque do IPI outras não! Ora, mas o que se esperava era que essas Notas Fiscais consignassem os CFOP (5.31 ou 6.31) - "Devoluções de Compra para industrialização". Ou será que estaríamos diante de novos erros, dessa feita, cometidos por todos os compradores da Recorrente? E onde está a prova de que o valor da operação foi devolvido efetivamente ao comprador ou que lhe foi entregue outra mercadoria em substituição da original? A entrada efetiva da mercadoria no estabelecimento beneficiário do crédito foi documentada em seus livros de entrada e de controle da produção e do estoque ou controle equivalente? Nada disso consta dos autos. Seria o caso de diligência? Cabe salientar, quanto a este aspecto (§ 4.° do art. 16 do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972), que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Nenhuma dessas hipóteses se verificou, uma vez que desde o início de seu pedido sabia ela que o ônus da prova lhe cabia, uma . vez que foi que cometera o erro. 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA Ministério da Fazenda 2° Gc n stlho da Centribuintes 2 CC-MF ' Segundo Conselho de Contribuintes COFIEl-.5 C O ORIGINAL A. /Brasília tf; 06 Processo n' : 10875.004812/00-44 Recurso n9 : 130.620 VISTO Acórdão 112 : 203-10.950 Mas, em nome da verdade material, vamos conceder um crédito ao pleito da recorrente no sentido de que fosse oportunizado à mesma o direito de produzir tais provas nesta fase do processo. Mesmo, assim a prova da devolução em nada serviria, pois existe um óbice ainda maior que impediria o pleito requerido, qual seja: A recorrente, se pega no fato e traz prova contra si, disso, através das Notas Fiscais de remessa (CFOP 5.99 e 6.99), de que o motivo da devolução estaria ligado à garantia dada pela recorrente (fabricante) em relação aos produtos fornecidos com defeitos. Não trouxe nenhum prova, por sua vez, no sentido de que essas saídas subsequentes seriam efetivamente tributadas, apegando-se tão-somente no teor do inciso IV, do art. 4°, do RIPI/98 o qual classifica o recondimento de uma forma geral como um processo de industrialização e como tal estaria sujeito a tributação na salda. Acontece que a regra do inciso IV do Art. 4°, do RIP1198 sofrera restrições em face da ressalva disposta no Inciso I, do parágrafo único do art. 30 da Lei n° 4.502/64 (inciso XII do art. 5° do RIPI/98), que se enquadra exatamente na situação descrita pela recorrente, qual seja: "Art. 5° Não se considera industrialização: t..) XII — o reparo de produtos com defeito de fabricação inclusive mediante a substituição de panes e peças, quando a operação for executada gratuitamente, ainda que por concessionários ou representantes, em virtude de garantia dada pelo fabricante. "(grifo nosso) Esse particularidade deu ensejo, por sua vez, no que tange ao direito de creditamento do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retomo, a outra ressalva já mencionada alhures, disposta no parágrafo único do art. 152 do RIPI/98, in verbis: Procedimentos Art. 152. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências: 1- Omissis II - pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: Parágrafo única O disposto neste artigo não se aplica à volta do produto, pertencente a terceiros, ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, exclusivamente para conserto. Em conclusão, não estando adequadamente comprovado que as operações mencionadas são de fato devoluções, e, além disso, que a nova salda tenha efetivamente sido tributada, não se enquadrando na ressalva do parágrafo único do art. 152 do RIPU98, entendo incabível o ressarcimento do crédito originado da suposta devolução, o qual, nessas condições, sequer poderia ter sido feito. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA r Conselho da Cettlbulntes CONFERE COMO ORIGINAL 22 CC-MFMinistério da Fazenda Brasília, 1224In 1rn_5_z. n.Segundo Conselho de Contribuintes -o Processo n2 : 10875.004812/00-44 Recurso n2 : 130.620 Acórdão n2 : 203-10.950 Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É assim como voto. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2006. P , ITONISERRA NETO 10 Page 1 _0037300.PDF Page 1 _0037400.PDF Page 1 _0037500.PDF Page 1 _0037600.PDF Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10880.661670/2012-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 28 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PRELIMINAR DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. SISTEMA ELETRÔNICO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
É válida a motivação contida em despacho decisório eletrônico que, embora sucinto, apresenta os fundamentos legais e os dados essenciais à glosa parcial de créditos compensados, especialmente quando resultante de sistema estruturado para cruzamento de informações declaradas. Inexistindo vício formal e tendo sido assegurado ao contribuinte o conhecimento dos elementos da decisão, afasta-se a alegação de nulidade por ausência de motivação ou cerceamento de defesa.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. FORMULAÇÃO GENÉRICA. INDEFERIMENTO.
É incabível a conversão do julgamento em diligência quando o pedido formulado pelo contribuinte não atende aos requisitos legais, por ausência de delimitação dos documentos pretendidos e da finalidade probatória. Nos termos do art. 16, IV e §1º, do Decreto nº 70.235/72, considera-se não formulado o pedido que não indica, de forma clara, os meios de prova e os pontos controvertidos a serem esclarecidos.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2016
SALDO NEGATIVO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE.
Para fins de reconhecimento de crédito de IRPJ retido na fonte, é imprescindível comprovar tanto a retenção quanto o oferecimento das receitas à tributação. A ausência de correlação entre os informes de rendimento e os valores declarados na DIPJ, bem como a insuficiência de provas contábeis, obsta o acolhimento integral do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1102-001.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em considerar não formulado o pedido de conversão do julgamento em diligência, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, tudo nos termos do voto da Relatora.
Assinado Digitalmente
Cristiane Pires McNaughton – Relatora
Assinado Digitalmente
Fernando Beltcher da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE PIRES MCNAUGHTON
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. SISTEMA ELETRÔNICO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É válida a motivação contida em despacho decisório eletrônico que, embora sucinto, apresenta os fundamentos legais e os dados essenciais à glosa parcial de créditos compensados, especialmente quando resultante de sistema estruturado para cruzamento de informações declaradas. Inexistindo vício formal e tendo sido assegurado ao contribuinte o conhecimento dos elementos da decisão, afasta-se a alegação de nulidade por ausência de motivação ou cerceamento de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. FORMULAÇÃO GENÉRICA. INDEFERIMENTO. É incabível a conversão do julgamento em diligência quando o pedido formulado pelo contribuinte não atende aos requisitos legais, por ausência de delimitação dos documentos pretendidos e da finalidade probatória. Nos termos do art. 16, IV e §1º, do Decreto nº 70.235/72, considera-se não formulado o pedido que não indica, de forma clara, os meios de prova e os pontos controvertidos a serem esclarecidos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2016 SALDO NEGATIVO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE. Para fins de reconhecimento de crédito de IRPJ retido na fonte, é imprescindível comprovar tanto a retenção quanto o oferecimento das receitas à tributação. A ausência de correlação entre os informes de rendimento e os valores declarados na DIPJ, bem como a insuficiência de provas contábeis, obsta o acolhimento integral do crédito pleiteado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-12-01T14:18:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-12-01T14:18:59Z; Last-Modified: 2025-12-01T14:18:59Z; dcterms:modified: 2025-12-01T14:18:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-12-01T14:18:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-12-01T14:18:59Z; meta:save-date: 2025-12-01T14:18:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-12-01T14:18:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-12-01T14:18:59Z; created: 2025-12-01T14:18:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2025-12-01T14:18:59Z; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-12-01T14:18:59Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10880.661670/2012-34 ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 28 de outubro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SABIC INNOVATIVE PLASTICS SOUTH AMERICA - INDUSTRIA E COMERCIO DE PLASTICOS LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. SISTEMA ELETRÔNICO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É válida a motivação contida em despacho decisório eletrônico que, embora sucinto, apresenta os fundamentos legais e os dados essenciais à glosa parcial de créditos compensados, especialmente quando resultante de sistema estruturado para cruzamento de informações declaradas. Inexistindo vício formal e tendo sido assegurado ao contribuinte o conhecimento dos elementos da decisão, afasta-se a alegação de nulidade por ausência de motivação ou cerceamento de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. FORMULAÇÃO GENÉRICA. INDEFERIMENTO. É incabível a conversão do julgamento em diligência quando o pedido formulado pelo contribuinte não atende aos requisitos legais, por ausência de delimitação dos documentos pretendidos e da finalidade probatória. Nos termos do art. 16, IV e §1º, do Decreto nº 70.235/72, considera-se não formulado o pedido que não indica, de forma clara, os meios de prova e os pontos controvertidos a serem esclarecidos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2016 SALDO NEGATIVO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. CÔMPUTO NA BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE. Para fins de reconhecimento de crédito de IRPJ retido na fonte, é imprescindível comprovar tanto a retenção quanto o oferecimento das receitas à tributação. A ausência de correlação entre os informes de Fl. 217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.661670/2012-34 2 rendimento e os valores declarados na DIPJ, bem como a insuficiência de provas contábeis, obsta o acolhimento integral do crédito pleiteado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em considerar não formulado o pedido de conversão do julgamento em diligência, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, tudo nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton – Relatora Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se o presente processo, na origem, de declarações de compensações de saldo negativo de IRPJ apresentados pela Recorrente, com a utilização de crédito relativo ao ano- calendário de 2016, no valor de R$ 1.013.885,60, objetivando quitar débitos de PIS e COFINS, referentes a abril de 2009. O Despacho Decisório, sob o número de rastreamento 042052600 (fl. 08), homologou parcialmente o direito creditório pleiteado, pois o montante comprovado das parcelas de composição do crédito foi insuficiente para respaldar integralmente o valor do saldo negativo alegado pela Recorrente: Fl. 218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.661670/2012-34 3 Dessa forma, os débitos indevidamente compensados foram enviados para cobrança: Cientificada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 13/30) na qual impugnou os fundamentos da decisão administrativa, sustentando que as divergências apontadas são improcedentes. Ao analisar a defesa apresentada pela Recorrente, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), proferiu o acórdão n. 02-95.249 (fls. 136-144), no qual, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, para reconhecer direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ apurado pela Recorrente no ano-calendário 2006, no valor de R$23.910,39, além do valor já reconhecido no Despacho Decisório nº de rastreamento 042052600, fls. 8, e sua utilização para homologação das compensações declaradas no PER/DCOMP objeto desse processo, até o limite do direito creditório reconhecido, conforme os seguintes termos extraídos do voto: (...) Segundo o art. 231 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, a dedução como antecipação do imposto pago ou retido na fonte está condicionada ao cômputo das receitas correspondentes na determinação do Lucro Real. Portanto, não basta que a retenção seja confirmada; é preciso verificar, também, se os rendimentos tributáveis são compatíveis com as receitas incluídas na apuração do resultado do período. (...) Na Ficha 54 da DIPJ da interessada, ND nº 0773346, as aplicações financeiras de renda fixa produzem as informações indicadas na Tabela 3 adiante reproduzida: Fl. 219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.661670/2012-34 4 Por outro lado, a Ficha 06-A da DIPJ da interessada revela que a importância de receita informada a título de "21. Outras Receitas Financeiras" é o valor de R$2.881.384,78. O confronto das informações contidas na Tabela 3 e no último parágrafo me levam a concluir que a interessada não computou todas as receitas correspondentes às retenções na determinação do Lucro Real. O sujeito passivo já havia sido informado de tal inconsistência no despacho decisório, fls. 11, e sua manifestação de inconformidade nada produziu de argumento ou prova a tal respeito. Assim, o informe de rendimentos de fls. 102, que totaliza uma retenção de R$949.220,34, bem como os DARF1 anexados nos autos, não se prestam, por si sós, a comprovar a retenção pleiteada de R$949.847,31 (Vide Despacho Decisório) e, portanto, não pode compor o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2006. Segundo a tabela 2 presente no relatório deste acórdão, a retenção de R$23.910,39 não compôs a parcela de composição do crédito em razão de a retenção na fonte não ter sido comprovada. O informe de rendimentos de fls. 103 identifica a retenção de R$23.910,39 (=R$1.596,02 + R$22.314,37) e, desse modo, a importância de R$23.910,39 deve ser admitida como parcela de composição do crédito. Em relação à tributação na fonte, prevê o RIR/2018, regulamentado pelo Decreto nº 9.580, de 22/11/2018: (...) Portanto, de acordo com a legislação mencionada, o Comprovante Anual de Retenção fornecido pela fonte pagadora é o documento hábil para comprovar a correta dedução do imposto de renda retido durante o ano- calendário. A interessada não apresentou os informes de rendimentos e de retenção no que se refere às retenções promovidas pelas fontes pagadoras inscritas nos CNPJ nºs 02.220.927/0001-62, 02.990.605/0001-00, 04.034.304/0003-92, 21.022.017/0001-10 e 84.496.066/0002-95 e, assim, elas não podem fazer parte das parcelas de composição do crédito. Ante tais considerações, verifica-se que a interessada faz jus ao direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 2006, no valor de R$23.910,39, além do valor já reconhecido no Despacho Decisório nº de rastreamento 042052600, fls. 8, e sua utilização para Fl. 220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.661670/2012-34 5 homologação das compensações declaradas no PER/DCOMP objeto desse processo, até o limite do direito creditório reconhecido. Desse modo, voto por julgar a manifestação de inconformidade procedente em parte e reconhecer o direito creditório indicado no parágrafo anterior. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 147/165), no qual aduz, em síntese: (a) Nulidade por ausência de motivação e cerceamento de defesa: A Recorrente sustenta que o acórdão recorrido afirmou que a mera coincidência entre o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/2007 e aquele declarado nos PER/DCOMP’s “não conduz, necessariamente, à aceitação das parcelas de composição do crédito”, uma vez que a Administração Tributária valida tais informações com base em seus próprios bancos de dados. (b) Que, tendo sido reconhecida a inexistência de divergência entre o saldo informado na DIPJ/2007 e o constante dos PER/DCOMP’s (R$ 1.013.885,60), não poderia o despacho decisório – confirmado pela DRJ – desconsiderar o crédito. Alega, ainda, que o despacho não indicou quais documentos ou fundamentos justificaram a glosa parcial das retenções de IRPJ, tampouco explicou a razão da desconsideração das informações prestadas pela Recorrente. Defende, assim, que o despacho decisório é contraditório e carece de motivação suficiente, configurando violação ao direito à ampla defesa e ensejando a nulidade do feito desde a sua emissão, por ausência de motivação e cerceamento de defesa. (c) Existência do crédito e sua efetiva comprovação – Afirma que o saldo negativo de IRPJ do ano-base de 2006 decorre de retenções na fonte superiores ao imposto devido, já que, naquele exercício, foi apurado prejuízo fiscal. (d) Sustenta que tais retenções foram regularmente declaradas e comprovadas por meio das obrigações fiscais e contábeis apresentadas, inclusive pelos Livros Razão de 2005 e 2006, e que a própria RFB detém todas as informações sobre as operações da empresa em seus sistemas. (e) Assevera que o montante de R$ 949.847,31, retido pela pessoa jurídica General Electric do Brasil Ltda., decorreu de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, devidamente declarados e comprovados pelos informes de rendimentos e respectivos DARF’s. Já as retenções de menor valor, totalizando R$ 493,62, referem-se a serviços prestados a outras empresas, igualmente declaradas na DIPJ/2007 (ficha 54). (f) Diante da documentação apresentada – DIPJ/2007, PER/DCOMP’s, informes de rendimento, DARF’s e Livros Razão –, conclui que restou plenamente comprovada a existência e validade das retenções sofridas, as quais compõem o Fl. 221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.661670/2012-34 6 saldo negativo de R$ 1.013.885,60, fazendo jus à homologação integral das compensações realizadas. (g) Alega a necessidade de conversão do julgamento em diligência - em observância ao princípio da verdade material. É o relatório. VOTO Conselheira Cristiane Pires McNaughton, Relatora. 1 ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. 2 PRELIMINAR DE NULIDADE: ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO E CERCEAMENTO DE DEFESA A Recorrente suscita, como preliminar de nulidade, a alegada ausência de motivação no Despacho Decisório que glosou parcialmente os créditos de IRPJ declarados via PER/DCOMP, sob o argumento de que não teria havido a devida indicação dos fundamentos fáticos e jurídicos da decisão administrativa. Aponta, ainda, contradição entre o conteúdo do despacho e as informações constantes da DIPJ/2007 e dos próprios pedidos de compensação, os quais teriam demonstrado, segundo sustenta, saldo negativo compatível com os valores compensados. De início, cumpre destacar que o despacho eletrônico proferido nos sistemas de compensação da Receita Federal do Brasil, embora sucinto por sua própria natureza sistêmica, não se afasta das exigências legais de motivação. Isso porque o sistema eletrônico está estruturado para realizar cruzamentos automatizados de dados declarados pelo contribuinte, emitindo, ao final, relatório contendo a análise de consistência das informações, a homologação (total ou parcial) ou a não homologação dos créditos, a identificação dos documentos (PER/DCOMPs) envolvidos, os valores glosados e os fundamentos normativos aplicáveis. No caso concreto, conforme se extrai dos autos, o despacho indicou expressamente que “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo”, apontando, ainda, o enquadramento jurídico e o montante efetivamente homologado. A jurisprudência administrativa é pacífica no sentido de que esse padrão atende à Fl. 222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.661670/2012-34 7 exigência mínima de fundamentação, especialmente considerando a atuação do contribuinte em sede de pedido de compensação, na qual recai sobre este o ônus da comprovação da existência e legitimidade do crédito pleiteado, nos termos do art. 16 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012 (vigente à época dos fatos) e do art. 373, inciso I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária. Ressalte-se que a Recorrente, ao invocar a ausência de motivação, limita-se a reproduzir sua própria narrativa de regularidade das declarações apresentadas, sem, contudo, afastar os indícios de inconsistência apontados no despacho de indeferimento parcial e, mais grave, sem apresentar comprovação documental robusta da origem e legitimidade do crédito compensado. Conforme se verá na análise do mérito, as informações constantes da DIPJ/2007 e dos PER/DCOMPs não guardam plena correspondência entre si, não se verificando a alegada harmonia de valores invocada pela defesa. Portanto, inexistindo vício de forma ou de motivação no despacho decisório e estando presentes os elementos mínimos exigidos para sua validade – inclusive com a identificação dos documentos examinados e do fundamento legal da glosa parcial –, não há que se falar em nulidade, tampouco em ofensa ao contraditório ou à ampla defesa. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. 3 ALEGAÇÃO DE NECESSIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA A Recorrente alega que a glosa de seu direito creditório decorreu da ausência de demonstração, no processo administrativo, da efetiva inclusão dos rendimentos tributáveis na apuração do resultado do período fiscal em questão, bem como da suposta falta de apresentação de documentos formais comprobatórios. Nesse contexto, sustenta que seria imperiosa a conversão do julgamento em diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, para suprir tais omissões, reiterando expressamente tal pleito em sede recursal. Entretanto, ao analisar os autos, verifica-se que a Recorrente não atende aos requisitos legais exigidos para o conhecimento de pedidos de diligência formulados pelas partes. Nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto n. 70.235/72, o sujeito passivo, ao apresentar impugnação ou recurso voluntário, deve indicar " as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados". O §1º do mesmo dispositivo dispõe, com clareza, que: “Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16” No presente caso, o pedido de diligência apresentado pela Recorrente carece da devida delimitação quanto aos documentos que supostamente não foram considerados e tampouco indica, de forma objetiva, os elementos fáticos cuja constatação se buscaria com a Fl. 223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.661670/2012-34 8 providência requerida. Trata-se, portanto, de postulação genérica, carente de delimitação fática e probatória mínima, o que impede seu acolhimento à luz do referido dispositivo legal. A jurisprudência reiterada do CARF é no sentido de que diligências não são instrumento destinado à complementação de prova cuja apresentação cabia ao contribuinte desde a origem, tampouco podem ser utilizadas como meio para suprir a inércia probatória da parte, sobretudo nos casos em que os créditos discutidos são de natureza declaratória e exigem comprovação documental idônea desde a fase inicial do procedimento. Dessa forma, ausente a especificação adequada dos meios de prova e das finalidades pretendidas com a diligência, afasto o pedido de conversão do julgamento em diligência, nos termos do §1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, considerando-o como não formulado. 4 MÉRITO A Recorrente se insurge contra a decisão de piso que deu provimento parcial ao seu pleito para admitir o direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ, apurado no ano- calendário de 2006, apenas no valor de R$ 23.910,39, além do valor já reconhecido no Despacho Decisório. Segundo a DRJ, o direito creditório da Recorrente foi parcialmente negado por uma divergência em sua DIPJ que mostraria que os valores não foram submetidos à tributação. Vejamos: Na Ficha 54 da DIPJ da interessada, ND nº 0773346, as aplicações financeiras de renda fixa produzem as informações indicadas na Tabela 3 adiante reproduzida: Por outro lado, a Ficha 06-A da DIPJ da interessada revela que a importância de receita informada a título de "21. Outras Receitas Financeiras" é o valor de R$2.881.384,78. O confronto das informações contidas na Tabela 3 e no último parágrafo me levam a concluir que a interessada não computou todas as receitas correspondentes às retenções na determinação do Lucro Real. O sujeito passivo já havia sido informado de tal inconsistência no despacho decisório, fls. 11, e sua manifestação de inconformidade nada produziu de argumento ou prova a tal respeito. Fl. 224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.661670/2012-34 9 Ademais, em relação aos informes de rendimento e DARF´s apresentados, a DRJ considerou que: Assim, o informe de rendimentos de fls. 102, que totaliza uma retenção de R$949.220,34, bem como os DARF1 anexados nos autos, não se prestam, por si sós, a comprovar a retenção pleiteada de R$949.847,31 (Vide Despacho Decisório) e, portanto, não pode compor o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2006. Estranhamente, a decisão recorrida entendeu que em relação aos R$ 23.910,39, o informe de rendimentos apresentado seria suficiente para comprovar o direito creditório: O informe de rendimentos de fls. 103 identifica a retenção de R$23.910,39 (=R$1.596,02 + R$22.314,37) e, desse modo, a importância de R$23.910,39 deve ser admitida como parcela de composição do crédito. (...) Portanto, de acordo com a legislação mencionada, o Comprovante Anual de Retenção fornecido pela fonte pagadora é o documento hábil para comprovar a correta dedução do imposto de renda retido durante o ano-calendário. Mais adiante a DRJ afirma que, em relação as retenções promovidas pelas fontes pagadoras inscritas nos CNPJ nºs 02.220.927/0001-62, 02.990.605/0001-00, 04.034.304/0003-92, 21.022.017/0001-10 e 84.496.066/0002-95 a contribuinte não apresentou os informes de rendimentos e de retenção, de modo que elas não poderiam fazer parte das parcelas de composição do crédito. Em relação aos informes de rendimentos e a DARF´s apresentadas, entendo, diferentemente da DRJ, que se tratam de documentos hábeis a fazer prova das retenções, havendo inclusive súmula do CARF nesse sentido. Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. O fato de os valores não baterem por uma diferença de R$ 626,97 permitiria um parcial provimento para permissão da compensação apenas em relação ao valor constante do informe. Ocorre que um ponto importante da decisão da DRJ que deve ser enfrentado e que, inclusive consta da lei e da súmula acima citada que é a necessidade de comprovação do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Segundo a Recorrente, os valores pleiteados foram integralmente oferecidos à tributação, a partir da entrega de suas obrigações fiscais e contábeis, conforme estaria comprovado em seus Livros Razão 2005 e 2006. Ocorre que, além de não conseguir identificar esses valores no Livro Razão, percebo que, de fato, os valores constantes da DIPJ, na linha “21. Outras receitas financeiras” constante da Fl. 225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.661670/2012-34 10 Ficha 06-A, não bate com o valor que deveria ter sido oferecido a tributação, conforme Ficha 54 da própria DIPJ. Vejamos: Ficha 06-A Ficha 54 Fl. 226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.772 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.661670/2012-34 11 Vê-se que o somatório dos rendimentos totaliza R$ 7.745.075,98, sendo que o oferecido à tributação diz respeito à R$ 2.881.384,78. E sobre essa divergência a Recorrente nada declara. Assim, entendo que ainda que os Informes de Rendimento comprovem a retenção, não houve comprovação do cômputo de referidos valores no IRPJ. Além disso, a respeito das supostas retenções promovidas pelas fontes pagadoras inscritas nos CNPJ nºs 02.220.927/0001-62, 02.990.605/0001-00, 04.034.304/0003-92, 21.022.017/0001-10 e 84.496.066/0002-95, a Recorrente não comprovou, mediante documentos hábeis e suficientes a retenção, razão pela qual, em relação a esses valores também não há como deferir o pleito. 5 DISPOSITIVO Por todo o exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton Fl. 227DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 Admissibilidade 2 Preliminar de nulidade: alegação de ausência de motivação e cerceamento de defesa 3 Alegação de necessidade de conversão do julgamento em diligência 4 Mérito 5 dispositivo
score : 1.0
Numero do processo: 10650.900515/2016-86
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
EMERGÊNCIA EM SAÚDE PÚBLICA. COVID. SUSPENSÃO DE PRAZOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE.
Por conta da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) motivada pela pandemia de Covid-19, o prazo processual para protocolo do Recurso Voluntário foi suspenso pela Portaria RFB nº 543/2020, e alterações posteriores, vigorando até 31/08/2020, e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Portaria CARF nº 8.112, de 20 de março de 2020, com alteração dada pela Portaria CARF nº 10.199, de 20 de abril de 2020, que estendeu a suspensão até 29/05/2020. Considerando que os atos preparatórios e de encaminhamento do Recurso Voluntário ocorrem perante a unidade de origem, e esta encontrava-se com funcionamento precário e com diversos procedimentos suspensos, há que se admitir a contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário a partir de 31/08/2020, mormente este fato estar explicitamente arguido pela Recorrente.
COMPENSAÇÃO JÁ HOMOLOGADA. CANCELAMENTO.
É incabível desconstituir uma compensação já homologada para aproveitar o seu crédito na compensação informada no PER/DCOMP do presente processo. Não se pode, neste contencioso, cancelar a homologação de uma outra compensação para restabelecer o correspondente crédito. Isto não impede, porém, a possibilidade de aproveitamento de eventual indébito oriundo de prova de erro na PER/DCOMP homologada, desde que comprovada sua origem e validade; bem como sobre a viabilidade da realização de compensação pela via da transmissão de nova DCOMP (em razão da inexistência do débito anteriormente e indevidamente confessado em DCOMP anterior), não havendo que se falar em uma única via para tanto. No presente caso, não há prova suficiente do indébito.
Numero da decisão: 1003-004.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior – Relator
Assinado Digitalmente
Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: HELDO JORGE DOS SANTOS PEREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2013 EMERGÊNCIA EM SAÚDE PÚBLICA. COVID. SUSPENSÃO DE PRAZOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. Por conta da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) motivada pela pandemia de Covid-19, o prazo processual para protocolo do Recurso Voluntário foi suspenso pela Portaria RFB nº 543/2020, e alterações posteriores, vigorando até 31/08/2020, e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Portaria CARF nº 8.112, de 20 de março de 2020, com alteração dada pela Portaria CARF nº 10.199, de 20 de abril de 2020, que estendeu a suspensão até 29/05/2020. Considerando que os atos preparatórios e de encaminhamento do Recurso Voluntário ocorrem perante a unidade de origem, e esta encontrava-se com funcionamento precário e com diversos procedimentos suspensos, há que se admitir a contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário a partir de 31/08/2020, mormente este fato estar explicitamente arguido pela Recorrente. COMPENSAÇÃO JÁ HOMOLOGADA. CANCELAMENTO. É incabível desconstituir uma compensação já homologada para aproveitar o seu crédito na compensação informada no PER/DCOMP do presente processo. Não se pode, neste contencioso, cancelar a homologação de uma outra compensação para restabelecer o correspondente crédito. Isto não impede, porém, a possibilidade de aproveitamento de eventual indébito oriundo de prova de erro na PER/DCOMP homologada, desde que comprovada sua origem e validade; bem como sobre a viabilidade da realização de compensação pela via da transmissão de nova DCOMP (em razão da inexistência do débito anteriormente e indevidamente confessado em DCOMP anterior), não havendo que se falar em uma única via para tanto. No presente caso, não há prova suficiente do indébito.
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COVID. SUSPENSÃO DE PRAZOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. Por conta da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) motivada pela pandemia de Covid-19, o prazo processual para protocolo do Recurso Voluntário foi suspenso pela Portaria RFB nº 543/2020, e alterações posteriores, vigorando até 31/08/2020, e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Portaria CARF nº 8.112, de 20 de março de 2020, com alteração dada pela Portaria CARF nº 10.199, de 20 de abril de 2020, que estendeu a suspensão até 29/05/2020. Considerando que os atos preparatórios e de encaminhamento do Recurso Voluntário ocorrem perante a unidade de origem, e esta encontrava-se com funcionamento precário e com diversos procedimentos suspensos, há que se admitir a contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário a partir de 31/08/2020, mormente este fato estar explicitamente arguido pela Recorrente. COMPENSAÇÃO JÁ HOMOLOGADA. CANCELAMENTO. É incabível desconstituir uma compensação já homologada para aproveitar o seu crédito na compensação informada no PER/DCOMP do presente processo. Não se pode, neste contencioso, cancelar a homologação de uma outra compensação para restabelecer o correspondente crédito. Isto não impede, porém, a possibilidade de aproveitamento de eventual indébito oriundo de prova de erro na PER/DCOMP homologada, desde que comprovada sua origem e validade; bem como sobre a viabilidade da realização de compensação pela via da transmissão de nova DCOMP (em razão da inexistência do débito anteriormente e indevidamente confessado Fl. 221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.484 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10650.900515/2016-86 2 em DCOMP anterior), não havendo que se falar em uma única via para tanto. No presente caso, não há prova suficiente do indébito. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior – Relator Assinado Digitalmente Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário em face do Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 15.50-747, de 26 de junho de 2020, da 1ª Turma da DRJ/SDR, por meio do qual o direito creditório pleiteado não foi reconhecido. O Acórdão não possui ementa, em razão da Portaria RFB nº 2.724, de 2017. Assim restou consignada a decisão: Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos e no uso da competência atribuída pelo artigo 25, I, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF) e suas alterações: Fl. 222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.484 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10650.900515/2016-86 3 Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE IMPROCEDENTE, para não reconhecer o indébito tributário no valor originário de R$ 181.350,32 (cento e oitenta e um mil, trezentos e cinqüenta reais e trinta e dois centavos), referente a pagamento indevido ou a maior de CSLL, efetuado em 27/12/2013, no código 2484 e não homologar a compensação em litígio, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Por bem resumir o caso, adoto o relatório da DRJ: 1-Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta pelo interessado referenciado contra Despacho Decisório emitido em 05/04/2016 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberaba - MG, com número de rastreamento 113773806, cópia inserta no processo à fl. 53, que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 16066.51543.201015.1.3.04-5516. 2-Da análise do pleito, a autoridade administrativa concluiu pela improcedência do crédito original constante do PER/DCOMP, sob a alegação de que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. 3-Abaixo, seguem os dados informados a título de Crédito de pagamento indevido ou a maior no PER/DCOMP nº 16066.51543.201015.1.3.04-5516: 4- O DARF de IRPJ informado no PER/DCOMP em comento foi o seguinte: Fl. 223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.484 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10650.900515/2016-86 4 5-A ciência do despacho decisório deu-se em 19/04/2016, conforme documento de consulta à postagem de fl. 56. 6-Em 16/05/2016, a parte interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório citado acima. Solicita que seja reformado o despacho decisório e cancelado o débito fiscal reclamado, sob, em suma, os seguintes argumentos: . Efetuou pagamento maior que o devido. . Após o encerramento do ajuste anual foi verificado que havia correções a serem feitas, tendo sido levantada nova base de cálculo. Segundo consta do voto condutor do Acórdão ora combatido, “a autoridade administrativa não homologou a compensação em litígio, em razão do pagamento informado ter sido integralmente utilizado em diversos PER/DCOMP anteriormente transmitidos, conforme segue”: Além disso: Fl. 224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.484 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10650.900515/2016-86 5 9-Todos os PER/DCOMP acima listados já foram totalmente homologados, conforme pesquisa aos sistemas informatizados da RFB (fls.119 a 130), não restando saldo de direito creditório a ser utilizado no PER/DCOMP ora em litígio. 10-Dessa forma, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o indébito tributário no valor originário de R$ 181.350,32 (cento e oitenta e um mil, trezentos e cinqüenta reais e trinta e dois centavos), referente a pagamento indevido ou a maior de CSLL, efetuado em 27/12/2013, no código 2484 e não homologar a compensação em litígio. E sua peça recursal, a Recorrente aduz: i) “Os débitos utilizados nas DCOMPs anteriormente emitidas não existem..., pois, Em razão da aplicação do incentivo de depreciação acelerada incentivada, houve a apuração de nova base de cálculo para a CSLL dos meses de 02/2014 e 10/2014, o que foi levado a feito através da reemissão do LALUR das referidas competências (fls. 72 a 91), bem como da retificação das respectivas DCTFs, conforme documentação acostada à Manifestação de Inconformidade e ao presente Recurso Voluntário”. ii) “...em razão dessas reapurações, foram retificadas as declarações que constituíram os débitos compensados pelas DCOMPS 38126.23950.280414.1.3.04-2332 e 39089.38803.251114.1.3.04-0669”. iii) “emitiu a DCOMP 16066.51543.201015.1.3.04-5516, não sendo possível a ela realizar o cancelamento das DCOMPs anteriormente emitidas, uma vez que tinham sido emitidas através do sistema PER/DCOMP 6.0, enquanto que o sistema vigente quando da transmissão da nova DCOMP era o 6.2, conforme fazem prova os DCOMPs juntados às fls. 101 a 113”. iv) “A Recorrente tem plena ciência de que, de fato, houve um erro formal na emissão da DCOMP 16066.51543.201015.1.3.04-5516, uma vez que as DCOMPs que anteriormente utilizaram o crédito em questão não haviam sido canceladas”. v) “...em homenagem ao princípio da verdade material, e uma vez que os débitos que foram objeto das DCOMPs anteriores foram desconstituídos, não se pode conceber que a mera ausência de cancelamento das DCOMPs possa ensejar que a ora Recorrente seja tolhida da utilização dos créditos a que tem direito”. vi) “erro de fato não cria uma obrigação tributária ao contribuinte....”, colacionando em seu favor o Acórdão nº 1402.004.042, de 17/09/2019, Acordão nº 1402.000.699, de 05/08/2011 e Acórdão nº 1402.000745, de 29/09.2011. Ao fim, requer: Fl. 225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.484 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10650.900515/2016-86 6 Ante o exposto, requer seja conhecido e provido integralmente este recurso voluntário, para o fim de: (i) reformar da decisão recorrida, com a sua desconstituição e consequente homologação da DCOMP nº 16066.51543.201015.1.3.04-5516; ou, alternativamente, caso não seja acolhido este pedido (ii) seja desconstituída a decisão recorrida por evidente cerceamento de defesa, com o consequente retorno dos autos à instância anterior para que sejam efetivamente analisados os fatos à luz da documentação contábil e fiscal da ora Recorrente e, após isso, seja julgado procedente a Impugnação Administrativa protocolada, em homenagem ao princípio da verdade material. É o relatório. VOTO Conselheiro Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Relator ADMISSIBILIDADE A Recorrente tomou ciência do Acórdão ora combatido, através de acesso a sua Caixa Postal, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e-CAC) em 08/07/2020 (Caixa Postal DTE) (fls.136) . O Recurso Voluntário foi protocolizado em 30/09/2020 (fls. 142/143). Suscita a Recorrente que o Recurso Voluntário é tempestivo, em razão da dos efeitos de suspensão processual de que tratam a Portaria RFB nº 543, de 20/03/2020 e Portaria RFB nº 4101, de 30/07/2020, esta última estabelecendo o dia 31 de agosto de 2020 dies ad quem (termo final). Para a Recorrente, como o Recurso Voluntário seria “interposto frente à primeira instância de julgamento”, e o prazo recursal somente teria se iniciado em 1º de setembro de 2020. O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – CARF não é órgão submetido à RFB. É órgão subordinado ao Ministério da Fazenda (antes Economia), e portanto, submetido à normas próprias. O CARF acompanhou o mesmo posicionamento da RFB, mediante a edição da Portaria CARF nº 8.112, de 20/03/20211, depois alterada pela Portaria CARF nº 10.199, de 20 de abril de 20202. Contudo, os prazos foram suspensos perante o CARF até 29/05/2020. 1 Art. 1º Suspender, até 30 de abril de 2020, os prazos para a prática de atos processuais no âmbito do CARF. Parágrafo Único. A suspensão a que alude o caput aplica-se, inclusive, ao prazo para a caracterização da intimação ficta do Procurador da Fazenda Nacional, prevista no art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.484 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10650.900515/2016-86 7 Em 08/07/2020, data em que tomou ciência da Decisão ora recorrida, não havia qualquer suspensão de prazo perante este Órgão (CARF). Considerando que os atos preparatórios e de encaminhamento do Recurso Voluntário ocorrem perante a unidade de origem, e esta se encontrava com funcionamento precário e com diversos procedimentos suspensos, há que se admitir a contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário a partir de 31/08/2020, mormente este fato estar explicitamente arguido pela Recorrente. Com efeito, entende este Conselheiro que o Recurso Voluntário é tempestivo. MÉRITO A Recorrente consubstancia sua peça recursal basicamente em dois argumentos. O da impossibilidade de cancelamento das PER/COMPs em razão de uma alteração de versão. In vebis: “...emitiu a DCOMP 16066.51543.201015.1.3.04-5516, não sendo possível a ela realizar o cancelamento das DCOMPs anteriormente emitidas, uma vez que tinham sido emitidas através do sistema PER/DCOMP 6.0, enquanto que o sistema vigente quando da transmissão da nova DCOMP era o 6.2, conforme fazem prova os DCOMPs juntados às fls. 101 a 113” E, dado este fato, que deveria prevalecer o princípio da verdade material: “...em homenagem ao princípio da verdade material, e uma vez que os débitos que foram objeto das DCOMPs anteriores foram desconstituídos, não se pode conceber que a mera ausência de cancelamento das DCOMPs possa ensejar que a ora Recorrente seja tolhida da utilização dos créditos a que tem direito”. Perceba-se que o primeiro argumento é exatamente o mesmo de sua Manifestação de Inconformidade e que abaixo se reproduz: 2 Art. 1º Estender, até 29 de maio de 2020, a prorrogação dos prazos para a prática de atos processuais até então estabelecida na Portaria CARF nº 8.112, de 20 de março de 2020. Parágrafo único. A suspensão a que alude o caput aplica-se, inclusive, ao prazo para a caracterização da intimação presumida do Procurador da Fazenda Nacional, prevista no art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Art. 2º A suspensão dos prazos processuais de que trata a presente portaria não alcança o pedido de retirada de pauta para sustentação oral previsto no §4º do Art. 61-A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Fl. 227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.484 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10650.900515/2016-86 8 Acontece que, como bem assentado na Decisão ora recorrida, “Todos os PER/DCOMP acima listados já foram totalmente homologados, conforme pesquisa aos sistemas informatizados da RFB (fls.119 a 130), não restando saldo de direito creditório a ser utilizado no PER/DCOMP ora em litígio”. Ora, uma vez consideradas homologadas as PER/DCOMPs, não cabe a este CARF cancelar o que já havia sido confessado e devidamente compensado. Eventuais alterações e modificações ocorridas a posteriori não impedem o reconhecimento de eventual saldo negativo de tributo a maior ou indevido. Entretanto, e, para tanto, deve o interessado utilizar-se da via adequada, que não se trata de cancelamento da PER/DCOMP anterior se esta já homologada3. Mas, apresentação de nova PER/DCOMP com o alegado indébito ou, quiçá, um pedido de revisão de ofício. E não só. Deve igualmente provar o motivo das alterações ou modificações que tenham gerado o indébito, com o conjunto probatório pertinente, e não só a simples anexação de cópias do LALUR ou da ECF. No caso, a Recorrente apenas havia justificado a existência do indébito pela utilização posterior de uma depreciação acelerada incentivada, sem, contudo, ao meu sentir, fazer a devida prova. O princípio da verdade material não é uma “senha geral”, para que sejam superadas, digo, desconsideradas as formas legalmente estabelecidas de como o jurisdicionado deve manifestar e provar o direito pleiteado. Comporta, sim, alguma flexibilização, formalidade moderada, adequação dos meios aos fins, mas não a sua completa supressão, mormente, no caso em concreto, havia mecanismos que permitiam o reconhecimento do direito pleiteado, se utilizada a via própria como anotado acima. Dito de outra forma, adoto excertos do que restou consignado no Acórdão nº 1302- 004.220, de 12 de dezembro de 20194, que abaixo reproduzo: 3 Também não impede que a autoridade reconheça eventual erro por apresentação em duplicidade de débitos tributários, e, de ofício, cancele eventual lançamento tributário do excesso. Não é o caso do presente feito. 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Fl. 228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.484 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10650.900515/2016-86 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO JÁ HOMOLOGADA. CANCELAMENTO. É incabível desconstituir uma compensação já homologada para aproveitar o seu crédito na compensação informada no PER/DCOMP do presente processo. Não se pode, neste contencioso, cancelar a homologação de uma outra compensação para restabelecer o correspondente crédito.. Isto não impede, porém, a possibilidade de aproveitamento de eventual indébito oriundo de prova de erro na PER/DCOMP homologada, desde que comprovada sua origem e validade; bem como sobre a viabilidade da realização de compensação pela via da transmissão de nova DCOMP (em razão da inexistência do débito anteriormente e indevidamente confessado em DCOMP anterior), não havendo que se falar em uma única via para tanto. No presente caso, não há prova suficiente do indébito, que teria surgido em decorrência de adoção de cotas de depreciação acelerada incentivada. Entendo, nesse sentido, que assiste razão à DRJ em julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Assinado Digitalmente Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior Fl. 229DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10920.727246/2019-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2014
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. APEGO À FORMALIDADE. INCONFORMISMO DO CONTRIBUINTE.
De acordo com o Decreto nº 70.235/1972, são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59). A demais irregularidades, incorreções e omissões, entretanto, não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo (art. 60).
Eventual inconformismo do contribuinte com relação ao suposto apego à “formalidade exacerbada em detrimento do direito material”, pode dar ensejo a interposição dos recursos cabíveis, mas não resulta na nulidade dos atos decisórios.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. ERRO MATERIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 168 “[m]esmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório”. No entanto, um erro significativo com relação ao montante do direito creditório não se enquadra como “inexatidão material”, não configura uma má descrição do crédito, mas objetiva corrigir o próprio direito creditório inicialmente apurado – o que é vedado após a prolação da correspondente decisão administrativa.
Numero da decisão: 1003-004.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic – Relatora
Assinado Digitalmente
Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARIA CAROLINA MALDONADO MENDONCA KRALJEVIC
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2014 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. APEGO À FORMALIDADE. INCONFORMISMO DO CONTRIBUINTE. De acordo com o Decreto nº 70.235/1972, são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59). A demais irregularidades, incorreções e omissões, entretanto, não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo (art. 60). Eventual inconformismo do contribuinte com relação ao suposto apego à “formalidade exacerbada em detrimento do direito material”, pode dar ensejo a interposição dos recursos cabíveis, mas não resulta na nulidade dos atos decisórios. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. ERRO MATERIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 168 “[m]esmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório”. No entanto, um erro significativo com relação ao montante do direito creditório não se enquadra como “inexatidão material”, não configura uma má descrição do crédito, mas objetiva corrigir o próprio direito creditório inicialmente apurado – o que é vedado após a prolação da correspondente decisão administrativa.
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. APEGO À FORMALIDADE. INCONFORMISMO DO CONTRIBUINTE. De acordo com o Decreto nº 70.235/1972, são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59). A demais irregularidades, incorreções e omissões, entretanto, não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo (art. 60). Eventual inconformismo do contribuinte com relação ao suposto apego à “formalidade exacerbada em detrimento do direito material”, pode dar ensejo a interposição dos recursos cabíveis, mas não resulta na nulidade dos atos decisórios. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. ERRO MATERIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 168 “[m]esmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório”. No entanto, um erro significativo com relação ao montante do direito creditório não se enquadra como “inexatidão material”, não configura uma má descrição do crédito, mas objetiva corrigir o próprio direito creditório inicialmente apurado – o que é vedado após a prolação da correspondente decisão administrativa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.492 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.727246/2019-12 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição (PER) de saldo negativo de IRPJ referente ao ano- calendário de 2014, apresentado de forma física, com arrimo no art. 165 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/17, sob a justificativa de que apresentou declaração de compensação (DCOMP) nº 11650.66278.130315.1.3.02-9865, na qual informou saldo negativo em valor menor do que o devido, mas que não pode ser retificada por ser objeto de decisão administrativa. Sobreveio o Despacho Decisório nº. 33/2020 – SNJCCOOP/CREDFAZ/DICRED/SRRF09/RFB, que indeferiu o pedido de restituição, sob os fundamentos de que (i) os pedidos de restituição, ressarcimento e reembolso e a declaração de compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador; e (ii) somente os pedidos originais apresentados em formulário poderão receber retificador em formulário. Contra tal decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em resumo, que (i) o despacho decisório é nulo por preterição do direito de defesa, tendo em vista que indeferiu sumariamente o pedido à restituição do crédito que é devido (saldo negativo), por devoção à formalidade exacerbada e em detrimento do direito material envolvido; (ii) não somente “na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa” é que poderão os pedidos de restituições sofrerem retificação, tal como verbalizado pelo Decisório ora combatido, mas sim, desde que o crédito seja legítimo, será permitida a retificação enquanto houver disponível o prazo quinquenal do art. 168, I c/c art. 165, II, ambos do CTN; (iii) princípio da verdade material em matéria tributária determina que a autoridade fiscal tem o dever de buscar a Fl. 570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.492 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.727246/2019-12 3 verdade, sendo que o processo fiscal tem a finalidade de garantir a legalidade dos atos praticados, cabendo ao fiscal/julgador buscar de forma exaustiva o que realmente ocorreu de modo a não prejudicar o direito do contribuinte; (iv) a impossibilidade de transmissão eletrônica da retificadora decorre da “falha no programa” do próprio sistema PER/DCOMP, hipóteses em que se admite, por meio de absorção do art. 106, paragrafo único da IN 1.717/2017, a sua transmissão em formulário, por força do art. 165 da IN 1.717/2017. Sobreveio a decisão da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 PER/DCOMP. DOCUMENTO RETIFICADOR POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo somente no caso de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. RETIFICAÇÃO APRESENTADA EM FORMULÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação do PER/DCOMP formalizado pelo sujei to passivo por meio do programa PER/DCOMP deverá ser requerida mediante documento retificador gerado por meio do referido programa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO APRESENTADO EM FORMULÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O pedido de restituição deverá ser indeferido sumariamente, quando a impossibilidade de uso do programa PER/DCOMP for decorrente de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, repisando, em suma, os argumentos contidos em sua manifestação de inconformidade e acrescentando pedido de conversão do julgamento em diligência, para possibilitar ao contribuinte apresentar novas provas e ao Fisco analisar toda documentação apresentada pelo contribuinte. Por fim, a Recorrente interpôs o Mandado de Segurança nº 5004846- 53.2025.4.04.7209/SC, objetivando a imediata distribuição do presente processo administrativo para julgamento, bem como a análise e emissão de decisão acerca do recurso voluntário apresentado pela impetrante, no prazo máximo de 30 (trinta) dias – o que foi deferido liminarmente em 01.09.2025, para que o processo seja distribuído em 30 dias e julgado em 90 dias. É relatório. Fl. 571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.492 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.727246/2019-12 4 VOTO Conselheira Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic , Relatora I – ADMISSIBILIDADE A Recorrente recebeu mensagem em sua Caixa Postal com acesso à decisão da DRJ em 25.04.2024 e, na mesma data, consultou o referido documento (fl. 527). A Caixa Postal é considerada o Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) do contribuinte perante a RFB, de forma que, nos termos do art. 23, §2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72, se considera realizada a intimação na data em que o sujeito passivo consulta o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária – desde que antes do prazo de 15 dias contados da entrega dos documentos no referido endereço eletrônico. O recurso voluntário, por sua vez, foi interposto em 21.09.2023, portanto, antes da intimação acerca da decisão da DRJ e, posteriormente, retificado em 25.04.2024. Diante disso, tendo em vista o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, é tempestivo o recuso voluntário ora em análise. II – PRELIMINAR Sustenta a Recorrente que o despacho decisório é nulo por preterição do direito de defesa, tendo em vista que indeferiu sumariamente o pedido de restituição do crédito que é devido (saldo negativo), por devoção à formalidade exacerbada e em detrimento do direito material envolvido. De acordo com o Decreto nº 70.235/1972, são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59). A demais irregularidades, incorreções e omissões, entretanto, não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo (art. 60). No presente caso, o despacho decisório - assim como a decisão da DRJ - foi devidamente fundamentado, apresentando com clareza as razões que levaram à não homologação da compensação. Eventual inconformismo da Recorrente com relação ao suposto apego à “formalidade exacerbada em detrimento do direito material”, pode dar ensejo a interposição dos recursos cabíveis, mas não resulta na nulidade dos atos decisórios. Nesse contesto, afasto a preliminar de preterição do direito de defesa. III – MÉRITO No mérito, a solução da controvérsia passa (i) pela possibi lidade de o contribuinte retificar o pedido de restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ após a prolação do Fl. 572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.492 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.727246/2019-12 5 correspondente despacho decisório; e, em caso afirmativo; (ii) de tal pedido ser formulado em papel, em razão de a impossibilidade sistêmica de retificação de pedido de restituição/compensação já analisado. É fato que há situações em que a ausência de retificação de DCOMP antes do despacho decisório não impede a análise do direito creditório pleiteado. Exemplo disso é aquele contido na Súmula CARF nº 175, que assim dispõe: É possível a análise de indébito correspondente a tributos incidentes sobre o lucro sob a natureza de saldo negativo se o sujeito passivo demonstrar, mesmo depois do despacho decisório de não homologação, que errou ao preencher a Declaração de Compensação – DCOMP e informou como crédito pagamento indevido ou a maior de estimativa integrante daquele saldo negativo. Tanto é assim que a Súmula CARF nº 168 expressamente afirma que “[m]esmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório”. O conceito de inexatidão material, entretanto, não é uníssono. A partir do art. 32 do Decreto nº 70.235/72, pode-se entender por inexatidões materiais o “lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos” . O Conselheiro Nelson Kichel, no Acórdão nº 1301-003.905, explicou que “[p]or inexatidões materiais no preenchimento dos PER/Dcomp entende-se os lapsos manifestos que se percebem de plano; aqueles que, claramente, não traduzem o pensamento ou vontade do contribuinte. Consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção”. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, por sua vez, explica no Acórdão n.º 1201-005.695, ao tratar da retificação do PER/DCOMP que “o que pode ser corrigido é a má descrição do crédito, e não o crédito em si”. Aplicando-se tais lições ao presente caso, tem-se que um erro significativo com relação ao montante do direito creditório, certamente, não se enquadra como uma “inexatidão material”. Isto é, não se trata, pois, de uma má descrição do crédito, mas de sua reapuração, que ensejou a apresentação de declaração retificadora após o despacho decisório. E, por não consistir o erro em questão um “erro material”, não deve ser admitida a retificação da declaração de compensação/pedido de restituição após a prolação do correspondente despacho decisório. Como explica a Conselheira Edeli Pereira Bessa, “estas limitações temporais [dentre elas, aquela contida no art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717] ao direito de retificar decorrem do fato de não se querer permitir que as compensações sejam alteradas a todo instante, ou seja, a RFB expede um despacho denegatório e na sequência, o sujeito passivo altera o seu pedido, e assim sucessivamente, tornando a atividade administrativa de homologação algo sem fim”. Fl. 573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.492 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.727246/2019-12 6 Em situação semelhante, na qual houve erro na associação dos débitos compensados ao crédito que a contribuinte pretendia utilizar em compensação, concluiu a 1ª Turma da CSRF pela impossibilidade de superação do equívoco, mesmo diante da invocação do princípio da verdade material. Confira-se: À evidência, o caso presente se distingue desse e de outros precedentes deste Colegiado nos quais se admite a superação do equívoco. Aqui está retratado erro na associação dos débitos compensados ao crédito que a Contribuinte pretendia utilizar em compensação. A parte mais significativa dos débitos compensados estava vinculada, efetivamente, ao saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2002, mas duas DCOMP foram indevidamente vinculadas ao mesmo crédito, para além do saldo negativo ter sido informado em valor inferior ao agora afirmado pela Contribuinte. Admitir que elas sejam associadas, depois da não- homologação, ao saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2001 representaria inovação em substituição ao dever do sujeito passivo imposto no art. 74, § 1º da Lei nº 9.430/96, desde a sua inclusão pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002. Não se trata, pois, de fazer prevalecer a verdade material. A compensação de tributos administrados pela Receita Federal, no cenário legislativo referido, somente existe mediante apresentação de DCOMP. E, se o sujeito passivo deixou de vincular débitos ao crédito declarado, ele deixou de formalizar a compensação pretendida, e não há outra forma de constituí-la, substituindo a iniciativa do sujeito passivo. Logo, não se trata de erro no preenchimento da declaração de compensação, mas sim de erro de direito e consequente omissão na manifestação de vontade que se prestaria a constituir a realidade que se pretende afirmar como desmerecida pela imposição de uma verdade formal (Acórdão nº 9101-005.446, j. em 11.05.2021). Não sendo permitida a retificação da declaração de compensação por meio do pedido de restituição ora em análise, resta prejudicada a discussão acerca da possibilidade de tal pedido ser formulado em papel, em razão de a impossibilidade sistêmica de retificação de pedido de restituição/compensação já analisado. IV – CONCLUSÕES Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. Assinado Digitalmente Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic Fl. 574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1003-004.492 – 1ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.727246/2019-12 7 Fl. 575DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto I – ADMISSIBILIDADE II – PRELIMINAR III – MÉRITO IV – CONCLUSÕES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.907901/2016-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Em conformidade com a regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazê-lo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO DEFINITIVA.
É considerada definitiva, na esfera administrativa, a parte da decisão de primeira instância não recorrida.
Numero da decisão: 3202-003.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Onízia de Miranda Aguiar Pignataro – Relatora
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Aline Cardoso de Faria, Jucileia de Souza Lima, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Wagner Mota Momesso de Oliveira, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: ONIZIA DE MIRANDA AGUIAR PIGNATARO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com a regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazê-lo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO DEFINITIVA. É considerada definitiva, na esfera administrativa, a parte da decisão de primeira instância não recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Onízia de Miranda Aguiar Pignataro – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Aline Cardoso de Faria, Jucileia de Souza Lima, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Wagner Mota Momesso de Oliveira, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com a regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazê-lo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO DEFINITIVA. É considerada definitiva, na esfera administrativa, a parte da decisão de primeira instância não recorrida. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Onízia de Miranda Aguiar Pignataro – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.021 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.907901/2016-80 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Aline Cardoso de Faria, Jucileia de Souza Lima, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Wagner Mota Momesso de Oliveira, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Para uma melhor compreensão dos fatos em discussão, transcrevo o relatório extraído do Acórdão 02-97.087, da 6ª Turma da DRJ/BHE. Trata o presente processo do pedido de restituição (PER)39580.22811.300412.1.1.09-4285 e declaração(ões) de compensação (Dcomp) abaixo, vinculadas ao primeiro: 17432.29409.180512.1.3.09-6176; 18564.62118.310512.1.3.09-1208; 08975.68914.200612.1.3.09-9040; 28788.74738.060712.1.7.09-0083; 05235.54433.060712.1.3.09-9066; 00437.75126.200712.1.3.09-1117 O contribuinte pleiteia o reconhecimento de direito creditório de COFINS Não- Cumulativo – Exportação no valor de R$ 250.929,50 referente ao 1º trimestre de 2012. I - Do despacho decisório A autoridade de origem emitiu despacho decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 5.202,95. No Termo de Verificação Fiscal (TVF), constata-se que a decisão baseouse essencialmente na natureza do crédito pleiteado no PER. A autoridade fiscal assim fundamenta: concluímos de imediato pela GLOSA TOTAL dos Créditos [PIS/Cofins] Importação vinculados à Receita de Exportação pleiteados por terem sido requeridos pela empresa em um tipo de pedido de ressarcimento incorreto, uma vez que os créditos referentes às operações de importação devem constar de um PER–Mercado Interno e não de um PER-Exportação. Alega ainda que a situação em comento não configura mero erro formal, uma vez que a empresa foi previamente intimada a sanar as divergências encontradas nº Sistema de Controle de Créditos (SCC) e esclarecida de que, no caso de equívocos Fl. 337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.021 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.907901/2016-80 3 ou divergências, o contribuinte deve providenciar a retificação ou cancelamento do PER/Dcomp. Esse último, no entanto, manteve-se inerte. Foram glosados ainda créditos tomados nas aquisições e despesas nº mercado interno vinculados à receita de exportação, conforme anexo I. Os créditos glosados se referem a: -prima para Serviço de Transformação de Material de Embalagem, Serviço de Transformação de Material de Embalagem, Serviço de Recuperação de Material de Embalagem(Tambor Recuperado); Máquinas e Equipamentos; - Frete; Efetuadas essas glosas e os ajustes decorrentes, concluiu-se pela insuficiência do crédito pleiteado para homologação da(s) Dcomp(s) vinculada(s). II - Da manifestação de inconformidade Cientificado da decisão em 12/05/2017, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 13/06/2017, abaixo sintetizada: Alega, inicialmente, que "equivocou-se ao elaborar o Pedido de Ressarcimento - PER correspondente aos créditos gerados pelas aquisições do período, informando os valores relativos às importações vinculadas a receitas de exportação como Tipo de Crédito 'COFINS Não-Cumulativo – Exportação'". Ao mesmo tempo, deixou de informar o referido crédito no PER nº 27391.51833.180612.1.5.11-2723. Esse PER refere-se ao mesmo trimestre do PER ora em julgamento, mas tem como tipo de crédito a(o) "COFINS Não-Cumulativo - Mercado Interno". Alega que ao analisar-se os Dacons em cotejo com o PER -Exportação e o PER - Mercado Interno, constata-se que os créditos relativos à "Importação - vinculados à receita de exportação" são procedentes. Dessa forma, não há prejuízo para o erário público, pois teria havido apenas um erro formal na elaboração dos Pedidos de Ressarcimento, que em nada prejudica seu direito ao crédito, com base no princípio da verdade material. Cita doutrina e jurisprudência administrativa. Nos pedidos, requer: O cancelamento do despacho decisório; O reconhecimento integral dos créditos relativos ao PER nº 39580.22811.300412.1.1.09-4285 e homologação das Dcomps a ele vinculadas. Fl. 338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.021 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.907901/2016-80 4 É o relatório. A Manifestação de Inconformidade foi julgada procedente para reconhecer o direito à compensação, no valor original de R$ 239.402,94, devendo a DRF de origem operacionalizar a homologação das compensações declaradas até o limite do crédito disponível, tendo sido proferido o Acórdão, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 LIMITES DA LIDE. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PER/DCOMP. INFORMAÇÃO DE TIPO DE CRÉDITO EQUIVOCADA. ERRO DE FATO. VERDADE MATERIAL. Os créditos legítimos do contribuinte requeridos em PER/Dcomp com informação equivocada de tipo de crédito caracterizam erro de fato e devem ser reconhecidos em respeito à verdade material. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido. A referida decisão foi objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente alega, em síntese: Fl. 339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.021 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.907901/2016-80 5 Fl. 340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.021 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.907901/2016-80 6 É o relatório. VOTO Conselheira Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Relatora. Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo. Das alegações recursais Consoante análise do acórdão proferido pela DRJ, verifica-se que a recorrente em nada se insurge contra as glosas de créditos de aquisições no mercado interno vinculadas à receita de exportação, no valor de R$ 6.323,61. Conforme Termo de Verificação Fiscal e Anexo I, as glosas se referem a: Fl. 341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.021 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.907901/2016-80 7 Aquisição de material de embalagem para transporte e acondicionamento; Aquisição matéria-prima para Serviço de Transformação de Material de Embalagem, Serviço de Transformação de Material de Embalagem, Serviço de Recuperação de Material de Embalagem (Tambor Recuperado); Serviço de Beneficiamento de Sucata; Partes e Peças reposição/Manutenção Empilhadeiras, Máquinas e Equipamentos; Despesas Acessórias - Frete; Nesse sentido, tais matérias foram consideradas não impugnadas pela DRJ, por força do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972: Dessa forma, tais matérias devem ser consideradas não impugnadas, por força do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, restringindo-se o presente Voto à análise dos temas levantados na manifestação de inconformidade. Assim, no presente caso, verifica-se que na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou apenas que: Fl. 342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.021 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.907901/2016-80 8 Portanto, consoante análise da manifestação supracitada, verifica-se que tais matérias (aquisição de material de embalagem para transporte e acondicionamento; aquisição matéria-prima para serviço de transformação de material de embalagem, serviço de transformação de material de embalagem, serviço de recuperação de material de embalagem (tambor recuperado); serviço de beneficiamento de sucata; partes e peças reposição/manutenção empilhadeiras, máquinas e equipamentos; despesas acessórias – frete), não foram objeto de questionamento por ocasião da manifestação de inconformidade. No entanto, a DRJ entendeu que não há óbice legal para que a correção ou o cancelamento do PER/Dcomp seja efetuado de ofício. Nesse sentido, verifica-se que a DRJ julgou procedente a manifestação de inconformidade na parte em litígio, para reconhecer o direito à compensação, no valor original de R$ 239.402,94, devendo a DRF de origem operacionalizar a homologação das compensações declaradas até o limite do crédito disponível: O valor pleiteado nos autos é de R$ 250.929,50. A DRF de origem glosou créditos de aquisição no mercado interno vinculados à receita de exportação no valor de R$ 6.323,61 (não contestado pela manifestante) e deferiu parcialmente o valor R$ 5.202,95. Conclui-se, dessa forma, que em relação ao pedido de ressarcimento ora em litígio, remanesce em favor do interessado um saldo creditório de R$ 239.402,94 a ser aproveitado nas compensações declaradas, salvo a utilização total ou parcial desse crédito em outros PER/Dcomp não relacionados a este processo. Assim, cumpre ressaltar que não foram aqui analisados outros PER/Dcomp que eventualmente tenham se utilizado do mesmo crédito indicado no presente pedido de ressarcimento. Também não foi analisada eventual utilização do crédito pelo contribuinte para desconto das contribuições em momento posterior ao despacho decisório, o que ensejaria a retificação de seus Dacons e DCTFs. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente a manifestação de inconformidade na parte em litígio, para reconhecer o direito à compensação, no valor original de R$ 239.402,94, devendo a DRF de origem operacionalizar a homologação das compensações declaradas até o limite do crédito disponível. Destarte, compulsando o recurso em apreço, verifica-se que a recorrente não apresentou qualquer manifestação contrária a este ponto da decisão. Dessa forma, como não houve expressa contestação dessa parte da decisão de primeira instância, conforme exige o art. 17 Fl. 343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.021 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.907901/2016-80 9 do PAF, consequentemente, ela tornou-se definitiva na esfera administrativa, nos termos do parágrafo único do art. 42 do PAF. Isso porque tais matérias (aquisição de material de embalagem para transporte e acondicionamento; aquisição matéria-prima para serviço de transformação de material de embalagem, serviço de transformação de material de embalagem, serviço de recuperação de material de embalagem (tambor recuperado); serviço de beneficiamento de sucata; partes e peças reposição/manutenção empilhadeiras, máquinas e equipamentos; despesas acessórias – frete), não foram objeto de questionamento por ocasião da manifestação de inconformidade. Por todas essas razões supracitadas, entendo que o recurso não pode ser conhecido eis que, por virtude dos artigos 16, inciso III e § 4º, e 17 c/c o artigo 33 do Decreto n° 70.235/72, operou-se a preclusão, tendo em vista que a presente matéria somente foi abordada por ocasião do recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Onízia de Miranda Aguiar Pignataro Fl. 344DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10935.721204/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE PIS E COFINS. NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Para a compensação de crédito tributário com qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil deve, necessariamente, ser apresentada declaração de compensação, não havendo amparo jurídico para a compensação efetuada na própria contabilidade.
Numero da decisão: 3202-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Juciléia de Souza Lima – Relatora
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA
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NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Para a compensação de crédito tributário com qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil deve, necessariamente, ser apresentada declaração de compensação, não havendo amparo jurídico para a compensação efetuada na própria contabilidade. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Fl. 195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.009 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721204/2011-51 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de autos de infração formalizando a exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS e do Programa de Integração Social - PIS, através dos quais apurou-se crédito tributário, referente ao ano-calendário de 2007, no valor total de R$ 99.083,67, incluídos multa de ofício e juros de mora, assim constituído: PIS: R$ 17.427,99; COFINS: R$ 80.655,78. Ressalte-se que o procedimento adotado (e defendido através da impugnação ora analisada) pela empresa para quitação dos débitos de PIS e COFINS é a utilização de retenções na fonte de CSLL. A base legal de tais retenções está contida nas leis 10.833/2003 e 9.430/96. A tabela abaixo detalha os valores de débitos e créditos neste período na referida conta contábil: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF, a ação fiscal buscou verificar a regularidade no recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, motivada por suposta disparidade entre a movimentação financeira da empresa, optante pelo regime do Lucro Presumido, e a receita bruta declarada. Confrontando os valores a pagar de PIS e COFINS, calculados com base nas receitas constantes no Livro Razão com aqueles informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, denota-se a existência de diferenças no ano de 2007. Continua o TVF afirmando que, analisando a contabilidade da recorrente, com relação aos débitos de PIS e COFINS, observa-se que há compensação de valores retidos na fonte, chamando a atenção a dedução de valores advindos da conta contábil “112080008 - CSLL a Recuperar”, que iniciou o ano de 2007 com um saldo elevado (R$ 63.823,72), comparativamente com as demais contas de controle de impostos a recuperar, sendo tal saldo utilizado para compensar valores a recolher da própria CSLL bem como do PIS, no qual constam os valores de CSLL a Recuperar, compensados com a COFINS a Recolher e o PIS a Recolher na própria escrita fiscal da recorrente e não por Declaração de Compensação. Fl. 196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.009 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721204/2011-51 3 A recorrente foi intimada a esclarecer a origem do saldo inicial da citada conta “CSLL a Recuperar”, ocasião que informou que tal crédito tinha origem em retenções efetuadas pelos tomadores dos serviços prestados, destacadas nas notas fiscais emitidas. Porém, informa ainda o TVF, nenhum documento comprobatório foi apresentado, mas reiterou que todas as informações solicitadas já havia sido apresentadas mediante a contabilização dos fatos em livros fiscais já anteriormente entregues. Destaca ainda o TVF que, ainda que a alegação da recorrente tivesse sido comprovada documentalmente, os valores retidos na fonte a título de CSLL só poderiam ser compensados com débitos da própria CSLL. Pelo exposto, o saldo inicial da conta “CSLL a Recuperar” foi desconsiderado, sendo glosados os valores compensados e os montantes a pagar de PIS e COFINS foram recalculados e os valores lançados nos presentes autos de infração. Cientificada, a Recorrente apresentou defesa administrativa, a qual foi julgada improcedente pela 7ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, através do acórdão 14-95.444, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PIS E COFINS. NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Para a compensação de crédito tributário com qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil deve, necessariamente, ser apresentada declaração de compensação, não havendo amparo jurídico para a compensação efetuada na própria contabilidade. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário ao CARF pelo cancelamento da autuação. É o que havia a ser relatado. Fl. 197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.009 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721204/2011-51 4 VOTO Conselheira Juciléia de Souza Lima, Relatora O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Ante a inexistência da arguição de preliminares, passo a análise do mérito. DO MÉRITO Conforme relatado, trata-se de auto de infração formalizando a exigência do PIS e da COFINS, referente ao ano-calendário de 2007, no valor total de R$ 99.083,67, lavrado por ter a auditoria - R$ 63.823,72 - em comparação com as demais contas de controle de impostos a recuperar. Intimado, a esclarecer a origem do saldo inicial da citada conta, o sujeito passivo apenas afirmou que tal crédito tem origem em retenções efetuadas pelos tomadores dos serviços prestados, destacadas nas notas fiscais emitidas e que as informações solicitadas se encontram contabilizadas em seus livros fiscais. Afirma o Termo de Verificação Fiscal que, tendo a autuada deixado de apresentar quaisquer documentos que pudessem esclarecer os fatos expostos, caracterizou-se a infração de pagamento a menor de PIS e COFINS e que, mesmo que a alegação da interessada tivesse sido comprovada documentalmente, os valores retidos na fonte a título de CSLL só poderiam ser compensados com débitos da própria CSLL. Ante a apresentação das notas fiscais objeto da retenção, a DRJ decidiu por converter o feito em diligência para que a unidade de origem examinasse o conteúdo dos documentos juntados (e-fls. 141). Em sede de diligência, assim se pronunciou a fiscalização: Da análise de tais dispositivos legais, destaca-se a determinação de que as retenções na fonte de CSLL somente podem ser utilizados para a quitação de débitos deste mesmo tributo. Tal determinação está contida expressamente nos artigos 5º., da IN SRF 306/2003, 7º. e parágrafos, da IN SRF 459/2004 e 8º. e parágrafos, da IN SRF 475/2004. Tal disposição legal torna desnecessária, portanto, a análise quantitativa dos referidos valores retidos na fonte. A título de informação, a referida análise consta em Informação Fiscal juntada ao processo administrativo 10935.721205/2011-04. Fl. 198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.009 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721204/2011-51 5 Conclui-se, portanto, pela impossibilidade de utilização das retenções na fonte de CSLL para quitação de débitos de PIS e COFINS, em razão de expressa disposição legal neste sentido. Em resumo, quanto aos débitos tratados neste processo administrativo, e tendo em vista os fatos acima expostos, resta evidente que devem ser totalmente mantidos. Em sede de manifestação à diligência, a recorrente contesta o entendimento da fiscalização, alegando que a compensação de créditos de CSLL com tributos de outra espécie é totalmente admissível, apoiando-se na Solução de Consulta Cosit nº 160, que admite a compensação, com base no disposto no artigo 41 da Instrução Normativa RFB nº 1.300 de 2012 e requer a extinção dos tributos exigidos no presente feito - PIS e COFINS. No que se refere à possibilidade de compensação de créditos de CSLL com tributos de outra espécie, o julgador de piso diverge do entendimento da fiscalização ao firmar entendimento pela tese da contribuinte, todavia, decide manter a autuação fiscal pela impossibilidade de compensar sem a transmissão da respectiva Declaração de Compensação. E neste ponto, o acórdão não merece reparo, pois de fato, não há como a recorrente fazer compensação em sua própria contabilidade e, não tendo sido apresentada a declaração de compensação, não há como aceitar a compensação de créditos de CSLL com valores devidos de PIS e COFINS pretendida pela recorrente por expressa vedação legal. Como é sabido, a partir da edição da IN SRF nº 323, de 24 de abril de 2003, que adicionou o parágrafo 6º ao art. 21 da IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, passou a ser exigida a apresentação de Declaração de Compensação para a realização da compensação entre tributos da mesma espécie. Antes disso, na vigência da redação anterior da IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, não era exigida a apresentação do Pedido ou Declaração de Compensação para a compensação entre tributos da mesma espécie, que no entanto teria de ser materializada e demonstrada por meio da DCTF, em atendimento ao art. 74, § 1º da Lei nº 9.430/96. Antes da IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na vigência do art. 14 da IN SRF nº 21, de 10 de março de 1997, a compensação de tributos da mesma espécie poderia ser concretizada diretamente na contabilidade da pessoa jurídica, sem necessidade de qualquer pedido ou declaração. Ocorre que, em qualquer destas hipóteses, a compensação em âmbito tributário não acontece de maneira espontânea, sendo necessária e indispensável sua concretização por parte do contribuinte. Fl. 199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.009 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10935.721204/2011-51 6 Por todo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima Fl. 200DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 13603.720891/2013-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1.972.
NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR.
As decisões administrativas devem ser emitidas sempre em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, de modo que apenas na falta de apreciação de argumento de defesa do contribuinte é que devem ser consideradas nulas nos termos do que determina o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. O julgador apreciará livremente a validade das alegações do sujeito passivo a partir do exame da consistência do conjunto dos elementos probatórios trazido aos autos, de acordo com o princípio do livre convencimento motivado.
AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE.
A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Conquanto seja medida excepcional, pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática.
LEGITIMIDADE PASSIVA. EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. SOLIDARIEDADE.
Deve ser excluída do polo passivo do lançamento, a pessoa jurídica autuada como solidária, quando se demonstrar nos autos que sua personalidade se extinguiu.
RESCISÃO DE CONTRATO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não integram o salário de contribuição as indenizações pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, pois, não havendo habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tais verbas.
STOCK OPTIONS. NATUREZA MERCANTIL. NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Presentes as características que fazem de um plano de outorga de opção de compra de ações (art. 168, § 3º, da Lei n. 6.404/1976), um instituto mercantil (voluntariedade, onerosidade e existência de risco), afasta-se a incidência das contribuições previdenciárias, não se confundindo com a remuneração. Inteligência do Tema 1.226 do Superior Tribunal de Justiça.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS.
Os valores pagos ou creditados a título de participação nos lucros e resultados em conformidade com os requisitos legais não integram a base de incidência das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2201-012.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer em parte do recurso voluntário, por tratar de matérias estranhas ao litígio administrativo; na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento as seguintes verbas: (a) indenização paga em decorrência do rompimento imotivado do contrato de trabalhadores estáveis por força dos arts. 118, da Lei n. 8.213/91 (acidentado) e 10, II, “a”, do ADCT (cipeiro); (b) plano de outorga de opção de compra de ações; e (c) participação nos lucros e resultados dos estabelecimentos situados nos municípios de Conceição do Pará/MG, Poços de Caldas/MG, Uberaba/MG, Onça de Pitangui/MG, Itamarandiba/MG, Esmeraldas/MG, Candeias/BA, Sento Sé/BA, Brumado/BA, Piracicaba/SP, Ipatinga/MG, Volta Redonda/RJ, Serra/ES, João Monlevade/MG e Timóteo/MG, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cleber Ferreira Nunes Leite, que deram provimento parcial em menor extensão, excluindo apenas as verbas dos itens “a” e “c” e o Conselheiro Weber Allak da Silva, que deu provimento parcial em maior extensão para excluir também os levantamentos AF, AG, AH, AI e AJ. O Conselheiro Weber Allak da Silva manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
Assinado Digitalmente
Thiago Álvares Feital – Relator
Assinado Digitalmente
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Weber Allak da Silva, Fernando Gomes Favacho, Cleber Ferreira Nunes Leite, Luana Esteves Freitas, Thiago Álvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: THIAGO ALVARES FEITAL
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LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1.972. NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. As decisões administrativas devem ser emitidas sempre em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, de modo que apenas na falta de apreciação de argumento de defesa do contribuinte é que devem ser consideradas nulas nos termos do que determina o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. O julgador apreciará livremente a validade das alegações do sujeito passivo a partir do exame da consistência do conjunto dos elementos probatórios trazido aos autos, de acordo com o princípio do livre convencimento motivado. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Conquanto seja medida excepcional, pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. LEGITIMIDADE PASSIVA. EXTINÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. SOLIDARIEDADE. Deve ser excluída do polo passivo do lançamento, a pessoa jurídica autuada como solidária, quando se demonstrar nos autos que sua personalidade se extinguiu. Fl. 33866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 2 RESCISÃO DE CONTRATO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integram o salário de contribuição as indenizações pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, pois, não havendo habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tais verbas. STOCK OPTIONS. NATUREZA MERCANTIL. NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Presentes as características que fazem de um plano de outorga de opção de compra de ações (art. 168, § 3º, da Lei n. 6.404/1976), um instituto mercantil (voluntariedade, onerosidade e existência de risco), afasta-se a incidência das contribuições previdenciárias, não se confundindo com a remuneração. Inteligência do Tema 1.226 do Superior Tribunal de Justiça. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Os valores pagos ou creditados a título de participação nos lucros e resultados em conformidade com os requisitos legais não integram a base de incidência das contribuições previdenciárias. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer em parte do recurso voluntário, por tratar de matérias estranhas ao litígio administrativo; na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento as seguintes verbas: (a) indenização paga em decorrência do rompimento imotivado do contrato de trabalhadores estáveis por força dos arts. 118, da Lei n. 8.213/91 (acidentado) e 10, II, “a”, do ADCT (cipeiro); (b) plano de outorga de opção de compra de ações; e (c) participação nos lucros e resultados dos estabelecimentos situados nos municípios de Conceição do Pará/MG, Poços de Caldas/MG, Uberaba/MG, Onça de Pitangui/MG, Itamarandiba/MG, Esmeraldas/MG, Candeias/BA, Sento Sé/BA, Brumado/BA, Piracicaba/SP, Ipatinga/MG, Volta Redonda/RJ, Serra/ES, João Monlevade/MG e Timóteo/MG, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Cleber Ferreira Nunes Leite, que deram provimento parcial em menor extensão, excluindo apenas as verbas dos itens “a” e “c” e o Conselheiro Weber Allak da Silva, que deu provimento parcial em maior extensão para excluir também os levantamentos AF, AG, AH, AI e AJ. O Conselheiro Weber Allak da Silva manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Fl. 33867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 3 Assinado Digitalmente Thiago Álvares Feital – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurelio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Weber Allak da Silva, Fernando Gomes Favacho, Cleber Ferreira Nunes Leite, Luana Esteves Freitas, Thiago Álvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Do lançamento A autuação (fls. 3-57), com relatório fiscal às fls. 58-69, versa sobre a ausência de recolhimento de contribuições de terceiros (salário-educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre verbas pagas a segurados empregados, não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Não houve apuração de créditos para SENAI e SESI, incidentes sobre as remunerações pagas a empregados de estabelecimentos situados em Minas Gerais, pois o contribuinte comprovou a existência de convênios com tais entidades, permitindo fazer diretamente os recolhimentos das contribuições. A autuação foi assim sumarizada pela decisão de primeira instância (fls. 33679- 33685): a) Contribuições incidentes sobre salários pagos a segurados empregados, não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), identificados por meio dos levantamentos AA - AB -AC - AD - AE - AF - AG - AH - Al - AJ - AK - AM - AU - AV - AX - AZ - BA - BB - BC -BD - BE - BF e BG, discriminados nas planilhas de números 2 a 37, 56 a 84, 87, 94 e 115 a 137 denominadas respectivamente: ESTABILIDADE RESCISÃO (2 a 10); ADICIONAL NOTURNO ESTABILIDADE (11 a 16); MÉDIA HORAS EXTRAS ESTABILIDADE (17 a 23); DIFERENÇA DE 13° SALÁRIO (24); MÉDIA ADICIONAL NOTURNO (25); HORAS EXTRAS COM 75% (26); DIFERENÇA MÊS ANTERIOR (27); HORAS ACIDENTE DE TRABALHO (28 a 34); DÉCIMO TERCEIRO INTEGRAL ACIDENTE DE TRABALHO (35 A 37); DIRF MAIOR QUE FP (56 a 83); APURAÇÃO REMUNERAÇÃO DIRETORES EMPREGADOS CONFORME DIPJ (84); Fl. 33868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 4 OPÇÃO DE AÇÕES BASES DE CÁLCULO E CONTRIBUIÇÕES (87); e SALÁRIOS ARBITRADOS ESTAB 0031 (94); PRV (115 a 137), conforme as folhas de pagamentos de salários exibidas pelo sujeito passivo (SP), por meio de arquivo digital no formato MANAD, as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) acessadas por meio dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil (RFB), a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) ano-base 2009 do SP, acessada por meio dos sistemas internos da RFB, a contabilidade do SP, acessada por meio do SPED contábil e os correspondentes Discriminativos de Débito (DD); a.1) a fiscalização decidiu por considerar sujeitos a incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos das remunerações acima descritas realizados pelo SP, conforme demonstrado no AI ora lavrado. Inicialmente o sujeito passivo (SP) foi instado por meio do Termo de Informação Fiscal (TIF), número 1, a esclarecer a respeito da não consideração como sujeitas à incidência tributária, de diversas rubricas discriminadas em planilha entregue por ocasião da intimação, bem como, sendo o caso, a anexação de documentos que fundamentassem o entendimento do SP quanto a não considerar tais rubricas como sujeitas à incidência. Ao atender tal intimação foi apresentada planilha número 1 - RESPOSTAS SP RUBRICAS, na qual a empresa reconhece como sujeitas à incidência as rubricas DIFERENÇA DE 13° SALÁRIO (planilha 24), DIFERENÇA MÊS ANTERIOR (planilha 27) e HORAS EXTRAS COM 75% (planilha 26), ou seja, a resposta corrobora o entendimento da fiscalização ao considerar tais pagamentos como sujeitos à incidência de contribuição previdenciária; as demais rubricas estão discriminadas na planilha número 1A denominada RUBRICAS COM INCIDÊNCIA TODOS OS ESTABELECIMENTOS com a demonstração do entendimento fiscal em confronto com o entendimento da empresa. Pela análise de tal planilha a fiscalização constatou que a empresa pagou remunerações referentes à rubrica ESTABILIDADE RESCISÃO e as considerou como indenizações. Todavia as indenizações sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias estão previstas em lei e são exclusivamente as previstas no inciso I, do artigo 10, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; as relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; recebidas a título de indenização de que trata o artigo 479 da CLT(contratos por termo estipulado); a que trata da contratação por produtor rural pessoa física de trabalhador rural; recebidas a título de incentivo à demissão; recebidas a título de abono de férias; recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; recebidas a título de licença-prêmio indenizada; referente à dispensa de empregado, sem justa causa, no período de 30 (trinta) dias que anteceda a data de sua correção salarial. A exibição da documentação por parte do SP não provou à fiscalização que tal rubrica e seus acessórios tenham sido pagos em conformidade com quaisquer das situações acima descritas. Fl. 33869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 5 Serão sempre consideradas remunerações e, portanto, serão sempre bases de incidência de contribuição previdenciária: ADICIONAL NOTURNO; HORAS EXTRAS e DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. No que concerne a rubrica HORAS ACIDENTE DE TRABALHO e suas acessórias, a legislação determina que as mesmas integrem a remuneração exclusivamente para fins de cálculos dos valores a serem recolhidos ao FGTS quando tal remuneração se referir a que seria devida ao empregado afastado por motivo de acidente de trabalho. Os créditos apurados pela fiscalização referentes a tais rubricas e seus acessórios (planilhas 28 a 37) o foram em competências em que tal remuneração foi paga juntamente com remunerações de horas trabalhadas, adicionais noturnos e outras rubricas comprobatórias que em tais competências não havia o afastamento, o que significa que o SP em tais competências e para os trabalhadores referenciados pagou tal remuneração sem que houvesse afastamento por acidente de trabalho e, em conseqüência, sujeita a incidência de contribuição previdenciária. A fiscalização ilustra como exemplos de tais irregularidades os pagamentos feitos aos segurados empregados André Luiz Brasil - Carlos Pedro de Souza -Henrique da Silva Soares - João Batista Armond - Mauro Sergio Mendes da Silva e Romerilton Ribeiro Pessoa, nas competências julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, conforme as cópias de seus recibos de pagamento de salários obtidos do arquivo digital MANAD fornecido pelo SP e apresentados na planilha número 37A denominada RECIBOS DE SALÁRIOS COM HORAS DE ACIDENTE DE TRABALHO, por meio dos quais se verifica que a fiscalização só apurou créditos previdenciários nas situações em que o SP efetivamente incorreu na irregularidade de não tributar tal rubrica quando não ficou comprovado o afastamento, como por exemplo no que concerne ao segurado empregado CARLOS PEDRO DE SOUZA, que teve tal rubrica lançada nos recibos de agosto a dezembro e a fiscalização considerou sujeita a tributação as remunerações de agosto e do décimo terceiro salário de 2009; a.2) a fiscalização apurou que o SP declarou em DIRF valores de remunerações de segurados empregados maiores que os constantes nas folhas de pagamento de salários, conforme demonstrado nas planilhas 56 a 83, nas quais a fiscalização considerou os respectivos prazos cumpridos pela empresa, regime de competência no que concerne as folhas de pagamento de salários e regime de caixa no que concerne as DIRF; assim, obedecendo ao regime de caixa (DIRF) usado pelo SP, os valores declarados a maior foram arbitrados e tributados; a.3) a fiscalização constatou que para os diretores empregados EDUARDO FRANCISCO LOBO e LUIS RODOLFO M. BITTENCOURT foram declarados valores de remunerações na DIPJ superiores aos declarados em GFIP; em conseqüência, conforme demonstrado na planilha número 84 e, após dedução de valores apurados como pagos a tais diretores na rubrica de programa de remuneração variável - PRV, foram lançados os valores de totais anuais não declarados em GFIP Fl. 33870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 6 (coluna G) os quais divididos pelas treze competências do ano fiscalizado resultaram nos valores mensais também arbitrados a sofrerem incidência de contribuições previdenciárias conforme discriminado na coluna H da planilha citada; a.4) a fiscalização constatou a existência de lançamento contábil com a conta de despesa número 0051101008 denominada OPÇÃO DE AÇÕES OUTORGADAS, conforme demonstrado na planilha número 86 denominada OPÇÃO DE AÇÕES; intimado, Termo de Intimação Fiscal n.° 2, a esclarecer a natureza de tal lançamento, bem como apresentar a sua documentação e a relação dos beneficiários dos pagamentos de tal despesa, o SP apresentou a Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 24 de março de 2008, conforme PLANILHA 87A denominada PLANO DE OPÇÕES DE AÇÕES OUTORGADAS, que deliberou sobre o plano de outorga de opção de ações em favor de seus administradores, empregados e prestadores de serviços, com anexação do plano aprovado. Também apresentou a relação dos beneficiários, discriminada na planilha n.° 87B denominada BENEFICIÁRIOS AÇÕES OUTORGADAS. Após a análise de tais documentos juntamente com a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) de 2009, contido na planilha 87C denominada de DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO, a fiscalização decidiu por arbitrar as remunerações pagas a segurados empregados na modalidade de opções de ações outorgadas reconhecidas, pelos motivos a seguir expostos: a.4.1) a ata da assembléia e o plano anexo, descritos acima comprovam a existência do plano em favor dos segurados empregados do SP; a.4.2) está demonstrado que a conta acima mencionada é de resultado e de despesa conforme a classificação da empresa, sendo conta do sub-grupo SALÁRIOS E ORDENADOS (5.1.1.01) compondo o também sub-grupo 5.1 GASTOS COM PESSOAL, do grupo DESPESAS OPERACIONAIS; a.4.3) a empresa deve reconhecer os produtos ou os serviços recebidos ou adquiridos em transação de pagamento baseada em ações, quando ela obtiver os produtos ou à medida que receber os serviços; a.4.4) normalmente uma despesa surge do consumo de produtos ou serviços e os mesmos são consumidos imediatamente e, nesse caso, a despesa é reconhecida em contrapartida aos serviços prestados; a.4.5) a própria empresa conforme descrito acima apresentou a relação dos beneficiários do plano em 2009, conforme contido na planilha 87B; a.4.6) na Demonstração de Resultado do Exercício obtida por meio do acesso à contabilidade do SP, através do SPED contábil, a conta acima mencionada é apresentada como redutora do lucro bruto; a.4.7) o exame do Relatório da Administração 2009 da empresa (planilha 87D) comprova a natureza de remuneração sujeita a incidência tributária por meio da Fl. 33871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 7 análise de parte das notas explicativas da administração contidas nas folhas e itens a seguir discriminados: "q" - fls. 40: "A companhia oferece a executivos planos de remuneração com base em ações, liquidados em ações da Companhia, segundo os quais a Companhia recebe os serviços como contraprestações das opções de compra de ações"; em fls. 44: Remuneração do pessoal-chave "A remuneração dos membros do Conselho de Administração e da Diretoria nº ano de 2009 correspondeu a R$ 5.723 (R$ 2.620 em 2008). Adicionalmente, encontra- se registrado no resultado do exercício o valor justo das opções de compra de ações outorgadas nº montante de R$ 2.418 (R$ 2.449 em 2008); em notas explicativas da administração às demonstrações financeiras dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2009 e de 2008 - fls. 57 - item (c) - "Opções de ações outorgadas: Corresponde ao valor das opções de compra de ações da Companhia outorgadas a administradores conforme previsto no CPC 10/2008. Em 2009 foi constituída em contrapartida a despesa reconhecida no resultado do exercício, no valor de R$ 2.418 (2008 - R$ 3.061)"; e a.4.8) em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos. Assim, considerando que o fato gerador ocorreu quando da representação da perda patrimonial para a empresa (ocorrência da despesa) e a base de cálculo é o valor que representou tal despesa, a fiscalização elaborou a planilha número 87 denominada OPÇÃO DE AÇÕES BASES DE CÁLCULO E CONTRIBUIÇÕES, na qual foram arbitradas de forma individual as remunerações de cada segurado, com base na relação apresentada pelo SP na planilha n° 87B acima citada, a qual relacionou os segurados sem as respectivas remunerações individuais; a.5) a fiscalização constatou que a empresa declarou saídas de produtos do estabelecimento de Betim – CNPJ 08.684.547/0031-80 na DIPJ no valor de R$ 3.555.790,52 em 2009 -página 257 - ficha 22 e como não houve exibição de GFIP referente a tal estabelecimento, houve a intimação por meio do Termo de Intimação Fiscal (TIF) n° 2 para a autuada apresentar relação nominal das pessoas físicas e/ou jurídicas que tivessem exercido atividades de qualquer natureza no citado estabelecimento, pois se autuada declarou ter havido saída de produtos na DIPJ é óbvio que segurados tivessem trabalhado no estabelecimento; a empresa respondeu por intermédio de declaração assinada de 11 de julho de 2012 - planilha 94A denominada DECLARAÇÃO INATIVIDADE ESTAB 0031, que não consta em seu banco de dados pessoas físicas e/ou jurídicas que tivessem exercido atividades de qualquer natureza de janeiro a dezembro de 2009 no estabelecimento referenciado. Assim, considerando não ser possível haver saídas de produtos sem que pessoas tenham exercido quaisquer atividades, a fiscalização decidiu por arbitrar as remunerações de segurados empregados em tal estabelecimento e o concretizou por meio do cálculo a seguir discriminado na planilha 94 denominada SALÁRIOS ARBITRADOS ESTAB 003: foi calculada a porcentagem do total de salários Fl. 33872DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 8 declarados na GFIP do estabelecimento matriz sobre o total de saídas (R$ 47.605.338,07/R$ 1.198.416.932,33) que resultou em índice de 3,97 a seguir esse índice foi aplicado sobre o valor das saídas declaradas em DIPJ pelo SP para o estabelecimento referenciado (R$ 3.555.790,52) que resultou em remuneração de segurados empregados anual no valor de R$ 141.164,88, a qual dividida pelas treze competências resultou em remuneração arbitrada mensal de R$ 10.858,83; os arbitramentos realizados pela fiscalização nos itens a.2 - a.3 - a.4 e a.5 acima para obtenção dos valores das respectivas remunerações estão em conformidade com o estipulado nos parágrafos 3º e 4º do artigo 33, da Lei n° 8.212/1991; a.6) no que concerne ao pagamento da rubrica PROGRAMA DE REMUNERAÇÃO VARIÁVEL - PRV a fiscalização apesar de haver intimado o SP por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) e do Termo de Intimação Fiscal (TIF) n.° 6 a exibir os acordos e convenções coletivas de trabalho vigentes em 2009, não foram apresentados os referentes à rubrica acima citada dos estabelecimentos de: Conceição do Pará/MG - Poços de Caldas/MG - Uberaba/MG - Onça de Pitangui/MG - Itamarandiba/MG -Esmeraldas/MG - Candeias/BA -Sento Se/BA - Santa Luz/BA - João Monlevade/MG e Piracicaba/SP; assim o SP não provou ter atendido à legislação vigente para que fossem considerados regulares os pagamentos de tais rubricas nesses estabelecimentos e em conseqüência todos os valores das remunerações pagas aos segurados empregados sob tal rubrica nos mesmos foram consideradas como sujeitas a incidência das contribuições previdenciárias, conforme demonstrado nas planilhas números 116 a 122, 124 a 126, 128 e 132. Os acordos e convenções coletivas de trabalho exibidos pela empresa estão incluídos por cópias na planilhas números 95A a 95J denominadas ACT. a.6.1) no que concerne ao estabelecimento Brumado/BA - planilha 95A, a autuada apresentou acordo coletivo de trabalho firmado em 22/12/2008 no qual não há entre as suas vinte e três cláusulas nenhuma que preveja o pagamento de tal rubrica, o que tornou sem base legal o mesmo levando a fiscalização a fazer incidir contribuições previdenciárias sobre o mesmo; desnecessariamente foi exibido acordo coletivo de trabalho 2009/2010, firmado em 19/01/2010 com previsão de pagamento da remuneração até 31/05/2010, conforme previsto nº programa anexo, ou seja fora do período fiscalizado e tributado (2009); a.6.2) no que concerne ao estabelecimento Ipatinga/MG, a apresentação do acordo firmado em 22/12/208 - planilha 95C e a verificação do contido na cláusula oitava desse acordo, principalmente na sua alínea "b", na qual o estabelecimento com vinte e quatro empregados deveria se enquadrar em confronto com os valores contidos na planilha 127 fica comprovado que o pagamento da rubrica referenciada o foi em desacordo com a legislação vigente por não estar em conformidade com o estabelecido no acordo; a.6.3) no que concerne aos estabelecimentos de Serra/ES - planilha 95E, a autuada apresentou Convenção Coletiva de Trabalho 2008/2009, de 18/12/2008, Fl. 33873DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 9 na qual não há quaisquer cláusulas que autorizem o pagamento da rubrica PRV e, como agravante de tal omissão, a cláusula 4ª faz menção ao fato de que o sindicato da categoria continuará desenvolvendo esforços no sentido de estimular as empresas representadas a negociarem, uma participação nos lucros ou resultados prevista na legislação, ou seja, é no próprio documento que as partes afirmam que não existe a fundamentação legal para o pagamento; em conseqüência a fiscalização decidiu por considerar sujeita à incidência tributária, todos os pagamentos de remunerações feitos sob a rubrica referenciada; a.6.4) no que concerne ao estabelecimento Volta Redonda/RJ - planilha 95H o SP apresentou o acordo coletivo de trabalho 2008/2009, firmado em 23/06/2008 que não tem entre as suas quarenta e duas cláusulas nenhuma que preveja o pagamento de PRV; desnecessariamente o SP apresentou acordo coletivo de trabalho firmado em 16/12/2009 nº qual a sua cláusula sexta - parágrafo terceiro - item I e no seu programa anexo determinou a efetivação do pagamento da rubrica até 31/05/2010, ou seja fora da abrangência da presente fiscalização (2009); assim fica comprovado que o pagamento da remuneração referente a mesma foi realizado em desacordo com a legislação vigente e, em conseqüência a fiscalização decidiu por fazer incidir contribuições previdenciárias sobre todos os pagamentos realizados, conforme discriminado na planilha 131; a.6.5) no que concerne ao estabelecimento Timóteo/MG, a autuada apresentou acordo coletivo de trabalho – PRV 2009 - planilha 95F, com programa anexo, firmado em 09/09/2009, o qual autorizou o pagamento da remuneração referenciada em 31/05/2010, ou seja fora do período fiscalizado, assim a fiscalização decidiu por tributar o pagamento de todas as remunerações sob o título PRV, no período fiscalizado (2009), conforme descrito na planilha 133; a.6.6) Após o exame da documentação apresentada pelo SP, a fiscalização decidiu por considerar sujeita a incidência tributária todos os pagamentos da rubrica PRV de todos os estabelecimentos para todos os segurados empregados com cargos de gestores(coordenadores - diretores - gerentes - superintendentes - presidente – vice-presidente) em virtude do a seguir discriminado: a.6.6.1) em todos os anexos do programa exibidos há a exclusão de ocupantes de cargos de gestão dos parâmetros estabelecidos para cálculo da remuneração variável o que infringe a legislação, a qual determina que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, com os critérios e condições de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; assim ao excluir parte dos trabalhadores dos parâmetros (os gestores), a empresa não poderia ter efetuado o pagamento da rubrica para esses trabalhadores; Fl. 33874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 10 em reforço a fiscalização constata que em todos os anexos citados acima, há sempre a afirmação de a "ELEGIBILIDADE" e a "PARTICIPAÇÃO", são exclusivas dos colaboradores ocupantes dos cargos operacionais e Técnico/Administrativo; há inclusive cláusula segunda - alínea "c" de acordo coletivo de trabalho 2009/2010, firmado em 25/01/2010 - planilha 95G que estabelece que os parâmetros não são aplicáveis aos colaboradores pertencentes aos cargos de coordenação, gerência, superintendência e diretoria e que para tais profissionais a empresa divulgará oportunamente as condições e critérios para pagamento das respectivas participações nos lucros e resultados (PPR/PRV), ou seja, ainda em 2010, a autuada não havia incluído nos parâmetros para cálculo da remuneração referida, os ocupantes dos cargos de gestores; a.6.6.2) uma das provas de não ter havido estabelecimento dos critérios exigidos pela legislação é o fato de, apesar de o acordo coletivo para os empregados lotados na sede, escritórios e fábricas na Cidade Industrial, Contagem (Praça Louis Ensch, 240) e em Belo Horizonte (Av. Raja Gabaglia, 1781), firmado em 25/08/2008 - planilha 95J estabelecer em sua cláusula sexta a data de pagamento para março/2009, ou seja, parcela única, a fiscalização constatou o pagamento para o gestor Eduardo Francisco Lobo em duas parcelas conforme demonstrado nas planilhas 96 e 97 denominada - RECIBOS EDUARDO FRANCISCO LOBO MAIO E DEZEMBRO 2009. Assim fica comprovado que o SP desrespeitou no pagamento ao citado gestor, o acordo e infringiu a legislação pois tais pagamentos demonstram o não cumprimento da mesma, pois há em conseqüência dos mesmos a prova de tais pagamentos não serem resultados de aplicação de quaisquer parâmetros, muito menos os estabelecidos pela empresa; a.6.6.3) a fiscalização demonstra por meio das análises demonstradas nas planilhas 98 a 113 que os pagamentos da rubrica PRV aos gestores de cada unidade considerada foram muito superiores aos pagos aos empregados ocupantes de cargos subordinados. Tal análise reforça o entendimento da fiscalização na planilha 114 denominada PRV RESUMO FATOR PRV GESTORES E NÃO GESTORES que demonstra que o fator PRV para os gestores das unidades analisadas somou 93,18 contra 32,70 para os demais empregados; a.6.6.4) em conseqüência a fiscalização decidiu por tributar todos os pagamentos da referida rubrica feitos aos gestores em todos os estabelecimentos da empresa, conforme demonstrado nas planilhas 115 - 134 - 135 - 136 e 137 denominadas respectivamente PRV PARA GESTORES ESTAB 00001 – ESTABELECIMENTO CONTAGEM A -ESTABELECIMENTO CONTAGEM B - ESTABELECIMENTO OURO BRANCO -ESTABELECIMENTO CUBATÃO. Não houve apuração de créditos para os Terceiros SENAI e SESI, incidentes sobre as remunerações pagas a empregados de estabelecimentos situados em Minas Gerais, pois o contribuinte comprovou a existência de convênios com tais entidades, permitindo fazer diretamente os recolhimentos das contribuições. Da Impugnação Fl. 33875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 11 A recorrente apresentou Impugnação (fls. 1742-1790), pugnando inicialmente pelo trâmite conexo da presente autuação com os autos de infração n.° 51.001.283-3 e 51.001.282-5, já que os fundamentos de origem, o período autuado e as partes envolvidas coincidem e que as informações referentes a terceiros (empregados) sejam mantidas em segredo de justiça. Além disso, argumenta que: a) A Impugnante argumenta que, embora tenha concordado com o lançamento de algumas parcelas, como "Diferença de 13° salário", "Média Adicional Noturno", "Horas extras com 75%" e "Diferença mês anterior", não concorda com o mérito de todos os valores identificados pelas siglas AA, AB, AC, AD e AE. Argumenta que, para uma correção adequada, seria necessário realizar uma nova apuração dos valores, o que não pode ser feito em um processo administrativo contencioso, sendo essa apuração própria do procedimento de fiscalização. A Impugnante aponta que, como as diferenças entre as parcelas foram claramente conhecidas pela fiscalização, mas foram tratadas de maneira indistinta para fins tributários, isso configura um erro de direito no lançamento. Defende que, em vez de uma revisão do lançamento, o correto seria a sua anulação, o que implicaria na extinção do crédito tributário sobre todas as parcelas, caso não haja uma discriminação adequada desses valores. b) Em relação aos levantamentos identificados pelas rubricas AA, AB, AC, AD e AE, que se referem a verbas pagas em razão da rescisão de contrato de trabalho de empregados com estabilidade, afirma-se que o lançamento contempla a cobrança de três verbas específicas: (a) Estabilidade Rescisão, (b) Média Horas Extras Estabilidade e (c) Adicional Noturno Estabilidade. Essas verbas possuem um caráter claramente indenizatório, pois são pagas devido à rescisão do contrato de trabalho de empregados que estavam sob garantia de estabilidade, sem contraprestação de trabalho, e, portanto, não podem ser incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. A Impugnante não incluiu essas verbas na base de cálculo da contribuição previdenciária, pois, conforme demonstrado pelos contracheques anexos, as verbas foram pagas uma única vez, evidenciando que se tratam de pagamentos eventuais relacionados ao desligamento do empregado, que não mais prestava serviços à empresa. Essas parcelas não integram o salário de contribuição, uma vez que não são pagas em contraprestação aos serviços prestados, mas sim em função da rescisão do contrato de trabalho, sem que exista mais a relação de emprego. De acordo com a legislação, apenas os ganhos habituais que visam remunerar os serviços prestados são passíveis de tributação, conforme os artigos 22, I e 28, I da Lei 8.212/91. Fl. 33876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 12 c) Em relação aos levantamentos AF, AG, AH, AI e AJ, que tratam de cobranças referentes à discrepância entre os valores informados na DIRF e na folha de pagamento, o relatório fiscal aponta que a Impugnante declarou, na DIRF, valores de remuneração de empregados superiores aos constantes nas folhas de pagamento. Explica que a Impugnante adota o regime de competência para a folha de pagamento e o regime de caixa para a emissão da DIRF, o que faz com que os valores informados em cada documento não coincidam. Especificamente, os valores informados na DIRF são superiores aos da folha de pagamento, levando o fisco a arbitrar as verbas salariais sujeitas à contribuição previdenciária com base na folha, e, a partir disso, calcular a diferença de contribuição não recolhida. A Impugnante sustenta que houve erro por parte do fiscal, pois o procedimento adotado para a cobrança não tem respaldo fático ou jurídico. No regime de caixa, os pagamentos de salários são reconhecidos quando efetivamente pagos, independentemente de a verba se referir ao mês trabalhado ou a um adiantamento salarial. A empresa realiza o pagamento dos salários em dois momentos: um adiantamento, por volta do dia 20, relativo ao mês corrente, e o saldo restante, no mês seguinte, por volta do 5º dia útil. Como a DIRF é preenchida com base no regime de caixa, ela reflete, no mesmo mês, valores referentes tanto ao mês corrente quanto ao mês anterior. Portanto, a DIRF de maio/2009, por exemplo, incluirá valores relativos a parte do mês de abril e parte do mês de maio, devido ao pagamento fracionado. O mesmo se aplica à DIRF de junho/2009, que englobará parte de maio e adiantamento de junho. Dessa forma, os valores informados na DIRF estão em conformidade com os pagamentos realizados, sendo impossível alegar que houve omissão ou erro nos recolhimentos das contribuições previdenciárias. Diante disso, solicita-se o cancelamento do lançamento referente aos levantamentos "DIRF maior que Folha de Pagamento" (siglas AF, AG, AH, AI e AJ), uma vez que os valores declarados estão corretos e correspondem exatamente aos valores pagos aos empregados. d) Em relação ao levantamento AK, que trata da remuneração paga a diretores empregados por meio da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), o fisco argumenta que houve recolhimento a menor das contribuições previdenciárias, uma vez que as remunerações informadas na GFIP estariam abaixo das declaradas na DIPJ. O raciocínio da fiscalização é o seguinte: (a) houve declaração de remuneração na GFIP, (b) sobre essa remuneração foram recolhidas as contribuições, (c) a DIPJ declara valores superiores a essas remunerações, e (d) a fiscalização exige a contribuição sobre a diferença entre os valores da DIPJ e os da GFIP. Contudo, sustenta- se que a folha de salários é o único documento com validade legal para Fl. 33877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 13 comprovar os valores efetivamente pagos aos trabalhadores e, assim, determinar a base de cálculo da contribuição previdenciária, conforme o artigo 195, I, "a", da Constituição Federal. Se os valores declarados na DIPJ divergem dos valores informados na GFIP, a fiscalização deve se basear na folha de salários para apurar o valor realmente pago, não podendo a DIPJ ser utilizada como fundamento para cálculo de contribuição, já que não presta informações destinadas à Previdência Social. e) Sobre a divergência apurada em relação ao diretor Eduardo Lobo, afirma que a divergência compreende todo o ano de 2009 (de janeiro a dezembro) e é da ordem, pelos cálculos fiscais, de R$ 439.881,16, pois seria este o valor da remuneração total, excluída a PRV que foi lançada em DIPJ, mas sem lançamento algum na GFIP. Absurda a afirmação, pois as GFIP de 2009 anexas (doc. 11) mostram que todas as verbas salariais (sobre as quais incide a contribuição) estão ali declaradas, mês a mês, nos seguintes montantes: O valor por ele recebido à título de PRV (R$ 276.551,55) não entra no conteúdo declarável em GFIP, afinal, é uma parcela não sujeita à incidência da contribuição previdenciária. No entanto, é parcela declarada em DIPJ, motivo pelo qual o valor total da remuneração declarada em DIPJ é o valor da GFIP mais o da PRV (DIPJ = GFIP + PRV). Desta forma, a divergência dos valores encontrados é de apenas R$ 1.770,05 e não de R$ 439.881,16, como injustamente afirma o lançamento. Portanto, não pode prevalecer o valor lançado relativamente a esta ocorrência, demonstrado que está a irregularidade na apuração da base de cálculo, a ensejar a nulidade do lançamento. f) Sobre o levantamento AM (não incidência de contribuição previdenciária sobre o plano de outorga de opção de compra de ações), argumenta que o raciocínio da fiscalização, ao exigir a contribuição sobre planos de “stock options”, é improcedente. Afirma que em 24 de março de 2008, a AGE aprovou o Plano de Opção de Compra de Ações da Magnesita (doe. 14), prevendo: criação de Programas periódicos de Opções, nos quais seriam definidos (i) beneficiários; (ii) número total objeto da outorga, (iii) preço da ação que o beneficiário deveria pagar pelo exercício do seu direito de compra; (iv) prazo inicial de carência e datas; (v) outras restrições. Quando do lançamento de cada programa, a adesão seria feita pelo beneficiário eleito por meio da celebração de contrato; preço do exercício da opção de compra das ações equivalente à média dos últimos 30 pregões anteriores à data da concessão da opção, com possibilidade de desconto de 10% quando do lançamento de cada programa; Preço específico para o Primeiro Programa, R$10,00, com correção pelo IGP-M; Salvo decisão em contrário, 50% do bônus e 50% de eventuais dividendos deverão ser utilizados para Fl. 33878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 14 comprar ações do plano, sob pena de perda do direito de realizar opções de compra futuras, mas preservados os direitos passados; Caso o beneficiário tenha exercido opções com recursos próprios até 1 ano antes do pagamento do bônus, essa quantidade de recursos será reduzida da quantidade de ações necessárias para cumprir os 50%. Em 28 de março de 2008 foi lançado o primeiro programa (doc. 15), que determinava o volume de ações a serem oferecidas para compra e respectiva divisão entre os beneficiários constantes do seu Anexo I, estabelecia que as opções poderiam ser exercidas a partir de 01 de janeiro 2009 em cinco lotes anuais iguais (20% a cada ação), ao preço de R$ 10,00 por ação. Dos beneficiários, cinco aderiram mediante celebração do contrato(doc.16). No entanto, apenas quatro exerceram seu direito de comprar as ações oferecidas nº primeiro programa. Como previsto no plano e como consta em ata de 31 de outubro de 2008(doc. 17), os beneficiários puderam utilizar ações adquiridas com recursos próprios no mercado para satisfazer a condição de investir 50% do bônus e PLR recebidos pelo exercício de 2008. Em 02 de março de 2009 foi lançado o segundo programa (doc. 19), cujo preço da ação foi corrigido pelo índice previsto, definido então como R$ 10,71. Dos sete beneficiários, seis aderiram, conforme contratos em anexo (doc. 20). Em 1º de outubro de 2009 foi lançado o terceiro programa (doc. 21), que teve outorga de opção de compra de ações tanto no seu lançamento (01/10/2009) e também em duas datas posteriores (doc. 22). Afirma que os valores utilizados para o lançamento da despesa nos termos do CPC 10 referem-se ao valor justo das ações mediante uma estimativa no momento do oferecimento da opção ao beneficiário, e não ao valor das ações efetivamente emitidas de acordo com o valor do plano. Portanto, o valor dessa despesa nada tem a ver com as ações que foram efetivamente emitidas contra os beneficiários do plano. Só por isso já resta inviável o raciocínio da fiscalização de dividir o valor da despesa pelos supostos beneficiários dos planos de outorga de opção de compra de ações como instrumento para se presumir o valor das respectivas remunerações, como feito na planilha 87 que instrui o relatório fiscal. Inexiste correlação lógica entre a despesa lançada e o direito dos beneficiários de comprar a ação, pois aquela é calculada nos termos do CPC 10, e estas são adquiridas pelo valor do contrato, que são distintos. Além disso, é ver que a Planilha 87 elenca os seguintes beneficiários "remunerados" pelos planos de opção de compra de ações: Contudo, é ver que os Srs. Afonso Celso Resende; Fabrício Rodrigues Amaral; Giovanni Angelo Tancredo; Gustavo Lúcio Gonçalves Franco; Hans Ulrich; Jairo Dos Santos Grastiquini; James Piraino; José Vale De Matos Júnior; Luiz Gustavo Perrotti Rossato; Michael Oberhummer; Milton José De Oliveira Fl. 33879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 15 Sacramento; Pablo Maximiliano Serafim; Paul Dydek; Paulo Osório Ribeiro Caldeira Brant; Ricky Gladfelter; Rogerson Miranda; Sérgio Luiz Rosin Ferreira e Uwe Rontgen não eram beneficiários do primeiro e segundo programas de outorga de opção de compra de ações (docs. 15 e 19). Eles passaram a ser beneficiários apenas no terceiro programa, lançado em 01/10/2009, e só poderiam exercer o direito de comprá-las a partir de 01/10/2010, conforme item 4 do programa (doc. 21). Isso significa que, em março de 2009 sequer eram beneficiários do plano, e em 12/2009 ainda não tinham possibilidade de receber nenhuma ação da companhia pelo exercício da opção de compra, pois o primeiro lote de 20% só poderia ser adquirido a partir de 01/10/2010. Já os Srs. Maurício Pinho; Otto Alexandre Levy Reis; Peter Esterman; David Gergory e Iven Mcleod não eram beneficiários do primeiro programa, passando a essa condição apenas no segundo programa, no qual as opções poderiam ser exercidas, quanto ao primeiro lote de 20%, apenas a partir de 02 de março de 2010. Em março e dezembro de 2009, portanto, nada adquiriram a título de ações no âmbito do plano de opção de compra do qual eram beneficiários. Logo, ainda que se entenda que o plano consista em remuneração (e não é, como veremos), fato é que tais beneficiários nada receberam por meio do plano nas competências de março e dezembro de 2009, como colocado pelo lançamento. Nesse momento, há apenas a possibilidade de exercício futuro de um direito, nenhum pagamento é realizado, nada é recebido, inexistindo o fato gerador das contribuições. Portanto, patente a nulidade do lançamento, pois aponta como data do pagamento da remuneração por meio do plano competências nas quais os beneficiários sequer poderiam receber ações da companhia, quer porque não eram beneficiários (3/2009), quer porque ainda não poderiam exercer o direito de comprar as ações (12/2009). A invalidade do lançamento também se verifica quanto aos Srs. Wagner Mariano e Luis Rodolfo, que eram beneficiários do primeiro programa. Isso porque, referidos beneficiários, no ano de 2009, utilizando-se da faculdade concedida pelo Comitê na Ata de 30 de outubro de 2008 (doc. 17) de realizar a opção não por meio de compra das ações diretamente da companhia, mas sim por incluir na sua opção as ações adquiridas no mercado, tendo em vista que o preço da ação no mercado era inferior aos R$ 10,00 previstos no plano, conforme comprovam os documentos em anexo (doc. 18). Isso corrobora ainda mais a tese que virá a ser exposta, uma vez que o exercício da opção de compra não necessariamente envolvia uma transação entre empresa e beneficiário, mas sim a inclusão no plano de ações adquiridas de mercado, ou seja, a companhia nada entregava ao beneficiário, o que impede afirmar a existência de qualquer pagamento por ela realizado por Fl. 33880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 16 meio de ações. Argumenta que no contrato de opção de compra de ações não há pagamento por um trabalho realizado, não se tratando, portanto de remuneração. O fato de ter havido o lançamento da despesa apontada pela fiscalização não significa o pagamento de remunerações por trabalho prestado à empresa, pois como se viu, trata-se de contrato comercial, cujo risco é assumido pelo empregado. Primeiramente, temos que as determinações da ciência contábil não são capazes de alterar a norma jurídica de tributação, em razão da legalidade tributária. A contabilidade tem parâmetros científicos e técnicos próprios para mensurar eventos econômicos em caráter informativo para que seus usuários possam tomar decisões. Já o direito regula condutas impondo deveres e direitos. g) Sobre o levantamento AU (exigência de contribuições relativas ao estabelecimento de CNPJ N.° 08.684.547/0031-80), afirma que o lançamento exige contribuições previdenciárias arbitradas sobre a filial da Impugnante localizada em Betim/MG, de CNPJ n° 08.684.547/0031-80, aduzindo a tanto que a DIPJ/2009 entregue pela Impugnante declara ter havido saídas de mercadorias de tal estabelecimento, mas esta não detém um banco de dados com informação do quadro de empregados que laborem naquele estabelecimento. Assim, presumiu que não é possível que um estabelecimento tenha operação sem que nele haja funcionários, motivo pelo qual arbitrou as remunerações dos possíveis empregados segurados. Sem a devida fiscalização, inerente ao procedimento (CTN, art. 142), o fisco presumiu ter havido fraude da Impugnante, mas sem nada provar. Ora, se o estabelecimento de CNPJ final n.° 0031-80 não possui empregados próprios, não se pode presumir que ele não possa ser operacional. A peculiaridade da filial está em que ali funciona somente um armazém, onde são depositados os produtos finais fabricados no estabelecimento matriz, que por sua vez se localiza em cidade vizinha, qual seja, Contagem/MG, que é município contíguo ao de Betim/MG. Dada a proximidade dos estabelecimentos e a desnecessidade de haver contratação de pessoal para laborar num mero depósito, a estratégia adotada pela Impugnante foi a seguinte: havendo necessidade de armazenagem de produtos no depósito de Betim/MG, o funcionário da matriz se encarrega de transportá-los até lá fazem a estocagem dos produtos. Finalizado o descarregamento, o funcionário e sua equipe, retornam à sede matriz em Contagem/MG. O mesmo esquema é seguido quando há necessidade de retirada de produtos do depósito, ocasião em que a equipe de funcionários da matriz se desloca ao depósito em Betim/MG, carregam o veículo com o produto e os encaminham ao destino. Feito isto, os empregados voltam a laborar normalmente na sede da matriz em Contagem/MG. Duas das equipes responsáveis por estas Fl. 33881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 17 tarefas são conduzidas pelos funcionários Adão José da Silva (supervisor de almoxarifado) e Gilmar Rodrigues de Lima Júnior (Técnico de logística), que prestaram declaração de próprio punho confirmando desenvolver, quando necessário, tais atividades (doc. 38). O que se quer mostrar com isto é que, sendo um estabelecimento onde funciona um galpão de depósito, não há necessidade de contratação de um corpo próprio de funcionários, pois os empregados que laboram na matriz tem condições de fazer o trabalho de depósito quando preciso. Isto explica o fato de a filial dar saídas em produtos, mas não ter um quadro de empregados lotados em seu estabelecimento e evidencia que a pretensão do fisco de cobrar a contribuição previdenciária sem de fato verificar como é a logística da prática das atividades não se revela legítimo ou, no mínimo, sustentável. h) Sobre os levantamentos AV, AX, AZ, BA, BB, BC, BD, BE, BF E BG (incidência de de contribuição sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados (PLR) em programas de remuneração variável (PRV), afirma que da existência de acordo coletivo específico para todos os estabelecimentos mencionados no relatório fiscal (Levantamentos AX, AZ, BA, BB e BC). O lançamento constituiu crédito tributário relativo às contribuições aqui discutidas sobre pagamentos realizados aos empregados a título de participação nos lucros e resultados em razão da suposta ausência de acordo ou convenção coletiva prevendo o pagamento, como determina o art. 2º, II da Lei 10.101/2000. Segundo o relatório de verificação fiscal, não foram apresentados os termos em relação aos seguintes estabelecimentos: Conceição do Pará/MG; Poços de Caldas/MG; Uberaba/MG; Onça de Pitangui/MG; Itamarandiba/MG; Esmeraldas/MG;Candeias/BA; Sento Se/BA; Santa Luz/BA; João Monlevade/MG e Piracicaba/SP. Não se sabe se por uma falha de comunicação entre a Impugnante e a autoridade que presidiu a fiscalização ou se por outro motivo os termos não foram entregues. Mas fato é que eles existem. Nos municípios mineiros de Conceição do Pará/MG - Poços de Caldas/MG - Uberaba/MG - Onça de Pitangui/MG - Itamarandíba/MG - Esmeraldas/MG acima referidos inexiste sindicado de base municipal a representar os trabalhadores. Sendo assim, a Impugnante celebrou o acordo coletivo de trabalho com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Refratários do Estado de Minas Gerais (doc. 25), que tem base estadual como decorre de seu estatuto (doc. 26) e como autoriza o art. 517 da CLT. O mesmo vale para os Municípios de Candeias e Sento Sé na Bahia, pois o acordo celebrado com o Sindicato de Brumado, os abrange (doc. 27). Isso, aliás, se comprova pela relação sindical constante no CD anexo, que abrange esses estabelecimentos, utilizada como base para pagamento da contribuição aos sindicatos (doc. 28). Para os Fl. 33882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 18 estabelecimentos de Santa Luz/BA, João Monlevade/MG e Piracicaba/SP, a Impugnante celebrou acordo específico com os respectivos sindicatos (doc. 28). Quanto aos estabelecimentos de Brumado/BA, Ipatinga/MG, Serra/ES, Volta Redonda/RJ e Timóteo/MG, a fiscalização aponta que os instrumentos de negociação coletiva apresentados ou não continham previsão de pagamentos de PLR, ou não se referiam ao período fiscalizado. Novamente deve ter ocorrido uma falha de comunicação, pois os acordos existem. É que a Impugnante, diante da importância da PLR como instrumento de integração entre empresa e empregados, opta por dar tratamento especial ao tema, celebrando acordos coletivos específicos para o mesmo, apartado dos acordos e convenção coletiva que versam sobre outros assuntos. E os acordos coletivos sobre a PLR dos referidos são aqui apresentados(doc. 30). É ver que os anexos acordos coletivos contemplam expressamente esses estabelecimentos, e versam sobre a PLR a ser paga relativamente ao ano de 2008 em parcela única (março de 2009) e seu anexo institui todos os critérios e metas para pagamento. O único acordo que destoa em seu formado é o de João Monlevade/MG, no qual consta o pagamento também em parcela única, mas em janeiro de 2009, e os critérios e metas são previstos não em anexo, mas na Cláusula Trigésima Oitava. Sendo assim, indevida a exigência da contribuição nos termos do art. 22, §2° c/c art. 28, §7°, 'j' da Lei 8.212/91, pois satisfeitos os comandos da Lei 10.101/2000. i) Sobre os levantamentos AV, BD, BE, BF e BG (inclusão de cargos de gestão no PLR), afirma que não há nenhuma ilicitude em estabelecimento de metas e critérios distintos para empregados da área operacional e da área de gestão, fundamento utilizado pelo relatório de fiscal para descaracterizar os pagamentos feitos a título de PLR. Primeiramente, é ver que inexiste vedação na Lei n° 10.101 para que a participação nos lucros e resultados seja estabelecida com critérios distintos em função da categoria e cargo dos empregados. Nesse sentido já decidiu o CARF que "o legislador não fez previsão de exigência no sentido de que as parcelas pagas a título de participação de lucros ou resultados fossem extensivas a todos os empregados da empresa para que houvesse a não incidência de contribuição previdenciária"(CARF - CSRF - 2a Turma da 2a Câmara. Acórdão n° 9202-00.503. Sessão de 09 de março de 2010). Portanto, se podem as partes negociar a PLR para parte dos empregados, nenhum problema existe em estabelecer critérios distintos para empregados com funções também distintas. Sendo assim, não procede o fundamento do lançamento, de que os parâmetros distintos teriam o condão de excluir os gestores do âmbito do programa de PLR da Impugnante. Para o único empregado com cargo de gestor do estabelecimento de Cubatão/SP (acordo em anexo - doc. 31), Fl. 33883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 19 constante da planilha 137, apesar de a empresa não ter conseguido encontrar o anexo relativo ao gestor, fato é que o acordos celebrados contém previsão expressa, na Cláusula Primeira, de que "o presente Acordo Coletivo de Trabalho abrange todos os empregados da MAGNESITA", o que demonstra que não há exclusão de empregados em razão do cargo. O que ocorre é que, em razão da já demonstrada licitude de se estabelecer critérios diferenciados, o Anexo dos Acordos contém as metas e critérios relativos aos empregados operacionais, ao passo que as metas e critérios dos gestores foram objeto de fixação em apartado. E isso é o que basta para a caracterização dos pagamentos como tendo sido realizados a título de PLR pois, como já decidiu o STJ, "a evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destaca-se pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados" (STJ, 1a Turma. REsp 865.489/RS, Rei. Ministro Luiz Fux, julgado em 26/10/2010, DJe 24/11/2010). j) Em relação aos levantamentos AA, AB, AC, AD e AE (rubricas relacionadas ao levantamento acidente de trabalho), afirma que o Fisco comete um grave erro ao realizar o lançamento nesta parte. Isto porque não levou em consideração que essa parcela foi paga em ocasiões em que o empregado não se afastou durante o mês inteiro, isto é, trabalhou parte do mês e na outra parte estava afastado e isto só pode ter ocorrido em duas situações: (i) o funcionário trabalhava normalmente quando se acidentou e, portanto, parte deste mês passou trabalhando ativamente e no restante foi afastado pelo acidente ou; (ii) o empregado estava afastado e, no decorrer do mês, já recuperado, voltou ao trabalho. Em ambos os casos, tendo o empregado trabalhado durante uma parte do mês e na outra não, nada mais lógico que tenha cumulado nesta mesma competência o recebimento de verbas decorrentes tanto de horas trabalhadas quanto de horas por acidente. A cumulação no mês de tais parcelas não significa que o empregado estava trabalhando quando do afastamento, mas que existiram dois fatos distintos dentro do próprio mês. A legislação que rege o pagamento das verbas por acidente de trabalho não traz qualquer vedação a que ela seja paga dentro de um mesmo mês em que o empregado tenha laborado ou volte a trabalhar, até porque esta situação é totalmente corrente, pois não há como controlar que um funcionário se acidente no último dia do mês ou que volte a trabalhar sempre num primeiro dia útil. Ao contrário, a interpretação legal permite concluir que em havendo acidente, a empresa deverá arcar com o pagamento da rubrica durante os primeiros quinze dias de afastamento, e, depois disto, incumbe ao INSS administrar a prestação do benefício, conforme previsto nos arts. 59 e 60 da Lei 8.213/91 e arts. 44 e 75 do Fl. 33884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 20 Regulamento da Previdência Social (Decreto 3.048/99). E este pagamento realizado pela parte empregadora, seja realizado isoladamente, seja cumulado com outras verbas, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, pois o art. 86 da Lei 8.213/91 diz tratar-se de indenização paga ao trabalhador em razão da redução da sua capacidade laboral, sendo esta a sua origem, que é compensada pela referida verba. Logo, trata-se de verba indenizatória, e não de retribuição pelo salário, motivo pelo qual escapa da incidência das contribuições. Ostenta portanto nítido caráter de benefício previdenciário, não havendo razões para excluí-lo da previsão do art. 28, §9°, 'a', da Lei 8.212/91, segundo o qual "não integram o salário-de- contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário-maternidade. Não bastasse a inconsistência lógica e inerente ao fundamento da autuação, comprova-se aqui, no plano dos fatos, seu equívoco. É o que se depreende dos Atestados de Saúde Ocupacionais anexos (doc. 32) que mostram que não houve afastamento dos empregados durante todo o mês autuado. Dois pontos que merecem destaque são os dos empregados Ronei Luiz Martins e Gilberto Viana Pereira, cujos contracheques dos meses de maio e outubro respectivamente (doc. 32) evidenciam que à época não receberam horas trabalhadas, mas somente as horas do afastamento. se por alguma razão se entender que, nos casos analisados no presente Auto de Infração, as parcelas vinculadas ao acidente de trabalho devem integrar o salário-de- contribuição dos acidentados, esta exigência não poderá recair sobre a Impugnante, afinal, nestes casos já incumbia ao INSS administrar a prestação de benefícios pelo acidente e, logicamente, qualquer responsabilidade pelo recolhimento de contribuições previdenciárias sobre estas verbas é da fonte pagadora, que in casu é o próprio INSS. é totalmente indevida a cobrança de contribuições previdenciárias sobre verbas de auxílio-acidente pagas aos empregados já mencionados nesta Impugnação, devendo ser extinto o lançamento nesta parte. Porém, caso assim não se entenda, ainda é de se decotar do crédito os valores da multa de ofício cobrados sobre esta rubrica. Isto porque, a Impugnante teve liminar deferida em 13/09/2010 nos autos da Ação Declaratória n.° 0021581- 42.2010.4.01.3400 (1ª Vara Federal do Distrito Federal)que declarou a inexistência de relação jurídica entre a Impugnante e a União Federal(representante judicial da Receita Federal) que a obrigasse (incluindo todos os seus estabelecimentos) a recolher contribuições sociais a cargo da empresa (cota patronal, SAT e contribuições devidas a terceiros) sobre valores pagos aos seus trabalhadores a título de auxílio-doença e auxílio-acidente, já que tais parcelas não são dotadas de natureza remuneratória salarial (doc. 33). Contra esta decisão, a Magnesita Fl. 33885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 21 apresentou Apelação questionando apenas a contagem do prazo prescricional da repetição do indébito e a condenação sucumbencial recíproca. A União, por sua vez, apelou quanto ao mérito da discussão. Em julgamento pelo TRF-1, ambas as apelações foram rejeitadas e a sentença, portanto, confirmada (doc. 33). Neste contexto e considerando, sobretudo, que as apelações foram recebidas somente no efeito devolutivo, encontra- se em pleno vigor a decisão judicial que autorizou a Impugnante e seus estabelecimentos a deixar de recolher a contribuição previdenciária sobre o auxílio-doença e auxílio-acidente e que, inclusive, acatou o pedido de repetição do indébito dos últimos 05 anos anteriores ao ajuizamento da ação. Deveras, é indevida a exigência da multa de ofício lançada no presente caso, em razão do art. 63, da Lei 9.430/96. Portanto, caso superadas as alegações acima, deve ser decotado do lançamento da multa de ofício sob as rubricas "Horas Acidente Trabalho" e "13° salário integral acidente de trabalho", permanecendo o crédito tributário com exigibilidade suspensa enquanto perdurarem os efeitos da medida liminar (CTN; art. 151, V), para depois serem extintos caso a empresa saia vencedora da ação (CTN; art. 156, X) ou serem pagos no prazo de 30 dias da sua cassação ou revogação (Lei 9.430/96; art. 63, §2°). Pede, ao final, caso este órgão julgador entenda pertinente uma conferência desses documentos pela fiscalização, a realização de diligência, nos termos do art. 16, IV do Decreto 70.235, para que seja verificado, em cada mês autuado: quanto cada trabalhador recebeu a título de adiantamento de salário dentro do próprio mês trabalhado e a título de pagamento do saldo remanescente do mês anterior; e se a soma desses valores pagos em determinado mês corresponde ao informado na DIRF desse mesmo mês. Em relação à atribuição de responsabilidade solidária nos presentes autos, afirma que como comprovam os documentos em anexo, as empresas Massambaba Mineração S.A., Magnesita Service Ltda. e MSA Agropecuária foram extintas por incorporação por parte da Impugnante (doc. 43), e a Impugnante está no trâmite de sua baixa perante o CNPJ. Já a empresa Cerâmica São Caetano Ltda, além de ter sido incorporada pela Impugnante já foi inclusive baixada no CNPJ (doc. 44). Sendo assim, como não existem mais fática e juridicamente, mas apenas cadastralmente, não se justifica a presença das mesmas como solidárias. Já as empresas Magnesita Insider Refratários Ltda. e MSA Service Ltda. são empresas ativas, que existem juridicamente e têm personalidade jurídica distinta da Impugnante, motivo pelo qual sua intervenção no feito depende de notificação autônoma, para que referidas pessoas avaliem a possibilidade de defesa própria e autônoma. Pede, ainda: a) seja julgada procedente a impugnação para desconstituir o auto de infração e extinguir o respectivo crédito tributário; Fl. 33886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 22 b) subsidiariamente, seja julgado parcialmente procedente para reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo às rubricas "Horas Acidente Trabalho" e "13° salário integral acidente de trabalho", em razão da liminar deferida na Ação Declaratória n° 0021581-42.2010.4.01.3400, com a consequente exclusão da multa de ofício sobre as mesmas; c) seja deferido o pedido de conexão supra formulado, bem como de sigilo de documentos. Do pedido de diligência formulado pela DRJ Na sequência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador, por intermédio da Sétima Turma de Julgamento (fls. 33.600 a 33.604) requereu diligência perante o Serviço de Fiscalização, visando sanar dúvidas surgidas dos questionamentos feitos pelos sujeitos passivos. Em resposta ao pedido de diligência (fls. 33.605 a 33.614) o Auditor Fiscal autuante elaborou Informação Fiscal detalhado, no qual responde a todos os pontos objeto de divergência entre o Relatório Fiscal e as impugnações apresentadas. Do Acórdão de Impugnação Em seguida, a DRJ deliberou (fls. 33678-33726) pela procedência parcial da Impugnação, mantendo-se em parte o crédito tributário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS À OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS (TERCEIROS). INCIDÊNCIA. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a Terceiros (Entidades e Fundos), conforme preconiza o art. 3º, da Lei n.º 11.457, de 2007. "STOCK OPTIONS". PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. REMUNERAÇÃO-UTILIDADE. Atuando a empresa para garantir uma efetiva vantagem econômica aos segurados a seu serviço, mitigando os riscos e os custos do exercício de opção de compra de ações, os ganhos configuram remuneração-utilidade. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõe-se a improcedência da impugnação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão recorrida julgou procedente em parte a impugnação para (a) excluir da base de cálculo das contribuições as verbas decorrentes de acidente de trabalho (horas de afastamento e 13º salário); e acolheu a retificação promovida pela Fiscalização no intuito de (b) Fl. 33887DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 23 excluir do lançamento os valores declarados em GFIP no ano de 2009, no total de R$ 463.111,11, referentes ao segurado diretor empregado Eduardo Francisco Lobo. Em virtude do limite de alçada, não houve interposição de recurso de ofício. Do Recurso Voluntário O contribuinte, intimado da decisão de primeira instância em 16/10/2014, pessoalmente por sua procuradora, apresentou recurso voluntário (fls. 33.782-33.832), em 24/10/2014, reiterando os argumentos da impugnação. Da petição de juntada de documentos Em 04/11/2025, às 12:26:07, a recorrente solicitou a juntada de petição e laudo técnico elaborado por empresa de auditoria. A juntada foi indeferida, conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada à fl. 33.865, conforme se segue: […] A juntada foi solicitada após início da sessão de julgamento e não houve apresentação de nenhuma razão justificativa da juntada extemporânea. A Solicitação de Juntada de Documentos teve o(s) seguinte(s) documento(s) aceito(s): Nenhum documento foi aceito. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Álvares Feital, Relator Conheço do recurso, pois presentes os pressupostos de admissibilidade. Como relatado, a autuação versa sobre a ausência de recolhimento de contribuições de terceiros (salário-educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre verbas pagas a segurados empregados, não declaradas em GFIP. Analiso na sequência os argumentos da recorrente contrários a decisão de primeira instância. Antes, porém, é preciso delimitar o âmbito do litígio, tendo em vista que a Recorrente afirma em seu recurso voluntário que o acórdão de impugnação compreendeu erroneamente que ela estaria realizando uma defesa parcial em relação aos levantamentos AA, AB, AC, AD E AE. Da leitura da Impugnação (fl. 33784), verifico que a Recorrente expressamente consignou seu intuito de não questionar as parcelas denominadas “Diferença de 13° salário”, “Média adicional noturno”, “Horas extras com 75%” e “Diferença mês anterior”: Fl. 33888DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 24 No que tange às parcelas denominadas Diferença de 13° salário, Média Adicional Noturno, Horas extras com 75% e Diferença mês anterior não há impugnação do mérito da obrigação tributária. Tais verbas, incluídas nos levantamentos AA, AB, AC, AD E AE, não podem, portanto, ser analisadas nesta segunda instância, pois tornaram-se incontroversas. Sobre a nulidade do acórdão de impugnação pela impossibilidade de se discernir entre as parcelas com as quais concorda (13º salário, média adicional noturno, horas extras com 75% e diferença mês anterior) e aquelas impugnadas referentes aos levantamentos AA, AB, AC, AD e AE Afirma a recorrente (fl. 33784-33785) que o lançamento é nulo, pois […] nem o Relatório Discriminativo de Débito tampouco os documentos que embasaram o relatório fiscal permitem que a Recorrente obtenha valores individualizados das parcelas com as quais concorda com o lançamento daquelas com quais não se conforma. Como é impossível a segregação do valor a ser pago sem alteração da base de cálculo, a exigência de crédito tributário sobre as mesmas demandaria nova apuração, o que não pode ser realizado no âmbito de processo administrativo contencioso, pois a sede própria para tanto é o procedimento de fiscalização que prepara o lançamento tributário. Sem razão. As rubricas estão adequadamente individualizadas nas 87 planilhas que acompanham o relatório fiscal às fls. 135-742, o que permitiria à Recorrente impugná-las individualmente, caso desejasse. Assim, rejeito a nulidade arguida. Sobre a nulidade do acórdão de impugnação pela ausência de apreciação das provas juntadas pela Recorrente Afirma a recorrente que a decisão proferida pela DRJ é nula, uma vez que os documentos apresentados junto à impugnação não foram analisados. A seu ver, seu direito de defesa foi violado, o que acarreta a nulidade da decisão proferida, nos termos do art. 59, do Decreto n 70.235/72. Pede, assim, que os autos sejam devolvidos à DRJ para que seja proferido novo julgamento, considerando as provas apresentadas. Contudo, sem razão, a recorrente. O exame do acórdão recorrido revela que ele não apenas mencionou as provas juntadas como também determinou a realização de diligência para aprofundar a análise dos fatos. Além disso, as provas do contribuinte levaram à correção do lançamento original quando a DRJ entendeu cabível. Diante disso, a alegação genérica de que as provas foram ignoradas não encontra respaldo no processo e trata-se apenas do dissenso da recorrente em relação à decisão proferida em seu desfavor. Rejeito, então, a nulidade invocada. Fl. 33889DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 25 Sobre as verbas relacionadas à rescisão de contrato de trabalho de empregados estáveis — dirigente de CIPA e empregado acidentado (levantamentos AA, AB, AC, AD e AE) Afirma a recorrente que o lançamento veicula cobrança de três rubricas (Estabilidade Rescisão, Média Horas Extras Estabilidade e Adicional Noturno Estabilidade) relativas a pagamento de verbas em razão de rescisão de contrato de trabalho de empregados que faziam jus a alguma causa de estabilidade empregatícia (planilhas 02 a 23). Argumenta que “as verbas têm nítido caráter indenizatório, pois são pagas em função da rescisão do contrato com garantia provisória e sem que haja a devida contraprestação do trabalho. Por esta razão a Recorrente não as incluiu na base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa.” Tem razão a recorrente. Segundo Delgado, a estabilidade provisória é “[…] a vantagem jurídica de caráter transitório deferida ao empregado em virtude de uma circunstância contratual ou pessoal obreira de caráter especial, de modo a assegurar a manutenção do vínculo empregatício por um lapso temporal definido, independentemente da vontade do empregador” (Curso de Direito do Trabalho, 2 ed., São Paulo: LTR, 2003, p. 1.237-8). A ruptura imotivada do contrato de trabalho na existência da garantia de estabilidade acarreta a lesão a um bem jurídico protegido (a garantia de emprego), o qual é remediado pela respectiva indenização. A estabilidade do empregado acidentado está prevista no art. 118 da Lei n. 8.213/91 e a estabilidade do dirigente de Cipa, no art. 10, II, “a”, do ADCT. Ainda que se possa afirmar, como faz a decisão recorrida (fl. 33711), “[…] que esta rubrica [a estabilidade] não consta entre as exceções de que trata o § 9º, do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91”, disso não se conclui automaticamente pela incidência das contribuições. Não se pode interpretar a norma aos pedaços. No presente caso, antes de se debruçar sobre o § 9º, do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91, é preciso que o intérprete compreenda o seu inciso I. É neste dispositivo que se encontra definido o salário-de-contribuição. A norma prevê que compõe o salário de contribuição a remuneração auferida pelo empregado ao mesmo tempo em que define a remuneração como “[…] a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho […], quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa”. A título exemplificativo a norma estabelece que estão inclusos no conceito de remuneração as gorjetas, os ganhos habituais e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Assim é o dispositivo: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer Fl. 33890DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 26 pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; […] Deste modo, a incidência da contribuição previdenciária sobre a verba depende, primeiro, do seu enquadramento no amplíssimo conceito de remuneração legal e, segundo, da inexistência de previsão no § 9º, do artigo 28, da Lei n.º 8.212/91. Nestes autos, a ausência de menção dentre as hipóteses de isenção à indenização pela demissão imotivada do empregado estável já está caracterizada, como bem pontuou a decisão recorrida no trecho acima citado. Ao mesmo tempo — e aqui reside minha a discordância — o pagamento da verba analisada não configura remuneração. Ora, não se trata de pagamento destinado a retribuir o trabalho — conquanto implique em acréscimo ao patrimônio do trabalhador, como deliberou o Superior Tribunal de Justiça, ao determinar ainda assim a isenção da referida verba no AgRg no Agravo de Instrumento Nº 1.008.794 – SP —, posto que se verifica justamente quando do encerramento do contrato de trabalho. Além disso, não se trata de gorjeta ou de adiantamentos e, tampouco, é ganho habitual, porque, novamente, seu pagamento depende da extinção do contrato de trabalho. Neste sentido, a lição de Sergio Pinto Martins: Se o pagamento é feito à pessoa, mas não há trabalho, não se pode dizer que tem natureza salarial, mas de indenização. É o que acontece com o pagamento a título de férias indenizadas ou de aviso-prévio indenizado, que, portanto, não foram trabalhados, não podendo, assim, ter natureza salarial e, em consequência, ter incidência da contribuição previdenciária. […] A indenização paga ao dirigente sindical, ao cipeiro, à grávida, ao acidentado e a outros que tinham garantia de emprego não tem natureza salarial, pois não há trabalho e visa substituir os salários do período da referida garantia. Sobre a referida indenização não incide a contribuição previdenciária. (Martins, Sergio Pinto. Direito da seguridade social: direito previdenciário. São Paulo: Saraiva, 2024. p. 178.) Neste sentido, o seguinte julgado deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES NOVAS. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRINCÍPIO DA NÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIAS. As alegações que não tenham sido levantadas à apreciação da autoridade julgadora de primeira instância administrativa não podem ser conhecidas por se tratar de matérias novas, de modo que o seu conhecimento violaria o princípio da não supressão de instância. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. O pagamento de verba de comprovada natureza indenizatória não integra o salário de contribuição, em face da ausência de caráter remuneratório da verba. PREVIDENCIÁRIO. GANHO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 33891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 27 Determinado pagamento feito em razão de evento incerto deve ser compreendido como eventual, justamente por haver apenas uma expectativa de recebimento (e não uma certeza). Por amoldar-se à característica de ganho eventual, de caráter claramente indenizatório, podendo ser efetuado uma única vez, está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INDENIZAÇÃO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre a parcela paga a título de indenização por dispensa imotivada, sem justa causa, no período em que o empregado esteja no gozo de estabilidade provisória. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AJUDA DE CUSTO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA MUDANÇA DO LOCAL DE TRABALHO DO EMPREGADO. O pagamento de verbas a título de ajuda de custo sem qualquer espécie de prestação de contas, ou demonstração de que se referiu a da mudança do local de trabalho do empregado, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. AFERIÇÃO INDIRETA. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO ACERCA DA REMUNERAÇÃO PAGA. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. O arbitramento é um procedimento especial excepcional que permite apurar o efetivo montante do tributo devido nos casos em que inexistam os documentos ou declarações do contribuinte, ou estes não mereçam fé. Ou seja, a aferição indireta somente é aplicável na impossibilidade da identificação da base de cálculo real. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% INCIDENTE SOBRE O VALOR DOS SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Quando do julgamento do Recurso Extraordinário 595838, afetado pela repercussão geral (Tema 166), o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Portanto, é inconstitucional a contribuição previdenciária de 15% que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. JUROS SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. Fl. 33892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 28 Nos termos do entendimento Sumulado por este CARF (Súmula nº 108), incidem juros moratórios, calculados à taxa SELIC, sobre o valor correspondente à multa aplicada. (Número da decisão: 2201-010.276) Devem ser excluídas do lançamento, portanto, as verbas referentes à indenização paga em decorrência do rompimento imotivado do contrato de trabalhadores estáveis por força dos arts. 118, da Lei n. 8.213/91 (acidentado) e 10, II, “a”, do ADCT (cipeiro). Sobre a remuneração na DIRF maior que na folha de pagamento (levantamentos AF, AG, AH, AI e AJ) a remuneração do diretor Luis Rodolfo Bittencourt apurada em DIPJ (levantamento AK) Afirma a recorrente que não há divergência entre a DIRF e suas folhas de pagamento. Discorre sobre a forma como os salários são pagos por ela e conclui pela improcedência do lançamento. Subsidiariamente, afirma que não cabe arbitramento no presente caso e que o acórdão recorrido é nulo por não ter analisado as provas dos autos, baseando-se em “provas não contidas no feito”. Sem razão a recorrente. A respeito da matéria, veja-se o que restou decidido no acórdão 2402-005.781 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, que julgou a exigência de contribuições patronais (parte da empresa e SAT/RAT) e de contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação aos mesmos fatos geradores aqui analisados (fls. 33850- 33851): O recorrente alega ausência de divergência entre DIRF e folha de pagamento. Informa que a empresa adianta o salário do mês no dia 20 e paga o restante até o dia 5 do mês seguinte. A DIRF, feita pelo regime de caixa, contempla parcela salarial do mês corrente (paga no dia 20) e do mês anterior (saldo pago no dia 05). Assim, os valores da DIRF junho/09, por exemplo, devem ser comparados com os valores das folhas emitidas em junho/09, as quais compreenderão uma parte da massa salarial de maio/09 (não pagas adiantadamente) e o adiantamento de junho/09. Diz que o auditor cometeu o erro para todos os casos das planilhas da fiscalização nº 56 a 83. Aduz, ainda, que o fiscal, quando da diligência determinada pela DRJ, acaba concordando com as alegações deduzidas na impugnação. Contudo, esta afirmação deve ser de logo afastada. Na informação fiscal, a auditoria não concordou com as alegações deduzidas na impugnação, mas, ao contrário, opinou pela manutenção do lançamento na matéria, como se vê do trecho transcrito (fl. 33386): Inicialmente, necessário lembrar que, uma vez constatadas as divergências de remunerações declaradas em DIRF e em GFIP, a Fiscalização intimou o contribuinte a explicá-las. Uma vez que o sujeito passivo não justificou as divergências, a Fiscalização lançou as diferenças por arbitramento. Logo, correto o procedimento fiscal, com suporte no art. 33, §3º , da Lei nº 8.212/1991. Fl. 33893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 29 No tocante ao argumento de que as diferenças seriam provenientes do regime de pagamento da remuneração (adiantamento + saldo), aliado à declaração pelo regime de caixa da DIRF, os documentos trazidos ao feito pelo sujeito passivo não confirmam suas afirmações. Vejamos. O recorrente traz, novamente no recurso, o exemplo do segurado Paulo Teixeira Arruda, competência 05/2009. Para este segurado, no lançamento, a auditoria fiscal levantou, na planilha 58 (fl. 414): - Remuneração em Folha: R$ 872,96 - Remuneração em DIRF: R$ 1.765,75 - Diferença de remuneração: R$ 892,79 A remuneração em folha de pagamento (R$872,96), confere com a constante do demonstrativo trazido pelo contribuinte com a impugnação (fl. 11.312). No entanto, o sujeito passivo não conseguiu demonstrar a que se refere o valor de R$ 1.765,75, declarado na DIRF 06/2009. Pela sua argumentação, deveria corresponder ao saldo de salário de 05/2009, no valor de R$ 366,64 (fl. 11.312) somado ao adiantamento de 06/2009. Como o segurado foi demitido nesta competência (fl. 11.319), teve remuneração de R$ 225,28 (fl. 11.314) que, somado ao saldo de 05/2009 (R$ 366,64), totaliza R$ 591,92, que diverge do valor informado na DIRF. Tomemos outro caso. Para o segurado Nivaldo Pereira do Nascimento, competência 06/2009, a fiscalização efetuou a seguinte apuração, constante da planilha 57 (fl. 415): - Remuneração em Folha: R$ 897,60 - Remuneração em DIRF: R$ 1.456,71 - Diferença de remuneração: R$ 892,79 Tendo em conta o regime de caixa, a auditoria tomou a DIRF da competência 07/2009 na comparação (R$ 1.456,71). Pela explicação da empresa, nessa DIRF deveriam ter sido declarados o somatório do saldo de salário (não adiantado) de 06/2009, no valor de R$ 520,61 (fl. 14.337) com o adiantamento da remuneração de 07/2009, no valor de R$ 138,23, totalizando R$ 658,54. Conclui-se, mais uma vez, que os documentos trazidos aos autos pelo impugnante NÃO comprovam sua alegação. Constata-se, portanto, que o contribuinte não demonstrou a origem da remuneração declarada na DIRF. Além disso, do exame dos documentos em conjunto com a explicação dada pelo sujeito passivo, não conseguimos chegar ao valor da remuneração declarada em DIRF. Assim, uma vez que o contribuinte não justificou as divergências apontadas pelo Fisco como motivo para o arbitramento, nem apresentou provas que contrariassem os valores apurados pela auditoria, impossível cancelar o lançamento. Pedido rejeitado na matéria. Por esta razão, considerando que os mesmos motivos que levaram à decisão no acórdão 2402-005.781 se aplicam ao presente processo, rejeito o pedido da recorrente neste aspecto. Fl. 33894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 30 O mesmo se aplica ao questionamento acerca da remuneração do diretor Luis Rodolfo Bittencourt, em que se verificaram divergências nas declarações pertinentes à GFIP e DIPJ, as quais não foram justificadas pela recorrente quando intimada a fazê-lo. Em relação à nulidade da decisão recorrida, por aplicação de arbitramento imotivado, também não merece prosperar a argumentação da recorrente. Esta afirma que “[…] o expediente do arbitramento utilizado pelo fiscal não se justifica, já que o pressuposto autorizativo deste é a ausência ou imprestabilidade dos documentos da empresa/empregadora.” No presente caso, porém, o que motivou a utilização do arbitramento foi a apresentação deficiente de documentos, hipótese do art. 33, § 3º, da Lei n.º 8.212/91, deficiência esta que não foi sanada com os documentos apresentados na impugnação ou no recurso voluntário. Veja-se, ainda, que — como consignado pela decisão recorrida — “[…] durante a ação fiscal, apesar de ter intimado os sujeitos passivos a justificar tais diferenças (fls. 118 e 134), não houve resposta em face das discrepâncias encontradas.” Afasto então a nulidade suscitada. Sobre a tributação de plano de outorga de opção de compra de ações (levantamento AM) Após discorrer acerca do histórico de seus planos de stock Options e dos planos em vigor, afirma a recorrente que o acórdão recorrido é nulo, pois “[…] os documentos que provam a invalidade do lançamento tributário baseado em presunção não prevista na legislação e destoante da realidade dos fatos”. Argumenta que os planos não correspondem a remuneração por serviços prestados, discorre sobre a natureza dos contratos de outorga de compra de ações para concluir pela inexistência de previsão legal para a sua tributação, explica o seu procedimento para lançamento contábil de despesa em razão da outorga de opção de compra de ações e conclui pela inexistência de efeitos tributários do reconhecimento de despesa nos termos do CPC 10. A este respeito a decisão recorrida assim se manifestou (fl. 33720): Pode-se dizer que os Planos de Outorga de Opções de Compra de Ações (“stock options”) tem natureza mercantil, porém, para integrar o salário de contribuição previdenciária não importa a natureza mercantil do instituto, ou a variação de seu valor, ou o lucro obtido com a operação, o que deve ser observado é se tal vantagem decorreu ou não do serviço prestado, se foi concedido pelo serviço ou para o serviço. No caso em apreço é evidente que as “stock options” foram concedidas aos segurados em razão dos serviços prestados, em sentido amplo. É inegável que esses planos de fato retribuem o trabalho, considerando-se que sua disponibilidade estava ligada ao esforço laboral dos beneficiários para o crescimento da empresa, e que o resgate da recompensa por esse esforço poderia ser feito a qualquer momento dentro dos prazos previstos no plano de opção de compra de ações. Assim, a situação observada neste caso enquadra-se perfeitamente no conceito legal de remuneração como salário-de-contribuição. Fl. 33895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 31 Nesse sentido, como se observa, o fato de se estipular um prazo de validade para o plano, períodos durante os quais os beneficiários poderiam fazer suas opções, demonstra a habitualidade em que era possível fazer exercer seus créditos. A outorga das opções de compra de ações para os trabalhadores se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, pois no momento da outorga há apenas uma expectativa de direito com relação ao exercício das opções, direito este condicionado a uma situação temporal (cumprimento do prazo de carência) e, a uma situação laborativa(manutenção da prestação de serviço do trabalhador). Não há qualquer risco ao funcionário elegível à outorga das opções de compra de ações no período de carência, ou seja, entre a data de outorga da opção e a data em que a mesma poderia ser exercida pelos beneficiários que permanecerem na empresa neste período, ou seja, ele nunca perde patrimônio em função da outorga de opções que a companhia faz. Pelo contrário, já há uma expectativa de ganho, pois ao término do período de carência, o beneficiário que exercer o direito de compra das ações, certamente as estará comprando por valor abaixo do valor de mercado, haja vista o desconto praticado pela cedente. No presente caso, verifica-se a habitualidade, posto que a concessão das opções de compra de ações segue um plano pré-definido, de longo prazo, contendo regras e condições específicas, comuns a todos os trabalhadores. Além disso, existem diversas condições e limitações que devem ser observadas pelos trabalhadores que fazem jus à participação no Plano de Concessão de Opções de Compra de Ações, as quais descaracterizam a condição de mera liberalidade (fls. 32.991 a 32.993). Divirjo da decisão recorrida tanto pelos fundamentos adotados quanto pela sua conclusão em relação aos efeitos tributários de plano de opção de compra de ações em face de sua natureza, se mercantil ou remuneratória. Trata o referido plano de um contrato que concede a alguém o direito de adquirir no futuro ações de uma empresa a um preço fixado em momento prévio à aquisição. Para obtê-lo, o comprador paga prêmio à vista e, com isso, pode comprar o ativo pelo preço acordado até a data limite, observando-se o valor estipulado na data da pactuação das opções. Seu intuito é permitir ao empregado adquirir ações da empresa por preço potencialmente inferior ao de mercado. O instituto está previsto no art. 168, § 3°, da Lei n° 6.404/1976: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. [...] § 3° O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléia-geral, outorgue Fl. 33896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 32 opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Em recente decisão sobre a matéria, sob o rito dos recursos repetitivos, ainda não transitada em julgado, o Superior Tribunal de Justiça, no Tema 1226, afirmou que os planos de outorga de opção de compra de ações possuem natureza mercantil. No Recurso Especial nº 2074564 — afetado ao citado tema junto ao Recurso Especial n.º 2069644 —, foi proclamado o seguinte resultado de julgamento (grifamos): A Primeira Seção, por maioria, vencida a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, deu provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Foi aprovada, por maioria, vencida a Sra. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, a seguinte tese jurídica no tema 1226: a) No regime do Stock Option Plan (art. 168, § 3º, da Lei n. 6.404/1976), porque revestido de natureza mercantil, não incide o imposto de renda pessoa física/IRPF quando da efetiva aquisição de ações, junto à companhia outorgante da opção de compra, dada a inexistência de acréscimo patrimonial em prol do optante adquirente. b) Incidirá o imposto de renda pessoa física/IRPF, porém, quando o adquirente de ações no Stock Option Plan vier a revendê-las com apurado ganho de capital. Os Srs. Ministros Gurgel de Faria, Teodoro Silva Santos, Afrânio Vilela e Benedito Gonçalves votaram com o Sr. Ministro Relator. Impedido o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. A decisão foi assim ementada: TRIBUTÁRIO. REPETITIVO. TEMA N. 1.226/STJ. MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA/IRPF. ADESÃO DO ADMINISTRADOR A REGIME DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES DA COMPANHIA EM QUE ATUA (STOCK OPTION PLAN ? ART. 168, § 3º, DA LEI N. 6.404/1976). POSTERIOR EFETIVAÇÃO DA COMPRA DE TAIS AÇÕES PELO ADMINISTRADOR. PRETENSÃO DO FISCO NACIONAL EM TRIBUTAR O LUCRO OBTIDO NESSA AQUISIÇÃO COMO FRUTO DE REMUNERAÇÃO LABORAL. IMPOSSIBILIDADE. OPERAÇÃO DE NATUREZA MERCANTIL. EXAÇÃO EXIGÍVEL SOMENTE POR OCASIÃO DA REVENDA DAQUELAS MESMAS AÇÕES. IRPF INCIDENTE APENAS SOBRE O MONTANTE APURÁVEL A TÍTULO DE GANHO DE CAPITAL. 1. Recurso especial, sob o regime repetitivo, em que o tema afetado recebeu a seguinte redação: "Definir a natureza jurídica dos Planos de Opção de Compra de Ações de companhias por executivos ( Stock option plan), se atrelada ao contrato de trabalho (remuneração) ou se estritamente comercial, para determinar a alíquota aplicável do imposto de renda, bem assim o momento de incidência do tributo". Fl. 33897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 33 2. Em linhas gerais, o denominado Stock Option Plan (SOP) consiste na oferta, pela Sociedade Anônima, de opção de compra de ações em favor de seus executivos, empregados ou prestadores de serviços, sob determinadas condições e com preço preestabelecido (art. 168, § 3º, da Lei n. 6.404/1976). O interessado, então, poderá aderir à opção e, a tempo e modo, efetivar a compra das respectivas ações, por elas pagando o preço outrora definido pela companhia. Posteriormente, já titular das ações, poderá o adquirente realizar a sua venda no mercado financeiro. 3. De acordo com o art. 43 do CTN, o fato imponível para a tributação do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial. 4. Presente a desenganada natureza mercantil, e não laboral- remuneratória, na aquisição e revenda de ações pelo regime Stock Option, verifica-se acréscimo patrimonial tributável apenas quando da posterior revenda das ações pelo adquirente, em caso de ganho de capital. 5. TESES FIRMADAS: a) No regime do Stock Option Plan (art. 168, § 3º, da Lei n. 6.404/1976), porque revestido de natureza mercantil, não incide o imposto de renda pessoa física/IRPF quando da efetiva aquisição de ações, junto à companhia outorgante da opção de compra, dada a inexistência de acréscimo patrimonial em prol do optante adquirente. b) Incidirá o imposto de renda pessoa física/IRPF, porém, quando o adquirente de ações no Stock Option Plan vier a revendê-las com apurado ganho de capital. 6. Resolução do caso concreto: recurso especial da Fazenda Nacional não provido. (REsp n. 2.069.644/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 11/9/2024, DJe de 18/9/2024.) Este conselheiro não ignora que a decisão acima transcrita não vincula o presente órgão julgador, nos termos do art. 99, do RICARF, uma vez que ainda não transitou em julgado. Tampouco ignora que o caso analisado pelo tribunal versava sobre o Imposto de Renda. Porém, é certo que na condição de precedente (ainda) não vinculante, e mesmo que verse sobre tributo distinto, suas razões podem ser adotadas desde a sua publicação, servindo como referência e orientação decisórias. Em parte, isso se dá pelo dever de coerência que se espera das instituições jurídicas — que devem observar as decisões proferidas em outras instâncias, quando isso for necessário para garantir a racionalidade do sistema — e também, porque não se concebe como se poderia chegar em relação às contribuições previdenciárias aqui analisadas a uma conclusão diferente daquela a que o Tribunal chegou em relação ao Imposto sobre a Renda. Veja-se que, na decisão acima, o STJ afirmou em abstrato que o instituto das stock options é revestido de natureza mercantil. Ora, em sentido ôntico, como seria possível afirmar que algo possui tal natureza para fins de contribuição previdenciária, mas possui outra natureza para fins de tributação da renda? Sob pena de se criar uma interpretação esquizofrênica do instituto ou bem se reconhece que ele Fl. 33898DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 34 tem natureza mercantil ou se admite que tenha natureza remuneratória. A decisão do STJ foi no primeiro sentido. Destaco que, no presente caso, da leitura do plano de opção de compra de ações às fls. 32830- 32836, verifico presentes a (i) voluntariedade (cláusulas 1.1 e 6), a (ii) onerosidade (cláusula 5) e a (iii) existência de risco (cláusulas 5 a 8 e 12), elementos necessários à caracterização do plano de stock options como negócio mercantil, o que afasta a incidência de contribuição previdenciária. A voluntariedade, nos termos do voto condutor no REsp nº 2069644, decorre do fato de que “[...] caberá ao trabalhador [...] decidir se pretende adquirir das ações.” No caso concreto, nota-se a voluntariedade nas cláusulas 1.1 e 6 do plano, uma vez que o beneficiário tem o direito, mas não o dever de aderir a ele: 1.1. O objetivo do Plano de Opção de Compra de Ações da MAGNESITA REFRATÁRIOS S.A. ("Companhia"), instituído nos termos do art. 168, § 3°, da Lei n° 6.404/76 (o "Plano"), é conceder a administradores, empregados e prestadores de serviços da Companhia e de suas sociedades controladas diretas ou indiretas (incluídas no conceito de Companhia para os fins deste Plano), a oportunidade de se tornarem acionistas, obtendo, em conseqüência, um maior alinhamento dos seus interesses com os interesses da Companhia e o compartilhamento dos riscos do mercado de capitais. […] 6. Exercício da Opção 6.1. A opção poderá ser exercida total ou parcialmente durante o prazo e nos períodos fixados no Programa. 6.1.1. Se a opção for exercida parcialmente, o titular da opção poderá exercer o remanescente dos direitos decorrentes do Contrato na forma e dentro dos prazos e nas condições estipuladas no Programa, ressalvadas as hipóteses previstas neste Plano. 6.2. Os Beneficiários estarão sujeitos às regras restritivas ao uso de informações privilegiadas aplicáveis às companhias abertas em geral e àquelas estabelecidas pela Companhia. A onerosidade, segundo o voto condutor no REsp nº 2069644, refere-se ao fato de que “[...] as ações são adquiridas pelos trabalhadores com seus próprios recursos financeiros.” Esta encontra-se na cláusula 5, que prevê a existência e a metodologia para o cálculo do preço de exercício: 5. Preço de Exercício 5.1. O preço de emissão, ou preço de compra, caso a Companhia opte por utilizar ações em tesouraria para fazer face ao exercício das opções (sendo a subscrição e a compra referidas, em conjunto, como "aquisição" para os efeitos deste Plano), Fl. 33899DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 35 das ações a serem adquiridas pelos participantes do Plano em decorrência do exercício da opção, será determinado pelo Conselho de Administração ou pelo Comitê, conforme o caso, e será equivalente ao valor médio das ações dos últimos 30 (trinta) pregões na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) anteriores à data da concessão da opção, podendo ser acrescido de correção monetária com base na variação de um índice de preços a ser determinado pelo Conselho de Administração ou pelo Comitê (o "Preço de Exercício"). 5.1.1. O Comitê ou o Conselho de Administração, conforme o caso, poderão determinar, quando do lançamento de cada Programa, que seja concedido aos Beneficiários um desconto de até 10% (dez por cento) no Preço de Exercício. A concessão de desconto em determinado Programa não obrigará a concessão de desconto, ou do mesmo percentual de desconto, nos Programas posteriores. 5.1.2. Tendo em vista que a Companhia não terá ainda, na data do primeiro Programa a ser lançado com base neste Plano, histórico de negociação na BOVESPA que permita a fixação do Preço de Exercício da forma do item 5.1, fica desde já estabelecido que o Preço de Exercício das opções do primeiro Programa será de R$10,00 (dez Reais) por ação, equivalente ao valor por ação pago pelos acionistas nos aumentos de capital realizados na Companhia nos anos de 2007 e 2008, antes da recente incorporação, pela Companhia, da Magnesita S.A. e da Partimag S.A., mas ajustado pelo grupamento de ações aprovado pela Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária da Companhia realizada em 17 de março de 2008. 5.2. O Preço de Exercício será pago pelos Beneficiários à vista, rio ato da aquisição, na forma determinada pelo Conselho de Administração ou pelo Comitê, conforme o caso, para cada Programa. 5.3. Salvo decisão em contrário do Conselho de Administração ou do Comitê, o montante equivalente (i) a 50% (cinqüenta por cento) da parcela da gratificação anual paga ao Beneficiário, a título de bônus ou participação nos lucros atribuída pela Companhia, líquida de imposto de renda e outros encargos incidentes ("Bônus"), e (ii) a 50% (cinqüenta por cento) do montante de dividendos pagos pela Companhia, deverá ser destinado obrigatoriamente para adquirir ações decorrentes do exercício de opções em qualquer dos períodos anuais de exercício definidos no Programa, sob pena de extinção de todas as opções cujos prazos iniciais de carência já tenham decorrido. 5.3.1. Caso o Beneficiário tenha, no âmbito do Plano, integralizado ou adquirido ações com recursos próprios, até um ano antes do pagamento do Bônus ou dos dividendos, esta quantidade de ações integralizada e adquirida será reduzida da quantidade de ações necessária para cumprir a obrigatoriedade de destinar 50% do Bônus e 50% dos dividendos para adquirir ações decorrentes do exercício de opções em qualquer dos períodos anuais de exercício definidos no Programa. Fl. 33900DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 36 5.4. O Preço de Exercício das opções não exercidas será deduzido do valor dos dividendos, juros sobre o capital próprio e outras devoluções de capital, por ação, pagos pela Companhia a partir da data da outorga. Finalmente, o risco, segundo o voto condutor no REsp nº 2069644, corresponde ao fato de que “[...] é possível que a futura venda da ação ocorra por valor inferior ao de sua aquisição, trazendo prejuízo financeiro ao participante, ou que, ocorrendo por valor superior, não exceda rendimento que eventualmente seria auferido em outra aplicação financeira, implicando custo de oportunidade ao participante.” Veja-se que para o STJ, o risco pode ter duas configurações: (i) risco de prejuízo financeiro, mas também (ii) risco no sentido de custo de uma oportunidade — aquilo que se deixa de ganhar ao escolher uma determinada alternativa; o valor da melhor opção que se abandona ao tomar uma decisão. A asserção é relevante, porque aqueles que defendem a natureza remuneratória dos planos de stock options julgam que a possibilidade de escolher o momento de exercer o direito de adquirir as ações diminuiria o risco da operação. Isto, porque se o valor das ações diminuir, naturalmente, o beneficiário poderá aguardar o momento mais oportuno para comprar as ações. A eventual flexibilidade do prazo de exercício não é o bastante, porém, para eliminar o risco, dada a volatilidade inerente ao mercado de ações que pode apresentar oscilações significativas em um dado período. Em resumo, a adesão a um programa de stock options não assegura ao empregado qualquer ganho financeiro futuro. A valorização das ações é incerta e está sujeita às flutuações do mercado. Ao exercer a opção de compra, o empregado se torna um investidor, expondo seu patrimônio aos riscos relacionados às operações em bolsa. Em resumo, o risco é inerente às próprias ações que são o objeto do plano. No caso sob análise, além de ser subjacente ao mercado de ações, a existência de risco encontra-se reforçada no item 7, o qual prevê restrições ao direito de alienar as ações: 7. Restrições à Alienação de Ações 7.1. Salvo decisão específica em contrário do Comitê ou do Conselho de Administração, o Beneficiário só poderá vender, transferir ou, de qualquer forma, alienar as ações da Companhia adquiridas no âmbito do Plano, bem como aquelas que venham a ser por ele adquiridas em virtude de bonificações, desdobramentos, subscrições ou qualquer outra forma de aquisição, ou valores mobiliários que dêem direito à subscrição ou aquisição de ações, desde que tais ações ou valores mobiliários tenham decorrido para o Beneficiário da propriedade das ações objeto do Plano (em conjunto, as "Ações"), se atendido o período mínimo de indisponibilidade eventualmente estabelecido, a critério do Comitê ou do Conselho de Administração, em cada Programa, o qual nunca será superior a 5 (cinco) anos, a contar da data do exercício da opção. 7.1.1. Não obstante o disposto no item 7.1, o Beneficiário poderá alienar, a qualquer tempo, o número de Ações necessário para realizar o pagamento da totalidade, ou da parcela mínima de realização, do Preço de Exercício de opções exercidas. Fl. 33901DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 37 7.2. O Beneficiário se obriga a não onerar as Ações e a não instituir sobre elas qualquer gravame que possa impedir a execução do disposto neste Plano. 7.3. A Companhia registrará transferência de Ações vinculadas ao Plano no momento de sua ocorrência, ficando as mesmas indisponíveis pelo período estabelecido no Programa. Constatada a existência de voluntariedade, onerosidade e risco conclui-se pela natureza mercantil do plano, devendo-se afastar o lançamento sobre essas verbas. Restam prejudicados os demais argumentos da recorrente sobre a matéria. Sobre a tributação da participação nos lucros e resultados (levantamentos AV, AX, AZ, BA, BB, BC, BE, BF e BG) Afirma a Recorrente que o PLR é fundamentado em acordos coletivos específico para todos os estabelecimentos mencionados no relatório fiscal. Argumenta, ainda, que os referidos acordos incluem os cargos de gestão. A decisão recorrida deliberou por manter o lançamento relativo a esta rubrica, sob as seguintes razões (fls. 33721-33722): Apesar de os impugnantes alegarem que fizeram juntada dos acordos coletivos, em detida análise dos documentos acostados aos autos, inclusive dos processos administrativos fiscais conexos a este, não há confirmação de juntada de novos acordos e/ou anexos que pudessem certificar a cobertura das localidades mencionadas no Relatório Fiscal, para o Programa de Remuneração Variável (PRV) atinente ao ano de 2009. O que há é apenas juntada de acordos coletivos do ano de 2008 e 2010. Assim, os contribuintes não provaram ter atendido à legislação vigente para que fossem considerados regulares os pagamentos de tais rubricas nesses estabelecimentos e em conseqüência todos os valores das remunerações pagas aos segurados, sob tal rubrica, foram consideradas como sujeitas a incidência das contribuições previdenciárias, conforme demonstrado nas planilhas números 116 a 122, 124 a 126, 128 e 132. Como exemplo pode ser citado o estabelecimento Brumado/BA - planilha 95A, no qual a autuada apresentou acordo coletivo de trabalho, firmado em 22/12/2008, sem previsão de pagamento da PRV, levando a fiscalização a fazer incidir contribuições previdenciárias sobre o mesmo. Ademais, se fez juntada desnecessária de acordo coletivo de trabalho 2009/2010, firmado em 19/01/2010, com previsão de pagamento da remuneração até 31/5/2010, ou seja, fora do período fiscalizado e tributado. Destarte, a fiscalização constatou que, para os documentos juntados, há sempre a afirmação de que a "ELEGIBILIDADE" e a "PARTICIPAÇÃO", são exclusivas dos colaboradores ocupantes dos cargos operacionais e Técnico/Administrativo; há inclusive cláusula segunda - alínea "c", do acordo coletivo de trabalho 2009/2010, firmado em 25/01/2010 - planilha 95G, que estabelece que os parâmetros não Fl. 33902DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 38 são aplicáveis aos colaboradores pertencentes aos cargos de coordenação, gerência, superintendência e diretoria e que para tais profissionais a empresa divulgará oportunamente as condições e critérios para pagamento das respectivas participações nos lucros e resultados (PPR/PRV), ou seja, ainda em 2010, a autuada não havia incluído nos parâmetros para cálculo da remuneração referida, os ocupantes dos cargos de gestores. Conclui-se que uma das provas de não ter havido estabelecimento dos critérios exigidos pela legislação é o fato de, apesar de o acordo coletivo para os empregados lotados na sede, escritórios e fábricas na Cidade Industrial, Contagem (Praça Louis Ensch, 240)e em Belo Horizonte (Av. Raja Gabaglia, 1781), firmado em 25/8/2008 (planilha 95J), estabelecer em sua cláusula sexta a data de pagamento para março/2009, ou seja, parcela única, a fiscalização constatou o pagamento para o gestor Eduardo Francisco Lobo em duas parcelas conforme demonstrado nas planilhas 96 e 97 denominada RECIBOS EDUARDO FRANCISCO LOBO MAIO E DEZEMBRO. Assim, restou comprovado que os contribuintes desrespeitaram o acordo e infringiu a legislação, haja vista que pagou sem obediência aos parâmetros estabelecidos pelos próprios autuados. Demais a mais, a fiscalização demonstra por meio das análises explicitadas nas planilhas 98 a 113 que os pagamentos da rubrica PRV aos gestores de cada unidade considerada foram muito superiores aos pagos aos empregados ocupantes de cargos subordinados; tais valores tiveram, em todas as planilhas citadas, o FATOR S/SALÁRIO, que se obedecido, em cada unidade considerada, deveria tender para a igualdade e não ser maior para os ocupantes dos cargos de gestão. Tal análise está resumida e reforça o entendimento da fiscalização na planilha 114 denominada PRV RESUMO FATOR PRV GESTORES E NÃO GESTORES que demonstra que o fator PRV para os gestores das unidades analisadas somou 93,18 contra 32,70 para os demais empregados. Pelo exposto, fica comprovado que os pagamentos, da rubrica PRV, aos empregados detentores de cargos de gestão não foi fundamentado em cálculos por meio dos parâmetros estabelecidos e, conseqüentemente, realizados com infração à legislação vigente. Em conseqüência a fiscalização decidiu por tributar todos os pagamentos da referida rubrica feitos aos gestores em todos os estabelecimentos da empresa, conforme demonstrado nas planilhas anexadas a este processo administrativo fiscal. Os acordos coletivos autuados constam às seguintes folhas: a) 33.015-33.115 (SINDICATO DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DE REFRATÁRIOS DO ESTADO DE MINAS GERAIS); b) 33.116-33.122 (SINDICATO DOS MINERADORES DE BRUMADO E MICRO REGIÃO (SINDMINE); Fl. 33903DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 39 c) 33.233-33.240 (SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO DE PIRACICABA, RIO DAS PEDRAS E SALTINHO); d) 33.241-33.247 (SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DE EXTRAÇÃO DE FERRO, METAIS BÁSICOS E PRECIOSOS -SINDIMINA, BA); e) 33.248-33.265 (SINDICATO DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO E ELETRÔNICO DE JOÃO MONLEVADE, BARÃO DE COCAIS, BELA VISTA DE MINAS, SÃO DOMINGOS DO PRATA/MG; SINDICATO DOS TRABALHADORES DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS, MATERIAL ELÉ-TRICO E ELETRÔNICO DE JOÃO MONLEVADE, SÃO DOMINGOS DO PRATA, BELA VISTA DE MINAS E RIO PIRACICABA); f) 33.266-33.273 (SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS SIDERÚRGICAS, METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO E INFORMÁTICA DE IPATINGA, BELO ORIENTE, IPABA E SANTANA DO PARAÍSO – SINDIPA); g) 33.274-33.280 (SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS SIDERÚRGICAS, METALÚRGICAS, MECÂNICAS, DE MATERIAL ELÉTRICO, ELETRÔNICO, DESENHO/PROJETOS E DE INFORMÁTICA DE TIMÓTEO E CORONEL FABRICIANO – METASITA); h) 33.281-33.287 (SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS, DE MATERIAL ELÉTRICO, DE MATERIAL ELETRÔNICO E DE INFORMÁTICA DE BARRA MANSA, VOLTA REDONDA, RESENDE, ITATIAIA, QUATIS, PORTO REAL E PINHEIRAL); i) 33.287-33.294 (COMISSÃO DE NEGOCIAÇÃO DO PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS — PPR 2008 – VITÓRIA); e j) 33.295-33.299 (SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DE SANTOS). Sobre os documentos, assim se manifesta a Recorrente (fls. 33.824-33.825): Segundo o relatório de verificação fiscal, não foram apresentados os termos em relação aos seguintes estabelecimentos: Conceição do Pará/MG; Poços de Caldas/MG; Uberaba/MG; Onça de Pitangui/MG; Itamarandiba/MG; Esmeraldas/MG; Candeias/BA; Sento Se/BA; Santa Luz/BA; João Monlevade/MG e Piracicaba/SP. Afastando-se os fundamentos do lançamento, a Recorrente anexou à sua defesa todos os acordos coletivos indagados pela fiscalização. Nos municípios mineiros de Conceição do Pará/MG — Poços de Caldas/MG — Uberaba/MG — Onça de Pitangui/MG — Itamarandiba/MG — Esmeraldas/MG Fl. 33904DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 40 acima referidos inexiste sindicado de base municipal a representar os trabalhadores. Sendo assim, a Recorrente celebrou o acordo coletivo de trabalho com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Refratários do Estado de Minas Gerais (doc. 25 da impugnação), que tem base estadual como decorre de seu estatuto (doc. 26 da impugnação) e como autoriza o art. 517 da CLT. O mesmo vale para os Municípios de Candeias e Sento Sé na Bahia, pois o acordo celebrado com o Sindicato de Brumado, os abrange (doc. 27 da impugnação). Isso, aliás, se comprova pela relação sindical constante no CD anexo, que abrange esses estabelecimentos, utilizada como base para pagamento da contribuição aos sindicatos (doc. 28 da impugnação). Para os estabelecimentos de Santa Luz/BA, João Monlevade/MG e Piracicaba/SP, a Recorrente celebrou acordo específico com os respectivos sindicatos (doc. 29 da impugnação). Quanto aos estabelecimentos de Brumado/BA, lpatinga/MG, Serra/ES, Volta Redonda/RJ e Timóteo/MG, a fiscalização aponta que os instrumentos de negociação coletiva apresentados ou não continham previsão de pagamentos de PLR, ou não se referiam ao período fiscalizado. Novamente a Recorrente afastou o argumento fiscal com a juntada dos acordos (doc. 30 da impugnação), esclarecendo, ademais, que estes são específicos, isto é, apartado dos acordos e convenção coletiva que versam sobre outros assuntos. O acórdão novamente ignorou a prova trazida pela recorrida, dizendo que não houve a juntada dos acordos que trouxessem previsão do pagamento da PLR em 2009 (fls. 33.671). O erro cometido pelo acórdão é grave e revela que ele não se importou em ler os seus termos. Tivesse lido, teria percebido que os acordos foram firmados em 2008 com previsão de pagamento em 2009 e, portanto, são exatamente os acordos que o fiscal autuante entendeu que não existiam. Ora, os acordos coletivos juntados na Impugnação contemplam expressamente esses estabelecimentos, e versam sobre a PLR a ser paga relativamente ao ano de 2008 em parcela única (março de 2009) e seu anexo institui todos os critérios e metas para pagamento. O único acordo que destoa em seu formado é o de João Monlevade/MG, no qual consta o pagamento também em parcela única, mas em janeiro de 2009, e os critérios e metas são previstos não em anexo, mas na Cláusula Trigésima Oitava. O acórdão erra, também, ao afirmar que para o estabelecimento de Brumado/BA não há previsão de pagamento da PLR/PRV (fls. 33.671/33.672). Esta afirmação mostra, mais uma vez, que não deu a devida importância aos documentos anexados à defesa da Magnesita, pois o acordo que abrange o estabelecimento de Brumado/Ba está contido no doc. 30 da Impugnação e ele prevê todos os critérios para o pagamento da verba em 2009. Fl. 33905DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 41 Segundo a Recorrente, no caso dos trabalhadores lotados nos municípios de Conceição do Pará/MG; Poços de Caldas/MG; Uberaba/MG; Onça de Pitangui/MG; Itamarandiba/MG; Esmeraldas/MG; Candeias/BA e Sento Sé/BA, não existe sindicato de base municipal. Desse modo o acordo coletivo foi celebrado com o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Refratários do Estado de Minas Gerais, no caso dos municípios mineiros, e com o Sindicato de Brumado e Micro-região, no caso dos municípios baianos. Em relação ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Refratários do Estado de Minas Gerais, há relação de trabalhadores sindicalizados às fls. 33.126-33.169; 33.222-33.224 e, em relação ao Sindicato de Brumado e Micro-região, a relação de trabalhadores encontra-se às fls. 33.225-33.232. Ambos os acordos foram celebrados em 2008 e preveem o pagamento da verba em 2009, o que condiz com o período de apuração. Ademais, preveem regras claras e objetivas para a mensuração do resultado, em acordo com o que determina a Lei n.º 10.101/2000. Tendo sido o lançamento fundamentado, nos termos do relatório fiscal (fl. 64), exclusivamente na inexistência dos acordos, a sua apresentação é o bastante para desconstitui-lo. Deste modo, afasto a incidência das contribuições sobre o pagamento de PLR relativo aos trabalhadores dos estabelecimentos de Conceição do Pará/MG; Poços de Caldas/MG; Uberaba/MG; Onça de Pitangui/MG; Itamarandiba/MG; Esmeraldas/MG; Candeias/BA e Sento Sé/BA. Veja-se que a afirmação do relatório fiscal (fl. 64) de que “[…] no que concerne ao estabelecimento Brumado/BA — planilha 95A, a autuada apresentou acordo coletivo de trabalho firmado em 22/12/2008 no qual não há entre as suas vinte e três cláusulas nenhuma que preveja o pagamento de tal rubrica […]”, foi esclarecida pela Recorrente que apresentou os acordos coletivos específicos sobre o pagamento de PLR, a exemplo do documento à fl. 33.116, cuja cláusula segunda assim dispõe: CLÁUSULA SEGUNDA - PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO EM LUCROS OU RESULTADOS (PPR) — EXERCÍCIO 2008 A MAGNESITA e o SINDICATO usando do direito à livre negociação e apoiados no art. 7°, inciso XXVI da Constituição Federal / 88, e com o objetivo de darem por satisfeitas as disposições à vista do prescrito no art. 7°, inciso XI, da CF/88 e em atendimento ao art. 2°, caput e inciso II da Lei 10101, de 19 de dezembro de 2000, ajustam a participação dos seus empregados nos lucros ou resultados da MAGNESITA, mediante as condições e critérios estabelecidos no programa anexo, amplamente discutido pelas partes, que integra este instrumento. Encontrando-se nos autos acordos coletivos específicos sobre o pagamento de PLR para os estabelecimentos de Brumado/BA (fls. 33.116-33.122), Piracicaba/SP (fls. 33.233-33.236); Ipatinga/MG (fls. 33.266-33.268); Volta Redonda/RJ (fls. 33.281-33.283); Serra/ES (fls. 33.288- 33.290); João Monlevade/MG (fls. 33.248-33.265); e Timóteo/MG (fls. 33.274-33.276), cujos instrumentos preveem o pagamento de PLR, em conformidade com a legislação, devem os valores relativos à PLR em questão serem excluídos do lançamento. Fl. 33906DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 42 Em relação ao município de Santa Luz/BA, não localizei nos autos acordo coletivo que abranja o estabelecimento situado naquele município, de modo que deve ser mantido o lançamento. Sobre as contribuições relativas ao estabelecimento de CNPJ n.º 08.684.547/0031- 80 — Betim (levantamento AU) No recurso, a recorrente sustenta que na filial Betim opera-se exclusivamente um armazém. Nesse local, são depositadas as mercadorias produzidas pela sede, sendo que os colaboradores têm a incumbência de gerenciar a estocagem e a retirada dos itens, conforme a demanda. Acrescenta que os empregados forneceram declarações que corroboram essa informação (documento 38 da impugnação). Em relação a este tópico, a recorrente não trouxe aos autos qualquer prova capaz de elidir a conclusão disposta no acórdão recorrido. Limitou-se a reiterar os fatos expostos na impugnação e as declarações de funcionários apresentada anteriormente. Assim, adoto como razões de decidir os argumentos do voto condutor da decisão de primeira instância, com fundamento no art. 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023, abaixo reproduzidos: Feito o confronto entre o que fora alegado para a fiscalização (fl. 1.119) e o que foi aduzido nas defesas administrativas percebe-se nitidamente uma contradição entre as declarações firmadas para o fisco federal, haja vista que a não juntada de provas hábeis a elidir a aferição indireta, é motivo bastante e suficiente para a autoridade fiscal haver desconsiderado a resposta contida na declaração de folha 1.119 e arbitrado as remunerações pagas aos prestadores de serviços. É inconcebível o fato de que, num depósito regular e de tamanha magnitude, não exista segurança particular, mesmo que terceirizada, recepção, operadores de máquinas, administrativo, e, em contrapartida, ocorra a efetivação de saída de mercadorias em valor superior a R$3.500.000,00. Rejeito o pedido neste tópico. Em relação ao pedido subsidiário da recorrente para anular o acórdão determinando-se a realização de diligência in loco, este não merece prosperar. Veja-se que nem mesmo o princípio da verdade material — que rege o processo administrativo tributário — permite suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação de suas afirmações. Rejeito, portanto, a nulidade invocada. Sobre a solidariedade das empresas Massambaba Mineração S.A; Magnesita Service Ltda; MSA Agropecuária Argumenta a recorrente que as empresas Massambaba Mineração S.A; Magnesita Service Ltda; e MSA Agropecuária não podem ser mantidas no polo passivo, pois foram extintas por incorporação. Fl. 33907DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 43 Realmente, as referidas empresas constam todas como “baixadas” no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica em consulta realizada por este relator. Contudo, no presente processo, por se tratar da exigência de contribuição de terceiros, as referidas empresas não constam como solidárias, questão que foi discutida no processo conexo a este. Conclusão Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento as seguintes verbas: (a) indenização paga em decorrência do rompimento imotivado do contrato de trabalhadores estáveis por força dos arts. 118, da Lei n. 8.213/91 (acidentado) e 10, II, “a”, do ADCT (cipeiro); (b) plano de outorga de opção de compra de ações; e (c) participação nos lucros e resultados dos estabelecimentos situados nos municípios de Conceição do Pará/MG, Poços de Caldas/MG, Uberaba/MG, Onça de Pitangui/MG, Itamarandiba/MG, Esmeraldas/MG, Candeias/BA, Sento Sé/BA, Brumado/BA, Piracicaba/SP, Ipatinga/MG, Volta Redonda/RJ, Serra/ES, João Monlevade/MG e Timóteo/MG. Assinado Digitalmente Thiago Álvares Feital DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Weber Allak da Silva A discordância em relação ao voto do relator diz respeito aos valores lançados, apurados com base nas diferenças entre as remunerações declaradas na GFIP e àquelas presentes na DIRF e DIPJ. Inicialmente, devemos partir da premissa de que a apuração do salário de contribuição deve se dar com base nas folhas de pagamento e na escrituração contábil do contribuinte. No entanto, a legislação previdenciária admite que a autoridade fiscal lance mão de informações existentes em outras declarações para aferir indiretamente o valor do salário de contribuição quando o contribuinte fiscalizado não apresentar a documentação necessária para a correta apuração. É o que dispõe o art. 33, § 6º, da Lei 8.212/1991. Neste caso, deve a autoridade fiscal demonstrar que o contribuinte não apresentou as folhas de pagamentos e a escrituração contábil, ou que estas não espelham a realidade dos fatos. Fl. 33908DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.413 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13603.720891/2013-08 44 A utilização de informações presentes em outras declarações constitui importante ferramenta de fiscalização, permitindo, a partir do cruzamentos de dados, a identificação de indícios de sonegação de contribuições previdenciárias. Porém, iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal deve apurar a base de cálculo das contribuições devidas com base nas folhas de pagamento e na escrituração contábil. Somente nos casos de apresentação insuficiente de tais documentos, impedindo a apuração correta do salário de contribuição, a fiscalização pode fazer uso das prerrogativas conferidas pelo art. 33, § 6º, da Lei 8.212/1991. No caso concreto em análise, não foi demonstrado a omissão do contribuinte quanto à apresentação das folhas de pagamentos e da escrituração contábil. Assim, não havia empecilhos para a autoridade fiscal conferir se as remuneração declaradas nas GFIPs correspondiam aos valores contantes nas folhas de pagamento e na contabilidade. É importante ressaltar que, apesar da semelhança de informações, as bases de cálculos, informadas em declarações como DIRF, RAIS e DIPJ, podem divergir. A título de exemplo, existem rubricas sujeitas ao IRPF, mas que não são base para as contribuições previdenciárias. Podem ocorrer, também, variações decorrentes dos regimes adotados (caixa ou competência), como alegado pelo Recorrente. Portanto, não estando presentes os fundamentos para a realização de aferição indireta, nos termos do art. 33, § 6º, da Lei 8.212/1991, a apuração do salário de contribuição das contribuições previdenciárias deve ser realizada com base nas folhas de pagamentos e na escrituração contábil do contribuinte. Assinado Digitalmente Weber Allak da Silva Fl. 33909DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto
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Numero do processo: 19679.720155/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Sun Nov 30 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DECISÃO ADMINISTRATIVA. EXCLUSÃO CONFIRMADA EM ÂNIMO DEFINITIVO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO.
Para que seja possível a restituição ou a compensação, o crédito do contribuinte perante a Fazenda Pública deve se revestir dos atributos de liquidez e certeza. O crédito defendido pelo contribuinte nestes autos, entretanto, somente existiria, ou somente poderia ter a sua exata dimensão verificada, se ele viesse a ser vencedor a lide relativa à sua exclusão do SIMPLES Nacional (que torna a retenção de 11% válida).
Confirmada a respectiva exclusão, em decisão terminativa e definitiva no âmbito administrativo, é impossível reconhecer o direito creditório invocado, diante da inafastável prejudicialidade.
Numero da decisão: 2202-011.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator
Assinado Digitalmente
Ronnie Soares Anderson – Presidente
Participaram da reunião os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DECISÃO ADMINISTRATIVA. EXCLUSÃO CONFIRMADA EM ÂNIMO DEFINITIVO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO. Para que seja possível a restituição ou a compensação, o crédito do contribuinte perante a Fazenda Pública deve se revestir dos atributos de liquidez e certeza. O crédito defendido pelo contribuinte nestes autos, entretanto, somente existiria, ou somente poderia ter a sua exata dimensão verificada, se ele viesse a ser vencedor a lide relativa à sua exclusão do SIMPLES Nacional (que torna a retenção de 11% válida). Confirmada a respectiva exclusão, em decisão terminativa e definitiva no âmbito administrativo, é impossível reconhecer o direito creditório invocado, diante da inafastável prejudicialidade. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Fl. 349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 2 Participaram da reunião os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Por brevidade, transcrevo o relatório elaborado pelo órgão julgador de origem, 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador — DRJ/SDR, de lavra do Auditor-Fiscal Flaviano Nicodemos de Andrade Lima (Acórdão n.º 15-42.765): Tratam os autos de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT São Paulo – em 17/10/2011, que indeferiu os pedidos eletrônicos de restituição decorrentes de retenção de onze por cento sobre o valor bruto da notas fiscais de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, relativos às competências 09/2006 a 12/2009, no valor de R$ 129.959,23 (cento e vinte e nove mil novecentos e cinqüenta e nove reais e vinte e três centavos). De acordo com o despacho decisório, a empresa declarou ser optante pelo SIMPLES nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, relativas às competências 09/2006 a 13/2006 e optante pelo SIMPLES Nacional nas competências 01/2007 a 12/2009. Entretanto, a empresa foi excluída do SIMPLES Federal com efeitos a partir de 24/03/2004. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade contra esta exclusão, porém o ato declaratório de exclusão foi mantido. Do mesmo modo, a empresa foi excluída do SIMPLES Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007. Também neste caso, ela apresentou Manifestação de Inconformidade, mas o ato de exclusão foi mantido. Diante destes fatos, o Despacho Decisório conclui que as GFIP apresentadas não são aptas à verificação de suas obrigações previdenciárias, o que prejudicou a certeza do crédito e motivou o indeferimento do pedido. Cientificada do indeferimento do pedido em 08/05/2014, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade em 03/06/2014, na qual alega, em síntese, o que se segue: Inicialmente, alega que o processo administrativo relativo à exclusão do SIMPLES ainda não se encerrou, pois a empresa apresentou recurso ao CARF contra as decisões que mantiveram os efeitos dos atos de exclusão. Assim, inexistindo Fl. 350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 3 decisão definitiva quanto à exclusão do SIMPLES, não é possível haver a decisão definitiva quanto ao pedido de restituição. No mérito, aduz que o contribuinte nunca realizou cessão de mão de obra, tendo em vista que as suas atividades são de prestação de serviços de manutenção de equipamentos de engenharia e comunicação. Os seus funcionários atuam sob sua exclusiva subordinação, e as atividades são apenas eventualmente realizadas no estabelecimento da contratante. Como empresa optante pelo SIMPLES, sequer deveria ter sofrido a retenção. Requer seja acolhida a Manifestação de Inconformidade e deferido o pedido de restituição. Subsidiariamente, requer a declaração da nulidade do Despacho Decisório, a fim de que se aguarde o término do processo de exclusão de ofício do SIMPLES. Referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. RECURSO. DECISÃO DO CARF FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. DEFERIMENTO. Deve ser reformado o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição sob a justificativa de que a empresa requerente havia sido excluída do SIMPLES Federal, na hipótese em que o CARF, ao julgar o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte contra a decisão de primeira instância que manteve a exclusão, tenha reconhecido o direito do contribuinte de permanecer neste regime tributário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. DECISÃO ADMINISTRATIVA. RECURSO AINDA NÃO JULGADO. AUSÊNCIA DE CERTEZA DO CRÉDITO. Para que seja possível a restituição ou a compensação, o crédito do contribuinte perante a fazenda pública deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza. O crédito aduzido pelo contribuinte nestes autos, entretanto, somente existirá ou somente poderá ter a sua exata dimensão verificada se ele vier a ser vencedor da lide relativa a sua exclusão do SIMPLES Nacional. Revela-se, assim, um crédito de existência incerta e ilíquido, de modo que não é hábil para fundamentar o pedido de restituição. Fl. 351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 4 Cientificado do resultado do julgamento em 05/07/2021, uma segunda-feira (fls. 333), a parte-recorrente interpôs o presente recurso voluntário em 02/08/2021, uma segunda- feira (fls. 335), no qual se sustenta, sinteticamente: a) A manutenção do indeferimento do pedido de restituição, antes do julgamento definitivo do recurso contra o ato de exclusão do SIMPLES Nacional, fere o contraditório e a ampla defesa, na medida em que o processo administrativo relativo ao Ato Declaratório de Exclusão ainda está pendente de apreciação definitiva pelo CARF, o que, segundo a parte-recorrente, configura cerceamento de defesa. b) O indeferimento do pedido de restituição com base exclusivamente na exclusão do SIMPLES Nacional ofende o princípio da verdade material, dado que a Administração Pública deveria ter diligenciado de ofício para verificar a existência de recurso pendente em outro processo administrativo, conforme previsão expressa da Lei nº 9.784/1999, especialmente nos artigos 36 e 37. c) A decisão recorrida violaria o artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, pois teria deixado de valorar as provas e argumentos apresentados, julgando antecipadamente a pretensão restituitória com base em presunção de inexistência de crédito certo e líquido, sem exame completo do conjunto probatório constante dos autos. d) A retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais de prestação de serviços ofende a regra da não incidência prevista no artigo 13, VI, da Lei Complementar nº 123/2006, pois a parte-recorrente era optante do SIMPLES Nacional no período em discussão, regime que prevê o recolhimento unificado das contribuições previdenciárias. e) A retenção mencionada também contraria o disposto no artigo 31 da Lei nº 8.212/1991, pois a parte-recorrente sustenta que jamais realizou cessão de mão de obra, mas exclusivamente prestou serviços técnicos de manutenção de equipamentos de engenharia e comunicação, com atuação de seus empregados sob sua exclusiva subordinação, conforme documentação juntada aos autos (contratos, declarações de clientes e demais elementos comprobatórios). f) A ausência de cessão de mão de obra e o regular recolhimento das contribuições no âmbito do SIMPLES afasta a legalidade da retenção efetuada, o que, por consequência, enseja o direito à restituição dos valores indevidamente retidos. Diante do exposto, pede-se, textualmente: Fl. 352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 5 “Ante o exposto, requer seja a presente recurso conhecido e acolhida a preliminar aventada, com o reconhecimento da nulidade por cerceamento do direito de defesa, e no mérito seja integralmente provido, a fim de reformar o V. Acórdão proferido e deferir totalmente o pedido de restituição das contribuições previdenciárias formulado pelo contribuinte Recorrente.” É o relatório. VOTO O Conselheiro Thiago Buschinelli Sorrentino, relator: 1 CONHECIMENTO Conheço do recurso voluntário, porquanto tempestivo e aderente aos demais requisitos para exame e julgamento da matéria. 2 PRELIMINAR DE NULIDADE O acórdão recorrido, prolatado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador — DRJ/SDR, deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada contra o despacho decisório que indeferira pedido de restituição de valores recolhidos a título de retenção de 11% sobre a prestação de serviços, relativamente às competências de setembro de 2006 a dezembro de 2009. Reconheceu-se o direito creditório quanto às competências de setembro de 2006 a junho de 2007, diante da posterior reforma, pelo CARF, do ato de exclusão da contribuinte do SIMPLES Federal. Manteve-se, contudo, o indeferimento da restituição referente ao período de julho de 2007 a dezembro de 2009, em razão de ainda não ter sido julgado o recurso voluntário interposto pela parte-recorrente no processo que trata da exclusão do SIMPLES Nacional, circunstância que, segundo o entendimento da turma julgadora, impediria o reconhecimento de crédito líquido e certo. Em sede recursal, a parte-recorrente sustenta, preliminarmente, nulidade do acórdão recorrido por cerceamento de defesa, argumentando que o julgamento do pedido de restituição foi antecipado enquanto pendente de apreciação definitiva o recurso administrativo interposto contra a exclusão do SIMPLES Nacional. Alega que o próprio órgão julgador de origem tinha ciência da existência desse recurso e que caberia à Administração diligenciar de ofício para o exame do seu conteúdo, nos termos dos artigos 36 e 37 da Lei nº 9.784/1999. No mérito, afirma que nunca realizou cessão de mão de obra, mas tão somente prestou serviços técnicos de manutenção de equipamentos, com pessoal subordinado exclusivamente à empresa, razão pela Fl. 353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 6 qual seria indevida a retenção de 11%, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/1991. Aduz, ainda, que sua condição de optante pelo SIMPLES Nacional no período de referência, situação que ainda se discute em processo administrativo próprio, implicaria, por si só, a não incidência da retenção e, portanto, a legitimidade do crédito pleiteado. A controvérsia devolvida à apreciação deste Conselho diz respeito à possibilidade de reconhecimento do direito à restituição de valores retidos a título de contribuição previdenciária, no percentual de 11%, sobre serviços prestados entre julho de 2007 e dezembro de 2009, à luz da alegada condição de optante do SIMPLES Nacional pela parte-recorrente e da ausência de cessão de mão de obra, mesmo quando ainda pendente de julgamento o recurso voluntário que impugna a exclusão do regime especial de tributação. Para fins de registro, anoto que o RV 19679.720006/2013-85 foi julgado em 09/12/2020, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 O JULGADOR NÃO ESTÁ OBRIGADO A SE PRONUNCIAR ACERCA DE TODOS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELA RECORRENTE. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a se pronunciar acerca de todos argumentos suscitados pela parte se os pontos analisados são suficientes para motivar e fundamentar sua decisão. O inconformismo com o resultado do acórdão, contrário aos interesses da recorrente, não significa haver falta de motivação ou cerceamento do direito à ampla defesa. CESSÃO (LOCAÇÃO) DE MÃO DE OBRA. ATIVIDADE VEDADA. EXCLUSÃO. Na cessão (ou locação) de mão de obra o empregado fica à disposição do contratante (tomador do serviço). Assim, se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços) tem-se apenas prestação de serviço; de outro modo, se houver sujeição dos empregados às ordens do contratante (tomador de serviços) tem-se cessão ou locação de mão-de-obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto, Jeferson Teodorovicz e André Severo Chaves que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência. Nos casos ordinários em que se controverte sobre a existência de créditos ou exigibilidades tributárias vinculadas à exclusão de contribuinte do regime do Simples Nacional, é necessário que o órgão colegiado competente no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aguarde o desfecho da discussão relativa à validade do respectivo ato de exclusão, quando tal exame esteja afeto a outro colegiado com competência própria. Trata-se, nesses termos, de Fl. 354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 7 típica questão preliminar prejudicial externa, assim compreendida aquela que, embora situada fora dos limites do processo específico, é condição lógica e jurídica antecedente ao julgamento do mérito da pretensão nele deduzida, impondo-se sua resolução prévia por outro juízo ou colegiado competente. Aguardando-se a solução dessa questão prejudicial, assegura-se que o exame do mérito não padeça de prematuridade nem de incongruência lógica quanto ao suporte fático- jurídico que o fundamenta. No entanto, a controvérsia submetida à apreciação neste recurso voluntário não versa sobre a correção ou incorreção da conclusão de mérito quanto à existência do crédito pleiteado, nem sequer desafia os fundamentos materiais do indeferimento do pedido de restituição. De modo distinto e inconfundível, as razões recursais e o pedido da parte-recorrente circunscrevem-se à alegação de vício procedimental, segundo o qual não competia à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidir o pedido de restituição enquanto pendente de solução a prejudicial externa atinente à exclusão do Simples Nacional. Sustenta-se, portanto, que a própria decisão foi proferida por autoridade incompetente ratione materiae, violando as garantias do devido processo administrativo e da legalidade procedimental. A alegação dirige-se, assim, à forma do procedimento e à titularidade decisória da autoridade prolatora, e não ao conteúdo do julgamento da restituição em si. Dessa forma, a matéria devolvida à apreciação deste Colegiado não demandaria, para seu exame, o prévio desfecho da prejudicial externa, pois seu objeto não reside no mérito da restituição, mas sim na regularidade do ato decisório que a apreciou prematuramente. Trata-se de controvérsia autônoma, cujo deslinde prescinde da análise do acerto ou desacerto da exclusão da parte-recorrente do Simples Nacional. Se verificada a nulidade por vício de procedimento, esta atinge a própria existência jurídica do ato de julgamento proferido em primeira instância, tornando-o insuscetível de produzir efeitos válidos e impondo sua desconstituição independentemente da sorte da discussão paralela quanto ao enquadramento tributário da contribuinte. Em especial, há uma distinção a ser feita em relação à aplicabilidade da Súmula 77/CARF, aplicada analogicamente pelo órgão julgador de origem. O emprego da técnica de distinção não viola a autoridade do precedente, que permanece intacta, pois a razão para se deixar de aplicar a orientação então firmada é a divergência entre os pressupostos fáticos-jurídicos determinantes, isto é, a falta de incidência e de subsunção (Duxbury, N. (2008). The Nature and Authority of Precedent. Cambridge: Cambridge University Press. doi:10.1017/CBO9780511818684). Como bem observou o Min. Victor Nunes Leal, não se deve estender o espectro de aplicabilidade de uma orientação jurisprudencial para âmbito alheio ao que permitem os critérios determinantes que fundamentaram o precedente. Num debate pouco conhecido havido no Supremo Tribunal Federal – STF, durante o julgamento de um recurso extraordinário que não costuma ser encontrado na base de pesquisa Fl. 355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 8 aberta ao público, mantida pela Corte, o Ministro Victor Nunes Leal registrou um aviso cardeal àqueles que desejassem bem aplicar os enunciados sumulares, como instrumentos de estabilização de precedentes. Como se sabe, deve-se ao Ministro Victor Nunes Leal a adoção da “Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal” como técnica decisória, destinada a assegurar homogeneidade, segurança jurídica e celeridade à atuação jurisdicional do STF. Na assentada em que julgado o RE 54.190, os colegas do Ministro Victor Nunes Leal estenderam a aplicação da Súmula 303/STF para uma suposta elipse nela contida. Dado o enunciado afirmar que um dado tributo não seria devido antes de 21/11/1961, alguns ministros entenderam que o enunciado permitira a tributação após aquela data. Evidentemente, o texto sumular não comportava essa interpretação, pois havia outros fundamentos determinantes que poderiam invalidar a tributação após a data indicada, e que nela não constavam, simplesmente porque o Tribunal não os havia examinado. Diferentemente do recurso voluntário, apenas o recurso extraordinário baseado no art. 102, III, b da Constituição e aquele sujeito ao regime da repercussão geral têm a causa de pedir aberta. Os demais recursos extraordinários tem a causa de pedir fechada, de modo que a Corte não pode conhecer de novos fundamentos. Disse o Ministro Victor Nunes Leal, à época: “O Sr. Ministro Victor Nunes: Exatamente por isso, eminente Ministro Gonçalves de Oliveira, é que me parece não estar previsto. [...] O Sr. Ministro Victor Nunes: Retomando o fio de meu raciocínio, contraditado, antecipadamente, pelos eminentes Ministros Gonçalves de Oliveira e Pedro Chaves7, peço vênia para uma consideração preliminar. Se tivermos de interpretar a Súmula com todos os recursos de hermenêutica, como interpretamos as leis, parece-me que a Súmula perderá sua principal vantagem. Muitas vezes, será apenas uma nova complicação sobre as complicações já existentes. A Súmula deve ser entendida pelo que exprime claramente, e não a contrario sensu, com entrelinhas, ampliações ou restrições. Ela pretende pôr termo a dúvidas de interpretação e não gerar outras dúvidas. No ponto em debate, a Súmula declara que não é devido o selo nos contratos celebrados anteriormente à Emenda Constitucional 5. Mas não afirma que, celebrado o contrato posteriormente, o selo seja devido. [...] O Sr. Ministro Victor Nunes: A Súmula foi criada para pôr termo a dúvidas. Se ela própria puder ser objeto de interpretação laboriosa, de modo que tenhamos de Fl. 356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 9 interpretar, com novas dúvidas, o sentido da Súmula, então ela perderá a sua razão de ser. [...] O Sr. Ministro Victor Nunes: Faço um apelo aos eminentes colegas, para não interpretarmos a Súmula de forma diferente do que nela se exprime, intencional e claramente. Do contrário, ela falhará, em grande parte, à sua finalidade. Quando a Súmula afirma que não é devido o selo se o contrato for celebrado anteriormente à vigência da Emenda Constitucional 5, sobre esta afirmação, e somente sobre ela, é que já está tranqüila a orientação do Tribunal. Quanto a ser devido o selo nos contratos posteriores, o Tribunal Pleno ainda não definiu a sua jurisprudência”. Acautelados pelo aviso do responsável pela introdução do sistema sumular em nosso ordenamento jurídico, devemos dar máxima efetividade ao que diz os textos dos precedentes vinculantes, sem, contudo, estendê-los para hipóteses diversas. Em sentido semelhante, a necessidade de análise prévia da aplicabilidade do precedente é essencial, conforme reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça, no seguinte julgado: Inicialmente, cabe frisar que a aplicação de um precedente judicial [...] apenas pode ocorrer após a aplicação da técnica da distinção (distinguishing), a qual se refere a um método de comparação entre a hipótese em julgamento e o precedente que se deseja a ela aplicar. A aplicação de tese firmada em sede de recurso repetitivo a uma outra hipótese não é automática, devendo ser fruto de uma leitura dos contornos fáticos e jurídicos das situações em comparação pela qual se verifica se a hipótese em julgamento é análoga ou não ao paradigma. Dessa forma, para aplicação de um precedente, é imperioso que exista similitude fática e jurídica entre a situação em análise com o precedente que visa aplicar. A jurisprudência deste STJ aplica a técnica da distinção (distinguishing), a fim de reputar se determinada situação é análoga ou não a determinado precedente. Nesse sentido: RE nos EDcl nos EDcl no REsp 1.504.753/AL, 3ª Turma, DJe 29/09/2017); REsp 1.414.391/DF, 3ª Turma, DJe 17/05/2016; e, AgInt no RE no AgRg nos EREsp 1.039.364/ES, Corte Especial, DJe 06/02/2018. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.254.567/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 14/8/2018, DJe de 16/8/2018.) A Súmula 77/CARF não afirma que os órgãos de julgamento (controle “litigioso” da validade do crédito administrativo) devem julgar as manifestações de inconformidade e os respectivos recursos voluntários, acerca de critérios específicos aplicáveis ao cálculo do crédito, Fl. 357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 10 independentemente do exame da causa externa de sua prejudicialidade (julgamento da exclusão do Simples). Ela diz, sim, que o processo de controle sobre a exclusão não impede o lançamento, isto é, a constituição do crédito tributário. Ora, nem a DRJ, nem o CARF, lançam. De fato, a 2ª Seção do CARF sobresta os processos ancilares aos processos de exclusão, estes de competência exclusiva da 1ª Seção, até a definição final, no âmbito administrativo, da exclusão. Pois bem, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, “são nulos [...] os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. A incidência da norma ao caso concreto é manifesta. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento proferiu decisão de mérito sobre pedido de restituição cuja análise estava logicamente condicionada à solução de questão prejudicial externa, a validade da exclusão da parte-recorrente do regime do Simples Nacional, ainda pendente de julgamento definitivo por órgão competente. Tal circunstância imporia o reconhecimento de nulidade do julgamento, por afronta direta ao referido preceito normativo. Com efeito, não se identifica, no âmbito da legalidade estrita que rege a atuação administrativa tributária, qualquer distinção essencial entre os limites materiais que vinculam o CARF e a DRJ no exercício da função de controle. Ambos os órgãos estão submetidos a idênticos contornos de competência e à delimitação objetiva do litígio, que, no caso, encontra-se suspenso por ausência de condição lógica prévia para o exame do mérito. Afigura-se incompatível com a estrutura do processo administrativo fiscal a ideia de que o CARF deva sobrestar o julgamento de matéria dependente de prejudicial externa, enquanto à DRJ seria lícito antecipar decisão sobre idêntico conteúdo jurídico, sem a devida resolução da controvérsia principal em outro feito conexo. A violação da competência pela DRJ se torna ainda mais evidente quando confrontada com a natureza das funções desempenhadas pela autoridade fiscal originária, encarregada da constituição do crédito tributário. Às autoridades fiscais cabe o lançamento, mesmo quando pendente discussão sobre a exclusão de regime tributário, por força do princípio da legalidade e do dever de atuação tempestiva para evitar a decadência do crédito. Trata-se de exercício de poder-dever, com implicações diretas na exigibilidade do tributo. Já a DRJ, na qualidade de órgão de julgamento, exerce função de controle, não de constituição, sendo-lhe vedado não apenas suprir vícios do ato fiscal, como também decidir sobre pedidos cuja solução dependa de condição fática ou jurídica ainda não verificada. Ao prolatar decisão sobre a restituição pleiteada, a DRJ ultrapassou os limites materiais da sua competência, ao decidir prematuramente questão que, sabidamente, dependia da conclusão de processo administrativo distinto, em trâmite regular perante colegiado diverso, com atribuição exclusiva para examinar a legalidade da exclusão do regime tributário. Nessas condições, configura-se plenamente a Fl. 358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 11 hipótese de nulidade prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, porquanto a decisão foi proferida com manifesta incompetência material para a apreciação de mérito ainda indefinido. Contudo, o quadro processual apresenta um dilema. Uma vez identificada uma nulidade, ela somente poderia ser superada se fosse possível dar provimento ao recurso voluntário. É o que dispõe, expressamente, o art. 59 § 3º do Decreto 70.235/1972, que somente pode ser modificado por lei, por versar sobre processo administrativo (e incorretamente é tido por recebido como lei ordinária). Veja-se, verbatim: Art. 59. [...] [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Desse modo, para que fosse possível superar o exame da nulidade, uma das seguintes condições deveria estar presente: a) A possibilidade de conhecimento e de provimento do recurso voluntário, por quaisquer razões de direito; b) A rejeição da nulidade, em seu mérito, dado que: a. A orientação aplicável ao CARF acerca da necessidade de sobrestamento dos recursos voluntários ancilares em deferência ao julgamento do recurso voluntário que discute a exclusão do Simples está equivocada; b. A orientação aplicável ao CARF é inaplicável à DRJ, dada esta possuir alguma propriedade determinante exclusiva que justifique o tratamento diverso (distinguishing). c) A existência de causa legal de superação da nulidade, em desfavor do sujeito passivo, como, e.g.: a. A modificação ou derrogação parcial do art. 59, § 3º do Decreto 70.235/1972 pelo art. 1.013, §§ 3º e 4º do CPC/2015 (Teoria da Causa Madura); Fl. 359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 12 b. A derrotabilidade do art. 59, § 3º do Decreto 70.235/1972, pelos Princípios da Celeridade e da Eficiência Administrativa; c. Alguma outra causa, ainda por ser identificada. Entendo que a apresentação de qualquer uma dessas soluções afastaria o risco de negativa de vigência à lei federal indicada, que somente permite a superação de nulidade em favor do sujeito passivo. Nesse sentido, não adiro à nenhuma das vertentes das hipóteses b, pelas razões já indicadas (entendo presente a nulidade, por violação de procedimento e de competência). Também sem prejuízo de uma constante revisão do conhecimento, não adiro à vertente c.a., que sugere a utilização da Teoria da Causa Madura para afastar, tout court, o art. 59, §3º do Decreto 70.235/1972. Em primeiro lugar, observo que o CPC/2015 não possui norma semelhante, a vincular a superação de nulidades em favor de uma das partes. Há aqui uma distinção evidente entre o processo civil e o processo administrativo, cuja obviedade oculta a respectiva compreensão, em fenômenos sociais descritos por autores como BERTOLT BRECHT e ALFRED NORTH WHITEHEAD: no processo administrativo, não há litigantes a defender interesses privados disponíveis, com objetivos e expectativas egoístas e personalistas, cuja legitimidade pelo procedimento dependa essencialmente da “paridade de armas”: o Estado somente pode agir pautado pela estrita legalidade, pelo interesse público PRIMÁRIO, e pela expressa transparência (na linha do art. 142, par. ún., 145, III e 149 do CTN, associados à Súmula 473/STF; art. 50 da Lei 9.784/1999). Assim, para o Estado, a correção de erros e de nulidades é um dever em si mesmo, autônomo, que não pode ser afastado em desfavor do indivíduo, tampouco desconsiderado diante da vulnerabilidade do súdito. Aderir ao procedimento correto e previsto em lei é a única forma que o Estado tem para manter sua legitimidade, dado que simplesmente não se pode prometer ao indivíduo que as atuações estatais produzirão, sempre, ou na maioria das vezes, respostas corretas (cf. Luhmann, N. (1980). "Legitimation durch Verfahren" [Legitimidade pelo Procedimento]. Frankfurt am Main: Suhrkamp). Em sentido semelhante, não me parece adequado entender que a nulidade procedimental, meramente “formal”, seja uma violação de menor importância, inócua, trivial, anódina, pois, se assim o fosse, certamente não haveria restrição para a 2ª Seção examinar os RVs ancilares, independentemente do desfecho dos RVs de competência da 1ª Seção (exclusão do Simples). É esse aspecto cuja resposta me parece ausente dos precedentes que tratam sobre a aplicação da causa madura no âmbito do CARF, a partir da amostragem selecionada para este julgamento, pendente análise mais ampla do corpvs para a necessária evolução. Fl. 360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 13 Acerca da hipótese c.b., penso que a orientação firmada na Súmula 02/CARF1 indica convicentemente a respectiva rejeição. Resta investigar a vastidão da hipótese c.c. E, neste ponto, parece-me haver um fundamento consistente a impedir a incidência do art. 59, §3º do Decreto 70.235/1972, para os casos ancilares à exclusão do Simples. Trata-se da absoluta e irreparável (pelo RV – 2ª Turma) perda superveniente de objeto, e, consequentemente, da necessidade e do interesse na manutenção do processo administrativo de controle iniciado com a manifestação de inconformidade. A dependência de um objeto, marcado pela necessidade e pela utilidade do processo administrativo, é inerente a qualquer normatização procedimental estatal. Trata-se de elemento de essencialidade cardinal, a ponto de ser tido como cláusula não enumerada, acaso não expresso claramente no texto legal. No caso em exame, o julgamento realizado pela 1ª Turma, em relação à exclusão do Simples, desconstituiu o objeto deste recurso voluntário, no âmbito administrativo. Esta 2ª Turma não teria competência para decidir de modo diverso, a apreciar tão-somente elementos supérstites, como dúvidas sobre critérios de apuração dos créditos, provas de efetivo recolhimento ou de retenção, etc, pois todas essas questões dependeriam da caracterização da empresa como optante legítima do Simples. Evidentemente, se a exclusão do Simples acarretou mudanças no quadro fático- jurídico, de modo a ela, em si, tornar-se fato precursor de indébitos, tal matéria, inovadora, deverá ser tratada a tempo e modo próprios pelo sujeito passivo. Mas os recolhimentos alegadamente indevidos, realizados sob a égide dos parâmetros do Simples, não podem mais ser analisados. Desse modo, por causa prejudicial externa, consistente na perda superveniente de objeto do recurso voluntário, deixo de declarar a nulidade do acórdão-recorrido, por precocidade. Diante do exposto, rejeito o argumento. 3 MÉRITO Nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. Assim, registro o seguinte trecho do acórdão-recorrido, ao qual adiro parcialmente: 1 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 14 O pedido de restituição foi indeferido sob a justificativa de que a empresa requerente havia sido excluída do SIMPLES Federal e do SIMPLES Nacional, mas declarou em GFIP ser optante pelo SIMPLES em todo o período, de modo que, no cálculo dos valores devidos à Previdência, não foram incluídas as contribuições patronais incidentes sobre a remuneração declarada em GFIP. O contribuinte alega ter apresentado recurso contra os acórdãos proferidos pela Delegacia de Julgamento Rio de Janeiro I, nos autos dos processos administrativos nº 19679.720005/2013-85 e 19679.720006/2013-85, que mantiveram os efeitos do Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRES nº 02/2013, que excluiu a empresa do Simples Federal e do Simples Nacional. Quanto à exclusão do SIMPLES Federal (processo nº 19679.720005/2013-31), a 3ª Câmara da 2ª Turma ordinária da 1ª Seção de Julgamento do CARF prolatou o Acórdão nº 1302-001.916, em 06/07/2016, por meio do qual deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, entendendo indevida a sua exclusão do SIMPLES Federal. Em razão desta decisão, deve ser revisto o Despacho Decisório, uma vez que a única justificativa apresentada para o indeferimento do crédito relativo às competências 09/2006 a 06/2007 foi a exclusão do SIMPLES Federal. Assim, reconheço o direito creditório relativo a estas competências, devendo a unidade local proceder à quantificação dos valores a elas relativos. Quanto à exclusão do SIMPLES Nacional, que fundamenta o indeferimento do pedido de restituição relativo às competências 07/2007 a 12/2009, o Acórdão nº 12-60.591, proferido pela 4ª Turma da Delegacia de Julgamento, em 18/10/2013, nos autos do processo administrativo nº 19679.720006/2013-85, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada e manteve a exclusão do SIMPLES Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007, nos termos do ADE. Em consulta aos autos deste processo, verifica-se que o recurso voluntário apresentado contra a referida decisão ainda não foi apreciado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Observa-se que a competência da DRJ para decidir acerca da Manifestação de Inconformidade apresentada contra o ato de exclusão da empresa do SIMPLES Nacional foi exercida pela DRJ/RJ I, que manteve os efeitos do ADE. Logo, não serão conhecidas nesta decisão, as alegações acerca da possibilidade de permanência da empresa no SIMPLES Nacional. Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN, para que seja possível a restituição ou a compensação, o crédito do contribuinte perante a fazenda pública deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza. O crédito aduzido pelo contribuinte nestes autos, entretanto, somente existirá ou somente poderá ter a sua exata dimensão verificada se ele vier a ser vencedor da lide relativa a sua exclusão do SIMPLES Nacional. Revela-se, assim, um crédito de existência incerta e ilíquido, de modo que não é hábil para fundamentar o pedido de restituição. Fl. 362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.599 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19679.720155/2012-63 15 [...] Por fim, o contribuinte afirma que, por ser uma empresa vinculada ao SIMPLES Nacional, não deveria ter sofrido a retenção de 11%. Ora, ainda que a retenção não devesse ser efetuada, considerando que à época da prestação de serviços ainda não haviam sido expedidos os ADE que excluíram a empresa do SIMPLES, o fato é que o tomador dos serviços procedeu à retenção e que o pedido de restituição deve ser decidido com base nas regras a ele aplicáveis. Pelas razões acima, entendo que deve ser mantido o indeferimento do pedido de restituição relativo às competências 07/2007 a 12/2009. Em conclusão, voto por DEFERIR PARCIALMENTE a solicitação contida na Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT, a fim de reconhecer o direito creditório relativo às competências 09/2006 a 06/2007 (observando que a unidade local deve proceder à quantificação dos valores devidos nestas competências) e de manter o indeferimento do pedido de restituição relativo às competências 07/2007 a 12/2009. Sem a correção da violação procedimental identificada, entendo que o quadro fático-jurídico permanece incompleto, de modo a tornar impossível reverter as conclusões a que chegou o órgão julgador de origem. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO A PRELIMINAR, e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 363DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 conhecimento 2 PRELIMINAR DE NULIDADE 3 mérito OLE_LINK1
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Numero do processo: 10140.720826/2018-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2016 a 31/12/2016
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. DESCRIÇÃO CLARA DO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não se declara nulidade sem demonstração de prejuízo. Auto de Infração que descreve os fatos, identifica o sujeito passivo, aponta o fundamento legal e apresenta demonstrativos de cálculo atende aos requisitos do art. 142 do CTN e dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972. A eventual discordância do contribuinte quanto ao enquadramento jurídico não caracteriza vício formal. Preliminar rejeitada.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/09/2016 a 31/12/2016
QUITAÇÃO TRIBUTÁRIA POR MEIO DE TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA. OPERAÇÃO INIDÔNEA. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Inviável a extinção de débitos tributários federais mediante suposta cessão de créditos de títulos da dívida pública intermediada por terceiros. A Portaria SRF nº 913/2002 não autoriza particulares a liquidar tributos via “resgate” junto ao Tesouro Nacional. Inexistência de prova de liquidez, certeza ou exigibilidade dos títulos, bem como de registro no SIAFI. Operação inidônea. Não configurado pagamento, compensação ou qualquer causa extintiva.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO DE FRAUDE. REDUÇÃO DO PERCENTUAL PARA 100% (LEI Nº 14.689/2023).
Omissão intencional de débitos em DCTF, lançamento contábil fictício de “PGTO DARF VIA ALPHA ONE” e recusa em apresentar contratos que dariam suporte às operações demonstram evidente intuito de fraude (Lei nº 4.502/1964, art. 72). Correta a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Entretanto, por força da Lei nº 14.689/2023, o montante da multa deve ser limitado a 100% do valor do crédito tributário, aplicando-se a retroatividade benigna (CTN, art. 106, II, c).
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. ART. 135, III, DO CTN. DEMONSTRAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NOS ATOS INFRAÇÃO.
Comprovada a participação direta dos administradores na adoção do procedimento irregular de quitação dos débitos, inclusive com outorga de poderes e atuação perante a RFB, resta configurada a hipótese do art. 135, III, do CTN. Legítima a inclusão dos coobrigados no polo passivo.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA LEGAL.
Os juros moratórios incidem sobre o crédito tributário, que compreende tributo e penalidade pecuniária (CTN, arts. 113, §1º, e 161).
LEGALIDADE DA SELIC. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA AFASTAR NORMA SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A SELIC possui previsão legal expressa no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, e sua utilização atende ao princípio da legalidade (CF, art. 150, I). A definição técnica da taxa pelo Banco Central não viola a legalidade tributária, dispensando lei que detalhe sua fórmula matemática. À instância administrativa é vedado afastar dispositivo legal por suposta inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1002-004.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para redução da multa qualificada de 150% a 100%, em observância à Lei n. 14.689/2023, face à aplicação do princípio da retroatividade benigna. Votou pelas conclusões e manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Ângelo Carneiro Baptista.
Assinado Digitalmente
Maria Angélica Echer Ferreira Feijó – Relator
Assinado Digitalmente
Ailton Neves da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Angelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Andrea Viana Arrais Egypto e Ailton Neves da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARIA ANGELICA ECHER FERREIRA FEIJO
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DESCRIÇÃO CLARA DO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não se declara nulidade sem demonstração de prejuízo. Auto de Infração que descreve os fatos, identifica o sujeito passivo, aponta o fundamento legal e apresenta demonstrativos de cálculo atende aos requisitos do art. 142 do CTN e dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972. A eventual discordância do contribuinte quanto ao enquadramento jurídico não caracteriza vício formal. Preliminar rejeitada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/09/2016 a 31/12/2016 QUITAÇÃO TRIBUTÁRIA POR MEIO DE TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA. OPERAÇÃO INIDÔNEA. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Inviável a extinção de débitos tributários federais mediante suposta cessão de créditos de títulos da dívida pública intermediada por terceiros. A Portaria SRF nº 913/2002 não autoriza particulares a liquidar tributos via “resgate” junto ao Tesouro Nacional. Inexistência de prova de liquidez, certeza ou exigibilidade dos títulos, bem como de registro no SIAFI. Operação inidônea. Não configurado pagamento, compensação ou qualquer causa extintiva. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONFIGURAÇÃO DE FRAUDE. REDUÇÃO DO PERCENTUAL PARA 100% (LEI Nº 14.689/2023). Fl. 1176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 2 Omissão intencional de débitos em DCTF, lançamento contábil fictício de “PGTO DARF VIA ALPHA ONE” e recusa em apresentar contratos que dariam suporte às operações demonstram evidente intuito de fraude (Lei nº 4.502/1964, art. 72). Correta a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Entretanto, por força da Lei nº 14.689/2023, o montante da multa deve ser limitado a 100% do valor do crédito tributário, aplicando-se a retroatividade benigna (CTN, art. 106, II, c). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. ART. 135, III, DO CTN. DEMONSTRAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NOS ATOS INFRAÇÃO. Comprovada a participação direta dos administradores na adoção do procedimento irregular de quitação dos débitos, inclusive com outorga de poderes e atuação perante a RFB, resta configurada a hipótese do art. 135, III, do CTN. Legítima a inclusão dos coobrigados no polo passivo. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA LEGAL. Os juros moratórios incidem sobre o crédito tributário, que compreende tributo e penalidade pecuniária (CTN, arts. 113, §1º, e 161). LEGALIDADE DA SELIC. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA AFASTAR NORMA SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A SELIC possui previsão legal expressa no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, e sua utilização atende ao princípio da legalidade (CF, art. 150, I). A definição técnica da taxa pelo Banco Central não viola a legalidade tributária, dispensando lei que detalhe sua fórmula matemática. À instância administrativa é vedado afastar dispositivo legal por suposta inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 2). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para redução da multa qualificada de 150% a 100%, em observância à Lei n. 14.689/2023, face à aplicação do princípio da retroatividade benigna. Votou pelas conclusões e manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Ângelo Carneiro Baptista. Fl. 1177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 3 Assinado Digitalmente Maria Angélica Echer Ferreira Feijó – Relator Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Angelo Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Andrea Viana Arrais Egypto e Ailton Neves da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recursos voluntários (e-fls. 284-327 e 693-1159) interpostos por MILENIO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA, e pelos sócios e administradores Eloy Jairo Bomm e Edi Roque Pegoraro, contra o Acórdão nº 02-88.072 (e-fls.249-266), proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve integralmente o crédito tributário constituído nos autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL referentes ao 3º e 4º trimestres do ano-calendário de 2016. Conforme descrito no relatório da decisão de primeira instância, a fiscalização constatou que a empresa informou na ECD e ECF valores de IRPJ e CSLL a pagar, mas não os declarou em DCTF nos meses de setembro a dezembro de 2016. Verificou-se, ainda, que nos registros contábeis constavam lançamentos com o histórico “PGTO DARF VIA ALPHA ONE”, indicando que os tributos teriam sido quitados mediante operação de cessão de supostos créditos de Títulos da Dívida Pública Externa adquiridos junto à empresa Alpha One Administração e Gestão de Ativos Eireli. A fiscalização intimou o contribuinte a apresentar o contrato de cessão e os comprovantes de pagamento correspondentes, mas nenhum documento hábil foi apresentado, tendo sido juntadas apenas petições endereçadas à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), requerendo o reconhecimento dos supostos créditos. Diante da inexistência de comprovação de quitação válida dos tributos, foram lavrados autos de infração exigindo IRPJ e CSLL, com aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996, c/c arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, em razão da configuração de fraude fiscal. Os sócios e administradores foram incluídos no polo passivo com fundamento no art. 135, III, do Código Tributário Nacional, por terem praticado atos com infração à lei, consistentes na utilização de Fl. 1178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 4 créditos inexistentes e na delegação irregular de poderes à referida empresa Alpha One para cumprimento de obrigações tributárias. Após a apresentação de Impugnação (e-fls. 146-237), a DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada tanto pela contribuinte quanto pelos coobrigados, mantendo integralmente o lançamento. Entendeu a Turma julgadora que: a Portaria SRF nº 913/2002 não autoriza pessoas jurídicas de direito privado a quitar tributos federais por meio de créditos da dívida pública externa sem convênio com a STN; inexiste amparo legal para compensação ou dação em pagamento de créditos de terceiros ou de títulos públicos para fins de extinção de débitos tributários; restou caracterizado o intuito doloso de fraude, haja vista a omissão intencional das DCTF e o uso de documentos sem validade jurídica; e estão presentes os requisitos do art. 135, III, do CTN para responsabilização dos administradores, uma vez que os atos foram praticados com infração à lei e resultaram em inadimplemento de obrigações tributárias. A contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração e da decisão de primeira instância, sob o argumento de que o lançamento não teria indicado de forma adequada o fato gerador, a base de cálculo e a fundamentação legal aplicável, violando os princípios da legalidade e da motivação administrativa. No mérito, sustenta: 1. que atuou de boa-fé, seguindo as orientações da empresa Alpha One, posteriormente envolvida em investigação policial (“Operação Fake Money”); 2. que o procedimento adotado de pagamento via Sistema Integrado de Administração Financeira – SIAFI estaria amparado na Portaria SRF nº 913/2002; 3. que não houve intuito fraudulento, pois todos os valores foram corretamente informados em ECD e ECF; e 4. que a multa de ofício qualificada deve ser afastada, por ausência de dolo e fraude. 5. que não poderia haver a incidência de juros sobra a multa de ofício 6. e que a Selic não seria aplicável à atualização de créditos tributários. Os coobrigados Eloy Jairo Bomm e Edi Roque Pegoraro apresentaram recursos voluntários próprios, mas de forma conjunta, reiterando integralmente as razões da contribuinte e acrescendo o argumento de que não restaram comprovados os requisitos do art. 135, III, do CTN, motivo pelo qual deve ser afastada a responsabilidade solidária que lhes foi atribuída. Em 22/11/2023, apresentou razões complementares ao recurso voluntário (e-fls. 1167-1169), requerendo a aplicação da Lei nº. 14.689/2023 para redução da multa de ofício.-. Dias antes da pauta de julgamento deste processo, foi juntado aos autos instrumento para regularização processual (e-fls. 1172). Fl. 1179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 5 É o relatório. VOTO Conselheiro Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Relator I – Admissibilidade Em relação à tempestividade, consigo que o recurso é tempestivo. A intimação do Acórdão recorrido se deu (tanto em relação à contribuinte quanto à responsável solidária) em 27 e 28/11/2018 (e-fls. 276-281) e os Recursos Voluntários foram protocolados em 07/12/2018 e 18/12/2018 (e-fls. 282 e 691). Logo, está devidamente cumprida a exigência do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual conheço do Recurso Voluntário. II – Preliminar: da alegação de nulidade da autuação A Recorrente suscita a nulidade do Auto de Infração sob o argumento de ausência de fundamentação quanto ao fato gerador, base de cálculo e alíquotas aplicadas, sustentando que tal omissão violaria os princípios constitucionais da legalidade e da ampla defesa (art. 5º, LV, e art. 37 da CF/88). Contudo, a alegação não merece prosperar. Nos termos do art. 142 do CTN, compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário, verificando a ocorrência do fato gerador, determinando a matéria tributável, calculando o montante devido e identificando o sujeito passivo. Essa atividade é vinculada e obrigatória, não se sujeitando à discricionariedade do agente fiscal. O art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 complementa a regra, exigindo que o Auto de Infração contenha, obrigatoriamente, a qualificação do autuado, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável No caso concreto, o Auto de Infração reúne todos esses elementos essenciais: identifica o sujeito passivo, delimita o período de apuração, descreve a infração (omissão de débitos declarados em ECF e não confessados em DCTF) e fundamenta a exigência nos dispositivos da Lei nº 9.430/1996, do CTN e das instruções normativas da Receita Federal, permitindo plena compreensão da acusação e exercício do direito de defesa. Ademais, os demonstrativos de apuração, anexados ao relatório fiscal, discriminam os valores de IRPJ e CSLL, as bases de cálculo utilizadas e as respectivas multas e juros, em conformidade com o art. 9º do Decreto nº 70.235/72 A jurisprudência administrativa é pacífica no sentido de que não se declara nulidade sem demonstração de prejuízo ao direito de defesa. Conforme o art. 60 do mesmo decreto, irregularidades e omissões diferentes daquelas previstas no art. 59 (como incompetência ou Fl. 1180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 6 preterição do direito de defesa) não implicam nulidade, sendo sanáveis se não influírem na solução do litígio. Portanto, ainda que a Recorrente discorde da interpretação fiscal quanto ao enquadramento legal ou à metodologia de cálculo, tal inconformismo não se confunde com vício formal invalidante do lançamento. O Auto de Infração não padece de ausência de motivação nem de falta de clareza quanto ao fato gerador, mas apenas reflete divergência de mérito, a ser apreciada no exame posterior. Conclui-se, assim, que a autuação observou os requisitos legais aplicáveis, assegurou o contraditório e a ampla defesa, e foi lavrada por autoridade competente, inexistindo qualquer prejuízo concreto que justifique a nulidade. Assim, rejeito a preliminar de nulidade. III – Mérito: III.a - Da alegação de quitação dos débitos por meio de títulos da dívida pública Os recorrentes sustentam que os tributos exigidos (IRPJ e CSLL) teriam sido quitados mediante cessão de créditos oriundos de títulos da dívida pública externa, conforme supostamente autorizado pela Portaria SRF nº 913/2002, e operacionalizados pela empresa Alpha One, intermediária que teria orientado o procedimento de “resgate” junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Aduzem que a mencionada portaria permitiria o pagamento de receitas federais “por intermédio da STN”, a qual integra a Rede Arrecadadora de Receitas Federais (RARF), razão pela qual consideram legítima a entrega de títulos públicos em substituição ao pagamento em espécie. Entretanto, tal interpretação não se sustenta à luz do ordenamento jurídico tributário. OS arts. 1º e 2º da Portaria SRF 913/2002 apenas faculta à STN atuar como agente arrecadador de receitas federais, em convênio com instituições financeiras integrantes da RARF, observando os sistemas SIAFI e SPB. A norma, em nenhum momento, autoriza particulares a promover o resgate de títulos da dívida pública para quitar tributos federais, tampouco legitima a utilização de créditos de terceiros ou de origem duvidosa. Conforme consignado no acórdão da DRJ, não há nos autos qualquer prova de convênio firmado entre a autuada e a STN, tampouco comprovante de recolhimento via SPB, documento exigido pelo art. 6º da referida portaria. Vejamos a literalidade dos dispositivos: Art. 1º O pagamento de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF) e das demais receitas federais recolhidas em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) poderá ser efetuado por intermédio da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), que passa a integrar a Rede Arrecadadora de Receitas Federais (Rarf) sob o Código Nacional de Compensação 009. Fl. 1181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 7 Parágrafo único. A STN está apta a prestar serviços de arrecadação de que trata a Portaria SRF nº 2.609, de 20 de setembro de 2001, nos casos de pagamento de receitas federais com: I - recursos integrantes da Conta Única do Tesouro Nacional por meio do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi); II - transferência de recursos para a Conta Única do Tesouro Nacional por meio do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Art. 2º A utilização do Siafi para o pagamento de receitas federais destina-se aos órgãos ou entidades da Administração Pública Federal integrantes da Conta Única do Tesouro Nacional e às pessoas jurídicas de direito privado que façam uso do Siafi nos termos de convênio firmado com a STN. Dos autos, o que consta é a juntada de meras autorizações de “resgate” assinadas por terceiros (e-fls. 51-68), desprovidas de fé pública e liquidez, sem lastro em operação registrada no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal – SIAFI. Além disso, a Lei 9.430/1996, art. 74, § 12, expressamente considera não declarada a compensação que envolva créditos de terceiros ou referentes a títulos públicos, entendimento reforçado pela Lei 11.051/2004. A jurisprudência deste Conselho já analisou diversos casos idênticos a este, reconhecendo a impossibilidade de utilização desses títulos: Numero do processo: 10855.723359/2019-70 Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Sun Mar 06 00:00:00 UTC 2022 Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2022 Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2016 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA DEFINITIVA. Restando evidenciada a apresentação intempestiva do recurso voluntário a decisão de primeira instância torna-se definitiva, caso em que o litígio se encontra findo na esfera administrativa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A sujeição passiva solidária obriga as “pessoas jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” (inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional) pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135 do Código Tributário Nacional). NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim Fl. 1182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 8 entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No contexto da operação Fake Money, houve utilização indevida de direito creditório decorrente de títulos públicos da dívida externa da Secretaria do Tesouro Nacional, este plenamente identificado como fraudulento, dentro de procedimento de inobservância das regras legais. PROVA EMPRESTADA. No processo administrativo fiscal, em se tratando de averiguação do acervo fático- probatório, o julgador tem a liberdade de formar sua convicção atribuindo valor aos elementos que evidenciam a persuasão racional fundamentada a respeito da verdade material. A utilização de prova emprestada produzida em outro procedimento condiciona-se ao juízo de adequação e ao crivo do contraditório. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Guarda nexo causal e relação direta com a infração cometida, demonstrada pelo liame indissociável e consequencial entre os fatos geradores colhidos de ofício e as condutas descrita nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Formalizada pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, a representação fiscal para fins penais tem natureza jurídica de notícia crime no que se refere aos fatos averiguados, que, em tese, possam configurar crimes de natureza tributária praticados por particulares. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao processo correlato. ESPONTANEIDADE. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Numero da decisão: 1003-002.924 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos Recursos da Alpha One Administração e Gestão de Ativos Eireli, José Ernesto Damiance Fl. 1183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 9 Feracini, Luiz Roberto Villani Borim, Luiz Gonzaga Borim e Roberto Rocha Villani. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva. Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA Numero do processo: 10665.723836/2018-53 Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2023 Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2023 Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2016 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA. IMPOSSIBILIDADE. Supostos créditos provenientes das denominada Operações Especiais, Unidade Orçamentária 71.101, não se prestam à quitação de tributos federais. MULTA EXIGIDA DE ACORDO COM A NORMA JURÍDICA VIGENTE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não se reveste de caráter confiscatório nem é desproporcional a multa imputada nos limites percentuais preconizados por legislação vigente. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. Aplicam-se ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. Numero da decisão: 1003-003.531 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Gustavo de Oliveira Machado, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA Fl. 1184DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 10 Numero do processo: 19311.720008/2020-62 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Wed Nov 17 00:00:00 UTC 2021 Data da publicação: Mon Dec 13 00:00:00 UTC 2021 Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2017 IMPOSSIBILIDADE COBRANÇA DO DÉBITOS COMPENSADOS. DUPLICIDADE DE COBRANÇA. INOCORRÊNCIA. O sujeito passivo alega que os débitos teriam sido quitados por meio de compensação com títulos públicos adquiridos de terceiros e por isso não poderia prosperar a cobrança dos débitos lançado pois haveria o pagamento em duplicidade. Ocorre que a compensação nunca ocorreu, conforme comprovado nos autos. Primeiramente porque não há prova nos autos da existência e validade dos supostos créditos (não há nenhuma confirmação pela Secretaria do Tesouro Nacional. Segundo, porque a legislação de regência da compensação tributária no âmbito federal (art. 74 da Lei n° 9.430/96) veda expressamente a compensação com créditos de terceiros e com títulos públicos, e por fim, a alegada compensação não foi levada ao conhecimento das autoridades administrativas e portanto, nunca foi homologada. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS COM TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. Não há documentos nos autos que comprovem a existência de tais precatórios. E diferentemente do que aduz o sujeito passivo, nos autos parece que o sujeito passivo adquiriu do terceiro Letras Financeiras do Tesouro, pelos quesitos formulados para perícia solicitada na impugnação. A compensação tributária está regulamentado no art. 74 da Lei n° 9.430/96 que definiu a forma (através do encaminhamento de declaração onde devem constar os créditos utilizados e os débitos compensados) e os limites da compensação (quais créditos são passíveis de utilização). Da leitura do art. 74 da Lei n° 9430/96 conclui-se pela impossibilidade de compensar os débitos do sujeito passivo com os supostos créditos relativos a título público que os recorrentes afirmam ter negociado com um terceiro, além de serem relativos a título público. Além disso, não constam nos autos nenhum documento comprobatório da existência e validade e reconhecimento dos supostos títulos públicos pela STN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. Não sendo demonstrado cabalmente e detalhadamente o nexo causal entre as condutas praticadas pela empresa e que levaram às autuações, nos termos do art. 124 e 135, III, do CTN, e os sócios arrolados como responsáveis solidários, deve-se excluir a responsabilidade solidária dos mesmos. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Não se comprovando, mediante demonstração cabal e detalhada, as condutas praticadas pelo contribuinte que teriam o condão de gerar a qualificação da multa, é de se afastar Fl. 1185DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 11 a qualificação da multa de 150%, mantendo-se a multa de ofício de 75%. Mera descrição genérica de condutas não tem o condão de evidenciar o evidente intuito de sonegação (dolo) exigido para a qualificação da multa. Numero da decisão: 1201-005.466 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: (i) em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama (relator); (ii) em dar parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte para exonerar a qualificação da multa de ofício para que esta seja exigida no patamar de 75%, vencidos os Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama (relator) e Sérgio Magalhães Lima, que mantinham a qualificação da multa e (iii) em dar parcial provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários Rosangela Elvira Bittencourt Barbosa, Daniele Bittencourt Barbosa e Thais Bittencourt Barbosa para afastar as relações de responsabilidade, vencidos os Conselheiros Wilson Kazumi Nakayama (relator), Sérgio Magalhães Lima e Neudson Cavalcante Albuquerque, que mantinham as imputações de responsabilidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jeferson Teodorovicz. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator (documento assinado digitalmente) Jeferson Teodorovicz - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA Numero do processo: 13855.723394/2017-15 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Wed Nov 17 00:00:00 UTC 2021 Data da publicação: Fri Jan 21 00:00:00 UTC 2022 Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2015 RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO DO DIREITO. A responsável solidária Thais Bittencourt Barbosa não apresentou impugnação ao Auto de Infração e de responsabilização tributária para apreciação pela 1ª instância de julgamento administrativo, portanto,. precluiu o seu direito de apresentação do recurso voluntário, não podendo o recurso voluntário ser apreciado por esta 2ª instância, sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição, uma vez que seus argumentos não foram apreciados pela 1ª Fl. 1186DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 12 instância de julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) null TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Além de não constar nos autos nenhum documento que comprove a suposta existência, validade e reconhecimento dos alegados títulos públicos usados para compensação dos débitos do sujeito passivo, o art. 74 da da Lei n° 9430/96 veda a utilização de títulos públicos e também de créditos de terceiros na compensação tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. Não sendo demonstrado cabalmente e detalhadamente o nexo causal entre as condutas praticadas pela empresa e que levaram às autuações, nos termos do art. 124 e 135, III, do CTN, e os sócios arrolados como responsáveis solidários, deve-se excluir a responsabilidade solidária dos mesmos. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Não se comprovando, mediante demonstração cabal e detalhada, as condutas praticadas pelo contribuinte que teriam o condão de gerar a qualificação da multa, é de se afastar a qualificação da multa de 150%, mantendo-se a multa de ofício de 75%. Mera descrição genérica de condutas não tem o condão de evidenciar o evidente intuito de sonegação (dolo) exigido para a qualificação da multa. Numero da decisão: 1201-005.464 Decisão: Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário da responsável tributária Thais Bittencourt Barbosa; (ii) por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários Seibapar Investimentos e Participações, Rosangela Elvira Bittencourt Barbosa e Daniele Bittencourt Barbosa para: (ii.1) exonerar a qualificação da multa de ofício para que esta seja exigida no patamar de 75%, vencido o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, que mantinha a qualificação da multa e (ii.2) afastar as relações de responsabilidade, vencido o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, que mantinha todas as imputações de responsabilidade e vencidos os Conselheiros Sérgio Magalhães Lima e Neudson Cavalcante Albuquerque, que afastavam a imputação de responsabilidade apenas de Seibapar Investimentos e Participações. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201- 005.463, de 17 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13855.723393/2017-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE Numero do processo: 15586.720026/2018-49 Fl. 1187DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 13 Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021 Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2021 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano- calendário: 2014, 2015, 2016 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. TÍTULOS PÚBLICOS DA DÍVIDA EXTERNA. IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária em vigor não permite a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação/pagamentos de débitos relativos a impostos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. Incabível a utilização da sistemática de pagamento, via Secretaria do Tesouro Nacional, para compensação de tributos com supostos créditos de terceiros, no caso, Títulos Públicos da Dívida Externa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Verificado comportamento doloso e fraudulento, que se enquadre nas condições previstas na legislação tributária para a qualificação da multa de ofício, correta a aplicação do percentual de cento e cinquenta por cento. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA PESSOAL. INFRAÇÃO DE LEI. MANDATÁRIOS. SÓCIOS, ADMINISTRADORES, GERENTES, REPRESENTANTES DE PESSOA JURÍDICA. Constatados fatos e ações contrários à lei, praticados por sócios, diretores, administradores ou representantes de pessoa jurídica, é correta a atribuição da responsabilidade solidária a essas pessoas. Numero da decisão: 1402-005.774 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa qualificada em 150% e a responsabilização solidária dos administradores. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1402-005.773, de 15 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 15586.720025/2018-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iagaro Jung Martins, Jandir Jose Dalle Lucca, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocado(a)), Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE Numero do processo: 10783.720489/2016-07 Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021 Fl. 1188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 14 Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021 Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/08/2014 a 30/09/2014 SIMPLES. FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO. Constatada a falta de recolhimento ou declaração dos débitos relativos ao Simples Nacional, correta sua exigência por meio do lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2014 a 30/09/2014 TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. UTILIZAÇÃO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS FEDERAIS. Inexiste previsão legal para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil com título da dívida pública. MULTA. APLICAÇÃO. A multa aplicável por incorreções e omissões ocorridas nas declarações relativas ao SIMPLES NACIONAL, será aquela prevista no art. 38-A, da Lei Complementar Nacional nº 123/2006. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MANDATÁRIO. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei. Numero da decisão: 1001-002.548 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário da contribuinte, bem como em negar provimento ao Recurso Voluntário da ALPHA ONE ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO DE ATIVOS EIRELI. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Roberto Adelino da Silva, Sérgio Abelson e Thiago Dayan da Luz Barros Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS Numero do processo: 10783.721021/2016-21 Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018 Ementa: Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 01/07/2012 a 31/08/2012 FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO. Constatada a falta de recolhimento ou declaração dos débitos relativos ao Simples Nacional, correta sua exigência por meio do lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. UTILIZAÇÃO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS FEDERAIS. Inexiste previsão legal para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil com título da dívida pública. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CONLUIO. Mantém-se a multa por infração Fl. 1189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 15 qualificada quando reste inequivocamente comprovado a ocorrência de sonegação e conluio. Numero da decisão: 1402-003.013 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos sujeitos passivos solidários. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA Além da jurisprudência desse Conselho, é importante recordar a existência do trabalho conjunto da RFB, STN, PGFN e MPU, intitulado “Prevenção à Fraude Tributária com Títulos Públicos Antigos” (disponível em: https://www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/prevencao-a-fraude-tributaria-com-titulos- publicos-antigos/2025/26), que alerta justamente para tais operações fraudulentas promovidas por empresas intermediárias, dentre elas a Alpha One, que oferecem a quitação de tributos mediante títulos sem validade financeira ou sem registro contábil legítimo na dívida pública. Ou seja, não há lastro válido para corroborar a tese de defesa, no sentido de ser válido o procedimento adotado para quitação dos seus tributos. Assim, inexiste comprovação de quitação válida ou extinção do crédito tributário. A operação descrita não preenche os requisitos de certeza, liquidez e exigibilidade exigidos para a compensação tributária (art. 170 do CTN), e tampouco caracteriza pagamento (art. 156, I, CTN). Correta, portanto, a atuação fiscal ao constituir o crédito por lançamento de ofício. Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. III.b – Da multa de ofício Os recorrentes insurgem-se contra a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, alegando inexistência de dolo e a suposta boa-fé ao aderirem ao procedimento proposto pela empresa Alpha One, que teria intermediado a quitação de tributos federais mediante cessão de créditos oriundos de títulos da dívida pública. Sustentam que, na ausência de intenção fraudulenta, deveria ser aplicada a multa simples de 75%, ou, subsidiariamente, reconhecida sua inexigibilidade. O argumento não procede. Fl. 1190DF CARF MF Original https://www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/prevencao-a-fraude-tributaria-com-titulos-publicos-antigos/2025/26 https://www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/prevencao-a-fraude-tributaria-com-titulos-publicos-antigos/2025/26 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 16 Nos termos do art. 44, I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, a multa de ofício será aplicada à razão de 150% do valor do tributo quando a infração decorrer de intuito de fraude, nas hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. No caso concreto, conforme consignado no Auto de Infração, a contribuinte omitiu débitos de IRPJ referentes ao 4º trimestre de 2016, declarando-os regularmente em ECF, mas deixando de informá-los nas DCTF, “a partir de setembro de 2016, entregues em branco, para que não fossem cobrados os débitos tributários”, conforme apurado pela fiscalização. Além disso, a autuada registrou contabilmente o histórico “PGTO DARF VIA ALPHA ONE” para justificar a ausência de recolhimento, sem, contudo, apresentar qualquer comprovação documental idônea. Quando intimada a exibir o contrato de cessão de direitos com a Alpha One, limitou-se a afirmar que o documento estava “sob o manto da confidencialidade”, recusando-se expressamente a fornecê-lo à fiscalização. Tal conduta demonstra a tentativa de dar aparência de legalidade a uma operação inexistente de compensação de tributos mediante títulos sem validade financeira. O dolo se infere da própria sequência de atos: (i) cessação abrupta das DCTF com valores a recolher; (ii) lançamentos contábeis de pagamentos fictícios; e (iii) negativa em exibir os documentos que pudessem comprovar a alegada operação. Ao outorgar procuração para uma empresa efetuar tais operações em seus documentos fiscais, há sua responsabilidade por detrás dessa conduta. Não há como eximir-se da responsabilidade ao imputar a terceiros a ocorrência de fraude – inclusive, quando não houve a apresentação de documentação idônea à Fiscalização. Como destacou o auditor autuante, “se houvesse alguma verdade nos fatos apresentados, não haveria problema em apresentar o contrato de cessão de direitos; a recusa denota o intuito de fraudar os pagamentos”. Ademais, não prospera o argumento de boa-fé. A boa-fé não é presumida em situações nas quais o contribuinte, ciente da irregularidade de seu procedimento, adota expediente que visa mascarar o inadimplemento. A outorga de procuração eletrônica à empresa Alpha One, com amplos poderes para atuar perante a Receita Federal, inclusive para entrega de declarações, revela a ciência e participação ativa dos administradores nos atos dolosos. Portanto, demonstrado o intuito de fraude, a multa de ofício qualificada foi corretamente aplicada e guarda proporcionalidade com a gravidade da conduta, não havendo dúvida quanto à sua subsunção ao art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996, c/c arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964. Entretanto, a Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, introduziu novo tratamento legal às penalidades tributárias, ao dispor, em seu art. 14, que o montante das multas aplicadas não poderá exceder 100% do valor do crédito tributário apurado, reconhecendo o caráter confiscatório dos percentuais superiores. Seu art. 8º também ajustou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 para redução da multa de 150% para 100% - salvo em casos de reiteração. Fl. 1191DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 17 Tal dispositivo, de natureza interpretativa e mais benéfica, deve ser aplicado retroativamente aos lançamentos ainda não definitivamente julgados, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, e conforme tem reiteradamente decidido o CARF em observância ao princípio da retroatividade da lei mais favorável ao contribuinte. Assim, ainda que subsista a caracterização da fraude e a qualificação da multa, o patamar deve ser ajustado para 100%, em consonância com a nova legislação e os precedentes recentes deste Conselho. Mantém-se, pois, a multa qualificada no aspecto jurídico, mas reduzida ao percentual de 100% do crédito tributário, nos termos da Lei nº 14.689/2023, sem prejuízo da higidez do lançamento e da tipificação da conduta. II.c – Da responsabilidade solidária dos coobrigados Os Srs. Eloy Jairo Bomm e Edi Roque Pegoraro insurgem-se contra sua inclusão no polo passivo, afirmando não terem agido com dolo nem com infração à lei, de modo que não se configurariam os requisitos do art. 135, III, do CTN. A argumentação não procede. Consta dos autos que ambos atuavam, à época dos fatos, como administradores e representantes legais da sociedade, sendo os responsáveis diretos pela condução da empresa e pela adoção do procedimento irregular de quitação de tributos via títulos da dívida pública. A autorização enviada à STN foi assinada em nome da sociedade sob sua administração, o que demonstra a ciência e participação na prática do ato. A responsabilidade pessoal dos administradores decorre justamente da prática de atos com infração à lei tributária, caracterizada no caso pelo emprego de meio inexistente de pagamento, enquadrando-se na hipótese do art. 135, III, do CTN. Precedentes do CARF consolidam que, comprovada a gestão ativa e o poder de mando do administrador nos atos ilícitos que originaram o lançamento, legítima é a inclusão do coobrigado no polo passivo. Logo, as alegações recursais não afastam a configuração da responsabilidade solidária, devendo ser mantida a exigência integral também em relação aos referidos coobrigados. III.d – Da incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício A Recorrente sustenta que não haveria previsão legal específica para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, razão pela qual os juros deveriam incidir apenas sobre o principal, e não sobre a penalidade pecuniária. A tese não procede. Em relação à moldura normativa, o CTN estabelece que: Fl. 1192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 18 a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art. 113, § 1º); uma vez verificada a ocorrência do fato gerador e constituído o crédito por lançamento (arts. 142 e 144), o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora, salvo disposição de lei em contrário (art. 161, caput); “crédito tributário” é a própria obrigação principal devida à Fazenda, abrangendo tributo e multa (interpretação sistemática dos arts. 113, § 1º, 139 e 161). No plano federal, a Lei nº 9.430/1996, art. 61, § 3º, estabelece a taxa SELIC como critério de atualização e juros “para os débitos para com a União, de qualquer natureza, administrados pela Secretaria da Receita Federal”, sem excepcionar as multas de ofício. Ausente exceção legal, prevalece a regra do art. 161 do CTN: incidem juros sobre o crédito tributário, e este compreende o principal e a penalidade pecuniária. Assim, não acolho esse ponto recursal. III.e – Da alegação de inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC A Recorrente sustenta que a taxa SELIC seria inaplicável aos débitos tributários federais porque, embora haja lei prevendo sua utilização, não existiria lei complementar ou ordinária definindo seus critérios de cálculo, o que afrontaria os arts. 5º, II, e 150, I, da Constituição Federal. Alega, em suma, que o Banco Central definiria a SELIC de forma não subordinada ao princípio da legalidade estrita. Ocorre que, por força da Súmula CARF nº 2, não há como apreciar esses argumentos. Assim, sequer conheço dessas alegações. IV – Conclusão Ante o exposto, conheço dos recursos voluntários para, no mérito dar parcial provimento, apenas para reduzir a multa qualificada de 150% para 100% - em observância à Lei nº 14.689/2023, mantendo o vínculo de responsabilidade. Assinado Digitalmente Maria Angélica Echer Ferreira Feijó Fl. 1193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 19 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Luís Ângelo Carneiro Baptista A Lei. 14.689/2023 alterou de forma substancial a aplicação de multa qualificada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Porém, além disso, assim previu no seu art. 14: Art. 14. Com fundamento no disposto no inciso IV do caput do art. 150 da Constituição Federal, referendado por decisões do Supremo Tribunal Federal, fica cancelado o montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte. (grifo próprio) Este artigo foi vetado pelo Presidente da República em exercício em setembro de 2023, sendo o veto derrubado pelo Congresso Nacional em dezembro do mesmo ano. Mas qual eram as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) até então que limitavam em 100% as multas exigidas? São duas as decisões balizadoras, tomadas nas Ações Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 551/DF e 1.075/DF-MC. A ADI 551/DF foi impetrada contra os § 2º e 5º das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, que assim previa: Artigo 057 – (...) § 2º - As multas consequentes do não recolhimento dos impostos e taxas estaduais aos cofres do Estado não poderão ser inferiores a duas vezes o seu valor. § 3º - As multas consequentes da sonegação dos impostos ou taxas estaduais não poderão ser inferiores a cinco vezes o seu valor. (grifo próprio) Esta ADI foi julgada em 2002, com a seguinte ementa: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. §§ 2.º E 3.º DO ART. 57 DO ATO DAS DOSPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. FIXAÇÃO DE VALORES MÍNIMOS PARA MULTAS PELO NÃO- RECOLHIMENTO E SONEGAÇÃO DE TRIBUTOS ESTADUAIS. VIOLAÇÃO AO INCISO IV DO ART. 150 DA CARTA DA REPÚBLICA. A desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua consequência jurídica, a multa, evidencia o caráter confiscatório desta, atentando contra o patrimônio do contribuinte, em contrariedade ao mencionado dispositivo do texto constitucional federal. Fl. 1194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 20 Ação julgada procedente. Já a ADI 1.075/DF-MC foi impetrada contra o art. 3º da Lei 8.846/1994, que assim versava: Art. 2º Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital para efeito do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais, incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Art. 3º Ao contribuinte, pessoa física ou jurídica, que não houver emitido a nota fiscal, recibo ou documento equivalente, na situação de que trata o art. 2º, ou não houver comprovado a sua emissão, será aplicada a multa pecuniária de trezentos por cento sobre o valor do bem objeto da operação ou do serviço prestado, não passível de redução, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais. Parágrafo único. Na hipótese prevista neste artigo, não se aplica o disposto no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. (grifo próprio) O referido art. 3º acima foi revogado antes do julgamento da medida liminar na ADI 1.075/DF-MC. A revogação do citado artigo se deu em 1997, através da Lei nº 9.532/97. De toda sorte, em sede de liminar, em 17/06/1998, o STF decidiu por suspender a eficácia de tal norma, assim se pronunciando: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – LEI Nº 8.846/94 EDITADA PELA UNIÃO FEDERAL (...) AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA NÃO- CONFISCATORIEDADE TRIBUTÁRIA – SUSPENSÃO CAUTELAR DA EFICÁCIA DE TAL PRECEITO LEGAL – MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA, EM PARTE. A TRIBUTAÇÃO CONFISCATÓRIA É VEDADA PELA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. – É cabível, em sede de controle normativo abstrato, a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal examinar se determinado tributo ofende, ou não, o princípio constitucional da não-confiscatoriedade consagrado no art. 150, IV, da Constituição da República. Hipótese que versa o exame de diploma legislativo (Lei nº 8.846/94, art. 3º e seu parágrafo único) que instituiu multa fiscal de 300% (trezentos por cento). A proibição constitucional do confisco em matéria tributária – ainda que se trate de multa fiscal resultante do inadimplemento, pelo contribuinte, de suas obrigações tributárias – nada mais representa senão a interdição, pela Carta Política, de qualquer pretensão governamental que possa conduzir, no campo da fiscalidade, à injusta apropriação estatal, no todo ou em parte, do patrimônio ou dos rendimentos dos contribuintes, comprometendo-lhes, pela insuportabilidade da carga tributária, o exercício do direito a uma existência digna, ou a prática de Fl. 1195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 21 atividade profissional lícita ou, ainda, a regular satisfação de suas necessidades vitais básicas. O Poder Público, especialmente em sede de tributação (mesmo tratando-se da definição do ‘quantum’ pertinente ao valor das multas fiscais), não pode agir imoderadamente, pois a atividade governamental acha-se essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade que se qualifica como verdadeiro parâmetro de aferição da constitucionalidade material dos atos estatais. Já em decisão definitiva da ADI 1.075/DF-MC, de 05/10/2020, se considerou que estava prejudicada a análise frente à revogação do referido artigo. Com bases nestes dois precedentes, em repetidos julgados, o STF tem considerado que são confiscatórias as multas em percentuais acima de 100%, notadamente as aplicadas pelos entes públicos estaduais e municipais. Em recente julgado, de 03/10/2024, sobre multas qualificadas aplicadas pelo Fisco Federal, no RE 736.090 (Tema 863), com Repercussão Geral, o STF fixou a seguinte tese, de forma unânime: Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário, podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do débito tributário caso se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1- A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23 Ou seja, é plenamente válida a multa qualificada de 150% em caso de reincidência, não sendo considerada confiscatória. Observa-se, ainda, que este julgado se deu após o previsto no art. 14 da Lei nº 14.689/2023, onde o STF não o aplicou. Observando, então, as duas ADI citadas, se percebe que havia 3 tipos de multas envolvidas que foram julgadas inconstitucionais por terem efeitos confiscatórios: 1) por insuficiência de recolhimento (ADI 551/DF) 2) por sonegação (ADI 551/DF) 3) por descumprimento de obrigação acessória (ADI 1.075/DF-MC). Ocorre que o recente julgado do STF que fixou a tese no Tema 863 fez outra interpretação sobre multas qualificadas aplicadas pelo Fisco Federal quando envolver crimes tipificados nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 (sonegação, fraude e conluio, respectivamente). Nestes casos, a multa pode chegar a 150% (quando houver reincidência), exatamente como previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Ou seja, das multas tratadas nos ADI 551/DF e ADI 1.075/DF-MC, restam então limitadas a 100% aquelas multas ordinárias (insuficiência de recolhimento e descumprimento de obrigação acessória), que não envolvem crimes ou atos do sujeito passivo típicos de agravamento. Fl. 1196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 22 Fazendo, então, uma interpretação sistêmica do que se depreende dos julgados do STF (tanto das ADI, quanto do Tema 863) é que o limite máximo para multas de 100% é para aquelas ordinárias, não englobando as multas qualificadas (por se referirem a crimes praticados pelo autuado), nem agravadas (pela falta ao dever de boa fé e colaboração do contribuinte para com o Fisco). Desta sorte, quando o art. 14 da Lei nº 14.689/2023 se refere às multas consideradas confiscatórias quando acima de 100%, referendadas por decisões do Supremo Tribunal Federal, está se direcionando para as multas ordinárias, assim entendidas aquelas que não envolvam motivos para qualificação ou agravamento. Afinal de contas, o próprio STF entendeu possível percentuais acima de 100% para caso de qualificação, quando reincidente, em julgado com repercussão geral. Pelas questões expostas, não se vislumbra razões para redução de multa qualificada ou agravada pela aplicação do art. 14 da Lei nº 14.689/2023. No entanto, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 14.689/2023, assim prevendo atualmente: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; Resta aplicável, no caso, a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessa forma, o percentual da multa de ofício aplicada deve ser reduzido para 100%, em face do princípio da retroatividade benigna. Fl. 1197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.010 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.720826/2018-85 23 Assinado Digitalmente Luís Ângelo Carneiro Baptista Fl. 1198DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto
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