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Numero do processo: 12898.000499/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Constata que a contribuinte recebeu integralmente os documentos do auto de infração, em duas oportunidades, e tendo sido respeitado o prazo para nova manifestação, com acolhimento de suas argumentações em sede de primeira instância, não há falar em cerceamento de defesa, não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada.
COOPERATIVA. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO. FATO GERADOR DO TRIBUTO.
Cooperativa que não preenche mais os requisitos legais da Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971, deve ser equiparada como empresa para as devidas exigências das contribuições previdenciária, em virtude de não recolhimento, incidente sobre as remunerações pagas.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. REMUNERAÇÃO DIRETA DE PESSOA FÍSICA. SEGURADO INDIVIDUAL.
A empresa que remunera diretamente pessoas físicas (contribuintes individuais) é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, a preceito da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Mantido.
Numero da decisão: 2301-005.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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IMPROCEDÊNCIA. Constata que a contribuinte recebeu integralmente os documentos do auto de infração, em duas oportunidades, e tendo sido respeitado o prazo para nova manifestação, com acolhimento de suas argumentações em sede de primeira instância, não há falar em cerceamento de defesa, não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. COOPERATIVA. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO. FATO GERADOR DO TRIBUTO. Cooperativa que não preenche mais os requisitos legais da Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971, deve ser equiparada como empresa para as devidas exigências das contribuições previdenciária, em virtude de não recolhimento, incidente sobre as remunerações pagas. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. REMUNERAÇÃO DIRETA DE PESSOA FÍSICA. SEGURADO INDIVIDUAL. A empresa que remunera diretamente pessoas físicas (contribuintes individuais) é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, a preceito da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 04 99 /2 00 9- 23 Fl. 842DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa GREEN MATRIX COOPERATIVA DE PROF EMPREENDEDORES, contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro (14ª Turma da DRJ/RJ1), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. O Auto de Infração DEBCAD nº 37.216.0808, correspondente às contribuições sociais a cargo dos segurados contribuintes individuais, não descontadas pela empresa da remuneração paga pela empresa às respectivas pessoas físicas. Por bem descrever os motivos da autuação, adoto o relatório da DRJ de origem, onde constam os seguintes termos: 2. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 105 a 119 , a empresa foi constituída como cooperativa em Assembléia Geral de Constituição, em 17/02/1997, registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro sob o número 97/0193378, em 26/02/1997. Na constituição apresentava 20 (vinte) associados, discriminados no quadro de fl. 105. 2.1. O Estatuto Social da Cooperativa informava como objetos sociais da mesma, dentre outros: a) Projeto, instalação e manutenção de redes de computadores; b) Desenvolvimento, produção e manutenção de sistemas de programas de computador; c) Desenvolvimento de programas produto; d) Reparo, digitação e conferência; e) Representação e comercialização de produtos e serviços, nacionais e internacionais; f) Treinamento (cursos, palestras e seminários); g) Consultoria, assessoria (organizacional, administrativa, financeira (O&M), jurídica, educacional, científica, cultural e cooperativista); 3. O Relatório informa que, pelas atas assinadas e apresentadas no curso da ação fiscal, verificouse que no início do período fiscalizado (01/2004 a 12/2004), já não havia os 20 associados necessários ao funcionamento da cooperativa, assim como determina o inciso I do art. 6º da Lei nº 5.764/1971. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 12898.000499/200923 Acórdão n.º 2301005.282 S2C3T1 Fl. 843 3 3.1. Dessa forma, uma vez que a pessoa jurídica não cumpria os requisitos estabelecidos em lei para funcionar como cooperativa, esta foi considerada como empresa. 3.2. De acordo com a fiscalização, analisando as notas fiscais emitidas pela fiscalizada, verificouse grande volume de prestação de serviços realizados. Como o número de associados e de segurados empregados era muito reduzido em 2004, solicitouse, por meio do TIF de 15/01/2009, que fosse explicado como foi possível a realização de tantos serviços pela autuada, que respondeu apresentando contrato firmado entre ela e a cooperativa Green Matrix Serviços – Cooperativca de Profissionais Ltda – CNPJ 01.716.071/000158. Assinaram o contrato, representando a autuada, os senhores Eduardo Manoel Farias Pereira (Diretor Presidente) e Gilberto da Silva Martins (Diretor). Pela GMS, assinaram o Sr. Pedro Cezar Abreu (Diretor Vicepresidente) e a Sra. Mariela Costa Souza Fontenelle (Conselheira); 3.3. Ressaltese que tanto o Sr. Pedro Cezar Abreu quanto a Sra. Mariela Costa Souza Fontenelle eram cooperados da autuada desde, respectivamente, 08/04/1997 e 17/02/1997, conforme se verifica em suas Fichas de Matrícula. 3.4. Portanto, a Green Matrix Ltda (fiscalizada), com exíguo número de associados, utilizava os serviços de diversos trabalhadores, supostamente cooperados da GMS, para executar os contratos firmados entre ela e as empresas tomadoras. A afirmação de que os trabalhadores eram "supostamente cooperados da GMS" baseiase no contrato feito entre a Green Matrix Ltda e a GMS, já que, a autuada se recusou a apresentar quaisquer documentos da GMS (como Folhas de Pagamento e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP), posto que a essa não se encontrava sob fiscalização. 3.5. O Relatório Fiscal informa, ainda, que, verificandose por amostragem os contratos de serviços celebrados entre a fiscalizada e as empresas tomadoras, como a BRASCAN BRASIL S/A – CNPJ 34.268.326/000116 e Gás Natural São Paulo Sul S/A CNPJ: 02.863.830/000178, constatouse que a prestação de serviços se deu por meio de cessão de mãodeobra. Em razão disso, a autuada deveria ter preparado folhas de pagamento específicas por tomador, o que não ocorreu. Tal conduta foi punida com a lavratura do Auto de Infração Al 37.216.0760. 3.6. Foram apresentadas à fiscalização as folhas de pagamento relativas aos cooperados (com a inscrição "Local: 10.01.56 Ltda/Fundadores"), de 01/2004 a 10/2004. A planilha "VALORES VERIFICADOS NAS FOLHAS DE PAGAMENTO "LOCAL: 10.01.56 LTDA/FUNDADORES" demonstra os valores contidos nas referidas FP. A contabilização das referidas folhas de pagamento está demonstrada na planilha Fl. 844DF CARF MF 4 "LANÇ. CONTÁBEIS CORRESPONDENTES ÀS FOLHAS DE PAGAMENTO "10.01.56 LTDA. FUNDADORES". Contudo, verificouse que a empresa: • não informou tais segurados em GFIP (conduta punida pela lavratura do Auto de Infração – Al 37.216.0794); • não efetuou o desconto de 11% da remuneração dos mesmos conforme previsto pela Lei nº 10.666, de 08/05/2003 (conduta punida pela lavratura do Auto de Infração Al 37.216.0786); • não procedeu ao recolhimento da contribuição a cargo da empresa (fato considerado na lavratura do Auto de Infração Al 37.216.0816). Informa a Fiscalização que, ainda que a autuada se considerasse como cooperativa, deveria ter efetuado o recolhimento de 20% sobre a remuneração paga aos cooperados que lhe prestaram serviços diretamente, sem estarem alocados a qualquer dos seus tomadores; • não procedeu ao recolhimento da contribuição a cargo dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços (fato considerado na lavratura do Auto de Infração Al 37.216.0808). A Fiscalização destaca que, em razão de não ter efetuado o citado desconto, a autuada passa a ser responsável pelo montante que deveria ter sido descontado e não o foi. 3.7. A Fiscalização informa que analisou a contabilidade da autuada, verificando a ocorrência de diversos pagamentos a pessoas físicas por meio de lançamentos a débito nas contas 684, 709, 4564, 8094 e 8102. A seguir encontrase descrita a estrutura de parte do plano de contas, para melhor compreensão do que foi verificado na Contabilidade da autuada. 23 Ativo Circulante 661 Outros Realizáveis 678 Adiantamento 684 Produção 709 Green Matrix Serviços 1258 Passivo Circulante 1525 Fornecedores 1531 Fornecedores de Serviços 1548 Serviços Contratados 1554 Serviços Contratados 8094 Cooperados Internos 8102Cooperados Externos 2431 Saídas 2447 Atos Cooperativos 2476 Outros Dispêndios dos Cooperados 2482 – Dispêndios 4564 Órgãos de Classe 3.8. O relatório informa que, por meio dos TIF de 16/02/2009, de 24/03/2009, de 03/04/2009 e de 16/04/2009, solicitouse a apresentação de diversos documentos de caixa que deram suporte aos lançamentos contábeis nas contas citadas no item Fl. 845DF CARF MF Processo nº 12898.000499/200923 Acórdão n.º 2301005.282 S2C3T1 Fl. 844 5 anterior, e que, em esclarecimentos, o Sr. Eduardo Manoel Farias Pereira afirmou que, em razão do acordo de cessão de cooperados da GMS para a prestação de serviços acertados entre a autuada e empresas tomadoras, para maior agilidade ao procedimento, ficou acordado que os valores das sobras seriam distribuídos pela autuada diretamente aos cooperados da GMS. 3.9. A Auditora Fiscal ressalta que na legislação previdenciária não existe previsão de duas pessoas jurídicas estabelecerem um contrato entre si e os pagamentos feitos pela contratante à contratada ocorrerem por meio de depósito bancário diretamente a pessoa(s) física(s), sem que se atribua a essa(s) pessoa(s) física(s) a condição de segurado(s) obrigatório(s) da Previdência Social, fato este que motivou a consideração dos valores pagos às pessoas físicas serem considerados como remuneração paga a contribuintes individuais. 3.10. A Fiscalização frisa que os lançamentos com histórico de "adiantamento de produção" se referem a valores com incidência de contribuição previdenciária porque, embora chamados de adiantamento, não houve posterior pagamento a tais contribuintes individuais com o devido desconto do referido adiantamento. 3.11. Na contabilidade, conta 1643 Sobras a Distribuir, relativos à distribuição de sobras, embora a empresa se considerasse como cooperativa, a distribuição de sobras (ainda que a titulo de antecipação de sobras), deveria ter sido respeitado o estabelecido pelo art. 44 da Lei 5.764/1971; ou seja, a Assembléia Federal Ordinária, realizada nos três primeiros meses após o término do exercício social, deveria determinar a destinação das sobras. A Assembléia Geral Ordinária , realizada em 07/04/2004, decidiu distribuir entre os associados as sobras do exercício 2003, no valor de R$ 23.404,24; entretanto, apenas no primeiro trimestre de 2004 houve uma distribuição de sobras no valor de R$ 161.099,46. 3.11.1. Ao verificar a Demonstração de Sobras e Perdas Financeiras em 31/03/2004 (página 286 do Livro Diário 11), constatouse não ter havido sobras no referido trimestre. Ou seja, dado que a fiscalização considerou a autuada como empresa em geral, houve distribuição de lucros sem ter havido lucro no período. 3.11.2. A Fiscalização conclui, portanto, que, inobstante ser a autuada considerada como cooperativa (pela empresa) ou como empresa em geral (pela fiscalização), os valores a débito na conta 1643 Sobras a Distribuir sofrem a incidência de contribuição previdenciária. 3.12. Na contabilidade da autuada, conta 5977 – Capital a devolver, encontramse os lançamentos relativos à devolução de capital de cooperados que se dissociaram da empresa. Constatou a Fiscalização que tais lançamentos, quando posteriores à saída dos cooperados, não foram considerados como base de cálculo de contribuição previdenciária. Contudo, Fl. 846DF CARF MF 6 os valores pagos sob essa denominação, anteriores à data da Ata em que a saída foi registrada, têm incidência de contribuição previdenciária. 4. A Fiscalização discrimina os documentos examinados quando da ação fiscal, bem como enumera os anexos que compõem a presente autuação, citando dentre outros os anexos Discriminativo Analítico de Débito – DAD, Fundamentos legais de Débito – FLD e Relatório de Representantes Legais – REPLEG. 5. Encontramse anexados aos autos cópias dos seguintes documentos: a) do Estatuto social, registrado na JUCERJA como parte integrante do documento 995486, de 21/06/1999; b) da Ata de Assembleia Geral de Constituição, de 17/02/1997 JUCERJA 97/0193378, em 26/02/1997; c) da Ata de Reunião Ordinária do Conselho de Administração, de 16/03/2004 JUCERJA 1430549, em 28/05/2004; d) da Ata de Assembleia Geral Ordinária, de 07/04/2004 JUCERJA 1430699, em 28/05/2004 ; e) da Ata de Reunião Extraordinária do Conselho de Administração, de 30/04/2004 JUCERJA 1483448, em 21/12/2004; f) da Ata de Assembleia Geral Ordinária, de 30/03/2005; g) da Ata de Assembleia Geral Extraordinária, de 24/02/2006 JUCERJA 1592255, em 10/03/2006; h) do Contrato de Associação Cooperativa, firmado em 27/03/1997, entre a autuada e Green Matrix Serviços Cooperativa de Profissionais LtdaCNPJ: 01.716.071/000158; i) da Ficha de matrícula de MARIELA COSTA SOUZA FONTENELL; j ) da Ficha de matrícula de PEDRO CÉZAR ABREU; k) das Folhas de Pagamento "10.01.56 Ltda/Fundadores", relativas aos cooperados, no período de 01 a 10/2004; 1) do Balanço Patrimonial em 31/12/2008; m) da Demonstração de Sobras e Perdas Financeiras em 31/12/2008; n) da composição da Conta Instalações do Ativo Imobilizado; o) do Balanço Patrimonial em 31/03/2004, em 30/06/2004, em 30/09/2004 e em 31/12/2004; p) da Demonstração de Sobras e Perdas Financeiras em 31/03/2004, em 30/06/2004, em 30/09/2004 e em 31/12/2004; q) da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados Período de 01/01/2004 a 31/12/2004; r) das listas de presença nas Assembléias Gerais Ordinárias de 30/03/1998, 31/03/1999, 31/03/2000, 31/03/2001, 25/03/2002, 28/03/2003 e 07/04/2004; s) da lista de presença na Assembléia Geral de Constituição, em 17/02/1997; Fl. 847DF CARF MF Processo nº 12898.000499/200923 Acórdão n.º 2301005.282 S2C3T1 Fl. 845 7 t) dos Contratos (e aditivos) de prestação de serviços celebrados entre autuada (prestadora) e algumas tomadoras, selecionadas por amostragem: BRASCAN BRASIL S/ACNPJ: 34.268.326/000116; BRASCAN ENERGÉTICA S/A CNPJ: 02.808.298/000277; BRASCAN CORRETORA DE SEGUROS LTDA. CNPJ: 31.583.743/000165 CESBRA S/A, CNPJ: 03.762.107/000165; FAZENDA BRASCAN CATTLE LTDA CNPJ: 60.713.989/000102 COMFLORESTA CIA CATARINENSE DE EMPREENDIMENTOS FLORESTAIS CNPJ: 84.721.224/000182; FAZENDAS PIRAPITINGA E BARTIRA LTDA. CNPJ: 20.090.981/000112; E GÁS NATURAL SÃO PAULO SUL S/A CNPJ: 02.863.830/000178. u) de documentos de caixa, selecionados por amostragem, com numeração "DOC. XX" indicada na planilha "LANÇAMENTOS CONTÁBEIS A DÉBITO NAS CONTAS 684, 709, 4564, 8094 e 8102": 01/2004 documentos 13 , 15 e 18; 02/2004 documentos 34 e 40; 03/2004 documentos 03, 06, 07,08, 82, 83, 86 e 87; 04/2004 documentos 06, 09, 10, 22, 36 e 40; 05/2004 documentos 11 e 14; 06/2004 documentos 39 e 41; 07/2004 documentos 08,12 e 15 08/200 documentos 10 e 31 09/2004 documentos 07,19 e 20; 10/2004 documentos 06, 09 e 41; 11/2004 documento 07; 12/2004 documentos 38 e 46. 6. Por fim, a fiscalização informa que, embora a soma dos dos débitos tributários existentes supere o valor de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), não houve emissão do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos TAB, conforme previsão do §2°, do artigo 37 da Lei 8.212/9 e artigo 7° da Instrução Normativa SRF n s 264, de 20 de dezembro de 2002, em razão da ausência de bens suscetíveis de registro, como verificado no Balanço Patrimonial de 31/12/2008. Diante do julgamento improcedente da impugnação, a recorrente apresenta recurso voluntário, incluindo estatuto social e documentos que dão poderes para apresentação do recurso, alegando em suma o seguinte: Preliminarmente: pede a Nulidade do auto de infração em razão de não ser apresentado à contribuinte o relatório REPLEG. No mérito: alega a não exigência das contribuições sociais em razão da recorrente estar enquadrada em regime especial de tributação voltada para as Cooperativas e que essa não infringiu normas legais, devendo ser considerada os atos cooperados feitos entre a recorrente, Green Matrix Cooperativa de Professores Empreendedores a empresa denominada Green Matrix LTDA. Por fim alega que é impossível elaborar defesa no que tange à solidariedade do art. 135, do CTN, porque também não teria sido anexado o REPLEG ao processo, cerceando direito de defesa. Fl. 848DF CARF MF 8 Diante dos fatos, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do requisito formal de tempestividade. Portanto, deles o conheço. Portanto, passo a analisar os pontos atacados em recurso. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Alega a recorrente que não teria sido anexado o relatório REPLEG ao processo e que isso traria prejuízo a sua defesa, bem como teria prejudicado a defesa dos possíveis responsáveis solidários, que no caso seria o presidente da Associação Cooperada, do qual consta no processo apenas como responsável legal, conforme a legislação em vigor e não como responsável pelo Débito. Entretanto, a alegação de cerceamento não prospera como já analisado pela DRJ de origem. De fato o art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/2005, com a modificação introduzida pela IN SRP 20 de 11/01/2007, revogada pela IN RFB 851 de 28/05/2008: assim dispõe: "Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relatório de Representantes Legais RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente"; No presente caso, a alegação da recorrente de que não teria recebido o referido relatório não se confirma, conforme as constatações na demanda e nos feitos que tramitam em conjunto, do que se colhe do processo conexo DEBCAD 12898.000500/200910, o qual há registro do conteúdo mencionado, citando o "CD" com as informações dos autos de infrações devidamente enviadas à contribuinte, da fl. 488, assim trasncrita: "Esta página contém o Aviso de Recebimento AR SO560960114BR, com d a t a de recebimento de 30/04/2009, relativo aos Autos de Infração AI 37.204.3917, 37.216.0760, 37.216.0778, 37.216.0786, 37.216.0794, 37.216.0808 e 37.216.0816, ao Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF , ao CD destinado ao contribuinte e ao seu respectivo recibo". Grifouse. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 12898.000499/200923 Acórdão n.º 2301005.282 S2C3T1 Fl. 846 9 Como se vê, o CD contento o procedimento fiscal com todos os processos conexos á ação fiscal foi devidamente entregue ao contribuinte. Entretanto, mesmo estando anexado o conteúdo citado, a contribuinte alegou que não o teria recebido, e que cautelosamente a fiscalização enviou novamente os citados anexos em "CD" e impresso com data de recebimento em 01/12/2012, contendo nele os anexos Representantes Legais do Débito – REPELEG , conforme se verifica das fls. 693 a 695, da matéria conexa (DEBCAD 12898.000500/200910), já citada e que também está em julgamento perante esse Conselho, sob o mesmo relator. São como dito, processos que possuem conexão dos fatos e direito. Constatouse ainda que a Contribuinte apresentou inclusive aditivo à defesa no processo conexo (fls. 699 a 704), o que resultou em ciência integral do conteúdo, não havendo, portanto, falar em cerceamento de defesa, pois a recorrente teve a oportunidade de manifestarse de forma plena, tendo a fiscalização reparado possível equívoco na falta de envio de todas as informações, bem como foram conhecidas todos os recursos e alegações do contribuinte. Nesse sentido, não houve prejuízo à defesa. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Mais, o art. 60 da referida Lei, do Decreto 70.235/1972 menciona que as irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Eventual equívoco no envio do conteúdo fiscal à recorrente foi devidamente sanada pela fiscalização com o reenvio do material, do qual caberia à contribuinte provar não Fl. 850DF CARF MF 10 ter recebido ou apontado alguma falha concreta no recebimento deste, sendo que seu representante legal deu ciência no documento que recebeu os documentos mencionados na fl. 693, do DEBCAD 12898.000500/200910, o qual cabe mencionar que o representante legal não é responsável solidário arrolado como sujeito passivo nesse ou nos outros autos de infrações. Nesse sentido, a Súmula CARF 88 esclarece que o fato do sócio ser mencionado no RepLeg não configura por si só a corresponsabilidade pelo tributo exigido, conforme se constata abaixo: "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa". Portanto, deve ser afastada as alegações de nulidade. DO MÉRITO No presente recurso a recorrente alega apenas que não deveria recolher as contribuições exigidas, pois estaria enquadrada na Lei º 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que rege as relações jurídicas das Cooperativas, em especial os seus atos que teriam sido realizados entre associados, que seriam considerados atos cooperados conforme se descreve do art. 79, da citada lei in verbis: "Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria". Ocorre que, a recorrente alega que realizou esses atos com a empresa associada denominada "Green Matrix Ltda". Entretanto, não se verifica que a empresa estivesse nos seus quadros de associados cooperados, não sendo permitido de forma legal que ela ingressasse como associada 1 na cooperativa. Possivelmente, para superar a questão descrita foi realizado então um "contrato de cooperação" entre a recorrenteGMS e Green Matrix Ltda, e que desse contrato resultou em infringências legais, em especial da legislação previdenciária, onde a própria 1 Conforme prescreve o art. 29 da Lei º 5.764/1971, podem se associar à cooperativa, as seguintes pessoas: "Art. 29. O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto, ressalvado o disposto no artigo 4º, item I, desta Lei. § 1° A admissão dos associados poderá ser restrita, a critério do órgão normativo respectivo, às pessoas que exerçam determinada atividade ou profissão, ou estejam vinculadas a determinada entidade. § 2° Poderão ingressar nas cooperativas de pesca e nas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, as pessoas jurídicas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas". Fl. 851DF CARF MF Processo nº 12898.000499/200923 Acórdão n.º 2301005.282 S2C3T1 Fl. 847 11 recorrente alega que remunerava de forma diretamente os funcionários da empresa cooperada, tidos por ela como associados. Do Contrato de “Associação Cooperativa” juntado nas fls. 318 a 321 do processo conexo DEBCAD 12898.000500/200910, consta o termo de “Associação Cooperativa”, estabelecido no seguinte modo: "De um lado, Green Matrix Cooperativa de Profissionais Empreendedores Ltda., com sede na Rua da Quitanda, 607 4o andar Centro "Rio de Janeiro, CGC/MF n° 01.710.088/000106, representada por seu Diretor Presidente, Eduardo Manoel Farias Pereira e por seu Diretor, Gilberto da Silva Martins, adiante denominada Green Matrix Ltda., e de outro lado, Green Matrix Serviços Cooperativa de Profissionais Ltda., com sede na Rua da Quitanda, 60/4° andar Parte Centro Rio de Janeiro, CGC/MF.01.716.071/000158, representada por seu Diretor VicePresidente, Pedro Cezar Abreu e pela Conselheira, Maneia Costa Souza Fontenelle, adiante denominada Green Matrix Serviços. CLÁUSULA PRIMEIRA: OBJETO 1.1 Realização de ato cooperativo, inerente à prestação de serviços nàs áreas constantes no artigo 2o (DOS OBJETIVOS SOCIAIS) do Estatuto Social j da Green Matrix Serviços. 1.2 Os serviços relativos ao objeto deste contrato serão executados pela Green Matrix Serviços, em associação com a Green Matrix Ltda., através de seus profissionais cooperados, constituindo "ato cooperativo" conforme definido na Lei 5764/71. 1.3 A Green Matrix Serviços, neste ato, concede à Green Matrix Ltdai os poderes para contratar seus serviços, também em nome dos cooperados, substabelecendo os poderes que lhe foram estatutariamente outorgados. CLÁUSULA QUARTA: FATURAMENTO E PAGAMENTO 4.1 O faturamento da produção referente aos serviços prestados será feito pela Green Matrix Serviços tomando por base o custo referencial que for. utilizado no contrato com os usuários. 4.2 O faturamento será levantado ao final de cada atividade contratada e/ou.a cada período de 01 (um) mês, e apresentado à Green Matrix Ltda; 4.3 A Green Matrix Ltda. efetuará o pagamento contra a apresentação das faturas. 4.3.1 A Green Matrix Ltda. poderá efetuar adiantamentos de produção diretamente ao profissional cooperado da Green Matrix Serviços prestador de serviço, por solicitação desta última, fazendo, ao final de cada período, um encontro de contas para o acerto do débito/crédito porventura existente". Fl. 852DF CARF MF 12 Nesse sentido, o artigo 110, do CTN estabelece que: "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias". Ocorre que, a Lei impõe que sejam recolhidas as contribuições sociais quando realizada a efetiva prestação de serviços por segurado individual, ocorrendo o fato gerador, salvo disposição contrária, não podendo, como já enfrentado pela DRJ de origem, que a pessoa jurídica que seria a verdadeira responsável pelo recolhimento devido modifique interpretação legal, conforme se denota do disposto no art. 22, inciso III, Lei nº 8.212/91, in verbis: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços"; Ficou constatado dos autos que a recorrente (como ela mesmo cita) remunerava os segurados individuais que para ela prestaram serviços, e, portanto, caracterizada a ocorrência dos fatos gerados promovidas no auto de infração. Porém, alega também que não haveria contribuinte individual no período fiscalizado. Entretanto, as remunerações praticadas junto à Grenn Matrix foram exatamente no período da autuação, bem como a empresa recorrente menciona que os pagamentos foram feitos diretamente aos funcionários que prestaram serviços ela ou a terceiros, conforme se constata do relatório fiscal, em que foram lançadas as seguintes informações: "(...) 26) Nos TIF de 16/02/2009, de 24/03/2009, de 03/04/2009 e de 16/04/2009, solicitouse a apresentação de diversos documentos de caixa que deram suporte aos lançamentos contábeis nas contas citadas no item anterior. 27) Em esclarecimento prestado pela empresa em 09/03/2009, o Sr. Eduardo Manoel Farias Pereira afirmou que, em razão do acordo de cessão de cooperados da GMS para a prestação de serviços acertados entre a autuada e empresas tomadoras, para maior agilidade ao procedimento, ficou acordado que os valores das sobras seriam distribuídos pela autuada diretamente aos cooperados da GMS. 28) Ressaltese que, na legislação previdenciária, não existe previsão de duas pessoas jurídicas estabelecerem um contrato entre si e os pagamentos feitos pela contratante à contratada ocorrerem por meio de depósito bancário diretamente a pessoa(s) física(s), sem que se atribua a essa(s) pessoa(s) física(s) a condição de segurado(s) obrigatório(s) da Previdência Social. 29) Assim, face a todo o exposto, os valores pagos às pessoas físicas verificadas nas citadas contas contábeis foram Fl. 853DF CARF MF Processo nº 12898.000499/200923 Acórdão n.º 2301005.282 S2C3T1 Fl. 848 13 considerados, por esta fiscalização, como remuneração paga a contribuintes individuais". Por fim, não obrou a recorrente afastar a alegação da fiscalização de que a referida perdeu os requisitos necessários para estar enquadrada como sendo Cooperativa, qual seja: o mínimo de 20 associados 2, conforme já amplamente abordado pela DRJ de origem, da qual compreendo estar correta. Nesse sentido, por não cumprir os requisitos necessários, foi atribuída a responsabilidade de todos os fatos geradores, decorrentes da obrigação acessória de preparar e recolher os tributos devidos, em razão dos tomadores de serviços praticarem negócios jurídicos com a recorrente. DAS DEMAIS ALEGAÇÕES DO RECURSO VOLUNTÁRIO Aduz a recorrente que a fiscalização ao entender que a Cooperativa ao ser considerada extinta, estaria em conseqüência extinga também a obrigação tributária. Nesse sentido, descabida a interpretação da contribuinte, uma vez que ocorreram os fatos geradores do período fiscalizado. O fato da contribuinte ou de uma empresa ser declarada extinta para qualquer que seja o fim, não retira e nem retorna ao tempo para desfazer o fato gerador, consoante a hipótese de incidência dos tributos que por ela tenham sido gerados. Entretanto, a fiscalização entendeu que a cooperativa não preenchia os requisitos legais para atuar como tal, e a considerou como empresa para realizar as autuações, conforme se depreende do subitem 3.1 do relatório fiscal citado: "Dessa forma, uma vez que a pessoa jurídica não cumpria os requisitos estabelecidos em lei para funcionar como cooperativa, esta foi considerada como empresa". Ademais, como visto acima, a empresa que recebia o serviço pagava diretamente os segurados individuais, em um "acordo" particular entre os contratantes, não havendo previsão na legislação desse tipo de operação, numa espécie de "maquiagem" do fato gerador de contribuição previdenciária, deixando de efetivar com as obrigações acessórias devidas por essa operação. Também, sobre a alegação de que foi tributado o "saldo distribuído", entendo que está correta a fiscalização, pois ao distribuir "saldos e sobras" a supostos associados como lucro, entendeuse como sendo remuneração ou simplesmente participação de lucros a serem tributadas. 2 O art. 6º, da Lei Lei º 5.764/1971, assim impõe: "Art. 6º As sociedades cooperativas são consideradas: I singulares, as constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas, sendo excepcionalmente permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos; II cooperativas centrais ou federações de cooperativas, as constituídas de, no mínimo, 3 (três) singulares, podendo, excepcionalmente, admitir associados individuais; III confederações de cooperativas, as constituídas, pelo menos, de 3 (três) federações de cooperativas ou cooperativas centrais, da mesma ou de diferentes modalidades". Fl. 854DF CARF MF 14 Quanto à alegação de que foi tributado também a retirada das participações dos cooperados, verifico que a fiscalização lançou o seguinte:. O retorno do capital investido após a saída dos cooperados não foi tributado. O que foi considerado para exigência previdenciária como sendo valores possíveis de serem tributados foi anterior à consignação em ata de assembléia da cooperativa, que aí entendo que estaria correta a atitude da fiscalização. Isso porque, não vislumbro possibilidades do cooperado receber o retorno de capital sem ser considerado como valores a título de remuneração antes da sua retirada da cooperativa, podendo ser inclusive uma distorção da contabilidade para evitar os fatos geradores ora autuados, dos quais se descaracterizaram como sendo cooperativa em razão de não preencher os requisitos mínimos legais. Por oportuno dizer que, encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho no sentido de que cabe ao interessado provar fatos constitutivos de seu direito, consoante se verifica pelo decisum abaixo transcrito "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013). Assim, entendo correta a autuação. Conclusão Por todo o exposto, voto por CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário, promovendo a manutenção da decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 12898.000499/200923 Acórdão n.º 2301005.282 S2C3T1 Fl. 849 15 Fl. 856DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.005870/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada Operação Dilúvio (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal.
Recurso de ofício negado e recurvo voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-004.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, tendo os Conselheiros Robson José Bayerl e Mara Cristina Sifuentes votado pelas conclusões, por carência probatória, admitindo as provas constantes do processo; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Mara Cristina Sifuentes.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, tendo os Conselheiros Robson José Bayerl e Mara Cristina Sifuentes votado pelas conclusões, por carência probatória, admitindo as provas constantes do processo; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan- Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
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CARÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA.Cabe à autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos imputados em auto de infração, sendo a carência probatória ensejadora de improcedência da autuação. No caso em análise, expurgados os elementos derivados da chamada “Operação Dilúvio” (considerados como prova ilícita pelo Poder Judiciário), não resta substrato ao lançamento suficiente para manutenção da imputação fiscal. Recurso de ofício negado e recurvo voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, tendo os Conselheiros Robson José Bayerl e Mara Cristina Sifuentes votado pelas conclusões, por carência probatória, admitindo as provas constantes do processo; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 58 70 /2 01 0- 88 Fl. 2553DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Andre Henrique Lemos, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco(VicePresidente), Mara Cristina Sifuentes e Tiago Guerra Machado. Ausente à sessão o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 19647.005870/201088, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de (a) imposto de importação multa por infração administrativa ao controle das importações (R$ 875.349,81); (b) IPIimportação (R$ R$ 17.506,99), acrescido de juros de mora (R$ 10.828,03), multa de ofício de 150% (R$ 26.260,49) e multa sobre o valor comercial (R$ 5.075,383,02); (c) COFINSimportação (R$ 91.774,71), acrescida de juros de mora (R$ 57.497.20), e multa de ofício de 150% (R$ 137.662,07); e (d) Contribuição para o PIS/PASEPimportação (R$ 19.924,78), acrescida de juros de mora (R$ 12.482,93), e multa de ofício de 150% (R$ 29.887,17), totalizando o crédito tributário no valor histórico de R$ 6.354.557,19. 2. Segundo se depreende da leitura dos documentos juntados a estes autos administrativos, a autuação tem como origem procedimento fiscalizatório realizado com a finalidade de apurar a prática de fraudes no comércio exterior cometidas pela empresa CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA., doravante denominada simplesmente "CIL" em conluio com a empresa OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA., doravante denominada simplesmente "OPUS TRADING", com base em indícios colhidos na Operação Dilúvio conduzida em conjunto pela Polícia Federal e pela Receita Federal. 3. Constaram, ainda, como sujeitos passivos indicados na autuação, além da CIL e da OPUS TRADING: MARCO ANTONIO MANSUR; MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO; ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES; e ALESSANDRA SALEWSKI, que, ao lado da empresa CIL, apresentaram impugnação. A empresa OPUS TRADING não apresentou impugnação. 4. Em 27/01/2012, a 6ª Turma da Delegacia Recional de Julgamento em Recife (PE) determinou a realização de diligência no intuito de que fossem anexados aos autos documentos comprobatórios da regular apreensão e compartilhamento, pelo Ministério Público Federal, dos elementos de prova decorrentes da chamada operação dilúvio. 5. Em 10/04/2012, a autoridade fiscal prestou as informações determinadas e juntou documentos. A empresa CIL e ALESSANDRA SALEWSKI se manifestaram no sentido da necessidade de decretação da nulidade do processo. Diante das informações prestadas e das manifestações dos sujeitos passivos, a 6ª Turma da DRJRecife/PE determinou a realização de nova diligência, desta vez com a finalidade de que "(...) a autoridade fiscal procedesse à separação das provas que teriam sido contaminadas, por derivação, pela nulidade das escutas telefônicas, apontando, por conseguinte, os elementos de prova que entendia idôneos", o que foi feito, conforme relatório de diligência fiscal situado às fls. 1555 a 1558. 6. A 6ª Turma da DRJRecife/PE proferiu o Acórdão DRJ nº 1149068, em sessão de 23/01/2015, julgando parcialmente procedente as impugnações para (i) manter o crédito tributário correspondente ao lançamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as operações de importação 05/03275335, 05/03923006 e 05/04903211, no montante de R$ Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.554 3 129.206,48, ao qual devem ser acrescidos juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%; e (ii) afastar do pólo passivo da obrigação tributária as pessoas físicas ALESSANDRA SALEWSKI, ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES e MARCO ANTÔNIO MANSUR, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 NULIDADE DAS PROVAS. INDEPENDÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA EM RELAÇÃO À JUDICIAL. TEORIA DOS FRUTOS DA ÁRVORE ENVENENADA. MITIGAÇÃO. TEORIA DA DESCOBERTA INEVITÁVEL. TEORIA DA FONTE INDEPENDENTE. A nulidade de determinada prova na via judicial não se estende automaticamente ao processo administrativo. Compete à autoridade administrativa responsável pela utilização da prova compartilhada, certificarse acerca dos efeitos de eventual anulação sobre processo administrativo. A Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada, segundo a qual as provas derivadas de prova nula seriam igualmente contaminadas pelo mesmo vício, não é absoluta, admitindo mitigação. A Teoria da Descoberta Inevitável admite a validade de provas que, embora derivadas de provas ilícitas, seriam inevitavelmente produzidas, seguindo os trâmites típicos e de praxe do procedimento investigatório. Por outro lado, a Teoria da Fonte Independente admite uso de provas que, embora derivadas de provas declaradas nulas, poderiam ser licitamente obtidas por fonte independente. O Código do Processo Penal brasileiro, admite expressamente o uso das provas derivadas de provas nulas, quanto puderem ser obtidas por fonte independente, assim consideradas aquelas que, seguindo os trâmites típicos e de praxe do procedimento investigatório chegariam a tais provas. No caso concreto, são nulas as provas produzidas por escuta telefônica e telemática, a partir do 60º dia de seu início, sendo hígidas as provas decorrentes de apreensões realizadas sobre os estabelecimentos comerciais das empresas investigadas e suas parceiras comerciais. SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. EXCLUSÃO. Ante a ausência de elementos hábeis a demonstrar a conduta das pessoas Fl. 2555DF CARF MF 4 físicas autuadas, ou seu vínculo com as infrações praticadas, cabe afastálas do pólo passivo da obrigação tributária. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Considerase não formulado o pedido de perícia que não especifique as razões para sua realização, aponte perito e, ainda, formule quesitos a serem respondidos. Por outro lado, deve ser rejeitada a solicitação de perícia prescindível, quando os autos dispõem dos elementos necessários ao julgamento da lide. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO. PRESENÇA DE DOLO. INÍCIO DA FLUÊNCIA DO PRAZO DECADENCIAL NO PRIMEIRO DIA DO ANO SEGUINTE. No caso de lançamento de impostos e contribuições, restando caracterizado dolo ou simulação, a fluência do prazo decadencial de cinco anos iniciase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os impostos e contribuições poderiam ser lançados. DECADÊNCIA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADES NA IMPORTAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. INÍCIO DA FLUÊNCIA NA DATA DA INFRAÇÃO. No caso de lançamento das penalidades administrativas incidentes sobre a importação, a contagem do prazo decadencial de cinco anos iniciase na data de ocorrência da infração, conforme disposição expressa do Dl 37/66, reproduzida no Regulamento Aduaneiro. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 25/02/2005, 16/03/2005, 21/03/2005 IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES SOBRE A IMPORTAÇÃO. DOCUMENTO INIDÔNEO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO MEDIANTE ARBITRAMENTO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Constada a inidoneidade dos documentos que instruíram o despacho de importação e, verificado que o valor aduaneiro fora dolosamente reduzido, cabe o lançamento da diferença dos impostos e contribuições incidentes. Fl. 2556DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.555 5 Nesse caso, caracterizada a fraude, a base de cálculo dos impostos e contribuições deve ser apurada mediante arbitramento, afastandose a aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira. Sobre a diferença de impostos e contribuições incide a multa de ofício qualificada de 150%. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ENTREGUE A CONSUMO. APLICAÇÃO DE MULTA CORRESPONDENTE A 100% DO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. ERRO DE CAPITULAÇÃO. Caracterizada a interposição fraudulenta na importação, e tendo sido as mercadorias importadas entregues a consumo, cabe aplicar a multa correspondente a 100% do valor aduaneiro da mercadoria. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 7. Foi dirigido recurso de ofício a este Conselho, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com alterações introduzidas pela Lei n.º 9.532/97, e de acordo com o art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 03/01/2008. 8. Em 31/03/2015, foi interposto recurso voluntário pelo responsável solidário MARCO MANSUR FILHO, no qual se alegou, em síntese: (i) inexistência de pressuposto para a aplicação da responsabilidade solidária, em virtude de não se tratar de representante comercial das empresas estrangeiras, não havendo ordens de compras ou outros documentos fiscais em seu nome não sendo adquirente nem encomendante da mercadoria, inexistiria interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, exigências do art. 124 CTN e do art. 32 do DecretoLei º 37/1966; (ii) nulidade do acórdão recorrido por aproveitar provas decorrentes de apreensões realizadas sobre os estabelecimentos comerciais das empresas investigadas e suas parceiras comerciais, uma vez que a decisão partiu da premissa que os elementos probatórios relacionados seriam produzidos em qualquer procedimentos fiscal, independentemente da existência de escuta telefônica; (iii) a necessidade de considerar o dies a quo, para fins de contagem do prazo decadencial, a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, uma vez que não houve dolo, fraude ou simulação; (iv) cerceamento de defesa, em afronta ao inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e aos incisos LIV e LV da Constituição Federal, decorrente do indeferimento indevido de prova pericial contábil para se demonstrar a incompatibilidade entre o valor apontado nas declarações de importação objeto do auto de infração e os valores lançados no memorial de cálculos, o que implica nulidade da decisão recorrida; (v) caráter confiscatório e desproporcional da multa de 150%, em desacordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal; (vi) contradição entre o fundamento da decisão, que entendeu serem indevidas a multa equivalente ao valor comercial da mercadoria, acobertada pelo manto decadencial e a multa de 100% entre o preço praticado e preço declarado (art. 88 da medida Provisória nº Fl. 2557DF CARF MF 6 2.15835) e a ementa do acórdão, que manteve a multa de 100% do valor aduaneiro da mercadoria. 9. Em 09/04/2015, foi interposto recurso voluntário por CIL, no qual se alegou, em síntese: (i) nulidade do acórdão recorrido por utilizar provas declaradas nulas pelo Poder Judiciário; (ii) nulidade do auto de infração, que não indicou todos os sujeitos passivos, tendo faltado a indicação das empresas CONTROL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., LANSARET COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA., e INTERLOGISTIC CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA.; (iii) decadência, que deve começar a ser contada a partir do registro da DI; (iv) impossibilidade da aplicação cumulativa da multa igual ao valor da mercadoria (art. 704 RA); (iv) a base de cálculo da multa do inciso I do art. 83 da Lei nº 4.502/64 (art. 704 RA) deve ser o preço pago pelas mercadorias importadas, sem a inclusão dos custos de transporte (frete) e seguro, não se confundindo com o valor aduaneiro; (v) a necessidade de se rejeitar o método do arbitramento utilizado pela autoridade fiscal, uma vez que não foi demonstrado o subfaturamento dos preços das mercadorias importadas pela MERCOTEX; (vi) a necessidade de se afastarem tanto as multas como a representação para fins penais em virtude da ausência de dolo, fraude ou simulação. 10. Em 31/03/2015, foram apresentadas contrarazões ao recurso de ofício por ALESSANDRA SALEWSKI, que repetem as razões trazidas pelo recurso voluntário interposto por MARCO MANSUR FILHO. 11. Em 14/04/2015, foram apresentadas contrarazões ao recurso de ofício por MARCO ANTONIO MANSUR, que repetem as razões trazidas pelo recurso voluntário interposto por MARCO MANSUR FILHO. 12. Não se localizou, no eprocesso, recurso voluntário interposto pelo responsável solidário OPUS TRADING. Cabe observar, todavia, a existência de retorno de aviso de recebimento negativo, situado às fls. 2.176 a 2.177, enviado ao endereço da "Av. São Paulo Aspen Park Trade, 172 Sls 507/509/513/515 Zona 1 Maringá/PR CEP 87013 040" com o aviso manuscrito "fechou" 13. No espaço destinado a anotações da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) consta a informação "Mudouse": Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.556 7 14. Em 08/04/2015, foi afixado o Edital de Intimação nº 19/2015, com data de desafixação de 23/04/2015, situado à fl. 2.179, por meio do qual, nos termos do inciso II do § 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, em virtude de se encontrar em local incerto e ignorado, tendo se mostrado improfícua a tentativa de intimação anterior, cientificouse o responsável solidário OPUS TRADING da Intimação nº 40/2015. 15. Não obstante as informações acima, consta aviso de recebimento positivo, situado à fl. 2.185, dirigido à OPUS TRADING, no mesmo endereço do aviso postal anterior ("Av. São Paulo Aspen Park Trade, 172 Sls 507/509/513/515 Zona 1 Maringá/PR CEP 87013040"), com data de 31/03/2015: 16. Em 16/04/2015, a empresa MERCOTEX DO BRASIL LTDA. apresentou recurso voluntário "(...) tão somente porque foi intimada para tanto na condição de interessada (intimação nº 36/2015)". Esclarece, ainda, preliminarmente, que: "(...) a recorrente está, por cautela, manifestando seu recurso voluntário tão somente porque foi intimada para Fl. 2559DF CARF MF 8 tanto na condição de interessada (intimação 36/2015). Isto porque a empresa importadora das DIs citadas no acórdão foi a empresa OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA. e não a recorrente e, logo, não tem esta nenhuma relação com os fatos narrados no acórdão, não foi intimada para apresentação de impugnação e nunca teve acesso aos autos administrativos deste PAF, o que desde já deixa claro sua falta de condições de recorrer, em flagrante nulidade por cerceamento de defesa e violação da ampla defesa e do contraditório (do devido processo legal, em suma" (seleção e grifos nossos). 17. O processo foi distribuído a esta relatoria que, ao compulsar os autos para elaboração de competente relatório e voto, constatou a ausência do "Volume 1", no qual presumivelmente se encontram tanto o auto de infração como o respectivo termo de verificação fiscal, em conformidade com a figura abaixo, recortada do eprocesso: 18. Diante da ausência de documentos imprescindíveis para a apreciação do caso, pronunciamonos, por meio do Despacho Saneador s/n de 13/02/2017, situado às fls. 2341 a 2344, para que fossem os autos remetidos novamente para a unidade local, para fins de localização e importação do volume e eventuais documentos faltantes, a fim de que fossem disponibilizados no eprocesso. 19. Após ter a unidade cumprido a contento a determinação monocrática, conforme documentos situados às fls. 2348 a 2548, os autos foram devolvidos para este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator. Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.557 9 20. Os recursos voluntários e o recurso de ofício preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. 21. Trata a acusação fiscal, em síntese, de conluio entre o importador ("OPUS") com o real adquirente ("CIL") para submeter a despacho aduaneiro de importação mercadorias com valor declarado abaixo do valor real de transação. Restaria comprovada a conduta dolosa tendente a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal mediante alteração indevida para menor da base de cálculo dos tributos aduaneiros nas operações registradas sob as DI no 05/03275330, 05/03923006, e 05/04903211, que culminaram com o lançamento de ofício das diferenças relativas ao IPI Importação, COFINSImportação, e Contribuição para o PIS/PASEPImportação, acrescidas de multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. As mesas operações de importação, não obstante, foram objeto de lançamento da multa correspondente à 100% da diferença entre o preço praticado e o declarado, capitulada no art. 88, parágrafo único da MP 2.15835. 22. Destaca a autoridade fiscal que os produtos importados irregular e fraudulentamente foram entregues à "CIL", real adquirente das importações, que permanecia oculta durante as transações. Esta, por sua vez, efetuou o consumo ou a entrega para tal das mercadorias que sabia serem importadas irregularmente, pois participou de toda a simulação praticada desde o inicio, o que ensejou a aplicação da multa de 100% do valor comercial da mercadoria, capitulada no art. 704 do Decreto 6.759/09. Cabe destacar, do relatório de fiscalização, o seguinte trecho: "(a) a investigação realizada pela Receita Federal (RF), em conjunto com a Policia Federal (PF), tem por foco uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR, denominada na operação de “Grupo MAM”, e que se dedicava à prática de diversas fraudes, muitas delas em operações do comércio exterior, e resultou na constatação do envolvimento de várias empresas que, mesmo não fazendo parte da referida organização, participavam da prática das infrações e beneficiavamse dos “produtos dos crimes” realizados; (b) os procedimentos de investigação da OPERAÇÃO DILÚVIO tiveram seu inicio em 2005 e culminaram com a deflagração da parte ostensiva da operação em mais de 100 endereços comerciais e residenciais, nos quais foram localizados e apreendidos documentos/arquivos magnéticos comprobatórios das fraudes praticadas, com autorização judicial (a maioria dos documentos e arquivos foram apreendidos em 16/08/2006 pela PF, em cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão MBA emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá/PR); (c) o Grupo MAM consiste em um conjunto de empresas constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas, que atuavam de forma dissimulada como importadores ou como distribuidores de mercadorias Fl. 2561DF CARF MF 10 importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os reais interessados pelas operações (estes sim, reais adquirentes que compravam mercadorias de seus efetivos fornecedores no exterior, mas que nunca figuravam como tal, tampouco como importadores, perante os controles administrativos e aduaneiros); (d) os controladores desta organização, ou seja, MARCO ANTÔNIO MANSUR, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO (MARQUITO), ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES (TONY), e ALESSANDRA SALEWSKI, e seus gerentes operacionais determinavam todos os procedimentos, tais como: a forma de embarque das mercadorias; como os documentos deveriam ser emitidos (quando não eram eles mesmos que os emitiam); como seria elaborada a Declaração de Importação; como seriam emitidas as notas fiscais de entrada e de saída por todas as empresas utilizadas no fluxo, até que a mercadoria fosse colocada à disposição do cliente, proporcionando amplo suporte documental, cambial, logístico e jurídico aos clientes da organização; (e) na figura a seguir (fl. 44) se demonstra graficamente o esquema fraudulento: 23. Este colegiado já enfrentou, em diversas oportunidades, a acusação fiscal em apreço, referente a este mesmo grupo de empresas, em que se discute a validade do repertório probante originário da chamada "Operação Dilúvio", acima referenciada, tendo sido o caso mais recente aquele tratado no Acórdão CARF nº 3401004.427, em sessão de 20/03/2018, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl, que restou vencido, tendo sido designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. O processo administrativo em referência se refere unicamente a período de apuração distinto do presente, versando sobre fatos ocorridos entre 30/09/2004 a 03/01/2005. Ao se cotejarem as provas produzidas naqueles autos com aquelas que instruem o presente, verificase não apenas similaridade, mas vera identidade, o que nos permite deduzir, com a necessária segurança Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.558 11 jurídica, que a resposta dada pela unidade em cumprimento de diligência determinada por este Conselho no sentido de que aquele auto de infração tem por base unicamente documentos que foram apreendidos por ocasião dos procedimentos de busca e apreensão, no contexto da “Operação Dilúvio”, pode ser estendida ao presente caso. 24. Observase que tal percurso argumentativo sequer se faz necessário, pois é possível se alcançarem idênticas conclusões por meio de diligência realizada no seio do presente processo, determinada já pela jurisdição de primeiro piso, cuja descrição, por sua fidelidade aos fatos, merece transcrição: Distribuídos os autos, esta relatora propôs, em 27 de janeiro de 2012, conforme despacho anexado às fls. 1.128 e 1.129, a realização de diligência no intuito de que fossem anexados aos autos documentos comprobatórios da regular apreensão e compartilhamento, pelo Ministério Público Federal, dos elementos de prova decorrentes da chamada "Operação DILÚVIO". Em 10 de abril de 2012, a autoridade fiscal informa, no Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1.193 e 1.194, a conclusão do procedimento, tendo sido anexados aos autos os documentos de fls. 1.130 a 1.190. Cientificados de tal procedimento, comparecem ao processo os sujeitos passivos CIL (fls. 1.210 a , 1.225), ALESSANDRA SALEWSKI (fLS. 1.257 a 1.574) A empresa CIL alega, inicialmente, que a juntada posterior dos documentos não teria o condão de sanar a nulidade do processo, posto que o auto de infração deveria ter sido instruído, desde o início com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova; que o próprio Ministério Público entendera que os MBAs procedidos no âmbito da Operação Dilúvio teriam derivado das escutas telefônicas anuladas pelo STJ, sendo igualmente nulas as provas obtidas durante sua execução; requer eu o AI seja julgado improcedente. Por sua vez, alega ALESSANDRA SALEWSKI que a nulidade das provas no âmbito do IPL no 2006.00.0224356, deveria ser refletida nos julgamentos administrativos, conforme reconhecera decisão proferia pela 5a. Turma da DRJ/Recife, nos autos do processo administrativo no 19647.003715/201027. Ante à relevância dos fatos novos relacionados ao IPL no 2006.00.0224356, particularmente a manifestação do Ministério Público Federal, e, por outro lado, tendo em vista a independência entre as esferas administrativa e judicial, esta relatora requereu novamente que fosse procedida diligência, para que a autoridade fiscal procedesse à separação das provas que teriam sido contaminadas, por derivação, pela nulidade das escutas Fl. 2563DF CARF MF 12 telefônicas, apontando, por conseguinte, os elementos de prova que entendia idôneos. Concluída o procedimento foi anexado aos autos Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1.555 a 1.558, contra o qual apresentaram manifestaramse os sujeitos passivos MARCO ANTÔNIO MANSUR (fls. 1602 a 1.829), ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES (fls. 1.849 a 1.898) e a empresa CIL. O Sr. MARCO ANTÔNIO MANSUR alega, essencialmente, que não se poderiam considerar lícitas as provas passíveis de serem obtidas em qualquer procedimento fiscal, posto que a Receita Federal não o fizera de fato, acrescentando que, no caso dos autos, os documentos colacionados nada mais são do que cópias de documentos ilicitamente apreendidos; argumenta ainda que seria impossível segregar as provas contaminadas pela nulidade, posto que as conclusões do Ministério Público e os emails decorrentes de interceptação telemática teriam permeado toda a acusação fiscal. Na mesma linha, alega ANTÔNIO CARLOS BARBEITO MENDES que não haveria no caso fonte independente, a maior parte dos elementos probatórios decorreu de uma única fonte, que fora anulada, sendo os dados coletados nos sistemas na RFB insuficientes para sustentar o lançamento. Na mesma linha, argumenta a empresa CIL, alegando que todas as provas seriam nulas, por derivação, nos termos da teoria dos Frutos da Árvore Envenenada, sendo inexistentes, no caso em tela, fontes independentes. 25. Em nosso entendimento, ainda que o ordenamento brasileiro não seja minimamente compatível com a concepção de descoberta inevitável, é igualmente possível se passar ao largo da ideia de "frutos envenenados da árvore envenenada" ao se ter em conta que as provas produzidas no curso da Operação Dilúvio não têm mais o condão de ofertar suporte fático a decisões autênticas, do qual é espécie o lançamento em disputa, mas podem ser consideradas indícios aptos a dar início a um procedimento fiscal, pois noticia contexto que indica a potencial supressão ou falta de recolhimento de tributos. Sua natureza indiciária, no entanto, deve ser abstraída no momento da justificativa da decisão que sustenta a incidência. Assim, apenas se a coleção de provas novas, produzidas no curso do novel procedimento, for suficiente para demonstrar a ocorrência do fato gerador e seus sucedâneos e consectários legais é que deverá ser mantido o auto de infração. 26. O relatório de diligência fiscal porta consigo considerações da unidade a respeito de teorias que deram conta dos efeitos da declaração de nulidade das provas no Direito, mas o que há de relevante é a informação de que a totalidade dos documentos referenciados no relatório de auditoria utilizados para formalização do lançamento foram apreendidos, mediante busca e apreensão, no contexto da chamada “Operação Dilúvio”, ainda que vários deles pudessem, como faz questão de ressaltar a unidade, já prevendo a Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 19647.005870/201088 Acórdão n.º 3401004.465 S3C4T1 Fl. 2.559 13 conseqüência desta informação a depender do compromisso do julgador com uma ou outra teoria, ser obtidos de outra forma. Diante da impossibilidade do acolhimento da "teoria inevitável", que alberga os fins e cega aos meios, ainda que afrontem direitos e garantias fundamentais, extravazando a não mais poder o poder fiscalizatório, o que se percebe é que, excluídas as provas nulas, nada resta a dar apoio ao lançamento, que, derruído em seu suporte fático, padece de carência probatória. 27. Assim, voto por dar provimento integral aos recursos voluntários interpostos, em virtude de carência probatória, bem como por conhecer e negar, por conseqüência, provimento ao recurso de ofício, restando, desta forma, prejudicados os demais pedidos e argumentos formulados, incluindose aquele referente à decadência. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 2565DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.100024/2007-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado posteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, deve-se manter o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento indevido.
Numero da decisão: 9303-006.764
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Recorrente CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado posteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, devese manter o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 10 00 24 /2 00 7- 74 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13002.100024/200774 Acórdão n.º 9303006.764 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 3802001.242 da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que negou provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo julgou prescrito o direito do contribuinte à restituição pleiteada, considerando o prazo quinquenal contado a partir da data do pagamento indevido. No caso, o pedido foi apresentado pelo contribuinte em 17/08/2007, amparado em pagamentos efetuados em 18/02/1999, 10/03/1999, 15/04/199 e 21/03/2002. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, argumentando, em síntese, que: · o acórdão recorrido afirma que o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é a data do pagamento (aplicou o prazo de 5 anos); · há entendimento pacífico do STJ que considera que quando não houver homologação expressa, o direito à compensação ou restituição dos valores pagos indevidamente extinguese após o decurso do prazo de 5 anos, a partir da ocorrência do fato gerador, cujo termo final consubstanciase no prazo para homologação tácita do crédito pelo fisco. E somente após o decurso desse prazo, contase mais 5 anos para preclusão do direito de o sujeito passivo pleitear a restituição/compensação do indébito. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que argumentou terse operado a decadência, uma vez transcorridos mais de 5 anos entre a data do recolhimento e a da apresentação do pedido de restituição/compensação. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13002.100024/200774 Acórdão n.º 9303006.764 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.758, de 16/05/2018, proferido no julgamento do processo 13002.000094/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.758): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13002.100024/200774 Acórdão n.º 9303006.764 CSRFT3 Fl. 5 4 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido: “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13002.100024/200774 Acórdão n.º 9303006.764 CSRFT3 Fl. 6 5 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13002.100024/200774 Acórdão n.º 9303006.764 CSRFT3 Fl. 7 6 “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Em vista de todo o exposto, temse que, no caso vertente, o pedido de foi protocolado em 15.1.08 relativo a créditos oriundos de recolhimentos a maior de Cofins efetuados em 9.4.99. Sendo o pedido posterior a 9.6.05, devese manter a aplicação do prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, conforme art. 3º da LC 118/05. Sendo assim, nego provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o pedido de restituição foi protocolado em 17/08/2007, amparado em créditos oriundos de recolhimentos a maior efetuados em 18/02/1999, 10/03/1999, 15/04/199 e 21/03/2002. Portanto, sendo o pedido posterior a 09/06/2005, aplicável o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, conforme art. 3º da LC 118/05. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 233DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.904219/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.299
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 19 /2 01 2- 61 Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10746.904219/201261 Acórdão n.º 3301004.299 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.868, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.593. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10746.904219/201261 Acórdão n.º 3301004.299 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10746.904219/201261 Acórdão n.º 3301004.299 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10746.904219/201261 Acórdão n.º 3301004.299 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.013106/2006-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2001
MULTA DE MORA ISOLADA. DECADÊNCIA. QUINQUÊNIO. CONTAGEM. INOCORRÊNCIA.
A contagem do prazo quinquenal decadencial, de que a Fazenda Pública dispõe, para a constituição de crédito tributário referente à multa de mora incidente sobre débito fiscal pago a destempo, deve ser feita a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-006.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2001 MULTA DE MORA ISOLADA. DECADÊNCIA. QUINQUÊNIO. CONTAGEM. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo quinquenal decadencial, de que a Fazenda Pública dispõe, para a constituição de crédito tributário referente à multa de mora incidente sobre débito fiscal pago a destempo, deve ser feita a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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DECADÊNCIA. QUINQUÊNIO. CONTAGEM. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo quinquenal decadencial, de que a Fazenda Pública dispõe, para a constituição de crédito tributário referente à multa de mora incidente sobre débito fiscal pago a destempo, deve ser feita a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380300.118, de 14/09/2009, proferido pela extinta 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, conforme ementa transcrita abaixo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 31 06 /2 00 6- 01 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10380.013106/200601 Acórdão n.º 9303006.369 CSRFT3 Fl. 313 2 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA O lançamento de oficio da multa de mora não recolhida com o principal, em procedimento de revisão do lançamento por homologação só pode ser iniciado se não extinto o direito da Fazenda de homologar o pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte, que ocorre com o decurso de 5 (cinco) anos a contar do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido." Intimada do referido acórdão, a Fazenda Nacional apresentou o recurso especial às fls. 260e/274e, questionando a contagem do prazo decadencial quinquenal, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), defendendo a contagem, nos termos do inciso I do art. 173, sob o argumento de que o primeiro dispositivo se aplica somente a tributos sujeitos a lançamento por homologação e não a penalidades, como no presente caso. Por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade às fls. 283e/284e, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu seguimento àquele recurso especial. Intimado do acórdão, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte apresentou as contrrazzões às fls. 295e/313e, solicitando a manutenção da decisão recorrida, alegando, em síntese, que, no caso de penalidade aplicada a tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição do respectivo crédito tributário decai juntamente com o tributo homologado, expressa ou tacitamente. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário referente à multa de mora incidente sobre o valor do PIS do mês de dezembro de 2000, vencido em 15/01/2001 e pago em 30/4/2001, sem o acréscimo da multa de mora, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. A Fazenda Nacional discordou dessa decisão, suscitando divergência quanto à data de início da contagem do prazo decadencial quinquenal, alegando que o quinquênio deve ser contado nos termos do inciso I do art. 173 daquele mesmo Código. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10380.013106/200601 Acórdão n.º 9303006.369 CSRFT3 Fl. 314 3 A decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário está prevista no CTN, art. 150, § 4º e art. 173, inciso I. O disposto no art. 150, § 4º, aplicase exclusivamente aos créditos tributários decorrentes de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Já o disposto no art. 173, inciso I, aplicase aos créditos tributários em geral, inclusive, aos decorrentes de penalidades por descumprimento de obrigações tributárias. Assim, ao contrário do entendimento do Colegiado da Câmara baixa e do próprio contribuinte, o prazo decadencial quinquenal, para a constituição de crédito tributário decorrente de penalidade aplicada por descumprimento da obrigação tributária, deve ser contado nos termos do inciso I do art. 173 do CTN, que assim dispõe: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)." No presente caso, embora o débito tributário pago a destempo tenha vencido em 15/01/2001, a Fazenda Nacional não poderia efetuar o lançamento do crédito tributário decorrente da penalidade antes da data em que foi efetivamente pago, em 30/04/2001, conforme consta dos autos. Assim, somente a partir da data daquele recolhimento, é que a Fazenda Nacional tomou conhecimento de que a multa de mora devida, em decorrência do pagamento a destempo, não fora recolhida juntamente com o principal. Até então, não havia como efetuar o lançamento pelo simples fato de que a infração ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996 não havia se materializado. Portanto, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em discussão. Ressaltese ainda que, em relação ao IRPJ e à CSLL recolhidos por estimativa, o Pleno do CARF já editou súmula para que a contagem do prazo decadencial quinquenal do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente à multa isolada por falta e/ ou insuficiência do recolhimento, determinado que o quinquênio deve ser contado nos termos do inciso I do art 173 do CTN, conforme a Súmula nº 104, in verbis: "Súmula CARF nº 104: Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN." Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 314DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.727340/2009-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
EDITADO EM: 05/05/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 05/05/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 05/05/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 40 /2 00 9- 06 Fl. 259DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O acórdão recorrido manifestou o entendimento de que referida verba tem natureza tributável. Consoante despacho de exame de admissibilidade proferido pelo Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo, em face do acórdão recorrido, obteve seguimento parcial para que a divergência relacionada à natureza indenizatória da URV fosse apreciada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Voto Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.334, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202006.334): Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 178.526,73, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 9202006.359 CSRFT2 Fl. 3 3 O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba URV. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode Fl. 261DF CARF MF 4 recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastála no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência (fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional, por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 9202006.359 CSRFT2 Fl. 4 5 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Fl. 263DF CARF MF 6 Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10580.727340/200906 Acórdão n.º 9202006.359 CSRFT2 Fl. 5 7 tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário. (VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV). Argumenta o Recorrente, em síntese, a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando a natureza indenizatória de tais verbas. A primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Fl. 265DF CARF MF 8 Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 266DF CARF MF
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Numero do processo: 10650.001629/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal.
Numero da decisão: 1301-002.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 569 1 568 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.001629/200751 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.933 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2018 Matéria IRPJ: OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente BRAMILHO EXPORTAÇÃO E COM. DE CEREAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 16 29 /2 00 7- 51 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10650.001629/200751 Acórdão n.º 1301002.933 S1C3T1 Fl. 570 2 justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10650.001629/200751 Acórdão n.º 1301002.933 S1C3T1 Fl. 571 3 Relatório BRAMILHO EXPORTAÇÃO E COM. DE CEREAIS LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (fls. 482/492), que, por unanimidade de votos, julgaram procedente o lançamento, mantendose o crédito tributário exigido. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 21/86), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: omissão de receitas receitas não escrituradas: Valor apurado decorrente de circularizações feitas às empresas que compraram mercadorias do contribuinte fiscalizado, cujos créditos foram identificados nos extratos bancários fornecidos pelos bancos objeto da Requisição de Movimentação Financeira (RMF), conforme planilhas fornecidas por estas mesmas empresas que são parte integrante e indissociáveis deste Auto de Infração. depósitos bancários de origem não comprovada e não escriturados; Valor apurado conforme Requisição de Movimentação Financeira expedida a fim de se identificarem os créditos efetuados em conta corrente para posterior conciliação e comprovação. Os créditos aqui demonstrados restaram não comprovados, pois não foi possível identificar a origem destes, conforme a "PLANILHA DEMONSTRATIVA DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS DECORRENTES DE CRÉDITOS BANCÁRIOS". insuficiência de recolhimento de imposto; multa qualificada agravada de 225%; nos anocalendário de 2003, nas bases do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS do SIMPLES, de acordo com Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de 1999), arts. 186, 188 e 199; Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24; Lei nº 9.317/96, arts. 2, 3, 5, 7, 18, Lei nº 9.732/98, art. 3°. Em razão das infrações apuradas foi formalizada representação fiscal para fins penais por meio do processo n.° 10650.001657/200778, bem como Termo de Sujeição Passiva contra o Sr. Mauro Garcia Barbosa e Sr. Longuinho Roberto Bardão. A empresa foi selecionada para fiscalização por ter movimentado no ano de 2003 a quantia de R$ 32.464.120,66 (trinta ,e dois milhões, quatrocentos e sessenta e quatro mil e cento e vinte reais e sessenta e seis centavos) e ter declarado em sua Declaração Anual Simplificada Empresa de Pequeno Porte (EPP) a quantia de R$ 970.369,28 (novecentos e setenta mil, trezentos e sessenta e nove reais e vinte e oito "centavos). Em'decorrência da diligência efetuada em 27/02/2007, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal em 28/02/2007 que constatou, segundo informações coletadas no local que: (fls. 104) Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10650.001629/200751 Acórdão n.º 1301002.933 S1C3T1 Fl. 572 4 • o contribuinte não opera mais naquele endereço há mais de 02 (dois) anos; • atualmente funciona no local uma balança de pesagem de caminhões, outra empresa de armazenagem de grãos; • os responsáveis pelas empresas que atualmente operam no local não foram encontrados. Contudo, a fim de dar início à fiscalização, foi 'expedido o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização N° 06.1.05.002007000536. Constatado que a empresa não opera mais no local, foram enviadas correspondências aos atuais sócios da empresa Francis Eduardo,Bagatini e Jeorge Carlos de Moraes, com domicílio tributário eleito na cidade de Rio Verde, GO, adquirentes da empresa em 04/10/2005. (fls. 105/109) Em 12/06/2007, foi intimado o proprietário do galpão onde .operava a BRAMILHO (Alexandre Jorge & Cia, CNPJ: 25.425.554/000161), no endereço por ela informado à SRFB, a fim de se coletarem informações que servissem para identificar os responsáveis pela empresa à época dos fatos geradores, e definir a responsabilidade tributária por parte dos atuais locatários do galpão. Em resposta à intimação, o locador apresentou o contrato firmado pela Alexandre Jorge & Cia e a Bramilho, neste ato representada pelo seu sócio Roberto Longuinho Bardo. (fls.110/123) Em 12/06/2007 também foi intimado o atual locatário do galpão, Sementes São José Em resposta.à intimação, Sementes São José respondeu que o atual contrato de locação do galpão iniciouse em 15/04/2005 e estará vigente até 14/04/2008, explorando a atividade de armazenagem de produtos diversos. (fls.124/131) Em 14/06/2007, foram circularizadas empresas abaixo identificadas que informaram compras junto à Bramilho, quais sejam: Em resposta às Intimações, as empresas forneceram a esta ) fiscalização cópias das notas fiscais de venda emitidas pela Bramilho, bem como ordens de compra e comprovantes dos respectivos pagamentos realizados à Bramilho referentes à 1 compra de grãos (soja). (fls.132/215) Da diligência foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal N°002 em 12/07/2007, no qual está consignado o que se pôde constatar: (fls.24/10,, 2)3).944 • que o sócio Francis Eduardo Bagatini faleceu em 29/10/2005, em decorrência de acidente automobilístico, conforme Atestado de Óbito; Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10650.001629/200751 Acórdão n.º 1301002.933 S1C3T1 Fl. 573 5 • que o sócio Jeorge Carlos de Moraes faleceu em 14/11/2006, de insuficiência respiratória, conforme Atestado de Óbito; • que os domicílios tributários eleitos pelos contribuintes tratavamse de residências muito humildes, em endereços periféricos, distantes do centro, tratandose de uma periferia muito pobre; • que no endereço de Francis Eduardo Bagatini atualmente opera atualmente uma pequena loja de móveis usados denominada "Lojão dos Usados", que funciona, segundo informação do proprietário a 05 (cinco) anos naquele endereço; • após árduo serviço de investigação, conseguimos localizar a viúva do Sr. Jeorge Carlos de Moraes, a Sra. Juraci, numa casa muito humilde que fazia fundos com um estabelecimento conhecido por "Ferro Velho da Juraci". •Dona Juraci não acreditava que seu marido havia adquirido e era proprietário da Bramilho, empresa que movimentara a quantia de R$ 32.464.120,66 (trinta e dois milhões, quatrocentos e sessenta e quatro mil e cento e vinte reais e sessenta e seis centavos) em 2003, pois segundo ela, seu marido sempre trabalhou como vigia de um colégio municipal de Rio Verde, e nunca sequer havia trabalhado em lavoura, e que nunca antes ouvira falar dos alienantes da Bramilho, Srs. Longuinho Roberto Bardão e Mauro Garcia Barbosa. A diligência trouxe a convicção de que os atuais proprietários da Bramilho são na verdade pessoas interpostas pelos antigos proprietários da Bramilho, pois moravam em casas e bairros paupérrimos na cidade de Rio Verde, nunca foram vistos pelas testemunhas da alteração do contrato social da Bramilho, além de não possuírem movimentação financeira ou bens que demonstrassem possuir capacidade financeira para adquirir empresa capaz de movimentar vultosas quantias, que na expectativa de elidirem a responsabilidade e os encargos que acarretam o fechamento de unia empresa, usaram Francis e Jeorge como interpostas pessoas Diante desta situação, a fiscalização dirigiuse até a cidade de Ipuã/SP a fim de entregar o Termo de Intimação Fiscal . N°001 aos proprietários da Bramilho à época da ocorrência dos fatos geradores em 09/07/2007, com base nos arts. 124, 135 e 137 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), abaixo transcritos: (fls. 216/239) (...) Em 15/07/2007, em resposta ao Termo, o Sr. Longuinho nos informa que:(fls.221/234) necessitaria de mais 15 (quinze) dias para providenciar a documentação requerida; • vendeu a empresa aos Sr. Francis e Jeorge em 16/02/2006, e que a documentação se encontrava com estes, apresentando cópia do contrato social; • haviam solicitado, que os atuais sócios fornecessem • documentos requisitados no Termo; • a documentação da empresa se encontrava em posse da Fiscalização Estadual, anexando cópia do Termo de Início) da Ação Fiscal. Em 13/08/2007 compareceram as testemunhas, que prestaram os esclarecimentos consignados no Termo de Esclarecimento lavrado na mesma data. Afirmaram que: (fls. 296/297) • em 2005 foram procurados pelo Sr. Longuinho Roberto Bardão para que se procedesse à alteração do Contrato Social da Bramilho em razão da mudança do quadro societário; Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10650.001629/200751 Acórdão n.º 1301002.933 S1C3T1 Fl. 574 6 • não conhecem os atuais sócios da Bramilho, Francis e Jeorge, já que o Sr. Longuinho Roberto Bardão levou os documentos necessários à efetivação do negócio jurídico, e que não tiveram qualquer tipo de contato com os adquirentes da Bramilho. • o contrato de alteração foi entregue ao Sr. Longuinho Roberto Bardão com a assinatura dos alienantes e das testemunhas, ficando a cargo do Sr. Longuinho a coleta das assinaturas dos adquirentes e atuais titulares da Bramilho. (...) Do resultado das RMFs expedidas, obtivemos como respostas das instituições financeiras, os extratos bancários, e uma procuração datada de 18/03/2002, onde o sócio Mauro Garcia Barbosa outorga ao sócio Longuinho Roberto Bardão "amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a sua parte que tem na firma outorgante (Bramilho), podendo para tanto dito procurador comprar e vender mercadorias dentro do ramo em que a firma se dedica, abrir e movimentar contas correntes, junto a quaisquer estabelecimentos bancários...". (f1s.355/361) Da interposição de pessoas Os elementos comprobatórios levantados pela fiscalização trazem convicção de que os atuais donos da Bramilho são interpostas pessoas, pois: Francis Eduardo Bagatini tinha como ocupação principal declarada à .RFB "Vendedor e prestador de serviços do comércio, ambulante, caixeiroviajante e camelô"; auferiu rendimentos totais em 2005 no valor de R$16.590,00 (dezesseis mil, quinhentos e noventa reais) e não possuía quaisquer bens, além disso suas informações junto à Previdência Social indicam que sempre trabalho como empregado no ramo de corretora de seguros, não figurando nos sistemas previdenciários como empregador. fl. 459 Jeorge Carlos de Moraes não informou à RFB quaisquer rendimentos no ano de 2005, e consta nos sistemas previdenciários que seu último trabalho foi na Secretaria de Educação do Estado de Goiás_,além de não ter quaisquer bens registrados em seu nome. fl. 458 Mauro Garcia Barbosa em como ocupação principal "Vendedor e prestador de serviços do comércio, ambulante, caixeiroviajante e camelô" e declarou parcos rendimentos à RFB, além de ter sido informado em Guia de Recolhimento e Informações à Previdência como empregado das empresas Agromilho Representação Comercial Ltda CNPJ 61.212.460/000178 no período de 01/03/1994 a 31/08/1994 e Armazéns Gerais Ituveravense Ltda. CNPJ 05.461.872/000170 no período de 01/07/2006 a 04/08/2007 ambas de propriedade do Sr. Longuinho Roberto Bardão. fl. 460 (...) Das multa qualificada e agravada O art. 44, parágrafo. 1°, II, da Lei 9.430/96 determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1 O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n2 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10650.001629/200751 Acórdão n.º 1301002.933 S1C3T1 Fl. 575 7 § 2 Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do çaput .e o § 12 deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir, o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.. Como os antigos donos da Bramilho, em tese, praticaram fraude, sonegação e conluio, aplicouse a multa qualificada, de 150% (cento e cinqüenta por cento). E, como em nenhum momento apresentaram quaisquer documentos à fiscalização, limitandose a afirmar que o simples fato de terem vendido a . empresa estariam isentos deste encargo, agravouse a multa em 50% (cinquenta por cento). Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 468/477, apresentada tãosomente pelo responsável Sr. Longuuinho Roberto Bardão, que aduziu os seguintes argumentos: "requerse o total provimento da presente defesa fiscal, como o julgamento de improcedência do lançamento, determinandose a anulação do Auto de Infração indicado no preâmbulo desta e a conseqüente desconsideração do débito tributário ou com exclusão do impugnante do pólo passivo tributário." Para tanto, aduziu a argumentação resumida abaixo: "As cotas de participação do impugnante na empresa autuada foram vendidas em 04/10/2005, como se vê pela própria informação do senhor fiscal no Termo de Verificação." "Se a alienação da participação da empresa foi feita na mais perfeita ordem, descaberia ao alienante questionar as condições sócioeconômicas dos adquirentes." "Não existe fundamento de fato ou de direito para se 'presumir' que o impugnante continuou na administração da empresa." "Não há que se falar, assim, que o impugnante seja responsável por documentos que não mais lhe pertencem, não cabe a responsabilização por 'presunção' visto que não há qualquer fato que demonstre a máfé do impugnante na transmissão da sociedade." Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10650.001629/200751 Acórdão n.º 1301002.933 S1C3T1 Fl. 576 8 "O artigo 135 acima transcrito é claro ao indicar e limitar as condições de responsabilização do sócio quando seus atos são 'praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto', o que não restou comprovado". "Desta forma, além do fato de que o impugnante não mais se responsabiliza pelos débitos da empresa da qual se desligou há mais de dois anos, a responsabilidade dos sócios não cabe no caso dos autos por não ter havido sequer alegação fática de práticas previstas nos artigos invocados." "Conforme as várias manifestações acerca da inacessibilidade do impugnante aos documentos, não existe possibilidade de defesa, sobremaneira aos valores absurdamente elevados, já que o impugnante não teve acesso a todos os documentos da empresa. Também não teve acesso às respostas das supostas 'circularizações' realizadas, cujos valores não se pôde conferir." "Não se pode haver presunção de fato gerador do imposto de renda simplesmente pela existência de depósitos não escriturados." "..., o item 003 referente ao imposto de renda não indica a que se referem especificamente os valores apontados." Em julgamento realizado em 21 de maio de 2008, 1ª Turma da DRJ/JFA, considerou improcedente a impugnação do responsável e prolatou o acórdão 0919408, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DOCUMENTOS DE PROVA. CIÊNCIA. Inexiste cerceamento de direito de defesa em face da ausência da ciência dos elementos de prova juntamente com o auto de infração, tendo em vista que estes foram juntados aos autos e é facultada a vista do processo ao interessado. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERPOSTAS PESSOAS. Cabível a responsabilização tributária do sócio administrador à época de ocorrência dos fatos geradores quando comprovada a sua retirada do quadro societário da empresa por meio de interposição fraudulenta de novos sócios, a fim de se eximir da responsabilidade dos tributos e contribuições devidos quando da posterior dissolução irregular da sociedade empresária. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10650.001629/200751 Acórdão n.º 1301002.933 S1C3T1 Fl. 577 9 O responsável apresentou recurso voluntário às fls. 501 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, pugnando pelo cancelamento da autuação ou sua exclusão do pólo passivo. A PGFN apresentou contrarrazões às fls. 512 e ss. Diante da dúvida com relação à devida intimação do contribuinte e do outro responsável Sr. Mauro Garcia Barbosa, solicitei a intimação via edital, nos termos do art. 23, §1º do Decreto 70.235/72, retornando, após, para prosseguimento do julgamento. Assim, a intimação via edital foi realizada, conforme fls. 564, bem como via AR, fls. 558/562. É o relatório. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10650.001629/200751 Acórdão n.º 1301002.933 S1C3T1 Fl. 578 10 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada, em 04/08/2009, no IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, pelo regime do SIMPLES, no anocalendário de 2003, por ter omitido receitas naqueles anos, exigindose o crédito tributário total de R$6.138.409,58, incluindo multa de 225% e juros de mora. A DRJ/JFA julgou a impugnação improcedente. Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário apenas pelo responsável Sr. Longuinho Roberto Bardão. A contribuinte e o outro responsável, apesar de intimados, fls. 558/562 e 564, inclusive via edital, não apresentaram recursos voluntários. RECURSO VOLUNTÁRIO Do recurso apresentado pelo responsável Sr. Longuinho Roberto Brandão. Pelos documentos, a ciência foi dada por via postal. AR (fls. 500) no dia 28/10/2008, terçafeira, iniciandose a contagem no dia 29/10/2008 (quartafeira) e terminando no dia 27/11/2008 (quintafeira), não constando dos autos ou de calendário oficial que seja feriado no dia 28/10/2008 ou 27/11/2008. Em razão da apresentação do recurso no dia 28/11/2008, não pode o mesmo ser conhecido, por ser intempestivo. Nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/72, do julgamento de primeira instância caberá recurso voluntário dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. De acordo com o parágrafo único art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito federal – os prazos para a interposição de recurso voluntário iniciamse e vencem em dia de expediente normal e são contados de forma contínua, excluindose da contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Vejamos: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Não há alegação de matéria que, em tese, possa ser conhecida de ofício. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10650.001629/200751 Acórdão n.º 1301002.933 S1C3T1 Fl. 579 11 Dessa forma, impõese afirmar a ocorrência da intempestividade do Recurso apresentado, não devendo prosperar a análise das demais alegações. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 579DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005558/2008-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes(Presidente).
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.005558/200899 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.116 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2017 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente THADEU JOSÉ COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes(Presidente). (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 55 58 /2 00 8- 99 Fl. 106DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2007, anocalendário de 2006, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 15.173,000, por falta de comprovação de pagamento. Gerou, desta forma, um crédito tributário de imposto de renda suplementar, mais juros e multa de oficio de R$7.687,55, calculados até fevereiro de 2008. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls, 01 a 03, juntando diversos documentos para evidenciar a prestação do serviço. Alega, em síntese, que a fiscalização foi superficial ao simplesmente afirmar que os documentos apresentados seriam impróprios para provar os respectivos dispêndios, sendo necessário para tal comprovação, a microfilmagem de todos os cheques pagos aos profissionais de saúde. Salienta o contribuinte que passou por inúmeros atendimentos médicos e efetivou os pagamentos em cheques em sua maioria, tendo o cuidado de anexar todos os canhotos desses cheques, os recibos médicos correspondentes e detalhes de orçamento. Alega, por fim, que a exigência de microfilmagem de todos os sessenta e seis cheques utilizados para pagar as despesas, além de ser um exagero, já que foram apresentados os canhotos dos cheques e recibos, causaria uma despesa extra ao contribuinte da ordem de R$368,00, junto a rede bancária. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a maior parte dos comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Apenas exclui do lançamento fiscal as despesas médicas relativas ao laboratório Oswaldo Cruz. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, mediante declaração, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de declarações em anexo. Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10680.005558/200899 Acórdão n.º 2001000.116 S2C0T1 Fl. 3 3 imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos, contendo endereço, CPF, CRM ou CRO, beneficiário e valor total do serviço, relativos aos tratamentos médicos, odontológicos, e de fisioterapia, e os canhotos dos respectivos cheques. Apenas os recibos da Ivania Cavalcanti (sem detalhes do recibo ou declaração valor total de R$5,915,00), Maria da Glória Leal (sem recibo e sem declaração R$480,00) e Livia Maria Martins (recibo sem carimbo do profissional comprovando que tem competência para exercer atividade médica, sem endereço e sem indicação do beneficiário valor total de R$850,00) entendo que não estão de acordo com a legislação para a dedução da despesa. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, na maior parte, nos seguintes termos: “[...] Conforme já dito, a Notificação Fiscal foi emitida em razão da não comprovação pelo contribuinte de parte das despesas médicas lançadas em sua declaração. Na impugnação o notificado juntou apenas recibos que não estão revestidos de Fl. 108DF CARF MF 4 todas as formalidades previstas nos incisos II e III do §2°, artigo 8°, da Lei 9.250/95 e, além disso, não fazem prova da efetividade dos pagamentos. O próprio impugnante alega que a fiscalização informou sobre a necessidade da apresentação de cópias microfilmadas dos cheques para comprovar os pagamentos e não simples canhotos de cheques conforme apresentado pelo contribuinte. Assim, para fazer prova da efetividade dos pagamentos, poderiam ter sido juntadas na impugnação as mencionadas cópias de cheques ou outros documentos hábeis para comprovar o pagamento porventura efetuado, como depósitos bancários, transferências ou ordens de pagamento. A legislação tributária prevê que cabe ao beneficiário das deduções provar que realmente efetuou o pagamento das despesas que ensejaram a dedução pleiteada. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Quanto à dedução relativa a pagamento de exames laboratoriais ao Laboratório Oswaldo Cruz, o contribuinte apresentou as Notas Fiscais de n° 008712, de 06/09/2006, valor R$200,00, n° 008596, de 21/06/2006, valor R$155,00 e 008888, de 30/12/2006, valor R$203,00, fls. 21/23, que comprovam a despesa lançada pelo contribuinte.no valor total de R$558,00. Assim, deverá ser restabelecido ao impugnante o valor total de R$558,00. Por todo o exposto e, considerando que na apreciação da prova a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, conforme dispõe o art. 29 do Decreto no 70.235 de 1972, VOTO no sentido de julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o lançamento do crédito exigido, passando o mesmo de R$4.172,58 para R$4.019,13,e acréscimos legais pertinentes. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos detalhados e os canhotos apresentados não foram suficientes para comprovar as despesas.. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10680.005558/200899 Acórdão n.º 2001000.116 S2C0T1 Fl. 4 5 administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação do lançamento no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado parcialmente o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas próprias, exceto as mencionadas anteriormente, as quais devem ser mantidas as glosas por não atendimento ao quanto exposto em lei para fins de dedução, quais sejam: da Ivania Cavalcanti (sem detalhes do recibo ou declaração valor total de R$5,915,00), Maria da Glória Leal (sem recibo e sem declaração R$480,00) e Livia Maria Martins (recibo sem carimbo do profissional comprovando que tem competência para exercer atividade médica, sem endereço e sem indicação do beneficiário valor total de R$850,00) entendo que não estão de acordo com a legislação para a dedução da despesa. Fl. 110DF CARF MF 6 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas próprias ora glosadas. No que se refere às despesas, supra mencionadas, que não estão de acordo com a legislação para fins de dedução, entendo que deve ser mantido o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Discordo da Relatora em relação às despesas médicas previstas no art. 80 do RIR/1999, de R$ 850,00; R$ 480,00 e R$ 5.915,00, para as quais o contribuinte apresentou documentação. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem a sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de documentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte , como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF n 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art 73 do Decreto n 3000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73 Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação , a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.005558/200899 Acórdão n.º 2001000.116 S2C0T1 Fl. 5 7 Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o perío do em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações , no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão. .” Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de R$ 850,00; R$ 480,00 e R$ 5.915,00. Para os demais valores, concordo com a relatora. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, aceitando R$ 850,00; R$ 480,00 e R$ 5.915,00 além das despesas médicas aceitas pela relatora. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.913825/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 09053.528, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 30/06/2006, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 82 5/ 20 12 -8 0 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.913825/201280 Resolução nº 1302000.569 S1C3T2 Fl. 3 2 O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.556, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.556): O exame dos documentos constantes do processo nº 13009.00062/200504 indica que o sujeito passivo parcelou, em janeiro de 2005, débitos relativos a estimativas de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, no total de R$ 588.468,60. Em agosto de 2006, contudo, o referido parcelamento foi rescindido, para adesão ao parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Em setembro de 2009, nova rescisão, desta vez para adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Extrato constante à fl. 292 daquele processo, ainda, faz parecer que todo o débito teria sido quitado no âmbito deste último parcelamento. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.913825/201280 Resolução nº 1302000.569 S1C3T2 Fl. 4 3 É que o presente processo constitui paradigma em relação a lote de processos com fundamento em idêntica questão de direito (repetitivos), na forma permitida pelo art. 47, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. PROCESSO DATA DO PAGAMENTO VALOR TOTAL DO PAGAMENTO 10680.913813/201255 30/06/2005 23.178,06 10680.913814/201208 29/07/2005 23.523,58 10680.913815/201244 31/08/2005 23.851,71 10680.913816/201299 30/09/2005 24.212,44 10680.913817/201233 31/10/2005 24.538,40 10680.913818/201288 30/11/2005 24.844,81 10680.913819/201222 29/12/2005 25.144,69 10680.913821/201200 31/01/2006 25.464,13 10680.913820/201257 24/02/2006 25.774,89 10680.913822/201246 31/03/2006 26.024,79 10680.913823/201291 28/04/2006 26.333,37 10680.913824/201235 31/05/2006 26.568,06 10680.913816/201299 30/06/2006 26.846,21 Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.913825/201280 Resolução nº 1302000.569 S1C3T2 Fl. 5 4 a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Cumpridas as diligências, reencaminhese o processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001700/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITO. A exclusão do Simples somente surtiria seus efeitos a partir da decisão irrecorrível, administrativamente ou da data em que for dado ciência da exclusão ao contribuinte
Numero da decisão: 1301-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício; e por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar os efeitos do ato declaratório de exclusão do Simples Federal, e, conseqüentemente exonerar o crédito tributário objeto do lançamento. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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E INT. LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários, deve o lançamento ser julgado procedente. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITO. A exclusão do Simples somente surtiria seus efeitos a partir da decisão irrecorrível, administrativamente ou da data em que for dado ciência da exclusão ao contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício; e por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar os efeitos do ato declaratório de exclusão do Simples Federal, e, conseqüentemente exonerar o crédito tributário objeto do lançamento. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 17 00 /2 00 4- 18 Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 512 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase o presente processo de exclusão da contribuinte do regime simplificado Simples Nacional, por ter praticado reiteradamente infração a legislação tributária, com base no art. 14, V Lei nº 9.317/96. Vejamos as descrições dos fatos do auto de infração e seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão nº 0710.922 prolatado pela 3ª Turma da DRJ/FNS (fls. 465/475): Em 9 de julho de 2004 a pessoa jurídica acima identificada foi formalmente intimada do Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização (MPFF) n 2 09.2.04.002004 000570 (fl. 6) emitido em 7 de julho de 2004, em que a autoridade administrativa determinava a fiscalização do Imposto de Renda — Pessoa Jurídica do período de janeiro de 1999 a dezembro de 2003, bem como a realização das verificações obrigatórias nele descritas. Na mesma data a sociedade empresária recebeu o Termo de Inicio da Ação Fiscal e intimação para apresentação de seus livros Caixa ou Diário e Razão, e Registro do ISS do período sob escrutínio fiscal, e dos seus Atos Constitutivos e respectivas alterações (fls. 7/8), entregues em 28 de julho de 2004 (fl. 9). Em 24 de agosto de 2004, foi a contribuinte intimada a informar a origem e apresentar documentos referentes aos descontos obtidos nos meses de 3/1999; 5/2000; 7/2001; 9/2002, e 11/2003 (fls. 16/17); sua resposta se encontra As fls. 18/19. Em 23 de setembro de 2004, intimouse a pessoa jurídica a informar se os descontos obtidos haviam sido repassados aos clientes e, em tal caso, a apresentar documentação comprobatória; resposta negativa A fl. 22. Em 28 de setembro de 2004 foi protocolizada a Representação de fls. 1 a 5 para fins de exclusão da contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, com efeitos a partir de Is de janeiro de 1999, sob a alegação de prática reiterada de infração à legislação tributária, em vista da constatação de que deixara de incluir em sua receita bruta declarada os valores correspondentes As seguintes contas: 24716 — Descontos Obtidos; 24724 — Juros Recebidos, e 24759 — Variações Monetárias Ativas, arrolados nos demonstrativos de fls. 1 a 3. Segundo informação contida no extrato do sistema CNPJ — Consulta, A fl. 76, a empresa foi constituída em 3 de dezembro de 1982 e é optante pelo Simples desde 1 2 de janeiro de 1997. Em 8 de outubro de 2004 (Aviso de Recebimento — AR A fl. 115) a contribuinte foi cientificada de sua exclusão do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) n 2 29, de 5 de outubro de 2004 (fl. 114). Fl. 512DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 513 3 Em 8 de novembro de 2004 a contribuinte interpôs manifestação de (214 4 inconformidade contra a referida exclusão (fls. 116 a 128, e anexos), em que alega, sob o titulo Vicio Formal, que o ADE "[...] não menciona quais as práticas irregulares [..1" que lhe teriam ido imputadas, nem o despacho do processo de que foi intimada (13971.001700/200418) equer estabelece de forma clara qual a infração que teria provocado sua exclusão (fl. 117); quanto ao mérito da Exclusão, alega que as receitas referidas pela fiscalização não fazem parte a receita bruta tributável pelo Simples e, mesmo que assim fosse, a solução legal admitida ela própria SRF seria o auditor "[...] computála para fins de incidência no simples e não de forma imediata excluíla do regime especial de tributação, por entender haver reiterado cometimento de infração a legislação tributária." (fl. 120); afirma que os descontos que concede são incondicionais e que os descontos obtidos "[...] não são previstos na legislação como componentes de sua receita, nem poderiam, por não serem produto da venda de seus bens e serviços. Referidos descontos fardo ou não parte da receita da empresa que concede o desconto à Impugnante, não havendo nenhuma razão ou disposição legal que façam que os valores que deixaram de ser pagos pela Impugnante em razão de descontos concedidos, sejam considerados sua receita." (fls. 120/121); os juros recebidos em decorrência de aplicações financeiras ou de atrasos de seus clientes, bem como variações monetárias ativas também não fazem parte de sua receita bruta para fins do Simples, como deixam claro as respostas As perguntas n2 118 e 122, disponíveis na página da SRF na Internet, que transcreve; repele a acusação de prática reiterada de infração, pois não foi anteriormente fiscalizada nem recebeu qualquer aviso de que a fiscalização interpretava de forma diferente a legislação tributária, para excluí la do Simples e, pior, retroativamente, pois não é reincidente; transcreve a pergunta nº 195, cuja resposta corrobora sua alegação de que os valores eventualmente omitidos deveriam ser adicionados A base de cálculo do Simples e cobrados por esse sistema, exceto se extrapolassem seus limites; no tópico relativo A irretroatividade do ato administrativo (fls. 123 a 127) alega que sua exclusão somente poderia surtir efeitos a partir de decisão irrecorrível que rejeitasse os argumentos de sua manifestação de inconformidade, entre os quais o fato de ter permanecido desde 12 de janeiro de 1997 no sistema sem nenhuma oposição do Fisco que, apenas agora, teria mudado de opinião a esse respeito; requer, a final, a declaração de nulidade da exclusão, por falta de esclarecimento dos fatos que teriam levado a ela; pelo fato de que juros, descontos obtidos e variação monetária não fazem parte da receita bruta, ou por estar impedida a autoridade administrativa de excluir do Simples pela falta de cômputo de receita (que deveria ser acrescida A base de cálculo para cobrança da diferença) e que, se mantida, a exclusão apenas surta efeito após decisão administrativa definitiva que a tenha mantido. LANÇAMENTOS DE OFÍCIO Em decorrência da exclusão de oficio da contribuinte do Simples — embora ainda nãodefinitiva , prosseguiu a ação fiscal relatada no Termo de Verificação de Infração — IRPJ/CSLL, de fls. 257 a 269, tendo sido lavrados os autos de infração correspondentes As infrações já referidas, com multa de oficio de 75 % e juros de mora legais (calculados até 30/9/2004), como segue: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 514 4 Os lançamentos referidos foram efetuados com base no lucro real da contribuinte nos anoscalendário de 1999 a 2003 — embora a empresa não tivesse apresentado o Livro de Apuração do Lucro Real — Lalur (por não se reconhecer obrigada a escriturálo), como consta no Termo de Verificação de Infração — IRPJ/CSLL, A fl. 264 Como o contribuinte possui escrituração contábil elaborada de acordo com as Leis Comerciais e Fiscais e existe a possibilidade de apuração do lucro real, este será a base para a tributação. Por outro lado, foram compensados no lançamento os valores recolhidos a titulo de IRPJ e CSLL por meio do Simples, conforme demonstrado As fls. 264 a 268, da seguinte forma: Utilizamos os valores consolidados anuais para o cálculo da compensação dos tributos devidos. IMPUGNAÇÃO DOS LANÇAMENTOS Inconformada com os lançamentos acima mencionados, a contribuinte os impugnou pelas petições de fls. 291 a 311 Imposto de Renda, e 363 a 383 — Contribuição 110 Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, ambas do mesmo teor (motivo por que só se fará referências A primeira), instruídas com os anexos de fls. 312 a 359, e 384 a 432, mediante os seguintes argumentos: I — Dos Fatos (fls. 291 a 296) inicialmente relata que, como se considera regularmente optante pelo Simples, não concordou com sua exclusão de oficio daquele sistema e, assim, também não apresentou o Lalur solicitado, em virtude do exíguo prazo concedido pelo agente fiscal, como também por ainda não ter sido julgada sua manifestação de inconformidade, e ainda como estratégia de defesa, nos seguintes termos (fl. 292): Além disso caso a Impugnante tivesse apurado o IR pelo Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido como empresa normal, desde 1999, estaria concordando com o auditor fiscal com sua exclusão do simples, o que efetivamente não ocorre. II — Preliminar: Da Nulidade do Auto de Infração Exarado Anteriormente à Decisão Definitiva do Ato Declaratório de Exclusão do Simples (fls. 296 a 298) a autuação foi lavrada antes de haver decisão administrativa definitiva a respeito da exclusão do Simples, o que implica sua nulidade; ante seu direito ao contraditório e A ampla defesa, devese analisar quando é que se processam os efeitos da exclusão de oficio, visavis o dispositivo legal (art. 15, V, da Lei n2 9.317, de 1996) que os determina a partir, inclusive, do mês de ocorrência da prática reiterada, em razão da dificuldade de definição de reiteramento de infração A legislação tributária, como expressa A fl. 297: Aqui podese perguntar, quando a infração passa a ser reiterada ? O contribuinte fazendoa por um ano seguido ? Dois anos ? Um mês, a partir do segundo lançamento no mesmo sentido ? Em verdade não é simples determinarse o que se entende por infração reiterada. III — Da Exclusão do Simples (fls. 298 a 302) Fl. 514DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 515 5 as receitas que constituem a base de calculo do Simples são as determinadas no art. 22, § 22, da Lei n2 9.317, de 1996, que transcreve A fl. 299, com adição de destaque: § 2º Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais e alheios [sic]. em relação aos descontos não incluídos na base de cálculo do Simples, assim diz, A fl. 299: Os descontos registrados na contabilidade da Impugnante como receita financeira são os descontos por ela recebidos das companhias aéreas, por este motivo não são repassados aos seus clientes e não há exigência legal nem contratual para que o mesmo ocorra. Referidos descontos não podem ser tidos como Receita da Impugnante, por não se configurar como tal. Da mesma forma, eles sendo incondicionais não entram como Receita nas próprias Companhias aéreas, pois nelas sim, caso não houvesse a previsão legal poderia ser considerado como receita. Assim, referidos descontos fardo ou não parte da receita da empresa que concede o desconto a Impugnante, não havendo nenhuma razão ou disposição legal que façam que os valores sejam considerados sua receita. em relação aos juros e à variações monetárias ativas, argumenta às fls. 299/300: Quanto aos juros, sejam eles obtidos através de aplicações financeiras ou através de recebimento das faturas em atraso também não fazem parte da receita para fins do Simples, o mesmo ocorre com variações monetárias ativas, por não serem decorrentes da venda de bens e serviços, conforme deixa claro as perguntas e respostas divulgadas no próprio site da receita federal, nas perguntas 118 e 122: [...] Acrescentese que a variação monetária ativa não pode ser considerada receita, assim como a sua variação negativa não gera crédito ou diminuição da receita, não havendo como considerarse receita tal efeito variável. Esclarecese que a exceção, no caso de haver desconto em razão do pagamento adiantado, ser considerado como receita, diz respeito a esse reconhecimento caso a Impugnante recebesse tais prestações adiantadas e não apagasse, o que não ocorre. Portanto, não há configuração de nenhuma infração a lei tributária por parte da Impugnante. ao referirse A prática reiterada de infração A legislação tributária, a contribuinte argumenta, is fls. 300 a 302: Não se pode considerar como prática reiterada de infração a legislação tributária quando o contribuinte de forma isolada pratica uma conduta da qual discorda a fiscalização, sem nunca ter sido fiscalizado ou notificado anteriormente. Portanto, não se pode falar em prática reiterada quando o próprio contribuinte nunca recebeu nenhum aviso por parte da fiscalização de que sua conduta não é compatível com o entendimento da fiscalização, sob pena de ficar à mercê do entendimento do fiscal para ser excluído de um regime, do qual cumpre todos os requisitos, e pior dandolhe efeitos retroativos. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 516 6 Assim, somente em caso de reincidência poderseia vislumbrar a pratica reiterada de infração a legislação. invoca o posicionamento da SRF, exposto na questão n2 195 constante no seu site na Internet, bem como a disciplina do art. 18 da Lei n2 9.317, de 1996, e conclui que a omissão de receitas constatada pela fiscalização deveria ser somada à base de cálculo do Simples, sem sua exclusão imediata do sistema. IV — Da Irretroatividade do Ato Administrativo (fls. 302 a 306): a exigibilidade do crédito tributário deve ficar suspensa enquanto tramitar a manifestação de inconformidade contra sua exclusão do Simples; como a exclusão é ato intermediário, que apenas se aperfeiçoa após o julgamento definitivo da manifestação de inconformidade na esfera administrativa, o lançamento de eventual crédito tributário não pode ser efetuado enquanto administrativamente não se decidir de forma imutável se a empresa deve ou não ser excluída do Simples (fl. 303); a impugnante ataca a aplicação retroativa da exclusão ao afirmar, à fl. 305: Temse que argumentar também que não pode ato administrativo dar efeito retroativo ao seu disciplinamento, pois tal conduta viola o artigo 150, III, a da Constituição que prevê o principio da irretroatividade das leis. Se a lei não pode ter efeito retroativo, que dirá o ato administrativo. Desta forma, fica claro a violação a tal principio. O motivo da exclusão da Autora do simples é o entendimento da Receita Federal de que cometeu de forma reiterada infração a legislação tributária. Porém, temse que ressaltar que desde 1997 a Autora é optante pelo simples, sendo que nesses 5 anos, nunca houve pronunciamento da Receita Federal quanto a possibilidade de impedimento. Não há, portanto, razoabilidade que a Receita Federal após consentir com a opção pelo simples da Autora durante 5 anos, mude de opinião e a exclua do regime de forma retroativa. Concluise que a exclusão do Simples somente surtiria seus efeitos a partir da decisão irrecorrível, administrativamente ou da data em que for dado ciência da exclusão ao contribuinte. VII — Da Cobrança do IR (fl. 306) O que se pretende com a presente Impugnação é ver cancelado o auto de infração por não haver impedimento da Impugnante estar no Simples. Todavia, não há como deixarse de analisar os valores cobrados, como forma de pedirse, alternativamente, a redução do referido ato fiscal, pelos argumentos a seguir traçados. VI1. 1 Do Lucro Presumido (fls. 306 a 308): registra que o auditor fiscal deixou claro em seu relatório que a impugnante tem seus livros escriturados de acordo com as exigências fiscais, tanto que levou em consideração para fins de apuração do Imposto de Renda o lucro real constante em sua contabilidade; do mesmo modo, lembra o que o agente fiscal assentou a respeito da apuração do IRPJ pelo lucro presumido, A fl. 306: Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 517 7 Ao mesmo tempo afirma o auditor que a partir do momento que o lançamento do Imposto de Renda é realizado de oficio inviabiliza a utilização da apuração do Imposto de Renda através do lucro presumido. argumenta que a regra da opção pelo lucro presumido no primeiro pagamento do anocalendário não pode ser aplicada a seu caso; após sete anos de enquadramento no Simples, a SRF a desenquadra retroativamente com base em seu entendimento de que receitas financeiras integram a base de calculo do Simples, e a obriga a recolher o IRPJ da forma mais onerosa, sem obediência ao principio da razoabilidade e do art. 112 do CTN; (fl. 307) entende que primeiro se deve possibilitar a defesa da contribuinte contra a exclusão e caso esta não seja considerada procedente, "[...] deverseia conceder ao contribuinte prazo razoável para colocar em dia suas obrigações, bem como optar pela forma de recolhimento do Imposto de Renda." (fl. 307); apresenta quadro comparativo da apuração do IRPJ pelo lucro real (Auto de Infração) e pelo Lucro Presumido, h fl. 307, como segue: A fl. 308, alega que "A possibilidade de utilizarse o lucro presumido para empresas excluídas do simples é tratado na questão n2 149 do site da Receita Federal acerca de perguntas e respostas [...]", que transcreve, e conclui: Portanto, não há impedimentos is concessão ao contribuinte de escolher a sua forma de tributação, visto que sua contabilidade está devidamente registrada. VII.2 Da Multa (fls. 308 a 310): repete aqui a tese de que a exigência fiscal de imposto e de multa não poderia ser feita antes de definitivamente excluída do Simples; mesmo que a exclusão seja considerada correta, a multa de 75% seria inaplicável, dado que a contribuinte era, até então, optante pelo Simples; neste caso e tendose em vista jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Regional Federal da Quarta Regido, que transcreve, e pelo emprego do principio da razoabilidade, deverselheia exigir apenas a multa de vinte por cento pela falta de recolhimento. Do Pedido (fls. 310/311): Os requerimentos finais estão assim postos: a) seja anulada a presente autuação, considerando que não é possível a sua emissão, visto a questão objeto da mesma estar sendo discutido na esfera administrativa através da manifestação de inconformidade com a exclusão do simples, conforme estabelece o art. 15, § 3º da Lei 6.317/96 [sic], não havendo como manifestarse os efeitos da exclusão do simples enquanto não houver definição administrativa da exclusão, Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 518 8 b) seja anulada apresente autuação, considerando que uma vez tendo sido apresentado defesa administrativa questionando a exclusão da Impugnante do simples, está suspensa a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, III, do C77V, c) seja julgado procedente a presente Impugnação por não ter a Impugnante incorrido em nenhuma infração a legislação tributaria, visto que os juros, variação monetária e descontos obtidos não podem ser considerados receita e alternativamente: d) seja julgado procedente a presente Impugnação visto não poder ser considerado prática reiterada de infração a legislação tributária o não cômputo de receita, visto ter a própria receita orientação no sentido de que nestes casos, deverá a pessoa jurídica manterse no simples e ser acrescentada tal receita em sua contabilidade, e recolhido o tributo de forma complementar, e) seja julgado procedente a presente Impugnação visto não poder ser considerado prática reiterada de infração a legislação tributária fato do qual a Receita Federal discorda sem que nunca tenha sido o contribuinte cientificado de tal entendimento, ou alternativamente, f) seja julgado procedente a presente Impugnação por não ser possível darse efeito retroativo a exclusão do simples, devendo, uma vez sendo julgado procedente a exclusão efetivarse a exclusão e cobrar os tributos como empresa normal a partir deste momento, ou alternativamente, g) seja julgada improcedente o presente auto de infração visto não ter sido oportunizado ao contribuinte escolher a forma de apuração do Imposto de Renda, sendolhe cabível recolhêlo com base no lucro presumido, h) seja julgada improcedente o presente auto de infração visto ser indevida a aplicação da multa de 75 %. UNIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE EXCLUSÃO DO SIMPLES E DE IMPUGNAÇÃO DOS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO Em obediência ao disposto no art. 2.° da Portaria SRF n.° 6.129, de 2 de dezembro de 2005, foram unificados nesta Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ , por anexação, os processos administrativos fiscais n.°s 13971.001700/200418 (Exclusão Simples) e 13971.001627/200484 (Autos de Infração — IRPJ e CSLL). 0 dispositivo referido — que determina a juntada por anexação dos processos , tem a seguinte dicção (com destaque): Portaria SRF n2 6.129, de 2 de dezembro de 2005 (DOU de 6.12.2005) Dispõe sobre formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos III e IV do art. 230 do Regimento Inferno da Secretaria da Receita Federal aprovado pela Portaria MF no 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o disposto no art. 9°, § 1° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação do art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, no art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 18 da Lei n°10.833, de 30 de dezembro de 2003, resolve: Art. 1° Serão objeto de um único processo administrativo: Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 519 9 I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) b) e aos lançamentos dele decorrentes relativos ii Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), 6 Contribuição para o PIS/Pasep ou ii Contribuição para o Financiamento a Seguridade Social (Cofins); b) a Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) ao IRPJ e ti CSLL; ou d) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); ii à exclusão do Simples, ii suspensão de imunidade ou de isenção ou à não homologação de compensação e o lançamento de oficio de crédito tributário delas decorrentes; III aos Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e às Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; IV ás multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada. § 1° 0 disposto no inciso I aplicase inclusive na hipótese de inexistência de crédito tributário relativo a um ou mais tributos. § 2° Também deverão constar do processo administrativo a que se referem os incisos I e II as exigências relativas à aplicação de penalidade isolada em decorrência de mesma ação fiscal. § 3° Sendo apresentadas pelo sujeito passivo manifestação de inconformidade e impugnação, as pegas serão juntadas ao processo de que trata o inciso II. § 4° As DComp baseadas em crédito constante de pedido de restituição ou ressarcimento indeferido ou em compensação não homologada pela autoridade competente da SRF, apresentadas após o indeferimento ou nãohomologação, serão objeto de processos distintos daquele em que foi prolatada a decisão. Art. 2° Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1°, serão juntados por anexação na unidade da SRF em que se encontrem. Art. 3° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. A DRJ INDEFERIU a Manifestação de Inconformidade, mantendoa excluída no Simples e julgou IMPROCEDENTE os lançamentos fiscais. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (560/685), no qual repisa os argumentos da Manifestação de Inconformidade e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 520 10 Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator. RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria/MF nº 63/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (R$ 1.125.546,28) fl. 1.648, verifico que não superam o limite de dois milhões e quinhentos mil de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício não é cabível, e dele não conheço. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário foi tempestivamente interposto e atende os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Cuidase o presente processo de autuação fiscal decorrente omissão de receitas no anocalendário de 2006, o que culminou com a lavratura dos autos de infração (fls. 3/52) exigindo os créditos tributários no montante de R$ 1.191.045,61 relativos ao Simples, bem como na exclusão da empresa do Simples. A questão recorrida diz respeito somente a exclusão do Simples Nacional, a partir de 01/01/2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES A Recorrente foi excluída do regime simplificado em virtude da prática reiterada de infração à legislação tributária, nos termos do art. 14, V da 9.317/96 (Ato Declaratório Executivo nº 29, de 5 de outubro de 2004, fl. 114). Entendese por prática reiterada aquela que se repete, sustentando um mesmo procedimento ao longo de um determinado período. A infração à legislação tributária é todo ato contrário às normas tributárias estabelecidas, dentre elas o dever de apurar, recolher e declarar os tributos devidos. A infração detectada foi a falta de inclusão na base de cálculo do Simples (receita bruta mensal auferida) de Receitas Financeiras relativas a Descontos Obtidos (conta nº24716), Juros Recebidos (conta nº 24724) e Variações Monetárias Ativas (conta nº 24759), Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 521 11 registradas em contas próprias na Contabilidade da pessoa jurídica, em contraste com as Vendas de Serviços da Matriz (conta nº 24236), única sobre a qual foi calculado o valor devido mensalmente ao Simples. O reiteramento da conduta consistiu na manutenção do mesmo padrão de classificação das Receitas Financeiras, e conseqüentemente omissão do registro de seus valores na base de cálculo do Simples, durante o período de 12 de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2003. Verificase que o modo de operar da contribuinte foi assim descrito na Representação Fiscal. (Exclusão do Simples — MPF 09204.2004.000570), as fls. 3/4: Diante do exposto constatamos que: • Os clientes da Blucargo Transporte adiantam os valores para os pagamentos dos transportes aéreos e terrestres. • A Blucargo Transporte repassa o valor liquido para as companhias aéreas, retendo o valor correspondente à sua comissão e aos descontos obtidos. • A Blucargo Transporte declara como receita bruta, somente o valor referente as comissões dos agenciamentos de transporte aéreo. Adicionalmente, do Termo de Verificação de Infração — IRPJ/CSLL, temse que (fl. 262): • Os clientes da Blucargo Transporte adiantam os valores para os pagamentos dos transportes aéreos e terrestres. • A Blucargo Transporte repassa o valor liquido para as companhias aéreas, retendo o valor correspondente à sua comissão e aos descontos obtidos. • A Blucargo Transporte declara como receita bruta, somente o valor referente as comissões dos agenciamentos de transporte aim), não adicionando as receitas obtidas com os descontos obtidos , variação monetária e juros a base do SIMPLES. Conforme se depreende dos elementos contábeis e declarações da pessoa jurídica, juntados aos autos inferese que, ao longo do período objeto do procedimento fiscal, a contribuinte reclassificou a maior parte de suas receitas operacionais de modo a omitilas da base de calculo do Simples. Nesse mister, a decisão da DRJ pondera que: Ao contratar os serviços de transporte oferecidos pela manifestante, o tomador paga o preço avençado, que engloba os custos (valores pagos pela contribuinte à operadora do transporte aéreo; despesas de eventual coleta das cargas e sua entrega no balcão de cargas do terminal aéreo, e custos administrativos e tributários, p. ex.) e o lucro (representado pela diferença entre o preço e os custos incorridos). Mesmo neste esquema simplificado dos serviços prestados pela manifestante já transparece que sua receita bruta mensal auferida, base de cálculo do Simples, é representada pelo valor do preço recebido dos clientes (equivalente ao produto da venda de serviços). E o que estabelece a Lei n 2 9.317, de 5 de dezembro de 1996, em seu art. 22, a seguir transcrito: Fl. 521DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 522 12 Art. 22 Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I e II [..] § 12[J § 22 Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A distribuição e reclassificação contábil dos valores que compõem a receita bruta mensal auferida, feita pela manifestante, é irrelevante para o cálculo do Simples, já que a este sistema não interessam os custos incorridos, nem sua natureza, mas apenas as receitas, das quais a lei permite que sejam excluídos as "vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos". Assim, a obtenção de descontos junto a seus próprios fornecedores de bens ou serviços (caso do transporte aéreo) apenas melhora o desempenho financeiro resultante das operações da microempresa (ME) ou empresa de pequeno porte (EPP), sem exercer qualquer influência sobre a formação da base de cálculo do Simples. A referida prática reiterada ocorreu ao longo de cinco anoscalendário consecutivos. Confirase a seguir os valores informados pela Recorrente em suas Declarações Anuais Simplificadas, a título de Receita Bruta e de Descontos Obtidos: Da leitura acima, verificase que nos anoscalendário 2000, 2001 e 2003 os descontos obtidos superou o total da receita bruta declarada. Assim, entendese que uma vez caracterizada a hipótese da prática reiterada de infração à legislação tributária, nos termos do art. 14, V da 9.317/96, esta deve ser aplicada obrigatoriamente de ofício. Ademais, ressaltasse que a nomenclatura descontos incondicionais concedidos é imprópria, visto que tais "descontos", como visto, superavam as receitas declaradas. Adicionalmente, verificase em relação juros recebidos a Recorrente alegou que se tratavam de receitas com aplicações financeiras ou das faturas recebidas em atraso e que não foi apontado quais variações monetárias teriam que fazer parte da base de cálculo do Simples. Todavia, verificase que tal conta não foi objeto que culminou na expulsão. Quanto as variações monetárias ativas, estas foram indicadas na Representação e que trata de valores contabilizados na conta nº 24759 (fls. 68/69). No que Fl. 522DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 523 13 tange a argumentação da Recorrente de que não se trata de venda de bens e serviços, caberia então trazer a documentação necessária para provar o alegado. Outrossim, há de ressaltar o seguinte excerto da decisão: "assim, não se pode, no caso que se analisa, de pratica reiterada de infração à legislação tributária, exigir prévia notificação ou constituição de crédito com base nos mesmos fatos, para que fique configurada a reiteração, já que ficou patente sua conduta omissiva em cinco anoscalendário consecutivos." Quanto a retroatividade da lei, inferese que o ato da exclusão do simples foi motivado pela reiterada prática de infração a lei tributária, o que impede a permanência no sistema simples. Nesse mister, a Recorrente traz à baila os seguintes artigos da Lei que instituiu o Simples acerca dos efeitos da exclusão do Simples, in verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: H a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 90; (Redação dada pela MPV n° 2.15835, de 24.8.2001) (...) V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarsed, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas. Dessa forma, a Recorrente se defende da exclusão do SIMPLES alegando, em síntese, que é possibilitado ao contribuinte, por garantia constitucional, o direito de se defender da exclusão do Simples. Nesse sentido, o ato administrativo que excluiua do SIMPLES é ato intermediário, sendo que é ´por meio do lançamento do crédito que efetiva a exclusão.Concluindo, que o ato de exclusão do simples, só poderia ser efetuado após o julgamento definitivo na esfera administrativa. Concordo com os argumentos trazidos pela Recorrente, de forma que apenas com a decisão administrativa foi possível determinar se a empresa deveria ou não ser excluída do Simples. Assim, a exclusão do Simples não deveria ter efeitos retroativos, mas tão somente prospectivos, a partir da decisão administrativa. Posto isto, voto por cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo nº 29, de 5 de outubro de 2004, da DRF em Blumenau — SC, que determinou a exclusão da pessoa jurídica do Simples com efeitos a partir de 1º de janeiro de 1999, de modo a cancelar o crédito tributário, objeto do lançamento fiscal. Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13971.001700/200418 Acórdão n.º 1301003.008 S1C3T1 Fl. 524 14 É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 524DF CARF MF
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