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Numero do processo: 13603.002853/2003-90
Data da sessão: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/01/1997 a 30/09/1998
JULGAMENTO POR ÓRGÃO INCOMPETENTE. NULIDADE.
0 at praticado por pessoa ou órgão incompetente ratione materae (em razão da matéria), traz em sua gênese o vicio da nulidade absoluta e, por isso, não se convalida. É nulo o acórdão Proferido pela primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes quando versar sobre lançamento de PIS, cuja exigência fiscal estiver lastreada, no todo ou em parte, em fatos que serviram para determinar a prática de infração a dispositivos legais do Imposto de Renda.
Processo Anulado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.272
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para anular o acórdão recorrido, determinando o encaminhamento dos autos ao 1° Conselho de Contribuintes por se tratar de matéria da competência de Câmaras do IRPJ.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/1997 a 30/09/1998 JULGAMENTO POR ÓRGÃO INCOMPETENTE. NULIDADE. 0 at praticado por pessoa ou órgão incompetente rationc materae (em razão da matéria), traz em sua gênese o vicio da nulidade absOluta e, por isso, não se convalida. É nulo o acórdão Proferido pela primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes quando versar sobre lançamento de PIS, cuja exigência fiscal estiver lastreada, no todo ou em parte, em fatos que serviram para determinar a prática de infração a dispositivos legais do Imposto de Renda. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para anular o acórdão recorrido, determinando o encaminhamento dos autos ao 1° Conselho de Contribuintes por se tratar de matéria da competência de Câmaras do IRPJ. António Praga - Presi ente jerte . •j144 70 Henrrique Pinheiro Torres - Relator EDITADO EM: 16/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Josefa Maria Coelho Marques, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martinez López, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Dalton César Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Bernardes Raimundo de Carvalho, Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório Jy Por bem relatar a discussão em tela, adoto e transcrevo o relatório do Acórdão recorrido. "Trata-se do Auto de Infração de .fls. 04/12, relativo ao PIS Faturamento, períodos de apuração 01/1997 a 09/1998, no total de R$ 483.728,59, incluindo juros de mora e multa qualificada e agravada, 110 percentual de 225%. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fis. 14/73, também foram apuradas infrações referentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e ao PIS Faturamento, parte delas decorrente de omissão de receita apurada com base em depósitos bancários, no ano-calendário de 1998. 0 lançamento eIll tela, todavia, não contempla a parte referente a essa omissão de receita. Como informado no item do referido Termo, o PIS deste processo ora relatado foi apurada da seguinte fbrina: - 110 ano de 1997, a base de cálculo corresponde aos valores de saídas constantes dos Demonstrativos de Apuração do ICMS (ver fls. 77/100 e 117) • - no de 1998, aos valores de notas .fiscais de saídas emitidas pela contribuinte e obtidas junto aos destinatários (relação as fls. 102/116 e resumo áfi. 118). Por relatar coin detalhes o que conta dos autos, incluindo as alegações constantes das três impugna cães apresentadas (lima pela Lunar Empreendimentos LTDA, outra pela Belo Horizonte Refrigerantes Ltda e ulna terceira pelas pessoas físicas Rogério Luiz Bicalho, Glênio Menezes Lourenço, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho e Maria Torres de Freitas Bicalho), reproduzo, em parte, o relatório da primeira instância (fls. 576/585, vol. III): I — Dos fatos Fez a .fiscalização um relato pormenorizado acerca das intimações expedidas para a empresa visando c‘i obtenção da documentação contábil e fiscal, além de informações sobre a movimentação . financeira. II — Do regime de tributação ') ■-••••!., .jv Anotou a autoridade fiscal que não foram medidos esforços para contatar o contribuinte visando ao acesso ã documentação contábil da empresa fiscalizada, o que viabilizaria audita gem tendente a verificar o lucro liquido alcançado no período e a correição dos lançamentoIs 2 Processo n° 13603.002853/2003-90 Acórdão n: 02-03.272 CS RF/T02 Fls. 1.391 contábeis. No entanto, esse contato restou itnproficuo, em razão da conduta 0111iSSiVa em relação its intimações validaniente realizadas. Estando impedida de conhecer dos registros contábeis da empresa, a fiscalização não detém meios de menstir. ar o lucro real tributável, haja vista que a empresa se quedou omissa da entrega da declaração de rendimentos dos anos-calendário de 1997 e 1998. Também não manifestou opção pelo regime do lucro presumido. Cita normas do Imposto de Renda e jurisprudência administrativa para concluir pela pertinência da aplicabilidade do regime de tributação coin base no lucro arbitrado, tendo destacado que "o arbitramento não possui caráter de penalidade; é simnplev meio de apuração do lucro", frisando tratar-se da única metodologia capaz de deterniiná-lo no vertente caso. III — Do crédito tributário e das infrações A) IRPJ e CSLL — receita da revenda de mercadorias — lucro arbitrado — anos-calendário de 1997 e 1998: lançyi anent° em processo especifico. B) Receita operacional omitida —falta de comprovação da origem dos valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras — ano-calendário de 1998: lançamento em processo especifico. C) Falta de recolhimento da C01111,S' — períodos-base de 1997 e 1998: lançamento formalizado em processo espec(fico. D) Falta de recolhimento do PIS — periodos-base de 1997 e 1998: - a base de cálculo foi considerada nos seguintes termos: • para fatos geradores ocorridos em 1997, os valores de saídas consignadas pela empresa nos Demonstrativos de Apuração do ICMS entregues pelo contribuinte à Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais ('lis. 77/100); o demonstrativo de fl. 101 detalha os valores apurados; • em relação aos fatos geradores ocorridos en? 1998, os valores de saídas lançadas nas notas .fiscais emitidas pelo contribuinte, apresentadas pelos destinatários em n atendimento a intimações expedidas (f/s. 267/272 do Anexo I); essas notas .fiscais constituem o Anexo II; o demonstrativo clef/s. 102/116 detalha os valores apurados. - consoante espelho extraído do sistema de controle de arrecadação da SRF, não houve, para o período, nenhum recolhimento efetuado a esse titulo (f1. 76). IV— Da responsabilidade pelo crédito tributário Foi feito uni relato . a respeito dos procedimentos fiscais com vistas a identificar os efetivos.' responsáveis pelo crédito tributário, pessoas físicas e jurídicas. As conclusões que se seguiram podem ser assim resumidas 3 - os documentos analisados revel= a comunhão de interesses, inclusive de bens, entre as pessoas fisicas dos Srs. Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fatima Bicalho Lourenço, Glênio Menezes Lourenço, Maria Torres de Freitas Bicalho e Ro.silene Bicalho e a empresa Lunar Empreendimentos Ltda., que conjugaVa171 esforços objetivando um fim COMUM. Além disso, demonstram também a participação da pessoa jurídica Belo Horizonte Refrigerantes Ltda. nos resultados do negócio perpetrado sob a razão social da empresa Lunar; - ficaram demonstrados veementes indícios de que essas pes.soas são os verdadeiros donos do negócio que se operou sob a razão social da empresa Lunar Empreendimentos Ltda., além z de inequivocamente comprovado que dele se beneficiaram diretamente; - portanto, são in verídicos os contratos sociais e respectivas alterações, nas quais figuram COMO sócios da empresa terceiros que não revelam capacidade de ocupar tal posição, sendo que duas dessas pessoas declararam expressamente que apenas cederam o nome para figurar no negócio; - assim, verificou-se que os contratos tiveram como objetivo precípuo dissimular a identidade dos efetivos titulares das atividades comerciais que se operaram sob a razão social da empresa Lunar Empreendimentos Ltda., visando impedir a satisfação dos créditos tributários decorrentes do negócio; - portanto, no presente caso, o estratagema utilizado corresponde sonegação fiscal, conforme definido na Lei n" 4.502, de 1964, art. 71, inciso II; - avolumam-se indícios de que essas pessoas estavam a frente do negócio, bem como provas cabais de que dele se beneficiaram, dentre outros, pelos seguintes motivos: as declarações dos antigos sécios e contador desmentindo o conteúdo dos atos sociais da empresa; as informações prestadas por clientes e fornecedores indicando a identidade dos efetivos gestores do negócio; a existência de procuração da empresa outorgando poderes a terceiros para administração e movimentação financeira; a propriedade da Bicalho dos bens utilizados na consecução dos objetivos sociais da empresa Lunar; e a existência de diversos documentos e cheque que revelam a destinação direta de boa parte dos recursos da empresa para os membros da família Bicalho e, ainda, a destinação de recursos da empresa Lunar que foram carreados para a construção de um complexo inchtstrial; - vislumbra-se claramente que a empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda. constitui um complexo industrial erguido em terreno de propriedade da Sm. Maria Torres de Freitas Bicalho, recursos carreados das atividades comerciais da Lunar; - consta registros de que a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda., intimada, esclareceu que nunca teve nenhum negócio com a empresa Lunar; - destacou-se que, conforme contrato social e alterações, a empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda. é de fato da fandlia Bicalho; - assim, pelos fatos e documentos analisados, ficou demonstrada a prática adotada pela família Bical/to na condução dos seus negóciosf 4 Processo n° 13603.002853/2003-90 Acórdão n.° 02-03.272 seu mocha faciendi , qual seja, inadimplemento constante da empresa em relação aos tributos federais, estando, em regra, omissa de entrega de declarações; encerramento irregular da empresa e confecção de contrato social e alterações contratitais em nome de terceiros (interposição de pessoas na figura do sócio da pessoa jurídica); - dessarte, pela prática regular de todos os atos típicos da sociedade comercial, inclusive com participação financeira e empenho de seu patrimônio pessoal, os Srs. Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Glênio Menezes Lourenço, Maria Torres de Freitas Bica/ho e Rosilene Bica lho demonstram interesse comum nas atividades da empresa, estando a ela vinculados de forma irregular, agindo por intermédio de testas-de-ferro, sem participação formal no capital social da empresa; - deste modo, são solidariamente responsáveis pelos créditos tributcirios ora constituídos, nos termos da legislação de regência, mormente o art. 124, inciso I da Lei I1" ..5172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN); - igualmente, por conjugar esforços le participar dos resultados financeiros da empresa mediante utilização de recursos para a aquisição de bens, demonstrando interesse conntin na situação que constitui o fato gerador dos tributos ora lançados, é solidariamente obrigada a empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda.; - nestas circunstâncias, os Srs. Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fátima Bica/tio Lourenço, Glênio Menezes Lourenço, Maria Torres de Freitas Bicalho e Rosilene Bica/tio; respondem pelos créditos constituídos, conforme mandamento contido no art. 135, incisos II e III do CTN. T7 — Da multa qualificada e do agravamento das penalidades Tendo em vista os fatos e documentos analisados, mediante os quais restou comprovado que a empresa agiu coin evidente intuito defraude, sujeita-se, nos termos c/a legislação de regência, li multa qualificada prevista para o lançamento de oficio. Assim, provou-se, de forma inequívoca, existência de ação dolosa por parte da empresa, consubstanciada na conduta omissiva em relação obrigação da entrega declarações (D1PI e DCTF), relativas aos anos- calendário cie 1997 e 1998, fato que retdniou o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias principais. Igualmente, ficou demonstrada a intenção do contribuinte de impedir o conhecimento por parte da autoridaide ,fiscal da identidade dos verdadeiros sócios da Lunar Empreendimentos Ltda., mediante a utilização de interpostas pessoas no contrato social e alterações da referida empresa. Tal ardil tinha como objetivo impedir a responsabilização dos verdadeiros donos da empresa pelo significativo passivo tributário deixado em aberto. Além n disso, dado que o contribuinte não atendeu as diversas intimações expedidas pela .fiscaliza cão, sujeita-se também CSRF/T02 Fls. 1.392 5 agravamento da multa lançada conforme § 20 do art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 70 da Lei n" 9.532, de 10 de dezembro de 1997. No caso, .ficou patente a recusa do contribuinte em prestar todos os esclarecimentos necessários a atividade de lançamento, omitindo-se de apresentar livros e documentos qtte obrigatoriamente deveria conservar, consoante disposto no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n" 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/ 1999. Findo o relato do TVF, registre-se que os demais documentos que fundamentam o lançamento constam das fIs. 74/218 (Volumes I e II), além dos Anexos I e Os termos de intimação expedidos para as pessoas físicas e pessoas jurídicas, na qualidade de responsáveis tributários, foram juntados às fls. 219/236. A ciência das intimações foi formalizada por Edital n" 065/2003, afixado em 12/12/2003 (t1. 238), e pelos AR de 239 (recebidos em 23 e 24/12/2003). A impugna cão, apresentada em 21/01/2004, foi anexada àsfls. 240/519 (Volumes 2 e 3), assim constituída: 1) Impugnação — Lunar Empreendimentos Ltda. —11s. 240/294; 2) Impugnação — Belo Horizonte Refrigerantes Ltda. fls. 295/317; 3) Impugnação — Rogério Luiz Bicalho, Glênio Menezes Lourenço, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho e Maria Torres de Freitas Bicalho —fls. 318/519. Em seguida, procede-se ao resumo de cada uma das impugnações supracitadas, todas elas fazendo referência ao processo em questão e aos processos n°13603.002852/2003-45 e 13603.002854/2003-34. 1. Impugnação — Lunar Empreendimentos Ltda.— fls. 240/294 A - Do direito. Preliminarmente - Da suspensão do processo em face da adesão da empresa ao Paes — Parcelamento Especial instituído pela Lei n" 10.684, de 2003. A empresa Lunar Empreendimentos Ltda., no clia 31 de julho de 2003, se habilitou no Paes (Termo de Adesão e guias de pagamento das parcelas el71 anexo), parcelando todos os seus débitos fiscais federais. Desta forma fica suspensa a exigibilidade de todo crédito tributário devido a Fazenda Nacional, confbrme preceituam a Lei n" 10.684, de 2003, e o CTN, redação dada pela Lei Complementar n°104, de 2001. Da mesma forma, durante o período em que vigorar o parcelamento, suspende-se a pretensão punitiva do Estado em relação a supostos crimes tributários praticados, como preceitua o art. 9°cla Lei n" 10.684, de 2003. Na mesma seara, caso fosse apurada qualquer responsabilidade dos Srs. Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Glênio Menezes Lourenço, Maria Torres de Freitas Bicalho e Rosilene Bicalho pelos mencionados débitos, o que é absurdo, posto que as, 6 Processo n° 13603.002853/2003-90 AcOrdao n.° 02-03.272 CS RF/T02 Fls. 1.393 referidas pessoas jamais participarmit dos quadros societários da empresa, nenhuma responSabilidade criminal poderia ser imputada aos mesmos em face do estabelecido no ari. 9 0 da Lei n" 10.684, de 2003, que suspende a pretensão punitiva do Estado enquanto durar o parcelamento. - Da decadência Preliminarmente, importante destacar 'que o fisco pretende efetuar o lançamento cio IR, CSLL, Cofins e PIS tomando fatos geradores cuja ocorrência supostamente se deu 110S meses de janeiro a dezembro de 1998 e no ano de 1997. O TVF e respectivo auto de infração. foram lavrados no mês de dezembro de 2003, tendo o fato gerador ocorrido há mais de cinco anos contados da data c/c emissão do lançamento, o que juridicamente impossível tendo em vista o instituto da decadência. No caso, trata-se de tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, devendo ser aplicada a regra inserta no § 40 do art. 150 do CTN, ou seja, O prazo para a pratica do lançamento se inicia juntamente com a ocorrência do fato gerador. B — Dos fatos Faz primeiramente lima síntese das exigências e das pessoas implicadas. Tece considerações adicionais acerca da decadência do lançamento, citando doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça (STJ). C — A verdade material pressuposto do lançamento tributário D - Do IRPJ e da CSLL — Receita da revenda de mercadorias — lucro arbitrado e da suposta omissão de reeeitas apuradas exclusivamente com base em depósitos bancários - Das provas ilícitas - Do arbitramento - Das supostas omissões de receitas E — Da presunção de responsabilidade de terceiras pessoas No que tange à suposta responsabilidade dos Srs. Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fatima Bicalhb Lourenço, Glênio Menezes Lourenço, Maria Torres de Freitas Bica lho e Rosilene Bicalho, tem-se que estes não poderiam responder pelos mencionados débitos, visto que jamais participaram dos quadros societários da empresa impugncuite. A fiscalização .fazendciria tenta imputar responsabilidade a tais pessoas consubstanciada em meras declarações dos reais sócios da empresa que, numa tentativa desesperada de não serem responsabilizados pessoalmente pelos débitos apontados, tentam imputar responsabilidade a terceiros, na medida em que cumpriria ao fisco, no?s, 7 termos da legislação aplicável (art. 368, parágrafo único do CPC) a prova do fato declarado, o que nag foi feito. Deste modo, mostra-se evidenciada a fragilidade dos fatos alegados pelo fisco, posto que as supostas provas são questionadas pela impugnante, devendo portanto ser julgada improcedente a autuação pelas razões expostas ou, se ainda restar algunia dúvida, ser aplicado a espécie a previsão do art. 112 do CTN, que explicita a regra do in dubio pro contribuinte. F - Da tributação reflexa — CSLL, Co/ins e PIS No que tange á tributação reflexa, vê-se também que o auto de infração improcedente, tuna vez que, inexistindo omissão de receitas que caracterizasse a tributação pelo IRPJ, indevidos os reflexos nas contribitições sociais. Afinal, a mera movimentação financeira não importa em se reconhecer a existência apenas de operações de compra e venda mercantil, base de cálculo cio PIS e Cofins a teor da legisla cão aplicável c't época do fato gerador. G - Multas — exorbitância da exigência Contesta a aplicação da multa de oficio, citando jurisprudência do Judiciário e entendimentos doutrinários, concluindo que a aplicação das multas, nos patamares em que foram exigidas, é ilegítima e inválida, não produzindo seus regulares efeitos, pelo que deve ser anulada em face das violações aos Princípios da Proporcionalidade, da Razoabilidade, do Não-Confisco e Moralidade. Ademais, verifica-se que o auto de infração recorrido estipulou imam de 150% calculada sobre o total dos tributos devidos, nos termos do inciso II, art. 44 da Lei II" 9.430, de 1996, tendo em vista a suposta ocorrência de evidente intuito cie .fraude por parte do contribuinte. Ocorre que, em momento algum, ficou comprovado nos autos o intuito do contribuinte de fraudar o fisco, não podendo ser penalizado com a majoração das multas, conforme amplo entendimento doutrinário e jttrisprudencial. - Dos juros equivalentes a taxa Selic Após fazer menção a legislação sobre o assunto e à decisão do STJ, assevera que é patente o vicio de ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic como juros moratá rios, ao conflitar com normatização de hierarquia superior (CIN, crt. 161, ss' 1°e CF, art. 192, § 3°), além de violar os princípios constitucionais da Legalidade, Anterioridade, Indelegabilidade, Não-Confisco (CF/88, arts. 48, inciso I, e 150, incisos I, III, alínea "b", e IV). I - Dos pedidos - Pedido de vista de documentos: da fala dos ilustres auditores, ou juntada de novos documentos, demonstrativos ou relações complementares, desde já, requer vista a impugnante com devolução do prazo para aditamento a presente impugnação. - Intimação dos atos proces.suais: do deferimento ou indeferimento da produção de prova pericicd, seja intimada a autuada-impugnante, antes, 8 Processo n° 13603.002853/2003-90 AcOrcliio n • ° 02-03.272 de ser proferida a decisão sobre a inmpug inação propriamente dita, para os fins de direito. - Juntada de documentos: protesta, desde já, pela oportuna juntada de documentos e aditamento a presente impugna cão. - Produção de provas: requer provar o alegado pelos meios em direito admitidos, especialmente documentos e perícia. Para tanto, apresenta os quesitos versando acerca dos extratos bancários e da movimentação financeira, conforme relacionados a fl. 273, indicando o assistente técnico. Protesta ainda pela apresentação de quesitos suplementares. - Do pedido requer seja julgada Procedente a impugnação para se declarar nulo o lançamento contido no auto de infração lavrado, ou no mérito, para que seja determinado o cancelamento do auto de infração, ou quando muito, seja reduzido o valor do crédito tributário, devido a abusividade das multas, e que sàjamn excluídos os juros Selic. impugnação, foram juntadas cópias dos seguintes documentos: alteração contratual e documentos de identificacdo pessoal; auto de infra cão do PIS (f/s. 275/294). 2. Impugnação — Belo Horizonte Refrigerantes Ltda.—fls. 295/317 A — Dos .fatos Faz um relato das irregularidades apuradas na empresa Lunar Empreendimentos Ltda., ressaltando que a verificação .fiscal concluiu que as omissões teriam beneficiado diretamente a empresa ora impugnante. B — Da decadência Nesta parte, o impugnante reproduz os argumentos defendidos na impugnação descrita an Postulando a decadência dos lançamentos haja vista a aplicação das disposições do ,sç 40 do art. 150 do CTN. C — Da presunção de responsabilidade de terceiras pessoas — inexistência de solidariedade Em relação a suposta responsabilidade solidária da empresa impugnante, tem-se que não poderia responder pelos débitos apontados, visto que jamais participou dos quadros societários da empresa autuada. Cita normas do Código Civil e do CTN, além de ensinamentos doutrinários, para ressaltar que as situações nas quais terceiros tenham alguin interesse ou vinculo com o fato gerador da obrigação tributária devem estar previstas em lei para que possa ser-limes imputada a responsabilidade solidária. E171 matéria tributária, somente a lei pode estabelecem- a hipótese de solidariedade, prevendo-a diretamente na configuração da relação jurídica tributária ou ainda como hipótese de responsabilidade por transferência ou por substituição. CS RF/T02 Fls. 1.394 9 Ocorre que, além de inexistir dispositivo legal que atribua responsabilidade a terceiros em hipóteses como a dos autos, a iinpugnante jamais esteve vinculada ao fato gerador detectado pelo fisco. Não há no caso nenhuma sucessão tributaria, não houve incorporação, fusão, aquisição de fundo de comércio de estabelecimento comercial; a impugnante, além de não ser sócia da contribuinte autuada, jamais exerceu, porquanto seria impossível isso ocorrer, qualquer poder de administração. De toda forma, ainda que houvesse qualquer relação .financeira envolvendo as partes, esta não seria hábil para impor solidariedade tributária, dada a ausência de lei no caso particular. A ,fiscalização fazenclaria tenta imputar responsabilidade a imptignante consubstanciada em meras declarações dos reais sócios dci empresa que, numa tentativa desesperada de não serem responsabilizados pessoalmente pelos débitos apontados, tentam imputar responsabilidade a terceiros. Ocorre que, nos termos do art. 368, parágrafo único do CPC as declarações constantes de documento particular presumem-se verdadeiras cm relação ao signatário mas, contendo situação de fit to, não faz prova do fato declarado, competindo ao interessado o ônus da prova. Deste modo, mostra-se evidenciada a fragilidade dos fitos alegados pelo .fisco, posto que as supostas provas são questionadas pela impugnante, devendo portanto ser julgada improcedente a autuação pelas razões expostas ou, se ainda restar alguma dúvida, ser aplicado a espécie a previsão do art. 112 do CTN, que explicita a regra do in dubio pro contribuinte. Frágeis também são os argumentos fazendários no sentido de que o imóvel onde a empresa autuada era estabelecida seria de propriedade da família de ex-sócios da empresa impugnante, posto que o citado imóvel foi locado, na forma prescrita em lei, consoante demonstram contratos anexos. D — Da inexistência de responsabilidade das pessoas físicas mencionadas no auto de infração a luz do art. 135, III do CTN e da atualizada jurisprudência cio STJ Fazendo referência a normas do CTN, entendimentos doutrinários e julgados dos tribunais, ressalta que a responsabilidade tributária cio terceiro (sócio-gerente) funciona, na hipótese cio art. 135 do Estatuto Tributário, como sanção aplicada ao ato abusivo, praticado com ofensa aos poderes disponíveis, a lei ou ao contrato. Somente nos casos de ação ou omissão dolosa ou culposa o dirigente coiisiderado pessoahnente responsável pela obrigação tributária decorrente de sua atividade ilegal ou exercida além dos poderes que lhe.forcun outorgados ou ainda com infringência cio contrato social. A responsabilidade das pessoas físicas citadas no AI dependeria dos seguintes pressupostos: que as pessoas citadas figurassem como sócios-gerentes da sociedade ora impugnante; b) que tivesse havido, dy 1 0 Processo n° 13603.002853/2003-90 Acórdão n.° 02-03.272 sua parte, ato contrário a lei ou ao col ntrato social, c) que tal ato houvesse sido comprovado pela autoridade administrativa. Nada disso ocorreu, contudo, posto ',vie as mencionadas pessoas sequer fazem parte dos quadros societários da impugnante, sendo irrelevante analisar os demais critérios. Justamente por isto é que o AI lavrado é manifestamente nulo. E — Multas — caráter confisca tório Assevera que a Constituição Federal proíbe a adoção de multas que ostentem caráter confiscatário. Acezituou ainda que não .ficou comprovado nos autos o intuito do contribuinte de fraudar o fisco, não podendo este ser penalizado com a majoração das multas. F - Dos juros Selic Contesta a exigência dos juros moratórios equivalentes a Taxa Selic, tendo citado decisão do STJ. G - Dos pedidos Da fala dos ilustres auditores, ou juntada de novos documentos, demonstrativos ou relações complementares, desde já, requer vista a impugnante coin devolução do prazo para aditamento a presente impugnação. Também protesta pela oportuna juntadalde documentos e aditamento a impugnação. Requer seja julgada procedente a impug nação para que o impugnante seja excluído cio presente processo, uma vez que lido tem nenhum interesse comum com o fato gerador da Obrigação tributária. 3. Impugnação — Rogério Luiz Bicalho, Glênio Menezes Lourenço, Raseana de Fatima Bicalho il Lourengo, Rosilene Bica/ho e Maria Torres de Freitas Bicalho—Ils. 318/519 Foi feito um relato das irregularidades apuradas na empresa Lunar Empreendimentos Ltda., ressaltando que a verificação fiscal concluiu que as omissões teriam z beneficiado diretamente os impugnantes. Em seguida, são reproduzidos os te171101 S da impugnação apresentada pela empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda., cujo resumo foi feito nos itens precedentes, abordando as seguintes matérias: decadência, presunção de responsabilidade de tercel iras pessoas — inexistência de solidariedade, inexistência de responsabilidade das pessoas físicas mencionadas no auto de WI -4(7o a lu do art. 135, III do CTN e da atualizada jurisprudência do STJ, multas — caráter con fiscatório, juros Selic. Da fala dos ilustres auditores, ou juntada de novos documentos, demonstrativos ou relações complementares, requer vista a impugnante coin devolução do prazo para aditamento a presente impugnação. CSRF/T02 Fls. 1.395 'I Também protesta pela oportuna juntada de documentos e aditamento impugnação. Por .fim requerem os impugnantes seja julgada procedente a impugnação para que sejam excluídos dos processos tributários administrativos, na medida em que não possuem responsabilidade tributária, tal como prescrito em lei, ou que seja extinto o crédito tributário apontado, em face da decadência arguida, ou anulados os autos de infração impugnados. impugnação, foram juntadas cópias da seguinte documentação: documentos de identificação pessoal, termos de intimação, Termo de Verificação Fiscal, Termos de Encerramento, além de peças dos autos de infração e demonstrativos fiscais (fls. 342/519). As cinco pessoas físicas, bem como a pessoa jurídica Belo -Horizonte Refrigerantes LTDA, foram cientificadas deste lançamento e dos lançaInClitos referentes ao IRPJ e reflexos (proces.so n" 13603.002852/2003-45) e COFINS (processo n° 13603.002854/2003- 34), por meio dos Temos c/c Intimação n"s 1.103/2003 a 1.1108/2003. A 2" Turma da DRJ, nos termos do Acórdão de fls. 573/605, julgou o lançamento procedente. Levando em conta o art. 5", LV, da Constituição Federal, relativo ao principio do contraditório e ampla defesa, conheceu das seis impugnações. A alegação de decadência foi refutada, por considerar que o prazo é de dez anos, à luz do art. 45 da Lei n°8.212/91. A perícia foi rejeitada, porque julgada despicienda e os quesitos formulados dizem respeito à movimentação financeira objeto do processo n" 13603.002852/2003-45. Tratando da adesão ao Parcelamento Especial (PAES), verificou que o contribuinte Lunar Empreendimentos LTDA firmou o pedido do em 29/08/2003, quando já se encontrava sob procedimento fiscal, embora antes da lavratura do Auto de Infração (que ocorreu em 12/12/2003). Também constatou que só foram incluídos • no PAES débitos da Contribuição referentes ao ano-calendário de 1998. Como o lançamento se refere aos períodos de apuração dos anos 1997 e 1998, a adesão ao PAES só produz efeitos em relação a uma parte do crédito tributário impugnado. Com relação à responsabilidade pelo crédito tributário, concluiu a DRJ existirem volumosos "indícios de que as cinco pessoas físicas implicadas como responsáveis pelo crédito tributário estavam à frente do negócio, assim como provas cabais fie. que dele se beneficiaram." Nos termos da decisão recorrida, tem-se o seguinte: Os motivos para tal conclusão vão além das declarações dos antigos sócios e contador desmentindo o conteúdo dos atos sociais da empresa, conforme se passa a explicitar: as informações prestadas por clientes e fornecedores indicando a identidade dos efetivos gestores do negócio; a existência de procuração da empresa outorgando poderes a terceiros para administração e movimentação financeira; a propriedade da família Bicalho dos bens utilizados na consecução dos objetivos sociais da empresa Lunar; e a existência de diversos documentos e cheques 12 Processo n° 13603.002853/2003-90 Acárdao n. ° 02-03.272 CSRF/T02 Fls. 1.396 que revelam a destizzação direta de boa parte dos recursos da empresa para os menzbros da família Bicalho e, ainda, a destinação de recursos da empresa Lunar que foram carreados para a construção de um complexo industrial. Relativamente a pessoa jurídica arrolada, Belo Horizonte Refrigerantes Ltda., pertencente à família Bicalho, consoante salientado no TVF, trouxe a fiscalizaçãO elementos que mostraram com clareza a conjugação de esforços e participação dos resultados financeiros da empresa Lunar, inclusive mediante a utilização de recursos da autuada para fazer face à aquisição de bens, demonstrando interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos lançados. Quanto à alegação da defesa segundo a qual são frágeis os argumentos de que o imóvel onde a empresa autuada se estabeleceu seria de propriedade da familia de ex-sócios da empresa impugnante, posto que o citado imóvel teria sido locado na forma da lei, deve ser registrado que a Limar Empreendimentos Ltda, manteve atividades em imóvel da família Bicalho, tanto a filial (galpão sito à Av. das Americas, 1.039, Bairro Kennedy, Contagem - MG) quanto a matriz (loja 19 do Pavilhão 02 na Ceasa — MG), evidenciando mais jazz vinculo, entre muitos outros já comentados,, conforme atestam os documentos de fls. 133/134 (Vol. I) e dells. 48 e 230' (Anexo I). A DRJ rejeitou, então, o emprego do art. 112 do CTN — segundo o qual a lei que define infrações ou comma penalidades deve ser interpretada da maneira mais favoi rável ao acusado, quando houver dúvida -, por entender inêxistirem dúvidas quanto caracterização da responsabilidade Ipelo crédito tributário, dada robustez das provas que a Ifundamenta e o caráter eminentemente retórico da peça defensória. Interpretou que se está diante de um caso típico de responsabilidade solidária passiva, fundamentada no art. 124, I do CTN. Considerou correto, ainda, o enquadramento no art. 135, II e III, do CTN, levando em conta que cinco pessoas fisicas mencionadas são donas de fato da empresa Lunar Empreendimentos LTDA, com poderes de administração. Na interpretação do art. 135 do CTN, consignou que a falta de recolhimento do tributo constitui, p( Ill- si só, unia ilicitude, sendo que, na situação dos autos, houve aPrática de sonegação fiscal, "consubstanciada na interposição fictícia de pessoas na figura do sócio da pessoa juridica-. Para amparar sua interpretação, menciona jurisprudência dos Tribunais Regionais Federal, no sentido de que a simples oniissão, no pagamento de tributo configura a hipótese de incidência do art. 135 retro-citado. No tocante as bases de cálculo da Contribuição, destacou a DIV que não houve por parte dos impugnantes nenhuma contestação especificq, e que o presente lançamento diz respeito a valoresç 13 não declarados pelo autuado, não devendo ser confundido corn lançamento referente à omissão de receitas que redundaram em exigências do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (processo n" 13603.002852/2003-45). Por fim, a decisão recorrida manteve a multa no percentual de 225% e os juros de mora com base taxa Selic. Considerou que ficou demonstrada a intenção do contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da autoridade fiscal,' da identidade dos verdadeiros sócios da empresa, Empreendimentos LTDA, mediante a utilização de in . trpos - tas pessoas no contrato social e respectivas alterações, e visualizou dolo na omissão da entrega de declarações exigidas pela SRF relativas aos anos-calendário de 1997 e 1998. Dai a qualifica cão para o percentual de 150%. Quanto ao agravamento deste percentual em cinqüenta por cento, até atingir o patamar aplicado de 225%, a DRJ o justificou por constatar que o contribuinte não atendeu as diversas intimações expedidas pela fiscalização. Ainda tratando da multa, ressaltou que o contencioso administrativo não é o foro próprio para examinar questões relativas aos princípios constitucionais, e que a jurisprudência citada nas peps impugnatórias não possui efeito vinculante, de modo a se lhe aplicar as impugnantes. Quanto aos juros, reputou-os legais face it legislação de regência e não vislumbrou incompatibilidade com o art. 161, § 1", do CTN. Do Acórdão a empresa Lunar Empreendimentos LTDA 'foi intimada mediante edital; as pessoas físicas e a empresa Belo Horizonte Refrigerantes LTDA, por via postal." Os Recursos Voluntários de fls. 631/662 (da Belo Horizonte Refrigerantes LTDA, firmado pelos advogados Srs. Ekio Fonseca Reis e Evaristo Ferreira Freire Junim), 670/698 (da Lunar Empreendimentos LTDA, firmado pelas advogadas Sras. Poliana Silva Alves e Isabela Gondim Meira Tibo) e 701/735 (das cinco pessoas fisicas e também assinado pelas mesmas advogadas da Lunar Empreendimentos LTDA), tempestivos, repisam as alegações das impugnações e refutam a decisão recorrida. A recorrente Lunar Empreendimentos LTDA argui basicamente o seguinte, com relação a este lançamento do PIS: - houve cerceamento do direito - de defesa, em face do indeferimento da prova pericial por pane da instancia recorrida; - que, face à adesão ao PAES, e it inclusão nesse Parcelamento Especial dos débitos do ano de 1998 (ccnsoante afirmou a própria DRJ, destaca), tais débitos estão . com a exigibilidade suspensa, até o término do pagamento dasParcelaS # • 14 Processo n° 13603.002853/2003-90 Acórdão n.° 02-03.272 - também com relação aos valores do ano de 1997 acontece a suspensão da exigibilidade, posto que a Lei n" 10.684/2003 apenas exige que os débitos sejam de competências anteriores a fevereiro de 2003 e, na data de adesão ao PAES, a Secretaria da Receita Federal já tinha conhecimento desses débitos do ano de 1997. Considera tal conhecimento fato incontroverso, razão pela qual se tornou desnecessária qualquer informação por parte do contribuinte; - que, estando a totalidade dos débitos incluídos no PAES, a pretensão punitiva em relação aos supostos crimes tributários resta suspensa, face ao art. 9" da Lei n" 10.684/2003; - a decadência atingiu o total do crédito tributário lançado, por se aplicar no caso em tela o § 4" do art. 150 do CT1V, em vez do seu art. 173, I, e o art. 45 da Lei n°8.212/91 ser inconstitucional, no que estendeu o prazo decadencial de cinco para dez anos,. - a suposta responsabilidade atribuida ás pessoas fisicas não ficou comprovada, cabendo se restar alguma dúvida a aplicação do art. 112 do CTN, que explicita a regra do in dúbio pro contribuinte; - a multa viola os princípios do não-confisco, da proporcionalidade,..da razoabilidade e da moralidade, enquanto os juros com base na taxa Selic se cc inzflitanz com o art. 161, ,sç' 1", do CTN e ainda violam os princípios constitucionais da legalidade, anterioridade, anterioriCdade, indelegabilidade e do não-confisco, devendo este contencioso administrativo apreciar essas questões que envolvem z inconstitucionalidade. No mais, a peça recursal da Lunar 'Empreendimentos requer ao final o cancelamento do Auto de Infração ou, pelo menos, a redução ou exclusão dos montantes c/a multas e juros, e contém alegações referentes ao arbitramento e a suposta ilicitude das provas concernentes á sua movimentação financeira, que se referem ao lançamento específico por omissão de receita do IRPJ e reflexos, objeto do processo n" 13603.002852/2003-45. 0 Recurso da empresa Belo Horizonte LTDA contém, no inicio, as alegações de decadência do lançamento e de suposta ilicitude das provas relativas a movimentação financeira. Em seguida passa a refutar o que chanza de -presunção" de responsabilidade, afirmando inexisfir a solidariedade apontada pela fiscalização. Em resumo, argúi ó seguinte: - jamais poderia responder pelos débitos, visto nunca ter participado dos quadros societários ida empresa autuada; - a solidariedade não se presume, reportando-se neste ponto aos arts. 264 e 265 do Código Civil; .( CSRF/T02 Fls. 1.397 15 - inclusive na hipótese do inc. I do art. 124 do CTN, as situações nas quais terceiros tenham algum interesse ou vinculo com o fato gerador da obrigação tributária devem estar previstos na lei, tal como já afirmava Aliomar Baleeiro, desde longa data; - o capitulo V (do titulo II) do CTN determina quais são os casos de responsabilidade tributária, "... não elencando nenhtima outra hipótese de responsabilidade de terceira pessoa, muito menos que não tenha qualquer relação com o fato gerador»; - os fatos apontados pela fiscalização, e aco-lhidos pela Turma Julgadora como suficientes it responsabilidade da recorrente (quais sejam: mercadorias faturadas pela Lunar foram pagas pela Belo Horizonte LTDA e entregues diretamente a esta última, e mercadorias, equipamentos e serviços adquiridos por ela foram pagos com recursos da Limm), não podem ser considerados provas de irregularidade praticada pelas recorrentes. Neste ponto salienta que a Belo Horizonte LTDA atua também com industrializadora por conta e ordem de terceiro, razão pela qual mercadorias faturadas em nome da Lunar, encomendante, eram entregues diretamente no estabelecimento da primeira. Quanto aos pagamentos realizados pela Lunar, tais valores decorrem de pagamentos por empréstimos (contratos de mútuo) realizados entre as partes; - independentemente das alegações acima, de todo modo o art. 135 do CTN consagra a responsabilidade pessoal. dos -sócios pessoas fisicas, não se estendendo a pessoa jurídica, por ausência de previsão legal. Além do mais, a responsabilização dependeria de ser a Belo Horizonte LTDA, sócia . da Lunar Empreendimentos LTDA e de que tivesse há Vido, de sua parte (Belo Horizonte LTDA) ato contrário à lei ou ao contrato social, sendo que nada disto ocorreu. A peça recursal da Belo Horizonte contem no final o mesmo pedido e as mesmas alegações contidas no Recurso da Lunar Empreendimentos LTDA, acerca da multa e dos juros lançados, e da necessidade de apreciação, neste contencioso administrativo, das matérias que envolvem ineonstitucionalidade. Por último o Recurso das cinco pessoas lisicas, que de modo semelhante ao da Belo Horizonte LTDA, também contempla as alegações de decadência do lançamento, de suposta ilicitude das provas relativas a movimentação financeira, refuta o que igualmente chama de "presunção" de responsabilidade, e repete as alegações acerca da multa e dos juros lançados e o mesmo pedido No tocante aos fatos apontados pela fiscalização e acolhidos pela Turma Julgadora como suficientes a responsabilidade das cinco pessoas físicas, estas afirmam ser "devaneios que jamais poderiam ser considerados provas cabais de qualquer irregularidade praticada pelas recorrentes, sendo, quando in uito, meros indicios. 16 Processo n° 13603.002853/2003-90 Acórdão n.° 02-03.272 CS RF/T02 Fls. 1.398 Asseveram que o imóvel de propriedade família Bicalho, onde a empresa autuada era estabelecida, foi locado na forma prescrita em lei; que o fato de os camiiglões de propriedade das recorrentes Roseana de Fatima Bicalho e Maria Torres de Freitas Bica lho terem sido utilizados pela empresa Lunar não demonstram interesse comum entre a sociedade e as recorrentes, até porque tais veículos foram igualmente locados aquela; que assinatura da recorrente Rosilene Bicalho na terceira alteração contratual da Lunar se deu na condição de advogada, conforme contrato de prestação de serviços advocatícios celebrado entre as partes, e mais uma vez nada comprova acerca do "suposto" interesse comum; e que as afirmações de que sócios de direito da Lunar não teriam capacidade financeira são meros indícios, incapazes de darem i sustentabilidad e as acusações fazenda rias, não tendo o Fisco comprovado a não integralização do capital social. Se ultrapassadas as alegações acima, defendem que de todo modo o art. 135 do CTN consagra al responsabilidade pessoas de terceiros, dolosa ou culposa, Mas com a exclusão do contribuinte, não se confundindo COhl o mero inadimplemento de tributo. Assim, a responsabilização dependeria da comprovação de que a) que as pessoas citadas figurassem como sócios- gerentes da sociedade, b) tivesse havii ido ato contrario à lei ou ao contrato social e c) e tal ato houvesse sido comprovado pela autoridade administrativa, sendo qué nada disto ocorreu. Informação à fls. 622/630, 670 e 758 dão conta de que a Lunar Empreendimentos LTDA, bem como as pessoas físicas Rosilene Bicalho e Rogério Luiz Bica lho, não apresentaram arrolamento de bens necessário, tendo declarado não os possuírem. As outras ti-és pessoas fisicas, bem como a pessoa jurídica Belo Horizonte Refrigerantes LTDA, arrolaram ben. A representação penal para fins penais foi formalizado sob n" 13603.000397/2004-24, apenso ao Processo administrativo fiscal n" 13603.002852/2003-45 (IRPJ e reflexos)." ACORDARAM os Membros da Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, em negar provimento ao Recurs, nos seguintes termos: 1) pelo voto de qualidade, com relação à rejeição da decadência. Vencidos os Conselheiros Cesar Piantavigna, Silvia de Brito Oliveira, Valdemar Lui dvig e Dalton César Cordeiro de Miranda, que acolhiam integralmente a decadência; e II) por unanimidade de votos, com relação As demais matérias. Manifestando a deliberação 'adotada por meio do acórdão recorrido, sintetizado na seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade f da decisão recorrida, qUaild0 nesta são apreciadas todas as alegações„, , 17 contidas na peça impugnató ria, sem omissão ou contradição, e perícia é negada porque despicienda. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIA10. Alegações de inconstitucionalidade, incluindo suposto caráter con fiscatório da multa de oficio, constituem-se em matéria que não pode ser apreciada no ámbito deste Processo Administrativo Fiscal, Send() da coMpetência exclusiva do Poder Judiciário. PIS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 45 da Lei n°8.212/9], combinado com o art. 150, § 4", do Código Tributário Nacional. PAES-PARCELAMENTO ESPECIAL. LEI N" 10.684/2003. OPÇÃO POSTERIOR AO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A op cão pelo Parcelamento Especial instituído pela Lei n" 10.684, de 30/05/2003, em momenta posterior ao inicio da liscalização, quando o contribuinte não 171aiS gozava da espontaneidade, não elide a multa de oficio lançada por meio de Auto de Infração, que se incluída no PAES em z tempo hábil sofre redução de cinqüenta por cento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTAS-DE- FERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas.fisicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e s'eni '.beneficio de Ordem, todos os proprietários de fato, 110s termos do art. 124, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. INFORMAÇÕES FORNECIDAS AO FISCO ESTADUAL E SONEGADAS AO FISCO FEDERAL. RECEITA OBTIDA POR MEIO DOS CLIENTES. PRATICA REITERADA. DOLO CARACTERIZADO. Caracterizam a sonegação, consistente na conduta dolosa de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador, a prática reiterada de informar à Secretaria da Receita Federal valores inferiores àqueles informados ao Fisco Estadual, bem coma a omissão de valores de vendas, levantados pela fiscalização junto aos clientes do contribuinte autuado, tudo isto sem qualquer justificativa para tanto. Den ionstrada a sonegação, cabe a aplicação da multa qualificada. MULTA AGRAVADA. APLICABILIDADE. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. AÇÃO FISCAL REALIZADA COM BASE EM INFORMAÇÕES OBTIDAS JUNTO A TERCEIROS. A falta de atendimento as solicitações da fiscalização, obstaculando-a, sendo que ao final o lançamento é efetuado C0377 base em informações obtidas junto ao Fisco Estadual e aos clientes, autoriza o agravamento da multa de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Nos termos cio art. 161, § 1", do CTN, apenas se a lei não dispuser c/c modo &verso os juros de mora serão calculados ?I taxa de I% ao mês; pelo que é legitimo o emprego da taxa SELIC C01770 juros moratórios, a teor do art. 13 da Lei n" 9.065/95. Recurso negado. 18 CSRF/T02 Fls. 1.399 Processo n° 13603.002853/2003-90 Acórdão n.° 02-03.272 A contribuinte, As fls. 805/818 com apoio no art. 32, inciso II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, interpôs RECURSO ESPECIAL, em face do referido acórdão. Requereu seu regular processamento e posterior remessa A egrégia Camara Superior de Recursos Fiscais. Por meio do Despacho n° 203-085 fls.1.378, o Presidente da Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes recebeu o Recurso Especial interposto quanto à decadência do direito de apurar e constituir os créditos da Contribuição para o Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS. Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, já devidamente qualificada nos autos do presente processo, corn apoio no art. 32, inciso II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, interpôs RECURSO ESPECIAL, ein face do referido acórdão. Requereu seu regular processamento e posterior remessa A egrégia Camara Superior de Recursos Fiscais. Todavia, a Camara recorrida não se manifestou sobre a admissibilidade desse recurso. Rogério Luiz Bicalho, Glênio Lourenço Menezes, Roseana de Fatima Bicalho Lourenço, Rosilene Bicalho e Maria Torres de Freitas Bicallto, já devidamente qualificados nos autos do presente processo, corn apoio no art. 32, inciso II do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, interpuseram RECURSO ESPECIAL, em face do referido acórdão. Requereram seu regular processamento e posterior remessa A egrégia Camara Superior de Recursos Fiscais. Assim corno no caso 'do recurso apresentado pela Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, a Terceira Camara não se manifestou sobre a admissibilidade desse recurso A Fazenda Nacional, As fls. 1.381/1.387, apresentou Contra-Razões ao Recurso Especial de fls. 805/818, interposto pela Lunar Empreendimentos Ltda. o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator 0 recurso apresentado por Lunar Empreendimentos Ltda. merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais. Os recursos apresentados pelos demais sujeitos passivos arrolados no auto de infração não sofreram exame de admissibilidade pelo presidente da câmara recorrida, o que, a primeira vista, exigiria o retorno dos autos para que se cumprisse tal formalidade, mas em vista de outro S incidentes processuais, que podem tornar inócua tal medida, ultrapasso, por hora, essa questão, em vista da preliminar que suscito de oficio. Caso seja vencido, ai retorno à questão de se retornar aos autos para exame de admissibilidade dos demais recursos especial apresentados nestes autos. Como dito linhas acima antes de adentrar-se na questão de mérito, necessário se faz analisar preliminar de nulidade do acórdão recorrido, que suscito de oficio, pelas razões seguintes: 19 Compulsando os autos, vê-se que a exigência do credito tributário pertinente a estes autos de Cotins decorre de fato que lastrearam também a exigência do Imposto de Renda, sendo vejamos excerto do Termo de Verificação Fiscal, comum aos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, transcrito pela decisão de primeira instância em seu relatório: "Trata-se do Auto de Infração de fls. 04/12, relativo ao PIS Faturamento, períodos de apuração 01/1997 a 09/1998, no total de R$ 483.728,59, incluindo juros de mora e multa qualificada e agravada, 170 percentual de 225%. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fly. 14/73, também foram apuradas infrações referentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e ao PIS Faturamento, parte delas decorrente de omissão de receita apurada com base emit depósitos bancários, no ano-calendário de 1998. 0 lançamento em tela, todavia, não contempla a parte referente a essa omissão de receita. Como informado no item III-D do referido Termo, o PIS deste processo ora relatado foi apurada da seguinte forma: - no ano de 1997, a base de cálculo corresponde aos wilores de saídas constantes dos Demonstrativos de Apuração do ICMS (ver .fls. 77/100 e 117) • - no de 1998, aos valores de notas fiscais de saídas emitidas pela contribuinte e obtidas junto aos destinatários (re la ção as fls.102/116 e resumo àfl. 118), — Do regime de tributação Anotou a autoridade .fiscal que não foram medidos esforços para contatar o contribuinte visando ao acesso a documentação contábil da empresa fiscalizada, o que viabilizaria auditagem tendente a verificar o lucro liquido alcançado no período e a correição dos lançamentos contábeis. No entanto, esse contato restou improficuo, em razão da conduta omissiva em relação as intimações validamente realizadas. Estando impedida de conhecer dos registros contábeis da empresa, a fiscalização não detém meios de mensurar o lucro real tributável, haja vista que a empresa se quedou omissa da entrega da declaração c/c rendimentos dos anos-calendário de 1997 e 1998. Também não manifestou op cão pelo regime do lucro presumido. Cita normas do Imposto de Renda e jurisprudência administrativa para concluir pela pertinência da aplicabilidade do regime de tr ibittação cont base no lucro arbitrado, tendo destacado que arbitramento não possui caráter de penalidade,. é simples meio de apuração do lucro", .frisando tratar-se da única metodologia capaz de determiná-lo no vertente caso. III — Do crédito tributário e das infrações A) IRPJ e CSLL — receita da revenda de mercadorias — lucro arbitrado — anos-calendário de 1997 e 1998: lançamento em processo especifico 20 Processo n° 13603.002853/2003-90 Acórdão n.° 02-03.272 B) Receita operacional omitida —falta de comprovação da origem dos valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras — ano-calendário de 1998: lançamento em z processo especifico. C) Falta de recolhimento da Co/ins — eríodos-base de 1997 e 1998: lançamento formalizado em processo específico. D) Falta de recolhimento do PIS —periodos-hase de 1997 e 1998: - a base de cálculo foi considerada nos seguintes termos: • para fatos geradores ocorridos, em 1997, os valores de saídas consignadas pela empresa nos Demons' trativos de Apuração do ICMS entregues pelo contribuinte à Secretcá-ia de Estado da Fazenda de Minas Gerais (fls. 77/100); o denzonstrativo de fl. 101 detalha os valores apurados; • em relação aos fatos geradores ocorridos em 1998, os valores de saídas lançadas nas notas .fiscais emitidas pelo contribuinte, apresentadas pelos destinatários eM atendimento a intimações expedidas «Is. 267/272 do Anexo I); essas notas fiscais constituem o Anexo II; o demonstrativo de Ils. 102/11,6 detalha os valores apurados. - consoante espelho extraído do sistema de controle de arrecadação da SRF, não houve, para o período, nenhunz recolhimento efetuado a esse titulo (A 76). III — Do crédito tributário e das infrações A) IRPJ e CSLL — receita da revenda de mercadorias — lucro arbitrado — anos-calendário de 1997 e 1998: lançamento em processo especifico. IV — Da responsabilidade pelo crédito tributário Foi feito um relato a respeito dos procedimentos fiscais coin vistas a identificar os efetivos responsáveis pelo crédito tributário, pessoas físicas e jurídicas. As conclusões que se seguiram podem ser assim resumidas: - os documentos analisados revelam a comunhão de interesses, inclusive de bens, entre as pessoas 'físicas dos Srs. Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Glênio Menezes Lourenço, Maria Torres de Freitas Bicalho e Rosilene Bicalho e a empresa Lunar Empreendimentos Ltda., que conjugavam esforços objetivando um .fim comum. Além disso, demonstram também a participctção da pessoa jurídica Belo Horizonte Refrigerantes Ltda, nos resultados do negócio perpetrado sob a razão social da empresa Lunar; - .ficaram demonstrados veementes indícios de que essas pessoas são os verdadeiros donos cio negócio que se operou sob a razão social da CSRF/T02 Fls. 1.400 21 empresa Lunar Empreendimentos Lida., além ,de inequivocamente comprovado que dele se beneficiaram diretamente; - portanto, são inverídicos os contratos sociais e respectivas alterações, nas quais figuram como sócios da empresa terceiros que não revelam capacidade de ocupar tal posição, sendo que duas dessas pessoas declararam expressamente que apenas cederam o nome para figurar no negócio,. - assim, verificou-se que os contratos tiveram como objetivo precipito dissimular a identidade dos efetivos titulares das atividades comerciais que se operaram sob a razão social da empresa Lunar Empreendimentos Ltda., visando impedir a satisfação dos créditos tributários decorrentes do negócio; - portanto, no presente caso, o estratagema utilizado corresponde a sonegação _fiscal, conforme definido na Lei 11 4.502, de 1964, art. 71, inciso II; - avolumam-se indícios de que essas pessoas estavam .à frente .do negócio, bem como provas cabais de que dele se beneficiaram, dentre outros, pelos seguintes motivos: as declarações dos antigos sócios e contador desmentindo o conteúdo dos atos sociais da empresa; as informações prestadas por clientes e fornecedores indicando a identidade dos efetivos gestores do negócio; a existência de procuração da empresa outorgando poderes a terceiros para administração e movimentação financeira; a propriedade da família Bicalho dos hens utilizados na consecução dos objetivos sociais da empresa Lunar; e a existência de diversos documentos e cheque que revelam a destinação direta de boa parte dos recursos da empresa para os membros da família Bicalho e, ainda, a destinação de recursos da empresa Lunar que foram carreados para a construção de um complexo industrial; - vislumbra-se claramente que a empresa Belo Horizonte Refrigerantes Lida. constitui um complexo industrial erguido em terreno de propriedade da Sra. Maria Torres de Freitas Bicalho, com recursos carreados das atividades comerciais da Lunar; - consta registros de que a Belo Horizonte Refrigerantes Ltda., intimada, esclareceu que nunca teve nenhum negócio com a empresa Lunar; - destacou-se que, conforme contrato social e alterações, a empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda. é de fato da família Bicalho; - assim, pelos fatos e documentos analisados, ficou demonstrada a prática adotada pela Rica/Ito na condução dos seus negócios, seu modus faciendi , qual seja, inadimplemento constante da empresa em relação aos tributos federais, estando, em regra, omissa de entrega de deelarações; encerramento irregular da empresa e confecção de contrato social e alterações contratuais em nome de terceiros (inteiposição de pessoas na figura do sócio da pessoa juridica); - dessarte, pela prática regular de todos os atos típicos da sociedade comercial, inclusive com participação financeira e empenho de seu património pessoal, os SI'S'. Rogério Luiz Bicalho, Roseana de Fátima Bica/fio Lourenço, Glênio Menezes Lourenço, Maria Torres de Freitas Bicalho e Ro.silene Bicalho demonstram interesse comum nas atividades da empresa, estando a ela vinculados de forma irregular,/ 22 Processo n° 13603.002853/2003-90 Acórdão n.° 02-03.272 agindo por intermédio de testas-de-ferro, sem participação formal no capital social da empresa; - deste modo, são solidariamente responsáveis pelos créditos tributários ora constituídos, nos termos da legislação de regência, mormente o art. 124, inciso I da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN); - igualmente, por conjugar esforços e participar dos resultados financeiros da empresa mediante utilização de recursos para a aquisição de bens, demonstrando interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos lora lançados, é solidariamente obrigada a empresa Belo Horizonte Refrigerantes Ltda.; - nestas circunstâncias, os Srs. Rogério Luiz Bica lho, Roseana de Fátima Bicalho Lourenço, Glênio Mene zes Lourenço, Maria Torres de Freitas Bica/tio e Rosilene Bicalhó , respondent pelos créditos constituídos, conforme mandamento contido no art. 135, incisos II e III do CTN. V— Da multa qualificada e cio agravamento das penalidades Tendo em vista os fatos e documentos analisados, mediante os quais restou comprovado que a empresa agiu com evidente intuito defraude, sujeita-se, nos termos da legislação de regência, a inulta qualificada prevista para o lançamento de oficio. Assim, provou-se, de forma inequívoca, a existência de ação dolosa por parte da empresa, consubstanciada na conduta omissiva em relação obrigação da entrega declarações (D11".1 e DCTF), relativas aos anos- calendário de 1997 e 1998, fato que retardou o conhecimento por parte da autoridade fazendá ria da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias principais. Igualmente, ficou demonstrada a intenção do contribuinte de impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da identidade dos verdadeiros sócios da Lunar Emprêendimentos Ltda., mediante a utilização de interpostas pessoas no eontrato social e alterações da referida empresa. Tal ardil tinha COMO objetivo impedir a responsabilização dos verdadeiros donos da empresa pelo significativo passivo tributário deixado ell? aberto. Além disso, dado que o contribuinte não atendeu às diversas intimações expedidas pela fiscalização, sujeita-se também cio agravamento da multa lançada conforme ‘sç 2° cio art. 44 da Lei le 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 70 da Lei n" 9.532, de 10 de dezembro de 1997. No caso, ficou patente a recusa do contribuinte em prestar todos os esclarecimentos necessários a atividade de lançamento, omitindo-se de apresentar livros e documentos que obrigatoriamente deveria conservam-, consoante disposto no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renck( aprovado pelo Decreto it" 3.000, de 26 de março de 1999 - RI R/1999. CSRF/T02 Fls. 1.401 23 Corn base nos excertos acima, não há dúvida de que a exigência dessa contribuição foi lastreada em fatos cuja apuração serviram para determinar a prática de infração a dispositivos legais do Imposto de Renda. Assim, por força do disposto no § único do artigo 1' do Decreto n° 2.191, de 03/04/97 e na alínea "d" I do inciso I do artigo 20 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, é do Primeiro Conselho de Contribuintes a competência para julgar o recurso voluntário apresentado pela autuada. Todavia, o julgamento deu-se perante a 1 ' Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, incompetente para tal feito. 0 ato praticado por pessoa ou órgão incompetente ratione materae (em razão da matéria), traz em sua gênese o vicio da nulidade absoluta e, por isso, não se convalida. Dai, no curso do processo, pode e deve ser anulado, por quem de direito, de (Akio ou por provocação das partes, a qualquer tempo. de lembrar-se que o vicio insanável de urn ato contamina os demais dele decorrentes, impondo-se, por conseguinte, a anulação - de todos eles. Outro não é o entendimento do Mestre Hely Lopes Meirelles 2, a seguir transcrito: o que nasce afetado de vicio insanável por ausência ou defeito substancial em seus elementos constitutivos ou no procedimento formativo. A nulidade pode ser explicita ou virtual. É explicita quando a lei a comina expressamente, indicando os vícios que lhe dão origem; é virtual quando a invalidade decorre da infringência de princípios específicos do Direito Público, reconhecidos por interpretação das normas concernentes ao ato. Em qualquer desses casos o ato é ilegítimo ou ilegal e não produz qualquer efeito válido entre as partes, pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade, todavia, deve ser reconhecida e proclamada pact Administração ou pelo Judiciário (..), mas essa declaração opera ex tune, isto é retroage às suas origens e alcança todos os setts efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes, só se admitindo exceção para com os terceiros de boa-fé, sujeitos as suas conseqüências reflexas. (destaques do original). Por derradeiro, faz-se oportuno reproduzir os ensinamentos de Antônio da Silva Cabra1 3, sobre os efeitos do recurso voluntário: (..) o recurso voluntário remete it instância superior o conhecimento integral das questões suscitadas e discutidas no processo, como também a observância a forma dos atos processuais, que devem Art. 20. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: I - As Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava Câmaras, os relativos A: a) omissis; d) exigência da contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial), da contribuição para o PIS/Pasep e da contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins), quando essas exigências estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica. 2 Direito Administrativo Brasileiro, 17a edição, Malheiros Editores: 1992, p.156. 3 Processo Administrativo Fiscal, Editora Saraiva, 24 Processo if 13603.002853/2003-90 AcórcHio n.° 02 -03.272 CSRF/T02 Fls. 1.402 obedecer as normas que ditam como devem proceder os agentes públicos, de modo a obter-se uma melhor prestação jurisdicional ao sujeito passivo. Assim, o reexame da matéria impõe averiguação, de oficio, da validade dos atos até então praticados. Diante do exposto, voto no sentido de anular o processo a partir do acórdão recorrido, inclusive, e determinar a remessa dos autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes para julgar os recursos voluntários interpostos pelos isujeitos passivos. o .— ue Pin eiro Torre 25
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Numero do processo: 10120.907617/2009-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA.
Tratando-se de crédito tributário resultante da não homologação de declaração de compensação, é inaplicável ao caso concreto a Súmula vinculante nº 8 do STF.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.041
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Tratandose de crédito tributário resultante da não homologação de declaração de compensação, é inaplicável ao caso concreto a Súmula vinculante nº 8 do STF. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Fl. 75DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.10151.6UT0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Tratase de despacho de nãohomologação de compensação pela autoridade administrativa, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois o DARF discriminado pelo contribuinte no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que em homenagem aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, tem direito de compensar até um terço da Cofins efetivamente paga com qualquer tributo federal, não se aplicando as restrições do art. 8º da Lei nº 9.718/98. Este dispositivo legal instituiu um mecanismo de compensação de até um terço da Cofins efetivamente paga com a Contribuição Social Sobre o Lucro. O referido dispositivo legal perpetrou uma iniqüidade, pois permite que um contribuinte que tenha auferido lucro tenha sua carga tributária reduzida pela possibilidade de compensação, enquanto que um contribuinte que não tenha obtido o mesmo resultado estaria sujeito a uma carga tributária maior, em razão da impossibilidade de compensação com a CSL. A DRJ em Brasília indeferiu a manifestação de inconformidade do contribuinte por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa: “NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. EXTINÇÃO DO DIREITO. 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de. proceder à declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. COMPENSAÇÃO 0 procedimento de compensação de créditos oriundos da aplicação dos parágrafos §1° a 4° do artigo 8° da Lei n° 9.718/99, vigentes até 31/12/1999, não é passível de ser efetuado por meio da PER/DCOMP. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Diversidade entre a situação de contribuinte tributado pela COFINS e CSLL e a do contribuinte tributado unicamente pela COFINS se revela suficiente para justificar o tratamento diferenciado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Fl. 76DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.10151.6UT0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10120.907617/200991 Acórdão n.º 3403001.041 S3C4T3 Fl. 2 3 Regularmente notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que: 1) a não homologação da compensação decorreu do fato de não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal o recolhimento com as características informadas, mas a empresa, no momento do recebimento da intimação prévia tratou de comparecer ao órgão a fim de demonstrar o referido pagamento, sendo que naquela ocasião foi informada de que só teria esta possibilidade através de manifestação de inconformidade; 2) a Delegacia de Julgamento não julgou as contestações da manifestação de inconformidade, tendo decidido única e exclusivamente que o prazo de pedir restituição de indébito está extinto; 3) se por um lado a Delegacia de Julgamento julgou que a recorrente decaiu do direito de pedir restituição; de outro o fisco também decaiu do direito de cobrar o crédito tributário, a teor do que estabelece a Súmula Vinculante nº 8 do STF. É o relatório. Voto O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se pode verificar nos autos, a compensação não foi homologada porque o DARF informado no PER/DECOMP não foi localizado no sistema de controle de pagamentos da Receita Federal. Segundo a autoridade administrativa, a divergência entre o DARF existente no sistema SINAL e aquele informado no PER/DECOMP reside na data da arrecadação. O contribuinte alterou a data de arrecadação para poder transmitir a declaração de compensação, pois o programa não transmite declarações de compensação cujo crédito do contribuinte esteja prescrito. A recorrente alegou no recurso voluntário que comparecera à repartição fiscal munida do DARF para demonstrar o pagamento indevido, mas fora orientada pela autoridade administrativa a apresentar o DARF na manifestação de inconformidade. Acontece que a recorrente não juntou o DARF que diz possuir nem à manifestação de inconformidade e nem ao recurso voluntário. Portanto, permanecem incólumes o despacho da autoridade administrativa que não homologou a compensação, bem como a fundamentação da decisão de primeira instância, dada a inexistência da prova do pagamento indevido. Relativamente às alegações feitas no sentido de atacar a decisão da DRJ, verificase que são totalmente improcedentes. Ao contrário do alegado, a turma de julgamento a quo enfrentou toda matéria posta na manifestação de inconformidade e não apenas a questão da decadência do direito à repetição do indébito, como alegou a recorrente. A defesa reportouse à Súmula Vinculante nº 8 do STF. Entretanto, esta súmula é inaplicável à espécie, pois o caso concreto não versa sobre lançamento de ofício do crédito tributário, mas sim sobre não a homologação da declaração de compensação. Fl. 77DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.10151.6UT0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 A declaração de compensação foi instituída pelo art 74, § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637/2002. O art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96, com a redação da Lei nº 10.637/2002, estabelece que a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário sob condição resolutiva da ulterior homologação. E o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, estabelece que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso dos autos, verificase que a declaração de compensação foi transmitida em 26/04/2006 (fl. 28) e que o despacho de não homologação foi notificado ao contribuinte em 29/06/2009 (fl. 27). Portanto, concluise que o ato administrativo de não homologação da compensação foi praticado dentro do quinquênio legal, inexistindo qualquer óbice à cobrança do débito. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.10151.6UT0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIO CARLOS ATULIM em 16/07/2011 14:24:28. Documento autenticado digitalmente por ANTONIO CARLOS ATULIM em 16/07/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 16/07/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0320.10151.6UT0 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 38B86C4DDC6347E50F42896D409195EBC774D2F1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10120.907617/2009-91. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10120.901005/2009-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA.
Tratando-se de crédito tributário resultante da não homologação de declaração de compensação, é inaplicável ao caso concreto a Súmula vinculante nº 8 do STF.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.040
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Tratandose de crédito tributário resultante da não homologação de declaração de compensação, é inaplicável ao caso concreto a Súmula vinculante nº 8 do STF. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.10134.UOHC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Tratase de despacho de nãohomologação de compensação pela autoridade administrativa, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois o DARF discriminado pelo contribuinte no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que em homenagem aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, tem direito de compensar até um terço da Cofins efetivamente paga com qualquer tributo federal, não se aplicando as restrições do art. 8º da Lei nº 9.718/98. Este dispositivo legal instituiu um mecanismo de compensação de até um terço da Cofins efetivamente paga com a Contribuição Social Sobre o Lucro. O referido dispositivo legal perpetrou uma iniqüidade, pois permite que um contribuinte que tenha auferido lucro tenha sua carga tributária reduzida pela possibilidade de compensação, enquanto que um contribuinte que não tenha obtido o mesmo resultado estaria sujeito a uma carga tributária maior, em razão da impossibilidade de compensação com a CSL. A DRJ em Brasília indeferiu a manifestação de inconformidade do contribuinte por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa: “NÃO HOMOLOGAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. Não tendo sido localizado o DARF com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito aproveitado em declaração de compensação, não se homologa o procedimento. EXTINÇÃO DO DIREITO. 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente e/ou de. proceder à declaração de compensação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. COMPENSAÇÃO 0 procedimento de compensação de créditos oriundos da aplicação dos parágrafos §1° a 4° do artigo 8° da Lei n° 9.718/99, vigentes até 31/12/1999, não é passível de ser efetuado por meio da PER/DCOMP. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Diversidade entre a situação de contribuinte tributado pela COFINS e CSLL e a do contribuinte tributado unicamente pela COFINS se revela suficiente para justificar o tratamento diferenciado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.10134.UOHC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10120.901005/200995 Acórdão n.º 3403001.040 S3C4T3 Fl. 2 3 Regularmente notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, que: 1) a não homologação da compensação decorreu do fato de não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal o recolhimento com as características informadas, mas a empresa, no momento do recebimento da intimação prévia tratou de comparecer ao órgão a fim de demonstrar o referido pagamento, sendo que naquela ocasião foi informada de que só teria esta possibilidade através de manifestação de inconformidade; 2) a Delegacia de Julgamento não julgou as contestações da manifestação de inconformidade, tendo decidido única e exclusivamente que o prazo de pedir restituição de indébito está extinto; 3) se por um lado a Delegacia de Julgamento julgou que a recorrente decaiu do direito de pedir restituição; de outro o fisco também decaiu do direito de cobrar o crédito tributário, a teor do que estabelece a Súmula Vinculante nº 8 do STF. É o relatório. Voto O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se pode verificar nos autos, a compensação não foi homologada porque o DARF informado no PER/DECOMP não foi localizado no sistema de controle de pagamentos da Receita Federal. Segundo a autoridade administrativa, a divergência entre o DARF existente no sistema SINAL e aquele informado no PER/DECOMP reside na data da arrecadação. O contribuinte alterou a data de arrecadação para poder transmitir a declaração de compensação, pois o programa não transmite declarações de compensação cujo crédito do contribuinte esteja prescrito. A recorrente alegou no recurso voluntário que comparecera à repartição fiscal munida do DARF para demonstrar o pagamento indevido, mas fora orientada pela autoridade administrativa a apresentar o DARF na manifestação de inconformidade. Acontece que a recorrente não juntou o DARF que diz possuir nem à manifestação de inconformidade e nem ao recurso voluntário. Portanto, permanecem incólumes o despacho da autoridade administrativa que não homologou a compensação, bem como a fundamentação da decisão de primeira instância, dada a inexistência da prova do pagamento indevido. Relativamente às alegações feitas no sentido de atacar a decisão da DRJ, verificase que são totalmente improcedentes. Ao contrário do alegado, a turma de julgamento a quo enfrentou toda matéria posta na manifestação de inconformidade e não apenas a questão da decadência do direito à repetição do indébito, como alegou a recorrente. A defesa reportouse à Súmula Vinculante nº 8 do STF. Entretanto, esta súmula é inaplicável à espécie, pois o caso concreto não versa sobre lançamento de ofício do crédito tributário, mas sim sobre não a homologação da declaração de compensação. Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.10134.UOHC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 A declaração de compensação foi instituída pelo art 74, § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637/2002. O art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96, com a redação da Lei nº 10.637/2002, estabelece que a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário sob condição resolutiva da ulterior homologação. E o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, estabelece que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso dos autos, verificase que a declaração de compensação foi transmitida em 29/06/2005 (fl. 07) e que o despacho de não homologação foi notificado ao contribuinte em 05/03/2009 (fl. 26). Portanto, concluise que o ato administrativo de não homologação da compensação foi praticado dentro do quinquênio legal, inexistindo qualquer óbice à cobrança do débito. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0320.10134.UOHC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIO CARLOS ATULIM em 16/07/2011 14:22:09. Documento autenticado digitalmente por ANTONIO CARLOS ATULIM em 16/07/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 16/07/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0320.10134.UOHC Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 986C8F2C207DAF93903A79B10CA13E1A5A32D498 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10120.901005/2009-95. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10480.900934/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do
CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em
relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de
liquidez e certeza. O artigo 170-A do mesmo diploma legal veda
a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de
contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em
julgado da respectiva decisão judicial.
Numero da decisão: 3403-001.009
Decisão: Acordam os membros do Colegiado por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim, votaram pelas conclusões, pois entendem que a declaração de compensação não poderia ter
sido transmitida antes do trânsito em julgado.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. O artigo 170-A do mesmo diploma legal veda a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
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A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. O artigo 170A do mesmo diploma legal veda a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim, votaram pelas conclusões, pois entendem que a declaração de compensação não poderia ter sido transmitida antes do trânsito em julgado. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife – DRJ/REC, que manteve o despacho decisório da DRF/Recife o qual não reconheceu o direito de crédito pleiteado, e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada O pedido de compensação objetiva os alegados créditos de Cofins pagos indevidamente ou a maior na data de 09/09/1999, relativo ao período de agosto de 1999. O Despacho Decisório indeferiu o pedido formulado no PER/DCOMP nº 08924.97241.300104.1.3.044147, em razão dos créditos informados estarem integralmente utilizados para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade ao despacho decisório. Por bem relatar os argumentos trazidos pela recorrente, adoto trechos do relatório da decisão recorrida, fls. 34/35: Regularmente cientificada em 05/05/2008 (fls.13) do referido despacho decisório e intimada para pagamento dos débitos indevidamente compensados, a interessada apresentou, em 21/05/2008, manifestação de inconformidade (fls.12/14), acompanhada de documentos, que vêm a ser cópias : i) do contrato de constituição social da pessoa jurídica e terceira alteração contratual (fls.15/23); ii) do documento de identificação do subscritor da impugnação (fls.24); iii) do despacho decisório (fls.25); iv) da Certidão n° 122005 emitida por servidora do Tribunal Regional Federal da 5a Região TRF5a Região, concernente à Ação de Mandado de Segurança Coletivo n° 2001.83.00.0145250 (AMS n° 80558PE), impetrada pela Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Pernambuco — OABPE (fls.26/28); v) de certidão emitida por servidor do mesmo TRF5a Regido, acerca da habilitação da contribuinte nos autos da ação judicial referenciada, como substituída processual pela OABPE (fls.29); vi) certidão n° 329/2008, exarada pela OABPE, segundo a qual a contribuinte é sua associada (fls.30); e vii) certidão emitida pela OABPE em que se noticia encontrarse registrado naquela seccional o contrato da sociedade civil de advogados ora requerente (fls.31). Naquela peça de defesa, argúi e requer o que segue. 3.1. Discorda da afirmativa de que os pagamentos informados no PER/DCOMP hajam sido integralmente utilizados para quitar os débitos da empresa e acrescenta que, consoante informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte — CAC da Delegacia da Receita Federal no Recife — DRF/Recife, tal afirmativa decorreu "(...) do fato de a empresa, ao elaborar as Fl. 64DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.900934/200815 Acórdão n.º 3403001.009 S3C4T3 Fl. 60 3 declarações de compensação, não ter realizado a retificação das respectivas DCTFs, para ajustálas aos novos valores dos débitos apurados.". 3.2. Aduz que, portanto, apenas ocorrera falha procedimental da empresa, ao ter deixado de retificar as DCTF, o que "(...) não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável A. OABPE, da qual a empresa é sindicalizada (sic), garantindo a isenção de COFINS para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas." 3.3. Então, segundo documento relativo à ação judicial impetrada pela OABPE, com decisão transitada em julgado, restou garantido seu direito à isenção da Cofins, do que resulta que "(...) todos os pagamentos realizados a tal titulo tornaramse indevidos, na forma do art. 165, I, do CTN, razão pela qual poderiam ser utilizados pela empresa, como o foram, para a compensação de outros débitos da empresa para com a Receita Federal." 3.4. Provada a existência dos créditos relativos a pagamentos a maior de Cofins, requer seja julgada procedente sua manifestação de inconformidade, para ter reconhecido o seu direito sobre tais créditos e, em conseqüência, homologadas as compensações realizadas nas PER/DCOMP que os utilizaram, relacionadas neste processo. A 2ª Turma da DRJ/REC, no Acórdão nº 1129.922, de 25 de maio de 2010, fls.33/39, julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência do direito à compensação, em virtude da falta de liquidez e certeza dos indébitos pleiteados. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/08/1999 a 31/08/1999 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. E o artigo 170A do mesmo diploma legal veda a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Cientificada da decisão em 26/07/2010, fls. 42 a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 10/08/2010, fls.43/49, requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado e as respectivas compensações dele decorrente à luz dos argumentos, parcialmente, transcritos a seguir: 1. DA DECISÃO PROLATADA PELA DRJ/RECIFE A decisão da 2ª Turma da DRJ/Recife que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, Fl. 65DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 mantendo a decisão proferida anteriormente pela DRF/Recife que não homologou as compensações apresentadas pela empresa com base nos seguintes argumentos: 1) Ausência de trânsito em julgado da decisão judicial que embasou as compensações; 2) Inexistência do direito de crédito da empresa em face de liminar concedida pelo Ministro Joaquim Barbosa do STF suspendendo, em sede de Reclamação, os efeitos da decisão do STF que garantia o direito de isenção da COFINS aos filiados A OABPE. (...) Ocorre, no entanto, que tal pronunciamento é inverídico e, mais ainda, é inovador ante a primeira decisão emitida pela DRF/Recife, razão pela qual passaremos a demonstrar que a decisão deverá ser reformada. 2. DA INCOERÊNCIA ENTRE A DECISÃO DA DRF/RECIFE E DRJ/RECIFE De inicio havemos de comentar que as decisões proferidas pela DRF/Recife e pela DRJ/Recife são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fatos de os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Quando realizamos a nossa defesa apresentamos, juntamente com a argumentação que tentava ilidir a decisão da DRF/Recife os fatos jurídicos que demonstravam a existência dos créditos tributários em favor da empresa. Agora, em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão da decisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto. Quanto a isso vejamos o que determina o art. 5°. Da Constituição Federal de 1988: “................ LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; ......” Vejase que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida Fl. 66DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.900934/200815 Acórdão n.º 3403001.009 S3C4T3 Fl. 61 5 pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Nesta linha de raciocínio, há de se questionar se seria possível à DRJ/Recife, em sede de análise de Manifestação de Inconformidade, inovar completamente ante a decisão proferida pela DRF/Recife ao ponto de indeferir a Manifestação de Inconformidade apresentada com base em argumento completamente novo, sem que tenha sido intimada a empresa a contraargumentar acerca destes novos fatos. Vêse, inclusive, mais evidente ainda é a inovação que em nossa defesa havíamos citado a ação e apresentado documentos comprobatórios apenas para justificar a existência dos créditos. A DRJ/Recife, no ponto 10 de sua decisão apresenta um extenso histórico da ação judicial, inclusive trazendo novos elementos para tentar justificar o seu posicionamento. Ocorre que isto, além de ser indevido e irregular juridicamente, não condiz com a realidade dos fatos no presente caso que iremos adiante demonstrar. De toda a forma, apenas por este aspecto a decisão da DRJ/Recife já se demonstra irregular por ter apresentado fundamentação completamente diversa da decisão inicial proferida sem ter dado oportunidade de complementação da defesa a empresa. Em razão disto, já por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentados ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, da Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. 3. DA DEMONSTRAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO AOS VALORES DOS CRÉDITOS Tendo em vista que a oportunidade de defesa não foi concedida á empresa antes da prolação da decisão da DRJ/Recife acerca da análise e andamento da ação judicial, passemos a demonstrar que a argumentação da DRJ/recife não condiz com a realidade dos fatos. Em seu item 10, a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS. Ocorre, no entanto, que conforme a própria DRJ/Recife informa neste mesmo item 10. A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o beneficio de isenção da empresa da COFINS já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a Fl. 67DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 rescisão da decisão que concedia o beneficio de isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Ora, a liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Vejase que, quanto a isso, que a Procuradoria da República, como fiscal da Lei, em parecer acostado aquele processo pronunciouse em sentido contrário à concessão da liminar a fim de garantir os efeitos modulados da decisão rescisória, nem poderia ser de outra forma, pois estaria ameaçada a segurança jurídica das decisões judiciais transitadas em julgado. Resta então, de todo este imbróglio jurídico, que a questão não se prende a existência ou não decisão favorável à empresa. Esta decisão, proferida pelo TRF da 5a . Região nos autos da ação rescisória existe e é válida. Apenas os seus efeitos modulados estão SUSPENSOS, apenas SUSPENSOS, e não cassados como quer fazer crer a decisão ora atacada, não representado, com isso, impedimento absoluto quanto à possibilidade de reconhecimento de crédito da empresa. Resta, desta forma, plenamente demonstrada a realização da hipótese do art. 165, I, do CTN, qual seja a realização de pagamentos a maior por parte da empresa, haja vista a desconformidade da apreciação do caso por parte da DRJ/Recife. Deve então, juntamente com as irregularidades apresentadas no item 2, ser reformada a decisão proferida pela DRJ/Recife a fim de que se adeque à situação de fato e às normas reguladoras do processo administrativofiscal. 3.DO PEDIDO De todo o exposto e demonstrado nesta, restando provada a existência dos créditos relativos a pagamentos indevidos de COFINS e que a decisão proferida pela DRJ/Recife está em dissonância com a realidade dos fatos, requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto n° 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei n° 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a titulo de COFINS e, conseqüentemente, homologar as compensações realizadas nas PER/DCOMP relacionadas a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.900934/200815 Acórdão n.º 3403001.009 S3C4T3 Fl. 62 7 Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira relatora Preliminarmente, a recorrente alega que a decisão recorrida deve ser reformada por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentados ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º da Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Aduz a recorrente que as decisões proferidas pela DRF/Recife e pela DRJ/Recife são totalmente diferentes, por entender que em sede de julgamento não ocorreu apenas a revisão de decisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Tenta demonstrar essa diferença apresentando que as razões que levou a DRF/Recife não homologar as compensações baseava se nos fatos de os DARF que vinculam os créditos estarem totalmente utilizados, já a DRJ/Recife sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado, sem dar oportunidade a empresa de defesa. A recorrente menciona tanto na Manifestação de Inconformidade, e repisa no Recurso Voluntário, que no argumento de defesa apresentou as informações obtidas no CAC/Recife que teria ocorrido apenas um problema de não retificação das respectivas DCTF da empresa. Juntamente com a argumentação que tentava ilidir a decisão da DRF/Recife, apresentou os fatos jurídicos que demonstravam a existência dos créditos tributários em favor da empresa. Passemos então ao exame das decisões mencionadas. Conforme já dito no relatório, o despacho decisório não homologou as compensações por falta de crédito disponível. O despacho decisório tomou por base as informações prestadas pela recorrente no momento da transmissão do pedido de compensação. Ao preencher ao PERDCOM, fls. 01, vêse que o contribuinte informou no campo relativo ao tipo de crédito ser “pagamento indevido ou a maior” e no campo que se indaga se o crédito é originado de ação judicial respondeu “não”. Inconformada com a decisão da DRF/Recife, vem a recorrente discordando da afirmativa de que os pagamentos informados no PER/DCOMP hajam sido integralmente utilizados para quitar os débitos da empresa, argumentando, como fundamento informações colhidas junto ao CAC/DRF/Recife que a afirmativa decorreu porque a empresa ao elaborar as declarações de compensação, não retificou as respectivas DCTF. Aduz que apenas ocorrera falha procedimental da empresa ao ter deixado de retificar as DCTF, alegando que essa falha procedimental, não tem o condão de anular a existência dos créditos, uma vez que esses decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE. Ora, como se vê dos fatos até aqui apresentados, para uma melhor compreensão da matéria em julgamento, o indeferimento inicial das compensações ocorreu por falta de crédito disponível, com base em informações prestadas por iniciativa do próprio contribuinte. No entanto, já em sua peça de defesa, Manifestação de Inconformidade, diz que incorrera apenas em uma falha procedimental, que seria não ter retificado as DCTF, e traz uma Fl. 69DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 nova informação aos autos que é ser beneficiada por decisão judicial transitada em julgado de iniciativa da OABPE, tendolhe sido garantido o direito à isenção da Cofins, por essa razão entendia que os pagamentos realizados a tal título seriam indevidos. Nesse passo, analisando os autos vêse claramente que a autoridade julgadora de primeira instância apreciou as argumentações e documentos trazidos pela recorrente que objetivava ilidir a decisão da DRF/Recife em sua Manifestação de Inconformidade. Afastando a falha procedimental na qual assume a recorrente que incorrera, a qual defende não ter o condão para negar a existência dos créditos que afirma ter, a DRJ/Recife passou a analisar a alegação da existência do crédito oriundo de ação judicial como afirmara a recorrente, tendo ao final julgado improcedente a manifestação de inconformidade. Não vislumbro na decisão recorrida uma inovação por parte da DRJ/Recife como tenta demonstrar a recorrente. A DRJ apreciou os fatos trazidos pela defesa em sua manifestação de inconformidade para ilidir a decisão da DRF. Ora, a DRJ apreciou os fatos trazidos pela recorrente que, conforme aduz no recurso voluntário às fls. 45, citou a ação com a intenção de comprovar a existência dos créditos. Ora, a DRJ julgou segundo os argumentos e documentos apresentados pela recorrente em sua manifestação de inconformidade contra a decisão da DRF/Recife, apenas não acatou os pretensos créditos como pagamentos indevidos, como assim entende a recorrente. Não se pode dizer com isso que a DRJ inovou. Quanto ao argumento de não ter sido oportunizado a empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto, vejo como totalmente descabido. Em primeiro lugar, porque ficou demonstrado na decisão recorrida os motivos que levaram a autoridade julgadora de primeira instância a julgar improcedente a manifestação de inconformidade, assegurando lhe a apresentação de recursos conforme preceitua a norma vigente. Em segundo lugar, a recorrente tem a oportunidade com o recurso voluntário de apresentar defesa sobre o assunto. E, digase, isto ela o fez, tanto que estamos ora analisando, garantindo ao contribuinte o direito ao duplo grau de jurisdição. Dessa forma, não vejo ofensa ao art. 5º, inciso LV. Ante o exposto, por entender que não ocorreu inovação e com ela ofensa ao direito de defesa da empresa não cabe reparo à decisão recorrida. Vencida essa etapa.Vamos ao tema central da lide que é a análise da existência do direito aos valores dos créditos. trazidos pela recorrente para demonstrar que argumentação da DRJ/Recife não condiz com a realidade dos fatos. A recorrente argumenta que a decisão da DRJ/Recife, no seu item 10, informa que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS. Acrescenta que: Resta de todo este imbróglio jurídico, que a questão não se prende a existência ou não decisão favorável à empresa. Esta decisão, proferida pelo TRF da 5ª . Região nos autos da ação rescisória existe e é válida. Apenas os seus efeitos modulados estão SUSPENSOS, apenas SUSPENSOS, e não cassados como quer fazer crer a decisão ora atacada, não representado, com isso, impedimento absoluto quanto à possibilidade de reconhecimento de crédito da empresa. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.900934/200815 Acórdão n.º 3403001.009 S3C4T3 Fl. 63 9 No item 10 da decisão recorrida, o qual transcrevo a seguir, consta um breve histórico sobre o andamento da ação judicial impetrada pela OABPE em nome de seus Escritórios de Advocacia Associados: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o n° 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6° da Lei Complementar (LC) n° 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC n° 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. 0 magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. A apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5a Regido (TRF5a Regido) que obteve o n° AMS 80.558PE — foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no principio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito a isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei n° 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei n° 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp n° 739.784 (n° 2005/00540062), cujo provimento foi negado por unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei n° 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a Fl. 71DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a titulo ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) n° 377.4573/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC n° 70, de 1991, pelo art. 56 da lei n° 9.430, de 1996, foi plenamente valida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) n° 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberam pelo cancelamento da Súmula n° 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) n° 5.471PE (processo n° 2006.05.006.0442426) junto ao TRF5a Região, que foi parcialmente procedente, por teremlhe sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos ex nunc da decisão do TRF5a Região — que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória —, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) n° 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. De acordo com os fatos, documentos constantes dos autos, e o histórico elaborado pela DRJ, a ação mandamental coletiva, impetrada pela OABPE, em 31/05/2001, objetivava a isenção ao recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art.6º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, revogada pelo art. 56 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e a compensação dos valores pagos indevidamente. Segurança denegada pelo juízo de primeiro grau, mas reformada pelo TRF da 5ª, que por unanimidade concedeu provimento à Apelação. A Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN interpôs Recurso Especial Não obtendo êxito maneja Agravo de Instrumento, o qual não foi provido. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, tendo o STJ reconhecido a isenção pretendida. Quanto à Reclamação – Rcl 5471, com pedido de medida liminar, ajuizada pela União contra ato praticado pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, nos autos de ação rescisória, o Ministro Joaquim Barbosa concedeu a medida cautelar pleiteada, para suspender o acórdão reclamado na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória, em 08 de dezembro de 2008. Pesquisa realizada, em 27/06/2011, no Portal da Justiça Federal de Pernambuco, sobre o andamento do processo originário 2001.83.00.0145250 Mandado de Fl. 72DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.900934/200815 Acórdão n.º 3403001.009 S3C4T3 Fl. 64 11 Segurança Coletivo, informa que o mesmo encontrase aguardando o julgamento da ação rescisória, desde o dia 16/09/2010, portanto, sobrestado. Nesse ponto, assiste razão a recorrente, o processo encontrase em suspensão –sobrestado. Para melhor enfrentar a questão, vejamos o enunciado dos artigos 170, e 170 A do Código Tributário Nacional – CTN, que disciplinam o instituto da compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial. Depreendese que o Código Tributário Nacional ao disciplinar os contornos gerais da compensação tributária, tratou de estabelecer que esta seria implementada com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Acrescentese, ainda, nesse contorno, que é vedada a compensação, mediante aproveitamento de tributo, objeto de ação judicial não transitado em julgamento. Assim é pressuposto que o crédito indicado como pagamento indevido há de ser líquido e certo. Do exame dos autos, vêse que, quando do momento do pedido de compensação, a recorrente não tinha crédito líquido e certo para compensar de acordo com a lei. A ação só transitou em julgado em 09/09/2004. A compensação não poderia ser implementada porque faltava as condições necessárias ao crédito de liquidez e certeza, portanto, faltavalhe os elementos intrínsecos necessários para que esse crédito pudesse implementar a compensação pretendida. A teor do relatado anteriormente, o Mandado de Segurança Coletivo nº 2001.83.00.0145250 trata da revogação da isenção da COFINS para as sociedade civis de profissão legalmente regulamentada. Atualmente, o processo encontrase sobrestado, aguardando o julgamento da ação rescisória. A decisão transitado em julgado esta sob o crivo do juízo rescindendo, podendo ser definitivamente rescindida ou não. Esta situação vulnera a liquidez e a certeza. dos créditos. Vejo que a compensação tributária na forma pretendida pela recorrente, não pode ser implementada porque continua faltando a liquidez e a certeza dos créditos apontados como pagamento indevido. A realidade, que ora me apresenta, é a não comprovação da existência dos créditos, líquidos e certos, relativos a pagamentos indevidos de Cofins, sendo assim não pode ser reconhecido o direito de crédito a recorrente relativo ao pagamento realizado a título de Fl. 73DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Cofins, e por conseguinte, não pode ser homologada a compensação formulada no PER/DCOMP. Dessa forma, não cabe reforma a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Liduína Maria Alves Macambira Relatora Fl. 74DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10950.900730/2008-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, CAPUT DO CTN.
O pagamento atrasado do tributo, acrescido de juros moratórios, antes de iniciado procedimento fiscal, afasta a incidência da chamada multa moratória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO TARDIO DO TRIBUTO QUE ANTECEDE A CONFISSÃO DO DÉBITO EM DCTF. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.
Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o pagamento tardio que antecede a declaração do débito em DCTF afasta a imposição de penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 3403-001.056
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: LIDUÍNA MARIA ALVES MACAMBIRA
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MULTA DE MORA. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, CAPUT DO CTN. O pagamento atrasado do tributo, acrescido de juros moratórios, antes de iniciado procedimento fiscal, afasta a incidência da chamada multa moratória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO TARDIO DO TRIBUTO QUE ANTECEDE A CONFISSÃO DO DÉBITO EM DCTF. INTELIGÊNCIA DO ART. 138, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o pagamento tardio que antecede a declaração do débito em DCTF afasta a imposição de penalidade pecuniária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Antonio Carlos Atulim – Presidente Fl. 66DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Liduína Maria Alves Macambira – Relatora Marcos Tranchesi Ortiz Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba – DRJ/CTA que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em face da homologação parcial da compensação declarada por meio do PER/DComp nº 12574.12833.230804.1.3.049903 nos termos do despacho decisório emitido em 09/05/2008. O pedido de compensação objetiva compensar recolhimento a maior de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, efetuado em 15/04/2002. O total do crédito original utilizado nesta DCOMP foi de R$ 7.497,62. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade ao despacho decisório, fls. 06/08. Por bem relatar os argumentos trazidos pela recorrente, adoto trechos do relatório da decisão recorrida, fls. 39v: Segundo o despacho decisório, cientificado em 21/05/2008 (fl. 09), a compensação foi parcialmente homologada porque apenas a parcela de R$ 0,02 do pagamento realizado em 15/04/2002 (no total de R$ 48.302,03, cod. 2172), encontravase disponível. Na manifestação apresentada a contribuinte, após breve relato dos fatos, defende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário compensado, discorre sobre a impossibilidade da exigência de multa sobre débitos tributários pagos espontaneamente (a teor do art. 138 do CTN) e aduz o caráter sancionatório da multa aplicada. Ao final, pede o acolhimento da manifestação, a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, a não lavratura de auto de infração para exigir a multa de mora e a não aplicação, por parte da Fazenda, de multa isolada punitiva. A 3ª Turma da DRJ/CTA, no Acórdão nº 0628.734, de .13 de outubro de 2010, fls. 39/40, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo os termos do despacho decisório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.900730/200892 Acórdão n.º 3403001.056 S3C4T3 Fl. 64 3 O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por . homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇÃO. CREDITO INEXISTENTE. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, mantémse a homologação das compensações requeridas até o limite do crédito reconhecido. Cientificada da decisão em 08/12/2010, fls. 42, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2010, fls.43/57, repisado os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade, trazendo em seu bojo outras decisões judiciais e administrativas desse colegiado os quais fortalecem seu entendimento. Com base na argumentação em que se fundamenta seu recurso, a recorrente entende que restou demonstrado o direito de reaver aquilo que foi pago indevidamente a titulo de multa, motivo para determinar totalmente procedente o pedido de compensação. Ao final pede pela procedência do recurso interposto, com a reforma integral da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Liduína Maria Alves Macambira relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente sob o entendimento da impossibilidade da exigência de multa sobre os débitos tributários pagos espontaneamente, amparadose no instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, ingressa com o pedido de compensação utilizando como crédito, decorrente de pagamento indevido, o valor R$ 5.075,95 que equivale a multa de mora incidente sobre o débito recolhido em atraso, antes de qualquer notificação fiscal e da feitura da DCTF. O dispositivo legal citado tem a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Discorre que o propósito do art. 138 é incentivar que os inadimplentes, por vontade própria, regularizem sua situação perante o fisco, concretizandose pela exclusão da Fl. 68DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 responsabilidade pela infração cometida, com isso, pela não imposição de qualquer tipo de penalidade. Cita alguns julgados da Corte que vem aplicando esse entendimentos. Juntou a esses argumentos posicionamentos desse Conselho Administrativo que seguem o entendimento dado pelo Judiciário. Tece ainda comentários sobre a natureza sancionatório da multa de mora. Tratarei, preliminarmente, sobre os julgados administrativos e judiciais trazidos aos autos pela recorrente para fortalecer seu entendimento, com fundamento no instituto da denúncia espontânea, pelo qual o pagamento voluntário do tributo, antes de qualquer procedimento fiscal e mesmo antes da entrega da DCTF, elidiria a obrigação de pagar a multa de mora, mesmo quando realizado intempestivamente, conclusão retirada do artigo 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Vem a recorrente rebatendo que não deve ser alegado que a jurisprudência apresentada não pode ser estendida administrativamente, com a equivocada justificativa de que inexiste norma legal que lhe confira eficácia normativa, como assim quer a autoridade julgadora em seu decisum. E continua,: (...)o interesse estatal de arrecadar só existe no espaço autorizado pelo interesse público reconhecido pela Constituição Federal. Esta a razão, pela qual, os órgãos administrativos, na defesa de seus interesses não podem atropelar o interesse público constante e garantido pelo Poder Judiciário, ao passo que nenhuma pretensão ou decisão administrativa, pode conflitar com o interesse público na dicção que dele fazem os Tribunais Superiores. E continua, ainda: Deste modo, ao negar direito ou beneficio concedido no que tange â alguma exigência fiscal, mesmo diante de sucessivas decisões e entendimentos majoritários dos Tribunais Superiores, notadamente do Superior Tribunal de Justiça, implicase a manifesta inversão de valores, na medida em que significa colocar o interesse estatal acima do interesse público definido na Constituição Federal. E mais, ao assim decidir, o órgão administrativo expõe o Poder Público à inconveniente situação de promover cobranças de um crédito tributário marcado por iminente ilegalidade reconhecida judicialmente em outros casos. Importante frisar ainda, que a ausência de previsão legal estabelecendo a vinculação das decisões administrativas, não impede que as mesmas venham a ser pautadas no bom senso e legalidade, sendo inaceitável, portanto, a alegação do Fisco no sentido de não considerar as decisões colacionadas pela recorrente, ao passo que no atual estágio de amadurecimento das instituições e do relacionamento entre Fisco e contribuinte, a administração tributária ainda pretenda colocar o seu interesse arrecadatório acima do interesse público definido na Constituição, sob o argumento formal de que não está vinculada legalmente a decisões judiciais proferidas em favor de outros contribuintes. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.900730/200892 Acórdão n.º 3403001.056 S3C4T3 Fl. 65 5 Salienta que inúmeros e recentes posicionamentos desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais corroboram e confirmam o entendimento do Judiciário. Cumpre esclarecer a recorrente, que em obediência aos preceitos insculpidos na Constituição Federal, não podem os órgãos administrativos trazerem para si atribuições que não lhe são permitidas/próprias, sob pena de usurparem competências que não lhes foram conferidas pela nossa Carta Política. Porque caso, dessa forma, agissem, estariam sim, saindo fora contorno definido, em flagrante desrespeito ao interesse público. Daí porque só podem reconhecer como norma, o que por norma encontrase definida no ordenamento jurídico brasileiro. Nesse sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que são normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. Assim mesmo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade administrativa da Delegacia de Julgamento ter outro entendimento. No tocante as decisões judiciais, observese o disposto nos artigos 102, § 2°, e 103A da Constituição da República (CR/1988), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. O artigo 102, § 2°, da CR/1988 determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) e nas ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Já o artigo 103A estipula que o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional n.° 45/2004 preconiza que as atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial. Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes e os julgados em sede de ADI e ADC deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Na espécie, também não serão conhecidas as decisões judiciais suscitadas pelo litigante, posto que vinculam somente às partes envolvidas naqueles litígios específicos, não abrangendo terceiros. Data venia ao entendimento dos Tribunais Superiores, este não vincula o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do CTN, salvo na hipótese dos artigos 102 (§2º) e 103A da CR/1988, o que não ocorreu na espécie. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Quanto à natureza da multa de mora ser condenatória ou não, temos posicionamentos diversos. Mas o Supremo Tribunal Federal, expressamente, reconheceu na súmula 565 a multa moratória como uma pena administrativa. Devese salientar que a exigência da multa de mora decorre de mandamento expresso na lei (arts. 43, 61 e 5º, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Importa salientar, tratandose de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o fato de o contribuinte antecipálo não o exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer fora dos prazos previstos, como no específico caso. O sistema legal tributário brasileiro tem mantido, de forma regular e consistente, a multa de mora para o pagamento espontâneo do contribuinte, e a multa de ofício, para a exigência formulada em lançamento pela autoridade fiscal. Nesse passo, extrair da leitura do art. 138 do CTN que ele seja um incentivo aos inadimplentes, tornaria sem eficácia os dispositivos legais que prevêem a multa de mora, como se tal exigência não existisse no ordenamento pátrio. Por fim, sob uma ótica sistemática, a exoneração da multa de mora para o contribuinte retardatário seria uma subversão do ordenamento jurídico no que diz respeito à determinação de prazos, uma vez que o contribuinte poderia pagar o tributo no momento que quisesse, sem a imposição de qualquer sanção, desde que fosse antes da atuação oficial, ou seja, seria equivalente à mitigação do prazo legalmente estipulado. Portanto, não se acolhe a argumentação da recorrente. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liduína Maria Alves Macambira Relatora Voto Vencedor De acordo com a ilustre relatora, Conselheira Liduína M. Alves Macambira, a liquidação tardia de obrigações tributárias sujeitas a lançamento por homologação compele o contribuinte – em qualquer hipótese – à multa moratória prevista pelo artigo 61, da Lei no. 9.430/96. Tenho, todavia, seguido orientação teórica distinta, segundo a qual, nestas espécies tributárias, o pagamento a destempo, quando efetuado antes que o sujeito passivo confesse a obrigação em instrumento apropriado, elide a incidência da multa de mora em questão. O raciocínio que me conduz à conclusão passa por duas etapas: a primeira consiste em afirmar a natureza punitiva da multa de mora e, assim, a eficácia da denúncia Fl. 71DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.900730/200892 Acórdão n.º 3403001.056 S3C4T3 Fl. 66 7 espontânea sobre o encargo; a segunda, em investigar a influência da confissão espontânea da dívida tributária sobre a aplicabilidade do instituto. Eis o art. 138 do CTN: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. A denúncia espontânea consiste em opção políticofiscal do legislador. Pretendeu ele estimular o cumprimento voluntário de obrigações fiscais pelo contribuinte, eximindoo de sanções sempre que decida emendar qualquer irregularidade fiscal dentro de um determinado intervalo de tempo. Cuidase de figura tributária afim a do “arrependimento eficaz”, presente na área do direito penal. Dois elementos fáticos compõem a hipótese de incidência do instituto, a saber: (a) a correção voluntária da irregularidade fiscal pelo contribuinte (art. 138, caput); e (b) a ausência de procedimento administrativo iniciado ao tempo da correção (art. 138, parágrafo único). A conseqüência normativa, lêse no mesmo artigo 138, é a “exclusão da responsabilidade do contribuinte por infrações tributárias”. A primeira indagação levantada acima diz justamente com o consequente normativo do art. 138: qual infração tributária é excluída pela denúncia? Já a segunda análise relacionase ao segundo elemento da hipótese normativa: podese falar em “ausência de procedimento administrativo” se o contribuinte já declarou o débito em DCTF? Enfrentemos, pois, as duas questões. 1. Art. 138 do CTN: Aplicabilidade às Multas Moratórias. A tese geralmente sufragada por quem advoga a inafastabilidade da multa moratória nas hipóteses de denúncia espontânea adota por premissa suposta distinção entre multas “administrativas”, também chamadas “punitivas”, de um lado, e multas “moratórias” ou “indenizatórias”, de outro. A primeira espécie de multa, dizse, é aquela aplicada de ofício pela Administração, com o escopo de intimidar o contribuinte faltoso, de sancionálo pelo descumprimento da obrigação tributária, dissuadindoo de reincidir na prática. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Já a segunda espécie, a multa de mora, prestase ao escopo único de indenizar o Erário pelo lapso em que ficou privado do tributo devido, em razão do atraso do contribuinte em adimplilo. A distinção está cristalizada no Parecer Normativo CST nº 61/79: “As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias. Punitiva é aquela que se funda no interesse público de punir o inadimplente. É a multa proposta por ocasião do lançamento. É aquela mesma cuja aplicação é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, onde o arrependimento, oportuno e formal, da infração faz cessar o motivo de punir. A multa de natureza compensatória destinase diversamente, não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido. É penalidade de caráter civil, posto que comparável a indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados moratórios.” Feita essa distinção, o próximo passo do iter exegético é associar o vocábulo “infração” à multa punitiva apenas, é dizer, somente a multa punitiva decorria de uma infração do contribuinte, já que a multa moratória decorreria da simples necessidade de indenizar o Fisco. Como o art. 138 do CTN vem encartado dentro de Seção denominada “Responsabilidade por Infrações”, a denúncia espontânea, concluise, aplicase unicamente às multas punitivas. Divirjo da tese já na sua premissa. Entendo que toda e qualquer sanção guarda escopo necessariamente punitivo e que, para a indenização do Fisco credor, estão aí os juros moratórios. Nesse sentido, o pensamento de Sacha Calmon: “Em direito tributário é o juro que recompõe o patrimônio estatal lesado pelo tributo não recebido a tempo. A multa é para punir, assim como a correção monetária é para garantir, atualizandoo, o poder de compra da moeda. Multa e indenização não se confundem. É verdade que do ilícito pode advir obrigação de indenizar. Isto, todavia, só ocorre quando a prática do ilícito repercute no patrimônio alheio, inclusive o estatal, lesandoo. O ilícito não é a causa da indenização; é a causa do dano. (...) Nada tem a ver com a multa que é sancionatória” (Teoria e Prática das Multas Tributárias. Rio de Janeiro: Forense, 2001. p. 72). Lucia Valle Figueiredo argutamente advertia que, fosse indenizatória a natureza da multa moratória, e teríamos bis in idem com os juros moratórios: “Realmente, não se pode afirmar, data venia dos que pensam em contrário, que a multa moratória não seja sanção. Se não se entendêla como sanção, os juros devidos (esses, sim, constituemse em autêntica compensação pela mora), seriam bis in idem, situação repelida pelo direito” (Da natureza Fl. 73DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.900730/200892 Acórdão n.º 3403001.056 S3C4T3 Fl. 67 9 sancionatória da multa e dos efeitos decorrentes das cassações de liminares. in RDDT 63/105). Agora, ainda que a taxionomia das multas proposta pelo Fisco subsistisse, não se justificaria restringir o alcance do art. 138 a apenas uma de suas espécies. Estarseia a enxergar no texto positivado uma limitação que nele não se encontra. Onde nele está dito que apenas as multas punitivas se submetem à disciplina da denúncia espontânea? Acaso o não pagamento do tributo no vencimento não é uma “infração” tributária? Hugo de Brito Machado esmiúça o ponto: “Ainda que a multa moratória não tivesse natureza punitiva, no caso da denúncia espontânea do atraso no pagamento indiscutivelmente incide o artigo 138 do Código Tributário Nacional, pois este não se refere a punição. Esse dispositivo na verdade exclui a responsabilidade pela infração, vale dizer, qualquer que seja a consequência da infração restará excluída. Seja essa consequência uma punição, ou simplesmente o dever de reparar ou indenizar o credor pelo atraso” (Comentários ao CTN. v. II. São Paulo: Atlas, 2004. p. 656). Cabe aqui o alerta de Sampaio Dória acerca da excessiva iniciativa exegética que por vezes acomete os aplicadores do direito: “Seria lógico admitir que o legislador, querendo atingir todo o gênero, mencionasse tão só uma de suas espécies quando, livre de quaisquer peias, poderia referir o gênero ao invés da espécie? Tão inepto é o legislador que precisa socorrerse do aplicador para a articulação da mens legis?” (Elisão e evasão fiscal. São Paulo: Lael. 1971, p.68). Quando o CTN quis referir apenas às multas ditas moratórias – por mais que a ciência do direito condene a distinção –, o fez com absoluta desenvoltura e precisão, como no art. 134, parágrafo único (“o disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório”). Há mais. Se a multa moratória não guardasse ímpeto punitivo, mas apenas indenizatório, restaria, a meu ver, completamente sem sentido a previsão legal de que a multa de ofício – esta sim punitiva, como querem os partidários da tese – substitui a moratória (RIR/99, art. 950, §3º); ora, se as finalidades são diferentes, não haveria razão para não cumulálas. Dizse, ainda, que a nãoincidência da multa moratória no caso de pagamento intempestivo representaria um convite ao atraso, pois o agravamento financeiro infligido ao contribuinte impontual seria ínfimo. O argumento me remete ao dilema filosófico do copo “metade cheio, metade vazio”. Sim, não será um despautério enxergar, na denúncia espontânea aplicada à multa moratória, um convite ao atraso, assim como igualmente possível é enxergar um convite a cessar o atraso. Assim preferiu o legislador, essa foi sua opção de política fiscal. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Ademais, para desestimular o atraso tem o legislador a ferramenta dos juros moratórios, aos quais o art. 161 CTN não impõe teto. Sacha Calmon adverte a respeito: “Ora, podem os legisladores ordinários (...) fixar um juro equiparado ao bancário, igualando o custo do dinheiro não pago à Fazenda ao tomado à rede bancária. Poderiam até fixálo um pouco acima tornandoo pouco atraente do ponto de vista financeiro. Com isto desestimulariam a inadimplência” (op. cit. p. 110) Poucos anos após a promulgação do CTN, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar lide falimentar em que se debatia a inclusão ou não de multa fiscal dentre os créditos cobráveis na falência, decidiu: “De fato, não disciplina o CTN as sanções fiscais de modo a extremálas em punitivas ou moratórias, apenas exige a sua legalidade, art. 97, V. (...). Nessa conformidade, a sanção fiscal aplicada ao falido, compensada a mora pela correção monetária do tributo exigido e pelos juros moratórios, é sempre punitiva, pois que a sanção aplicada, não o é pela mora, mas pelo simples fato do inadimplemento, daí considerar a sua natureza como punitiva, não como moratória” (RExt nº 79.625. Rel. Min. Cordeiro Guerra. j. 14.08.75) Forte neste entendimento, o Supremo cancelou a sua Súmula nº 191, vigente desde 1963, segundo a qual “incluise no crédito habilitado em falência a multa fiscal simplesmente moratória”, e aprovou a nova Súmula nº 565, pela qual “a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência”. E, já na vigência da nova súmula, voltou a decidir o Supremo: “Ora, a exoneração da responsabilidade pela infração e da consequente sanção, assegurada, amplamente, pelo art. 138 do CTN, é necessariamente compreensiva da multa moratória, em atenção e prêmio ao comportamento do contribuinte” (RExt nº 106.068. Rel. Min. Rafael Mayer. j. 6.8.85). No STJ, esse sempre foi o entendimento dominante (e que, segundo entendo, está atualmente sumulado no verbete nº 436, conforme verseá a seguir): “Considerase ‘denúncia espontânea’, para os efeitos do Art. 138 do CTN, a confissão de dívida, efetivada antes de ‘qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização’. Contribuinte que denuncia espontaneamente, débito tributário em atraso e recolhe o montante devido, com juros de mora, fica exonerado de multa moratória (CTN ART. 138)” (1ª Turma. REsp 241.114/RN. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros. j. 13.3.01). “Configurase denúncia espontânea o recolhimento de tributo acrescido o valor principal de correção monetária e juros de mora antes de qualquer procedimento administrativo. Multa moratória indevida” (2ª Turma. REsp 511.340/MG. Rel. Min. Eliana Calmon. j. 6.11.03). No CARF, a questão ainda é disputada, mas já há precedentes da Câmara Superior no sentido aqui defendido: Fl. 75DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.900730/200892 Acórdão n.º 3403001.056 S3C4T3 Fl. 68 11 “DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA DE MORA Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. Recurso especial negado” (1ª Turma do CSRF. Proc. 10675.000081/0079. Rec. 123295. Rel. Cons. Remis Almeida Estol. j. 1.12.03). “DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. MULTA DE OFÍCIO Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial negado” (3ª Turma do CSRF. Proc. 11968.000894/200115. Rec. 325351. Rel. Cons. Anelise Daudt Prieto. j. 6.11.2006) Enfim, entendo que a denúncia espontânea da infração pelo contribuinte afasta a incidência de multa moratória. Há, contudo, uma importante exceção a essa regra geral, conforme se passa a demonstrar. 2. Art. 138 do CTN e Prévia Declaração do Débito em DCTF. Como já se viu, um dos componentes do suporte fático da denúncia espontânea é a inexistência de procedimento administrativo fiscalizatório em curso quando do pagamento tardio realizado pelo contribuinte. Pretendeu com isso o legislador prestigiar somente o contribuinte que logrou emendarse antes de qualquer mobilização do Fisco a respeito do seu atraso. Vencido e não pago integralmente o tributo, iniciase – permitasenos uma imagem algo lúdica – uma espécie de “corrida” entre o contribuinte em mora e o Fisco. Se este deflagra a auditoria antes de aquele realizar o pagamento, frustrase o suporte fático do art. 138 do CTN; o Fisco “venceu a corrida”. Se, ao contrário, aquele efetua o pagamento antes de instaurada a auditoria, a “vitória” é do contribuinte, e o art. 138 incide em seu favor. É preciso, contudo, interpretar inteligentemente o ponto, de modo a dar sentido a esse elemento fático trazido pelo parágrafo único do art. 138 do CTN. A ausência de prévio procedimento fiscalizatório só pode ser tomada como requisito da denúncia quando, evidentemente, seja necessário algum procedimento fiscalizatório. Quando, diante da mora do contribuinte, o Fisco estiver dispensado de instaurar procedimento tendente a constituir o crédito tributário, por se considerar já constituído, não se há de ter por realizado o suporte fático do art. 138. Se, nessa hipótese, o contribuinte atrasado purga a mora antes de alguma ação fiscal, não se poderá dizer que aquele haja se antecipado ao Fisco, simplesmente porque nenhuma providência do Fisco era de se aguardar. Não terá havido – abusemos da imagem uma derradeira vez – a “largada” da corrida, pois o Fisco estava dispensado de corrêla. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Pois bem. Segundo a Súmula nº 436 do E. STJ, a “entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo o débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco”. Está, pois, consagrado em nosso meio jurídico que o conjunto de informações prestadas pelo contribuinte em DCTF configura lançamento tributário; por mais controvertido que a tese possa ter sido, por mais dissonante com art. 142 do CTN que a idéia possa soar, é preciso curvarse ao entendimento sumulado do STJ, a bem da caríssima segurança jurídica. Caminhemos para a frente, enfim, sem perder nunca o ímpeto crítico, é verdade, mas sem, tampouco, desafiar as construções exegéticas já consolidadas pela jurisprudência pátria. Se assim é, estando o débito em atraso devidamente confessado – leiase, constituído, lançado – em DCTF, não há mais o que cogitar acerca de denúncia espontânea. Recebendo a informação do débito em DCTF e não identificando a guia de pagamento no vencimento, o Fisco, somando esses dois fatos, constatará a infração do contribuinte, isto é, a infração já será de conhecimento do Fisco. Não há mais o que denunciar! Por isso, entendo acertado – e coerente com a já referida Súmula nº 436 – o entendimento do STJ consolidado na Súmula nº 360: “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Análise dos julgados que redundaram na edição da súmula revela justamente a idéia aqui sustentada, pela qual não se pode cogitar de início de procedimento fiscalizatório quando não se faz necessário nenhum procedimento fiscalizatório. Confirase: “Se a declaração do contribuinte elide a necessidade de formal constituição do crédito tributário, tanto assim que a Fazenda, após o vencimento, já pode inscrever o crédito em dívida ativa e iniciar o processo de cobrança judicial em caso de inadimplemento, não é razoável admitir que o benefício da denúncia espontânea seja aplicado em situações como esta, em que já constituído o crédito fiscal” (1ª Seção, REsp 850.423/SP. Rel. Min. Castro Meira. j. 28.11.07). Em outros julgados, evidenciase que, se o Fisco já tudo sabe sobre o atraso do contribuinte, despiciendo seria manter a denúncia como estímulo à boa conduta do contribuinte: “O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte” (1ª Seção. EREsp nº 629.426/PR. Rel. Min. José Delgado. j. 13.12.04). “Tratandose de débito declarado e não pago pelo contribuinte, tornase despicienda a homologação formal, passando a ser exigível independentemente de prévia notificação ou instauração de procedimento administrativo fiscal. Assim, como o art. 138, do CTN, condiciona a denúncia espontânea a tributos cujo fato gerador não seja de conhecimento do Fisco (...) não se aplica ao caso em tela, sendo devida a multa moratória” (1ª Turma. AgRg no Resp 326.160/RS. Rel. Min. Milton Luiz Pereira. j. 6.8.02). Fl. 77DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.900730/200892 Acórdão n.º 3403001.056 S3C4T3 Fl. 69 13 Muitos constatam nesse entendimento uma injusta e contraditória vantagem aos contribuintes que sequer declaram seus débitos ao Fisco, comparativamente àqueles que não pagam o tributo mas, ao menos, declaramno. Dizem: “Ou seja, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, mais vale sonegar informações à Fazenda, omitindo registro, deixando de emitir documentos fiscais e de escriturar os respectivos livros do que agir de boafé, reconhecendo seus débitos tributários e observando os deveres formais impostos pela legislação” (Sérgio André R.G. da Silva. Denúncia espontânea e lançamento por homologação: comentários acerca da jurisprudência do STJ. in RDDT 98/111). Embora respeitável e persuasivo, o argumento não convence. Seria o mesmo que dizer que a existência de prazo decadencial beneficia o contribuinte que não declara seus débitos ao Fisco, afinal estes terão a chance de verem seus débitos extintos pela fluência do quinqüênio, enquanto aqueles que diligentemente declararam o débito já não desfrutarão dessa possibilidade. O contribuinte que opta por omitir informações em DCTF sujeitase a uma série de outras e severas contingências das quais o contribuinte que declara adequadamente está a salvo, como a de suportar multa de ofício e, principalmente, a de incorrer no tipo penal do art. 1º, I da Lei nº 8.137/90. A circunstância de assistirlhe o benefício da denúncia espontânea não me parece bastante para justificar uma exegese diversa sobre o tema. Ainda sobre a Súmula nº 360 do STJ, entendo que ela, ao consolidar a regra excepcional de nãoincidência do art. 138 do CTN aos casos de tributos já declarados, consagrou também a regra geral de incidência do art. 138 sobre a multa moratória. Basta ler o verbete com ótica a contrario sensu: se a denúncia espontânea não se aplica aos tributos lançados por homologação regularmente declarados, é porque, antes disso, necessariamente se aplica aos tributos lançados por homologação não regularmente declarados. Noutro giro, entendo que a súmula, respondendo à segunda pergunta levantada no início deste voto, respondeu também, afirmativamente, à primeira delas. Um esclarecimento final é oportuno. Ao estender a denúncia espontânea à multa moratória, não estou aqui reconhecendo, nem indireta, nem incidentalmente, a inconstitucionalidade do art. 61, caput da Lei nº 9.430/96, que institui essa modalidade de multa. Explicome. Se, antes de iniciada a fiscalização, o pagamento pode ser feito sem multa de mora, e se, sobrevindo o lançamento de ofício, a multa de mora é substituída pela de ofício, seria de concluir nunca aplicável a multa de mora, o que equivaleria a recusar qualquer eficácia normativa ao dispositivo legal que a institui. Não é assim. O entendimento aqui sufragado reserva campo de incidência da multa de mora em pelo menos duas situações: (a) quando o contribuinte efetua o pagamento atrasado do tributo após o início e antes do encerramento da fiscalização; e, principalmente, (b) quando o contribuinte paga o tributo em atraso após haver declarado o débito na DCTF. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Portanto, ao conciliálo com o art. 138 do CTN, não pretendo suprimir por inteiro, longe disso, o campo de incidência do art. 61 da Lei nº 9.430/96. 3. Conclusões. Em vista destas considerações e, ainda, tendo em vista que, no caso concreto, a confissão da obrigação tributária via DCTF é posterior ao recolhimento tardio do tributo, tenho por aplicável a regra do artigo 138 do CTN e, por conseguinte, voto pelo provimento do recurso voluntário, a fim de se homologar a compensação declarada. É como voto. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 79DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Assinado digitalmente em 20/07/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, 12/08/2011 por MARCOS TRANCHE SI ORTIZ, 28/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 37305.001615/2006-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1994 a 30/06/2003
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
A decadência é matéria de ordem pública, razão pela qual pode ser apreciada de ofício pelo julgador.
DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO.
No caso de lançamento de ofício feito para substituir lançamento anterior anulado por vício formal, aplica-se o prazo previsto no art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN).
DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. REGRA DE CONTAGEM.
É de cinco o prazo de decadência para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, nos termos do art. 150, § 4º, ou art. 173, inciso I, do CTN. Para fins da regra de contagem aplicável, interessa verificar se o lançamento viciado se efetivou antes de consumada a decadência do crédito tributário.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1994 a 30/06/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARCELA PATRONAL. SEGURO DE VIDA FORNECIDO A EMPREGADOS. ATO DECLARATÓRIO 12/2011.
Incide contribuição social à cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros sobre o valor pago à título de seguro de vida.
Para que o seguro de vida em grupo seja considerado como parcela não componente do salário de contribuição, deve ser extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa.
Numero da decisão: 2102-003.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros colegiado, por maioria de votos, reconhecer a decadência do crédito tributário no período de 06/1994 a 01/1999. Vencida a conselheira Vanessa Kaeda Bulara de Andrade (relatora), que reconheceu a decadência nas competências de 06/1994 a 11/1999. Quanto à parte não decadente, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
Assinado Digitalmente
Vanessa Kaeda Bulara de Andrade – Relatora
Assinado Digitalmente
Cleberson Alex Friess – Presidente
Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente).
Nome do relator: VANESSA KAEDA BULARA DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1994 a 30/06/2003 DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A decadência é matéria de ordem pública, razão pela qual pode ser apreciada de ofício pelo julgador. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. No caso de lançamento de ofício feito para substituir lançamento anterior anulado por vício formal, aplica-se o prazo previsto no art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN). DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. REGRA DE CONTAGEM. É de cinco o prazo de decadência para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, nos termos do art. 150, § 4º, ou art. 173, inciso I, do CTN. Para fins da regra de contagem aplicável, interessa verificar se o lançamento viciado se efetivou antes de consumada a decadência do crédito tributário. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1994 a 30/06/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARCELA PATRONAL. SEGURO DE VIDA FORNECIDO A EMPREGADOS. ATO DECLARATÓRIO 12/2011. Incide contribuição social à cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros sobre o valor pago à título de seguro de vida. Para que o seguro de vida em grupo seja considerado como parcela não componente do salário de contribuição, deve ser extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros colegiado, por maioria de votos, reconhecer a decadência do crédito tributário no período de 06/1994 a 01/1999. Vencida a conselheira Vanessa Kaeda Bulara de Andrade (relatora), que reconheceu a decadência nas competências de 06/1994 a 11/1999. Quanto à parte não decadente, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Assinado Digitalmente Vanessa Kaeda Bulara de Andrade – Relatora Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente).
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MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. A decadência é matéria de ordem pública, razão pela qual pode ser apreciada de ofício pelo julgador. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO FORMAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. No caso de lançamento de ofício feito para substituir lançamento anterior anulado por vício formal, aplica-se o prazo previsto no art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN). DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. REGRA DE CONTAGEM. É de cinco o prazo de decadência para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, nos termos do art. 150, § 4º, ou art. 173, inciso I, do CTN. Para fins da regra de contagem aplicável, interessa verificar se o lançamento viciado se efetivou antes de consumada a decadência do crédito tributário. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1994 a 30/06/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARCELA PATRONAL. SEGURO DE VIDA FORNECIDO A EMPREGADOS. ATO DECLARATÓRIO 12/2011. Incide contribuição social à cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros sobre o valor pago à título de seguro de vida. Fl. 1126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 2 Para que o seguro de vida em grupo seja considerado como parcela não componente do salário de contribuição, deve ser extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros colegiado, por maioria de votos, reconhecer a decadência do crédito tributário no período de 06/1994 a 01/1999. Vencida a conselheira Vanessa Kaeda Bulara de Andrade (relatora), que reconheceu a decadência nas competências de 06/1994 a 11/1999. Quanto à parte não decadente, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. Assinado Digitalmente Vanessa Kaeda Bulara de Andrade – Relatora Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de retorno de diligência determinada em Resolução 2302-00.124, proferida pela 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, em 30 de novembro de 2011, cujos termos destaco a seguir (fls. 308/3010): “(...) A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e a relativa a Terceiros. O período do levantamento abrange as competências janeiro de 1994 a julho de 2003, conforme relatório fiscal às fls. 66 a 68. Fl. 1127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 3 Segundo a fiscalização, os fatos geradores referem se ao pagamento de seguro de vida não estendidos a todos os empregados e dirigentes. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 73 a 92. Foi comandada diligência fiscal, fl. 186; tendo a autuada sido cientificada do resultado da diligência, fls. 195. Houve aditamento da defesa, fls. 199 e 200. A Decisão da Delegacia da Receita Previdenciária confirmou a procedência do lançamento, fls. 210 a 217. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 224 a 244. A unidade da Receita Previdenciária apresentou contrarrazões às fls. 258 a 268, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relato suficiente. (...) Não há provas nos presentes autos da data em que foi lavrado o lançamento originário, bem como da data da ciência da notificação ao sujeito passivo. É necessário verificar em que data a NFLD originária foi lavrada para comprovação se os fatos geradores estavam ou não abrangidos em período decadencial naquela oportunidade. Também deve ser juntada cópia da decisão administrativa que anulou o lançamento originário para verificação da natureza do vício.” – destaques desta Relatora Documentos encontram-se juntados às fls. 314/327. Especificamente nas fls. 318/327, é possível verificar que: a) a NFLD n° 35.496.603-0, foi lavrada em 26/02/2004, b) contribuinte foi cientificado pessoalmente, em 27/02/2004; c) os fatos geradores das contribuições previdenciárias referem-se à parcela patronal, acrescido da parte relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho, e terceiros, cuja incidência decorreu do pagamento de seguro de vida, não estendidos a todos os empregados e dirigentes, do período de 06/1994 a 07/2023; d) em decorrência do encerramento da ação fiscal (fls. 315), foram lavrados 05 autos de infração em destaques abaixo: Fl. 1128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 4 Resultado da Ação Fiscal: Documento Período Número Data Valor i. GPS 01/1996 06/2003 Rec Inlc 17/09/2003 84.054,72 ii GPS 05/1998 07/1998 Rec Inlc 17/09/2003 3.274,40 iii. PS 05/1998 07/1999 Rec Inlc 17/09/2003 159.090,65 iv NFLD 05/1998 06/2003 35.496.602-2 26/02/2004 925.786,41 v NFLD* 06/1994 06/2003 35.496.603-0 26/02/2004 189.682,34 1 e) a Decisão NOTIFICAÇÃO - DN n° 05.422.4/0084/2004, de 14/09/2004, que reformou a decisão DN n° 05.422.4/0081/2004, tornou nulo o lançamento da NFLD 35.496.603-0 por vício formal, em razão da lavratura ter sido feita contra o contribuinte que já estava extinto à época, por incorporação (fls. 318/327). Destaco: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADO EMPREGADO. SALÁRIO UTILIDADE. SEGURO DE VIDA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Os ganhos habituais sob a forma de utilidades integram o salário-de-contribuição. O prêmio de seguro de vida pago pela empresa não integra o salário-de- contribuição somente se previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Incidem contribuições para a Seguridade Social sobre as remunerações dos segurados empregados. O erro na identificação do sujeito passivo é causa de nulidade quando o saneamento do vício é inviável. NULIDADE DO LANÇAMENTO”. – destaques desta Relatora Dessa forma, saliento também o que segue, extraído das fls. retro citadas: “(...) 2. Tal crédito refere-se às contribuições incidentes sobre os valores pagos à empresa CHUBB do Brasil referentes ao seguro de vida em grupo apenas para os empregados das filiais 72.273.196/0005-22, 72.273.196/0006-03, 72.273.196/0007-94 e 72.273.196/0008-75, lançadas com base na contabilidade da empresa. 1 A NFLD objeto inicial deste processo é a 35.496.603-0, no valor total de R$ 189.682,34, sendo principal R$ 104.784,41, multa R$ 27, .904,58, juros de mora R$ 56.993,35. Fl. 1129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 5 3. Segundo o Relatório, considerando que referido serviço não era oferecido à totalidade dos empregados da empresa, os valores pagos consistem em fato gerador de contribuições previdenciárias, conforme Decreto n° 3.048/99, art. 214, § 90, inciso XXV. 4. Para se encontrar a base de cálculo, foi deduzido do valor pago o valor descontado dos empregados, conforme planilha em anexo (fls. 80/84). 5. O valor do débito, consolidado em 26/02/2004, é de R$ 189.682,34 (cento e oitenta e nove mil seiscentos e oitenta e dois reais e trinta e quatro centavos). 6. Foram lavrados nesta mesma fiscalização, além desta NFLD, os seguintes documentos: NFLD 35.496.602-2, AI 35.496.599-9, AI 35.496.600-6 e 35.496.601- 4. (...)” Em razão disso, houve lançamento por nova notificação fiscal- NFLD 36.612.863-6, lavrada em 15/12/2004, mesmos fatos geradores de 06/1994 a 07/2003, no valor principal de R$ 107.224,87 (atualizado até 06/01/2005), juros de R$ 72.020,24, multa de R$ 22.911,02, total de R$ 202.202,81 (fls. 67/72), cujo conteúdo destaco a seguir (fls. 67): “Este relatório faz parte desta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, constituída em substituição à NFLD 35.496.603-0, em virtude de sua nulidade por ter sido levantado o débito na empresa incorporada. Na presente notificação, foram lançadas as Contribuições devidas A Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa (Quota Patronal), as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT e as destinadas aos Terceiros (INCRA e SEBRAE - a empresa possui convênio com SESI, SENAI e FNDE). Tal 'débito refere-se As contribuições incidentes sobre o valor pago a empresa CHUBB DO BRASIL (seguro de vida em grupo) referente a alguns empregados lotados na matriz (empresa incorporada), para o período 06/1994 a 07/2003 e aos empregados das filiais da empresa incorporada 72.273.196/0005-22, 72.273.196/0006-03, 72.273.196/0007-94, e 72.273.196/0008-75, para o período 05/1998 a 07/2003, lançadas com base na contabilidade da empresa.” (...) 6. O débito a que se refere o presente relatório, importa no valor de R$ 206.345,92, atualizado até 31.12.2004, sendo que, caso seja quitado integralmente através de guia especifica emitida pelo INSS até 15 dias após a data de sua ciência, este valor será reduzido de acordo com as normas em vigor, devendo para isso o contribuinte dirigir-se a Unidade de Atendimento da Secretaria da Receita Previdenciária (UASRP) em Sobral-CE, cujo endereço consta na capa da notificação. Neste mesmo prazo poderá também o contribuinte, caso não exista impedimento, efetuar o parcelamento do débito; Fl. 1130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 6 (...) 8. Foi lavrada ainda a seguinte Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD: NFLD N° 35.612.864-4 — (Relativa a salário indireto — pagamento à empresa prestadora de serviços médicos a um grupo de empregados da empresa); (...) – destaques desta Relatora O contribuinte apresentou impugnação cujo lançamento foi confirmado pela DRJ às fls. 246/253, cujo trecho aponto a seguir: “fls. 251 É nesse sentido o entendimento consolidado no âmbito da Previdência Social através de inúmeros Pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência com aprovação ministerial (824/97, 850/97, 1.219/98, 1.680/98, 1.733/99 entre outros), os quais concluem, todos, que o seguro de vida em grupo constitui um acréscimo indireto à remuneração efetivamente percebida pelo empregado. Logo, não procede o requerimento da impugnante para se excluir da presente notificação os lançamentos correspondentes as competências de junho de 1994 a novembro de 1999. 26. Alega ainda a impugnante que, a partir da vigência da Lei n° 10.243, foi derrogada a exigência de que o seguro de vida seja oferecido a totalidade dos empregados da empresa, para que a parcela a ele correspondente seja excluída da definição legal de salário, "uma vez que um ato regulamentar não pode restringir o âmbito de incidência de uma lei federal, em razão do princípio da hierarquia das normas". (...) 30. Assim sendo, também não merece acolhida o pedido sucessivo da impugnante no sentido de se excluir do lançamento objeto da notificação em tela a parte correspondente às competências junho/2001 a junho/2003, vez que permanece vigente a exigência de extensão do pagamento de seguro de vida em grupo à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, em relação a qual restou comprovado o não atendimento por parte da empresa notificada. 31. Com efeito, sobre os valores pagos pela notificada à empresa CHUBS do Brasil, referentes ao seguro de vida em grupo disponibilizado apenas para uma parte de seus empregados, incidem as contribuições sociais estabelecidas nos incisos I e II do art. 22 da Lei no 8.212/91.” - destaques desta Relatora Houve interposição de recurso voluntário de fls. 261/281 alegando: (i) equívoco da decisão recorrida posto que “a oferta de seguro de vida para a totalidade de funcionários seria com relação a cada estabelecimento, entendido como pessoa jurídica que não seria o mesmo que empresa, com base na autonomia do estabelecimento”; Fl. 1131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 7 (ii) falta de lei que exigisse que o seguro de vida fosse disponibilizado à totalidade dos empregados), posto que tal exigência teria se dado somente após junho/2001, com o advento da Lei 10.243, de 20/06/2001, que alterou a redação do §2°. do art. 458 da CLT; (iii) após, 06/2001 até 06/2003, também inexigibilidade de oferecimento a todos os empregados posto que a Lei n° 10.243/2001, ao alterar o art. 458, §2°. da CLT, afastou o requisito de generalidade, modificando a configuração do salário-de-contribuição, excluindo da parcela referente ao seguro de vida, sem exigir, todavia, que esse serviço seja oferecido à totalidade dos empregados da pessoa jurídica, como dispunha, antes, o Decreto 3.048/99. Contra razões de fls. 296/306. O julgamento foi convertido em diligência, cuja Resolução 2302.00.124, de 11/2011 (fls. 308), citada já no início deste relatório. Com isso, estes autos retornam para julgamento do recurso voluntário. Por fim, saliento ser importante esclarecer que, cf. fls. 332/335, constou uma Resolução nº 2301-000.722 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, datada de 02 de outubro de 20182, que de forma equivocada, não guarda nenhuma relação com a matéria deste caso, apesar de constar o número deste processo e nome do contribuinte e, a partir dela, haver andamento processual, inclusive, que culminou com o sobrestamento do feito com base em matéria de terceirização de atividade fim, mas estranhadas a esta lide. Por tal razão, entendo que as fls. 348/1119 e o despacho de fls. 1121, não dizem respeito a este processo. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Vanessa Kaeda Bulara de Andrade – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e possui os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. PRELIMINARES 1. Da Decadência - MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA 2 Disponível em: https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 1132DF CARF MF Original https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 8 Primeiramente, ressalto que a questão do prazo decadencial não foi suscitada pelo sujeito passivo em nenhuma das peças de defesa. Porém, por envolver matéria de ordem pública, a decadência deve ser arguida de ofício. A NFLD 35.612.863-6 foi lavrada em 15/12/2004 contra a empresa contribuinte, para os fatos geradores de 06/1994 a 07/2023, sob a mesma fundamentação: incidência das contribuições sociais, correspondentes a parte da empresa, além das destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT e as destinadas aos Terceiros (INCRA e SEBRAE - a empresa possui convênio com SESI, SENAI e FNDE). Tais contribuições incidiram sobre o valor que foi pago a empresa CHUBB DO BRASIL (seguro de vida em grupo) referente a alguns empregados lotados na matriz (empresa incorporada), para o período 06/1994 a 07/2003 e aos empregados das filiais da empresa incorporada 72.273.196/0005-22, 72.273.196/0006-03, 72.273.196/0007-94, e 72.273.196/0008- 75, para o período 05/1998 a 07/2003, lançadas com base na contabilidade da empresa. No caso de lançamento anulado por vício formal, o termo inicial para a contagem a decadência se rege pelo art. 173, inciso II, do CTN, que destaco: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados: (...) II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento efetuado.” – destaques desta Relatora Do comprovado nos autos, verifica-se que: NFLD original 35.496.603-0 lavrada em 26/02/2004 para fatos geradores de 06/1994 a 07/2023 Contribuinte tomou ciência em 27/02/2004 Decisão 05422.4/0084/2004 anulou a NFLD em 09/2004 (fls. 318/327) Nova NFLD 35.612.863-6 lavrada em 15/12/2004 Portanto, para os fatos geradores de 06/1994 a 11/1999, a decadência restou configurada visto que o lançamento se deu em 12/2004, devendo o auto ser cancelado, para este período. MÉRITO 2. Do seguro de vida pago aos funcionários Fl. 1133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 9 O art. 214, §9º, inciso XXV do Decreto 3.048/99 prevê que não integram o salário- de-contribuição, exclusivamente, o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. No caso, dos autos, verificou-se que apenas alguns colaboradores possuíam o seguro de vida firmado pela empresa, em alguns de seus estabelecimentos. Neste ponto, a recorrente não trouxe comprovação de que tal despesa era paga à totalidade dos empregados. Constou nos autos (fls. 67), foi contratada a empresa CHUBB DO BRASIL para fornecimento de seguro de vida em grupo, (a) a alguns empregados lotados na matriz (empresa incorporada), e (ii) para os empregados das filiais da empresa incorporada 72.273.196/0005-22, 72.273.196/0006-03, 72.273.196/0007-94, e 72.273.196/0008-75, cujo valor da despesa foi lançada na contabilidade da empresa. Por tal razão, mantenho a autuação neste ponto. Conclusão: Pelas razões acima expostas, conheço do recurso voluntário, acato a preliminar de decadência para os fatos geradores de 06/1994 a 11/1999 e no mérito, nego provimento. É como voto. Assinado Digitalmente Vanessa Kaeda Bulara de Andrade VOTO VENCEDOR Conselheiro Cleberson Alex Friess, redator designado Peço licença a I. Relatora para divergir do seu voto, sobretudo em relação à contagem do prazo decadencial. Decadência Fl. 1134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 10 Quanto à decadência, concordo que é matéria de ordem pública, cognoscível de ofício pelo órgão julgador ordinário, por transcender os interesses das partes. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento fiscal. Inicialmente, o crédito tributário foi constituído através da NFLD nº 35.496.603-0, com ciência em 27/02/2004, relativamente ao período de 06/1994 a 06/2003. O órgão julgador tornou nulo o lançamento, por vício formal, determinando a lavratura de notificação substitutiva (fls. 314/317 e 318/327). O presente lançamento fiscal se refere a NFLD nº 35.612.863-8, lavrada em caráter substitutivo ao lançamento original, com ciência da empresa no dia 29/12/2004, compreendendo as competências de 06/1994 a 07/2003 (fls. 02/27). Na hipótese de novo lançamento, em substituição ao lançamento anteriormente efetuado, o art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), determina que: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: (...) II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Tratando-se de vício formal, a administração tributária dispõe do prazo de cinco anos, a contar da data da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior, para constituir novamente o mesmo crédito tributário. Durante o contencioso administrativo em que se decidiu pela nulidade formal do lançamento original, não fluiu o prazo decadencial. Caso contrário, haveria uma equiparação entre vício formal e material, quanto às consequências para a contagem do prazo decadencial. O legislador optou para estabelecer uma regra autônoma para o lançamento substitutivo, no art. 173, inciso II, do CTN. Adicionalmente, na hipótese dos tributos lançados por homologação, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável à constituição original do crédito tributário permanece regida pelo art. 150, § 4º, ou art. 173, inciso I, do CTN. A data da ciência do novo lançamento ocorreu em 29/12/2004 e, portanto, antes do lapso temporal de cinco anos a que alude o art. 173, inciso II, do CTN. Em consequência, válido o lançamento substitutivo. Então, interessa verificar se o lançamento viciado, com ciência em 27/02/2004, foi efetivado antes de consumada a decadência do crédito tributário, relativamente às competências 06/1994 a 07/2003. Fl. 1135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 11 Aqui, cabe reforçar que é inviável reavivar crédito tributário extinto, mesmo que lançamento substitutivo com fundamento no art. 173, inciso II, do CTN. A I. Relatora interpretou o termo inicial da contagem do prazo decadencial com fundamento no art. 150, § 4º, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será êle de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado êsse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Para autorizar a contagem a partir da ocorrência do fato gerador é necessária a prova de pagamento antecipado e da inexistência de dolo, fraude ou simulação, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp973.733/SC e AgRg REsp 1.277.854/PR, entre outros). A autoridade lançadora nada menciona acerca de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada do contribuinte. Quanto ao pagamento antecipado, a fiscalização indica a existência de guias de recolhimento de contribuições para o período de 01/1996 a 06/2003, conforme Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF (fls. 315). Segundo a autoridade fiscal, o crédito tributário é relativo ao pagamento de parcelas pela empresa a título de seguro de vida em grupo não extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes, lançados com base na escrita contábil. Cuida-se de situação típica a se refere o enunciado nº 99 deste Tribunal Administrativo: Súmula CARF nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa à rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 1136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 12 Assim, resta fulminado pela decadência o período de 06/1994 a 01/1999, haja vista a ciência do lançamento original em 27/02/2004. Mérito Na parte do mérito, o apelo recursal invoca a autonomia dos estabelecimentos como fundamento para descaracterizar a acusação fiscal de descumprir a legislação quanto ao seguro de vida em grupo. Sem razão, conforme se manifestou a I. Relatora. Transcrevo trecho do relatório fiscal (fls. 67): (...) Tal débito refere-se as contribuições incidentes sobre o valor pago a empresa CHUBB DO BRASIL (seguro de vida em grupo) referente a alguns empregados lotados na matriz (empresa incorporada), para o período 06/1994 a 07/2003 e aos empregados das filiais da empresa incorporada 72.273.196/0005-22, 72.273.196/0006-03, 72.273.196/0007-94, e 72.273.196/0008-75, para o período 05/1998 a 07/2003, lançadas com base na contabilidade da empresa. (...) O art. 219, § 9º, inciso XXV, do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, impõe, como exigência para exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária, que o seguro de vida esteja disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica, considerada com um todo: Art. 214. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição, exclusivamente: (...) XXV - o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. Ao oferecer o seguro de vida aos funcionários vinculados a um ou outro estabelecimento da empresa, individualmente considerado, a empresa não atende à exigência da legislação tributária, porquanto não afasta algum tipo de discriminação entre trabalhadores, nem o caráter de salário indireto do prêmio pago. Há autonomia entre direito previdenciário e trabalhista, apesar da interligação de princípios e conceitos. Fl. 1137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 13 Nesse sentido, convém reproduzir o art. 22, inciso I, e o art. 28, inciso I, ambos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Como se observa, o legislador ordinário elegeu uma ampla base de cálculo para as contribuições previdenciárias. O conceito de remuneração compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. A toda a evidência, mais abrangente que a definição trabalhista para remuneração e salário. O art. 219, § 9º, inciso XXV, do RPS, foi incluído apenas pelo Decreto nº 3.265, de 29 de novembro de 1999. Nada obstante, em momento algum, a lei previdenciária excepcionou, de forma categórica, o prêmio pago pelo seguro de vida em grupo da hipótese de incidência tributária (art. 22, inciso I, e art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991). Em consequência, caberia à empresa o ônus da prova documental de que o seguro em vida em grupo, disponível somente a determinados trabalhadores, de acordo com as regras do empreendimento empresarial, não se destinava a retribuir o trabalho e, portanto, não integrava o salário de contribuição. Fl. 1138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.717 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 37305.001615/2006-32 14 No presente caso, carecem os autos de elementos de convicção acerca das condições em que a empresa disponibilizou o seguro de vida aos beneficiários que lhe prestaram serviços, tampouco a recorrente trouxe prova de que o valor relativo ao prêmio era pago para a totalidade dos segurados empregados da empresa, de forma geral, independentemente do trabalhador e estabelecimento. Ao final, o recurso voluntário lembra que a Lei nº 10.243, de 19 de julho de 2001, alterou a redação do art. 458, § 2º, inciso V, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para excluir do conceito salarial o seguro de vida, razão pela qual irradia seus efeitos na legislação previdenciária. Em primeiro lugar, salário é espécie, ao passo que a remuneração, um conceito mais abrangente, é gênero. Outrossim, a Lei nº 8.212, de 1991, e seu regulamento, contêm norma específica, que afasta a aplicação da legislação trabalhista, salvo se houver a determinação expressa para a observância também na seara tributária. Enfim, o disposto no art. 458, § 2º, inciso V, da CLT, não alterou os requisitos da legislação previdenciária para excluir o seguro de vida do salário-de-contribuição do trabalhador. Não há que se falar em aplicação do princípio da hierarquia das normas, ou da lei posterior que prevalece sobre a lei anterior. Conclusão Em vista do exposto, reconheço a decadência parcial do crédito tributário no período de 06/1994 a 01/1999 e, no mérito, na parte não decadente, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess Fl. 1139DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
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Numero do processo: 13971.002258/2002-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
NOTAS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES.
A escrituração contábil e fiscal somente gera a presunção relativa de veracidade se estiver em conformidade com as normas legais e com suporte em documentos hábeis à comprovação das operações. A inexistência da comprovação de pagamentos e do ingresso físico dos insumos no estabelecimento industrial, rende ensejo à glosa dos valores na apuração do crédito presumido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.005
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES. A escrituração contábil e fiscal somente gera a presunção relativa de veracidade se estiver em conformidade com as normas legais e com suporte em documentos hábeis à comprovação das operações. A inexistência da comprovação de pagamentos e do ingresso físico dos insumos no estabelecimento industrial, rende ensejo à glosa dos valores na apuração do crédito presumido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto SP, que indeferiu a manifestação de inconformidade, na qual a empresa insurgirase contra a glosa parcial do seu pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao 2º trimestre de 2002, com reflexos no pedido de compensação de fl. 152. O crédito presumido foi apurado com base na Lei nº 10.276/2001 e a glosa efetuada pela DRF jurisdicionante deveuse a: 1) exclusão da receita de exportação da nota fiscal nº 1213, no valor de 35.709,57, pois a contribuinte, intimada, não comprovou a exportação das mercadorias nela consignadas (fls. 367/368); 2) exclusão do cálculo do crédito presumido dos insumos adquiridos das empresas Acquaplant Química do Brasil Ltda. e GERDAU, visto não se configurarem como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem (PN CST nº 65/79); 3) exclusão dos insumos adquiridos da empresa ADJAIME ALMEIDA ME, tendo em vista que tal empresa declarouse inativa no período de emissão das notas fiscais; 4) inclusão do ICMS nos custos de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem; 5) exclusão de valores correspondentes à aquisição de insumos, bem como a operações de prestações de serviços de industrialização por encomenda, cujos pagamentos não foram comprovados pela contribuinte. Em razão do deferimento parcial do ressarcimento, a compensação de fl. 152 foi homologada e foi autorizada a emissão de ordem bancária quanto ao crédito remanescente (fl. 523). Na manifestação de inconformidade, a empresa requereu a complementação do seu pedido, com base, em síntese, nas seguintes alegações: 1) a exclusão das aquisições de insumos cujos pagamentos não foram comprovados é indevida, uma vez que não foi lançada qualquer dúvida sobre a idoneidade e a licitude dos documentos. Neste ponto, sustenta que a imposição fiscal carece de fundamento legal, na medida em que não cabe ao Fisco intervir na relação privada entre a recorrente e o fornecedor, no que tange à forma de pagamento acertada entre ambos. A respeito do assunto, informa que os valores foram pagos com "cheques pré datados" e mediante lançamentos contábeis na conta "Caixa" e; 2) alegou que cabia ao Fisco comprovar que a empresa ADJAIME ALMEIDA ME não operou no período em questão. Na decisão de primeira instância ficou decidido que as retificações incontroversas foram aceitas pela empresa. Na parte contestada, ficou decidido que a empresa tem a obrigação de comprovar a efetiva entrada dos insumos no estabelecimento industrial, bem como o pagamento pelas aquisições. Foi acolhida a alegação relativa à empresa que se declarou inativa e refeito o cálculo do crédito presumido relativo ao 2º trimestre de 2002. No recurso voluntário, a empresa insurgese contra a glosa dos créditos relativos às operações cujo pagamento ou recebimento das mercadorias não teriam sido comprovados e questiona o argumento da decisão de primeira instância. Alega a recorrente que não há previsão legal a exigir a comprovação dos pagamentos dos insumos e dos serviços de industrialização por encomenda na Lei nº 10.276/2001 e nem na IN SRF nº 69/2001, sendo seus registros contábeis suficientes para Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.002258/200285 Acórdão n.º 3403001.005 S3C4T3 Fl. 2 3 comprovar o direito ao crédito presumido do IPI. Acrescentou que as mercadorias foram pagas e recebidas, estando as referidas notas fiscais devidamente escrituradas no livro Registro de Entradas, de forma que é indevida a exigência de qualquer outra comprovação, quer do pagamento, quer do seu efetivo ingresso físico em seu estabelecimento. Disse que antecipava os pagamentos dos valores aos fornecedores e aos prestadores de serviço, procedendo da seguinte maneira (fls. 533/534): a) Quando da antecipação de valores a fornecedores e prestadores de serviços, a recorrente efetuava o lançamento a crédito na conta "bancos" e a débito na conta "Caixa", com isto, mantinha todos os adiantamentos registrados na conta "Caixa"; b) Quando do recebimento das mercadorias, a recorrente fazia um primeiro lançamento a débito a conta de "Estoques" e a crédito a conta de "Fornecedores", num segundo lançamento debitava a conta de "Fornecedores" e creditava a conta "Caixa" realizando, portanto, a baixa dos adiantamentos; e c) Quando do recebimento das notas fiscais de prestação de serviços de industrialização por encomenda a recorrente registrava a débito a conta de resultado "prestação de serviços de industrialização" e a crédito a conta de "Caixa", baixando, portanto, os adiantamentos. E quanto aos valores pagos com cheques prédatados, procedia da seguinte maneira: a) Quando do registro da nota fiscal de entrada de mercadorias ou de prestação de serviços a recorrente registrava a débito a conta "Estoques" ou "Prestação de serviços de industrialização", conforme o caso, e a crédito registrava a conta "Caixa"; e b) Os cheques prédatados de pagamento destas notas eram lançados contabilmente somente nas datas da compensação bancária, tendo como lançamentos a débito a conta "Caixa" e a crédito a conta "Bancos". Por meio da Resolução nº 20201.268 os autos foram baixados em diligência para que fosse verificado: 1) se o procedimento adotado na contabilização das operações (informações prestadas às fls. 533/534), comprovam que as mercadorias e os serviços de industrialização por encomenda foram, de fato, pagos por meio da conta caixa, inclusive no que pertine aos que teriam sido efetuados por meio de cheques prédatados; e 2) se a empresa tem algum controle do recebimento das mercadorias adquiridas e da prestação de serviços de industrialização por encomenda dos fornecedores glosados (Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou equivalente). Os autos retornaram com os documentos de fls. 704 a 846. O Relatório da diligência, que se aplica aos processos nº 13971.000375/2002 12; 13971.001405/200208; 13971.002258/200285; 13971.002848/200216; 13971.000846/200365; 13971.001156/200595; 13971.001157/200530; 13971.001161/2005 06; 13971.001162/200542; 13971.001163/200597 e 13971.001166/200521, consta às fls. 824 a 843. No documento de fls. 846 consta que a manifestação do contribuinte sobre a diligência foi anexada apenas ao processo nº 13971.000375/200212. Às fls. 561 a 569 do processo nº 13971.000375/200212 o contribuinte: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 1) rebateu a alegação do fisco no sentido de que sua contabilidade seria “imprestável”; 2) afirmou que jamais confessara ou admitira que os fatos registrados em sua contabilidade não correspondem à realidade, mas apenas explicou os procedimentos adotados em relação a seus fornecedores e quanto às formas de quitação e contabilização adotadas; 3) alegou que a fiscalização não cumpriu o que foi determinado pela diligência e apresentou cópias dos diários onde estariam as comprovações dos pagamentos citados no item 9 do relatório da diligência; 4) quanto ao ano de 2004, apresentou novamente a planilha contendo as folhas do livro diário, cujas cópias foram apresentadas na instrução do processo, informando que os pagamentos tidos pelo auditorfiscal como fragmentados neste ano, se referem a pagamentos parciais das notas fiscais, e que podem ter ocorrido inclusive sob a forma de adiantamento. Juntou planilhas de conciliação dos fornecedores, a fim de facilitar a análise. 5) quanto ao controle físico do ingresso de insumos e da prestação de serviços de industrialização por encomenda, alegou que conquanto não possua o Livro de Registro e Controle da Produção e do Estoque, apresentara por ocasião da instrução do processo administrativo o relatório de movimento do estoque, que teria sido aceito pelo fisco. Disse que não tem como apresentar novamente este relatório em virtude de ter sido extraviado nas enchentes que assolaram o Estado de Santa Catarina em novembro de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Controvertese exclusivamente sobre a prova da efetividade das operações de compra de matériasprimas, produtos intermediários e das operações de industrialização por encomenda. A fiscalização glosou os valores em relação à operações que entendeu não comprovadas e o contribuinte, por seu turno, entende que para tal comprovação somente está obrigado a apresentar os livros contábeis contendo os lançamentos, uma vez que a Lei nº 10.276/2001 e a IN SRF nº 69/2001 não fazem nenhuma outra exigência. Realmente, nem a Lei nº 10.276/2001 e nem os atos administrativos baixados para regulamentála fazem menção expressa à necessidade de comprovação de pagamentos ou do ingresso físico dos insumos no estabelecimento. A decisão recorrida fundamentou a necessidade de comprovação das operações na referida lei, com base no seguinte argumento: “(...) Como se pode verificar no art. 1° da Lei n° 10.276/2001, tratase de ressarcimento das Contribuições para o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.002258/200285 Acórdão n.º 3403001.005 S3C4T3 Fl. 3 5 PIS/Pasep/Cofms, incidentes sobre o custo das aquisições de insumos e prestação de serviços decorrentes da industrialização por encomenda.De fato, resta claro que, para gozo do beneficio, é necessário a efetiva aquisição e prestação de serviços, bem como a incidência de referidas contribuições sobre estes valores, isto é, a ocorrência do fato gerador de tais tributos e que, não ocorrendo tal fato, não há o que se ressarcir.(...)” Conquanto a recorrente não tenha se conformado com a lógica do raciocínio empreendido pelo julgador de primeiro grau, a inexistência de previsão específica na lei que instituiu o regime alternativo de apuração do crédito presumido não significa que os contribuintes estejam desobrigados de comprovar a efetividade das operações registradas em seus livros contábeis e fiscais. Com efeito, o art. 1.179, caput, do Código Civil de 2002, estabelece o seguinte: “Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico” (grifei) E no âmbito da legislação tributária, o art. 9º , § 1º do Decretolei nº 1.598/77 estabelece que: Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. (...) (grifei) E, ainda, a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 2.1, aprovada pela Resolução CFC nº 563/83, estabelece o seguinte: 2.1.2 – A escrituração será executada: a) em idioma e moeda corrente nacionais; b) em forma contábil; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 c) em ordem cronológica de dia, mês e ano; d) com ausência de espaços em branco, entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens; e) com base em documentos de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos e a prática de atos administrativos. 2.1.2.1 – A terminologia utilizada deve expressar o verdadeiro significado das transações. 2.1.2.2 – Admitese o uso de códigos e/ou abreviaturas nos históricos dos lançamentos, desde que permanentes e uniformes, devendo constar, em elenco identificador, no "Diário" ou em registro especial revestido das formalidades extrínsecas. (...) (grifei) Conforme se pode verificar, existem preceitos legais que obrigam expressamente os contribuintes a escriturarem suas operações em correspondência com os documentos que lhes derem supedâneo. O cumprimento desta obrigação legal gera uma presunção relativa de veracidade da escrita contábil e fiscal, que só pode ser elidida mediante prova em contrário do fisco (art. 9º , § 2º, do DL nº 1.598/77). A contrario sensu, se a escrituração não for mantida com observância dos preceitos legais ou se os fatos nela registrados não encontrarem suporte em documentação hábil e idônea, a contabilidade não servirá de prova dos fatos escriturados a favor do contribuinte. No caso dos autos, os custos foram glosados porque a autoridade administrativa e o julgador de primeira instância entenderam que os documentos apresentados como comprovantes dos pagamentos das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e da prestação de serviços de industrialização por encomenda não são hábeis a dar lastro ao custo por eles representado, pois a recorrente, mediante intimação, apresentou, como comprovantes de pagamento, cópias das notas fiscais com simples recibos nos seus versos, sem identificação de quem deu a quitação (fls. 403/439), querendo fazer crer que os pagamentos foram feitos em dinheiro, embora esteja consignado nos documentos fiscais de aquisições de prestações de serviços que os pagamentos teriam se dado mediante cheques. Além disso, o cotejo das cópias de notas fiscais de fls. 405, 408, 410, 411, 432 e 439 com as cópias das mesmas notas de fls. 284, 319, 324, 329, 340 e 343 revela que a recorrente obteve os recibos dos fornecedores somente após ter sido intimada pela fiscalização a comprovar os pagamentos. Considerando que a decisão de primeira instância, além da comprovação dos pagamentos, fez menção à comprovação do ingresso físico dos insumos no estabelecimento e que a fiscalização não havia dado oportunidade ao contribuinte de fazer esta comprovação, os autos foram baixados em diligência por meio da Resolução de fls. 698 e seguintes. Em relação à diligência efetuada, verificase que a fiscalização, às fls. 704 a 724, intimou a recorrente a apresentar a cópia do livro diário onde constam os lançamentos referentes aos pagamentos das notas fiscais relacionadas na referida intimação e uma tabela indicando para cada nota fiscal, o número da folha do livro diário em que se encontra o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.002258/200285 Acórdão n.º 3403001.005 S3C4T3 Fl. 4 7 lançamento. Foi solicitada também a apresentação do livro de registro de controle da produção e do estoque, ou equivalente, em que estejam registrados os ingressos relativos às notas fiscais de aquisições de insumos e dos serviços de industrialização por encomenda. No relatório da diligência, a análise da documentação apresentada pelo contribuinte revelou a seguinte situação: 1) Para as 38 notas fiscais discriminadas no Anexo I do relatório da diligência (fls. 838/839) não foi identificado no livro diário o lançamento contábil relativo ao pagamento da operação, mas apenas e tãosomente o reconhecimento contábil da operação de aquisição, pois os lançamentos foram feitos a débito da conta “matériaprima” e crédito da conta “fornecedores”; 2) Para as 10 notas fiscais discriminadas no Anexo II do relatório da diligência (fl. 840) não foi identificado o lançamento contábil referente ao pagamento, mas apenas e tãosomente o reconhecimento contábil da industrialização por encomenda, pois os lançamentos foram feitos a débito da conta “serviços de industrialização de terceiros” e a crédito da conta “fornecedores; 3) Para a nota fiscal nº 458 do fornecedor de CNPJ 76.869.700/000189, no valor de R$ 3.219,93, emitida em 23/05/2002 e com suposta entrada em 23/05/2002, foi indicada a fl. 206 do Livro diário como aquela em que se encontraria o registro do pagamento, no entanto em tal folha não consta registro referente a tal nota fiscal, mas tão somente da nota fiscal nº 457, do mesmo fornecedor, valor e data; 4) Para a nota fiscal nº 581 do fornecedor de CNPJ 01.938.645/000132, no valor de R$ 8.409,36, emitida em 24/05/2002 e com suposta entrada em 24/05/2002, não foi indicada a folha do Livro diário em que se encontraria registrado o lançamento do pagamento correspondente; 5) Para as 135 (cento e trinta e cinco) notas fiscais cujos pagamentos teriam sido efetuados no ano de 2004, sequer foram apresentados os lançamentos contábeis em sua integralidade, tendo sido apresentados apenas fragmentos de lançamentos sem identificação das contrapartidas; 6) Até 2003, todas essas informações se encontravam agrupadas por lançamento contábil, permitindo verificar, para cada lançamento, qual a data, o valor, as contas envolvidas (a débito e a crédito) e o histórico correspondente. A partir do exercício 2004, foi alterada a forma de apresentação do livro diário do contribuinte, deixando de serem apresentados, linha a linha, todos os elementos essenciais do lançamento contábil, quais sejam: data; valor; conta(s) a débito; conta(s) a crédito; e histórico; 7) A partir de 2004, para cada data do livro diário, foram agrupados todos os lançamentos e indicados, linha a linha, por conta, sua classificação contábil, o número do lançamento, o histórico e o valor a débito ou a crédito efetuado em tal conta, mas sem a indicação da contrapartida do lançamento; 8) Em relação às demais 415 notas fiscais, verificouse que a contabilização ocorreu a crédito da conta caixa, como se os pagamentos tivessem sido feitos em dinheiro, mas não foram apresentados comprovantes de pagamento. Em virtude disso entendeu a fiscalização que Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 não há prova de que os pagamentos foram realizados por meio da conta “caixa”, pois não garantia de que o fato registrado corresponde ao fato real; 9) Relativamente ao controle físico de ingresso dos insumos e dos serviços de industrialização por encomenda, o contribuinte informou que não escritura o Livro de Registro da Produção e do Estoque. Alegou que faz esse controle por meio de um relatório que controla de forma física e financeira a movimentação de entrada e consumo de insumos, estoques de produtos acabados e em elaboração. Tal relatório não foi apresentado porque, segundo o contribuinte, extraviarase nas enchentes de novembro de 2008. Contrapondose ao resultado da diligência, a recorrente apresentou manifestação reapresentando planilhas semelhantes aos Anexos I e II do relatório de diligência, com as folhas dos livros diários onde estariam reconhecidos contabilmente os pagamentos. Examinando a planilha denominada Anexo I da manifestação da recorrente, não foi possível encontrar o reconhecimento contábil dos pagamentos relativos aos itens 19; 31; 36; 40; 43; 45; 48; 52; 55; 64; 68; 73; 98; 99; 102; 107; 110 e 114. Sem falar que as folhas do livro diário anexadas às fls. 667 a 675 (do processo nº 13971.000357/200212) nada comprovam, pois não permitem identificar visualmente as contrapartidas, além de conterem um histórico tão resumido que não permitem identificar a operação. Conforme se pode verificar, a contabilidade da recorrente não está organizada conforme as normas legais. A uma porque a terminologia adotada no histórico, principalmente nos livros a partir de 2004, não permite o reconhecimento do tipo de operação. A duas porque existem pagamentos contabilizados a crédito da conta caixa (item 8), cujos registros foram feitos sem suporte em documento hábil, já que os recibos foram emitidos pelos fornecedores em datas posteriores aos lançamentos contábeis. A NBC T 2.1 que regula as formalidades da escrituração contábil, aprovada pela Resolução nº 563/83, do Conselho Federal de Contabilidade, estabelece no item 2.1.2, alínea “e” que a escrituração será executada com base em documentos de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos e a prática de atos administrativos. A referida Norma Contábil estipula, ainda, no item 2.1.2.1 que a terminologia adotada nos lançamentos deve refletir o verdadeiro significado das transações, o que deixou de ser observado pela recorrente a partir de 2004. No caso dos autos é inconteste que a recorrente contabilizou a crédito da conta caixa 415 supostos pagamentos sem suporte em documentos hábeis à comprovação. Não se está exigindo a obrigatoriedade da intervenção de uma instituição bancária para efetivação dos pagamentos, o que se exige é que os lançamentos contábeis relativos aos supostos pagamentos estejam lastreados em algum documento que lhes dêem suporte, tal como determinam o art. 9º , § 1º do DL nº 1.598/77 e o item 2.1.2 da NBC T 2.1. Relativamente ao segundo requisito hábil à comprovação das operações, qual seja, o ingresso físico dos insumos no estabelecimento industrial, verificase que os arts. 359 a 366, do RIPI/98 e os arts. 383 a 388 do RIPI/2002, exigem que os estabelecimentos industriais possuam o controle quantitativo e qualitativo da movimentação de insumos, de produtos em elaboração e acabados, requisito que não foi cumprido pelo contribuinte. A recorrente foi intimada durante a diligência apresentar o livro de registro da produção e do estoque (modelo 3) ou o controle equivalente. Informou que não possui o referido livro e que o controle equivalente teria sido extraviado quando das enchentes ocorridas em novembro de 2008 no Estado de Santa Catarina. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13971.002258/200285 Acórdão n.º 3403001.005 S3C4T3 Fl. 5 9 Alegou, ainda, que teria apresentado os relatórios que substituem o livro modelo 3 à fiscalização por ocasião da instrução do processo. Contudo não há nos autos nenhum indício de que isto tenha ocorrido. A inexistência do controle preconizado pelos arts. 359 a 366 do RIPI/98 e arts. 383 a 388 do RIPI/2002 não pode ser suprida pelo registro de inventário e nem por qualquer outro livro, uma vez que os demais livros contábeis e fiscais não possuem informações que permitam o controle quantitativo e qualitativo dos insumos, tais como a quantidade em unidades de produto; a identificação do produto; a unidade de medida; a classificação fiscal e o documento fiscal que ampara a movimentação. A jurisprudência administrativa consolidouse no sentido de que os requisitos hábeis à comprovação de uma operação são a prova do pagamento e a prova do ingresso físico dos produtos no estabelecimento industrial. Na ausência de um desses requisitos não há como ser reconhecida a operação, ainda que esteja escriturada nos livros contábeis e fiscais, fato que rende ensejo à glosa da despesa. Portanto, ainda que a recorrente tenha juntado planilhas com o fim de demonstrar que alguns pagamentos foram feitos de forma fragmentada, faltou a comprovação do ingresso físico dos insumos adquiridos e mandados industrializar por encomenda. Quanto às demais alegações contidas na manifestação do contribuinte, verificase que não condizem com o que se encontra nos autos. Ao contrário do alegado, a Delegacia da Receita Federal desincumbiuse da diligência da forma como fora solicitada, pois os fatos relatados só poderiam ser constatados mediante o exame da contabilidade. Além disso a fiscalização respondeu objetivamente o quesito acerca da comprovação dos pagamentos pela conta “caixa”, ao informar que não há provas de que o fato contábil corresponde ao fato realmente ocorrido. A recorrente preocupouse mais com a alegação de imprestabilidade da sua contabilidade do que em comprovar a efetividade das operações, pois julgava que sua escrituração era o meio hábil de prova. Entretanto, a recorrente não tem como negar que sua escrituração foi feita sem lastro documental prévio aos registros e que não atende ao art. 9º , § 1º do DL nº 1.598/77 e nem ao item 2.1.2 da NBC T 2.1. Considerando que a contabilidade da recorrente não atende ao disposto no art. 9º, § 1º do DL nº 1.598/77, considero que a mera apresentação dos livros, desacompanhada dos comprovantes de pagamento e do ingresso físico dos insumos e da industrialização por encomenda, não comprovam a real existência das operações, devendo ser mantida a glosa efetuada pelo fisco. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10120.727977/2013-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). INTEMPESTIVIDADE. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. Enunciado Súmula CARF 122
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE. PARECER PGFN/CRJ 1329/2016. É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA para o reconhecimento do direito à não incidência do ITR em relação às áreas de preservação permanente.
BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA. ITR DEVIDO.
Aplica-se o disposto no Art. 10, §1º, VI c/c Art. 11, caput, da Lei Nº 9.393, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1996 para determinação da área tributável e da alíquota aplicável.
ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. PROVA. O reconhecimento da área de produtos vegetais depende da efetiva comprovação por parte do Contribuinte, mediante a apresentação, dentre outros, dos seguintes documentos: notas fiscais do produtor, notas fiscais de insumos, certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto), contratos ou cédulas de crédito rural.
Numero da decisão: 2102-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar as glosas das áreas de reserva legal e de preservação permanente, nº total de 455,32 ha.
(documento assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Márcio Bittes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente).
Nome do relator: JOSE MARCIO BITTES
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INTEMPESTIVIDADE. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. Enunciado Súmula CARF 122 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE. PARECER PGFN/CRJ 1329/2016. É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA para o reconhecimento do direito à não incidência do ITR em relação às áreas de preservação permanente. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTA. ITR DEVIDO. Aplica-se o disposto no Art. 10, §1º, VI c/c Art. 11, caput, da Lei Nº 9.393, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1996 para determinação da área tributável e da alíquota aplicável. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. PROVA. O reconhecimento da área de produtos vegetais depende da efetiva comprovação por parte do Contribuinte, mediante a apresentação, dentre outros, dos seguintes documentos: notas fiscais do produtor, notas fiscais de insumos, certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto), contratos ou cédulas de crédito rural. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar as glosas das áreas de reserva legal e de preservação permanente, nº total de 455,32 ha. Fl. 370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 2 (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente (documento assinado digitalmente) José Márcio Bittes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de RECURSOS VOLUNTÁRIO interposto em face do 03-066.094 - 1ª Turma da DRJ/BSB de 11 de fevereiro de 2015 que, por unanimidade, considerou improcedente a impugnação interposta pelo contribuinte. Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (Fls. 209/212): Da Autuação Pela Notificação de Lançamento nº 01201/00149/2013, de fls. 03/08, emitida em 09/09/2013, o contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 1.803.475,63, resultante do lançamento suplementar do ITR/2009, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Santa Luíza” (NIRF 3.218.091-8), com área total declarada de 1.936,0 ha, localizado no município de Goiatuba - GO. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2009, incidente em malha valor, iniciou-se com o Termo de Intimação Fiscal Nº 01201/00024/2013, de fls. 09/10, encaminhado ao contribuinte, solicitando que apresentasse, além dos documentos inerentes à comprovação dos dados cadastrais relativos a sua identificação e do imóvel (matrícula atualizada e CCIR/INCRA), os seguintes documentos: - notas fiscais do produtor; notas fiscais de insumos, certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto), contratos ou cédulas de credito rural ou outros documentos comprobatórios, para comprovação da área ocupada com produtos vegetais no período de 01/01/2008 a 31/12/2008; - laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliação Fl. 371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 3 efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. O contribuinte forneceu os documentos de fls. 12/55 e 66/69. No procedimento de análise e verificação dos documentos apresentados e das informações constantes da DITR/2009, a fiscalização lavrou a referida Notificação de Lançamento, onde glosou integralmente a área de produtos vegetais, de 1.816,3 ha; glosou o valor das culturas/pastagens/florestas de R$ 1.742.279,00; além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 2.498.168,00 (R$ 1.290,38/ha), arbitrando o valor de R$ 10.000.001,44 (R$ 5.165,29/ha), com base no menor valor, por aptidão agrícola, indicado SIPT da RFB, com o conseqüente aumento do VTN tributável e da alíquota de cálculo, disto resultando o imposto suplementar de R$ 852.505,62, conforme demonstrado às fls. 07. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 04/06 e 08. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 13/09/2013 (sexta-feira), fls. 71, o contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 97, protocolizou, em 15/10/2013, a impugnação de fls. 74/95, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 99/198. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: - fez um breve relato da ação fiscal; - entende que a fiscalização arbitrou o VTN em R$ 6.198,34/ha, totalizando o valor de R$ 10.000.001,44, fruto de operação matemática que considera a área total de 1.936,0 ha; - a RFB não aceitou a declaração da área de produtos vegetais (lavoura de cana- de-açúcar) constante da DITR/2009; - transcreve, parcialmente, o art. 10 da Lei nº 9.393/1996, bem como o art. 11 da Lei nº 8.629/1993, para referendar seus argumentos; - a partir desses dispositivos legais, apresenta definição de VTN tributável; - a glosa é indevida e a autuação fiscal é manifestamente improcedente, uma vez que é detentor da área de produtos vegetais declarada, conforme será demonstrado; - apresenta, junto com a impugnação, laudo técnico de avaliação da produtividade e das benfeitorias do imóvel rural; - no referido laudo, é comprovada a existência da efetiva área de exploração agrícola (cana-de-açúcar), como também das áreas de reserva legal e de preservação permanente, não declaradas na DITR/2009; - apesar de as áreas de reserva legal e de preservação permanente estarem averbadas desde 1999, não foi emitido o respectivo ADA; Fl. 372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 4 - faz menção à jurisprudência do CARF para subsidiar suas alegações quanto à comprovação das áreas ambientais pretendidas; - a ausência de entrega do ADA não descaracteriza o direito à isenção do ITR quanto às áreas de reserva legal e de preservação permanente, pois tal entrega é uma obrigação de cunho acessório, cujo descumprimento poderia estar apenado na norma de regência da matéria, o que não está; - o laudo apresentado, além de apurar o valor atual das benfeitorias e áreas de exploração agrícola, também atestou que o grau de utilização e o grau de eficiência das explorações, para o exercício de 2009, é de 100% e 157,75%, respectivamente, de modo que improcede a excessiva alíquota de 8,60% aplicada; - apresenta quadro onde são fornecidas informações relativas à distribuição das áreas do imóvel rural, de forma que a área de 1.346,32 ha é efetivamente ocupada pela lavoura de cana-de-açúcar, enquanto 589,67 ha não são aproveitáveis por estarem protegidos pela legislação relativa à conservação da natureza, o que faz com que o grau de utilização seja de 100%, sendo descabida a aplicação da alíquota de 8,60%; - transcreve, parcialmente, o art. 10, § 1º, da Lei nº 9.393/1996, para referendar seus argumentos; - ressalta que o laudo técnico também atestou que o valor total das benfeitorias e das culturas é expressivamente superior àquele considerado pela fiscalização; - apresenta quadro indicando os valores das benfeitorias e das culturas; - apresenta quadro comparativo entre os valores apurados pela fiscalização e pelo laudo técnico, e afirma que o saldo remanescente do imposto devido seria de R$ 17.038,75; - a área de produção agrícola (cana-de-açúcar) pode ser comprovada não só pelos contratos de parceria celebrados entre a impugnante e a sociedade empresária “Goiasa Goiatuba Álcool Ltda.”, como também pelas notas fiscais de venda da produção, emitidas tanto em nome da requerente como da Goiasa, em função da previsão de repartição da colheita constante nos referidos contratos; - o laudo técnico apresenta fotos por satélites da Fazenda Santa Luíza, nas quais estão identificadas todas as áreas de benfeitorias, plantações de cana-de-açúcar, bem como das áreas de preservação permanente e de reserva legal; - afirma que o lançamento padece de evidente erro de base de cálculo, pois apesar de o AFRFB ter considerado o valor por hectare como sendo de R$ 6.198,35, este não se coaduna com aquele informado pela Prefeitura de Município de Goiatuba, às fls. 56 do presente processo, a título de terra nua; - afirma que o VTN mencionado pelo fiscal na descrição dos fatos que ensejaram a autuação está em total desacordo com a legislação, eis que efetuado em desacordo com o VTN informado pelo Município de Goiatuba; Fl. 373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 5 - entende que o VTN informado pela Prefeitura, multiplicado pela área total do imóvel resultará no valor total do imóvel de R$ 10.000.001,44, ao invés do valor lançado pela fiscalização de R$ 14.065.601,44, ficando demonstrado que há um evidente erro de base de cálculo, pois o valor adotado pelo AFRFB é fruto de uma operação matemática equivocada; - conclui que a fiscalização arbitrou o valor do hectare em R$ 7.265,29, resultante da razão entre o valor total do imóvel, de R$ 14.065.601,44, e a área total, de 1.936,0 ha, apesar de ter mencionado na notificação de que teria adotado o valor de R$ 6.198,35 por hectare; - foi cometido um evidente erro de base de cálculo por parte do fiscal autuante, uma vez que partiu do valor de R$ 14.065.601,44, como valor total do imóvel, quando esse valor deveria ser de R$ 10.000.001,44, do qual ainda deveriam ser descontados os valores das benfeitorias postos no lançamento como aceitos, de R$ 4.065.600,00, o que resultaria num VTN de R$ 5.934.401,44, ao invés de R$ 10.000.001,44, considerados pela autoridade fiscal; - o erro de cálculo distorceu o cálculo do VTN, gerando, também, distorções nos cálculos do VTN tributável e do próprio imposto devido; - apresenta quadros informando os valores que entende como corretos para a apuração do imposto devido; - em razão dos erros de base de cálculo cometidos pela fiscalização, os quais tornam o lançamento nulo de pleno direito, conclui pela absoluta e completa improcedência de todo o lançamento fiscal; - por fim, entende que tendo comprovado a área aproveitável do imóvel, a área efetivamente utilizada pela atividade rural e o valor das benfeitorias e áreas de culturas, por meio do laudo técnico apresentado, é imperativa a conclusão pelo integral cancelamento da notificação de lançamento. Para isso, requer que a impugnação seja acolhida e a notificação de lançamento integralmente cancelada. É o relatório. No Acórdão recorrido consta decisão cuja ementa é transcrita a seguir (Fls.208/220): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2009 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a arguição de nulidade quando a Notificação de Lançamento contém os requisitos contidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 e ausentes as hipóteses do art. 59, do mesmo Decreto. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO - PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. Fl. 374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 6 DA REVISÃO DE OFÍCIO - ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. As áreas ambientais do imóvel, inclusive a área de utilização limitada/reserva legal comprovadamente averbada à margem da matrícula do imóvel, somente são excluídas da tributação do ITR, quando comprovado que as mesmas foram objeto de Ato Declaratório Ambiental -ADA, protocolado tempestivamente no IBAMA. DA ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. A área utilizada com produtos vegetais somente cabe ser considerada para fins de apuração do Grau de Utilização do imóvel quando devidamente comprovada, com documentos hábeis. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) - SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e que esteja acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário (fls.228/257) Irresignado o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 08/04/2015 o qual, em síntese, afirmou o que se segue: A RECORRENTE, proprietária do imóvel rural "Fazenda Santa Luiza" (1.936 hectares), foi autuada pela Receita Federal para pagamento de ITR referente ao exercício de 2009. A autuação desconsiderou áreas de preservação permanente (APP) e reserva legal (RL), aumentando a área tributável e aplicando uma alíquota de 8,6%, resultando em um débito de R$ 1.803.475,63. A contribuinte questiona a autuação, alegando erros nos cálculos e fundamentando a isenção para as áreas de RL e APP, mesmo sem o Ato Declaratório Ambiental (ADA).. Apresentou os seguintes Argumentos de Defesa e respectiva Fundamentação Jurídica: Nulidade do Acórdão por erro na Base de Cálculo e consequente cerceamento de defesa: fiscalização consignou expressamente que se estava arbitrando o VTN no valor de R$ 6.198,34/ha, quando se tinha utilizado o VTN no importe de R$ 5.165,29/há, o que prejudicou sobremaneira o pleno exercício do direito de defesa por parte da RECORRENTE. Fl. 375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 7 Isenção de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal: A recorrente defende que as áreas de APP e RL devem ser excluídas da base de cálculo do ITR, mesmo sem o Ato Declaratório Ambiental (ADA), pois estão devidamente averbadas e comprovadas por laudo técnico. A legislação e a jurisprudência reconhecem que o ADA tem natureza declaratória, não constitutiva. O CARF entende que o laudo técnico e a averbação na matrícula do imóvel são suficientes para comprovar a existência das áreas protegidas. As áreas de APP (68,182 ha) e RL (387,2 ha), comprovadas por laudo técnico e averbadas na matrícula do imóvel, são legítimas e devem ser isentas de tributação. Acórdão CSRF nº 03-05.514: Reconhece a exclusão de áreas isentas sem a necessidade de ADA. Acórdão CARF nº 2202-00.510: Declara que a ausência do ADA pode ser suprida por provas técnicas e documentais. Art. 10 da Lei nº 9.393/96: Estabelece a isenção de áreas de interesse ambiental como APP e RL para o cálculo do ITR. MP nº 2.166-67/2001, §7º, art. 10: Dispensa a apresentação do ADA para fins de exclusão dessas áreas. CARF: Acórdãos nº 301-31561, 2202-00.349 e 303-33737, que reconhecem a idoneidade de laudos técnicos e documentos imobiliários como comprovação das áreas isentas. Princípio da Verdade Material: Impõe que a administração pública considere a realidade fática, acima de meras formalidades. Correção do Valor da Terra Nua (VTN): O valor do hectare foi arbitrado erroneamente em R$ 6.198,34, quando o valor correto, informado pelo município, era R$ 5.165,29, pois a base de cálculo deve refletir os dados reais do imóvel. Correção da Área Tributável e da Alíquota: O cálculo fiscal ignorou a efetiva utilização de 1.346 hectares para lavoura de cana-de-açúcar, levando a uma aplicação indevida da alíquota de 1,6%. A alíquota correta seria de 0,3%, pois o grau de utilização do imóvel supera 80%. O cálculo do grau de utilização deveria excluir as áreas de APP e RL e considerar apena s a área produtiva (1.346 hs), o que justifica a aplicação da alíquota de 0,3%. Art. 11 da Lei nº 9.393/96**: A alíquota do ITR depende do grau de utilização e da área efetivamente produtiva. Provas Técnicas: Laudo técnico detalhando a utilização do imóvel; Contratos de parceria com a Goiasa Goiatuba Álcool Ltda; Notas fiscais que comprovam a produção agrícola; certidão de registro imobiliário com áreas de preservação averbadas. A jurisprudência do CARF (Acórdão nº 301-33.426) e normas legais confirmam que a comprovação técnica da área produtiva é suficiente. Fl. 376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 8 Finaliza pedindo a reforma parcial do acórdão da 1ª instância nos seguintes termos: - A nulidade do lançamento decorrente da violação perpetrada ao direito de defesa da Recte. — erro de base de cálculo. - Reconhecimento das áreas de APP e RL como isentas. - Aplicação da alíquota de 0,3%, recalculando o débito para o valor correto (aproximadamente R$ 24.000, conforme Anexo II). - Caso o pedido principal não seja aceito integralmente, que ao menos seja considerada a reserva legal como isenta, ajustando o cálculo do ITR e reduzindo o débito. Não houve contrarrazões por parte da PGFN. Eis o relatório. VOTO Conselheiro José Márcio Bittes, Relator Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Preliminar Em sede de preliminar a RECORRENTE alega que houve cerceamento de defesa em função de erro na base de cálculo que foi considerado “mero lapso” pela DRJ. Ao revisitar o Acórdão recorrido, faz-se conveniente transcreve a decisão sobre esta alegação (Fls. 213/: Não obstante o pedido do requerente, entendo que a Notificação de Lançamento contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, trazendo, portanto, as informações obrigatórias previstas nos incisos I, II, III e IV e principalmente aquelas necessárias para que se estabeleça o contraditório e permita a ampla defesa do autuado, conforme será demonstrado(..) O contraditório no processo administrativo fiscal tem por escopo a oportunidade do sujeito passivo conhecer dos fatos apurados pela fiscalização, devidamente tipificados à luz da legislação tributária, e, dentro do prazo legalmente previsto, poder rebater, de forma plena, as irregularidades então apontadas pela Autoridade Fiscal, apresentando a sua versão dos fatos e juntando os elementos Fl. 377DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 9 comprobatórios de que dispuser. Em suma, é o sistema pelo qual a parte tem a garantia de tomar conhecimento dos atos processuais e de reagir contra esses. No presente caso, a Notificação de Lançamento identificou as irregularidades apuradas (não comprovação das áreas de produtos vegetais e do VTN informado) e motivou, de conformidade com a legislação aplicada às matérias, o arbitramento de novo VTN, com base no SIPT e a glosa da citada área, o que foi feito de forma clara, como se pode observar na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls. 04/05, em consonância, portanto, com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Tanto é verdade, que o interessado refutou, de forma igualmente clara e precisa, a imputação que lhe foi feita, como se observa do teor de sua impugnação, em que o autuado expôs os motivos de fato e de direito de suas alegações e os pontos de discordância, discutindo o mérito da lide relativamente às matérias envolvidas, nos termos do inciso III, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, não restando dúvidas de que compreendeu perfeitamente do que se tratava a exigência. Veja-se que o trabalho de revisão então realizado pela fiscalização é eminentemente documental, e o não-cumprimento integral das exigências para comprovação das áreas de produtos vegetais, bem como do VTN declarado, justifica o lançamento de ofício, regularmente formalizado por meio de Notificação de Lançamento, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 e artigo 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR), combinado com o disposto no art. 149, inciso V, da Lei nº 5.172/66 – CTN. Enfim, é preciso deixar registrado que nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, depois de formalizada a exigência fiscal, mediante a emissão da competente Notificação de Lançamento, cabe ao contribuinte, caso discorde do lançamento, contestá-lo por meio da apresentação tempestiva da sua impugnação, devidamente motivada e acompanhada dos documentos que possuir, para fazer prova a seu favor. (..)a Autoridade Fiscal arbitrou adequadamente o VTN do imóvel em R$ 10.000.001,44, conforme indicado no campo 24 do “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido”, fls. 07. Esse montante é resultante do produto do VTN (indicado pela Prefeitura de Goiatuba), de R$ 5.165,29/ha, pela área total, de 1.936,0 ha. Portanto, pode-se afirmar que a indicação do VTN de R$ 6.198,34, constante da descrição dos fatos, às fls. 05, trata-se de lapso manifesto cometido pela fiscalização, uma vez que a mesma utilizou, de fato, o VTN fornecido pela Prefeitura de Goiatuba (R$ 5.165,29), de fls. 10 e 56. Para constatar tal resultado, basta que se manipule, corretamente, a operação matemática de divisão entre o valor da terra nua pela área total do imóvel (R$ 10.000.001,44 : 1.936,0 ha), uma vez que o cálculo decorrente dessa razão jamais resultará no VTN de R$ 6.198,34, conforme calcula o impugnante às fls. 75, mas sim do VTN de R$ 5.165,29/ha. Fl. 378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 10 Ora, é certo que para se reconhecer a nulidade decorrente de um eventual cerceamento de defesa, há que se comprovar o efetivo prejuízo ao contribuinte, o que não ocorreu. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. Não há nulidade do lançamento quando não configurado óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte, afastam a hipótese de nulidade do lançamento. Rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Mérito Quanto ao mérito o inconformismo do ora RECORRENTE limita-se a desconsideração da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal existentes no imóvel e averbadas em sua matrícula e a consequente redução da alíquota do ITR em função da diminuição da área tributável. Quanto a existência de áreas de preservação permanente e reserva legal, o Acórdão recorrido fundamentou a sua desconsideração nos seguintes termos (Fls 216/215 – negritei): Não obstante a autuação restringir-se exclusivamente a glosa, integral, da área de produtos vegetais, de 1.816,3 ha, e à rejeição do VTN declarado de R$ 2.498.168,00 (R$ 1.290,38/ha), e arbitramento, com base no VTN/ha apontado no SIPT, de novo VTN de R$ 10.000.001,44 (R$ 5.165,29/ha), conforme consta da “Descrição dos Fatos” e no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, às fls. 04/07, o impugnante afirma que haveria a hipótese de erro de fato no preenchimento da DITR/2009, requerendo que sejam acatadas as informações constantes do Laudo de Avaliação da Produtividade e das Benfeitorias, de fls. 105/131, e ART de fls. 133, onde indica que existiriam no imóvel as áreas reserva legal, de 387,2 ha, e de preservação permanente, de 68,1820 ha, não declaradas anteriormente. No caso do pedido de acatamento de áreas não-tributáveis (áreas ambientais não declaradas), cabe observar que, com base na legislação de regência da matéria, exige-se o cumprimento de uma obrigação para fins de acatar a exclusão das mesmas da incidência do ITR, que consiste na informação dessas áreas no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado tempestivamente no IBAMA, que é uma exigência, de caráter genérico, para a exclusão de qualquer área não- tributável e, também, que a área de reserva legal pretendida esteja averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel, no cartório competente, que é uma exigência específica. Fl. 379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 11 A exigência específica de que a área de reserva legal esteja averbada à margem da matrícula do imóvel, até 01/01/2009 (data do fato gerador do ITR/2009, art. 1º da Lei 9.393/96), encontra-se prevista no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771/1.965, com as alterações introduzidas pela Lei nº 7.803/1989, e redação dada pelo art. 1º da Medida Provisória nº 2.166-67, de 24/08/2001; art. 11, § 1º, da IN/SRF nº 256/2002, e art. 12, § 1º do Decreto nº 4.382/2002 – RITR. Em análise ao documento de registro da “Fazenda Santa Luíza”, constante das fls. 137/142, especificamente às fls. 139/140, são indicadas diversas áreas como sendo de reserva legal, que somadas perfazem o total de 387,2 ha, averbadas em 09/01/1999, conforme AV-4-5.138, constante da Certidão de Inteiro Teor da Matrícula nº 5.138, do Registro de Imóveis de Goiatuba-GO. Esta área corresponde exatamente à mesma indicada no Laudo de Avaliação apresentado, especificamente às fls. 115. Contudo, o cumprimento tempestivo dessa primeira exigência não supre a necessidade de se comprovar também a exigência relativa ao ADA. Na realidade, a primeira exigência, cumprida pelo requerente, constitui apenas requisito para preenchimento e entrega do ADA no IBAMA. No que diz respeito à exigência do ADA, de caráter genérico, aplicada a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente ou de utilização limitada (RPPN, Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico, Reserva Legal ou coberta por florestas nativas), advém desde o ITR/1997 (art. 10, § 4º, da IN/SRF nº 043/1997, com redação dada pelo art. 1º da IN/SRF nº 67/1997), e, para o exercício de 2009, encontra-se prevista na IN/SRF nº 256/2002 (aplicada ao ITR/2002 e subsequentes), no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art 17-O da Lei nº 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, a seguir transcritos:(..) Portanto, resta demonstrado que a obrigatoriedade da exigência do Ato Declaratório Ambiental – ADA encontra-se estatuído por meio de dispositivo contido em lei, qual seja, o art. 17-O da Lei 6.938/1981 e em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165/2000. Com a adoção de tal procedimento evitam-se distorções, garantindo estar a exclusão do crédito tributário em consonância com a realidade material do imóvel, além de contribuir para maior obediência às normas ambientais em vigor. O prazo para apresentar o ADA do exercício de 2009, no IBAMA, expirou em 30/09/2009, data final para a entrega da DITR/2009, de acordo com a IN/RFB nº 0959, de 23/07/2009, c/c a IN/IBAMA nº 96/2006 (art. 9º), além de previsto na Solução de Consulta Interna nº 06/2012, item 10.1..., Assim, quanto ao prazo para entrega do ADA no IBAMA, cabe considerar a orientação da própria Receita Federal do Brasil, manifestado na citada SCI, editada pela Coordenação-Geral de Tributação (Cosit), que não pode ser aqui ignorada, sob pena de contrariar o disposto no art. 7º da Portaria - MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Fl. 380DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 12 No presente caso, não consta dos autos que a Contribuinte tenha providenciado a protocolização do competente ADA no IBAMA, mesmo que referente a exercícios posteriores a 2009. É preciso destacar, ainda, que o ADA não caracteriza obrigação acessória, posto que tal exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, nem se converte, caso não cumprida ou cumprida fora dos prazos estabelecidos, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, § 2º e 3º, da Lei nº. 5.172/1.966 – CTN. Ou seja, a ausência do ADA não enseja multa regulamentar - o que ocorreria caso se tratasse de obrigações acessórias -, mas sim incidência do imposto.(..) Portanto, não tendo sido comprovado o cumprimento da exigência legal pertinente à protocolização tempestiva do ADA junto ao IBAMA, não é possível a exclusão do ITR de quaisquer áreas ambientais, seja em que dimensão for, por não ter ficado configurada a ocorrência de erro de fato. Contudo o não reconhecimento de área de preservação legal e permanente com base exclusivamente na ausência de ADA, ou da sua protocolização, já é matéria superada por este Conselho, Numero do processo: 10183.720077/2006-56 Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara: 2ª SEÇÃO Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2021 Data da publicação: Fri May 14 00:00:00 UTC 2021 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004 ÁREAS AMBIENTAIS. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). GLOSA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). INTEMPESTIVIDADE. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. Não há óbice à aceitação da Área de Reserva Legal, ainda que o ADA não tenha sido apresentado tempestivamente, no que tange à parte devidamente averbada à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. (Súmula CARF 122) ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE. PARECER PGFN/CRJ 1329/2016. É desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA para o reconhecimento do direito à não incidência do ITR em relação às áreas de preservação permanente. Numero da decisão: 9202-009.503 Entendimento, inclusive já sumulado no CARF: Súmula CARF nº 122 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 03/09/2018 Fl. 381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 13 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Ainda, conforme precedentes do STJ, a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Ou seja, a averbação tempestiva da referida área é suficiente para fins de gozo da isenção fiscal. Deve-se considerar que, em homenagem ao princípio da verdade material, que a ausência desta informação na DITR2009 (Fl. 268), não impede o seu reconhecimento, uma vez que a averbação é prova material e cabal da existência das respectivas áreas de preservação. Portanto, com razão o RECORRENTE no que se refere ao reconhecimento das áreas de preservação ambiental e reserva legal averbadas na matrícula do imóvel. Redução da alíquota do ITR em função da diminuição da área tributável. Mais uma vez faz-se necessário transcrever trecho do acórdão que decidiu sobre a área efetivamente utilizada (Fls. 218/219): Da análise das peças do presente processo, verifica-se que a glosa integral da área com produtos vegetais, de 1.816,3 ha, deu-se por falta de apresentação de elementos para comprovação dessa área declarada na DITR/2009, conforme consta da “Descrição dos Fatos” de fls. 04/05. Para a comprovação da área de produtos vegetais, de 1.816,3 ha, o contribuinte apresentou o Laudo de Avaliação da Produtividade e das Benfeitorias, de fls. 105/131, elaborado por engenheiro agrônomo e acompanhado da ART de fls. 133, indicando que existiria, no imóvel, uma área de 1.346,325 ha de lavoura de cana-de-açúcar (área menor do que aquela declarada na DITR/2009). Além do referido laudo, foi apresentado, às fls. 145/156, o Instrumento Particular de Contrato de Parceria Rural Nº GOI.AGR.201.06-REVO (fls. 145/156), com vigência de 01/09/2005 a 30/10/2010, e o Instrumento Particular de Contrato de Parceria Rural Nº GOI.AGR.054.08-REVO (fls. 157/166), com vigência de 01/09/2008 a 30/10/2012. Os objetos desses contratos são relacionados à lavoura de cana-de- açúcar, sendo para o primeiro uma área de 968,56 ha (200,116 alqueires goianos), e para o segundo, uma área de 541,21 ha (114,8 alqueires goianos). Ocorre que para a comprovação da área de produtos vegetais, além do Laudo de Avaliação e dos Contratos de Parceria, seria necessária a apresentação de documentos referentes à área plantada no período de 01/01/2008 a 31/12/2008, que dessem subsídio às informações constantes daquele documento, tais como: notas fiscais do produtor; notas fiscais de insumos; certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto); contratos ou cédulas de crédito rural; outros documentos que fundamentassem a existência dessa área. Nesta fase, foram apresentadas as notas fiscais de fls. 171/198, emitidas tanto pela GOIASA GOIATUBA ÁLCOOL LTDA, como pelo próprio impugnante. Contudo, essas notas tiveram suas datas de emissão em 2009 e 2010, sendo 14 emitidas em Fl. 382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 14 2009 e 13 emitidas em 2010. Ressalte-se que as fls. 186/187 referem-se à mesma nota, encontrando-se na mesma situação as notas de fls. 189/190 e 193/197. Assim, considerando o período de emissão dos documentos fiscais retromencionados, pode-se concluir que os mesmos encontram-se intempestivos para a comprovação que aqui se requer, que seriam as notas fiscais emitidas no ano-base de 2008 (exercício 2009), portanto, entendo que deva ser mantida a glosa integral efetuada pela Autoridade Fiscal na área de produtos vegetais, de 1.816,3 ha, nos termos da legislação pertinente. Sem dúvida, neste ponto trata-se de questão de prova que não foi trazida aos autos pelo RECORRENTE. Não há reparos a fazer no Acórdão quanto a este ponto, posto que as exigências das notas fiscais para comprovação da área de cobertura vegetal são admitidas como necessárias neste Conselho, vide antecedente: Numero do processo: 10410.723276/2014-03 Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023 Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2023 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2010 ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS. PROVA. O reconhecimento da área de produtos vegetais depende da efetiva comprovação por parte do Contribuinte, mediante a apresentação, dentre outros, dos seguintes documentos: notas fiscais do produtor, notas fiscais de insumos, certificado de depósito (em caso de armazenagem de produto), contratos ou cédulas de crédito rural. Numero da decisão: 2002-007.860 Numero do processo: 10670.001407/2004-57 Embora haja entendimento de que o Laudo Técnico seria prova suficiente e necessária para comprovar a produtividade agropecuária, o fato é que no caso em tela cumpre esclarecer que o referido documento foi produzido em outubro de 2013 e adotou a seguinte metodologia (fLs. 108/109), negritei: 4 — Metodologias Os métodos utilizados são: vistoria "in loco", em 01/10/2013, identificando e caracterizando a localização e acesso do imóvel, seus limites, o uso do solo (área de preservação permanente, de reserva legal, lavouras, pastagens, outros), construções e instalações, relevos, recursos hídricos, classes e aptidões dos solos, fitofisionomia e potencial de utilização, acompanhado pelo engenheiro agrimensor Luiz Marcos de Oliveira que sob a supervisão do RT deste laudo, realizou os levantamentos do perímetro, uso do solo(culturas, APP, RL e outros) e construções e instalações; Fl. 383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 15 o diagnóstico da propriedade, tendo como referência - o atendimento à legislação pertinente, contemplando: • o uso dos solos, demonstrado em mapa topográfico e fotos; • a produção agrícola, demonstrada pelas notas fiscais; e • A Identificação e caracterização da infraestrutura de produção, construções, máquinas e equipamentos, demonstrado em mapa topográfico e fotos; 3 A produtividade é aferida como determina os artigos. 6º e 10 da lei 8.629/1993; AS benfeitorias (construções instalações e culturas) são avaliadas considerando seus custos de reposição, à época designada, vida útil, o estado de conservação e funcionalidade, segundo item 10.2 e 10.3.2 da NBR - 14653-3; o estudo do "Demonstrativo de apuração do imposto devido, ITR", elaborado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - MF; e produção do Laudo de Avaliação da Produtividade e das Benfeitorias, no qual é contemplado a integração das observações da vistoria in loco e os índices regionais de produtividade, à luz da legislação vigente. Longe de se querer questionar a lisura de tecnicidade do laudo em questão, há uma dúvida basilar relativa a metodologia adotada. Questiona-se se uma visita in loco, realizada em 01/10/2013 estaria apta a comprovar a área de cobertura vegetal no exercício de 2008, 5 anos antes. Embora haja menção a análise de notas fiscais relativas a atividade agrícola, não se encontram referências à estas, muito menos em referência ao exercício em análise, portanto, provas suplementares, como as exigidas pela fiscalização, são imprescindíveis. Porém, por não ter sido reconhecida a isenção das áreas permanentes de preservação e reserva legal, o RECORRENTE se insurge quanto a área tributável considerada e a alíquota aplicada, nos seguintes termos (fls. 253): 79. Assim, é de rigor que as áreas de reserva legal e de preservação permanente comprovadas pelo Laudo Técnico como existentes no imóvel, as quais estão averbadas na respectiva matrícula, sejam consideradas como isentas para fins de cálculo da área tributável pelo ITR, quando então, consideradas tais áreas, a área tributável seria reduzida de 1.936 há para 1.480,61, reduzindo-se o tributo para o cenário posto nº Anexo I ao presente recurso voluntário, em função da aplicabilidade ao caso da alíquota de 0,30%. Verifica-se que as áreas isentas ora reconhecidas perfazem o total de 455,39 ha, o que implica na redução da área tributável de 1936,00ha para 1480,68ha, em conformidade com a pleiteada pelo RECORRENTE. Sem dúvida, ao proceder o reconhecimento das áreas isentas resta como consequente a diminuição da área tributável e da sua respectiva alíquota, nos termos da Lei Nº 9.393, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1996, negrito meu: Fl. 384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 16 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I - VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) III - VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; IV - área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) V - área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; VI - Grau de Utilização - GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. § 2º As informações que permitam determinar o GU deverão constar do DIAT. Fl. 385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 17 § 3º Os índices a que se referem as alíneas "b" e "c" do inciso V do § 1º serão fixados, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola, pela Secretaria da Receita Federal, que dispensará da sua aplicação os imóveis com área inferior a: a) 1.000 ha, se localizados em municípios compreendidos na Amazônia Ocidental ou no Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense; b) 500 ha, se localizados em municípios compreendidos no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; c) 200 ha, se localizados em qualquer outro município. § 4º Para os fins do inciso V do § 1º, o contribuinte poderá valer-se dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento ou parceria. § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. § 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I - comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; II - oficialmente destinados à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura.. Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicando-se sobre o Valor da Terra Nua Tributável - VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU. § 1º Na hipótese de inexistir área aproveitável após efetuadas as exclusões previstas no art. 10, § 1º, inciso IV, serão aplicadas as alíquotas, correspondentes aos imóveis com grau de utilização superior a 80% (oitenta por cento), observada a área total do imóvel. § 2º Em nenhuma hipótese o valor do imposto devido será inferior a R$ 10,00 (dez reais). (..) TABELA DE ALÍQUOTAS (Art.11) Área total do imóvel (em hectares) GRAU DE UTILIZAÇÃO - GU ( EM %) Maior que 80 Maior que 65 até 80 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 Até 30 Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00 Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00 Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30 Fl. 386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.685 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.727977/2013-98 18 Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70 Maior que 1.000 até 5.000 0,30 1,60 3,40 6,00 8,60 Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00 Assim, considerando as áreas de reserva legal e de preservação permanente que constam no documento de registro da “Fazenda Santa Luíza”, as quais, somadas, perfazem o total de 455,32 ha, averbadas em 09/01/1999, deve-se afastar a glosa relativa o que, por ser equivalente a aproximadamente 23% da área total do imóvel, não implica alteração na alíquota considerada pelo AI. Portanto, sem razão o RECORRENTE. Conclusão Diante do exposto, rejeito a preliminar suscita e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar as glosas das áreas de reserva legal e de preservação permanente que constam no documento de registro da “Fazenda Santa Luíza”, as quais, somadas, perfazem o total de 455,32 ha, averbadas em 09/01/1999. É como voto Assinado Digitalmente José Márcio Bittes Fl. 387DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10380.904531/2009-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS)
Período de apuração: 31/12/2005
Ementa: COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON DEPOIS DA NOTIFICAÇÃO.
A retificação da DCTF apenas surte efeito se transmitida antes da notificação da decisão que nega homologação à DCOMP.
Cabe ao contribuinte fazer a prova do indébito por meio de documentos contábeis que demonstrem o indébito. No caso do PIS não cumulativo é necessário comprovar as receitas que compõem a base de cálculo e as hipóteses geradoras de créditos para abatimento, assim demonstrando o valor efetivamente devido da contribuição.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-001.089
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) Período de apuração: 31/12/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON DEPOIS DA NOTIFICAÇÃO. A retificação da DCTF apenas surte efeito se transmitida antes da notificação da decisão que nega homologação à DCOMP. Cabe ao contribuinte fazer a prova do indébito por meio de documentos contábeis que demonstrem o indébito. No caso do PIS não cumulativo é necessário comprovar as receitas que compõem a base de cálculo e as hipóteses geradoras de créditos para abatimento, assim demonstrando o valor efetivamente devido da contribuição. Recurso negado.
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DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON DEPOIS DA NOTIFICAÇÃO. A retificação da DCTF apenas surte efeito se transmitida antes da notificação da decisão que nega homologação à DCOMP. Cabe ao contribuinte fazer a prova do indébito por meio de documentos contábeis que demonstrem o indébito. No caso do PIS nãocumulativo é necessário comprovar as receitas que compõem a base de cálculo e as hipóteses geradoras de créditos para abatimento, assim demonstrando o valor efetivamente devido da contribuição. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira. Relatório Fl. 131DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 08/08/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte em 15/03/2006 (fl. 1) e retificada em 13/04/2006 (fl. 6), cuja homologação foi recusada por meio do Despacho Decisório (fl. 11) sob o fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados no PER/DCOMP”. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 14/23) alegando em síntese que “cumpria ao Fisco federal (cuja pretensão é arrecadar tributos) produzir provas no sentido de comprovar sua alegação de que a compensação efetuada pelo contribuinte não foi procedida regularmente. Isto contudo não ocorreu.” (fl. 20), e que por isso, “o que se observa é a flagrante inobservânciado principio da verdade material, e consequentemente, do contraditório e da ampla defesa, haja vista que o auditor fiscal, quando da verificação dos valores informados nas Declarações da empresa, não reconheceu como devido o crédito com o respectivo valor apurado em razão do recolhimento indevido de PIS” (fl. 22), e requer a produção de prova pericial, alegando que “no presente caso, a produção de prova pericial ora requerida pela Peticionante se faz necessária como meio de contraditar a posição da autoridade fazendária e o seu indeferimento constituirá no cerceamento de defesa em processo administrativo, principio constitucional do processo” (fl. 24). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE (DRJ), por meio do Acórdão nº 0816.759, de 4 de dezembro de 2009 (fls. 65/70), manteve a decisão de não homologação, resumindo seu entendimento na seguinte ementa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazelo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. E legitima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração Fl. 132DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 08/08/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.904531/200946 Acórdão n.º 3403001.089 S3C4T3 Fl. 2 3 retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 73/92) no qual reitera os mesmos fundamentos da manifestação de inconformidade, acrescentando ainda (1) que “quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, era praticamente inviável a colação aos autos de todos os documentos e livros que corroboravam o direito alegado pelo contribuinte, haja vista que, além da vultosa quantidade de fatos a ser demonstrados em virtude do porte da empresa, a Recorrente necessitaria levantar, dento do exíguo prazo de 30 (trinta) dias, provas para comprovar o seu direito à homologação de 25 (vinte e cinco) pedidos de compensação” (fl. 79), que “os fatos alegados acima podem ser plenamente averiguados nos livros e documentos contábeis da Recorrente, tais como DACON, Balancete do período, documentos anexos” (fl. 79) e que, portanto, “o indeferimento do pedido de prova pericial, bem como o indeferimento da posterior juntada de documentos no âmbito do processo administrativo, viola expressamente o direito de defesa do contribuinte, de forma a obstar o exercício da ampla defesa e do contraditório” (fl. 80); e que, além disso, (2) “a não homologação do crédito informado no PER/DCOMP é descabida, com base no mencionado artigo 74 da Lei n°. 9.430/1966, uma vez que a Recorrente goza do direito de ver seu crédito compensado” (fl. 90). É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço (fls. 72 e 73). O recorrente se limita a alegar que por força do princípio da verdade material e da ampla defesa teria direito à realização de perícia neste processo administrativo. Ocorre que a perícia não foi concebida como meio ordinário de prova, não se podendo cogitar de sua utilização para suprir a inércia do próprio contribuinte na demonstração do seu direito. Se na atividade de lançamento é dever da Administração Tributária a fiscalização para a verificação da ocorrência conceta do fato gerador, no caso dos pedidos de restituição e compensação a perspectiva se inverte, sendo dever do contribuinte demonstrar o seu direito de crédito. Com efeito, tendo o contribuinte alegado a existência de um indébito, é dever do contribuinte produzir a prova de seu direito. É completamente descabida a pretensão do contribuinte de esquivarse do dever de demonstrar o seu direito pelo mero protesto de realização de perícia. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 08/08/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Enfim: a rejeição do pedido de perícia não viola nem o princípio da verdade material, nem o princípio da ampla defesa. Tal rejeição também não viola o art. 170 do CTN ou o art. 74 da Lei 9.430/96, pois tais dispositivos em nenhum momento deixam o contribuinte a salvo do dever de demonstrar o direito de crédito que alega. Quanto à alegação de violação ao princípio da ampla defesa pela recusa da DRJ de admtir a possibilidade de juntada de documentos, é de rigor perceber que não houve concretamente qualquer violação ao seu direito de defesa, na medida em que não se verificou nem o desentranhamento nem se deixou de apreciar e considerar qualquer dos documentos por apresentados pelo contribuinte. A propósito da alegação de violação ao princípio da verdade material, cumpre esclarecer que isto apenas se configura se a autoridade atropela ou deixa de levar em conta uma evidência demonstrada nos autos por provas idôneas e suficientes. Neste caso o contribuinte não se desincumbiu de provar a existência do seu direito de crédito. Depois de notificado do Despacho Decisório, em 03/04/2009 (fl. 13 e 48), limitouse a promover a retificação da DCTF e da DACON, em 02/05/2009 (fls. 54 e 57), e apresentálas nestes autos. Ocorre que a retificação apenas surte efeito se transmitida antes da notificação da decisão que nega homologação à DCOMP. Caberia ao contribuinte fazer prova por meio da apresentação de documentos contábeis que demonstrassem o indébito. No caso do PIS nãocumulativo, a demonstração do indébito envolve a prova das receitas que compõem a base de cálculo e prova das hipóteses geradoras de créditos para abatimento. No entanto, o contribuinte limitouse a apresentar, por ocasião da interposição do recurso voluntário, uma planilha de sua confecção e a cópia do balancete de dezembro de 2005, o que, no entender dos membros deste Colegiado, nem consubstancia prova dos dados necessários para a comprovação do indébito, nem mesmo constituindo indício suficiente que justificasse a conversão do julgamento em diligência. A mera juntada destes da planilha e do balancete, portanto, não é suficiente para a demonstração do indébito de PIS nãocumulativo. Voto, pois, no sentido de negar provimento ao recurso. Ivan Allegretti Fl. 134DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 08/08/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10380.904531/200946 Acórdão n.º 3403001.089 S3C4T3 Fl. 3 5 Fl. 135DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 08/08/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 08/08/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10380.722336/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ARGUMENTO DE EXTRAVIO DOCUMENTAL. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS MEIOS DE PROVA COMPROBATÓRIOS.
Oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quase non allegatio, ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar.
PROVAS NÃO SISTEMATIZADAS. DESCONSIDERAÇÃO.
Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendo-o com o animus de convencimento.
ALEGAÇÕES SEM PROVA. DESCONSIDERAÇÃO.
Alegar sem provar equivale a não alegar. Sem as devidas provas tendentes à demonstração fática de suposta inclusão indevida de valores de natureza indenizatória em base de cálculo de contribuição social, o argumento não pode prosperar.
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA.
O recurso voluntário interposto, apesar de ser de livre a fundamentação e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, impugnando especificamente a decisão recorrida.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO PARA CURSO SUPERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 149.
Nos termos do art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991, apenas os auxílios destinados à educação básica e à educação profissional estão excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias. As bolsas de estudo concedidas para curso superior não se enquadram nessa hipótese, devendo integrar o salário de contribuição. Aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 149, que afasta a incidência da contribuição previdenciária somente para bolsas concedidas em período anterior à vigência da Lei nº 12.513/2011, o que não se verifica no presente caso.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. RESTRIÇÃO A DETERMINADO GRUPO DE EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 182.
Nos termos do art. 214, § 9º, inciso XXV, do Decreto nº 3.048/1999, para que os valores pagos a título de prêmio de seguro de vida em grupo sejam excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, é necessário que o benefício esteja disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, conforme previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. A restrição do benefício a apenas uma categoria específica de empregados descaracteriza a isenção, ensejando a incidência da contribuição previdenciária. Aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 182.
Numero da decisão: 2102-003.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento em relação aos: a) pagamentos a título de bolsa de estudo; e b) valores referentes ao seguro de vida dos vigilantes. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Cleberson Alex Friess.
Sala de Sessões, em 13 de março de 2025.
Assinado Digitalmente
YENDIS RODRIGUES COSTA – Relator
Assinado Digitalmente
CLEBERSON ALEX FRIESS – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Debora Fofano dos Santos (substituto[a] integral), Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente) ausente(s) o conselheiro(a) Jose Marcio Bittes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Debora Fofano dos Santos.
Nome do relator: YENDIS RODRIGUES COSTA
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AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS MEIOS DE PROVA COMPROBATÓRIOS. Oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quase non allegatio, ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. PROVAS NÃO SISTEMATIZADAS. DESCONSIDERAÇÃO. Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendo-o com o animus de convencimento. ALEGAÇÕES SEM PROVA. DESCONSIDERAÇÃO. Alegar sem provar equivale a não alegar. Sem as devidas provas tendentes à demonstração fática de suposta inclusão indevida de valores de natureza indenizatória em base de cálculo de contribuição social, o argumento não pode prosperar. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. O recurso voluntário interposto, apesar de ser de livre a fundamentação e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, impugnando especificamente a decisão recorrida. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BOLSAS DE ESTUDO PARA CURSO SUPERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 149. Fl. 1478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 2 Nos termos do art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991, apenas os auxílios destinados à educação básica e à educação profissional estão excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias. As bolsas de estudo concedidas para curso superior não se enquadram nessa hipótese, devendo integrar o salário de contribuição. Aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 149, que afasta a incidência da contribuição previdenciária somente para bolsas concedidas em período anterior à vigência da Lei nº 12.513/2011, o que não se verifica no presente caso. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. RESTRIÇÃO A DETERMINADO GRUPO DE EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 182. Nos termos do art. 214, § 9º, inciso XXV, do Decreto nº 3.048/1999, para que os valores pagos a título de prêmio de seguro de vida em grupo sejam excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, é necessário que o benefício esteja disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, conforme previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. A restrição do benefício a apenas uma categoria específica de empregados descaracteriza a isenção, ensejando a incidência da contribuição previdenciária. Aplica-se ao caso a Súmula CARF nº 182. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento em relação aos: a) pagamentos a título de bolsa de estudo; e b) valores referentes ao seguro de vida dos vigilantes. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Cleberson Alex Friess. Sala de Sessões, em 13 de março de 2025. Assinado Digitalmente YENDIS RODRIGUES COSTA – Relator Assinado Digitalmente CLEBERSON ALEX FRIESS – Presidente Fl. 1479DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 3 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Debora Fofano dos Santos (substituto[a] integral), Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente) ausente(s) o conselheiro(a) Jose Marcio Bittes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Debora Fofano dos Santos. RELATÓRIO 1. O presente Processo Administrativo Fiscal trata de aplicação de Auto de Infração DEBCAD nº 37.257.059-3, fls. 2 a 21, a partir das conclusões do Relatório Fiscal de fls. 22 a 27, merecendo destaque os seguintes trechos de referido Relatório: 1. Este relatório é parte integrante do auto de infração— AI, debcad n°. 37.257.059-3, refere-se às contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais não descontada pela empresa. 2. O crédito lançado abrange as competências compreendidas no período de 01/2007 a 12/2007. 3. Enquadramento do contribuinte: CNPJ FPAS OUTRAS ENTIDADES GILRAT 07.862.634/0001-00 515-0 FNDE/SESC/SENAC/INCRA/SEBRAE CNAE: 8011- 1/01 4. Constituem fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento do crédito: • As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados; • As remunerações pagas ou creditadas no decorrer do mês aos contribuintes individuais. 2. Vale ressaltar que, em decorrência do mesmo procedimento fiscal, houve a imposição dos seguintes autos de infração, os quais foram veiculados em DEBCADs e processos administrativos diversos entre si (fl. 159): Documento Período Número Data Valor AI 01/2007 12/2007 37.257.059-3 28/06/2010 55.836,56 AI 01/2007 06/2008 37.257.060-7 28/06/2010 218.940,49 AI 01/2007 12/2007 37.257.061-5 28/06/2010 21.198,14 AI 01/2007 11/2007 37.257.056-9 28/06/2010 7.448,71 AI 06/2010 06/2010 37.257.052-6 28/06/2010 2.821,58 AI 06/2010 06/2010 37.257.053-4 28/06/2010 28.215,54 AI 06/2010 06/2010 37.257.054-2 28/06/2010 42.323,31 AI 06/2010 06/2010 37.257.058-5 28/06/2010 6.000,00 3. A empresa contribuinte interpôs impugnação, fls. 162 e 175, alegando, em síntese: a) 1. A21 — PROLABORE NÃO DECLARADO EM GFIP: que teria entregue GFIP no ano 2007, com as informações corretas; Fl. 1480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 4 b) 2. A31 — CONTRIBUINTE INDIVIDUAL NÃO DECLARADO EM GFIP: que a declaração fora feita na GFIP de maneira fidedigna; c) 3. B21 — BOLSA DE ESTUDOS DOS EMPREGADOS NÃO DECLARADOS EM GFIP: que o auxílio educação não se constitui com base para a contribuição social; d) 4. E31 — EMPREGADO VALDO SOARES DO NASCIMENTO NÃO DECLARADO EM GFIP: que o Sr. Valdo Soares no Nascimento não possui vínculo empregatício; e) . G21 — SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO PAGOS À FUNCIONÁRIOS DA EMPRESA: que os pagamentos de salários famílias foram feitos de forma devida; f) 6. S21 — SEGURO DE VIDA DO EMPREGADOS NÃO DECLARADO EM GFIP: que os seguros de vida pagos aos segurados não são objeto de contribuição previdenciária. 4. Sobre referida impugnação, adveio o Acórdão DRJ nº 10-51.523, prolatado pela 6ª Turma da DRJ/POA (fls. 1411-1435), datado de 27/08/2014, cujo dispositivo considerou procedente em parte a referida impugnação interposta pelo sujeito passivo (reduzindo o valor do crédito lançado de R$ 55.836,56, fl. 11, para R$ 55.547,24, fl. 1424), nos termos assim ementados: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ENDEREÇO PARA INTIMAÇÕES As intimações por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via no âmbito da RFB devem ser encaminhadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal federal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AI Debcad nº 37.257.059-3 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIFERENÇAS DE PRÓ-LABORE. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO EM GFIP. Os valores pagos a título de pró-labore identificados pela fiscalização na contabilidade do sujeito passivo e não declarados em GFIP integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias objeto do lançamento de ofício. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. A aferição indireta das bases de cálculo tem amparo legal nos casos em que o sujeito passivo, devidamente intimado, não apresenta ou apresenta de forma deficiente os documentos que deveriam comprovar suas alegações. REMUNERAÇÃO INDIRETA. BOLSA DE ESTUDOS. Os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo de mensalidades escolares relativas à educação superior de parte dos segurados a seu serviço integram o salário-de-contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Havendo provas no sentido de que o segurado desempenha atividades de forma pessoal, não eventual, onerosa e subordinada, integrando o conceito de segurado empregado previsto na legislação previdenciária, o lançamento deve ser feito considerando esta condição. SALÁRIO-FAMÍLIA INDEVIDAMENTE PAGO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE- CONTRIBUIÇÃO. O pagamento do salário-família pela empresa ao segurado está condicionado à apresentação de documentos diferenciados conforme a idade do filho ou equiparado. A falta de apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória, para o filho de até seis anos de idade, e de comprovação semestral de frequência à escola do filho ou equiparado, a partir dos sete anos de idade, bem como da certidão de nascimento e do termo de responsabilidade, enseja a glosa do pagamento do salário-família e a integração dos valores indevidos ao salário-de-contribuição dos Fl. 1481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 5 empregados. A apresentação dos documentos na forma requerida pela legislação permite a retificação do lançamento. REMUNERAÇÃO INDIRETA. SEGURO DE VIDA PAGO AOS VIGILANTES. O seguro de vida em grupo pago pelo sujeito passivo apenas para os vigilantes, e não a todos os seus empregados e dirigentes, não atende ao permissivo da legislação previdenciária para não integração ao salário-de-contribuição e constitui remuneração do segurado empregado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. Cinte do Acórdão proferido pela DRJ, na data de 26/11/2014, fl. 1447, a empresa contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em 22/12/2024, fls. 1450-1466, no âmbito do qual adota a seguinte estrutura de tópicos e respectivos argumentos, em síntese: DO MÉRITO: 1. A21 — PROLABORE NÃO DECLARADO EM GFIP: a empresa contribuinte entende que teria entregue GFIP no ano 2007, com as informações corretas; 2. A31 — CONTRIBUINTE INDIVIDUAL NÃO DECLARADO EM GFIP: a empresa contribuinte defende que a declaração fora feita na GFIP de maneira fidedigna; 3. B21 — BOLSA DE ESTUDOS DOS EMPREGADOS NÃO DECLARADOS EM GFIP: a empresa contribuinte que o auxílio educação não se constitui com base para a contribuição social; 4. E31 — EMPREGADO VALDO SOARES DO NASCIMENTO NÃO DECLARADO EM GFIP: a recorrente defende que o Sr. Valdo Soares no Nascimento não possui vínculo empregatício; 5. G21 — SALÁRIO FAMÍLIA INDEVIDO PAGOS À FUNCIONÁRIOS DA EMPRESA: a empresa recorrente defende que os pagamentos de salários famílias foram feitos de forma devida; 6. S21 — SEGURO DE VIDA DO EMPREGADOS NÃO DECLARADO EM GFIP: a empresa contribuinte entende que os seguros de vida pagos aos segurados não são objeto de contribuição previdenciária. 6. Ao fim de seu Recurso Voluntário (fl. 1466), além de pedidos de natureza processual relativos ao reconhecimento da tempestividade e à determinação da suspensão da exigibilidade do tributo, a empresa contribuinte requer, quanto ao mérito, a reforma do Acórdão recorrido com a desobrigação da exigibilidade do débito oriundo do Auto de Infração. 7. É o relatório, no que interessa ao feito. VOTO Conselheiro Yendis Rodrigues Costa, Relator Juízo de admissibilidade Fl. 1482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 6 8. O Recurso Voluntário é tempestivo, na medida em que interposto em 22/12/2014 (fl. 1450), em decorrência da ciência do Acórdão recorrido, ocorrida em 26/11/2014 (fl. 1447). 9. Necessário considerar que, diante do pedido formulado pela empresa contribuinte de natureza processual para a determinação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, verifica-se que não houve afronta a tal suspensão, na medida em que ausentes quaisquer apontamentos nesse sentido, no âmbito do presente processo. 10. Adicionalmente, registre-se que o presente processo será julgado juntamente com os demais processos resultantes do mesmo procedimento fiscal. 11. Diante disso, presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. 12. Ausentes alegações em sede de preliminares, passa-se à apreciação de mérito. Mérito 13. De início, necessário considerar que, por ocasião do Acórdão DRJ nº 10- 51.523, o valor do crédito tributário lançado, inicialmente de R$ 55.836,56, fl. 11, foi reduzido para R$ 55.547,24, fl. 1424, sendo este o montante objeto de controvérsia. Da alegação de que o pró-labore teria sido declarado em GFIP do ano 2007 (A31). 14. A empresa recorrente entende que teria entregue GFIP no ano 2007, com as informações corretas, relativamente ao pró-labore do sócio Leonardo Leal Mello da Silva. 15. No entanto, a recorrente formula seus argumentos de forma genérica, tal qual a sua impugnação, não exercendo o ônus da impugnação específica em face do Acórdão recorrido. 16. Veja-se o teor do Acórdão recorrido (fl. 1416): O sujeito passivo afirmou em sua impugnação que efetuou a declaração em GFIP dos valores de pró-labore do sócio Leonardo Leal Mello da Silva no ano de 2007, conforme demonstrariam as cópias das GFIPs que anexou. Ocorre que a fiscalização não relatou que o sujeito passivo não havia informado nas GFIPs nenhum valor relativo a pró-labore do sócio, mas sim que “o contribuinte deixou de informar em GFIP parte das remunerações do contribuinte individual” (item 26 do Relatório Fiscal, fls. 24 dos autos digitais). Ademais, conforme se verifica das fls. 194 a 200, as GFIPs a que o sujeito passivo se refere têm como datas de emissão 26/07/2010 ou 27/07/2010, após o encerramento da ação fiscal. Desta forma, qualquer retificação ou nova declaração que porventura tenha sido efetuada extemporaneamente não tem o condão de alterar o lançamento de ofício das contribuições devidas, acompanhadas dos correspondentes acréscimos legais, incidentes sobre a parcela da remuneração ao sócio não declarada em GFIP. 17. Assim, o Acórdão recorrido, apesar de ter indicado que as GFIPs extemporâneas, entregues após o encerramento da ação fiscal, não possuem o condão de alterar o lançamento de Ofício das contribuições devidas, a recorrente limitou seus Fl. 1483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 7 argumentos não em contrarrazoar o Acórdão recorrido, mas sim somente em repetir o teor de sua impugnação, de forma genérica, indicando que teria GFIP do ano de 2007 e que estaria correta a declaração. 18. Relevante mencionar ainda dispositivos do Novo Código de Processo Civil, diploma esse aplicado de forma suplementar (supletiva) e subsidiária ao processo administrativo tributário, que disciplina acerca do ônus da parte em provar o direito pretendido, essencialmente por meio de documentos hábeis à comprovação do direito e em respeito ao princípio do ônus da impugnação especificada (ou específica): Art. 15 Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente [...] Art. 319. A petição inicial indicará: [...] VI - As provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; [...] Art. 336. Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. [...] Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, [...] [...] Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - Ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 19. Necessário ainda mencionar o seguinte entendimento do CARF: PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. IMPUGNAÇÃO O recurso voluntário interposto, apesar de ser de livre a fundamentação e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, impugnando especificamente a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração. (Acórdão CARF nº 3201-007.498, de 18/11/2020, 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Processo nº 10410.900380/2014-10) 20. Diversos são os precedentes do CARF no sentido de que alegar e não provar é o mesmo que não alegar, a exemplo do seguinte: ALEGAÇÕES SEM PROVA. DESCONSIDERAÇÃO. Oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quase non allegatio, ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. Sem provas do alegado equívoco do lançamento quanto à inclusão de verbas indenizatórias o argumento não pode prosperar. Acórdão CARF nº 230102.337 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Fl. 1484DF CARF MF Original https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf?idAcordao=8655945 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 8 21. Assim, a empresa contribuinte não apresenta GFIPs do ano de 2007 entregues anteriormente ao encerramento da fiscalização e as respectivas guias de recolhimento, capazes de afastar o crédito tributário lançado. 22. Não merecem provimento, portanto, os argumentos genéricos da recorrente, sem a devida demonstração fática e jurídica capaz de sustentar o direito alegado. Da alegação de que a declaração de contribuintes individuais foi feita na GFIP de forma fidedigna (A31) 23. A empresa recorrente entende que teria entregue GFIP no ano 2007, com as informações corretas, relativamente aos contribuintes individuais (fls. 1453 e 1454), e que as notas fiscais não teriam “aparecido” em decorrência de extravio. 24. No entanto, consta, nas fls. 204, documentação de conclusão de fiscalização por parte da Prefeitura Municipal de Fortaleza, tendo como período fiscalizado o compreendido entre 2003 a 2008, ocasião em que a conclusão da fiscalização por parte de referida Prefeitura impõe multa à empresa Ceará Segurança pela não apresentação de documentos fiscais, ressaltando-se que entre 2005 a 2008 a própria empresa contribuinte teria indicado não possuir movimento naquela Prefeitura, sem qualquer menção a documentos extraviados, não sendo verossímeis, igualmente, as alegações da recorrente de que teria tido documentos extraviados por parte da Prefeitura de Fortaleza. 25. Relevante mencionar ainda dispositivos do Novo Código de Processo Civil, diploma esse aplicado de forma suplementar (supletiva) e subsidiária ao processo administrativo tributário, que disciplina o ônus de provar seu direito alicerçado em documentos hábeis à comprovação: Art. 319. A petição inicial indicará: [...] VI - As provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; [...] Art. 336. Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. [...] Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - Ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 26. Dessa forma, as alegações da recorrente, desacompanhadas de meios de prova, não demonstram equívoco da fiscalização quanto à exação imposta. 27. Diversos são os precedentes do CARF no sentido de que alegar e não provar é o mesmo que não alegar, a exemplo do seguinte: ALEGAÇÕES SEM PROVA. DESCONSIDERAÇÃO. Oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quase non allegatio, ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. Sem provas do alegado equívoco do lançamento quanto à inclusão de verbas indenizatórias o argumento não pode prosperar. Acórdão CARF nº 230102.337 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 28. Não merece acolhimento, portanto, o argumento da recorrente desprovido da devida comprovação. Fl. 1485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 9 Da alegação de que as bolsas de estudos não se constituiriam como base para a contribuição social (B21) 29. A empresa contribuinte defende que os gastos com auxílio educação, por terem natureza indenizatória (fl. 1457), não seriam base para contribuição social. 30. No entanto, a DRJ, no âmbito do Acórdão recorrido, esclareceu que não é todo auxílio educação que é isento de contribuição social, mas sim, e somente, aqueles relacionados à educação básica e à educação profissional, nos termos do art. 28, §9º e alínea “t”, da Lei Federal nº 8.212/1991. 31. Ficou demonstrado que as bolsas concedidas pela empresa recorrente eram destinadas ao custeio de curso superior (a exemplo dos documentos juntados ao processo de fls. 205 a 229). 32. De acordo com caso concreto, merece aplicação da súmula carf 149: “Não integra o salário de contribuição a bolsa de estudos de graduação ou de pós- graduação concedida aos empregados, em período anterior à vigência da Lei nº 12.513, de 2011, nos casos em que o lançamento aponta como único motivo para exigir a contribuição previdenciária o fato desse auxílio se referir a educação de ensino superior.” 33. Merece acolhimento, portanto, o argumento da Recorrente. Da alegação de que o Sr. Valdo Soares do Nascimento não possui vínculo empregatício com a recorrente (E31) 34. A empresa argumenta que o Sr. Valdo Soares do Nascimento não era empregado, mas sim um consultor autônomo de Recursos Humanos, prestando serviços tanto para a impugnante quanto para outra empresa. Sustenta ainda a recorrente que não haveria vínculo empregatício entre a empresa Ceará Segurança e Valdo Soares do Nascimento, pois ele não estava subordinado à empresa, não possuía horário controlado e não recebia salário fixo. 35. No entanto, segundo as provas dos autos conexos aos presentes autos, para os quais a própria empresa recorrente requer julgamento conjunto, verificou-se que o Sr. Valdo Soares do Nascimento desempenhava funções típicas de um empregado, conforme demonstrado por diversas evidências contidas na fl. 30 do processo administrativo nº 10380.722337/2010-88, merecendo destaque os seguintes trechos: 13. A fiscalização verificou também que o contribuinte deixou de inserir, no período de 01/2007 a 12/2007, nas folhas de pagamento e GFIP, o segurado empregado (Sr. Valdo Soares do Nascimento), que se apresentou como Coordenador do Setor Pessoal, conforme documentos apresentados em anexo. 14. Em entrevista realizada com o segurado, Sr. Valdo Soares do Nascimento, revelou à auditoria-fiscal que exerce a função de coordenador de pessoal e que presta serviços a empresa desde 09/2006 com a remuneração mensal no valor de R$ 3.292,00 (três mil duzentos e noventa e dois reais). 15. Pode-se comprovar a prestação de serviços pelo segurado empregado (Sr. Valdo Soares do Nascimento) no período fiscalizado através das Atas de Conciliação- Justiça do Trabalho e com pagamento de benefício, em 06/02/2007, relativo à educação a favor do segurado, constante na escrituração contábil, na conta 342020040 — Bolsa de Estudo, conforme documentação em anexo. Fl. 1486DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 10 16. Diante do exposto nos itens 8, 11, 12, 13, 14 e 15, constatou-se que a documentação foi apresentada de forma deficiente ensejando o lançamento do crédito previdenciário relativo ao coordenador de pessoal (Sr. Valdo Soares do Nascimento) por arbitramento, conforme está previsto no artigo 33, §3° da Lei 8.212/91, redação dada pela Lei 11.941, de 2009. Foi considerado como base de cálculo o valor da remuneração declarada em entrevista pelo próprio segurado empregado. 36. Nas fls. 181 a 184, do processo administrativo nº 10380.722337/2010-88, conexo ao presente processo, é possível verificar ainda que o Sr. Valdo exerceu atribuições de preposto no âmbito do Poder Judiciário Trabalhista. 37. Em razão disso, tais evidências cabais afastam a alegação da empresa contribuinte de que o Sr. Valdo seria mero consultor, o qual, em síntese, demonstra-se como empregado, na medida em que: o próprio segurado se apresentou à fiscalização como Coordenador do Setor Pessoal, declarando que prestava serviços à empresa desde 2006, recebendo remuneração mensal de R$ 3.292,00; assinou termos de intimação da fiscalização em papel timbrado da empresa, identificando-se como Coordenador de Pessoal; atuou como preposto da empresa em audiências trabalhistas, o que, conforme a Súmula 377 do TST, exige vínculo empregatício; recebeu bolsa de estudos custeada pela empresa, o que reforça a tese de vínculo empregatício. 38. Dessa forma, não merece provimento o presente argumento da recorrente, pois restou demonstrado que o Sr. Valdo Soares do Nascimento possuía vínculo empregatício com a empresa, mantendo-se as exações lançadas sobre referido segurado. Da alegação de que o Salário Família teria sido pago de forma devida (G21) 39. A empresa recorrente aduz ainda que teria pago Salário Família de forma devida (fl. 1462 e 1463). 40. A recorrente aduz que os pagamentos de salário-família teriam sido realizados de forma legal e de forma amparada na documentação necessária apta à demonstração da legalidade, nos seguintes termos do Recurso Voluntário (fl. 1463): Para o recebimento do salário família, em suma, são necessários 04 documentos, senão vejamos: 1. Termo de Responsabilidade do empregado. 2. Certidão de Nascimento do(s) filho(s). 3. Caderneta de Vacinação do(s) filho(s) com idade de 00 a 07 anos. 4. Comprovante Escolar do(s) filho(s) com idade de 07 a 14 anos. Fl. 1487DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 11 Ocorre V. Sas., que o Sr. Auditor-Fiscal Arsenito Teixeira Aragão procedeu à indevida autuação sem realizar a completa análise dos documentos em poder da autuada (Ceará Segurança), e com isto, foi gerado o presente e malsinado auto de infração. No intuito de bem comprovar o que fora dito em linhas pretéritas, qual seja, de que em tempo algum fora pago pela Ceará Segurança salários famílias indevidos, juntamos toda documentação referente aos salários famílias pagos aos funcionários da autuada, por ser de direito. 41. Assim, a empresa aduz que teria juntado a documentação referente aos salários- família pagos aos funcionários da autuada; no entanto, não promoveu a recorrente a devida correlação entre cada funcionário e os respectivos meios de prova supostamente apresentados. 42. Assim, não basta alegar a matéria de direito desacompanhada da matéria fática devidamente sistematizada, referenciada e organizada, não assistindo razão de direito, à empresa contribuinte, que, apesar de mencionar o direito aplicável supostamente regular, não identifica os respectivos documentos relativos a cada um dos funcionários nas fls. 35 a 106. 43. A precariedade da demonstração se deve ao fato de que a empresa contribuinte se limitar a indicar que teria apresentado os documentos, sem que os tenha referenciado, de forma que possam ser examinados. 44. Veja-se o seguinte precedente do CARF acerca da disponibilização pelo contribuinte de forma não detalhada e organizada dos meios de prova: Acórdão CARF nº 2301-004.832 Número do Processo: 10880.721251/2012-69 Data de Publicação: 10/10/2016 Contribuinte: RAIZEN ENERGIA S.A Relator(a): FABIO PIOVESAN BOZZA Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PRODUÇÃO DA PROVA. Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendo-o com o “animus” de convencimento. [...] Dessa forma, deixando de especificar e detalhar os valores supostamente integrantes do total de imposto de renda na fonte que entende lhe ser de direito, inviável o reconhecimento do crédito pretendido. 45. Dessa forma, além de não observar o princípio processual da cooperação, por ausência de disponibilização sistemática e referenciada dos meios de prova que alega possuir, deixa precluir o seu direito de apresentar as provas supostamente existentes e alegadas. 46. Necessário considerar ainda que argumentar e não provar é o mesmo que não alegar, merecendo destaque, ainda, os seguintes precedentes do CARF: “Alegar e não provar, sem trazer nada para contrariar o trabalho existente é o mesmo que não alegar.” Acórdão nº 2202¬01.673 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2012 *** “Alegar e não provar é o mesmo que não alegar.” Acórdão nº 2202-008.151 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2021 Fl. 1488DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 12 *** “Alegar e não provar é o mesmo que não alegar.” Acórdão nº 2202-009.741 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2023 47. Necessário ainda indicar trechos do Acórdão recorrido (fl. 1422), indicando a precariedade da apresentação de meios de prova por parte da empresa contribuinte: O sujeito passivo teve duas oportunidades durante o procedimento de fiscalização para apresentar a documentação relativa ao pagamento de salário-família no período 01/2007 a 12/2007. Em 29/01/2010, foi intimado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, e em 20/05/2010 foi intimado por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 02. Não tendo apresentado todos os documentos requeridos, a fiscalização efetuou a glosa das quotas de salário-família pagas sem observância da documentação e dos requisitos necessários à sua concessão e manutenção, que foram consideradas salário-de contribuição dos segurados empregados. 48. Alegar a existência da prova, sem evidenciá-la adequadamente no processo, quando lhe incumbe legalmente não somente evidenciá-la, mas também organizá-la e sistematizá- la, portanto, enseja a preclusão relativamente à apresentação desse meio de prova, sem a qual, implica a não demonstração do direito aludido, não merecendo acolhimento, portanto, o argumento da recorrente nesse sentido. Da alegação de que os seguros de vida pagos aos vigilantes não seriam base para contribuição social (S21) 49. A empresa contribuinte entende que os seguros de vida pagos aos segurados não são objeto de contribuição previdenciária (fls. 1464 A 1466). 49. Assim, a recorrente defende que os seguros de vida pagos aos vigilantes (de forma geral somente aos vigilantes, e não a todos os demais colaboradores da empresa) não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias (fl. 1466). 50. No entanto, o entendimento da empresa recorrente vai de encontro ao que dispõe o Decreto Federal nº 3.048/1999, nos seguintes termos: Art. 214. Entende-se por salário-de-contribuição: [...] § 9º Não integram o salário-de-contribuição, exclusivamente: [...] XXV - o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9 o e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. 51. A legislação prevê, portanto, que a restrição do pagamento de seguro de vida somente a determinado segurado ou determino grupo de segurados, sem que se amplie a sua oferta a todos os segurados da empresa, no caso concreto aplico a súmula 182 CARF: Fl. 1489DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3048.htm#art214%C2%A79xxv D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 13 “O seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, não se inclui no conceito de remuneração, não estando sujeito à incidência de contribuições previdenciárias, ainda que o benefício não esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho.” 52. Merece acolhimento, portanto, o argumento da recorrente. Conclusão 53. Diante do exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, e, no mérito, dar-lhe parcial provimento. Assinado Digitalmente Yendis Rodrigues Costa DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Cleberson Alex Friess Convém dizer breves palavras sobre as razões pelas quais acompanhei o voto do I. Relator. Quanto ao pagamento de bolsa de estudo, assim consta do Relatório Fiscal (fls. 24): (...) 23. Foi constatado através da contabilidade, conta 342020040 – Bolsa de Estudo, no período 02/2007 a 12/2007, o pagamento de despesas com educação referentes a cursos superiores de segurados empregados da empresa, relacionados no Relatório de Lançamentos – RL em anexo. 24. A fiscalização verificou que o benefício concedido relativo à educação corresponde ao pagamento de cursos superiores de graduação e/ou pós- graduação, além de não ser extensivo a todos empregados da empresa. 25. Diante do exposto, os valores pagos pela empresa a título de ajuda de custo na educação dos empregados, integram o salário-de-contribuição sendo considerados como remuneração indireta, tendo em vista que o valor pago relativo ao benefício não está alcançado pela exclusão prevista na alínea “t”, § 9º, art. 28 da Lei 8.212/91. (...) Ao examinar a matéria, a decisão recorrida consignou (fls. 1419): (...) Fl. 1490DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.623 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722336/2010-33 14 O sujeito passivo não comprovou que os pagamentos foram efetuados para cursos de capacitação e qualificação profissional nos termos do inciso III, § 2º, artigo 39 da Lei nº 9.394/1996, introduzido pela Lei nº 11.741/2008. Ademais, embora a impugnante tenha afirmado que o benefício estava disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, o que também é requisito para não integração da verba ao salário-de-contribuição, não trouxe nenhuma comprovação neste sentido. (...) Extrai-se do acervo probatório que a autoridade fiscal afirmou que a oferta de bolsas de estudo não era extensiva a todos os empregados da empresa. Porém, não trouxe qualquer elemento documental comprobatório, tampouco esclarecimentos dos fatos. Por outro lado, a recorrente declara que o benefício estava disponível a totalidade dos empregados, sem produzir prova documental. Em ambos os casos, são afirmações despedidas de documentação para demonstrar os fatos, o que prejudica a avaliação do órgão julgador. Ocorre que a prova incumbe a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado. Outrossim, a presunção de legitimidade dos atos administrativos não exime a fiscalização de demonstrá-lo, na medida em que a motivação do lançamento deve encontrar respaldo em provas (art. 9º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Ainda que seja parcela não integrante do salário-de-contribuição, desde que atendidos os requisitos da lei, a autoridade fiscal nem mesmo esclarece quais as razões que a levaram a concluir que o pagamento de cursos superiores de graduação e/ou pós-graduação não era extensivo a todos empregados da empresa. Em consequência, inviável pressupor tal circunstância apenas com exame dos lançamentos contábeis, em determinado período. Nesse contexto da acusação fiscal, entendo que remanesce válido apenas um único fundamento para exigir a contribuição previdenciária, qual seja que o auxílio se refere à educação de ensino superior. Em consequência, aplicável o enunciado sumulado nº 149 deste Tribunal Administrativo: Súmula CARF nº 149 Não integra o salário de contribuição a bolsa de estudos de graduação ou de pós- graduação concedida aos empregados, em período anterior à vigência da Lei nº 12.513, de 2011, nos casos em que o lançamento aponta como único motivo para exigir a contribuição previdenciária o fato desse auxílio se referir a educação de ensino superior. Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess Fl. 1491DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto
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